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Quando em meu peito rebentar-se a fibra,


Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura


A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio


Do deserto, o poento caminheiro,
ʹ Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh͛alma errante,


Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade ʹ é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade ʹ é dessas sombras


Que eu sentia velar nas noites minhas͙
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai͙ de meus únicos amigos,


Pouco - bem poucos ʹ e que não zombavam

Poema da segunda geração romântica, conhecida tb como Ultraromantismo. O tema é a


morte, a desilusão com a vida. A morte aqui é vista como escapismo, ou seja, o eu lírico não
aceita a realidade e encontra na idéia da morte, refúgio para seus conflitos interiores. Ele é tão
indignado com a vida que afirma "deixá - la como quem deixa o tédio." Aponta os sentimentos
que seriam sentidos pelos parentes que para ele são seus únicos amigos. É latente o
pessimismo do eu lírico no poema, isso nada mais é do que uma das características do
Ultraromantismo.
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ia 1ª- estrofe o poeta diz que se morresse amanhã sua irmã lhe fecharia os olhos, sua mãe
morreria de saudades ͞se ele morresse amanhã, veja que nessa estrofe o poeta iniciou e
terminou com o verso se eu morresse amanhã. Podendo ser encarado como uma probabilidade
já que o verbo esta no futuro, e na 2ª- estrofe ele lamenta que seu futuro seria cheio de gloria e
que o tempo que viria seria perdido se ele morresse amanha͟.
ia 3ª- estrofe ele lamenta o Sol, o Céu e a iatureza que são bonitos, mais que ele não veria
tudo isso se ele morresse amanha. ia 4ª- e última estrofe ele reclama da dor da vida que o
devora a ânsia da glória dolorida, mas tudo isso acabaria se eu ele morresse amanha.
E interessante ressaltar que cada estrofe e terminada com o verso ͞Se eu Morresse Amanhã,
que também da titulo ao poema, essa repetição no final de cada estrofe nos deixa claro que
tudo só seria possível se ele morresse e se ele não morresse nada se realizaria, nada
aconteceria͟.

Nos chegamos á conclusão que realmente os traços macabros existem na poesia de Álvares de
Azevedo,
E que os dois poemas que analisamos ͞Lembrança de Morrer e Se eu Morresse Amanhã,
apresentam esses traços, além de termos comprovando a existência de aspectos pessoais da
vida do autor com os dois poemas analisados, tendo feito a analise passo a passo, foi possível
chegarmos a essa conclusão. O Texto do Antônio Cândido foi útil para nos apoiar na nossa tese
já que a poesia de Álvares de Azevedo apresenta traços fúnebres e macabros, foi feito também
uma analise dos aspectos fúnebres, da estrutura de cada um dos poemas, das contradições e
uma analise interpretativa de cada poema feita estrofe por estrofe. Porém ao chegarmos a tal
conclusão nos surge uma pergunta será que o poeta queria que suas poesias tivessem esses
traços ou apenas escrevia para se lamentar da vida angustia que levava͟.
Essas e outras perguntas só poderão ser respondidas, após
Muitas pesquisas e interpretações de seus poemas.
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Para começarmos a pensar sobre poesia, podemos tomar como exemplo o soneto, um dos
mais clássicos tipos de poema. Ele é composto por 14 versos, divididos normalmente em
quatro estrofes: dois quartetos (estrofe com quatro versos) e dois tercetos (com três versos).
Vejamos um exemplo clássico:


 
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.

Fino artista chinês, enamorado,


Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.

Mas, talvez por contraste à desventura,


Quem o sabe?... de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura;
Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a,
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa

Esse poema foi escrito por Alberto de Oliveira (1857-1937), um dos fundadores da Academia
Brasileira de Letras e que foi aclamado, em 1924, como o Príncipe dos Poetas Brasileiros.
Mas o que vem a ser poesia? Será que poetar é escrever um texto que tenha forma de poema?
Desde a Antiguidade, as classificações poéticas privilegiam as questões estruturais do texto,
dando pouca importância ao seu conteúdo. O período parnasiano, a que pertencia Alberto de
Oliveira, é o maior exemplo disso.
Mas no mesmo contexto do Parnasianismo (final do século XIX), havia outras correntes de
pensamento. As experimentações e inovações da linguagem, trazidas por artistas que
desejavam expressar-se de outra forma que não a clássica, alteraram em muito as técnicas de
produção do texto poético. A utilização de uma linguagem mais livre e menos objetiva levou os
poetas a usarem um recurso que existia há muito tempo, mas que era renegado pelos padrões
tradicionais de escrita: o verso livre.

Por meio desse recurso, o poema em prosa e a fragmentação do verso se tornaram possíveis.
io Modernismo e no decorrer do século XX, o verso deixou de estar ligado somente à poética
clássica e passou a ser muito mais livre, chegando a possuir vida própria, como a poesia
concreta veio a pregar posteriormente. ios dias de hoje, fazer poesia não significa apenas
escrever versos. É se colocar no texto. É arriscar. É lançar idéias. É sentir. É pensar. É estar
pronto para o debate. É se mostrar e não permanecer em silêncio quando o mundo precisa ser
denunciado.
Poesia não se define, lê e identifica a magia e o amor com um vaso chinês... que ele captou por
seu amor, com sua visão de poeta. Ele transmite seu amor através dos ramos vermelhos, como
sangra seu coração apaixonado.

 


Esta, de áureos relevos, trabalhada


De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de os deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia


Então e, ora repleta ora esvaziada,
A taça amiga aos dedos seus tinia
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois... Mas o lavor da taça admira,


Toca-a, e, do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas há de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se de antiga lira


Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa a voz de Anacreonte fosse.

Em Vaso grego - Foi de todos os parnasianos o que mais permaneceu atado aos mais rigorosos
padrões do movimento. Manipulava os procedimentos técnicos de sua escola com precisão,
mas essa técnica ressalta ainda mais a pobreza temática, a frieza e a insipidez de uma poesia
hoje ilegível. Tinha como características principais da sua poesia a objetividade, a
impassibilidade e correção técnica, a excessiva preocupação formal, sintaxe rebuscada e a fuga
ao sentimental e ao piegas. ia poesia de Alberto de Oliveira, portanto, encontramos poemas
que reproduzem mecanicamente a natureza e objetos descritivos. Uma poesia sobre coisas
inanimadas.
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Poema composto para servir de introdução ao livro Broquéis, transformando-se em síntese do


Simbolismo, é a maior expressão de sinestesia, que se dilui no vago, no abstrato.?
Desde os primeiros versos o autor expressa sua fixação pelo branco ³Ó Formas alvas, brancas.
Formas claras,/ De luares, de neves, de neblinas!.../ através de sinônimos ou de palavras que
remetem a essa cor. (num total de nove, apenas na 1ª estrofe)?
jm todo o poema estão presentes as maiúsculas alegorizantes: Ó Formas... De Virgens...
Harmonias da Cor e do Perfume... Horas do Ocaso... Do Éter... quiméricos do Sonhos...
característica típica do Simbolismo.??

A Sinestesia, a grande ³estrela´ desse estilo, envolve todo o poema como nos versos ³Que
brilhe a correção dos alabastros / Sonoramente, luminosamente´ em e que os dois advérbios
exprimem magnificamente a dupla procura da música e da cor; ³Harmonias da Cor e do
Perfume´ ampliam esse universo com a presença do cheiro...??

A gradação que se segue após o pronome indefinido no verso: ³Tudo! vivo e nervoso e quente
e forte´ é reforçada pela palavra ³turbilhões´ que explode entre o limite do mundo material e do
sono, no poema, representado pela palavra Morte.??

jm ³Dormência de volúpticos venenos´, ³Sutis e suaves...´o emprego da aliteração produz


efeitos musicais que se incorporam à sugestão que o som sibilante do fonema /ç/ evoca em
todo o primeiro quarteto e, por inúmeras vezes, repetido ao longo do poema.??

Livro da fase inicial, percebe-se ainda nitidamente o subjetivismo como uma angústia
represada que de forma mística, quase religiosa conclama a uma nova ordem de realização
poética: ³Ó Formas alvas... Ó Formas vagas... Fecundai (tu) o Ministério destes versos...´?
Assim a linguagem de cunho simbolista está presente em todo o texto: a sugestão: ³Ó Formas
vagas, fluidas, cristalinas´, ³Do Sonhos as mais azuis diafaneidades...´ ± ou de cunho religioso:
³De Virgens e Santas vaporosa..., ³Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume´.?
Como se fossem pincéis espalhando cores e matizes diversos, as palavras surgem revelando
um cromatismo poético que nos remetem:?
- ao branco: ³alvas´, ³brancas´, ³claras´, ³luares´, ³neves´, ³neblinas´, ³cristalinas´, ³puras´,
³virgens´, ³lírios´, ³alabastros´, ³aras´?
- ao azul: ³Éter´(espaço celeste), ³azuis diafaneidades´?
- ao amarelo: ³pólen de ouro´, ³áureas correntezas´, ³Fulvas´, ³do sol´?
- ao vermelho: ³Horas do Ocaso´, ³vermelhidões´, ³chagas em sangue´??

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