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Acidentes Radioativos

Ranna Jucicleide Karla

Geralmente, a radiação refere-se a ondas ou partículas de alta energia emitidas por fontes
naturais ou artificiais (geradas pelo homem). As lesões dos tecidos podem ser provocadas por
uma breve exposição a altos valores de radiação ou então por uma exposição prolongada a
baixos níveis. Alguns efeitos adversos da radiação duram pouco tempo. Outros provocam
doenças crônicas.

Lesões causadas pela radiação

Os primeiros efeitos de doses elevadas tornamse óbvios em questão de minutos ou nos dias
posteriores à exposição. Outros efeitos só são evidentes semanas, meses e até anos depois.
As mutações do material genético celular dos órgãos sexuais só se podem tornar evidentes se
a pessoa exposta à radiação tiver filhos. Essas crianças podem nascer com defeitos genéticos.

Os efeitos devastadores da radiação

O que acontece quando há liberação de material radioativo no meio ambiente?

Quando uma pessoa é afetada por uma alta dose de radiação, os primeiros sintomas são
náusea, fadiga, vômitos e diarréia, seguidos por hemorragia, inflamação da boca, da garganta
e queda de cabelo. Nos casos graves, há colapso de várias funções vitais, e a vítima pode
morrer em 4 semanas ou bem menos. Outro grande problema é o longo tempo que um material
radioativo leva para decair (perder a radioatividade). Todo isótopo radioativo tem uma meia
vida, tempo necessário para a atividade dele ser reduzida à metade da sua atividade inicial. A
meia vida do césio-137 (um dos mais radioativos subprodutos da fissão do urânio) é de 30
anos, a do plutônio-239 é de 24.400 anos, a do urânio-235 é de 713 milhões de anos, e a do
rádio-226, natural, 1 600 anos.

Classificação dos acidentes radioativos

Devido à diferente natureza dos eventos, é melhor dividi-los em acidentes nucleares e "de
radiação . Um exemplo de acidente nuclear pode ser aquele no qual o núcleo do reator é
danificado, tal como em Three Mile Island, enquanto um acidente de radiação pode ser um
evento de acidente de Medicina Nuclear, onde um trabalhador derruba a fonte de radiação (a
substância radioativa: o radionucleotídeo) num rio. Estes acidentes de radiação, tais como
aqueles envolvendo fontes de radiação, como os radionucleotídeos usados para a elaboração
de radiofármacos, frequentemente têm tanta ou mais probabilidade de causar sérios danos aos
trabalhadores e ao público quanto os bem conhecidos acidentes nucleares, possivelmente
porque dispositivos de Tomografia por emissão de positrões (PET), a cintilografia e a
radioterapia (braquiterapia), designadamente, estão presentes em muitos dos hospitais e o
público em geral desconhece seus riscos. Foi o caso, por exemplo, do acidente radiológico de
Goiânia, Brasil.

Tipos de acidentes radioativos

Acidente crítico; Deterioração térmica; Transporte; Falha do equipamento; Erro humano; Perda
de fonte;

Acidentes críticos

O acidente em Chernobil é um exemplo de acidente crítico e de escape de energia em reatores


nucleares. No acidente de menor escala em Sarov, um homem trabalhando com urânio
altamente enriquecido sofreu irradiação quando tentava realizar uma experiência com uma
esfera de material físsil. O acidente de Sarov é interessante porque o sistema permaneceu em
estado crítico durante muitos dias até que pudesse ser detido. Este é um exemplo de um
acidente de âmbito limitado em que poucas pessoas podem sofrer ferimentos, já que não se
produz escape de radioatividade. Um exemplo bem conhecido deste tipo de acidente ocorreu
no Japão em 1999.

Deterioração térmica

São os produzidos por operação fora dos limites de temperatura de funcionamento de um


reator. Por exemplo, em Three Mile Island, o vazamento do líquido de refrigeração uma vez
interrompida a reação nuclear, em um reator de água pressurizada, produziu um acréscimo de
temperatura por falta de água para resfriá-lo. Como resultado o combustível nuclear sofreu
danos e a estrutura interna do reator fundiu-se.

Transporte

Acidentes de transporte podem causar uma liberação de radioatividade resultando na


contaminação ou danos na blindagem causando irradiação direta. Em Cochabamba um
aparelho de radioterapia com raios gama com defeito foi transportado num ônibus de
passageiros como carga. A fonte gama estava fora da blindagem, e irradiou alguns
passageiros. No Reino Unido, foi revelado em um recente caso judicial que uma fonte de
radioterapia foi transportada de Leeds a Sellafield em blindagem com defeito. A blindagem
tinha uma abertura na parte inferior. Considerou-se que nenhum ser humano foi seriamente
ferido pela radiação que escapou.

Falha do equipamento

Recentemente em Bia ystok, na Polônia, os dispositivos eletrônicos associados a um


acelerador de partículas, usado para o tratamento de câncer, tiveram um mau funcionamento.
Isto levou pelo menos um paciente a sofrer sobre-exposição. Embora a falha inicial fosse
simples -(um diodo semi condutor)-, ela desencadeou uma série de eventos que levaram a
ferimentos por radiação. Outra causa relatada de acidentes é a falha do software de controle,
como nos casos envolvendo o equipamento de radioterapia Therac-25: a eliminação do
intertravamento de segurança por hardware em um novo modelo expôs um defeito não
detectado previamente no software de controle, o qual poderia levar os pacientes a receber
doses excessivas de radiação sob condições de ajuste específicas.

Erro humano

Por exemplo, uma pessoa que calcula erradamente a atividade da fonte de teleterapia. Isto
levaria o paciente a receber a dose errada de raios gama. No caso de acidentes de
radioterapia, uma sub-exposição é um acidente tanto quanto uma sobre-exposição, já que os
pacientes não receberiam os benefícios do tratamento prescrito. Em 1946, o físico canadense
Louis Slotin, do Projeto Manhattan, realizou um experimento de risco conhecido como
cutucando o rabo do dragão que envolvia dois hemisférios de berílio reflector de nêutrons,
mantidos juntos em torno de um núcleo de plutônio levando à sua criticalidade. Os hemisférios
foram distanciados por uma chave de fendas, que escorregou e levou a uma reação em cadeia,
enchendo a sala com radiação danosa e um flash de luz azul (devido à ionização do ar). Slotin,
por reflexo, separou os hemisférios em reação ao flash de luz azul, evitando radiação adicional
aos demais trabalhadores presentes na sala. Porém Slotin absorveu uma dose letal de
radiação e morreu na semana seguinte.

Perda de fonte

Acidentes por perda de fonte são aqueles em que uma fonte radioativa é perdida, roubada ou
abandonada. A fonte pode então causar danos a seres humanos ou ao ambiente. Por exemplo,
em Lilo onde fontes foram abandonadas pelo exército soviético. Outro caso ocorreu em
Yanango, onde uma fonte de radiografia foi perdida. Também em Samut Prakarn uma fonte de
teleterapia de cobalto foi perdida e em Gilan , no Irã, uma fonte de radiografia feriu um
soldador. Porém o melhor exemplo deste tipo de evento é o acidente de Goiânia que ocorreu
no Brasil.

Principais acidentes radioativos

Em 1957 escapa radioatividade de uma usina inglesa situada na cidade de Liverpool. Somente
em 1983 o governo britânico admitiria que pelo menos 39 pessoas morreram de câncer, em
decorrência da radioatividade liberada no acidente. Documentos secretos recentemente
divulgados indicam que pelo menos quatro acidentes nucleares ocorreram no Reino Unido em
fins da década de 50. Em dezembro de 1957, o superaquecimento de um tanque para resíduos
nucleares causa uma explosão que libera compostos radioativos numa área de 23 mil km2.
Mais de 30 pequenas comunidades, numa área de 1.200 km , foram riscadas do mapa na
antiga União Soviética e 17.200 pessoas foram evacuadas. Um relatório de 1992 informava
que 8.015 pessoas já haviam morrido até aquele ano em decorrência dos efeitos do acidente.
Em março de 1979, a usina americana de Three Mile Island, na Pensilvânia, é palco do pior
acidente nuclear registrado até então, quando a perda de refrigerante fez parte do núcleo do
reator derreter.

Principais acidentes radioativos

Em abril de 1986 ocorre o maior acidente nuclear da história (até agora), quando explode um
dos quatro reatores da usina nuclear soviética de Chernobyl, lançando na atmosfera uma
nuvem radioativa de cem milhões de curies (nível de radiação 6 milhões de vezes maior do que
o que escapara da usina de Three Mile Island), cobrindo todo o centro-sul da Europa. Metade
das substâncias radioativas voláteis que existiam no núcleo do reator foram lançadas na
atmosfera (principalmente iodo e césio). A Ucrânia, a Bielorússia e o oeste da Rússia foram
atingidas por uma precipitação radioativa de mais de 50 toneladas. As autoridades informaram
na época que 31 pessoas morreram, 200 ficaram feridas e 135 mil habitantes próximos à usina
tiveram de abandonar suas casas. Em setembro de 1987, a violação de uma cápsula de césio-
137 por sucateiros da cidade de Goiânia, no Brasil, mata quatro pessoas e contamina 249. Três
outras pessoas morreriam mais tarde de doenças degenerativas relacionadas à radiação.

Acidente com o Césio-137

Um dos maiores acidentes com o isótopo Césio-137 teve início no dia 13 de setembro de 1987,
em Goiânia, Goiás. O desastre fez centenas de vítimas, todas contaminadas através de
radiações emitidas por uma única cápsula que continha césio-137. O instinto curioso de dois
catadores de lixo e a falta de informação foram fatores que deram espaço ao ocorrido. Ao
vasculharem as antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia (também conhecido
como Santa Casa de Misericórdia), no centro de Goiânia, tais homens se depararam com um
aparelho de radioterapia abandonado. Então tiveram a infeliz ideia de remover a máquina com
a ajuda de um carrinho de mão e levaram o equipamento até a casa de um deles. Ele se
encantou com o brilho azul emitido pela substância e resolveu exibir o achado a seus
familiares, amigos e parte da vizinhança. Algumas horas após o contato com a substância,
vítimas apareceram com os primeiros sintomas da contaminação (vômitos, náuseas, diarréia e
tonturas).

Referências Bibliográficas:

http://www.library.com.br/Filosofia/nucleare.htm

http://ongamapira.blogspot.com/2010/05/o-perigo-dos-acidentes- nucl

http://www.medio.com.br/index.php?option=com content&task=view&id=
http://www.manualmerck.net/?id=305

Obrigada