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leitar bide ver jd a seguir que 0 autor quanto nada de cientifica, Seré exacten iemtfico nem falro, 20 mesma tempa © svToR 1 AS PESSOAS POEM NOMES A TUDO E A SI PROPRIAS TAMBEM. Das duas uma: ou as pessoas se fazem a0 nome que Ihes puseram ‘no baptismo, ou ele tem de seu o bastante para marcar a cada um, Serd imprudente deduzit 0 nome préprio através: das fisionomias ou dos caracteres; no entanto, uma vez conbecido o nome préprio de uma pessoa, ficamos logo convencidos de que este Ihe assenta muito bem, Jules Renaed tirou um espléndido retrato da vaca em tama cual: «On Pappelle la vache et c'est le nom qui lui va le mieux.» Como vedes, este corpo-inteito est extraordinariamente parecido, € vaca por todos os lados, Por sorte, a vaca nfo tem apelidos de familia para the compli- carem a existéncia, Mas, como € animal doméstico, vem a darlhe na ‘mesma que tenha ou que néo tenha apelidos. O ser animal doméstico faz com que fique dentro da citcunscriglo dos apelidos da familia em casa de quem serve. As vacas chamam-se © os donos das vacas apeli dase. A vaca € «Pombay, «Estrela», «Aurora» ou «Vitéria» como uma pessoa podia ser apenas Jo domes- ticidade que leva a estas desig da fria enumerasio, Sio efeitos da gentileza com facilidades para distinguir. Mas a verdade é que o facto de algném ser Joana ou Manuel jé € mais ddo que ser apenas homem ou mulher. Ser homem ou mulher € apenas @ natureza; chamar-se Joo ou Manuela jé € a natureza mais a vida inteisa: € o problema, E se o Jofo é Sousa ea Manuela é Pereira, entio, A natureza e A vida couse 0 problema Ser Sousa ou Pereira ou outros apelidos quaisquer € logo uma avore genealégica temanha que, embors o proprio a desconheca, tem we-sethes ainda por cima a existéncia e compli- somos nas drvores que esti a nossa diferenga. feitamnente que 2 cada wm aconteceu qualquer coisa que aio is ninguém. E aconteceu-nos antes ainda de nds termos Ease segredo do nosso sepredo. Esse que niio se vé da drvore seno 0 que esté mesmo ao pé do feuto, e até isto quase sempre se ignora muitas vezes mentiu-se. Gontudo, o fruto E que € 0 nosso instinto sent uma meméria. que é nossa © que intes de termos nascido? Eo nosso feitio moral € 0 fisico? E a nossa vontade? E a nossa tendéncia? Ea nossa vocagiio? Nio ver tudo isto de Jonge, de viva no atinge, mas que apesar disso vem ditigindo-se para cada um de nés le séculos © séculos, desencontrados, de altos © baixos, como is ou como pédle ser? Néo! Nfo somos um fruto qualquer, somos como qualquer outro fruto. Cato est que todo aquele que tenha a veleidade de querer servin-se da sua drvore gencalégica como de uma estatistica para deduzir-se nifo faz sendo aleijrse. Como antes se disse, completamente imponsvel conhecer toda no E mesmo © contrétio de cigncia: mi 86 em cada um de nés! Um verdadeito mistério humano, que ultrapassa a sociedade © a ciéncia, que respira apenas ar de Arte e de Religiio! 1 A SOCIEDADE SO TEM QUE VER COM TODOs, NAO TEM NADA QUE CHEIRAR COM CADA UM Cada um tem o destino universal de fazer consigo mesmo 0 modelo cde mais uma estétua humana, E esta fabrica-se apenas com intimo pessoal, © nosso fntimo pessoal ¢ inatingivel por outrem. E é este 0 fun- damento de toda a humenidade, de toda a Arte ¢ de toda « Religifc. © nosso fntimo pessoal é de ordem humana, estética e sagrada. Serve apenas 0 prdprio. 0 seu tinico caminho. O melhor que se pode fazer cm favor de qualquer & ajudielo a entregarse a si mesmo, Com 0 seu fntimo pessoal cada um poderd estar em toda a parte, sejam quais forem as condigies sociais, as mais favordveis c as mais adversas. Sem ele, nem pata fazer némero se aproveita ninguém, A individualidade e @ personalidade so florescéncias desse invi sivel do nosso set « que chamamos © nosso intimo, Tudo quanto de bom ou de mau, de éptimo ou de péssimo, exist em cada qual nasceu com cle ¢ formou-se sectetamente, intimamente, a despeito de todo o aspecto que Ihe venha do exterior, de toda a educagio e acco albcias, © papel da sociedade € imediatamente mais evidente sobte cada pessoa do que 0 atropelado movimento das geragées que a antecedetam «Ihe detcrminaram 0 sew sangue, mas aquela néo vale esta, Que uma pessoa tome a seu cargo ditigit 0 préprio des ela, Que seja a sociedade quem se propo: © mais que neste caso poders a sociedade