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ULTURA LU < a Oo E 2 «A TEORIA DA ADMINISTRACAO» Segundo Henry Fayol ELVIRA PEREIRA * FERNANDO ALMEIDA ** Henry Fayol nasceu em 1841 na Franga. Com 19 anos apenas formou-se em Engenharia de Minas, tendo sido admitido a partir dessa data na Companhia Com: mentry — Fourchambault, onde exerceu 0 cargo de Director de minas. ‘A sua vida foi sempre marcada por grande sucesso profissional, tendo, a par tir da sua indicacao para a Direc¢ao da Empresa em 1888, conseguido tiré-la de uma situaco de quase faléncia. Desde 1881, data em que se retirau da vida empresarial, até 1925, ano em ave viria a falecer, dedicou-se a ensinar teorie da administracdo, para além de ter escrita inimeras conferéncias e artigos apro- veitando a sua experiéncia de mais de trinta anos. Em 1925 surgiu @ publico 2 sua obra principal «ADMINISTRATION INOUS TRIELLE ET GENERALE». Um pouco estranhamente s6 em 1949 € que ela fo dada a conhecer ao publico americano. Dirigir — Sr. Fayol, podia-nos dar uma visao breve do que tem sido @ sua vide profissional no campo da administra¢o de empresas? Fayol — Bom, em primeiro lugar, devo dizer que toda a minha actividede profissional foi orientada ne tentativa de levar & pratica os meus principios tedricos da administracao. Na verdade a dindmica actual da vide das organi- zagées em geral e das empresas em particular tora necessario o ensino dos principios cienti- ficos da administracao @ reflexo sobre temas, que considero particularmente relevantes: auto- jidade, responsabilidade, disciplina e fungdes administrativas — PLANEAR, ORGANIZAR, COMANDAR, COORDENAR E CONTROLAR. Dirigir — Em termos breves € capaz de nos dizer 0 que é que tem mudado naquilo que diz respeito as organizacdes? Fayol — Quanto a mim a questo bésica ¢ a seguinte: — Até ha pouco tempo as organizagdes e as empresas em particular usavam maquinas tipo universais, as quais desempenhavam um con- junto grande de tarefas no processo produtivo, bastando apenas para cada fase retirar e colo: car pequenas pecas componentes. Isso era a «Maquina Universal» Ela desempenhava um grande numero de tarefas e paralelamente a sua existéncia verificava-se o papel preponderante de um ope- r4rio que detinha 0 poder técnico. Ers um ope- rério que conhecia todas as fases de fabrico, que conhecia os segredos da méquina, tinha com ela quase uma relacdo personalizada e, para alm disso, ele discutia com as demais estruturas da empresa quando © como produzir. Este poder técnico conferia-Ihe um estatuto e um papel muito importante nas relacdes sociais da empresa. Dirigir — Entdo e agora o que é que mudou? Fayol — Neste momento comeca a assistir. -se & substituicdo dessa tal «Maquina Univer- sal» por um tipo de maquina automatica que apenas realiza um Unico trabalho a um ritmo acelerado, aitamente especializada, registando grandes ganhos de produtividade. Dirigit — E paralelamente o que é que mudou na relacdo operario-maquina? Fayol — Assistiu-se a diminuigéo de estatuto e de papel desse tal operario com um «longo saber de experiéncia feito», porque perante a nova maquina automatizada ja ndo é necessé- rio conhecer todo 0 processo de fabrico. Hoje © ea As principals inovacdes propostas por Feyol dizem respeito @ visdo peculiar sobre as fungées essenciais da empresa e sua subordinagdo & funcdo administrativa. FUNGOES TECNICAS ‘+ implicando a produgao de bens e servico da empresa FUNCOES COMERCIAIS ‘+ relacionadas com a compra, venda e troca. FUNGOES FINANCEIRAS * referentes 20s inputs e gestdo de capitais FUNCOES DE SEGURANCA * reportadas proteccdo dos bens & pes- soas FUNCOES CONTABEIS * referentes aos inventérios, registos, balangos, custos e estatisticas FUNGOES ADMINISTRATRIVAS: * * relacionadas com a integracao de cupula das outras cinco fungdes abrangendo: PREVISAO * Visualizar 0 futuro e tracar 0 programa de accao. ORGANIZACAO + ConstituicZo do sistema material e social da empresa. COMANDO + Direcgdo e orientacso de pessoal COORDENACAO + Harmonizacio da dinémica colectiva CONTROLE ‘+ Verificagéo do cumprimento subordina 80 as ardens e regras estabelecidas. + Fayalratere gut nennuma dis cinco funeéenessenciis ore ato angio prog da aah gtl 3 omaer. éle limita-se a gestos simples, embora especia~ lizados adequados 4s exigéncias da maquina Esta maquina automatizada faz muito poucas operagées e para 0 actual operério especializado {que com els trabalha requere-se apenas poucas semanas de formacao. Tal especializacéo 6-10 perder 0 papel importante que anteriormente tinha. Agora jé nao pode discutir com 0 patrao problemas técnicos. © poder-saber de tal operdrio destocou-se para 0 poder-saber dos gabinetes de organiza- ‘Gao e métodos. Sao estas mudancas graduais que correspondem a necessidades do sistema que enquadraram es minhas preocupagses ao longo da minha vida profissional. Dirigir — Sr. Foyol poderia sintetizer numa simples frase 0 que acabou de dizer? Fayol — Sem duvida, diria que a ciéncia da administragao é algo que se vai complicando cada vez mais na medida em que os sistemas técnicos passem das méquinas universais para as especializadas até 4 automacéo. Do mesmo modo os problemas da adminis- tragdo. passam do enguadramento do poder- saber operdrio para os departamentos de orga- nizago © métodos e, posteriormente, para os departementos de engenharia de sistemas. Dirigit — Numa perspectiva mais pratica, qual © segredo do sucesso de uma empresa actual? Fayol — Neste momento temos que com- preender que as actividades de gestéo nao 20 privativas do topo da empresa mas espalhadas por toda a hierarquia. Por outro lado, as habili- dades de gestdo so veriéveis a0 longo da hie- rarquia, ou seja, & a minima para o operdrio, 20 qual deve prevalecer uma habilidade técnica especializada e é maxima para o presidente da empresa, Dirigir — Sr. Fayol mudando um pouco de assunto quais $80 05 principios gerais de ges to que deverdo ser utilizados mais frequente- mente? Fayol — Bom, pera além dos principios muito gereis ligados 8 equidade, estabilidade pessoal, iniciativa e espirito de corpo, que considero uni- versais e permanentes, eu destaco quatro prin- cipios basicos — a DIVISAO DO TRABALHO, a AUTORIDADE e 2 RESPONSABILIDADE, 2 UNIDADE DE COMANDO e 3 UNIDADE DE DI- RECCAO. Dirigir — Sr. Fayol, porqué a DIVISAO DO TRABALHO? Fayol — A diviso do trabalho’ pertence ordem natural das coisas; a divisio do traba Iho é fundamental para aumentar a producao e a qualidade com 0 menor esforgo. Para além disso corresponde & necessidade de adequar 0 operério & maquina especializada. PRINCIPIOS UNIVERSAIS DE FAYOL OS PRINCIPIOS GERAIS DA ADMINISTRAGAO SEGUNDO FAYOL": 1. DIVISAO DO TRABALHO: consiste nz especie izagdo das tarefas e das pessoas para aumen- tar a eficiéneia 2, AUTORIDADE E RESPONSABILIDADE: autori ade 6 0 dirsito de dar ordens e o poder de ‘esperar obediéncia; a responsabilidade € ume ‘consequéncia natural da autoridada, Ambas devem estar eauilibradas entre si. 3, DISCIPLINA: depende da obediéncia, apicacko, energia, compartamento e respeito des acordos estabelecidos 4, UNIDADE DE COMANDO: cada empregado deve teceber ordens de apenas um supetior. € © principio da autoridade Unica. 5, UNIDADE DE DIRECCAO: uma cabeca e um plano para ceda grupo de actividades que tenham 0 mesmo abjectivo, 6. SUBORDINAGAO DOS INTERESSES INDIVI DUAIS AOS INTERESSES GERAIS: os interes: see gerais dover sobrepor-se os interesses pariculares, Ste te 7. REMUNERAGAO DO PESSOAL: deve haver usta e garantide satistago para os emprega- Gos e para a orgenizagao em termos de ret buicdo. 8, CENTRALIZAGAO: retere-se & concontracio ds Autoridade no topo da hierarquia da organi 2acko, 9, CADEIA ESCALAR: ¢ a linha de autoridade que ‘vai do escaldo mais alto 20 mais beixo. E 0 prin- cipio_ do. comando. 10. ORDEM: um lugar pare cada éoisa ¢ cada coisa em seu lugar. & @ ordem material e humana 11, EQUIDADE: amabilidade e justiga para alcancar lealdade do pessoal 12, ESTABILIOADE £ DURACAO (NUM CARGO} BO PESSOAL: a rotacdo tem um impacto nega- tivo sobre a eficiéncia de orgenizagao. Quanto mais tempo uma pessoa permenecer num cargo, tanto melhor 19, INIGIATIVA: 2 capacidade de visualizar um plano @ assogurar seu sucesso. 14, ESPIRITO DE EQUIPE: harmonia e unio entre as pessoas 880 grandes forgas para @ organi zacio. © Adeptagio 42