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ARTE QUE VEM DO LIXO

Reciclar passou a ser necessidade e não amanhã ou depois, mas hoje e agora.

Venho trabalhando com reciclagem de papel em meu atelier e aliei a necessidade ao


prazer.
Já fazia e ainda faço isto com relação ao lixo orgânico, pois há 4 anos construí nos
fundos do terreno de minha casa duas composteiras, uma ao lado da outra. Todos os
restos de alimentos, frutas, folhas varridas do jardim, vão parar numa das composteiras
enquanto utilizo a outra onde os detritos já estão prontos para adubar as plantas do
jardim e a pequena hortinha que mantenho em casa.
Com a experiência acima obtive excelentes resultados. Mas havia ainda uma
preocupação: o lixo seco.

Reparei que o lixo seco era sempre muito maior em volume do que o lixo orgânico, pois
acumulava diariamente de uma a duas sacolas de se plástico. Ali continham embalagens,
latas, plásticos, e muito papel.
Esta preocupação originou uma ampla pesquisa e um pouco de investimento. A pesquisa
me trouxe informações importantes quanto ao tempo que leva cada material para se
decompor na natureza e aí minha preocupação aumentou. Comecei a pensar no meu lixo
de cada dia, no lixo do vizinho, no lixo dos moradores da rua e no lixo gerado pela
minha comunidade. Este montante resultou num volume extraordinário e me causou
pavor, pois me estendi a outras cidades, país e ao mundo. Nossos olhos não vêem onde
está acumulado todo este lixo, mas nossa imaginação pode e deve alcançar, ao menos
uma fração deste montante para daí tomarmos consciência e atitudes.
Eu tomei a minha.
Continuei a minha pesquisa para ver o que eu poderia reaproveitar e como fazê-lo.
Navegando pela internet descobri um site sobre papel-machê e papietagem. Técnica
milenar originária da China que utiliza o papel como a principal matéria prima na
confecção de objetos decorativos e utilitários. Foi aí o meu achado. Busquei mais
informações e com um pequeno investimento, aperfeiçoei-me em cursos.
Hoje utilizo todos os papéis que caem em minhas mãos, desde correspondências sem
valor, folders, embalagens sem alumínio, revistas antigas, etc.
Em termos de lixo gerado pelo planeta, sei que não acrescento muito. Nem tão pouco no
lixo gerado em minha cidade, mas sempre lembro da fábula do beija-flor que de gota
em gota quis apagar um incêndio e comentou: “sei que não posso apagar o incêndio,
mas pelo menos estou fazendo a minha parte.”
Com esta tomada de consciência e algumas atitudes descritas acima, fui dando início a
um trabalho artesanal.
No início, eram trabalhos tímidos, sem grandes volumes e acabamentos, mas fui
tomando gosto pelas técnicas de papel-machê e papietagem e aperfeiçoando-a com
experiências. Substituí parte da cola industrializada por cola caseira, o que também tem
um fundamento ecológico. Inseri outros materiais ecologicamente corretos como pó de
madeira, serragem e areia. Na verdade ainda continuo buscando sempre mais
alternativas que possam minimizar o impacto ambiental do lixo.
Hoje, o que era uma preocupação ambiental virou um hobby rentável.
Para conferir e me conhecer um pouco mais: www.gramadosite.com.br/lisete e no
blog mostro todas as minhas peças de papel-machê:
http://oficinadashortensias.blogspot.com/

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