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DIREITO ADMINISTRATIVO I Atos administrativos Alunos: Mariana Ferreira Pedrosa Tatiana Mara Matos Almeida Amaro lima Sala:

DIREITO ADMINISTRATIVO I

Atos administrativos

Alunos: Mariana Ferreira Pedrosa Tatiana Mara Matos Almeida Amaro lima Sala: F-206 Turno: Noite Professora: Teresa Cristina

Revogação ou extinção

Revogação é a supressão de um ato discricionário legítimo e eficaz, realizada pela Administração e somente por ela por não mais lhe convir sua existência. Todavia, revogação pressupõe, portanto, um ato legal e perfeito, mas inconveniente ao interesse público. Se o ato for ilegal ou ilegítimo não ensejará revogação, mas sim, anulação.

A revogação funda-se no poder discricionário de que dispõe a Administração para rever sua atividade interna e encaminhá-la adequadamente à realização de seus fins específicos. Essa faculdade revogadora é reconhecida e atribuída ao Poder Público, como implícita, na função administrativa.

Em princípio, todo ato administrativo discricionário é revogável, mas motivos óbvios de interesse na estabilidade das relações jurídicas e de respeito aos direitos adquiridos pelos particulares afetados pelas atividades do Poder Público impõem certos limites e restrições a essa faculdade da Administração.

Os atos administrativos podem ser gerais ou regulamentares e especiais ou individuais. Quanto aos primeiros, são revogáveis a qualquer tempo e em quaisquer circunstâncias, desde que a Administração respeite seus efeitos produzidos até o momento da invalidação. Estes atos têm missão normativa assemelhada à da lei, não objetivando situações pessoais. Quanto aos atos administrativos especiais ou individuais, são também, em tese, revogáveis, desde que seus efeitos se revelem inconvenientes ou contrários ao interesse público, mas ocorre que esses atos se podem tornar operantes e irrevogáveis desde a sua origem ou adquirir esse caráter por circunstâncias supervenientes à sua emissão. E tais são os que geram direitos subjetivos para o destinatário, os que exaurem desde logo os seus efeitos e os que transpõem os prazos dos recursos internos, levando a Administração a decair do poder de modificá-los ou revogá-los. Ocorrendo qualquer dessas hipóteses, o ato administrativo torna-se irrevogável, como tem estendido pacificamente a jurisprudência.

Consideram-se válidos os efeitos produzidos pelo ato revogado até o momento da revogação, quer quanto às partes, quer em relação a terceiros sujeitos aos seus efeitos reflexos.

“A revogação – ensina Seabra Fagundes opera da data em diante (ex nunc). Os efeitos que a precedem, esses permanecem de pé. O ato revogado, havendo

revestido todos os requisitos legais, nada justificaria negar-lhe efeitos operados ao

tempo de sua vigência.”

Desde que o revogador possa revogar o ato inconveniente por não ter gerado, ainda, direitos subjetivos para o destinatário ou não ser definitivo, ou por se tratar de ato precário , sua invalidação não obrigará o Poder Público a indenizar quaisquer prejuízos presentes ou futuros que a revogação eventualmente ocasione, porque a obrigação da Administração é apenas a de manter os efeitos passados ao ato revogado.

Invalidação dos atos administrativos

A invalidação dos atos administrativos inconvenientes, inoportunos ou ilegítimos constitui tema de alto interesse tanto para a Administração como para o Judiciário, uma vez que ambos cabe, em determinadas circunstâncias, desfazer os que se revelarem inadequados aos fins visando pelo Poder Público ou contrario as normas legais que os regem.

A Administração Pública, como instituição destinada a realizar o Direito e a propiciar o bem comum, não pode agir fora da norma jurídica e dos princípios constitucionais explícitos e implícitos, com destaque para a moralidade administrativa, nem relegar os fins sociais que sua ação se dirige. A legitimidade da atividade decorre do respeito da lei e aos referidos princípios. Se, por erro, culpa dolo ou interesse escusos de seus agentes , a atividade do Poder Público desgarra-se da lei, divorcia-se dos princípios, é dever da administração publica invalidar, espontaneamente ou mediante provocação, o próprio ato contrario a sua finalidade, por inoportuno, inconveniente, imoral ou ilegal . Se o não fizer a tempo, poderá o interessado recorrer as vias judiciárias.

Abrem-se, assim, duas oportunidades para o controle dos atos administrativos:

uma, interna da própria instituição, outra externa, do Poder Judiciário.

A faculdade de invalidação dos atos administrativos pela própria administração é bem mais ampla que a que concede á Justiça Comum. A Administração pode desfazer seus próprios atos por consideração de mérito ou ilegalidade, ao passo que o Judiciário só poder invalidar quando ilegais. Donde se dizer que a Administração controla seus próprios atos em toda plenitude, isto é, sob os aspectos da

oportunidade, conveniência, justiça, conteúdo, forma, finalidade, moralidade e legalidade, enquanto o controle judiciário se restringe ao exame da legalidade, ou seja, da conformação do ato com o ordenamento jurídico a que a Administração se subordina para sua prática.

A distinção dos motivos de invalidação dos atos administrativos nos conduz, desde logo, a distinguir também os modos de seu desfazimento, daí a revogação e a anulação, que, embora constituam meios comuns de invalidação dos atos administrativos, não se confunde, nem se empregam indistintamente.

A Administração revoga ou anula seu próprios atos; o Judiciário somente anula o ato administrativo. Isso porque a revogação é o desfazimento por motivo de conveniência ou oportunidade da Administração, ao passo que a anulação é a invalidação por motivos de ilegalidade do ato administrativo. Um ato inoportuno ou inconveniente só pode ser revogado pela própria administração, mas um ato ilegal poder ser anulado, tanto pela Administração como pelo Poder Judiciário.

Esse assunto está hoje tão pacificado na doutrina e na jurisprudência que o STF já sumulou nos seguintes termos: A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivos de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e, ressalvados, em todos os casos, a apreciação judicial” ( STF, súmula 473 ).

ANULAÇÃO

Anulação é a declaração de invalidação de um ato administrativo ilegítimo ou ilegal, feita pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário. Baseia-se, portanto, em razões de legitimidade ou legalidade, diversamente da revogação, que se funda em motivos de conveniência ou de oportunidade e, por isso mesmo, é privativa da Administração.

Desde que a Administração reconheça que praticou um ato contrário ao Direito vigente, cumpre-lhe anulá-lo, e quanto antes, para restabelecer a legalidade administrativa. Se o não fizer, poderá o interessado pedir ao Judiciário que verifique a ilegalidade do ato e declare sua invalidade, através da anulação.

Outra modalidade de anulação é a cassação do ato que, embora legítimo, na sua origem e formação, torna-se ilegal na sua execução. Isto ocorre principalmente nos atos administrativos negociais, cuja execução fica a cargo do particular que o obteve regularmente mas descumprido ao executá-lo.

O conceito de ilegalidade ou ilegitimidade, para fins de anulação do ato administrativo, não se restringe somente à violação frontal da lei. Abrange, também, o abuso por excesso ou desvio de poder, ou por relegação dos princípios gerais do Direito, especialmente do regime jurídico administrativo.

A ilegitimidade, quando intencional e como toda fraude à lei, vem sempre dissimulada sob as vestes da legalidade. Em tais casos, é preciso que a Administração ou o Judiciário desça ao exame dos motivos, disseque os fatos e vasculhe as provas que deram origem à prática do ato inquinado de nulidade.

Atualmente, a doutrina sustenta a necessidade de haver um prazo para a anulação do ato administrativo. Pouco a pouco, a jurisprudência vem adotando entendimentos que mantêm atos ilegítimos praticados e operantes há longo tempo e que já produziram efeitos perante terceiros de boa-fé.

Como regra geral, os efeitos da anulação dos atos administrativos retroagem às suas origens, invalidando as conseqüências passadas, presentes e futuras do ato anulado. E assim é porque o ato nulo (ou inexistente) não gera direitos ou obrigações para as partes; não cria situações jurídicas definitivas; não admite convalidação. No entanto, por força do princípio da segurança jurídica e da boa-fé do administrado, ou do servidor público, em casos excepcionais a anulação pode ter efeitos ex nunc, ou seja, a partir dela. Isso decorre, inclusive, dos arts. 27 e 28, parágrafo único, da Lei

9868/99.

Os efeitos são idênticos para atos nulos e para os atos chamados inexistentes. Em Direito Público não há lugar para atos anuláveis. Isto porque a nulidade (absoluta) e a anulabilidade (relativa) assentam, respectivamente, na ocorrência do interesse público e do interesse privado na manutenção ou eliminação do ato irregular.

A prescrição administrativa, que, tecnicamente, é uma decadência, e a judicial impedem a anulação do ato no âmbito da Administração ou pelo Poder Judiciário. E justifica-se essa conduta porque o interesse da estabilidade das relações jurídicas entre o administrado e a Administração ou entre esta e seus servidores é também interesse público, tão relevante quanto os demais.

Anulação pela própria Administração - A anulação dos atos administrativos pela própria administração constitui a forma normal de invalidação de atividade ilegítima do Poder Público. É uma justiça interna, exercida pelas autoridades administrativas em defesa da instituição e da legalidade de seus atos.

Pacifica, é, hoje, a tese de que se a Administração praticou ato ilegal, pode anulá-lo por seus próprios meios (STF, Súmula 473).

Anulação pelo Poder Judiciário - Os atos administrativos nulos ficam sujeitos a invalidação não só pela própria Administração, como, também, pelo Poder Judiciário, desde que levados à sua apreciação pelos meios processuais cabíveis que possibilitem o pronunciamento anulatório.

A Justiça somente anula atos ilegais, não podendo revogar atos inconvenientes ou inoportunos mas formal e substancialmente legítimos, por que isto é atribuição exclusiva da Administração.

Fonte bibliográfica:

Meirelles. 33ª edição.

Livro Direito

Administrativo Brasileiro

Hely Lopes