You are on page 1of 6

Eficiência energética e Qualidade de Energia com a automação de condicionadores de ar

A. B. de Vasconcellos, Dr. ; T. I. R.de C. Malheiro, PhD ; B. C. Carvalho, Dr. ; A. V. Festa, Acad. ; F. L. Gomes, Acad. ; T. V. da Silva, Acad. Universidade Federal de Mato Grosso arnulfo@ufmt.br, malheiro.teresa@gmail.com, bcc@ufmt.br, fer_leles@hotmail.com, alexandrefesta@hotmail.com, tvsilva@gmail.com.

Resumo- Conforto ambiental e necessidade de temperaturas amenas por parte de equipamentos modernos exigem condicionamento de ar em grande parte dos ambientes de trabalho. Neste contexto, o enfoque principal deste artigo é analisar e comparar o processo de automação de um sistema de condicionadores de ar em um prédio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE - MT. Em sua grande maioria, este tipo de equipamento utiliza sistemas microprocessados, que dentre outras vantagens, contribuem para a redução do consumo de energia elétrica. Todavia, acompanhando os aspectos positivos mencionados, estes mesmos equipamentos, mais eficientes do ponto de vista energético, apresentam problemas no tocante à distorção da forma de onda da corrente e os seus inconvenientes decorrentes com o surgimento das harmônicas. O conhecimento da operação dessas cargas é importante na busca de soluções que visem à melhoria da qualidade da energia elétrica. Este artigo apresenta medições nas duas instalações do INPE – MT, uma com um sistema automatizado de acionamento de condicionadores de ar e a outra com acionamento convencional.

I.

INTRODUÇÃO

A qualidade da energia elétrica, de maneira irreversível, se constitui hoje como uma área consolidada da engenharia elétrica. Todos os agentes envolvidos: concessionárias, fabricantes, consumidores e poder público, têm consciência de sua importância, independentemente, portanto, do ponto de vista ou referencial que seja observada. Os paradigmas em que o que mais importava era continuidade do fornecimento de energia, sem preocupar-se com os níveis mínimos de qualidade, não mais existem. Na atualidade, além da exigência de energia com qualidade, também passa a existir cada vez maior rigor com as cargas conectadas aos sistemas elétricos e a forma como estas podem impactar negativamente, vindo, em casos extremos, a comprometer o funcionamento adequado de outras cargas. É importante ressaltar que este novo perfil de cargas é fruto do desenvolvimento da eletrônica de potência, que vieram para melhorar o rendimento e controlabilidade e em decorrência contribuir para uma economia de energia e custo. Estes equipamentos permitem, ainda, a realização de tarefas não possíveis no passado. O aspecto negativo destes novos dispositivos, contudo, é que apresentam a desvantagem de funcionarem com características não lineares, contribuindo, dessa forma, com a distorção da forma de onda das tensões e correntes, “poluindo” a rede elétrica com harmônicas. A

presença de harmônicas nos sistemas de potência, como é de domínio da área, resulta em um aumento das perdas relacionadas com o transporte e distribuição de energia elétrica, criando problemas de interferência em sistemas de comunicação e no mau funcionamento de parte dos equipamentos ligados à rede. Sobretudo, o efeito é mais significativo naqueles (cada vez em maior número) que são mais sensíveis por incluírem sistemas de controle microeletrônicos que operam com níveis de tensão muito baixos. Normas internacionais relativas à qualidade da energia elétrica, tais como IEEE 519, IEC 61000 e EN 50160,[1]-[2]-[3]-[4]-[5]-[6] estabelecem limites para os níveis de distorção harmônica de tensão com os quais os sistemas elétricos podem operar adequadamente, bem como que, novos equipamentos não extrapolem determinados valores na injeção de corrente. Portanto, torna-se evidente a necessidade de equacionar os problemas relacionados com distorções da forma de onda, tanto para novos equipamentos quanto para os já instalados. No Brasil, a preocupação com a qualidade da energia elétrica é uma questão que está posta, haja vista o empenho dos órgãos reguladores (ANEEL), as concessionárias e os consumidores. A ANEEL através dos procedimentos de distribuição (Prodist), publicado em Dezembro/2008 em seu módulo 8 [7], trata da qualidade de energia elétrica no que tange ao serviço e produto em âmbito nacional. Nessa perspectiva, o presente artigo está focado no estudo da eficiência energética e qualidade da energia elétrica em um sistema de acionamento de condicionadores de ar em instalações do INPE, em Cuiabá – MT. Busca-se aferir o desempenho das instalações, sob o ponto de vista de condicionamento de ar pelo método convencional, comparativamente a outro com características semelhantes, porém acionado por comandos microprocessados com inversor de frequência. O trabalho apresenta o resultado das medições elétricas realizadas no ambiente enfocado e analisa as questões relacionadas à economia de energia elétrica ativa, redução da demanda de potência ativa e a qualidade da energia.

II.

VALORES DE REFERÊNCIA PARA OS NÍVEIS DE DISTORÇÃO HARMÔNICA NO SISTEMA ELÉTRICO

Preliminarmente, com foco nesta questão, aborda-se a terminologia e valores de referência estabelecidos pela ANEEL para os sistemas elétricos de distribuição. A TABELA I sintetiza a terminologia aplicável às distorções harmônicas, regulamentada pela ANEEL através da Resolução 345/2008, que em seu módulo 8 trata dos níveis de harmônicas permitidos no sistema de distribuição elétrica nacional.

TABELA I

TERMINOLOGIA

Identificação da Grandeza

Símbolo

Distorção harmônica individual de tensão de ordem h

DIT h %

Distorção harmônica total de tensão

DTT %

Tensão harmônica de ordem h

V

h

Ordem harmônica

H

Ordem harmônica máxima

Hmáx

Ordem harmônica mínima

Hmin

Tensão fundamental medida

V1

A mesma resolução estabelece que as expressões para o cálculo das grandezas DIT h % e DTT % são representadas por (1) e (2).

TABELA II

VALORES DE REFERÊNCIA GLOBAL DAS DISTORÇÕES HARMÔNICAS TOTAIS (EM PORCENTAGEM DA TENSÃO FUNDAMENTAL)

Tensão nominal do Barramento

Distorção Harmônica Total de Tensão (DTT) [%]

Vn 1kV

10

1kV < Vn 13,8kV

8

13,8kV < Vn 69kV

6

69kV < Vn < 230kV

3

III.

MEDIÇÕES EM CAMPO

Para as medições no sistema de condicionamento de ar foi utilizado o equipamento analisador de energia MARH-21,

fabricado pela RMS. A exemplo de outros aparelhos deste tipo, o equipamento utilizado nos estudos possibilita a gravação de grandezas em tempo real para sistemas monofásico, bifásico e trifásico em sistemas elétricos. A partir dos sinais de entrada de tensão, o MARH-21 determina e disponibiliza o valor das tensões de fase e linha, correntes, fator de potência por fase e total, potências, energias, DHT de tensão e corrente, potência reativa total necessária para correção do fator de potência, sequência de fases, as demandas na ponta e fora da ponta por fase e totais, fator de deslocamento, etc.

V h DIT % = x 100 h V 1 n ∑ h = 2 2
V
h
DIT
%
=
x
100
h
V
1
n
h = 2
2
V h
DTT
%
=
x
100
  • V 1

    • A. Resultados das Medições

(1)

 

Inicialmente foram monitorados as tensões e correntes no

barramento trifásico que alimenta o sistema de

condicionamento de ar com acionamento convencional, cujas

formas de onda trifásicas encontram-se ilustradas nas Fig. 1 e

(2)

2.

II. V ALORES DE REFERÊNCIA PARA OS NÍVEIS DE DISTORÇÃO HARMÔNICA NO SISTEMA ELÉTRICO Preliminarmente, com

Fig. 1. Tensões das fases A, B e C no barramento que alimenta o sistema de condicionamento de ar com acionamento convencional.

É importante salientar, que os sinais monitorados devem utilizar sistemas de medição cujas informações coletadas possam ser processadas por meio de recurso computacional e atendendo aos requisitos do protocolo de medição estabelecidos pela ANEEL. Para os sistemas elétricos trifásicos, as medições de distorção harmônica devem ser feitas através das tensões fase-neutro para sistemas estrela aterrado, e fase-fase para as demais configurações. O espectro harmônico a ser considerado para fins de cálculo da distorção total deve compreender uma faixa de frequências que considere até, no mínimo, a 25ª ordem harmônica (hmin=25), incluindo a fundamental. A mesma resolução estabelece também os valores de referência para as distorções harmônicas totais, conforme apresentado na TABELA II. Estes valores servem para referência do planejamento elétrico em termos de qualidade de energia, e serão estabelecidos em resolução especifica após período experimental de coletas de dados.

Fig. 2. Correntes nas fases A, B e C do barramento que alimenta o sistema de

Fig. 2. Correntes nas fases A, B e C do barramento que alimenta o sistema de condicionamento de ar com acionamento convencional.

A Fig. 3 ilustra o espectro harmônico correspondente a tensão da fase A do sistema de condicionamento de ar com acionamento convencional.

Fig. 2. Correntes nas fases A, B e C do barramento que alimenta o sistema de

Fig. 3. Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o sistema de condicionamento de ar com acionamento convencional.

A Fig. 4 apresenta o espectro harmônico relacionado com a corrente da fase A no barramento que alimenta o sistema de condicionamento de ar com acionamento convencional, mostrada na Fig. 2.

Fig. 2. Correntes nas fases A, B e C do barramento que alimenta o sistema de

Fig. 4. Espectro harmônico da corrente na fase A do barramento que alimenta o sistema de condicionamento de ar com acionamento convencional.

O espectrograma mostrado na Fig. 4 permite ainda, observar que a distorção de corrente é pouco significativa. A leve distorção ocorrida na mesma se deve, sobretudo, à distorção presente nas tensões de alimentação, uma vez que o barramento que alimenta este sistema de condicionamento de ar também supre o sistema de rastreamento por satélite do INPE, predominantemente provido de cargas não lineares e que acaba impactando as formas de onda das tensões de suprimento. Num segundo momento, os estudos contemplaram as tensões e correntes no barramento trifásico que alimenta o sistema de condicionamento de ar, desta vez dotados de acionamento automatizado. As formas de onda trifásicas das mesmas encontram-se ilustradas nas Fig. 5 e 6.

Fig. 2. Correntes nas fases A, B e C do barramento que alimenta o sistema de

Fig. 5. Tensões medidas nas fases A, B e C no barramento que alimenta o sistema de condicionamento de ar com acionamento automatizado.

Fig. 2. Correntes nas fases A, B e C do barramento que alimenta o sistema de

Fig. 6. Correntes nas fases A, B e C do barramento que alimenta o sistema de condicionamento de ar com acionamento automatizado.

Vale lembrar que o sistema de condicionamento de ar de acionamento convencional é alimentado através de um transformador 13,8kV/220V/127V e o sistema de condicionamento de ar automatizado é alimentado por um transformador 13,8kV/380V/220V. A Fig. 7 apresenta o espectro harmônico relacionado com a tensão na fase A no barramento que alimenta o sistema de condicionamento de ar com acionamento por inversores, mostradas na Fig. 5.

Fig. 7. Espectro harmônico da tensão da fase A do barramento que alimenta o sistema de

Fig. 7. Espectro harmônico da tensão da fase A do barramento que alimenta o sistema de condicionamento de ar com acionamento automatizado.

Complementando as figuras anteriormente mostradas, a Fig. 8 retrata o espectro harmônico da corrente relacionada com a tensão na fase A no barramento que alimenta o sistema de condicionamento de ar com acionamento automatizado.

Fig. 7. Espectro harmônico da tensão da fase A do barramento que alimenta o sistema de

Fig. 8. Espectro harmônico da corrente na fase A do barramento que alimenta o sistema de condicionamento de ar com acionamento automatizado.

Pode-se observar na Fig. 8 que, devido ao sistema de acionamento usar um conversor de freqüência com retificador na entrada, a corrente na fase A apresenta um amplo espectro harmônico. Esta situação e a queda de tensão na impedância das fases, devido à distorção verificada, fazem com que a tensão do barramento fique também ligeiramente distorcida, como pode ser constatado pelo espectrograma de tensão mostrado na Fig. 7.

B. Análise dos Resultados

Os valores das distorções harmônicas individuais e totais encontradas para as tensões medidas nos barramentos que alimentam os sistemas de condicionamento de ar acionado convencionalmente e através de inversores, podem ser apreciados nas TABELAS III e IV, respectivamente. Vale ressaltar que, o barramento que alimenta o sistema “convencional”, conforme mostrado, apresenta distorção da

tensão de suprimento, o que pode acarretar o surgimento de componentes harmônicas na corrente. Para o caso de acionamento por inversores, a distorção de corrente deve-se, fundamentalmente, ao tipo de controle utilizado. Apesar disso, os valores de distorção harmônica de tensão encontrados para ambas situações, mostram-se em conformidade com os valores de referência ou recomendados existentes na Resolução 345/2008 da ANEEL.

TABELA III

DISTORÇÕES HARMÔNICAS INDIVIDUAIS E TOTAIS DE TENSÃO NO BARRAMENTO QUE ALIMENTA O SISTEMA DE CONDICIONAMENTO DE AR COM ACIONAMENTO CONVENCIONAL - MEDIÇÃO

Ordem

Distorção Harmônica

Harmônica

   

(Tensões)

DIT* (%)

DTT** (%)

 

3

7,21

 

5

1,02

7

1,18

9

2,13

A

11

0,47

13

0,40

8,20

15

1,26

17

0,40

21

0,86

23

0,40

 

3

7,30

 

5

0,90

7

1,30

9

2,00

B

15

1.50

8,20

17

0,50

21

0,80

23

0,70

 

3

7,20

 

5

0,70

7

1,10

C

9

1,80

8,10

 
  • 11 1,60

 
  • 15 1,40

 
  • 21 0,80

TABELA IV

DISTORÇÕES HARMÔNICAS INDIVIDUAIS E TOTAIS DE TENSÃO NO BARRAMENTO QUE ALIMENTA O SISTEMA DE CONDICIONAMENTO DE AR COM ACIONAMENTO AUTOMATIZADO - MEDIÇÃO

Ordem

Distorção Harmônica

Harmônica

   

(Tensões)

DIT* (%)

DTT** (%)

 

5

0,65

 

A

7

0,95

1,88

 

5

0,71

 

B

7

0,97

1,86

 

5

0,48

 

C

7

0,77

1,58

13

0,66

  • B. Impactos provocados na demanda pelo acionamento convencional versus inversor de frequência.

Em termos da eficiência energética, a Fig. 9 permite comparar o desempenho dos dois sistemas avaliados, tomando como parâmetro a potência ativa requerida em cada caso. A potência ativa absorvida pelo sistema convencional atinge um valor em torno de 14 kW no período de observação. No caso do sistema com controle pela via de inversores, a curva de demanda de potência ativa, além de apresentar um valor inferior, sofre ainda variações durante o período de estudo, que oscila entre 11 kW a 13,6 kW. Essa característica, evidentemente, é a responsável pela menor demanda de potência ativa do sistema, proporcionando dessa forma um menor consumo de energia ativa.

TABELA IV D ISTORÇÕES HARMÔNICAS INDIVIDUAIS E TOTAIS DE TENSÃO NO BARRAMENTO QUE ALIMENTA O SISTEMA

Fig. 9. Curva de demanda absorvida nos barramentos que alimentam os sistemas de condicionamento de ar com acionamento convencional e automatizado.

IV.

CONSUMO ANUAL DE ENERGIA DO SISTEMA DE CONDICIONAMENTO DE AR COM ACIONAMENTO CONVENCIONAL.

Considerando uma potência média absorvida de 14 kW

para o sistema acionado por chaves contatoras conforme a Fig. 9, pode-se estimar um consumo diário - Cd, para um

ciclo de operação diário de 12 horas de funcionamento,

utilizando para tanto, a expressão (1):

Cd = P x n o horas = 14 x 12 = 168 kWh/dia

(3)

Da mesma forma, o consumo mensal - Cm pode ser estimado:

Cm = Cd x n o de dias do mês = 168 x 30

Cm= 5.040 kWh/mês

Seguindo a mesma metodologia, determina-se o consumo anual estimado - Ca:

Ca = Cm x n o de meses do ano = 5.040 x12 Ca= 60.480 kWh/ano

  • V. CONSUMO ANUAL DE ENERGIA DO SISTEMA DE CONDICIONAMENTO DE AR COM ACIONAMENTO CONTROLADO POR INVERSOR DE FREQUÊNCIA

Assim como para o caso de acionamento convencional, para o sistema dotado de inversor de frequência, determina-se primeiramente o consumo diário, a partir da Potencia Média absorvida, que neste caso é igual a 12 kW, conforme pode-se constatar na Fig. 9. O tempo de operação considerado também é de 12 horas diárias.

Cd = P x n o horas = 12 x 12 = 144 kWh/dia

Para o consumo mensal, obtêm-se:

Cm = Cd x n o de dias do mês = 144 x 30 Cm= 4.320 kWh/mês

Finalmente, para o consumo anual, encontra-se o valor de:

Ca = Cm x n o de meses do ano = 4.320 x12 Ca= 51.840 kWh/ano

Confrontando os números encontrados, pode-se constatar que, com a mudança de acionamento do sistema de condicionamento de ar para um aparelho dotado de tecnologia mais recente, verifica-se uma economia significativa de energia para o INPE - MT conforme ilustram os desempenhos apresentados na Fig. 10.

Fig. 10. Curva de Consumo estimado de energia elétrica ativa anual para os sistemas de condicionamento

Fig. 10. Curva de Consumo estimado de energia elétrica ativa anual para os sistemas de condicionamento de ar com acionamento convencional e automatizado.

VI.

VALORES TOTAIS DE ENERGIA E DEMANDA ECONOMIZADOS

Na TABELA V estão consolidados os números encontrados para a demanda de potência ativa, do consumo de energia elétrica e o gasto anual, para cada um dos sistemas avaliados, utilizados para o acionamento de condicionadores de ar.

TABELA V

COMPARATIVO DO GASTO ANUAL

   

Consumo

 

Médio

Demanda Média (kW)

Anual

*Gasto anual (R$/ano)

(kWh/ano)

Sistema

   
  • 60.480 17.666,20

Convencional

14,0

Comando microprocessado com inversor de frequência

12,0

 

15.142,46

de filtros harmônicos, utilização de transformadores de isolação ou dimensionamento adequado dos componentes de maneira a que possam suportar os efeitos decorrentes da presença de correntes harmônicas devido às cargas não lineares. No primeiro caso, método mais comum, pode-se instalar junto às fontes poluidoras (ou internamente a elas), os chamados "filtros de harmônicas", que podem ser de dois tipos: filtros passivos ou filtros ativos. No segundo caso, pode-se utilizar transformadores de isolação, cuja função é manter determinadas ordens harmônicas no secundário do transformador, não permitindo que se propaguem para o restante do sistema elétrico. No terceiro caso, quando a instalação elétrica não apresenta nenhuma filtragem ou “confinamento” das harmônicas, só resta dimensionar os componentes para que suportem também os efeitos adicionais produzidos por essas componentes harmônicas. Para essa finalidade, os condutores elétricos e os transformadores devem ser especialmente selecionados e dimensionados. Esse fato resulta normalmente em condutores de fase e neutro com maiores seções (o condutor neutro pode ter sua seção dobrada em relação à seção do condutor fase, com o objetivo de compensar o aquecimento adicional provocado pelas harmônicas), assim como a instalação de transformadores de alimentação de maior potência ou com componentes internos mais reforçados. Portanto, o conhecimento das prováveis perturbações presentes no sistema elétrico obtido através de medições bem como as medidas que devem ser tomadas para corrigi-las é de suma importância para proporcionar durabilidade e ambiente seguros, evitando situações perigosas para usuários e equipamentos.

[1]

REFERÊNCIAS

IEEE Standard 519-1992, “Recommended Practices and Requirements for Harmonic Control in Electric Power Systems”, 1992O. IEEE Task Force, “The Effects of Power System Harmonics

on Power System Equipment and Loads”, IEEE Trans. Power App. and Systems, vol. 104, no. 9, Set. 1985, pp.

[2]
51.840

*Valor da tarifa convencional da Rede Cemat atualizada em abril/2010 com impostos R$ 0, 2921.

[3]

VII.

CONCLUSÃO

O presente artigo descreveu estudos realizados com sistemas de condicionamento de ar, acionado por tecnologia convencional e utilizando inversores de freqüência. Os resultados encontrados evidenciaram que a substituição do sistema convencional pelo comando microprocessado mostrou ser uma forma eficaz para proporcionar um uso mais racional da energia elétrica nos sistemas de acionamento de condicionadores de ar. Verificou-se uma redução significativa no valor da fatura de energia elétrica do INPE, devido à redução de consumo dos condicionadores de ar. Quanto à introdução de distorções harmônicas devido à não linearidade do sistema com acionamento mais eficiente, em princípio, existem formas de minimizar e até eliminar o problema. As três principais formas de mitigar o problema, são: utilização

[4]

[5]

[6]

[7]

2555-2563.

R. D. Henderson e P. J. Rose, “Harmonics: The Effects on Power Quality and Transformers,” IEEE Trans. Industry Applications, vol. 30, 1994, pp. 528-532. J. L. Afonso, J. S, Martins, C. Couto, “Active Filters with Control Based on the p-q Theory”, IEEE Industrial Electronics Society Newsletter, vol. 47, nº 3, Set. 2000. A. B. de Vasconcellos, R. Apolônio, M. S. M. Alves, J. Moreira, T. I. R. de Malheiro, “Análise da Qualidade de Energia Elétrica no Barramento Que Alimenta Os Equipamentos de Auzilio A Navegação Aérea por Instrumentos do Aeroporto Marechal Rondon” In:

Conferência Brasileira sobre Qualidade da Energia Elétrica, 2009, Blumenau/SC. VIII CBQEE, 2009. A. B. de Vasconcellos, J. A. Lambert, D. L. R. Martins, T. V. da Silva, T. I. R. de Malherios, “Energy Quality in an Operation Center Of Data Processings In: COBEP 2009 - The 10TH Brazilian Power Eletronics Conference, 2009, Bonito - MS. COBEP 2009, 2009. Resolução 345/2008 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).