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Índice:

Pág.
Introdução 5

I. Deuses do Olimpo: 6

. Os doze principais:
7
- Zeus, deus dos deuses, senhor do Olimpo, do céu e da terra
8
- Hera, esposa de Zeus, deusa dos deuses; protectora do casamento
9
- Posídon, deus dos oceanos e dos mares
9
- Hades, deus do submundo
10
- Ares, deus da guerra
11
- Atena, deusa da guerra justa, da justiça e da sabedoria
12
- Apolo, deus do Sol, das artes e das profecias
13
- Afrodite, deusa do amor e da beleza
14
- Hermes, o mensageiro dos deuses
15
- Ártemis, deusa da Lua e da caça
16
- Hefesto, deus do fogo e da metalurgia
17
- Dionísio, deus do teatro, do vinho e das festas
. Deuses menores:
18
- Deméter, deusa da agricultura
19
- Eros, deus do amor
19
- Éolo, deus dos ventos

II. Deuses primordiais: 20


- Caos, o mais velho dos deuses 21
- Érebo, personificação da escuridão superior 21
- Geia, deusa da Terra 21
- Nix, personificação da noite 22
- Pontos, antigo deus do mar pré olímpico 23
- Urano, personificação do Céu 23
- Éter e Hemera 24
- Tártaro, personificação do Inferno 24

III. Outros deuses: 25


- Anfitrite, esposa de Posídon e deusa dos mares 26
- Circe, deusa da feitiçaria 26
- Eos, deusa que personificava o amanhecer 26

2
- Éris, deusa da discórdia 27
- Harmonia, deusa da harmonia e da concórdia 27
- Hélio 27
- Hebe, deusa da juventude 28
- Hécate, a “distante”; deusa da magia e da noite 28
- Hipnos, deus do sono 29
- Íris, personificação do arco-íris e mensageira dos deuses 29
- Métis, deusa grega da prudência 30
- Morfeu, deus dos sonhos 30
- Pã, deus dos bosques, dos campos e dos rebanhos 30
- Perséfone 31
- Selene, deusa da lua 31
- Tanato, personificação da morte 32
- Tifão, deus da seca 32

IV. Os Titãs: 33
- Atlas 34
- Ceos 34
- Crio 34
- Cronos 34
- Febe 35
- Hiperíon 35
- Jápeto 36
- Mnemosine 36
- Oceano 36
- Prometeu 37
- Epimeteu 38
- Reia 38
- Teia 39
- Tétis 39
- Témis 39

V. Lendas e histórias mitológicas: 40


- Origem do Universo 41
- Musas 42
- Narciso 43
- Sísifo 44

3
- Ilíada 46
- Odisseia 48
- Tróia 51
- A guerra dos Titãs 55

VI. Criaturas mitológicas: 57


- Centauro 58
- Cérbero 58
- Ciclopes 59
- Harpias 59
- Medusa 60
- Minotauro 61
- Pégaso 62
- Quimera 62
- Hidra de Lerna 63
- Hecatonquiros 63

VII. Heróis Gregos: 64


- Aquiles 65
- Ájax 69
- Astíanax 70
- Hércules 71
- Jasão 75
- Menelau 76
- Perseu 76
- Neoptólemo 77
- Órion 79
- Pátroclo 80
- Páris 81
- Teseu 81
- Odisseu (Ulisses) 83
- Agamémnon 85
- Heitor 86

Bibliografia 89

4
Introdução

A mitologia grega compreende o conjunto de mitos, lendas e entidades


divinas e/ou fantásticas (deuses, semideuses e heróis), presentes na religião
praticada na Grécia Antiga, criados e transmitidos originalmente por tradição oral,
muitas vezes com o intuito de explicar fenómenos naturais, culturais ou religiosos –
como os rituais – cuja explicação não era evidente.
Superando o tempo, ela ainda se conserva com toda a sua serenidade,
equilíbrio e alegria. A religião grega teve uma influência tão duradoura, ampla e
incisiva, que vigorou da pré-história ao século IV e muitos dos seus elementos
sobreviveram nos Cultos Cristãos e nas tradições locais. Complexo de crenças e
práticas que constituíram as relações dos gregos antigos com seus deuses, a religião
grega influenciou todo o Mediterrâneo e áreas adjacentes durante mais de um
milénio.

5
I
Os deuses do Olimpo

Os deuses Olímpicos são os 12 deuses principais da mitologia grega


que vivem no Monte Olimpo. Por vezes alguns autores incluem outros deuses
entre os 12 olímpicos, os deuses menores.

6
I.1 – Os doze principais

Zeus
Na mitologia grega, era o pai dos deuses
e dos homens e o mais poderoso dos imortais.
Era pré-helénico e adorado como
divindade do céu. A sua presença manifestava-
se pelos raios, trovoada e chuva. Zeus era
considerado o deus civil mais importante e
protector da liberdade política, da lei e da
moral.
Ele vê tudo, conhece tudo, tanto o
presente como o futuro. É bom, justo e sábio.
Os seus emblemas são um raio, a figura
da vitória e uma cornucópia.

Os seus pais foram Cronos e Reia e tinha fig. 1 Zeus

como irmãos Posídon, Hades, Hestia, Deméter e Hera. Casou-se com Hera e foi pai
de diversos deuses, como Apolo, Ártemis, Hefesto, Hebe, Ares e Ilítia. Atenas
nasceu do casamento com a sua primeira esposa, Métis e com a sua irmã Deméter
teve Perséfone.
Apesar de casado com Hera, Zeus tinha inúmeras amantes (as paixões de
Zeus). Usava dos mais diferentes artifícios de sedução, como a metamorfose em
qualquer objecto ou criatura viva, sendo dois dos mais famosos, o cisne de Leda e o
touro de Europa. Assim sendo, teve muitos filhos ilegítimos com deusas e mulheres
mortais, que se tornaram proeminentes na mitologia grega – Hércules e Helena, por
exemplo.
Como é que Zeus se tornou o senhor dos deuses e chefe do Olimpo?
Cronos era casado com Reia, e quando seus filhos nasciam ele devorava-os,
pois Urano, seu pai, profetizou que Cronos seria destronado por um dos seus filhos,
assim como Urano foi destronado por Cronos.

7
Reia, farta disto, e com a ajuda de Geia, decidiu salvar o seu 6º filho levando-o
para o monte Ida, onde ele cresceu aos cuidados de Geia e das Ninfas. Quando se
torna adulto ele enfrenta o seu pai, e disfarçando-se de viajante e dando a Cronos
uma bebida que o fez vomitar todos os filhos que tinha devorado, agora adultos.
Após libertar os irmãos, iniciou a guerra Titanomaquia. Cronos procurou os
seus irmãos para enfrentar os rebeldes, que se reuniram no Olimpo. A guerra durou
100 anos até que seguindo um conselho de Geia, Zeus liberta os Hecatonquiros,
então os deuses olímpicos venceram e aprisionaram os titãs no Tártaro. Segue-se a
partilha do universo, Zeus ficou com o céu e a Terra, Posídon ficou com os oceanos
e Hades ficou com o mundo dos mortos.

Hera
Deusa dos tempos pré-helénicos, era
na mitologia grega esposa e irmã de Zeus,
deusa dos deuses e patrona da vida feminina
em geral e do casamento em particular. Era
retratada como ciumenta e agressiva, odiava
e perseguia as amantes de Zeus e os filhos de
tais relacionamentos, tanto que tentou matar
Hércules quando este era apenas um bebé. O
próprio Zeus a temia. Hera era muito vaidosa
e sempre quis ser mais bonita que Afrodite, a
sua maior inimiga.
Possuía sete templos na Grécia.
fig. 2 Hera Mostrava apenas os seus olhos aos mortais e
usava uma pena do seu pássaro para marcar os locais que protegia. Hércules
destruiu os seus sete templos e, antes de terminar sua vida mortal, aprisionou-a
num jarro de barro que entregou a Zeus.
Na guerra de Tróia, por ódio dos troianos, devido ao julgamento de Páris,
ajudou os gregos. É representada por um pavão e possui uma coroa de ouro.

8
Posídon
Deus grego dos tremores de terra e
da água. Filho de Cronos e Reia e irmão de
Zeus, este deus vive nas profundezas do
mar.
Era também o deus dos cavalos,
em sua honra eram oferecidos em
sacrifício touros brancos ou negros. Mas
apesar disto, o seu humor era
imprevisível, apesar dos sacrifícios, ele
podia provocar tempestades, maus
ventos e terramotos por capricho. fig. 3 Posídon

Os seus símbolos eram o tridente e os golfinhos.


Segundo o mito, Cronos devorava os seus filhos mal nasciam, pois temia q
eles se revoltassem contra ele tal como ele se revoltou contra seu pai, Urano,
Posídon sendo o primeiro filho de Cronos e Reia foi devorado pelo seu pai, mas foi
restabelecido à vida de novo, quando Zeus da uma bebida ao pai que o faz
regurgitar todos os seus filhos previamente devorados.
Depois de derrotarem Cronos e os outros titãs e de os aprisionarem no
Tártaro, dividem o universo entre sei, ficando Posídon com os Oceanos.

Hades
Deus grego do mundo inferior e das riquezas
dos mortos, era filho dos titãs Cronos e Reia e irmão de
Zeus e Posídon. Seu nome significa, em grego, o
Invisível, e era geralmente representado com o elmo
mágico que lhe dava essa habilidade, que ele ganhou
dos ciclopes quando participou da guerra
Titanomaquia contra os titãs.
Depois desta guerra, e como já foi referido, fig. 4 Hades
houve a divisão do universo entre Zeus, Posídon e Hades, ficando Hades com o

9
mundo dos mortos.
Conhecemos-lhe poucas aventuras. Desejoso de desposar uma mulher, rapta
a sua sobrinha Core, filha de Deméter e de Zeus, e transforma-a na rainha
Perséfone, com a qual vive metade do ano e de quem não terá herdeiros. Hades
será fiel a Perséfone, a não ser em dois momentos pontuais: quando teve um
devaneio pela ninfa do Cócito, chamada Minta (ferozmente espezinhada por
Perséfone, será transformada em menta, por Hades) e quando se apaixonou por
Leuce, filha do Oceano, que será metamorfoseada em choupo argênteo.
Era também conhecido como o Hospitaleiro, pois sempre havia lugar para
mais uma alma no seu reino. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, Hades
não é o deus da morte, mas sim do pós-morte.
Para Hades, eram consagrados o narciso e o cipreste. O deus é representado de
diversas maneiras:

• Ou de cenho franzido, cabelos e barbas em desalinho, vestindo túnica e


mantos vermelhos, sentado no trono e tendo ao seu lado o cão Cérbero;

• Ou como deus da vegetação, com traços mais suaves;

• Ou levando nas mãos uma cornucópia ou com uma coroa de ébano na


cabeça, chaves na mão e sobre um coche puxado por cavalos negros.

Ares
Filho de Zeus e Hera, de quem terá herdado
o carácter intratável, Ares nasceu na Trácia, o país
das laranjas, dos cavalos e dos guerreiros. Era para
os gregos da guerra e da luta. A sua força física
invulgar correspondia à sua fúria sanguinária.
Ares era completamente obcecado pela luta.
Deleitava-se a percorrer com a sua quadriga os
campos de batalha, coberto com uma armadura de
bronze e munido com uma enorme lança,
fig. 5 Ares
espalhando o terror.

10
Todo o Olimpo se afastava dele e o seu próprio pai não lhe escondia a sua
antipatia. A sua maior inimiga era Atena, deusa da razão, que era também filha de
Zeus. Por mais estranho que possa parecer, é também um cobarde, que se contrai
com dores e foge quando esta ferido. Contudo, no campo de batalha esta sempre
está sempre rodeado por um numeroso grupo de companheiros, que a todos devia
inspirar confiança.
Havia uma excepção na sua obsessão pela guerra: ele era afectado por
Afrodite e teve um longo caso de amor com ela. Homero conta na Odisseia uma
história sobre o deus, Hélios, que iluminando o casal que desfrutava de seus
encantos e relatando o local de encontro para Hefesto, marido de Afrodite. O
grande ferreiro preparou uma rede especial, fina e resistente como o diamante,
com a qual prendeu o casal num abraço apaixonado. Ele exibiu o casal preso na rede
para os deuses do Olimpo, mas as mulheres foram contra. Homero afirma que
muitos dos deuses masculinos ofereceram-se para trocar de lugar com Ares.

Atena
Filha de Zeus, e só dele, não foi gerada por nenhuma mulher, pois este
apaixonou-se por Métis, tendo sido ela a sua primeira esposa. Contudo, foi
advertido pela sua avó Gaia de que Métis lhe daria um filho e que este o destronaria,
assim como ele destronou Cronos e, este, Urano. Amedrontado, Zeus resolveu
engolir Métis.
Convenceu-a a participar numa brincadeira divina, na qual cada um deveria se
transformar num animal diferente. Métis, desta vez, não foi prudente, e
transformou-se numa mosca. Zeus aproveitou a oportunidade e engoliu-a. Todavia,
Métis já estava grávida de Atena, e continuou a gestação na cabeça de Zeus,
aproveitando o tempo ocioso para tecer as roupas da sua vindoura filha.
Um dia, durante uma guerra, Zeus sentiu uma forte dor de cabeça, e Hefesto,
o feio deus ferreiro e do fogo, deu-lhe uma machadada na cabeça, de onde Atena
saiu, já adulta, com elmo, armadura e escudo – este coberto com a pele de
Amalteia.

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Atena surge como a deusa da luta feroz e implacável, mas, onde quer que se
encontrasse, ela era guerreira apenas para defender o estado e a pátria dos
inimigos vindos do exterior. Era, acima de tudo, a deusa da cidade, a protectora da
vida civilizada, das actividades artesanais e da agricultura; a inventora dos freios,
que, pela primeira vez, domesticaram os cavalos, permitindo, assim, que o homem
os utilizasse.
Era a filha predilecta de Zeus;
deixava-a usar as suas insígnias: o terrível
escudo, o broquel e a sua arma
devastadora, o raio.
Era a primeira das três deusas
virgens, também conhecida por Donzela
Párteno, e daí o nome do templo que lhe foi
dedicado, o Partenón. Permaneceu virgem,
pois pediu aos Deuses Olímpicos para não
se apaixonar, porque se ela tivesse filhos,
teria de abandonar as guerras pela justiça e

viver uma vida doméstica. fig. 6 Atena

Atenas era a sua cidade; a oliveira, criada por ela, a sua árvore e a coruja, a
ave que lhe era consagrada.

Apolo
Filho de Zeus e Leto, nasceu na pequena ilha
de Delos. Tem sido chamado “o mais grego de todos
os deuses”. É uma bela figura da poesia grega, o
músico mestre que deleita o Olimpo, quando tange a
sua lira de ouro; é também o deus do Arco de prata, o
deus da Flecha de grande alcance; o Curandeiro, que
ensinou, pela primeira vez, ao homem a arte de curar
todas as doenças. Apolo é também o deus da Luz e

fig. 7 Apolo

12
do Sol e também o deus da Verdade, pois nunca nenhuma palavra falsa brota dos
seus lábios.
Outra faceta deste deus é a sua parte mais violenta, quando ele usa o arco,
para disparar dardos letais que matam os homens com doenças ou mortes súbitas.
Ainda assumindo este lado mais negro, Apolo é o deus das pragas de ratos e dos
lobos, que atormentavam muitas vezes os gregos.
Finalmente, Apolo é o deus dos jovens rapazes, ajudando na transição para a
idade adulta. Assim, ele é sempre representado como um jovem, frequentemente
nu (ver fig.6), para simbolizar a pureza e a perfeição, já que ele é também o deus
destes dois atributos.
Apolo participa em diversos mitos, incluindo a famosa guerra de Tróia, onde
esteve ao lado troiano, dizimando os aqueus com pragas quando estes ofenderam o
seu sacerdote troiano, e acabando por matar Aquiles. A maioria dos mitos que
dizem respeito a Apolo falam dos seus inúmeros amores, sendo os mais famosos
Dafne, uma ninfa que foi transformada em loureiro (daí a sacralidade da árvore para
Apolo), Jacinto, que se transformou na flor com o
mesmo nome, e Ciparisso, o qual se transformou
em cipreste.

Afrodite
A deusa do amor e da beleza, que seduzia
todos, tanto deuses como mortais; a deusa
alegre, que ria ora docemente ora de modo
trocista daqueles que os seus ardis haviam
conquistado; a deusa irresistível, que até os mais
sensatos subtraía as faculdades mentais.
Existem duas versões do seu nascimento:

• De acordo com o mito teogónico, mais


aceite, nasceu quando Urano (pai dos titãs)
foi castrado pelo seu filho Cronos, que fig. 8 Afrodite

atirou os genitais cortados de Urano ao mar, que começou a ferver e a

13
espumar, esse efeito foi a fecundação que ocorreu em Talassa, deusa
primordial do mar. De aphros ("espuma do mar"), ergueu-se Afrodite e o mar
a carregou para Chipre. Assim, Afrodite é de uma geração mais antiga que a
maioria dos outros deuses olímpicos.

• Noutra versão (como diz Homero), Dione é mãe de Afrodite com Zeus,
sendo Dione, filha de Urano e Talassa.
Era casada com Hefesto, o deus ferreiro e do fogo, mas pela falta de
atenção, Afrodite começou a trair o marido para melhor valorizá-la, tendo tido
vários relacionamentos.

Hermes
Filho de Zeus e da jovem Plêiade Maia,
filha de Atlas, nasceu numa caverna do monte
Cilene, na Arcádia, tendo manifestado desde
muito cedo uma inteligência e astúcia
extraordinárias. Devido a uma estátua que o
representa é que se tornou muito popular, o
aspecto deste deus é-nos muito mais familiar
do que o de qualquer outro. Os seus
movimentos eram graciosos e rápidos. Usava
sandálias aladas, tinha asas também no chapéu
fig. 9 Hermes
coroado, bem como no bastão, o caduceu.
Era o Mensageiro de Zeus. De todos os deuses era ele o mais arguto e o mais
astuto. De facto, era o Chefe dos Ladrões; dera início à sua carreira ainda antes de
completar um dia de vida, pois nasceu ao despontar do dia e ao cair da noite,
abandonou o berço e partiu para Tessália, dirigindo-se ao monte onde pastavam os
bois do rei Admeto, confiados à guarda de Apolo. Habilmente, roubou uma parte
dos animais, que conduziu às arrecuas através de toda a Grécia, acabando por
escondê-los numa caverna em Pilo. Depois de tudo isto, regressou ao seu quarto
pelo buraco da fechadura e deitou-se no berço.

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Mas Hermes esquecera que Apolo era dotado de dupla visão e que tomara
conhecimento do roubo dos animais, indo reclamá-los junto da criança que, no seu
berço, fingiu tudo ignorar. Perante esta situação, Apolo apela a Zeus que ao tomar
conhecimento do caso foi sacudido por um riso, pedindo, no entanto, aos seus
filhos que se reconciliassem e obrigou Hermes a devolver os animais.
Apolo, no entanto, encantou-se com o som da lira que Hermes inventara e
ofereceu em troca o gado e o caduceu. Mais tarde, Hermes inventou a siringe
(flauta de Pã), em troca de que Apolo lhe concedeu o dom da adivinhação.
Foi famoso também por ser o único filho que Zeus tivera que não era filho de
Hera, que ela gostou, pois ficou impressionada pela sua inteligência.

Ártemis
Filha de Zeus e Leto e irmã gémea de
Apolo. Tal como o seu irmão, também ela é
uma divindade da luz, mas da luz nocturna,
lunar.
Nasceu na ilha de Ortigia (Delos), um
dia antes de seu irmão. Após o seu
nascimento, ela pediu como presente, a seu
pai, Zeus, uma armadura completa de
caçadora e este encarregou Hefesto de lhe
forjar um arco em ouro.

fig. 10 Ártemis
Tal como Apolo como Apolo, a deusa da Lua era dotada de atributos
variados e contraditórios. Por um lado, manifestava qualidades simpáticas e
benéficas: dirigia o coro das musas, proferia oráculos, dava bons conselhos, curava
as doenças ou as feridas, protegia as águas termais e as viagens, em terra e no mar,
e ainda velava pelos animais domésticos e pelos campos. Mas, simultaneamente,
Ártemis era a deusa da caça, aterrorizando, portanto, os animais selvagens. Esta era
a sua faceta cruel e, por vezes, mesmo bárbara. Com efeito, a deusa divertia-se a
oprimir os mortais, a desencadear epidemias ou a provocar a morte violenta,
merecendo bem o cognome de Apolussa, a Destruidora.

15
Hefesto
Hefesto personifica o fogo, tanto o fogo
que explode no céu, como aquele que é
produzido pelos vulcões. Era também o deus
dos metais e da metalurgia. Era conhecido
como o ferreiro divino.
Era filho de Hera e Zeus.
Hefesto foi responsável, entre outras
obras, pela égide, escudo usado por Zeus em
sua batalha contra os titãs. Construiu para si um
magnífico e brilhante palácio de bronze,
equipado com muitos servos mecânicos. Das

suas forjas saiu Pandora, primeira mulher fig. 11 Hefesto


mortal.
Casou-se com Afrodite, porém ela foi-lhe infiel, tendo vários amantes, entre
eles deuses e mortais. O seu principal rival era Ares, deus da guerra.
Outra versão do mito conta que Afrodite o amava realmente, e que as suas
traições reflectiam as outras faces do amor (ex.: ela queria-lhe causar ciúmes, ou
tinha desejos passageiros).
Foi expulso do Olimpo pela sua mãe Hera, desgostosa de que ele fosse coxo.
Deram-se várias explicações míticas para esse defeito físico. Uma delas é que Hera
discutia com Zeus a respeito de Hércules e Hefesto, o mesmo tomou partido a favor
da mãe. Zangado, Zeus agarrou Hefesto pelo pé e atirou-o do Olimpo abaixo,
ficando coxo para sempre e condenando-o assim a viver sobre a Terra, onde
instalou suas oficinas na ilha de Lemnos.

16
Dionísio
Era filho de Zeus e Sémele, filha do rei de
Tebas, Cadmo.
Zeus apaixonou-se por Sémele e ia visitá-
la clandestinamente ao palácio de seu pai. Hera,
ciumenta, transformou-se um dia na ama de
Sémele e sugeriu à princesa que exigisse a Zeus,
como prova de amor, que ele lhe aparecesse em
todo o seu esplendor divino. Sémele foi tão
persuasiva, que Zeus cumpriu o deu desejo de
forma tão resplandecente, que os raios
emanavam do seu corpo incendiaram o palácio
e fulminaram a infeliz. O filho de Zeus, que a

fig. 12 Dionísio
princesa trazia no ventre, teria parecido carbonizado, se uma hera, surgida por
milagre, não tivesse vindo fazer barreira às chamas devoradoras. O rei dos deuses
recolheu-o então e ocultou-o na gordura da sua coxa.
Quando chegou o tempo certo, Zeus fez brotar da sua coxa o bebé divino.
Foi confiado a Ino, irmã de Sémele, e ao seu marido, mas Hera fiel à sua
vingança, causou a loucura dos dois esposos. Zeus foi obrigado a intervir, e
encarregou Hermes de levar o seu filho para bem longe, a fim de ser educado pelas
Ménades, as ninfas do monte Nisa. O jovem deus daí retirou o seu nome: Zeus de
Nisa (Dionísio).
Dionísio era o deus das festas, do vinho, da alegria, do lazer, do prazer e
protector do teatro.

17
I.2 – Deuses menores

Deméter
Deméter, a Terra-Mãe, é a mais
importante das divindades gregas da
fecundidade. Ela incarna a terra cultivada, mais
particularmente, a cultura do trigo, planta
símbolo da civilização.
Filha de Cronos e de Reia, de Deméter é a
irmã loura de Héstia (a mais velha), assim como
Hades, Posídon e Zeus.

Na qualidade de deusa da agricultura, fez fig. 13 Deméter


várias e longas viagens com Dionísio ensinando os homens a cuidarem da terra e
das plantações.
Era a mãe de Perséfone, e quando Hades raptou a sua filha e a levou para seu
reino subterrâneo, Deméter ficou desesperada, saiu como louca Terra afora sem
comer e nem descansar. Decidiu não voltar para o Olimpo enquanto a sua filha não
lhe fosse devolvida, e culpando a terra por ter aberto a passagem para Hades levar
sua amada filha.
Durante o tempo em que Deméter ficou fora do Olimpo a terra tornou-se
estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram. Sem comida a
população sofria de fome e doenças. A fonte Aretusa então contou que a terra
abriu-se de má vontade, obedecendo às ordens de Hades e que Perséfone estava no
Érebo, triste mas com pose de rainha, como esposa do monarca do mundo dos
mortos.
Com a situação caótica em que estava a terra estéril, Zeus pediu a Hades que
devolvesse Perséfone. Ele concordou, porém antes, fê-la comer um bago de romã e
assim a prendeu para sempre aos infernos, pois quem comesse qualquer alimento
nessa região ficava obrigado a retornar. Com isso, ficou estabelecido que Perséfone

18
passaria um período do ano com a mãe, e outro com Hades, quando é chamada
Proserpina.
Deméter pode ser representada:

• Sentada, com tochas ou uma serpente. Seus atributos são a espiga e o narciso,
seu pássaro é a grou.

• Tendo em uma das mãos uma foice e na outra um punhado de espigas e


papoilas, trazendo na cabeça, uma coroa com esses mesmos elementos.

Eros
Eros, que segundo as teogonias mais
antigas teria emergido do caos primitivo,
portanto um deus primordial. É a força
irresistível que faz atrair os elementos, surgindo
assim como princípio de vida e o deus do amor.
A sua acção fecundante fará nascer todas as
coisas através da união do espaço (Caos) e da
matéria (a Terra). Depois juntou Érebo – a
obscuridade infernal – e Nix – a noite – e estes
geraram Éter – o fluido vital – e Hemera – o dia.
Posteriormente foi considerado como
fig. 14 Eros
um deus olímpico, filho de Afrodite e de Zeus, Hermes ou Ares, conforme as
versões.

Éolo
Filho de Posídon e de Arne. Vivia
na ilha flutuante de Eólia (ou Lipari)
com seus seis filhos e suas seis filhas.
Era o deus dos ventos e senhor
dos outros deuses do vento (Bóreas,
Nótus, Eurus e Zéfiro).

fig. 15 Éolo 19
II
Os deuses primordiais

Os deuses primordiais da mitologia grega, também chamados


Protogonos, eram as divindades que nasceram em primeiro lugar, que
surgiram no momento da criação, e cujas formas constituem a estrutura
básica do universo. O primeiro deles surgiu do nada, e os outros nasceram
dele.

20
Caos
Caos é a primeira divindade a surgir no
universo, portanto o mais velho dos deuses.
Os filhos de Caos nasceram de cisões assim
como se reproduzem os seres unicelulares. Nix e Érebo
nasceram a partir de "pedaços" de Caos.
Caos é então uma força antiga e obscura que
manifesta a vida por meio da cisão dos elementos.
Caos parece ser um deus andrógino, trazendo em si
tanto o masculino como o feminino. Esta é uma
fig. 16 Alegoria ao Caos
característica comum a todos os deuses primogénitos de várias mitologias.

Érebo
Personificação das trevas
infernais e da escuridão superior,
emergiu, juntamente com a Noite, do
Caos primordial. Da união com a sua
irmã, nasceu Éter, o ar e Hemera, a luz do
dia.
No decurso da guerra dos Titãs
contra Zeus e os Olímpicos, Érebo tomou
o partido dos Titãs e, por isso, foi atirado
para as profundezas do Tártaro.
fig. 17 Érebo

Geia
É a Terra divinizada, aparecida depois do Caos, ela personifica a matéria
primordial e o “eterno e inabalável sustentáculo de todas as coisas”. Do seu corpo
vão nascer, sucessivamente, o céu estrelado, Úrano, as altas montanhas, Ureia, e
Ponto, o deus Mar.

21
Depois, Geia escolha Úrano para seu companheiro e desta união nascerão
seis filhos e seis filhas, os doze Titãs, assim como três crianças monstruosas, três
Ciclopes e três Hecatonquiros.
Ela fabrica uma foice, com a qual
Cronos mutilará o seu próprio pai. O sangue
de Úrano cai sobre a Terra e fecunda, uma
vez mais, Geia, que assim dará à luz as
Erínias, os gigantes e as ninfas dos freixos:
as Melíades.
Depois de ter iniciado e desenvolvido
o povoamento do Universo, com
divindades, geia criou o homem. Do solo
produtivo saíram os heróis “autóctones”
como Cécrops, Lélex…

fig. 18 Geia
Mas Geia não é somente criador, ela é também a ama dos deuses e dos
mortais. Assim Geia é adorada como a “mãe universal”, para quem “nascem os
belos ilhós e os frutos saborosos”.
Ela é então a Deusa-Mãe, a deusa da abundância (presidindo aos
casamentos) e detentora de um poder profético.

Nix (a Noite)
A Noite, nascida do caos como seu irmão Érebo,
a quem se juntou, deu à luz Éter (o ar) e Hemera (a luz),
duas divindades indispensáveis à criação e
sobrevivência do género humano.
Inversamente, Nix gerou também numerosos
deuses cuja acção se revelará, geralmente, funesta.
Esses deuses eram Némesis, Éris (a discórdia), a
velhice, a morte, o seu irmão gémeo, o doce
Adormecimento e a divindade que se imporá com a

fig. 19 Nix, a Noite


22
mesma autoridade aos homens e aos deuses, incluindo Zeus, o Destino, Moira.
Nix aparece ora como uma deusa benéfica que simboliza a beleza da noite
ora como cruel deidade Tartárea, que profere maldições e castiga com terror
nocturno. Nix é também uma Deusa da Morte, a primeira rainha do mundo das
Trevas e também tinha dons proféticos, e foi ela quem criou a arma que Gaia
entregou a Cronos para destronar Úrano. Nix conhecia o segredo da imortalidade
dos Deuses podendo tirá-la e transformar um Deus em mortal, como ela fez com
Cronos após este ser destronado por Zeus.

Pontos
Era um antigo deus do mar pré
olímpico, que tal como Úrano, nasceu
por partenogénese de Gaia, a Terra.

Úrano fig. 20 O mundo primordial, sendo Pontos, o


oceano
Úrano é o céu divinizado.
Foi criado por Geia, a Terra, na origem do mundo, ta como o seu irmão
Pontos, o Mar.
Uniu-se à sua mãe e
desta união nasceram os
terríveis Titãs, os Ciclopes “de
coração violento” e os
monstruosos Hecatonquiros.
Úrano odiou os seus
filhos desde o primeiro dia, por
isto mantinha-os presos no
interior de Geia.

fig. 21 Urano

23
A Terra então instigou os seus filhos a revoltarem-se contra o pai. Cronos, o
mais jovem, assumiu a liderança da luta contra Úrano e, usando uma foice oferecida
por Geia, castrou o seu pai e deitou os seus testículos no mar. O sangue de Urano,
ao cair na Terra, fecundando-a. Assim nasceram os Gigantes, as Eríneas e as
Melíades. Cronos atirou os testículos de Úrano ao mar, que formou uma espuma de
esperma, de onde brotou Afrodite, a deusa do amor.
Urano continuou a deitar-se com Geia todas as noites, mas agora não podia
fecundá-la.

Éter e Hemera
Éter, filho de Nix e de Érebo,
segundo a Teogonia de Hesíodo,
personifica o “céu superior” (Céu
sem limites, diferente ao de Urano).
Era o ar elevado, puro e brilhante,
respirado pelos deuses,
contrapondo-se ao ar obscuro, que
fig. 22 Esquema onde estão representados Éter (o ar) e
os mortais respiravam, sendo deus Hemera (a luz do dia)

desconhecido da matéria, em consequência as moléculas de ar que formam o ar e


seus derivados.
Hemera, a deusa (ou personificação) do dia, era também filha de Nix e Érebo
e irmã de Éter.

Tártaro
Assim como Gaia era a personificação da Terra e Urano a personificação do Céu,
Tártaro era a personificação do Inferno.
É o local mais profundo das entranhas da terra (ver fig. 20 e 22), localizado muito
abaixo do próprio Hades. A distância que separa o Hades do Tártaro é a mesma que
existe entre Geia, a Terra, e Urano, o Céu.
É no Tártaro que as diferentes gerações divinas lançam sucessivamente seus
inimigos, como os Ciclopes e depois os Titãs.

24
III
Outros deuses
Além dos deuses olímpicos e primordiais existia uma grande
diversidade de deuses adorados pelos gregos.

25
Anfitrite
Anfitrite é filha da ninfa Dóris e de Nereu, irmã
da deusa Tétis, portanto, tia de Aquiles.
É esposa de Posídon e deusa dos mares. A
princípio, recusou-se a unir-se ao deus, escondendo-
se nas profundezas dos oceanos, num lugar
conhecido apenas pela sua mãe. Acabou cedendo às
investidas de Posídon, tornando-se rainha dos
oceanos. É representada portando com um tridente,
símbolo da sua soberania sobre os mares. fig. 23 Anfitrite

Circe
Circe é filha de Hélio, o Sol. A sua mãe,
segundo certos autores, é uma filha de Oceano,
mas segundo outros é Hécate, divindade lunar
que preside à magia e aos encantamentos.
Residia na ilha de Eeia. Era capaz então de
criar filtros e venenos que transformavam
homens em animais. Por esse motivo habitava
num palácio encantado, cercado por lobos e leões

fig. 24 Circe (seres humanos enfeitiçados).

Eos
Eos, filha dos Titãs Hipéron e Teia, é a deusa da aurora. Ela é irmão de Hélio,
o Sol, e de Selene, a Lua.
Normalmente citada como de longos cabelos louros e unhas tingidas de rosa
com uma carruagem púrpura puxada por dois cavalos alados, Lampo e Faetonte,
com arreios multicolores. Ágil e graciosa, munida de asas nos ombros pés.

26
Encarregada de abrir a porta do céu para o
carro de Hélios, tingindo o céu com seus róseos
dedos.
Traz também para os homens a brisa da
manhã, esparge o orvalho sobre os campos,
desperta as criaturas e guia os trabalhos
humanos para que fossem superados os
obstáculos.

fig. 25 Eos

Éris
Éris, a deusa da Discórdia, aparece quer
como filha de Nix quer como filha de Zeus e Hera,
irmã e companheira de Ares.
É ela quem lança a famosa “maçã da
discórdia”, no meio do banquete de núpcias de
Tétis e de Peleu, futuros pais de Aquiles. Esta
esteve na origem da guerra de Tróia, onde Aquiles
pareceu.

fig. 26 Éris

Harmonia
É a deusa da harmonia e da concórdia.
Filha de Afrodite e Ares, e esposa de Cadmo, seria originária da Samotrácia,
onde ela e Cadmo acabaram sendo transformados em serpentes.

Hélio
Hélio, o astro solar, é filho dos Titãs Hiperíon e Teia e irmão do astro lunar, Selene, e
da aurora, Eos.

27
Todas as manhãs ele percorria os céus, montando no seu carro de fogo, atrelado a
cavalos alados de uma brancura estrondosa. Quando lá
chegava, enquanto os seus cavalos cansados se
banhavam, Hélio repousava no seu palácio de ouro para
depois alcançar, de barca, o Oriente.
Via tudo e sabia de tudo, sendo frequentemente
convocado por outros deuses para servir como
testemunha. Era o rei do controlo do tempo e as deusas
do dia, do mês, das estações e do ano o serviam.

fig. 27 Hélio

Hebe
Filha do casal real Zeus e hera, Hebe personifica a juventude
e a beleza.
No palácio de seus pais, ela desempenha o papel de jovem
dona de casa. Vemo-la, ajudando a sua mãe a atrelar o seu carro,
preparando o banho de seu irmão Ares e participando no coro das
Musas. Casou-se com Hércules depois deste ser aceite como deus
no Olimpo.

fig. 28 Hebe

Hécate (em grego significa “a


distante”)
Divindade filha dos titãs Perses e Astéria.
Os poderes de Hécate são numerosos e
variados. Ela é considerada, nas origens, como
deusa benfeitora e protectora dos mortais, em
todos os domínios.

fig. 29 Hécate

28
Mais tarde, será considerada como a temível inventora da magia e da
feitiçaria. A este título, será associada ao mundo da noite, no qual aparece com uma
tocha em cada mão, e por vezes com a forma de uma cadela.

Hipnos
Hipnos era o deus grego do sono.
Hipnos era filho de Nix e Érebo. Teve
muitos irmãos, entre os quais seu irmão gémeo
Tanato, a morte.
Segundo Homero, Hipnos vive em
Lemmos, e está casado com a Grácia Pasitea,
que Hera lhe concedeu em agradecimento por
préstimos realizados. Tem forma humana, mas
torna-se numa ave antes de dormir.
fig. 30 Hipnos

Íris
Íris, filha de Taumas e da Oceânide Electra, é irmã das
Harpas. Os gregos, que a identificaram com o arco no
céu, transformaram-na no símbolo do contacto entre
o céu e a terra. Íris representa, juntos dos deuses e
dos homens, o papel de mensageira dos imortais,
emissária das vontades de Zeus e, mais
frequentemente ainda, de Hera, de quem é a serva
fiel, banhando-a, embelezando-a e passando as
noites sem dormir junto do seu trono. Ela representa,

fig. 31 Íris igualmente, os palafreneiros do Olimpo, ajudando os


deuses a desatrelar as suas montadas, quando regressam das expedições,
ocupando-se dos seus ginetes e alimentando-os.

29
Métis
Métis era a deusa grega da prudência, filha de Tétis e Oceano. Foi a primeira
esposa de Zeus, que lhe forneceu a bebida que fez Cronos regurgitar todos os filhos
que havia engolido.
Quando Métis estava grávida da deusa Atena, Gaia profetizou que seu filho
iria destronar seu pai, Zeus. Este, temendo que isto acontecesse, engoliu a deusa
viva, tendo depois como fruto dessa relação Atena saída já adulta de sua cabeça.

Morfeu
Morfeu é o deus grego
dos sonhos.
Filho de Hipnos e de Nix,
este génio alado tem a habilidade
de assumir qualquer forma

humana e aparecer nos sonhos


fig. 32 Morfeu
das pessoas como se fosse a pessoa amada por aquele determinado indivíduo.


Pã era o deus dos bosques, dos
campos, dos rebanhos e dos pastores. Por sua
vez era também um deus fecundante, muito
activo na conquista amorosa, quer junto das
ninfas como das adolescentes, aos quais
inspira um medo pânico.
Era representado com orelhas, chifres e
pernas de bode.
Amante da música, trazia sempre
consigo uma flauta. Era temido por todos
aqueles que necessitavam atravessar as

fig. 33 Pã

30
florestas à noite, pois as trevas e a solidão da travessia os predispunham a pavores
súbitos, desprovidos de qualquer causa aparente e que eram atribuídos a Pã.

Perséfone
Core (a jovem) era filha de Deméter e
do seu irmão Zeus. A jovem cresceu ao ar
livre, na Sicília, até que um dia foi vista pelo
seu tio Hades, que ao ver a sua grande beleza
e feminilidade, decide raptá-la.
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou
por se descuidar nas suas tarefas: as terras
tornaram-se estéreis e houve escassez de
alimentos, e Perséfone recusou-se a ingerir
qualquer alimento e começou a definhar.
Deméter, junto com Hermes, foram
buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo

outras fontes, Zeus ordenou que Hades fig. 34 Perséfone

devolvesse a sua filha). Como entretanto Perséfone tinha comido algo (uma
semente de romã) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim,
estabeleceu-se um acordo, ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando
seria Core, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a
sombria Perséfone.

Selene
Selene, a deusa coroada de ouro, dotada de
grandes asas, filha dos Titãs Hipérion e Teia,
personifica o astro lunar cujo brilho de prata
percorre o céu a cada noite. Ela é irmã de Hélio, o
Sol, e de Eos, a Aurora.

fig. 35 Selene
31
Tanato
Era a personificação da morte, enquanto
Hades reinava sobre os mortos no mundo
inferior.
Diz-se que Tanato nasceu em 21 de
Agosto sendo a sua data de anos o seu dia
favorito para tirar vidas.
Tanato era filho de Nix e Érebo. Era
irmão gémeo de Hipnos, o deus do sono e era
representado como uma nuvem prateada ou
um homem de olhos e cabelos prateados.

fig. 36 Tanato

Tifão
Deus grego da seca, filho de Tártaro e de Gaia, simbolizava o elemento Ar em
sua forma mais furiosa, os furacões. Foi criado em Delfos e era inimigo hereditário
dos deuses, principalmente de Zeus, por quem mantinha um ódio cruel.
Tifão era maior que todas as montanhas e o corpo, cercado de plumas, era
rodeado de serpentes (há versões que dizem que os seus dedos eram cabeças de
dragão com línguas pretas, que soltavam centelhas de fogo pelos olhos e gritos de
animal selvagem).
Uniu-se a Equidna e foi pai de todos os monstros: do cão de 3 cabeças
Cérbero, do lobo (ou cachorro) de 2 cabeças Ortro, da esfinge, do dragão de 100
cabeças Ládon, do dragão da Cólquida (que guardava o velocino de ouro), da hidra,
de Ethon (a águia que comia o fígado de Prometeu) e da Quimera.
Depois de ter perdido numa luta contra os deuses Olímpicos, foi aprisionado
no Tártaro. Lá, Tifão permanece tão perverso quanto sempre. Em Tártaro, Tifão
toma a forma de ventos furiosos que fustigam as tempestades do mar, dispersando
os navios, matando marinheiros, trazendo morte e destruição às terras costeiras.

32
IV
Os Titãs
Na mitologia grega, os Titãs – masculino – e Titânides – feminino –
estão entre a série de deuses que enfrentaram Zeus e os deuses olímpicos na
sua ascensão ao poder.

33
Atlas
O gigante Atlas, como os seus irmãos
Prometeu e Epimeteu, é filho do Titã Jápeto e da
ninfa Clímene, filha do Oceano.
Participou na guerra que opôs os Gigantes
aos Olímpicos e que se saldou por uma derrota. Por
isso foi condenado por Zeus a carregar o céu às
suas costas.
A sua morada está situada nas
extremidades ocidentais da terra. Heródoto conta
que Perseu, tendo regressado após ter matado a
medusa, apresentou a sua cabeça ao gigante que,
fig. 37 Atlas
petrificado, foi transformado numa montanha.

Ceos
Ceos (o Céu) foi um dos titãs que nasceram de
Geia e é o Titã da inteligência, foi casado com a Titânide
Febe e com ela teve Astéria, a Deusa estrelar, e Leto, a
Deusa do anoitecer.

fig. 38 Ceos

Crio
Crio é o um dos 12 titãs clássicos da tradição hesiódica.
Ele desposou Euríbia e gerou: Pallas, Astreu e Perses.
Crio, assim como os demais titãs que ficaram ao lado de Cronos na
Titanomaquia, foi aprisionado no Tártaro.

Cronos
Cronos, o “dos pensamentos pérfidos”, é o mais novo dos Titãs, filho de Geia
e de Úrano.

34
Foi o único a escutar o pedido de sua mãe,
quando Geia, a fim de por termo à sua própria
escravatura e à dos seus filhos, decidiu armá-lo, com
uma foice, para que ele vencesse Úrano. Então Cronos,
com um golpe de foice, cortou o órgão sexual de seu
pai, afastou-o do poder e apoderou-se do Universo.
Após isto, Cronos reinou entre os deuses
durante um período de prosperidade conhecido como
Idade Dourada. Mas uma profecia dizia que ele seria
enfim vencido por um filho seu. Assim, temendo uma
revolta tal qual a sua, ele passou a devorar os seus
próprios filhos assim que nasciam. Até que a profecia
se cumpriu, e Zeus, auxiliado por sua mãe, Reia, o
destronou, na guerra que ficaria conhecida como fig. 39 Cronos

Titanomaquia. Zeus libertou definitivamente seus irmãos e baniu os Titãs para o


Tártaro.

Febe
Febe era chamada de "A mais bela
entre as Titânides”. Talvez a primeira deusa
da Lua que os gregos conheceram, Febe é a
Deusa da lua, relacionada com as noites de
lua cheia.
Febe uniu-se a Ceos e tiveram as
fig. 40 Febe (ao centro) Deusas Leto e Astéria.

Hiperíon
Um dos doze Titãs é, como o seu nome indica, “aquele que se encontra no
horizonte”. Casado com a sua irmã Teia, a mais velha das Titânides, terá três filhos:
Hélio – o sol, Selene – a lua e Eos – a aurora.

35
Jápeto
Jápeto, um dos doze Titãs, casou-se com a ninfa Clímene, filha de seu irmão,
Oceano. Desta união nasceram quatro filhos: Atlas e Menécio, punidos por Zeus por
terem ajudado os Titãs na sua resistência e Epitemeu e Prometeu, que tiveram um
papel capital na história mítica do género humano.
Entre os Gregos irreverentes, o nome de Jápeto assumia o sentido de velho
impertinente.

Mnemosine
Mnemosine era uma das Titânides
filhas de Urano e Gaia e a deusa da Memória.
Ela teve de Zeus as Noves Musas.
Era aquela que preserva do
esquecimento. Seria a divindade da
enumeração vivificadora frente aos perigos
da infinitude, frente aos perigos do
esquecimento que na cosmogonia grega
aparece como um rio, o Lethe, um rio a cruzar
a morada dos mortos (o de “letal”
esquecimento), o Tártaro, e de onde “as
almas bebiam sua água quando estavam

prestes a reencarnarem-se, e por isso fig. 41 Mnemosine

esqueciam sua existência anterior”

Oceano
Oceano, o mais velho dos Titãs, filho
de Geia e Úrano.
Ele representa o imenso oceano
líquido que rodeava a terra, considerada um
círculo de que Delfos seria o centro.
fig. 42 Oceano

36
Oceano, casado com a sua irmã Tétis, gerou 3 mil filhos, os rios, e três mil
filhas, as Oceânides, ninfas das águas “que, espalhadas por toda a terra, presidiam
às fontes profundas”.
Na maioria das variantes do mito da guerra entre os Titãs e os Deuses
Olímpicos, ou Titanomaquia, Oceano, tal como Prometeu e Témis, não se juntaram
aos seus irmãos titãs contra os Olímpicos, tendo se mantido afastados do conflito.
Oceano também teria recusado alinhar com Cronos na sua revolta contra seu pai
Urano.

Prometeu
Prometeu, filho do Titã Jápeto e
da Oceânide Clímene, é irmão de
Epimeteu, Atlas e Menécio.
A Prometeu e seu irmão
Epimeteu foi dada a tarefa de criar os
homens e todos os animais. Epimeteu
encarregou-se da obra e Prometeu
encarregou-se de supervisioná-la depois
de pronta, assim Epimeteu atribuiu a
cada animal seus dons variados, de
coragem, força, rapidez, sagacidade;
asas a um, garras a outro, uma carapaça
protegendo um terceiro, etc. Porém,
quando chegou a vez do homem, que deveria ser superior a fig. 43 Prometeu

todos os animais, Epimeteu gastara todos os recursos, assim, recorre a seu irmão
Prometeu que com a ajuda de Minerva roubou o fogo que assegurou a
superioridade dos homens sobre os outros animais.
Todavia o fogo era exclusivo dos deuses. Como castigo a Prometeu, Zeus
ordenou a Hefesto acorrentá-lo ao cume do monte Cáucaso, onde todos os dias
uma águia (ou abutre) ia dilacerar o seu fígado que, por ser Prometeu imortal,
regenerava-se. Esse castigo devia durar 30.000 anos.

37
Prometeu foi libertado do seu sofrimento por Hércules que, havendo
concluído os seus doze trabalhos dedicou-se a aventuras. No lugar de Prometeu, o
centauro Quíron deixou-se acorrentar no Cáucaso, pois a substituição de Prometeu
era uma exigência para assegurar a sua libertação.

Epimeteu
Epimeteu é um Titã, filho do titã Jápeto e da Oceânide Ásia, filha de Oceano,
também chamada de Clímene e irmão de Atlas, Prometeu, Hésperos e Menoécio.
Epimeteu criou os animais e deu-lhes os atributos. Quando chegou ao
homem, não havia mais nenhuma qualidade para lhe dar. Pediu socorro ao seu
irmão Prometeu, que então roubou o fogo dos deuses e o ofertou aos homens,
ensinando-lhe também como trabalhar com ele.

Reia
Reia é uma das Titânides. A deusa “dos belos cabelos”, após a castração de
seu pai Urano, casou-se com o seu irmão, o subtil Cronos, responsável pelo feito. Os
dois reinaram, então, sobre o mundo e sobre a raça dos Titãs, gerando Héstia,
Deméter, Hera, Hades, Posídon e Zeus.
Devido a um oráculo de Urano,
que profetizara que Cronos seria
destronado por um dos filhos, este
passou a engolir todos os seus filhos
assim que nasciam. Reia decidiu que isto
não ocorreria com seu sexto filho.
Assim, quando Zeus nasceu, Reia
escondeu-o no Monte Ida, em Creta e,
em vez do filho, deu a Cronos uma pedra
enrolada em panos. Cronos engoliu-a,
fig. 44 Reia
pensando ser o filho.

38
Seguindo a ascensão de seu filho Zeus ao status de rei dos deuses, ela
contestou sua parte do mundo e acabou refugiando-se nas montanhas, onde se
cercou de criaturas selvagens.
Por ser mãe de todos deuses do Olimpo, é conhecida como Mãe dos Deuses.
É uma deusa relacionada com a fertilidade.

Teia
Teia desposou Hiperíon e deu a luz às divindades siderais Hélio, o sol, Selene,
a lua, e Eos a aurora.

Tétis
A mais jovem da Titânides e, a este título,
divindade primordial, representa a terra sólida que
se uniu com o seu irmão Oceano, o mais velho dos
Titãs, deus do elemento líquido. Desta união, ela
dará à luz os três mil rios e as três mil ninfas das
águas.
Personifica a fecundidade da água, que
alimenta os corpos e forma a seiva da vegetação.

fig. 45 Tétis

Témis
Filha de Geia e Urano, era uma divindade
fecundadora e profética, como a sua mãe.
É a deusa da justiça. Foi a segunda mulher de
Zeus, sentava-se ao lado de seu trono, pois era sua
conselheira.
Considerada, para a mitologia, a personificação
da Ordem e do Direito divinos, ratificados pelo
Costume e pela Lei.

fig. 46 Témis 39
V
Lendas e histórias
mitológicas

40
Origem do Universo
“Antes de tudo”, reinava o “espaço vazio” e ilimitado: o Caos.
Depois apareceu Geia – a matéria primordial, a terra – e Eros – a força
irresistível que juntou os elementos, o princípio da vida.
Graças à acção fecundante de Eros, todas as coisas nasceram, pouco a
pouco, do Espaço e da Terra.
Do Caos emergiu o mundo das trevas: Érebo – a Obscuridade infernal – e Nix
– a Noite – reunidos por Eros, vão trazer a luz ao mundo ao gerarem Éter – o Fluido
vital – e Hemera – o Dia.
Pela sua parte Geia dará à luz Urano – o Céu estrelado – que ela faz “igual,
em tamanho, a si própria, a fim de que ele a possa cobrir completamente”.
Seguidamente, cria as montanhas, Ureia e Ponto, o mar.
Geia e Urano ou a 1ª Geração:
Úrano depois de criado por Geia passa a ser seu marido e protector, sempre
deitado sobre ela, gerando vida nela, copulando-a periodicamente com a chuva.
Úrano e Geia geraram as criaturas: os Titãs e as Titânides, os Ciclopes, e os
Hecatonquiros. Após ser criado, Úrano passa a ser o primeiro senhor do Cosmos
não demorando a tornar-se também o seu primeiro tirano.
O reino de Cronos ou a 2ª Geração:
Numa revolta organizada por Geia contra a tirania de Úrano, que devolvia os
seus filhos à Terra tirando-os do Céu, pois tinha medo de ser destronado, Cronos
castrou o seu pai Úrano que perdeu o seu poder, assim Cronos passou a reinar no
mundo, com os seus irmãos, os Titãs. Nesse momento, os Ciclopes e Hecatonquiros
já haviam sido presos no Tártaro por Úrano.
Domínio dos filhos do titãs 3ª Geração:
Cronos, sabendo que seria destronado por um de seus filhos, devorava-os
logo que nasciam. Reia, sua esposa, enganou-o e escondeu Zeus, que foi criado
escondido pela ninfa Almatéia e pelos Curetes. Quando cresceu libertou os seus
irmãos do corpo de Cronos através de uma erva dada por Métis, libertou os Ciclopes
e os Hecatonquiros – que imortalizou – e, unido a todos estes, realizou a

41
Titianomaquia, a luta contra os Titãs, que vencidos foram atirados ao Tártaro. Assim
Zeus e os outros Olímpicos subiram ao poder.

Musas
Na Grécia, as musas eram filhas de
Mnemosine e Zeus.
Após a vitória dos deuses do
Olimpo sobre os seis filhos de Urano, fig. 47 Musas

conhecidos como Titãs, foi solicitado a Zeus que se criassem divindades capazes de
cantar a vitória e perpetuar a glória dos Olímpicos. Zeus então partilhou o leito com
Mnemosine, a deusa da memória, durante nove noites consecutivas e, um ano
depois, Mnemosine deu à luz nove filhas em um lugar próximo ao monte Olimpo.
As musas cantavam o presente, o passado e o futuro, acompanhados pela
lira de Apolo, para deleite das divindades do panteão. Eram, originalmente, ninfas
dos rios e lagos.
Estas musas eram:

Musa Significado Arte Representação


Calíope A de bela voz Poesia Épica Tabuleta ou pergaminho e
uma pena para escrita
Clio A Proclamadora História Pergaminho parcialmente
aberto
Érato Amável Poesia Lírica Pequena Lira
Euterpe A doadora de Música Flauta
prazeres
Melpómene A poetisa Tragédia Uma máscara trágica, uma
grinalda e uma clava
Polímnia A de muitos Música Figura velada
hinos Cerimonial
(sacra)
Talia A que faz brotar Comédia Máscara cómica e coroa de
flores hera ou um bastão
Terpsícore A rodopiante Dança Lira e plectro
Urânia A celestial Astronomia Globo celestial e compasso

42
Narciso
A lenda de Narciso,
surgida provavelmente da
superstição grega segundo a
qual contemplar a própria
imagem prenunciava má
sorte, possui um simbolismo
que fez dela uma das mais
duradouras da mitologia
grega.
Na Mitologia Grega,
Narciso era um herói do
fig. 48 Eco e Narciso
território de Téspias na
Beócia, famoso pela sua beleza e orgulho.
Era filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope. No dia do seu nascimento, o adivinho
Tirésias vaticinou que Narciso teria vida longa desde que jamais contemplasse a
própria figura.
Ovídeo conta a história de uma ninfa bela e graciosa chamada Eco que
amava Narciso em vão. A beleza de Narciso era tão incomparável que ele pensava
que era semelhante a um deus, comparável à beleza de Dionísio e Apolo. Como
resultado disso, Narciso rejeitou a afeição de Eco até que esta, desesperada,
definhou, deixando apenas um sussurro débil e melancólico. Para dar uma lição ao
rapaz frívolo, a deusa Némesis condenou Narciso a apaixonar-se pelo seu próprio
reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua própria beleza, Narciso deitou-se no
banco do rio e definhou, olhando-se na água e se embelezando. As ninfas
construíram-lhe uma pira, mas quando foram buscar o corpo, apenas encontraram
uma flor no seu lugar: o narciso.

43
Sísifo
Sísifo, filho do rei Éolo, da Tessália, e Enarete, era considerado o mais astuto
de todos os mortais. Foi o fundador e primeiro rei de Ephyra, depois chamada
Corinto, onde governou por diversos anos. Casou-se com Mérope, filha de Atlas,
sendo pai de Glauco e avô de Belerofonte.

História de Sísifo:
Mestre da malícia e dos truques, ele entrou para a tradição como um dos
maiores ofensores dos deuses.
Certa vez, uma grande águia sobrevoou sua cidade, levando nas garras uma
bela jovem. Sísifo reconheceu a jovem Egina, filha de Asopo, um deus-rio, e viu a
águia como sendo uma das metamorfoses de Zeus. Mais tarde, o velho Asopo veio
perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha e qual seria seu destino. Sísifo logo fez
um acordo: em troca de uma fonte de água para sua cidade ele contaria o paradeiro
da filha. O acordo foi feito e a fonte presenteada recebeu o nome de Pirene e foi
consagrada às Musas.
Assim, ele despertou a raiva do grande Zeus, que enviou o deus da Morte,
Tanato, para levá-lo ao mundo subterrâneo. Porém o esperto Sísifo conseguiu
enganar o enviado de Zeus. Elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu
pescoço com um colar. O colar, na verdade, não passava de uma coleira, com a qual
Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu driblar seu destino.
Durante um tempo não morreu mais ninguém. Sísifo soube enganar a Morte,
mas arrumou novas encrencas. Desta vez com Hades, o deus dos mortos, e com
Ares, o deus da guerra, que precisava dos préstimos da Morte para consumar as
batalhas.
Tão logo teve conhecimento, Hades libertou Tanato e ordenou-lhe que
trouxesse Sísifo imediatamente para os Infernos. Quando Sísifo se despediu de sua
mulher, teve o cuidado de pedir secretamente que ela não enterrasse seu corpo.
Já no inferno, Sísifo reclamou com Hades da falta de respeito de sua esposa
em não o enterrar. Então suplicou por mais um dia de prazo, para se vingar da
mulher ingrata e cumprir os rituais fúnebres. Hades lhe concedeu o pedido. Sísifo

44
então retomou seu corpo e fugiu com a esposa. Havia enganado a Morte pela
segunda vez.
Sísifo morreu de velhice e Zeus enviou Hermes para conduzir sua alma ao
Hades. No Hades, Sísifo foi considerado um grande rebelde e teve um castigo,
juntamente com Prometeu, Títio, Tântalo e Ixíon.
Por toda a eternidade Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra de
mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele
estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o
ponto de partida por meio de uma força irresistível. Por esse motivo, a tarefa que
envolve esforços inúteis passou a ser chamada "Trabalho de Sísifo".

fig. 49 Trabalho de Sísifo

45
Ilíada

A Ilíada (do grego ΙΛΙΑΔΟΣ) é um poema


épico grego que narra os acontecimentos
ocorridos no período de pouco mais de 50 dias,
durante o décimo e último ano da Guerra de
Tróia e cuja génese radica na cólera de Aquiles.
A Ilíada é atribuída a Homero, e
constituem os mais antigos documentos
literários gregos (e ocidentais) que chegaram
nos nossos dias.
Argumento:
A Ilíada passa-se durante o décimo e último ano da guerra de Tróia e trata da
ira do herói e semideus Aquiles, filho de Peleu e Tétis. A ira é causada por uma
disputa entre Aquiles e Agamémnon, comandante dos aqueus e consumada com a
morte do herói troiano Heitor (ou Héctor), terminando com o seu funeral.
Personagens principais
A Ilíada é um poema extenso e possui uma grande quantidade de
personagens da mitologia grega e Homero assumia que seus ouvintes estavam
familiarizados com esses mitos, o que pode causar confusão ao leitor moderno.
Segue um resumo dos personagens que tomam parte na Ilíada:
Os Aqueus
Os gregos antigos não se definiam como “gregos” ou “Helénicos”,
denominação posterior, mas como “aqueus”, compostos por diversos povos de
diversos reinos que tinham uma língua e cultura razoavelmente compartilhada. Os
aqueus também são chamados de “Dânaos” por Homero.

• Aquiles: príncipe da Tessália, líder dos mirmidões, herói e melhor de todos os


guerreiros, filho da deusa marinha Tétis e do mortal rei Peleu. A sua ira é o tema
central da Ilíada.

46
• Agamémnon: Rei de Micenas e comandante supremo dos aqueus, a sua
atitude de tomar a escrava Briseida de Aquiles é o início do desentendimento
entre eles.

• Pátroclo: Amigo de Aquiles. Alguns argumentam que há envolvimento íntimo


entre Aquiles e Pátroclo.

• Odisseu (Ulisses): Rei de Ítaca, considerado “astuto”, ou “ardiloso”.


Frequentemente faz o papel de embaixador entre Aquiles e Agamémnon.

• Calcas Testorídes: Poderoso vidente que guia os aqueus. Foi ele que previu
que a guerra duraria 10 anos, que era preciso devolver Criseida ao pai e muitas
outras coisas.

• Ájax, Nestor, Idomeneu: Reis e heróis gregos, que comandavam exércitos


dos seus reinos sob a supervisão geral de Agamémnon.

• Diomedes: Príncipe de Argos, comandava a frota de navios de seu reino.


Herói valente que participou activamente no cerco, na pilhagem e no saque de
Tróia

• Menelau: Rei de Esparta, marido de Helena e irmão mais novo de


Agamémnon.
Os Troianos e seus aliados:

• Heitor, ou Héctor: Príncipe de Tróia, filho de Príamo e irmão de Páris. É o


melhor guerreiro Troiano, herói valoroso que combate para defender sua cidade e
sua família. Líder dos exércitos troianos.

• Príamo: rei de Tróia, já é idoso, portanto quem comanda de facto a luta é o


seu filho, Heitor.

• Páris: Príncipe de Tróia, a sua fuga com Helena é a causa da guerra. É sua a
flecha que finalmente mata Aquiles, embora isso não seja descrito na Ilíada.

• Eneias: Primo de Heitor e seu principal tenente. É o personagem principal da


Eneida, obra máxima do poeta latino Virgílio.

• Helena: Esposa de Páris, antes casada com Menelau, e pivot da guerra. Com
a queda de Tróia volta para Esparta e para Menelau.

47
• Andrómaca: Esposa de Heitor, de quem tinha um filho bebé, Astíanax.
Os Deuses:

• Os deuses gregos tomam parte activa na trama, envolvendo-se na batalha e


ajudando ambos os lados. Notoriamente temos Tétis (mãe de Aquiles) Apolo,
Zeus, Hera, Atena, Posídon, Afrodite e Ares.

Odisseia
A Odisseia (em grego, OΔΥΣΣΕΙΑΣ) é
um poema de nostos (palavra grega que
significa "regresso", de onde deriva a
palavra portuguesa "nostalgia") dividido em
24 cantos atribuído, tal como a Ilíada, a
Homero.
A obra segue os eventos da viagem
do rei Odisseu (ou Ulisses), de Ítaca, que
voltava da guerra de Tróia.
Argumento:
Conta as viagens de Odisseu depois
da tomada de Tróia e o regresso do herói ao
seu reino de Ítaca.
Passaram-se dez anos desde que Odisseu partira para a guerra de Tróia
(guerra que é, em parte, narrada na Ilíada). Muitos dos heróis da guerra de Tróia,
como Menelau, cuja esposa – a princesa Helena de Esparta – havia sido raptada
(originando-se assim a guerra), já regressaram à Grécia. (Tróia ficava na costa jónica,
actual Turquia). Mas Odisseu não chegou, pois após sair de Ísmaros (primeira cidade
no caminho para a sua pátria), envolveu-se numa tempestade, afastando-o do seu
destino. Entretanto, os pretendentes de Penélope (esposa de Odisseu) acumulam-
se e esperam que ela se decida a casar de novo. Ao esperarem, vão dilapidando a
fortuna de Odisseu em banquetes. Penélope, esperançosa que o seu marido
retorne, vai protelando a escolha de um dos pretendentes (por vezes
ardilosamente, como na célebre fiação do bordado mortalha, na qual lhes diz que

48
quando acabar escolherá um dos pretendentes, mas de noite desfaz o que fez de
dia).
Odisseu, tentando retornar, erra pelo mar por mais dez anos. É recebido no
país dos Feácios, (conhecidos por serem exímios marinheiros) a quem conta as suas
aventuras. Acaba por conseguir regressar a Ítaca. Prepara tudo para massacrar os
pretendentes, o que faz com a ajuda do seu filho Telémaco.

Personagens:

Casa de Odisseu

• Odisseu, herói da guerra de Tróia e que quer voltar para junto dos seus.

• Penélope, esposa de Odisseu

• Telémaco, filho de Odisseu e de Penélope

• Laertes, pai idoso de Odisseu

• Eumeu, porqueiro

• Euricleia, ama de confiança

• Antinoo, um dos pretendentes, o mais malvado de todos

• Eurimaco, um dos pretendentes que copia tudo o que Antinoo diz

Casa dos Feácios

• Alcínoo, rei dos Feácios

• Areta, esposa de Alcínoo

• Nausícaa, filha de ambos

• Laodamante, irmão de Nausícaa, desafiador de Odisseu nos jogos.

• Hálio

• Clitóneo

• Equeneu, velho herói

• Demódoco, contador lírico de histórias

• Pontónoo

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• Anfíloo, atleta

• Euríalo, atleta, desafiador de Odisseu nos jogos

Companheiros de Odisseu nas viagens marítimas

• Baio

• Euríloco

• Perimedes

• Elpenor

Deuses intervenientes
Directamente:

• Atena (a favor de Ulisses)

• Posídon (contra Ulisses)

• Éolo, rei e deus dos ventos

• Hades – Deus do mundo subterrâneo

• Hermes – Mensageiro dos deuses

Monstros e Criaturas Maravilhosas

• Hélio

• Cila

• Ciclopes, em particular Polifemo

• Caríbdis

• Sereias

• Lotófagos

50
Tróia
Mais de mil anos antes de Cristo, na orla da extremidade oriental do
Mediterrâneo, havia ema cidade muito rica e poderosa, sem rival à superfície da
terra. Chamava-se Tróia, e talvez nunca tenha existido cidade mais célebre tão vasta
e tão duradoira, esta cidade é mais conhecida devido a uma guerra que é contada
num dos maiores poemas da humanidade, a Ilíada, e a causa dessa guerra remonta a
uma disputa entre três deusas despeitadas:

A sentença de Páris
Éris, a deusa má da Discórdia, não desfrutava, naturalmente de grande
popularidade no Olimpo e, quando os deuses davam qualquer banquete, estavam
sempre dispostos a ignorá-la. Profundamente ressentida, resolveu provocar
desavenças – e, na verdade, foi até muito bem sucedida nesses seus intentos.
Durante a festa de celebração de um importante casamento, o do rei Peleu e da
ninfa marinha Tétis, para o qual ela fora a única divindade a não ser convidada,
resolveu lançar para dentro do salão em que se estava a celebrar o acontecimento
uma maçã dourada sobre a qual estavam gravadas as seguintes palavras: «Para a
mais bela!» Naturalmente todas as deusas a ambicionavam; no fim a escolha ficou
limitada a três – Afrodite, Hera e Atena. Pediram a Zeus que servisse de juiz e
decidisse, mas, muito prudentemente, ele recusou-se a tratar do assunto.
Aconselhou-as a irem ao monte Ida, perto de Tróia, onde o jovem príncipe
Páris guardava o gado do pai. Tratava-se de um excelente juiz da beleza feminina,
explicou-lhes Zeus. Paris, embora príncipe real, trabalhava como pastor, porque
Príamo, seu pai e rei de Tróia, tinha sido
avisado de que seu filho havia, um dia,
de ser a ruína do país e, por isso,
irradiara-o.
As três deusas apareceram
diante dele, Páris ficou com um
espanto inimaginável; as três deusas,

fig. 50 A sentença de Páris

51
contudo, não lhe pediram que ele as contemplasse na sua divindade radiante, para
decidir qual a mais bela, apenas lhe disseram que tivesse em consideração os
subornos que lhe ofereciam e escolhesse, portanto, o que mais lhe agradasse. A
decisão, no entanto, não foi fácil. Apresentavam-lhe tudo o que os homens mais
apreciam: Hera prometeu fazer dele o senhor da Europa e da Ásia; Atena aliciou-o
com a chefia dos troianos no momento da vitória sobre os gregos, deixando atrás
de si a Grécia em ruínas; Afrodite subjugou-o com a promessa de vir a possuir as
mais belas mulheres do mundo. Páris, um fraco, alem de um tanto cobarde também,
escolheu a última oferta – deu a Afrodite a maçã dourada.
Foi esta a Sentença de Páris, célebre em toda a parte, como tendo sido a
verdadeira causa da guerra de Tróia.

A Guerra de Tróia
A mais bela mulher do mundo era Helena, filha de Zeus e de Leda e irmã de
Castor e Pólux. A fama da sua beleza tinha uma repercussão de tal ordem que não
havia príncipe na Grécia que não quisesse desposá-la. O rei Tíndaro, considerado pai
de Helena, pois era marido de Leda, receando que pudesse advir qualquer coisa
contra ele da escolha de um entre tão numerosos pretendentes, resolveu exigir um
juramento solene de que todos eles defenderiam a causa do marido de Helena,
fosse ele quem fosse, se por causa do casamento viesse a sofrer algum
contratempo. Depois Tíndaro escolheu para genro Menelau, irmão de Agamémnon,
e proclamou-o também rei de Esparta.
Assim se encontravam as coisas quando Páris
deu a maçã doirada a Afrodite. A deusa do Amor e da
Beleza sabia muito bem onde se encontrava a mais
bela mulher do mundo, conduziu o jovem pastor
direito a Esparta, onde Menelau e Helena o
receberam com gentileza e amabilidade. Menelau,
confiando inteiramente nele, deixou Páris em sua
casa e partiu para Creta. Aí Páris raptou Helena de
Esparta. fig. 51 Páris e Helena

52
Menelau, ao regressar, verificou que
Helena desaparecera e, consequentemente,
convocou toda a Grécia para ir em seu
auxílio. Os chefes guerreiros responderam
ao seu apelo, tal como tinham prometido –
acorram ansiosos pela grande empresa de
atravessar o mar e transformar em cinzas a
poderosa Tróia.

Agamémnon então assumiu o comando de um exército de fig. 52 Ájax

mil naus (neste exército encontravam-se grandes heróis gregos, como por exemplo,
Aquiles, Diomedes e Odisseu) e atravessou o mar Egeu para atacar Tróia. As naus
gregas desembarcaram na praia próxima a Tróia e iniciam um cerco que iria durar
dez anos e custaria a vida a muitos heróis, tanto de Tróia – Heitor – como entre os
Aqueus – Pátroclo, Aquiles e Ájax.
Nos últimos 50 dias da guerra, onde começa o
relato da Ilíada, a querela entre os dois homens que
começou quando Agamémnon usou o nome de Aquiles
para trazer Ifigénia para Áulis e quando Agamémnon,
tendo sido obrigado a libertar a sua serva Criseida,
exigiu como compensação a serva de Aquiles, Briseida,
vai tomar proporções desastrosas a despeito de todos

fig. 53 Aquiles os esforços conciliadores. Aquiles retirou-se para a sua


tenda e deixou de dar o apoio aos gregos, mesmo quando a situação ameaçou
tornar-se catastrófica.
E não voltou atrás na sua decisão
senão quando o seu primo e inseparável
amigo Pátroclo sucumbiu aos golpes de
Heitor. Nenhum troiano, a partir deste
momento poderá resistir à fúria de Aquiles: o

fig. 54 Morte de Heitor

53
próprio Heitor, o mais valente de todos eles, cairá por sua vez, num duelo sem
piedade.
O velho Príamo, que verá morrer todos os seus filhos, um após o outro,
dirige-se a Aquiles, suplicando-lhe que lhe entregasse o cadáver de Heitor. Aquiles
entrega o corpo de Heitor a seu pai e promete que nenhum grego atacará Tróia
durante os nove dias em que se vão realizar os rituais fúnebres. [Aqui termina o
relato da Ilíada]
Apesar da valentia e dos feitos de
Aquiles, a fatalidade não podia deixar de
acontecer… A morte do grande herói da
Antiguidade é apresentada em duas
versões diferentes:

• Uma relata-nos que ele morreu


em combate, ferido no calcanhar por
uma flecha assassina, atirada por Páris,
mas guiada por Apolo, vingador do seu
filho Tenes.

• A outra versão, mais


romanesca, diz-nos que o herói se

apaixonou por Polixena, a filha mais jovem


fig. 55 Morte de Aquiles
do rei troiano e que, por amor dela, esteve quase a abandonar a causa dos Gregos.
Certo dia, Aquiles encontrou-se com a jovem num templo de Apolo, muito
próximo de Tróia, mas Páris, irmão de Polixena, surgiu empunhando o seu arco e,
vendo o seu inimigo numa postura galante feriu-o, fácil e cobardemente, com uma
flecha no calcanhar.
De seguida Páris é morto por Odisseu e Menelau sente-se satisfeito ao
ultrajar o cadáver do seu rival.
Finalmente, seguindo um estratagema proposto por Odisseu, o famoso
cavalo de Tróia, os gregos invadiram a cidade governada por Príamo e terminaram a
guerra. O cavalo de Tróia revelou-se uma armadilha, um falso pedido de paz grego.
Sendo um presente para o rei, os troianos levaram o cavalo para dentro das

54
muralhas da cidade; à noite,
quando todos dormiam, os
soldados gregos que se
escondiam dentro da estrutura
oca de madeira do cavalo saíram e
abriram os portões para que todo
o exército entrasse e queimasse a
cidade. Muitos troianos foram
fig. 56 Cavalo de Tróia
mortos, entre as vítimas
encontra-se Príamo, o rei de Tróia.
Alguns troianos conseguiram fugir ao massacre e refugiaram-se nos
arredores da cidade, entre estes estava Eneias, que irá ser conduzido, via Cartago, a
Itália.
Depois da vitória e de partilharem o saque e os cativos, regressam à Grécia.
Mas um dos heróis da guerra, devido a uma tempestade vai ser afastado da
sua armada e, a partir daí, vai errar pelos mares e pelos continentes durante dez
anos, esse homem é Odisseu, esta aventura é-nos relatada na Odisseia.

A guerra dos Titãs – A Titanomaquia


Cronos foi advertido de que assim como aconteceu com o seu pai ele
também seria destronado por um dos seus filhos, então passou a devorá-los quando
nasciam; assim ele o fez com Deméter, Hera, Hades, Héstia e Posídon. Quando Zeus
nasceu, Reia deu uma pedra a Cronos no lugar do seu sexto filho, que ocultou numa
caverna na ilha de Creta. Ao atingir a idade adulta, Zeus decidiu destronar o pai,
conforme a antiga profecia.
A primeira aliada de Zeus foi a Titânide Métis, deusa da prudência. Métis
enganou Cronos, fazendo-o beber uma poção que o obrigou a vomitar Héstia,
Deméter, Hera, Hades e Posídon, os filhos engolidos. Zeus conseguiu ainda libertar
os ciclopes, seus tios, que se juntaram a ele e aos irmãos.
Armado com o relâmpago (presente dos ciclopes) e recoberto com a égide
(possivelmente a pele da cabra Amalteia, já morta), Zeus enfrentou Cronos e os

55
outros titãs. Do lado de Zeus,
além dos irmãos e dos tios (os
ciclopes), estavam as
Oceânides Métis e Estige, os
filhos de Estige (Zelo, Niké,
Cratos e Bias) e Prometeu,
filho de Jápeto. Do lado dos
titãs, as operações foram
conduzidas por Cronos. Após
dez anos de luta, a um
conselho de Geia, Zeus fig. 57 Titãs no Tártaro

libertou também os poderosíssimos Hecatonquiros. Com mais esses aliados, os Titãs


foram finalmente derrotados e expulsos do céu.
Com a vitória, Zeus se tornou o soberano dos Deuses e passou a governar o
universo no Monte Olimpo, a Posídon ele concedeu o domínio sobre as águas e a
Hades o mundo dos mortos, dentre os quais o Tártaro.
O novo soberano prendeu os Titãs vencidos no Tártaro, eternamente
vigiados pelos Hecatonquiros, e condenou o poderoso Atlas a sustentar
eternamente a abóbada celeste.

56
VI
Criaturas mitológicas

57
Os centauros
Os centauros são uma raça de
seres com o torso e cabeça de humano
e o corpo de cavalo.
Os primeiros centauros
surgiram quando o Tessaliano Ixíon,
filho de Ares, o rei dos Lápitas,
apaixonou-se por Hera e procurou
levá-la para o seu leito. Mas Zeus
enviou-lhe uma nuvem com a
aparência de sua esposa, com a qual
Ixíon se deitou. Desta união nasceram
criaturas híbridas, cavalos com busto humano, munidos de braços – os centauros.
Os centauros viviam nos bosques dos montes Pélion e Ossa e os seus
costumes eram considerados selvagens.
Quando Pirítoo, filho de Ixíon, se casou, convidou os seus monstruosos
parentes para o banquete. Estes embebedaram-se e tentaram violentar a noiva.
Este acontecimento provocou uma luta entre os Lápitas e os centauros, que se
traduziu numa batalha sangrenta. Os Lápitas acabaram por vencer, graças à
coragem de Pirítoo e do seu amigo Teseu, e expulsaram os centauros da Tessália.

Cérbero
Cérbero era um monstruoso cão de
múltiplas cabeças e cobras ao redor do
pescoço, que guardava a entrada do Hades,
o reino subterrâneo dos mortos, deixando
as almas entrarem, mas jamais saírem e
despedaçando os mortais que por lá se
aventurassem.

58
Ciclopes
Os ciclopes são gigantes com um só olho
no meio da testa.
Já de acordo com a Teogonia, de Hesíodo,
havia apenas três ciclopes, que representavam o
som do trovão, o clarão do relâmpago e o raio.
Na Odisseia, de Homero, por sua vez, os
ciclopes são caracterizados como filhos de
Posídon, compondo uma raça de seres isolados,
evitados e temidos que vivem como pastores
numa ilha do Mediterrâneo.
Os ciclopes teriam sido mortos, segundo a
mitologia grega, por Apolo. Este matou-os, pois
Zeus, seu pai, matou Asclépio (que ressuscitou
alguns mortos), filho de Apolo, com os seus raios. Apolo, não podendo matar o pai,
vingou-se nos ciclopes que indirectamente, mataram Asclépio (os ciclopes fizeram
os raios usados para matar o filho de Apolo).

Harpias
Eram frequentemente representadas
como aves de rapina com rosto de mulher e
seios. Na história de Jasão, as Harpias foram
enviadas para punir o rei cego Fineu,
roubando-lhe a comida em todas as
refeições. Os seus nomes eram Aelo (a
borrasca), Ocípite (a rápida no voo) e Celeno
(a obscura).

59
Medusa
Medusa é uma das três Górgonas, divindades da mitologia grega, filhas das
divindades marinhas Fórcis e Ceto e irmã das velhas Greias. Ao contrário de suas
irmãs Górgonas, Esteno e Euríale, Medusa era mortal
Medusa era portadora de uma extrema beleza juntamente com suas duas
irmãs. Quando estava sentada num campo
cercada de flores de Primavera, o deus dos
Oceanos, Posídon, une-se a ela que gere
dois únicos filhos, mas estes só nascem no
momento da morte de Medusa. As vidas das
três irmãs, vidas debochadas e dissolutas,
aborrecia os demais deuses, principalmente
a deusa Atena. Para castigá-las, Atena
transformou-as em monstros com
serpentes em vez dos seus belos cabelos,
presas pontiagudas, mãos de bronze, asas de ouro, e o seu olhar petrificava quem
olhasse directamente em seus olhos.
Perseu foi encarregado pelo rei de Sérifo, Polidete, de decapitar e de lhe dar
de presente a cabeça da Medusa para, em sua vez, Polidectes oferecer como
prenda a Énomao, rei de Pisa, com fim de desposar a sua filha Hipodamia. Para isso,
o herói Perseu encontrou-se com umas certas ninfas africanas que gentilmente lhe
ofereceram objectos mágicos para o ajudarem no combate a Medusa, tais como:
um alforge, um par de sandálias aladas, que lhe permitiam elevar-se como uma pena
e escapar velozmente dos monstros, um escudo de bronze bem polido cujo reflexo
neutralizava o olhar petrificante das irmãs de Medusa e um capacete que, uma vez
colocado, o convertia numa figura invisível, possibilitando-o de se aproximar de
Medusa sem este ser descoberto. Quando Perseu a decapitou usando uma foice
com uma rigidez de diamante e bem afiada, uma oferta do deus Hermes, as grandes
figuras mitológicas Pégaso (o cavalo alado) e Crisaor, com a sua espada dourada,
nasceram do pescoço de Medusa.

60
Minotauro
O Minotauro era uma criatura meio homem e meio touro. Ele morava no
Labirinto, que foi elaborado e construído por Dédalo, a pedido do rei Minos, de
Creta, para manter o Minotauro. O Minotauro foi eventualmente morto por Teseu.
Minotauro é o grego para Touro de Minos.
Historia do Minotauro:
Antes de Minos tornar-se rei, ele pediu ao deus grego Posídon por um sinal,
para lhe assegurar que ele, e não seu irmão, assumiria o trono. Posídon concordou
em enviar um touro branco na condição de que Minos sacrificasse o touro de volta
ao deus. De facto, um touro, de incomensurável beleza, saiu inexplicavelmente do
mar. Minos, após vê-lo, achou-o tão belo que, ao invés dele, sacrificou outro touro,
esperando que Possuidor não notasse. Posídon ficou furioso quando notou o que
havia sido feito, e fez com que a esposa de Minos, Pasífae, fosse dominada por uma
loucura e que se apaixonasse pelo touro. Pasífae foi até Dédalo em busca de
assistência, e ele inventou uma maneira dela satisfazer suas paixões. Ele construiu
uma vaca oca de madeira, e encobriu Pasífae com pele de vaca para que o touro
pudesse montar nela. O resultado dessa união foi
o Minotauro.
O Minotauro tinha corpo de homem e a
cabeça e cauda de touro. Era uma criatura
selvagem, e Minos, após receber um conselho do
Oráculo de Delfos, mandou Dédalo construir um
labirinto gigante para conter o Minotauro.
Ele então ordenou que sete jovens e sete
damas atenienses fossem enviados anualmente
para serem devorados pelo Minotauro. Quando o
fig. 58 Teseu contra Minotauro
terceiro sacrifício veio, Teseu voluntariou-se para
ir e matar o monstro. Ariadne, filha de Minos, apaixonou-se por Teseu e o ajudou
entregando-lhe uma bola de linha de costura para que ele pudesse sair do labirinto.
Teseu matou o Minotauro com uma espada mágica que Ariadne havia lhe dado e
liderou os outros atenienses para fora do labirinto.

61
Pégaso
Pégaso é um cavalo alado que figura na mitologia grega, presente no mito de
Perseu e da Medusa. Pégaso nasceu do sangue de Medusa quando esta foi
decapitada por Perseu.
Havendo feito brotar, com uma
patada, a fonte Hipocrene, tornou-se o
símbolo da inspiração poética.
Belerofonte matou a poderosa
Quimera, montando Pégaso após domá-
lo com ajuda de Atena e da rédea de
ouro. Mais tarde, Pégaso voou para o
Olimpo, onde Zeus o transformou numa
constelação.

fig. 59 Belerofonte e Pégaso

Quimera
Quimera que surgiu na Grécia
durante o século VII a.C..
De acordo com a versão mais
difundida da lenda, a quimera era um
monstruoso produto da união entre
Equidna – metade mulher, metade
serpente – e o gigantesco Tífon.
fig. 60 Quimera
Outras lendas fazem-na filha da Hidra de Lerna e do leão de Nemeia, que
foram mortos por Hércules. Habitualmente era descrita com cabeça de leão, torso
de cabra e parte posterior de dragão ou serpente. Criada pelo rei de Cária, mais
tarde assolaria este reino e o de Lícia com o fogo que vomitava incessantemente,
até que o herói Belerofonte, montado no cavalo alado Pégaso, conseguiu matá-la.

62
Hidra de Lerna
A Hidra de Lerna era um animal fantástico com inúmeras cabeças de
serpente (diferentes versões
dizem ser 7, 8, 9 ou até 10
cabeças) que se regeneravam (ou
seja, matava-se uma e surgia pelo
menos mais uma em seu lugar) e
corpo de dragão, cujo hálito era
venenoso. Uma das cabeças era
imortal.
Foi derrotada por Hércules
num dos seus doze trabalhos, que

fig. 61 Hidra de Lerna e Hércules atirou uma pedra na cabeça imortal ou, em outras
versões, destruiu cada cabeça e, para não se regenerarem, pediu a seu sobrinho
Jolau para queimar cada cabeça após ser cortada para que não se regenerasse.
Segundo a tradição, o monstro foi criado por Hera para matar Hércules.
Quando percebeu que Hércules iria matar a serpente, Hera enviou-lhe ajuda – um
enorme caranguejo, mas Hércules pisou-o e o animal converteu-se na constelação
de caranguejo. Hércules, após a matar, aproveitou para banhar as suas flechas no
sangue desta, para as deixar venenosas também.

Hecatonquiros
Os Hecatonquiros eram três gigantes da mitologia grega, irmãos dos 12 Titãs e dos 3
Ciclopes, filhos de Urano e Gaia: Briareu ("forte"), Coto ("filho de Cotito") e Giges.
Possuíam cem braços e cinquenta cabeças.
Urano, que os hostilizava, acabou mandando-os para as entranhas de Gaia. Esta, enfurecida,
ajudou-os a escapar e a montar a rebelião que culminaria com a castração de Urano.
Quando Cronos sobe ao poder aprisiona-os no Tártaro. São libertados por Zeus, que os
ajuda a montar uma emboscada. Como possuíam cem braços, eram hábeis no arremesso de
pedras e venceram-nos atirando tantas pedras que os Titãs acharam que a montanha por
onde passavam estava desabando.
Depois de derrotar os Titãs, se estabeleceram em palácios no rio Oceano, como guardiães
das portas do Tártaro, onde Zeus havia aprisionado os Titãs.

63
VII
Heróis Mitológicos

64
Aquiles
Aquiles, o maior dos heróis gregos, é filho de Peleu, rei da Ftiótida, na
Tessália. Pela parte de seu avô Éaco, ele descende de Zeus.
A mãe de Aquiles é a Nereide Tétis, neta da Terra e do Mar.
Zeus e Posídon desejaram ambos conquistar Tétis. Mas o oráculo revelou
que o filho que nascesse da Nereide seria mais poderoso que o seu próprio pai.
Perante esta revelação, os deuses resolveram casar Tétis com um mortal, e todo o
Olimpo assistiu às núpcias de Tétis e de Peleu.
Infância e adolescência de Aquiles:
Entretanto, Tétis, desde que os seus filhos nasceram, só tinha um
pensamento: purificá-los de todas as características mortais, que eles tinham
herdado de seu pai. Assim, mal as crianças nasciam, Tétis tentava purificá-las pelo
fogo, mas elas morriam, inevitavelmente, queimadas. Isto aconteceu com os seis
primeiros filhos, para grande desespero de Peleu. Por isso, ele decidiu salvar o
sétimo, o pequeno Ligiron, custasse o que custasse. Assim, quando ele viu que Tétis
se preparava para atirar a criança ao fogo, retirou-lha das mãos. No entanto, esta
ainda queimou um dos ossos do pé.
Então, Peleu entregou o recém-nascido ao seu amigo, o centauro Quíron,
que exercia medicina (foi este centauro que deu a Ligiron o nome de Aquiles). O
centauro substituiu a parte queimada do pé da criança, por um osso retirado de um
esqueleto de gigante (a operação iria dotar Aquiles de extraordinárias aptidões para
a corrida e que justifica o epíteto que lhe foi dado, mais Tarde, por Homero, o de
herói “com os pés ligeiros”)
Uma outra versão, menos cruel, da lenda contava que Tétis, desejosa de
conceder a imortalidade a Aquiles, o tinha mergulhado nas águas do Estige, o rio
infernal. Mas ela não reparou que o calcanhar pelo qual agarrava a criança tinha
escapado à purificação mágica. E assim, este calcanhar ficou sempre como a parte
vulnerável do seu corpo.
O centauro Quíron encarregou-se da educação do jovem; iniciou-o na vida
rude, em contacto com a natureza; exercitou-o na caça, no adestramento de
cavalos, na medicina e também na música e, sobretudo, obrigou-o a praticar a

65
virtude. Aquiles tornou-se um adolescente belo, louro, de olhos vivos, intrépido,
simultaneamente capaz da maior ternura e da maior violência.
Peleu deu ainda ao seu filho um segundo receptor, Fénix, um homem de
grande sabedoria, que instruiu o príncipe nas artes da oratória e da guerra.
Juntamente com Aquiles foi educado Pátroclo, filho do rei da Lócrodia, Menécio. Os
dois rapazes acabaram por se tornar amigos inseparáveis.
Aquiles era ainda adolescente quando rebentou a guerra de Tróia. Mas a
adivinha Calcas, depois de consultada, informou que a cidade inimiga não seria
destruída se Aquiles não participasse no confronto.
Apavorada, Tétis tratou de disfarçar o seu filho de mulher e enviou-o para a
corte do rei Licomedes, na ilha de Ciros, para que ele fosse educado no harém, junto
das princesas, disfarçado com o nome de Pirra.
Entretanto os gregos enviaram Odisseu como embaixador à corte de Peleu,
a fim de que ele trouxesse o indispensável Aquiles, mas como este não o encontrou,
recorreram a Calcas, que lhes revelou o embuste. Odisseu então disfarçou-se de
mercador e entrou no gineceu. Mas o seu disfarce foi descoberto por Pirra
(Aquiles), pois esta viu que debaixo do manto estava escondida uma espada, aí ela
empunhou-a imediatamente, precipitando-se para fora do palácio com a arma na
mão e revelando, assim, o seu sexo e a sua natureza impetuosa.
Entretanto, uma das filhas de Licomedes, que há muito tempo conhecia a
verdadeira identidade de Aquiles, apresentou-se grávida, mas o nascimento do seu
filho só acontecerá após a partida do herói. Esta criança recebeu o nome de
Neoptólemo e o cognome de Pirro.
Odisseu conduziu Aquiles para junto dos seus pais. Tétis, assustada, fez
insistentes recomendações a seu filho: a sua vida seria tanto mais longa quanto
mais obscura ele a mantivesse. Mas Aquiles recusou os conselhos da mãe. Mas os
oráculos previam a sua morte em Tróia – como consequência de ter matado um
filho de Apolo.
Aquiles partiu, levando consigo Fénix e Pátroclo.
Aquiles em acção:
No decorrer do desembarque, efectuado por engano na Mísia, que os
Gregos confundiram com Tróia, Aquiles feriu com a sua lança o rei do país, Télefo,

66
filho de Hércules. Mais tarde, no entanto, graças aos seus conhecimentos de
medicina, curou-o.
Regressados ao porto de Élis – oito anos mais tarde – para se reagruparem
após esta expedição fracassada, os Gregos foram imobilizados pela calmaria dos
ventos. Agamémnon, o chefe do exército, tendo sabido através do oráculo que os
ventos não soprariam a não ser que sacrificasse a sua filha Ifigénia, imaginou que a
melhor maneira de a atrair, sem suspeitas, seria propondo-lhe casamento com
Aquiles. Quando o herói teve conhecimento do embuste em que fora envolvido sem
saber, censurou violentamente o "rei dos reis": e esta será a primeira querela com
Agamémnon.
Após o cumprimento do sacrifício de Ifigénia, os deuses permitiram aos
ventos que soprassem, e assim a frota
grega pôde navegar, fazendo escala na
ilha de Tenedo, ao largo de Tróia.
Durante dez anos, Gregos e
Troianos estiveram envolvidos em
escaramuças sem grandes consequências.
No decorrer deste período, os invasores
aproveitaram para efectuar expedições
de pirataria nas ilhas e cidades vizinhas de
Tróia. Agamémnon apoderou-se da filha
do sacerdote de Apolo, Criseida e, ainda, a
expedição a Lirmesso, onde Aquiles
capturou a bela Briseida, que tornou sua

serva.
fig. 62 Aquiles
A cólera de Aquiles:
No decurso do décimo ano de guerra, Aquiles e Agamémnon envolveram-se
em grande disputa. Tudo isto porque Agamémnon se vira obrigado a libertar a filha
do sacerdote, Criseida, exigiu como compensação a serva de Aquiles, Briseida.
Injuriado, furioso, Aquiles decidiu abandonar a guerra e retirou-se para o seu
acampamento, pondo assim em causa a possível vitória dos Gregos.

67
A situação dos Gregos não tardou a tornar-se aflitiva. Aquiles resistiu,
ferozmente, às súplicas de Ulisses e mesmo de Fénix, mas deixou-se comover pelas
lágrimas de Pátroclo, autorizando o seu amigo a utilizar as armas de Peleu e a
reconduzir os Mirmidões em combate. Acontece que, neste confronto, Pátroclo
acabará por encontrar a morte às mãos de Heitor, marido de Andrómaca, o mais
valente dos filhos do rei Príamo.
Enlouquecido de dor pela perda do seu amigo, Aquiles saltou, sem armas,
para o campo de batalha, produzindo um tal bramido, que o exército troiano se
escondeu atrás das suas muralhas. Aquiles só pensava em vingar a morte de
Pátroclo. Acontece que ele já não tinha as armas que lhe tinham sido dadas por seu
pai. Elas encontravam-se na posse de Heitor. Mas sua mãe, Tétis, encarregou
Hefesto de lhe forjar uma nova armadura. E assim as vítimas de Aquiles serão tantas
que irão atulhar o leito do rio Escamandro.
Mas é Heitor que Aquiles persegue com o seu ódio, e que pretende sacrificar
em homenagem a Pátroclo. Certo dia acaba por surpreendê-lo, derrotando-o num
combate singular e matando-o. Depois, prendeu o cadáver ao seu carro e, com ele,
deu a volta às muralhas de Tróia. E só largou o corpo ensanguentado e desfeito,
quando o velho Príamo lhe veio suplicar indulgência.
A Morte de Aquiles:
Apesar da valentia e dos feitos de Aquiles, a fatalidade aconteceu. A morte
de Aquiles é apresentada em duas versões diferentes (ver pág. 54).
Aquiles, após a morte, recebeu a justa recompensa por toda uma vida de
feitos heróicos e de combates. Zeus, a pedido de Tétis, conduziu-o à ilha dos Bem-
aventurados, onde ele casou com uma heroína (cita-se Medeia, Ifigénia, Polixeria, e
mesmo Helena: da sua união com esta, teria nascido um filho alado, Euforião, que é
identificado com a brisa da manhã).
Na Antiguidade, Aquiles foi venerado como o modelo de herói por
excelência. Um herói simultaneamente belo, robusto e corajoso, que tentou sempre
elevar-se acima da sua simples condição de mortal. Por isso, ele foi venerado em
todo o mundo grego, embora o centro do seu culto se tenha fixado nas margens do
mar Negro.

68
Ájax
Na Mitologia grega, Ájax é nome de dois heróis gregos da Guerra de Tróia.
Ájax, filho de Télamon:
Ájax, filho de Télamon (rei de
Salamina), ao lado de Diomedes era um dos
mais fortes e habilidosos guerreiros gregos
depois de Aquiles. Meio-irmão de Teucro, era
praticamente imbatível e graças a ele os
gregos conquistaram várias vitórias contra os
troianos. Ao lado de Ájax, lutava outro Ájax, o
lócrio. Quando ambos lutavam juntos,
somente os deuses podiam resistir a sua
investida. Ájax também era conhecido como
fig. 63 Ájax, filho de Télamon
Ájax de Salamina.
Homero descreveu Ájax como uma muralha, muito mais alto do que os
outros homens, com um escudo na forma de torre e uma lança comprida. Utilizava
pedras colossais para combater seus oponentes. Quando Aquiles se retirou da luta,
Ájax enfrentou Heitor em um único combate. Os dois heróis lutaram o dia inteiro e
só Heitor sofreu pequenos ferimentos. Após a morte de Aquiles, Ájax disputou com
Odisseu a armadura do herói morto. Odisseu provou ser melhor orador e ganhou o
prémio.
Num acesso de loucura, massacrou os rebanhos que alimentavam a armada
grega, certo de que matava os adversários. Ao reconhecer o erro, suicidou-se,
enterrando a própria espada no coração.
Ájax, filho de Oileu:
Ájax, filho de Oileu, rei da Lócrida, na Grécia Central. Ájax, o lócrio, como
também era conhecido. Era praticamente o oposto de Ájax de Salamina, pequeno e
magro, era veloz como o vento e muito ágil com espada e lança nas mãos. Lutou na
guerra de Tróia. Depois da queda de Tróia, violou o templo de Atena quando puxou
a profetisa Cassandra do altar da deusa, fez com que ela quebrasse uma estátua e

69
depois estuprou Cassandra. Atena fez com que o barco de Ájax naufragasse e ele
morresse afogado.

Astíanax
Astíanax foi filho de Heitor e de Andrómaca.
O seu nome real era Escamandrio, numa clara alusão ao rio que passava
perto de Tróia, mas o povo de Tróia
chamou-o de Astíanax, por ser filho de
Heitor. Na Ilíada, na famosa cena da
despedida de Heitor e Andrómaca,
Astíanax encolhe-se a chorar contra o
seio da ama, assustado com a aparência
do pai, cheio de bronze e com o penacho
de crina de cavalo que desponta no seu
elmo. O pai e a mãe riem por causa da
reacção do filho, mas Heitor acaba por
beijá-lo, pegá-lo ao colo e pedir aos
deuses que aquela criança venha a
governar Tróia e que venha a ser um
fig. 64 Astíanax é atirado das muralhas a guerreiro no mínimo igual ao seu pai.
mando de Neoptólemo, perante a impotência
de Andrómaca As versões sobre o que aconteceu
a Astíanax no fim da Guerra de Tróia divergem: a mais conhecida, e corroborada por
obras trágicas como As Troianas, de Eurípides, menciona que o príncipe foi atirado
por Neoptólemo do cimo das muralhas da cidade, receando que Astíanax, sendo
filho de Heitor, por um lado vingasse a morte do pai durante a guerra e, por outro,
se tornasse rei de Tróia; outra versão mais recente, no entanto, defende que
Astíanax não foi morto, mas fundou mais tarde, juntamente com o seu primo
Ascânio, filho de Eneias, uma nova Tróia.

70
Hércules
Filho de Zeus e Alcmena. Seu pai tomou a forma do marido de Alcmena,
Anfitrião, e uniu-se a ela. Ao nascer, Zeus, para torná-lo imortal, pediu a Hermes que
o levasse para junto do seio de Hera, quando esta dormia, e o fizesse mamar. A
criança sugou com tal violência que, mesmo após Hércules ter terminado, o leite da
deusa continuou a correr e as gotas caídas formaram no céu a Via Láctea e na Terra,
a flor-de-lis.
Hércules o foi mais célebre dos heróis da
mitologia, símbolo do homem em luta contra as
forças da natureza. Desde que nasceu teve de
vencer as perseguições de Hera. Tanto é que,
com oito meses de vida estrangulou com as mãos
duas serpentes que a deusa mandou ao seu berço
para o matarem. Na vida adulta, sobressaiu-se
pela sua enorme força.
A sua primeira façanha deu-se quando se
dirigiu a Beócia, cidade próxima de Tebas, e
perseguiu e matou apenas com as mãos um
enorme leão que devorava os rebanhos de
Anfitrião e de Téspio. A caçada durou cinquenta
fig. 65 Hércules
dias consecutivos, durante que Hércules foi
hóspede de Téspio, que aproveitou para unir cada uma das suas cinquenta filhas
com ele, de maneira a criar uma aguerrida descendência, conhecidos pelos
Tespíadas, que se espalharam até a Sardenha.
Por livrar a cidade de Tebas de um tributo que tinha de pagar à de
Orcómeno, o rei da primeira, Creonte, casou-o com a sua filha mais velha, Mégara.
Num acesso de loucura provocado por Hera, Hércules matou os filhos tidos com
Mégara. Após recuperar a sanidade, Hércules foi a Delfos consultar um oráculo
sobre o meio de se redimir desse crime e poder continuar com uma vida normal. O
oráculo ordenou-lhe que servisse, durante doze anos, o seu primo Euristeu, rei de
Micenas e de Tirinto. Pondo-se Hércules ao seu serviço, o rei, simpatizante de Hera,

71
que não cessava de perseguir os filhos adulterinos de Zeus, impôs-lhe, com a oculta
intenção de o eliminar, doze perigosíssimos trabalhos, dos quais o herói saiu
vitorioso.
Os doze trabalhos de Hércules:
1.º) No Peloponeso, estrangulou o
Leão da Nemeia – filho dos monstros
Ortro e Equidna – que devastava a região
e cujos habitantes não conseguiam matar.
Na segunda tentativa de matá-lo, sendo a

primeira infrutífera, estrangulou-o após fig. 66 Hércules mata o Leão de Nemeia


com ele lutar. Acabada a luta arrancou a pele do animal com as suas próprias garras
e passou a utilizá-la como vestuário. A criatura converteu-se na constelação de
Leão;
2.º) Matou o monstro filho de Equidna e do bisavô do leão de Nemeia: a
Hidra de Lerna. Era uma serpente com corpo de dragão misturado com o de um
cachorro, com nove cabeças (uma delas
parcialmente de ouro e imortal), que se
regeneravam mal eram cortadas e
exalavam um vapor que matava quem
estivesse por perto. Segundo a tradição,
o monstro foi criado por Hera para matar
Hércules, e ele matou-a cortando suas
cabeças enquanto seu sobrinho Jolau

fig. 67 Hércules contra a Hidra de Lerna impedia sua reprodução queimando as


suas feridas com tições em brasa. Hera enviou ajuda à serpente – um enorme
caranguejo, mas Hércules pisou-o e o animal converteu-se na constelação de
Caranguejo. Por fim, o herói banhou suas flechas com o sangue da serpente para
que ficassem envenenadas;
3.º) Alcançou correndo a corça do Monte Cerineu, com chifres de ouro e pés
de bronze, consagrada à deusa Ártemis. A corça corria com assombrosa rapidez e
nunca se cansava;

72
4.º) Capturou vivo o javali de Erimanto, que
devastava os arredores, ao fatigá-lo após persegui-lo
durante horas. Euristeu, ao ver o animal no ombro do
herói, teve tamanho medo que foi se esconder dentro
de um caldeirão de bronze. As presas do animal foram

mostradas no templo de Apolo em Cumas; fig. 68 Hércules e o javali do Erimanto

5.º) Limpou em um dia os currais do rei Aúgias, que continham três mil bois e
que há trinta anos não eram limpos. Estavam tão fedorentos que exalavam um gás
mortal. Para isso, Hércules desviou dois rios;
6.º) Matou no lago Estínfalo, com as suas flechas envenenadas, monstros
cujas asas, cabeça e bico eram de ferro, e que, pelo seu gigantesco tamanho,
interceptavam no voo os raios do sol. Com um par de castanholas feitas por Hefesto
e dadas a ele por Atena, enxotou as aves.
7.º) Venceu o touro de Creta, mandado por Posídon
contra Minos;
8.º) Castigou Diómedes, filho de Ares, possuidor de
cavalos que vomitavam fumo e fogo, e a que ele dava a
comer os estrangeiros que naufragavam durante as
tempestades e davam à sua costa. O herói entregou-o à
voracidade de seus próprios animais;

9.º) Venceu as amazonas, tirou-lhes a rainha Hipólita, fig. 69 Hércules e o touro de Creta
apossando-se do seu cinturão mágico;
10.º) Matou o gigante Gerion, monstro de três
corpos, seis braços e seis asas, e tomou-lhe os bois
que se achavam guardados por um cão de duas
cabeças e um dragão de sete;
11.º) Colheu as maçãs de ouro do Jardim das
Hespérides, este trabalho foi o mais difícil de todos,
pois para encontrar o jardim, Hércules percorreu
quase todo o mundo. Após ter encontrado o jardim

fig. 70 Hércules e Gerion

73
ainda tinha de matar o dragão de cem cabeças que o guardava. Pediu a Atlas que o
matasse e durante o trabalho foi Hércules que sustentou o céu nos ombros;
12.º) Desceu ao palácio de Hades e de lá trouxe vivo Cérbero – o cão de três
cabeças, guardião do submundo.
Outras façanhas:
Após estes trabalhos Hércules entregou-se a muitos outros, por sua livre
vontade, na defesa dos oprimidos:

• Matou, no Egipto, o tirano Busíris que sacrificava todos os estrangeiros que


aportavam ao seu Estado;

• Tendo encontrado Prometeu acorrentado por Zeus no cume do Cáucaso,


entregue a um abutre que devorava o seu fígado, libertou-o;

• Estrangulou o gigante Anteu que, em luta, recuperava a força sempre que


conseguia tocar, com os pés, o solo;

• Entre as façanhas de Hércules, conta-se ainda separar os montes Calpe (da


Espanha) e Ábilia (da África), abrindo assim o estreito de Gibraltar;

• Disputou com Aquelos a posse de Dejanira, filha de Eneu, rei da Etólia. Como
a princesa preferia Hércules, Aquelos, furioso, tranformou-se em serpente, e
investiu contra ele; repelido, tranformou-se em touro, e de novo arremeteu; mas
o herói enfrentou-o, pela segunda vez, quebrando-lhe os chifres, e desposou
Dejanira. Em seguida, tendo de atravessar o rio Eveno, pediu ao Centauro Nesso
que conduzisse Dejanira ao ombro, enquanto ele faria a travessia a nado. No
meio do caminho, tendo Nesso se recordado de uma injúria que outrora
Hércules lhe dirigira, resolveu, por vingança, raptar-lhe a esposa, passando com
esse intuito, a galopar rio acima. O herói, tendo percebido as suas intenções,
aguardou que ele alcançasse terra firme, e então atravessou-lhe o coração com
uma das flechas envenenadas. Nesso tombou, e ao expirar, deu a Dejanira a sua
túnica manchada do sangue envenenado, convencendo-a de que seria, para ela,
um precioso talismã, com a virtude de restituir-lhe o esposo, se este viesse em
qualquer tempo, a abandoná-la;

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Mais tarde, Hércules apaixonou-se pela sedutora Iole, e dispunha-se a
desposá-la, quando recebeu de Dejanira, como presente de núpcias, a túnica
ensanguentada, e, ao vesti-la, o veneno infiltrou-se no corpo; louco de dores, ele
quis arrancá-la, mas o tecido achava-se de tal forma aderido às suas carnes que
estas lhe saíam aos pedaços. Vendo-se perdido, o herói ateou uma fogueira e
lançou-se às chamas. Logo que as línguas de fogo começaram a serpentear no
espaço, ouviu-se o som do trovão. Era Zeus que arrebatava o seu filho para o
Olimpo, onde ganhou a imortalidade e, na doce tranquilidade, recebeu Hebe em
casamento.

Jasão
Jasão foi um herói grego da Tessália, filho
de Esão, rei do Iolco, e criado pelo centauro
Quíron. Existem duas versões sobre a sua mãe:
ela pode ter sido Alcimede, uma neta de Mínias,
ou Polimede, filha de Autólico.
Foi despojado do trono paterno pelo seu
tio Telias. Temendo a profecia de que seria morto
por Jasão, o rei Pélias envia o herói, como
condição para lhe restituir o trono, para uma
missão impossível: trazer o Tosão de ouro da
distante Cólquida. Em Argos, Jasão constrói a nau
Argo e reúne uma tripulação de heróis, conhecida
como os argonautas, para acompanhá-lo.
Após várias aventuras, inclusive a primeira fig. 71 Jasão

passagem pelas Simplégadas, os argonautas chegam à Cólquida, pensando estar em


alguma parte do fim do mar Negro. O rei Eetes da Cólquida exige que Jasão cumpra
várias tarefas para obter o Tosão, inclusive arar um campo com touros que cospem
fogo, semear os dentes de um dragão, lutar com o exército que brota dos dentes
semeados e, por fim, passar pelo dragão que guarda o próprio Tosão. Com o Tosão

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nas mãos, Jasão foge com Medeia, filha de Eetes, e enfrenta várias aventuras na
volta para casa. Medeia trama a morte do rei Pélias, cumprindo a antiga profecia.
Depois, retirou-se para Corinto e repudiou Medeia para desposar Creúsa,
filha de Creonte. Medeia, por vingança, matou Creúsa e os próprios filhos que tivera
de Jasão. Muitos anos depois, Jasão é morto por um pedaço de madeira da nau
Argo.

Menelau
Menelau, rei lendário da Lacedemónia
(Esparta), é filho de Atreu e irmão mais novo de
Agamémnon. O rapto da sua mulher (Helena)
por Páris, deu origem à Guerra de Tróia.
Depois da queda de Tróia, recuperou a
esposa e vagueou durante oito anos pelas
costas do Mediterrâneo até regressar a casa.
Conta Homero que Menelau não era dos
melhores guerreiros, mas era muito nobre e
possuía grandes riquezas. Menelau e Helena

fig. 72 Menelau recupera Helena tiveram uma filha chamada Hermíone.

Perseu
Perseu foi o herói mítico grego que decapitou a Medusa, monstro que
transformava em pedra apenas pelo olhar. Perseu era filho de Zeus, que sob a
forma de um raio, introduziu-se na torre de bronze e engravidou Dánae, a filha
mortal do rei de Argos.
Perseu e a sua mãe foram banidos pelo avô, Acrísio, que temia a profecia de
que seria assassinado pelo neto, atirando-os numa urna para que levasse os dois
para bem longe.
Perseu e a sua mãe viveram na casa de Díctis e sua esposa durante anos, até
que um dia, o rei, Polidectes, quando passava pela casa de seu irmão resolveu visitá-
lo.

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Ao ver Dánae, apaixonou-se e quis casar-se com ela. Perseu tornou-se um
grande homem, forte, ambicioso, corajoso, aventureiro e protector da mãe.
Polidectes, com medo da ambição de Perseu levá-lo a lhe tirar o trono, propôs um
torneio no qual o vencedor seria quem trouxesse a cabeça da Medusa, e o instinto
aventureiro de Perseu não o deixou recusar.
Ele, conhecendo a sua mãe disse que iria participar do torneio, mas não disse
que iria enfrentar a Medusa, com receio que ela o impedisse. Devido à ajuda de
Atena e Hermes, recebeu um escudo tão bem polido que podia se ver o reflexo ao
olhar para ele, de Atena e de Hermes
recebeu as suas sandálias aladas, dois
objectos que foram definitivos para a
vitória de Perseu.
Perseu então, guiado pelo
reflexo do escudo, mas sem olhar
directamente para Medusa, derrotou-a
cortando a cabeça desta, cabeça esta
que ofereceu à deusa Atena.
Na volta para casa, matou um
terrível monstro marinho e libertou a
linda Andrómeda, com quem se casou.
Conforme a profecia, Perseu acabou
assassinando o avô durante uma competição fig. 73 Perseu decapitando a
Medusa
desportiva, em que participava, na prova de
lançamento do disco. Fazendo um lançamento desastroso, acertou acidentalmente
no seu avô sem saber que ele estava ali. Apesar disso, Perseu recusou-se a governar
Argos (trocando de reinos com Megapente, filho de Preto) e governou Tirinto e
Micenas (cidade que fundou), estabelecendo uma família cujos descendentes
incluíam Hércules.

Neoptólemo
Neoptólemo, também conhecido por Pirro, era filho de Aquiles e Deidamia.

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Tétis, mãe de Aquiles não desejava que o seu filho fosse lutar na Guerra de
Tróia, temendo a sua morte. Então disfarçou Aquiles de mulher na corte de
Licomedes, o rei de Esciro. Durante o tempo em que Aquiles se manteve lá, teve um
caso amoroso a princesa Deidamia, que gerou Neoptólemo.
Durante o cerco de Tróia, passados dez anos, depois da morte de Aquiles e
de Ájax e sem quaisquer sinais de vitória, os aqueus capturaram o adivinho Troiano,
Heleno e forçaram-no a dizer que condições poderiam levar os aqueus à vitória.
Heleno revelou que poderiam
tomar Tróia se adquirissem as
flechas venenosas de Hércules,
naquela altura na posse de
Filoctetes grande guerreiro que
foi abandonado no início da
guerra; se roubassem o Paládio
fig. 74 Neoptólemo mata Príamo (que levou à construção do
famoso Cavalo de Tróia); e, por fim, se persuadissem o filho de Aquiles a juntar-se à
guerra. Os Gregos apressaram-se a ir buscar Neoptólemo a Esciro, e trouxeram-no a
Tróia.
O fantasma de Aquiles apareceu aos sobreviventes da guerra, exigindo que
Polixena, princesa Troiana, fosse sacrificada. Neoptólemo assim fez, sacrificando
também Príamo em honra de Zeus.
Com Andrómaca, que foi por ele escravizada, Neoptólemo foi o pai de
Molosso, o antepassado de Olímpia, a mãe de Alexandre Magno.
Neoptólemo foi morto, a pedido de Hermíone, por Orestes, ou sacerdotes de
Apolo.
Se o seu pai Aquiles foi conhecido pela sua compaixão para com Príamo, já o
filho foi mais conhecido pela sua crueza. Foi ele quem matou Príamo, Eurípilo,
Políxena, Polites e Astíanax, entre outros, e escravizou Heleno e Andrómaca depois
da guerra. Com Andrómaca, Heleno e Fénix, Neoptólemo navegou para as ilhas
Epirotas e tornou-se então o rei de Épiro, exilando Odisseu, porque este matara um
grande número de pretendentes a Penélope.

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Órion
Órion foi um gigante caçador, um dos melhores a serviço de Ártemis. Ele foi
colocado por Zeus entre as estrelas na forma da constelação de Órion.
Lenda:
Zeus, acompanhado de Posídon e Hermes, estava na Terra e precisavam
pernoitar em algum lugar. Zeus ordena a Hermes que procurasse um lugar onde
pudessem repousar por uma noite. Hermes encontra a casa de Hireu e comunica
aos deuses ter encontrado um lugar ideal. Indo até lá, pedem a Hireu que os
acolhesse. Espantado, concorda, temendo negar e enfurecê-los. Para homenagear
os deuses, Hireu oferece seu touro em sacrifício.
Sensibilizados, os deuses permitem-lhe um desejo. Ele pede um filho, para
dar continuidade ao seu nome. Zeus, Posídon e Hermes implantam uma gota de
sémen de cada um no couro do touro morto, e dizem a Hireu para enterrá-lo.
Zeus orienta-o a esperar nove meses, e seu desejo seria concedido. Após
esse período, surge, de um terramoto, Órion, o gigante caçador. Concebido sem
mãe e nascido dos restos de um animal, sua alma permanece primitiva, mas com
força, velocidade e sentidos aguçados, mas sem sentimentos morais.
Ele não possuía amigos, a não ser Enopião, fabricante de vinhos. Certo dia,
Órion, animalescamente, estupra a mulher de Enopião, Mérope.
Em vingança, Enopião embriaga Órion e arranca os seus olhos, tão
necessários à sua função de caçador. Passa a errar sem destino, até que encontra
Hefesto, que, consultando um oráculo, o aconselha a expor seus olhos ao deus
Hélios (o Sol) para receber de volta a luz em seus olhos.
Pela manhã, o deus Hélios aparece no horizonte, que entrega um feixe de
raios solares à deusa Eos, que inicia a distribuição sobre a vegetação ainda molhada
pelo orvalho. Os raios solares entram nos olhos de Órion e ele recupera a visão.
Com os olhos ardentes de fogo, vê à sua frente a deusa Eos, que se apaixona
e deita-se com ele. Órion deduz que as mulheres são fáceis e inferiores. Resolve
voltar e vingar-se de Enopião, mas no caminho encontra Ártemis, e tenta seduzi-la,
penetrar em seus mistérios. Na luta contra o desejo de Órion, Ártemis bate uma

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clava no chão lodoso, surgindo das profundezas um animal terrível e venenoso, um
escorpião, que persegue Órion.
Alcançando-o, desfere uma ferroada no seu coração e mata-o. Essa cena é
imortalizada no céu na constelação de Órion, tendo ao seu lado o temido escorpião.

Pátroclo
Pátroclo é um dos personagens centrais da Ilíada, companheiro de Aquiles.
Era filho de Menécio.
Na sua juventude, Pátroclo matou um amigo seu, Clisónimo, durante um jogo
de astrágalos (ossos usados de forma semelhante aos dados). O seu pai teve, então,
de se exilar com ele para fugir à punição. Obtiveram refúgio na corte do rei Peleu,
pai de Aquiles. O rei enviou os dois
jovens para a floresta, onde foram
educados em várias artes,
especialmente a medicina, por Quíron,
o sábio rei dos centauros.
Pátroclo lutou com os gregos,
ao lado de Aquiles, durante a Guerra de
Tróia. Aí, matou Sarpédon (um filho de
Zeus), Cébrion (condutor do carro de
Heitor), entre outros troianos de
fig. 75 Aquiles curando os ferimentos de Pátroclo menor destaque. Quando Aquiles se
recusou a lutar devido à sua disputa com Agamémnon, Pátroclo, envergando a
armadura de Aquiles, é morto por Heitor e Euforbo, com a ajuda de Apolo. Depois
de resgatar o corpo do amigo, cujo corpo fora protegido no campo de batalha por
Menelau e Ájax, Aquiles recusa-se durante algum tempo a sepultar o amigo, mas é
convencido quando uma aparição de Pátroclo lhe suplica a cremação, de forma a
que a sua alma possa ser admitida no Hades. Aquiles inicia, então as cerimónias
fúnebres, durante as quais sacrifica cavalos, cães e doze troianos cativos, antes de
colocar o corpo de Pátroclo na pira crematória.

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Páris
Páris era um dos filhos mais novos do rei Príamo, de Tróia. Foi escolhido
pelas deusas Hera, Atena e Afrodite para eleger qual delas era a mais bela. Cada
deusa, buscando suborná-lo para ser eleita,
prometeu-lhe riquezas e vitórias, mas
Afrodite lhe garantiu que se casaria com a
mulher mais bela do mundo, a princesa
Helena de Esparta. Páris elegeu Afrodite
como a mais bela das três, despertando a ira
de Atena e Hera, que enviaram os exércitos
gregos para destruir Tróia.
Páris, com ajuda de Apolo, derrotou
Aquiles, o mais forte e potente guerreiro
grego, atingindo-lhe uma flecha no
calcanhar, único ponto que poderia matá-lo.
Conhecido como um príncipe covarde e
volúvel, Páris acha que os únicos prazeres
que deveria dar valor eram os da carne.
Somente após uma visão atribuída a Apolo,

Páris resolveu batalhar na guerra de Tróia. fig. 76 Páris de Tróia


Em um de seus últimos actos cobardes, atacou Aquiles pelas costas,
acertando no seu calcanhar com uma flecha envenenada.
Páris é finalmente morto por Odisseu antes da queda da cidade de Tróia.

Teseu
Teseu era filho de Egeu, rei de Atenas, e de Etra, filha do sábio Piteu, rei de
Trezena, onde nasceu.
Teseu e o Minotauro do Labirinto:
Nascido em Trezendo e educado por Etra, sua mãe, desde muito pequeno
Teseu revelou grande valor e coragem. Contava apenas sete anos de idade, quando

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Hércules, que tomaria como modelo, foi visitar a sua cidade, sendo recebido com
especiais homenagens, inclusive um grande banquete.
Para ficar instalado com mais conforto à mesa do festim, Hércules despiu a
pele de leão com que habitualmente se cobria, deixando-a no chão. As crianças,
muito naturalmente, sentiam-se atraídas pela figura do gigante sobre o qual tanta
coisa de falava, e aproximavam-se, desejosas de contemplar de perto o grande
homem.
Deparando-se com a pele de leão, assustavam-se e fugiam.
Teseu, porém, não imitou os
seus companheiros. Convencido de
estar diante de um leão de verdade, um
leão vivo, arrancou a clava de um
escravo que se encontrava próximo e
marchou decidido contra a “fera”...
A coragem e a decisão da
criança provocaram aplausos e
Hércules vaticinou-lhe um brilhante
futuro.
O Minotauro era uma criatura
meio homem e meio touro. Ele morava
no Labirinto de Creta.
Anualmente sete jovens e sete
damas atenienses eram enviados para

fig. 77 Teseu serem devorados pelo Minotauro.


Quando o terceiro sacrifício veio, Teseu voluntariou-se para ir e matar o monstro.
Ariadne, filha de Minos, apaixonou-se por Teseu e o ajudou entregando-lhe
uma bola de linha de costura para que ele pudesse sair do labirinto. Teseu matou o
Minotauro com uma espada mágica que Ariadne havia lhe dado e liderou os outros
atenienses para fora do labirinto.

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Vitorioso, Teseu partiu de Creta, levando em sua companhia a doce e linda
Ariadne, regressando a Atenas, onde o aguardava a notícia da morte de seu pai, a
quem rendeu as últimas homenagens.
Subindo ao trono, Teseu organizou um governo em bases democráticas,
reunindo os habitantes da Ática, fazendo leis sábias e úteis para o povo. Vendo que
tudo corria bem e os atenienses estavam felizes, Teseu mais uma vez se ausentou
em busca das aventuras que tanto apreciava.
Teve ocasião de viver muitas, inclusive de lutar contra as amazonas, as
temíveis mulheres guerreiras, que conseguiu vencer, casando-se com Hipólita, a
rainha que as aprisionara.
Todavia Teseu não se sentia feliz. Na verdade foram amargurados os seus
últimos anos de vida. O povo de Atenas irritara-se contra ele o que levou a exilar-se
na ilha de Ciros, onde terminou seus dias.
Depois de sua morte, porém, os atenienses, arrependidos, foram a Ciros
buscar suas cinzas e ergueram-lhe um templo magnífico.

Odisseu (Ulisses)
Odisseu é um personagem da Ilíada e
da Odisseia de Homero. É a personagem
principal desta última obra. Odisseu é uma
figura à parte em Tróia. É um dos mais
ardilosos guerreiros de toda a epopeia grega
em Tróia, e mesmo depois dela, quando do
seu longo retorno ao seu reino, Ítaca, uma das
numerosas ilhas gregas.
Herói grego, Odisseu era rei de Ítaca e
filho de Laerte. A princípio, cortejou Helena,

mas, em vista do grande número de fig. 78 Odisseu

pretendentes, acabou por auxiliar Tíndaro, pai adoptivo de Helena, na escolha do


pretendente. Essa escolha recaiu sobre Menelau, tendo o itacense então casado

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com Penélope. Daí a amizade existente entre Menelau, seu irmão Agamémnon e
Odisseu.
Da união com Penélope nasceu Telémaco, o seu querido filho, do qual teve
de se apartar muito cedo para lutar ao lado de outros nobres gregos em Tróia. Foi
um dos elementos mais actuantes no cerco de Tróia, no qual se destacou
principalmente pela sua prudência e astúcia.
Durante a citada guerra, muitas batalhas os gregos venceram a conselho de
Odisseu, sendo este um grande guerreiro, apesar de sua baixa estatura (algumas
lendas diziam mesmo que era anão). Tentou em vão convencer Aquiles a cessar sua
ira contra Agamémnon, ao lado de Ájax, filho de Telamon e de Fênix, todavia, sem
obter sucesso.
Um de seus mais famosos ardis foi ajudar na construção de um cavalo de
madeira, que permitiu a entrada dos exércitos gregos na cidade. Aliás, a estratégia
foi sua.
Após a derrota dos troianos, ele iniciou uma viagem de dez anos de volta
para Ítaca onde a sua mulher o espera com uma fidelidade obstinada, apesar da
demora. Essa viagem mereceu a criação por Homero do poema épico Odisseia, na
qual são narradas as aventuras e desventuras de Odisseu e sua tripulação desde que
deixam Tróia, algumas causadas por eles e outras graças à intervenção dos deuses.
Quando cegaram o ciclope Polifemo, despertaram a ira de Posídon, que os
atormentou por anos. Depois, ainda tentado voltar para Ítaca, acabou indo para a
ilha de Calipso, uma mulher que o aprisionou em sua ilha durante anos e não o
soltaria de lá até que ela se casasse com ele. Porém, ele não aceitou, e ficou vários
anos na ilha, até que conseguiu fugir.
Com a ajuda de Zeus e de outros deuses, Odisseu chegou a casa sozinho para
encontrar sua esposa Penélope, importunada por pretendentes. Disfarçado como
mendigo, primeiro verificou se Penélope lhe era fiel e, em seguida, matou os
pretendentes à sua sucessão que a perseguiam, limpando o palácio. Com isso,
iniciou-se uma batalha final contra as famílias dos homens mortos, mas a paz foi
restaurada por Atena.

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Agamémnon
Agamémnon, um dos mais distintos heróis gregos, era filho do rei Atreu de
Micenas (ou Argos) e da rainha Érope, e irmão de Menelau.
Atreu, o pai de Agamémnon, foi assassinado por Egisto, que se apoderou do
trono de Argos e governou
juntamente com o seu pai
Tiestes. Durante este período,
Agamémnon e Menelau
procuraram refúgio em Esparta.
Casaram-se com as princesas
espartanas Clitemnestra e
Helena, respectivamente.
Agamémnon e Clitemnestra
tiveram quatro filhos: três filhas,
Ifigénia, Electra, Crisotêmis e um
fig. 79 Agamémnon
filho, Orestes.
Menelau herdou o trono de Esparta, enquanto Agamémnon, com a ajuda do
irmão, expulsou Egisto e Tiestes para recuperar o reino do seu pai. Alargou os seus
domínios pela conquista, e tornou-se o rei mais poderoso da Grécia.
Guerra de Tróia:
Agamémnon foi o comandante supremo dos gregos durante a guerra de
Tróia. Durante a luta, Agamémnon matou Antifo. O condutor de carros de
Agamémnon, Halaeso, lutou mais tarde com Eneias em Itália. A Ilíada conta a
história da briga entre Agamémnon e Aquiles no ano final da guerra. Agamémnon
tomou para si uma escrava atractiva e espólio de guerra, Briseida, que era de
Aquiles. Aquiles, o maior guerreiro da altura, saiu da batalha por vingança, e quase
custou a guerra aos gregos. Embora não igual a Aquiles em bravura, Agamémnon
era um representante digno da autoridade real. Como comandante supremo,
convocou os príncipes para a assembleia e conduziu o exército grego na batalha. Ele
próprio lutou, e realizou muitos feitos heróicos, até ser ferido e ser forçado a voltar
para a sua tenda. A sua falha principal era a sua arrogância vaidosa. Uma opinião

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demasiado exaltada da sua posição fê-lo insultar Criseida e Aquiles, lançando grande
infortúnio sobre os gregos. Após a tomada de Tróia, Cassandra, princesa de Tróia
(filha do rei troiano Príamo) e profetisa condenada, caiu-lhe na sorte na distribuição
dos espólios de guerra.
Regresso à Grécia:
Após uma viagem violenta, Agamémnon e Cassandra pararam na Argólida,
ou foram desviados da rota e acabaram por ir dar ao país de Egisto. Egisto, que
durante esse tempo seduzira Clitemnestra, convidou Agamémnon para um
banquete, onde este foi traiçoeiramente morto. Segundo Píndaro e os
tragediógrafos, Agamémnon foi assassinado pela esposa sozinho no banho, tendo
sido primeiro atirada sobre ele uma peça de roupa ou rede para prevenir resistência.
Clitemnestra também matou Cassandra. A sua cólera face ao sacrifício de Ifigénia, e
os seus ciúmes de Cassandra são apontados como os motivos do seu crime. Egisto e
Clitemnestra então governaram o reino de Agamémnon durante um tempo, mas o
assassínio de Agamémnon acabou por ser vingado pelo seu filho Orestes
(possivelmente com a ajuda de Electra).

Heitor
Heitor (ou Hector) era um príncipe de Tróia e um
dos maiores guerreiros na Guerra de Tróia, suplantado
apenas por Aquiles. Era filho de Príamo e de Hécuba.
Com sua esposa, Andrómaca, foi pai de Astíanax.
Como o seu pai foi incapaz de combater, durante
o cerco de Tróia feito pelos aqueus, devido à sua
avançada idade, Heitor foi nomeado general das tropas
troianas. A sua força, coragem e eficiência na guerra
foram enormes: nos poemas épicos de Homero, Heitor é
responsável pela morte de 28 heróis Gregos; nem
Aquiles obtém um número tão grande (22 heróis Troianos caídos a seus fig. 80 Heitor

pés). Pela voz do Destino, os Troianos estavam informados que as muralhas de


Tróia nunca cairiam enquanto Heitor se mantivesse vivo.

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Na Ilíada, Homero chama-o de "domador de cavalos", devido a preocupações
de métrica e porque, de modo geral, Tróia era conhecida por ser criadora de
cavalos. Na narrativa da Ilíada, no entanto, Heitor nunca é visto com cavalos. Outro
epíteto que lhe é característico é "o do elmo flamejante".
Heitor contrasta fortemente com Aquiles. Se por um lado Aquiles foi
essencialmente um homem de guerra, Heitor representa Tróia e aquilo por que esta
lutava. Alguns estudiosos têm vindo a sugerir que é Heitor, e não Aquiles, o
verdadeiro herói da Ilíada. A sua repreensão a Polidamante, dizendo-lhe que lutar
pela pátria era o primeiro e único presságio, tornou-se provérbica para os patriotas
Gregos. É por ele que podemos ver pormenores sobre como seria a vida em Tróia,
em tempo de paz, e noutros sítios de civilização mediterrânica da Idade do Bronze
descrita por Homero. Na Ilíada, a cena em que Heitor se despede da sua esposa
Andrómaca e do seu filho é particularmente comovente.
Durante a Guerra de Tróia, Heitor matou Protesilau e foi ferido por Ájax. Nos
quadros de guerra descritos na Ilíada, ele luta com muitos dos guerreiros Gregos e
normalmente (mas nem sempre)
consegue matá-los ou feri-los.
Quando, sob a assistência de
Apolo, ele mata Pátroclo e
desbarata todo o exército grego,
parece que se chegou a um ponto
de viragem no decorrer da guerra.
No entanto, o destino
pessoal de Heitor, decretado por
Zeus no início da história, nunca
está em dúvida. Aquiles, irado pela
morte do seu amigo Pátroclo, mata
Heitor e arrasta o seu cadáver à
volta das muralhas de Tróia.
Finalmente, por intervenção de
Hermes, Príamo convence Aquiles fig. 81 Andrómaca chora a morte de Heitor

a permitir que o seu corpo seja recuperado de modo a que possam ser prestadas as

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cerimónias fúnebres. O último episódio da Ilíada é o funeral de Heitor, depois do
qual a perdição de Tróia é uma questão de tempo.
No saque final a Tróia, como é descrito no Canto II da Eneida, o seu pai e
muitos dos seus irmãos são mortos, o seu filho é atirado do cimo das muralhas, por
medo que este vingue a morte do seu pai; a sua esposa é transportada por
Neoptólemo para viver como escrava.

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Bibliografia:

• A Mitologia, Edith Hamilton


• Dicionário de Mitologia Greco-Romana, Georges Hacquard
• Wikipédia

• Mitologia Grega – Banco de Imagens:


(http://templodeapolo.net/Mitologia/mitologia_grega/mitologia_greg
a_banco_de_imagens.html)
• Google (para algumas imagens)

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