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6 14 INCLUSÃO

LINHA
DO TEMPO

As histórias
do professor
de 20 mil
alunos e
da jovem
educadora
que escolheu Escolas Imeab e Soares de Barros
ANO ZERO • Nº 1 • 21 DEZEMBRO DE 2009
os desafios da mostram o que fica para além do
Distribuição Dirigida Educação Infantil tempo e dos dias em sala de aula

3 GESTÃO 2007/2009

APMI-Sindicato
Diretoria avalia as conquistas
do triênio e já projeta ações
para o próximo período

5 EXECUTIVO Do período ditatorial à democracia,


Ballin garante manter metas
definidas no Plano Municipal
os caminhos de uma história de conquistas
de Educação em 2010 Quatro décadas e meia dedicadas a todas as áreas do ensino municipal

12 KALUNGA
Projeto da Escola Infantil
Solange Ana Copetti traz
o contador de histórias

13 PROJETO SOCIAL
Oficinas da 15 de Novembro
rompem com os limites e resgatam
valores de uma comunidade inteira
APMI - Sindicato

editorial Salário mínimo deveria ser Ano I • Edição 3

Hoje, 21 de dezembro, é um dia especial


para os filiados ao Sindicato dos Professores
da Rede Pública Municipal de Ijuí (APMI-Sindi-
cato). É quando a classe se reúne para acom-
de R$ 2.139,06 neste final de ano
panhar a posse da diretoria que estará a frente O salário mínimo do trabalha- educação, vestuário, higiene, lazer e instituição, o trabalhador que ganha
da instituição pelos próximos três anos. Mas dor brasileiro deveria ter sido de previdência, o Dieese calculou que o salário mínimo necessitou cumprir
não é só isso, o momento marca o nascimento R$ 2.139,06 em novembro para ele mínimo deveria ser 4,60 vezes maior uma jornada de 98 horas e 58 mi-
da primeira edição do jornal sindical, que ini- suprir suas necessidades básicas e que o piso vigente, de R$ 465,00. nutos para realizar a mesma compra
cia com uma periodicidade bimestral. da família, de acordo com estudo Em outubro deste ano, o valor do que, em outubro, exigia a execução
O novo instrumento de comunicação visa divulgado hoje pelo Departamento salário mínimo necessário era menor, de 97 horas e 27 minutos. Em novem-
oportunizar aos professores da rede pública Intersindical de Estatística e Estudos de R$ 2.085,89, e correspondia a 4,49 bro de 2008, a mesma compra neces-
municipal de ensino a divulgação dos traba- Socioeconômicos (Dieese). A consta- vezes o mínimo em vigor. Em novem- sitava a realização de uma jornada
lhos que vem sendo realizados pela APMI/ tação foi feita por meio da utilização bro de 2008, o valor necessário foi es- bem maior, de 111 horas e 4 minutos.
Sindicato, bem como evidenciar a filosofia da Pesquisa Nacional da Cesta Básica timado em R$ 2.007,84, o que corres- A cidade de Porto Alegre (RS) con-
sindicalista que se constitui no alicerce da en- do mês passado, realizada pela insti- pondia a 4,83 vezes o salário mínimo tinuou em novembro no posto de ca-
tidade. tuição em 17 capitais do País. oficial na ocasião, de R$ 415,00. pital com a cesta básica mais cara do
A APMI/Sindicato empreende uma cami- Com base no maior valor apurado O Dieese também informou que País. Segundo levantamento nacio-
nhada comprometida com a educação e zela nal realizado em 17 capitais pelo Die-
pelo cultivo de suas raízes respeitando sua tra- ese, a capital do Rio Grande do Sul
jetória histórica, procurando manter a essên- liderou o ranking pela 14ª vez con-
cia do trabalho sindical. secutiva, após a cesta avançar 2,55%
A 1º edição do periódico surge no ano em ante outubro, para R$ 254,62, com
que a instituição comemora seus 45 anos de custo quase R$ 20 acima do preço
atividades junto aos profissionais da educação observado na segunda cidade mais
da rede pública municipal de ensino de Ijuí, cara, São Paulo, onde o conjunto de
momento extremamente significativo e que produtos alimentícios essenciais cus-
resulta na publicação deste material. No pas- tou, em média, R$ 234,99.
sado houve com certeza, publicações que dei- Vitória foi a terceira capital pes-
xaram estampadas as realizações, as experi- quisada com preço mais elevado,
ências, as preocupações e as perspectivas dos de R$ 227,81. Na sequencia, com
tempos vividos. Hoje, como naquela época, a preços acima de R$ 200, também fi-
classe está diante de novos desafios e sempre caram as cestas de Florianópolis (R$
com muita luta e empenho para seguir firme 227,00), Rio de Janeiro (R$ 226,97),
nessa caminhada. Belo Horizonte (R$ 225,33), Curitiba
A nova fase que marca o surgimento do (R$ 222,67), Manaus (R$ 218,99), Bra-
jornal sindical também registra a posse da sília (R$ 216,22), Goiânia (R$ 205,95),
nova diretoria 2010-2012 que a partir de en- Belém (R$ 203,56) e Salvador (R$
tão somará esforços, dividirá preocupações, 200,45).
partilhará vitórias e ajudará a minimizar as O Dieese realizou a Pesquisa Na-
dificuldades que haverão de ser enfrentadas para a cesta no período, de R$ 254,62, o tempo médio de trabalho necessá- cional da Cesta Básica de novembro
nesta caminhada que visa somente o melhor em Porto Alegre, e levando em con- rio para que o brasileiro que ganha nas cidades de Aracaju, Belém, Belo
a categoria. sideração o preceito constitucional salário mínimo pudesse adquirir, Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianó-
Por tudo isso, o registro e a divulgação do que estabelece que o salário míni- em novembro de 2009, o conjunto polis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa,
trabalho dos profissionais da educação que mo deve ser suficiente para garantir de bens essenciais aumentou, na Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife,
pertencem à entidade, e o próprio trabalho as despesas familiares com alimen- comparação com o mês anterior. Na Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e
realizado pela APMI-Sindicato é essencial para tação, moradia, saúde, transportes, média das 17 cidades pesquisas pela Vitória. (FLAVIO LEONEL - Jornalista)
que continuemos esta caminhada, resgatan-
do a história e projetando ações que se con-
cretizarão num futuro próximo.Vida longa ao
nosso jornal!

Márcio Leandro da Silva


Redação e Reportagem
Joel Pavan
Projeto Gráfico
Rua 20 de Setembro, 842 - Centro
Fone: 3332.9947
apmisindicato@gmail.com

2 www.jornalcr uzeiro.com.br APMI/SINDICATO • Ijuí, 21 de dezembro de 2009


A gestão 2007/2009

Comapalavra,apresidente
Adriana Noronha, que esteve à frente da entidade no triênio, avalia o período
A diretoria chega ao final desta ges- inaugura-se a sede do Sindicato dos governo Federal e os valores arrecada- zado nas escolas.
tão satisfeita com os desafios supera- Professores da Rede Pública Municipal dos a partir de diversas ações realizadas Em junho fomos parceiros da Secre-
dos, as conquistas construídas junto a de Ijuí, com 100 metros quadrados e nas escolas envolvendo toda a comuni- taria Municipal de Educação, na promo-
categoria e ao Executivo, não só no que um investimento de mais de R$ 100 mil dade ao longo de cada ano letivo. Tive- ção do primeiro Seminário Municipal de
diz respeito as questões salariais, mas considerando que as necessidades es- mos reconhecido a “equiparação salarial” Educação Infantil e da Educação Básica
principalmente no que diz respeito a truturais agora são bem diferentes das ao padrão 6 da Prefeitura que tem a mes- com a presença do Professor Max He-
própria Entidade. Logo no início da Ges- até então vividas até este novo momen- ma exigência mínima de formação para tinger, abordando os desafios de ser
tão, o principal desafio foi superar uma to histórico. o concurso público e com uma diferença educador. No mês de outubro acon-
enchente em janeiro teceu a tradicional festa
de 2007, momento em de confraternização em
que perdemos nossa comemoração ao Dia do
sede própria e impor- Professor, historicamente
tantes registros histó- o evento vem sendo ao
ricos que marcaram longo dos anos um mo-
os mais de 40 anos da mento de reencontro dos
APMI. associados(as) ativos e
Neste momento a aposentados.
categoria é chamada
a aprovar o Projeto Uma nova gestão
da Sede Administra-
tiva, pois o terreno já No dia 8 de dezembro
havia sido adquirido encerramos a gestão com
em 2003. Uma série a escolha direta dos dire-
de medidas econô- tores em todas as esco-
micas vinham sendo las da rede, com exceção
adotadas com o obje- da Escola Joaquim Porto
tivo de reduzir custos Villanova pela ausência
para que pudéssemos de candidatos ao cargo.
desencadear o pro- No dia 15 de dezembro
cesso de construção foi eleita a nova diretoria
do prédio. Em abril de da APMI-Sindicato para
2008 iniciamos a tão a Gestão 2010-2012 com
esperada obra. Muitas um percentual de 95,45%
foram as dificuldades, de aprovação. Acredito
a necessidade de mu- que o grupo que está sen-
danças no projeto em Diretoria e autoridades presentes na solenidade de inauguração da nova sede da APMI do empossado no dia 21
função dos problemas de dezembro de 2009, terá
que surgiram. Ao final do ano, a expec- Avanços políticos de salário básico que ainda é de aproxi- grandes desafios pela frente, principal-
tativa de inauguração teve que ser adia- madamente 9%. A nível nacional nossa mente no que diz respeito as alterações
da, pois muito ainda deveria ser feito. Em agosto de 2008 organizamos principal conquista foi a Lei do Piso Sa- que serão propostas no Regime Jurídi-
Em fevereiro iniciamos a transferên- vários encontros com os candidatos ao larial Nacional que veio definir um “piso co dos Servidores Públicos Municipais,
cia da sede para o novo Executivo na Gestão 2009-2012, os quais mínimo de salário dos professores”, clas- bem como alterações no Plano de Car-
endereço, na Rua 20 responderam a uma série de questões se de trabalhadores tão importante que reira, negociação dos índices de reposi-
de Setembro nº842, definidas junto com os professores re- ainda não tinha esse direito garantido ção anual e da equiparação salarial num
no centro de Ijuí. presentantes, as quais, alicerçaram al- em lei, a qual veio também para corrigir novo contexto a partir da Lei do Piso.
Ao final do mês se- guns pontos de pauta de negociação da distorções salariais gritantes a nível na- A nova Diretoria assume a gestão
guinte em 26 de categoria especialmente no que tange cional nas diferentes regiões brasileiras; com objetivo de manter as reuniões
março de 2009 as questões salariais, políticas e admi- inclusive na Região Sul. mensais instituídas na gestão atual,
nistrativas a serem desenvolvidas junto pois a postura de decisões coletivas re-
as Escolas e aos professores. As comemorações dos 45 anos quer encontros periódicos para que as
Em alguns pontos os Planos de Go- ações possam estar sendo construídas
verno apresentados vinham de encontro Certamente o ano de 2009 marcou e definidas de acordo com as deman-
a pauta de negociação de muito tempo. uma série de atividades que tinham por das da categoria. Ao final da gestão
Dentre eles, cabe destacar o processo de objetivo a comemoração dos 45 anos lançamos a primeira edição do Jornal
escolha de diretores em “todas as escolas da APMI, sendo que a atividade mais da APMI, concretizando o início de um
da rede”, criação da lei que previa recur- importante foi a inauguração da sede projeto de assessoria de comunicação,
sos financeiros para se- própria. Em 15 de maio ocorreu um para que os canais abertos possam estar
rem administrados jantar na Casa Holandesa no Parque de sendo alimentados com as ações da en-
pelas direções das Exposições com o prestígio de alguns tidade, construídas a partir das reuniões
escolas, além do associados e autoridades. Na mesma de representantes, das assembléias e dos
recurso recebido noite aconteceu o lançamento do site encontros planejados para discutir as ne-
anualmente pelo sob o endereço www.apmisindicato.org. cessidades da entidade uma vez associa-
br, momento que dá início ao projeto de ção, hoje Sindicato e que precisa passar
organização de uma rede de comunica- por um amadurecimento e constituição
Adriana Noronha foi
reeleita para a direção ção e informações com os associados e política no que tange a federalização e
da APMI-Sindicato no abertura de uma canal de divulgação e da nova organização exigida a partir da
último dia 15 troca de experiências do trabalho reali- conquista da sede própria.

APMI/SINDICATO • Ijuí, 21 de dezembro de 2009


3
APMI - Sindicato
Data Despesas Cheque nº Valor R$ Data Despesas Cheque nº Valor R$
19/nov NF Pré-Moldados Dreffs Dinheiro 38,70

Prestação de Contas
08/abr NF Redemac Klett 441548 778,00
09/abr NF Redemac Klett 441548 5,55 20/nov Recibo Frete Dinheiro 100,00
11/abr NF Redemac Klett 441548 29,07 20/nov NF Corujão CEF 000006 1.976,00
23/abr NF JR Serraria 441548 180,00 21/nov NF Pedreira Tabille Ltda Dinheiro 160,00
Construção da Sede Própria 23/abr NF Lucchese Con. 441548 3.427,72 24/nov Recibo Corujão CEF 000007 5.650,00
25/abr NF Pedreira Tabille. 441548 320,00 27/nov NF Marmoraria São Lucas 438719 700,00
08/mai NF Pedreira Tabille Ltda 736094 210,00 27/nov Recibo Corujão 913811 635,90
• Modalidade: Carta Convite 14/mai NF Redemac Klett 736094 8,19 27/nov Recibo Frete 913811 35,00
20/mai NF Celso V. Bohrer 736093 900,00 14/nov Pedreira Tabille Dinheiro 250,00
• Empresas Convidadas: 20/mai NF Celso V. Bohrer 736099 900,00 03/dez Recibo Consulta Arquiteta 913812 210,00
20/mai NF Madeireira Zambrasul 736094 2.889,00 04/dez Guia - Parcela climatizador 913813 678,00
- Comércio de Frios Ijuiense (não apre- 28/mai NF Lucchese Mat. De Construção 736104 2.890,80 15/dez CF Schirmann Mat. E Sol. Construção 913827 95,00
sentou proposta); 29/mai UNICOOS 736094 3.000,00 17/dez NF Lucchese Mat. De Construção CEF 000011 2.094,00
19/jun NF Artefatos de Cimento Bandeira 736115 2.375,00 02/jan CF Luis Schirmann Dinheiro 13,79
- Arquienge – Arquitetura e Engenharia; 25/jun NF Lucchese Mat. De Construção 936381 841,15 05/jan Guia - Parcela climatizador Débito 678,00
26/jun NF Madeireira Zambrasul 986384 2.781,00 30/jan Recibo Custos do Projeto 692199 500,00
- UNICOOS – União Cooperativa de Ser- 11/jun NF Redemac Klett Dinheiro 14,06 06/fev NF Serralheiro Autônomo CEF 000013 2.015,00
viços; 10/jul NF Redemac Klett Dinheiro 59,38 14/fev CF Lojas Fricke Dinheiro 24,00
10/jul NF Redemac Klett Dinheiro 95,00 16/fev NF Lojas Fricke CEF 000015 97,10
11/jul NF Redemac Klett Dinheiro 59,38 16/fev NF Lojas Fricke CEF 000015 1.333,00
Obs.: No dia da apresentação do Projeto 18/jul NF SUPERTEX (concreto) 984754 1.722,50 16/fev NF Lojas Fricke CEF 000015 127,00
para as três empresas, ficou acertado que 18/jul NF SUPERTEX (concreto) 984754 2.252,50 17/fev NF Leão das Tintas 658162 79,00
22/jul Guia da Previdência Social 984758 490,50 26/fev NF Marmorária Ijui 658156 1.100,00
as notas de aquisição de materiais fossem 30/jul NF Lucchese Mat. De Construção Dinheiro 2.985,00 26/fev Recibo Papa Tudo 658165 75,00
31/jul NF UNICOOS (mão de obra) Dinheiro 6.000,00 30/dez NF Redemac Klett CEF 00017 340,05
separadas das notas de mão de obra. 06/ago Redemac Klett Dinheiro 530,23 31/dez NF Redemac Klett CEF 00017 153,73
11/ago Guia da Previdência Social 984768 900,00 02/jan NF Redemac Klett CEF 00017 13,21
• Empresa Vencedora: UNICOOS 27/ago Central da Construção Dinheiro 274,00 02/jan NF Redemac Klett CEF 00017 835,80
28/ago Padilha Ref. E Climatização (1ªPARC) 405293 678,00 20/jan NF Redemac Klett CEF 00017 26,01
Valor: R$ 83.922,87 acrescido de 15% 29/ago NF UNICOOS (mão de obra) Dinheiro 6.000,00 22/jan NF Redemac Klett CEF 00017 79,53
do valor referente a mão de obra (R$ 10/set Guia da Previdência Social 689541 900,00 23/jan NF Redemac Klett CEF 00017 58,02
10/set NF Lucchese Mat. De Construção 689550 1.475,10 05/fev NF Redemac Klett CEF 00017 98,42
4.238,82), totalizando: R$ 88.161,69. 10/set NF Lucchese Mat. De Construção Dinheiro 1.524,90 05/mar NF Delta Instalações Elétricas 933972 190,00
10/set NF Redemac Klett CEF 000004 193,80 05/mar NF Centro Luz 933972 2.350,00
Período da Construção: 23/set NF Redemac Klett CEF 000004 91,54 06/mar CF Lojas Fricke 933975 112,85
Abril/ 2008 à Fevereiro/2009 02/out Recibo Frete Dinheiro 20,00 10/mar Recibo Arquiteta 658158 180,00
02/out NF Redemac Klett CEF 000001 307,71 11/mar NF VIGISAT 933985 655,00
03/out Guia - Parcela climatizador 689553 678,00 17/mar NF PRONTEC CEF 000019 210,00
Obs.: O total gasto na obra foi de R$ 07/out NF Redemac Klett CEF 000001 1.350,00 19/mar NF Redemac Klett 933988 120,00
108.656,91. A diferença entre o valor da 10/out NF Redemac Klett CEF 000001 46,18 21/mar NF Redemac Klett CEF 000020 59,01
20/out Lojas Fricke 438701 2.266,90 21/mar NF Redemac Klett CEF 000021 70,02
carta convite e a despesa efetivamente re- 21/out NF Redemac Klett CEF 000004 201,07 24/mar Emblema Comunicação Total CEF 000016 780,00
21/out NF Redemac Klett CEF 000004 29,45 27/mar NF UNICOOS Dinheiro 9.038,83
alizada originou-se pela aquisição de ma- 21/out NF Santana Artefatos de Cimento CEF 000004 135,00 02/jan NF Redemac Klett CEF 000032 110,34
teriais não previstos no projeto, entre eles: 23/out NF Redemac klett Dinheiro 124,00 05/jan NF Redemac Klett CEF 000032 517,66
28/out NF Redemac Klett CEF000004 33,40 05/jan NF Redemac Klett CEF 000032 43,83
climatizador, mármore para as soleiras e 28/out NF Redemac Klett Dinherio 662,32 09/jan NF Redemac Klett CEF 000032 31,04
28/out NF Redemac Klett Dinheiro 445,40 14/jan NF Redemac Klett CEF 000032 83,70
roda-pés, portões na garagem, instalação 29/out Lojas Fricke 438708 52,20 1/abr CF Lojas Fricke CEF 000030 145,77
do alarme, vidro fume, cerâmicas, cordões 31/out NF UNICOOS Dinheiro 8.000,00 17/abr NF Delta Instalações Elétricas CEF 000050 180,00
31/out Leão Comércio de Tintas Dinheiro 128,80 17/abr NF Centro Luz CEF 000050 865,00
para contenção das calçadas, entre outras, 03/nov NF Madeireira Zambrasul Dinheiro 1.424,00 18/abr Boleto Lojas Fricke CEF 000053 71,45
05/nov Guia - Parcela climatizador 738709 678,00 20/abr GPS Ministério da Fazenda CEF000054 1.355,82
conforme consta nas notas fiscais. 05/nov NF Redemac Klett Dinheiro 22,26 25/abr NF UNICOOS CEF 000057 1.094,22
10/nov Guia - Previdência Social 438712 1.200,00 5/mai CF Lojas Fricke 846094 146,73
11/nov NF Redemac Klett Dinheiro 55,58 13/mai NF Emblema (Parcela 2) CEF 000061 640,00
Sandra Weber 11/nov Recibo Frete Dinheiro 20,00 19/mai GPS Ministério da Fazenda CEF 000066 164,13
12/nov NF Funilaria Sperling 438716 1.975,80 16/jun NF Emblema (Parcela 3) CEF 000081 656,64
Tesoureira 13/nov NF Redemac Klett Dinheiro 202,29 16/jul NF Emblema (Parcela 4) 39 657,54
13/nov NF Redemac Klett Dinheiro 18,34 ______________________________________________________________________
TOTAL 108.656,91

O TERRENO A CONSTRUÇÃO A NOVA SEDE

4 APMI/SINDICATO • Ijuí, 21 de dezembro de 2009


EXECUTIVO

O ensino em 2009
Um ano após ser eleito prefeito de Ijuí, Fioravante Batista Ballin, fala sobre os avanços na área do ensino municipal durante seu governo e afirma que boa parte das 23
propostas que foram elencadas durante a campanha estão sendo cumpridas. Ballin recebeu a reportagem do jornal sindical em seu Gabinete quando enumerou as ações
até agora desenvolvidas. Ele resguardou algumas expectativas de investimentos para 2010, mas garantiu a manutenção de todas as ações já previstas. “Temos cumprido
paulatinamente o que está proposto no Plano Municipal de Educação”, vai logo avisando Ballin para os minutos que seguem de gravador ligado.

Além das previsões >> “Elencamos buco, Tomé de Souza, Dona Leopoldina, mentamos o Pró-Vôlei que fechou o ano ensino superior. Um exemplo são os es-
23 propostas, metas que vamos efetivar Soares de Barros. Instalamos climatiza- com atividades em 12 escolas munici- tágios remunerados, bolsas de auxílio
no decorrer dos quatro anos de governo. dores e ventiladores nas instituições para pais. O programa de informatização das aos estagiários. Outra luta está sendo
Entre elas, a continuidade do que já foi melhorar o ambiente de trabalho. Agora escolas vem sendo ampliado, instalamos gestionar junto ao Estado a transferencia
definido a longo prazo dentro do Plano trabalhamos na articulação da oferta de banda larga em todas elas, além da in- do Ciep para o Município. A remuneração
Municipal de Educação. Temos acrescido Ensino Médio e Técnico no quadrante su- fraestrutura na rede de computadores. dos professores está de acordo com o
um percentual de recursos orçamentários doeste da cidade. Um exemplo é a insta- Não podemos esquecer do EJA, que con- piso nacional e de acordo com a legisla-
para além do que é obrigatório, ou seja, lação da Escola Tiradentes que vai iniciar tabilizou 250 alunos, com novas turmas a ção estabelecida”.
25% do recurso livre para a educação e em março num convênio com o Estado. partir deste ano, ampliamos a cobertura,
35% da Lei Orgânica Junto a União vamos a alfabetização plena”. No caminho >> “A maioria das me-
Municipal. O educador Estamos caminhan- instalar um Centro de tas estabelecidas para os quatro anos
que está atento sabe Ensino Federal Técnico Novas políticas >> “Por constituir-se na educação estão sendo cumpridas. A
que o governo está
do para um processo (Cefet). Apresentamos numa meta subjetiva podemos dizer que maioria delas já entrou nesse primeiro
abrindo caminhos, de fortalecimento da ao Mec a proposta do todas as ações que a Secretaria de Edu- ano de governo. Isso é realmente motivo
ampliando o espaço cidadania e tudo Programa Brasil Pro- cação desenvolveu no âmbito das esco- de muita satisfação. Para o ano que vem
de trabalho. Por isso, fissionalizado para o las envolvendo alunos, pais, professores o nosso desejo é ampliar a cobertura e
temos propiciado um começa pela Imeab. A prefeitura e comunidade local contribuíram para qualificar ainda mais os espaços físicos
diálogo franco, aberto educação. também comprou um busca de alfabetização plena. Em espe- das escolas, dando uma maior qualidade
e permanente com a O ambiente do veículo de 31 lugares cial quando as escolas integraram-se em aos professores, funcionários, estudantes.
própria APMI-Sindica- totalmente adaptado atividades que envolveram as temáticas Também vamos incentivar uma partici-
to. Por exemplo, ga- Executivo está aberto para o transporte de como meio ambiente, drogadição, trân- pação mais efetiva da comunidade no
rantimos uma carga e franco. Temos alunos deficientes sito, cultura, feira do livro e outros. A ambiente escolar. Estamos caminhando
horária semanal de for- através do Programa implementação dessa política também para um processo de fortalecimento da
mação continuada a 32
clareza em colocar Caminhos da Escola. proporcionou eleições diretas cidadania e tudo começa pela
grupos de estudos na essas questões aos Vamos reivindicar jun- para a escolha da direção das educação. O ambiente do
educação. É o momen- educadores da APMI- to aos governos feder- escolas. Isso ajuda a de- Executivo está aberto e
to em que os professo- al e estadual a redução scentralizar e democrati- franco. Temos clareza
res tem, aquele tempo
Sindicato para que de impostos para zar o espaço e a partici- em colocar essas
para se preparar, se possamos reavaliar aquisição de outros pação da comunidade questões aos edu-
qualificar”. também todo veículos de transporte escolar. Promovemos cadores da APMI-
escolar. Vamos dotar o fortalecimento do Sindicato para que
Escolas >> “Ampli- esse trabalho”. as escolas de recursos Ensino Superior no possamos reavaliar
amos a oferta na Edu- orçamentários destina- município através da também todo esse
cação Infantil e no Ensino Fundamental. dos a pequenos gastos de manutenção. ampliação ao acesso e trabalho”.
Encaminhamos licitação para construir a Por isso, instituímos o Programa de Apoio a integração do poder
nova escola da Eugênio Storch. Também Financeiro as Escolas Municipais (Pro- público com as nos-
estamos adequando os espaços físicos, afem), que possibilitará a cada direção sas insti-
Fioravante Ballin
como é o caso do Imeab, Joaquin Na- da escola a obtenção de recursos para tuições
agilizar pequenas reformas, evitando bu- d e Prefeito de Ijuí
rocracia e atrasos”.

Tecnologia, programas e livro


“Outra meta se refere à Biblioteca
Escolar, adquirimos mais de quatro
mil livros ampliando os acervos das
bibliotecas, além de curso de me-
diadores de leitura para um grupo
de servidores/professores através
do programa Todos pela Leitura.
Aderimos ao programa Viva a
Vida, que tem um caráter hu-
manístico de prevenção e trata-
mento ao uso de drogas e a vio-
lência nas escolas. Adequamos a
estrutura e funcionamento do
Conselho de Educação para que
ele possa ter mais autonomia. Os
educadores também devem ter
notado o apoio que receberam
com a ampliação da oferta de
atividades no turno inverso nas
escolas, com espaços para práti-
cas lúdicas, desportivas, culturais e
recreativas. Isso reflete nas oficinas
de violão, xadrez, e reciclagem. Imple-

www.jornalcr u- de 2009
APMI/SINDICATO • Ijuí, 21 de dezembro
5
zeiro.com.br
EXPERIÊNCIA DE VIDA

O professor da comunidade
Foram 47 anos dentro das salas de aula, uma vida dedicada ao ensino
Waldir José Andriguetto, 71 balho, uma forma bem natural. na comunidade. Só que essa é fazer uma campanha contra as assumindo cargos importantes
anos, tem muito o que come- Tentava tornar minhas aulas di- uma forma do educador tam- drogas abertamente. Eu tenho na agricultura, educação, saú-
morar na vida. Aposentado do nâmicas com exposição e bom bém ficar a par da realidade que ensinar que aquilo faz mal, de dos municípios me enche
ensino desde 2004 contabiliza conteúdo. Qualquer estudante das famílias. Em outras épocas prejudica e o que pode acon- de orgulho. Tem um caso que
uma lista imensa de conquistas gosta de novidades”, detalha. havia uma amizade com os pais tecer com quem usa. Então é o prefeito e o vice foram meus
ao longo de 47 anos dedicados Numa época ainda distan- dos alunos”, destaca. bom ter sempre o aluno como alunos. É difícil chegar num lo-
às salas de aula e as comunida- te das grandes navegações via A prova dessa relação era amigo nesse processo, não cal em Ijuí e não encontrar pes-
des por onde passou. A história internet os recortes de jornais quando o filho reclamava de como seu oponente. Avisan- soas que estiveram na minha
de Andriguetto na educação e frases impactantes serviam alguma coisa em casa. “O pai do: tenha cuidado, respeita tua sala de aula. No bairro Assis
iniciou em 1957 e cruza com para chamar a atenção dos alu- procurava a escola e geralmen- vida. Não adianta falar mal, eu Brasil tem seis mil habitantes,
a da APMI-Sindicato. Em Ijuí nos além de pesquisas rápidas te falava para o professor: o tenho que procurar conquistar uns dois mil assistiram minhas
ele passou por instituições pú- logo nos inícios de aula. “Co- senhor pode fazer o que for ne- aquela pessoa. É uma forma de aulas. Nunca mandei um aluno
blicas e particulares. “Cheguei mecei como professor no Ensi- cessário. Tem todo para a direção, nem
a trabalhar 55 horas/aula por no Primário (1ª a 5ª séries). De- o nosso apoio. Ain- os castigava. Procu-
semana”, recorda revigorante pois passei a dar aulas no Curso da hoje se nota, os rava sempre resolver
o professor. Mas o que ficou de Normal Rural. Após completar professores rurais os problemas. – E daí
Andriguetto em quase uma dé- meus estudos, comecei a lecio- tinham esse pres- meu amigo, o que
cada como educador? nar História e Matemática”, fala. tígio. Viviam ali na podemos fazer pra
A resposta dessa pergunta Mas as disciplinas que mais comunidade, mo- acertar isso? Deixava
e de tantas outras possa estar o acompanharam foram de ravam nas escolas. eles me darem a res-
nos corredores do Instituto Filosofia, Sociologia, Psicolo- Não era só chegar posta, eram eles que
Municipal gia, Biologia, dar a aula e ir em- ao errarem corrigiam
de Ensino OSPB, Edu- bora. É como se diz fazendo uma tarefa.
Assis Bra- cação Moral hoje nas faculda- Era uma saída. Uma
sil (Imeab). e Cívica e des. Não é só ensi- fórmula diferencia-
Foi lá que o
educador se
“o que tu semeia Ensino Reli-
gioso. “São
no, tem a pesquisa,
tem a extensão.
da, tudo para não
machucar. Eu notava
descobriu
primeiro alu-
floresce, matérias
importan-
Atualmente as es-
colas praticamente
perfeitamente que
aquele professor que
no, depois
professor e
o que tu guarda, tes como a
Filosofia que
viraram somente
ensino. Não tem
usava métodos mais
drásticos os alunos
mais tarde
diretor. Ou apodrece” agora retor-
nou. Ela é in-
mais aquele pro-
longamento de
acabavam o atingin-
do de alguma forma,
seja, entra na dispensável por em prática as fosse quebrando
soma dos 47 para a vida, coisas, como as uma vassoura, vidros
anos como principal- hortas domésticas e outros. Sempre
professor outros quatro anos mente para a reflexão, o racio- feitas do início até estourava na outra
como aluno, foram 51 anos cínio e para que o estudante o fim. Era um tra- ponta. Para mim ser
dentro da mesma instituição, saiba examinar bem a vida, as balho permanente professor foi uma
o Imeab. “Conheço muito bem causas e as consequências de não só na safra, um vocação. Foi fazer o
essa instituição. Ajudei a or- tudo o que acontece. Saber re- trabalho constan- bem para os outros,
ganizar tudo aquilo, inclusive lacionar ajuda a evitar aquele te, aquilo que dava trazer felicidade para
o Cinquentenário da Escola. pronunciamento rápido e fora aquela força para o me sentir feliz tam-
Mas ainda pertenço ao Círculo da realidade e a Sociologia é professor”, afirma bém. Não tem coisa
de Pais e Mestres. Quando me importante para a integração Andriguetto. que mais me encanta
chamam vou, ajudo sempre”, do meio social, a recíproca cau- hoje é viver no mun-
destaca. sa, ou seja, a ideia vai e volta”, do bem. Ver que tudo
Não poderia ser diferente diz o professor. A relação aquilo que foi seme-
Professor Andriguetto
para quem passou praticamen- aluno/ ado, ficou e não foi
te uma vida dentro da institui- A integração professor mudar o quadro tanto para o perdido. Como diz um ditado
ção. Lá os filhos também estu- comunitária aluno quanto para professor. francês: o que tu semeia flores-
daram, só precisaram deixar a O professor faz uma ob- Para encontrar um caminho ce, o que tu guarda apodrece.
escola nos períodos em que o O sucesso de um professor servação importante sobre a é preciso os dois estarem do Dizia para os meus alunos que a
pai era diretor. “Isso para não também está relacionado em forma como a escola aborda mesmo lado, pois o conflito gente precisa ser humilde. Com
ter risco de qualquer tipo de sua relação com a comunidade as campanhas contra a vio- gera causas e as consequências humildade é sempre mais fácil
benefício. Eu queria ter liber- onde atua. “A integração salva”, lência, criminalidade, consu- são terríveis”, fala. de chegar, de se relacionar, de
dade para tomar decisões. Não vai logo avisando Andriguetto. mo de drogas, entre outros. dar um bom dia, um boa tarde
queria puxar para nenhum dos “Trabalhei vários anos no está- Ele vê uma certa dissonância O que ficou seja a quem for. Isso é ser au-
lados ou dar motivos para qual- gio. Alguns pais diziam: ele não entre o objetivo final e a linha têntico. Aquela velha história
quer tipo de desconfiança”, ex- é um grande professor, mas adotada nesse percurso. “Acho Mais de 20 mil estudantes do fui eu que fiz, eu quebrei, en-
plica. tem grande integração com que não se deve só combater ele garante que passaram por tão tenho que consertar. Essa é
Mas em sala de aula, Andri- nós. Eu sempre estava envol- a criminalidade, a violência, a suas mãos em 47 anos de en- uma lei para tudo. Se errei nesse
guetto foi um conhecedor de vido com alguma coisa desde drogadição, mas se deve pra- sino. O número equivale a uma ano no próximo não posso cair
alunos e usava uma tática infa- o esporte, a igreja, ajudando ticar a paz. Olhar tudo para o pequena cidade interioriana. no mesmo erro, quem não co-
lível para ganhar a atenção do muitas famílias em momen- lado da paz. Então com boas “Hoje constato que aquilo que nhece o passados está sujeito a
estudante: se tornava amigo. tos de necessidade. Ou seja, maneiras, bons modos aquilo ensinamos há 20, 30, 40 anos repetir os mesmos erros no pre-
“Isso também é método de tra- lá estava o professor presente vai crescendo. Não adianta eu foi útil. Quando vejo ex-alunos sente”, finaliza o professor.

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NOVAS PERCEPÇÕES

Recém-chegada
O entusiasmo e o conhecimento de uma das mais novas professoras da rede municipal
Ele cruzou os olhos, iden- Onde antes era apenas lugar A afirmação tem peso. “Des- mais do que professora”, fala de – Município, Estado, União.
tificou, estranhou. Procurou a do filho estar por determina- de pequenas coisas, como Franciele. Falta estímulo para a educação.
professora e disse, em forma das horas, hoje durante esse os horários, eles precisam ter A criança precisa ter esse gos-
de lágrimas e choro: “Estou as- mesmo período, eles ganham aquela rotina. Por mais que se- Os valores da escola to pela escola. Eu cresci com
sustado! Quem é esse aí?” Essa além do atendimento básico e jam bebezinhos é necessário. meu pai dizendo: Você precisa
foi a reação de um dos bebês do olhar afetuoso, estímulos. Eles descobrem que tal coisa Para muitas famílias a es- caprichar sempre. E se eu não
do Berçário 1, da Escola Munici- “Tudo é feito com um intuito. pode e outra não. Pelo nosso cola atualmente é vista como estudasse não seria alguém.
pal Infantil Professora Cândida Para cada momento há uma próprio olhar eles já sabem. a grande responsável pela Então meu foco sempre foi o
Iora Turra, ao notar a presença proposta. Por mais que a rotina Quando tem alguém estranho educação dos filhos. Um dos de que precisava estudar para
de pessoas estranhas ao seu seja pesada, que a gente passe eles testam aquela pessoa e motivos é justamente pelo ser alguém na vida, pra mim
ambiente. É lá que a profes- boa parte do tempo alimentan- nos procuram para ver o que tempo que eles ficam sobre o melhorar a relação com os de-
sora Franciele Nova- vamos fazer. Tem até a zelo da instituição. Um engano. mais. Hoje vejo que a educação
czyk Kilpinski, 25 anos, questão da linguagem Educação começa em casa, se serve mais para cumprir um
põem em prática tudo que deve ser cuidada com estende para as escolas onde protocolo. Receber um canudo
o que estudou, e de os maiorzinhos. As gê- o educando adquire conheci- para conseguir um emprego”,
forma especial, no que meas, por exemplo, elas mento. “É difícil trabalhar com lamenta.
ela acredita. Franciele estão aprendendo a falar. isso, nesse limiar de responsa-
pode até ser uma das Então tudo o que a gente bilidades, mas é nossa missão O professor hoje
mais jovens professo- fala elas repetem, é bom, e somos cobrados. Noto que as
ras da rede municipal é gratificante acompanhar famílias estão jogando nas es- “O professor tem que ser um
de ensino, mas sabe essa evolução, mas temos colas quase toda a responsabi- estudante permanente, com-
exatamente o que está que ter muito cuidado”, lidade, e isso, inclui até mesmo prometido com a prática, fa-
fazendo. Optou pela destaca a professora. os valores. Aqui nós estamos zendo uma análise do dia a dia.
Educação Infantil não ensinando tudo, desde usar Daquilo que foi bom, do que foi
por ser a primeira por- Um pouco mães talheres a utilizar o banheiro. ruim e o que pode melhorar. É
ta aberta na área, mas Se o meu filho não aprendeu é preciso buscar sempre uma ex-
por entender o valor O mundo moderno porque a escola não ensinou?”, celência da qualidade do traba-
desse processo para exige cada vez mais tem- indaga Franciele. Uma coisa lho. No momento em que a por-
o desenvolvimento e po dos pais. Fator que muito interessante lembrada ta da sala de aula é fechada é ele
formação das crianças. acaba comprometendo o por ela é a perda da infância. quem vai estar à frente. Pensei
Como poucas, ela tem tempo com os filhos. Isso “Hoje as crianças já são muito em ser professora da Educação
toda a razão. leva as crianças cada vez adultas. Não tem mais aquela Infantil para fazer diferente, não
Recém graduada mais cedo para fora de coisa do brincar. O eletrônico, a apenas jogar brinquedos no
em Pedagogia, a jo- casa. “Eles ficam aqui mais tecnologia está tomando con- chão e esperar o tempo passar.
vem educadora inte- tempo do que na residên- ta. Eles preferem ficar em casa Não é essa a intenção. Quero
gra o novo perfil de cia da família. Chegam pe- assistindo televisão, jogando que lembrem de mim, que os
professores que estão Franciele Kilpinski las 7h e saem às 18h. Pelo videogame do que andar de bi- estudantes gostem de mim. O
chegando ao mercado próprio relato das famílias cicleta”, cita como exemplo. professor precisa mergulhar no
de trabalho, em especial, na do, trocando fraldas, desenvol- notamos que ao chegarem Além disso, há um outro li- que é a educação, fazendo parte
Educação Infantil. Quem tem vemos paralelamente alguns em casa, eles se alimentam e mitador que também amplia daquilo que é importante para a
filhos e se um dia precisou estímulos, incluindo o motor. já querem dormir. Quer dizer, os desafios dos professores na criança. Eu acredito que o futuro
deixá-lo em creches já percebe A conversa com o bebê, o to- o dia deles é aqui. E esse con- atualidade: a desvalorização está nas crianças. Gosto de estar
algumas mudanças no trato e que, a música cantada, o laço tato direto acaba criando laços da educação. “Percebo isso não aqui, gosto de perceber cada
atendimento dos pequenos. afetivo. Isso tudo influencia na afetivos. Nós temos que ter a apenas na Educação Infantil – detalhezinho que eles vão de-
Houve uma profissionalização personalidade que está sen- percepção, o tato para saber que sofre um certo preconcei- senvolvendo e notam progres-
e uma gradativa substituição do formada e eles notam. São quando eles não estão bem, to – mas no ensino em geral. sos. Acho isso fantástico. Hoje
de monitores para professo- questões incluídas na rotina, descobrir o que está incomo- Não sei se o erro é da escola, eles sabem pouco e amanhã sa-
res. As creches viraram escolas. no dia a dia”, explica Franciele. dando. E isso é ser um pouco das famílias ou de uma unida- berão muito”, finaliza Franciele.

APMI/SINDICATO • Ijuí, 21 de dezembro de 2009


7
MEMÓRIA DE CONQUISTAS

APMI-Sindicato: quatro década


Mais de 500 professores filiados dão peso a uma bela história
Qual é a essência de um sindicato? conseguimos montar a direção e o es- necessária uma organização sindical até é importante que continue a nomencla-
A resposta a essa pergunta vai além da tatuto procuramos o Departamento de para podermos negociar com Executivo. tura mesmo hoje sendo sindicato”, reco-
luta pela preservação de direitos dos tra- Ensino Municipal para uma primeira inti- E depois de muito debate, em março de nhece Sandra. “Hoje a APMI deve avan-
balhadores. Ela é mais complexa e chega midação”, recorda o professor aposenta- 2001 durante uma assembléia geral com çar mais e mais sem perder as conquistas
numa essência básica que forma a tríade do Domingos Pezzetta, 66 anos. Nascia o auditório da Unijuí lotado votamos e que nós adquirimos ao longo de tantos
ideal do ensino: professor, aluno e reco- a APMI, na época como associação de transformamos a APMI em sindicato”, re- anos. Essa história nos transforma numa
nhecimento. Essa vem sendo a bandeira professores. corda Sandra. instituição de raiz, mas ainda é necessá-
que o Sindicato dos Professores da Rede rio a classe ser mais valorizada”, garante
Pública Municipal de Ijuí (APMI-Sindica- A democracia De associação Pezzetta. Após tantas casas diferentes, a
to) vem defendendo em seus 45 anos de para Sindicato APMI-Sindicato finalmente ergueu sua
atuação. Atualmente o cenário é outro. A de- própria sede no dia 26 de março des-
As quatro décadas e meia da enti- mocracia permite a liberdade de ex- Foi preciso uma nova assembléia em te ano, tornando real o que parecia ser
dade foram marcadas por avanços em pressão, reuniões sindicais e da voz para 2003 para mudar a denominação que distante demais. Localizada na Rua 20
todos os campos do ensino municipal, todos os tipos de manifestação. Se em até então era Sindicato dos Professores de Setembro, nº 842, o prédio de 100
desde questões salariais até melhores outras décadas foi necessário correr ris- Municipais de Ijuí, e que acabou não metros quadrados recebeu investimen-
condições das escolas. Mas para enten- cos diante do sistema, hoje o grito por sendo aprovada em Brasília devido a tos acima de R$ 100 mil, comprovando
der o processo de construção sindical igualdade e reconhecimento continua semelhança com o já existente Sinpro. a nova fase de avanços e resultados do
da APMI, é necessário saber que trata-se ecoando e reflete nas atitudes da atual E assim nasceu o Sindicato dos Profes- passado do Sindicato dos Professores da
de uma ideia surgida em pleno período geração. Como é o caso da professora sores da Rede Pública Municipal de Ijuí Rede Pública Municipal de Ijuí. A sede
ditatorial brasileiro, nos anos em que o Sandra Weber, que acompanhou todo (APMI-Sindicato). Em março de 2004, o serve também para a realização de reu-
chumbo tinha mais valia que o cérebro. o processo de transformação da APMI Diário Oficial da União publicava a pri- niões mensais de diretoria, quinzenais
Em tempos negros do fim da década numa entidade sindical. Eleita em 1994 meira nota indicando a APMI como en- com representantes das escolas munici-
de 60. Foi enfrentando todos os tipos e reeleita presidente em 1999, ela soube tidade sindical. “Mantemos a sigla em pais, da Apae, Smed e aposentados que
de ameaças que um pequeno grupo de transitar como poucas na linha de frente respeito a toda história que fez surgir na propiciam um momento de discussão,
professores cansados das muitas perse- da APMI e na organização sindical que época a Associação, lá no ano de 1964 estudo e consequentemente estabele-
guições políticas decidiram enfrentar hoje está fortalecida com a presença de em pleno período da Ditadura, por isso cendo um canal de comunicação com a
o regime local. Mas não foi só aqui, um mais de 500 pro- rede municipal.
surto da biotônica vitalidade contra a fessores entre apo-
ditadura militar instalada no País surtiu sentados e efetivos. Outros tempos,
como onda criativa em todos os cantos “O cenário é outro, velhas lutas
do Brasil. Eram poetas, jornalistas, mú- vivemos da liber-
sicos, escritores, advogados, donas de dade. Existe lei de Um novo plano de carreira,
casa que passaram a pipocar ideias e pe- amparo. Tem vários essa foi uma das primeiras lutas
quenos movimentos contra a repressão. mecanismos que da entidade como sindicato. E
Mas o que dizer dos professores que defendem os pro- foi a base de muita discussão
naqueles anos viam os colegas sumirem fessores juntos de que entrou como prioridade
ou serem trocados de escola a escola, suas filiações”, diz também a equiparação salarial
como num movimento viciado ininter- Pezzetta. do magistério, que hoje signi-
rupto. “Naquela época a nossa bandeira Mas para isso, a fica um professor receber 50%
foi contra a perseguição. Tínhamos que caminhada foi lon- do valor referente ao padrão 6
defender os colegas que estavam sen- ga e nem tudo pós da Prefeitura. “Essa foi uma luta
do transferidos de um lado para outro Ditadura Militar que instituímos e que foi reco-
simplesmente por perseguição política. foi rosas. “Fizemos nhecida pelos poderes públi-
Nos encontrávamos escondidos porque uma série de en- cos. Gradativamente estamos
era proibido qualquer tipo de reunião contros, ouvimos chegando nesse valor. Hoje o
e organização. Os locais de encontros presidentes sin- nosso básico é de R$ 546,00.
eram nas casas de cada um, tudo feito dicais e órgãos já Mas precisamos melhorar. É
de forma secreta. E no momento que estabilizados. Era necessário também mudar a
Domingos Pezetta, fundador da APMI

8 APMI/SINDICATO • Ijuí, 21 de dezembro de 2009


as e meia de luta
equivalência, pois hoje, um professor com os prefeitos, buscar reajustes”, fala
com licenciatura plena ganha 40% re- Sandra.
lação ao básico. Entendemos que isso é
muito pouco para uma graduação. Feliz- Os desafios
mente a maioria dos nossos professores
já tem curso superior e pós-graduação. “Desafios sempre vão existir.
Acredito que os professores percebem Você resolve um, surge outro.
que essa ação sindical acontece. É uma Mas uma das coisas que a enti-
caminhada que vamos construindo”, dade precisa fazer é pressionar o
destaca Sandra Weber. governo por melhoras de infraes-
Essa política de recuperação leva em trutura das escolas. Lá, no local de
conta também a questão de segurida- trabalho dos professores é
de social através do Previjuí. “Sempre que estão aparecendo as
acompanhamos as discussões, esse é deficiências. Os maio-
um fato extremamente importante que res problemas estão
merece cuidado. Hoje sabemos que a nas escolas mais an-
conjuntura atual exige uma outra forma tigas. Na maioria
de luta da que se tinha antigamente. Por delas não foram
exemplo, em 1996, fomos bater panela planejadas ex-
em frente da Prefeitura. Fizemos greve, pansões. Um
fomos até a ExpoIjuí atrás do prefeito exemplo é a
Gérson Ferreira. Queríamos salário em Escola Anita
dia, pois estava muito atrasado. Essas Garibaldi,
Sandra Weber, a mais jovem presidente
lutas foram construindo a história de fizeram vá-
nossa entidade. Atualmente temos con- rias reformas e a estrutura é ruim. Essas escolas mais tradicionais pos-
seguido fazer uma negociação salarial suem salas pequenas, pouco ventiladas e de baixa segurança contra
furtos e roubos”, finaliza Sandra.

Primeira diretoria da APMI (Associação) Primeira diretoria da APMI-Sindicato

No dia 8 de março de 1964 realizou-se a primeira reu- No dia 16 de março de 2001, durante Assembléia-Geral
nião para fundação de uma Associação dos Professores, na Extraordinária, com a participação de mais de 200 professo-
qual, compareceram 22 professores, os quais decidiram for- res foi aprovada a transformação da Associação de Professo-
mar uma comissão para elaborar os estatutos. No dia 16 de res em Sindicato dos Professores Municipais de Ijuí, quando
maio de 1964, realizou-se uma Assembleia de professores, foi criado o novo estatuto da entidade e eleita a nota dire-
quando foi aprovado o estatuto. Compareceram 85 edu- toria para a gestão 2001/2003, que ficou assim constituída:
cadores, que aprovaram o estatuto e elegeram a primeira
diretoria. Vice-Presidente: Gilberto Natal Maas
1ª Secretária: Claudete Drews
Presidente: João Paulino Padilha 2ª Secretária: Rosenara Huber
Vice-Presidente: Evaldo Kest 1ª Tesoureira: Beatriz Cezimbra Correa
1º Secretário: Ewaldo Bier 2ª Tesoureira: Adriana Noronha
2º Secretário: Nair François Martel
1º Tesoureiro: Irineo Sartor Conselho Fiscal: Gladiz Berno,
2º Tesoureiro: Domingos Pezzetta Maria Ester Johann
e Roselei Boneta de Moraes
Conselho:
João Zimermann, Vilma Pereira Conselho Fiscal (suplentes):
Teresa Maria Padilha, Agnes Kunde Gerson Pereira,
Albertina Rosa Bartz, Albertina Noronha Nilson Barriquello
Patrono: São João Batista de La Salle e Verani B. da Silva.

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Amor à profissão

Professora 24 H
• Acompanhe o roteiro diário da professora Carmen
7h00 – Chegada ao colégio. Após uma rápida organização e vistoria no seu ambiente de trabalho começa a
receber as crianças trazidas pelas mãos dos pais. Algumas delas já aguardam em frente o colégio a abertura
do portão. Por volta das 7h30 as chegadas se intensificam e mantém-se até por volta das 8h.
A rotina de uma educadora de 65 anos e 50h/aula 8h20 – A professora após acomodar os pequenos os conduz até o refeitório, é a hora do café da manhã.
9h00 - Começam atividades pedagógicas orientadas. Trabalhos com
Ela levanta cedo, bem cedo. To- 65 anos, assumiu uma carga de 50 pintura, recorte e outros. O objetivo é que a criança aprenda algo
dos os dias nos primeiros raios de sol, horas semanais (20 horas por con- novo através de exercícios específicos.
9h40 – Hora do lanche. Novamente a professora cuida dos pe-
a professora Carmen Marilia Agert de vocação para substituir uma colega
quenos no refeitório.
Oliveira, 65 anos, sabe que o relógio é que foi para a rede estadual) está in- 10h00 – É chegado o momento das atividades no pátio e tam-
implacável. O tempo, como areia que trínseca a força de vontade e a paixão bém na Brinquedoteca.
se esvai entre os dedos não perdoa, pelo ensino. “Ser educadora é ter a 10h45 – Após o momento de folia, Carmen passa a trabalhar
não para. Por isso, não se permite er- certeza que se pode ensinar. É preci- um valor básico e essencial da criança, a higiente.
rar. E ela sabe, já se passaram mais de so se envolver com isso. Eu trabalhei 11h20 – O almoço começa a ser servido. Nesta hora, a
35 anos dentro das salas de aula. 23 anos em escolas públicas de Porto professora ensina os métodos corretos de uma boa ali-
Mas naquela quinta-feira (17) era Alegre, então minha relação com o mentação. Após os pequenos voltam a ter práticas de
mais um dia que era preciso acordar, Estado e Município não vem de hoje. higiene como escovar bem os dentes e lavar as mãos.
Feito isso a educadora encaminha a turma para cerca de
abrir os olhos, conferir o relógio e Mas tem algo que acho fundamental.
duas horas de sono.
comprovar os minutos que seguem. A educação começa dentro de casa. 14h30 – Os alunos começam a acordar e a professora outra
Ela ainda tem prazo, uma hora para Lembro que quando minha filha vez os conduz para as atividades de higiene, em segui-
tomar um banho, café, se arrumar, era pequena começou a perguntar da é o momento do lanche da tarde.
conferir a pasta com material que sobre os personagens das novelas: 15h15 – Começam as atividades orientadas (na se-
será usado na aula do Maternal 1 Mãe, mas esse tio não era marido da- mana passada, foi a vez das canções natalinas).
(crianças de 2 e 3 anos), também o quela ali, como ele agora está lá com 15h45 – Momento de descontração e brincadeiras no pátio
dinheiro da passagem do ônibus, outra? A partir dali não assisti mais da escola, tudo sob o olhar atento da professora.
enfim, até às 6h45 tudo deve estar novelas. A televisão lá em casa tem 16h45 – Alguns pais já começam aparecer para buscar os fi-
lhos.
pronto para mais um dia de aula. um valor imenso para “ouvirmos” no-
17h15 – Fim do expediente.
Após esperar uns minutinhos na ticiários. Então educação começa em 17h20 – A professora Carmen encaminha-se para o ônibus que
parada de ônibus, chega o momento casa sim”, fala ela. Questionada sobre a levará ou para casa ou para as compras no centro da cidade.
de subir os três degraus do veículo de uma vida em sala de aula, ela garan- 18h00 – Fim da tarde ela chega em casa. Reside sozinha num
transporte urbano que diariamente a te que “faria tudo de novo, não sei se prédio do centro da cidade. Hora de por tudo em ordem. Pri-
leva até a Escola de Ensino Municipal agüentaria uma carga de 50 horas meiro liga a TV como companhia, daí começa os afazeres, lavar a
Infantil Alvorada. Lá a jornada é lon- como agora (brinca), mas trabalharia roupa, limpar o apartamento e também já pensar no material de
ga, típica de quem gosta do que faz. com o maior prazer de novo”, garante aula do dia seguinte. Vida de professora, não é nada mole não.
No roteiro da professora que aos a educadora. 0h00 – Hora de dormir e quem sabe sonhar com os pequeninos.

10 APMI/SINDICATO • Ijuí, 21 de dezembro de 2009


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renes - além de evitar reações alérgicas, comuns em tra-
as vantagens são ainda maiores, com todas as facilidades músicos que há mais de dez anos botam a galera pra
tamentos menos qualificados.
de auto-atendimento ao seu alcance: caixas eletrônicos, dançar em festas e eventos, com um repertório sem-
O Salão Beleza Humana, sempre cuida do bem es-
internet banking e atendimento por telefone. Pela agên- pre sintonizado com os sucessos do momento e tam-
tar de suas clientes e de lapidar a beleza nas tendências
cia virtual é possível acessar informações da sua conta e bém com a bagagem musical diversificada que só os
da moda, respeitando o estilo próprio de cada mulher.
realizar transações bancárias a qualquer hora e de qual- anos de palco são capazes de formar.
Aqui, todas trabalham em espírito de equipe. O Beleza
quer lugar. “Tudo isso com total segurança através do Roberto toca guitarra e violão e usa samplers para
Humana se orgulha em participar ativamente da forma-
www.banrisul.com.br. Cliente Banrisul não precisa enca- as partes de bateria e acompanhamento, fazendo um
ção dos melhores profissionais: capazes, responsáveis,
rar filas”, explica o gerente-geral da agência Banrisul de show dançante com muito rock´n roll nacional e inter-
atenciosos e prestativos.
Ijuí, José Ricardo C. Cosentino. nacional, música nativa e gauchesca. Já Cassiano toca
Noeli e Renan estão sempre buscando atualizar-se,
O banco também oferece débito em conta, investi- teclado e faz uma verdadeira banda soar nos altofalan-
no Brasil e no exterior: Noeli, em 2008, participou de
mentos e cartões de crédito. “Temos linhas especiais para tes, com a experiência de quem já tocou em grandes
cursos nos Estados Unidos, Renan foi à Argentina, e am-
funcionários públicos. Hoje, a grande vantagem, além grupos de baile e sabe “sentir” o público.
bos, este ano, estiveram em São Paulo e Rio de Janeiro.
das tarifas reduzidas, são os créditos consignados para Os dois artistas sentem orgulho e prazer em poder
A parceria com a JOICO - marca de produtos ameri-
funcionários públicos, que são empréstimos parcelados, fazer o que gostam e garantir o sustento a partir de um
cana, de altíssima qualidade - respalda a seriedade e o
com desconto em folha, sem avalista e com prazos e ta- talento que desenvolveram ainda crianças, meio que
compromisso que o Beleza Humana tem em proporcio-
xas especiais. “É a possibilidade, por exemplo, de comprar por brincadeira e que acabou virando profissão.
nar o que há de melhor para suas clientes.
um carro, fazer uma reforma, viajar, realizar um sonho. Cassiano e Roberto também tocam em eventos
Por isso, antes de fechar negócio, vem conversar com a particulares, como casamentos, aniversários, formatu- Marque sua hora: 3333.4384
gente!”, detalha o gerente. “Muitas vezes, é muito mais ras e recepções e são garantia de uma festa animada e
vantajoso para o cliente fazer um empréstimo com juros inesquecível.
reduzidos no Banrisul e negociar o pagamento à vista do Roberto Bones - Contato: 8116.4814
produto, obtendo descontos que, no final das contas, fa-
zem com que o bem saia muito mais barato”.
O gerente lembra ainda da linha da construção civil
através do Crédito Imobiliário, é a possibilidade de con-
quistar a casa própria com uma taxa de juros diferencia-
da. Além de tudo isso, aproveite para conhecer a agilida-
de do Crédito 1 Minuto, Cheque Especial, entre diversos
outros serviços.
No ítem segurança, o Banrisul também possui diferen-
ciais importantes, como o Cartão Chipado, que possui um
chip de identificação inviolável, para garantir transações
seguras e muito mais tranquilidade aos usuários.
Quem tem Banrisul, tem tudo o que precisa.

APMI/SINDICATO • Ijuí, 21 de dezembro de 2009


11
ESCOLA VIVA

Um faz de conta de verdade


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Projeto da Escola Solange Ana Copetti traz Kalunga para contar histórias
As histórias de Kalunga, aquelas do as professoras usavam métodos do siste- métodos bastante trabalhados pelas pro- desenvolvido pode ser também visualiza-
sapo inglês, da bruxinha querida, do louco ma corporal como reconhecimento, iden- fessoras, tanto que geralmente uma das do ao que pensa o escritor infantil Kalun-
mundo de Raimundo, que tanto encan- tificação e assim por diante. Mas todas as educadoras se caracterizava de um per- ga, que viu no trabalho dos educadores
tam e povoam a cabecinha das crianças, turmas num determinado momento en- sonagem para dar aquele momento uma algo valioso e não mediu esforços para
ganharam neste ano um olhar mágico da volviam o projeto geral da escola em suas dose maior de realidade, um diferencial. levar seu talento a uma escola infantil. “Ge-
direção e professores da Escola Municipal atividades. E assim foi do Berçário 1 (crian- Além disso, as atividades coletivas foram ralmente ele desenvolve esses eventos em
Infantil Solange Ana Copetti. A instituição ças até 1 ano), Berçário 2 (de 1 a 2 anos), desenvolvidas através de eventos como escolas maiores, quando vimos ele estava
que atende estudantes de 1 a 5 anos de- Maternal 1 (de 2 a 3), Maternal 2 (de 3 a 4) a Cinemateca, Sarau de Poesias, O bicho em nosso bairro, em nossa escola e os pe-
cidiu apostar num projeto até certa forma e Pré-escola. “Acreditamos que quando a está Solto, Concurso de Caricaturas entre queninos envolvidos com aquilo. É preciso
inovador. criança houve histórias desde muito cedo as famílias, Dia da Paródia, entre outros. acreditar na educação infantil, não sendo
Foram preparadas diversas atividades desenvolve a criatividade, imaginação, co- “Exploramos todos os espaços da escola. apenas como lugar onde as crianças pre-
tendo como foco a literatura. Mas litera- munica-se com maior facilidade, elabora Eles tiveram atividades variáveis, de pintu- cisam ficar, mas que elas podem aprender
tura para crianças que estão recém apren- também. Essa questão pedagógica tem
dendo a ler? Exatamente isso, literatura que ser levada a sério”, explica Lilia.
para os pequenos, tendo como base uma Os familiares também se envolveram,
temática clara e fácil de ser compreendida: em casa junto dos filhos, fizeram carica-
o trabalho reconhecido do escritor infan- turas do Kalunga, cerca de 60 obras foram
tojuvenil Kalunga. O projeto que veio para produzidas. Agora um próximo evento
ficar não tem um nome específico, nem literário está sendo projetado para 2011.
mesmo os temas. Tudo é uma variável que “Decidimos que esse evento irá acontecer
deve mudar a cada edição e desafia os a cada dois anos. A literatura sempre esta-
professores em pôr no papel a sua criati- rá em foco, pois é através dela que se tor-
vidade. na possível trabalhar outras questões. Já
Em 2009, o tema foi “Minha escola que estamos pensando em alguns nomes que
gostosura, tem brincadeira e também lite- possam se tornar o carro-chefe do proje-
ratura”. Mas o lema nasceu de um dos li- to”, avisa a coordenadora pedagógica. Para
vros infantis de Kalunga, o qual tem uma que o evento fosse realizado a escola con-
passagem que diz: cinco pitadas de cari- tou com a participação de vários apoiado-
nho, uma porção de amizade e ternura a res que não mediram esforços para que o
vontade. Pronto estava montada a base, a evento de fato acontecesse.
linha norteadora que iria focar objetivos
que vão do estímulo ao hábito da leitura, • Kalunga e a literatura
a possibilitar aos pequenos um mundo de
magia e do faz de conta, do envolvimento Kalunga é poeta, contista, animador
com a família e também a utilização da li- cultural e compositor. Percorre todo o Bra-
teratura de Kalunga em áudio. sil realizando palestras e oficinas. Para ele
Os 167 alunos da instituição foram en- estar presente nas instituições de ensino
volvidos no projeto literário que durante o hipóteses sobre acontecimentos vivencia- ra, brincadeiras dirigidas, vivas, coletivas e tem um objetivo específico: despertar o
primeiro semestre – a partir de abril - foi dos. Sendo assim quando a criança inte- tudo relacionado ao Kalunga. Em setem- interesse pela leitura, sempre partindo da
organizado através de atividades coletivas rage com diferentes gêneros textuais, ela bro aconteceu o momento da paródia, figura do escritor. Ou seja, se as crianças
em sala de aula. “A escola tinha o projeto tem acesso as mais diversas possibilidades quando os alunos escolheram uma poesia gostarem do escritor irão gostar da histó-
geral que envolvia o Kalunga, mas cada humanas”, acredita a coordenadora Lilia ou música do escritor para parodiar. Tive- ria e da literatura. Kalunga acredita que se
turma trabalhava seu projeto específico Cavalheiro Pinto Teichmann. mos também cinemateca com vídeos do o escritor for visto como alguém do conví-
em sala de aula. Por exemplo, no Berçário, A contação de histórias foi um dos Kalunga”, detalha Lilia. vio da criança com os pais ou amigos, se
Apesar do sucesso, o evento por pouco identificará mais com a leitura. Para ele, a
não saiu. O motivo foi a chegada da Gripe história não precisa ser escrita, mas é de-
A, que assolou todo o País, em especial o ver de todos ajudar a criar na criança o
Rio Grande do Sul. Mas uma mudança na hábito, aquele do interesse por tudo o que
data e o próprio entendimento do escritor ela vê. Desde as observações do caminho
manteve em pé o belo projeto da escola. para a escola, diante deste contexto, o li-
Então nos dias 11 e 12 de novembro o vro também se tornará interessante e pas-
grande inspirador de todos os trabalhos, sará a fazer parte da vida dela, tornando a
Kalunga chegou em Ijuí. “Foi gratificante criança numa pessoa leitora.
desenvolver esse trabalho, pois uma valo-
rização das famílias que tiveram um papel
importante nesse processo. Os pais se en-
volveram tanto que durante a apresen-
tação do Kalunga com auditório lo-
tado as famílias cantavam todas as
músicas. Isso mostra que ouviam
o CD em casa com os filhos, aju-
davam nas atividades, foram pais
presentes nesse processo que
desperta o gosto pela
leitura desde cedo”,
comemora a profes-
sora.
Ela tem razão,
um outro fator que
pode dar dimen-
são ao trabalho

APMI/SINDICATO • Ijuí, 21 de dezembro de 2009


12
ESCOLA VIVA

Oficinas que salvam


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Escola 15 de Novembro desenvolve projeto exemplar de resgate social


Sabe a escolinha do 15, do lado da lom- liassem a melhorar, de alguma forma, a gente consiga fazer com que esse aluno de aula, o quanto amadureceram e estão
bada? Assim foi conhecida durante muitos sua qualidade de vida e automaticamente permaneça na escola, que desperte o gos- diferentes. Muitos já tem autonomia, se
anos a Escola Municipal Fundamental 15 do ensino-aprendizagem”, salienta a coor- to de estar aqui. É interessante, pois temos produzem, maquiam-se. Carregam cená-
de Novembro. O diminutivo do termo es- denadora pedagógica da escola, Sandra gráficos que mostram detalhes importan- rio, essa oficina é completa e eles se sen-
cola hoje não condiz com a realidade da Bombardieri. tes dessas evoluções. Meninas que vieram tem responsáveis por tudo, desde a or-
instituição. Cresceu. Expandiu para além Hoje os estudantes passam o dia todo para as oficinas e que mudaram a atitude ganização à troca de figurino”, comemora
das salas de aula, se tornou tão grande que na escola. Chegam pela manhã, são ser- dentro da sala de aula. Elas faltavam muito Elisane.
o pequeno pátio ganhou novas extensões vidos com café e ao meio-dia almoçam. as aulas e agora tudo se inverteu, as ofici-
chegou as casas. Escola e comunidade que Quem estuda a tarde tem a manhã inteira nas fizeram com que elas valorizassem o • Escola e comunidade
até então eram divididas por uma rodovia para participar das oficinas, isso equivale a aprendizado em sala”, fala Sandra. Como estender o ensino para além
acabaram encontrando uma na outra um um grande comprometimento do grupo Pela manhã também são atendidas dos muros da escola? Como, se em casa
ponto, uma possibilidade. Da escola, a de de professores em fazer algo mais, dan- aquelas crianças que os pais não tem onde não há revistas, nem livros, nem o jornal
realmente exercer seu papel social. Da co- do uma maior razão para a profissão. “Os deixar, enquanto vão para o trabalho. Ge- do dia? Não por falta de vontade dos pais,
munidade, em saber que as coisas podem professores tem um perfil diferenciado e ralmente alunos da 1ª a 4ª série. “Nesse mas pelo fator financeiro e na maioria dos
ser melhores através da educação, espe- buscam estratégias para realizarem um caso, eles precisam ficar na escola, é uma casos, cultural também. “Os nossos estu-
rança de dias melhores para os filhos, para trabalho de qualidade. O grande desafio situação diferente, mas abrigamos. O di- dantes vem de famílias de baixa renda,
todos. é promover um ambiente que possibilite ferencial começa quando os estudantes sem um suporte, sem os acessos que são
Mas como isso pode ser feito? É pos- a construção de sujeitos autônomos, tan- maiores que estão matriculados de ma- importantes no processo de aprendiza-
sível mudar uma cultura enraizada no “eu to do ponto de vista moral e ético como nhã, por exemplo, retornam à tarde por gem. Chega a ser incrível ver que os pais
sempre serei assim”? “Mostramos que eles no campo intelectual, no qual os alunos iniciativa própria. Eles voltam porque real- passaram a olhar para a escola através das
são especiais, que podem competir no aprendam vivenciando as situações, pois mente gostam, se envolveram com o coral, oficinas, nas apresentações era os filhos
mesmo nível até com estudantes das esco- a preocupação é em formar sujeitos his- teatro, técnicas circenses”, fala Elisane. De deles lá no teatro, no coral, etc. Isso acabou
las particulares, que eles não ficam abaixo tóricos, afetivos, capazes de perceber suas manhã é possível ver os estudantes con- se tornando para nós uma forma de apro-
de ninguém”, explica a diretora da Escola expectativas imediatas e de futuro. E a es- centrados em atividades como de artes e ximação mais intensa com a comunidade,
Elisane Riethmüller. Ela tem razão. E foi cola passa a ser uma expressão da diversi- recreação, literatura, jogos pedagógicos, com as famílias. O que aconteceu? Antes
pensando em alternativas que pudessem dade, um espaço de construção do futuro, alfabetização, xadrez, além de oficinas de era a Escolinha do 15, do lado da lomba-
render aos educandos um melhor apro- um espaço de interação e de esperança na aprendizagem. Neste caso, é específico da, essa era a referência que se tinha. Com
veitamento do tempo na escola que os construção de um mundo melhor”, acredi- para alunos que precisam ir à escola para as oficinas houve uma valorização do alu-
professores definiram uma série de ações ta Elisane. melhorar, estudar um pouco mais. É o su- no e as famílias notaram também uma
e diretrizes, tendo como base as oficinas. porte da sala de aula”, lembra Sandra. organização. Os alunos se viram usando
“Reestruturamos as oficinas. Não fazendo • Do futsal a alfabetização A tarde é a vez das oficinas esperadas uniformes, participando de torneios que
com que as crianças venham para a escola O leque de oficinas é grande: futsal, por vários alunos, as técnicas circenses, te- antes era praticamente impossível por não
apenas por vir, mas para ter foco”, destaca coral, jardinagem, xadrez, teatro, técnica atro e o coral. “Eles vem por opção. Temos terem roupa adequada, tênis e outros ma-
a diretora. circense, literatura, artes e recreação, mu- observado que houve um aumento do teriais necessários. Os alunos passaram a
As 11 oficinas desenvolvidas ao lon- sicalização e hora do conto, jogos pedagó- número de estudantes inscritos, tanto que ter uma identidade nova com a escola, au-
go do ano mostram hoje um diferencial gicos e alfabetização. “É necessário ver que tivemos que cortar. Se eles vem por que toestima melhorou. Viram que são capa-
da instituição que passou a ser escola de o foco também está em tirar o aluno da querem, é porque o trabalho que está sen- zes como qualquer ou-
tempo integral. O motivo que acabou ma- rua. Se ele não estiver na escola, estará em do feito é diferenciado. É um resgate. O te- tro aluno da escola.
terializando a ideia é casa. Porém a maioria das mães trabalham atro pode parecer uma oficina sem muitos E nós sentimos o
a situação socioeco- fora e não tem tempo para os filhos. valores, mas o que o professor traba- acolhimento das
nômica dos estu- São mamães que fazem biscates, lha lá, irá refletir na sala de aula em famílias que estão
dantes. “Eles preci- são papeleiras. Então para nós concentração e comportamento. mais próximas”,
savam sair das ruas é importante que as crianças Um exemplo são os alunos com enfatiza Sandra.
e frequentar o estejam aqui. O nosso problemas de disciplina, “Não impor-
colégio no trabalho visa real- temos observado ta de onde o
turno inverso mente mudar alguma as mudanças e o aluno vem. Es-
ao da aula. coisa e que a respaldo apa- tamos dando
Ou seja, no rece na para ele a chan-
contra tur- sala ce de um novo
no. Retor- olhar, de ver
nariam para que ele tem
participar de condições”, fi-
trabalhos naliza Elisane.
de qualida- Sabe a escoli-
de. Esse foi nha do 15, do
o grande lado da lom-
desafio, bada? Escoli-
propor- nha?
cionar
ações
que os
auxi-
Teatro

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13
ESCOLA VIVA

Mãos que falam


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Estudantes surdos da Soares de Barros mantém elo de ligação com o mundo através da Libras
Silêncio. Imagine viver num mundo sentimos a necessidade do suporte. mas com a faixa etária dos estudantes,
totalmente silencioso, sem barulho de Assim o tempo foi passando e a escola isso ocorre devido a demora na matrícu-
carro ou de pássaros. Sem os gritos de buscou as adequações, melhorando o la, já que a capacidade de aprender não
raiva e sem o som das palavras de amor. sistema, alterando a proposta. Os profes- é problema. “Não adianta gritar para eles
Mas, no meio do mais profundo silêncio, sores assumiram esse compromisso, se aprenderem ou entenderem. É preciso
existem olhares. E o que os olhos enxer- aperfeiçoaram, estudaram Libras e estão respeitar a velocidade de cada um. Aqui
gam podem ser reproduzidos em pa- aqui realizando um trabalho incrível”, fala na escola temos esse cuidado. O profes-
lavras “faladas” pelas mãos. Trata-se da a diretora da Escola Soares de Barros, Gla- sor explica o conteúdo, as intérpretes tra-
Língua Brasileira de Sinais (Libra), que em ci Krause. duzem. Às vezes precisamos de algum re-
Ijuí vem sendo companhia para muitos Hoje a instituição inclui os estudan- forço, pois na velocidade que as pessoas
estudantes surdos da Escola Municipal tes surdos na chamada Classe Especial. falam o surdo não consegue captar tudo.
Fundamental Soares de Barros. Essa é a “São crianças que após comprovada a Mas isso não quer dizer que ele precise
realidade para a pequena Elisângela da deficiência passam a integrar a Educação de mais tempo, o segredo está na trans-
Silva Gabriel, de 9 anos. Infantil (entre 4 e 5 anos). É uma forma de crição da Língua Portuguesa para a Lín-
Ela integra o Ciclo 1 de Alfabetização, socializá-los. Geralmente essas crianças gua de Sinais, o entendimento é normal,
destinado a estudantes surdos da esco- nunca foram para escola e aqui acabam natural”, salienta a professora e intérprete
la. As aulas estão oportunizando um elo tendo coleguinhas ouvintes. Após isso, Sandra Maira Amaral Zaltron.
com o mundo pra além do silêncio. “Gos- o aluno começa a frequentar o Ciclo de Todo o processo de aprendizagem
to de estudar e faço isso todos os dias. Formação – compreende o 1º, 2º e 3º Ano é longo e necessário e vai refletir num
Aqui na escola adoro as aulas de infor- do Ensino Fundamental – lá eles serão amadurecimento tanto dos estudantes
mática e brinco muito com a Helena, mi- atendidos por professores intérpretes, to- ouvintes quanto dos alunos com surdez.
nha colega”, diz ela, usando Libras, sob os dos com curso de formação em Libras. O Hoje em algumas turmas do Ensino Fun-
olhos atentos da professora e intérprete atendimento nesse caso é feito em sepa- damental é possível encontrar alunos
Deise Mirela Bronzatto. Era mais uma ma- rado dos alunos ouvintes. É o momento surdos que iniciaram lá no Ciclo 1 de
nhã de aula, um dia normal para o grupo em que serão alfabetizados na Língua de Alfabetização e que passaram por todos
de estudantes que não mais se isola dos Sinais. Depois eles frequentam o Ciclo 2, os estágios. “Temos cerca de três alunos
colegas que podem falar e ouvir natu- que é o de pós-alfabetização e compre- nessas turmas, cada uma delas com um
ralmente. Esse resultado compõem os ende o 4º e 5º Ano do Ensino Fundamen- professor intérprete direto em sala de
avanços que a instituição teve a partir de tal. Ao concluírem esse processo então in- aula. Cinco alunos já conseguimos for-
2000 quando foi necessário descobrir um gressam novamente para as turmas, mas mar até a 8ª Série. Agora estamos prepa-
caminho que levasse a alfabetização dos na 5ª Série, junto dos alunos ouvintes”, rando os ouvintes, eles também necessi-
estudantes surdos. Tudo começou numa detalha a vice-diretora dos Anos Iniciais tam aprender a Língua de Sinais. Mas não
sala que era para atender apenas um gru- e Educação Infantil da Escola Soares de quer dizer que são obrigados a serem Deise Mirela Bronzatto, professora
po de estudos. “Mas eles foram chegando Barros, Cláudia de Oliveira. No meio des- amigos dos estudantes surdos, é apenas da Escola Soares de Barros.
e fomos ma- se caminho também há uma forma de respeitar. E isso está refle-
triculan- proble- tindo na rotina de sala de aula, andam
do. Até juntos e fazem trabalhos em grupo”, fala “Eu gosto muito de trabalhar com
q u e Cláudia. A escola é um diferencial em eles. É uma experiência bem signifi-
Ijuí em termos de atendimentos para cativa na vida da gente. E, no dia a
alunos especiais. Além dos estudan- dia, nós acabamos aprendendo com
tes surdos recebem atendimento
diário na instituição cerca de eles. Eu fiz o curso de Libras, mas a
30 alunos com problemas gente esquece se não tem a prática.
variados que vão da Pa- Por isso, é bom esse contato diário
ralisia Cerebral, Síndrome também. Como pessoa, aprendi a va-
do X Frágil, lentidão, hi-
peratividade, déficit de lorizar mais essa questão das crianças
atenção, entre outros. especiais. A escola os ajuda a viverem
Tudo é coordenado e melhor na sociedade. É um papel
controlado por 13 importante que temos, pois acredita-
professores espe-
cializados. mos que eles podem”,

Um coral que ecoa


Historicamente o trabalho desenvolvido no Coral Emoções
marca as festas de fim de ano da instituição, momento
bastante aguardado por familiares e estudantes do colé-
gio. “Nós escolhemos as músicas e trabalhamos palavra
por palavra com estudantes surdos. É necessário pra eles
entenderem o que estão falando durante a apresentação.
Enquanto a música é cantada, é feita a tradução em si-
nais”, explica a coordenadora e intérprete do coral Sandra
Maira Amaral Zaltron.

14 APMI/SINDICATO • Ijuí, 21 de dezembro de 2009


ESCOLA VIVA

Mãos que leem


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Santa Rosa, 20 de Setembro de 2009 Ano 1 • Edição Zero

Como um facho de luz , sala de recursos do Imeab reflete a vida em relevo para alunos cegos
Uma sala, feito luz no fim do túnel. Assim pode ser de- dores com programas próprios para deficientes visuais. tudantes atividades especiais envolvendo visitas, via-
finida a Sala de Recursos para Deficientes Visuais do Ins- Além de impressora jato de tinta, scanner, lupa eletrônica gens de estudo, intercâmbios com outras associações,
tituto Municipal de Ensino Assis Brasil (Imeab). É lá que com televisão, gravadores de bolso com fone de ouvido, atividades culturais e recreativas, estudo e pesquisa em
24 alunos com variados tipos de cegueira “enxergam” o máquinas Perkins (para escrita Braille), além de uma im- parceria com a Unijuí, além de notebook – enviados pelo
mundo. Leem com o tato, usam as mãos como guia mes- pressora braile, entre outros. “O mesmo conteúdo de sala MEC - para uso em sala de aula (alunos do Ensino Médio)
tre do relevo em papel aos cantos iluminados da litera- de aula é fornecido em braile para os estudantes cegos. e transporte escolar disponibilizado pela Secretaria Mu-
tura e do planeta. A sala concretiza a vontade de famílias Os professores ocupam a estrutura para disponibilizar nicipal de Educação.
que procuravam escola para os filhos, mas colecionavam para eles um ensino de igualdade. Isso mostra que as Para ampliar ainda mais o processo de ensino-apren-
portas fechadas. A resposta era a sempre a mesma: não portas aqui se abriram para a inclusão. Tanto que muitas dizagem dos estudantes, a Apadevi dispõe de literatura
havia estrutura para recebê-los. Essa realidade que faz instituições encaminham para o Imeab seus alunos que para seus associados, com uma biblioteca de livros em
parte da vida daqueles que foram acometidos em graus apresentam esse tipo de deficiência”, lembra a professora braille e uma kassetoteca com livros gravados em fitas
profundos de cegueira serve também para questionar os e psicopedagoga Liliane Feistel. k7 e em CD, tudo resultado de doações que a Fundação
valores da sociedade, que geralmente não se coloca na Dorina Nowill, de São Paulo, tem feito continuamente à
mesma situação. Como seria viver no escuro? Dentro da sala >> São diversos os benefícios associação desde 1996.
E foi buscando soluções para problemas iguais a esse para os atendidos na Sala de Recursos. A começar pela
que em 1996 algumas famílias de crianças com deficiên- alfabetização em braile, que se estende também para O espaço multifuncional >> Multifuncional
cia visual decidiram mobilizar-se e fundaram em outubro aprendizagem do sistema para quem já foi alfabetizado porque abrange várias deficiências. “Aqui predomina a
do mesmo ano, juntamente com médicos, assistentes em tinta e por algum motivo perdeu a visão. Na sala, os Síndrome de Down, mas temos também atendidos com
sociais, profissionais da educação e comunidade em ge- estudantes aprendem a usar o sorobã (um aparelho de traços de autismo e deficiências mentais leves. Trabalha-
ral a Associação de Pais, Amigos e Deficientes Visuais de contar e calcular adaptado) e que possibilita diversas mos também com a adaptação de material, tudo é feito
Ijuí (Apadevi). No ano seguinte dois alunos começaram – operações matemáticas. Há ainda orientação e mobili- de acordo com os níveis e pontencialidades de cada um.
como desafio ao Imeab – a frequentar a pré-escola, com dade, com técnicas de locomoção dependentes e inde- Por exemplo, na sala de aula normal haverá uma assisten-
atendimento em turno inverso ao da aula. pendentes, como é o caso de uso da bengala e auxílio de te da professora que vai dar apoio durante as aulas, pois
Em 1998, a direção do Imeab abraçou a causa e abriu guia-vidente, ou seja, localização espacial e orientação. não se pode esquecer da realidade e condições individu-
de vez as portas para alunos com deficiência visual. Com Um detalhe elementar e muito interessante são as ati- ais desses estudantes. Notamos que as crianças gostam
isso, o espaço físico apertadinho da Sala de Recursos vidades feitas com base na vida diária, desde pequenos de estudar aqui na sala. Quando eles descem do trans-
cresceu, prolongou-se e começaram a ser quebradas movimentos que podem fazer muita diferença dentro porte escolar correm pra cá e isso não era assim. Mas foi
as escuras barreiras do preconceito. E a sala ganhou re- de casa. Aulas de xadrez, arte e Educação Física também tudo sendo feito de forma gradativa, foi um salto muito
gletes, punções, bengalas, sorobãs, guias de assinatu- integram as atividades. Também incluso nas atividades grande na sociabilidade deles. É gratificante ouvirmos
ra, papel 40, entre outros materiais indispensáveis para está a alfabetização em letra ampliada (baixa visão) e uso depoimentos dos próprios pais dos alunos, afirmando
processo de ensino-aprendizagem dos alunos. Lá todos dos equipamentos e recursos disponíveis, como: lupa que pela primeira vez os filhos estão recebendo um olhar
estavam juntos, crianças nas salas regulares da escola e eletrônica, máquina Perkins, com- diferente e nós percebemos isso”,
adultos que não tiveram oportunidade de freqüentar o putador com programas es- falam as professoras Manuela Zas-
colégio na idade considerada ideal ou que precisaram pecíficos e uma série de so Spencer e Liliane Feistel.
abandonar os estudos por causa dos problemas de visão outros trabalhos.
foram integrados. “Hoje temos grupos de alunos que Fora da sala,
entraram aqui quando tinham 4 ou 5 anos e que também são ofe-
já saíram formados no Ensino Médio, um deles, recidos aos es-
está cursando Jornalismo na Unijuí. A profes-
sora Camila é um grande exemplo dessa su-
peração. Ela foi nossa aluna e trabalha como
professora aqui no Imeab, além de fazer
faculdade de Pedagogia”, destaca a coor-
denadora pedagógica infantil e Anos
Iniciais da Sala Multi-Funcional, Nádia
Helena Trindade da Costa.
Desde 2001, a Sala de Recursos,
entrou na fase da informática.
Recebeu do Rotary Internacio-
nal – da Índia – uma doação
em dinheiro, que foi investido
na compra de dois computa-

APMI/SINDICATO • Ijuí, 21 de dezembro de 2009


15
O diretor pelo voto
APMI/SINDICATO
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Santa Rosa, 20 de Setembro de 2009 Ano 1 • Edição Zero

Dezembro também foi o mês das escolas municipais escolherem seus diretores
Foram eleitos os seguintes diretores:
Se o País vive a democracia, se Assis Brasil (Imeab) ingressaram feito.
escolhemos o prefeito, os verea- no sistema de voto direto. Em en- Das 24 unidades que inte- EMF Anita Garibaldi Flavio Ademar Zeni
dores, o presidente da república trevista, o próprio prefeito de Ijuí, gram a rede municipal, 20 delas,
pelo voto, porque a escola deveria Fioravante Batista Ballin, falou so- definiram no dia 8, os seus direto- EMF Davi Canabarro Erica Hunhoff
ser diferente? No dia 8 de dezem- bre a importância de escolha dos res. Porém houve exceções, foi o EMF Deolinda Barufaldi Gladis Marize Berno
bro deste ano foi um dia especial diretores através desse sistema. caso de quatro escolas: a Joaquim EMF Dona Leopoldina Zilfa Maros
para o ensino municipal de Ijuí, “É uma forma de ampliarmos a Porto Villanova – que não tinha
quando toda a comunidade es- democratização das escolas e de candidato ao cargo de diretor ins- EMF Doutor Ruy Ramos Helena M. Boniatti
colar foi às urnas para escolher trazer a comunidade para dentro crito – Escola de Educação Infantil EMF E. do Amazonas Beatriz K. Sandri
aqueles que ficariam à frente das das instituições”, explicou o pre- Maria Barriquello e Meu Pequeno EMF Eugenio E. Storch Jaqueline Krüger
instituições por um perí- Mundo, que esta-
odo de dois anos. vam em reforma IMEAB Simone B. Friederichs
A idéia de uma escola devido aos estra- EMF JOAO GOULART Márcia R. Ceretta Flores
cada vez mais democrá- gos causados por EMF Joaquim Nabuco Loreni Kittlaus
tica também vem sendo um temporal e a
defendida pelo atual go- Escola Municipal EMF 15 de Novembro Elisane Kunzler RiethmUller
verno municipal. Tanto Infantil Alvorada. EMF Soares de Barros Cláudia F. de Oliveira
que o Executivo criou a Essas instituições EMF ToME de Souza Carmem M. de Martini Weiller
Lei 5.109, de 23 de outu- tiveram as datas
bro de 2009, que passou alteradas para o EMF Branca de Neve Jane L. da Silva Menegon
a incluir a duas únicas processo de es- EMF Casa da CRIANCA Monique Callai Kaufmann
instituições de ensino colha. EMF Dalva A. Weinmann Grasiela Carvalho
que a escolha dos dire- Votaram alu-
tores ainda era feita pelo nos (4ª Série ou EMF Independência Daiane T. Gonzaga Bohrer
Executivo, agora então 5º Ano do Ensino EMF Maria Bariquello Silvana M. Severo
pelo sistema de voto. Fu n d a m e n t a l ) EMF Meu Pequeno Mundo Sandra G. P. Roncata
A partir da lei, as es- pais, professores e
colas Deolinda Barufal- servidores de to- EMF Professora Cândida I. Turra Dilene Rigodanzo Brandli
di (Cemei) e o Instituto das as escolas da EMF Solange Ana Copetti Rosalina Elizete Pires Goi
Municipal de Educação rede municipal. EMF Trilha do Saber Ana Claudia Ramos Santos