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1.

Papel do pai é fundamental para desenvolvimento sócio-emocional da criança


Estudos recentes, feitos por investigadores do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), concluem
que "a presença do pai na vida da criança tem um papel fundamental para o seu desenvolvimento
sócio-emocional a vários níveis".
Na sua tese de mestrado intitulada "Pai, conta-me uma história - A importância do Pai no Desenvolvimento
da Auto-estima na Criança", apresentada em Março, a psicóloga Inês Rito concluiu que "as crianças que
têm um pai presente, com o qual coabitam na mesma casa, têm um nível de auto-estima superior
àquelas que têm um pai ausente, com o qual não vivem".
A psicóloga defende que "o pai é um pilar muito importante no desenvolvimento de qualquer criança",
mas assume que "nem sempre os pais presentes são uma mais-valia", referindo-se àqueles que,
embora presentes, não convivem directamente com os filhos.
Um outro estudo feito na Unidade de Psicologia Cognitiva do Desenvolvimento e da Educação do ISPA
concluiu, de forma semelhante, que "quanto maior é a participação e o envolvimento do pai no
crescimento e educação da criança, melhor é a qualidade da relação que se estabelece entre
ambos".
Segundo a psicóloga Manuela Veríssimo, uma das responsáveis pela investigação e docente do ISPA, "a
figura do pai tem uma grande importância na vinculação com o progenitor e a sua imagem na
família, enquanto um ser um pouco esquecido, começa a ser encarada de outra forma".
"Apesar de, hoje em dia, ser quase sempre a mãe a realizar as tarefas domésticas, a ir às reuniões
da escola ou a ficar em casa quando os filhos estão doentes, o pai participa de forma igualitária nas
actividades lúdicas da criança", pode ler-se nas conclusões da investigação.
Ainda na área das actividades lúdicas, estes investigadores concluíram que "quanto mais elevadas as
habilitações literárias do pai, maior a sua participação nas actividades de brincadeira/lazer".
2. Ausência paterna e a Aprendizagem do filho: uma análise psicológica
Um Desenho da Família indica comprometimento em termos de criatividade e sentimentos de felicidade em
relação à família na representação mental. Tais resultados parecem confirmar que a ausência paterna pode
afectar a percepção que os filhos têm da família.
Um Desenho do Par Educativo mostra comprometimento na relação entre quem ensina e quem aprende
sugerindo sentimentos de abandono, solidão e insegurança.
Pode-se concluir afirmando que a ausência paterna interfere na representação mental da aprendizagem
podendo contribuir para o abaixamento do desempenho escolar nos adolescentes.
3. A figura do Pai e a sua relação com a emergência/resolução dos problemas sociais
Cada ser humano é o resultado da relação entre a figura materna e a paterna e esta relação perdura
durante toda a vida. Se o relacionamento familiar for saudável teremos um jovem autónomo, seguro, capaz
de tomar iniciativas, participante ao nível da cidadania. Pelo contrário, se o ambiente familiar for conflituoso,
sem harmonia, repleto de ânsias e inseguranças o futuro dessa criança será o reflexo disso. Teremos um
jovem inseguro, ansioso, incapaz de tomar iniciativas com propensão para comportamentos desviantes.
O mau ambiente familiar e a ausência da figura paterna associam-se a fenómenos de toxicodependência,
criminalidade, violência entre outros problemas sociais. A presença do pai no lar (pai/marido) é fundamental
para o futuro dos filhos: fomenta a confiança e a auto-estima, torna mais eficaz a educação e promove o
controlo dos excessos dos jovens, contribui para uma boa socialização e portanto, para um bom
desenvolvimento psicossocial dos filhos. O pai é o mediador entre o filho e a realidade exterior ao espaço
familiar. Está provado que uma boa parte da emergência dos problemas sociais poderia ser prevenida ou
resolvida se fosse recuperada e estimulada a presença da figura paterna no lar, tendo em conta que o
desempenho dos papéis que lhe estão associados deve ser concretizado com qualidade.
Na nossa sociedade, fruto de contingências várias de carácter estrutural, algumas delas alheias à vontade
dos elementos que compõem o agregado familiar, a figura paterna é muitas vezes eclipsada e emerge o
novo matriarcado. Fruto do aumento das separações, dos divórcios e até de imperativos externos à família,
a mãe tem tendência a centralizar em si a figura dos papéis maternos e paternos, procurando ser um
progenitor completo. De facto, este fenómeno repercute-se negativamente na educação da criança na
medida em que a estabilidade e segurança de que necessita desaparece. É importante termos presente que
o que está em causa não é qual dos papéis será mais importante, mas antes clarificar que ambos são
imprescindíveis para o bom desenvolvimento psicossocial da personalidade da criança.
4. A Delinquência Juvenil e as suas Relações com a Função Paterna
Entendem-se que a delinquência está relacionada com a estrutura familiar, não sendo apenas fruto das
circunstâncias que a vida impõe aos adolescentes, mas é importante também compreendê-la no contexto
objectivo em que se desenvolvem as suas acções.
Quando faltam as referências/soluções familiares, os jovens precisam de uma lei, um julgamento, uma
sanção, que lhes aplique o preço a ser pago pelo acto delinquente. Nessa perspectiva, a lei jurídica vem
suprir a lei do pai. A justiça, portanto, deve escutar a infracção como um pedido de socorro, uma
“solicitação” diante dos conflitos pessoais e intersubjectivos da família e da sociedade como um todo.
5. Amor paterno é importante para o desenvolvimento infantil
O amor paterno - ou a falta dele - contribui tanto quanto o materno para o desenvolvimento da
personalidade e do comportamento da criança, informaram pesquisadores. Em alguns aspectos, afirmam os
especialistas, o amor do pai é até mais influente.
Rohner e Robert A. Veneziano revisaram cerca de 100 estudos norte-americanos e europeus sobre a
influência dos pais na psicologia e no comportamento das crianças à medida que elas crescem. O primeiro
trabalho data de 1949, e o mais recente foi concluído em 2001.
Na edição actual do Review of General Psychology, os cientistas informaram que o grau de aceitação ou
rejeição que uma criança recebe -- e percebe -- do pai, parece afectar o seu desenvolvimento de forma tão
profunda quanto a presença ou a ausência do amor materno.
Rohner e Veneziano observaram que a ausência do amor materno e a do amor paterno estão associadas
de modo semelhante à falta de auto-estima, à instabilidade emocional, à introspecção, à depressão e à
ansiedade da criança. O risco de surgirem problemas de agressividade, dependência de drogas e álcool, e
delinquência esteve igualmente relacionado com a rejeição ou a aceitação da criança por cada um dos pais.
Os especialistas também descobriram que receber amor e carinho do pai ou da mãe teve para a criança um
efeito positivo igual sobre a felicidade, o bem-estar, e o sucesso social e o académico, desde o início da
infância até à fase de adulto jovem.
A equipa também verificou que, em certas circunstâncias, o amor paterno tem um papel ainda mais
importante que o materno. Muitos estudos descobriram que o amor do pai é um factor isolado determinante,
quando se trata de crianças com problemas de personalidade, conduta, delinquência ou dependência
química. No entanto, mais pesquisas são necessárias para explicar essa observação, afirmam os cientistas.
Rohner disse à Reuters Health que não pretende sugerir que o amor da mãe é menos importante que o do
pai. Para ele, o trabalho revelou uma tendência cultural norte-americana de reforçar o papel da mãe na
criação dos filhos e de deixar de entender e avaliar o papel igualmente fundamental do pai.
"Em certos aspectos, o amor paterno parece ter uma influência particularmente forte", afirmou o
pesquisador. "Parece claro que temos que nos afastar da acusação materna, que presume ser a mãe, de
alguma forma, completamente responsável por todos os problemas das crianças. Esperamos que essa
informação estimule os pais de todo o país a envolverem-se mais com os filhos".
1. http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=30258&op=all
2. http://newpsi.bvs-psi.org.br/eventos/ix_conpe/17.pdf
3. http://bemcomum.wordpress.com/2008/01/02/sociedade-civil-–-a-figura-do-pai-e-a-sua-relacao-com-a-
emergenciaresolucao-dos-problemas-sociais/
4. http://revistas.unifacs.br/index.php/sepa/article/viewFile/48/42
5. http://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=121