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I

Tílulo original:
Aristotelc Metafísica - Saggio i n t r o d u t t i v o , testo greco con traduziorie a

fronte e c o m m c n t a r i o a cura di G i o v a n n i Rcalc (cdizione maggiorc

rinnovata}

© Traduzione, proprietci Rusconi Libri


© Saggio introduttivo e commcntario, Giovanni Reale
0 da presente edição, Vita e Pensiero, Milam
ISBN da obra: S S - 3 4 3 - 0 5 4 J - S

Edição Brasileira

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Fidel Garcia Rodriguez

Edição de texto
jV.orcos Marcionilc

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I S B N : 85-15-02427-6

© E D I Ç Õ E S L O Y O L A , S ã o Paulo, Brasil, 2 0 0 2
Po; ch'innalzai un poco più le ciglia,
Vidi '/ maestro di color che sanno
Seder fra filosofica [amig!ia.
iutli lo miran, tutti onor Ii fanrto (...).
Dante, Inferno, IV 1 3 0 1 3 3 .

(...) er I Aristóteles] ist eins der reichsten


und umfassendsten (tiefsten) wissenschaftli-
chen G e n i e ' s gewesen, die je erschienen sind,
e i n M a n n , d e m k e i n e Z e i t e i n g l e i c h e s an
die Seite /.u stellen hat.

(...) ele [Aristóteles] é u m dos mais ri-


cos c universais (profundos) gênios científi-
cos cjue jamais existiram, u m h o m e m ao qual
n e n h u m a época pode pôr ao lado u m igual.
G. W K Flegel,

Vorlesungen über die Geschichte der


Philosophie, in Sämtliche Werke,
Bd. IS. F.d. G l o c k n e r , p. 298.
Sumário

Advertência IX

Livro A (primeiro)

Livro a Ë X a T T o v (segundo) ^

Livro B (terceiro) 8 3

129
livro r (quarto)

livro A (quinto) 1 8 7

livro E (sexto) 2 6 7

livro Z (sétimo) 2 8 5

livro H (oitavo) 3 6 7

livro © ( n o n o ) 3 9 3

livro I (décimo) 4 3 3

livro K (décimo primeiro) 4 7 9

livro A (décimo-segundo) ^

livro M (décimo-terceiro)

livro N (décimo-quarto)
Advertência

Ao iniciar a leitura deste volume, que contém o texto grego e a tradução


da Metafísica de Aristóteles, o leitor deverá ter presentes as explicações do
Prefácio geral, contido no primeiro volume, e de modo particular as observações
relativas aos critérios seguidos na tradução e no enfoque específico deste segun-
do volume (cf. pp. 13-17).
Considero, em todo caso, muito oportuno evocar aqui alguns pontos e
acrescentar algumas explicações ulteriores.
O texto grego de base que segui é sobretudo o que foi estabelecido por
Ross, embora tenha tido sempre presente também o de jaeger. Entretanto,
introduzo no texto de Ross algumas variantes, e não só as que foram extraí-
das da edição de jaeger, oferecendo nas notas, na maioria dos casos, a relativa
justificação.
Para tornar bem inteligível o texto grego, Ross introduz numerosos parên-
teses. Eu reproduzo esses parênteses no texto grego, mas em grande medida os
elimino na tradução. De fato, na tradução mudo radicalmente o enfoque lin-
güístico, valendo-me do complexo jogo de pontuação e de cadenciamento dos
períodos, de modo a alcançar clareza que, mantendo aqueles parênteses (estrita-
mente ligados ao texto grego), não se poderia alcançar.
Uso os parênteses quando ajudam o leitor a bem seguir o raciocínio de
Aristóteles, com base no tipo de tradução que faço, e com base na interpretação
que ofereço. Uso, depois, colchetes só para evidenciar eventuais acréscimos, e
não, em geral, todas as explicitações do texto grego que apresento, porque tais
parênteses perturbam bastante o leitor e não servem ã compreensão do texto.
Ao contrário, uso parênteses normais para apresentar todos os expedientes
que utilizei para evidenciar a articulação e o cadenciamento dos raciocínios, que,
em muitos livros, são verdadeiramente úteis e até mesmo necessários. O texto
de Aristóteles extremamente denso, que, como já disse e como em seguida
voltaremos a afirmar, na medida em que é um material de escola, às vezes até
ADVERTÊNCIA

mesmo uma verdadeira seqüência de apontamentos, necessita de uma série


de explicações para ser usado e bem recebido (enquanto carece dos suportes
sistemáticos oferecidos pelas lições dentro do Perípato). Às rezes indico com
números romanos os cadenciamentos, às vezes com números arábicos, de acordo
com os blocos de argumentos, e os subdivido depois com letras, ora maiúscu-
las, ora minúsculas, e até mesmo (quando necessário) com ulteriores divisões
feitas com letras gregas, para indicar as articulações posteriores.
O leitor tenha presente qve toda essa trama de relações e cadencia meu tos
dos raciocínios ci'idenciada mediante números e letras é retomada ou comple-
tada nos sumários e nas notas de comentário, com todas as explicações do
caso. Mas o leitor, caso inicie a leitura do texto com outro interesse e outra
ótica, pode também não levar em conta essa complexa divisão e deixá-la,
justamente, entre parênteses.
O leitor notará, particularmente, uma nítida diferença entre a extensão
do texto grego e a tradução. Isto se explica, não só pelo fato de a língua grega
ser muito mais sintética do que as línguas modernas (como expliquei no Prefa-
cio, pp. ] 3-17), mas também pela titulação dos parágrafos (que visa dar ao
leitor o núcleo da problemática nele tratada, e que eu mesmo preparei, como,
de resto, já outros estudiosos julgaram oportuno fazer), por toda uma série de
caput adequadamente pensada, por um cadenciamento dos períodos que busca
evidenciar do melhor modo a articulação dos raciocínios (seguindo, obviamente,
a lógica da língua), pela explicitação dos sujeitos e dos objetos amiúde implíci-
tos no texto grego, pelo desenvolvimento que os neutros implicam para se
tornarem compreensíveis, e, enfim, pelo adequado esclarecimento e interpreta-
ção das braquilogias.
Recordo que minha tradução está bem longe de ser um simples decal-
que do texto grego, mas pretende ser uma traclução-interpretação e, particu-
larmente, uma nova proposição das mensagens conceituais comunicadas
por Aristóteles em língua grega, muito amiúde técnica e esotérica.
Portanto, como já disse no Prefácio, os controles e confrontos com o texto
originário apresentado (nas páginas pares) ao lado da tradução (nas páginas
ímpares) devem sempre ser feitos levando em conta o comentário e apoiando-
se na lógica do pensamento filosófico de Aristóteles, enão só na lógica da gra-
mática e da sintaxe grega.
Uma tradução literal de Aristóteles não xervirid a ninguém. E, com efeito,
os filólogos puros, em todas as línguas modernas, rido foram capazes de tradu-
zir a Metafísica, justamente porque só o conhecimento da língua (do léxico, da
gramática e da sintaxe do grego) está longe de ser suficiente para poder com-
ADVERTÊNCIA

preender e, portanto, fazer compreender um dos maiores e mais difíceis textos


especulativos ate hoje escritos. (Dc resto, nas modernas teorias relativas às
técnicas de tradução, mesmo de línguas modernas para línguas modernas, está
bastante estabelecida a idéia de que o tradutor não é nunca verdadeiramente
confiável, por elevado que seja seu conhecimento da língua em questão, quando
não conheça em justa proporção o objeto de que trata o livro a ser traduzido).
Como se verifica isso, c justamente no mais alto grau. no caso da Me-
tafísica?
A meu ver. isso se verifica pelo fato de a Metafísica tratar de um tipo
de problemática totalmente particular, cuja penetração exige uma espécie
de "iniciação", para usar uma metáfora clássica.
Só uma adesão simpatética à problemática tratada, uma notável familia-
ridade com ela, ou, para dizer com uma imagem particularmente significativa,
uma espécie de ''simbiose" com esse tipo de investigação, permitem compreen-
der adequadamente, numa língua tão diferente da originária (com estruturas
gramaticais e sintáticas dificilmente passíveis de superposição), uma obra
desse calibre.
Naturalmente, considero que esse critério seja insubstituível, malgrado
todos os inconvenientes estruturalmente implícitos.
I lá algum tempo eu teria resistido a apresentar diante de um texto originá-
rio urna tradução autónoma e não linguisticamente literal. I laje, ao contrário,
sou muito favorável a esse tipo de operação, na medida em que considero po-
der apresentar as duas faces cla coisa na justa medida.
No passado, os editores de textos gregos julgavam que não era tarefa sua
traduzir os textos que publicavam. Certos tradutores por sua vez, julgavam não
ser tarefa sua interpretar o texto que apresentavam, raciocinando aproximada-
mente do seguinte modo: a tradução que se extrai do texto é essa; não é minha
tarefa, mas do intérprete, entender a tradução em seus conteúdos e explicá-la.
Hoje, ao invés, felizmente as tendências se inverteram: muitas vezes os editores
dos textos gregos enfrentam também a tarefa de traduzi-los e de comentá-los
adequadamente. De resto, justamente isso começaram a fazer, já no passado,
afguns autores que se ocuparam da Metafísica de Aristóteles: basta pensar em
estudiosos do calibre de Schwegler, de Bonitz e de Ross, que foram seja editores,
seja tradutores, seja intérpretes e comentadores, com precisas competências
inclusive doutrinais. E começou-se a fazer isso justamente com Metafísica,
porque é o próprio texto que impõe essa regra de maneira irreversível.
Enfim, o leitor tenha presente um fato que emergiu claramente no sécu-
lo XX, mas que muitos continuam a esquecer ou a excluir. A Metafísica não
ADVERTÊNCIA

é um livro, mas uma coletânea de vários escritos no âmbito de uma mesma


temática. Conseqüentemente, não tem absolutamente as características que
se espera de um livro; antes, tem até mesmo muitas características opostas,
como explico no Prefácio.
Recorde-se que Aristóteles era um grande escritor. Seus livros publica-
dos, como nos refere Cícero, eram uni verdadeiro rio de eloqüência; ao contrá-
rio, s eus escritos de escola são rios de conceitos, mas não de eloqüência. Quase
não existem na Metafísica páginas marcantes do ponto de vista estilístico e
formal: constitui uma exceção, verdadeiramente extraordinária, só o capítulo
sétimo do livro doze, ou seja, a página na qual Aristóteles descreve Deus e sua
natureza: uma página na qual o próprio Dante se apoiou nalgumas passa-
gem, traduzindo em versos as palavras do Estagirita (cf. vol. J/J, p. 571). De
modo muito notável, os escritos de escola de Aristóteles pressupõem o sistemá-
tico contraponto das lições no Perípato, além de algumas referências também
às obras publicadas.
infelizmente, nenhuma das obras publicadas de Aristóteles nos chegou
(exceto o De mundo, se o aceitamos como autêntico, o que está longe de ser
admitido por todos). Delas conhecemos apenas alguns fragmentos.
Com Aristóteles ocorreu justamente o contrário do que ocorreu com
Platão. De falo, de Platão nos chegaram todas as obras publicadas e só escas-
sas relações dos discípulos sobre as doutrinas não-escritas, desenvolvidas por
ele nas suas lições dentro da Academia, e que continham as coisas que, para
ela, eram "de maior valor". De Aristóteles, ao contrário, chegaram-nos somente
as obras que continham as lições dadas por ele no interior do Perípato e, por-
tanto, justamente seus conceitos definitivos, e não as doutrinas por ele desti-
nadas ao um público mais amplo, além de seus alunos.
Os conteúdos das obras de Aristóteles correspondem em larga medida,
pelo menos do ponto de vista analógico e metodológico, aos que Platão con-
fiava unicamente ou prioritariamente à oralidade dialética e a seus cursos
e aulas, e que Aristóteles não confiou apenas à oralidade, porque, contra as
convicções do mestre, alinhou-se nitidamente em favor da nova cultura da
escrita e, portanto, escreveu todos os conteúdos das suas lições [e também
em síntese os das lições do mestre).
Certamente, se recuperássemos muito mais do que até agora se recuperou
das obras publicadas de Aristóteles, provavelmente ganharíamos muito tam-
bém na leitura da Metafísica. Seriam ganhos iguais e contrários, por assim
dizer, relativamente aos que se adquirem na releitura dos escritos platônicos
à luz de suas doutrinas não-escritas.
ADVERTÊNCIA

Todavia, o fato de que de Aristóteles nos tenham chegado só as obras de


escola é de grande vantagem, porque justamente a elas ele confiava seus con-
ceitos definitivos, que certamente não estavam em antítese com os conceitos
sustentados nas obras esotéricas, mas eram conceitos axiológicos complemen-
tares e conceitos teoréticos de aprofundamento (eram conceitos que, em lin-
guagem platônica, prestavam "definitivos socorros").
E a Metafísica contém justamente os supremos conceitos definitivos da
escola de Platão (e que só no âmbito dela teriam podido nascer) e depois desen-
volvidos no âmbito de sua própria escola, ou seja, os conceitos com cuja conquis-
ta se alcança o fim da viagem (para usar ainda a linguagem platônica).
A ilustração de Luca Della Robbia (que aparccc no frontispício de
cada volume desta Metafísica), apresenta justamente Aristóteles que discute
com Platão, e representa, com arte refinada e de modo verdadeiramente em-
blemático, o nexo estrutural que subsiste entre esses dois maiores pensadores
helénicos.
A Metafísica hoje deve ser relida justamente nessa ótica, que reconquista
inteiramente os nexos entre Platão e Aristóteles, se queremos entendê-la na
justa dimensão histórica e filosófica, como demonstrei no Ensaio introdutório,
e como poderei reafirmar também no Comentário, pelo menos por evocações.
API2TOTEAOY2
TA META TA O Y I I K A

ARISTÓTELES
METAFÍSICA

Texto grego com tradução ao lado

EI YE àíBiov NR|8SV ècrnv. OÚ5È YÉVECRIV Eivai


BUVCÍTÓV.
S c não existisse nada de eterno, t a m b é m não
p o d e r i a e x i s t i r o devir,
iVjetafísico, B 9 9 9 b 5-ó.

ei TÊ uri ÉaTai TTapà TÒ a i a ô q r à ãXXa,


OÙK Êcrrai äpxn Kai TáÇiç xa'I yévEcriç Ka\ TÒ
oúpávia. àXAcó ÙEÏ Tf]ç ápxfjç à p x ' i -
S c além das coisas sensíveis n ã o existisse nada,
n e m s e q u e r haveria u m princípio, n e m ordem, n e m
gCTação, n e m m o v i m e n t o s dos c é u s , m a s deveria
h a v e r u m princípio do princípio...
fiflètafisica, A 1 0 , 1 0 7 5 b 2.4-26.
LIVRO
A
(PFJMÉIK.O)
980* návceç fivÔpíoíioi TOÜ e£8£vai òpéyovxai <púaei. OT]|IELOV B'
T) x<õv aía6r|!TEíov àyá7UTiCTi;- xai yàp x^P^í XPe'aí
àyaiitõvxai Si' a ó x á ; , xai (láXiaxa xôiv fiXXíov if| Sià xtõv
6(JI|JLŒT(OV . où yàp (lóvov Iva Ttpáiríojxtv íXXà xai [XR]9ÈV
a yiéXXovxeç npázzeiv zò ópãv aípoO(J.e0a àvxi Ttávrtov ÍOÇ ebzéïv
Ttõv ãÀÀocv. aíxiov 8 ' Ötl [i-tiXiura Jioiei yvtiipíÇeiv t)|JLãç
afirri xãbv aíaBfiaetov xal n o W à ç SrjXoî õtaçopáç. çúcret
[iiv oiïv aLCT07]aiv e x 0 V T a yíyveiai xà Çtõa, èx Sè xaÚTT|ç
xotç (JL£V aikwv oòx èyyíyvexai |JLVTI[JLT), ZOTÇ S ' èyyiyvexai.
980b xal Sià T O Ö X O xaöxa çpovi(j.cí)xepa xai [i,aÔT)Tix6JXEpa zcLv
[rf) 8yva(J.év(ov (JLvrjjiovtúeiv ècrcí, <ppóvi(ia [iiv àveu TOÜ
[jiavÔávetv Sera (JLTJ ôúvaxai XÍÕV (JIÓÇÍOV àxoúeav (oíov fié-
Xixxa xStv ei xi xoioüxov fiXXo yévoç Çáxov E<TXI), (JiavÔávei
25 S' cícra icpòç xrj (J-^M-T) x o " xaúxrjv ex eL aïo0T|<jiv. xà
(ièv o5v ãXXa xalç çavxaaíaiç Çrj xaî xatç (iv^fiaiç, èji-
ireipíaç 8è |j.ex£x&i [iixpóv zò oi xc5v àvSpáwtíov yévoç xai
xÊxvn xai Àoy.qioïç. yíyvexai 8 ' íx xfjç [JLVT;|JLTIÇ Ê(jwretpia
xolç àvÔpcímoiç- aí yàp JioXXai [ivf](j.ai xoC aCxoC irpáyfia-
981" xoç (Jiiãç èpieipíaç 8t5va[j.iv ànoxeXoüaiv. xai SoxeT axeSòv
£TttCTTT]fjL7] xai x£xvT] 0(j.otov eivai xai £[iicetpta, dcnoßaivei S'
è7tioxT|(jiTi xai zíyyr\ 8ià xfjç ipreipíaç xoT; àvÔptÓJioi;- i?i
(JLÈV yàp i[nziipí<x zíyyrp èjioÍTpev, o>ç çtjctí IltõXoç, rj
s 8' àítetpía xúxTIV' yíyvexai 8è xéxvr) 3xav èx 7ÜOXXÚJV
xfjç è p i e ip£aç èwoT)[i.ái6JV (iía xaSóXou y£vr)xai nepl
xcjv ó[I.oí(ov XÒ (Jièv yàp Ê X E T V ÚTEÓXTJCJÍIV O T I
1. [A sapiência é conhecimento de causas]1

T o d o s os h o m e n s , por natureza,, t e n d e m ao s a b e r ' . Sinal disso 91Í()J

é o a m o r pelas s e n s a ç õ e s . D e fato, eles a m a m as s e n s a ç õ e s por si


m e s m a s , i n d e p e n d e n t e m e n t e da sua u t i l i d a d e e a m a m , a c i m a de
t o d a s , a s e n s a ç ã o da visão. C o m e f e i t o , n ã o só e m vista da a ç ã o ,
m a s m e s m o s e m ter n e n h u m a i n t e n ç ã o cie agir, n ó s p r e f e r i m o s o
ver, e m c e r t o s e n t i d o , a t o d a s as outras s e n s a ç õ e s ' . E o m o t i v o
e s t á n o f a t o cie q u e a visão n o s p r o p o r c i o n a m a i s c o n h e c i m e n t o s
d o q u e todas as outras s e n s a ç õ e s c n o s t o r n a m a n i f e s t a s n u m e r o - 25
sas d i f e r e n ç a s e n t r e as coisas' 4 .
O s a n i m a i s são n a t u r a l m e n t e d o t a d o s d e s e n s a ç ã o ; m a s e m
a l g u n s da s e n s a ç ã o n ã o n a s c e a m e m ó r i a , ao p a s s o q u e c m o u t r o s
n a s c e . For isso e s t e s ú l t i m o s são m a i s i n t e l i g e n t e s c m a i s a p t o s
a a p r e n d e r d o q u e os q u e n ã o t ê m c a p a c i d a d e de recordar. S ã o 9S01
i n t e l i g e n t e s , m a s i n c a p a z e s de aprender, t o d o s os a n i m a i s i n c a p a -
c i t a d o s d c ouvir os sons ( p o r e x e m p l o a a b e l h a c q u a l q u e r o u t r o
g ê n e r o de a n i m a i s d e s s e t i p o ) ; ao c o n t r á r i o , a p r e n d e m t o d o s os
q u e , a l é m da m e m ó r i a , p o s s u e m t a m b é m o s e n t i d o da a u d i ç ã o 5 . 25
O r a , e n q u a n t o os o u t r o s a n i m a i s vivem c o m i m a g e n s s e n s í -
veis c c o m r e c o r d a ç õ e s , e p o u c o p a r t i c i p a m da e x p e r i ê n c i a , o
g ê n e r o h u m a n o vive t a m b é m da a r t e e d c r a c i o c í n i o s . Nos h o -
m e n s , a e x p e r i ê n c i a deriva da m e m ó r i a . D e fato, m u i t a s r e c o r d a -
ções d o m e s m o o b j e t o c h e g a m a constituir u m a experiência úni-
ca. A experiência parece um p o u c o s e m e l h a n t e à ciência e ã arte. 9SP
C o m e f e i t o , os h o m e n s a d q u i r e m c i ê n c i a e arte por m e i o da e x p e -
r i ê n c i a . A e x p e r i ê n c i a , c o m o diz Polo, p r o d u z a a r t e , e n q u a n t o a
i n e x p e r i ê n c i a p r o d u z o p u r o a c a s o . A a r t e se p r o d u z q u a n d o , de s
m u i t a s o b s e r v a ç õ e s da e x p e r i ê n c i a , f o r m a - s e u m j u í z o geral c
ú n i c o passível d c ser r e f e r i d o a t o d o s os c a s o s s e m e l h a n t e s 1 ' .
TQN METATA®YIIKA A

KaXXta xá[ivovtt xr|v8t TÍJV vóaov xo8i AUVRJVEYXE xaí


Stoxpáxet xaí x a 8 ' exaaxov OUXCÙ ÏCOXXOÎÇ, I|ZJtetp£a<; êoxtv
10 xò 8 ' oxt Ttãai Toíç xotoíaSe x a x ' eí8oç îv àçopiafletai,
xáfivouaL xrjvSÍ xty vóaov, ouvf|veyxev, oíov T O Í Ç 9Xt*f|J.axcjù-
Seatv fj x°X<í»8eat [f|] Tnjpáxxouai xaúaco, téx^Ií- - t p ò ç |ièv
ouv xò Ttpáxxetv à|A7tetpía tlyyr\<; oòSèv Soxeí 8ia<pépeiv, àXXà
Xaí [lãXXoV iílLXUfxávOUCTlV OÍ £(JLTC£lpOl xcõv ãveo xffc l\L-
15 íieipíaç Xóyov á^óvicov (arnov 8' ötl [xèv èjiJtetpía i ü v
xaO' exaaxóv ÉOXI 8è iíyyr\ xaiv xaÔóXou, aí 8è
ÏCpáÇeiç xai aí fivéatu; nãaai rcepi xò xaÔ' exaaxóv eiaiv
où yàp àcvôpaiTTov úyiáÇei ó íaxpeúwv àXX' f) xaxà cnj(j.p£-
ßvpc0;, âXXà KaXXíav fj ScoxpáxTQv rj xcov âXXœv xivà
20 xtõv ouxco Xeyo[xáviov co au(iߣßr)xev ávdpúna) eivai' èàv
ouv ãveu xtjç i|«re.ipíaç cxtl TL? tòv Xóyov, xai xò xaÔóXou
(ièv YvatpíÇfl xò 8 ' èv xoúxw xaô' Sxaaxov àyvoíj, jtoXXá-
XIç Sia(Jiapxriaexai xfj<; OepaTreíaç* ÔepaTteuxòv yàp xò xaô'
Sxaaxov)- àXX' ôficjç xó y t eÍSévat xat xò ircateiv xf)
25 xáxvQ ""K têipíaç úicápxetv oíófieôa [lãXXov, xaí ao-
«ptoxépouç xoùç xexvíxaç xtõv £[Xïceipu>v újtoXafj$ávo(iev, ci»;
xaxà xò eESévai (iãXXov àxoXouÔoüaav xfy aotpíav ítãar
xoüxo 8 ' oxt oí (ièv tíjv aixíav taaatv oi 8 ' ou. oí [ièv yàp
êfiííeipoi xò (ièv waoi, Sióxt 8 ' oùx îaaaiv oí 81 xò 8tóxi
JO xaí xr;v aixíav yvojpfÇouaiv. Stò xaí xoùç àpxníxxovaç ittpi
exaaxov xt[ALO>x£pou<; xaí [xãXXov eESévat vo[j.íÇoptv x&v x e t "
981 k pox&xvtóv xai oofpGJxÉpouç, oxt zàt, aíxíaç XCÙV Ttoiou[iivtüv
îaaaiv (xoùç 8 ' , toa-rcep xai xcov àt(>úxwv evia Tuotet fiiv, oùx
eíSóxa Si itoteî a Ttoiel, otov xaíei xò 7cup —xà [ièv ouv
ã<J>uxa cpúaei xivi TÜOIETV xoúxtov exaaxov xoòç 8è x £ t P 0 T ^ X v a í
5 St' cáç où xaxà xò 7tpaxxtxoùç eivai aoçtúxépou; 8vxaç
METAFÍSICA, A 1, 9 6 1 0 8 • b5

Por e x e m p l o , o a t o d e j u l g a r q u e d e t e r m i n a d o remédio
fez b e m a C á l i a s , q u e s o f r i a d e c e r t a e n f e r m i d a d e , e q u e t a m -
b é m fez b e m a Sócrates e a m u i t o s outros indivíduos, c próprio
da e x p e r i ê n c i a ; a o c o n t r á r i o , o a t o d e j u l g a r q u e a t o d o s e s s e s 10
indivíduos, reduzidos à unidade segundo a espécie, que pade-
c i a m de c e r t a e n f e r m i d a d e , d e t e r m i n a d o r e m é d i o f e z b e m ( p o r
e x e m p l o , a o s f l e u m á t i e o s , a o s b i l i o s o s e aos f e b r i s ) é p r ó p r i o
da arte7.
O r a , e m vista da a t i v i d a d e prática, a e x p e r i ê n c i a e m n a d a
p a r e c e diferir da arte; a n t e s , os e m p í r i c o s t ê m m a i s s u c e s s o d o
q u e os q u e p o s s u e m a teoria s e m a prática. E a razão disso é a 15
s e g u i n t e : a e x p e r i ê n c i a é c o n h e c i m e n t o dos particulares, e n q u a n -
to a a r t e c c o n h e c i m e n t o dos universais; ora, todas as a ç õ e s c as
p r o d u ç õ e s r e f e r e m - s e ao particular. D e fato, o m é d i c o n ã o cura o
h o m e m a n ã o ser a c i d e n t a l m e n t e , m a s c u r a C á l i a s o u S ó c r a t e s ou
q u a l q u e r o u t r o i n d i v í d u o q u e leva um n o m e c o m o eles, a o q u a l 20
o c o r r a ser h ö r n e r n 8 . P o r t a n t o , se a l g u é m possui a teoria s e m a
e x p e r i ê n c i a c c o n h e c e o universal m a s n ã o c o n h e c e o particular
q u e n e l e e s t á c o n t i d o , m u i t a s vezes errará o t r a t a m e n t o , p o r q u e
o t r a t a m e n t o se dirige, j u s t a m e n t e , a o i n d i v í d u o particular.
Todavia, consideramos q u e o saber c o e n t e n d e r sejam mais
p r ó p r i o s da a r t e d o q u e da e x p e r i ê n c i a , c j u l g a m o s os q u e p o s - 25
s u e m a a r t e m a i s s á b i o s d o q u e os q u e só p o s s u e m a e x p e r i ê n -
c i a , na m e d i d a c m q u e e s t a m o s c o n v e n c i d o s de q u e a s a p i ê n c i a ,
e m c a d a u m dos h o m e n s , c o r r e s p o n d a à sua c a p a c i d a d e de c o -
n h e c e r . E isso p o r q u e os p r i m e i r o s c o n h e c e m a c a u s a , e n q u a n t o
os o u t r o s n ã o a c o n h e c e m . O s e m p í r i c o s c o n h e c e m o p u r o d a d o
de f a t o , m a s n ã o seu p o r q u ê ; a o c o n t r á r i o , os o u t r o s c o n h e c e m
o p o r q u ê c a causa''. 30
Por isso c o n s i d e r a m o s os q u e t ê m a d i r e ç ã o nas d i f e r e n t e s
a r t e s m a i s d i g n o s de h o n r a e p o s s u i d o r e s d e m a i o r c o n h e c i m e n -
to e m a i s s á b i o s d o q u e os t r a b a l h a d o r e s m a n u a i s , na m e d i d a 9si b
c m q u e a q u e l e s c o n h e c e m as c a u s a s das coisas q u e são feitas; a o
c o n t r á r i o , os t r a b a l h a d o r e s m a n u a i s a g e m , m a s s e m s a b e r o q u e
f a / c m , a s s i m c o m o a g e m a l g u n s dos seres i n a n i m a d o s , por e x e m -
plo, c o m o o f o g o q u e i m a : c a d a u m d e s s e s seres i n a n i m a d o s a g e
por c e r t o impulso natural, e n q u a n t o os trabalhadores m a n u a i s
a g e m por h á b i t o . Por isso c o n s i d e r a m o s os p r i m e i r o s m a i s s á b i o s , 5
TON META TA (PYÏIKA A

àXXà x a x à xò Xóyov e'x^iv aùxoùç xai xàç aixíaç -j^copiietv.


ôX(i)ç xe arifieíov xoü eiSóxoç xat [JLT] eESóxoç xò 8úvaa9ai StSá-
axetv âaxív, xat 8tà xoüxo XT]V iíyyr\\> xfjç âjrrceipíaç ifiyoúp.£0a
fiãXXov ijiiŒxrijj.riv eivai- 8úvavxat yáp, oí 8è où 8úvavxat StSá-
ic axeiv. ext 8è xtõv ata9iqaeci>v oùSefiCav ^-foúfiEÔa eivai a o ç í a v
xaíxot xuptúxaxaC y ' eíaív aùxat xtõv x a 9 ' ëxaaxa •YVIOAETS1 àXX1
où Xéfouai xò 8ià xí nepi oúSevóç, oíov 8tà xí 8ep[i.òv xò rcúp,
àXXà jjióvov oxi Ôepp.óv. xò [ièv oCv rcpoixov etxòç xòv
ÒTtotavoõv eúpóvxa xéxvrjv rcapà xàç xotvàç aíafl^creiç 9au-
15 fiáÇea6at órcò xõõv àv9paMrcov LLÓVOV 8ià xò xP*ntTllJL0V
eivai xt xtõv eúpeÔévxwv àXX' cl>ç aoçòv xaí Siacpépovxa xôiv
àXXtov TiXeióvtov 8' eùpiaxojjivcùv xexvãiv xaí xtõv [iiv
rcpòç xàvayxaía xtõv Si itpòç Siaytoffiv oúacõv, àei aoçcoxé-
pouç xoùç xoLoúxouç áxeívtúv Ú7toXafj$ávea0ai 8ià xò (JIRJ itpòç
20 xpíjaiv etvai x à ; Í7ttnxT][jiaí aúxtõv. o9ev rjSr) 7rávxa>v xcõv
xoioúxfjov xaxeaxeuaa[jLÉvtov aí jií] 7tpòç T?[Soví)v firjSè ítpòç
xàvayxaTa xaiv Í7UOTTI|J.CÕV eupé&rjaav, xai Ttpcõxov lv xoúxotç
xoíç xórcoiç où ítptõxov á a x ó X a a a v Stò rcepi At^uírcov aí (J.a0rj-
jxaxixai nptõxov xíyy<i\ auveaxrjaav, ixeí yàp àçe£0r] ayo-
25 XáÇeiv xò xtõv íepécov £0voç. eípTixai (xèv ouv èv xoíç íjôtxoTç
xtç Siaçopà xéxvr)Ç xai IÍTIAXTPIRIÇ xai xcõv ÒÍXXCÚV xtõv Ó[xo-
yevtõv ou 8' evexa vüv 7toLoú|ie6a xòv Xó-yov xoüx' êaxív, ííxi
XT|V ÓVO[j,aÇo|x£VT]V aoçtav Tiepi xà [;rpcõxa] aíxia xai xàç àp-
Xà< üjtoXafißdvouai ítávxeç- óiuxe, xa9árcep etprjxat rcpóxepov,
JO ó (ièv e(j.7ieipoç xcõv óícoiavoüv èxóvxtov aíaÔTjatv eivai Soxet
aoçtõxepoç, ó 8è xexvíxT]ç xcõv ájjtTteíptjúv, x E l P°' c ^X v o u Sè àp-
982" x^éxxcov, aí Sè 9etopr)xtxai xcõv TIOITIXIXGÍV [lãXXov. oxi [xiv
ouv i?i ao9ia w p í xtvaç àpxàç xai aixíaç iaxiv èíctaxrj|XTj,
SrjXov.
VEWiSJCA, A 1, 93 1 b 6 - 982 o 3

n ã o p o r q u e c a p a z e s ele fazer, m a s p o r q u e p o s s u i d o r e s de u m
s a b e r c o n c e p t u a l e por c o n h e c e r e m as c a u s a s .
F,m g e r a l , o q u e d i s t i n g u e q u e m s a b e d e q u e m n ã o s a b e é
a c a p a c i d a d e d e e n s i n a r : por isso c o n s i d e r a m o s q u e a a r t e seja
s o b r e t u d o a c i ê n c i a e n ã o a e x p e r i ê n c i a ; de fato, os q u e p o s s u e m
a a r t e s ã o c a p a z e s de e n s i n a r , e n q u a n t o os q u e p o s s u e m a e x p e -
riência não o são"J.
A d e m a i s , c o n s i d e r a m o s q u e n e n h u m a das s e n s a ç õ e s seja io
s a p i ê n c i a . D c f a t o , se as s e n s a ç õ e s são, por e x c e l ê n c i a , os i n s t r u -
m e n t o s de c o n h e c i m e n t o d o s p a r t i c u l a r e s , e n t r e t a n t o n ã o n o s
d i z e m o p o r q u ê d c n a d a : n ã o d i z e m , por e x e m p l o , por q u e o
f o g o é q u e n t e , a p e n a s a s s i n a l a m o f a t o d c e l e ser q u e n t e " .
P o r t a n t o , é l ó g i c o q u e q u e m por p r i m e i r o d e s c o b r i u a l g u m a
arte, s u p e r a n d o os c o n h e c i m e n t o s sensíveis c o m u n s , t e n h a sido
o b j e t o de a d m i r a ç ã o dos h o m e n s , j u s t a m e n t e e n q u a n t o s á b i o c .15
s u p e r i o r aos o u t r o s , e n ã o só pela u t i l i d a d e d c a l g u m a cie suas
d e s c o b e r t a s . E t a m b é m é lógico q u e , t e n d o sido d c s c o l x r t a s n u m e -
rosas artes, u m a s voltadas para as n e c e s s i d a d e s da vida c outras
para o b e m - e s t a r , s e m p r e t e n h a m sido julgados m a i s s á b i o s os
d e s c o b r i d o r e s d e s t a s d o q u e os d a q u e l a s , p o r q u e seus c o n h e -
c i m e n t o s n ã o e r a m dirigidos a o útil. D a í resulta q u e , q u a n d o já se 2D
t i n h a m c o n s t i t u í d o todas as artes desse tipo, passou-se à d e s c o b e r -
ta das c i ê n c i a s q u e visam n e m ao prazer n e m às n e c e s s i d a d e s da
vida, e isso o c o r r e u p r i m e i r a m e n t e nos lugares c m q u e p r i m e i r o
os h o m e n s se l i b e r t a r a m d c o c u p a ç õ e s p r á t i c a s . Por isso as artes
m a t e m á t i c a s se c o n s t i t u í r a m pela primeira vez n o E g i t o . D c fato,
lá era c o n c e d i d a essa l i b e r d a d e á c a s t a dos s a c e r d o t e s 1 2 . 25
D i z - s e na Ética qual c a d i f e r e n ç a e n t r e a a r t e e a c i ê n c i a e as
o u t r a s disciplinas d o m e s m o g ê n e r o 1 '. E a f i n a l i d a d e d o raciocínio
q u e ora f a z e m o s é d e m o n s t r a r q u e pelo n o m e de s a p i ê n c i a t o d o s
e n t e n d e m a p e s q u i s a das c a u s a s primeiras'" 1 c dos princípios. E é
por isso q u e , c o m o d i s s e m o s a c i m a , q u e m t e m e x p e r i ê n c i a é c o n s i -
derado m a i s sábio do q u e q u e m possui a p e n a s a l g u m c o n h e c i m e n -
t o sensível: q u e m tcru a a r t e m a i s d o q u e q u e m t e m e x p e r i ê n c i a , 9S2j
q u e m dirige m a i s d o q u e o t r a b a l h a d o r m a n u a l e as c i ê n c i a s t c o r c -
ticas m a i s d o q u e as p r á t i c a s .
E evidente, portanto, q u e a sapiência c uma ciência acerca
de certos princípios e certas causas1'.
TON META TA OYIIKA A

'Eîtei Sè xaúxrjv xíjv è7rioxrpT)v ÇTJTOÔ(IEV, T O U T ' ãv tír\


axETTcéov, fj mpl ïrofaç aixíaç xai rcepi Trotai àpxàç Ê7ÎI-
UT^jjiri aocpía hJTÍV. ti Srj Xdßoi XLÇ xà{ újcoXrj^&iÇ âç Ê X O -
jiev 7tepî TOÛ ao<poû, x á x ' ®v ^x foóxou (pavepòv yévoixo [iâX-
Xov. 07coXap.ß0vojxEV St) TTpcjTOv |xèv èitíaraaÔat 7iávxa xòv
aoçòv cóç ivSéxeiai, (ií) xaö' ëxaaxov ? x 0 V T a ÍTTtffxrjpiv
aÚTÕJV cita xóv xà yvûvai Suvá^evov xai fií]
fSáSia ávflptÓTKú yiyváxjxEiv, xoüxov ao<póv (xò yàp aiaÔáve-
o6ai ííávxíov xotvóv, 3LÒ ^8LOV xai oúSèv aocpóv)- êxi xòv
ixpiߣaxepov xai xòv SiSaaxaXtxtbxepov xwv aixiwv cjo?á>xe-
pov eivai TtEpi 7iãaav ÍTz\.ovr\\LT\^- xai xaiv lirtaxTifiõjv 8è r?jv
auxfjç ëvExev xai xoû e£8£vat x^PLV aipexTiv oüoav (JLÛCXXOV
eTvat aotpíav F) TTIV X Ö V inoßatvovxwv ëvexev, xai xfjv àp-
Xtxtoxépav xfjç DTtT)p£ToóaT)<; |iãXÀov aocpíav où yàp Seív
ámTáxxeatlai xòv aocpòv àXX' iírixáxxetv, xai où xoõxov
éx£pa> Tteföeaflai, àXXà xoóxcp xòv fjrxov aoçóv. — xàç (Jièv o5v
òjtoX.ií<}»eiç xoiaúxaç xai xoaaúxaç ïxo\Ltv ixtpi xfjç aoçíaç
xai xcjv aocpûv xoúxtov Sè xò fiiv Tiávxa èïtiaraaflai xtõ jjiá-
Xiaxa exovxi xíjv xaOóXoo £m<mr][i.T]v àvayxaTov w á p x t i v
(ouxoç yàp o!3£ tuüjç Ttávxa xà únoxeíjieva), ax^Sòv 8è xai
XaXe7ttí>xaxa xaüxa yvtopíÇetv xolç àvôpcóíioiç, xà (láXiaxa
xaÔòXou (jropptüxáxco yàp xaiv aiaflTiawóv iaxtv), àxptßéaTa-
xai Sè xtõv èííiarrifjuõv ou [láXiara xãiv Ttpcóxtov etaív (ai yàp
èXaxxóvcúv axpißiaxepai xãiv íx 7rpoa0£ere(oç XEyojiívcov,
oïov àpi0p.T]xixí] ywúp.Expíaç) • àXXà ji^v xai Si&aaxaXixri yE
METAFÍSICA, A 2, 9 6 2 a A - 28 j 9

2. jOuais são as causas buscadas pela sapiência e as


características gerais da sapiência} 1

Ora, dado que buscamos j u s t a m e n t e essa ciência, deveremos


e x a m i n a r dc q u e causas c de q u e princípios é c i ê n c i a a sapiên- s
cia. E talvez, isso sc torne claro sc considerarmos as c o n c e p ç õ e s
q u e t e m o s do s á b i o ' . (1) C o n s i d e r a m o s , em primeiro lugar, que
o sábio c o n h e ç a todas as coisas, e n q u a n t o isso é possível, mas
n ã o q u e ele tenha ciência de cada coisa i n d i v i d u a l m e n t e consi-
derada. (2) Ademais, reputamos sábio q u e m é capaz dc c o n h e c e r 10
as coisas difíceis ou não f a c i l m e n t e compreensíveis para o ho-
m e m (de fato, o c o n h e c i m e n t o sensível é c o m u m a todos e, por
ser fácil, não é sapiência). (3) Mais ainda, reputamos q u e , em
cada ciência, seja mais sábio q u e m possui m a i o r c o n h e c i m e n t o
das causas (4) c q u e m é mais capa/, dc ensiná-las aos outros. (5)
C o n s i d e r a m o s ainda, entre as ciências, q u e seja e m maior grau is
sapiência a q u e c escolhida por si e u n i c a m e n t e e m vista do
saber, c m c o n t r a s t e c o m a q u e c escolhida c m vista cio q u e dela
deriva. (6) E consideramos q u e seja c m maior grau sapiência a
ciência que é h i e r a r q u i c a m e n t e superior c o m relação à q u e in-
subordinada. D c fato, o s á b i o não deve ser c o m a n d a d o mas
comandar, n e m deve o b e d e c e r a outros, m a s a ele deve o b e d e -
cer q u e m é m e n o s sábio,

'lautas c tais são, portanto, as c o n c e p ç õ e s g e r a l m e n t e par- 20


tilhadas sobre a sapiência e sobre os sábios. O r a , (1) a primei
ra dessas características — a dc c o n h e c e r todas as coisas — deve
n e c e s s a r i a m e n t e p e r t e n c e r s o b r e t u d o a q u e m possui a ciência
do universal. D e fato, s o b certo aspecto, este sabe todas as coisas
< p a r t i c u l a r e s , e n q u a n t o e s t ã o > sujeitas < a o u n i v c r s a l > \ (2)
E as coisas mais universais são, para os h o m e n s , e x a t a m e n t e as
mais difíceis de c o n h e c e r por serem as mais distantes das apre- 25
ensões sensíveis'. (3) E as mais exatas entre as c iências são sobre-
t u d o as q u e tratam dos primeiros princípios. D e fato, as ciências
q u e pressupõem um m e n o r n ú m e r o dc princípios são mais exa-
tas do q u e as q u e pressupõem o a c r é s c i m o dc < u l t e r i o r e s prin-
c í p i o s > c o m o , por e x e m p l o , a a r i t m é t i c a c m c o m p a r a ç ã o c o m
a g e o m e t r i a 1 . (4) M a s a c i ê n c i a q u e mais indaga as causas é
TFIN META TA ®YI1KA A

f| xcõv aíxtcõv 9ecoprixix^i paXXov (oùxoi yàp 8i8áaxou<nv, oí xàç


>o aïxtaç Xéyovxeç juepi èxáaxou), xò S' eiôévai xaí xò ÍJtí<rxaa9ai
aúxcõv ïvexa (láXtaô' úrcápxei páXiaxa ircia-crixou hzi-
axT||rQ (ó yàp itíaxaoGai Si' aúxò aípoú(ievoç vf)v [jiàXiaxa
982b èítiaxT|(xr]v (làXiaxa aíprjaexat, xoiaùxrj 8' iaxiv Y] xoü [iáXiaxa
Í7riaxT|xoô), (xáXiaxa 8' iíatroixà xà Ttpcõxa xai xà a m a (8ià
yàp xauxa xai ix XOÚXOJV xàXXa yvcopíÇexai àXX' où xaõxa
Sià xcõv ÚTCOXeijJtivcúv), àpxixcoxáxri 8 i xcõv Í7U(XXTI[JLCÕV, xai
s [xãXXov ápxixí) xfjç ùîCTipexoùaTiç, T] yvcopíÇouaa xívoç evexív
iaxi íspaxxiov e x a a r o v xoüxo 8' iaxi xàya9òv éxáaxou, OXCÜÇ
Si xò àptaxov èv xfj qjúaet miar). í\ á7iávxo>v oùv xcõv etpTj-
(livcov irci xf|V aùx^V iitiax^(Jir)v 7i inxei xò ^ X O U J I E V O V õvo(i.a-
Sei yàp xaúx7)v xcõv Ttpcoxcúv àpxcõv xai aixiõiv eivai 6ecopr)xi-
io X7]v xai yàp xàya9òv xai xò ou evexa ev xcõv aixícov iaxív.
"Oxi 8 ' où JtoiT)xixrj, SrjXov xai i x xcõv jtpcóxcov «piXoaocprç-
aávxcov 8ià yàp xò 8au[iáÇeiv oi àv9pomoi xai vüv xai
xò TCpcõxov í^pÇavxo çtXoaoípeív, i!g àpxfjç fiiv xà rcpóxeipa
xcõv àxÓTicov 9au[xáaavxeç, elxa x a x à fi.ixpòv oííxw 7ipoïôvxe;
is xaí Ttepi xcõv [letÇóvcov 8taxopr)aavxeç, olov rcepí xe xcõv xf|ç
aeXrivrjç 7ia6r||aáxG>v xai xcõv 7tepi xòv fjXiov xai áaxpa
xai 7xepi xfjç xoü roxvxòç yevéaecoç. ó 8' àrcopcüv xai 9au|/.á-
ÇCÚV o'iexai àyvoeîv (8iò xai ó tpiXó[iu9oç çiXóaotpóç n ú ç
iaxiv ô yàp [iü6oç cniyxeixat ix 9aupaaícov)- óiax' efitep Sià
20 xò <peiiyeiv XFY ãyvoiav iípiXoaó(F>T)<jav, tpavepòv ÖXL 8ià xò
eíSévai xò Í7tíaxao8ai i8ícoxov xai où 'xprjoeóç xivoç evexev.
[lapxupeí 8i aúxò xò au[xßeßr)x6;' axeSòv yàp 7uávxa>v
M E T A f f r C A . A 2. 9 8 2 a 2 9 • b 2 2

t a m b é m a m a i s capaz dc ensinar, pois os q u e d i z e m quais são


as causas dc cada coisa são os q u e e n s i n a m 6 . (5) A d e m a i s , o 30
saber c o c o n h e c e r cujo fim é o próprio saber c o próprio c o n h e -
cer e n c o n t r a m - s e s o b r e t u d o na c i ê n c i a do q u e é m a x i m a m e n t e
cognoscível. D c fato, q u e m deseja a c i ê n c i a por si m e s m a deseja
acima de tudo a q u e c ciência c m m á x i m o grau, e esta é a ciência
do q u e é m a x i m a m e n t e cognoscível. Ora, m a x i m a m e n t e cognos-
cívcis são os primeiros princípios e as causas; dc fato, por eles e
a partir deles sc c o n h e c c m todas as outras coisas, e n q u a n t o , ao
contrário, eles não se c o n h c c c m por m e i o das coisas que lhes
estão sujeitas'. (6) H a mais elevada das ciências, a que mais
autoridade t e m sobre as dependentes c a que c o n h e c e o fim para
o qual c feita cada coisa; e o fim c m todas as coisas é o b e m e, 5
dc m o d o geral, e m toda a natureza o fim c o s u m o b e m 1 .
D o q u e foi dito resulta que o n o m e do o b j e t o dc nossa inves-
tigação refere-se a uma única c i ê n c i a : esta deve especular sobre
os princípios primeiros e as causas, pois o b e m c o fim das coisas io
é uma causa.
O u e , depois, cia não tenda a realizar coisa alguma, fica cla-
ro a partir das afirmações dos q u e por primeiro cultivaram a
filosofia''. D c fato, os l i o m c n s c o m e ç a r a m a filosofar, agora c o m o
na origem, por causa da admiração, na medida e m q u e , inicial-
m e n t e , ficavam perplexos diante das dificuldades mais simples;
e m seguida, progredindo p o u c o a pouco, c h e g a r a m a enfrentar
problemas sempre maiores, por exemplo, os problemas relativos !5
aos f e n ó m e n o s da lua e aos do sol e dos astros, ou os p r o b l e m a s
relativos à geração rlc todo o universo. O r a , q u e m e x p e r i m e n t a
uma sensação de dúvida c dc admiração r e c o n h e c e q u e não sabe;
e é por isso q u e t a m b é m aquele q u e ama o m i t o c, de certo mo-
do, filósofo: o m i t o , c o m efeito, c constituído por u m c o n j u n t o
de coisas admiráveis 1 ". D c m o d o que, se os h o m e n s filosofaram
para libcrtar-sc da ignorância, é evidente q u e buscavam o c o n h e - 20
c i m e n t o u n i c a m e n t e c m vista cio saber e não por alguma utili-
dade prática. 1\ o m o d o c o m o as coisas se desenvolveram o de-
m o n s t r a : q u a n d o já se possuía p r a t i c a m e n t e tudo o dc q u e se
necessitava para a vida c t a m b é m para o c o n f o r t o c para o b e m -
TUN META TA « Y Ï I K a a

ujiapx^vrtov x<yv àvayxaiwv xai Jtpòç pçt<jrá)VTiv xai Siayco-


yf)v TOionjTT] 9pówj<jLç fjpÇaxo ÇrjXETaÔat. SrjXov oüv cbç St'
25 oùSe|jiiav aùxfjv ÇRIXOCFAEV yjptíccv éx£pav, àW áiajuep ãvÔptú-
Ttoí, ça|ilv, èXeóôepoç ó aúxoü evexa xai [xíj ãXXou <üv, oüxco
xai aùxijv cl)ç (XÓVTJV ooaav éXeu0£pav xã>v IjuottkjuLv |jlóv71
yàp auxrj aúxfjç Evex£v èartv. 8tò xai Sixaíajç av oùx àv9pa>-
Tz£vr) VOFJUÇOIXO aùxfîç IF| x-rrjaiç- J T O X X A X Í yàp FJ çùaiç SOUXTJ xaiv
jo àvGpwrtov £ax£v, tZxrtt x a x à EI(A<úví8T|V "9eòç ãv (Jióvoç xoöx'
ÊXOi y i p a ç " , àvSpa S' oùx SÇiov [i.í| où ÇrjxeTv xTjv x a 0 ' aúxòv
èTtiaxrj(AT)v. d 8r| Xéyouaí xi ot rcoiiycai xai lu^uxe çÔovetv
983* xò ôeíov, èiri xoúxou au(j$rjvai [JtaXtara eíxòç xai Suaxux^S
eivai rcávxaç xoùç Jtep'.xxoùç. àXX' ouxe xò ôeíov «pôovepòv iv-
8£X£xai eivai, àXXà x a x à TTJV 7tapoi|jiíav rcoXXà 4>eúSovxai
àoiSoí, ouxe xfiç xoiaúx7]ç ãXXrjv xP^i vofiíÇeiv XIJJUCO-
Í xépav. í] yàp 9eioxàxT] xai xtpu&úxáxT)- xotaúxr) Sè Sixõiç
áv eír) [IÓVT]' T]V xe yàp jjiáXiax' av ó 9eòç exot, Ôeía xcõv
èiuiaxrijxãjv iaxí, xáv ei' xiç xcõv 9ÍLÍÜV eír). {JLÓVTJ 8 ' aíÍTT) X O Ú -
xtov ànçoxiptov xExóxTjxev 6 xe yàp 9eòç Soxeí xã>v aixúúv
nãatv eivai xai àpxr) xiç, xai XTJV xoiaóxr]v [xóvoç pá-
10 Xiar' áv ex o L ò Ôeóç. àvayxatóxepai (iiv oov jrãaai xaúxriç,
à(ietvcov S' oùSe(xia. —Set jxivxoi jrtoç xaxaarfjvat xrjv xxfjaiv
aùxrjç e£ç xoùvavxiov rj(xîv xwv iÇ àpx^ç Çrytriaecijv. apxovxai
|Jtèv yáp, a>07rep eïirojJiev, ànò xoö 9au[xáÇeiv JIÁVXEÇ ei OSXCÚÇ
êxei, xaÔájtep (ítepi) xâiv 9au|jiáx<üv xaúxófiaxa [xolç [xr^aj
ií xe9ea>pr)xóoi X7]v atxíav] f| 7iE.pt xàç xoG if|Xíou xporcàç í) xí|v xfjç
Siajxéxpou àau(JtjjLexptav (8au(jia<jxòv yàp elvaL S O X E Í Tiãai (xotç
HrjTca) XE0ea>pT)XÓAL xíjv aíxíav) ei xt xtõ èXaxíaxo) ^ nexpet-
xai) • SeïSè eîç xoùvavxiov xai xò 5[xeivov x a x à xíjv ^apoi|x£av àno-
v f r A f ! S ; C A , A 2, 9 8 ? b 2 3 • 9 8 3 o I 8

estar, e n t ã o se c o m e ç o u a buscar essa forma de c o n h e c i m e n t o .


E e v i d e n t e , portanto, que n ã o a b u s c a m o s por n e n h u m a vanta-
g e m q u e lhe seja estranha; c, mais ainda, é evidente que, c o m o 25
c h a m a m o s livre o h o m e m q u e c fim para si m e s m o c não está
s u b m e t i d o a outros, assim só esta ciência, dentre todas as outras,
é c h a m a d a livre, pois só ela é fim para si m e s m a " .
Por isso, t a m b é m , c o m razão poder-sc-ia pensar q u e a posse
dela n ã o seja própria do h o m e m ; de fato, por m u i t o s aspectos
a n a t u r e z a dos h o m e n s é escrava, c por isso S i m ô n i d e s diz q u e
" S ó D e u s pode ter esse privilégio" 1 2 , c q u e c c o n v e n i e n t e q u e o 30
h o m e m b u s q u e u m a c i ê n c i a a si a d e q u a d a . E se os poetas dis-
sessem a verdade, e se a divindade fosse v e r d a d e i r a m e n t e inve-
josa, é lógico que v e r í a m o s os e f e i t o s disso s o b r e t u d o nesse 9S3
caso, dc m o d o q u e seriam desgraçados todos os q u e sc distin-
g u e m no saber. Na realidade, n ã o é possível q u e a divindade
seja invejosa, mas, c o m o afirma o provérbio, os poetas dizem
m u i t a s m e n t i r a s 1 1 ; n e m se deve pensar q u e exista outra c i ê n c i a
mais digna de honra. Esta, dc fato, entre todas, é a mais divina e 5
a mais digna dc honra. M a s uma c i ê n c i a só pode ser divina nos
dois s e n t i d o s seguintes: (a) ou porque ela c c i ê n c i a q u e D e u s
possui c m grau s u p r e m o , (b) ou p o r q u e cia t e m por o b j e t o as
coisas divinas. O r a , só a sapiência possui essas duas caracterís-
ticas. D c fato, c c o n v i c ç ã o c o m u m a todos q u e D e u s seja u m a
causa e um princípio, e, t a m b é m , q u e D e u s , e x c l u s i v a m e n t e
ou e m s u m o grau, t e n h a esse tipo de ciência 1 ^. T o d a s as outras io
c i ê n c i a s serão mais necessárias do q u e esta, m a s n e n h u m a lhe
será superior 1 '.

Por outro lado, a posse dessa ciência deve nos levar ao esta-
do o p o s t o à q u e l e em q u e nos e n c o n t r á v a m o s n o início das pes-
quisas. C o m o dissemos, todos c o m e ç a m por admirar-se dc q u e
as coisas s e j a m tais c o m o são, c o m o , por exemplo, diante das
m a r i o n e t e s q u e se m o v e m por si nas representações, ou diante
das revoluções do sol e da incomensurabilidade da diagonal c o m 15
o lado de u m quadrado. C o m efeito, a todos os q u e ainda n ã o
c o n h e c e r a m a razão disso, causa a d m i r a ç ã o q u e entre uma e
outro não exista uma unidade m í n i m a de medida c o m u m . Toda-
via é preciso chegar ao e s t a d o o p o s t o e t a m b é m melhor, confor-
M Tlir^ META TA <PYIIKA A

xeXeuxfjaai, xaSántp xai èv xoúxoiç öxav |iá0íoaiv où9èv yàp


20 Sv ouxcoç Ôaujiáoeiev àW[p yecûjiexpixôç tóç ei yéVOLTO i\ Siájiexpot;
IxexpTixfj. xíç [ièv ouv í) cpúaiç xrjç ÈTtitmfinriç xfjç ÇÏ]XOU|IÉVTIÇ,
eiprjxai, xai xíç ó OXOÍIÒÇ ou Sei xuyxáveiv xíjv ÇrjxTjaiv xai
x^iv BXrjv [XÉÔOSOV.

'Ercei ôè çavepòv oxi xcõv éÇ àpx*ií aixícov Sei Xaßeiv


2í Í7tLOTTi[iriv (xóxt yàp etSévai çajiiv txaaxov, oxav xíjv íípcó-
XTjv aixíav otcó|ieÔa yvcúpíÇetv), xà 8 ' aixia XÉyexai xexpa-
yfiiÇ, tov jiíav jjièv aixíav çajièv eivai xíjv ouaíav xai xò x(
fjv eivai (àváyexai yàp xò 8ià xí etç xòv Xóyov Èaxaxov,
aíxiov 8è xai xò Sià xí Ttpoixov), Êxépav 8è xíjv t!XÏ]v
JO xai xò úiroxeíjievov, xpíxrjv 8i 86 ev f, àpxí] xfjç xivrjaetoi,
xexápxTjv 8è x^v àvxixei|jiávriv aixíav xatixTj, xò ou Ivexa xai
xàyaÔóv (XÉXOÇ yàp yevÉaetüç xai xivrjaeti>ç iráaiqç xoüx' èaxív),
xeôttóprixai jièv ouv ixavcõ; rcepi aúxcõv fjjjitv èv xoïç uepi cpú-
9831 aetoç, o[iojç 8è 7iapaXaßco|i£v xai xoùç rcpóxepov í)|itõv ei;
iTtíoxe^iv xõv Svxcov èX0óvxaç xai cpiXoaocp^aavxaç rcepi
xfjç àXrjOeíaç. 8fjXov yàp õxi xàxetvoi Xéyouaiv àpxáç xivaç
xai aixía<- IrceXÖoüaiv ouv eaxai xi npoupyou xrj |ie0ó8to xfj vüv
Ï í| yàp £xepóv xi yévoç eúprjaojiev aixíaç fj xaïç vüv Xeyo-
[livaiç (iãXXov Ttiaxeúoojiev. —xcõv ST1] ïtptôxcùv cptXoaocpTiaáv-
xtov oi íiXeíaxoL xàç èv uXriç ei8ei jióvaç tî)T]0riaav àpxàí
eivai Jíávxtov if; o5 yàp £axiv îïtavxa xà õvxa xai i£ ou
yíyvexai uptóxou xai eíç 8 cpÔeípexai xeXeuxalòv, xfjç [ièv
io otiaíaç Ú7TO[X£VOÓO7]Ç xoTç 8è TiáÔeai jiexaßaXXoüaric, xoüxo axoi-
Xtîov xai xaúxrjv àpxriv çaaiv eivai xtõv ÕVXCÚV, xai Sià
xoüxo oöxt y£yvea0ai où0èv otovxai ouxe àrcóXXua0ai, tóç xfjç
xoiaúxTjí çúoetüí àei atoÇojiÉvT]ç, &<rntp oùSè xòv StoxpáxTjv
METAFÍSICA, A 2 / 3 . 9 8 3 O 19 •FC13

vue a f i r m a o p r o v é r b i o " 1 . E a s s i m a c o n t e c e , e f e t i v a m e n t e , para


ficar n o s e x e m p l o s d a d o s , u m a vez q u e se t e n h a c o n h e c i d o a
causa: nada provocaria mais a d m i r a ç ã o n u m g e ô m e t r a do que 20
se a d i a g o n a l fosse c o m e n s u r á v e l c o m o l a d o 1 7 .
F i c a e s t a b e l e c i d o , p o r t a n t o , q u a l é a n a t u r e z a da c i ê n c i a
b u s c a d a , e qual o fim q u e a nossa pesquisa e toda nossa inves-
tigação devem alcançar1*.

3. [As causas primeiras s ao quatro e análise das doutrinas


dos predecessores como prova da tese}'

P o r t a n t o , é p r e c i s o a d q u i r i r a c i ê n c i a das c a u s a s p r i m e i r a s .
C o m e f e i t o , d i z e m o s c o n h e c e r algo q u a n d o p e n s a m o s c o n h e c e r 25
a c a u s a p r i m e i r a . O r a , as c a u s a s s ã o e n t e n d i d a s e m q u a t r o d i f e -
rentes sentidos2. (1) N u m primeiro sentido, d i z e m o s que causa
é a s u b s t â n c i a e a c s s c n c i a . D e f a t o , o p o r q u ê das c o i s a s se re-
duz, c m última análise, à forma e o primeiro porquê é, j u s t a m e n -
te, u m a c a u s a c u m p r i n c í p i o ' ; (Z) n u m s e g u n d o s e n t i d o , dize-
m o s q u e c a u s a é a m a t é r i a c o substrato" 1 ; (3) n u m t e r c e i r o s e n - 30
tido, d i z e m o s q u e c a u s a é o p r i n c í p i o d o m o v i m e n t o ' ; ( 4 ) n u m
quarto sentido, dizemos q u e causa é o oposto do último senti-
do, o u s e j a , c o f i m e o b e m : d c fato, e s t e é o f i m da g e r a ç ã o e
d e t o d o m o v i m e n t o 6 . E s t u d a m o s a d e q u a d a m e n t e essas c a u s a s
n a F í s i c a 7 ; t o d a v i a , d e v e m o s e x a m i n a r t a m b é m os q u e a n t e s d e 983'
n ó s e n f r e n t a r a m o e s t u d o d o s seres c f i l o s o f a r a m s o b r e a r e a l i d a -
de. E c l a r o q u e t a m b é m eles f a l a m d c c e r t o s p r i n c í p i o s c d e
c e r t a s c a u s a s . Para a p r e s e n t e i n v e s t i g a ç ã o c e r t a m e n t e será v a n t a -
j o s o r e f e r i r - s e a e l e s . C o m e f e i t o , ou e n c o n t r a r e m o s o u t r o g ê n e - 5
ro de c a u s a ou g a n h a r e m o s c o n v i c ç ã o m a i s séílida nas c a u s a s das
q u a i s agora f a l a m o s " .

O s q u e p o r p r i m e i r o f i l o s o f a r a m , c m sua m a i o r i a , p e n s a -
ram q u e os p r i n c í p i o s de t o d a s as coisas f o s s e m e x c l u s i v a m e n t e
m a t e r i a i s . D c fato, eles a f i r m a m q u e a q u i l o de q u e t o d o s os se-
res são c o n s t i t u í d o s e a q u i l o de q u e o r i g i n a r i a m e n t e d e r i v a m c
a q u i l o e m q u e por ú l t i m o se d i s s o l v e m é e l e m e n t o e p r i n c í p i o
d o s seres, 11a m e d i d a e m q u e é u m a r e a l i d a d e q u e p e r m a n e c e 10
i d ê n t i c a m e s m o na m u d a n ç a de suas a f e c ç õ e s . Por e s t a r a z ã o
TON META TAfYÏIKAA

cpa^tèv ûôxe yiyveaûai ánXwç ôxacv yíyvrjxaL xaXòç |iouai-


xòç oute <Í7ióXXua6ai 8xav d7roßdXXTj xaúxaç xàç iÇtií,
8tà xò Ü7K)[JIÉVEIV xò Ú7toxeí|ievov xòv EctíxpáxTjv aúxóv, ouxoiç
où&â. x<5v SXXcov oú8£v àei yàp eivai xiva çúatv í) [iCav ^
icXeíouç (xiãç if <ï»v yíyvexai xàXXa aa)Ço[i£vrií ixeívr^. xò
[jiévxoi irX^Öo; xai xò eI5oç xfjç xoiaúxrjí àpxfj; où xò aúxò
Ttávxeç X£youmv, àXXà. ©aXrjç |iiv 6 xfj( xoiaúxrjç àpxrffòç
çtXoaoçíaç uScop çrjoiv eivai (8iò xai xf|v ytjv £<p' Íi8axoç
à7ieçr|vaxo eivai), Xaßwv ïcrcoç xf]v úrcóXr|t|HV xaiixrjv £x xoû Tráv-
xtov ópõév xrjv xpoçfjv úypàv oüaav xai auxò xò ôepfiòv èx xoúxou
yiyvójjievov xai xoúxto Çã>v (xò 8 ' ££ oü yíyvexai, xoüx' èoxiv
àpxT[ icávxojv) — 8iá xt Srj xoõxo xíjv úrcóXri^iv Xaßcov xaúxr)v
xai 8ià xò Tcávxcov xà anépjxaxa xíjv çúoiv úypàv êxeiv,
xò 8' u8<op àpxí)v xfjç çúaecoç eivai xotç úypoíç. eiai 8£
xiveç oí xai xoùç 7ta|i7taXaíouç xai rcoXò repò ifjç vüv yevé-
atojç xai 7ip(óxouç ôtoXoyriaavxaç oüxtoç oiovxai 7cepí x% <pú-
auàç, ürcoXaßetv 'Üxeavóv xe yàp xai TrjGùv èTcoírjaocv xfjç
yev£aewç mxx£paç, xai xòv öpxov xöv 9e£ív u8wp, x9)v xaXou-
[i£vr]v ÚU' aúxõjv Exúya [xtõv Ttoirixwv]' xifxitoxaxov fièv yàp
xò Ttpeaßuxaxov, Ôpxoç 8è xò xi[iKÍixaxóv iaxiv. eî fJtiv ouv
àpxaía xiç aim) xai rcaXaià xexúxrçxev oûaa Ttepi xíjç <pú-
oecjç 8óÇa, x á x ' âv àSrjXov eír), QaXrjç (i£vxoi Xéyewn
oííxwç àraxprjvaaflai rcepi xrjç -Kpúvqç atxíaç ("IrcTOjva yàp
oùx ÃV xi; àíjtcóaeie Geïvai [xexà xoúxcov 8ià TT)V eùx£Xeiav
aùxoû xfjç Siavoíaç)- 'Avaí;i|jiÉ\nr)ç 8è àépa xai Aioy£vT|ç Ttpó-
xepov üSaxoç xai (xáXiax' àpx^v xi9£aat xöv arcXcLv aoj[iá-
METftfiiiCA, A3 983 b 14-98-1 q ô

eles c r c c m q u e n a d a se g e r e e n a d a se d e s t r u a , já q u e tal reali-


d a d e s e m p r e se c o n s e r v a . A s s i m c o m o n ã o d i z e m o s q u e S ó c r a -
I es é g e r a d o c m s e n t i d o a b s o l u t o q u a n d o se t o r n a b e l o ou m ú s i -
c o , e n ã o d i z e m o s q u e p e r e c e q u a n d o p e r d e e s s e s m o d o s d e ser, 15
p o r q u e o s u b s t r a t o — o u s e j a , o próprio S ó c r a t e s - continua a
existir, a s s i m t a m b é m d e v e m o s d i z e r q u e n ã o se c o r r o m p e , c m
.sentido a b s o l u t o , n e n h u m a das o u t r a s coisas. D e fato, deve h a v e r
a l g u m a r e a l i d a d e n a t u r a l ( u m a só ou m a i s d c u m a ) da q u a l deri-
v a m t o d a s as o u t r a s c o i s a s , e n q u a n t o ela c o n t i n u a a e x i s t i r s e m
mudança".

T o d a v i a , e s s e s filósofos n ã o são u n a n i m e s q u a n t o ao n ú m e -
ro c à e s p é c i e d e s s e p r i n c í p i o , ' l á l c s , i n i c i a d o r d e s s e t i p o d c filo- 20
s o f i a , diz. tfuc o p r i n c í p i o c a á g u a ( p o r isso a f i r m a t a m b é m q u e
a terra f l u t u a s o b r e a á g u a ) , c e r t a m e n t e t i r a n d o e s t a c o n v i c ç ã o
da c o n s t a t a ç ã o d c q u e o a l i m e n t o d c t o d a s as coisas é ú m i d o , c da
c o n s t a t a ç ã o d c q u e a t é o c a l o r se gera d o ú m i d o c vive n o ú m i d o .
O r a , a q u i l o d e q u e t o d a s as coisas s e g e r a m é o p r i n c í p i o d e t u d o .
I'Tc t i r o u , pois, e s t a c o n v i c ç ã o d e s s e f a t o c t a m b é m d o f a t o d c 25
q u e as s e m e n t e s d e t o d a s as c o i s a s t ê m u m a n a t u r e z a ú m i d a ,
s e n d o a á g u a o p r i n c í p i o da n a t u r e z a das c o i s a s ú m i d a s 1 " .
H á t a m b é m q u e m a c r e d i t e q u e os m a i s a n t i g o s , q u e por
p r i m e i r o d i s c o r r e r a m s o b r e os d e u s e s , m u i t o a n t e s da p r e s e n t e
g e r a ç ã o , t a m b é m t i v e r a m essa m e s m a c o n c e p ç ã o da r e a l i d a d e
n a t u r a l . D c f a t o , a f i r m a r a m O c e a n o c I. c t i s c o m o a u t o r e s da g c - 30
r a ç ã o das c o i s a s , e d i s s e r a m q u e a q u i l o s o b r e o q u ê j u r a m os d e u -
ses é a á g u a , c h a m a d a p o r c i e s d e K s t i g c . C o m e f e i t o , o q u e é
mais antigo c t a m b é m mais digno dc respeito, e aquilo sobre
q u ê se jura c o q u e há d c m a i s r e s p e i t á v e l " . M a s n ã o c a b s o l u t a -
m e n t e c l a r o q u e tal c o n c e p ç ã o da r e a l i d a d e t e n h a sido t ã o origi- 9S4
nária e t ã o a n t i g a ; a o c o n t r á r i o , a f i r m a - s e q u e T a l e s toi o p r i m e i r o
a p r o f e s s a r essa d o u t r i n a da c a u s a p r i m e i r a ( d e f a t o , n i n g u é m
p e n s a r i a c m pôr Mípon j u n t o c o m esses, d a d a a i n c o n s i s t ê n c i a
de seu p e n s a m e n t o ) 5
A n a x í m c n c s " c D i ó g e n e s ' 1 , ao c o n t r á r i o , m a i s d o q u e a á g u a ,
c o n s i d e r a r a m c o r n o originário o ar c . entre os corpos simples, o c o n -
s i d e r a r a m c o m o p r i n c í p i o por e x c e l ê n c i a , e n q u a n t o I l i p a s o de
TILNMETATAIPYXIKA MÉTAflSCA, A j . 9 3 Í c y b 1 I 19

TCJÛV, "Ijuïtaaoç Se Tcüp Ó Mexajuovxîvoç xai 'HpáxXetxoç Ó Vlctaponto1'' c Heráclito de Êfcso1" consideraram c o m o princí-
'Eçéatoç, 'E(J17UE8OXXTÍÇ 8è x à xéxxapa, Jipòç xoïç elpr^iivoiç p i o o fogo.

yrjv jipoaxi9eiç xéxapxov (xaüxa yàp àei Stajiiveiv xai où P o r sua v e z E m p é d o c l e s a f i r m o u c o m o p r i n c í p i o os q u a t r o

10 ytyveaGat àXX' f| jrXrjGei xai òXiyóxTjxt, auyxpivó(jieva xat c o r p o s s i m p l e s , a c r e s c e n t a n d o u m q u a r t o aos três a c i m a m e n -


c i o n a d o s , a s a b e r a terra. C o m efeito, estes p e r m a n e c e m s e m p r e
8taxpivó(jieva eiç ëv -te x a i évóç)- 'AvaEjayópaç 8è ó KXa-
s e m m u d a n ç a e só e s t ã o s u j e i t o s ao devir pelo a u m e n t o ou di- io
Çopivtoç XF) piv fjXtxía rcpóxepoç úv -COUTOU XOTÇ 8' epyotç
m i i u ú ç ã o d e q u a n t i d a d e , q u a n d o se j u n t a m n u m a u n i d a d e o u
ííaxepoç áizdpouq eivai ç-rçai Tàç àp^áç" a^eSòv yàp arcavxa
se d i s s o c i a m clela 1 -'.
xà ópoiopepr] xaôáiuep ííôcop Tuüp ouxco y£yveo9ai xai
A n a x á g o r a s cie C l a z ô m e n a s , a n t e r i o r a E m p é d o c l e s pela ida-
IS àiuóXXuaÔat «priai, ouyxptaet xat 8taxpíaet (JIÓVOV, àXXcùç 8 '
d e , m a s a e l e p o s t e r i o r p e l a s o b r a s , a f i r m a q u e os p r i n c í p i o s s ã o
otfxe yíyveaôai OUT' a7tóXXua9at àXXà Stapiveiv àíBia. - ix
i n f i n i t o s . D c f a t o , e l e d i z q u e t o d a s as h o m e o m e r i a s se g e r a m c
[ièv ouv TOÚTCJDV póvrjv xiç aÍTÍav vo[I.íaeiev âv xí]v èv UXTJÇ
se c o r r o m p e m s ó na m e d i d a c m q u e se r e ú n e m e s e d i s s o c i a m
EiSet Xeyo[i.éví]v rcpoiovxcov S' oüxcoç, aúxò TÒ iupãyp.a w8o- tal c o m o o c o r r e c o m a á g u a e c o m o fogo, e q u e d e o u t r o m o d o is
7uoir|C£v aùxoîç xai cnjvriváyxaae Çrçxetv* ei yàp OTL páXiaxa n ã o s e g e r a m n e m se c o r r o m p e m , m a s p e r m a n e c e m etcrnas'\
20 Tuãca yáveaiç xai ç9opà ex xivoç évò; í) xai luXetóvaiv icrcív, C o m b a s e n e s s e s r a c i o c í n i o s , p o d c r - s c - i a crer q u e e x i s t a u m a
8ià TI TOÚTO oufjtßaivei xai TÍ TÒ aixiov; où yàp Si) TO ye c a u s a ú n i c a : a c h a m a d a c a u s a m a t e r i a l . M a s . e n q u a n t o esses p e n -
újtoxeíjjievov aúxò noiel p.exaßaXXeiv èauxó- Xéyoi 8 ' olov s a d o r e s p r o c e d i a m d e s s e m o d o , a própria r e a l i d a d e l h e s a b r i u o
oCxe TÒ ÇúXov oute, & x a X x ò ; atxioç xoü (jiexaßäXXeiv Ixází- c a m i n h o e os o b r i g o u a p r o s s e g u i r na i n v e s t i g a ç ã o . D c fato, m e s -
pov aúxcõv, où8è Tioiet TÒ (ièv ÇúXov xXívrjv ó 8è x a X t ò ç àv- m o t e n d o a d m i t i d o q u e toclo p r o c e s s o d e g e r a ç ã o c d c c o r r u p ç ã o
25 Spiávxa, àXX' Exepóv TI Tfjç jjieTaßoXfii aÏTiov. TÒ 8è TOÜTO d e r i v e d c u m ú n i c o e l e m e n t o m a t e r i a l , ou d c m u i t o s e l e m e n t o s 20
ÇrjTEÏv èaxi TÒ XÍJV ixépav àpx?jv Çrjxeîv, CÚÇ âv r\y.iiq <patr)- m a t e r i a i s , p o r q u e ele o c o r r e e q u a l é sua c a u s a ? C e r t a m e n t e n ã o

[xev, o9ev f) àpx*n "rfjç xtvrjaetùç. oi piv oùv irá(jurav àp- c o s u b s t r a t o q u e p r o v o c a a m u d a n ç a c m si m e s m o . V e j a m o s u m

Xflç à(J>á(jtevoL xfjç p.e9óSou xfjç xoiaúxrjç xai ev çáaxovxeç e x e m p l o : n e m a madeira n e m o bronze, t o m a d o s incliviclualmen-

elvat TÒ úíuoxe£(jtevov où9èv èSuaxépavav éauxoîç, àXX' êvioí l e , são c a u s a da própria m u d a n ç a ; a m a d e i r a n ã o faz a c a m a n e m
o b r o n z e f a z a e s t á t u a , m a s é o u t r a a c a u s a d c sua m u d a n ç a 1 , .
>o ye xcõv EV Xeyóvxcov, aiairep Ï]xxr)Qévxeç óizò xaüxT)ç xfjç ÇTJ-
( )ia, i n v e s t i g a r isso s i g n i f i c a b u s c a r o o u t r o p r i n c í p i o , isto é, c o m o 2S
-RRJAECÜÇ, TÒ Ev àxívT]-tóv çaatv eivai xai xfy <púaiv Ò'Xr|V où
d i i í a m o s nós, o princípio do m o v i m e n t o .
|JLÓVOV x a x à yéveaiv xai <p9opàv (xoüxo piv yàp àpxaíóv xe
O s q u e d e s d e o i n í c i o e m p r e e n d e r a m e s s e t i p o cie p e s q u i s a
xai Tuávxeç cò|jLoXóy7]aav) àXXà xat x a x à xí]v ÔCXXT]V [iexa-
c s u s t e n t a r a m só u m s u b s t r a t o n ã o se d e r a m c o n t a d e s s a d i f i c u l -
984 ' ßoXfjv racaav xai xoüxo aùxwv ÍSLÓV èaxiv. xüv (jtèv ouv ev
dade. A n t e s , alguns dos q u e a f i r m a m essa u n i d a d e do substrato,
c o m o q u e s u c u m b i n d o à dificuldade dessa pesquisa do princi- 30
pio cio m o v i m e n t o , a f i r m a m q u e o s u b s t r a t o u n o é i m ó v e l c q u e
Ioda a n a t u r e z a t a m b é m c imóvel, n ã o só no s e n t i d o d c q u e não
se g e r a n e m s e c o r r o m p e ( e s t a c , c o m e f e i t o , u m a c o n v i c ç ã o a n -
liga e c o m p a r t i l h a d a por t o d o s ) , m a s t a m b é m n o s e n t i d o dc
q u e é imóvel r e l a t i v a m e n t e a q u a l q u e r o u t r o tipo de m u d a n ç a
(c e s t a é a c a r a c t e r í s t i c a p e c u l i a r cicies) 2 ". P o r t a n t o , n e n h u m d o s 9S4f
que afirmaram que o todo c uma unidade conseguiu descobrir
TílNMETATA OYÏKAA

çaoxóvxcov eivai xò nãv où9evi aweßT] xfjv xoiaùxrjv cwiSeîv


aîxCav 7uXf]v eî òtpa riap[jLev[Sri, xai xoùxco xaxà xocroõxov
Saov où fióvov ev àXXà xat Súo TCCOÇ X£9T]<JIV aExíaç eivar
xoïç 8è TiXeíto renouai [lãXXov èvBéxexai Xéyeiv, oíov xoïç
0ep(iòv xai (Jíuxpòv ^ rcûp xai yfjv xp^vxai yàp coç XIVTJ-
xix^jv êxovxt xtù Jtupi XTJV ipúuiv, ííSaxi Sè xai yí] xai xoTç
xoioùxoiç xoùvavxiov. — [iexà Sè xoúxouç xat xàç xotaúxaç àpxáç,
cbç oùx íxavwv oúacõv yewfjaai rfjv xaiv ovxcov çúatv, TuáXiv
ÙJT' aùxfjç xfjç àXr]0e£aç, aJarcep etirofiev, àvayxaÇó[ievoi xf]v
iyo\>Avj\v èÇfjxrjffav àpx^v. xoû yàp eù xai xaXâiç xà fjLèv
lytw xà Sè y£yvecr9aL xcõv övxwv tacdç oöxe rcGp oöxe yfjv oöx'
àXXo xâiv xotoúxcov où9èv oöx' etxòç atxiov eivai oõx' Ixeívooç
oEi^fjvai- oùS' aù xcõ aúxofiáxcp xai xtr/jQ xoaoûxov ibtixpé-
<|)ai íTpãy[ia xaXcõç eîxev. voûv Srj xtç eirccLv èveïvat, xa-
Bámp èv xoïç Çcóoiç, xai èv xfj «póaei xòv atxiov xoû XÓCTJJLOU
xai xfjç xáÇeajç Tuáarjç oíov v^çcov ècpáv7) Trap' eixfj Xéyov-
xaç xoùç jrpóxepov. çavepcõç (jièv oöv 'AvaÇayópav fajjiev
á4>á(ievov XOÚXOJV xcõv Xóycov, aíxíav S' è'xei TCpóxepov 'Ep-
[lóxtfioç ò KXaÇofiévioç eiroív. oí fièv oöv oííxcoç ÜTuoXajjtßi-
vovxeç afia xoû xaXãiç xfjv aîxiav àpx^v eivai xcõv Svxcov
e9eaav, xai xfjv xoiaúxTjv 89ev ^ XÍVTJCTIÇ uiuápxei xotç ouoiv.

ÚTto^xeúcreie 8' àv xiç "HaíoSov TCpcõxov Çrjxfjaai xò xoioÕ-


xov, xâv ei xiç íXXoç êpcúxa Ï} èTn.9ufiíav èv xoíç oüaiv ê9r)-
xev cí)ç àpxT]v, oíov xai ITap^evíSTiç- xai yàp ooxoç xaxa-
MEWlSiCV A 3/4. 9S4 b 1 • ?i

u m a c a u s a d e s s e tipo, e x c e t o , talvez, P a r m ê n i d e s , p e l o m e n o s
n a m e d i d a c m q u e a f i r m o u n ã o só a e x i s t ê n c i a d o u n o , m a s
t a m b é m a existência dc duas outras causas2'.
O s q u e a d m i t e m vários p r i n c í p i o s r e s o l v e m m e l h o r a q u e s - 5
t ã o , c o m o , por e x e m p l o , os q u e a d m i t e m c o m o p r i n c í p i o s o
q u e n t e e o frio o u o f o g o c a terra. E s t e s , c o m e f e i t o , s e r v e m - s e
d o f o g o c o m o se tosse d o t a d o de n a t u r e z a m o t o r a e, por o u t r o
lado, s e r v e m - s e cia água e da terra c dos o u t r o s e l e m e n t o s d e s s e
t i p o c o m o se f o s s e m d o t a d o s da n a t u r e z a c o n t r á r i a * 2 .
D e p o i s desses p e n s a d o r e s c depois da d e s c o b e r t a desses prin-
c í p i o s , i n s u f i c i e n t e s para p r o d u z i r a n a t u r e z a e os seres, os filó- m
sofos, f o r ç a d o s n o v a m e n t e pela própria v e r d a d e , c o m o já disse-
m o s , p u s e r a m - s e e m b u s c a de o u t r o p r i n c í p i o 2 ' . C o m e f e i t o , o
f a t o d c a l g u m a s c o i s a s s e r e m b e l a s o u b o a s c o u t r a s se t o r n a r e m
tais n ã o p o d e ser c a u s a d o n e m p e l o fogo, n e m pela terra n e m
por o u t r o e l e m e n t o desse g ê n e r o , e n ã o é v e r o s s í m i l q u e a q u e l e s
f i l ó s o f o s t e n h a m p e n s a d o isso. Por o u t r o lado, n ã o era c o n v e n i -
e n t e r e m e t e r t u d o ao acaso e á sorte.
Por isso, q u a n d o a l g u é m disse q u e na n a t u r e z a , c o m o nos LS
a n i m a i s , e x i s t e u m a I n t e l i g ê n c i a q u e é causa da o r d e m c da distri-
b u i ç ã o h a r m o n i o s a d c todas as c o i s a s , p a r e c e u ser o ú n i c o f i l ó s o f o
s e n s a t o , e n q u a n t o os p r e d e c e s s o r e s p a r e c e r a m g e n t e q u e fala
por falar. O r a , s a b e m o s c o m c e r t e z a q u e A n a x á g o r a s r a c i o c i n o u
desse modo24; mas afirma-se q u e l l c n n ó t i n i o dc C l a / . ò m c n a s 2 '
foi o p r i m e i r o a falar disso. E m t o d o c a s o , os q u e r a c i o c i n a r a m 20
d e s s e m o d o p u s e r a m a c a u s a do b e m e d o b e l o c o m o p r i n c í p i o
dos s e r e s e c o n s i d e r a r a m e s s e t i p o d c c a u s a c o m o p r i n c í p i o d o
q u a l se o r i g i n a o m o v i m e n t o dos seres.

4. IContinuação do exame das doutrinas dos predecessores


com particular atenção a Empédocles, Anaxágoras e
Demócrito I1

T o d a v i a , pocler-sc-ia p e n s a r q u e foi l l e s í o d o o p r i m e i r o a
b u s c a r u m a c a u s a d e s s e t i p o 2 , o u q u a l q u e r o u t r o q u e pôs c o m o
p r i n c í p i o dos seres o a m o r c o d e s e j o , c o m o o fez, por e x e m p l o , 25
Parmênides. Este, c o m efeito, ao reconstruira origem do universo
T£V. f^T A TA <SY>:iKA A

oxeuáÇcov TT|v xoû 7tavxòç yéveaiv "lupomcrtov fiév" çrjaiv


"epcoxa ÔecSv [IT)x£aaxo TUOCVXGL>V", 'HaíoSoç 8è "luávxcov JJLÈV
Tüpcúxiaxa x á o ç yèvex', aùxàp erceixa | yaï' eùpùaxepvoç . . . | TIS'
è'poç, 8ç Ttávxeaoi [lexaTipÉTiei àÔaváxoiaiv", QJÇ 8éov èv xoïç
ouaiv Ú T T Á P X E I V T t v 1 a W a v í)xiç xivrjoei xai auváíjei xà 7tpá-
y^iaxa. xoúxouç [ièv ouv TUÜÇ XP^I 8iaveT(xai 7tepi xoü xíç Tzpü>-
xoç, èJjÉaxa) xpCveiv uaxepov èirei 8è xai xàvavxía xoïç àya-
Ôotç èvóvxa èqpaívexo èv xíj qpúaei, xai où [lóvov xáçiç xai
xò xaXòv àXXà xai àxaijta xai xà ataxpóv, xai irXeíw xà
x a x à xõiv àyaÔcõv xai xà çaüXa xaiv xaX&v, ofíxojç ãXXoç
xiç qnXíav eLarjvtyxe xai veïxoç, èxáxepov èxaxépcùv aíxiov
xoúxcov. ei yáp xiç àxoXou9oú) xai Xafißavoi 7tpòç xí]v 8iá-
voiav xai [xf] irpòç S (JieXXtÇexai Xéycov 'EpteBoxXííç, eüpr|-
aei xr|v [ièv cpiAÍav aixíav oùaav xcõv àyaÔûv xà 8è velxoç
xcõv xaxcõv wax' ei xiç çaír) xpÓTtov xivà xai Xéyeiv xai
Tcpcüxov Xéyetv xò xaxòv xai xò àya9òv àpxàç 'E[iTte8oxXéa,
x á x ' âv Xéyot xaXcõç, eiTiep xò xcõv àyaÔõjv àírávxcov atxiov
aúxò xàya9óv èaxi [xai xüv xaxcõv xò xaxóv]. — oùxot [ièv ouv,
woTutp Xéyojxev, xai fiéxp1 xoúxou Suoív aíxíaiv £>v i\[J,iíç, 8icopí-
oa[iev èv xoïç 7tepi tpúaecJÇ ^[x^évoi çaívovxai, xfjç xe Í>XT)Ç xai
xoü 89ev f, xívrioiç, àjjLuSpãjç [lévxoi xai où9èv aaçcüç àXX' oíov
èv xaíç [xáxaiç oi àyújxvaaxot mnouaiv xai yàp èxeïvoi 7tepi-
<pepó|ievoi XÚTUTOUOI 7toXXáxiç xaXàç TuXriyáç, àXX' oüxe
èxeívoi àrcò ÈTtiaxT]|iT)ç ouxe oúxoi èoíxaoiv eESèvai o xi
Xéyouaiv- axe8òv yàp où9èv xpá>|ievoi çaívovxai xoúxoiç àXX'
f| x a x à [XLXpóv. 'Avaçayópaç xe yàp KT]XavÍÍ XP*í Tal
vcõ irpòç XT|V xoa[ioTtoiíav, xai cíxav àrcopriq] Sià xív' aixíav
i\ àváyxriç laxí, xóxe irapéXxei aúxóv, èv 8è xoïç àXXoiç
Ttávxa [lãXXov aixiãxai xcõv yiyvofiévojv rj voûv, xai 'Efi-
TteSoxXfiç èrci nXéov [ièv xoúxou xpr^ai xoïç aixCoiç, où [JLT|V
j M E U f f c t * , A -t, 9 3 4 b 2 4 9äio22 |

cliz: " P r i m e i r o entre todos os deuses < a D c u s a > produziu o


A m o r " ' ; e n q u a n t o I l e s í o d o diz: "Antes de tudo existiu o C a o s ,
depois foi a terra do a m p l o ventre e o A m o r que resplandece en-
tre todos os imortais", c o m o se ambos reconhecessem que deve
existir nos seres uma causa que move c reúne as coisas' 1 . Scja-nos
c o n c e d i d o julgar adiante a qual desses pensadores c o m p e t e a
prioridade".
Mas, c o m o era evidente na natureza a existência de coisas
contrárias as boas, assim c o m o a existência não só cia ordem c
beleza, mas t a m b é m da desordem e feiúra, e a existência dc ma-
les mais numerosos do que os bens, c coisas feias c m maior número
do q u e belas, h o m e outro pensador que introduziu a Amizade c
a Discórdia c o m o causas, respectivamente, desses contrários, S c
seguimos E m p é d o c l e s , e n t e n d e n d o - o segundo a lógica dc seu
p e n s a m e n t o mais do que segundo seu m o d o confuso de se expri-
mir, vemos q u e a Amizade é causa dos bens, e n q u a n t o a Discór-
dia é causa dos males. Assim sendo, se disséssemos que E m p é d o -
cles afirmou — antes, que foi o primeiro a afirmar — que o bem
e o mal são princípios, provavelmente estaríamos certos, pois a
causa de todos os bens é o próprio bem e a causa dc todos os
males c o próprio mal''.

Parece que esses, c o m o dissemos, a l c a n ç a r a m só duas das


" q u a t r o " causas distinguidas nos livros de Física, a saber: a causa
material e a causa cio m o v i m e n t o , mas dc modo confuso c obscu-
ro, tal c o m o se c o m p o r t a m nos c o m b a t e s os que não se exercita-
ram: c o m o estes, agitando-se em todas as direções, lançam be-
los golpes sem serem guiados pelo c o n h e c i m e n t o , t a m b é m aque-
les pensadores não parecem ter verdadeiramente c o n h e c i m e n t o
do q u e a f i r m a m . D e fato, eles quase nunca se servem dc seus
princípios .
O próprio Anaxágoras, na c o n s t i t u i ç ã o do universo, serve-
se cia < I n t e l i g c n c i a > c o m o dc um deus machina, c só q u a n -
do se e n c o n t r a c m dificuldade para dar a razão dc alguma coisa
evoca a Inteligência; no mais, atribui a causa das coisas a tudo,
m e n o s à Inteligência^.
E m p é d o c l e s utiliza m u i t o mais suas causas do q u e Anaxá-
goras, mas não se serve delas a d e q u a d a m e n t e c dc maneira co-
T í i N META TA A

0Ú6' íxavôjç, O Ö t ' èv XOUXOIÇ eÚpídXEl xà Ó[i.0X0y0Ú[JLEV0V. noX-


Xaxoü yoüv aúxtL [ièv cpiXía Siaxpívei xò Sè veíxoç auy-
xpívei. öxav (ièv yàp eíç xà oxoixeta Suaxrixai xò Jtãv úitò
xoü veíxouç, xóxe xò 7tüp eiç EV au yxp (vexai xai xãiv SXXcov
axoixeítov Exaoxov- 5xav Sè 7táXtv UÍTÒ xfjç çLXíaç auvícooiv
eíç xò ëv, àvayxaíov èÇ èxáaxou xà [xópia Siaxptveo9at
7ráXiv. — 'EfineBoxXfjç [ièv ouv raxpà xoúç ítpóxepov 7ipã>-
xoç xò xfy aixíav SieXetv eio^veyxev, où jxíav 7ioirjoaç
xTjv xfjç xivrjoetoç àpxfy àXX' èxépaç xe xai èvavxíaç, exi
Sè xà o>ç èv üXrjç E Ï S E I Xeyó^ieva axoixeïa xéxxapa irpwxoç
elirev (où [xíjv xprjiixí ye xéxxapmv àXX' á>ç Suaiv OÙCTL \i6-
VOLÇ, Tíupi (ièv x a 9 ' aúxò xoïç 8' àvxixetpivoiç cbç [XLÇC
<púoei, YÃ xv-i uSaxr Xißoi 8 ' Sv xiç aúxò
Öetopüv èx xaiv Ê7xcõv) • — oúxoç |xèv ouv, ókntep XÉYOJXEV, ouxto xe
xai xoaaúxaç eVprjxe xàç à p x à c AeúxiTnroç Sè xai ó èxaípoç
aúxoü Ar)|jt,óxpixoç axoixeïa [ilv xò luXfjpeç xai xò xevòv eívaí
9aai, Xéyovxeç xò [ièv 5V xò 8è JJLTI fív, xoúxcov 8è xò jièv
jrXíjpeç x a i axepeòv xò õv, xò 8è xevòv xò [rf] ôv (Siò
xai oúÔèv (xãXXov xò Bv xoü pfi ôvxoç eívaí çaaiv, öxi
oúSè xoü xevoü xò aã>|i.a), a m a Sè xaiv övxtov xaüxa â>ç
üXrjv. xai xaôáítep oi ev iroioüvxeç xf|v újioxetpévriv oúoíav
xáXXa xoïç 7tá9eaiv aúxrjç yEwaiai, xò jxavòv xai xò iru-
xvòv àpxàç XLÔ£[XEVOI xãiv 7ta6ri(jLáxojv, TOV aúxòv xpórcov
xai oúxoi xàç 8ia<popàç aixíaç xwv ÕXXOJV eívaí çaaiv. xaú-
xaç JXEVXOI xpeïç eivai Xéyouai, crxf)(xá xe xai xáÇiv xai
9£<jiv Siaçépeiv yàp ç a a t xò ôv jJuojjuL xai Sia9tyrj xai
xpojrfj |JLÓVOV* XOÚXOÍV 8è ó (ièv puajxòç axfi[Jiá èaxiv rj Sè
8ia9iyf| xáÇiç •/[ 8è xpoiríj 9£aiç- 8ta<pépei yàp xò [xèv A
xoü N ax^pLaxi xò 8è AN xoü NA xáÇei xò 8è Z xoü H
METAÍBICA. A A. 985 o 22 - b 18

c r c n t c . A m i ú d e , pelo m e n o s n o c o n t e x t o de seu discurso, a A m i -


zade separa e a Discórdia une. G u a n d o o todo se dissolve n o s efe- 25
m e n t o s por obra da D i s c ó r d i a , o fogo sc r e ú n e f o r m a n d o u m a
u n i d a d e , assim c o m o cada um dos o u t r o s e l e m e n t o s . Q u a n d o ,
a o c o n t r á r i o , por obra da A m i z a d e os e l e m e n t o s se r e c o m p õ e m
na u n i d a d e < d a E s f e r a > , as partes deles n e c e s s a r i a m e n t e se se-
p a r a m e n t r e si'.
E m p é d o c l e s , e m t o d o caso, d i f e r e n t e m e n t e dos predecesso-
res. foi o primeiro a introduzir a d i s t i n ç ã o dessa c a u s a , t e n d o afir- 30
macio n ã o u m único principio do m o v i m e n t o , m a s dois princípios
diferentes c a t e m e s m o contrários. A d e m a i s , c i e foi o primeiro a
dizer q u e os e l e m e n t o s dc natureza material são q u a t r o e m n ú m e -
ro. ( D e resto, ele n ã o se serve deles c o m o se fossem q u a t r o , m a s
c o m o se fossem apenas dois: d c um lado o fogo por c o n t a própria
e, de outro, os outros três — terra, ar c água — c o n t r a p o s t o s c o m o 9*5"
unia única natureza: pode-se extrair isso da c o n s i d e r a ç ã o d c seu
p o e m a ) . E s t e s e nesse n ú m e r o , portanto, são os princípios segundo
E m p é d o c l e s , c o m o dissemos 1 ". 5
Eeucipo 11 c seu s e g u i d o r D e m ó c r i t o 12 afirmam c o m o ele-
m e n t o s o c h e i o c o vazio, e c h a m a m u m d e ser c o o u t r o dc
n ã o - s e r ; m a i s p r e c i s a m e n t e , c h a m a m o c h e i o e o sólido dc ser
e o v a z i o d c n ã o - s e r ; e por isso s u s t e n t a m q u e o ser n ã o t e m
m a i s r e a l i d a d e d o q u e o n ã o - s e r , pois o c h e i o n ã o t e m m a i s
r e a l i d a d e q u e o vazio. E a f i r m a m esses e l e m e n t o s c o m o c a u s a s io
m a t e r i a i s dos seres. E c o m o os p e n s a d o r e s q u e consideram
c o m o ú n i c a a s u b s t â n c i a q u e f u n c i o n a c o m o s u b s t r a t o c expli-
c a m a d e r i v a ç ã o dc t o d a s as o u t r a s c o i s a s pela modificação
dela, i n t r o d u z i n d o o r a r e f e i t o e o d e n s o c o m o p r i n c í p i o s dessas
modificações, do m e s m o modo. Demócrito e Eeucipo dizem
q u e as d i f e r e n ç a s < d o s e l e m e n t o s > são as c a u s a s d c t o d a s as
o u t r a s . A l é m disso, eles d i z e m q u e são três as d i f e r e n ç a s : a fi-
g u r a , a o r d e m e a posição. C o m e f e i t o , e x p l i c a m eles, o ser so 15
d i f e r e pela p r o p o r ç ã o , pelo c o n t a t o c pela d i r e ç ã o . A p r o p o r ç ã o
c a forma, o c o n t a t o é a ordem e a direção é a posição. Assim,
A d i f e r e de N1 pela f o r m a , A N de N A pela o r d e m , e n q u a n t o Z
d i f e r e de EI pçla p o s i ç ã o . M a s eles t a m b é m , c o m o os o u t r o s ,
26 M META TA ÔYIJKA A

9Éaei. 7TE.pt Sè xivrjaecoç, O6EV îj itcôç ÚTcápÇet TOÎÇ oúai, xai


20 OÖTOL 7rapa7cXTioiajç TOÎÇ aXXoiç ^<jc6ù(xœç à ç e î o a v . 7tepi (Jtèv
oCv TWV Súo aÎTicûv, ùSarcEp Xiyo^ev, èjui TOOOÛTOV eoixev èij]-
•crjaÔai T^apà TCOV TupÓTepov.

'Ev Sè TOÚTOIÇ xai r.pò TOÚTÍOV oi xaXoú[xevoi Ilu0a-fópeioi


Tüiv (xa0T,(xáxojv á^ájXEVoi TtptõToi Taõxá TE Ttpornfayov, xai
25 âvTpaçèvreç èv AÜTOLÇ TTTÇ TOÚTTOV àpxàç TÕJV OVTTTV àpxàç
(ôriÔTjaav eivai rcávítov. ènd Sè TOÚTCOV oi àpiÔfioi «púaEi
TtpCÜTOl, èv Sè TOÚTOTÇ ISóxouv 0EíOpEÍV Ó^OlíÓ[XaTa ttoXXà
Totç ouai xai yiyvoixÉvoiç, (xãXXov f| èv 7tupi x a i yfj xai
uSaTi, 8 T I TO JJLÍV TOIOVSÍ TÍÕV àpi0[xã>v 7tá0oç SixaioaúvT)
IO TO Sè TOIOVSÍ {JÍÜX^ x t x a L voõç ETEpov Sè xatpòç xai TCÚV aX-
Xa>v íó; EÍ7TETV Exaarov ôjxoííoç, ETI Sè xûv ápfiovuLv èv àpi0-
[xoïç ópameç Ta 7rá0T| xai TOUÇ Xóyouç, — Í7tei Sf| T A p.èv aXXa
TOÏÇ àp'.0[j.oLç âçaívovTO TQV tpúatv àcpco|j.oiã>(30ai 7tãaav, oi
986* S* àpi0[XOÍ 7tátJ7lÇ T7)Ç 9Ü<TE<OÇ 7tp(Z>T0l, TÒ T&V àpl0[XÕ>V CTT01-
XEta xaiv ÕVTCOV CTTOTXEÍA 7rávxojv w£Xaßov eivai, xai TÒV
oXov oúpavòv ápjxovíav eivai xai àpi9[±óv xai ooa EÍXOV
Ó(X0A0Y0ÚFI£VA EV Te TOÍÇ àpiôjxoíç xai Talç àppovtaiç r.pòç
5 TÀ TOÕ oúpavoõ 7uá0r) xai [iípr\ xai Ttpòç T^V oXrjv Siaxó-
ajxrjaiv, TaÜTa CTitváyovrEç ècpTip^OTTOv. xâv EI T£ 7tou
SiéXetTte, 7ípoaeyXíxovro TOÕ auveipo[xivr|v ítãaav atkoíç eivai
TÍjv 7Tpay|xaTeíav' Xé-fa> 8' oíov, èTtetSfj TÉXeiov ri Sexàç
eivai SOXEÍ xai nãaav 7tepieiXTicpávat TT^V TCÕV àpi9|xãiv çyaiv,
io x a i Ta tpEpójjieva x a T a TÒV oúpavòv Séxa (ièv Eívaí 9aaiv,
MÇTAfiSlCA. A 4/5, 985 b 19 • 93é ü I 0 j

negligenciaram a q u e s t ã o d e saber dc o n d e deriva e c o m o existe


nos seres o m o v i m e n t o " . 20
A respeito das duas causas c m questão, c o m o dissemos, até
esse p o n t o c h e g o u a pesquisa dos pensadores precedentes.

5. jContinuação do exame das doutrinas dos predecessores


com particular atenção aos pitagórico s e aos eleu tas j[

O s assim c h a m a d o s pitagóricos : são c o n t e m p o r â n e o s e até


m e s m o anteriores a esses filósofos. Mies por primeiro se aplica-
ram às m a t e m á t i c a s , fazendo-as progredir c, nutridos por elas,
acreditaram q u e os princípios delas eram os princípios de todos 25
os seres. I ' dado que nas m a t e m á t i c a s os n ú m e r o s são, por sua
natureza, os primeiros princípios, c dado que justamente nos
n ú m e r o s , mais do q u e no fogo e na terra e na água, d e s acha-
vam que viam m u i t a s s e m e l h a n ç a s c o m as coisas q u e são e q u e
se geram — por exemplo, consideravam q u e d e t e r m i n a d a pro-
priedade dos n ú m e r o s ' era a justiça, outra a alma e o intelecto, 30
outra ainda o m o m e n t o e o ponto o p o r t u n o , c , e m jxnicax pala-
vras, dc m o d o s e m e l h a n t e para todas as outras coisas 4 — ; c alem
disso, por verem q u e as notas e o.s acordes musicais c o n s i s t i a m
c m n ú m e r o s ' : c, f i n a l m e n t e , porque todas as outras coisas e m
toda a realidade lhes pareciam feitas à imagem dos n ú m e r o s c
porque os números t i n h a m a primazia na totalidade da realidade, 9W>
pensaram q u e os e l e m e n t o s dos n ú m e r o s e r a m e l e m e n t o s de
todas as coisas, e que a totalidade do céu era h a r m o n i a c nú-
mero''. ITes recolhiam c sistematizavam todas as c o n c o r d â n c i a s
que c o n s e g u i a m mostrar e n t r t <i$ n ú m e r o s c os acordes musi-
cais. os f e n ô m e n o s , as partes cio ecu c todo o o r d e n a m e n t o cio 5
universo. J\ se faltava alguma coisa, eles se e s m e r a v a m c m intro-
duzi-la, dc moclo a tornar c o e r e n t e sua investigação. Por e x e m -
plo: c o m o o n ú m e r o dez parece ser perfeito c parece compreender
e m si toda a realidade cios n ú m e r o s , eles afirmavam q u e os cor-
pos q u e se m o v e m no céu t a m b é m deviam ser dez ; mas, c o m o to
apenas nove p o d e m ser vistos, eles introduziam um d é c i m o : a
Antiterra\
28 TßNMETATAOYSIKAA

õvxcov Sè êvvéa jxóvov xõòv ç a v e p á v S t à xoüxo Sexáxrjv


àvxíx9ova íioioüaiv. ôwópiaxai Si rcepi xotixwv áv ix£poiç
f)[iïv <ixpiߣaxepov. à X X ' o 5 SVj xáptv £nepxó|jLe9a, xoüxó èoxiv
Srtoç Xdtßo)(j.£v xai itapà xoúxwv xívaç eivai xiôéaui xàç
ií àpxàç xai Tcwç etç x à ç e£pT](xévaç èfiirÍTcxouaiv aixíaç. <pa£-
Xû£
vovxat Si) î ° 5 x o i xòv àpi9(iòv vo[xíÇovxeç àpxr)v eivai xai
(ÜÇ SXTJV xotç oöai x a i CBÇ ITÁ9T] xe x a i EÇeiç, xoü Sè àpi9[ioü
crcoixeTa xó xe ãpxtov x a i xò nepixxóv, xotíxtúv Sè xò [ièv n e -
itepaa|x£vov xò 8è âíteipov, xò 8 ' ev èij àfxtpoxépcov eivai xoú-
20 xa>v ( x a i y à p ã p x i o v eivai x a i itepixxóv), xòv S ' à p i 9 ^ ò v èx
xoõ èvóç, àpi9[ioòç 8£, xaÔáitep eípTjxai, xòv SXov oúpavóv. —
ëxepoi 8è xcõv aúx<õv XOISXOJV xàç ÀPXÀÇ 8 £ x a Xè^ouaiv eivai
x à ç x a x à a u a x o i x í a v X e y o j i i v a ç , rcépaç [ x a i ] ãiteipov, itepix-
xòv [ x a i ] à p x i o v , ev [ x a i ] 71X7)80;, SeÇiòv [ x a i ] àpiaxepóv, ãppev
25 [ x a i ] 9fjXu, Tipe[ioüv [ x a i ] xivoúpevov, eù9ù [ x a i ] xa|i7njXov, ç ã i ç
[ x a i ] (jxóxoç, à y a 9 ò v [ x a i ] x a x ó v , x e x p i y œ v o v [xat] éxepóji.7]xeç-
íívTtep xpóitov ëoixe xat 'AXx[ia£(ov ó Kpox&máx7)ç ÚTioXa-
ßetv, x a i íjxoi oõxoç 7tap' èxeívtov T) èxeívoi Jtapà xoúxou n a p è -
X a ß o v xòv X ó y o v xoõxov* x a i y à p [èyévexo xíjv ifjXixíav] ' A X x -
jo (iattjûv [lui yépovxi IIi>9ayóp(jc,] àTteçTjvaxo [Sè] TtapaTrXTjdtwç
xoúxoiç- <p7)CTÍ y à p elvat 8úo x à í t o X X à xaiv àv9pcú7iívtúv, X £ -
yajv xàç èvavxtóx7)xaç oiix óSorcep ouxoi Sicopiafiévaç àXXà
xàç xuxoúaaç, oíov Xeuxòv [i£Xav, yXuxù rcixpóv, àyaBòv
x a x ó v , [xéya jitxpóv. oõxoç j i l v ouv à S i o p í a x o j ç àitépptt|>e Jtepí
b
986 xtõv XoiTtâiv, oí 8è IIt>8ay0peioi x a i Ttóaai x a i xíveç a í èvav-
xitóaeiç àire<p^vavxo. 7tapà (ièv ouv xoúxtov àp-çoív xoaoûxov
METAFÍSICA. A 5. 986 o 1 1 - b 2

T r a t a m o s esses a s s u n t o s m a i s a c u r a d a m e n t e c m outras obras 9 .


A q u i v o l t a m o s a cies para ver. t a m b é m c o m esses filósofos, q u a i s
são os p r i n c í p i o s q u e eles a f i r m a m e de q u e m o d o e l e s e n t r a m n o
â m b i t o das c a u s a s das q u a i s f a l a m o s . T a m b é m e s t e s p a r e c e m 15
c o n s i d e r a r q u e o n ú m e r o c p r i n c í p i o n ã o só e n q u a n t o c o n s t i t u t i v o
m a t e r i a l dos seres, m a s t a m b é m c o m o c o n s t i t u t i v o das proprie-
dades c dos e s t a d o s dos m e s m o s " 1 . K m seguida eles a f i r m a m c o m o
e l e m e n t o s c o n s t i t u t i v o s d o n ú m e r o o par c o í m p a r ; dos q u a i s o
p r i m e i r o é i l i m i t a d o c o s e g u n d o l i m i t a d o . O U m deriva desses
dois e l e m e n t o s , p o r q u e é par e í m p a r a o m e s m o t e m p o . D o U m 20
p r o c e d e , d e p o i s , o n ú m e r o ; e os n ú m e r o s , c o m o d i s s e m o s , c o n s -
tituiriam a totalidade do universo".
O u t r o s p i t a g ó r i c o s a f i r m a r a m q u e os p r i n c í p i o s são d e / ,
d i s t i n t o s c m série < d c contráríos>:

(1) limitc-ihmitc,
(2) ímpar-par,
(3) um-múltiplo,
(4) dircito-csquerdo.
(5) macho-fêmea,
(6) repouso-movimento,
(7) reto-curvo,
(8) luz-trevas,
(9) bom-mau
(10) quadrado-rctângulo1-

Parece q u e t a m b é m A l e m c o n dc C r o t o n a pensava desse m o -


do, q u e r ele t e n h a t o m a d o essa d o u t r i n a dos p i t a g ó r i c o s , q u e r
estes a t e n h a m t o m a d o dele; pois A l e m c o n se d e s t a c o u q u a n d o
Pitágoras já era v e l h o c p r o f e s s o u u m a d o u t r i n a m u i t o s e m e l h a n t e 30
à dos p i t a g ó r i c o s . C o m e f e i t o , ele d i / i a q u e as m ú l t i p l a s coisas
h u m a n a s , e m sua m a i o r i a , f o r m a m pares de c o n t r á r i o s , q u e c i e
a g r u p o u n ã o d o m o d o p r e c i s o c o m o o f a z i a m os p i t a g ó r i c o s , m a s
ao a c a s o c o m o , por e x e m p l o : b r a n c o - p r e t o , d o c e - a m a r g o . b o m -
m a u , g r a n d e - p e q u e n o . F.le fez a f i r m a ç õ e s d e s o r d e n a d a s a r e s p e i t o
dos pares de c o n t r á r i o s , e n q u a n t o os p i t a g ó r i c o s a f i r m a r a m clara- SW
m e n t e quais c q u a n t o s s ã o 1 ' .
Tí.iN META TA ®YIIKA A

eVci Xaßetv, ÛTL xàvaveia àpxai xã>v övxtov xò 8 ' oaai


rcapà xùbv èxèptùv, xai XÍVEÇ aúxaí eíatv. TUÚÇ [xévxoi Ttpòç
5 xàç eíprijjLÉvaç aixtaç èvSé/exai auváyEiv, aacpaiç [ièv oú
Si^pOpcùxat Trap' èxeívcúv, èoíxaai 8' Á>ç èv ÍÍXTJÇ eï8ei xà
axoix&ïa xáxxeiv èx TOÚXGÚV *fàp <bç èvuTrapxóvxwv cruveaxá-
vat xai lueíiXáaGai cpaai xfjv oúaíav. — x&v [ièv oúv TOxXaiõiv
xai TIXEÍCÚ Xeyóvxcúv xà axoixEta xfjç ÇÚOEOÍÇ èx TOÚTCOV íxa-
io vóv e<m öeojpfjaai xíjv Siávoiav- eíai Sè XLVEÇ di irepi xoü
Ttavxòç á)ç jjLiãç OUOTJÇ cpúaeoiç àíte<pf]vavxo, xpóiuov 8è où xòv
aúxòv rcávxeç oííxe xoü xaXã>ç oiíxe xoü x a x à xrjv tpúaiv. etç
jièv ouv xf[v vüv axécjuv x õ v atxícov oúSajjicòç auvap|xóxxei Ttepi
aúxí>v ó Xóyoç (où yàp oS<i7tep evioi xüv (puatoXóftúv Ev ÚTTO-
is 0è|ievoi xò 8v SjJLtúç *fevvä>atv cí>ç il; GXrjç XOÜ èvÓç, àXX' EXE-
pov xpÓTtov ouxoi Xeyouatv èxeîvoi [xèv yàp npoaxiö&aai xíwiatv,
"fevvùivxéç ye xò irãv, oúxoi 8è àxívr|xov eívaí çaoiv)- oú |JLT]V
àX'Xà xoaoüxóv yt oíxeíóv eaxt xfj vüv axec|>ei. IlapjJ.eví8ri;
jjièv yàp èotxe xoü x a x à xòv Xóyov èvòç anxeaOai, MèXiaaoç
20 8è xoü xaxà tt|v öXrjv (Stà xai ó [ièv 7ie7repa<r|jL£Vov ó 8'
àTteipóv cprjaiv eivai aúxó) • HEvoçávrjç 8è Ttpüxoç xoúxojv èví-
aaç (ó f à p EIap|jLeví8riç xoúxou Xéyexai *fevéa0ai [La^qrqç) oúÔèv
Sisaaçr|via£v, oú8è xfjç çúoeojç xoúxwv oúSexépaç èoixe öifetv,
àXX' eiç xòv oXov oúpavòv ài^XÉcJjaç xò êv eívaí cprjai xòv
25 0EÓV. oiíxoi [xèv ouv, XAOÁITEP £i7to|ji£V, àçexéoi Ttpòç xrjv
vüv Çf|XT]aiv, oi [xèv 8úo xai Trájjiraxv OJÇ Svxeç [xixpòv
àypoixóxepoi, Hevo<pávriç xai MéXioaoç- IIap|jLev£8riç 8è
jlãXXoV ßXETICOV I'oiXÉ TtOU XÉfElV* TTapà yàp XÒ 5v XÒ |JLT|
5v oú0èv àçiôiv Eivai, èç àváfxriç EV oÍExai EÍvat, xò ò'v, xai
METAFÍSICA. A 5, 906 -29

D e s t e c d a q u e l e s p o d e - s e e x t r a i r a p e n a s o s e g u i n t e : os c o n -
trários são os p r i n c í p i o s dos seres; m a s q u a n t o s e q u a i s são e l e s
só se e x t r a i dos p i t a g ó r i c o s . M a s n e m m e s m o p e l o s p i t a g ó r i c o s
esses c o n t r á r i o s f o r a m a n a l i s a d o s d c m a n e i r a suficientemente
clara a p o n t o d e se e s t a b e l e c e r de q u e m o d o é possível r e d u z i -
los às c a u s a s das q u a i s f a l a m o s ; p a r e c e , e n t r e t a n t o , q u e eles aIrrí- 5
b u e m a seus e l e m e n t o s a f u n ç ã o cie m a t é r i a . D e fato, eles d i z e m
q u e a s u b s t â n c i a é c o m p o s t a e c o n s t i t u í d a por esses e l e m e n t o s
c o m o p a r t e s i m a n e n t e s a ela 1 1 .

O q u e foi d i t o é s u f i c i e n t e para se c o m p r e e n d e r o p e n s a -
m e n t o dos a n t i g o s q u e a d m i t i a m u m a p l u r a l i d a d e d e e l e m e n -
t o s c o n s t i t u t i v o s da n a t u r e z a . 10
O u t r o s filósofos s u s t e n t a r a m q u e o u n i v e r s o é u m a realida-
de ú n i c a , m a s n ã o f a l a r a m t o d o s d o m e s m o m o d o , seja q u a n t o
à e x a t i d ã o da i n v e s t i g a ç ã o , seja a c e r c a da d e t e r m i n a ç ã o d e s s a
r e a l i d a d e , U m a d i s c u s s ã o s o b r e e s s e s filósofos f o g e a o e x a m e
cias c a u s a s q u e agora e s t a m o s d e s e n v o l v e n d o . C o m e f e i t o , eles
não p r o c e d e m c o m o alguns filósofos naturalistas, q u e , m e s m o
a f i r m a n d o a u n i d a d e d o ser, f a / . c m derivar as c o i s a s cio u m c o m o
da m a t é r i a , m a s o f a z e m cie m o d o t o t a l m e n t e d i f e r e n t e . O s n a - L5
l u r a l i s t a s , a o e x p l i c a r a g e r a ç ã o cio u n i v e r s o , a t r i b u e m a o U m o
m o v i m e n t o ; estes filósofos, por sua vez, a f i r m a m q u e o U m c i m ó -
vel. N ã o o b s t a n t e isso, o q u e d i r e m o s c m seguida está r e l a c i o n a d o
c o m a pesquisa que estamos desenvolvendo
P a r m c n i d e s p a r e c e ter e n t e n d i d o o U m s e g u n d o a forma 1 '',
M c l i s s o s e g u n d o a m a t é r i a ( c por isso o p r i m e i r o s u s t e n t o u q u e 20
o U m é limitado, o outro que é ilimitado)1'. Xcnófancs afirmou
a n t e s deles a u n i d a d e cio t o d o ( d i z - s e , c o m e f e i t o , q u e P a r m c n i -
d e s foi seu d i s c í p u l o ) , m a s n ã o o f e r e c e n e n h u m e s c l a r e c i m e n t o
c n ã o p a r c c c ter c o m p r e e n d i d o a n a t u r e z a n e m de u m a n e m de
o u t r a d e s s a s c a u s a s , m a s , e s t e n d e n d o sua c o n s i d e r a ç ã o a t o d o o
universo, afirma que o U m é Deuslí!.
Para a p e s q u i s a q u e e s t a m o s d e s e n v o l v e n d o , c o m o disse- 25
m o s , p o d e m o s d e i x a r de l a d o dois d e s s e s f i l ó s o f o s , X c n ó f a n c s e
M c l i s s o , por s e r e m suas c o n c e p ç õ e s u m t a n t o grosseiras 1 ' 1 ; Par-
mcnides, ao contrário, parece raciocinar c o m mais perspicácia.
Por c o n s i d e r a r q u e a l é m cio ser n ã o e x i s t e o n ã o - s e r , n c c c s s a r í a -
TON META TA QYXIKA A

àXXo où0év (irepi o 5 aacpÉaxepov èv xoîç Jtepi cpúaecüç eipi|xa-


[ i e v ) , àvayxaÇó|ievoç 8 ' àxoXou0eïv xoïÇ çatvofiévotç, x a í TÒ
ev |xèv x a x à TÒV Xóyov 7iXeíco 8è xaxà xfy aîbÔrjoiv ÚTO-
Xapßavcov elvat, 8úo x à ç aixíaç xaí 8úo xàç àpxàç ítáXtv
TL9T)CTI, Gepfxòv x a í c[iuxpóv, olov mip x a i YR^V Xéycov xoú-
xcov 8è x a x à (xàv TÒ 5V TÒ 0ep[Jiòv x á x x e t 0àxepov 8è xaxà
TÒ [xí] ov. — èx [xèv ouv XCÕV eipT][xévcov x a i Ttapà xtõv OUVT)-
Speuxóxcov TJST] TW Xóycú aoipõiv x a ü x a 7iapeiXritpa|J.ev, itapà
[xèv xcõv TTptÓTwv acojjtaxix^v Te TTjV àpxrçv (ÜScüp y à p xai
xüp x a i Tà TotaÛTa a c õ p a x á è a x i v ) , x a t xtõv [ièv [líav xcõv
8è TiXeíouç xàç àpxàç xàç aco|iaxixáç, à[i<poxéptov [jtévxot
x a ú x a ç coç èv üXrjç eíSei xiOévxcov, mxpà 8 é xivcov xaúx7)v xe
xT|v a i x í a v xiGévxaiv x a i rcpòç xaúxr] XT|V ô9ev í) xívrjatç, xai
xaúx7)v Tuapà xcõv (xèv [xíav íiapà xcõv 8è 8úo. jJtéxpt [xèv
ouv xéõv 'IxaXLXcõv x a i x ^ p k èxeívcov popuxcoxepov eipr|xaotv
oi àXXot Ttepi auxcõv, rcX^v warcep emojiev 8uoTv xe atxíatv
•tufx^vouat xexpTlfAÊVot, x a i xoúxcov xrjv éxépav oí fxèv [xíav
oí 8 è 8úo 7toioö(H, XTjv o9ev t) xívr]aiç- oí 8 è nuOayópetot 8úo
|x,èv x à ç àpxàç xaxà xòv aúxòv eip^xaai xpórcov, xoaoüxov
8è 7ipoae7té9eaav o xaí tSióv èaxiv aúxãjv, oxt xò 7te7tepa-
(T|j,ávov x a i xò a7tetpov [ x a i xò ev] o ú x éxépaç xtvàç à)T|0rjaav
eivai cpúaeiç, oTov rcõp T) ffjv í) xi xotoûxov exepov, à X X ' a ú x ò
xò ãrcetpov x a i a ú x ò xò ev ouaíav eivai xoúxcov tLv x a x r i y o -
poüvxai, 8iò x a i àpt9jjtòv eivai XT]V ouaíav 7iávxtúv. nepí xe
XOÚXCÚV ouv xoüxov àTCeçrjvavxo xòv xpóítov, x a i Jtepi xoü xí èaxiv
rípÇavxo (xèv Xéyetv x a i ópíÇeaOat, Xíav 8 ' àTiXcõç èjtpaypa-
xeú0Tjaav, tõpíÇovxó xe y à p èjtiTcoXaítoç, x a i w rcpcõxcp úvcáp-
ijetev ò Xex0eiç opoç, x o ü x ' eivai irf|v oúaíotv xoü TtpáTjxaxoç èvó-
[iiÇov, Îùgtzep ei xtç otoixo xaúxòv eivai S m X á a i o v x a í XT]V

8uá8a Stóxi Jtptõxov ÚTtápxei xoíç Suai xò SutXáaiov. àXX'


ou xaúxòv 'locoç èaxi xò eivai 8i7iXaaíco x a i 8 u á 8 r ei 8 è \ir\,
METAFÍSICA, A 5. 966 b 30 • 987 o 7b

m e n t e deve crer q u e o ser é um e nada mais (discorremos sobre


isso de m o d o mais profundo na Física)2". E n t r e t a n t o , forçado a
levar e m c o n t a os f e n ô m e n o s , e supondo q u e o um é segundo a
razão, e n q u a n t o o múltiplo é segundo os sentidos, t a m b é m ele 98?-:
afirma duas causas c dois princípios: o q u e n t e c o frio, q u e r di-
zer, o togo e a terra; atribuindo ao q u e n t e o e s t a t u t o do ser e ao
frio o do n ã o - s c r 1 .
C o n c l u i n d o , das afirmações c das doutrinas dos sábios con-
sideradas na presente discussão extraímos o seguinte. Os primei-
ros filósofos afirmaram o princípio material (dc fato, á g u a " , fogo 2 '
e semelhantes 2 ' 1 são corpos); alguns o afirmaram c o m o ú n i c o 2 ' , 5
outros c o m o uma pluralidade de princípios materiais 2 6 ; uns c
outros, c o n t u d o , os consideraram de natureza material. 1 lá ainda
os q u e a f i r m a m , alem dessa causa*', t a m b é m a causa do movi-
m e n t o , e esta, segundo alguns dcstcs 2 s é uma só, segundo outros
são duas 2 ".
Até os filósofos itálicos' 11 ( c o m e x c e ç ã o deles), todos os filó- 10

sofos discorreram de m o d o i n a d e q u a d o sobre as causas. Estes


- c o m o dissemos — dc algum m o d o recorreram a duas causas,
c a l g u n s " afirmaram q u e a segunda dessas causas — a causa do
m o v i m e n t o — é uma só, e n q u a n t o outros a f i r m a r a m serem
duas' 2 . O s pitagóricos a f i r m a r a m do m e s m o m o d o clois princí-
pios, mas acrescentaram a seguinte peculiaridade: consideraram 15
que o l i m i t a d o , o ilimitado e o um não eram atributos dc outras
realidades (por exemplo, fogo ou terra ou alguma outra coisa),
mas q u e o próprio ilimitado e o um eram a substância cias coisas
das quais se predicam, c que por isso o n ú m e r o eia a substância
dc todas as coisas 5 '.
A respeito das causas, portanto, os pitagóricos se expressa- 20
ram do seguinte modo. Eles c o m e ç a r a m a falar cia essência c a dar
definições, mas o fizeram de maneira m u i t o simplista'" 1 . C o m
efeito, definiram de m o d o superficial, pois consideravam que
aquilo a que primeiramente se atribuía determinada definição
era a substância das coisas: c o m o sc alguém acreditasse que o
cluplo e o n ú m e r o dois são a m e s m a coisa, porque o número dois
é aquilo do qual c m primeiro lugar sc predica o duplo. Mas não 25
são c e r t a m e n t e a mesma coisa a essência do duplo c a essência do
34 T í i N MLÏ A T/l (DYXIKA A

rroXXà t ò ev èoxai, o xàxeivotç auveßaivev. rcapà [iiv o5v


xcõv rcpóxepov xat xcõv ãXXtov xoaaüxa ëaxi XaßeTv.

6
Mexa 8è xàç eipT)[iivaç cpiXoroçtaç T| üXáxtovoç iize-
30 yévexo Jipay^axeía, xà |jièv juoXXà xoóxotç àxoXouGoõaa, xà
8è xai íSia rcapà x^v xtõv 'IxaXixtõv èxouaa <ptXoaoq>íav.
èx véou xe yàp auv^ôriç y^ópevoç lupcõxov KpaxiiXto xai xaíç
'HpaxXeixeíoiç 8óÇaiç, tlbç àrafcvxcov xtõv a£aGr]xã>v àei peóv-
xtov xai én:KTxr)[xriç rcepi aùxûv oùx où'ariç, xaõxa [ilv xai iíaxe-
9871 pov oííxcúç OTceXaßev* Scúxpáxouç 8è jrepi [ièv xà T|9ixà
7cpay(J.axeuo[J.£voo ícept 8è x^ç ÔXTJÇ cpúuetoç oúGév, iv [xévxoi
xoúxoiç xò xaÔóXou Çr]xoõvxoç xai icepi ópiqjitõv èjriox^aavxoç
Tuptbxoo xrjv Siávotav, èxeívov à^o8eÇá[xevoç 8ià xò xoioõxov
s 07u£Xaßev tóç Ttepi èxépa>v xoõxo yiyvópevov xai où xtõv aiaGr)-
xtõv àôóvaxov yàp eivai xòv xoivòv öpov xcõv aiaÔrjxtõv
xivóç, àei ye (jLexaßaXXovxtov. oùxoç o5v xà [xèv xoiaõxa xtõv
övxtov iSéaç TrpooTjYÓpeuae, xà 8 ' aiu9r)xà rcapà xaoxa xai
xaxà xaõxa XéyeaGai rcávxa- xaxà [xéÔeÇiv yàp elvai xà
îo TcoXXà ó(J.tõvü[jia xotç elSeaiv. XT]V 8è (léGeijiv xo£>vo|J.a
(jióvov (JiexeßaXev oi [xèv y à p Iïu9ayôpeiot (jLt(xr]cret x à Õvxa
tpaatv eivai xtõv àpi9[icõv, ÜXáxtov 8è [xeÔéÇei, xouvopa (j,exa-
ßaXtöv. xrjv [jiévxoi ye [xèSeÇiv F) xí]v [JIÍ[JIT)CTIV rfriç av e'i'r\
xtõv etScõv àçeîaav èv xoivtõ Çr)xeîv. è'xt 8è jtapà xà aiaGrjxà
is xai xà et8r) xà [xa9r)[jiaxixà xtõv Ttpayjjiáxtiiv eivai 97)01
METAFÍSICA. A S/ó. 987 a 27 b 15

dois; sc f o s s e m , o u m seria a o m e s m o t e m p o m u i t a s c o i s a s , e esta


é a conseqüência em que incorrem1'.
Isso, p o r t a n t o , c o q u e se p o d e a p r e n d e r dos p r i m e i r o s filó-
sofos c d c s e u s s u c e s s o r e s .

6. [Continuação do exame das doutrinas dos predecessores


com particular atenção a Platãoj 1

D e p o i s das filosofias m e n c i o n a d a s , surgiu a d o u t r i n a d c Pla-


tão, q u e , c m m u i t o s p o n t o s , s e g u e a dos p i t a g ó r i c o s , m a s apre- 30
s e n t a t a m b é m c a r a c t e r í s t i c a s próprias, e s t r a n h a s â filosofia d o s
itálicos.
P l a t ã o , c o m e f e i t o , t e n d o sido d e s d e j o v e m a m i g o d c C r á t i l o
e s e g u i d o r das d o u t r i n a s h e r a e l i t i a n a s , s e g u n d o as quais todas as
c o i s a s sensíveis e s t ã o e m c o n t í n u o f l u x o c das q u a i s n ã o se p o d e
f a / c r c i ê n c i a , m a n t e v e p o s t e r i o r m e n t e essas c o n v i c ç õ e s 2 . Por sua
vez, S ó c r a t e s o c u p a v a - s e de q u e s t õ e s é t i c a s c n ã o da n a t u r e z a c m 9ft7-
sua t o t a l i d a d e , m a s b u s c a v a o universal n o â m b i t o d a q u e l a s q u e s -
tões, t e n d o sido o p r i m e i r o a fixar a a t e n ç ã o nas d e f i n i ç õ e s ' . O r a ,
Platão a c e i t o u essa d o u t r i n a s o c r á t i c a , m a s a c r e d i t o u , por c a u s a
da c o n v i c ç ã o a c o l h i d a dos h e r a e l i t i a n o s , q u e as d e f i n i ç õ e s se refe-
rissem a o u t r a s realidades c n ã o às realidades sensíveis. D c fato, ;
ele c o n s i d e r a v a impossível q u e a d e f i n i ç ã o universal se referisse a
a l g u m dos o b j e t o s sensíveis, por e s t a r e m s u j e i t o s a c o n t í n u a m u -
d a n ç a . E n t ã o , ele c h a m o u essas outras realidades Ideias"1, a f i r m a n d o
q u e os sensíveis e x i s t e m a o l a d o ' delas c delas r e c e b e m s e u s n o m e s .
C o m e f e i t o , a pluralidade das coisas sensíveis q u e t ê m o m e s m o
n o m e das F o r m a s e x i s t e por " p a r t i c i p a ç ã o " nas F o r m a s . N o q u e 10
se refere â " p a r t i c i p a ç ã o " , a ú n i c a i n o v a ç ã o de P l a t ã o foi o n o m e .
I ) c fato, os pitagóricos d i z e m q u e os seres s u b s i s t e m por " i m i t a ç ã o "
dos n ú m e r o s ; P l a t ã o , ao invés, diz " p o r p a r t i c i p a ç ã o " , m u d a n d o
a p e n a s o n o m e . D c t o d o m o d o , t a n t o uns c o m o o o u t r o d e s c u i d a -
ram i g u a l m e n t e d c indicar o q u e significa " p a r t i c i p a ç ã o " c " i m i t a -
ç ã o " das F o r m a s " .
A d e m a i s , e l e a f i r m a q u e , a l é m cios sensíveis c das F o r m a s ,
e x i s t e m os E n t e s m a t e m á t i c o s " i n t e r m e d i á r i o s " e n t r e u n s e as 15
TÜN META TA tDYÏIKA A

(jiexaÊiú, 8ia<p£povxa xcõv (xèv aiaÔrixcõv xtõ àt8ia xat àxi-


vrçxa eivai, xcõv 8 ' eîScôv xcõ xà (xèv J I Ó X X ' àxxa Sfxota eivai
xò 8è eiBoç aúxò Ev iíxaaxov [lóvov, áítei 8' aixia xà et8r)
xoîç àXXoiç, xàxeivcùV axotxeïa jiávxajv cp*)^ xcõv ovxojv eivai
oxoixeïa. diç [ièv oúv ÍÍXT)V xò [liya xai xò [itxpòv eivai
àpxáç, cbç 8 ' oúaíav xò ev èxeívwv yàp xaxà [léôeÇtv xoõ
èvòç xà eíSí] eivai (xai) xoùç àpi9[ioúç. xò [lévxoi ye êv oúaíav
eivai, xai [ií| exepóv yé xi 8v XéyeaÔai lv, TtaparcXTiaícoç xoïç IIu-
Ôayopeíoiç eXeye, xai xò xoùç àpi9[ioòç atxíouç eivai xoïç aXXoiç
xfjç oúaíaç (íjaaúxajç èxeívoiç- xò 8è àvxl xoü àrceípou <í)ç évòç
8uá8a iroifjaai, xò 8 ' àireipov áx fieyáXou xai fr.xpoü, xoõx'
ïSiov xai êxi ó [ièv xoùç àpi9fioùç irapà xà aia9r)xá, oi 8'
àpi9(xoùç eivai <paaiv aùxà xà Jtpáyfiaxa, xai xà [ia9ri[ia-
xixà [lexaÇò XOÚXCÚV oú xi0éaaiv. xò filv oöv xò ev xai xoùç
àpt9[ioùç ítapà xà rcpáy[iaxa iroifjaai, xai [ií| &cnztp oí
IIu9ayópeioi, xai íj xcõv eiSãv eEaaywyíi 8ià xíjv áv xoïç Xó-
yotç áyévexo <JX£C|HV (oí yàp ítpóxepot SiaXexxtxfjç oú [lexeï-
Xov), xò 81 8uá8a rcoifjaai xíjv éxépav <púaiv 8ià xò xoùç
àpi0fioùç eÇoj xcõv îtpdixcùv eúfpucõç aùxfjç yevvão9ai <£>a-
irep ex xivoç áxfiayeiou. xaíxoi crujjißaivei y ' ávavxíwç* où
yàp eöXoyov OUTÒJÇ. OÍ [xèv yàp èx xfjç UXTJÇ icoXXà rcoioüaiv,
xò 8 ' eiSoç aitaÇ yevvç fióvov, çaivexai 8' èx (xiãç Í!XT)Ç
[lia xpáíteÇa, ó 8è xò ei8oç áiriçépojv eiç ô>v jtoXXàç iroieï.
ò[xoí(oç 8 ' exei xai xò ãppev Jipòç xò 9fjXu- xò [ièv yàp
ÚTTÒ (Jiiãç jtXíipoCxai òxetaç, xò 8' àppev ítoXXà 7tXr}p6r
xaíxoi xaüxa [II[IT|[iaxa xcõv àpx<õv èxeívwv áaxív, IlXá-
j METAFÍSICA, A 6, 987 b 1 6 -

o u t r a s , q u e d i f e r e m d o s s e n s í v e i s , por s e r e m i m ó v e i s c e t e r n o s ,
e das F o r m a s , por e x i s t i r e m m u i t o s s e m e l h a n t e s , e n q u a n t o c a d a
Forma é única c individual.
P o r t a n t o , p o s t o q u e as F o r m a s s ã o c a u s a s das o u t r a s c o i s a s ,
P l a t ã o c o n s i d e r o u os e l e m e n t o s c o n s t i t u t i v o s das F o r m a s c o m o
os e l e m e n t o s d c t o d o s os s e r e s . C o m o e l e m e n t o m a t e r i a l das 20
Formas ele punha o grande c o p e q u e n o , c c o m o causa formal
o U m ; d e fato, c o n s i d e r a v a q u e as F o r m a s < c > os n ú m e r o s d e -
r i v a s s e m por p a r t i c i p a ç ã o d o g r a n d e c d o p e q u e n o n o Um\
O u a n t o à a f i r m a ç ã o de q u e o u m c s u b s t â n c i a c não algo
d i f e r e n t e d a q u i l o a q u e sc p r e d i c a , P l a t ã o se a p r o x i m a mui-
t o d o s p i t a g ó r i c o s ; c , c o m o o s p i t a g ó r i c o s , c o n s i d e r a os n ú m e -
ros c o m o c a u s a da s u b s t â n c i a d a s o u t r a s c o i s a s . E n t r e t a n t o , c 25
p e c u l i a r a P l a t ã o o f a t o de t e r p o s t o n o l u g a r d o i l i m i t a d o e n -
t e n d i d o c o m o unidade, u m a díade, e o fato de ter c o n c e b i d o
o ilimitado c o m o derivado do grande e do p e q u e n o . Platão,
a l e m d i s s o , s i t u a os N ú m e r o s fora d o s s e n s í v e i s , e n q u a n t o os
p i t a g ó r i c o s s u s t e t a m q u e os N ú m e r o s são as p r ó p r i a s c o i s a s c
n ã o a f i r m a m os E n t e s m a t e m á t i c o s c o m o i n t e r m e d i á r i o s e n t r e
a q u e l e s e estas''.
O f a t o d c ter p o s t o o U m c os N ú m e r o s fora d a s c o i s a s , à 30
d i f e r e n ç a d o s p i t a g ó r i c o s , e t a m b é m o ter i n t r o d u z i d o as F o r -
m a s f o r a m as c o n s e q ü ê n c i a s da i n v e s t i g a ç ã o f u n d a d a n a s p u -
ras n o ç õ e s 1 " , q u e c p r ó p r i a d c P l a t ã o , p o i s os p r e d e c e s s o r e s n ã o
c o n h e c i a m a dialética11. M a s , o ter posto u m a díade c o m o na-
tureza o p o s t a a o U m tinha c m vista derivar f a c i l m e n t e dela, 9S8-'
c o m o d c u m a m a t r i z , t o d o s os n ú m e r o s , c x e c t o os p r i m e i r o s 1 2 .
E n t r e t a n t o , o c o r r e u e x a t a m e n t e o c o n t r á r i o , pois e s s a d o u t r i -
na n ã o é r a z o á v e l . C o m e f e i t o , c i e s d e r i v a m m u i t a s c o i s a s da
m a t é r i a , e n q u a n t o da F o r m a d e v e r i a d e r i v a r u m a ú n i c a c o i s a .
M a s é c l a r o q u e d c u m a ú n i c a m a t é r i a se e x t r a i , p o r e x e m p l o ,
uma única mesa, e n q u a n t o o artesão q u e aplica a forma, mes-
m o s e n d o u m só, p r o d u z m u i t a s m e s a s . T e m - s e a q u i a m e s m a
r e l a ç ã o q u e se t e m e n t r e m a c h o c f ê m e a : e s t a c f e c u n d a d a por 5
uma única cópula, e n q u a n t o o m a c h o pode fecundar muitas
l ê m c a s ' \ E^stas são i m a g e n s i l u s t r a t i v a s d a q u e l e s princípios.
TON META TA ©YÏIKA A

tgjv [ièv ouv Tcepî. xcõv ÇriTOupévùiv ouxco Siwpiaev «pavspòv 8'
ix xcõv eîpT)(JI£vcov ÔTi 8uoîv aîxiatv jiòvov xÉxpTjxat, xfj xe
10 TO G x£ iari xat xfj x a x à xrjv û'Xtiv (xà yàp EÎSTJ XOÜ TÎ ècrav
a't'xia xoîç àXXotç, xoîç 8' efôeai TÒ l'v), xaí xíç t[ uXri TJ
Ú7coxei[i£vr| x a 0 f fjç xà ELÙT) (JLÈV íkI xcõv aiaQrjxwv xò 8'
Ev iv xoîç e'iSeat Xéyexat, oxt aüxr] Suáç áaxt, xò [iéya xai
xò jitxpóv, exi 8è XT]V xoü eu xai xoü xaxãiç aixíav xoîç axot-
IÎ X£Í°W àTuÉôwxEv exaxépoiç exaxépav, ûarcep <papèv xai xtõv
Ttpoxépwv ájui^Tjxfjaaí xtvaç 91X0009 wv, otov 'EfiTceSoxXéa
xai 'AvaÇayópav.

Suvxópcoç piv oùv xai xe9aXatti)8tõç áTteXiriXiSOapev xívsç


XE x a i TUCÕÇ XUyxávOUCTlV E{pT]XÓXEÇ jIEpí XE XCÕV àpxtõv
20 xai xijç àXT)0EÍaç- Ôficoç 8è xoaoüxóv y* îyjO[Ltv IÇ aúxcõv,
Sxi xcõv Xeyóvxwv TUEpi àpxfjç XAI atxíaç oò0eiç EÇCÜ xtõv h
xotç Ttepi 9t5aecoç tifiív 8ttopia(xÉvt>jv eipiptEV, àXXà rcávxeç
àpuSpûç [xèv éxeívov 8é moç 9aívovxat Gtyyávovxeç. oi (xèv
yàp clbç ÜXT]V x-F]v àpx^v Xéyooatv, àv xe (xíav <£v xe ÍTXEÍOUÇ

25 úito0tõat, xai éáv xe atõjxa éáv xe àdíõ^axov xoüxo xiOtõaiv (oíov


nXáxcov [XÈV xò [xéya xat xò ptxpòv Xéywv, oi 8 ' 'IxaXtxoi
xò ãrcetpov, 'E[X7ce8oxXfíç 8è jtüp xai yfjv xai ü8wp xai
àépa, 'Avaijayópaç xtjv xtõv ófiotopeptõv àuetpíav ouxoí
xe 8í| jtávxeç xfjç xotaúxr)ç aixíaç rippevot eicjí, xai ext fSaoi
» àépa IJ rcûp rj üStop Í] rcupòç (xèv rcuxvóxepov àépoç 8è XETIXÓ-
xEpov- xai yàp XOLOÕXÓV TIVEÇ eiprjxaotv etvat xò rcptõxov
axoixeíov)- —ouxot fxèv ouv xaúxr]ç xfjç aíxíaç íjc|>avxo [xóvov,
EXEpot 8é XIVEç Ö0EV •}] àpx^l xfjç xtvT|aeíoç (oíov Sa01 9iXíav
METAFÍSICA, A 6/7, 988 a 3 • 33

Platão, p o r t a n t o , resolveu desse m o d o a q u e s t ã o q u e e s t a m o s


investigando.
D o q u e dissemos, fica claro que ele recorreu a apenas duas
causas: a formal c a material. D c fato, as Idéias são causas for- 10
mais das outras coisas, c o U m c causa formal das Idéias. E à
pergunta sobre qual é a matéria q u e t e m a função de substrato
do qual se predicam as Idéias — n o â m b i t o dos sensíveis — , e do
qual se predica o Um — no â m b i t o das I d é i a s — . cie responde que
é a díade, isto é, o grande e o p e q u e n o ' 4 .
Platão, ademais, atribuiu a causa do b e m ao primeiro de
seus e l e m e n t o s e a causa cio mal ao outro, c o m o já t i n h a m ten- is
fado fazer — c o m o dissemos — alguns filósofos anteriores, por
e x e m p l o E m p é d o c l e s e Anaxágoras

7. [Recüpitulüçâo dos resultados do exame das doutrinas


dos predecessores jl

D e m o d o c o n c i s o e s u m á r i o e x a m i n a m o s os filé>sofos q u e
discorreram sobre os princípios c a verdade, c o m o d o c o m o o
fizeram. Desse e x a m e extraímos as seguintes conclusões: ne- 20
n h u m dos que trataram do princípio e da causa falou dc outras
causas além cias que distinguimos nos livros da Física2, mas to-
dos. de certo modo, parecem ter acenado j u s t a m e n t e a elas, ainda
q u e de m a n e i r a confusa.
(1 ) Alguns, c o m efeito, falam do princípio c o m o matéria, quer
o e n t e n d a m c o m o único quer c o m o múltiplo, quer o
a firmem como corpóreo quer como incorpóreo. Platão, por 25
exemplo, põe c o m o princípio material o grande c o peque-
no, enquanto os itálicos põem o ilimitado', e Empédocles
afirma o fogo, a terra, a água e o ar, c Anaxágoras a infini-
dade das homeomerias. Todos esses pensadores entrevi-
ram esse tipo dc causa. E t a m b é m os que afirmaram c o m o
princípio o ar* ou a água' ou o fogor' ou u m e l e m e n t o mais 30
denso do que o fogo c mais sutil do que o ar: c o m efeito,
há q u e m afirme que assim é o elemento primitivo 7 .
(2) E n q u a n t o esses filósofos entreviram só essa causa, outros
entreviram a causa motora; assim, por exemplo, os que
40 TON META T A OYXIKA A

x a i veíxoç r\ voGv r| ^ p o j t a luoioöaiv àpyf\v) * TO Sè TÍ FJV eivai


J5 x a i TÍ|V oúaíav aatpwç (j.èv où0eiç àiuoSèStoxe, (j.áXiaTa S ' oí Ta
9881 EÎST] TL6£VTEÇ Xéyouaiv ( o u t e y à p a>ç uXr|v TOÏÇ aia0T]Toíç Tà
EÎSt) xai TÒ EV TOÏÇ EB
I ECTV
I OÍÍ0' tôç j àpx^v
èvT£00EV T^V TÎJÇ

xtvT|OE{j)ç yiyvo|xevT)v ü:roXa|iß<ivouaiv — à x i v r p í a ç yàp aïria


p â X X o v x a i TOO èv Tipejxía eivai «paaiv — à X X à TÒ T£ T)V eivai
Î éxácTto TÜ>V ãXXíov Tà EÎST] TiapèxovTai, TOÎÇ S' EiSeai TÒ

ev)- TÒ 8' ou tvexa aí îrpàijEiç xai ai (j.ETaßoXai xai ai


xtvTjaetç TpÓTcov (JLEV Tiva Xéyouaiv a î r i o v , OUTOJ Sè où Xèyou-
aiv oùS' o w E p Tcéipuxev. oi fJLÈv y à p voûv Xéyovreç cpiXiav
<í>ç àyaôòv piv TaÚTaç Tàç atTÍaç Ti0éaoiv, où [jl^v ÍÓÇ
10 t V E x á yE TOÙTOJV T] 5v 7) yiyvÓ(JLEVÓV TL Ttõv OVTTÖV à X X ' íóç
àrcò TOÚTÍOV Tàç xivr|<ietç o ü a a ç X è y o u a i v (óç 8 ' auTtoç xai
OÍ TÒ EV FJ TÒ Ôv ÇÁCXOVTEÇ EÍVAI T^V TOiaÚTTjV ÇÚÍTLV Trjç
(jLÈv o ú a í a ç a í r i ó v <paoLv eivai, oú p ^ v TOÚTOU f t evexa ?| Eivai f|
yíyvea8ai, óSare Xéyeiv Te x a i |xí| Xéyeiv JKOÇ au(J.ßat'vei aú-
15 TOÎÇ T à y a 0 ò v a î r i o v où yàp áiíXtõç à X X à XATÀ auixßeßrixo;
Xéyouaiv. — 8 T I [ièv ouv òp0â>ç Sitópiarai irepi TÕ>V aiTÍtov xai
Tróaa xai rcoía, [xapmjpetv èotxaoiv ^[xív x a i OÚTOI líávreç,
oú SuvájiEvoi 0iyeTv àXXr|ç a W a ç , Ttpòç 8 è TOÚTOLÇ OTI ÇÏ^TÏ]-
Teai a í à p x a i f| OUTGJÇ c m a o a t fj Tivà TpÓ7tov T O I O Ü T O V , SfjXov*
20 n(bq Sè T O Ú T Í O V exaoToç eípTjxe x a i 7tâ>ç êxei TO pi Ttõv à p x & v ,
TÀÇ èvSexojxévaç àrcopíaç [isTA TOÜTO SiéXOto^ev Jiepi AÙTWV.

8
"Oaoi [Jièv ouv ev Te TÒ 7uãv xai (xíav Tivà cpúaiv tòç
UXRJV TiÔéaai, xai TOCÚTTJV atojxaTixíjv xai |iiye0oç exouaav,
METAFÍSICA. A 7/8, 988 a 3 i b 23

a f i r m a m c o m o p r i n c í p i o a A m i z a d e c a D i s c ó r d i a " , ou a
I n t c l i g c n c i a " , ou a t é m e s m o o A m o r 1 " .
(3) N e n h u m deles, e n t r e t a n t o , explicou c l a r a m e n t e a essência
e a s u b s t â n c i a " . C o n t u d o , os q u e afirmaram a existência de 35
F o r m a s ' e x p l i c a r a m mais d o q u e todos os outros. D e fato,
2 9S8b
cies n ã o c o n s i d e r a m as Formas c o m o m a t é r i a das coisas
sensíveis n e m o U m c o m o m a t é r i a das F o r m a s ; t a m p o u c o
c o n s i d e r a m as F o r m a s c o m o princípio dc m o v i m e n t o (elas
são, s e g u n d o cies, causa dc i m o b i l i d a d e e dc r e p o u s o ) 1 ' .
F i e s a p r e s e n t a m as Formas c o m o essência d c cada u m a 5
das coisas sensíveis, c o U m c o m o essência das Formas 1 4 .
(4) O u a n t o ao f i m pelo qual as a ç õ e s , as m u d a n ç a s c os movi-
m e n t o s o c o r r e m , de c e r t o m o d o cies o a f i r m a m c o m o cau-
sa, m a s n ã o d i z e m c o m o c n e m e x p l i c a m sua natureza. O s
q u e a f i r m a m a Inteligência ou a A m i z a d e a d m i t e m essas
causas c o m o b e m , m a s n ã o falam delas c o m o sc fossem o 10
fim pelo qual alguns dos seres são ou se p r o d u z e m , m a s c o -
m o se delas derivassem os m o v i m e n t o s 1 '. D o m e s m o m o d o ,
t a m b é m os q u e a f i r m a m q uc o U m e o S e r são b e m por sua
n a t u r e z a , d i z e m q u e são causa da s u b s t â n c i a , m a s n ã o di-
z e m q u e são o fim pelo qual algo é ou se gera. D e m o d o q u e ,
e m c e r t o sentido, cies d i z e m c n ã o d i z e m q u e o b e m é
c a u s a . E l e s , dc fato, n ã o a f i r m a m de m o d o definifitivo q u e 15
o b e m é causa a b s o l u t a , m a s o a f i r m a m a c i d e n t a l m e n t e " 1 .
P o r t a n t o , p a r e c e q u e t o d o s esses f i l ó s o f o s a t e s t a m q u e nós
d e f i n i m o s c o m e x a t i d ã o o n ú m e r o e a n a t u r e z a das c a u s a s , na
m e d i d a c m q u e eles n ã o s o u b e r a m e x p r i m i r o u t r a s . A d e m a i s , é
e v i d e n t e q u e se elevem e s t u d a r t o d o s os p r i n c í p i o s n e s s e s < q u a -
t r o > m o d o s ou c m algum desses < q u a t r o > modos1.
F e i t o isso, d e v e m o s p a s s a r a e x a m i n a r as d i f i c u l d a d e s q u e 20
p o d e m se a p r e s e n t a r s o b r e o m o d o p e l o q u a l c a d a u m d e s s e s
f i l ó s o f o s s c e x p r e s s o u e s o b r e a p o s i ç ã o a s s u m i d a por eles rela-
t i v a m e n t e aos p r i n c í p i o s .

8. [Crítica dos filósofos naturalistas, monistcis e pluralistas]1


(I) E e v i d e n t e q u e e r r a m c m m u i t o s s e n t i d o s os q u e a f i r m a m
o t o d o c o m o u m a u n i d a d e e p o s t u l a m c o m o m a t é r i a u m a reali-
dade única, corpórea c dotada dc grandeza2.
TUN META TA fflYÏIKA A

SrjXov oti rcoXXaxcõç àfjuxpxávouatv. xaiv yàp (jtojiaxajv xà


25 axoixeía xiöeaai jxóvov, xãiv 8' àaco(jiáx<ov oü, SVXOJV xai àaco-
(jLáxíov. xat Tcept yevéaecùç xai cpôopãç Imyupoùvxtç xàç
atxíaç Aéyeiv, xat Ttepi Trávxcov <pu<itoXoyoüvxeç, xò xfjç xivrj-
crecoç aíxiov àvaipoõaiv. exi 8è xai xfjv oúaíav fxrjõevòç aixíav
xi9£vai [irjSè xò x£ èaxt, xai rcpòç xoúxoiç xcõ paSicoç xâiv
50 ánXõjv aajfjiáxaív Xéyeiv àpxíjv óxioõv rcXrjv yfjç, oúx èraaxe-
4»áfitvot xí|V iÇ àXXr|X(úv yéveaiv TÜÕÍÇ Ttoioõvxai, Xéyco Sè
7iup xai SSoip xai yrjv xai àépa. xà [ièv yàp auyxpíaei
xà 8è Siaxpícei IÇ àXXrjXwv yíyvexai, xoüxo Sè Ttpòç xò irpó-
xepov eivai xai iíaxepov Siatpépei TtXeíaxov. xfj [ièv yàp âv
55 SóÇeie axoixeiajSéaxaxov eivai TTÓVXOJV èÇ ou yíyvovxai auyxpí-
989' aei 7upa)xou, xoioüxov Sè xò [iixpojjiepéaxaxov xai Xercxóxaxov àv
eirj xaiv cjojjjiáxíúv (Stórcep öaot TVjp àpxí|v xiGéaai, |xáXicrta
ó[xoXoyou[jiÉva)ç âv xa> Xóya) xoúxo) Xéyoiev xoioüxov 8è xai
xcõv ãXXcov exaaxoç ófjioXoyeT xò axotxeíov eivai xò xaiv aa>-
5 fiáxcov oú9eiç yoüv r|lj[a>ae xcõv ev Xeyóvxcov yrjv eivai
axotxeíov, SrjXovóxi 8ià xrjv (AeyaXojj.£petav, xcõv 8è xptãiv
ëxaaxov a-toixeicov eîXri<pé xiva xptxrjv, oí |J.èv yàp 7rüp ot 8'
ííScop ot 8 ' àépa xoüx' eivai cpaaiv xaíxot 8ià xí itox' oú xai
xrjv yrjv Xèyouatv, túanep oi TtoXXoi xãiv àvôpcóucúv; itávxa
io yàp eivai cpaai yrjv, çrjai 8è xai 'HaioSoç xrjv yíjv 7tpá>-
rr)v yev£a0at xaiv aa>|iáxci)V oííxwç àpxaíav xai Srifxoxi-
XRJV abjjtßeßrjxev eivai xr|v ÚTÜÓXT]C|>IV)* —xaxà (ièv oúv xoü-
xov xòv Xóyov o£>'x' eí xiç xoúxcov xt Xéyei rcArjv Ttupóç,
OUT' eí xiç àépoç [xèv 7tuxvóxepov xoüxo xíOrjaiv üSaxoç 8è
METAFÍSICA, A B. 9 6 8 b 24 • 909 o 14

i l ) D e fato, eles postulam apenas os e l e m e n t o s das realida-


des corpóreas c não das incorpóreas, q u e , e n t r e t a n t o , 25
também existem'.
(2) A d e m a i s , e m b o r a t e n t a n d o indicar as causas da gera-
ção c da corrupção, e m e s m o explicando todas as coisas
do p o n t o dc vista da natureza, eles s u p r i m e m a causa
do m o v i m e n t o 4 .
(3) Além disso, erram porque não p õ e m a substância c a
essência c o m o causa de alguma coisa'.
(4) Finalmente' 1 , erram t a m b é m porque postulam c o m o prin-
cípio, dc maneira simplista, algum dos corpos simples,
exceto a terra 7 , s e m refletir sobre o m o d o c o m o estes — 30
ou seja, o fogo, a água, a terra e o a r - — s e geram uns dos
outros. D c fato, esses e l e m e n t o s se geram uns dos outros
às vezes por união, outras por separação, o que c dc enor-
m e importância para estabelecer a anterioridade ou a
posterioridade dc cada elemento. C o m efeito, (a) dc de-
t e r m i n a d o ponto de vista, parece ser e l e m e n t o mais ori-
ginário do que todos os outros o primeiro a partir do qual 35
se geram todos os outros, por um processo dc união; mas
esse e l e m e n t o deveria ser o corpo c o m p o s t o de partícu- 989'
las menores c mais sutis. (l'or isso. todos os que põem o
fogo c o m o princípio falariam de m o d o mais c o n f o r m e
c o m esse m o d o dc raciocinar. Mas t a m b é m todos os ou-
tros filósofos r e c o n h e c e m q u e o d e m e n t o originário dos
corpos deve ser desse tipo. D e fato, n e n h u m dos que ad-
mitiram um único e l e m e n t o considerou q u e cie fosse a 5
tcrra s , e v i d e n t e m e n t e pela grandeza dc suas partes. Ao
contrário, cada u m dos outros três e l e m e n t o s encontrou
algum defensor. Pois alguns dizem q u e esse e l e m e n t o é
o fogo, outros a água c outros ainda o ar. F. por q u e razão,
senão por esta, n e n h u m escolheu a terra c o m o e l e m e n -
to, c o m o faz a maioria dos h o m e n s ? D e fato, estes dizem m
q u e tudo é terra, e t a m b é m Hcsíodo' ) diz que, dos quatro
corpos, a terra foi gerada primeiro, tão antiga e popular
se revela essa convicção!). P o r t a n t o , c o m base nesse racio-
cínio, n ã o acertaria q u e m dissesse q u e é originário outro
e l e m e n t o além do fogo, n e m q u e m pusesse c o m o origi-
TÜN META TA ®YÏIKA A

iî XercTÓTepov, oùx ôpGôiç âv X£yor ei 8 ' eaxt xò xfl yevéaet


uaxepov -rfj <púaet jtpóxepov, xò 8è jtenep-jxevov xai auyxe-
xptpivov uaxepov xrj yevéaet, xouvavxCov âv eííf] XOÓXCJV, uScop
(ièv àépoç jupóxepov yíj 8è iíSaxoç. — itepi [xèv ouv xtõv |i.£av
XL0e[x£v<ov aixíav oiàv eÍTtofiev, êax<o xaüx' eípruiiva- xò 8'
20 aúxò xâv et xtç xaüxa JtXeíoj xí0T](iiv, oTov 'EjJtTce8oxÀ% xéx-
xapá ÇT)CTLV eivai awpaxa XT]V ÍÍXT]V. xai yàp xoúxco xà [ièv
xaúxà xà 8 ' íSta cujjißaivetv àváyxri. ytyvó|J.evá xe yàp èÇ
aXXT|Xojv ópôj(iev cóç oùx àei 8ia[aivovxoç Ttupòç xai yrjç xoü
aùxoû CT(óp.axoç (eiprjxai 8è èv xoîç irept <púae<oç jrepi aúxõõv),
25 xai 7xe.pt xfjç xtõv xtvoujiévtov aixíaç, itóxepov ev rj 8úo Ôexéov,
oux' <5p0wç ouxe eúXóycoç oiirçxéov etpfjaOai jtavxeXôjç. oXcoç xe
àXXoíwatv ávaipeíaôai àváyxri xotç oüxw Xéyouaiv où yàp ix
öepfjtoü vu^pòv où8è i x <J>uxpoü Geppòv èaxat. xi yàp aùxà âv
7tá<Txot xàvavxía, xai xiç eirj âv jiía cpúatç r[ ytyvo(xévr]
30 7tüp xai u8ci>p, o ixetvoç ou ç^aiv. 'Avaçayópav 8' eí xiç
ÜTtoXäßot 8úo Xéyeiv axoixeîa, [láXiax' âv uTtoXäßot xaxà
Xóyov, ov ixeívoç aúxòç [ièv où 8rrip0p<oaev, r|xoXoú0T]ae fiivx'
âv il; àváyxT]ç xoîç Í7ráyouatv aúxóv. àxójtou yàp ovxoç xai
ãXXfoç xoü çáaxeiv (xejJLtxÖat xV|v àpx^v jtávxa, xai 8tà
989b xò aufißatvetv ajitxxa Seîv 7cpoüirápx&tv xai Stà xò |xí)
7re<puxévat xtõ xux^vxi |iíyvua0at xò xuxóv, Jtpòç 8è xoúxotç
öxt xà 7rá0r] xai xà au(i.ßeßr]x0xa x^píÇoix' âv XÕJV o ù a i û v
(xõv yàp aùxœv (líÇíç èaxi xai x^P^M-óç), ojjtcoç et xtç àxo-

I
METAFÍSICA, A 8, 9 0 9 O 15-bi A5

n á r i o u m e l e m e n t o m a i s d e n s o do q u e o ar, p o r é m mais
sutil do q u e a água 1 ". A o invés, (b) se o q u e c posterior 15
por g e r a ç ã o é anterior por natureza, e o q u e é misturado
c c o m p o s t o é posterior por geração, e n t ã o seria verdade
j u s t a m e n t e o c o n t r á r i o do q u e se disse: a água seria an-
terior ao ar e a terra à á g u a " .
S o b r e os filósofos q u e p o s t u l a m u m a causa única b a s t e o
que dissemos'2.
(II) As m e s m a s o b s e r v a ç õ e s v a i e m para q u e m a d m i t e u m
n ú m e r o m a i o r de e l e m e n t o s . (A) V a l e m , por e x e m p l o , para E m - 20
p é d o c l e s , q u e a f i r m a os q u a t r o e l e m e n t o s c o m o m a t é r i a . C o m
e f e i t o , t a m b é m c i e incorre n e c e s s a r i a m e n t e c m d i f i c u l d a d e s , al-
g u m a s das q u a i s são as m e s m a s c m q u e i n c o r r e r a m os o u t r o s
p e n s a d o r e s 1 ' , o u t r a s , a o c o n t r á r i o , são próprias d e l e .
(1) C o m e f e i t o , v e m o s q u e os " q u a t r o e l e m e n t o s " g e r a m -
se uns dos o u t r o s , o q u e significa q u e o m e s m o c o r p o
n ã o p e r m a n e c e s e m p r e fogo e terra 1 4 (c disso f a l a m o s
nos o u t r o s livros sobre a n a t u r e z a ) " .
(2) E t a m b é m é preciso dizer q u e ele n ã o resolveu c o r r e t a - 25
m e n t e n e m de m o d o plausível a q u e s t ã o de se d e v e m o s
p o s t u l a r u m a só ou duas causas dos m o v i m e n t o s " ' .
(3) E m geral, q u e m fala desse m o d o e l i m i n a necessaria-
m e n t e t o d o processo clc a l t e r a ç ã o . D c fato, n ã o poderá
haver p a s s a g e m d o q u e n t e a o ú m i d o , n e m d o ú m i d o a o
q u e n t e : nesse c a s o deveria haver a l g u m a coisa q u e rece-
besse esses c o n t r á r i o s , c deveria haver u m a n a t u r e z a úni-
ca q u e se t o r n a s s e fogo e água, mas E m p é d o c l e s n ã o
a d m i t e isso 1 '. 30
(B) Q u a n t o a A n a x á g o r a s , p o d e - s e a d m i t i r q u e c l c a f i r m a
dois e l e m e n t o s 1 " , s o b r e t u d o b a s c a n d o - n o s n u m a c o n s i d e r a ç ã o
q u e c i e m e s m o n ã o fez, m a s q u e f o r ç o s a m e n t e faria se a isso
fosse levado. C o m e f e i t o , é a b s u r d o a f i r m a r q u e todas as coisas
e s t a v a m m i s t u r a d a s na o r i g e m , a l e m de outras razões, t a m b é m
p o r q u e elas d e v e r i a m preexistir n ã o misturadas' 1 ', C porque n e m 9S9:I

t o d a s as coisas p o d e m , p o r sua n a t u r e z a , m i s t u r a r - s e c o m todas


as outras 2 ". A l é m disso, t a m b é m p o r q u e as a f e c ç õ e s e os a c i d e n -
tes p o d e r i a m ser s e p a r a d o s das s u b s t â n c i a s (dc fato, a q u i l o q u e
se m i s t u r a p o d e t a m b é m se separar) 2 1 . Pois b e m , n ã o o b s t a n t e
46 TON META T A Q Y Ï I K A A

5 Xou9r)oeie auvSiap9p<0v a ßoiiXe-cai XèyEtv, îatoç âv «pavEÎT]


xaivo7rpE7reaxéptûç Xéycov. OTE yàp où9èv fjv aitoxExpi|iivov,
SfjXov tbç où9èv rjv àXr|9èç EÍTIEÍV xaià xfjç oùataç £XEÍVT]Ç,
X É ^ O 8' oíov Ö T I O S T E X E U X Ò V O U T E jxeXav F, çaiòv F, ãXXo

Xpcùjxa, àXX' áxp<ov rjv èÇ àváyxrçç' eíxe f à p ãv TI TOÚ-


xo Ttov T Í Í V xP^K^TOÜV ójjLoíajç 8è x a t àxujjtov AUTÕ>

Xóya> T O U T o ú S è aXXo TÕV ÓJJIOÍOJV oú9év OUTE yàp rcoióv T I


O
ÓÍV TE aÚTÒ eivai O U T E Jtoaòv O U T E Tl. TCJÛV yàp èv [xépet TL

XEyo|xévtùv EE8(LV Ú7ríjpx£v âv aÙTto, TOUTO 8è à8úvaT0v |XE-


|jLiy|xévcov ye irávTwv* T^ST] yàp âv àiTExéxpiTo, ÇT]CTÍ 8 '
i í EÍvai |j.epiy(iéva Ttávra TLXT)V T O Ü vou, T O Ü T O V 8È à|xtyfj jxóvov
xai xa9apóv. èx 8V) TOÚTCOV A U U ß A F V E T Xéyetv AÚTÕ> Tàç
àpxàç T Ò T E EV ( T O Õ T O yàp âraXouv xai àjj.tyéç) xai 9áTEpov,
oíov TÍ9E(J.EV T Ò àópiarov jipiv ópia9fjvat xai F I E T A O Y E I V EÏSOUÇ
TIVÓÇ, OIOTE Xéyei [ièv OUT' òpG&ç OIÏTE <RAçtõç, ßouXeTat jilvrot
2o T I Ttapa7tXr)0t0v T O Î Ç T E üaxepov Xéyouai xai T O Î Ç VÜV cpaivojjLé-
voiç (JiãXXov. — àXXà yàp O U T O I (xèv T O Î Ç itepi yévEaiv Xóyoiç
xai cp9opàv xai X£VT)CTLV oixeíot T u y x á v o u o i JJLÓVOV (axeSòv
yàp îtepi Tfjç TOiaÓT7]ç oúaíaç xai Tàç àpxàç xai Tàç aíxíaç
ÇT)TOÜ(TI H.6VT)Ç) • oaoi Sè Jtepi [xèv ájiávrcúv Ttõv övrwv rcoioüvTai
25 T^v 9ecopíav, TWV S' ÕVTÜJV Tà [xèv aia0T]Tà Tà 8 ' oùx a£a9T)Tà
Ti9£aai, StíXov CÙÇ 7iepi à|xcpoTÉptov TÍÚV yev&v itoioüvrai t^v
èTiíoxE^iv STÒ (lãXXov av TIÇ èvSiaTpí^Eie rcepl aÙTÔiv, T£
xaXãiç f] (xí) xaXãiç Xéyoixnv eiç tT[V TCÕV VÜV rjpiív rcpoxei-
[iévov axic^iv. oí (xèv ouv xaXoújjievoi Ilu9ayópEioi Taíç (ièv
jo àpxaïç xai T O Î Ç O T O I X E Í O I Ç èxTojiaycépoiç xpúnai T O Í V «pucrio-
METAFÍSICA, A 8, 9 8 9 b A • 30

isso, se alguém seguisse seu pensamento, explicitando o que ele 5


pretendia dizer, talvez mostraria alguma novidade. D e fato, quan-
do nada ainda estava separado, e v i d e n t e m e n t e nada dc verdadei-
ro era possível afirmar dessa substância. Por exemplo, não era pos-
sível dizer que fosse branca, ou preta, ou cinza, ou dc outra cor;
ela devia necessariamente ser incolor, caso contrário deveria ter
alguma dessas cores. Analogamente, e pela m e s m a razão, ela não 10
deveria ter n e n h u m sabor, c não deveria ter n e n h u m a determina-
ção desse tipo, pois não é possível que cia fosse uma determinada
qualidade, ou determinada quantidade ou determinada essência.
Nesse caso, nela deveria existir uma forma particular, o que c im-
possível, já que tudo estava misturado. Dc fato, essa forma já de-
veria estar separada, sendo q u e Anaxágoras afirma q u e tudo esta-
va misturado, exceto a Inteligência, c que só esta é pura c c n c o n - 15
lia-se fora da mistura 2 1 . D c tudo isso resulta que Anaxágoras aca-
ba por afirmar c o m o princípios o I ' m (este, dc fato, é puro c sem
mistura) c o Diverso, que corresponde ao e l e m e n t o q u e postula-
mos c o m o indeterminado, antes dc ser determinado e dc partici-
par de alguma Forma. D c m o d o que Anaxágoras não fala n e m
c o m exatidão n e m c o m clareza, mas o que pretende dizer é seme-
lhante ao q u e dizem os filósofos posteriores e corresponde m e -
lhor às coisas c o m o se nos apresentam 2 2 . 20

Na realidade, esses filósofos, c o m seus discursos, referem-


.se u n i c a m e n t e à geração, à corrupção e ao m o v i m e n t o , pois
pesquisam quase exclusivamente os princípios c as causas desse
tipo de substância 2 1 .
(111) Ao contrário, os q u e e s t e n d e m sua e s p e c u l a ç ã o a todos
os seres c a d m i t e m t a n t o a existência clc seres sensíveis c o m o a
dc seres não-sensíveis, e v i d e n t e m e n t e aplicam sua pesquisa aos 25
dois gêneros dc seres'' . Por isso devemos nos voltar prioritaria-
1

m e n t e para eles, em vista de estabelecer o que está correto c o


que não está, c o m relação à pesquisa que agora e m p r e e n d e m o s .
(1) Os filósofos c h a m a d o s pitagóricos 2 ' valem-se de princí-
pios e de e l e m e n t o s mais remotos do que os princípios
físicos dos naturalistas, e a razão disso está c m que eles 30
não os extraíram das coisas sensíveis; dc fato, os entes
m a t e m á t i c o s , e x c e t o os relativos à a s t r o n o m i a , são sem
T í i N META TA O Y I I K A A

Xóywv (TÒ 8 ' atxiov Sxi TiapeXaßov aùxàç oùx aia9r]xcõv*


Ta yàp (jiaôrijxaTixà xtõv õvxtov aveu xivTjaEtoç iaxiv eÇto
xtõv icepl T7)v àcrcpoXoyiav), StaXéyovxat [xévxoi xai Tzp<xyy.<x-
xeúovxai Ttepi ÇÚOEÍOÇ návxa' yEvvtöai TE yàp TÒV oúpavóv,
x a i ir Epi x à xoúxou [iipT] x a i x à 7cá0r] x a i xà Cpya Sta-nq-
poüot xò ai>|jißaivov, xai xàç àpxàç xai x à atxia tîç xauxa
xaxavaXiaxouatv, wç ófzoXoyoüvxeç xoîç àXXotç çuaioXóyoiç
öxt x 6 ye 8v x o û x ' étrriv Saov aiu0r]xôv im x a i jtepie£X7jçev ô
xaXoú(j.evoç otipavóç. xàç S' aixiaç xai xàç àpxàç, ôjarctp
EÏTcojjLEv, îxavàç Xéyouatv i7tavaßfivai xai £rci xà àvcoxépw
xtõv ÕVXÍÚV, x a i [jiaXXov 7} xoîç «Epi ÇÙŒEOJÇ Xóyoiç àpjjtox-
xoiíaaç. ix xivoç (Jiivxot xpÓTtou x£vr|criç &rxat 7tépaxoç xai
àneipou fjióvajv ráoxEijjiévtDV xat 7tEptxxoû xai àpxíou, otjÔèv
Xéyouaiv, ï) 7ttõç Suvaxòv àveu xtwiCTEtoç xai |iexaßoXf^ yé-
ve<riv Elvat x a i çBopàv ï} x à xtõv çepofjiévwv ïpya xaxà xòv
oúpavóv. Ext 8 è E'IXE Soírç xtç aùxoïç ix XOÚXOJV Elvat [xéyEÔoç
etxE SEIXÔEÍT] XOÜXO, 3|AOJÇ xtva xpóítov ?oxat xà [AÈV xoüça
xà 8è ßápoç É'xovxa xtõv ato[jiáxtov; âç tov yàp Ú7tox£0Evxat
xai Xéyouatv, oùÔèv pãXXov Tcept xtõv [i.a0r)naxixtõv Xiyouat
CTtúfjtáxtúv Ï) xtõv aio0r]xcõv- 8iò ítEpi ítupòç f| yfjç fj xtõv
àXXtùv xtõv xotoúxtov ato[j.áxtúv oòS' óxtoüv eiprjxaatv, axe ouGèv
ntpi xcõv aiaOrjxcõv ol[xat Xéyovxeç tStov. exi Sè TUÍÕÇ 8eî
Xaßetv aïxta [xèv elvat xà xoü àpi0[jioü Tcáôrj xai xòv àpi0|xòv
xtõv x a x à xòv oòpavòv Õvxtov x a i yiyvo[iévtov x a i èÇ á p x r j ç
xai vüv, àpt0|Jtòv 8 ' ãXXov [xr]0éva eivai rcapà xòv àpi0(jtòv
xoüxov âÇ 0 0 OTjváaxT)xev ó x ó q j i o ç ; S x a v y à p iv xto8í [xiv xtõ
[xépei SóÊfa x a i xatpòç aùxoTç fj, |jttxpòv 8 è àvto0ev fj xà-
XÍO0EV à S i x í a xai xpCmç r] (JÍIÇLÇ, à7tó8etÇiv 8è Xiytoatv 8x1
XOÓXÍÜV (xèv exaaxov àpi0(jióç £axt, au[xßaivet Si xaxà xòv
METAFÍSICA. A 8. 9 8 9 b 31 • 990 • 25

movimento. Não obstante, eles discutem c tratam dc ques-


tões relativas exclusivamente à natureza. D e fato, descre-
vem a gcncsc do céu c observam o que decorre para as
suas partes, para suas características c para seus movimen- 090
tos, e esgotam suas causas c seus princípios na explicação
dessas coisas, c o m o se estivessem dc acordo c o m os outros
filósofos naturalistas, em que o ser se reduz ao sensível c
ao que está contido no que eles c h a m a m céu. Mas, c o m o
dissemos, cies postulam causas c princípios capazes dc 5
remontar t a m b é m aos seres superiores, c que, antes, se
adaptam melhor a estes do que às doutrinas físicas 26 .
(2) Por outro lado, eles não explicam c o m o se pode produzir
o m o v i m e n t o , na m e d i d a c m q u e postulam c o m o subs-
trato só o limitado e o ilimitado, o ímpar e o par; c t a m -
pouco explicam c o m o c possível que, s e m m o v i m e n t o lü
c m u d a n ç a , existam a geração c a corrupção c as revolu-
ções dos corpos q u e sc m o v e m no céu 2 '.
(3) Ademais, mesuro concedendo a eles que a grandeza deri-
va desses princípios, c se pudéssemos demonstrar isso, con-
tinuaria ainda sem explicação o fato dc alguns corpos se-
rem leves e outros pesados. D c fato, os princípios que pos-
tulam c fazem valer referem-se tanto aos corpos materna- is
ticos quanto aos corpos sensíveis. Por isso, se não disseram
absolutamente nada sobre o fogo nem sobre a terra n e m
sobre outros corpos c o m o estes c porque — a m e u ver —
eles não têm nada de peculiar a dizer sobre os scnsíveis 2K .
(4) F i n a l m e n t e , c o m o sc deve entender que as propriedades
do n ú m e r o c o n ú m e r o são causas das coisas existentes
no universo e das coisas que nele se produzem desde a 20
origem até agora, e, dc outro lado, c o m o e n t e n d e r q u e
não existe outro n ú m e r o além do n ú m e r o do qual é cons-
tituído o m u n d o ? D c fato, q u a n d o eles dizem que c m
determinado lugar do universo encontram-se a opinião c
o m o m e n t o oportuno e que um pouco acima e um pou-
co abaixo e n c o n t r a m - s e a injustiça e a separação ou a
mistura, c para provar afirmam que cada uma dessas
coisas é um número (mas depois ocorre que nesse mes- 25
m o lugar do céu já se encontre uma m u l t i d ã o de grande-
50

T07T0V xoûxov tJSt) 7cXf)9oç eivai xtõv auviaxa[i.évtov fieyeGcõv Sià


xò xà TiáÔr] xaûxa àxoXouQeîv xoïç XOÎIOL; èxáaxoi;, rróxepov
oúxo; ó aúxó; èaxiv àpt0(j.óç, ó èv xai oúpavãi, öv Set Xaßeiv
Öxi xoúxcijv ëxacrxôv èaxiv, fj Txapà xoûxov äXXo;; ó (ièv yàp
30 nXáxa>v Êxepov eívaí çrjaiv xaíxoi xàxeîvo; àpiGpoù; oíexai
xai xaûxa eivai xai x à ; XOÚXGJV aíxía;, àXXà xoù; pèv vor)-
xoù; aixíou; xoúxou; Sè aíaÔrjxoú;.

riepí (ièv ouv xâiv üuÔayopeííov àçeíafiw xà vüv (txa-


vòv yàp aúxcõv òíc|>aa9ai xoaoüxov)- oí Sè x à ; iSéa; aixía;
990b xi9é(I.evoi Ttpâkov (ièv Çrjxoüvxe; XOJVSÏ xaiv ôvxa>v Xaßeiv x à ;
aixía; ëxepa xoúxoi; Íaa xòv àpt0(xòv èxójiiaav, óiaixep eï xi;
apiÖ(JLT]aai ßouX0(i.evo; iXaxxóvcov [ièv övxcov oïoixo |xf] SUVT)-
aeaÖai, 7xXeÍ6> Sè Txoirjaa; àpi9[ioír) (axeSòv yàp Íaa —^ oùx
5 èXáxxco — èaxi xà EÍST) xoúxoi; 7xepi aiv £r)xoCvxe; x à ; aixía; èx
xoúxcov e7x' èxeíva irpofjXÔov x a 9 ' exaaxov yàp ójxcóvujxóv xi
èaxi x a i Ttapà x à ; oúaía;, xtõv xe àXXcov <Lv è'axiv ev Í7xi no\-
Xcõv, xai èixi xoïaSe xai èîxi xoï; àiSíot;)- exi Sè x a 9 ' ou; xpó-
TXOU; Seíxvujjiev Öxi èaxi xà EÍST], xax' oú9éva tpaívexai XOÚXOJV
io i l èvía>v [ièv yàp oúx àváyxr) yíyvea9ai auXXoyia[j.óv, i\ èvííov
Sè x a i oùx <I)v otó[i.£0a xoúxtov eíSr| yíyvexai. x a x á xe yàp
xoù; Xóyou; xoù; èx xãiv ènioT7]|iõiv eîSr) è'axai Txávxcov Öacov
è7xiaxfj[iai eíaí, xai x a x à xò ev èiti itoXXtõv xai xã>v àTxotpá-
METAFÍSICA, A B/9, 9 9 0 o 26 • b 13

zas reunidas, p o r q u e essas propriedades do n ú m e r o que


as c o n s t i t u e m c o r r e s p o n d e m a regiões particulares do uni-
verso): pois b e m , deve-se por a c a s o e n t e n d e r q u e esse
n ú m e r o q u e está n o universo c o i n c i d e c o m cada u m a
daquelas coisas ou é o u t r o n ú m e r o d i f e r e n t e d e l e 7 Platão
afirma q u e c u m n ú m e r o diferente 2 9 . E n t r e t a n t o , t a m - 30
b é m ele considera q u e essas coisas e suas causas s e j a m
n ú m e r o s , m a s s u s t e n t a q u e as causas s e j a m n ú m e r o s in-
teligíveis c q u e os outros s e j a m n ú m e r o s sensíveis.

'). jCrítica de Platão e dos platônicas]'


Agora d e i x e m o s de lado os pitagóricos, p o r q u e c s u f i c i e n t e
o q u e d i s s e m o s sobre eles, c p a s s e m o s aos filósofos q u e p o s t u -
lam c o m o p r i n c í p i o s as F o r m a s e as Idéias.
( 1 ) E m primeiro lugar, eles, ten tando apreender as causas dos 990h
seres sensíveis, introduziram entidades supra-sensíveis c m
n ú m e r o igual aos sensíveis: c o m o se a l g u é m , q u e r e n d o
c o n t a r os objetos, considerasse não poder faze-lo por serem
os o b j e t o s muito pouco numerosos, c, ao invés, consideras-
se poder contá-los depois dc ter a u m e n t a d o seu número.
As Formas, dc fato, são c m n ú m e r o p r a t i c a m e n t e igual —
ou pelo m e n o s não inferior — aos objetos dos quais esses 5
filósofos, c o m a i n t e n ç ã o de buscar suas causas, partiram
para chegar a cias. C o m efeito, para cada coisa individual
existe u m a entidade c o m o m e s m o n o m e ; e isso vale tanto
para as substâncias c o m o para todas as outras coisas cuja
multiplicidade é redutível à unidade: t a n t o n o â m b i t o das
coisas terrenas, q u a n t o n o â m b i t o das coisas eternas 2 .
(2) A d e m a i s , a existência das Idéias não se prova por n e n h u -
ma das a r g u m e n t a ç õ e s q u e aduzimos c o m o prova. D e al-
gumas argumentações, c o m efeito, a existência das Idéias io
não procede c o m o conclusão necessária; dc outras segue-
se a existência de Formas t a m b é m das coisas das quais
não a d m i t i m o s a existência dc Formas. D c fato, (a) das
provas extraídas cias ciências decorre a existência de Idéias
de todas as coisas q u e são o b j e t o de ciência; (b) da prova
derivada da unidade do múltiplo, decorrerá a existência
52 TON META T A (DYIIKA A

aetov, xaxà Bè iò voeïv ri ç0ap£vxoç xtõv çOapxtõv çáv-


15 xaa(za yáp xi xoúxtov êaxiv. êxi Bè oí axpiߣaxepoi xtõv Xòywv
oí |j.èv xã>v rcpóç xi mnouaiv íBéaç, tSv ou çocjxev eivai x a 0 '
aúxò yévoç, oí Bè xòv xpíxov ãvÔptoTuov X£youaiv. oXcoç xe
àvaipoüaiv oí Tuepi xtõv eiBtõv Xóyoi a fiãXXov eivai pouXópeSa
[oí Xèyovxeç etSrJ xoõ xàç íSéaç eivar aupßaivei yàp [XT]
2« eivai xí)v BuáBa 7tpúxr)v àXXà xòv àpi0[ióv, xai xò Tüpóç xi
xoü x a 0 ' aúxó, xai jráv0' ò'aa xivèç àxoXouÔTjCTavxeç xaíç rcepi
xtõv iBeõiv BóÇaiç rivavxití)0riaav xaíç àpxaíç. — exi xaxà
fjièv xí|v ÚtcóXtjcJíiv x a 9 ' fjv eivai çapev xàç iSéaç oú jxóvov
xtõv oùaiûv eaxai eíBrj àXXà TUoXXtõv xai éxéptov (xaí yàp xò
25 vÓTj|xa ev où (JIÓVOV Tuepi xàç oúaíaç àXXà xai xaxà xtõv ãX-
Xtov èaxí, xai £Tuiaxíi|xai oú póvov xfjç oúaíaç eiaiv àXXà xaí
éxépcov, xai àXXa Si pu pia aufjißaivei xoiaüxa)- xaxà Bè
xò àvayxalov xai xàç BóÇaç xàç Tuepi aúxtõv, ei Sari fjie-
0exxà x à eiòrj, xtõv oúaitõv àvayxaíov fô£aç eivai (xóvov. où
30 yàp x a x à auppepTjxòç (xexéxovxai àXXà Sei xaúxrj èxá-
axou (Jiexéxeiv fj [rfj x a 0 ' UTuoxeipivou Xáyexai (X£yto B'
olov, ei xí aúxoBmXaaíou (J.exáxei, xoüxo xai à'iBiou peiáxei,
àXXà xaxà aU|J$epT)XÓç* aufiߣßr)xe yàp xtÕ BiiuXaaíto
àïBiœ eivai), <Sax' éaxai oúattõv xà elSri' xaúxà Bè èvxaü0a
991' oúaíav ar][xa£vei x à x e r ?) xí èaxai xò eivai çàvai xi Tuapà
xaüxa, xò Ev £TUÍ TUOXXÜV; xai ei (ièv xaúxò elBoç xtõv iBetõv
METAFÍSICA, A 9, 9 9 0 b U - 1991 a 2

de Formas t a m b é m das negações; (c) e do argumento


extraído do fato dc podermos pensar algo m e s m o depois
que sc tenha corrompido decorre a existência de Idéias
das coisas que já se corromperam (de fato, destas perma-
nece em nós uma imagem)'. 15
(3) Além disso, algumas das a r g u m e n t a ç õ e s mais rigorosas
levam a admitir a existência dc Idéias t a m b é m das re-
lações, sendo q u e não a d m i t i m o s q u e exista u m gênero
em si das relações; outras dessas a r g u m e n t a ç õ e s levam
à a f i r m a ç ã o do " t e r c e i r o h o m e m " 4 .
(4) F m geral, os argumentos que demonstram a existência das
Formas chegam a eliminar justamente os princípios cuja
existência nos importa mais do que a própria existência
das Idéias. D e fato, daqueles argumentos procede que não a 20
díade mas o número é anterior e, t a m b é m , que o relativo é
anterior ao que é por si; e,seguem-se t a m b é m todas as con-
seqüências às quais chegaram alguns seguidores da doutri-
na das Formas, e m nítido contraste c o m seus princípios'.
(5) Ademais, c o m base nos pressupostos a partir dos quais
afirmamos a existência das Idéias, decorrerá a existência
de Formas não só das substâncias, mas t a m b é m dc muitas
outras coisas. ( C o m efeito, é possível reduzir a multipli-
cidade a uma unidade dc c o n c e i t o não só quando sc trata 25
de substâncias, mas t a m b é m dc outras coisas; c podem-
se extrair ainda muitas outras conseqüências desse tipo).
Ao contrário, como decorre das premissas c da própria dou-
trina das Idéias, sc as Formas são aquilo de q u e as coisas
participam, só devem existir Idéias cias substâncias. Efeti-
vamente, as coisas não participam das Idéias por aciden-
te, mas elevem participar dc cada Idéia c o m o de algo que 30
não é atribuído a u m sujeito ulterior (dou u m exemplo:
se alguma coisa participa do duplo em si, participa t a m -
b é m do eterno, mas por acidente: de fato ser eterna c
propriedade acidental da essência do duplo), portanto
< s ó > deverão existir Formas das substâncias. Mas o que
substância significa nesse m u n d o t a m b é m significa subs-
tância no m u n d o das Formas; se não fosse assim, o que 991-
poderia significara afirmação de que a unidade do múlti-
plo é algo existente além das coisas sensíveis? E se a for-
T í í N META TA (BY21KA A

xat xcõv (iexexóvxwv, eaxai xt xotvóv (xí yàp ptãXXov èrri


xcõv çSapxwv SuáScov, x a i xó5v TTOXXCÕV [ièv âiSícov Sé, xò
Suàç ev xai xaúxóv, fj èixí x ' aùxfjç xai xf|ç xivóç) - ei Se
(JL^I xò aúxò eíSoç, ó(i<óvu|Jta âv eír], xai öpotov äxnztp
âv et xiç xaXoí âvÔpwrcov xóv xe KaXXíav xai xò ÇÚXov,
|jtT)Se(iíav xotvújvíav è7ï$Xèc])aç aúxãiv. — icàvxœv Se [láXiaxa
Siaixopí|aeiev âv xtç xí luoxe au(iß4XXexai xà EIST) XOÏÇ

àiSíoiç xcjv aia0T)xcõv î| xoïç ytyvojjiévotç xai ip0eipo(iévotç-


oííxe yàp xivrjaewç OÍÍXE (j.&xaßoXfj; oùSe(iiâç èaxiv aîxia aûxoïç.
àXXà [JtV oöxe TTpòç r?)v ijtiarrjptTjv otj0èv ßoT]0et xrjv XCÕV áX-
XCJV (ouSè yàp ouata ixeïva XOÓXCJÚV èv xotSxoiç yàp âv íjv), oííxe
eiç xò eivai, |i.fj èvimápxovxá ye xoïç (iexèxouaiv OÛXOJ (ièv
yàp âv iacùç aïxia SóÇeiev eivai cóç xò Xeuxòv [JLEFIIYJIEVOV

xcõ Xeuxcõ, àXX' ouxoç (ièv ó Xóyoç Xíav EÚXÍVTJXOÇ, ov 'Ava-


Çayópaç (ièv Ttpcõxoç EiíSoÇoç S' öaxepov xai âXXoi xivèç
IXeyov (liáStov yàp auvayayeïv ïtoXXà xai àSúvaxa rcpòç
xf)V xoiaúxTjv SóÇav)- àXXà (ifjv oùS' èx xcõv eíScõv èaxi xàXXa
xax' oòÔéva xpórc>v xcõv eicoÔóxwv Xéyea9at. xò Sè Xèyeiv
jtapaSeÍYfiaxa aùxà eivai xai jJiexéxEtv aúxcõv xâXXa xevo-
XoyELV èaxi xai (i£xa<popàç Xéyeiv jtoiT)xtxáç. xí yáp èaxi
xò èpyaÇó(ievov Tipòç xàç iSeaç iiuoßXeuov; IvSéxexaí xe
xai eivai xai yíyvea0ai o[xoiov óxioüv xai [xí] eíxaÇó(ievov
7tpòç èxeïvo, &ax£ xai ôvroç Scoxpáxouç xai (ií) 6'vxoç yévoix'
âv oloç 2o)xpáxr)ç- Ó(ÍOÍÜ)Ç Sè SfjXov oxi xâv eí íjv ó
Scoxpáxrjç àíSioç. èaxai xe TtXeiw TxapaSeíy(iaxa xoû auxoü,
« a x e xai etSrj, oíov xoü àv0pcÓ7rou xò Çcõov xai xò Sírcouv,
M£TAflS:CA, A 9, 991 a 3 - 28 55

ma das Idéias é a m e s m a das coisas sensíveis que delas


participam, e n t ã o deverá existir algo c o m u m entre umas
c outras (por que deve haver uma única c idêntica díade
c o m u m às díacles corruptíveis c às díacics m a t e m á t i c a s
— que t a m b é m são múltiplas, porém eternas — , e não
c o m u m à díade c m si c a uma díade particular sensível?); 5
e se a forma não é a m e s m a , entre as Idéias c as coisas só
o n o m e será c o m u m : c c o m o sc alguém chamasse " h o -
m e m ' ' tanto Cálias c o m o um pedaço dc madeira, s e m
constatar nada dc c o m u m entre os dois fl .
(6) Mas a dificuldade mais grave que se poderia levantar é a
seguinte: q u e vantagem trazem as Formas aos seres sen-
síveis, seja aos sensíveis eternos, seja aos que estão sujei- 10
tos à geração c à corrupção? D c fato, c o m relação a esses
seres as Formas não são causa nem dc m o v i m e n t o nem
dc qualquer m u d a n ç a . Ademais, as Idéias não servem ao
c o n h e c i m e n t o das coisas sensíveis (dc fato, não consti-
tuem a substância das coisas sensíveis, caso contrário se-
riam imanentes a cias), n e m ao ser das coisas sensíveis,
e n q u a n t o não são i m a n e n t e s às coisas sensíveis q u e de-
las participam. S c fossem imanentes, poderia parecer q u e 15
são causa das coisas sensíveis, assim c o m o o b i a n c o é
causa cia brancura cie u m objeto quando se mistura c o m
ele. Mas esse raciocínio, sustentado primeiro por Anaxá-
goras, depois por E u d o x o c ainda h o j e por outros, c in-
sustentável: dc fato, é m u i t o fácil levantar muitas c insu-
peráveis dificuldades contra essa opinião 7 .
(7) E, certamente, as coisas sensíveis não podem derivar das
Formas c m nenhum daqueles modos que dc costume são
indicados. Dizer que as Formas são "modelos" c que as 2d
coisas sensíveis "participam" delas significa falar sem dizer
nada c recorrer a meras imagens poéticas, (a) D c fato, o
que é que age com os olhos postos nas Idéias? (b) E possí-
vel, c o m efeito, que exista ou que sc gere alguma coisa se-
melhante a outra, m e s m o s e m ter sido modelada à ima-
gem daquela: de m o d o que poderia m u i t o b e m nascer um
símile de Sócrates, quer Sócrates exista ou não. E c evidente 25
que isso ocorreria m e s m o que existisse um "Sócrates eter-
no". (c) Além disso, para a mesma coisa deverão existir
TUM META TA OYÏIk'A A

oífia 8è xat TÒ aúxoáv0pú>7toç. ëxt OÙ póvov xœv aia0T)xtov


jo îtapa8e(y(Aaxa xà etSr] àXXà xat aúxcov, oíov TÒ ylvoç,
y£voç, ei8œv CJOTE TO aúxò ëaxat mxpá8eLy(ia xai
9911 eixcov. ETi SóÇetev õtv à8úvaxov elvat x w P k t t y oúaíav xai ou
rj oùaia- ware 7twç âv ai i8£ai oúaíat xã>v jupay[xáxwv ouaai
Xwpiç elev; lv 8è xâ> <£>a(8wvi ouxto Xéyexat, coç xai xoü
Elvat xai xoü yCyveaGat a'txia xà etoi] èaxív xaixot xtõv eiSaiv
5 õvxwv OJJICÙÇ où yiyvexaL xà [xexéxovxa âv (xtj fj xò xivrjaov,
xat 7uoXXà ytyvexai É'xEpa, oíov oixia xai BaxxúXtoç, tov oii
ifaptev et8r) Elvat* coaxe SrjXov Sxt IvSéxe^at xai xâXXa xai
elvat xai ytyveaÔai 8tà xotaùxaç aixiaç oïaç xai xà PTJ-
Ôévxa vüv. — ext eîkep eiaiv àpt9[ioi xà eiorj, TUOÇ atxtot êaov-
îo xat; 7tóxepov oxt ëxepot àpi6[xo£ eîat xà ovxa, olov ó8i [ièv (ó)
àpt9(/,òç ãv6p£jj7T0ç ó8i Sè Ecoxpáxriç ó8i 8è KaXXtaç; x£
ouv áxetvot xoùxotç atxtot eiatv; oúSè yàp EÍ oi (JLÈV àfStot oi
8 È (JIRJ, où8Èv Sioíaei. ei 8' oxt Xóyot àpiÔpwv xàvxaûÔa, olov T)

aufjtçcùvia, Of|Xov Sxi èoxiv ëv yé xt cov eiai Xóyot. ei òrj


is xt xoüxo, T| uXr), çavepòv oxt xai aùxoi oí àpi0fioi Xóyot xtvèç
eaovxat éxépou jcpòç ëxepov. Xéyco 8 ' olov, ei êoxtv ó KaXXíaç
Xóyoç èv àptÔpoTç mtpòç xai yfjç xai üôaxoç xai àépoç,
xai âXXcúv xtvwv UTtoxeijxivcov e<rrai xai Y; i8éa àpiÔfióç' xai
aúxoáv0pco7toç, etx' àpi0|ióç xiç cov etxe [xrj, Sfjtcoç eaxai Xóyoç
20 èv àpi6jjtoíç xtvtõv xai oúx àptGjjtóç, oú8' éaxai xtç Stà xaüxa
àpL0[jtóç. èxL íx 7coXXwv àpi9[xã)V elç àpi0(iòç yiyvexat,
METAFÍSICA, A 9, 9 9 I o 29 - B 21 57

numerosos modelos c, c o m o consequência, t a m b é m nu-


merosas Formas: por exemplo, do h o m e m existirão as For-
mas de "animal", de "bípede", além da de " h o m e m em si",
(d) Finalmente, as Formas não serão modelos só das coisas
sensíveis, mas t a m b é m de si próprias. Por exemplo, o gene- 30
ro, enquanto gênero, será modelo das Formas nele contidas.
C o n s e q ü e n t e m e n t e , a mesma coisa será modelo c cópia' 1 .
(8) F. mais, parece impossível que a substância exista separa- 99ih
d a m e n t e daquilo de q u e é substancia; c o n s e q ü e n t e m e n -
te, se são substâncias das coisas, c o m o podem as Idéias
existir separadamente delas? M a s no Fédon é afirmado
justamente isso: que as Formas são causa do ser c do devir
das coisas. C o n t u d o , m e s m o c o n c e d e n d o q u e as f o r m a s
existam, as coisas q u e delas participam não sc produzi- 5
riam se não existisse a causa motora. Há t a m b é m muitas
outras coisas produzidas - - por exemplo uma casa ou
um anel — das quais não a d m i t i m o s que existam Idéias.
Portanto, é claro q u e todas as outras coisas t a m b é m po-
dem ser c gerar-se por obra de causas semelhantes às que
produzem os objetos acima m e n c i o n a d o s ! .
(9) Mais ainda, se as Formas são números, clc que modo pode-
rão ser causas? Será porque os seres sensíveis t a m b é m são 10
números? Por exemplo, esse determinado número é o ho-
m e m , esse outro é Sócrates, aquele outro é Cálias? E por
que aqueles números são causas destes? Q u e uns sejam
eternos c os outros não o sejam não tem a mínima impor-
tância. Sc a razão consiste e m que as coisas sensíveis são
constituídas de relações numéricas (como, j w exemplo, a
harmonia), então é claro que existe algo do qual os n ú m e -
ros são relação. E se isso existe — a matéria —•, é eviden-
te q u e os próprios números ideais serão constituídos dc 15
determinadas relações entre alguma coisa c algo mais. Por
exemplo, se Cálias é uma relação numérica dc fogo, terra,
água e ar, t a m b é m a Idéia deverá ser uma relação n u m é -
rica de certos e l e m e n t o s outros que t ê m a função dc
substrato. E o h o m e m c m si — seja ele u m determinado
n ú m e r o ou não — t a m b é m será uma relação numérica
de ccrtos elementos, e não simplesmente número; e por 20
estas razões não poderá ser u m número 1 ".
58

eiS&v Sè ev eiSoç TO>Ç; ei Sè [ií] èÇ aùxtov àXX' èx xâ>v èv


Tcô àpiÔpcõ, oíov èv xf} (jtuptáSt, iüc5ç ?xoü<Jtv aí [iováSeç; eíxe
yàp ópoetSeiç, 7xoXXà aujjtßriaexai axoita, six s [JLT) Ó|XOEI-
25 Seîç, firjxe aúxai àXXrjXatç [irixe aí ãXXat luãaat ixá-
aatç- xívi yàp SLoíaouatv àixa9eTç oúaat; oöxe yàp eöXoya
xaûxa oöxe ópoXoyoúpeva xfj vorbei. ext 8 ' àvavxaTov exepov
yèvoç àpiÔpoû xaxaaxeúaÇeiv Ttepi 5 r[ àpc6[j.riTtxrj, xat
itávxa x à (iexaÇò Xeyópeva T>7tó xivwv, & TCTÕÇ F| èx XÍVCÚV
>o èaxiv àpxõiv; f} Sià xí fiexaÇù xwv Seüpó x' ëaxai xai
aúxtov; ext aí pováSeç aí èv xrj SuáSt exaxèpa è'x xtvoç
992" 7cpoxépaç SuáSoç' xaíxot àSúvaxov. ext Stà xí ev ó àpi9[iòç
croXXa(ißav6fievoi;; ext Se ixpòç xoTç eipïi|iivoiç, eíixep etaiv
aí (lOváSeç SiátpopoL, èxpfjv ouxco Xéyetv «aixep xai öaoi xà
axoLxeta xéxxapa F| Súo Xéyouatv xai yàp xoúxoov ëxaaxoç où
5 xò xotvòv Xéyei axotxeíov, oíov xò aü[xa, àXXà mjp xai yrjv,
eíx' eaxt xi xotvóv, xò aõ>pa, elxe [xrj. vûv Sè Xéyexat a>ç ô'vxoç
xoõ èvòç óioTxep ixypòç FJ uSaxoç ópoio|j.epoõç' el S' ouxwç, oùx
eaovxai oùaiat ot àpi0[xoí, àXXà SfjXov oxt, eiirep èaxi xt ev
aúxò xai xoõxó èaxtv àpyf\, luXeovax&iç Xéyexat xò ëv àX-
io XÍOÇ vàp àSúvaxov. — ßouX6(J.evot Sè xàç oúaíaç àváyetv eiç xàç
àpxàç prixri pèv xí9ejiev èx ßpaxéoç xai (xaxpoü, £'x xtvoç
pixpoö xai peyáXou, xai èmixeSov èx itXaxèoç xai axevoû,
aãipa 8 ' èx ßa6éoç xai xa7tetvoõ. xaíxot -nrãíç eÇei í] xò ènrí-
METAFÍSICA, A 9, 991 b 21 - 9 9 2 o 13

(10) Por outro lado, dc muitos números sc produz um único nú-


mero; mas como poclc produzir-se de muitas Formas uma
única Forma? F sc os números não são formados pelos pr(>-
prios números, mas pelas unidades contidas no n ú m e r o
— por exemplo no dez mil — , então c o m o serão essas uni-
dades? D e fato, se são da m e s m a espécie, seguir-sc-ão
absurdas conseqüências. E sc, comparadas umas às outras, 25
não são da mesma espécie nem as unidades pertencentes
ao m e s m o número nem as unidades pertencentes a núme-
ros diferentes, igualmente seguir-sc-ão conseqüências absur-
das. C o m efeito, dc que m o d o poderão distinguir-se uma
da outra, dado que não possuem determinações qualitati-
vas? làis afirmações não são nem razoáveis n e m coerentes 11 .
(11) T a m b é m é necessário admitir um segundo gênero dc nú-
mero: o que é objeto da aritmética, c todos os objetos que
alguns c h a m a m "intermediários". Mas de q u e m o d o eles
existem c dc que princípios derivam? Por que devem exis- 30
tir entes "intermediários" entre as coisas daqui de baixo
c as realidades em si? 1 '.
(12) Além disso, as unidades que estão contidas na díade deve-
riam derivar de uma díade anterior. Mas isso é impossível' 1 . 992
(13) K t a m b é m , c m virtude dc que o número, sendo compos-
to, é algo unitário?' '
(14) Ao que foi dito deve-se acrescentar o seguinte: se as unida-
des são diferentes, delas é preciso dizer o mesmo que diziam
os filósofos que admitem quatro ou dois elementos. D c fato,
cada um desses filósofos não entende por elemento o que é
c o m u m , por exemplo, o-corpo em geral, mas entendem por
elementos o fogo e a terra, quer exista algo de comum entre 5
eles — o corpo, justamente — , quer não exista. Ora, os pla-
tônicos falam como se a unidade fosse homogênea, como o
fogo ou a terra. S c assim é, os números não serão substân-
cias: mas é evidente que, se existe uma Unidade c m si, c
se esta c princípio, então a unidade é entendida c m muitos
significados diferentes. D c outro modo seria impossível 1 '. 10
(15) Querendo reduziras substâncias a nossos princípios, deri-
vamos os comprimentos do "curto e longo" (isto é, de uma
espécie de pequeno c grande), a superfície do "largo e
estreito" e o corpo do "alto c baixo". Mas c o m o a superfície
TON META TA<5Y2IKAA

TreSov Ypajifi^v rj TÒ axepeòv ypajip^v xaí iníxthov; ãXXo


yàp yévoç xò îcXaxù xai axevòv xai ßaÖu xai xajteivóv
ôjo7iep o5v otiS' àpi9(jiòç óiuápxfci èv aùxoTç, ôti TÒ «oXù xai
ÒXíyOV é'xepOV XOÚXülV, 8f)XoV OTt OüS' ãXXo 0Ù9èv TÓÜV aV(ù
ÓTiápfei xoîç xáxa). àXXà (r?|v où8è yévoç xò TuXaxù xoü ßa-
8éoç' fjv yàp av èTiticeSóv xi xò aã>|za. £xi aí axiy(xai ix
xívoç èvorcápÇouaiv; xoúxto [ièv ouv xto yévei xai 8ie(iáxexo
nXáxaiv cbç Svxi yecoptexpixãi 8óy|iaxi, àXX' èxáXei àpx^|V
ypa(i(i.fiç — xoüxo 8è 7roXXáxiç èx£9et —xàç àxófxouç ypa(A(jiáç.
xatxoi àváyxr] xoúxcov eivai xi rcèpaç- oSax' iÇ ou Xóyou ypappí]
gari, xai AXTY(IF| èaxiv. — SXÍÚÇ 8è ÇT)XOÚOT|Ç xfjç aoçíaç rcepi
XÍLV çavtpâiv xò aÍxiov, xoüxo (ièv eiáxajxev (oúÔèv yàp Xéyopev
rcepi xfjç aixtaç í>9ev yj àpxí| xfjç (AexaßoXrfc), xí|v 8' oúaíav
oiópevoi Xèyeiv aùxtùv Éxépaç (xèv oúaíaç eivai çajjiev, ÔTUWÇ
8 ' ixeívai XOÚXOÍV oúaíai, 8ià xevfjç Xéyofxev xò yàp |xexéx&iv>
ÙSOTTEP xai npóxepov etiroptev, oú9£v laxiv. oú8è 8f| Srop xaíç
èmoTT|fAaiç ópã)(i.ev ôv aïxiov, 8i' o xai nãç voüç xai Trãaa
çúaiç 7uoteT, oúSè xaúxr]ç xfjç aixíaç, rjv çajzev eivai (Jiíav
xãjv àpxcüv, oú9èv aiuxexai xà eíSrj, àXXà yéyove xà (iaÔr|-
(iaxa xoîç vüv çiXoaoçía, çaaxóvxwv àXXaiv yá. piv
aúxà Seív irpay(j.axeúea9ai. êxi 8è rfjv Ú7W>xeifi£vriv oúaíav
(Lç uXr)v [iaÔT)(jiaxixíúxépav áv xiç uitoXäßoi, xai fiãXXov
xaxrjyopeTaBai xai 8iaçopàv eivai xíjç oúaíaç xai xrjç ÍÍXT)Ç
öXrjv, olov xò (liya xai xò fiixpóv, óSoitep xaí oí 9uato-
Xóyot ç a a i xò (zavòv xai xò m»xvóv, ítpwxaç xoü úra>xei(JI£vou
çáaxovxeç eivai 8iaçopàç xaúxaç- xaüxa yáp èoxiv úrcepox?)
xiç xai £XXei<[>iç. «epí xe xivrjaeoiç, ei (ièv laxai xaüxa xívrjaiç,
METAFÍSICA, A 9, 991 o 1.1 • 992 b 7

poderá contera linha, e c o m o o sólido poderá contera linha


e a superfície? De fato, "largo c estreito" constituem um
gênero diferente de "alto c baixo". Portanto, assim c o m o is
o número não está contido nas grandezas geométricas, en-
q u a n t o o " m u i t o c p o u c o " c u m g c n c r o diferente delas,
t a m b é m é evidente que n e n h u m dos outros gêneros supe-
riores poderá estar contido nos inferiores. F, tampouco sc
pode dizer que o "largo" seja gênero do "profundo", porque
assim o sólido se reduziria a uma superfície 16 .
(16) Mais ainda: de que princípio derivarão os pontos contidos
na linha? Platão contestava a existência desse m i c r o dc 20
entes, pensando que sc tratasse dc uma pura noção geo-
métrica: ele chamava os pontos clc "princípios da linha",
c usava amiúde a expressão "linhas indivisíveis". Por outro
lado, é necessário que exista u m limite das linhas; conse-
q ü e n t e m e n t e , o argumento que demonstra a existência
da linha demonstra t a m b é m a existência do ponto 1 7 .
(17) E, e m geral, dado que a sapiência tem por o b j e t o dc pes-
quisa a causa dos f e n ô m e n o s , renunciamos j u s t a m e n t e a 25
isso (dc tato, não dizemos nada a respeito da causa que
dá origem ao m o v i m e n t o ) e, acreditando exprimir a subs-
tância deles, afirmamos a existência de outras substâncias.
Mas quando se trata de explicar o m o d o pelo qual essas
últimas são substâncias dos fenômenos, falamos sem dizer
nada. D e fato, a expressão "participar", c o m o já dissemos
acima, não significa nada 1 1 .
(18) E tampouco as Fornias têm qualquer relação com a que vc-
mos ser a causa (que afirmamos ser um dos < q u a t r o > prin-
cípios) nas ciências e em vista da qual opera toda inteligência
e toda natureza. Ao invés, para os filósofos dc hoje, as mate-
máticas sc tomaram filosofia, mesmo que eles proclamem que
é preciso ocupar-se delas só em função dc outras coisas 19 . 99T
(19) Além disso, poder-se-ia muito bem dizer que a substância
que serve dc substrato material — ou seja, o grande e o pe-
queno - é demasiado matemática e que é, antes, um
atributo e uma diferenciação da substância c da matéria,
mais d o q u e uma matéria, semelhante ao "tênue''' e ao "den-
so" de que falam os filósofos naturalistas, que os considc- 5
ram c o m o as primeiras diferenciações do substrato. ( C o m
efeito, eles são uma espécie dc excesso c de falta)"".
4 2 I tiînmetata®YÏIKAA

BrjXov oxt xivrjaexai xà eiBr]- eî Bè jxrj, 7tó9ev fjX9ev; oXiri


yàp i\ rcepi cpúaewç àvgpTjxat axécjnç. ö xe Soxeï (SáBiov
io eivai, xò SelÇaL oxi ev ôwravxa, ou yíyvexai- xrj yàp èx9é<jei
où yíyvexai 7rávxa ev àXX' aúxó xi ev, âv BiScõ xiç itávxa*
xai oúBè xoüxo, ei yévoç Bcóaei xò xa9óXou eivai- xoüxo 8'
èv èvíoiç àBùvaxov. où9éva 8 ' e / e i Xóyov oùBè xà |j.exà xoùç
àpiGfioùç p.T|xr) xe xai èí:Í7teBa xai axepeá, ouxe onwç è'axiv i)
is è'oxai oùxe xíva ëxei 8úva(jiiv xaüxa yàp ouxe elBr) oíóv xe eivai
(oú yáp eicitv àpi9(Jioí) ouxe xà |iexaÇú (|ia9T][iaxixà yàp
èxeíva) ouxe xà <p9apxá, àXXà rciXiv xéxapxov ãXXo <paí-
vexai xoõxó XL yévoç. cíXcoç xe xò TÚV OVXCÙV fy|xeTv axoixeta
[ir] BieXóvxaç, itoXXaxã>Ç Xeyojxévœv, àBùvaxov eùpeîv, âXXojç
20 xe xai xoûxov xòv xpórcov Çr,xoüvxaç è£ ol'ojv èaxi axoixeiœv.
èx xívcov yàp xò îroieîv f] rcáaxeiv f| xò eú9ú, oùx èaxi Bf|icou
Xaßetv, àXX' ewtep, xcõv oúatcõv (lóvov èvSéxexar coaxe xò xcõv
òvxcov ártavrcov xà aroixeía fj Çr|xeTv f) oíea9ai tyj.iv oúx áXrj-
9éç. TTCÕç B' âv xiç xai ná9oi xà xcõv rávxcov axotxela;
25 BfjXov yàp cóç oú9èv oíóv xe rcpoijítápxeiv yvcopíÇovxa rcpóxe-
pov. óíarcep yàp xcõ yecojiexpetv ja.av9ávovxi aXXa |j.èv èv-
Séxexai ítpoeiBévai, cov Bè f, è^iarri|J.Ti xai repi cov piXXei
[iav6ávEiv oú9èv 7tpoytyvc0axet, ouxco Br) xai èíti xâív âXXcov,
àSax' et' xiç xã>v irávxcov eaxtv ir.iovf^r], ot'av ST) xtvéç ipaaiv,
jo où9èv âv TTpoÜTuápxoi yvcopíÇcov oúxoç. xaíxoi 7tãaa |JL<£97]aiç Bià
METAFÍSICA, A 9, 9 9 2 b 8 - 30 63

(20) No que se refere ao m o v i m e n t o , se essas diferenciações


são movimento, c evidente q u e as Formas se movem. E
se não são, dc onde veio o m o v i m e n t o ? Assim, fica total-
m e n t e suprimida a investigação sobre a natureza 2 '.
(21) Depois, a demonstração de que todas as coisas constituem
uma unidade — demonstração que parece fácil — - n ã o al-
cança c seu fim: dc fato, dc sua prova por "ékthcsis" 2 não
decorre que todas as coisas sejam uma unidade, mas ape-
nas que existe certo Um-cm-si, se concedermos que todos
os seus pressupostos sejam verdadeiros; antes, não decorre
nem m e s m o isto se não se concede que o universal seja
um gênero. D e fato, c m alguns casos isso é impossível 21 .
(22) E eles t a m b é m não sabem dar a razão dos e n t e s posterio-
res aos números — a saber os c o m p r i m e n t o s , as superfí-
cies c os sólidos — , n e m explicam por q u e existem ou 15
existiram c a função que t ê m . D c fato, não c possível que
eles sejam Formas (porque não são números); n e m é pos-
sível que sejam entes intermediários (estes, c o m efeito,
são objetos m a t e m á t i c o s ) ; n e m é possível q u e sejam cor-
ruptíveis: parece, portanto, que se trata de u m novo gêne-
ro cie realidade, isto é, de um quarto gênero- ,
(23) E m geral, investigar os e l e m e n t o s dos seres s e m 1er dis-
tinguido os múltiplos sentidos nos quais se e n t e n d e o ser
significa comprometer a possibilidade de encontrá-los, es-
pecialmente se o q u e se investiga são os elementos consti- 20
tutivos dos seres. C e r t a m e n t e não é possível buscar os ele-
mentos constitutivos do fazer ou do padecer ou do reto,
pois sc isso é possível, sé) o pode ser pelas substâncias. In-
vestigar os e l e m e n t o s de toclos os seres ou erer lê-los en-
contrado daquele m o d o é um erro 2 '.
(24) F c o m o poderíamos aprender os e l e m e n t o s d e todas as
coisas? E evidente q u e não deveríamos possuir n e n h u m 25
c o n h e c i m e n t o prévio. Assim c o m o q u e m aprende geome-
tria pode possuir outros c o n h e c i m e n t o s , mas não das coi-
sas tratadas pela ciência q u e pretende aprender c da qual
não possui c o n h e c i m e n t o s prévios, o m e s m o ocorre para
todas as outras ciências. C o n s e q ü e n t e m e n t e , se existisse
uma ciência dc todas as coisas, tal c o m o alguns afirmam,
q u e m a aprende deveria, previamente, não saber nada.
Entretanto, todo tipo dc aprendizado ocorre mediante 30
T í i N META TA (DYXIKA A

itpoyiyvcoaxofiivcov f) itávxcov í] nvcõv èarí, xai í| Si' àito8e£i;eíoç


(xai) SL' ópia|xcõv (SEI yàp È£ cov Ó ópiafxòç TupoeiSévai xai
eivai yvcópifjia) • ófioícoç Sè xai V) Si' è7íaycoyf|Ç. àXXà [x^v
993* ei xai xuyxávoi OÚJXÇUTOÇ oúaa, Ôaunaaròv TWÕÇ Xavôávo-
jjtev êxovxeç rr)v xpaTÍamrçv TCÕV âitnmr)(Jicõv. exi roiõç TIÇ yvco-
piel èx TÍVCOV èarí, xai rccoç &RCAL SfjXov; xai yàp TOUT' Z^ÍL

àrtopíav AFJ.(J>iaßriTr)aete yàp àv TIÇ akrrcep xai irepi èvfaç


5 auXXaßi?- oí jxèv yàp TO Ça èx TOÜ o xai 8 xai a <paaiv
eivai, oí Sé Tiveç è'xepov çÔóyyov çaaiv eivai xai oúOíva
TCÕV yvcopíjjuov, eTi 8è cov èariv aíaÔTjaiç, TAÜTA TCCÕÇ àv TIÇ

[xfl è'xcov TT^V alaGrjaiv yvoírj; xaÍToi eSei, etye TiávTcov xaùxà
aroixetá èariv èÇ cov, coarcep aí aúvSeToi tpcovaí eíaiv èx TCÕV

IO oixeícov aroixeícov.
"OTI (ièv ouv TÀÇ eipT)(JÍvaç èv TOÎÇ çuatxoíç aWaç
ÇrjTeív èoíxaai rcávTeç, xai TOÚTCOV ÍXTÒÇ oúSejxíav è'xoi(xev âv
etrceív, SfjXov xai èx TCÕV npÓTepov etprmévcov àXX' àpiuSpcõç
TaÚTaç, xai xpórcov jièv Ttva icãaai npÓTepov etprjVTai Tpó-
15 ttõv Sé Tiva oùSafxcùç. (^XiÇofjivTj yàp eoixev V) TípcÓTT]
çiXoaotpía Jiepi rcávTcov, aTe véa Te xai xai' àpxàç ouaa [xai
TÒ 7cpcÕTOv], èrcei xai 'EpmeSoxXfjç òaxoüv TÕ> Xóyco çrjaiv
eivai, TOÕTO 8 ' èari TÒ TÍ rjv eivai xai í] oúaía TOÜ TupáyjjiaTOç.
àXXà (xfjv ó[xo£coç àvayxaîov xai aápxaç xai TCÕV ãXXcov
20 exaarov eivai TÒV Xóyov, f) jJLrjSè é'v Sià TOÜTO yàp xai aàpç
xai òaroúv êarai xai TCÕV ãXXcov exaarov xai où Sià r?]v
METAFÍSICA, A 9/1 O, 9 9 2 b31 - 9 9 3 a 21

c o n h e c i m e n t o s total ou parcialmente prévios; e isso se


dá quer se proceda por via demonstrativa, quer se proceda
pela via de definição (com efeito, é preciso que os elemen-
tos constitutivos da definição sejam previamente conhe-
cidos e claros); quer ainda para o c o n h e c i m e n t o por via
de indução. Portanto, se esse c o n h e c i m e n t o fosse inato, 993-'
seria m u i t o surpreendente, porque possuiríamos sem o
saber a mais elevada das eicncias 2 f l .
(25) A l é m disso, c o m o será possível c o n h e c e r os e l e m e n t o s
constitutivos das coisas e c o m o isso poderá sc tornar evi-
d e n t e ? T a m b é m isso é u m problema. S e m p r e se poderá
discutir sobre esse ponto, assim c o m o se discute sobre
certas sílabas: dc fato, alguns dizem q u e a sílaba Z A é
c o m p o s t a de D, S, A; outros, ao contrário, s u s t e n t a m 5
q u e se trata dc u m s o m diferente e q u e não é redutível
a n e n h u m dos sons c o n h e c i d o s 2 7 .
(26) F i n a l m e n t e , c o m o poderemos c o n h e c e r os objetos dados
pela sensação sem possuir a própria sensação? No e n -
tanto, deveria ser assim se os e l e m e n t o s constitutivos dc
todas as coisas são os m e s m o s , assim c o m o todos os sons
c o m p o s t o s resultam dc sons elementares 2 * 1 . io

10. [Conclusões]1

Portanto 2 , do q u e foi dito acima, fica evidente q u e todos os


filósofos parecem ter buscado as causas por nós estabelecidas na
Física, e que não se pode falar de n e n h u m a outra causa além
daquelas. Mas eles falaram delas dc maneira confusa. E m certo
sentido, todas foram m e n c i o n a d a s por eles, noutro sentido n ã o
foram absolutamente mencionadas. A filosofia primitiva 1 , c o m 15
efeito, parece balbuciar sobre todas as coisas, por ser ainda jovem
e estar cni seiis primeiros passos
Assim, Empédocles afirma que o osso existe e m virtude dc
uma relação < formal > . Ora, esta não é senão a substância da
coisa. Mas então é necessário, igualmente, ou q u e t a m b é m a car-
ne e cada uma das outras coisas seja e m virtude dc u m a relação, 20
ou q u e n e n h u m a seja. E n t ã o , carne, osso e cada uma das outras
66 TON META TA ®Y£IKA A

i!Xïiv, T|v èxEtvoç XéfEi, Tiûp xai ff|V xai u8cop xai àÉpa. àXXà
taCta àXXou (xèv XÉyovxoç auvé?r]aEV ãv l\ àváyxrjç, aa-
çwç 8è o'jx EipT)XEV. îtEpi (xèv ouv xoúxcov 8E8r|XcoTai xai
25 HpÓTEpOV twa 8è TÏEpl TWV aÛtâiv TOUTtùV àî:OpTl<JElEV av TIÇ,
èrcavéXGcùfJtev roiXiv taxa yàp âv aù-twv EUTroprjaaijiEV
xi jrpòç xàç ûarepov árcopíaç.
METAFÍSICA, A 10, 993 a 22 27

coisas serão em virtude dessa relação, e não em virtude da matéria


admitida por E m p é d o c l e s , ou seja, fogo, terra, água e ar. Mas
Empédocles c e r t a m e n t e aceitaria isso se outros lhe tivessem dito;
ele, p o r é m , não o disse claramente. Sobre essas questões já demos
esclarecimentos acima 4 .
Mas devemos voltar ainda sobre alguns p r o b l e m a s q u e se
poderia levantar sobre essas doutrinas das causas: q u e m sabe po-
d e r e m o s extrair da solução desses problemas alguma ajuda para
a solução de ulteriores problemas, q u e serão postos a d i a n t e ' .
LIVRO
a EÀaTTOv
(SeqUNOO)
1

3o 'H irepí TT)ç àXr|8£Íaç Ôecopía irj [xiv x a ^ £ r i n TXi ^è 1

paSía. <J7]jieíov 8è xò fArjx' àÇícoç ji.T]8£va SúvaaÔai 0tyeív


993b aùxfjç (JtrjTE 7iávra>ç aTCOTVyxáveiv, àXX' exaarov Xéyetv xi
TCpí xfjç <pú<jecoç, xai XOC0' eva (ièv f) |ir]9èv f) (iixpòv ämßaX-
Xeiv aúxfí, èx Ttávxtov Bè auva9poiÇo[iévcov yíyveaOaí xt [xéye-
Boç toar' ewrep eoixev è'xeiv xaÔájtep Tuyxävofiev 7tapOL[iia-
5 Çójxevoi, T£Ç âv 9úpaç á^ápxoi; xaúxTi (ièv âv eaj paSía,
xò 8' SXov xí êxetv xai (xèpoç pi] SúvaaÔai 8r)Xoí xò x a ^ E *
7tòv aòxf|Ç. tacoç oè xai xfjç x a ^ £ 7 r ^ T r l T O ? offris xaxà 8úo
Tpórcouç, oùx âv T O Î Ç 7ipáy(i.a<jiv àXX' âv Tjjjuv xò a'ixiov
aúxrjç- aSarcep yàp xà xcõv vuxxepíScov oppaxa jipòç TÒ
io qpéyyoç ëxei T Ò |ie9' rjpèpav, OÍÍTCO xai rrjç r||i£T£paç <|>ux%
ô voõç Tipòç Tà xí) çúaei çavEpcÓTaxa mxvTtov. où [xóvov 8è
Xápiv exeiv 8íxaiov T O Ú T O I Ç COV âv T I Ç xoivcóaaiTO Taîç 8ó-
Çaiç, àXXà xai T O Î Ç èiuiuoXaiÓTepov ànoçrjvanévoiç' xai
yàp O U T O I D U V T ß A X O V T O xi* XRJV yàp eÇiv jiporjaxrjaav rípcôv
ií ei [xèv yàp Tifió9eoç èyévexo, iroXXíjv âv fieXorcoiíav oùx
eîxoH "
6V (xí) <I>pCviç, Ti[xó9eoç oùx âv èyévexo. TÒV
aÚTÒv 8è Tpóirov xai èirt TCÕV uepi TT}Ç àXr)9eíaç à7ro<pT]va|iévcov
1. IA filosofia é conhecimento da verdade e o conhecimento
da verdade é conhecimento das causas]'

S o b c e r t o a s p e c t o , a p e s q u i s a da verdade é difícil, s o b o u t r o 30

c fácil. Prova disso c que c impossível a u m h o m e m a p r e e n d e r


a d e q u a d a m e n t e a verdade c i g u a l m e n t e impossível n ã o a p r e e n -
dê-la d c m o d o n e n h u m 2 : d e fato, se cada um p o d e dizer algo a >X

respeito da r e a l i d a d e ' , c se, t o m a d a i n d i v i d u a l m e n t e , essa c o n t r i -


b u i ç ã o p o u c o o u n a d a a c r e s c e n t a ao c o n h e c i m e n t o da v e r d a d e ,
lodavia, da u n i ã o de t o d a s as c o n t r i b u i ç õ e s individuais d e c o r r e
um resultado considerável. A s s i m , se a respeito da verdade ocorre
o q u e é a f i r m a d o n o provérbio " O u c m poderia errar u m a porta?"' 1 ,
e n t ã o , s o b esse a s p e c t o ela será fácil; a o c o n t r á r i o , p o d e r a l c a n ç a r 5
a verdade e m geral e n ã o n o s p a r t i c u l a r e s m o s t r a a d i f i c u l d a d e
da q u e s t ã o 1 . K d a d o q u e e x i s t e m dois tipos d c d i f i c u l d a d e s , c
possível q u e a c a u s a da d i f i c u l d a d e da p e s q u i s a da v e r d a d e n ã o
e s t e j a nas c o i s a s , m a s c m nós 6 . C o m e f e i t o , a s s i m c o m o os o l h o s
dos m o r c e g o s r e a g e m d i a n t e da luz d o dia, a s s i m t a m b é m a in-
t e l i g ê n c i a q u e e s t á c m nossa a l m a se c o m p o r t a d i a n t e das coisas io
q u e , p o r sua n a t u r e z a , s ã o as m a i s e v i d e n t e s ' .
O r a , c j u s t o ser gratos n ã o só à q u e l e s c o m os q u a i s dividi-
m o s as o p i n i õ e s , m a s t a m b é m à q u e l e s q u e e x p r e s s a r a m o p i n i õ e s
a t é m e s m o superficiais; t a m b é m eles, c o m e f e i t o , d e r a m algu-
ma c o n t r i b u i ç ã o à verdade, e n q u a n t o a j u d a r a m a f o r m a r n o s s o
h á b i t o especulativo 1 5 . S e T i m ó t e o 1 ' n ã o tivesse e x i s t i d o , n ã o teria- 15
mos g r a n d e n ú m e r o d c m e l o d i a s ; m a s sc Frini " n ã o tivesse existi-
1

do, t a m p o u c o teria e x i s t i d o T i m ó t e o . O m e s m o vale para os q u e


72 TON META TA 4>YIIKA A E A A T T O N

rcapà [ièv yàp Ivitov TrapeiXfjipafiév xivaç BóÇaç, oí Bè xoü


yevé<j9at xoúxouç atxtoi yeyóvautv. ôp0tõç 8' ex e i x a t xa"

20 XeîaSat t^jv çtXoaocpíav êitiOTT]|jLriv xfjç àXr]9eiaç. 9etdpT}xix?jç


fxèv yàp xéXoç àXr|0eia TCpaxxixijç 8 ' epyov xai yàp âv
xò kõ)ç ëx eL axoraõaiv, où xò àíStov àÀÀ' 8 lupóç xi xai vüv
Betopoüaiv oí irpaxxixoí. oùx iapev 8è xò àXrjGèç aveu xfjç
aixiaç- ëxaaxov 8è [iäXurxa aúxò xtõv âXXwv xa9' Ô xai
25 xoîç aÀÀOiç úrcápxet xò auvtdvujiov (olov xò ixüp 9ep[ióxaxov
xai yàp xoîç âXXotç xò aïxtov xoüxo xfjç 9ep[ióxr|xoç) • tSoxe
xai àXr)9éffxaxov xò xoîç úaxépotç aïxtov xoü àXï]9éaiv elvat.
Stò xàç xtõv àei õvxtov àpxàç àvayxaîov àei eïvai àÀr)6e-
axàxaç (où yàp iroxe àXrjGeîç, où8' èxeCvatç atxióv x£ èaxi xoü
}o elvat, àXX' èxeîvat xoîç ãXXoiç), óiaí' Sxaaxov tbç exet xoü
elvat, oöxtd xai xfjç àXr]9eiaç.

2
994" 'AXXà [ Í T | V oxt y ' èaxtv À P X T ) T I Ç xai oùx àicetpa xà
aîxia xtõv õvxtov oux' eîç eùButopiav ouxe xax' elSoç, SfjXov.
oîîxe yàp tóç èÇ üXriç xó8' èx xoüSe Suvaxòv iévat eiç âixEipov
(oíov aápxa fièv ix yfjç, yfjv 8' èÇ àépoç, àépa 8' ix iropóç,
5 xai xoüxo (jf?i taxaa^at), oiíxe o9ev f| àpx^l xfjç xtvTfjaetoç (olov
xòv [ièv ãv9ptojrov únò xoü àépoç xivT]0fjvai, xoüxov 8' úirò xoü
Y|Xíou, xòv 8è í^Xiov únò xoü veíxouç, xaí xoúxou [xrjSèv eivai
rcépaç)* ò[io£a)ç 8è oú8è xò oú evexa eiç ãiteipov olóv xe iévat,
ßäSiaiv (ièv úyieíaç ëvexa, xaúxrjv 8 ' eúSatjxovíaç, xfjv 8' eúSatfio-
METAFÍSICA, a 1 / 2 , 9 9 3 b I S -99A A9 73

falaram da verdade: dc alguns r e c e b e m o s certas doutrinas, mas


outros foram a causa de seu s u r g i m e n t o " .
E t a m b é m é justo c h a m a r a filosofia de c i ê n c i a da verdade 1 2 ,
porque o fim da ciência teorética é a verdade, e n q u a n t o o fim 20
da prática é a ação. ( C o m efeito, os que visam à ação, m e s m o
que observem c o m o estão as coisas, não t e n d e m ao c o n h e c i m e n -
to do q u e é eterno, mas só do que é relativo a d e t e r m i n a d a cir-
cunstância e n u m d e t e r m i n a d o m o m e n t o ) ' ' . O r a , não c o n h e c e -
mos a verdade sem c o n h e c e r a causa 1 4 , Mas qualquer coisa que
possua c m grau e m i n e n t e a natureza q u e lhe c própria constitui
a causa pela qual aquela natureza será atribuída a outras coisas 1 ': 25
por exemplo, o fogo c o q u e n t e e m grau m á x i m o , porque ele é
causa do calor nas outras coisas. Portanto o que é causa do ser
verdadeiro das coisas q u e dele derivam deve ser verdadeiro mais
q u e todos os outros. Assim é necessário que as causas dos seres
eternos 1 6 sejam mais verdadeiras do q u e todas as outras: c o m
efeito, elas não são verdadeiras apenas algumas vezes, e não existe
uma causa ulterior do seu ser, mas elas são as causas do ser das
outras coisas. Por c o n s e g u i n t e , cada coisa possui t a n t o dc verda- 30
clc q u a n t o possui de ser 1 7 .

2. [As causas são necessariamente limitadas tanto em


espécie como em númeroj1

Ademais, é evidente q u e existe um princípio primeiro e q u e 994


as causas cios seres não são (A) nein uma série infinita <110 âm-
bito de uma m e s m a c s p c c i e > 2 , (B) n e m u m n u m e r o infinito dc
espécies 5 .
(A) C o m efeito, (1) q u a n t o à causa material, não é possível
derivar uma coisa de outra procedendo ao infinito: por exemplo,
a carne da terra, a terra do ar, o ar do fogo, sem parar. (2) E isso 5
t a m b é m não é possível q u a n t o à causa motora: por exemplo,
q u e o h o m e m seja m o v i d o pelo ar, este pelo sol, o sol pela dis-
córdia 4 , s e m que haja um t e r m o desse processo. (3) E, dc m o d o
s e m e l h a n t e , não é possível proceder ao infinito q u a n t o à causa
final: não é possível dizer, por exemplo, q u e a c a m i n h a d a é feita
c m vista da saúde, esta em vista da felicidade c a felicidade e m
T U N META T A (BY2IKA A E A A T T O N

io v£ocv SXXou, xaî OUTCOÇ àeî âXXo àXXou Ëvexev eïvar xai èiti
xoü T Î rjv eivai S' CÔAAÙTCÙÇ. TGSV yàp [iéaa>v, cov ècrxi
TI êaxaTov xai itpÓTepov, àvayxaïov et vai tò rcpÓTepov aiTtov
Tãiv [xex' aÚTÓ. ei yàp eiiueív í||iãç 8éoL TC xãiv xptcov aixiov,
T Ò TRPTÕTOV èpoü|iev où yàp 8f) T Ó y ' ea^axov, oú8evòç yàp T Ò

IÍ xeXeuxaíov àXXà [if|V où8è TÒ [iéaov, évòç yàp {oúÔèv 8è


Biaçépet ev ^ uXeico eivai, oùS' àiueipa f] 7reTcepa<j[iéva). TCÕV
8' àiueípcúv T O Õ T O V T Ò V xpóiuov xai SXa>ç xoü àrceipou Ttávxa Tà
[jiópia jiéaa ófioicúç [ié^pi TOÕ VÜV &ax' eiitep [XrjSév èaxi
JCpCÕTOV, ÔXcúÇ aÍTtOV 0Ù8év èoXlV. — àXXà [ií]V où8' £iui TÒ xáTco
20 oíóv TE eiç àratpov i£vat, TOÜ ãvco è'xovxoç àpxf|V, ÓSax' IX JU>-
pòç |i.èv ííScop, èx 8è xoúxou yfjv, xai ouxcoç àeí ãXXo TI yiyve-
u8ai yévoç. Si^^í yàp yíyvetai xóBe èx xoüSe — ji.fi cóç TÓ8e
X£yeTat [ieTà xó8e, oíov èi; 'IcrÔjiicov 'OXújiJtta, àXX' ^
coç èx 7iai8òç àvfjp [iexafiàXXovxoç 7} c!>ç èlj üSaxoç àfjp.
25 c5>ç [ièv ouv èx TratSòç àv8pa ytyveaSaí <pa[iev, cóç èx TOÜ
ytyvo[i£vou TÒ yeyovòç fj èx TOÜ èTctxeXoujiévoo TÒ xexeXeajiévov
(àei yáp èaxi [iexaÇú, cõarcp TOÜ eívat xai |if) eivai yéveaiç,
oüxco xai T Ò ytyvófievov T O Ü OVTOÇ xai [ifi òvxoç- écrn yàp ó
|iav9ávwv ytyvófievoç èTrt<m)|icov, xai xoüx' èaxiv o Xéyexat,
jo Sxt yíyveTat èx (iavÔávovxoç èjiurrri[iCi>v) • TÒ 8' cítç èÇ àépoç
£>8cop, çÔeipofiévou Ôaxépou. 8iò èxeïva [ièv oùx àvaxá|xjtxet
METAFÍSICA, a 2, 994 o 10-31

vista de outra coisa, e assim, q u e algo é sempre c m vista de outro.


(4) E o m e s m o vale para a causa formal 5 . 10

D e fato, q u a n d o se trata dc termos intermediários e q u e se


e n c o n t r a m entre um ú l t i m o c um primeiro, é necessário que o
t e r m o que é primeiro seja a causa dos q u e se lhe seguem. S e
devêssemos responder à pergunta sobre qua! é a causa de três
l e r m o s em série, responderíamos q u e é o primeiro, porque a cau-
sa c e r t a m e n t e não é o último termo, já q u e o ú l t i m o n ã o é causa
dc nada; e t a m p o u c o o é o t e r m o intermediário, porque clc é
causa só dc u m dos três t e r m o s : c é indiferente q u e o t e r m o in- '5
lermediário seja u m só ou, ao contrário, sejam muitos, c m n ú m e -
ro i n f i n i t o ou finito. D o s t e r m o s q u e são infinitos desse modo' 1 ,
e d o i n f i n i t o c m geral, todos os termos são i g u a l m e n t e i n t e r m e -
diários até o t e r m o presente. Portanto, se nada é primeiro, não
existe causa'.

M a s se existe um princípio no topo da série das causas,


t a m b é m n ã o é possível proceder ao infinito d e s c e n d o na série 20
das causas, c o m o se a água devesse derivar do fogo c a terra da
água, c desse m o d o sempre algum e l e m e n t o dc g ê n e r o diferente
devesse derivar dc um g c n c r o p r e c e d e n t e . Diz-se q u e u m a coisa
deriva de outra c m dois sentidos ( e x c e t o no caso c m q u e "isso
deriva disso" signifique "isso vem depois disso", c o m o , por exem-
plo, q u a n d o se diz. que dos jogos ístmicos se passa aos jogos
olímpicos)*: (a) ou no sentido de q u e o h o m e m deriva da m u -
dança da criança, (b) ou no s e n t i d o dc q u e o ar deriva da água'',
(a) D i z e m o s q u e o h o m e m provém da criança c o m o algo q u e já 25
adveio provem dc algo que está c m devir, ou c o m o algo que já es-
tá realizado provem de algo q u e está c m vias dc realização. { D c
fato, nesse caso há sempre um t e r m o intermediário: entre o ser
c o não-scr existe sempre n o m e i o o processo do devir, assim
entre o q u e é c o q u e não é há sempre no m e i o o q u e advém.
Torna-sc sábio q u e m aprende, e é j u s t a m e n t e isso que queremos
dizer q u a n d o a f i r m a m o s q u e do aprendiz deriva o sábio), (b) O
outro sentido e m que se e n t e n d e que uma coisa provém de outra, 30
c o m o a água do ar, implica o d e s a p a r e c i m e n t o de um dos dois
termos, (a) N o primeiro sentido, os termos do processo não são
reversíveis: de fato, do h o m e m não pode derivar uma criança.
TfiN META TA ©YIIKA A EAATTON

e£ç ãXXr)Xa, oùSè yiyvexat èÇ àvSpòç iraîç (où yàp yiyvexat,


994' èx Tfjç yevéaecoç TÒ yiyvófxevov àXX' (8) £art [XETÀ r^v yéveaiv-
OÖTO) yàp xai ijjxèpa èx xoü jxptot, Sxi [xexà TOÛTO- 8iò oùSè TÒ
Tuptoi èÇ í||xèpaç)- ÔàTepa 8è àvaxáixTiTEi. à^xçoxèpcoç 8è
àSùvaxov e£ç atjteipov tèvai* TÔ>V piv yàp ovrtov (JLETŒÇÙ
5 àvàyxr] xéXoç eivai, xà 8' eîç àXXr)Xa àvaxáfXTtxer i) yàp
0axépou çOopà ôaxépou èaxi yèveaLç. — 5|xa Si xai àSùvaxov xò
npö>TOV àíSiov 5v ç0apfjvar èrcei yàp oùx ôbreipoç yéveaiç
i m TÒ àvw, àvàyxT) è£ où <p0apévroç nptoxou TI èyèveTo fxí]
àíSiov eivai, ÊTI 8è TÒ OU ëvexa xéXoç, xotoûxov 8è 8 |xí] ãXXou
io £vexa àXXà xàXXa èxeívou, <üax' e£ (xèv laxai xoioüxóv TI
?oxaxov, oùx ëaxai àjxeipov, e£ 8è |xr)9È.v xoioüxov, oùx laxai TÒ
ou ëvexa, àXX' oí TÒ ámeipov Ttoioüvxeç Xav6àvouaiv èÇaipoüvxeç
t?iv xoü àya0oü <póaiv (xafxoi oùGeiç &v iyxeip^aeiev où8èv
jtpàTxeiv (xí) (xéXXtúv èrci népaç ifëeiv) • oúS' âv eir| voüç èv
ií xoïç oùaiv ëvexa yàp xivoç àei Tipárcei o ye voõv ex«v,
xoüxo Sé èaxi itèpaç' xò yàp xèXoç ítépaç èaxív. àXXà pT)v
oùSè xò x£ íjv eTvai èvSèx^ai àvàyea0ai eiç fiXXov òpia^òv
TxXeováÇovxa xã> Xóyto- àe£ xe yàp êariv ò £[xïtpoa0ev fxãX-
Xov, ó 8' uaxepoç oùx êariv, ou Sè TÒ TçpõiTov [XÍ| êariv, où8è
20 xò èxó[xevov* ?xi xò èrcíaxacOai àvaipoüaiv oí ouxtoç Xéyovxeç,
où yàp oíóv xe eíSévai rcpiv e£ç xà ãxojxa èXOeív xai xò
yiyvtóaxeiv oùx ëaxiv, t à yàp ouxtoç àjteipa rnoç èvSéx^tai
voetv; où yàp öjxoiov èni xfjç ypa|x[xíjç, í} x a r á Tàç Siaipé-
METAFÍSICA, a 2, 99.1 a 32 b 23

( C o m efeito, o que deriva do processo do devir não é o q u e está


e m devir, mas é < o q u c > existe depois do processo do devir) 994b
Assim o dia deriva da aurora, porque vem depois dela e, por isso,
a aurora não pode provir do dia. (b) No segundo sentido, ao
contrário, os termos são reversíveis. Ora, e m a m b o s os casos é
impossível u m processo ao infinito, (a) No primeiro caso, deve
n e c e s s a r i a m e n t e haver um fim dos termos intermediários, (b) 5
No segundo caso, os e l e m e n t o s se transformam r e c i p r o c a m e n t e
um no outro: a corrupção de u m é geração de outro. Ademais,
sc o primeiro t e r m o da série fosse e t e r n o seria impossível que
perecesse. E porque o processo de geração não é infinito na série
das causas, n e c e s s a r i a m e n t e n ã o c e t e r n o o primeiro t e r m o de
cuja corrupção gerou-se o outro 1 1 .
Ademais, o objetivo é um fim, e o fim é o que não existe em
vista dc outra coisa, mas aquilo e m vista dc q u e todas as outras 10

coisas existem; dc m o d o que, se existe um t e r m o último desse


lipo, não pode existir um processo ao infinito. S c , ao contrário,
não existe um termo último desse tipo, não pode existir a causa
final. M a s os que defendem o processo ao infinito não se dão
conta de suprimira realidade d o b e m . Entretanto, ninguém c o m e -
çaria nada se não fosse para chegar a um termo. E t a m p o u c o have-
ria inteligência nas ações que não têm um fim: q u e m é inteligente '5
opera e f e t i v a m e n t e e m função de u m fim; e este é um termo,
porque o fim é, j u s t a m e n t e , u m termo 1 2 .
M a s t a m p o u c o a definição da essência pode ser reduzida
< a o i n f i n i t o > a outra definição sempre mais ampla c m seu e n u n -
ciado. D e fato, a definição próxima é sempre mais definição do
que a última. E quando, n u m a série dc definições, a primeira
não define a essência, t a m p o u c o o fará a posterior 1 '. A l é m disso,
os que falam desse m o d o d e s t r o e m o saber: c o m efeito, não sc 20
pode possuir o saber a n t e s dc ter alcançado o q u e não é mais
divisível. E t a m b é m não será possível o conhecer: de fato, c o m o
é possível pensar coisas q u e são infinitas desse modo? 1 ' 1 Aqui
não ocorre o m e s m o q u e n o caso da linha: é verdade q u e o pro-
cesso de divisão da linha não se d e t é m , mas o p e n s a m e n t o não
pode pensar a linha se não chegar ao fim no processo dc divisão.
Portanto, q u e m vai ao infinito no processo de divisão jamais
78 TUN MËTATA OYIIKA A EAATTON I

aeiç (ièv oùx forcerai, vofjaai 8 ' oùx êoxt (irj <rri\a<xvza (Swwrep
25 oùx àpcÔfjLTjaei xàç xopàç 6 xfjv âuetpov SieÇiíóv), àXXà xai
xtjv OXT)V où xvvou(J.évo) vottv àvàyxT). xaí àrceípco où8evi eoxtv
eivar ei 8è [if|, oùx ãraipóv y ' iaxi xò àrceípiú eivai. — àXXà
[jffjv xaí et ãuEipá y ' fjaav TTXTIÖei xà eíSr] XÛV aíxíwv, oùx
âv fjv oùS' OUXCÙ xò yiyváxrxetv XÓXE yàp ei8évat oió[i.e0a
30 Sxav xà atxta yvtoptawpiev xò 8' àrceipov xaxà xf]v iupóa0e-
aiv oùx ëaxtv èv 7tejtepaa(iiva) SteÇeXGeïv.

Aí 8' àxpoáaetç xaxà xà eÔtj aufißaivouatv cóç yàp


995 • EÍtóÔafiEv oSxcoç àÇioõfjLEV Xéyea0at, xai xà rcapà xaûxa oùx
öfioia cpaivexai àXXà 8ià xf|v àauvri0etav àyvwaxóxepa xaí
Çevixáixepa' xò yàp oúvtjÕeç yvcópifxov. iqXCxrjv 8è iaxùv
è'xei xò OÚV710EÇ oí vófiot SîiXoûaiv, lv oiç xà [í.u6íí8t} xaí
5 JtaiSapicóSr] [leíÇov iaxúet xoü ytvcóaxeiv rcepl aùxtûv 8ià xò
?0oç. oí (ièv ouv làv pf) (laÔTjpaxixôjç Xé-yg xiç oùx àixoSé-
Xovxai XÕJV Xeyóvxtúv, oí 8 ' âv |if| uapa8eiy(iaxixcjç, oí
8è fiápxupa àÇioúoiv èixáyeo6ai TOITJXTIV. xaí oí (ièv itávxa
àxpLpcüç, xoùç 8è XurceT xò àxpiPèç fj 8ià xò [if| SúvaaOat
io auveípeiv fí 8ià xf)v fztxpoXoyíav exet yàp xi xò àxp$Èç
xoioûxov, oi axe, xaôà^ep £tuí XÄV aupßoXaiojv, xai In i xûv
Xóycov àveXeú0Epov Elvat xiai Soxeî. Stò Set jtejïai8eûa0at
7tã)ç ëxaaxa àitoBexxéov, <Lç àxoTtov a[xa C^xeív èTucroipTiv
MUTAMSICA. a 2/3, 99.1 b24 - 9 « o 13 j

poderá c o n t a r os s e g m e n t o s da linha. E a linha c m sen c o n j u n t o


deve ser pensada por algo c m nós q u e não se mova de uma parte
a o u t r a 1 ' . — E t a m b é m não pode existir algo q u e seja essencial-
m e n t e infinito: e m e s m o que existisse, a essência do infinito
não seria infinita! 1 6
(B) Por outro lado, se fossem infinitas c m n ú m e r o as espécies
de causas, t a m b é m nesse caso o c o n h e c i m e n t o seria impossível.
De fato, só julgamos c o n h e c e r q u a n d o c o n h e c e m o s as causas.
Mas não é possível, n u m t e m p o finito, ir ao infinito por sucessi-
vos a c r é s c i m o s 1 ' .

>. IAlgumas observações metodológicas: é necessário adaptar


o método ao objeto que é próprio da ciência )'

A eficácia das lições 2 d e p e n d e dos hábitos dos ouvintes. Nós


exigimos, c o m efeito, que sc fale do m o d o c o m o estamos fami-
liarizados; as coisas que não nos são ditas desse m o d o não nos
parecem as m e s m a s , mas, por falta dc hábito, p a r c c c m - n o s mais
difíceis de c o m p r e e n d e r e mais estranhas. O que é habitual é
mais f a c i l m e n t e cognoscível.
A força do h á b i t o é demonstrada pelas leis, nas quais até o
que é m í t i c o c pueril, c m virtude do hábito, t e m mais força do
que o próprio c o n h e c i m e n t o .
O r a , alguns não estão dispostos a ouvir se não sc fala c o m
rigor m a t e m á t i c o ; outros só ouvem q u e m recorre a exemplos, en-
q u a n t o outros ainda exigem q u e se a c r e s c e n t e o t e s t e m u n h o dc
poetas. Alguns exigem q u e se diga tudo c o m rigor; para outros,
ao contrário, o rigor i n c o m o d a , seja por sua incapacidade dc
c o m p r e e n d e r os nexos do raciocínio, seja pela aversão às sutile-
zas. D c fato, algo do rigor pode parecer sutileza; c por isso alguns
o consideram u m t a n t o m e s q u i n h o , t a n t o nos discursos c o m o
nos negócios.
Por isso, é necessário ter sido instruído sobre o m é t o d o que
é próprio de cada ciência, pois é absurdo buscar ao m e s m o t e m -
po uma ciência e seu m é t o d o . C o m efeito, não é fácil conseguir
n e n h u m a dessas duas coisas.
80

xai xpórcov ijîia-nf|HTi;' eaxt 5 ' où8è Sáxepov ^<ji8tov Xaßeiv. xfy
ij 8' ÄxptßoXoftav r^v paÖTjfiaxix^v oùx h Sîraatv àrcaiTTj-
xéov, àXX' iv xoîç [if] £x ou<7lv Stóítep ou çuoixòç ó
xpóííoç- äjtaaa yàp ïatoç <púatç e x « uXr[V. 8iò axercxéov
jtpãiTOV xí laxiv íj çóaiç* oiíxto yàp xai jtepi xívtov ^ <puaixfj
SfjXov eaxai xai ei [itãç iíuarrinTjç rj rcXeióvtov xà aïxia xai
20 xàç àpxàç öetopfiaai laxiv.
METAFiSiCA, a 3, 9 9 5 a U - ÎO

Não se deve exigir e m todos os casos o rigor m a t e m á t i c o , 15

mas só nas coisas desprovidas de m a t é r i a ' . Por isso o m é t o d o da


m a t e m á t i c a não se adapta à física. E indubitável q u e toda a
natureza possui matéria. Por isso é preciso, e m primeiro lugar,
e x a m i n a r o q u e é a natureza; e desse m o d o ficará claro qual é o
o b j e t o da física -1 . E t a m b é m ficará claro se o e x a m e das causas e
dos princípios pertence a u m a só ou a muitas c i ê n c i a s ' . 20
LIVRO
B
( T Ê F - X E I F^Q)
1

'Aváyxri 7cpòç XT]V èTxiÇryxoufiivrçv èmaxTipL7]v £ïteX0eïv ^(JLÕCÇ I


25 7xp<õxov 7ü£pL cov à^opfjaai 8eï Tupõycov* xaüxa 8 ' èaxiv oaa
xe 7tepi aúxcõv ãXXcoç Ú7teiXr|<paaí xtveç, xàv e" xi
xoúxcov xoyxávet rtapecopajjiévov, ?axt 8à xoïç eúitopfiaai ßou-
Xo(ji£voiç 7Xpoöpfou xò 8ioc7Toprjaai xaXcõç- yàp ííaxepov
eÚTtopía Xúaiç xcõv Ttpóxepov àrcopoufiivcov èaxi, Xúeiv 8 ' oúx
jo eaxiv àyvooüvxaç xòv 8e<j[ji6v, àXX' i\ xfjç 8tavo£aç àíropía
8 Ï ] X O Ï xoöxo Txepl xoü TXPÀYIXAXOÇ- 7) yàp àîxopeï, XOCÚXTJ na-
paixXriaiov 7xè7xov0e xoïç 8e8epivoiç* àBùvaxov yàp àptpoxé-
pcoç 7xpoeX0eïv eiç xò 7rpóa0ev. 8iò 8eï xàç 8uaxepe£aç
0ecopr]xévai rcáaaç Jtpóxepov, xoúxcov xe xápw xai 8ià xò xoòç
35 Çrjxoùvxaç ãveu xoü SiaTtopfjaai 7xp<õxov ópotouç eivai xoïç TCOÏ
8eï ßaStfctv àfvooôai, xai Ttpòç xoúxotç oú8' eí Ttoxe xò Çrçxoú-
995b [ievov eÍípT]xev ^ pf) yiyvcooxeiv xò yàp xèXoç xoúxcp [xèv oú
StíXov xã) 8è 7ipo7]7cop7]xóxi SfjXov. ext 8è ßeXxtov àváyxTj
êxeiv íxpòç xò xpïvat xòv óSorcep àvxi8íxcov xai xcõv àjjupt-
<$T]xoúvxcov Xóycov àxTpcoóxa íxàvxcov. - eon 8 ' ÃTtopía TxpcóxT)
5 (xèv Tçept cov èv xoïç 7teq>poi|Aia<j|xívoiç 8ir]7xoprjaa(jiev, Jtóxe-
pov jjiiãç T] TioXXcõv è7xiaxT](i.6>v Gecopíjaai xàç aixíaç* xai tcó-
xepov xàç xfjç oúaíaç àpxàç xàç ixpcóxaç èaxi xfjç èmax-r^ç
E8eïv fi-óvov fj xai Trepi x<õv àpxcõv èÇ cov 8eixvúouai Trávxeç,
oíov rcóxepov èvSéxexai xaúxò xai ev àjia «pàvai xai àrco-
1. IConceito, finalidade e elenco das aporiasJ1
Com relação à ciência q u e estamos procurando, c necessá-
rio e x a m i n a r os p r o b l e m a s , d o s q u a i s , e m p r i m e i r o lugar, d e v e -
se p e r c e b e r a d i f i c u l d a d e . T r a t a - s e dos p r o b l e m a s c m t o r n o dos 25
quais alguns filósofos ofereceram soluções contrastantes c, alem
d e s t e s , de o u t r o s p r o b l e m a s q u e a t é agora f o r a m d e s c u i d a d o s .
O r a , para q u e m p r e t e n d e resolver b e m u m p r o b l e m a , é útil per-
c e b e r a d e q u a d a m e n t e a d i f i c u l d a d e q u e ele c o m p o r t a : a b o a so-
l u ç ã o final c o n s i s t e na r e s o l u ç ã o das d i f i c u l d a d e s p r e v i a m e n t e
e s t a b e l e c i d a s . Q u e m i g n o r a u m n ó n ã o p o d e r á d e s a t á - l o ; c a di-
ficuldade encontrada pelo p e n s a m e n t o manifesta a dificuldade 30
e x i s t e n t e nas c o i s a s . D e fato, e n q u a n t o d u v i d a m o s , estamos
n u m a c o n d i ç ã o s e m e l h a n t e a q u e m está amarrado; c m a m b o s
os c a s o s , é i m p o s s í v e l ir a d i a n t e . Por isso é p r c c i s o q u e , p r i m e i r o ,
s e j a m e x a m i n a d a s t o d a s as d i f i c u l d a d e s t a n t o por essas r a z õ e s ,
c o m o p o r q u e os q u e p e s q u i s a m s e m p r i m e i r o ter e x a m i n a d o as 35
d i f i c u l d a d e s a s s e m e l h a m - s e aos q u e n ã o s a b e m a o n d e d e v e m ir.
A d e m a i s , e s t e s n ã o são c a p a z e s d c s a b e r se e n c o n t r a r a m ou n ã o
o q u e b u s c a m ; pois n ã o lhes é claro o fim q u e d e v e m alcançar, c n - 995b
q u a n t o isso é c l a r o para q u e m a n t e s c o m p r e e n d e u as d i f i c u l d a -
des. A d e m a i s , q u e m ouviu as razões o p o s t a s , c o m o n u m p r o c e s s o ,
e s t á n e c e s s a r i a m e n t e e m m e l h o r c o n d i ç ã o d e julgar 2 .

( 1 ) A p r i m e i r a d i f i c u l d a d e refere-se a u m a q u e s t ã o já tratada
na i n t r o d u ç ã o : se a i n v e s t i g a ç ã o s o b r e as c a u s a s c tarefa 5
de u m a ú n i c a c i ê n c i a o u d c m a i s d c u m a 5 .
(2) T a m b é m c o m p o r t a d i f i c u l d a d e saber se é tarefa de nossa
ciência c o n s i d e r a r só os princípios primeiros da s u b s t â n c i a
ou t a m b é m os princípios sobre os quais se f u n d a m todas
as d e m o n s t r a ç õ e s : por e x e m p l o , se é possível ou n ã o afir-
TON META TAHYXIKÀ 8

io cpávat f| oü, xat rcepi xcõv ãXXcov xcõv xoioóxcov eí x' èaxi
nepi TÍ|V oúaíav, ixóxepov (x£a itepi Tcáaaç ?) uXeíovéç eiai,
x&v ei uXeíoveç ixóxepov âracaat au-yyeveíç f| xàç pèv oo-
tpíaç xàç Sè ãXXo xi XexxÉov aúx<õv. xai xoüxo 8' aúxò xcõv
àvayxaícov èaxi Çr)rrjaat, Txóxepov xàç aiaÔTjxàç oúaíaç eívat
is (JLÓVOV cpaxéov f| xai rcapà xaúxaç ãXXaç, xai Txóxepov (xo-
vaxcõç T| TxXeíova yévT] x£>v oúatüv, oíov oí ixotouvxe; xá xe
eíS-r] xai xà fia9r)fiaxtxà |xexa?ù xoúxcov xe xai xcõv aíaôrj-
xcõv. ixepí xe xoúxcov ouv, xa0á7tep <pa(i£v, eTriaxeirxeov, xai
TTÓxepov itepi xàç oúaíaç 9ecopía jxòvov èoxiv f| xai jxepi
20 xà auixßeßTpcoxa x a 9 ' aúxà xatç oúaíaiç, Ttpòç Sè xoúxoiç
Txepi xaúxoü xai èxépou xai òpoíou xai àvopoíou xai èvavxtó-
XT)XOÇ, xai rcepi ixpoxépou xai úaxépou xai xcõv ãXXcov
aTtávxcov xcõv xotoóxcov ixepi ôacov oí StaXexxixoi Txeipcõvxat
axoueïv èx xcõv èvSóÇcov (jtóvcov 7toioú|i.evo'. xrjv axé<|>'.v, xívoç
25 èaxi 9ecopfjaai ixepi ixàvxcov è'xt Sè xoúxotç aúxoíç Saa x a 9 '
aúxà aujxßeßT]xev, xai (ir) (JLÓVOV XÍ èaxi xoúxcov exaaxov
àXXà xai àpa ev èvi èvavxtov xai itóxepov ai àpxai xai
xà axotxela xà yívr\ èaxiv fj eiç à Siaipeïxai èvuTxàpxovxa
exaaxov xai ei xà févr), rcóxepov ôaa èixi xoíç àxò(xoiç Xé-
30 yexat xeXeuxaTa f) xà rcpcõxa, oíov ixóxepov Çcõov f| ãv9pcoitoç
àpxT) xe xai jxãXXov eaxt rcapà xò x a 9 ' exaaxov. [xáXiaxa
Sè ÇT]X7]xéov xai Ttpafpaxeoxéov Ttóxepov EOXL xi irapà XT)V
Ú'XT]V aixiov x a 9 ' aúxò f| ou, xai xoüxo X^piaxòv fj oü, xai TXÓ-
METAFÍSICA. B I . 995 b 1 0 - 3 3 37

m a r c negar a o m e s m o t e m p o a m e s m a coisa, c os outros


princípios elesse tipo 4 . 10
(3) E , na hipótese d c q u e essa ciência trate u n i c a m e n t e da subs-
tância, surge a dificuldade dc saber se existe u m a única ciên-
cia para todas as substâncias ou se existe mais de u m a ; c , caso
haja m a i s dc u m a , se são todas afins ou se só algumas de-
v e m ser c h a m a d a s " s a p i ê n c i a " c as outras de outro m o d o ' .
(4) E a seguinte q u e s t ã o t a m b é m deve ser s u b m e t i d a a e x a m e :
se d e v e m o s dizer q u e só e x i s t e m s u b s t â n c i a s sensíveis o u
se a l é m destas e x i s t e m t a m b é m outras; c, a d e m a i s , se es-
sas outras s u b s t â n c i a s são d c u m ú n i c o g ê n e r o ou se delas 15
e x i s t e m diversos gêneros c o m o , |X)r e x e m p l o , s u s t e n t a m
os q u e p o s t u l a m as F o r m a s e os o b j e t o s m a t e m á t i c o s "in-
t e r m e d i á r i o s " e n t r e as Formas c as s u b s t â n c i a s sensíveis 5 .
(5) Portanto, c o m o se disse, é preciso investigar essas q u e s t õ e s
e t a m b é m a seguinte: se nossa investigação trata u n i c a m e n -
te das substâncias o u t a m b é m das propriedades das subs-
tâncias. E a l é m disso, será preciso investigar q u e c i ê n c i a 20

t e m a tarefa d c indagar sobre o " m e s m o " e sobre o " o u t r o " ,


o "semelhante" e o "dessemelhante", a "contrariedade , o
" a n t e s " , o " d e p o i s " , c todas as outras n o ç õ e s desse gênero,
q u e os dialéticos sc e s f o r ç a m por examinar, p o r é m b a s e a n -
d o sua investigação u n i c a m e n t e sobre as o p i n i õ e s c o m u n s .
E ainda será preciso e x a m i n a r as características essenciais 25
d c cada u m a dessas coisas e n ã o só o q u e é cada u m a
delas, m a s t a m b é m se cada u m a t e m u m ú n i c o contrário 7 .
( 6 ) F, t a m b é m isso é u m a d i f i c u l d a d e : se os p r i n c í p i o s e os
e l e m e n t o s são os g ê n e r o s o u os c o n s t i t u t i v o s m a t e r i a i s
n o s q u a i s se d e c o m p õ e c a d a c o i s a "
( 7 ) E , na h i p ó t e s e d e q u e os princípios s e j a m os g ê n e r o s ,
p õ e - s e o p r o b l e m a de se os g ê n e i o s são os " ú l t i m o s ' cpie
se p r e d i c a m dos indivíduos ou se são os " p r i m e i r o s " : por 30
e x e m p l o , se " h o m e m " o u se " a n i m a l " é p r i n c í p i o c t e m
m a i o r grau d c realidade a l é m d o i n d i v í d u o particular''.
(8) M a s , de m o d o particular, deve ser e x a m i n a d a e tratada a
q u e s t ã o de se além da matéria existe u m a causa subsistente
|Jor si o u não, c sc essa causa é separada ou não; c, t a m b é m ,
se é só u m a ou se são mais de u m a ; e, a i n d a , se existe al-
83 TllNMETATAiDYÏIKAB

xepov Ev f] TiXeCci) xòv àpt0|Jióv, xaí iróxepov &m xt rcapà xò


33 oúvoXov (Xéyo> 8è xò aúvoXov, Sxav xaxr)yopr)0g xi xfjç üXrjç)
i] oúôév, f] xcõv (iiv xcõv 8* oö, xaí noïa xotaüxa xõ>v Svxcov.
996' Sxt aí àpxaí Ttóxepov àpi8(xcõ f] eiSei cópiapévat, xaí aí èv
xoTç Xóyot; xai aí èv xcõ Ú7toxet[xévci>; xai Ttóxepov xcõv
çôapxcõv xai áçÔápxcov aí aùxai ^ ïxepat, xai rcóxepov
atpÖapxot ítãaat í] xcõv q>0apxcõv q>0apxaí; ?xt 8è xò Tüáv-
s xcov xaXeítc£>xaxov xai 7rXe(axT|v àrcopíav e / o v , rróxepov xò
ev xai xò ov, xaôárcep ot IluÔayópetoi xai ílXáxoJV ííXeyev,
oOx Sxepóv xí iaxtv àXX' oúaía xcõv Svxcov; ^ ou, àXX' Sxepóv xt
xò ÚTioxeí^evov, aia7tep 'EjjtTreSoxXfjç çrjai cpiXíav àXXoç
8é xtç «up ò 8è íiScop i] àépa - xai nóxepov ai àpxai
to xaÔóXou eiaiv ?| cLç xà x a 0 ' Sxaaca xcõv Tupayfiàxcov, xai
Suvájjtei í} ivepyeíç' éxt Jtóxepov àXXo>í ^ xaxà xCvrjatv
xai yàp xaüxa àrcopíav âv napáoxot uoXXr|v. Txpòç 8è
xoúxoiç Tüóxepov oí àpi0[jioi xai xà \l7\xt\ xai xà <r/r\\iaia
xai ai axtyfxai oúaíat xtvéç eiatv f^ oö, xâv ti oilaíat rcóxepov
is xexcùpt<j(jiévai xcõv aiu&rjxcõv f[ èvuícàpxouaat èv xoúxot;; TCtpi
yàp xoúxcov àrcàvxcov oú JJLÓVOV xaXe7ròv xò eÙTUOpfjaai xfjç
àXr)0e£aç àXX' où8è xò Stanopfjcjat xcõ Xóyco ($£8tov xaXcõç.

npcõxov (Jtév ouv 7iepi cov TTpóõxov ewro|Jiev, TTÓXEpOV [Jllâç


fj TüXeióvcüV èaxiv IrciaxTHAcõv Oecopfjaat rcávxa xà yévT] xcõv
METAFÍSICA, e 1/2, 995 b 33 - 996 o 19 89

guina coisa além do sínolo < c o n c r c t o > (temos um sínolo


quando uma forma se predica da matéria), ou se além do
sínolo nada existe; ou ainda, se para alguns seres existe
algo separado enquanto para outros não, c quais são os
seres desse tipo 1 ".
(9) A d e m a i s , os princípios, seja formais seja materiais, são 996'
limitados q u a n t o ao n ú m e r o ou q u a n t o à e s p é c i e ? "
( 1 0 ) E os princípios das coisas corruptíveis e os das incorruptí-
veis são idênticos ou são diversos? S ã o todos incorrup-
tíveis ou os das coisas corruptíveis são corruptíveis? 1 2
(11) Além disso, a dificuldade maior c mais exigente é a seguin- 5
te: se o Ser e o U m , c o m o diziam os pitagóricos e Platão,
são ou não a substância das coisas, ou se, ao contrário,
supõem alguma outra realidade que lhes sirva dc substrato
c o m o , por exemplo, segundo E m p é d o c l e s , a amizade ou,
segundo outros, o fogo ou, segundo outros ainda, a água
ou o ar 1 '.
(12) O u t r o problema é o seguinte: se os princípios são univer-
sais ou sc são particulares, c o m o as coisas individuais". 10

( H ) E t a m b é m isso é problema: se os princípios são c m potên-


cia ou c m ato; c se são c m potência ou e m ato num sen-
tido diferente daquele q u e se refere ao movimento. Estes
são problemas que apresentam notável dificuldade 1 ''.
(14) Além disso, há t a m b é m a seguinte questão: se os n ú m e -
ros, as linhas, as figuras e os pontos são substâncias ou
não c, caso sejam substâncias, sc são separadas das coisas 15
sensíveis ou imanentes a elas ir '.
Para todos esses problemas 1 7 não só é difícil encontrar a verda-
de, mas n e m sequer é fácil c o m p r e e n d e r b e m c a d e q u a d a m e n t e
a,s dificuldades q u e eles c o m p o r t a m .

2. /Discussão das cinco primeiras aporias]

[Primeira aporia]]
E x a m i n e m o s , pois, e m primeiro lugar, a primeira q u e s t ã o
q u e e n u n c i a m o s : sc o estudo de todos os gêneros dc causas é
tarefa d c u m a única ciência ou de mais ciências.
90 I TfiNMETATAOYllKAB

20 atxícov. [itãç [xiv yàp imarf\firj<; raõç âv e-irj (if) èvavxíaç


ouaaç xàç àpxàç yvcopíÇetv; ext Sè itoXXoïç xã>v ovxwv oúx
ü7iápxouai 7iãcat" xtva yàp xpórcov otóv xe xivíjaecoç àpx^v
eivai xoïç áxLvrjxoiç fj xrjv xàyaSoü «púaiv, etkep âitav o âv
rj àyaOòv xaO' aúxò xai Stà xíjv aúxoü cpúaiv xèXoç èaxiv
2ï xai oííxcoç aíxiov öxi èxeívou ëvexa xai yíyvexai xai eaxt
xâXXa, xò Sè xéXoç xai xò oú evexa ixpáÇecóç xivóç èaxt xéXoç,
aí Sè 7upáçEiç jxãaai jiexà xivfjaecoç; wax' èv xoïç àxivfjxotç
oùx âv èvSéxoixo xaúxr)v elvat xrjv ä p x V oúS' eívaí xt aúxo-
aya9óv. Siò xai èv xoïç fiaOrijiaaiv oúGèv Seíxvuxai Sià
y> xaúxriç xfjç aixíaç, oùS' ê'axiv àitóSetÇiç oúSefiía Stóxt ßeXxiov
f| x £ ïpov, àXX' oùSè xò 7tapá7xav fiéfivrixai oúÔeiç oúôevòç xcõv
xoioúxcov, òSaxe Sià xaûxa xcõv aoçiaxcõv xivèç oíov 'ApíaxiOTxoç
JtpoeTOjXáxiÇev aùxàç- èv fièv yàp xaïç âXXaiç xèxvaiç,
xai xaïç ßavaúaolç, oíov èv xexxovtxrj xai axoxtxfj, Sióxi
J5 ßiXxtov fj x 6 ^P 0V Xèyeaôai ixávxa, xàç Sè [iaôïjpaxixàç
996b oúÔéva 7xoieïa9ai Xóyov írepi àyaÔcõv xai xaxcõv. — àXXà firjv
eí ye rcXeíouç èiuarfjjiai xcõv aixícov eiai xai éxépa íxépaç
àpxfjç, xtva xoúxcov cpaxéov eívat xrjv Çirjxoi>[AtvT]v, f| xíva fiá-
Xiaxa xoû 7xpáy|iaxoç xoü Çrjxou(iévou èjuarr||jLova xcõv èxòvxcov
s aúxáç; èvSèx £ T a i yàp xcõ aúxcõ 7távxaç xoùç xpóitouç xoùç xcõv
atxícov ÚTüápxetv, oíov otxíaç o0ev (ièv fj xívrjaiç r; xéxvr)
xai ó oixoSófioç, oú S' ëvexa xò epyov, ííXri Sè yfj xai XíOoi,
xò 8' eíSoç ó Xóyoç. èx (ièv oúv xcõv íiáXai Sicoptafiévcov
xtva xp^l xaXeïv xcõv èitLaxri|jicõv aocpíav &xeL Xóyov éxáaxrjv
io Ttpoaayopeúeiv rj [ièv yàp àpxtxcoxáxii xai fjyepovixcoxáxT)
xai fj cóujzep SoúXaç oúS' àvxenteïv xàç âXXaç èTtiaxrifiaç
Síxaiov, T) xoü xèXouç xai xàyaÔoG xoiaúxíi (xoúxou yàp evexa
METAFÍSICA, B 2. 9 9 6 û - b 12

M a s c o m o o c o n h e c i m e n t o de t o d o s os princípios poderia 20

ser tarefa de u m a única c i ê n c i a se eles n ã o são contrários? 2

A d e m a i s , e m m u i t o s seres n ã o estão presentes todos os princí-


pios. C o m e f e i t o , c o m o é possível q u e para os seres imóveis
exista um princípio dc m o v i m e n t o ou ainda uma causa do bem
uma vez q u e t u d o o q u e por si c b o m é por sua natureza um
fim c é causa, dado q u e e m virtude dele as coisas sc produzem
c são, e dado q u e o fim e o o b j e t i v o c o fim dc alguma ação, c 25
as a ç õ e s i m p l i c a m m o v i m e n t o ? C o n s e q ü e n t e m e n t e , nos seres
imóveis n ã o poderá haver esse princípio do m o v i m e n t o n e m
uma causa do b e m . Por essa razão, nas m a t e m á t i c a s não se de-
monstra nada pela causa final e n ã o existe n e n h u m a d e m o n s -
tração q u e a r g u m e n t e c o m b a s e n o m e l h o r c no pior, e os m a - 30
t e m á t i c o s n e m s e q u e r m e n c i o n a m coisas c o m o estas. (F, por
estas razões q u e alguns sofistas, c o m o Aristipo 4 , desprezavam
as m a t e m á t i c a s : d e fato, e n q u a n t o nas outras artes c ate nas
artes m a n u a i s , c o m o as do m a r c e n e i r o ou do sapateiro, t u d o é
m o t i v a d o pelas razões do m e l h o r e do pior, as m a t e m á t i c a s
não d e s e n v o l v e m n e n h u m a c o n s i d e r a ç ã o acerca das coisas boas 35

c más)". 991

Por outro laclo, se as ciências das causas são mais clc uma e
se e x i s t e m diversas ciências dos diferentes princípios, qual delas
poderemos dizer q u e c a ciência por nós buscada ou, dentre os
que possuem aquelas ciências, q u e m poderemos dizer que conhe-
ce m e l h o r o o b j e t o de nossa pesquisa? Pode ocorrer q u e no mes- 5
m o o b j e t o e s t e j a m presentes todos os tipos dc causas; c o m o , por
exemplo, n u m a casa: sua causa m o t o r a são a arte c o construtor,
a causa final c a obra, a causa material são a terra e as pedras, c a
causa formal c a essência. Ora, segundo as características q u e
e s t a b e l e c e m o s acima' 1 para d e t e r m i n a r qual das ciências deve
ser d e n o m i n a d a " s a p i ê n c i a " , a ciência de cada u m a das causas
tem alguma razão para reivindicar essa d e n o m i n a ç ã o . (a) D c io
fato, na m e d i d a c m q u e é ciência soberana e mais digna entre
todas para dirigir, na medida em que a ela todas as outras ciências,
c o m o servas, j u s t a m e n t e não podem replicar, a ciência do fim c
d o b e m parece exigir a d e n o m i n a ç ã o de sapiência {todas as coi-
sas, c o m efeito, e x i s t e m c m função do f i m ) , (b) Por sua vez,
TON META TA (DYXIKA 8

xàXXa), fj 8è xcõv Ttpcóxcov aixícov xai xoü [láXttrxa imorrixou


8ia>pía9r] elvat, xfjç oúaíaç âv etV] xotavxrj* 7ioXXax<ãç yàp
is èTtiaxajxévcov tò aúxò (xãXXov |xiv eiSívai çpajjtèv xòv xí»
eivai yvcopíÇovxa xí xò npãyjxa f] xcõ [if) elvat, aúxcõv 8è
xoúxcov ëxepov ixépou (lãXXov, xai fiáXiaxa xòv xt laxiv àXX'
où xòv jcóaov fj TCOÎOV f[ xí Ttotetv rj náax^w rciçuxev. ext 8è
xai £v xoîç àXXotç xò eiSévat ëxaaxov xai tóv àítoBeíÇeiç
20 eiaí, xóx' o£ó[j,e0a úrcápxeiv Sxav eiScõ|j,ev xí èaxtv (olov xí
£axi xò xexpaycovíÇeiv, ôxt [iiariç eiípeaiç* ÓJÍOÍCOÇ 8è xai êrci
xcõv àXXcov), jtepi 8è xàç yevéaetç xai xàç TtpàÇetç xai Ttepi
Ttãaav [jiexaßoXfjV öxav eiSwpev xf|V àpxfjv xfjç xtvf|aecoç-
xoüxo 8 ' ïxepov xai àvxtxeíjxevov xcjj xéXei, wax' àXXr)ç Sv
a SóÇeiev £TCIOXT|}AT}Ç elvat t ò Öecopfjaat xcõv aixícov xoúxcov ëxa-
axov. — àXXà [xVjv xai rcepi x£jv àrcoSeocxixcov àpx&õv, rcóxepov
(xiãç áaxiv £ni<jxíi|JLr]ç ri rcXetóvcov, i[i<piaß7ixfjat[i0v iaxtv (Xéyco
8è àico8eixxixàç xàç xoivàç 8óÇaç cov aitavxeç Seixvúou-
aiv) oíov Í5xt ítãv àvayxaíov ^ (pávat f] àrcoçàvai, xai
30 àSúvaxov â(jta eivai xai [if] elvaL, xai Saat ãXXat xotaü-
xai Ttpoxàaeiç, jtóxepov [xía xoúxcov in\<zirr\\Lr\ xai xfjç oúaíaç f|
êxipa, xâv ei [if] [xía, Ttoxipav xp^l rcpoaayopeúeiv xfjv ift-
xou[xévr]v vüv. [i.iãç [iiv ouv oúx eCXoyov elvat* xí yàp [iãX-
Xov yeco|j.expíaç f) órcoiaaoüv rcepi xoúxcov èaxiv ISiov xò êrcateiv;
35 eiTiep ouv ó|i,oícoç [ièv órcoiaaoüv iaxív, àrcaacôv 8è [xfj iv8éx&-
METAFÍSICA. S 2, 996 b 1 2 35

tcnclo sido a sapiência definida^ c o m o ciência das causas pri-


meiras c do q u e é m a x i m a m e n t e cognoscível, esta parece ser a
ciência do substância''. C o m eíeito, entre os q u e c o n h e c e m a
m e s m a coisa segundo diferentes modos, a f i r m a m o s q u e c o n h e - 15
c e mais o q u e c a coisa q u e m a c o n h e c e e m seu ser e não q u e m
a c o n h e c e e m seu não-ser 1 "; c t a m b é m entre os q u e a c o n h e c e m
no primeiro m o d o , há q u e m a c o n h e ç a mais do q u e outro, c a
c o n h e c e mais do q u e todos q u e m c o n h e c e sua essência e não a
qualidade o u a q u a u t i d a d e o u o f a / . c r o u o p a d e c e r " . E t a m b é m ,
nos outros casos, p e n s a m o s que se t e m o c o n h e c i m e n t o de todas
as coisas, inclusive das q u e são passíveis de demonstração 1 2 , q u a n -
do se c o n h e c e a essência. (Por e x e m p l o , c o n h e c e m o s a essência 20
da o p e r a ç ã o da quadratura q u a n d o sabemos que ela consiste em
e n c o n t r a r a média proporcional 1 2 ; c dc m o d o análogo c m outros
casos), (c) Ao contrário, c o n s i d e r a m o s ter c o n h e c i m e n t o das ge-
rações, das ações e de toda espécie dc m u d a n ç a q u a n d o c o n h e -
c e m o s o princípio motor, c esse princípio é diferente c o p o s t o à
causa final 1 '*. C o n c l u i n d o , parece q u e o e s t u d o de cada uma des-
sas causas é o b j e t o de uma c i ê n c i a diferente 1 ".

ISegunda aporia]]h

Há t a m b é m a seguinte aporia: se c o m p e t e a uma única


ciência 1 7 ou a mais dc u m a o e s t u d o dos princípios da d e m o n s -
tração. ( C h a m o princípios da d e m o n s t r a ç ã o às c o n v i c ç õ e s c o -
m u n s l s das quais todos partem para demonstrar: por exemplo,
que todas as coisas devem ser ou afirmadas ou negadas c q u e é
impossível ser e n ã o ser ao m e s m o t e m p o , c as outras premissas 30
desse tipo) 1 ''. O problema, portanto, consiste c m saber se é uma
só a ciência q u e trata desses princípios e da substância, ou se
são duas diferentes; c se não é uma só, c o m qual delas devemos
identificar a q u e e s t a m o s b u s c a n d o .
O r a , não parece razoável q u e seja u m a só. D e fato, por que
haveria dc ser tarefa própria, digamos, da g e o m e t r i a mais do
q u e de q u a l q u e r outra c i ê n c i a , tratar desses princípios? Se, por-
l a n t o , p e r t e n c e i g u a l m e n t e a qualquer ciência e se, por o u t r o 35
9A TON META TA ®Y>:IKAB

997" Tai, woTtep oú8è xcõv àXXcov oíkcoç oúSè x-rjç yvcúpi£oúair]ç xàç
oúaíaç íStóv èaxi xò yiyvcóaxetv itepí aúxcõv. àjia 8è xai xíva
xpóirov ?axat aúxcõv èjuaxT)|xri; xí [xèv yàp 1'xaaxov xoúxcov
xuyxávei ôv xai vüv yvcopíCopev (xp<õvxat yoGv chç yiyvco-
5 axofiÉvoiç aúxoíç xai ãXXai xèxvai)- eí 8è àrcoSeocxixíi Tcept
aúxcõv èaxi, Seriei xi yévoç eivai úitoxeípevov xai xà jxèv
TtáGr] xà 81 àÇicófiax' aúxõbv (ícepi rcávxcov yàp àBùvaxov
àrcóSetÇiv eivai), àvàyxr] yàp ex xtvcov eivai xai irepí xi xai
xivôiv xf)v ànóBeiÇiv cíaxe aufißaivei Ttávxwv eivai yevoç ev
io xí TOV 8eixvu}iivcov, itãaai yàp aí ànoBeucxixai xpcõvxat
xoïç à^Lcó^aaiv. — àXXà pfjv el éxépa fj rrjç oúaíaç xai f) Ttepi
xoúxcov, noxépa xupicoxépa xai rcpoxèpa itécpuxev aúxcõv; xa-
ÔóXou yàp [láXiaxa xai itávxcov àpxai xà àÇuó|jiaxá èaxiv,
eí x' èaxi [XT] xoû cpiXoaócpoo, xívoç êaxai Jiepi aúxcõv àXXou xò
is Öecopfjaat xò àXiqOèç xai c|>eúBoç; — oXcoç xe xcõv oúaicõv rcó-
xepov ( I Í A Jtaacõv èaxiv RJ TtXeíouç èîtiaxfjfjiaî ei fièv oúv JJLT]
[xía, Ttoíaç oúaíaç Ôexéov XT|V è7ctax/IJI.T)V xaúxrjv; xò 8è jxíav
7caaÔ)v oúx eííXoyov xai yàp àv àiro8eixxix-?i fxía nepí iráv-
xcov eír] xcõv au[jißeßr]x0xojv, eÍJiep Ttãaa àiroSetxxixT| uepí
20 xí Ú7toxeí[xevov Ôecopeí xà x a 0 ' aúxà aujißeßiqxöxa èx xcõv
xoivcüv 8o£cõv. rcepi oúv xò aúxò yèvoç xà au[xßeßir]x0xa xaÖ'
aúxà xfjç aúxfjç èaxi Ôecopfjaai èx xcõv aúxcõv 8oÇõv. rcepí
xe yàp ô piaç xat èÇ cov fiiãç, etxe rrjç aúxfjç eíxe àX-
METAFÍSICA, B ?.. 997 O 1 - 23

lado, não c possível que pertença a todos o c o n h e c i m e n t o dos 997 '


princípios, dado não ser tarefa específica de n e n h u m a das outras
ciências, t a m b é m não é tarefa específica da ciência q u e c o n h e c e
as substâncias. Por outro lado, c o m o poderá ser a ciência desses
princípios? O q u e é cada um deles sabemos i m e d i a t a m e n t e . E
as outras artes servem-se deles c o m o de algo q u e é c o n h e c i d o .
Sc cicies houvesse uma ciência demonstrativa, e n t ã o deveria ha- 5

ver um gênero c o m f u n ç ã o cie sujeito e deste alguns princípios


deveriam ser propriedades c outros axiomas (porque é impossí-
vel q u e haja d e m o n s t r a ç ã o dc t u d o ) ; dc fato, a d e m o n s t r a ç ã o
deve n e c e s s a r i a m e n t e partir de algo, versar sobre algo e ser de-
m o n s t r a ç ã o de algo. C o n s e q ü e n t e m e n t e , seguir-se-ia q u e todas
as coisas passíveis de d e m o n s t r a ç ã o p e r t e n c e r i a m ao m e s m o io
gênero, e n q u a n t o todas as ciências demonstrativas valem-se dos
axiomas 2 0 .
Ao contrário, se a ciência cla substância é diferente cia dos
axiomas, qual das duas será superior e anterior? C o m efeito,
os axiomas são o que cie mais universal existe; c se não é tarefa do
filósofo, d e q u e m mais poderá ser tarefa indagar a verdade c a
lalsidade deles? 2 1

I'1'erceira aporia]21

E , e m geral, existe uma única ciência dc todas as substân-


cias 2 ' ou mais dc uma?
Ora, se não existe uma só, dc q u e tipo dc substâncias dire-
mos q u e é ciência esta nossa? 2,1
Por outro lado, não parece razoável que seja uma só a ciência
de todas as substâncias, porque, se assim fosse, seria t a m b é m
única a ciência demonstrativa dc todos os atributos, dado que
toda ciência demonstrativa dc d e t e r m i n a d o o b j e t o estuda seus 20
atributos essenciais a partir de a x i o m a s 2 ' . Portanto, tratando-se
de um m e s m o gênero 2 5 , caberá a uma m e s m a ciência estudar seus
atributos a partir dos axiomas. E , c o m efeito, segundo esta hipó-
tese, o o b j e t o sobre o qual versa a d e m o n s t r a ç ã o pertencerá a
uma única ciência, c os princípios dos quais parte a demonstração
T í i N META TA O Y I I K A B METAFÍSICA, B 2, 997 • 7A • b 10

Xrjç, coaxe xai x à au(Jtßeßr)x0xa, eï6' aúxai Ôecopoüaiv eíx' t a m b c m p c r t c n c c r ã o a uma única c i c n c i a ( q u e r e l a c o i n c i d a , q u e r
is èx xoúxcov [xfa. — exi 8è ítóxepov itepi xàç oúaíaç jióvov não, c o m a p r i m e i r a ) 2 7 e, c o n s e q ü e n t e m e n t e , t a m b é m os a t r i b u -
-il Ôecopía èaxiv f) x a i rcepi xà aujJtßeßrjxöxa x a ú x a i ç ; Xíyco tos p e r t e n c e r ã o à m e s m a c i ê n c i a (isto é: a essas duas c i ê n c i a s ou
8' oíov, eí xò axepeòv o ú a í a xíç i a x i x a i ypajjijjtai x a i èftí- à c i ê n c i a única q u e r e ú n e essas duas) 2 ''.
íteSa, ítóxepov xrjç aúxfjç x a û x a yvcopíÇeiv èaxiv êmaTrjfjLriç x a i
xà ow[jtßeßTix0xa Ttept Exaaxov yévoç Ttepi cov aí [xaOrifia- IQuarta aporia}29
» xtxai Seixvúouaiv, ^ <5XXr]ç. ei fièv yàp xríç aúxTjç, àfto-
A d e m a i s , nossa investigação versa s o m e n t e sobre as substân-
Seixxixf] xiç fiv EÍT] x a i xf)ç o ú a í a ç , oú SOXET 8è xoü x(
cias, ou t a m b é m sobre seus a t r i b u t o s ? (Por e x e m p l o : sc o sólido é
iaxiv àítóSeiÇiç eivai- eí 8 ' èxépaç, xíç ã r t a i fj Öecopoüaa Ttepi
uma s u b s t â n c i a c assim t a m b é m as linhas e as superfícies, será ta-
T#iv oúaíav xà au|ißeßT)x0xä xoõxo yàp àítoSoõvai 7tayxá-
refa da m e s m a ciência c o n h e c e r esses entes e t a m b é m os atributos
Xercov. — ?xi Sè ítóxepov xàç aiaGrjxàç oúaíaç (Jtóvaç eivai
de cada g ê n e r o desses e n t e s q u e c o n s t i t u e m o o b j e t o das d e m o n s -
35 qjaxíov f) x a i Ttapà x a ú x a ç fiXXaç, xai rcóxEpov fjLovaxcõç trações m a t e m á t i c a s , ou será tarefa dc u m a ciência d i f e r e n t e ? ) .
997 k ítXeíco yívr) xexúxrixev Svxa xcõv oúaicõv, oíov oi Xíyovxeç xá
S e fosse tarefa da m e s m a c i ê n c i a , e n t ã o haveria u m a c i ê n c i a
xe etSrj x a i xà (JtexaÇú, Ttept S x à ç [AaÔrinaxixàç eívaí q>a- d e m o n s t r a t i v a t a m b é m da s u b s t â n c i a , e n q u a n t o na verdade n ã o
aiv è7ttaxT||jiaí; cóç (xèv oúv Xéyofxev xà etSri a í x i á xe xai parece haver u m a d e m o n s t r a ç ã o da c s s ê n c i a 5 " .
o ú a í a ç eivai x a Ô ' è a u x à ç eípr)xai èv xoïç Ttpcóxoiç Xóyoiç Ttepi Por o u t r o lado, se é tarefa d c u m a c i ê n c i a d i f e r e n t e , q u e
Í aúxcõv ÍTOXXAXF) 8è èxóvxcov SuaxoXíav, oúGevòç fjxxov àxo- c i ê n c i a e s t u d a r á os a t r i b u t o s da s u b s t â n c i a ? E d i f i c í l i m o respon-
itov xò çávai [ièv eívaí xivaç çúaeiç ítapà xàç iv xcõ der a e s t a p e r g u n t a ' 1 .
oúpavcõ, x a ú x a ç 8è x à ç a ú x à ç q>ávai xoïç aiaÔrixoïç 7tXf|v öxi
xà (xèv àfSia xà Sè çGapxá. aúxò yàp àvÔpcoítóv çaaiv
IQuinta aporiap2
eivai xai írotov xat úyíetav, &XXo 8' oúSív, ítapaTtXfjaiov
io itoioûvxeç xoïç Geoúç (jiiv eivai çáaxouatv àvÔpcoTtoeiSeïç 8É - Por o u t r o lado, deve-se dizer q u e só e x i s t e m s u b s t â n c i a s sen-
síveis ou t a m b é m outras a l é m delas? E deve-sc dizer q u e só cxi.stc
u m g ê n e r o ou q u e e x i s t e m diversos g ê n e r o s dessas s u b s t â n c i a s ,
c o m o p r e t e n d e m o s " q u e a f i r m a m a e x i s t ê n c i a dc F o r m a s c clc
E n t e s i n t e r m e d i á r i o s ( q u e , s e g u n d o eles, seriam o o b j e t o cios
conhecimentos matemáticos)?
O r a , já e x p l i c a m o s a n t e r i o r m e n t e í H e m q u e s e n t i d o d i z e m o s
q u e as F o r m a s são causas c s u b s t â n c i a s por si. E n t r e os m u i t o s
a b s u r d o s dessa d o u t r i n a , o m a i o r c o n s i s t e c m afirmar, por u m
lado, q u e e x i s t e m outras realidades a l é m das e x i s t e n t e s n e s t e
m u n d o c afirmar, por o u t r o lado, que são iguais às sensíveis, c o m
a ú n i c a d i f e r e n ç a de q u e u m a s são e t e r n a s c as outras c o r r u p t í -
veis. E l e s a f i r m a m , cie fato, q u e existe u m " h o m e m c m si", u m
" c a v a l o c m si", u m a " s a ú d e e m si", s e m a c r e s c e n t a r n a d a a l é m ,
c o m p o r t a n d o - s e , a p r o x i m a d a m e n t e , c o m o os q u e a f i r m a m a exis-
t ê n c i a d e d e u s e s , m a s q u e eles t ê m f o r m a h u m a n a . C o m e f e i t o ,
98 I ton MFCTA T A © Y Ï I K A B j METAFÍSICA, B 2. 9 9 7 b 1 1 9 9 8 a 2 |

Ovis yàp èxeïvoi oùôèv SXXo èiroiouv àv0pcímouç àtSiouç, o£>0' os deuses que eles a d m i t e m não são mais que h o m e n s eternos,
outoi x à e'iSï) aXX' f) aiaOryxà àtSia. êxi 8è et xtç rcapà x à e n q u a n t o as Formas que eles postulam não são mais que sensí-
eîSr) x a i xà aia0r]xà xà [xexaÇù 0fjaexai, iroXXàç àiuopiaç veis e t e r n o s " . Ademais, se além das Formas c dos sensíveis pos-
ëÇer BrjXov yàp cóç ójioícoç ypa[i|xai xe irapà x ' aùxàç x a i I ularmos t a m b é m entes intermediários^, surgirão numerosas cli-
15 xàç aiaOryràç eaovxat x a i ëxaaxov xcõv ãXXcov yevcõv- wax' liculdadcs. Dc fato, é evidente que existirão outras linhas alem
ÊTteÍTiep if) àaxpoXoyia |j,ta xoúxcov èaxív, eaxat XL; x a i oúpavòç das linhas-em-si c das linhas sensíveis, e do m e s m o m o d o para
Ttapà xòv ai<j0rjxòv oúpavòv xai ífXióç xe x a i aeXrjvrj xai rada um dos outros gêneros. Assim sendo, dado que a astrono-
xàXXa ójJLoicoç x à x a x à xòv oúpavòv. xaíxoi rtcõç 8eî maxeü- mia é uma dessas ciências m a t e m á t i c a s , deverá existir, conse-
a a i xoóxoiç; oúSè y à p àxiviqxov euXoyov eivai, xivoú[ievov 8è q ü e n t e m e n t e , t a m b é m outro céu além do céu sensível' 7 , assim
20 x a i TiavxeXcõç àBúvaxov ÓP-oicoç 8è x a i ixepi cov RJ ÒTUTIXT]
c o m o outro sol c outra lua, e o m e s m o para todos os outros

jrpayfxaxeúexai xai r| èv xoîç |j.a0f|[ia<jiv àppovixf|- xai corpos celestes, jVIas c o m o se pode crer nisso? Dc fato, não é ra-
zoável admitir q u e esse céu < i n t c r m c d i á r i o > seja imóvel c. por
y à p x a ü x a àSúvaxov eivai u a p à x à aia0T|xà 8ià xàç aúxàç
outro lado, é a b s o l u t a m e n t e impossível que seja móvc1"\ O
aixiaç- ei y à p èaxiv aiaGrjxà (lexaÇú x a i aEa0f)aeiç, SfjXov
m e s m o se deve dizer das coisas que são objeto da pesquisa ótica
8xi xai Çcõa ëaovxai pexaÇù aúxcõv xe x a i xcõv <p9apxcõv.
e dos objetos da pesquisa da harmônica m a t e m á t i c a " ' . C o m
25 áíi;opT|<jeie 8 ' ãv xiç x a i rcepi iroTa xoSv õvxcov 8eî Çr)xeív
efeito, é impossível que cias existam além dos sensíveis, pelas
xaúxaç x à ç èrctOTrpaç. e£ y à p xoúxcp Sioiaet xfjç yecoSaiaiaç
mesmas razões 4 ". D c fato, se existem seres sensíveis intermediá-
yecofjiexpCa póvov, oxi f| [xèv xoúxcov ètrciv cóv aiaÔavópeÔa
rios, existirão t a m b é m sensações intermediárias, c é evidente que
8 ' oúx aia0T]xcõv, SfjXov ò'xi x a i roxp' iaxpixfjv eoxai xiç èrci-
existirão t a m b é m animais intermediários entre os animais c m
axfjpr) x a i 7uap' êxàaxTjv xcõv âXXcov [i-exaÇú aúxfjç xe iaxpi-
si c os animais corruptíveis 4 1 . F t a m b é m é difícil estabelecer
30 xfjç x a i xfjaSe xfjç iaxpixfjç- xatxoi ircõç xoüxo Suvaxóv; xai
para que gêneros de realidades dcvcm-sc buscar essas ciências
yàp âv úyteív' àxxa eirj irapà xà ai<J0T)xà xai aúxò xò intermediárias. D c fato, se a geometria só difere da geodésia 4 7
úyieivóv. a [ia 8è oú8è xoüxo àXrjôèç, cóç fj yecoSaiaia xcõv porque esta última versa sobre as coisas sensíveis, e n q u a n t o a
aia0T)xcõv èaxi peyeGwv xai <p0apxcõv è<p0eípexo yàp âv primeira versa sobre as coisas não sensíveis, é evidente que de-
<p9eipO[x£vcov. - àXXà pf|V oúSè xcõv aia07]xwv âv etr) peyeÔcõv verá ocorrer o m e s m o com a medicina c c o m cada uma das ciên-
35 oúSè 7íepi xòv oúpavòv ^ àaxpoXoyia xóv8e. oúxe y à p a i aia0r]- cias, e deverá haver uma medicina intermediária entre a medicina
998* xai y p a p p a i xoiaüxai eiaiv oïaç Xíyei ó yecopixpriç (oú0èv cm si e a medicina sensível. Mas c o m o isso é possível? De fato,
y à p eú0ò xtõv a£a0r)xôiv ooxcoç oú8è axpoyyúXov ârcxexai y à p nesse caso deveriam existir, além das coisas sadias sensíveis c
além do sadio c m si, outras coisas sadias'11. Entretanto, nem se-
quer é verdade que a geodésia trate dc grandezas sensíveis c
corruptíveis; pois corrompendo-sc essas grandezas, t a m b é m ela
deveria corromper-se"' 4 .

Por outro lado, a astronomia não poderia ter c o m o o b j e t o


dc estudo as grandezas sensíveis, nem esse céu sensível. D e fato,
nem as linhas sensíveis são do modo c o m o as entende o geômetra
(com efeito, n e n h u m a das coisas sensíveis é reta ou curva c o m o
pretende o geômetra, o círculo sensível não encontra a tangente
TON M E T A T A O Y Ï I K A B

xoü xavóvoç où xaxà axiyjifiv ó xúxXoç àXX* <SS<mep npcoxa-


yópaç ÈíXeyev èXèyxcov TfÊ^^xpaç), oiíG' aí xiv/jaeiç xat
i SXixeç xoü oúpavoõ S[ioiai itepi cov ifj àaxpoXoyía Ttoieïxai xoùç
Xóyouç, ouxe xà arifieïa xoïç ãaxpoiç xf]v aùxfjv e^et 9Ú01V.
eíoi 8é xiveç oX 9aaiv eivai [ièv xà [lexaÇù xaûxa Xeyópeva
xcõv xe e£$&v xat xcõv aíaÔ^xcõv, où [if)v x ^ p í í T e ataOr)-
xcõv àXX' èv xoúxoiç1 oTç xà au[ißa£vovxa àSóvaxa návxa
10 [ièv jtXetovoç Xóyou 8ieX0eív, íxavòv 8è xat xà xoiaüxa Geco-
pfjaai. ouxe yàp èrci xoúxcov eßXoyov e^eiv oöxco [ióvov, àXXà
SfjXov 0x1 xat xà efôr] èv8èx<>"' âv èv xoïç aiaGrjxoïç eivai
(xoü yàp aúxoü Xóyou à[i(póxepa xaõxá èaxiv), üxt 8è Súo oxe-
peà èv xcõ aùxco àvayxaïov eivai xórao, xai [if; eivai àxí-
15 vT)xa èv xtvou[i£voiç ye ò'vxa xoïç aiaôrjxoïç. ÔXcoç 8è xívoç
t'vex' âv xíç 9eCr] eivai [ièv aúxà, eivai 8 ' èv xoïç aia0r)xoïç;
xaùxà yàp au[ißr|aexai âxoita xoïç Ttpoeipr)[ièvoiç- eaxai yàp
oúpavóç xíç Ttapà xòv oúpavóv, jtXr|v y ' où x w p k àXX' èv xcõ
aùxco XÓTICO* öitep èaxiv à8uvaxcí>xepov.

20 ITepí xe xoúxcov ouv àitopía TtoXXf) itcõç Seï 8é[ievov xu-


X&ÏV xfjç àXr]0eíaç, xai itepi xcõv àpxcõv ítóxepov 8eï xà yèvrj
axoixeïa xai àpxàç únoXa^áveiv f| [iãXXov èÇ cov èvu-
jtapxóvxcov èaxiv 1'xaaxov Ttpcóxcov, oiov çcovfjç axoixeïa xai
àpxai Soxoúaiv eivai xaOx' èÇ cov aúyxeivxai ai çcovai
25 Jtpcoxcov, àXX' oú xò xoivòv f] çcovTi- xai xcõv 8iaypa[i[iáxcov
xaûxa axoixeïa Xèyojiev cov aí àjto8e£Çeiç èvunápxouaiv
èv xaïç xcõv ãXXcov àitoSeíÇeaiv f| návxcov xcõv nXeíaxcov,

•J ; i1
; ' Ir-
METAFÍSICA, B 2/3, 998 a 3 • 27

num ponto, mas a encontra do m o d o c o m o dizia Pitágoras c m


suas refutações c!os g e ó m e t r a s 4 ' ) , n e m os m o v i m e n t o s e as revo-
luções reais do céu são idênticos àqueles dos quais fala a astro-
nomia, n e m os pontos 4 ' 1 têm a m e s m a natureza dos astros, 5

Alguns, depois, afirmam a existência desses entes i n t e r m e -


diários entre as Formas e os sensíveis, não fora dos sensíveis mas
10
i m a n e n t e s a eles 4 '. Para e x a m i n a r todas as dificuldades q u e daí
se seguem seria necessária uma discussão mais ampla; b a s t e m ,
por agora, as seguintes considerações 4 1 '. Não é razoável que só os
entes intermediários sejam i m a n e n t e s às coisas sensíveis, mas é
evidente q u e t a m b é m as Formas deveriam ser imanentes aos sen-
síveis: de fato, a m e s m a razão vale para os dois casos 4 '. Ademais,
n e c e s s a r i a m e n t e viriam a existir dois sólidos n o m e s m o lugar'",
c os intermediários não seriam imóveis, já que se e n c o n t r a r i a m
nos sensíveis, que estão em movimento. F , c m geral, por que pos- 15
I ular a existência dessas entidades para, depois, afirmar q u e são
imanentes aos sensíveis? C o m efeito, rcaprcscntam-sc os m e s m o s
absurdos dos quais já falamos' 1 : haverá um céu além do ecu sen-
sível, só que não será separado, mas estará no m e s m o lugar' 2 .
Isso t a m b é m é absurdo.

x I Discussão Jas aporias sexta c sétima]

j Sexta aporiaJ1

Portanto, sobre essas coisas é m u i t o difícil julgar c o m verda- 20


dc. Assim c o m o sobre o seguinte problema relativo aos princípios:
se elevem ser considerados c o m o e l e m e n t o s e princípios os gêne-
ros ou, ao contrário, os constitutivos primeiros dos quais cada
coisa é i n t r i s c c a m c n t c constituída 2 .
Por exemplo: e l e m e n t o s e princípios da palavra' parecem
ser os constitutivos primeiros dos quais as palavras são intriscca-
m c n t c c o m p o s t a s 4 , c não o universal c i s t o é, o g ê n c r o > palavra. 25
l\ assim c h a m a m o s " e l e m e n t o s " das proposições g e o m é t r i c a s as
proposições cujas d e m o n s t r a ç õ e s estão contidas c m todas ou na
maioria das d e m o n s t r a ç õ e s das outras proposições". Ademais,
lauto os que sustentam a existência de n u m e r o s o s elementos''
102 TON M E T A T A O Y Ï I K A B

EU 8è TCÕV CTCOPÁTCOV xai oE TCXEÍCO Xéyovreç eîvai aroixeïa


xaî oE ev, èi; cov aóyxeiTai xai è£ cov auvéaTT]xev àpxàç Xé-
30 youaiv elvat, oíov 'EfjwreSoxXrjç ïcûp xai u8cop xai Ta jxeTà
TOÚTCOVCTTOlyjÃá. çTjaiv eivai èíj cov èari Ta ôvra èvuiuapxóv-
Tcov, àXX' oùx wç yévr] Xéyei TaÜTa TCÕV OVTCOV, lupòç 8è
998H TOÙTOIÇ xai TCÕV ãXXcov ei TIÇ è9éXei TT)V ÇÙCTIV àGpetv, olov
XX£VT]V ï\ cov [loptcov aovéaTT]xe xai TTCOÇ auyxei[iévcov, T6TE
yvcopCÇei TÍ]V çúaiv aÙTfjç. — èx jièv ouv TOÓTCOV TCÕV Xóycov oùx
âv eÍTjaav ai àpxai Ta yéw] TCÕV OVTCOV ei 8 ' exaarov [JLÈV
5 yvcop£Ço[xev 8ià TCÕV óptajicòv, àpxai 8è t à yévr] TCÕV ópia[icõv
eiaív, àváyxrj xai TCÕV ópiarcõv àpxàç eivai Ta yèvr), xâv
el eari T?]V TCÕV ÕVTCOV XaßeTv È7UIOTT)[I7)v T Ò TCÕV e£8cõv XaßeTv
x a 9 ' & XéyovTai Ta ÕvTa, TCÕV ye eEScõv àpxai Tà yévr) eiaív.
çaívovTai 8é Ttveç xai TCÕV XeyóvTcov aroixeía TCÕV ÕVTCOV TÒ
IO ev TO 5v F| T Ò FXÉYA xai [iixpòv còç yéveaiv aÙTOÎç XP*Í"
aÔai. — àXXà fxfjv oùSè à[xçoTépcoç ye oíóv Te Xéyeiv Tàç
àpxáç. ó jlèv yàp Xóyoç Tfjç oúaíaç etç- 1'repoç 8' è'arai ó
8ià TCÕV yevcõv ópiajjiòç xai ó Xéycov èÇ cov è'ariv èvuiuapxóv-
Tcov. — lupòç 8è TOÙTOIÇ eí xai ÖTI [láXiara àpxai r à yévr) eíaí,
is ítÓTepov 8eí vopíÇeiv Tà ítpcÕTa TCÕV yevcõv àpxàç f) Tà
eaxara xaTTyyopoujieva èrci TCÕV àTÓ[icov; xai yàp TOÜTO è'xei
ä[jiq>iaßr)T7iaiv. ei [ièv yàp àel Tà xa9óXou [läXXov àpxai,
çavepòv OTI Tà àvcoTárco TCÕV yevcõv TAÜTA yàp XéyeTai
xaTà irávTcov. ToaaÜTai oúv eaovrai àpxai TCÕV ÕVTCOV õaa-
20 Tuep .Tà irpcÕTa yévrj, WOT' è'arai TÓ Te ôv xai TÒ ev àpxai xai
oúaíai' TaÜTa yàp xaTà Ttàvrcov [láXiara XéyeTai TCÕV ÕVTCOV.
METAFÍSICA, B 3, 993 a 28 - b 21 j 103

c o m o os q u e s u s t e n t a m a e x i s t ê n c i a de u m ú n i c o e l e m e n t o ori-
ginário 7 c o n c o r d a m e m dizer q u e princípios das realidades n a t u -
ra is11 são os c o n s t i t u t i v o s " m a t e r i a i s " primeiros q u e as c o m p õ e m .
(Por e x e m p l o , E m p é d o c l e s diz q u e os princípios dos c o r p o s são
o logo, a água c os o u t r o s e l e m e n t o s q u e se s e g u e m a estes, 30
e n q u a n t o c o n s t i t u t i v o s < m a t c r i a i s > dos quais os seres são intrin-
s e c a m e n t e c o m p o s t o s , c n ã o e n q u a n t o g ê n e r o s dos seres) 1 '. A l é m
disso, se q u e r e m o s c o n h e c e r t a m b é m a n a t u r e z a dos outros o b j e -
tos 1 ", por e x e m p l o a n a t u r e z a d c u m a c a m a , esta será c o n h e c i d a 998"
j u s t a m e n t e q u a n d o se s o u b e r d c q u e partes ela é c o n s t i t u í d a e
c o m o elas s ã o c o m p o s t a s . P o r t a n t o , a partir desses a r g u m e n t o s ,
fica c l a r o q u e os g ê n e r o s n ã o p o d e r ã o ser os princípios dos seres.
Por o u t r o lado, d a d o q u e c o n h e c e m o s cada coisa m e d i a n t e
as d e f i n i ç õ e s , c p o r q u e os g ê n e r o s são p r i n c í p i o s das d e f i n i ç õ e s , 5
é n e c e s s á r i o q u e os g ê n e r o s t a m b é m s e j a m princípios das coisas
definidas 1 '. E se adquirir a c i ê n c i a dos seres c o n s i s t e c m adquirir
a c i ê n c i a das e s p é c i e s s e g u n d o as quais os seres sâo d e n o m i n a -
dos, e n t ã o os princípios das e s p é c i e s são os g ê n e r o s 1 ' . F. p a r e c e
q u e a t é m e s m o alguns dos q u e d i z e m q u e os e l e m e n t o s dos seres
são o U m e o Ser, ou o g r a n d e c o p e q u e n o , os c o n s i d e r a m c o m o 10
gêneros1'.
M a s , na verdade, n ã o é possível falar desses dois m o d o s dos
princípios. D e fato, a d e f i n i ç ã o da s u b s t â n c i a é u m a só. Ao c o n -
trário, u m a c a d e f i n i ç ã o f o r m u l a d a c o m base nos g ê n e r o s c outra
c a d e f i n i ç ã o q u e o f c r c c e os c o n s t i t u t i v o s materiais dos quais são
leitas as coisas 1 4 .

/Sétima aporia]1"

A l é m disso, a d m i t i n d o q u e os g ê n e r o s s e j a m p r i n c í p i o s por
e x c e l ê n c i a , surgirá o s e g u i n t e p r o b l e m a : d e v e m ser c o n s i d e r a d o s 15
princípios os g ê n e r o s p r i m e i r o s ou os g ê n e r o s ú l t i m o s q u e são
p r e d i c a d o s dos indivíduos?
D e fato, .se os universais são princípios por e x c e l ê n c i a , é evi-
d e n t e q u e princípios serão os g ê n e r o s mais elevados: e s t e s , de
fato, são p r e d i c a d o s dc todas as coisas. P o r t a n t o , t a n t o s serão os 20
princípios dos seres q u a n t o s serão os g ê n e r o s p r i m e i r o s ; c o n s e -
104 TSINMETATAOYÏIKAB

OÙX T E ^ Twv ovxcov Ev eivai yévo; oCxe TÒ ev ouxe TÒ 5V

àvàyxTj [ièv yàp xàç Staçopàç èxáuxou yèvou; xat elvat xai
[iiav eivai èxá<m]v, àSúvaxov 8è xaxrjyopeTdtai f) Tà eï8r) xoü
23 yévouç èrei TWV oixeicov Staçopàjv TÒ yévoç aveu xcõv aùxoû
eiScov, coax' eurep TÒ Ev yèvoç ïi TÒ 5V, où8e|i(a Staçopà oilxe
ôv oiixe Ev ê<rcai. àXXà [ifjv ei [if) yèvrj, où8* àpxal iaovxat,
efaep àpxai xà yèvr|. ?xt xai Tà pexaÇù auXXa[ißav0-
[ieva [iexà xcõv Staçopôv &jxat yévr) [i£xPl àxójicov
3o (vûv 8è xà [ièv Soxeï xà 8' où Soxeî)* Ttpòç 8è xoúxotç £xl [iâX-
Xov aî Sta^opai àpxai ^ xà y^vri' eî 8è xai aöxat àpxai,
ãTOipoi cóç eiîteïv àpxai yiyvovxat, âXXcoç xe xâv xiç xò
999" jrpõõxov yivoç à p x V xiGfj. àXXà [if)v xai ei (iãXXóv ye
àpxoeiSè; xò ÏV èaxiv, Ev 8è TÒ àStaipexov, àStaipexov 8è
âracv f| xaxà xò Jtoaòv f| x a x ' eISoç, rcpòxepov Sè xò xax'
eISoç, xà 8è yèvri Statpexà etç eïSiq, [iãXXov âv ev xò
5 eoxaxov etV] xaxrjyopoú[ievov où yàp èaxt yèvoç àvGpomoç
xcõv xivóõv àvOpcóucúv. èxt èv olç xò lupóxepov xai uaxepóv
èaxLV, oùx otóv xe xò èrci xoúxcov eivai xt irapà xaüxa (oíov
ei 7tpcóxí] xcõv àpi9[icõv Suáç, oùx eaxat xtç àptô[iòç Ttapà
xà eiBí] xcõv àpi0|icõv ò|iotcoç Sè oúSè oxfj[ia rcapà xà eiSrj
io xcõv A X T J I I Á X C O V ei 8è [IF) xoúxcov, sx°Xf) ye ãXXcov
èaxat xà yèvrj Ttapà xà et8ir xoúxcov yàp SoxeT [làXiaxa elvat
yávrj) • iv 8è xoíç àxó[iotç oúx eaxt xò [ièv rcpóxepov xò 8 ' üaxe-
pov. txi öjtou xò (ièv ßiXxtov xò 8è xe^P°v» àet xò ߣXxtov
rtpòxepov coax' oúSè xoúxcov âv eiV) yévoç. — èx [ièv ouv xoúxcov
is [iãXXov çaivexai xà èjii xcõv àxò[icov xaxrjyopoújieva àpxai
eivai xâív yevcõv íráXtv 8è rcwç aú 8eí xaúxaç àpxàç Ú T T O -
METAFÍSICA, a 3, Î 9 8 b 2 1 - 9 9 9 a 16 105

q i i c n t e m c n t c , o Ser c o U m serão princípios e substâncias das


coisas, porque cies, mais do q u e outros, se predicam dc todas as
coisas. Mas não é possível que o U m c o Ser sejam gcncros. ( C o m 25
efeito, existem n e c e s s a r i a m e n t e as diferenças dc cada gênero, e
cada uma delas é única. Por outro lado, é impossível q u e as espé-
cies de u m gênero se prediquem das próprias diferenças ou que
o gênero separado dc suas espécies se predique de suas diferenças.
De o n d e se segue q u e , se o S e r c o U m são gêneros, n c n l u i m a
" d i f e r e n ç a " poderá ser n e m poderá ser uma) l f '. K se o Ser c o U m
não são gêneros, t a m p o u c o serão princípios se os princípios são
gêneros. Ora, alguns parecem ser e outros n ã o 1 ' . Além disso, as 30

diferenças serão mais princípios do q u e os gêneros; mas, sc t a m -


bém elas são princípios, os princípios se t o r n a m , por assim dizer,
infinitos, s o b r e t u d o se postulamos c o m o princípio o gênero pri- 999-
niciro 1 *. Por outro lado, se o U m t e m mais caráter de princípio,
e se um é o indivisível, c se t u d o o q u e é indivisível o é ou pela
q u a n t i d a d e ou pela espécie, e se o indivisível segundo a cspécic
c anterior, c se os gêneros são divisíveis nas espécies, e n t ã o c o m
maior razão viria a ser um a espécie ínfima q u e se predica dos
indivíduos: dc fato, " h o m e m " não c gênero dos h o m e n s indivi- 5
duais ". Ademais, nas coisas c m que existem termos anteriores
1

c posteriores, não é possível q u e o gênero q u e inclui todos os


termos seja algo subsistente ao lado dos próprios termos. Por
exemplo, se o primeiro dos n ú m e r o s é a díade, n ã o poderá haver
um g ê n e r o n ú m e r o s u b s i s t e n t e além das espécies individuais dc
n ú m e r o s . E , a n a l o g a m e n t e , t a m p o u c o haverá um gênero figura
s u b s i s t e n t e ao laclo das espécies dc figuras individuais. E se os
géneros não e x i s t e m fora das espécies para essas coisas, t a n t o 10
m e n o s para as outras: dc fato, con.sidcra-sc q u e existam gêneros
sobretudo dos n ú m e r o s c das figuras. E n t r e os indivíduos, ao
invés, não há uma série dc termos anteriores c posteriores 2 ". Além
disso, onde quer q u e haja o m e l h o r c o pior, o m e l h o r é sempre
anterior, de m o d o q u e nem sequer dessas coisas poderá haver
um gênero e x i s t e n t e por si 2 1 .
A partir dc tudo isso resulta q u e as espécies predicadas dos li
indivíduos são mais princípios do q u e os gêneros. Por outro lado,
não é fácil dizer c o m o devem ser concebidos esses princípios. D c
TQN META TA (DYILKA B

Xaßetv où páSiov EÍTCETV. XT]V fièv yàp àpx*l v Sei xai xfjv
atxíav eivai Ttapà xà Ttpayjiaxa a>v àpxrj, xai 8úvaa9at
eivai x.<jjptÇofx£VT|V aúxcõv xoioüxov Sé xi Ttapà xò x a 9 ' exaaxov
20 eivai Sià xí àv xíç ÜTtoXaßot, TtXíjv öxi xa9óXou xaxTyyo-
peíxai xai x a x à Ttávxcov; àXXà [ifjv ei Sià xoüxo, xà \i5l-
Xov xaÔóXou [lãXXov ôexéov àpxàç- WOXE àpxai xà Ttpcõx'
a v eiTjaocv yévr),

"Eari S' iyo<fiívr\ xe xoúxcov àrcopía xai Ttaacõv y_(xXí-


25 TucoxàxT) xai àvayxaioxáxT] Gecopfjaai, rcepi f)ç ó Xóyoç èçé-
axrpte vüv. eíxe yàp [xfj eaxt xi Ttapà xà x a 9 ' exaaxa, xà
Sè x a 9 ' ëxaaxa aTteipa, xcõv 8 ' àíteípcov Ttcõç èvSéx^xai Xa-
ßefv èTtiaxri|iTiv; rj yàp £v xi xai xaúxóv, xai $ xaGóXou xi
Ú7tàpxei, xaúxT) 7távxa yvcopíÇopev. — àXXà [ifjv ei xoüxo
30 àvayxaíóv èaxi xai SeTxi elvat Ttapà xà xa9' exaaxa, àvayxaTov
âv eiV] xà yévr) eivai Ttapà xà x a 9 ' ëxaaxa, TÍXOI xà ëaxaxa rj
xà Ttpcõxa' xoüxo 8 ' öxi àSùvaxov ãpxi SiT)ítopT|aa|xev. — exi ei
3xi [làXiaxa êaxi xi itapà xò aúvoXov ííxav xaxr]yopr)0^ xi xfjç
UXTJÇ, Ttóxepov, ei eaxi, 7tapà Ttàvxa 8eï eívaí xi, f| Ttapà [ièv £via
999b EÍvai Ttapà 8' evia |if| eivai, f| Ttap' oúSév; et [ièv ouv [irjSév èaxi
Ttapà xà x a 9 ' exaaxa, oúGèv âv EÍT] VOTJXÒV àXXà Ttàvxa aiaGrjxà
xai ÈITIAXTJJIRI oúSevóç, ei [if) xíç eivai Xéyei xfjv aîa9T]atv ÈITIAXTI-

[IT]v. è'xi S' oúS' àíSiov oú9èv oúS' àx£vr)xov (xà yàp aia9r)xà
5 Ttàvxa ç9e£pexai xai èv xivfjaei èaxiv)- àXXà [ifjv et ye àíSiov
[iT]9év èaxiv, oú8è yéveaiv eivai Suvaxóv. àváyxr] yàp eívaí xt
I
I METAFÍSICA, B 3/4, <?99 • I 7 - b 6

fato,, c n e c e s s á r i o q u e o p r i n c í p i o e a c a u s a s u b s i s t a m fora das


coisas das quais são princípio, c q u e p o s s a m existir separados delas.
M a s p o r q u e o u t r a razão se p o d e r i a a d m i t i r algo e x i s t e n t e fora
dos indivíduos s e n ã o por ser universal c ser p r e d i c a d o d c todas as 20
coisas?- 2 M a s se é por e s t a razão, c o m m a i o r razão será p r e c i s o
p o s t u l a r c o m o p r i n c í p i o o q u e é m a i s universal c , c o n s e q ü e n t e -
m e n t e , s e r ã o p r i n c í p i o s os g ê n e r o s p r i m e i r o s .

4. /Discussão da oitava, nona, décima e décima primeira


aporias/

[Oitava aporia]'

I l á , d e p o i s , u m a q u e s t ã o a f i m a e s t a , q u e é a m a i s difícil de
todas e c u j o e x a m e c o m a i s necessário. Dela d e v e m o s agora 25
falar. S c , c o m e f e i t o , n ã o e x i s t e n a d a a l e m das c o i s a s i n d i v i d u a i s ,
e se as c o i s a s i n d i v i d u a i s são i n f i n i t a s , c o m o c possível a d q u i r i r
c i ê n c i a d e s s a m u l t i p l i c i d a d e i n f i n i t a ? D c f a t o , n ó s só c o n h e c e -
m o s t o d a s as c o i s a s na m e d i d a e m q u e e x i s t e a l g o u n o , i d ê n t i c o
c universal .
M a s se isso c n e c e s s á r i o , e se d e v e h a v e r a l g o a l e m das coisas 30
i n d i v i d u a i s , e n t ã o será n e c e s s á r i o q u e e x i s t a m os g ê n e r o s ao l a d o
das c o i s a s i n d i v i d u a i s ( s e j a m os g ê n e r o s ú l t i m o s , s e j a m os g ê n e -
ros s u p r e m o s ) . M a s foi d e m o n s t r a d o há p o u c o q u e isso é i m p o s -
sível'. A d e m a i s , a d m i t i d o q u e v e r d a d e i r a m e n t e e x i s t a a l g o a l é m
do s í n o l o (c t e m - s e o s í n o l o q u a n d o a m a t é r i a c d e t e r m i n a d a
por u m a f o r m a ) , e n t ã o , se a l g o v e r d a d e i r a m e n t e e x i s t e , d e v e
existir para todas as c o i s a s ? O u só para a l g u m a s c n ã o para o u t r a s ? 999'
O u para n e n h u m a " 1 ?
O r a . se n ã o e x i s t i s s e n a d a a l é m das c o i s a s i n d i v i d u a i s , n ã o
haveria n a d a d c i n t e l i g í v e l , m a s tuclo seria s e n s í v e l , c n ã o h a v e -
ria c i ê n c i a de n a d a , a m e n o s q u e se s u s t e n t a s s e q u e a s e n s a ç ã o
é c i ê n c i a ' . A l é m disso, n ã o h a v e r i a n a d a d c e t e r n o e d c i m ó v e l
( d a d o q u e t o d a s as c o i s a s sensíveis se c o r r o m p e m c e s t ã o c m 5
m o v i m e n t o ) ; m a s se n ã o e x i s t i s s e n a d a de e t e r n o , t a m b é m n ã o
p o d e r i a e x i s t i r o devir' 1 . D c f a t o , é n e c e s s á r i o q u e o q u e a d v é m
'08 TíiNMETATAroYXIKAS METAFÍSICA, B 4. 999 b 7 - 2 8

TÒ ytyvófievov x a i èÇ ou yíyvexai x a i xoúxcov TÒ ïayawv àyèvrj- seja algo, e é necessário que t a m b é m seja algo aquilo do qual cie
Tov, emep t a r a x a f xe x a i I x fívxoç yevéaÔai à S ú v a x o v ext Sè deriva, e que o último desses termos não seja gerado, dado não
yzvéatojç ouarj; x a i xiv^aeto; àvàyxr] x a i Tuépaç eivai (ouxe ser possível um processo ao infinito e dado ser impossível que
10 y à p ârceipó; èaxtv oúSeizta xivrjai; àXXà rcátrriç èaxt xéXoç, algo se gere do não-ser'.
yíyveaOaí xe oúx olóv xe xò àSúvaxov yevfcOar xò 8è ye- Ademais, porque existe geração e movimento, é necessário
yovò; àvàyxT) eivai fire nptÕxov yéyovev)- ext 8 ' ewtep if] Ü'XT) que também exista um limite: de fato, n e n h u m movimento c infi-
èaxiv àíSioí 8ià xò áyívr[zoç eivai, TTOXÚ SXI (xãXXov eCXoyov eivai nito, mas todos os movimentos tem um termo; t a m b é m é impos-
xf)v oúaíav, ö Tuoxe Íxe£vrç yíyvexai • ei y à p [xfjxe xoüxo íaxat sível q u e advenha o que não pode ter advindo, porque o que adveio
i j (ji^xe ixtívri, oúÔèv eaxcu xò rcapárcav, ei Sè xoüxo àSúvaxov, existe necessariamente a partir do m o m e n t o c m que adveio 1 . Além

àváyxrj xt eivai rcapà xò aúvoXov, xf]v (jtoptpfjv x a i xò elSoç. - disso, se a matéria é eterna' 1 , por ser ingenita, com maior razão é
lógico admitir que o seja a forma, que é o termo ao qual tende a
ei 8 ' au xiî xoüxo Grjaei, àiropía èîti xívcov xe Ôiqaet xoüxo
matéria c m seu devir. Sc, com efeito, não existisse n e m esta nem
xai Ini xívcov ou. Sxt jxèv y à p irrt rcàvxcov oúx olóv xe,
aquela, nada existiria; c se isso é impossível, então é necessário
<pavepóv oú yàp âv Oeiryiev eivai xiva olxiav rcapà xàç xi-
que exista algo além do sínolo, justamente a forma e a essência 1 ".
2o vàç oixíaç. u p ò ; Sè xoúxoiç rcóxepov oúcía p i a rcávxcov frjxai,
Mas, novamente, se admitirmos a existência dessa realidade,
olov xtõv àv0p<í>7ctúv; àXX' àxoirov ev yàp Tuávxa tov f|
surgirá o problema dc saber para que coisas deveremos admiti-la c
oúafa ^iía. àXXà ítoXXà xai Siáçopa; àXXà xai xoüxo
para que coisas não. Evidentemente:, não c possível admiti-la para
àXoyov. À(jia Sè x a i TIÔJÇ yíyvexai f| uXr) xoúxcov ïxaaxov
Iodas. D c fato, não podemos admitir que exista algo além dessas
x a i Eaxt xò aúvoXov â|iq>co x a ü x a ; — êxi 8è irepi xtõv àpxtõv
coisas particulares". E além disso, como é possível que a substância
25 x a i xó8e ànop^aetev âv xtç. ei [xèv y à p eÍ8ei eiaiv £v, oúOèv
<oLi seja, a forma > seja uma só para todas as coisas? Por exem-
Soxai àptÔfjitõ ïv, oú8' aúxò xò Ev x a t xò <fv x a i xò èrcíaxa- plo, c o m o é possível que a forma dc todos os homens seja uma só?
aÖai Tttõç l a x a i , ei |xrj xt èoxat Ev èiti rcàvxcov; - à X X à (x^v Isso é absurdo. Todas as coisas das quais a forma é única constituem
ei àpi0|icõ Ev x a i (xía èxáarri xcõv àpxtõv, xai tocmep uma unidade. As formas serão, então, muitas c diferentes? Também
isso é absurdo 12 . Ademais, de que modo a matéria se torna cada
uma dessas coisas particulares, c dc que modo o sínolo é as duas ao
mesmo tempo, isto c, matéria e forma? 1 "

jNona aporiajH

Além disso, podcr-sc-ia levantar t a m b é m o seguinte proble-


ma sobre os princípios: se eles < s ó > têm unidade específica, na-
da poderá ser n u m e r i c a m e n t e um, n e m m e s m o o U m e o Ser. E
então, c o m o será possível o conhecer, se não existe algo que, sen-
do um, englobe todas as coisas particulares? 1 .
Por outro lado, se os princípios têm unidade numérica c se
cada principio é um só e não diferente nas diferentes coisas, co-
mo ocorre nas coisas sensíveis (por exemplo, dessa sílaba parti-
TOM META TA q J Y I I K A B

ÈNi TCÕV aía0T)TÓõv àXXai àXXwv (oíov tfjaSe trjç auXXaßfji


T(õ etSei Tri? aútf)ç OÙ'OT)Ç xai aí àpxai efSei aí aÚTaí' xai
yàp aÚTat Ú7tàpxoucriv àpi9[icõ &tepai), — ei Sè [if) OUTCOÇ àXX'
ai TCÕV ÕVTCOV àpxai àpi9[ico ev eîaiv, oùx E O T A I Ttapà T À
A R O I X ^ où9èv eTepov T Ò y à p àpt9|iã> Ev í] T Ò x a 9 ' exaarov

Xèyetv Siacpépei où9èv OUTCO yàp Xèyojiev T O x a 9 ' exaarov,


T Ò àpi9ji<£ ev, xa96Xou Sè x ò èrci TOÚTCOV. cS<mep ouv ei T À

tf)ç cpcovfjç àpi9[xcp íjv arotxela cópiqiéva, àvayxaTov fjv àv TO-


aaÕTa eivai Tà 7tàvTa ypàjijiaTa SaaTtep Tà orotxeia, [if]
ÕVTCOV YE Buo TCÕV aÚTcõv [xriSè TtXeióvcov.
Oú9evòç B' èXáTTCov àrcopta 7tapaXéXeiTtTai xat TOÍÇ
vüv xai T O Í Ç itpóxepov, itòtepov ai aÙTai TCÕV ç9apT<õv xai
TCÕV à<p9ápTcov àpxai etaiv f, ËTtpai. ei (xèv yàp aí aÚTaí,

Ttcõç TÀ [ièv çGaprà TÀ Sè â<p9apTa, xai Sià TÍV' ahíav;


oi [ièv ouv ítept 'HatoSov xai Ttàvreç Õaoi GeoXóyot
[ióvov èçpóvTiaav T O Ü Tti0avou T O G Ttpòç aÚTOÚç, f)[JLÂIV S' coXi-
ycópT)oav (9eoùç yàp TtoioõvTeç Tàç àpxàç xai èx 9ecõv ye-
yovévat, TÀ [if) yeuaápeva TOÜ véxTapoç xat tfjç ä|ißpo-
cxíaç 9vrytà yevéaÔai çaaív, SfjXov cóç zaGza zà òvópLaza
yvcópijia Xéyovreç auToíç- xaÍTOt Ttepi aútrjç -rijç ítpoaipo-
pãç TÕ>V aiTÍcov TOÚTCOV Ú7tèp fljiãç eipT)xaCTiv ei (ièv yàp
Xápiv fjSovfjç AÚTCÕV 9tyyàvouaiv, oú9èv aîria TOÜ eívaí TÒ

véxTap xai f| ä j i ß p o a i a , eî Sè TOÜ eTvai, Ttcõç â v elev ài-


Stoi Seó[ievot Tpoçrjç)' — àXXà itepi (ièv TCÕV (iu9ixcõç aoçi-
Co(iévcov oùx àçtov [ierà artouBrjç axoTteív Ttapà Sè T Ô Í V S I '
àitoSeíÇecoç XeyóvTcov Sei mjv9ävea9at SiepcoTcõvraç TÍ Sfj
TtOT' èx xcõv aÚTcõv õvTa Tà [ièv àíSia TTJV <púaiv è<ra
Tà Sè ç9eíperai TCÕV ÕVTCOV. è7tei Sè oure aÍTÍav Xéyouaiv
MÈIAFÍSCA, 8 4, 999 b 29 1C-CO a 72 I 111

ciliar, q u e c i d ê n t i c a a o u t r a pela e s p é c i e , os p r i n c í p i o s s ã o i d ê n -
t i c o s e s p e c i f i c a m e n t e , m a s d i f e r e n t e s n u m e r i c a m e n t e ) ; se, por- 30
t a n t o , n ã o c a s s i m , c s c , a o c o n t r á r i o , os p r i n c í p i o s t ê m u n i d a d e
n u m é r i c a , n ã o poderá haver nada a l é m dos próprios e l e m e n t o s .
( D e fato, não existe diferença entre dizer " n u m e r i c a m e n t e um"
c d i z e r " s i n g u l a r " . D i z e m o s s i n g u l a r o q u e é u m só, e n q u a n t o d i -
z e m o s u n i v e r s a l o q u e e n v o l v e t o d a s as c o i s a s s i n g u l a r e s ) . V c r i f i - ^OO1
r a r - s c - i a a m e s m a c o i s a se os e l e m e n t o s da voz t o s s e m n u m e r i c a -
m e n t e l i m i t a d o s : haveria n e c e s s a r i a m e n t e t a n t a s letras q u a n t o s
lossem os e l e m e n t o s , d a d o q u e n ã o p o d e m existir dois ou m a i s
e l e m e n t o s identicoslf\

/Décima aporiaj1'

I J m a d i f i c u l d a d e n ã o i n f e r i o r às a n t e r i o r e s , d e s c u i d a d a p c - 5
los f i l ó s o f o s c o n t e m p o r â n e o s e p e l o s f i l ó s o f o s p r e c e d e n t e s é a
s e g u i n t e : o s p r i n c í p i o s das c o i s a s c o r r u p t í v e i s e os p r i n c í p i o s d a s
incorruptíveis são os m e s m o s ou são d i f e r e n t e s ?
S e s ã o os m e s m o s , c o m o se e x p l i c a q u e u m a s s e j a m c o r r u p -
líveis c o u t r a s i n c o r r u p t í v e i s ? O s s e g u i d o r e s d c I l c s í o d o c t o d o s
us t e ó l o g o s só se p r e o c u p a r a m c m d i z e r o q u e l h e s p a r e c i a c o n v i n - 10
c c n t c e se e s q u e c e r a m de n ó s ' \ ( D e fato, e n q u a n t o , por u m lado,
c o n s i d e r a v a m os d e u s e s c o m o p r i n c í p i o s c d o s d e u s e s d e r i v a v a m
l u d o , p o r o u t r o l a d o t a m b é m d i z i a m q u e os seres q u e n ã o e x p e -
íimcntaram néctar c ambrosia eram mortais. K evidente que o
s i g n i f i c a d o d e s s e s t e r m o s d e v i a ser b e m c o n h e c i d o para e l e s ;
mas o que disseram sobre a aplicação dessas causas está acima
da n o s s a c a p a c i d a d e d e c o m p r e e n d e r 1 ' ' . S c , c o m e f e i t o , o s d e u s e s 15
e x p e r i m e n t a m e s s a s b e b i d a s p o r prazer, e n t ã o o n é c t a r c a a m b r o -
sia n ã o s ã o a c a u s a d e seu ser; se, a o c o n t r á r i o , s ã o c a u s a d c s e u
ser, c o m o é p o s s í v e l q u e os d e u s e s s e j a m e t e r n o s s c t ê m n e c e s s i -
dade d e a l i m e n t o 2 " 7 ) . M a s não vale a pena considerar s e r i a m e n t e
essas e l u c u b r a ç õ e s m i t o l ó g i c a s . Ao invés, é p r e c i s o t e n t a r a p r e n 20
d e r d o s q u e d e m o n s t r a m o q u e a f i r m a m , p e r g u n t a n d o - l h e s as
r a z õ e s p e l a s q u a i s a l g u n s seres q u e d e r i v a m d o s m e s m o s p r i n c í -
pios s ã o , p o r n a t u r e z a , e t e r n o s , e n q u a n t o o u t r o s e s t ã o s u j e i t o s à
c o r r u p ç ã o . M a s , p o r q u e e l e s n ã o f o r n e c e m a r a z ã o d i s s o , c por-
TON M E T A TA OYÏIKA B

ouxe eSXoyov ouxwç exetv> srjXov wç oùx ai aùxai àpxai


oùsè aixíat autõiv âv eíev. xai yàp òwep OíT|9E£T] Xéyeiv
25 ãv xiç jiáXiaxa ó|j.oXoyoufji£vcoç atai», 'ejjlîï&boxxrjç, xai
ooxoç xaúxòv 7uéirovÔev xíôrjat (ièv yàp àpx^v xiva a£x(av
xfjç çôopãç xò veíxoç, sóçeie 8' âv oú9èv fjxxov xai xoüxo
yevvãv eçco XOÜ èvóç- âïravxa yàp ix xoúxou xSXXá èaxi
ttxfjv ò geóç. Xèytt yoüv "è!j òjv 7táv9' saa x' fjv oaa x'
jo êa9' oaa x' tíarai ôtucaaaj, | 8év8peà x' ißXäaxr)ae xai àvé-
peç íjsè yuvaíxeç, | gfjpèç x' oloivoí xe xai úsaxogpépijjloveç
exôûç, i xa£ xe geoi soXixaíaiveç". xai x w pu TOÚXOJV Sfj-
íooob Xòv- ti yàp (j.í) íjv èv xoîç trpàyjjiaaiv, ev âv íjv
âïuavxa, (óç çTjaív oxav yàp auvéX9r|, xóxt 8' "?axaxov
vaxaxo veîxoç". Siò xai au|ißa(vei aúxtõ xòv eù8ai|j.ové-
axaxov geòv fjxxov çpóvijxov elvat xœv ãXXtov où yàp yvaj-
5 píçet S7uavxa- xò yàp vtíxoç oúx exti, 8è yvûaiç
xoü ó|xo£ou XW ô|xo£o). "yaítj (ièv yàp," çrjaC, "yaíav
öttomapev, ôsaxt 8' iíscop, | aiôépi 8' a£9èpa Síov, àxàp
7tupi t t ù p àî8ï]Xov, i axopyf)v St axopyã, veíxoç sé xt vefxeï
Xuypã)," àXX' sgev 8í| ò Xóyoç, xoõxó ye çavepóv, oxt
io at)|jißa£vei aúxw xò veíxoç [xrjgèv (iãXXov <p9opiç ?| XOÜ
eivai atxtov Ò[JIOÍGÚÇ S ' oús' rj c p i x ó t ^ ç xoü tlvat, auváyouaa
yàp eiç xò ev <p0e£pet xà SXXa. xai â[jia sè aúxrjç xíjç [xe-
xaßoXfjs aïxiov oúgèv Xéyet àXX' öxt OUXGÙÇ itéçuxev
"àXX' oxt 8f| (jtéya v e l x o ç èvi ( x e X è e a a i v è9péç9r), | ei; xijxáç
is x' àvópouae xeXttojjièvoio xpúvoio | Sç açiv ä|ioißato; 7iXa-
xèoç ítap' èXf]Xaxai Spxou-" àvayxaïov (xèv b v (iexaßäX-
Xeiv aixíav sè xfj; àváyxT); oúsejiíav 8r|Xoï. àXX' s|ia>ç
xoaoüxóv ye (lóvoç Xèyei ópoXoyouptévojç* oú yàp xà [xèv
çgapxà xà 8è açgapxa írottt xwv 5vxa>v àXXà ítávxa
M t T A F Í S I C A , B a. 1 0 0 0 G 2 3 • b ] 9

<|iie, por o u t r o lado, n ã o é razoável q u e a s s i m seja, é e v i d e n t e q u e


os p r i n c í p i o s e as c a u s a s de u n s e d e o u t r o s n ã o p o d e m ser as
m e s m a s . D e fato, a t é E m p é d o c l e s , q u e p o d e m o s c o n s i d e r a r c o m o 25
o q u e m a i s c o e r e n t e m e n t e se p r o n u n c i o u a respeito, caiu n o m e s -
mo erro21. C o m efeito, ele postula a discórdia c o m o princípio e
c o m o c a u s a da c o r r u p ç ã o ; t o d a v i a , ela p a r e c e ser m a i s a c a u s a da
g e r a ç ã o das c o i s a s , e x c e t o d o U m 2 2 , pois t o d a s as c o i s a s , e x c e t o
t ) c u s , d e r i v a m da d i s c ó r d i a . D i z E m p é d o c l e s : " D e s s e s d e r i v a m
t o d a s as c o i s a s q u e f o r a m , q u e são e q u e serão, / g e r m i n a n d o ár-
VI nés, h o m e n s e m u l h e r e s , / a n i m a i s , pássaros c p e i x e s q u e se n u - 30
l i e m d c água / e d e u s e s l o n g e v o s " . 25

M a s , m e s m o prescindindo desses versos, é evidente o q u e


d i s s e m o s ; sc, de fato, n ã o existisse a discórdia n a s coisas, t o d a s es- 101

t H iam r e u n i d a s n o U m , c o m o e l e diz: q u a n d o as c o i s a s se reu-


n i r a m , e n t ã o " s u r g i u por f i m a d i s c ó r d i a " 2 ^ . Por isso, t a m b é m a
partir d c s u a s a f i r m a ç õ e s s e g u e - s e q u e D e u s , q u e é s u m a m e n t e
leliz, é m e n o s i n t e l i g e n t e d o q u e os o u t r o s seres. D e fato, ele n ã o
c o n h e c e t o d a s as c o i s a s , p o r q u e n ã o t e m c m si a d i s c ó r d i a , c só 5
li.i c o n h e c i m e n t o d o s e m e l h a n t e p e l o s e m e l h a n t e . D i z E m p é d o -
• b s: " C o m a terra c o n h e c e m o s a terra, c o m a á g u a , a á g u a , / c o m
< ) <-|rr o é t e r divino, e c o m o fogo o fogo destruidor, / o a m o r c o m o
.iiiior c a d i s c ó r d i a c o m a t r i s t e d i s c ó r d i a " 2 ' .
M a s , para voltar a o p o n t o d c o n d e se i n i c i o u o discurso, fica
claro o s e g u i n t e ; q u e , para c l c , a discórdia n ã o é m a i s causa da
coi m p ç ã o d o q u e d o ser das coisas. A n a l o g a m e n t e , a a m i z a d e n ã o >0
I ,i ú n i c a c a u s a d o ser das coisas; de fato, q u a n d o reúne t u d o n o
H m . faz t o d a s as o u t r a s coisas c e s s a r e m d e scr 2fl . E , a o m e s m o
Irinpo, clc não indica n e n h u m a causa q u e m o t i v e a passagem
I Ic u m a à o u t r a , e diz s i m p l e s m e n t e q u e a s s i m o c o r r e p o r n a t u -
icza: " M a s q u a n d o a grande discórdia cresceu e m seus m e m b r o s ,
/ c r l e v o u - s c ao poder, t e n d o - s c c u m p r i d o o t e m p o / q u e a a m b a s 15
. i l l c i i i a d a m c n t e é c o n c e d i d o por s o l e n e j u r a m e n t o . . . " ' .
2

Ele e n t e n d e c o m o necessária a alternância, mas n ã o indica


n e n h u m a causa dessa necessidadc2s. E n t r e t a n t o , Empédocles
r 11 ú n i c o a falar c o e r e n t e m e n t e : d e fato, c l c n ã o p o s t u l o u a l g u n s
•.eles c o m o c o r r u p t í v e i s e o u t r o s c o m o i n c o r r u p t í v e i s , m a s p o s -
luloii l o d o s c o m o c o r r u p t í v e i s , e x c e t o o s e l e m e n t o s . M a s o
T£ÎN META TA © Y I I K A B

20 çÔapxà jxXfjv xwv axoixectov. fj Se vûv xeyopévrj àîtopia


ècrci Stà xi xà [ièv xà S ' ou, eïrxep èx xcõv aúxcõv èaxiv. — sxt
[ièv ouv oùx àv efrjaav ai aùxai àpxai, xoaaûxa eEpfjaöco-
et Sè £xepai àpxat, [lia pèv ànopía ixóxepov à<p9apxot xai
otùxai ëaovxat fj çôapxai* et [ièv yàp <p9apxa£, SfjXov côç
25 àvayxatov xai xaúxaç ïx xivtov eivat (jxàvxa yàp cp9e£-
pexai eiç xaûx' èi; tov ?axiv), tiare aujißaivei xãiv àpxcõv
éxèpaç àpxàç eivai ttpoxépaç, xoûxo s' àSùvaxov, xai ei
ïaxaxai xai ei ßas££ei eiç ãjxeipov tz\ Sè itã>ç laxai xà
<p9apxà, ei ai àpxai àvaipe9f)aovxai; ei Sè àçôapxoi, Sià
jo xí èx [ièv xoúxtov àçôàpxcov oúacõv ç9apxà taxai, èx Sè xcõv
êxéptov acpoapxa; xoûxo yàp oùx eûXoyov, à X X ' ^ àSùva-
xov 7| TCOXXOÜ Xóyou Setxai. êxi sè oùS' èyxexeepïjxev oùseiç
1001« èxèpaç, à X X à xàç aúxàç árcávxtov Xèyouaiv àpxàç- à X X à
xò rcpcõxov àjxoptjgèv ànoxpcoyouaiv warcep xoûxo [iixpóv xi
XajipàvovxEç.
flàvxcùv sè xai ÔEtopíjaai xaXETcá>xaxov xai icpòç xò
s yvcõvai xàXïjoèç àvayxatóxaxov rcóxepóv rone xò 5v xai xò
Ev oúaíai xcõv ÕVXÍOV eiai, xai èxàxepov aúxcõv oúx êxepóv xi
ôv xò [ièv ev xò Sè 5v èaxiv, fj seî çrjxeív xí JXOX' èaxi xò
ôv xai xò ev tóç úícoxetjiévrjç ãXXrjç ipúaetoç. oe [ièv yàp
èxeívcoç oí 5' ouxcjç oíovxai xf|v çúaiv êxeiv. ilXáxcov
io [ièv yàp xai oi üuôayópeioi oúx ^epóv XL xò ôv oùSè xò
Ev à X X à xoüxo aúxcõv xfjv çúaiv eivai, tóç oôarjç rfjç oúaíaç
115

p r o b l e m a q u e agora nos o c u p a c saber por q u e a l g u m a s coisas 211

sao c o r r u p t í v e i s e o u t r a s n ã o , e m b o r a d e r i v a n d o d o s m e s m o s
princípios-1'.
' l u d o o q u e se d i s s e m o s t r a q u e os p r i n c í p i o s n ã o p o d e m
ser os m e s m o s . M a s se os p r i n c í p i o s s ã o d i v e r s o s , surge o p r o b l e -
m a d e s a b e r se os p r i n c í p i o s das c o i s a s c o r r u p t í v e i s s ã o i n c o r -
iiiplívcis ou corruptíveis. C a s o fossem corruptíveis, c evidente
q u e d e v e r i a m , t a m b é m eles, derivar n e c e s s a r i a m e n t e d c ulterio- 2í
ics p r i n c í p i o s : d e f a t o , t u d o o q u e se c o r r o m p e corrompe-se
d i s s o l v e n d o - s e n a q u i l o d e q u e é d e r i v a d o . Por c o n s e g u i n t e , h a -
vei ia o u t r o s p r i n c í p i o s a n t e r i o r e s a o s p r i n c í p i o s ; m a s isso é i m -
|Missível, q u e r se c h e g u e a u m t e r m o , q u e r se p r o c e d a a o i n f i n i t o 3 " .
A l é m disso, c o m o p o d e r ã o e x i s t i r as c o i s a s c o r r u p t í v e i s se os prin-
c í p i o s t i v e r e m sido d e s t r u í d o s ? 3 1 S e , a o c o n t r á r i o , os p r i n c í p i o s
das c o i s a s c o r r u p t í v e i s s ã o i n c o r r u p t í v e i s , p o r q u e d e s s e s p r i n c í -
pios, q u e s ã o i n c o r r u p t í v e i s , d e r i v a r i a m c o i s a s c o r r u p t í v e i s , e n - 30
quaiilo dc outros princípios, t a m b é m incorruptíveis, derivariam
coisas incorruptíveis? Isto n ã o é verossímil. D e fato, ou é impos-
sível o u c a r e c e d e u m a l o n g a e x p l i c a ç ã o . A d e m a i s , n e n h u m filó-
'.oI o j a m a i s s u s t e n t o u q u e os p r i n c í p i o s s ã o d i v e r s o s , m a s t o d o s 1001

d i / c m q u e os p r i n c í p i o s d e t o d a s as c o i s a s s ã o os m e s m o s . M a s ,
o.i i c a l i d a d c , c i e s a p e n a s a c e n a m ao p r o b l e m a q u e pusemos,
( misiderando-o dc pouca relevância.

11 ),'ciinc! primeira aporia}'2

M a s o p r o b l e m a m a i s difícil d c e x a m i n a r c c u j a s o l u ç ã o é a
i H.us n e c e s s á r i a para c o n h e c e r a v e r d a d e é o s e g u i n t e : sc o S e r c
o I ' m s ã o as s u b s t â n c i a s d a s c o i s a s c se c a d a u m d e l e s n ã o é , 5
i r s p r c t i v a m e n t e , n a d a m a i s q u e S e r c U m , o u se d e v e m o s c o n -
••idnar a e s s ê n c i a d o S e r c d o U m c m o u t r a r e a l i d a d e q u e l h e s
MI va d e s u b s t r a t o .
Alguns e n t e n d e m a natureza do Ser e do U m do primeiro
lo, o u t r o s d o s e g u n d o . P l a t ã o e os p i t a g ó r i c o s a f i r m a m q u e
• > S n c o U m são a p e n a s S e r e U m c q u e j u s t a m e n t e nisso c o n - 10
r . l c Mia n a t u r e z a , s u s t e n t a n d o q u e a s u b s t â n c i a d e l e s é a pró-
116 TON METATAOYIIKAB

aúxoü xoõ èvi eivai xai ßvxi- oi Sè Tttpi cpúaecoç, olov 'E[i-
TteBoxXf)ç c!)ç eiç yvcopi[icóxepov àváycov Xèyei 8 t i TÒ £v
èaxiv- 8óÇeie yàp âv Xèyetv xoüxo r?)v tpiXíav eivai (alxía
is youv èariv aüx-r) xoü Ev eivai rcãaiv), £xepoi Sè ítõp, oí S'
àèpa çaaiv eivai xò Ev xoüxo xai xò ov, èÇ ou xà õvxa
eivai xe xai yeyovèvai. ü>ç 8' aõxcoç xai oi jtXetco xà
axoixeïa xi8i[xevoi* àvàyxr] yàp xai xoúxoiç xoaaüxa Xèyeiv
xò ev xai xò ov 8aaç Ttep àpxàç eivai (paaiv. aufißafvei
20 Sè, ei [ièv xíç [li] Grjaexai eivai xiva oúaíav xò ev xai xò
3v, [XTjSè xcõv ãXXcov eivai xaiv xaGóXou [i7)0èv {xaüxa yàp
èaxi xaGóXou jiàXiaxa Jtàvxcov, ei Sè fif) eaxi xi Ev aúxò
|xr)S' aúxò Ôv, axoXíj xöv ye ãXXcov xi Sv eã] Ttapà xà
Xeyó[jitva x a 9 ' ëxaaxa), exi Sè [if| Svxoç xoü èvòç oúaíaç,
25 SfjXov öxi oúS' âv àpi9(xòç eír] cí>ç xexcopia|iévr) xtç çúaiç
xcõv õvxcov (ò (ièv yàp àpt9|iòç (jiováSeç, fj Sè [lovàç 8itep
ev xí èaxiv)- eí 8' êaxi xi aúxò ev xat 3v, àvayxaîov oúaíav
aúxcõv eivai xò ev xai xò o v oú yàp Exepóv xt xa9' ou
xaxT]yopèíxai àXXà xaüxa aúxà. — àXXà [if]v ef y ' ?axai
30 xí aúxò Bv xai aúxò £v, TtoXXí) àîtopia Ttcõç ëaxai xi Ttapà
xaûxa ïxepov, Xèyco Sè itcõç ?axai nXeíco ívòç xà õvxa. xò
yàp Ixepov xoõ õvxoç oúx éaxiv, óiaxe xaxà xòv Ilap(jiev{8ou
au[ißaiveiv àvàyxr) Xóyov Ev ãítavxa eivai xà õvxa xai
íooib xoüxo eivai xò õv. àfiçoxèpcoç Sè SúaxoXov ãv xe yàp [if]
g xò Ev oúaía âv xe fj xò aúxò £v, à8úvaxov xòv àpiGjxòv
oúaíav elvat. èàv [ièv oúv |if| eíprjxai Ttpóxepov Si' o- èàv
8è 5, fj aúrifi àrtopía xai itepi xoõ õvxoç. èx xívoç yàp
3 Ttapà xò ev Saxai aúxò ãXXo ?v; àvàyxr) yàp [i#| Ev el-
MLTAHSICA, B ÍCOI a 12 - b 5

Inia e s s ê n c i a do U m e do Ser. Já os n a t u r a l i s t a s p e n s a m de m o d o
d i f e r e n t e : E m p é d o c l e s , por e x e m p l o , explica o U m r c d u z i n d o - o
.i algo m a i s c o n h e c i d o ; de fato, p a r e c e q u e ele a f i r m a q u e o U m
>• a a m i z a d e , p o r ser a a m i z a d e a c a u s a d c u n i d a d e d e t o d a s as
( oisas. O u t r o s d i z e m q u e o S c r e o U m são o fogo, e n q u a n t o ou- 15
lios ainda d i z e m q u e e o ar, c s u s t e n t a m q u e as coisas s ã o c o n s t i -
I uídas e foram p r o d u z i d a s desses e l e m e n t o s . O s p e n s a d o r e s q u e
postulam vários e l e m e n t o s t a m b é m s u s t e n t a m essa doutrina: t a m -
bém eles d e v e m n e c e s s a r i a m e n t e afirmar que todos esses e l e m e n -
tos c h a m a d o s p r i n c í p i o s são S e r c U m " .
O r a , se n ã o se q u i s e r a d m i t i r q u e o S e r c o U m são deter- 20
m i n a d a s u b s t â n c i a , seguir-sc-á q u e n e n h u m dos universais será
s u b s t â n c i a . ( O S e r e o U m s ã o o q u e há dc m a i s universal; c se
0 S e r c o U m n ã o são u m a realidade, t a m p o u c o sc vê c o m o algo
pode ser fora das c o i s a s ditas p a r t i c u l a r e s ) ' 4 . A l é m disso, se o
1 Im n ã o é u m a s u b s t â n c i a , é e v i d e n t e <.|uc o n ú m e r o t a m b é m 25
H.io poderá ser u m a s u b s t â n c i a separada. (O n ú m e r o , c o m e f e i t o ,
<• c o n s t i t u í d o dc u n i d a d e s , c a u n i d a d e c o i n c i d e e s s e n c i a l m e n t e
c o m o U m ) 5 ' . M a s se e x i s t e m o U m c m si c o S e r e m si, é n c c c s -
'..II io q u e sua s u b s t â n c i a seja o u m c o ser: c o m e f e i t o , a q u i l o de
q u e sc p r e d i c a m n ã o é d i f e r e n t e deles, m a s o próprio u m c o
pinprio scr í f t .
Por o u t r o lado, se e x i s t e algo q u e c S c r - c m - s i c U m - c m - s i , 30
•.era m u i t o difícil c o m p r e e n d e r c o m o poderá existir algo a l é m
deles, isto é, c o m o os seres p o d e r ã o ser m ú l t i p l o s . D c fato, o q u e
n ã o c ser n ã o é ; c o n s e q ü e n t e m e n t e c a i r í a m o s na d o u t r i n a dc
Pai m ê n i d c s , para q u e m t o d o s os seres c o n s t i t u e m u m a u n i d a d e
e esta c o ser 1 '. M a s a m b a s as p o s i ç õ e s a p r e s e n t a m d i f i c u l d a d e . 1001

O n e r o U m n ã o seja s u b s t â n c i a , q u e r o U m seja s u b s t â n c i a e m
m c por si, c impossível q u e o n ú m e r o seja s u b s t â n c i a . Já a p r e s e n -
l a n i o s as razões pelas q u a i s é impossível a h i p ó t e s e dc q u e o U m
n a o seja s u b s t â n c i a ; se, a o c o n t r á r i o , é s u b s t â n c i a , surgirá a m e s -
ma d i f i c u l d a d e q u e já e n c o n t r a m o s a p r o p ó s i t o do Ser. C o m o
poderá existir, a l é m d o U m e m si. outra coisa q u e seja U m ? D e 5
l.ilo, essa o u t r a c o i s a deveria ser n ã o - u m ; m a s t o d o s os seres ou
••ao u m ou s ã o m u i t o s , s e n d o c a d a u m deles u n i ! ï , A d e m a i s , se
TON MET A TA OYÏIKAE

var âiuavra 8è t à ovra ij tv rj juoXXà tí>v EV Ixaarov.


6TL E{ àSiaípetov aúxò TO ëv, x a t à [xèv TÒ Zrjvojvoç àÇicojxa
où9èv àv ELT] (o YÀP [XR[TE jipoartÔÉixevov [J.R|X£ à<paipoú|xevov
jioieî [xeîÇov [xrjSè è X a x T o v , où <pr]aiv eïvat TOÛTO TCÕV ÕVTCOV,
io (ÛÇ STJXOVÓTI OVTOÇ (xeyéGouç TOÛ ÕVTOÇ- xai E£ [x£ye9oç,
ACÚFJIATIXÓV TOÖTO yàp iràvrr] ov- TÀ 8è ãXXa itcòç |xèv
îtpoaxi8é|jieva iroifjaet [xeîÇov, xùx; 8' oùGév, oíov inÍjteSov
xai ypot[X}xrj, artypif] 8è xai (xovà; oùôafxtôç) • àXX' iiieiSf]
oôxoç 9ecopeï <popxixtõç, xai èv5èx&Tœi £Ívai àStaípexóv TI
IS oSaxe [xai OUTOÙÇ] xai TUPÒÇ èxeïvôv TIV' àjuoXoyiav ? x e i v
Çov (JLÈV yàp où Jtoifjaei nXetov 8È Tupoari9éjxevov T Ò XOIOÜXOV) • —
àXXà jttúç Sf) IÇ évòç xoioúxou rj TuXeióvcov xotoóxcov êoxai
[xéyeÔoç; öjxotov yàp xai xfjv ypan^Tiv ix axiy[xô)v EÍvai
çàaxetv. àXXà (ifjv xai eí TIÇ ouxcoç üiraXajjißävei ware
20 yevéaGai, xaGànep Xèyouaí xiveç, èx TOÜ Ivòç aúxoü xai
àXXoU (JLTL ivÓÇ TIV0Ç TÒV àpl9|XÓV, 0Ú9èv FJXXOV ÇT)T7]TÉ0V 8tà
T£ xai Ttwç óxè [xèv àptGjxòç Óxè Sè [xéye9oç eaxai TÒ ye-
vójxevov, eírcep TÒ [XT] êv f, àviaórrjç xai f, aùrri <púatç
íjv. ouxe yàp SJTCÚÇ èç èvòç xai xaúxaç oúxe ÕJICOÇ ï\ àpi-
25 Ôfiou xivòç xai TaÚT7jç yévoiT' âv Tà (xeyé9rj, SfjXov.

Toúxtov 8' lyo[iívT\ àrcopía nóxepov oi àpi9[ioi xai


Tà acopaxa xai xà èrtííteSa xai aí artypiai oúaíai Tivèç
eíatv f[ où. ei [xèv yàp [if) eîaiv, 8ta<peúyei TÍ TÒ BV xai TÍveç
aí oúaíaç TÔJV ÕVTCOV TÀ [ièv yàp JUÀ0T| xat ai xtvfjaei;
30 xai TÀ Tupóç TI xai ai SiaGèaeiç xai oí Xóyoi oú9evòç 8o-
xoüaiv oúaíav a?](jta£vetv (Xéyovxat yàp rcàvTa x a 9 ' urcoxet-
METAfíSICA, B 4 / S . 1001 b 6 - 3 1

o Um c m si é indivisível, de acordo c o m a doutrina dc Z e n ã o , não


c nada. ( D e fato, ele diz q u e aquilo que a c r e s c e n t a d o ou tirado
não torna uma coisa, r e s p e c t i v a m e n t e , maior ou m e n o r não é
ser, c o n v i c t o de q u e o ser é uma grandeza. E se é uma grandeza, 10

c corpóreo, pois o corpóreo existe e m todas as dimensões. Os


«nitros o b j e t o s m a t e m á t i c o s , ao contrário, se acrescentados cie
certo m o d o às coisas as t o r n a m maiores, se de outro modo, não:
do primeiro m o d o a superfície e a linha; do outro m o d o , o ponto
c a unidade não a u m e n t a m e m nada a coisa à qual se a c r e s c e n -
tam) 1 ''. Posto q u e esse m o d o dc raciocinar é grosseiro c q u e c
possível existir algo indivisível, poder-se-ia objetar q u e o indivi- is
sívcl a c r e s c e n t a d o a alguma coisa não a u m e n t a seu t a m a n h o ,
mas seu n ú m e r o . M a s então, c o m o c q u e dc um U m desse tipo,
ou dc n u m e r o s o s U m desse tipo poderá derivar a grandeza? D c
lato, essa afirmação é e q u i v a l e n t e à que diz q u e a linha deriva
dc pontos' 1 1 . Por outro lado, m e s m o s u s t e n t a n d o , c o m o alguns o 20
lazem, q u e o n ú m e r o deriva do U m - c m - s i e de outro princípio
q u e n ã o c um, dever- sc-á investigar por q u e c c o m o o q u e dele
deriva é às vezes u m n ú m e r o c às vezes uma grandeza, dado que
o n ã o - u m é a desigualdade e, portanto, o m e s m o princípio n u m
caso c o m o 110 outro. D c fato, não c claro c o m o do U m c dessa
desigualdade, ou dc certo n ú m e r o c dessa desigualdade as gran-
dezas p o d e m ser geradas 4 1 .

IDiscussão sobre o estatuto ontológico dos números/

jDécima segunda aporiaj1

U m problema relacionado a esses c o seguinte: se os n ú m e -


los, os sólidos, as superfícies c as linhas são substâncias ou não.
Se não são substâncias, não s a b e m o s dizer o q u e c o ser c
quais são as substâncias dos seres, pois parece q u e as afecções,
os m o v i m e n t o s , as relações, as disposições e as proporções não 30
e x p r i m e m a substância dc nada. C o m efeito, todos eles são pre-
dicados de algum substrato e n e n h u m deles c algo determinado 2 .
120

fiivoü xivóç, xai oú9èv xóSe xt) • â 8è fiáXiax' âv 8óÇete


arjuaíveiv oúaíav, üScop xai yíj xai mip xai àfjp, èÇ cov
1002* xà aúv9exa acófiaxa auvèaxrjxE, xoúxcov 9ep|jióxTixeç (xèv xai
4>uypòvt]itq xai xà xoiaüxa 7cá9r], oúx oúaíat, xò Sè acôpia
xò xaüxa TÍETTOVGÒÇ (JLÓVOV úítojjivei còç õv xt xai oúaía xtç
oúaa. àXXà |xf|v xó ye aã>|jia íjxxov oúaía xfjç è7iwpaveíaç,
5 xai aim) xfjç ypafifxrjç, xai aux?) xfjç fiováSoç xai xfjç
axiyjj.^' xoúxotç yàp coptaxai xò acõfza, xai xà (ièv àveu
acó[iaxoç èvSèxeaôai Soxei eivai xò Sè acõ|xa âveu xoúxcov
àSùvaxov. Stó?xep oí [xèv rcoXXoi xai oí írpóxepov xf|v
oúaíav xai xò ôv cõovxo xò acõjjia eivai xà Sè ãXXa
io xoúxou 7táÔ7), ajaxe xai xàç àpxàç xàç xaiv acop-àxcov
xcõv õvxcov Eivai àpxàç* oi 8' uaxepoi xai aoçcóxepoi xoú-
xcov eivai SóÇavxeç àpi9(jioúç. xaGárcep oúv efaoiiev, ei [li]
íaxiv oúaía xaüxa, SXcoç oúSèv èaxiv oúaía oúSè ôv oú9èv* oú
yàp Sf) x á ye au[ißeßT)x0xa xoúxotç âÇtov õvxa xaXeïv.
15 — àXXà (i.f)v ei xoüxo jiiv òfAoXoyeíxai, õxi (xãXXov oúaía xà
(JLTJXTI xcõv acojiáxcov xai aí axiy[iaí, xaüxa Sè (jtf[ ópcõ(xev
itoícov àv elev acopáxcov (èv yàp xoïç aîa9r|xoïç à8úvaxov
eivai), oúx âv eír) oúaía oúSegjiía. exi Sè <paívexai xaüxa
7xávxa Staipèaetç õvxa xoü acófiaxoç, xò (xèv eiç icXáxoç
2o xò 8' e£ç ßá9oç xò S' eiç nfjxoç. 7xpòç Sè xoúxotç ófjtoícoç
£veaxtv èv xcõ axepecõ ÒTCOIOVOÜV ax^a- wax' ei |xr)S'
èv xcõ XíGco 'Epjxfjç, oúSè xò Villau xoü xußou èv xcõ xüßco
oüxcoç cóç àçcopta(Jtèvov oúx ãpa oúS' èmçáveia (ei yàp
òíTOiaoüv, xâv aux7] âv fjv fj àçopíÇouaa xò fyiiau), ó S'
25 aúxòç Xóyoç xai èrci ypap|j.fjç xai axiynfjç xai (jiováSoç,
coar' ei [xáXiaxa [xèv oúaía xò acopa, xoúxou Sè (JiãXXov
METAFÍSICA. BS. 1001 B32• 1002O7.6

O u a n t o às coisas que m e l h o r p a r e c e m exprimir a substância —


a água, a terra, o fogo e o ar, isto é, os e l e m e n t o s dos quais os
corpos são c o m p o s t o s — , deve-se observar q u e o q u e n t e e o frio 10ü2-
c as outras afecções desse tipo, próprias daqueles e l e m e n t o s ,
não são substâncias, c que só o corpo q u e serve dc substrato a
essas afecções subsiste c o m o substância c c o m o ser'. Mas o corpo
c m e n o s substância do que a superfície, c esta é m e n o s do q u e a
linha e a linha m e n o s do que a unidade c o ponto: dc fato, o corpo 5
é d e t e r m i n a d o por estes c parece q u e eles p o d e m existir sem
o corpo, e n q u a n t o é impossível q u e o corpo exista s e m eles 4 . Por
isso — e n q u a n t o a maioria dos h o m e n s c dos filósofos preceden-
tes s u s t e n t a v a m q u e o corpo era substância e ser e q u e as outras
coisas eram propriedades deles e, c o n s e q ü e n t e m e n t e , os princí- 10
pios dos corpos eram princípios dc todos os seres — os filósofos
mais recentes e tidos c o m o mais sábios sustentaram q u e os prin-
cípios dos seres eram os n ú m e r o s 1 . Portanto, c o m o dissemos, se
essas coisas não são substâncias, não existe a b s o l u t a m e n t e ne-
n h u m a substância e n e n h u m ser: pois c e r t a m e n t e seus acidentes
não m e r e c e m ser c h a m a d o s seres 6 .
Por o u t r o lado, se a d m i t i m o s q u e as linhas e os p o n t o s são 15
mais substâncias do q u e os corpos, não se vê c m q u e corpos eles
se e n c o n t r e m — c o m efeito, c impossível q u e se e n c o n t r e m nos
corpos sensíveis — e, então, não existirá n e n h u m a substância 7 .
Ademais, parccc que a linha, a superfície c o p o n t o são divisões
do corpo: a linha segundo a largura, a superfície segundo a profun-
didade. o p o n t o segundo o c o m p r i m e n t o * . Além disso, no sólido 20
ou e s t ã o presentes todas as espécies dc figura ou, e n t ã o , n e n h u -
ma. Assim, se na pedra não está presente um Hermes, t a m p o u c o
a m e t a d e de um c u b o estará presente no c u b o c o m o algo deter-
minado. Portanto, t a m b é m não estará presente a superfície: se,
c o m efeito, estivesse presente u m a superfície qualquer, t a m b é m
estaria aquela q u e delimita a m e t a d e de um cubo. O m e s m o ra-
ciocínio vale para a linha, para o p o n t o c para a unidade''. Portan- 25
to, se o corpo, por um lado, é substância por excelência e se, por
outro, essas coisas são mais substância do que o corpo, e se depois
se vê q u e elas não são substâncias, e n t ã o não s a b e m o s o q u e é
TILN META TA ÍDYÍIKA B

muta, |i#| l a x t Sè xaüxa [irjõè oúaíat xivé;, SiaçsúyeL xí


TÒ ô v x a i tí; f) o ú a í a xcõv OVXCOV. Ttpò; y à p xoT; eipT]|iívoi;
xai xà jcepi TÍjv yéveatv xai xr]v ?0opàv aufißat'vet fiXoya.
30 S o x e T (xèv y à p oúaía, èàv [if| o ú a a n p ó x e p o v vüv $ í\ Ttpó-
x e p o v o u a a u a x e p o v [if] f j , [ i e x à TOÜ y í y v e a O a t x a i «pOeípeaOat
xaüxa ^áa^eiv* Tà; Sè axty[ià; xai xàç ypa[i[ià; xaí Tà;
èmçaveía; oùx èvSèx^at oöxe yíyveaOat oöxe ç8eípea0ai,
óxè (xèv ouaa; òxè Sè oùx oúaa;. öxav yàp STrajxai í} Si-
1002 fc a i p f j x a i xà acó[iaxa, à fia óxè (ièv [iía àicxofièvcov óxè Sè
S ú o Siaipou[i£vcov y í y v o v x a r o i a x ' oöxe auyxet[iÉva)v eaxiv à X X '
íçGapxai, SfQpT]fji£vcov x e e i a i v a í TCpóxepov o ù x o C a a t ( o ù yàp
S#| ^ y ' à S t a í p e x o ; a x t y f i f ) Stflpè0T) e i ; S ú o ) , e? x e y t y v o v x a L x a i
s çGeípovxat, èx xivo; yíyvovxat; TiapairXr]aiai; S' exet xai
ue.pt xò vüv xò èv xcõ XP^^' °ùSè yàp xoüxo èvSÉxexat
yíyvea0at xai 90eípea0ai, àXX' ôfxtoç exepov àei Soxeï el-
vat, oúx oúaía xi; ouaa. Ó|ÍO£ÍI>; S è S f j X o v o x i íx« xai nzpi
xà; axiyfià; xai xà; ypa[i[ià; xat xà èreí^eSa- ó yàp
io aúxò; Xóyo; - arcavxa yàp ó[ioíco; fj rcèpaxa r\ Staipèaei;
eiaiv.

6
"OXco; S' àiropfjattev ãv xt; Stà xí xai Set Çrçxeív
aXX' àxxa napà xe xà aia0T]xà xai xà [lexaÇú, olov à
x(0e[iev eíSt], ei yàp Sià xoüxo, Sxt xà (ièv [ia07][iaxixà
U xcõv Seüpo àXXcp [ièv xtvt Staçèpet, xcõ Sè JTÓXX' âxxa
ó[ioetSií elvat oú0èv SiaçèpeL, ciar' oúx eaovxat aúxcõv aí
àpxai àpiGfiw àçwpta[iÉvai («arcep oúSè xcõv èvxaüOa
ypa[i[iàxcúv àpt0[icõ [ièv 7ravxwv oúx eiaiv ai àpxai cíipt-
METAFÍSICA, B 5/6, I CM • 27 b I 8

o ser c o q u e é a substância dos seres. A esses absurdos a c r c s c c n -


t a m - s e outros aos quais se chega ao considerarmos a geração e
a corrupção. D e fato, é claro q u e a substância passa do não-ser
ao ser e do ser ao não-ser c o m o c o n s e q ü ê n c i a dos processos de
geração e corrupção. Ao contrário, as linhas, os pontos e as super-
fícies não p o d e m n e m gerar-se n e m corromper-se, e m b o r a sejam
c m certo m o m e n t o c e m outro m o m e n t o não s e j a m . D e fato,
quando os corpos são postos e m contato ou são divididos, no m o -
m e n t o e m q u e se t o c a m forma-se u m a única superfície e no
m o m e n t o e m q u e se dividem f o r m a m - s e duas. Por c o n s e g u i n t e ,
q u a n d o os corpos são reunidos, as duas superfícies d e i x a m dc
existir e são aniquiladas; q u a n d o os corpos são separados, existem
as duas superfícies que antes não existiam. ( C e r t a m e n t e não se
pode dividir em dois o ponto, q u e é indivisível) 1 ". M a s se elas se
gerassem c se c o r r o m p e s s e m , dc que substrato derivariam? O
m e s m o ocorre c o m i n s t a n t e e c o m o t e m p o . T a m b é m cie não
pode gerar-se e corrompcr-sc e, c o n t u d o , parccc ser sempre dife-
rente, porque não é uma substância. E, e v i d e n t e m e n t e , o m e s m o
vale para as linhas, os pontos c as superfícies. E a razão é a m e s -
m a . C o m efeito, todas essas coisas são, do m e s m o m o d o , limites
ou d i v i s õ e s " .

6. [Discussão das três últimas aporias]

[Décima terceira aporia]'

Podcr-sc-ia, c m geral, levantar o p r o b l e m a da razão pela


qual se devam b u s c a r outras realidades além das sensíveis e das
i n t e r m e d i á r i a s c o m o , por e x e m p l o , as Idéias c u j a e x i s t ê n c i a
admitimos.
S c c porque os objetos m a t e m á t i c o s , c m c e r t o sentido, dj fe-
rem dos sensíveis, mas não e n q u a n t o e x i s t e m m u i t o s da m e s m a
espécie e, portanto, seus princípios são limitados c m n ú m e r o 2
(por e x e m p l o , assim c o m o os princípios de todas as nossas pala-
vras não são limitados e m número, mas só pela espécie 3 , a m e n o s
124 TONMËTATAFFIYÏIKAB

afjtévat, etSei 8é, èòv |x.F] Xafjißävfl TLÇ XTjaÔi xfjç auXXa-
20 ßfj; f] xrjaSi xfjç qpcovfjç' xoúxcov S' eaovxat xai àpv9(xcô
a)pta|i£vai — òjioícoç Sè xai è«t xcõv (xexocÇO- àrceipa yàp
xàxeï xà SiiotiSfj), wax' ei (if) éaxt raxpà xà aiaGrjxà xai
xà [IA0T][xaxixà £xep' àxxa ola Xèyouai xà &Î8T] xtvèç,
oùx Saxa i |i£a àpi0|jLtõ àXX' elSeï oùala, oùS' aí àpxai xcõv
25 õvxcov àpt9[i.cõ ï a o v x a i n o u a i x t v e ç à X X à e i S e t - — ei ouv xoûxo
àvayxaîov, xai xà etSr] àvayxaîov Sià xoûxo elvai xt0£vai.
xai yàp ei |xf| x a X c õ ç StapOpoûatv oi Xèyovxeç, àXX' taxi
ye xoû9' S ßouXovxai, xai àvàyxTj xaûxa Xèyeiv aùxoîç,
Sxi xcõv eiScõv oúaía xiç exaaxóv èaxt xai oú0èv xaxà aupi-
>o ßeßrjxo;. — àXXà (xfiv ei ye 0f|ao(xev xà xe eîSr) elvat xai
Ev àpi6[icõ xàç àpxàç àXXà (ifj eîSet, eip^xajxev S aujjt-
ßaiveiv àvayxaîov àSúvaxa. — avveyyuç Sè xoúxcov èaxt xò
Siairoprjaai itóxepov 8uvà[iei èaxt xà axoix^ía ^ tiv' Ixepov
xpórcov, ei jièv yàp aXXcoç JWOÇ, rcpóxepóv xt laxai xcõv àp-
íoov x^v àXXo (rcpóxepov yàp fj SúvafjLtç èxeívrjç xfjç aîxCaç,
xò Sè Suvaxòv oùx àvayxaîov è x e í v c o ç Ttãv exeiv)* el 8 ' eaxi
Suvájjiei xà axotxeía, èvSèxexat [xrjâèv elvat xcõv õvxcov
Suvaxòv yàp eivai xaí xò [xfjiico Sv yíyvexai (ièv yàp xò
5 (jtf) õ v , oú0èv 8è yíyvexai xcõv eivai àSuváxcov. — xaúxaç xe
ouv xàç àítopíaç àvayxatov àitopfjaat Jtepi xcõv àpxcõv, xai
TuóxEpov xaÔóXou eiaiv 7) cóç Xéyopev xà x«9' Ixaaxa. ei
METAFÍSICA, B 6, 1 0 0 2 b 1 9 - 1 0 0 3 o 7

que t o m e m o s os e l e m e n t o s de d e t e r m i n a d a sílaba e de d e t e r m i -
nada palavra: os e l e m e n t o s destas, e v i d e n t e m e n t e , serão limita- 20
dos t a m b é m n u m e r i c a m e n t e 4 ; e o m e s m o ocorre para os entes
intermediários, pois existem m u i t o s entes intermediários da m e s -
ma espécie), de m o d o q u e , se além dos sensíveis c dos o b j e t o s
m a t e m á t i c o s não existissem outras realidades c o m o as que alguns
c h a m a m de Formas, não poderia haver uma substância n u m e r i -
c a m e n t e una mas só especificamente una, n e m os princípios dos
seres p o d e r i a m ser n u m e r i c a m e n t e d e t e r m i n a d o s , mas só espe-
c i f i c a m e n t e d e t e r m i n a d o s ' . Pois b e m , se isso é necessário, pela 25

m e s m a razão será necessário t a m b é m admitir a cxistcncia dc


Idéias 6 . D e fato, m e s m o q u e os defensores das Idéias não se ex-
pliquem b e m , no fundo é isso q u e eles querem dizer; c eles devem
n e c e s s a r i a m e n t e afirmar a c x i s t c n c i a das Idéias, e n q u a n t o cada
Idéia é substância c não existe a c i d e n t a l m e n t e 7 .
Por outro lado, se a f i r m a m o s que e x i s t e m Idéias e que os 30
princípios t e m unidade n u m é r i c a e não específica, já i n d i c a m o s
acima os absurdos q u e daí decorrem necessariamente*.

/Décima quarta aporia f


O u t r o problema e s t r e i t a m e n t e ligado a esses consiste c m
saber se os e l e m e n t o s existem e m p o t ê n c i a ou dc outro m o d o .
Se existissem de outro m o d o , deveria haver algo de anterior
aos princípios. D e fato, a p o t ê n c i a seria anterior àquele tipo dc 10031

causa: mas não é necessário q u e o q u e é e m p o t ê n c i a c h c g u c a


ser e m ato 1 ".
A o contrário, se os e l e m e n t o s fossem c m potência, e n t ã o
seria possível que a t u a l m e n t e não existisse n e n h u m dos seres.
Dc fato, m e s m o o que ainda não é é c m p o t ê n c i a para ser. O que
não é pode vir a ser, mas nada do que não t e m p o t ê n c i a para ser 5
pode vir a ser 11 .

jDécima quinta aporia]'2


Estes são, portanto, os problemas relativos aos princípios,
que precisamos discutir, c t a m b é m esse outro: se os princípios são
universais ou se existem ao m o d o dos indivíduos.
•26

[ièv y à p xaOóXoo, oòx eaovxai oòuíai ( o ò 0 è v y à p xcõv xotvcõv


xó8e TI 07](jiaív6i àXXà xoióvSe, ifj 8 ' oúaía TÓSe TI - d 8'
io eaxai TÓSE TI x a i Êv 0 é o 6 a i TÒ x o i v g x a x r j y o p o ú j i e v o v , rcoXXà
êaxai Çcõa ó Hcoxpixr^, aúxóç xe. xai ò àv0pomoí xai xò
Çcõov, emep <rr)jia£v6i Exaaxov xó8e TI x a i êv)' - d (ièv oúv
xa0óXou ai àpxai, xaõxa aupßaivei- ei 8è |r?i xaGóXou
àXX' cbç xà xa0' è'xaaxa, oùx eaovxai imar/íraí (xa0óXou
is yàp fi áitLor^jiTi itàvTcov), ûax' eaovrai àpxai erepai ítpó-
Tepai xãiv àpxcõv aí xaGóXou xaxr|yopoú[I.evai, avrrep (IÉXXTJ

e a e a 0 a i a ú x c õ v í-KV3TT\\n\.

/
METAFÍSICA. B I , 1 0 0 3 A 8 • 17

Se são universais, não podem ser substâncias. D e fato, ne-


nhum dos atributos universais exprime algo determinado, mas
apenas de que espécie é uma coisa 1 ', e n q u a n t o a substância é algo
d e t e r m i n a d o ' 4 . Se a d m i t í s s e m o s q u e o predicado universal é al- io
go d e t e r m i n a d o e se o postulássemos c o m o existente separado,
Sócrates viria a ser muitos seres vivos: seria ele m e s m o , seria o ho-
m e m e seria o animal, dado q u e cada um desses predicados expri-
me algo determinado 1 5 .
Portanto, se os princípios são universais, estas são as conse-
qüências.
Se, ao contrário, os princípios não são universais, mas existem
ao m o d o dos indivíduos, não serão o b j e t o de c o n h e c i m e n t o . D e
fato, a ciência é sempre do universal 16 . C o n s e q ü e n t e m e n t e , para is
que seja possível uma ciência dos princípios, deveria haver outros
princípios, anteriores aos princípios, ou seja, os princípios que se
predicam universalmente dos princípios particulares 1 7 .
LIVRO
r
( Q J J X Ps.10)
20 "Eoxiv èm<rcrj|xr) x i ç f] 0eci>peî x ò ÔV ^ 5v x a í TÒ XOÚXCO
órópxovTa xa6' aúxó. aÜTT) 8 ' èaxiv ouSefxt? xwv èv |i£pei
Xeyopévcov f) aOxf)- ouSepía yàp xcõv ãXXcov èmaxoxeï
xaÔóXou 7T6pî TOÜ ÕVXOÇ 'S ÕV, àXXà [lipOÇ aiJTOÔ Tl àítOTÊ-
25 txófjLevat/7cept x o ú x o u Gecopoüai TÒ a u i x ß e ß i r p ^ , olov a í (iaörj-
(xaxixai xtõv èrtiaxr]|xcõv. èîtel ôè xàç àpxàç xaí xàç àxpo-
xáxaç aixiaç Çr]xoü|jiev, SrjXov cóç tpúaecoç xivoç aòxàç
àvayxaîov eivai xaG' aúxf)v. ei oõv x a í oí x à axoixeía xtõv
õvxtúv ijixoüvxeç xaóxaç xàç àpxàç èÇrjxouv, àvàyxri xai xà
3o a x o i x e í a xoü òvxoç eivai |jtf] xaxà au|J.ßeßTpc0; àXX' §
Sv- 8iò xai f|fiív xoü Õvxoç ^ 5v xàç irpcoxaç aixtaç
Xti7IX£OV.

2
Tò 8è õv Xiyexai (xèv roXXaxcõç, àXXà rcpòç ev xai
(jiiav xivà qíúaiv xai OIJX ò(ji(ovó[X(oç àXX* cio7rep xai xò
>5 ó y i e i v ò v arcav rcpòç úyieiav, xò (xèv xcõ çuXàxxeiv TÒ 8è
TCÕ 7ioieív TÒ 8è TTÕ ar)|xeíov eivai xfjç òyieiaç xò 8' oxi
íooí * Sexxixòv aúxfjç, xai xò iaxpixòv irpòç iaxpixr[v (xò (ièv
yàp xcõ ?xeiv iaxpixf)v Xíyexai iaxpixòv xò 8è xcõ eùcpuèç
eivai npòç aúxfjv xò 8è xcõ ïpyov eivai xfjç iaxpixfjç),
1. jDefinição d.a metafísica como ciência do ser enquanto ser]'

E x i s t e u m a c i ê n c i a q u e c o n s i d e r a o ser e n q u a n t o ser e as 20
p r o p r i e d a d e s q u e l h e c o m p e t e m e n q u a n t o tal. E l a n ã o se i d e n -
l i f i e a c o r n n e n h u m a das c i ê n c i a s p a r t i c u l a r e s : de f a t o , n e n h u -
í u a d a s o u t r a s c i ê n c i a s c o n s i d e r a u n i v e r s a l m e n t e o ser e n q u a n -
t o ser, m a s , d e l i m i t a n d o u m a p a r t e d e l e , c a d a u m a estuda
as c a r a c t e r í s t i c a s d e s s a p a r t e . A s s i m o f a z e m , por e x e m p l o , as 25
matemáticas . 2

O r a , d a d o q u e b u s c a m o s as c a u s a s e os p r i n c í p i o s s u p r e m o s ,
é e v i d e n t e q u e e s t e s d e v e m ser c a u s a s e p r i n c í p i o s d e u m a reali-
d a d e q u e é por si. S e t a m b é m os q u e b u s c a v a m os e l e m e n t o s dos
seres, b u s c a v a m e s s e s p r i n c í p i o s < s u p r c m o s > , n e c e s s a r i a m e n t e
a q u e l e s e l e m e n t o s n ã o e r a m e l e m e n t o s d o ser a c i d e n t a l , m a s d o
sei e n q u a n t o ser. P o r t a n t o , t a m b é m n ó s d e v e m o s b u s c a r as c a u s a s 30
do ser e n q u a n t o ser'.

2. /Os significados do ser, as relações entre o uno e o ser e as


várias noções que entram no âmbito da ciência do serf

O ser se diz c m m ú l t i p l o s s i g n i f i c a d o s , m a s s e m p r e e m rc-


I c i ê n c i a a u m a u n i d a d e c a u m a r e a l i d a d e d e t e r m i n a d a . O ser,
p o r t a n t o , n ã o se diz por m e r a h o m o n í m i a , m a s d o m e s m o m o d o
c o m o c h a m a m o s " s a l u t a r " t u d o o q u e se refere à saúde: seja e n q u a n -
to a c o n s e r v a , seja e n q u a n t o a p r o d u z , seja e n q u a n t o é s i n t o m a 35
d e l a , seja e n q u a n t o é c a p a z de r e c e b e - l a ; o u t a m b é m d o m o d o
c o m o d i z e m o s " m é d i c o " t u d o o q u e se refere À m e d i c i n a : seja I003B

e n q u a n t o a p o s s u i , seja e n q u a n t o é i n c l i n a d o a ela por n a t u r e z a ,


132 TÍ1N M E T A T A © Y Z I K A r

ó|ji0i0Tpójttúç Sè xai âXXa Xri4>ófAe6a Xeyó|ieva xoúxoiç, —


j ouxco Si xai TÒ ôv Xèyexai juoXXaxcoç [xèv àXX' arcav
íipòç [xCav ípxAv' (Jièv yàp 8x1 oúaíai, õvxa Xèyexai,
xà 8' Öxi jráÔTi oúaíaç, xà 8' Sxi ó8òç eiç oúaíav
çOopai i] axep^aeiç i\ JuoióxT)xeç ïj rcoiTixixà í) yevvrjxixà
oúaíaç fj xtõv Ttpòç xfy oúaíav Xeyo|xèvcov, fj xoúxcov XIVÒÇ
IO àíioçàaeiç oúaíaç- 8iò xai xò |xí) ôv eivai ^ õv çapev.
xaÔàrcep oúv x a i xcõv ú y i e i v c õ v àrcàvxcov [xía iiiiarrnjiT) ëaxiv,
ófJLOÍtúç xoüxo xai Itzi TCÕV ãXXcov. ou yàp póvov TCÕV xa9'
ev Xeyojxivcov ÍJUIOTÍ]|XT)Ç èaxi ôecopfjaai piãç àXXà xai TCÕV
íipòç [xíav Xeyojxévcov «púaiv xai yàp xaüxa xpóíiov Tivà
is Xèyovxai xa0' Ev. 8rjXov oöv OTI x a i xà õvxa [xtãç ôecoprjaai
í Õvxa. juavxaxoü 8 è xupícoç xoü jupcoxou i ] é i t u j r V j p T ) , xai èÇ
ou x à â X X a rjpxrjxai, xai 81' ô X è y o v x a i . e£ o ö v x o ü x ' èaxiv ^
oúaía, xcõv oúauõv âv Sèoi xàç àpxàç xai xàç aixíaç lx e t v

xòv çiXóaoçov. — ãiuavxoç 8è yèvouç xai aia0r]atç [xía évòç


20 xai èniaxTiixT), oíov ypappaxixí) [xía ouaa îïàaaç ôecopeî
xàç çcovàç- Siò xai xoü õvxoç ig ô v Saa elSí] Oecopîjaai [xiãç
èaxiv èmax^|jiT)ç xcõ yivei, xà xe eí8r) xcõv etScov. ei Síj xò
Ôv xai xò Üv xaúxòv xai pia çúatç xcõ àxoXouÔeív àXXr|-
Xoiç (ooTtep àpxíi xai afxiov, àXX' oúx toç évi Xóyco STJXOÚ-
23 |xeva (Siaçèpei Sè oúOèv oúS' âv ófjioícoç ú r t o X à p c o p e v , àXXà
x a i jupò I p y o u ( i ã X X o v ) - x a ú x ò y à p e i ç â v 9 p a » i o ç x a i ãvÔpcorcoç,
x a i c j v ãvOpcojioç x a i ãvOpcoiuoç, x a i o ú x Exepóv x i S r j X o í xaxà

I
METAFÍSICA, r 2, 1003 b i -27 133

seja e n q u a n t o é obra da m e d i c i n a ; e poderemos aduzir ainda


outros e x e m p l o s de coisas que se dizem de m o d o s e m e l h a n t e a
estas. Assim t a m b é m o ser se diz e m muitos sentidos, mas todos 5

em referencia a um ú n i c o princípio: algumas coisas são ditas ser


porque são substância, outras porque afecções da substância,
outras porque são vias q u e levam à substância, ou porque são
corrupções, ou privações, ou qualidades, ou causas produtoras
ou geradoras tanto da substância c o m o do que se refere à substân-
cia. ou porque negações de algumas destas ou, até m e s m o , da
própria substância. (Por isso até m e s m o o não-ser d i z e m o s q u e 10
" é " não-ser 2 .)
O r a , c o m o existe u m a única ciência dc todas as coisas q u e
são ditas "salutares", assim t a m b é m nos outros casos. D c fato, - "
não só c o m p e t e a u m a única ciência o estudo das coisas q u e se
dizem num único sentido, mas t a m b é m o estudo das coisas q u e
se dizem e m diversos sentidos, porém c m referência a u m a única
natureza: de fato, t a m b é m estas, de certo m o d o , se dizem n u m .
único sentido. E evidente, portanto, que os seres serão o b j e t o de ,' 15

m na única ciência, j u s t a m e n t e e n q u a n t o seres. Todavia, a ciência


leni c o m o o b j e t o , e s s e n c i a l m e n t e , o q u e é primeiro, ou seja,
aquilo de que depende e pelo que é d e n o m i n a d o todo o resto..
Portanto, se o primeiro é a substância, o filósofo deverá conhecer-
as causas c os princípios da s u b s t â n c i a ' .

D c cada gênero dc coisas existe uma sensação única^e t a m -


bém unia ciência única: por exemplo, a gramática, q u e é uma 20
ciência única, estuda todos os sons 5 . Por isso é tarefa dc uma ciên-
cia única q u a n t o ao gênero estudar t a m b é m todas as espécies
do ser e n q u a n t o ser, e é tarefa das várias espécies dessa ciência es-
I udar as várias espécies de ser e n q u a n t o s c r l
Ora, o ser e o um são a m e s m a coisa c uma realidade única,
e n q u a n t o se implicam reciprocamente um ao outro (assim c o m o
se i m p l i c a m r e c i p r o c a m e n t e princípio e causa), ainda que não
SE|JM passíveis dc expressão c o m uma única noção. (Mas não 25

mudaria nada se os considerássemos idênticos t a m b é m 11a noção,


o que seria até uma v a n t a g e m ) . D c fato, as expressões " h o m e m "
< "uni h o m e m " significam a m e s m a coisa, do m e s m o m o d o q u e
"1101 n e m " e "é h o m e m " ; c não se diz nada de diferente q u a n d o
I3JS TON META TA <BYIIKA r

xf)v X£Çiv ijzavaò ITIXOÚ (JIEVOV xò elç àvôpomoç xai elç üv


ãvOptojtoç (SfjXov 8' oxi où x < w p ^ £T ai OUT' éni yev£ae<oç OUT'
JO íni çôopãç), ónoftoç 8È x a i ÈNI TOÜ êvóç, «axe çavepòv Ôxt
f j 7Tpóo0eatç lv xoúxoiç TaÚTÒ SrjXoí, xai oúSèv exepov TÒ EV
rcapà TÒ S v , £xt 8 ' r\ i x á a x o u oùaia tv èaxiv oú x a x à aupße-
PTIXÓÇ, ò(xoío>ç 8è xai Örcep ö v TI- — Soa rcep xoü ivòç
eÍSr], Tooaüxa xai TOÜ ÕVXOÇ- rcepi <í»v TÒ XÍ £axi xfjç
35 a Ú T Í j ç á7UlOxf)[JLT|Ç XÍÕ yévei 0eCOpT)Oai, Xéytù 8' olov 7TE.pl
TaÚTOÜ xai òji.o£ou xai TWV àXXtov TWV TOIOÚTWV. ax&8òv 8i
1004* rcàvxa àvàyexat xàvavxía eiç xf)v àpxíjv xauxrjv TE0ECÙ-
pf[o0(o fifiTv T A Ü T A ív TRJ è x X o y f j T W V è v a v x í t o v . x a i
8'
Tooaüxa (jtépTj q>iXoao<p£aç & J T I V ü o a i rcep a í o ú a í a t - ó i o r e
àvayxaîov e i v a i Tiva jrpcùTT)v x a i èxo(i.£vr)v aÚTWV. ÚTtáp-
5 xet Y®P £Ú0úç y£vr) exov TÒ ÔV [xai TÒ Ïv]- 8IÒ xai ai
Í7ua-ai[Aat àxoXou0fioouai TOÚTOIÇ. eart yàp ò «piXóaoçoç
warcep ò |jioc0Tpaxixòç Xeyó|xevoç' xaí yàp auxr) exei
PÍPT), xaí JCPTOTT) xiç xai SeuTÉpa fortv £7110x^(17) xai ãXXac
£<peÇíjç iv xotç paGrifiaaiv. — ÈTTEI 8è |ii.ãç xàvxixeípeva
10 Oetopfjaat, xtp Sè èví àvxíxetxai 7cXfí0oç — à 7 t ó ç a a t v 8è xai
oxép7)oiv [itãç èaxi 0ea>p7)oai 8ià xò à[i<p0x£p(0ç 0etopeío0ai
xò Ev o u f | à T c ó ç a o t ç f] o x é p r j a i ç (f[ (yàp) àíuXtõç X£yo[iev
oxi oúx ÚTtàpxÊt èxeívo, rj xivi yèvei - ev0a fièv ouv t xœ èvi
fi S i a ç o p à rcpóaeaxt Ttapà xò èv àrcoçáaeiT, àTtouoía yàp
15 f j àrcóçaaiç èxeívou èaxív, èv 8è xfj axepiqoei xaí úrcoxei-
[a£vti xiç ÇÚOLÇ yíyvexai xa0' f\<; Xèyexai f[ axèpriaiç) [x<õ
8' èvi 7cXíj0oç àvxíxeixaj — âaxe xai xàvxixeí^eva xoîç eipr]-
[livoiç, xó xe £xepov xai àvó[xotov xai avioov xai 00a
aXXa X£yexai f| xaxà xaüxa xaxà 7iXrj0oç xai xò ëv,
135

sc duplica a expressão " u m h o m e m " c se diz " é u m h o m e m "


(com efeito, é evidente q u e o ser do h o m e m não se separa da uni-
dade do h o m e m n e m na geração n e m na corrupção; c o m e s m o 30
l a m b e m vale para o u m ) . Por c o n s e g u i n t e , é evidente q u e o
acréscimo, nesses casos, apenas repete a m e s m a coisa c q u e o um
não é algo diferente além do ser'.
Além disso, a substância de cada coisa c uma unidade, e não
dc maneira acidental; do m e s m o modo, cia t a m b é m é essencial-
m e n t e um ser\
Segue-se, portanto, q u e tantas são as espécies dc ser quaií^ .
las são as do u m . C o n h e c e r o q u e são essas c s p é c i c s p e r t e n c e ;
a uma c i ê n c i a q u e e a m e s m a q u a n t o ao gênero; por e x e m p l o , >35
p c r l c n c c à m e s m a ciência o estudo do idêntico, do s e m e l h a n -
lc e das outras e s p é c i e s desse tipo, assim c o m o dos seus c o n -
lrários'\ E q u a s e todos os c o n t r á r i o s se r e d u z e m a esse princí- 1004'
pio: discorremos sobre isso n o e s c r i t o i n t i t u l a d o A divisão dos
contrários
Existem tantas partes da filosofia quantas são as substâncias;
( oi iscqiicn t e m e n t e , é necessário q u e entre as partes da filosofia
cxisla u m a q u e seja primeira c uma que seja segunda. D c fato,
originariamente o ser c dividido c m gcncros c por esta razão as 5
ciências se distinguem segundo a distinção desses gcncros. O filó-
solo c c o m o o m a t e m á t i c o : dc fato, t a m b é m a m a t e m á t i c a t e m
parles, e destas uma c primeira c a outra é segunda, c as restantes
seguem c m série uma depois da o u t r a " .
E dado que 1 2 à m e s m a ciência c o m p e t e o e s t u d o dos c o n -
I i l 1 LOS, c porque ao u m se opõe o múltiplo e, ainda, porque à 10

H icsi na ciência c o m p e t e o estudo da n e g a ç ã o c da privação, dado


q u e , e m a m b o s os casos se estuda o um do qual sc dá negação
<• privação (dc fato, dizemos ou e m sentido absoluto que clc não
.subsiste, ou q u e não existe e m d e t e r m i n a d o gênero dc coisas;
poi isso nesse segundo caso ao um se acrescenta a diferença,
que não existe na negação, pois a negação é a ausência do um,
e n q u a n t o na privação subsiste u m a realidade que serve dc sujei-
lo do qual se afirma a privação), segue-se q u e t a m b é m os c o n -
I i:i rios das n o ç õ e s supra m e n c i o n a d a s " — c o m o : o diverso, o
d e s s e m e l h a n t e e o desigual, c todos os outros q u e deles deri-
136 TON META TA (PYIIKA T

20 x f j ç e£pr][iévriç yvcopíÇeiv èKiaxV||i7]ç- cLv èari xai èvavxió-


XTJÇ- Staipopà yàp xtç fj èvavxLÓrriç, t[ Sè Staipopà èxepó-
XTJÇ. ÙJOT' èneiSf) rcoXXaxcõç xò Ev Xéyexai, xat Taína noX-
Xaxcõç [ièv Xexôifaetai, ôficoç Sè fitãç áwtavxà èaxi yvcopt-
Çetv où y à p ei TToXXaxõüç, èxèpaç, àXX' ei [irixe x a 6 ' Ev |i.r|xe
2ï itpòç Ev o i Xóyot àvaçèpovxat. èrcet S è rcávxa rcpòç TÒ K p c õ -
Tov àvaçèpexai, oíov Saa Ev Xéyexai ;tpòç tò rcpoäxov èv,
c ó a a ú x w ç ç a x è o v x a í K e p t x a ú x o ü x a i è x è p o u x a i xcõv èvavxícov
êxetv ó i a x e SteXóptevov K o a a x & Ç X è y e x a i E x a a x o v , oüxcoç àrco-
S o x é o v Ttpòç x ò irpGÕxov èv è x á a x r ] x a x T i y o p i ? KCÕÇ rcpòç èxetvo
jo Xèyexar xà |ièv yàp xcõ ?x c i v èxeívo xà Sè xcõ itoteív xà
Sè xax' fiXXooç XexÖTiaexat xotoúxouç xpórcouç. — çavepòv
oúv [Strep iv xaü; àrcopíaiç iXixötJ Sxt (jtiãç 7tepi xoú-
xcov xai xfjç oúaíaç èaxi Xóyov exetv (xoüxo 8' fjv Ev
xtõv èv xoîç àrcoprifjiaaiv), xai èaxt xoC çiXoaótpou rcepi rcàv-
1004 b xcov Súvaaôat 8ecopeîv. et yàp XOÜ qxXoaóçou, xiç èaxat
ó Í7ctaxe<|»ó[ievoç ei xaúxò Ecoxpáxriç xat Ecoxpàxrjç xaÔTj-
jievoç, fj ei Ev èvi èvavxíov, ^ xí èaxi xò èvavxíov rcoaa-
Xwç Xèyexat; ójioícoç Sè xat rcepi xcõv S X X c o v xcõv xotoúxcov.
5 ÍtíiI OUV T O Ü é v ò ç ?j Ev x a i xoü õvxoç fj Bv x a ü x a xa9' aúxá
èaxt 7tà0T), àXX' oúx fj àptOfjioi r\ y p a [ i f i a i rcüp, SíjXov
cóç ixe£vr]ç xfjç Í7rtaxifj[jiT)ç xai xí laxt yvcopCaat xai xà au(i-
ßeßr)x0x' aúxotç. xai oú xaúxrj à(xapxávouatv oi Kept aúxcõv
a x o 7 i o ú [ i e v o i cóç o ú q n X o a o f p o ü v x e ç , à X X ' Sxi irpóxepov q oúaía,
METAFÍSICA, r 2, l C 0 4 a 2 0 - b 9 137

viim 14 , ou do múltiplo e do u m ' 1 — e n t r a m no c a m p o de invés- 20

ligação da ciência da qual falamos. D e n t r e estas deve ser incluí-


da t a m b é m a contrariedade, porque esta é u m a diferença e a
diferença é u m a diversidade" 1 .
E, dado q u e o u m se diz em múltiplos significados, t a m -
bém esses termos, por sua vez, se dirão e m múltiplos significados;
todavia, todos serão o b j e t o dc c o n h e c i m e n t o dc uma m e s m a
ciência. D e fato, os termos não e n t r a m no â m b i t o dc ciências di-
ferentes por terem múltiplos significados, mas porque suas defi-
nições não são unívocas ou por não p o d e r e m ser referidas a algo
uno 1 '.
O r a , porque todos os significados dos termos sobre os quais 25
raciocinamos sc r e m e t e m a um primeiro — por exemplo, todos
os significados dc " u m " se r e m e t e m a um originário significado
dc um — deve-se dizer que isso t a m b é m ocorre c o m o m e s m o ,
c o m o diverso e c o m os contrários e m geral. Assim, depois dc ter
distinguido em q u a n t o s m o d o s se e n t e n d e cada um desses, é
preciso referir-se ao que é primeiro no â m b i t o dc cada u m des-
ses grupos de significados c mostrar dc q u e m o d o o significado
do t e r m o considerado se refere ao primeiro. Alguns significados
se referem ao primeiro e n q u a n t o o c o n t ê m , outros porque o pro- 30
d u z e m , outros por outras relações desse tipo 1 ".
É evidente, portanto, c o m o dissemos no livro sobre as aporias,
que é tarefa dc uma m e s m a ciência ocupar-se dessas noções c da
substância (este era u m dos problemas discutidos), c que é tarefa
do filósofo saber indagar sobre todas essas coisas 1 ''. S c isso não 'O04*
fosse tarefa do filósofo, q u e m mais poderia investigar sc " S ó c r a t e s "
c o m e s m o q u e "Sócrates sentado" 2 ", se só existe um contrário
para cada coisa, ou o que é o contrário e c m quantos significados
clc pode ser entendido? 2 1
E o m e s m o se diga de todos os outros problemas desse tipo.
Porque essas coisas 2 2 são propriedades essenciais do um en- 5

q u a n t o u m e do ser e n q u a n t o ser, c não e n q u a n t o números, li-


nhas ou fogo, é evidente q u e eles c o m p e t e m a uma ciência q u e
c o n h e ç a sua essência c suas características.
E os q u e investigam essas propriedades 2 " não erram por não
laz.ercm investigação filosófica, mas porque a substância t e m
138 TíiN META TA OYÏIKA r

io irepi fjç oùôèv èîtaiouaiv, èrat ÓSoTrep e a r i x a i àpi9poü fj àpi-


9(J.ÒÇ íSia TtáÔT], OLOV ICEplTCÓTTlÇ àpTlOTTJÇ, (JU(l[iEXpía iaó-
TTJÇ, ú^EPOX^L ?XXeic{)iç, xai raura xai xa9' aúroúç xai
ítpòç àXXrjXouç úicápxEi toîç àpiGpoîç (ó|i0Ít0ç 8è xai
arepetõ xai àxivTjTto xai xivoupévto ißaptl xe xai pàpoç
15 e x o v - C I eariv erepa tSia), ourto xai rtõ ÕVTI fj ÔV eari Tivà
íSia, xai Taux' iari rcepi <Lv TOÜ çiXoaòçou èiuaxé<|jaa9ai
TÒ àXr^éç. anqpelov 8é- oí yàp 8iaXexnxoi xai aoipiarai
TÒ aúrò |i.èv üTToSüovrai axr)pa T<O cpiXoaócpco- ÍJ yàp ao-
çiarix'ii <paivopévT] póvov aoçía èarí, xai oí SiaXexTixoi
20 SiaXéyovTai 7re.pl àitàvrtov, xoivòv Sè 7tãai TÒ 6v èariv,
SLaXéyovrai 8è ítepi TOÚTÍOV SfjXov OTI 8ià TÒ tfjç fiXoao-
<píaç raõra eivai oixeía. Ttepi pèv yàp TÒ aurò yévoç arpé-
gerai í) aocpiarixf| xai ri 8iaXexrixf| rfj cpiXoaoipía, àXXà
Siacpépet TFJÇ p i v rcõ rpónto rrjç Suvàp.etoç, TT;Ç 8 è TOÜ ßiou
25 TT) Ttpoaipéaer ëari Sè f) SiaXexrixi) jteipaorixí) Ttepi t o v TPJ
çiXoaocpía yvcopiarix^, S è aoopiarixf| (patvopévr), o ö a a 8 ' oö.

" E n TCÕV è v a v r í t o v í) è r é p a auaroixía aréprjaiç, xai iràvra


àvàyerai eiç r ò ov x a i rò p?) ov, xai e i ç ev x a i 7rXf)9oç, oíov
aràaiç TOÜ èvòç xívrjaiç Sè TOÜ TtXr^ouç* rà 8' ôvra xai TI^V
30 oúaíav ópoXoyoüaiv èÇ è v a v r í t o v axeSòv ámavreç auyxeïa9ar
7TÁVT£ç yoõv ràç àpxàç èvavríaç Xéyouaiv oí (ièv yàp JIE-
pirròv xai ãpriov, oí Sè 9EP[IÒV xai <]>uxpòv, Sè itépaç
xai aTtetpov, oí Sè cpiXíav xai VEÍXOÇ. 7távxa Sè xai ràXXa
àvayójxeva çaíverai eiç rò ev xai ttXT)9OÇ (eÍXr)cp9to yàp
1005* TPJ à v a y t o y í ) i^piv), aí 8' àpxai xai TtavreXtõç aí Ttapà TCÕV
âXXtov toç eiç yévri raÜTa uÍTtrouaiv. <pavepòv ouv xai èx
Toúrtov OTI piãç ijriarrjpTiç rò ôv f j ôv 9 e t o p f j a a i . Ttàvra yàp
T) èvavría ri èÇ èvavrítov, àpxai 8è rtõv èvavrítov rò ev
5 xai ítXfj9oç. raüra 8è piàç èTriarT)[iT)ç, eíre xa8' lv Xéye-
METAFÍSICA, r 2, 1004 b 9 - 1 OOí a 5

prioridade sobre cias e porque eles não dizem nada sobre a subs-
tância 2 4 . D e fato, do m e s m o m o d o q u e e x i s t e m propriedades pc- 10
culiares ao n ú m e r o e n q u a n t o número, por exemplo, paridade,
iniparidade, comensurabilidadc, igualdade, excesso e falta, e elas
p e r t e n c e m aos n ú m e r o s , quer os c o n s i d e r e m o s s e p a r a d a m e n t e ,
quer c m sua relação recíproca; c do m e s m o m o d o que e x i s t e m
outras propriedades peculiares ao sólido, ao imóvel, ao móvel,
ao q u e não t e m peso e ao q u e t e m peso, assim t a m b é m e x i s t e m
propriedades peculiares ao ser e n q u a n t o ser c é sobre estas q u e
o filósofo deve buscar a verdade.
b i s u m a prova do q u e d i s s e m o s : os d i a l é t i c o s c os sofistas
e x t e r i o r m e n t e t ê m o m e s m o a s p e c t o do filósofo (a sofística é
nina sapiência apenas a p a r e n t e , c os d i a l é t i c o s d i s c u t e m sobre
Indo, c o s e r é c o m u m a t u d o ) , e d i s c u t e m essas n o ç õ e s , eviden- 20
l e n i e n t e , porque elas são o o b j e t o próprio da filosofia. A dialé-
lica c a sofística se dirigem ao m e s m o g ê n e r o de o b j e t o s aos
quais se dirige a filosofia; mas a filosofia difere da primeira pelo
m o d o dc especular c da segunda pela finalidade da e s p e c u l a -
ção. A d i a l é t i c a m o v e - s e às cegas nas coisas q u e a filosofia c o - 25
n l i c e e v e r d a d e i r a m e n t e ; a sofística é c o n h e c i m e n t o a p a r e n t e ,
mas n ã o real 2 '.
Ademais, u m a das duas séries de contrários é privação, c
lodos os contrários p o d e m ser reduzidos ao ser c ao não-ser, c ao
n i n e ao m ú l t i p l o : por e x e m p l o o repouso ao um e o m o v i m e n t o
.m múltiplo. O r a , quase todos os filósofos estão dc acordo e m
Mislenlar que os seres e a substância são constituídos por contra- 30
lios: dc fato todos p õ e m c o m o princípios os contrários. Alguns
postulam o ímpar c o par c o m o princípios 2 6 , outros o q u e n t e c
0 b i o - ' , outros ainda o limite e o ilimitc 2 s , outros, e n f i m , a a m i -
zade e a discórdia 2 ". E t a m b é m todos os outros contrários sc
leduzem c l a r a m e n t e ao um c ao múltiplo (pressupomos essa
ii'diição já realizada por nós c m outro lugar) 5 "; portanto, t a m b é m 1005
1 is pi meípios dos outros filósofos se reduzem i n t e i r a m e n t e a esses
dois gêneros. T a m b é m por isso é evidente q u e é tarefa dc uma
m e s m a c i ê n c i a o e s t u d o do ser e n q u a n t o ser. D e fato, todas as
1 ursas ou são contrárias ou derivadas de contrários, e o u m e o
iMiilliplo são princípios dos contrários. Ora, o u m e o múltiplo per- 5
l e n c e m a uma m e s m a ciência, quer sejam predicados c m senti-
IJO TÍÍN META TA OYZIKA r

tai true [ir], coartep íacoç ?xei xàXriÔèç. àXX' Sjxcoç ei


xai TtoXXax<õç Xèyexai TÒ ÏV, ícpòç TÒ Ttpcõxov xàXXa
Xexôfaexai xai xà èvavxía òjioícoç, [xai 8ià xoüxo] xai ti
|xí] ? a n xò ôv fj xò Ev xaôóXou xai xaúxò èni Jtàvrcov í|
10 x t o p i o x ó v , ojoxep ïacoç oùx eaxiv àXXà xà [ièv Ttpòç Ev xà
S è xcõ ècpeÇrjç. x a i S i à x o û x o où xoü yeco|iéxpou Becopfjaai xí
xò ivavxíov f j xèXeiov f j Ev ôv ^ xaúxòv f| ï x e p o v , àXX'
fj èÇ ÚTtoôéaecoç. Sxt (ièv oõv jiiãç è7tiaxif|[iTiç xò ôv ^ ôv
Ôecopfjaai xai xà úítàpxovxa aùxco fj Sv, SfjXov, xai òxi
15 où |ióvov XCÕV oúaicõv àXXà xai xcõv úirapxóvxcov aúxfj
Ôecoprjxixrj, xcõv x e etpTjfièvcov x a i Ttepi Ttpoxèpoo x a i úaxépou,
xai yèvouç x a i elSouç, xai 8Xoo x a i f i é p o u ç x a i xcõv ãXXcov
xcõv x o i o ú x c o v .

Aexxéov Sè itóxepov (iiãç f| èxèpaç èTtianí)|iTiç nepí xe


xcõv èv xoTç fiqcBiífiaai xaXoujjivcov àÇicofiàxcov xai itepi
2o x f j ç o ú a í a ç . qpavepòv 8 f ] 8xi (iiãç xe x a i xfjç xoü 91X006900
xai Ttepi xoúxcov èaxi ax£<J>iç- Sitaai yàp ÚTtàpxei xoïç
oõaiv à X X ' oú f è v e i xivi x ^ p i í ÍSíqc xcõv ã X X c o v . xai xP^v-
x a i [ièv T t à v x e ç , S x i x o ü S v x o ç è a x i v f j ô v , K x a a x o v S è x ò y è v o ç
25 S v £TUÍ x o a o u x o v Sè x p ^ ^ ® 1 £9' ü a o v ocúxoíç ÍXÚCVÓV, x o ü x o
8' Caxtv ôaov iitíxtí xò yèvoç Ttepi ou qpèpouai x à ç àitoSeí-
Çeiç- ûar' èrcei S f j X o v ÍSxi f j S v x a ÚTtàpxei Ttãai (xoüxo yàp
aúxoíç xò xoivóv), x o ü Ttepi x ò ôv f j ô v yvcopfÇovxoç x a i nepí
METAFÍSICA, r 2 / 3 , 1 OOS a 6 23 141

tio u n í v o c o , q u e r n ã o ( c o m o , de fato, o c o r r e ) ; t o d a v i a , m e s m o
q u e o u m se diga c m m u i t o s s e n t i d o s , t o d o s os d i f e r e n t e s s e n -
lidos são d i t o s e m referencia ao s e n t i d o originário (e, d e m o d o
s e m e l h a n t e , t a m b é m os o u t r o s c o n t r á r i o s ) ; e m e s m o q u e o ser,
assim c o m o o u m , n ã o s e j a algo universal e i d ê n t i c o e m todas as
coisas, ou algo s e p a r a d o ( c o m o , e f e t i v a m e n t e , n ã o é ) , todavia, 10
a l g u m a s coisas são ditas " s e r e s " ou " u m " por referência a u m
ú n i c o t e r m o , outras por s e r e m c o n s e c u t i v a s u m a à o u t r a ' 1 . Por
isso n ã o é tarefa do g e ô m e t r a e s t u d a r o q u e é o c o n t r á r i o , o
perfeito, o ser, o u m , o i d ê n t i c o ou o diverso, ou só c sua tarefa
a t í t u l o de h i p ó t e s e .
H evidente, portanto, q u e a u m a m e s m a ciência pertence o
e s t u d o do ser e n q u a n t o ser c das p r o p r i e d a d e s q u e a c i e se refe-
iciii, c q u e a m e s m a c i ê n c i a deve e s t u d a r n ã o só as s u b s t â n c i a s ,
mas t a m b é m suas p r o p r i e d a d e s , os c o n t r á r i o s dc q u e sc falou, c 15
l a m b e m o a n t e r i o r e o posterior, o g ê n e r o e a e s p é c i e , o t o d o e
a parte e as o u t r a s n o ç õ e s desse tipo.

\ /A ciência do ser compete também o estudo dos axiomas e


em primeiro lugar do princípio de não-contradiçâoj1

Agora d e v e m o s dizer se é tarefa d e u m a m e s m a ciência ou dc


c i ê n c i a s d i f e r e n t e s e s t u d a r os c h a m a d o s " a x i o m a s " na m a t e m á - 20
I ica, e e s t u d a r t a m b é m a s u b s t â n c i a . O r a , é e v i d e n t e q u e a inves-
tigação desses " a x i o m a s " p e r t e n c e a o â m b i t o da m e s m a c i ê n c i a ,
islo é, da c i ê n c i a do filósofo. D e fato, eles v a l e m para t o d o s os
seres e n ã o são propriedades peculiares de a l g u m g ê n e r o p a r t i c u -
lai dc ser c o m e x c l u s ã o de outros, E todos s e r v e m - s e desses axio-
mas, p o r q u e eles são próprios do ser e n q u a n t o ser, e t o d o g ê n e r o
dc realidade é ser. E n t r e t a n t o , cada u m se serve deles na m e d i d a 25
e m q u e lhe c o n v é m , ou seja, na m e d i d a d o g ê n e r o sobre o q u a l
versam suas d e m o n s t r a ç õ e s ' . C o n s e q ü e n t e m e n t e , por ser eviden-
le q u e os a x i o m a s p e r t e n c e m a t o d a s as coisas e n q u a n t o todas
são seres (de fato, o ser é o q u e é c o m u m a t u d o ) , c a b e r á a q u e m
eslucla o ser e n q u a n t o ser e s t u d a r t a m b é m esses a x i o m a s 5 .
142 TON M E T A T A ©YXIKA R

x o ú x w v l o x i v f) B e c o p í a . S i ó n e p o ú O e i ç xcõv x a x à \ t í p o ç imaxo-
>0 i t o ú v x w v èyx6ip£í XèyEiv TI itEpi aúxcõv, et àXrçÔfj F) |ÍT|,
ouxe yeco[ièxpri; oCx' àpiÕjxi^Tixóç, àXXà xcõv çuaixwv Ivioi,
eixóxcoç TOÖTO SpcÕvxeç- (JLÓVOI yàp cÕovxo itepí Te xfjç ôXrçç
«púaecoç axo7teïv x a i Tuepi T O Ü ÕVXOÇ. ítkt 8' latiu exi TOÜ
«puaixoü x i ç à v w T É p o j ( e v y à p T I y è v o ç TOÕ S v x o ç < p ú a i ç ) , TOÕ
>5 (nepi TÒ) xaÔóXou x a i [ T O Õ ] i t e p i xf|v 7cpá>xr]v o ú a í a v 9ecopr]xi-
1005b xoü x a i luepi x o ú x c o v SV EIR} axè<J>iç* e a r T 8 è a o ç í a TIÇ x a t IFJ ç u -
aixfj, àXX' o u npcoTT). õaa 8' èyxeipoõai Xeyóvxcov xivèç
Tuepi xfjç àXTjôeiaç ov xpórcov 8eî àTroSèxtarôai, Si' à7iai-
Seuaíav TCÚV à v a X u x i x õ ü v xoüxo Spcõaiv 8eT y à p Tuepi xoúxcov
5 íjxeiv itpoerciaxa[iévouç àXkà [xfi à x o ú o v x a ç íjixeív. — ÖXI [ièv
o u v TOÕ qnXoaó<pou, x a i TOÜ i r e p i T r a a r ) ; x r j ç o ú a í a ç Gecopoüvxoç
í ité^uxev, xai rcepi xcõv auXXoyLoxixã>v àpyúv èaxtv im-
axèc|)aa9ai, SfjXov 7upoafjxei 8è xòv |iàXiaxa yvcopíÇovxa
7uepi bcaaxov yèvoç ex&iv Xèyeiv xàç pepaioxáxaç àpxàç
io xoü Ttpáyjiaxoç, coaxe xai xòv Tuepi xcõv övxcov § õvxa xàç
irávxcov pepaioxáxaç. eaxi 8' oúxoç ò <ptXóaoçoç. ßeßaio-
xáxri 8' àpx^l rcaacõv nepi T[v Sia^euaôfjvai àSúvaxov-
yvci>pi|iCi>xáx7iv xe yàp àvayxaîov eivai xfiv xoiaúx7]v (ícept
yàp a [if[ yvcopíÇouaiv àrcaxcõvxai uàvxeç) xai àvuTtóÔexov.
15 í^v y à p à v a y x a î o v lxEtv T ® v ú x i o ü v Ç u v i è v x a xcõv õ v x c o v , xoüxo
oùx úiróOeaiç- o Sè yvcopíÇeiv àvayxaîov xcõ òxioüv yvcopí-
Çovxi, xai T^XEIV Íyovxa àvayxaîov. Sxi [ièv oúv ßeßaioxäxT]
f] xoiaúxT] iraacõv àpxh, SfjÀov- xiç 8' èaxiv auxri, [iexà
xaüxa Xéyco[iev. xò yàp aúxò a[ia úitàpXÊiv xe xai [if]
METAFÍSICA, r 3, 1 0 0 5 o 2 9 - h 19 1^3

Por isso, nenliuixi dos q u e se l i m i t a m à i n v e s t i g a ç ã o dc


u m a p a r t e d o ser se p r e o c u p a e m dizer a l g o s o b r e os a x i o m a s , 30
se são v e r d a d e i r o s ou n ã o : n e m o g e ô m e t r a , n e m o m a t e m á t i -
co. E c e r t o q u e a l g u n s f i l ó s o f o s f a l a r a m d e l e s , c por b o a s ra-
z o e s , pois sc c o n s i d e r a v a m os ú n i c o s a i n v e s t i g a r toda a reali-
d a d e c o ser 4 .
Por o u t r o lado, d a d o q u e existe algo q u e está a c i m a do físico
(dc fato, a n a t u r e z a é a p e n a s u m g ê n e r o d e s e r ) , ao q u e e s t u d a
D universal e a s u b s t â n c i a p r i m e i r a c a b e r á t a m b é m o e s t u d o dos 35
a x i o m a s . A física é, s e m dúvida, u m a s a p i ê n c i a , m a s n ã o é a pri- ioo5v
iiicira s a p i ê n c i a 3 .
Q u a n t o às t e n t a t i v a s feitas por alguns dos q u e t r a t a m da
verdade de d e t e r m i n a r as c o n d i ç õ e s sob as quais se deve a c o l h e r
algo c o m o verdade, é preciso dizer q u e elas n a s c e m da ignorância
dos Analíticos; por isso i m p õ c - s c q u e m e u s o u v i n t e s t e n h a m u m
c o n h e c i m e n t o p r e l i m i n a r do c o n t e ú d o dos Analíticos, c que não
o b u s q u e m s i m u l t a n e a m e n t e a estas l i ç õ e s 6 .
P o r t a n t o , é e v i d e n t e que a tarefa do filósofo c d c q u e m 5
e s p e c u l a s o b r e a t o t a l i d a d e da s u b s t â n c i a c sobre sua n a t u r e -
za'. c o n s i s t e e m investigar t a m b é m os p r i n c í p i o s dos s i l o g i s m o s .
Km q u a l q u e r g ê n e r o dc coisas, q u e m possui o c o n h e c i m e n t o
mais e l e v a d o deve ser c a p a z de dizer q u a i s são os p r i n c í p i o s mais
seguros d o o b j e t o sobre o qual investiga; por c o n s e q ü ê n c i a , q u e m io
possui o c o n h e c i m e n t o dos seres e n q u a n t o seres deve p o d e r dizer
quais são os p r i n c í p i o s m a i s seguros d c t o d o s os seres. E s t e é
o liló.sofo'\ E o p r i n c í p i o m a i s seguro d c t o d o s é a q u e l e sobre o
qual é impossível errar: esse p r i n c í p i o deve ser o mais c o n h e c i -
di I (de fato, t o d o s e r r a m sobre as coisas q u e n ã o são c o n h e c i d a s }
e deve ser u m p r i n c í p i o n ã o h i p o t é t i c o . C o m e f e i t o , o p r i n c í p i o
q u e d e v e n e c e s s a r i a m e n t e ser p o s s u í d o por q u e m q u e r c o n h c - 15
cri q u a l q u e r c o i s a n ã o p o d e ser u m a pura h i p ó t e s e , e o q u e de-
ve c o n h e c e r n e c e s s a r i a m e n t e q u e m queira c o n h c c c r q u a l q u e r
coisa já d e v e ser p o s s u í d o a n t e s q u e se a p r e n d a q u a l q u e r c o i -
sa. E e v i d e n t e , p o r t a n t o , q u e e s s e p r i n c í p i o é o m a i s seguro
<lc lodos''.

D e p o i s do q u e foi d i t o , d e v e m o s d e f i n i r esse p r i n c í p i o . È :

impossível q u e a m e s m a coisa, a o m e s m o t e m p o , p e r t e n ç a e n ã o
U4 TßNMETATAffiYZIKAr

ao w t à p x e t v àSùvaxov xcõ aôxcõ xai xaxà xò aòxó (xai Saa


âXXa itpoaSiopiaa£|i,t0' àv, ïaxco íipoaSicopta|iéva Jupòç "xocç
Xoytxàç Suaxepeíaç)' a öx7i Si) naaõõv iaxl ßtßaioxäxri xcõv
àpXWV ?xei T^P tòv típTjixévov Siopiajióv. àSùvaxov yàp
óvrivoõv xaúxòv CiroXajJißäveiv eivai xai [li] eivai, xa0áítep
a xivlí ofovxai Xíyetv 'HpáxXtixov. oúx íaxi yàp àvayxaTov,
À TIÇ Xéyei, xaûxa xai UTtoXafißäveiv el Si (IÍJ ivSáxe-
xai àjjia lÎTcàpxnv xcõ aùxw xàvavxía (upoaSicopíaflco S'
fl(jtîv xai xauxT] xfl Trpoxàaei xà eícoôóxa), ivavxía S' iaxl
SóÇa SóÇfl fj xrjç àvxiçáaecoç, «pavepòv öxi àSùvaxov &|xa
)o inoXa|J.ßäveiv xòv aòxòv eivai xai fi9) eivai xò auxó1 ãjia
yàp av ?x o t T ®í ivavxCaç SóÇaç ó Sie<J>eua|jtévoç nepi xoú-
xou. Siò íuàvxtç oí àitoSeixvúvxeç eiç xaúxriv àvàyouaiv
iaxáxTjv SóÇav «póaei yàp àpx^l xai xcõv àXXcov àÇtco-
[láxcúv auxT) î ï à v x c o v .

35 Eiai Si xiveç ol', xaSàjuep efeojiev, aúxoí Te Ivhlyt- 4


1006« o8a£ <paai xò aúxò eivai xai |xi] eivai, xai unoXajjißä-
veiv OUTCOÇ. xpwvxai Si xcõ Xóyco xoúxco ítoXXol xai xcõv
Tttpl fúaecúç. t][i.eîç Si vüv eiX^çapev côç áSuvàxou Ôvxoç
Sjxa eivai xai |ii| e i v a i , xai Sià TOÚXOU èSeíÇajiev öxi ße-
5 patoxáxri aiîx7i xcõv àpxtõv rcaocov. àÇioõat SVi xat xoüxo
àitoSeixvúvat xiviç St* ànaiSeuaíav taxi yàp àrcatSeuaía
TÒ (xí) y i y v c ó a x e i v xívcov Sei Çrjxtív ànóSeiÇiv xai xívcov oú
Stî- SXcoç [xiv yàp àiràvxcov àSùvaxov àítóSeiÇiv eivai (eiç
àjuttpov yàp Sv ßaSi^oi, <oaxe piS* oôxcoç eivai àícóSeiÇiv),
io eí Si xívcov |i.f| S e i Çr)xeív àítóSeiÇiv, xtva àÇioüoiv eivai
(zãXXov xoiaÚTT)v àpx^v ot>x S v ïx o i t v ïaxt S' àíto-
I METAFÍSICA, T 3 , 1 0 0 5 b 2 Q - 1 0 0 6 O 1 I j U5

pertença a u m a m e s m a coisa, s e g u n d o o m e s m o aspecto 1 " (e acres-


r c n t c m - s c t a m b é m todas as outras d e t e r m i n a ç õ e s q u e se possam 20
a c r e s c e n t a r para evitar dificuldades de índole d i a l é t i c a ) " . E s t e é
0 mais seguro dc todos os princípios: dc fato, ele possui as carac-
Icrísticas acima indicadas. E f e t i v a m e n t e , é impossível a q u e m q u e r
q u e seja a c r e d i t a r q u e u m a m e s m a coisa seja c n ã o seja, c o m o ,
s e g u n d o alguns, teria dito Heráclito 1 2 . C o m efeito, n ã o é preciso
a d m i t i r c o m o verdade t u d o o q u e ele diz 1 '. E s c n ã o é possível q u e 25
os contrários Subsistam j u n t o s no m e s m o s u j e i t o {e a c r c s c c n t e - s c
.1 cs.sa premissa as c o s t u m e i r a s e x p l i c a ç õ e s ) 1 4 , e se u m a opinião
q u e está c m c o n t r a d i ç ã o c o m outra é o contrário dela, é eviden- •
l e n i e n t e impossível q u e , ao m e s m o t e m p o , a m e s m a pessoa admita
v c i d a d e i r a m e n t e q u e a m e s m a coisa exista c n ã o exista. Q u e m sc 30
enganasse sobre esse p o n t o teria a o m e s m o t e m p o opiniões c o n - ,
li adit ('irias 1 '. Portanto, todos os q u e d e m o n s t r a m a l g u m a coisa re-
mei c m - s e a essa n o ç ã o ú l t i m a porque, por sua natureza, c o n s t i t u i
H princípio d c todos os outros a x i o m a s .

I. j Demonstração do princípio de não-con tradição por via


r/c refutaçãoj1

1 lá alguns 2 , c o m o d i s s e m o s ' , q u e a f i r m a m q u e a m e s m a coisa ' 35


pude ser c n ã o ser, e q u e se p o d e pensar desse m o d o 4 . M u i t o s 1006-
lilnsolos naturalistas t a m b é m r a c i o c i n a m desse m o d o ' . Nós, a o
i. iinlrário, e s t a b e l e c e m o s q u e é impossível q u e u m a coisa, ao
mcMiio t e m p o , seja c n ã o seja; c, b a s e a d o s nessa impossibilidade,
n u i s l r a m o s q u e esse é o m a i s seguro dc todos os princípios". 5
( ).ra, alguns c o n s i d e r a m , por ignorância, q u e t a m b é m esse
Ihuieípio deva ser d e m o n s t r a d o " . C o n s t i t u í ignorância o fato dc
o.10 s a b e r d e q u e coisas se d e v e b u s c a r u m a d e m o n s t r a ç ã o c
< Ir q u e coisas, ao contrário, n ã o se deve. E impossível q u e exista d c -
m o u s ! ração de tudo: nesse caso ir-se-ia ao i n f i n i t o e, c o n s e q ü e n -
I c i n c n l c , n ã o haveria n e n h u m a d e m o n s t r a ç ã o * . S e , p o r t a n t o , d c
aljMimas coisas n ã o se deve b u s c a r u m a d e m o n s t r a ç ã o , aqueles io
1 c i l a i u e n t c n ã o poderiam indicar o u t r o princípio q u e , mais do
q u e este, n ã o t e n h a n e c e s s i d a d e de d e m o n s t r a ç ã o .
TON META TA F Y Ï I K A T

SETÇOCI èXeyxTixojç xai uepi TOUTOU ÖTI àoúvatov, âv [jióvov


TI Xéyrj Ó ÀJJLÇTAPIYUCÃV âv 8è JX7)Ôév, yeXoTov TÒ ÇRJTEÍV
Xóyov rrpòç TÒV (JLT}ÔE.VÒÇ ï'/pvza Xóyov, FI (JLÍ) zytv ôfjioioç
ií yàp (PUTTÕ ó TOIOÕTOÇ r j TOIOÜTOÇ í j 8 r | . T Ò 8 ' èXeyxTixwç àrco-
8eTÇai X£y<«> 8ia<pépeiv xai TÒ àrcoBelfai, ÔTI àroBei-
XVÚÍOV (xèv âv òó^etev aÍTeíaOai TÒ iv àpx^, âXXou 8è TOO
TOIOÚTOU a W o u ÒVTOÇ e X e y x o ç â v elV] x a i o ò x à 7 r ó 8 e i ! ; i ç . àpx*)
8è rcpòç ârcavra Ta TOiaüta où TÒ àíjioüv rç eivai TI Xéyeiv
20 ri [JL^I eTvai (TOÜTO [xèv yàp Táx* âv TIÇ üuoXdßoi TÒ 1%
âpx^Ç aiTtîv), àXXà arpaíveiv y£ TI xai aÚTw xaí ãXXco'
TOÜTO yàp àváyxr), etjtep Xéyoi TI. ef yàp [IR), oòx âv
£IT) TW TOIOUTCÚ XÓyOÇ, OtjV aÙtcS TCpÒÇ atJTOV OUTe 7cpòç
aXXov. âv Sé TIÇ TOÜTO 8I8C5, earai àiró8et|iç- r^Br} yáp TI
2j ecrcai d)pic(Jiévov. àXX' aírioç oùx ó àrcoSeixvùç àXX' ó úito-
(jiévGJV ávaipõiv yàp Xóyov úuonévei Xóyov. ext Sè ó TOÜTO
AUYXTÛPRJAAÇ auyxexwprçxé TL àXï]0èç eivai àiroSet-

Sjetóç [ a S a r e o ù x â v í r ã v o i k w ç x a í o ù x OÍJTCOÇ E X ° J - -TTP&TOV


[xèv oúv SrjXov <I)Ç TOÜTO y' aÚTÒ àXï]0éç, ÔTI a7i(jiaCvei TE
JO ò'vo(i.a T Ò e i v a i F| (j.rj e i v a i T O S Í , ciar' oùx âv nãv OUTWÇ xai
o ù x OÙ'TÎOÇ e ' x o i ' eTi e i T Ò â v G p w j r o ç enraivei ev, lorœ TOÜTO
TÒ Çcõov Shuouv. Xéyco 8e TÒ ev aritiaíveiv TOÜTO' tl TOUT'
£<JTIV ÀV9PGJ7ROÇ, âv § TI âvBpwjtoç, TOÜT' earai TÒ àv9pwjtco
eTvai (Btaçépei 8' oùÔèv où8' eí 7rXeía> TIÇ çaíif] crrifjiafvetv
loos'- [xóvov 8è á)pio(ji£va, Teôeiï] yàp âv èç' áxácnco Xóyco
M-TAHiSiCA, T 4 . ICOÓo 12 - b 1 | U7

T o d a v i a , t a m b é m para esse princípio, p o d c - s c d e m o n s t r a r ,


por via de r e f u t a ç ã o , a i m p o s s i b i l i d a d e e m palavra''desde q u e o
adversário diga algo. S c o adversário n ã o diz n a d a , e n t ã o c ridí-
culo lnisear u m a a r g u m e n t a ç ã o para opor a q u e m n ã o diz n a d a ,
j u s t a m e n t e e n q u a n t o n ã o diz n a d a : ele, r i g o r o s a m e n t e falando,
seria s e m e l h a n t e a u m a planta. E a d i f e r e n ç a e n t r e a d e m o n s t r a - 15
ç j o juor r e f u t a ç ã o e a d e m o n s t r a ç ã o p r o p r i a m e n t e dita c o n s i s t e
c m q u e se a l g u é m q u i s e s s e d e m o n s t r a r , cairia c l a r a m e n t e n u m a
p e t i ç ã o de princípio; ao c o n t r á r i o , se a causa da d e m o n s t r a ç ã o
los se u m a a f i r m a ç ã o de outro, e n t ã o t e r í a m o s r e f u t a ç ã o e n ã o d e -
m o n s ! ração 1 ". O p o n t o dc partida, c m t o d o s esses casos, n ã o
roii.sislc c m exigir q u e o adversário diga que algo é ou q u e não é
(i le, de fato, poderia logo o b j e t a r q u e isso já é a d m i t i r o q u e se 20

qui a provar ) 1 1 , m a s q u e diga algo e q u e t e n h a u m significado pa-


ia d e e para os o u t r o s ; e isso é n e c e s s á r i o se ele p r e t e n d e dizer
al;',o. S e n ã o fizesse isso. ele n ã o poderia de a l g u m m o d o diseor-
II I. u e m c o n s i g o m e s m o n e m c o m os o u t r o s ; m a s se o adversá-
iio < o n c c d c isso, e n t ã o será possível u m a d e m o n s t r a ç ã o 1 2 . De
l.iln, nesse c a s o já haverá algo d e t e r m i n a d o . K n ã o r e s p o n d e r á 25
pcl.i p e t i ç ã o dc p r i n c í p i o q u e m d e m o n s t r a , m a s q u e m provoca
,i d e m o n s t r a ç ã o : c o m e f e i t o , ele se vale de u m r a c i o c í n i o j u s t a -
m e n t e para destruir o r a c i o c í n i o . A d e m a i s , q u e m c o n c e d e u isso,

• iHiivdcu q u e e x i s t e algo verdadeiro i n d e p e n d e n t e m e n t e cia


dl I i i o u s t r a ç ã o H ,
(1} K m p r i m e i r o lugar 1 ', (a) c e v i d e n t e m e n t e verdade q u e
pelo m e n o s os t e r m o s " s e r " c " n ã o - s c r " t ê m u m signifi- 30
cado determinado; c o n s e q ü e n t e m e n t e , n e m tudo pode
ser desse m o d o e, a o m e s m o t e m p o , n ã o ser desse m o d o .
(h) A d e m a i s , s u p o n h a m o s q u e " h o m e m " só t e n h a u m signi-
I k .ido, e e s t a b e l e ç a m o s q u e seja " a n i m a l bípcclc E afirmando
q u e só l e n i u m s i g n i f i c a d o p r e t e n d o dizer o s e g u i n t e : se o t e r m o
I e m " significa isso q u e se disse, t o d a vez q u e h a j a algo q u e
I.. h o m e m , esse algo deverá ser o q u e se a f i r m o u c o m o a e s s e n -
• i.i do h o m e m ' 6 ,
(l\ se o adversário o b j e t a q u e u m a palavra t e m m u i t o s signi-
lh ados, isso n ã o t e m i m p o r t â n c i a , d e s d e q u e os s i g n i f i c a d o s sc-
I nu l i m i t a d o s ; dc fato, bastará d e s i g n a r cada um desses d i f e r e n - 1006:'
U8 I TON META TA OYÏ1KA r

Srepov Svofia- Xiyco 8' olov, ei |xí| ç a C r ] TÒ ãvOpomoí Êv


OT)|jia(veiv, 7toXXà Si, <£v ívòç (xèv elç Xóyoç TÒ Çtõov 8£-
ÎÏOUV, elev 8è x a i litpoi îïXeiouç, copia|xévoi 8è TÒV ápi0(AÓv
j TeÔeÍT] yàp âv íSiov õvojxa xaG' êxaarov xòv Xóyov- et 8è
\ir\ [TeÔeCrJ, à X X ' foreipa orjixaívetv ç a t r ) , çavepòv íkf oùx âv
EÏrj Xóyoç* TÒ y à p (J,f| ev arpaíveiv oò0lv arjfiaívetv èorív,
jjL^I a r i i i a t v ó v T t o v 8è TÓJV ò v o | i á x < o v àvfiprjTai TÒ 8iaX£yea0ai
rtpò; àXXVjXooç, xaxà 81 rf[V <£Xr|6eiav xai ítpòç auTÓv
10 o ù 0 è v yàp èvSéxerai votTv [jiíj voouvxa £v, el 8' £v8£xet«i,
xeGetr) â v 5 v o [ j i a x o ú x c o t û 7ípáy(xaTt ï v ) . — ecrcw 8 r j , w<ntep
iXéx071 xaT' àpxáç, arpaívóv TI TÒ õvopia xai cnrifiaïvov
i ' v o ù 8 í j è v S é x ^ a i T Ò à v Ô p c í m a ) e i v a i o ^ i x a í v e i v örcep à v Ô p a j j w ú
(jl-^i eivai, ei TÒ àvÔpamoç ar^iaívei [a^i |ióvov xa6' évòç
15 à X X à xal ïv (où yàp TOÚTO àÇioõjxev -cò iv aTi(ia(veiv,
TÒ x a 9 ' Ivóç, èrcei oîÎTto ye xâv TÒ (Jiooaixòv xai TÒ Xeuxòv
xai TÒ ãvOptúXoç ev £<rfyj.aivev, (Scrrt ev &mxvra ?arar
auvíóvujia yáp). xai oòx krtai eivai xai fxí] eivai TÒ atkò
àXX' ^ xaÔ' ó|jia)vu(xtav, &mtp âv ei ov íi|xeíç &v6pcoicov
20 x a X o õ | x e v , &XX01 |if| fivÔptorcov xaXoítv TÒ 8' dwiopoüfievov
o u TOÕTÓ iariv, tl êvSéxsTai TÒ aÚTÒ S|ia eivai x a i [ií| eivai
àvôpíürtov TÒ ßvojxa, àXXà TÒ npãypia. ei 8È |ií) ATJ(ia£-
vti ?Tepov TÒ av6poj7ioç xai T Ò | Í Í ) ãvGpcoTioç, 8fíXov 8TI xai
TÒ |AÍ) e i v a i à v 0 p á ) U Í O T O 5 e i v a i à v Ô p t í m c o , wor' e a r a i TÒ àv-
METAFÍSICA, T 4 , 1006 b 2 • 24 149

tes significados c o m uma palavra diferente. D o u um exemplo:


s u p o n h a m o s que o adversário não admitisse que " h o m e m " te-
nha só um significado, e sustentasse que t e m m u i t o s , e q u e a
definição " a n i m a l b í p e d e " representa apenas u m desses signifi-
cados. Pois b e m , c o n c e d a m o s q u e existem muitas outras defini-
ções de " h o m e m " , m e s m o que limitadas e m número, pois a cada 5
unia dessas definições podcr-sc-á dar um n o m e próprio. M a s sc
• i adversário não admitisse isso e dissesse que as palavras t ê m
infinitos significados, c evidente q u e não mais seria possível ne-
nhum discurso. C o m efeito, não ter um significado d e t e r m i n a -
do equivale a não ter n e n h u m significado; e se as palavras não
leni n e n h u m significado, tornam-se impossíveis o discurso e a
c o n u i u i c a ç ã o recíproca c, na verdade, ate m e s m o um discurso
consigo m e s m o . D e fato, não sc pode pensar nada se não se pensa
algo d e t e r m i n a d o ; mas se é impossível pensar algo, e n t ã o pode- jo
se l a m b e m dar um n o m e preciso a esse d e t e r m i n a d o o b j e t o q u e
é pensado) 1 7 .

f i q u e , portanto, estabelecido, c o m o dissemos 110 início, que


0 n o m e e x p r i m e u m e só u m significado determinado.
(c) Posto isso, não é possível que a essência dc h o m e m signi-
1 h111< .1 m e s m a coisa q u e o q u e não é essência de h o m e m , aclmi-
I uli i, e v i d e n t e m e n t e , q u e " h o m e m " signifique não só o a t r i b u t o
de d e t e r m i n a d a coisa, mas d e t e r m i n a d a coisa. C o m efeito, nós
11.111 consideramos que "significar d e t e r m i n a d a coisa" seja o mes- 15

um q u e "significar o a t r i b u t o de d e t e r m i n a d a coisa", pois desse


mudo " m ú s i c o " , " b r a n c o " e " h o m e m " significariam a m e s m a
i o i s a e, c o n s e q ü e n t e m e n t e , todas as coisas se reduziriam a uma
so, porque teriam todas o m e s m o significado 1 *. F, t a m b é m não
SÍT.I possível que a m e s m a coisa seja c não seja h o m e m , a não ser
piii puro equívoco: c o m o se, digamos, aquilo que designamos
"In u n e m " , outros o d e n o m i n a s s e m " n ã o - h o m e m " . Mas o proble- 20
UM que nos o c u p a não é se é possível que a m e s m a coisa seja ou
11.10 seja h o m e m q u a n t o ao n o m e , mas q u a n t o à coisa m e s m a .
< >1.1, se não significassem coisas diferentes o " h o m e m " e o " n ã o -
liiiiiicni", é evidente q u e t a m b é m a " e s s ê n c i a de h o m e m " não
M lia d i l c r e n t e da " e s s ê n c i a de n ã o - h o m e m " e, c o n s e q ü e n t e -
meule, a "essência de h o m e m " seria a "essência de n ã o - h o m e m " ,
150 I TCÎN META TA ®VIIKA r

25 ÔptóíKO EÍVOCL p i ) àvÛpwTtti) eivar Ev yàp é'axat. xoûxo yàp


arjpaivei xò eivai ev, xò á>ç X t ó i u i o v x a i ípáxiov, ei ó Xóyoç
eiç- eî Sè êaxat ev, ev ar)paveí xò àvGptoTtco eïvai xai pi)
àvôptÓTKp. àXX' èSéSeixxo Õxi exepov ar)pa£vei. àvàyxrj xoí-
vuv, ei x£ èaxiv àXr)0èç EÍTXEÍV Ò'XI ã v 0 p t o 7 t o ç , Çaiov etvai 8í-
30 iuouv (xoüxo yàp íjv o èaí)paive xò àvôpcúixoç)' ei 8 ' àvàyxr)
xoüxo, oúx èvSéxexai [JLTI e i v a i (xóxe) xò aúxò Çwov SÍTXOUV
(XOÜXO y à p e n r a i v e i x ò à v à y x r ) e i v a i , x ò à S ù v a x o v e ï v a i p i ) e t v a i
[àvôpcoTxov]) • o ò x àpa èvSéxexai Spa àXr)0èç eivai eiTtetv xò
aúxò fiv0pcúJrov eivai xai pi) eivai ãv0pco7tov. ó 8' aúxòç
1007* Xóyoç xai èici xoü pi] eïvai avGptOTtov xò yàp àvÛpomw
eivai xai xò pi) àv0ptóíKj) eivai ëxepov aTpaivei, eiTtep xai
xò Xeuxòv eivai xai xò ãvOptoitov eivai exepov TXOXÒ yàp
àvxíxeixai èxeívo pãXXov, &axe arçpaíveiv exepov. ei 8è xai
5 xò Xeuxòv <pr)aei xò aúxò xai ev ar)pa£veiv, íxàXiv xò aúxò
è p o ü p e v o j t e p x a i í x p ó x e p o v è X é x 0 T ) , ô x i ev i r à v x a è ' a x a i x a i oú
póvov xà àvxixetpeva. ei Sè pi) èvSéxexai xoüxo, aupßai-
vei xò XexOév, âv àjroxpívr)xai xò èptoxcopevov. èàv 8è
7ipoaxi0f) èptoxtõvxoç áTtXõüç xai xà; àrcoqjáaeiç, oúx àixoxpí-
io vexai xò èptoxtópevov. oúGèv yàp xtoXúei eivai xò aúxò xai
âv0pco?rav xai Xeuxòv xai âXXa pupía xò ixXfjOoç* àXX'
opwç èpopévou et à X r ) 0 è ç eirceïv ãvGpamov xoüxo etvai fj ou,
àíxoxpixéov xò êv oTQpaîvov xai oú TxpoaOexéov oxi xai Xeu-
xòv xai péya. xai yàp àSùvaxov âíxeipà y' õvxa xà
is aupßeßr)x0xa 8ieX0etv f| ouv âraxvxa 8ieX0éxw í) pr)0év.
ópoítoç xoívuv ei xai pupiàxtç èaxt xò aúxò ãv0pw7xoç xai
o ú x âv0p(o7xoç, oú 7ipoaa7toxptxéov xco è p o p i v c p ei ë a x t v âvGpco-
TTOç, oxi èaxiv ãpa xai oúx âv0p(ô7xoç, ei pi) xai xâXXa
Õaa aupßeßrjxe îipoaaîtoxpixèov, õaa èaxiv í) pi) èaxiv èàv
METAFÍSICA, M , l00ób!5-1C07al9
I

porque seria uma coisa só (ser uma coisa só significa, por e x e m - 25

pio, o seguinte: ser c o m o " t ú n i c a " c " v e s t e " , isto c, ter unia única
il< linicão); e se fossem uma coisa só, a "essência de h o m e m " e
,i " e s s ê n c i a de n ã o - h o m e m " significariam u m a coisa só. Mas
demonstramos que significam coisas diferentes. Portanto, se exis-
le algo do qual se pode dizer v e r d a d e i r a m e n t e que c " h o m e m " ,
e necessário que esse algo seja "animal b í p e d e " (de fato, e s t a b e - 30
l e r e m o s q u e esse era o significado dc h o m e m ) ; c se isso c n e c e s -
sário, n ã o é possível q u e esse algo não seja a n i m a l b í p e d e ( c o m
eleilo, n e c e s s á r i o significa não poder não ser). Portanto, não c
possível q u e seja verdade, ao m e s m o t e m p o , dizer dc algo q u e
"c h o m e m " c q u e " n ã o c h o m e m " 1 1 ' .
(d) O m e s m o raciocínio vale t a m b é m para o "não-scr-ho- I007
m e m " " . A essência dc h o m e m c a dc n ã o - h o m e m significam
2

coisas diferentes, assim c o m o ser b r a n c o c ser h o m e m signifi-


cam duas coisas diferentes; c o m efeito, os dois primeiros termos
s.io m u i t o mais opostos entre si do q u e os outros dois, c c o m
muito mais razão significam coisas diferentes. I1'. se o adversário
objetasse q u e o b r a n c o c o h o m e m significam uma só c m e s m a 5
coisa, voltaríamos a dizer o q u e dissemos a c i m a , ou seja, que
Iodas as coisas c não só as opostas sc reduziriam a uma só. Mas
se isso é impossível, segue-se o q u e dissemos, desde que o adver-
sário responda ao q u e se lhe pergunta. Mas se a uma pergunta
simples ele responde a c r e s c e n t a n d o t a m b é m as negações, e n t ã o
não responde de m o d o p e r t i n e n t e ao que se lhe pergunta. Nada 10

i 111 pode q u e a m e s m a coisa seja h o m e m c b r a n c o e mil outras


coisas. Todavia, se lhe perguntamos se é verdade dizer q u e essa
coisa é h o m e m ou não, deve dar uma resposta q u e signifique
uma única coisa, c não deve acrescentar, por exemplo, q u e o
h o m e m c t a m b é m branco c grande. D c fato, é impossível e n u m e -
i.ii todos os acidentes, porque eles são infinitos. Então, ou se 15

e n u m e r a m todos ou n e n h u m . D e m o d o s e m e l h a n t e , portanto,
se a m e s m a coisa c h o m e m e mil outras coisas diferentes de ho-
m e m , aquele a q u e m sc pergunta se algo d e t e r m i n a d o é h o m e m ,
não deve responder que é h o m e m e t a m b é m n ã o - h o m e m ; a
menos que, respondendo desse modo, acrescente todos os outros
T Î Ï N M E T A T A <PY>:IKA T METAFiSICA, r í, 1 007 a20 • b I 1 I 53

20 S i x o ü x o n o i f j , o ù 8 i a X é y e x a t . — S X c o ; S ' à v a i p o ü a i v oí x o ü x o X i - acidentes: todos os q u e possui e todos os q u e não possui. Mas se 20

yovxe< oúaíav xat xò xí íjv eivai, rcávxa yàp àvàyxr] aup- faz isso, não pode mais d i s c u t i r .1

ßeßrjxivai çàaxeiv aúxoí;, xai xò Srcep àvGpcÓ7rcú eivai f) (2) E m geral, os que raciocinam desse m o d o suprimem a subs-
Çcõco eivai eivai. e£ y à p eaxat xi örcep àvGpcóiKú eivai, tância c a essência das coisas 22 . D c fato, eles devem neces-
xoüxo oúx êaxat pr| àvGpcùrccù eivai fj pr| eivai àvGpcõrccp sariamente afirmar que tudo é acidente e que não existe
a essência do h o m e m ou a essência do animal. Se existisse
2í (xaíxoi aúxai ànoçàaei; xoúxou)* êv yàp íjv 8 èa-ripaive,
uma essência do h o m e m , esta não poderia ser nem a essên-
xai fjv xoõxó xtvoç oúaía. xò 8' oúaíav aTjpaíveiv èaxiv
cia dc não-homem nem a não-cssência de h o m e m (embora
öxi oúx ãXXo xí xò eivai aúxtõ. et 8' eaxai aúxco xò
essas sejam as negações da essência de h o m e m ) 2 3 ; dc fato, 25
ÖTiep àvGpcoTUco eivai Snep pr| àvGpcójtco eivai ¥| 8nep
tínhamos estabelecido que um só devia ser o significado c
(Jtíl eivai àvGpcímco, àXXo fíaxai, wax' àvayxàïov aúxotç
que este deveria exprimir a substância da coisa 2 4 . E a subs- •
JO X é y e i v Sxi oúGevòç ëaxai xoioüxoç Xóyoç, àXXà nàvxa tância de uma coisa significa que a essência dela não pode
xaxà au|xßeßrix0<;- xoúxcj) yàp Sicoptaxai oúaía xai xò aup- ser diferente. Sc, ao contrario, a essência do h o m e m pudes-
ßeßr)x6i' xò yàp Xeuxòv xcõ àvôpcímcú aupßißrjxev öxi sc ser também a essência dc não-homem ou a não-cssência
êaxi (jtiv Xeuxòç àXX' oúx Xeuxòv. et 8i nàvxa xaxà dc h o m e m , então seria t a m b é m diferente daquilo que se •
aupßeßrpc0; Xiyexai, oúGiv eaxat npcõxov xò xa9' oú, et àei estabeleceu c, c o n s e q ü e n t e m e n t e , os que sustentam isso ,
35 x ò aujJtßeßrix0( xaö' uitoxetpivou xivò; 07)(xaívet xi|v xaxrj- deveriam sustentar, necessariamente, que não é possível . 30
1007b yopíav. àvàyxrj fipa ei; àiceipov tévai. àXX' àSùvaxov- oúSè definir a essência dc qualquer coisa e que tudo existe como
yàp jiXeícú aup7uXéxexai Suoív* xò yàp aupßeßrjxö; oú acidente. D e fato, nisso se distinguem a substância c o aci- .
dente: o "branco" c acidente do " h o m e m " , enquanto o h o- |
aupßeßrpcöxi oupßeßrpcö;, ei (xrj öxi ãpçco aupßißrpce
m e m é branco, mas não o é por sua natureza 2 '. Mas se todas '
xaúxcõ, Xéyco 8' olov xò Xeuxòv pouatxòv xai xoüxo Xeuxòv
as coisas são ditas c o m o acidentes, não poderá haver nada
s öxi àpçco xcõ àvGpcóítco aupßißrpeev. àXX' oúx ò Seoxpà-
que sirva clc sujeito dos acidentes, enquanto o acidente ex-
xrjç pouaixò; oíSxcoç, 8xt ãpçco aupßißrjxev èxèpco xiví. ènei
prime sempre um predicado dc algum sujeito. Então, nc- 35
xoívuv xà pèv ouxco; xà 8' ixeívco; Xiyexai aupßeßr]x0xa,
eessariamente, vai-sc ao infinito. Mas isso é impossível, 1007"
Soa oííxcoç X i y e x a i cóç x ò X e u x ò v xã> S c o x p à x e i , oúx ivSix^- porque não se pode predicar mais do que dois acidentes um
xai àjteipa eivai ini xò àvco, olov xcõ S c o x p á x e t xcõ Xeuxcõ do outro. D c fato, (a) o acidente não pode ser acidente dc
io ïxepôv xi aupßeßrpctS;- oú yàp yíyvexaí xi êv iÇ ànàvxcov. um acidente, a menos que um c outro sejam acidentes
oúSi S i ) xcõ X e u x c õ ï x e p ô v x i e a x a i au(Jtßeßr)x0;, olov xò pou- da mesma coisa: por exemplo, o branco é músico e o músico
é branco, enquanto um e outro são acidentes do h o m e m ,
(b) Ao contrário, não é desse modo que músico é acidente 5
de Sócrates: não é no sentido de que um e outro sejam
acidentes de outra coisa. Ora, porque alguns acidentes são
ditos no primeiro sentido e outros no segundo, os que são di-
tos (b) no sentido de que branco se diz de Sócrates não
podem constituir uma série infinita dc predicados: por
exemplo, a Sóerates-branco não se pode acrescentar outro
acidente, porque não sc gera algo uno do conjunto de todos
os predicados 2 6 E tampouco, (a) no primeiro sentido, ao 10
TÍJNMETA TAOYZIKA T

atxóv oúBév TE yàp [xãXXov TOÜTO ixeívco èxEÎvo TOÚTCO


AU[xߣßr|XEV, xai à|xa Sicópiarai 8TI TO |xèv OÍÍTOJ AU;xߣ-
ßrixe TO 8' cóç TÒ [xouatxòv ScoxpáTEf Saa 8' OUTCOÇ, OÙ
is au[i.ß6ßr]x0Tt oufxßißrixE au[xßeßrv>^, àXX' öaa èxeivcoç,
wert' où icávra xará AU|J.ßeßr]x0i XexÔ^AETAI. earai
apa TI xai wç oùaiav AT)[xaivov. ei 8è TOÜTO, SÍSEIXTOI ÖTI
àSúvaTov &[xa xaTTjyopetoOai TOCÇ à v T t c p á a e i ç . — eTt ei àXï)-
0eïç ai àvTKpáaEtç ä[xa xará TOÜ aÚToü Jtãaai, SfjXov cóç
20 SrcavTa earat ev. eaxai yàp TÒ aÚTÒ x a i Tpiif|pT)ç xai TOÍ-
Xoç xai ãvOpcoitoç, ei xará jtavtóç TI fj xaxacprjaai fj
à7uocpfjaai ivhiytx<xi, xa0áiuep àváyxrj TOÍÇ TÒV IIpcoTO-
yópou X£y0i>0L Xóyov. ei yàp TÜ> Soxet [xf) eivai TpuíjpT]ç ó
àvÔpcojtoç, 8 r j X o v cóç o ù x è'ari TpLT)pr)ç* ware xai eariv, eíjiep
25 àvTÍ(pa<rtç àXr]0f|ç. xai yiyverai 8T) TÒ TOÜ 'AvaÇayópou,
ô|xoü jiávTO xp^t1^01' ware [xr]0èv àXr)0coç újtápxstv. TÒ
àópiaxov oùv iotxaat Xéyetv, xai oíójxevot TÒ ÔV X é y e i v rcept
TOÜ [xí) OVTOÇ Xéyooatv TÒ yàp 8uvá[xei ôv xai [xf[ ÊVTEXE-
XEÍa TÒ àòpioTÓv èotiv. àXXà [xrjv XEXTÉOV y' aÙTOÏç xará
jo itavTÒç (iravTÒç) rfjv xaxácpaatv f, i f i v à i t ó i p a a i v ÒCTOTIOV yàp
ei Éxáaxco [xèv a ú x o ü àuócpaaiç újuàpÇet, t\ 8 ' irépou 8 [xf)
u T t á p x e i aÙTcô o ù x ò i r á p Ç e r Xéyco 8 ' o l o v ei à X r [ 8 è ç eirceTv TÒV
àvOpamov ÖTI o ù x òtvGpciOTOç, SfjXov STI x a t î j Tptf|pr]Ç RJ o ù
Tptf|pT)ç. e t [xèv ouv TJ x a x à c p a a i ç , àváyxrj xai TÍ)V àjuóçaatv
35 ei 8è [xfj úiuápxei xaxáçaatç, ¥\ ye àrcócpaaiç úiràpÇet
1008' [xãXXov T] ï\ aÚTOü. ei ouv xàxeivr) ónápxet, úrcápçei xai r\
M! lAfisiCA, r a , iço? b 12- leoa o I 155

branco sc poderá acrescentar outro acidcntc, couro, por


exemplo, músico: dc fato, músico não é acidente dc branco,
tanto quanto branco não o é de músico2-1. E, ao mesmo
tempo, explicamos que alguns acidentes (a) são acidentes
nesse sentido, enquanto outros (b) o são no sentido de que
músico c acidcntc dc Sócrates: nesse último sentido, o 15
acidente não é nunca acidente dc um acidente. Só os aci-
dentes tomados no primeiro sentido podem ser acidentes
de um acidcntc. Portanto não será possível dizer que tudo
existe à guisa dc acidcntc. I ogo, deverá baver alguma coisa
que exprima a substância. E, sc c assim, fica provado ser
impossível que os contraditórios se prediquem juntos".
(T) Ademais* 9 , sc relativamente a um mesmo sujeito são verda-
deiras, ao m e s m o tempo, todas as afirmações contraditó-
rias, c evidente que todas as coisas se reduzirão a uma só. 20
Dc fato, serão a mesma coisa um "trirreme" e uma "parede"
e um " h o m e m " , se determinado predicado pode ser tanto
afirmado como negado dc todas as coisas, como são obriga-
dos a admitir os defensores da doutrina de Protágoras''1. De
fato, s e a alguém parece que um " h o m e m " n ã o é um "trir-
reme", é evidente que não é um trirreme; mas tamlxím será
um trirreme a partir do m o m e n t o cm que o contraditório
é verdadeiro. Então todas ás coisas estarão misturadas, co- 25

mo diz Anaxágoras' 1 c, por conseqüência, não poderá verda-


deiramente existir alguma realidade < d c t e n n i n a d a > . Por-
tanto, parccc que esses filósofos falam do indeterminado; e,
acreditando falar do ser, na realidade falam do não-ser,
porque o indeterminado c ser cm potência c não cm ato' 2 .
E na verdade eles são obrigados a admitir que dc toda coisa 30
é possível afirmar ou negar qualquer coisa. Seria absurdo
que de qualquer coisa sc pudesse predicar sua negação e
não a negação de outra coisa que não lhe compete. Dou
um exemplo: se é verdade dizer que o h o m e m é não-
homem, é evidente que deverá também ser verdade dizer
tanto que é trirreme como que é não-trirreme. De fato, se
algo pode ser afirmado dc alguma coisa, necessariamente
também poderá ser negado; se, ao contrário, algo não pode 35
ser afirmado de alguma coisa, poderá pelo menos ser ne-
gado dela, mais do que a negação da própria coisa. Mas, LOOS'
TONMETATAOYIIKAT

xrjç xpiripouç- eí 8 ' auTT), xai í) x a x á i f a a i ç . — xaüxà xe ouv


aujißaCvei xoîç Xéyouai xòv Xóyov xoõxov, x a i 8xi o ú x àváyxrj
?1 ipàvat 1\ àreoçávat. ei yàp àXrjGèç Ôxi <2v0pconoç xai
3 oùx ãvôpcüííoç, SfjXov 8xi xai oCx' âv0pü)7toç oiíx' oúx àv-
0pa)Tuoç Sarar xoîv yàp Suoív 8úo àno<páaeiç, ei 8è (lia
èÇ à j x ç o í v èxeivrj, xai auxrj (i£a âv eïir) àvxixeijjiévr). — Kxt
fjxot Tuepi ârcavxa OUXOJÇ Ixti, xai £axi xai Xeuxòv xai oú
Xeuxòv xai ôv xai oúx ov, xai uepi xàç ãXXaç «pàaetç xai
10 à 7 t o ç á a e i ç òpoioxpÓTítoç, ?| oD àXXà Ttepi [xív xtvaç, rcepi
xivaç S' ou. xai ei faiv [if| ixepi Tuàaaç, aúxai âv eTev
ó|xoXoyoú|xevai' ei 8 è 7uept T t á o a ç , ítàXtv íjxot xa8' Satov xò
q>fjaat xai àroçfjaat xai xa9* 8<rtov àTCocprjaaL xat cprjaai,
f| x a x à [ièv <Lv çfjaat xai àrcoçfíaai, xa9' íSaojv 8è àrco-
13 ç f j a a t oú 7uávxíov iprjaai. xai et (ièv oüxcoç, eíV| â v xt na-
yitüç oúx 8v, xai aöxr] ßeßaia 8óÇa, xai ei xò eivai
ߣßat0v xt xai yv(ipt(j,ov, yvcopt|juoxèpa âv tir\ i] <pà-
aiç àvxixei(Jiévr]' ei 8è ófioEtoç xai Saa à7to<pfjaai <pá-
vat, àváyxT) fjxoi àXr}0èç 8taipoüvxa Xèyetv, oíov ÍSxt
2o X e u x ò v xat TtáXiv 8xt où Xeuxòv, rj ou. xai ei pèv
(jt^l àXrjôèç Statpoüvxa Xéyetv, où Xíyet xe xauxa xat
oúx Saxtv oúÔév (xà 8è õvxa TIÔÍÇ âv Ç9£yÇaixo F}
ßaSiaetev;), xai Ttàvxa 8' âv eÍT] ïv, ahaitep xai rcpóxepov
eïprjxat, xaí xaúxòv Saxat xai SvOpconoç xai 0eòç xai xpirj-
25 prçç x a í aí àvxiyàaetç aúxtõv (ei yàp ófioícoç xa0' êxáaxou,
oúSèv 8io£aei ïxepov èxipou* ei y à p S t o i a e t , x o ü x ' S a x a t àXr)8èç
METAFÍSICA, r à, 1 0 0 3 a 7 - 76

dado que ao h o m e m convém esta última negação, também


convirá a negação de trirreme; c se line convém a negação
de trirreme, eonvir-lhe-á também a afirmação de trirreme".
(4) Os que sustentam essas doutrinas incorrem nessas conse-
qüências c t a m b é m na seguinte: que não é necessário afir-
mar ou negar. Sc, de fato, é verdade que o homem é h o m e m
e é também não-homem, é evidente que ele será, t a m b é m , 5
n e m h o m e m nem n ã o - h o m e m . As duas primeiras afirma-
ções correspondem as duas últimas negações; c sc conside-
rarmos as duas primeiras c o m o uma única afirmação, as
duas ultimas também poderão ser consideradas como uma
única negação oposta à primeira' 1 .
(5) A d e m a i s " , (a) ou é assim para todas as coisas — e então o
branco é t a m b é m não-branco c o ser é também não-ser, c 10
o m e s m o vale para todas as afirmações ou negações — ,
(b) ou não é assim para todas as coisas, mas só para algumas
c não para outras, (b) Se não é assim para todas as coisas,
as que ficam de fora são reconhecidas como não-contraditó-
rias. (a) Sc, ao contrário, a tese vale para todas as coisas, en-
tão, de novo ( a ) ou tudo o que se pode afirmar podc-sc
também negar e, vice-versa, tudo o que se pode negar podc-
sc t a m b é m afirmar; (ß) ou tudo o que se afirma podc-sc 15
t a m b é m negar, mas nem tudo o que se nega podc-sc tam-
b é m afirmar, (ß) Se ocorre este caso, então existe algo que
seguramente não é, c esta será uma convicção segura; e se
a afirmação do não-ser c algo seguro c cognoscível, c o m
m u i t o mais razão será cognoscível a afirmação oposta, ( a )
Se, ao contrário, tudo o que sc pode negar podc-sc igual-
m e n t e afirmar, então, necessariamente, ( a 1 ) ou se dirá a
verdade distinguindo afirmação c negação (por exemplo,
dizendo que uma coisa c branca c, logo depois, que é não- 20
branca), ou (ß 1 ) não as distinguindo, (ß 1 ) Ora, sc não se diz
a verdade distinguindo afirmação e negação, não se diz. na-
da e não pode haver nada. Mas então, c o m o poderá falar
ou caminhar o que não é? E todas as coisas se reduzem a
uma só, c o m o se disse acima 1 6 , dc m o d o que " h o m e m " ,
" D e u s " , "trirreme" e suas negações serão a mesma coisa. 25
D e fato, sc de cada coisa pode-se igualmente predicar afir-
mação e negação, nada poderá distinguir-sc dc outra, por-
T U N META T A TÍYELKA T

xaí ï S t o v ) • ó[xoítoç S è xaí ei OiaLpoüvxa èvS£x"at àXr\0eúetv,


au[j.ßaivei TÒ Xtxôtv, Tipòç Sè TOUTTI) oxt rcávxeç âv àXr|-
0EÚOIEV xaí JiávTEÇ âv cJ^úSoivxo, xaí aúxòç aúxòv ó[xo-
XoyeT <J>eúSea8at. a(ia Sè (pavepòv oxt ntpi oú8evóç èaxt
Tipòç XOÜXOV f] DXÉ4>LÇ- OÚ0èv y à p X£yet. ouxe y à p OUXtúÇ Q Ü T '
OÙX OÍÍTOJÇ XÉFET, àXX' OUXCOÇ T E XAÍ OÙX OÔTWÇ' xaí TOXXIV
ye xaüxa à j r ó ç r i a i v ã(j.<p<d, o x t o u 9 ' o ô x c o ç o ö x e o ù x o ü r a > ç * ET
yàp [jtfi, r^Srj âv TI eir) tòptqiévov. — è'xt EI Sxav f| çàaiç
àXr)0riç rj, r\ àjtóçaat; ([^Srjç, xâv auxri àXr|0Tiç r|
xaxàçaatç c[>euSriç, oùx âv eïrj TÒ aÚTÒ âjxa ipávai xaí
àjt09ávat àXr|9cõç, àXX' tacoç çaíev âv xoüx' Eivai TÒ èÇ
àpX*TE X£Í[XEV0V. — ETI ápa Ó JJLÈV ÍJ È'x&IV U;ioXa|jißä-

vtov f[ (xrj È'XEIV 8ttc[>euaxai, ò SE âjxçoj àXr|9eúet; EI yàp


áXr^eúei, TÍ âv EÎÏ] T Ò Xeyó^Evov oxi Totaúrri xcõv ôvxcov r)
(púdtç; EÍ 8è [jiri à X r i B e ú e i , àXXà [xãXXov àXriGeúei rj ó èxeí-
VCÚÇ U7toXa[xßavcov, rjSri TCCOÇ ÊX»' âv TÀ ôvra, xat TOÜT'
àXr]9èç âv eirj, xaí oúx ®í jLa àXr)0£ç. EI 8è ópoícoç

ATTAVTEÇ xaí c|>eú8ovxat xaí àXr]0T) Xèyouatv, ouxe <p9éy£a-


d0aL OUT' EIKETV XCÕ x o t o ú x c o Ecrrai- apa yàp xaüxà TE xaí
oú xaüxa XéyEi. EÍ 8è [jir]0Èv üiroXajjißävei àXX' ópotcoç
oíexai xai oúx oíexai, TÍ âv Siaçepóvxcoç exoi XCÕV YE 9U-
TÔiv; S0EV x a i [zaXiara <pavEpóv èaxiv 8x1 oúSeiç oííxco Siá-
XEtxai ouxE x c õ v â X X c o v o u x e xcõv X e y ó v x c o v xòv Xóyov xoüxov.
8tà xí yàp ßaSi^Ei MèyapáSs àXX' oúx rjauxáÇEi, oiójXE-
v o ç ß a S i ^ e i v S e t v ; o ú 8 ' eù0écoç eco0ev rcopeúexai elç ç p £ a p f] e i ç
MtTAFiSICA. V A , I C O S o ?.b • b 15 !59

que, caso se distinguisse, essa diferença constituiria algo


verdadeiro e algo peculiar àquela coisa, ( a 1 ) E se dizemos
a verdade distinguindo afirmação e negação, teremos igual-
m e n t e as conseqüências acima anunciadas e, alem delas,
t a m b é m a seguinte: que todos dirão a verdade c toclos di-
rão o faiso, c até m e s m o quem admitir isso, estará dizendo
o falso 1 . Ao m e s m o tempo, é evidente que a discussão com 30

esse adversário não pode versar sobre nada, porque clc não
diz nada. Dc fato, ele não diz nem que a coisa é assim, nem
que não é assim, mas diz que é assim e não-assim, c depois,
dc novo, nega uma e outra afirmação, c diz que a coisa
n e m c assim nem não-assim. Sc não fizesse isso já haveria
algo determinado.
{(V) Além disso 1 *, se quando a afirmação é verdadeira, a nega-
ção é falsa, e se quando a negação é verdadeira, a afirmação 35
é falsa, não sc poderá com verdade afirmar c negar a mesma
coisa. Mas o adversário poderia, talvez, objetar que com isso 1008*
se pressupõe justamente o que se devia demonstrar.
(7) Ademais''", estará errado quem considerar que a coisa ou
é ou não é dc certo modo, c estará na verdade q u e m disser
([Lie a coisa, ao m e s m o tempo, é c não é clc certo modo? 5
(a) Se este último está na verdade, q u e sentido terá falar
da natureza das coisas?' 1 " (b) E se não está na verdade,
porem está mais do que q u e m pensa do outro modo, então
as coisas terão um d e t e r m i n a d o m o d o dc ser e esse m o d o
será verdadeiro c não, ao m e s m o t e m p o , t a m b é m não-
verdadeiro 4 1 . (c) E caso se sustente q u e todos, do m e s m o
modo, ao m e s m o tempo, se enganem e digam a verdade,
então q u e m sustentar essa tese não poderá abrir a boca
nem falar: dc fato, ao m e s m o tempo, diz determinadas 10

coisas e as desdiz. E se alguém não pensa nada c, indife-


rentemente, crê e não crê, c o m o será diferente das plan-
tas 42 ? (d) Daí deriva, com a máxima evidência, que nin-
guém está nessa condição: nem os que sustentam essa
doutrina nem os outros. D c fato, por que motivo q u e m
raciocina desse m o d o vai verdadeiramente a Mcgara c não
lica cm casa tranqüilo, contentando-se simplesmente c o m
pensar c m ir? E por que, logo dc manhã, não sc deixa cair 15
num poço ou n u m precipício, quando os depara, mas evita
LÓO T O N M E T A TA O Y I I K A F

cpápayya, èàv TÚxtl» àXXà cpaivexat eùXapoù(xevoç, toç oùx


ó[ioí<oç oiópevoç [xfi àya9òv eîvai xò è(jtfteaeîv xai àya9óv;
SfjXov àpa öxi xò [ièv ßiXxtov úrcoXa^àvei xò 8* oú ߣX-
xiov. ei S è x o ü x o , xai xò [ i è v ävöpwTCOv x ò 8 ' oúx ãvÔpwTtov
20 xai xò (ièv yXuxù xò 8' où yXoxú àvàyxri Ú7uoXa|j$ávetv.
où yàp èÇ toou arcavxa Çnxeí xai újtoXa^ÁVEL, oxav OÎT]-
9eiç péXxiov eivai xò líteív uStop xai iSeív ãv9pa>Tcov eixa
aúxà- xaíxoi êSei ye, eí xaúxòv íjv ópoioiç xai àv-
9po>7toç xai oúx ãv9pti>Ttoç. àXX' Srcep èXèx9ifi, oú9etç oç où
25 «paívexai xà [ièv eüXaßoü[ievo; xà S' où* toaxe, á>ç è'oixe,
rcàvxeç ÚTtoXa^ávoumv exeiv àjxXaiç, ei (xfj jtepi aTtavxa,
àXXà 7uepi xò à[ieivov xai xzipov. £ - Sè [ifi èjtiaxà[xevoi
àXXà SoÇàÇovxeç, TCOXÙ [lãXXov èn:I(xeXir)xèov áv eíV) xfjç
àXí]9eiaç, woTuep xat voatóSei ôvxi 9\ ú y i e t v t õ xfjç úyieCaç-
jo xai yàp ó SoÇàÇtov rcpòç xòv è7uiaxà[xevov oúx úyieivwç Sià-
xeixai Ttpòç xf)v à X r j G e i a v . — exi ei oxi [ i à X i o x a Jiávxa oííxtoç
ê'xei xai oúx oiíxajç, àXXà xó ye [jiãXXov xai íjxxov Eveaxiv
èv xfj cpúaei xwv Õvxwv oú yàp ãv ó(xoíojç <pfjaai(jiev eivai
xà 8úo ãpxia xai xà xpCa, oúS' Ó[ÍOLCÚÇ 8té<|>eoaxai 6 xà
J5 xéxxapa Txévxe otó[ievoç xai ó y_(k\.<x. et oúv [if] ó(j.o[a>ç,
SfjXov ò'xi axepoç íjxxov, óiaxe [iãXXov àXriGeúei. ei oúv xò
1009* [iãXXov èyyúxepov, etï) ye ãv xi àXr]9èç oú èyyúxepov xò
[iãXXov àXT)9éç. xâv e£ [ii| ê o x i v , àXX' fjSr] yé xi êaxi ße-
ßaiöxepov xat àXr)9ivtóxepov, xat xoõ Xóyou àïcrjXXay[ié-
METAFÍSIC A, r 4, I 0 0 8 b 15 - 1 C 0 9 a 3

isso cuidadosamente, c o m o se estivesse convencido dc que


cair ali não é absolutamente coisa não-boa e boa? E claro,
portanto, que ele considera a primeira coisa melhor e a ou-
tra pior. E se está convencido disso, deve t a m b é m admitir,
necessariamente, que algo determinado é u m h o m e m e
que outra coisa não c h o m e m , e que isso c doce e que 20
aquilo não é doce. C o m efeito, é claro que ele não admite
que todas as coisas sejam iguais c é claro que não se com-
porta segundo esse pressuposto quando, por exemplo, ao
considerar que seja melhor para ele beber água ou ver um
h o m e m , vai logo cm busca dessas coisas. No entanto, aque-
la deveria ser sua convicção c aquele seu c o m p o r t a m e n t o
sc h o m e m e n ã o - h o m e m fossem, igualmente, a m e s m a
coisa. Mas, c o m o se disse, não há ninguém que não esteja
claramente preocupado c m evitar certas coisas e não outras. 25
Portanto, como é evidente, todos estão convencidos dc que
as coisas sejam dc um só e m e s m o modo. E se não estão
convencidos c o m relação a todas as coisas, estão quanto
ao melhor e ao pior. E se tem essas convicções não com
base na c i ê n c i a , mas na pura opinião, e n t ã o deveriam
c o m maior razão sc preocupar c o m possuir a verdade, as-
sim c o m o , c o m maior razão, deve preocupar-se c o m a
saúde quem está enfermo e não q u e m é saudável; dc fato,
q u e m possui apenas opinião, comparado a q u e m possui 30
ciência, c e r t a m e n t e não está em condições dc saúde rela-
tivamente à verdade"1'.
(8) Além disso 44 , supondo que todas as coisas sejam c não se-
jam de determinado modo, devcr-sc-á também admitir que
na natureza das coisas existe o mais c o menos. D e fato, cer-
tamente não poderemos dizer que são pares o dois c o três,
nem poderemos dizer que erra do m e s m o modo quem con-
funde o quatro c o m o mil. Se, portanto, eles não erram do 35
m e s m o modo, é evidente que um dos dois erra menos e
que está mais na verdade. Ora, se estar mais na verdade
quer dizer próximo da verdade, deverá t a m b é m haver uma
verdade < a b s o l u t a > , acerca da qual o que está mais próxi- I009:
m o é t a m b é m mais verdadeiro. E m e s m o que não exista
essa verdade < a b s o l u t a > , existe pelo menos algo mais se-
guro e mais verídico 4 ' e, portanto, seremos libertados dessa
62 TUN META TA ©YÏLKA T

voi âv eîVijxev xoü àxpàxou xai xcoXúovxóç TI xfj 8iavota


ï opiaat.

"Eaxi S' à r c ò xrjç aùxrjç ÔóÇrjç x a i ó üpcoxayópou Xóyoç,


xai àváyxri ófAOtcoç aùxoùç âjKpco rj eivai fj [if] eivai- etxe
yàp Tà Soxoüvxa rcàvxa èoxiv àXrjOf} xai xà çaivójxeva,
àváyxT) eivai Tiávxa â[j.a àXT]0fj xai cj>eu8f) (raoXXoi yàp
10 x à v a v x i a ÚTcoXajjipávouaiv àXX^Xoiç, xai xoúç |xf] xaùxà
8o£áÇovxaç èauxoîç 8ie<{>eüa9ai vo|xiÇouaiv óSax' àváyxr] xò
aúxò eivai xe x a i |JLT) e i v a i ) , xai ei x o ü x ' eaxiv, àvàyxrj xà
8oxoüvxa eivai rcávx' àXr]0f) (xà àvxixe£(ieva yàp SoÇàÇouaiv
àXXrjXoiç oí 8te<i>eua|i.£voi xai àXrjõeúovxeç- ei ouv í^ti Tà
is ô v x a oííxcoç, àXr)9eúcrooai J i à v x e ç ) . ô x i (ièv o u v à j t ò x f j ç a ú x f j ç
eiai Siavoiaç à|icpóxepoi oi Xóyoi, BfjXov* èaxi 8' oùx ó
aúxòç xpórcoç rcpòç ârcavraç xfjç èvxeúÇecoç* oi pèv yàp itei-
0oüç 8éovxai oí 8è ßion;. öaoi [ièv yàp èx xoü àrcopfjaai
ÜTiiXaßov oüxcoç, xoúxcov e ù î a x o ç f j â y v o i a (où yàp rcpòç xòv
20 X ó y o v àXXà rcpòç xfjv Siàvoiav fj à7tàvx7)aiç aúxcov)- Saoi
8è Xóyou xàp'v Xèyouai, xoúxcov 8' eXeyxoç ïaaiç xoü èv x f j
çcovg Xóyou xai xoü èv x o î ç óvójjiacJiv. èX-qXuÔe 8 è x o î ç 8ia-
Tuopoüaiv aííxT] f) 8óÇa èx xcõv aia0r]xõõv, rj pèv xoü â|ia
xàç àvxiçàaeiç xai xàvavxia úrcápxeiv ópcõoiv èx xaúxoü
25 y i y v ó j x e v a xàvavxia- ei ouv (if) èv8èx«ai yiyveaOai xò (JIT)
õv, iTpoÜ7njpX£v ópoícoç xò rcpäypa âjjupco õv, áSarcep xai
'AvaÇayópaç (xe|xlx0ai Ttãv èv jiavxi (p^ai xai Arpóxpi-
MLÏAFiSlCA, ["4/5, 1CD9 a í - 27

intransigente doutrina, q u e veta à m e n t e d e t e r m i n a r 5

q u a l q u e r coisa.

S. jRefutação do relativismo protagoriano enquanto


negador do princípio de não-contradição]'

Da m e s m a convicção deriva a doutrina de Protágoras c, por


ss< >, as duas doutrinas, necessariamente, ou se sustentam ou caem
lo m e s m o modo. D e fato, se todas as opiniões e todas as aparências
.i nsoriais são verdadeiras, todas cias deverão, necessariamente,
•i-i verdadeiras e falsas ao m e s m o tempo. (De fato, muitos h o m e n s 10
l in convicções opostas c todos consideram que e s t e j a m no erro
>\ que n ã o compartilham as próprias opiniões. E daí se segue
nino c o n s e q ü ê n c i a necessária q u e a m e s m a coisa seja c t a m b é m
i.io seja.) E se é assim, segue-se t a m b é m , n e c e s s a r i a m e n t e , q u e
mias as opiniões são verdadeiras. ( D c fato, os q u e estão na ver-
lade e os q u e estão na falsidade t ê m opiniões opostas entre si;
nas se as próprias coisas são desse m o d o , todos estarão na verda- 15
le.) K evidente, portanto, que a m b a s as doutrinas derivam do
u e s m o raciocínio 2 .
Todavia, n ã o se deve discutir c o m todos do m e s m o m o d o :
île,uns precisam ser persuadidos, outros devem ser forçados. D c
alo, os q u e a c o l h e r a m esse m o d o dc ver por causa das dificulda-
le\ e n c o n t r a d a s ' t ê m u m a ignorância f a c i l m e n t e sanávcl. C o m
leito, na discussão c o m estes não nos defrontamos c o m discursos
\.i/ios, mas c o m verdadeiros raciocínios. Ao contrário, os q u e dis-
«II ICI H e x c l u s i v a m e n t e por a m o r ao discurso só podem ser corri-
nI• >.s c o m a refutação d o seu discurso, t o m a n d o - o tal c o m o é 20

o i r . l i l u í d o só dc n o m e s c dc palavras .
4

( 1 ) Os que a c o l h e r a m essa convicção por causa d e certas di-


ficuldades, fizeram isso c o m base na observação das coi-
sas sensíveis. E fixaram a convicção dc que os contrários
e os contraditórios 5 p o d e m existir juntos ao verem q u e
os contrários derivam da m e s m a coisa. D e fato, se é im-
possível q u e se gere o que não é, os dois contrários já 25
deverão preexistir juntos na coisa*. Isso diz, j u s t a m e n t e ,
Anaxágoras, segundo o qual tudo está misturado c m
164 I TON META TA OVZIKA V

xoç- xaí yàp oúxoç XÒ xevòv xat xò rcXfjpeç ÓIJLOCCOÇ xa0'


óxioúv úrcápXEiv |iépoç, xafxot xò (ièv 8v xoúxcov eivai xò 8è
>o (if) õ v . rcpòç [ièv o ú v x o ú ç è x x o ú x c o v ú r c o X a [ i P á v o v x a ç èpoüjiev
8 x t x p ó r c o v ( i è v x t v a òpGcõç X è y o u a t xpórcov 8 è x t v a àyvooõaiv-
xò yàp ov Xèyexat 8txcõç, <oax' eaxtv 8v xpórcov èvSéxttat
yiyvedDai xt èx xoü (if( õvxoç, èaxt 8' 8v ou, xai ajjta xò
aúxò eivai x a i 8v x a i (if| õ v , àXX' oú x a x à xaúxò [Õv]- 8u-
>5 v á j i e t (ièv yàp èvSèx^ai ajxa xaúxò eivai xà èvavxfa,
èvxeXexeiçi 8' oú. êxt 8' àÇicóaofiev aúxoúç úrcoXa(iPávetv
xai àXXtjV x t v à o ú a i a v e i v a i xtõv õ v x t o v f j o u x e xivT|atç úrcàp-
XEI ouxe çGopà oCxe yéveatç xò rcapàrcav. — Õ(ÍOIÍOÇ 8è xai
1009 b rcepi xà 9atvó|ieva àXfjOeia èviotç èx xcõv aiaGrjxcov èXr)-
Xu6ev. xò (ièv yàp àXrjôèç oú rcXfjÔei xpiveaOat oíovxai
rcpoafjxeiv oú8è òXiyóxrjxi, xò 8' aúxò xoîç (ièv y X u x ú yeuo-
lièvotç 8oxeîv elvat xoîç 8è rctxpóv, wax' ei rcávxeç exajivov
s T| rcávxeç rcape9póvouv, 8úo 8' í j x p e í ç ú y t a t v o v f[ v o ü v elxov,
S o x e í v â v x o ú x o u ç x à j i v e t v x a i j u a p a ç p o v e í v x o ú ç 8 ' à X X o u ç ou-
exi 8 è x a i rcoXXotç xcõv ã X X c o v Çcocov x à v a v x i a [rcepi xcõv a ú x c õ v ]
çatveaBai xai í||ilv, xai aúxcõ 8è èxáaxcp rcpòç aúxòv oú
xaúxà xaxà xfjv aiaflTjaiv àei 8oxeîv. rcoía o ú v xoúxcov àXTjÔfj
to í ) (JjeuSfj, ãSriXov- oú9èv yàp (iãXXov xá8e f; xà8e àXr[0fí,
àXX' ò(ioicoç. 8tò Aiq(ióxpixóç yè 9T]OIV fjxot oúÔèv eivai
àXîi9èç îj f|[iïv y' ãS^Xov. SXcoç 8è 8tà xò urcoXaptßävetv
9póvT)aiv (ièv xf[v ata0T)oiv, xaúxrjv 8' elvat àXXoícoaiv, xò
165

tudo 7 ; o m e s m o o diz D e m ó c r i t o , segundo o qual o vazio


c o pleno estão, do m e s m o m o d o , c m toda parte; c o m
a diferença de q u e , para este último, o pleno é ser e o
vazio é não-ser 1 *.
( )ra, aos que extraíram suas convicções dessas considerações, 30
diremos q u e , e m c e r t o sentido, r a c i o c i n a m c o r r e t a m e n t e , mas
erram n o u t r o sentido.
(a) C o m efeito, o ser se diz c m dois sentidos; portanto, n u m
seul ido, é possível q u e algo derive do não-ser, e n q u a n t o noutro
seul ido n ã o é possível; e t a m b é m é possível q u e a m e s m a coisa
seja c não seja, mas não na m e s m a acepção. D c fato, é possível
q u e , ao m e s m o t e m p o , a m e s m a coisa seja os dois contrários e m 35
potência, mas não c m ato".
(I>) Ademais, conseguiremos q u e eles se c o n v e n ç a m de q u e ,
no â m b i t o dos seres, existe t a m b é m outra substância, que não
eslá sujeita de m o d o n e n h u m n e m ao m o v i m e n t o , n e m à gera-
i.ao, nem à corrupção" 1 .
(2) D o m e s m o m o d o , sempre c o m base na observação das 1009"
coisas sensíveis, alguns filósofos foram induzidos a afir-
mar q u e t u d o o q u e parece é v e r d a d e i r o " ,
(a) Fies consideram q u e a verdade n ã o deve ser julgada n e m
,i partir da maioria n e m a partir da minoria dos pareceres, por-
que a m e s m a coisa, e x p e r i m e n t a d a por alguns, parece d o c e ,
e x p e r i m e n t a d a por outros parece amarga; dc m o d o q u e , se to-
dos ficassem e n f e r m o s ou delirassem e se apenas dois ou três
h o m e n s p e r m a n e c e s s e m sadios c c o m a m e n t e sã, considerar- 5
se ia q u e j u s t a m e n t e estes c n ã o os outros estariam e n f e r m o s c
delirantes 1 2 .
(h) Ademais, eles dizem que m u i t o s dos outros seres vivos
leni impressões sensoriais das m e s m a s coisas contrárias às nossas
c qui' a t é m e s m o cada indivíduo, considerado c m si m e s m o , n e m
.< nipre t e m as m e s m a s impressões sensoriais da m e s m a coisa,
loi lauto, n ã o é claro quais delas são verdadeiras e quais falsas.
N.i icalidade, u m a s não são mais verdadeiras do que outras, m a s io
.unhas são equivalentes 1 '. Por isso D e m ó c r i t o afirma q u e ou não
CMSIC nada de verdadeiro ou, pelo m e n o s , q u e a verdade perma-
nece escondida para n ó s H .
TON M E T A T A (DYSIKA F

çatvófievov xaxà r?]v aïaGrjatv iÇ àvàyxrjç àXr]0èç eivai


15 « p a a t v ix xoúxcov yàp xaí 'E|i7ue8oxXrfc xaí ATjfióxpixoç
xat TÄV âXXcov cóç ênoç eirceiv èxacrroç xoiaúxatç 8óEjatç
yeyévT]vxai ï\>oyo\.. xat yàp 'E|i7ue8oxXi)ç fjtexaßäXXovxa?
xfjv ëÇtv fiexaßäXXeiv «prpi XT]V tppóvriaiv "rcpòç rcapeòv
yàp fifjxiç ivaúÇexat àv0pcÓ7totatv." xat iv Éxépoiç 8È XéyEt
20 ò'xi " o a a o v (8') àXXoTot [iExétpov, x ó a o v à p açiaiv atei | xai
xò çpoveív à X X o í a m c p í a x a x o " . xai IIap|XEVí8riç 8è àítoçaivE-
xat xòv aúxòv xpórcov * 'cóç yàp Éxàaxox' ï%ei xpãaiv (ÍE-
Xécov noXuxà|xicx(júv, | xàç vóoç àv0pcÓ7toiai 7uapíaxaxai- xò
yàp aúxò J êaxtv oítep ç p o v i e i , (ieXécov ç ú a t ç àvOpcÓTtoiaiv j
25 x a i rcaaiv xai rcavxi* xò yàp TtXeov iaxi vórjfia-" 'Ava-
Çayópou 8è xai àrcóç6ey[ia |IVTI|ioveúexai npòç xcõv éxai-
pcov x t v à ç , 8xt xoiaüx' aùxoïç ëaxai xà ô'vxa o î a áv úrcoXà-
ßcoatv. çaat 8è xat xòv "Ofiripov xaúxr)v ëxovxa çaive-
a0at xfjv SóÇav, 8xi Í7uoÍT]ae xòv "Exxopa, cóç iijiaxT) ÚTtò
jo xfjç 7tXï]yfjç, xeïaÔat àXXoçpovéovxa, cóç tppovoüvxaç fièv
xat xoùç napaçpovoûvxaç àXX' où x a ú x à , BrjXov o 5 v ô'xt, ei
àfiçôxepat çpovrjaetç, xai xà õvxa àjjta oßxco XE xai oùx
oSxcoç exÊt- í xat xaX&Kcóxaxov xò ao|ißaiv6v ioxiv ei
yàp oí (iàXtaxa xò ivSexófiEvov àXrjGèç ÉcopaxóxEç — o ú x o i
35 8 ' e i a i v o i ( x à X i a x a ÇTJXOÜVXEÇ a ú x ò x a i ÇIXOÜVXEÇ — o ú x o t x o i -
aúxaç ÊX0U(I1 t à ç ' 8ó|aç xai xaüxa àjtoçaívovxat rcEpi
xfjç àXriÔEÍaç, TCCÕÇ oúx ãjjtov à6t)|ifjaai xoúç tpiXoaoçEÏv
iyxttpoüvxaç; xò yàp xà Tiexófieva 8tcóxetv xò ÇT)XEÍV âv
íoio' eïir) x f j v à X f j Õ E t a v . — a i x t o v 8 è x f j ç 8óÇriç x o ú x o t ç oxt 7UEpi xcõv
õvxcov (ièv xfjv àXrjôetav iaxórcouv, xà 8' õvxa uniXaßov
eivai x à aia0r)xà [ióvov i v 8È XOÚXOLÇ JioXXf) i] x o ü àopíaxou
çúatç ivujiápxEi xai r, xoü õvxoç oSxcoç óiarcep Emofiev*
5 8 t ò e t x ó x c o ç |xèv X i y o u a t v , o ú x àXr]0r) 8 i X i y o u a t v (oúxco yàp
àpjióxxei (iãXXov eirceiv f| óSoírep 'Ercixapfioç E£Ç Eevoçá-
METAFÍSICA, T 5, 10C9 b I . ! - 1 0 1 0 o ó

(c) E m geral, esses filósofos afirmam que tudo o que aparece


aos nossos sentidos c necessariamente verdadeiro, porque cies
consideram que a inteligência é sensação e que esta c uma altera-
ção 1 '. Por estas ra/ões t a m b é m E m p é d o c l e s c D e m ó c r i t o c, pode- is
sc dizer, todos os outros aceitaram essa convicção. E , de fato,
Empédocles afirma que, m u d a n d o o estado físico, muda-se tam-
bém o p e n s a m e n t o : " D i a n t e das coisas presentes aos sentidos,
cresce nos h o m e n s o p e n s a m e n t o " " ' , c c m outro lugar clc diz. que
"na medida c m que os h o m e n s m u d a m , sempre diferentes a eles 20
.se apresentam os pensamentos" ', l a m b e m Parmênidcs diz a mes-
1

ma coisa: " C o m o ocorre sempre a mistura nos m e m b r o s dos múl-


liplos m o v i m e n t o s , / assim nos h o m e n s se dispõe a m e n t e . D c
lato c sempre o m e s m o / o q u e nos h o m e n s pensa a natureza dos
m e m b r o s , / e m todos c m cada u m . O pleno, c o m efeito, é o pensa- 25
mento" 1 1 '. E de Anaxágoras rcfcre-sc uma afirmação feita a alguns
dc: seus discípulos, segundo a qual os seres seriam para eles tais
c o m o eles os considerassem ser'1'. E dizem t a m b é m q u e H o m e r o
leve essa m e s m a opinião, pois representou Heitor, delirante por
causa do ferimento, que "jazia c o m pensamentos mudados em 30
•aia m e n t e " 2 " , c o m o se os que deliram c o n h e c e s s e m , mas não as
mesmas coisas dc quando estão c m pleno juízo. E evidente, por-
tanto, que se a m b o s são c o n h e c i m e n t o s verdadeiros, t a m b é m os
•.eres são, ao m e s m o tempo, assim c não assim. Mas note-se a con-
seqüência mais desconcertante: sc os que mais investigaram a
verdade que podemos alcançar (c estes são os q u e mais a buscam
c a a m a m ) , se j u s t a m e n t e eles têm opiniões desse tipo c profes- 35
•„mi (ais doutrinas sobre a verdade, c o m o não poderão desanimar,
c c o m razão, os que c o m e ç a m a filosofar? Buscar a verdade seria
c o m o correr atrás de um pássaro voando 2 1 . 10

O r a , a razão pela qual esses filósofos formaram essa opinião


eslá em q u e buscavam a verdade sobre os seres, mas acreditavam
que só as coisas sensíveis eram seres. O r a , nas coisas sensíveis
esislc em grande medida o i n d e t e r m i n a d o , ou seja, o tipo dc ser
do qual falávamos acima"'. Por isso, eles dizem coisas que pare- 5
c eu I verdadeiras, mas na realidade não dizem a verdade. ( E é assim
I |iic c o n v é m argumentar, e não c o m o E p i c a r m o argumenta c o n -
li.i X c n ó f a n e s ) 2 ' .
LÓB I T Í I N META TA O Y I I K A r

VTJV). ETI Sè rcãaav ópã>VTEÇ -caÚTrjv xivoupevriv r?]v <púaiv,


xaxà Sè TOÜ [xeTapáXXovroç oú0èv àXr)0euó|Jievov, rcepi ye
TÒ rcàvrr] rcàvraiç (jLexaßaXXov oùx èvSèxEaOai àXí)0eúeiv.
10 è x yàp TAÚTTJÇ xrjç ÚJIOXTI4)E(OÇ È^VÔTJAEV ^ àxpoxàx7] Sólja
xôv £Îpri[xèvûiv, xã>v ça<jxóvxcov fipaxXeixiÇeiv xaí olav
KpaxvXoç ETXEV, OÇ TÒ xeXeuxaîov où9èv WETO Seîv Xèyeiv
àXXà TÒV SàxxuXov èxívei pióvov, xai "HpaxXeíxto èrcexipa
Etrcóvxi ò'xt 8iç TTÕ AÚTCÕ rcoxa(xôi oùx ECTXIV ifxpfivai* aúxò;
15 y à p òSexo oúS' oírcaj;. T|[XEIÇ Sè xai rcpò; xoûxov TÒV Xóyov
èpoupev Sxi TÒ [xèv jjiExaßäXXov ÖXE [lexaßäXXei èxei w à
aùxoïç Xóyov (J.f] oíea0ai Eivai, xaÍTOi eari yE àp<pia-
ßRITTJOIPOV TÒ TE yàp àm^áXXov èx£L roí ärcoßaX-
Xofiivou, xai TOÍ3 yiyvo[xèvou rjSri àváyxT) TI Eivai, SXwç
20 T E et <p0eipexai, úrcàpÇev TI ÔV, xai ei yíyvexai, èÇ oú
yiyvETai xai ùç' où yevvãxai àvayxaîov eivai, xai xoûxo
(x^l iivai eiç àrceipov. àXXà xaüxa rcapèvxeç èxeîva Xèyco-
(J.EV, ÔTI où TAÚTÓ èaxi TÒ [xexaßäXXeiv xará TÒ rcoaòv
xai xará TÒ J I O I Ó V xará [xèv o ù v TÒ j t o a ò v eaxco (Jtf[ (xèvov,
25 à X X à xará TÒ elSoç àrcavxa yiyvá>axo(xev. ETI S' àÇiov
ÈÍTITI(xrj5ai xoîç OUTOJÇ ürcoXa(xßävouaiv, ÖTI xai aúxôív TÒV
AIAÔTJTCÕV èrcl xcõv èXaxTÓvwv TÒV àpi9[Jiòv ESÓVTEÇ oiíxcoç
exovra rcepi oXou TOÜ oúpavoü ÓJJIOÍCIÍÇ àrceçrjvavxo- ó yàp
rcepi [xãç TOÜ aiaÖrjxoü xórcoç èv q>0opà xai yevèaEi SiaxE-
30 X E Í f i ó v o ç ôSv, à X X ' o ú x o ç o ù 0 è v cóç EÍrceív p ó p i o v T O Ü rcavxóç
èaxiv, óíaxE Sixaióxepov av Si* èxeîva xoúxcov àrcec|)T)<píaavxo
^ Sià xaüxa èxeívcov xaxEc[)T)<píaavxo. &TL Sè SfjXov Sxi
METAFÍSICA. T 5. 101 O a 7 - 3 2

Ademais, vendo q u e toda a realidade sensível está e m m o -


vimento e que do que muda não se pode dizer nada de verdadeiro,
eles concluíram q u e não c possível dizer a verdade sobre o q u e
m u d a , pelo m e n o s q u e não é possível dizer a verdade sobre o
q u e m u d a e m todos os sentidos e de todas as maneiras. Dessa
c o n v i c ç ã o derivou a mais radical das doutrinas m e n c i o n a d a s ,
professada pelos q u e sc dizem seguidores de Heráclito e aceita
t a m b é m por Crátilo. Este a c a b o u por se c o n v e n c e r dc que não
deveria n e m sequer falar, c limitava-se a s i m p l e s m e n t e mover o
dedo, reprovando até m e s m o Heráclito por ter dito que não é
possível banhar-se duas vezes no m e s m o rio2'1: Crátilo pensava
não ser possível n e m m e s m o uma vez 2 -.
( a ) C o n t r a esse raciocínio diremos que o q u e muda. q u a n d o
m u d a , o f e r e c e a eles algum motivo para crer q u e não seja, mas
isso é contestável. D c fato, o q u e perde algo conserva sempre
e l e m e n t o s do q u e vai perdendo e, s i m u l t a n e a m e n t e , já deve ser
algo daquilo e m que está se transformando. E, c m geral, se algo
está c m vias de corrupção, deverá ter uma certa realidade; c se
advém, é necessário q u e exista t a m b é m aquilo do cjual a d v é m c
aquilo por obra do qual advém. E é necessário, t a m b é m , que esse
processo não vá ao infinito 2 ".
(p) Mas, passando a outras considerações, digamos o seguin-
lc: a m u d a n ç a segundo a q u a n t i d a d e c a m u d a n ç a segundo a
q u a l i d a d e " não são a m e s m a coisa; ora, c o n c e d a m o s q u e , segun-
do a quantidade as coisas não p e r m a n e ç a m , mas nós c o n h e c e m o s
Iodas as coisas a partir da forma 2 *.
f y ) Ademais, aos q u e pensam assim pode-se por boas razões
icprovar que, tendo observado que os seres sensíveis, na verdade
um n ú m e r o exíguo deles, se c o m p o r t a m desse modo, estenderam
Mias observações indiscriminadamente a todo o universo. D e fato,
essa região do m u n d o sensível que nos circunda é a única que sc
encontra c o n t i n u a m e n t e sujeita à geração c a corrupção; todavia
ela c, por assim dizer, parte insignificante do todo; portanto, seria
muito mais justo, c m a t e n ç ã o às outras, absolver as coisas daqui
de baixo c m vez de condenar aquelas por causa destas 2 ".
6 ) Além disso, é evidente q u e t a m b é m contra eles podemos
fazer valer as m e s m a s coisas acima 311 ditas: devemos mostrar-lhes
170 TON META TA IPYIIKA F

xai 7cpòç TOÚTOUÇ T A Ú T À TOÎÇ TxáXat XexOeíaiv èpoüpev 8TI


yàp èariv àxívTjTÓç TIÇ çúaiç SeiXTéov aÙToîç xai 7xeiaréov
35 aÚTOÚç. xaÍTOi YE aupßaivei TOÎÇ apa cpáaxouaiv eivai
xai pi) eivai ripepetv pãXXov çpávai Ttávra fj xiveíaQai-
où yàp eaTiv eiç S TI PETAßAXEI" áuavTa yàp ÚTxàpxet
íoiob Tïâaiv. — Ttepi Sè T% àXrjÕeíaç, tóç oú Txãv TÒ <paivópevov
àX7)6éç, ÏTPCÛTOV pèv 6TI oúS' (ei) aïaQïjaiç (pi)) í^euS^ç
TOÜ ye i S í o u èaxiv, à X X ' í) ç a v r a a í a où TaÚTÒv T Q ataflrjaei. e í x '
ãíjtov ôaupáaai ei TOÜT' àrcopoüai, TCÓxepov r r i X i x a u x á èaxi
5 Tà peyÉÔrj xai Tà yjpúi[iai:a ToiaÜTa ola TOÍÇ ÒÍTXWÔEV yxí-
veTat ola TOÍÇ èyyúÔEV, xai wkepov ola TOÍÇ úyiaívouaiv
FJ o l a TOÍÇ xàpvouaiv, xai ßapuTEpa ^óxepov à xoïç àaQE-
voûaiv í) 5c TOÍÇ iaxúouaiv, xai àXrjÔfj Tróxepov a TOÍÇ xa-
ÔeúSouaiv rj 5c TOÍÇ èypr)yopóaiv. OTI pèv yàp oúx oïovrai
io y E , ipavepóv oúôeiç yoüv, èàv üixoXaßri vúxTíop 'AÔrjvflaiv
eivai àv èv Aißur), TxopeÚETai eiç TÒ ÒJSEÍOV. eTi Sè Tuepi
TOÜ pèXXovToç, ííoTiep x a i nXàxwv Xèyei, oú SITIOU ópotcoç
x u p í a r] xoõ taxpoõ SóÇa x a i r j TOÜ àyvooüvxoç, olov Ttepi TOÜ
pèXXovToç eaeaflai úyioõç fj pf] péXXovroç. eTi Sè In' aú-
15 TÕ)V Ttõv aiaörjaecov o ú x ópoícoç x u p í a r| TOÜ à X X o T p í o u xai
iSíou fj TOÜ JtXíjaíov xai TOÜ aÚTrjç, àXXà icepi pèv xptó-
paxoç õ<j>tç, où yeûatç, Txepi Sè yi^fwij yeûaiç, oúx õ^iç-
<I>v è x á a r r i èv T<õ aÚTtõ aÚTÒ oúSéuoTe q>T)-

aiv àpa 0UT03 xai oúx OUTWÇ exeiv. àXX' oúSè èv éxépw
20 XPÓVW TIEPÍ ye TÒ rcáOoç RJPTPIAßTJTTJAEV, àXXà Jiepi TÒ A>
METAFÍSICA, r 5, 10)0 a 23 • b 20

que c-xiste uma realidade imóvel e devemos convencê-los disso' 1 .


Além disso, os q u e s u s t e n t a m q u e o ser c o não-ser existem j u n - 35

los, deveriam afirmar que tudo está e m repouso e não q u e tudo


está e m m o v i m e n t o : de fato, segundo essa doutrina, não pode
existir nada c m que algo possa mudar-se, porque tudo já existe
em t u d o ' 2 .
(3) N o que se refere ao problema da verdade, devemos dizer loicr
q u e n e m tudo o q u e aparece c verdadeiro''.
(a) Km primeiro lugar, devemos dizer que, m e s m o q u e a
percepção sensível não seja falsa relativamente a seu o b j e t o pró-
prio, todavia cia não c o i n c i d e c o m a i m a g i n a ç ã o " .
(b) A l é m disso, c verdadeiramente admirável que alguns le-
vantem dificuldades c o m o as seguintes: se as grandezas c as cores 5
são c o m o a p a r e c e m aos que estão longe ou c o m o a p a r e c e m aos
q u e estão próximos; e sc são c o m o a p a r e c e m aos sadios ou c o m o
a p a r e c e m aos e n f e r m o s ; c se são mais pesadas as coisas q u e as-
sim a p a r e c e m aos fracos ou as q u e a p a r e c e m assim aos fortes; e
sc: verdadeiras são as coisas q u e a p a r e c e m aos que d o r m e m ou as
q u e a p a r e c e m aos despertos. E claro q u e eles não t e m dúvida
sobre isso. E , c m todo caso, não há n i n g u é m que, se c m sonho
acredita estar e m Atenas, estando na Lábia, ponha-se a c a m i n h o '0
para o O d e o n " .
(c) A d e m a i s , q u a n d o se trata dc fazer previsões, c o m o
l a m b e m diz P l a t ã o ' " , n ã o t ê m a b s o l u t a m e n t e a m e s m a a u t o -
ridade a o p i n i ã o dc u m m é d i c o c a do i g n o r a n t e , por e x e m p l o ,
q u a n d o se trata dc prever se a l g u é m se curará ou se não sc
curará''.
(d) A l é m disso, q u a n t o às s e n s a ç õ e s , seu t e s t e m u n h o n ã o 15
( c m o m e s m o valor segundo cias se refiram a um o b j e t o q u e
não lhes é próprio, ou a u m o b j e t o q u e lhes c próprio, ou se-
gundo se refiram ao o b j e t o de um sentido próximo ou ao o b j e t o
que lhes é peculiar'". Sobre a cor julga a vista e não o paladar, e
sobre o sabor julga o paladar e não a vista. O r a , n e n h u m desses
sentidos diz, ao m e s m o tempo, sobre a m e s m a coisa, que cia é
assim c, s i m u l t a n e a m e n t e , não assim. E n e m c m m o m e n t o s di-
Icrcntes, pelo m e n o s no q u e se refere à q u a l i d a d e , um s e n t i d o 20
pode estar em c o n t r a d i ç ã o c o n s i g o m e s m o ' " ; ele só poderá
T£ÏN M E T A T A © Y X I K A F

aupßeßrpce xò juáÔoç. X£yco 8' oTov ó pèv aúròç oívoç 86-


SjeiEV Sv f| peraßaXcbv f| TOÜ acóparoç peraßaX6vroi; órè
[j.èv eivai yXuxòç órè 8è oò yXoxúç* àXX' où ró ye yXuxú,
oíóv èariv íírav fj, oúSeitíÓjtore per£ßaXev, àXX' àei àXr)-
25 Ôeúei TI Epi a ú r o ü , xai êanv í\ àvàyxrj TÒ èaópevov yXuxú
TOIOÜTOV. xaÍTOi TOÜTO àvaipoüaiv oúroi oí Xóyoi âitavreç,
òSojrep xai oúaíav pi) eivai p7j0evóç, oiírto pr]S' àváyx7jç
p7]0£v rò yàp àvayxaíov oùx èv8£xeTai ãXXcoç xai ãXXcoç
E^eiv, ôSOT' ei TL èariv è? àváyxrjç, oúx OUTCO TE xai
30 O Ú X OUTÍOÇ. — ÔXtoç r ' eïrtep e a r i r ò aiaflrçròv p ó v o v , oú0èv âv
eír] pi) ÕVT(OV rãbv èp<Jiúx<ov aiaÔriaiç yàp oúx âv ewj. rò
pèv oúv pr|re rà aÍa0T[Tà eivai pïjre rà aiaflfipara íacoç
àXrjÔéç (TOÜ yàp a£a9avop£voo Ttá0oç TOÜTÓ èarí), rò 8è rà
úitoxeípeva pf) eivai, â ítoieí rijv aía07]aiv, xai âveu ai-
35 a0rjae<oç, à8úvarov. où yàp Bi] rj y' aia97]aiç aúrf) £aut%
èariv, àXX' Ian TI xai erepov Ttapà ríjv alaOrjaiv, o àvàyxrj
itpórEpov eivai rfjç aiaÔfjaecoç- rò yàp xivoüv TOÜ xivoupèvou
loix* (púaei itpórepóv èarí, xâv ei Xèyerai itpòç âXXrjXa Taüra,
OÚGèv TJTTOV.

6
Eiai 8é riveç oí àrcopouai xai TÍÕV raüra TteTteiapèvtov
xai rãjv TOÚÇ Xóyouç roúrouç póvov Xeyóvrtov ÇTjroüai yàp
s ríç ó xpivcõv ròv úytaívovra xai ôXcoç TÒV Ttepi exaara xpi-
voüvra òp0tõç. rà 8è roíaüra àítopripara Spoiá èarí reo
àitopetv itórepov xa0EÚ8opev vüv f\ èyprjyópapev, Súvavrai
8' aí àítopíai aí roíaürai Ttãaai rò aúró- itávrcov yàp
METAFÍSICA, r i / ô , I 0 1 0 b 2 1 - 1 0 1 1 a 0

c n g a n a r - s e r e l a t i v a m e n t e à coisa à qual p e r t e n c e a q u a l i d a d e .
Por e x e m p l o , o m e s m o vinho p o d e parecer às vezes d o c c c às
vezes n ã o doce (ou p o r q u e ele m e s m o m u d o u ou p o r q u e n o s s o
corpo m u d o u ) ; mas c e r t a m e n t e não m u d o u o doce e a qualida-
de q u e o d o c e possui q u a n d o existe: e o s e n t i d o diz s e m p r e a
verdade s o b r e isso, e o q u e é d o c e deverá n e c e s s a r i a m e n t e pos-
suir essa qualidade"'. M a s é j u s t a m e n t e essa necessidade q u e to-
das essas doutrinas pressupõem: c o m o elas n e g a m que exista a
s u b s t â n c i a de q u a l q u e r coisa, n e g a m q u e a l g u m a coisa exista
necessariamente. Dc fato, o q u e é necessário não pode ser d e um
m o d o e t a m b é m d e outro; assim q u e , se algo existe necessaria-
m e n t e , não poderá ser, ao m e s m o t e m p o , de um m o d o c t a m -
bém de outro.
(e) E e m geral, se sé) existe o q u e é perceptível pelos senti-
dos, caso n ã o existissem seres a n i m a d o s nada poderia existir: dc
lato, nesse caso, n ã o poderia haver sensações. Nesse caso seria
verdade dizer q u e não existiriam n e m sensíveis n e m sensações
(as sensações, c o m efeito, são a f e c ç õ e s do s e n s i e n t e ) ; mas é im-
possível q u e os o b j e t o s q u e produzem as sensações não existam
l a m b e m i n d e p e n d e n t e m e n t e da sensação. D e fato, a sensação
iiáo é sensação de si m e s m a , mas existe algo diferente da sensa-
eao c fora da sensação necessariamente antes da própria sensação.
I )e (ato, o q u e m o v e é, por natureza, anterior ao q u e é movido:
<• isso não é m e n o s verdade, m e s m o que se afirme que a s e n s a ç ã o
<• o sensível são correlativos^ 1 .

(> jContinuação da refutação das doutrinas protagorianasj

í !.í alguns — t a n t o entre os q u e estão verdadeiramente con-


vencidos dessas coisas, q u a n t o entre os q u e só s u s t e n t a m essas
doi il ri nas da boca para fora — q u e levantam a seguinte dificulda-
de t j i lom é capaz dc julgar .sobre a saúde dc outro c, c m geral,
q u e m é c a p a z dc julgar r e t a m e n t e sobre qualquer coisa? Levantar
essas dificuldades é c o m o se perguntar se e s t a m o s d o r m i n d o ou
174 ) TIÏN META TA OYÏIKA V

Xóyov àÇioüaiv elvat oúxor àpxfy yàp Çrjxoûat, xai xaoxTiv


io S i ' àrcoSeiÇetoç X a j j i ß ä v e i v , èrcei SXL y e Tteiuetatièvoi o ù x eiaC,
<pavepo£ eiatv êv xaîç TrpàÇeaiv. àXX' Srcep ewtO[iev, xoûxo
aùxâ>v x à TtáÔoç è a x í v Xóyov yàp Çrjxoüaiv & v oùx eaxt Xó-
yoç- à7uoSeíÇe(oç yàp àp^fj oùx àTtóSeiÇtç èaxtv. ouxoi [ièv
ouv ^qcSCoiÇ â v x o û x o 7teia6etev ( ë a x t y à p où x a X e J t ò v Xaßeiv)-
is oí S' èv xai Xóyto xfjv ßiav [xóvov Çrjxoüvxeç àSúvaxov Çr]-
xoüaiv èvavxta y à p eiueív à^ioüaiv, eú9úç èvavxia Xèyovxeç.
ei Sè (i.f) èaxi rcávxa Ttpóç xt, àXX' evià èaxt xai aúxà
xaÔ' aúxà, oùx àv eïr] rcãv xò <paivójJ.evov àXr)9éf• xò yàp
<paivó(jLevov xivt èaxt çaivójxevov óSaxe ó Xèytov aitavxa xà
20 ç a t v ó j x e v a eivai àXr]9tí ârcavxa 7toteí xà õvxa rcpóç xt.
Siò xai çuXaxxéov xoîç xfjv ßiav èv xto Xóyw íjrjxoüatv,
âpa Sè xai úrcéxeiv Xóyov àljioücjiv, oxi oú xò <paivó[xevov
èaxtv àXXà xò (paivójjtevov & tpaivexai xai fixe çaivexai
xai rj xai a>ç. âv S' ÚTtèxtoat [ièv Xóyov, [if| ooxto S'
25 ú-rtéxoüjt, au[Jißf|CFexai aúxoíç xàvavxia xaxú Xèyeiv. èv-
Séxerat yàp xò aúxò xaxà fièv xf)v õcjjtv [xèXi çaíveaôai
xíj Sè yeúaei \ir\, xat xtõv òçGaX^wv Suoív õvxoiv [i#|
xaúxà èxaxépqi tq õt[»et, âv ùjaLV àvóji.oiar èrcei jipóç ye
xoúç Stà xàç ítàXai eiprjfiévaç aixiaç xò <paivó|j.evov çá-
30 a x o v x a ç àXr]9èç eivai, xai Stà xoüxo m4v9' òjjioitoç eivai
<]>euSfj xai àXr]9fj' oííxe yàp âmxai xaúxà (paíveaÔai ouxe
xaúxõ àei xaúxà, àXXà rcoXXáxLÇ xàvavxia xaxà xòv aú-
xòv xpSvov (V) [ièv yàp à<pf| Súo Xèyet èv xfj èrcaXXàÇet
xã>v S a x x ú X t ú V S' 5c|)iç e v ) - — àXX' ou x i xfl a ú x f i y e xai
METAFÍSICA, r 6, 101 I o 9 • 3 4 175

despertos. Todas as aporias desse gênero abrigam a m e s m a pre-


tensão: os q u e as l e v a n t a m p r e t e n d e m q u e haja uma razão para
(ndo 2 . D e fato, eles b u s c a m u m principio, e p r e t e n d e m q u e
l a m b e m d e s t e principio h a j a d e m o n s t r a ç ã o . E n t r e t a n t o , suas 10
ações provam c l a r a m e n t e q u e eles m e s m o s não estão c o n v e n -
cidos de q u e haja d e m o n s t r a ç ã o dc tudo. C o m o já d i s s e m o s ,
seu erro c o n s i s t e no seguinte: eles b u s c a m u m a razão das coisas
para as quais não existe razão. C o m efeito, o p r i n c í p i o dc u m a
d e m o n s t r a ç ã o não pode ser o b j e t o de d e m o n s t r a ç ã o 5 .
O s q u e são dc boa fé p o d e m f a c i l m e n t e ser persuadidos,
porque isso não é difícil de c o m p r e e n d e r ; mas os que exigem ser
convencidos pelo rigor da demonstração b u s c a m algo impossível. 15

c q u a n d o são forçados a dizer coisas contraditórias, p r e t e n d e m


1er razão ao dize-las"'.
(a) O r a . se nem todas as coisas são relativas, mas há algumas
que e x i s t e m e m si c por si, n e m tudo o que aparece poderá ser
verdadeiro. D c fato, o q u e aparece só aparece para alguém. Por-
tanto, q u e m afirma q u e tudo o q u e aparece é verdadeiro reduz 20
lodos os seres a relativos'.
(b) Por isso, os que b u s c a m o rigor do raciocínio c, ao mes-
mo tempo, a c e i t a m s u b m c t e r - s c aos raciocínios, devem prestar
a t e n ç ã o ao seguinte: o que aparecc não existe c m geral, mas
para a q u e l e a q u e m aparece, q u a n d o aparece, e n q u a n t o aparece
c do m o d o c o m o aparece. E se a c e i t a m raciocinar, mas não acci- 25

Iam essas restrições, logo cairão c m contradição. D e fato, c pos-


sível q u e à m e s m a pessoa algo pareça mel à vista c não ao gosto;
c t a m b é m é possível, dado que os olhos são dois, que as coisas
não pareçam idênticas a ambos, no caso dc terem diferente capa-
cidade visual. Todavia, aos que a f i r m a m , pelas razões a c i m a ex-
postas, q u e o que aparece é verdadeiro c, portanto, todas as coi- 30
sas são i g u a l m e n t e verdadeiras e falsas, porque as m e s m a s coisas
não parecem idênticas a todos, n e m parecem sempre idênticas
ao m e s m o indivíduo, mas f r e q u e n t e m e n t e parecem contrárias ao
m e s m o t e m p o (por exemplo, cruzando os dedos, o t a t o atesta
dois o b j e t o s , e n q u a n t o a vista atesta u m só); pois b e m , as estes
í c s p o n d c r c m o s que suas a r g u m e n t a ç õ e s não valem se nos refe-
1 76 T£ÏN META TA © Y Ï I K A T

35 xaxà tò aúxò ataÔr}aei xai tôaaúxtoç xai èv xcõ aùxco


ioiib XP^VÎÛ, ÛJOTE TOUT' ãv eîrj ÀXR]6€Ç. àXX' ïacoç Sià TOUT'
àvàyxri Xéyetv TOÎÇ JJLT) SI* àuopíav àXXà Xóyou X^PLV
Xéyouaiv, Öxi oùx é'axiv àXrjôèç xoüxo àXXà xoúxco àXr)9éç.
xai áSarcep Si) Tipóxepov etprjxai, àvàyxr] jtpóç xi jroieïv
5 ãítavxa x a i ixpòç SóÇav x a i aïaGrjoiv, wax' oöxe yèyovev oùx'
eaxai oúôèv pr]Ôevòç ixpoSoíjáaavxoç. ei Sè yèyovev f] eaxat,
SfjXov ííxt oùx âv eír] a7xavxa rcpòç SóÇav. exi ei ev, rtpòç
Ev i] 7tpòç cópiapévov xai ei xò aúxò xai r]piau xai taov,
àXX' où ítpòç xò StírXáatóv ye xò iaov. Ttpòç Si] xò SoÇá-
io Çov ei xaòxò âvÔpcoítoç xat xò SoÇaÇópevov, oùx Saxai ãv-
ÔpcúTxoç xò SoÇáÇov àXXà xò SoÇaCòpevov. eí ò' Sxaaxov
C o x a I j x p ò ç x ò S o Ç á Ç o v , rcpòç ã j t e t p a e a x a t xcp e ï S e t x ò S o Ç á Ç o v .

"Oti fJtèv o ú v ß e ß a t o x a x r ] S ó Ç a J i a a œ v TÒ pr| efvai àXrjÕeíç


apa Tàç àvxtxeipévaç çáaetç, xai xí aopßaivei xoïç oíixco
15 X é y o u a t , xat Sià xí oiJxto Xèyooat, xoaaüxa eipTjaöw èîtei
S' àSùvaxov XT|V àvxtçaatv ãpa àXr|9eúea9ai xará TOÜ
aÚTOü, çavepòv OTI oúSè xàvavxía apa újxápxetv ÈVSÉXETAT
TÛ aúxcõ* Ttõv p è v yàp èvavrítov ôárepov axép7}aíç èartv oùx
íjxxov, oúaíaç Sè axepíiaiç- Sè axéprjaiç à ; r ó ç a a £ ç èaxiv àíió
20 x t v o ç cópiapévou yévooç* e i oúv à S ù v a x o v apa xaxa<pávai xai
à r c o ç á v a i àXrjôtõç, àSùvaxov x a i x à v a v x í a úrcápxeiv ã p a , àXX'
rî 7TQ ã p t p c o 7} Ô á x e p o v p è v 7xíj G á x e p o v S è àjtXtõç.
j METAFÍSICA, r 6, 101 1 a 3 5 - b 2 2

rimos ao m e s m o sentido, sob o m e s m o aspecto, do m e s m o m o d o 35

e ao m e s m o t e m p o , e q u e , portanto, isso deverá ser verdadeiro ". 1 101 lb


(c) E por esta razão, é preciso dizer aos que d i s c u t e m não
por estar c o n v e n c i d o s da dificuldade, mas só por amor à discus-
são, q u e não é verdadeiro o que aparece c m geral, mas o q u e
aparece a determinado indivíduo. F., c o m o dissemos anteriormen-
te, eles d e v e m n e c e s s a r i a m e n t e tornar relativas todas as coisas:
relativas à opinião c à sensação, de m o d o q u e nada pode ter sido 5
c nada poderá Serna ausência de u m sujeito q u e opine a respeito.
M a s se algo foi ou será < m e s m o s e m ser o p i n a d o > , e n t ã o é evi-
d e n t e q u e n e m tudo será relativo à opinião'.
(d) Ademais, sc algo c um, ele deve sê-lo relativamente a
algo que seja um ou que seja n u m e r i c a m e n t e determinado; c se
a m e s m a coisa é, simultaneamente, " m e t a d e " c "igual", certamen-
te ela não c igual relativamente ao dobro. E sc, c o m relação ao
sujeito q u e opina, " h o m e m " c " o b j e t o de opinião" são a m e s m a 10
coisa, e n t ã o h o m e m não poderá ser o sujeito q u e opina, mas só o
objeto opinado. E se todas as coisas só existem c m relação ao su-
jeito opinante, por sua vez o sujeito opinante deverá ser relativo
a uma infinidade de espécies dc coisas'.
Fica, portanto, s u f i c i e n t e m e n t e esclarecido que a noção mais
sólida é a de que as afirmações contraditórias não podem ser
verdadeiras s i m u l t a n e a m e n t e , assim c o m o ficam claras as c o n -
seqüências a q u e c h e g a m os q u e afirmam o contrário, b e m c o m o 15
as razões pelas quais s u s t e n t a m isto. E c o m o é impossível q u e os
contraditórios, referidos à m e s m a coisa, s e j a m verdadeiros jun-
tos, c e v i d e n t e que t a m b é m os contrários não podem subsistir
j u n t o s no m e s m o o b j e t o . D e fato, u m dos dois além dc contrá-
rio é t a m b é m privação. O r a , a privação é n e g a ç ã o de d e t e r m i n a -
do g ê n e r o dc propriedade da substância. S c , portanto, é i m p ô s - 20

sível, ao m e s m o t e m p o , afirmar c negar c o m verdade, t a m b é m


c impossível q u e os contrários subsistam j u n t o s , a não ser q u e
existam de certo m o d o , ou que um subsista só de c c r t o m o d o e
o outro em sentido próprio''.
181
178 j TON META TA OYÏIKA F

'AXXà oùSè (J.£Taçù àvncpáaMoç èvSé-/"0" eivai


oùôév, à X X ' àvá-fX7] «pavât f j à r c o ç á v a t ev x a 6 ' évòç ÓTIOÜV.
2Ï S f j X o v SÈ Tupwxov [IÈV óptaa[Aévotç xí xò àXr|9èç x a i (JJEÛSOÇ,
TÒ fiàv -yap X é ^ e i v tò ov (xí) eivai fj TÒ [ií] ÕV e i v a i C[ÍEÜ-
8oç, TÒ öl xò õv e i v a i x a i TÒ (LÍ) 6V [Í.T] e i v a i á X r ) 9 é ç , <&axe
xai ó X£"f<jjv eivai ^ [i.^ àXï]9eùaei rj c|>eú<jexar àXX'
oíke TÒ ÕV XéyeTai eivai fj eivai ovxe TÒ [ií] ÕV. exi
3« f j x o i (JIETAÇÙ è'crxat TÎJÇ ÀVTKPÁUEAJÇ áSoTtep TO cpaiòv
( j i X a v o ç x a i X e u x o õ , Î] chç TÒ F I R ^ x e p o v àvôpwTtou x a i tintou,
ei (JL£V ouv OÜTCÜÇ, oùx ãv (AETaßaXXot (èx [LÍ) à y a G o ü yàp
eiç àyaOòv ^exapáXXei f| i x xoúxou eíç (J.^ à-fa9òv), vuv
S' àei çaívtxai ( o ù yà.p eaxi [i.exaßoXi) à X X ' f| tiç Ta àvri-
í5 xe£ji.eva xai f i e x a Ç ú ) • ei S' eari fiexaçú, xai oííxtoç e"r| òcv
1012" TIÇ eiç X e u x ò v o ù x è x [ií) X e u x o ü f É v e a i ç , vüv S ' oùx ópãTai.
èÍTi Ttãv xò SiavOTiTÒv xai VOTITÒV f| S i á v o i a f| xaxáçprlaiv f|
ÀRCÓÇTJAIV — TOÜTO 8 ' ó p i q i o ü STJXOV — o x a v ÀXRJGEÚTQ F| (JjeúSrj-
Tai- ò'Tav fièv &)Si auv8fj <pãaa f| áítoçãaa, àXr)6eóei,
5 iixav 8è cóBí, c|>eúBexai. exi Trapa Ttáaaç Sei eivai xàç
àvxicpáaeiç, ei X07011 Ê v e x a X e - f e x a i - ciure xai ouTe àXr)-
Ôeúaei TIÇ OUT' oùx àXr)0eú(T£i, x a i 7tapà TÒ ÔV x a i TÒ |Í,Í] 5V
&rcai, coaxe xai napà ylvzaw xai çÔopàv jjLexaßoXr) TIÇ
Êaxai. exi èv õaoiç févetriv T] àítócpaatç TÒ èvavxíov i%\.yí-
MUAFiSICA, T7, 1011 b23-101îa9 179

7. /Demonstração do princípio do terceiro excluído por via


de refutação]l

E t a m b é m não c possível q u e exista um t e r m o m é d i o entre


ns c o n t r a d i t ó r i o s , m a s é necessário ou a f i r m a r ou negar, do
m e s m o o b j e t o um só dos contraditórios, qualquer q u e seja ele.
( I ) Isso é evidente pela própria definição do verdadeiro e do 25

falso: falso é dizer que o ser não é ou que o não-ser é; ver-


dadeiro é dizer que o ser é e que o não-ser não é. C o n s e -
q ü e n t e m e n t e , q u e m diz dc uma coisa que é ou q u e não
é, ou dirá o verdadeiro ou dirá o falso. Mas < s e existisse
u m t e r m o médio entre os dois c o n t r a d i t ó r i o s > n e m do
ser n e m do não-ser poder-se-ia dizer q u e ou é ou não é 2 .
(2) Ademais, o termo intermediário entre os dois contradito- 3d
l ios será (a) c o m o o cinza entre o b r a n c o c o preto, ou
(b) c o m o o que não é n e m h o m e m n e m cavalo entre ho-
m e m e cavalo, (bj S c existisse u m t e r m o m é d i o desse
tipo, não poderia haver m u d a n ç a (de fato, a m u d a n ç a
vai do que não é b o m para o que é b o m , ou do que é
b o m para o q u e não é b o m ) ; mas a m u d a n ç a é continua-
m e n t e constatada (c só existe m u d a n ç a entre os contrá-
rios ou entre seus graus intermediários), (a) S c , ao con- 35
trário, existisse um t e r m o m é d i o c o m o o cinza entre o io12•
b r a n c o c o preto, e n t ã o deveria haver um processo dc
geração do branco q u e não procede do não-branco. Mas
isso não é eonstatávcP.
( \) Além disso, tudo o que é objeto dc raciocínio c de intuição
quando se diz o verdadeiro e o falso, ou c afirmado ou é
negado pelo pensamento, c o m o fica claro pela própria
definição dc verdadeiro c falso. Q u a n d o o p e n s a m e n t o
une de certo modo, seja afirmando, seja negando, diz. o
verdadeiro, c quando dc outro modo, diz o falso + .
(4) K t a m b é m , deveria existir o t e r m o m é d i o para todos os s
contraditórios, a não ser que se fale só por falar. C o n s e -
q ü e n t e m e n t e , algo poderia ser nem verdadeiro n e m falso;
c haveria algo intermediário entre ser e n ã o - s c r c , portan-
to, haveria t a m b é m um tipo dc m u d a n ç a intermediária
entre a geração c a corrupção'.
80

to p e i , x a i i v TOÚTOIÇ t a x a i , o i o v èv ápi0[xoíç oüx& i t e p i r r ò ç ouTe


où l u e p i r r ò ç àpiô|ióç' àXX' à8úva-cov ix TOÜ ó p w f i o u 8è Sfj-
Xov. ïn eiç àmeipov ßaSietrai, xai où [xóvov ^jitóXta TÒ
Õvra taxai àXXà 7tXe(A>. rcáXtv yàp earai À^O^OAI TOÜTO
itpòç XV)V <páaiv xai TÍJV àrcóçamv, xai TOUT' earai TR ^
IS y à p oúaía iarí TIÇ QCÙTOÛ ÒÍXXR). e u írcav ipofiévou eE Xeuxóv
iariv SITTQ OTI o u , oùôiv ãXXo àizo-KÍyy\xtv f| TO e i v a r àrcó-
(paatç 8è TÒ (rri eivai. iXr|Xu6e 8' ivÊoiç au*cT| ^ SóÇa
oicntep xai ãXXai TÛV napaSóÇtov ÕTav yàp Xúeiv JJLTJ
B ú v o j v r a i X ó y o u ç è p i c m x o ú ç , è v S ó v x e ç T Ã X ó y t o a t 5 | i ç a c i v àXr)-
20 8 è ç eivai TÒ auXXoyiaftév. oí (lèv ouv 8ià Toiaúrr|v ahíav
Xéyotiaiv, oi 8è 8 i à xà iuávr<ov ÇrjTeTv X ó y o v . àpxh Sè npòç
a i t a v r a ç TOÚTOUÇ optqioG, ópKJfJiàç 8è yCyveTai i x TOÜ 07]-
[iaíveiv TI àvayxaíov eivai aÚToúç- ó yàp Xôyoç ou TÒ
övo|xa 07][xeÎ0v ópia|i.òç earai. êoixe 8' ò [xèv 'HpaxXeÍTOU
25 Xóyoç, X£ycov návTa eivai xai foi] eivai, arcavra àXrjÔrí
iroieTv, ó 8' 'Avaçayópou, eivai TI (isTaÇù xfjç àvrKpáaeoúç,
n á v r a ^eoSr}- OTav f à p ( i i x ^ í ) , oöxe áyaÔòv oöxe oùx áyaOòv
t ò |XÍT|JUX, w a r ' oùBèv eînetv àXr|6éç.

8
Aicùpia|x£vojv Se TOÚTÜÍV <pavepòv ôTI xai [TÀ] (xovay^í
>o X e y ó [ x e v a xai xaTà TOÍVTCÚV àoúvaTov únápxe-tv &<nztp
Tivèç X é y o u a i v , o í [ i i v o ú ô è v çdtaxovreç à X r j ô i ç Eivai (oùGev
yàp xajXúeiv <paaiv oürwç arcavra eivai óS<mep TÒ TÍJV
Ml? TAFÍSiCA, r 7 / 3 , 1 0 1 2 a 1 0 - 3 2

(5) Ademais, t a m b é m naqueles gêneros de coisas nos quais


a n e g a ç ã o c o m p o r t a i m e d i a t a m e n t e o contrário, deveria
haver um intermediário: por exemplo, entre os n ú m e r o s to
pares e ímpares deveria haver um n ú m e r o n e m par n e m
ímpar, o q u e é impossível, c o m o fica claro pela própria
definição de par c ímpar1"1.
(6) Além disso, teríamos de ir ao infinito, e os seres não só se-
riam acrescidos da m e t a d e , mas dc m u i t o mais. D e fato,
sempre seria possível negar esse intermediário q u a n t o à
sua afirmação e q u a n t o à sua negação, e este novo t e r m o
será diferente, porque sua essência é algo diferente 7 . 15
(7) E por fim, se perguntarmos a alguém se algo é b r a n c o
e clc responder que não, não terá negado nada além do
ser < b r a n c o > : de fato, a negação significa n ã o - s e r l
Alguns filósofos a c e i t a r a m esta c o n v i c ç ã o do m e s m o m o d o
I juc aceitaram outros absurdos: não sabendo resolver certas argu-
m e n t a ç õ e s crísticas, a c a b a m c e d e n d o às próprias argumentações
c c o n c e d e m q u e seja verdadeiro o q u e sc concluiu''. Alguns for- 20
in.im essas opiniões por este motivo, outros por buscarem u m a
i a / a o para tudo'". A todos eles se responde a partir da definição.
E existe n e c e s s a r i a m e n t e definição, porque todos eles d e v e m
il.ii um significado ao q u e dizem. D c fato, a definição será exata-
m e n t e a n o ç ã o da qual o n o m e é o sinal 1 1 .
Parece que a doutrina de Heráclito, afirmando q u e todas as 25
I ois.is são c não são, torna verdadeiras todas as coisas; e n q u a n t o
,i dc Anaxágoras, afirmando que existe um t e r m o m é d i o entre os
I oui raditõrios, torna falsa todas as coisas. D e fato, quando tudo
I •.I.t misturado, a mistura não é n e m boa n e m não-boa e, conse-
q u e n t e m e n t e , dela não se pode dizer nada de verdadeiro 1 2 .

S I Itcfutaçao da opinião dos que sustentam que tudo é


verdadeiro ou que tudo é falsoj]

( 1 ) Depois dessas explicações, fica claro q u e n ã o se susten-


tam, seja individualmente, seja c m seu c o n j u n t o 2 , certas 30
afirmações de alguns de q u e nada é verdadeiro (de fato,
nada i m p e d e — eles dizem — q u e todas as afirmações
182

Stàfxexpov ouppexpov eivai), oí 8è ícávx' àX^ij. axeSòv


y à p oúxoi ol X ó y o i oí a ú x o i xcõ ' H p a x X e í x o u - ó yàp Xéyoiv
33 oxi Ttávr' àX-rjOrj x a i 7tàvxa ^euSfj, xai x^P^í Xèyei xcõv
1012 b Xóycov éxàxepov TOÓXCÕV, war' eutep àSúvaxa èxeîva, xaí
xauxa àSúvaxov eivai, êxi 8è çavepcõç àvxiçàoeiç eioiv
à ç o ú x olóv xe S p a àXr)0eíç eivai —oúSè 8fi 4ieu8eíç rcàaaç-
xaixoi ÔóÇeii y ' Sv pãXXov èvSèxEa0ai èx XGJV eiprpévcov.
5 à X X à Ttpòç rcàvxaç xoúç xoioúxouç Xóyouç a i x e î a ô a i 8eí, xa-
Qàirep èXixô*! x a i èv xoîç èitàvco Xóyoiç, o ú x i eivai xi pif|
eivai àXXà arjuaíveiv xi, <£axe èÇ ópiapoü SiaXexxéov Xa-
póvxaç xí aripaíveL xò ^üSo; ï] xò àXrjôèç. ei 8è [xrjôèv
ãXXo xò àXr)9èç cpàvai 9\ (8) àiroçávai ({»eõSóç èaxiv, àSú-
io v a x o v rcàvxa <[>euSfi eivai* àvàyxTj yàp xfjç àvxi<pàaecoç
Ôàxepov eivai pópiov àXr)9éç. Ixi ei 7tãv rj cpàvai fj àno-
cpàvai àvayxaîov, àSúvaxov àpupóxepa (JíeuSfj eivai- 9à-
xepov yàp (xópiov xfjç àvxicpàoewç cpeOÔóç èaxiv. aupißaivei
8f] x a i xò 6puXoú(xevov rcãai xoîç xoioúxoiç Xóyoiç, aúxoòç
is èaoxoúç àvatpeív. ó (xèv y à p rcàvxa àXrjGfj Xèycüv xai xòv
èvavxíov aúxoü Xóyov àXrjÔfj rcoieî, (Saxe xòv èauxoõ o ú x àXrjôfj
( ò y à p èvavxíoç oi> (prjaiv aúxòv àXrjGrj), ó Sè rcàvxa ^euSfj
xai aúxòç aúxóv. èàv 8 ' èÇaiptõvxai ó (xèv xòv èvavxíov cóç
oúx àXí]0í)ç (ióvoç èaxív, ò 8è xòv aúxoõ cóç oú <|>eu8fiç,
20 oú8èv íjxxov àrceípouç au[jtßaivei aùxoïç a i x e î a ô a i Xóyouç àXrp
9eîç xai 4»eu8eíç- 6 yàp Xèycov xòv àXT)9îj Xóyov àXir^rj
àXT)9f)ç, xoüxo 8 ' eiç àrceipov ß a S i e i x a i . — <pavepòv 8 ' oxi o ú 8 '
M I IÄI is:CA, r 3 , ] 0 1 2 o 3 3 - b 2 2 183

sejam falsas do m e s m o m o d o q u e a afirmação da c o m e n -


surabilidade da diagonal} 5 , e as d e outros de q u e t u d o
e verdadeiro.
(a) D e fato, no fundo esses raeiocínios equivalem aos de Herá-
clilo, porque q u e m afirma que tudo 6 verdadeiro e tudo é falso 4
.il M ma t a m b é m separadamente cada uma dessas doutrinas; de 35
m o d o q u e , se são absurdas as doutrinas < d c H e r á c l i t o > , t a m b é m '0i2 b
serão absurdas estas outras 5 .
(b) Ademais, existem proposições m a n i f e s t a m e n t e contradi-
I(irias c q u e não podem ser verdadeiras juntas; c, por o u t r o lado,
e x i s t e m outras q u e n ã o p o d e m ser todas falsas, m e s m o q u e isso
j i a u v c s s e mais possível c o m base n o que foi dite/'. Mas para re-
lui. ir todas essas doutrinas é preciso, c o m o dissemos nos raciocí- 5
mos p r e c e d e n t e s ' , não pretender q u e o adversário diga q u e algo
r mi não é, mas q u e s i m p l e s m e n t e dê significado a suas palavras,
de m o d o q u e se possa discutir partindo d e u m a definição, c o m e -
d i n d o por estabelecer o que significa verdadeiro e falso. Ora, sc
.1 verdade afirmada n ã o c mais que a falsidade negada, é impossí-
vel q u e todas as coisas s e j a m falsas. D e fato, é necessário q u e um io
dos dois m e m b r o s da c o n t r a d i ç ã o seja verdadeiro. Alem disso,
m' é necessário ou afirmar ou negar, é impossível q u e t a n t o a
.il H m a ç ã o c o m o a n e g a ç ã o sejam falsas: só u m a das proposições
î iHitraditórias é falsa s .
(e) 'iodas essas doutrinas c a e m n o i n c o n v e n i e n t e de se cles-
t mirem a si m e s m a s . D e fato, q u e m diz que tudo é verdadeiro
. 1111111:1 t a m b é m c o m o verdadeira a tese oposta ã sua; do q u e se
M j'iie que a sua não é verdadeira (dado q u e o adversário diz q u e
,1 lest- dele n ã o é verdadeira). K q u e m diz q u e tudo é falso diz
• |in l . i m b é m é falsa a tese q u e ele m e s m o afirma 7 . E m e s m o q u e
qucii.im a d m i t i r exceções, um dizendo q u e tudo é verdadeiro
i-y-i-lo a tese contrária à sua, o outro q u e t u d o é falso e x c e t o a
I nupi ia tese, serão obrigados a admitir infinitas proposições ver- 20
î ladeiras e falsas. C o m efeito, q u e m diz q u e uma proposição
n a d a d e i r a é verdadeira, afirma outra proposição verdadeira, c
assim a o infinito1".

(2) Depois, é e v i d e n t e (a) q u e n ã o d i z e m a verdade n e m os


q u e a f i r m a m que tudo está em repouso, n e m os q u e
184 ! TON META TA ©YÍ IK AT

of izáwx Tjpepetv Xèyovxeç àXr]&fj Xéyownv oúS' ot rcávxa


xivetoöai. ei pèv yàp íjpepeT rcàvxa, àei xaùxà àXrjôfj xai
2Î (]>£U8T) ?oxai, 9a(vexai Sè xoûxo [iexaßäXXov (ó yàp Xéyœv
iroxè aúxòç oùx fjv x a i îïàXtv oùx êaxai)- ei Sè roivxa xiveî-
xat, oùÔèv eaxat àXrjOéç- iràvxa àpa <{>eu8f)* àXXà 8è-
Seixxat 6x1 àSùvaxov. £xt àváyxri xò öv (xexaßäXXetv ex
xivoç yàp eiç xi ^ [iexaßoXfi. àXXà [if|v oùSè roivxa fjpe-
>0 p e î ^ xiveîxai rcoxè, àei S' où9év £axt y à p xi 0 àei xiveï xà
xtvoù[xeva, xai xò rcpcõxov xtvoõv àxívrçxov aúxó.
METAFÍSICA, r e . 1012022 -31

d i z e m q u e t u d o está e m m o v i m e n t o " . C o m efeito, se


t u d o está e m r e p o u s o , as m e s m a s c o i s a s s e r ã o s e m p r e
verdadeiras e s e m p r e falsas; n o e n t a n t o , é e v i d e n t e q u e
as c o i s a s m u d a m : a m e s m a p e s s o a q u e s u s t e n t a e s t a t e s e
n ã o existia c m c e r t o t e m p o e e m seguida n ã o existirá12.
S e , ao c o n t r á r i o , t u d o e s t á e m m o v i m e n t o , n a d a será
v e r d a d e i r o e , p o r t a n t o , t u d o será f a l s o ; m a s f o i d e m o n s -
t r a d o q u e isso c impossível. A d e m a i s , n e c e s s a r i a m e n t e ,
o q u e m u d a é u m ser e a m u d a n ç a o c o r r e a p a r t i r d e
alguma coisa c c m direção a alguma coisa15,
( b ) E t a m b é m n ã o é verdade q u e t u d o e s t e j a às vezes e m
i c p o u s o e às v e z e s c m m o v i m e n t o , e q u e n ã o e x i s t a n a d a d e
eterno. D c fato, existe algo q u e sempre m o v e o q u e está c m mo-
v i m e n t o , e o p r i m e i r o m o v e n t e é , p o r si, i m ó v e l
LIVRO

A
(QUINTO)

ãlHISlH
1

'Apxf] Xéyexat i] (ièv OÔtv ãv xiç ioü TupdtYuaxoç i


35 XIVTIÔEÍR) i t p c õ T O v , o í o v x o ü [ i r p c o u ç x a i ô B o ü è v x e ü ô e v [xèv OUTT)
1013* àpx^i) iÇ è v a v r í a ç Sè Éxépa- i ] Bê. 8 0 t v âv xáXXwrca Kxaaxov
yévoLTO, o í o v x a i [ j . a 9 r | a £ ü j ç o u x à r c ò x o ü i t p ú x o u x a i x f j ç TOÜ
TcpáT^atoç àpxíjç èvíoxt àpxxéov àXX' 80EV pãcrr' âv [IÁ-
0or V] B è <59zv îipùiTov yí-piexai évuTiápxovxoç, o í o v tí>ç i t X o í o u
5 TPÓMÇ xai oíxíaç ÔqxéXioç, xai TCOV ÇCÓGÍV oí jxèv xapBíav
oí Bè èyxéçaXov oi S' 8 xt ãv xux^ai xoioöxov UTtoXafxßdt-
vouaiv í) Sê. Sfltv yi-fvexai irpãixov [if] èvtmápxovxoç xai
Í59ev Ttpüxov i\ x C v r j m ç rcéçuxev ãpxwOai xai íj (xexaßoXi),
oíov xò xéxvov ix xoC íiaxpòç xai xfjç [i.r)xpòç xat í] [J-áx7!
èx xíjç XoiBopíaí* Bà ou xaxà upoaEptatv xiveïxai xà
xivoú|xeva xai |iexaßäXXtt xà (lExaßdXXovxa, óSan&p aï
xe xaxà TióXtiç ápxat xai aí BuvaaxeTai xai aí ßaaiXeTat
xai xupawíStç àpxai Xéyovxai xai ai léxvai, xai TOÚXGJV
aí àpxixexxovixai |iàXLaxa. Ext íSflev fvcúaròv xò Tipay^a
ij íipãixov, xai auxT) àpxí] Xéfexai xoü upáyfiaxoç, oíov
xûv àitoStt£e<úv aí ÛTCotiéacii;. Eaaxûç Bê, xat xà aïxia
XÉyexai- ítávxa yàp xà atxia àpxaí. itaa&v (xèv ouv xoi-
J. IOs significados de princípio]1

{1 ) P r i n c í p i o s i g n i f i c a , n u m s e n t i d o , a p a r t e de a l g u m a c o i s a
de o n d e s c p o d e c o m e ç a r a m o v c r - s c ; por e x e m p l o , u m a 35
reta o u u m c a m i n h o t ê m u m p r i n c í p i o d c u m l a d o , e d o
lado oposto t e m outro2. 10

(2) N o u t r o sentido, princípio significa o m e l h o r p o n t o d c par-


tida para c a d a coisa; por e x e m p l o , n o a p r e n d i z a d o d c
u m a c i ê n c i a , às vezes n ã o se deve c o m e ç a r d o q u e é o b j e -
t i v a m e n t e p r i m e i r o c f u n d a m e n t o da coisa, m a s d o p o n t o
a partir do q u a l p o d c - s c a p r e n d e r m a i s f a c i l m e n t e ' .
(3) P r i n c í p i o s i g n i f i c a a i n d a a p a r t e o r i g i n á r i a e i n e r e n t e à
coisa a partir da q u a l ela deriva 4 : por e x e m p l o , a q u i l h a de
u m a n a v e , os f u n d a m e n t o s d c u m a c a s a c , n o s a n i m a i s , 5

o c o r a ç ã o s e g u n d o a l g u n s 5 , o c é r e b r o s e g u n d o outros f \
ou a i n d a a l g u m a o u t r a p a r t e s e g u n d o o u t r o s .
(4) E m outro sentido, princípio significa a causa primeira e
n ã o i m a n e n t e da g e r a ç ã o , o u seja, a c a u s a p r i m e i r a d o
m o v i m e n t o c da m u d a n ç a ; por e x e m p l o , o filho deriva
d o pai e da m ã e , e a rixa d e r i v a da o f e n s a ' .
(5) N o u t r o sentido, princípio significa aquilo por cuja vontade io
se m o v e m as coisas q u e se m o v e m e m u d a m as coisas q u e
m u d a m ; corno são, por exemplo, as magistraturas das cida-
des, as oligarquias, as monarquias e as tiranias, c do m e s m o
m o d o as artes c, entre estas, s o b r e t u d o as arquitetônicas*.
( 6 ) A d e m a i s , o p o n t o d e partida para o c o n h e c i m e n t o de u m a
c o i s a t a m b é m é d i t o p r i n c í p i o da c o i s a ; as p r e m i s s a s , 15
por e x e m p l o , são p r i n c í p i o s das d e m o n s t r a ç õ e s ' ' .
E m igual n ú m e r o d e sentidos se e n t e n d e m t a m b é m as causas,
pois todas as c a u s a s são princípios 1 ".
I
190 I TUN META TA © Y I I K A A

vòv xwv àpx<õv tò rcpwxov EÏvat oöev ^ èaxiv yíyvexat


ytyvtóaxexat* xoúxtov 8è aí jièv èvuTiápxouaaí etaiv aí Sè
20 èxxóç. Biò f| t e cpúaiç àpxí) xaí xò axotxeíov xai T] Biàvota
xai r| repoaípeaiç xai oúaía xai xò oú evexa- TUOXXCÙV yàp
xai xoü yvã>vai xaí xfjç xivTjaecjç àpxí) xàya0òv xai xò
xaXóv.

2
Aixiov Xéyexai ïva [iiv xpórcov oú yíyvexaí xi èvo-
25 T r á p x o v x o ç , oíov ò x®X*òç xoõ àvSptávxoç xai ó ãpyupoç
xfjç (piáXrjç xat xà Toúxtov yévrj' ãXXov 8è TÒ EÍSOÇ xai
TÒ T i a p á S e i y p a , xoüxo 8' èaxiv ó Xóyoç xoü xí íjv eivai xat
xà xoúxou yévr) (olov xoü 8ià Jtaaeõv xò 8úo npòç ev xat
0'XCÚÇ ó àpiSfjLÓç) xai xà fiéprj xà èv xtc> X ó y c p . éxi o0ev ri
30 à p x ^ l xfjç [leTaßoXrii f) reparo] ï| xrjç ^pefirjaecoç, olov ó
ßouXeüaa; aíxioç, xai ò rcaxfjp x o ü x é x v o o x a i OXOÍÇ x ò rcotoüv
xoõ Tcoioufièvoü x a i xò fiexaßXrjxixov xoü p t e x a ß 6 X X o v x o £ . èxt
(I)ç x ò xèXoç' xoüxo 8' èaxi xò oú e v e x a , olov xoü Ttepimxxeïv
rj úyíeia. 8ià xí yàp irepircaxei; cpafiév. tva úyiaívr). xaí
35 eiítóvxeç oúxwç oiófieOa àiroSeStùxévai xò a'ixiov. xai Öaa
Si] xivqaavxoç àXXou fiexaÇú yíyvexai xoü xéXouç, oíov xfjç
1013b úyieíaç f| iaxvaaía f| f) xà9apatç f[ xà tpàpfjiaxa f) xà
õpyava - návxa yàp xaüxa xoü xéXouç èvexá èaxt, Siaipépet
8è àXXr|X(jJv GJÇ õvxa xà fièv Õpyava xà 8' èpya. xà fièv
oúv aixia axeSòv xoaauxaxwç Xéyexai, aufißatvei 8è TTOX-
5 Xaxâ>ç Xeyofiévtov xtõv aixítov xai rcoXXà xoü aúxoõ aixia
eivai oú xaxà aufjißeßTixoi (oíov xoü àvBpiàvxoç xaí T| àv-
8ptavxo7toiT]xixíi xai ó xaXxòç oú x a 0 ' exepóv xi àXX' fj àv-
METAFÍSICA, A 1/2, 1 0 1 3 a 1 3 - b 7 191

P o r t a n t o , c c o n r u m a t o d o s os s i g n i f i c a d o s d c p r i n c í p i o o
f a t o d c ser o p r i m e i r o t e r m o a partir d o q u a l a l g o c o u é g e r a d o
ou é c o n h e c i d o " .
D e s s e s p r i n c í p i o s , a l g u n s são i n e r e n t e s à c o i s a , outros são ex-
ternos 1 2 . Por isso são princípio a n a t u r e z a , o e l e m e n t o , o p e n s a m e n - 20
to, o querer, a s u b s t â n c i a c o fim ( d c fato, p r i n c í p i o d o c o n h e c i -
m e n t o e do m o v i m e n t o d c m u i t a s coisas são o b e m c o b c l o r ' ) H .

2. [Os significados de causa]'

( 1 ) C a u s a , n u m s e n t i d o , s i g n i f i c a a m a t é r i a d c q u e são fei-
tas as c o i s a s : por e x e m p l o , o b r o n z e da e s t á t u a , a prata 25

da t a ç a e s e u s r e s p e c t i v o s g c n c r o s 2 .
(2) E m o u t r o s e n t i d o , c a u s a s i g n i f i c a a f o r m a e o m o d e l o ' ' ,
o u s e j a a n o ç ã o da e s s ê n c i a e s e u s g c n c r o s ; por e x e m -
plo, na oitava a c a u s a f o r m a l é a r e l a ç ã o d c dois para u m
c ,' c m soe r a i , o n ú m e r o ' 1 . E < c a u s a n e s t e s c n t i d o > são
t a m b é m as p a r t e s q u e e n t r a m na n o ç ã o da essência''.
(3) A d e m a i s , causa significa o p r i n c í p i o p r i m e i r o da r n u d a n - 3u
ça o u d o r e p o u s o ; por e x e m p l o , q u e m t o m o u u m a d e c i -
são c c a u s a , o pai é causa d o filho c, c m geral, q u e m faz c
a c a u s a cio q u e é f e i t o c o q u e é c a p a z d e p r o d u z i r m u -
d a n ç a é c a u s a d o q u e sofre m u d a n ç a ' ' .
(4) A l e m disso, a c a u s a s i g n i f i c a o f i m , q u e r dizer, o p r o p ó -
s i t o da c o i s a : por e x e m p l o , o p r o p ó s i t o clc c a m i n h a r é a
s a ú d e . D e f a t o , por q u e m o t i v o se c a m i n h a ? R e s p o n d e -
m o s : para ser s a u d á v e l . E d i ? , e n d o isso c o n s i d e r a m o s t e r 35
d a d o a c a u s a d o c a m i n h a r . E o m e s m o vale para t o d a s
as c o i s a s q u e são m o v i d a s por o u t r o c são i n t e r m e d i á r i a s
e n t r e o m o t o r e o f i m ; por e x e m p l o , o e m a g r e c i m e n t o ,
a p u r g a ç ã o , os r e m é d i o s , os i n s t r u m e n t o s m é d i c o s são 1013h
t o d o s c a u s a s da s a ú d e . C o m e f e i t o , t o d o s e s t ã o c m f u n -
ç ã o d o f i m c d i f e r e m e n t r e si e n q u a n t o a l g u n s são i n s t r u -
m e n t o s e outros ações'.
P r o v a v e l m e n t e e s t e s são t o d o s os s i g n i f i c a d o s d c c a u s a . E
j u s t a m e n t e p o r q u e a c a u s a se e n t e n d e c m m u i t o s s i g n i f i c a d o s ,
segue-se q u e existem m u i t a s causas do m e s m o objeto, e não 5
IM TßNMETATAOYIlKAA

8puxç- àXX' OÙ x ò v aúxòv xpórcov àXXà xà jièv Á>Ç ÍÍXT) xò


8' tòç Ö 9 e v ri xívTjaiç), xai àXXrjXoov aixia (oTov xò rcoveív
10 x f j ç eúeÇíaç xai aíixr) xoü rcoveiv àXX' oú xòv aúxòv xpórcov
àXXà xò jxèv (óç xéXoç xò 81 <úç àpX^l xivrjaeíoç). txi 8è
xaúxò xcõv èvavxíttpv eoxtv 8 yàp irapòv atxiov xou8í,
xoüx' àiiòv ahitótieÔa evtoxe xoü i v a v x í o u , o ï o v xí)v àitouaíav
xoö xußepvT[xou xfjç àvaxpojtfiç, ou fjv Jtapouaía a ix t a xrjç
isCTwxTipíaç-£fi<po) 8 é , xai Tj napouaía xai rj axépT|aiç, atxia
(óç xivoúvxa. — âÍTiavxa ôè xà vüv eíprjfjLÉva a i x i a eiç xéxxa-
paç ipónovç Tîiîixet x o ù ç (paveptoxáxouç. xà (xèv y à p axoixeía
XÔ3V <n>XXaßä>v xai T[ UXT] X£ÙV axeuaaxtõv xai xò nüp
xai f} yri xai xà xoiaõxa Jtávxa xcüv awfiáxcav xai xà
2o |x£pT] x o ü ò'Xou xai aí únoBéauç xoü au(inepá<J(Jiaxoç á>ç xò
iç où a i x i á iaxiv- XOÚXÍOV S e x à jjtèv <&ç x ò t S i r a x e í f i e v o v , olov
xà p-épiQ, xà 8è (!>ç x ò xí fjv eivai, xó xe ôXov xai ïj róv-
9eaiç xai xò eiSoç. xò 8è <ncépfm xai ó taxpòç xai ò ßou-
Xeúaaç xai ÔXtoç xò rcotoõv, ítávxa 39tv T) àpxí| vr\<z fiexa-
25 poXfjç í) axáaewç. xà 8' tóç xò x£Xoç xai xàyaôòv
xtSv àXXcov xò yàp où evexa péXxtaxov xai xéXoç xcõv
àXXaiV i9éXei eivai- Biaipepéxto 8è [irjSèv auxò eijieív àya
9òv fj (paivófievov àya9óv. — xà (ilv ouv aíxia xaõxa xaí
xoaaúxá lati xü eiBei, xpórcoi 8è xcäv aixícov ápiÔfitõ jxév
>o eEai T c o X X o í , xe<paXaioù[Jievot 8è xai ouxoi èXáxxouç. Xéyovxai
yàp aixia îtoXXaxûç, xai auxtõv xã»v ófioeioõüv Trpoxépcoç
xai úaxépwç ãXXo ãXXou, olov úyieíaç ò iaxpòç xai ó xexví-
X7)ç, xai xoü 8ià itaaâiv xò SuiXáaiov xai àpi9(i.óç, xai àei
xà Tcepiéxovxa ó x i o ü v xã»v x a 9 ' i'xaaxa. ë x i 8 ' OÍÇ XÒ a u j i -
a ßeßrjxo? xai x à x o ú x t ü v ytvr\, oTov à v S p t á v x o ç àXXíoç Í I o X ú -
METAFÍSICA. A 2, 1013 b 8 • 35 193

a c i d e n t a l m e n t e . Por e x e m p l o , t a n t o a a r t e de e s c u l p i r c o m o o
b r o n z e são c a u s a s da e s t á t u a , c n ã o da e s t á t u a c o n s i d e r a d a s o b
diferentes aspectos, mas j u s t a m e n t e e n q u a n t o estátua; todavia
n ã o s ã o do m e s m o m o d o c a u s a s , m a s u m a é c a u s a c o m o m a t é -
ria c a o u t r a c o m o p r i n c í p i o d o m o v i m e n t o " . S e g u e - s e t a m b é m
q u e e x i s t e m c a u s a s r e c í p r o c a s : o e x e r c í c i o físico, por e x e m p l o , é
c a u s a cie vigor c e s t e é c a u s a d a q u e l e , m a s n ã o d o m e s m o m o d o :
o vigor é c a u s a e n q u a n t o f i m , o o u t r o e n q u a n t o p r i n c í p i o d e 10
m o v i m e n t o 9 . A d e m a i s , a m e s m a c o i s a p o d e ser c a u s a de c o n t r á -
rios. D e f a t o , a q u i l o q u e c o m sua p r e s e n ç a é c a u s a d c a l g u m a
c o i s a , ás v e z e s é c a u s a d o c o n t r á r i o c o m sua a u s ê n c i a . Por e x e m -
plo, a a u s ê n c i a d o p i l o t o c c a u s a cio n a u f r á g i o ; a sua p r e s e n ç a , a o
c o n t r á r i o , c c a u s a d c salvação" 1 . T a n t o a p r e s e n ç a c o m o a a u s ê n c i a
são causas m o t o r a s . 15

As c a u s a s d c q u e f a l a m o s r c d u z c m - s e a q u a t r o t i p o s . D e
( a i o , as letras das s í l a b a s , a m a t é r i a d o s a r t e f a t o s , o fogo, a terra
c I odos os o u t r o s c o r p o s c o m o estes, as partes do t o d o c a s p r e m i s -
sas das c o n c l u s õ e s são c a u s a s n o s e n t i d o d c q u e são a q u i l o de q u e
as coisas d e r i v a m . E , e m geral, d e s t a s " (1) a l g u m a s são causas c n - 20
q u a n t o s u b s t r a t o ( p o r e x e m p l o , as p a r t e s ) 1 2 , ( 2 ) o u t r a s e n q u a n t o
e s s ê n c i a (o t o d o ' \ a c o m p o s i ç ã o 1 ' 1 c a f o r m a ) . ( 3 ) O s ê m e n , o
m é d i c o , q u e m o p e r a u m a e s c o l h a c , c m geral, o a g e n t e são p r i n c í -
pios dc m u d a n ç a ou d c q u i e t u d e " . (4) O u t r a s são causas e n q u a n -
to s ã o o f i m c o b e m d c o u t r a s c o i s a s : o e s c o p o c o b e m s u p r e m o 25
c o f i m das o u t r a s c o i s a s ( e a q u i n ã o i m p o r t a q u e se t r a t e do b e m
< r c a l > ou do b e m aparente)"'.

P o r t a n t o , e s t a s são as c a u s a s c e s t e é o n ú m e r o d c suas e s -
p é c i e s . O m o d o cie ser das c a u s a s são n u m e r o s o s , m a s t a m b é m
c i e s são r e d u t í v e i s a p o u c o s 1 ' .
(A) T a m b é m as c a u s a s da m e s m a e s p é c i e se e n t e n d e m c m 30
m u i t o s s i g n i f i c a d o s ; e n t r e e s t e s , u m a é causa e m s e n t i d o a n t e r i o r
c a o u t r a , e m s e n t i d o posterior: por e x e m p l o , t a n t o o m e d i c o c o m o
(j p r á t i c o são c a u s a s da s a ú d e , c são c a u s a da oitava t a n t o o d o b r o
c o m o o n ú m e r o , e as c a u s a s gerais q u e e n v o l v e m as causas parti-
culares são c a u s a de c a d a u m dos e f e i t o s p a r t i c u l a r c s ' s .
( B ) E x i s t e m , a d e m a i s , as c a u s a s a c i d e n t a i s e s e u s g ê n e r o s :
m i m s e n t i d o a c a u s a da e s t á t u a é o e s c u l t o r e n o u t r o é P o l i c l e t o , is
T í i N META T A ® Y S IK A A

xXeixoç xai íXXwç àvSpiavxoTtoióç, Sri aopߣßir)xe TÜ àv-


1014' SpiavroTtoicp NOXUXXEÍTCP eivai* xai xà Ttepièxovxa 8è TÒ
aupßeßTjxöi, olov àvOpawtoç aïxLoç àvSpiàvxoç, xat OÀcoç
Çãiov, Sxi ò üoXúxXeixoç àv0pcoTtoç ó Sè ãv0pu>Ttoç Çcpov.
è a x i S è x a i xcõv a u p ß e ß T ] x 0 x c o v aXXa ãXXcov Ttoppcóxepov xai
5 èyyúxepov, olov ei ó Xtuxòç xai ò pouaixòç atxioç Xèyoixo
TOÜ à v S p i à v x o ç , àXXà [XÍ) póvov ÜoXúxXeixoç FJ av0pconoç.
itapà Ttàvxa Sè xai Tà oixeícoç Xeyópeva xai Tà xará
aufxßeßrjxö^, xà pèv cÓç Suvàpeva Xèyexai xà 8' cóç èvep-
yoüvxa, o l o v xoû o i x o 8 o p e ï a 0 a i o i x o S ó p o ç i] o i x o S o p c õ v oÍxo-
10 S ó p o ç . òpoícoç 8è Xex0T)«xat x a i ^p'

x o ï ç e Í p 7 j p i v o i ç , o l o v x o ü S e TOÜ à v S p i á v r o ç f| à v S p i à v r o ç ^ SXcoç
eixóvoç, xai xaXxoÜ xoüSe f; x a X x o ü í) ôXcoç uX-qç- xai èiti
xtõv aupßtßrixoxcov coaaÓTCoç. £xi 8è aopítXexópeva xai
TaÜTa xàxeïva XexOricexai, olov où ÜoXúxXeixoç oúSè àv-
15 8 p i a v r o T t o i ò ç àXXà ÜoXúxXeixoç àvSpiavxoTtoióç. àXX'
ôpüjç cbtavxá ye xaõx' èoxi xò pèv TtXíjOoç eí;, Xeyópeva
Sè Six"?' f] yàp cóç xò xa0' è'xaaxov il cóç xò yévoç, í}
cóç xò CTUpߣßTJXÒç í\ cóç xò yévoç xoü aopßeßT|xóxoç, i}
cóç a o p T t X e x ó p e v a x a ü x a 7] cóç àTtXõíç X e y ó p e v a , T t à v x a S è f| cóç
20 è v e p y o ü v x a f) xaxà 8úvapiv. Siaçèpet 8è xoaoüxov, öxi xà
pèv èvepyoüvxa xai xà xa9' exaaxov àpa eaxi xai oùx eari
xai cóv aíxia, olov í>8e ò îaxpeùcov xcõSe xcõ úyiaÇopévcp
xai ò'Se ó ofxoSópoç xcõSe xcõ oixoSopoupévco, xà Sè xaxà
Súvaptv oùx àeí- ç9eípexai yàp oúx âpa fj oixía xai ó
2j oixoSópoç.
METAFÍSICA, A 2 , l 0 1 3 b 3 6 - 1 0 U o ? 5

p o r q u e a c o n t e c e ser e l e o e s c u l t o r , E s ã o c a u s a s t a m b é m os g ê - 10

n e r o s das c a u s a s a c i d e n t a i s q u e i n c l u e m as c a u s a s acidentais
p a r t i c u l a r e s ; por e x e m p l o , a c a u s a da e s t á t u a é o h o m e m o u , c m
geral, o a n i m a l , p o r q u e P o l i c l e t o é h o m e m e h o m e m é a n i m a l .
T a m b é m e n t r e as causas a c i d e n t a i s , a l g u m a s são m a i s l o n g í n q u a s ,
o u t r a s m a i s p r ó x i m a s ; c o m o , por e x e m p l o , se a l g u é m dissesse
q u e a causa da e s t á t u a é o b r a n c o c o m ú s i c o , e n ã o só P o l i c l e t o 5
e o homem ". 1

( C ) T o d a s as c a u s a s — q u e r s e j a m e n t e n d i d a s c m s e n t i d o
p r ó p r i o , q u e r e m s e n t i d o a c i d e n t a l — s ã o a s s i m c h a m a d a s , (a)
a l g u m a s e n q u a n t o são e m p o t ê n c i a , ( b ) o u t r a s e n q u a n t o são
c m a t o : da c o n s t r u ç ã o d e u m a c a s a , por e x e m p l o , a c a u s a é u m
a r q u i t e t o que pode construir, ou u m a r q u i t e t o q u e está atual-
m e n t e c o n s t r u i n d o 2 1 1 . ( O m e s m o vale para os e f e i t o s p r o d u z i d o s
pelas c a u s a s ; por e x e m p l o , poclcr-sc-á dizer q u e algo é c a u s a dessa 10

e s t á t u a p a r t i c u l a r , o u da e s t á t u a o u , e m g e r a l , da i m a g e m ' ; c
2

poder-se-á t a m b é m dizer q u e é causa desse b r o n z e particular,


o u d o b r o n z e o u , c m geral, da m a t é r i a 2 2 . E o m e s m o vale p a r a os
efeitos acidentais)2'.
( D ) A d e m a i s , p o d c r - s c - á falar e c o m b i n a r as c a u s a s e n t e n -
didas c m s e n t i d o p r ó p r i o e as c a u s a s e n t e n d i d a s c m s e n t i d o a c i -
d e n t a l ; por e x e m p l o , q u a n d o n ã o se cliz s i m p l e s m e n t e " P o l i c l e t o "
ou " e s c u l t o r " , m a s " P o l i c l e t o e s c u l t o r ' " 2 4 .
T o d a s essas c a u s a s se r e d u z e m a seis, c c a d a u m a d e l a s ,
u l t e r i o r m e n t e , c e n t e n d i d a n u m d u p l o s c n t i d o 2 \ Elas são c a u s a s
o u (1) c o m o particular o u (2) c o m o gênero, ou (3) c o m o a c i d e n t e ou
(4) c o m o género do acidente, ou (5) c o m o c o m b i n a d a s umas c
o u t r a s o u (6) c o m o t o m a d a s c a d a u m a por si; c t o d a s elas são
e n t e n d i d a s (a) o u c o m o c a u s a s c m a t o o u ( b ) c o m o c m p o t ê n -
c i a 2 6 . P o r é m , e s t a s d i f e r e m n o s e g u i n t e : as c a u s a s e m a t o c as 20
causas particulares e x i s t e m o u n ã o e x i s t e m c o n t e m p o r a n e a m e n t e
às coisas das quais são c a u s a s ; por e x e m p l o , e s t e m é d i c o particular
q u e está c u r a n d o c e s t e p a c i e n t e p a r t i c u l a r q u e é c u r a d o , o u es-
te a r q u i t e t o p a r t i c u l a r q u e e s t á c o n s t r u i n d o e e s t a c a s a q u e es-
tá ern c o n s t r u ç ã o . A o c o n t r á r i o , para as c a u s a s c m p o t ê n c i a n ã o
é s e m p r e a s s i m : d e fato, a c a s a e o a r q u i t e t o n ã o p e r e c e m a o
m e s m o tempo27. 25
196 T ß N META T A ÍPYZIKA A

STOIXEÎOV XéfExai èÇ ou aúfxenai jtpojxou Ivim&p-


Xovxoç àStaipéxou xã> eîBei e£ç é'xepov eïSoç, oTov çùjvrjç
aroixEÏa éÇ œv auyxaxat ï] <pa)vf] xat eîç & Siatpeixai
ÏT/axa., èxeîva 8i (jtT)xéx' dç àXXaç çaivàç éxépaç xâj
30 E Ï S E I aùxûv, &XXà xâv Siaipïjxai, xà [xópia ó[XoeiSíj, oíov
uóaxoç xò [ióptov CíStop, àXX' où xfjç aiAXapíjç. ófxoftoç 8è
xai xà xã>v acofjtaxiov axoixEÎa Xè^ouaiv oí Xéfovxeç eíç a
Biaipeíxai xà atófxaxa eoxaxa, èxeîva Bè firjxêz' cîç àXXa
EÏSEI 8ta<p£povxa- xai eíxe ëv etxe nXeíto xà xoiaõxa,
35 x a ü x a axoixÊÏa XéyouaLv. TrapaitXiriaúoç 8i xat xà xaiv
Siaypajxfjiáxtúv aroixeía Xiyexai, xai SXtoç xà xã>v àno-
Setíjtow at yàp jipaixat àitoSeíÇetç xai èv ítXeíoaiv àrco-
1014b Seíçeatv èvuroxpxouaai, aùxat OXOIX^ía TÕ>V ÀJROSTÍ^WV XI-
fovxai- elui Bè xotoöxoi <juXXofio[xoi oí np&xoi ix xãiv
xpiòjv St' ivòç [léuou. xai fxexaçépovxeç Si <TZOLXZÍOV xaXoõ-
uív ivxeij0ev o ãv ev ov xai [Aixpòv éni noXXà fj XP^al"
5 JJLOV, 8tò xai xò [xixpòv xai á7cXoõv xai àStaípexov axot-
XETOV XéfExai. Ô0ev èXr)Xu8e xà (jtáXtdxa xa0óXou AXOIX^ía
tlvat, c k i Sxacrrov aúxcãv ev 5v x a i ànXoüv èv n o X X o T ç urcáp-
X " TL ÎTÂ^LV RJ ÖXL ïtXeiaxotç, xai xò ev xai xrjv TRCIY[XÍIV
àpxáç xiat Soxetv eTvat. ind ouv xà xaXoúfxeva yevT]
io x a ô ó X o u xai dtSiaípexa (où fàp &ro Xófoç aùxcôv), axotXEÍa
xà YÉVT] X£fou<j£ xiveç, xai ^iãXXov fj XTJV Staçopà.» öxi
xaGóXou [xãXXov xò yivoq- <i> [xèv yàp 8ia<popà úiráp-
X^t, xai xò yévoç àxoXouGeí, a> 8è xò ^ívoç, où rcavxi i\
Staçopá. à7uávx(ov 81 xoivòv xò eTvat axoixetov èxácrtou xò
is ítpGÓxov á v u 7 r á p x o v áxácrta).
METAFÍSICA, A 3 , 1 0 l 4 c 2 6 - b 1 5 197

3. [Os significados de e/emento]'

E l e m e n t o < t e m os s e g u i n t e s s i g n i f i c a d o s > .
(1) O p r i m e i r o c o m p o n e n t e i m a n e n t e d o q u a l é c o n s t i t u í -
da u m a c o i s a c q u e é indivisível c m o u t r a s e s p é c i e s 2 .
(a) Por e x e m p l o , os e l e m e n t o s da voz são as partes das quais a
voz é c o m p o s t a c nas quais se dissolve; estas, c o m efeito, n ã o po-
d e m mais dissolver-se c m sons ulteriores, diferentes entre si pela
c s p c c i c . E m e s m o q u e f o s s e m u l t e r i o r m e n t e divididas, suas partes
seriam s e m p r e da m e s m a c s p c c i c c o m o , por e x e m p l o , a água é parte 30
da água, e n q u a n t o a sílaba n ã o é parte da sílaba. E , de m o d o s e m e -
l h a n t e , t a m b é m os q u e falam dos e l e m e n t o s dos corpos e n t e n d e m
por e l e m e n t o s as partes ú l t i m a s nas q u a i s os corpos se d i v i d e m :
partes q u e , u l t e r i o r m e n t e , n ã o são mais divisíveis c m outras espécies
diferentes. E q u e r exista destas partes u m ú n i c o tipo, q u e r e x i s t a m
m a i s de u m , esses filósofos os d e n o m i n a m e l e m e n t o s 5 .
(b) D c m o d o s e m e l h a n t e se fala de e l e m e n t o s das d e m o n s t r a - 35
ç õ e s g e o m é t r i c a s c, c m geral, d c e l e m e n t o s das d e m o n s t r a ç õ e s .
D c fato, as d e m o n s t r a ç õ e s q u e são p r i m e i r a s e q u e e s t ã o i m p l í c i -
tas e m m u i t a s outras d e m o n s t r a ç õ e s são c h a m a d a s e l e m e n t o s das 1014'
d e m o n s t r a ç õ e s : dessa n a t u r e z a são os s i l o g i s m o s p r i m e i r o s c o n s -
t i t u í d o s d c três t e r m o s , dos quais u m t e m a f u n ç ã o de médio' 1 .
( 2 ) A l g u n s , por t r a n s f e r ê n c i a , (a) c h a m a m e l e m e n t o o q u e ,
s e n d o u m c p e q u e n o , p o d e servir a m u i t a s coisas". Por
isso o p e q u e n o , o s i m p l e s c o indivisível são c h a m a d o s 5
elementos6.
(b) D a q u i deriva a c o n v i c ç ã o de q u e as coisas q u e são m a i s
universais são m a i s e l e m e n t o s , e n q u a n t o cada u m a delas, s e n d o
u m a e s i m p l e s , e s t á p r e s e n t e c m m u i t a s coisas 7 ; c m todas o u na
maioria delas". E d a q u i deriva t a m b é m a c o n v i c ç ã o ele q u e o u m
c o p o n t o — s e g u n d o a l g u n s — são e l e m e n t o s 4 . O r a , d a d o q u e os
g ê n e r o s são universais c indivisíveis 1 " ( d c fato, deles n ã o existe d e - 10
f i n i ç ã o ) , alguns fikísofos s u s t e n t a m q u e eles são e l e m e n t o s " , e
c o m m a i o r razão do q u e as d i f e r e n ç a s , p o r q u e o g ê n e r o c m a i s
universal. D e fato, o n d e há d i f e r e n ç a há t a m b é m s e m p r e o g ê n e r o ,
e n q u a n t o q u e o n d e h á o g ê n e r o n e m s e m p r e há d i f e r e n ç a 1 2 .
C o m u m a t o d o s esses s i g n i f i c a d o s é o s e g u i n t e : e l e m e n t o
d e cada c o i s a é o c o n s t i t u t i v o p r i m e i r o a ela i m a n e n t e 1 " ' . 1?
TUN META TA DYIIKA A

4
<Dúatç Xèyexai é'va pèv xpórcov f) xcõv çuopèvcov yé-
veoiç, olov EÏ TIÇ è n e x T e í v a ç Xèyot TÒ t>, é'va Sè èÇ o u çúe-
Tai Ttpcórou TÒ cpuópevov èvuTtápxovToç- ETI 8 0 ev f] xívrjaiç
f) TTPCÓTT) èv èxáaxco TCÕV çúoei õvxcov èv aÚTCÕ ^ aùrô
20 únápxer çúeaôat 8è Xèyexai õaa aCl^aiv ?x £l Si' èxépou
xcõ aTtreaÔai xai aupTteçuxèvat f] Ttpoajteçuxèvai coartep
Ta epßpua- Staçèpei 8è aúpçuaiç acpfj;, ev9a pèv yàp
oúSèv rcapà TÍJV à ç ^ v Irepov àvàyxrj eivai, èv 8è TOÎÇ aup-
Tteçuxóaiv êart TI EV TÒ aúxò èv àpçoïv O Ttoieï àvTi TOÜ

25 ä7ureo0ai aupiteçuxèvat xai eivai êv xará TÒ auvexèç xai


Ttoaóv, àXXà pfj xará TÒ TCOIÓV. ETI 8è <púatç Xèyexai
U; oú TXPÍÓTOU eaxiv fj yíyvETaf TI XÓÕV <púaei ÕVTCOV, àppu-
Öptaxou ÕVTOÇ xai àpexapXiqxou èx xfjç Suvàpecoç xrjç aúxoü,
oíov àvÔpiávxoç xai TCÕV axeuoõv TCÕV x a ^ x c ^ v ò x a Xxòç f|
JO qjúoiç Xèyexai, TCÕV 8è ÇuXívcov ÇúXov- ópoCcoç 8è xai èíti
TCÕV ãXXcov èx xoúxcov yàp èaxiv exaaxov SiaacoÇopévrjç xfjç

TtpcóXT]Ç UXT)Ç* XOUTOV yàp TÒV TpÓTtOV xai TCÕV çúaei ÕVTCOV
Tà axotxeïà çaatv eivai çúaiv, oi pèv Ttüp oi 8è yfjv oi
8' àèpa oí 8' ü8cop o í 8' àXXo xi xoioüxov Xèyovxeç, ot 8'
55 evia xoúxcov oí Sè Ttàvxa xaüTa. ext S' àXXov TpÓTtov Xè-
yexai çúatç f\ xcõv (púoei õvxcov oúaía, olov oí Xèyovxeç
xf]v ç ú a t v eivai xr,v Ttpcóxrjv aúvOeoiv, f j coartep 'EpTteSoxXfíç
1015* Xéyei 8 x i "<púaiç oúSevòç í a x i v èóvxcov, | àXXà p ó v o v plÇíç x e
SiàXXaÇíç xe piyèvxcov | è'axt, çúatç 8' èiti xoïç òvopáÇexai
METAFÍSICA, a 4 , t O U b 16- I O I 5 a 2

4, [Os significados de natureza/'


Natureza significa. (1 ) n u m sentido, a geração das coisas que cres-
c e m (assim se e n t e n d e r m o s c o m o longa a letra " u " da palavra cpúaiç 2 ).
(2) N o u t r o sentido, natureza significa o princípio originário
e i m a n e n t e , d o q u a l se d e s e n v o l v e o p r o c e s s o de c r e s c i -
m e n t o da c o i s a q u e c r e s c e 1 .
( ? ) A d e m a i s , n a t u r e z a significa o p r i n c í p i o do p r i m e i r o m o -
v i m e n t o q u e se e n c o n t r a e m c a d a u m dos seres n a t u r a i s
c q u e existe e m cada u m deles, j u s t a m e n t e e n q u a n t o é
ser natural" 1 . E diz-se q u e c r e s c e m as c o i s a s q u e r e c e b e m 20
i n c r e m e n t o p o r o b r a d e algo exterior, por c o n t a t o c o m
ele c c o n s t i t u e m u m a u n i d a d e ou u m a o r g â n i c a c o n t i n u i -
d a d e , c o m o n o c a s o dos e m b r i õ e s . (A u n i ã o é d i f e r e n t e
do c o n t a t o : n e s t e ú l t i m o n ã o se exige n a d a a l e m d o pró-
prio c o n t a t o ; n a u n i ã o e x i s t e a l g o q u e é u n o e i d ê n t i c o
nas duas partes, f a z e n d o c o m q u e , e m vez de simples c o n -
t a t o . exista u m a verdadeira u n i d a d e , e f a z e n d o c o m q u e
as partes s e j a m u m a c o i s a só c o m r e l a ç ã o à c o n t i n u i d a d e 25
e à quantidade, mas não segundo a qualidade) . 5

(4) A d e m a i s , natureza significa o princípio material originário


do qual e f e i t o ou d o qual deriva algum o b j e t o natural, c q u e
é privado d e forma c incapaz de m u d a r c m virtude unica-
m e n t e da potência q u e lhe c própria' 1 . Por exemplo, diz-se
q u e a natureza de u m a estátua ou de u m o b j e t o de bronze é
o bronze, e n q u a n t o dos o b j e t o s d e madeira c a madeira; e o
m e s m o vale para todos os casos. D e fato, cada u m desses 30
o b j e t o s c c o n s t i t u í d o desses e l e m e n t o s s e m q u e se m u d e a
m a t é r i a prima < d a qual é c o u s t i t u í d o > 7 . Nesse sentido, al-
guns c h a m a m natureza os e l e m e n t o s dos seres naturais 1 . E
alguns d i z e m q u e e l e m e n t o c o fogo 9 , outros q u e é a terra 1 ",
outros q u e c o ar 11 , outros q u e c a água 1 2 c outros q u e é algo
s e m e l h a n t e " ; outros d i z e m q u e os e l e m e n t o s são mais de
u m H c outros, e n f i m , q u e e l e m e n t o s são todos 1 "'. 35

( 5 ) A l é m disso, n o u t r o s e n t i d o , n a t u r e z a s i g n i f i c a a s u b s t â n -
cia" 1 d o s seres n a t u r a i s . A s s i m a e n t e n d e m , por e x e m p l o ,
os q u e d i z e m q u e a natureza é a originária c o m p o s i ç ã o o u ,
c o m o E m p é d o c l e s , q u e " d e n e n h u m a das coisas q u e s ã o ioi5'
existe u m a natureza / mas apenas mistura c separação
TFLN M E T A T A © Y I I K A Û

àvÔpcojtotatv". 8tò xai 8aa çúaei eaxiv f[ yíyvexat, f)8ï)


Ú7tàpxovxoç èÇ ou iticpuxe yíyveaÔai r[ eivai, otmco cpajxèv
5 xfjv cpúaiv èxeiv èàv tXQ tò elBoç xai xf)v (xop<pf(v.
cpúaei (ièv ouv xò è!; àjjtcpoxépcùv xoúxcov èaxiv, oíov xà Çcoa
xai xà (J-ópia aúxõiv cpúaiç 8è r\ x e repcóxri UXTJ (xai auxrj
SlXÕiç, T] TtpÒÇ a ú x ò TlpcixT) •}] SXcOÇ JtpcóxT], OÍOV XCÕV
XaXxóõv èpycov Ttpòç aúxà pèv rcpcàxoç ó x®Xxóç, oXcoç 8'
10 tacoç ü8cop, ei rcàvxa xà xrjxxà ü8cop) xai xò eiSoç xai f)
ouata* xoûxo 8' èaxi xò xéXoç xfjç yevéawoç. (Jiexaçopy 8'
fj8r) xai 8Xcoç Ttãaa oúaía çúatç Xéyexai 8ià xaúxrjv, oxt
xai f] o ú a í a çúatç xiç èaxiv. èx ôf| xõiv etpT){jivcov f) JtpcoxT)
çúaiç xai xupícoç Xeyofiévrj èaxiv fj oúaía xõiv èxóvxcov
is àpx^v xtvriaecoç èv aúxoíç fj aúxà- ri yàp uXr| X Í » xaúxrjç
8exxtxf| elvat Xéyexai çúaiç, xai at yevéaetç xai xò çúe-
aOat xã> àitò xaúxrjç eivai xivrjaetç. xai fj àpxf| xfjç xivr]-
aecoç xcõv çúaet õvxcov aüxr) èaxiv, èvuîtàpxouaà TCCOÇ f j 8U-
và(Jtet èvxeXexeta.

20 'Àvayxatov Xéyexai oú aveu oúx èv8éxexai Çrjv cóç


auvatxíou (oíov xò àvareveív xai f| xpoçf| xcp Çcóco àvay-
xaîov, à8úvaxov yàp aveu xoúxcov eivai), xai cov ãveu xò
àyaOòv pfj èvSéxexat f[ eivai T^ y e v é a Ô a t , § xò xaxòv àrco-
ßaXeiv f) axepTjÖ^vat (olov xò rneív xò çàppaxov àvayxaîov
25 tva jxf) xáfjtvig, xai xò jtXeüaat eiç Aíyivav íva àicoXà[ÍTI
xà ypi\\LCíxa). üxt xò ßiatov xai 7) ßia- xoüxo 8' èaxi xò
METAFÍSICA, û 4/5, I O ! 5 a 3 - 26

das coisas q u e são m i s t u r a d a s ./ e n a t u r e z a é só u m n o m e


d a d o a estas pelos h o m e n s " . Por isso dc todas as coisas q u e
são o u q u e se g e r a m n a t u r a l m e n t e , m e s m o q u e já e s t e j a
p r e s e n t e aquilo de q u e deriva, por n a t u r e z a , seu ser o u sua
geração, e n q u a n t o ainda n ã o t e n h a m sua forma c sua figu-
ra, d i z e m o s q u e ainda n ã o t e m sua natureza. Portanto, o b j e -
to n a t u r a l c o q u e é c o m p o s t o de m a t é r i a e de f o r m a ; p o r
e x e m p l o , os a n i m a i s e suas p a r t e s 1 ' . E n a t u r e z a n ã o é só
a m a t é r i a primeira (c e s t a é " p r i m e i r a " e m dois s e n t i d o s :
o u é primeira c m relação ao próprio o b j e t o , ou é p r i m e i r a
c m geral; por e x e m p l o , no c a s o dos o b j e t o s dc bronze,
o bronze é m a t é r i a primeira desses o b j e t o s , e n q u a n t o m a t é -
ria primeira c m geral é, talvez, a água, sc a d m i t i r m o s q u e
t u d o q u e se dissolve c á g u a l s ) , m a s t a m b é m a f o r m a e a
s u b s t â n c i a : c e s t a é o f i m da gcração 1 ' ) .
( 6 ) Por e x t e n s ã o c e m geral, t o d a s u b s t â n c i a é d i t a n a t u r e z a
e m virtude da forma, porque t a m b é m a forma é uma
natureza 2 1 1 .
D o q u e se disse fica c l a r o q u e a n a t u r e z a , c m seu s e n t i d o
originário c f u n d a m e n t a l , é a s u b s t â n c i a 2 1 das coisas q u e p o s s u e m
o p r i n c i p i o d o m o v i m e n t o e m si m e s m a s c por sua e s s ê n c i a 2 2 :
c o m e f e i t o , a m a t é r i a só c dita n a t u r e z a p o r q u e é c a p a z dc r e c e b e r
esse p r i n c í p i o , e a g e r a ç ã o c o c r e s c i m e n t o só p o r q u e são m o v i -
m e n t o s q u e derivam desse m e s m o princípio2'.
E e s s e p r i n c í p i o d o m o v i m e n t o dos seres n a t u r a i s , q u e de
a l g u m m o d o é i m a n e n t e a c i e s , o u é c m p o t ê n c i a o u é c m ato 2 ' 1 .

5. IOs significados de necessárioj'

(1) N e c e s s á r i o significa (a) a q u i l o s e m c u j o c o n c u r s o n ã o é


possível viver: a respiração c o a l i m e n t o , por e x e m p l o , são
n e c e s s á r i o s a o a n i m a l p o r q u e e s t e n ã o p o d e existir s e m
eles. ( b ) E significa t a m b é m a q u i l o s e m o q u e o b e m n ã o
p o d e existir n e m se produzir, o u a q u i l o s e m o q u e o m a l
n ã o p o d e ser e l i m i n a d o o u e v i t a d o : t o m a r u m r e m é d i o ,
por e x e m p l o , é n e c e s s á r i o para n ã o ficar d o e n t e , c navegar
para E g i n a é n e c e s s á r i o para g a n h a r d i n h e i r o 2 .
202 TOM M E T A T A <T>YIIKA A

T i a p à -tíjv ò p ^ v x a i X7]v j r p o a í p e a i v IfxiuoSíÇov x a i XCOXUTIXÓV,


xò yàp ßiaiov àvayxaîov XéyeTai, 8iò xai Xtmipóv (wcmep
xai Ei>T)v6ç <pT](Ji "rcãv yàp àvayxaîov itpãy|ji' àviapòv
30 e < p u " ) , xai ^ ßia àváyxT] TIÇ (aiaiuep xai So<poxXfjç Xéyei
"àXX' T| ßia [JL£ xaih' àvayxáÇei Jtoteîv"), xai Soxeî 7|
àváyxT] àpxxáTuaaxóv -ci etvaL, òpÔõjç* Ivavxíov yàp xfl
xaxà xfy ítpoaipeatv xivfjaa xai xaxà xòv Xoyiajióv. ëxi
xò èv8ex6(Jievov àXXüiç exetv àvayxaîov <pajiev ouxcoç
35 lyzw xai xaxà xoöxo TÒ àvayxaîov xai xàXXa Xéyexaí
TTooç àitavxa àvayxaía- TÓ TE yàp ßiaiov àvayxaîov Xé-
1015b yexai f| wueív f| nátr/tw xóxe, oxav jií) £v8£xT]xai xaTà
Tf|V óp(x^v 8ià TÒ piaÇópxvov, cóç Taúxr)v àváyxrjv ouaav
Si' ?|V fjLT?) £v5£xexai ãXXwí, xai £tu xwv auvaixiwv TOU
Çrjv x a i Tou àyaôoü coaaúxwç* öxav yàp fxr) áv8éxT)Tai ev9a
5 piv TÒ àyaôòv ev9a 8è TÒ Çfjv xai TÒ eivai àveu TLVWV,
Taüxa àvayxaía xai r| a m a àváyxr) xíç ÍCTTIV aííxT]. exi
T) àrcóSeiijiç xcõv àvayxaíoov, Ò'TI oùx £v8£xexat àXXcoç
1'xeiv, ei àjtoS£8eixxai áuXwç- xoúxou 8' aíxia TÒ rcpwxa,
ei àSúvaTOv àXXcoç exetv ££ wv ó auXXoYLafióç. xã>v (jièv
io Sr] exepov atxtov xoõ àvayxaía eivai, TCÚV 8è où8év, àXXà
8tà xaüxa ïiepá laxiv ÁLJ àváyxrjç. oíaxe TÒ rcpwxov xai
xupícoç àvayxaîov TÒ à j i X o õ v è a r í v xouxo y à p oùx èvSéxexai
itXeovaxãjç ex^iv, wax' où8è ãXXwç xai àXXwç- t|8ti yàp
itXeovaxwç àv ?X 01 - d. àpa êaxtv aTxa àíSta xai àxí-
15 VTjTa, o ù S à v â x e í v o i ç â<jxi ß i a i o v o ù 8 è J t a p à ç ú w .
MrTAFÍSICA, A 5, 1015 o 2 7 - b 15 203

( 2 ) A l é m disso, n e c e s s á r i o significa o q u e obriga e a obriga-


ção". E isso é o q u e se o p õ e c o m o o b s t á c u l o e c o m o
i m p e d i m e n t o ao i m p u l s o n a t u r a l c à d e l i b e r a ç ã o racio-
nal. D e fato, o q u e é o b r i g a ç ã o se diz n e c e s s á r i o e por
isso t a m b é m d o l o r o s o , c o m o diz K v c n o : " T u d o o q u e é
n e c e s s á r i o é n a t u r e z a obrigatória''' 1 . E a o b r i g a ç ã o é unia 30
necessidade, c o m o t a m b é m Sófoclcs afirma: " M a s a
o b r i g a ç ã o m e c o n s t r a n g e a fazer estas c o i s a s " ' . K a n e c e s -
s i d a d e parece ser algo inflexível, c c o m razão, p o r q u e se
o p õ e a o m o v i m e n t o d e c o r r e n t e da d e l i b e r a ç ã o c d o
raciocínio.
( 3 ) A d e m a i s , d i z e m o s q u e é n e c e s s á r i o q u e seja a s s i m o
q u e n ã o pode ser d i f e r e n t e do q u e c f \ E desse significado 35
dc n e c e s s á r i o d e r i v a m , dc c c r t o m o d o , t o d o s os o u t r o s
s i g n i f i c a d o s . D e fato, d i z e m o s q u e o q u e é o b r i g a d o é I015h
c o n s t r a n g i d o a fazer o u a sofrer q u a n d o , por força da
o b r i g a ç ã o , n ã o p o d e seguir sua t e n d ê n c i a , o q u e signifi-
ca q u e a n e c e s s i d a d e c a q u i l o por força do qual u m a
c o i s a n ã o p o d e ser d i f e r e n t e do q u e c . K o m e s m o vale
para as coisas q u e são causa da vida c d o b e m : q u a n d o
é impossível q u e o b e m c a vida e x i s t a m sem q u e e x i s t a m 5
d e t e r m i n a d a s coisas, estas são n e c e s s á r i a s c esta causa
é uma necessidade.
( 4 ) A l é m disso, no â m b i t o das coisas n e c e s s á r i a s e n t r a t a m -
b é m a d e m o n s t r a ç ã o , p o r q u e — c m sc t r a t a n d o dc u m a
verdadeira d e m o n s t r a ç ã o — n ã o é possível q u e as c o n -
c l u s õ e s s e j a m d i f e r e n t e s d o q u e são. E a causa dessa
n e c e s s i d a d e são as premissas, se é verdade q u e as propo-
sições das q u a i s o s i l o g i s m o deriva n ã o p o d e m ser d i f e -
r e n t e s d o q u e são 7 .
Algumas das coisas q u e são necessárias t ê m fora de si a causa io
do seu ser necessárias; outras n ã o a t e m fora de si c são elas m e s -
m a s as causas pelas quais outras são necessárias. P o r t a n t o o sen-
tido primário c f u n d a m e n t a l dc necessário é o s i m p l e s , pois e s t e
n ã o p o d e ser de m u i t o s m o d o s c , c o n s e q ü e n t e m e n t e , não p o d e
ser ora de u m m o d o , ora de outro, pois nesse caso seria d c m u i t o s
modos®1. S e , p o r t a n t o , e x i s t e m seres e t e r n o s c imóveis 1 ', neles n ã o
pode haver nada q u e seja forçado n e m c o n t r a sua natureza"'. 15
20a TON M E T A T A OY Z I K A A

6
"Ev Xtytxat xò (ièv xaxà aupßEßifixoij xò SÈ xa0'
aúxó, xaxà aufißeßr]x0i (ièv olov Kopíaxoç xai xò pouai-
xóv, xai Kopíaxoç pouaixóç (xaúxò yàp eEixeîv K o p í a x o ç xai
xò pouaixóv, xai Kopíaxoç pouaixóç), x a i xò pouatxòv x a i xò
20 Síxaiov, xai pouatxòç (Kopíaxoç) xai Síxatoç Kopíaxoç- rcáv-
x a y à p x a ü x a EV X è y e x a i x a x à a u p ß e ß i i x * ^ , x ò p è v S í x a i o v x a t x ò
pouatxòv oxi piã oúaía aopߣßrixev, xò SÈ p o u a i x ó v xai Ko-
píaxoç oxi Oàxepov 9axÉpü> AUPßEßIRPCEV òpoícoç SÈ xpórcov
xivà xat ò pouatxòç Kopíaxoç xcõ Kopíaxco ev 8xt Gàxepov
25 xcõv popícov Oaxèpco aupߣßT]xe xcõv Èv xcõ Xóyco, oíov xò
pouaixóv xcõ Kopíaxar xai ò pouatxòç Kopíaxoç Sixaíco Ko-
píaxo) oxi èxaxèpou pèpoç xcõ aúxã> évi aupßäßrjxev ëv.
cóaaúxcoç Sè xâv èrci y è v o u ç xâv èjri xcõv xa0óXou xivòç òvo-
páxcov Xèyrjxai xò aupßtßr]x0£, oíov õxt ãv0pco7toç xò aúxò
30 xai pouatxòç âvOpcojtoç* íj yàp öxi xcõ àvOpcímtü piã oüat)
oúaíq. avpߣßir]xe xò pouaixóv, fj õxi âpçco xcõv xa0' exa-
axóv xtvi aupߣßr]XEv, oíov Kopíaxco. JIXÍJV où xòv aúxòv
xpójtov âp<pco újtàpxei, àXXà xò pèv tacoç cóç yèvoç xai
èv xí] oúaía xò Sè cóç e|tç rj jtáOoç xfjç oúaíaç. — õaa pèv
35 oúv xaxà aupßeßrjxoi Xèyexai ev, xoüxov xòv xpójtov Xèye-
xai* xcõv Sè xa0' èauxà ev Xeyopèvcov xà pèv Xèyexai xcõ
1016* (Twzyjí eivai, oíov cpáxeXoç Seapcõ xai ÇúXa xóXXrp
xai ypappif], xâv xexappèvr] fj, AUVEXÍ)ç Sé, pia Xèyexai,
&airep xai xcõv pepcõv Exaaxov, oíov axèXoç xai ßpaxicov.
aúxcõv Sè xoúxcov pãXXov ev xà çúaei auvexí] fj xéxvq.
5 aovexèç Sè Xèyexai oú xívrjaiç pia xa0' aúxò xai pf) oíóv
xe âXXcoç- pía S' oú à S t a í p e x o ç , àStatpexoç Sè x a x à xpóvov.
xa0' aúxà Sè auvexí õaa pi] áçrj ev- e! yàp 0eÍT]ç àixxó-
METAFÍSICA, A ó, 1015h 16 - 101 6 • 7

6. [Os significados do um] 1

O m é dito, (1) n u m s e n t i d o , por a c i d e n t e , (2) n o u t r o s e n -


t i d o , p o r si.
(1) U m por a c i d e n t e são, por e x e m p l o , C o r i s c o c o m ú s i c o e
C o r i s c o m ú s i c o . D c fato, é a m e s m a coisa dizer C o r i s c o
e o m ú s i c o e C o r i s c o m ú s i c o . E a s s i m são u m p o r a c i d e n t e
o m ú s i c o e o justo c Corisco m ú s i c o c C o r i s c o justo. T u d o 20
isso c d i t o u m p o r a c i d e n t e , e n q u a n t o j u s t o c m ú s i c o s ã o
a c i d e n t e s d c u m a ú n i c a s u b s t â n c i a , na m e d i d a e m q u e
m ú s i c o c C o r i s c o são acidente u m do outro. E, analoga-
m e n t e , dc certo modo, t a m b é m Corisco músico é uma
coisa só c o m Corisco, porque u m dos dois t e r m o s é aci-
dente do outro: o músico é acidente de Corisco. E Corisco 25
m ú s i c o é u m c o m C o r i s c o justo, porque u m dos t e r m o s
dc cada u m a dessas expressões é a c i d e n t e do m e s m o c
ú n i c o s u j e i t o . Isso t a m b é m vale q u a n d o o a c i d e n t e é afir-
m a d o dos gêneros ou dos termos t o m a d o s universalmen-
t e . Por e x e m p l o , q u a n d o se d i z q u e o h o m e m é o m e s m o
q u e o h o m e m músico; c é assim ou p o r q u e o m ú s i c o é 30
a c i d e n t e d c h o m e m , q u e é u m a s u b s t â n c i a ú n i c a , o u por-
q u e h o m e m c m ú s i c o são a t r i b u t o s d c a l g u m i n d i v í d u o
c o m o , por e x e m p l o , C o r i s c o . H o m e m c m ú s i c o , p o r é m ,
n ã o í n c r c m a C o r i s c o d o m e s m o m o d o , m a s u m se r e f e r e
a C o r i s c o indubitavelmente c o m o gênero, c c na substân-
cia, e n q u a n t o o o u t r o c o m o propriedade ou c o m o a f e c ç ã o
da s u b s t â n c i a . T u d o o q u e se d i z u m p o r a c i d e n t e se e n - 55
tende nesse sentido2.

( 2 ) D o q u e d i z e m o s " u m p o r s i " \ (a) a l g u m a s c o i s a s o s ã o


por s e r e m c o n t í n u a s ; p o r e x e m p l o , u m f e i x e é d i t o u m
p o r a q u i l o q u e o liga, e p e d a ç o s d e m a d e i r a s ã o u n i d o s 1016'
pela c o l a . E u m a l i n h a é d i t a u m a , m e s m o quebrada'*,
d e s d e q u e s e j a c o n t í n u a , a s s i m c o m o d i z e m o s ser u n a
cada parte do corpo, c o m o a perna e o braço. D c todas
e s s a s c o i s a s , as q u e s ã o c o n t í n u a s p o r n a t u r e z a s ã o u n i -
d a d e e m m a i o r g r a u d o q u e as q u e s ã o tais pela a r t e . E
" c o n t í n u o " se d i z a q u i l o c u j o m o v i m e n t o é e s s e n c i a l - 5
m e n t e u m c n ã o p o d e ser d i f e r e n t e d o q u e é . E o m o v i -
m e n t o é u m q u a n d o é indivisível s e g u n d o o tempo3.
206 TtiNMETATAOYÏIKA A

jjLEva aXXrjAcov ÇúXa, où ÇT)<JE iç xaüxa EÍvai Êv OUTE ÇúXov


OUTE a ú j j a OUT' fiXXo AUVE^èç o ù 8 £ v . x á TE 8 f ] S X w ç OUVEXÎ)
îo Ev X é y E T a i xâv IxTl xá|i4>iv, xai ET- (xãXÀov Ta (xij Exovra
xá[xt[tiv, oTov XVTJJXT] ' T| (XT]pòç a x è X o u ç , on é v B é x e x a i ]I/F| [iCav
Eivai xrjv x£vr)aiv xoû a x é X o u ç . xat eùôeta xfjç x£xa(j.(xévr|Ç
(lãÀXov EV xijv Bè XEXAJIFIÉVTIV xai É'xouaav ycovÊav xai
(jLÍav xai où [x£av Xéyofxev, o x i i v S £ x £ T a - xai (if) &jxa r^v
is x£vT)aiv auTrii EÏvai xai apor xfjç 8' EÙÔeiaç àei ajxa, xai
OÙSÊV |i6piov t'xov (jiéytôoç TÒ jxèv I?]PEIIEÏ TÒ 8 è xivEÎTai,
ùio7IEp XÍjÇ XEXajl(xávT|Ç. ETI SÀXoV TpéïtOV EV XéyETai TCÕ
TÒ Ú7TOXEC(XEVOV TCÕ E'IBEI EÍvai àSiátpopov áBiácpopov 8' &v
áSiatpEXOv TÒ EÍSoç xaTà xrjv aïaÔTioiv TÒ 8 ' ÚTTOXE£(IEVOV
20 T) x ò TUPWTOV f] TÒ TE^EUTATOV Ttpòç TO T£XOÇ' x a i *fàp oívoç
EÍÇ XÉYETAI xai Í!8cop êv, àSiaCpETOv xaTà TÒ EISOÇ, xai
oi x " ! 1 0 1 t á v T E ç X é y o v r a i EV ( o í o v ÊXaiov o t v o ç ) x a i T a x r j x x á ,
õxi návxtov xò ïaxaxov ÚTIOXE£(J.EVOV TÒ a u x ó - SBcop yàp fj
àíjp návxa xaõxa. XèfExai 8' EV xai cüv TÒ Y£voç Ev
25 B i a ^ p o v xatç àvxiXEijiÉvaiç Biaçopaïç —xai TaÕTa XèyExai
rcávxa EV OTI TÒ Y£voç EV TÒ ÚIUOXEÍJXEVOV XALÇ Biaçopaíç
(oíov 17CTCOÇ avÔpcojtoç xucov EV TI ÖTI Tuávxa Ç c o a ) , xai xpó-
luov 8f] jtapaTtXrjaiov toartEp ÍÍXT) [xía. xaüxa 8È ÓTÈ
JJIV OUTWÇ Ev XéfETai, óxè 8 È TÒ SVW y £ v o ç TaÚTÒv X£YE-
j o T a i — â v í j x t X e u x a T a x o ü Y £ v o u ç EÏST] — TÒ à v a n é p c o XOÚTCOV, oíov
TÒ £ÍIO<JXEXÊÇ xai TÒ laóitXEupov xaúxò xai Êv (r/ft^ia STI
ãjxtpa) Tpíytova* xpíycova 8' où xaúxá. ETL 8è Êv Xljíiai
METAFÍSICA, Ù Ó, 1 0 1 6 a S-32 207

C o n t í n u a s por si são as coisas q u e n ã o f o r m a m u m a u n i -


d a d e por p u r o c o n t a t o : se, d c fato, j u n t a r m o s p e d a ç o s d c
m a d e i r a , n ã o p o d e r e m o s dizer q u e c o n s t i t u e m u m a ú n i -
ca p e ç a de m a d e i r a , n e m u m ú n i c o c o r p o , n e m a l g u m
o u t r o t i p o d c c o n t í n u o . S ã o ditas u n i d a d e as coisas q u e , 10
c m geral, são c o n t í n u a s , m e s m o q u e se p o s s a m dobrar; e
m a i s a i n d a as q u e n ã o se p o d e m dobrar: por e x e m p l o , a
tíbia ou a c o x a são m a i s u n i d a d e d o q u e a p e r n a , p o r q u e
o m o v i m e n t o da perna p o d e n ã o ser uno f '. E a linha reta
é m a i s una d o q u e a q u e b r a d a . D i z e m o s q u e a l i n h a q u e
t e m u m a q u e b r a e u m â n g u l o é, ao m e s m o t e m p o , u n a
c n ã o - u n a , p o r q u e seu m o v i m e n t o p o d e ser c n ã o ser i5
s i m u l t â n e o 7 , c n e n h u m a de suas partes e x t e n s a s p o d e
estar parada q u a n d o as o u t r a s e s t ã o e m m o v i m e n t o * , c o -
m o c o c a s o da l i n h a quebrada''.

(b) A l e m disso, n o u t r o s e n t i d o , d i z - s e q u e u m a c o i s a c u n a
p o r q u e seu s u b s t r a t o n ã o c d i f e r e n t e pela c s p c c i c 1 " . N ã o c d i f e r e n -
te pela e s p é c i e o s u b s t r a t o das c o i s a s c u j a e s p é c i e é indivisível
s e g u n d o a p e r c e p ç ã o " . E , c o m r e l a ç ã o a o e s t a d o final, o s u b s t r a t o
ou é o primeiro ou é último12. D e fato, diz-se q u e o vinho é u m 20
c q u e a á g u a é u n a e n q u a n t o são indivisíveis pela e s p é c i e ; c d i z -
se q u e t o d o s os l í q u i d o s c o n s t i t u e m u m a u n i d a d e — c o m o o
ó l e o , o v i n h o c os c o r p o s q u e p o d e m ser f u n d i d o s — p o r q u e s e u
s u b s t r a t o ú l t i m o c i d ê n t i c o : t o d o s c i e s o u s ã o água ou são a r ' \
(c) T a m b é m se d i z e m u n a s por si as c o i s a s c u j o g ê n e r o é
um, e m b o r a dividido c m diferenças específicas opostas. E dize- 25
m o s q u e essas coisas c o n s t i t u e m u m a u n i d a d e e n q u a n t o o g ê n e r o
q u e serve d e s u b s t r a t o das d i f e r e n ç a s é u n o : por e x e m p l o , " c a v a -
l o " , " h o m e m " c " c ã o " são u m a u n i d a d e e n q u a n t o t o d o s são " a n i -
m a i s " , a p r o x i m a d a m e n t e c o m o nas c o i s a s das q u a i s a m a t é r i a é
u m a s ó H . As vezes diz-sc q u e essas coisas são u n i d a d e desse m o d o ,
o u t r a s v e z e s q u e são u n i d a d e e n q u a n t o o g ê n e r o s u p e r i o r é i d ê n -
t i c o , c a s o s e j a m as e s p é c i e s ú l t i m a s d c seu g ê n e r o : o t r i â n g u l o 30
i s o s c e l e s e o t r i â n g u l o e q u i l á t e r o , por e x e m p l o , são a m e s m a fi-
gura p o r q u e a m b o s são triângulos, m a s n ã o são u m ú n i c o e i d ê n t i -
co triângulo1'.
(d) A d e m a i s , duas c o i s a s c o n s t i t u e m u m a u n i d a d e se a n o -
ç ã o 1 6 q u e e x p r i m e a e s s ê n c i a de u m a c o i s a é inseparável da n o ç ã o
203 TLLN M E T A T A ŒY2JKA A

oacüv ò X ó f o ç ó xò xí fjv e i v a i Xéycov à S i a í p e x o ç jrpòç ãXXov


TÒV 8 T ) X o ö v r a [ T £ rjv e i v a i ] T Ò %pãy[ia (aúxòç yàp xa9' aúxòv
>5 ROXÇ X ó y o ç 8iaipexóç). OÜTCO y à p xai TÒ Ï]ÙÇT)[JIÉVOV xai <p9ï-
vov ev è a r i v , i r a ò X ó y o ç eTç, o j < n r e p I n i x w v É j r i i r £ 8 t ù v ó TOÍÍ
1016 1 1 efôouç. SXttiç Sè <&v vórçaiç àStaípexoç i\ v o o ü a a xò xí rjv
eivai, xai [JIÍJ Súvaxai X 0 ^ 0 ® 1 \ J -'h x t FT16 XÓJKÚ

[xr)Te X ó y a ) , [láXiaxa xaõxa ev, xai xoúxcov ííoa oúaíar xa-


0óXou yàp öaa [Jif| £ x £ L Siaípeaiv, rj [Jií] e x e i , xaúrg ev Xé-
s "fexai, olov e i "5 fivôpoMtoç [Í.T[ e x e t 8iaípeaiv, eíç ãvÔptojroç,
ei 8 ' fj Çíõov, ev Ç t õ o v , ei S è f j [ / i y e 9 o ç , êv \ííytBo<;. Ta JJIÍV
oùv îiXeïaxa ev Xéyexai xco exepóv TI rj rcoieiv F] TYTW rj
NÁTR/TIV F] TTPÓÇ TI e i v a i e v , xà 8è rcpcóxwç X e y ó [ j i e v a ev t o v ^
oúaía (ita, [jiía Si i] auvexeía ri eíSei f] Xóyco- xai yàp
io àpi0[XOõ[jLÊv c ó ç TiXeícú fj x à [jit) a u v e x í j "v jjlíj ev x ò eISoç
íí cóv ó Xó-yoç [JIÍJ e l ç . exi 8' eaxi [j,èv cí>ç ó x i o u v ev (pa[iev
eivai âv § ÍTOCTOV x a i auvexéç, e<ra 8 ' cí>ç o u , âv (JNRJ T I Ó'Xov
í), T0ÛT0 8è âv [xr] xò elSoç v/ri £ V ' °t° v oùx âv çaqiev
òfjioícjç ev iSóvxeç óirwaoüv xà [j.éprj auYxeí[i.eva xoü úito8ri-
15 f i a x o ç , è à v [J.T1 8 i à XT|V a u v è x £ i ® v , àXX' è à v OUTCÙÇ c o a x e UTCÓ-
8r][jia eivai xai eiSóç TI ^x £ l v ^Sr] ev- Siò xai xoü xúxXou
fxáXiaxa [iía xcõv y p a ^ f i c ô v , oxi 8Xt] x a i xéXeióç ècrriv. — xò
Sè évi eivai àpxíj xiví èaxtv àpi9|i,oü eivai- TÒ y®P rcptãxov
[jtexpov ÀPXT), 4> yàp jrpcóxco yvcjjpíÇop.£v, XOÍJXO irpcôTov (jié-
20 T p o v é x á a x o u yévouç- à p x ^ l ouv x o ü y v c o a x o û itepi e x a a x o v xò
ev. où xaúxò 8è èv îrâai xoïç yéveat xò £v. ev9a [ièv yàp
METAFÍSICA, 4 6, 1 0 1 6 a 3 2 - b 21 2C9

q u e e x p r i m e a e s s ê n c i a clc o u t r a c o i s a ( e m b o r a t o d a n o ç ã o seja,
por si, d i v i s í v e l ) " . A s s i m , o q u e c r e s c e e o q u e d i m i n u i c o n s t i t u i 35
u m a unidade porque u m a c a noção, do m e s m o m o d o q u e nas
s u p e r f í c i e s u m a é a n o ç ã o de sua c s p é c i c ' s . E m p o u c a s palavras, ioi6 h
são u n i d a d e por e x c e l ê n c i a t o d a s as coisas c u j a e s s ê n c i a é c a p t a -
da c o m u m a t o d o i n t e l e c t o indivisível c n ã o s e p a r á v e l n e m n o
t e m p o , n e m n o lugar, n e m na n o ç ã o , c , d e n t r e e s t a s , e s p e c i a l m e n -
te as s u b s t â n c i a s " ' .
E m g e r a l , di/.-sc q u e é u n i d a d e t u d o o q u e é indivisível, j u s -
t a m e n t e e n q u a n t o indivisível: por e x e m p l o , sc a l g u m a s c o i s a s
são indivisíveis e n q u a n t o h o m e m , e l a s c o n s t i t u i r ã o a u n i d a d e 5
h o m e m ; se são indivisíveis e n q u a n t o a n i m a l , c o n s t i t u i r ã o a u n i -
d a d e a n i m a l , c sc são indivisíveis e n q u a n t o g r a n d e / a s , c o n s t i t u i -
rão a u n i d a d e g r a n d e z a 2 " .
E m sua m a i o r i a , as c o i s a s são ditas u n i d a d e o u p o r q u e pro-
d u z e m , o u p o r q u e t ê m , ou p o r q u e s o f r e m , o u p o r q u e são c m re-
l a ç ã o a a l g o q u e c u m 2 1 ; m a s c m s e n t i d o original, c o n s t i t u e m u m a
u n i d a d e as c o i s a s c u j a s u b s t â n c i a c u n a , c u n a s e j a por c o n t i n u i -
d a d e , seja pela e s p é c i e , seja pela n o ç ã o 2 2 .
C o m e f e i t o , são c o n s i d e r a d a s m u i t a s as c o i s a s q u e n ã o s ã o io
c o n t í n u a s , o u c u j a e s p é c i e n ã o é una o u , a i n d a , c u j a n o ç ã o n ã o é
u n a 2 1 . A d e m a i s , s o b c c r t o a s p e c t o , d i z e m o s ser u m t u d o o q u e
é u m a q u a n t i d a d e c u m c o n t í n u o , sob o u t r o a s p e c t o , n ã o d i z e m o s
ser u m se n ã o c u m t o d o , isto é, se n ã o possui u m a f o r m a ú n i c a :
por e x e m p l o , v e n d o as partes d c ura s a p a t o j u s t a p o s t a s a o acaso,
n ã o d i z e m o s q u e c o n s t i t u e m u m a u n i d a d e — a n ã o ser por pura
c o n t i n u i d a d e — , m a s d i z e m o s q u e c o n s t i t u e m u m a u n i d a d e só 15
se e s t ã o unidas dc m o d o a c o n s t i t u í r e m u m s a p a t o c se já p o s s u e m
u m a f o r m a d e t e r m i n a d a c única 2 " 1 . Por isso, e n t r e as linhas, a c i r c u -
lar é a m a i s u n a d c todas, p o r q u e inteira a perfeita.
( I ) A e s s ê n c i a do u m 2 5 c o n s i s t e e m ser u m p r i n c í p i o n u m é -
rico: d c fato, a m e d i d a primeira é u m princípio. C o m
e f e i t o , o q u e é p r i n c í p i o d c n o s s o c o n h e c i m e n t o para
c a d a g ê n e r o de coisas é a m e d i d a p r i m e i r a desse g ê n e r o
dc c o i s a . P o r t a n t o , o u m é o p r i n c í p i o d o c o g n o s c í v e l 20

para cada g ê n e r o de coisas. P o r é m , o u m n ã o é o m e s m o


e m t o d o s os g ê n e r o s . E m alguns casos é o s e m i t o m , n o u -
tros é a vogal o u a c o n s o a n t e ; u m a coisa é o u m 110 â m -
2)0 1 TON MFTA TA ®YÏIKA A

Sieaiç è'v0a 8è xò <p6ùvîjev fj «<pwvov Pàpouç 8è exepov xai


xivfjcewç àXXo. reavxaxoú 8è xò ev t ü icootõ ^ xiõ e'i-
8ei à8iaipexov. xò jxèv ouv xaxà xò Tuoaòv à8ia£pexov,
25 x ò jiiv TüávxT] xai àGexov Xéyexai jiovàç, xò 8è Tuávxr]
xai 9éatv e/ov crtiypf), xò 8è jiovaxü ypajjjií), xò 8è 8ixfj
èítÍTU&Oov, xò 8è TrávxTj xai xpixfj Siatpexòv xaxà xò reoaòv
ato^a- xai àvxiaxpéc|)avxi Si) xò [xèv 8ixfj 8iaipexòv èiuine-
8ov, xò 8è jxovaxï ypajiprj, xò 8è ja.r]8a[xfj Siaipexòv xaxà
jo xò TtoCTÒv a x i y p f ] xai (Jiovàç, r) [xèv à S e x o ç j x o v à ç f) 8 è 0exòç
axiy|iTj. èxi 8è xà [xèv xax' àpi0|*óv èaxiv èv, xà 8è xax'
elSoç, xà 8è xaxà yévoç, xà 8è xax' àvaXoyiav, àpLÔfxtõ
jièv A>v F] UXT] p i a , etSei 8' Í>v Ó X ó y o ç eíç, yivei 8' cov xò
aúxò axfjfi-a xfjç x a x r i y o p i a ç , xax' àvaXoyiav 8è ö a a è'xet ci>ç
35 à X X o Trpòç à X X o . à e i 8 è x à u a x e p a x o î ç ejXTtpoaÖev àxoXou0ei,
oîov ô'aa àpi0jitù x a i eïSeï ev, o a a 8' eïSeï où i t à v x a àpi0|jup*
1017* àXXà yévei roxvxa ev o a a r c e p x a i eïSeï, oaa 8è yévei où m&v-
xa eïSeï àXX' àvaXoyía- oaa 8è àvoXoyia où rcàvxa yé-
vei. (pavepòv 8è xai Sxi xà luoXXà àvxixeipévwç Xex0T|aexat
xcîi èvi- xà [ièv yàp xã> jai) OUVEXFJ etvai, xà 8è xô> 8iaipe-
5 x f j v è'xeiv xfjV úXrjv x a x à x ò e ï S o ç , f) xf)v TCpci>xT]v f| x f j v x e X e u -
METAFÍSICA, A i . . 10l6b21-1017o5

b i t o dos pesos, o u t r a coisa n o â m b i t o dos m o v i m e n t o s 2 6 .


E n t r e t a n t o , c m t o d o s esses c a s o s , o u m é indivisível, seja
pela q u a n t i d a d e seja pela e s p é c i e . O r a , c h a m a - s e u n i d a d e
o q u e é indivisível s e g u n d o a q u a n t i d a d e c e n q u a n t o 25
q u a n t i d a d e , o q u e é indivisível c m t o d a s as d i m e n s õ e s c
n ã o t e m posição; a o contrário, o q u e c indivisível c m todas
as d i m e n s õ e s , m a s t e m u m a p o s i ç ã o c h a m a - s e p o n t o ; o
q u e é divisível s e g u n d o u m a ú n i c a d i m e n s ã o c h a m a - s c
l i n h a , e n q u a n t o o q u e é divisível s e g u n d o duas d i m e n s õ e s
c h a m a - s c s u p e r K c i c c, e n f i m , o q u e c divisível s e g u n d o a
q u a n t i d a d e e m todas as d i m e n s õ e s c h a m a - s c corpo. Pro-
c e d e n d o c m s e n t i d o inverso, o q u e é divisível s e g u n d o
duas d i m e n s õ e s é u m a s u p e r f í c i e , o q u e é divisível s e g u n -
do u m a única d i m e n s ã o é u m a l i n h a , e n q u a n t o o q u e
n ã o é q u a n t i t a t i v a m e n t e divisível s e g u n d o nenhuma
d i m e n s ã o é u m p o n t o ou u m a u n i d a d e : se n ã o t e m posi- :,o
ç ã o é u m a u n i d a d e , sc t e m p o s i ç ã o é u m p o n t o 2 ' .

A l é m disso 2 s , a l g u m a s coisas são u n i d a d e q u a n t o a o n ú m e r o ,


o u t r a s q u a n t o â c s p é c i c , o u t r a s q u a n t o a o g ê n e r o , o u t r a s por a n a -
logia. S ã o u n i d a d e q u a n t o a o n ú m e r o as c o i s a s c u j a m a t é r i a é
u m a só- 1 ; são u n i d a d e q u a n t o â c s p é c i c as coisas c u j a d e f i n i ç ã o
é u n a 1 " ; são u n i d a d e q u a n t o ao g ê n e r o as c o i s a s c u j a figura c a t e -
gorial é i d ê n t i c a ' 1 ; são u n i d a d e por a n a l o g i a ' 2 as c o i s a s q u e e s t ã o
e n t r e si n u m a r e l a ç ã o s e m e l h a n t e à da t e r c e i r a para a q u a r t a " .
( )s m o d o s p o s t e r i o r e s cia u n i d a d e i m p l i c a m s e m p r e os a n t e r i o r e s :
por e x e m p l o , as c o i s a s q u e s ã o u m a u n i d a d e p e l o n ú m e r o d e v e m
sê-lo t a m b é m pela c s p é c i c , e n q u a n t o n e m toclas a s ' c o i s a s q u e
são u n i d a d e pela c s p é c i c o são t a m b é m p e l o n ú m e r o ; t o d a s as
c o i s a s q u e são u n i d a d e p e l a e s p é c i e o são t a m b é m p e l o g ê n e r o , 1017
e n q u a n t o n e m t o d a s as q u e são por g ê n e r o o são t a m b é m pela
e s p é c i e , m a s o são por a n a l o g i a ; e n f i m , n e m t o d a s as coisas q u e
são u n i d a d e por a n a l o g i a o são t a m b é m p e l o g ê n e r o ' 4 .
T a m b é m é e v i d e n t e q u e as c o i s a s serão ditas m u i t a s c m t o -
dos os s e n t i d o s o p o s t o s a o s s i g n i f i c a d o s d o u m " . A l g u m a s s e r ã o
u m a m u l t i p l i c i d a d e (a) p o r q u e n ã o s ã o c o n t í n u a s ' ' 1 , (b) o u t r a s
p o r q u e sua m a t é r i a — a p r i m e i r a o u a ú l t i m a — é divisível e m di-
f e r e n t e s e s p é c i e s ' 7 , (c) o u t r a s a i n d a 1 8 p o r q u e são m ú l t i p l a s as d e - 5
f i n i ç õ e s q u e e x p r i m e m a sua e s s ê n c i a ^ .

d
T1!N M E T A T A O Y Ï I K A A

x a t a v , x à 8 è x û x o ù ç X ó - y o u ç n X e í o u ç x o ù ç x£ r j v e i v a i X i ^ o v r a ç .

Tò 8v Xíyzvzi xò [ièv xaxà au(j.ßeßir]x0c xò 8è xaÔ'


aúxó, xaxà AI>JI.PEPR]XÒÇ (JL£V, oíov xòv Bíxaiov (Jtouaixòv
eivai (pa(iev xai xòv ãvÔpamov [louoixòv xai xòv (iouaixòv
10 à v ô p c j ù i t o v , T i a p a T u X i q o í o j ç X é y o v x e ç á a u e p e i x ò v ( i o u a i x ò v oixo-
8o[ieív 8xi au(j.ߣßT]xe xtõ oExoSófio) [louaixüi eivai xcõ
[louaixü oixo8ó[i<i) (xò yàp xó8e eivai xó8e aT)[ia£vei x ò auji-
ßeßrjxevai x<õ8e x ó 8 e ) , — o í i x c o 8 è x a i è m x õ í v e£pr](j.£va3v xòv
yàp òív9pa>7íov Sxav [loucnxòv XÍYa>[iev xai xòv (louaixòv av-
is ôpcdnov, rj xòv Xeuxòv [louaixòv rj x o ü x o v Xeuxóv, xò |ièv 8xi
âcfxqpco xà» a ú x t õ au[ißeßiqxacTi, xò 8' 8xi xw õvxi aufißeßiqxe,
xò 8è (iouaixòv ãv0pco7uov 8xi xoúxo) xò fiouaixòv aufiße-
ßrpcev (oííxco 8è Xíyevxi xai xò [i.r] Xeuxòv eivai, oxi co
«jb(j.ߣßif)xev, èxeïvo eaxiv)- —xà [ilv ouv xaxà ou(ißeßif)x0;
20 eivai Xe^ófieva ouxai Xéfexai f] Sióxi tw aúxã» ô'vxi ã|xçco
ÚTiápxei, f| 8xi 3vxi èxeívw úirápxei, rj Õxi aúxò &mv co
ÚTtápxei ou aúxò xaxTft-opeTxai- xaô' aúxà 8è eivai Xéyexai
oaaítep uritiaívei xà ax^paxa xfj; xaxTpfoptac' óaax&ç
yÒLp Xíyexai, xoaauxax&ç xò eivai aritiaívei. èrcei ouv xcõv
25 xaxT]Yopou(jivG}v xà |j.èv x í è o x i OTfi[ia£vei, x à 8è iioióv, xà Sè
ÏÏOOÔV, xà 8è Tipóç xi, xà 8è Ttoieîv ?J ttáaxÊiv, xà 8è iroú,
xà ôè nozé, èxáffxtú xoúxaiv xò eivai xauxò ar][xotívei- ouÔèv
yàp 8ia<p£pei xò ãvÔpüiTOç úyiaCvwv èoxiv ^ xò ãvÔpajTioç
úyiaívei, oû8è xò ãvôpwiuoç ßaBit/uv èoxiv fj xéfivwv xoü av-
30 ôpcOTOç ßaSi^ei ^ xé(i.vei, ó[io£a>ç 8è xai èrei x&v àXXwv.
êxL x ò e i v a i aT)[ia£vei x a i x ò £axiv 8 x i àXiqÔéç, xò 8è fií] eivai
ôxi oôx àXif]9èç iXXà (JieüSoç, ó[i.o£coç èrci xaxaçáoeco; xai
METAFÍSICA, A i/7, 1017 u 6 - 3 2 213

7. [Os significados do serj1

O ser se diz ( 1 ) c m s e n t i d o a c i d e n t a l c (Z) por si.


(1) E m s e n t i d o a c i d e n t a l d i z e m o s por e x e m p l o : (a) q u e " o
j u s t o é m ú s i c o " ou (b) q u e " o h o m e m c m ú s i c o " ou (e)
q u e " o m ú s i c o é h o m e m " , do m e s m o m o d o c o m o dize-
mos q u e " o m ú s i c o constrói uma casa", porque pode 10
ocorrer q u e o " m ú s i c o " seja " c o n s t r u t o r " , ou q u e o " c o n s -
t r u t o r " seja " m ú s i c o " . D c fato, " i s t o c a q u i l o " s i g n i f i c a
q u e isto c a c i d e n t e d a q u i l o . Isso v a l e t a m b é m para os
exemplos acima citados: quando dizemos "o h o m e m é
m ú s i c o " ou " o m ú s i c o é h o m e m " , " o b r a n c o c m ú s i c o "
ou " o m ú s i c o é b r a n c o " , o f a z e m o s p o r q u e , n o ú l t i m o 15
c a s o , os dois a t r i b u t o s são a c i d e n t e s da m e s m a c o i s a ,
e n q u a n t o n o p r i m e i r o c a s o o a t r i b u t o é a c i d e n t e do q u e
v e r d a d e i r a m e n t e existe. E diz-se " o m ú s i c o é h o m e m "
porque " m ú s i c o " é a c i d e n t e de h o m e m ; do m e s m o m o -
d o di/.-se t a m b é m " o n ã o - b r a n c o é " , p o r q u e é a q u i l o d c
q u e e l e é a c i d e n t e . P o r t a n t o , as c o i s a s q u e são ditas c m
s e n t i d o a c i d e n t a l , o são: (a) ou por s e r e m dois a t r i b u t o s 20
p e r t e n c e n t e s a u m a m e s m a c o i s a q u e é, ( b ) o u por se
t r a t a r d c u m a t r i b u t o q u e p e r t e n c e à c o i s a q u e é, (c) o u ,
a i n d a , p o r q u e se p r e d i c a o q u e p r o p r i a m e n t e é d a q u i l o
q u e é seu a c i d e n t e 2 .
(2) S e r por si são ditas todas as a c e p ç õ e s do ser s e g u n d o as
figuras das c a t e g o r i a s : t a n t a s são as figuras das c a t e g o r i a s
q u a n t o s são os significados d o ser. P o r q u e a l g u m a s das 25
categorias significam a essência, outras a q u a l i d a d e , outras
a q u a n t i d a d e , o u t r a s a relação, o u t r a s o agir o u o padecer,
outras o o n d e c o u t r a s o q u a n d o . S e g u e - s e q u e o ser t e m
s i g n i f i c a d o s c o r r e s p o n d e n t e s a c a d a u m a d e s t a s . D c fato,
n ã o e x i s t e d i f e r e n ç a e n t r e as p r o p o s i ç õ e s " o h o m e m é
v i v e n t e " c " o h o m e m vive", c e n t r e "o h o m e m c c a m i -
n h a n t e ou c o r t a n t e " c "o h o m e m caminha ou corta"; c o 30
m e s m o vale para os o u t r o s c a s o s ' .
(3) A d e m a i s , o ser e o é s i g n i f i c a m , a i n d a , q u e u m a coisa é
verdadeira, e n q u a n t o o n ã o - s e r e o n ã o - é s i g n i f i c a m q u e
n ã o é verdadeira, m a s falsa; c isso vale t a n t o para a afirma-
2M J T U N META TA ® Y I I K A A

àiïoçàaetoç, oïov ííxi êcxi Stùxpàrriç iiouaixóç, öxi àXrjOàç


x o ü x o , T| S x i ë a x i 2 t o x p á i T ) ç o ù X e u x ó ç , 8 X I à X r ] 9 é ç * XÒ B ' oùx
ÎÏ &JXIV IL 8là|JieXpOÇ DÚLIFIETPOÇ, ÖTL C|>£Ü8OÇ. £XL TO EIVAI 07)-
1017 b |iaívei xai xò ôv tò |xèv 8uvá|iei foxov xò 8' âvxeXexeíqc
xûv etpT](j,évcov x o ú x t o v ópãiv xe yàp eivai <pa(iev x a i xò 8u-
vá|JL&t ópãiv xai xò èvxsXex£í?, xai [xò] èíi£axaa9ai
lóaaúxcúç xai xò 8uvá(I.evov xpr^oOca xrj I^IOTT^T] xai xò
5 xP^M-^v» ^pE|Jioüv xai to rj8r] úitápxei rip£(iía xai
xò 8uvá[ievov Tjpefieív. ófioCojç 8è x a i ITCÍ x w v oúaiwv" xai
yàp 'Epiifjv èv x&j Xí9a> <pa[ièv eivai, xai xò TÍjiiau x^ç
ypa(Ji|jLTÍç;, xai aíxov xòv (jlt|TU<o àBpóv. raSxe 8è Buvaxòv xai
7tóxe OÜTKÚ, ív àXXoLÇ Biopiaxéov.

8
io Oúaía Xiyexai xá xe aiuXã ací>[iaxa, oíov yfj xai jrüp
xai u8cop xai Ôaa xoiaüxa, xai oXcoç aá)|JLaxa xai xà
lx xoúxtov auvecxtoxa £tõà xe xai Baifióvia xai xà |xópia
xoúxtov aíiavxa 8è x a ü x a X i y e x a i o ú a í a o x i où x a 9 ' úrcoxei-
(jiévou Xéyexat àXXà xaxà xoúxtov xà ãXXa. ãXXov 8è
is xpÓTtov o â v f j a í x i o v x o ü eivai, IvuTtàpxov âv x o í ç xoioúxoiç
oaa (JLT] X é y e x a i xa6' Ú7roxei(JÍvou, olov í| CVV-
ëxi iíaa [lópia èvu7uápxovxá èaxiv èv xoTç x o i o ú x o i ç ópíÇovxà
xe xai xóBe xi arijjiaívovxa, tov àvaipoujjivtov àvaipelxai xò
SXov, olov Í7U7t£8ou aâi[ia, óiç <paaí xiveç, xai èíiííteBov
20 ypa(ji|jLfiç- xai SXtoç 6 àpiôfiòç Boxet eivai xiai xoioüxoç
METAFÍSICA. A 7 / 8 . 1017 a 3 5 - b 2 0 2lf

ç ã o c o m o para a n e g a ç ã o . Por e x e m p l o , d i z e m o s " S ó c r a t e s


é m u s i c o " e n q u a n t o isto é verdadeiro, ou " S ó c r a t e s c n ã o -
b r a n c o " , na m e d i d a c m q u e isso c verdadeiro; c d i z e m o s
q u e " a d i a g o n a l n ã o é c o m e n s u r á v e l " , na m e d i d a c m q u e .15
isso n ã o é verdadeiro, m a s falso 4 .
(4) A l é m disso, o ser ou o e n t e significa, por um l a d o , o s e r c m ioi7 b
p o t ê n c i a c, por outro, o ser e m ato, e isso n o â m b i t o dc ca-
da u m dos significados a c i m a m e n c i o n a d o s . D e fato, dize-
m o s q u e vê t a n t o q u e m pode ver c o m o q u e m vê c m ato;
e dc maneira semelhante dizemos que sabe, tanto q u e m
pode fazer riso d o s a b e r c o m o q u e m faz uso dele e m ato; 5
c d i z e m o s q u e e s t á e m repouso t a n t o q u e m já está c m
repouso c o m o q u e m pode estar c m repouso. Isso vale t a m -
b é m para as substâncias: d c fato, d i z e m o s q u e u m I l e r m e s
está na pedra e q u e a semi-reta está na reta, c d i z e m o s q u e
é trigo t a m b é m o q u e ainda n ã o está m a d u r o \
A q u e s t ã o da d e t e r m i n a ç ã o d c q u a n d o u m ser é c m p o t ê n -
cia c q u a n d o a i n d a n ã o é será t r a t a d a c m o u t r o lugar-'.

8 . [O,s significados de subslânciaj1


(1) S u b s t â n c i a , c m c e r t o sentido, sc diz dos corpos simples: por 10
exemplo, o fogo, a terra, a água c todos os corpos c o m o estes;
c, c m geral, todos os coqios c as coisas compostas a partir de-
les, c o m o os a n i m a i s 2 c os seres divinos c suas partes*. 'I bdas
essas coisas são ditas substâncias p o r q u e n ã o são predica-
das d c um substrato, m a s tudo o mais c predicado delas' 1 .
(2) N o u t r o s e n t i d o , s u b s t â n c i a é o q u e c i m a n e n t e às c o i s a s 15
q u e n ã o se p r e d i c a m d c u m s u b s t r a t o c q u e é c a u s a d c
s e u ser": por e x e m p l o , a a l m a n o s a n i m a i s 6 .
( 3 ) A d e m a i s , s u b s t â n c i a s são ditas t a m b é m as partes i m a -
n e n t e s a essas coisas, q u e d e l i m i t a m essas m e s m a s coisas
e e x p r i m e m algo d e t e r m i n a d o , c u j a e l i m i n a ç ã o c o m p o r -
taria a e l i m i n a ç ã o d o t o d o . Por e x e m p l o , se fosse e l i m i n a -
da a s u p e r f í c i e — s e g u n d o alguns filósofos — seria e l i m i -
n a d o o c o r p o , c se fosse e l i m i n a d a a l i n h a , seria e l i m i n a -
da a s u p e r f í c i e . K m geral e s s e filósofos c o n s i d e r a m q u e
o n ú m e r o é u m a realidade desse tipo e q u e é d e t e r n u - 20
2)6 TONMETATAOYÎIKA Ù.

( à v a t p o u | i i v o u -re y à p o ù S è v e i v a i , x a i ò p í Ç e i v rcàvxa) • exi TÒ T Í


fjv e ï v a i , ou ó X ó y o ç ò p i a j i ó ç , x a i TOÜTO o ù a i a X é y e x a i èxàcrcou.
aufxßaivei 8^ xaxà Súo xpóiuouç ríjv oùaiav X£yea9ai, xó 9'
Ú7uoxEÍ(xevov ËAXATOV, o |XT]X£TI X A T ' âXXou Xéyexai, xai o
25 âv TÓSe T I ô v xai x w
P^òv TOIOÜTOV S è è x à a x o u •?)
xai TÒ eíBoç.

Taùxà Xéyexai xà jxèv xaxà au[j.ßeßrix0i, olov TÒ


Xeuxòv xai TÒ jiouaixòv TÒ aúxò oxi xw auxã» au(j.ߣßii]xe,
xai ÂVÔPCOTCOÇ x a i (jiouaixòv 8TI Gáxepov ôaxipoj au|iߣßT]X£v,
jo xò 8è (jiouaixòv Svôpo)7ioç ô x i x c õ áv8pcí)7rq) o u ( j i ß £ ß T ] x e v éxa-
xépcú 8 è xoüxo xai TOÚTCJ èxàxepov èxeívwv, xai yàp râ âv-
9pcórao râ (JLOUOIXÍÕ x a i ô âvOptojcoç xai TÒ (j,ouaixòv xaúxò
Xéyexai, xai xoóxoiç èxeïvo (8iò xai uàvxa xaüxa xaÔóXou
où Xéyexai" où yàp àXrjÔèç eírceiv oxi Tcãç av9pa>jto<; xaúxò
35 xat xò jiouaixòv Ta yàp xaôóXou xa9' aÚTà Ú7rápxei, tà
1018" 8è AUNßEßRIX0TA où xa9' aúxá* àXX' ÍTCI xãiv xa9' ëxaaxa
ájtXãbç Xéyexai* xaúxò yàp Soxeí Eojxpárr]ç xai ScúxpáxTiç
eivai [xouoixóç- xò 8è SajxpáxTiç oùx èui 7toXXwv, 8iò où Ttãç
E w x p à r r i ç X £ y e x a i o j c n r s p rcãç <xv9p<o7roç)• — x a i x à ( i è v OUXCÜÇ
5 X£yexai xaúxá, xà Sè xaô' aóxà òaaxwarcep xai xò ï v xai
yàp wv i?i ííXr] ^iía rj eiSei rj àpi9^iã> xaùxà Xèyexai xai
w v í) o ù o i a n i a , wore cpavepòv 8 x i ^ x a u x ó X T | Ç IVÓXT|Ç XCÇ è a x i v
T] n X e i ó v c o v xoü eivai rj o x a v ypf\vxí tí>ç 7 u X e í o a i v , oïov öxav
METAFÍSICA, A 7 / 8 . 1 0 1 7 a 3 5 - o 2 0

l i a n t e d e t u d o , p o r q u e s c fosse e l i m i n a d o o n ú m e r o ,
n ã o restaria m a i s n a d a 7 .
( 4 ) A l e m disso, c h a m a - s e s u b s t â n c i a d c c a d a c o i s a t a m b é m
a essência, cuja noção define a coisa\
S e g u e - s e daí q u e a s u b s t â n c i a se e n t e n d e s e g u n d o dois signi-
ficados: (a) o q u e é s u b s t r a t o ú l t i m o , o qual n ã o é p r e d i c a d o d c o u -
tra coisa' 0 , E (b) a q u i l o q u e , s e n d o algo d e t e r m i n a d o , p o d e t a m b é m 25
.ser separável, c o m o a e s t r u t u r a c a f o r m a d c c a d a coisa 1 ".

9. [Os significadas de idêntico, diverso, diferente,


semelhante e dessemelhante
(1) I d ê n t i c o , c m p r i m e i r o lugar, significa o q u e é i d ê n t i c o por
a c i d e n t e : por e x e m p l o , o " b r a n c o " c o " m ú s i c o " são o m e s -
m o e n q u a n t o são a c i d e n t e s da m e s m a coisa; e " h o m e m "
e " m ú s i c o " são o m e s m o e n q u a n t o o s e g u n d o é a c i d e n t e do
primeiro, c t a m b é m " m ú s i c o " c " h o m e m " , porque o pri-
m e i r o c a c i d e n t e do segundo. E o c o n j u n t o dos dois t e r m o s 3d
é o m e s m o c o m relação a cada u m dos dois t e r m o s indivi-
duais, c vice-versa, cada u m destes é o m e s m o c m relação
à q u e l e , p o r q u e " h o m e m " c " m ú s i c o " são o m e s m o c o m
relação a " h o m c m - m ú s i c o " , c este é o m e s m o c o m relação
àqueles 3 . ( E porque esses t e r m o s são idênticos por acidente,
n ã o são afirmados universalmente: dc fato, não se diz verda-
deiramente que todo h o m e m é o m e s m o que o músico,
porque os atributos universais p e r t e n c e m às coisas por si, 35
e n q u a n t o os a t r i b u t o s a c i d e n t a i s n ã o p e r t e n c e m às coisas
por si, m a s sé) nos indivíduos são predicadas s e m restrição. ] oi S
D c fato, " S ó c r a t e s " c " S ó c r a t c s - m ú s i c o " .são m a n i f e s t a m e n -
te a m e s m a coisa; m a s c o m o " S ó c r a t e s " n ã o é prcdicávcl
de m u i t o s indivíduos, n ã o se diz " t o d o S ó c r a t e s " da m e s m a
m a n e i r a q u e se diz " t o d o h o m e m " )
(2) Portanto, c m certo sentido, as coisas sao ditas idênticas desse 5
m o d o ; e n q u a n t o n o u t r o s e n t i d o são ditas i d ê n t i c a s por si,
assim c o m o c m t o d o s os m o d o s s e g u n d o os quais se diz o
u m por si. D e fato, d i z e m - s c idênticas por si (a) as coisas cu-
ja matéria é única pela espécie" 1 , (b) ou as coisas cuja matéria
c única pelo n ú m e r o " , (c) assim c o m o aquelas cuja substân-
cia é única' 1 . Portanto, é claro q u e a i d e n t i d a d e é u m a unida-
218 TiiNMETATACDYZIKA A

Xéyr) a ú x ò aúxcõ xaòxóv úç Suai yàp ypf[tct\. a u x c õ . — ë x e p a


10 S è Xèyexat cüv r\ - t à eíSr) juXeico rj UXT| ^ ò Xóyoç xrjç
o ú a í a ç - x a í S X c o ç à v x i x e t j j t é v w ç xcõ x a ú x c õ X é y e x a i TÒ e x e p o v .
Atáípopa Sè Xéyexai Sa' exepá èaxt TÒ aúxó TI ovxa, [JTFI
[ióvov àpi9(Jttõ àXX' T[ eïSeï i] yévei ï) àvaXoyiy ETI COV
eTepov TO y è v o ç , x a í Tà è v a v r i a , x a i ôaa è^et èv t f ) oôa£<?
is x f j v ÉTEpÓTT]Ta. o [lo i a XèyETat Tá T E rcávrfl locuiò JUEJUOV-
9óxa, xai Tà TTXEÍCÚ xaúxà TCEitov9óxa f) ïxEpa, xaí uv íj
Ttotóxrjç (Jtía- xai xa9' Ôaa àXXoiov5a9ai èvSéxexai xüv èvav-
x í c o v , XOÚXÍÚV x ò JUXEÍÒÍ e ^ o v FJ x u p t o b x e p a o [ i o t o v x o ú x c o . àvxi-
xet|j.évcúç S è x o î ç ò p o t o L ç x à àvójjtota.

10
2o 'Avxtxe£|i.eva Xèyexat àvxíçaatç xai xàvavxia xai xà
Jtpóç xt xai tJxépTjatç xai eÇtç xai 1% w v xaí elç à èa^axa
ai yevèaetç xai <p9opaí- xai Saa [ifj èvSéxexai ájxa
juapeívat TÚ à[X(potv Sexxtxcõ, xaüxa àvxtxeía9aL Xéyexai
aúxà TÍ èÇ d>v èaxiv. (paiòv yàp xai Xeuxòv à|Jia TO
25 aúxcõ oúx ÚTcápXÊi" Siò èj; <Lv èaxiv àvxíxeixai. èvavxía Xé-
yexai xá xe [ifi Suvaxà Spa xcõ aúxcõ ícapetvat xwv Sia-
«pepóvxtóv xaxà yèvoç, xai xà ixXeîoxov Stacpépovxa xcõv èv
xtõ aúxcõ yévei, xai xà TTXETOTOV Siaipépovxa xcõv èv xaúxw
METAFÍSICA, a 9 / I O, 1019 a 9 - 28

d c do ser ou de u m a m u l t i p l i c i d a d e de coisas, ou d c u m a
só, m a s c o n s i d e r a d a c o m o m u l t i p l i c i d a d e : por e x e m p l o ,
c o m o q u a n d o se diz q u e u m a coisa é i d ê n t i c a a si m e s m a ,
sendo, n e s s e caso, considerada c o m o duas 1 .
Diversas sc d i z e m as coisas (a) c u j a e s p é c i e ou (b) c u j a m a t é r i a 10
o u ( c ) c u j a n o ç ã o da s u b s t â n c i a n ã o são ú n i c a s . F., e m geral, a di-
versidade se diz c m t o d o s os s e n t i d o s o p o s t o s aos da i d e n t i d a d e " .
Diferentes se dizem (1) as coisas q u e , m e s m o sendo diversas, são
por algum a s p e c t o idênticas: não, p o r é m , idênticas por n ú m e r o , m a s
(a) ou por cspécic, (b) ou por gênero, (c) ou por analogia 1 '. (2) Ade-
mais, diferentes se d i z e m (a) as coisas c u j o g ê n e r o é diverso, (b) os
contrários c (c) todas as coisas q u e t ê m diversidade na substância"'.
S e m e l h a n t e s se d i z e m (a) as coisas q u e t ê m a f e c ç õ e s iclênti- 15
cas c m todos os s e n t i d o s " , (b) c as coisas q u e t ê m u m n ú m e r o de
a f e c ç õ e s i d ê n t i c a s m a i o r d o q u e o n ú m e r o d a s a f e c ç õ e s diversas 1 2 ,
(c) e t a m b é m a q u e l a s c u j a q u a l i d a d e é i d ê n t i c a 1 ' ; (cl) e n f i m , u m a
coisa é s e m e l h a n t e a o u t r a q u a n d o t e m c m c o m u m c o m cia ou
o m a i o r n ú m e r o clc c o n t r á r i o s s e g u n d o os q u a i s as coisas p o d e m
se alterar, o u o s p r i n c i p a i s d e s s e s c o n t r á r i o s H .
D e s s e m e l h a n t e s se d i z e m as coisas n o s s e n t i d o s o p o s t o s aos
cie s e m e l h a n t e .

10. (Os significados de oposto, contrário, diverso e idêntico


pela espécie
O p o s t o s se d i z e m (1) os contraditórios, (2) os contrários, (3) os 20
relativos, ( 4 ) a privação e a posse, (5) os e x t r e m o s dos quais se ge-
ram c n o s q u a i s se d i s s o l v e m as coisas. (6) O p o s t o s se d i z e m t a m -
b é m os a t r i b u t o s q u e n ã o p o d e m sc e n c o n t r a r j u n t o s n o m e s m o
s u j e i t o , q u e , c o n t u d o , p o d e a c o l h ê - l o s s e p a r a d a m e n t e : c são o p o s -
tos o u eles m e s m o s ou a q u i l o d c q u e eles d e r i v a m . O c i n z a c o
b r a n c o , c o m e f e i t o , n ã o se e n c o n t r a m j u n t o s n o m e s m o o b j e t o , 25
por isso os e l e m e n t o s d c q u e d e r i v a m são o p o s t o s 2 .
C o n t r á r i o s se d i z e m (1) os a t r i b u t o s d i f e r e n t e s por g ê n e r o ,
q u e n ã o p o d e m e s t a r p r e s e n t e s j u n t o s n o m e s m o o b j e t o 1 , (2) as
coisas q u e m a i s d i f e r e m n o â m b i t o d o m e s m o g ê n e r o 1 , ( 3 ) os atri-
b u t o s q u e m a i s d i f e r e m n o â m b i t o d o m e s m o s u j e i t o q u e os a c o -
lhe 1 , (4) as coisas q u e m a i s d i f e r e m n o â m b i t o da m e s m a f a c u l d a d e
T U N META TA (PYIIKA A

Sexxixw, xaí tà jtXeïaxov Staçépovxa râv úrcò xfiv aùxf|V


30 8úva(jtiv, xai «v f) Staçopà [xeyicrn] f| ájtXwç f( xaxà
yévoç i] xax' elSoç. xà 8' ãXXa èvavxía Xéyexai xà ]ièv
xtô x à xoiaõxa ëxeiv> T à Sè x û S e x x t x à elvaL x w v xoioúxwv,
x à S è x£> jroirjXLxà f] 7 t a 8 r ] x i x à e l v a t x â i v x o i o ú x w v , r\ TCOIOCV-
xa fj îràaxovxa, ^ ärcoßoXal Xrjc|>etç, f} ?Çetç ^ axepf|-
35 a e i ç e l v a t x w v x o t o ú x w v . èirei 8 è x ò Ev x a i x ò Bv TroXXaxoiç
Xéyexai, àxoXouôeîv àváyxrj xai xàXXa Sera xaxà xauxa
Xéyexat, w o r e x a i x ò x a ú x ò v x a i x ò exepov x a i x ò èvavxíov,
w a x ' e î v a t é'xepov x a 8 ' èxàaxT|v x a x r i y o p i a v . — l'xepa 8è xi» eïSeï
1018 b Xéyexai oaa xe xaùxoô yévouç õvxa jxfi Ú7ráXXr}Xà èaxt, xai
ôaa èv x t ô aûxw yévet ôvxa Staçopàv ?xet> x a i èv xfj
oùatqt è v a v x i c o a t v è'xer xai xà èvavxia ë x e p a x t ô eîBet àXXrj-
Xwv f) 7tàvxa f; xà Xeyó[jteva Ttpiíntoç, xai ôatov èv TO
5 xeXeoxaúo xoû yévouç eîSet ot X ó y o t ëxepot (olov âvGpœreoç
xai ÏjCTroç à x o ( x a xû yévet oí Sè Xóyot ëxepot aùxcôv), xai
oaa èv xfl aûx'g oúaía ôvxa è'xet Stacpopàv. xaùxà Sè TO
eïSeï x à àvxixetjxévcùç X e y ó j i e v a x o ú x o t ç .

11

npóxepa xai uaxepa Xéyexai èvta (Jtév, wç õvxoç xivàç


îo repúxou xai àpxfjç èv èxàaxa) yévet, xã> èyyúxepov (eivai)
à p x f j ç x t v ò ç dbptajxévTiç f j àreXõiç x a i x f j ç ú a e t í] repóç x i rj Jtoù
f j ÚTTÓ xívcov, olov x à [xèv x a x à xórcov x ü e l v a t è y y ú x e p o v F(
METAFÍSICA. A 1 0 / 1 1 . 1 0 I 8 o 2 9 - b 12 221

cognoscitiva*, (5) c as coisas c u j a diferença c m á x i m a (a) ou absolu-


t a m e n t e ' , (b) ou s e g u n d o o g c n e r o \ (c) ou s e g u n d o a espécie 1 - 1 . As 30
o u t r a s coisas q u e se d i z e m c o n t r á r i a s são a s s i m nos s e g u i n t e s
s e n t i d o s : a l g u m a s p o r q u e p o s s u e m essas c s p é c i c s de c o n t r a r i e d a -
de 1 ", o u t r a s p o r q u e são c a p a z e s de receber essas e s p é c i e s dc c o n t r a -
r i e d a d e " , o u t r a s p o r q u e t ê m p o s s i b i l i d a d e d c produzir 1 2 ou d c
s u p o r t a r 1 , essas e s p é c i e s de c o n t r a r i e d a d e , ou p o r q u e a t u a l m e n t e
as p r o d u z e m ou as s u p o r t a m 1 4 , o u p o r q u e são perdas e a q u i s i ç õ e s ' 1 ,
posses o u p r i v a ç õ e s " 1 dessas e s p é c i e s d c c o n t r a r i e d a d e . -
3 s

E c o m o o u m c o ser t ê m m ú l t i p l o s s i g n i f i c a d o s , n e c e s s a r i a -
m e n t e c m igual n ú m e r o d c s i g n i f i c a d o s s c d i r ã o t a m b é m as n o -
ç õ e s q u e d e l e s d e r i v a m , d c m o d o q u e o i d ê n t i c o c o diverso c o
c o n t r á r i o t e r ã o s i g n i f i c a d o s d i f e r e n t e s e m c a d a u m a das d i f e r e n -
tes c a t e g o r i a s 1 7 .
Diversas s e g u n d o a e s p é c i e se d i z e m (1) as coisas q u e , e m b o r a lois 1 '
p e r t e n c e n d o ao m e s m o g ê n e r o , n ã o são s u b o r d i n a d a s u m a s às
o u t r a s l ; \ (2) as q u e , e m b o r a p e r t e n c e n d o a o m e s m o g ê n e r o , t ê m
u m a d i f e r e n ç a 1 ' , (3) as q u e t ê m u m a c o n t r a r i e d a d e e m sua s u b s -
t â n c i a 2 0 . (4) ' l a m b e m os c o n t r á r i o s são diversos e n t r e si pela c s p é -
c i c : o u todos eles ou os q u e s ã o a s s i m c m s e n t i d o p r i m á r i o 2 1 , (5)
e diversas e n t r e si pela c s p é c i c são t a m b é m todas as coisas c u j a s
n o ç õ e s 2 2 são diversas na e s p é c i e ú l t i m a do g ê n e r o : por e x e m p l o , 5
h o m e m e cavalo são indivisíveis q u a n t o ao g ê n e r o , m a s suas n o -
ç õ e s são diversas; (6) c são diversos pela e s p é c i e os a t r i b u t o s q u e ,
e m b o r a s e n d o da m e s m a s u b s t â n c i a , t ê m a l g u m a d i f e r e n ç a 2 ' .
I d ê n t i c a s s e g u n d o a e s p é c i e são as c o i s a s q u e se d i z e m n o s
sentidos opostos a estes.

I I . [Os significados de anterior e posteriori1


(1) Algumas coisas são ditas anteriores e posteriores, s u p o n d o
q u e haja u m p r i m e i r o c u m princípio c m cada gênero, por io
serem mais próximas d a q u e l e princípio, seja a b s o l u t a m e n -
te, seja por n a t u r e z a , seja r e l a t i v a m e n t e , q u e r pelo lugar
quer, a i n d a , por obra d e a l g u é m 2 , (a) Por e x e m p l o , algu-
m a s coisas se d i z e m anteriores pelo lugar, p o r q u e são mais
p r ó x i m a s d c d e t e r m i n a d o lugar por n a t u r e z a — por e x e m -
plo, do c e n t r o ou da e x t r e m i d a d e — ou de a l g u m p o n t o ;
222 TQN META TA O Y Î I K A A

cpúaei x i v ò ç XÓTTOU ( ó p i a f i i v o u ( ó i o v x o ü [ x é a o u r\ x o ü ia^axou)


í] Trpòç xò xuxóv, xò 8è 7Topp(óx£pov uaxepov* xà 8è xaxà
is xpòvov (xà fièv yàp xcõ 7roppá>xepov xoü vüv, oïov èrci xí>v
yevo(jL£V(ov, rcpóxepov yàp xà Tptotxà xcõv M T ] 8 I X G > V OXI rcop-
píóxepov àrcéxei xoü vüv xà 8è xã> èyyúxepov xoü vüv, oïov
im. xùiv [xeXXóvxojv, rcpóxepov yàp Né[iea ÜUÔÍGÚV CÍXL èy-
y ú x e p o v x o ü vüv x ã > v ü v (Óç à p x f j x a i u p t ó x í o x p ? i a a | j i é v ( ú v ) ' t®
20 8è xaxà xívrjaiv (xò yàp èyyúxepov xoü npcixou xivrjaavxoç
rcpóxepov, otov Ttaïç àv8póç- àpx^ 8è xai aiíxir] x i ; ánXôíç)-
xà 8è xaxà Súvajjuv (xò yàp úírepéxov xfj 8uvà[iei rcpóxepov,
x a i xò 8uvax<í)xepov XOLOÜXOV 8 ' è<rriv o u x a x à XT|V rcpoaípeaiv
à v à y x ï ] à x o X o u ô e í v O à x e p o v x a i x ò ü a x e p o v , o S a x e [AT) x i v o ü v x ó ç
25 xe èxeivou fi^i x i v e í a Ô a i xai xivoüvxoç xiveïaÔai- íj 8è rcpoaí-
peaiç àpxTl)' xà 8è xaxà xàljiv (xaüxa 8' è<rriv Ôaa rcpóç
XL ê v cópiCTfjLÉvov 8 i é a r r i x e xaxà xiva Xóyov, oTov rcapaaxàxT]ç
xpixoaxàxou rcpóxepov xai Tcapavrjxrj vqzr^- lívOa [ièv yàp ó
xopucpaToç ev9a 8è íj filar] àpx^)" —xaüxa [ièv ouv rcpóxepa
JO x o ü x o v Xéyexai xòv xpórcov, ãXXov 8è xpórcov xò xrj yvúaei
rcpóxepov (í)ç x a i àrcXõjç rcpóxepov. xoúxcov 8 à à X X c j ç x à xaxà
xòv Xóyov xai xà xaxà xr|v aía0T]atv. xaxà [ièv yàp xòv
Xóyov xà xaÔóXou rcpóxepa xaxà 8è xíjv ataS^aiv xà xaÖ'
ëxaaxa- xai xaxà xòv Xóyov 8è xò <JU[ißeßrix0<; xoü oXou
35 rcpóxepov, oiov xò fioudixòv xoü [ÍOUCTLXOÜ àv9p(í>rcou• où yàp
êcfxai ò Xóyoç SXoç àveu xoü [iépouç- xaíxoi oùx èv8éxExai
[Aouaixòv eTvai (JLT"] ÕVXOÇ [ÍOUCTLXOÜ xivóç. êxi rcpóxepa Xéye-
METAFÍSICA, A l l , 3 0 1 8 h 1 2 - 3 7 I 223

a o contrário, a q u i l o q u e é mais d i s t a n t e é d i t o posterior 1 ,


(b) O u t r a s coisas sc d i z e m anteriores pelo t e m p o : algumas
por e s t a r e m mais distantes do m o m e n t o p r e s e n t e , c o m o , 15
por e x e m p l o , os a c o n t e c i m e n t o s cio passado; assim as guer-
ras dc Tróia se d i z e m anteriores às guerras persas enq u a n t o
e s t ã o m a i s distantes cio m o m e n t o p r e s e n t e ; outras por se-
rem mais próximas d o m o m e n t o presente, c o m o , por e x e m -
plo, os a c o n t e c i m e n t o s futuros: assim os jogos n e m é i c o s
se d i z e m anteriores aos jogos píticos, p o r q u e e s t ã o m a i s
p r ó x i m o s cio m o m e n t o presente, q u e c t o m a d o c o m o p o n -
to cie partida originário', (c) O u t r a s coisas se d i z e m anterio-
res pelo m o v i m e n t o : cie fato, o q u e c mais p r ó x i m o d o Pri-
m e i r o M o v e n t e c a n t e r i o r c o m o , por e x e m p l o , a criança 20

é anterior a o h o m e m , c a q u e l e c m n princípio e m s e n t i d o
próprio', (d) O u t r a s coisas sc d i z e m anteriores pela p o t ê n -
cia: c o m efeito, c anterior o q u e c superior pela p o t ê n c i a
e o q u e c mais p o t e n t e ; e assim é aquilo cie c u j a v o n t a d e 25
d e p e n d e n e c e s s a r i a m e n t e outra coisa, q u e é posterior d c
tal m o d o q u e , se a q u e l e n ã o m o v e , e s t e n ã o se poclc mover,
c se aquele m o v e , t a m b é m este se deve mover: aqui a vonta-
de serve cie princípio 6 , (c) O u t r a s coisas se d i z e m anteriores
pela o r d e m : tais são todas as coisas dispostas s e g u n d o certa
relação c o m referência a certa u n i d a d e : por e x e m p l o , e n t r e
os c o r c u t a s o s e g u n d o é anterior ao terceiro, e 11a lira a p e -
n ú l t i m a corda é anterior à ú l t i m a ; n o primeiro caso, o cori-
feu serve cie princípio, no s e g u n d o é a corda do m e i o q u e
serve dc princípio'. Portanto, estas coisas se d i z e m a n t e -
riores nesta a c e p ç ã o . 30
(2) N o u t r o sentido, anterior se diz aquilo q u e é assim pelo c o -
n h e c i m e n t o : este c considerado anterior e m sentido absolu-
to. As coisas q u e são anteriores (a) segundo a noção são diver-
sas das q u e são anteriores (b) segundo a sensação, (a) Segun-
do a n o ç ã o são anteriores os universais, (b) s e g u n d o a sen-
sação, ao contrário, são anteriores os particulares*. IL segundo
a n o ç ã o o acidento c anterior ao t o d o q u e o inclui: o músico,
por exemplo, é anterior ao h o m e m m ú s i c o , porque a n o ç ã o 35
do t o d o n ã o pode existir s e m a n o ç ã o da parte, ainda q u e o
m ú s i c o n ã o possa existir sem q u e a l g u é m seja músico'''.
224 1 TI.'N META I A (DYIIKA Ci

TAL T a TCÙV TlpOxépOlV 7ïà0T], OlOV eÚ0ÚXT)Ç XelÓXTJXOÇ' TÒ [xèv


loi?' yàp ypa[i[ifjç xa0' C*ÚTÍ]V 7ià0oç TÒ Sè èmqpavet'aç. TA
(ièv Sf) o u t ù ) X é y e x a i jtpóxepa xai uarepa, T a Sè x a T à çúaiv
xai oúaíav, oaa è v S é x t t a i eivai a v e u ÔXXGÙV, è x e î v a 8è aveu
èxeivtov (JLTJ- ^ Siaipéaei èxpïjaaxo IlXáxoiv. (èreei S è TÒ eivai
s TtoXXaxôiç, JïptÔTOv jxèv TÒ Ú7toxei(i.evov Ttpóxepov, 8iò 7)
oúaía 7ipÓTepov, êreeixa ãXXtoç Ta xaTà 8úva[iiv xai xax'
èvreXèxeiotv Tà [ièv yàp xaTà 8úva|itv jipóxepá èari Tà
Sè xaTà èvreXéxEtav, olov xaTà Súvajiiv (ièv rj ^[liaeta
RRJÇ oXrjç x a i TÒ [iópiov TOÕ SXOU x a i ^ ÖXTJ T % oúaiaç, XAT'
ío èvTeXéxeiav S' uaxepov SiaXu0évxoç yàp xaT' èvTeXéxeiav
eaxai.) xpórcov Sri x l v a t à v x a T à rcpóxepov x a i uarepov Xeyó-
(xeva x a r á TaÜTa X é y e x a i • T à [ièv y à p x a x à y é v e a i v èvSéxexai
ã v e u xõiv èxÉpcov e i v a i , o l o v xò S X o v xã>v [ i o p i w v , x à 8è x a x à
<p9opàv, o l o v xò [iópiov x o û o X o u . ó j i o i t ú ç 8è x a i x à X X a .

12
is Aúva[iLç Xéyexai f) [ièv àpx^i xivr|aetjç fj [iexaßoXfji;
èv èxéptp f] f j ë x e p o v , o í o v f) o i x o 8 o [ i i x f | S ú v a j i i ç è a x i v ¥| o ú x
újtápxei èv x í i oixo8o[iou(iévíi>, àXX' ^ iaxpixfj Súvajiiç oúaa
úitápxoi àv èv xw iaxpeuojiévííj, àXX' oúx fl iaxpeuópevoç.
[ièv ouv OXCJÙÇ à p x ^ l [iexapoXrjç ij xivr|ae<oç Xéyexai Súva-
! METAFÍSICA, A I 1/12, 1018 b38 - 1 0 1 9 o 19 225

( 3 ) A l é m disso, a n t e r i o r e s sc d i z e m as p r o p r i e d a d e s das c o i -
sas q u e s ã o a n t e r i o r e s ; o reto, por e x e m p l o , é a n t e r i o r
a o p l a n o : d c fato, o p r i m e i r o e p r o p r i e d a d e da l i n h a , e n -
q u a n t o o s e g u n d o é p r o p r i e d a d e da s u p e r f í c i e 1 " . io191
(4) A d e m a i s , a l g u m a s coisas se d i z e m anteriores c posteriores
no sentido visto, e n q u a n t o outras sc d i z e m anteriores e pos-
teriores s e g u n d o a natureza c s e g u n d o a s u b s t â n c i a : são
assim todas as coisas q u e p o d e m existir i n d e p e n d e n t e m e n -
te de outras, e n q u a n t o essas outras n ã o p o d e m existir s e m
a q u e l a s " : dessa d i s t i n ç ã o se valia Platão 1 2 . ( E c o m o o ser
t e m m ú l t i p l o s significados, (a) c m p r i m e i r o lugar, anterior 5
é o s u b s t r a t o c, p o r t a n t o , anterior é a s u b s t â n c i a ' , (b) E m
1

s e g u n d o lugar, c o m o u m a coisa é ser c m p o t ê n c i a , outra é


ser e m ato, a l g u m a s coisas são anteriores s e g u n d o a p o t ê n -
cia, outras o são s e g u n d o o ato: por e x e m p l o , a semi-reta é
anterior à reta pela p o t ê n c i a , assim c o r n o a parte c o m rela-
ç ã o a o t o d o e a m a t é r i a c o m relação à s u b s t â n c i a ; s e g u n d o
o ato, ao contrário, todas são posteriores, p o r q u e só p o d e m io
existir c m a t o q u a n d o o t o d o se dissolve 1 " 1 ).
D e c e r t o m o d o , todas as coisas q u e se d i z e m anteriores c poste-
riores o são por r e f e r e n d a a e s t e ú l t i m o significado 1 '. D c fato, algu-
m a s coisas p o d e m existir s e m as outras q u a n t o à geração: por e x e m -
plo, o t o d o s e m as partes; outras, a o contrário, p o d e m existir s e m
outras q u a n t o à corrupção: por e x e m p l o , as partes s e m o todo. O
m e s m o vale para t o d o s os o u t r o s sentidos de anterior 1 ".

12. [Os significados de potência e impotência, possível e impossívelj1

(1 ) P o t ê n c i a , c m p r i m e i r o lugar, significa o princípio clc m o v i - 15


m e n t o ou d c m u d a n ç a q u e se e n c o n t r a c m outra coisa ou
na própria c o i s a e n q u a n t o outra. A arte d c construir, por
e x e m p l o , é u m a p o t ê n c i a q u e n ã o se e n c o n t r a na coisa
c o n s t r u í d a ; m a s a arte d c curar, q u e t a m b é m é u m a p o t ê n -
cia, p o d e e n c o n t r a r - s e t a m b é m n o q u e é curado, m a s n ã o
e n q u a n t o é curado 2 .
(2) P o t ê n c i a , p o r t a n t o , significa, c m primeiro lugar, esse prin-
c i p i o d c m u d a n ç a o u d c m o v i m e n t o q u e sc e n c o n t r a e m
TQNMETATAOYIIKAA

20 jjLiç èv i x é p c o í j g x e p o v , í| 8 ' úq>' í x é p o u $ 2xepov (xa0' í^v


yàp T Ò h&t/ov IRÁAX 6 1 tl > óti [liv êàv óxtoüv, Suvaxòv aúxó
<pa[i.ev e i v a i TtaOeív, óxè 8' où xaxà itãv náÔoç àXX' ãv èm
TÒ ß i X x i o v ) - e x i Í) x o ú x a X ã i ç TOUT' ÍTUTEXEIV ?J x a x à irpoat-
peoiv è v t o x e yàp TOÚ; [lóvov ãv 7íopeu0évxaç eiuróvxaç,
^ 25 xaXü; 8è rj jj,^ coç TipoeíXovTO, ou çafiev SúvaoÔai Xéyeiv
ßaSCCeiv Ò[íoíiú<; ò è xat ím xou Tzáaytiv. £xi öaai ïîjeiç
xa8' ãç àroxOf] SXAI; 9J ä [ x e x ä ß X r ] x a FJ [I^ |5><J8ÍÜJÇ ÊRCI XÒ
XeTpov eùjiexaxCvTjTa, 8uvá[i.eiç Xáfovxai- xXãxai [lèv yàp
xai auvrpißexai xai xáfjuruExai xai oXwç çQetpexai où x&
JO 8 ú v a < j 0 a i àXXà xã> [IF] 8úvaa8ai xai èXXEÍiteiv xivóç-
àrcaOrj 8È xcõv xotoúxaiv ã JJ.6XIÇ x a i íipíjia Tuáaxet Sià 8Ú-
vaji.iv xai xá» SúvaoÔai xai tÇ> êx^iv Xe^o^év^ 8è

xrjç 8uvdtjJ.ea>i; xoaauxax&ç, xai xò Buvaxòv 2va [iiv xpóirov


XexOrjaexai xò &xov xtvrjaewç àpyi\v 9j (jiexaßoXij; (xai yàp
35 x ò a x a x i x ò v S u v a x ó v x i ) èv lilptù ?| r\ ë x e p o v , é'va 8 ' èàv &xü
ioií>1 TI aÚTOõ aXXo 8úva[xiv xoiaóxT]v, Iva 8' làv tXQ [jiexaßdX-
XEIV ÈTP' ó x i o ü v 8úvapiiv, eíx' ÍTCÍ x ò XE^POV ^ xò ߣX-
xiov (xai yàp xò tpÕeipójievov Boxeí Suvaxòv eivai tpÔEÍpe-
<j0ai, oúx âv cpGapíjvai e{ f j v àSúvaxov* vûv 8è iyju. xivà
5 Siáôeoiv xai aixtav xai à p x f y j TOÜ T O I O Ú T O U TuáOouç* òil [ièv
8f) T w & x eiv TL 8oxet, ó x è 8 è xtS í . o x e p f j a 6 a i x o i o ü x o v e i v a r ei
METAFÍSICA, A 1?, 1 O l 9 a 2 0 bó

o u t r a c o i s a o u na própria coisa e n q u a n t o o u t r a , c , c m
s e g u n d o lugar, significa o p r i n c í p i o p e l o q u a l u m a coisa
c m u d a d a ou m o v i d a por o u t r a ou por si m e s m a e n q u a n -
to o u t r a . D c fato, c m v i r t u d e desse p r i n c í p i o pelo qual o
p a c i e n t e sofre a l g u m a m o d i f i c a ç ã o d i z e m o s q u e o pró-
prio p a c i e n t e t e m a p o t ê n c i a d c sofrer m o d i f i c a ç õ e s ' . (K
às vezes d i z e m o s isso se ele t e m p o t ê n c i a d c sofrer q u a l -
q u e r t i p o de m o d i f i c a ç ã o ; às vezes só se e l e t e m p o t ê n c i a
d c sofrer a f e c ç õ e s q u e o f a z e m m u d a r para melhor)" 1 .
(3) A d e m a i s , c h a m a - s e p o t e n c i a a c a p a c i d a d e de realizar algo
h e m ou a d e q u a d a m e n t e . D c fato, às vezes d i z e m o s dos q u e
c a m i n h a m ou falam, m a s n ã o o f a z e m b e m o u c o m o dese-
jariam, q u e n ã o t ê m p o t ê n c i a para falar ou para c a m i n h a r 1 .
( 4 ) O m e s m o vale para a p o t ê n c i a passiva 6 .
(5) A l e m disso, c h a m a m - s e p o t ê n c i a s todos os estados c m vir-
t u d e dos quais as coisas são a b s o l u t a m e n t e impassíveis ou
i m u t á v e i s ou n ã o f a c i l m e n t e m u t á v e i s para pior. D c fato,
as coisas q u e b r a m - s e , degcnerarn-sc, d o b r a m - s e c, c m geral,
dcstrocm-sc, não porque têm potência, mas porque não
t ê m p o t ê n c i a c porque c a r e c e m dc alguma coisa; a o contrá-
rio, são impassíveis relativamente a todos estes tipos de afec-
ções as coisas q u e d i f i c i l m e n t e ou p o u c o são afetadas por
cias por causa de sua potência e d c seu poder, e por determi-
nadas c o n d i ç õ e s c m q u e se e n c o n t r e m 7 .

D a d o q u e p o t ê n c i a se diz c m t o d o s e s t e s s e n t i d o s , t a m -
b é m p o t e n t e se dirá c m s e n t i d o s e q u i v a l e n t e s . (1) N u m p r i m e i r o
s e n t i d o , dir-se-á p o t e n t e o q u e possui u m p r i n c í p i o d c m o v i m e n -
t o o u d c m u d a n ç a (dc fato, t a m b é m o q u e p o d e produzir r e p o u s o
é algo p o t e n t e ) c m o u t r o o u e m si m e s m o e n q u a n t o outro* 1 . (Z)
N u m s e g u n d o s e n t i d o , dir-se-á p o t e n t e algo s o b r e o qual a l g u m a
coisa p o d e e x e r c i t a r u m a p o t ê n c i a d e s s e tipo 1 '. ( 3 ) N o u t r o s e n t i -
do, p o t e n t e dir-se-á o q u e t e m p o t ê n c i a para m u d a r c m q u a l q u e r
s e n t i d o , seja para pior seja para m e l h o r . ( C o m e f e i t o , t a m b é m o
q u e s c c o r r o m p e p a r e c e ser p o t e n t e para c o r r o m p e r - s e , pois n ã o
se teria d e s t r u í d o se fosse i m p o t e n t e para se destruir: p o r t a n t o , ele
possui e c r t a d i s p o s i ç ã o , u m a causa c u m p r i n c í p i o de tal a f e c ç ã o .
A s s i m , a l g o p a r e c e ser p o t e n t e , às vezes p o r q u e possui a l g u m a
22 S T£OT M E T A T A OY I I K A à

S' f| ar£pr)OÍç è<niv rctoç, rcávxa xcõ ëx^iv Tl >


[ei 8è fifj ware xã> xe ëxeiv Tlv< * ^ àpxV ^TI
S u v a x ò v [ojjLcovúfjLtoç] x a i t ü £Xeiv ^ coutou a-zípr\oiv, ei èv-
10 S é x e r o t e x e i v o t e p r j o i v (ei S è firj, ó f i t o v ú f i t o ç } ) - ëva Sè t w fií)
ëxÊiv a ú x o ü S ú v a j n v f j à p x * ] v â X X o f| f j ã X X o ç 0 a p x i X T ) v . e x i Sè
xaüxa rcávxa ^ x<ü fióvov â v aufißfjvai yevéaôai f j ftí| y e v e -
a 6 a i , f| xcõ x a X t õ ç . x a i y à p èv xotç à c j j ú x o i ç e v e a x i v f| xoiauxTj
SúvajjiLç, olov èv x o í ç òpyávoiç- xíjv fièv yàp SúvaaGai çaai
is ç0éyyecr8ai Xúpav, x^v S' oúSév, âv íj (JLT^ eítcpcovoç. àSuva-
fjLta Sè èdxi CTxépT)atç Suváiieojç xai xrfc xoiaúxTiç àpxfjç
oïa eíprjxai, fj oXcoç fj xtõ rceçuxóxt exeiv, í oxe
rcéçuxev fjSr) e x & i v où yàp ófioíwç âv çatev àSúvaxov eivai
yevvâv rcat8a xai ãvSpa xai eúvoCxov. exi Sè x a 9 ' èxaxépav
20 S ú v a f i i v ëaxiv àSuvafiCa àvxixeifiévT), xfj xe [lóvov xivrjXLxfj
xai xíj xaXtõç xivrjxixf). xai àSúvaxa Br) x à [ièv xaxà x-fjv
àSuvafiíav xaúxrjv Xéyexai, xà Sè aXXov xpórcov, olov Su-
vaxòv xe xai àSúvaxov, àSúvaxov [ièv ou xò èvavxiov èí;
àváyxrjç àXiqÔêç (olov xò xrjv Stáfiexpov aú[i[iexpov eivai
25 à S ú v a x o v o x i 4>eü8oç x ò x o i o ü x o v ou x ò è v a v x i o v oú [lóvov à X r j -
6èç àXXà xai àváyxr) [àaúfijiexpov eivai]- xò ãpa aúji(ie-
xpov où (lóvov (J>eü8oç à X X à xai èi; à v á y x r j ç cJjeüSoç)- xò 8'
èvavxiov xoúxco, xò Suvaxóv, òxav fií) à v a y x a î o v fj xò èvav-
xiov c])eùSoç eivai, olov xò xa6fja6ai âvGpcorcov 8uvaxóv où
JO y à p è^ à v á y x r j ç xò [IT) x a 9 î j a 9 a i cJjeüSoç. xò [ièv ouv Suva-
METAFÍSICA, A 12. 1 0 1 9 b 7 . 3 0

c o i s a , o u t r a s vezes porcjuc c privado d c a l g u m a coisa; c se a priva-


ç ã o é, de c c r t o m o d o , u m a posse" 1 , todas as c o i s a s serão p o t e n t e s
p o r q u e p o s s u e m algo. P o r t a n t o , as coisas serão p o t e n t e s ou por
p o s s u í r e m algo c d e t e r m i n a d o p r i n c i p i o o u por p o s s u í r e m a priva-
ç ã o d e l e , se 6 possível possuir u m a privação; se isso n ã o c possível,
as coisas se dirão p o t e n t e s a p e n a s por h o m o n í m i a " ) . ( 4 ) N o u t r o 10

s e n t i d o a i n d a , algo se diz p o t e n t e p o r q u e n e m o u t r a coisa n e m


ele m e s m o e n q u a n t o o u t r o t e m a p o t ê n c i a ou o p r i n c í p i o d c sua
d e s t r u i ç ã o 1 2 . (5) E n f i m , todas essas coisas são ditas p o t e n t e s ou
p o r q u e p o d e m s i m p l e s m e n t e rcalizar-sc o u n ã o , o u p o r q u e p o d e m
realizar-se b e m . Nas coisas i n a n i m a d a s está p r e s e n t e u m a p o t ê n -
c i a desse tipo, por e x e m p l o , nos i n s t r u m e n t o s : diz-se q u e u m a lira
t e m p o t ê n c i a para soar e q u e o u t r a n ã o t e m q u a n d o n ã o possui 15

um belo s o m " .
A i m p o t ê n c i a é p r i v a ç ã o d c p o t ê n c i a — ou s e j a , p r i v a ç ã o
d o p r i n c í p i o a c i m a i l u s t r a d o — (a) o u e m g e r a ! , (b) ou c m a l g o
q u e por n a t u r e z a d e v e r i a p o s s u í - l a , (c) o u a i n d a , n u m tempo
c m q u e já deveria p o s s u í - l a por n a t u r e z a . D e f a t o . n ã o p o d e m o s
dizer no m e s m o sentido q u e u m a criança, u m h o m e m c u m eu-
n u c o são i m p o t e n t e s para gerar 1 ' 1 . A d e m a i s , a c a d a t i p o d c p o t ê n -
c i a se c o n t r a p õ e u m tipo de i m p o t ê n c i a , t a n t o à q u e s i m p l e s m c n - 20
t c p r o d u z m o v i m e n t o , c o m o à q u e o produz, da m e l h o r m a n e i r a
possível11,
A l g u m a s c o i s a s s c d i z e m i m p o t e n t e s (1 ) n e s t e s e n t i d o d e
i m p o t ê n c i a : outras, ao contrário, sc d i z e m i m p o t e n t e s (2) c m
o u t r o s e n t i d o , q u e r dizer, n o s e n t i d o d c p o s s í v e l c i m p o s s í v e l 1 6 .
Impossível c aquilo cujo contrário c necessariamente verda-
d e i r o : por e x e m p l o , c i m p o s s í v e l q u e a d i a g o n a l d o q u a d r a d o
seja c o m e n s u r á v e l c o m o lado, p o r q u e isso c falso c s e u c o n t r á r i o 25

n ã o só c v e r d a d e i r o , m a s c n e c e s s a r i a m e n t e v e r d a d e i r o : a d i a g o -
nal d o q u a d r a d o r e l a t i v a m e n t e a o l a d o c n e c e s s a r i a m e n t e i n c o -
m e n s u r á v e l . P o r t a n t o , a a f i r m a ç ã o da c o m e n s u r a b i l i d a d e não
só é f a l s a , m a s c n e c e s s a r i a m e n t e f a l s a 1 ' . T e m - s e o c o n t r á r i o d o
i m p o s s í v e l , isto c , o possível q u a n d o n ã o c n e c e s s á r i o q u e o c o n -
I rário s e j a falso: p o r e x e m p l o , c possível q u e u m h o m e m e s t e j a
sentado, p o r q u e não c n e c e s s a r i a m e n t e falso q u e cie não este-
ja s e n t a d o ' \ P o r t a n t o , o p o s s í v e l , c o m o d i s s e m o s , s i g n i f i c a (a) 30

n u m s e n t i d o , o q u e n ã o é n e c e s s a r i a m e n t e falso, ( b ) n o u t r o s e n -
TÍ2N META TA OYÏIKA A

F TÒV ë v a [ièv TpÓTtov, óSojtep eípr]Tai, TÒ [if] èí; à v à y x T i ç (|>eü-


Soç oTfi[xatvei, ëva Si TÒ àXíjÔéç [eivai], Iva Sè TÒ èvSe^ó-
[levov àXrjÔèç eivai, xará [ieTa<popàv Sè TÍJ èv yetofxeTpCa
Xèyexai Súva[iiç. TaÜTa |jiv ouv Ta Suvarà où xaTà Súva-
35 ( i i v Tà Sè Xeyópeva xaTà Súvafxiv mivra XèyeTai rcpòç
1020 1 TÍ|v 7cpcÓTT]v [(i£av]- auTTj S ' èarïv àpx^l ( J - e T a ß o X f j ; èv à X X c o
fj 5 àXXo. Tà yàp àXXa Xèyexai Suvaxà tü Tà [ièv ?x£lv
aÚTcüv àXXo TI TOiaÓTT)v Súvajnv Tà Sè [if] exeiv Tà Sè
toSi ïyziv, ò[io£coç Sè x a í Tà àSúvaTa. <öare ò xúpioç Spoç
5 Tf]ç TíptúTTiç Suvàfietoç av enq àpx^l [leTaßXiriTixf] èv aXXto
rj ã X X o .

13
riocròv XèyeTai TÒ SiaipeTÒv eiç èvureápxovxa tóv èxá-
Tepov ^ ëxaarov ëv TI xai TÓSe TI Ttèçuxev eivai. TcXfjÔoç
[ièv oöv i t o a ó v T I è à v àpi0[ir)TÒv [lèyeÔoç Sè â v [leTprjTÒv
io f j . X É Y E T A I S è uXfjÔoç [ièv TÒ SiaipeTÒv Suvà[iei ei; [if] auv-
tyfj, [lèyeOoç Si TÒ eiç auvexfj - [leyèôouç Si TÒ [ièv è<p' êv
auvexè; [xfjxoç TÒ S' ÍTUÍ SÚO u X á T O ç TÒ S ' èjti Tpía 3á0oç.
TOÚTCOV Sè rcXfjGoç [ièv TÒ Ttejtepaqièvov àpi9(iòç (ifjxoç Sè
Ypa[i[if) 7tXàT0; Sè èrciçàveia ßa6o£ Sè atõ[ia. 2TI Tà
is [ièv XèyeTai xa9' aúxà jtoaá, TÒ Sè xará au[ißeßirix0;,
olov f| [ièv Ypa[i[ií| Jtoaóv TI xa0' èauTÓ, TO Sè [louai-
xòv xaTà <ni[ißeßTix0;. TÓJV Si xa6' aúxà TÀ [ièv xaT*
oúaíav èarív, oíov ypa[i[ifi iroaóv T I (èv y à p TTÕ X ó y t o XCÕ
T£ è a r i X è y o v x i TÒ TUOCTÓV T I ú r e à p x e i ) , TÀ S è 7cá0T) x a i eíjeiç
J .METAFÍSICA,il2/13,1 Ol9b31 - ) 0 2 0 o 1 9 231

tido, o q u e é verdadeiro1''; (c) n u m tcreciro sentido, o q u e pode


ser v e r d a d e i r o - " .
Por t r a n s f e r ê n c i a , fala-se d e p o t ê n c i a t a m b é m c m g e o m e t r i a 1 1 .
F.stcs s i g n i f i c a d o s d o possível n ã o se r e f e r e m às n o ç õ e s de p o - 35
t c n c i a " . A o c o n t r á r i o , t o d o s os s i g n i f i c a d o s q u e se r e f e r e m à p o t ê n -
cia i m p l i c a m u m a r e l a ç ã o c o m o p r i m e i r o s i g n i f i c a d o d c p o t e n c i a ,
isto é, p o t ê n c i a c o m o princípio dc m u d a n ç a c m outra coisa ou na io2f)j
p r ó p r i a c o i s a e n q u a n t o o u t r a . As o u t r a s c o i s a s s ã o d i t a s p o t e n t e s
o u p o r q u e a l g o d i f e r e n t e t e m s o b r e elas u m a p o t ê n c i a , o u p o r q u e
não t e m , ou ainda porque o t e m de d e t e r m i n a d o m o d o ' 1 . 0 m e s m o
vale para as c o i s a s q u e s ã o d i t a s i m p o t e n t e s .
C o n c l u i n d o , a definição principal do significado dc p o t ê n c i a
s e r á : p o t ê n c i a é p r i n c í p i o d e m u d a n ç a e m o u t r a c o i s a o u na p r ó - 5
pria c o i s a e n q u a n t o outra 2 ' 1 .

13. jOs significados de quantidade]'

Q u a n t i d a d e se d i z d o q u e é divisível c m p a r t e s i m a n e n t e s c
das q u a i s c a d a u m a é , p o r sua n a t u r e z a , a l g o u n o c d e t e r m i n a d o ' - .
U m a q u a n t i d a d e é ( 1 ) u m a pluralidade q u a n d o é numerável;
( 2 ) u m a g r a n d e z a q u a n d o é m e n s u r á v e l . ( 1 ) C h a m a - s c pl lira li- io
d a d e o q u e se p o d e d i v i d i r e m p a r t e s n ã o c o n t í n u a s ' ; ( 2 ) cha-
I n a - s e g r a n d e z a o q u e c d i v i s í v e l e m p a r t e s c o n t í n u a s 4 . H n t r c as
grandezas, a que é contínua numa dimensão é comprimento; a
q u e é c o n t í n u a c m duas d i m e n s õ e s é largura c a q u e é c o n t í n u a
e m três d i m e n s õ e s é p r o f u n d i d a d e . U m a m u l t i p l i c i d a d e d c l i m i -
lada é u m n ú m e r o ' , u m c o m p r i m e n t o d e l i m i t a d o é u m a linha,
uma largura delimitada é u m a superfície c u m a profundidade
delimitada é um corpo.
A d e m a i s , ( A ) a l g u m a s c o i s a s s ã o d i t a s q u a n t i d a d e por si 15
m e s m a s 6 , (B) outras por a c i d e n t e : a linha, por e x e m p l o , é u m a
q u a n t i d a d e p o r si, o m ú s i c o é u m a q u a n t i d a d e p o r a c i d e n t e ' .
(A) E n t r e as q u a n t i d a d e s p o r si, (a ) a l g u m a s são a s s i m p o r sua
e s s ê n c i a : a l i n h a , p o r e x e m p l o , é u m a q u a n t i d a d e por si, p o r q u e
a q u a n t i d a d e está i n c l u í d a n a n o ç ã o q u e e x p r i m e a própria e s s ê n c i a
da l i n h a 5 ; ( b ) o u t r a s , a o c o n t r á r i o , são a f e c ç õ c s c e s t a d o s d e s s e
232 T i IN META TA (DYÏIKA A

20 TTjç T o i a ú - n j ç è<rxiv oùaiaç, oíov TÒ rcoXù xai tò òXíyov, xai


[xaxpòv xai ßpaxu, xai TtXaxù xai axevóv, xai ßa9u xai
xaueivóv, xai ßapu xai xoüipov, xai xà ãXXa TO xoiaCxa.
êaxi 8è xai TÒ [lá-fa xai TÒ (Jiixpòv xai [jieîÇov xai
eXaxxov, xai xa8' aùxà xai ítpòç ãXXtiXa Xt-fó^eva, xoõ
25 TCOCTOÖ i r á 0 T ) xa6' aúxá- |iexa<pèpovxai [JIÉVTOI xai èjt' ãXXa
xaüxa Tà óv6|xa-ca. xüv 8è xaxà au|jißeßr]x0i Xeyo^iivuv
7ioacüv x à [XÈV OUTCÚÇ X é y e x a i uxmep ilsyßr] S T I TÒ [xouaixòv
TOaòv xai TÒ Xeuxòv xã> eívai iroaóv TI w úirápxouai, xà 8è
coç xívrjaiç xai xpóvoç- xai yàp xaüxa nóa' àxxa Xéyezai.
30 xai auvex^i xã> èxeîva Siaipexà etvai ÒJV ècrxi xaüxa lüáÔr).
X é y t o o è o ù x ò x i v o ú j j i e v o v à X X ' 8 èxiv/|ÔTi* xcõ f à p Tuoaòv e i v a i
è x e í v o x a i r],xívr)<Tiç n o o i i , ó 8 è x p ó v o q xcõ x a ú x 7 ] v .

[Tò] TCoiòv Xéyexai é'va [xèv x p ó r c o v r) 8 i a < p o p à TÍjç o ú a í a ç , 14


o í o v 7TOIÓV x i a v Ô p t o n o ç Çã>ov o x i S í r c o u v , í r o u o ç 8 è xexpáirouv,
35 xai xúxXoç icoióv xi a x ^ a cíxi àycóviov, coç xfjç 8ia<popãç
1020 b xfjç x a x à TÍJV oúaíav JTOIÓX7]XOÇ OÛATJÇ- — ëva jxèv Sr) xpóítov
xoõxov Xéyexai rj i r o i ó x 7 ] ç B i a ç o p à oùaÊaç, eva 8 è tóç x à àx£-
vrjxa xai xà |i.a6iri|iaxtxá, waitep oí àpiôjxoi iroiot xiveç,
oíov oí aúvÕexoi xai |rf] JJLÓVOV |<p' ev Õ v x e ç à X X ' tov \ií\Lt\\nx
5 xò lítbueSov x a i xò axepeóv (ouxoi 8 ' eiaiv oí Ttoaáxiç iroaoi íj
TCotjáxiç irotjáxiç TCoaoí), xai oXcoç 8 napà xò Tuoaòv wuáp-
X e i èv x f j o ù a £ ( f oùata yàp éxáaxou 5 anaÇ, o t o v x t õ v êÇ oùx
METAFÍSICA, A I 3 / K 1020 o 2 0 - h 7 ! 233

tipo de e n t e s : por e x e m p l o , o m u i t o c o pouco'', o l o n g o e o curto 1 ", 20

o largo c o estreito ', o a l t o e o b a i x o , o p e s a d o e o leve


1 13 11 e as o u -
tras a f e c ç õ e s desse tipo. Ü g r a n d e c o p e q u e n o , o m a i s c o m e n o s
— c o n s i d e r a d o s c m si o u e m suas relações r e c í p r o c a s — são a f e c -
ções por si da quantidade 1 ''; todavia, por t r a n s f e r e n c i a , esses t e r m o s
se e s t e n d e m t a m b é m a o u t r a s c o i s a s 1 ' . 25
( B ) As coisas q u e sc d i z e m q u a n t i d a d e por a c i d e n t e são assim
c h a m a d a s (a) algumas, n o s e n t i d o s e g u n d o o qual d i s s e m o s q u e o
m ú s i c o c o bi a n c o são q u a n t i d a d e s , ou seja, pelo fato de ser q u a n t i -
dade aquilo a q u e p e r t e n c e m " ' ; (b) outras n o s e n t i d o de q u e o movi-
m e n t o e o t e m p o são q u a n t i d a d e s . D e fato, t a m b é m o t e m p o e o
m o v i m e n t o são ditos q u a n t i d a d e , e q u a n t i d a d e s c o n t í n u a s , porque
é divisível aquilo de q u e são afecções. P r e c i s a m e n t e , n ã o o q u e se 30
m o v e é divisível, m a s o e s p a ç o percorrido pelo m o v i m e n t o do q u e
se m o v e 1 ' . E dado q u e o e s p a ç o c u m a q u a n t i d a d e , t a m b é m o c o
m o v i m e n t o ; c ciado q u e o m o v i m e n t o é u m a q u a n t i d a d e , t a m b é m
o é o tcmpols.

14. [Os significados de c/ualidadej]

(1) Q u a l i d a d e significa, n u m sentido, a d i f e r e n ç a cia s u b s t â n -


cia: o h o m e m é u m animal q u e t e m certa qualidade, precisa-
m e n t e a qualidade de ser bípede, e o cavalo a d e ser quadrú-
pede, o c í r c u l o t e m certa q u a l i d a d e , p r e c i s a m e n t e a cie ser
s e m ângulos: esses e x e m p l o s d e m o n s t r a m q u e a diferença 35
segundo a substância c u m a qualidade. Portanto, este c o pri-
m e i r o significado da qualidade: a diferença da substância 2 . 10201'
(2) U m s e g u n d o significado cia q u a l i d a d e refere-se aos o b j e t o s
imóveis da m a t e m á t i c a . Assim se cliz q u e os n ú m e r o s t ê m
d e t e r m i n a d a s q u a l i d a d e s : por e x e m p l o , os n ú m e r o s c o m -
p o s t o s , q u e n ã o c o r r e s p o n d e m a u m a só d i m e n s ã o c q u e
são r e p r e s e n t a d o s pela s u p e r f í c i e c p e l o sólido: tais são os 5
n ú m e r o s p r o d u z i d o s pela m u l t i p l i c a ç ã o cie dois fatores c
pela m u l t i p l i c a ç ã o cie três fatores'. E , e m gera!, c q u a l i d a -
de o q u e p e r t e n c e à e s s ê n c i a d o n ú m e r o a l é m da q u a n t i -
d a d e ; de fato, a e s s ê n c i a de cada n ú m e r o é a q u i l o q u e ele
é m u l t i p l i c a d o por u m : a e s s ê n c i a d o seis, por e x e m p l o ,
23D TON M E T A T A O Y X IK A A

o Siç xpiç eiaiv àXX' O areai;- ei; yàp areai; eti ôaa
7tá0ri X6JV xtvoujxévcov oúaicõv, oíov ÔepjjiÓTíjç xai fyuyjpÓTr]*;,
10 x a i XeuxÓTTjÇ xai [xeXavía, xai ßaputT]^ xai xou<póx7]ç, xai
Ôaa xoiaüxa, xa0' a Xéyovxat xai àXXoioõaÔat xà awfiaxa
pexaßaXXovxcov. ext xax' àpexrjv xai xaxiav xai ôXcoç xò
xaxòv xai àya0óv. axe8òv Sri *«xà Súo xpóreooç Xéyotx' âv
xò reotóv, xai xoúxcov eva xòv xtiptcóxaxov repcóxr] fièv yàp
is TTOióxTfiç xfjç oúaíaç Siaçopá (xaúxrjç 8è xi xai ^ èv xoîç
àpiSfjLoíç reotóxrjç [xépoç* Staçopà yàp xiç oúatcõv, àXX' rj oú
xivou|a.évwv f] o ú x í x t v o ú j x E v a ) , x à S è reà0T] xcõv x i v o o f j t é v c o v rj
xivoójjteva, xai aí xóõv xtvrjaecov Staçopaí. àpexr] Sè xai
xaxía TOV 7ua0ri(jLáxwv fiépoç xr Staçopàç yàp Sr)XoCai xfjç
20 xtv7|aecoç x a i x f j ç è v e p y e í a ç , xa9' âç reotoÕaiv f| reàaxouat xa-
Xa>ç cpaúXcoç xà èv xivfjaei o'vxa- xò [jtèv y à p cóSl Sovà-
[X6VOV xtveíaflat i} èvepyeïv àyaÔòv xò S' cóSi xai èvavxícoç
[iOxÔTjpóv, [xàXiaxa Sè xò àyaOòv xai xò xaxòv arifiaívei xò
reo tòv èrei xcõv è(jtc[)úxcov, x a i xoúxcov [xáXtaxa èrei x o t ç èxouat
25 repoaípeatv.

15

npóç xt Xéyexat xà (jtèv cóç StreXàaLov repòç rífitau xai


xptreXàatov repòç xpixr]|jLÓptov, xai ôXcoç reoXXareXáaiov repòç
reoXXoax7][xóptov xai úreepèxov repòç úreepexópevov xà 8' cóç
xò 0epfi.avxtxòv repòç xò 0Ep|iavxòv xai xò X|IT)XLXÒV repòç xò
JO X[JLT)XÓV, xai ÔXcoç xò reotTjxtxòv repòç xò rea9r)xixóv xà 8'
METAFÍSICA A 1 4 / 1 5 , 1 0 2 0 b 6 - 3 0

n ã o c seis vezes dois ou vezes três, m a s o q u e ele é u m a


vez: d e f a t o , seis é igual a seis vezes u m 4 .
( 3 ) A d e m a i s , c h a m a m - s e q u a l i d a d e s as a f e c ç õ e s das s u b s -
t â n c i a s e m m o v i m e n t o : por e x e m p l o o q u e n t e c o frio,
o b r a n c o e o p r e t o , o p e s a d o c l e v e ' c, c m g e r a l , t o d a s as 10
o u t r a s a f e c ç õ e s d e s s e t i p o , s e g u n d o as q u a i s d i z - s e q u e
os c o r p o s s e a l t e r a m q u a n d o m u d a m ' 1 .
( 4 ) A l e m disso, q u a l i d a d e se e n t e n d e t a m b é m n o s e n t i d o
de v i r t u d e e de v í c i o c , c m geral, d e h e m c d c m a l ' .
P o r t a n t o , p o d c - s c falar d c q u a l i d a d e c m dois s e n t i d o s , u m
dos q u a i s é f u n d a m e n t a l . (A) O s i g n i f i c a d o p r i m e i r o de q u a l i -
d a d e é a d i f e r e n ç a da s u b s t â n c i a * ; no â m b i t o d e s s e s i g n i f i c a d o 15
entra t a m b é m a qualidade dos n ú m e r o s : d c fato, t a m b é m esta
é u m a d i f e r e n ç a d c s u b s t â n c i a s , m a s d c s u b s t â n c i a s q u e n ã o são
móveis ou q u e não são consideradas e n q u a n t o móveis''. (B) O
o u t r o s i g n i f i c a d o r e f e r e - s e às a f e c ç õ e s d a s s u b s t â n c i a s móveis
c o n s i d e r a d a s , j u s t a m e n t e , e n q u a n t o m ó v e i s e as d i f e r e n ç a s dos
m o v i m e n t o s 1 " . A v i r t u d e c o vício 1 1 f a z e m p a r t e d e s s a s a f e c ç õ e s ,
p o r q u e i n d i c a m as d i f e r e n ç a s d o m o v i m e n t o e da a t i v i d a d e , 20
s e g u n d o a.s q u a i s os seres c m m o v i m e n t o a g e m ou p a d e c e m o
b e m c o m a l . D c fato, o q u e t e m p o t ê n c i a para ser m o v i d o ou para
agir d e d e t e r m i n a d o m o d o é b o m ; c o q u e t e m p o t ê n c i a para ser
m o v i d o ou para agir de m o d o c o n t r á r i o a o p r i m e i r o é m a u . Parti-
c u l a r m e n t e , o b e m c o .mal i n d i c a m a q u a l i d a d e própria dos se-
res vivos c , n o â m b i t o d e s t e s , s o b r e t u d o a q u a l i d a d e própria cios
seres q u e são d o t a d o s cia f a c u l d a d e clc e s c o l h e r 1 2 . 25

15, [Os significados de relativo e relação}'


( 1 ) Relativas sc d i z e m , c m c e r t o sentido, as coisas c u j a relação
é c o m o a cio d o b r o para a m e t a d e , d o triplo para a terça
parte c, c m geral, d o m ú l t i p l o para o s u b m ú l t i p l o e do q u e
cxccclc para o q u e é e x c e d i d o 2 . (2) E m o u t r o sentido, cli-
z e m - s c rclati\as as coisas c u j a relação é c o m o a do q u e
p o d e a q u e c e r para o q u e é a q u e c i d o , do q u e p o d e cortar
para o q u e é c o r t a d o c, e m geral, d o a g e n t e para c o m o pa-
c i e n t e * . (3) N o u t r o s e n t i d o ainda, relativas se d i z e m as 30
coisas c u j a relação é c o m o a do q u e é m e n s u r á v e l para c o m
Î Î Î N META TA © Y I I K A A

cbç XÒ (JL£Xp7|XÒV rcpÒÇ XÒ fiéxpOV X a i £ÍLLOXIR|XÒV TüpÒÇ èntffXri(XTlV


xai aiaSrixòv rcpòç aia9T]aiv. Xéyexai Sè xà fiiv rcpcüxa xax'
à p i 0 ( i ò v ii à r c X o í ç î^ í ó p i a j i é v c o ç , rcpòç aùxoùç rj rcpòç ev (olov
xò (ièv SircXáaiov rcpòç ev <4ptÔ|xòç cí>pia|iévoç, xò Sè rcoXXa-
jy rcXáaiov xax' àpiÔfiòv rcpòç ïv, oúx toptajxevov Sé, olov xóvSe
1021* 7} x ó v S e - xò Sè ^FILÓXIOV 7cpòç xò úip7]|i,ióXiov xax' àpi9|IÒV
rcpòç àpi9^iòv cópiafiévov xò S ' èrci|iópiov rcpòç x ò úrcercijxópiov
xaxà àópiarov, cíSarcep xò rcoXXarcXàaiov rcpòç xò ev xò S'
úrcepéxov rcpòç x ò úrcepexófievov oXtoç à ó p i a x o v xax' àpi9|ióv
5 ó yàp àpi9[xòç aúfifiexpoç, xaxà au|i|iéxpou S è àpi9|xòç où
Xéyexai, xò Sè úrcepéxov rcpòç xò úrcepexójxevov xoaoüxóv
x £ l a x i x a i è'xi, x o û x o S ' à ó p i a r o v órcóxepov y à p e x u x é v èaxiv,
íaov î) oùx ïaov)- xaüxá xe oúv xà rcpóç xi rcávxa xax'
àpiÔfiòv Xéyexai xai àpi9(ioü rcáÔrj, xai exi xò ïaov xai
io o^iotov xai xaúxò xax' ãXXov xpórcov (xaxà yàp xò ev Xé-
yexai rcávxa, xaùxà fièv yàp a>v [lia ^ oúaía, o[xoia 8'
a>v T) rcoióxr|ç fifa, îaa Sè GÛV XÒ rcoaòv ev xò 8' ev xoü
àpiGfioü àpxí] xai (iéxpov, íSaxe xaüxa rcávxa rcpóç xi
Xéyexai xax' àpiÔpiòv jxév, où xòv aúxòv 8è xpórcov)* xà 8è
is rcoirjxixà xai rcaGrjxixà xaxà Súvajiiv rcoirjxixriv xai rcaOrj-
xtxíjv xai èv e p y e i a ç xàç xcõv 8uvá|j.ecov, oïov xò 9ep|j.avxixòv
rcpòç xò Gepfiavxòv oxi Súvaxai, xai rcáXiv xò Gepjxaivov
rcpòç xò 9epfiaivófievov xai xò xéjxvov rcpòç xò xe|ivó|i.evov
w ç èvepyoüvxa. xâ>v S è x a x ' àpi9[iòv oúx eiaiv èvépyeiai àXX'
2o f| 8 v x p ó r c o v èv é x é p o i ç e í p T ) x a r aí Sè x a x à xívTjaiv èvépyeiai
o ú x úrcápxouaiv. XGÚV S è x a x à Súvajxiv x a i x a x à xpóvouç t^St]
METAFÍ5!CA, A 1 5 r 1 0 2 0 b 3 1 1 0 2 1 a 21

a m e d i d a , ou c o m o a d o c o g n o s c í v c l para a c o m a c i ê n c i a
c d o sensível para c o m a sensação'*.
(1 ) As relações, n o primeiro sentido, são n u m é r i c a s c são ou in-
d e t e r m i n a d a s ou d e t e r m i n a d a s q u a n t o aos próprios n ú m e -
ros ou q u a n t o à u n i d a d e ' . Por e x e m p l o , o d o b r o t e m u m a
relação n u m é r i c a d e t e r m i n a d a c o m 3 u n i d a d e 6 , e n q u a n t o 35
o m ú l t i p l o t a m b é m t e m u m a relação n u m é r i c a c o m a uni-
dade, m a s n ã o d e t e r m i n a d a , q u e r dizer, n ã o t e m esta ou
aquela relação 7 .1' u m a q u a n t i d a d e q u e c o n t é m u m a v e z c 102 i j
meia a outra, r e l a t i v a m e n t e à q u a n t i d a d e q u e está c o n t i d a ,
t e m c o m cia u m a relação n u m é r i c a d e t e r m i n a d a q u a n t o a
d e t e r m i n a d o número", e n q u a n t o u m a q u a n t i d a d e q u e c o n -
t é m a outra e mais u m , relativamente a esta q u a n t i d a d e , es-
tá e m relação n u m é r i c a i n d e t e r m i n a d a , assim c o m o o mríl-
típlo está c m relação i n d e t e r m i n a d a r e l a t i v a m e n t e à unida-
de''. E o q u e e x c e d e c m relação a o q u e c e x c e d i d o está c m
relação n u m é r i c a t o t a l m e n t e i n d e t e r m i n a d a : de fato, o nú-
m e r o é c o m e n s u r á v e l c n ã o pode sc referir a o q u e é i n c o - 5
m e n s u r á v e l ; m a s o q u e e x c c d c r e l a t i v a m e n t e a o q u e é ex-
cedido é a m e s m a q u a n t i d a d e deste e algo mais, c este algo
mais é i n d e t e r m i n a d o , porque, s e g u n d o os casos, pode ser
igual ou desigual ao cxccdido 1 ". Estas relações são n u m é r i -
cas c são a f e c ç õ e s do n ú m e r o . M a s o igual, o s e m e l h a n t e e
o idêntico são t a m b é m relações numéricas, só q u e e m outro 10

sentido. C o m efeito, todos eles se referem à unidade: idênti-


cas são as coisas c u j a substancia é u m a só; s e m e l h a n t e s são
as coisas q u e t ê m a m e s m a qualidade, c iguais são as coisas
c u j a q u a n t i d a d e é igual: ora, o u m c o princípio e a m e d i d a
do n ú m e r o c, portanto, todas essas rclaçc>es p o d e m ser c h a -
m a d a s d c relações n u m é r i c a s , m a s n ã o n o m e s m o sentido 1 1 .
(2) O ativo c o passivo 1 2 e s t ã o e n t r e si c m relação s e g u n d o a 15

p o t ê n c i a ativa c a p o t ê n c i a passiva c sua a t u a l i d a d e : por


e x e m p l o , o q u e p o d e a q u e c e r está c m relação a o q u e p o d e
ser a q u e c i d o s e g u n d o a p o t ê n c i a , e n q u a n t o o q u e a q u e c e
está e m relação ao q u e é a q u e c i d o e o q u e corta está c m
relação a o q u e é c o r t a d o s e g u n d o o ato. D a s relações n u m é -
ricas n ã o existe a t o ou só existe do m o d o c o m o se disse c m
o u t r o lugar ': delas não existe o ato n o sentido d o m o v i m e n - 20
to. D a s relações segundo a potência, algumas implicam u m a
T í i N META TA ® Y I I K A A

XéyOVTai TtpÓÇ XI oloV TO TtETtOlTpcÒÇ TtpÒÇ x ò IteTtOlT]|i,évOV


xai xò Ttoifjaov Ttpòç x ò Ttoiriaópevov. ouxto yàp xai Ttax^p
úioü X è y e x a i Ttaxrip- xò pèv yàp Tt£TtoiT|xòç x ò SI 7te7uavôóç
25 x í è a x i v . exi evia x a x à axépriaiv S u v à p e t o ç , coartep x ò àSùva-
x o v x a i õ a a ouxto X è y e x a i , o l o v x ò à ó p a x o v . x à p è v ouv xax'
àpiÔpòv xai Súvapiv Xeyópeva itpóç xi Ttàvxa èaxi npóç xi
xtõ Sítep èaxiv àXXou Xèyeaôai aúxò 8 èaxiv, àXXà pi] xtõ
àXXo Ttpòç èxeîvo- xò Sè pexp7]xòv xai xò èitiaxrixòv xai xò
30 S i a v o T j x ò v x(õ àXXo itpòç aúxò XéyeaOai Ttpóç xi Xèyovxai.
xó XE y à p SiavoTjxòv arjpaívet oxi eaxiv aùxoû Siávoia, oùx
? a x i S ' f| S i à v o i a Ttpòç x o û x o o ù è a x i S i á v o i a (Siç yàp xaúxòv
etpT]pévov à v e i r j ) , ò p o í c o ç S è x a i x i v ó ç è a x i v 3<]>IÇ T>c|nç, o ù x
1021 k ou èaxiv 5<Jnç (xaíxoi y' àXTjÔèç xoüxo EETXEÍV) àXXà Ttpòç
XP^pa í\ Ttpòç àXXo xí xoioüxov. èxeívcoç Sè Siç xò aúxò
XExôifoexai, 8xi èaxiv ou èaxiv ^ 3c|nç. xà pèv oúv xa9'
èauxà Xeyópeva npóç xi x à pèv ouxto X è y e x a i , xà Se àv xà
s yévr] aúxcõv fj x o i a ü x a , oíov iaxpixí) xcõv Ttpóç x i oxi xò
yévoç aúxfjç èmaríipT] Soxeï eivai 7tpóç xi- êxi xa9'
8aa xà iyovza Xèyexai itpóç xi, olov iaóxr]ç öxi xò ïaov
xai ópoióxrjç 8xi xò 8poiov xà Sè xaxà aupßeßip^, oíov
àvôptoítoç Ttpóç xí 8xi au[jipépT]xev aúxtõ SiitXaaíto eivai,
io x o ü x o S ' è a x i xtõv i t p ó ç x r ^ xò Xeuxòv, ei xtõ a ú x t õ aupßé-
ßTjxe S i T t X a a í t o x a i X e u x t õ e i v a i .

16
TéXeiov Xèyexai êv pèv oú pi] íaxiv 2Çto x i Xaßeiv pr]Sè
METAFÍSICA, A 15/1 6, 1 021 a 22 b 1 1 239

referencia ao t e m p o : por e x e m p l o , a relação e n t r e o q u e fez


e o q u e foi feito, c e n t r e o q u e fará e o q u e será feito. Nesse
sen tido o pai é dito pai d o filho: d c fato, n o passado u m agiu
c o o u t r o foi o b j e t o dessa a ç ã o ' \ A d e m a i s , e x i s t e m relações 25
s e g u n d o a privação da p o t ê n c i a , c o m o o i m p o t e n t e 1 ' c as
outras coisas desse tipo: por e x e m p l o , o invisível"'.
( 3 ) 1 õdas as relações e n t e n d i d a s s e g u n d o o n ú m e r o ou segun-
d o a p o t ê n c i a são c h a m a d a s relações j u s t a m e n t e p o r q u e
sua própria e s s ê n c i a c o n s i s t e n u m a r e f e r e n c i a a algo dis-
t i n t o , c n ã o s i m p l e s m e n t e p e l o f a t o d c a l g o d i s t i n t o estar
c m relação c o m elas; por sua vez, o m e n s u r á v e l , o c o g n o s -
cível c o pensávcl sc d i z e m relativos e n q u a n t o algo d i s t i n - 30
to está c m relação c o m eles. O pensávcl, c o m efeito, signi-
fica q u e d e l e e x i s t e u m p e n s a m e n t o , m a s o p e n s a m e n t o
não c relativo àquilo d c q u e c p e n s a m e n t o ; se o fosse rcpc-
tir-se-ia duas vezes a m e s m a coisa. D c m o d o s e m e l h a n t e ,
a visão c visão de a l g u m a coisa, c n ã o d a q u i l o de q u e é
visão — a i n d a q u e , e m c e r t o s e n t i d o , isso poderia ser ver- 10211,
dadeiro — e cia c relativa à cor o u a o u t r a coisa desse tipo;
do contrário, rcpctir-sc-ia duas vezes a m e s m a coisa: q u e a
visão é visão d a q u i l o d o q u e c visão 1 '.

(A) Das coisas q u e se d i z e m relativas por si m e s m a s , algumas se


d i z e m n o s e n t i d o visto a c i m a , outras p o r q u e seus gêneros são relati-
vos: a m e d i c i n a , por e x e m p l o , c u m relativo p o r q u e o g ê n e r o 110 qual
e c o m p r e e n d i d a é a c i ê n c i a , q u e e l a r a m e n t e c c o n s i d e r a d a e n t r e as
relações. Relativas por si se d i z e m , a d e m a i s , as propriedades pelas 5
quais as coisas q u e as p o s s u e m são ditas relações: a igualdade, por
e x e m p l o , p o r q u e c relativa ao igual, c a s e m e l h a n ç a p o r q u e c relati-
va ao s e m e l h a n t e .
( B ) O u t r a s c o i s a s s ã o ditas relativas por a c i d e n t e : o h o m e m ,
por e x e m p l o , é relativo por a c i d e n t e , p o r q u e p o d e o c o r r e r q u e
e l e seja o d o b r o d c a l g u m a c o i s a , c d o b r o c, j u s t a m e n t e , urna rela-
ç ã o ; ou p o r q u e o b r a n c o é relativo por a c i d e n t e , p o r q u e a m e s m a 10
c o i s a p o d e ser b r a n c a c o d o b r o d c outra 1 *.

1 6 . [Os significados de perfeito]'


(1) Perfeito se diz, n u m sentido, a q u i l o fora d o qual n ã o sc
p o d e e n c o n t r a r n e m s e q u e r u m a d c suas partes. Por e x e m -
240 TON META TA © Y I I K A A

ev (lópiov ( o l o v x p ó v o ç x é X e i o ç é x à a x o u o ú x o ç OU FIRJ ë t m v tÇto


XaßeTv x p ó v o v x i v à oç x o ú x o u f i é p o ç è a x i x o û x p ò v o u ) , x a i xò
iï xax' àpexí|v xai xò eu [xi] ï y o v urcepßoXijv rcpòç xò yévoç,
olov xéXetoç laxpòç xai xéXeioç aúXrjTÍiç fixav xaxà xò elSoç
xfjç oixeiaç àpexfjç [X7]6èv èXXeircwaiv (ouxco S è [xexaçépovxeç
xai èrcl xwv xaxwv Xéyo^ev auxofpávxrjv xéXeiov xai xXé-
20 rcxriv xéXeiov, èrceiS^ x a i à y a ô o ù ç Xeyojxev a ú x o ú ç , oíov xXé-
rcxr|v à y a Ô ò v xai auxo<pàvxT]v àyaÔóv xai -fj à p e x í ] xeXeico-
aíç xiç- ffxaaxov yàp xóxe xéXeiov xai oúaía rcãaa xóxe xe-
Xeia, oxav xaxà xò eîSoç xfjç o i x e i a ç àpexfjç [iT]Sèv iXXeírcrj
[xópiov x o û x a x à (púaiv j x e y é Ô o u ç ) - ê x i oTç úrcàpxeL x ò xéXoç,
arcouSaïov ( õ v ) , xotûxa X é y e x a i x é X e t a - xaxà y à p xò t y t w xò
25 xéXoç x é X e i a , òjax' èrcel x ò x é X o ç xaiv èa^àxcov xi è a x i , xai
èrcl xà (paüXa jxexaçépovxeç Xéyo(i.ev xeXeítoç àrcoXaiXévai
xai xeXeítoç ècpôàpôai, ôxav jxrjSèv èXXeírcfl xíjç <p6opãç xai
xoû x a x o û àXX' èrci xã> èa^àxco rj* Siò xai fj xeXeuxí) xaxà
[xexaçopàv Xéyexai xéXoç, 8xi ã}jwpt«i eaxaxa- xéXoç Sè
jo xai xò ou evexa ea^axov. xà [ièv ouv x a 6 ' aúxà Xeyójxeva
xéXeia xoaauxax<õç Xéyexai, xà (ièv xãh xaxà xò eu (irçSèv
èXXeírceiv [xr]S' êxeiv ürcepßoXr[v [AT}8í êfa> x i XaßeTv, xà B'
oXtùç xaxà xò [IÍ) ^xeiv urcepßoXf|v èv èxàaxtù yévei (xrjS'
1022" eivai xi è3;cjù* xà Sè ãXXa ^St] xaxà xaúxa xco f| rcoieîv xi
xoioüxov f| ê x e i v r\ àpfjiÓTxeiv xoúxw fj àjiãiç yé rccoç Xéye-
a 9 a i rcpòç x à rcpcbxcoç X e y ó j x e v a xéXeia.
METAFÍSICA, ù 1
6 , 1071 b I ? - ] 0 2 2 o a 2i\

pit), o t e m p o perfeito de cada coisa c a q u e l e fora d o qual


não se p o d e e n c o n t r a r n e n h u m t e m p o q u e seja parte dele 2 .
( 2 ) P e r f e i t o se c h a m a t a m b é m a q u i l o q u e , r e l a t i v a m e n t e à 15
virtude ou h a b i l i d a d e o u a o b e m q u e l h e são próprios,
n ã o é s u p e r a d o c m seu g ê n e r o . Por e x e m p l o , fala-se d c
m é d i c o p e r f e i t o e d c flautista p e r f e i t o q u a n d o , relativa-
m e n t e à c s p é c i c d c v i r t u d e o u d e h a b i l i d a d e q u e lhes é
própria, n ã o c a r e c e m d c nada", F assim, por t r a n s f e r ê n c i a ,
a p l i c a m o s essa q u a l i f i c a ç ã o t a m b é m às coisas m á s e fala-
m o s de d i f a m a d o r p e r f e i t o e d c l a d r ã o p e r f e i t o ; e a t é os
c h a m a m o s " b o n s " : por e x e m p l o , d i z e m o s u m " b o m la-
d r ã o " c u m " b o m difamador"" 1 . A virtude q u e é própria d c ?o
cada coisa é u m a p e r f e i ç ã o : d c fato, c a d a coisa é perfeita
e toda s u b s t â n c i a é perfeita q u a n d o , r e l a t i v a m e n t e a deter-
m i n a d a e s p é c i e d c v i r t u d e q u e l h e é própria, n ã o c a r e c e
d c n e n h u m a p a r t e d c sua g r a n d e z a n a t u r a l ' .
( 3 ) A d e m a i s , perfeitas são ditas todas as coisas q u e a l c a n ç a -
r a m o f i m q u e lhes c o n v é m . D c fato, u m a coisa é p e r f e i t a
q u a n d o possui o p r ó p r i o fim''. F c o m o o f i m é u m t e r m o 25
e x t r e m o , por t r a n s f e r ê n c i a a p l i c a m o s a q u a l i f i c a ç ã o d c
p e r f e i t o t a m b é m às coisas m á s e d i z e m o s q u e algo e s t á
p e r f e i t a m e n t e arruinado e p e r f e i t a m e n t e d e s t r u í d o , q u a n -
d o n ã o falta n a d a a sua d e s t r u i ç ã o c a seu m a l , c q u a n d o
t e n h a c h e g a d o a o e x t r e m o desse p r o c e s s o . Por is.so t a m -
b é m a m o r t e sc diz, por t r a n s f e r ê n c i a , f i m , e n q u a n t o a m -
b o s s ã o t e r m o s e x t r e m o s . F i m é t a m b é m o p r o p ó s i t o últi-
m o das coisas 1 .
(A) P o r t a n t o , as coisas sc d i z e m perfeitas por si c m todos esses 30
s e n t i d o s : a l g u m a s p o r q u e , r e l a t i v a m e n t e a seu b e m , n ã o c a r e c e m
d c nada ou n ã o são s u p e r a d o s por outras c n ã o t ê m n e n h u m a d c
suas p a r t e s fora d c si; outras, c m geral, p o r q u e n ã o s ã o superadas
por o u t r a e n ã o t ê m n e n h u m a p a r t e fora d e si n o â m b i t o d o seu
gênero.
( B ) As outras coisas sc d i z e m perfeitas c m f u n ç ã o d e s t e s signi- io22:i
f i c a d o s s , isto é, p o r q u e p r o d u z e m 1 ' o u p o s s u e m algo d c p e r f e i t o " 1 ,
ou p o r q u e são c o n f o r m e s c o m clc 1 o u p o r q u e clc u m m o d o ou de
o u t r o t ê m relação c o r n as c o i s a s q u e se d i z e m perfeitas n o s e n t i d o
principal.
242 TONMETATAQYIIKA A

17

Ilépaç Xéyexai xó it layaiov èxáaxou xai ou eÇco [xrjSèv


5 êaxi Xaßeiv Ttptóxou x a i ou Sow rtávxa itp<í>xou, xai o áv íj
eISoç jieyéÔouç fj exovxoç jjLÉyeQoç, xai xò xéXoç èxáaxou
( x o i o ü x o v 8 ' êq>' o rj x í v r i a i ç x a i r j rcpãfiç, x a i o u x àcp' o u — ó-uè
8 è ã f i ç p o j , x a i àcp' o u x a i ècp' o x a i t ò ou ë v e x a ) , x a i r j o u a C a
è x á a x o u x a i x ò x ( rjv e i v a i è x á a x t o - x f j ç y v t ó a e t o ç y à p xoüxo
io ic£paç* ei 8è xfjç yvtóaecúç, xai xoC 7upáy|Aaxoç. óíuxe çave-
pòv oxi óaax&ç xe r; àpx^l Xèyexai, xoaauxaxwç xai xò
rcèpaç, xai éxi 7uXeovax<í>ç' rj (xèv yàp àpx^l rcépaç xi, xò
8 è Ttépaç o ù i c ã v àpxr|.

18

Tò xa6' o Xèyexai rcoXXaxwç, ëva (xèv xpórcov xò etSoç


is xai 1?) oúaía èxáaxou itpáy|xaxoç, oíov xa9' o àyaÔóç,
aúxò àyaôóv, eva 8è èv to npúzcú Ttétpuxe yíyveaÔai, oíov
xò XP"!10' ^ èiu<paveía. xò (ièv ouv itpcóxoúç Xeyójxevov
xaÔ' o xò eiSóç èaxi, S e u x è p c o ç 8 è cóç ifj uXrj è x á a x o u xai xò
ÚTOxeífjievov è x á a x t o rcptoxov. oXtoç 8è xò x a 9 ' o laaxcõç xai
20 x ò aixiov ÚTcápÇtt- xaxà xí yàp èXr|Xu0ev rj ou ïvexa Vhr\-
XuÔe Xéyexai, xai xaxà xí rcapaXeXòy taxai rj auXXeXóyi-
a x a i , ti t í x ò a i x i o v x o ü a u X X o y i a p . o ü ri 7 r a p a X o y i a [ j i o ü . exi 8è
METAPiSÍCA, A 17/18. 1022o 1 4 . 2 2

17. [Os significados de limite]'

(1 ) I , i m i t e c c h a m a d o o t e r m o e x t r e m o d c c a d a coisa, ou seja,
o t e r m o p r i m e i r o a l e m d o qual n ã o se p o d e m a i s e n c o n t r a r
n a d a da coisa c a q u é m d o qual se e n c o n t r a toda a coisa 2 .
( 2 ) L i m i t e é c h a m a d a a f o r m a , q u a l q u e r q u e seja, de u m a
grandeza c do que tem grandeza'.
( 3 ) L i m i t e c c h a m a d o o f i m d c c a d a c o i s a ( e tal é o p o n t o
d c c h e g a d a d o m o v i m e n t o e das a ç õ e s c n ã o o p o n t o d c
p a r t i d a ; às v e z e s , c o n t u d o , c h a m a m - s e l i m i t e os dois:
t a n t o o p o n t o d c p a r t i d a c o m o o d c c h e g a d a ou a m e t a ) 4 .
(4) 1 ámite é c h a m a d a t a m b é m a substância c a essência dc
c a d a c o i s a : e s t a é, c o m e f e i t o , l i m i t e d o c o n h e c i m e n t o ;
e se é l i m i t e d o c o n h e c i m e n t o o é t a m b é m da c o i s a ' .
b i c a , p o r t a n t o , e v i d e n t e q u e l i m i t e é d i t o c m t o d o s os s e n t i -
d o s e m q u e se d i z p r i n c í p i o c , a n t e s , c m s e n t i d o s a i n d a m a i s n u -
m e r o s o s : de fato, t o d o p r i n c í p i o é u m l i m i t e , tuas n e m t o d o l i m i t e
é u m princípio''.

18. /Os significados das expressões "aquilo por que" e "por st"}1
A e x p r e s s ã o " a q u i l o por q u e " 2 t e m m ú l t i p l o s s i g n i f i c a d o s .
( 1 ) N u m primeiro sentido, significa a forma c a essência de
c a d a c o i s a : por e x e m p l o , a q u i l o por q u e é b o m q u e m é
b o m é o b e m c m si\
(2) N o u t r o s e n t i d o , significa o s u b s t r a t o primeiro no qual
a l g u m a c o i s a s e gera por sua própria n a t u r e z a , por e x e m -
plo, a c o r n a s u p e r f í c i e 1 .
" A q u i l o por q u e " e n t e n d i d o n o p r i m e i r o s i g n i f i c a d o é a for-
m a , e n q u a n t o no segundo significado é a matéria e o substrato
p r ó x i m o d e t o d a s as c o i s a s .
K m geral, o t e r m o " a q u i l o por q u e " d e v e t e r t o d o s o s signifi-
cados do termo causa.
( 3 ) D c fato, p e r g u n t a m o s i n d i f e r e n t e m e n t e : " O n e é a q u i l o
por q u e v e i o ? " c : " Q u a l é o p r o p ó s i t o por q u e v e i o ? " ' .
( 4 ) O u : " Q u e é a q u i l o por q u e a l g u é m c a i u n u m paralogis-
m o ou fez u m s i l o g i s m o ? " e: " Q u a l é c a u s a cio s i l o g i s m o
ou do paralogismo?"6.
T U N M E T A T A O Y 1 IK A A

x ò x a 9 ' 5 TO x a x à 8 £ a i v X £ y e x a i , x a 6 ' Ô ëaxTjxev f j x a Ô ' o ß a -


SíÇer rcávxa yàp xaüxa xórcov a r j ^ a í v e i xai 0£aiv. (Sore xai
25 x ò xa0' aúxò rcoXXaxã»ç àváyxrj X£yeaflai. ev fiev yàp
xaô' a ú x ò xò x í fjv eivai i x á a x t o , oíov ò K a X X t a ç x a Ô ' aúxòv
KaXXíaç xai xò xí fjv eivai KaXXía- Ev Sè Saa èv xã> xí
èaxiv úrcápxei, oíov Í/Õov 6 KaXXíaç xa0' aúxóv- èv yàp
x<õ X ó y w èvurcápxei xò ÇÍÕOV Çtõov y à p xi & KaXXíaç. exi
30 S è e í èv a ú x t õ S è S e x x a i rcpcjxto f j xâSv a ú x o ü x i v í , o l o v f j èrci-
ipáveia X e u x f ] x a O ' èauxfjv, xai Çíj ó àvGptorcoç xa0' aúxóv
f j y à p <l»ux^ V^POq x i x o ü àvGpwrcou, èv rj rcpdhxrj x ò Çfjv. èxi
ou [if] Êíaxiv ã X X o a ï x i o v x o ü y à p àvGpcórcou rcoXXà aixia, xò
Ç û o v , x ò Sírcouv, à X X ' 0|XÍOÇ x a 0 ' a ú x ò v ãvGpwrcoç ò àvGpco-
35 rcóç èaxiv. ?xi ò'aa [xóvto úrcápxei x<*l f) |J.óvov Sià xò xe-
XpcùŒjxèvov x a 9 ' aúxó.

19
1022b AiáGeatç Xéyexai xoü è'xovxoç [i£pr] xáÇiç rj xaxà xórcov
fj xaxà Súvajxiv fj xax 1 etSoç- 0£aiv yàp Seí xivà eivai,
warcep x a i xotfvo|j.a S r j X o I f j 8 i á 0 e a t ç .

20
"EÇiç Sè Xéyexai ëva [ièv xpórcov oíov èvèpyeiá xiç xoü
5 e x o v x o ç x a i è x o | i i v o u , óiarcep rcpãÇtç x i ç f j x í v r j a i ç (öxav yàp
METAFÍSICA, Û 1 B/19/20, 1 0 2 2 o 2 3 - b 5

( 5 ) A d e m a i s , n o s s a e x p r e s s ã o é e n t e n d i d a t a m b é m e m refe-
rência à p o s i ç ã o : por e x e m p l o , fala-se d a q u i l o por q u e se
e s t á p a r a d o ou a q u i l o por q u e sc c a m i n h a . E s t e s e x e m -
plos r e f c r c m - s c , j u s t a m e n t e , à p o s i ç ã o e a o lugar'.
C o n s e q ü e n t e m e n t e , t a m b é m o t e r m o " p o r s i " terá m ú l t i p l o s 25
significados.
( 1 ) N u m p r i m e i r o s e n t i d o , por si significa a e s s ê n c i a própria
d c c a d a c o i s a : por e x e m p l o , C á l i a s é p o r si C á l i a s c a es-
sência dc Cálias\
( 2 ) N o u t r o s e n t i d o , por si significa t u d o o q u e se e n c o n t r a na
e s s ê n c i a : por e x e m p l o C á l i a s , é p o r si a n i m a l , p o r q u e na
definição d e Cálias está incluído o animal. C o m efeito.
Cálias é animal de determinada cspécic'.
(3) Por si se d i z e m t a m b é m as propriedades q u e p e r t e n c e m 30
o r i g i n a r i a m e n t e a u m a coisa ou a a l g u m a d e suas partes:
por exemplo, b r a n c o é propriedade por si da superfície c vivo
c propriedade por si do h o m e m ; d c fato, a a l m a , n a qual
reside o r i g i n a r i a m e n t e a vida, é u m a parte do h o m e m 1 " .
(4) Por si, a d e m a i s , c o q u e n ã o t e m outra causa além de si m e s -
m o : do h o m e m , por e x e m p l o , e x i s t e m m u i t a s causas, c o m o
o a n i m a l c o b í p e d e , todavia o h o m e m c h o m e m por s i " .
( 5 ) Por si, e n f i m , se d i z e m t o d o s os a t r i b u t o s q u e p e r t e n c e m 35
a u m ú n i c o t i p o d c s u j e i t o c 11a m e d i d a c m q u e é ú n i c o :
por isso o q u e é c o l o r i d o é a t r i b u t o por si da s u p e r f í c i e 1 2 .

19. [O significado de disposiçãoj1

D i s p o s i ç ã o significa o o r d e n a m e n t o das partes d c u m a c o i s a : 10221'


o r d e n a m e n t o (a) s e g u n d o o l u g a r , (b) o u s e g u n d o a p o t ê n c i a ' ,
( e ) o u s e g u n d o a forma" 1 . I m p õ e - s e , c o m e f e i t o , q u e exista u m a
c e r t a p o s i ç ã o , c o m o s u g e r e a própria palavra d i s p o s i ç ã o 1 .

20. IOs significados de hábito ou posse ou estado]'

(1) O t e r m o h á b i t o < 0 1 1 posse ou c s t a d o > 2 significa, n u m


s e n t i d o , c c r t a a t i v i d a d e própria d o q u e possui c d o q u e é
p o s s u í d o , c o m o u m a a ç ã o ou u m m o v i m e n t o . D e fato, s
244 TUNMETATAOYIIKAÛ

tò (ièv Tcoirj TÒ Sè reoifjxai, èaxi noÍTjaiç (iexaÇú- oiíxco xaí


xoü èxovxoç èaOrjxa xai Trjç lyo\ilvr\<, èaOfjxoç èaxi (iexaÇú
eÇiç) - — xaúx-rjv ( i è v o u v ç a v t p ò v oxi oùx èvSéxExai
(eiç àrceipov yàp ßaSietxai, ei x o û èxojiévou eoxai exeiv tfy
10 í Ç i v ) , âXXov Sè xpóirov eÇiç Xéyexai SiáOeaiç xa9' íjv fj eu
?l x a x c õ ç Siáxeixai xò 8i(*xe£|ievov, xai xaö* aúxò ?i rcpòç
àXXo, oíov úyieia ëÇiç xiç- SiáOeatç yàp èaxi xoiaúxr).
ëxi eÇiç Xéyexai âv fj jiópiov Sia9éaecoç xoiaúx7)ç- Siò xai
f) x t õ v [ i e p t õ v à p e T Í i xiç èaxiv.

21
is náôoç Xéyexai èva (ièv xpóreov 7ioióx7)ç xa9' rjv àX-
Xo ioüa9ai èvSéxexai, oíov xò Xeuxòv xai xò (xéXav, xai
yXuxù xai reixpóv, xai Papúxrjç xai xoucpóxrjç, xai oaa
àXXa xoiaüxa- èva Sè aí xoúxcov èvépyeiat xai àXXotcóaeiç
Í]8ti. èxi xoúxcov (iãXXov aí ßXaßepai àXXoicóaeiç xai xivfj-
20 a e t ç , xai (iàXiaxa ai Xu7C7]pai ßXáßal. exi xà [ieyé9ri xcõv
a u ( i ç o p £ õ v x a í X u m j p c õ v 7rà8ri Xéyexai.

22
Sxéprjaiç Xéyexai Iva (ièv xpórcov âv |if] exTl ttõv
reeçuxóxcov exeaÔai, xâv |ifi aúxò rj ireçuxòç èxeiv, oíov
<puxòv òfifiáxcov èaxepríaOai Xéyexai- £va Sè âv uecpuxòç
METAFÍSICA, A 2 0 / 2 1 / 2 2 , 1022 B Ó - 2 4

quando algo produz e outro é produzido, entre u m e outro


existe a ação de produzir; assim, entre q u e m possui uma
roupa e a roupa possuída por ele existe a ação de possuir.
Ora, é evidente que da posse entendida nesse sentido
não pode haver ulteriormente posse, porque, caso fosse
possível ter posse da posse, iríamos ao infinito'.
(2) I lábito < p o s s e ou e s t a d o > , noutro sentido, significa a dis-
posição e m virtude da qual a coisa disposta' 1 é disposta
bem ou mal, seja por si, seja em relação a outra: por exem-
plo, a saúde é um hábito ou estado ou posse nesse sen-
tido: dc fato, ela é u m tipo de disposição'.
(3) E n f i m , h á b i t o < o u posse ou c s t a d o > sc diz t a m b é m do
que c parte dc u m a disposição tal c o m o dissemos acima,
Por isso, t a m b é m a virtude'' própria das partes é uni hábito
ou posse ou estado de toda a coisa 7 .

21. [Os significados de afecção]'

(1) A f e c ç ã o significa, n u m primeiro sentido, uma qualidade


segundo a qual algo pode sc alterar: por exemplo, o bran-
c o e o preto, o doce e o amargo, o peso c a leveza c todas
as outras qualidades deste tipo 2 .
(2) Noutro sentido, a f e c ç ã o significa a a t u a ç ã o dessas altera-
ções, isto é, as alterações q u e estão e m ato^.
(3) Ademais, dizem-se afecções e s p e c i a l m e n t e as alterações
e as m u d a n ç a s danosas c, sobretudo, os danos que pro-
d u z e m dor"1.
(4) E n f i m , c h a m a m - s e a f e c ç õ e s as grandes calamidades c
as grandes dores 5 .

2 2 . [Os significados de privação]'

(1) T e m - s e privação, n u m sentido, q u a n d o alguma coisa não


possui algum dos atributos que n a t u r a l m e n t e poderia
ter, m e s m o q u e a própria coisa não possa possuir a q u e -
le atributo por natureza: por exemplo, dizemos que uma
planta é privada de olhos 1 .
248 I T Í I N M E T A T A <DY£IKA A

25 v/Ew, f j a ú x ò f] x ò yévoç, [ií] e x f l , âXXtoç àvôpomoç ó


xucpxòç ô(j)£o)ç ê<jxépt|xai xai àarcáXai;, xò [ièv xaxà xò
yévoç xò Sè xa9' aúxò. £xi ãv rceçuxòç xai oxe rcé<puxev
i'xeiv [xt] v yàp xuçxóxrjç axéprjaíç XLÇ, xuçXòç S' où
xaxà rcãaav fjXixiav, àXX' èv fi rcéçuxev ex^iv, ^ ^xü-
30 ó[xoítoç s è x a i èv <i) â v f j (rcetpuxòç) x a i x a ô ' o x a i rcpòç ô x a i
GSÇ, a v [if] ë x ï l [ r c e ç u x ó ç ] . ëxi FJ ß i a i a è x á c r c o u à ç a í p e a i ç a x è p r j a i ç
Xéyexai. xai óaaxtõç Sè ai àrcò xoü à àrcoçáaeiç Xéyov-
xai, xoaauxaxõíç xai ai uxepfjaeiç Xéyovxal' àviaov |xèv
yàp xtõ [xf| exeiv iaòxrjxa rceçuxòç Xéyexai, àópaxov sè
35 x a i xtõ oXtoç [xf| è'xeiv xp^f1® t <p <paúXwç, xai àrcouv
xai xtõ [xfj è'xe'.v oXcoç rcóSaç xai xtõ çaúXouç. è'xi x a i xtõ
102 V [xixpòv ê x e i v , o í o v x ò à r c ú p t j v o v x o ü x o 8 ' è a x i x ò «paúXojç rccoç
exetv. ëxi x t õ f i f j ^ a s i c o ç f) xcõ (xf) x a X c l ç , oíov xò ãx[xt|xov
oú [xóvov xtõ [xf] x é f x v e a ô a l àXXà xai xtõ [xfj p a S i t o ç f, [xf)
xaXcõç. ext xtõ rcàvxt) fifj è'xeiv xuçXòç yàp où Xéyexai ò
5 èxepóç9aX|ioç àXX' ò èv àfxcpoív fxfj extov ôcjuv siò où
rcãç àya9òç fj xaxóç, fj síxaioç f| ãsixoç, àXXà xai xò
[xexaçù.

23

Tò è'xêi-v Xéyexai rcoXXaxtõç, ëva [xèv xpórcov xò ãyeiv


METAFÍSICA, A 22/23 1 0 2 2 b 2 í - I 0 2 3 o 8 249

(2) Noutro sentido, tem-se privação quando uma coisa não pos- 25

sui algum atributo q u e cia m e s m a ou seu gênero deveriam


possuir por natureza: por exemplo, o h o m e m cego c a tou-
peira são privados dc visão, mas dc maneira diversa, pois
a toupeira c privada da visão relativamente ao gênero ani-
mal e n q u a n t o o h o m e m cego se diz privado dc visão por si'.
(3) Alem disso, t e m - s e privação q u a n d o u m a coisa n ã o possui
algo q u e deveria possuir por sua natureza, n u m d e t e r m i -
n a d o t e m p o n o q u a l , por sua n a t u r e z a , deveria possuí-lo:
de fato, a cegueira é u m a privação, m a s n ã o se p o d e c h a -
mar cego a alguém c m q u a l q u e r idade, m a s sé) sc não pos-
sui a visão na idade na qual deveria possuí-la por natureza;
e, dc m o d o s e m e l h a n t e , se não possui a visão n o a m b i e n 30
te, c o m respeito a o órgão, c o m relação às coisas c da ma-
neira c o m o deveria possuí-la por natureza' 1 .
(4) A d e m a i s , privação c h a m a - s c a v i o l e n t a s u b t r a ç ã o de al-
guma coisa'.
(5) As privações são e n t e n d i d a s ' ' e m todos os m o d o s nos quais
se e n t e n d e m as negações formadas c o m o "alfa privativo'":
diz-se, c o m efeito, q u e algo é desigual"' porque n ã o possui
a igualdade q u e deveria possuir por sua natureza; uma coisa
é dita invisível ' porque não t e m n e n h u m a c o r ou por tê-
la m u i t o fraca; ápodo se diz. de alguma coisa ou porque 35
não t e m pés 1 " ou porque os t e m dc maneira inadequada.
(6) A d e m a i s , d i z e m o s q u e existe privação clc algo t a m b é m i023"
p o r q u e dele e x i s t e p o u c o : d i z e m o s , por e x e m p l o , q u e
u m fruto é privado dc s e m e n t e " , para dizer que a q u e t e m
é muito pequena12.
(7) E p o d e m o s falar d c privação clc algo t a m b é m porque
n ã o é fácil fazê-lo ou fazê-lo b e m : indivisível, por e x e m -
plo, se diz u m a coisa n ã o só p o r q u e n ã o p o d e ser divi-
dida, m a s t a m b é m p o r q u e n ã o p o d e ser f a c i l m e n t e di-
vidida ou p o r q u e n ã o p o d e sê-lo b e m ' 1 .
(8) Privação, ainda, e n t e n d e - s e a falta absoluta dc algo: de fato,
não se diz cego q u e m vê c o m um só olho, mas só q u e m não
vê c o m os dois olhos 1 4 . Por isso, n e m todo h o m e m é b o m 5
ou m a u , j u s t o ou i n j u s t o , m a s s e m p r e existe u m e s t a d o
intermediário 1 ".
250

xaxà TÍ|V aúxou cpúoiv ^ xaxà xf|v aúxou ôpfJirjv, Siò


10 X é y e x a i rcupexóç xe ïytw xòv ãvôptorcov xai oi xúpavvoi xàç
rcóXeLç xai xf|v èaÔfjxa oí à|xnexò^.evoi- eva 8' èv Ä àv
xí úrcàpxt) tóç Sexxixtõ, oíov 6 x®Xxòç êxti xò eíSoç xoü
àv8piàvxoç xai xf|v v ó o o v xò awjia' Eva 8è tòç xò rcepléxov
xà rcepiexófieva- èv to yàp èaxi rcepiéxovxi, exEoflai úrcò
is xoúxou Xéyexai, oíov xò àyyeíov &xeiv úypóv «papiev
xai xf)v rcóXtv àvSptórcouç xai xfjv vaõv vaúxaç, oííxto Sè xai
xò ííXov exeiv xà (Jiépr). êxi xò xtoXüov xaxà xíjv aúxou
òp|I.T)v xi xiveïoôai rcpàxxeiv exeiv Xéyexai xoüxo aúxó,
oíov xai oi xíoveç xà èrcixe£fi.eva ßäprj, xai tòç oí rcoiiycai
20 x ò v "AxXavxa rcotoüai xòv oupavòv exeiv tòç au[xrceaóvx' âv
èrcl xfjv yfjv, toarcep xai xtõv çuoioXóytov xivéç çaaiv xoü-
xov Sè xòv xpórcov xai xò auvéxov Xéyexai 5 auvéxei ex£lvi
tòç 8iax<«Jpw0évxa &v xaxà xf|v aúxoü óppiriv ê'xaaxov. xai
xò êv xivi Sè eivai ófJioxpórctoç Xéyexai xai ércojjiévtoç xtõ
25 ex^iv.

24

Tò tx xivoç eivai Xéyexai £va (ièv xpórcov è£ ou èaxiv


t ò ç 5XT)Ç, xai xoüxo Sixto;, fj x a x à xò rcptõxov yévoç fj xaxà
xò uaxaxov eíSoç, oíov êaxi [xèv tòç àrcavxa xà xrjxxà èÇ
SSaxoç, &Tri 8 * tòç èx x«Xxoü ó àvSpiàç* £va 8' tòç èx xfíç
JO rcpcóxT]ç xivrjaàaTiç àpx^Ç (oíov èx xívoç (xáxri; èx Xoi-
Sopíaç, ííxi aiíxT] à p x í ) xfjç (xàx1!?) ' £va 8' èx xoü auvÔéxou
METAFÍSICA, A 2 3 / 2 4, 1023 • 6 - 3 1

23. [Os significados de ter]'


O termo ter < o u possuir ou h a v e r > 2 tem múltiplos significados.
(1) E m primeiro lugar, significa d o m i n a r ' alguma coisa se-
gundo a própria natureza ou segundo o próprio impul-
so. Por isso se diz que a febre t e m ou possui o h o m e m c
que os tiranos t ê m ou possuem a cidade, e que os que estão
vestidos t ê m ou possuem as roupas 4 .
(2) E m segundo lugar, o receptáculo no qual algo se encontra
diz-se que t e m < e m s i > esse algo: o bronze, por exemplo,
tem a forma da estátua c o corpo t e m a enfermidade'.
(3) E m terceiro lugar, ter sc diz do c o n t i n e n t e relativamen-
te ao c o n t e ú d o : dc fato, o q u e c o n t é m uma coisa diz-se
q u e t e m u m a coisa. Por exemplo, o vaso t e m o liquido,
a cidade t e m os h o m e n s e o navio os marinheiros, c
assim d i z e m o s t a m b é m que o todo t e m as partes''.
(4) Ademais, o que impede alguma coisa dc mover-se ou
dc agir segundo a inclinação q u e lhe c própria diz-se
que t e m ou sustém essa coisa: dizemos, por exemplo, que
as colunas t ê m ou sustem os pesos a elas sobrepostos e
que — para falar c o m o os poetas 7 — Atlas t e m ou sus-
tém o céu, que de outra forma cairia sobre a terra, c o m o
dizem t a m b é m alguns pensadores naturalistas*. Nesse
sentido, diz-se t a m b é m que o que une t e m ou sustém
as coisas que une, e n q u a n t o cada uma delas tenderia a
separar-se segundo a própria inclinação 1 '.
A expressão estar em algo t e m significados s e m e l h a n t e s c
correspondentes ao ter" 1 .

2 4 . 1 O s significados da expressão "derivar de algo"j]


(1) A expressão "derivar de algo" significa, n u m sentido, deri-
var daquilo de que as coisas são materialmente constituí-
das; e isso e m dois sentidos: (a) ou segundo o gênero pri-
meiro ou (b) segundo a espécie última como, por exemplo,
(a) todas as coisas que se podem liquefazer provêm da
água, ou (b) c o m o a estátua provém do bronze 2 .
(2) Num segundo sentido, significa derivar do principio pri-
meiro do movimento. Por exemplo, quando se pergunta:
TUN META TA ÍPYEIKA A

ix x% uXrjç xai xfjç (i.opç7jç, oxmtp ix xoû oXou xà (jiipr\


xai ix TTÎÇ TXiáSoç xò êrcoç xaî ix xrjç oîxiaç oí X£9or
xéXoç [xèv yàp iaxiv ^ [xopcpr], xiXetov Se xò ïyov xéXoç.
35 x à SÈ côç èx xoü (lipouç xò EISOÇ, oíov av9pco7toç ix xoü 8t-
7to8oç xai i] auXXaßi) ix xoü axoixeiou- AXXCOÇ yàp xoûxo
102JB xai ò àvSptàç ix x«^* 0 "' AIA&TITFJÇ yàp UXTJÇ I\

auvOexi] oùafa, àXXà xat xò EÏSoç ix xrjç xoö etSouç uXr|ç.


x à ( i i v o u v oû'xco X é y e x a i , xà S' iàv xaxà (Jtipoç x t x o ú x c d v XIÇ
ÚJtápxíi xcõv xpórccov, oíov ix Tiaxpòç xai (J.r)xpòç xò xixvov
s xai ix yf)ç xà <puxá, oxt ex xivoç [lépouç aùxcjv. ëva 8è
[Í.E0* o xã> X P Ó v w , oíov iÇ -íjfjLépocç vùÇ x a i eòSíaç x 6 1 ! " »
1 7

OXl X0ÖX0 (JLexà XOÜXO" XOÚXCúV SÈ xà (JL£V XCÕ tytw fJLETaßoXl^V


eiç ãXXrjXa oííxco Xéyexai, warcep xai xà võv eipr|(jiÉva, xà

Si xcõ xaxà xòv ypòvov içeÇíjç [JIÓVOV, oíov iÇ Í07][IEP[AÇ

IO lyívfco ó TCXOÜÇ 8xi JIEX' ioT^ieptav iyévexo, xai ix Aiovu-

atcjv 0 a p y r | X t a 8xt (iexà x à Atovúaia.

25

Mépoç Xéyexat ïva fièv xpó-rcov eiç Ô StaipeGeír) âv xò


7toaòv óncoaoüv (àei y à p xò àcpaipoújJtEvov x o ü TUOCTOÜ § Tuoaòv
fjtépoç XéyExat ÍXEÍVOU, o í o v XCÕV x p i c õ v xà Suo jxépoç XéyExaí
is Jtcoç), âXXov 8È xpóíuov xà xaxa|J.expoüvxa xcõv xoiouxcov
(IÓVOV Siò xà 8úo xcõv xpicõv Eoxi (xèv còç Xéysxai [iipoç,
ecrci 8 ' cí)ç o u . £ x i e i ç a x ò e í 8 o ç S i a i p £ 9 e í r i âv ãvEU xoü Ttoaoü,
xat xaüxa jiópia XéyExai xoúxou- 8iò xà etSrj xoü yévouç cpa-
aiv eivai [Jiópia. EXI eiç 8 StaipeÍxai f[ iÇ cóv aúyxeixat
METAFÍSICA, A 2.1/25. 1 0 3 3 o 3 2 -h 19 i 253

de q u e provenu a contenda?, rcspondc-sc: dc um insulto,


enquanto foi este o princípio do qual a contcnda derivou 1 .
(3) Noutro sentido entende-se derivar do c o m p o s t o dc maté-
ria c forma, assim c o m o as partes derivam do todo, tal
c o m o o verso da Ilíada c as pedras da casa (dc fato, a forma
constitui o fim e o que alcançou o fim é perfeito)' 1 .
(4) Ademais, entende-se no sentido dc que a forma provém 35
dc suas partes: por exemplo, o h o m e m do bípede c a sílaba
das letras. Vias este é um m o d o diferente dc derivação re-
lativamente ao modo pelo qual a estátua provém do bronze. 1023:
D c fato, a substância composta provém da matéria sensível,
enquanto a forma provém da matéria da forma"".
( 5 ) D e algumas coisas diz-se que derivam de algo nos sentidos
acima indicados, e n q u a n t o dc outras diz-se que derivam
embora o significado de derivar se aplique apenas a u m a
parte da coisa: por exemplo, diz-se q u e o filho deriva do pai
c da m ã e e as plantas da terra, porque derivam dc alguma
parte deles' 1 .
(6) Enfim, derivar de algo cntcnclc-sc no sentido da sucessão 5
temporal: por exemplo, a noite deriva do dia e a tempestade
da bonança, enquanto uma vem depois da outra. Algumas
coisas se dizem assim, (a) porque se transformam umas nas
outras, c o m o nos casos acima citados, (b) outras por simples
sucessão cronológica ; por exemplo, diz-se que a partir do
equinócio começou a navegação, porque ela teve início de-
pois do equinócio. E diz-se também que as festas targélias
provem das dionisíacas, porque vêm depois das dionisíacas*"1. 10

25. [Os significados de parte]1


(1) Parte, (a) num sentido, significa aquilo em q u e a quanti-
dade pode ser dividida de qualquer maneira: aquilo que
é subtraído de uma quantidade e n q u a n t o quantidade é
sempre parte dela: por exemplo, o dois é dito parte do três.
(b) Noutro sentido, partes se dizem s o m e n t e as que são 15
medida do todo. Por isso o dois pode ser dito parte do
três n u m sentido e não no outro 2 .
(2) Ademais, dizem-se partes t a m b é m aquelas nas quais a
forma pode ser dividida, prescindindo da quantidade.
Por isso diz-se q u e as espécies são partes do gênero 1 .
254 TON METATAOYSIKAû

20 x ò SXov, T| x ò elSoç í] x ò exov xò eiSoç, oíov xíjç a<pa£paç


xfjç -/jxXxf\q f\ x o ö xüßou xoû yjxkxoû xaí ò x®Xxòç fiépoç
(xoüxo 8 ' è a x i v f] ÍÍXT] èv f j x ò e i S o ç ) xaí ycovia fiépoç. exi
xà èv xcõ Xóyco xcõ 8 r ) X o ü v x i ïxaaxov, xai xaüxa fiópia xoü
cSXou- 8 i ò x ò y è v o ç x o ü e ï S o u ç x a i |ièpoç X é y e x a i , ã X X c o ç 8 è xò
25 eiSoç xoü yévouç fiépoç.

26
"OXov Xéyexai ou xe fiT]0èv ãireaxi [lépoç èÇ cóv Xéyexai
SXov <púaet, xai xò uepiéxov xà ireptexó|ieva óSaxe ev xi
eivai èxeîva- xoüxo 8è Sixcõç" íj yàp cóç èxaaxov ev f| cóç
è x x o ú x c o v x ò ïv. xò fièv y à p xaSòXou, xai xò oXcoç Xeyójxe-
50 v o v cóç ÖXov x i ö v , o ü x c o ç è a x i x a Ô ó X o u cóç rcoXXà rcepiéxov xcõ
xax7iyopeî(j0ai x a 0 ' èxàaxou xai ev a i r a v x a e i v a i cóç ëxaaxov,
oíov ãv0pco7uov ÍTTTIOV 0eóv, Sióxi äiravxa Çcõa- xò 8è auve-
Xeç xaí irereepaafiévov, Sxav ev xi èx irXeióvcov fj, èvurcap-
XÓvxcov fiàXiaxa fièv Suvàfiei, ei 8è firj, èvepyeúy. xoúxcov
55 8 ' aúxcõv [iãXXov xà <púaei íj iíyyr\ xoiaüxa, waitep xai
èiri x o ü è v ò ç è X é y o f i e v , cóç OUOTIÇ x í j ç ÒXÓXTJXOÇ è v ó x 7 ] x ó ç x i v o ç .

1024* è'xi x o ü i r o a o ü è x o v x o ç 8 è à p x * ) v x a i f i é a o v x a í è o x a x o v , oacov


[xèv [jLTj i r o i e í ^ 0éaiç Siaçopáv, 7uãv X é y e x a i , oacov 8 è reoieí,
ò'Xov. oaa 8è ãfi<pco èvSéxexai, xai ôXa xai mxvxa- èaxi
255

(3) Ainda, partes são t a m b é m aquelas nas quais o todo se


divide ou aquelas das quais se c o m p õ e , entendido o todo 20
ou c o m o forma ou c o m o aquilo que tem forma; por exem-
plo, da esfera de bronze ou do c u b o de bronze o bronz.c
é uma parte (dc fato, cie é a matéria na qual a forma está
contida), c o m o t a m b é m o ângulo é uma parte do cubo 4 .
(4) E n f i m , t a m b é m os e l e m e n t o s contidos na noção q u e
exprime cada coisa são partes do todo. Por isso, c m certo
sentido, o gênero se diz parte da e s p é c i e , e n q u a n t o c m
outro sentido a espécie sc diz. parte do género'. 25

26. [Os significados de inteiro ou todof1


(1) Inteiro ou todo c h a m a - s e aquilo a que não falta n e n h u -
ma das partes das quais é n a t u r a l m e n t e constituído 7 .
(2) Inteiro ou todo chama-se, também, aquilo cujos componen-
tes constituem uma unidade c m dois sentidos: (a) ou a uni-
dade como cada uma das partes, (b) ou a unidade resultante
do conjunto delas, (a) No primeiro sentido, o universal, que
se predica universalmente como um inteiro ou um todo, é 30
universal na medida c m que abraça muitas coisas, enquanto
se predica dc cada uma c enquanto todas cias constituem
uma unidade, assim c o m o cada uma é unidade: h o m e m ,
cavalo, deus, por exemplo, constituem um inteiro ou um
todo enquanto são seres vivos, (b) Inteiro ou todo nosegnn-
do sentido c o contínuo e o limitado, c cie exister]uando
uma unidade é constituída dc uma multiplicidade dc par-
tes', c, particularmente, se estas partes estão presentes só
em potência, c t a m b é m se estão presentes c m ato' f . Entre
essas coisas, as coisas naturais constituem um inteiro ou 35
um todo c o m mais razão do que as coisas produzidas pela
arte, como dissemos a respeito da unidade", na medida c m
que o inteiro ou o todo é um certo tipo dc unidade.
(3) Ademais, dado que a quantidade tem princípio, meio c 102+'
fim, então (a) as quantidades nas quais a posição cias par-
tes não faz. diferença são chamadas um todo 1 ', enquanto
(b) aquelas nas quais a posição das partes faz diferença
são chamadas um inteiro ou um tudo'; (c) aquelas, enfim,
nas quais podem ocorrer essas duas características são
256 j TiiNMETAT,\<DYIlKAA

Sè x a ü x a oao)v i] pèv çúatç T^J a ú x i ] pèvei xij pexaÔèaei, i|


ï Sè pop<pi] ou, olov xT)pòç xai ípáxiov xai yàp oXov xai
7tãv Xèyexai- è'xet yàp ãfjupw. uScop Sè xai õaa úypà
xai àpiÔpòç ítãv pèv Xèyexai, oXoç S' àpiÔpòç xai ôXov
ÜSoip où Xèyexai, âv pi] pexaçopqí. Txávxa Sè Xèyexai è<p'
o í ç x ò 7xãv (óç è(p' è v i , è7ti x o ú x o t ç x ò 7xávxa (óç èíti Sir]pT]pévoiç-
10 7xaç o o x o ç ò à p t Ô p ó ç , 7 x ã a a i a ú x a t a i pováSeç.

27

KoXoß0v Sè Xèyexai xwv Tioawv oú xò xoxóv, àXXà


pepiaxóv xe Sei aúxò eivai x a i o X o v . x á x e y à p S ú o où xoXo-
ßä ôaxépou àipaipoupèvou èvóç (où yàp íaov xò xaXtSßcopa
x a i x ò Xoi7XÒv o ú S é 7 t o x ' è a x i v ) oúS' oXtoç à p t ô p ò ç oúSeíç- xai
ií yàp xi]v oúaíav Sei péveiv ei xúXiÇ xoXopóç, ?xt eivai xú-
Xixa- ó S è à p i 0 p ò ç o ú x è x t ó a ú x ó ç . Ttpòç S è x o ú x o i ç x â v àvo-
p o i o p e p r j T), o ú S è x a ü x a í t à v x a ( ò y à p à p i ô p ò ç £axtv « ç xai
àvópoia ê^ei pepr], oíov SuàSa xpiàSa), àXX' ôXtoç cov
p i ] Txoiel í] Ôéatç Stacpopàv oúSèv x o X o ß ä v , o í o v iSStop f j 7xõp,
20 à X X à Sei xoiaüxa eivai a xaxà xi[v oúaíav Séatv e/Et- Èíxt
auvexfj" i| yàp àppovía èÇ àvopoícov pèv xat Géaiv
éxei, x o X o ß ö i S è où y í y v e x a i . icpòç S è x o ú x o i ç o ú S ' o a a ôXa,
oúSè x a ü x a óxouoüv popíou axeprjaei x o X o ß ä . où y à p S e i o u x e
METAFÍSICA, A 2 6 / 2 7 , 1 0 2 4 o 4 - 2 3

chamadas seja um todo seja um inteiro ou um tudo. Desse


último tipo são as coisas cuja natureza permanece idêntica
m e s m o que sc desloquem suas partes c sua figura não per-
maneça idêntica, como, por exemplo, a cera e a veste: estas 5
coisas são ditas tanto um todo c o m o um tudo ou um intei-
ro, porque têm as duas características. A água c os líquidos,
assim c o m o o número, são ditos um todo: de fato, nem o
número n e m a água se dizem um tudo ou um inteiro, mas
toda água c todo número só são ditos e m sentido translate).
E as coisas das quais se diz que são urn todo quando consi-
deradas c o m o unidade serão ditas um todo m e s m o quando
consideradas c o m o divididas: por exemplo, o todo deste m
número é o todo destas unidades' , 1

27. [O significado de mutilado]1

Mutilado diz-se de coisas que são quantidade, (A) não porém


uma quantidade qualquer, mas só uma quantidade que, além de ser
divisível, constitua um inteiro 2 . C) número dois, c o m efeito, não será
mutilado se tirarmos uma unidade, porque (a) a parte que é tirada
com a mutilação não é nunca igual à parte restante. E m geral,
n e n h u m número é mutilado, pois para que algo seja mutilado é
necessário (b) q u e sua essência não mude: se uma taça c mutilada 15

é necessário que continue sendo uma taça, enquanto um número


não permanece o mesmo. Ademais, (e) nem todas as coisas consti-
tuídas de parles desiguais sc dizem mutiladas: de fato, o número
t a m b é m pode ter partes desiguais, c o m o o dois e o três'. E, c m ge-
ral, (d) nenhuma das coisas nas quais a posição das partes não faz
diferença — c o m o a água e o togo — pode ser mutilada: para serem
mutiladas as coisas devem ser de m o d o que as partes tenham deter- 20

minada disposição e m virtude da .sua própria essência . 1

(B) Ademais, devem ser c o n t í n u a s ' : a harmonia, q u e é cons-


tituída de tons d e s s e m e l h a n t e s segundo sua posição, não pode
ser m u t i l a d a .
( C ) Além disso, n e m todas as coisas que são inteiras tornam-
se mutiladas pela privação de alguma de suas partes: é necessário
que elas (a) não sejam as partes principais da substância (b) n e m
256 TON M E T A T A CDYI IKA A

xà xúpia xfjÇ o ù a t a ç o ß x e x à ÔTOUOÛV ö v x a - o í o v ã v x p u i n i 9 f j i]


25 XÚXlÇ, OÛ XoXoß0£, àXX' â v TO OUÇ i} àxpCüXT)plÓV XI, x a i Ó
avÔpwTïOç oux iàv aápxa f| xòv arcXîjva, àXX' iàv àxpwrf;-
pLÓv x i , xai xoûxo ou 7tâv à X X ' S jrf) ë x £ l yiveatv à<paipe9iv
S X o v . 8 i à x o û x o ot ç a X a x p o i où xoXoßoi.

28
Tévoç Xéyexai xò JJEV iàv -G yivEaiç auvex^Ç TÛV xò
jo eíSoç ixóvxcov xò auxó, oíov Xiyexai 'ícoç âv àvGpcoitcov yi-
voç Sxi 1'coç ãv T) yéveaiç auvEx^; aúxcóv xò Si à<p'
o õ â v <Ü<JI í i p t ó x o u x t v r j a a v x o ç e i ç x ò e i v a r oüxco y à p Xiyovxai
"EXXrjveç xò yivoç oi S i "Icoveç, xcõ o i j i i v áizò "EXXT|VOÇ oi
Si àTuò " I c o v o ç EÎvai u p w x o u yevvr|aavxoç- xai fiãXXov oí àvcò
35 xoü yevvriaavxoç í) x f j ç ÜXTJÇ (Xiyovxai yàp xai à^ò xou 9rj-
XEOÇ x ò yévoç, oíov oi àítò Ilúppaç). ext Si còç x ò ÍTCÍÍUESOV
1024b xcõv íJXTj^táxtov y i v o ç xcõv iítmiScov xai xò axepeòv xcõv axe-
pecõv éxaaxov yàp xcõv ax^^áxcov xò fiiv Í7uÍ7teSov xoiovSi
xò S i axepEÓv i a x i x o i o v S í - xoüxo S ' iaxi xò ùjioxe£|jtevov xaïç
Sia<popaïç. exi cí>ç iv xoïç Xóyoiç xò 7tpcõxov ivuítápxov, o
5 Xiyexai iv xcõ x í iaxi, xoûxo yivoç, ou Sia<popai X i y o v x a i ai
7T0ióxrjxEç. xò [xiv ouv yivoç xooauxaxcõç XiyExai, xò fiiv
xaxà yivEatv auvexíj xoü atîxoû eïSouç, xò S i x a x à xò 7tpcõxov
xivfjaav òjioeiSiç, xò 8* coç fiXt)- ou yàp íj Siaçopà xai
TCOIÓXTJÇ i a x i , x o õ x ' e a x i x ò ú j r o x e í f j t e v o v , o X i y o f u v UXÏ]V. e x e p a
io Si xcõ yivei Xiyexai wv ëxepov xò 7upcõxov wioxeífjievov xai
METAFÍSICA, A 2 7 / 2 8 , 1 0 2 4 a 2 4 -b 10 2Í9

partes q u e se e n c o n t r e m e m q u a l q u e r p o n t o da coisa. Por e x e m -


plo, se u m a taça é furada, n e m por isso se diz q u e c m u t i l a d a . S ó
se foi tirada a asa ou a borda. E um h o m e m n ã o se diz m u t i l a d o
se n ã o t e m um p e d a ç o dc c a r n e ou o b a ç o ; só se n ã o t e m u m a 25
e x t r e m i d a d e : c n ã o q u a l q u e r e x t r e m i d a d e , m a s (c) só u m a extre-
m i d a d e q u e , retirada do todo, n ã o pode m a i s se reproduzir' 1 . Por
isso os calvos n ã o são m u t i l a d o s 7 .

28. [Os significados de gênero]'


( 1 ) G ê n e r o significa, n u m sentido, a geração c o n t í n u a de seres 30
da m e s m a espécie: dizemos, por exemplo, " e n q u a n t o existir
o gênero h u m a n o " , q u e r e n d o dizer " e n q u a n t o c o n t i n u a r
a geração dc h o m e n s " 2 .
(2 ) G ê n e r o significa t a m b é m todos os h o m e n s derivados de
u m a estirpe originária: por exemplo, alguns são c h a m a -
dos h e l e n o s pelo gênero, outros jônios, p o r q u e uns deri-
vam dc H e l e n o c o m o estirpe originária, e n q u a n t o outros
derivam de I o n 1 . 0 n o m e do gênero ou cia estirpe dos des-
c e n d e n t e s v e m mais de seu gerador do q u e da matéria" 1 ,
m a s p o d e vir t a m b é m da f ê m e a , c o m o o g ê n e r o dos q u e 35

são d c s c c n d c n t c s dc Pirra.
{•$) Ademais, gênero se e n t e n d e no sentido dc que a superfície i024h
é gênero das figuras planas c o sólido é g ê n e r o das figuras
sólidas. D e fato, a figura é uma superfície determinada dc
certo m o d o c o sólido é uni corpo d e t e r m i n a d o dc certo
m o d o . Superfície c sólido são o substrato das diferenças'.
(4) A l é m disso, g ê n e r o significa o c o n s t i t u t i v o p r i m e i r o das
d e f i n i ç õ e s , c o n t i d o na e s s ê n c i a : esse é o g ê n e r o d o q u a l 5
as q u a l i d a d e s são diferenças' 1 .
G ê n e r o , portanto, diz-se c m todos esses sentidos: significa a
g e r a ç ã o c o n t í n u a dc seres da m e s m a espécie 7 , significa a série dos
seres da m e s m a e s p é c i e derivados dc u m a estirpe originária"; gê-
1 ICI o significa ainda a m a t é r i a : de fato, a q u i l o d c q u e existe dife-
í c n ç a e q u a l i d a d e é, j u s t a m e n t e , o substrato q u e nós d e n o m i n a -
mos matéria l J .
Diversas pelo g ê n e r o se d i z e m (a) as coisas das quais o subs- 10
Irato p r ó x i m o é diverso e q u e n ã o se p o d e m reduzir u m a à outra
TQN META TA ©YEIKA A

(jtf] àvaXúexai Gáxepov eiç Gáxepov fiT]8' àjjupío dç xaüxóv,


oíov xò elSoç xai RJ Ù'XT] ë x e p o v xãj yévei, xai oaa xa9' Kxe-
pov a x ^ a xaxTjyopÊaç xoü õvxoç Xéyexai (xà jxèv yàp ií
èdXt OTl|JLA(v£L Xüiv ÕVXíOV x à 8è 7T0lÓV t t xà S' 6JÇ 8lT|pT)Xai

is Jipóxepov) • o08è yàp xaüxa àvaXúexai oßx' etç àXÀTjXa oüx'

eiç lv xi.

29

Tò CJJEÕSOÇ Xéyexai àXXov (ièv xpórcov toç itpãyjxa


(JjeúSoç, xai xoúxou xò [xèv xcõ |JLTI a u y x e í o f l a i f| àSúvaxov
eivai auvxe9fjvai (wcncep Xéyexai xò x^v Siáfiexpov eivai
20 ob[jL(jL£xpov f] xò <jè xaGfjaflar X0ÚX6JV yàp c|>eõ8oç xò |iiv
àei xò 8è 1ZOZÍ' oöxw yàp oùx õvxa xaGxa), xà 8è öaa êaxi
(JLÍV ovxa, ir£q>uxe |JÍVXOI <paCvea0ai fj (JLT[ o l á èaxiv fj S (x^
eaxiv (oíov i\ axiaypaçía xai xà èvúíma* xaüxa yàp ê<ru
|jiév xi, à X X ' oúx (ov èjJLTTOieí xí|v <pavxaa£av) • — irpáy|Jiaxa
25 |xèv ouv (JjeuSfj oüxco Xíyexai, fj xcõ jjlt^i eivai aùxà fj x<ü
TÍ)v àit* aúxtõv çavxaaíav [if] 3vxoç eivai* Xóyoç Sè cjjeu-
8F]Ç ò x t õ v [j.^ Svxcov, r j t|)£u8r]ç, 8iò 7tãç Xóyoç CJJEU8Í]Ç íií-
pou fj oö i t r u i v àXifjÔTiç, oíov ò xoõ xúxXou ^euSíjç xpiytóvou.
í x á u s w i S i " k ó ^ w ; w m \vi\ ú>ç, t l ç , í) h ã x í fy t l v a x , u m î>'
jo TCOXXOÍ, iixei xaúxó TTWÇ aúxò xai aúxò 7te7tov0óç, olov Sto-
xpáxrjç xai ScúXpáxTiç (jLOuaixóç (ò 8i CJJEUS^Ç X ó y o ç oú0evóç
è<rriv à 7 t X â i ç X ó y o ç ) • 8 i ò ' A v x t a O é v T j ç w e x o eùf|0coç |xr]0èv àÇicõv
XéyeaOai rcXty TÜ oixeCcp Xóytp, êv èç' ívóç' èij <E»v awé-
ßaive [xi) eivai àvxiXéyeiv, ax&8òv 8è [ir]8è cj>eú8ea9ai. Saxi
35 8' txaorov Xiyeiv où (xóvov t û aùxoù Xóyto àXXà xai xcõ
íxépou, t[)eu8(5ç |jièv x a i TuavxeXtõç, êcrct 8' <í)ç x a i àX-riGõ&ç,
METAFÍSICA, A 2 8 / 2 9 , 1 0 2 4 b 1 I • 3 6 261

n e m a m b a s a u m a terceira q u e lhes seja c o m u m (a f o r m a e a m a -


téria, por e x e m p l o , são diversas pelo gênero)" 1 ; ( b ) todas as coisas
q u e p e r t e n c e m a diversas figuras dc categorias do s e r " (algumas
significam a essência dos seres, outras a q u a l i d a d e c outras as de-
m a i s categorias a n t e r i o r m e n t e distinguidas 1 2 ); t a m b é m essas não 15
se r e d u z e m u m a s às outras n e m todas a algo único.

29. [O significado de falaoj'


(1) Falso se diz, e m primeiro lugar, de u m a coisa falsa, (a) K
u m a coisa c falsa ou porque não é unida ou porque n ã o é
possível uni-la: por exemplo, q u a n d o se diz q u e a diagonal
é comensurável c o m o lado ou que estás sentado, a primeira 20
c sempre falsa c a segunda só algumas vezes, mas, ditas des-
se modo, essas coisas n ã o existem, (b) O u , as coisas são
falsas porque e x i s t e m realmente, mas por sua natureza não
parecem ser o q u e são: por exemplo, u m a pintura c m pers-
pectiva c os sonhos; estas coisas são na realidade, m a s não
são a i m a g e m que cias nos dão. Portanto, as coisas se dizem
falsas n e s t e sentido: ou porque não e x i s t e m , ou porque a 25
i m a g e m q u e delas deriva é de algo q u e não existe -1 .
(2) A o contrário, u m a n o ç ã o ' falsa é aquela q u e , j u s t a m e n t e
e n q u a n t o falsa, é n o ç ã o cie coisas q u e n ã o são; por isso toda
n o ç ã o é falsa q u a n d o referida a coisa diversa daquela acer-
ca da qual é verdadeira: a noção do círculo, por exemplo,
é falsa se referida ao triângulo" 1 . Um certo sentido, dc cada
coisa existe u m a única noção, que é a de sua essência; nou-
tro sentido, existem muitas, porque cada coisa e a coisa c o m
certa afecção são, de certo modo, idênticas: assim, por cxcin- 30
pio, " S ó c r a t e s " e " S ó c r a t e s m u s i c o " ; mas a n o ç ã o Falsa é,
a b s o l u t a m e n t e falando, n o ç ã o de nada". Por isso Antístenes
considerava, de maneira simplista, q u e de cada coisa só se
podia afirmar sua própria noção, u m a n o ç ã o única dc u m a
coisa líiiic;/'; cio q u e deduziu q u e não é possível a contra-
dição' c, até m e s m o , que é praticamente impossível dizer o
falso 1 . M a s é possível exprimir cada coisa n ã o só c o m sua
própria n o ç ã o , mas t a m b é m c o m a n o ç ã o dc outra coisa: a 35
noção, nesse caso, pode ser a b s o l u t a m e n t e falsa, mas pode
T£ÎN META TA ® Y U K A Û

1025' uorcep xà ôxxtà BwiXáaia xã> XT}Ç 8 u á S o ç Xóyto. xà (xèv ouv


ouxto Xéyexai 4>euSfj, avôptoTtoç 81 ^ eù^tp^ç xai
7vpoatpexixòç w xoioúxtov Xóywv, fxVi 8i' tíxepóv xi àXXà
8i' aúxó, xat ó àXXoiç èpLTtoiTixixòç xwv xoioúxwv Xóytov,
5 òjaTUEp xai xà rcpáyixaxá çafiev cjjeuSf) eivai òaa è|A7ioieí
çavxaaiav cpeuSfj. 8iò 6 èv xtõ 'ITOTÍÇ! Xóyoç ixapaxpoúexai
ò aúxòç c[ieu8fiç xai àXr]9f]ç. xòv Suvápxvov yàp C];EÚ-
aaa9ai Xajißdtvet cí>eoSrj (ouxoç 8' ó eiStòç xai 6 çpóvi-
[IOÇ)' 2xi xòv éxóvxa çaüXov ßeXxito. xoüxo 8è <J»eü8oç
ío Xafißdtvei 8ià xfjç ircaywyfj; — ó yàp éxtòv x^Xaívtov xoü
àxovxoç xpeíxxtov — x ò x^Xaívetv xò [ii^eTafiat Xéytov, ênei
ei ye éxátv, xtípoiv tatoç, wanep èrci x o ü fj9ouç, xai

ouxoç.

30

2u|xßeßr)x0<; Xéyexai 5 úrcàpxei [iiv xivi xai àXr|9àç


is eiîteïv, où [iévxoi o ú x ' I Ç à v á y x r j ç o ü x e ( t ò ç ) èrcl x ò TCOXÚ, o í o v
ei xiç òpúxxtov ç u x t o ß<58pov e u p e G r j a a u p ó v . x o ü x o x o í v u v aujji-
ßeßrjxo; xw ópúxxovxi xòv ß69pov, xò eúpeív Ôriaaupóv oüxe
y à p £ÍJ ÀVÁYXTJÇ x o ü x o èx x o ú x o u r\ f i e x à TOÜXO, o ü 9 ' A>Ç irci x ò
rcoXú fiv xiç çuxeÚT) 9r|aaupòv eúpiaxei. xai [iouaixóç y'
20 <5v x i ç eír) X e u x ó ç - àXX* i r c e i o u x e èÇ à v á y x r j ç o u 9 ' tbç i i t i xò
rcoXù xoüxo yiyvexat, au[ißeßr)x0( aúxò Xéyofiev. wax' èrcei
éaxiv ü n á p x o v xi x a i xiví, x a i £via xoúxtov x a i rcoú xai nozé,
8 xí àv ÚTiápXí) àXXà fifj Sióxi xo8i fjv fj vüv ^ iv-
xaü9a, au[ißeßr|x0q Eaxai. oú8è 8f] aíxiov wpia(iévov oòSèv
25 x o ü au[i.ßeßr)x0xo<; à X X à xò xuxòv- xoüxo 8' àóptaxov. auv£ßri
METAFÍSICA, û 29/30. 102J a 1 - 25 263

ser verdadeira, assim, por exemplo, pode-se dizer que oito l025J

é um número duplo servindo-se da noção dc díade''.


Portanto, essas coisas se dizem falsas neste sentido.
(3) Mas, diz-se falso um homem que prefere e faz discursos fal-
sos deliberadamente, só para dizer o falso 1 "; ou um homem
que provoca nos outros noções falsas, assim como dizemos 5
que são falsas as coisas que produzem uma imagem falsa".
Por isso é falaz a argumentação do Hípiasl2, segundo a qual
o m e s m o h o m e m é, simultaneamente, verídico e falso: ela
entende c o m o falso aquele que é capaz de dizer o falso, e
este se apresenta como sábio e prudente 1 1 . Alem disso,
aquela argumentação afinna como melhor quem é volunta-
riamente falso; mas essa conclusão procede dc uma falsa
indução: quem coxeia voluntariamente é melhor do quem 10
coxeia involuntariamente, se no primeiro caso entender-
mos a imitação de q u e m coxeia; quem fosse coxo volunta-
riamente certamente seria pior; e o mesmo vale para o com-
portamento moral H .

30. [Os significados de acidente]'


(1) Acidentc significa o que ]x:rtcncc a uma coisa c pode ser
afinuado com verdade da coisa, mas não sempre nem habi-
tualmente: por exemplo, sc alguém cava um buraco para
plantar uma árvore c encontra um tesouro. Esse achado do
tesouro é, portanto, um acidente para quem cava um bura-
co: de fato, uma coisa não deriva da outra nem sc segue ne-
cessariamente à outra; e nem habitualmente se encontra
um tesouro quando se planta uma árvore. E um músico po-
de também ser branco, mas, como isso não ocorre sempre 20
nem habitualmente, dizemos que é um acidente 2 . Portanto,
como existem atributos que pertencem a um sujeito e co-
m o alguns desses atributos só pertencem ao sujeito em cer-
tos lugares e cm detenninadas ocasiões, então serão aciden-
tes todos os atributos que pertencem a um sujeito, não
enquanto ele é este sujeito, não enquanto a ocasião é esta
determinada e o lugar este determinado lugarl Portanto,
do acidentc não existirá nem m e s m o uma causa determi-
nada, mas só uma causa fortuita, que é indetenninada 1 . 25
264 TUN META TA QYIIKA A

-ccp eiç Aíytvav £X0eïv, e? 5ià xoûxo àçixexo SJTCOÇ èxd


ÍXBRJ, àXX' U7IÒ iÇwaGeiç FJ ÚTTO XTJOXCÕV XrjçÔeíç.
yéjove [iàv 8í| fj êaxL xò ai»[jißeßr,x0;, àXX' ovy fi aúxò
àXX' exepov- ó yàp x ^ ù v aixioç xoö (jn*| STCOU ê j t X e i èX-
30 0 e ï v , XOÛXO 8' fy Aîyiva. Xéyexai 8È xai ãXXtoç oo^ßeßr,-
xóç, oíov Saa únápxti ixáaxto xa0' aúxò èv rg oú-
a£<jc õ v x a , oíov xõ xpiyá>vco xò 8úo 8p0àç exeiv- xai xaüxa
[jtiv iv8éx"at àí8ia eivai, èxeívcov 8è oú8£v. Xóyoç Sè xoú-
x o o èv íxépoiç.
METAFÍSICA, A 3 0 . 1 0 2 5 o 2 6 - 3 4

É por a c i d c n t c que alguém clicga a Egina, se não partiu c o m


a i n t e n ç ã o dc chegar àquele lugar, mas ali c h c g o u impulsionado
pela tempestade ou capturado por piratas. Portanto, o acidente é
produzido e existe não por si m e s m o mas por outro: a tempestade
foi a causa cie q u e se chegasse aonde não se q ueria, isto é, a Egina'.
(2) Acidente sc diz t a m b é m c m outro sentido. São acidentes
todos os atributos que pertencem a cada coisa por si mes-
ma, mas que não entram na substância da coisa. Por exem-
plo, acidente neste sentido é a propriedade dc u m triângulo
ter a soma dos ângulos iguais a dois retos 6 . Os acidentes
desse tipo podem ser eternos 7 , enquanto os acidentes do ou-
tro tipo não podem.
E s c l a r e c e m o s c m o u t r o lugar as razões disso".
LIVRO
E
(sexio)
1

1025 1 Aí ápxaí xai xà aíxia i^xeTxat xcov õvxcov, 8rjXov òè


oxi T) övxa. eaxi y á p T I a i x i o v úyteíaç x a t EÙeÇiaç, x a î xœv
s (jta0T)(iaTixü)v eíaiv ápxai xat axotxela x a i atxia, xai oXcoç
Bè 7 t ã a a èTCi<Trrj[Ari S i a v o r i x i x T ] r; \j.tiíyouaá TI Btavotaç TOpi
aixíaç x a i àpxáç èaxiv àxp$eaxèpa<; áuXouaxèpaç. àXXà
•rcãaat auxai itepi õv TI xai yivoç TI 7uepiypa4>á|j.evai 7tepi
xoúxou 7upay|jiaxeúovTat, à X X ' oúxi rapi õvxoç árcXtõç o ú 8 è fj
io õ v , o ú S è xoõ T Í èaxiv o ù ô i v a X ó y o v rcoioõvxai, à X X ' èx xoúxou,
aí fjtèv atathrjau TrotTjoaaat aúxò SíjXov aí 8' Ú7tó0Eaiv Xa-
ßoüaai xÒ T Í èaxiv, oüxco x à x a 0 ' a ú x à úro&pxovxa x£> yèvet
TtEpi. 8 eiatv àTro8etxvúouaiv í j àvayxaióxepov (jiaXaxtóxEpov
StÓTCEp çavepòv oxi oúx &rciv à i t ó S e t Ç t ç oúaíaç oú8è xoü xí èaxiv
is èx xfjç xotaúx7|ç èiuaycoyfiç, àXXá xtç àXXoç xpórcoç xfjç
STjXtóaecoç. ó(jtotci>ç 8 è o ú 8 ' eE £axtv ^ (ií) Èaxt xò y i v o ç TtEpi o
TtpayixaxEÚovxai oúBèv X i y o u a i , Sià xò t r j ç aúxrjç E i v a i 8ia-
voíaç x ó XE x í èaxt SfjXov TCOIEÎV x a i EI è a x i v . — irce-i 8è x a i f j
ç u a t x í ] è7ri<jx^(jiTi x u y x á v E i oüaa TtEpi y i v o ç x t xoü õvxoç (ítEpi
20 yàp xotaúx7)v èaxiv oúaíav èv f| ri àpxr) xfjç xivr|ae<i>ç x a i
axáaEwç èv a ú x f j ) , S f j X o v 8 x i OUXE TtpaxxtXTi èaxiv ouxe n o i r j x i x r i
1. [Divisão das ciências e absoluta primazia da metafísica 1025"
entendida como teologia]'

O s p r i n c i p i a s c as c a u s a s dos seres, e n t e n d i d o s e n q u a n t o seres,


c o n s t i t u e m o o b j e t o de nossa pesquisa7.
D c f a t o . e x i s t e u m a c a u s a da s a ú d e e d o b e m - e s t a r ; e x i s t e m
causas, princípios c e l e m e n t o s t a m b é m dos o b j e t o s m a t e m á t i -
c o s e, e m g e r a l , t o d a c i ê n c i a q u e se f u n d a s o b r e o r a c i o c í n i o e 5
recorre d e a l g u m m o d o a o r a c i o c í n i o trata d e c a u s a s e p r i n c í p i o s
m a i s ou m e n o s e x a t o s . T o d a v i a , essas c i ê n c i a s s ã o l i m i t a d a s a
d e t e r m i n a d o s e t o r o u g ê n e r o d o s c r c d e s e n v o l v e m sua p e s q u i s a
e m t o r n o d e l e , m a s n ã o c m t o r n o d o ser c o n s i d e r a d o e m s e n t i d o
a b s o l u t o e e n q u a n t o ser 1 .
A d e m a i s , elas n ã o se o c u p a m da e s s ê n c i a , m a s p a r t e m d e l a 10

— a l g u m a s e x t r a i n d o - a da e x p e r i ê n c i a , o u t r a s a s s u m i n d o - a c o m o
hipótese" 1 — c d e m o n s t r a m c o m m a i o r ou m e n o r rigor as proprie-
dades q u e p e r t e n c e m por si a o g ê n e r o de q u e se o c u p a m . I\ eviden-
t e q u e desse p r o c e d i m e n t o i n d u t i v o n ã o p o d e derivar u m c o n h e c i -
m e n t o d e m o n s t r a t i v o da s u b s t â n c i a n e m da e s s ê n c i a , m a s < é evi-
d e n t e q u e destas deverá h a v c r > o u t r o t i p o d c c o n h e c i m e n t o * . 15
D o m e s m o m o d o , essas c i ê n c i a s n ã o d i z e m se r e a l m e n t e
e x i s t e o u n ã o o g ê n e r o d e ser d o q u a l t r a t a m , p o r q u e o p r o c e -
d i m e n t o r a c i o n a l q u e leva a o c o n h e c i m e n t o d o ser d e a l g o é o
m e s m o q u e leva t a m b é m a o c o n h e c i m e n t o da e x i s t ê n c i a dc algo''.
O r a , t a m b é m a c i ê n c i a física t r a t a ele u m g ê n e r o p a r t i c u l a r
d e ser, i s t o é, d o g ê n e r o d e s u b s t â n c i a q u e c o n t é m e m si m e s m a
o p r i n c í p i o d o m o v i m e n t o c d o r e p o u s o . Pois b e m , é e v i d e n t e 20
q u e a física n ã o é c i ê n c i a p r á t i c a n e m p r o d u t i v a : d c fato, o p r i n -
c í p i o d a s p r o d u ç õ e s e s t á n a q u e l e q u e p r o d u z , seja n o i n t e l e c t o ,
270 TSÏN META TA O Y I I K A E

(xõ>v [xèv y à p rcoiiqxóõv èv x û rcoioüvxi f) à p x f j , ^ voüç î ; ii-


XVT) f j Súvajlíç TIÇ, XQJV 8è TüpOCXTÕV èv XCp TTpárCOVTl, f|
rcpoaípeaiç- xò aúxò yàp xò rcpaxxòv xai rcpoaipexóv),
25 t o a x e et rcaaa SLávoia fj rcpaxxixf] f\ rcoLtyrixf] f j ÔetopTjxixri,
f) 9ua1x.fi 8eti)pï)xixf| x i ç â v eiT), à X X à Ôe(opT|xixf| rcepi x o i o ü -
xov ôv ö èaxi Suvaxòv xiveîaÔai, xai rcEpi oùaiav xfjv xaxà
xòv X ó y o v tí>ç èrci x ò rcoXù tòç où x ^ p i < m î v |xóvov. S e i 8 e x ò x í
fjv e i v a i xai xòv X ó y o v rctõç èaxi (jif) X a v Ô á v e i v , tòç ã v e u ye
JO x o ú x o u xò Çrjxeïv [xr^Sév è a x i rcoieïv. &m S è xahv ôpiÇo[xévcov
xai xòv xí èaxi xà [xèv tòç xò aijxòv xà 8' tóç xò xoí-
Xov. 8La9Épei 8è x a ü x a öxi xò (xèv ai(jiòv auveiXT]|i|xivov èaxi
jjLexà x f j ç uXr)ç (eaxi yàp xò aijjtòv x o í X r ) £íç), f) 8 è xoiXó-
XTjç â v e u uXr)ç a t a S r y r i j ç , ei Sf| rcávxa xà qjuaLxà òjxoítúç xtõ
1026* atjxto Xèyovxai, olov |5LÇ ô ç G a X j x ò ç rcpóawrcov aàpÇ ôaxoüv,
oXtoç Çtõov, 9ÚXX0V píÇa 9X01ÓÇ, 8Xtoç 9UXÓV (oúGevòç
yàp ãveu xivf|aetoç ò Xóyoç aúxtõv, àXX' àei exei UXTIV),
SfjXov rctõç 8 e ï èv x o î ç çuaixoïç xò xí èaxi Çif)xeív x a i òpíÇe-
5 a8ai, xai Sióxi x a i rcepi <J»uxfjç è v í a ç O e t o p f j a a i x o ü 9uaixoü,
Öar} [xf] â v e u x f j ç üXrjç èaxiv. ôxt fxèv ouv f| 9 u a i x f i Ôetoprj-
xixf| èaxi, 9avepòv èx xoúxtov àXX' ?axi xai f| |xa07)[xa-
xixf] Ôetoprjxixf)- àXX' ei àxivf[xtiiv xai xtoPL°'I^v Êaxí, vüv
â&ïjXov, oxi jxèvxot evia [xaôfj^axa fj àxívrjxa xai [xf) x Pl"
w

10 axà Setopeí, SfjXov. et 8é xí èaxiv àiSiov xai àxívrprov xai


X t o p i a x ó v , 9avEpòv oxi 9etopiqxixfjç xò yvtõvai, oú [xévxoi 9 U -
aixfjç ye (rcepi xivrjxtõv yáp xivtov f) 9uaixf|) oúSè [xaÖr](xa-
xixfjç, àXXà rcpoxèpaç à[X90tv. f) |xèv yàp 9uaixfi rcepi
Xtopiaxà [xèv àXX' oúx àxivrjxa, xfjç Sè [xa0T][xaxixfjç êvia
METAFÍSICA, E l . I 0 2 í b 2 2 - 1026a U I 271

na arte ou noutra faculdade; e o princípio das ações práticas está


no agente, isto é, na volição, e n q u a n t o c o i n c i d e m o o b j e t o da
ação prática e da volição. Portanto, se todo c o n h e c i m e n t o rácio- 25
nal é ou prático, ou produtivo, ou teorético, a física deverá ser
c o n h e c i m e n t o t e o r é t i c o " , mas c o n h e c i m e n t o t e o r é t i c o d a q u e -
le g é n e r o de ser q u e t e m p o t e n c i a para mover-se e da s u b s t â n -
cia e n t e n d i d a s e g u n d o a forma, m a s p r i o r i t a r i a m e n t e c o n s i d e -
rada c o m o inseparável da matéria". A l é m disso, é preciso escla-
recer t a m b é m o m o d o dc ser da essência e da f o r m a , caso c o n - 30
trário a pesquisa será a b s o l u t a m e n t e vã. O r a , das coisas q u e são
o b j e t o d e d e f i n i ç ã o , ou seja, das essências, a l g u m a s são c o m o
o achatado, outras c o m o o c ô n c a v o . Estes d i f e r e m entre si pelo
fato dc q u e o a c h a t a d o está s e m p r e u n i d o à m a t é r i a (dc fato,
o a c h a t a d o é u m nariz c ô n c a v o ) , e n q u a n t o a c o n c a v i d a d e é
privada dc m a t é r i a sensível. P o r t a n t o , se todos os o b j e t o s da
física são e n t e n d i d o s dc m o d o s e m e l h a n t e ao achatado, c o m o 1026'
por e x e m p l o nariz, o l h o , face, c a r n e , orelha, a n i m a l e m geral,
folha, raiz, casca, planta c m geral (dc fato, não é possível definir
n e n h u m dessas coisas s e m o m o v i m e n t o e todas p o s s u e m m a -
téria), e n t ã o fica claro c o m o se deve pesquisar c definir a essên-
cia n o â m b i t o da pesquisa física" 1 , c t a m b é m fica clara a razão
pela qual a tarefa do físico c o n s i s t e c m e s p e c u l a r sobre u m a
parte da a l m a , p r e c i s a m e n t e aquela q u e não existe s e m a m a -
t é r i a " . D c t u d o isso fica e v i d e n t e , p o r t a n t o , q u e a tísica é u m a
ciência tcorétiea,

Por outro lado, t a m b é m a m a t e m á t i c a é ciência tcorétiea.


Mas por e n q u a n t o não está claro se ela c u m a c i ê n c i a dc seres
imóveis c separados. E n t r e t a n t o é evidente q u e alguns ramos
da m a t e m á t i c a c o n s i d e r a m os seus objetos c o m o imóveis e não
separados 1 2 . 10

M a s se existe algo eterno, imóvel c separado, é evidente que


o c o n h e c i m e n t o dele caberá a u m a ciência t c o r é t i e a , não porém
à física, porque a física sc ocupa dc seres e m m o v i m e n t o , n e m à
m a t e m á t i c a , mas a uma ciência anterior a uma e à outra. D c
fato, a física refere-se às realidades separadas H mas não imóveis;
algumas das ciências m a t e m á t i c a s referem-se a realidades i m ó -
veis, porém não separadas, m a s i m a n e n t e s à matéria; ao contrário
272

is 7tepi à x í v r j x a [ièv ou x^P""® 8è laaiç àXX' tóç èv líXi]- f)


S è TzpÓTt] x a i Ttepi x P w tcrc ® xaí àxívryca. àvàyxrj 8è icàvxa
[ièv xà atxia àíSia eivai, [làXiaxa 8è xaüxa' xaüxa yàp
aixia xoîç çavepoîç xtõv Öeioiv. ware xpeîç âv eíev çiXoao-
çiai 9e(opr)xixai, [ia9r][iaxixrj, çuaixT], 9eoXoyixrj (où yàp
20 ASÏ|Xov oxi eï Ttou xò 9eîov ùîcàpXÊi, èv xfj xoiaúxr) çúaei
úreápxei), xai xfjv xifiiaixáxTjv 8 e î nepi xò xijiitóxaxov yèvoç
eivai, ai (ièv ouv 9 e a > p r ) x i x a i râv âXXcùv è7uoxTi[i<õv aípexú-
xaxai, aiîxT) 8 è xtõv 0etopT]xixtõv. à î t o p r | a e i e y à p ã v xiç JCÓ-
xepóv 7ÎO9' TtptóxTi cpiXoaocpía x a 0 ó X o o è a x i v FJ nepí xi y i -
25 voç xai çúaiv xivà [iíav (où yàp ó aúxòç xpóiuoç oúS' èv
xaíç [ia0T|[iaxixaíç, àXX' i] [ièv ye<o[iexpía xai àaxpoXoyta
reepí xiva çúaiv eiaiv, •/[ 8 è xa9óXou uaacõv xoivíj)- ei [ièv
oúv [if] è a x i x i ç è x è p a o ú a í a reap à xàç çúaei auveoxT]xuíaç,
ç u a i x f ] â v eïr] 7tptõxri èítiaxr|[ir]- ei 8 ' ë a x i x i ç o ú a í a à x í v r j x o ç ,
30 a ü x r ] repoxèpa xai çiXoaoçía 7tptõxri, xai xa9óXoo ouxoiç
8 x i í r p t õ x r i ' x a i Ttepi x o ü õ v x o ç f j ôv x a ú x r j ç â v eïr) 9 e t i i p r j a a i ,
x a i x í è a x i x a i x à ú n á p x o v x a rj õ v .

2
'AXX' èrceí xò ôv xò àrcXcõç Xeyójievov Xéyexai TCOX-
Xaxtõç, tov ev [ièv fjv xò xaxà au^eprjxóç, ëxepov Sè xò
35 tí>ç àXr|9éç, xai xò [iíj ôv (óç xò c])eü8oç, reapà xaüxa S'
èaxi xà axrifiata xíjç xaxrjyopíaç (oíov xò [ièv xí, xò Sè
luoióv, xò 8è reoaóv, x ò 8 è 7toú, xò S è Ttoxé, xai ei xi àXXo
1026airijiaCvei xòv xpórcov xoüxov), èxi reapà xaüxa roívxa xò 8u-
vá|iei xai èvepyeújc — èuei Si] reoXXax<õç Xéyexai xò ôv,
METAFÍSICA, E 1/2. 1 0 2 6 a 1 5 - b 2 | 273

a filosofia primeira rcfcrc-sc às realidades separadas c i m ó v e i s " . l:>

O r a , c necessário q u e todas as causas s e j a m eternas, mas estas


particularmente: dc fato, estas são as causas dos seres divinos que
nos são m a n i f e s t o s 1 ' .
C o n s e q ü e n t e m e n t e , são três os ramos da filosofia tcorétiea:
a m a t e m á t i c a , a física c a teologia. C o m efeito, se existe o divino,
não há dúvida dc q u e clc existe n u m a realidade d a q u e l e tipo. E 20
t a m b é m não há dúvida de q u e a ciência mais elevada deve ter
por o b j e t o o gênero mais elevado dc realidade. E n q u a n t o as
ciências tcoréticas são preferíveis ás outras ciências, esta, por
sua vez, c preferível às outras duas ciências tcoréticas"'.
Podcr-se-ia agora perguntar se a filosofia primeira c universal
ou se refere-se a um gênero d e t e r m i n a d o c a u m a realidade par-
ticular 1 •'. D c fato, a respeito disso, n o â m b i t o das m a t e m á t i c a s 25
existe diversidade: a geometria c a astronomia refcrcm-sc a deter-
m i n a d a realidade, e n q u a n t o a m a t e m á t i c a geral é c o m u m a to-
das. Ora, se não existisse outra substância além das q u e consti-
t u e m a natureza, a física seria a ciência primeira; se, ao contrário,
existe u m a substância imóvel, a ciência desta será anterior < à s
outras c i ê n c i a s > e será filosofia primeira, c desse modo, ou seja,
e n q u a n t o primeira, cia será universal e a ela caberá a tarefa d c 30
estudar o ser e n q u a n t o ser. vale dizer, o q u e é o ser e os atributos
q u e lhe p e r t e n c e m e n q u a n t o ser 1 *.

2. j()s quat.ro significados do ser e exame do ser acidental]'

O ser, e n t e n d i d o c m geral 2 , t e m múltiplos significados: (1)


u m destes — dissemos a n t e r i o r m e n t e ' — é o ser acidental; (2)
outro é o ser c o m o verdadeiro c o não-ser c o m o falso; (3) ademais, 35
existem as figuras das categorias (por exemplo a essência, a quali-
dade, a quantidade, o onde, o quando e todas as outras); c, ainda, 10261,
além destes, (4) existe o ser c o m o potência c ato . 4

D a d o q u e o ser t e m múltiplos significados, d e v e m o s tratar


e m primeiro lugar do ser c o m o a c i d c n t c c d e m o n s t r a r q u e dele
não existe n e n h u m a c i ê n c i a .
TIÎMMETATA (DYÏIKAE

Ttpwxov n e p í x o ü xaxà m>[jißeßr]x0i; Xexxéov, OXL o ú 8 e ( J , £ a èaií


iiepL aúxò Ôecopía. ar)jjieTov Sé* où8e[ii<y yàp èjiiaxrifjLfl èizi-
5 [xeXèç J i e p i a ù x o û o u x e rcpaxxtxrj o u x e itoiTjxixri o u x e 6ecopr)xtxr|.
ouxe yàp Ó TTOICOV o t x t a v noieí Õaa au[i.ßa£vei â[IA xfj oíxCa
yiyvo(j,£vT) {ârceipa yáp èaxiv- xoïç [jièv yàp ^Setav xoïç 8è
ßXaßepäv xoïç 8' cï><p£Xi[iov où9èv eivai xcoXóei xíjv r.oirfiti-
aav, xai èx£pav cí>ç etneïv Jiávxcov xcõv õvxcov wv oú9evóç
10 è a x i v ^ o í x o ô o | J , i x í ] HOITJXIXIQ), x ò v a ú x ò v 8 è x p ó í i o v o ù S ' ó y e w -
[léxpiqç Ôecopeï x à oííxco au(j,ßeßr)x0xa xoïç axV a a i v > oùS' eî
exepóv è a x i xpíycovov x a i xpíycovov 8 ú o ò p 9 à ç ?XOV- TOÜX'
eúXóycoç au[i7t[7txei' óSartep y à p õvofiá xi póvov xò aujißeßT]-
xóç èaxiv. 8iò nXáxciiv xpórcov xivà où xaxcõç xíjv aoçiaxi-
15 xfjv Jtepi xò [Jifi õ v exaÇev. eEai yàp oi xcõv aotpiaxcõv Xóyoi
irepi xò au[i,ßeßr)x0; còç etjieïv jjtáXicrra rcávxcúv, mSxepov
ëxepov fj xaúxòv |xouaixòv xai ypa[i|JiaxLXÓv, xai [iouaixòç
Kopíaxoç xai Kopíaxoç, xai ei nãv 8 âv fi, [if) à e i Sé, yé-
yovev, wax' ei (Jtooaixòç còv y p a ( j . [ j i a x i x ò ç yéyove, xai ypajji-
20 [ j i a x i x ò ç cõv j j t o u a i x ó ç , xai o a o i 8 í ) ã X X o i x o t o ü x o i xcõv Xóycov
eiaív çaívexai yàp xò au[Ißeßr)xòç iyyúç xi xoü (j/f| õvxoç.
SrjXov Sè xai èx xcõv xoioúxcov Xóywv xwv jJièv yàp âXXov
xpÓTtov õvxcov eaxi yéveaiç xat ç9opá, xcõv 8è xaxà au[iße-
ßrjxo; oúx eaxiv. àXX' õ[icoç Xexxéov ?xi Ttepi xoü auußeßr)-
25 xóxoç ètp' oaov èv8£xexai, xíç ri çúaiç aùxoû xai Sià x£v'
aixíav eaxiv* S(J,a y à p SfjXov íacoç èaxai xai 8ià x£ imaxTpr]
o ù x eaxiv aùxoû. — è n e i o u v è a x i v èv x o ï ç o u a i x à [ l è v à e i c ò a a ú -
xcoç exovxa xai ï\ àvàyxrjç, où xfjç xaxà xò ßiaiov Xeyo-
|xèvriç àXX' rjv X£yo[jiev xcõ (Jif| èv8èxea9ai aXXcoç, xà 8'
30 iÇ à v á y x r j ç [xèv o ù x eaxiv o ù S ' àet, coç S ' èm xò noXti, auxrj
METAFÍSICA, E 2, 1 0 2 6 b 3 • 3 0

T e m o s uma prova disso no fato dc q u e n e n h u m a ciência se


ocupa dele: n e m a ciência prática, n e m a ciência poiética, nem 5
a ciência teórica. D c fato, q u e m faz uma casa não faz t a m b é m
tudo o q u e , a c i d e n t a l m e n t e , a casa virá a ter. C o m efeito, os aci-
d e n t e s são infinitos; nada im [jede que a casa, u m a vez construí-
da, a uns pareça agradável, a outros i n c ô m o d a , a outros útil, e
q u e seja diferente de todas as outras coisas. O r a , a arte dc cons-
truir casas não produz n e n h u m desses a c i d e n t e s ' . D o m e s m o
modo, t a m b é m o g e ô m e t r a não se ocupa dos a c i d e n t e s das figu- 10
ras: n ã o se o c u p a , por e x e m p l o , da q u e s t ã o de se são diferentes
o triângulo e o triângulo c u j o s ângulos são iguais a dois ângu-
los retos". E é natural q u e assim seja porque o a c i d e n t e quase
se reduz a puro n o m e ' . Por isso Platão, c m c e r t o s e n t i d o c o m
razão, c o n s i d e r o u a sofística c o m o ciência do não-ser": dc fato,
os discursos dos sofistas giram, por assim dizer, s o b r e t u d o sobre 15
o a c i d e n t e . (Eles p e r g u n t a m , por e x e m p l o , se " m ú s i c o " e "gra-
m á t i c o " são d i f e r e n t e s ou i d ê n t i c o s ' , c se " C o r i s c o m ú s i c o " e
" C o r i s c o 7 ' são idênticos" 1 ; ou ainda: se t u d o o q u e é, mas não é
e t e r n o , foi gerado c, p o r t a n t o , sc um m ú s i c o , q u e c g r a m á t i c o ,
tornou-se tal pela geração e, do m e s m o modo, u m gramático que
seja m ú s i c o " c todos os o u t r o s p r o b l e m a s desse tipo).

O a c i d e n t e , de fato, revcla-sc c o m o algo p r ó x i m o ao não-


scr 1 ! . Isso c evidente t a m b é m c o m base na seguinte a r g u m e n t a -
ção: existe geração c corrupção dos seres q u e não são ao m o d o
do a c i d e n t e , ao contrário, não existe geração n e m corrupção dos
seres acidentais 1 '.
Todavia, do a c i d e n t e devemos dizer, na m e d i d a do possível,
a natureza c as causas pelas quais existe. Ficará, ao m e s m o t e m - 25
[)o, clara a razão pela qual dele não há ciência.
D a d o que há seres que existem sempre c necessariamente do
m e s m o m o d o (a necessidade entendida não no sentido da violên-
cia, mas — c o m o já estabelecemos 1 '' — n o sentido dc não pode-
rem ser diferentes do que são), e n q u a n t o outros não são n e m ne-
c e s s a r i a m e n t e n e m sempre, mas só 11a maioria das vezes, segue-
se que este c o princípio e esta é a causa do ser do a c i d e n t e : dc
lato, c h a m a m o s acidente o que não existe n e m sempre nem 11a 30
maioria das vezes '. Por exemplo, dizemos ser acidental q u e no
1
276 TONMETATA<»Y2IKAE

àpx^i xai A U T T ] atxía èari T O Ü eivai T Ò cRjpßeßr|X0^' 8 yàp


âv I] (JLT|T' àel pr)6' cóç èrci XÒ TIOXÚ, T O Ü T Ó cpapEv aupßE-
ßr)x0? eivai, olov Inl xuvi âv yévr)tai xat 4"JX°î>
T O Ü T O aupßijvai çapev, àXX' oùx âv TCvíyoç xai àXèa, 8 T I
35 T Ò pèv àei T| cóç ínl T Ò TOXÚ T Ò 8 ' oü. xai TÒV âvÔpcoTOv
Xeuxòv eivai aupßeßrpcev ( o u T e yàp àei oüÔ' cóç èíà T Ò JUOXÚ),
Çcõov 8 ' où xaTà au(ißeßrjx0?. xai TÒ òyià£eiv 8è TÒV oixo-
1027 * 8ó[jtov aupßeßiQXÖi, Ö T I OÙ Ttitpuxe T O Ü T O Ttoieív oixoSó-
poç àXXà iaTpóç, àXXà auvißr) iatpòv eivai TÒV oixoSópov.
xai òi|)07coiòç í|Sovf)ç axoxaÇópEvoç TOirjaeiev âv TI úyieivóv,
àXX' où xaTà TT|V ôc|)07coiT|TixT|v* 8tò auveßr), çapév, xai
5 èoTiv cóçTCOteT,à i t X t ù ç 8 ' ou. TCÕV pèv y à p ã X X c o v [èviOTe] S u -
vàpeiç e i o i v a i TtoirjTtxaí, TCÕV 8 * o ù S e p i a Tèxvr) o ù 8 è S ú v a p i ç
cópiapèvTp TCÕV yàp xaTà aupßeßrjxöi; ÕVTCOV yiyvopèvcov
xai TÒ aírióv èaxt xaTà aupßeßrjxö;. war' èrcei où Tuàvra
èariv àvàyxí)ç xai àei f) ÕvTa rj yiyvópeva, àXXà Tà
io îuXeîara cóç ènl TÒ TCOXÚ, àvàyxr) eivai TÒ xaTà aupßeßr)-
xòç õ v olov OUT' àei o u Ô ' cóç èiui T O TCOXÚ Ò X e u x ò ç pouatxòç
èaTiv, èiuei S è y í y v E T a i TOTE, xaTà a u p ß e ß r p ^ earai ( e i S è
PRJ, 7távr' Earai è£ à v à y x i q ç ) - OSOTE Í) üXr) Êorai a IT t a I ) è v -
Sexopèvr) rcapà T Ò cóç èrci T Ò TCOXÙ âXXcoç T O Ü aupßeßrjxö-
15 Toç. àpx^v Sè T T ) V 8 Í XrpcTéov, rcÓTepov oúSèv èaTtv O U T ' aîei
ouÔ' cóç iîti T Ò TOXÚ. T) T O Ü T O àSùvaxov; êariv apa T I T t a p à
TaÜTa TÒ ÓTCÓTep' etuxe xai xaTà aupßeßT)x0£. àXXà rcó-
TEpov TÒ cóç èíti TÒ TtoXú, TÒ S ' àei oúôevi únàpxei, f[ eariv
â r r a àíSia; rcepi pèv ouv T O Ú T W V u a r e p o v a x e T t T è o v , 8 T I 8 '
20 ÈÎTIOTTÎPT] oùx ïttti T O Ü a u p ß e ß r j x ö ^ ç a v e p ó v è m a r r i p r i p è v
yàp Ttãaa T) TOÜ àei Í) T O Ü cóç èrci T Ò TCOXÚ — 7uõõç yàp FJ
pa6r)aetai SiSàÇei âXXov; Sei yàp cópíaOai f| x ü àsi f]
I METAFÍSICA. E 2, 1026 b 3 • 30 | 277

t e m p o da canícula faça frio, mas não o d i z e m o s se faz um calor


s u f o c a n t e , porque isso ocorre na maioria das vezes, e n q u a n t o
aquilo não. E t a m b é m q u e o h o m e m seja b r a n c o é a c i d e n t e : dc 35
fato, o h o m e m n ã o é s e m p r e n e m na maioria das vezes branco;
ao contrário, o h o m e m não é animal por a c i d e n t c . E t a m b é m
acidental q u e o c o n s t r u t o r d c casas eure alguém, q u a n t o por
natureza essa função não p e r t e n c e ao construtor, m a s ao m e - 1027•
dico. E n t ã o , que o construtor seja m é d i c o ocorre a c i d e n t a l m e n t e .
E o cozinheiro, p o r q u a n t o vise a proporcionar prazer, poderá
curar a l g u é m , mas não pela arte culinária; por isso dizemos q u e
isso é a c i d e n t c , e o cozinheiro faz isso em c e r t o sentido, mas
não em s e n t i d o absoluto" 1 . E e n q u a n t o dc todas as outras coisas 5
existem potências produtivas, dos acidentes não existe n e n h u m a
arte, n e m uma potência produtiva d e t e r m i n a d a . D c fato, das
coisas q u e são ou que se produzem por a c i d e n t e t a m b é m a causa
c acidental1'.
C o n s e q ü e n t e m e n t e , dado q u e nem tudo sc gera necessaria-
m e n t e c sempre, mas a maior parte é ou advém na maioria das
vezes, é necessário que exista o ser por a c i d c n t c l s . Por e x e m p l o , 10
n e m s e m p r e n e m 11a maioria das vezes o b r a n c o é m ú s i c o ; mas,
posto q u e às vezes ocorre, e n t ã o será por a c i d e n t c . S c não fosse
assim, t u d o seria n e c e s s a r i a m e n t e . Por c o n s e q ü ê n c i a , a matéria
deverá ser a causa do a c i d e n t c , porque ela p o d e sei dc m o d o di-
ferente do que é na maioria das vezes 1 ''.
Este é o ponto dc partida que devemos assumir 2 ": perguntar ií
se não exista nada que não seja nem sempre n e m 11a maioria das
vezes. Ora isso é impossível. Portanto, além do q u e é sempre 011
na maioria das vezes, há o q u e ocorre por acaso c por acidentc 2 1 .
S c , depois, só existe o q u e é na maioria das vezes c se a eternidade
não pertence a n e n h u m ser, ou se existem t a m b é m seres eternos,
é q u e s t ã o q u e trataremos e m seguida 2 2 .
Ei ca esclarecido, por ora, q u e não existe ciência do acidente. 20
'Ioda ciência rcfcrc-sc ao q u e é sempre ou 11a maioria das vezes:
se não fosse assim, c o m o seria possível aprender ou ensinar a
outros? D c fato, o q u e c o b j e t o de ciência deve existir sempre ou
na maioria das vezes: por e x e m p l o , que o hidromel é na maioria
TAN META TAOYEIKAE

-cã) ÍÚÇ é-TTl TÒ ÍToXÚ, OÍOV 8xi G)çèXl(jlOV XÒ [ieXíxpaxOV X(õ


rcupèxxovxt ÍÜÇ èrct xò rcoXú —xò 8è rcapà xoüxo oúx
25 yeiv, rcóxe oö, oíov voufjLTjvía- fj yàp àei tóç èrci xò rcoXò xai
xò xfj voü[jiT]víqi- xò 8è au[/.ßeßr)x0£ èaxi rcapà xaüxa. xí ^xèv
ouv èaxi xò aujxßeßrixoi xai 8ià xív' aixíav xai 5xt èrciOTrjfjtr)
oúx eaxiv aúxoü, eipTjxai.

"OTL 8' elaiv àpxai xai aíxta yev7|xà xai <p9apxà


jo aveu xoü yiyveaÖat xai <p9e£pea9ai, çavepóv. ei yàp fifj
xoüx', ètj à v á y x T ] ç rcávx' eaxat, et x o ü y i y v o [ i é v o u xai <p0eipo-
(xévou [ií] xaxà au[jißeßr]x0; aíxióv xt àváyxr) eivai, rcóxepov
•yàp êaxat TO8Í f| o u ; èàv yt TO8Í yévr|Tai- ei 8è [iri, oü.
TOÜTO S è è à v à X X o . x a i OÜTCO S f j X o v o x i à e i x p ó v o u àçaipou^é-
1027' vou àrcò rcercepaafjièvou x p ó v o u ríÇet èrci x ò v ü v , ò i a x e ó S i àrco-
9aveíxai [vóaa> rj] ßiqi, èáv ye U;í\Qry xoüxo 8è èàv 8ujir|crr]"
xoüxo 8è èàv ãXXo- xai OUT<JJÇ f j ^ e i eiç o vüv ú r c á p x e i , rj eiç
xtõv yeyovÓTtov XL. oíov èàv Si^Ti^tJ' Sè ei èa9íei 8pi-

5 fjiéa- xoüxo 8' ífroí ÚTiápXEt FJ o u - òSot' èÇ à v á y x r i ç àrco9a-


veTxai f j o ú x àrco9avEÏTat. ófioíajç 8è xâv úrceprc7|8f|aT| x t ç ei;
xà YevófJteva, ò aúxòç Xóyoç- rjSr] yàp úrcápx i £ xoüxo ev
xtvi, Xèytú Sè xò yeyovóç- èÇ à v á y x i r ç ç àpa rcávxa èaxat xà
èaójjteva, oíov xò àrco9aveív xòv Çã>vxa* f j S r ç yàp xt yèyovev,
io oíov xà èvavxía èv x«L aúxã>. àXX' ei vóato rj ßiqt,
oßrco, àXX* èàv xo8i yév7)xai. BfjXov àpa Ôxi [zéxP1 T i v òç
METAFÍSICA, E 2/3, 1027a 2 3 - 1 0 2 7 b 11

das vezes b e n é f i c o a q u e m t e m f e b r e ; e n ã o será possível e n u -


m e r a r os casos e m q u e isso n ã o o c o r r e d i z e n d o , p o r e x e m p l o ,
na lua nova, p o r q u e isso t a m b é m ocorre s e m p r e o u n a m a i o r i a 25
das v e z e s , e n q u a n t o o a c i d e n t e está fora do s e m p r e e da m a i o -
ria das vezes 2 '.
F i c a , p o r t a n t o , d i t o o q u e é o a c i d e n t e e a c a u s a pela q u a l
e x i s t e , c q u e dele n ã o existe n e n h u m a ciência 2 1 1 .

3. INatureza e causa do acidente e do ser acidentalj1

E e v i d e n t e q u e e x i s t e m p r i n c í p i o s e c a u s a s gerais e corrup-
tíveis, s e m q u e e x i s t a p r o c e s s o de g e r a ç ã o e de c o r r u p ç ã o dos
m e s m o s . D c fato, se n ã o fosse a s s i m , t u d o existiria n e c e s s a r i a - 30
m e n t e , pois d o q u e se gera e sc c o r r o m p e deve haver u m a causa
não acidental2.
Por e x e m p l o : esta coisa d e t e r m i n a d a será ou n ã o ? S c sc pro-
duzir tal c o i s a , sim, c a s o c o n t r á r i o , não. E esta o u t r a produzir-
sc-á sc u m a tcrecira sc produzir. Assim c e v i d e n t e q u e s u b t r a i n d o
c o n t i n u a m e n t e u m a p o r ç ã o dc t e m p o de u m t e m p o l i m i t a d o ,
c h e g a r - s c - á ao m o m e n t o atual. D o m e s m o m o d o , este h o m e m
morrerá dc e n f e r m i d a d e ou d c m o r t e v i o l e n t a se sair ou n ã o dc
casa; e sairá dc casa se tiver s e d e ; c terá sede se o c o r r e r a l g u m a 10271,
outra c o i s a ; dc m o d o q u e se c h e g a r á a u m f a t o p r e s e n t e ou a u m
f a t o já ocorrido. Por e x e m p l o : a q u e l e h o m e m sairá dc casa se
tiver s e d e ; c terá sede se tiver c o m i d o algo m u i t o salgado. E s t e 5

fato, e n f i m , ou o c o r r e ou n ã o o c o r r c : por c o n s e q ü ê n c i a , n e c e s s a -
r i a m e n t e a q u e l e h o m e m morrerá ou n ã o m o r r e r á .

D e m o d o s e m e l h a n t e o m e s m o r a c i o c í n i o vale para os a c o n -
t e c i m e n t o s passados. C o m e f e i t o , o fato o c o r r i d o e x i s t e e m algu-
m a coisa; p o r t a n t o , n e c e s s a r i a m e n t e o c o r r e r ã o todas as coisas fu-
turas q u e dele d e p e n d e m : o a n i m a l , por e x e m p l o , morrerá n e c e s -
s a r i a m e n t e p o r q u e já e x i s t e n e l e o q u e produzirá isso, a saber, a io
p r e s e n ç a dos c o n t r á r i o s . M a s sc deverá m o r r e r de e n f e r m i d a d e
o LI d e m o r t e v i o l e n t a , a i n d a n ã o e s t á d e t e r m i n a d o , m a s d e p e n d e
dc q u e , e v e n t u a l m e n t e , sc v e r i f i q u e ou n ã o d e t e r m i n a d a c o n d i -
ção. E claro, p o r t a n t o , q u e se c h e g a a c e r t o p r i n c í p i o c q u e e s t e ,
280

ßa8££ei àpx^Çi aüxr] 8' oùxéxi eiç àXXo. eaxai ouv î) xoû
òrcóxep' ?xuxev auxr), xai aïxiov TÏ}Ç yevéaecoç aùxrjç àXXo
oúGév. àXX' eiç à p x f ) v rcoíav xai aíxiov rcoîov rj a v a y w y Y ] f)
iî xoiaúxT), rcóxepov <óç eiç ííXriv f j <Òç eiç x ò ou e v e x a ?i tôç eiç
xò x i v f j a a v , |xáXiaxa axercxèov.

Ilepi |xàv ouv xoü xaxà au(j.ßeß7]x0£ õvxoç à<pe£a0(o


(Suópiaxai yàp íxavüç)- xò S è w ç à X ï ] 0 è ç ò v , x a i |if) ôv tóç
4>eüSoç, èrceiSfj rcapà aúv0ea£v èaxi x a i Siaípeaiv, xò Sè aúv-
20 oXov rcepi |a.epiCT[xòv àvxt<páaeci>ç {xò [xèv yàp àXiri9èç xTjv
xaxàçaaiv èrci TO auyxei[iiva> tyti T^V 8' àrcó<paaiv èrci
x t õ 8i7)piQ(x£v(i), x ò S è c ^ ü S o ç x o ú x o u xoü [iepLajxoü xfjv à v x ú p a -
aiv- rcojç 8£ xò à|jLa fj xò Xwpk voeív au(ißa£vei, àXXoç
Xóyoç, Xéyw 8è xò ä|j.a xai xò x^pk &axe [if) x ò ècpeÇíjç
25 à X X ' ïv xí y i y v e a S a i ) - oú y à p è a x i x ò <J*eõSoç x a i x ò àXí]9èç
èv xoíç rcpáyfjiaaiv, oíov xò (xèv àyaÔòv àXr]9èç xò Sè xa-
xòv eû9ùç tJ>eü8oç, àXX' èv Siavoíqi, rcepi Sè xà àrcXã xai
x à x£ è a x i v o ú 8 ' èv Stavoíqc- — o a a [ièv ouv 8 e í O e t o p f j a a i rcepi
x ò oôxcoç ôv x a i [juf] õ v , öaxepov èrciaxercxéov èrcel 8 è aujji-
jo rcXoxr) èaxLv xai T) S i a í p e a i ç èv Siavoía àXX' oùx èv xoíç
rcpàyfiaai, xò 8 ' o u x w ç ôv ëxepov ôv xtõv xupícoç (?) y à p xò
xt èaxtv fj ó'xi rcoiòv 7) ó'xi rcoaòv rj xt àXXo auvárcxei 7}
à ç a i p e í V) S i á v o i a ) , xò [ièv <óç au(JLßeßTlxòç x a i xò <óç àXr]-
0è; ôv à ç e x è o v - x ò yàp amov xoü [xèv à ó p i a x o v x o ü 8 è xrjç
1028* Stavoíaç xi rcá0oç, xai à[i<pòxepa rcepi xò Xoircòv yèvoç xoü
281

por sua vez, não c redutível a outro. E s t e será, então, o princípio


do que ocorre por acaso e não haverá n e n h u m a outra causa do
seu produzir-sc\
M a s a q u e c a u s a e a q u e p r i n c í p i o e s t e é redutível? D e -
v e m o s e x a m i n a r a f u n d o se à causa m a t e r i a l , â final ou à
cficicntc' 1 -

4. [Exame do ser rio significado de verdadeiro e conclusões


sobre os dois primeiros significados do ser analisadosj]

D e i x e m o s por agora o t r a t a m e n t o do ser c o m o a c i d e n t e ,


pois já falamos s u f i c i e n t e m e n t e dele. Q u a n t o ao ser c o m o verda-
deiro e ao não-ser c o m o falso, devemos dizer q u e se referem à
c o n j u n ç ã o e à divisão de n o ç õ e s c ambos envolvem as duas partes
da contradição. O verdadeiro c a afirmação do q u e c r e a l m e n t e 20

unido e a negação do que c realmente separado; o falso c a contra-


dição dessa afirmação e dessa negação 3 . O m o d o pelo qual pen-
samos coisas unidas ou separadas, e unidas dc m o d o a formar
não u m a simples s e q ü ê n c i a , m a s algo v e r d a d e i r a m e n t e unitário,
c u m a q u e s t ã o d e c o r r e n t e da que e s t a m o s t r a t a n d o ' . l i e fato, o
verdadeiro c o falso não se e n c o n t r a m nas coisas ( c o m o se o
b e m fosse o verdadeiro e o mal fosse o falso), mas só no pensa-
m e n t o 4 ; antes, referidos aos seres simples c às essências, cies não
se e n c o n t r a m nem n o p e n s a m e n t o ' .
Todas as considerações que c preciso fazer sobre o ser e o
não-ser entendidos desse m o d o deverão ser feitas adiante''. Posto
q u e a união c a separação estão na m e n t e c não nas coisas, o ser 30
e n t e n d i d o nesse sentido c um ser diferente daquele dos signi-
ficados e m i n e n t e s do ser, a saber, a essência, a qualidade, a quanti-
dade ou as outras categorias que o p e n s a m e n t o separa ou reúne;
e assim c o m o o ser por acidente, t a m b é m o ser c o m o verdadeiro
deve ser deixado dc lado: a causa do primeiro é indeterminada,
e n q u a n t o o segundo consiste n u m a a f e c ç ã o da m e n t e , c a m b o s 1028j
se apoiam no restante gênero do s c r s c não indicam uma realidade
objetiva subsistente fora da mente 1 '.
282 I H N META T A G Y S I K A E

Õvxoç, x a t o ú x eÇa) ST)XOÜ<7IV oüaáv x t v a <púatv x o ü õ v x o ç — S t ò


xaüxa (xèv àçeíaÔcú, axETtxéov Sè xoü õvxoç aúxoü xà atxta
xat xàç àpxàç í õv. [<pavepòv 8' èv oíç 8ta>piaá[j,e9a rcepi
j xoü Ttooaxtõç Xéyexai èxaaxov, Sxt rcoXXaxwç Xéyexai
xò õv.]
METAFÍSICA, E 4. 1028 o 2 • 6 2B3

Portanto, devemos deixar dc lado esses modos dc ser c devemos


indagar as causas e os princípios do ser e n q u a n t o ser" 1 . E t a m b é m
é claro — c o m o já emergiu do livro dedicado aos diversos signifi-
cados dos vários termos — que o ser t e m m u i t o s significados". 5
LIVRO

Z
(SÉTIMO)
1

1028 a .Tò öv Xéyexai 7toXXax<ãç, xaGárcep SieiXófjteOa Tcpó-

XEpOV èv XOÏÇ TCEpl XOÜ TÏOAAX&Ç' 07][JLaíVEt yàp XÒ [ièv XI

èaxi x a i TÓSE T I , TÒ S è rcoiòv ÍI n o a ò v rç xcõv ã X X c o v Exaaxov


xcõv OUTco xaTTjyopoujjLÉvcov. xoaauxaxcõç 8è Xeyojjivou xoü
3 v x o ç <pavtpòv o x i xoúxcov rcpcõxov Sv TÒ T Í è a x i v , ÔTtep arpaí-
15 VEI -rf|V o ú a í a v (öxav [ièv y à p EIJTC0[AEV n o í ó v TL T Ó S E , f[ àya-
9òv XéyO[JIEV H x a x ó v , àXX' où xpímrixo ãvÔpcoTiov öxav Sè
T Í è a x i v , o ù XEUXOV o ù S è 0Ep[jiòv o ù S è T P Í M Q X U , à X X à ãv0pco7tov
f] 0EÓV), TÀ S' aXXa XéyETat õvxa xcõ TOÜ OUXCOÇ ò v x o ç TÀ
[xèv jtoaóxrjxeç eivai, Tà Sè 7toióxT]xeç, Tà Sè iráGr), Tà Sè
20 àXXo TI. Siò xãv àTroprjaeié TIÇ nÓTEpov TO ßaSii|Etv xai
TÒ úyiaCvEiv xai TÒ xa9íja0ai Exaaxov aùxcov öv 07][AaívEi,
ófioícoç Sè xai èrci XGÓV ã X X c o v òxouoüv XCÕV x o i o ú x c o v - oùSèv
yàp aÚTCõv èaxiv ouxe xa0' aÚTÒ 7te<puxòç où'xe
Suvaxòv xfjç oúaíaç, àXXà [jiãXXov, eutep, TÒ ßaSi^ov
25 TCÓV övxcov xai TO xa0rmevov xai TÒ ùyiaïvov. TaÜTa Sè
[lãXXov cpaívETai Õvxa, SIÓTI eaxi TI TÒ ÙJroxEt[iEvov aùxoïç
cópi(T(jiévov ( x o û x o 8 ' è a x i v i] o ú a í a x a i TÒ x a 0 ' exaaxov), orcep
è[x(pa{v£Tai èv xfj xaxTjyopía xfj xoiaúxr]- xò àya0òv yàp f|
xò xa0r)[iEvov oùx ãvEU xoúxou XéyExai. SfjXov ouv öxi Sià
ío xaúxrjv xàxeívtov è'xaaxov eaxiv, ci a x e xò npcóxcoç 6v x a i où xi
1. [O ser nos significados das categorias e a absoluta
prioridade da categoria da substância /'

O ser tem m u i t o s significados, c o m o e s t a b e l e c e m o s a n t e - l0 -


r i o r m e n t e , no livro dcdicaclo aos diversos significados dos ter-
mos 2 . D e fato, o ser significa, dc um lado, essência c algo determi-
nado, dc outro, qualidade ou q u a n t i d a d e e cada uma das outras
categorias'.
M e s m o s e n d o dito e m tantos significados, c e v i d e n t e que o
primeiro dos significados do ser c a essência, q u e indica a subs- ;
tância ( D e fato, q u a n d o perguntamos a qualidade dc alguma / 15

coisa, d i z e m o s q u e é boa ou m á , mas não q u e tem três côvados 1


ou q u e é h o m e m " ; ao contrário, q u a n d o perguntamos qual é sua
essência, não dizemos q u e c branca ou q u e n t e ou que tem três
côvados, mas q u e c um h o m e m ou que c u m deus). Todas as
outras coisas são ditas ser, e n q u a n t o algumas são q u a n t i d a d e do
ser no primeiro significado, outras são qualidades dele, outras
são a f e c ç õ e s dele, outras, e n f i m , alguma outra d e t e r m i n a ç ã o
9Q

desse tipo f \
Por isso poderia t a m b é m surgir a dúvida sc o caminhar, o
ser sadio c o estar s e n t a d o são, cada um deles, um ser ou um
não-ser c, dc m o d o s e m e l h a n t e , poder-sc-ia levantar a dúvida
para qualquer outro caso deste tipo: de fato, n e n h u m cicies existe
por si n e m pode ser separado da substância; antes — no má-
x i m o — c ser q u e m c a m i n h a , q u e m está s e n t a d o e q u e m é sa- 25

dio. E estes, c o m maior razão, são seres porque seu sujeito é


algo d e t e r m i n a d o (c j u s t a m e n t e isso é a substância c o indiví-
duo), o qual está sempre c o n t i d o nas predicações do tipo a c i m a
referido: de fato, o b o m ou o sentado não se dizem sem clc. Por-
266 T£1N M E T A TA ( S Y I I K A 1

Bv à X X ' ôv àjtXcõç rj o ú a í a âv eír]. jtoXXax<õç [ièv o u v Xéye-


x a i TÒ i r p o h p v * 8[icoç 8è Jiàvxcoç 'fi o ú a í a irpcõxov, xaí Xóyco
xaí yvcóaei xaí xpóvw. xcõv [ièv yàp àXXcov xaxrnfopri[iá-
xcov oúÔèv x<>)piaxóv, auTT] 8 è (JLÓVTT xai xcõ Xóyci) 8è xoüxo
35 rcpcõxov (àváyxTi f à p è v xcj) è x à a x o u X ó y c o T Ò V x í j ç o ú a í a ç èvu-
Ttápxeiv) • x a i eiSèvai 8è TÓT' oiópeôa é'xaaxov [iáXtaxa, oxav
T Í è a x i v ó ã v G p c o j i o ç YVCOFIEV ^ T Ò m í p , [ i ã X X o v í ] T Ò TTOIÒV T] T Ò
10281 Jtoaòv ?i T Ò T t o ú , Ijtei x a i aúxõv xoúxcov TÓTE ëxaaxov îa[i.ev,
öxav xí èaxt xò Jtoaòv i] xò TIOIÒV yvcofiev. xai 8f] xai xò
TuáXat xe xai vüv xai àei Çr]xoú[ievov xai àei àjtopoú[ievov,
xí xò ò'v, xoüxó èaxi xiç íj oúaía (xoüxo yàp oi [ièv Ev eivai
5 «paaiv oi 8è jtXeíco T} ev, xai oi [ièv jiejiepaa[iéva oí 8è
ãjteipa), 8iò xai fyiív xai [iàXiaxa xat Jtpcõxov xaí [JLÓVOV
cóç e i i t e í v rcepi x o ü o i í x c o ç o v x o ç OecopTyxèov x í èaxiv.

2
Áoxet 8' i?i oúaía úrcápxetv çavepcóxaxa [ièv xoîç acó-
[laatv (8iò xá xe Çcoa xai xà çuxà xai xà [lópia aúxõõv
io oúaíaç eivai «papev, xai xà çuatxà acópaxa, oíov rcüp xai
uScop xai yrjv xai xcõv xotoúxcov ëxaaxov, xai oaa f| [iópia
xoúxcov i j è x xoúxcov è a x i v , ^ [lopícov ií rcàvxcov, oíov 8 xe oúpa-
vòç xai xà [lópta aúxoü, ãaxpa xai aeXrjvri xai rjXtoç) • nó-
METAFÍSICA. 1 1/2, 1026 o 3 0 - b 13

tanto, é evidente q u e cada u m daqueles predicados c ser em 30

virtude da categoria da substância. Assim, o ser primeiro, ou seja,


não um ser particular, mas o ser por excelência é a substância .
O r a , o t e r m o " p r i m e i r o " c n t c n d c - s c c m múltiplos signifi-
cados, mas a substância é primeira e m todos os significados do
t e r m o : (a) pela noção, (b) pelo c o n h e c i m e n t o c (c) pelo tempo.
(c) D c fato, n e n h u m a das outras categorias pode ser sepa-
rada, mas só a substância*.
(a) Ademais, ela c primeira pela noção, porque na noção dc
cada categoria está necessariamente incluída a noção da substância''.
(b) E n f i m , consideramos c o n h e c e r algo sobretudo quando
c o n h e c e m o s , por exemplo, a essência do h o m e m ou a essência do
fogo, mais do que quando c o n h e c e m o s a qualidade ou a quanti-
dade ou o lugar; de fato, c o n h e c e m o s essas mesmas categorias 102K"
q u a n d o c o n h e c e m o s a essência da quantidade ou da qualidade 1 0 .
E na verdade, o que desde os tempos antigos, assim como ago- '
ra c sempre, constitui o eterno objeto dc pesquisa c o eterno proble-
ma; " q u e c o ser", equivale a este: " q u e é a s u b s t â n c i a " (c alguns
dizem que a substância c ú n i c a " , outros, ao contrário, que são
muitas c, dentre estes, alguns sustentam que são c m número fini- 5
to 1 2 , outros c m número infinito 1 '); por isso t a m b é m nós elevemos
examinar principalmente, f u n d a m e n t a l m e n t e c, por assim dizer,
exclusivamente, o que é o ser entendido neste significado 1 " 1 .

2. [As opiniões sobre o número e a natureza das substância


existentes e o problema de fundo da existência de uma
s u bs tâ ncia s up r a-sens Ivel j1

( I ) E opinião c o m u m que a prerrogativa dc ser substância per-


tence do modo mais evidente aos corpos. Por isso dizemos
que são substâncias os animais, as plantas c suas partes, c
que t a m b é m são substâncias os elementos físicos, como o 10
fogo, a água, a terra c todos os outros, b e m c o m o todas as
coisas que são partes desses elementos ou que são compos-
tas por alguns desses elementos, ou por todos, c o m o o uni-
verso e suas partes, os astros, a lua e o sol. Agora é preciso
examinar se são substâncias só essas coisas ou t a m b é m
290 TÍ1NMETATACDYIIKAZ

xepov S è a ú x a i [xóvat o ú a í a i eiaiv f j x a i à X X a i , f j xoúxtov xivèç


15 f) x a i àXXai, f| x o ú x t o v [xèv oúÔèv Kxepai Sé xiveç, axercxéov.
S o x e î S é xiai TÒ xoõ atófiaxo; rcépaxa, oíov èrcupáveia x a i y p a f i f i f j
x a i a x i y f j i ï ) x a i ( l o v à ç , e i v a i o u a t a i , x a i ( l ã X X o v f j TÒ a t õ [ x a xai
TÒ a x e p e ó v . e x i rcapà T A AIAÔRJTÀ o í ( i è v o ú x o i o v x a i e i v a i oúSèv
xoioüxov, oí Sè rcXeíto xai (lãXXov õvxa àíSia, warcep IlXà-
20 x t o v xá xe etSïi xai TÒ |ia9r)ijiaxixà Súo oúaíaç, xpíxrjv Sè
xfjv x&v aîoÔT)Ttùv atojxàxtov où a i a v , S r c e ú a ircrcoç Sè xai
rcXeíouç oúaía; àrcò xoû èvò; àpÇá(jievo;, xai àpxàç éxàaxTjç
oúaíaç, àXXrjv (ièv àpi6[xtõv ãXXr)v Sè [jiefeÔfõv, erceixa <J»u-
XÍj;' x a i T o ü T o v Sf) TÒV x p ó r c o v è r c e x x e í v e i T A ; o ú a í a ; . êvioi Sè
25 TÒ (ièv eíSr] xai TOÚ; àpi6[ioúç xfjv aúxfjv exetv <paai <púaiv,
TÒ Sè ãXXa èxò[JTTVA, ypa(i(jià; xai èrcírceSa, (léxpi rcpòç
xfjv xoõ oúpavoü oúaíav xai xà aia0T)xá. rcepi 8f] xoúxtov xí
Xéyexai xaXtõç f j |xf) x a X c õ ç , x a i xíveç eiaiv o ú o í a i , xai rcóxe-
pov eiaí xiveç rcapà xà; aiaOrjxàç fj oúx etaí, xai aúxai rctõ;
jo eiaí, x a i rcóxepov eaxi xi; x ^ p i ^ l oúaía, x a i S i à xí x a i rcã>ç,
fj oúSejjiía, rcapà xàç aía0r)xàç, axercxéov, úrco-n>rctoaa|jiévoi;
xfjv o ú a í a v rcptõxov xí èaxiv.

Aéyexai 8* fj oúaía, ei |xfj rcXeovaxwç, àXX' èv xéx-


Tapaí y e (làXiaxa* xai yàp xò xí rjv eivai xai xò xaôóXou
35 x a i x ò y é v o ç oúaía 8oxeT eivai èxáaxou, x a i xéxapxov xoúxtov
xò úrcoxeí|jievov. x ò 8' úrcoxeíjxevóv èaxi x a 0 ' oú x à àXXa Xé-
y e x a i , è x e í v o S è a ú x ò (xr)xéxi x a x ' à X X o u - 8 i ò rcptõxov rcepi xoú-
METAFÍSICA, Z 2/3. 1028 b 13 - 3 7 291

outras 2 , ou só algumas destas ou t a m b é m outras, ou ainda


se n e n h u m a destas é substância, mas só algumas outras'. 15
(Z) Alguns filósofos consideram que são substâncias os limites
dos corpos: por exemplo, superfície, linha, ponto c unidade;
c que são mais substâncias do que o corpo c o sólido 4 .
(3} Ademais, alguns filósofos c r c e m que não existem substân-
cias fora das coisas sensíveis'; outros, ao contrário, crêciu
que existem substâncias eternas mais numerosas do que
as sensíveis c c o m maior grau de ser""'. Assim Platão conside-
ra que as Formas e os Entes matemáticos são duas classes
de substâncias c que uma terceira c a substância dos corpos 20
sensíveis'. Espcusipo põe u m número de substâncias ain-
da maior: ele parte do U m , mas admite princípios diferentes
para cada tipo dc substância: um é o princípio dos números,
outro o das grandezas, c outro ainda o da alma, c desse mo-
do ele amplia o número das substâncias 4 . Alguns filósofos,
enfim, sustentam q u e as Formas c os Números têm a 25
mesma natureza e que todas as coisas restantes — linhas,
superfícies c assim por diante, até a substância do céu ou
das coisas sensíveis — derivam deles 9 .
Portanto, é preciso examinar o que é ccrto c o que não é c m
todas essas afirmações, e sc existem ou não algumas substâncias ao
lado das sensíveis c qual é seu m o d o de existência, c sc existe algu-
ma substância separada das sensíveis, por que existe c dc que modo
existe, ou se, além das sensíveis, não existe n e n h u m a substância 1 ".
M a s procederemos a esse e x a m e depois dc ter dito, c m resu- 30
m o " , q u e é a substância em geral 1 2 .

3. [Início do tratado da substância em geral e exame da


substância no significado de substratoj1

A substância é e n t e n d i d a , se não c m mais, pelo m e n o s e m


q u a t r o significados principais: considera-se que substância de
alguma coisa seja a essência, o universal, o gênero c, c m q u a r t o 35
lugar, o substrato 2 .
O substrato é aquilo de que são predicadas todas as outras
coisas, e n q u a n t o ele n ã o é predicado de n e n h u m a outra. Por isso
292 J T I ! N M E T A T A ® Y £ 1 K A Z,

1029* toü Siopioriov tiàXiora yàp SOXEÍ eivai oúaía TÒ úítoxeíjJievov


irptÕTOv. TOIOÜTOV Sè Tpóuov [xév Tiva i] uXrj XiyETat, ãXXov
S i TpÓTtOV \LOpyf\, TpÍTOV 8è TÒ èx TOÚTCOV (XiyCO S i TÍ|V
jjiiv uXriv oíov TÒV x a Xxóv, n^v Si nopçíjv TÒ crxfiH'0'
5 ÍSéaç, TÒS ' i x TOÚTCIIV TÒV àvSpiávra T Ò aúvoXov), <SS<rce et T Ò
EÍSOÇ xfjç; ííXrçç Tcpóxepov xat jxãXXov õv, xat T O Ü iÇ àjjicpoív
jipÓTepov etrcai Sià TÒV aÚTÒv Xóyov. vüv ^iv ouv TÚJKI) eÍpTj-
Tai T Í TCOT' i<jTiv í) oúaía, Ó'TI T O ni] xa(T ÙTCOXEI|J.£VOU àXXà
x a 6 ' ou T A ácXXa- Sei S i JIT) [xóvov OUTCOÇ- OÙ yàp íxavóv*
io AÒTÒ yàp T O Ü T O ãS7]Xov, xat E T I ßXrj oúaía yíyvETai. e£
yàp [xí] aíírri oúaía, TÍÇ iariv ãXXr) Siatpeúyei- rcepiaipoufii-
vcov yàp TCÕV àXXtov où ç a í v e T a i oúSèv úrco|xivov t à jxèv
yàp ãXXa T£ÙV acojxaTcov TcdcGrj xat TTOIRJJAATA xai Suvájxeiç,
TÒ Sè fA7)xoç xai TrXáTOç xat ^àGoç noaóvrplt; Tiveç àXX'
is oúx oúaíai (TÒ yàp rcoaòv oùx oúaía), àXXà jxâXXov úrcáp-
Xei TaÜTa raptÓTco, ixeívó èariv oúaía. àXXà (xíjv àcpai-
poujxivou p,r|xou<; xai rcXàxouç xai (iáÔouç oúSèv óp<õ|XEV úiroXei-
Trójxevov, ítXíjv eí T£ èari TÒ óptÇó[xevov úuò xoúxcov, ware TÍ|V
ÍÍXT]V àváyxri tpaíveaÔai (xov^v oúaíav oíkto axorcoupivoiç.
20 X i y a ) S' Î!XT]V RÇ x a 6 ' aúr?)v [XT^TE T Í PIJTE rcoaòv jxiyce àXXo
(jLTjòèv X i y e T a i o l ç c i p i a r a i T Ò ÕV. e a x i y à p T I x a 9 ' où xarriyo-
peÏTai ToÙTtov e x a a r o v , <o TÒ eivai etepov x a i TWV xarrjyopLcõv
èxáarr) (Tà jxèv yàp ãXXa tíjç oúaíaç xarriyopeÍTai, aürr]
S è TTjÇ ííXiriç), WCTTE T Ò ET/OIT o V x a O ' aÚTÒ OUTE T Í OUTE noaòv
25 OUTE ã X X o oùSiv èoTiv* oùSi Sí) a í à7to<páaEiç, xai yàp aÚTai
úrcàpÇouai xaxà aup.ßEßr}x0s. ix jxèv ouv TOÚTOJV Ôetopoüai
METAFÍSICA, 2 3, 1029 o I - 26 293

d e v e m o s tratar d e l e c m p r i m e i r o lugar, pois s o b r e t u d o o s u b s t r a t o |ll2í)

primeiro parece ser s u b s t â n c i a . E c h a m a - s e s u b s t r a t o primeiro,


e m c e r t o s e n t i d o , a m a t é r i a , n o u t r o s e n t i d o a f o r m a e n u m tercei-
ro s e n t i d o o q u e resulta d o c o n j u n t o d c m a t é r i a e f o r m a ' .
C h a m o m a t é r i a , por e x e m p l o , o bronze; f o r m a a estrutura e
a c o n f i g u r a ç ã o formal; sínolo o q u e resulta deles, isto é, a e s t á t u a .
I ) c m o d o q u e , se a forma é anterior c m a i s ser cio q u e a m a t é r i a , 5
pela m e s m a razão cia t a m b é m será anterior a o c o m p o s t o 4 .
D i s s e m o s e m s í n t e s e o q u e é a s u b s t â n c i a : cia é o q u e n ã o
se predica dc a l g u m s u b s t r a t o , m a s a q u i l o d e q u e t o d o o resto se
predica. T o d a v i a , n ã o se deve c a r a c t e r i z a r a s u b s t â n c i a sé; d e s t e
m o d o , p o r q u e isso n ã o b a s t a * . D c fato, esta c a r a c t e r i z a ç ã o n ã o 10
é clara. A d e m a i s , e m seus t e r m o s a matéria seria s u b s t â n c i a . C o m
e f e i t o , se a m a t é r i a n ã o é s u b s t â n c i a , e s c a p a - n o s o q u e mais po-
deria ser s u b s t â n c i a , p o r q u e , u m a vez e x c l u í d a s t o d a s as o u t r a s
d e t e r m i n a ç õ e s , parece q u e n ã o resta nada além dela: as outras de-
t e r m i n a ç õ e s , c o m e f e i t o , s ã o a f e c ç õ e s , a ç õ e s c p o t ê n c i a s dos
c o r p o s . E c o m p r i m e n t o , largura e p r o f u n d i d a d e são q u a n t i d a d e , IÍ
não s u b s t â n c i a s : a q u a n t i d a d e n ã o é s u b s t â n c i a , mas é s u b s t â n c i a
o s u b s t r a t o p r i m e i r o a o qual i n c r c m todas essas d e t e r m i n a ç õ e s .
M a s sc e x c l u í m o s c o m p r i m e n t o , largura c p r o f u n d i d a d e , v e m o s
q u e n ã o resta n a d a , a n ã o ser a q u e l e algo q u e é d e t e r m i n a d o por
eles. C o n s e q ü e n t e m e n t e , para q u e m c o n s i d e r a o p r o b l e m a desse
p o n t o d e vista, n e c e s s a r i a m e n t e a m a t é r i a a p a r e c e c o m o a ú n i c a
substância.

C h a m o m a t é r i a a q u i l o q u e , por si, n ã o é n e m algo d e t e r m i - 20


nado, n e m urna q u a n t i d a d e n e m q u a l q u e r o u t r a das d e t e r m i n a -
ç õ e s do ser' 1 . E x i s t e , de fato, a l g u m a coisa da q u a l c a d a u m a des-
sas d e t e r m i n a ç õ e s é predicada: a l g u m a coisa c u j o ser é d i f e r e n t e '
do ser d e cada u m a das c a t e g o r i a s . T o d a s as outras c a t e g o r i a s ,
c o m e f e i t o , são predicadas da s u b s t â n c i a c c s t a \ por sua vez, é
p r e d i c a d a cia m a t é r i a . A s s i m , e s t e t e r m o , por si, n ã o é n e m algo
determinado, nem quantidade nem qualquer outra categoria: e 25
n ã o é n e m s e q u e r as n e g a ç õ e s d e s t a s , p o r q u e as n e g a ç õ e s só
e x i s t e m d c m o d o a c i d e n t a l '.
P o r t a n t o , para q u e m c o n s i d e r a o p r o b l e m a d e s s e p o n t o d e
vista, s e g u e - s e q u e s u b s t â n c i a é a m a t é r i a . M a s isso é i m p o s s í -
294

OU[xßa£vei oùaiav eivai TÍ]v UXTJV àSúvaxov 8£- xai yàp to


XTOPLOTÒV xai TÒ TÓSE TI úuápxetv Soxel [láXiara OÜCTÍÇC,
8tò xò eïSoç xai TÒ à(jiq>oIv oúaía SóÇeiev 5v eTvai [xõcX-
30 X o v -cfjç üXrjç. TÍJV |xèv TOÍVUV èç à|içotv ouaíav, Xéyco 8â
TTJV êx TE TT]Ç ÍÍXTJÇ x a i vf\ç |j.op<pTjç, àipeTéov, úaxépa yàp
xai StíXÍJ- çavepà 81 tcwç xai i] uXTJ- rcepi 8È T7jç Tpírr)ç

0XÊ7tTÉ0V, OtüTT] yàp ^TtOpWXaXT), ÓfloXoyOÜVXat 8' oÚfffotl

e i v a i TÜV a£a0T]T<I)v x i v é ç , a» a r e iv x a ú r a i ç tj\vryzèov rcp&TOV.


1029 b 3 i t p ò ípyou yàp TÒ (xeTaßaiveiv eiç TÒ y v c o p i f x t ó x e p o v . ^ yàp
(JTÁÔT)CTLÇ OUTCÓ y í y v e x a i nãai 8ià TÕ>V f j x x o v YVO>pi(I.uv tpúaei
s eiç TA yvcí)pi(Jia (iãXXov xai TOÜTO êpyov iorfv, óiortep èv
TAÍÇ rcpáÇeai TÒ RCOIRIAAI ix TG5V ixÁ<ncç> àya0ã>v TA SXwç
áyaÔà Éxáaxco à y a ô á , OUTWÇ i x x õ j v AÚXCÕ y v c o p t j j u o x i p c o v xà
Trj ipúaei yvcópi(i.a aùxô) yvúpijxa. xà 8' êxáaxoiç yvá>pi(xa
xai jrpÜTa TOXXÔXIÇ í)pé|i.a iaxi YVCÍ)pi|i.a, xai jiixpòv rç
10 OIJÕÍV ÊXEI T O Ü SVTOÇ* ÁXX' SJICOÇ i x TÕ>V ÇAÚXÚIÇ (IÈV YVA>-
OTÜV aikcõ 8è yvcòaxõjv xà ôXcoç y v o i a x à yvwvat iteipaxiov,
(xexaßatvovrai, oÜoTrep e i p T i x a i , 8 i à x o ú x w v aúxóüv.

4
1 'ETCEÍ 8 ' èv ápxí) 8ietX6[xt9a rcóaoiç ópíÇo[xev TÍJV oúaíav,
xai TOÚTCOV e v TI i S ó x e i eTvai TÒ X£ V eivai, 9eo>pr]xÉov itepi
13 a ù x o û . x a i Ttpcüxov e m w f j i e v e v i a rcept auxou Xoyixciç, oxi èaxi
T Ò T Í fjv e í v a i i x á a x o u 6 X é y e x a i x a 6 ' a i j x ó . o ù y á p i a x i TÒ a o i
METAFÍSICA, Z 3/4, 1029 a 2 7 - b 14 295

vel; pois as características da substância são, sobretudo, o fato


dc ser separável e de ser algo d e t e r m i n a d o : por isso a forma e o
c o m p o s t o dc matéria e fornia parecem ser mais substância do
q u e a matéria"'. 30
O r a , convém deixar dc lado a substância entendida c o m o
c o m p o s t o de matéria e forma, porque esta c posterior c seu sig-
nificado é c l a r o " . F, t a m b é m é claro, de c e r t o modo, o significa-
do de matéria. Ao contrario, d e v e m o s c o n c e n t r a r nossa investi-
gação sobre o terceiro significado d c substância, porque este apre-
senta as maiores dificuldades.
T o d o s a d m i t e m q u e algumas das coisas sensíveis são subs- J029"'
tâncias; portanto deveremos desenvolver nossa pesquisa partindo
delas 1 2 . D e f a t o ' \ c m u i t o útil proceder por graus na direção do
q u e é mais cognoscívcl. C o m efeito, todos adquirem o saber
desse modo: p r o c e d e n d o por m e i o d c coisas n a t u r a l m e n t e m e -
nos cognoscíveis na direção das que são por natureza mais cognos-
cíveis. F c o m o nas ações devemos partir daquelas que são b e n s 5
para o indivíduo e fazer com que o bem universal se torne bem para
o indivíduo, assim t a m b é m no saber d e v e m o s partir das coisas
q u e são mais cognoscíveis para o indivíduo c fazer c o m q u e
o q u e é cognoscívcl por natureza tornc-sc cognoscívcl t a m b é m
para o indivíduo. As coisas que são cognoscíveis c primeiras para
o indivíduo são, a m i ú d e , p o u c o cognoscíveis por natureza c ca])- 10
tam p o u c o ou nada do ser. Todavia, é preciso partir dessas coi-
sas q u e são por natureza p o u c o cognoscíveis ao indivíduo, pa-
ra chegar a c o n h e c e r as coisas q u e são cognoscíveis c m senti-
do absoluto, procedendo, c o m o dissemos, j u s t a m e n t e por m e i o
das primeiras 1 ' 1 .

4. [A substância no significado de essência e considerações


sobre a essência]'

D a d o q u e no início 2 distinguimos os diversos significados i


da substância c, destes, u m nos pareceu ser a essência, devemos
agora tratar dela.
E , para começar, f a ç a m o s algumas considerações dc caráter 13
p u r a m e n t e racional' a respeito dela. A essência dc cada coisa é
296 TilN META TA (DYÏIKA 7 METAFÍSICA, IA, 1029b I f . 1030 a 3

is eivai TÒ [xouaixtõ eivar où yàp xaxà aauròv ei [louaixóç. o àpa o q u e ela c pur si m e s m a . T u a e s s ê n c i a , d e f a t o . n ã o c a e s s ê n c i a 15

xaxà aauTÓv. oúSè Sfj T O Ü T O itãv* oú yàp T Ò OÔTCOÇ xaÔ' aÚTÒ d o m ú s i c o , p o r q u e n ã o c s m ú s i c o p o r ti m e s m o . T u a essência,

tòç èrcupaveía Xeuxóv, 8TI OÙX êari TÒ èrcupaveía eivai TÒ p o r t a n t o , c s ó a q u i l o q u e c s p o r ti m e s m o " 1 .

Xeuxtõ eivai. àXXà |if)v oú8è TÒ èÇ àjjupoív, TÒ éiticpaveia M a s n e m t u d o o c [ u c u m a c o i s a c p o r si m e s m a é e s s ê n c i a :

Xeuxfj, ÖTi ítpóaeariv aÚTÓ. èv to àpa [if] èvéarai Xóyto p o r e x e m p l o , n ã o é e s s ê n c i a a q u i l o c j u e a l g o é p o r si d o m o d o

20 aÚTÓ, XéyovTt aÚTÓ, OÚTOÇ ò Xóyoç T O Ü T Í fjv eivai É X Í O T Í O , c o m o u m a s u p e r f i c i e é p o r si b r a n c a : d c f a t o , a e s s ê n c i a da s u p e r -

Ó S O T ' et T Ò èm^aveia Xeuxfj eivai èori T Ò èmçaveía eivai


fície n ã o c a e s s ê n c i a do b r a n c o 1 . A d e m a i s , a e s s ê n c i a da superfi-
c i e t a m b é m n ã o c o n s i s t e n a u n i ã o d o s d o i s ( e r m o s , i s t o é, n o f a t o
Xeíqi, TÒ Xeuxtõ xai Xeíto eivai TÒ aÚTÒ xai ëv. èrcei 8'
d c ser s u p c r f í c i c - b r a n c a . Por q u ê ? P o r q u e n e s t e c a s o a e s s ê n c i a
eoTi xai x a r á xàç àXXaç xaTTjyopíaç aúvôeTa (ecru yàp
da s u p e r f í c i e c pressuposta. A d e f i n i ç ã o da e s s ê n c i a de u m a coisa
T I Ú7toxeí(i.evov éxácrao, olov xtõ TTOKÕ xai T Í Õ TTOCTÍÕ xai w
é só a q u e e x p r i m e a coisa s e m incluí-la na própria definição. 20
25 ranè xai TÍÕ Tioù xai xfj xivfjaei), axercTáov àp' eari Xóyoç TOÜ
P o r t a n t o , se a l g u é m d i s s e s s e q u e a e s s ê n c i a da s u p e r f í c i e b r a n c a
TÍ fjv eivai éxàaríi) aúxtõv, xai únápxei xai xoúxoiç TÒ TÍ fjv
c a e s s ê n c i a da s u p e r f í c i e lisa e s t a r i a d i z e n d o q u e a e s s ê n c i a d o
eivai, olov Xeuxtõ àvÔptÍOTtú [ T Í fjv Xeuxtõ àv9ptÒ7utp]. è'axto 8f)
b r a n c o e a e s s ê n c i a d o l i s o s ã o u m a só c m e s m a c o i s a 6 .
õvo(i.a aúxtõ íjiàxiov. TÍ èari TÒ í(i.ax«i) eivai; àXXà (J.f)v
M a s , c o m o t a m b é m h á c o m p o s t o s s e g u n d o t o d a s as o u t r a s
oùSè xtõv xaÔ' aÚTÒ Xeyo^iévcov o ù 8 è T O Ü T O . TI T Ò oú xaô' aÚTÒ
categorias (dc fato, há u m s u b s t r a t o para c a d a u m a delas: para a
30 XéyeTat Sixwç, xai xoúxou èaxi TÒ [xèv èx 7rpoa6é<jetoç TÒ 8è
q u a l i d a d e , c o m o p a r a a q u a n t i d a d e , para o q u a n d o , p a r a o o n d e
ou. TÒ jxèv yàp xtõ aúxò àXXco JtpoaxeíaÔai Xéyexai o ópi-
e para o m o v i m e n t o " 1 ) , é p r e c i s o e x a m i n a r se t a m b é m e x i s t e u m a 25
Çexai, olov ei TÒ Xeuxtõ eivai ópiCó(ievoç Xèyoi Xeuxoü àv-
d e f i n i ç ã o da e s s ê n c i a d c c a d a u m cicies e se e x i s t e u m a e s s ê n c i a
9ptí>7TOU Xóyov* T Ò 8 è TCÕ ãXXo aÚTtp, olov et o7)|iaívoi T Ò
d e l e s : p o r e x e m p l o , se e x i s t e u m a e s s ê n c i a cio c o m p o s t o h o m e m -
t|j,áTiov Xeuxòv àv8pt07T0v, ó 8è ópíÇoixo í(j.áTIOV tòç Xeuxóv. T Ò