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ABIM 005 JV Ano IX - Nº 73 - Mai/16

“Augusto e nobre sacerdócio deverá ser o da pena, pena


vendida, pena maldita; seus prejuízos são maiores do que os da
peste ou os da tuberculose. Entretanto, graças à pena, possuímos
toda a história humana. Por ela nos fazemos conscientes e livres.
Por ela, eternos são os pensamentos”.
Professor Henrique José de Souza.

O REAA Chega à França


Bucha - Uma Enigmática Sociedade
A Origem do Tratamento “Bode” Impingido ao Maçom
Editorial
J
amais, poderíamos nos omitir quanto ao cenário Que a “tocha”, que, neste exato momento percorre
político atual e ficarmos como meros expectadores da as cidades brasileiras, sirva de Luz para que essa pacífica
história brasileira. Respiramos expectativas. Sibilas, população, ilumine um horizonte mais promissor para
ciganas, profetas e adivinhos recolhem-se em incertezas o nosso país e reacenda, em seu interior, a chama da
e, como toda a população, revelam-se perplexos com cidadania e do amor ao Brasil.
novos e surpreendentes fatos no cenário político nacional,
Queiram os Deuses que as “Águas” cristalinas
que insistem em nos judiar. Não há quem duvide de que
da Justiça Divina lave o lodaçal que ora atola a política,
já se assistiu a tudo e, que, abandonados à sorte, o povo
a economia e os invertidos valores cultivados na Pátria
brasileiro, impávido, saberá, em momento oportuno, impor
que, por força da LEI Justa e Perfeita, tem a função de
sua vontade em detrimento de todos os descasos com a
ser o celeiro do mundo; a Pátria do Evangelho, de Chico
coisa pública. Mas quando?
Xavier; a Pátria do Avatara Maitreia, para os Orientais; o
O que mais os autores dessa melancólica “novela”, Quinto Império revelado por Daniel no sonho bíblico de
ainda, têm para nos apresentar? A cada capítulo caem Nabucodonosor. O Brasil de tantas e tantas profecias, que
máscaras e revelam-se novos escândalos. A “Lava a Jato”, ameaçam a não se realizarem.
hoje, em sua 27ª edição, ainda, está longe de exibir o
A limpeza em todos os segmentos está sendo feita,
esperado último capítulo, e que seja com um final feliz!
pois não é sábio erigir uma nova construção tomando como
Subtraíram os cofres públicos, com base em uma alicerce o de antigas ruínas. Um novo Ciclo se anuncia
democracia que se tornou sinônimo de permissibilidade. e tudo que está ligado ao antigo, já apodrecido e gasto,
Às grandes massas, como sempre, liberaram o pão e o deverá sucumbir para o dealbar de uma Nova Era.
circo. A nação encontra-se caída de joelhos, humilhada
pelos jocosos comentários de dirigentes e jornais dos mais A nós, iniciados, se é que, de fato, somos, cabe-nos
diversos países. o equilíbrio, empregando em nossas ações, a temperança,
a imparcialidade e a justiça. Sem abrir mão do exercermos
Diria Drummond, agonizando: “E agora José?”
a nossa cidadania, pois é o mínimo que o Brasil espera de
Às vésperas dos Jogos Olímpicos, os holofotes do seus Filhos, mentalizemos energias positivas para que, tão
mundo se direcionam para o país da jabuticaba, quando logo, dissipem-se as escuras e densas nuvens, que pairam
a quebra de recordes e a conquista de medalhas tornou- sobre a pátria áurea e verde, neste caótico momento, e
se algo menor diante da preocupação com a “zica”, a que possamos passar incólumes por essa crise moral que
“dengue”, a “chikungunya”, as balas perdidas, as interdições assola o País, o Berço da Nova Civilização!
de estradas por rebeliões bolivarianas, entre outras. A
Viva o Brasil!
palavra “Olimpíadas”, no Brasil, corre o sério risco de perder
o seu assento, tornando-se as olim”piadas” do século.

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A Revista Arte Real é um periódico maçônico virtual, fundado em 24 de fevereiro de 2007, de periodicidade
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Bucha - Uma
Enigmática
Sociedade
Francisco Feitosa

T
ivemos a oportunidade de afirmar, em matérias Século XIX, em verdade, eram focos de Maçons
anteriores, que, antes mesmo da Maçonaria liberais, que se escondiam da inquisição monárquica,
se estabelecer no, então, Brasil Colônia, aqui já que a Maçonaria estaria impedida de funcionar em
chegaram Maçons, filhos de colonizadores, em retorno determinados países, por força de proibição legal,
da Europa, onde foram buscar formação acadêmica, dado o espírito libertário, com forte apego nos ideais
em especial, em Portugal e na França, sendo iluministas da Revolução Francesa.
iniciados na Maçonaria daqueles países. Na edição
Joaquim Nabuco, um dos maiores diplomatas
nº 72 – abr/16 - de nossa Revista, publicamos uma
do Império e um dos fundadores da Academia
matéria sobre o movimento academicista no Brasil,
Brasileira de Letras, afirma que, nessa mesma época,
que fora o refúgio desses eruditos maçons, no início
jovens estudantes, em especial, em São Paulo e
do século XVIII, que, por não existir Lojas maçônicas
Recife, moradores em repúblicas, dedicavam parte de
funcionando em terras brasileiras, agremiavam-se,
seu tempo para participarem de sociedades secretas,
sorrateiramente, nessas sociedades literárias, a fim
despertando-lhe especial interesse pela Maçonaria,
de colocar em prática seus ideais libertários contra a
período em que aflorava, no seio das repúblicas,
monarquia portuguesa.
movimentos literários e políticos.
Segundo o nosso Irmão José Carlos de Araújo
Além de a Maçonaria, uma outra sociedade
Almeida Filho, professor de Direito da UFF, autor
teve papel importantíssimo na história do Brasil,
do livro “O Ensino Jurídico, a Elite dos Bacharéis e
reunindo nomes ilustres, muitos pertencentes,
a Maçonaria no século XIX”, a fundação de centros
também, à Ordem maçônica. Nascia, em 1831, a
acadêmicos, como a Academia Brasileira de Letras,
Burschenschaft entre os alunos da Faculdade de
o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, por
Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo,
exemplo, tiveram como fonte inspiradora os centros
fundada pelo professor alemão de nome Johann Julius
acadêmicos portugueses. E é importante, também,
Gottfried Ludwig Frank, que ficou conhecido, no Brasil,
destacar este aspecto porque muitas sociedades
por Júlio Frank, nascido em Gotha, capital do ducado
literárias e acadêmicas fundadas em Portugal, no
de Saxe-Coburgo-Gotha, em 1808.
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trilogia, as virtudes teologais, “Fé, Esperança e
Caridade”.

Poucos passam pela Faculdade do Largo São


Francisco sem ouvir rumores sobre a Bucha, uma
misteriosa e centenária organização à qual teriam
pertencido, em seus tempos de estudante, grandes
vultos da política e do pensamento brasileiro.

Segundo o historiador Jamil Almansur Haddad,


sociedades dessa natureza encontraram campo fértil
em outras comunidades acadêmica no Brasil, como na
Faculdade de Direito de Olinda/Recife, a Tugendund.
A Landsmannschaft nas Escolas Politécnica de São
Paulo e do Rio de Janeiro; a Jugendschaft, na Escola
de Medicina de São Paulo. Nas Américas, o único
paralelo que se pode estabelecer é com a Skull &
Bones, a ultra-secreta confraria de estudantes de Yale,
Júlio Frank - fundador da Bucha uma das mais elitistas universidades dos EUA.

Segundo o Jornal virtual “Carta Forense”,


A Burschenschaft foi o nome dado às
em artigo publicado, em agosto de 2009, sob o título
sociedades de estudantes alemães, que surgiram
“Bucha: a Sociedade Secreta do Direito”, tal sociedade
no final do século XVIII, com o objetivo principal de
nasceu com a finalidade primordial de proteção aos
promover a unidade da Alemanha. No Brasil, devido
estudantes de famílias pobres, oferecendo-lhes
à dificuldade de sua pronúncia, foi rebatizada como
condições para concluírem seus estudos, bem como
“Bucha”. A origem do nome Burschenschaft, do
o auxílio às suas famílias, caso fosse necessário.
alemão, “bursch”, significa “camarada” e “schaft”,
Todos os atos da sociedade deveriam ocorrer no
“confraria”.
mais absoluto sigilo. No entanto, a sociedade com o
Seu fundador, era um refugiado da Alemanha tempo foi tendo desdobramentos em suas atividades,
que viveu, apenas, até os trinta e dois anos, dez dos tornando-se uma instituição completamente
quais no Brasil, país em que morreu e foi sepultado. protecionista com seus membros.
Ao contrário da existência curta de seu fundador,
Ainda, segundo a Carta Forense, sua estrutura
a Bucha teve vida longa e influência duradoura na
era baseada da seguinte forma: a Bucha era formada
sociedade. Assim como a Maçonaria, adotou uma

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por alunos da Faculdade de Direito, escolhidos entre não se podiam manter, constitui legado relevante para
os que mais se distinguiam por seus méritos morais todos os operadores do Direito, praticantes da ciência
e intelectuais. Somavam, talvez, dez por cento do da convivência humana.
corpo discente e eram chefiados por um “Chaveiro”.
Ainda, Herbert Carvalho, em sua matéria
Um “Conselho de Apóstolos” orientava a Bucha
supracitada, afirma que ao longo do século XIX,
dentro da Faculdade, enquanto o “Conselho de
a Bucha acumulou forças para desempenhar, na
Invisíveis”, composto de ex-alunos, numa espécie de
República, o mesmo papel que fora da Maçonaria
prolongamento da vida acadêmica, a aconselhava e
na Independência: o de provocar a ruptura para,
protegia fora das Arcadas. Reza a lenda que um dos
depois, controlar os acontecimentos por meio de
últimos chaveiros foi o jurista Geraldo Ataliba.
seus membros colocados em posição proeminente
Segundo Herbert Carvalho, em “A Herança na direção do Estado. Entre os 133 participantes
Liberal de Júlio Frank”, de acordo com o Pacto da Convenção Republicana de Itu, em 1873, que
Fundamental da Bucha, a semelhante de um estatuto, resultaria na criação do Partido Republicano Paulista,
descreve o ritual de admissão do candidato, que era predominavam bucheiros como Campos Salles,
semelhante ao de um clube fechado, assim como suas Francisco Glicério, Américo de Campos e Rangel
obrigações. Após ser proposto por outros membros Pestana. Estes últimos figurariam, ao lado de Júlio de
e sendo aceito, passaria a pagar mensalidades, que Mesquita, entre os fundadores, ainda, na década de
variavam de acordo com o nível hierárquico, a saber: 1870, do jornal “O Estado de São Paulo”, que seria
catecúmenos, crentes e apóstolos, estes, apenas, uma espécie de órgão oficial da Bucha, que, em suas
em doze, no nível mais elevado. As semelhanças páginas se publicaram, entre os anos de 1916 e 1919,
com um clube, porém, terminavam aí. O bucheiro as notícias sobre a Festa da Chave, que reunia, no
aceito era iniciado numa sessão secreta e tinha de pátio da faculdade, juntamente, com os alunos, as
fazer o seguinte juramento: “Juro pela minha honra, principais autoridades do estado.
jamais, revelar a quem quer que seja, o que me vai
Uma dessas notas informa que, no dia 2 de
ser confiado hoje. Serei o mais infame dos homens se
dezembro de 1916, “o bacharelando Júlio de Mesquita
faltar a esse meu juramento”.
Filho entregará a Chave ao quartanista Abelardo
Da Bucha, originou-se uma verdadeira mística Vergueiro César”. A Chave representava o poder
congregando alunos e antigos alunos das Arcadas, supremo na Bucha, e o Chaveiro era substituído,
até nossos dias, por meio do Centro Acadêmico XI anualmente, numa festa que, no auge do predomínio
de Agosto e a Associação dos Antigos Alunos. E político da Bucha, chegou a ser pública.
mais, esse espírito de solidariedade praticado pelos
Logo depois de 15 de novembro, a Comissão
“invisíveis”, membros da Bucha, que, de maneira
dos Cinco, encarregada de elaborar o anteprojeto
velada e anônima, amparavam os estudantes que

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da Constituição republicana, tinha três bucheiros Ourique (entre os fundadores e primeiros membros
entre seus membros – Saldanha Marinho, Américo da Associação); depois, não por ordem cronológica:
Brasiliense e Santos Werneck, de acordo com Afonso Rui Barbosa, Barão do Rio Branco, Afonso Pena,
Arinos de Melo Franco (também, bucheiro e filho Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues
de bucheiro), na biografia que escreveu sobre o Alves, Wenceslau Brás, Visconde de Ouro Preto,
presidente Rodrigues Alves. Os três ministros civis Visconde do Rio Branco, Pinheiro Machado, Assis
mais proeminentes do governo provisório encabeçado Brasil, Francisco Otaviano, João Pinheiro, Afrânio de
pelo marechal Deodoro da Fonseca eram da Bucha: Melo Franco, Pedro Lessa, Bernardino de Campos,
Ruy Barbosa (Fazenda), Campos Salles (Justiça) e Américo Braziliense, David Campista, Washington
Quintino Bocaiúva (Negócios Estrangeiros). Luiz, Altino Arantes, Frederico Vergueiro Steidel, Júlio
Mesquita Filho, Cândido Mota, Bias Fortes, Paulo
A ligação entre Maçonaria, Bucha, as Arcadas
Nogueira Filho, José Carlos de Macedo Soares,
de São Francisco e toda uma influência refletida
César Vergueiro, Henrique Bayma, Spencer Vampré,
no Direito, que se consumara com o positivismo
Sebastião Soares de Faria, Antonio Carlos de
filosófico de Comte, através de Benjamim Constant,
Abreu Sodré, Francisco Morato, Waldemar Ferreira,
que, também, era bucheiro, reuniu nomes de grande
Alcides Vidigal, Rafael Sampaio de Rezende, Arthur
importância no cenário político-jurídico dos Séculos
Bernardes, Abelardo Vergueiro César, Álvares de
XIX e XX e os identifica como Maçons e/ou bucheiros.
Azevedo, Castro Alves, Fagundes Varela, José Tomás
José Castellani afirma que Antônio Carlos Pinto de Cerqueira, dentre outros.
- sobrinho de José Bonifácio de Andrada e Silva -
Embora tantos ilustres tivessem passado pela
Venerável Mestre da Loja América, em São Paulo,
Faculdade de Direito do Largo de São Francisco,
era “lente” da Faculdade de Direito e Rui Barbosa,
a nenhum deles fora concedido a honra de ser
seu aluno. Apesar disso, este, assumindo o cargo de
sepultado no interior da Velha Academia. Somente,
Orador da Loja, entrava, muitas vezes, em choque
a uma pessoa coube tal glória, embora não fosse
com a opinião do mestre, em Loja, principalmente,
aluno, professor de Direito e nem mesmo brasileiro.
em torno do movimento pela Abolição da Escravatura
O fundador da “Bucha”, Júlio Frank, recebeu essa
no Brasil, expondo suas ideias e fundamentando a
honraria, perpetuada no pátio das Arcadas, onde
sua discordância, com absoluto destemor, apesar
seus restos permanecem em um túmulo imponente
de se expor a represálias no âmbito da Faculdade.
com ricos significados esotéricos, tombado pelo
Felizmente, Antônio Carlos era um homem de grande
Patrimônio Histórico. O pátio das Arcadas era um foco
equilíbrio e descortino e entendeu as razões do seu
de intelectuais, e conforme relata o Prof. Almeida Jr.,
aluno, jamais, levando assuntos de Loja para outros
propiciava o surgimento dos grandes intelectuais e a
locais.
formação da unidade nacional brasileira.
Maçons e bucheiros encontravam na
Faculdade de Direito de São Paulo um campo propício
para suas participações, funcionando a Bucha, como
menciona Luiz Gonzaga da Rocha, como forma de
captação para a Maçonaria.

Como narra o Jornal Carta Forense, com o


tempo a sociedade ia se tornando cada vez mais
forte, ao ver seus membros pertencendo aos mais
altos cargos do Império e da vida pública brasileira.
Pertenceram à Bucha os nomes mais importantes
do Império e da República Velha, além, obviamente,
dos mais representativos professores da Faculdade
de Direito de São Paulo: Paulino José Soares de
Souza (visconde do Uruguai), Pimenta Bueno, Manuel
Alves Alvim, Joaquim José Pacheco, Ildefonso Xavier
Ferreira, Vicente Pires da Motta, Antonio Augusto
de Queiroga, Antonio Joaquim Ribas, Mariano
Rodrigues da Silva e Melo, Alexandrino dos Passos
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O Rito Escocês
Antigo e Aceito
chega à França
1804
O
conde de Grasse Tilly, chegado de volta dos ocupada por Mauduit, restaurador, e ali celebraram
Estados Unidos, não conseguiu permanecer, suas assembleias. Grasse Tilly estabeleceu sua base
em 1803, na ilha de São Domingos, colônia de atuação na Loja Santo Alexandre da Escócia,
francesa nas Antilhas, devido à revolução que levou independente, autoproclamada Loja-mãe escocesa da
o povo local a se declarar independente da França França e que tinha por venerável, Godefroy de la Tour
nesse ano. Grasse Tilly participara da criação e d’Auvergne. Em pouco tempo o conde elevou ao grau
instalação do Supremo Conselho de Charleston, em 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito grande número
31 de maio de 1801, do qual era delegado. Obteve de maçons, realizando frequentes sessões de um
uma patente desse Supremo Conselho para fundar Supremo Conselho provisório.
o Supremo Conselho de São Domingos, o segundo
Grasse Tilly estipulou valores monetários
nas Américas. Nessa colônia havia grande número de
baixos para a concessão dos graus superiores aos
maçons franceses com propriedades, que exploravam
maçons interessados, independente dos méritos e
a plantação de cana de açúcar. Diante da revolução
da instrução. Convocados os grandes Oficiais do rito
vitoriosa de Jean Dessalines, em 1803, que venceu
para o dia 12 de outubro de 1804, constituíram-se
aos franceses e deu autonomia constitucional para
no Grande Consistório e convocaram para o dia 22
o novo país, a partir de 1804, sob a denominação
a assembleia geral de todos os membros das Lojas
de Haiti, e tendo perdido a posse das propriedades
escoceses com o objetivo de procederem à formação
que havia herdado de seu pai na ilha, Grasse Tilly
de uma Grande Loja. Isso aconteceu, efetivamente,
viajou de volta para a França, em 1804. Em Paris,
na data fixada, no local de reuniões da Loja filosófica,
acompanhado de Delahogue, seu sogro e do notário
constituindo-se aquela sob a denominação de Grande
Hacquet dedicou-se a trabalhar pela divulgação do
Loja Geral Escocesa de França do Rito Escocês
novo rito e organizar iniciativas visando reforçar a
Antigo e Aceito, que contou com a adesão de todas
situação das Lojas escocesas na França.
as Lojas escocesas, decidindo-se que sua sede seria
O Grande Oriente de França, inquieto com em Paris. Elegeram-se 49 dignitários e foi proclamado
os progressos do escocesismo, combateu-o com Grão-Mestre o príncipe Luís Napoleão, sendo
todos os meios ao seu alcance. Chegou ao ponto escolhido seu representante o conde de Grasse Tilly.
de conseguir despejar as Lojas escocesas de todos
O Rito Escocês Antigo e Aceito chegou à
os locais com atividades maçônicas existentes em
França como saíra dos Estados Unidos: com 30
Paris. As Lojas alugaram, então, o subterrâneo de
graus próprios e três graus das Lojas azuis locais
uma casa em boulevart Poissonniere, que havia sido
Revista Arte Real nº 73 - Mai/16 - Pg 07
completando o total de 33. A Grande Loja Geral Grande Loja Escocesa de França e a proclamaram.
Escocesa de França veio para jurisdicionar, também, Como prova da sua adesão à dinastia imperial, a
as Lojas azuis e decidiu-se pelo Rito Antigo e Aceito Grande Loja Escocesa nomeou Sereníssimo Grão-
para os três primeiros graus. Adotou os rituais Mestre, Sua Alteza imperial o príncipe Luís, Grande
manuscritos de 1765, sendo adaptadas algumas Condestável do Império. Sob tão favoráveis auspícios
passagens nas cerimônias de Iniciação. A abertura e trabalharemos zelosamente ocupando-nos na nobre
o encerramento das Lojas permaneceram os mesmos arte da Maçonaria, não podendo realizar menos que
no Rito Antigo e Aceito e no Rito Escocês Antigo e os maiores e brilhantes progressos. Longe de lançar
Aceito, em 1804. o anátema contra os maçons que permanecem
indiferentes ao Rito Escocês, a Grande Loja se
Os integrantes da nova Grande Loja redigiram
mostrará, sempre, disposta a recebê-los em seu seio
as leis para o seu funcionamento, onde se destaca:
e se esforçará para estabelecer correspondência com
“Uma nova era brilha em França para a Maçonaria
todas as Lojas e Capítulos regulares de França e com
Escocesa, durante muito tempo perseguida. Suas
todos os Grandes Orientes estrangeiros...”.
adversidades têm chamado a atenção dos maçons
mais cultos e mais profundamente Iniciados, que A Grande Loja Geral Escocesa nasceu com
tenham levantado a bandeira escocesa, sob a qual autoridade sobre os altos graus do Rito Escocês
se colocaram as pessoas mais ilustres da Franco- Antigo e Aceito e, também, sobre as Lojas azuis dos
maçonaria. Estas, por sua posição civil e militar, três primeiros graus, perfazendo a jurisdição sobre os
estão chamadas a cercar e defender o trono do 33 graus do Rito Escocês Antigo e Aceito na França,
império francês. Reunidas em assembleia geral no em 24 de outubro de 1804, quando foi promulgada.
templo da Loja-Mãe Escocesa de Santo Alexandre
de Escócia, que substitui a Loja do Contrato
Social, e portadoras dos poderes da Grande Loja Este texto foi publicado no site – Oficina de Restauração do Rito
metropolitana de Heredom, fundaram, em Paris, a Escocês Antigo e Aceito - www.oficina-reaa.org.br

Revista Arte Real nº 73 - Mai/16 - Pg 08


Origem do
Tratamento
“Bode”
Impingido
ao Maçom
Almir P. Borges

D
iversas são as versões da origem do apelido disse-lhe o rabino. É que o bode é um ser confiável, já
de “bode” impingido aos maçons. Apenas, que não fala. A confissão fica ainda mais segura e seu
para esclarecer, apesar de a ciência de todos, segredo não será revelado a ninguém.
bode trata-se de um animal do tipo caprino, sendo a
região Nordeste onde a criação desse tipo de animal é A Igreja Católica, anos depois, introduziu em
predominante. Sua carne é apreciada na grande maioria seu ritual, o confessionário, com o voto de silêncio por
dos estados brasileiros, mais pela disseminação de parte do padre Confessor, porém, não se tem notícia se
nordestinos por todo o país. A origem desse apelido aos foi o Apóstolo Paulo que introduziu esse ritual na Igreja.
maçons, nasceu dentro da própria Maçonaria, a partir Tendo com esse ato da confissão, aliado ao voto de
do ano 1808. Porém, para sabermos o seu significado, silêncio, o povo passou, então, a confessar suas faltas,
teremos que retroagir na história. ou pecados aos padres. Na atualidade, a confissão,
com a duvidosa confiança junto aos padres Confessos,
Por volta do ano 3 d.C., os apóstolos de Cristo diminuiu em muito os confessores e confessionários,
saíram mundo afora, com a finalidade de divulgar o chegando quase que à extinção na Igreja Católica.
Cristianismo, tendo alguns viajado para o lado judaico
da Palestina. Lá, curiosamente, notaram que era comum Voltando a 1808, na França do Imperador
ver um judeu falando ao ouvido de um bode, animal que, Bonaparte, que, após o golpe de 1818, quando Brumário
também, era muito comum naquela região, assim como se apresentou como o novo líder político daquele país,
o é no Brasil. Interessados para saber o porquê daquele a Igreja se uniu a ele e começou a investigar todas as
monólogo, os apóstolos não obtinham resposta, uma vez instituições que não faziam parte do governo ou da
que ninguém se prestava a dar informações a respeito. Igreja. A Maçonaria, que era uma instituição presente
Com isso, aumentava cada vez mais a curiosidade dos à época, teve seus direitos suspensos e seus Templos
representantes do cristianismo em relação àquele fato. fechados, ficando proibida de se reunir. Não obstante,
alguns irmãos abnegados e de fibra, passaram a se
Porém, de certa feita, o apóstolo Paulo, reunir na clandestinidade, tentando modificar a situação
conversando com o rabino de uma aldeia, foi informado do país.
de que o ritual era usado para a justificação de erros. Isto
é, fazia parte da cultura dos judeus relatarem a alguém Naquela época, vários maçons foram presos
de sua confiança, quando cometia, ainda que escondido, pela Igreja e submetidos a processos de inquisições
seus erros ou pecados. Acreditavam, com isso, que se rígidos. Porém, a Igreja, nunca encontrou um covarde ou
outro soubesse ficaria com a sua consciência aliviada, delator entre os maçons, chegando ao ponto de um dos
achando assim que estaria dividindo seu sentimento inquisidores dizerem a seus superiores a seguinte frase:
de culpa, ou mesmo o problema (pecado), com aquele “Senhor, esse pessoal, (referindo-se aos maçons) parece
outro. Paulo, insatisfeito com aquela explicação, bode, por mais que os flagele, não consigo arrancar-lhes
perguntou ao rabino: “por que o BODE?” Explicando, nenhuma confissão”.

Revista Arte Real nº 73 - Mai/16 - Pg 09


A partir de então, todos os maçons eram tratados
de BODE. Por não confessarem sob qualquer pretexto,
os segredos da Maçonaria. Porém, hoje, infelizmente, os
segredos da Ordem estão quase que vulgarizado, com
algumas exceções, como é o caso da palavra semestral.
Tudo por culpa de “alguns maçons”, que iniciaram, mais
por curiosidade ou para tirar algum proveito pessoal da
Maçonaria, o que é lamentável.

Perdoem-me, por este comentário, com


conotação de desabafo, pois, fui por diversas vezes
convidado para ingressar na Ordem, isso há mais de 20
anos, porém, rejeitava os convites, exatamente por conta
de tais indivíduos, que diziam serem maçons, quando na
verdade tratava-se de aproveitadores, com passado não
recomendável a um verdadeiro maçom.

Não quero aqui afirmar que sou um exemplo de


maçom. Longe de pensar isso. Até porque, como ser
humano, não sou infalível. Entretanto, não me presto a
determinado tipo de comportamento praticado por alguns
que diziam serem maçons.

Agora, com razão, vão me perguntar: “Por que


entrou?” Entrei porque não acreditava que aqueles
malsinados não iriam continuar pertencendo a tão nobre
instituição, onde a sua grande maioria é composta de
pessoas de conduta irrefutável.

Lançamento
N
a 68ª Convenção Internacional da Sociedade Tenho, também, a honra de ser o criador de
Brasileira de Eubiose, realizada em São seu projeto gráfico, da capa e da diagramação. Além
Lourenço-MG, no período de 20 a 24 de de seu valoroso conteúdo, os valores arrecadados,
fevereiro de 2016, foi levado a efeito o lançamento do com sua venda, serão direcionados para custear
livro “Monumento Eubiose”. Tal obra literária é parte do a construção desse Monumento. Saiba mais em
projeto da construção de um Obelisco, com 11 metros www.monumentoeubiose.com.br
de altura, a ser erigido na cidade de Cuiabá-MT –
centro geodésico da América do Sul. Dentre outros
mistérios, aquele estado abriga um dos Sistemas
Geográfico do planeta, polos de irradiação de energias
sutis para a face da Terra e a humanidade. Todos
esses assuntos, e muito mais, estão revelados neste
importante livro, que te a autoria de um grupo de
diversos estudiosos no assunto, no qual me incluo.

Esta coluna “Lançamentos” é destinada, exclusivamente, aos escritores, a fim de que possam
divulgar o lançamento de seus Livros. Os interessados, por gentileza, façam contato conosco, pelo
e-mail redacao@revistaartereal.com.br e divulguem sua obra para os nossos mais de 33.000 leitores!

Revista Arte Real nº 73 - Mai/16 - Pg 10