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Fundado em 24 de fevereiro de 2007

Editorial __________________________________________________________________________________________

“É dever do discípulo, por amor e respeito ao próprio Mestre,


possuir a maior “vigilância dos sentidos” para não
fazer sofrer Aquele que lhe serve de Guia
na espinhosa vereda da Iniciação!”
Professor Henrique José de Souza

Iniciamos mais um ano e mantivemos acesa a chama da esperança de dias melhores.


O ano de 2007 passou como uma avalancha de infortúnios e de absurdos, diante de nossa
omissão. Assistindo ao espetáculo da queima de fogos, aproveitamos para, em pedidos,
transferir a responsabilidade de dias melhores para nosso Pai Celestial, como se fosse Ele o
culpado de tudo isso; de todo o karma que acumulamos de gerações em gerações.
A maioria de nós, descomprometida com o futuro, falaria: bem, pensaremos melhor em
tudo isso após o Carnaval, afinal, as crianças estão em férias, nossa Loja em recesso. Para
que nos preocuparmos com tudo isso agora?
E, assim, ano após ano, estamos construindo um mundo, cada vez, pior!
Este ano de 2008 traz, com ele, as eleições e, com isso, a oportunidade de mudanças. Quem vive insatisfeito com nossos
políticos (tal insatisfação é unânime) terá a chance de exercer sua cidadania e melhor escolher seu candidato.
A Democracia, em sua essência, é quase uma utopia. Um Sistema Político falido, que teve seu tempo e, com a entrada
da chamada Era de Aquarius, tende a dar lugar a um novo movimento, onde exista a participação direta de todos, para haver
uma Sinergia. Por isso, estamos publicando duas matérias sobre a SINARQUIA: uma, com esse mesmo nome, de autoria do
Irmão Leo Cinezzi; outra chamada “A Era de Aquarius e o Sistema Sinárquico”, a qual eu a assino, sendo um trabalho de
pesquisa sobre textos de vários autores.
Corroborando com as transformações provenientes da transição de Eras astrológicas, destaco a matéria de Roberto
Lucíola com o título “Sinais dos Tempos”, elucidando nossos leitores do momento atual.
De olho no presente, mas sem esquecer o passado, apresentamos um belo trabalho de nosso Irmão e escritor maçônico
João Ferreira Durão sobre o movimento maçônico, que resultou no “Dia do Fico”, matéria com esse mesmo nome.
Uma outra preciosidade é a transcrição do texto extraído do livro Os Arcanos Maiores do Tarô de G.O. Mebes, com o
título “Interpretação cabalística do Padre Nosso”. Já, na coluna Rito Maçônico, destacamos a matéria do Irmão e Acadêmico
Ubyrajara de Souza Filho sobre o Rito Schröder, enquanto brindamos nossos leitores com uma belíssima matéria sobre a Vida e
Obra de Yesus Krishna, na coluna os Grandes Iniciados.
Por fim, para coluna Reflexões, a matéria “Trabalhar com Alegria” nos levará a uma profunda reflexão sobre nossa
postura diante das dificuldades da vida.
A todos, uma boa leitura e um 2008 profícuo, repleto de Paz e Harmonia. Que tal leitura nos induza a uma reforma
interior, tirando-nos dessa inércia de atitudes e nos posicionando, de fato, como partícipes das modificações que o mundo
tanto clama.
Até a próxima edição! 
 
Arte Real ________________________________________________________________________________________

O Arte Real é um informativo maçônico virtual de publicação mensal que se apresenta como o mais novo canal de
informação, integração e incentivo à cultura maçônica em todo o Brasil, especialmente às Lojas do Sul de Minas de
Gerais.

Editor Responsável: Francisco Feitosa da Fonseca.


Diagramação e Editoração Gráfica e de Imagens: Francisco Feitosa da Fonseca.
Revisão: João Geraldo de Freitas Camanho
Colaboradores nesta edição: G. O. Mebes – João Ferreira Durão -
Leo Cinezi – Roberto Lucíola – Ubyrajara de Souza Fº.
Frases de Rodapé: Pensamentos do Professor Henrique José de Souza – fundador da
Sociedade Brasileira de Eubiose.
Contatos: artereal@entreirmaos.net ou feitosa@entreirmaos.net
Empresas Patrocinadoras: Aquecedores Solar Argus e Belosol – Arte Real
Software – Condomínio Recanto dos Carvalhos - CH Dedetizadora – CONCIV Construções
Civis - CFC Objetiva Auto Escola - Churrasqueiras ARKE – Escritor Flávio Vasques -
Lider Rio - Maqtem - Santana Pneus – SBS Mármores e Granitos - Sul Minas Laboratório
Fotográfico – Walmir Battu.
Distribuição gratuita via Internet.
Os textos editados são de inteira responsabilidade dos signatários.  Titular da Cadeira nº 11 da
Academia Maçônica de Letras,

  Ciências e Artes do Estado do Rio


de Janeiro.
Nesta Edição ________________________________________________________________________________

Capa – Movimento Sinárquico e a Era de Aquarius..........Capa Os Grandes Iniciados – Yesus Krishna................................9


Editorial...................................................................................2 Ritos Maçônicos – Apresentação do Rito Schröder...........10
Destaques - Sinarquia............................................................3 Trabalhos - O Fico................................................................12
Destaques – A Era de Aquarius e o Sistema Sinárquico........5 Reflexões – Trabalhar com Alegria......................................14
Destaques – Sinais dos Tempos.............................................6 Boas Dicas – Site / Livro/ Edições Anteriores...........14
Destaques – Interpretação Cabalística do Pai Nosso.............8

Destaques _______________________________________________________________________________

Sinarquia
Leo Cinezi

D isposto e com atenção aos infinitos comentários


que os IIr∴ tecem em favor de nossa Subl∴ Inst∴,
deparei-me com um mar turbulento e com ondas que
“Poder (do latim potere) é o direito de deliberar e
agir. Ter a faculdade ou a possibilidade de algo ou o império
de dada circunstância. Ter o domínio, a influência ou a força.
chegam a encobrir nossas cabeças. Este mar em fúria, Deter o direito de posse ou de jurisdição. Possuir os recursos e
que tentamos, incomensuráveis os meios. É ter a capacidade ou a
vezes, atravessar com nossas aptidão para algo.”
pequenas braçadas, não está Já a Autoridade transmite
assim por acaso. Ele reflete o que a mensagem de ordem sem dar
está ocorrendo nesta nova Era de razões ou algum argumento de
Aquário, onde nos encontramos justificação, e os indivíduos,
hoje, e faz referência direta a subordinados a essa autoridade,
turbulência em que todos os aceitam e obedecem sem questionar.
corpos, astrais ou não, estão. Temos o PODER de auxiliar,
A Era de Aquário é de Orientar, oposto à
caracterizada, também, por uma AUTORIDADE, que INTERFERE
época de transição. Transformações outrem, filosófica ou praticamente.
fantásticas que são, antes de mais Falando em INTERFERIR,
nada, necessárias em dado momento. um adendo: Inter+ferir, ou Ferir
O céu azulado, refletido internamente. Definitivamente, não
diretamente na água salgada do mar, tem a mesma conotação que poder.
remete-nos, mais uma vez, a Quem pratica a AUTORIDADE
compreender melhor o que, há anos, nesses casos subjetivos, em questões
é ensinado pela Tábua das Esmeraldas de Thoth: “O que de pensamentos e filosofia, de práticas e costumes, não
está em cima é como o que está embaixo e o que está em somente interfere no inter-relacionado, mas fere a si próprio.
baixo é como o que está em cima”. Já, nosso poder não pode ser dispersivo, tampouco
Visto desta forma, ouso afirmar que, assim como o disseminado ao léu. Tem que haver uma centralização desse
mar, o céu também se encontra em fúria. Está desordenado, poder. Canalizá-lo em uma só senda, como bem fazemos na
quase em um caos, mas crescendo exponencialmente a cada Cad∴ de Un∴.
segundo, sem sequer se preocupar com o tempo. Existem muitas maneiras de coordenar essa ação
A relação de Cronos (o Tempo) não é a mesma que a conjunta orientadora. Duas delas, opostas, devem ser
nossa e, portanto, fica inviável tentarmos acompanhar o ressaltadas: Anarquia e Sinarquia.
crescimento e a transformação nessa relação Macrocosmo e
Microcosmo. Basta-nos que atinemos para uma preocupação
específica: re-ordenação, re-organização, que podemos traduzir
como sendo ORIENTAÇÃO.
Orientar = Levar ao oriente (sempre lembrando onde
fica o V∴M∴), dirigir, corrigir, auxiliar em benefício. É, em
suma, uma privilegiada missão que, aliada a tantas outras,
completa o círculo de obrigações do ser e do M∴.
Justamente, acerca desse tema, é que tal Trabalho
transcorre. A forma pela qual podemos optar e opinar nessa
Orientação e qual poder temos para tal.
Primeiramente, é necessário trazer à tona um
discernimento que, muitas vezes, é dúbio: PODER.
Para muitos, cegamente equivocados e imersos no
lamaçal dos costumes mundanos e heranças profanas, que
ainda existem em demasia, o PODER fica facilmente
camuflado no conceito que dão à AUTORIDADE.
PODER, em nada se iguala à AUTORIDADE.
“Anarquismo é uma palavra derivada da raiz grega Iniciados, mas todos os que habitam nosso sistema e estão em
αναρχία — an (não, sem) e archê (governo) — e designa um nosso meio, diariamente. Basta que, para isso, cada um eleve
termo amplo, abrangendo desde teorias políticas a seu grau de consciência e atinja esse prismático sentimento,
movimentos sociais, que advogam a abolição do Estado que por nós é conhecido como fraternidade.
enquanto autoridade imposta e detentora do monopólio do Não uma fraternidade intelectual ou social, imposta
uso da força. Exemplificando, pelo capitalismo fervoroso, que
Anarquismo é a teoria libertária assola a humanidade, mas uma
baseada na ausência do Estado. De fraternidade branca, que religa
um modo geral, anarquistas são nossos corpos etéreos,
contra qualquer tipo de ordem amalgamando-nos em um só
hierárquica que não seja corpo e encaminhando-nos para
livremente aceita, defendendo uma senda ímpar e transparente,
tipos de organizações horizontais e porém com conteúdo valiosíssimo:
libertárias. Para os anarquistas nossa essência.
Anarquia significa ausência de O pensamento
coerção, e não ausência de ordem. individualizado é a maior erva
Uma das visões do senso comum daninha dessa nossa lavoura do
sobre o tema é, na verdade, o que MACROCOSMO. Enquanto, ainda,
se considera "anomia", ou seja, existirem pensamentos em nós,
ausência de leis. O anarquismo não que nos individualizem, seremos
se relaciona com a prática da os perenes, que sofrerão e arcarão
anomia. Os anarquistas rejeitam com essa involutiva e cabal síntese
essa denominação e o anarquismo, do que chamamos de VIDA. É
enquanto teoria política, nada tem muito melhor VIVER do que SOBREVIVER.
a ver com o caos ou a bagunça. As diferentes vertentes do Para que essa idéia nunca decline, necessário é que
anarquismo têm compreensões diferentes quanto aos meios nós, Homens Livres e de Bons Costumes, devemos trabalhar
para a abolição dos governos e quanto à forma de organização
com afinidade, comprometimento e regularidade. Em Loj∴,
social, que disso resultaria.” Por isso é tão confuso falar de um
criamos uma egrégora singular e cintilante, que tem o poder
sem descrever o outro. A Anarquia, muitas vezes, é acoplada a
de se elevar no mais alto do imaginável e, assim, encontrar-se
Maç∴ no conceito de liberdade. Mas só! com outras formadas, amalgamando-se. Por esse fato, em
Sinarquia é o Governo simultâneo de um Estado. É o todas as Lojas, há o costume de se reunir no mesmo horário,
Poder coletivo. Convém falar acerca de Sinergia, que é a às 20h, para que, nesse momento, todos os que estiverem com
simultaneidade de forças concorrentes; na Fisiologia, a seus Trabalhos Abertos e promulgando a mais pura energia
sinergia é a ação simultânea de diversos órgãos ou músculos, dessa egrégora universal, possam contagiar-se pelos seus
na realização de uma função. Em Sociologia, cabe dizer que é a místicos e benéficos poderes.
cooperação entre grupos ou pessoas que contribuem para
constituição ou manutenção de determinada ordem. Existe, Somos dínamos (vê-se pelo giro em Loj∴), produzindo
também, uma Teoria de Sistemas que diz ser a capacidade de ENERGIA PURA para fortalecer o universo todo. Somos,
realizar trabalho cooperativo. também, as baterias recarregadas por esse próprio dínamo, e,
A palavra “sinarquia” surgiu em 1882, quando Joseph por isso, sentimo-nos melhor após a Sessão. Às vezes, em que
Alexandre Saint Yves D'alveidre (Marquês de o oposto ocorre, quando saímos mais cansados (ou, ainda,
Alveydre) escreveu "Missão dos Soberanos" e "Missão dos piores) de uma Sess∴, podemos ter a certeza de que um elo
Operários". Com uma forma inédita e conceitual, sua idéia de está faltando, ou ainda, uma das sementes da romã não está
Sinarquismo era dedicada à história da era cristã. Pretendia tão saudável assim, podendo, com isso, contaminar as demais
mostrar os defeitos da usurpação do temporal pelo espiritual. e apodrecer o fruto como um todo.
Aos olhos de Saint Yves, a vontade popular traduz apenas os Pensemos coletivo, pensemos grande e sejamos um só.
sentimentos, as reações instintivas da massa social. Em Eu sou você e você sou eu. Somos todos partículas de um
oposição a isso, a Autoridade, semelhante à consciência mesmo corpo. Cabe a nós não deixarmos nunca essa idéia se
humana, faz eco dos princípios eternos da razão. esvair. E, nunca nos esqueçamos de que o que procura, meu
Finalmente, o poder é aquilo que os romanos Ir∴, nunca esteve mais distante que um palmo de você.
chamavam de “o Imperium”, isto é, a balança da justiça e o VITRIOL.
gládio que fere.  
O poder não deve ser confundido com Autoridade. Saint
Yves propõe a forma ideal de governo a que ele chama sinárquico,
de harmonia com os princípios eternos, pretende substituir a
oposição do Poder e da Autoridade, pela síntese dos dois.
A proposta é conhecida e compõe a teoria da
Maçonaria desde sua fundação. Mas sempre, na teoria é muito
mais simples. Já na prática, muitas vezes esquecemo-nos deste
rudimentar ensinamento de amalgamar o espiritual com o
material, governando orientadamente nosso universo
particular, com resultantes universais e, portanto macro
cósmicas.
Resumindo, o que quero dizer é que a Maçonaria tem o
PODER de ORIENTAR não só os que hoje se encontram
Destaques _______________________________________________________________________________

A Era de Aquarius e o Sistema Sinárquico*


"Reconstruir é o brado que nos compete: sim reconstruir o homem, o
pensamento, a moral, os costumes, reconstruir o lar, a escola,
o caráter, para que o cérebro se transmude ao lado do
coração. Só assim a humanidade se tornará digna
do estado de consciência que é exigido
pelo nova civilização."
Professor Henrique José de Souza

Francisco Feitosa

P rediz-se que a Era Aquariana será de fraternidade


universal, baseada na razão, onde será possível solucionar
os problemas sociais de maneira equitativa para todos e com
Antítese-Síntese. A Vontade provinha dos nobres e guerreiros;
a Realização, dos trabalhadores, servos, no caso; o Amor,
classe sacerdotal.
grandiosas oportunidades para o desenvolvimento intelectual e O espírito da Sinarquia era harmonizar o indivíduo com a
espiritual, dado que Aquarius é um signo aéreo, científico, sociedade, (dentro de camadas sociais não-estanques), onde o
intelectual, e o seu planeta regente, Uranus, é associado com a mais humilde servo poderia, um dia, ser guerreiro ou sacerdote.
intuição (conhecimento acima da razão) e percepções diretas do Na Alemanha, o movimento antroposofista, com Rudolf
coração. Em nível mundano, tal Steiner, propagou um tríplice
planeta rege a eletricidade e sistema de governo com o nome de
tecnologia. “Sinarquia”.
Por trás da história, existe No Brasil, em 1924, o
a História, que jamais foi contada Círculo Esotérico da Comunhão do
ao mundo profano. É aquela que Pensamento tentou difundir a
se desenvolve nos bastidores idéia. Em 1936, Sócrates Diniz e o
ocultos, onde os deuses, em forma General Pelio Ramalho tentaram
humana, através de Ordens lançar um movimento sinarquista,
Secretas, Colégios Iniciáticos e sem linhas definidas, porém
outros Movimentos, lutam para enveredaram pelo socialismo
libertar o homem dos laços de utópico e pela orientação marxista.
avidya (ignorância das coisas sagradas). Ainda, em 1936, na Faculdade Fluminense de Direito,
Grandes eventos político-iniciáticos, nascidos das é apresentada nova tese. Pensou-se, então, num sistema de
Cruzadas, por exemplo, procuraram desbravar caminhos com equilíbrio de forças, em que a luta de classe teria um sentido
o intuito de indicar à humanidade, o rumo para a felicidade ou construtivo, e, não, perturbador da ordem social. No entanto,
a Sinarquia. o movimento se debilitou, e o Estado Novo dispersou o grupo.
Ao longo das civilizações, a luta de classes entre A Democracia teve origem na Grécia clássica. Atenas e
oprimidos e opressores esteve presente nas transformações outras cidades-estados implantaram um sistema de governo
políticas, o que acabou gerando mudanças e até revoluções, por meio do qual todos os cidadãos livres podiam eleger seus
que modificaram a sociedade e a própria política. Essas governantes e serem eleitos para tal função.
transformações são condições essenciais para se chegar à Embora estejam notavelmente disseminadas no
SINARQUIA, que deve ser um produto do Estado de mundo de hoje e seja difícil encontrar argumentos
Consciência do Indivíduo. doutrinários contrários a elas que mereçam consenso, em
O homem, tal como Prometeu Acorrentado, por estar muitas áreas do mundo, as idéias democráticas não são postas
ligado a um rochedo e permitir que o abutre da ignorância roa em prática pelos sistemas políticos.
suas entranhas, perde de vista a luz ou o fogo do céu e acaba Se o Sistema Democrático se caracteriza pela liberdade
tendo que encenar uma nova peça teatral, no palco da vida. de pensamento, que resulta na liberdade de expressão, na
A “Vigilância dos Sentidos” é necessária para não igualdade de direitos, e, conseqüentemente, que veio a resultar
participarmos, apenas, como espectadores, da Grande Peça num Governo do povo, para o povo e pelo povo, a Sinarquia,
Teatral, Aquela bafejada pelo Avatara, embora Este já a esteja além disso, caracteriza-se pelo Elevado Conceito Hierárquico,
dirigindo há muito tempo. pelo Alto Conceito de Igualdade, pelo Perfeito Equilíbrio ou
Segundo Aurélio Buarque de Holanda, em seu Entrosamento entre o Poder Temporal Político-Social e o
dicionário, Sinarquia é: 1. O Poder comum ou compartilhado, Poder Espiritual.
especificamente com referência ao triunvirato em Roma; 2.
Governo exercido simultaneamente por vários chefes de um
Estado; administração coletiva.
Eduardo Visconti, assim, define a palavra Sinarquia:
“Governo de Conjunto”, de síntese. Como tal, existiu na China e na
Pérsia. Na China, a Sinarquia, de forma teocrática, deu séculos de
paz e prosperidade ao povo, até que foi destruída pelos tártaros.
Na Índia, falavam de um ser lendário – “RAMA” – o
Rei Divino, vindo da Terra sagrada de Agartha, que fez
florescer o regime com base na dialética divina da Trimurti:
Brahma-Shiva-Vishnu; Vontade-Realização-Amor; Tese-
No Regime Sinárquico o conceito hierárquico será encerra todas as concepções humanas.
bastante valorizado. A Ciência Esotérica ensina e a experiência A forma de governo ou sistema político-social mais
humana confirma que a perfeito, conquistado pela
Hierarquia é universal. Existe humanidade até o presente
um grão de areia e a maior de momento, foi o Sistema
todas as estrelas. Essa Democrático. Entretanto, diante do
compreensão levará o ser término do Ciclo de Piscis e o início
humano a um novo do Ciclo de Aquarius, diante da
comportamento, que será o seu entrada do 3º Milênio, quando
posicionamento dentro do que novas perspectivas evolucionais se
poderemos chamar de Ética apresentarão para a humanidade,
Sinárquica ou Ética do 3º quando faculdades superiores
Milênio. (mental abstrato, intuitivo e
O Regime Sinárquico, crístico) começarem a se
motivará o médico, o advogado, desenvolver no ser humano, o
o engenheiro, o pregador, o sistema Democrático, que tanto
professor a unirem e serviu à humanidade, já terá cedido
empregarem seus conhecimentos e suas forças para educar ao seu lugar, por necessidade do progresso e da evolução, ao
longo das linhas de menor resistência, que é o método da Sistema Sinárquico Universal.
natureza, para expressão plena da consciência superior do ser Convido nossos leitores a pesquisarem esse tema –
humano. Sinarquia – e refletirem sobre o momento caótico e transitório
Sinarquia é uma clareira luminosa, combatendo as que a humanidade está atravessando!
teorias de Estado forte, totalitarismo e submissão aos *Compilações de vários estudos sobre o tema
potentados imperialistas. Ela mobiliza as forças vivas da
Nação na luta da emancipação econômica, cultural e política.
São cooperativas de crédito, produção, consumo e cultura.
 
Desse modo, a Sinarquia realizaria o equilíbrio entre o
individualismo e coletivismo, afastando os três erros: o
Capitalismo, o Fascismo e o Comunismo.
A Sinarquia vê, na individualidade, a vontade humana
influenciando os acontecimentos. Característica esta que
distingue o homem evoluído de nossos dias, do ser
animalizado dos tempos primitivos. A Sinarquia toma o
indivíduo como tese, por sua faculdade espontânea de agir e
pensar.
Dentro do mais rigoroso agnosticismo, isto é, sem
dogmatismo, a filosofia da Sinarquia é uma verdadeira crítica
do conhecimento que progride com as descobertas da ciência,
gerando um constante adaptar-se da consciência à realidade
objetiva, numa dialética cético-relativista. Toda realidade
social equivale a uma atitude moral, a um feixe de princípios
filosóficos, uma arte etc. A Sinarquia, regime de síntese,

Destaques _______________________________________________________________________________

Sinais dos Tempos


Roberto Luciola*

A tualmente, a civilização está


enfrentando um sério paradoxo,
ninguém é capaz de modificar. Esse
será o grande desafio a ser vencido pela
nova Civilização patrocinada pelo
pois a ciência sem consciência,
escudada apenas no mental analítico, Avatara do 3º Milênio – o Excelso
desenvolveu apenas a tecnologia que Maitréia.
aliviou e facilitou o trabalho mais Segundo ensina a Sabedoria
penoso, mas, por outra parte, Iniciática das Idades, a essência
substituiu o ser humano por máquinas Espiritual dos Avataras é sempre a
gerando um grave problema social, mesma, embora se apresente com
que é o desemprego, a miséria e o formas materiais diferentes: na Era de
crime, principalmente entre os jovens. Peixes, apresentou-se na figura de
A humanidade está sofrendo as Jesus – o Cristo; na de Aquário,
conseqüências de seus atos em apresentar-se-á na figura de Maitréia
desarmonia com as Leis Cósmicas. Budha. A essência Espiritual do
Contudo, tudo indica o final de um Avatara assemelha-se ao que acontece
ciclo que já cumpriu o seu trabalho e com a cigarra, mudando de casca em
tem que ceder lugar a uma mudança radical, já em curso, que casca, embora seja sempre a mesma com novas roupagens.
Por isso, devemos, desde já, cultivar, em nossos já, o fim da fome no mundo. Tal movimento somente poderia
corações, o Amor Universal para nos sintonizar com o futuro ter origem no Brasil, por ser a Nação que vai liderar a evolução
imediato. Ao longo dos anos, está-se processando uma no Novo Ciclo, iniciando-se como Lei bem certa.
profunda transformação silenciosa da sociedade; conquistas
Individualmente, todas as criaturas, que lograrem
tecnológicas e científicas estão, cada vez mais, facilitando a
fazer desabrochar, em seu Chacra Cardíaco, a Consciência
vida e a saúde; movimentos em defesa do meio ambiente,
Búdhica e o conseqüente Amor
combate à fome e à miséria,
Universal, serão a expressão de
hoje, têm um caráter universal
Maitréia manifestado
e ocupam um lugar de
antropogenicamente. Para
destaque nos movimentos
atingirmos esse estágio, é
sociais. Tudo sinaliza para a
necessário que vençamos a
grande transformação da Era
inércia e a indiferença e
de Maitréia. São fatos novos,
marchemos, resolutamente,
que irão modificar os padrões
pelo caminho da Verdadeira
da sociedade, e aqueles
Iniciação, através do estudo, da
egoístas empedernidos, que
meditação e da prática
não se adaptarem à Nova
constante das virtudes.
Ordem, serão eliminados.
Somente, assim, entraremos em
Assim, determina a Grande
sintonia com a Era de Aquário.
LEI.
Não devemos esquecer-
Como já vimos
nos de que, ao longo de muitos
anteriormente, os mais
milhares de anos, a humanidade
poderosos dirigentes do Poder
nunca foi abandonada pelos
Material do Mundo já
Grandes Amorosos, Profetas,
delinearam as normas do
Yokanans, Avataras e Manus de todas as categorias. Esse
futuro. Em relação ao mundo místico, observamos que deverá
trabalho secreto e silencioso gerou muitos frutos benditos,
haver uma elevação acentuada do estado de consciência dos
milhares de Seres se iluminaram, tornando-se Homens
que vão implantar a instalação da Sinarquia Agarthina no
Perfeitos, Adeptos, Araths, Yocanans, Dhyanis, etc. Essa
Novo Mundo de paz e amor, representado por Maitréia. Todos
plêiade de Seres forma a estrutura básica da nova Civilização,
estarão trabalhando irmanados para o equilíbrio do planeta,
presidida pelo Excelso Planetário da Ronda, já presente entre
conforme preconizam os Iluminados de todos os tempos.
nós. Portanto, devemos estar sempre alerta para glorificar o
Entretanto, existem os pessimistas, mercadores de catástrofes,
fruto de tão sublime Obra.
que divulgam o fim do mundo. Na realidade, o que se opera
não é o fim do mundo, mas a sua transformação para algo *O autor dessa matéria, o sr. Roberto Luciola, foi membro
melhor, o fim da Era Negra, e não do mundo. Kaly-Yuga que da Sociedade Brasileira de Eubiose há mais de meio século,
chegou ao fim, conforme determinações das Leis Cósmicas. desenvolvendo, com excelência, as funções de Instrutor e
palestrante, deixando a face da Terra nos últimos dias do ano de
As criaturas, que preconizam o fim absoluto de tudo, 2004, ao qual prestamos uma justa homenagem.
são vítimas da sua própria ignorância, estão em desacordo
com o trabalho espiritual, realizado pelos Mestres da  
Sabedoria e pela Grande Fraternidade Branca sob a égide de
Maitréia, símbolo da Paz, do Amor e da Justiça. O fim será
daqueles violadores das Leis Divinas, que estão sob as vistas
dos Senhores do Carma, por violarem as Leis do Amor
Universal.
Devemos interpretar o simbolismo de Maitréia Budha
com responsabilidade, sem interferência da maia religiosa.
Assim, como manifestação de sua doutrina, profundas
mudanças sócioeconômicas já se estão operando no mundo,
principalmente no que diz respeito ao Brasil, onde os
corruptos e os inimigos do povo estão sendo processados
como criminosos comuns.
As transformações sociais e o avanço tecnológico já
sinalizam, em escala mundial, o fim do sentimento egoísta das
nações e do imperialismo. O mundo deverá marchar para uma
verdadeira globalização fraterna entre todos povos, raças e
religiões. Nesse sentido, o governo do Brasil preconiza, para

“A melhor maneira de se comportar na vida é não se preocupar nem


com o bem nem com o mal, mas com o Dever, pois aquele que
neste permanece, não tem tempo para ambas as coisas!”
Professor Henrique José de Souza
Destaques _______________________________________________________________________________

Interpretação Cabalística do Pai Nosso*


P ATER NOSTER QUI ES IN COELIS – (Pai
Nosso que estás no Céu), a invocação
corresponderá, por analogia, ao mais alto, ao que está
ET NE NOS INDUCAS IN TENTATIONEM – (e
não nos deixeis cair em tentação), oitavo pedido, ou:
livrai-nos dos encontros demasiadamente freqüentes com o
além de todas as Sephiroth da Segunda Família. O Arcano VI, tão perigosos para o resultado da nossa encarnação
próprio termo “in coelis” (no céu) aponta “o lugar” (Sephira Netzah).
Daquele a Quem é dirigida a prece, lugar mais elevado ... SED LIBERA NOS A MALO – (mas livrai-nos
do que o chamado "Horizon Aeternitatis" (Horizonte da do mal), o nono pedido, dizendo: e mesmo livrai-nos, se
Eternidade). Esta invocação está conforme a tese básica possível, do contato freqüente com clichês que poderiam
da teurgia, ao afirmar que cada oração se dirige ao Ain- atrair-nos à senda negativa (o mal), no campo do mencionado
Soph, e, não, a uma das Sephiroth ou algum órgão de Arcano VI (Sephira das Formas e clichês: Yesod). O "mal",
uma Sephira. A oração ascende através de todas as nesse pedido, é simplesmente uma personificação da
Sephiroth do Universo. Às vezes, ela pode ser reforçada tendência de deturpar, ao infinito, os reflexos do Absoluto. O
por um apelo a um intercessor, mas essa intercessão "diabo" esotérico, o "pai da mentira", é o pretexto que permite
desempenha o papel de um pequeno riacho, juntando-se criar, complicar e "aperfeiçoar" sempre a mentira.
ao rio e fluindo, também, na direção do incomensurável Nesta análise, vemos que a Oração do Senhor é uma
oceano de Ain-Soph. passagem através das nove Sephiroth
SANCTIFICETUR NOMEM TUUM –
(santificado seja Teu Nome), o primeiro pedido, que "Pai Nosso ao contrário" (que aparece no livro "O
significa: santificada seja a tua Coroa (Keter), isto é, o Grande Quinto Evangelho", de Rudolph Steiner).
Arcano de Tua Manifestação Emanacional no plano
metafísico. "Santificado seja" quer dizer que os místicos, na AUM, Amém!
sua busca, não perdem de vista o ápice do Triângulo Evolutivo. Reinam os males,
ADVENIAT REGNUM TUUM – (venha a nós o Testemunham o eu que se desprende,
Teu Reino), o segundo pedido, isto é, o reino da Harmonia A culpa pessoal, por outros provocada,
das Formas (Sephira Tiferet), tanto no coração de quem ora, Vivenciada no pão de cada dia,
como no Astrossoma do Universo. Em que nao atua a vontade dos céus,
FIAT VOLUNTAS TUA SICUT IN COELO – (que Pois o homem se apartou do vosso reino,
Tua vontade seja feita no Céu), terceiro pedido, que E esqueceu os vossos nomes,
significa: inclino-me diante da Grande Lei, Iod-He-Vau-He, do Ó Pai, que estais nos céus
mundo metafísico, o meu mental aspirando participar na Segundo Steiner, Jesus inverteu-a (dando origem ao
aplicação dessa Lei (esfera da Sephira Binah, que contém em Pai Nosso convencional) porque o homem da Nova Era não
si a Razão das coisas, regida pela Lei mencionada). deveria mais referir-se às muitas entidades espirituais das
... ET IN TERRA – (como na Terra), quarto hierarquias, e sim ao ser espiritual Uno. E, também, porque
pedido, que quer dizer ... e na criação astral de manifestações agora deveria procurar, de baixo para cima, o caminho para os
éticas, conforme a Lei, da Sephira da Justiça (Geburah). mundos espirituais.
PANUM NOSTRUM QUOTIDIANUM DA NOBIS
HODIE – (o pão nosso de cada dia dai-nos hoje), quinto *Publicado no livro "Arcanos Maiores do Tarô", de G.O.
pedido. O que é o "pão de cada dia"? O "pão" é a possibilidade Mebes, Editora Pensamento, págs 169 e 170.
de conhecer a vida através da forma, das experiências "de cada  
dia". "Hoje", quer dizer, desde a última escolha do caminho
(do Arcano VI) e até a escolha seguinte. O pedido, como
podemos ver, refere-se à vida na Sephira Hod, o período de
repouso que se segue às tentações e à Vitória.
ET DIMITTE NOBIS DEBITA NOSTRA – (e
perdoa as nossas faltas), o sexto pedido significa: aplique a
nós o Princípio da Sabedoria expansiva (Sephira Chocmah) ...
... SICUT ET NOS DIMITTIMUS DEBITORIBUS
NOSTRIS – (assim como nós perdoamos aos nossos
devedores), o sétimo pedido cuja significação é: ... que esta
possa se refletir em nossos astrossomas, como Misericórdia
para com nosso semelhante (Sephira Chesed).

“O processo de evolução é longo. O estudante de ocultismo não deve sentir urgência


em sua própria salvação. Pense ele no dever que assumiu perante a LEI,
em ser digno dela. O resto virá com ou sem urgência, mas virá”
Professor Henrique José de Souza
Os Grandes Iniciados _____________________________________________________

Yesus Krishna
Francisco Feitosa

E ssa coluna visa trazer à luz o grandioso trabalho


dos excelsos Seres da Grande Fraternidade Branca,
responsáveis pelas diretrizes da evolução da
iluminar o homem e contribuir para sua salvação. Por esse
motivo, atribuiu-se a Krishna o papel de guia ou condutor do
carro de Arjuna, seu discípulo, no Campo de Batalha. Arjuna é
humanidade. a representação do homem, melhor dizendo, da Mônada
Os Avataras ou Avatares, como queiram, aparecem de humana, como vem a provar o próprio significado de NARA
tempos em tempos por razões e em circunstâncias especiais. (homem), um dos vários nomes de Krishna.
Toda vez que o materialismo exacerbado leva a humanidade à Ele é designado com vários nomes: Varudeva – o filho
confusão e à desordem, estabelecidas por falta de justiça de Vasudeva; Yadava – o descendente de Jadu; Hrichikeza – o
social, e a ordem e a evolução espiritual ficam comprometidas; de cabelos ondulados; Kezava – o de abundante cabeleira;
sempre que a sociedade humana mergulha no egoísmo, sendo Govinda – vaqueiro ou pastor; Kezinichudana – o matador de
cruel e brutal com os seres Kezin; Madhusudana – o
vivos, e a irreligião ou matador de Madhu.
Adharma é prevalecente; Do Bhagavad-Gita,
quando os fundamentos extraímos um trecho das
sociais e as organizações palavras de Krishna,
se indeterminam, então, preciosa jóia, como tema
os Avataras aparecem para meditação de nossos
para estabelecer o Dharma leitores:
e restaurar a paz. “Eu estou em cada
Todos os povos religião, como um fio
antigos receberam a graça através de um colar de
da presença de Instrutores pérolas. Sempre que vejas
Celestes – os Avataras. extraordinária Santidade
Assim, os babilônios e extraordinário poder
tiveram a orientá-los brotando e purificando a
Hamurabi; os assírios, humanidade, saibas que
Sargão II; os persas, ali estou Eu”.
Zoroastro; os semitas, Quando os
Abraão, Davi, Moisés e ensinamentos védicos
Salomão; os fenícios, o Rei foram completamente
Badezir e seus filhos; os esquecidos pelo povo e, em
egípcios, Hermés, o Manu, seu lugar, surgiram as
que deu início àquela civilização, além do Avatara Tutmés III e grandes aviltações da idéia-mãe, Krishna, criado por ascetas
Nereb-Titi. Também, no Egito, no ano de 1314 a. C., apareceu que viviam retirados junto ao Himalaia, saindo de seu
o Avatara Kunaton ou Amennófis IV e Nefer-Titi. isolamento, renovou a religião primitiva.
Em breves linhas, passaremos a apresentar uma A história de sua vida e os princípios por ele
compilação de diversos textos sobre a vida e Obra do Avatara defendidos são conservados até hoje em Livros Sagrados, nos
Yesus Krishna, nome bem parecido ao do avatara da Era de santuários do Sul do Industão. Como Jesus, Krishna,
Piscis, conhecido como Jesus Cristo, embora seu excelso nome acompanhado de discípulos, saiu a pregar pelas vilas e
fosse Jeoshua Ben Pandira. cidades, sacrificando-se para implantar a doutrina. Alguns
Quando os yonidjas estavam mergulhados na mais historiadores atribuem a ele a autoria de dois livros sagrados
profunda noite do obscurantismo de decadência imperial, da coleção religiosa da Índia: Ramayana e Mahabârata.
despontou, nos áureos horizontes daquele torrão indiano, o Outros, por falta de comprovação efetiva, julgaram mais
esplendoroso Sol Nascente, com seus raios fulgurantes. prudentes reputá-los como de autor desconhecido.
Krishna manifesta-se com o fulgor da mente, com a magnitude
do coração e a onipotência de seu Pai, o Eterno, a fim de
restabelecer o mito solar, ou seja, restaurar o Império
Sinárquico e salvar os yonidjas decaídos. Surge uma nova
ordem das coisas. O mundo começa a respirar um “ar mais
puro”.
Krishna foi a mais célebre avatarização de Vishnu, o
“Salvador” dos hindus, e seu Deus mais popular. É o oitavo
Avatara, filho de Devaki e sobrinho de Kansas, o rei Herodes
hindu. Este, enquanto o procurava entre os pastores e
vaqueiros, que o mantinham oculto, fez matar milhares de
recém-nascidos.
Era filho de Vasudeva e da Virgem Devaki e primo de
Arjuna.
No Bhagavad-Gita, Krishna é a representação da
Divindade Suprema, o Atmã ou espírito imortal, que vem para
Ramayana significa “As Aventuras de Rama” e relata, espiritual. Krishna forneceu a resposta mais sábia à pergunta
em cerca de 24 mil estâncias, as façanhas do deus Vishnu, o constante e milenar dos que reclamam a elucidação da
preservador, quando, em sua sétima encarnação, apareceu essência e dos desígnios de Deus: “Só o Infinito pode
como o príncipe Rama, para salvar a humanidade. compreender o Infinito. Somente Deus pode compreender
Mahabârata ou “A Grande História dos Irmãos” narra Deus”. Selando sua obra com o próprio sangue, deixou a Terra,
os acontecimentos de outra encarnação de Vishnu, como legando à Índia a mais bela e verídica concepção do Universo e
Krishna. É de difícil entendimento, expondo tanto a doutrina da vida. Nesse ideal superior, ela se manteve durante milhares
quanto os acontecimentos históricos do país. O Mahabârata de anos.
ficou famoso e até hoje é consultado, mesmo fora da Índia, O Avatara vem para desvelar a natureza divina nas
devido ao relato do 18º dia de uma batalha, durante o qual o pessoas e fazê-las despertar sobre a insignificante vida
general Arjuna discute com seu cocheiro Krishna o significado material de paixão e egoísmo. O Avatara é manifestação
da vida e da morte.Tal narrativa é conhecida como Bhagavad- terrena da Divindade a fim do restabelecimento da Lei que a
Gita, ou A Sublime Canção da Imortalidade. tudo e a todos rege.
Krishna, além de renovar os princípios, emprestando- Os tempos são chegados e, diante da decadência das
lhes uma cara nova, poética e mais atualizada para a ocasião, instituições, da família, principalmente, e das absurdas
falava aos discípulos de sua missão, aconselhando-os a inversões de valores dos dias atuais, cabe-nos uma reflexão
guardar silêncio sobre as verdades apreendidas com ele: profunda sobre o tema, para não ouvirmos novamente: “Ele
“Revelei-vos os grandes segredos. Não os digais senão habitou entre vós e vós não O reconhecestes!”
àqueles que os podem compreender. Sois os meus eleitos, Na próxima edição, falaremos sobre Hermés – o
vedes o alvo; a multidão só descortina uma ponta do Trismegisto.
caminho”. Por essas palavras, fica compreendido que, desde
então, já os mestres pregavam simbolicamente ao povo,
 
reservando a poucos escolhidos os segredos dos mistérios.
As pregações populares de Jesus se assemelham muito
às de Krishna. Eis apenas duas delas, para mostrar tal
similaridade: “Se conviveres com os bons, teus exemplos
serão inúteis; não receeis habitar entre os maus, para os
conduzir ao bem”. Quando os fariseus criticavam Jesus por
comer com os publicanos e pecadores, ele disse: “Não são os
homens de boa saúde que necessitam de médico, mas sim os
enfermos. Não vim chamar à conversão os justos, mas sim os
pecadores”. “As obras inspiradas pelo amor de nossos
semelhantes são as que mais pesarão na balança celeste”.
Esta máxima representa o “Amai-vos uns aos outros”, de
Jesus.
Todos os ensinamentos de Krishna traduzem nada
mais do que os fundamentos védicos, que, ponderados e
meditados, podem trazer luz à alma, permitindo ao homem
encontrar o caminho adequado para seu crescimento

Ritos Maçônicos _________________________________________________________________

Apresentação do Rito Schröder


Ubyrajara de Souza Filho

O s Rituais de Schröder foram aprovados por unanimidade, em


29 de junho de1801, na Magnífica Sessão, em que os
Veneráveis Mestres das Lojas de Hamburgo estavam
como um profundo conhecedor da História e dos Antigos Rituais
da Maçonaria. Para a elaboração de seus rituais, examinou outros
dos diversos sistemas de graus complementares, que
reunidos em uma Assembléia Geral da Grande Loja proliferavam na Europa daqueles tempos.E dedicou
Provincial de Hamburgo e da Baixa-Saxônia, filiada especial atenção aos livros “As Três Batidas
à Grande Loja de Londres. Esse fato, por si só, atesta Diferentes na Porta da Mais Antiga Franco-
a regularidade e a importância que o novo Ritual Maçonaria” (The Three Distinct Knocks at the Door
teve já no seu nascimento oficial. Seu idealizador, o of the Most Ancient Freemasonry), que considerava o
Irmão Friedrich SCHRÖDER, ocupava o cargo de mais antigo ritual maçônico impresso. Ele entendia a
Deputado do Grão-Mestre, e as Lojas de Hamburgo Maçonaria como uma união de virtudes, e não uma
o adotaram por unanimidade. Por sua simplicidade sociedade esotérica. Por isso, enfatizou-se, no seu
e beleza, desde logo, conquistou numerosas Lojas ritual, o ensinamento dos valores morais e a difusão
em toda a Alemanha e em outros países, onde do puro espírito humanístico, dentro do verdadeiro
passou a ser praticado, principalmente, por maçons amor fraternal. Preservando a importância dos
de origem alemã e, logo, recebeu o cognome de seu símbolos e resgatando o princípio, que afirma ser “a
criador - RITO SCHRÖDER. verdadeira Maçonaria a dos Três Graus de São João”,
O Irmão Friedrich Ulrich Ludwig SCHRÖDER gozava de suas pesquisas o levaram a abolir os chamados “altos graus”, bem
grande prestígio como Maçom e como profano. Foi considerado como todo o ocultismo dominador da Maçonaria Alemã,
reformador da Maçonaria Alemã, reformador do Teatro Alemão – restaurando o Antigo Ritual Inglês, adaptando-o para a cultura e
introdutor de Sheakspeare no dramaturgia alemã - e reconhecido para o idioma germânico da sua época.
Fundamentado no HUMANISMO IDEALISMO e homem pode alcançar – “O CONHECIMENTO DE SI
expressando o essencial por símbolos, o RITO SCHRÖDER MESMO”. É nessa proposta que se encerra a peculiaridade do
dispõe sobre a Maçonaria como sendo “uma Instituição, que, Rito: o pensamento humanista da época, presente na maior
universalmente, congrega os homens inteligentes e livres, tendo preocupação com o exame intelectual, com destaque ao preparo
como finalidade a prática, o desenvolvimento e a difusão do mental do Iniciado e a ausência, no seu cerimonial, dos
mais puro espírito humanístico e tem como base de sustentação simbolismos místicos e esotéricos, tais como incensos, alquimia,
três pilares, que encerram, em si, superiores valores éticos: a lendas de cavaleiros (espadas, graal), etc.
simplicidade, a essencialidade e a moralidade”. A MORALIDADE, terceiro pilar, destaca-se em todos
A SIMPLICIDADE é a marca do Rito. Ela está presente os ensinamentos contidos no Ritual de Schröder. A ausência de
em suas alfaias, na decoração do Templo e em seu cerimonial, juramentos, o aperto de mãos, as mãos no ombro são passagens,
como por exemplo, no gesto de humildade do Venerável Mestre, que caracterizam, de forma marcante, o conteúdo moral do Rito.
que, no encerramento das Sessões, após a Cadeia de União, Alguns aspectos principais chamam a atenção de todos os
sozinho, saúda aos Irmãos presentes e é retribuído por todos. irmãos, que entram em contato com o Rito: a simplicidade da
As Jóias, usadas para identificação dos Oficiais da Loja, Liturgia e sua objetividade, que permitem aos trabalhos litúrgicos
são douradas e presas a um colar de fazenda uma excelente dinâmica, conforme se pode
azul claro, liso, sem decorações. constatar no resumo abaixo:
No Rito Schröder, existem os seguintes O cortejo de abertura dos trabalhos é
cargos: Venerável Mestre; 1º e 2º Vigilantes; conduzido pelo 1º Diácono, responsável pelo
Secretário e Tesoureiro (ELETIVOS) e 1º e 2º cerimonial da sessão, cabendo ao 2º Diácono
Diáconos; 2º Diácono Adjunto (Guarda do cumprir o primeiro dever de um Maçom em
Templo); Mestre de Harmonia e Preparador Loja. É ele quem dá as batidas na porta do
(ESCOLHIDOS PELO VENERÁVEL MESTRE) Templo, repetidas pelo Guarda do Templo, pelo
O Orador é um cargo preenchido em lado de fora. De imediato, o Venerável Mestre
cada seção, por escolha do Venerável Mestre. solicita a abertura do Tapete, realizada pelos
Ele “não é o fiscal da lei, nem dá legalidade Diáconos. Passa, então, ao 1º Diácono a vela
aos trabalhos”, somente dá as boas vindas aos auxiliar, previamente acesa, que acende as
visitantes, comenta os trabalhos apresentados, demais, representando que todas tiveram
dá parabéns aos iniciados, etc. Em sessões origem de uma única luz.
econômicas, em que não haja visitantes, a Loja O Venerável Mestre e os Vigilantes,
poderá funcionar sem a figura do Orador. postados em volta do Tapete, acendem as velas
No Rito Schröder, todos portam o de suas respectivas colunas, com palavras
chapéu como símbolo de igualdade. O avental relativas ao princípio criador. Voltando aos
de Aprendiz é todo branco, com a abeta seus lugares, tem início o catecismo relativo às
levantada; no de Companheiro, a abeta é atribuições dos Oficiais e, finalmente, a prece
baixada e circundada por uma fita azul; e o de Mestre é branco, com a abertura do trabalho.
sem enfeite algum, com a fita azul circundando-o, assim como na Com a loja aberta, o Venerável Mestre determina a leitura
abeta. O Venerável Mestre e os Ex-Veneráveis usam o mesmo da ata dos trabalhos anteriores e anuncia os trabalhos, que se
avental de Mestre. O que os diferencia em visitas às Lojas co- seguirão de acordo com a ordem-do-dia; que completada a
Irmãs é o uso da Jóia de Visitação, colocada na lapela do paletó, mesma, tem início o encerramento dos trabalhos. Dele constam: a
junto ao botton da Loja, para que os identifiquem como “Mestres palavra a bem da Loja e da Maçonaria em geral, observando-se que
Instalados”. o 2º Vigilante é quem organiza a “ordem” da liberação da fala (O
O Templo para a prática do Rito Schröder não é o de irmão, de qualquer lugar do templo, solicita a palavra, senta-se e
Salomão. È um “reservado”, onde se reúnem os obreiros que aguarda a autorização do Venerável Mestre após o anúncio do 2º
participam da construção do Templo, e, praticamente, requer Vigilante); recolhimento dos óbolos pelo 2º Diácono; declaração de
apenas uma sala fechada, as Grandes Luzes sobre o único Altar encerramento dos trabalhos pelo Venerável Mestre; fechamento da
(do Venerável), as pequenas Luzes sobre três colunas-castiçais Loja pelo 1º Vigilante, que, depois de extintas as velas das colunas,
em torno doTapete, os Oficiais com seus instrumentos de determina o dobramento do Tapete. Após a Cadeia de União,
trabalho e suas respectivas mesas e lugares para acomodar os obrigatória em todas as sessões, o 1° Diácono conduz os Irmãos
participantes. para fora do Templo, na mesma ordem da entrada.
O Tapete é conhecido como a Planta do Templo de Uma sessão econômica, raramente, ultrapassa 1h30m,
Salomão, substituído pelos Painéis dos Graus em outros ritos; tratando-se os assuntos administrativos (ata, expedientes, etc.) e
dessa forma, os Aprendizes (ao Norte) e Companheiros (ao Sul) se apresentando os trabalhos ou instruções. Já uma Sessão
sentam-se nos lugares mais próximos do Tapete (à frente), para Magna de Iniciação de três profanos, cumprindo-se,
melhor observarem a Planta. individualmente, toda a ritualística, demora cerca de 2h30m.
A ESSENCIALIDADE expressa no Ritual de Schröder
conduz o Iniciado pelos três graus maçônicos ao máximo, que o
 
Trabalhos ______________________________________________________________________________

O Fico
João Ferreira Durão

O rei D. João VI, fortemente pressionado pelas


Cortes Portuguesas, decidiu retornar a Portugal.
Embarcou com toda a família, exceto D. Pedro (que
cogitarem meios de impedir a retirada do Príncipe Regente.
O historiador Alexandre José de Mello Moraes, maçom
grau 33, foi Grande Orador do Grande Oriente do Brasil, em
acompanhara o Rei até a saída da barra), na nau D. João 1861, no Grão-Mestrado do Marquês de Abrantes, e Grande
VI, no dia 24 de abril de 1821, que somente “abriu velas” Secretário do mesmo grêmio, em 1863, no Grão-Mestrado do
para Portugal, na manhã de 26 de abril. Barão de Cayru, Bento da Silva Lisboa. Em sua obra histórica
O príncipe D. Pedro tornara-se, com a ausência do pai, (Alexandre José de Mello Moraes - História do Brasil – Reino e
o Regente do Brasil. do Brasil – Império – 2 Volumes, São Paulo, Editora da
D. Pedro estava dividido entre a sua ambição (secreta) Universidade de São Paulo, 1982), cita que estavam presentes à
de se tornar imperador do Brasil e o referida reunião de 10 de dezembro, entre
juramento de fidelidade que, outros, os coronéis Francisco Maria Veloso
reiteradamente, fizera a seu pai, o rei D. Gordilho de Barbuda (português, tinha o
João VI. cargo de Guarda-Roupa do Príncipe), Luís
Em 29 de setembro de 1821, as Pereira da Nóbrega, Antônio de Meneses
Cortes de Lisboa suprimiram os tribunais Vasconcelos de Drumond, Dr. José
aqui estabelecidos por D. João VI e Mariano de Azeredo Coutinho e o
ordenaram a D. Pedro que regressasse à desembargador Francisco da França
terra natal, a pretexto de fazer uma viagem, Miranda. Da reunião, ficou decidido que,
incógnito, pelos países da Europa, para no intuito de não suscitar desconfianças
aprimorar a sua educação, pois era o das tropas portuguesas contra D. Pedro,
herdeiro presuntivo da Coroa Portuguesa. fariam anunciar que S. A. R. (Sua Alteza
Determinavam, ainda, as Cortes que D. Real) preparava-se para dar cumprimento
Pedro entregasse o governo do Brasil a à determinação das cortes portuguesas.
uma junta, que obedeceria diretamente ao Decidiram, também, enviar agentes para S.
soberano Congresso Lisboeta. Paulo, Minas e para as Câmaras da
Essa notícia dos decretos de 29 província do Rio, pedindo que dirigissem a
de setembro, somente, chegou ao Rio de S. A. R. o apelo de que não abandonasse os
Janeiro em 9 de dezembro de 1821, sendo povos do Brasil na penosa conjuntura em
dada a conhecer no dia seguinte. Nesse que estavam. Incumbiram ao coronel
dia 10 de dezembro, D. Pedro escreveu Gordilho da Barbuda ir a S. Cristóvão para
uma carta ao Rei informando que se avisar ao príncipe o que estavam fazendo.
preparava para o retorno a Portugal. Pedro, ao conhecer as providências que estavam sendo
D. Pedro não dispunha de meios para resistir à tomadas, receou, inicialmente, de tomar uma atitude formal
arrogância dos chefes militares e teve de contemporizar, de desobediência às Cortes, talvez, temendo a reação que,
cedendo às injunções, em face das atitudes tímidas do certamente, ocasionaria à Divisão Auxiliadora. Diante das
Intendente Geral, Antônio Luiz Pereira da Cunha e do razões insistentemente apresentadas, D. Pedro prometeu ao
Ministro do Reino, Pedro Álvares Diniz, com relação ao coronel Gordilho dar resposta no dia seguinte.
clamor público, que se instalava no Rio, provocado pela No dia seguinte, 11 de dezembro, D. Pedro respondeu ao
Maçonaria, sobre a iminente proclamação da independência. coronel Gordilho que, se recebesse dos povos das três províncias
A tropa portuguesa, a Divisão Auxiliadora, exigia de D. “deputações que lhe viessem pedir que não partisse – ficaria”. O
Pedro a irrestrita anuência à causa constitucional, às coronel Gordilho procurou, imediatamente, os companheiros,
deliberações das Cortes Portuguesas e a inteira confiança na que se reuniram no Convento de Santo Antônio (na cela do frei
Divisão Portuguesa, que guarnecia a cidade, sob pena de Sampaio). Decidiram assentar as bases de um manifesto da
agirem, sem a menor condescendência, contra os inimigos da população da cidade, cuja redação coube ao frei Francisco
união dos dois reinos. Sampaio, maçom e membro da Loja Comércio e Artes.
O partido da independência parecia esmorecer, quando a
notícia dos decretos de 29 de setembro transformou, com a
extinção dos Tribunais, os indivíduos privados de seus empregos,
em novos e exaltados patriotas da causa da independência. A
ordem para o príncipe retirar-se produziu, também, grande
agitação entre os próprios realistas, que, com razão, temiam
nunca mais ver a monarquia restabelecida no Brasil.
O maçom Rocha Pombo (José Francisco da Rocha
Pombo - História do Brasil - 5 Volumes,- São Paulo, W. M.
Jackson Inc. Editores, 1959) informa que, no dia 10 de
dezembro de 1821, o mesmo da divulgação dos decretos das
Cortes de Lisboa, os maçons da Loja Comércio e Artes e o Clube
da Resistência, reuniram-se na casa do Capitão-Mor, o maçom
José Joaquim da Rocha (a sua casa era a sede do Clube da
Resistência, criado desde 1818), na rua da Ajuda, nº 137, para
O capitão Pedro Dias de Macedo Paes Leme ofereceu- de Vereação que S. A. Real dignou-se responder com as
se para ir a São Paulo e promover as representações. Chegou a expressões seguintes: “Convencido de que a presença da
São Paulo na noite de 23 de dezembro, entrando em contato minha pessoa no Brasil interessa ao bem de toda a nação
com José Bonifácio. Mello Moraes (obra citada) acrescenta portuguesa, e conhecido que a vontade de algumas províncias
que o capitão Pedro Dias Paes Leme foi portador de cartas de assim o requer, demorarei a minha saída até que as cortes e
José Joaquim da Rocha para José Bonifácio (Vice-Presidente meu Augusto Pai e Senhor deliberem a este respeito, com
do Governo Provisório da província de São Paulo) e seu irmão perfeito conhecimento das circunstâncias que têm ocorrido”.
Martim Francisco (também membro do Governo Provisório), Ainda, segundo Mello Moraes, há uma “Declaração”
solicitando que enviassem a representação para a apensada ao Ato de Vereação, nos seguintes termos:
permanência do Príncipe Regente no Brasil. O Presidente da “Em lugar das palavras de S. A. Real, que menos
Junta de Governo Provisório de São Paulo era o português exatamente se lançaram no termo supra (o Auto de Vereação,
João Carlos Augusto de Oeynhausen. No dia seguinte, 24 de já assinado por José Clemente Pereira e outros), devem
dezembro, a mensagem ao príncipe regente, redigida por José substituir-se as seguintes, que são verdadeiras: “Como é
Bonifácio, foi discutida e unanimemente aprovada, apesar das para bem de todos e felicidade geral da nação, estou
objeções e hesitações do presidente da junta. pronto; diga ao povo que fico”. (...) E para constar se
O documento da Junta Provisória de São Paulo chegou mandou fazer a sobredita declaração, etc., etc.”
às mãos do príncipe no dia 1 de janeiro de 1822, pelas mãos do Tenório D’Albuquerque, em sua obra (A. Tenório
capitão Pedro Dias Paes Leme. D’Albuquerque - A Maçonaria e a Grandeza do Brasil, Rio de
O emissário enviado a Minas foi o capitão Paulo Janeiro, Gráfica Editora Aurora Ltda., 1973), acrescenta que a
Barbosa da Silva. Após alguma hesitação por parte da Junta primeira resposta de D. Pedro (a contemporizadora) foi
Provisória de Minas, a notícia da adesão de São Paulo anunciada por José Clemente Pereira, de uma das janelas do
modificou o panorama em Minas, sendo designado o Paço, ao povo. Essa resposta descontentou a todos.
desembargador José Teixeira da Fonseca Vasconcelos, Vice- Indignaram-se os oficiais portugueses, porque D. Pedro
Presidente da Junta, para ir ao Rio de Janeiro e declarar a anunciava o retardo da partida, desobedecendo às ordens das
adesão de Minas ao Príncipe. Cortes. Desagradaram aos brasileiros, porque as palavras de
O manifesto do povo, redigido, no Rio de Janeiro, pelo D. Pedro constituíam um simples adiamento da viagem, e,
frei Francisco de Sampaio (Redator do periódico denominado não, a decisão de permanecer.
Regulador), chegou às mãos de D. Pedro em 29 de dezembro Ainda, segundo Tenório D’Albuquerque, D. Pedro
de 1821, com grande número de assinaturas. Há quem afirme compreendeu que ele mesmo se colocara em situação
que, nas diversas cópias, mandadas imprimir, do manifesto, insustentável, porque desagradou dois lados. Poucas horas
havia cerca de 8000 assinaturas do povo do Rio de Janeiro. depois, mandou chamar o Presidente do Senado da Câmara,
Estava, portanto, cumprida a exigência feita por D. José Clemente Pereira, e determinou-lhe que substituísse a
Pedro ao coronel Gordilho, no dia 11 de dezembro, para primeira resposta pela seguinte:
permanecer no Brasil. “Como é para bem de todos e felicidade geral
Tratava-se, então, de dar um caráter solene à decisão da nação, estou pronto; diga ao povo que fico”.
do Príncipe Regente. S. A. Real designou o dia 9 de janeiro de Tenório D’Albuquerque acrescenta, ainda, que, no dia
1822, para, oficialmente, receber a súplica dos povos do Rio de seguinte, 10 de janeiro de 1822, o Senado da Câmara fez publicar
Janeiro, São Paulo e Minas. um Edital (transcrito em sua obra), assinado por José Clemente
Nesse dia, ao meio-dia, na sala do Trono do Paço da Pereira, apresentando a retificação da declaração de D. Pedro.
cidade, o Príncipe Regente recebeu o enorme cortejo do Seja sob a forma de Edital (como menciona Tenório de
Senado da Câmara. O Presidente do Senado, o maçom José Albuquerque), ou sob a forma de Declaração (apensada ao Ato
Clemente Pereira, leu um discurso para explicar a razão do de Vereação – na versão de Mello Moraes), D. Pedro,
reclamo do povo. Fez-se ler o manifesto do povo do Rio e, em realmente, recuou de sua atitude inicial (de permanência
seguida, as representações das províncias. temporária), para a posição que a história consagrou:
Tendo ouvido o que lhe foi dito, D. Pedro, “do alto do “Como é para bem de todos e felicidade geral
Trono”, dirigindo-se ao Presidente do Senado, proferiu estas da nação, estou pronto; diga ao povo que fico”.
palavras: A Maçonaria lavrou, com o “Fico”, mais uma página na
“Como é para bem de todos e felicidade geral da nação, sua incessante e vitoriosa luta pela Independência do Brasil.
estou pronto; diga ao povo que fico”.
José Clemente Pereira, Presidente do Senado, chegando
 
à janela do Paço, repetiu, em alta voz, para o povo que enchia a
praça, as palavras do príncipe, acolhidas com delírio.
D. Pedro apareceu, então, em uma das janelas do Paço
e, depois de serenado o alvoroço, exclamou para a multidão:
“Agora só tenho a recomendar-vos – união e
tranqüilidade”. Essa expressão de D. Pedro tornou-se, alguns
meses mais tarde, o símbolo distintivo da Loja União e
Tranqüilidade, a segunda das três que formaram o Grande
Oriente Brasiliano (Grande Oriente do Brasil).
A versão para a solenidade do “Fico”, acima
apresentada, é a de Rocha Pombo (obra citada). Todavia, ao
ler o “Auto de Vereação do dia 9 de Janeiro de 1822”,
publicado por Mello Moraes (obra citada), que é a ata da
reunião realizada no Paço, verificamos que D. Pedro não fora
tão incisivo, como na versão de Rocha Pombo. Consta do Auto
Reflexões _________________________________________________________________________________

Trabalhar com Alegria


Autor desconhecido

H avia uma fazenda onde os trabalhadores viviam tristes e isolados uns


dos outros. Eles estendiam suas roupas surradas no varal e
alimentavam seus magros cães com o pouco que sobrava das refeições. Todos,
administração da fazenda.
Num final da tarde, foi até a casa do rapaz e, após tomar um
café bem fresquinho, ofereceu ao jovem o cargo de administrador da
que viviam ali, trabalhavam na roça do senhor João, dono de muitas terras, fazenda. O rapaz aceitou prontamente.
que exigia trabalho duro, pagando muito pouco por isso. Seus amigos agricultores, novamente, foram perguntar-lhe: o
Um dia, chegou ali um novo empregado, cujo apelido era Zé que faz algumas pessoas serem bem sucedidas e outras não? A
alegria. Era um jovem agricultor em busca de trabalho. Foi admitido resposta do jovem veio logo: “em minhas andanças, meus amigos, eu
e recebeu, como todos, uma velha casa onde iria aprendi muito e o principal é que não somos
morar enquanto trabalhasse ali. O jovem, vendo vítimas do destino. Existe em nós a
aquela casa suja e abandonada, resolveu dar-lhe capacidade de realizar e dar vida nova a tudo
vida nova. Cuidou da limpeza e, em suas horas que nos cerca. E isso depende de cada um”.
vagas, lixou e pintou as paredes com cores Toda pessoa é capaz de efetuar
alegres e brilhantes, além de plantar flores no mudanças significativas no mundo que a
jardim e nos vasos. Aquela casa limpa e cerca. Mas, o que geralmente ocorre é que, ao
arrumada destacava-se das demais e chamava a invés de agir-nos, jogamos a responsabilidade
atenção de todos que por ali passavam. de nossa desdita sobre os ombros alheios.
Ele sempre trabalhava alegre e feliz na Sempre encontramos alguém a quem culpar
fazenda, por isso tinha o apelido de Zé alegria. por nossa infelicidade, esquecidos de que ela
Os outros trabalhadores lhe perguntavam: só depende de nós mesmos.
como você consegue trabalhar feliz e sempre Para encobrirem sua indolência,
cantando com o pouco dinheiro que ganhamos? muitos jogam a culpa no governo, nos
O jovem olhou para os amigos e disse: empresários, nos políticos, na sociedade como
bem, este trabalho hoje é tudo que eu tenho. Ao um todo, esquecidos de que quem elege os
invés de blasfemar e reclamar, prefiro governantes são as pessoas; que quem gera
agradecer por ele. Quando aceitei trabalhar empregos são os empresários, e que a
aqui, sabia das condições. Não é justo que, agora, que estou aqui, sociedade é composta pelos cidadãos. Assim sendo, cada um tem sua
fique reclamando. Farei com capricho e amor aquilo que aceitei fazer. parcela de responsabilidade na formação da situação que nos rodeia.
Os outros, que acreditavam ser vítimas das circunstâncias, E, para ser feliz, basta dar a seu mundo um colorido especial,
abandonados pelo destino, olhavam-no admirados e comentavam como o personagem dessa história, que, mesmo numa situação
entre si: "como ele pode pensar assim?" aparentemente deprimente para os demais, soube fazer de seu
O entusiasmo do rapaz, em pouco tempo, chamou a atenção mundo uma realidade bem diferente.
do fazendeiro, que passou a observá-lo a distância. Um dia, o sr. João E conforme ele mesmo falou: “existe em nós a capacidade de
pensou: alguém que cuida, com tanto carinho, da casa que emprestei, realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca”.
cuidará, com o mesmo capricho, de minha fazenda. Ele é o único aqui
que pensa como eu. Estou velho e preciso de alguém que me ajude na
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