You are on page 1of 11

www.revistaartereal.com.

br
ABIM 005 JV Ano IX - Nº 78 - Out/16

Eucaristia
Editorial
Gostaríamos de dar destaque especial, nesta madrugada, no que passou a se chamar, por alguns, de
edição, à Matéria da Capa – “Eucaristia”, que tem por “Loja Etílica”.
objetivo alertar os Irmãos quanto a seus compromissos para
Talvez, nosso Editorial esteja sendo trágico, mas
com a nossa Ordem; quanto à responsabilidade cármica de
não foge à realidade. Diante desse desespero, muitos
seu juramento; quanto à singularidade de uma caminhada
irmãos sérios deixam de frequentar os trabalhos e,
na Vereda Iniciática.
motivados pela assustadora insegurança urbana, preferem
Há muito, preocupa-nos a formatação que
queimar incenso onde suas energias possam ser melhor
vem tomando algumas Lojas Maçônicas. Carentes de
aproveitadas.
verdadeiros Mestres, na atualidade, suas Sessões têm
se tornado reuniões vazias de conteúdo, arriscaria dizer Iniciação é muito mais abrangente do que o
até, se permitir, e sem alma. O pouco caso com a cultura ingresso a uma instituição. O Caminho Iniciático, em
maçônica reflete-se no silêncio no ¼ Hora de Estudos e em qualquer Ordem que seja, é uma singular oportunidade
instruções mal ministradas. A escolha de Irmãos para os para se galgar um novo estado de consciência; de se
cargos de Vigilantes, não como instrutores, mas como uma trabalhar as deformidades de nossa personalidade, a qual
linha sucessória na presidência da Loja, corrobora para chamamos de Pedra Bruta, para que reunamos as mínimas
caos e estimula, a cada vez mais, à ausência dos Irmãos à condições para o despertar de nossa quintessência, nosso
Sessão. Eu Verdadeiro. Não existe iniciação sem transformação!
É comum observarmos ser aplicada, de uma
O descomprometimento desses Irmãos, que
só vez, mais de uma instrução aos Aprendizes e
adentraram à Ordem e não se permitiram que sua doutrina
Companheiros, para cumprir o interstício mínimo, como
neles adentrasse, tem transformado nossa instituição -
se isso fosse uma obrigação a ser seguida. Instruções
uma Escola Iniciática em sua essência, em um Clube de
lidas e não ministradas. Pessimamente lidas, sem o menor
Serviços, que, até como tal, na maioria das vezes, nem se
respeito, ou até desconhecimento da pontuação. Já pouco,
encontra engajado com tal função junto à sociedade.
ou quase nada, entendem de seu conteúdo, tornando-
se impossível entender alguma coisa com o desrespeito Nossa expectativa, com a publicação da matéria
à pontuação, ainda mais, quando, ao final de tal leitura, “Eucaristia”, se é que será lida por quem, de fato, necessita
não é apresentado o menor comentário sobre a instrução refletir sobre seu conteúdo, é que sirva de “pedra-de-
“ministrada”. Perder tempo com isso, para quê? Atrasar o toque”, a fim de que tais “maçons” possam se auto avaliar
tão esperado ágape, regado à bebida e comilanças, onde no quanto estão contribuindo para fazer Maçonaria de
tempo não é problema e, na maioria das vezes, vara-se a Verdade!

Ç Ã O
M O eal
P RRO
evist
a A rte R
pres
ssa
Coleção Completa
22
ão I m
Ediç xemplar
e
es
R$ 199,00
frete incluso para todo o Brasil

Trata-se de uma coleção histórica de


22 edições publicadas, no período de
jul/12 a fev/16. Nada tem a ver com a
edição virtual. Confeccionada em 28
pg, em papel couchê, diagramação
e edição de imagens de alto padrão.
Solicite-nos através do e-mail
redacao@revistaartereal.com.br Avulsas - R$ 13,00/exemplar

A Revista Arte Real é um periódico maçônico virtual, fundado em 24 de fevereiro de 2007, de periodicidade
mensal, distribuído, gratuitamente, pela Internet, atualmente, para 33.154 e-mails de leitores cadastrados,
no Brasil e no exterior, com registro na ABIM - Associação Brasileira de Imprensa Maçônica, sob o nº 005
JV, tendo como Editor Responsável o Irmão Francisco Feitosa da Fonseca, 33º - Jornalista MTb 19038/MG.
www.revistaartereal.com.br - redacao@revistaartereal.com.br - Facebook RevistaArteReal -  (35) 99198-7175 Whats App.
Eucaristia
Devemos terminar a construção
do Templo Vivo que somos - obra
do G∴A∴D∴U∴, cujo processo
de iniciação é o trabalho final
que nos cabe, para que haja a
Eucaristia.
Francisco Feitosa

E
ucaristia – do grego eukharistia - significa Um Templo é muito mais que um simples
“reconhecimento”; o encontro ou a união com prédio. É um lugar sagrado e dedicado à glória e
o Eu Imortal; o encontro dos Eu´s – material à manifestação terrena do Grande Arquiteto do
e espiritual. Eu Crístico – O Eu que atinge o estado Universo. Por isso, obedece a uma arquitetura própria;
crístico; comunhão com seu verdadeiro Eu, seu Cristo a determinadas medidas canônicas, onde a harmonia
interno. do som e a estética das formas se conjugam e
O renascimento ou a Iniciação não tem outro multiplicam as vibrações mentais, direcionando-as a
objetivo senão iniciar uma ação visando o encontro fim da concretização de nossos propósitos.
do Eu mortal com o Eu imortal. Esse colóquio se dá
Os Templos são edificados baseados no
internamente, no silêncio da alma. Aí está o “religare”,
Templo mais perfeito, já construído, o Templo Vivo,
embora não sejamos uma religião, mas o objetivo é
o homem, obra do Grande Geômetra. O homem foi
idêntico: promover a religação, primeiramente com
sabiamente construído, apesar de sua perfeição é
nosso Deus interior, o que nos capacitará encontrar o
uma obra, propositalmente, incompleta, cabendo ao
caminho de volta à Casa do Pai.
próprio homem o trabalho final. Esse trabalho não é
Nossas lendas, nossos símbolos são alegorias outro, senão sua própria iniciação.
necessárias que ilustram esse caminho e que facilitam
Mas o que notamos é que grande parte da
essa compreensão. Despertam nossa percepção,
humanidade caminha inconsciente ou despreocupada
abrindo os “olhos do espírito”, capacitando-nos
com isso. Uns preocupados em atender, apenas,
enxergar e entender as entrelinhas de cada instrução.
as suas necessidades básicas de vida, outros
A Eucaristia ou a fusão dos Eu’s requer uma interessados nos prazeres materiais, enfim, o
minuciosa preparação. Para isso, iniciamo-nos e, conhecido “deixa a vida me levar!”.
em cada grau, sorvemos os sublimes ensinamentos
de suas instruções ministradas no Templo. Sim, A evolução humana poderia ser representada
necessário se faz que estas sejam ali ministradas, por uma grande escadaria onde o patamar final daria
pois essa preparação não é, apenas, do intelecto e sim acesso à porta da “Casa do Pai”. Na verdade, a
de um conjunto de vestes sutis, que compõe o homem, humanidade se distribui ao longo dessa longa escada
sendo fundamental a interação com as sublimes e cada um contempla a Verdade conforme a altura do
energias que se manifestam em uma Loja aberta. degrau em que se encontra.
Revista Arte Real nº 78 - Out/16 - Pg 03
Em determinado momento de nossas vidas
somos chamados a refletir sobre alguns temas:
de onde viemos; para onde vamos; quais são os
planos de Deus para nós. Todas essas indagações
nos são sussurradas pelo nosso Amigo Espiritual,
nosso verdadeiro Eu. É quando, por Lei de Causas e
Efeitos, batemos à porta de uma Escola de Iniciação,
em nosso caso, a Maçonaria, mas poderia ser
outra instituição iniciática, afinal todas elas, por sua
doutrina, levar-nos-á ao Criador.
A Maçonaria visa preparar o homem para a
O momento de nos iniciarmos é chegado. construção do grande edifício humano. O homem
Iniciação - Início de uma ação visando uma no seu aspecto material é o reflexo do seu aspecto
Transformação, passando por uma Superação, para espiritual e a comunhão de ambos é a Eucaristia.
que possa acontecer a Metástase.
O homem material é representado por um
O processo exige uma inteira transformação cego que caminha tropeçando, caindo e levantando
em nossa personalidade, aparando as arestas morais. à beira dos abismos da vida. O homem espiritual é
Sem Transformação não se atinge a Iniciação Real! representado pelo aleijado que consegue enxergar
Esse trabalho é focado em nosso quaternário inferior o bom caminho, sem perigos e armadilhas, mas lhe
(personalidade). Persona ou Per sona - pelo som, falta as pernas para se locomover. Quando se dá o
pelo Verbo estamos constantemente criando. Quando encontro dos Eu’s – material e espiritual, acontece
falamos vibramos o som que se registra no Akasha a fusão, a metástase, a eucaristia. É quando esses
Sonoro. Por esse motivo e não outro é que nessa Companheiros aceitam conversar e entendem que,
fase somos convidados a ficar em silêncio, para que para encontrar o caminho de volta à Casa do Pai
nossas palavras não se transformem em nossas precisam caminhar juntos. O cego passa a carregar o
próprias sentenças. aleijado nas costas e este, com segurança, a orientar
seus passos nos estreitos caminhos da vereda da
A Superação é na verdade uma Super Ação
iniciação.
de sublimar nossas emoções, transmutando desejo
em Vontade. Iniciamos um diálogo, um colóquio Meus Irmãos, não sejamos como mariposas
com o nosso Companheiro Espiritual. Estamos que incessantemente buscam a Luz e ao defrontá-
“Companheiros”, em silêncio, travando esse diálogo. la cegam-se, por não ter a compreensão do que
É o meditar - Me Ditar - ditar para mim mesmo. Essa realmente buscam. Façamos valer as preciosas horas
fase de domínio de emoções e pensamentos, que é que, semanalmente, subtraímos do convívio salutar
mais complexo que esta sucinta explanação, visando com nossas famílias, para frequentarmos nossa Loja.
uma preparação, para que se possa ter a perfeita
Retiremos as vendas da ilusão que nos cobre
união com Espírito, dominando a matéria.
os olhos; esqueçamos o falso brilho dos cargos, os
Devemos terminar a construção do Templo Vivo títulos, as alfaias. Não nos ofusquemos com os flashs
que somos - obra do G∴A∴D∴U∴, cujo processo e as pompas dos eventos, nosso trabalho é bem
de iniciação é o trabalho final que nos cabe, para outro!
que haja a Eucaristia. A fusão dos Eu’s; a Metástase
“Vaidade de vaidades! Diz o pregador, vaidade
bem simbolizada pelo esquadro e o Compasso. Entre
de vaidades! É tudo vaidade.” (Eclesiastes 1.2).
eles se encontra o Mestre Maçom, que surge como
microcosmo, o pentalfa dentro do Hexágono Sagrado Não percamos, em plena estação, a
formado pelos dois triângulos entrelaçados, que oportunidade de embarcarmos no Trem da Evolução.
nada mais são do que a representação do esquadro Permita que a centelha divina que habita em cada um
– material, e do compasso – espiritual. Chegar ao de nós, por força de Lei de Evolução, possa retornar e
mestrado é se encontrar entre ambos! juntar-se a Grande Chama do Eterno!

“O Mestre aponta o caminho e o discípulo Até breve! Fiquemos por aqui!


segue sozinho até encontrar novamente o Mestre,
mas desta vez dentro de si mesmo.”
Revista Arte Real nº 78 - Out/16 - Pg 04
ACADEMIA

“É de sua finalidade estimular a


arte, promover as letras maçônicas,
fomentar a pesquisa nos campos
da filosofia da Arte Real”. Waldemar Sansão

A
ideia de formação de Academias nasceu a partir geometria”. Do ponto de vista de Platão, o homem era
do momento em que, nos Jardins de Academus, uma criatura dual: nosso corpo se constitui de terra e pó,
há, exatamente, dois mil e quatrocentos e como tudo o mais do mundo dos sentidos, mas, também,
doze anos Platão, o genial Platão, via-se cercado por possuímos uma alma imortal. Platão achava que a alma
uma plêiade de moços, famintos do saber, sedentos já existia antes de vir habitar nosso corpo. Ela existia
do conhecer. Fundava-se ali a Academia de Platão, a no mundo das ideias. Entretanto, no momento em que
primeira de todas as Academias. Platão foi discípulo ela passa habitar o corpo humano, ela se esquece das
de Sócrates, a quem considerava “o mais sábio e o ideias perfeitas.
mais justo dos homens”. Esteve no Egito onde estudou
O estudo da filosofia leva as pessoas a uma
matemática e ciência com os sacerdotes. Viveu lá pelos
consciência crítica mais exigente. A filosofia desperta a
anos de 387 a.C. Fundou sua própria escola de filosofia
interrogação, aprofunda a reflexão, pesquisa motivos
nos arredores de Atenas, num bosque, que levava o
ocultos, reinterpreta fatos, questiona regimes políticos,
nome do legendário herói grego Academus.
condições econômicas, estruturas sociais. Ridiculariza
Em literatura costumamos dizer que Academia justificativas aparentes ou falsas. Após afirmações
é uma organização estruturada com leis ou estatutos dogmáticas, a filosofia introduz a dúvida. Após
próprios, de ordinário juridicamente reconhecido e colocações aparentemente definitivas, ela promove a
destinado ao cultivo desinteressado de disciplinas avaliação de significados e valores e mantém vigilante a
literárias, científicas ou artísticas. Hoje, as Academias função crítica. Os setores filosóficos abrem fendas nos
estão presentes em todos os recantos da terra, onde sistemas fechados, revelam outra versão da História,
quer que haja homens focados no aumento de sua e fermentam a libertação. Sabemos que a medida do
sabedoria, escorados no ideal da cultura, alimento progresso é o ideal do homem. Daí por que a evolução
essencial para o desenvolvimento do espírito. da sociedade leva ao desenvolvimento do indivíduo, à
concepção religiosa do espírito imortal, à universalidade
Por causa disso, a escola recebeu o nome
da ética, à concepção do Deus único. Este é o intuito
de Academia (desde então, centenas de milhares de
primeiro da filosofia pura, o intuito maior da filosofia
academias foram fundadas no mundo inteiro). Até hoje,
maçônica.
empregamos as expressões “acadêmicos” e “disciplinas
acadêmicas”. Era tecnicamente uma irmandade. As Aristóteles proclamou que “Nada se faz sem que
principais matérias eram a aritmética, geometria, haja uma razão suficiente”. De fato, não existe ação sem
astronomia e a filosofia. Na entrada da academia motivo. Toda ação visa alcançar um fim. Nossa filosofia
via-se a inscrição: “Aqui não entre quem não souber estriba-se sobre a filosofia de quase todos os gênios

Revista Arte Real nº 78 - Out/16 - Pg 05


que a Grécia nos legou. É filosofando que o homem Ciência, seja com exemplares de livros publicados ou de
perscruta, esquadrinha e descobre a razão do existir. veículos informativos (jornais, revistas etc.) onde tenha
publicado algum trabalho de reconhecido mérito.
Nossas Academias devem primar pelo
estudo, valorização e difusão da cultura maçônica e Não são necessários diplomas ou graduações,
não ter vínculo com qualquer Obediência Maçônica, nem existe limite de idade. A conveniência e urgência
uma vez que a cultura não pode estar vinculada a são de tirar, do quase anonimato, os grandes e sábios
questões políticas e tal vinculação limitaria seu âmbito Mestres, Irmãos de nossa Ordem, conhecedores
de abrangência e o seu próprio desenvolvimento e e depositários que são de profundos segredos,
finalidades. Sobretudo a cultura maçônica, é a meta, que ajudem a Ordem, efetivamente, a edificar uma
é o fim, é a razão de ser da Maçonaria. A Maçonaria sociedade justa e perfeita, onde o político volte-se à
“não se preocupa com fronteiras”, a Maçonaria “não se democracia, o economista, a uma distribuição justa das
preocupa com raças”. Não há diferenças de raças para necessidades básicas, o professor à educação, o médico
a Maçonaria. A Maçonaria é universitária. Para tanto, o à saúde e o militar à segurança do País. No campo de
que se exige dos Acadêmicos, antes de tudo, é o amor relacionamento externo, pretende-se que as Academias
à Maçonaria, amor que leva o Maçom, obrigatoriamente intensifiquem o nível e o intercâmbio existente entre as
a dedicar-se ao estudo de nossa filosofia, tornando-se mesmas.
um pregador emérito de suas ideias fundamentais e Fazendo um sobrevoo por algumas Academias,
extraordinárias, porque eternas! constatamos que em sendo independentes e capazes
A Academia está centrada na adequação aos de tomar as mais graves decisões em respeito ao que
tempos atuais, buscando formas de aumentar o valor da prevê a lei, não é preciso lhes dizer o que venham dizer
família dos seus membros e daqueles que se relacionam e como fazer. Contudo, sem querer abrir caminho para
mais diretamente com a Instituição, especialmente pela uma indevida ingerência externa no mérito de suas
participação em seus eventos. ações, mas como todo o Maçom, acadêmico ou não,
tem o direito humano de sonhar, devendo, porém, estar
Inicialmente, a entidade se define como sempre alerta para despertá-lo da sua consciência
paramaçônica, sem qualquer vinculação com potências, racional e esta, em última instância, não lhe permite por
mas se destina a Maçons que “escrevem sobre assuntos força dos seus compromissos delirarem; os acadêmicos
diversos, maçônicos ou não”. aprendem que são pessoas que resolvem devotar suas
Essa disposição de apoiar a família, como vidas a ajudar os outros, na esperança de tornar melhor
elemento básico da agregação social, forma, por assim o mundo onde vivemos, para que o seu trabalho seja
dizer, uma ponte particular entre a Instituição e a Ordem inteligível para os confrades e para os demais Irmãos.
Maçônica, que de fato privilegia o núcleo familiar. A
Os Maçons que revelam a missão de escritor,
isso, a Academia acrescenta outros desafios, como um
de artista ou de cientista, e querem dar sua colaboração
acentuado esforço de manter-se em atualidade com
e não sabem o que se passa na Academia Maçônica,
o progresso tecnológico; cultivo da filosofia maçônica,
iniciando uma jornada rumo a realidade mais vasta, deve
cultura da língua nacional, estudo dos problemas sociais
tomar precedência sobre qualquer outras pretensões
e sua resolutividade e apoio ao progresso científico e,
neste mundo tão turbulento, desejando que haja mais
em complemento à literatura com o estímulo à Arte, à
amor entre os homens; que os poderosos amparem os
Ciência, à Cultura popular.
fracos e oprimidos; que não se morra mais de fome,
Em princípio o ingresso nos quadros das nem se vegete mais sem abrigo; que os povos se
Academias Maçônicas não é uniforme, em geral está confraternizem no Bem, a mais alta de todas as ideias,
livre para qualquer Maçom, mas ele precisa provar sua para a perpetuação da própria espécie; que seja banida
atuação no campo da Literatura, ou das Artes, ou da a ignorância da face da Terra.

Revista Arte Real nº 78 - Out/16 - Pg 06


STONEHENGE
JÁ PERTENCEU A UM MAÇOM

John Hamil

A
história de Stonehenge tem inspirado muitas decidiu fazer a compra para salvá-lo de um comprador
teorias bizarras que ligam maçons e druidas. estrangeiro. Chubb comprou o marco como um
Na vida real, o maçom Cecil Chubb, comprou presente para sua esposa.
o marco por um capricho, há mais de 100 anos.
Em 1918, sabendo que tinha havido interesse
Considerando o seu estatuto de Patrimônio Mundial,
do governo no círculo de pedra, Chubb entrou em
é estranho pensar que até 1918 Stonehenge era
contato com o, então, Gabinete de Obras e ofereceu-
propriedade privada. O interesse por ela foi estimulado
se para dar o local para a nação como um presente.
no início de 1700, através dos escritos de um
Ele tinha três ressalvas do seu legado: que os
maçom chamado Dr. William Stukeley, um clérigo
residentes de Salisbury deveriam continuar a ter livre
e arqueólogo, cujos volumosos manuscritos estão
acesso a ele; que a taxa de entrada nunca deve ser
agora preservados na British Library e na Library and
mais do que um xelim; que nenhum edifício deveria
Museum of Freemasonry, ambas em Londres, Reino
ser erguido dentro de 400 jardas das antigas pedras.
Unido. A conexão entre Stonehenge e os druidas é,
O governo aceitou o presente com entusiasmo, e para
geralmente, atribuída a Stukeley, que não só fez um
marcar sua generosidade, criou um título de nobreza.
estudo da Ordem, mas foi um dos responsáveis por
Em 1919, Chubb ganhou o título Sir Cecil Chubb,
seu renascimento, em 1717.
Baronet de Stonehenge no condado de Wiltshire.
Em 1800, Stonehenge foi propriedade da
Cecil Herbert Edward Chubb veio de origem
família Antrobus, mas quando o herdeiro do baronetcy
modesta. Nascido em 1876 na aldeia de Shrewton,
(título de nobreza) foi morto em 1915, a família decidiu
Wiltshire, onde seu pai era o seleiro e fabricante de
vender, em leilão público, o círculo de pedra e os 35
arreio, ele foi educado na escola do Bispo Wordsworth
acres de terra em torno. A venda realizou-se no novo
em Salisbury. Por um curto período, foi professor
teatro em Salisbury, em 21 de Setembro de 1915. O
no Colégio de São Marcos, em Londres. De lá, foi
comprador foi Cecil Chubb, que pagou £ 6.600 (cerca
para a Christ’s College, Cambridge, onde se formou
de £ 460.000, em valores atuais) pelo local. A lenda
em ciências naturais, em 1904, seguido por um
da família diz que ele tinha ido para o leilão para
Bacharelado, em Leis, em 1905. Voltando a Londres,
comprar algumas cadeiras, mas tendo vivido perto
ele foi chamado para o Tribunal de Middle Temple e
de Stonehenge durante a maior parte de sua vida,
começou a prática da lei com sucesso.
Revista Arte Real nº 78 - Out/16 - Pg 07
Em 1902 casou com Maria Chubb Finch, parlamento) e permaneceu membro da loja até sua
e quando seu tio morreu, em 1910, ela herdou o morte.
hospital psiquiátrico Fisherton House Asylum, perto de
Houveram muitas tentativas de ligar a
Salisbury. Chubb desistiu da lei e voltou para Salisbury
Maçonaria com o círculo de pedra, em Stonehenge, e
para administrar o asilo, que foi um dos maiores
os druidas, que tiveram a fama de ter uma adoração
do país. Chubb fez do asilo um grande sucesso e
por lá. Na realidade, as únicas verdadeiras conexões
introduziu tratamentos inovadores para tornar a vida
maçônicas são as figuras de Stukeley, que tanto fez
dos pacientes mais fácil e devolvê-los a suas famílias.
para trazer Stonehenge ao conhecimento público, e
Fisherton House, também, prestou um grande serviço
Chubb, que tinha tanto amor pelo círculo de pedra que
para baixas militares, afetados pelos horrores da
ele comprou e apresentou-o à nação para que fossem
guerra, na medida em que Chubb usou sua própria
preservadas como parte do patrimônio nacional.
casa, Bemerton Lodge, como uma extensão do asilo
principal. Tornou-se uma sociedade anônima, em “A lenda da família diz que Chubb só tinha ido
1924, e parte do Serviço Nacional de Saúde, em 1954. para o leilão para comprar algumas cadeiras.”
Chubb foi, também, um investidor astuto, Stonehenge é o círculo de pedra mais
particularmente em laboratórios médicos que arquitetonicamente sofisticado e único lintel (suporte
produziam medicamentos para ajudar os doentes de pedras que se sustentam formando uma porta)
mentais. Sua cuidadosa gestão financeira fez dele um sobrevivente no mundo: em sua forma mais primitiva,
homem rico, que lhe permitiu comprar Stonehenge o monumento era um local de enterro. É o maior
quase que por capricho. Ele desenvolveu sua própria cemitério neolítico nas Ilhas Britânicas; foram
propriedade, mantendo uma raça notável do gado utilizados dois tipos de pedra na sua construção,
Shorthorn e tinha um número de cavalos de corrida ambos os quais foram transportados de distâncias
muito grande. Na vida civil, ele serviu por muitos anos muito longas. Os sarsens (blocos de arenito) maiores,
no Conselho da Cidade Salisbury e foi um juiz de paz. provavelmente, vieram de Marlborough Downs, 19
milhas ao norte, com as bluestones (tipo de rocha)
Chubb entrou para a Maçonaria em Salisbury,
menores, provenientes de Preseli Hills, a mais de 150
onde foi iniciado na Loja “Elias de Derham, Nº 586”,
milhas de distância; as pedras foram erguidas usando
em 26 de outubro de 1905, ascendendo aos segundo
articulações precisamente unidas, não vistos em
e terceiro graus, nos dois meses seguintes. Ele nunca
qualquer outro monumento pré-histórico.
procurou presidir a loja, ou auferir cargos em qualquer
uma das outras Ordens da Maçonaria, contentava- *Texto de autoria do Irmão John Hamil, traduzido,
se em desfrutar da companhia de seus irmãos, adaptado e publicado no site www.oprumodehiram.
membros da loja, como um backbencher (Membro do com.br

Revista Arte Real nº 78 - Out/16 - Pg 08


Os Punhos
Maçônicos Kennyo Ismail

P
arte integrante da vestimenta maçônica, Além dos punhos, qual o outro utensílio
conhecida por todos os maçons, em especial comum entre os Vigilantes e o Venerável Mestre,
aqueles que já experimentaram o desconforto utilizado apenas por esses três Oficiais? O
do uso, os punhos fazem parte dos paramentos malhete. Porém, nos primeiros anos de Maçonaria
utilizados pelo Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Especulativa, os maçons não tinham templos e
Vigilantes em muitos ritos e rituais, e também é utensílios próprios para as reuniões. Eles se reuniam
adotado pelos cargos correspondentes de algumas em tavernas e utilizavam os utensílios da Maçonaria
Obediências. Sempre em conformidade com o colar Operativa. Assim, em vez de belos malhetes
e o avental, os punhos completam a vestimenta trabalhados, utilizavam rústicos maços, e em vez
ritualística desses principais Oficiais. de belas e finas luvas, utilizavam as mesmas luvas
grossas e compridas usadas nas construções.
Mas se todos os Oficiais de uma Loja utilizam
colar e avental, por que apenas os Vigilantes e o No início, todos os Oficiais costumavam usar
Venerável Mestre utilizam os punhos? Aliás, qual tais “luvas de pedreiro”, rústicas e de manga longa.
a origem dos punhos? Por que existem? Qual sua Mas com o tempo, apenas aqueles que portavam
simbologia, significado? Quem deve usar, como e os maços continuaram a adotá-las, como herança
quando? da Maçonaria Operativa, enquanto que os demais
passaram a usar luvas mais “sociais”. Entre o ano
São milhares de maçons utilizando os punhos de 1717, quando da fundação da 1ª Grande Loja da
sem saber as respostas, de Vigilantes a Grão-Mestres. Inglaterra, até, pelo menos, o ano de 1813, quando da
Para que você não continue utilizando (e odiando) fusão que originou a Grande Loja Unida da Inglaterra,
esse acessório sem conhecê-lo, pelo simples fato da os dirigentes das Lojas adotaram modelos em que a
falta de uma literatura maçônica decente no Brasil, luva e o punho eram uma única peça. É a partir dessa
este artigo responderá tais perguntas. época que se há os primeiros registros indicando
que essas luvas, já feitas em diferentes cores e com
Esses braceletes que chamamos de “punhos” bordados nos punhos que identificavam os cargos e
são conhecidos nos países de língua inglesa como Lojas, começaram a surgir em modelos com punhos
“gauntlets”. Gauntlets podem ser considerados como separados do restante, como se vê atualmente.
luvas de cano longo que cobrem a mão e parte do
antebraço, usadas para atividades manuais, com Esse desenvolvimento se deu de forma livre
intuito de proteger o punho. Esse tipo de luva é muito e o uso manteve-se baseado na tradição até 1884,
comum na construção civil e é conhecido por alguns quando a Grande Loja Unida da Inglaterra incluiu
como “luva de raspa”, por ser geralmente feito de os punhos como paramento oficial no Livro de
raspa de couro. Constituições, regulamentando seu uso: combinando
com colares e aventais dos Grandes Oficiais,

Revista Arte Real nº 78 - Out/16 - Pg 09


E, em 1971, a Grande Loja Unida da Inglaterra tornou
os punhos também opcionais aos Grandes Dirigentes.

Pela falta de regulamentação apropriada


dos paramentos maçônicos por boa parte das
Obediências Maçônicas brasileiras, não existe uma
padronização no tamanho, cores, desenhos, detalhes
e principalmente no uso dos paramentos. Por esse
motivo, ninguém é obrigado a seguir qualquer conduta
de uso. Porém, se observada a origem e simbologia
dos punhos, os Veneráveis e Vigilantes deveriam
usá-los sempre com luvas brancas e apenas em suas
Lojas, onde portam malhetes. Já no caso dos Grandes
Dirigentes, o uso em toda a Jurisdição estaria correto,
mas também sempre acompanhado de luvas.
punhos na cor azul escuro com detalhes dourados
para os dirigentes da Grande Loja, uso obrigatório; De qualquer forma, é importante saber o que
e combinando com colares e aventais dos Oficiais se usa (e às vezes incomoda), principalmente quando
das Lojas, punhos na cor azul claro com detalhes se trata de um importante resquício de nossa origem
prateados para os dirigentes das Lojas, uso opcional. operativa.

Anuncie Conosco!
Uma Excelente Vitrine para o seu Negócio!
Sua Revista Arte Real está sendo distribuída para mais de 30.000 e-mails
cadastrados, além de ser difundida em mais de 50 grupos nas Redes Sociais
e em diversos Grupos de Discussão Maçônica, na Internet!

redacao@revistaartereal.com.br
 35 99198-7175 TIM Whats App

Revista Arte Real nº 78 - Out/16 - Pg 10


Revista Arte Real nº 78 - Out/16 - Pg 11