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DIREITO COMERCIAL

AUXILIARES DO COMÉRCIO
Comércio em Geral
Em sua atividade, o comerciante precisa de auxiliares, que a ele estarão ou não subordinados. São
indispensáveis para que a empresa exerça as funções a que está destinada, qual seja, produção
ou mera intermediação de bens ou simplesmente a prestação de serviços. São não apenas os
empregados, ligados a ela por uma relação empregatícia, percebendo salários, mas também
outras pessoas que atuam em funções complementares em condições autônomas. Embora os
autônomos sejam eles mesmos considerados comerciantes, e os dependentes tenham suas
relações regidas por leis específicas pertencentes ao campo do direito do trabalho, todos eles
interessam ao direito comercial devido às funções e as responsabilidades decorrentes de suas
atividades.
Aqueles que mantêm vínculo empregatício e, portanto, de subordinação ao comerciante, são os
agentes auxiliares dependentes, contratados quando o comerciante não pode ou não quer
atender pessoalmente a clientela. Eles começaram a surgir na mediada em que evoluiu o
estabelecimento ou a empresa, de caráter familiar para uma organização mais sofisticada,
obrigando ao emprego de mão-de-obra, qualificada ou não. São normalmente conhecidos por
prepostos, comerciários, industriários, etc. Estes podem ser internos ou externos, conforme
trabalhem dentro ou fora do estabelecimento comercial. Já os auxiliares independentes, que são
aqueles que auxiliam externamente as funções do comércio e do artesanato, tendo também
evoluído, inclusive com a criação de novas categorias, existiram desde os primeiros tempos.
O Código Comercial de 1850, no Titulo III, Capítulo I, art. 35, enumera os agentes auxiliares do
comércio:
“São considerados agentes auxiliares do comércio, sujeitos às leis comerciais, com relação às
operações que nessa qualidade lhes respeitam:
1. os corretores;
2. os agentes de leilão;
3. os feitores, guarda-livros e caixeiros;
4. os trapicheiros e os administradores de armazéns de depósito;
5. os comissários de transportes.”
A abundante legislação trabalhista, em especial a CLT (Decreto-Lei nº 5.542, de 1º de maio de
1943), que, entre outras medidas, extinguiu a inscrição, no Registro do Comércio, do documento
de nomeação do preposto, substituindo-a pela carteira de trabalho, prejudicou em grande parte
o Titulo III, Capítulo IV, do Código Comercial, sob a epígrafe “dos feitores, guarda-livros e
caixeiros”.
Os Auxiliares Dependentes e Independentes
Pode–se classificar em dependentes os feitores, guarda-livros e caixeiros, correspondentes, na
linguagem atual, a gerentes, contadores e empregados em geral (bancários, comerciários,
industriários, etc.); e os independentes, que são considerados impropriamente como agentes
auxiliares do comércio, posto que são considerados como comerciantes, já que exercem suas
atividades sob próprio nome, ou seja, os trapicheiros e os administradores de depósito e os
comissários de transporte.
Dependentes Internos
Feitores / Gerentes
-Responde judicialmente pelas obrigações pessoais da administração do
negócio.
-Pode receber citação pelo empresário, desde que a demanda seja relativa a ato
por ele praticado no exercício de suas funções técnicas.
Guarda-livros / Contadores
-Organização e execução de serviços de contabilidade em geral;
-Escrituração de livros de contabilidade obrigatórios, bem como de todos os
necessários no conjunto a organização contábil e levantamento dos respectivos balanços e
demonstrações;
– Perícias judiciais ou extrajudiciais,revisão de balanços e de custo em geral,
verificação de haveres, verificação periódica de escritas, regulações judiciais ou extrajudiciais de
avarias grosas e comuns, assistência aos conselhos fiscais das sociedades anônimas e quaisquer
outras atribuições de natureza técnica.
Caixeiros / Empregados em Geral
Bancários;
Comerciários;
Industriários;
Etc.
Os auxiliares dependentes externos, devem receber autorização dos patrões para poder
representá-los, pois, de acordo com os artigos 74 e 75 do Código Comercial, os patrões só se
responsabilizam por seu atos quando estiverem autorizados por escrito. Essa autorização
geralmente é a procuração, mas pode ser por carta, declaração, etc.
Dependentes Externos
Preposto
Executam suas atividades fora da empresa.
Vendedores ou Pracistas;
Viajantes;
Etc.
Preposição Mercantil
Contrato de Trabalho
Representação
Os auxiliares independentes possuem funções diferentes e mantêm relação jurídica
diversa, com as empresas, da do contrato de trabalho. Entre eles destacam-se os corretores,
leiloeiros, representantes comerciais, despachantes, tradutores e interpretes.
Independentes
Classificados impropriamente como auxiliares do comércio, pois exercem atividades sob
próprio nome.
Trapicheiros
Administradores de Depósitos
Comissários de Transporte
Corretores
Têm como função a aproximação das partes interessadas
– Corretores de mercadorias;
– Corretores de navios;
– Corretores de seguros;
– Corretores de fundos públicos ou em negócios de valores.
Os corretores estão proibidos de exercer o comércio, art. 59 do C. Com.
Deverão ter livros especiais, escriturados sem vícios ou defeitos.
Os corretores de imóveis pertencem à área civil.
Leiloeiros
Têm por função a venda, mediante oferta pública, de mercadorias que lhe são confiadas.
Hoje, só existem leiloeiros oficiais e seu nº é fixado pelas juntas comerciais para cada praça.
Deverá manter os seguintes livros: Diário de entrada; Diário de saída; Contas
Correntes; protocolo; Diário de leilões; Livro talão.
Estão proibidos os leiloeiros: de exercer o comércio;
constituir sociedade;
fazer cobrança ou pagamentos;
adquirir para si ou familiar coisa de cuja venda tenha sido incumbido.
Representantes comerciais
Pessoa física ou jurídica, sem relação de emprego, que desempenha a realização de
negócios mercantis, agenciando propostas e pedidos, para transmiti-las aos representados,
praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios.
Despachantes
Agentes autônomos com conhecimentos especializados junto às repartições em geral,
atuando no sentido de desembaraço de papéis. A função é facultativa.
Tradutores e Interpretes
Possuem a qualificação legal para traduzir textos falados e escritos de um idioma para
outro. São habilitados perante a junta comercial e sua remuneração é feita com base em tabela
de emolumentos organizada pela Junta Comercial.
Conforme lição de Ferrari, citada por Rubens Requião, a colaboração pode ser exercida
em duplo setor:
Setor
Campo Técnico
Atividade Física
Atividade Intelectual
Campo Jurídico
Desenvolvimento de atividade jurídica em lugar do empresário. O auxiliar
terá suas funções jurídicas limitadas pela natureza das funções que o regulamento da empresa
lhe conferir.
Os auditores independentes, para todos os fins previstos na Lei nº 4.728,
de 14/7/1965 (Lei de Mercado de Capitais), são registrados como auditores independentes, com
o exclusivo objetivo de prestação de serviço de auditoria.
Aponta-se ainda uma outra categoria de agentes autônomos do comércio, moderna,
intitulada agentes da informação, regulada pela Lei nº 3.099, de 24/2/1957, complementada pelo
Decreto nº 50.332, de 2/5/1961.