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ÍNDICE

1. Carta de Apresentação --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3


2. Introdução ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 6
3. Carta Constitutiva (Founding Charter) --------------------------------------------------------------------------------------------- 14
4. Carta Constitutiva - Tradução (Founding Charter - Translation) ----------------------------------------------------------------- 16
5. Registro da marca DeMolay no Brasil (Trademark Demolay Registration - 1º e 2º decênios) ---------------------------------- 18
6. Contrato de reconhecimento e autonomia assinado entre o Supremo Conselho Internacional e o SCODB ------------------- 21
7. CNPJ / SCODB ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 30
8. A História dos 36 anos da Ordem DeMolay no Brasil e os 31 anos do SCODB -------------------------------------------------- 32
9. Sentença Judicial de 1º Grau ------------------------------------------------------------------------------------------------------- 38
10. Síntese do Recurso de Apelação interposto junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região -------------------------------- 41
11. Extrato com o atual andamento processual do Recurso de Apelação no TRF 1ª região --------------------------------------- 49
12. Parecer do Escritório de Advocacia JOSÉ ROBERTO D’AFFONSECA GUSMÃO - Ex-Presidente do Instituto Nacional da
Propriedade Intelectual (INPI) --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 51
13. Circulares emitidas pelo SCODB acerca do processo judicial, tentativas de unificação, propostas e resultado de consulta ----
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 76
13.1 - Circular SCODB Nº 008 2010-2011 ----------------------------------------------------------------------------------------- 78
13.2 - Circular SCODB Nº 014 2010-2011 ----------------------------------------------------------------------------------------- 80
13.3 - Circular SCODB Nº 004 2011-2012 -------------------------------------------------------------------------------------- 107
13.4 - Circular SCODB Nº 007 2011-2012 -------------------------------------------------------------------------------------- 108
13.5 - Circular SCODB Nº 021 2011/2012 --------------------------------------------------------------------------------------- 110
13.6 - Circular SCODB Nº 007 2013/2014 ------------------------------------------------------------------------------------------ 113
14. Tratados e Cartas de Apoio e Reconhecimento Maçônico ao SCODB ---------------------------------------------------------- 129
14.1 - Decreto nº 0609 do GOB - 2003 --------------------------------------------------------------------------------------------- 130
14.2 - Decreto Nº 824/2012 do Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito --------------------- 132
14.3 - Circular nº 04 do GOB / MG - 2011 ------------------------------------------------------------------------------------------ 134
14.4 - Circular do GOB / PE - 2016 ------------------------------------------------------------------------------------------------- 135
14.5 - Prancha do GOB / PB - 2016 ------------------------------------------------------------------------------------------------- 136
14.6 - Decreto nº ETR-0006 do GOB / MG - 2016 --------------------------------------------------------------------------------- 137
14.7 - Tratado de Amizade entre o SCODB e o GOB/RO - 2011 ------------------------------------------------------------------- 138
14.8 - Tratado de Amizade entre o SCODB e o GOB/RS --------------------------------------------------------------------------- 142
14.9 - Carta de Reconhecimento do Grande Priorado do Brasil Das Ordens Unidas Religiosas, Militares e Maçônicas do Templo e
de São João de Jerusalém, Palestina, Rodes e Malta (2013) ----------------------------------------------------------------------- 144
14.10 - Decreto nº 071/2013 - GPR do Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita - 2013 ---------------------------------- 146
14.11 - Tratado de Amizade entre o SCODB e o GOSC/COMAB (SC) - 2010 ----------------------------------------------------- 148
14.12 - Tratado de Amizade entre o SCODB e o GORGS/COMAB - 2009 --------------------------------------------------------- 149
14.13 - Tratado de Amizade entre o SCODB e o GOMS/COMAB - 2012 ----------------------------------------------------------- 151
14.14 - Decreto nº 009/2007 GOPB/COMAB - 2009 ------------------------------------------------------------------------------- 154
14.15 - Ratificação do Tratado de Amizade entre o SCODB e o GORGS/COMAB - 2012 ----------------------------------------- 155
14.16 - Tratado de Amizade entre o SCODB e o GOSC/COMAB - 2005 ----------------------------------------------------------- 156
15. DOCUMENTOS GERAIS ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 158
15.1 - Carta da lavra do Grande Mestre Alberto Mansur direcionada ao Supremo Conselho Internacional, relatando as origens
da cizânia na Ordem Demolay brasileira, e seus protagonistas ------------------------------------------------------------------- 159
15.2 - Informativo sobre a história e divisão da Ordem Demolay no Brasil, narrada pelo Mestre Maçom Francisco Ramos Corrêa
em novembro de 2005 --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 185
15.3 - Parecer circunstanciado e histórico sobre a legalidade e regularidade do Supremo Conselho da Ordem Demolay para o
Brasil, da lavra do Legionário de Honra do SCODB e M:. M:. Abel Nunes Proença Junior ----------- 199
15.4 - Nota Oficial da Diretoria Executiva acerca do Processo oriundo da Justiça comum do Mato Grosso do Sul que atualmente
encontra-se em grau de recurso no Superior Tribunal de Justiça Demolay --------------------------------- 214
15.5 - Proposta de Unificação feita em 2010 à RFB -------------------------------------------------------------------------------- 222
15.6 - Versão original do Contrato de reconhecimento e autonomia assinado entre o Supremo Conselho Internacional e o
Supremo Conselho da Ordem Demolay para o Brasil, em 12 de maio de 1985 (Contract of Recognition and Autonomy signed
between International Supreme Council and Supremo Conselho da Ordem Demolay para o Brasil, on May, 12th, 1985) ----------------- 224
16. SCODB – Gestão 2015/2016 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 235

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“À Maçonaria Brasileira e Nação DeMolay."

O Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil (SCODB), legal, legítimo


e soberano para o exercício de todas as atividades da Ordem DeMolay em território nacional
desde 1985, vem através deste material, expor de forma transparente e verdadeira, sua versão
dos fatos pertinentes às querelas envolvendo a Ordem DeMolay no Brasil.

Preliminarmente, é importante frisar, que este material não provém de


argumentações vazias ou falsas informações ludibriativas com finalidade manipulativa. Toda
sua fundamentação advém de embasamento técnico-jurídico, depoimentos oficiais de
lideranças regularmente constituídas em suas funções e documentações probatórias das mais
diversas, sobre fatos históricos datados desde 1980, como todos poderão ver a seguir nas
consecutivas páginas e anexos, pois aqui nesta instituição, sempre agimos com a égide da
ética e do profissionalismo.

A motivação principal deste compêndio, é elucidar a verdade que veio sendo


distorcida ao longo da última década, interregno este, que o SCODB sofreu diversas ondas de
ataques, cada vez mais intensas derivadas de outras instituições, através de seus equivocados
agentes.

O objetivo do SCODB sempre foi pautado na lapidação da juventude brasileira


potencializando suas habilidades, capacitando jovens líderes, promissores e conscientes
cidadãos, bons filhos e amigos, homens leais e patriotas, corteses e reverentes às coisas
sagradas, direcionados pelo espírito genuíno da pureza em seus corações... A conquista por
gerações cada vez mais produtivas, livres de vicissitudes e repletas de valores morais e
intelectuais, sempre foi o nosso autêntico alicerce.
3
Neste diapasão, o SCODB jamais interrompeu suas atividades visando adentrar
neste famigerado litígio que outras instituições buscam nos arrastar. Do contrário, sempre
seguimos focados em nossos trabalhos, com projetos voltados na construção do futuro de um
país grandioso, com homens de igual semblante honroso, que tanto almejamos em nosso
Plano Pedagógico.

Desde 2004, ocasião em que houve a 1ª Cisão da Ordem DeMolay no Brasil,


resistimos firmemente à investidas desonestas. Transcorrida a cisão por grupo divergente e
separatista em 2004, fomos afrontados na Justiça Brasileira em processo judicial movido por
instituição que se autointitula "Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República
Federativa do Brasil" (o RFB, corrente dissidente do SCODB).

É com imenso pesar que anunciamos, neste momento, que somos obrigados a
publicar nossa defesa institucional (extra-autos do processo judicial), em face das constantes
agressões que o "RFB" em âmbito administrativo e institucional realiza, além do que
absurdamente litiga na justiça: o pleito de extinção de nossa pessoa jurídica no CNPJ
28.643.559/0001-59.

Saibam que, não é com regozijo nenhum que dedicamos muito de nosso tempo e
energia neste material. Muito pelo contrário. É com extremo pesar, que analisamos esta triste
página da história da Ordem DeMolay, dividida em 2004 pela corrente dissidente supracitada.
Desde então, observamos frenéticos movimentos persecutórios visando o extermínio do
SCODB, instituição com 36 (trinta e seis) anos de história em território Nacional e
incontáveis serviços sociais prestados à sociedade Brasileira.

Classificamos estas ações de perseguição como atos denegatórios dos


ensinamentos das sete virtudes cardeais, firmados em voto sagrado no altar dos juramentos.

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Nesta senda, independentemente do imbróglio alimentado cada vez com maior
beligerância pela "RFB", prosseguimos em nosso trabalho incessante na transformação
construtiva de cada jovem, fiéis à nossos votos e virtudes.

Não retiraremos do nosso rol de prioridades, em nenhuma hipótese, nossos


princípios basilares de respeito ao livre pensamento e escolha, que aqui neste Supremo
Conselho asseguramos fielmente aos nossos associados.

Protegeremos nossa juventude de qualquer tentativa hostil que avilte ou deponha


contra sua saúde e integridade.

Por aclamação da Nação DeMolay do SCODB, após incontáveis solicitações,


disponibilizamos este material em respeito e lealdade à Demanda.

"Tuebor (Eu Defenderei)" MANSUR, Alberto.

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SUPREMO CONSELHO DA ORDEM DEMOLAY PARA O BRASIL

Rio de Janeiro, 1º de Agosto de 2016.

Assunto: Apresentação de documentos (registros,


tratados, circulares, pareceres e contratos) que
legitimam a regularidade e independência do Supremo
Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil - SCODB

Estimados Tios Maçons e Irmãos DeMolays,

Há muito tempo vem-se falando a respeito da regularidade do Supremo Conselho


da Ordem DeMolay para o Brasil - SCODB, do reconhecimento do mesmo junto às
potências maçônicas e do registro da marca DeMolay. Neste expediente, estaremos
apresentando uma série de documentos que demonstrarão que o Supremo Conselho da
Ordem DeMolay para o Brasil - SCODB continua independente, altivo, atuante e
principalmente regular.

Em 16 de agosto de 1980 o Tio Alberto Mansur, já investido no cargo de Deputado


e Oficial Executivo (do então Supremo Conselho Internacional), presidiu a instalação do 1°
Capítulo na América do Sul, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Em 09 de maio de 1984, por influência do Tio Alberto Mansur, o Supremo


Conselho Internacional da Ordem DeMolay, em reunião em Sarasota, Flórida, USA,
resolveu por deliberação unânime de sua diretoria, criar o Supremo Conselho da
Ordem DeMolay para o Brasil - SCODB, como um Supremo Conselho autônomo e
independente, como será doravante comprovado.

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Para melhor compreensão, colacionamos a tradução da CARTA
CONSTITUTIVA (ou Carta Patente), cuja versão original foi redigida em língua inglesa:

"Saudações a todos os cidadãos e residentes do Brasil.

Saibam todos pelo presente que, de acordo com a resolução adotada no nono dia de maio
de 1984, AL. 5984, o

SUPREMO CONSELHO INTERNACIONAL DA ORDEM DEMOLAY

ordena, cria, constitui e estabelece, neste ato, em vigor na data prevista abaixo, o
SUPREMO CONSELHO DA ORDEM DEMOLAY PARA O BRASIL

como um Supremo Conselho da Ordem DeMolay independente e soberano, o referido


Supremo Conselho Internacional cede ao Supremo Conselho do Brasil exclusividade
sobre a Ordem DeMolay em todo território brasileiro.

O referido Supremo Conselho Internacional, por meio deste, requer a todos os membros
da Ordem DeMolay, Conselheiros, Organizações e Órgãos da referida Ordem .dentro do
dito território que doravante dediquem sua inteira obediência em todos os assuntos
pertinentes à Ordem DeMolay para o Supremo Conselho do Brasil.

Estando todos os acima mencionados sujeitos à contínua observância pelo Supremo


Conselho do Brasil dos Sagrados Princípios da Ordem DeMolay e das disposições da
Mútua Convenção de Confiança e Irmandade atualmente existente entre os ditos
Supremos Conselhos, conforme eles possam ser alterados de tempo em tempo por meio
de consentimento mútuo.

Feito pelo Grande Mestre do Supremo Conselho Internacional, com o testemunho do


Grande Secretário, e sob o selo, neste dia 12 de abril de 1985, A.L. 5985, em seu
escritório na cidade de Kansas, no Estado de Missouri, um dos estados dos Estados
Unidos da América, onde a Ordem foi fundada por Frank Shermann Land, AD. 1919, A.L.
5919.

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Com felicitações de todos os membros do Supremo Conselho Internacional e de todos os
membros e Conselheiros da DeMolay, sob sua jurisdição, que sempre rogará pela
continuidade da boa fortuna do Supremo Conselho do Brasil.

DON W. WRIGHT - Grande Mestre.

THOMAS C. RAUM JR. - Grande Secretário.

(TRADUÇÃO N° I-76554/09 - LIVRO N° 697 - FOLHAS N° 7, 8 e 9)."

Neste diapasão, em 12 de abril de 1985, em sessão solene na Câmara Municipal


da cidade do Rio de Janeiro (RJ), é assinado o Tratado de Reconhecimento do Supremo
Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil - SCODB como um Supremo Conselho
Soberano e Autônomo, em convenção de mútua confiança e irmandade.

Como se verá nos documentos que seguem anexo, o tratado foi assinado:

 Pelo Supremo Conselho Internacional (SCI):

Don W. Wright - Grande Mestre


Thomas C. Raum JR - Grande Secretário

 Pelo Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil (SCODB):


Alberto Mansur - Grande Mestre
Wilton Cunha - Grande Secretário

 Como Testemunhas:

Sylvio Cláudio (Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil/RJ)

Cláudio M. Souza (Grão Mestre da Grande Loja do Estado do Rio de Janeiro)

Venancio P. lgrejas Lopes (Lugar Tenente Comendador do Sup.˙.Cons.˙.do


R.˙.E.˙.A.˙.A.˙. da Maç.˙. para a Rep.˙. Fed.˙. do Brasil)

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Destacamos, dessa forma, que desde sua gênese, o SCODB nutre o caráter supra-
potência da Ordem, pois o próprio tratado foi assinado (testemunhas) por representantes do
Grande Oriente do Brasil (GOB), da Grande Loja (GL) e do Supremo Conselho do Grau 33
do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Estava pois, a Maçonaria brasileira, desde 1985, regularmente autorizada e


legitimada à patrocinar a maior organização de jovens do mundo.

Como pode ser constatado, o Tratado impõe como únicas e verdadeiras limitações:

- A manutenção das 7 virtudes cardeais no 1° Grau;


- A encenação da morte de Jacques DeMolay no 2° Grau;
- A preservação do emblema DeMolay;
- Contempla com total soberania e independência o Supremo Conselho da
Ordem DeMolay para o Brasil - SCODB conforme item 4 do tratado:

“No que tange o governo e a organização, fica acordado que cada


Supremo Conselho será SOBERANO em sua própria jurisdição, que
todas as Organizações e outros órgãos da Ordem DeMolay em tal
jurisdição deverão estar subordinados ao seu Supremo Conselho, e
que nenhum Supremo Conselho envidará esforços para estabelecer
efetivamente qualquer órgão da Ordem na jurisdição de outro
Supremo Conselho". (grifo nosso)

É indiscutível, portanto, a condição de órgão INDEPENDENTE e SOBERANO


do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil - SCODB, desde 1985,
condição esta que não pode ser retirada unilateralmente por aquele que se julga ser sucessor
do antigo Supremo Conselho Internacional.

Maçonicamente, quando uma organização maçônica emite uma Carta Patente para
a criação de outra em um outro país, não poderá revogá-la posteriormente, dado ao caráter
soberano da nova organização. No máximo poderá romper relações, se determinados
postulados não forem seguidos.

Vale destacar, também, que o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o


Brasil - SCODB detém o registro da marca ―DeMolay‖ conforme certificados 819387193 e
821561910 do INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial (que seguem anexos).
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É, portanto, o único titular da marca no Brasil. Sendo oportuno ressaltar, que existe
contestação deste registro através do processo nº 2007.34.00.030361-6.

Em que pese o primeiro julgamento do processo nº 2007.34.00.030361-6, na 8ª


Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, a sentença que nos foi adversa (cópia
anexa a seguir), não possui força executiva e não pôde ser aplicada e executada de imediato,
pois, ainda não transitou em julgado, e existe instrumento recursal (tempestivamente
interposto) para a competente instância.

Esclarecemos que o processo judicial que discute a validade do registro da marca


―DeMolay‖ perante o INPI ainda não está encerrado e que, portanto, nunca existiu e não
existe qualquer impedimento legal ao normal funcionamento do Supremo Conselho da
Ordem DeMolay para o Brasil - SCODB e de seus corpos jurisdicionados.

O processo judicial (cuja íntegra de capa a capa, pode ser encontrada no site
www.demolay.org.br, na aba: DOCUMENTOS), encontra-se na fase recursal, perante a 5ª
Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sob o nº de Apelação
2007.34.00.030361-6, tendo como Relator o Eminente Desembargador Federal Carlos
Moreira Alves, cuja Apelação interposta pelo SCODB, objetiva a reforma da sentença
proferida.

Nesta senda, temos plena e total convicção que a sentença, ora objurgada, será
plenamente reformada, vez que, não houve prova nos autos de que o Supremo Conselho
Internacional (SCI) foi sucedido pela DeMolay International (DI), assim como, a ação
interposta pela RFB conforme pacífica e hodierna jurisprudência de nossos Tribunais
Superiores encontra-se fulminada pela prescrição.

A esse respeito ressalte-se, inclusive, que quando do depósito do registro da


marca pelo SCODB, em 1996, a DeMolay International sequer existia, pois, a sua
criação, como se verá, ocorreu apenas em 2002, ou seja, 6 (seis) anos depois do
requerimento de registro formulado pelo SCODB junto ao INPI o que viabiliza e corrobora a
tese expendida no Recurso de Apelação de que nunca houve "má-fe" no registro da marca da
Ordem DeMolay no Brasil.
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Um equivoco fático da v. sentença, que reputamos como grande e que
certamente será corrigido quando do julgamento do Recurso de Apelação, foi a
afirmação de que "a DEMOLAY INTERNATIONAL é uma entidade antiga e criadora
das marcas e da liturgia utilizadas nas suas atividades, cujos registros remontam a
década de 1950 do século passado" {fls. 2.384).

Tal afirmativa parte da equivocada premissa de que houve sucessão entre o


Supremo Conselho Internacional e DeMolay International, o que não corresponde à
realidade, pois ocorreu a extinção das operações do Supremo Conselho nos EUA, em 1997,
em razão de condenações judiciais que sofreu pela conduta de um de seus líderes.

Quando paralisou as suas operações em 1997, o Supremo Conselho


Internacional já havia transferido, em caráter definitivo, todos os seus poderes em
solo brasileiro para o SCODB, por meio do citado tratado de mútuo, em caráter
irretratável.

Consta no processo documento expedido pela Secretaria Executiva do Estado de


Missouri, que confirma a dissolução administrativa do SUPREMO CONSELHO
INTERNACIONAL, as fls. 1790/1801, nos seguintes termos:

"Deixar de apresentar um relat6rio anual total e correto. Por essa razão, a


entidade acima fica dissolvida ou revogada administrativamente nos termos
do disposto na seção 355.711 dos RSMo (Estatutos Revisados do Estado do
Missouri) no dia 26 de dezembro de 2007, sujeita a rescisão conforme previsto
nesses dispositivos. A entidade dissolvida administrativamente não poderá
exercer quaisquer atividades exceto aquelas necessárias para o
encerramento e liquidação de suas atividades e negócios, conforme seção
355.691."

Como se vê, a dissolução do SUPREMO CONSELHO INTERNACIONAL está


comprovada no processo e a própria legislação americana estabelece vedação expressa ao
exercício de atividades que não se relacionem com o seu encerramento e liquidação, não
sendo razoável supor, portanto, que depois de cinco anos de seu encerramento, estaria essa
entidade outorgando poderes a algum tipo de sucessor.

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Apenas em 2002, ou seja, mais de cinco anos depois, foi criado o DEMOLAY
INTERNATIONAL, que obteve o registro da marca em 2003, sendo certo, portanto, que tal
criação não teve caráter sucessório ou de substituição do Supremo Conselho Internacional
anterior, mesmo porque este já não exercia mais atividades quando de sua criação, para
efeitos de outorgar-lhe autorização para eventual sucessão.

Exatamente por isso, a alegada sucessão somente encontra guarida em


documento produzido unilateralmente pela DEMOLAY INTERNATIONAL, não
reconhecido, seja pelo SCODB, seja pelo extinto SUPREMO CONSELHO
INTERNACIONAL.

Havendo cinco anos de vacância na titularidade da marca nos Estados Unidos da


América, é fragilizada a tese de que houve sucessão entre os Conselhos, não podendo ser
afastado que, por todo esse período, o SCODB exercia em solo brasileiro, sem qualquer
oposição, todos os direitos que lhe haviam sido legitimamente outorgados no ano de 1984,
de forma independente e "soberana".

Por essas razões e considerando-se, ainda, que o primeiro registro foi conferido
regularmente ao SCODB em 1999 e que a ação judicial interposta pela RFB somente foi
ajuizada em 2007, encontrando-se fulminada pelo instituto da prescrição (tese esta não
apreciada na sentença de 1º grau), reiteramos a plausibilidade jurídica de total reforma da
sentença, como requestado pelo corpo jurídico do SCODB junto ao TRF da 1ª Região.

Assim, por estarmos em conformidade com a legislação pátria, acreditamos na


manutenção de nossos direitos e registros, com a aplicação dos artigos 6 e 6 bis da
Convenção da União de Paris e a prevalência da Justiça.

O Supremo Conselho Da Ordem DeMolay Para o Brasil - SCODB continua e


continuará atuando com pujança e galhardia na defesa dos princípios de nossa Ordem e da
Independência e Soberania de nossa Instituição. Ao lado das obediências maçônicas
reconhecidas, caminharemos sempre amparados pelos ideais de justiça que, com certeza,
prevalecerão e confirmarão nossa história e luta.

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E dessa forma, desde o dia 16 de agosto de 1980 muito se tem feito pela
manutenção e fortalecimento da Ordem DeMolay em território brasileiro e, que a partir de
12 de abril de 1985 o Supremo Conselho Da Ordem DeMolay Para o Brasil - SCODB
surge como instituição regular e mantenedora da Ordem DeMolay no Brasil que o é, a qual
possui em seus quadros mais de 100 mil membros iniciados, espalhados em mais de 400
Capítulos, 150 Conventos dos Nobres Cavaleiros, 85 Cortes de Chevaliers e 141 Távolas
dos Escudeiros.

Convictos de que esse documento venha a esclarecer as dúvidas que possam


existir, recebam nosso abraço fraternal na certeza das bênçãos e proteção do nosso Pai
Celestial.

Fraternalmente,

Ilan Kelson de Mendonça Casto Matheus França Costa de Almeida


Grande Mestre Nacional Mestre Conselheiro Nacional

Marcelo Vitor Leal Barbosa


Grande Secretário Geral do SCODB

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“CARTA CONSTITUTIVA DO SUPREMO CONSELHO DA ORDEM DEMOLAY PARA O BRASIL.

Saudações a todos os cidadãos e residentes no Brasil.

A fim de que todos saibam pelo presente que, de acordo com a resolução adotada no nono dia de
maio A.D., A.L. 5984, O SUPREMO CONSELHO INTERNACIONAL DA ORDEM DEMOLAY aqui ordena,
cria, constitui e estabelece, na data da última publicação abaixo, o SUPREMO CONSELHO DA
ORDEM DEMOLAY PARA O BRASIL.

Como um Supremo Conselho DeMolay independente e soberano, cabe ao dito Supremo Conselho
do Brasil exclusividade sobre a Ordem DeMolay em todo território do dito Brasil.

E o dito Supremo Conselho Internacional por meio deste requer a todos DeMolay, dentro do dito
território, doravante render sua inteira obediência em todos os assuntos pertinentes a Ordem
DeMoLay para o dito Supremo Conselho do Brasil.

Todos os ascendentes sendo sujeitos apenas a observar continuamente pelo dito Supremo
Conselho do Brasil o Sagrado Limite da Ordem DeMolay e as provisões para a Mutual Convenção de
Confiança e Irmandade agora existente entre os ditos Supremos Conselhos como os mesmos
podendo ser retificados de tempos em tempos por mútuo acordo.

Dado pela mão do Grande Mestre do Supremo Conselho Internacional com o testemunho do
Grande Secretário e sob cujo selo neste dia 12-04-1985, A.L. 5985, com sede na cidade de Kansas,
Estado de Missouri, dos Estados Unidos da América, onde a ordem foi fundada por Frank Sherman
Land, A.D. 1919, A.L. 5919.

Com felicitações de todos os membros do Supremo Conselho Internacional e todos DeMolays,


Conselheiros, permanecendo sob sua jurisdição, que sempre rogará pela continuidade da boa
fortuna do Supremo Conselho do Brasil.

DON W. WRIGHT — Grande Mestre.

THOMAS C. RAUM JR. -— Grande Secretário”.

(Transcrição in verbis contida no Livro "Jacques DeMolay" de autoria de Rizzardo da Camino, Ed.
Aurora, pág. 278/279).

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"Por Guilherme Santos
Sênior DeMolay / SCODB
Maçom / GOMG - COMAB
Mestre Conselheiro Nacional / SCODB (2008-2009)
Grande Mestre Estadual - MG / SCODB (2014-2015)"

Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil: há 36 anos a favor da juventude

A Ordem DeMolay foi fundada em 1919 na cidade de Kansas City, estado do


Missouri, nos Estados Unidos da América. Fruto da visão e da sensibilidade do maçom
Frank Sherman Land, que à época vislumbrou a possibilidade de a Maçonaria atuar em favor
da formação de jovens baseada em virtudes e inspirada pelos ideais maçônicos.

O empreendedorismo e dedicação integral de Land ao projeto ao longo de muitos


anos foram recompensados com uma exitosa história. A organização cresceu em todo o
território americano nas décadas que se seguiram, passando a exercer uma importância
basilar na formação e na organização da Maçonaria norte-americana.

O progresso não tardou a ser percebido por líderes de potências maçônicas


estrangeiras. Visando à organização e administração da Ordem, bem como ao gerenciamento
de sua expansão nos EUA e em outros países, foi criado já em 1921 o Grand Coucil, que
mais tarde passou a se chamar International Suprem Council (ISC), ou, em português,
Supremo Conselho Internacional.

Frank Sherman Land sempre usou de sua sagacidade para garantir amplo respaldo
à Ordem que fundara. Ele próprio nunca assumiu a função de Grande Mestre Internacional
da Ordem DeMolay, permanecendo por anos a fio como Grande Secretário, encarregando-se
de todo o dia a dia administrativo. O cargo de Grande Mestre, no entanto, seria ocupado por
diversos maçons, a começar pelo irmão Alexander G. Cochran, Soberano Grande
Comendador à época.

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Interessante registrar esse passo, haja visto que muitos anos depois um outro
Soberano Grande Comendador bateu às portas de um já fortalecido Supremo Conselho
Internacional para pleitear a instalação de capítulos da Ordem DeMolay em seu país. Usando
de sua ampla influência maçônica no exterior, Alberto Mansur, que desde 1974 vinha
buscando trazer a organização para o Brasil, recebeu por parte dos líderes do ISC a
permissão para fundar aqui o primeiro capítulo. Não obstante, foi também designado como
Oficial Executivo para o Brasil, cargo que delegava a ele amplos poderes para representar a
organização e gerenciar sua expansão no território nacional.

De volta ao Brasil, coube pessoalmente a Alberto Mansur traduzir os rituais para o


português. Ele mandou imprimir folhetos explicativos sobre o que era a Ordem, remetendo-
os a todo o país através das correspondências oficiais do Supremo Conselho do Grau 33º do
Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil,
envolvendo os Inspetores Litúrgicos no trabalho de divulgação. Envolveu-se pessoalmente
em cada etapa da execução do projeto, que era ousado num momento em que a Maçonaria
brasileira ainda se preservava muito fechada nas práticas ritualísticas e questões internas.

No dia 16 de agosto de 1980, um sábado, 59 jovens, em sua grande maioria


parentes de maçons, compareceram na sede do Supremo Conselho do Grau 33 na cidade do
Rio de Janeiro, onde foram iniciados e se tornaram os primeiros DeMolays brasileiros.
Diversas autoridades maçônicas acompanharam a sessão.

Na ausência de DeMolays que pudessem dirigir os trabalhos, coube a Alberto


Mansur e vários dos Membros Efetivos ocupar os postos de oficiais e conduzir as
cerimônias. Ao final de todo o processo, foi entregue a Carta Constitutiva, ainda em inglês e
emitida pelo Supremo Conselho Internacional, que autorizava o funcionamento regular do
―Capítulo Rio de Janeiro nº01‖, patrocinado pelo Supremo Conselho do Grau 33.

Os anos que se sucederam foram marcados por um amplo esforço para a expansão
da Ordem no território nacional. Através de seu trabalho, Alberto Mansur garantiu a
fundação de vários outros Capítulos, sempre com o apoio de Grão-Mestres e autoridades
maçônicas.

Em 1985, já existindo 28 Capítulos em funcionamento distribuídos por 13 estados


brasileiros, Mansur pleiteou ao Supremo Conselho Internacional que fosse concedido ao
Brasil o direito de ter o seu próprio Supremo Conselho. Isso permitiria, além da notória
autonomia política e administrativa, que os emolumentos deixassem de ser enviados para os
EUA e pudessem ser empregados no desenvolvimento da Ordem no país.

Após muito esforço e negociação, e acima de tudo em reconhecimento ao


extraordinário trabalho que Mansur vinha executando havia muitos anos, o então Grande
Mestre Internacional Don Wright assinou a Carta Constitutiva que autorizava o
33
funcionamento do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil (SCODB), como
um Supremo Conselho ―independente e soberano‖. Juntamente com a Carta Constitutiva,
ambas as instituições assinaram um contrato por meio do qual o Supremo Conselho
Internacional autorizava o novo Supremo Conselho no Brasil a usar a marca DeMolay no
país, não constando nesse documento previsão de renovação periódica ou necessidade de
nenhum tipo de pagamento por isso. Alberto Mansur tornou-se, além de Fundador, o
primeiro Grande Mestre da Ordem DeMolay no Brasil.

A medida comprovou-se acertada ao longo dos próximos anos, quando a Ordem


iniciou uma aceleração em seu processo de expansão. Entre 1980 e 2000, mais de 500
capítulos foram fundados e instalados no Brasil. O SCODB fortaleceu e organizou esse
trabalho, escolhendo dezenas de valorosos irmãos maçons para atuar como Oficiais
Executivos em todos os estados, tendo como missão fomentar e promover a Ordem.

Em todas as etapas, Mansur manteve amplo diálogo com os Grão-Mestres


brasileiros, ficando sempre caracterizada essa relação de parceria no desenvolvimento da
Ordem DeMolay. Compreendendo a importância do envolvimento maçônico, utilizou
amplamente o slogan ―Patrocínio da Maçonaria‖ na divulgação da organização.

Tamanho foi o seu envolvimento com a causa, que tornou-se em 1988 o primeiro
Soberano Grande Comendador a deixar o posto ainda em vida, uma vez que o cargo era até
então vitalício. Entre os motivos que o levaram a essa decisão estava, além do sentimento de
que era necessário democratizar o exercício do cargo, a sua ampla vontade de dedicar-se
integralmente à Ordem DeMolay.

Em todo o período em que exerceu o cargo de Grande Mestre do SCODB, sendo


reeleito em diversas eleições, Alberto Mansur frequentou a grande maioria dos Congressos
Internacionais realizados, sempre prestando contas de sua atividade à frente da Ordem
DeMolay brasileira.

Com ampla participação e concordância do DeMolay Internacional, avançou na


expansão nos demais países da América Latina, instalando capítulos na Bolívia e no
Paraguay.

É legítimo afirmar, portanto, que o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o


Brasil foi um grande marco, não apenas em nosso país, como também no mundo, de
execução de um trabalho sério e legítimo em favor da juventude. Respaldado pelo grande
maçom que conduzia o projeto, a Ordem tornou-se em muito pouco tempo uma grande
referência na comunidade maçônica nacional.

Evidentemente, esse trabalho não escapou dos conflitos motivados por vaidade,
infelizmente tão comuns na Maçonaria, e de cisões geradas a partir de discordâncias
34
individuais e disputas de poder. A primeira delas se deu em São Paulo, inclusive com o
apoio da Grande Loja daquele estado, quando nos idos de 1998 e 1999 foi criado o
JDEMOLAY, uma instituição para tentar usurpar a administração da Ordem de forma
autônoma.

Mais adiante, outras cisões se deram, sendo uma delas no Rio Grande no Norte,
com a fundação do ―Supremo Conselho Jacques DeMolay‖, e outra gerada a partir da
falsificação de uma ata do próprio SCODB por parte de antigos dirigentes, que simulava
uma falsa eleição e permitiu que assumissem inclusive a conta bancária do Supremo
Conselho. Os responsáveis por esse ato foram posteriormente processados condenados na
justiça.

Sempre com o respaldo do DeMolay Internacional, como agora se chamava o


antigo Supremo Conselho Internacional, o SCODB combateu essas cisões, protegendo a
marca DeMolay no país conforme exigência contratual. As orientações para essa postura
encontram-se registradas em correspondências de Grandes Mestres Internacionais ao então
Grande Mestre Alberto Mansur.

No início dos anos 2000, no entanto, uma grande crise formada através de
disputas no Supremo Conselho do Grau 33º, do qual Alberto Mansur se mantinha como
membro, fizeram com que a Ordem DeMolay fosse colocada no centro de um grave conflito
maçônico. As ações naquele momento repercutiram no território brasileiro, e a instituição
internamente sofreu o revés desse ato, do qual tomaram parte muitas Grandes Lojas da
CMSB.

Em 2004, após muitos cismas externos e internos, sem maiores explicações, o


DeMolay Internacional rompeu o seu contrato e tirou o reconhecimento do Supremo
Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil. Numa tentativa de reagir à medida, Alberto
Mansur foi aos Estados Unidos visando a evitar que isso se concretizasse, acompanhado do
seu então Grande Mestre Adjunto Toshio Furukawa.

À época, Toshio foi apresentado como sucessor de Mansur, numa tentativa de


pacificar os ânimos com sua saída do posto e assegurar que as medidas radicais anunciadas
não se concretizassem. No entanto, a decisão já estava tomada.

Naquele mesmo ano, mesmo com Mansur cumprindo sua promessa e deixando o
cargo de Grande Mestre após 19 anos, transmitindo-o ao irmão Toshio Furukawa, o
DeMolay Internacional reconheceu a criação de um novo organismo para dirigir a Ordem
em nosso país: o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do
Brasil (SCODRFB), assinando com ele um contrato para uso da marca muito mais rígido
que o anteriormente concedido ao SCODB, incluindo data de validade e renovação

35
periódica. O contrato ainda previa o repasse de certo valor em dinheiro anualmente, visando
a formalizar o uso da marca.

Com o apoio da CMSB, o novo Supremo Conselho cresceu e absorveu as demais


cisões existentes. E ao longo dos quase 12 anos seguintes a Ordem, criada para fomentar
uma juventude mais fraterna, se viu embrenhada em diversas disputadas judiciais. De um
lado, o SCODB reivindica o seu direito de usar a marca no país, amparado por diversos
argumentos jurídicos e pela história que já totaliza 31 anos. Do outro, o SCODRFB
reivindica o mesmo direito, alegando que a marca pertence unicamente ao DeMolay
Internacional, que agora transferira à nova instituição esse direito.

Vale destacar que, mesmo depois da divisão entre os Supremos Conselhos, o


SCODB jamais interrompeu suas atividades. Diversos Grandes Mestres Nacionais
sucederam Alberto Mansur em mandatos anuais, e todos eles tentaram, de alguma forma,
diálogo com o SCODRFB com o objetivo de unificar a Ordem DeMolay no país.
Destacamos aqui esses grandes líderes, bem como sua vinculação maçônica:

1. Alberto Mansur – 1985 a 2004 – GLMERJ e GOB-RJ

2. Toshio Furukawa – 2004 a 2005 – GOP-COMAB e posteriormente GOB-SP

3. Fuad Haddad – 2005 a 2006 – GOB-MG

4. Paulo Heitor Guglielmo – 2006 a 2007 – GLMERJ

5. Luiz Eduardo de Almeida – 2007 a 2008 – GOMG-COMAB

6. Max Rodrigues Pereira – 2008 a 2009 – GOB-RJ

7. Marcelo Brito dos Santos – 2009 a 2010 – GLESP

8. Wilson José Barbosa Júnior – 2010 a 2011 – GOMG-COMAB

9. Hugo Pinto Martins – 2011 a 2012 – GOB-PE

10. Alexandre Volney Rizzi – 2012 a 2013 – GOSC-COMAB

11. Sérgio Luiz Gonçalves – 2013 a 2014 – GOB-MS

12. Rodrigo Cardozo – 2014 a 2015 – GOB-SP

13. Ilan Kelson Mendonça Castro – 2015 a 2016 – GOB-PI

36
Essa ampla variedade de potências e obediências maçônicas que ilustram a
filiação dos Grandes Mestres Nacionais é reflexo de uma premissa fundamental estabelecida
pelo próprio Alberto Mansur desde o início do trabalho com o SCODB. Ele compreendia
que o segredo do sucesso da Ordem DeMolay era fazer com que ela, não sendo diretamente
uma organização maçônica e, portanto, não sujeita aos mesmos landmarks e questões
burocráticas do reconhecimento entre obediências, pudesse ser acessível a todos os maçons e
lojas, uma vez que fossem filiadas ao GOB, CMSB ou COMAB.

Atualmente, o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil,


ouvindo o clamor de seus jovens filiados e de tantos Consultores que acompanham o
trabalho, tem aprovada em Assembleia Geral a sua intenção de unificar pacificamente, desde
que essa unificação se dê na forma de uma fusão entre os dois Supremos Conselhos, gerando
assim uma nova organização.

No entanto, essa proposta de unificação pacífica não vigora, sobretudo


porque a outra parte insiste na tese de que o SCODB encerre suas atividades e todos os
membros migrem para a outra estrutura, admitindo apenas alterar o nome da organização.
Essa ideia não encontrou até então aceitação entre os membros do SCODB, pois
configuraria na prática uma incorporação, sendo a tese de fusão empresarial muito mais
sólida e justa.

No ano de 2012, Alberto Mansur faleceu aos 89 anos de idade. Durante


todo o tempo desde que iniciou o trabalho com a Ordem DeMolay até o fim de sua vida,
manteve-se atuante em defesa da Ordem. Após entregar formalmente o cargo e a
administração do Supremo Conselho, passou a ocupar um posto de honra, viajando por todo
o país e promovendo a legitimidade do SCODB e o fortalecimento da Ordem.

Ele é hoje um símbolo que orienta todos aqueles que trabalharam perto
dele, sendo inspirados por seu exemplo, a acreditar e defender toda a história construída ao
longo dos 36 anos da Ordem DeMolay no Brasil e 31 anos desde a fundação do Supremo
Conselho.

Hoje o SCODB está presente em todas as regiões do Brasil, com mais de


400 (quatrocentos) capítulos em plena atividade, patrocinado por lojas do Grande Oriente do
Brasil (GOB), obediência que temos Tratado de Reconhecimento desde 2003, das Grandes
Lojas filiadas à CMSB, e dos Grandes Orientes Independentes filiados à COMAB.
Mantemos nossa sede na capital do Estado do Rio de Janeiro, e já passaram por nossas
fileiras mais de 100.000 (cem mil) jovens que tiveram a honra de serem iniciados em nossas
virtudes cardeais.

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38
39
40
"Por Marcelo Vitor Leal Barbosa
Sênior DeMolay e Legionário de Honra/ SCODB
Maçom / GOB - PI
Grande Mestre Estadual - PI / SCODB (2012-2013)
Grande Secretário Geral do SCODB (2015/2016)
Ex - Ministro do Superior Tribunal de Justiça DeMolay / SCODB
Advogado OAB/PI nº6950"

Eminentes Irmãos,

Conforme descrito na apresentação deste trabalho, há em andamento


uma ação judicial proposta pela entidade Supremo Conselho da Ordem DeMolay
para a República Federativa do Brasil contra o SCODB, onde aquela busca obter
a anulação do registro da marca DeMolay, atualmente sob titularidade do
SCODB, junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI.

Tal processo tem andamento na Justiça Federal, e se iniciou na Seção


Judiciária do Distrito Federal, em Brasília (DF), onde recebeu o nº 0030223-
09.2007.4.01.3400, e teve julgamento em 1ª instância no último dia 15/07/2011,
julgamento este parcialmente favorável àquela entidade, por ter declarado a
nulidade dos registros das marcas em apreço e imposta condenação de
indenização, no importe de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais).

Em que pese o escarcéu que tal fato gerou à época – mormente por se
tratar da primeira decisão de relevo neste imbróglio que envolve as duas partes –
bem como das repercussões institucionais que incidiram, e ainda hoje incidem,
sobre o SCODB, seus dirigentes, com respaldo na vontade da maioria dos seus
associados, prosseguiram no patrocínio do processo, por entenderem, como de
fato ainda entendem, que a melhor técnica jurídica não foi aplicada na análise do
processo em 1ª instância.

Esta análise, por sinal, não decorre do costumeiro inconformismo


daquele que perde uma causa, mas sim, da observação do contexto que cercou este
julgamento, principalmente quando se faz o confronto entre a complexidade que

41
envolve a matéria e a maneira como se deu o seu desfecho, em meio a um mutirão
extraordinário, realizado no estado da Bahia, Seção Judiciária distinta daquela em
que teve início o processo, embora integrante da 1ª Instância do mesmo Tribunal.

Este julgamento precipitado1, levou o magistrado a cometer diversos


deslizes, dentre eles – o mais sintomático em termos de técnica jurídica – a
omissão sobre todas as questões, arguidas pelo SCODB, impeditivas de
análise da questão principal, que é a validade do registro. O magistrado sequer
as aduziu para negar, passando ao largo delas.

Sobre a sentença em si, extrai-se que o magistrado de 1ª instância


entendeu ser a entidade estrangeira DEMOLAY INTERNATIONAL sucessora do
extinto SUPREMO CONSELHO INTERNACIONAL e, por esta razão, deteria os
direitos e sobre a marca em questão, tanto nos Estados Unidos como no Brasil. Por
este prisma, entendeu que o SCODB não poderia ter efetuado o registro da marca
em apreço, pois, pertenceria à DeMolay International, que teria cedido sua
exploração no país para o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a
República Federativa do Brasil.

Trata-se de uma conclusão tão pueril, quando confrontada com a lei de


regência de marcas e patentes, que outra não poderia ser a iniciativa do SCODB,
que não fosse a de interpor o Recurso de Apelação para o Tribunal Regional da 1ª
Região, onde atualmente se encontra tramitando o processo.

Naquele recurso, em síntese, destacam-se os seguintes argumentos:

(i) O registro de marca efetuado em 1952, pelo International


Supreme Council, que seria o suposto antecessor do DeMolay International, se
encontra cancelado;

(ii) O International Supreme Council foi extinto e não existiu esta sucessão
de pessoas jurídicas ou de propriedade de marcas, mas sim, a abertura de
uma nova pessoa jurídica e de um novo registro de marca, inclusive mais
recente que o do SCODB;

(iii) O denominado DeMolay International apenas obteve o registro de


marca no ano de 2003, data posterior à do registro realizado pelo SCODB
(1990), bem como do depósito (1996);

(iv) O International Supreme Council abdicou de seus poderes em território


brasileiro em abril de 1985, cedendo-o ao SCODB, incluindo-se aí o direito
sobre marca DeMolay;

1
Precipitado, no caso, não se relaciona com o tempo de tramitação do processo, mas sim com o, tratamento
dispensado ao julgamento, realizado em meio a diversos julgamentos e visando a obtenção de uma meta.
42
(v) O SCODB é independente e soberano sendo que International Supreme
Council cedeu em caráter irretratável e irrevogável todos os direitos sobre a ordem
DeMolay para o Brasil e mais, determinou que não somente o International
Supreme Council mas o demais DeMolays que permaneceram sob a jurisdição do
International Supreme Council rogariam pela boa atividade do SCODB, inexistindo
relação de subordinação entre um e outro;

(vi) A Instituição denominada DEMOLAY INTERNATIONAL, como ocorreu com o


SUPREMO CONSELHO INTERNACIONAL, FOI TAMBÉM EXTINTA no ano de
2007, restando cabal a ausência de titularidade das marcas nos Estados Unidos da
América;

(vii) O SCODB possui o registro junto ao INPI – Instituto Nacional da Propriedade


Industrial2, e é o detentor exclusivo da propriedade intelectual em território
brasileiro da marca “DEMOLAY”, concedido em 23 de março de 1999, e de suas
diferentes variações, e, ainda, da marca “CAPÍTULO DEMOLAY”, concedido em 07
de fevereiro de 2006, e da a já colacionada marca figurativa com seu brasão, com
concessão em 13 de junho de 2006, pelo o que lhe garante a propriedade e uso
exclusivo das referidas marcas em todo território nacional;

(viii) Considerando a inconstância nas atividades das instituições International


Supreme Council e DeMolay International, que levaram, igualmente, à
descontinuidade do registro da marca DeMolay em solo americano; quando
confrontados com a constância das atividades do SCODB, e da continuidade dos
seus registros de marcas, conclui-se que as marcas do SCODB são mais antigas,
inclusive, que as marcas do também extinto Demolay International;

(ix) O “Instrumento Particular de Concessão, Uso, Administração, Divulgação e


Comercialização da Marca da Organização DeMolay”, também não possui qualquer
valor legal, pois, celebrado por quem não possui, em solo nacional, direitos sobre
as marcas e obras, atualmente sob titularidade do SCODB;

(x) Um defeito eminentemente técnico, não observado pelo magistrado: o


Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil,
embora afirme representar a Demolay Internacional, não lhe promoveu a
qualificação nos autos para este fim; sequer há nos autos qualquer documento
constitutivo daquela entidade, que indique esta representação, o que torna
inviável, inclusive, o manejo da ação por parte do autor, por não ser
permitido pleitear, em nome próprio, direito de terceiros;

(xi) Neste mister, também se omitiu o magistrado, pois, como há discussão


quanto a suposto direito de pessoa jurídica estrangeira, há exigência legal para que
a parte caucione (garanta) judicialmente quantia suficiente ao adimplemento de
2
http://www.inpi.gov.br/
43
custas processuais e de honorários advocatícios da parte contrária, providência
não adotada no caso;

(xii) Ponto nevrálgico sobre o qual o magistrado fora omisso: a Convenção da


União de Paris não é aplicável ao caso em tela por conferir proteção internacional
exclusivamente às marcas notoriamente conhecidas, a cujo elenco de critérios
fáticos e legais não se insere o presente caso, sendo cabível, neste caso, a lei
brasileira de propriedade industrial (Lei 9.279/96);

(xiii) O International Supreme Council tampouco a DeMolay International não


se encontram registrados no país, logo, sequer poderiam pleitear a proteção legal
e, muito menos, tê-la pretendido em todo o território nacional, com fulcro no art.
8º da Convenção da União de Paris;

(xiv) Tal circunstância torna ilegítima a proteção de denominação de


sociedade não registrada, porquanto, do contrário, privilegiar-se-ia a
sociedade irregular, em detrimento daquela regularmente constituída.
Outrossim, em interpretação sistemática, tem-se que a proteção ao nome
estrangeiro deve ser requerida nos moldes estabelecidos pela lei nacional, haja
vista que a própria Convenção, em seu art. 2º, determina que os cidadãos dos
países signatários terão proteção e direitos análogos aos outorgados aos nacionais,
desde que cumpridas as condições e formalidades impostas pela legislação brasileira;

(xv) A Convenção da União de Paris foi promulgada em território brasileiro


através do Decreto n° 75.572, de 08/04/1975 e assevera em seu art. 6° (3) que:
“Uma marca regularmente registrada num país da União será considerada
como independente das marcas registradas nos outros países da União
inclusive o país de origem.”;

(xvi) É inaplicável a Convenção de Paris ao caso, pois, nele não há nenhuma das
seguintes condições: a) a marca em apreço não se encontra registrada no país
estrangeiro anteriormente à marca registrada pelo SCODB; b) a marca, cuja
propriedade é discutida, não é notoriamente conhecida;

(xvii) O SCODB obteve o registro das marcas em 23/03/1999, sendo que teria, o
autor da ação, o prazo improrrogável de cinco (05) anos, a contar da data do
registro, para processar o SCODB a teor do que assevera o artigo 174, da Lei de
Propriedade Industrial (Lei n° 9.279/96), estando portanto PRESCRITO o
direito de ação;

(xviii) Os documentos juntados no processo pelo SCODB comprovam a


devida instituição e anterioridade temporal da utilização das marcas. Neste caso, a
lei confere o direito de procedência ao registro à pessoa que fazia, de boa fé, uso,

44
no Brasil, há pelo menos seis meses anteriores ao dia do outro depósito ou da
prioridade unionista, de marca igual ou assemelhada para assinalar os mesmos
produtos ou serviços (art. 45 da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996);

(xix) Pertence exclusivamente ao SCODB o direito de utilização, publicação e


reprodução de suas obras devidamente depositadas na Biblioteca Nacional.

Repise-se:

a) a extinção do SUPREMO CONSELHO INTERNACIONAL, que encerrou suas


atividades após sofrer condenações judiciais por ações de um de seus líderes.
Verifica-se que o registro do Supremo Conselho Internacional, que conferiu os
poderes ao SCODB no Brasil, é, nos Estados Unidos da América, de uma entidade
beneficente (benevolent), a qual foi criada em 1926 por Frank S. Land, sob a carta
patente nº B00006342, existente até hoje, mas posta em INATIVIDADE;

b) em conseqüência, é manifesta a inexistência de qualquer sucessão entre SUPREMO


CONSELHO INTERNACIONAL e a DEMOLAY INTERNATIONAL, que por sua vez
também foi extinta, como se comprovou nos autos através de cópias
autenticadas obtidas junto à Secretaria Executiva do Estado de Missouri, com
a devida tradução juramentada e autenticação consular, comprovando que A
INSTITUIÇÃO DENOMINADA DEMOLAY INTERNATIONAL, FOI EXTINTA NO
ANO DE 2007.

Percebe-se, portanto, a quantidade excessiva de pontos que foram


“esquecidos” pelo preclaro magistrado e que deveriam ter sido enfrentados antes
de adentrar na discussão sobre a regularidade do registro propriamente.

É pacífico que o magistrado não necessariamente precisa “mastigar”


todos os argumentos encetados pelas partes, contudo, os pontos suscitados alhures
são de importância tamanha, que sua omissão, dentro do contexto histórico da
marca guerreada, implicam num “julgamento pela metade”, algo típico da rapidez
imposta ao julgamento em questão.

Além das questões expostas, o recurso interposto pelo SCODB expõe


parecer da lavra do expert José Roberto d’Affonseca Gusmão, Doutor em Direito
pela Universidade de Strasbourg; Professor dos Cursos de Graduação e Pós-
Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e do Centre d’Études
Internationales de la Propriété Industrielle C.E.I.P.I da Universidade Robert
Schumann; e Ex-presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial –
INPI., que concluiu, in litteris:

“(...) II – Aquisição da Marca DeMolay no Brasil

45
Para a correta interpretação do caso, também se mostra necessário
estabelecer as circunstâncias que levaram o Consulente a requerer, em seu nome, o registro da
marca DeMolay no Brasil.

V - Conclusão

Em razão de todo o exposto, concluímos que:

a) O artigo 6º bis da CUP possui três requisitos para conferir a proteção extraterritorial à
determinada marca, a saber: (i) que o país do titular da marca que se busca proteger e o país
em que se busca impedir o registro ou uso sejam signatários da CUP; (ii) que haja
reprodução ou imitação da marca; e (iii) que a marca seja, comprovadamente, notoriamente
conhecida no país em que se busca a proteção extraterritorial, e no momento do depósito do
pedido de registro anulando;

b) O dispositivo do artigo 6º bis (3) da CUP estabelece que a ação de nulidade não prescreverá
nos casos em que o depósito da marca notoriamente conhecida tenha sido feito eivado de
má-fé;

c) Caso observadas as questões acima (ser a marca notoriamente conhecida no momento do


depósito do pedido do registro anulando, bem como comprovada a má-fé do titular do
registro anulando), deve-se avaliar a eventual ilicitude do registro, isto é, ter sido tal
registro concedido em violação às normas em vigor no país;

d) Por fim, deve-se ter em mente eventual comportamento contraditório das partes
envolvidas, a fim de avaliar se a pretensão esposada encontra óbice proibitivo na tutela da
boa fé objetiva.

No caso em análise, após detido exame da farta documentação acostada


aos autos da ação de nulidade, podemos afirmar que:

(i) DeMolay International e Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República


Federativa do Brasil não comprovaram que a marca DeMolay era notoriamente conhecida,
no Brasil, em 1996, de modo que fica afastada a possibilidade de aplicação da norma
esculpida no artigo 6º bis da CUP, bem como do artigo 126 da LPI;

(ii) Também não foi comprovada a alegada má-fé do Consulente ao requerer o registro da
marca DeMolay no Brasil. Como exaustivamente destacado, a boa fé se presume, enquanto
que a má-fé deve ser comprovada, sendo ônus de quem alega demonstrá-la;

46
(iii) Não tendo sido observados e preenchidos os requisitos exigidos pelo artigo 6º bis da CUP,
tal norma é inaplicável ao caso concreto, razão pela qual deve ser mantido o prazo
prescricional de 5 (cinco) anos para o ajuizamento da ação de nulidade, conforme preceitua
o artigo 174 da LPI;

(iv) Considerando que o primeiro registro para a marca DeMolay, em nome do Consulente, foi
concedido no Brasil em 23.03.1999, o prazo prescricional para o ajuizamento da
mencionada ação de nulidade expirou em 23.03.2004. Tendo sido, portanto, ajuizada
somente em 23.08.2007, é inafastável a prescrição que se operou em relação à pretensão
dos demandantes.

(v) Ainda que ultrapassadas as condições de aplicação do artigo 6º bis, demonstradas, por
hipótese, a notoriedade da marca no Brasil em 1996 e a eventual má-fé do Consulente,
caberia ao Supremo Conselho Internacional, por fim, comprovar eventual ilicitude do
registro da marca DeMolay no país, o que nos parece não ter sido demonstrado.

Há que se frisar, outrossim, que a ação de nulidade ajuizada em face


do Consulente foi proposta por DeMolay International e Supremo Conselho da Ordem
DeMolay para a República Federativa do Brasil, que não possuem qualquer direito anterior
que pudesse, eventualmente, ser sobreposto ao direito atribuído ao Consulente. Ainda que
se admita a sucessão eventualmente ocorrida entre o Supremo Conselho Internacional e
DeMolay International, o fato é que todos os registros para a marca DeMolay, anteriormente
concedidos em nome do Supremo Conselho Internacional, no exterior, foram extintos e
encontram-se, atualmente, cancelados.

Por todas essas razões, só podemos concluir que o Consulente é o


legítimo titular dos direitos sobre a marca DeMolay no Brasil, não dispondo o Supremo
Conselho Internacional da Ordem DeMolay, tampouco DeMolay International e, menos
ainda, Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil,
fundamento legal no nosso ordenamento jurídico para buscar anular os registros marcários
devidamente concedidos pelo INPI ao Consulente.

É o nosso parecer, s.m.j.

José Roberto d’Affonseca Gusmão


Doutor em Direito pela Universidade de Strasbourg

Professor dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São


Paulo e do Centre d’Études Internationales de la Propriété Industrielle C.E.I..P.I da Universidade
Robert Schumann

Ex-presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI”

47
Por tudo o que fora exposto, percebe-se que há plausibilidade naquilo
que o SCODB tem historicamente explicado, sempre que provocado sobre este
assunto, ou seja, há elementos demonstrativos de julgamento sem a devida
observância da melhor técnica jurídica, fatalmente tendentes a provocar o
desfecho que efetivamente provocou, de julgamento desfavorável ao SCODB, algo
que – felizmente – pode ser modificado nas instâncias subsequentes.

Fraternalmente,

Marcelo Vitor Leal Barbosa


Grande Secretário Geral do SCODB

48
49
50
"Por José Roberto d’Affonseca Gusmão

Doutor em Direito pela Universidade de


Strasbourg

Professor dos Cursos de Graduação e Pós-


Graduação da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo e do Centre d’Études
Internationales de la Propriété Industrielle
C.E.I..P.I da Universidade Robert Schumann"

51
PARECER

ELABORADO POR ENCOMENDA DE

SUPREMO CONSELHO DA ORDEM DEMOLAY PARA O BRASIL

São Paulo, 16 de julho de 2012

52
Consulta-nos SUPREMO CONSELHO DA ORDEM
DEMOLAY PARA O BRASIL (“Consulente”, ou simplesmente DeMolay Brasil), sobre
a situação jurídica da marca DeMolay no Brasil, principalmente a respeito da licitude da
pretensão veiculada por DEMOLAY INTERNATIONAL e SUPREMO CONSELHO

DA ORDEM DEMOLAY PARA A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


perante a 8ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, de buscar o
cancelamento ou nulidade dos registros para a marca DeMolay, de titularidade do
Consulente, com base no artigo 6º bis da Convenção da União de Paris (CUP). Em
especial, consulta-nos sobre a possibilidade de aplicação do item (3) do artigo 6º bis da
CUP, acerca da imprescritibilidade da pretensão anulatória.

Em resposta à consulta que nos foi dirigida elaboramos o seguinte

PARECER

Av. Brigadeiro Faria Lima, 1485 – 11º andar - CEP 01452-002 - São Paulo - SP
- Brasil Fone: 55 (11) 21.49.45.00 - Fax: 55 (11) 38.19.04.55

53
iniciado por uma breve contextualização (I) da história da Ordem DeMolay no Brasil,
seguido de um sucinto panorama sobre a (II) aquisição da marca DeMolay pelo
Consulente, para então definir o (III) conflito instaurado sobre a titularidade da marca
no Brasil. Ultrapassado este ponto, passamos a uma abordagem (IV) dos fundamentos
jurídicos pertinentes à aplicação da Convenção da União de Paris e ao conflito judicial
acerca da titularidade da marca no Brasil, para então finalizarmos com nossas (V)
conclusões.

Para executar tal análise, necessário o estudo de acontecimentos


ocorridos nos idos da década de 80, no que se destacam o acordo de confiança e
irmandade firmado entre DeMolay Brasil e Supremo Conselho Internacional da Ordem
DeMolay, a duradoura relação que se estabeleceu entre 1984 e, no mínimo, 2004, entre a
sociedade estrangeira e o ora Consulente, bem como a época em que os pedidos de
registro da marca DeMolay foram depositados no Brasil pelo Consulente.

Para fins do presente estudo, foi-nos disponibilizada pelo


Consulente extensa documentação, consubstanciada na cópia integral dos autos da
mencionada ação judicial.

I – Breve histórico da Ordem DeMolay no Brasil

Antes de adentrarmos na análise jurídica propriamente dita, faz-se


primordial delinear o contexto no qual se encontra inserida a titularidade da marca
DeMolay, no Brasil e no exterior, retomando, inclusive, a história do surgimento da
Ordem DeMolay no país.

Conta-nos o Consulente que, desde o momento em que teve a


oportunidade de conhecer a Ordem DeMolay, nos Estados Unidos da América, ainda no
ano de 1969, teria sido despertado o sonho de trazer esta Organização para o Brasil, com
o intuito de preencher uma lacuna, até então existente na tradicional maçonaria
brasileira, que se traduzia na absoluta ausência de jovens dentro da fraternidade.

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54
Após diversas tentativas de contato com os representantes do
Supremo Conselho Internacional, foi em 1974 que o Sr. Alberto Mansur, fundador da
Ordem DeMolay no Brasil, pôde conhecer, pessoalmente, o Sr. George Newbury, que,
na época, era o Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho Internacional, e a
quem foi confidenciado o desejo de fundar a Ordem DeMolay no Brasil.

Os anos se passaram sem que o Supremo Conselho Internacional


tivesse se manifestado quanto à pretensão do Consulente de constituir, no Brasil, a
Ordem DeMolay. Foi então que, em 1979, na cidade de Boston, o Sr. Alberto Mansur
teve a honra de conhecer o Grão Mestre Internacional, Sr. “Buddy” Faulkier. Foi
justamente o Sr. Faulkier quem viabilizou a transformação de um sonho em realidade,
pois foi quem autorizou a fundação da Ordem DeMolay no Brasil, tendo inclusive
nomeado o Sr. Alberto Mansur como Oficial Executivo da Organização.

Finalmente, em 1985, durante a visita do Grande Mestre


Internacional Don W. Wright, foi entregue ao Consulente a Carta Constitutiva para a
Instalação do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, oficializando a
Organização no Brasil.

Pelo que se constata, a relação havida entre as entidades sempre se


mostrou harmoniosa, pacífica e de confiança e respeito mútuos.

Referida Carta Constitutiva é prova de tal relação. Firmada em


09.05.1984 entre Supremo Conselho Internacional da Ordem DeMolay e Supremo
Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, estabeleceu-se o Tratado de Mútuo
Reconhecimento e Relações Fraternais, pelo qual o primeiro renunciou em favor do
segundo a própria autoridade do Supremo Conselho Internacional, tendo o Consulente
se comprometido, dentre outros, a proteger e perpetuamente observar as Sagradas
Marcas da Ordem DeMolay.

Ficou ainda estabelecido que cada Supremo Conselho será


soberano em sua própria jurisdição, e todas as demais Unidades, no Brasil, estarão

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subordinadas ao respectivo Supremo Conselho. Por fim, houve o expresso
reconhecimento do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil como sendo o
equivalente a um Corpo Maçônico, com os propósitos das “Sagradas Marcas da Ordem
DeMolay”.

Como se vê, no ato da constituição do Consulente e respectiva


confirmação de sua soberania em território nacional, o Supremo Conselho Internacional
da Ordem DeMolay renunciou sua autoridade no Brasil, conferindo ao Consulente a
própria autoridade do Supremo Conselho Internacional.

Nota-se, prima facie, a atitude lícita do Consulente, e imbuída de boa-


fé, ao envidar seus esforços seja em busca de uma autorização para a constituição da
Ordem DeMolay no Brasil, seja ao requerer a proteção nacional da marca DeMolay.

Tal fato é de vital importância para o caso em comento, na medida


em que demonstra a licitude e boa-fé do Consulente no momento do depósito do
pedido de registro da marca DeMolay no Brasil. E a presunção da existência da
mencionada boa-fé será o fator determinante acerca da eventual aplicação do invocado
artigo 6º bis da Convenção da União de Paris, conforme será explanado mais adiante.

II – Aquisição da Marca DeMolay no Brasil

Para a correta interpretação do caso, também se mostra necessário


estabelecer as circunstâncias que levaram o Consulente a requerer, em seu nome, o
registro da marca DeMolay no Brasil.

Pelo que se denota, uma vez reconhecido soberano e autônomo,


com absoluta autoridade no Brasil, o Consulente requereu e obteve os registros de marca
perante o INPI com o escopo primordial de cumprir o compromisso assumido de zelar
pelas “Sagradas Marcas da Ordem DeMolay”.

Importante salientar que, durante todo o período da relação


mantida entre as partes, e mesmo depois do depósito e concessão do registro marcário

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em favor do Consulente, nunca houve qualquer tipo de objeção ou impugnação por
parte do Supremo Conselho Internacional da Ordem DeMolay, o que nos permite
concluir pela anuência e mútua concordância no que tange à proteção marcária em nome
do Consulente.

Afirma o Consulente que a primeira marca DeMolay, no Brasil, foi


depositada pelo próprio Consulente, em 04.01.1990 (pedido n.º 815.330.090, para a
marca Ordem DeMolay). Informa, também, que formulou um novo pedido de registro
para a marca DeMolay, em 23.07.1996, tendo sido concedido pelo Instituto Nacional da
Propriedade Industrial – INPI em 23.03.1999 (registro n.º 819.387.193).

Na base de dados do INPI, identificamos os seguintes processos de


marcas, os quais assumimos serem os mais antigos depositados no Brasil e em nome do
Consulente:

 ORDEM DEMOLAY, marca mista, n.º 815330090, pedido depositado em



04.01.1990 e deferido em 25.06.1991, na classe 41.10/701.
Status: o registro, embora deferido, encontra-se
arquivado.


 DEMOLAY, marca nominativa, n.º 819387193, pedido depositado em
23.07.1996 e registro concedido em 23.03.1999, com vigência prorrogada até

23.03.2019, na classe nacional 41.702.

Status: Tal registro encontra-se sub judice, em razão da ação judicial aforada por
DeMolay International e Supremo Conselho da Ordem Demolay para a República
Federativa do Brasil.

1
Segundo o sistema de classificação vigente no INPI até 31.12.1999, por força do Ato Normativo
INPI n.º 51, de 27.01.1981, temos:
41 - Serviços de ensino e de educação de qualquer natureza e grau, diversão, sorteio, jogo, organização de
espetáculos em geral, de congresso e de feira e outros serviços prestados sem finalidade lucrativa
10 - Serviços de ensino e educação de qualquer natureza e grau.
70 - Serviços de caráter comunitário, filantrópico e beneficente.
2 Vide classificação referida na nota 3 acima.

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 CAPITULO DEMOLAY, marca nominativa, n.º 821280155, pedido depositado
em 15.12.1998 e registro concedido em 11.03.2008, com vigência até 11.03.2018,

na classe nacional 41.703.

Status: Tal registro encontra-se em vigor.



 FIGURATIVA, n.º 821561910, pedido depositado em 15.04.1999 e concedido

em 13.06.2006, com vigência até 13.06.2016, na classe nacional 41.704, para a
figura abaixo:

Status: Tal registro encontra-se sub judice, em razão da ação judicial aforada por
DeMolay International e Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a
República Federativa do Brasil.

Uma vez concedidos e mantidos pelo INPI, presume-se que todos


os registros de marca tenham sido licitamente obtidos, em consonância com as regras
legais aplicáveis à matéria.

Contra o registro n.º 821561910, consta a instauração de Processo


Administrativo de Nulidade – PAN, interposto por Supremo Conselho da Ordem
DeMolay para a República Federativa do Brasil, conforme publicação na Revista da
Propriedade Industrial – RPI n.º 1894, de 24.04.2007. Entretanto, não consta decisão
oficial proferida pelo INPI, na medida em que a ação judicial ajuizada interrompeu o
regular processamento da impugnação instaurada.

3
Vide classificação referida na nota 3 acima.

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Tendo sido demandada judicialmente, consulta-nos Supremo
Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil sobre a licitude da pretensão veiculada pelos
Autores da dita ação judicial, após longos anos de convivência pacífica e harmoniosa
mantida com o Supremo Conselho Internacional da Ordem DeMolay, e 8 anos após a
concessão do primeiro registro para a marca DeMolay no Brasil.

III – Do Conflito

A ação judicial mencionada acima foi ajuizada por DeMolay


International, suposta sucessora do Supremo Conselho Internacional, e por Supremo
Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil, entidade
constituída no Brasil no ano de 2004, pela DeMolay International.

Por meio da dita ação, buscam os demandantes a anulação dos


registros marcários concedidos pelo INPI em favor do Consulente para a marca
DeMolay, sob a assertiva de que tais registros teriam sido obtidos de modo indevido e
desautorizado, e mediante alegada má-fé do Consulente.

Entendem os demandantes serem os legítimos titulares da marca


DeMolay no Brasil, e a pretensão vem, basicamente, fundada no artigo 6º bis da CUP.
Este mesmo artigo também é invocado para afastar a prescrição que se operou no caso
em comento, vez que a ação judicial foi ajuizada após 8 anos da concessão do primeiro
registro do Consulente.

Estando, pois, a tese dos demandantes amparada no artigo 6º bis da


CUP, é imprescindível definir, portanto, se tal artigo tem ou não o condão de agasalhar a
pretensão dos demandantes. É o que será analisado a seguir.

IV – Da Convenção da União de Paris

Como delimitado acima, o objetivo principal da presente consulta é


a verificação do preenchimento dos requisitos de incidência do artigo 6º bis da CUP à luz
dos fatos do caso concreto apresentado.
4
Vide classificação referida na nota 3 acima.

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59
Para tanto, cumpre, inicialmente, tecer breves comentários acerca
da finalidade da norma insculpida no artigo 6º bis da CUP e da sua aplicação no Brasil.

Tanto sob a égide do antigo Código de Propriedade Industrial


(artigo 59) como também da atual Lei de Propriedade Industrial - LPI (artigo 129), o
sistema de proteção legal de marcas brasileiro é, essencialmente, o atributivo5. Nas
palavras de Gama Cerqueira, nos países que adotam tal sistema, “a proteção legal depende do
registro e, antes dele, o possuidor de marca não possui nenhum direito, não podendo se opor ao registro de
marca idêntica ou semelhante”6.

Importante esclarecer que um dos princípios basilares do direito de


propriedade industrial é o princípio da territorialidade, segundo o qual a propriedade de
uma marca, conferida pelo registro, em um determinado país, produz efeitos somente
em seu território. Esse princípio deriva do princípio maior da territorialidade das leis, por
meio do qual as leis de determinado Estado são aplicáveis única e exclusivamente no
território onde tal Estado é soberano.

O princípio da territorialidade comporta, no entanto, uma exceção,


que decorre da notoriedade de uma marca. Esta exceção funda-se essencialmente no
texto do art. 6º bis da Convenção de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial
(“CUP”)7, tratado internacional do qual tanto o Brasil quanto os Estados Unidos da
América são signatários, cuja atual redação assevera que:

“1. Os países da União comprometem-se a recusar ou invalidar o registro, quer administrativamente, se a lei do
país o permitir, quer a pedido do interessado, e a proibir o uso de marca de fábrica ou de comércio que constitua
reprodução, imitação ou tradução, suscetíveis de estabelecer confusão, de uma marca que a autoridade competente
do país do registro ou do uso considere que nele é notoriamente conhecida como sendo já marca de uma pessoa
amparada pela presente Convenção, e utilizada para produtos idênticos ou similares. O mesmo sucederá quando

5
Segundo o qual a propriedade de uma marca se adquire pelo registro validamente expedido pelo órgão
competente, em contraposição com o sistema declarativo, que reconhece o direito emanado do simples uso da
marca ou conferindo ao registro efeito apenas declarativo desse direito.
6 CERQUEIRA, João da Gama. Tratado da Propriedade Industrial, vol. II, tomo II. Ed. Lumen Juris, 2010, p.
63.
7
Decreto nº 1263, de 10.10.1994.

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60
a parte essencial da marca constitui reprodução de marca notoriamente conhecida ou imitação suscetível de
estabelecer confusão com esta.
2. Deverá ser concedido um prazo mínimo de cinco anos a contar da data do registro, para requerer cancelamento
de tal marca. Os países da União têm a faculdade de prever um prazo dentro do qual deverá ser requerida a
proibição de uso.
3. Não será fixado prazo para requerer o cancelamento ou a proibição de uso de marcas registradas ou
utilizadas de má fé.”

O art. 6º bis da CUP tem por escopo oferecer uma proteção


extraterritorial, objetiva, contra fraudes cometidas por terceiros de má-fé envolvendo
marcas que conquistaram notoriedade no setor a que se destinam. Estabelece o tratado a
possibilidade de o titular original de uma marca notoriamente conhecida anular um
registro de terceiro domiciliado em outro país signatário da convenção, ainda que na data
da usurpação por terceiros, este titular não detivesse marca depositada ou registrada no
país em que se requer a proteção.

Para tanto, a referida norma estabelece três requisitos: i) que o país


do titular da marca que se busca proteger e o país em que se busca impedir o registro ou
uso sejam signatários da CUP; ii) que haja reprodução ou imitação da marca; e iii) que a
marca seja notoriamente conhecida no país que se busca proteção extraterritorial.

Adicionalmente, para aplicação da norma do item 3 do artigo, com


o consequente afastamento da prescrição, é necessário o preenchimento de um quarto
requisito: a verificação da má-fé do requerente do registro ou do utente.

Para fins da presente consulta, cumpre analisar detidamente o


terceiro e quarto requisitos, visto que Brasil e os Estados Unidos da América já eram
signatários da Convenção à época do primeiro registro do Consulente em nosso país 8, e,
também, que as marcas em cotejo são idênticas.

IV.a – Inexistência de notoriedade da marca DeMolay no Brasil em 1996

O primeiro requisito para aplicação do artigo 6º bis da CUP é a


notoriedade da marca.

8O Brasil é membro da CUP desde 1884, por meio do Decreto 9233, e os Estados Unidos da América desde
1887.
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Preliminarmente, cumpre-nos esclarecer o conceito de marca
notoriamente conhecida a que se referem tanto o art. 6º bis da CUP quanto o art. 126 da
LPI.

Em apertada síntese, pode-se definir a marca notoriamente


conhecida como aquela que goza de elevado grau de conhecimento pelo público
consumidor em uma determinada categoria de produtos ou serviços, sendo sua proteção
restrita apenas a produtos idênticos ou similares. A título ilustrativo, pode-se citar o caso
da marca CONTINENTAL para cigarros, que convivia com a marca
CONTINENTAL para fogões, sendo ambas bastante conhecidas em seus respectivos
mercados.

Trata-se de marcas que gozam de especial prestígio em seus


respectivos ramos de atividade, decorrentes dos esforços de seu titular. Premiou o
tratadista internacional tal prestígio com a possibilidade da proteção extraterritorial, para
evitar prejuízos decorrentes de corriqueiros usurpadores que, em viagem a outros
territórios, tomavam conhecimento destes signos de forte apelo atrativo, e apressavam-
se a registrá-los como marca em seu país, apenas esperando o momento em que o titular
original viesse a ali expandir suas atividades, para então ofertá-los ardilosamente à venda.

Não há que se confundir a notoriedade exigida para estas marcas


com aquela estabelecida para as chamadas marcas de alto renome (artigo 125 da Lei da
Propriedade Industrial), cujo grau de conhecimento é tão elevado e difundido entre
consumidores de quaisquer produtos que enseja a proteção do signo em todos os ramos
de atividades. É o caso das famosas marcas COCA-COLA e McDONALDS, por
exemplo.

A notoriedade a que se refere o art. 6º bis da CUP, por sua vez, não
necessita ser de altíssimo grau, mas aquela circunscrita ao ramo de atividade, posto que a
abrangência da proteção é restrita a esse ramo. Tal grau de conhecimento deve ser
procurado, assim, nos círculos comerciais interessados ou no setor relevante do público,

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62
conforme disposto no art. 16.2 do acordo TRIPs9, que assim define:

“O disposto no artigo 6 bis da Convenção de Paris (1967) aplicar-se-á, mutatis mutandis, a


serviços. Ao determinar se uma marca é notoriamente conhecida, os Membros levarão em
consideração o conhecimento da marca no setor pertinente do público, inclusive o conhecimento
que tenha sido obtido naquele Membro, como resultado de promoção da marca”.

A aplicação do artigo 6º bis da CUP exige que esta notoriedade seja


auferida no território onde tal proteção é reclamada, e não no país de origem do
reivindicante da proteção. Só nesta hipótese as autoridades do país em questão podem
considerar a marca como pertencente a um cidadão de um outro país-membro da União
de Paris, e que este fato deva ser do conhecimento de eventuais usurpadores10.

Os Tribunais brasileiros também aplicam dessa forma a referida


norma, reiteradamente:

“2. O local onde se verifica a notoriedade de uma marca é justamente aquele onde se
queira a proteção, onde se deseja obter o registro. Assim, não basta que a marca seja
notoriamente conhecida no país de origem do registro, mas essencialmente naquele país que reconhecer a
sua notoriedade;

3. O fato das marcas da empresa GAZZONI 1907 SRL estarem registradas em outros países, tais como
Noruega, Finlândia, Dinamarca e na própria OMPI, não confere às referidas marcas o título de notoriamente
conhecidas de modo a impedir o registro das marcas nacionais da empresa SLIM PRODUTOS
DIETÉTICOS LTDA., notadamente ante a ausência da comprovação da notoriedade aqui no
Brasil, dentro do mesmo segmento de mercado, no mesmo ramo de atividade. Não se
pode cogitar de eventual concorrência desleal, uma vez que na situação em tela sequer existe concorrência.”11
(Grifos e negritos nossos)

Além disso, quanto ao momento de aferição da notoriedade da


marca, “analisar-se-á se uma marca é ou não notoriamente conhecida no momento que um terceiro
queira registrar no país, como sua, marca idêntica ou semelhante à marca proveniente do exterior ou de
nacional não registrada. Neste momento verificar-se-á se esta marca goza ou não de notoriedade, entre
seu público consumidor, no território nacional. Mas podem ocorrer casos em que, no momento do registro

9 O Acordo TRIPs (Trade Related aspects of Intellectual Property Rights - ou das questões de propriedade
intelectual relacionadas com o comércio), que é parte do acordo maior de criação da Organização Mundial do
Comércio, substituindo o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), foi aprovado no Brasil pelo Decreto
Legislativo n° 30, de 15.12.1994 e promulgado pelo Decreto n° 1.355 de 10.12.1994.
10 GUSMÃO, Jose Roberto d’Affonseca. Proteção da marca notória do Brasil – aplicação do art. 6-bis da
Convenção de Paris e da Lei interna. Revista de Direito Mercantil, São Paulo, n. 70, p. 65-81, abr./jun. 1988. p.
76.
11
Apelação Cível 19975101006147-0, Des. Rel. Abel Gomes da 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional da
2ª Região, acórdão publicado em 19/12/2008.

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63
da marca, não se considere ela como sendo notoriamente conhecida, e terceiro consiga seu registro. Cabe,
então, ao titular originário da marca proceder à anulação do registro conseguido. Nesta ocasião, deverá
comprovar ser a notoriedade de sua marca anterior ao registro em questão”.12

Outrossim, é importante ressaltar que o que importa é o


conhecimento pelo consumidor relevante. O fato de o requerente do registro da marca
ou do utente já conhecer a marca e saber que ela é utilizada por terceiro é indiferente
para a verificação da notoriedade. É essa a lição de BODENHAUSEN:

“The history of the provision shows, however, that it will be sufficient if the mark concerned is
well-known in commerce in the country concerned as a mark belonging to a certain enterprise
(…) Nor it is necessary – and it is therefore not necessary to prove – that the person who has
applied for or obtained a conflicting registration or who uses a conflicting mark possessed such
knowledge.”13

Assim, no presente caso, os demandantes deveriam ter


comprovado, por meio de documentos lícitos, que a marca DeMolay era notoriamente
conhecida no Brasil e em 1996, quando o Consulente requereu o registro da marca em
voga.

Cumpre frisar que não há prova determinada para a comprovação


da notoriedade de uma marca. Todavia, tal prova deve ser capaz de evidenciar que o
público consumidor sabia que a marca que se buscava registrar já pertencia a um
determinado titular. Deve a prova retratar a percepção e a constatação da marca pelos
consumidores.14

Apesar da vasta documentação acostada aos autos da demanda


supra mencionada, movida em face do Consulente, o fato é que não constatamos um
documento, sequer, que pudesse comprovar a eventual notoriedade da marca DeMolay

12 MORO, Maitê Cecilia Fabbri. Direito de Marcas: Abordagem das marcas notórias na Lei 9.279/96 e nos
acordos internacionais. São Paulo: RT, 2003. p. 106.
13 BODENHAUSEN, G.H.C. Guide to the Application of the Paris Convention for the Protection of Industrial Property as
revised at Stockholm, 1967. p. 92.
14
Apelação Cível e Remessa Necessária 457161-RJ, Des. Rel. André Fontes da 2ª Turma Especializada do
Tribunal Regional Federal da 2ª Região, julgamento em 24/11/2009.

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no Brasil em 1996, tampouco atualmente.

Ante a inexistência de prova nos autos de que a marca DeMolay já


era, em 1996, considerada marca notoriamente conhecida no Brasil, não é razoável, pois,
conferir tal status por mera presunção. Trata-se, a nosso ver, de mera conjectura, o que
não justifica a aplicação do artigo 6º bis da CUP.

IV.b – Má-fé

Apenas diante da comprovação da notoriedade da marca DeMolay,


no Brasil, em 1996, condição primordial para a aplicação do art. 6º bis da CUP ao caso
vertente, é que se deve auferir as demais condições de aplicação do dispositivo,
notadamente a existência ou não de má-fé na obtenção dos registros em nome do
Consulente.

No contexto do art. 6º bis da CUP, a má-fé é condição específica


para a imprescritibilidade da ação. Assim, para afastar o prazo prescricional pela
aplicação do item 3 do artigo 6º bis da CUP, necessária é a comprovação, pelos
demandantes, de que o Consulente teria agido de má-fé ao depositar seu primeiro pedido
de registro para a marca DeMolay, em 23.07.1996. Do contrário, restará intransponível
a prescrição da pretensão dos demandantes.

Isto porque o registro mais antigo do Consulente que os


demandantes pretendem anular foi concedido em 1999 e a atual LPI15 estabelece o
prazo prescricional de cinco anos contados da concessão do registro para o ajuizamento
da ação que objetive sua nulidade.

Como há muito já se sedimentou na doutrina, a ocorrência de


prescrição faz perecer a pretensão do titular do direito, de forma oblíqua atingindo este16.

BODENHAUSEN, ao escrever sobre a referida norma, afirma que

15 Art. 174. Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para declarar a nulidade do registro, contados da data da sua concessão.
16
BARROS MONTEIRO, Washington. Curso de Direito Civil. Parte Geral - Vol. I. 40ª ed., Ed. Saraiva, 2005, p. 341.

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a má-fé, normalmente, existirá quando o requerente do registro tem conhecimento
prévio da marca notoriamente conhecida e, dessa forma, visa a lucrar com a possível
confusão a ser ensejada perante os consumidores.17

Evidentemente, a existência de má-fé por parte do requerente do


registro não pode ser presumida, cabendo a quem alega o ônus de prová-la. É esse o
entendimento do E. Tribunal Regional Federal da 2ª Região:

“O dispositivo em tela [artigo 6 bis (3) da CUP] reclama prova inequívoca do vício de vontade, sabendo-
se que a má-fé não se presume”. (Grifos e negritos nossos)18

“(...) Superada a primeira questão, resta avaliar se deve ou não ser mantido o registro da ré para a marca
“CAMEL”, na classe 9, para relógios, em vista da notoriedade reconhecida para a marca “CAMEL” da
autora. Em recente reforma do Código de Processo Civil, a Lei n. 11.280, de 16/02/2006, alterou a
redação do § 5º do art. 219, com vigência a partir de 18/05/2006, verbis:
§5º. O Juiz pronunciará, de ofício, a prescrição.
Assim, pela nova sistemática, o juiz deve pronunciar a prescrição de ofício. Trata-se de norma imperativa, e
não de mera faculdade do juiz, que independe, agora, de pedido expresso do interessado, ou de avaliar quem
será beneficiado ou prejudicado.
Observe-se que a mesma norma legal revogou expressamente o art. 194 do Código Civil, que vedava ao juiz o
reconhecimento da prescrição de ofício, salvo quando se tratasse de interesse de incapaz. Assim, a nova regra
transformou a questão da prescrição em matéria de ordem pública, devendo esta ser proclamada ainda que
contrária às manifestações do órgão público.
Destaque-se que este não é o caso dos autos, visto que o INPI, embora não tenha invocado a preliminar de
prescrição, terá seu ato administrativo mantido, caso seja esta reconhecida, sendo, portanto, se não beneficiado,
mas, ao menos, prestigiado. Recorde-se que a norma processual atinge todos os atos judiciais a serem praticados
após sua vigência. Por outro lado, na forma do art. 193 do Código Civil, a prescrição pode ser apreciada em
qualquer grau de jurisdição.
Dessa forma, entendo que a questão da possível prescrição da ação de nulidade deve ser apreciada de ofício, por
este grau de jurisdição, embora não invocada pelos réus e não apreciada pelo Juízo de 1º grau, por força das
normas legais vigentes à época.
Como é sabido, prescreve em cinco anos o direito de ação de nulidade de registro, contados da data de sua
concessão (art. 98, parágrafo único do CPI e art. 174 da LPI). A marca anulanda foi concedida em
18/12/86 e a ação foi proposta em 16/09/1996, quando a LPI se encontrava em sua vacatio legis,
aplicando-se, pois, o ora extinto CPI que, como já visto, também fixava em cinco anos o prazo prescricional
para a ação de nulidade do registro de marca.
Proposta a ação quase dez anos após a concessão do registro, prescrito se encontrava, de há muito, esse direito
de ação.
Descabe invocar o art. 6º bis – 3, da CUP, visto que este assegura a imprescritibilidade apenas do registro
obtido de má-fé, não sendo este o caso dos presentes autos.
Nem se alegue que houve sim má-fé no pedido de registro da ré, visto que tal não se
encontra provado nos autos e, como é de amplo conhecimento, “a boa-fé se presume;
a má-fé se prova”.” (Grifos e negritos nossos)19

17
BODENHAUSEN, G.H.C. Op. cit. p. 93.
18
Apelação Cível 20025101507687-3, Des. Rel. Aluisio Mendes da 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional
Federal da 2ª Região, julgamento em 16.12.2008.
19
Trecho do voto proferido na apelação Cível 20000201024542-6, Des. Rel. Liliane Roriz da 2ª Turma
Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, julgamento em 27.02.2007, publicado na Imprensa
Oficial de 10.05.2007

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66
APELAÇÃO - PROPRIEDADE INDUSTRIAL - MARCA - PEDIDO DE NULIDADE
DE REGISTRO - PRESCRIÇÃO - RECURSO IMPROVIDO I - Deflui dos autos que a pretensão
autoral encontra-se induvidosamente prescrita em razão do enorme lapso temporal ocorrido entre a data da
propositura da ação (02/02/2006) e a data da expedição do registro, em 10/11/76 - ou seja - mais de 30
anos, ultrapassando em muito o prazo concedido pela lei para desconstituição de título por vício de nulidade. II
- De outro lado, em que pese a alegação de que o registro foi efetuado com má-fé, na tentativa de impedir a
incidência da prescrição com base no item (3) do artigo 6º, bis, da CUP, o fato é que nada nos autos -
incluindo a prova pericial de fls. 789/852 - faz prova da notoriedade da marca “RYDER” no
Brasil por ocasião do registro da Apelada, ou que esta tivesse qualquer conhecimento
do signo alienígena na data do depósito da marca. III - Recurso improvido.”20 (Grifos e
negritos nossos)

Como afirmado por BODENHAUSEN21, a notoriedade da marca


no país em que se busca o registro pode ser indicativo de má-fé. Porém, tal fato, por si
só, não pode levar à conclusão da existência de tal vício de vontade. Devem-se analisar
outros elementos fáticos a fim de concluir pela existência ou inexistência de má-fé.

Tal interpretação é corroborada pelo fato de que a má-fé é requisito


adicional a fim de ensejar a aplicação do item 3 do artigo 6º bis da CUP, sendo que o
caput da norma já requer a presença de notoriedade. Ou seja, a prova da má-fé do
requerente não pode se resumir à eventual prova de notoriedade do sinal à época do
registro (o que, vale salientar, não foi demonstrado nos autos).

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região igualmente já decidiu


nesse sentido, estabelecendo que:

“A conjugação dos dois dispositivos [itens 2 e 3 do artigo 6 bis da CUP] não deixa dúvida que no entender da
lei:
  A má-fé não se presume;
 O registro indevido de marca notória não se traduz necessariamente em ato de
má-fé;

 A despeito da grande notoriedade que uma marca possa ter, a inércia de seu titular pode trazer-lhe
grandes prejuízos.”22 (Grifos e negritos nossos)

No caso sob análise, como já visto, não há provas da notoriedade


da marca DeMolay no Brasil em 23.07.1996, circunstância que, por si só, já impede a
aplicação da norma do artigo 6º bis da CUP.

20
Apelação cível 20065101500612-8, Des Rel. Messod Azulay Neto da 2ª Turma Especializada do Tribunal
Regional Federal da 2ª Região, julgamento em 28.04.2009, publicado na Imprensa Oficial de 18.06.2009.
21
BODENHAUSEN, G.H.C. Op. cit. p. 93.

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67
Não obstante, é de se verificar se a marca DeMolay já estava sendo
utilizada no Brasil pelos demandantes na data em que o Consulente requereu o registro
da marca. Tal noção, apesar de não ser determinante para aferição de notoriedade ou
não do sinal no Brasil23, é importante para verificação da má-fé, estabelecendo se já
haveria um efetivo público consumidor brasileiro a ser amealhado pelo Consulente, ou
seja, se já haveria uma situação de concorrência com o início do uso da marca DeMolay
pelo Consulente.

E a resposta é indubitavelmente negativa. Até 1996, a marca


DeMolay jamais havia sido utilizada pelos demandantes no território nacional, até
porque, pelo que se apura dos autos, nenhuma delas sequer havia sido constituída em
1996.

Ademais, insta salientar que, muito embora o Supremo Conselho


Internacional da Ordem DeMolay tenha sido constituído nos Estados Unidos da
América em 1952, nunca teve a preocupação de registrar a marca no Brasil, tampouco a
de utilizá-la, em seu próprio nome, em território brasileiro.

Importante notar que a proteção extraterritorial conferida à marca


notoriamente conhecida, independentemente de registro, não é ilimitada. Tal proteção
visa, essencialmente, proteger os titulares de marcas jamais registradas no Brasil, mas que
são aqui afamadas, evitando que terceiros se aproveitam dessa fama, locupletando-se de
eventual confusão do consumidor. Não é o que se constata no presente caso.

A uma, porque não há qualquer prova nos autos de que a marca


DeMolay seria, em 1996, considerada notoriamente conhecida. A duas, porque não há
qualquer indício de que o Consulente tenha agido com intenção de se apropriar, de
forma indevida ou ilícita, da marca DeMolay no Brasil.

22
Apelação Cível 20055101516722-3, Des. Rel. Messod Azulay da 2ª Turma Especializada do Tribunal Regional
Federal da 2ª Região, julgamento em 26.02.2008.
23 Uma vez que o uso no país não é requisito para a verificação de notoriedade do sinal, mas o efetivo
conhecimento dos potenciais consumidores de que a marca existe e pertence a alguém.

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68
O que se observa é a relação pacífica e de confiança mantida entre
as entidades, e o compromisso assumido pelo Consulente de proteger a marca DeMolay
no Brasil.

Destarte, a fim de assegurar seu direito e ter plenas condições de


zelar pela integridade da marca e protegê-la contra atos indevidos de terceiros no Brasil,
era de rigor a obtenção do registro perante o INPI. Afinal, ante o sistema atributivo
adotado pelo Brasil, somente com o registro validamente concedido pelo INPI é que o
Consulente teria plenos direitos e condições de proteger a marca no Brasil24 e cumprir
com o quanto pactuado.

Destaque-se o fato de que, mesmo ciente do depósito efetuado pelo


Consulente, o Supremo Conselho Internacional da Ordem DeMolay jamais questionou
ou impugnou a intenção do Consulente.

Houvesse qualquer objeção, ao Supremo Conselho Internacional da


Ordem DeMolay era facultado o direito que impugnar o pedido efetuado, ou mesmo
requerer a adjudicação do registro a seu favor, dentro do prazo legal (cinco anos após a
concessão do registro).

É de se ressaltar a norma do artigo 158, §2º, da LPI25, que obriga o


titular da marca notoriamente conhecida não registrada a requerer seu registro perante o
INPI quando se opuser administrativa ou judicialmente a pedido ou registro da mesma
marca (ou semelhante) por terceiro com base no artigo 126 da LPI.

Contudo, o Supremo Conselho Internacional da Ordem DeMolay


deixou transcorrer in albis todos os prazos existentes para questionar, administrativa ou

24
Art. 129 LPI – A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as
disposições desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado
quanto às marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148.
25
Art. 158. (…)
§ 2º - Não se conhecerá da oposição, nulidade administrativa ou de ação de nulidade se, fundamentada no inciso
XXIII do art. 124 ou no art. 126, não se comprovar, no prazo de 60 (sessenta) dias após a interposição, o
depósito do pedido de registro da marca na forma desta Lei.

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judicialmente, o registro concedido em favor do Consulente, e até o presente momento,
sequer requereu o registro da marca em seu nome, não lhe sendo lícito, portanto,
questioná-lo passados mais de dez anos do depósito do pedido.

Dessa forma, ante a ausência de impugnação anterior pelo Supremo


Conselho Internacional, a continuidade na relação entre as entidades, e a autonomia e
soberania atribuídas ao Consulente, cabe concluir pela inexistência de má-fé por parte do
Consulente ao requerer a concessão do registro da marca DeMolay no Brasil, afastando,
por conseguinte, a possibilidade de aplicação do artigo 6º bis (3) da CUP.

IV.c – Prescrição

Define-se prescrição, de forma sintética, como a extinção de um


direito de ação pelo decurso do prazo. Fundamenta-se este instituto na necessidade
social de harmonia e segurança jurídicas, impedindo o legislador, pela fixação de prazos
peremptórios para o questionamento de determinados direitos, que demandas
permaneçam indefinidamente em aberto.

A lei estabelece todo um procedimento administrativo para


aquisição de um registro e, ainda, um prazo de cinco anos para a respectiva ação de
nulidade. Entender-se que, mesmo escoados todos os prazos, o titular ainda estaria
sujeito à decretação de ineficácia de seu registro, seria semear o pânico nas relações e
situações jurídicas perfeitas e acabadas.26

Na linha do raciocínio inicial, já exposta, uma vez afastada a


questão da má-fé, o prazo prescricional é calculado segundo a regra geral prevista no
artigo 174 da LPI, que estipula o prazo máximo de 5 (cinco) anos, contados da data da
concessão do registro, para a propositura de ação de nulidade de registro de marca.

Destarte, não tendo os demandantes comprovado a alegada má-fé


do Consulente, a pretensão de DeMolay International e Supremo Conselho da Ordem

26
Dannemann, Siemsen, Bigler & Ipanema Moreira. Propriedade Intelectual no Brasil – Rio de Janeiro: PVDI
Design, 2000, p. 321

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DeMolay para a República Federativa do Brasil de anularem os registros para a marca
DeMolay do Consulente pereceu em 23.03.2004, cinco anos após a concessão do
primeiro registro hoje válido, de n. 819387193.

Em outras palavras, não tendo sido demonstrada a eventual má-fé


do Consulente ao requerer o registro da marca DeMolay no Brasil, é de todo inaplicável
o artigo 6º bis (3) da CUP e, portanto, inafastável a prescrição que se operou, há muito,
para se questionar judicialmente a titularidade da mencionada marca no país.

Nossas cortes já proferiram decisões no sentido de que,


ultrapassada a questão da notoriedade da marca e da má-fé, restaria ainda perquirir se o
registro anulando (no caso, o da marca DeMolay do Consulente) é lícito ou ilícito.

“São 3 os requisitos para que inocorra a prescrição: a notoriedade do sinal impeditivo, a má-fé do registro e sua
ilicitude. A má-fé, mesmo entendida como conteúdo subjetivo de certos vícios da vontade, constitui-se como mero
elemento do tipo, pois o que acarreta a imprescritibilidade prevista no art. 6 bis (3) não é só a presença da má-fé,
mas sim, e principalmente, a ilicitude do registro, que foi deferido contrariando as normas em vigor no país, seja
ela a CUP ou a LPI, e a ilicitude é sim um caso de nulidade do negócio jurídico, conforme consta do art. 166,
II, do Código Civil em vigor, e não de mera anulabilidade”. 27

“(...) A notoriedade restou demonstrada pelos documentos juntados à inicial, especialmente os de fls. 154/168,
12, 214 e 223. Posto isso, e concluído que os registros foram obtidos de má-fé, resta que não prescreveu o direito
de ação de nulidade dos mesmos. Assim sendo, resta perquirir a registrabilidade do sinal, segundo as regras do
CPI, vigentes à época do ato que se pretende anular”. 28

Não vislumbramos, porém, qualquer indício de que os registros da


marca DeMolay do Consulente possam ser considerados ilícitos, na medida em que não
foram concedidos em violação às disposições legais atinentes à registrabilidade de
marcas. Quando se requereu o primeiro registro, não havia anterioridade impeditiva que
pudesse obstar a sua concessão pelo INPI.

Eventualmente, poder-se-ia alegar anterioridade com relação aos


registros concedidos em nome do Supremo Conselho Internacional nos Estados Unidos
da América. Contudo, dois são os motivos pelos quais os registros concedidos no

27 RORIZ DE ALMEIDA, Liliane Do Espírito Santo, desembargadora federal do TRF 2ª Região e ex-procuradora do
INPI,
“Imprescritibilidade da ação anulatória de registro de marca obtido de má-fé”, Revista da ABPI 80, jan/fev de
2006, p. 44.
28 Apelação Cível 2001.02.01.015057-2. TRF 2ª Região, Relatora: Desembargadora Liliane Roriz

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71
exterior não podem ser utilizados como impeditivos para a concessão da marca no
Brasil, a saber:

 Princípio da territorialidade: como visto acima, pelo princípio da territorialidade, o


registro da marca confere exclusividade apenas no âmbito do território em que foi
concedido. A Convenção da União de Paris visa, justamente, excepcionar tal
princípio, por meio do artigo 6º bis, cuja aplicação é condicionada à observância
de determinados requisitos. No entanto, no caso em tela, não foram satisfeitos os
requisitos exigidos pela mencionada norma, sendo, portanto, inaplicável ao caso
em comento.


 Extinção dos registros anteriores concedidos em nome do Supremo Conselho
Internacional no exterior: não bastasse o princípio da territorialidade, bem como a
inaplicabilidade do artigo 6º bis da CUP ao caso em análise, merece destaque o
fato de que todos os registros que haviam sido concedidos em nome do Supremo
Conselho Internacional foram extintos pelo órgão competente e encontram-se,
atualmente, cancelados, de modo que não produzem qualquer efeito legal. Neste
sentido, se não produzem efeitos, evidentemente não podem ser utilizados como
impeditivos à manutenção do registro concedido em nome do Consulente.

Registre-se que a demanda judicial em análise foi ajuizada pela


suposta sucessora de Supremo Conselho Internacional, a DeMolay International, e por
Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil. Justificam
tais entidades que teriam direito sobre a marca DeMolay, em razão dos registros
anteriores concedidos em nome do Supremo Conselho Internacional.

Ocorre que, conforme prova dos autos, todos os registros anteriores,


concedidos em nome do Supremo Conselho Internacional, foram extintos e encontram-
se cancelados. Assim, ainda que tenha ocorrido sucessão entre as entidades, e tenha a
DeMolay International adquirido os registros já extintos, o fato é que, por não
produzirem qualquer efeito legal e jurídico, entendemos que referidos registros não
legitimam tais entidades a ingressarem com a demanda, na medida em que não possuem
qualquer direito marcário anterior oponível ao registro concedido em nome do
Consulente.

Em suma, no que toca ao prazo para ajuizamento da mencionada


demanda judicial, ainda que ultrapassadas as condições de aplicação do artigo 6º bis,
demonstradas, por hipótese, a notoriedade da marca no Brasil em 1996 e a eventual má-
fé do Consulente, afastando o instituto jurídico da prescrição, caberia ao Supremo

72
Conselho Internacional, por fim, comprovar a ilicitude do registro da marca DeMolay
no País, o que nos parece não ter sido demonstrado.

V - Conclusão

Em razão de todo o exposto, concluímos que:

a) O artigo 6º bis da CUP possui três requisitos para conferir a proteção


extraterritorial à determinada marca, a saber: (i) que o país do titular da marca que
se busca proteger e o país em que se busca impedir o registro ou uso sejam
signatários da CUP; (ii) que haja reprodução ou imitação da marca; e (iii) que a
marca seja, comprovadamente, notoriamente conhecida no país em que se busca a
proteção extraterritorial, e no momento do depósito do pedido de registro
anulando;

b) O dispositivo do artigo 6º bis (3) da CUP estabelece que a ação de nulidade não
prescreverá nos casos em que o depósito da marca notoriamente conhecida tenha
sido feito eivado de má-fé;

c) Caso observadas as questões acima (ser a marca notoriamente conhecida no


momento do depósito do pedido do registro anulando, bem como comprovada a
má-fé do titular do registro anulando), deve-se avaliar a eventual ilicitude do
registro, isto é, ter sido tal registro concedido em violação às normas em vigor no
país;

d) Por fim, deve-se ter em mente eventual comportamento contraditório das partes
envolvidas, a fim de avaliar se a pretensão esposada encontra óbice proibitivo na
tutela da boa-fé objetiva.

No caso em análise, após detido exame da farta documentação


acostada aos autos da ação de nulidade, podemos afirmar que:

(i) DeMolay International e Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República


Federativa do Brasil não comprovaram que a marca DeMolay era notoriamente
conhecida, no Brasil, em 1996, de modo que fica afastada a possibilidade de

73
aplicação da norma esculpida no artigo 6º bis da CUP, bem como do artigo 126 da
LPI;

(ii) Também não foi comprovada a alegada má-fé do Consulente ao requerer o


registro da marca DeMolay no Brasil. Como exaustivamente destacado, a boa fé
se presume, enquanto que a má-fé deve ser comprovada, sendo ônus de quem
alega demonstrá-la;

(iii) Não tendo sido observados e preenchidos os requisitos exigidos pelo artigo 6º bis
da CUP, tal norma é inaplicável ao caso concreto, razão pela qual deve ser
mantido o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para o ajuizamento da ação de
nulidade, conforme preceitua o artigo 174 da LPI;

(iv) Considerando que o primeiro registro para a marca DeMolay, em nome do


Consulente, foi concedido no Brasil em 23.03.1999, o prazo prescricional para o
ajuizamento da mencionada ação de nulidade expirou em 23.03.2004. Tendo sido,
portanto, ajuizada somente em 23.08.2007, é inafastável a prescrição que se
operou em relação à pretensão dos demandantes.

(v) Ainda que ultrapassadas as condições de aplicação do artigo 6º bis, demonstradas,


por hipótese, a notoriedade da marca no Brasil em 1996 e a eventual má-fé do
Consulente, caberia ao Supremo Conselho Internacional, por fim, comprovar
eventual ilicitude do registro da marca DeMolay no país, o que nos parece não ter
sido demonstrado.

74
Há que se frisar, outrossim, que a ação de nulidade ajuizada em
face do Consulente foi proposta por DeMolay International e Supremo Conselho da
Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil, que não possuem qualquer
direito anterior que pudesse, eventualmente, ser sobreposto ao direito atribuído ao
Consulente. Ainda que se admita a sucessão eventualmente ocorrida entre o Supremo
Conselho Internacional e DeMolay International, o fato é que todos os registros para
a marca DeMolay, anteriormente concedidos em nome do Supremo Conselho
Internacional, no exterior, foram extintos e encontram-se, atualmente, cancelados.

Por todas essas razões, só podemos concluir que o Consulente é


o legítimo titular dos direitos sobre a marca DeMolay no Brasil, não dispondo o
Supremo Conselho Internacional da Ordem DeMolay, tampouco DeMolay
International e, menos ainda, Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a
República Federativa do Brasil, fundamento legal no nosso ordenamento jurídico para
buscar anular os registros marcários devidamente concedidos pelo INPI ao
Consulente.

É o nosso parecer, s.m.j.

José Roberto d’Affonseca Gusmão


Doutor em Direito pela Universidade de Strasbourg
Professor dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
e do Centre d’Études Internationales de la Propriété Industrielle C.E.I..P.I da Universidade Robert
Schumann
Ex-presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI

Av. Brigadeiro Faria Lima, 1485 – 11º andar - CEP 01452-002 - São Paulo - SP - Brasil

75
13.1. CIRCULAR SCODB Nº 008 2010-2011 – Esclareceu o resultado da
tentativa de unificação proposta ao RFB em 2010, que resultou na negativa daquela
instituição, com a apresentação de contraproposta de que, somente aquiesceriam, se o
SCODB encerrasse as atividades e todos se filiassem à outra instituição.

13.2. CIRCULAR SCODB Nº 014 2010-2011 (ANEXOS 1 a 8) – Esclareceu


as inverdades consubstanciadas em informações absurdas e caluniosas que foram
dirigidas à Ordem DeMolay pelos então dirigentes do RFB, feitas através de
documentos confusos, mal escritos e não claros, com a nítida intenção de difundir
mentiras entre os nossos membros. A primeira Carta enviada respondeu nossa
tentativa de unificação com ataques, e a outra contestou a renovação do registro da
marca ―DEMOLAY‖ expedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial ao
nosso SCODB no ano de 2010.

13.3. CIRCULAR SCODB Nº 004 2011-2012 – Esclareceu que a sentença que


fora proferida em desfavor do SCODB em 2011, não tinha força executiva imediata,
e que desde aquela época (agosto de 2011), não havia, como até hoje não há,
qualquer impedimento legal ao normal funcionamento do Supremo Conselho da
Ordem DeMolay para o Brasil e de seus corpos jurisdicionados.

13.4. CIRCULAR SCODB Nº 007 2011-2012 – O SCODB apresentou mais


uma proposta de Unificação com a RFB através da instituição de uma Comissão de
Unificação.

13.5. CIRCULAR SCODB Nº 021 2011/2012 – Relata o ocorrido em março de


2012, quando o RFB enviou uma correspondência ao SCODB, condicionando a
continuidade do diálogo de unificação à exigência de alterar a pauta de discussões,
da seguinte forma:
76
PROPOSTA ANTERIOR: Ambas as instituições encerram suas atividades e uma
nova instituição é criada com todos os membros unidos.

PROPOSTA ATUAL: O SCODB encerra suas atividades e o RFB altera sua razão
social, mantendo seu CNPJ em função do patrimônio e contrato com DeMolay
Internacional, assim surge uma nova razão social com todos unidos, foi sugerido
inclusive que a nova razão social fosse “DeMolay Brasil”.

13.6. CIRCULAR SCODB Nº 007 2013/2014 – Apresentou as propostas de


consenso para unificação e as duas propostas que iriam para votação dos capítulos
escolherem qual seria a melhor. Contém anexo e relatório com resultado da consulta
feita a todos os capítulos do Brasil, acerca das 2 propostas votadas, quais seja: 1)
encerramento das atividades de ambos e criação de uma nova instituição ou 2)
incorporação do SCODB pela RFB.

Anexos nas páginas seguintes

77
13.1- CIRCULAR SCODB Nº 008 2010-2011 – Esclareceu o resultado da tentativa de unificação proposta ao
RFB em 2010, que resultou na negativa daquela instituição, com a apresentação de contraproposta de que,
somente aquiesceriam, se o SCODB encerrasse as atividades e todos se filiassem à outra instituição.

78
79
13.2 - CIRCULAR SCODB Nº 014 2010-2011 (ANEXOS 1 a 8) – Esclareceu as inverdades consubstanciadas em
informações absurdas e caluniosas que foram dirigidas à Ordem DeMolay pelos então dirigentes do RFB, feitas através de
documentos confusos, mal escritos e não claros, com a nítida intenção de difundir mentiras entre os nossos membros. A
primeira Carta enviada respondeu nossa tentativa de unificação com ataques, e a outra contestou a renovação do registro da
marca ―DEMOLAY‖ expedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial ao nosso SCODB no ano de 2010.

80
81
82
83
ANEXO 1 (PÁGINA 1)

84
ANEXO 1 (PÁGINA 2)

85
ANEXO 1 (PÁGINA 3)

86
ANEXO 2 (PÁGINA ÚNICA)

87
ANEXO 3 (PÁGINA 1)

88
ANEXO 3 (PÁGINA 2)

89
ANEXO 3 (PÁGINA 3)

90
ANEXO 3 (PÁGINA 4)

91
ANEXO 3 (PÁGINA 5)

92
ANEXO 3 (PÁGINA 6)

93
ANEXO 3 (PÁGINA 7)

94
ANEXO 3 (PÁGINA 8)

95
ANEXO 3 (PÁGINA 9)

96
ANEXO 4 (PÁGINA 1)

97
ANEXO 4 (PÁGINA 2)

98
ANEXO 4 (PÁGINA 3)

99
ANEXO 4 (PÁGINA 4)

100
ANEXO 5 (PÁGINA 1)

101
ANEXO 5 (PÁGINA 2)

102
ANEXO 6 (PÁGINA 1)

103
ANEXO 6 (PÁGINA 2)

104
ANEXO 7 (PÁGINA ÚNICA)

105
ANEXO 8 (PÁGINA ÚNICA)

106
13.3 - CIRCULAR SCODB Nº 004 2011-2012 – Esclareceu que a sentença que fora proferida em desfavor
do SCODB em 2011, não tinha força executiva imediata, e que desde aquela época (agosto de 2011), não
havia, como até hoje não há, qualquer impedimento legal ao normal funcionamento do Supremo Conselho da
Ordem DeMolay para o Brasil e de seus corpos jurisdicionados.

107
13.4- CIRCULAR SCODB Nº 007 2011-2012 – O SCODB apresentou mais uma proposta de Unificação
com a RFB através da instituição de uma Comissão de Unificação.

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13.5- CIRCULAR SCODB Nº 021 2011/2012 – Relata o ocorrido em março
de 2012, quando o RFB enviou uma correspondência ao SCODB,
condicionando a continuidade do diálogo de unificação à exigência de alterar a
pauta de discussões, da seguinte forma:

PROPOSTA ANTERIOR: Ambas as instituições encerram suas atividades e


uma nova instituição é criada com todos os membros unidos.

PROPOSTA ATUAL: O SCODB encerra suas atividades e o RFB altera sua


razão social, mantendo seu CNPJ em função do patrimônio e contrato com
DeMolay Internacional, assim surge uma nova razão social com todos unidos,
foi sugerido inclusive que a nova razão social fosse “DeMolay Brasil”.

Anexos nas páginas seguintes

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13.6- CIRCULAR SCODB Nº 007 2013/2014 – Apresentou as propostas de consenso para unificação e as
duas propostas que iriam para votação dos capítulos escolherem qual seria a melhor. Contém anexo e relatório
com resultado da consulta feita a todos os capítulos do Brasil, acerca das 2 propostas votadas, quais seja: 1)
encerramento das atividades de ambos e criação de uma nova instituição ou 2) incorporação do SCODB pela
RFB.

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ANEXO 1 - RELATÓRIO DA CONSULTA NACIONAL SOBRE A UNIFICAÇÃO EM 2014
(PÁGINA 1 / 11)

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ANEXO 1 - RELATÓRIO DA CONSULTA NACIONAL SOBRE A UNIFICAÇÃO EM 2014
(PÁGINA 2/11)

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ANEXO 1 - RELATÓRIO DA CONSULTA NACIONAL SOBRE A UNIFICAÇÃO EM 2014
(PÁGINA 3/11)

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ANEXO 1 - RELATÓRIO DA CONSULTA NACIONAL SOBRE A UNIFICAÇÃO EM 2014
(PÁGINA 4/11)

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ANEXO 1 - RELATÓRIO DA CONSULTA NACIONAL SOBRE A UNIFICAÇÃO EM 2014
(PÁGINA 5/11)

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ANEXO 1 - RELATÓRIO DA CONSULTA NACIONAL SOBRE A UNIFICAÇÃO EM 2014
(PÁGINA 6/11)

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ANEXO 1 - RELATÓRIO DA CONSULTA NACIONAL SOBRE A UNIFICAÇÃO EM 2014
(PÁGINA 7/11)

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ANEXO 1 - RELATÓRIO DA CONSULTA NACIONAL SOBRE A UNIFICAÇÃO EM 2014
(PÁGINA 8/11)

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ANEXO 1 - RELATÓRIO DA CONSULTA NACIONAL SOBRE A UNIFICAÇÃO EM 2014
(PÁGINA 9/11)

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ANEXO 1 - RELATÓRIO DA CONSULTA NACIONAL SOBRE A UNIFICAÇÃO EM 2014
(PÁGINA 10/11)

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ANEXO 1 - RELATÓRIO DA CONSULTA NACIONAL SOBRE A UNIFICAÇÃO EM 2014
(PÁGINA 11/11)

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ANEXO 2 - CARTA DE INTENÇÕES DO SCODB À LUIZ ADOLAR CAMARGO KIELING

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"Por Abel Nunes Proença Junior.
Ex - Mestre Conselheiro.
Sênior DeMolay - CID 3430.
Mestre Maçom - CIM 218034.
Federado ao Grande Oriente do Brasil.
Jurisdicionado ao Grande Oriente Estado de Mato Grosso do Sul.
Advogado Licenciado da OAB-MS.
Assessor de Desembargador."

―Um homem vinha caminhando pelo deserto, quando percebeu, ao longe, um ser vivo,
que, pela distância, parecia um monstro; aproximando-se, o viajante percebeu que o
ser não era um monstro, mas, sim, um homem; ao chegar, porém, bem mais perto,
reconheceu, nesse homem, o seu irmão‖.
Lenda Hindu.

SUMÁRIO: Prolegômenos; I- Dos Fatos; II – A Ordem DeMolay e as Potências


Maçônicas; III – A Ordem DeMolay no Mundo; IV – A Ordem DeMolay no Brasil; V
– A Carta Constitutiva; VI – O Tratado de Reconhecimento de Supremo Conselho
Autônomo; VII – O Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil como
entidade Civil; VIII – A ―Questão Divisionista‖; IX – Conclusão.

Prolegômenos

Em primeiro lugar rogo ao Pai Celestial que nos ilumine e guarde.


O presente parecer tem o intuito de esclarecer e provocar o debate racional sobre a
questão da divisão ocorrida no seio da Ordem DeMolay Brasileira.
Através deste documento, este articulador pretende incitar saudáveis e democráticas
discussões fixando balizas, que bem compreendidas poderão quiçá contribuir para o
fim das animosidades, erros, dúvidas e desencontros que abalam em território nacional
uma das mais importantes obras da Maçonaria Universal.

Por óbvio, o presente parecer não pretende ser a palavra final sobre a questão
divisionista, mas apenas um veículo indutor, um modelo aberto para a compreensão
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dos atuais fatos. Tentaremos abordar singelamente, quando pertinente, aspectos
jurídicos e históricos tanto da Ordem DeMolay quando da Ordem Maçônica.
I - Dos Fatos

Em meados do ano de 2003, começaram a surgir movimentos mais elaborados que


criticavam a Administração superior da Ordem DeMolay, então exercida
exclusivamente pelo Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil.

Já no ano seguinte animosidades que brotaram no âmbito administrativo do


simbolismo e do filosofismo Maçônico, extrapolaram seu universo e impregnaram a
Ordem DeMolay.

Não cabe a esta peça analisar estes fatos, nem suas razões nem os envolvidos, pois
qualquer incursão neste campo poderia transmitir a errônea mensagem de que a
Maçonaria Brasileira se resume a facções ou pequenos grupos de homens e seus
interesses, desfigurando o caráter Universal e Fraterno construído ao longo de anos de
dedicação e trabalho por uma plêiade de honoráveis homens de bem.

José Catellani na introdução de sua obra intitulada ―A Cadeia Partida‖, onde relata a
cisão de 1973, rotulada por ele como a ―mais traumática e devastadora cisão ocorrida
até hoje na Maçonaria Brasileira e a que mais provocou disputas judiciais maçônicas e
profanas‖, salienta muito bem o fato de que não existe dissidência, principalmente de
caráter político, que não envolva boa e má-fé, idealismo e arrivismo, acertos e erros.

Para nós basta saber que o descontentamento em relação à alguns aspectos da


administração promovida pelo Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil
misturou-se a desafetos surgidos no ambiente Maçônico.

É de se notar, ainda, que a presente questão divisionista na Ordem DeMolay Brasileira


guarda uma terrível similitude com os eventos ocorridos no Congresso Internacional
de Supremos Conselhos do R\E\A\A\realizado em Paris no período de 29 de Abril a 06
de Maio de 1929.
Castellani relata que a Maçonaria Brasileira nem bem se recuperava da crise de 1927
ocorrida no seio da Oficina-Chefe do R\E\A\A\ e que deu origem às Grandes Lojas,
mas, em função do citado Congresso, o então Grão-Mestre Octavio Kelly nomeou uma
embaixada composta por três Soberanos Grandes Inspetores Gerais, com o objetivo de
defender as prerrogativas do Supremo Conselho do Brasil, ligado ao Grande Oriente
do Brasil.

O General José Maria Moreira Guimarães, que chefiava a comissão, levava consigo
um ato de Kelly dando-lhe amplos poderes para desempenhar sua missão, portava
também documentos e uma defesa historiando os fatos e mostrando que o que
houvera, na realidade, fora uma dissidência e não uma separação total, continuando, o
Supremo Conselho, a manter a legitimidade, através de seus membros efetivos
remanescentes, ou seja aqueles que não acompanharam a dissidência.
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Tal qual ocorreu na presente questão divisionista da Ordem DeMolay, os dissidentes
haviam ido a Paris bem antes do Congresso, tendo oportunidade de dar a sua versão
dos fatos ao Irmão René Raymond, encarregado dos trabalhos preparatórios do evento,
e predispondo seu espírito contra a embaixada do Grande Oriente do Brasil.

Hoje, repetindo o mesmo script, os dissidentes Brasileiros da Ordem DeMolay,


antecipadamente, foram aos Estados Unidos da América, sustentaram sua posição
perante a DeMolay International, e este ―sem ouvir e sem nada examinar‖ retirou o
reconhecimento do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, e
arbitrariamente, sem poderes para tanto constituiu um novo Supremo Conselho a eles
vinculado.

Como se verá no decorrer desta peça, os anseios dos dissidentes Brasileiros em fundar
um novo Supremo Conselho, e os anseios de re-anexação do Brasil a sua esfera
administrativa mantido pela DeMolay International, com sede nos E.U.A, mesclaram-
se fundindo-se em um só movimento.

Esta é a gênese da atual ―Questão Divisionista‖ que deu origem ao nominado Supremo
Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil.

II - A Ordem DeMolay e as Potências Maçônicas.

Vinte e cinco anos de vigorosos trabalhos em terras Brasileiras, e o impressionante


número de mais de 600 Capítulos espalhados de ponta a ponta em nosso País,
elevaram a Ordem no Brasil a um patamar de franca superioridade frente a DeMolay
em outros países, rivalizando em número, inclusive com os Estados Unidos da
América onde foi fundada. Mas, ainda assim, ela continua sendo uma desconhecida de
muitos Maçons Brasileiros.
Infelizmente é comum muitos Maçons acharem que a Ordem DeMolay é um
departamento juvenil de determinada potência, e em função disso não merecedora de
sua atenção.

Este desconhecimento de causa leva ao descaso e muitas vezes ao abandono, e hoje,


esta displicência causa inúmeros danos a esta obra que não pertence a uma Potência,
mas à Maçonaria Universal, que tem na Ordem DeMolay terreno fértil para cultivar
melhores homens e melhores cidadãos, semeando sua mensagem de Igualdade,
Liberdade e Fraternidade em jovens mentes proveniente de ávidos e ainda intocados
espíritos.

Portanto, associar a Ordem DeMolay a uma determinada Potência é um erro que o


Maçom não deve cometer, sob pena de contaminar jovens DeMolays que não
conhecem, e nem tem razão para conhecer a estrutura administrativa Maçônica e suas
opções gerenciais.

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São sempre oraculares as palavras de Albert Lantonine:

―A história das Obediências, com muita freqüência, não é senão a de seus cismas e de
suas querelas. Essa é bem a prova de que são humanas, participando de todas as
fraquezas dos homens: vaidade, desejo de poder... Se elas só fossem isso, não seria
recomendável entrar na Ordem Maçônica... ―.. Oh! Esse mundo maçônico não é
perfeito! E de todas essas histórias, muitas vezes pueris, que constituem a escória da
sua História, um adversário poderia facilmente respigar o alimento para sua
malevolência. Os maçons não se orgulham de serem super-homens (e por que seriam
eles super-homens ? ); eles não passam de pecadores transbordantes de boa vontade, e
é por isso que a Franco-Maçonaria, com suas verdades cambiantes que seguem a febre
das épocas, é a única religião humana. Não convém, aqui, louvar nem execrar essa
religião. As injúrias, como as palavras de adulação, não passam de vaidade. Digamos,
porém, que quando uma sociedade atravessa os séculos, entre os temporais que
fizeram efêmeras tantas outras obras dos homens, há nela uma certa virtude
misteriosa... o que o poeta chama de música interior...‖ (Historie de la Franc-
Maçonnerie Française, tomo I, p. 428, apud, Marius Lepage, História e Doutrina da
Franco-Maçonaria, Ed. Pensamento, p. 78).

A Ordem DeMolay, que não tem fronteiras ou Potências, deveria servir como um dos
elementos da argamassa que une a família Maçônica Universal, e não como
instrumento de manobra ou arma a disposição de paixões pouco recomendáveis e
ainda não desbastadas pela Arte Real.

É oportuno conclamar a irmandade Maçônica para que preservem este tesouro que é a
Ordem DeMolay, mantendo-a intacta, pura e separada das diferenças que um dia
eclodiram nas fileiras dos obreiros da Grande Arte e que até hoje de certa forma, em
alguns aspectos os separam.

Frank Sherman Land, fundador da Ordem proclamava:

―Se trabalharmos sobre o mármore, um dia ele se acabará. Se trabalharmos sobre o


metal, um dia o tempo o consumirá. Se erguermos templos, um dia se tornarão pó.
Mas se trabalharmos sobre almas jovens e imortais, se nós a imbuirmos com os
princípios do justo temor ao criador e amor à humanidade, nós gravaremos sobre essas
almas algo que brilhará eternamente. Daqui a cem anos pouco importará o quanto
tenhamos acumulado no banco; que tipo de casa, palacete ou carro possuímos. Mas o
mundo poderá ser diferente, talvez porque fomos importantes na vida dos jovens‖.

Assim, em razão do ainda acentuado número de Maçons que desconhecem a Ordem


DeMolay, e como o objetivo desta peça e ampliar o debate e fomentar soluções
principalmente no ambiente Maçônico, faz-se necessário algumas considerações sobre
origens e conceitos.

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III - A Ordem DeMolay no Mundo.

A Ordem DeMolay foi fundada pelo Maçom Frank Sherman Land, em 18 de Março de
1919, em Kansas City, Estado Unidos da América, objetivando formar entre os jovens
de 13 a 21 anos de idade, melhores cidadãos e à criação de líderes através do
desenvolvimento da personalidade nos jovens. Não sendo uma instituição Maçônica e
sim unificada e dirigida por Maçons; organizada em sua origem como Supremo
Conselho Internacional da Ordem DeMolay (International Supreme Council – ISC).

O programa DeMolay possui dois Graus, Iniciático e DeMolay e tendo sua moral e
trabalho fulcrada no desenvolvimento das sete virtudes cardeais, Amor Filial,
Reverência pelas coisas Sagradas, Cortesia, Amizade, Fidelidade, Pureza e
Patriotismo.

Segundo Wilton Cunha, primeiro Grande Secretário Geral no Brasil, a Ordem


DeMolay ―é uma organização de formação do caráter dos jovens de treze a vinte e um
anos de idade, que estão procurando se preparar para serem melhores cidadãos e
líderes para o futuro, desenvolvendo o conjunto de fatores que formam a
personalidade de todos os homens de bem que lutam pela emancipação pacífica e
progressiva da Humanidade‖.

O memorável ―Tio‖ Cunha afirmava que Frank Sherman Land foi quem melhor
definiu a Ordem nos seguintes termos:

―DeMolay é conforme uma religião que é difícil definir. Trabalha de tantas maneiras e
pratica tantas boas ações para e em benefício de um jovem que realmente tem que ser
experimentada para ser totalmente compreendida, avaliada e apreciada‖.

Hoje a Ordem DeMolay esta espalhada por diversos Países, sendo que apenas quatro
possuem Supremos Conselhos Independentes, os Estados Unidos, o Brasil, a Austrália
e as Filipinas. O Supremo Conselho do Canadá cessou suas atividades, em função
disso a autoridade sobre a Ordem retornou ao domínio Americano.

O Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil já estendeu sua Jurisdição,


após autorização do Supremo Conselho Internacional, e abrange hoje a Bolívia,
Paraguai, Uruguai e Argentina.

IV - A Ordem DeMolay no Brasil.

Segundo relato do próprio Irmão Alberto Mansur, 33°, Grande Mestre fundador da
Ordem DeMolay no Brasil, ele tomou conhecimento da existência da Ordem em 1970,
através da leitura da revista ―The New Age – 1969‖, e a partir daí percebendo a lacuna
203
no trato com jovens no âmbito da Maçonaria Brasileira, empreendeu esforços no
sentido de trazer a Ordem para o nosso País.

Em 1974, o Irmão Alberto Mansur conheceu pessoalmente na cidade do Rio de


Janeiro o Irmão George A. Newbury, 33°, Soberano Grande Comendador do Supremo
Conselho do R\E\A\A\ dos Estados Unidos da América, e através dele estabeleceu
contato com o Supremo Conselho Internacional, iniciando assim um trabalho de
divulgação que durou cinco anos.

Em 1979, Alberto Mansur conheceu em Boston, o Grão Mestre Internacional Buddy


Faulkner, que o autorizou a fundar a Ordem DeMolay no Brasil e o nomeou Oficial
Executivo. É de se notar nesta fase inicial a relação de dependência e submissão da
Ordem DeMolay Brasileira à administração do Supremo Conselho Internacional.

Nomeado Oficial Executivo, Alberto Mansur iniciou a tradução dos rituais para o
português, com as devidas adaptações.

É interessante notar que aparentemente nos Estados Unidos só os Mestres Maçons


participavam das atividades da Ordem, mas em território nacional os Aprendizes e
Companheiros, foram incluídos, já que no Brasil desde a iniciação tais irmãos são
considerados Maçons.

Em 16 de Agosto de 1980, na cidade do Rio de janeiro era fundado o primeiro


Capítulo da Ordem DeMolay no Brasil, sendo iniciados naquela oportunidade 59
jovens forasteiros, tendo como corpos patrocinador o Supremo Conselho do Grau 33°
do R\E\A\A\da Maçonaria para a República Federativa do Brasil.

Passados cinco anos e já contando com 26 Capítulos e 3.300 Iniciados, a Ordem


DeMolay Brasileira recebeu em 12 de Abril de 1985 a visita do então Grande Mestre
Internacional Don W. Wright, que concedia a Carta Constitutiva para a instalação do
Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil.

Esta data é de suma importância já que é nela que a Ordem DeMolay Brasileira torna-
se soberana e independente do Supremo Conselho Internacional e da eventual tutela
Norte Americana.

V - A Carta Constitutiva

Para melhor compreensão segue a tradução da Carta Constitutiva, já que o original foi
redigido em língua inglesa.

204
―CARTA CONSTITUTIVA DO SUPREMO CONSELHO DA ORDEM DEMOLAY
PARA O BRASIL.

Saudações a todos os cidadãos e residentes no Brasil.

A fim de que todos saibam pelo presente que, de acordo com a resolução adotada no
nono dia de maio A.D., A.L. 5984, O SUPREMO CONSELHO INTERNACIONAL
DA ORDEM DEMOLAY aqui ordena, cria, constitui e estabelece, na data da última
publicação abaixo, o SUPREMO CONSELHO DA ORDEM DEMOLAY PARA O
BRASIL.

Como um Supremo Conselho DeMolay independente e soberano, cabe ao dito


Supremo Conselho do Brasil exclusividade sobre a Ordem DeMolay em todo território
do dito Brasil.

E o dito Supremo Conselho Internacional por meio deste requer a todos DeMolay,
dentro do dito território, doravante render sua inteira obediência em todos os assuntos
pertinentes a Ordem DeMoLay para o dito Supremo Conselho do Brasil.

Todos os ascendentes sendo sujeitos apenas a observar continuamente pelo dito


Supremo Conselho do Brasil o Sagrado Limite da Ordem DeMolay e as provisões para
a Mutual Convenção de Confiança e Irmandade agora existente entre os ditos
Supremos Conselhos como os mesmos podendo ser retificados de tempos em tempos
por mútuo acordo.

Dado pela mão do Grande Mestre do Supremo Conselho Inter­nacional com o


testemunho do Grande Secretário e sob cujo selo neste dia 12-04-1985, A.L. 5985,
com sede na cidade de Kansas, Estado de Missouri, dos Estados Unidos da América,
onde a ordem foi fundada por Frank Sherman Land, A.D. 1919, A.L. 5919.

Com felicitações de todos os membros do Supremo Conselho Internacional e todos


DeMolays, Conselheiros, permanecendo sob sua jurisdição, que sempre rogará pela
continuidade da boa fortuna do Supremo Conselho do Brasil.

DON W. WRIGHT — Grande Mestre.

THOMAS C. RAUM JR. -— Grande Secretário‖.

(Transcrição in verbis contida no Livro "Jacques DeMolay" de autoria de Rizzardo da


Camino, Ed. Aurora, pág. 278/279).

205
Este documento é fundamental, já que ele cria constitui e estabelece o Supremo
Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, não sendo crível qualquer discussão legal
acerca da fundação, independência, sucessão ou exclusividade sobre a Ordem
DeMolay Brasileira, tal afirmação encontra respaldo no esclarecedor 2º parágrafo da
Carta acima transcrita:

"Como um Supremo Conselho DeMolay independente e soberano, cabe ao dito


Supremo Conselho do Brasil exclusividade sobre a Ordem DeMolay em todo território
do dito Brasil" (grifo nosso).

Ora, após onze anos jamais foi contestada a autoridade do Grande Mestre
Internacional Don W. Wrigth e seus poderes para gerir a Ordem no mundo à época,
mesmo porque, é pacífico o entendimento de que ele com legítima autoridade, e no
âmbito de suas atribuições alforriou a Ordem DeMolay Brasileira dos laços
administrativos que ligavam-na ao hoje extinto Supremo Conselho Internacional.

Mas a frente podemos observar que ainda na posse das prerrogativas legais o
estabelecido e soberano Supremo Conselho Internacional determina:

―E o dito Supremo Conselho Internacional por meio deste requer a todos DeMolay,
dentro do dito território, doravante render sua inteira obediência em todos os assuntos
pertinentes a Ordem DeMoLay para o dito Supremo Conselho do Brasil‖ (grifo
nosso).

Esgotando o assunto verifica-se ao final da Carta Constitutiva, que o Supremo


Conselho Internacional, expressa em seu nome e em nome de todos os Conselheiros e
DeMolays que ficaram sob a sua jurisdição votos de boa fortuna ao novo e
independente Supremo Conselho do Brasil.

Não resta dúvida de que o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, em
12 de Abril de 1985, tornou-se independente do então Supremo Conselho
Internacional.

Neste tópico podemos afirmar que legalmente não existe margem para discussões
relativas a soberania Brasileira sobre a Ordem DeMolay administrada pelo Supremo
Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil.

Portanto, afirmamos mais, não é juridicamente correto o argumento sobre a


possibilidade de eventual retomada, ou intervenção na administração da Ordem
DeMolay Brasileira por organismo extra-pátria, a pretexto de transferi-la a um outro
organismo Nacional, isto porque já em 1985, o Supremo Conselho Internacional,
sediado no Estado Unidos da América abria a mão de forma definitiva do controle da
Ordem no Brasil.

206
Tanto é verdade que o dito Supremo Internacional pactua com o Supremo Conselho
Brasileiro um tratado de mútuo reconhecimento, demonstrando cabalmente que a
relação de submissão inicial transmudou-se em outra, já que os dois Supremos passam
a reconhecerem-se como entidades independentes e soberanas.

Aqui surge a questão da regularidade, que no universo Maçônico já causou tantas


batalhas, baixas, rancores e violações.

VI – O Trato de Reconhecimento de Supremo Conselho Autônomo.

Copiando os moldes Maçônicos, o Supremo Conselho Internacional da Ordem


DeMolay, com sede em Kansas City, no Estado do Missouri nos E.U.A.
voluntariamente e no exercício da autoridade de que estava revestida, em tudo que
fosse pertinente ao governo de toda a Ordem DeMolay, e embasada em um a
resolução adotada em Sarasota, Flórida, EUA, regulamentando a Carta Constitutiva já
expedida e analisada anteriormente, autorizou e constituiu o Supremo Conselho da
Ordem DeMolay para o Brasil, nos seguintes termos:

―CONSTITUI O Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, um Supremo


Conselho autônomo com poder absoluto e independente e autoridade em tudo que for
pertinente ao governo da Ordem DeMolay no Brasil, e faz pelo presente.

LIBERA o dito Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil da própria


autoridade do Supremo Conselho Internacional em tais assuntos exceto o que estiver
estabelecido; e pelo presente.

DIRECIONA E REQUER a todos os membros, consultores e oficiais de todos os


Capítulos e outros corpos do Brasil para de hoje em diante prestar sua lealdade e apoio
ao Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil‖.

Neste tratado, como já afirmado, o Supremo Conselho Internacional tal qual a Grande
Loja Unida da Inglaterra, libera o Supremo Conselho do Brasil e cria um sistema de
regularidade DeMolay fixando como ―Landmarks‖ pontos a serem resguardados pela
Ordem, conhecidos como ―OS SAGRADOS PRINCÍPIOS DA ORDEM
DEMOLAY‖, que são:

―Um Capítulo deve ser patrocinado, geralmente, por um Corpo ou Corpos Maçônicos
Reconhecidos.

A solicitação de ingresso em um Capítulo DeMolay deve ser limitada a jovens:

1. Que não tenham ainda vinte e um anos de idade.


2. Que professa uma crença em Deus e reverência pelo seu Santo Nome.
207
3. Que afirma lealdade a seu País e respeito a sua Bandeira.
4. Que adere a prática da moralidade pessoal.
5. Que promete a si mesmo sustentar os altos ideais simbolizados pelas Sete Virtudes
Cardeais no poder da juventude.
6. Que aceita a filosofia da Irmandade Universal do Homem e a nobreza de caráter
tipificada pela vida e morte de Jacques DeMolay‖.

De mais a mais o tratado fixa parâmetros para que os dois Supremos, o Internacional,
Americano e o Brasileiro possam se reconhecer não havendo cláusula de intervenção
ou penalidades.

É notável apenas a cláusula 13ª, onde o Tratado estipula que se o Supremo Conselho
da Ordem DeMolay para o Brasil cessar sua função, toda a autoridade sobre a Ordem
DeMolay no Brasil seria revertida para o Supremo Conselho Internacional tanto tempo
quanto necessário para a criação de um novo Supremo Conselho no Brasil.

Fica esclarecido que a única possibilidade de um efêmero retorno da administração da


Ordem ao Supremo Conselho Internacional seria a paralisação das atividades do
Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, fato que nunca existiu.

Do exposto conclui-se que o Supremo Conselho Internacional, não é órgão superior ao


Conselho Brasileiro, não é fórum competente para julgar atos praticados pelo dito
Conselho, sendo que eventuais deliberações limitam-se apenas às questões de mútuo
reconhecimento e nada mais.

VII – O Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil como entidade Civil.

O Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, é pessoa Jurídica reconhecida


civil e legalmente pela Legislação Pátria, com C.G.C. de nº 28.643.559/0001-59,
possuidora do Certificado de Registro de Marca nº 819387193, expedido pelo Instituto
Nacional da Propriedade Industrial – INPI.

O citado certificado garante desde 23 de Março de 1999 a propriedade e o uso


exclusivo da Marca nominativa ―DEMOLAY‖ ao Supremo Conselho da Ordem
DeMolay para o Brasil.

Da mesma forma o Supremo Conselho tem registrado junto a Fundação Biblioteca


Nacional do Ministério da Cultura seus rituais do Grau Iniciático e DeMolay,
conforme Certificados de Registro e Averbação nº 188.152, Livro 321, folha 307 e nº
188.150, Livro 321, folha 305, respectivamente.

208
O Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, além de pessoa jurídica de
direito privado é classificada pelo Novo Código Civil como Associação, e como tal,
sujeita e direitos e obrigações.

Assim, juridicamente podemos conceituar que o Supremo Conselho da Ordem


DeMolay para o Brasil é uma união jurídico-social de pessoas que se organizam
mediante regras legais, para a persecução de certo e determinado objetivo lícito, sem
expressão econômica, no caso, serviços de caráter comunitário, filantrópicos e
beneficentes.

Seus membros se organizaram enquanto pessoa jurídica de direito privado na forma de


associação, para alcançar um fim lícito e legítimo, e são denominados legalmente
como associados, entre os quais não há direitos e obrigações recíprocos.

Na associação, as pessoas físicas vinculam-se contratualmente e aglutinam esforços,


em doação à persecução de um ideário desprotegido de fim econômico, abrigado
legalmente na ordem jurídica, ficando assim claro que o Supremo Conselho da Ordem
DeMolay para o Brasil, como toda a associação civil tem seus atos balizados pela
legislação Pátria, sendo a Justiça Brasileira o único e competente fórum para analisar
eventual conduta a ele atribuído, tendo como representante legal o seu Presidente, que
a Ordem denomina Grande-Mestre, eleito na forma regimental.

Como pessoa jurídica de direito privado, a associação nasce, legalmente, com a


inscrição do seu ato constitutivo (estatuto) no respectivo registro público. Por óbvio o
Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil possui estatutos que preenchem
os requisitos legais, contendo a) a denominação, os fins e a sede; b) os requisitos para
a admissão, demissão e exclusão dos associados; c) os direitos e deveres dos
associados; d) as fontes de recursos para sua manutenção; e) o modo de constituição e
funcionamento dos órgãos deliberativos e administrativos; f) as condições para a
alteração das disposições estatutárias e para a dissolução.

Como não podia ser diferente a associação ao ser criada recebe um nome, não
existindo portando associação sem denominação, ainda que se trate de associação
secreta com fins lícitos.

Ademais, a Ordem DeMolay, semelhante a Maçonaria, na verdade é mais discreta do


que secreta, já que os segredos que unem seus membros são reduzidos a sinais, toques
e palavras de auto reconhecimento.

Como não poderia deixar de ser enquanto pessoa jurídica o Supremo Conselho da
Ordem DeMolay para o Brasil tem uma finalidade, um objetivo a ser alcançado em
caráter perene. As pessoas que a ele se agrupam o fazem com o propósito nuclear de
atingir um objetivo pré-determinado, que atenda a uma satisfação do próprio grupo
associado ou a um interesse de terceiros alheios à associação, esvaziado de conteúdo
econômico.
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É possível para uma associação como o Supremo Conselho ter um objetivo singular ou
plural, segundo a vontade revelada pelos associados no estatuto, o qual poderá sofrer
alterações se as normas internas consentirem. Portanto, se houver previsão estatutária,
é permitido que se amplie o objetivo da associação, quando singular, ou se reduza,
quando plural. O que não se mostra tolerável é a configuração de finalidades
antagônicas ou contraditórias de uma associação, porquanto se cuida de ambigüidade
segundo a qual se esvazia a própria razão de ser da instituição.

Via de regra os recursos com que se irriga o Supremo Conselho brotam de


contribuições dos próprios associados, conforme disposto no estatuto. Os recursos que
ingressam na associação devem vir de fontes lícitas, de amplo conhecimento público,
razão por que é vedada contribuições secretas ou obscuras, sem o devido lastro e sem
previsão estatutária.

É de se salientar por fim que compete, privativamente, à Assembléia Geral a alteração


do estatuto, para o que se exige ‗‗o voto concorde de dois terços dos presentes à
assembléia especialmente convocada para esse fim, não podendo ela deliberar, em
primeira convocação, sem a maioria absoluta dos associados, ou com menos de um
terço nas convocações seguintes‘‘ (art. 59, parágrafo único, do novo Código Civil).

Encerrado este último tópico, seqüência de uma série onde se fez um apanhado geral
sobre a Ordem DeMolay no Brasil, suas relações internacionais, suas características
históricas e jurídicas, é possível alçar vôos mais arrojados no âmbito da questão
divisionista atual.

VIII – A ―Questão Divisionista‖.

Já foi relatado que o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil vinha
sofrendo resistência quanto a sua forma de administrar, somado a turbulências geradas
no seio da Maçonaria um grupo de Maçons e DeMolays iniciaram uma insurreição que
culminou da criação do um outro organismo que pretende ser soberano sobre os
assuntos DeMolays no país.

Ao mesmo tempo em que esta crise caminhava no Brasil, nos Estados Unidos
consolidava-se uma outra crise também de grande monta.

Consta que o Supremo Conselho Internacional, foi envolvido em ações judiciais no


Estado da Flórida por abrigar em suas fileiras pedófilos, e fora condenado a pagar
indenizações no montante de 15 milhões de dólares.

Com a ruína financeira batendo a porta, e obrigado a desfazer-se de todo seu


patrimônio para honrar a dívida judicial, sem consultar o Supremo Conselho
210
Brasileiro, e violando o tratado de amizade e mútuo reconhecimento, o Supremo
Conselho Internacional foi dissolvido, e em substituição, foi criada uma nova entidade
denominada DeMolay International, registrada no Estado de Massachussets.

O novo organismo atropelando tratados e convenções, decide solitariamente não criar


nenhum novo Supremo Conselho da Ordem DeMolay autônomo e soberano em
qualquer país do mundo e se empenha na idéia de que todos os Supremos existentes
retornem ao controle Americano.

Altera um dos limites sagrados da Ordem, revogando a obrigatoriedade do patrocínio


Maçônico de um Capítulo DeMolay.

Ainda em desatenção ao Tratado de Mútuo Reconhecimento firmado, o agora


DeMolay International, recebeu delegações e não deu conhecimento destes fatos aos
poderes constituídos da Ordem no Brasil.

Por fim, em suposta carta que não obedeceu ao protocolo oficial estipulado pelo
tratado, o citado organismo informa que em 04 de fevereiro de 2004 retirou o
reconhecimento do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil.

Tal documento não seguiu as especificações do item 7 do Trato de Mútuo


Reconhecimento já que toda a correspondência entre os Supremos Conselhos deverá
ser realizada através dos Grandes Mestres ou através de seus representantes ou por
extensão a outros oficiais, autorizados pelos ditos Grandes Mestres.

Ainda, quanto a decisão que retirou o reconhecimento existente entre o Supremo


Conselho Internacional e o Supremo Conselho Brasileiro, é de se esclarecer que não
foi observado o devido processo legal, o contraditório ou mesmo a ampla defesa,
preceitos que norteiam tanto a legislação Americana quanto a Brasileira.

Tais informações constam na Circular nº 033/2002-2005 de 29 de Junho de 2005, que


relata os acontecimento ocorridos na 84º Sessão Anual do Supremo Conselho
Internacional da Ordem DeMolay, realizado em Denver, Colorado, Estados Unidos da
América no período de 16 a 19 de junho de 2004, de lavra do Grande Mestre Alberto
Mansur.

Todas estas crises se entrelaçaram e fortaleceram a insurreição no Brasil, culminando


na criação do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do
Brasil (SCODRFB) e seu reconhecimento pela DeMolay Internacional.

IX – Conclusão.

Deste relato podemos fazer as seguintes conclusões.


211
Desde 12 de Abril de 1.985 o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil é
um conselho autônomo com poder absoluto e independente e autoridade em tudo o
que for pertinente ao governo da Ordem DeMolay no Brasil.

Atendendo aos anseios democráticos de todos seus membros foram estabelecidas


claras regras para a linha sucessória, e em 24 de Junho de 2.004 o Irmão Alberto
Mansur, no memorável XI Congresso Nacional da Ordem DeMolay realizado em
Brasília - DF transferiu o cargo de Grande Mestre para o Irmão Toshio Furukawa, 33°.

Cumprido exemplarmente o mandato no período de 2004/2005, o Irmão Toshio por


ocasião do XII Congresso Nacional da Ordem DeMolay ocorrido na cidade de
Guarapari - ES deu posse em 30 de Julho de 2.005 ao Irmão Fuad Haddad, atual
Grande Mestre, demonstrando cabalmente a força e o vigor com que a Ordem vem se
desenvolvendo, superando crises, reinventando-se e aprimorando cada vez mais com
vistas a uma maior eficiência na execução de seus valorosos fins.

Trabalho notado pelo Grande Oriente do Brasil, que através do Decreto 0609 de 26 de
Março de 2.003 reconheceu o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil e
determinou a respectiva troca de Garantes de Amizade.

Assim, a toda prova o Supremo Conselho no Brasil jamais cessou suas atividades, e
sendo esta a única possibilidade da administração da Ordem DeMolay migrar para
solo Americano, qualquer ingerência da DeMolay International (DI) nos assuntos
Brasileiros não é moral e juridicamente aceitável.

O International Supreme Council (ISC) – Supremo Conselho Internacional foi


dissolvido, contudo, detalhes legais sobre suas dívidas e sucessores até hoje não foram
esclarecidas, ademais, o organismo criado DeMolay International (DI), ainda que
fosse considerado sucessor é mais novo que o Supremo Conselho da Ordem DeMolay
para o Brasil (SCODB), portanto, em função da precedência aquele órgão é que
deveria buscar reconhecimento e não o inverso.

A DeMolay International, claramente violou os limites Sagrados da Ordem ao deixar


de observar a exigência do Patrocínio Maçônico, rompendo com o ideário inicial
proposto pelo fundador, Irmão Frank Sherman Land.

A DeMolay International, nunca possuiu direitos de ingerência nos assuntos da


DeMolay Brasileira, portanto não poderia jamais criar ou autorizar a fundação de um
novo e anódino Supremo Conselho.

A Ordem DeMolay é patrimônio da Maçonaria Universal, não sendo desejável que ela
fique a mercê de uma Potência Maçônica em particular.

212
O Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, enquanto pessoa jurídica e na
qualidade de associação civil reveste-se de todos os direitos e obrigações legais para
exigir, defender, manter e executar a gestão dos assuntos referentes a Ordem DeMolay
no Brasil.

Com a pretensão de ter contribuído ainda que maneira mínima para uma ampla e
democrática discussão sobre a ―Questão Divisionista‖, encerro o presente documento.

Saudações em DeMolay !!!

Campo Grande-MS, 10 de Agosto de 2.005.

Sobre o Autor:

Abel Nunes Proença Junior.


Ex - Mestre Conselheiro.
Sênior DeMolay - CID 3430.
Membro Fundador do Capítulo Waldomiro Venâncio nº 62.
Membro Fundador da Associação Alumni – MS.
Mestre Maçom - CIM 218034.
Aug\ e Resp\ Loj\ Simb\ Obreiros de São João nº 2962.
Federado ao Grande Oriente do Brasil.
Jurisdicionado ao Grande Oriente Estado de Mato Grosso do Sul.
Grau 4 do R\E\A\A\ - IME 070312.
Aug\ e Res\Loj\de Perfeição Pharol do Sul nº 20053.
Advogado Licenciado da OAB-MS.
Assessor de Desembargador.

Referências Bibliográficas:

Código Civil - Revista dos Tribunais. 10ª Edição. 2005.Constituição do Supremo


Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil. 3ª Edição. 2004.Circular nº 033/2002-
2005 do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil.Decreto nº 0609, de 26
de Março de 2003 do Grande Oriente do Brasil.Ritual do Grau Iniciático. 1ª Edição.
1986.Ritual do Grau DeMolay. 1ª Edição. 1987.PAULA, Daniel Giotti. Jornada
DeMolay – Roteiro para o Caminho Iniciático. 1ª Edição. 2004.DA CAMINO,
Rizzardo. Jacques DeMolay. Ed. Aurora.SANTOS, Marcelo Henrique Brito dos. PED
- Programa de Estudos DeMolay. Ed. Sete Virtudes. 5ª Edição. Barretos.
2004.LEPAGE, Marius. História e Doutrina da Franco-Maçonaria. Ed.
Pensamento.CASTELLANI, José. A Cadeia Partida. Ed. Maçônica ―A TROLHA‖
Ltda. 1ª Ed. Londrina. 1994.CASTELLANI, José. O Supremo Conselho no Brasil –
Síntese de sua História. Ed. Maçônica ―A TROLHA‖ Ltda. 1ª Ed. Londrina. 2000.

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