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| Teste de Avaliação – Felizmente Há Luar (1) | Módulo | 11 |

Nome: __________________________________________ N.º ______ Turma: _______


Classificação: ________________________________________________________________
Professor: _______________________ Enc. de educação: ___________________________

GRUPO I

Lê com atenção o texto.

CORVO
Um só nome anda na boca de toda a gente.
(Surge Morais Sarmento, que avança do fundo do palco.)
MORAIS SARMENTO
Senhores Governadores: onde quer que se conspire, só um nome vem à baila.
CORVO
Abre os braços no gesto O nome do general Gomes Freire d’Andrade!
dramático de quem faz (Acende-se a luz que ilumina Beresford e o principal Sousa.)
uma revelação
importante e inesperada. D. MIGUEL
Começam a ouvir-se Senhores Governadores: aí tendes o chefe da revolta. Notai que lhe não
tambores ao longe, falta nada: é lúcido, é inteligente, é idolatrado pelo povo, é um soldado
muito em surdina. brilhante, é grão-mestre da Maçonaria e é, senhores, um estrangeirado…
BERESFORD
Trata-se dum inimigo natural desta Regência.
PRINCIPAL SOUSA
Foi Deus que nos indicou o seu nome.
D. MIGUEL
(Sorrindo)
Deus e eu, senhores! Deus e eu…
CORVO
Mas, senhores, nada prova que o general seja o chefe da conjura.
Tudo o que se diz pode não passar de um boato…
D. MIGUEL
Cale-se! Onde está a sua dedicação a el-rei, capitão?
PRINCIPAL SOUSA
Agora me lembro de que há anos, em Campo d’Ourique, Gomes Freire
prejudicou muito a meu irmão Rodrigo!
D. MIGUEL
Se eu fosse a falar do ódio que lhe tenho…
BERESFORD
O marquês de Campo Maior tem razões para odiar a Gomes Freire…
(…)
PRINCIPAL SOUSA
(Do púlpito)
Meus filhos, meus filhos, a Pátria está em perigo! Os inimigos de Deus preparam,
na sombra, a ruína dos vossos lares, a violação das vossas filhas, a morte d’el-rei!
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Os tambores entram D. MIGUEL


em fanfarra e o palco Portugueses: a hora não é para contemplações! Sacrifiquemos tudo, mesmo
enche-se de soldados.
as nossas consciências, no altar da Pátria.
PRINCIPAL SOUSA
Morte aos inimigos de Cristo!
D. MIGUEL
Morte ao traidor Gomes Freire d’Andrade!
(Apagam-se todas as luzes. As personagens ficam na penumbra agitando os
braços e erguendo bandeiras no ar. Durante um espaço de tempo muito curto,
ouvem-se os sinos e os tambores.)

Luís de Sttau Monteiro, Felizmente Há Luar!, Areal Editores (adaptado e com supressões)
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Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.

1. Contextualiza, na obra, o excerto transcrito, explicitando a sua relevância na ação.

2. Apresenta três traços caracterizadores de Principal Sousa, fundamentando-te no texto.

3. Indica de que forma se manifesta o tom exortativo no final do excerto, destacando dois dos
seus efeitos.

4. As didascálias e as notas laterais assumem uma grande relevância nesta obra de Sttau Monteiro.

4.1. Expõe duas das funções de cada uma delas, considerando o segmento textual apresentado.

“Foi aquela peça em que um homem voltado para o dia seguinte – o Gomes Freire – foi
morto por gente da véspera.”
Luís de Sttau Monteiro

Fazendo apelo à tua experiência de leitura de Felizmente Há Luar!, comenta a frase supracitada.
Redige um texto coerente, entre 80 e 130 palavras.

GRUPO II

Lê com atenção o seguinte texto.

Durante a ditadura e especialmente a partir de 1961, ano do início da guerra colonial, época da
primeira grande crise académica, em Coimbra e Lisboa, a cantiga foi uma arma, nas vozes dos
contestatários, e o regime teve de instalar a censura aos discos, apreender uns, proibir a divulgação
de outros, encarcerar alguns cantautores, ridicularizar os “baladeiros”, impedir a realização de
5 espetáculos e entrar noutros a bater em quem lá estava e cantava.
Para além de ter os seus discos invariavelmente perseguidos, proibidos de passar nas rádios –
nos vinis de longa duração, os velhos LPs, na Emissora Nacional, as faixas proibidas eram mesmo
riscadas com um prego, para impedir qualquer transmissão por engano ou rebeldia -, o “papa” do
movimento, José Afonso, foi preso pela Pide de Setúbal, expulso do ensino oficial, e, no sentido
10 de negar a sua existência artística, os jornais estavam proibidos de publicar o seu nome.
O Diário de Lisboa de 13 de setembro de 1969 publicou um dossiê sobre o movimento das
baladas, que estava então muito na voga, entrevistando vários “baladeiros”, mas Zeca não podia
falar, pelo que sempre foi referido como o cantor Acez Osnofa, passando desta forma aos
censores, que não reconheceram o nome do autor de Grândola escrito de trás para a frente. […]
15 Por vezes, as coisas não corriam assim tão bem à Censura. Era difícil, por exemplo, proibir a
cantiga das Janeiras, de José Afonso, atendendo à letra inofensiva, mas facto é que o refrão Pam
parari piri pam era cantado em coro como “vão parar à pide e vão parar à pide e vão, vão, vão”. É
sabida a história de um fiscal de um concerto no Coliseu que cantou alegremente com o público e
foi, depois, punido pela sua ingenuidade pelos chefes. Deveria ter interrompido a sessão, em vez
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20 de fazer coro com o público.

António Costa Santos, in Proibido, Editores Guerra e Paz, 2007


[texto adaptado e com supressões]
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1. Seleciona a opção correta.

1.1. No primeiro parágrafo do texto, o enunciador pretende destacar a seguinte informação…


a) o reforço da ação da ditadura, especialmente em 1961, por causa da guerra colonial.
b) o surgimento da ditadura, a partir de 1961, consequência da crise académica.
c) a reação da ditadura ao teor das cantigas, especialmente a partir de 1961.
d) a importância das cantigas académicas, a partir de 1961.

1.2. A ação subversiva de Zeca Afonso fez com que…


a) tivesse de mudar de identidade.
b) a Pide o tivesse impedido de prosseguir os estudos oficiais.
c) a Pide lhe riscasse com um prego todos os discos.
d) a música deixasse de fazer parte da sua vida.

1.3. No contexto em que ocorre, a associação entre “arma” (linha 2) e “contestatários” (linha 3)
enfatiza, entre outros aspetos, …
a) a força.
b) a violência.
c) a oposição.
d) a guerra.

1.4. No contexto em que ocorrem, as palavras “cantautores” e “baladeiros” (linha 4)…


a) pertencem ao mesmo campo lexical.
b) estabelecem uma relação de hiperonímia / hiponímia.
c) pertencem ao mesmo campo semântico.
d) estabelecem uma relação de holonímia / meronímia.

1.5. O vocábulo “baladeiros” é …


a) um composto morfológico.
b) um composto morfossintático.
c) uma palavra derivada por prefixação.
d) uma palavra derivada por sufixação.

1.6. O segmento textual “que cantou alegremente com o público” (linha 18) corresponde a uma oração…
a) subordinada adjetiva relativa explicativa.
b) subordinada adjetiva relativa restritiva.
c) subordinada substantiva completiva.
d) subordinada substantiva relativa sem antecedente.

1.7. Na frase “e foi, depois, punido pela sua ingenuidade pelos chefes” (linhas 18-19), os segmentos
sublinhados correspondem, respetivamente…
a) a um modificador da frase e a um complemento agente da passiva.
b) a um complemento agente da passiva e a um modificador do grupo verbal.
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c) a um modificador do grupo verbal e a um complemento agente da passiva.


d) a dois modificadores do grupo verbal.
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2. Responde de forma correta aos itens apresentados.

2.1. Indica o antecedente do advérbio presente em “a bater em quem lá estava e cantava.” (linha 5).

2.2. Identifica o mecanismo de coesão referencial presente no elemento sublinhado, em “Para


além de ter os seus discos invariavelmente perseguidos (…)” (linha 6).

2.3. Classifica sintaticamente o segmento sublinhado: “Era difícil, por exemplo, proibir a
cantiga das Janeiras, de José Afonso, atendendo à letra inofensiva” (linhas 15-16).

GRUPO III

Durante a ditadura salazarista, em Portugal, era proibido:


– Ir de minissaia para o liceu
– Ler certos livros
– Uma mulher casada viajar para o estrangeiro
– O divórcio
– Dar beijos em público
– Comprar, vender e ouvir certos discos
– Sacudir o pó
– Ajuntamentos de mais de três pessoas
– (…)

Enfim, era proibido quase tudo.


No entanto, com a democracia proibiu-se de proibir.
Num texto bem estruturado, com um mínimo de 200 e um máximo de 300 palavras, apresenta
uma reflexão sobre as consequências de um regime político democrático.
Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um
deles com, pelo menos, um exemplo significativo.

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COTAÇÃO

GRUPO I
A
1. ........................................................................................................................................ 20 pontos
2. ........................................................................................................................................ 15 pontos
3. ........................................................................................................................................ 20 pontos
4.1. ..................................................................................................................................... 15 pontos

_________
70 pontos

B ......................................................................................................................................... 30 pontos

_________
30 pontos

GRUPO II
1.1. ...................................................................................................................................... 5 pontos
1.2. ...................................................................................................................................... 5 pontos
1.3. ...................................................................................................................................... 5 pontos
1.4. ...................................................................................................................................... 5 pontos
1.5. ...................................................................................................................................... 5 pontos
1.6. ...................................................................................................................................... 5 pontos
1.7. ...................................................................................................................................... 5 pontos
2.1. ...................................................................................................................................... 5 pontos
2.2. ...................................................................................................................................... 5 pontos
2.3. ...................................................................................................................................... 5 pontos

_________
50 pontos

GRUPO III ....................................................................................................................... 50 pontos

_________
50 pontos

Total ________________ 200 pontos


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| Proposta de correção do Teste de Avaliação –
Felizmente Há Luar (1) | Módulo | 11 |

GRUPO I

1. O excerto dado para análise reporta-se ao momento em que Gomes Freire de Andrade será acusado
como sendo um “traidor”, anunciando-se o preço que terá de pagar por isso: a condenação à morte. Este
momento da ação é de extrema relevância, tanto por aquilo que o antecede como também por o que irá
desencadear.
Ora, o general, por ser um homem culto, “inteligente, idolatrado pelo povo” e um “estrangeirado”,
constitui uma ameaça ao poder e é um dos revolucionários que não se conforma com a situação em que
o país se encontra. Por esse motivo, é um “alvo a abater”. A decisão anunciada irá provocar reações de
inconformismo e de revolta por parte dos que apoiam Gomes Freire de Andrade, principalmente
Matilde, a sua companheira, que não irá desistir, prometendo continuar a sua luta e incentivando o povo
a acompanhá-la.
2. Principal Sousa é uma das personagens da obra Felizmente Há Luar! que aparece como rosto do
poder, como se pode comprovar com a leitura deste excerto, fazendo parte da reunião onde se
decide o futuro de Gomes Freire de Andrade.
Apresenta-se aqui como um indivíduo que justifica as más ações em nome de Cristo / Deus
(“Foi Deus que nos indicou o seu nome.”), compactuando com um regime que condena
inocentes em prol da manutenção dos seus cargos e respetivas regalias. O rancor é outra das
suas características (“Agora me lembro de que há anos, em Campo d’Ourique, Gomes Freire
prejudicou muito a meu irmão Rodrigo!”) assim como o falso patriotismo, percetível quando se
serve do argumento “a Pátria está em perigo” para levar avante os seus interesses pessoais.
3. O tom exortativo no final do excerto resulta do discurso incitador de D. Miguel Pereira Forjaz e
Principal Sousa. O recurso à frase exclamativa (“Meus filhos, meus filhos, a Pátria está em
perigo!”), ao presente do conjuntivo (“Sacrifiquemos tudo […]”) e à repetição da expressão
“Morte a …” dá corpo a uma linguagem que pretende persuadir um público (ignorante), o povo,
a cumprir as ordens dos seus soberanos. Esta situação vai originar a perda de esperança na
mudança de um grupo de populares, como o testemunha Manuel no início do Ato II; no entanto,
a crescente tomada de consciência da injustiça praticada contra o general vai desencadear uma
postura de revolta e inconformismo em Matilde, levando-a a tomar o lugar do seu “homem”
espalhando o sentimento de esperança, pois “Felizmente Há Luar!”.
4.1. Como qualquer texto dramático, este apoia-se também na informação em didascália.
Apresenta como particularidade o facto de comportar também um conjunto de notas laterais
que completam as que acompanham as falas das personagens.
Ora, relativamente às primeiras, elas fornecem informações, por exemplo, quanto à entrada e à
saída de personagens – “(Surge Morais Sarmento, que avança do fundo do palco.)” – assim
como quanto à iluminação, processo que permite destacar a participação das personagens –
“(Acende-se a luz que ilumina Beresford e o principal Sousa.)”. Já as notas à margem do texto
proporcionam explicações precisas quanto à atuação das personagens (“Abre os braços no gesto
dramático de quem faz uma revelação importante e inesperada.”) e dão conta da tensão
dramática, percecionada, por exemplo, no som dos “tambores [que] entram em fanfarra”.

A obra Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro, apresenta-se como uma apoteose
trágica, espelhada em dois tempos e em duas circunstâncias.
Centrada em Gomes Freire de Andrade, evoca a realidade histórica portuguesa aquando das
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revoltas liberais de 1817/1820. Todavia, esta referência ao passado não é mais do que um olhar
sobre o presente, sobre a realidade vivida pelo autor. O general, personagem ausente mas central, é
o “homem voltado para o dia seguinte”, aquele que lutou em prol da justiça e da igualdade e, por
isso, “foi morto por gente da véspera”.
Em suma, Sttau Monteiro pretendeu desmascarar um regime opressor, representado por gente
gananciosa e hipócrita, avesso à liberdade, igualdade e fraternidade.

(115 palavras)
| Proposta de correção do Teste de Avaliação –
Felizmente Há Luar (1) | Módulo | 11 |

GRUPO II

1.1. c); 1.2. b); 1.3. c); 1.4. a); 1.5. d); 1.6. b); 1.7. c).
2.1. (nos) “espetáculos”.
2.2. Catáfora.
2.3. Sujeito.

GRUPO III

(Resposta de caráter pessoal.)

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