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MANUAL DE APOIO

CURSO /MÓDULO: Desenvolvimento Pessoal/ Auto-


Estima, Motivação e ao Auto-determinação
FORMADOR/A: Ismael Cardoso
HORAS DE FORMAÇÃO: 36 horas

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ÍNDICE:
Objetivo Geral………………………………………………………….…………………………..3
Objetivo Especifico ……………………………………………….……………………………..3
Conteúdos Programáticos…………………………………………………………………….3
Introdução……………………………………………………….…………………………………..4
O Conceito de Auto-Estima……………………………………..............................5
A Teoria de Piaget sobre a Auto-Estima…………….……………………………..….7
O Conceito de Motivação……………………………………..………………….………….8
A Teoria de Maslow sobre a Motivação……………….……………………………….9
O Conceito de Auto-Determinação…………………………………………………....11
A Teoria de Ryan e Deci sobre a Auto-Determinação………………………….11
Conclusão……………………………………………………………………….………………….17
Referências Bibliográficas………………………………………………..…………………18

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OBJECTIVO GERAL:
Perceber como os conceitos de Auto-Estima, Motivação e Auto-determinação
influenciam e podem potenciar o desenvolvimento pessoal do ser humano, percebendo as
teorias e conceitos subjacentes a estas dimensões.

OBJECTIVOS ESPECÍFICOS:
 Compreender o que é a Auto-Estima e como esta de se pode desenvolver de forma
a potenciar o nosso desenvolvimento pessoal.
 Conhecer a Teoria de Piaget relacionada com o conceito de Auto-Estima e as suas
principais premissas.
 Dominar a definição do conceito de Motivação e perceber os seus benefícios para
um melhor desempenho de actividades.
 Correlacionar as diferentes necessidades motivacionais apresentadas na Teoria de
Maslow.
 Conhecer o conceito de Auto-Determinação e a teoria subjacente ao mesmo.

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS:
 Conceito de Auto-Estima
 Teoria de Piaget sobre a Auto-Estima
 Conceito de Motivação
 Teoria de Maslow sobre a Motivação
 Conceito de Auto-Determinadação
 Teoria de Ryan e Deci sobre a Auto -Determinação

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INTRODUÇÃO:
Para um equilibrado Desenvolvimento Pessoal existem algumas características que
o sujeito deve possuir de forma a facilitar este processo. Estas características baseiam-se
em competências para a acção, sendo elas a capacidade de Auto-Estima, a Motivação
Pessoal, e a Autodeterminação. A primeira permite que o sujeito se avalie como capaz de
fazer algo. A segunda reflecte que o sujeito tem iniciativa e intenção para o realizar. E a
terceira parte do principio que o sujeito tem objectivos definidos, sendo capaz de os
alcançar facilmente.

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O Conceito de Auto Estima

A Auto-Estima é a valorização, geralmente positiva, que temos de nós mesmos.


Trata-se da opinião emocional favorável que as pessoas têm delas próprias e que excede
a própria racionalização e a lógica.
Por outras palavras, a Auto-Estima é um sentimento valorativo do conjunto das
nossas características corporais (físicas), mentais e espirituais que formam a
personalidade. Este sentimento pode mudar/evoluir com o tempo.
Em qualquer relação social é imprescindível manter uma boa Auto-Estima, uma vez
que esta tem a função do organismo que permite a autoprotecção e o desenvolvimento
pessoal, pois a falta de Auto-Estima afecta a saúde, as relações sociais e a produtividade.
Pode-se considerar a Auto-Estima como sendo a causa das atitudes construtivas
nos indivíduos, e não a consequência das mesmas. Posto isto, um aluno que tenha uma
boa Auto-Estima tem grandes hipóteses de ter boas notas e de ser bem-sucedido na sua
vida académica.
A Auto-Estima também é um valor analisado pela auto-ajuda (ou entreajuda),
havendo milhares de livros que ensinam como protegê-la e incentivá-la.
Abordar o tema Auto-Estima pode não parecer justificável, pois gera a sensação de
que, de tão popularizada por livros de auto-ajuda, pelo senso comum, não faz sentido tal
empreitada. Porém, como sugere Mruck (1998), pode-se relacionar pelo menos cinco
razões para justificar a necessidade de um enfoque científico para estudo da Auto-
Estima:
1) é um construto muito mais complexo do que pode parecer, pois está fortemente
associado com outros aspectos da personalidade;
2) está relacionada à saúde mental ou bem estar psicológico;
3) a sua carência se relaciona com certos fenómenos mentais negativos como
depressão e suicídio.
4) é um conceito relevante às ciências sociais.
5) elevada relevância social obtida actualmente.
As condições e experiências concretas que debilitam a Auto-Estima, são a
dominação de crianças, a rejeição e punição severa. Por outro lado o reforço, o respeito e
a relação empática são domínios que potenciam a auto estima. Sob tal condição, as
crianças experimentam menos o amor e sucesso, e tendem a ficar geralmente submissas
e passivas.

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Quais são as características dos outros significantes que alimentam positiva ou
negativamente a Auto-Estima?"
a) o valor que a criança percebe dos outros em direcção a si, expresso em afecto,
elogios e atenção;
b) a experiência da criança com sucessos ou fracassos;
c) a definição individual da criança de sucesso e fracasso, as aspirações e
exigências que a pessoa coloca a si mesmo para determinar o que constitui sucesso;
d) a forma da criança reagir a críticas ou comentários negativos.

São cinco as condições que contribuem para melhorar a Auto-Estima:


a) experimentar uma total aceitação de seus pensamentos, sentimentos e valores
pessoais;
b) estar inserida num contexto com limites claramente definidos, desde que sejam
justos e não opressores;
c) os pais não usarem de autoritarismo e violência para controlar e manipular a
criança, bem como não humilhar, nem a ridicularizar;
d) os pais devem manter altos padrões e altas expectativas em termos de
comportamentos e desempenhos da criança;
e) os pais devem apresentar um alto nível de Auto-Estima, pois eles são exemplos
vivos do que a criança precisa aprender.
A opinião que a sujeito tem de si mesma está intimamente relacionada com sua
capacidade para a aprendizagem e com seu rendimento. O auto-conceito se desenvolve
desde muito cedo na relação da criança com os outros.
É na interacção afectiva entre a criança e os pais que desenvolvemos os nossos
sentimentos positiva ou negativamente e construímos a nossa auto imagem.
Se os pais estão sempre a opinar a partir de uma perspectiva negativa para os
filhos, e se estão sempre a taxa-los como inúteis e incapazes, ou a usar ironias, irá se
formar neles uma imagem "pequena" do seu valor. E se com os amigos, na rua e na
escola, repetem-se as mesmas relações, teremos uma pessoa com auto - estima baixa e
baixo sentimento de auto - avaliação.
Como podemos desenvolver a auto - estima? Será imprescindível abordar este
tema na idade infantil.
Quando a criança tem êxito no que faz - e já falamos sobre a forma de ajudá-las
nesse sentido - começa a confiar nas suas capacidades. E quanto mais acredita que
pode fazer, mais consegue.

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É importante ensinar à criança que ela pode fazer algumas coisas bem, e que pode
ter problemas com outras coisas. Para ajudá-la a criar bons sentimentos é importante
elogiá-la e incentivá-la quando procura fazer alguma coisa, fazendo-a perceber que tem
direito de sentir que é "importante", que "pode aprender", que "consegue" e que a sua
família a respeita. O cuidado reside em adequar as tarefas que cabem a cada idade e
permitir que ela tente, solicitando a ajuda da criança e partilhando com ela pequenos
afazeres.

A Teoria de Piaget sobre o Conceito de Auto – Estima

A teoria de Piaget é ao mesmo tempo compreensiva e útil a todos. Ela oferece uma
forma alternativa de se compreender o comportamento e o desenvolvimento humano.
Ela vai ao encontro das expectativas dos preocupados com o desenvolvimento do
sujeito em todos os aspectos da sua personalidade.
Uma série de recomendações consistentes com a teoria de Piaget são
apresentadas a seguir:
1.) Os pais e professores devem assumir relações de respeito mútuo com as
crianças, e não autoritárias, pelo menos alguma parte do tempo em que permanecem
juntos. Os pais podem encorajar as crianças a resolverem problemas por si mesmas e a
desenvolverem a autonomia. Pais e professores precisam de respeitar as crianças.
2.) Quando a punição às crianças se fizer necessária, ela deve estar baseada na
reciprocidade e não na expiação. Por exemplo, o menino que se recusa a arrumar o seu
quarto pode ser privado das coisas que estão no quarto. À menina que bate em outras
crianças, deve ser negada a interacção com outras crianças.
3.) Os professores podem promover a interacção social nas salas de aula e
encorajar o questionamento e o exame de qualquer problema que pode ser levantado
pele criança. Existe um valor intelectual em trabalhar com os interesses intelectuais
espontâneos da criança e, para o desenvolvimento moral dela, é igualmente valioso lidar
com as questões morais espontâneas. Isto cabe também aos pais.
4.) É possível envolver a criança, mesmo a da pré - escola, em discussões de
problemas morais. À medida em que ela ouve os argumentos de seus colegas pode
experimentar a desequilíbrio cognitivo, que pode conduzir à reorganização de seus
conceitos. O conflito cognitivo é necessário para a reestruturação do raciocínio e para o
desenvolvimento mental.

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5.) Se muitos "educadores" desejassem pensar ao contrário, a responsabilidade, a
cooperação e a auto disciplina não podem ser transmitidas à criança autoritariamente.
Tais conceitos devem ser construídos por ela a partir de suas próprias experiências, para
o que as relações de respeito mútuo se desenvolvam.
6.) A privação ou punição através do afecto é prejudicial para a criança, pois
provoca baixa auto - estima e sentimento de culpa.
A criança com auto - conceito positivo oferece contribuições significativas e valiosas
para o grupo e para a própria formação.

O Conceito de Motivação

Quando uma pessoa inicia um programa de actividade física ou uma modalidade


desportiva, seja esta iniciativa causada por necessidade ou por convicção, a maior
dificuldade que se encontra é na aderência desta actividade a longo prazo.
A palavra Motivação exerce um grande efeito sobre as pessoas principalmente
quando refere-se a prática de actividades em geral.
A Motivação é conceituada como o processo que leva as pessoas a uma acção ou
inércia em diversas situações. Este processo pode ser ainda o exame das razões pelas
quais se escolhe fazer algo, e executar algumas tarefas com maior empenho do que
outras (Cratty, 1984). Entretanto, Magill (1984) refere-se à Motivação como causa de um
comportamento. O mesmo, define Motivação como alguma força interior, impulso ou uma
intenção, que leva uma pessoa a fazer algo ou agir de certa forma.
O processo motivacional também é uma função dinamizadora da aprendizagem, e
os motivos irão canalizar as informações percebidas na direcção do comportamento. Na
proposta de Atkinson (2002), a Motivação dirige o comportamento para um determinado
incentivo que produz prazer ou alivia um estado desagradável. Segundo Murray (1973), o
motivo distingue-se de outros factores como a experiência passada da pessoa, as suas
capacidades físicas ou a situação ambiente onde se encontra, e que também podem
contribuir na sua Motivação. Murray (1973) também classifica os motivos em dois grupos:
inatos ou primitivos e adquiridos ou secundários (agressão, raiva, etc).
Por outro lado, há também autores que conceituam os motivos como sendo
construções hipotéticas, que são aprendidas ao longo do desenvolvimento humano e
servem para explicar comportamentos (Winterstein, 2002). As explicações para as acções

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baseiam-se na suposição de que a acção é determinada pelas expectativas e pelas
avaliações de seus resultados e pelas suas consequências.
Paim (2001) relata que na relação ensino-aprendizagem, em qualquer ambiente,
conteúdo ou momento, a Motivação constitui-se como um dos elementos centrais para a
sua execução bem-sucedida.
Observando os mais diversos conceitos e definições citadas acima, pode-se concluir
que existe duas linhas de raciocínio. Ou seja, alguns autores acreditam nas "experiências
anteriores" para haver Motivação, e outros colocam o enfoque em "experiências
posteriores" para tal acção. Todavia, existem alguns que seguem uma outra linha de
pensamento onde tudo faz parte da Motivação. Assim, a Motivação seria a totalidade
daqueles factores que determinam a actualização de formas de comportamento dirigidas
a um determinado objectivo.
Muitos autores definem a Motivação como sendo a direcção e a intensidade do esforço.
A direcção refere-se a um indivíduo buscar, aproximar ou ser atraído a certas situações.
Enquanto a intensidade refere-se ao esforço que uma pessoa investe em uma
determinada situação.
Podem ser descritas três visões típicas da Motivação como sendo: visão centrada no
participante, visão centrada na situação e a visão internacional entre indivíduo e situação.

A Teoria de Maslow sobre o Conceito da Motivação

A hierarquia de necessidades de Maslow é uma divisão hierárquica proposta por


Abraham Maslow, em que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas
antes das necessidades de nível mais alto. Cada um tem de “escalar” uma hierarquia de
necessidades para atingir a sua auto-realização.
Maslow define um conjunto de cinco necessidades:
 Necessidades fisiológicas (básicas), tais como a fome, a sede, o sono, o sexo,
a excreção, o abrigo;
 Necessidades de segurança, que vão da simples necessidade de sentir-se
seguro dentro de uma casa a formas mais elaboradas de segurança como um emprego
estável, um plano de saúde ou um seguro de vida;
 Necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos tais como os de
pertencer a um grupo ou fazer parte de um clube;

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 Necessidades de estima, que passam por duas vertentes, o reconhecimento
das nossas capacidades pessoais e o reconhecimento dos outros face à nossa
capacidade de adequação às funções que desempenhamos;
 Necessidades de auto-realização, em que o indivíduo procura tornar-se aquilo
que ele pode ser.
É neste último patamar da pirâmide que Maslow considera que a pessoa tem que ser
coerente com aquilo que é na realidade “… temos de ser tudo o que somos capazes de
ser, desenvolver os nossos potenciais”.
Seguem em as definições das cinco necessidades de Maslow:
 Necessidades Fisiológicas: São relacionadas às necessidades do organismo, e
são a principal prioridade do ser humano. Entre elas estão respirar e se
alimentar. Sem estas necessidades supridas, as pessoas sentirão dor e
desconforto e ficarão doentes.
 Necessidades de Segurança: Envolve a estabilidade básica que o ser humano
deseja ter. Por exemplo, segurança física (contra a violência), segurança de
recursos financeiros, segurança da família e de saúde.
 Necessidades Sociais: Com as duas primeiras categorias supridas, passa-se a
ter necessidades relacionadas à atividade social, como amizades, aceitação
social, suporte familiar e amor.
 Necessidades de Status e Estima: Todos gostam de ser respeitados e bem
vistos. Este é o passo seguinte na hierarquia de necessidades: ser reconhecido
como uma pessoa competente e respeitada. Em alguns casos leva a exageros
como arrogância e complexo de superioridade.
 Necessidade de Auto Realização: É uma necessidade instintiva do ser humano.
Todos gostam de sentir que estão fazendo o melhor com suas habilidades e
superando desafios. As pessoas neste nível de necessidades gostam de
resolver problemas, possuem um senso de moralidade e gostam de ajudar aos
outros. Suprir esta necessidade equivale a atingir o mais alto potencial da
pessoa.

O Conceito de Auto Determinação

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A autodeterminação representa um conjunto de comportamentos e habilidades que
dotam a pessoa da capacidade de ser o agente causal em relação ao seu futuro, ou seja, de
ter comportamentos intencionais.
Esta capacidade matura durante a vida do indivíduo, e algumas pessoas perdem
esta capacidade total ou parcialmente devido a doenças, distúrbios mentais ou
circunstâncias que severamente restrinjam a liberdade.
A autonomia tem diferentes significados, tão diversos como auto-determinação,
direito de liberdade, privacidade, escolha individual, livre vontade, comportamento gerado
pelo próprio indivíduo e ser propriamente uma pessoa.
O conceito de Autonomia adquire especificidade no contexto de cada teoria.
Virtualmente, todas as teorias concordam que duas condições são essenciais à autonomia:
 Liberdade (independência do controle de influências) e
 Acção (capacidade de acção intencional).
Um indivíduo autónomo age livremente de acordo com um plano próprio, de forma
análoga à qual um governo independente administra o seu território e estabelece as suas
políticas. Uma pessoa com autonomia diminuída, de outra parte, é, pelo menos em algum
aspecto, controlada por outros ou é incapaz de deliberar ou agir com base em seus desejos
e planos. Por exemplo, pessoas institucionalizadas, tais como prisioneiros ou indivíduos
mentalmente comprometidos tem autonomia reduzida. A incapacidade mental limita a
autonomia assim como a institucionalização coercitiva dos prisioneiros, porém estes
indivíduos continuam a merecer o respeito como pessoas.
O Princípio da Autonomia não pode mais ser entendido apenas como sendo a auto-
determinação de um indivíduo, esta é apenas uma de suas várias possíveis leituras. A
inclusão do outro na questão da autonomia trouxe uma nova perspectiva que alia a acção
individual com a componente social.

A Teoria de Ryan e Deci sobre a Auro Determinação

A teoria da autodeterminação (SDT) foi elaborada no ano de 1981 por Richard M.


Ryan e Edward L. Deci. Segundo Wehmeyer (1992), a autodeterminação representa um
conjunto de comportamentos e habilidades que dotam a pessoa da capacidade de ser o
agente causal em relação ao seu futuro, ou seja, de ter comportamentos intencionais.
Dessa maneira, esta teoria tem como objecto de estudo as condições do contexto
social que facilitam a saúde psicológica, bem como apresenta como hipótese principal a
noção de que o bem-estar psicológico pode ser alcançado a partir da autodeterminação.

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Neste sentido, um comportamento, para ser considerado auto determinado,
necessita estar acompanhado de quatro premissas básicas: ser autónomo, autorregulado,
ser uma expressão de empower psicológico e resultar em autorrealização. O
comportamento autónomo diz respeito às necessidades, aos interesses e às habilidades da
pessoa. A autorregulação referencia o uso de estratégias para o alcance de objectivos, da
resolução de problemas e da tomada de decisões, bem como estratégias para uma
aprendizagem contínua. O empower psicológico relaciona-se ao controlo percebido em
domínios cognitivos, da personalidade e motivacionais. Por sua vez, a autorrealização é a
tendência de formar um curso significante de vida com base em propósitos pessoais.
A SDT opera com quatro mini-teorias:
 Teoria das necessidades básicas,
 Teoria da avaliação cognitiva,
 Teoria das orientações de causalidade e,
 Teoria da integração orgânica
Vamos, a seguir, apresentar os conceitos principais da SDT.

Teoria das necessidades básicas

A SDT parte do pressuposto de que a pessoa é, quando bem constituída


biologicamente, propensa ao desenvolvimento; à integração dos elementos psíquicos, de
forma a surgir um conceito do eu (self) e à interacção com uma estrutura social maior. Essas
propensões surgem das necessidades intrínsecas de autonomia psicológica, competência
pessoal e vínculo social.
A necessidade de autonomia é definida como o imperativo de acções e decisões em
conformidade com os valores pessoais e com um nível alto de reflexão e consciência. A
autonomia, para a SDT, não tem relação com o sentido semântico usado no senso comum,
mas traduz-se num “senso de eu”, que diz respeito à noção da pessoa individual, singular e
distinta das outras. A necessidade de competência pessoal, por sua vez, está relacionada à
adaptação ao ambiente se refere-se à aprendizagem de um modo geral e também ao
desenvolvimento cognitivo.
Esta necessidade engloba desde a procura da sobrevivência, a execução de
actividades práticas, a exploração do ambiente até a competência numa participação social
efectiva. Da necessidade de vínculo social, origina-se a procura de relacionamentos com
outras pessoas, grupos ou comunidades, em busca da actividade de amar e ser amado.
Dessa necessidade, origina-se, também, a preocupação, a responsabilidade, a sensibilidade

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e o apoio nos relacionamentos afectivos. Esta necessidade é importante para a aquisição
dos regulamentos sociais (normas, regras e valores), pois é pelos vínculos com os outros
que ocorre a aprendizagem. O objectivo final das necessidades intrínsecas é a integração
da pessoa no ambiente social, porém de maneira coerente com os valores culturais em que
ela se insere.
Porquanto, estas necessidades levam a pessoa a lidar com as múltiplas variáveis do
contexto; ter segurança e intimidade com os outros; auto-organizar o seu comportamento, o
que inclui uma tendência à coerência interna. As três necessidades intrínsecas apresentam
equifinalidade, ou seja, elas são interdependentes e o desenvolvimento de uma gera o
desenvolvimento das outras. Para que as necessidades intrínsecas se possam desenvolver
adequadamente, é necessário um contexto cultural de suporte, que disponha de nutrientes
para o atendimento sistemático dessas necessidades ao longo da vida, principalmente na
infância, bem como uma constituição biológica adequada. Um contexto de suporte
representa o apoio requerido ou os recursos retirados do ambiente, chamados de nutrição: o
que deve ser obtido por um organismo vivo para manter o crescimento, a integridade e
saúde.

Teoria da integração orgânica

Para a SDT, o processo de socialização ocupa papel central e ocorre desde o


processo de internalização. A socialização é um processo global pelo qual os regulamentos
externos tornam-se internos à pessoa pela aprendizagem, permitindo a participação e a
pertença em determinada cultura. O processo de internalização é uma aquisição dos
regulamentos do meio sociocultural por parte da pessoa.
A SDT tem como hipótese que a internalização ocorre com base em processos que
vão diferenciar o tipo de internalização e de regulamentos internos, que são a introspecção e
a integração. A integração é um processo proactivo e racional, pela qual a pessoa precisa
significar os regulamentos externos apreendidos. Assim, um contexto propício para a
socialização da criança e do jovem, a fim do desenvolvimento de comportamentos
autónomos, é o que demonstre o comportamento desejável, mantenha a possibilidade de
reflexão e considere a perspectiva deles sobre os valores implícitos a esses
comportamentos.
Para a SDT, a linguagem que faz pensar e reflectir é também comportamento, porque
é acção, transforma o contexto. Como todo comportamento, a linguagem também carrega
um juízo de valor, mesmo que implicitamente. Portanto, não existe comportamento sem juízo

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de valor associado, bem como todo juízo de valor só tem sentido dentro da cultura na qual a
pessoa está inserida. Contemporaneamente, as sociedades são complexas e apresentam
diversidades de juízo de valores, muitos deles contraditórios entre si, dificultando o processo
de internalização. Nem sempre os regulamentos externos são adequadamente
internalizados e, muitas vezes, uma gama de valores adquiridos pode ser dissonante
cognitivamente, ou seja, contraditórios entre si. De acordo com as pesquisas realizadas
pelos fundadores da SDT e respectivos seguidores mostraram tendências preditivas entre o
desempenho com fracassos e o processo de dissonância cognitiva. Este pode ocasionar
consequências na atribuição de valor próprio pela pessoa (auto-estima), com possíveis
repercussões em saúde e bem-estar psicológicos.
Dessa forma, o processo de internalização tem modalidades reguladoras, a saber:
não regulação, regulação externa, regulação introspecionada, regulação identificada,
regulação integrada e regulação intrínseca.

Teoria de avaliação cognitiva

Esta mini-teoria estuda as motivações básicas e as diferenças individuais nas


motivações. Para a SDT, a motivação é a força que mobiliza a pessoa a interagir no
ambiente. Portanto as necessidades básicas impulsionam a pessoa, pela motivação, a
acção no contexto em que vive. Existe a motivação extrínseca e intrínseca.
A motivação extrínseca é aquela em que a pessoa é movida por condições externas
a ela, sejam benefícios ou punições, mas que a acção por si só não a satisfaça. A motivação
intrínseca é quando o que move a pessoa para a acção são motivos internos baseados em
necessidades intrínsecas e a gratificação da pessoa é pela acção em si, sem que sejam
necessários benefícios externos como impulsionadores.
A motivação intrínseca e a extrínseca formam um contínuo, que vai desde a falta de
motivação, passando por vários níveis da motivação extrínseca, até chegar à motivação
intrínseca. A diferenciação das modalidades de motivação reside no processo de
internalização, por meio da introspecção e da integração dos regulamentos externos.
Quando um regulamento externo não foi internalizado, ele não forma um valor interno
que motive a pessoa à acção. Assim, a pessoa não sente motivação para ter os
comportamentos relativos a esse regulamento, pois este não tem sentido e significado para
ela. Esse estado de falta de intenção para agir é denominado de amotivação. Nele, a acção
é realizada apenas contingencialmente para cumprir demandas externas. A amotivação
relaciona-se ao processo de não regulação. Entretanto quando os regulamentos externos

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são internalizados por introspecção, tornando-se valores pessoais acreditados ou
relativamente acreditados, haverá diferenciadas modalidades de motivação extrínseca.
A primeira delas denomina-se motivação extrínseca com regulação introspecionada e
ocorre quando a acção é realizada sem que esteja em consonância com os valores da
pessoa, mas para agradar alguém ou mesmo para evitar maiores aborrecimentos ou
punições.
A motivação extrínseca com regulação por identificação é a segunda modalidade de
motivação extrínseca e ocorre quando houve uma avaliação prévia, por parte da pessoa,
das condições do contexto e ela então decidiu que a acção era momentaneamente
conveniente. Essa motivação vincula-se à regulação identificada.
Como terceira modalidade de motivação, temos a motivação extrínseca por
integração. Nesta, a acção é habitualmente tomada pela pessoa e interpretada como
consonante com seus valores.
Ainda é considerada extrínseca porque a acção em si não tem significado para a
pessoa, mas sim o que ela alcançará com a acção. A regulação associada a essa forma de
motivação é a integrada.
Teoria das orientações de causalidade

A SDT delineia um modelo teórico para estilos reguladores, com divisões que são
baseadas na integração entre as necessidades básicas e a internalização dos regulamentos
sociais, de forma a definir domínios entre os tipos de motivação, de regulação e
causalidade, que formam estilos reguladores ou que orientam o grau de comportamento
autodeterminado da pessoa.
Existem três desses estilos reguladores, propostos por Ryan e Deci (1987).
A primeira delas é a orientação impessoal, há tendências a comportamentos sem
orientação intencional. No contínuo da autodeterminação, remete-se ao comportamento sem
intencionalidade, amotivado, à não regulação e ao locus de controlo impessoal. Pessoas
com alta orientação impessoal tendem à ansiedade e a sentimentos de ineficácia, não
acreditando que possam mudar o contexto.
Já no segundo estilo regulador proposto, ou seja, a orientação controlada, o
comportamento é dirigido por controlo externo, e a acção é conduzida para adquirir
benefícios ou até mesmo para fugir de consequências avaliadas como aversivas. Este estilo
regulador remete a comportamentos com um nível mais baixo de autodeterminação, à
motivação extrínseca, à convicção de que a pessoa nem sempre pode dominar os
resultados dos fatos e à regulação introspecionada e externa. As pessoas com alta

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orientação controlada tendem a focar-se mais no sucesso financeiro, na promoção da auto-
imagem e na popularidade, podendo agir mais em consonância com o que o meio social
determina.
Já na orientação autónoma, por sua vez, o comportamento é norteado por valores
endossados por interesses pessoais e pela motivação intrínseca. Esse estilo regulador
abarca a motivação extrínseca com regulação integrada (portanto bem-integrada) e a
motivação intrínseca com a regulação intrínseca. Uma pessoa com uma alta tendência à
orientação autónoma está propensa a maior iniciativa, a busca de actividades que lhe
pareçam interessantes e desafiadoras, à consecução de objectivos pessoais, além de
apresentar convicção de que pode controlar os resultados dos fatos (locus de controle
interno) e um maior nível de responsabilidade com a própria acção. Observamos que esse
estilo regulador apresentou nas pesquisas um indicador positivo de saúde mental e bem-
estar psicológico.

CONCLUSÃO:

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Estas três dimensões da Auto-Estima, Motivação e Autodeterminação são
imprescindíveis para um Desenvolvimento Pessoal equilibrada e saudável.

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