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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA

PÓS-GRADUAÇÃO EM TEORIA PSICANALÍTICA SÓCIO INSTITUCIONAL

MARIA ROBERTA ALVES CASTELO BRANCO


Matrícula: 201702011551

A IMPORTÂNCIA DAS ENTREVISTAS PRELIMINARES

Disciplina: Conceitos em Psicanálise


Prof.: Clara Lúcia Inem

RIO DE JANEIRO
2017
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INTRODUÇÃO

O presente trabalho traz o tema "A importância das entrevistas preliminares”, que tem como
objetivo realizar uma pesquisa bibliográfica com o propósito de reconhecer e investigar diferentes
aspectos sobre o assunto.

Esse trabalho também é um fichamento para futuramente apresentar a esse curso um melhor
entendimento sobre o estudo.

Para entender melhor esse tema é preciso levar em conta o livro de Antônio Quinet, as 4 +
1 condições de análise, e fazer dele um norteador para o tema que conduzirá totalmente a pesquisa.

Portanto, este trabalho requer uma revisão teórica das entrevistas preliminares e assim
podemos lembrar que as entrevistas preliminares são de suma importância para a entrada em
análise, sem elas a análise não acontece.

DESENVOLVIMENTO

É nas funções das entrevistas preliminares que o autor Antônio Quinet (2000) nos faz
lembrar de alguns conceitos importantes, um deles é que é que esse conceito é puramente
lacaniano, enquanto Freud vai chamar as entrevistas preliminares como “inicio de tratamento” ou
de “tratamento de ensaio”

Desta forma, entendemos quando Freud (1913) diz que para que o processo de análise
aconteça e se atinja um determinado objetivo, torna-se necessário um período que o antecede, no
qual seja possível traçar um caminho para que o analista posso cumprir sua promessa de cura.

Ao continuar o texto de 1913 sobre o “Início do tratamento” Freud, refere-se à pratica de


um tratamento de ensaio para evitar a interrupção da análise, a fim de se conhecer o caso e decidir
sobre a possibilidade de sua analisabilidade; ele cita por exemplo, a falta de compreensão interna
(insight) do paciente poderia ser um empecilho. Esse período, o qual Freud (1913) nomeava de
tratamento preliminar é, ele próprio, o início da análise e, portanto, considera a regra fundamental
da associação livre.

Nesse texto também podemos entender que é nesse momento da entrevista que acontece o
primeiro contato entre analisante e analista e que é muito importante para ser a base para o
decorrer do processo de análise, pois é desse primeiro contato que se dará abertura para que a
transferência se dê, que até então ainda não está de fato instalada, mas ao chegar no consultório
do analista algo já o trouxe ali, mesmo que seja da ordem da transferência, ela ocorreu, mas ainda
assim de maneira bem frágil. Ela só irá se consolidar no processo, ou seja, se o analisante retornar
na próxima sessão. Ela será a principal mola propulsora do tratamento. Pode ser positiva como
negativa.

A partir disso é bom lembrar que é preciso que o analista sustente esta posição de sujeito
suposto saber para transformar a transferência demandante em transferência produtora pelo
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trabalho da associação livre – regra fundamental da psicanálise. É importante ressaltar que o


analista vai ‘tomar este lugar de saber’ emprestado, não devendo nunca se identificar com essa
posição, o que, para Quinet (2000), seria um erro.

Portanto, podemos pensar também que o tempo de duração dessas entrevistas é o tempo
necessário para selecionar diagnosticar estruturalmente e fazer com que a queixa inicial do sujeito
quase sempre é demanda uma palavra de cura, livrando o paciente do seu sintoma, mas por outro
lado é um tempo que de duas a três semanas como diz Quinet (2009), e ainda no texto de 1913,
quando em sobre o Inicio de Tratamento nos afirma que “mas posso adiantar, que desde então,
tomei habito meu, quando conheço pouco sobre um paciente, aceita-lo somente provisoriamente
por um período de uma ou duas semanas.” (FREUD, 1913).

Segundo Quinet (2000) é necessário que a queixa se transforme em demanda, endereçada


àquele analista, e que o sintoma saia da posição de resposta para a de uma questão para o sujeito.
Assim, esse mesmo sujeito será incitado a decifrá-la. O analista entra como um questionador deste
sintoma.

A postura do analista, neste primeiro contato, deve voltar-se para a escuta, a receptividade
ao discurso do sujeito, mantendo, segundo Freud (1913), uma ‘atenção uniformemente suspensa’,
ou seja, uma atenção flutuante. Este discurso direcionado ao analista é diferente dos outros,
devido ao sentido novo que ele adquire aos ouvidos do psicanalista. Seu posicionamento é que
vai determinar se o atendimento vai servir apenas para tamponar o sofrimento psíquico que o
sujeito traz ou se irá abrir espaço para que a sua subjetividade seja revelada e que este possa se
implicar em suas questões. Portanto, o analista não deve criar interpretações precipitadas, pois é
o paciente que dá sentido às suas experiências.

Entretanto Lacan nos aponta na seguinte frase “não há entrada em análise sem as
entrevistas preliminares”. Esse atravessamento por vezes não é tão claro, nítido, porque tanto nas
entrevistas preliminares quanto na própria análise o que está em jogo é a associação livre.1

De forma bem resumida ao investigar as funções das entrevistas preliminares temos:

A Função sintomal- diferenciação entre queixa inicial e sintoma analítico, é necessário que
a queixa se transforme em demanda endereçada aquele analista, passe do estatuto de resposta para
o estatuto de questão ao sujeito. De acordo com Lacan, há apenas uma demanda verdadeira para
se dar início a uma análise: a de se desvencilhar de um sintoma.

A Função diagnostica- é o diagnostico diferencial, onde se define a estrutura do sujeito,


serve para dar rumo ao tratamento. Como fazer o diagnóstico? É a partir do simbólico, que se faz
o diagnóstico diferencial por meio de três formas de negação do Outro:

Neurótico: nega a castração: recalca. Essa negação retorna como sintoma neurótico.

Perverso: nega a castração: desmente. Tem-se o fetiche.

1
4+ 1 condições de análise de Antônio Quinet, Zahar, cap 1, pág. 13 e 14, as funções das entrevistas preliminares
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Psicótico: negação que não deixa vestígio algum na falta: automatismo mental: alucinação verbal.

Segundo Freud (1913), existem razões diagnósticas para começar o tratamento desta forma,
pois nos casos de neurose com sintomas histéricos ou obsessivos, há certa dificuldade em
diferenciá-los das chamadas demências precoces (esquizofrenia, parafrenia).

Portanto, torna-se necessário a realização de um diagnóstico diferencial, em particular, o


diagnóstico diferencial entre neurose e psicose na medida em que a forma de conduta frente ao
caso se torna diferente para cada uma dessas estruturas clínicas.

A função diagnóstica das entrevistas preliminares se institui como um papel de direção da


análise, ou seja, ela só terá sentido se servir de respaldo para a condução da análise. Essa tática
do analista no direcionamento da análise está correlata com a transferência, na qual o diagnóstico
está intimamente ligado. Porém, este só pode ser investigado no registro do simbólico, atentando
para o que Lacan anuncia ao dizer que um sujeito é incurável, pois não se pode curar o
inconsciente.

A direção da análise deve ultrapassar o plano das estruturas clínica, neurose, psicose,
perversão, para que se chegue aos tipos clínicos, e assim estabelecer a direção da análise.

A Função transferencial- relação de amor e ódio com o analista, porque ele (o analista)
representa alguém, um traço que o identifica com o pai, com a mãe, alguém que tem amor. O
analista é colocado no lugar do sujeito suposto saber (pelo paciente) o analista não fica nesse
lugar.

Dessa maneira Quinet (2000) afirma que para Lacan, a analisabilidade é função do sintoma
e não do sujeito e deve ser buscada, a partir da transformação do sintoma do qual o sujeito se
queixa em sintoma analítico. Isso significa que é preciso que: “a queixa se transforme numa
demanda endereçada àquele analista e que o sintoma passe de estatuto de resposta ao estatuto de
questão para o sujeito, para que este seja instigado a decifrá-lo” (QUINET, 2000)

Ainda segundo Quinet (2000) é a partir do momento em que o analista entra em contato
com este “candidato à análise”, concretiza-se esta dupla escolha (tanto do analista, aceitando o
indivíduo em análise, quanto pelo analisando, que se deixa analisar por aquele em específico), o
sujeito será levado a elaborar sua demanda de análise, o que seria caracterizado na prática como
um fator de histerização. (QUINET, 2000).

CONCLUSÃO

Ao termino desse estudo podemos afirmar que frente ao que Quinet (2000) nos apresenta e
o texto de Freud de 1913, sobre o Inicio de Tratamento, este é o momento mais importante para
o processo. Quinet (2000) nos deixa uma lição, colhida de um verso budista: “Portanto, aos seus
questionamentos oferece-lhes apenas o silêncio, Silêncio — e um dedo apontando o caminho. ”

A entrevista preliminar abrirá os caminhos para o prosseguimento de uma possível análise.


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREUD, Sigmund. Sobre o início do tratamento. Obras psicológicas completas de Sigmund


Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, p.137-158. (Edição standard brasileira das obras psicológicas
Sigmund Freud, Vol.12).
FREUD, Sigmund. Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise. Obras
psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, p.123-133. (Edição
standard brasileira das obras psicológicas Sigmund Freud, Vol.12).
FREUD, Sigmund Observações sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia (o caos
Schreber), artigos sobre técnica e outros textos (1911-1913) Tradução Paulo Cesar de Souza.
QUINET. Antonio. As 4 + 1 condições da análise. 8. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000 p.7-
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