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A tragicomédia do Banquete Petista:

“Evangélicos” vermelhos de sangue & Evangélicos Vermelhos do Sangue.

Na última quarta-feira, dia 15 de setembro, o Governador Marcelo Déda, do PT,


candidato a reeleição, junto com outros candidatos da coligação liderada por seu partido,
reuniu-se num hotel da capital com alguns líderes, dito “evangélicos”, numa tentativa de
demostrar que o governo petista está alinhado com este segmento social no Estado de Sergipe
a despeito da forte reação nacional dos cristãos – católicos e evangélicos – contra os
programas e projetos anticristãos da plataforma governamental do PT, do Presidente Lula e da
candidata Dilma Rousseff.

Assim sendo, os convites foram enviados, os preparativos realizados, os encômios


e palavras de encorajamento dos bobos da Corte ligados ao Palácio foram alardeados (“Vai ser
uma demonstração de força, Governador!), o Banquete no hotel Radisson foi montado, mas,
de fato, os convidados que, realmente, interessava-se que fossem (os Evangélicos vermelhos
do Sangue de Jesus Cristo, os que, em realidade, representam a liderança cristã evangélica no
Estado) não apareceram. Só apareceram os “evangélicos” vermelhos aliados do PT (não por
afinidade ideológico-partidária ou por espírito público, mas por quererem o poder pelo poder e
as benesses das tetas do governo), os que estão manchados, em suas vestes, do vermelho do
sangue de fetos abortados e de crianças indígenas vitimas de infanticídio, entre tantas
outras bandeiras de morte e de destruição de valores morais, da família e da vida,
promovidas pelo PT.

O Banquete Petista foi tragicômico, de modo que, neste sentido, a comparação


com o Banquete de Platão, em 380 a.C., é inelutável. Tragicômico porque, nos discursos ditos
e ouvidos, o que se pôde ver, latente ou manifestadamente, foram os quatro subgêneros e
elementos das tragicomédias gregas: a tragédia, a comédia, a farsa e o melodrama.
Comparado ao Banquete de Platão porque, nesse, depois de dias entregues às paixões
mundanas da decaída alma humana (exatamente, como nos oito anos do governo Lula), os
poucos convidados que quedaram no banquete se propuseram a falar do “Amor” sem
compromisso algum – a exceção de Sócrates – de se falar ou de se chegar à Verdade, até
mesmo porque, alguns deles eram sofistas, isto é, pessoas que não estavam, em banquetes,
debates e discursos, na Grécia antiga, preocupados em falar a verdade ou em terem uma
atitude ética, mas simplesmente tinham a intenção de persuadir, mesmo que fosse através da
mentira, os seus interlocutores, exatamente como fazem os políticos de hoje e como foram os
discursos da última quarta-feira.

Da mesma forma, a comparação com o gênero tragicômico grego, dá-se nos


seguintes termos: foi um Banquete trágico porque, de 200 convidados que se esperavam, no
máximo havia 80; pastores de expressão das igrejas evangélicas históricas do Estado de
Sergipe – Igreja Batista Betel, PIBA, SIBA, Batista Castelo Forte, Presbiteriana de Aracaju,
Presbiteriana 13 de Maio, Presbiteriana 12 de Agosto, Presbiteriana Renovada, Igreja do
Evangelho Quadrangular, Verbo da Vida, Assembleias de Deus e tantas outras que não
podemos numerar neste espaço – nenhum estava; tampouco organizações eclesiástico-
evangélicas de expressão como a UMESE (aliás, falando em organizações evangélicas, quem
organizou o evento foi um “tal” MEP que é tão conhecido e importante no meio evangélico
como seu secretário em Sergipe). Foi também um Banquete cómico porque se pôde ouvir
histrionices do tipo “Deus preparou o governador Marcelo Déda para trazer as mudanças para
nosso Estado. Com sabedoria, seriedade e comprometimento o nosso governador administra o
seu rebanho” que soa para mim como uma pilheria ou um humor negro típico dos textos de
Machado de Assis. No tocante a esta frase, de fato o atual governo tem um rebanho: os
evangélicos vermelhos de sangue, mas não do Sangue de Jesus Cristo. Porque aqueles têm
um preço estimável, seja em dinheiro, posições e cargos de assessoramento, ou bens
materiais; mas esses últimos não. Eles fazem parte do grupo de cristãos autênticos que, como
no passado bíblico (os sete mil que não dobraram os joelhos a Baal, os 300 valentes de Gideão,
e etc.), formam um remanescente fiel ao Senhor e aos seus preceitos e não se vendem aos
poderes deste mundo ou se deleitam para comer as iguarias dos que, governando néscia ou
astutamente, intentam contra os valores eternos do Evangelho de Cristo.

Foi também um Banquete cheio de farsas e melodramático (para nós que lemos
e vimos os discursos), porque, ao contrário do que se disse, todos nós cristãos – católicos e
evangélicos – sabemos que, analisando os oito anos do Governo Lula e os documentos oficiais
do próprio PT, os valores absolutos do Cristianismo não se coadunam com a grande maioria
das políticas públicas, programas e projetos da plataforma governamental do partido do
governador, seja no plano federal, seja no plano local. Como já demonstrei aqui neste espaço,
o objetivo final do projeto político deles é: a formação de um Brasil laico, anticristão,
a(i)moral, corrupto (onde os fins justificam os meios, como no recente caso da violação dos
sigilos fiscais e da corrupção na antessala do presidente), adepto de uma democracia do tipo
ditatorial-plebiscitária, onde a “sociedade” (nós) é menos importante que o “movimento
social”, de tal modo que a maioria do ser social – suas crenças, valores e convicções cristãs –
é subjugada pelas políticas ditatoriais de uma minoria, engajada e abertamente, anticristã.
Neste sentido, são políticos sofistas, não estão interessados na verdade ou no bem-comum;
estão interessados nos seus projetos políticos de perpetuação no poder, como reafirmou esta
semana o ex-deputado federal, chefe da quadrilha do mensalão petista, José Dirceu.

Para esse remanescente fiel do povo evangélico, Exmo. Governador, seu


discurso soa como flatus vocis, quero dizer, não nos diz nada, porque o seu partido, num
histórico bem recente, lhe desmente. Até acreditamos na sua sinceridade e, quiçá, boa
intenção e espírito público, mas conhecemos a verdade e sabemos sim que “véspera de eleição
é território fértil para os falsos profetas”, e homens mendazes, especialmente, quando se trata
de analisar a vida e as condutas públicas desses evangélicos vermelhos de sangue que se
assentam ao seu lado em troca de favores, poder, dinheiro e manipulação de seus “rebanhos”
e liderados. Esses sim são falsos profetas que mercadejam o Evangelho e vendem seus púlpitos
e seus valores morais. Reeleito ou não, humildemente, como seu governado, aconselho-o que
não se deixe ser mais uma vez sugado por esses sanguessugas do poder. Converta-se para o
lado dos que se escondem, realmente, atrás da Cruz de Cristo e são lavados e cobertos,
espiritualmente, por um vermelho indelével e límpido: o sangue de Jesus Cristo. Esses, sim,
ajudá-lo-ão sem interesses escusos e inescrupulosos.

Seja como for, reafirmo que este remanescente fiel do povo cristão-evangélico
não vota e não está com você. Não pelo político que você é ou não é. Mas porque, sabemos
bem, que a partir desta eleição, com o advento da Resolução 22.733/2008 do TSE, não se vota
mais em candidatos, mas nos partidos e suas ideologias, porque o mandato pertence a eles.
Por essa razão, nós não votamos em Vossa Excelência, porque o seu partido representa a
iniquidade – que tanto lutamos e oramos contra – institucionalizada no Estado.

Uziel Santana dos Santos


[Professor da UFS, Advogado, Mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e
Doutorando em Direito pela Universidad de Buenos Aires]
http://www.uzielsantana.pro.br
e-mail: ussant@ufs.br

Artigo publicado no Jornal Correio de Sergipe em 19 de setembro de 2010.