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22/04/2018 Mais emprego para executivos após os 50

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16/04/2018 - 05:00

Mais emprego para executivos após os 50


Por Stela Campos

Antonio Dias, 54, aceitou convite da CPFL para ocupar o cargo de diretor
superintendente do centro de serviços compartilhados
Ivana Gomes, Antonio Carlos Dias Camargo e Felix Gianfelicci atuam em áreas bem diferentes. Mas eles têm alguns pontos
comuns em suas trajetórias profissionais. São especialistas no que fazem, têm um currículo cheio de realizações, falam
diversas línguas, estavam bem empregados e foram recentemente contratados por outras empresas com salários
compatíveis ou superiores ao que recebiam. Detalhe, todos eles têm mais de 50 anos de idade.

Em um primeiro momento, parece que eles são exceção em um mundo onde os talentos grisalhos, no geral, são preteridos
nas vagas de emprego formal. Um levantamento feito pela empresa de recrutamento Exec indica que algo começa a mudar,
embora ainda se trate de uma minoria. Em seu banco de dados, que reúne mais de 10 mil profissionais que foram
selecionados para cargos executivos desde 2015, 38% estavam acima da faixa dos 50 anos. No ano passado, eles
representaram 15% dos escolhidos nas listas finais dos processos de seleção, percentual que em 2015 não passava de 8%.

"Existe uma transformação em curso e esse preconceito está cedendo a uma pressão do próprio mercado de trabalho", diz o
headhunter Carlos Eduardo Altona, sócio da Exec. Dos que conseguiram trabalho, 70% foram para empresas de médio
porte e 45% conseguiram cargos mais altos. "Há dez anos, esses executivos mal apareciam nesses processos", diz.

Para Altona, a crise de 2008 foi um dos fatores que influenciou essa mudança de olhar sobre a força de trabalho mais
madura. "Estávamos enfrentando as consequências do boom econômico e a juniorização de muitos postos de comando.
Quando as coisas pioraram havia muitos gestores jovens vivendo a sua primeira crise, então as próprias companhias
demandaram pessoas com mais maturidade", diz.

A mudança na forma de encarar a carreira a partir dos anos 90 é outro fator que, segundo ele, começou a abrir espaço para
os mais experientes. "As empresas nacionais de médio porte perderam um pouco o poder de atração para gestores jovens,
que ganharam mais opções para se desenvolver em diferentes formatos de negócios", diz. Muitas startups também
ajudaram a criar espaço para executivos mais velhos, para dividir sua rede de relacionamentos e experiência com negócios
estreantes ou como opção para o próprio executivo exercer seu lado empreendedor.

Ao entrevistar 1.200 executivos de seu banco de dados, com idade entre 50 e 65 anos, a consultoria constatou que 75%
esperam seguir empregados por mais 10 anos, 40% querem seguir carreira por mais 15 anos e 95% esperam continuar
empregados por mais 5 anos. Apenas 4% disseram que pretendem se aposentar nos próximos 10 anos. "O aumento da
longevidade mudou o discurso profissional, ninguém mais fala em parar de trabalhar. A pessoa sabe que vai viver mais e
precisa se preparar para sobreviver por 30 anos após os 50 anos de idade", diz o consultor.

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Algumas atividades, no entanto, são mais promissoras
22/04/2018 para
Mais esse contingente
emprego para executivosmaduro.
após os 50A área de vendas é uma delas. "Eles

costumam ter um bom relacionamento no mercado, o que é uma vantagem". A área financeira é outra onde muitos ganham
pontos pela credibilidade, assim como na industrial e na logística. Segundo o headhunter, fica mais difícil em alguns
segmentos de marketing relacionados aos hábitos do consumidor ou ao e-commerce. O mesmo ocorre em setores da
tecnologia ligados à inovação, onde a conectividade dos jovens e o conhecimento de redes sociais são requeridos. Mas ele
diz que tudo pode ser contornado se o profissional se mantiver sempre atualizado. "Nada é mandatório."

Ivana Gomes, por exemplo, tem 54 anos e foi contratada em janeiro passado como diretora do Colégio Pitágoras. Seu
desafio é transformar o ensino da instituição em bilíngue. A executiva teve que mudar de cidade - foi de Brasília, onde
atuou por cinco anos na direção do colégio internacional Everest, para Belo Horizonte. "Sempre mudei por conta de
trabalho, adoro começar tudo de novo", diz. O maior medo em relação à carreira, ela diz, é cair na rotina. Talvez por estar
na área de educação, ela sempre investiu nos estudos. Fez pós-graduação no Brasil, mestrado nos EUA e agora dedica o
tempo que sobra para descobrir cursos on-line da Universidade de Harvard.

Antes de receber o convite para participar do processo de seleção, que durou seis meses, Ivana diz que pensava em montar
uma empresa especializada na formação de diretores de escola. Um objetivo para depois da aposentadoria. O convite de
trabalho, no entanto, fez com que esse projeto fosse jogado lá para frente. "O desafio da proposta era incrível", diz. Ela
afirma que financeiramente o convite também era vantajoso. "Não acho que as pessoas devam trocar de emprego por
menos, investimos muito em estudo e temos que ser reconhecidos pelos nossos anos de trabalho." Com a vida familiar
estável e filhos casados, ela diz que ainda quer terminar outro mestrado que iniciou no México quando trabalhava para um
grupo de educação mexicano. "Não sei quando vou ter tempo, mas uma hora consigo."

Segundo Altona, executivos que investem em educação ou que iniciaram a carreira em multinacionais têm potencial para
continuar por mais tempo no mercado de trabalho tradicional. É o caso de Antonio Carlos Dias Camargo, 54 anos, que
assumiu no meio do ano passado o cargo de diretor superintendente do centro de serviços compartilhados da CPFL em
Indaiatuba. Ele começou a trabalhar na GE, mas grande parte da vida profissional, quase 35 anos, foram dedicados à alemã
Bosch. "Tive uma carreira muito movimentada, fui para vários países e experimentei vários cargos de gestão", conta.
Acabou se tornando fluente em quatro idiomas.

Em seu último projeto na empresa anterior, sua missão era montar um centro de serviços e soluções para a América Latina.
"Estávamos passando por um momento de modernização e robotização de algumas funções, foi um grande desafio", diz. O
convite para trocar de emprego mudou radicalmente o script que ele havia previsto para sua vida profissional. "Eu estava
feliz com o meu trabalho, esperava me aposentar em dez anos e assumir um negócio que a minha esposa está tocando
como plano B", lembra. Mas, a ideia de comandar um novo centro de serviços para uma outra empresa era muito
tentadora. "Poder voltar para a adrenalina foi decisivo", diz.

Depois de tanto tempo, Dias diz que ficou apreensivo nos primeiros meses ao trocar de empresa. Ele imaginava quanto
tempo os novos colegas levariam para conhecê-lo e reconhecer suas habilidades. "Eu pensava se saberia me posicionar da
mesma forma que antes, estava muito bem no meu outro trabalho", conta. A questão da idade ele diz que nunca foi um
empecilho no processo seletivo. "Sei que a minha experiência técnica foi valorizada", afirma.

Ser especialista em sua área de atuação é outro atributo dos mais experientes que ajuda a abrir as portas. Altona lembra, no
entanto, que essa expertise pode ser usada de várias formas não apenas no emprego tradicional. "É possível participar em
conselhos consultivos ou ser consultor de projetos, por exemplo." O mais importante, segundo o headhunter, é que o
executivo não descuide da sua rede de relacionamentos.

Felix Gianfelicci, 53 anos, é técnico da área química e sempre foi dedicado a manter ativa sua rede de relacionamentos.
Trabalhou por 12 anos no laboratório da Petrobras. Em 98, saiu para trabalhar em uma empresa de vendas de
instrumentos para laboratórios, na qual ficou por nove anos. Depois disso, trocou de emprego mais três vezes até entrar no
ano passado para a companhia atual, a Mettler Toledo, multinacional que produz instrumentos analíticos e de escala, onde
é especialista de vendas.

Gianfelicci sempre recebeu convites para mudar de trabalho, sendo assediado por amigos e headhunters. Ele diz que seu
segredo para estar sempre nas listas finais nos processos de seleção foi o empenho em se manter conectado com as pessoas.
"Antes eu telefonava, marcava café, almoço, hoje tenho grupos no WhatsApp e no LinkedIn" diz. De tempos em tempos,

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procura ex-colegas e ex-funcionários. "Não paro nunca",
22/04/2018 Mais diz. Isso,para
emprego segundo ele,após
executivos ajuda a manter a carreira ativa em qualquer
os 50

idade.

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