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História da Grande Loja Maçônica

.. . APRENDIZ MAÇOM PLENO Aprendiz Maçom

Simbólica do Primeiro Grau


do Estado de São Paulo
A palavra não tem somente

Simbólica do Primeiro Grau


Contém o registro dos aconteci-
significado maçônico. Indica
mentos documentados em seis
volumes e nos revelaram os fatos aquele que está aprendendo
Templo Maçônico – Loja Maçônica – Simbologia um ofício ou arte, significando,
históricos que se encontravam des-
vanecidos e que foram escritos e Iniciação – Simbologia – Cargos em Loja por extensão, aquele que é
transcritos por relatos de outras novato ou inexperiente. É o
pessoas, que ao passar de boca a
primeiro grau da Maçonaria
ouvido, foram perdendo a fidelida-
de dos acontecimentos dando lugar simbólica Universal, admitido
a controversas e a grande interro- em todos os sistemas e Ritos.
gação ”A história nos diz a verdade O nome foi tirado da Maçonaria
dos fatos ocorridos?” Esta interro- Operativa, na qual o Aprendiz
gante ficou maior ao comparar o
ocupava o Grau mais inferior
dito com os documentos, caracte-
rística desta obra e com efeito a da escala entre os operários.
razão única de sua publicação. A Maçonaria Especulativa
Cobriu uma pesquisa e estudos, adotou os usos, costumes,
tomando como base o conteúdo regulamentos e instrumentos
das publicações da própria GLESP
das antigas corporações, fra-
em suas publicações oficiais, cons-

APRENDIZ MAÇOM PLENO


tituições, decretos, atos, pranchas ternidades ou guildas operá-
circulares e outras publicações em rias de construtores a fim de
seu Boletim Oficial; matéria e acon- estabelecer o seu próprio sis-
tecimentos registrados nas revistas tema de organização e de
“A Verdade”, “Grande Loja Urgente,
moralidade.
“Grande Loja em Destaque”; ações
e atuações de seus líderes em No simbolismo maçônico, o
Congressos, Coligações Regionais, Grau de Aprendiz apresenta o
Mesas Redondas, Confederação da homem na sua primeira infân-
Maçonaria Simbólica do Brasil e
suas participações em eventos de cia e nos primeiros séculos da
outras potencias, e em várias para- civilização. O Aprendiz deve
maçônicas que se constituíram sob estudar as leis, os usos e os
a égide da GLESP; cujo acervo cole- costumes da Instituição, tra-
cionei em meus cinquenta anos de
balhando, simbolicamente no
árduo trabalho, sempre com base, e
mencionando a fonte documental. desbastar da Pedra Bruta, o
que faz desde o meio-dia até a
João Dias meia-noite.
JOÃO DIAS 2ª EDIÇÃO
APRENDIZ MAÇOM PLENO
Simbólica do Primeiro Grau

Templo Maçônico – Loja Maçônica – Simbologia


Iniciação – Simbologia – Cargos em Loja
2ª Edição

APRENDIZ MAÇOM PLENO


Simbólica do Primeiro Grau

Templo Maçônico – Loja Maçônica – Simbologia


Iniciação – Simbologia – Cargos em Loja

JOÃO DIAS
2016 – 2ª Edição

APRENDIZ MAÇOM PLENO


Simbólica do Primeiro Grau

Templo Maçônico – Loja Maçônica – Simbologia


Iniciação – Simbologia – Cargos em Loja

Proibida a reprodução por quaisquer


meios (mecânicos, eletrônicos, xerográficos,
fotográficos, gravação, estocagem em banco de
dados, etc.), a não ser em citações breves,
com indicação da fonte.

Impresso no Brasil

Fundação Biblioteca Nacional


Ministério da Cultura

Escritório de Direitos Autorais

Certificado de Registro ou Averbação nº 593.348


Livro 1135 – Folha 297
História

Autor
João Dias
066.141.598-87
Obras do Autor
– “História da Glesp” – Quem e como fizeram sua história:
1º Volume – Acontecimentos Grão Mestrados 1927/2002;
2º Volume – Constituições, Publicações, Ritos, Paramaçônicas, Lojas
fundadoras, Altos Corpos, Mesas Redondas, CMSB, Relações das Lojas em
ordem AZ de Cadastro e de Orientes;
3º Volume – Histórico das Lojas, Cadastro Numérico 017 a 356, História da
fundação resumida, Fundadores, 1º Administração, Cartas Constitutiva,
Registro dos Estatutos, Atos e Decretos, Relação dos Veneráveis – Edição
esgotada);
4º Volume – Histórico das Lojas, Cadastro Numérico 357 a 551 – (Edição
esgotada);
5º Volume – Acontecimentos Grão Mestrados 2002/2013 – Edição esgotada)
– “Aprendiz Maçom Pleno” – 1ª Edição (esgotada);
– “Aprendiz Maçom Pleno” – 2ª Edição;
– “Companheiro Maçom Pleno” – 1ª Edição;
– “Mestre Maçom Pleno” – 1ª Edição (esgotado);
– “Mestre Maçom Pleno” – 2ª Edição;
– “Loja de Perfeição” – Grau 4 ao 14;
– “Capítulo” – Grau 15 ao 18;
– “Conselho de Cavaleiros Kadosch” – Grau 19 ao 39;
– “De Kilowinning a Charlestons” – Grau 1 ao 33;
– “Maçonaria Paulista” história das Potências: GOB, GOSP, GLESP e GOP
– “Ordem Maçônica – Preliminares da Iniciação;
– “Boletim Fé e Equilíbrio” Informativo da ARLS Fé, Equilíbrio e Amor Nº
317, atual Edição nº 43.
APRESENTAÇÃO
Como filosofia, definimos a maçonaria sendo uma instituição que surgiu para
ajudar a humanidade, ensinando: o amor, a tolerância compreendendo as diferen-
ças em todos os sentidos aperfeiçoando o nosso interior, assim podemos contribuir
um pouco para melhoramos a obra designada pelo Grande Arquiteto do Universo.
Ao ter a honra, pela segunda vez, de apresentar a segunda edição do livro
“Aprendiz Maçom Pleno” de autoria do Irmão João Dias, membro ativo da
Augusta e Respeitável Loja Simbólica “Fé, Equilíbrio e Amor nº 317”, Oriente de
São Paulo, da qual tenho a honra de ser um de seus ex-Veneráveis Mestre. Irmão
Gimenes “João Dias” com uma dedicação moral, ética e literária, com oito obras
publicadas dedicadas a nossa Sublime instituição. A história recente da maçonaria
moderna em nosso País se funde a própria estória do nosso amado autor, visto ter
suas obras dedicadas a maçonaria, de valor não somente pelo seu dom literário,
mas também apresentando o seu dom artístico. Dom este que pode ser visto em
vários templos, feitos pelo dedicado irmão, um exemplo é o complexo Fé
Equilíbrio de templos, em que os irmãos poderão admirar as obras de valores imen-
suráveis feitas com muita Luz, Amor, União, Trabalho, Esperança e Justiça.
Agradeço imensamente ao nosso Irmão por sua dedicação à nossa Augusta
Instituição e Sublime Ordem, sobretudo a nossa querida loja “Fé, Equilíbrio e
Amor 317”.
Desejo a ti, muitos anos de convívio entre nós, para desfrutarmos do seu tempo,
dom artístico e literário.

São Paulo, 01 de Junho de 2016.

ARLS Fé, Equilíbrio e Amor nº 317.


Gedir Gomes da Silva
Mestre Maçom
PREFÁCIO
Expresso, com júbilo e satisfação, o orgulho de ter sido distinguido para prefa-
ciar esta Segunda Edição do livro “Aprendiz Maçom Pleno”, de autoria do Irmão
João Dias, para tão honrosa missão.
Prazerosamente, presto-lhe minha especial homenagem como prefaciador desta
sua oitava obra, a primeira no vasto campo do simbolismo maçônico, pois foram
suas anteriores sobre a história da Maçonaria paulista, aliás todos inéditos e de
grande valor por recuperar nossa memória, praticamente inexistente anteriormente.
Cabe destaque o enriquecimento sobre a Simbólica Maçônica que nos apresen-
ta esta Obra sobre este importante estudo, habilmente apresentados, e de suma
importância para os estudos dos Aprendizes, assim como para todos os Maçons
mais graduados. O surgimento das Grandes Lojas estaduais teve por guia a obe-
diência aos landmarks e o respeito às tradições e landmarks seculares da
Maçonaria.
Sob a prerrogativa de Venerável Mestre Instalado, é meu dever agradecer o
carinho e amizade que me dedicam os irmãos de Lojas da região, assim como
registrar minha satisfação de relembrar muitas informações que fizeram parte do
meu aprendizado que se desvaneceram ao passar o tempo.
Esses reavivados neste verdadeiro legado, pesquisa de muitos anos, lições
muito importante para a vida dos Maçons; sua Simbólica e as lições que nos trans-
mite os Símbolos, bem como a herança que nos deixou nossos irmãos do passado.

Um Tríplice e Fraternal abraço.

Benjamim Ribeiro da Silva


ARLS Fé, Equilíbrio e Luz Nº 270
Venerável Mestre Instalado
DEDICATÓRIA

Com todo meu amor, dedico este livro à


Minha esposa Rosa, aos meus filhos Rosinha e Joãozinho,
ao meu genro e Irmão Jorge e minha nora Regina; aos meus netos Pedro
e Beatriz. A eles devo a alegria e profunda gratidão por me dedicar
tão devotado amor e ajuda em meus afazeres diários.
INDICE GERAL

CAPÍTULO I – Ordem Maçônica


1 – Maçonaria.................................................................................................... 13
2 – Maçonaria Contemporânea.......................................................................... 18
3 – Loja Maçônica ............................................................................................ 19
4 – Templo Maçônico........................................................................................ 20
5 – O Templo de Salomão................................................................................. 30
6 – Painel........................................................................................................... 31
7 – Abóbada Celeste.......................................................................................... 31
8 – Colunas........................................................................................................ 31
9 – Origem das Colunetas dos Vigilantes.......................................................... 33
10 – Adornos do Próprio Maçom...................................................................... 35
11 – Fraternidade Maçônica.............................................................................. 35
12 – Corda de 81 Nós........................................................................................ 36
13 – Pavimento de Mosáico.............................................................................. 36
14 – Romãs........................................................................................................ 39
15 – Cadeia de União........................................................................................ 39
16 – Colunas Zodiacais...................................................................................... 39
17 – Equinócio e Solstício . .............................................................................. 40
18 – Painel do Grau de Aprendiz...................................................................... 44

CAPÍTULO II – Trabalho em Loja Maçônica


1 – Trabalho....................................................................................................... 45
2 – Regularidade (Palavra Semestral) .............................................................. 45
3 – Cadeia de União.......................................................................................... 46
4 – Composição da Loja.................................................................................... 47
5 – Aprendiz Maçom......................................................................................... 47
6 – Sessões Maçônicas...................................................................................... 48
7 – Iniciandos..................................................................................................... 49
8 – Sessão de Iniciação...................................................................................... 50
9 – Sessão de Filiação........................................................................................ 55
10 – Sessão de Regularização............................................................................ 56
11 – Adoção de Lowtons................................................................................... 56
12 – Casamento Maçônico (Reconhecimento Conjugal).................................. 58
13 – Exéquias Maçônicas – Pompas Fúnebres.................................................. 59
14 – Indumentária Maçônica............................................................................. 59

CAPÍTULO III – Instrumentos e Joias do Aprendiz Maçom


1 – Régua de 24 polegadas................................................................................ 63
2 – Maço............................................................................................................ 64
3 – Cinzel........................................................................................................... 64
4 – Joias Maçônicas........................................................................................... 64
5 – Maço e o Cincel........................................................................................... 66
6 – Conjugação dos Ternários........................................................................... 67
7 – Espadas........................................................................................................ 67
8 – Tronco de Beneficência............................................................................... 68
9 – A Palavra Huzze.......................................................................................... 69
10 – São João Nosso Padroeiro......................................................................... 69
11 – A Escrita Maçônica.................................................................................... 69
12 – Calendários Maçônicos.............................................................................. 70
13 – As Abreviaturas Maçônicas....................................................................... 71

CAPÍTULO IV – Conhecimentos Gerais


1 – Origens da Maçonaria.................................................................................. 73
2 – Maçonaria Operativa................................................................................... 74
3 – Maçonaria Especulativa............................................................................... 75
4 – Maçons Antigos Livres e Aceitos................................................................ 76
5 – Pensamento Maçônico................................................................................. 77
6 – Origens da Maçonaria no Brasil.................................................................. 77

CAPÍTULO V – Potência Maçônica ou Obediência


1 – Potências Maçônicas.................................................................................... 81
2 – Documentos Hábeis que Norteiam as Lojas Maçônicas............................. 82
3 – Maçonaria Moderna..................................................................................... 85
4 – Constituições Atuais.................................................................................... 86
5 – Grandes & Grande Oriente.......................................................................... 86
6 – Constituições Atuais.................................................................................... 88
7 – Princípios da Maçonaria.............................................................................. 89

CAPÍTULO VI – Ritos Maçônicos


1 – Os Ritos Maçônicos..................................................................................... 92
2 – Ritos Maçônicos No Brasil.......................................................................... 92
3 – Rito de York . .............................................................................................. 93
4 – Rito Escocês Antigo e Aceito...................................................................... 96
5 – Rito Moderno ou Frances ........................................................................... 99
6 – Rito Adonhiramita....................................................................................... 100
7 – Rito Schröeder............................................................................................. 102
8 – Rito Brasileiro.............................................................................................. 103

CAPÍTULO VII – Religião e Maçonaria


1 – A Religião Maçônica................................................................................... 105
2 – O Grande Arquiteto do Universo................................................................ 107
3 – As Nove Grandes Verdades da Maçonaria ................................................. 108
4 – A Bíblia........................................................................................................ 111

CAPÍTULO VIII – Maçonaria e Política


1 – Política......................................................................................................... 113
2 – Relação dos Maçons Ilustres....................................................................... 115
CAPÍTULO IX – Cargos em Loja
1 – Venerável Mestre......................................................................................... 117
2 – Past-Master – Venerável de Honra.............................................................. 120
3 – 1º Grande Vigilante...................................................................................... 121
4 – 2º Grande Vigilante...................................................................................... 122
5 – Orador e Guarda da Lei............................................................................... 123
6 – Secretário..................................................................................................... 125
7 – Tesoureiro.................................................................................................... 126
8 – Mestre de Cerimônias.................................................................................. 127
9 – Diáconos ..................................................................................................... 128
10 – Chanceler................................................................................................... 129
11 – Hospitaleiro................................................................................................ 130
12 – Guarda do Templo – Cobridor Externo..................................................... 132
13 – Experto....................................................................................................... 134
14 – Arquiteto.................................................................................................... 134
15 – Porta Espada.............................................................................................. 135
16 – Porta Estandarte......................................................................................... 136
17 – Mestre de Banquete................................................................................... 137

CAPÍTULO X – Perguntas e Respostas ....................................................... 139

Bibliografia........................................................................................................ 160

Escultura de Madeira
13

Capítulo I

Ordem Maçônica

1 – Maçonaria
Não é fácil definir Maçonaria. Ela não é ima religião, nem uma associação
dogmática, muito menos uma teoria política. Também não é uma corrente filosó-
fica ou sistema individualista. Mas não exclui a religião, a política ou a filosofia.
Seu conceito fica como o de uma sociedade que tem seu conceito próprio, basea-
do em símbolos, palavras e alegorias, com finalidade educativa e filantrópica,
destinada a reunir homens de boa vontade que se proponham a debater e equacio-
nar os grandes problemas da humanidade, do seu tempo, de sua Pátria e de sua
comunidade, lutando pela realização das soluções. Cultua valores básicos e imu-
táveis, como a existência de um Principio Criador, a filosofia liberal, o patriotis-
mo, a liberdade de pensamento e a intangibilidade da família. É universal, mas
não antipatriótica ou desnacionalizante; é tradicionalista, mas não se opõe a evo-
lução: tem uma unidade doutrinária, mas admite a diversidade, de acordo com a
característica e história de cada povo; é uma trincheira de liberdade, mas respeita
a autoridade e a lei.
A Maçonaria é uma instituição organização moderna, desde 1717, da data da
constituição em Londres da Grande Loja Mãe, da qual se derivam diretamente
todas as federações maçônicas do mundo, cuja finalidade e dar abrigo a todos os
homens de reconhecida moralidade sem distinção de religiões, de opiniões políti-
cas, de nacionalidade, de raça, posição social e cuja finalidade é de conseguir que
seus membros cultivem a fraternidade universal, apesar de tudo quanto possa
diferencia-los, seu dever é estimar-se mutuamente e esforçar-se em compreender-
se ainda que as distâncias, maneira de pensar ou expressar.
A maçonaria desde seus primórdios aspira a remediar a confusão dos idiomas
que dispersou os construtores da torre de Babel. O seu objetivo era formar homens
capazes de entender-se de um extremo a outro do planeta terra. Para assim, con-
seguir juntos, edificar um Templo, único e onde pudessem confraternizar os
maçons de todas as nações.
A maçonaria exige de todo candidato a iniciação, a estrita observância da lei
moral, deve ter uma conduta impecável e gozar da estima dos que estão a seu redor.
Uma vez iniciado, deverá viver em boa harmonia com os seus irmãos e observar
escrupulosamente as Leis que regem na vida diária, convém ser discreto, fugir dos
14

dogmatismos, dedicação no trabalho para encontrar a sua verdade, tal vez no fim
de seu caminho a encontrará.
A iniciação não impõe dogmas de Fé e limita-se colocar o homem frente a uma
realidade, iniciando a desentranhar o enigma das coisas, ensina a ser solidário com
os semelhantes, ser útil e desenvolver a sua energia para inverter em bem de
todos, praticar as virtudes de caridade e tolerância.
A Maçonaria não é, e nunca foi o que dizem. A Maçonaria se classifica entre as
poucas sociedades milenares existentes, talvez a mais antiga se considerarmos
suas origens calcadas nas filosofias, culturas e agremiações de povos antigos
desaparecidos que lhe deixaram conhecimentos de valor inestimáveis e conserva-
das através dos séculos.
A definição mais simples que se possa referir é que a Maçonaria é uma instituição
que tem por objetivo tornar feliz a humanidade pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos
costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e à religião.
Essa definição representa, no entanto, apenas um comportamento exterior, uma vez
que a Maçonaria agrega um grupo de iniciados que, além, de amarem ao próximo,
amam-se a si mesmos, evoluindo mentalmente, na incessante busca do saber.
Toda instituição que recebe seus adeptos por meio do processo iniciático foge
do comum, vulgar, pois, existindo uma seleção, a Maçonaria ocupa-se dos proble-
mas superiores, fugindo do vulgar.
As definições da Maçonaria foram inúmeras, procurando cada um defini-la
segundo seus sentimentos particulares. Não obstante, a maioria concorda em que
se trata de um sistema de moralidade. Diz no inicio da maioria das Constituições
Maçônicas (preâmbulo):

“A Ordem Maçônica é uma associação de Homens sábios e virtuosos que se


consideram irmãos entre si e cujo fim é viverem em perfeita igualdade, intima-
mente ligados por laços de recíproca estima, confiança e amizade, estimulando-se,
uns aos outros, na pratica das virtudes. É um sistema de moral, velado por alego-
rias e ilustrado por símbolos.”

Além disso, diz ainda a maioria das Constituições Maçônicas, regulares inscri-
tas e registradas em Cartório de registro publico, que a Ordem Maçônica: “enal-
tece o mérito da inteligência e da virtude, amor à Pátria e a humanidade; posiona-
se contra a exploração do homem, os privilégios e as regalias; afirma que o sec-
tarismo político, religioso ou racial é incompatível com a universidade do pensa-
mento maçônico; combate a ignorância, a tirania, a superstição e todo sectarismo
religioso ou racial”.

A Maçonaria é uma ordem iniciático que se preocupa com o aperfeiçoamento


do homem em seu tempo, admite uma grande diversidade de pensamentos filosó-
ficos, desde que não sejam extremistas fanáticos que ferem seus princípios.
Segundo os anglo-saxões, é uma ciência de moralidade, ilustrada por alegorias e
iluminada por símbolos. Afirma, entretanto, Mackey que existe uma definição mais
exata e compreensível, que seria a seguinte: “É uma ciência que se propõe a pesqui-
sa da verdade Divina, e que emprega o simbolismo como seu método de instrução”.
Devemos ter em mente que a Maçonaria moderna, ou seja, aquela que nós
conhecemos, é consequência da transformação da chamada Maçonaria Operativa,
que era composta dos construtores das grandes obras, sempre financiadas pela
igreja ou poderosos da época, como os senhores feudais e rainhas, que desejavam
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construir catedrais e palácios cada vez mais imponentes, bonitos e que demons-
trassem o poderio econômico de quem os possuísse.
Considerando a definição da filosofia como amor ao conhecimento, cuja defi-
nição está inserida em todos os rituais que se pratica na Ordem e na história de
sua origem, constitui a filosofia Maçônica seu segredo, que se traduz na verdadei-
ra e completa Filosofia do Trabalho, descoberta e desenvolvida pelos Maçons
Operativos nos tempos medievais. Não foi descoberta pela teoria, mas sim pelo
trabalho diário da construção de catedrais e de outros magníficos edifícios.
A origem da palavra Maçonaria é latina, por alusão aos massoneri; pedreiros
ou oficiais do maço e do cinzel (escopo). É comum ouvirem-se as expressões;
franco maçon., libero muratori, free mason, friMaurer. Pela tradição, eram
livres, na idade média, os profissionais mais altamente categorizados nas cons-
truções; homens estes, que construíram as catedrais, palácios, túmulos e obras
majestosas que interessavam a alta nobreza, razão porque ouviremos também,
falar de Arte Real.
Através dos tempos o sucesso alcançado pela Maçonaria em todos os continen-
tes causou surpresa e, ao mesmo tempo, alarma as autoridades eclesiásticas e civis
nos países não protestantes e submetidos a monarquias absolutas. Os ensinamen-
tos maçônicos apresentam-se sob uma forma simbólica e iniciatica e a sua meta é
fornecer uma imagem simbólica de iniciação. Os Rituais, por sua vez, contêm os
rudimentos de todas as Artes Iniciáticas: hermetismo, cabala, simbolismo, etc.,
além de tradições sobre a simbólica das cores, dos números, dos animais, etc.
A Maçonaria não é uma sociedade secreta e pela simples razão de sua existência
ela é amplamente conhecida. As autoridades da maioria dos países lhe concedem
personalidade jurídica. Seus fins são amplamente difundidos em dicionários, enci-
clopédia, livros, jornais, etc. Em seu comportamento, a Maçonaria no mundo
exterior, é uma instituição que tem por objetivo tornar feliz a humanidade pelo
amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo
respeito à autoridade e à religião. Essa definição, entretanto, é apenas um de seu
comportamento, uma vez que a Maçonaria agrega um grupo de iniciados que,
além de amarem o próximo, vivem em fraternal união como verdadeiros irmãos,
e além de amarem a si mesmo, mentalmente evoluindo, na incessante busca do
saber e em seu aperfeiçoamento moral e intelectual.
A Maçonaria recebe seus adeptos por meio do processo iniciático fugindo do
comum, vulgar, pois, existindo uma seleção, ocupa-se dos problemas superiores,
fugindo do vulgar. Para alcançar seu objetivo tem sua filosofia própria, adotando
para desenvolver e ensinar as grandes verdades filosóficas, seguindo as lições e
os sábios preceitos que lhe foram transmitidos por uma tradição iniciada em tem-
pos remotos, através do estudo do Simbolismo, alma e vida da Instituição, deriva-
da dos símbolos primitivos da arte de construir.
A Maçonaria objetiva a investigação da verdade, o exame da moral e a pratica
das virtudes. Moral é para a Maçonaria, uma ciência com base no entendimento
humano. É a lei natural e universal que rege todos os seres racionais e livres. É a
demonstração da ciência da Consciência, e é essa ciência que nos ensina os deve-
res e a razão do uso de nossos direitos. Ao penetrar a moral nos mais profundo de
nossa arma, sentimos o triunfo da verdade e da justiça.
O Conceito Maçônico ao Longo da História, abraçou aspectos de estudos, pes-
quisas e do próprio combate às injustiças impostas à humanidade, fazendo do seu
conceito uma pratica voltada inteiramente para a justiça da sociedade.
Por isso, a Maçonaria se caracteriza por ser um movimento filosófico, educativo
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e progressista que adota a investigação da verdade, em regime de plena liberdade.


Ela é, portanto, uma sociedade formada por livres pensadores, amantes da cultura
moral, intelectualmente, este é o seu papel principal e este caráter explica, em
grande parte, o notável sucesso que conseguiu.
Os ensinamentos maçônicos são ministrados através de rituais que contem prin-
cípios de todas as “Artes Iniciaticas”, como o hermetismo, a cabala, o simbolismo,
além dos conceitos tradicionais sobre as cores, os números e as lendas antigas.
Nos ritos maçônicos fundem-se o simbolismo das Iniciações primitivas, os ensi-
namentos Rosa-Cruzes dos antigos filósofos, do pitagorismo, dos templários, do
judaísmo, do cristianismo, etc., daí a sua riqueza fora do comum, se comparada a
outras intituições fraternas.
Dentro do seu seio, a Instituição conserva certas tradições muito antigas de
ensinamentos místico-iniciáticos, compostos de rituais simbólicos e de alegorias.
O que nela domina é o principio de tolerância para com as doutrinas religiosas e
políticas; porque a Maçonaria está acima e fora das rivalidades que as coloca em
conflito.
Seus lemas fundamentais são: Liberdade, Igualdade e Fraternidade – Lema
Maçônico emancipador e regenerador das classes sociais. Só os homens livres e
de bons costumes e igualdades de condições pode conviver fraternalmente em
uma sociedade organizada. Todos os membros da Maçonaria devem ser livres e
iguais perante si, seus irmãos e perante a Lei.
A Maçonaria não é uma religião. Algumas pessoas insistem em afirmar ao con-
trário, mas, isto é inexato e quem o propagará, o faz sem conhecimento de causa.
Nenhum Maçom encara a sua sociedade como sendo um substituto para a religião,
qualquer que ela seja. Pelo contrário, a maioria dos Maçons tem uma religião e a
pratica regularmente.
A Maçonaria, no sentido exato da palavra, não é uma sociedade “secreta”, pois,
uma sociedade secreta é aquela que não torna publica a sua existência e cujos mem-
bros ocultam sua condição de associado. A Maçonaria não é uma sociedade secreta
porque não faz segredo de sua existência, nem os maçons ocultam a sua condição.
É comum mesmo vê-los ostentando símbolos maçônicos sobre seus vestiários
ou em sua pessoa. A Maçonaria realiza suas reuniões em prédios geralmente loca-
lizados na área urbana, prédios que estão à vista de todos. Publica boletins, revis-
tas, jornais e, em muitos casos, mantém instituições de caridade, asilos, orfanatos,
escolas, e etc. Como muitas sociedades, ela tem segredos, mas não é uma socie-
dade secreta.
Com a iniciação, começa para o homem uma nova fase da vida. Ele viu a Luz,
uma Luz diferente, que deve iluminar-lhe o caminho da verdade e do bem, que terá
de seguir, daí em diante, em busca da perfeição. Assumiu novos compromissos.
Fez um juramento sério e deve cumpri-lo: Lutar em prol da Humanidade sofredora,
da qual ele é uma partícula. A sua preocupação constante deverá ser a prática do
bem, construir Templos, à virtude, masmorras ao vicio, por isso é imperiosa obri-
gação sua, afastar-se das companhias perniciosas, corruptoras, dos beberrões, dos
jogadores, não penetrar em antros nocivos à sua saúde e a sua reputação. O maçom
verdadeiro está sempre acompanhado de um juiz severo, inclemente, que não per-
doa nada, que acusa com veemência e de cujas sentenças, por maiores que seja os
seus esforços, não consegue escapar, a própria consciência.
O maçom pelo seu proceder deve servir de modelo aos não iniciados. Tal ocor-
re sempre? Digamos a verdade não! Poucos são aqueles que conseguem evitar
todos os vícios, que se desvencilham das companhias prejudiciais. Não resta a
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menor duvida, porém, que o ambiente das Lojas modifica, melhora o homem dá-
lhe outra concepção da vida, uma noção mais exata de dever a cumprir.
O indivíduo humano só envolve para as formas mais complexas de socialização
graças à aprendizagem que causa a modificação de seu comportamento, causado
pela motivação, que a precede e condiciona.
Nenhuma organização proporcionou melhor acervo de conhecimentos que a
Maçonaria a qual, através dos séculos, vem colocando a disposição de seus mem-
bros uma didática particularizada, através da qual aperfeiçoa e eleva o conheci-
mento dos seus membros por discernimento próprio de cada individuo, proporcio-
nado pelo condicionamento de suas regras aprimoradas para torná-los virtuosos e
úteis à sociedade.
A Maçonaria, por ser uma sociedade Iniciatica, herdeira de alguns usos e costu-
mes dessas escolas antiguíssimas, aproveitou esses hábitos para moldar o caráter
daqueles que se sujeitaram ao Cerimonial de Iniciação.
A Maçonaria exige dos maçons, em princípio, tudo aquilo que se exige ao
ingressar em qualquer instituição: respeito aos seus estatutos, regulamentos, regi-
mentos e acatamento às resoluções da maioria, tomadas de acordo com os princí-
pios que a regem; amor à pátria; respeito aos governos legalmente constituídos;
acatamento as leis do país, etc; a guarda do sigilo dos rituais maçônicos; conduta
correta e digna dentro e fora dela; dedicação de parte do seu tempo para assistir
às reuniões maçônicas; à prática da moral, da igualdade, da solidariedade humana
e da justiça em toda sua plenitude.
Ademais, proíbe-se terminantemente, dentro da instituição, as discussões polí-
tico-partidárias e religiosas, porque prefere uma ampla base de entendimento
entre os homens, a fim de evitar que sejam divididos por pequenas questões da
vida civil.
O maçom como componente da instituição maçônica, deve comprovar perten-
cer a uma entidade seletiva e destacar-se no mundo profano como exemplo. O
maçom foi pinçado à mercê da vontade do Grande Arquiteto do Universo, que é
Deus, entre milhares de pessoas; é um destaque e, por este motivo, faz juz às
benesses que a Maçonaria dispensa. O maçom deve, a todo momento ser grato por
ter sido chamado a demonstrar essa gratidão por seu viver.
Não existe no mundo todo, uma organização fraternal não religiosa, maior que
a Maçonaria. Ser maçom significa ser “irmão” de aproximadamente oito milhões
de maçons espalhados pelo mundo. É como tal, um maçom é recebido como
membro da família em qualquer parte, menos em países onde as liberdades são
uma fantasia.
Um maçom pode encontrar-se com outro pela primeira vez na vida, mas isto
não importa, pois, basta ser maçom para ser acolhido e considerado como um
irmão.
Um maçom compartilha das aspirações e divides suas obrigações com os
homens de boa vontade, procurando aperfeiçoa-se mais do que o comum dos
homens.
Para ser maçom é preciso ter liberdade consciente para praticar o culto que
deseja, sem se sentir tolhido por convenções ou tradições com liberdade conscien-
te, queremos dizer que um maçom não deve se submeter a servidões ou dogmas
que ferem a razão, a consciência e o pensamento.
O maçom defende o conceito de que a fraternidade entre os homens é a única
solução para por fim aos conflitos sociais, religiosos, políticos e raciais.
O maçom procura destacar-se como um paladino na prática da sobriedade, aus-
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teridade, justiça, caridade e fé em Deus. E busca permanentemente a Verdade.


A liberdade de culto assim como a liberdade de expressão e do pensamento são
princípios fundamentais de um maçom.
Um maçom respeita seus semelhantes reconhecendo-lhes a dignidade inerente.
Ele honra a comunidade maçônica assim como a que vive, prestando-lhe, desin-
teressadamente, os serviços que estiverem ao seu alcance, não esperando que eles
lhe sejam solicitados.
O aprendizado maçônico não é um caminho florido, é rotina repetitiva e sim-
ples, mas suportar essa rotina é a coisa mais importante, é o meio de assimilar os
conhecimentos de sua filosofia, a base do autodomínio para então ter consciência
da total e perfeita serenidade de espírito necessária para o discernimento do que
representa os símbolos, alegorias, figuras, lendas e palavras, fonte inesgotável da
sabedoria maçônica.
Os Mestres, jamais poderão esquecer-se da disciplina rígida da ritualística dos tra-
balhos e nem afrouxá-la, tem que trilhar sempre o bom exemplo da integridade e
firmeza, dispensando aos Companheiros e Aprendizes a sua melhor orientação mos-
trando-lhes o próprio empenho em todas as ocasiões e a virtude da dedicação cons-
tante. Ensinar e transmitir suas experiências, mas do obreiro dependerá aproveitar ou
não os ensinamentos. Quem frequentar assiduamente os trabalhos e for dedicado ao
estudo entenderá a filosofia maçônica, que se resume nos seguintes princípios:
– Ser rigoroso consigo mesmo (não legar a segundo plano seus deveres maçô-
nicos);
– Ser compreensivos com seus semelhantes (não abster-se do perdão para com
seus irmãos);
– Venerar sua família (ter orgulho e tudo fazer em prol de sua Loja);
– Ser fiel aos seus irmãos (não faltar aos compromissos assumidos);
– Ser virtuoso (praticar os ensinamentos maçônicos);
– Cumprir a risca os juramentos (feitos de livre e espontânea vontade).

2 – Maçonaria Contemporânea
Na idade média, que teve inicio no século 5º com a queda do Império Romano
no Ocidente e terminou no século 15 com queda de Constantinopla, o sistema de
governo predominante era o feudalismo absolutista, sendo a forma de governo o
da monarquia, tendo entre os dois sistemas o do Clero, às vezes, o mais forte cuja
função seria a de manter a harmonia e a submissão da população camponesa nas
terras do velho mundo, função essa nem sempre cumprida.
Ainda na Idade Média e concomitantemente ao movimento dos filósofos, ou um
pouco antes, entretanto com grande importância, entra em cena o grande movi-
mento da Reforma, liderado por Martinho Lutero (1483-1564) e a Contrarreforma,
que teve inicio com o Concílio de Trento (1545-1563), estendeu o Clero seus
tentáculos a todo o mundo conhecido, chegando inclusive ao Brasil.
Ao lado desse caldeirão em ebulição, surgiram, após o século 16, pensadores
propondo novas maneiras de relacionamento entre as pessoas, as nações e as coi-
sas entre si. Assim, René Descartes (1595-1650) desenvolveu o método cientifico
racional, onde propunha relação matemática para explicar todo e qualquer fato,
sendo referência obrigatória a todos os demais pensadores.
Quanto ao relacionamento entre as pessoas, houve muitos avanços, dos quais
podemos citar o empirista Thomas Hobbes (1588-1679) e o empirista liberal John
Locke (1632-1704), que abordara o homem como ser natural e social.
Com esse estágio do pensamento, o século 17 começa com um grande movimen-
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to que teve o nome de Iluminismo. Dentre alguns pensadores iluministas, citam-se


Charles Louis de Secondat ou simplesmente Montesquiu (1689-1755), com sua
obra O Espírito das Leis, criando os três poderes (Executivo, Legislativo e
Judiciário); Jean Jacques Rousseau (1712-1778), com o Contrato Social, onde
desenvolve a maneira liberal de se viver, com obediência ao conjunto de leis apro-
vada pelos cidadões, a Constituição, contrapondo-se ao poder absolutista do
homem.
Alguns daqueles reformadores, pensadores livres (franco), lideraram um movi-
mento a partir de usos, costumes e prática dos então construtores de templos e
catedrais da velha Europa de rígida disciplina, visando a uma nova maneira de
convivência entre os homens. Esses “pensadores livres” idealistas tornaram-se,
então, os Maçons Livres e Aceitos. Esses recém aceitos na antiga confraria dos
construtores passaram a construir não os templos de tijolos e cimentos, mas os
templos sociais, a partir da construção do “Eu” pessoal. Criaram-se alegorias
místicas (o mito do Mestre Hiram Abiff) e místicas (parte do Velho e Novo
Testamento), dando consistência humanística aos novos iniciados e demais segui-
8dores dos Augustos Mistérios.
Desta formo, muitos participantes ativos dos movimentos Renascimento e do
Iluminismo foram, certamente os iniciadores da Maçonaria que hoje conhecemos.
Finalizando, entende-se que aqueles primeiros pensadores criaram a Instituição
Maçônica, para, em seguida e até os dias atuais, a instituição criada formar tantos
e tantos maçons, que passaram a construir alicerce e reserva moral dos povos
contemporâneos.

3 – Loja Maçônica
Loja Maçônica é uma reunião regular de Maçons. A Loja inicia-se quando são
abertos os trabalhos, e termina quando estes são dados por encerrados. É comum
o uso das palavras Templo Maçônico e Loja Maçônica como sinônimos.
A palavra “Loja” vem do germânico antigo – Loubja” – e dos vocábulos diale-
tais “leubja” e “loubja”, cuja corruptela deu “loge” (em francês) e “Lodge” (em
inglês) e “loggia” (em italiano). A palavra tinha o sentido de abrigo, lar, cabana.
Esta palavra, Loja, nada tem a ver com o “colégio” dos obreiros romanos, nem
com o termo “logia” (estudo, tratado) dos gregos.
Para que uma Loja, também conhecida como Oficina, possa ser regular, justa e
perfeita é necessário que seja uma reunião de Sete Mestres Maçons e apenas regu-
lar se, no mínimo, a presença de três Mestres Maçons, completando sete membros
com companheiro e Aprendizes.
Se o número de maçons for inferior a sete, ainda assim poderão reunirem-se,
formando ou fundando um triangulo, o qual é constituído por Mestres em número
de 3 (três) e completado por Companheiros e Aprendizes 6 membros. Um
Triangulo só poderá ser fundado se não existir, no Oriente onde se pretenda a sua
instalação, nenhuma Loja que trabalhe no Rito em que esse Triangulo vai trabalhar.
Os Maçons podem se reunir (formar Loja) em qualquer lugar (mesmo que não
seja em um Templo Maçônico), até num deserto, campo ou floresta, contanto que
estejam ocultos ou retirados das vistas e dos ouvidos profanos. Nessas condições,
dizemos que a Loja está “a coberto”. E porque nos dias que correm, a Loja é
geralmente instalada dentro de um Templo próprio, a expressão “a coberto” ou
simplesmente “coberto”, é empregada também em relação ao Templo (ver no
Ritual, a abertura ritualística nas sessões).
Nos primeiros tempos, na Maçonaria Operativa, os Maçons formavam suas
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Lojas nos canteiros das construções, em cabanas, hospedarias por ser o banquete,
parte essencial de tais reuniões, cujo cerimonial era o mais simples possível. Com
o advento da Maçonaria Especulativa, em maio de 1776, foi inaugurado, na
Inglaterra, o Freemasons Hall, de Londres. Em 1776, o Grande Oriente da França
proibiu, por decreto, que suas Lojas se realizassem em tavernas e hospedarias.
Estava inaugurado o período dos Templos Maçônicos.
Cobrir o Templo, significa sair do Templo. Quando, em Loja, um irmão neces-
sita (motivado por uma emergência qualquer) sair em meio à sessão, solicita ao
Vigilante de sua coluna (e este solicitará ao Venerável) a autorização para aquele
Irmão “cobrir o Templo”.

4 – Templo Maçônico
Como mencionamos no capitulo anterior houve divergências entre o Supremo
Conselho da França, de um lado, e os Supremos Conselhos dos Estados Unidos e
da Inglaterra, de outro, em conseqüência foram alterados alguns procedimentos
ritualísticos, símbolos e principalmente a concepção interna do templo, tendo sido
dividido em Oriente e Ocidente e não mais constituído apenas pelo trono
Venerável Mestre.
O Templo Maçônico é baseado no Templo de Salomão. Entretanto, apesar de
ser uma construção material, o templo tem, para os maçons, um significado espi-
ritual. Tem a forma de um plano retangular em forma de quadrilongo. De qualquer
ponto da Terra, livre dentro do próprio planeta e como que suspenso no espaço da
esfera celeste, pois, conforme diz o ritual, o seu comprimento é: do Oriente ao
Ocidente; a sua altura: da Terra ao Céu, a sua largura: do Sul ao Norte; a sua pro-
fundidade: da superfície ao centro da Terra. Tudo isso para nos dizer que a
Maçonaria é Universal e o Universo, um verdadeiro Templo.

Templo da ARLS Fé Equilíbrio e Amor Nº 317


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Assim, podemos afirmar que o Templo Maçônico dos dois primeiros graus
simbólicos do Rito Escocês nasceu na França. Representa um quadrilongo, forma
geométrica, definidas diferentemente por vários pesquisadores. Para uns, o qua-
drilongo seria composto por três quadrados perfeitos; para outros, seria um duplo
quadrado; outros, ainda, o definem como um retângulo cuja proporção entre os
lados seja 1 x 1,618.
O Templo não deve ter janelas ou outras aberturas, a não ser que por elas nada
se veja desde o exterior. Ao longo da frisa das paredes laterais e passando, sem
interrupção, pela parede do fundo do Oriente, há um cordão que forma, de distân-
cia em distância, nós emblemáticos em número de 81. Esse cordão termina de
cada um dos lados da porta de entrada, por duas bordas pendentes. Deve haver
mais duas bordas (artificiais), no Oriente, partindo dessa mesma corda. Na parede
do fundo, no Oriente, há o Painel do Oriente, conforme visto no ritual do 1º grau.
Os nossos Templos atuais são adaptados. Desta forma nem sempre obedecemos
às dimensões e características do Templo ideal. E também, nem sempre obedece-
mos às alegorias e símbolos que foram criados posteriormente, e que se tornaram
parte da tradição maçônica. Hoje, os Templos Maçônicos são mais simples.
Contudo, há que se entender que, quanto mais completo o Templo, tanto maiores
os ensinamentos simbólicos.
O Templo Maçônico é, fisicamente, a realização material dos Painéis da Loja
(simbólico e alegórico). Todavia, se os Maçons tomarem por modelo de seus
Templos, o Templo de Salomão, não quer dizer que pretendam reconstruir mate-
rialmente aquele monumento. Em Maçonaria, esse Templo é ele próprio, um sím-
bolo de maior amplidão: Simboliza o Templo Ideal, sempre inacabado, em que
cada Maçom é uma pedra, preparada sem machado nem martelo, no silêncio da
meditação. É o Templo Espiritual. Para o Maçom, o Templo de Salomão não deve
ser considerado nem na sua realidade histórica, nem na sua acepção religiosa judai-
ca, mas sim, na sua significação esotérica, bastante profunda. Da mesma forma que
os cristão propuseram-se a realizar sobre a Terra, o reino de Deus – espécie de
paraíso reconquistado – graças à generalização das virtudes cristãs, os Maçons
pretendem o mesmo ideal quando se propõem a terminar a construção do Templo
da Fraternidade Universal. Mas o seu método não é o das religiões. Ao invés de
fazer um apelo, indistintamente a todos os indivíduos, para alista-los debaixo da
bandeira de uma fé, senão totalmente cega ao menos aceita sem controle efetivo, a
Maçonaria se dirige apenas aos espíritos emancipados, capazes de se determinarem
a si próprios, de acordo com aquilo que conhecem como razoável e justo. A cons-
trução desse Templo Interno é indispensável, e deve anteceder à do Templo
Externo da Fraternidade Humana. Todas as tentativas de paz entre os homens têm
fracassado, por falta de um Templo Ideal, Interno e, ao mesmo tempo Coletivo.
O quadrilátero que forma o Templo é dividido proporcionalmente, em duas
partes; numa terça parte, situa-se o Oriente e nas restantes três partes o Ocidente.
No Oriente chega-se a um plano elevado através de três degraus. No Ocidente,
na entrada uma porta e próximo, duas colunas denominadas de “B” e “J”, conhe-
cidas como colunas do pórtico. Ao redor, nas paredes laterais surgem seis colunas
de cada lado, ora em relevo, ora em baixo relevo, cujo capteis nada sustenta,
sendo colunas ornamentais que correspondem aos doze signos do Zodíaco.
No Oriente, um trono onde tem acento o Venerável Mestre que preside os tra-
balhos; para atingir esse trono, em uma segunda elevação, mais quatro degraus.
O trono está sob um dossel que na sua parte frontal possui o “Delta Sagrado”,
constituído por um triângulo e nele inserida a letra hebraica “Iod”.
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As costas do Venerável Mestre vê-se um painel onde no centro está o Delta


Luminoso onde se encontra inserido um “Olho” ao lado direito, o símbolo do Sol e
ao lado esquerdo, o Símbolo da Lua na sua fase quarto crescente. Em alguns Ritos
a posição destes astros são invertidos e consequentemente também invertidos todo
imobiliário do Tempo, colunas e demais altares, conservando a mesma simbólica.
No piso abaixo dos quatro degraus do trono, a direita, junto a balaustrada que
separa o Oriente do Ocidente, a direita encontra-se o trono do Orador, e à esquer-
da o trono (mesa) do Secretário, tendo na frente do Orador o Pavilhão Nacional e
o acento do Porta Bandeira e na frente do Secretário o Porta Estandarte ou seu
Adjunto e entre o altar do Secretário e o trono do Venerável o estandarte da Loja
e junto as ambas paredes laterais do Oriente as colunas de poltronas, onde tem
acento os ex Veneráveis, irmãos da administração da Potência e visitantes ilustre.
Abaixo no ocidente, correspondentes às colunas do pórtico situam-se as poltro-
nas dos aprendizes, na parte “J” e dos companheiros, na parte “B”, neste caso
quando da inversão do Painel, obrigatoriamente há a inversão das colunas.
Os Aprendizes e os companheiros sentam nas fileiras das poltronas, encostadas
as paredes, abaixo, sentam os mestres.
No centro do ocidente, vem colocado o altar dos juramentos sobre o “Mosáico
quadriculado”.
Aposição do Altar não é pacifica, pois há lojas que o situam no Oriente e outras
no ocidente.
Ao lado externo da balaustrada á direita senta o Mestre de cerimônias, atrás
dele, o Tesoureiro, à esquerda, senta o Hospitaleiro e atrás o Chanceler.
Na Coluna “B”, situa-se o Trono do Primeiro Vigilante sobre um estrado com
dois degraus, na Coluna “J”, o trono do Segundo Vigilante sobre um estrado de
um degrau.
Existem dois Diáconos; um senta ao lado do trono do Venerável Mestre; aos pés
do trono do 1º Vigilante, senta o outro Diácono.
A esquerda da porta de entrada senta o Guarda interno (Guarda do Templo); ao
lado de fora, situa-se o Guarda externo.
Outros Oficiais, como dois Expertos, o Mestre de Harmonia e o Arquiteto, sen-
tam nas primeiras poltronas do Ocidente.
O altar dos Perfumes é colocado no Oriente e rara vezes atrás do Primeiro
Vigilante.
O recipiente das abolições, também situa-se atrás da Primeira Vigilância e a pira
atrás da Coluna J, ao lado do Mestre de Harmonia. O Irmão “Terrível” é escolhi-
do somente por ocasião da cerimônia iniciatica e não tem local para sentar.
Entre as paredes do recinto, surge a Orla Dentada; entre as paredes e o teto, está
a “Corda de Oitenta e Um Nós” que inicia à esquerda da porta por meio de uma
“borla” e termina no lado direito da porta, também por uma “borda”; os nós da
corda, apresentam-se na forma de “laços”.
A Abóbada Celeste é iluminada ao Oriente pelo Sol e ao Setentrião pela Lua,
apresenta nuvens escuras; na sua superfície são impressas algumas constelações e
o planeta Mercúrio com seus satélites.
Por detrás do trono do Segundo Vigilante, surge a “Estrela Flamigera“. Em
diversos Ritos possui cinco pontas – pentagrama – e em outros seis pontas – hexa-
grama, como no de York.
Quem introduziu o Pentagrama na Maçonaria foi o Barão de Tschoudy, porém
quem lhe deu o nome de pentagrama, pentalfa ou Tentáculo, isto é na configura-
ção de cinco pontas como Estrela Flamigera foi E. C. Agripa, no século dezesseis.
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Na Maçonaria em seu centro existe inscrito a letra “G” ou o símbolo da divin-


dade “IOD”, nesta forma simples ou completa.
Traduz-se como símbolo da iluminação, da boa conduta é a representação de
todos os símbolos do Grau de Companheiro é o espírito que anima o Universo o
principio de toda sabedoria, o poder gerador da natureza. É a luz “iluminando” a
Loja e, especificamente, o discípulo dos Mestres para servi-los de maneira útil.
É ainda, a Estrela hominal dos Pitagóricos encimada pela ponta na qual simbo-
lizando a espiritualidade, inscreve-se-lhe a figura de um homem De forma inver-
tida, representa a ausência daquela espiritualidade, na configuração impura do
animal.
Seu Simbolismo e configurações são muito extensos os quais são objeto de
nossos estudos sobre Simbolismo. Na representação do duplo triângulo o de seis
pontas, por exemplo, podemos encontrar a célebre sentença de Hermes “o que esta
em baixo e como o que está em cima” alem disto, existe para ser analisado e
detalhado para os irmãos o Delta Radiante, Estrela de Belém, do Norte, do
Oriente, de Cinco, de Seis, de Sete, de Oito, de Nove de Dez pontas e as demais
sinonímias como estrela escudo de Davi, Selo de Salomão e tantas mais.
Sobre o Altar dos Juramentos, iluminado por três candelabros, encontram-se as
joias fixas: Livro Sagrado, Esquadro e Compasso.
Aos pés do estrado do Primeiro Vigilante, vê-se uma pedra tosca e informe,
denominada de “Pedra Bruta”.
De idêntica forma, aos pés do estrado do Segundo Vigilante está uma pedra já
esquadrejada denominada Pedra Cúbica.
Outros símbolos estão colocados no piso: Régua, Cinzel e Maço, alavanca,
Nível e Prumo.
Todos esses Símbolos representam os instrumentos e utensílios apropriados a
construção.
Sobre o trono do venerável Mestre, a Espada Flamejante; o Venerável Mestre e
os dois Vigilantes. terão cada um o respectivo Malhete; ainda sobre os tronos as
colunetas.
Completam o Templo várias dependências necessárias para a realização satisfa-
tória dos trabalhos maçônicos, sendo indispensável: a Câmara de Reflexões a Sala
dos Passos Perdidos; o Átrio, a Secretaria; e, para conforto dos irmãos, o Salão de
Festa:

Câmara de Reflexões – É o local, anexo ao Templo Maçônico, no qual o can-


didato à iniciação permanece, durante um determinado tempo, em recolhimento e
meditação. Reflexão é o ato ou efeito de refletir. É o desvio de direção de um
corpo que encontra outro resistente (ricochete). No sentido figurado, significa a
ponderação, o raciocínio, o pensamento maduro, o argumento, a observação.
Segundo o Irmão José Castelani o nome correto do local onde fica o candidato à
iniciação é mesmo Câmara de Reflexão (de raciocínio maduro e de ponderação a
respeito da existência do homem, da efemeridade da vida humana, dos códigos da
moral e de ética etc.), não havendo a necessidade do plural (Câmara de Reflexões),
que lembra mais uma Câmara para estudo dos fenômenos físicos de reflexão.
A Câmara de Reflexão é um anexo do Templo, onde, durante certo tempo, per-
manece o candidato a Luz Maçônica.
A decoração da Câmara varia de Rito para Rito, existindo as mais complexas e
as mais simples. Aqui serão analisados os Símbolos das mais complexas, já que,
no texto estarão inseridos os das mais simples.
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No interior da Câmara há sempre, uma mesa, sobre a qual se encontram: um


foco de luz, que é geralmente um castiçal com uma vela acesa; uma ampulheta;
um esqueleto humano, ou, pelo menos, um crânio; um pedaço de pão e uma jarra
de água; sal, enxofre e mercúrio; duas taças – uma com liquido doce e outra com
liquido amargo – e material de escrita. Nas paredes, encontram-se pinturas e fra-
ses: um galo em posição de canto, sobre as palavras “vigilância e perseverança”;
a representação de Morte, munida de alfanje, encimando a inscrição lembra-te,
homem, que és pó e ao pó retonarás; e, finalmente, os seguintes conselhos ao
candidato:

– Se tens medo, não vás adiante.


– Se a curiosidade aqui te conduz, retira-te.
– Se fores dissimulado serás descoberto.
– Se queres empregar bem a tua vida, pensa na morte.
– Se tens apego as distinções mundanas, vai-te, pois nós não as reconhecemos.
– Se temes que os teus defeitos sejam descobertos, não estarás bem entre nós.

Pode existir, também, na parede, a palavra V. I. T. R. I. O. L., a qual não e obri-


gatória.

Sala dos Passos Perdidos – Ao vestíbulo precede a Sala dos Passos Perdidos,
onde os irmãos e os visitantes aguardam a permissão de ingresso, mobiliada con-
venientemente e possivelmente ornada com figuras emblemáticas, alegóricas ou
retratos. Se destina à preparação dos Maçons, onde se encontram os paramentos
necessários que os Maçons usam, em especial os aventais e o ambiente é compos-
to com iluminação apropriada, com queima de incenso, tudo para formar um
ambiente propício à meditação; à meditação é conduzida habilmente pelo Mestre
de Cerimônias com sua preleção que pode conter uma prece para despertar os
sentimentos de religiosidade que o Maçom porta, formando o cortejo para entrada
dos irmãos no Templo.

Átrio – Chama-se Átrio ou Vestíbulo o compartimento que precede o templo e


do qual e separado pela porta interna do Templo, o qual terá a mobília que o espa-
ço permitir, sendo fechada pela porta externa. Do lado de fora da porta externa
acha-se pendurado um malhete com o qual se pede o ingresso ao Templo, si este
já tiver fechado.

Símbolos – Símbolos são as bandeiras, as palavras, as condecorações, o aperto


de mão, como a lira simbólica a musica, a balança a justiça, o pincel a pintura, o
cinzel a escultura, e outros que fazem parte diária do estudo do Aprendiz.
A palavra tem uma arte e uma ciência; como ciência ela exprime o pensamento
com toda a sua fidelidade e singeleza; como arte reveste a ideia de todos os rele-
vos, de todas as graças e de todas as formas necessárias para fascinar o espírito...
(Alencar). Se o historiador faz da palavra uma ciência, o poeta transforma-a numa
arte. E a ciência e a arte, entrelaçadas, se encontram com os dons do talento e do
estilo, nos abrem as janelas do passado e, paradoxalmente também nos mostram
os horizontes do futuro. (Salomão Jorge).
Todo Símbolo possui duas partes, o significante e o significado. O que se chama
de significante é parte visível do Símbolo, ou seja, ela se apresenta em estado
físico, é palpável e objetiva. Já o que se chama de significado, é a parte invisível
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do Símbolo que não ser nomeado categoricamente, mas sim evocado, sugerido,
sentido, portanto a todo tipo de qualidades não representadas.
Segundo alguns estudiosos do assunto, o Símbolo pode ser visto ainda sob qua-
tro sentidos diferentes: o sentido literal, o sentido alegórico, o sentido tropológico
ou moral e, o sentido anagógico ou místico.
O conhecimento do Sagrado Triângulo em que a Loja assenta o seu fundamen-
to: da SABEDORIA que orienta, da FORÇA que impele da BELEZA que execu-
ta. Régua, Maço, Cinzel, três Colunas Sagradas do Templo.
O 1º Grau (Aprendiz Maçom) é o alicerce da filosofia Simbólica, resumindo ele
toda a Moral maçônica de aperfeiçoamento humano, compete ao Aprendiz
Maçom o trabalho de desbastar a pedra bruta, isto é, desvencilhar-se dos defeitos
e paixões, para poder concorrer à construção moral da humanidade, que é a ver-
dadeira obra da Maçonaria.
O Templo Maçônico é decorado por muitos Símbolos e suas simbologias, entre
eles os altares, Abobada Celeste, Colunas, Colunetas, Adornos do Próprio
Maçom, Corda de 81 Nós, Pavimento de Mosáico, Romãs, Símbolos do Oriente.

Altares – O vocábulo altar se originou da palavra altus, alto, elevado, e alta-


rium. Os sacrifícios entre os antigos eram sempre realizados em lugares naturais
elevados, como um monte de terra, estrutura formada de pedras ou madeira, era
neste local que se oferecia o sacrifício à divindade A palavra altar foi, aplicada
posteriormente as construções de altares em templos, também destinados aos
sacrifícios. Em Maçonaria são mesas de forma simbólica que fazem parte da
construção do próprio Templo, alguns além da simbologia, são ocupados por
detentores de vários cargos, aos quais se somam os altares dos Juramentos e dos
Perfumes.

Altar dos Juramentos – O Altar dos Juramentos existe nos Ritos: Escocês
Antigo e Aceito, Adonhiramita e Brasileiro. Já existiu no Rito Moderno. Não
existe nos Ritos de York, Schroeder.
No eixo principal do corpo do Templo (linha imaginária que representa o equa-
dor), próximo aos degraus de acesso ao Oriente, situa-se o Altar dos Juramentos,
apoiado no chão do Ocidente, permitindo a passagem por trás dele. Sob a forma
de um prisma triangular de um metro um metro de altura. no Ocidente, situado no
pavimento de mosáico, de 80 cm de altura tem por tampo um triangulo equilátero,
com o vértice voltado para o Venerável Mestre, no qual ficam o Livro da Lei,
sobre o qual está o compasso e o esquadro na posição de grau. Em Loja de
Aprendiz, o Esquadro deve ser colocado sobre o compasso. O Compasso devera
ter suas pontas voltadas para o Ocidente e a abertura deve ser de 45º. O Esquadro
se relaciona com a matéria e o Compasso com o Espírito No Grau de Aprendiz, a
matéria ainda predomina sobre o espírito, daí o Esquadro ser colocado sobre o
compasso. Rodeando o altar três candelabros de bronze. Em geral acesos antes da
abertura dos trabalhos e em algumas Lojas acesas com cerimonial especial.

Livro da Lei – A Maçonaria anglo-saxônica e escocesa exige que o Livro da


Lei permaneça aberto e esteja coberto pelo Esquadro e pelo Compasso. Se para os
espiritualistas ele pode simbolizar o Livro da Lei de suas respectivas religiões,
para os racionalistas que existem em certas obediências, ele será o emblema da
Lei Moral e no caso do Grande Oriente do Brasil, conforme o Rito ser substituído
pela Constituição ou com a presença dos dois exemplares.
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A Maçonaria regular obriga o uso no Altar dos Juramentos, de um livro da lei


que corresponda a vontade religiosa dominante de um povo, ou até de vários
livros em conjunto, se na Loja existirem irmãos de religiões diversas. Onde a
incidência maior for de Católicos Romanos, usa-se a Vulgata Latina; se for de
Judeus, o velho Testamento; se for de Mulçumanos, o Corão; se for de
Brahamanes, o Veda etc., porém maçonicamente, esses livros representam o
mesmo símbolo e são considerados como o texto da lei que rege as consciências.
O Livro da lei é considerado parte integrante dos utensílios maçônicos, indis-
pensável à validade dos trabalhos de uma Loja. Segundo pesquisas, a partir da
fundação da Grande Loja da Inglaterra, em 1717, é que se estabeleceu o uso da
Bíblia em Loja, como emblema espiritual da Grande Luz da Verdade Divina e da
regularidade Maçônica, sem, entretanto, a necessidade de ser aberta.

Compasso – Designa o instrumento, de metal ou de madeira, composto de


duas hastes, utilizado para traçar arcos de circulo, circunferências e para tomar
medidas (é o que interessa aqui, pois o termo também é usado na música).
Sendo um instrumento fundamental para qualquer projeto de construção o
Compasso é um dos máximos Símbolos Maçônicos; ao lado do Esquadro e do
Livro da Lei forma um trio de importantes Símbolos, conhecido como Três
Grandes Luzes Emblemáticas da Maçonaria. O significado simbólico do
Compasso é do comedimento nas buscas, já que ele, traçando círculos, delimita
um espaço bem definido, o que não acontece com as retas, que se prolongam ao
infinito. No plano místico, esotérico,todavia, ele é a representação do Espírito,
enquanto o esquadro representa a Matéria; como representação da espiritualida-
de ele simboliza, também, o conhecimento humano. O conceito de que o
Compasso é a representação do Espírito, ou do conhecimento humano, vai sur-
gir, também, na posição dele em relação ao Esquadro, variável em função do
Grau em que a Oficina estiver trabalhando.

Esquadro – Instrumento de desenho em forma de ângulo reto cuja origem é


antiguíssima. Símbolo da retidão, o Esquadro exprime que o homem deve assu-
jeitar todas as suas ações a essa qualidade, constituindo a virtude que deve existir
em todo homem de bem, simboliza também a Equidade e a Justiça. Por isso,
constitui a joia do Venerável Mestre, porque este deve ser o Maçom mais reto,
justo e equitativo da Loja.
Diz Daniel Ramée, em sua “Histoire de L`Architectur”, que o Esquadro, isto é,
o ângulo reto é o “principio de toda construção”, e é por isso que se enlaça com o
Compasso como símbolo maçônico. Segundo A. Céldage, o Esquadro tem a
forma do “Gamma” grego e do “Chimel” fenício, símbolos da fecundidade da
Terra pelo Sol.
Símbolo da Terra, onde se desencadeiam as paixões humana, o Esquadro rela-
ciona-se com a Matéria, que simboliza, retifica e ordena, representando, de um
lado, a ação do Homem sobre si mesmo. Por isso é um símbolo feminino, repre-
sentando a Capacidade Produtiva da Divindade. Traça linhas retas e descreve
ângulos retos, semelhantes aos da Terra, que os antigos imaginavam retangular.
Sempre à vista do Maçom, o Esquadro lembra-lhe constantemente a obrigação
que tem de desprender-se das coisas materiais e das preocupações vulgares para
enveredar pelo caminho mais reto da Equidade e da Justiça. Aplicando a todas as
obras humanas, o Esquadro nos ensina a limitar as nossas ações pelo conhecimen-
to dos deveres que temos para com os nossos semelhantes.
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O Esquadro simboliza, portanto, para o Maçom a retidão na sua conduta, na sua


ação, sendo o emblema da perfeição de sua obra e de seu caráter. O Esquadro é
retidão moral e virtude, fixidez e estabilidade. É retidão de juízos e honradez de
propósitos. Não deve ser passional, pois a Retidão deve guiar os nossos juízos. O
Esquadro, enfim, é o emblema da moralidade.

Salmo 133 – Walnyr Goulart Jacques, em sua obra “Uma Loja Simbólica”, nos
brinda com a seguinte interpretação sobre o Salmo 133, “Excelência do Amor
Fraterno”, lido na abertura dos trabalhos no Grau de Aprendiz do Rito Escocês
Antigo e Aceito, cujo texto selecionado encerra significado muito espacial, mani-
festado no ensinamento simbólico e filosófico da fraternidade: “Excelência do
Amor Fraternal”. Para melhor compreensão, tentaremos interpretá-lo dividindo-o
em três partes:

1. Oh! Quão bom e quão suave é que os Irmãos habitem em união.


2. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de
Araão, e que desce à orla de suas vestes.
3. Como o orvalho de Hermon e como o que desce sobre os montes de Sião,
porque ali o Senhor ordena a benção e vida para sempre.

1º parte: ”Oh! Quão bom e quão suave é que os Irmãos habitem em união”.
Para o hebreu de outrora, a palavra “irmão” apresentava significado bem defi-
nido. Jerusalém não era apenas a capital entidade civil, mas também uma entidade
espiritual. Em certas ocasiões, práticas religiosas eram celebradas no Templo de
Salomão. Era um período muito feliz, pois todos os judeus reconheciam a sua
comum irmandade e “habitavam em união” por diversos dias, na Cidade Sagrada,
para onde todos convergiam.
Mais do que qualquer outro povo, os judeus davam importância à unidade da
família. Os filhos nunca deixavam a tenda do pai, mesmo na época em que viviam
como nômades no sistema patriarcal. Quando um rapaz casava, outra tenda era
levantada. Somente as moças deixavam o lar, pois tinham que se mudar para a
tenda de seus maridos. Era o ideal da família, que os “irmãos sempre habitavam
em união”.
Essa unidade que os caracterizava foi quebrada pelo exílio babilônico. Os
judeus, então, estabeleceram-se em cidades, aprenderam vários ofícios, prospera-
ram materialmente, e por fim se espalharam para os centros mercantis do velho
mundo. A típica coessão familiar foi partida.
Mais tarde, com a permissão de retorno à Jerusalém, reconstruiu-se o Templo e
o versículos parece um toque de reunir, uma chamada para relembrar os bons dias,
quando todos habitavam em paz e felicidade na terra natal.
Assim como os irmãos de sangue sentiam a necessidade de unir-se em torno do
templo familiar, depreende-se que a filosofia maçônica tomou como exemplo essa
salutar experiência, para doutrinar os adeptos a estarem sempre juntos como única
família, constituindo o seu Templo Espiritual.
Nos dias atuais, quando são lidos os versículos sempre da mesma forma, no
mesmo momento do ritual de abertura da Loja e são considerados os trabalhos
com plena força e vigor, esse texto atua em todos os presentes ao ato, como um
unificador das mentes em torno do grande objetivo comum, pois que nesse
momento constituiu-se uma obre de criação, à glória do Grande Arquiteto do
Universo.
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Finalmente, a interjeição “oh” designativa de admiração, surpresa, bem diz do


espírito do texto ao relatar a “Excelência do Amor Fraternal”, isto é, o grau máxi-
mo de bondade e de perfeição causado pelo encontro dos que se amam.

2º parte – “É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a
barba de Aarão, e que desce à orla de suas vestes”.
Os egípcios naquela época usavam a cabeça raspada; pelo contrário era marca
de distinção entre os judeus, o cabelo e a barba compridos. A barba era um sinal
de veneração e virilidade. Se um judeu recebesse um convidado para ceiar ele lhe
dava as boas-vindas derramando-lhe óleo sobre a cabeça. O texto é claro e diz:
“sobre a cabeça e a barba, até a orla dos seus vestidos”, portanto,o óleo tinha que
ser em abundância para fazer o efeito. Se alguém era realmente bem vindo, o óleo
havia de correr livremente da cabeça aos pés, passando pela barba, pescoço até o
vestiário. Tinha que ser bastante óleo, para que o seu perfume enchesse a sala de
refeições, dando ao ambiente um odor refrescante, da mesma maneira que quere-
mos boa-vontade e companheirismo dominando as nossas reuniões, enchendo a
atmosfera com um doce sabar de fraternal regozijo. A hospitalidade da reunião
deve gerar um sentimento de ardor, vivacidade e prazer entre todos os que estão
reunidos. Tudo deve contribuir para as palavras do bom homem da casa. Entre
irmãos estamos realmente contentes...”.

3ª parte – “Como o orvalho de Hermon e como que desce sobre os montes de


Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e vida para sempre”.
Esta ilustração nos leva da vida, ou do lado humano da palestina, para uma
consideração do aspecto geográfico, ou dos aspectos naturais. O Monte de
Hermon está localizado ao longo da fronteira norte do País; possui cerca de 3.000
metros de altitude; seu nome quer dizer “o que pode ser visto de longe”, Mesmo
durante o calor do verão, quando o restante da região está ardendo, em virtude do
vento quente denominado siroco, o manto de neve da montanha é claramente
visível a muitas milhas de distância. A terra pode estar torrada e seca, mas a neve,
“o orvalho de Hermon” permanece brilhante e alvo.
O sistema do rio Jordão é alimentado por esse orvalho que se derrete, tem suas
principais nascentes ao sopé do Monte Hermon. É uma benção para a nação, pois que
o rio corre por um vale entre duas cordilheiras, que são ricas em ferro e cobre, com
ambudante suprimento de carvão, fornecendo uma excelente base para a industria. O
solo é alimentado por essa água, fornecendo azeitonas, uvas e outras frutas. O Jordão
por fim entra no Mar da Galileia e torna possível uma ambudante indústria pesquei-
ra, colaborando para a produção de alimento à população, como para exportação.

Símbolos do Oriente – No fundo, na parede do Oriente, atrás do Trono de


Salomão, do acento do Venerável Mestre e sob o Solio, encontram-se os símbolos
do Oriente, os quais apresentam a base da simbologia Maçônica, isto é, o Olho que
tudo vê, o Triangulo, o Sol, a Lua e, ainda, o Painel da Loja, ou dos graus simbóli-
cos, aberto no inicio dos trabalhos e fechados no seu termino, tendo a sua esquerda
a Carta Constitutiva, ambos fixados na frente do Trono. Temos, ainda, acima do
Trono e na parte superior e na frente do Solio o Triangulo Luminoso radiante, con-
tendo no centro um triangulo equilátero tendo no centro suspensa a letra “Iod”.

O Olho que tudo Vê – O Olho que tudo vê pode ser considerado como o sím-
bolo de Deus manifestado em sua onipresença – seu guarda e protetor – ao qual
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alude Salomão no Livro dos Provérbios (XV, 3), quando diz: “Os olhos do Senhor
estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons”. Trata-se de um símbolo
da Divindade Onipresente.

O Triângulo – O Triangulo Equilátero, considerado como a figura mais perfeita


formada por linhas retas, e por isso representa a Perfeição e também a harmonia e a
sabedoria. Os seus lados constituem um ternário que, desde a mais alta antiguidade,
tem caráter sagrado, e o Ternário tem por emblema essencial o Olho que tudo vê.

O Olho que tudo vê e o Triângulo – Estes dois símbolos combinados formam


um só, que foi o mais estável de todos, quer dizer, que o seu significado é hoje o
mesmo que o de século atrás. Não é um símbolo que teve um significado por um
determinado período, trazendo a Luz a mente dos homens, sendo logo desfeito por
outro que mais se aproximam da verdade Universal.
Um verdadeiro símbolo representa uma lei ou uma verdade determinada da
natureza ou do universo; a sua forma por tanto se modifica muito pouco no decor-
rer dos tempos.
O olho que todo vê, tal como o encontramos gravado nos obeliscos ou nas pare-
des das grutas sagradas do Egito ou como é usado hoje, sempre significou a
consciência de Deus, que tudo penetra, ou a visão universal da Divindade. O
homem nunca poderia evadir-se da consciência divina, representada pelo Olho
que tudo vê, seja qual for o lugar em que se encontre sobre a terra, assim como
tampouco poderá estar fora da visão ou da divindade de seu sistema de leis.
O Triângulo é um símbolo de perfeição. A lei da dualidade é uma lei universal
que esta representada por duas pontas do triângulo.
Quando duas forças ou duas faces da natureza se unem, surge um terceiro esta-
do ou coisa, no ponto onde se unem. O terceiro ponto ou lugar de materialização
é a criação e a perfeição. Assim, pois, a combinação dos dois símbolos, como a
apresentamos, sugere a perfeição de consciência divina em sua totalidade, seu
acabamento e sua natureza que abarca.

Sol – Estrela entorno da qual giram a Terra e os outros planetas do sistema solar,
e que comparada a outras, é relativamente pequena e de brilho fraco, parecendo
maior e mais brilhante por se encontrar mais perto. Sua luz leva oito minutos e
meio para atingir a Terra, ao passo de que a segunda estrela mais próxima de
nosso planeta (próxima do centauro) o faz em três anos e quatro meses.
O Sol, fonte de toda vida na Terra, sempre foi adorado de forma bem distinta,
desde os tempos mais remotos da Humanidade. Já os selvagens da idade da Pedra
tinham os conhecimentos astronômicos, necessários para orientar seus toscos
Monumentos de Pedra.
As representações do Sol são frequentes nas obras de arte e obras religiosasde
toda a antiguidade. O Sol é o símbolo da luz, da inteligência, da origem, do prin-
cípio ativo, enquanto a Lua representa o princípio negativo, é o feminino, a pas-
sividade, a imaginação.

Lua – Satélite da terra e que, primitivamente, fazia parte do mesmo bloco, a


Lua exerce uma grande influência sobre os líquidos e sobre a fisiologia dos seres
vivos. O seu nome vem do latim Luna.
Mackey nos diz: “A adoção da Lua no sistema maçônico é por analogia, mas
pode ser apenas por derivar este símbolo das antigas religiões. No Egito, Osiris
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era o sol e Isis a Lua; na Síria Adonis era o Sol e Astarot a Lua; os gregos a ado-
ravam como Diana e Hecate; nos mistérios de Ceres, enquanto o hierofante ou
Sumo Sacerdote representava o Criador, e o portador de archote o Sol, o epibó-
mios ou o oficial mais próximo do altar, representava a Lua. Em suma, o culto da
Lua era bastante difundido, tanto quanto o do Sol”.
Os Maçons mantém a sua imagem em seus ritos, porque a Loja é uma represen-
tação do Universo, onde, como o Sol governa durante o dia, a Lua preside duran-
te a noite; como um regula o ano, assim faz a outra com os meses ( Um mês lunar
compreende 27 dias, 7 horas, 43’ 15’’ e5’’’), e como o primeiro é o rei do exerci-
to estelar, esta ultima é a rainha; ambos, porem, recebem o calor, a luz e a potên-
cia dele, que como a terceira e maior Luz o senhor do céu e da terra controla a
ambos.
A Lua simboliza o principio feminino, aquoso, frio e úmido, o úmido radical ou
Mercúrio dos hermetistas, a imaginação, a sensibilidade. Em Astrologia, ela cor-
responde as funções as mais materiais, á “substancialidade” ao povo (Rhéa).
Por outro lado, a Lua simboliza a constância, a regularidade, a afeição, a obedi-
ência, a evolução, e a luz moral.
A sua representação constitui, na Maçonaria, um dos Símbolos de origem her-
mética; as duas colunas, o Sol e a Lua eram para os hermetistas que os introduzi-
ram no simbolismo maçônico, a imagem dos dois sexos.

5 – O Templo de Salomão
Não se conhece o lugar exato onde foi construído o Templo, visto que dele não
sobrou qualquer vestígio, sabe-se que ele foi construído no Monte Moriah apenas.
Foi terminado em 1012 a. C. e dedicado em 1004.
A construção do Templo em Jerusalém deve ter sido um acontecimento dos
mais significativos e, até em nossos dias, não deixaria de se construir um fato fora
do comum, já que nessa construção estiveram empenhados dois Reis: Salomão rei
de Israel e Hiram rei de Tyro. Este nasceu em 1063 a. C. e morreu em 985 a. C..
A turbulenta história dos judeus explica por que não fora ainda construído
qualquer templo em honra a seu Yahvej (Jeová) até que Salomão o fizesse.
Conta a Bíblia em Crônicas que David já se dispusera a erigir um Templo, mas,
que Deus lhe enviara uma mensagem através do profeta Nathan avisando-o de
que não era ele David, mas sim, seu filho Salomão que havia sido escolhido para
essa tarefa.
Não dispondo de mão de obra especializada e nem de material necessário.
Salomão recorre ao seu aliado e amigo rei de Tyro que logo concordou, mas,
mediante pesado tributo como bom comerciante que era. Assim Salomão entrega-
ria 20.000 medidas de farinha, 20.000 medidas de cevada, 20.000 medidas de óleo
e 20.000 medidas de vinho, alem de outras especiarias. E, ao final, entregou
Salomão a Hiram 20 cidades da Galilea. Ao tomar posse dessas cidades, Hiram as
encontrou em tão lastimável estado que protestou, assim, aprendemos não só na
Bíblia, mas, no Ritual do 6º grau do Rito escocês.
Hiram enviou também a Salomão um artífice em metais, filho de uma viúva de
nacionalidade judia que havia esposado um homem de Tyro. Este filho da viúva,
famoso por sua competência em trabalhar com metais era Hiram Abif, estreita-
mente ligado a nossa liturgia maçônica.
A madeira cortada no Líbano foi transportada em balsas até Joppa que atual-
mente, se chama Gaffa. Joppa era um porto que distava cerca de 45 kilometros de
Jerusalém.
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A construção do Templo começou no segundo dia do segundo mês do quarto


ano de reinado de Salomão. Embora não se tenha noção do local exato onde fora
construído, especula-se que ele tenha sido construído no local onde hoje se encon-
tra a mesquita muçulmana El-Haram-Ash-Sharif.
A planta do Templo foi copiada do Egito pelos Fenícios. A Babilônia e a Assíria
inspiraram a decoração interna.
Se dermos credito ao Velho Testamento, veremos que o Templo era ricamente
ornamentado e todo revestido de ouro. Pedras preciosas foram incrustadas aqui e
ali. Os tetos, as portas e colunas eram de cedro e de madeira de oliveiras. Todos
os vasos e recipientes eram de ouro maciço. A construção demorou 7 anos.

6 – Painel
Segundo diversos Dicionários Enciclopédico chama-se painel a um quadro de
pano, oleado, etc., no qual são pintadas, gravadas ou bordadas, etc., as figuras que
servem para a instrução maçônica, e que é exposto depois de aberta a sessão e
fechado os trabalhos.Os ingleses chamam-no de “Tracing Board”, isto é, “Taboa
de Delinear”, reminiscência da Maçonaria Operativa simbolizando a “prancheta”
sobre a qual o “Mestre traçava linhas e delineava desenhos”.
Nas Lojas primitivas, o Cobridor desenhava sobre o soalho do local da reunião
um paralelograma e dentro dele alguns símbolos maçônicos, que, depois da ini-
ciação, o candidato devia apagar com balde e esfregão. Posteriormente, algumas
Lojas aboliram este método, adotando objetos de metal, representando dos símbo-
los, que colocavam no soalho e sobre os quais eram feitas as instruções simbólicas
e morais.
Pelos fins do século XVIII, apareceu um desenvolvimento dos sistemas anterio-
res, juntando-se os símbolos sobre um tapete, geralmente montado em rolos sobre
os quais eram enrolados. Muitos destes tapetes continham os símbolos dos três
graus, outros os dos dois, outro os dos três sgraus separadamente.
Finalmente, o pintor John Harris, em 1820, desenhou os painéis geralmente
adotados pelas Lojas. Nunca houve qualquer regulamentação a respeito de tais
desenhos e por isso existem variações, todas, porém, baseadas no simbolismo
original.
Todavia, em nossos dias, o Templo reproduz, em grande parte, os símbolos
antigamente desenhados no painel, e é por isto, segundo alegam, que os franceses
o aboliram, ao passo que ainda é mantido pelos ingleses. No entanto, o Rito
Schroeder continua utilizando o tapete pintado, desenrolado no centro da Loja.

7 – Abobada Celeste
É costume ser o teto do templo decorado com a pintura ou representação do céu
(obedecendo o estabelecido pelo rito praticado). Chama-se, por isso, o teto do
Templo de “abóbodceleste”. Entretanto hoje em dia está sendo abandonada essa
tradição e o teto do Templo está sendo pintado apenas em azul liso. Isto porque, a
pintura, no teto, de todo o planisfério celeste, resultaria difícil dispendiosa e, além
disso, se formos pintar nesse teto, o modelo tradicional oriundo da Maçonaria euro-
peia, teríamos as estrelas e constelações tal como se apresentam na Europa, de onde
procede a Instituição, e não como se apresentam a nós, neste lado do mundo.

8 – Colunas
Como se sabe, Pilar ou (coluna) é um elemento de construção abóboda ou enta-
blamento, ou que serve de adorno, podendo também, cumprir ambas às funções.
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A ideia primitiva foi o emprego de colunas como suportes de telhados, uma ideia
que derivou da árvore. Assim, eram a principio, bastante simples e, como tal,
podem ser encontradas na história de todos os povos. Com o tempo, foram pas-
sando a ser construídas de modo a também servirem de adorno. Assim é que, no
Egito, eram simples monólitos, ao passo que no Império Romano, chegaram ao
maximo em luxo. Era também generalizado, na antiguidade, o costume de se
erigirem colunas, como marco de grandes acontecimentos ou como reconheci-
mento aos Deuses.
Desconhecendo a lei da gravidade e não podendo imaginar como a terra era
“sustentada”, os antigos – que a imaginavam Plana – pensavam que fosse susten-
tada por colunas (ou por elefantes enormes).
As colunas se compõe e três parte: Base (pedestal). Corpo (fuste) e Capitel.
Fazem parte do Templo Maçônico, além das já mencionadas, as colunas Jônica,
Dórica e Coríntia.
Em Maçonaria a palavra “coluna” pode ter três significados:

1. Colunas B e J. São as duas colunas que existem a entrada do templo.


2. Colunas Jônica, Dórica e Coríntia. As três colunas gregas de grande signi-
ficado simbólico. Deveriam ser, mais propriamente chamadas de “Pilares”,
não deixam de ser colunas, assim podem ser denominadas.
3. Colunas (Colunetas) do Norte e do Sul (ou do Meio– Dia). Referem-se às
alas (e por tanto, colunas) onde tomam lugar os Irmãos. Estão diretamente
relacionados às colunas J e B, como também aos irmãos 1º e 2º Vigilantes
respectivamente.

Jônica – Coluna esbelta e elegante. Sua altura é igual a nove vezes o seu diâ-
metro de base. Tem o fuste assentado sobre um pedestal e apresentando 24 estrias
(também chamadas caneluras, cracas ou meias-canas) separadas por um filete e
não por uma aresta viva, como na Dórica seu capitel é caracterizado por uma
dupla espiral ou voluta.

Dórica – É a ordem por excelência a que os gregos empregavam na maior parte


dos seus monumentos e da qual se originaram as outras duas ordens. O Pilar Dórico
é o mais simples dos três. Tem forma troncônica, baixa e grossa. Sua altura mede de
seis a oito vezes o seu diâmetro de base. Sua principal característica é não ter pedes-
tal, sendo por tanto, o seu fuste, diretamente inserido no solo. O contorno é vazado
por 20 caneluras, formando arestas vivas. O Capitel pouco elevado, é composto de
uma grande moldura em forma de taça. O pilar Dórico é vivo, robusto e viril, tendo
nas proporções a ideia da força do corpo de um homem.

Coríntia – Tem as formas mais graciosas do que o Pilar Jônico e as proporções


delicadas, lembrando a mulher. Sua altura é igual a 10 vezes o seu diâmetro de
base. O Fuste pode ser liso ou estriado; quando feitas de granito ou pórfiro, são,
em geral, lisas e, em mármore são caneladas, caso em que apresentam de 20 a 32
caneluras (esse numero deve sempre ser divisível por 4).

Coluna B e J – Na Bíblia onde se encontra descrições do templo de Salomão


(representado nos templos Maçônicos atuais) e, conseguintemente das colunas de
bronze que existiam, na frente e do lado de fora daquele templo, uma de cada lado
da entrada. A razão porque as Colunas situavam-se fora do Templo, nos leva
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levantar, de imediato, duas hipóteses da razão de ficarem do lado de fora: Porque


que tivessem o caráter de monumentos, como são, por exemplo, os atuais obelis-
cos; ou porque fossem sagradas e se destinassem a cerimônias especiais.
Nos Templos Maçônicos as Colunas B e J ficam dentro por questão das adapta-
ções por que tiveram que passar os templos atuais. Lembremo-nos de que os
Templos Maçônicos tem como modelo, e procuram representar o Templo de
Salomão, A rigor; o Ocidente está demarcado pelas colunas B e J, às quais sepa-
ram, simbolicamente, o Templo do mundo profano.
A disposição das colunas B e J no Rito Escocês Antigo e Aceito para quem vê
o Templo, de Ocidente para Oriente, tem a coluna B a sua direita e a coluna J a
sua esquerda, porém, antigamente suas posições eram ao contrário a B à esquerda
e a J. direita. Atualmente ainda muitas Lojas possuem seus Templos na disposição
antiga, inclusive com a posição dos Vigilantes do lado de suas Colunas. Com a
troca das Colunas, houve a modificação no comando dos Vigilantes, ficou o 1º
Vigilante com os Aprendizes e o 2º Vigilante com os Companheiros. Os países da
America do Sul de língua espanhola, também fizeram a troca das Colunas, porém
os Vigilantes tem o comando da Coluna oposta; assim quando o 2º Vigilante pede
para os irmãos de sua Coluna ficar “De pé e a Ordem” quem se levanta são os
irmãos da Coluna do Sul, que fica do lado oposto.

Coluna B – São vários os significados e interpretações a respeito das Colunas


B, cujo significado constam no Ritual do Grau de Aprendiz, para simplificar, o
aprendiz deve saber que a palavra que dá nome a coluna B, quer dizer beleza e
alegria.

Coluna J – Tem vários significados especificados no Ritual – Colunas onde tem


acento o irmão 1º Vigilante, os Aprendizes, o 2º Diácono e vários Oficiais.

9 – Origem das Colunetas dos Vigilantes


Trazidos para a Maçonaria, os três pilares gregos passaram a constituir mais um
símbolo maçônico. Entretanto, o simbolismo que se lês atribuiu, a princípio,
desenvolveu-se cada vez mais, ocupando, atualmente, lugar importante. Esse
simbolismo não era encontrado entre os Gnósticos e não era familiar aos Rosa-
cruzes. Também parece que não existia na Maçonaria operativa, embora Mackey
acredite ser provável que se tenha originado dela. No século XVIII em certas
Lojas inglesas, existiam apenas as duas colunas B e J. Em outras Lojas antigas,
havia também as outras três colunas; em outras, três candelabros e, ainda em
outras, os três pilares eram ao mesmo tempo, os próprios candelabros e esses
candelabros eram colocados ao lado dos altares do Venerável e dos Vigilantes,
representando Sabedoria, Força e Beleza. Conforme se depreende dos antigos
rituais maçônicos, os três candelabros foram associados às três ordens arquitetô-
nicas: Jônica, Dórica e Coríntia, que constavam, nesses rituais, como os sustentá-
culos das Lojas Maçônicas. Mas alem de se constituírem, respectivamente, nos
emblemas do Venerável, do 1º e do 2º Vigilante, e simbolizarem os respectivos
atributos – Sabedoria, Força e Beleza, essas três ordens arquitetônicas represen-
tam, também, o Rei Salomão (que mandou construir o Templo), Hiran, Rei de Tiro
(que forneceu homens e materiais) e Hiran Abif (que construiu, adornou e embe-
lezou o Templo). O simbolismo se enriquece com todos os elementos que possam
ter relação natural com o símbolo, ou dos quais possa depreender-se uma signifi-
cação moral. Como o simbolismo decorre de interpretações, e por que as interpre-
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tações são as mais variadas, há quem atribua às ordens arquitetônicas, significa-


dos vários ou diferentes.
Entretanto a regra geral é: Jônica, representa a Sabedoria, atribuída ao
Venerável. Dórica, representa a Força, atribuída ao 1º Vigilante. Coríntia, repre-
senta a Beleza, atribuída ao 2º Vigilante. Existem Lojas que, para representar
esses três atributos, têm, sobre o altar do Venerável, do 1º Vigilante e do 2º
Vigilante respectivamente, estatuetas dos Deuses da Mitologia Grega: Minerva,
Hercules e Vênus (ou Adônis). – Como se vê o simbolismo não tem nem pode ter
regras fixas, e inalteráveis.
No século XVII, era comum a existência do respectivo pilar, diante, ao lado ou
atrás das cadeiras do Venerável, do 1º e do 2º Vigilante, e ainda há Lojas que
perpetuam essa tradição. Na Maçonaria Anglo-saxônica, esses pilares figuram em
miniatura sobre os altares do Venerável e dos Vigilantes. Na abertura dos traba-
lhos, o 1º Vigilante levanta a sua miniatura, em quanto o 2º Vigilante abaixa a sua;
o inverso acontece, no encerramento da Loja. Segundo afirma Joules boucher, a
colocação das miniaturas, daquela maneira, na abertura da Loja, indica a supre-
macia de um principio sobre o outro, durante os trabalhos, o revela como expres-
sam nossos rituais, que os trabalhos tomam força e vigor.
O Simbolismo dos três pilares formou-se, portanto, e desenvolveu-se, da
seguinte maneira:

1. A colocação das três janelas no Painel Simbólico da Loja, indicando as três


posições do Sol, durante o dia, no seu decurso pelo firmamento, ou seja,
nascente, meio-dia e ocaso. Essas posições foram ocupadas pelas três luzes;
Essas três luzes foram simbolizadas por três candelabros situados ao lado de
cada um dos três primeiros homens da Loja, isto é, Venerável e Vigilantes;
2. Os candelabros foram, posteriormente, associados as três ordens arquitetô-
nicas, vindo delas as denominações de Sabedoria, Força e Beleza;
3. Essas designações foram, em seguida, associadas com o Rei Salomão,
Hiran (rei de Tiro) e Hiran Abif e, também, partindo de outra ordem de
ideias, com Minerva, Hércules e Vênus (ou Adônis).

A Sabedoria é a mãe das ideias geradoras. É a inteligência que concebe o pro-


jeto de edifício, representando com clareza a obra, conforme deve ser realizada.
Cria, no espírito, e determinam às formas materiais destinadas a realização obje-
tiva e, finalmente, traça o plano que finalmente será executado.
A Força é a fiel servidora da ideia que a dirige. Terminado o modelo invisível,
a Força executa as concepções elaboradas, domando às energias rebeldes, Más
para que a construção possa ser terminada satisfatoriamente, é indispensável que
a Força obedeça docilmente as instruções da Sabedoria, para que o trabalho resul-
te coordenado, prático e sólido.
A Beleza encarrega-se de tornar agradável, adornar e rematar o trabalho execu-
tado. É ela a idealidade, que embeleza a vida e faz amar, apesar de misérias e
crueldades. Essas interpretações são de Oswald Wirth.
Para Plantagenet, a Beleza é a luz que fecunda; Sabedoria afasta a Força da
violência, fazendo crescer na alma humana, o Amor, a Paz e a Fraternidade.
Heming, escreveu no seu livro de instruções (adotado em 1813 pela Grande
Loja unida de Inglaterra): Sabedoria para dirigirmos em todos os empreendimen-
tos, Força para sustentarmo-nos em todas as dificuldades, e Beleza para adornar
o homem interior.
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Deve existir um quarto pilar, no canto nordeste, (Charlier) más esse pilar é vir-
tual e não material, como podem ser os outros três. Esse quarto pilar é o da inteli-
gência Suprema, por isso não aparece, nem pode ser materialmente representado.

Coluna Jônica – A Jônica: é esbelta e elegante. Sua altura é igual a nove vezes
a seu diâmetro de base. Tem o fuste assentado sobre um pedestal e apresentando
24 estrias (também chamadas caneluras, cracas ou meia canas) separadas por um
filete e não por uma aresta viva, como na Dórica. Seu capital é caracterizado por
uma dupla espiral ou voluta.

Dórica – A Dórica é a ordem por excelência; a que os gregos empregavam na


maior parte dos seus monumentos e da qual se originaram as outras duas ordens.
O pilar Dórico é o mais simples dos três. Tem forma troncônica, baixa e grossa.
Sua altura mede de seis a oito vezes o seu diâmetro de base. Sua principal carac-
terística é não ter pedestal, sendo por tanto, o seu fuste, diretamente inserido no
solo. O contorno é vazado por 20 caneluras, formando arestas vivas. O capitel,
pouco elevado, é composto por uma grande moldura em forma de taça. O Pilar
Dórico é vivo, robusto e viril, tendo nas proporções a ideia da força do corpo de
um homem.

Coríntia – A Coríntia tem às formas mais graciosas do que a coluna Jônica, e


ás proporções delicadas, lembrando a mulher. Sua altura é igual a 10 vezes o seu
diâmetro de base. O fuste pode ser liso ou estriado; quando feitas de granito ou
pórfiro, são em geral, lisas e quando em mármore, são caneladas, caso em que
apresentam de 20 a 32 caneluras (esse número deve sempre ser divisível por 4).

10 – Adornos do Próprio Maçom


Fazem parte do ornamento do Templo o próprio Maçom, isto é, as Alfaias
Maçônicas: o Avental, a Faixa e as Joias do Grau ou do cargo que exerce.. Seu uso
é obrigatório nas Sessões Magnas, porém o Avental, tendo caráter de vestimenta,
é indispensável em todas as Sessões, salvo nos altos Graus em que seja regular-
mente substituído por outra insígnia. Além, destes, existem os adornos fixos que
fazem parte do próprio Templo e que caracteriza a Loja de Aprendiz, todos com
suas simbologia e representação própria.

11 – Fraternidade Maçônica
No Templo está representada toda Simbologia da Fraternidade Maçônica e a
União dos Maçons. Segundo Plantagenet, a Corda de 81 Nós tem relação direta
com o Pavimento Mosáico, a Orla Dentada, a Cadeia de União e as Romãs. Cada
um desses símbolos relembra que todos os Maçons espalhados pela superfície do
globo formam entre si uma única família de Irmãos. A Corda de 81 Nós é, portan-
to, o emblema simbólico da União e da Fraternidade Maçônica.
O Piso do Templo no Oriente é construído com materiais diversos: de madeira,
granito, mármore, forração, carpete ou tapete, incluindo a escada do acesso ao
Oriente.e da cor escolhido pelos Irmão.
No Ocidente apresenta o piso de dois tipos; o mais usado é tomado por inteiro
pelo Pavimento de Mosáico, rodeando a beira da parede e limitando o pavimento
existe a Orla Dentada, também chamada “Muralha Protetore”, é formada por tri-
ângulos, lado a lado, em uma fileira contínua, que contorna todo o Pavimento
Mosáico. É chamada “Orla dentada” porque esses triângulos em tal arranjo lem-
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bram uma fileira de dentes ponteagudos. Contornando todo o Pavimento Mosáico,


a Orla Dentada dá o sentido de união e proteção e, sendo de aspecto radiante, aos
Maçons, que devem espalhar os princípios de harmonia universal, pelo mundo
inteiro.

12 – Corda de 81 Nós
É a corda colocada na friza das paredes do Templo, que apresenta, de distancia
em distancia, nós emblemáticos, em numero total de 81 que são chamados “laços
de Amor” e primitivamente, estas cordas eram desenhadas no pequeno paralelo-
gramo, traçado no chão, com giz ou carvão, que constituía então o Painel da Loja
e que, posteriormente, foi substituído pelo “tapete”.
A corda sempre foi um grande instrumento nas antigas construções (como tam-
bém o é nas modernas). Serviu para arrastar pedras por planos inclinados, para
construir as Pirâmides e para inúmeros outros trabalhos, incluindo-se os da nave-
gação.
A corda de 81 nós percorre sem interrupção, as paredes do Templo, terminando,
de cada lado da porta do Ocidente, por uma borda pendente. Duas outras borlas
(estas artificiais), são colocadas no Ocidente de modo que, ao todo são quatro
borlas duas (reais) no Ocidente e duas (artificiais) no Oriente. A razão disso é que
as borlas devem representar as quatro virtudes cardiais: Temperança, Justiça,
Coragem e Prudência.
Á coragem e a Temperança devem corresponder às borlas situadas no Ocidente;
a Justiça e a Prudência são representadas pelas borlas do Oriente, devendo a
Justiça ser aquela que fica ao lado do Orador.

13 – Pavimento de Mosáico
O pavimento Mosáico é feito de ladrilhos brancos e pretos, colocados alterna-
damente em diagonal (Rito Escocês Antigo e Aceito) ou como num tabuleiro de
xadrez (Rito Moderno). Os Ladrilhos brancos e pretos representam o contraste; o
sim e o não; o ser e o não ser; a tese e a antítese.
A palavra “mosáico”, aqui, não se deriva como se poderia crer, de Moises mas,
sim, da palavra do latim medieval “Mosaicum”, antigo “musivam” derivada do
grego “Mouseios”.que significa “pertencente as musas” ou simplesmente, “artís-
tico” a cercadura de que falamos tem o nome de “Orla dentada”, que é uma cor-
ruptela de “borla dentada”, conforme verificaremos adiante.
A Maçonaria é uma escola de harmonização, no fundamento de que a melhor
síntese é a conciliação, a união dos opostos. Além disso, o contraste entre o branco
e o preto, sugere a diversidade que existe, tanto nos seres animados como inanima-
dos; diversidade que existe tanto na natureza como no mundo das ideias; a hetero-
geneidade entre os seres humanos, em raça, cor, religião, opiniões etc., porém se
Maçons, sempre ligados entre si pelo cimento: Tolerância e benevolência.
A disposição desses ladrilhos, alternados, define líneas retas que servem para
regular os passos dos irmãos. Assim o iniciado livre das misérias profana, é posto
a pisar sobre pedras lavradas e a andar com passos dirigidos e firmes, pois, reto é
o passo do Aprendiz e reto é o seu caminho.
A rigor o Pavimento Mosáico é o assoalho do Templo, devendo extender-se por
todo o quadrilongo, abrangendo, inclusive, o Oriente, isto porque, em Loja cober-
ta, não se dão passos perdidos. A evolução do simbolismo Pavimento Mosáico,
permitiu, com o tempo, que ele fosse reduzido às dimensões de uma pequena
prancha que é colocada no Ocidente no centro do piso do Ocidente, tendo no
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centro o altar dos Juramentos. Neste caso o restante do piso, não coberto pelo
Pavimento de Mosáico, tem a mesma característica do Oriente.
No Ritual de Aprendiz o pavimento de Mosáico, apresenta o seguinte: “com
seus quadrados brancos e pretos, nos mostra que, apesar da diversidade e do anta-
gonismo e todas as coisas da natureza, em tudo reside a mais perfeita harmonia.
Isso nos serve de lição para que não olhemos as diversidades de cores e de raças
e o antagonismo das religiões e dos princípios que seguem os diferentes povos,
senão é apenas, como uma exterioridade de manifestação, pois toda a humanidade
foi criada para viver na mais perfeita harmonia e na mais intima fraternidade”.
Poderemos, ainda, aduzir outras considerações: Os ladrilhos brancos e pretos
simbolizam os seres animados ou espírito e matéria, a vida e a forma, a polarida-
de positiva e negativa da natureza, a dualidade do bem e o mal. Desta forma, o
pavimento de Mosáicos lembra-nos a onipotência da vida. Ele representa a possi-
bilidade de harmonia,em se tratando de coisas antagônicas. Lembra ainda, o
mundo com suas dificuldades e consequentes contrastes, cujos caminhos percor-
remos com intermitências de sombra e de luz, de alegria e de tristeza de felicida-
de e de desdita. Representa o Pavimento de Mosáico a dualidade dos contrários
expressam o simbolismo do numero dois, que é objeto de estudo especial em “O
Simbolismo dos números na Maçonaria”, do mesmo autor, e desta mesma editora.
O Pavimento de Mosáico quando representado na Loja por um retângulo cen-
tral, tendo no centro o Altar dos Juramentos com três candelabros e sobre ele o
Livro Sagrado, o Esquadro e o Compasso, sempre foi objeto do mais profundo
respeito entre os Maçons que nele não podem pisar senão se não quando há estri-
ta necessidade de fazê-lo, por exemplo na abertura e fechamento do Livro
Sagrado pelo Orador e os irmãos que lhe acompanham e que formão o Palio e
quando há necessidade de prestar os juramentos.
O Dicionário de Maçonaria de J. G. Figueiredo nos informa que: “Ao penetrar
ou movimentar-se na Loja nenhum Maçom deve pisar no Pavimento de Mosáico
em que se ergue o altar, e sim, ladeá-lo ou circunvagá-lo sempre com o ombro
direito voltado para o altar em respeito às forças magnéticas ou secretas que se
concentram e acumulam naquele local”. Esta claro que, neste caso, o piso do
Templo não esta todo revestido com o Pavimento de Mosáicos.
Existe Lojas que consideram o Pavimento de Mosáico sagrado, simbolizando o
Tabernaculo ou Sancto-Santorium, que abrigava a Arca da Aliança.
O saudoso Irmão José Castellani, em sua “Cartilha do Aprendiz”, nos fornece
autentica discrição sobre o Tabernáculo, a seguir transcrito:

“O Tabernáculo (Tenda – Suka em hebráico), era o santuário (Mishkan) portátil


armado pelos hebreus, para o serviço religioso, durante o êxodo, que os levou do
Egito a Palestina. De acordo com a lenda bíblica, Moises teria recebido, no monte
Horeb, no Sinai, as instruções para armar um templo portátil para a guarda da lei
(o Testemunho, o Decálogo), o qual deveria acompanhar o povo durante os seus
deslocamentos.
Ele ficava numa praça, delimitada no deserto, a qual media cem côvados
(49,5m) de comprimento, cinquenta de largura (24,75m) de largura e era cercada
por uma cortina, sustentada por 60 postes e só interrompida no lado oriental, por
onde nela se entrava. A tenda estava no lado oposto ao da entrada e tinha 15
metros de comprimento por 5 de largura e 5 de altura, armada sobre um estrado
de madeira formada por quatro tendas sobrepostas, simbolizando os quatro ele-
mentos da antiguidade: ar, água, fogo e terra.
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Dividida a tenda em duas partes, a maior tinha 10 metros de comprimento,


enquanto a que a menor era um cubo de 5 metros de aresta. A tenda maior e anterior
era o Santo (em hebráico Kodesh) e continha, logo à entrada, uma mesa para a
queima de resinas aromáticas (Altar dos Perfumes); ao Norte, ou a direita de quem
entrava, uma mesa com 12 pães ázimos (em hebráico: Matzot), simbolizando, no
plano físico, as 12 tribos de Israel e, no plano místico, os 12 signos do zoodico; e,
ao sul, ou a esquerda de quem entrava, um candelabro de sete braços (em hebráico:
Menora), simbolizando a luz dos 7 “planetas” (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Júpiter
e Saturno) conhecidos na ambiguidade. A tenda menor, que era o Santo dos Santos
(em hebráico: Kodesh há Kodashim), era considerado o lugar mais sagrado, pois
representava a habitação terrena de Deus; nele encontrava-se a Arca da Aliança
com o Decálogo, a urna do maná e a vara de Aarão e a ele só tinha acesso o Sumo
Sacerdote (em hebráico: Cohen Gadol), no Dia do Perdão ou da Expiação (em
hebráico Iom Kipur), que ocorre dez dias após o inicio do ano civil hebráico (em
hebráico: Rosh Hashana, que, litralmente significa “cabeça do ano”).
No centro da praça entre a entrada e as tendas, havia a mesa onde eram celebra-
dos os sacrifícios do culto (mesa, ou Altar dos Holocaustos) e, mais junto a tenda,
a bacia de bronze, com água para purificação das mãos sacerdotais”.

A Arca da Aliança, também conhecida como a “Arca do Senhor” foi construída


no deserto de Sinai e continha as Tâbuas da Lei, um vaso com maná e a vara de
Aarão. O seu desenho, ornamentos e dimensões foram dadas por Deus a Moyses.
A Arca foi tomada primeiro pelos Filisteus mas, tiveram que devolve-la indo para
a casa de Abinabaad onde permaneceu por 70 anos até que David alevasse para
Jerusalém e em seguida para o Templo por Salomão. Presume-se que os Caldeus,
quando conquistaram Israel a tenham destruído para se apoderarem do ouro de
que era revestida.
A muitas versões e lendas sobre os misteriosos poderes da Arca (nuvem que se
espalhou no Sancto-Santorium que ali foi depositada e que perturbou todos os
presentes, ofuscando-os). A morte do sacerdote dos Filisteus que dela se aproxi-
mou e que determinou sua devolução a Jerusalém, etc. etc.

Orla Dentada – A “Orla Dentada e formada de ladrilhos brancos e pretos colo-


cados alternadamente e cerrado, em seus quatro cantos, por ladrilhos triangulares
cujas bases se voltam para os lados do retângulo, todos eles de cor branca forman-
do “dentes” como os de uma serra. Nos entre dentes, os triângulos são pretos e
com sua base voltada para a periferia, O Ritual de Aprendiz, assim se expressa o
Ritual: “mostra-nos o princípio da atração universal, simbolizada no amor”.
Representa, com seus múltiplos dentes, os planetas que gravitam em torno do Sol;
os povos reunidos em torno de um chefe; os filhos reunidos em volta dos pais, os
Maçons unidos e reunidos no seio da Loja cujos ensinamentos e cuja Moral apren-
dem, para espalhá-la nos quatro ventos em Orbe”.
A Orla Dentada nos primeiros Templos, após a fundação da Grande Loja de
Londres, era formada por uma corda que circundavam o Pavimento Mosáico e que
era ornamentada nos quatro cantos com borlas, derivando daí o nome de “borla” e
posteriormente com o surgimento dos dentes dos triângulos, passou a denominação
“Orla Dentada”. Sua apresentação simbólica e expressa no Ritual, acima mencio-
nado, podemos, ainda, mencionar a muralha formada pelos adeptos que são espíri-
tos que atingiram à perfeição e que se dispõem em torno dos homens com a fina-
lidade de proteger a Humanidade. Simboliza mais as virtude da Temperança,
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Fortaleza, Prudência e Justiça; os quatro elementos dos antigos: água, terra, fogo e
ar e, também, os quatro dirigentes que governam estes elementos.

14 – Romãs
As romãs representam às Lojas, pela afinidade de seus grãos, e a união de toda
a família maçônica, como o exemplo de Fraternidade que deve servir para toda a
humanidade.
Pela divisão interna, mostram os bens produzidos pela influência das estações
representam as Lojas e os Maçons espalhados pela superfície da terra. Suas
sementes, intimamente unidas, nos lembram da Fraternidade e a União que devem
existir entre os homens.
No Ritual de Aprendiz, a quarta e a sexta instrução instrução, assim se referem
a romã:
1ª Instrução “As romãs são símbolo equivalente ao feixe de Esopo: milhares de
sementes contidas no mesmo fruto, num mesmo germe, numa substância, num
mesmo invólucro, imagem do povo maçônico, que por mais multiplicado que
seja, constituiu, constitui e sempre constituirá uma e a mesma família. Assim, a
romã é o símbolo da harmonia social, porque só como as sementes, apoiadas umas
às outras, é que o fruto toma sua verdadeira forma”.
6ª Instrução “As romãs, pela divisão interna, mostram os bens produzidos pela
influência das estações; representam as Lojas e os Maçons espalhados pela super-
fície da Terra. Suas sementes, intimamente unidas, nos lembram a fraternidade e
a união que devem existir entre os homens.

15 – Cadeia de União
É feita após terminados os trabalhos, para a comunicação da palavra semestral,
ou visando a outros objetivos (o Aprendiz aprenderá à respeito em Loja). Deve ser
realizada com a presença de, pelo menos, sete irmãos.
Uma cadeia da União é formada da seguinte maneira: Os irmãos formam uma
cadeia circular ou (elíptica) no centro do Templo, ficando o Venerável no ponto
mais oriental e o Mestre de Cerimônias, ao outro lado, no ponto mais Ocidental do
circulo. O venerável terá, à sua direita o 1º vigilante, seguido pelo Orador, e a sua
esquerda o 2º vigilante seguido pelo Secretário. Os demais irmãos estarão forman-
do os dois semicírculos, até o Mestre de Cerimônias. Todos os irmãos cruzam os
braços sobre a base do tronco, o direito sobre o esquerdo, e dão-se as mãos.
A Cadeia de União tem sua origem nos Canteiros medievais. A Cadeia de
União, nos principais Ritos é formada, exclusivamente, para a transmissão da
Palavra Semestral que, como penhor de regularidade e de frequência, é enviada
pelo Grão-Mestrado, a cada seis meses, às Lojas, somente o Venerável toma
conhecimento transmitindo-a aos obreiros na cadeia.

16 – Colunas Zodiacais
Denomina-se Zodíaco a faixa da esfera celeste pela qual se move o Sol, a Lua
e os planetas. É formado por 12 constelações, localizadas no topo das colunas
ornamentais localizadas junto as paredes do Ocidente, seis de cada lado; na
Coluna Norte, corresponde a Aires, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem; na
Coluna Sul correspondem a Balança, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário
e Peixes.
A linha central do zodíaco é a eclíptica, trajetória do Sol em seu movimento
anual aparente em torno da Terra. O zodíaco estende-se até 8º, para cada lado
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desta linha, e cada constelação zodiacal corresponde a 30º contados sobre ela. A
eclíptica é inclinada em relação ao equador celeste; o ângulo desta inclinação, que
representa a chamada obliquidade da eclíptica, varia com o tempo.

17 – Equinócio e Solstício
Para conhecimento do que se compreende por Solstícios, transcrevemos tradu-
ção de trecho apresentado pela “Enciclopédia Britânica”:

“Translação Aparente. O Sol apresenta um movimento de translação aparente


ao redor da Terra. Este movimento, anual e em sentido direto, é em sentido direto,
é consequência do movimento real de translação da Terra em torno do Sol. A
proporção que a Terra se desloca em sua orbita ao redor do Sol, este, por um
fenômeno de perspectiva, Parece deslocar-se ao longo da eclíptica através das
constelações do zodíaco.
É este movimento que da origem as estações do ano. Como a eclíptica é incli-
nada de 23º27’ sobre o plano do equador celeste, o sol em seu movimento ao
longo da eclíptica, passa pelo equador duas vezes ao ano; a primeira em março e
a segunda em setembro. A 21 de março de cada ano, dirigindo-se do hemisfério
celeste sul para hemisfério celeste norte o Sol corta o equador celeste e, ao passar
pelo ponto gama, forma o equinócio do outono para o hemisfério sul da terra. A
partir de 21 de março, o Sol se afasta do ponto gama. Sua ascensão reta aumenta
e, no dia 22 ou 23 de junho atinge 6 horas, momento em que ocorre o solstício de
inverno. No dia 21, 22 ou 23 de setembro, o Sol cruza de novo o equador celeste,
Sua ascensão reta é 12 horas. É o equinócio da primavera. A partir do ponto libra,
o Sol se afasta do equador ate atingir a inclinação de – 23º 27’ e a ascensão reta
de 18 horas: é o solstício de verão, que, para o hemisfério sul da terra, ocorre nos
dias 21, 22 ou23 de dezembro. No dia 21 de março do ano seguinte, o Sol volta a
passar pelo ponto gama, tendo percorrido então toda a eclíptica em 365, 2422
dias, ou seja, um ano trópico.“

O Solstício esotérico espiritual – No Egito o Sol era o Símbolo divino por


excelência e sua luz era considerada como a manifestação visível e material de
Deus Osíris que é chamado alma do Sol, a luz solar era considerado o corpo, quer
dizer a manifestação sensível da divindade. Era personificado de um modo geral
pelo deus RA, o sol nascente por horus e o sol poente por Tum.
E por isso que o Sol símbolo eloquente em nosso Templo constitui um centro
poderoso de atração em todo o qual gira todo nosso sistema de moralidade, de
ideias, ações e de obras concretas.
A observação do céu, quer dizer dos corpos que pairam nele e os movimentos
que animam foi e é hoje uma das preocupações primordiais do homem. Por isto
deu para que a mudança de 30 dias, o sol muda de constelação.
O ano ou “volta do Sol pela terra”, terá sido dividido pela tradição iniciatica em
12 horas zodiacais ou signos zodiacais como se divide em 12 horas um quadrante
do relógio.

O Solstício Esotérico Andino – É significativa a herança da cultura andina, que


cada dia nos brinda novas mensagens de seus profundos conhecimentos, um teste-
munho como a porta do Sol de Tiawanaku que encerra muitas verdades, nos reve-
la um calendário peculiar que gira em forma de espiral em duas direções ao longo
da proximidade central e coincide a sua figura com o inicio e o fim de ano. O
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movimento espiral para a direita ou para a esquerda do calendário esta de acordo


com as observações feitas do recorrido do Sol no horizonte, onde nasce e se põe.
Por outro lado é necessário anotar que o Sol na cultura andina representa a esfera
causal masculina e funciona como a luz ativa. A Lua representa a polaridade passiva
e reflete a luz proveniente do Sol. Na mitologia Andina a Lua é reconhecida como a
esposa do Sol e só com a sua existência da criação e fertilidade. A terra é a mãe da
criação, é o sitio por onde todos os seres passam em seu caminho a perfeição.

O Solstício na Ótica Maçônica – Como sabemos, é fundamental na maçonaria


a utilização do simbolismo, por isso não se deve estranhar a alegoria do universo
que ilustra nossos templos, também representa cada templo individualizado, aqui
nasce à importância que tem a celebração dos solstícios e sua profunda interpre-
tação simbólica.
Dentro deste simbolismo, como foi dito, cada um de nos é um universo no qual
se produzem numerosas mudanças que tem direta relação com nosso aperfeiçoa-
mento, pois dependemos desse Sol interno.
Os templos maçônicos são símbolos figurados da natureza. Os dois solstícios
são representados pelas duas colunas no ocidente a ambos os lados da porta de
entrada, marcando a marcha do Sol e da Lua durante os doze meses do ano.
Dentro da mitologia poderíamos citar a lenda Romana de Jano o Deus da dupla
face, uma detrás olhando o passado e outra na frente olhando o futuro, resultando
passado e futuro vistos a um mesmo tempo. Este Deus da lenda Romana teria
recebido de Saturno ensinamentos das artes e era Deus das portas, que hoje são
explicados como as portas do entendimento.
Ao fim do seu recorrido, o Sol parece morrer vencido pela noite. Quer dizer, que
logo de sua corrida triunfal, sofre uma morte cíclica, na qual no tempo, dá lugar
a uma ressurreição. Esta aparente morte do Sol à sobre acolhido aos maçons, já
que o movimento pendular entre a vida e a morte da a conhecer que uma lei uni-
versal dirige o cosmos, ou seja, a evolução e a involução da luz e das trevas, a vida
e a morte e mesmo que natureza aparenta ser aniquilada, renascerá a uma nova
vida e elevação.

Reflexões e Mensagens do Solstício – O Solstício de Inverno está regido por São


João, o Batista e o de Verão por São João Evangelista. O novo testamento diz em
Lucas Cap. 3 Vers. 15 “Como o povo entendesse, e todos assentassem nos seus
corações, que talvez João fosse o Cristo, respondeu João, dizendo a todos: Eu na
verdade vos batizo em água, mas virá outro mais forte do que eu, a quem eu não sou
digno de desatar a correia dos seus sapatos, ele vos batizará em virtude do Espírito
Santo, e no fogo, cuja pá está na sua mão, e ele limpará a sua eira, e recolherá o trigo
no seu celeiro, e queimará as palhas em um fogo, que nunca se apaga”.
João nos convida a compartir, quer dizer, a preparar uma sociedade solidaria
preocupada por dar a todos o necessário e não aceitar cegamente as diferenças
nascidas do dinheiro ou da força: “não abusem da gente”.
A mudança de vida será profunda e duradoura se somos capasses de criticar
nossa falsa maneira de ver o mundo e aos homens.
Quando o cristianismo dominou o mundo, integrou às suas festas as solenidades
pagãs, aproveitando os hábitos e tradições dos povos convertidos e, assim é cele-
brado pela Igreja o nascimento de São João Batista em 24 de Junho, no Solstício
de verão para o hemisfério Norte, e a natividade do Cristo é comemorada no sols-
tício de inverno para o mesmo hemisfério; como nos dias próximos aos solstícios
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a diferença entre a duração dos dias é muito pequena,a data e celebrada alguns
dias antes ou depois sem maiores implicações.

Festas Solsticias – No inicio da vida da Grande Loja Maçônica do Estado de


São Paulo, constava em seu primeiro Regulamento Geral, assim como era estabe-
lecido para as Lojas do Grande Oriente do Brasil, a comemoração obrigatória das
festas Solsticiais no dia 24 de junho, ou em dias próximos em toda jurisdição. Nos
orientes, onde havia mais de uma Loja, as comemorações eram realizadas em
sessões conjuntas, sendo na Capital a sessão realizada pelo Grão-Mestrrado,
porém, às vezes, o Sereníssimo Grão Mestre nomeava uma das Lojas para provi-
denciarem os meios para realizar o evento, bem porque a Grande Loja não possuia
templo próprio, como aconteceu em 1929:

“Banquete Solstincial Ato nº 60 de 12.06.1929 – Resolve fica Comissionada a


Loja Prudente de Moraes para promover os necessários meios para a realização
do Banquete da Festa Solsticial de 27 do corrente”.

Nota-se no Ato, assima a falta do Cadastro Númerico da Loja (Nº 5), isto porque
somente em 1930 foram catalgadas as Lojas com cadastro númerico, ocasião que
foram classificadas pelo Sereníssimo Carlos Reis de acordo com a antiguidade de
sua Carta Constitutiva, sendo catalogada na ocasião a Prudente de Morais o núme-
ro cinco. Hoje a segunda mais antiga, sendo a mais atiga a Loja nº 4 do Oriente
de Casa Branca.
No primeiro Ritual de Aprendiz adotado pela Grande Loja, aliás estabelecido
por Mário Behring, em suas paginas iniciais estabeleccia sobre as Festas:

“Além das datas festivas, prescritas pelo Regulamento da Grande Loja e das
Lojas, todos os obreiros devem reunir-se em banquete maçônico nos dias 24 de
junho e 27 de dezembro, correspondente à passagem dos solsticios. Havendo
impedimento sério o banquete poderá ser realizado em outro dia próximo a data”.

A título de curiosidade transcrevemos a símbologia do Banquete Ritualístico em


comemoração aos Solsticios, narrado pelo Irmão Luis Umberto Santos, Grau 33,
membro da Grande Loja Espanhola, na obra “Cincuenta Lecciones de Cultura
Masonica”:

“As festas de Solstício que anualmente celebra a Maçonaria tem lugar na época
dos solstícios de Verão e Inverno, dedicada a primeira ao reconhecimento e a
segunda a Esperança. São as chamadas festas de São João”.
Os banquetes de São João de Inverno e de verão se celebram em mesa única e
em forma de ferradura, com a face interna livre, para facilitar o serviço.
Em um e outro caso o Venerável Mestre, que segundo o catecismo Maçônico
representa ao Sol, ocupa os extremos da linha vertical dos Solsticios respectivos. Os
Vigilantes se colocam sobre os dois extremos do Equador, os pontos equinocciais que
marcam as duas estações. Estes pontos estão, colocados no Ceu sobre o limite que
separa os dois hemisferios, como Vigilantes de inspecionar a estação que começa e
a que termina, é tão exata esta observação, que é somente do Equador donde pode-
mos ver os dois polos ao mesmo tempo, de tal modo, que desde lá percebemos
sucescivamente todas as constelações e observamos suas evoluções. Tratando-se de
uma tangente a circunferencia inferior, perpendicular ao raio vertical indicaram seus
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dois extremos, sobre a meia circunferência exterior, o lugar do Orador e do Secretário,


distante cada um do Venerável trinta graus, e sessenta dos Vigilantes, quer dizer, os
dois terços do espaço trimestral que indica cada quarto de circulo. Por exemplo no
banquee de Solstício de Inverno, o venerável ocupa o primeiro grau do tropico de
Capricórnio; o Orador o primeiro de Aquário; o Secretário o primeiro de Sagitário; o
primeiro Vigilante o primeiro de Aries, e o segundo Vigilante o primeiro de Libra. A
parte esquerda do templo que chamamos meio dia o Sul, indica o inverno ou estação
em que parece renacer o Sol; e a direita ou coluna do Norte figura o Outono ou
Estação da morte. No banquete do solstício de Estío, tudo esta disposto num sentido
inverso. O venerável encontra-se no primeiro grau do trópico de Câncer, o Orador no
de Leão, o primeiro Vigilante no de Libra, neste lado figura o Verão. Na outra coluna
o secretário se coloca no primeiro grau de Gemeos e o segundo Vigilante no de Aries.
Este lado figura a Primaveira. Nóta-se que por suas posições respctivas nos dois
banquetes, o Venerável e os dois Vigilantes indicam o principio das duas estações, o
Orador e o Secretário representam as estrelas reais das principais ou características
dessas mesmas estações. As quais são emblemas dos Evangelhos, a saber: o Toro, o
Leão, a Águia (substituída a Antares a Escorpião) e o Aquário.
Se a forma que se dá a mesa nas reuniões é imagem do Céu e das épocas solares,
as comidas servidas nelas e os utensílios de que nos servimos na mesma perten-
cem aos três reinos da natureza: e os alimentos ao animal e vegetal, alegoria que
representa a nossa mãe comum com todos os elementos que a constituem.
Sete são os brindes de obrigação nas reuniões de mesa, o ultimo dos quais fecha
os trabalhos do Rito. O número sete é emblemático e foi tido com grande respeito
pelos antigos, sendo igual a das esferas pelas quais sem duvida ofereciam antiga-
mente as libações que depois foram substituídas pelos brindes. Tais brindes
seguiam a ordem dos dias da semana. A primeira libação se oferecia ao Sol, rei do
Universo, a quem somos devedores da fecundidade da Natureza ela foi em todos
os povos modernos consagrados ao presidente do pais. O costume de oferecer os
primeiros votos ao Sol e a Lua, era comum entre os antigos, tendo uma prova
disso no poema secular de Horacio, que não é outra coisa que o hino dedicado a
aquelas duas divindades.
A segunda libação se oferecia a Lua, astro que entre os antigos acompanhava
aos que praticavam os mais ocultos mistérios. Os Maçons a consagram hoje ao
poder supremo da Ordem (Grão-Mestre), quem é para eles, depois do Presidente,
o Supremo regulador.
A terceira se consagrava a Marte, ou a Áries, divindade que entre os antigos pre-
sidia aos conselhos e combates. Hoje os Maçons á oferecem ao Venerável Mestre.
A Quarta libação se consagrava a Mercúrio, a quem os egípcios davam também
o nome de Anubis, Deus que vigiava e anunciava a abertura e conclusão dos tra-
balhos e percorria o Céu, a terra e os infernos, o que hoje é os brindes, que hoje
se oferece aos Vigilantes que, como Anubis, anuncia a abertura e clausura dos
trabalhos, e como Mercúrio, estão encarregados de vigiar aos irmãos espalhados
por toda a superfície de nosso planeta.
A quinta se dirigia a Júpiter, chamada também Xenius. Hoje são os brindes que
os Maçons consagram a seus irmãos espalhados por toda a superfície do Planeta.
Para figurar a magnitude da órbita de aquele astro, não se forma só um meio cir-
culo em que se da este ultimo brindes, o que se refaz a corrente inteira da qual
cada irmão é um elo, abrangendo deste modo todo o Universo.
Nas festas de Saturno, os escravos participavam dos prazeres de seus amos e
sentavam com eles na mesa. Também entre os Maçons os irmãos serventes se
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unem aos trabalhos e tomam parte no último brinde.


Os brindes Maçônicos, o mesmo que suas baterias se fazem por três e nove. Este
costume não é moderno e se conhecia em Roma, se damos credito ao testemunho
de Horácio que antes temos citado, costume de certos mistérios antigos que nos
conservamos cuidadosamente.

18 – Painel do Grau de Aprendiz


Segundo diversos Dicionários Enciclopédico chama-se painel a um quadro de
pano, oleado, etc., no qual são pintadas, gravadas ou bordadas, etc., as figuras que
servem para a instrução maçônica, e que é exposto depois de aberta a sessão e
fechado os trabalhos. Os ingleses chamam-no de “Tracing Board”, isto é, “Tábua
de Delinear”, reminiscência da Maçonaria Operativa simbolizando a “prancheta”
sobre a qual o “Mestre traçava linhas e delineava desenhos”.
Nas Lojas primitivas, o Cobridor desenhava sobre o soalho do local da reunião
um paralelograma e dentro dele alguns símbolos maçônicos, que, depois da inicia-
ção, o candidato devia apagar com balde e esfregão. Posteriormente, algumas Lojas
aboliram este método, adotando objetos de metal, representando dos símbolos, que
colocavam no soalho e sobre os quais eram feitas as instruções simbólicas e morais.
Pelos fins do século XVIII, apareceu um desenvolvimento dos sistemas anterio-
res, juntando-se os símbolos sobre um tapete, geralmente montado em rolos sobre
os quais eram enrolados. Muitos destes tapetes continham os símbolos dos três
graus, outros os dos dois, outro os dos três graus separadamente.

Finalmente, o pintor John Harris, em 1820, desenhou os painéis geralmente ado-


tados pelas Lojas. Nunca houve qualquer regulamentação a respeito de tais dese-
nhos e por isso existem variações, todas, porém, baseadas no simbolismo original.
Todavia, em nossos dias, o Templo reproduz, em grande parte, os símbolos
antigamente desenhados no painel, e é por isto, segundo alegam, que os franceses
o aboliram, ao passo que ainda é mantido pelos ingleses. No entanto, o Rito
Schröeder continua utilizando o tapete pintado, desenrolado no centro da Loja.
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Capítulo II

Trabalho em Loja Maçônica

1 – Trabalho
O Trabalho mostra que todos nos dependemos uns dos outros; vejamos o
Trabalho de um agricultor que planta e colhe o algodão favorece o trabalho do
caminhoneiro que transporta o algodão para a fabrica, onde o operário da industria
têxtil o transforma em tecido que chega a costureira através dos vendedores das
lojas para atender seus clientes. Assim o Trabalho gera habilidade e experiência
para aquele que o executa; O Trabalho cria não apenas relações comerciais, mas
também sociais.
O Trabalho nos proporciona aprendizagem, conhecimento, estabelece parce-
rias através do ensino. Em linhas gerais, o ensino maçônico abrange o estudo de
suas origens, seus Ritos, sua Ritualística e Liturgia, Simbolismo, Direito,
Legislação e a Administração Maçônica através da Ética, da Moral e da
Filosofia, transmitindo as suas ideias e seus ensinamentos através de símbolos,
alegorias e emblemas.

2 – Regularidade (Palavra Semestral)


Somente irmãos regulares pode participar dos Trabalhos Maçônicos os irmãos
que estão em dia com suas obrigações, isto é, com seus deveres junto a Tesouraria
e que tenha cumprido com os artigos da Constituição Maçônica, principalmente
com a frequência. Aos irmãos visitantes é exigido, além de sua identidade
Maçônica o conhecimento da “Palavra Semestral” e o conhecimento do trolha-
mento ao ser recebido na Sessão, dispensável, a critério do Venerável Mestre, e
tolerância com os irmãos idosos ou irmãos neófito, recém-iniciados para evitar
constrangimentos.
A Palavra Semestral é uma palavra-senha, enviada, a cada seis meses, pela
Potência Maçônica, a qual pertence à Loja. Somente os Maçons regulares das
Lojas e que tenha frequentado a sua Loja poderão conhecer a Palavra. Assim, para
os irmãos do Quadro, a Palavra Semestral é transmitida em Cadeia de União,
formada, exclusivamente para a transmissão dessa palavra, os Irmãos Visitantes
serão convidados a não participarem. Os Irmãos do quadro que não estiverem
presentes à sessão onde a Palavra Semestral for transmitida só poderão receber,
diretamente do Venerável.
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Formada a cadeia de união, o Venerável abre o envelope que recebeu, con-


tendo a Palavra, toma conhecimento dela e o papel onde está escrita é, em
seguida queimado. O Venerável dá a Palavra, ao ouvido esquerdo do 1º
Vigilante, este a transmite ao ouvido esquerdo do Orador e assim, sucessiva-
mente, a Palavra vai sendo transmitida, pelos Irmãos desse semicírculo, até o
Mestre de Cerimônias, Para o outro Semicírculo, o Venerável da a palavra ao
ouvido direito do 2º Vigilante, este a transmite ao ouvido direito do Secretário
e assim sucessivamente até o Mestre de cerimônias que recebe a palavra ao
seu ouvido direito. O Mestre de Cerimônias, então irá até o Venerável e dará
a Palavra, tal como a recebeu, de um lado e de outro, o que significa duas
palavras que deverão ser iguais. Caso contrário, a cerimônia será repetida.

3 – Cadeia de União
Uma Cadeia de União bem feita, em que cada irmão se conscientize da res-
ponsabilidade ali empenhada, constitui-se no verdadeiro elo de união, cuja
manifestação de fé conjunta irá inundar todos os corações, com eflúvios de
saúde, de força e de união.
A razão da necessidade de frequência à Loja, diz muito a respeito da forma-
ção homogênea da equipe que desenvolve o ritual e que participa dessa cor-
rente. Quanto mais correntes forem efetuadas por uma Loja, mais se sentirá a
força da coesão, da uniformidade e da prosperidade maçônica. Lojas existem
que realizam Cadeia de União em todas as sessões.
A cadeia de União é uma cerimônia mística e esotérica, embora muitos
irmãos não aceitem a assertiva, porém é a pura realidade. Meditemos no
seguinte:

1º. o Venerável Mestre representa o Sol criador, que investido dos poderes
emanados pelo Grande Arquiteto do Universo, em Seu nome abre a Loja;
2º. o perfume exalado pela queima do incenso, impregna o ambiente e torna-
o harmônio e produtivo;
3º. o som da música suave e apropriada, enche o espaço e torna límpida a
receptiva a mente dos participantes;
4º. a palavra semestral transmitida, seguida do desejo uníssono de Saúde,
Força e União, por ocasião da entrada dos solstício de verão e de inverno,
quando o Sol aquece a terra mais, ou menos, ou seja quando habita as
portas da plenitude de vida, ou de seu fenecer, resurgindo novamente para
constituir o ciclo do sistema solar, ou ciclo anual de vida;
5º. o Círculo Misterioso realizado em torno do Altar dos Juramentos, onde se
superpõem as três Grandes Luzes da Maçonaria, completam a obra de cria-
ção iniciada quando da abertura ritualística da Loja, atingindo o ápice da
corrente mágica, que gera a força e alimenta a egregora coletiva da oficina.

Tudo isso infunde força positiva no grupo de irmãos que constitui a Loja,
desde que todos estejam conscientizados da nobre obrigação de servir e traba-
lhar em beneficio da humanidade.
O ritual de abertura calma e disciplinadamente executada; os giros bem
orientados e obedientes aos fluxos naturais; os temas bem conduzidos, sério e
harmonicamente tratados; a Cadeia de União calorosamente argolada pelos
irmãos; o encerramento da sessão saudosamente precedido, causará, temos
certeza, uma semana de compreensão, de amor Fraternal e de Paz a todos.
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4 – Composição da Loja
São as Luzes de uma Loja: O Venerável, o 1º Vigilante e o 2º Vigilante. São as
cinco Dignidades de uma Loja: O Venerável, o 1º Vigilante, o 2º Vigilante, o
Orador e o Secretário. Os demais membros da administração, são chamados:
Oficiais.
As Lojas são classificadas segundo os graus que estão subordinadas e do Rito
adotado. No caso do Rito Escocês Antigo e Aceito compreendem duas Jurisdições
Maçônicas. Segundo o regime administrativo do governo maçônico em todo
mundo, há uma linha divisória entre a maçonaria Simbólica e a maçonaria filosó-
fica, limite este que traça, perfeitamente, a ação que a cada um desses ramos esta
assinalada nas respectivas jurisdições, embora todos os maçons estejam ligados
pelos mais estreitos laços de amizade, em uma família universal.
Para manter essa harmonia geral e pelo respeito as Jurisdições Simbólicas regu-
lares do Brasil, a estas fica entregue o governo dos três primeiros graus do Rito:
Aprendiz, Companheiro e Mestre, chamados graus simbólicos. (Dos Estatutos e
regulamentos Gerais) do Sob. Soberano Supremo Conselho do Grau 33º do Rito
Escocês Antigo e Aceito para a Republica Federativa do Brasil.

5 – Aprendiz Maçom
A palavra não tem somente significado maçônico. Indica aquele que está apren-
dendo um oficio ou arte, significando, por extensão, aquele que é novato ou
inexperiente. É o primeiro grau da Maçonaria simbólica Universal, admitido em
todos os sistemas e Ritos. O nome foi tirado da Maçonaria Operativa, na qual o
Aprendiz ocupava o Grau mais inferior da escala entre os operários. A Maçonaria
Especulativa adotou os usos, costumes, regulamentos e instrumentos das antigas
corporações, fraternidades ou guildas operarias de construtores a fim de estabele-
cer o seu próprio sistema de organização e de moralidade.
No simbolismo maçônico, o Grau de Aprendiz apresenta o homem na sua pri-
meira infância e nos primeiros séculos da civilização. O Aprendiz deve estudar as
leis, os usos e os costumes da Instituição, trabalhando, simbolicamente no desbas-
tar da Pedra Bruta, o que faz desde o meio dia até a meia-noite.

Pedra Bruta – A Pedra Bruta se apresenta em estado natural e grosseiro tal como
foi extraída da natureza. Ela representa a infância do Homem e a própria humani-
dade. É de se reconhecer que a humanidade evoluiu muito mas não passa de uma
pedra bruta, com suas guerras, preconceitos, misérias etc. A Pedra Bruta é uma joia,
por oferecer, latente, a possibilidade de ser aproveitada para edificar, para construir.
Todo individuo tem qualidades socialmente aproveitáveis, mas para tanto, é neces-
sário que se lhe desbastem as arestas de uma formação grosseira.
A Pedra Bruta ensina ao Aprendiz, que o homem, dotado de inteligência e racio-
cínio, pode aperfeiçoar-se na educação e instrução.
Graças à iniciação Maçônica (novo nascimento), o Aprendiz se encontra em
“estado natural”, desembaraçado de tudo o que a sociedade profana lhe impigiu
(artificialidade, preconceitos, etc.). Encontra de novo a liberdade de pensar livre-
mente e, graças às suas ferramentas, ferramentas estas que a Maçonaria lhe oferece,
trabalhará, por si mesmo, a sua Pedra Bruta, tornando-se mais perfeita possível.
A Pedra Bruta, segundo Luis Umbert Santos (Catecismo Maçônico), é o emble-
ma da pedra informe e irregular que desbastam os Aprendizes. É o símbolo da
idade primitiva e, por conseguinte, do homem sem instrução e em estado natural.
A Pedra Bruta é a imagem da alma do profano antes de ser instruído nos mistérios
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Maçônicos e figura em terceiro lugar entre os emblemáticos que devem ser repre-
sentados sempre no quadro do primeiro grau.
Nos templos maçônicos simbólicos coloca-se a esquerda da Coluna B (à
esquerda da Coluna J no Rito Moderno), junto com um tosco malho... O
Aprendiz Maçom deve trabalhar e estudar para adquirir o conhecimento do
simbolismo do seu grau e sua aplicação e interpretação filosófica; a este tra-
balho dar-se o nome de “Desbaste da Pedra bruta”. Por isto, tão cedo o irmão
tenha recebido a primeira Luz e o Orador tenha completado a sua instrução, o
Venerável Mestre dispõe que entre imediatamente em atividade, começando
por verificar o seu primeiro trabalho.
O irmão Experto ou o Mestre de Cerimônias o acompanham então ate a
Pedra Bruta e entregando-lhe o Malho ensina-lhe a dar três golpes misteriosos
com os quais devera chamar no futuro às portas dos templos, explicando-lhe
ao mesmo tempo o seu significado que é: Busca e encontraras; chama e te
abrirão; peça e te darão.
Os Trabalhos, no grau de aprendiz têm, por objetivo, demonstrar ao novo
iniciado a escravidão em que vive, despertando em seu coração o sentimento
de sua própria dignidade, incentivando-o no estudo da Verdade o Aprendiz
tem, por objetivo, lutar contra os inimigos naturais do homem, as paixões
contra os hipócritas, os perjuros, os fanáticos e os ambiciosos, os que especu-
lam com a ignorância e o obscurantismo, combatendo-os com vigor para que
a luz vença as trevas, para que a honra derrote a perfídia e a verdade triunfe
do erro. É este o simbolismo do Aprendiz que passa das trevas para a luz.
Simbolicamente, a Iniciação representa a morte do Neófito para as trevas e o
seu renascimento para a verdadeira luz.

6 – Sessões Maçônicas
A abertura e o encerramento dos trabalhos das Oficinas de qualquer natu-
reza por um cerimonial e formulas especiais, que não podem ser dispensados
e que são prescritos nos Rituais dos vários Graus. No simbolismo, a abertu-
ra a abertura não pode ser feita sem a presença de, no mínimo, sete irmãos,
dos quais três devem ser Mestres, variando, no entanto, em função do Rito
adotado.
Este cerimonial de abertura e encerramento dos trabalhos, sempre repetiti-
vo, estabelecidos pelos Rituais desde tempos remotos, tem importância muito
significativa, embora muitos maçons não lhes de importância, por acharem
uma perda de precioso tempo, entretanto, com este procedimento procura a
Maçonaria lembrar o tempo por ocasião da dependência de nossos pais, os
quais todos os dias não se casaram de repetir diariamente os mesmos conse-
lhos, que permanecem em nossa memória para sempre.
As sessões de uma Loja podem ser Econômicas, Especiais e Magnas e obe-
decem em suas cerimônias o determinado pelo Rito adotado, entre eles os
Ritos Escocês Antigo e Aceito e o Rito Moderno, também conhecido como
Rito Frances.

Sessões Econômicas – Compreende as Sessões Econômicas: as de Instrução,


de Eleições e de Finanças.

Sessões Especiais – Compreende a Sessões do Conselho de Família, as de


Julgamento e as demais assim designadas pelo Regulamento Geral.
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Sessões Magnas – As sessões Magnas podem ser as: Iniciação; Filiação;


Regularização; Elevação; Exaltação; Posse; Representante da Loja; Sagração de
Templo; Adoção de Lowton; Confirmação de Casamento; Pompa Fúnebre;
Festivas de caráter Civico-Cultural; Palestras, Conferências e as de Caráter
Cívico-Cultural.

7 – Iniciandos
O meio que proporciona a conscientização da mente para se obter o estado
mental que permite a condição necessária para se estabelecer a sintonia com a
energia dos elementos, nos foi proporcionada pelos povos antigos que iniciaram
os estudos e estabeleceram a simbologia especulativa e filosófica dos quatro ele-
mentos naturais: terra, ar, água e fogo, através de suas convicções religiosas e não
raras vezes considerados como Divindades.
Os conhecimentos que chegaram aos nossos dias deram origens aos Rituais, e
consequentemente, aos surgimentos dos Ritos. Desta forma, a cada prova iniciá-
tica vencida, executada pela cerimônia estabelecida nas iniciações, consegue-se o
fortalecimento do Eu e absolvição dos conhecimentos que nos transmite os ele-
mentos, bem como põe o iniciando em sintonia com as fontes energéticas, entre
as forças da natureza e o iniciando de forma consciente. Conhecimento este absor-
vido pelo próprio Iniciando.
O fato do Iniciando vencer as provas iniciátícas, o faz com que tenha o domínio
total sobre a energia e a compreensão dos conhecimentos simbolicamente trans-
mitidos. No Ritual maçônico cada uma das quatro provas faz uma inovação aos
elementos, apresentando um nível crescente de relacionamento com eles.
A primeira prova do iniciando, a prova da reflexão ou prova da terra, onde o
iniciando só passa por indução simbólica a refletir sobre a vida profana. A Camará
de Reflexão apresenta a simbologia que representa as oferendas ao elemento terra.
Após vencer a prova da terra o Iniciando começa sua jornada dentro do Templo,
onde se submete as três provas restantes, passando pelas provas dos elementos: ar,
água e fogo.
Os candidatos à iniciação deverão ser avisados por seus proponentes, que são
os seus padrinhos, das obrigações que têm a cumprir.
Assim, o padrinho fica na obrigação de prevenir o candidato do dia, hora e lugar
em que devera se achar, de que devera trazer vestuário preto e bem assim da
quantia que terá de despender com a sua iniciação, segundo o que estiver fixado
pela Loja, e da quantia que é de praxe depositar no tronco de benemerência.
Todavia, e de suma importância que o proponente tenha o cuidado de esclarecer
ao Iniciando tudo sobre a Maçonaria, principalmente sobre os Princípios esposa-
dos pela Maçonaria e seus deveres ao ser constituído maçom, principalmente os
necessários esclarecimentos sobre os absurdos cometidos pelos Irmãos nos inde-
vidos e prejudiciais trotes que submetem o Iniciando. Não raras vezes de aciden-
tes chocantes que ultimamente tem acontecido com o abandono do candidato em
plena cerimônia, causando grandes transtornos e irreparável prejuízo para nosso
Conceito Deve ficar isso muito recomendado para que o candidato não passe
qualquer vexame, devido o descuido ou inexperiência de seu proponente e descui-
do do Venerável Mestre no transcorrer do processo de sindicâncias.
É oportuno o cuidado que deve prevalecer no trato com os Iniciandos, isto é,
não deixar em segundo plano saber se o Iniciando provem de família maçônica,
ou se este não é possuidor dos conhecimentos sobre sua futura vida Maçônica.
Neste último caso é que vem os graves prejuízos para a Ordem e principalmente
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para o próprio Iniciando, pois, no mínimo se envolve em tamanha perspectiva e


nervosismo pelo que lhe poderá acontecer de ruim. Esta preocupação lhe tira a
concentração sobre as lições e conhecimentos que deverá absorver no transcorrer
do cerimonial.

8 – Sessão de Iniciação
Segundo explica Jaime Pusch, a iniciação é a “sessão magna de admissão de
novos membros aos mistérios maçônicos. A iniciação tem o significado básico de
ressurreição. É a morte para o mundo profano com o consequente ressurgimento
no mundo Maçônico. A libertação cármica, no plano espiritual, pela recepção dos
mistérios iniciáticos. Todas as seitas religiosas e sociedades místicas recebem seus
neófitos por uma cerimônia com maior ou menor simbologia. Por ser a Maçonaria
uma cultura dinâmica pode-se entender a iniciação como um processo permanen-
te de evolução dentro da ordem, sendo a sessão magna de iniciação tão somente
a aceitação do profano, e a síntese simbólica do que virá a ser o seu caminho na
fraternidade”.
Por tanto, como se observa, a cerimônia de iniciação deve ser realizada com
muita seriedade e com a preocupação de que seu efeito seja bastante marcante para
o candidato. Em função dos vários objetos realizados na iniciação, todos os mem-
bros da Loja devem estar preparados para as funções a serem desempenhados.
Muitos irmãos terão que colaborar com o Arquiteto, especialmente com a aqui-
sição de alguns itens e com a ajuda na ornamentação do Templo. Assim por
exemplo, o Secretário deverá providenciar os documentos que lhe competem
(Ritual, Constituição e Regulamento, Placet de iniciação do candidato etc.), o
Experto verificará se estão nos devidos lugares os utensílios que são de sua res-
ponsabilidade: (Questionário, Venda Capuz etc.) e o Tesoureiro verificará os
aspectos financeiros.
Verifica-se, pois, uma verdadeira conjugação de esforços para o brilho de uma
cerimônia que a grande maioria dos membros da Loja sequer conhece o candidato.
Assim sendo, feitas essas considerações, descrevemos a importância dos uten-
sílios da Loja para iniciação no preparo do Templo e o cuidado especial com a
Camará de Reflexões pela simbologia que se traduz no inicio do ressurgimento do
neófito no mundo maçônico.
Graças à Iniciação Maçônica (novo nascimento), o Iniciando se encontra em
“estado natural”, desembaraçado de tudo o que a sociedade profana lhe impingiu
(artificialidade, preconceitos etc.). Deverá, portanto estar preparado para aprovei-
tar, isto é, ter condições de meditar e analisar sobre a primeira lição que lhe pro-
porciona a filosofia maçônica, graças a qual encontra de novo a liberdade de
pensar livremente e, Graças as ferramentas que a Maçonaria lhe oferece, talhará
por si mesmo, a sua Pedra Bruta, tornando-a mais perfeita possível.
A Câmara de Reflexão, além de simbolizar um dos quatro elementos alquímicos
da antiguidade (a terra), representa a masmorra que, figuradamente, encarcera a
consciência humana, retirando a livre determinação do homem, regida pelo racio-
cínio critico. Além de mostrar que a Maçonaria rejeita esse encarceramento da
consciência, esta pratica maçônica quer mostrar que o candidato deve desprender-
se das convenções sociais e mundanas que ele traz de fora e que, mesmo inadver-
tidamente, podem escravizar a sua consciência.
A permanência na Câmara tem, todavia, origem nos hábitos da cavalaria medie-
val, que floresceu a sombra da Igreja, assim como a Maçonaria de Oficio, ou
operativa e a própria Maçonaria dos Aceitos, ou Especulativa, em seus primór-
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dios. A prática do cavaleiro influiu, também, na própria cerimônia de sagração


maçônica. Representa o estado de isolamento em relação ao mundo exterior,
necessário para a concentração ou intima reflexão, onde nasce o pensamento
independente e encontra-se a Verdade; é aquele mundo interior aonde devem
dirigir-se nossos esforços e análises para conseguir, mediante a abstração, conhe-
cer o mundo transcendente da realidade. É o gnothi seautón ou “conhecer-se a si
mesmo” dos iniciados gregos e hindus, como único meio direto e individual para
conhecer o grande mistério que nos circunda e que envolve nosso ser.
Tudo isto e a cor negra da câmara trazem à nossa mente a antiga fórmula alquí-
mica e hermética do Vitriol: Visita Interiora Terrae, Retificando Invenies
Occultum Lapidem, “Visita o interior da terra: retificando encontrarás a pedra
oculta”, o que quer dizer: descer as profundezas da terra, sob a superfície da apa-
rência externa que oculta a realidade interior das coisas e a revê-la; retificando
nosso ponto de vista e nossa visão mental com o esquadro da razão e o discerni-
mento espiritual, acharemos então aquela pedra oculta ou filosofal que constitui
o Segredo dos Sábios e a verdadeira Sabedoria.
A representação da Verdade final e fundamental em uma pedra não causa estra-
nheza se pensarmos que ela deve constituir a base sobre a qual descansa o edifício
de nossos conhecimentos, que será a Igreja ou Templo de nossas aspirações e o
critério ou medida sobre a qual, e em cuja imagem, devem serem enquadrados ou
retificados nossos pensamentos.
Os ossos e imagens da morte representada nas paredes da câmara indicam além
da morte simbólica que solicitada ao iniciado para seu novo nascimento, os frag-
mentos esparsos e desunidos da Realidade morta e dividida que se mostra na
aparência externa, cuja Vida e Unidade deve buscar e encontrar interiormente,
reconhecendo-a sob e dentro da aparência.
O Iniciado não deve ser cativo dos vícios, paixões e, mas inclinações. Com bons
costumes, porque sua conduta deve ser exemplar e inatacável. Sem metais, para
significar que ouro nada vale na conquista ou pesquisa da virtude. Sem fracasso,
significando a ausência de preconceitos sociais. Três pancadas, lembrando o con-
selho bíblico: “Bateis e sereis atendido, pedi e recebereis, procurais e encontra-
reis”. As três viagens aludem aos centros da iniciação antiga, a Percia, a Fenícia
e o Egito, que se buscavam, apesar dos perigos. A purificação pelo fogo simboliza
a libertação do corpo e da mente das impurezas físicas e morais. As pontas do
Compasso no peito indicam a confiança manifestada de que os sentimentos e
defeitos passam a ser regulados com exatidão representada por esse instrumento,
de que é símbolo. O desenvolvimento significa a recepção da Luz que iluminará
a razão e a consciência do Iniciado. O Livro da lei Sagrada representa a verdade
eterna. O Compasso e o Esquadro afirmam a igualdade e a justiça como fatores
de retidão. As Espadas, símbolo da honra, força leal e nobre, prometem a defesa
justa do novo operário do bem. As flores e o hino heroico demonstram a satisfação
pela aquisição de mais um Irmão e amigo, e a proclamação da confiança que nele
se deposita. Os três passos para frente formando ângulos retos significam que a
exatidão é necessária à nobreza da alma. O avental representa o trabalho como
fator do progresso.
A primeira viagem misteriosa do Aprendiz purificado pelo ar, é a expressão
simbólica (de sua morte simbólica) do sub-plano inferior do mundo astral, onde
predomina ruídos de armas e ricochetar de correntes que envolvem a alma que se
desprende do corpo e ingressam nesse plano suprafísico com o paralelo simbólico
que envolve a situação do candidato que, com a vista vendada avança nesse meio
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de ruídos estrepitosos de ventos e tempestades, símbolos das falsas opiniões,


crenças e correntes que são contrárias ao desenvolvimento da humanidade. O
Iniciado se prepara para conhecer o sentido do justo e verdadeiro, para fazer fren-
te ao contrário e para isso recorre ao caminho ao Oriente para obter uma consci-
ência iluminada. O elemento que purifica esta prova é o Ar. A primeira Viagem
iniciáiica representa o domínio do corpo e dos desejos.
A segunda viagem misteriosa, cujo simbolismo é o objetivo principal dessas
reflexões, tem bastante comparação com o primeiro e seu desenvolver se revela
também por ruídos em sua manifestação, demonstrando serem estes ruídos mais
suáveis e menos estrepitosos. Esta viagem como o processo da morte física, tam-
bém tem seu paralelo simbólico com o plano astral das paixões cegas, em analogia
com o nível das emoções vulgares das que é necessário desprender-se e as extirpar
com discernimento e decisão.
O elemento água precedido em seus efeitos por Varuna, que como na primeira,
viagem por Vayu, e na terceira o fogo por Agni, com seus respectivos simbolis-
mos, força de vida e movimento impresso pelos grandes Seres espirituais, ocultos
por essas denominações esotéricas, a água é uma simbólica intervenção purifica-
tória, que se dirige, simbolicamente, a lavar ou liberar o candidato das más influ-
ências, que sua vida profana houvera podido arraigar.
A Terceira Viagem se realiza com uma facilidade ainda maior do que as anterio-
res, após desaparecerem totalmente os obstáculos e ruídos: ouvem-se só os arcodes
de uma música cadenciosa e profunda que até parece sair do próprio silêncio.
Havendo o iniciado dominado e purificado a parte de sua natureza, causa dos
ruídos e dificuldades externas, é natural que estes hajam desaparecido por com-
pleto. Agora deve familiarizar-se com a energia positiva do fogo, ou seja, com o
potencial Infinito do Espírito que se encontra em si mesmo, cuja mais perfeita
manifestação só tem sido possível no transcurso da presente purificação.
Finalmente, é muito importante que o iniciado saiba que as chamas que sentiu
durante esta última viajem simbolizam o amor ao próximo que deve arder perma-
nentemente em nosso coração. Nunca devemos esquecer este conceito “não faças
aos outros o que não queiras que façam contigo; proceda com os demais, como
desejais que procedam contigo mesmo”.
O iniciado que enfrentou as provas simbolizadas nas três viagens, que recebeu
a tríplice purificação dos elementos e libertou-se de todas as escórias de sua natu-
reza inferior, tem agora o dever e o privilégio de manifestar o mais alto e divino
de seu ser que fazem já dele potencialmente um maçom, tem de ser selados com
as obrigações que precedem ao juramento e consiste em fazê-lo beber o cálice de
água, a bebida que de doce transforma-se-a em amarga; passar pelas prova do
sangue e receber a “marca” do Maçom.
Ao prestar seu juramento contrai a obrigação de unir-se à Ordem através das
mais elevadas aspirações de sua alma com a mais plena, livre e espontânea von-
tade. Após prestar seu juramento a investidura do Avental Branco, emociona a
todos os presentes, pois esta passagem transcendental foi vivida por todos os
maçons. Magister descreve esta passagem, desta maneira: “Isto se refere ao
momento de revestir o Avental ao Aprendiz Maçom, o levanta e o abraça, dando-
lhe pela primeira vez o título de irmão maçom e lhe reveste o Avental Branco
dizendo-lhe: receba este Avental, distintivo do Maçom, mais honroso que todas as
condecorações humanas, porque simboliza o trabalho que é o primeiro dever do
homem e a fonte de todos os bens, o que lhe dá o direito de sentar entre nós, e sem
o qual nunca deveis estar em Loja”.
53

Cada Aprendiz é estimulado a trabalhar a Pedra Bruta, a conhecer sua própria


personalidade, com o objetivo de desbastar as asperezas que possam ter na super-
fície, dando-lhe forma pouco a pouco a uma Pedra Cúbica, Símbolo do Irmão
Maçôm esclarecido, capaz de ajustar sua personalidade a de seus irmãos para
construir, de forma ordenada, o templo da virtude, que não é senão uma alegoria
da sociedade perfeita.
Esta tarefa só pode ser cumprida aperfeiçoando nossos costumes, ordenando
nossos pensamentos e nossas palavras. Obrigando a Razão, a tomar o controle de
nossos atos.
Na realidade o Maçom, após sua iniciação, não pode mais deixar de ser Maçom,
mesmo que por alguma ou outra razão afaste-se da Ordem. E como ele não perde
a condição, não deve, em resumo, abandoná-la. Mas se isto acontecer, seguirá
sempre para todos seus pares um irmão, o qual poderá, sempre que achar conve-
niente voltar ao convívio de seus irmãos, mediante sua regularização.

Avental Maçônico – É um dos Símbolos mais importantes da Maçonaria, cons-


tituindo, praticamente, a parte principal do traje maçônico.
Relembra as origens operativas da Instituição Maçônica, sendo ele o único signo
externo do período operativo. O Avental dos Aprendizes Maçons é feito de pele de
cordeiro branca, á qual se dá forma de quadrado, tendo sobrepostal uma abeta trian-
gular, ou, ás vezes, a forma de atanar. A cor branca do Avental alude á pureza, á
candura e á inocência, que deve possuir aquele a quem orna. E assim como a cor
branca é o produto de todas as cores do aspecto solar, ela representa para o Maçom
o conjunto de todas as virtudes. O Aprendiz porta o Avental com a abeta levantada,
que significa que ainda não sabe trabalhar. Ele precisa proteger-se.
Em seu livro “Os Mistérios Antigos e a Maçonaria Moderna”, Carl H. Vail diz
que: “Nos antigos mistérios, a investidura do Avental constituía uma das partes
essenciais da cerimônia iniciática. O avental e a veste branca, eram símbolos de
pureza. Na Pérsia o ato da investidura era imponente. Após o juramento, entrega-
vam ao candidato as insígnias da Ordem e, entre elas, o avental branco. Os japo-
neses também se vestiam com uma única talhada e um avental branco preso à
cintura. Os fariseus davam aos noviços do Grau de Santidade Aventais, como
Símbolo de pureza. Os essênios e os druidas vestiam seus candidatos com túnicas
brancas e, os escandinavos lhes entregavam escudos da mesma cor. Todas essas
cerimônias tiveram um significado simbólico, apesar de diferenciar se, às vezes,
em alguns detalhes. Avental branco da Maçonaria tem origem naquelas antigas
cerimônias e é um dos símbolos mais significativos de nossa Ordem”.
Ragon, em sua obra “Rituel de L`apprenti Maçom” diz, após receber o juramen-
to do neófito e consagrá-lo Maçom: “Recebei este Avental, que todos usamos, e
que os maiores dentre os homens se honraram de usar; ele é o emblema do traba-
lho; ele vos lembrará de que um Maçom sempre deve ter uma vida ativa e labo-
riosa. Esse avental que é o nosso habito maçônico, vos da o direito de sentar-se
entre nos, e jamais deveis apresentar-vos neste templo sem estardes revestidos
dele, com a abeta levantada”.
O Avental é o símbolo do maçom, além de representar trabalho, ele significa,
pelo material de que é feito, pureza e inocência.
Diz-se, também, que o avental de pele de carneiro ou de outro material branco
corresponde a uma condecoração mais antiga do que a “Ordem do Manto
Dourado” instituído por Felipe, Duque de Borgonha em 1429; do que a insígnia
da “Águia Romana” criada 100 anos antes de Cristo; do que a ‘Ordem da Estrela”
54

instituída no século XIV pelo Rei João da França e também da conhecida “Ordem
da Jarreteira” fundada por Eduardo III da Inglaterra para si próprio e para 25 de
seus cavaleiros.
Realmente, o avental maçônico é um símbolo antiquíssimo. Com, ele lembra-
mos nossos irmãos operativos que o usavam não como um paramento, mas, como
um indispensável acessório de trabalho.
Não é de admirar, por isso, que o avental maçônico atravesse séculos e é hoje
envergado com reverência devido a um símbolo que representa o que de mais
importante existe para identificar aqueles que escolheram a maçonaria como um
sistema de vida.
O Avental em uma Loja maçônica poderá estar ornamentado para identificar
cargos ou graus, mas, isto não diferencia um maçom de outro. O avental pode ser
feito de pele de carneiro, como é a tradição, como de outro material, até de papel
branco, se necessário.
Usos e costumes, maneiras de se fazer conhecer, toques, palavras e prática ritu-
alísticos podem divergir, de um país a outro, porém, uma coisa é Univeral nas
Lojas maçônicas regulares em todo o mundo: o uso de avental durante os traba-
lhos Maçônicos.
O Avental maçônico além de ser o emblema mais característico do maçom
(posto que qualquer um possa ostentar um distintivo maçônico na lapela do seu
paletó) só é envergado por quem realmente foi iniciado na Ordem.
Por ultimo, não importa que o avental revele pelas suas insígnias, a hierarquia
ou grau de quem o usa. Uma vez usado por um maçom num templo maçônico,
desaparecem títulos, presidentes, cientistas, patentes militares, etc. etc. são todos
irmãos e como tal, são e devem ser tratados.
Scorpius nos transmite a seguinte mensagem: Professores nesta matéria há
muitos, muitíssimos mesmo, mas Mestres, na verdadeira acepção da palavra,
existem infelizmente poucos. Para responder às inúmeras consultas, poderíamos
usar apenas de nossa velha experiência e dos conhecimentos que nos foram
transmitidos nas várias Câmaras por que temos passado, mesmo pelo exterior,
mas preferimos argumentar com Godicke, que no seu Dicionário Simbólico da
Maçonaria diz: “O avental maçônico, ordinariamente fabricado com pele bran-
ca, é o principal atributo da Arte Real, e a nenhum irmão é permitido apresentar-
se em Loja sem ele”.
Há aventais para todos os Graus, desde Aprendiz até Grande Inspetor Geral,
mas como a base da instituição é o simbolismo, os maçons de Grau de Mestre em
diante, podem usar nos trabalhos o avental desse grau, distintivo da plenitude das
faculdades maçônicas. Sem avental é que não pode haver trabalho maçônico, por
muito que pese aos professores encartados de liturgia aplicada.

As Luvas Brancas – Após o término do cerimonial da Iniciação é costume na


Maçonaria dar de presente ao recém-iniciado, além do avental, um par de luvas
para ele e outro para que ofereça a sua mãe, esposa ou a mulher que mais ama.
Com a entrega das luvas brancas ao recém-iniciado se lhe ensina que os atos do
maçom devem ser puros e imaculados como as luvas que lhe foi dado.
Tal prática tem o seu simbolismo, como tudo na Maçonaria. A entrega das
Luvas ao candidato significa que os atos do Maçom devem ser tão puros e imacu-
lados como as luvas que lhe são entregues.
Esse costume vem desde a maçonaria de oficio, Nas Lojas escocesas dos sécu-
los XVI e XVII, o membro recém– iniciado devia dar Luvas de presente aos
55

demais membros da Loja, inclusive as suas mulheres. Os Maçons aceitos também


adotaram esse costume.
Entretanto a partir de 1660 na Inglaterra, a sociedade dos Franco-Maçons entre-
gava aos candidatos Luvas para eles e suas esposas. Já não era os iniciados que
ofereciam as Luvas aos presentes O costume, introduzido na Inglaterra propagou-
se pelo continente europeu e alcançou todo o mundo maçônico. Esta, porem hoje,
praticamente esquecido na Inglaterra, nos Estados Unidos e nos países que se
filiaram ao sistema inglês. Seria de desejar que a tradição fosse mantida univer-
salmente pelo que representa simbólica e ritualisticamente.
O simbolismo das luvas brancas é uma variação do simbolismo do Avental,
ambos é um símbolo evidente da pureza das intenções que deve sempre observar
o maçom nas suas atitudes “fazer o bem”, e esforçando-se em toda atividade ou
trabalho, fazendo o melhor possível para o Grande Arquiteto do Universo. O sig-
nificado das luvas brancas e o cuidado que o iniciado deve ter de não sujar nem
manchar com o egoísmo.
O escritor alemão Goethe, quando foi iniciado e ofertou suas luvas à madame
Von Stein, disse, ao termino da nota: “... se o presente era insignificante, selava
um compromisso profundo e tinha um valor singular, porque um maçom não
poderia fazê-lo senão uma vez em sua vida”.
O avental branco e as luvas brancas tem o mesmo significado, a purificação da
vida, o avental se refere ao “coração puro” e as “luvas brancas indicam mãos
limpas”.
O avental do Aprendiz Maçom e as luvas brancas consideradas filosoficamente
preenchem todos os requisitos da clássica definição do sacramento, pois é “um
sinal sensível e externo de uma graça espiritual e interna”. O iniciado que entende
bem a sua significação, reconhece e aceita este sinal exterior e evidente de manei-
ra espontânea, pois foi tomada com inteira liberdade a determinação de percorrer
a trilha de purificação que conduz a solida compreensão que ao aceitar o distinti-
vo compromete-se asi mesmo realizar a obra que lhe foi imposto, fez voto solene
de caminhar sempre para frente até se unir a Luz.
Por ultimo podemos definir que o conhecimento do bem, não é somente conhe-
cer, é importante pratica-lo em todos os atos de nossa existência e fazermos dela
uma fonte de “liberdade, igualdade e fraternidade”, postulados básicos de nossa
augusta Ordem.

9 – Sessão de Filiação
É o ato pelo qual é admitido, adotado ou incorporado numa Loja, um Maçom
que, por qualquer motivo, se tenha desligado de sua Loja mãe e que apresente
documento que o libere da Loja que era filiado. A filiação deve ser pedida por
meio da Bolsa de Propostas e Informações, em petição dirigida ao Venerável
Mestre e aos membros da Loja. O requerente é admitido se os sindicantes, secre-
tamente nominados pelo Venerável, apresentarem boas informações a seu respeito
e o escrutínio secreto tenha sido favorável.
No caso da perda de sua regularidade, por ultrapassar o tempo, estabelecido
pelas leis da Obediência, fica considerado irregular e seu processo para a filiação
se assemelha aos candidatos à iniciação.
O Maçom que está afastado da Ordem Maçônica, ou seja, que não está filiado
a nenhuma Loja; diz-se, também que é um Maçom que “esta adormecido”. O
Maçom nessas condições é irregular e, para “acordar”, precisa solicitar a uma
Oficina Simbólica a sua filiação com a consequente regularização.
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10 – Sessão de Regularização
O Mação é considerado irregular quando se afasta de sua Loja, sem observar as
condições estabelecidas pelas leis da Obediência, ficando impedido de filiar-se a
outra Loja. Nestas condições somente poderá voltar a frequentar a Loja após pas-
sar por um processo de Regularização, isto é, corrigir sua falta para obter sua
regularidade, podendo após a Sessão de Regularização solicitar documento neces-
sário para filiar-se a outra Loja (Certificado de Grau ou Quite Placet, se for o
caso).

11 – Adoção de Lowtons
Nas mãos dos jovens sempre foram depositadas as esperanças de um futuro
melhor para a sociedade. A maçonaria sempre esteve atenta a esse pensamento,
tanto assim que, no universo, há as ordens paramaçônicas DeMolay e Meninas do
Arco-íris para rapazes e moças filhos de maçons ou que façam parte da família,
até 21 anos de idade. Os lowtons, da mesma forma, são jovens adotados pelas
lojas maçônicas, que, a partir daí, passam a ter toda orientação da oficina, visando
prepará-los para se tornarem um futuro maçom e um homem de bem. Sua vanta-
gem é ser criado num ambiente maçônico, respirando maçonaria, o que não ocor-
re com um profano, que, quando indicado para a ordem, chega como uma verda-
deira “pedra bruta”.
A adoção de Lowtons constitui ato maçônico da mais alta responsabilidade
assumida por uma loja maçônica, tendo em vista a natureza e a sublimidade do
encargo, dar integral cumprimento.
As Oficinas, evidentemente deverá atuar com prudência ao concederem as doa-
ções, porque deverão acharem-se devidamente dotadas das condições indispensá-
veis para atender o compromisso assumido que é na Ordem Maçônica, um empe-
nho Sagrado.
A cerimônia de adoção é solene e grave, e nela dá-se asilo e proteção às crianças
que penetram no Templo, e as quais passarão a ter, em cada obreiro da Loja, um
protetor diante dos perigos da vida.
Cumpre assegurar-lhe convívio social ameno e afável, amor ao trabalho que
lhes manterá a moralidade de costumes, espírito dotado de fôrça, virtude e união.
A aspiração do reinado do bem na terra, o exemplo da conduta virtuosa, a com-
preensão, Liberdade, Igualdade e Fraternidade, o respeito mútuo a Tolerância,
amar e socorre, amar e socorrer o próximo, a prática de boas ações e outros pre-
conceitos fundamentais, constituem ensinamentos da filosofia e da moral, e repre-
sentam o ideal fraterno da comunidade.
No perpassar do templo vem a Instituição, através de suas Lojas, oferecendo
dignificante exemplo de dedicação e desvelo pelos seus afilhados.
Objetiva-se ainda, na incessante busca da perfeição humana, dar novas dimen-
sões no convívio, amparo e dedicação aos “lowtons”. Assim é que as Lojas tem
por obrigação efetivar Sessões Brancas semestrais com os seus “lowtons” a exem-
plo das Lojas do interior, proporcionando-lhes a oportunidade de maior contato
com seus pais adotivos e receberem ensinamentos adequados e lições de moral e
cívica através da palavra de obreiros da Loja. Após a sessão reunir-se-ão Obreiros,
Lowtons e convidados em dependências próprias para um informal e festivo con-
vívio social, segundo nossas tradições.
O simbolismo do Ritual de Adoção pela sua beleza e no seu abrangente signifi-
cado e conteúdo, não devem ser considerados simbólico e como um cerimonial
realizado e mantido por ser prática tradicional maçônica. Deve, sim ser conside-
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rada como necessária e uma obrigação a ser observada pelos padrinhos e pela
própria Loja, aos quais cabe a responsabilidade de orientar e proteger-los, não
esquecendo-se dos deveres que assumiram, pois nesse caso a adoção de lowtons
é uma falsa, iniciada com a representação do cerimonial e encerrada com a última
batida de malhete.
Algumas Lojas, as quais mantem um razoavel número de Lowtons, mantem
sua Loja de Lowtons, orientadas por sua Comissção de Lowtons e adotam o
Ritual da Loja de Lowtons. Foi este Ritual aprovado em Assembleia da
Confederação da Maçonaria Simbolica do Brasil, realizada no passado no
Estado de Pernambuco, tendo a tese “Adoção de Lowtons” apresentada pela
Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, elaborada pelo saudoso Irmão
Herve Cordovil.

Adoção de Meninas – Cumprindo promessa para dar apoio aos lowtons, como
o fez com os jovens DeMolay e com a Ordem do Arco-Íris que, juntamente com
as Estrelas do Oriente, para senhoras, o Grão Mestre Salim Zugaib tendo em conta
a inegável evolução filosófica da cultura universal e os entendimentos sempre
progressistas da Maçonaria, apresentou e conseguiu aprovar pela Assembleia, o
Projeto de Lei, que foi incorporado em contexto regulamentar, para que as Lojas,
como lowtons, filhas ou netas de Maçom.
Foi, assim, alterado os procedimentos da Adoção de Lowtons passando as Lojas
a adotarem como lowtons os filhos, filhas, netos e netas de Obreiros de seu
Quadro. O significado desta adoção é que, a partir dela, os membros da Loja,
principalmente os padrinhos, ficam responsáveis pelo adotado, dando-lhe, na falta
do pai, orientação segura.
Cabe aqui esclarecer que a adoção de meninas não pretende dar ingresso às
mulheres na Ordem ou dar-lhes oportunidade de participarem de sessões ritualís-
ticas. A única seria a cerimônia de Adoção e que o lowtons (masculino) não é
maçom e que para se tornar um, deverá dar atendimento a todas exigências legais
para sua inicição na Loja, como qualquer candidato, com a vantagem de poder
solicitar sua admissão aos dezoito anos.
Desde o século dezenove, em muitas lojas das capitais estaduais e do interior,
além de fazerem periodicamente a adoção de grande quantidade de lowtons,
incluíam meninas (sexo feminino), apesar disto não ser permitido pela legislação
maçônica das potências consideradas regulares sua participação ritualistica, como
acontece com as Garotas do Arco-Iris que constituem uma Ordem Paramoçônica.
Os Regulamentos da grande maioria das potências, mantinham praticamente o
mesmo artigo, referente a adoção de Lowtons, como por exemplo especifica o
“Regulamento Geral” do Grande Oriente do Brasil, de 18.04.1989: “Uma Loja
regular tem direito: A admitir como os seus lowtons os filhos de maçons maiores
de sete e menores de treze anos, devendo ser como tais os filhos legítimos, natu-
rais e adotivos legalmente reconhecidos, dos maçons regulares”.
Mas nem com esta legislação especifica as adoções de meninas eram feitas
abusivamente, inclusive em lojas da jurisdição do Grande Oriente do Brasil, prin-
cipalmente nos Grandes Orientes que se declaram independentes e em tempos
posteriores pelas Grandes Lojas, as quais, também, mantinham a proibição cons-
titucional.
Entretanto, no que diz respeito ao Estado do Rio Grande do Sul, já as cerimô-
nias de adoção de meninas foram oficializadas em fins do século dezenove, como
comprova o Vade-mecum maçônico, editado com licença oficial do “Grande
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Oriente Independente do Rio Grande do Sul”, instalado em 14.10.1893, que á


pagina 38 diz textualmente: “Pela cerimônia de Adoção, os Lowtons tornam-se
filhos adotivos da Loja. As Oficinas não devem conceder esta adoção senão com
prudência, e somente, tanto quando for possível, a filhos, ou filhas de maçons.
Com pelo menos 7 anos de idade”.
O primeiro Regulamento Geral da Grande Loja do Rio Grande do Sul fundada
em 8.1.1928, editado em 1930, diz em seu Art. 127 – As Lojas poderão admitir
como lowtons filhos e filhas de maçons com idade de 7 a 15 anos. Já nas
Constituições posteriores se manteve a restrição apenas a meninos.
Os Rituais Especiais, elaborados por José Fernandes Danylo, em são Paulo e
aprovados pelo Colégio de Grão Mestres, no Ritual de Adoção de Lowtons, em
suas anotações preliminares diz: “Ä adoção de Lowtons, a que chamam impro-
priamente de batismo maçônico, impõe a Maçonaria e especialmente aos padri-
nhos, que são sempre maçons, obrigações e deveres, tais como servir aos tutelados
de guia e amparo. Por isso deve essa concessão ser restrita aos filhos ou filhas de
maçons dedicados, entre a idade de 7 a 13 anos”.
Algumas Lojas, lideradas por lideres mais radicais desaprovaram a ideia, ale-
gando não proceder a adoção de meninas porque somente os meninos poderiam
receber o avental, o que constrageria as meninas. Isto foi solucionado por Salim
ao assinar o Ato nº 078 de 13.04.1999, abolindo a entrega e uso do avental nas
adoções.

12 – Casamento Maçônico (Reconhecimento Conjugal)


O casamento Maçônico ou Confirmação de Casamento, a exemplo da Adoção
de Lowtons tem uma origem quase comum. Todavia o Casamento Religioso, na
Europa e na América inglesa, nunca foi Artigo de Primeira Necessidade. Então a
nossa confirmação de Casamento não aparece nos compêndios de pesquisas
Maçônicas, nem dos Estados Unidos, nem da Grã-Bretanha.
Nos países latinos, onde há o predomínio da igreja Católica Romana, sim, Ai, o
Casamento Religioso é de plena importância. Num grande numero de casos – o
Casamento Religioso sobrepõe-se ao Casamento Civil, Por ser o Casamento
Religioso, um vínculo considerado indissolúvel, muitos casais preferem o
Casamento Civil, unicamente com a instituição do Divorcio – uma separação, sem
o vinculo Religioso (da Igreja Católica Romana), torna-se mais fácil, sem trau-
mas, sem pesos na consciência. E, é daí, talvez, a escassa documentação sobre o
Casamento Maçônico.
O Reconhecimento Conjugal, em quase todos os países da America Latina, tem
Ritual próprio inserido em caderno denominado Rituais Especiais, onde no inicio
da cerimônia, após as saudações do Venerável Mestre o Mestre de Cerimônias diz:

“Esta cerimônia só se efetua por solicitação de um Mestre Maçom com o obje-


tivo de homenageara feliz união conjugal. – Não pode, nem deve, por consequen-
te, ser confundida com o matrimônio, nem se trata de substituí-lo; pelo contrário,
nós nos limitamos à Reafirmação desse mesmo matrimônio, e a Loja que a outor-
ga, deve estar, deve estar radiante pela felicidade deste casal que vem cumprindo
todos os requesitos e formalidades que as Leis do país estabelecem e o amor
endossa. Compartilhamos com nossos irmãos de sua justa e louvável satisfação
em momento tão solene e importante para a vida dos homens, fazendo da
Reafirmação Conjugal nossos elevados ensinamentos morais que são a base da
Maçonaria Universal”.
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13 – Exéquias Maçônicas – Pompas Fúnebres


As tradições mais remotas nos ensinam que o culto aos mortos tem sido univer-
sal e que todos os povos tem honrado a memória de seus defuntos.
A morte é nosso destino comum e a Maçonaria que proclama o dogma da imor-
talidade da alma e que considera a morte como uma transição, ou como a inicia-
ção da alma a vida eterna não poderia faltar à tradição e por isso lhe consagra uma
das cerimônias mais interessantes.
O templo, revestido de bandeirolas pretas sombreadas de lagrimas, e guarnecidas
de galões e borlas de prata apresenta um triste e majestoso aspecto. Todos os sím-
bolos e emblemas que decoram o Templo, igualmente que o trono do Venerável
Mestre, os altares dos Dignitários e Oficiais, e os assentos dos Obreiros, cobertos de
filo preto ao redor do friso se destacam somente os quatro signos do Zodíaco o de
Geminis e Leo ao Norte e o de libra Aquário ao Sul, para significar que a morte
alcança em todo tempo e estação os homens de todas as hierarquias e idades.

14 – Indumentária Maçônica
A Revolução Francesa marcou o fim do vaidoso traja aristocrático do século
XVIII. A austeridade revolucionária, também no vestir, expressava essa ideia,
depois parcialmente realizada, de uma indumentária racional, simples e pratica e
prática. A concepção aristocrática da elegância caia por terra. Das vestes mascu-
lina de então, compostas de paletó, colete, calças estreitas e botas nasceu, em
linhas gerais, a vestimenta masculina de até o final da segunda guerra e de lá para
cá calça e camisa para todos.
A Maçonaria, apesar de nascida de ideias liberais e libertárias do século XVIII,
continua a seguir a linha aristocrática em suas vestes; o terno preto, camisa bran-
ca, gravata preta e a beca, também denominada de balandraus para Maçons.
O irmão Boanargés Barbosa Castro faz s seguinte proposição:

“Dentro de um Templo Maçônico as vestes que constituem o trajo normal do


individuo simbolicamente não existem. Para frequentar no Templo no Templo as
Sessões de Loja,torna-se necessário e imperativo que ali esteja maçonicamente
trajado. O trajo do Maçom é o Avental. Insígnias, Colares, Joias, Medalhas,
Distintivos podem se dispensados. O Avental nunca”.

Ao irmão Nicola Aslan é atribuída a proposição:

“Traja: designa o vestuário dos Maçons, que deve ser decente e limpo e que não
comporta camisa esporte ou falta de paletó. Todavia pode ser usado um balandrau,
porém somente nas Sessões Econômicas. Nas Sessões Magnas o traje é preto, com
luvas brancas”.

Em muitas Potências Maçônicas, o uso do terno escuro, camisa branca e grava-


ta é tornado obrigatório pelo Grão-Mestrado. Apenas isto bastaria para que não
houvesse polêmica em torno deste assunto.
Em um dos Boletins de um Supremo Conselho, determina aos Altos Corpos a
seguinte nota:

“Corpos filosóficos: – traje e apresentação dos irmãos. Em reunião econômica


e Magna de Iniciação. O traje deve ser preto ou Beca, de preferência Terno, de
camisa branca com uso da gravata preta.
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Iniciação – os candidatos devem estar revestidos com traje social (terno e gravata)
não sendo permitido o uso de Beca para esta cerimônia.
Proibido – Em qualquer Sessão o uso de calça jeans e tênis.
Nota: – Os profissionais liberais (médicos e dentistas) que por força do trabalho,
principalmente nas Capitais, ficam impossibilitados de mudar A roupa, devem usar
Beca preta, bem comprida, supondo, assim, em caráter especial o traje adequado”.

Segundo o Rito praticado, de um modo geral, o traje dos maçons nas sessões
econômicas não é de rigor, com exceção das Lojas tradicionais inglesas que sem-
pre se apresentam com rigor em todas as sessões e, no caso das Lojas que praticam
o cerimonial de Emulação não dispensam, além do rigor o uso do chapéu tipo
cartola. Nas sessões magnas na maioria dos ritos exige terno preto, camisa branca,
gravata preta, sapatos pretos e meias pretas, coisa que é altamente discutível, pois
em regiões quentes dos Estados Unido, por exemplo, os Maçons costumam fre-
quentar as sessões em mangas de camisa, e o avental, evidentemente, pois traje
maçônico mesmo é o avental, já que sem ele o Maçom é considerado nu.
Nas solenidades e Sessões Magnas a maioria dos Ritos exige o rigor, e no míni-
mo traje completo, sendo importante que todos apresentem uniformidade na
vestimenta. No caso de algum dos irmãos apresentar-se fora do padrão é exigido
o uso de balandrau preto, cobrindo-se todo o corpo, inclusive os sapatos.

Cobertura (Chapéu) – Sobre o uso da cobertura ou chapéu, nosso saudoso


irmão Antonio Di Profio, ex membro da Loja Renascença Nº 219, Oriente de
Santo André, definiu seu uso desta maneira:

“Indumentária para cobrir a cabeça. De variada forma e uso, e, às vezes, de


grande significado e importância.
Cobrir a cabeça sempre preocupou o homem, por motivos vários. Do simples
para proteger-se do frio, da chuva da neve e sol, ou como indumentária para
requinte de elegância, para distinguir-se entre tropas diferentes como nos exérci-
tos, de aço para proteger-se em combate das balas ou armas de corte e furo, ou
para distinguir-se como dignitário específico, como símbolo no caso de realeza.
Na igreja Cristã Católica, o vemos entre padres e Bispos, como Símbolo de
Sacerdócio, ou melhor, do poder Sacerdotal, que será exercido, com soberania e
dignidade. Encontramo-lo, também, em outras religiões e rituais, sempre com o
mesmo motivo e explicação.
Entre tribos primitivas, também eram usadas coberturas para a cabeça, com
plumagem colorida, chifres de animais, a fim de poder-se distinguir o chefe da
tribo, dos demais dignitários da mesma.ˮ

Os homens descobrem a cabeça em sinal de respeito a outros que o merecem ou


ao entrar em templo de todas ou quase todas as religiões. Em quanto isto, no novo
testamento. Nos versículos de São Paulo, temos que as mulheres durante os ritos
dentro da Igreja, devem estar de cabeça coberta enquanto que os homens devem
tê-la descoberta. O Irmão Boanerges, explicando o simbolismo maçônico nos diz
que, desde o século XVIII, só o venerável Mestre tem o privilegio de usar o chapéu
dentro do Templo Maçônico, nas Lojas de 1º e 2º Graus, afirmando que é o símbo-
lo da autoridade e da superioridade. Diz ainda o mesmo autor, que este uso vem das
cortes da época e que somente o Rei usava a cabeça coberta, enquanto os cortesãos
ficavam de cabeça descoberta, em sinal de respeito à autoridade máxima.
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Mas na ciência oculta, encontramos outra explicação, dizendo que os pelos


grossos e curtos das sobrancelhas e barba dos homens são emissores de energia,
enquanto que os pelos finos e longos dos cabelos são captadores de energia.
Por este motivo, o Venerável Mestre, mantendo-se de cabeça coberta, indica que
ele nada mais tem a receber dos demais da Loja, uma vez que chegou ao termo
final de sua iniciação.
O chapéu de aba abaixada por tanto, lhe confere o poder e a autoridade, que ele
esta apto a exercer, com dignidade e soberania, perante os aprendizes e compa-
nheiros que ainda não chegaram aos seus conhecimentos plenos e que, por este
motivo, lhe cederam o comando, comanado este não arbitrário, mas que reflete a
vontade de toda a Oficina que aceitou tal comando, a fim de que a ordem e a
disciplina sejam mantidas, durante os trabalhos. Mas em certos momentos espe-
cíficos, o Venerável Mestre tira o chapéu e se nos analisarmos o motivo do ocul-
tismo persiste ainda, porque ele se descobre para a oração ao Grande Arquiteto do
Universo e todas as vezes que a ele se refere para poder Dele receber as radiações
Divinas. Ainda pelo ocultismo, poderíamos explicar o motivo pelo qual os
homens na igreja Católica, descobrem a cabeça para poder captar energia Divina.

Balandrau – O substantivo masculino balandrau designa a antiga vestimenta,


com capuz e mangas largas, abotoada na frente; designa também, certo tipo de
roupa usada por membros de confrarias, geralmente religiosas.
Embora alguns autores insistam em afirmar que o balandrau não é veste maçô-
nico, o seu uso, na realidade, remonta as primeiras das associações de oficio
organizadas (cujo conjunto é, hoje, chamado de Maçonaria de oficio, ou operati-
vo). “Collegia Fabrorum”, criada no século VI antes de Cristo em Roma; segundo
Steinbrenner, em “História da Maçonaria”, os collegiati, quando se deslocavam
pela Europa, seguindo as legiões de soldados romanos, para reconstruir o que
fosse sendo destruído pelos conquistadores, portavam uma túnica negra; à seme-
lhança deles os membros das contrarias operativas dos maçons medieval (do
século XIII em diante), quando viajavam para outras cidades, outros feudos e
outros países, usavam um balandrau negro.
Os que condenam o uso do balandrau costumam afirmar que o Maçom deveria
apresentar-se, as Sessões de Loja, vestindo terno.
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Capítulo III

Instrumentos e Joias do Aprendiz Maçom

Entre os Instrumentos usados pelos Aprendizes, cabe destaque: a Régua de 24


Polegadas, o Maço e Cinzes pela riqueza de suas simbologias.

1 – Régua de 24 polegadas
A régua é um pedaço de madeira reta ao qual podemos acrescentar uma gra-
duação. Dos instrumentos empregados pelo homem é um dos mais simples e
singelos, mas sua utilização é das mais amplas e sua simbologia das mais pro-
fundas. Da Régua dependem desde ás mensurações mais triviais ate a compre-
ensão dos fenômenos mais complexos, desde os atos mais simples do dia a dia,
ate a produção de uma obra de arte. Em todos os campos da atividade humana,
ela é fundamental e indispensável. Sendo sua função a de medir comprimentos,
distancias, longitudes, a régua torna-se essencial para conhecermos e entender-
mos o mundo material em que vivemos, bem como para que, com ele, possa-
mos interagir. Da Régua depende a medida de todas as grandezas físicas conhe-
cidas, pois se sabe que todas elas podem ser expressas fundamentalmente em
termos de espaço, tempo e massa isto equivale a dizer que todas as medidas
físicas dependem da Régua do relógio e da balança, mas lembramos de que a
operação dos dois últimos instrumentos é impossível sem a noção e a avaliação
da distancia.
A segunda medida fundamental no mundo físico é a medida do tempo, de
extrema importância em nossas atividades diárias e em todas as atividades
humanas. É bem conhecido o fato de que, para medirmos o tempo, necessita-
mos da noção de movimento, de deslocamento, de distancia e que por tanto a
medida do tempo depende também da Régua, isso nos mostra mais uma das
lições simbólicas deste instrumento; devemos medir e calcular o nosso tempo
utilizando-o para a consecução de ideais nobres. Por isto a régua do Aprendiz
Maçom tem 24 polegadas. As quais lembram às 24 horas do dia que devemos
usar com sabedoria.
Para medir e planear a obra – corresponde a Sabedoria do Venerável Mestre
que também a de medir e planear quando dirige os trabalhos.
A significação simbólica nos ensina que como no plano moral, o homem deve
medir os seus planos de ação deve medir e apreciar o contorno das suas ideias
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como se mede um pedaço de pedra, para ter o conhecimento exato do seu valor
e da utilidade. Material com espiritualidade, medir é saber, e o erro começa onde
se perde o censo de medida.

2 – Maço
Utilizado para desferir golpes, tem relação com o 1º Vigilante cuja qualidade é
a força e cuja missão consiste na transmissão de energia, E para transmitir aos
instrumentos à força de implosão necessária à execução do trabalho. O Maço é o
poder e a força. Qualquer que seja o sistema de impulsão adotado modernamente
nos labores do homem, ele se deriva da ideia primitiva do golpe. O Maço é a ação.
A tarefa do homem na vida, em síntese, tem como fim a remoção e transforma-
ção da matéria; toda ação humana se reduz a isso, quer no campo material, quer
da esfera moral. Mover pedras e terras, para a construção de um edifício; mover
pensamentos e ideias, para a construção de um ideal; para mover pedras e terra, é
necessária a impulsão muscular; para mover e transladar ideias, é necessária a
impulsão moral, – ação, vontade força espiritual, se, no plano físico, a Régua
tivesse traçado as suas linhas e o cinzel estivesse pronto para realiza-las na pedra,
mas faltasse força no braço do obreiro, o trabalho consciencioso da Régua e as
qualidades de penetração do Cinzel de nada serviriam; a obra não seria realizada.
O Maço é a impulsão que leva para frente. O Maço é a energia.

3 – Cinzel
Corresponde ao 2º Vigilante porque como este representa o elemento da Beleza,
assim o Cinzel é o instrumento com que o Maçom cinzela a pedra tosca nela,
criando líneas superficiais e molduras, para o embelezamento do edifício.
Simbolicamente modela o espírito e a alma, de acordo com os mandamentos da
sabedoria. Representa ás nossas faculdades morais e espirituais, subordinadas ao
nosso saber e a nossa prudência. Sem o desenvolvimento dessas forças o Maçom
não poderia agir no meio que o circunda, nem poderia dar feição à sua própria
natureza.Este Cinzel Maçônico deve ter fio e têmpora capazes de um esforço
grande e tenaz, isto é, o Maçom deve ter sentimentos generosos, mente Sá, Fé
profunda, estoicismo e capacidade do sofrimento.

4 – Joias Maçônicas
As joias maçônicas estão constituídas em Joias Fixa e as Joias Moveis.

Joias Fixas – São a Pedra Bruta, a Pedra Cúbica e a Prancha de Traçar, Essas
joias deverão permanecer no Templo enquanto a Loja estiver com as “colunas
erguidas, Isto é fazem parte do Templo.
A pedra Bruta é a joia fixa do grau de Aprendiz, a Pedra Cúbica, do grau de
companheiro e a Prancha de traçar, do Mestre.
A Pedra bruta se apresenta em estado natural e grosseiro tal como foi extraída
da natureza. Ela representa a infância do homem e da própria humanidade. É de
se reconhecer que a humanidade evoluiu muito, mas não passam de uma pedra
bruta, com suas guerras, preconceitos, misérias etc. A Pedra Bruta é uma joia, por
oferecer, latente, a possibilidade se ser aproveitada para edificar, para construir,
Todo individuo tem qualidades socialmente aproveitáveis, mas, para tanto, é
necessário que se Le desbastem as arestas de uma formação grosseria.
A Pedra bruta ensina ao aprendiz, que o homem, dotado de inteligência e racio-
cínio, pode aperfeiçoar-se na educação e instrução.
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Joias Móveis – São as joias do Venerável Mestre, do 1º Vigilante e do 2º


Vigilante, isto é o Esquadro, o Nível e o Prumo, respectivamente e que deverão
passar a seus.sucessores, numa próxima gestão.
O esquadro, o compasso, etc. não foram “inventados” pela Maçonaria e não são
privativos dela.
Os obeliscos – Central Park – outro que está na Praça da Concórdia em Paris,
doado pelo vice-rei MUAMAHAD ALI ao Rei Carlos X da França em 1829 sendo
erigido pelo Rei Luis-Felipe em 1836.
Símbolos sempre existiram em todas as sociedades secretas antigas como ates-
tam os que se encontram na “Agulha de Cleópatra”.
O filósofo MENCIUS nascido 372 anos antes de Cristo, no sexto volume de sua
“Filosofia” diz o seguinte:

“O Mestre Pedreiro ao ensinar ao Aprendiz, usa o esquadro e o Compasso. Tu


que andas atrás da sabedoria, deves também, usar o Compasso e o Esquadro.

No museu maçônico da Grande Loja das Filipinas – um raríssimo objeto de


mais de 2000 anos. Um artefato de iluminação feito de barro encontrado nas ruí-
nas de ESKI-SERUJ na Mesopotâmia e que foi doado a Grande Loja. Existem
nesse lampadário três símbolos maçônicos bem distintos esculpidos: o esquadro,
o compasso, a estrela flamejante e até um ramo de acácia. Coincidência?
Conforme define Ragon, o Esquadro é um instrumento que permite a constru-
ção de corpos quadrados. Em certo sentido, o esquadro representa a ação do
homem sobre a matéria; em outro a ação do homem sobre si mesmo.
Uma vez adquirido a noção de círculo, o homem inventou o compasso que não
somente serve para traçar círculos, mas também para tomar e marcar medidas. O
compasso representa a imagem do pensamento nos diversos círculos percorridos
por ele; o afastamento dos dois ramos, assim com suas aproximações, figuram os
diversos modos de raciocínio que, em certos casos deve ser largo e abundante e,
em outro caso apertado e preciso, porem sempre claro e persuasivo.
Sendo o compasso móvel e o esquadro fixo, o compasso é ativo em relação ao
esquadro.
Graças ás suas pontas, o compasso pode ser cravado na matéria, desde que a
abertura seja inferior a 180 graus, pois, uma vez atingida essa abertura, as duas
varas confundem-se em uma línea reta e o instrumento deixa de servir como com-
passo.
No simbolismo dos três primeiros graus, o compasso tem a abertura de 45º.
Uma vez formada a Loja de Aprendiz, o Esquadro devera ser colocado sobre o
Compasso, simbolizando essa disposição, que nesse grau, a matéria ainda predo-
mina sobre o espírito.
A Verdadeira Joia do Venerável é um Esquadro, símbolo de retidão e das
ações pautadas na justiça. O esquadro do Venerável tem um ramo mais curto do
que o outro, na razão de 3 para 4, justamente a razão dos catetos do triangulo
Pitagórico. O ramo mais longo deverá estar voltado para o lado direito, no peito
do Venerável, para salientar a preponderância do ativo, (direito) sobre o passivo
(esquerdo).
O Nível Maçônico e diferente do nível comum. O Nível maçônico nos fornece
apenas a línea horizontal, más a horizontal precisamente comprovada pela posição
correta da linha vertical. Para que a horizontal seja realmente a horizontal, precisa
formar, com a vertical, um angulo de 90 graus. O Nível Maçônico é o Símbolo da
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igualdade, serve para verificar a horizontalidade de um plano; junto com o prumo,


ele é de fundamental importância na arte da construção de edifícios, motivo pelo
qual tem um lugar de destaque entre os Símbolos Maçônicos. O nível, graças à
sua função, é considerado, maçonicamente, o Símbolo da igualdade e é o instru-
mento concernente ao 1º Vigilante. Em Maçonaria não se usa o nível de bolha,
mas sim, o chamado novel maçônico, que não deixa de ser uma combinação de
nível e de prumo com formato de delta ou de letra “A”, com um fio perpendicular,
pendente da parte central; se este fio estiver deslocado para um dos lados, é por-
que a superfície não é plana.
A Perpendicular ou Prumo é o Símbolo da independência, da dignidade, altivez
o imparcialidade dos justos, pois a perpendicular não pende, como acontece com
as obliquas.
Dizemos que os nossos trabalhos começam ao meio-dia e quando é meio– dia,
o Sol está no zênite, de modo que o Prumo não projeta sombra. O Maçom trabalha
“sem fazer sombras” em ninguém, sem vaidade. O meio-dia, hora do máximo
esplendor do Sól, é também em que a construção pode ser verificada com maior
precisão, por meio do Nível e do Prumo. Diz-se que os antigos construtores assim
procediam e, uma vez que tudo corria bem, proclamavam ao chefe que tudo esta-
va justo e perfeito.

5 – Maço e o Cincel
São as duas ferramentas necessárias para talhar e desbastar a Pedra Bruta, fun-
ção primordial do Aprendiz Maçom, para que ela, esquadrada, se encaixe perfei-
tamente nas construções como pedra cúbica, isso, simbolicamente, significa o
aperfeiçoamento e a evolução dentro da ordem maçônica. Significa que o Maçom,
desbastando a impureza do seu próprio “eu”, do seu intimo, caminha, na senda
iniciatica em direção à Luz do conhecimento e da perfeição maçônica.
O Cinzel que se aplica sobre a pedra com a mão esquerda, lado passivo, corres-
ponde a receptividade, ao discernimento especulativo. O Maço, vibrado com a
mão direita, lado ativo, é a vontade.
Executiva, e determinação moral, donde emana a realização prática. O Cinzel
tem por missão fazer desaparecer as asperidades, isto é, os erros e os preconceitos.
Ao ser aplicado sobre a Pedra Bruta, o Cinzel é seguro com a mão esquerda, lado
passivo que corresponde à receptividade intelectual e ao discernimento especula-
tivo. O Cinzel produz a beleza final de toda obra e realiza os ornamentos e ador-
nos, ao mesmo tempo que faz ressaltar as figuras.
O Cinzel é a Ferramenta quem determina a justa aplicação da sabedoria, pois
nenhuma obra de arte poderá ser produzida na pedra sem a ação, bem orientada
do Cinzel, com a força do Maço, dentro das linhas retas e perfeitas traçadas pela
Régua. Simboliza a inteligência, porque, com ele, o artista lavra o mármore e faz
prodígios na pedra tosca. É o símbolo do progresso humano, da Razão sendo,
também, como o Malho, o da Arquitetura, da Escultura e das Belas Artes.
O Malho, como o Cinzel, é o instrumento de trabalho do Aprendiz, para alego-
ricamente “desbastar a pedra”, ou educar a agreste e inculta personalidade para
uma vida ou obra superior. O Malho simboliza a vontade, energia, o aspecto ativo
da consciência, necessário para vencer e superar os obstáculos.
– Não se deve confundir Maço ou Malho, com Malhete.
Malhete é o símbolo de autoridade do Venerável, os Vigilantes também usam
malhete, que corresponde ao 2º e 3º Malhete da Loja. O malhete tem a forma de
um “tau” grego e é, geralmente fabricado de madeira de buxo, símbolo de firme-
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za e perseverança, o Malhete é também conhecido como insígnia do Venerável e


dos Vigilantes.

6 – Conjugação dos Ternários


É uma sistemática da coordenação de Símbolos, alegorias, joias e funções,
em torno do triangulo e do número três.
Três anos é a idade do Aprendiz; de três partes é o seu sinal de ordem e sau-
dação, três são os seus passos; três são os pontos que o Maçom coloca na
frente da assinatura (dos quais, uma das interpretações simbólicas é a de que
esses três pontos correspondem aos três vértices do Delta – Triangulo – corres-
pondendo ao ternário completo: Sabedoria, vontade e inteligência).
Por três vibrações da Espada Flamígera, o Venerável inicia o profano, tornan-
do-o Maçom; três são as Grandes Luzes emblemáticas: o Esquadro, o compas-
so e o Livro da Lei (que poderá ser a Bíblia ou o Código de moral que repre-
senta a crença ou a mais alta pressão de Fé na consciência do iniciando); três
são as joias moveis três são as joias fixas; três são as Luzes; três são os para-
mentos; três são os ornamentos.
Na iniciação, o candidato, acompanhado do seu guia, pratica três viagens
em busca de três lugares iluminados por três janelas ou três luzes, que ilumi-
nam três compartimentos, marcados, os quais por sua vez, abrem-se por três
pancadas:
De três graus é a Maçonaria Simbólica; Três governam uma Loja:
– Venerável (Esquadro, Rei Salomão, Coluna Jônica, Minerva e Sabedoria).
– 1º Vigilante (Nível, Hiran – Rei de Tiro, Coluna Dórica, Hércules, Força).
– 2º Vigilante ( Prumo Hiran Abif, Coluna Corintia, Vênus, Beleza).
O Rei Salomão mandou construir o Templo; Hiran Rei de Tiro forneceu-lhe
homens (força e trabalho) e materiais; Hiran Abif edificou e completou a obra
dedicada ao Grande Arquiteto do Universo, a mais bela obra edificada.
Os três degraus, sobre os quais se sobe ao Trono, representam os três anos da
idade do Aprendiz Maçom e referem-se particularmente às três primeiras artes:
a gramática, a retórica e a lógica, que o Aprendiz tinha que estudar durante três
anos consecutivos, empregando um ano para o domínio de cada um.

7 – Espadas
A Espada faz parte dos objetos usados pelos Maçons, constituindo-se em
Símbolo que contém vários significados, como a justiça, a força e proteção, em
Loja existem dois tipos de Espadas: Flamejante e Gaudio (Espada Comum).

Espada Flamejante – A Espada Flamejante é uma espada de punho crucifor-


me, lamina ondulada e sem gume, e de ponta romba. Não é por tanto, uma
arma; é um instrumento iniciático. Simboliza o pensamento ativo. Serve para
consagrar o novo Maçom, quando de sua iniciação, elevação e exaltação. Não
sendo uma arma, essa espada é empunhada com a mão esquerda, de uso exclu-
sivo do Venerável Mestre ou de Mestre Instalado, quando o substitui nas
Sessões Magnas de Iniciação, sendo vedado o uso pelos demais irmãos.
Não se deve confundir a palavra Flamejante com a Flamígera posto que:
Flamigera: do latim flammigem, flammifera que, embora brilhante, apenas
representa as chamas, não as produzindo; Flamejante do latim flammans, fla-
mantis que e resplandecente, que expele chamas como um vulcão que as pro-
duz, é a própria chama em sua forma natural.
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Constatamos claramente no texto bíblico a existência de espada, alem de sua


amparação mitológica, tal como quando da sua expulsão de Adão e Eva do para-
íso, em Genesis 3– 24.
“E expulso-os, e colocou no Oriente do Jardim do Éden, querubins armados de
uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida” (querubins =
anjos da 1º hierarquia e mitológicas figuras dos babilônios que figuravam como
guardas em seus templos).
Em sua forma ondulada lembra-nos um raio e, especialmente o de Zeus ou
Júpiter, cujas manifestações estrondosas simbolizam sua magnitude.
Por meio da Espada Flamejante é que o recipiendário é consagrado. Os Ritos
variam no seu “modus operandi” quando deste ato. Na maioria das vezes o
Venerável, segurando a Espada com a mão esquerda, dirige-a sobre a cabeça
daquele, aplicando sobre sua “lamina” os três golpes segundo o Rito. Segundo os
Rituais da França, com tudo, o mais acertados nesta prática, o Venerável, relem-
brando a antiga prática pela qual um escudeiro, um fidalgo etc. eram feitos cava-
leiros.

Espada Comum (Gládio) – O outro tipo de espada usada em Maçonaria é o


gládio, ou espada de dois gumes. É uma espada comum de punho cruciforme.
Com um metro, mais ou menos de lamina a qual tem dois gumes e termina em
ponta.
As espadas comuns (gládios) São usadas em varias ocasiões. Citaremos algu-
mas:
– Quando da introdução, no templo, da Bandeira Nacional, sempre em sessões
Magnas, no mínimo dois irmãos Mestres, formam a guarda, empunhando as
Espadas com a mão direita. Em quanto o Pavilhão nacional estiver sendo saudado,
as espadas estarão voltadas para baixo, isto é, em continência;
– O cobridor da Loja deve sempre empunhar a espada com a mão direita. Ele é
o defensor do Templo e neste caso, a espada é uma arma;
– Quando de cerimônia especial, de honra, prestada a dignitários, vários
Mestres empunhando espadas com a mão direita, formam a “abóboda de aço”, sob
a qual passa a Dignidade que esta sendo recebida. Aqui também, a espada é arma
para defesa e proteção da personalidade em questão;
– Durante a iniciação, as espadas são utilizadas varias vezes, em obedecia ao
determinado pelo cerimonial.

Abobada de Aço – É formada pelos Mestres, erguendo a Espada sobre a cabeça


do irmãoque lhes está a frente, cruzando com sua Espada, pelas pontas formando
assim, um túnel, sob o qual adentra ao Templo as digniddes. O Maçom que adentra
no Templo, sob a abobada de Aço, recebe vibrações tão intensas que se fortalece e
obtém proteção por muito tempo. As Espadas juntadas pelas ponta sao centro do
circulo atraem, por meio da força do aço, toda a energia mística, como se fosse um
imã a recilher as influências cósmica. Quando o Maçom sentir-se frágil, feche os
olhos e atraia a si essa abóbada e passe por ela, invocando a força do aço e sentirá
de imediato a energia que lhe está fazendo falta. Assim pensando, transforma-se o
Maçom em dignitário e, nessa condição, as benesses lhe serão mais valiosas.

8 – Tronco de Beneficência
Também chamado Tronco de solidariedade, vem da Maçonaria Operativa. É o
auxilio material que os irmãos oferecem, através de suas respectivas Lojas, aos
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necessitados. Não deve ser ensinado ao Obreiro que um Irmão necessitado pode
retirar do tronco. Em tal caso, o Irmão deve dirigir se ao Irmão Hospitaleiro.
– O que é óbulo?
É a dádiva ou metal, que o irmão coloca no tronco de Beneficência.
– O que é Medalha Cunhada? Em Loja não se usa o termo “dinheiro”. Diz-
se metal ou medalha cunhada. Sendo a qualidade expressa em unidades de peso,
Istoé, ao invés de cruzeiros, dizemos “quilos” e, para centavos, dizemos “gra-
mas”. Por exemplo: Cr $ 542,78 – Quinhentos e quarenta e dois quilos e setenta
e oito gramas.

9 – A Palavra Huzze
Vem de uma velha aclamação escocesa: Huzza, que quer dizer viva: escreve se
huzza, mas pronuncia-se huzzé. A palavra é inglesa, porem veio Arábia e foi ado-
tado na Inglaterra, o que explica a diferencia de ortografia e pronuncia.
– São João da Escócia existiu?
Não se encontra esse santo, entre os catalogados e honrados da Igreja. Não se
sabe, portanto, de que santo se trata.

10 – São João Nosso Padroeiro


Não resta dúvida de que é expressão “São João nosso pedreiro”, vem da
Maçonaria operativa, pois que, já na idade media, existiam as corporações de São
João dos Pedreiros livres. Hoje em dia são referidos: São João Batista, o precursor
e São João Evangelista, o apóstolo de Cristo, As festas patronímicas de São João
Batista e de São João Evangelista situam-se, respectivamente, 24 de Junho e a 27
de dezembro, aproximadamente nos solstícios de Verão no hemisfério Sul e
Inverno no hemisfério norte. Na Europa, celebram-se ambas as festas, em quanto
que no Brasil, a Maçonaria celebra apenas a festa de São João Batista.
São desconhecidas às razões porque são João é pedreiro da Maçonaria. Alguns
autores dizem que, ao festejarmos o dia 24 de Junho, estamos imitando um costu-
me tradicional dos Templários. Outros, Também entendendo que nossa instituição
deriva dos Templários falam de São João de Jerusalém ou São João o Esmoler.
– Alem de São João Batista e de São João evangelista, quais outros Santos tem,
por tradição, relacão com a Maçonaria Operativa?
São os “quatro coroados” Severo, Severiano, Carpóforo e Vitorino, que teriam
sido sacrificados e mortos por ordem do Imperador Diocleciano, por se terem
negado a fazer estátuas de ídolos pagãos.
– Há mais algum santo lembrado na Maçonaria atual?
Sim, São João de Jerusalém ou São João Esmoler ou hospitaleiro, lendária figu-
ra de príncipe, filho do Rei de Chipre, no tempo das Cruzadas. São João de
Jerusalém faz parte do Ritual, no Rito Adonhiramita.

11 – A Escrita Maçônica
O sistema cartográfico maçônico, infelizmente tem seu uso pouco ou quase não
difundido, tendo sido eliminado até mesmo na circulação das palavras semestrais,
tornando-a presa fácil para os que dela não devem tomar conhecimento.
A maçonaria adota como técnica de escrita dois sistemas distintos: Alfabeto
Maçônico e as abreviaturas maçônicas.
O alfabeto maçônico, que por muito tempo foi utilizado para resguardar o nosso
sigilo, baseia-se em duas figuras geométricas que formam a ”chave do código”.
– A primeira chave é formada por duas paralelas cruzadas, também denominada
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de Cruz Quádrupla; A segunda em formato de letra “xis”, com quatro ângulos


opostos pelo vértice, cognominada de Cruz de Santo Andre.
O nosso alfabeto esta caindo no esquecimento, poucos o conhecem em nossos
dias. Nossa tradição maçônica, principalmente neste particular esta perdendo o
terreno traçado e idealizado pelos nossos antepassados. É necessário que retome-
mos esta prática tão tradicional e que nos resguarda da curiosidade profana.
Até mesmo as “Palavras Semestrais”, que deveriam ser grafadas pelo nosso
alfabeto, e é para isto que ele foi criado tornou-se vulgar escrevê-la através da
grafia comum. A volta desta prática, não só resguardaria o sigilo maçônico, como
também obrigaria a que o Venerável Mestre voltasse a exercitar o uso do nosso
alfabeto.
Aliás, nenhum Venerável Mestre deve desconhecé-lo é uma obrigação do seu
cargo saber usá-lo para ensinar aos seus Obreiros, mormente quanto estes o con-
sultam.
Vejam em que situação se coloca um Dirigente de Loja Simbólica ao ser inda-
gado por um membro do Quadro como se usa o sistema das chaves para decifrar
o nosso alfabeto, e o Venerável apenas descarta: – não se usa mais, caiu de moda.
É o atestado da “santa ignorância”, para não ter a coragem de dizer que des-
conhece o sistema e que nunca aprendeu porque nunca se interessou pelo siste-
ma em que se baseia as figuras para a decifração do alfabeto através das chaves
do código.
Até mesmo desconhece que estas chaves – a Cruz Quádrupla e a Cruz de Santo
André estão presentes nos painéis Simbólicos dos Graus de Aprendiz e permane-
ce no de companheiro.
Encontramos ainda estas chaves na Pedra de Ponta ou de topo, que representa
o Maçom já evoluído, assim como o emblema dos conhecimentos humanos.
Tem em sua face esquerda 100 quadrados com hieróglifos e as letras itálicas que
os representam; na parte superior a “Clef dês lettres” – a chave das letras, acima
já descrita.
Quando nos referimos a esta Pedra, quase que causa espanto aos irmãos – em
sua grande maioria nunca ouviram falar. Parodiando Euclides Da Cunha, referin-
do ao Brasil, podemos registrar: “a continuarmos abandonando nossas tradições,
nosso destino será o desaparecimento”.

12 – Calendários Maçônicos
Muitos são os calendários adotados pelos Maçons. Os Maçons do Rito
Escocês antigo e aceito, em geral seguem o calendário hebráico, alegando que
foi usado na Maçonaria, desde o tempo dos cruzados.
O ano hebráico é lunissolar, sendo regulado pelo tempo em que a Terra faz a
sua revolução em torno do Sol; é dividido em meses lunares, que correspondem
ao tempo em que a Lua faz a sua revolução em roda da terra.
Como uma lunação tem lugar em cerca de 29 dias, 12 horas e 44 minutos, e
como cada dia e cada mês começa e termina a meia noite, alguns meses devem
ter sò 29 dias e outros 30 dias.
Os 12 meses lunares não completam, porém, o tempo de um ano solar, haven-
do um excesso de 11 dias, visto que o ano lunar tem 354 dias e o solar 365. Isto
do Lugar a que alguns anos lunares tenham 13 messes.
O ano hebráico começa em dois períodos diferentes, fazendo-se a distinção
de ano eclesiástico e ano civil. O ano eclesiástico começa no mês de Nisan ou
logo depois da Lua Nova, que se segue no equinócio de Março e serve para
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regular a época das festas religiosas dos Judeus. O ano civil começa no mês
Tisri ou por ocasião da lua nova seguinte ao equinócio de setembro e é usado
em todos os assuntos civis, legais e históricos, sendo este também o adotado
pelos Maçons.
Os meses hebráicos são os seguintes, os quais correspondem aos do calendário
gregorianos, adiante declarados:

1º Tisri....................................................... 30 Setembro, Outubro e Novembro


2º Khesvan ou Marchesvan....................... 29 Outubro e Novembro
3º Kislev.................................................... 30 Novembro e Dezembro
4º Tebeth.................................................... 29 Dezembro e Janeiro
5º Schebet.................................................. 30 Janeiro e Fevereiro
6º Adar....................................................... 29 Fevereiro e Março
Veadar (intercalado).............................. 30 Março e Abril
7º Nisan...................................................... 30 Março, Abril e Maio
8º Ijar......................................................... 29 Abril, Maio e Junho
9º Sivan...................................................... 30 Maio, Junho e Julho
10º Tamuz.................................................... 29 Junho, Julho e Agosto
11º Ab.......................................................... 30 Julho, Agosto e Setembro
12º Elul........................................................ 29 Agosto, Setembro e Outubro

O mês Veadar (2º Adar) só faz parte dos anos que tem 13 meses, tendo sempre
30 dias.
O ano de 12 meses denomina-se ano comum e pode ser de três espécies, a saber;
ordinário, com 354 dias; deficiente ou defectivo, com 353 dias; abundante com
355 dias.
O ano de 13 meses chama-se ano intercalar e pode ser também de três espécies,
que são: ordinário, com 384 dias; abundante com 385 dias.
Nos anos deficientes, o mês Kisley tem apenas 29 dias, nos abundantes o mês
Khesvan tem 30 dias.
E preciso decorrer o espaço de 19 anos para que as faces da lua tornem a suce-
der nos mesmos dias dos meses do ano solar civil; esse espaço de tampo é o que
se chama ciclo lunar.
Por esse motivo, em um período de 19 anos, são considerados intercalares os
seguintes anos do calendário hebráico: 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º, 19º.
Para achar o ano hebráico correspondente a um ano dado da era crista, junta-se
3760 ao número que representa o ano dado, se precede ao comeso do mês Tisri e
3761 se e depois dessa época. Exemplo:
2013 + 3760 = 5773

13 – As Abreviaturas Maçônicas
Abreviatura é uma redução gráfica de uma palavra ou grupo de palavras, e
remonta a antiguidade, como as anotações tironeadas em que uma letra ou uma
sílaba inicial substitui a palavra.
Há entretanto uma regra maçônica para o emprego das abreviaturas, tanto nas
palavras escritas no singular como no plural. Existe um certo número de palavras,
que, abreviadas, são entendidas por todos os maçons; o que não pode, é chegar ao
exagero, abreviando indiscriminadamente, qualquer palavra.
72

Existem duas regras básicas para a formação das abreviaturas maçônicas.

a) – o corte deve ser feito entre a consoante e uma vogal; Ex; Or. = Oriente;
b) – o plural é feito através da repetição da letra inicial: Ex. VVig. = Vigilantes,
ou pela repetição da abreviatura; Or. Or. = Orientes como fazem algumas
obediências europeias.

Toda Abreviação Maçônica é caracterizada pelo uso de três pontos. Parece que
seu uso teve inicio na França, onde foram empregados em abreviaturas, em docu-
mentos maçônicos. Embora esse costume não tivesse sido admitido pelos Maçons
ingleses, ele foi-se generalizando, espalhando-se gradativamente por todos os
países, inclusive os Estados Unidos.
Segundo Ragon, a tripontuação foi usada, pela primeira vez, na circular de 12
de Agosto de 1774, onde se lia “G\ O\ de France”, dando uma informação a
respeito de mudança da sede do Grande Oriente. Entretanto, F. Chapuis contesta
Ragon, afirmando que os três pontos já apareciam nas atas da Loja “sincerité”, ao
serem mencionadas as eleições de 3 de dezembrode1764, isto é 10 anos antes da
data apontada por Ragon.
Outra explicação sobre a origem dos três pontos situa-os como herança dos
Rosa – Cruzes do século XVII; outra, diz que seriam provenientes da arte hiero-
glífica egípcia.
Embora, no inicio, os três pontos fossem apenas sinais de abreviaturas, não
tardaram a se transformar em símbolo ao qual foram dadas as mais variadas inter-
pretações. Citaremos algumas:
Os três pontos, na posição de vértivos de um triangulo equilátero, podem cons-
tituir o símbolo da divisa maçônica: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Para
Ragon, simbolizam o Passado, o Presente e o Futuro. Para Oswald Wirth, simbo-
lizam: Tése, isto é, a ideia que se defende; Antítese, ou seja, a oposição que lhe é
feita; e Síntese, isto é a harmonia das ideias opostas.
Os Maçons usam colocar os três pontos após a assinatura, porem os usa muito
mais como abreviatura dos vocábulos Maçônicos, obedecendo naturalmente, a
certas regras.
73

Capítulo IV

Conhecimentos Gerais

1 – Origens da Maçonaria
Segundo a lenda, Hiran Abif teria fundado a Maçonaria, ao construir o templo
de Salomão, que, para os maçons, simboliza o corpo humano, o Universo, pois
a “pedra bruta” Precisa ser polida para uma sólida construção mental e espiritu-
al. A Maçonaria pode ser Simbólica e filosófica. Simbólica quando mantém seus
três primeiros graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre; Potência filosófica
quando reconhece os demais Graus, segundo os ritos adotados: Escocês Antigo
e aceito, o mais generalizado; Moderno, Adoniramita, York, Schroeder e
Brasileiro. Daí a origem dos utensílios e instrumentos de pedreiros usados sim-
bolicamente pelos Maçons: O prumo, o compasso, a régua, o esquadro, o nível,
o malho, o cinzel e outros, como pedreiros livres, filhos da viúva, pois que
Hiran era órfão de pai.
Muito tenho lido e ouvido sobre as origens real da Maçonaria, razão de não
termos a presunção de doutrinar sobre tão nebuloso assunto. Apenas queremos
trazer para os irmãos, algumas considerações que, possivelmente, lhes facilitará
tirar algumas concluções sobre um assunto que tem sido objeto de tantas versões
e interpretações que, realmente, nem os cerca de 30.000 volumes publicados sobre
a maçonaria, conseguiram esclarecer. Sempre existiram e existirão os estudiosos,
os pesquissadores e os místicos que interpretarão, à sua maneira, esse mistério
intrigante : como se originou e de onde veio a Maçonaria.
Malgrado as divergentes opiniões sobre as origens da maçonaria, um fato é
reconhecido: seja gual for o prisma sob o qual se examine a história, ela é faci-
nante e, talvez seja por isso messmo que até hoje não se tenha chegado a uma
conclusão definitiva sobre sua origem.
Existe, porém, uma unanimidade: a maçonaria estaria intimamente ligada à
antigas sociedaddes iniciáticas e, possivelmente, delas descendem, num processo
de depuração e caldeamento de ritualiisticas que chegaram até nós. Se a compa-
ramos com as antigas sociedades secretas em número superior a 300, existentes
no antigo Egito, Grécia e Caldéa, uma das quais bem poderia ter sido o embrião
da maçonaria.
Mas, se dermos isso como certo, como ficam as antigas sociedade de constru-
tores, estas sim, composta de maçons operativos, universalmente, reconhecidas
74

como as primeiras iniciadoras da maçonaria. Teriam essas sociedades de constru-


tores se inspirado nas antigas sociedades secretas a que nos referimos antes?

2 – Maçonaria Operativa
Podemos dizer que a Maçonaria Operativa, surgida na Inglaterra teve origem
nas corporações de construtores originadas das collegia artificum ou collegia
fabrum Greco romanas. Em Roma por volta do ano 715 A.C foram criadas orga-
nizações que incluíam membros de várias atividades para a construção de edifi-
cações permanentes, cujas collegia recebiam seus membros através de inicia-
ções e dividiam seus membros em graus e possuíam um fundo de caridade pelo
qual davam assistência aos pobres, usavam palavras de passe, toques, sinais e se
concentravam em suas atividades profissionais.
Desaparecidas as collegia no século III com as incursões de tribos beligeran-
tes vindas do leste da Europa que sobrepujaram o Império Romano, destruindo
a civilização então existente. Escolas, cultura, belas artes, religião e associações
de artesões de toda natureza desapareceram. Seguiu-se em seguida o período de
mais de setecentos anos conhecido como Idade das Trevas.
Passado esse período a Europa começou a reconstruir sua civilização com o
desenvolvimento e treinamento de artesões de todos os tipos, surgindo as orga-
nizações chamadas Guildas formadas por homens em várias localidades em
particular, que executavam um definido e especifico tipo de trabalho ou serviço.
É estas organizações com a qual a Maçonaria se relaciona. Seu objetivo era
governar a conduta de seus membros, coletar fundo para melhorar a vida dos
desafortunados e especialmente melhorar o nível técnico das especializações.
Muitos dos ofícios daquele período tinham segredos de execução zelosamente
guardados, onde os membros estavam sujeitos por juramento a não revelá-los
àqueles que não pertenciam à Guilda.
Como estas corporações eram agregadas a organizações religiosas, daí dedu-
zimos que seus componentes reforçaram a prática de Rituais.
Os Maçons operativos nem sempre se reunião em Templos instalavam a Loja
entre as moradias, no próprio local da obra, pois suas Lojas duravam enquanto
durasse a construção do edifício. Terminada esta, dispensavam-se, para se rea-
gruparem em outros locais localizados nos novos canteiros de obras.
A cada vez que se reunião desenhavam no chão, a giz, os símbolos, que reves-
tiam o caráter ritualístico das reuniões. Estes desenhos a giz (Painel) eram
apagados ao termino da reunião.
Era na Loja que se reuniam para orar, meditar, traçar planos, analisar o traba-
lho realizado e a ser realizado e prever o trabalho a realizar no dia seguinte.
Estas Lojas provisórias eram tão sagradas quanto nossos Templos.
Com a admissão dos Maçons Aceitos ou Adotados que eram membros hono-
rários e não praticavam, as Lojas substituíram o traçado a giz por um tapete, no
qual estavam bordados os Símbolos que davam o caráter de sacralidade à reu-
nião. Este tapete era estendido no principio das reuniões, enrolado e cuidadosa-
mente guardados no fim dela.
Traçado a giz, tapete ou Painel pintado em tela ou madeira sempre teve o
mesmo conteúdo, apenas com variantes do Rito. Aos símbolos nele figurados
nossos Irmãos sempre atribuíram caráter sagrado e sigiloso.
Durante séculos nossos irmãos Operativos escreveram na pedra mensagens
ocultas e legaram à Humanidade obras de arte fantásticas, Giz, Cordel,
Compasso, Régua, Esquadro, prumo, Nível, Malho, Cinzel era tudo o que pos-
75

suíam materialmente que somados a seus sábios conhecimentos de arquitetura,


geometria, matemática, desenho, além daqueles outros alquímicos e herméticos,
proporcionaram as maravilhas que extasiam os olhos da Humanidade até hoje.
No prefácio do livro “O Mistério das Catedrais”, de Fulcanelli, chama a aten-
ção para a ponte que aproxima culturas distantes no tempo, aparentemente
inconciliáveis, através das Artes: “Basta-nos saber que as maravilhas da nossa
Idade Média contém a mesma verdade positiva, o mesmo fundo cientifico que
as pirâmides do Egito, os templos da Grécia, as catacumbas romanas, as basíli-
cas bizantinas”.
Nos deixa Fulcanelli uma duvida explicita: teriam esses conhecimentos,
tanto os técnicos quanto os herméticos, sobrevivido à poeira dos séculos tendo
por base o ensino oral de mestre a discípulo. A considerar esta hipótese como
plausível, e a consideramos, estaremos contrariando conceituados historiadores
da Maçonaria que admitem os primórdios da Sublime Ordem nos pedreiros
livres surgidos no século IX d. C. (fase operativa) e da Maçonaria atual (fase
simbólica) a partir de 1717. No entanto, nossa teoria é de que as raízes maçô-
nicas pertencem a distanciadas culturas antigas, tendo assimilado aqui e ali os
conhecimentos herméticos de que são guardiães os sacerdotes e iniciados des-
sas culturas.
Outrossim não trataremos desses aspectos ocultos neste artigo. Trataremos a
fase operativa dos Maçons situada na Idade Média com a construção das gran-
des catedrais, que encontra no construtor Virúvio, o príncipe dos arquitetos, o
elo de ligação entre as culturas e a dos Maçons operativos. Nos segredos e cos-
tumes cultivados pelas confrarias dos Mestres-de-Obras da Idade Média pode-
remos reconhecer muito dos costumes transformados em simbólicos pela atual
Maçonaria. E da necessidade de não se perder o fio da meada de nossas origens,
é que é necessário recupera-las de tempos em tempos.

3 – Maçonaria Especulativa
No fim do século XVI na Escócia e a partir de 1646 na Inglaterra, as Lojas
Operativas começaram a aceitar personalidades que não tinham qualquer afinida-
de com o ofício de “pedreiro” ou “construtor” que era do que se constituía a
chamada maçonaria operativa. Foi assim que, acolhendo elementos da elite como
professores, filósofos, cléricos, elementos da nobreza e de outras classes sociais,
interessados em participar de uma instituição onde pudessem, livremente, expor e
discutir suas teses, teorias e pensamentos é que a maçonaria se tornou especulati-
va. Essa transição da maçonaria operativa para a especulativa, esta bem descrita e
relatada na obra “Natural History of Staffordahire” editada em 1668. Essa obra
cita que as personalidades que buscaram ingresso na Ordem Maçônica eram do
mais alto nível social e cultural.
O processo de assimilação das Lojas Operativas pela Maçonaria Especulativa
originou a Maçonaria Moderna, que se espalhou pelo mundo todo, porém este
processo teve um período de transição ao serem admitidos nas Lojas Operativas
membros integrantes da alta sociedade, da nobreza e da aristocracia. Para melhor
compressão transcrevemos trecho sobre o assunto do Livro “Historial da Franco
Maçonaria”, de autoria do Irmão Valton S. V. Tempski-Silka:

“No processo de assimilação das Lojas Operativas, Elias Achmole (1617-


1692) funda em 1645, juntamente com Robert Boyle, John Locke e Sir
Christoper Wren o Invisible College – oriundo da Rosae Crucis, que existia em
76

Londres desde 1662 – e cujo fim era o de se ocuparem das descobertas cientifi-
cas, excluindo a política e a teologia; em 1662, do Invisible College nasce a
Royal Society (Sociedade Real), congregando todos os sábios da época, não só
da Inglaterra como de toda a Europa. Instalou-se em 1701 na vasta propriedade
que adquiriu: Crane Court na Fleet Street. Da Royal Society é gerada a
Maçonaria Simbólica com membros puramente especulativos, e em 24 de junho
1717, é criada uma Grande Loja Londrina, isto é, um governo maçônico, por
quatro Lojas de antigos Maçons de Londres: “Crown Ale-hause” (Cervejaria
Coroa), em Parker`s Lane perto de Drury Lane; Apple-Tree Tavern (Taverna
Macieira) na Charles Street – Covent Garden; “Rummer & Grapes Tavern”
(Taverna Copázio & Uvas) na Channel Row – Westminster que se reuniram na
“Goose and Gridiron Ale-house (Cervejaria Ganso e Grelha) situada na Praça da
Igreja de São Paulo e elegeram o primeiro Grão-mestre, “Cavalheiro” Anthony
Sayer, com o Capitão Joseph Elliot e Jacob Lamball, Carpinteiro, como Grandes
Vigilantes. Anthony Sayer foi seguido como Grão-Mestre por George Payne
(1718), Dr. Jean Téophile Désaguliers (1719) e George Payne novamente em
1720. Depois, em 1721 o primeiro nobre na sucessão, o Duque de Montagu,
assume aquele oficio.
Das quatro Lojas, há evidências que a Rummer & Grapes Taverna era predomi-
nantemente especulativa e largamente composta por integrantes da alta sociedade,
membros da Royal Society, da aristocracia (João II, Duque de Monagu, primeiro
nobre Grão-Mestre, em 1721), Duque de Wharton o segundo e eminentes profis-
sionais. Homens como Jean Théophile Désaguliers educador ” pregador, cientista
investigador e 3º Grão-Mestre em 1710, e o Reverendo Pastor presbiteriano James
Anderson, escocês de nascimento, professor de belas-artes, autor da Constituição
de 1723 & 1738”.

Até 1717; Maçonaria Operativa, constituída exclusivamente de pedreiros,


latoeiros, metalúrgicos, enfim profissionais que construíam catedrais, palácios
etc, construções estas, altamente diferenciadas. Esses profissionais passavam de
pais para filhos, os segredos das construções. Era uma verdadeira Associação de
Profissionais altamente categorizados, que foram perdendo o poder, com o pas-
sar dos tempos e o “segredo profissional” foi, aos poucos, perdendo a razão de
ser. Já no século XVII, a Maçonaria começou, então, a admitir intelectuais,
nobres, reis, antiquários, eclesiásticos, os quais, pouco a pouco, passaram a
dominar a Ordem.

4 – Maçons Antigos Livres e Aceitos


Antigo – Na memorável noite de São João, de 1717, não participaram os
Maçons das Lojas da Escócia e, ao que parece, também da Irlanda e a mais impor-
tante Loja em antiguidade, a Loja de York. Somente muito depois, passadas mui-
tas polêmicas, desentendimentos e acordos, é que eles se juntaram aos “moder-
nos”. Com a fusão desses dois grupos, surgiu, em 1813, A Grande Loja Unida da
Inglaterra, o mais tradicional Corpo Maçônico Atual. Esses Maçons que, nessa
ocasião, juntaram-se aos modernos, foram chamados antigos.

Aceito – Refere-se, conforme vimos acima, à Maçonaria de Aceitação, fim da


Maçonaria Profissional e nascimento da Maçonaria especulativa. A Maçonaria
começou a aceitar outros homens, que não aqueles antigos profissionais. Eram os
aceitos, portanto.
77

Livres – A palavra “livre”, intercalada a Antigos e Aceitos, lembra a Maçonaria


operativa e quer significar a condição daqueles antigos profissionais que, por
serem verdadeiros artistas altamente categorizados, tinham passagem livre.
Lembramos que, por esses tempos, os profissionais comuns, menos diferenciados,
eram escravos.

5 – Pensamento Maçônico
Existem várias correntes no estudo do pensamento maçônico. Trataremos, por
ora, de duas delas: a dos maçons místicos e à dos maçons autênticos. Acorrente
mística busca, nas lendas do passado, a inspiração simbólica e filosófica. A auten-
tica prefere apoiar-se na história da humanidade e da própria Instituição Maçônica
à luz de registros autênticos. Cada uma a seu gosto, ambas a correntes tem trazido,
sempre, importantes contribuições, e marcado sua influência na evolução do pen-
samento maçônico.

Maçons Místicos – Os maçons místicos acham que somos sucessores diretos


dos Antigos Magos do Egito, os quais sobreviveram durante 14 dinastias. Já, no
período Mosáico, eram os Guardas do Tabernáculo, que permaneceram durante
toda a existência da civilização hebraica (período em que foi construído o Templo
de Salomão). Pouco a pouco, partimos para um evento maior de todos os grandes
iniciados, surgindo como os Essênios. Posterio9rmente, foram os grandes defen-
sores do cristianismo, como Templários (organização que, por ordem de Felipe, o
Belo e do Papa Clemente V, foi destruída, tendo sido, o seu último Grão-Mestre
– Jacques de Molay – queimado vivo). A seguir a Ordem teria ficado por dois ou
três séculos, no obscurantismo, para então ressurgir como Rosacruz e reiniciar o
trabalho maçônico. Segundo nossos Irmãos Místicos, Jesus Cristo, São João
Batista e São João Evangelista, teriam sido maçons.

Maçons Autênticos – Os maçons autênticos dizem que a Maçonaria atual assi-


milou, tirando dessas Ordens antigas, o que haviam de melhor em exemplos,
símbolos, lendas, conceitos etc, não significando, isso, que sejamos sucessores
diretos. O que há, é identidade de conduta entre os maçons atuais e muitos dos
homens que compunham aquelas Ordens. Historicamente, derivamos da Maçonaria
Operativa.

6 – Origens da Maçonaria no Brasil


Não é tarefa facil pesquisar a autentica história da maçonaria no Brasil. Os
livros e documentos são divergentes ao determinarem quando a Ordem chegou ao
nosso pais. A maioria das publicações que tem surgido estabelecem ter surgido à
época da Declaração da Independência, quase invariavelmente, cita a Loja
“Comercio e Artes” do Rio de Janeiro como a precursora.
A maçonaria brasileira não nasceu no Rio de Janeiro, como muitos acreditam.
É claro que não se pode dizer que essa maçonaria inicial tenha sido legitima ou
regular, porém, considerando-se a época e, principalmeente, a convulsão social e
política que veio após a Revolução Francesa, é de se supor que os maçons de
então praticavam a maçonaria sem cuidarem se era ou não regular nos padrões que
conhecemos, talvés até nem soubessem o que significava regularidade.
Nos parece ter sido a primeira Loja a se instalar no país, por volta do ano de
1795, a Loja “Cavaleiros da Luz” por tripulantes da fragata francesa “La
Peneuse”, encalhada perto do porto de Salvador, tendo o marujo, Meser Larcher,
78

fundado a referida Loja dois anos depois, isto é, em 1797. Essa Loja teve seu
destaque, pois consta que dela fizeram parte personalidades como o Visconde de
Cayru, Francisco Barreto Muniz de Aragão, Cipriano Barata e outros, todos natu-
ralmente, inflamados pelas ideias e teorias vindas da europa onde poucos anos
antes (1789) ocorrera a tomada da Bastilha e, consequentemente a Revolução
Francesa.
Uma das mais antigas memórias que se conhece sobre a maçonaria no Brasil,
publicada nos “Anais fluminenses”, em 1832 cujo autor é desconhecido, inicia a
sua crônica com as seguintes declarações, na obra intitulada “Quadro histórico da
maçonaria no Rio de Janeiro”:

“Começou com o presente século, a maçonaria, nesta parte do novo mundo e


posto que alguns maçons anteriormente houvessem, iniciados em países estran-
geiros, contudo, eles viviam dispersos e não ousavam formar loja, porque as
suspeitosas autoridades os não poupariam a desgostos nesse tempo, nem o fana-
tismo do povo deixaria de execra-los, se rastreasse os seus trabalhos”.

A primeira organização secreta para sacudir o jugo da coroa portuguesa foi a


maçonaria sob o disfarce de sociedades literárias mascaradas para poder fugir a
pesada mão dos tiranos portugueses. A perseguição de que foi vitima nos últimos
tempos do governo, fê-la encerrar as suas atividades para ressurgir mais tarde, na
alvorada da regência de D. Pedro. Era ela então representada em 1815, pela Loja
“Comercio e Artes” Cerca de dois meses após a retirada do monarca para Lisboa,
em 2 de junho de 1821 reorganizou-se a mesma loja maçônica, em cujo seio se
iniciou a conspiração patriótica do Brasil.
A precursora destas sociedades secretas foi o “Areópago de Itambé”, descrita
pelo historiógrafo M. L. Machado, com as seguintes palavras:

“Era o Areópago uma sociedade política, secreta, intencionalmente colocada na


raia das províncias de Pernambuco e Paraíba, frequentada por pessoas salientes de
uma e outra parte e donde saiam, como de um centro para a periferia, sem ressal-
tos nem arruídos, a doutrinas ensinadas.
Tinha por fim tornar conhecidos o estudo geral da Europa, os estremecimentos
e destroços dos governos absolutos, sob o influxo da ideias democráticas. Era uma
espécie de magistério que instruía e despertava entusiasmo pela republica, mas em
harmonia com a natureza e dignidade do homem e ao mesmo tempo inspirava
ódio à tirania dos reis. Era, finalmente, a revolução doutrinada que traria a inde-
pendência e o governo republicano a Pernambuco”.

Dissolvido o Areopago junto ao fracasso da conspiração, nasceu de suas cinzas


a Academia do Suassuma, a Academia de Paraiso, a Universidade Secreta de
Vicente Ferreira dos Guimarães e a Oficina de Iguaraçu que, se não são socieda-
des propriamente maçônicas, integraram entre seus filiados um imenso número de
maçons.
O resumo histórico da maçonaria Brasileira no Rio de Janeiro, acha-se no mani-
festo, publicado em 1832, e cuja autoria é atribuído a José Bonifácio. Nasceu ela
da importação das ideias novas que pululavam na Europa, vencendo a barreira
com que o velho Portugal defendia avaramente a sua possessão americana contra
a possibilidade da sua emancipação. Data de 1801, a fundação no Rio de Janeiro
da primeira Loja Simbólica regular e que se chamou “Reunião”.
79

Diz o manifesto (Anais da Biblioteca Nacional – Vol. XLIII-IV – Introdução):

“Filiada ao Grande Oriente da Ilha de França, e nomeado para seu representan-


te ali o cavaleiro Laurent, que a fortuna fizera aportar às formosas praias da baia
de Niterói e que presidira a sua instalação, ela apresentou em breve espaço o
sublime espetáculo de um crescimento milagroso e outro não menos grato ao
coração dos amigos da virtude, de uma amizade verdadeiramente fraternal entre
os seus membros. Não durou por muito tempo esse estado de tranqüilidade e de
harmonia que apresentou o beço da maçonaria brasiliense. Marchando pela estra-
da da perseguição, ora calcada pelo férreo pé do despotismo, ora alternada pela
perfídia e ingratidão ela oferece aos olhos do filosofo a luta formidável da luz
contra as trevas e dos princípios contra a tirania”.

No começo do século 18 os maçons em todo o reino de Portugal viviam com


enormes dificuldades e perigos, visto estarem ameaçados pela perseguição da
inquisição, mas a pesar das violências do clero, conseguiram, apesar de tudo,
manter atuante a Maçonaria, até que, em 1818, por decreto de D. João VI foi
interditada a Maçonaria sob pena de morte.
Devido á intervenção dos representantes de várias potências estrangeiras e
reclamações diplomáticas, este decreto foi revogado e substituído por outro em
que ameaçava os maçons a pena de cinco anos de trabalhos forçados nos presídios
da África.
Superando todas as dificuldades e arcando com os maiores perigos, inclusive o
da perda da própria vida, vários irmãos dispersos conseguiram instalar no Brasil
a primeira Loja em 1800 denominada União que, com o maior segredo e muita
cautela iniciaram-se pessoas instruídas e conceituadas, filiando-se muitos estran-
geiros que viviam esparsos, passando a Loja a denominar-se “Reunião” em
memória dos vários elementos que a compunham.
No inicio a Loja “Reunião” a pedido do comandante da corveta Hydre o francês
M. Laurent e alguns de seus oficiais, todos maçom, que visitaram a Loja foi filia-
da ao Oriente de França do qual recebeu a carta patente de seu reconhecimento,
filiação, estatutos e regulamentos.
Em 1804. Alguns meses depois, foi enviado de Lisboa um Delegado especial do
Grande Oriente Português com a missão de filiar a Reunião ao Oriente de Portugal
o que desagradou os maçons brasileiros que resolveram enviar a Portugal um de
seus irmãos com plenos poderes para representar contra a intervenção indébita.
O delegado do Grande Oriente Lusitano, cortou as suas relações com os maçons
da Loja Reunião e constituiu duas novas Lojas que se denominaram “Constância”
e “Philantropia”.
Malogrado os esforços do emissário brasileiro em Lisboa, onde nada de positi-
vo conseguiu para a reforma do Código Português, sobretudo na parte que se
referia ao Brasil, porque lhes eram aplicados os mesmos princípios com que tra-
tava o reino em referência ao Brasil-colonia.
Mediante o impasse ocasionado os irmãos da Reunião resolveram cessar os
trabalhos para evitar maior dissensão com os componentes das outras duas Lojas,
as quais apesar de vitoriosas, pouco tempo depois foram obrigadas a encerrar as
atividades ao sofrerem a perseguição do vice-reinado do Conde de Arcos, inimigo
tenaz e declarado da Maçonaria.
Na década entre 1810 e 1820, irmãos persistentes e cheios de valor fundaram
algumas Lojas itinerantes, isto é, que mudavam de endereço a cada sessão evitan-
80

do, desta maneira serem tomados de surpresa, por serem perseguidos e espiona-
dos, correndo enormes perigos. Todas tiveram vida efêmera, com exceção da Loja
São João de Bragança que conseguiu funcionar por mais tempo, isto porque em
seu quadro participava pessoas da corte portuguesa e em vista da grande espiona-
gem que era submetida pelo Rei e seu ministro, Villa Nova, resolveram os irmãos
de seu quadro entregar toda a documentação e encerrar as atividades.
81

Capítulo V

Potência Maçônica ou Obediência

1 – Potências Maçônicas
Potência Maçônica ou Obediência é uma Federação de Lojas, que funcionam
sob um Poder Central, Gande Lojas, Grande Oriente ou Grande Orientes esta-
duais Tanto os Grandes Orientes ou Grandes Lojas, são constituídos por Lojas
que trabalham em vários Ritos.
São necessários a reunião de no mínimo três Lojas para constituir uma
Potência, tanto no caso de Grande Oriente e Grandes Lojas. Do ponto de vista
político-administrativo, a Maçonaria não deixa de ser um Estado dentro de
outro, ou um pais dentro de outro.Tem forma própria de Governo, que geral-
mente acompanha a forma de governo do Pais. Isto nos Países de Governo
Democrático, pois a Maçonaria é totalmente contra os governos ditatoriais.
Assim é que temos, na Maçonaria, os poderes: Legislativo, Executivo e
Judiciário.
– Legislativo: É exercido pela Assembleia Geral Legislativa. Constituem-na,
no caso das Grandes Lojas as Luzes das Lojas da Obedecia e no caso dos
Grandes Orientes pelos irmãos Deputados, eleitos por suas Lojas, compreen-
dendo no Grande Oriente federado dois Poderes Legislativos: Estadual e
Federal;
– Executivo: é exercido pelo Grão-Mestre, em uma Grande Loja e nos
Grandes Orientes estaduais e no Grande Oriente, federado (GOB), pelo Grão-
Mestre Geral, auxiliado pelos Grão-Mestres estaduais;
– Judiciário: Nas Grandes Lojas, exercidos pelos seguintes órgãos: Conselho
de Família e Tribunal de Primeira Instância das Lojas exercido pelas Regiões
Maçônicas; Tribunal de Recurso, Tribunal Superior Maçônico, Tribunal
Eleitoral. No caso dos Grandes Orientes: Conselho de Família, Tribunal do Júri
das Lojas, Tribunal de Justiça Maçônica e Tribunal Eleitoral,constituídos no
Poder Central e nos estaduais.
Originalmente designava-se por Grande Oriente uma federação de Ritos
exemplos: (Grande Oriente da França, Grande Oriente da Itália e Grande
Oriente do Brasil) que abrigam Lojas simbólicas de Ritos diversos (Emulação,
Escocês, Frances, Heredom, Misraim, Moderno, York Americano etc.) enquanto
que Grande Loja designava uma federação de Lojas adotando um único Rito
82

(exemplos: Grande Lojas Americanas, que adotam o Rito baseado na forma


estabelecida por Thomas Smith Webb, com pequenas variações, e as Grandes
Lojas Brasileiras, que adotavam o Rito Escocês.
Com o tempo muitas Grandes Lojas do Brasil, entre elas a Grande Loja
Maçônica do Estado de São Paulo, passaram a congregar Lojas Simbólicas de
mais de um Rito, isto é, são, de fato, uma federações de Ritos.

2 – Documentos Hábeis que Norteiam as Lojas Maçônicas


A Maçonaria, desde seus primórdios se orientou pelas suas Constituições e
pelos Landmarks, inclusive nos tempos atuais se norteia pelos princípios e filoso-
fia que lhe deram origem.

Constituições Antigas – O mais notável elo de conexão de natureza escrita


entre a Maçonaria atual e a Maçonaria praticada pelos Maçons Operativos de
alguns séculos atrás, são inquestionavelmente as Constituições. Nos primórdios
da Ordem conhecidas como os Antigos Deveres (The Old Charges), algumas
vezes chamadas “Constituições Góticas”. Essas consistem em manuscritos, dife-
rindo em idade, tamanho, forma e material. Todas elas seguem um padrão no
contesto. Cerca de cem desses antigos manuscritos foram encontrados.
Toda a estrutura da Maçonaria de todos os tempos foi e é calcada nos antigos
documentos da nossa Ordem (Old Charges, Manuscritos, Constituições Góticas.
etc). Muitos desses documentos conhecidos, só foram descobertos em datas
recentes e descobertos por acaso.
Muitos desses documentos se perderam para sempre, existindo deles algumas
citações porque na época George Payne, segundo Grão-Mestre da Grande Loja de
Londres com o argumento de que os mesmos pudessem cair em mãos profanas,
queimou, numa enorme fogueira, centenas de livros e Documentos Maçônicos só
se salvando dos que existiam mais de uma cópia, que foram encontradas anos
mais tarde.
Um dos exemplos de grande importância é o Poema Regius, ou Manuscrito de
Hallwell, escrito em 1390 e só descoberto em 1839 pelo pesquisador que lhe deu
o nome, bibliotecário e Antiquário inglês, nascido em 1820. Foi publicado em
1840, em uma brochura intitulada “On the Introduction of Free Massory in
England”.
– Manuscrito de Cooke (1410) é tido como o segundo Documento Maçônico
mais antigo. Foi descoberto pelo Maçom e pesquisador Mathew Cooke em 1861,
considerado como tendo sido escrito em 1410, 20 anos após o “Poema Regius”,
mas em prosa, e não em verso como o anterior.
– Manuscrito da Grande Loja (de Londres 1583) – Consta que esse
Manuscrito seja do ano de 1583, é propriedade da Grande Loja de Londres e
classificado como sendo uma cópia e semelhante ao Manuscrito de Cooke.
– Estatutos de Schaw (1598), em 28 de dezembro de 1598, William Schaw, do
Burgo de Schawpark, próximo de Allo, Vigilante Geral (Guardião), isto é, um
Oficial Administrativo, indicado pela Coroa Real, com o título de “Mestre do
Trabalho do Rei” (hoje Secretário ou Ministro), também conhecido como “Mestre
Chefe dos Maçons” publicou uma série de “Ordens”, que ficaram conhecidas
como os “Estatutos de Schaw”.
– Manuscrito de Inigo Jones (1607) – Inigo Jones nasceu em julho de 1573,
juntamente com Christopher Wren, são considerados como os maiores arquitetos
que nasceram na Grã-Bretanha, em todas as épocas, foram suas obras: os Palácios
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de Rosemberg e Frederiks borgh, sendo a mais importante a Catedral de São Paulo


e o projeto do Palácio de Whitehall.

– Manuscrito de Sloane – Existem três Manuscritos descobertos pelo Sr. Hans


Sloane, que levam o seu nome. Foram escritos pelo Sr. Edward Sankey, de acordo
com registro que Achmole fez em seu famoso Diário; dois deles são partes inte-
grantes e importantes das chamadas Constituições Góticas e é apenas um frag-
mento de um catecismo.
Manuscrito nº 1 – pode ser considerada uma cópia completa das Constituições
Góticas, foi escrito no dia 18 de outubro de 1646. Ele foi publicado pela primeira
vez no livro “Old Charges da Maçonaria Britânica”.
Manuscrito nº 2 – consiste de três folhas, somente, escrita em um único lado da
pagina e grafada com o Titulo de “Freemasonry”, é uma cópia completa do que se
estabeleceu chamar-se “Constituição Gótica.
Manuscrito nº 3 – este manuscrito é completamente diferente dos dois poste-
riormente publicados, do mesmo autor, é uma cópia do inicio de um Ritual,
incluindo certo número de canções.
A estes Manuscritos seguiram vários outros na seqüência dos tempos:
Manuscrito de Kilwinning (1665), Manuscrito de Aitchison-Haven (1666),
Manuscrito de Harleian (1670), Manuscrito da Loja Aberdeen Nº 1 (1670),
Manuscrito de Melrose (1674), Manuscrito Haleian (1686), Manuscrito
“Antiguidade” (1686), Manuscrito Register Hause” (1696), Manuscrito de
Boyden (1700), Manuscrito da Loja de Alnwick, Manuscritos de York (1704 – em
número de seis e são considerados cópias das Constituições Góticas de proprieda-
de da Antiga Grande Loja de York), Manuscrito de Papworth (1714), Manuscrito
de Briscoe (1724).
Continha o Manuscrito de Briscoe cópia da Versão das Constituições Góticas e
uma critica à Constituição de Anderson que havia sido publicada no ano anterior
e um pequeno Dicionário, explicando e ensinando numerosos procedimentos
supostamente usados na Maçonaria daquela época e contavam ainda, as obriga-
ções, o Compromisso, o Estatuto Interno que era oferecido aos “Aceitos”, no dia
de seu ingresso na Ordem. Junto a esse, um Original Manuscrito de um Antigo
Registro da Sociedade.
Seguiram a estes Manuscritos muitos outros e documentos valiosos, mas deixa-
mos de relacionar-los, pois seria muito extenso.

Landmarks – Landmarks: vocábulo em inglês, que significa, um evento, des-


coberta, etc. considerado como o ponto alto ou ponto decisivo, um ponto no
tempo onde ocorre uma mudança decisiva, na história ou no desenvolvimento de
algo. Os Landmarques são princípios e se lês pode ser negado valor jurídico estri-
to, dado o seu caráter e os termos em que foram redigidos – baseados nos deveres
operativos das corporações de artesãos da idade media, tem-lhes sido reconheci-
da, pela jurisprudência Maçônica, superioridade em relação às leis internas que
lês sejam eventualmente contrarias.
O tema Landmarks é, provavelmente, o mais apaixonante da maçonaria que foi
discutido intensamente entre reconhecidas autoridades maçônicas, mas que per-
manece tão desprovido de solução autorizada hoje em dia, como quando começou
a ser discutido.
Os escritores maçônicos e autoridades que reconhecem sua existência estão de
acordo com uma definição de Landmarks como: “algo que marca o limite ou
84

termo, ou uma coisa que se separa de outras coisas similares” Um Landmarks


dessa natureza pode ser um objeto distinto que serve de guia. Habitualmente tal
Landmarks existiu desde tão longo tempo que seu propósito, ou características
que o distinguem são do conhecimento publico. Este Landmarks pode ser uma
linha de pedras, ou um sulco ao longo do limite de uma propriedade.
O primeiro uso oficial da palavra “Landmarks” para descrever nossas peculia-
ridades características, parece encontrar-se nos Regulamentos Gerais de Payne de
1723, o que leva ao estudioso a pergunta-se com que autoridade pode falar-se de
“antigos” Landmarkx, considerando-se que a ideia de sua existência teria sido
constituída na época da formação da primeira Grande Loja, em 1717, e nada exis-
te que indique que os irmãos de sua época os descreveram como antigos.
A primeira Grande loja do mundo, a Grande Loja de Londres, nunca deu sua
definição, nem os enumerou. Por certo é impossível ter-se uma definição univer-
salmente aceita, pela simples razão que não existe organização mundial de
Maçons com poderes para promulgá-la.
George Oliver, no seu Dicionário da Maçonaria Simbólica diz: “alguns restrin-
gem os Landmarks aos juramentos, sinais, maneiras, características, senhas
palavras; outros incluem as cerimônias de iniciação, elevação e exaltação e as
formas, dimensões, colunas, piso; os ornamentos moveis e joias de uma Loja, ou
seus símbolos característicos: outros pensam que a Ordem não possui Landmarks
além do seu peculiar segredo”.
Gould, famoso como historiador maçônico, faz a seguinte afirmação: “Dos
antigos Landmarks pode dizer-se com maior ou menor fundamento de verdade.
Ninguém sabe o que compreendem ou omitem, não são de autoridade terrena,
porque qualquer coisa é Landmarks, quando um oponente deseja calar-nos, mas
nada é Landmarks quando estorva o nosso caminho” Poucas pessoas estarão hoje
em dia de acordo com Gould.
Albert Pike inclui essa assertiva em longa conferencia sobre os Landmarks: “os
princípios fundamentais da antiga Maçonaria Operativa eram poucos e simples, e
não se chamavam Landmarks”.
Uma enciclopédia Maçônica publicada na Alemanha em 1824, não faz a menor
referencia aos antigos Landmarques, o que reforça a reiterada argumentação de
que a questão dos Landmarques não preocupou o mundo Maçônico antigo.
Evidentemente os Landmarques se observavam da mesma maneira, que pode-
mos observá-los hoje em dia, embora sem conhecer o que sejam.
Uma definição mais sedutora foi recentemente dada por Thos S. Roy, na época
Grão Mestre dos Maçons de Massachusetts, quando disse que um Landmarks é
uma das marcas limítrofes que circundavam a Maçonaria e nosso uso dos
Landmarques indica que a Franco Maçonaria esta interessada nos limites.
O Dr. Mackey, cuja definição e enumeração dos Landmarks são os mais popu-
lares entre os Maçons de hoje em dia, tinha conhecimento destas e outras defini-
ções quando desenvolveu a sua. Disse: “Talvez o método mais seguro seja restrin-
gi-los aos antigos e, portanto universais costumes da ordem, que gradualmente
foram sendo operados como regas de ação, ou se foram promulgados por qualquer
autoridade Maçônica, ou foi em tempo remoto que não pode encontrar-se nenhu-
ma Constancia histórica em sua origem”.
Tanto legisladores, como a época que foram promulgados, desapareceram de todos
de todos os registros, e os Landmarks são por tanto, “mais antigos do que a memória
ou a história possam alcançar”. Logo o primeiro registro que deve obedecer a um
costume ou regra de ações é ter existido desde “o tempo em que a memória do
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homem não haja prova em contrario”. Sua antiguidade é seu elemento essencial.
A pergunta que com maior frequência se tem feito na Maçonaria é a busca de
uma enumeração autorizada dos Landmarques, e pergunta alguma, recebeu tantas
respostas. Existem pelo menos três razões pelas quais não temos tal lista:
1. Não estamos de acordo com uma definição que os inclua a todos;
2. Ninguém que dê sua própria definição de Landmarks pode nomear todos
os que possam ser incluídos em tal definição;
3. Não podemos ter uma definição aceita por todos. Não existe autoridade
universal capaz de promulgar uma definição que não seja suscetível de
discussão.

Os primeiros escritores maçônicos, rara vez mencionavam os Landmarques, e


escritores posteriores afirmaram que o mundo conheceu pela primeira vez os
Landmarks, quando Mackey os numerou e que ninguém havia, entretanto, inten-
tado uma lista até que Mackey mostrou o caminho com os seus 25 Landmarques.
Em um documento Landmarks e Maçonaria, David Foulkes da Loja de
Pesquisas de Oregon encontrou que 8 Estados (dos EE. UU.) haviam adotado os
25 da lista de Mackey, dois haviam designado como Landmarques as Antigas
Obrigações, 10 Estados haviam feito listas próprias e 12 não haviam adotado lista
alguma.
Quando Mackey publicou sua enumeração não estabeleceu de forma categórica
e dogmática, que sua lista não tinha erros e incluía todos. Disse: “Os Landmarks
até onde me foi possível computar, depois de cuidadoso exame, alcançaram
somente 25 e são os seguintes: ...” (Relação impressa nos Regulamentos Gerais
da Glesp e de quase todas as Grandes Lojas estaduais).

3 – Maçonaria Moderna
As Constituições de Anderson são o documento básico da Maçonaria chamada
Moderna, que surgiu em Londres em 1717. Embora alteradas em 1738, em 1756,
em 1767 e em 1784, e não sejam a Constituição da Grande Loja Unida da
Inglaterra depois de 1815 ( em 1813 as duas correntes maçônicas inglesas –
“Antigos” e “Modernos” se fundiram num corpo só) o texto Andersoniano conti-
nua a dominar em suas linhas mestras.
As Constituições dos Franco–Maçom, contendo a História, das Obrigações,
Regulamentações, &c. dessa mui Antiga e Mui Venerável fraternidade.– Para o
uso das Lojas, foi traduzido no livro “As Constituições dos Franco– Maçons de
1723”, editado pelo Grande Oriente do Brasil, por João Nery Guimarães. Nos
informa na pagina 32 e 33 o surgimento da primeira Assembleia Geral presidida
por um Grão-Mestre:

“Que o Príncipe Edwin, o mais jovem filho do dito Rei, tendo sido instruído na
Arte de construir, e tendo feito suas Obrigações de um Mestre Pedreiro, para tes-
temunhar o amor que tinha pela referida profissão, e pelos honrados princípios
sobre os quais ela repousa, comprou uma carta livre de seu pai o Rei Athelstan,
para os Pedreiros que tinham direito de correição entre eles (como se dizia anti-
gamente), ou a Liberdade e o Poder de se administrarem por si, modificar o que
pudesse advir da desventura, e de ter anualmente uma Comunicação e uma
Assembleia Geral (360 Era Vulgar).
Que consequentemente o Príncipe Edwin convocou todos os Pedreiros do reino
para se reunirem a ele em assembleia em York, os quais vieram e constituíram
86

uma Loja Geral, da qual ele foi Grão-Mestre, e tendo trazido com ele todos os
Escritos e Arquivos subsistentes, alguns em Grego e outros em Latim, outros em
Frances e em outras línguas, por meio de seu conteúdo essa Assembleia redigiu a
Constituição e as obrigações de uma Loja Inglesa, fez uma lei para conservar e
observar essa constituição em todos os tempos futuros e prescreveu um salário
satisfatório para os Pedreiros Operativos, &c”.

Idem na página 49 do mesmo livro, traduz “As Obrigações de um Maçom


Livre”, extraídas dos antigos arquivos das Lojas Além Mar, e daquelas na
Inglaterra, Escócia, e Irlanda, para o uso das Lojas de Londres: – para serem lidas
ao se fazerem novos irmãos ou quando o Mestre o ordenar:

“Concernentes a Deus e a Religião – Um Maçom é obrigado, por sua condição,


a obedecer a Lei moral; e se compreende bem a Arte, não será jamais um Ateu
estúpido, nem um Libertino irreligioso. Mas se bem que nos tempos antigos os
Maçons fossem obrigados em cada Pais a ser da Religião, qualquer que fosse,
desse Pais ou dessa Nação, com tudo é considerado mais conveniente de somente
os sujeitar aquela Religião sobre a qual todos os homens estão de acordo, deixan-
do a cada um suas próprias Opiniões; isto é, serem Homens de Bem e Leais, ou
Homens de Honra e de Providade, quaisquer que sejam as Denominações ou
Confissões que os possam distinguir; pelo que a Maçonaria se torna o Centro da
União e o Meio de firmar uma Amizade sincera entre Pessoas que teriam ficado
perpetuamente distanciadas”.

4 – Constituições Atuais
A primeira Constituição Maçônica dita especulativa que se tem noticia ocorreu
pôr influência do terceiro Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra, John
Desaguliers, eleito em 1719, definindo a aproximação entre a tradição maçônica
e a dos pedreiros construtores de maneira efetiva, tendo convocado um maçom
escocês para escrever a primeira Constituição da Grande Loja da Inglaterra, que
identificou a Maçonaria Moderna ou Especulativa com a identidade e ferramentas
alegóricas fundadas nas tradições místicas dos antigos canteiros de obras.
Por ocasião da constituição da Grande Loja da Inglaterra o número de Lojas
multiplicou-se em poucos anos. Por volta de 1723 já eram mais de 50 lojas em
Londres, e rapidamente apareceram na Europa continental e principalmente na
França.
Os rituais maçônicos praticados nessa época, até meados de 1730-1735,
seguiam as tradições da Maçonaria Inglesa de três graus. Existiam oficinas mais
antigas, em solo escocês que praticavam alguns nuances do simbolismo presente
nas Guildas de Pedreiros Construtores. Isso fica claro em um dos poucos registros
formais que chegaram aos nossos dias. A primeira iniciação efetivamente registra-
da em solo britânico foi realizada em 20 de maio de 1641, quando Robert Moray
foi aceito na Loja Moray´s Chaped Nº 2, de Edimburgo.

5 – Grandes & Grande Oriente


Somente a condição apenas do apelo fraternal detectada logo nos primeiros
anos, não era suficiente para manter a agregação das pessoas entorno das lojas
primordiais, principalmente as pessoas letradas e a nobreza. Isso seria alterado
com a efervescência das ideias iluministas e o pretenso predomínio das ciências
naturais sobre as crenças e dogmas do medievalismo.
87

Para essa transformação influiu o escocês Andrews Michael Ramsay, que por
motivos políticos deixou a Grã-Bretanha e foi para a França, como protegido do
arcebispo de Fenelon, por ocasião da restauração ou causa jacobina.
Em 1773 séria estabelecida à primeira Obediência formal francesa, a Grande
Loja Nacional da França. Suas lojas, apesar de repletas de ideias sobre liberdade
e fraternidade, como seria esperado não despertava grande interesse nas camadas
mais letradas da sociedade francesa. Isso ocorria por causa da propalada aproxi-
mação histórica e ideológica dos maçons com as ancestrais guildas de pedreiros
construtores e de outros trabalhadores.
Ramsay foi o mentor de afastar a origem da Maçonaria dos obreiros das cate-
drais e a sitiou a reis, príncipes, nobres, duques, barões e cavaleiros da
Antiguidade e da Idade Média. Incorporou a coragem e valentia dos cruzados à
alma maçônica, claro que não tinha ele nenhum documento oficial ou fonte de
pesquisa adequada, mas esse novo conceito muito mais “sangue azul” e repleta
de novas personalidades heroicas foi a pedra angular que sustentaria nossa
Ordem nesses momentos cruciais, porém, que também daria origem vários tipos
de Maçonaria, assim como as conhecidas como filosóficas (Altos Corpos) e
consequentemente ao aparecimento de diferentes tipos de Maçonaria e consti-
tuições que prevalecem nos dias atuais, surgindo o Grande Oriente Frances,
cada qual com suas características peculiares, tais como: Constituições da
Maçonaria Simbólica (Grandes Lojas) – Constituições da Maçonaria Simbólica
dos Grandes Orientes – Constituições dos Altos Corpos (Maçonaria Filosófica)
– Constituições da Maçonaria Mista (Simbólica e Filosófica), além de centenas
de Constituições das Maçonarias irregulares, segundo sua origem, segundo
duplicidade de território, etc.
Jean Palou, em seu livro “A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática”, trans-
creve o longo discurso do cavaleiro de Ramsay, marco inicial do Grande Oriente
Françes, após o fracasso da Grande Loja Francesa, fundada em 1773, cujo final
de seu discurso transcrevemos:

“A partir dessa época, a Grã-Bretanha foi a sede de nossa Ordem, a conservadora


de nossas Leis e a depositária de nossos segredos. As discórdias fatais de religião,
que tumultuaram e dilaceraram a Europa no século XVI, levaram à degeneração da
nobreza de origem da Ordem. Vários ritos e usos que eram contrários aos preceitos
do tempo foram mudados, disfarçados ou suprimidos. Foi assim que muitos de
nossos confrades esqueceram, como os antigos judeus, o espírito de nossas leis, e
delas não retiveram senão a letra e a casca. Alguns remédios começaram a ser apli-
cados. Não se trata senão de continuar e de conduzir tudo à sua primeira instituição.
Esta obra não pode ser muito difícil num estado em que a Religião e o Governo não
poderiam ser senão favoráveis às nossas Leis. Das Ilhas Britânicas a Arte Real
começa a se estender na França, sob o reinado do mais amável dos reis, cuja huma-
nidade anima todas as virtudes e sob o ministério de um menor que realizou tudo o
que se poderia imaginar de fabuloso. Nesta época feliz em que o amor à paz tornou-
se a virtude dos heróis, a nação, uma das mais espirituais da Europa, tornar-se-á o
centro da Ordem. Ela se estenderá sobre nossas obras, nossos estatutos e nossos
costumes a graça, a delicadeza, o bom gosto, qualidades essenciais numa Ordem
cuja base é a Sabedoria, a Força e a Beleza do Gênio. Será em nossas Lojas, no
futuro, como nas escolas públicas, que os franceses verão, sem viajar, os caracteres
de todas as nações, e que os estrangeiros aprenderão, por experiência, que a França
é a pátria de todos os povos. “Patria gentis humanae”.
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6 – Constituições Atuais
Na atualidade, cada potencia possui a sua própria Constituição, independente,
ligando-se as demais, tão somente por tratados, reconhecimentos e atos de tradição.
Com a evolução do pensamento, da religião e até da filosofia, cada país possui
uma ou mais Potencia Maçônica própria; os Rituais são alterados, as Constituições
formadas pela necessidade local, os Regulamentos e Estatutos ficam na dependên-
cia da vontade dos Grãos Mestrados (Poder Central). Porem conserva os princí-
pios fundamentais, entre outros os de que para ser aceito um novo Membro, esse
deverá ser iniciado; deveram ser obedecidos os Landmarks e as tradições secular
da Ordem.
A Maçonaria regula-se por princípios invariáveis e imutáveis em toda a super-
fície do globo, os quais formam o estatuto geral de cada Rito. Além desses prin-
cípios, há outras variáveis, estabelecidos pelas diferentes Potências os quais for-
mam a constituição Maçônica de uma Grande Loja ou de um Grande Oriente.
Tomando por base a sua constituição, toda Potência Maçônica formula o seu
Regulamento Geral, onde são desenvolvidos os princípios estabelecidos na
Constituição. Esse Regulamento compreende em geral duas partes; a lei adminis-
trativa e a lei penal.
As Lojas, em fim, são concedidas a adotarem um regulamento particular
(Estatutos), baseado na Constituição e no Regulamento Geral. Ficando assim,
assemelhadas ao Poder Central (Grande Loja ou Grande Oriente), e que tem por
objeto principal regularizar sua situação como pessoa Jurídica. E, obter seu CNPJ
(Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Antes desse procedimento toda Loja obri-
gatoriamente deve registrar na Grande Loja ou Grande Oriente seus Estatutos,
pois, seus artigos não podem estar em desacordo ou contrariar as Leis estabeleci-
das pela Grande Loja ou Grande Oriente se for o caso.
Resumindo-se, vê-se que sempre há a observar:

1º. O Estatuto Geral do Rito (nosso caso do Rito Escocês);


2º. A Constituição Maçônica (Potência Simbolina ou Filosofica);
3º. O Regulamento Geral (Complemento da Constituição);
4º. O Regulamento Particular da Loja (Estatutos da Loja).

Esse Regulamento particular da Loja, deverá estabelecer as prescrições relati-


vas às suas finanças, suas sessões e sua disciplina interior.
Quanto às suas finanças estabelecerá a contribuição mensal dos seus obreiros e
a tabela dos emolumentos de admissão, elevação e exaltação, as taxas de admis-
são, filiação, elevação e exaltação. Regulará também o modo de conceder benefi-
cências, socorros e pensões.
Em relação às sessões, deverá estipular o dia das reuniões (Semanal, Quinzenal
ou Mensal), designar a época em que terão lugar às sessões ordinárias, as de
finanças, as de instrução e outras, bem assim o modo de regular os trabalhos em
cada uma.
Para sua disciplina interior, criará disposições com o fim de manter a ordem no
edifício e no Templo, podendo fixar penas que a lei considera disciplinares, como
sejam as advertências, multas, etc.
Em Geral os membros de uma Loja são divididos em duas classes:

1ª. Membros efetivos ou ativos.


2ª. Membros honorários.
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Os membros efetivos ou ativos gozam de todos os direitos e estão sujeitos aos


ônus que o Regulamento Geral e o Particular estabelecem.
Os membros honorários são membros efetivos de outras Lojas, aos quais se
concede, por esse título, apenas o direito de assistirem as sessões e tomarem parte
nas discussões, mas não nas votações e nas regalias concedidas aos efetivos.
Os membros efetivos formam, por sua vez, diversas categorias que são:

1ª. Membros Cotizantes, sujeitos ao pagamento das mensalidades;


2ª. Membros Remidos, dispensados por quaisquer circunstâncias do paga-
mento de mensalidades efetivamente;
3ª. Membros Beneméritos, das categorias anteriores que mereceram essa
distinção por serviços especiais;
4ª. Membros bem feitores, idem;
5ª. Membros Grandes Beneméritos e Grandes bem feitores, que se destaca-
ram por serviços relevantes;
6ª. Filiando livres, membros de outros quadros que praticam outros ritos e que
são admitidos com esse título por serviços importantes que tenham presta-
do, sendo isentos do pagamento da Joia de filiação e de mensalidades.

O Regulamento Particular deve definir a quem cabe o direito de propor o que


disser respeito a categoria dos membros das Lojas, os trâmites que a proposta
deva seguir, o modo por que deve ser discutida, como deve ser votada, se em
votação simbólica ou secreta, e a maioria necessária para a aprovação.

7 – Princípios da Maçonaria
Segundo a Constituição da grande maioria das potencias, a Maçonaria é uma
instituição universal e iniciatica, essencialmente filosófica, filantrópica. progres-
siva, trabalha pelo aperfeiçoamento moral e intelectual do ser humano.
“Persegue como finalidade ultima. A união fraternal da humanidade e o império
da Paz universal pela pratica da Justiça e da Verdade, a cooperação social e o
respeito à Dignidade”.
“Se impõe o estudo da natureza e a investigação da verdade como as fontes de
conhecimento e de progresso cultural do mundo”.
Segundo seus Princípios a Maçonaria, Ordem Universal, é constituída por
homens de todas as raças e nacionalidades, acolhidos por iniciação e congregados
em lojas, nas quais, auxiliados por símbolos e alegorias, estudam e trabalham para
o aperfeiçoamento da sociedade humana.
È fundada no amor fraternal e na esperança de que, com amor a Deus, á Pátria,
á família e ao próximo com tolerância e sabedoria, com a constante e livre inves-
tigação da verdade, com a evolução do conhecimento humano pela filosofia,
ciências e artes, sob a tríade da Liberdade, Igualdade e Fraternidade e dentro dos
princípios da moral, da Razão e da Justiça o mundo alcance a felicidade geral e a
Paz universal.
Desse enunciado deduz-se o seguinte:

1º. a Maçonaria proclama, desde a sua origem, a existência de um principio


criador, ao qual, em respeito a todas as religiões, denomina Grande
Arquiteto do Universo;
2º. a Maçonaria não impõe limites á investigação da verdade e, para garantir
essa liberdade, exige de todos a maior tolerância;
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3º. a Maçonaria é acessível aos homes de todas as raças, classes e crenças,


quer religiosas quer políticas, excetuando as que privem o homem da
liberdade de consciência da manifestação do pensamento, restrinjam os
direitos e a dignidade da pessoa humana, exijam submissão incondicional;
4º. a Maçonaria Simbólica compõe-se de três Graus universalmente reconhe-
cidos e adotados: Aprendiz, Companheiro, e Mestre;
5º. a Maçonaria adota a lenda do Terceiro Grau;
6º. a Maçonaria além de combater a ignorância com todas as suas modalida-
des constitui-se numa escola, impondo-se o seguinte programa:
a) obedecer às leis democráticas do País.
b) viver segundo os ditames da honra;
c) praticar justiça;
d) amar o próximo
e) trabalhar pelo progresso do homem.
7º. a Maçonaria proíbe discussão político – partidária e religioso-sectaria em
seus templos;
8º. na Maçonaria o livro da lei, o Esquadro e o Compasso, considerados como
suas Três Luzes emblemáticas deverão estar sobre o Altar dos juramentos.

A par dessa definição e da declaração formal de aceitação dos “Landmarks”,


codificados por Albert Gallatin Mackey, proclama, também os seguintes princípios:

1º. amar a Deus, a Pátria, a Família e a Humanidade;


2º. praticar a beneficência, de modo discreto, sem humilhar;
3º. praticar a solidariedade Maçônica, nas causas justas fortalecendo os laços
de fraternidade;
4º. defender os direitos e as garantias individuais;
5º. considerar o trabalho lícito digno como dever do homem;
6º. exigir de seus membros boa reputação moral, social e familiar, pugnando
pelo aperfeiçoamento dos costumes;
7º. exigir tolerância para com toda forma de manifestação de consciência, de
religião ou de filosofia, cujos objetivos sejam os de conquistar à verdade,
a moral, a paz e o bem estar social;
8º. lutar pelo principio de equidade, dando a cada um o que for justo, de sua
capacidade e méritos;
9º. combater o fanatismo, as paixões, o obscurantismo e os vícios.

Os ensinamentos maçônicos orientam seus membros a se dedicar á felicidade


de seus semelhantes, não somente porque a razão e a moral lhes impõem tal obri-
gação, mas também por que esse sentimento de solidariedade os faz irmãos.
91

Capítulo VI

Ritos Maçônicos

Rito: (do latim ritus). Ordem, costume, cerimônia, e por extensão qualquer das
práticas e formulas usadas em todos os cultos. Eles podem diferenciar-se em todas
as religiões, como ainda dentro de cada uma podem existir em grande número,
como acontece com a católica que possui os Ritos Ambrosíano, Gregoriano,
Romano, o Grego, o Mozarabe, etc.
Rito em Maçonaria é o conjunto de formulas e prescrições e prescrições indis-
pensáveis – ora de caráter legislativo, ora puramente formalístico – eles são ado-
tados para estabelecer exigências e o modo por que devem ser recebidos os ade-
pitos e se conduzir os filiados.
Apesar de diversos, tem todos pontos fundamentais de contato e de doutrina e
em nada alteram o fim essencial da Ordem.
A Maçonaria em todas as suas fases tem possuído vários Ritos, principalmente
na atual, na qual chegou a ter nada menos de sessenta e dois, felizmente hoje
consideravelmente reduzidos.
Entre os praticados pelas potências maçônicas, três são os mais adotados em
mais de 90% delas, razão porque são tidos como universais e são o simbólico ou
azul que forma a base de todos os demais, o de York, também chamado moderno
Inglês, o de Schroider e o Escocês Antigo e Aceito.
Chama-se Ritual o livro que contém a forma e a ordem das cerimônias determi-
nadas pelo ritos, religiosas ou não, com as palavras ou orações que devem acom-
panha-las, refere-se a qualquer cerimonial ou a um conjunto de regras a seguir.
Por essa definição, até atos diários da vida de uma sociedade, ou de uma pessoa,
que se repetem sempre da mesma maneira, são formas de um ritual, isto é, deter-
minam um conjunto de regras.
Entende-se por Ritualística tudo que é relativo ao rito ou a pratica do que é
determinado pelo Ritual.
Maçonicamente Rito é a pratica de se conferir a Luz Maçônica a um profano,
através de um cerimonial muito bonito e próprio, a uma serie de Graus específi-
cos. São práticas tradicionais que a Maçonaria adota desde tempos imemoriais.
Em 600 anos de Maçonaria documentada, uma imensidade de Ritos surgiu. Mas
é bom que se esclareça que, de 1356 até 1740, só existiu um Rito, ou melhor, um
Sistema de Cerimônias e práticas, ainda sem o titulo de Rito, que normatizava as
92

Reuniões Maçônicas em toda a Europa. Somente a partir de 1740 é que um ven-


daval de Ritos varreu o chão Maçônico da Europa. Durante quase quatrocentos
anos, devido a dificuldade de comunicação que existia entre os países, entre as
cidades e mesmo entre as Lojas Primitivas, surgiram praticas diferentes, cerimô-
nias novas foram criadas, mas que tudo dentro de aquilo que, em 1813, passou a
ser conhecido como Rito de York. Quase que se poderia dizer que o que ouve, uma
serie Rituais para um mesmo Rito, como ainda hoje acontece com o nosso desca-
racterizado Rito Escocês.

1 – Os Ritos Maçônicos
Antes do décimo oitavo século não existia Ritos diferentes. Havia lojas sem
outras ligações a não ser um Grão-Mestre cuja autoridade não era bem definida e
assembleias ás quais as lojas enviavam representantes.
O Simbolismo foi sempre tomado á arte de construção. Do mais as Lojas ingle-
sas tiveram, muito particularmente, pela arquitetura e pela construção de monu-
mentos públicos. Dai concluiu-se que a Maçonaria teve sua origem nas confrarias
de pedreiros profissionais há serias razões para de tal se duvidar.
Na época dos Cruzados, um grande número de ocidentais se iniciou em seitas
filosóficas ou religiosas que se perpetuaram no oriente desde a antiguidade.
Trouxeram para seus países a prática das iniciações secretas. Formaram confra-
rias, capítulos, Ordens de Cavaleiros, Etc. A Maçonaria foi, talvez, uma de essas
criações; é a mais verossímil das hipóteses.
Na época da supressão dos Templários, formaram-se associações tendo a pre-
tensão de conservar as doutrinas secretas e os direitos dessa ordem. Havia a
Associação dos Rosas Cruzes filosóficos, nascida na Alemanha, que se espalhou
pela Inglaterra e pela Holanda, principalmente no século 17.
Todas essas associações refugiaram-se sucessivamente, no seio da Maçonaria.
Formaram, no seio das lojas, Capítulos diversos, onde só se admitiam maçons pre-
viamente iniciados nos três primeiros graus. Outras vezes esses capítulos Templários
de Rosa Cruz, Cavaleiros do Oriente, do Real Machado, da Abobada Sagrada cria-
ram lojas sobre as quais exerciam Jurisdição. Esses capítulos e essas lojas, adotaram
elevado graus filosóficos, porem, não tinham hierarquia nem estatutos comuns, nem
laço algum, a não ser a comunhão de certas tradições e a confraternidade.

2 – Ritos Maçônicos No Brasil


Existem muitos Ritos Maçônicos praticados em todo o mundo. No Brasil, espe-
cialmente, são praticados seis, alguns deles reconhecidos e praticados mundial-
mente e outros pouco conhecidos. Em nosso meio o mais praticado é o Rito
Escocês Antigo e Aceito, com predomínio nas Grandes Lojas; seguido de perto
pelo Rito Moderno ou Francês, por muitos anos adotados pelas Lojas dos Grandes
Oriente e atualmente também reconhecido pela Grandes Lojas Maçônica do
Estado de São Paulo; o Rito York, considerado o mais antigo; o Rito Adoniramita,
pouco praticado; os Ritos Schroeder ou alemão e o Brasileiro, ambos apresentan-
do grande progresso.
Considerando a origem dos ritos, existem três tipos de maçonaria:
– A inglesa, de cunho nitidamente tradicionalista, observadora rigorosa de ritu-
ais, imutável nas suas formas consagradas pelo correr de quase quatro séculos, e
que, transportada para os países de formação e língua inglesa, manteve a mesma
índole praxista em sua lida íntima e o mesmo comportamento perante o mundo
não maçônico;
93

– A francesa, que embora de origem britânica, cedo sofreu profundas alterações,


ditadas pelas condições do meio em que se desenvolveu, adquirindo uma feição
inteiramente latina, e que se espalhou pelo mundo e se tornou conhecida princi-
palmente pela sua ação política, social e religiosa e à qual estão filiadas espiritu-
almente a Maçonaria brasileira, a portuguesa, a italiana, a espanhola, a romena, e
as de todos os países hispano-americanos;
– A alemã, também de procedência inglesa, mas que sofreu a marca do espírito
germânico, mais propenso às especulações metafísicas, baseadas nos estudos de
Friedrich Lodwig Shröder.

3 – Rito de York
O Rito de York surgiu na Inglaterra com a rivalidade entre as duas grandes lojas,
após a fundação da Grande Loja de Londres, ocasião que algumas Lojas Inglesas
formaram uma Obediência Central na cidade de York, onde no passado servia de
encontro de maçons operativos. Foi introduzido no Brasil em 28.06.1837 com a
Loja “Orphan Lodge” no Rio de Janeiro, fundada por Joseph Ewbank e outras
Lojas fundadas por ingleses, jurisdicionadas ao Grande Oriente do Brasil, entre
elas as Lojas “Unity of Lodge” e “Lodge of Wanderers” em São Paulo.
Todas as Lojas inglesas que existiam em São Paulo (Wanders e Unity), assim
como as demais espalhadas em outros estados trabalhavam no Rito de York nos
três graus simbólicos. Pelo Decreto nº 478 do dia 1º de Dezembro de 1913, em
virtude do Tratado firmado com a Grande Loja da Inglaterra em 21.12.1912, foi
criado o Grande Capítulo do Rito de York, passando todas as Lojas do Rito de
York existente na época e as que foram fundadas posteriormente liturgicamente
jurisdicionadas ao Capitulo de York que adquiriu as mesmas.
Pelo tratado todas as Lojas do rito de York existente na época e as que foram
fundadas posteriormente foram subordinadas liturgicamente ao referido capitulo
e conferido ao Capitulo do Rito de York as mesmas atribuições que a Constituição
e o Regulamento Geral conferiam às Grandes Oficinas chefes de Rito, além do
estabelecido no acordo celebrado entre o Grande Oriente do Brasil e a Grande
Loja Unida da Inglaterra.
No dia 6.5.1935, o Grande Oriente do Brasil assinou o “Convênio de Aliança
Fraternal – ”Treaty of Fraternal Alliance” com a Grande Loja Unida da Inglaterra
(United Grand Lodge of Ingland), permitindo-lhe a criação da Grande Loja
Distrital no Brasil (District Grand Lodge of South América, Northem Division),
entregando-lhe a administração das 10 Lojas do Rito de York, que até essa data
tinha em sua jurisdição, e dando permissão para criar novas lojas simbólicas para
trabalharem no Rito de York, bem como a criação da Ordem Suprema do “Holu
Royal Arch” e de Capítulos do Royal Arch a serem anexados as Lojas de sua
jurisdição.
Os ingleses consideram como Rito às regras e cerimônias de caráter sacro ou
simbólico que seguem preceitos estabelecidos e que se devem observar na pratica.
Em síntese representa o sistema de organizações maçônicas. Portanto na Inglaterra
o rito é inominado, o que se reconhece é o ritual que representa o livro que contém
o cerimonial. Poder-se-ia dizer que, para os ingleses, Rito é um procedimento,
uma prática específica, o que eles chamam de working.
No Brasil costuma-se confundir Rito de York americano, acertadamente chama-
do de Rito de York com o Emulation Ritual, pensando que o segundo é também
um Rito. O primeiro é um Rito, e o segundo é um Ritual utilizado pelo primeiro,
conhecido no Brasil como Ritual Emulação.
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O Ritual Emulação surgiu na Inglaterra, após a união das duas Grandes


Lojas, a dos “Antigos (1751)” e a dos “Modernos (1717) em 1853. As varian-
tes, representam os rituais ou mais especificamente os trabalhos praticados
pelas Lojas inglesas. Os principais rituais ingleses, ou formas ritualísticas mais
conhecidas são: o Emulation, o Logic, o Bristol, o Taylor`s, o Stability Humber
e o West End.
Segundo os dicionários a palavra Emulação (do lat. Aemulatione) S. F. –
Sentimento que incita a igualar ou superar outrem – Competição, revalidade,
concorrência – Estimulo, incentivo. Para o Ritual Emulação o conceito é de “sen-
timento que nos leva a imitar ou superar algo, a sermos perfeito”.
Mesmo antes da união das duas Grandes Lojas rivais, muitos esforços foram
empreendidos para padronizar as formas ritualísticas, ou seja, aquilo que entende-
mos como Rituais. Em 1794, os Grão Mestres dos “Antigos” e dos “Modernos”
solicitaram ao Príncipe Edward, mais tarde duque de Kent, Grão Mestre dos
“Antigos” em 1813, que arbitrasse o trabalho de unificação.
Em 1809, a Grande Loja dos “Mordenos” tomou a iniciativa neste sentido,
promovendo a fundação da Loja da “Promulgação” com o objetivo de estudar os
Landmarques e as práticas exotéricas para recomendar as mudanças que deveriam
ser feitas no sentido de trazer os rituais a uma forma aceitável, visando de ante-
mão a preparação para a união das Grandes Lojas rivais. Um corpo similar foi
fundado pelos “Antigos”.
A “Lodge of Reconciliation” (Loja da Reconciliação), criada em 7 de dezembro
de 1813 harmoniza os rituais. O trabalho foi efetuado oralmente, respeitando a
proibição de nada escrever a respeito do “segredo maçônico”. Nenhuma ata foi
redigida, assim como foi proibido até tomar nota.
Assim em 1816, surge oficialmente um novo ritual, “aprovado e confirmado”
pela Grande Loja, resultado de um longo trabalho iniciado em 1794, coroado pelo
Act of Union de 27 de dezembro de 1813 e finalmente concluído em junho de
1816.
Este ritual ou pratica (Emulation working) é a expressão inglesa usada para
defini-lo, pela restrição mencionada, era muito pouco conhecido fora dos paises
de língua inglesa. Todavia, após 1969, quando da liberação para publicação
expressa, o ritual vem atraindo cada vez mais interessados, não só no sentido de
conhece-lo como de pratica-lo.
O Ritual se caracteriza por procedimentos muito peculiares, ausentes em outros
rituais, pelo despojamento de certas pompas aliado à simplicidade e singeleza, o
que acaba lhe conferindo certa gravidade e um ar de sobriedade sem todavia,
torna-lo circunspecto, agradando a muitos maçons.
O Rito de York é um rito muito prático, objetivo, bonito e fácil. Nos trabalhos
de Loja são nitidamente divididos em pres períodos: “a bem da maçonaria em
geral”, “a bem da Loja e sua Obediência” e finaliza “oportunizando o Irmão, caso
queira, a se manifestar sobre sua pessoa a serviço da ordem”.
Na Grande Loja do Estado de São Paulo, fundada exclusivamente pelo agrupa-
mento de lojas escocesas, embora o Rito de York fosse, como ainda o é aceito e
reconhecido, poucas lojas se interessaram pratica-lo. Algumas foram constituídas
para adota-lo mas não tardaram em troca-lo pelo escocês por sentirem-se isoladas.
Entre estas a Augusta e Respeitável Loja “Mozart” foi a que mais persistiu na
prática deste belo rito, praticando-o por mais de duas décadas.
Na década dos anos noventa o Grão Mestre Salim Zugaib, incentivou a funda-
ção de novas Lojas, que adotaram o Emulação, ou Reconciliação (também conhe-
95

cido por Rito de York) e a Ordem do Santo Real Arco de Jerusalém estabelecido
pelo Irmão Santiago Ansaldo de Arosteguy, Past Grão-Mestre da Catalunha-
Espanha.
Após o encerramento da IV Conferência Mundial de Grandes Lojas, realizada
na Capital Paulista, a Glesp promoveu a instalação do Supremo Grande Capítulo
dos Maçons da Ordem do Santo Real Arco de Jerusalém. Contribuiu para que a
instalação ocorresse a Grande Loja da Espanha, sob o comando do Grão-Mestre
Tomas Sarobe.
Em curto espaço de tempo a Glesp conseguiu que fossem fundadas as lojas do
Rito de Emulação, contando em 1999 o total de 14 lojas, número suficiente para
a fundação do Real Arco na Glesp. O supremo Conselho do Real Arco da Espanha
veio para São Paulo juntamente com seus oficiais e fundou sob seus auspícios três
Capítulos: União Justa e Fraterna, Novo Laço Místico e Memória e Tradição, em
cerimônia em que foram exaltados 40 irmãos das lojas do Rito Emulação.
Após consagrados e instalados os três Capítulos e instalados os Principais e
Oficiais de cada um foi efetuada a consagração do Supremo Grande Capítulo do
Real Arco da Glesp, a aprovação pelos Capítulos da sua constituição e a instalação
dos três Grandes Principais, respectivamente, Grão-Mestre Salim Zugaib e Past
Grão-Mestres Santiago Ansaldo de Aróstegui e Hector Luis Pandolfo.
Com isto, os Capítulos fundados pelo Real Arco da Espanha puderam ser trans-
feridos para o novo Supremo Grande Capitulo da Glesp, o qual se revestiu de
grande importância por ser o primeiro instalado na América Latina consagrado
por um Supremo Grande Capítulo de origem europeia.
A fundação do Supremo Grande Capítulo da Glesp teve os seguintes Grandes
Oficiais consagrantes: Tomas Sarobe Piñero, Santiago Arsaldo de Aróstegui,
Horst Rietmueller e Alberto Martinez Lacaci y Perez Cosio.
No inicio da última década do findo século o Grão-Mestre Pedro Luiz Ricardo
Gagliardi e Laelso Rodrigues, na qualidade de Soberano Grão-Mestre Geral do
Grande Oriente do Brasil assinaram o tratado de mutuo e recíproco reconheci-
mento dos dois Supremos Grande Capitulo dos Maçons da Ordem do Santo Real
Arco de Jerusalém do Estado de São Paulo, formados em ambas potencias, repre-
sentados pelo Irmãos: Santiago Ansaldo de Arostegui de Larin y de Contreras,
Primeiro Grande Principal do Supremo Grande Capitulo dos Maçons da Ordem
do Santo Real Arco de Jerusalém do Estado de São Paulo e Fernando Túlio
Colecioppo Junior, em sua qualidade de Pró Primeiro Grande Principal do
Supremo Grande Capitulo dos Maçons do Arco Real do Grande Oriente do Brasil
e Grande Secretário Geral de Relações Exteriores do Grande Oriente do Brasil.
Foi, permitindo a divulgação proliferação do belíssimo rito de York na jurisdição,
indo além da prática do puro simbolismo nos trabalhos nos graus 1, 2 e 3 com a
fundação de Capítulos de Real Arco e de Lojas de Mark, divulgando não se tratar
de Graus Filosóficos, mas sim apenas de uma “extensão do Rito de York simbó-
lico”, satisfazendo os que pensam conseguir mais um grauzinho também no filo-
sofismo deste rito.
Assim na Glesp e no Gosp no Estado de São Paulo foram adotados duas formas
ritualísticas, o Emulation e o denominado Rito de York, praticado nos Estados
Unidos (Rito Americano), os dois em nível de Corpos Filosóficos.
Nos Estados Unidos as Lojas trabalham no chamado Rito Americano, que é o
Rito de Emulação inglês ligeiramente modificado por Thomas Webb e de certa
forma por seu seguidor Jeremy Cross em princípios de 1800. O Simbolismo nos
estados Unidos é conhecido sob o nome de “Bleu lodges” ou Lojas Azuis. Thomas
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Webb se inspirou nas conferências que sobre o Rito de Emulação realizou William
Preston na Inglaterra.

4 – Rito Escocês Antigo e Aceito


O Rito Escocês tem como data oficial de sua existência o dia 31 de maio de
1801, quando foi fundado o seu primeiro Supremo Conselho. Contudo, é certo
que o escocesismo, como trabalho maçônico em Loja Simbólica, tem existência
mais antiga.
Na crítica de varios autores renomados podemos deduzir a verdadeira origem
deste Rito. A maioria que negam a origem prusiano, templário ou anterior, con-
cluem que a base fundamental deste rito está estribada no Rito de Perfeição em 25
graus, surgido em Paris em 1756 no Capítulo dde Imperadores de Oriente e
Ocidente, importado para a America (São Domingos) por Estevan Morin onde
somente se conheciam os tres graus da Maçonaria primitiva de São João, encon-
trando terreno fertil frutificou rapidamente o sistema dos Soberanos Princípes da
Masonaria. Concebeu Morin a ideia de ampliar a escala dos graus primitivos,
elevando seu número para 33, com o apoio de vários irmãos, com os quais fez
previamente os necessarios acordos.
Reunidos em Charleston (Carolina do Sul), depois da distribuíção dos cargos e
concentrar o poder da administração, fundou em 31 de maio de 1801, o primeiro
Supremo Conselho da Maçônaria, cuja existência deu conhecimento pela primei-
ra vez, na prancha circular expedida em 04 de dezembro de 1802, onde apesar da
suposta antiguidade e aceitação que faz presumir seu título, não escclarece indi-
cação que revele sua origem, nem sua anteriodade, limitando-se unicamente a
preconizar seus 33 graus, cuja organização atribuiu ao Rei da Prusia, em maio de
1786.
Levou ano e meio a organização deste esquema para ser revelado pela referida
prancha miniciosa, mas historicamente fantaciosa, em que tinham sido acresceen-
tados 8 novos graus, numa organizaçãodos antigos 25 graus, a partir do grau 23.
O nome Escocês nasceu na França, a partir da fuga dos Stuarts, que vinham da
Inglaterra após a queda do Rei Carlos I em 1649 e o conseqüente asilo político
concedido pelo Rei Luis XIV da França que lhe concedeu o castelo de Saint
Germain, para onde foram também muitos integrantes da nobreza escocesa, que
passaram a trabalhar pela restauração do trono, sob a cobertura das Lojas
Maçônicas, das quais eram membros honorários.
Consta que Carlos II, ao se preparar para recuperar o trono, criou um regimento,
chamado de “Guardas Irlandeses”, em 1661 que possuía uma Loja Maçônica, cuja
constituição dataria de 25 de março de 1688 e que foi a única Loja do século XVII
cujos vestígios ainda existem, embora devam ter os stuartistas criado outras.
Nasceu o Rito Escocês provocando divergências. Após a criação da Grande
Loja de Londres, existiam na França dois ramos maçônicos: a maçonaria escoce-
sa, stuartista, católica, jacobita, especulativa, ainda com Lojas Livres de uma
administração central; e a maçonaria inglesa, com Lojas subordinadas a Grande
Loja da Inglaterra. Em 1738 a maçonaria escocesa adquiriu a adoção do regime
obediencial inglês, fundando em território francês, denominada Grande Loja da
França.
Depois de 1738 o Rito Escocês, adquiriu importância por adotarem suas Lojas
o acréscimo dos altos graus, principalmente após a publicação do discurso de
Ramsay em 1737, o aparecimento do Capitulo de Clermont e o Conselho dos
Imperadores do Oriente e do Ocidente, criando um emaranhado confuso de graus,
97

tendo adquirindo seu ordenamento atual em 31 de maio de 1801, data considerada


como a origem do rito e, adotado o lema “Ardo Ab Chao” (A Ordem Deve Vir
Depois do Caos), “ referindo-se a ordenação da confusão dos graus praticados.
Foi o Soberano Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito
fundado em 12.11.1832, em virtude da Carta Patente concedida pelo Supremo
Conselho dos Paises Baixos ao Irmão Francisco Ge de Acayaba e Montezuma,
Visconde de Jequitinhonha, a ele se agrupando o Supremo Conselho do Marechal
João Paulo dos Santos Barreto instalado com autorização legal com carta-patente
do Supremo Conselho da França (considerado irregular) e o criado pelo Contra
Almirante David Jewett, com carta-patente do Supremo Conselho nº 1, Jurisdição
Sul dos Estados Unidos.
O Supremo Conselho do Grau 33º do Rito Escocês Antigo e Aceito resultante
se constituiu em Potencia Maçônica Soberania, participante da Confederação
Internacional dos Supremos Conselhos, tendo nesse caráter comparecido a todos
os Congressos Internacionais realizados, para discutir os interesses do Rito. Sua
vida vem ininterrupta desde a data da sua fundação, até os dias atuais.
Segundo publicação de Kurt Prober em uma de suas revista “A Bigorna”:

“Francisco Gomes Brandão nasceu em 23.03.1794 em Salvador (BA). Em


1822/1923, durante as lutas no Reconcavo, em que participou ativamente, mudou
o seu nome, “Gê” é uma tribo de caboclos, e “Acayaba” é o nome de uma arvore.
Tinha se formado em leis pela Universidade de Coimbra (Portugal), e lá fundou,
1982, uma sociedade politica contra o govêrno, com o nome dde Keporatica, mais
conhecida como “Jardineiros”. Voltou para o Brasil em Setembro de 1821, logo
aqui instalando a sua sociedade dos “Jardineiros”, para trabalhar pela nossa
Independência, embora simultaneamente fosse redator da folha “Diário
Constitucional”, com a condição expressa de nada publicar com referência a poli-
tica. – Creio que não era Maçom ao ser deportado do Brasil em 1823, juntamente
com José Bonifácio, de modo que devia ter-se iniciado maçom na Europa, e lá
trabalhando ativamente para conseguir o Grau 33 e a Patente que em 1829 lhe foi
dada. – Chegando ao Rio de Janeiro, mesmo sem passaporte, que lhe havia sido
negado na Europa, foi morar à rua das Violas (é a atual rua Teofilo Otoni), onde
na noite de 31.5.1831 o foi buscar pessoalmente o Regente, o Marques de Monte
Alegre, para tomar posse de sua cadeira de primeiro suplente de deputado pela
Bahia. Deputado pela Bahia, em Dezembro de 1940, foi depois Enviado
Extraordinário a Ministro Plenipotenciário junto ao govêrno inglês, cargo que
exerceu até 24.8.1841. – No dia da coroação de D. Pedro I, em 1.12.1822, recusou
o título honorifico de Barão da Cachoeira, mas em 2.12.1854 aceitou de D. Pedro
II, o de Visconde de Jequitinhonha. Faleceu no Rio de Janeiro em 15.2.1870”.

Como vimos, Montezuma estabeleceu o seu Supremo Conselho Brasileiro,


como Potência Mixta, movido pela necessidade de ter a sua disposição as lojas
simbólicas, que lhe pudessem fornecer o indispensável elemento humano, sistema
administrativo este, que ficou em vigor até 1927.
O fundador do Supremo Conselho do Brasil, Francisco Gê Acayaba, sabendo
que o Almirante, Chefe da Divisão da Marinha Brasileira, David Jewett, era por-
tador de uma Patente de 04.11.1826, de data anterior a sua, convidou-o a partici-
par do novo Supremo Conseelho, no que foi atendido.
Ficou Montezuma com o cargo de Soberano Grande Comendador, enquanto
Jewett aceitou o de Lugar Tenente Soberano Grande Comendador, ambos advi-
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tam. Esteve o ilustre americano filiado ao quadro da Loja “7 de Abril” do


Grande Oriente do Passeio, ao qual pertenceu até o fim de seus dias, porém, já
na segunda reunião do Supremo, ao tomar conhecimento da investidura ao Grau
33º do Irmão José Bonifácio e outros Irmãos, praticantes do Rito Moderno
desligou-se do Supremo Conselho e do cargo de Lugar Tenente. Foi o
Soberano Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito fun-
dado em 1832, em virtude da Carta Patente concedida pelo Supremo Conselho
dos Paises Baixos ao Irmão Francisco Ge de Acayaba e Montezuma, Visconde
de Jequitinhonha, a ele se agrupando o Supremo Conselho do Marechal João
Paulo dos Santos Barreto instalado com autorização legal com carta-patente do
Supremo Conselho da França (considerado irregular) e o criado pelo Contra
Almirante David Jewett, com carta-patente do Supremo Conselho nº 1,
Jurisdição Sul dos Estados Unidos.
O Supremo Conselho do Grau 33º do Rito Escocês Antigo e Aceito resultante
se constituiu em Potencia Maçônica Soberania, participante da Confederação
Internacional dos Supremos Conselhos, tendo nesse caráter comparecido a todos
os Congressos Internacionais realizados, para discutir os interesses do Rito. Sua
vida vem ininterrupta desde a data da sua fundação, até os dias atuais.
Como foi acima mencionado o sistema do Supremo Conselho do Brasil, insti-
tuído por Montezuma perdurou até 1927, entretanto na verdade pode se dizer que
isto aconteceu no ano anterior, em 04 de junho de 1926, quando os Estatutos do
Supremo Conselho do Grau 33º do Raito Escocês Antigo e Aceito foram adapta-
dos para atender a regularidade exigida pela Confederação do Rito.
Nesta ocasião encontrava-se o Supremo Conselho sob o comando do Soberano
Grande Comendador Mario Behring, que havia deixado o cargo de Grão-Mestre
e conservou a chefia do Supremo, separando-se do Grande Oriente e extinguindo
a Oficina do Rito.
Foram os novos Estatutos impressos nas Oficinas Graficas José Bonifácio, no
mesmo ano e fez parte do docie apresentado em Paris pelos representantes do
Supremo Conselho sob o comando de Behring na contenda com o Supreemo
Conselho do Brasil, ao ter Otavio Keller revertido o processo em 1927.
Compõe estes Estatutos 134 Artigos e tendo em anexo todos os modelos de
impressos necessários para atendimento às Grandes Lojas e aos Alto Corpos filo-
soficos. Diz em seu 1º Artigo e, no fecho de seu Artigo 2º, referente a Declaração
de Principíos e seu Paragrafo Único:

“Art. 1º – O Rito Escocês Antigo e Aceito, Instituíção Maçônica Universal,


regida pelas Grandes Constituições de 1762 e de 1786, divide-se em Jurisdições
independentes e soberanas, uma para cada Pais, sob o governo de um Alto Corpo
Soberano denominado Supremo Conselho, constitíndo todos eles a Confederação
do Rito, organizada e fundada pela Conferência de Lausane de 22 de Setembro de
1875 e confirmada pelas Conferências de Bruxelas de 15 de Junho de 1907, de
Washington de 7 de Outubro de 1912 e de Lausane de 29 de Maio de 1922”.

“a sua antiguidade, capacidade e serviços, e é constituído sob a jurisdição do


Soberano Supremo Conselho por Lojas de Perfeição, Capítulos de Cavaleiros
Rosa Cruz, Conselhos de Cavaleiros de Kadosch e Consistórios de Principes do
Real Segredo. As Lojas Simbólicas do Rito ficarão sob a jurisdição de uma
Grande Loja ou de um Grande Oriente que aceite e reconhaça a soberania deste
Soberano Supremo Conselho”.
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“Paragra único – Lojas de Perfeição, Capítulos de Cavaleiros Rosa Cruz,


Conselhos de Cavaleiros de Kadosch e Consistórios são subordinados diretamen-
te a este Soberano Supremo Conselho e têm funções gerais e especiais em harmo-
nia com os presentes Estatutos e com as Leis e Regulamentos que ele promulgar
ou sancionar”.

5 – Rito Moderno ou Francês


O Rito Moderno, criado em 1761, foi reconhecido pelo Grande Oriente da
França, em 1773. A partir de 1786, quando em projeto de reforma, estabelecendo
os 7 graus do Rito – em contraposição ao emaranhado de Altos Graus da época
– ele teve grande impulso, espalhando-se por toda a França, pela Bélgica, pelas
colônias francesas, e pelos países latino-americanos, inclusive pelo Brasil, já no
inicio do século XIX (o Grande Oriente do Brasil, a primeira obediência brasilei-
ra, foi fundada em 1822, adotando o Rito Moderno), antes do Rito Escocês que só
seria introduzido em 1832).
Em 1877, houve a grande reforma doutrinaria que suprimia a obrigatoriedade
da crença em Deus e a imortalidade da alma, não como uma afirmação de ateísmo,
respeito a liberdade religiosa e de consciência, já que as concepções religiosas de
uma pessoa devem ser de foro íntimo, não podendo ser impostas. O Grande
Oriente da França, que acolheu a reforma, queria demostrar, aí, o maximo de
escrúpulos para com os seus filiados, rejeitando toda e qualquer afirmação dog-
mática. Essa atitude provocou a rápida reação da Grande Lola da Inglaterra, que
rompeu com o Grande Oriente Frances, aproveitando a oportunidade, já que, no
caso, mais do que uma questão doutrinaria, uma realidade política, não só
Maçônica, mas, também, nacional.
Segundo muitos autores a condição apenas do apelo fraternal, detectada logo
nos primeiros anos do aparecimento da Maçonaria Especulativa na França, não
era suficiente para manter a agregação das pessoas entorno das lojas da jurisdição
da Grande Loja Nacional da França, principalmente as pessoas letradas e a nobre-
za. Isso seria alterado com a efervescência das ideias iluministas e o pretenso
predomínio das ciências naturais sobre as crenças e dogmas do medievalismo.
Para essa transformação influiu o escocês Andrews Michael Ramsay, que por
motivos políticos deixou a Grã-Bretanha e foi para a França, como protegido do
arcebispo de Fenelon, por ocasião da restauração ou causa jacobina.
Em 1773 séria estabelecida à primeira Obediência formal francesa, a Grande
Loja Nacional Francesa. Suas lojas, apesar de repletas de ideias sobre liberdade e
fraternidade, como seria esperado não despertava grande interesse nas camadas
mais letradas da sociedade francesa. Isso ocorria por causa da propalada aproxi-
mação histórica e ideológica dos maçons com as ancestrais guildas de pedreiros
construtores e de outros trabalhadores.
Ramsay foi o mentor de afastar a origem da Maçonaria dos obreiros das cate-
drais e a sitiou a reis, príncipes, nobres, duques, barões e cavaleiros da Antiguidade
e da Idade Média. Incorporou a coragem e valentia dos cruzados à alma maçônica,
claro que não tinha ele nenhum documento oficial ou fonte de pesquisa adequada,
mas esse novo conceito muito mais “sangue azul” e repleta de novas personalida-
des heróicas foi a pedra angular que sustentaria nossa Ordem nesses momentos
cruciais na França, porém, que também daria origem a vários tipos de Maçonaria,
assim após o desaparecimento da Grande Loja surgiu o Grande Oriente de França,
as potências dos Altos Corpos, conhecidas como filosóficas e outros tipos de
maçonaria, na sua grande maioria irregulares sob o ponto de vista da maçonaria
100

tradicional inglesa e entre elas o próprio Grande Oriente com conceito próprio,
adotando muitos ritos não reconhecidos pela Grande Loja Unida da Inglaterra e
pregando a ideia de Ramsay, quanto a origem da maçonaria e o Rito Frances em
oposição a maçonaria inglesa, tendo como argumento que o Maçom não poderia
ser livre se condicionado ao conceito religioso, tendo substituído o Livro da Lei
pela sua Constituição.

6 – Rito Adonhiramita
O Rito Adonhiramita foi criado em 1787 pelo barão de Tschoudy autor da
Estrela Flamiígera, esse Rito é um dos mais espalhados e baseia seus símbolos
e emblemas nos instrumentos e ornamentos da construção do Templo de
Salomão, segundo os planos traçados pelo hábil obreiro e mestre Hiram. Os
Adonhiramitas celebram a memória de Adoram ou Adonhiram, que foi o arqui-
teto do Templo, segundo a Bíblia, e comemoram seu trágico fim. A história de
Adonhiram é tomada do Talnud dos Judeus; contudo, não se acham os maçons
interiramente de acordo com o nome dessa personagem, vítima de três maus
companheiros de trabalho. Para muitos foi Hiram, de onde veio o nome
Hiramitas; porém a doutrina, tanto a dos altos graus como a dos simbólicos, é a
mesma dos adonhiramitas.
As praticas ritualísticas do Rito Adonhiramita são, sem duvida alguma, das mais
belas, entre as dos outros ritos existentes, é o mais complexo e o de maior riqueza,
não só nas cerimônias magnas, mas até nas sessões mais simples. Essas praticas
tem sido imitadas por outros ritos; tais como o cerimonial do fogo (reavivamento
da Chama Sagrada, tirada do Fogo Eterno); as doze badaladas.
O Grau de Mestre e a lenda da construção do templo de Jerusalém, teriam sur-
gido em 1725, após a fundação da Grande Loja da Inglaterra. Anderson atribuía a
Hiram-Abif como responsável pela direção dos operários na construção. No Rito
Adonhiramita, o Mestre é Adonhiram.
As primeiras publicações afirmando Adonhiram como o Mestre Construtor são
atribuídas ao Abade Gabriel Luiz Calabre Perau em 1742 e a Luiz Travenol em
1744, sendo a partir daí estabelecido o debate sobre quem seria o Mestre respon-
sável pela construção do Templo: Hiram Abiff ou Adonhiram.
Sugere o livro do abade Perau, publicado em Genebra no ano de 1745 que
Hiram e Adonhiram poderiam ser a mesma pessoa, com duas denominações. No
principio começa a referir-se como dirigente dos trabalhos por Adonhiram e no
transcorrer da obra, o Mestre passa a ser denominado por Hiram.
As dúvidas sobre as genealogias dos personagens podem ser a razão da polêmi-
ca. Hiram sempre foi considerado como natural de Tiro, filho de uma viúva da
tribo de Naftali (I Reis 7, 13-14) ou Dã (II Crônicas 2, 12-13). Adonhiram, por sua
vez, é hebreu, e também é sugerido como filho de uma viúva, Abda, sem contudo
indicar sua tribo de origem. Na Bíblia, é citado em duas oportunidades como o
“dirigente dos trabalhos” (I Reis 4, 6 e I Reis 5,14).
A Maçonaria Adonhiramita que prosperou e chegou aos dias atuais, se alicerça
na tradição sobre o mestre arquiteto Adonhiram, conforme o prescreve o texto
bíblico, o “dirigente dos trabalhos”. Dessa forma, apresentava-se extremamente
conservadora ao não admitir interpretações nem erros nas Escrituras, fonte única
da palavra Revelada. Ritualisticamente, até as grandes mudanças introduzidas a
partir de 1969, prevaleceu aquele que foi codificado pela Compilação Preciosa da
Maçonaria Adonhiramita, cuja primeira publicação datou de 1781, organizada por
Claude Louis Guillemain de Saint-Victor.
101

No Brasil o Rito Adonhiramita foi um dos primeiros introduzidos, precedendo


o Rito Moderno. Surgiu em Lojas que constituíram o Grande Oriente Brasílico,
criado em 1822 e extinto a 25 de outubro de 1822. Todavia ao ser reerguida a
Maçonaria brasileira em 1930 (Grande Oriente Brasileiro) e 1931 nenhuma de
suas Lojas trabalhava no Rito Adonhiramita.
Com a fundação da Loja “Sabedoria e Beneficência” no Oriente de Niterói,
ressurgiu o Rito Adonhiramita em 1837 e com a Loja “Firmeza e União”, consti-
tuída em 12 de novembro de 1838 na cidade do Rio de Janeiro. Época da criação
do Grande Colégio de Ritos, estabelecido pela Constituição do Grande Oriente do
Brasil, para regulamentar os Altos Graus dos ritos Moderno, Adonhiramita e
Escocês Antigo e Aceito, introduzido em 1829, pelas Lojas fundada por
Montezuma, porém, ao ser incorporado em 1854 o Supremo Conselho do Rito
Escocês, a nova Constituição do Grande Oriente do Brasil, criou novo Grande
Colégio dos Altos Graus, restrito aos ritos Moderno e Adonhiramita, isto é, o
Sublime Grande Capítulo dos Ritos Azuis.
A partir de 1863, com o aparecimento do Grande Oriente dos Beneditinos, lide-
rado por Joaquim Saldanha Marinho, o Rito Adonhiramita prosperou, chegando a
cinco Lojas, superando as três do Grande Oriente do Brasil. Em 2 de abril de
1873, pelo decreto nº 21 foi estabelecido o Grande Capitulo dos Cavaleiros
Noachitas, que era uma Obediência mista (simbólica-filosófica) a semelhança do
Supremo Conselho Escocês.
No Grande Oriente do Brasil, esta condição mista perdurou até 1951. Neste ano,
a 23 de maio, pelo Decreto nº 1641 foi promulgada a nova Constituição, a qual
passava a reger apenas a Maçonaria Simbólica, tornando-se o Grande Oriente uma
Obediência estritamente Simbólica, separando-se das Oficinas Chefes dos Ritos
(Causa da grande dissidência de 1927).
A partir daí, o Grande Capitulo dos Cavaleiros Noachitas passou a ser uma
Obediência independente, elaborado seus estatutos próprios em 1953, passou a se
denominar “Muito Poderoso e Sublime Grande Capitulo dos Cavaleiros Noaquitas
para o Brasil” e com a nova Constituição promulgada a 2 de junho de 1973
“Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita”, sendo sua estrutura original
profundamente modificada e seus Altos Graus aumentados para 33.
Nos Grandes Orientes estaduais independentes, surgidos após cisão no Grande
Oriente do Brasil em 1973, foram fundadas Lojas Adonhiramitas que não promo-
veram as modificações surgidas no Grande Oriente do Brasil, principalmente no
Estado de Santa Catarina onde a Maçonaria Adonhiramita continuou a ser regida
pela “Oficina Chefe do rito”, sob a denominação de “Sublime Grande Capitulo”
adotado por todos os Grandes Orientes independentes em âmbito nacional, dirigi-
da por um Grande Inspetor e sem o acréscimo de graus.
Originalmente, na “Compilação Preciosa” em seus 2 (dois) volumes, contava
do primeiro os graus de Aprendiz, Companheiro, Mestre e Mestre Perfeito, e do
segundo os gruas de Perfeição, assim: Volume I graus 1º Aprendiz, 2º
Companheiro, 3º Mestre e 4º Mestre Perfeito, e Volume II – graus 5º Primeiro
Eleito ou eleito dos noves, 6º Segundo Eleito ou Eleito de Perpignam, 7º
Terceiro Eleito ou Ilustre Eleito dos quinze, 8º Pequenho Arquiteto, 9º
Companheiro Escocês ou Grande Arquiteto, 11º Cavaleiro do Oriente ou da
Espada ou da Águia, 12º Cavaleiro Rosa-Cruz e 13º Cavaleiro Noaquita ou
Prussiano. Com a criação do “Exelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita” em
02/06/1973, inseriu-se mais 20 (vinte) graus na hierarquia do Rito, totalizando
33 (trinta e três) graus.
102

Os primeiros rituais Adonhiramitas dos graus simbólicos, adotados no Brasil,


ao serem fundadas as primeiras lojas eram tradução da Compilação Preciosa da
Maçonaria Adonhiramita, cuja primeira publicação datou de 1781, organizada por
Claude Louis Guillemain de Saint-Victor. Após o advento do Grande Capitulo
Noachita em 1873, é que o Grande Oriente editou o Regulamento dos Graus de
Aprendiz, Companheiro e Mestre, reeditado em 1916 e em 1938 e em seguida
surgiram muitas novas edições.
O rito Adonhiramita pelo que se tem conhecimento deixou de ser praticado em
todos os paises, exeto no Brasil, onde há Lojas da Maçonaria Adonhiramita em
praticamente todos os Estados. Nas Grandes Lojas Estaduais, pela sua constitui-
ção original, formada apenas por Lojas escocesas não poderia existir Lojas de
outros ritos, estando todas subordinadas ao Supremo Conselho do Rito Escocês.
Muitas Lojas fundadoras praticavam diversos ritos, inclusive Lojas Adonhiramitas,
mas só foram aceitas com a condição de adotarem o rito Escocês, daí muitas Lojas
fundadoras voltarem ao Grande Oriente do Brasil por não estarem de acordo com
a exigência.
Entretanto, já na segunda constituição da Glesp foram autorizadas as adoções
dos ritos Schoreder e de York, sendo este último adotado pela Glesp nos anos
noventa, na versão “Emulação” e o Schöreder nos anos iniciais deste século, oca-
sião que foram reconhecidos os ritos Adonhirata e o Escocês Retificado, atrvés do
Decreto nº 80 – 2004/2007, assinado pelo Sereníssimo Grão-Mestre Pedro
Gagliardi, quem artorizou o funcionamento das duas primeiras lojas do rito, ao
filiar as Lojas De Adonhiran nº 609 e a Loja Simbólica Lótus Verde nº 610, ambas
no Oriente de São Paulo.

7 – Rito Schroeder
O Rito Schröder originou-se na Alemanha, sendo depois praticado em diversos
países. No Brasil, com a colonização germânica no Rio Grande do Sul e em Santa
Catarina, estabeleceu-se inicialmente no idioma alemão, sendo mais tarde tradu-
zido para o português. Em janeiro de 2000, contava com 36 Lojas, no território
nacional e é reconhecido pelas Grandes Lojas Estaduais; pelo Grande Oriente do
Brasil e pelos Grandes Orientes Estaduais Independentes.
Foi criado pelo Irmão Friedrich Luddwig Schröeder, Ex Grão-Mestre da Grande
Loja de Hamburgo (incorporada à Grande Loja dos Maçons Antigos e Aceitos da
Alemanha), nascido em 3 de setembro de 1816.
O Irmão Schröeder foi iniciado em 1774 no Rito da Estrita Observância. Foi
eleito Venerável Mestre de sua Loja Mãe, a “Emanuel Zur Maiemblume”, ficando
no cargo até 1799. Entre 1794 e 1814 foi Deputado do Grão-Mestre (Grão-Mestre
Adjunto) e, de 1814 a 1816, foi Grão-Mestre da Grande Loja de Hamburgo e da
Baixa Saxônia, anteriormente subordinada à Grande Loja de Londres.
Após ser eleito Venerável Mestre, Schröder assumiu a presidência de uma
Comissão encarregada de reformar os Rituais dos Três Graus. Profundo conhece-
dor da História e dos Rituais da Maçonaria, principalmente pelos livros “As Três
Pancadas Distintas na Porta da mais Antiga Franco-Maçonaria” – “The Thee
Distinct Knocks at the Door of the Most Ancient Free-Masonry”, de autor desco-
nhecido, sem dúvida o mais antigo Ritual Maçônico impresso; e “Maçonaria
Dessecada” – ‘Massonry Dissected”, de Samuel Prichard, um estudo sobre as
práticas e Rituais Maçônicos. Estudou também os Rituais dos diversos sistemas
de Graus Complementares que proliferavam na Europa daqueles tempos. Suas
pesquisas o levaram a abolir os chamados “altos Graus”, bem como todo o esote-
103

rismo e ocultismo que dominavam a Maçonaria da Alemanha. Buscou assim


restaurar o Antigo Ritual Inglês, adaptando-o para a cultura alemã para o idioma
germânico. É por causa dessa origem comum nos antigos Rituais ingleses, que o
Rito Schröder é tão semelhante ao Rito de York (Emulation Rite), sem ser, contu-
do, uma cópia do mesmo.
Fundamentado na difusão do puro espírito humanístico, dentro do verdadeiro
amor fraternal, preservando a importância dos símbolos, resgatando o princípio
que afirma ser “a verdadeira Maçonaria a dos Três Graus de São João”, o Irmão
Schröder elaborou um conjunto de Rituais que rapidamente conquistou as Lojas
de Hamburgo e passou a ser utilizado por Lojas de diversos Orientes, sempre na
língua germânica.
Pelo seu trabalho e exemplo, o Irmão Schröder é venerado e respeitado hoje,
como no passado, sendo homenageado pelas antigas Lojas alemãs e por Lojas e
Irmãos de todo o mudo.
Foi o Rito que menos influência sofreu dos demais Ritos. Esteve adormecido
por alguns anos, em consequência da 2ª guerra mundial, mas atualmente vem
experimentando um crescimento sem precedentes, por sua cultura, prática huma-
nista e pela pregação de que “existe uma única maçonaria”.

8 – Rito Brasileiro
Teria sido criado em 1978, em Pernambuco, mas tem a sua existência legal a
partir de 23 de dezembro de 1814, quando foi publicado o decreto nº 500, do
Grão-Mestre do Gr\ Or\ do Brasil, Lauro Sodré, fazendo saber que, em sessão
do conselho geral da Ordem, em 21 de Dezembro, havia sido aprovado o reconhe-
cimento e incorporação do Rito Brasileiro entre os que compunham o Gr\ Or\
do Brasil. Depois o Rito desapareceria para prosseguir em 1940 e, novamente, em
1962 praticamente desaparecer, até que, em 1968, o decreto Nº 2080, de 19 de
Março de 1968, do Grão-Mestre Álvaro Palmeira, renovava os objetivos do Ato
Nº 1617, de 3 de Agosto de 1940, como o marco inicial da efetiva implantação do
Rito Brasileiro.
A partir daí, o Rito teve grande crescimento no pais, chegando a condição de
segundo mais praticado, Bastante decalcado.no Rito Escocês possui, como este,
30 Altos Graus, alem de 3 Graus Simbólicos.
104
105

Capítulo VII

Religião e Maçonaria

1 – A Religião Maçônica
O Reverendo James Anderson, autor da primeira constituição maçônica abor-
dou bem o pensamento da Maçonaria referente a religião do maçom, quando
apregoou:

“O maçom, por força de seu caráter é obrigado a obedecer a lei moral e, se


aprendeu devidamente a Arte Real, não será mais um ignorante ou ateu e, tampou-
co, um libertino sem religião. Ainda que nos tempos antigos, eram os maçons
obrigados a professar a religião e crença dominantes em seu país, considera-se,
nos tempos atuais, que deles se deve exigir que sigam a crença que mais lhe con-
venha, deixando a cada um a liberdade de suas convicções individuais, desde que
sejam homens probos, direitos e honrados, qualquer que seja a crença que ado-
tem”.

A Maçonaria aceita e respeita todas as religiões e, portanto não é anti católica


e, muito menos, anti cristã. Cerca de 80% dos maçons brasileiros são católicos e,
muitos deles, praticante. A Maçonaria não é contra qualquer religião. Ela reconhe-
ce os benefícios e a bondade, assim como a verdade de todas as religiões, comba-
tendo ao mesmo tempo suas inverdades, o fanatismo e o obscurismo.
A Maçonaria não aceita ateu ou agnósticos. O ateu é aquele que diz não acredi-
tar em Deus, enquanto que o agnóstico é aquele que não pode afirmar, conscien-
temente se Deus existe ou não. Um candidato à Maçonaria que declare ser ateu ou
agnóstico não será recebido, pois, uma das leis básicas da Maçonaria estabelece
que a negação da existência ou crença em Deus é impedimento e insuperável para
a iniciação na Ordem Maçônica. Subsidiariamente a essa crença é exigida a cren-
ça numa vida futura. Vê-se por isto que a Maçonaria, não sendo uma religião, é
profundamente religiosa e, nem de longe, poder-se-ia acusá-la de ateísta, agnósti-
ca ou materialista.
A Maçonaria não é uma ideologia no sentido religioso ou político. Também não
é um “ismo” qualquer. Ela não se envolve com as sutilezas da filosofia religiosa,
política ou social. Entretanto, a Maçonaria defende a teoria de que todos os
homens têm uma origem comum, participam da mesma natureza, têm as mesmas
106

esperanças e procuram viver pacificamente com seus semelhantes e, por isso,


devem trabalhar em união para o mesmo objetivo – a felicidade e bem estar da
sociedade. Bem por isso, ao se iniciar o trabalho nas Lojas Maçônicas é recitado
o Salmo 133 dos Cânticos de David que começa com as palavras: “Oh, quão bom
e quão suave é que os irmãos habitem em união...”.
Para escrever sobre a Religião Maçônica transcrevemos a primeira lição, das
cinqüenta lições escritas pelo irmão Luis Humbert Santos em seu livro editado
pela “Livraria Carlos Césarman”, Mexico 1985:
A Religião Maçônica não é uma teologia no sentido eclesiástico da palavra, nem
uma filosofia como de Platão ou de Kant, porem uma sabedoria vivente, uma
moral misticismo prático, revelado por alegorias e ilustrado com signos, símbolos
e dramas.
A Religião maçônica e simples e profunda, precisamente porque interpreta
espiritualmente a vida e descansa sobre as mesmas bases e esta sujeita as mesmas
provas de quaisquer outras interpretações do significado da vida e como tal esta
exposta a negação ou as equivocadas interpretações.
A Maçonaria não é uma igreja de confissão, mas sim um culto no que pode
coincidir homens de todas as religiões confessionais, porem não se empenhar que
todos pensem exatamente nos pormenores relativos a terra.
A Maçonaria é como uma catedral construída por nossos antepassados de outro
tempo. A Fe é seu cimento; a retidão sua pedra angular; a fortaleza e a Sabedoria
seus muros; o amor fraterno seus arcos; a Bíblia sua lâmpada e a caridade seu
incenso.
A Maçonaria tem sua legislação, como o judaísmo, a Mosaica, legislação inspi-
rada em princípios superiores as circunstâncias no meio das quais se produz,
legislação que se reduz a soberania do Grande Arquiteto do Universo e ao amor
de nossos semelhantes.
A Maçonaria como o Budismo pede que sintamos nosso coração cheio de Fé;
que nos libertemos dos desejos impuros e sentimentos bastardos que tenhamos
nossa alma virgem de mãos desejos, de ignorância, de duvidas, de heresia, de
maldade, de inveja; que pratiquemos a caridade, essa bela caridade de Buda.
A Maçonaria como o Cristianismo, não pode repentinamente adoçar os males
físicos nem trocar a triste e cruel posição dos oprimidos; porem abre os olhos ilumi-
nando as almas desgraçadas e oprimidas, fornecendo conhecimentos, inspirando-les
o amor ao próximo e predicando, como Jesus, a fundação da sociedade sobre a
mutualidade dos serviços, não só entre irmãos mas também entre semelhantes.
Entre a Religião e a Maçonaria não há incompatibilidade. Entende-se que é o
veiculo que une aos homens com Deus. A finalidade é estreitar mais as relações
entre os homens e agrupá-los, como princípios próprios. Dentro do que não cabe
distinção de raça, idioma, nem ciência. Considera irmãos a todos os homens de
todas as raças e de todos os povos, mesmo que sejam adversários de sua doutrina.
A Maçonaria é um mundo de escolhidos, de obreiros laboriosos do porvir, de
homens que vão na vanguarda do progresso que trabalham na obra futura, que vão
adiante de sua época, que sentem a fronte iluminada pelo sol de outra idade de
fraternidade e de civilização; e assim animados de sublimes esperanças, congre-
gados por um sentimento de amor honram ao irmão que foi bom obreiro e levan-
tam o altar mais valioso e mais real que o altar religioso o altar de respeito e de
admiração.
A Maçonaria busca a verdade nata, que conduz o homem pela senda do amor e
da sabedoria.
107

A Maçonaria engendra o humanitarismo, tem que ser a primeira virtude de todo


homem pundonoroso. A voz da natureza, de onde provem todo humanitarismo,
quer que nos amemos uns aos outros e que procuremos pelo nosso bem=estar.
!Esta é a verdadeira religião da humanidade.
A Maçonaria exalta a virtude porque é o expoente da moral. Toda moral que
carece de virtude, como toda é como toda religião sem sabia para nutrir substan-
cialmente a alma, são quimeras que a razão e o coração recusam e que a experi-
ência procura inutilmente na natureza.
A Maçonaria é a impulsora do trabalho perene, porque ocupa agradavelmente
nosso tempo. Faz-nos sentir uteis, com aquela venturosa utilidade que dá valor,
sentido e fruto a vida nos faz dormir bem. Abrir os olhos toda manhã um novo
horizonte de rosadas e prometedoras perspectivas. Abre-nos o apetite. Da saúde e
paz a nossa consciência. Livra-nos dos maus pensamentos e das más obras.
A Maçonaria é a criadora da consciência do dever, que é um estimulante da
ação. As grandes almas possuem vontade, porem mentes fracas só tem desejos.
Procuraremos que na vida a alma não morra, e a alma não morre quando esta vivo
o sentimento do dever.
A Maçonaria é ima escola de democracia. Pregoa que não haverá verdadeira
democracia se não houver união por laços sinceros de fraternidade em uma gran-
de associação aonde ninguém se descuide nem se desperdice nem ninguém seja
inferior a os seus irmãos e que a ninguém exclua.
O triunfo da Democracia só chegara quando cada um reconheça a dignidade de
todo ser humano e obre movido invariavelmente pelo sentimento de igualdade
sem acepção de pessoas.
A Maçonaria combate a tirania, porque é um poder que não brota espontâneo da
força natural e efetiva de uma nação, porque é um toco em mãos de um cego.
Todo o exposto é a verdadeira Religião Maçônica.

2 – O Grande Arquiteto do Universo


Segundo os princípios esposados pela grande maioria de todas as Constituições
das nações espalhadas pelo universo nos diz que a Maçonaria não é uma seita,
muito menos uma religião, mas sim uma escola filosófica aonde o adepto segundo
sua cultura e preparo descobre a sua verdade pela perseverança no trabalho de
investigação que realiza dentro da nossa Augusta Ordem. Tanto que cada adepto
descobre a sua verdade.
A Ordem não impõe nada, e deixa que seus adeptos procurem por própria con-
vicção e iniciativa e determinar, o valor de suas doutrinas. Este imenso trabalho
que no profano importaria discutições intermináveis sobre sistemas, métodos e
escolas filosóficas, a Maçonaria abrevia seu ensino baseada na experiência e rea-
lidade da vida fundamentada na tradição, na lenda na alegoria e no simbolismo
capaz de ser interpretado por cada iniciado segundo a sua capacidade e os ideais
que sustenta.
A ordem não quer discutir com ninguém, menos com um profano que quer
iniciar se. É por isso que adota esta formula de G.A.D.U. para que amigos e ini-
migos inclusive seus adeptos pela meditação e trabalho descubram seu conteúdo
e verdade de acordo a evolução de seu espírito.
A Maçonaria não é dogmática e se funda na razão e na analise de acordo a evo-
lução do tempo e da cultura. É essencialmente pratica e operativa. Não quer per-
der seu tempo em discutições bizantinas e deixa que cada adepto descubra sua
própria senda iniciatica e seus mistérios.
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Considera que o mundo é uma grande oficina onde dirige e trabalha um gênio.
Principio ou força. Como queira chamá-lo, que para as religiões é Deus e para
a Ordem é o Grande Arquiteto do Universo, porque, não só governa o mundo,
mais o universo todo. G:.A:.D:.U:. Com esta formula concilia os princípios de
teistas e ateistas, que depois encontrarão sua verdade para dirigir sua vida e suas
obras dentro deste plano construtor da natureza e da sociedade no mundo na
qual atuam. O, G;.A:.D:.U;. de esta maneira é o Principio universal que governa
o universo e dirige suas formas dinâmicas na construção de suas forças naturais
no mundo.

3 – As Nove Grandes Verdades da Maçonaria


Albert Pike nos deixou imenso acervo literário sobre a filosofia Maçônica, sua
grande maioria divulgação de conhecimentos acumulados desde o alvorecer da
Maçonaria Moderna, entre eles “As Nove Grandes Verdades da Maçonaria” as
quais foram traduzidas pelo “Editorial Maçônico Menphis”, Mexico 1954:
Existem nove grandes verdades, Ensino que esta na missão da maçonaria, que
é seu fundamento, e que todos seus discípulos devem reconhecer constantemente,
porque constituem a essência do sublime sistema que dá a esta venerável institui-
ção o caráter de ciência moral que a distingue.

1ª Grande verdade – Nenhum homem jamais viu Deus, Deus é único. Eterno,
Onipotente, Onésimo, infinitamente justo, misericordioso, benévolo e compassi-
vo. Criador e conservador de todas as coisas, fonte da luz e da vida, co-extensivo
com o tempo e espaço, Ele que pensou e com o pensamento criou o universo e
todos os seres vivos e as almas dos homens; ele é PERMANENTE, entre tanto
todas as outras coisas são um GENESE perpetuo.

2ª Grande verdade – A alma do homem é imortal; não é o resultado da orga-


nização, nem um agregado, nem modos de ação da matéria, nem uma sucessão e
percepções, mas Uma existência única e idêntica, um espírito vivente, uma chama
da Grande Luz Central que entrou no corpo que mora nele, que não se dispersa
nem se evapora na morte como o alento ou como a fumaça, nem pode aniquilar-se
senão que existe e possui atividade e inteligência como existia no próprio Deus,
antes de ser revestida do corpo.

3ª Grande verdade – O impulso que move para a boa conduta e que afasta do
crime, não é somente mais antigo que as nações e cidades, mas é coetânea do ser
Divino que vê e rege o céu e a terra. Tarquino notou realmente a lei divina, apesar
que durante seu reinado não havia em Roma lei escrita que condenara suas vio-
lências pois o principio que impele a observar uma conduta justa e nos aconselha
separar-nos do crime, nasce da natureza das coisas. Não começou a ser lei quando
se escreveu pela primeira vez, mas quando teve origem e é coetânea com a mesma
inteligência divina. A conseqüência da virtude não é ter sido feita como fim, e as
ações laudáveis necessitam ter raízes, motivos e integrações mais profundas para
merecer o nome de virtudes se um homem considera como bem principal o que
não tem conexão com a virtude e o mediu por se os próprios princípios, e não foi
incluído as vezes pela bondade de seu coração, não podia cultivar nem a amizade
nem a justiça, nem a generosidade. É impossível seja o homem valente que con-
sidera a dor como o maior dos males; é impossível que seja virtuoso, o que acre-
dita que o prazer é o maior dos bens.
109

4ª Grande verdade – As verdades morais são tão absolutas como as verdades


metafísicas. Nem a mesma divindade pode fazer que haja efeitos sem causa ou
fenômenos sem sustância. Do próprio modo não pode fazer que seja pecaminoso
e mau, respeitemos nossa palavra dada, que amemos a verdade, que moderemos
nossas paixões. Os princípios da moral são axiomas o mesmo que os princípios
da geometria.
As leis morais são as relações necessárias que fluem da natureza das coisas, e
não são criadas por Deus, mas que já existiram nele eternamente, a continuada
existência destas leis não depende do exercício da vontade de Deus. A verdade e
a justiça são sua ESSÊNCIA. Não porque somos fracos e Deus é Onipotente,
temos o dever de obedecer a sua lei. Podemos ser forçados, porem não temos a
obrigação de obedecer ao mais forte. Deus é o principio da moral, porem não pela
sua mera vontade, que abstraída de todos seus atributos não seria justa nem injus-
ta. Boa é a expressão de sua vontade em tanto que sua vontade é a expressão da
justiça eterna, absoluta, encriada, que esta em Deus, que não criou sua vontade,
mas que executa e promulga, como nossa vontade proclama e promulga, e execu-
ta a ideia do bem que esta em nos. Deus não deu a lei da verdade e da justiça;
porem não instituiu essa lei arbitrariamente; A justiça é inerente a sua vontade,
porque esta contida na sua inteligência e na sua sabedoria, na sua mesma natureza
e em sua mais intima essência.

5ª Grande verdade – À uma grande distinção essencial entre o bem e o mal, o


que é justo e o que é injusto; e a esta distinção se agrega para toda criatura inteli-
gente e livre, a absoluta obrigação de conformar-se ao que é bom e justo. O
homem é um ser inteligente e livre; livre porque sabe que é seu dever, e porque
se fez seu dever, obedecer os ditados da verdade e da justiça, e por tanto necessa-
riamente deve ter a faculdade de fazer, que envolve não fazer a paz de compreen-
der a distinção entre o bem e o mal, entre a justiça e a injustiça e a obrigação que
a acompanha,e de aderir-se naturalmente a essa obrigação independentemente de
qualquer contrato ou lei positiva, capaz também de resistir as tentações que o
impelem ao mal e a injustiça,e de cumprir a lei sagrada da justiça eterna.
O homem não esta governado por um hado irresistível o por um destino inexo-
rável, o homem é livre para eleger entre o bem e o mal. A justiça e o Direito, o,
bom e o belo são da essência da Divindade, tanto quanto sua infinidade, e por
tanto são leis para o homem. Conhecemos nossa liberdade, para, obrar o mesmo
que conhecemos nossa identidade e a continuidade e enlace de nossa existência
tem a mesma evidencia de um como do outro. Não podemos negar nosso livre
alvedrio nem nossa liberdade de ação fundando-nos somente no que estão na
natureza das coisas impossíveis, pois isto seria negar a Onipotência de Deus.

6ª Grande Verdade – A necessidade de praticar as verdades morais é obrigação.


As verdades morais, necessárias aos olhos da razão, obrigatórias para a vontade, a
obrigação moral como a verdade moral, que é fundamento é absoluta. Assim como
as verdades necessárias não são mais ou menos necessárias, a obrigação não é mais
ou menos obrigatória. Nunca estamos obrigados ou meio obrigados. Ou estamos
inteiramente ou não estamos de nenhum modo. Se tem algo que nos livre de alguma
obrigação, esta deixa de existir. Se a obrigação é absoluta, é imutável é universal.
Se a obrigação de hoje não é a de amanha, se o que é obrigatório para mim não é
para voz, a obrigação se diferenciará de se mesma e seria variável e contingente.
Este feito é o principio de toda moralidade. Todo ato contrario ao direito e a justiça
110

merece ser reprimido pela força e castigado quando se comete, mesmo quando não
haja lei nem contrato que o condene. O homem reconhece naturalmente a distinção
entre as ações de mérito e as que não são meritórias, o mesmo que entre a justiça e
a injustiça, entre a honestidade e a perversidade, e sente, sem que ninguém o ensine
y sem necessidade de leis, ou contratos, que é ruim que o vicio seja recompensado
ou fique impune e que a virtude seja castigada ou fique sem premio. Sendo a
Divindade infinitamente justa e boa, deve seguir-se, como lei necessária ou inflexí-
vel, que o castigo será o resultado do pecado, seu efeito inevitável, seu corolário
natural e não uma mera vingança arbitraria.

7ª Grande Verdade – A lei imutável de Deus requer que ademais de respeitar


os direitos absolutos dos demais e de ser meramente justos pratiquemos o bem,
sejamos caritativos e obedeçamos aos ditados dos generosos e nobres sentimentos
da alma. A caridade é uma lei porque a nossa consciência não fica satisfeita, nem
tranqüila, se não aliviamos ao desgraçado, ao desvalido e ao que padece. Isto é dar
o que aquele a quem se da não tem direito de tomar ou exigir. Ser caritativo é
obrigatório para nos. Somos distribuidores das bondades de Deus. Porem esta
obrigação não é tão precisa nem tão inflexível como a de ser justos. A caridade
não conhece regra nem limite; vá mais alem de toda obrigação e sua beleza con-
siste em sua liberdade. “ O que não ama não conhece a Deus, porque Deus É
AMOR, se não nos amamos os uns aos outros Deus mora em nos e seu amor se
aperfeiçoa em nos. Deus e amor e o que mora no amor mora em Deus e Deus em
nele”. Professar-se mutuamente AMOR FRATERNAL: socorrer as necessidades
do menesteroso; ser generoso e liberal e hospitaleiro; não volver a nenhum
homem mal por mal; regozijar-se da fortuna dos demais e simpatizar com eles em
suas aflições e reveses, viver em paz com todos os homens; pagar as injurias com
benefícios; He aqui sublimes ditados da lei moral, e que desde a infância do mudo,
vem ensinando a Maçonaria.

8º Grande Verdade – As leis de Deus, que regem e que arrumam o universo,


são as do movimento e da harmonia. Somente vemos os incidentes isolados das
coisas, e com fraca capacidade e nossa vista limitada não podemos descobrir sua
conexão, nem as poderosas cordas que fazem uma perfeita harmonia de uma dis-
córdia aparente. O mal é meramente aparente, e todo é na realidade bom e perfeito,
pois a tristeza e a dor, a perseguição e a amargura, a aflição e a miséria as enfermi-
dades e a morte, não são senão os meios a propósito para que possam desenvolver-
se as mais nobres virtudes. Sem estes meios sem o pecado e o erro sem a injustiça
e o ultraje, como não pode ter efeito nem causa adequada, não teria nem paciência
para os sofrimentos, nem prudência nas dificuldades, temperança para evitar os
excessos, quando não há risco em dizer a verdade, nem amor quando é pago com
ingratitud, nem caridade com os menesterosos e os desvalidos, nem indulgencia e
perdão para as injurias nem tolerância para as opiniões errôneas, nem juízos cari-
tativos, nem interpretações favoráveis dos motivos das ações dos homens, e em fim
nem patriotismo nem heroísmo, nem honra nem abnegação nem generosidade.
Estas e outras muitas verdades e excelências não existiriam, e ainda seus nomes
seriam desconhecidos, e as poucas virtudes que quedaram não mereceriam tal
nome, pois a vida se arrastaria em um nível tão baixo, que não poderiam surgir nem
um dos elementos elevados da natureza humana, o homem more ria submergido no
ócio e na indolência, seria um ente puramente negativo em vez de ser esforçado e
valoroso combatente contra as horrendas legiões dos males e das dificuldades.
111

9ª Grande Verdade – A Justiça, a Sabedoria e a misericórdia de Deus são


igualmente infinitas e perfeitas, e formam uma Grande Trindade perfeita de atri-
butos, que sendo três não são mais que um. Sendo absoluto o principio do meri-
tório e do que não é, merecendo toda boa ação ser recompensada, e toda má ação
ser castigada, sendo Deus tão justo como bom, e ocorrendo porem neste mundo
constantemente em que o crime e a crueldade, a opressão, a tirania e a injustiça
gozam de fortuna e felicidade, imperam e dominam, e parecem gozar de todos os
benefícios de Deus, entre tanto que os homens bons e virtuosos são infelizes e
miseráveis, gemem na masmorra perecem de frio e de fome, são escravos dos
opressores, e instrumentos e vitimas dos que governam, de modo que este mundo,
se não houvesse outra existência mais alem dele, seria um grande teatro de injus-
tiças, que provariam que Deus não tinha em conta sua lei necessária do que é, e
do que não é meritório, se sabe que deve Haber outra vida em que se reparem estas
aparentes injustiças. Todas as faculdades da alma do homem tendem ao infinito:
seu indomável instinto de imortalidade e a esperança universal de outra vida que
aparecem em todas as crenças, em toda poesia, em todas as tradições, estabelecem
sua convicção, porque o homem não é órfão, tem um pai no céu, e chegara um dia
em que a Luz e a Verdade, A Justiça e a Bondade, triunfem para sempre sobre as
trevas, e o erro, a iniquidade e a maldade. O universo é uma grande harmonia, em
que, segundo a Fe de todas as nações, profundamente arraigada em todos os cora-
ções desde as idades primitivas, a Luz há de prevalecer sobre as trevas e o princi-
pio do Bem sobre o principio do Mal, e os milhares de almas que emanaram da
divindade, purificadas e enobrecidas pela luta que sustiveram na terra, se elevarão
a Grande Loja Eterna, a onde irão gozar de perfeita bem aventurança no seno de
Deus, cujas leis não será possível faltar.

4 – A Bíblia
É curioso que, sendo a Bíblia o mas conhecido e difundido Livro em todo o
mundo, praticamente traduzido em todos os idiomas e dialetos, com o maior
número de edições e, ainda hoje, considerado um “Best seller”, seja a sua história
tão pouco conhecida pela maioria das pessoas.
O Cristianismo que representa a maior religião do universo, compondo-se de
católicos, ortodoxos, independentes, protestantes de vários matizes, etc. congrega
aproximadamente 33% de toda a população do globo. A BÍBLIA representa o
livro sagrado do Cristianismo, nele se encerrando os sagrados princípios da fé de
todos os cristãos.
O nome BÍBLIA vem do grego “BIBLIO”, significando “Livro”, sendo usado
o termo pela primeira vez no século VI por São Crisostomo.
Supõe-se que já nos tempos da maçonaria operativa, a Bíblia vinha sendo utili-
zada quando eram iniciados os chamados “pedreiros livres”. Mas só mesmo
quando a maçonaria se tornou completamente especulativa é que a Bíblia foi
incorporada ao seu simbolismo e, assim mesmo, muitos anos depois de criada a
primeira Grande Loja mãe. Isto se deu por volta do ano de 1740 mas, de forma
progressiva e gradual, pois, nem todas as Lojas decidiram aceitar a inovação.
A Constituição de Anderson de 1723, pedra angular da maçonaria especulativa,
não fez qualquer referência à Bíblia. Esta veio a se constituir em uma das princi-
pais Luzes nos trabalhos de Loja, no ano de 1760, isto é, 43 anos depois da for-
mação da Grande Loja mãe.
Um manuscrito maçônico datado de 1696 na cidade de Edimburgh menciona
que as três Luzes de uma Loja se localizavam no Leste, Sul e Oeste e eram repre-
112

sentadas pelo Venerável, 1º Vigilante e 2º Vigilante. Já o manuscrito Sloane, de


1700, dizia que as três Luzes eram o sol, o Venerável e o Esquadro.
Na obra “Mistery Discovered” de 1724, chegou a dar-se conotação religiosa ao
assunto, classificando-se as três Luzes como sendo o Pai, o Espírito Santo e o
Filho. Foi também por volta de 1760 que ow rituais maçônicos começaram a
distinguir as Luzes maiores e menores de uma Loja, tal como são conhecidas em
nossos dias. Assim as três Luzes são: a Bíblia, o Esquadro e o Compasso, enquan-
to que as três Luzes menores são: o Sol, a Luz e os Mestres Maçons.
A Bíblia não é um requisito insubstituível em uma Loja. É obrigatório, sim, a
presença de um Livro Sagrado representando a religião professada pelos membros
da Loja ou pelo candidato à iniciação. Na Índia, por exemplo, não é incomum
ver-se até cinco Livros Sagrados sobre o Altar, cada um deles representando uma
crença diferente de nossos irmãos índus. O mesmo acontece nas Lojas de
Singapura e, ocorria no Irã, quando a maçonaria funcionava neste último pais. O
duque Frederico de Sussex, iniciado em 14 de abril de 1836 na Loja “Friendship”
nº 6 de Londres, solicitou que a Bíblia fosse substituída pelo Corão.
Ai por volta do ano de 1877 algumas Grandes Lojas mais inovadoras e nacio-
nalistas, entenderam de autorizar suas oficinas a substituir o volume Sagrado pela
Constituição do país, uma vez que essas Grandes Lojas haviam também decidido
abolir a crença em Deus, como requisito para iniciação. Esse procedimento origi-
nou-se na França, espalhando-se por alguns países (poucos). Tanto bastou para
que essas Grandes Lojas perdessem, imediatamente, o reconhecimento universal
de suas potências irmãs.
113

Capítulo VIII

Maçonaria e Política

1 – Política
A Maçonaria não dá preferência a nenhum partido. Entre os candidatos de todos
os partidos, há maçons. A maçonaria jamais tomou partido de qualquer agremia-
ção, ela somente toma partido em defesa da Soberania da nação e dos direitos do
Homem.
Assim como é proibida a discussão de religião sectária em Loja maçônica,
também é proibida qualquer discussão sobre política partidária. Por isso, a
Maçonaria não é um partido político e, tampouco, tem partido. Os maçons são
aconselhados a se formarem cidadãos exemplares e a se afastarem dos movi-
mentos cuja tendência seja a de subverter a paz e a ordem da sociedade, a se
tornarem cumpridores das ordens e das leis do país em que estejam vivendo,
sem nunca perder o dever de continuar amando o seu próprio país. A Maçonaria
defende o conceito de que não pode existir direito sem a correspondente presta-
ção de deveres, nem privilégios sem retribuição, assim como privilégios sem
responsabilidade.
Pelo seu caráter essencialmente democrático e intransigente defensora da liber-
dade com consciência, a Maçonaria é contra regimes da extrema esquerda ou
direita. Por isso, ela não existe nos países comunistas e foi abolida nos regimes
nazista e fascista.
A Maçonaria destaca e recomenda a ação política nos seguintes termos: “A
Maçonaria deve fazer a larga política dos princípios, contribuindo para que repre-
sentantes de suas doutrinas tenham palavra e voto nas Assembleias legislativas e
nos Conselhos Municipais da República”.
No passado, a ação de ilustres irmãos no desempenho de suas funções em
importantes cargos públicos e participantes de acontecimentos nacionais que mar-
caram a história, ações estas enaltecidas por escritores maçônicos, talvez motiva-
dos para o engrandecimento da Ordem, ou mesmo por orgulho por serem maçons.
Entretanto, ao vincular tais conquistas como ação da Maçonaria incorre em certa
falsidade, pois a Maçonaria é hoje como o foi por toda sua existência.
Os ilustres Maçons dos Séculos passados e também da atualidade compreen-
diam e compreendem perfeitamente esta posição implícita nas Doutrinas
Maçônicas e como resultado, encontraram e encontram na Ordem e em suas Lojas
114

a perfeição e os relevantes conhecimentos que aplicam no mundo político parti-


dário, muitas vezes, com atuações divergentes, mas sem esquecerem os postula-
dos maçônicos que devem aplicar e que deles tiram proveito. Assim, temos
exemplos, nos movimentos Libertadores, que resultaram na independência das
colônias das Américas, tanto do norte, como do sul do continente e, em outros
acontecimentos mundiais.
Isto ocorre porque a Maçonaria, jamais inculca no Maçom ideias políticas par-
tidárias ou religiosas e sim tem por filosofia o apeerfeisoamento moral e intelec-
tual de seus conhecimentos filosóficos e princípios que norteiam seus membros.
Assim nos provam os acontecimentos históricos, onde temos Maçons em diferen-
tes e antagônicas posições políticas, porém, suas ações justas e perfeitas nos
orgulharam e nos orgulha de sermos Maçons.
Verifica-se, então, que o movimento da independência tinha duas correntes
maçônicas. Uma a “vermelha” sob a orientação de republicanos à frente das
quais estava Joaquim Gonçalves Ledo e a outra, a “azul” incrustada ao governo
e muito chegada a D. Pedro I, liderada por José Bonifácio lutando não pela
implantação da Republica, mas, sim, de uma monarquia. A rivalidade entre José
Bonifácio e Joaquim Gonçalves Ledo atingiu momentos dramáticos, estabelecen-
do-se entre esses dois maçons um clima de consequências muito desabonadoras
para a maçonaria brasileira e prova de que não estava a Maçonaria presente e sim
dois Maçons. Entretanto não nos parece existir nada demais em maçons divergi-
rem, principalmente em assuntos políticos partidários. Nada os obriga a unanimi-
dade. A história está repleta de episódios provando isso. Na independência dos
Estados Unidos, por exemplo, George Washington e o Rei da Inglaterra eram
maçons, entretanto, isto não impediu de irem a guerra, um contra o outro. No
Brasil, temos o fechamento da Maçonaria, em consequência do conflito entre os
próprios irmãos, como esclarece o Irmão Guatmozin (D. Pedro I) no comunicado
que segue:

“Meu Lêdo: – Convindo fazer certas averiguações tanto Públicas como


Particularidades na Maçonaria, mando primeiro como Imperador, e segundo como
Grão-Mestre, que os trabalhos maçônicos se suspendam até segunda ordem
minha. É o que tenho a participar-vos, resta-me reiterar os meus protestos como
Irmão. a) Pedro Guatimozim, Grão-Mestre.” – Um “post-scriptum” a esse ofício
dizia: “Hoje mesmo deve ter execução e espero que dure pouco a suspensão por-
que em breve conseguiremos o fim que deve resultar das averiguações.” (A
Maçonaria na História do Brasil – Manoel Gomes).
Temos ainda os violentos artigos no jornal “Reverbero Constitucional” de auto-
ria de Gonçalves Ledo, que levam a conclusão ter sido ele e não José Bonifácio o
autor intelectual de nossa liberdade política e da ação da Maçonaria no episódio.
Disse Ledo:

“A independência não fui eu, não fomos nós, não foi José Bonifácio, nem D.
Pedro I, que a fez. Foi a vinda de D. João VI ao Brasil, foi o Decreto de 16.12.1815
(o da elevação do Brasil a reino unido a Portugal e Algarves), foi a estupidez das
cortes portuguesas querendo recolonizar o Brasil, foi a vontade popular exigindo
do Príncipe a Assembleia Constituinte, foi, enfim, a fatalidade do tempo. A inde-
pendência de um povo não pode ser feita por um só homem. É obra da opinião
pública, que é soberana, que é invencível quando lateja a consciência nacional na
anciã da liberdade, aniquilando déspotas e tiranos...”.
115

Constantemente ouvimos irmãos afirmar ser a Maçonaria atual divorciada e não


participante dos acontecimentos que marcam a nossa história; e, dizem que a
Maçonaria atual nada faz. Quem, assim procede demonstra pouco conhecimento
da filosofia Maçônica ou pouco participante dos trabalhos de sua Loja e que não
se interessam em tomar conhecimento da atuação de milhares de Maçons que
participam na imensa maioria das Camarás de Vereadores, espalhada pelo extenso
Brasil, em todas as Assembleias Legislativas Estaduais e Federal, no Senado e que
ocupam relevantes cargos públicos nas esferas municipais, estaduais e federal,
assim como são Prefeitos, Ministros e Governadores.
Além do exposto, não tomam conhecimento de inúmeros pronunciamentos de
atuantes Grão-Mestres e inúmeras Cartas, dirigidas aos poderes constitutivos e ao
povo, como as decisões das Assembleias Gerais das Confederações Maçônicas e
Conselhos Gerais da Ordem. Atuações estas de todas as Potências existentes.

2 – Relação dos Maçons Ilustres


Valemo-nos da relação dos Maçons ilustres publicada no Boletim Informativo
do primeiro Grande Oriente de São Paulo independente no inicio do século pas-
sado:

“A começar pelo maior estadista brasileiro, o Visconde do Rio Branco, aos


criadores do império: Gonçalves Ledo, Jose Bonifacio e Dom Pedro 1º; o
Proclamador da República e seu primeiro presidente, Marechal Deodoro; Duque
de Caxias, o consolidador do Império e Patrono do Exercito Nacional; Quintino
bocaiuva, Ministro do exterior; Benjamin Constant, Ministro e ídolo da Escola
Militar; o Grande Regente Feijó; Frei Caneca e Pe. Roma, batinas liberais imola-
das no Altar da Pátria; Rui Barbosa, a Águia da Haia e paladino do Direito e da
Justiça e Conselheiro do Império; Tiradentes o Mártir da Independência; Barão do
Rio Branco, o insigne estadista que solucionou as questões limítrofes com países
vizinhos; Hipólito José da costa, o primeiro e maior jornalista brasileiro que diri-
giu o “Correio Brasilense” em Londres, propugnador de nossa independência e
que foi encarcerado pela iníqua inquisição; Campos Vergueiro, Senador; Frei
Sampaio, orador, jornalista e escritor da independência; Visconde de Cayrú, que
abriu os portos do Brasil a todas as nações do mundo; Marques de Abrantes,
Azeredo Coutinho, Bispo de Olinda; Rangel Pestana, Senador; Macedo Soares,
Ministro do Supremo Tribunal Federal; Campos Salles Presidente da República e
Ministro da Justiça; General Glycério; Almirante Veríssimo José da costa; Nilo
Peçanha, Presidente da República; Miguel Calmon, Ministro da República; Conde
de Lajes, Senador do Império, tenente geral e Ministro da Guerra; Cunha
Azevedo, bispo de Pernambuco; Floriano Peixoto, Castro Alves, Marrey Junior e
tantos outros.
Além dos ilustres Maçons que fizeram a Grandeza do Brasil, como Quintino
Bocaiuva – o idealista, Benjamin Constant – o Pregador, Francisco Glicério o
condutor de homens, Deodoro da Fonseca – a espada republicana, Lopes trovão
– o tribuno, além de outros mais, e como Aristides Lobo, Ubaldino do Amaral,
Campos Sales, Prudente de Morais, Lauro Sodré, Rangel Pestana, Américo
Brasilense, Bernardino de Campos, Silva Jardim, João Pinheiro, destaca-se o
vulto grandioso do Venerando presidente do Partido Republicano – Saldanha
Matinho – Promotor Público, professor, secretário de governo, deputado provin-
cial da corte jornalista na imprensa carioca, deputado na Assembleia Geral, da
qual foi presidente, um dos redatores da Constituição Republicana, senador e
116

presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e ainda presidente das províncias


de São Paulo e de Minas Gerais. E o Insigne escritor e poeta, comediógrafo, preso,
torturado e queimado vivo nas fogueiras da “santa” inquisição, exclusivamente
por ser Maçom, em Lisboa, no dia 19 de Setembro de 1739, Antonio José da Silva
cognominado “O judeu” o inspirado autor de inúmeras óperas, carioca da gema,
nascido na cidade do Rio de Janeiro aos oito dias do mês de Maio de 1705, con-
tando apenas 35 anos, quatro meses e onze dias de idade...

Estrangeiros: – Roosevelt, Presidente dos Estados Unidos; Jorge Vl rei, da


Inglaterra; Kipling, Voltaire, Goethe, Beethoven, Mozart, Napoleão, Garibaldi,
herói de dois mundos. Victor Hugo, Jefferson Bolívar, Lamartini, Biron e outros
mais... Atualmente, altos oito senadores e cento e dezessete deputados federais
são Maçons atuantes Congresso Nacional além de outros mais no Legislativo
Estadual... E que dizer de João Maria Mastal Ferrete, com o nome de Pio IX tam-
bém maçom? Leia-se “História dos papas” de Mauricio de Lachatre, vol. V, pag.
250 – Lisboa, 1896...
E o inspirado Wolfgang Amadeus, mundialmente conhecido como o famoso
Mozart, o insigne compositor, também foi Maçom e para a sua Loja compôs o
“Hino da Maçonaria”, “Pequena Cantata Maçônica” e a célebre “flauta Mágica,
foi ainda o autor de “Requiem”, Te Deum” e “De Profundis”, músicas religiosas
“réquiem” foi escrita poucos meses antes de sua morte, e assim se tornou o seu
famoso canto de cisne. Morreu com apenas trinta e cinco anos de idade.
Poderíamos acrescentar Roosevelt e Churchil, o primeiro, Presidente dos
Estados Unidos e o ultimo, primeiro Ministro da Inglaterra, ambos intrépidos
defensores da Democracia durante a Segunda Grande Guerra Mundial.
117

Capítulo IX

Cargos em Loja

Ao analisarmos os cargos e seu funcionamento temos consciência da importân-


cia de conhecimentos dos Maçons que assumem compromissos, pois deste depen-
de o bom desempenho das respectivas funções. Sem observar a seriedade e a
responsabilidade assumida, além de desagradável compromete o desenrolar da
sessão e causa grande prejuízo na obra que está realizando à gloria do Grande
Arquiteto do Universo.

1 – Venerável Mestre
Para bom desempenho do cargo de Venerável Mestre é importante o conheci-
mento maçônico pleno, isto é, ter conhecimentos além dos símbolos, alegorias,
figuras, lendas e palavras, objeto do conteúdo deste livro. Ter o senso da razão,
por ser o grande impulsionador das suas atitudes, onde a legislação, a liturgia, a
fraternidade, a solidariedade sejam os verdadeiros sustentáculos.
O Venerável Mestre, líder da Loja, não é uma pessoa dotada de poderes mágicos
necessariamente, não é o mais inteligente, mais amadurecido e mais brilhante do
que os seus irmãos; mas alguém que pode propiciar à Loja suas necessidades,
proteção, tranquilidade e progresso.
Ninguém deve aceitar o cargo de Venerável por ser competente, habilidoso ou
original a não ser que sua competência, habilidade ou originalidade seja reconhe-
cida de proveito por seus irmãos.
O Venerável Mestre não deve ser escolhido porque seja de estatura elevada,
esteja bem vestido, fale fluentemente, ou seja, de origem socioeconômica elevada,
porque estes fatores tendem a pré-dispor seus irmãos a esperar melhores meios do
que realmente ele é possuidor.
O reconhecimento do Venerável Mestre deve estar acima dos dispositivos regu-
lamentares, porque prometeu levar ou realmente leva, mais do que qualquer outro,
a sua Loja para perto daquilo almejado. Se ele consegue, será seguido, mesmo que
seja pequeno, tenha aparência insignificante ou dificuldade de expressão.
Costumamos enxergar o Venerável Mestre como um irmão capaz de satisfazer
determinadas necessidades da Loja e não como um produto de suas característi-
cas, mas de sua relação funcional nas situações especificas onde não atua os
Rituais e determinações regulamentares.
118

Nunca deve o Venerável Mestre louvar-se nos exemplos profanos, mesmo que
de experiências bem sucedidas, pois que tendo a Maçonaria leis próprias, qual-
quer atitude de fora desvirtuará seus métodos. As táticas profanas com a finalida-
de de aprovar ou recusar uma proposta ou ideia será incompatível com o espírito
maçônico e jamais um Guia de Fraternidade deve admitir esse desvirtuamento.
Em Maçonaria a tradição fala mais alto, cujo princípio surgiu ao natural, sem se
saber onde nem quando, mas com certeza, com bases solida assentadas no primor-
dial, no Totem símbolo e protetor da nossa coletividade, que originou tudo o que
se pode denominar Ordem Maçônica.
A joia do cargo de Venerável Mestre, usada pelo Rito Escocês Antigo e Aceito,
adotado pelas Lojas jurisdicionadas à Grande Loja Maçônica do Estado de São
Paulo, é representada pelo Esquadro, oriunda do Rito de York (Inglês), o qual tem
como companhia o Rito Schroeder (Alemão). Entretanto a verdadeira joia do Rito
Escocês Antigo e Aceito, usada pela maioria dos Sereníssimos Grão-Mestes da Glesp
e por Lojas de outras potencias é formada pelo Compasso sobre o Esquadro, circun-
dando as pontas daquele, abertas em 45º (metade do ângulo reto), um arco correspon-
de a ¼ de circulo, ou a uma estação do ano. No centro do Compasso e Esquadro fica
o Sol radiante, com seus raios vivificadores, tendo ao meio o Olho que tudo vê.
O Esquadro usado pelo Venerável Mestre interpreta-se como joia de alto signifi-
cado simbólico, ressaltando o senso de retidão, que deve nortear a conduta do diri-
gente. Esta joia é a representação do quadrado, que por sua vez é o símbolo da Terra.
Interpreta-se que o Esquadro é usado pelo Senhor da Terra porque sabe esquadrinhá-
la, assim, também o Venerável Mestre, chefe da Loja, sabe usar esse instrumento
para ensinar a medida exata, necessária ao aperfeiçoamento do Maçom.
O Venerável Mestre exerce duas funções bastante distintas: uma, de gerenciar
ao administrar a Loja, semelhante a uma instituição profana que obrigatoriamente,
possui registros como uma sociedade comum, que tem patrimônio, que tem res-
ponsabilidades a cumprir; a outra refere-se ao governo da Loja em Templo, a fim
de atender os dispositivos iniciáticos: fazer maçons, orientá-los, aperfeiçoá-los,
para a gloria do Grande Arquiteto do Universo. Bem diferente, portanto, os dois
aspectos de dirigir uma Loja, o que corresponderia dizer que está incurso no sis-
tema profano e até fácil solucioná-los, porém o outro, que diz respeito ao objetivo,
ao espiritual, ao transcendental, além de ser complexo, exige preparo e conheci-
mentos, que só a experiência maçônica pode conferir.
Por essa razão, além das funções constantes do Regulamento Geral e normas
ritualísticas da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo ou de outra
Potência, se for o caso, vamos numerar outras importantes para o bom desempe-
nho da função:

1. Instruir-se nas leis e tradições maçônicas, estudando os Landemarques,


Constituição de Anderson, Constituição e Regulamento Geral da Grande
Loja, Estatuto e Regulamento Interno da Loja, Rituais do Rito Escocês
Antigo e Aceito e velar pelo seu cumprimento.
2. Dirigir a Loja em toda sua plenitude, consciência e zelo até o ato de ins-
talar o seu sucessor.
3. Ser o guarda fiel da Carta Constitutiva, conduzindo-a aos trabalhos para a
abertura da Loja e retirando-a ao final.
4. Nomear seus auxiliares administrativos e litúrgicos, assim como as comis-
sões, para o bom funcionamento da Loja, destituindo-os quando julgar
oportuno.
119

5. Proceder as eleições regulamentares, constituindo a Mesa Eleitoral com o


Guarda da Lei e o Secretário, realizando a apuração devida e proclamando
o resultado á Loja.
6. Decifrar as Colunas Gravadas colhidas pela Bolsa de Propostas e
Informações, ao ser aberta a Ordem do Dia, salvo as que poderão ficar sob
malhete, para melhor reflexão.
7. Convocar, por intermédio do Secretário, as Assembleias e Sessões impor-
tantes da Loja.
8. Informar, com a devida antecedência, o seu substituto – o Ex-Venerável
Mestre mais moderno, ou o 1º Vigilante – quando não puder comparecer,
porém sendo o responsável pela Loja.
9. Retirar a palavra ou cassá-la, quando algum irmão se tornar inoportuno, a
bem da Loja, não permitindo diálogo, apartes ou ataques que firam irmãos
ou criem desarmonia, podendo até suspender os trabalhos por um golpe de
malhete, determinando que o causante cubra o Templo.
10. Evitar sobre qualquer hipótese, a formação de grupos ou correntes que
possam desestabilizar a Loja, ou criar dissenções.
11. Colocar em votação matéria ou proposta somente quando devidamente
esclarecido o assunto, após ouvida a opinião do guarda da Lei.
12. Receber as propostas de candidatos por intermédio da Bolsa, inutilizando
a assinatura do proponente ou apoiador.
13. Distribuir as sindicâncias sigilosamente aos Mestres para averiguarem a
vida dos candidatos.
14. Determinar sindicâncias complementares sobre profanos propostos, sem-
pre que sentir necessidade de esclarecimentos.
15. Votar, obrigatoriamente, nos escrutínios e eleições, não tendo nestes casos
o voto de minerva, o qual será exercido nas votações simbólicas, isto é,
pelo sinal de costume.
16. Elaborar um plano anual de trabalho, onde conste as metas a serem exe-
cutadas e guiar-se por planejamentos mensais.
17. Apresentar relatório e balanço geral ao fim do mandato, enviando cópias
à Grande Loja e ao Delegado de sua região depois de aprovado.
18. Examinar sistematicamente as contas da Loja, podendo reter os livros e
documentos.
19. Autorizar pagamentos, assinando os cheques em conjunto com o
Tesoureiro.
20. Dar o devido destino ao expediente, no momento da sua decifração pelo
Secretário: arquive-se, responda-se, passe-se à Ordem do Dia, etc.
21. Dar conhecimento à Loja dos assuntos que constarão da Ordem do Dia ao
abri-la, podendo incluir matéria do expediente, ou recolhida através da
Bolsa de Propostas e Informações.
22. Fazer preencher, por intermédio do Mestre de Cerimônias, os lugares
vagos pela ausência dos titulares, observados os regulamentos e hierar-
quia.
23. Esforçar-se pela obediência aos rituais, exigindo dos titulares de cargo o
necessário estudo antes da realização de Sessões Magnas, a fim de que
haja bom desempenho em beneficio da Loja.
24. Nomear Comissões especiais em qualquer ocasião, com a finalidade de
representarem a Loja, para atendimento a convites, devendo ser prestada
conta da missão na sessão seguinte.
120

25. Decidir toda questão de ordem suscitada, não podendo haver contestação.
26. Exigir o cumprimento do brigatório sigilo assumido por juramento, fazen-
do ressalva quando algum assunto deva ser liberado por razões obvias,
quando assim o entender.

2 – Past-Master – Venerável de Honra


O cargo de Past-Master, considerado Venerável Mestre de Honra, consagrado
ao ex-Venerável Mestre, após instalação na Cadeira do Rei Salomão o seu
sucessor. Na atualidade é muito comum atribuir-se a todos os Mestres Instalados
este honroso cargo, único que além do uso do avental e colar de Ex-Venerável
usa os punhos.
Quando da fundação da Grande Loja de Londres, denominava-se “Mestre de
Loja” ao Companheiro escolhido para dirigir uma Loja, o qual passava por um
cerimonial de instalação, afim de poder assumir o cargo. Por volta de 1726, com
a consolidação do grau de mestre, o Mestre de Loja passou a ser denominado
Venerável Mestre.
Quando o Mestre de Loja transmitia o cargo a seu sucessor, passava denominar-
se “Mestre Consumado”, ou “Mestre Passado”. Mais adiante com a fixação dos
Ritos Escocês e York, os ex-Veneráveis Mestres passaram a chamar-se “Past-
Master”, ou Mestre Instalado.
O Rito Escocês Antigo e Aceito, em virtude da implantação dos sistema de
abertura do Livro da Lei na forma atual, o que não existia no século passado, deu
ao ex-Venerável Mestre essa responsabilidade litúrgica.
No passado, também não existia três lugares no Trono, somente o do Venerável
Mestre, pois que, esotericamente, uma Loja deve possuir os cargos obrigatórios
para seu funcionamento, os demais devem ocupar lugar fora desses espaços.
Posteriormente, criou-se um lugar para o Grão-Mestre (antes ele assumia o lugar
do Venerável Mestre) à direita e outro para o ex-Venerável Mestre mais moderno,
que passou a ter a responsabilidade litúrgica, além de assumir a função de conse-
lheiro, à esquerda.
Nos últimos tempos a função de ex-Venerável Mestre, ou seja o Mestre
Instalado, adquiriu consistência face às responsabilidades a ele outorgadas pelos
usos e costumes, aliás muito próprias e oportunas, uma vez que trata de alicerce,
das tradições que devem sustentar a Maçonaria, constituindo-se e agrupando-se
em Conselho de Mestres Instalados, não só em beneficio da respectiva Loja, mas
em beneficio da Jurisdição, donde se valem os Grão-Mestres para formarem seu
grupo de assessores.
A joia do cargo do Mestre Instalado ou “Past-Master” no Rito de York e também
na Grande Loja foi acrescido, pendurado entre os dois braços do Esquadro, um
quadrado com a demonstração do Teorema de Pitágoras, simbolizando o conheci-
mento daquele que o usa.
A respeito da denominação desse detalhe, existe uma simplificação, uma vez
que na realidade, trata-se da 47ª proporção de Euclides, que foi aprovada, geome-
tricamente por Pitágoras, e que é a seguinte: – Em qualquer triangulo, a soma dos
quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Para melhor compreen-
são considera-se que o triangulo seja formado pela união de três quadrados com
dimensões diferentes: o menor quadrado de três unidades, o médio com 4 e o
maior com 5 unidades. Ora o quadrado de 3 é igual a nove; o quadrado de 4 é 16,
somando-se esses dois produtos teremos 25, que é exatamente, o quadrado de 5,
o maior, o qual formou a hipotenusa.
121

Quanto à joia do ex-Venerável Mestre, ou Mestre Instalado no Rito Escocês é


semelhante à do Venerável Mestre, apresentando pequena diferença: trata-se de
um Esquadro com os dois lados iguais, sob um compasso aberto em 45º, susten-
tando um arco de Circulo; na parte inferior do Esquadro e Compasso, uma estrela
de cinco pontas rodeada por raios.
Embora alguns autores considerem a Instalação na Cadeira do Rei Salomão,
como um grau dentro do simbolismo, uma instância superior para bem ser exer-
cido o cargo de Guia da Fraternidade, outros assim não classificam. De qualquer
modo, o Mestre Instalado é uma dignidade que tem participação bem acentuada
na hierarquia maçônica, com responsabilidade bastante definidas, uma vez que
constitui o alicerce moral e espiritual das Lojas, bem como a segurança para os
Veneráveis Mestres.
A garantia da autonomia administrativa de uma Loja é o seu Conselho de
Mestres Instalados, o qual não permitirá que ocorram desvirtuamento do rito, ou
afastamento dos princípios, tradições, usos e costumes e leis básicas da Instituição.
Ninguém a rigor pode presidir titularmente a uma Loja, sem que seja, pelo
menos Mestre, e que tenha sido Instalado Venerável Mestre ou após cumprir seu
mandato tenha a prerrogativa de Past-Master.

3 – 1º Grande Vigilante
O 1º Vigilante é a segunda autoridade administrativa e litúrgica de uma Loja
Maçônica, eleito pelos Mestres e, portanto, substituto do Venerável Mestre nas
ausências e impedimento do mesmo, nas ausências e impedimento do titular, não
podendo dirigir os trabalhos da Loja, salvo se for Mestre Instalado sem autoriza-
ção do titular. No caso de necessidade de reunião administrativa, fà-lo-a
na Sala dos Passos Perdidos ou Secretaria da Loja, sempre com consentimento do
Venerável Mestre, entretanto se houver necessidade de sessão Ritualística, assu-
mirá a direção dos trabalhos o ex-Venerável Mestre mais moderno.
O lugar do 1º Vigilante é no Ocidente no poente, declínio, fim, morte, do lado
da Coluna do Norte. O 1º Vigilante encontra-se sob a Lua, símbolo da água, pró-
ximo ao Mar de Bronze por onde o iniciado passa.
Equivocadamente, o Ritual de 1927/28, trás uma série de erros ou modificações
introduzidas pela Comissão Litúrgica de Mário Behring, distorção em desacordo
com o Rito Escocês Antigo e Aceito que até o presente não foram corrigidos. Pois
um dos lapsos ocorreu com o Mar de Bronze que consta na Coluna do Sul, quando
o certo é na do Norte foram trocadas as funções ritualísticas dos vigilantes e esque-
cidos os utensílios que os acompanham, obrigando os vigilantes a trocarem o coman-
do das Colunas o que não acontece com a imensa maioria das Lojas Escocesas do
Mundo e inclusive do Grande Oriente do Brasil que conservam os Rituais antigos.
Por ser uma das Luzes da Loja, tem o 1º Vigilante que colaborar com assessora-
mento ao Venerável Mestre, sempre que este necessitar, assumindo tarefas e ajudan-
do-o sentido de que a Loja funcione dentro da normalidade. Não é somente no dia da
sessão que o Vigilante deve comparecer e desempenhar seu papel, mas em todo o
momento em que a Loja realizar encontros, visitas, ou qualquer outra atividade.

Funções do 1º Vigilante – Ao primeiro Vigilante compete cumprir inteiramen-


te as determinações dos Rituais e mais as seguintes administrativas:

1. Cumprir e fazer cumprir as determinações do Venerável Mestre, dentro e


fora do Templo.
122

2. Ser o responsável pela porta do Templo, determinando por ordem do


Venerável Mestre, a entrada e saída de irmãos.
3. Conceder a palavra na sua Coluna, após autorização do Venerável Mestre,
citando o cargo, ou o nome do solicitante: “Podeis usar a palavra, Irmão
Mestre de Cerimônias”.
4. Entregar, depois de conferido o “Ne varietur”, os cartões de identificação
dos Aprendizes (segundo Ritual da Glesp).
5. Usar a palavra por último na Coluna, falando sentado.
6. Orientar os irmãos Aprendizes com peças de Arquitetura dentro do
Templo, ou pelo diálogo fora (Lojas do Grande Oriente orienta os
Companheiros que tem acento na Coluna oposta).
7. Opinar, por escrito, sobre o aumento de salário aos Aprendizes (Ritual da
Glesp), quando os julgar aptos.
8. Substituir o Venerável Mestre no caso de vacância do cargo, depois de
instalado na cadeira do Rei Salomão; e administrativamente, a descoberto,
na sua ausência ou impedimento, neste caso jamais usando os paramentos
de Mestre Instalado.
9. Acompanhar o Venerável Mestre nas reuniões de Assembleia Geral da
Grande Loja, ou quando precise apresentar-se oficialmente em outras
cerimônias.
10. Não permitir que irmãos mudem de Coluna, após a abertura dos trabalhos.

4 – 2º Grande Vigilante
O 2º Vigilante é a terceira autoridade litúrgica administrativa da Loja, eleito
pelos seus pares. É o substituto do Venerável Mestre, na ausência deste e do 1º
Vigilante.
Ocupa espaço físico no meio da Coluna do Sul, administrativamente o 2º
Vigilante assessora os trabalhos do Venerável Mestre, colaborando para o bom
desempenho das atividades que a Loja promover.
“Irmão 2º Vigilante, a vossa joia é o prumo, com a qual vos revisto” diz o
Venerável Mestre ao empoçá-lo no cargo. Ela representa a verticalidade das ações,
emblema da justiça. Sobre o seu Altar, na parede sobre sua cabeça, localiza-se
uma Estrela de cinco pontas, o Pentagrama ou Estrela Flamejante. Esta Estrela de
grande significação esotérico e místico representa o homem perfeito, quando se
encontra com a ponta para cima, a cabeça; e as outras, os membros superiores e
inferiores. A Estrela em sentido contrário, isto é, com a ponta para baixo, signifi-
ca o oposto do ser humano inteligente, quer dizer representa a besta.
Em seu Altar encontra-se uma coluneta da Ordem de Arquitetura Corintia, que
representa a Beleza. Conforme consta no Ritual, o 2º Vigilante é o responsável
pelo repouso dos irmãos, razão porque comanda a recreação da Loja.
Por dirigir a Coluna do Sul, local dos Companheiros, o 2º Vigilante deve minis-
trar instruções por meio de peças de arquitetura versando sobre as ciências, as
artes e as leis maçônicas.
Empunhando o malhete, entra e sai do Templo no início e fim dos trabalhos,
acompanhando o Venerável Mestre e 1º Vigilante.

Funções do 2º Vigilante – Independentemente do que prescrevem os Rituais, o


2º Vigilante tem especificamente variada atribuições administrativas:

1. Cumprir e fazer cumprir as determinações do Venerável Mestre.


123

2. Conceder a palavra em sua Coluna, após autorização do Venerável Mestre,


indicando pelo cargo: “Podeis usar a palavra Irmão Chanceler”, ou pelo
nome: “Podeis usar a palavra irmão fulano”.
3. Entregar aos Companheiros, depois de verificar a autenticação do “NE
varietur”, os cartões de identidade.
4. Usar a palavra por último, falando sentado.
5. Prestar todo ensinamento possíveis aos Companheiros (Glesp), ou
Aprendizes (Grande Oriente), dentro ou fora do Templo.
6. Opinar, por escrito, sobre aumento de salário aos Companheiros (Glesp),
quando os julgar aptos.
7. Dirigir a Loja administrativamente, a descoberta, na ausência do Venerável
Mestre e do 1º Vigilante, com anuência daquele.

Acompanhar o Venerável Mestre nas reuniões de Assembleia Geral da Grande


Loja, ou no caso de visita oficial da Loja.
– Dar o mais irrestrito assessoramento e colaboração ao Venerável Mestre em
casos especiais, como convocações de irmãos, viagens, festividades, sessões
extraordinárias, visitas, etc.

5 – Orador e Guarda da Lei


No Rito Escocês Antigo e Aceito, o cargo de Orador abrilhanta as cerimônias
com sua oração e peças de arquitetura, entretanto, no momento em que zela pelo
cumprimento das leis, usos e costumes, a fim de que os princípios e ordenamentos
não sejam desobedecidos, passa a ser o Guarda da Lei. Por essa razão, sua função
é dupla em Loja.
No Rito de York e na Grande Loja onde se adota o cerimonial “Emulação” este
cargo é substituído pelo Capelão, face às características de religiosidade deste rito,
ficando aos cuidados do próprio Venerável Mestre a observância e critérios cor-
respondentes à lei.
O Orador deve ser um estudioso da Instituição e conhecedor das leis que a
regem, versado nos Landmarques, Constituições, Estatutos, Regulamentos, Usos
e Costumes, afim de que, a qualquer momento, possa ser orientador sobre o que
é razoável e justo. Trata-se do Promotor Público no campo da justiça, no caso de
um processo maçônico.
Compete-lhe auxiliar o Venerável Mestre conforme prescrevem os Rituais,
ministrando as instruções, além de ser o mantenedor do equilíbrio em Loja, e
por essa razão tornar-se necessário ser ocupado por um irmão experiente e dis-
ciplinado.
O Orador é o porta-voz da Loja, sempre com autorização do Venerável Mestre,
em todas as cerimônias maçônicas, nas Sessões Econômicas e Magnas, saudando
autoridades e visitantes, com auxilio do irmão Chanceler sobre o nome e Lojas,
assim como nas Fúnebres e Festivas, ou ainda aos próprios irmãos da Loja pelos
natalícios, ou outras homenagens, tendo o cuidado de fazer sua peça de Arquitetura
por escrito, quando o caso assim o requerer, face a responsabilidade que o cargo
exige e até para evitar distorções.
Ocupando o cargo não pode emitir opinião pessoal, nem defender ponto de vista
particular, porém possui o direito de se manifestar, pedindo ao Venerável Mestre
que o substitua na função, somente retornando a ele após encerrado o assunto
objeto de sua retirada, igualmente, o que o substituir tem que estar isento a respei-
to do assunto, para emitir a opinião final, antes da decisão da Loja.
124

Ultimamente, está se tornando hábito, porém errado, de o Venerável Mestre não


falar ao termino dos trabalhos depois do Orador. O Venerável Mestre é a maior
autoridade em todos os aspectos e por isso pode falar quando desejar, é lógico que
sobre assunto que não implique em opinião do Guarda da Lei. Pode até fazer as
sua pequenas comunicações antes de conceder a palavra ao Orador, mas não é
obrigado a usar desta forma, se assim o desejar.
No final de cada sessão, tanto no Templo como fora, o Orador, nas funções de
Guarda da lei, tem que dar as conclusões dos trabalhos transcorridos na Ordem do
Dia com sucintas abordagens, resumindo o ocorrido para ser remomerado pelos
presentes, sem emitir opinião pessoal e, ao encerrar, oferece sua conclusão, que se
tornou uso e costume para conclução final do Guarda da lei “... e por tudo o que
transcorreu, concluo que os trabalhos obedeceram aos rituais, as leis tradicionais
e particulares de nossa Instituição, podendo ser considerados justos e perfeitos e
fechada a Loja se assim entender vossa Sabedoria e Prudência”.
Por ser da sua exclusiva competência, o Guarda da Lei é o único que pode pedir
a palavra “pela ordem”, ao constatar alguma irregularidade. Os demais irmãos por
não serem fiscais da lei, poderão pedir a palavra pelo sistema maçônico, sem dizer
nada no ato da solicitação.
A joia do cargo é o Livro da Lei, aberto à consulta dos irmãos. Este livro em
cima de uma estrela de oito pontas, que simboliza o Sol pelos antigos, como um
dos agentes coordenadores do mundo, atribuindo-lhe uma influência reguladora
indica a ordem das estações, a sucessão dia-noite, o funcionamento de tudo.

Funções do Orador e Guarda da Lei – Independente das considerações


expostas e das normas estabelecidos nos Rituais, compete ao Orador e Guarda da
Lei mais o seguinte:

1. Estar sempre atento ao desenrolar dos trabalhos, pois é sua obrigação não
permitir que as leis sejam descumpridas.
2. Manter em seu poder durante as reuniões, uma pasta-arquivo contendo
toda legislação vigente.
3. Certificar-se, juntamente com o Secretário, do conteúdo da Bolsa de
Proposta e Informações e do resultado dos escrutínios secretos.
4. Constituir a Mesa Eleitoral nas eleições para Administração da Loja e do
Grão-Mestre.
5. Opor o seu “ne varietur” nos balaústres, depois de aprovada a sua redução,
como testemunho de que a lei não foi ferida.
6. Colocar seu “ne varietur” “ nos documentos oficiais emitidos pela Loja.
7. Decifrar os decretos e Atos oriundos do Grão-Mestre.
8. Entregar, por determinação do Venerável Mestre os diplomas e demais
documentos aos novos Mestres, verificando a autenticidade do “ne varie-
tur” oposto pelos favorecidos.
9. Examinar a documentação dos visitantes, por determinação do Venerável
Mestre.
10. Requer, verbalmente, o adiamento de votação sobre qualquer assunto que
julgar não estar algum irmão suficientemente esclarecido.
11. Oferecer sua opinião sobre candidatos à Loja, quando da entrada da Pré
Proposta, ou por ocasião de discussão antes do assunto ser votado.
12. Manifestar sua opinião pessoal, quando fora da função de Guarda da Lei.
13. Dar as conclusões finais ao término dos trabalhos.
125

6 – Secretário
O Secretário é o responsável por todos os registros que correspondem à memó-
ria maçônica. Da sua real e leal anotação depende a vida da Loja, pois que o
presente alicerça-se no passado e constitui a base para um futuro promissor.
Cargo eminentemente administrativo, cujo titular é da escolha do Venerável
Mestre e se localiza à esquerda do Trono de Salomão no Oriente.
Pertence à Secretaria inventariar todo material, não permitindo a retirada de
livros, pastas, arquivos, fichários, ou qualquer expediente é da sua competência,
ainda, a organização de todos esses documentos e necessários registros.
O Secretário é o responsável pelas comunicações, convites, etc. às co-irmãs, à
Grande Loja e aos irmãos, por determinação do Venerável Mestre.
Sobre alguns assuntos de Secretaria receberá a colaboração do Chanceler, bem
como o cargo poderá ter adjunto para auxiliá-lo, o qual ocupará lugar no Oriente
ao seu lado.
Redigir um balaustre é de grande responsabilidade, principalmente que são
tomadas decisões na Ordem do Dia e acontece debate da matéria, não podendo o
Secretário desvirtuar a ideia expedida por cada obreiro, ao registrar o assunto, ou
mesmo torcer uma opinião, nem tampouco manifestar sua aprovação ou discor-
dância elogiando ou criticando um pronunciamento de outro. A isenção nos regis-
tros resumidos é condição “sine qua non” para aprovação de um balaústre. Pode,
é claro, manifestar-se como qualquer irmão.
Sua postura em Loja é de suma importância, como de qualquer outro cargo,
porem o Secretário está na vitrine pela pureza de sua imagem, que deve ser de acor-
do com mo vocabulário maçônico, uma vez que serve de exemplo aos mais jovens.
Na decifração do expediente deve haver uma ordenação de elementos, colocando
em primeiro luar os Atos e Circulares do Grão-Mestrado, depois os Boletins e final-
mente as pranchas em geral. Ao termino da decifração de um balaustre faz parte dos
Usos e Costumes, levantar-se, por-se à ordem, e dizer: “é o que consta Venerável
Mestre”, desfazendo o sinal e sentando-se, igualmente, ao encerrar o expediente.
Não pode o Secretário transcrever no balaústre qualquer passagem ritualística
ou relatar cerimônias, somente deve fazer o registro do ato realizado e da perso-
nagem envolvida, com o nome completo e o respectivo grau.
No caso de uma sessão ser transformada em Conselho de Família para tratar-se
um assunto sigiloso, suspende-se o registro.

Funções do Secretário – Os rituais determinam ao Secretário uma série de


atividades, principalmente no assessoramento ao Venerável Mestre, tanto em
Sessões Econômicas ou Administrativas, como em Sessões Magnas, Independente
dessas atribuições o Secretário possui inúmeras tarefas inerentes à função, como
exemplo:
1. Redigir, gravar e decifrar os balaústres das sessões, assinando-os após a
aprovado, depois do Venerável Mestre e do Guarda da Lei.
2. Receber as pranchas, circulares, boletins e demais expedientes concernen-
tes à Loja, examinando-os e deles dando conhecimento ao Venerável
Mestre para organização da Ordem do Dia.
3. Decifrar todo expediente recebido, anotando a data e o despacho dado
pelo Venerável Mestre e rubricá-lo.
4. Providenciar junto à Grande Secretaria o expediente para publicação em
boletins, assim como demais documentos como solicitações, comunica-
ções, convites etc.
126

5. Preencher diplomas, certificados e ouros formulários, obtendo as assina-


turas legais, tomando as providências para alcançar o desiderato.
6. Arquivar o expediente e cópias depois de solucionados, cuidando para que
o fichário de obreiros esteja sempre atualizado com os necessários registros.
7. Expedir convocações e comunicações, bem como outros expedientes, por
determinação do Venerável Mestre.
8. Constituir a Mesa Eleitoral no Trono, junto com o Guarda da Lei, confe-
rindo as cédulas e procedendo a chamada dos obreiros.
9. Organizar a planilha das fichas dos candidatos à iniciação, providen-
ciando os devidos registros das datas de entrada da proposta preliminar,
da expedição de sindicâncias e necessário retorno, bem como das deci-
frações e escrutínio.
10. Manter em dia sob sua guarda os seguintes documentos:
– Livro de Balaústres
– Livro Negro (registro de maçons expulsos da Ordem, eliminados pela
Lojas e profanos recusados, todos com o devido motivo.
Obs.: Devido o grande volume de irmãos penalizados pelas Lojas coir-
mãs, Tribunais do poder jurisdicional da Grande Loja e suas freqüentes
regularizações, torna-se inviável estes registros no Livro Negro, tornan-
do-se impossível manter estes registros atualizados. Na maioria das
Lojas registram apenas os assuntos pertinentes à própria Loja pela facili-
dade da atualização dos registros.
– Arquivo de Pranchas recebidas.
– Arquivos de cópias de pranchas expedidas.
– Arquivo de pastas individuais de cada obreiro, com toda documentação
desde o inicio de sua vida maçônica, podendo nelas serem colocadas as
Peças de Arquiteturas.

7 – Tesoureiro
O Tesoureiro será o responsável pela arrecadação das finanças da Loja, bem
como dos pagamentos das despesas por ela efetuadas.
Trata-se de cargo eletivo, face à necessidade de isenção no q2ue se refere aos
metais da Loja, sendo o depositário de todos os recebimentos monetários, como
mensalidades, taxas e demais recursos estabelecidos.
O Tesoureiro deverá manter em seu poder uma pasta onde estejam arquivados
o Estatuto, o Regulamento Interno, cópias dos documentos comprobatórios do
registro da Loja no CGC, da Ata de Fundação, Ata de Eleição, assim como dos
balanços e balancetes devidamente aprovados pela Loja.
Deverá manter sob sua guarda o Livro Caixa, bem como escriturá-lo a cada
movimentação por entrada ou saída de metais.

Funções do Tesoureiro – Como foi dito, este cargo encerra função administra-
tiva e burocrática, por ele contabilizando-se todo o movimento de entrada e de
saída de valores monetários, em Livro Caixa, escriturado diariamente e à disposi-
ção do Venerável Mestre.
Trimestralmente, ou de acordo com a deliberação do Venerável Mestre, deverá
o Tesoureiro apresentar balancete da movimentação do período, sendo encami-
nhado pelo Venerável Mestre à Comissão de Finanças para emitir seu parecer e
ser apresentado em Loja para aprovação. Ao final do mandato, deverá ser prepa-
rado o balanço anual a ser entregue à Loja juntamente com o Livro Caixa, por
127

intermédio da Bolsa de Propostas e Informações, sendo todos os documentos


entregues ao Presidente da Comissão de Finanças que oferecerá o parecer do
órgão e retornará a Loja, em Sessão de Mestre, para decisão final.
Será da sua obrigação, receber o valor das mensalidades e demais taxas estabe-
lecidas, mediante fornecimento de recibo, bem como adicionar o custo da capita-
ção determinada pela Grande Loja e demais custos obrigatórios por lei enviados
pela Grande Loja, tais como: revista “A Verdade” e “Grande Loja em Destaque”,
“Associação Gonçalves Ledo” e outros ocasionais.
Deverá manter em dia o arquivo dos comprovantes de despesas pagas, com o
visto do Venerável Mestre, depois de lançados no Livro Caixa.
Será responsabilidade do Tesoureiro propor à Loja toda e qualquer medida
que julgar conveniente para possibilitar melhor arrecadação, sempre que julgar
necessário.
O produto do Tronco de Solidariedade, de responsabilidade do Hospitaleiro,
deverá ser escriturado em separado, a fim de possibilitar levantamento de saldo
quando for preciso, entregando-o ao seu responsável por determinação do
Venerável Mestre.
Todo valor deverá ser, o mais breve possível, depositado em conta bancária, de
conformidade com o Regulamento Interno e conforme a política estabelecida.
Outro ponto muito importante na função do Tesoureiro é a manutenção atual dos
pagamentos e contribuições mensais dos obreiros à Loja e Grande Loja, facilitando
a verificação, em qualquer ocasião, quando necessário tomar-se alguma decisão.
É de sua atribuição contactar com irmão que não esteja em dia com a Tesouraria
por razões da dispensa de frequência, ou ausência dos trabalhos, embora não seja
um cobrador, mas em função da necessidade de pagamentos de despesas acarre-
tadas pelo faltoso.
Todo cheque emitido deverá ser preparado pelo Tesoureiro que o assina junta-
mente com o Venerável Mestre.

8 – Mestre de Cerimônias
Mestre de Cerimônias é todo aquele que organiza e dirige um cerimonial.
Maçonicamente, trata-se de uma função litúrgico-ritualística, além de administra-
tiva em muitos momentos, pois que é o responsável pelo bom andamento dos
trabalhos de uma Loja.
Deve esse cargo ser exercido por um Mestre disciplinado e experiente, a fim de
que a ordem interna da Oficina, sob sua responsabilidade, seja executada em per-
feita harmonia.
Servindo de ligação entre o Venerável Mestre e os demais irmãos, para cumpri-
mento administrativo, tem a liberdade de desempenhar sua função sem o bastão,
assim como andar à vontade, sem formalidade ritualística. Entretanto, represen-
tando o Venerável Mestre ou em função ritualística, deve observar rigorosamente
a sistemática maçônica, posto que será, além de harmonizador, o exemplo aos
mais novos maçons.
A joia do cargo é a régua de 24 polegadas, simbolizando o aproveitamento de
todas as horas do dia, que é dividido em três partes: oito horas para o trabalho,
oito para o cultivo das faculdades intelectuais e oito para o descanso, lembrando-
nos a pontualidade, a pontualidade, a precisão e a exatidão.
A sua insígnia representada maçonicamente pelo bastão, conduzido com a
mão direita, é o “cetro patriarcal do guia que todos seguem confiantes.”
Encimando o bastão aparece régua de 24 polegadas, e ou um triangulo equilátero.
128

Funções do Mestre de Cerimônias – Inicialmente, compete ao Mestre de


Cerimônias, tanto dentro como fora do Templo, estar sempre atento às possíveis
determinações do Venerável Mestre, para auxiliá-lo com segurança na sua ativi-
dade funcional, acompanhando-o nas sua movimentações litúrgicas.
O preparo do Templo para funcionamento ritualístico da Loja, em qualquer tipo
de cerimônia, pertence ao Arquiteto, entretanto será de atribuição do Mestre de
Cerimônias a supervisão do ambiente na hora do acendimento das velas (se for o
caso) a fim de que tudo esteja em perfeita ordem pra o desenrolar da sessão.
Antes do Ingresso no Templo, será sua função organizar a dupla fila de irmãos,
conforme ritual, verificando se todos estão devidamente paramentados e exigindo
total silêncio, aguardando a determinação do Venerável Mestre, momento em que
ordenará, com um golpe de bastão no piso, a abertura da porta, não fazendo qual-
quer tipo de manifestação verbal.
Ao entrar em primeiro lugar no Templo, postar-se-á no Ocidente, aguardando a
entrada de todos, até o momento de acompanhar o Venerável Mestre ao Trono.
Retornando no Ocidente entre colunas, verificará se todos os cargos encontram-se
ocupados e dirá: “Venerável Mestre A Augusta e Respeitável Loja Simbólica .......
acha-se composta, aguardando vossas ordens”.
Durante o desenrolar da abertura ritualística, assim como do encerramento dos
trabalhos, o Mestre de Cerimônias permanecerá no seu lugar, acompanhando o
ritual.
Após o cumprimento de uma determinação administrativa do Venerável Mestre,
o Mestre de Cerimônias, de retorno ao seu lugar, dirá: “Vossas ordens foram cum-
pridas, Venerável Mestre”.
No decorrer dos trabalhos, ao exercer funções administrativas, não conduzirá o
bastão, como por exemplo, fazendo circular a Bolsa de Propostas e Informações;
conduzindo expedientes; verificando as votações simbólicas e comunicando o
resultado; distribuindo as esferas nos escrutínios secretos, etc.
Ao ser autorizado o ingresso, de irmãos da Loja ou visitantes, será o Mestre de
Cerimônias o recepcionador, colocando-se de pé, com o bastão, junto a Coluna J.
Após a entrada e a determinação do Venerável Mestre, acompanhará os maçons
aos respectivos lugares. Aos Companheiros e Aprendizes convidará para acompa-
nhá-lo.
Será o responsável pela organização de comissões, dela fazendo parte, para
recepção de autoridades ou bandeira, no Templo, de acordo com o cerimonial
respectivo.

9 – Diáconos
Pela semelhança das funções, procuramos descrever os cargos do 1º e 2º
Diáconos simultaneamente, separando-os somente nas suas respectivas atividades
ritualísticas.
Os lugares dos Diáconos são localizados à direita da autoridade à qual serve,
como executores das suas ordens em cumprimento ao ritual, funções eminente-
mente litúrgico-ritualísticas. O 1º Diácono no Oriente ao lado do Venerável
Mestre e o 2º no Ocidente, ao lado do 1º Vigilante e suas funções não envolvem
aspectos administrativos.
Conforme Ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito, as joias dos cargos são para
o 1º Diácono, o malho; para o 2º Diácono, a Trolha. A Grande Loja adota as joias
de rituais antigos, representadas por duas Pombas, sendo que a do 1º Diácono fica
dentro de um triângulo.
129

O 1º Diácono tem como insígnia da função, um bastão encimado com a sua


respectiva joia e o 2º Diácono com sua própria joia.
Constata-se que nos rituais do século dezenove, que os Diáconos não faziam o
pálio na abertura do Livro da Lei, pois que o Altar dos Juramentos ficava à frente
do Trono, apenas eles eram os transmissores da palavra semestral e retornavam
aos seus lugares.
O 1º Diácono é o mensageiro da sabedoria à compreensão da inteligência,
representada pela força (Venerável Mestre). O 2º Diácono é a faculdade da
Aspiração Estética, é o mensageiro da inteligência, que conduz a palavra da
Verdade, que saiu do Oriente, emitida pelo Venerável Mestre, transmitida pelo 1º
Vigilante, chega até o 2º Vigilante, constituindo o elemento que embeleza e nobre-
ce a existência, tornando por isso, Perfeita.
Em resumo, a sabedoria (Venerável Mestre) envia a Inspiração (1º Diácono) até
a inteligência (1º Vigilante), que, por intermédio da Aspiração Estética (2º
Diácono, chega à beleza (2º Vigilante), que constata, pelo lugar que ocupa em
Loja, estar tudo J:. e P:., condições vitais para que se realize a obra de criação, a
obra do Grande Arquitetura do Universo.

Funções do 1º Diácono – Além do prescrito nos rituais, o 1º Diácono compete:

1. Na abertura e encerramento dos trabalhos, proferir de cor o texto do ritual,


a fim de melhor postura para desempenhar sua função.
2. Abrir e fechar o painel da Loja, nos momentos oportunos.
3. observar, rigorosamente, o sistema ritualístico nos giros, movimentando-
se pausadamente.

Funções do 2º Diácono – Além dos prescritos nos rituais, o 2º Diácono Fará:

1. Substituir o 1º Diácono.
2. Proferir de cor o texto ritualístico, na abertura e no encerramento dos
trabalhos, para bem desempenhar sua função.
3. Observar, rigorosamente, o sistema ritualístico nos giros, locomovendo-se
pausadamente.
4. Como detentor da Aspiração Estética, deverá manter a ordem e a discipli-
na nas Colunas; se necessário, proceder assim: levantar-se sem ruído,
apanhar o bastão, caminhar lentamente até a frente do faltoso, parar vol-
tado para o Oriente, batendo no piso com o bastão, uma vez, sem nada
dizer, retornando ao seu lugar, completando o giro. Com isso evitar-se-ia
que irmãos distraídos cruzemos braços ou os pés, ou ainda, conversem
durante os trabalhos.

10 – Chanceler
Chanceler ou Guarda dos Selos, é o oficial que tem responsabilidade admi-
nistrativa secundando o Secretário, porém com funções especificas, competin-
do-lhe o controle dos registros individuais dos obreiros e o quadro de freqüên-
cia de cada um. No passado era o responsável pelo protocolo da correspondên-
cia recebida, fazendo o registro em livros próprios. Tratava-se de antigo
magistrado, ao qual estava afeta a guarda do selo real; funcionário encarregado
de autenticar documentos, com funções similares às de um Ministro dos
Negócios Exteriores.
130

A joia do cargo é o timbre ou sinete da Loja, que deve ser aposto nos documen-
tos concedidos, como transferências, diplomas, garante de amizade, “quite placet”
e outros, assim como leis e normas baixadas. No passado existiam de fato, selos
especiais que eram colocados nos documentos, sem os quais não tinham validade.

Funções do Chanceler – O Chanceler é o responsável pela gravação do “ne-


varietur” dos irmãos no livro de assinatura, antes do ingresso no Templo, assim
como dos visitantes em livro próprio. A abertura dos livros nos dias de reunião
será de sua alçada também, fazendo constar a data e o tipo da sessão no cabeçalho,
bem como o traçado com o número de ordem, o “ne-varietur”, o grau e no livro
de visitantes, o número de ordem, o “ne-varietur”, o nome completo, o grau e a
Loja. Nas sessões Magnas de Elevação e de Exaltação, os Neófitos gravarão após
a cerimônia, conforme ritual.
Fato administrativo muito importante, são os controles dos natalícios dos
irmãos e das cunhadas, se assim o Venerável Mestre determinar, citando-os na
hora da palavra a bem da Ordem e do Quadro em particular, não cabendo todavia,
fazer pronunciamento relacionado às felicitações, tarefa exclusiva do Orador.
Deverá o titular deste cargo ter sempre atualizada o quadro de freqüência dos
obreiros, mediante, afim de que o Venerável Mestre tenha sempre à mão a situa-
ção real da assiduidade, quando dela necessitar, principalmente com referência
aos Aprendizes e Companheiros e também com relação aos demais irmão, face à
necessidade do controle visando às eleições.
Quando houver visitantes o Chanceler alertará o Secretário para preenchimento
do cartão de freqüência (se houver), a ser assinado pelo Venerável Mestre e entre-
gue ao destinatário no final da Ordem do Dia. Igualmente informará ao Orador,
por intermédio do Mestre de Cerimônias, enviando-lhe relação com nome dos
visitantes, grau simbólico e Loja a qual pertençam.

11 – Hospitaleiro
O cargo de Hospitaleiro é muito importante, não pelo trabalho de coleta de
óbolos que executa em todas as reuniões maçônicas, mas pelo desempenho da
nobre missão de levar, eventualmente, conforto espiritual, nos momentos difíceis
por que atravessa um irmão, ou familiar.
É o Hospitaleiro, pela função harmônica e caritativa, o responsável pela ligação
do irmão em dificuldade e a Loja, por isso, deve o cargo ser preenchido por irmão
de idade madura e de vivência na Loja, além de ser ele portador de acentuada
espiritualidade, a fim de que o conforto por ele levado como conselheiro surta o
efeito da filantropia e de solidariedade.
Sendo cargo de nomeação facilita seu preenchimento e é evidente que se deve
colocar o maçom certo no lugar certo; esta função, mais do que nenhuma outra,
exige alguma independência do seu titular, no sentido de condição financeira e
tempo, pois que as visitas em nome da Loja e do Venerável Mestre são imprescin-
díveis, quando as ausências se fazem sentir.
A joia do cargo de Hospitaleiro é uma sacola ou bolsa pequena denominada
bolsa coletora, ou Bolsa de Beneficência, simbolizando seu utensílio de trabalho
para arrecadação de metais durante as reuniões.
O processo de recolhimento de metais é tradicional, mostrando-se a discrição
que o Hospitaleiro deve ter, quando da circulação dó Tronco de Solidariedade.
Leva-o junto à cintura, do lado esquerdo e apresenta-o ao irmão para sua frente,
ereto, apresenta-lhe a bolsa, olhando para o lado direito, demonstrando não enxer-
131

gar o que nele é depositado; o doador deverá colocar o óbolo com a mão esquerda,
lado do coração, da benevolência, lado passivo, gesto nobre e solidário que todo
maçom deve possuir.
Antes do surgimento da moeda, existia a troca pura de bens, porém se tornava
difícil mensurar-se o valor de cada espécie, a fim de que a troca fosse justa no
intercâmbio de mercadorias diferentes. No século VIII A. C., na Grécia, servia de
parâmetro para as contas o “boi”, segundo história da Moeda, uma mulher valia
de vinte a quarenta cabeças de gado e um homem, cem. O boi, desde essa época
passou a ser o animal que servia para qualquer sacrifício, incluindo-se a troca. O
sacrifício ao animal fazia parte do culto divino, concluindo-se que o nome das
moedas antigas terem origem naquele culto. A primeira moeda romana em bronze
fundido teve a denominação de AES, derivada de ASSUM, assado, numa referên-
cia no banquete sagrado. As moedas gregas, denominada “óbolo”, tem a raiz em
“obelos”. objeto de ferro, onde se colocavam pedaços de carnes das vítimas no
sacrifício do animal. Óbolo era, também, uma unidade de peso (0,72 gramas) e
moeda na Grécia antiga.
Não é de se estranhar a razão por que a palavra “dinheiro” seja denominada de
“pecúnia”, que tem sua origem na raiz “pecus”, cuja significação é gado, donde
temos as derivadas “pecuário” e “pecuniário”.
Os romanos foram os primeiros a cunharem moedas e sua casa de cunhagem era
no templo da deusa Juno Moneta, talvez esta palavra seja a origem da palavra
moeda. È, portanto, muito antiga a expressão Moeda Cunhada que servia de troca
de materiais ou bens e que os povos passaram a utilizar, fazendo-se de metal nobre,
ouro ou prata, para terem o valor que de fato possui o objeto ou bem adquirido.
A Maçonaria herdou a ideia e a origem, adotando o sistema simbólico de
cunhar, ou amoedar, quando recolhia numerário para atender as necessidades dos
irmãos, e com seu vocabulário especial, estabeleceu a denominação de Medalha
Cunhada, devendo o produto recolhido ser cunhado numa única moeda. Daí a
expressão maçônica “ ... o Tronco de Solidariedade produziu uma Medalha
Cunhada no valor de .... reais”.
O maçom, ao levar a mão esquerda fechada ao saco coletor, deverá doar o que
o seu coração ditar, de acordo com suas possibilidades, aquele que possui melho-
res condições deverá dar mais e quem possui menos, dará menos, porém o impor-
tante é o gesto de desprendimento manifestado pelo coração. Poderá acontecer de
algum irmão nada poder doar naquele momento, mas ninguém terá de saber, pois
em outra oportunidade, certamente sua consciência lhe ditará como preencher a
falha criada anteriormente.

Funções do Hospitaleiro – A coleta de metais para o Tronco de Solidariedade


obedecerá normas rijas em cumprimento à hierarquia de cargos e gruas, conforme
determinação ritualística.
Depois de arrecadado o valor do Tronco, será da obrigação do Hospitaleiro,
auxiliar a conferência do produto junto ao Tesoureiro. O valor arrecadado, será
escriturado pelo Tesoureiro, em separado, ficando à disponibilidade do Irmão
Hospitaleiro, podendo ser usado somente para a finalidade de auxílio a irmãos
necessitados, respectivos familiares ou por determinação do plenário da Loja.
Está um pouco descaracterizada a finalidade do tronco, uma vez que confundem
a sua conceituação com auxilio geral, fazendo-se doações a sociedades filantrópi-
cas ou mesmo a pessoas de fora da Maçonaria. Embora isso possa acontecer, não
quer dizer que seja obrigação da instituição. O auxílio a maçons da Oficina deve-
132

rá ter a anuência da Comissão de Solidariedade e do Venerável Mestre e levado


ao conhecimento da Loja.
Independentemente ao auxílio com metais, cumprirá ao Hospitaleiro a visita aos
irmãos do quadro que faltarem aos trabalhos, a fim de inteirar-se das razões da
ausência, bem como verificar se não é por motivo de saúde e necessidade de
ajuda, o que poderá ser executado pela Comissão de Solidariedade.
Os problemas mais sérios e complexos deverão, de imediato, chegar ao conhe-
cimento do Venerável Mestre, que saberá conduzir o caso satisfatoriamente.
Sua tarefa litúrgica diz respeito a solicitação feita ao iniciado na noite da inicia-
ção, pedindo-lhe um óbolo aos necessitados. A propósito, esta alegoria deverá ser
feita individualmente e sem que os demais tomem conhecimento, para que haja
manifestação do estado de ânimo do neófito. O ritual é confeccionado para inicia-
ção de um só profano. O certo será o Venerável Mestre determinar que sejam
conduzidos os iniciados para fora do Templo, entretanto um por um para ser inter-
pelado pelo Hospitaleiro entre colunas, mas não todos ouvindo a pergunta e sendo
induzidos a responder da mesma forma. Cada um, neste momento solene, dirá o
que lhe aprouver.
Será da competência do irmão Hospitaleiro o recolhimento, junto aos familiares
de irmão falecido, de documentos maçônicos, rituais e paramentos, afim de entre-
gar ao responsável pelo Museu e Biblioteca.

12 – Guarda do Templo – Cobridor Externo


O texto do 11º landemarque nos leva imaginar que Cobridor (Guarda do
Templo) era a denominação, única interna e externa, responsável pela cobertura
do Templo por ocasião das sessões: “A necessidade de estar a Loja a coberto
quando reunida é um importante landemarque que não deve ser descuidado. Tem
origem no caráter esotérico da Ordem. O cargo de Guarda do Templo que cuida
para que o local das reuniões esteja vedado à intromissão de profanos, independe
de qualquer lei regulamentar de Grandes Lojas, ou Lojas subordinadas. É seu
dever por este landemarque guardar a porta do Templo, evitando que se ouça o
que dentro dele se passa”.
Nos rituais antigos do Rito Escocês Antigo e Aceito, na relação de cargos existia
apenas um, com a denominação de Cobridor. Se verificamos a semelhança das joias
de ambos os cargos, constataremos: Guarda do Tempo, duas espadas cruzadas;
Cobridor Externo, Alfanje (espada, ou sabre de lamina curta, curva e larga, usada
pelos povos orientais), poderemos afirmar que de fato, no passado o cargo era único.
Com o decorrer do tempo e dependendo do sistema de trabalho, pois que varia
de rito para rito, o cargo sofreu algumas variações, como por exemplo, no Rito
Escocês se desdobrou em dois, cujas presenças passaram a ser obrigatórias para o
funcionamento regular de uma Loja Simbólica.
Fato digno de realce, é que o cargo de Cobridor Externo em Lojas tradicionais
é exercido por um Mestre Instalado, mais precisamente pelo ex-Venerável Mestre,
que deixou o primeiro malhete há duas gestões, quer dizer, de Venerável Mestre
passa a Venerável de Honra (termologia moderna) e ao sai do lado esquerdo no
trono, passa para fora do Templo, como Cobridor Externo.
A joia do Cobridor Externo é o Alfanje, que, conforme verificamos anterior-
mente é uma espada de folha larga e curva, arma que serve para afastar indesejo-
sos, evitando que se aproximem curiosos e indiscretos; simbolicamente, para
impedir que se aproximem de nossa mente os maus pensamentos, tanto quanto a
fraqueza e a traição.
133

A joia do Guarda do Templo são duas espadas cruzadas, como que impedindo
a entrada de pessoas indesejosas, assim como a saída indevida de ideias, decisões
e, principalmente, como chamamento ao segredo, condição inevitável para que
cada um compreenda os mistérios da vida, adquira seu desenvolvimento e aper-
feiçoe-se. Os ferros cruzados em guarda para o combate nos ensinam a estar em
defesa contra os pensamentos contrários aos sãos princípios e a ordenarmos
moralmente as nossas ações.

Funções do Guarda do Templo – O Guarda do Templo, entrará em loja obede-


cendo ao determinado pelo manual de “Normas Ritualísticas” ou determinado pelo
ritual, em nosso caso, após verificar estar tudo em ordem, abrirá a porta ao toque do
Irmão Mestre de Cerimônias para a entrada dos irmãos, aguardando a entrada do
Venerável Mestre para fechar a porta, examinando se os irmãos estão devidamente
trajados paramentados, quando entrarem depois de iniciados os trabalhos. Ao final
da sessão, é o último a se retirar, apagando as luzes e fechando a porta.
Somente o Guarda do Templo poderá abrir e fechar a porta e com a permissão do
Venerável Mestre. Quando abri-la para verificação, o fará por uma pequena abertu-
ra. Depois de feita a verificação e fechada a porta, ficará a ordem para anunciar ao
1º Vigilante, conforme determina o ritual. A espada somente será empunhada quan-
do for aberta a porta ou em casos especiais mencionados no ritual.
O Guarda do Templo não poderá afastar-se do seu lugar, em loja aberta, a não
ser por determinação do Venerável Mestre e assim mesmo sendo substituído por
outro irmão. Somente para participar da Cadeia de União, no encerramento dos
trabalhos, quando a porta será trancada, é que deixará o cargo, juntamente com os
demais irmãos.
Ao ouvir a bateria à porta, este titular de pronto levantar-se-à e dará uma pan-
cada com o punho da espada na porta (deve ser evitado esfregar a ponta da espa-
da no piso sob a porta, evitando danos a espada e ao piso), significando aguardar;
entretanto, só fará o anúncio ao 1º Vigilante, no momento oportuno, não podendo
interromper qualquer ato ritualístico ou a palavra de algum irmão. Também deve-
rá estar atento para não abrir a porta, quando algum irmão estiver de pé e à ordem,
ou caminhando.
Este cargo exercerá, ainda, atividades importantíssimas em sessões magnas e,
por isso, deverá estudar o ritual com antecedência, decorando sua parte, a fim de
desempenhá-la com segurança.

Funções do Cobridor Externo – O Cobridor Externo terá a função de cobrir o


Templo durante a realização dos trabalhos e receberá os visitantes, trolhando-os e
examinando sua documentação maçônica.
No inicio dos trabalhos, o cobridor, após formada a fila de irmãos para ingresso
no Templo, coloca-se do lado direito junto a porta, aguardando o momento de
abri-la. Estando todos em profundo silêncio o Mestre de Cerimônias dará um
golpe com o bastão e o Guarda do Templo abrirá a porta e permanecerá em seu
lugar observando a entrada dos irmãos. Após o ingresso do Venerável Mestre e a
porta fechada, este titular fica aguardando a bateria que será executada pelo
Guarda do Templo, correspondendo-a e tomando conhecimento do grau em que a
Loja irá funcionar. Toma acento e fica na expectativa para qualquer eventualidade,
tanto de dentro do Templo, como da Sala dos Passos Perdidos, pois que, nesse
momento passa a ser o elemento de ligação entre o interno e o externo, ou seja,
entre o sagrado e o profano.
134

Uma das atribuições importantes do cargo é o trolhamento, ou telhamento como


alguns autores mencionam, a ser executado nos visitantes, eis porque da necessi-
dade de ser Mestre Instalado o seu detentor. Nos tempos antigos, quando não
existia este cargo, esta função era exercida pelo Experto por determinação do
Venerável Mestre, o mesmo acontecendo nos dias atuais quando seja suprimindo
este importante cargo.
Depois de procedido o trolhamento e examinada a documentação maçônica do
visitante e do recebimento da palavra semestral, o cobridor permitirá que o visi-
tante peça ingresso no Templo, por intermédio da bateria do grau de Aprendiz. Na
hora oportuna, o Cobridor receberá a pergunta do Venerável Mestre, por intermé-
dio do Guarda do Templo de “quem bate à porta?” respondendo: trata-se do Irmão
.... da Loja.

13 – Experto
Muitas vezes toma-se a palavra “Experto” como se tratasse de pessoa sagas,
viva, hábil, ativa, diligente, astuta; todavia, segundo o termo do latim “expertu”,
tem o significado de experimentado, experiente, perito, conhecedor, como por
exemplo acontece a um ex-Venerável Mestre, razão por que o cargo a tempos
passado, quando se observava o giro dos cargos, na época de eleições, deixou de
ser o Cobridor Externo, retornando ao Templo para ser o condutor dos Neófitos,
passando a ser o segundo ex-Venerável Mestre mais moderno. Infelizmente rarís-
simas Lojas observam o rodízio dos cargos, sendo escolhido para o cargo irmãos
que preenche o primeiro quesito da interpretação da palavra.
O desempenho do Experto é bem especifico, consoante prescrevem os rituais,
bem como de uma grande responsabilidade, principalmente nas Sessões Magnas.
A seriedade durante as cerimônias, sem brincadeiras, sem distorções ritualísticas
que às vezes servem para adaptações e invencionices.
A mistura de ritos nas Lojas, antes da fundação das Grandes Lojas, inúmeros
problemas foram criados e até hoje não corrigidos nos rituais e nos costumes do
Rito Escocês Antigo e Aceito. O contato com os Ritos Adonhiramita e Frances ou
Moderno, na época, criaram grandes distorções até hoje discutidas e não corrigi-
das. Dentre vários, na denominação do cargo durante a iniciação, pois que os ritos
mencionados chamam-no Irmão Sacrificador, ou Irmão Terrível não existente no
Rito Escocês.
A joia do cargo é o punhal, segundo Frau Abrines, “o Punhal é o símbolo do
castigo que recebem os perjuros”.

Funções do Experto – É de obrigação do Experto além do prescrito nos rituais,


as seguintes atribuições:
– preparar e conduzir os iniciando nas suas múltiplas viagens simbólicas, dentro
e fora do Templo;
– Preparar os elevando e os exaltados, acompanhando-os nas cerimônias dos
respectivos graus;
– Recolher com a urna as esferas distribuídas pelo Mestre de Cerimônias, por
ocasião dos escrutínios.

14 – Arquiteto
O Arquiteto é um oficial da Loja que aparentemente tem pouca atribuição, face
não fazer parte do funcionamento ritualístico, porém, subjetivamente, muito tem
a ver com o ensino com o ensino do Aprendiz no início da carreira.
135

A joia do Arquiteto no Rito Escocês é o Maço e o Cinzel cruzados. Para o


Aprendiz desbastar a P:. B:. na sua primeira noite lhe é apresentado o Maço e o
Cinzel e por tradição toma acento no topo da Coluna do Norte ao lado do
Arquiteto, encarregado para auxiliá-lo no aprendizado.
Como se vê, o Arquiteto está bastante ligado ao Aprendiz e muito colabora na
sua orientação, principalmente ao chamá-lo para auxilio no preparo do Templo
para o inicio dos trabalhos.

Funções do Arquiteto – É das atribuições do Arquiteto:

1. Preparar o Templo, distribuindo todo material de trabalho a ser utilizado


nas sessões, contando com o auxilio dos Aprendizes.
2. Ornamentar o Templo nas Sessões Magnas, transformando o ambiente de
conformidade com a necessidade dos trabalhos.
3. Escriturar em livro próprio de carga e descarga todo material da Loja,
moveis utensílios, os quais permaneceram sob a sua guarda e cuidado.
4. Apresentar ao final do mandato um inventário pormenorizado de todos
os bens da Loja e respectiva conservação, ou sempre que o Venerável
Mestre desejar.

15 – Porta Espada
O Porta espada tem função bastante restrita durante o trabalhos ritualísticos,
somente funcionando nas consagrações de grau, como na Iniciação, Elevação e
Exaltação.
Costuma-se designar o Porta espada para condutor do Pavilhão Nacional nas
sessões especiais, quando ele é entronizado no Templo, assim como um cargo
denominado Porta Bandeira, inexistente no Rito Escocês.
Na consagração dos recipiendários, no momento em que o Venerável Mestre
desloca-se para o Ocidente, o Porta Espada apanha a almofada onde se descansa
a espada e o acompanha, colocando-se ao seu lado direito não podendo tocar na
Espada Flamejante.
A joia do Porta Espada, de conformidade com o Rito Escocês Antigo e Aceito,
é uma espada comum.
A função desempenhada pelo cargo é bastante profunda, por ser o condutor da
Espada Flamejante ao Altar dos Juramentos, para que o Venerável Mestre proceda
à consagração do recipendário.
O lugar que ocupa o Porta Espada, fica junto à entrada do Oriente, do lado
direito do Venerável Mestre, à frente do Guarda da Lei.

Funções do Porta Espada – Poucas atribuições são resguardadas ao Porta


Espada, como:

1. Acompanhar o Venerável Mestre ao Altar dos Juramentos, no momento


das consagrações, apanhando a almofada ou estojo onde repousa a Espada
Flamejante, quando ele se movimentar para sair do Trono.
2. Segurar a almofada com ambas as mãos, com o punho da Espada voltado
para o lado esquerdo, sem tocá-la.
3. Colocar-se a direita do Venerável Mestre de molde a facilitar o alcance
para este apanhar a Espada e colocá-la de volta na almofada ou estojo.
4. Retornar ao Oriente, no momento em que o Venerável Mestre determi-
136

nar: “Sentai-vos meus irmão”, contornando o altar por trás dos que ali
se encontram.

16 – Porta Estandarte
O Porta Estandarte é o responsável de identificação de uma Loja, mantendo-o
limpo e bem cuidado, no pedestal que o sustenta de pé.
O lugar primitivo do estandarte era ao lado do cargo, na grade do Oriente, entre-
tanto para não prejudicar a visão foi mudado para trás, à esquerda do Venerável
Mestre.
Ao contrário das demais bandeiras como Pavilhão Nacional e outras, que devem
ficar fora do Templo, só adentrando e saindo nas solenidades, o Estandarte perma-
necerá, por ser parte integrante dos utensílios, desde a sagração de um Templo até
a recepção de neófitos.
Não obstante as poucas funções do Porta Estandarte, seu papel litúrgico impor-
tante é na noite de Iniciação, quando é apresentado ao Recipientário como o
símbolo característico, em geral criado na fundação da Loja, significando o con-
junto de ideias e de idealismo, como o retrato filosófico da sociedade a que irá se
ligar e, por isso, tem que estar presente nos atos mais sublimes, como uma forma
de apresentação da consciência coletiva dos irmãos.
A joia do Porta Estandarte é uma miniatura de estandarte, que deverá permane-
cer preso ao seu colar. O Porta Estandarte terá lugar junto a grade a direita de
entrada do Oriente.

Funções do Porta Estandarte – Este cargo, embora com significado profundo,


possui poucas funções sobre as quais nos referimos a seguir:

1. Ter sob sua responsabilidade e cuidados o Estandarte da Loja.


2. Acompanhar o Venerável Mestre ao Altar dos Juramentos, no momento
das consagrações, portando o Estandarte.
3. Colocar-se à direita do Recipientário, com o Estandarte voltado para o
Oriente, no momento da sagração.
4. Retornar ao Oriente, quando o Venerável Mestre determinar: “sentai-vos
meus irmãos”, contornando o Altar dos Juramentos, por trás do irmãos
que ali se encontram.
5. Participar do cortejo de Sagração de Templo com o Estandarte da Loja
empunho.

Mestre de Harmonia – As civilizações antigas sempre usaram a música como


energizante e harmonizadora, na terapia dos estudiosos. Acreditava-se que em seu
emprego bom e benéfico, a música desempenhava um papel de mediação entre o
céu e a terra, como um canal de comunicação entre o homem e Deus, e uma chave
para liberação das energias do Supremo neste plano.
A música é uma das artes obrigatórias em que o Companheiro deve se instruir.
Mozart foi um dos mais inspirados compositores que dedicou lindas peças à
Maçonaria como: A viagem do Companheiro; Para Fechar a Loja; A Alegria do
Franc-maçom; Pequeno Cantata Andante Majestosa; Música Fúnebre Maçônica;
a Flauta Encantada; e outras.
Não obstante a música fazer parte integrante da harmonia de uma Loja, o cargo
não contava, oficialmente na nominata das administrações, conforme rituais do
século dezenove, já que o cargo só era exercido quando no quadro de obreiros da
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Loja havia um organista; hoje coloca-se na Coluna do Sul, de forma visível para
o Venerável Mestre.
A joia do cargo de Mestre de Harmonia é uma Lira, instrumento de cordas dos
mais antigos de que se tem noticia, hoje em desuso, mas continuando como sím-
bolo da Música Universal.

Funções do Mestre de Harmonia – É da obrigação do Mestre de Harmonia


manter sob sua guarda discos ou fitas contendo musicas especiais, a fim de encher
o ambiente com sons harmonizadores.
Antes do inicio dos trabalhos, deve o Mestre de harmonia preparar o material
de som, de conformidade com o tipo de sessão.
Os irmãos devem entrar no Templo ao som de música selecionada, que deve
perdurar após todos ocuparem seu lugares, em silencio, a fim de ser criado o
ambiente harmônico necessário.
O Mestre de Harmonia deve trabalhar em consonância com o Venerável Mestre
baixando, extinguindo ou levantando o som, conforme a necessidade do transcur-
so da sessão.

17 – Mestre de Banquete
Os banquetes são tão antigos como os mistérios, pois todos os povos da antigui-
dade os praticavam. Os egípcios, os gregos, os romanos, os judeus, todos realiza-
vam os seus banquetes sagrados, após as cerimônias religiosas. A Maçonaria
herdou, como outros hábitos, esse costume, realizando ágapes depois dos grandes
acontecimentos.
Esta cerimônia não é mais exercitada como devia, a não ser nas iniciações,
raramente, e sem obediência às formalidades ritualísticas. Quando realizados
almoço ou jantares com formalidades ritualísticas são denominados Jantar de
Mesa ou Ritualísticos e constam com ritual especifico.
O cargo de Mestre de Banquetes não aparecia nos rituais, antes de 1900, sendo,
portanto, um cargo novo, como outros meramente administrativos, nada tendo haver
com o que se passa no Templo. Justifica-se, pois no passado os ágapes eram reali-
zados em lugares profanos, em ambiente fechado é claro, mas preparados por par-
ticulares, o que se pode provar por rituais do século XIX, onde não aparece o cargo.
Já consagrado como muitos outros, pelo uso de mais de cem anos, podemos
dizer que se trata de uso e costumes que fixou o lugar do Mestre de Banquetes na
Coluna do Sul, ao lado do Hospitaleiro.
Modernamente, a joia do Mestre de Banquetes é o Cornucópia, símbolo da
fartura e da abundancia. Esse corno Mitológico é apresentado cheio de frutas e
flores e cabe perfeitamente ao cargo.
Os rituais mais antigos do Rito Escocês Antigo e Aceito mencionam ser a joia
do Mestre de Banquetes dois bastões cruzados.

Funções do Mestre de Banquetes – O Mestre de Banquetes é o responsável


pelo preparo dos ágapes oficiais, não só da comida, como da arrumação do
ambiente, formação da mesa, distribuição dos utensílios, conforme denominação
própria. Sua responsabilidade cinge-se, exclusivamente aos encontros realizados
como complemento as cerimônias litúrgicas como a iniciação, a instalação e posse
e também os banquetes hoje abandonados, em comemoração aos solstícios de
verão a 27 de Dezembro e de inverno a 24 de junho todos ritualísticos.
As demais festividades que a Loja realizar e que podem ser acompanhadas de
138

profanos, como os familiares e outros não são da obrigação do Mestre de


Banquetes e sim do órgão denominado pelo Regulamento Geral, de departamento
Social e Divulgação, por tanto sem as formalidades obrigatórias como aqueles.
O Mestre de Banquetes terá as seguintes atribuições, contando sempre com o
auxilio dos Aprendizes, os quais orientaram sobre esse particular:

1. Organizar os ágapes fraternais que a loja oferecera após as iniciações.


2. Preparar os ágapes solsticiais: o de verão que corresponde a instalação e
posse do Venerável Mestre e sua administração; e o de inverno, o mais
formalístico, para cumprimento completo do ritual de Loja de Mesa.
3. Montar a Mesa de Loja de Banquetes, com todos os utensílios necessários
aos comensais, inclusive com o Ritual e o Malhete do venerável Mestre.
4. Colaborar excepcionalmente com irmãos elevados e exaltados que quei-
ram oferecer jantar ou coquetel após a cerimônia.

Escultura Sobre a Porta do Templo – Obra de João Dias


139

Capítulo X

Perguntas e Respostas

As perguntas e respostas tem por finalidade facilitar o estudo dos Aprendizes,


formulado através do estudo sobre a Simbólica do Grau de Aprendiz, apresentado
nos capítulos anteriores.

Como se define Maçonaria?


“Não é fácil definir Maçonaria. Ela não é uma religião nem uma associa-
ção dogmática, muito menos uma teoria política ou um partido. Também não
é uma corrente filosófica ou sistema individualista. Mas não exclui a reli-
gião, a política ou a filosofia. Seu conceito fica como a de uma sociedade
secreta, educativa e filantrópica, destinada a reunir homens de boa vontade
que se proponham a debater e equacionar os grandes problemas da humani-
dade, do seu tempo, de sua Pátria e de sua comunidade, lutando pela reali-
zação das soluções. Cultua valores básicos e imutáveis, como a existência de
um princípio criador, a filosofia liberal, o patriotismo, a liberdade de pensa-
mento e a intangibilidade da família. É universal, mas não antipatriótica ou
desnacionalizante; é tradicionalista, mas não se opõe a evolução; tem uma
unidade doutrinaria, mas admite a diversificação, de acordo com a caracte-
rística e história de cada povo; é uma trincheira de liberdade, mas respeita a
autoridade e a lei.
Maçonaria é uma instituição filantrópica, filosófica e progressista tendo por
objeto a indagação da verdade, o estudo da moral e a pratica da solidariedade,
trabalhando pelo melhoramento moral e material e pelo aperfeiçoamento inte-
lectual e social da humanidade. Sua divisa é liberdade, igualdade e fraternida-
de. Seus princípios são: Tolerância, Respeito mutuo e liberdade absoluta de
consciência.
É uma ordem de comunhão universal de homens livres e de bons costumes, de
qualquer nacionalidade, credo ou raça, todos admitidos por iniciação e congrega-
dos nas Lojas, nas quais, por métodos ou meios racionais, auxiliados por símbolos
ou alegorias, com a constante investigação da verdade e o maximo de estímulo à
ciência e às artes, estudam e trabalham para a construção da sociedade humana.
Fundada no amor ao próximo e na Paz universal e na Evolução, para o máximo
de felicidade e bem estar para todos os homens”.
140

Qual a origem e significado da palavra Maçonaria?


Em português estão consagradas as palavras Mação ou Maçom, cujo significa-
do é: pedreiro. O galicismo se impôs, por imitação do Frances, maçom; em inglês
mason; na Itália é muratori; em alemão é maurer. Porem a origem da palavra é
latino, por alusão aos massoneri: pedreiros ou oficiais do maço e do cinzel (esco-
pro). É comum ouvirem-se ás expressões: franco-maçom, libero muratori, free
mason, frai Maurer. Pela tradição, eram livres, na idade média, os profissionais
altamente categorizados nas construções; homens estes, que construíram as cate-
drais, palácios, túmulos e obras majestosas que interessavam a alta nobreza, razão
porque ouviremos também, falar de Arte Real.

Historicamente, como está dividida a Maçonaria?


Ate 1717: Maçonaria Operativa, constituída exclusivamente de pedreiros, lato-
eiros, metalúrgicos, em fim, profissionais que construíam catedrais, palácios etc.
construções estas, altamente diferenciadas. Esses Profissionais passavam de pais
para filhos, os segredos das construções. Era uma verdadeira associação de pro-
fissionais altamente categorizados que foram perdendo o poder, com o passar dos
tempos e o “segredo profissional” foi, aos poucos, perdendo a razão de ser, Já no
século XVII, a maçonaria começou, então, a admitir intelectuais, nobres, reis,
antiquários, eclesiásticos, os quais, pouco a pouco, passaram a dominar a Ordem.
A Partir de 1717: Maçonaria especulativa, que passou a ser oficialmente consi-
derada como tal, no dia 24 de Junho de 1717 quando houve, na Inglaterra, a fusão
de quatro grandes Lojas: a Macieira, o Pato, a Coroa e as Uvas, formando a
Grande Loja de Londres.

Qual a razão de o nosso rito chamar-se Rito Escocês Antigo e Aceito?


Aceito – Refere-se, conforme vimos acima, à Maçonaria de Aceitação, fim da
Maçonaria profissional e nascimento da Maçonaria especulativa. A Maçonaria
começou a aceitar outros homens, que não aqueles antigos profissionais. Eram os
aceitos por tanto.

Antigo – Porque da memorável noite de S. João de 1717, não participaram os


Maçons das Lojas da Escócia (e, ao que parece também da Irlanda). Somente muito
depois, passadas muitas polemicas, desentendimentos e acordos, é que eles se jun-
taram aos “modernos”. Com a fusão desses dois grupos, surgiu em 1813, a Grande
Loja Unida de Inglaterra, o mais tradicional corpo Maçônico do mundo atual. Esses
Maçons que, nessa ocasião, juntaram-se aos modernos, foram chamados antigos.

É comum, a expressão: Antigos, Livres e Aceitos. De onde procede a palavra


“livre”, intercalada?
A palavra “livre”, intercalada a antigos e aceitos, lembra a Maçonaria Operativa
e quer significar a condição daqueles antigos profissionais que, por serem verda-
deiros artistas altamente categorizados, tinham passagem livre em qualquer reino.
Eram por isso denominados Pedreiros–livres. Lembrar que por esses tempos, os
profissionais comuns, menos diferenciados, eram escravos.

O que se pode dizer das correntes do pensamento maçônico?


Trataremos, por ora, de duas delas: a dos maçons místicos e á dos maçons
autênticos. A corrente mística busca nas lendas do passado, a inspiração simbólica
e filosófica. A autentica prefere apoiar-se na história da Humanidade e da própria
141

instituição maçônica, a luz de registros autênticos. Cada uma a seu modo, ambas
as correntes tem trazido, sempre, importantes contribuições, e marcado sua influ-
ência na evolução do pensamento maçônico.

Como é que os irmãos místicos situam, cronologicamente, a Maçonaria?


Acham que somos sucessores diretos dos Antigos Magos Do Egito, os quais
sobreviveram durante 14 dinastias, Já no período Mosáico, éramos os Guardas do
Tabernáculo que permaneceram durante toda a existência da civilização hebraica
(período em que foi construído o Templo de Salomão). Pouco a pouco partimos para
um evento maior de todos os grandes iniciados, Surgindo como os Essênios.
Posteriormente, fomos os grandes defensores do Cristianismo, como Templários,
(Organização que, por ordem de Felipe o belo e do Papa Clemente V, foi destruída,
tendo sido, o seu último Grão-Mestre – Jacques de Molay – queimado vivo). A
seguir, a Ordem teria ficado por dois ou três séculos no obscurantismo, para então
ressurgir como Rosa-cruz e reiniciar o trabalho maçônico. Segundo nossos irmãos
místicos, Jesus Cristo. São João Batista e São João Evangelista, teriam sido Maçons.

O que acham os irmãos autênticos?


Acham que a Maçonaria atual assimilou e imitou, tirando dessas Ordens todas,
o que havia de melhor em exemplos, Símbolos, lendas, conceitos etc. não signifi-
cando isso, que sejamos sucessores diretos. O que há, é identidade de conduta
entre os maçons atuais e muitos dos homens que compunham aquelas Ordens.
Historicamente, derivamos da Maçonaria Operativa.

O que é um Templo Maçônico?


E o local onde se reúnem os maçons. O Templo Maçônico é baseado no Templo
de Salomão. Entre tanto, apesar de ser uma construção material, o templo tem,
para-nos um significado espiritual.

Qual é a forma de um Templo Maçônico?


A de um plano retangular em forma de quadrilongo. De qualquer ponto da terra,
livre dentro do próprio planeta e como que suspenso no espaço da esfera celeste,
pois conforme diz o Ritual o seu comprimento é: do Oriente ao Ocidente; a sua
altura: da terra ao Céu; a sua largura: do Sul ao Norte; a sua profundidade: da
Superfície ao centro da terra. Todo isso para nos dizer que a Maçonaria é
Universal, Um verdadeiro Templo.

O que é um quadrilongo?
Uma forma geométrica, em que as proporções são definidas diferentemente por
vários pesquisadores. Para uns, o quadrilongo seria composto por três quadrados
perfeitos; para outros seria um duplo quadrado; outros ainda, o definem como um
retângulo cuja proporção entre os lados seja de 1 x 1,618.

O Templo tem janelas?


O Templo não deve ter janelas ou outras aberturas, a não ser que por elas nada
se veja desde o exterior.

O que mais existe nas paredes do Templo?


Ao longo da friza das paredes laterais e passando, sem interrupção, pela parede
de fundo do Oriente, há um cordão que forma, de distancia em distancia, nós
142

emblemáticos em número de 81. Esse cordão termina de cada um dos lados da


porta de entrada, por duas borlas pendentes. Deve haver mais duas borlas (artifi-
ciais), no Oriente partindo dessa mesma corda.
Na parede do fundo, no Oriente, há o Painel do Oriente (Ver ritual do 1º grau).

O que existe no teto do Templo?


É costume, os maçons decorarem o teto do Templo com a pintura ou represen-
tação do céu. Chama-se, por isso, o teto do Templo de “abóbada celeste”. Entre
tanto hoje em dia está sendo abandonada essa tradição e o teto do Templo esta
sendo pintado apenas em azul liso. Isto porque a pintura, no teto do Templo, de
todo o planisfério celeste, resultaria difícil e, dispendiosa e alem disso. Se formos
pintar nesse teto, o modelo tradicional oriundo da Maçonaria europeia teríamos as
estrelas e constelações tal como se apresentam na Europa, de onde procede a
instituição, e não como se apresentam a nós, neste lado do mundo.

Nossos Templos atuais são rigorosamente construídos segundo o Templo de


Salomão?
Não. Nossos Templos atuais são adaptados, Desta forma nem sempre obedece-
mos às dimensões e características daquele Templo. E, também, nem sempre
obedecemos as alegorias e símbolos que foram criados posteriormente, e que se
tornaram parte da tradição maçônica. Hoje os Templos Maçônicos são mais sim-
ples. Contudo há que se entender que, quanto mais completo o Templo, tanto
maiores os ensinamentos simbólicos.

O que vem a ser, então, o Templo Maçônico ideal?


O templo Maçônico é fisicamente, a realização material dos painéis da Loja
(simbólico e alegórico). Todavia, se os Maçons tomarem por modelo de seus
Templos, o Templo de Salomão, não quer dizer que pretendam reconstruir mate-
rialmente aquele monumento. Em Maçonaria, esse Templo é ele próprio, um
símbolo da maior amplidão: Simboliza o Templo ideal, sempre inacabado, em
que cada maçom é uma pedra, sem machado nem martelo, no silencio da medi-
tação. É o Templo Espiritual. Para o Maçom o Templo de Salomão não deve ser
considerado nem na sua realidade histórica, nem na sua acepção religiosa judai-
ca, mas sim, na sua significação esotérica, bastante profunda. Da mesma forma
que os cristãos propuseram-se a realizar sobre a Terra, o Reino de Deus – espé-
cie de paraíso reconquistado – Graças a generalização das virtudes cristas, os
maçons pretendem o mesmo ideal quando se propõem a terminar a construção
do Templo da Fraternidade Universal. Mas o seu método não é o das religiões.
Ao invés de fazer um apelo, indistintamente a todos os indivíduos, para alista-
los debaixo da Bandeira de uma Fé, senão totalmente sega, pelo menos aceita
sem controle afetivo, a Maçonaria se dirige apenas aos espíritos emancipados,
capazes a se determinarem a si próprios, de acordo com aquilo que reconhecem
como razoável e justo. A construção desse Templo interno e indispensável, e
deve anteceder à do Templo externo da fraternidade humana. Todas as tentativas
de paz entre os homens, por falta de um Templo ideal, interno e, ao mesmo
tempo, coletivo.

Como devem os irmãos, circularem no Templo?


Os irmãos devem circular, no interior do Templo, no sentido do movimento dos
ponteiros do relógio, ou seja, do sinistrocéntrico para o dextrocêntrico. Ao entrar no
143

Templo a entrada é sempre pelo Ocidente, Um irmão deve passar pela coluna do
Norte, depois pela grade (balaustrada) do Oriente e, finalmente. Pela coluna do sul.

Loja é Templo?
Não. Mas, já é comum o uso dessas duas palavras como sinônimas.

O que é Loja então?


A rigor, Loja é uma reunião regular de Maçons. A Loja inicia-se quando são
abertos os trabalhos, e termina quando estes são dados por encerrados.

O que é necessário para que uma Loja seja regular?


É necessário que seja uma reunião de, no mínimo 7 (sete) Mestres Maçons. Esta
é uma exigência para que uma Loja seja regular, justa e perfeita.

Se o numero de Mestres Maçons for inferior a 7 (sete), ainda assim poderão


eles reunirem-se?
Sim, mas, nesse caso, não formarão ou (fundarão) uma Loja, mas sim um
Triângulo, o qual é constituído por Mestres em Numero de 3 (três) a 6 (seis). Um
triângulo poderá posteriormente transformar-se em Loja desde que preenchidas ás
exigências correspondentes.

A mais alguma exigência, para a fundação de um triângulo?


Há. Um Triângulo só poderá ser fundado se não existir, no Oriente onde se
pretenda a sua instalação, nenhuma Loja que trabalhe no Rito em que esse
Triângulo vai trabalhar.

O que é Oficina?
O mesmo que Loja.

Qual a origem da palavra “Loja”?


Vêm do germânico antigo – Laubja – e dos vocábulos dialetais “leubja” (pro-
nuncia-se “loibja”) e loubja, cuja corruptela deu “loje” (em Frances), “lodge” (em
inglês) e “loggia” (em italiano). A palavra tinha o sentido de abrigo, lar, cabana.
Esta palavra Loja, nada tem a ver com o “Colégio” dos obreiros romanos, nem
com o termo...”logía” (estudo, Tratado) dos gregos.

Através de quais documentos hábeis, devem se nortear as Lojas?


Dos Landmarks, que são Universais, e: do estatuto geral do Rito, da constitui-
ção Maçônica, do Regulamento Geral da Ordem e do Regulamento Particular da
Loja.

Que quer dizer “a coberto”?


Os Maçons podem se reunir (formar Loja) em qualquer lugar (mesmo que não
seja em um Templo Maçônico), até num deserto, contanto que estejam ocultos ou
retirados da vista e dos ouvidos profanos, nessas condições, dizemos que a Loja
está “coberto”, E porque, nos dias que correm, a Loja é geralmente instalada den-
tro de um Templo próprio, a expressão “á coberto” ou simplesmente “coberto”, é
empregada também em relação ao Templo (V. no Ritual, a abertura ritualística em
Sessão econômica).
144

E o que significa a expressão “cobrir o Templo”?


Significa sair do Templo. Quando, em Loja, um irmão necessita (motivado por
uma emergência qualquer), sair em meio a sessão solicita ao Vigilante de sua
coluna (e este solicitará ao Venerável) a autorização para aquele irmão “cobrir o
Templo”.

Onde eram realizadas antigamente, as reuniões de maçons?


Nos primeiros, na Maçonaria Operativa, os maçons formavam suas Lojas em
cabanas. Com o advento da maçonaria Especulativa, os Maçons passaram a for-
mar suas Lojas, a principio em hospedarias por ser o banquete, parte essencial de
tais reuniões, cujo cerimonial era o mais simples possível. Em Maio de 1776, foi
inaugurado, na Inglaterra o Feemason’s Hall, de Londres. Em 1778, o Grande
Oriente da França proibiu por decreto que suas Lojas se realizassem em tavernas
hospedarias, Estava inaugurado o período dos Templos Maçônicos.

O que é Loja– mãe?


É a Loja na qual o maçom foi iniciado.

Pode um Maçom ser filiado a mais de uma Loja?


Pode. Desde que se trate de Lojas pertencentes a uma mesma potência
Maçônica. Um Maçom não pode ser filiado a uma Loja de um Grande Oriente e,
ao mesmo tempo, a uma Loja pertencente às Grandes Lojas. Nas Grandes Lojas
o Obreiro de uma Loja pode pertencer à outra Loja de rito diferente na qualidade
de Dupla-Filiação, mas com suas obrigações estabelecidas pelo Regulamento
Geral.

Quais são as Luzes de uma Loja?


O venerável, o 1º Vigilante e o 2º Vigilante.

Quais são as cinco Dignidades de uma Loja?


O Venerável, o 1º Vigilante, o 2º Vigilante, o Orador e o Secretário.

E os demais membros da administração, como são chamados?


Oficiais.

Como podem ser as sessões de uma Loja?


Magnas, Econômicas e Especiais.

Como podem ser as sessões Magnas?


De: 1) Iniciação; 2) Filiação; 3) Regulamentação; 4) Exaltação; 5) Posse; 6)
Sagração do Templo; 7) Adoção do Lowton. 8) Confirmação de casamento; 9)
Pompa fúnebre; 10) Festivas; (e as de conferencia); 11) as de caráter Cívico-
Cultural.

Como podem ser as sessões Econômicas?


As de instrução, de Eleições, e de Finanças.

Como pedem ser as sessões Especiais?


As de conselho de família, as de Julgamento e as demais assim designadas pelo
Regulamento geral da Ordem.
145

Quais são as sessões que só podem ser realizadas em Loja de Mestre?


As sessões de: Eleições, Finanças, Conselho de Família, Julgamento e Fúnebre.

O que é um Grande Oriente?


É uma Federação de lojas que trabalham com vários Ritos.

O que é uma Grande Loja?


A uma dezena de anos atrás, antes de 1998, todas as Grandes Lojas, trabalha-
vam unicamente no Rito Escocês Antigo e Aceito e com poucas Lojas do Rito de
York, porém, a Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, tornou-se uma
Federação de Lojas com vários ritos, a semelhança dos Grandes Orientes.

Quantas Lojas são necessárias para constituir um grande Oriente ou uma


Grande Loja?
Três Lojas.

Do ponto de vista político-administrativo, como se comporta uma potência


Maçônica, dentro de um pais?
A Maçonaria não deixa de ser um Estado dentro de outro, ou um pais dentro de
outro. Tem forma própria de Governo, que geralmente acompanha a forma de
Governo do País. Isto nos países de Governo democrático. Assim é que temos, na
Maçonaria, os poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.
Legislativo: É exercido em um Grande Oriente pela Assembleia Geral
Legislativa que tem o tratamento de poderosa. Constituem-na, os Deputados elei-
tos pelas Lojas jurisdicionadas, um para as Assembleias estaduais e outro para a
Assembleia federal. Em uma Grande Loja o Legislativo é exercido pela
Assembleia Geral Legislativa, constituída pelas Luzes de cada Loja da jurisdição,
isto é, pelos Veneráveis da Lojas.
Executivo: É exercido pelo Grão-Mestre Geral da Ordem, que tem o tratamento
de Eminente em nível da federação (Poder Central) e em nível estadual pelo seu
Grão-Mestre. Em uma Grande Loja pelo seu Grão-Mestre (todas Grandes Lojas
estaduais são autônomas). Tanto nos Grandes Oriente como nas Grandes Lojas os
Grão-Mestres são auxiliados por seus Grão-Mestrados, cujos membros são eleitos
segundo determina suas Constituições e Regulamentos Geral.
Judiciário Exercido pelos seguintes Órgãos: Tribunal de Justiça Maçônica, Tribunal
Eleitoral Maçônico, Tribunal do Júri das Lojas e Conselhos de Família nos Grandes
Orientes. Nas Grandes Lojas, acontece mais ou menos igual, porém, em ambos os
nomes e funções dos órgãos judiciácias são determinados pelas constituições.

Quais são os Graus que estão subordinados a uma Grande Loja ou Grande
Oriente?
Os três primeiros graus simbólicos. Houve tempo que os Grande Orientes admi-
nistrava também parte dos Altos Corpos (Lojas Capitulares), constituíam, portan-
to uma Potência Mista, em 1927 esta condição fez aparecer as Grandes Lojas por
dissidência; em 1963 os Grande Orientes passaram administras apenas as Lojas
Simbólicas, igualando-se às Grandes Lojas.

E os demais 30 graus?
Estão subordinados ao Supremo Conselho das Grandes Lojas, ou ao Supremo
Conselho dos Grandes Orientes federados, ambos conservando as mesmas origens e
146

história anterior a 1927. As Lojas jurisdicionadas aos Grande Orientes estaduais inde-
pendentes estão subordinadas ao Supremo Conselho do Grau 4 ao 33 fundado na
ocasião de seus aparecimentos. Entre as potências simbólicas e seus Supremos conse-
lhos existem tratados de amizade. O direito de um, termina onde começa o do outro.

Quais são as Lojas, de acordo com as Lojas que respectivamente, as consti-


tuem?
1. Lojas Simbólicas ou de São João: do 1º ao 3º graus, isto é, Aprendizes,
Companheiros e Mestres;
2. Lojas de Perfeição: do 4º ao 14º graus;
3. Capítulos: de 15º a 18º graus;
4. Conselhos de Kadosh do 19º a 30º graus;
5. Tribunais: 31º grau;
6. Consistórios: 32º grau;
7. Supremo conselho: 33º grau.

Quais são as cores dessas Lojas?


Azul: Lojas Simbólicas;
Vermelha: Lojas de Perfeição e Capítulos;
Preta: Conselho de Kadosh;
Branca: Tribunais, Consistorios e Supremos conselhos.

O que é coluna?
Em Maçonaria, a palavra “coluna” pode ter três significados:
1. Colunas B e J são as duas colunas que existem á entrada do Templo;
2. Colunas Jônica, Dórica e Coríntia. As três colunas gregas de grande sig-
nificado simbólico (colunetas). Deveriam ser mais propriamente chama-
das de “Pilares”, mas, porque não deixam de serem colunas, assim podem
ser denominadas;
3. Colunas de Norte e de Sul (ou do meio dia). Referem-se às alas (e por
tanto colunas) onde tomam lugar os irmãos. Estão diretamente direciona-
das as colunas J e B, como também aos irmãos 1º e 2º Vigilantes respec-
tivamente.

Qual é a fonte primeira do conhecimento à respeito das colunas B e J?


A Bíblia, onde se encontram descrições do Templo de Salomão (representado
nos Templos Maçônicos atuais) e, consequentemente, das colunas de bronze que
existiam, na frente e do lado de fora daquele Templo, uma de cada lado da entrada.

Qual é significado dessas colunas, no Templo de Salomão?


Pode-se levanta de imediato, duas hipóteses: 1) que tivessem o caráter de monu-
mentos, como são, por exemplo, os atuais obeliscos; 2) que fossem sagradas e, se
destinassem a cerimônias especiais.

Se as colunas B e J eram externas no Templo de Salomão, por que então


situadas internamente nos nossos Templos?
Por força das adaptações por que tiveram que passar os Templos atuais.
Lembremo-nos de que os Templos Maçônicos tem como modelo, e procuram
representar o Templo de Salomão.
147

E sobre a disposição das colunas B e J. É a mesma em todos os Templos


Maçônicos?
Não. Para o R. E. A. A. quem vê o Templo, de Ocidente para Oriente, tem a
coluna B a sua direita e a coluna J a sua esquerda. Para o Rito Moderno, colocado
na mesma posição, tem a coluna B á sua esquerda e a coluna J a sua direita.

São sagrados os nomes das colunas B e J?


Não Sagrada é a mneira de pronunciá-los.

O que significa à palavra que dá nome a coluna B?


São vários os significados e interpretações a respeito. Para simplificar, o Aprendiz
deve saber que a palavra que dá nome a coluna B, quer dizer força e alegria.

Estando a Loja constituída pode um irmão passar por trás das colunas B e J?
Simbolicamente não, porque seria como se o irmão saísse do Templo. A rigor,
o ocidente esta demarcado pelas colunas B e J, as quais separam simbolicamente,
o templo do mundo profano.

O que quer dizer a expressão “entre colunas”?


Rigorosamente, a expressão “entre colunas” quer dizer “em segredo”, entre
irmãos, porem, de um modo peculiar e acertado, quer dizer “entre os dois
Vigilantes”, ou “num ponto situado no eixo longitudinal do quadrilongo do
Templo”.
A tradição Maçônica é tão rigorosa, no que tange a liberdade de expressão, que,
quando um Irmão estiver de pé e a Ordem e entre colunas, para externar sua opi-
nião ou defender-se, a sua palavra não poderá ser cassada. Todavia, se abusar
dessa condição respondera pelos excessos oportunamente, mas não no ato.

O que significam as expressões “erguer colunas” e “abater colunas”?


Quando se usa para uma Loja, as expressões “colunas erguidas” ou “duas colu-
nas sustentam o triângulo”, deve-se entender que essa Loja esta ativa. A expressão
“abater colunas” refere-se a dissolução ou extinção de uma Loja (tal fato é consi-
derado da mais seria gravidade). Se uma Loja “adormece”, isto é, torna-se tempo-
rariamente inativa, devem-se usar as expressões “pousar colunas” ou “deitar
colunas”.

O que deve existir sobre os capitéis das colunas B e J, nas Lojas de aprendiz?
Três romãs entreabertas. As romãs representam as Lojas pela afinidade de seus
grãos e a união de toda a família maçônica, como o exemplo de fraternidade que
deve servir para toda a humanidade.

Como se pode explicar a origem e conceituação dos pilares?


Como se sabe pilar ou “coluna” é um elemento de construção que sustenta abó-
boda ou entablamento (laje), ou que serve de adorno. Podendo, também cumprir
ambas as funções. A ideia primitiva foi o emprego de colunas como suporte de
telhados, uma ideia que derivou da árvore. Assim eram a principio, bastante sim-
ples e, como tal, podem ser encontradas na história de todos os povos. Com o
tempo, foram passando a ser construídas de modo a também servirem de adorno.
Assim é que, no Egito, eram simples monólitos, ao passo que no Império Romano,
chegou ao máximo em luxo. Era também generalizado, na antiguidade, o costume
148

de se erigirem colunas como marco de grandes acontecimentos ou como reconhe-


cimento aos Deuses.
Desconhecendo a lei da gravidade e não podendo imaginar como a terra era
“sustentada”, os antigos – que a imaginavam plana – pensavam que fosse susten-
tada por colunas (ou por elefantes enormes).

Que elementos compõem uma coluna?


Três: Base (pedestal), Corpo (fuste) e capitel.

Descreva as colunas Jônica, Dórica e Coríntia.


Jônica é esbelta e elegante sua altura é igual a nove vezes o seu diâmetro de
base. Tem o fuste assentado sobre um pedestal e apresentando 24 estrias (também
chamadas caneluras, cracas ou meia-cana) separas por um filete e não por uma
aresta viva, como na Dórica. Seu capitel é caracterizado por uma dupla espiral ou
voluta.
Dórica: É a Ordem por excelência; a que os gregos empregavam na maior parte
dos seus monumentos e da qual se originaram as outras duas ordens. O pilar
Dórico é o mais simples dos três. Tem forma troncônica, baixa e grossa. Sua altu-
ra mede de seis a oito vezes o seu diâmetro de base. Sua principal característica é
não ter pedestal sendo, por tanto, o seu fuste, diretamente inserido no solo. O
contorno é vazado por 20 caneluras, formando arestas vivas. O capitel, pouco
elevado, é composto de uma grande moldura em forma de taça. O pilar Dórico é
vivo, robusto e viril, tendo nas proporções a ideia da força do corpo de um
homem.
Coríntia: Tem as formas mais graciosas do que a coluna Jônica, e as proporções
delicadas, lembrado a mulher. Sua altura é igual a 10 vezes o seu diâmetro de
base. O fuste pode ser liso ou estriado; quando feitas de granito ou pórfiro, são,
em geral, lisas e, quando em mármore, são caneladas, caso em que apresentam de
20 a 32 caneluras (esse número deve sempre ser divisível por 4).

Explique a origem do simbolismo dos três pilares em Maçonaria.


Trazidos para a Maçonaria, os três pilares gregos passaram a constituir mais um
símbolo maçônico. Entretanto, o simbolismo que se lhes atribuiu a principio,
desenvolveu-se cada vez mais, ocupando, atualmente, lugar importante. Esse
simbolismo não era encontrado entre os gnósticos e não era familiar aos Rosa-
cruzes. Também parece que não existia na maçonaria operativa, embora Mackey
acredite ser provável que se tenha originado dela. No século XVIII, em certas
Lojas inglesas, existiam apenas as duas colunas B e J. Em outras Lojas antigas,
havia também as outras três colunas; em outras, três candelabros e esses candela-
bros eram colocados ao lado dos altares do Venerável e dos Vigilantes, represen-
tando Sabedoria, Força e Beleza. Conforme se depreende dos antigos rituais
Maçônicos, os três candelabros foram associados às três ordens arquitetônicas:
Jônica, Dórica e Coríntia, que constavam nesses Rituais, como os sustentáculos
das Lojas Maçônicas. Mas alem de se constituírem, respectivamente, nos emble-
mas do Venerável, do 1º e do 2º Vigilante, e simbolizarem os respectivos atributos
– Sabedoria – Força e Beleza, essas três ordens arquitetônicas representam, tam-
bém, o Rei Salomão (que mandou construir o Templo), Hiram, Rei de Tiro (que
forneceu homens e materiais) é Hiram Abif (que construiu, adornou e embelezou
o Templo) O simbolismo se enriquece com todos os elementos que possam ter
relação natural com o símbolo ou dos quais possa depreender-se uma significação
149

moral. Como o simbolismo decorre de interpretações, e por que as interpretações


são as mais variadas, há quem atribua as ordens arquitetônicas, significados vários
ou diferentes.
Entretanto, a regra geral é: Jônica, representa a Sabedoria, atribuída ao venerá-
vel. Dórica representa a força, atribuída ao 1º Vigilante. Coríntia representa
Beleza, atribuída ao 2º Vigilante. Existem Lojas que, para representar esses três
atributos, têm, sobre o altar do Venerável, do 1º Vigilante e do 2º Vigilante, res-
pectivamente, estatuetas dos Deuses da mitologia grega: Minerva, Hercules e
Venus ou (Adonis).
Como se vê, o simbolismo não tem nem pode ter regras fixas e inalteráveis. No
século XVII, era comum a existência do respectivo pilar, diante, ao lado ou atrás
das cadeiras do Venerável, do 1º e do 2º Vigilante, e ainda há Lojas que perpetuam
essa tradição. Na Maçonaria anglo-saxônica, esses pilares figuram em miniatura
sobre os altares do Venerável e dos Vigilantes. Na abertura dos trabalhos, o 1º
Vigilante levanta a sua miniatura, enquanto o 2º Vigilante abaixa a sua; o inverso
acontece, no encerramento da Loja. Segundo afirma Jules Boucher, a colocação
das miniaturas, daquela maneira, na abertura da Loja, indica a supremacia de um
principio sobre o outro, durante os trabalhos, e revela como expressam nossos
rituais, que os trabalhos tomam força e vigor.
O simbolismo dos três pilares formou-se, portanto, e desenvolveu-se, da seguin-
te maneira:
1. A colocação das três janelas no painel Simbólico da Loja, indicando as
três principais posições do sol durante o dia, no seu decurso pelo firma-
mento, ou seja, nascente, meio dia e ocaso. Essas posições foram ocupa-
das pelas três luzes da Loja;
2. Essas três luzes foram simbolizadas por três candelabros situados ao lado
de cada um dos três primeiros homens da Loja, isto é, Venerável e
Vigilantes;
3. Os candelabros foram posteriormente, associados às três ordens arquitetô-
nicas, vindo delas as denominações de Sabedoria, Força e Beleza;
4. Essas designações foram, em seguida, associadas com o Rei Salomão,
Hiran (Rei de Tiro) e Hiran Abif e, também, partindo de outra ordem de
ideias, com Minerva, Hércules e Vênus (ou Adonis).

E sobre a interpretação esotérica dos três pilares?


A Sabedoria é a mãe das ideias geradoras. É a inteligência que concebe o pro-
jeto do edifício, representando com clareza á obra, conforme deve ser realizada.
Cria, no espírito e determinando as formas materiais destinadas a realização obje-
tiva e, finalmente, traça o plano que será executado.
A Força é a fiel servidora da ideia que a dirige. Terminado o modelo invisível,
a Força executa as concepções elaboradas, domando as energias rebeldes. Mas
para que a construção possa ser terminada satisfatoriamente, é indispensável que
a força obedeça docilmente as instruções da Sabedoria, para que o trabalho resul-
te coordenado, prático e sólido.
A Beleza encarrega-se de tornar agradável, adornar e rematar o trabalho execu-
tado. É ela, a idealidade que embeleza a vida e faz amar, apesar de misérias e
crueldades. Essas interpretações são de Oswald wirth.
Para Plantagenet, a Beleza é a luz que fecunda; a Sabedoria afasta a força da
violência, fazendo crescer na alma humana, o Amor, a Paz e a Fraternidade.
Heming escreveu no seu livro de instruções (adotado em 1813 pela Grande Loja
150

Unida de Inglaterra); Sabedoria para dirigir-nos em todos os empreendimentos,


Força para sustentar-nos em todas as dificuldades, e Beleza para adornar o homem
interior.

Que sabe sobre a existência de um quarto pilar?


Deve existir um quarto pilar, no canto nordeste (Charlier), más, esse pilar é
virtual e não material, como podem ser os outros três. Esse quarto pilar é o da
Inteligência Suprema, por isso não aparece, nem pode ser materialmente represen-
tado.

Discorra sobre o Esquadro e o Compasso.


Conforme define Ragon, o Esquadro é um instrumento que permite a constru-
ção de corpos quadrados. Em certo sentido, o esquadro representa a ação do
homem sobre a matéria; em outro, a ação do homem sobre si mesmo.
Uma vez adquirida a noção de círculo, o homem inventou o compasso que não
somente serve para traçar círculos mas também para tomar e marcar medidas. O
compasso representa a imagem do pensamento nos diversos círculos percorridos
por ele; o afastamento dos dois ramos, assim como suas aproximações, figuram
os diversos modos de raciocínio que, em certos casos deve ser largo e abundante
e, em outros, apertado e preciso, porem sempre claro e persuasivo.
Sendo o Compasso móvel e o Esquadro fixo, o compasso é ativo em relação ao
esquadro.
Graças as suas pontas, o compasso pode ser cravado na matéria, desde que a
abertura seja inferior a 180 graus, pois, uma vez atingida essa abertura, as duas varas
confundem-se em uma linha reta e o instrumento deixa de servir como compasso.
No Simbolismo dos três primeiros graus, o compasso tem a abertura de 45
graus.
Uma vez formada a Loja de Aprendiz, o Esquadro deverá ser colocado sobre o
compasso, simbolizando essa disposição, que nesse grau, a matéria ainda predo-
mina sobre o espírito.

Qual é a joia do Venerável?


A verdadeira Joia do Venerável é um Esquadro, símbolo da retidão e das ações
pautadas na justiça. O esquadro do Venerável tem um ramo mais curto do que o
outro, na razão de 3 para 4, justamente a razão dos catetos do triângulo pitagórico.
O ramo mais longo deverá estar voltado para o lado direito, no peito do Venerável
para salientar a preponderância do ativo (direito) sobre o passivo (esquerdo).

Discorra sobre o Nível e a perpendicular (Prumo).


O nível Maçônico é diferente do nível comum. O nível Maçônico não fornece
apenas a linha horizontal, mas a horizontal precisamente comprovada pela posi-
ção correta da linha vertical. Para que a horizontal seja realmente a horizontal,
precisa formar, com a vertical, um ângulo de 90 graus. O Nível Maçônico é o
símbolo da igualdade.
A perpendicular ou Prumo é o símbolo da independência, da dignidade, altivez
e imparcialidade dos justos, pois a perpendicular não pende, como acontece com
as oblíquas.
Dizemos que os nossos trabalhos começam no meio-dia e, quando é meio-dia o
Sol está no zênite, de modo que o Prumo não projeta sombra. O Maçom trabalha
sem “fazer sombras” em ninguém, sem vaidade. O meio-dia, hora do máximo
151

esplendor do Sol, é também a hora em que a construção pode ser verificada com
maior precisão, por meio do Nível e do Prumo. Diz-se que os antigos construtores
assim procediam e, uma vez que todo corria bem, proclamavam ao chefe que tudo
estava justo e perfeito.

Quais são as Joias do 1º Vigilante e do 2º Vigilante?


O nível Maçônico e o Prumo respectivamente.

Quais são as Joias moveis?


O esquadro, o Nível e o Prumo, pois serão passadas para outros sucessores,
numa próxima gestão.

Quais são as Joias fixas?


São a Pedra Bruta, a Pedra cúbica, e a Prancha de Traçar. Essas Joias deverão
permanecer no Templo enquanto a Loja estiver com as “colunas erguidas”.

Qual a relação dessas três Joias fixas com os graus simbólicos?


A pedra Bruta é a joia fixa do grau do Aprendiz: a Pedra Cúbica, do grau do
Companheiro e a Prancha de Traçar, do Mestre.

Discorra sobre a Pedra Bruta.


A Pedra bruta se apresenta em estado natural e grosseiro tal como foi extraída
da natureza. Ela representa a infância do homem e a da própria humanidade, è de
se reconhecer que a humanidade evoluiu muito, mas, não passam de uma pedra
bruta, com suas guerras, preconceitos, misérias etc. a Pedra Bruta é uma Joia, por
oferecer, latente, a possibilidade de ser aproveitada para edificar, para construir.
Todo individuo tem qualidades socialmente aproveitáveis, mas, para tanto, é
necessário que se lhe desbastem as arestas de sua formação grosseira.
A Pedra Bruta ensina ao Aprendiz, que o homem dotado de inteligência e racio-
cínio, pode aperfeiçoar-se na educação e instrução.
Graças a iniciação Maçônica (novo nascimento), o aprendiz se encontra em
“estado natural”, desembaraçado de tudo o que a sociedade profana lhe impingiu
(artificialidade, preconceitos etc.). Encontra de novo a liberdade de pensar livre-
mente e, graças a essas ferramentas, ferramentas estas que a Maçonaria lhe ofere-
ce, talhara por si mesmo, a sua Pedra Bruta, tornando-a mais perfeita possível.

Que sabe sobre o Maço (ou Malho) e o Cinzel (ou Escopro)?


São as duas ferramentas necessárias para talhar a Pedra Bruta. O Cinzel, que se
aplica sobre a pedra com a mão esquerda, lado passivo, corresponde á receptivi-
dade, ao discernimento especulativo. O maço, vibrado com a mão direita, lado
ativo, é a vontade executiva, a determinação moral, donde emana a realização
pratica.
Não se deve confundir Maço ou Malho, com Malhete.

O que é Malhete?
O símbolo da autoridade do Venerável. Os vigilantes também usam Malhetes, que
correspondem ao 2º e 3º Malhete da Loja. O malhete tem a forma de um “tau” grego
e é geralmente fabricado de madeira de bucho, símbolo da firmeza e perseverança,
o Malhete é também conhecido como Insígnia do Venerável e dos vigilantes.
152

O que é o Altar dos Juramentos?


Uma pequena mesa triangular ou pequena coluna truncada de cerca de um
metro de altura. No R.E.A.A. esse altar é situado no Oriente, frente da mesa do
Venerável. Nas Grandes Lojas ele esta situada fora do Oriente, sobre o pavimento
de mosáico.

O que existe sobre o Altar dos Juramentos?


O compasso – Esquadro, na posição do grau, o Livro da Lei e a Espada
Flamejante; na maioria das Lojas a Espada fica sobre o Trono do Venerável, na
degraus que dá acesso ao Trono ou na balaustrada.

Como são colocados o Compasso e o Esquadro, sobre o Altar dos Juramentos?


Em Loja de Aprendiz, o Esquadro deve ser colocado sobre o Compasso. O com-
passo deverá ter suas pontas voltadas para o Ocidente e a abertura deve ser de 45º.
O Esquadro se relaciona com a matéria e o Compasso com o Espírito. No grau
de Aprendiz, a matéria ainda predomina sobre o espírito, daí o Esquadro ser colo-
cado sobre o compasso.

O que é a Espada Flamejante?


È uma Espada de punho cruciforme, lamina ondulada e sem gume, e de ponta
romba. Não é, portanto, uma arma; é um instrumento iniciático. Simboliza o pen-
samento ativo. Serve para consagrar o novo Maçom, quando da sua iniciação. Não
sendo uma arma, essa espada é empunhada com a mão Esquerda.

Qual o outro tipo de espada usada em Maçonaria?


È o gládio, ou espada de dois gumes. É uma espada comum de punho crucifor-
me, com um metro mais ou menos, de lamina, a qual tem dois gumes e termina
em ponta.

Quais os usos dessa espada?


As espadas comuns (gládios) são usadas em varias ocasiões. Citaremos algu-
mas:
Quando na introdução no Templo, da Bandeira nacional, sempre em sessões
Magnas, treze irmãos, (Mestres), formam a guarda, empunhando as espadas com
a mão direita. Enquanto o Pavilhão nacional estiver sendo saudado, as espadas
estarão voltadas para baixo, isto é em continência. Em algumas potências a
“Guarda de Honra” é formada por dois Mestres Instalados.
O Cobridor da Loja deve sempre empunhar a espada com a mão direita. Ele é
o defensor do Templo e, neste caso, a espada é uma arma.
Quando da cerimônia especial, de honra, prestada a dignitários, os Mestres,
empunhando espadas com a mão direita, formam a “abóboda de aço”, sob a qual
passa a dignidade que está sendo recebida. Aqui também, a espada é arma para
defesa e proteção de personalidade em questão.
Durante a iniciação, as espadas são utilizadas varias vezes.

Quais são os ornamentos do Templo Maçônico?


Pavimento Mosáico, a Orla dentada e a Corda de 81 nós. Atualmente.

O que é o Pavimento Mosáico?


E feito de ladrilhos brancos e Pretos, colocados alternadamente em diagonal,
153

(R.E.A.A.) ou como num tabuleiro de xadrez (Rito Moderno). Os ladrilhos bran-


cos e pretos representam o contraste; o sim e o não; o ser e o não ser; tese e antí-
tese. A Maçonaria é uma escola de harmonização, no fundamento de que a melhor
síntese é a conciliação, a união dos opostos. Alem disso, o contraste entre o bran-
co e o preto, sugere a diversidade que existe. Tanto nos seres animados como
inanimados; a diversidade que existe tanto na natureza como no mundo das ideias;
a heterogeneidade entre os seres humanos, em raça, cor, religião opiniões etc.
porem se Maçons, sempre ligados entre si pelo cimento: Tolerância e benevolên-
cia.
A disposição desses ladrilhos, alternados, define líneas retas que servem para
regular os passos dos irmãos. Assim, o iniciado, livre das misérias profanas, é
posto a pisar sobre pedras lavradas e a andar com passos dirigidos e firmes, pois,
reto é o passo do Aprendiz e reto é o seu caminho.
A rigor, Pavimento Mosáico e o assoalho do Templo, devendo extender-se por
todo o Ocidente, isto porque, em Loja Coberta, não se dão passos perdidos. A
evolução do simbolismo do Pavimento Mosáico permitiu com o tempo que ele
fosse reduzido ás dimensões de uma pequena prancha que é colocada no Ocidente,
próxima a balaustrada.

O que é Orla Dentada?


É também chamada “Muralha Protetora”; é formada por triângulos, lado a lado,
em uma fileira contínua, que contorna todo o Pavimento Mosáico. É chamada
“Dentada” porque esses triângulos em tal arranjo lembra uma fileira de dentes
ponteagudos.
Considerando todo, o Pavimento Mosáico, a Orla Dentada dá o sentido de união
e proteção e, sendo de aspecto radiante, lembra aos Maçons, que devem espalhar
os princípios de Harmonia Universal pelo mundo inteiro.

O que é a corda de 81 nós?


É a corda colocada na friza das paredes do Templo, que apresenta de distancia
em distancia nós emblemáticos, em numero de 81, a corda sempre foi um grande
instrumento nas antigas construções (como também o é nas modernas) serviu para
arrastar pedras por planos inclinados, para construir as Pirâmides e para inúmeros
outros trabalhos, incluindo-se os de navegação.
A corda de 81 nós percorre sem interrupção as paredes do Templo, terminando
de cada lado da porta do Ocidente, por uma borla pendente. Duas outras borlas
(estas artificiais) são colocadas no Oriente, de modo que, ao todo são quatro bor-
las; duas (Reais) no Ocidente, e duas (artificiais) no Oriente. A razão disso é que
as borlas devem representar as quatro virtudes cardeais: Temperança, Justiça,
Coragem e Prudência. A Coragem e a Temperança devem corresponder às borlas
situadas no Ocidente; a Justiça. e a Prudência são Representadas pelas borlas do
Oriente, devendo, a Justiça ser aquela que fica do lado do Orador.

O que é Cadeia de União?


A cadeia de União, cujo símbolo é a corda de 81 nós, é feita depois de termina-
dos os trabalhos, para a comunicação da Palavra Semestral, ou visando a outros
objetivos (o Aprendiz aprenderá a repeito, em Loja). Deve ser realizada com a
presença de, pelo menos sete irmãos.
Uma Cadeia de União é formada da seguinte maneira: Os irmãos formam uma
cadeia circular (ou elíptica) no centro do Templo, ficando o Venerável no ponto
154

mais Oriental e o Mestre de Cerimônias, no outro lado, no ponto mais Ocidental


do circulo, O Venerável terá a sua direita, o 1º Vigilante, seguido pelo Orador, e a
sua esquerda, o 2º Vigilante seguido pelo Secretário. Os demais irmãos estarão
formando os dois semicírculos, ate o Mestre de Cerimônias. Todos os Irmãos
cruzam, os braços sobre a base do tronco, o direito sobre o esquerdo, e dão-se as
mãos.

O que é Palavra Semestral?


É uma palavra-senha, enviada a cada seis meses, pela Potência Maçônica à qual
pertence à Loja. Somente os Maçons regulares da Loja poderão conhecer a pala-
vra. Assim, quando uma Cadeia de União for formada, para a transmissão dessa
palavra, os irmãos visitantes serão convidados a não participarem. Os Irmãos do
quadro que não estiverem presentes à sessão onde a Palavra Semestral for trans-
mitida só poderão recebê-la, diretamente do Venerável.
Formada a Cadeia de União, o Venerável abre o envelope que recebeu, conten-
do a palavra, toma conhecimento dela e o papel onde esta escrita é em seguida
queimada, O Venerável dá a Palavra ao ouvido esquerdo do primeiro Vigilante,
este a transmite ao ouvido esquerdo do Orador e assim sucessivamente, a palavra
vai sendo transmitida, pelos irmãos desse semicírculo, até o Mestre de Cerimônia.
Para o outro semicírculo, o Venerável dá a palavra ao ouvido direito do 2º
Vigilante, este a transmite ao ouvido direito do Secretário e assim, sucessivamen-
te ate o Mestre de Cerimônias que recebeu a palavra ao seu ouvido direito. O
Mestre de Cerimônias, então, irá ate o Venerável e dará a palavra tal como a rece-
beu, de um lado e do outro, o que significa duas palavras que deverão ser iguais.
Caso contrario, a cerimônia será repetida.

O que é Tronco de Beneficência?


Também chamado Tronco de Solidariedade, vem da Maçonaria Operativa. É o
auxilio material que os irmãos oferecem, através de suas respectivas Lojas, aos
necessitados. Não deve ser ensinado ao obreiro que um irmão necessitado pode
retirar do tronco. Em tal caso, o irmão deve dirigir-se ao irmão hospitaleiro.

O que é Óbolo?
É a dádiva ou metal, que o irmão coloca no Tronco de Beneficência.

O que é Medalha Cunhada?


Em Loja não se usa o termo “dinheiro”. Diz-se metal ou medalha cunhada
sendo a quantidade expressa em unidades de peso, isto é, ao invés de cruzeiros,
dizemos “quilos” e, para centavos dizemos “gramas”, por exemplo: R$ 542,78 –
Quinhentos quarenta e dois quilos e setenta e oito gramas.

O que significa Huzze?


Vem de uma velha aclamação escocesa; Huzza, que quer dizer viva: escreve-se
huzza, mas pronuncia-se huzze. A palavra é inglesa, porem veio da Arábia e foi
adotada na Inglaterra, e que explica a diferença de ortografia e pronuncia.

São João da Escócia existiu?


Não se encontra esse santo, entre os catalogados e honrados da Igreja.
155

E quem é “São João nosso pedreiro”?


Não resta dúvida de que a expressão “São João, nosso Pedreiro”, vem da Maçonaria
Operativa, pois que, já na idade media, existiam as corporações de São João dos
Pedreiros livres. Hoje em dia são referidos: São João Batista o precursor e São João.
Evangelista, o apóstolo de Cristo. As festas patronímicas de São João Batista e
de São João Evangelista situam-se respectivamente, a 24 de Junho e a 27 de
Dezembro, aproximadamente nos solstícios de Verão no hemisfério Sul e inverno
no hemisfério Norte. Na Europa, celebram-se ambas as festas, enquanto que, no
Brasil a Maçonaria celebra apenas a festa de São João Batista.
São desconhecidas as razões por que São João é Padroeiro da Maçonaria. Alguns
autores dizem que, ao festejarmos o dia 24 de junho, estamos imitando um costume
tradicional dos Templários. Outros, também entendendo que a nossa instituição
deriva dos Templários, fala de São João de Jerusalém ou São João, o Esmoler.

Alem de São Batista e de São João Evangelista, quais outros santos tem, por
tradição, relação com a Maçonaria Operativa?
São os “quatro corados”: Severo, Severiano, Carpóforo e Vitorino, que teriam
sido sacrificados e mortos por ordem do Imperador Diocleciano, por se terem
negado a fazer estátuas de ídolos pagãos.

Há mais algum Santo, lembrado na Maçonaria atual?


Sim. São João de Jerusalém ou São João Esmoler ou hospitaleiro, lendária figu-
ra de Príncipe, filho do Rei de Chipre, no tempo das Cruzadas. São João de
Jerusalém faz parte do Ritual.

O que são os três pontos?


Os Maçons usam colocar os três pontos após a assinatura, porem os usa muito
mais como abreviatura dos vocábulos maçônicos, obedecendo naturalmente a
certas regras.

Qual a origem dos três pontos?


Parece que seu uso teve início na França, onde foram empregados em abrevia-
tura, em documentos Maçônicos. Embora esse costume não tenha sido admitido
pelos Maçons ingleses, ele foi se generalizando, espalhando-se gradativamente
por todos os países, inclusive nos Estados Unidos.
Segundo Ragon, a tripontuação foi usada, pela primeira vez, na circular de 12
de agosto de 1774, onde se lia “G\ O\ de France (Grande Oriente de France)”,
dando uma informação a respeito de mudança da sede do Grande Oriente.
Entretanto, F. Chapuis contesta Ragon, afirmando que os três pontos já apareciam
nas Atas da Loja “Sincerité”, ao serem mencionadas as eleições de 3 de Dezembro
de 1764, isto é, 10 anos antes da ata apontada por Ragon.
Outra explicação sobre a origem dos três pontos, situa-se como herança dos
Rosa-Cruzes do século XVII, outra diz que seriam provenientes da arte hieroglí-
fica egípcia.

Qual o simbolismo dos três pontos?


Embora no inicio os três pontos, fossem apenas sinais de abreviaturas não tar-
daram a se transformar em símbolo, ao qual foram dadas as mais variadas inter-
pretações. Citaremos algumas:
Os três pontos, na posição de vértices de um triângulo equilátero, podem cons-
156

tituir o símbolo da divisa maçônica: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Para


Ragon simbolizam o passado, o presente e o futuro. Para Oswald wirth, simboli-
zam: Tese, isto é, a ideia que se defende; Antítese, ou seja, a oposição que lhe é
feita e Síntese, isto é, a harmonia das ideias opostas.

O que é Lowton?
Por Lowton, deve se entender: filho, descendente ou dependente de Maçom
adotado por uma Loja, durante sua minoridade. Esse menino (assim adotado) terá
o direito de ser iniciado menor do que a que se exige de profanos comuns, isto é
poderá ser iniciado aos 18 anos. A adoção de Lowton é um compromisso público,
assumido pela Loja, A Oficina que adota Lowton assume grande responsabilida-
de. Devera proteger o adotado e, se órfão necessitado, deverá sustenta-lo até a
maioridade e custear-lhe os estudos até o grau superior, se for o caso.

Como é feita a adoção de Lowton?


Através de uma cerimônia, na qual o Venerável dá a benção dos ouvidos, dos
olhos, lavagem das mãos, mel na boca, oferta do pão e do vinho. São Praticas de
origem mitraica. O Lowton deverá ser adotado quando já possua alguma compre-
ensão. Notar que adoção não é batismo.

O que vem a ser a conjugação dos ternários?


É uma sistemática de coordenação de símbolos, alegorias, joias e funções, em
torno do triângulo e do número três.
Três anos é a idade do Aprendiz; de três partes é o seu sinal de ordem e sauda-
ção; três são os seus passos; três são os pontos que o Maçom coloca na frente da
assinatura (dos quais, uma das interpretações simbólicas é a de que esses três
pontos correspondem aos três vértices do Delta – triângulo) – correspondendo ao
ternário completo; Sabedoria, vontade e inteligência.
Por três vibrações da Espada Flamígera, o Venerável inicia o profano, tornando-
o Maçom; três são as Grandes Luzes emblemáticas: O Esquadro, O Compasso e
o Livro da Lei (que poderá ser a Bíblia ou o código de moral que representa a
crença ou a mais alta expressão de Fé na consciência do iniciando); três são as
joias móveis, três são as joias fixas; três são as Sublimes Luzes; três são os para-
mentos; três são os ornamentos;
Na iniciação, o candidato, acompanhado de seu guia, três viagens em busca de
três lugares iluminados por três janelas ou três Luzes, que iluminam três compar-
timentos marcados, os quais por sua vês abrem-se por três pancadas;
De três graus é a Maçonaria simbólica; Três governam uma Loja – Venerável
(Esquadro, Rei Salomão, Coluna Jônica, Minerva e Sabedoria) – 1º Vigilante
(Nível, Hiran Rei de Tiro, Coluna Dórica, Hercules e força) – 2º Vigilante (Prumo,
Hiram Abif, Coluna Coríntia, Venus e beleza);
O Rei Salomão mandou construir o Templo; Hiram Rei de Tiro forneceu-lhe,
homens (força e trabalho) e materiais; Hiran Abif edificou e completou a obra
dedicada ao Grande Arquiteto do Universo, a mais bela edificada.

Quais são os três instrumentos do Aprendiz Maçom?


Regua de 24 polegadas, Maço e Cinze.

O que representa a régua de 24 polegadas?


Para medir e planejar a obra – corresponde a Sabedoria do Venerável Mestre que
157

também a de medir e planejar quando dirige os trabalhos. A significação simbólica


nos ensina que como no plano moral, o homem deve medir prudentemente os seus
planos de ação, deve medir e apreciar o contorno das suas ideias como se mede um
pedaço de pedra, para ter o conhecimento exato do seu valor e da utilidade.com
espiritualidade, medir é saber, e o erro começa onde se perde o senso de medida.

O que representa o Maço?


Utilizado para desferir golpes, tem relação com o 1º Vigilante cuja qualidade é
a força e cuja missão consiste na transmissão de energia. E para transmitir aos
instrumentos a força de impulsão necessária à execução do trabalho. O Maço é o
poder, é a força. Qualquer que seja o sistema de impulsão adotado modernamente
nos labores do homem, ele se deriva da ideia primitiva do golpe. O Maço é a ação.
A tarefa do homem na vida, em síntese, tem como fim a remoção e transforma-
ção da matéria; toda ação humana se reduz a isso, quer no campo material, quer
da esfera moral. Mover pedras e terras para a construção de um edifício; mover
pensamentos e ideias, para a construção de um ideal; para mover pedras e terra, é
necessária a impulsão muscular; para mover e transladar ideias, é necessária a
impulsão moral, ação, vontade, força espiritual, Se no plano físico, a Régua tives-
se traçado as suas linhas e o cinzel estivesse pronto para realiza-las na pedra, mas
faltando a força no braço do obreiro, o trabalho consciencioso da Régua o as
qualidades de penetração do Cinzel de nada serviriam; a obra não seria realizada.
O Maço é a impulsão que leva para frente. O Maço é a Energia.

O que representa o Cinzel?


Corresponde ao 2º Vigilante, porque como este representa o elemento da
Beleza, assim o Cinzel é o instrumento com que o Maçom cinzela a pedra tosca
nela criando líneas superficiais e molduras, para o embelezamento do edifício.
Simbolicamente modela o espírito e a alma, de acordo com os mandamentos da
Sabedoria. Representa as nossas faculdades morais e espirituais, subordinadas ao
nosso saber e a nossa Prudência, sem o desenvolvimento dessas forças o Maçom não
poderia agir no meio que o circunda nem poderia dar feição a sua própria natureza.
Este Cinzel Maçônico deve ter fio e têmpera capazes de um esforço grande e
tenaz, isto é, o Maçom deve ter sentimentos generosos, Mente Sá, fé profunda,
estoicismo e capacidade de sofrimento.

Que conhecimentos o Irmão tirou do estudo destes três instrumentos?


É o Sagrado Triângulo em que a Loja assenta o seu fundamento: Sabedoria que
orienta Força que impele; Beleza que executa? Régua, Maço, Cinzel, as três
Colocações Sagradas do Templo.

Qual é o significado do 1º Grau?


É o Alicerce da Filosofia Simbólica resumindo ele toda a moral Maçônica de
aperfeiçoamento humano, compete ao aprendiz Maçom o trabalho de desbastar a
Pedra Bruta. Desvencilhar-se dos defeitos e paixões, para poder concorrer à cons-
trução moral da humanidade, que é a verdadeira obra da Maçonaria.

O que sã os “Landmarks”?
São consideradas as mais antigas Leis que regem a Maçonaria Universal, pelo
que se caracteriza pela antiguidade e jamais podem ser modificadas. São 25 em
numero, que foram colecionados pelo Irmão Alberto Mackey.
158

Que exigiram para serdes Maçom?


Ser livre e de bons costumes.

Por que livre?


Por que o homem pode estar preso a entraves sociais que o priva de parte de sua
liberdade, e o que é pior, o torna escravo de suas próprias paixões e de seus pre-
conceitos. É precisamente desse jugo que se deve libertar o homem que aspira ser
Maçom.

Que significa “nem nu nem vestido”?


São varias. A privação dos metais faz lembrar o homem antes da civilização, em
seu estado natural, quando desconhecia as vaidades e o orgulho; a obscuridade em
que se achava imerso figurava o homem primitivo na ignorância de todas as coisas.

Quais as deduções morais que tirais dessa alegoria?


A abdicação das vaidades profanas e a necessidade imprescindível de instrução
que é o alicerce da moral humana.

O que representa as três portas em que batestes durante a iniciação?


As três disposições necessárias à procura da Verdade: Sinceridade, Coragem, e
Perseverança sendo representados no Painel da Loja por três Luzes de três janelas.

Quando brilhou a Luz, o que vistes?


Raios cintilantes feriram-me a vista, vi então que eram espadas, empunhadas
por meus Irmãos e apontadas para mim.

Qual o significado disto?


Compreendi depois que essa espadas figuravam os raios da Luz da Verdade, que
ofuscam a visão intelectual daquele que ainda não está preparado, por sólida ins-
trução para recebê-la.

O que significa o Ocidente em relação ao Oriente?


O Oriente indica o ponto de onde provem a luz e o Ocidente, a região para qual
ela se dirige. O Ocidente representa, por tanto, o mundo visível, que os nossos
sentidos alcançam, e, de um modo geral tudo que é material. O Oriente simboliza
o mundo invisível, todo que é abstrato, isto é, o mundo espiritual.

Que significam as Romãs colocadas nos capitéis das colunas J e B?


Pela divisão interna, mostram os bens produzidos pela influência das estações
representam as Lojas e os Maçons espalhados pela superfície da Terra. Suas
sementes intimamente unidas nos lembram da fraternidade e a união que deve
existir entre os homens.

Porque o Sol e a Lua foram colocados em nossos Templos?


Por que os dois astros representam a luz ativa e a luz reflexa ou passiva, é a
Sabedoria e seus efeitos.

Em que espaço de tempo se executam os trabalhos dos Aprendizes Maçons?


Do meio dia a meia noite.
159

Que significa a P\S\?


Força e Apoio.

Porque o Aprendiz Maçom não tem P\P\.


Porque ainda não esta em condições de passar para o estudo do Cosmos e da
Obra da Vida.

Porque quisestes ser Maçom?


Porque sendo livre e de bons costumes e estando nas trevas, ambicionava a luz.

É definitivo na formação maçônica o momento vivido pelo aprendiz, nos


instantes que precedem a iniciação?
Os símbolos dispostos, as frases existentes, colocam o neófito ante o imperativo
da adoção da Humildade como lema definitivo. É como se se estivesse despedin-
do, em ato solene, do homem velho; dando inicio ao nascer, responsável, medita-
do, decidido, de um novo ser. Aquele mínimo de percepção extra-sensorial que
possuímos, informa-nos de que não estamos sós no ambiente onde tem inicio a
transição, posto que são captadas radiações, sem qualquer possibilidades de equí-
vocos, oriundas de nossos ancestrais, já vitoriosos na luta pela Luz, ora em outros
planos.
160

Bibliografia
Bíblia Sagrada – Padre Santos Farinha (Ano Santo 1950)
Eduardo Carvalho Monterio – “O Templo Maçônico e as Moradas do Sagrado”
Erwin Seignemartin – Palestras – Boletim do Venerável Colégio – Glesp – S.
Paulo
Dicionário Enciclopédico Brasileiro – Álvaro Magalhães
Dicionário Maçônico – Nicola Aslan
Jorge Von Borries – “El Gran Arquiteto del Universo” – Boletim da Masonaria
Boliviana – outubro de 1964 – Republica de Bolívia
João Carlos Pereira da Silva – “Os Landmarques da Franco Maçonaria” –
Editora Maçônica “A Trolha” Ltda – Londrina – Paraná
José Castellani – “Do Pó dos Arquivos, Vol II” – Editora Maçônica “A Trolha”
Ltda – Londrina – Paraná
Jules Boucher – Simbólica Maçônica – Editora Pensamento
Luis Umbert Santos – “La Religion Masonica” – Libreria Carlos Cesarman S. A.
– México.
Marcos Santiago – “Maçonaria historia e atualidade” – Editora Maçônica “A
Trolha” Ltda – Londrina – Paraná.
Valton Sergio Von Tempski –Silka “Historial da Franco Maçonaria” – Juruá
Editora – Curitiba – Paraná.
Walnyr Goulart Jacques – “Uma Loja Maçônica Simbólica” – Grande Loja do
Rio Grande do Sul.
História da Grande Loja Maçônica
.. . APRENDIZ MAÇOM PLENO Aprendiz Maçom

Simbólica do Primeiro Grau


do Estado de São Paulo
A palavra não tem somente

Simbólica do Primeiro Grau


Contém o registro dos aconteci-
significado maçônico. Indica
mentos documentados em seis
volumes e nos revelaram os fatos aquele que está aprendendo
Templo Maçônico – Loja Maçônica – Simbologia um ofício ou arte, significando,
históricos que se encontravam des-
vanecidos e que foram escritos e Iniciação – Simbologia – Cargos em Loja por extensão, aquele que é
transcritos por relatos de outras novato ou inexperiente. É o
pessoas, que ao passar de boca a
primeiro grau da Maçonaria
ouvido, foram perdendo a fidelida-
de dos acontecimentos dando lugar simbólica Universal, admitido
a controversas e a grande interro- em todos os sistemas e Ritos.
gação ”A história nos diz a verdade O nome foi tirado da Maçonaria
dos fatos ocorridos?” Esta interro- Operativa, na qual o Aprendiz
gante ficou maior ao comparar o
ocupava o Grau mais inferior
dito com os documentos, caracte-
rística desta obra e com efeito a da escala entre os operários.
razão única de sua publicação. A Maçonaria Especulativa
Cobriu uma pesquisa e estudos, adotou os usos, costumes,
tomando como base o conteúdo regulamentos e instrumentos
das publicações da própria GLESP
das antigas corporações, fra-
em suas publicações oficiais, cons-

APRENDIZ MAÇOM PLENO


tituições, decretos, atos, pranchas ternidades ou guildas operá-
circulares e outras publicações em rias de construtores a fim de
seu Boletim Oficial; matéria e acon- estabelecer o seu próprio sis-
tecimentos registrados nas revistas tema de organização e de
“A Verdade”, “Grande Loja Urgente,
moralidade.
“Grande Loja em Destaque”; ações
e atuações de seus líderes em No simbolismo maçônico, o
Congressos, Coligações Regionais, Grau de Aprendiz apresenta o
Mesas Redondas, Confederação da homem na sua primeira infân-
Maçonaria Simbólica do Brasil e
suas participações em eventos de cia e nos primeiros séculos da
outras potencias, e em várias para- civilização. O Aprendiz deve
maçônicas que se constituíram sob estudar as leis, os usos e os
a égide da GLESP; cujo acervo cole- costumes da Instituição, tra-
cionei em meus cinquenta anos de
balhando, simbolicamente no
árduo trabalho, sempre com base, e
mencionando a fonte documental. desbastar da Pedra Bruta, o
que faz desde o meio-dia até a
João Dias meia-noite.
JOÃO DIAS 2ª EDIÇÃO