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PROGRAMA DE DISCIPLINA – 2014/2

CÓDIGO: IH 1567 NOME DA DISCIPLINA: Movimentos sociais – conflitos e


CRÉDITOS: 3 repressão no campo no Rio de Janeiro (1945-1988)
DIA: Segundas-feiras
PROFESSOR RESPONSÁVEL: Leonilde Servolo de Medeiros
HORÁRIO: 9:00-13:00

( ) Obrigatória Mestrado ( ) Obrigatória Doutorado


CATEGORIA ( ) Fundamental Mestrado ( ) Fundamental Doutorado
( x ) Específicas de linha de pesquisa ( ) Laboratórios de Pesquisa

OBJETIVO DA DISCIPLINA:
A disciplina visa apresentar e debater quer contribuições teóricas, quer empíricas que permitam
aprofundar o conhecimento sobre a política repressiva no regime militar e suas nuances nas áreas
rurais, em especial quando se considera o estado do Rio de Janeiro. A disciplina se insere num
debate que vimos fazendo no âmbito das discussões sobre e das Comissões da Verdade, em especial
da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro e visa contemplar algumas das questões que estão sendo
discutidas na pesquisa “Conflito e repressão no campo no Rio de Janeiro – 1945-1988”,
contemplada pela Faperj.

EMENTA:
A disciplina tratará de temas como: questões envolvidas na periodização histórica; sentidos da
violência na política; esfera pública e direitos; formas de resistência cotidiana; a não
resistência e a submissão à autoridade; mediações e representação política num contexto
autoritário; relações entre conflitos sociais e uso da lei e das instituições jurídicas.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
Violência e regimes autoritários; formas de resistência: usos da lei e do direito, mediações
políticas e construção de questões públicas; a não resistência: formas de dominação e
diferentes caminhos da submissão; o regime militar no Brasil: principais controvérsias; o
regime militar, concepções de desenvolvimento e seus efeitos. O regime militar no Rio de
Janeiro: vocação turística e urbana X populações rurais.

METODOLOGIA DAS AULAS:


As aulas serão conduzidas com base na discussão de textos indicados. A cada sessão, o professor
introduzirá o tema e os autores e a seguir se fará o debate de cada um dos textos indicados, tendo
como ponto de reflexão as situações de repressão no campo no Rio de Janeiro. Não se trata de um
curso baseado em aulas expositivas, mas em problematização, a partir da experiência dos
participantes sobre questões de pesquisa.

FORMA DE AVALIAÇÃO:
A avaliação será feita com base na participação nas aulas a partir das leituras feitas e em um
trabalho final cujo tema será posteriormente discutido com cada um dos alunos, em função de seus
interesses específicos.

1
BIBLIOGRAFIA (sujeita a modificações):
Introdução:
Medeiros, Leonilde Servolo de. Trabalhadores do campo, luta pela terra e regime civil-militar
In: Pinheiro, Milton (org). Ditadura: o que resta da transição, 1ª edição. São Paulo: editora
Boitempo, 2014, p.195-229.
Carneiro, Ana e Cioccari, Marta. Retrato da repressão no campo. Brasília: Nead, 2012, 2a. ed.
Introdução. (disponível on line)
Martins, José de Souza, .
Recuperar o passado
Benjamin, Walter. Obras escolhidas. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense.
1986 (2ª. ed). Caps: “O Narrador”, “Sobre o conceito de história” e “Walter Benjamin ou a
história aberta” (Prefácio de Jeanne Marie Gagnebin).
Gagnebin, Jeanne Marie. História e narração em Walter Benjamin. Campinas e São Paulo:
Editora da Unicamp e Perspectiva, 1994. Cap. 5 “História e Cesura”.
Lowy, Michel. Walter Benjamin. Aviso de incêndio. Bs. Aires: Fundo de Cultura, 2002 (há
tradução em português)

Totalitarismo, poder e violência


Arendt, Hannah. Sobre a violência. Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1994.
Arendt, Hannah. Compreender. Formação, exílio e totalitarismo. São Paulo, Belo Horizonte:
Companhia das Letras, Editora da UFMG, 2008. Caps. “Humanidade e terror”, “Compreensão e
política” e “Sobre a natureza do totalitarismo: uma tentativa de compreensão”.
Lafer, Celso. A reconstrução dos direitos humanos. Um diálogo com o pensamento de Hannah
Arendt. São Paulo: Companhia das letras, 1988. Introdução e cap. 3
Benjamin, Walter. Escritos sobre mito e linguagem. Editora 34. Cap. Para uma crítica da violência.
Santos, José Vicente Tavares dos. A cidadania dilacerada. Revista Crítica de Ciências Sociais,
Coimbra, Portugal, n.37, junho de 1993, 131-148. (disponível on line)

Experiência, lutas cotidianas e formas de resistência


Thompson, E. P. A formação da classe operária inglesa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, 3
vols. "Introdução" (vol. 1), cap. 1 (vol. 1): "Número ilimitado de membros"
Thompson, E. P. A miséria da teoria ou um planetário de erros. Rio de Janeiro, Zahar, 1981.
Caps. 5, 6, 11, 12, 14 e 15.
Thompson, E. P. Costumes em comum. Estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo,
Companhia das Letras, 1998. Cap. "Costume, lei e direito comum".
Thompson, E. P. Senhores e caçadores, 2a edição. São Paulo: Paz e Terra, 1997. Conclusões e
consequências.

2
Scott, James. "Formas cotidianas da resistência camponesa" in Raízes, 21, 1, jan-junho 2002.
Scott, James. Dominations and the arts of resistance. Hidden Transcripts. New Haven and
London: Yale University Press. 1990. Disponível também em espanhol, para download em
http://www.mediafire.com/?c67td2jhl88de1m. Caps. 1. “Behind the official story”; cap. 2.
“Making social space for a dissident culture”; 6. “Voice under domination: the arts of political
disguise”.
Palmeira, Moacir. Desmobilização e conflito: relações entre trabalhadores e patrões na
agroindústria pernambucana. In Bernardo M. Fernandes, Leonilde S. Medeiros e Maria Ignez
Paulilo. Lutas camponesas contemporâneas: condições, dilemas e conquistas. Vol. 1 O
campesinato como sujeito político nas décadas de 1950 a 1980. São Paulo: Edunesp, 2009.
(disponível on line)
Moore Jr. Barrington. Injustiça. As bases sociais da desobediência e da revolta. São Paulo,
Brasiliense, 1987.

Representação política, formação de interesses e mediação


Bourdieu, P. O poder simbólico. Rio de Janeiro/Lisboa: Bertrand Brasil/Difel, 1989. Cap. "A
representação política. Elementos para uma teoria do campo político"
Bourdieu, P. Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense, 1990. Cap. "A delegação e o fetichismo do
político"
Neves, Delma Pessanha. “Mediação social e mediadores políticos”. In Neves, Delma Pessanha.
Desenvolvimento social e mediadores políticos. Porto Alegre: Ed. UFRGS. 2008.

Movimentos sociais, sociedade civil e esfera pública: ação pública e reconhecimento


Honneth, Axel. Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. São Paulo:
Editora 34, 2003. Cap 8.
Cefaï, Daniel, Les cadres de l’action collective. Définitions et problèmes. In Cefaï, Daniel e
Trom, Danny. Les formes de l’action collective. Mobilisations dans des arànes publiques. Paris:
École des Hautes Études en Sciences Sociales, 2001

Regime militar, repressão e violência no Brasil


Melo, Demian Bezerra. O golpe de 1964 e meio século de controvérsias: o estado atual da
questão. In: MELO, Demian Bezerra (org.). A miséria da historiografia – uma crítica ao
revisionismo contemporâneo, p. 157-188
Martins, José de Souza. A militarização da questão agrária no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1984.
Cap. II. O Estado e a militarização da questão agrária.
Martins, José de Souza. Caminhada no chão da noite. São Paulo: Hucitec, 1989. Cap. II –
Libertação na terra dos aflitos.
Bruno, Regina. Senhores da terra, senhores da guerra. Rio: Forense Universitária, 1997. Cap. O
estatuto da terra: entre a conciliação e o confronto.

3
Bruno, Regina. O Ovo da serpente. Campinas, IFCH/Unicamp, 2002 (tese de doutorado)
Motta, Rodrigo Patto Sá. Do outro lado da cerca. Os conservadores e a reforma agrária. IN
Delsy Gonçalves de Paula, Heloísa M. Starling e Juarez R. Guimarães (orgs). Sentimento de
reforma agrária, sentimento de república. Belo Horizonte: editora da UFMG, 2006.