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Esalq
07 JUL/AGO 2016

Compra de fertilizantes, como otimizar este processo?

Glauber dos Santos - IPECEGE


Luiz Gustavo Nussio - ESALQ

A compra de fertilizantes para a produção de a reputação negativa de agente de elevação de custo


forragens sempre recebeu atenção especial por ser, atribuída aos fertilizantes ainda perdura no meio
historicamente, responsabilizada por elevar o custo de agrícola. Devido a grandeza do valor, fato que pode
produção e, em geral, receber boa parte da culpa dos gerar dificuldades com o equilíbrio do fluxo de caixa da
altos custos associados com o processo de produção. fazenda, não é raro o produtor/técnico sumariamente
Quando questionados sobre os itens responsáveis decidir por cortes ditos “estratégicos”, porém
pelas dificuldades financeiras intrínsecas ao setor de arbitrários, nas quantidades recomendadas desses
produção animal, é comum posicionar-se entre os mais insumos sob o pretexto de equacionar, ao menos de
lembrados pelos produtores. imediato, a situação financeira da propriedade.
Na Edição 6 do Boletim da Forragem, foi publicado Essa estratégia de negligenciar as recomendações
que os fertilizantes que representam 54% do custo agronômicas de reposição de fertilidade ao solo promove
operacional efetivo e 30% do custo total de produção. resultados muito negativos. Embora inicialmente não
Assim, alterações de 10% no custo dos corretivos e tão críticos, uma vez que em alguns solos o banco de
fertilizantes normalmente promovem mudanças que nutrientes disponível poderá permitir a manutenção da
respondem por somente 3% a 5% no custo final de produção vegetal sem prejuízos imediatos. Contudo,
produção do respectivo volumoso e de cerca de metade no universo de exploração do médio-longo prazo, essa
desses valores no custo da ração total oferecida aos política tem mostrado um cenário de difícil reversão
animais, para a cultura do milho. Apesar da pequena culminando com a inviabilização da exploração das
relevância desses números no custo final de produção, áreas agrícolas.

Produção agropecuária competitiva

Em explorações pecuária competitiva, em geral, pela adoção de estratégias de compra explorando a


presume certo grau de intensificação no sistema de relação de troca conveniente. Em um mercado de
produção e a adoção de doses adequadas de corretivos grandes sazonalidades, é coerente e inteligente estar no
e fertilizantes está entre os fatores essenciais do contra-fluxo em que vai a maioria do mercado, falando
processo de intensificação da produção. Apesar disso, especificamente na compra de fertilizantes sabe-se que
ao contrário do que se imagina, esses insumos não o primeiro semestre tem sempre uma menor demanda
representam os maiores custos total de produção. A do que o segundo semestre. Devemos lembrar ainda,
falsa ideia de estar se “enterrando” um insumo caro dos desafios logísticos (filas, preço frete, atraso na
sem a perspectiva de retorno esperado deve-se, entrega, etc.) que enfrentamos em épocas onde as
principalmente, ao uso inadequado dessas fontes, pela compras de fertilizantes se concentram.
falta de tecnificação na recomendação e aplicação A Figura 1 apresenta a tendência da evolução de preços
das doses, resultando em produção vegetal aquém da de alguns fertilizantes, numa série de 6 anos. Nota-se
esperada. Essa impressão negativa pode ser facilmente que, ao longo do ano, o período de maior conveniência
revertida com o amparo de um técnico no planejamento para aquisição deste insumo, quando a relação de troca
e organização executiva da produção de volumosos. De é mais favorável ao produtor, concentra-se no período
fato, os fertilizantes estão entre os fatores de produção compreendido entre meados de abril e início de julho.
de menor relação custo/benefício devido às respostas Embora esse não seja o período de atividade agrícola
agronômicas potencialmente elevadas em relação mais intenso, ele antecede o início das atividades da
ao custo relativo dessa estratégia técnica. Boa parte safra de verão (agosto em diante) e a propriedade
dessa má fama se dá pelo fato de que esses insumos deve se organizar para efetuar suas compras nesse
devem ser adquiridos em épocas específicas do ano, período. Diferenças apresentadas nesta série histórica
concentrando com isso despesas e impactando de chegam à 18% de variação, algo muito significativo
forma pontual o fluxo de caixa. quando multiplicado pelo volume total de fertilizantes
Existem maneiras de se atenuar esse cenário de normalmente utilizados na produção de silagem.
concentração de despesas com fertilizantes, que passam

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Índice sazonal Limite inferior Limite superior

Figura 1. Sazonalidade do preço de fertilizantes pago pelos agricultores de São Paulo, 2008 a 2014.
Fonte: Mendes e Silva.

Em resumo, os fertilizantes não representam tanto total dos volumosos; Redução arbitrária nas doses de
como muitos produtores imaginam no custo total de fertilizantes recomendadas na produção de volumosos
produção de volumosos, ou seja, o uso racional dos não podem ser justificadas como forma de efetuar
todos os insumos e bens de serviço são importantes cortes nas despesas; É preciso explorar a conveniência
para uma produção economicamente eficiente. de épocas mais propícias para aquisição de insumos
Acréscimos de 10% nos custos desses insumos com vistas a melhor relação custo/benefício.
respondem por somente 3% a 5% na variação do custo

Indicadores de qualidade de forragem - IQF

Pré-secados: Azevém vs. Tifton


Marcelo Hentz Ramos, PhD
Diretor 3rlab

Nesta coluna iremos apresentar dados referentes a forragens brasileiras com o objetivo de entender a qualidade
do material presente nas propriedades como também apresentar aos técnicos a terminologia empregada.
Na tabela 1 podemos notar a composição bromatológica de pré-secados de azevém e na tabela 2, a composição
de pré-secados de tifton. Uma comparação muito importante, pois, apesar de na média o pré-secado de azevém
apresentar menos proteína bruta (PB) do que o pré-secado de tifton, o material produzido com azevém resultou
em mais leite por tonelada de matéria seca. O pré-secado de azévem apresentou uma menor quantidade de fibra
em detergente neutro (FDN), ficando assim evidente que quantidade de fibra tem um impacto maior na produção
de leite quando comparado a quantidade de PB.
Outro ponto importante é o alto valor de pH que pode gerar perdas de matéria seca assim como o alto valor de
ácido butírico que pode resultar em problemas para os animais. Em ambos os casos materiais com altos valores
de potássio poderão causar problemas durante o período pré-parto (seco) mas certamente pode ajudar durante o
período de lactação.

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Tabela 1 – Composição do pré-secado de azevém durante o ano de 2015.

%MS Mínimo Média Máximo Desvio Padrão


PB 5.7 11.9 18.1 3.11
Amido 0 1.7 4.8 1.6
Açúcares 0 4.4 9.5 2.5
FDN 46.5 57.4 68.4 5.4
Dig. FDN 24 hrs, %FDN 2.0 27.3 52.5 12.6
Dig. FDN 30 hrs, %FDN 10.2 36.7 63.1 13.2
Dig. FDN 48 hrs, %FDN 30.9 52.3 73.6 10.6
Kd do FDN, %/hr 2.4 4.0 5.6 0.8
TTNDFD, %FDN 21.9 41.6 61.3 9.8
Acético 0 0.6 2.5 0.8
Lático 0 4.8 10.6 2.8
Butírico 0.3 0.6 0.8 0.1
pH 3.7 4.5 5.3 0.4
Cálcio (Ca) 0.17 0.4 0.63 0.1
Fósforo (P) 0.17 0.3 0.38 0.05
Potássio (k) 0.71 2.2 3.71 0.7
Magnésio (Mg) 0.16 0.2 0.28 0.03
Milk2006* 764 1205 1647 220
*Milk2006 em kg de leite por tonelada de matéria seca.

Tabela 2 – Composição do pré-secado de tifton durante o ano de 2015.


%MS Mínimo Média Máximo Desvio Padrão
PB 8.3 15.9 23.4 3.8
Amido 0 1.3 4.7 1.7
Açúcares 0 2.8 6.2 1.7
FDN 48 60 73 6
Dig. FDN 24 hrs, %FDN 15 33 53 9
Dig. FDN 30 hrs, %FDN 26 43 59 8
Dig. FDN 48 hrs, %FDN 40 58 75 8
Kd do FDN, %/hr 2.8 4.5 6.1 0.8
TTNDFD, %FDN 25 45 64 9
Acético 0 1.2 3.1 0.9
Lático 0 3.9 8.1 2.1
Butírico 0.2 0.7 1.1 0.2
pH 3.7 4.7 5.8 0.5
Cálcio (Ca) 0.16 0.43 0.69 0.13
Fósforo (P) 0.18 0.32 0.45 0.07
Potássio (k) 1.03 2.51 3.98 0.74
Magnésio (Mg) 0.17 0.25 0.34 0.04
Milk2006* 773 1186 1599 206
*Milk2006 em kg de leite por tonelada de matéria seca.

3 BOLETIM DA FORRAGEM . PECEGE . QCF . ESALQ


GERENCIAMENTO DA PRODUÇÃO DE SILAGEM - EAD
Conheça mais sobre o gerenciamento da produção de silagem com os principais
especialistas do Brasil. Saiba quais as características dos sistemas de produção
do volumosos no Brasil, como escolher pela opção correta de volumoso, comprar
estrategicamente insumos e fertilizantes, o custo de produção de silagem e as
principais perdas que ocorrem no processo de silagem – do campo ao cocho.

Confira a programação completa:

Institui-
Data Tema Professor
ção
14/ Características dos sistemas de produção de sila-
Thiago Bernardes UFLA
set gem no Brasil
21/
Planejamento da conservação de forragem Luiz Gustavo Nussio ESALQ
set
28/
Custo de produção de silagem de milho Glauber dos Santos PECEGE
set
05/
Negociação na compra de fertilizantes e insumos Lucas do Prado FGV
out
19/ Escolha do volumosos e material genético a ser
Luiz Gustavo Nussio ESALQ
out plantado
26/ Desafios agronômicos na produção de milho para Joao Ricardo A. Pe-
UEPG
out silagem reira
09/ Desafios da colheita do milho para silagem: Avan-
Thiago Romanelli ESALQ
nov ços e Desafios
16/ Dimensionamento do conjunto de máquinas na
João Henrique Rosa PECEGE
nov produção de silagem
23/ Efeito do processamento na ensilagem e o reflexo
Gustavo Salvati ESALQ
nov no desempenho animal
30/
Recentes avanços na produção de silagem Ricardo Andrade Reis UNESP
nov
07/ Estimativas de perdas no processo: Do campo ao
João Luiz Pratti Daniel UEM
dez cocho

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CURTAS
O Boletim da Forragem - Esalq, sob orientação do Prof. Luiz Gustavo Nussio, iniciou um projeto com
objetivo de conhecer as características e a regionalização da produção de cana-de-açúcar na alimentação
animal. Assim, gostariam de contar com a tua colaboração para responder o questionário que
disponibilizado no link (http://goo.gl/forms/bknB7w81D4). Ao término do levantamento as informações
serão disponibilizadas em nossas redes sociais.
Conheça o custo de produção de volumosos da tua propriedade, participe conosco deste levantamento
e receba gratuitamente uma análise de benchmarking entre todas as propriedades participantes do
projeto. Entre em contato com a equipe do Boletim da Forragem.

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da Forragem e tenha alcance nacional de sua marca, vinculada a um projeto de extensão da Esalq. Entre
em contato pelo e-mail forragem@pecege.org.br ou pelo telefone (19) 3375.4250 e informe-se sobre
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Equipe técnica: Prof. Luiz Gustavo Nussio, Para receber o Boletim da Forragem digital, encaminhe
Prof. Pedro Valentim Marques, Daniel Y. Sonoda, e-mail para forragem@pecege.org.br com os seguintes
Glauber dos Santos e Haroldo Torres. dados: nome, e-mail, endereço completo e telefone.

Estagiários:

João Marcos Meneghel de Moraes;


Rodrigo Spechoto.

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