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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

PRÁTICAS DE SEGURANÇA, HIGIENE E


UFCD
SAÚDE NOS SERVIÇOS DE ANDARES EM
3377
HOTELARIA

Índice

1.Caracterização do sector e definição da profissão……………………………….3


1.1.Aptidões requeridas……………………………………………………………………………..3
1.2.Condições de trabalho………………………………………………………………………….5
2.Fontes de informação sobre as normas e disposições relativas à higiene e
segurança nos serviços de alojamento………………………………………………..9
2.1.Legislação……………………………………………………………………………………………9

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2.2.Manuais de segurança………………………………………………………………………..23
2.3.Plano de segurança da unidade hoteleira……………………………………………..23
3.Meios e regras de segurança…………………………………………………………25
3.1.Vestuário de protecção……………………………………………………………………….25
3.2.Supressão da negligência e falta de atenção…………………………………………26
3.3.Protecção de máquinas……………………………………………………………………….26
3.4.Estabelecimento de condições de trabalho facilitadoras de segurança
(ergonomia)……………………………………………………………………………………………27
4.Segurança na condução de equipamento e na movimentação de materiais
na unidade hoteleira………………………………………………………………………29
4.1.Normas do vestuário…………………………………………………………………………..29
4.2.Prevenção de choques eléctricos………………………………………………………….29
4.3.Movimentação de peças pesadas…………………………………………………………30
5. Plano de segurança da unidade hoteleira………………………………………..32
5.1.Plano de prevenção de acidentes…………………………………………………………32
5.2.Plano de prevenção de incêndios…………………………………………………………32
5.3.Plano de evacuação……………………………………………………………………………33
5.4.Plano contra roubos……………………………………………………………………………35
6.Causas de acidentes no trabalho……………………………………………………37
6.1.Acidentes de movimentação………………………………………………………………..37
6.2.Choques e quedas………………………………………………………………………………38
6.3.Acidentes provocados por ferramentas e máquinas em movimento…………39
6.4.Choques eléctricos…………………………………………………………………………..…40
6.5.Acidentes provocados por químicos e gases………………………………………….42
6.6.Queimaduras……………………………………………………………………………………42
7.Componentes da caixa de primeiros socorros………………………………...…44
8.Tipos de feridas………………………………………………………………………….47
8.1.Ferida aberta e ferida fechada…………………………………………………………….47
8.2.Queimadura………………………………………………………………………………………48
8.3.Choque eléctrico………………………………………………………………………………..49
9.Actuação em situações de emergência……………………………………………50
9.1.Perda de sentidos………………………………………………………………………………50
9.2.Feridas……………………………………………………………………………………………..50
9.3.Electrocussões………………………………………………………………………………..…51
9.4.Ataque cardíaco……………………………………………………………………………..…52
9.5.Entorses ou distensões………………………………………………………………………52
9.6.Envenenamento………………………………………………………………………………..53
9.7.Queimadura…………………………………………………………………………………..…54
10.Noções gerais sobre os fogos………………………………………………………56
11.Causas de risco de incêndio………………………………………………………...59
12.Tipos de incêndio………………………………………………………………………60
13. Sistemas de detecção……………………………………………………………..…62
14.Tipos de extintores……………………………………………………………………64
14.1.Extintores automáticos, ditos de água………………………………………………..64
14.2.Extintores de pó químico………………………………………………………………..…64
14.3.Extintores de espuma……………………………………………………………………….64
14.4.Outros…………………………………………………………………………………………….65
15.Actuação em caso de incêndio…………………………………………………..…66
15.1.Plano de ataque…………………………………………………………………………….…66

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15.2.Manipulação dos extintores……………………………………………………………….67


15.3.Accionamento do sistema automático…………………………………………………67
16.Técnicas de extinção de incêndio de gás………………………………………..69

Bibliografia……………………………………………………………………………………………………….70

1.Caracterização do sector e definição da profissão

1.1.Aptidões requeridas

O sector da hotelaria e restauração é composto, essencialmente, por pequenas


empresas, que empregam, no máximo, 10 pessoas. Emprega uma mão-de-obra
jovem: de acordo com estatísticas europeias (UE-25, Eurostat 2005), cerca de 48%
dos trabalhadores do sector têm menos de 35 anos, representando as pessoas com 55
ou mais anos menos de 10% da mão-de-obra, embora esta percentagem esteja a
subir em resultado da evolução demográfica.

As mulheres (54% dos trabalhadores) são mais numerosas do que os homens. O


sector funciona como porta de entrada no mercado de trabalho das pessoas jovens e
relativamente pouco qualificadas.

O nível de escolarização da mão-de-obra é baixo: 40% dos trabalhadores são


relativamente pouco qualificados; apenas 1 em cada 10 trabalhadores possui um
diploma do ensino superior. Apesar da exigência das condições de trabalho, o sector
não apresenta taxas de acidentes e de doença superiores à média.

Nos últimos anos, a legislação em matéria de segurança e saúde no trabalho adquiriu


um elevado grau de complexidade.

A nível europeu, os trabalhadores estão abrangidos pela Directiva-Quadro 89/391/CEE.


Esta directiva prevê que os empregadores procedam a avaliações de riscos e impõe-
lhes a obrigação geral de zelar pela segurança e saúde de todos os trabalhadores no
local de trabalho.

Algumas políticas foram formuladas especificamente para o sector da hotelaria e


restauração. Outras, como a relativa à análise dos riscos e controlo dos pontos críticos
(HACCP) e a proibição de fumar, levaram as instituições públicas e os prestadores de
serviços de segurança e de saúde a dedicarem maior atenção ao sector, o que, em

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alguns casos, resultou, por sua vez, na adopção de novas medidas em matéria de
segurança e de saúde.

Os empregos e as condições de trabalho do sector são atípicos, o que se reflecte tanto


nos horários de trabalho como no tipo de contratos. De um modo geral, o sector
carece de maior flexibilidade nas condições e nos horários de trabalho.

Os maiores riscos para quem trabalha neste sector são os seguintes:


 Trabalho fisicamente exigente, que obriga a passar muitas horas de pé e em
posturas estáticas, a movimentação manual de cargas, elevações e movimentos
repetitivos, muitas vezes em combinação com outras condições de trabalho
desfavoráveis, como as que resultam da deficiente concepção do local de
trabalho;
 Exposição a elevados níveis de ruído; cerca de 29% dos trabalhadores do
sector estão expostos a ruído e mais de 4% consideram que tal facto coloca a
sua saúde em risco
 Trabalho em ambientes quentes ou frios, especialmente a combinação de
temperaturas elevadas com correntes de ar, portas abertas, alternância entre
ambientes quentes e húmidos e ambientes frios, como despensas;
 Cortes e queimaduras;
 Escorregadelas, tropeções e quedas devidos a pavimentos húmidos e
escorregadios e a obstáculos, incluindo quedas em altura;
 Substâncias perigosas, por exemplo, o uso generalizado de produtos de limpeza
e de agentes biológicos nos alimentos.

Os principais factores de risco psicossociais são os seguintes:


 Horários de trabalhos prolongados e não convencionais; o sector caracteriza-se
por turnos longos, horários de trabalho irregulares e pouco habituais; uma
parte substancial do trabalho é efectuada quando a maior parte das pessoas
não se encontra a trabalhar;
 Difícil conciliação entre a vida profissional e a vida pessoal, nomeadamente
tendo em conta a imprevisibilidade dos horários de trabalho, a duração dos dias
de trabalho e a falta de controlo sobre o trabalho;
 Elevada carga de trabalho e pressão para que este seja desenvolvido com
celeridade; cerca de 75% dos trabalhadores referem que trabalham a ritmo
elevado, 66% têm de trabalhar com prazos muito curtos e cerca de 48%
afirmam não terem tempo suficiente para fazer todo o trabalho;
 Pouco controlo sobre o trabalho: as tarefas monótonas, sem criatividade e que
exigem pouca iniciativa são muito comuns;

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 Contacto com colegas e com o chefe: a falta de apoio pode agravar o stresse
provocado pelo trabalho; cerca de 70% dos trabalhadores são capazes de pedir
ajuda aos colegas, mas apenas 53% conseguem pedir ajuda aos supervisores;
 o contacto contínuo com clientes pode ser uma fonte de stresse ou, nos piores
casos, conduzir ao assédio ou mesmo à violência;
 Falta de formação e de educação; certas tarefas não exigem qualquer
educação formal, a par de um baixo nível de formação e de experiência; as
pessoas nem sempre possuem a formação adequada às tarefas que executam,
o que pode gerar mais stresse.

1.2.Condições de trabalho

A primeira medida de prevenção de danos dos trabalhadores de limpeza,


nomeadamente causados pelo equipamento de limpeza, consiste na identificação dos
perigos mediante uma avaliação de riscos adequada. Os princípios orientadores que
devem ser tidos em consideração no processo de avaliação de riscos podem ser
divididos em cinco etapas:

Etapa 1: identificação dos perigos e das pessoas em risco


Procurar, no trabalho, aquilo que é susceptível de causar danos e identificar os
trabalhadores eventualmente expostos aos perigos.

O equipamento utilizado pelos trabalhadores de limpeza é diversificado, indo de um


simples balde e esfregona a polidoras rotativas e auto-lavadoras/secadoras com
condutor sentado.

Etapa 2: avaliação dos riscos e estabelecimento de prioridades


Apreciação dos riscos existentes - gravidade e probabilidade dos mesmos, por
exemplo, - e o estabelecimento de prioridades. É essencial definir prioridades para as
acções destinadas a eliminar ou prevenir riscos.

Na apreciação dos riscos para os trabalhadores, importa considerar se a diversidade da


mão-de-obra coloca alguns trabalhadores especialmente em risco. Por exemplo, estão
todos os trabalhadores em condições de compreender instruções verbais e/ou escritas?

Etapa 3: decisão sobre medidas preventivas


Identificação das medidas adequadas de eliminação ou controlo dos riscos, tendo em
conta a diversidade da mão-de-obra. Por exemplo, podem os horários de trabalho ser
ajustados de modo a ajudar trabalhadores que têm dificuldades em alguns turnos?

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Etapa 4: adopção de medidas


Aplicação das medidas preventivas e de protecção através da elaboração de um plano
de prioridades (provavelmente não será possível resolver imediatamente todos os
problemas) e especificando a quem compete fazer o quê e quando, prazos de
execução das tarefas e meios afectados à aplicação das medidas.

O trabalho de limpeza é frequentemente realizado em horários anti-sociais, de manhã


muito cedo ou de noite, e os trabalhadores de limpeza podem trabalhar sós. As
medidas a tomar devem incluir medidas tendentes a minimizar os danos em caso de
acidente ou incidente. Como pode um trabalhador obter ajuda em caso de acidente?

Etapa 5: acompanhamento e reavaliação


A avaliação deve ser revista regularmente, a fim de assegurar a sua actualidade. Deve
ainda ser revista sempre que se verifiquem mudanças relevantes na organização, ou
na sequência dos resultados de uma investigação sobre um acidente ou um “quase
acidente”.

Sempre que possível, os riscos para os trabalhadores devem ser eliminados; por
exemplo, as substâncias perigosas devem ser substituídas por substâncias de utilização
mais segura.

Muitos dos riscos associados aos perigos do equipamento podem ser minimizados
mediante o controlo dos riscos identificados no decurso do processo de avaliação de
riscos. Os controlos podem incluir a selecção do equipamento adequado para as
tarefas de limpeza.

As listas de verificação podem ser úteis para avaliar da existência de perigos ou da


necessidade de tomar medidas. Contudo, não podem cobrir todos os aspectos de um
problema, podendo haver problemas não cobertos pela lista de verificação.

A lista seguinte destaca alguns dos principais problemas associados aos trabalhadores
de limpeza.
 Foi realizada recentemente uma avaliação de riscos que incluísse os riscos do
equipamento de trabalho?
 São utilizados meios de ajuda adequados, como esfregonas com cabos mais
longos para os trabalhadores de limpeza altos?
 Dispõem os trabalhadores de limpeza de equipamento seguro e em boas
condições de manutenção, nomeadamente escadotes que os ajudem a limpar
superfícies sem que tenham de se esticar?

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 Dispõem os trabalhadores de tempo suficiente para realizar as tarefas, de


modo a poderem utilizar o equipamento de trabalho adequadamente e com
segurança?
 Está o trabalho organizado de forma a que os trabalhadores de limpeza
disponham de tempo suficiente para descansar?
 Todo o equipamento fornecido é adequado e de fácil utilização?
 Existe o risco de a maquinaria (quer a que está a ser limpa, quer a que está a
ser utilizada na limpeza) começar a funcionar acidentalmente?
 Foram realizadas avaliações de risco relativamente à movimentação manual?
 Têm os trabalhadores de erguer ou transportar equipamento pesado?
 Recebe o pessoal formação sobre a forma de erguer objectos em segurança e
de utilizar correctamente o equipamento?
 É adquirido equipamento de limpeza com baixo nível de vibrações?
 As peças perigosas das máquinas estão devidamente protegidas?
 O equipamento eléctrico de limpeza é objecto de manutenção e verificação
regulares?
 Foram realizadas avaliações dos produtos químicos de limpeza?
 Existem procedimentos destinados a assegurar que não haja enganos com os
produtos químicos de limpeza?
 Os produtos químicos de limpeza estão claramente rotulados e identificam os
perigos?
 Os trabalhadores lidam com produtos químicos sob formas que constituam risco
acrescido para a saúde, por exemplo, aerossóis ou pós, em vez de produtos
líquidos ou em granulado?
 Os trabalhadores foram informados acerca dos riscos que os produtos químicos
com que trabalham representam para a sua saúde?
 As fichas de dados encontram-se à disposição dos trabalhadores e dos seus
representantes?
 É fornecido gratuitamente aos trabalhadores o equipamento de protecção
individual adequado, nomeadamente luvas?
 Quando é solicitado equipamento de protecção individual, existe supervisão
para assegurar que o mesmo é adequadamente utilizado e substituído quando
necessário?
 Existem procedimentos para garantir a segurança dos trabalhadores de limpeza
que trabalham sós?

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2.Fontes de informação sobre as normas e disposições


relativas à higiene e segurança nos serviços de alojamento

2.1.Legislação

Dado que um Hotel se encontra classificado como um empreendimento turístico e


estabelecimento de restauração e de bebidas, o regulamento que tem de ser verificado
é o de “Medidas de segurança contra riscos de incêndio aplicáveis na construção,
instalação e funcionamento dos empreendimentos turísticos e estabelecimentos de
restauração e de bebidas”, que corresponde à Portaria nº 1063/97, de 21 de Outubro.

As normas respeitantes à segurança contra riscos de incêndio nos empreendimentos


turísticos destinam-se a:
a) Reduzir os riscos de deflagração de incêndios;
b) Impedir a propagação do fogo e de fumos;
c) Permitir a evacuação rápida e segura de todos os ocupantes do
estabelecimento;
d) Permitir a intervenção eficaz dos serviços de bombeiros e de todos os que
devam actuar em casos de emergência.

Os estabelecimentos deverão satisfazer as exigências a seguir enunciadas, em


conformidade com as especificações técnicas:
a) Estabelecer caminhos de evacuação do estabelecimento;
b) Garantir a estabilidade dos elementos estruturais do edifício do
estabelecimento em relação ao fogo;
c) Não utilizar materiais altamente inflamáveis nos revestimentos das paredes,
dos tectos e dos pavimentos, bem como nas decorações interiores;
d) Dispor de equipamentos técnicos (instalação eléctrica, de gás, de ventilação,
de aquecimento) e de aparelhos que funcionem em boas condições de
segurança;
e) Dispor de sistemas de alarme e de alerta apropriados;
f) Dispor de iluminação e sinalização de segurança;
g) Dispor de meios de intervenção apropriados;
h) Dispor de adequados meios de controlo de fumos;
i) Afixar em lugares adequados instruções de segurança;
j) Organizar a instrução adequada do pessoal relativamente às acções a
desenvolver em caso de fogo.

As exigências previstas deverão ser adequadas a cada empreendimento, em função


das suas características próprias, do número de pisos do edifício ocupado pelo

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empreendimento e da sua capacidade, devendo o projecto relativo ao seu


cumprimento ser objecto de parecer do Serviço Nacional de Bombeiros.

Disposições técnicas:

1 – Caminhos de evacuação:

1.1 – Generalidades:

1.1.1 Os caminhos de evacuação (corredores, portas e escadas) devem possuir


características tais que permitam uma evacuação rápida e segura dos ocupantes para
o exterior.

1.1.2 Os caminhos de evacuação devem ainda estar ordenados e distribuídos por


forma a desembocar, independentemente uns dos outros, numa rua ou num espaço
livre suficientemente amplo para possibilitar aos ocupantes afastarem-se do edifício.

1.1.3 Os caminhos de evacuação devem estar providos de sinais de segurança


normalizados e visíveis, tanto de dia como de noite, que orientem os ocupantes no
sentido da saída do estabelecimento em caso de sinistro.

1.1.4 Nos caminhos de evacuação não devem ser colocadas peças de mobiliário nem
quaisquer obstáculos que possam dificultar a circulação e representar um risco de
propagação de incêndio.

1.1.5 Nos caminhos de evacuação não devem ser colocados espelhos susceptíveis de
induzirem em erro os ocupantes relativamente ao sentido correcto do percurso para as
saídas e para as escadas.

1.2 –
1.2.1 As portas situadas nos caminhos de evacuação que devem ser utilizadas pelos
utentes em caso de incêndio, com excepção das dos quartos, têm de se poder abrir no
sentido previsto para essa evacuação e estar munidas de um dispositivo automático
que as mantenha fechadas.

1.2.2 A porta de saída de um caminho de evacuação deverá poder ser em qualquer


circunstância, facilmente aberta pelo interior do estabelecimento por qualquer pessoa
que, em caso de incêndio, com excepção das dos quartos, têm de se poder abrir no
sentido previsto para essa evacuação e estar munidas de um dispositivo automático
que as mantenha fechadas.

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1.2.3 A porta de saída de um caminho de evacuação deverá poder ser, em qualquer


circunstância, facilmente aberta pelo interior do estabelecimento por qualquer pessoa
que, em caso de sinistro, tenha de abandonar o edifício.

As portas giratórias ou de correr deverão ser complementadas por outra porta, de


batente, que abra no sentido previsto para a evacuação.

1.3 –
1.3.1 Os empreendimentos turísticos instalados em pisos de altura igual ou superior a
6m e com capacidade de alojamento superior a 50 pessoas devem dispor de, pelo
menos, duas escadas, entendendo-se como altura a diferença entre a cota do último
piso susceptível de ocupação pelo empreendimento e a cota da via de acesso marginal
ao edifício no local donde seja possível aos bombeiros lançar eficazmente para todo o
edifício as operações de salvamento de pessoas e de combate.

1.3.2 O disposto no número anterior aplicar-se-á também sempre que o


estabelecimento esteja instalado em pisos de altura igual ou superior a 9m,
independentemente da sua capacidade.

1.3.3 Como segunda escada pode aceitar-se uma escada exterior, desde que ofereça
condições de segurança julgadas satisfatórias.

1.3.4 O número e a largura das escadas devem ser suficientes para a evacuação das
pessoas susceptíveis de se encontrarem no estabelecimento se possa efectuar
satisfatoriamente.

1.3.5 A largura das escadas não pode ser inferior a 1.2m, salvo no caso das escadas
suplementares, que poderão ter apenas 0.8m de largura, no mínimo.

1.3.6 Quando o estabelecimento disponha de várias escadas, a distância a percorrer


de qualquer ponto de um caminho de evacuação para atingir qualquer das escadas
não deve ultrapassar 35m.

1.3.7 Nos estabelecimentos existentes, se as escadas derem acesso a caves do


estabelecimento, devem tomar-se as disposições necessárias para evitar a
possibilidade de as pessoas se desorientarem e descerem abaixo do nível dos
arruamentos exteriores e, sempre que possível, implementarem-se mecanismos que
interrompam a continuidade da escada.

1.4 –

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1.4.1 O comprimento dos corredores sem saída não deve ultrapassar 10m.

1.4.2 O comprimento dos corredores deve respeitar, em qualquer caso, a distância de


35m.

1.4.3 Os corredores devem ter iluminação natural e ou artificial que permita circulação
dos clientes, mesmo em caso de sinistro.

2 Características de construção:

2.1 Generalidades – as características da construção dos estabelecimentos hoteleiros


devem preencher as qualificações definidas anexo 2, para que:
a) O comportamento ao fogo dos elementos estruturais seja o adequado para
assegurar, em caso de incêndio, a estabilidade do conjunto durante um período
de tempo considerado suficiente.
b) A compartimentação do edifício constitua uma barreira contra a propagação
de fumos e chamas que permitam manter os caminhos de evacuação acessíveis
e praticáveis durante um período de tempo considerado suficiente
relativamente às operações de evacuação e de intervenção.

2.2 Estruturas dos edifícios onde se integram os empreendimentos turísticos:

2.2.1 Relativamente aos edifícios com um só piso (rés-do-chão sem cave) não é feita
qualquer exigência de resistência ao fogo das respectivas estruturas.

2.2.2 A resistência ao fogo das estruturas dos edifícios cuja altura não seja superior a
9m deve ser da classe EF 30, no mínimo.

2.2.3 A resistência ao fogo das estruturas dos edifícios cuja altura não seja superior a
28m deve ser da classe EF 60, no mínimo.

2.2.4 A resistência ao fogo da estrutura dos edifícios cuja altura seja superior a 28m
deve ser da classe EF 90, no mínimo.

2.3 Pavimentos (placas)

2.3.1 A resistência ao fogo dos pavimentos dos edifícios cuja altura não seja superior
a 9m deve ser da classe CF30, no mínimo.

2.3.2 A resistência ao fogo dos pavimentos dos edifícios cuja altura não seja superior
a 28m deve ser da classe CF60, no mínimo.

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2.3.3 A resistência ao fogo dos pavimentos dos edifícios cuja altura seja superior a
28m deve ser da classe CF90, no mínimo.

2.4 Enclausuramento das escadas:

2.4.1 As escadas que fazem parte dos caminhos de evacuação de emergência do


edifício onde se localiza o empreendimento turístico e cujas instalações se situem em
pisos de altura igual ou superior a 9m devem ser enclausuradas.

2.4.1.1 As paredes das caixas de escada devem apresentar uma resistência ao fogo
da classe CF 30, no mínimo, da classe CF 60 para edifícios com mais de 9m de altura e
da classe CF 90 Para edifícios com mais de 28m.

2.4.1.2 As portas de acesso a estas caixas de escada devem ter uma resistência ao
fogo da classe PC 30, no mínimo, e da classe PC 60 para os edifícios de altura superior
a 28m.

2.4.1.3 As portas referidas no número anterior deverão estar equipadas com um


dispositivo de fecho automático e ter afixado nelas a indicação de que devem ser
mantidas fechadas.

2.4.2 Quando a mesma caixa da escada permita servir pisos situados acima e abaixo
do solo, devem ser adoptadas soluções construtivas que tornem independentes os dois
troços da escada no que respeita ao risco de propagação do incêndio e de fumo.

2.4.3 Na parte superior das caixas da escada deve existir uma abertura, com uma
área total no mínimo de 1 m2 (clarabóias ou janelas envidraçadas com vidro facilmente
quebrável), com um dispositivo que permita a sua fácil abertura a partir do piso térreo,
caso não seja directamente acessível.

2.4.4 As caixas das escadas de serviço reservadas ao pessoal do estabelecimento no


seu funcionamento normal devem ser objecto de uma protecção baseada nos critérios
referidos nos números anteriores.

2.4.5 Nos estabelecimentos existentes, quando se verifique a impossibilidade prática


de enclausuramento das escadas, devem ser tomadas medidas compensatórias
destinadas a acelerar a evacuação do edifício, como por exemplo, criação de caminhos
de evacuação alternativos, instalação de sistema automático de detenção de incêndios,
cobrindo todas as dependências do edifício, etc.

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2.5 Compartimentação:

2.5.1 As paredes que separam os quartos dos caminhos horizontais de evacuação


devem ter uma resistência ao fogo da classe CF 30 no mínimo.

2.5.2 As portas dos quartos para os caminhos horizontais de evacuação devem ter
uma resistência ao fogo da classe PC 15, no mínimo.

2.5.3 As paredes e pavimentos que separam os quartos e caminhos de evacuação de


locais que apresentem risco de incêndio agravado (por exemplo, cozinhas, lavandarias,
salas de caldeira, caves) devem ter uma resistência ao fogo da classe CF 60, no
mínimo

2.5.4 As portas dos locais referidos no número anterior devem ter uma resistência ao
fogo da classe PC 60, no mínimo.

3 Revestimentos e Decorações:
3.1 Generalidades:

3.1.1 Nos estabelecimentos hoteleiros os revestimentos das superfícies e os elementos


de decoração devem apresentar, do ponto de vista da reacção ao fogo, características
tais que não constituam risco particular relativamente à propagação do incêndio e à
produção de fumos, particularmente nas seguintes zonas:
a) Caminhos de evacuação, nomeadamente corredores, escadas e zonas de
passagem, como vestíbulos, átrios e saídas;
b) Locais acessíveis ao público, nomeadamente aos hóspedes do
estabelecimento, com excepção dos quartos.

3.1.2 Os revestimentos e os elementos de decoração a ter especialmente em


consideração nas zonas referidas no número anterior são, nomeadamente, os
seguintes:
a) Os revestimentos dos pavimentos, das paredes e dos tectos;
b) Os elementos decorativos das paredes e dos tectos.

3.2 Caminhos de evacuação:

3.2.1 Os materiais de revestimento das superfícies interiores dos caminhos de


evacuação devem ter reacção ao fogo das classes que, para cada caso, a seguir se
indicam;
Materiais de revestimento de pavimentos – M3
Materiais de revestimento de paredes – M2
Materiais de revestimento de paredes – M1

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3.2.2 O disposto no número anterior não é obrigatório para os materiais de


revestimento de átrios e saídas ao nível do 1º piso (rés-do-chão), que poderão
satisfazer apenas o estabelecido no nº3.3.1.

3.3 Locais acessíveis ao público:

3.3.1 Os materiais de revestimento e elementos decorativos dos demais locais


acessíveis ao público a que se refere a alínea b) do nº 3.1.1, nomeadamente salas de
estar, de televisão, de conferências, restaurantes e bares, devem ter uma reacção ao
fogo das classes que, para cada caso, a seguir se indicam:
Materiais de revestimentos de pavimento – M4
Materiais de revestimento e decoração de paredes – M3
Materiais de revestimento e decoração de tectos – M2

3.3.2 O disposto no número anterior não é aplicável aos quartos dos


empreendimentos.

4 Instalação eléctrica:

4.1 A instalação eléctrica deverá estar em conformidade com as disposições legais


aplicáveis em vigor.

4.2 Iluminação:

4.2.1 Iluminação normal – o sistema de iluminação normal de um empreendimento


turístico deve ser eléctrico.

4.2.2 Iluminação de segurança – o sistema de iluminação de segurança destes


empreendimentos deverá ser concebido e instalado de forma a funcionar durante o
tempo suficiente para permitir a evacuação de todos os ocupantes do estabelecimento.

4.2.3 O sistema de iluminação de segurança pode ser dispensado sempre que o


estabelecimento não ocupe mais de dois pisos e sua capacidade for inferior a 50
camas.

4.3 Equipamentos eléctricos:

4.3.1 Todos os aparelhos e equipamentos eléctricos devem obedecer a normas legais


em vigor sobre essa matéria.

4.3.2 Os aparelhos de aquecimento eléctrico deverão ser fixos.

5 Instalações que utilizam combustíveis líquidos ou gasosos:

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5.1 Generalidades – todas as instalações que utilizam combustíveis líquidos ou gasosos


devem obedecer às prescrições regulamentares em vigor sobre a matéria.

5.2 Aquecimento:
5.2.1 O sistema de aquecimento de um empreendimento turístico pode ser assegurado
por aparelhos de aquecimento ligados a uma central ou aparelhos de aquecimento
autónomos.

5.2.2 Os aparelhos de aquecimento autónomos deverão ser fixos.

5.3 Casa das caldeiras (central de aquecimento):

5.3.1 As paredes da sala das caldeiras devem ter uma resistência ao fogo da classe CF
60, no mínimo, e satisfazer ainda os requisitos fixados no nº 2.4.1.3.

5.4 Distribuição de fluidos combustíveis:

5.4.1 A alimentação dos aparelhos que utilizem combustíveis líquidos ou gasosos deve
poder ser interrompida por um dispositivo de fecho, comando manual, no mínimo.

5.4.1.1 Para os aparelhos autónomos, o dispositivo de fecho deve ser situado junto do
aparelho.

5.4.1.2 Para os aparelhos colectivos, normalmente de aquecimento central, instalados


na casa de caldeiras ou dentro de um local separado, o dispositivo de fecho deverá ser
colocado no exterior da casa das caldeiras, num local de fácil acesso ou bem
sinalizado.

5.4.2 Se o edifício no qual está situado o empreendimento turístico dispuser de uma


rede de distribuição de gás de abastecimento geral, essa canalização deve ter, pelo
menos, um dispositivo de fecho, de comando manual, colocado logo À entrada da
canalização, no edifício e devidamente sinalizado.

5.4.3 No caso dos combustíveis líquidos, quando o depósito se situar no interior de


um edifício, o local em que o depósito se encontra deverá estar concebido de modo a
corresponder, pelo menos, às disposições do nº 5.3 e a poder reter eventuais fugas de
combustível.

5.4.4 No caso do gás de petróleo liquefeito, o depósito deve situar-se no exterior do


edifício.

5.5 Aparelhos de queima de gás:

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5.5.1 Todos os aparelhos de queima de gás devem estar em conformidade com as


disposições legais em vigor nesta matéria.

5.5.2 Estes aparelhos devem ser objecto de instalação e manutenção adequada e o


seu modo de emprego deve estar claramente indicado.

6 Sistemas de ventilação e climatização:

6.1 Devem ser instalados de forma a evitar a propagação do incêndio, bem como de
gases e fumos, através das suas condutas de distribuição.

6.2 Devem estar providos de um dispositivo de corte geral, manual, colocado em local
de fácil acesso e perfeitamente assinalado.

6.3 Quando o empreendimento turístico estiver equipado com um sistema automático


de detecção de incêndio, este deve comandar o dispositivo de corte geral.

6.4 A conduta de evacuação de fumos e cheiros das cozinhas dos estabelecimentos


deve ser construída em material incombustível e conduzir, tão directamente quanto
possível, ao exterior.

7 Elevadores

7.1 As instalações de elevadores devem estar de acordo com as disposições da


regulamentação em vigor.

7.2 Junto das portas de acesso aos elevadores devem ser colocados sinais que
indiquem a proibição de utilização dos mesmos em caso de incêndio.

7.3 Quando o empreendimento turístico estiver equipado com um sistema automático


de detecção de incêndios, este deve comandar os elevadores, de forma que, em caso
de incêndio, permaneçam parados no piso de saída, com as portas abertas.

8 Meios de intervenção de alarme e de alertas:

8.1 Meios de intervenção imediata:

8.1.1 Todos os empreendimentos turísticos devem dispor de uma equipa de


segurança e estar dotados de meios de intervenção imediata destinados a combater
um princípio de incêndio.

15
Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

8.1.2 Os meios de intervenção imediata são constituídos por extintores portáteis e por
dispositivos fixos equivalentes, tais como bocas-de-incêndio tipo «carretel» armadas
com mangueiras semi-rígidas DN 25 com cumprimentos entre 20m e 25m e agulheta
de três posições.

8.1.3 Os meios de intervenção imediata devem estar instalados em todos os pisos


ocupados pelo estabelecimento, junto aos acessos às escadas ou às saídas, nos
caminhos de evacuação, a uma distância máxima de uns para os outros de 25m.

8.1.4 Os meios de intervenção imediata devem ainda ser instalados nas proximidades
dos locais que apresentam riscos específicos de incêndio.

8.1.5 Os meios de intervenção imediata devem ser colocados em locais de fácil de


acesso, devidamente sinalizados, e ser mantidos em bom estado de conservação e
funcionamento.
Estão situados nos corredores, devidamente sinalizados e visíveis.

8.1.6 O número e tipo de extintores portáteis e dos demais meios de intervenção


imediata a instalar serão fixados, caso a caso, em função das características e da
capacidade dos estabelecimentos.

8.1.7 Os meios de intervenção imediata devem obedecer às disposições em vigor. Em


complemento dos meios de intervenção imediata, poderá ser exigida pelo Serviço
Nacional de Bombeiros a instalação de meios de segunda intervenção, tais como
bocas-de-incêndio não armadas ligadas a colunas secas ou húmidas.

8.2 Alarme:

8.2.1 Os estabelecimentos hoteleiros devem ser dotados, no mínimo, de um sistema


de alarme sonoro fiável e de uma rede de batoneiras de alarme manual.

8.2.2 Seja qual for o tipo, este sistema deve ter um funcionamento adaptado às
características de construção e de exploração do estabelecimentos, conforme critério a
definir pelo serviço Nacional de Bombeiros, e permitir, em caso de sinistro, o aviso
atempado de todas as pessoas que nele se encontrem.

8.3 Alerta:

8.3.1 A corporação de bombeiros da área do estabelecimento deve poder ser alertada


facilmente pela rede telefónica pública, por uma linha directa ou por qualquer outro
meio equivalente adequado.

16
Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

8.3.2 A forma de contactar os serviços de bombeiros deve estar claramente indicada


em todos os locais a partir dos quais seja possível estabelecer tal contacto. No caso da
rede telefónica pública, o número de telefone da corporação de bombeiros e o seu
endereço deverão ser afixados bem em evidência na central telefónica do
estabelecimento e na portaria.

9 Plano de emergência e instruções de segurança:

9.1 Nas entradas de cada piso e em local bem visível, devem estar afixadas, instruções
relativas à conduta a seguir, em caso de incêndio, pelo pessoal e pelo público, bem
como uma planta do piso devidamente orientada relativamente à posição do
observador, destinada a informar os bombeiros da localização:
a) Das escadas e caminhos de evacuação;
b) Dos meios de intervenção disponíveis;
c) Dos dispositivos de corte das instalações de distribuição de gás e de energia
eléctrica;
d) Dos dispositivos de corte do sistema de ventilação;
e) Do quadro geral do sistema de detecção de alarme;
f) Das instalações e locais que representem perigo particular.

9.2 Em cada quarto:

9.2.1 Nos quartos devem ser colocadas, de forma bem visível, instruções precisas que
indiquem o comportamento a seguir em caso de incêndio, traduzidas em várias
línguas, tendo em conta a origem da clientela habitual do estabelecimento.

9.2.2 As instruções de segurança devem chamar a atenção para a proibição de se


utilizarem os ascensores em caso de incêndio, com excepção dos reservados à
evacuação de deficientes motores.

9.2.3 Tais instruções devem estar acompanhadas de uma planta simplificada do


andar, devidamente orientada relativamente À posição do observador, indicando
esquematicamente a posição do quarto em relação aos caminhos de evacuação, às
escadas e ou às saídas, assim como a localização dos meios de intervenção, alarme ou
alerta.

9.3 Instruções de segurança e plantas de orientação – os documentos referidos nos


números anteriores devem ser enviados à Direcção-Geral do Turismo e ao Serviço
Nacional de Bombeiros, para aprovação.

17
Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

9.3.1 Tais documentos consideram-se aprovados se nenhuma das referidas entidades


determinar a introdução de alterações nos 15 dias seguintes à sua recepção.

10 Formação de pessoal:

10.1 A direcção do empreendimento turístico deve assegurar que, em caso de


incêndio, todo o pessoal do estabelecimento esteja em condições de:
a) Utilizar correctamente os meios de primeira intervenção e os sistemas de
alarme e alerta;
b) Contribuir de forma eficaz para a evacuação de todos os ocupantes do
empreendimento.

10.2 Para os efeitos do estabelecido no número anterior, o pessoal de qualquer


empreendimento turístico deve participar, pelo menos duas vezes por ano, de forma
compatível com as condições de exploração, em sessões de instrução e treino de
manuseamento dos meios de intervenção, alarme e alerta, bem como em exercícios de
evacuação do edifício, coordenados pelo Serviço Nacional de Bombeiros.

2.2.Manuais de segurança

Os estabelecimentos industriais, comerciais e de serviços devem, na sua concepção,


ser projectados em obediência a regras de segurança existentes nos Regulamentos de
Segurança aplicáveis ao tipo de actividade que vão acolher.

A observância das regras de segurança previstas naqueles Regulamentos destina-se a


prevenir situações de risco. No entanto, mesmo a prevenção mais rigorosa não impede
que os acidentes ocorram, ou por falha humana ou pela ocorrência de uma
circunstância não prevista.

Os manuais de segurança são documentos que reúnem um conjunto de


recomendações básicas de segurança, que permitem que os trabalhadores conheçam e
se movimentem melhor e com mais protecção nos seus locais de trabalho.

A simples aplicação das recomendações destes manuais auxilia a segurança e garante


a protecção de todo aqueles que se movimentam no espaço.

2.3.Plano de segurança da unidade hoteleira

A legislação em vigor refere como obrigações do empregador "Adoptar medidas e dar


instruções que permitam aos trabalhadores, em caso de perigo grave e iminente que
não possa ser evitado, cessar a sua actividade ou afastar-se imediatamente do local de

18
Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

trabalho, sem que possam retomar a actividade enquanto persistir esse perigo, salvo
em casos excepcionais e desde que assegurada a protecção adequada."

Também os mesmos diplomas referem no atinente aos trabalhadores "Em caso de


perigo grave e iminente, não sendo possível estabelecer contacto imediato com o
superior hierárquico ou com os trabalhadores que desempenham funções específicas
nos domínios da segurança, higiene e saúde no local de trabalho, adoptar as medidas
e instruções estabelecidas para tal situação."

Para além das estruturas físicas é necessário criar um sistema integrado que conjugue
determinado número de variáveis orientadas em função do objectivo a atingir.

Quando falamos de um plano de segurança referimos um esquema que visa reduzir a


possibilidade de ocorrência de incidentes, sendo feito com o objectivo de proteger a
integridade pessoal, das instalações, dos equipamentos e da informação, por forma a
minorar os prejuízos humanos e materiais e permitir o rápido restabelecimento da
normalidade

A elaboração de um plano de segurança é de extrema importância porque permite:


1. Identificar os riscos;
2. Estabelecer cenários de acidentes para os riscos identificados;
3. Definir princípios, normas e regras de actuação gerais face aos cenários
possíveis;
4. Organizar os meios de socorro e missões para cada um dos intervenientes;
5. Desencadear acções oportunas, que minimizem consequências do sinistro;
6. Evitar confusões, erros, atropelos e a duplicação de actuações;
7. Prever e organiza antecipadamente a evacuação e intervenção;
8. Utilizar rotinas e procedimentos testáveis, através de exercícios de simulação.

Assim, um Plano de Segurança deve, por isso, ter as seguintes características:


 Simplicidade – para ser bem compreendido e evitar confusões e erros.
Flexibilidade – para permitir a sua adaptação a situações não coincidentes
com os cenários inicialmente previstos;
 Dinamismo – deve ser actualizado, em função dos riscos e da evolução dos
meios disponíveis;
 Adequação – adequado à realidade da instituição e aos meios existentes.
 Precisão – Deve ser claro na atribuição de responsabilidades.
3.Meios e regras de segurança

3.1.Vestuário de protecção

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

O tipo de roupa que usamos no local de trabalho depende da tarefa que


desempenhamos. Assim, existem trabalhos que requerem a utilização de
equipamentos específicos de protecção, os chamados equipamentos de protecção
individual.

Na área de hotelaria a necessidade de vestuário de protecção não é muito relevante,


sendo que o usual é o básico vestuário que garante higiene na realização das tarefas.

Exemplo de vestuários de protecção:

Touca
Avental de Couro Avental plastificado

Protecção para sapatos

Colete de alta visibilidade


Cinta em couro

3.2.Supressão da negligência e falta de atenção

Negligência, é o termo que designa falta de cuidado ou de aplicação numa


determinada situação, tarefa ou ocorrência. É frequentemente utilizado como
sinónimo dos termos "descuido", "incúria", "desleixo", "desmazelo" ou "preguiça”.

A negligência face ao perigo que representa a utilização de máquinas, instrumentos,


produtos ou substâncias é um dos principais factores de acidentes de trabalho. Este
“descuido” pode ocorrer nas mais diversas situações:
 Incorrecta diluição de um produto,

20
Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

 Uso de vestuário desadequado ao trabalho,


 Errada rotulação de substâncias,
 Manuseamento incorrecto de equipamentos,
 …

Assim, um dos objectivos da formação em HST passa por alertar as pessoas do preço
que, hipoteticamente, terão de “pagar” pela sua falta de atenção em relação a
determinadas situações ou procedimento, e fazê-las reparar em pormenores para os
quais não estariam tão atentas durante a sua rotina de trabalho.

3.3.Protecção de máquinas

Muitos processos produtivos dependem da utilização de máquinas, pelo que é


importante a existência e o cumprimento dos requisitos de segurança em máquinas
industriais ou a sua implementação no terreno de modo a garantir a maior segurança
aos operadores.

Assim, existe regulamentação para a protecção de máquinas, que assegura que as


máquinas colocadas à disposição dos trabalhadores para realizar as suas tarefas, desde
que “convenientemente instaladas, mantidas e utilizadas de acordo com o fim a que se
destinam não pode comprometer a segurança e a saúde de pessoas e bens”

Entre os requisitos de segurança destacam-se as seguintes obrigações:


 Comando de Accionamento
o Devem estar visíveis e acessíveis a partir do posto de trabalho normal
o Devem estar identificados em português ou então por símbolos
 Comando de arranque:
o A máquina só entra em funcionamento quando se acciona este
comando, não devendo arrancar sozinho quando volta a corrente
 Comando de Paragem
o Deve sempre sobrepor-se ao comando de arranque
 Stop de emergência
o Esta função corta a energia, pode ter um aspecto de barra botão ou
cabo.

3.4.Estabelecimento de condições de trabalho facilitadoras de


segurança (ergonomia)

Estudos demonstraram que as lesões músculo-esqueléticas constituem a principal


causa de ausência do trabalho por doença dos trabalhadores de limpeza. O trabalho de
limpeza é fisicamente exigente e de mão-de-obra intensiva.

21
Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

Cerca de 80% do trabalho de limpeza é realizado manualmente, com ferramentas não


eléctricas; por exemplo, lavar o chão, varrer e limpar o pó. Muitas destas tarefas
exigem que o trabalhador se estique, execute movimentos repetitivos, se coloque em
posições forçadas, realize grande esforço físico e sobrecarregue os membros inferiores,
o que contribui para a contracção de lesões músculo-esqueléticas.

Mesmo o equipamento mais simples, como uma esfregona, deve ser considerado em
termos de requisitos do utilizador do trabalhador de limpeza. São indicações
importantes de lesões músculo-esqueléticas no local de trabalho:
• O aumento das ausências por doença
• Queixas de dores e de desconforto por parte dos trabalhadores de limpeza
• Notificação de problemas por parte de representantes para a segurança ou de
representantes sindicais
• A adaptação do equipamento pelos próprios trabalhadores de limpeza
• A falta de vontade de executar determinadas tarefas.

Quando os problemas surgem, os empregadores têm de tomar medidas para prevenir


o agravamento dos danos aos trabalhadores; contudo, é claramente preferível que o
empregador identifique e elimine os riscos antes de os trabalhadores sofrerem lesões.

Os sintomas podem ocorrer repentinamente ou podem manifestar-se gradualmente.


Os sintomas iniciais incluem:
• Torpor e sensação de formigueiro
• Dores
• Espasmos musculares
• Tumefacção e sensibilidade dolorosa.

Casos graves de lesões músculo-esqueléticas podem provocar incapacidade


permanente. O pessoal deve declarar os sintomas o mais cedo possível, de modo a
poder receber tratamento médico de imediato e a permitir que as suas condições de
trabalho sejam melhoradas, para que possam regressar ao trabalho o mais depressa
possível sem risco de recorrência do problema.

22
Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

4.Segurança na condução de equipamento e na


movimentação de materiais na unidade hoteleira

4.1.Normas do vestuário

A apresentação do uniforme é da responsabilidade do funcionário que deve tomar


todas as precauções:
 Ao despir o uniforme, verificar se ele está em condições de ser usado no dia
seguinte;
 Se não estiver, providenciar logo a sua troca na rouparia, pois se deixar para o
dia seguinte e houver algum impedimento daquela, estará a atrasar a sua
chegada ao posto de trabalho, constrangendo os colegas e enervando-se a si
próprio;
 Se o uniforme estiver em condições de ser usado no dia seguinte, garantir que
fique bem pendurado para não se manchar ou ganhar vincos ou rugas;
 Não aceitar manchas, rugas, rasgos ou sujidade;~
 Não aceitar perdas de costuras e botões;
 Não aceitar as gravatas enrugadas ou sujas;
 Exigir sapatos bem engraxados e apresentáveis;
 Não usar roupas com mau cheiro ou suor;
 Não aceitar colarinhos de camisa rotos ou enrugados;
 Usar sempre o crachá com o uniforme.

4.2.Prevenção de choques eléctricos

Cuidados gerais com equipamentos eléctricos:


 Desligar sempre o aparelho e tirar a ficha da tomada antes de limpar, tocar ou
retirar acessórios do equipamento.
 Nunca utilizar uma extensão enquanto estiver a ensaboar ou esfregar, a menos
que as ligações eléctricas estejam protegidas de ficarem molhadas.
 Manter as soluções de detergentes bem afastadas das ligações eléctricas.
 Enrolar cuidadosamente os fios eléctricos par que estes não formem nós.
 Se a máquina revelar sinais de mau funcionamento, informar imediatamente e
colocar um rótulo no aparelho a dizer “fora de serviço”.

Cuidados a ter com a utilização do aspirador:


 O aspirador é um aparelho muito útil e frágil, deve ser manipulado com
cuidado.
 Verifique se a tensão de alimentação do aparelho corresponde à instalação
eléctrica disponível.
 Guarde o aspirador em local seco e longe dos raios solares.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

 Não utilizar o aparelho com o cabo eléctrico ou outros componentes


danificados.
 Não deixar o cabo eléctrico tocar superfícies quentes ou cortantes.
 Não molhar o aspirador, nem utilizá-lo com as mãos ou pés molhados.
 Não aspire substâncias inflamáveis ou explosivas (líquido, gás)
 Não aspire resíduos incandescentes (cinzas quentes ,brasas,…)

4.3.Movimentação de peças pesadas

Muitas actividades do sector requerem a movimentação manual de cargas: elevar


tachos e panelas e tabuleiros de máquinas de lavar louça, transportar pilhas de pratos,
flectir-se para limpar fritadeiras e aspirar.

As lesões podem resultar de um único incidente grave, mas, na maior parte dos casos,
são consequência de stresse e de esforço durante um longo período. A elevação e o
transporte de objectos pesados são uma das principais causas das dores lombares,
enquanto as actividades repetitivas ou que exigem esforço físico e uma postura
inadequada estão associadas a lesões dos membros superiores.

As lesões músculo-esqueléticas resultantes da movimentação manual de cargas e do


trabalho repetitivo são muito frequentes no sector da hotelaria e restauração. As
lesões músculo-esqueléticas constituem lesões de estruturas orgânicas, como os
músculos, as articulações, os tendões, os ligamentos e os nervos, relacionadas com o
trabalho.

A maioria das lesões músculo-esqueléticas de origem profissional são perturbações


cumulativas resultantes da exposição repetida a esforços mais ou menos intensos ao
longo de um período de tempo prolongado.

No entanto, podem também assumir a forma de traumatismos agudos, como fracturas


causadas por acidentes. Estas perturbações afectam principalmente a região
dorsolombar, a zona cervical, os ombros e os membros superiores, mas podem afectar
também os membros inferiores.

Os trabalhadores do sector da hotelaria e restauração podem incorrer num maior risco


de desenvolver lesões músculo-esqueléticas devido ao facto de o seu trabalho os
obrigar, frequentemente, a permanecer de pé durante longos períodos e a trabalhar
em posturas incorrectas.

24
Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

Uma parte considerável do seu trabalho é fisicamente exigente e stressante, para além
de trabalharem muitas horas seguidas. Por último, muitos trabalhadores sazonais e
jovens não têm tempo para se adaptar às tarefas ou não estão habituados a trabalhar
arduamente.

Que pode ser feito?


 Avaliar todas as áreas de trabalho, a fim de identificar riscos de lesões
músculo-esqueléticas e, nomeadamente, de determinar se é possível evitar a
elevação e o transporte de cargas.
 Utilizar, sempre que possível, apoios mecânicos, como carrinhos de quatro
rodas ou carrinhos para o transporte de sacos.
 Adaptar a disposição do local de trabalho em acordo com os trabalhadores e
assegurar que os trabalhadores são instruídos acerca da forma de utilizar os
apoios mecânicos.
 Na elevação ou no transporte, colocar a carga tão próxima quanto possível do
corpo.
 Aprovisionar-se de cargas mais leves e de quantidades mais pequenas.
 Arrumar as prateleiras de forma segura.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

5. Plano de segurança da unidade hoteleira

5.1.Plano de prevenção de acidentes

O acidente é o mais prejudicial inimigo de quem trabalha. Devem ser evitadas todas as
causas de acidente.

Todo o pessoal deve colaborar e ter cuidado na prevenção de acidentes, mas a


segurança tem ainda duas outras responsabilidades, que são:
 Inspeccionar se todos os cuidados estão a ser tomados;
 Treinar, ensinar ou aconselhar todo o outro pessoal sempre que não estejam a
seguir os preceitos aconselháveis de prevenção de acidentes.

Alguns cuidados a implementar num plano de prevenção de acidentes:


 Não armazenar produtos inflamáveis junto de quadros eléctricos ou perto de
caldeiras;
 Não amontoar ou aguardar papéis, cartões ou plásticos nas áreas de trabalho;
 Não deixar líquidos ou gorduras no chão, sem limpar;
 Evitar piso escorregadio;
 Abrir portas de vaivém, devagar e com as mãos;
 Não sobrecarregar recipientes ou bandejas;
 Remover imediatamente líquidos ou substâncias derramadas;
 Manejar com cuidado facas, garrafas e substâncias quentes;
 Fumar apenas nos locais indicados;
 Evitar correr (andar apenas sem perder tempo);
 Tomar cuidado ao lidar com motores ou máquinas pesadas;
 Ter cuidado ao lidar com caldeiras, fogões ou calandras na lavandaria.

5.2.Plano de prevenção de incêndios

Muitos incêndios têm origem na secção de andares, sobretudo nas copas, nos
armazéns e despensas, nas caldeiras e depósitos. São em geral o resultado de
negligência, falta de cuidado ou de atenção às possíveis causas.
Alguns elementos que provocam incêndio são:
 Óleos inflamados e gordura;
 Fios gastos ou descarnados;
 Pontas de cigarro;
 Queimadores de fogão acesos;
 Queimadores de álcool usados com negligência;
 Embalagens plásticas ou de papelão armazenadas perto de fontes de calor.

A maioria dos incêndios pode ser prevenindo seguindo as seguintes normas:


 Verificar quadros eléctricos e detectar fios gastos ou descarnados;
 Retirar material inflamável de perto das áreas de calor;
 Não sobrecarregar circuitos eléctricos;
 Colocar cinzeiros suficientes e bem distribuídos;

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

 Desligar conexões ou equipamentos defeituosos; Tomar cuidados especiais ao


acender bicos de gás ou lamparinas e ao manusear álcool perto destes;
 Fumar apenas nos locais indicados;
 Desligar todos os equipamentos e queimadores quando não estiverem a ser
usados ou durante o período de encerramento.

5.3.Plano de evacuação

O Plano de Emergência tem por objectivo fundamental a protecção de pessoas, bens


ou ambiente, em caso de ocorrência inesperada de situações perigosas e imprevistas
como, por exemplo, incêndio, inundação, explosão, ameaça de bomba, derrame de
substâncias químicas, etc.

Cada tipo de acontecimento perigoso requer actuações muito particulares e, em função


da sua gravidade, duração ou amplitude pode classificar-se em:
 Crise, em que a duração da ocorrência é curta e localizada (ex.. sismos,
inundações) necessitando de respostas imediatas no local e que podem afectar
não só o estabelecimento como também a vizinhança;
 Situação de emergência que obriga à tomada de medidas de excepção para
prevenir consequências negativas para as pessoas, equipamentos e ambiente
(ex.: ameaça terrorista, acidentes industriais graves).

As consequências destes eventos poderão ser minimizadas se estiverem previstas


medidas especiais de actuação e se as mesmas forem treinadas com regularidade.

O Plano de Emergência deverá ser constituído por um conjunto o mais abrangente


possível de instruções e procedimentos simples e práticos que deverão ser do
conhecimento de todos os colaboradores, incluindo os visitantes, clientes, fornecedores
e prestadores de serviços na empresa.

O Plano de Emergência não poderá considerar-se completo se não incluir um plano de


evacuação adequado e adaptado, no que respeita a:
 Características do próprio edifício;
 Acessibilidade;
 Disponibilidade de acessos e vias de evacuação em toda a área da instalação,
com especial atenção para as zonas consideradas mais perigosas onde existam
pessoas permanente ou ocasionalmente;
 Determinar um local de concentração ("Ponto Encontro"), amplo e afastado dos
locais de risco;

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

 Adequar os caminhos de evacuação, dependendo do tipo de instalação (ex.:


garagem, unidade industrial, edifício de andares);
 As vias de evacuação deverão estar identificadas de forma correcta,
nomeadamente através de placas informativas colocadas em áreas
estratégicas, contendo alternativas em função do local e do tipo de sinistro;
 Os treinos da evacuação e do combate ao sinistro são igualmente importantes,
devendo estar coordenados entre si.

5.4.Plano contra roubos

Apesar de todos os cuidados, por vezes acontecem situações de roubo nos


estabelecimentos hoteleiros, perpetrados por indivíduos conhecedores dos hábitos
praticados.

O facto de um estabelecimento hoteleiro estar com as suas portas abertas ao público,


devido à actividade exercida, torna-se a sua maior vulnerabilidade, pois cria as
condições necessárias a indivíduos mal-intencionados.

Roubos Simples
Os roubos simples são cometidos nas zonas comuns do hotel, como o Hall ou os
corredores, por esquecimento de algum objecto, uma vitrina mal fechada ou de fácil
violação.

Para prevenir este tipo de situação, recomenda-se aos bagageiros que sejam céleres a
transportar a bagagem dos clientes para os quartos, e o pessoal da recepção deve
estar sempre com muita atenção às entradas e saídas e recolher qualquer objecto
esquecido.

O Roubo nos quartos


Este tipo de roubo é bastante grave, pois os clientes esperam poder estar em
segurança nessa zona privada.

Apesar de o hoteleiro não ser responsável por objectos deixados nos quartos, deve
manter o estabelecimento em segurança. Os roubos nos quartos são levados a cabo
por indivíduos munidos de chaves falsas, pinças e chave de fendas, ou por
arrombamento quando a porta em questão é frágil.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

Sempre que uma funcionária presencie uma situação em que o cliente pareça ter
alguma dificuldade em abrir a porta, deve proceder da seguinte forma:
• Contactar rapidamente a recepção, descrevendo “o cliente” e o número do
quarto
• Voltar novamente ao local a fim de evitar nova investida
• A recepção deve tomar providências imediatas sem causar alarme

Devemos salientar que estas situações devem ser geridas com prudência e serenidade,
pois pode de facto tratar-se de um cliente que se enganou no andar.

O Roubo por escalada para ao quarto


Apesar de ser uma situação mais rara, ainda acontece, especialmente em
estabelecimentos hoteleiros situados em parques, ou rodeados de grandes jardins.

O acesso ao quarto é feito através da janela ou varanda. Enquanto que o cliente


repousa, o ladrão rouba tudo o que estiver à mão e for de fácil transporte. Torna-se
extremamente grave quando o cliente acorda e ocorrem lutas. Normalmente o ladrão
acaba sempre por escapar.

Para evitar este tipo de roubo, é aconselhável que o jardineiro ou vigilante passe
frequentemente pelos jardins, e recomenda-se ao cliente que mantenha as persianas
fechadas com as janelas abertas, sempre que vá descansar.

A Protecção dos bens


Para maior protecção clientes e dos próprios estabelecimentos, estes devem possuir
dois tipos de cofres-fortes. Um cofre geral na recepção, e cofres individuais em cada
quarto. O cofre geral é dividido em cacifos, em número suficiente. Os cofres individuais
são normalmente cimentados nas paredes dentro dos guarda-fatos.

Para além destes dois dispositivos, alguns estabelecimentos possuem a “caixa-cacifo”,


que consiste num móvel metálico, instalado em local adjacente à recepção.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

6.Causas de acidentes no trabalho

6.1.Acidentes de movimentação

Os equipamentos para elevação de cargas devem ser concebidos e construídos de


modo a que possam sempre ser utilizados em condições de segurança aceitáveis.

O perigo mais frequentemente associado a estes equipamentos é o mau


funcionamento dos seus elementos, o que pode originar roturas, com possibilidade de
consequências graves, seja por queda de objectos, quedas de altura, golpes ou
atropelamentos.

A elevação manual de cargas é uma das causas principais de lesões no trabalho. É


necessário conceber e organizar o trabalho de modo a minimizar a movimentação
manual de cargas.

Normas gerais de segurança:


 Todo o pessoal da empresa que execute operações de transporte e
movimentação manual de cargas deve conhecer as normas básicas, o método
de trabalho e as condições em que deve ser realizado o transporte interior.
• Nas operações de carga e descarga, os trabalhadores deverão vestir vestuário
de trabalho adequado, evitando todo o tipo de adornos, especialmente anéis.
• O condutor de empilhadores deve passar com aproveitamento por uma série
de provas físicas e técnicas, e deve estar consciência da responsabilidade
associada à sua condução.
• Nos casos em que não se disponha de equipamentos mecânicos, dever-se-á
empregar uma técnica de elevação de cargas adequada à forma e peso da
carga.

6.2.Choques e quedas

É importante que o local em que o trabalho é realizado apresente boas condições de


segurança, porque só assim se evitarão os acidentes e se trabalhará com uma maior«
comodidade.

Os acidentes podem ser evitados se conhecermos os perigos do meio ambiente e


aplicarmos algumas medidas de Prevenção elementares.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

PERIGOS DEVIDOS AO LOCAL DE TRABALHO


• Quedas no mesmo nível
• Quedas de um nível diferente
• Pisadela de objectos
• Choques contra objectos imóveis
• Choques contra objectos móveis
• Atropelamentos com veículos
• Quedas de objectos por desequilíbrio ou derrubamento

É possível conseguir-se um local de trabalho mais seguro, implementando, entre


outras, as seguintes recomendações:
 As máquinas devem manter uma distância de segurança que permita aos
trabalhadores um espaço suficientes para o acesso e uma movimentação
segura à volta da máquina.
 Os postos de trabalho devem estar claramente delimitados e dispor de um local
fixo para depositar utensílios e ferramentas.
 As matérias-primas devem chegar facilmente ao local de trabalho e deve ser
possível retirar os produtos acabados e os resíduos sem comprometer os
movimentos dos operários.
 As passagens, os corredores e as escadas devem ter dimensões adequadas e
estarem livres de obstáculos.
 Deve existir sinalização adequada nas esquinas e nos obstáculos fixos.
 Devem existir condições de iluminação adequadas.
 Os edifícios e as instalações gerais (electricidade, água, gás, ar comprimido,
etc.) devem estar em bom estado de conservação, através de uma manutenção
adequada.
 Devem existir passagens de circulação diferentes para os trabalhadores e para
os veículos, que devem estar bem sinalizadas.
 Os pavimentos devem ser anti-derrapantes e deverá ser utilizado um tipo de
calçado apropriado para o tipo de pavimento.
 Devem ser colocadas protecções adequadas nos buracos e nas paredes que
possam provocar a queda de materiais ou pessoas.

6.3.Acidentes provocados por ferramentas e máquinas em movimento

Muitas das lesões que se produzem nos locais de trabalhado devem-se à utilização de
ferramentas, sejam elas manuais ou motorizadas.

As ferramentas manuais mais utilizadas são: os martelos, cinzéis, lâminas, machados,


tenazes, alicates, as chaves de fendas e a chave. Inglesa.

Quais são as causas principais das lesões?

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

• Utilização incorrecta das ferramentas


• Utilização de ferramentas defeituosas
• Emprego de ferramentas de má qualidade
• Transporte e armazenamento incorrecto

Quais são os perigos mais comuns?


• Contacto com elementos cortantes.
• Projecção de fragmentos.
• Quedas por esforço excessivo.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO
• Aquisição de ferramentas de qualidade
• Usar as ferramentas apenas para o fim a que se destinam
• Formação adequada para a utilização de cada tipo de ferramenta
• Uso de óculos de protecção sempre que existirem riscos de projecção de
partículas.
• Uso de luvas ao manipular ferramentas cortantes.
• Manutenção periódica (reparação, afiação, limpeza, etc.)
• Revisão periódica do estado dos cabos, dos revestimentos, isolamentos, etc.
• Arrumação em caixas ou painéis adequados, onde cada ferramenta tenha um
lugar próprio

6.4.Choques eléctricos

A electricidade é um dos tipos de energia mais utilizados, proporcionando ajuda e


comodidade à maioria das actividades do ser humano, mas apresenta riscos sérios que
é necessário conhecer e prever.

TIPOS DE CONTACTO COM A ELECTRICIDADE


 Contacto directo: É o que se produz com as partes activas da instalação.
 Contacto indirecto: é o que se produz com massas em tensão.

Para evitar os contactos directos, é necessário:


• Afastar os cabos e as ligações dos locais de trabalho e de passagem
• Interpor ou colocar obstáculos para protecção
• Cobrir as partes em tensão com material isolador
• Utilizar tensões inferiores a 25 volt.

Para evitar os contactos indirectos, existem os seguintes meios de protecção:


• A ligação à terra
• O disjuntor diferencial

Quando se produz um contacto eléctrico indirecto, a ligação à terra desvia uma grande
parte da corrente eléctrica que, de outro modo, passaria através do corpo do
trabalhador.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

Mas ATENÇÃO! Nem todas as ligações à terra se encontram em bom estado. É


necessário verificar se estão bem efectuadas e cuidadas pelo técnico especializado.

O disjuntor diferencial é um aparelho de grande precisão que corta a corrente quase


instantaneamente, assim que se produz uma corrente de defeito..

Medidas de prevenção básicas


• Não realize trabalhos de electricidade se não estiver devidamente habilitado e
autorizado a fazê-lo.
• Tenha cuidado com os fios eléctricos. Mantenha a distância de segurança.
• Utilize equipamentos e meios de protecção individual certificados.
• Nos locais molhados ou metálicos, utilize apenas aparelhos eléctricos portáteis com
tensão reduzida de segurança (24 V).
• Certifique-se de que o seu meio ambiente de trabalho é seguro.

Em regra, deve comprovar-se que...


• Os conectores, as fichas, os interruptores automáticos e os fusíveis são os
adequados.
• É impedido o acesso aos elementos que se encontram sob tensão, mantendo
fechados os respectivos invólucros, se possível com chave, a qual deverá ser
guardada pela pessoa responsável.
• Os interruptores de alimentação estão acessíveis e todos sabem como utilizá-
los em casos de emergência.
• As instalações são verificadas periodicamente por electricistas qualificados,
que devem efectuar as reparações e manutenções necessárias.
• Existe uma lista dos aparelhos portáteis que visa assegurar que são revistos
periodicamente.
• Qualquer aparelho que se suspeite apresentar algum problema é retirado de
utilização e guardado num local seguro, com uma etiqueta “não usar”,
enquanto aguarda ser revisto por pessoal qualificado.
• A revisão periódica dos disjuntores diferenciais será realizada pelo pessoal
responsável.
• Antes de serem limpos, regulados ou mantidos, as ferramentas e os
equipamentos serão desligados da rede eléctrica.

6.5.Acidentes provocados por químicos e gases

A exposição a substâncias perigosas pode ocorrer a todo o momento no local de


trabalho.

As substâncias perigosas podem causar diversos tipos de danos, desde cancros a


problemas da capacidade de reprodução ou deficiências congénitas. Outras

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

substâncias podem causar danos cerebrais, danos no sistema nervoso, asma e


problemas cutâneos.

Os danos causados pelas substâncias perigosas podem ocorrer na sequência de uma


única e curta exposição ou em resultado da acumulação a longo prazo de substâncias
no organismo.

Nos termos da legislação europeia, cabe às entidades patronais proteger a saúde e a


segurança dos trabalhadores, através de:
 Avaliação do risco, procedendo, quando necessário, a nova avaliação;
 Eliminação do risco ou, quando tal não seja possível, redução do risco;
 Monitorização, com o objectivo de garantir que as medidas de controlo
continuem a ser eficazes.

6.6.Queimaduras

Os acidentes de trabalho por queimadura são frequentes. Podem ser provocados por
avarias de sistemas ou mesmo por erro humano.

As queimaduras eléctricas surgem também no contexto de trabalho, por explosão de


quadros eléctricos; por intervenções de electricistas mal sucedidas; por incumprimento
de normas de segurança junto a postes ou caixas de alta tensão; má manipulação de
aparelhos eléctricos, etc.

Incêndios nos locais de trabalho, resultantes de curtos circuitos e de fontes de calor


mal apagadas, são também a causa de queimaduras graves.

Assim, é importante que sejam estudadas as principais causas destes acidentes, para
que possam ser criadas medidas preventivas, bem como investir-se na formação e
educação dos profissionais que trabalham em locais de risco.

É necessário também obrigar ao cumprimento da legislação relativa à segurança dos


trabalhadores, elucidando os responsáveis dos riscos e perdas, que podem conduzir à
incapacidade, total ou parcial, em indivíduos em idade de produtividade.

É igualmente importante alertar os trabalhadores para a obrigatoriedade de um seguro


profissional, garantido pela entidade empregadora ou pelo próprio, evitando outras
complicações para além de uma eventual incapacidade.

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7.Componentes da caixa de primeiros socorros

O serviço responsável pelos cuidados de saúde aos trabalhadores de uma dada


empresa deve incluir nos seus objectivos (alínea b, do Artigo 97º da Lei n.º 102/2010)
o desenvolvimento das condições técnicas que assegurem as medidas de prevenção,
entre outras, em matéria de primeiros socorros (n.º 9 do Artigo 15º idem).

Cabe ao serviço participar na elaboração do plano de emergência interna que incluirá


planos específicos de primeiros socorros e plano de emergência médica.

As actividades de primeiros socorros devem ser organizadas pelas empresas com a


participação dos serviços de saúde, nomeadamente na formação e informação dos
trabalhadores designados para esse efeito.

Na elaboração dos planos acima referidos devem ser tidos em conta:


1. Manual de procedimentos em primeiros socorros e actividades de
emergência segundo as boas práticas;
2. Conteúdo mínimo da caixa de primeiros socorros nos locais de trabalho;
3. Equipamento mínimo de suporte vital de vida e de emergência.

Equipamento mínimo de suporte vital de vida e de emergência


 Aparelho de oxigénio (máscara, fluxómetro e regulador de pressão);
 Ressuscitador Ambu;
 Cânulas orofaringícas;
 Medidor de glicemia por glicofita (opcional);
 Aspirador de vácuo (opcional);
 Descartáveis:
o Seringas 5 e 10 cc;
o Agulhas n.os 19 e 21;
o Garrotes;
o Bisturi;
o Tesoura;
o Compressas esterilizadas;
o Luvas cirúrgicas;
o Gaze parafinada;
o Adesivo
 Fármacos:
o Analgésico;
o Anti-inflamatório;
o Anti-alérgicos;
o Anti-eméticos;
o Soro fisiológico;
o Diazepan;

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

o Furosemida;
o Nitroglicerina;
o Sistemas de soros;
o Salbultamol inalador (opcional);
o Adrenalina (opcional).

Conteúdo da mala/caixa/armário de primeiros socorros


De acordo com o Artigo 75.º da Lei n.º 102/2009 de 10 de Novembro, Regime jurídico
da promoção da segurança e saúde no trabalho, é atribuído às empresas a
responsabilidade da prestação de cuidados de primeiros socorros aos trabalhadores
sinistrados, no entanto é omissa relativamente aos procedimentos a adoptar em
situação de emergência.

De igual modo, não existem referências em diplomas legais no que concerne ao tipo, à
localização ou ao conteúdo da mala/caixa/armário de primeiros socorros.

Tendo em conta a enorme diversidade do tecido empresarial, tipos de actividade,


condições de trabalho e características da população trabalhadora, é necessário optar
por soluções adequadas e funcionais, de acordo com as situações em questão.

Mala de primeiros-socorros

No entanto, e privilegiando sempre a flexibilidade, consideramos que devem existir


alguns princípios base de orientação genérica:
 A localização da mala/caixa/armário de primeiros socorros deve ser conhecida
pela maioria dos trabalhadores e estar devidamente sinalizada e em local
acessível.
 O conteúdo da mala/caixa/armário de primeiros socorros é da responsabilidade
dos profissionais da Equipa de Saúde Ocupacional/ Segurança e Saúde no
Trabalho, devendo estar devidamente listado e ser revisto periodicamente, com
especial atenção para as datas de validade de alguns componentes.
 Preferencialmente deverão existir junto da mala/caixa/armário de primeiros
socorros procedimentos escritos relativos à actuação a prestar nas situações de
acidente mais comuns.
 Salvaguardando o anteriormente mencionado, o conteúdo mínimo de uma
mala/caixa/armário de primeiros socorros deverá consistir em:
o Compressas de diferentes dimensões;
o Pensos rápidos;
o Fita adesiva;
o Ligadura não elástica;

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

o Solução anti-séptica;
o Álcool;
o Soro fisiológico;
o Tesoura de pontas rombas;
o Pinça;
o Luvas descartáveis.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

8.Tipos de feridas

8.1.Ferida aberta e ferida fechada

As lesões fechadas são lesões internas em que a pele se mantém intacta e


normalmente estão associadas a uma hemorragia interna. Este tipo de lesões é, na
maior parte dos casos, originado por impacto, mas pode surgir também em
determinadas situações de doença.

Classificam-se como lesões fechadas aquelas em que a pele se encontra intacta.


Podem ser hematomas ou equimoses.
 Hematoma - O hematoma surge aquando do rompimento de vasos sanguíneos
de um calibre considerável, provocando o acumular de sangue nos tecidos Em
muitos casos pode estar associado a outros traumatismos, como fracturas. Este
acumular de sangue vai dar origem a um inchaço doloroso de cor escura.
 Equimose - A equimose, normalmente conhecida por nódoa negra, é o
resultado do rompimento de vasos capilares, levando a uma acumulação de
sangue em pequena quantidade nos tecidos

As lesões abertas surgem quando a integridade da pele foi atingida, sendo facilmente
identificada pela existência de feridas. A existência de feridas na pele pode dar origem
ao surgimento de infecções e a perda de sangue pela hemorragia que normalmente
lhe está associada.

Existem diversos tipos de lesões abertas, dependendo do tipo de mecanismo que as


originou. Estas podem ser:
 Escoriação - A escoriação é uma lesão superficial da pele com uma pequena
hemorragia (originada pelo rompimento de vasos capilares) e dolorosa. Esta
lesão, que não apresenta gravidade, é normalmente causada por abrasão.
 Laceração - É uma lesão da pele originada normalmente por objectos afiados,
podendo apresentar uma forma regular ou irregular. Pode, no entanto, ser
profunda e atingir vasos sanguíneos de grande calibre.
 Avulção - Surge quando existe perda completa ou incompleta de tecidos. As
avulsões envolvem normalmente os tecidos moles, podendo, no entanto, ser
profundas e atingir vasos sanguíneos de grande calibre.
 Amputação - A amputação é a separação total de um membro. Este tipo de
lesão é grave estando associada a hemorragias e fracturas. Por este motivo, a
actuação deve ser rápida e eficaz.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

 Ferida penetrante ou perfurante - A este tipo de lesões estão associadas


outras, como hemorragias internas e lesões de órgãos internos

Os cuidados de emergência são iguais para ambos os tipos de lesão, mas é preciso
lembrar que este tipo de lesão pode estar associado a outras mais graves. Por isso,
deve se sempre efectuado o exame do doente.

Quando da presença de uma destas lesões, proceder da seguinte forma:


• Acalmar o doente;
• Explicar o que vai ser feito;
• Suspeitar de outras lesões associadas;
• Fazer aplicação de frio sobre o local;
• Imobilizar a região afectada;
• Procurar antecedentes pessoais;
• Ligar 112 e informar:
– Local exacto;
– Número de telefone de contacto;
– Descrever a situação;
– Descrever o que foi feito;
– Respeitar as instruções dadas.
• Aguardar pelo socorro, mantendo a vigilância do doente.

8.2.Queimadura

As queimaduras de primeiro e segundo grau são as de menor perigo para a nossa


saúde. Enquanto as primeiras atingem apenas a epiderme, as segundas afectam
igualmente a derme.
Este tipo de queimaduras pode ser tratado por um socorrista, embora não se deva
excluir a ida ao médico, em certos casos.

As queimaduras de primeiro e segundo graus podem também ser distinguidas do


seguinte modo:
 Primeiro grau: caracterizam-se por pele vermelha com inchaço e dor discretas.
 Segundo grau: provocam bolhas sobre uma pele vermelha, manchada ou de
coloração variável, inchaço, libertação de líquidos e dor.

As queimaduras de terceiro grau são as que atacam todas as camadas da pele.


Caracterizam-se por pele branca ou carbonizada, quase sempre com pouca ou
nenhuma dor. Neste quadro estão incluídas todas as queimaduras eléctricas.

8.3.Choque eléctrico

Os choques eléctricos provocam queimaduras. Estes choques parecem inocentes. Uma


bolha branca ou uma pequena ferida podem esconder grandes estragos internos de

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

tecidos. O choque pode deixar um ferimento na entrada e um outro no local da saída,


ferimentos esses, muitas vezes de 3ºgrau.

Os tecidos do meio, que incluem vasos sanguíneos, nervos e músculos, são


normalmente muito danificados ou mesmo destruídos. Se o choque eléctrico atravessar
o cérebro ou o coração, existem riscos de desmaio e de perturbações do ritmo
cardíaco, podendo mesmo ocorrer uma paragem cardíaca.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

9.Actuação em situações de emergência

9.1.Perda de sentidos

Os sintomas caracterizam-se por palidez, tonturas e sensação de fraqueza. Deve


sentar-se a vítima, baixar a cabeça colocando-a entre os joelhos. Se não houverem
melhoras, a empregada deve comunicar de imediato ao seu superior.

Em caso de a empregada encontrar uma pessoa desmaiada deve:


• Verificar se a pessoa está ligada à corrente eléctrica
• Deitá-la de costas com a cabeça mais baixa do que o corpo
• Nunca sentar ou tentar levantar a vítima
• Molhar-lhe o rosto com água fria e desapertar o vestuário
• Dar-lhe umas gotas de amoníaco a cheirar.

9.2.Feridas

A actuação nas acções de socorro a doentes com ferimentos deverá ter sempre
presente que a protecção da ferida envolve vários aspectos, entre os quais o conforto
do doente, com consequente diminuição da dor, presente na maioria das situações que
envolvem ferimentos.

A escolha dos materiais que se utilizam na realização de um penso não deve ter como
finalidade o tratamento.

A utilização de soluções desinfectantes nas feridas deve ser limitada. Deverá ter em
conta que as soluções desinfectantes podem resultar num novo traumatismo para a
ferida, complicando a situação da pessoa a quem prestamos socorro.

Não sendo o tratamento o objectivo da intervenção pré-hospitalar, o produto de


eleição a utilizar é o soro fisiológico.

Os movimentos de limpeza de uma ferida deverão ser dirigidos do centro para a


periferia impedindo o arrastamento de detritos dos tecidos circundantes para a ferida.
Ou seja, a limpeza da ferida deverá ser feita da zona mais limpa para a mais
conspurcada. A utilização do soro fisiológico nesta limpeza é indispensável.

9.3.Electrocussões

A electrocussão e provocada pela electricidade em contacto com o corpo quando este


está ligado a terra por um bom condutor, que pode ser o vestuário, o calçado, solo
molhado ou tubagens metálicas e originam correntes de baixa ou alta tensão.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

As correntes de baixa tensão provocam paragens cardíacas (síncope cardíaca), e a


corrente de alta tensão mata por asfixia ou seja, paragem da respiração.

Antes de iniciar o salvamento deve-se ter sempre o cuidado de verificar se a vítima


ainda está ligada a fonte de tensão, e se for o caso, desligá-la imediatamente com um
objecto não condutor, como por exemplo um pau.

Ao falarmos em riscos eléctricos para as pessoas, temos de ter muito presentes dois
conceitos fundamentais: electrocussão - um choque eléctrico que origina um acidente
mortal – e electrização - um choque eléctrico que não causa um acidente mortal, mas
que pode originar outro tipo de acidentes, com consequências que podem ser mais ou
menos graves.

Primeiros socorros em casos de electrização:


 Retirar a ficha da tomada, para cortar a energia.
 Se não for possível alcançar a tomada, desligar o quadro geral;
 Em casos em que não é possível interromper o abastecimento de electricidade,
colocar debaixo dos pés material isolante (por exemplo, uma camada de
jornais) e afastar da fonte de energia os membros da vítima com um cabo de
vassoura ou uma cadeira de madeira (nunca empregar objectos húmidos ou
metálicos);
 Caso não seja possível cumprir o ponto anterior, passar uma corda ou um pano
seco à volta dos pés da vítima, ou por baixo dos seus braços, e puxá-la;
 Não tocar na vítima com as mãos, já que também será afectado pela corrente
eléctrica, caso esta ainda esteja ligada;
 Se a vitima estiver inconsciente, colocá-la na Posição Lateral de Segurança;
 Sempre que a vitima perder a consciência, sofrer queimaduras ou se sentir mal,
deslocá-la ao Serviço de
 Urgência mais próximo (deverá informar os serviços de emergência sobre a
duração em que a vítima esteve exposta à acção da corrente eléctrica).

9.4.Ataque cardíaco

O enfarte ou ataque cardíaco tem uma sintomatologia bastante evidente:


• Respiração deficiente e sensação e asfixia
• Dores no peito, pescoço e cabeça
• Palidez acentuada e tonturas.

A empregada deverá de imediato comunicar à recepção ou portaria para chamar uma


ambulância e um médico. Entretanto, poderá ter os seguintes procedimentos:
• Colocar a vítima em posição reclinada para facilitar a respiração

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

• Desapertar a roupa em volta do pescoço e peito


• Manter a vítima tranquila e aquecida
• Não dar qualquer tipo de bebida ao medicamento à vítima.

9.5.Entorses ou distensões

As entorses são provocadas por uma excessiva distensão dos ligamentos e das
restantes estruturas que garantem a estabilidade da articulação, originada por
movimentos bruscos, traumatismos, uma má colocação do pé ou um simples tropeçar
que force a articulação a um movimento para o qual não está habilitada.

A principal medida consiste em manter a articulação afectada em repouso, de


preferência absoluto, de modo a favorecer a rápida cicatrização e a recuperação dos
tecidos lesionados.

Embora nos casos ligeiros não seja necessário, nos restantes deve-se proceder à
imobilização da articulação com a aplicação de ligaduras, talas ou até mesmo gesso,
em caso de entorse do tornozelo, de modo a garantir o repouso permanente da
articulação lesionada.

Depois de solucionada a fase aguda e o consequente desaparecimento da inflamação e


da dor, deve-se realizar movimentos ligeiros com a articulação, de modo a prevenir
uma eventual rigidez.

Se ocorrer uma situação muito mais grave, como é o caso da ruptura de ligamentos,
pode ser necessário efectuar uma intervenção cirúrgica para se proceder à reparação
dos tecidos.

9.6.Envenenamento

O envenenamento pode advir de várias causas, como picadas de insectos, mordeduras


de répteis, asfixia por inalação de gases e alimentos estragados. Os sintomas são,
dores no abdómen, náuseas, vómitos, diarreia, enfraquecimento geral e em alguns
casos visão afectada.

Existem duas hipóteses:


• Se a vítima estiver inconsciente, a empregada deverá avisar o superior para
que a vítima seja enviada de imediato para o hospital
• Se esta estiver consciente, enquanto aguardam a chegada do médico, deve
dar-lhe a beber grandes quantidades de água para ajudar a diluir o veneno

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

Provocar o vómito, introduzindo um dedo na boca e baixando a base da língua ou


administrando água morna com sal. Nunca se deve provocar o vómito à vítima que
ingeriu substâncias corrosivas (ácido, lixívia, ou produtos de limpeza), nem dar leite a
uma vítima de intoxicação

9.7.Queimadura

Primeiros socorros nas queimaduras de primeiro e de segundo grau (de


pequena dimensão)
Neste tipo de feridas, é fundamental uma intervenção rápida e eficaz. Passo a passo,
eis os procedimentos indicados:
 Arrefecer a zona queimada com água. Este processo pode ser feito por uma
das seguintes três formas:
o Colocar a zona magoada sob água corrente fria (o jacto d'água não
pode ser forte demais para não arrebentar as bolhas nem causar dor);
o Imergir a zona queimada num recipiente cheio de água fria (não se
deve usar gelo);
o Quando não é possível uma das duas primeiras hipóteses, aplicar
compressas frias e húmidas, utilizando para tal efeito toalhas,
guardanapos ou roupas limpas.
 Manter o processo ao longo de 5 minutos, até a dor desaparecer.
 Secar com muito cuidado o local queimado, através de pancadinhas e com um
pano limpo ou uma compressa;
 Também com uma compressa, ou com um pano limpo seco, fazer um curativo
frouxo;
 Nas situações em que as queimaduras têm bolhas, o acidentado deverá
deslocar-se ao Serviço de Urgências mais próximo.

Primeiros socorros nas queimaduras de terceiro grau


 Remover roupas apertadas e jóias (podem ficar ainda mais apertadas no caso,
muito provável, de ocorrência de edema);
 Arrefecer rapidamente a zona queimada com água, aplicando compressas
húmidas e frias (com um pano limpo). Verificar também, e com muita atenção,
se o lesionado apresenta complicações respiratórias;
 Em caso de ser uma queimadura de terceiro grau pequena (com menos de 5
cm de diâmetro), é possível colocar a zona magoada sob água fria corrente ou
numa pia com água fria, ou, em alternativa, usar compressas húmidas frias,
durante 5 minutos. Nunca se deverá utilizar gelo.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

 Secar com muito cuidado o local queimado, através de pancadinhas e com um


pano limpo ou uma compressa;
 Deslocar a pessoa ferida ao Serviço de Urgência mais próximo.

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10.Noções gerais sobre os fogos

Definições

Fogo:
 É uma combustão na qual se pode visualizar a produção de chamas com
libertação de energia, sob a forma de luz e calor.

Combustão:
 É uma reacção química entre dois reagentes, o combustível e o comburente,
mediante condições favoráveis de temperatura e humidade.

Incêndio:
 É quando o fogo foge do controle

Combustível:
 Agente redutor que ao oxidar em determinadas circunstâncias é capaz de
arder. Exemplos: madeira, papel, plástico

Comburente:
 Agente oxidante (oxigénio) que alimenta a combustão.

Energia de activação:
 Energia fornecida ao combustível e ao comburente para atingir a temperatura
do ponto de inflamação.

Reacção em cadeia:
 União dos três elementos básicos para que a combustão continue, de maneira a
permitir a propagação do incêndio no espaço e no tempo.

Triângulo do fogo:
 É a representação dos três elementos básicos do fogo: comburente (oxigénio
do ar), combustível (no estado vapor) e energia de activação (calor).

Tetraedro do fogo:
 Quando a união dos três elementos básicos são ligados por uma combustão de
maneira continuada – reacção em cadeia.

Há um incêndio, ou risco de incêndio, toda vez que uma causa qualquer provoca
inflamação ou aumento de temperatura capaz de causar perigo, seja de materiais ou
mercadorias, seja de uma habitação, de um estabelecimento industrial ou comercial,
de um depósito.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

O risco de incêndio num determinado local depende da quantidade e da qualidade do


combustível aí existente. Está directamente relacionado com três factores:
 Poder Calorífico (quantidade de calor libertada pela combustão completa de
uma unidade de massa combustível);
 Potencial Calorífico (quantidade de calor susceptível de ser libertada pela
combustão completa de um corpo);
 Carga de Incêndio (potencial calorífico da totalidade dos materiais combustíveis
contidos num espaço, compreendendo o revestimento das paredes, divisórias,
soalhos e tectos).

Para esta equação há também que considerar a Densidade da Carga, correspondente à


carga de incêndios por unidade de área e importante para avaliar o risco de incêndio e
estudar os meios de intervenção.

O grande cerne da prevenção é evitar as causas de incêndio e atacá-las de início,


pondo em acção todos os meios existentes, detendo a propagação do fogo até à
chegada dos bombeiros, os quais, empregando meios mais poderosos, material
possante e adequado, possam debelar o incêndio.

A prevenção do incêndio deve ser vista como um conjunto de providências, desde as


mais básicas, como conservação, lubrificação e limpeza até ás mais complexas, como
instalações automáticas de combate a incêndio, sistemas automáticos de detecção ou
sistemas inibidores de explosões.

O bom senso é a atitude de flexibilidade que permite confrontar situações locais de


risco e normas técnicas preventivas, preconizando o melhor estado de segurança para
a situação específica considerada.

Princípios básicos do fogo


 Combater de imediato nos primeiros cinco minutos
 Dar o alarme de incêndio
 Desligar a energia eléctrica
 Accionar os bombeiros
 Avaliar o incêndio

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

11.Causas de risco de incêndio


As causas de incêndio são muito variadas mas, na sua generalidade, resultam da
actividade humana. Os incêndios provocados por causas naturais são pouco
frequentes.
´
De entre as fontes de ignição de incêndio mais comuns, podem destacar-se:
 Fontes de origem térmica (fósforos, cigarros, fornos, soldadura, viaturas a
gasolina ou gasóleo),
 Fontes de origem eléctrica (interruptores, disjuntores, aparelhos eléctricos
defeituosos, electricidade estática);
 Fontes de origem mecânica (chispas provocadas por ferramentas,
sobreaquecimento devido à fricção mecânica).
 Fontes de origem química (reacção química com libertação de calor, reacção de
substâncias auto-oxidantes).

De entre as causas humanas de incêndio, podem destacar-se:


 O descuido;
 O desconhecimento;
 Fogo posto (origem criminosa). Como exemplos de causas humanas de
incêndio, provocado por descuido ou desconhecimento, podem apontar-se:
 Trasfega de líquidos ou gás combustível sem as medidas de segurança
adequadas;
 Fuga ou derrame de líquido ou gás combustível;
 Objectos de fumo (por exemplo cigarros) deficientemente controlados;
 Trabalhos a quente ou com chama nua ( por exemplo soldadura) sem as
medidas de segurança adequadas;
 Lareiras, fogueiras e outros espaços com chama nua, deficientemente
apagados; confecção de refeições (fogões, fornos, exaustores) sem as medidas
de segurança adequadas;
 Reacções químicas não controladas;
 Instalações eléctricas com sobrecarga e/ou mal protegidas;
 Utilização de equipamentos sem as medidas de segurança adequadas.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

12.Tipos de incêndio

Classes de fogos

Os fogos possuem características diferentes consoante a sua origem e o material que


está a sofrer a combustão. É importante o seu conhecimento, uma vez que cada tipo
de fogo é extinto com um diferente tipo de extintor.

Fogos de Sólidos (ou Fogos Secos)


 Fogos que resultam da combustão de materiais sólidos, geralmente à base de
celulose, os quais dão normalmente origem a brasas.
 Combustíveis: Madeira, Papel, Tecidos, Carvão, etc.

Fogos de Líquidos (ou Fogos Gordos)


 Fogos que resultam da combustão de líquidos ou de sólidos liquidificáveis.
 Combustíveis: Álcoois, Acetonas, Éteres, Gasolinas, Vernizes, Ceras, Óleos ,
Plásticos, etc.

Fogos de Gases
 Fogos que resultam da combustão de gases.
 Combustíveis: Hidrogénio, Butano, Propano, Acetileno, etc.

Fogos de Metais (ou Fogos Especiais)


 Fogos que resultam da combustão de metais.
 Combustíveis: Metais em pó (alumínio, cálcio, titânio), Sódio, Potássio,
Magnésio, Urânio, etc.

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Práticas de segurança, higiene e saúde nos serviços de andares em hotelaria

Em função da forma como se manifestam, podemos encontrar três subclassificações:


 Segundo o foco em que se produzem;
 Segundo o seu tamanho;
 Segundo o local onde se desenrolam.

Segundo o foco em que se produzem, os fogos podem ser planos, verticais ou


alimentados (neste caso, um fogo vertical ou horizontal é alimentado por um
combustível procedente de depósitos que não estão em contacto directo com o
incêndio).

Segundo o seu tamanho, os fogos podem ser pequenos (área da superfície activa das
chamas menor que 4 m2), médios (área entre 4 e 10 m2), grandes (área entre 10 e
100 m2) e de envergadura (área maior que 100 m2).

Segundo o local onde se desenvolvem, os incêndios podem ser interiores ou exteriores.

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13. Sistemas de detecção

Detectores: Dispositivos aos quais cabe a responsabilidade de analisar o meio


ambiente, onde estão inseridos, de modo a darem informações sobre as alterações da
temperatura ambiente, e da presença de chamas ou fumos.

As informações imanadas destes dispositivos são recolhidas por uma central que dá
informações ópticas e acústicas do estado de funcionamento do sistema, cabendo
ainda a esta, dar ordens de comando de accionamento dos diversos dispositivos de
segurança que existam no edifício: podem-se destacar os registos e portas C.F.,
sistemas de desenfumagem, comando dos elevadores, entre outros comandos.

Tipos de detectores

Iónicos de fumos ou de gases de combustão


Funcionam com o aparecimento de gases provenientes de uma combustão. Dado o seu
modo de funcionamento, são estes os que maior utilização tem, com um campo de
aplicação de cerca de 95 %.

Ópticos De Fumos
Detectores utilizados em locais onde habitualmente existem gases de combustão,
como por exemplo em fábricas de produção de plástico, túneis,...

Ópticos de chamas
É um detector de infravermelhos e o seu campo de utilização é vocacionado para locais
onde o princípio de incêndio possa ocorrer com chama

Termovelocimétricos
O seu funcionamento é regido segundo um gradiente de temperatura, ou seja, a sua
actuação é função da variação brusca de temperatura por unidade de tempo. São o
segundo tipo de detectores mais utilizados em instalações de detecção de incêndio.

Detectores térmicos ou termostáticos


Detectores de temperatura fixa ou pré-estabelecida. O seu campo de utilização é
praticamente nulo.

Selecção de detectores
A escolha dos detectores deve ser baseada, para além das condições ambientais locais,
na classe de fogo esperado, o qual está relacionado com o tipo e quantidade de

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matéria combustível, nas possíveis fontes de ignição, no valor do que se pretende


proteger, assim como as características desse material ou equipamento.

O factor custo do sistema de detecção deve também ser considerado na análise global.

Verifica-se que os detectores térmicos têm um custo mais baixo do que a maioria dos
detectores, e uma menor taxa de falsos alarmes, mas apresentam um tempo de
resposta muito lenta. São indicados para locais onde se possam desenvolver fogos com
grande libertação de calor.

Os detectores de fumos são mais caros do que os anteriores, visto terem uma resposta
no tempo mais rápida. Por isso, são mais utilizados em grandes áreas, onde possa
haver uma dissipação mais lenta do calor, e em locais fechados onde a temperatura
aumenta lentamente, com libertação de gases e fumos.

Os detectores de chamas possuem uma resposta muito rápida, com uma elevada taxa
de falsos alarmes se não forem devidamente localizados.

Sistemas de alarme e alerta


Todo o sistema de detectores emite sinais de emergência que devem ser corrigidos por
uma central sinalizadora, onde são localizados o lugar ou a zona afectada pelo fogo,
para posteriormente, proceder-se em conformidade.

O alarme pode ser efectuado por forma visual através de um piloto vermelho e
acusticamente por uma sirene. Os botões de accionamento manual de alarme devem
ser colocados em local visível, no interior de caixas lacradas com tampa de vidro ou
plástico, facilmente quebrável, contendo a inscrição “Quebrar em caso de emergência”.

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14.Tipos de extintores

14.1. Extintores automáticos, ditos de água

Extintor de água pressurizada (arrefecimento)

Características:
 Por ser um extintor de água, possui um grande poder de infiltração
 Tem um alcance de 7.5 metros, atacando o fogo na sua base
 Indicado para incêndios de classe A, que queimam em superfície e em
profundidade

Modo de usar:
 Água pressurizada: romper o lacre e apertar no gatilho, dirigindo o jacto na
base do fogo

14.2.Extintores de pó químico

Extintor de pó químico (abafamento)

Características:
 Possui no seu interior pó químico, podendo ser pó de bicarbonato
 Ataca o fogo através de uma nuvem de pó de modo a cobrir a área atingida

Modo de usar:
 Pó químico pressurizado: romper o lacre e apertar no gatilho, dirigindo o jacto
na base do fogo

14.3.Extintores de espuma

Extintor de espuma química (arrefecimento e abafamento)

Modo de usar:
 Aproximar com segurança do líquido em chamas e inverter a posição do
extintor (de cabeça para baixo), dirigindo o jacto na superfície do líquido de
maneira a envolver como uma manta.

14.4.Outros

Extintor de dióxido de carbono ou de neve carbónica (abafamento e


arrefecimento)

Características:
 Este tipo de extintor possui dióxido de carbono, que quando utilizado forma
gelo seco que queima
 Ataca o fogo através de abafamento ou arrefecimento

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Modo de usar:
 Romper o lacre e apertar no gatilho, dirigindo o difusor para a base do fogo.
 Não tocar no difusor, pois quando formar o gelo, pode queimar

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15.Actuação em caso de incêndio

15.1.Plano de ataque

São considerados meios de primeira intervenção os extintores portáteis e as redes de


incêndio armadas. Quer no caso dos Extintores Portáteis, como no caso das Redes de
incêndio armadas (RIA), antes do seu uso, verificar a sua adequação ao tipo de fogo
de acordo com o agente extintor em uso.

No caso das RIA, a água e nos Extintores Portáteis consultar a inscrição no corpo do
mesmo, onde devem constar, para além das classes de fogos, a capacidade, data de
inspecção e instruções de utilização.

15.2.Manipulação dos extintores

Seguir o procedimento em quatro fases:

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1 Puxar a cavilha (pino): Isto destrava o manípulo e permite


que descarregue o extintor.
Alguns extintores podem ter outro tipo de bloqueadores. No
caso dos extintores de pressão não permanente, pressurizar o
extintor, conforme as indicações do mesmo.

2 Apontar para baixo: Dirigir o jacto do extintor para a base das


chamas.

3 Apertar o manípulo: Esta operação descarrega o agente


extintor. Ao largar o manípulo pára a descarga. Alguns
extintores possuem um botão em vez de um manípulo.

4 Varrer com o agente extintor de um lado para o outro:


Movendo cuidadosamente em direcção ao fogo, manter o
jacto apontado para a base das chamas e avançar e recuar
até que as chamas desapareçam.
Observar a zona do incêndio. Se o fogo se reacender, repetir
o processo

15.3.Accionamento do sistema automático

Sistemas automáticos de extinção

Sprinkler

Sistema de spray
Este tipo de sistema de pressurização por gravidade ou por bomba, caracteriza-se por
uma canalização para abastecimento de bicos aspersores, constantemente a seco, cujo
accionamento é feito por detectores automáticos, sistemas pneumáticos ou manuais.

Assim, o fogo é extinto por uma acção combinada de resfriamento, abafamento e


emulsificação, dificultando a combustão de líquidos inflamáveis.

Sistema de gás carbónico


Em locais, onde a presença da água é maléfica, o sistema de gás carbónico é o mais
apropriado. Por ser um gás, penetra no interior dos equipamentos, extinguindo o fogo,
sem deixar resíduos.

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O gás carbónico é mais pesado do que o ar e incombustível, originando o seu efeito de


abafamento de incêndios, isto é, reduz a taxa de oxigénio. Como não é condutor de
electricidade, é um sistema de extinção ideal em incêndios de aparelhos eléctricos.

Como reduz a quantidade de oxigénio, pode tornar-se perigoso para os ocupantes do


local, devido à asfixia. Este inconveniente pode ser eliminado através da inclusão de
um sistema de alarme para evacuação da área, de retardores de descarga, de maneira
a que o gás só invadirá o recinto após trinta segundos após o início do alarme, tempo
suficiente para abandono do local.

Sistema de Halon automático


Este sistema apresenta-se como sucessor do sistema de gás carbónico, por necessitar
geralmente de concentração de cerca de 5% de gás para extinção do incêndio, na
maioria dos combustíveis. Todavia, face à sua toxicidade, a utilização de Halon é
interdita em Portugal.

16.Técnicas de extinção de incêndio de gás

Cuidados a ter:

Vazamento sem fogo:


• Desligar a chave geral da residência, desde que não esteja no ambiente
gasado;
• Contactar o Corpo de Bombeiros
• Abandonar o local;
• Ventilar o máximo possível a área;
• Levar a botija de gás para um lugar mais ventilado possível;
• Durante a noite, ao constatarmos vazamento (odor) de gás, não devemos
nunca acender a luz. Devemos fechar a válvula da botija no escuro e em
seguida ventilar o ambiente.

Vazamento com fogo


• Não extinguir de imediato as chamas, a não ser que haja grandes
possibilidades de propagação;
• Apagar as chamas de outros objectos, se houver, deixando que o fogo
continue na botija, em segurança;

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• Em último caso, procurar extinguir a chama da botija pelo método de


abafamento, com um pano bem húmido. Para chegar perto da botija, deve-se
procurar ir o mais agachado possível para não correr o risco de se queimar, e
levar a botija para um local bem ventilado.

Bibliografia

AA VV. Curso de princípios e técnicas do serviço de andares , Compenditur –


Departamento de recursos didácticos, s/d

Baptista, Nelson, Manual de Primeiros-Socorros, Ed. Escola Nacional de Bombeiros,


2005

Marques, J. Albano, Manual de Hotelaria – Políticas e procedimentos , Livraria


Civilização Editora, 2003

Torre, Francisco, Administração hoteleira, Editora Roca, 2001

Webgrafia
Agência Europeia para a segurança e saúde no trabalho
https://osha.europa.eu/pt/

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