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2012

DESENHO TÉCNICO APLICADO


VOLUME 1

Prof.º André Batista de Almeida


Carlos Eduardo Simão Oliveira
FATEC “DON AMALRY CASTANHO”
02/07/2012
1. CRÉDITOS

PROGRAMA: DESENHO TÉCNICO APLICADO VOLUME 1

UNIDADE: FATEC ITU – “DOM AMAURY CASTANHO” – Julho/2012

COORDENAÇÃO: PROF. ANDRÉ BATISTA DE ALMEIDA

ELABORAÇÃO: CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA

REVISÃO: PROF. ANDRÉ BATISTA DE ALMEIDA

PROF. ANDRÉ BATISTA DE ALMEIDA


CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 1
O respeito pela ciência, que muitos
acreditam ter, esconde, na realidade,
um fascínio pela técnica, que
contribui para melhorar nossa vida
cotidiana. O desenvolvimento da
técnica mudou nossa forma de vida
até tal ponto que nos transformamos
numa ameaça para nosso meio
natural. Se refletirmos sobre o que
representa realmente a técnica,
entenderemos que necessitamos
dominar nossa capacidade técnica se
quisermos controlar nosso destino.

De alguma maneira, começamos a


adquirir uma técnica quando
tomamos consciência do que temos
de fazer para conseguirmos um
determinado resultado. Enquanto
não realizo essa reflexão, vou agindo
de um modo mecânico, sem entender
o que estou fazendo. Nesse sentido,
isso se equivale à ciência, que
procura verdades gerais e teóricas. A
técnica procura aplicação prática,
embora ambas representem uma
forma do saber. Todo artesão tem
consciência dos gestos que tem de
realizar para fabricar. Possui um
conhecimento orientado para a DESENHO TECNICO
prática, isto é, uma técnica.
APLICADO

PROF. ANDRÉ BATISTA DE ALMEIDA


CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 2
2. SUMÁRIO

1. CRÉDITOS 1

2. SUMÁRIO 3

3. DESENHO TÉCNICO APLICADO - 80 AULAS 7

3.1 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO E PLANEJAMENTO 8


3.2 AVALIAÇÕES 8
3.3 ENSINO-APRENDIZAGEM 9
3.3.1 ESTRATÉGIA 9
3.3.2 ORIENTAÇÕES 9
3.3.3 ORGANIZE-SE 9

4. NORMAS TÉCNICAS 10

4.1 NORMA BRASILEIRA (ABNT) 10


4.2 NORMAS INTERNACIONAIS 11

5. INTRODUÇÃO AO DESENHO TÉCNICO APLICADO (DTA). 13

5.1 TIPOS DE DESENHOS TÉCNICOS 14


5.1.1 DESENHO TÉCNICO NÃO PROJETIVO: 14
5.1.2 DESENHOS TÉCNICOS PROJETIVOS: 16

6. ESBOÇO COTADO DE POLIEDROS. 17

6.1 DEFINIÇÕES 17
6.2 DIEDROS 18
6.3 AS VISTAS ESSENCIAIS NO 1º DIEDRO 21
6.3.1 VISTA AUXILIAR 23
6.3.2 REGRA DA DOBRADIÇA 24
6.4 ELABORANDO UM DESENHO TÉCNICO 25
6.4.1 TÉCNICAS PARA DESENHO À MÃO LIVRE OU ESBOÇO 25
6.4.2 NOÇÕES NECESSÁRIAS PARA O DESENHO DE ESBOÇO: 28
6.4.3 EXERCÍCIO 29
6.5 ESBOÇO COTADO DE PEÇAS COM FUROS E/OU ARCOS 30

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6.5.1 FUROS 31
6.5.2 ARCOS 32
6.6 VISTAS DE OBJETOS SIMÉTRICOS 32
6.7 EXERCÍCIOS 33

7. FOLHAS. 34

7.1 FORMATOS DA SÉRIE "A" 34


7.2 LEGENDA 35

8. PERSPECTIVAS. 36

8.1 TIPOS DE PERSPECTIVAS 36


8.1.1 PERSPECTIVAS PARALELAS 36
8.2 EIXOS 37
8.3 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA REAL 38
8.3.1 SEQUÊNCIA PARA EXECUÇÃO DE UMA PERSPECTIVA ISOMÉTRICA REAL 39
8.3.2 MÉTODO PARA CRIAÇÃO DE FALSA ELIPSE 40
8.4 VISTAS NECESSÁRIAS E SUFICIENTES (VNS) 41
8.4.1 ESCOLHA DAS VISTAS 41
8.5 EXERCÍCIOS: 43

9. ESCALAS EM DTA 44

9.1 ESCALA 44
9.2 INSCRIÇÃO 44
9.3 ESCOLHA DA ESCALA A SER UTILIZADA 45
9.4 FORMATO DA FOLHA 45
9.5 EXEMPLOS DE ESCALA 46
9.6 EXERCÍCIOS 48

10. CORTES E SEÇÕES 49

10.1 CORTES 49
10.1.1 PLANO DE CORTE 50
10.1.2 QUANTIDADE DE CORTES 51
10.1.3 TIPOS DE CORTE 52
10.2 DIFERENÇA ENTRE CORTE E SEÇÃO 60
10.3 SEÇÕES 61
10.3.1 TIPOS DE SEÇÃO 61
10.3.2 INDICAÇÃO DO PLANO DE CORTE E IDENTIFICAÇÃO DA SEÇÃO 62

11. ELEMENTOS DE MÁQUINAS 65

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11.1 ELEMENTOS DE VEDAÇÃO 65
11.1.1 JUNTAS 65
11.1.2 RETENTORES 66
11.1.3 ANÉIS DE BORRACHA (O’RING) 68
11.1.4 GAXETAS 69
11.1.5 SELOS MECÂNICOS 71
11.2 ELEMENTOS DE FIXAÇÃO 72
11.2.1 PARAFUSOS 72
11.2.2 PORCAS 89
11.2.3 ARRUELAS 94
11.2.4 PINOS 102
11.3 ELEMENTOS DE TRANSMISSÃO 107
11.3.1 EIXO E ARVORES 107
11.3.2 CHAVETA 112
11.3.3 ACOPLAMENTOS 117
11.3.4 ENGRENAGENS 119
11.3.5 POLIA E CORREIAS 135
11.3.6 CARDANS 144
11.3.7 CORRENTES 145
11.4 ELEMENTOS DE APOIO 147
11.4.1 BUCHAS 147
11.4.2 ROLAMENTOS 149
11.4.3 MANCAIS 160
11.4.4 MOLAS HELICOIDAIS 162

12. TOLERÂNCIA DIMENSIONAL 166

13. DESENHOS DE MONTAGEM 177

13.1 REPRESENTAÇÃO 177


13.2 COTAS E OUTRAS INDICAÇÕES 178
13.3 IDENTIFICAÇÃO (OU NUMERAÇÃO DOS ITENS) 178
13.4 DESENHOS DE DETALHE 179
13.5 LISTA DE PEÇAS E/OU MATERIAIS 179

14. DESENHO EM VISTA EXPLODIDA 182

14.1 COMPONENTES DE UM CARBURADOR 182

15. 1ª AVALIAÇÃO 184

16. DESENHO TÉCNICO APLICADO VOLUME 2 185

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BIBLIOGRAFIA 186

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3. DESENHO TÉCNICO APLICADO - 80 aulas

Objetivo: Conhecer as formas normalizadas de desenho técnico e aplicar


na representação gráfica, na leitura e na interpretação de peças e de sistemas
mecânicos. Elaborar desenhos de conjuntos mecânicos utilizando a
computação gráfica. Desenvolver a metodologia de aplicação das ferramentas,
analisando as dificuldades em que o projetista tem que considerar as três
dimensões próprias do processo de desenho simultaneamente. Desenvolver
estudo da construção de protótipo(s) do(s) elemento(s) de máquina(s).

Ementa: Normas técnicas. Esquadros. Régua T. Transferidor. Compasso.


Curvas francesas. Régua flexível. Pantógrafo. Traçados geométricos. Escalas.
Tangências e concordâncias de retas e curvas. Tipos de corte. Representações
convencionais. Seções. Sistemas de projeção. Cotagem: Em série e em
paralelo, direta, de círculo, em perspectiva. Critérios de cotagem. Vistas:
projeções cilíndricas e ortogonais, vistas ortográficas, frontais, superior,
laterais, inferior e posterior. Perspectivas: Cônica, cavaleira, isométrica,
dimétrica, trimétrica. Metodologia de representação por recurso a cortes e
seções. Tolerâncias e ajustamentos. Ajustamentos recomendados. Introdução
ao uso de software de desenho assistido por computador. Conceito, aplicação
do sistema CAD no estudo de elementos de máquinas. Desenhos de
conjuntos. Etapas de projeto de um conjunto mecânico e detalhes construtivos.
Modelagem 2D e 3D.

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3.1 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO E PLANEJAMENTO
Semana Título Planejado
1ª Introdução ao DTA. Esboço cotado de poliedros. 1° e 3° diedros.
Perspectivas. Perspectiva isométrica real. Escalas em DTA.

Cortes e seções.
3ª Elementos de máquinas
4ª Tolerância Dimensional, Montagem e Desenho em vista explodida.
5ª 1ª prova
Introdução ao Desenho Técnico Assistido por Computador.

SolidWorks. Esboço, planos, revolução e corte.
7ª Desenho 3D: Viga “U” 1 e 2 com furo para fixação
8ª Desenho 3D: Eixo com chaveta
9ª Desenho 3D: Polia maciça e com alívio
10ª Desenho 3D: Rolamento
11ª Desenho 3D: Mancal
12ª Desenho 3D: Engrenagem
13ª Desenho 3D: Montagem
14ª Gerando desenho 2D a partir do 3D.
15ª Simulação, prototipagem e animação.
16ª Descrição do Projeto Final.
Projeto final. Entrega: Desenhos de peças em 3D.
17ª
Orientações.
18ª Projeto final. Entrega: Montagem em 3D. Orientações.
19ª Projeto final. Entrega: Desenhos em 2D. Orientações.
20ª Projeto final. Entrega: Documento finalizado.

3.2 AVALIAÇÕES

Média dos Exercícios Extra Classe.......................................20% da nota final.

Prova escrita com esboço.....................................................30% da nota final.

Projeto final...........................................................................50% da nota final.

Média para Aprovação >= 6,00

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3.3 ENSINO-APRENDIZAGEM

É um caminho de duas mãos. Isto é, não adianta o professor querer


ensinar se o aluno não quiser aprender (motivação e interação). O aluno tem
que fazer sua parte.
A inteligência pragmática precede a inteligência teórica (PIAGET). As
pessoas aprendem mais facilmente começando pela prática, por exercícios.
Deve ser ministrada em doses homeopáticas, com doses de reforço.

3.3.1 ESTRATÉGIA
Nossa estratégia para o ensino-aprendizagem se baseia em dois pontos
principais:
1 - Em classe: exposição do professor com os conceitos, seguida de exercícios
feitos em classe, com assistência.
2 - Extraclasse: exercícios semanais, para entrega à 48hs da próxima aula via
internet.

3.3.2 ORIENTAÇÕES
Aluno interessado em aprender é aquele que, em princípio, não falta,
não atrasa, traz os materiais necessários, participa ativamente das aulas
(prestando atenção, tirando dúvidas, fazendo colocações, realizando os
exercícios com presteza e capricho) e faz, conscientemente, o exercício
extraclasse. O exercício extraclasse é uma oportunidade para tirar dúvidas e
reforçar a aprendizagem. O aluno tem cinco (5) dias para isso, mas não deve
deixar para o último dia. Assim terá tempo de consultar o monitor ou o
professor de Desenho se surgirem dúvidas.

3.3.3 ORGANIZE-SE
Organize-se para poder estudar! O sucesso da vida estudantil depende
muito mais de trabalho e organização do que normalmente se imagina.
Organize seus materiais, calendários, datas, endereço de e-mail, etc. De tal
forma que estejam à mão quando for usá-los. Planeje quando e aonde estudar.

Do resto desejamos “Sucesso”, nessa nova empreitada.

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4. NORMAS TÉCNICAS

Observação inicial: as normas, mesmo quando modificadas, em geral


mantém seu código alfanumérico. Então é necessário ficar atento à sua última
versão (mês/ano). As normas técnicas mais importantes para nosso estudo são
as normas brasileiras (ABNT) para desenho e com as quais trabalharemos
oportunamente.

4.1 NORMA BRASILEIRA (ABNT)


São elas pela ordem numérica:
• NBR 8196 – Emprego de escalas em desenho técnico;
• NBR 8402 – Execução de caracteres para escrita em desenho técnico;
• NBR 8403 – Aplicação de linhas em desenho – Tipos de linhas – Largura das
linhas;
• NBR 8404 – Indicação do estado de superfície em desenhos técnicos;
• NBR 8993 – Representação convencional de partes roscadas em desenhos
técnicos;
• NBR 10067 – Princípios gerais de representação em desenho técnico – vistas
e cortes;
• NBR 10068 – Folha de desenho – leiaute e dimensões;
• NBR 10126 – Cotagem em desenho técnico;
• NBR ISO 10209-2 – Documentação técnica de produto – Parte 2: Termos
relativos aos métodos de projeção;
• NBR 10582 – Conteúdo da folha para desenho técnico;
• NBR 10647 – Desenho técnico – Norma geral;
• NBR 12298 – Representação de área de corte por meio de hachuras em
desenho técnico;
Além destas normas específicas de desenho técnico, outras da ABNT
frequentemente são usadas pelos profissionais da área de desenho:
• NBR 6158 – Sistema de tolerâncias e ajustes
• NBR 6371 – Tolerâncias gerais de dimensões lineares e angulares
• NBR 6405 – Rugosidade das superfícies
• NBR 6409 – Tolerâncias de forma e tolerâncias de posição.·.

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4.2 NORMAS INTERNACIONAIS
Na falta de norma brasileira para um determinado assunto, poderemos
usar norma ISO (internacional) ou ainda norma DIN (alemã) – esta, muito
usada no Brasil e considerada uma das melhores do mundo. Em
consequência, têm sido umas das principais referências para a feitura das
normas ABNT e ISO. Por outro lado, amiúde temos que consultar outras
normas porque estão referidas em desenhos oriundos de outros países ou
blocos econômicos, ou ainda, assuntos que tradicionalmente o mercado
nacional usa determinada norma (p.e., Correias “V” – que, no Brasil, só existe
com norma americana). Relacionamos abaixo alguns dos principais institutos
de normalização que mais de perto dizem respeito às engenharias mecânicas e
de produção:

o A2LA – American Association for Laboratory Accreditation


o ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (BRA)
o AFNOR – Association Française de Normalisation (FRA)
o AGMA – American Gear Manufacturers Association (USA)
o AIIE – American Institute of Industrial Engineers (USA)
o AISI – The American Iron and Steel Institute (USA)
o ANSI – American National Standards Institute (USA)
o API – American Petroleum Institute (USA)
o AREA – American Railway Engineering Association
o ASHRAE – American Society of Heating, Refrigerating & Air-Conditioning
Engineers (USA)
o ASME – American Society of Mechanical Engineers (USA)
o ASQ – American Society for Quality Control (USA)
o ASTM – American Society for Testing and Materials (USA)
o ASTME – American Society of Tool and Manufaturing Engineers
o AWS – American Welding Society (USA)
o BSI – British Standards Intitution (GBR)
o CEN – Eurofile-Europe Harmonized Standards
o CMN – Comitê Mercosul de Normalização
o DIN – Deutsches Institut für Normung (DEU) (antigo: Deutsche Industrie

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Norm)5
o GOST – normas russas
o IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (BRA)6
o ISA – Instrument Society of America (USA)
o ISO – International Organization for Standardization
o JIS – Japanese Industrial Standards (JPN)
o MSS – Manufactures Standardization Society of the Valve & Fittings Industry
(USA)
o NACE – National Association of Corrosion Engineers (USA)
o SAE – Society of Automotive Engineers (USA)
o UNI – normas italianas.

Obs.: Essas normas devem nortear todo o DTA gerando um projeto correto
e profissional. Essa postura trás confiança do contratante em relação ao
contratado e do cliente à empresa prestadora de serviço.

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5. INTRODUÇÃO AO DESENHO TÉCNICO APLICADO
(DTA).

O Desenho Técnico Aplicado é uma linguagem universal assim como


os números e a música. Foi desenvolvido para atender a necessidade de se
representar objetos técnico de maneira clara e objetiva. A linguagem corrente
como o português, inglês, entre outras, se mostrou insuficiente e dúbia para
isso. Ele é a linguagem usada entre engenheiros, tecnólogos, técnicos,
desenhistas, projetistas, técnicos de processos, preparadores de máquinas,
inspetores da qualidade, ferramenteiros, oficiais de manutenção, compradores
e vendedores técnicos.

Erros e omissões em DTA podem comprometer toda uma produção,


provocando rejeição completa ou retrabalho o que leva inevitavelmente a
prejuízos financeiros. O que é muito grave, pois hoje em dia os lotes
produzidos contêm milhares de peças, além de determinar o quanto uma
empresa é competitiva. Devido a esse fato o DTA é o documento técnico de
suma importância para definição das características da peça e das
responsabilidades como os nomes e assinaturas de quem projetou, desenhou,
copiou, revisou e aprovou de forma datada.

Portanto, poderíamos defini-lo assim:


“Desenho técnico é uma linguagem gráfica internacional que representa
com clareza o objeto em sua forma², dimensões, material e demais
quesitos técnicos³ com informações necessárias e suficientes para a
função a que se destina (p. e., fabricação, alteração, manutenção,
montagem, expedição, etc.)”. (Prof. M.Sc. Edson Del Mastro).

2) Esta definição se refere ao desenho projetivo que é o usado em DTM. Existe também o desenho
técnico não projetivo “desenho não subordinado à correspondência, por meio de projeção, entre as
figuras que o constituem e o que é por ele representado” (NBR 10647, 1, ABR/1989), como os diagramas,
esquemas, ábacos, normogramas, organogramas, fluxogramas – também considerados como sendo DT,
conforme esta norma.
3) Incluem-se nesses demais quesitos técnicos, p. e., tolerâncias dimensionais (obrigatório), tolerâncias
geométricas, rugosidade superficial, tratamentos superficiais, tratamentos térmicos, características
mecânicas, elétricas, magnéticas, óticas ou outras informações – que só serão especificadas quando
necessário.

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5.1 TIPOS DE DESENHOS TÉCNICOS

Existem dois tipos de desenhos técnicos que são o projetivo e o não


projetivo.

5.1.1 Desenho técnico não projetivo:


São desenhos representativos e não estão subordinados à
correspondência por meio de projeção de um modelo real. Como os desenhos
de programação Ladder de CLP, esquemas elétricos e pneumáticos como
seguem.

Figura 1 - Programação Ladder (CLP).

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Figura 2 - Esquema Elétrico.

Figura 3 - Esquema Pneumático.

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5.1.2 Desenhos técnicos projetivos:
São desenhos baseados em dimensões reais e estão subordinados à
correspondência, por meio de projeção, orientados por normas técnicas. Como
os desenhos de peças mecânicas, por exemplo.

Figura 4 - Desenho Mecânico em Perspectiva

Figura 5 - Desenho de um Eixo em 2D.

Conclusão:

Neste curso estaremos desenvolvendo os conceitos do desenho


projetivo. Aprendendo a esboçar peças e conjuntos mecânicos e desenha-los
com auxilio do computador. Buscando sempre aproximar as aulas ao dia-a-dia
do profissional mecatrônico.

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6. ESBOÇO COTADO DE POLIEDROS.

OBJETIVOS: fazer esboço cotado em vistas essenciais de objeto


poliédrico no 1º diedro, a partir de modelo real.

6.1 DEFINIÇÕES

Sólido: Porção de espaço limitado por superfícies rígidas. Corpo que tem
3 dimensões e é limitado por superfícies fechadas.

Poliedro: Sólido limitado por polígonos planos. Sólido limitado por


superfícies planas. Pode ser:
• Côncavo ou convexo;
• Regular ou irregular.

Figura 6 - poliedros regulares e suas planificações

Esboço: desenho técnico, geralmente à mão livre, com material, cotas e


outras informações necessárias para a construção do objeto. Rápido e de baixo
custo, é usado como desenho preliminar ou para a produção unitária ou de
pequenos lotes de peças. Muito usado em manutenção.

Definição da ABNT: “Representação gráfica expedita. Aplicada


habitualmente aos estágios iniciais da elaboração de um projeto podendo,
entretanto, servir ainda à representação de elementos existentes ou à
execução de obra.” (NBR 10647, 1988: 2)

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 17
6.2 DIEDROS

Os Diedros
A intersecção dos dois planos ortogonais divide o espaço em quatro
diedros, assim enumerados.

A Geometria Descritiva, como ciência


que é, pode projetar e estudar as figuras
espaciais em quaisquer dos quatro
diedros. Já para o DESENHO TÉCNICO,
onde clareza é importante, só o 1° e 3°
diedros apresentam interesse.

Figura 7 - Os quatro Diedros

Vejamos por que:


Se tomarmos separadamente os
diedros (fig.8) e, em cada um deles
fizermos o rebatimento do plano
horizontal (PH), sempre no sentido
horário, veremos que o 2° e o 4°
diedros resultam em PV e PH
superpostos, em suas respectivas
épuras. Para entendermos melhor
vejamos como é isso na próxima

Figura 8 - Diedros separados pagina:

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Figura 9 - 1º diedro

Figura 10 - 2º Diedro com PH e PV superpostos

Figura 11 - 3º Diedro

Figura 12 - 4º Diedro com PH e PV superpostos

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 19
Figura 13 - projeção do 1º Diedro

1º Diedro

No 1º Diedro a
projeção se dá
atrás da peça em
relação ao
observador, ou
seja, é como se
você imprimisse a
foto atrás da peça.

No canto inferior
direito da figura 13
está o símbolo que
representa o 1º
Diedro

Figura 14 - Projeção do 3º diedro

3º Diedro

No 3º Diedro a
projeção se dá
entre a peça e o
observador, ou
seja, é como se
você imprimisse a
foto e segurasse-la
a frente da peça.

No canto inferior
direito da figura 14
está o símbolo que
representa o 3º
Diedro

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 20
6.3 AS VISTAS ESSENCIAIS NO 1º DIEDRO

Imaginem uma peça


poliédrica dentro de um cubo
de acrílico, e que você tira-se
uma foto de maneira
perpendicular e centrada, de
cada fase desse cubo. O que
você iria observar seria seis
(6) vistas, que são: frontal,
posterior, superior, inferior,
lateral esquerda e lateral
direita.

Figura 15 _ faces do hexaedro

Há 3 pares de vistas onde o


contorno se repete
(invertido):
 Vista frontal e vista
posterior (a e f);
 Vista superior e vista
inferior (b e e);
 Vista lateral esquerda e
vista lateral direita (c e d)

Figura 16

As 6 projeções de um objeto no hexaedro (no 1º diedro)

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 21
1º diedro

Na fig. 17 temos as seis vistas principais após planificar o hexaedro (ref.:


vista frontal a) a partir do 1º diedro.
Como as linhas de contorno são as melhores para caracterizar tanto a
forma como as dimensões, basta uma vista de cada um daqueles pares para
vermos o objeto segundo as três (3) direções tri ortogonal (eixos x, y, z). Na
maioria dos casos essas 3 vistas são suficientes para representar o objeto,
apesar de nem sempre todas serem necessárias.

Figura 17 - As 6 vistas principais após planificar o hexaedro (ref.: vista frontal a)

Tradicionalmente essas 3 vistas (a, b e c) são chamadas de vistas


essenciais. Nas antigas normas ABNT elas tinham essa denominação.

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6.3.1 VISTA AUXILIAR

Vistas Ortográficas
Auxiliares são obtidas
sobre planos auxiliares de
projeção, inclinados em
relação a planos principais
de projeção. Empregam-se
para representar em
verdadeira grandeza,
detalhes do objeto,
inclinados em relação às
faces principais do mesmo.

Figura 18 - PLANO AUXILIAR

Os planos e as vistas
auxiliares dividem-se em:

A – Primários – se perpendiculares
só a dois dos planos principais

B – Secundários – se são
inclinados em relação a todos os
planos principais.

Figura 19 - VISTA AUXILIAR COM CORTE

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6.3.2 Regra da dobradiça
É um método prático de conseguir as vistas essenciais no 1º diedro, com
o mesmo resultado do procedimento teórico. É a regra prática para conseguir
as três vistas essenciais.

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6.4 ELABORANDO UM DESENHO TÉCNICO
Assim como a elaboração de um produto pode envolver várias pessoas, a
realização do desenho técnico mecânico também pode envolver o trabalho de
vários profissionais. Quem planeja a peça é o projetista ou engenheiro.
Primeiro ele imagina como a peça deve ser. Depois cria um esboço que vai
servir de base para a elaboração do desenho preliminar. O desenho preliminar
corresponde a uma etapa intermediária do processo de elaboração do projeto,
que ainda pode sofrer alterações.
Após ser aprovado, o desenho definitivo, ou seja, aquele que mostra a
versão final do projeto passa a ser executado pelo desenhista técnico. O
desenho técnico definitivo, também chamado de desenho para execução,
contém todos os elementos necessários à sua compreensão. O desenho para
execução, que tanto pode ser feito na prancheta como no computador, deve
atender rigorosamente a todas as normas técnicas sobre o assunto.

6.4.1 TÉCNICAS PARA DESENHO À MÃO LIVRE OU ESBOÇO

Material necessário:
 Papel (liso quadriculado, normalizado ou não).
 Borracha (eventualmente).
 Lápis HB ou N°2 ou lapiseira
Observação geral: segure o lápis sem rigidez nas articulações dos dedos,
mantendo uma distância mínima da ponta de 25 mm.

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6.4.1.1 RETAS DE PEQUENAS EXTENSÕES
- Verticais – traçar de cima para baixo movimentando-se o lápis apenas com os
dedos, permanecendo firme o pulso (fig.20).
- Horizontais – traçar as horizontais da esquerda para a direita movimentando-
se o lápis com os dedos e o pulso, mantendo-se firme o antebraço (fig.20).

Figura 20 - Técnica de traçado curto

Exercícios

- Linhas de pequena inclinação em relação à vertical, traçam-se como as


verticais (fig.20).
- Linhas de pequena inclinação em relação à horizontal, traçam-se como as
horizontais (fig. 20).
- Retas inclinadas a 45° localizadas no II° e IV° quadrantes, como as verticais.
- Retas inclinadas a 45° localizadas no I° e III° quadrantes, como as
horizontais.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 26
Figura 21
6.4.1.2 RETAS DE GRANDES EXTENSÕES

Horizontais – traçam-se as horizontais de grandes extensões da esquerda para


a direita girando o antebraço sobre o cotovelo e, compensando com os dedos a
curvatura consequente desse movimento.
1- traça-se uma linha de construção (fina) rapidamente, fixando-se o olhar no
ponto extremo (sem olhar a ponta do lápis).
2- traça-se sobre esta linha final, olhando agora a ponta do lápis com a
intenção de corrigir os defeitos apresentados pela primeira linha (no final pode-
se apagar as partes da linha de construção que ficaram muito fora).

Figura 22 - Técnica de traçado longo

Exercícios

Traçar três linhas horizontais paralelas

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 27
6.4.2 NOÇÕES NECESSÁRIAS PARA O DESENHO DE ESBOÇO:

Traçado à mão livre: linha limpa; linha curta, longa, vertical, horizontal,
inclinada, preliminar, definitiva.
Projeções no 1º. Diedro (Regra prática);
Escolha das vistas (menor número de linhas tracejadas);
Proporcionalidade (dimensões totais e detalhes) e distribuição das vistas
na folha de Desenho Técnico;
Linhas em DT: tipos (larga, estreita, contínua, tracejada, traço-ponto,
sinuosa, etc) e aplicações (contorno, aresta visível, auxiliar, cota, ruptura, etc)
veja NBR 8403.
Cotagem: as cotas deverão ser as necessárias e suficientes (cada detalhe
tem um número determinado de cotas). Regras para a cotagem:
 Cotar cada detalhe na vista onde melhor aparecer (linha de contorno);
 Cotar as totais (3) distribuindo-as;
Escrita em Desenho Técnico: usar a escrita técnica (NBR 8402). Cotas e
outras inscrições: escrever da esquerda para a direita, de baixo para cima (e
sentidos intermediários); sobre a linha de cota e no centro desta (mas sem
encostar-se à linha);
Especificar o material da peça desenhada (por exemplo: aço ABNT 1045,
latão, madeira);
Preencher a legenda com: nome da instituição, da peça, do conjunto onde
vai ser montada, do projetista, do desenhista, datas do projeto, do desenho,
das modificações, código da peça, o diedro usado (1º ou 3º), etc.

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EXEMPLO DE ESBOÇO COTADO

Aqui apresentamos alguns conceitos de aplicação de linhas e cotas em


DTA.

6.4.3 EXERCÍCIO
 Realize um esboço cotado, a partir de um modelo real e preencha a
legenda corretamente.

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6.5 ESBOÇO COTADO DE PEÇAS COM FUROS E/OU
ARCOS

OBJETIVOS:
Fazer desenho em esboço cotado (à mão ou com instrumentos) em 3
vistas essenciais de peças contendo furos e/ou arcos, a partir de modelo real.
Obs.: A partir de agora será permitido à utilização de instrumentos para
os esboços. Como:
Lapiseira 0,5 mm com grafite 0,5 HB
Lapiseira 0,3 mm com grafite 0,3 HB ou F
Compasso (TRIDENT Mod.9000 ou similar)
Régua “T”
Par de esquadros (45° e 60°) sem escala - acrílico cristal - 3 mm x 32 cm
Régua milimétrica – 300 mm - acrílico cristal - incolor
Gabarito de furos – em milímetros (TRIDENT D1 ou D2)
Gabarito de elipses - 35° 16’ – em milímetros (TRIDENT D4 ou D24)

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 30
Utilizaremos noções de:

1. Linhas de centro e eixos de simetria: usar linha estreita traço-ponto (NBR


8403)
2. Representação de furos e arcos;
3. Cotagem de furos e arcos;
4. Redução de cotas nos desenhos com 1, 2 ou 3 eixos de simetria;

Vejam os exemplos:

6.5.1 FUROS

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 31
6.5.2 ARCOS
Arcos externos

Arcos internos

6.6 VISTAS DE OBJETOS SIMÉTRICOS


Ao desenhar um objeto simétrico, ou seja, de lados iguais, podemos
desenhar apenas uma parte que represente o todo traçando uma linha de
centro de simetria, como mostra os desenhos da fig.23.

Figura 23
Simetria

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 32
Também podemos encurtar a representação de peças longas.

Figura 24 - simetria de peças longa

6.7 EXERCÍCIOS

 Realize um esboço cotado, a partir de um modelo real e preencha a


legenda corretamente.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 33
7. FOLHAS.

O formato básico para desenhos técnicos é o retângulo de área igual a 1m²


e de lados medindo 841 mm x 1189 mm, isto é, guardando entre si a mesma
relação que existe entre o lado de um quadrado e sua diagonal

Deste formato básico, designado por A0 (A zero), deriva-se a série "A" pela
bipartição ou pela duplicação sucessiva.

7.1 Formatos da série


"A"
Designação Dimensões
 A0 = 841 mm x 1189 mm
 A1 = 594 mm x 841 mm
 A2 = 420 mm x 594 mm
 A3 = 295 mm x 420 mm
 A4 = 210 mm x 297 mm

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 34
7.2 Legenda

A posição da legenda deve estar dentro do quadro para desenho de tal


forma que contenha a identificação do desenho (número de registro, título,
origem, etc.); deve estar situado no canto inferior direito, tanto nas folhas
posicionadas horizontalmente como verticalmente. Fig.25.

Figura 25 - folha vertical e horizontal

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 35
8. PERSPECTIVAS.

Perspectiva é uma vista única que mostra três faces de um objeto (largura
comprimento e profundidade). É uma representação mais ilustrativa do que
técnica, sendo muito utilizada para que leigos em DTA possam visualizar a
peça como ela é.

8.1 TIPOS DE PERSPECTIVAS


8.1.1 Perspectivas Paralelas
Isométrica Simplificada (1), Isométrica Real (2), Dimétrica, Trimétrica, Cavaleira
(3)~pm

Figura 26 – Perspectiva Isométrica (real), Projeções ortogonais (em VNS) e Perspectiva


Isométrica simplificada.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 36
Figura 27 - Perspectiva cavalera

Obs.: as perspectivas mais usuais em mecânica são as do tipo (1), (2) e (3).

8.2 Eixos
Perspectivas feitas por técnicos, normalmente as usadas como desenho
de fabricação, pretendem mostrar as faces que tem o maior número de
detalhes. Essa escolha das faces, em geral, coincide com a seleção das vistas
feitas para o desenho em vistas ortográficas.

Há quatro posições básicas para os eixos isométricos:

Figura 28

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 37
8.3 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA REAL

A perspectiva isométrica real é o desenho que mais se aproxima da


realidade devido a suas reduções (x 0.81) sobre os três eixos (x, y e z) e a
disposição dos eixos x e y com ângulo de 30º em relação à linha imaginária
horizontal.

OBJETIVOS:

Fazer desenho em Perspectiva Isométrica Real de objetos quaisquer,


inclusive sólidos de revolução, a partir de modelo real ou de desenho em VNS.
Exemplo:

Figura 29

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 38
8.3.1 SEQUÊNCIA PARA EXECUÇÃO DE UMA PERSPECTIVA
ISOMÉTRICA REAL

Use linhas fracas até


o item seis (6).
1. Escolher a posição
da peça;
2. Marcar um ponto e
traçar os eixos
isométricos;
3. Marcar as cotas
totais sobre os eixos e
multiplicar por 0.81;
4. Construir a caixa;
5. Apagar os
excessos;
6. Marcar, construir,
apagar excessos e
completar as linhas
faltantes de cada
Figura 30 Detalhe (primeiro os
mais profundos)

(Daqui em diante, traçado definitivo).


7 – Traçar linhas de centro e de simetria que puder;
8 – Traçar furos e/ou arcos (usar gabarito de elipses);
9 – Traçar retas 30º à direita (de cima pra baixo);
10 – Traçar retas 30º à esquerda (idem);
11 – Traçar as retas verticais (da esquerda pra direita);
12 – Traçar retas com outras inclinações;
13 – Completar linhas faltantes (centro, simetria).

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 39
8.3.2 MÉTODO PARA CRIAÇÃO DE FALSA ELIPSE

Quando não se dispõe de gabarito de elipses, ou de diâmetros maiores


do que do seu gabarito, pode-se construir falsa elipse completa ou parcial,
segundo o método abaixo:
Elipse completa: traçar as linhas de centro; marcar e traçar losango
(lado = ø do furo); traçar perpendiculares a partir do centro de cada lado
(determinando os centros de R e r); traçar R e r, formando a falsa elipse.

Figura 31

Elipses parciais (raios de arredondamento): traçar as tangentes (linhas


de construção); marcar os raios* (da peça); traçar as perpendiculares
determinando o centro de R e/ou r; traçar R e/ou r; a falsa elipse parcial.

Figura 32

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 40
8.4 VISTAS NECESSÁRIAS E SUFICIENTES (VNS)

É a avaliação que o desenhista faz quanto a real necessidade da


quantidade de vistas a serem exibidas para um entendimento completo e sem
prejuízo de interpretação da peça desenhada.

8.4.1 Escolha das Vistas


Vista Principal
A vista mais importante de uma peça deve ser utilizada como vista
frontal ou principal. Geralmente esta vista representa a peça na sua posição de
utilização.
Outras Vistas
Quando outras vistas forem necessárias, inclusive cortes e/ou seções, elas
devem ser selecionadas conforme os seguintes critérios:
a) usar o menor número de vistas;
b) evitar repetição de detalhes;
c) evitar linhas tracejadas desnecessárias.

Determinação do número de vistas

VNS 3: Utilizada quando somente as três vistas satisfazem ao conceito VNS.

Figura 33

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 41
VNS 2: Utilizada quando duas vistas já satisfazem ao conceito de VNS.

Figura 34

VNS 1: Utilizada quando apenas uma vista já satisfaz ao conceito de VNS.

Figura 35

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8.5 EXERCÍCIOS:

 Realize um esboço em perspectiva isométrica simplificada a partir do


desenho proposto em projeções ortogonais.

Figura 36

 Realize um esboço (com auxilio de instrumentos) em perspectiva


isométrica real a partir do desenho propostos.

Figura 37

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 43
9. ESCALAS EM DTA

9.1 ESCALA
É a relação entre as dimensões lineares do desenho original e as
dimensões reais do objeto.

Logo
E= desenho/objeto

Existem três tipos de escalas, que são:


 Escala natural:
Quando o desenho é do mesmo tamanho do objeto. E = 1:1
 Escala de ampliação:
Quando o desenho é maior do que o objeto, ou seja, a relação é maior do
que 1:1. Escalas recomendadas: 2:1, 5:1, 10:1, e múltiplos de 10.
 Escala de redução:
Quando o desenho é menor que o objeto, ou seja, a relação é menor que
1:1. Escalas recomendadas: 1:2, 1:5, 1:10,... e múltiplos de 10.

Obs.:
O valor numérico da cota será sempre a dimensão real do objeto, para
quaisquer das escalas utilizadas, ou para qualquer tipo de desenho cotado
(esboço, definitivo, perspectiva).

9.2 INSCRIÇÃO

A escala usada no desenho deve estar inscrita na legenda, na forma:


Escala 1:1, ou: Escala x:1 ; ou Escala 1:x.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 44
Se for usada mais de uma escala no desenho, só a principal deve constar
na legenda. As demais escalas devem estar inscritas junto à identificação das
vistas, cortes ou detalhes a que se referem.

9.3 ESCOLHA DA ESCALA A SER UTILIZADA

A escolha da escala adequada depende de alguns fatores que podem


atuar isolada ou conjuntamente:
• Tamanho do objeto: objetos muito grandes terão desenhos reduzidos e os
muito pequenos, ampliados – independentemente de outros fatores. Por
exemplo, por menor que seja uma casa, seu desenho será feito com uma
escala de redução;
• Grau de complexidade do objeto: por exemplo, é possível que três peças
com as mesmas dimensões totais e de desenhos com as mesmas finalidades
(por exemplo: desenho de fabricação), necessitem de escalas diferentes por
terem, cada uma, número de detalhes (e de cotas) muito diferentes;
• Finalidade de representação: um desenho de montagem e outro de
acionamentos (operação) de uma mesma máquina. Ou ainda, um mapa do
Estado de São Paulo mostrando a localização das cidades e estradas e outro
de uma cidade mostrando as ruas.
Em todo caso, a escala selecionada deve permitir uma interpretação fácil e
clara da informação representada e pretendida.

9.4 Formato da folha

As dimensões do objeto, o número de vistas (VNS) e a(s) escala(s)


utilizada(s), determinarão a área necessária para o desenho, ou seja, o formato
da folha (A4, A3,... A0, 2 A0, ... ).

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 45
9.5 EXEMPLOS DE ESCALA
Exemplo de escala de ampliação.

Figura 38

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 46
Exemplo de escala natural com ampliação de detalhe.

Figura 39

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 47
Exemplo de escala de redução.

Figura 40

9.6 EXERCÍCIOS

 Realizar desenho em escala de ampliação a partir de modelo real.


 Realizar desenho em escala de redução a partir de modelo real.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 48
10. CORTES E SEÇÕES

10.1 Cortes

Se o objeto a ser desenhado é simples e não tem detalhes internos (a não


serem furos passantes de seção constante), em geral, ele pode ser
representado com clareza por uma ou por mais vistas externas, conforme
necessidade, como representado na fig. 39.

Figura 41

Quando, porém, o objeto se


torna mais complexo (furos com seção
variável, furos cegos, cavidades
irregulares, detalhes externos no meio
da peça não passante ou de seção
variável) ou ainda quando diversas
peças aparecem montadas em partes
internas formando um conjunto, a
tentativa de representar isso numa vista
externa tornaria a leitura do desenho

Figura 42 difícil (ou impossível em alguns casos)


devido aos diversos contornos e

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 49
arestas não visíveis (que resultam no desenho em linhas tracejadas). Nesses
casos aplicam-se um ou mais CORTES que, além de ESCLARECER melhor a
forma, facilita a cotagem ou a indicação dos detalhes, como na figura 40.

10.1.1 PLANO DE CORTE

CORTE ou VISTA em CORTE é a representação em projeção ortogonal


de um objeto ou peça onde uma de suas partes foi cortada e removida e
deixando visível a parte interior. Isso é feito através da passagem de um ou
mais planos de corte (planos secantes imaginários).
As superfícies criadas pela interseção desses planos com a peça são
diferenciadas das demais por terem no seu interior linhas de HACHURAS. As
linhas que delimitam essas superfícies são chamadas de LINHAS de
CONTORNO de CORTE e são ótimas para cotar.

Figura 43

O plano de corte é representado por linha estreita traço-ponto em toda


extensão por onde passou o corte exceto nas extremidades e nos desvios
(quando houver dois ou mais planos). As extremidades e os desvios serão
representados por linha larga traço-ponto. O sentido de visada deve ser
mostrado por seta cuja ponta se apoia no plano de corte perpendicularmente.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 50
Nas setas e nos desvios do PLANO DE CORTE devem aparecer letras
maiúsculas (A, B, C...) uma letra repetida para cada corte (fig. 42). Essa
mesma letra identificará a vista cortada: A-A; B-B; C-C, etc.

Figura 44 - linhas de corte

10.1.2 QUANTIDADE DE CORTES


O desenho de um objeto pode incluir um ou mais cortes e/ou seções de
vários tipos, conforme o que for necessário para a CLAREZA da representação
e cotagem e/ou indicação.
Observação: O conhecimento e uso adequados de todos os tipos de
cortes e seções, em geral, diminui o número de vistas necessárias do desenho.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 51
10.1.3 TIPOS DE CORTE

10.1.3.1 CORTE TOTAL


É um corte onde um único plano de corte atravessa inteiramente o
objeto, mostrando uma projeção completa em corte.

Figura 45 - CORTE TOTAL

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 52
Figura 46 - CORTE TOTAL

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 53
10.1.3.2 OMISSÃO DE CORTE

Omitir significa: deixar de fazer, dizer ou escrever, não mencionar.


Omissão de corte: Não se cortam (e não se hachuram) diversos
elementos de máquinas ou ainda algumas partes de peças, mesmo que o
plano de corte passe sobre os mesmos. Vejam os exemplos:

Figura 48 – Omissão de corte Figura 48 - Omissão de corte


(Pino) (rebite)

Figura 50 - Omissão de corte Figura 50 - Omissão de corte


Fixação por parafuso Eixo, engrenagem e chaveta.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 54
10.1.3.3 COTE PARCIAL

É um tipo de corte aplicado só em parte(s) da vista. Isto é, o plano de


corte penetra só parcialmente no objeto, como mostra a fig.49.

Figura 51 - Corte parcial (Eixo)

10.1.3.4 MEIO-CORTE

Um tipo de corte onde metade da vista é cortada e outra metade é


desenhada em vista externa (fig.50).

Figura 52 - meio corte

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 55
Repare que a parte superior é
desenhada normalmente e o
corte é aplicado apenas na parte
de baixo.

Figura 53 - Projeção Meio corte

10.1.3.5 DETALHE AMPLIADO

Em casos onde a escala usada no desenho não permitir representar ou


cotar com clareza um elemento menor da vista, pode-se ampliar esse detalhe
envolvendo-o com um círculo de linha fina (estreita) e identificando-o com uma
letra maiúscula. O detalhe é então desenhado separadamente em escala
maior, acompanhado da mesma identificação (a nova escala deve ser inscrita
em seguida e entre parênteses). Pode ser aplicado uma ou mais vezes no
mesmo desenho, em vista externa ou corte. Seu uso adequado pode significar
mais clareza e economia.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 56
Figura 54- DETALHE AMPLIADO

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 57
10.1.3.6 CORTES COM DESVIOS

É um corte com dois ou mais planos de corte paralelos ligados entre si


por planos de desvios, com objetivo de mostrar detalhes não alinhados do
objeto.

Figura 55- CORTE COM DESVIO

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 58
10.1.3.7 CORTE AUXILIAR

Corte Auxiliar é um corte aplicado num


plano auxiliar de projeção, com o objetivo de
representar, em verdadeira grandeza, algum
detalhe interno do objeto, inclinado em relação
às faces principais do mesmo (fig.56).

Figura 56 - CORTE AUXILIAR

Figura 57 - Desenho final da peça em VNS

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 59
10.2 DIFERENÇA ENTRE CORTE E SEÇÃO
No corte aparecem a superfície hachurada (intersecção do plano secante
com o objeto) e a superfície em branco referente à parte do objeto que
eventualmente possa ser vista, situada além desse plano (não hachurada).
Na seção aparece tão somente a superfície hachurada.

Figura 58- Corte e Seção

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 60
10.3 SEÇÕES
10.3.1 Tipos de seção
Há quatro tipos de seção. Classificada conforme onde é feito seu
rebatimento:

Figura 59 - Seção rebatida sobre a vista

Figura 60 - Seção rebatida entre a vista

Figura 61 - Seção rebatida ao lado da vista

Figura 62 - Seção rebatida em qualquer parte do desenho

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 61
10.3.2 INDICAÇÃO DO PLANO DE CORTE E IDENTIFICAÇÃO DA SEÇÃO
Nos três primeiros casos anteriores não são necessárias (no 3º caso
apenas uma linha estreita traço-ponto ligando a seção à vista da qual foi
retirada).
Já no ultimo caso, isso é necessário. Completo, se houver outro(s) corte(s)
e/ou seções. Parcial, se for à única vista secional. Ainda no ultimo caso as
setas no plano de corte serão necessárias se a seção não for simétrica.

Aplicações não recomendáveis.

Figura 63

Aplicação recomendável

Figura 64

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 62
Figura 65

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 63
10.3.2.1 CORTE X SEÇÃO

Algumas vezes o CORTE e a SEÇÃO, num determinado plano de corte,


são idênticos. Nesse caso, o uso de um ou de outro é indiferente.
Na maioria das vezes, porém, eles resultam em vistas diferentes. Então,
o que usar?

Seção:
Usar SEÇÃO, por economia, quando no corte vão aparecer outras linhas
referentes a detalhes posteriores ao plano secante e que já foram
suficientemente esclarecidos em outra(s) vista(s) e que no momento não
interessa.
Ainda podemos usar SEÇÃO no lugar de corte por clareza, porque além
daquelas linhas darem trabalho, podem atrapalhar a representação e dificultar
a cotagem.

Corte:
Usar CORTE quando os detalhes posteriores ao plano de corte são
oportunos e necessários (representação e cotagem dos mesmos) ou ainda
quando a seção resulte numa vista prejudicada (por exemplo, detalhes
passantes radiais num eixo).

Conclusão
Devemos usar o melhor em cada situação: podemos usar CORTES e/ou
SEÇÕES quais e quantos forem necessários à CLAREZA do desenho. Não se
esquecer de indicá-los e identificá-los corretamente (por exemplo, A-A ; B-B; C-
C; etc.).

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 64
11. ELEMENTOS DE MÁQUINAS

São os componentes que constitui as partes de uma máquina. Os


elementos de máquinas podem ser classificados em grupos conforme sua
função. Dentre os vários elementos de máquinas existentes, iremos estudar as
representações para o DTA dos elementos de vedação, fixação, transmissão e
apoio.

11.1 ELEMENTOS DE VEDAÇÃO

Um sistema de vedação é constituído por elementos mecânicos que


impedem o escape de fluido de um ambiente fechado e evitam que esse
ambiente seja contaminado por agentes externos e haja vazamentos. Sua
representação nem sempre fica clara, por isso estaremos tratando desse
assunto aqui como: juntas, retentores, anéis de borracha, gaxetas e selos
mecânicos.

11.1.1 JUNTAS
As juntas são vedações aplicadas nas junções fixas, de maneira direta
ou por elementos intermediários, e podem ser de borracha, teflon, amianto,
papelão e metálica.

Figura 66 - TIPOS DE JUNTAS

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 65
REPRESENTAÇÃO DE JUNTAS EM DTA.

Figura 67 - Representação de juntas

11.1.2 RETENTORES
O vedador de lábio, também
conhecido pelo nome de retentor, é
composto essencialmente por uma
membrana elastomérica em forma de
lábio, por uma parte estrutural metálica
que permite sua fixação na posição correta
de trabalho e por uma mola de tração.
Figura 68 - Retentores

Figura 69 - Exemplo de montagem do retentor entre eixo e mancal

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 66
REREPRESENTAÇÃO EM DTA.

Figura 70

ELEMENTOS DE UM RETENTOR

Figura 71 - Componentes do retentor

Tipos de perfis de retentores

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 67
11.1.3 ANÉIS DE BORRACHA (O’RING)

Esses anéis são guarnições confeccionadas


em borracha sintética e podem ser empregados para
a vedação de fluidos entre superfícies fixas (estático)
ou móveis (dinâmicos). O funcionamento dessas
guarnições se baseia na deformação que elas
sofrem após a montagem em uma sede com
dimensão inferior à da guarnição. A deformação do
anel cria uma ação de vedação, mesmo se o fluido
não estiver sobre pressão.

Representação em DTA.

Figura 72

Figura 73 - Exemplo de montagem

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 68
11.1.4 GAXETAS
Gaxetas são elementos mecânicos utilizados para vedar a passagem de
um fluxo de fluido de um local para outro, de forma total ou parcial. Os
materiais usados na fabricação de gaxetas são: algodão, juta, asbesto
(amianto), nylon, teflon, borracha, alumínio, latão e cobre. Esses materiais são
aglutinados a outros, tais como: óleo, sebo, graxa, silicone, grafite, mica, etc.

Em algumas
situações, o fluxo de
fluido não deve ser
totalmente vedado,
pois é necessária
uma passagem
mínima de fluido com
a finalidade de
auxiliar a lubrificação
entre o eixo rotativo e
a própria gaxeta. A
Figura 74 - Exemplo de montagem
este tipo de trabalho
dá-se o nome de restringimento.

O restringimento é aplicado, por exemplo, quando se trabalha com


bomba centrífuga de alta velocidade, como na fig74.

Figura 75 - Gaxeta grafitada

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 69
Desenhos e Representação em DTA

Figura 76

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 70
11.1.5 SELOS MECÂNICOS
Em uma bomba centrífuga assim como nos outros
equipamentos o selo mecânico tem a função de promover a
selagem, com o propósito de evitar que o fluido seja emitido
para o meio externo (atmosfera).

Os selos mecânicos podem


ser aplicados na maioria dos
casos, pois possuem muitas
vantagens em relação às gaxetas.
Além disso, são indicados para
casos onde os retentores
convencionais não podem ser
aplicados, especialmente em casos
de alta pressão, temperatura,
velocidade e presenças de sólidos
em suspensão.

Figura 80 - forma de
montagem Figura 80 - Desenho Representativo em DTA

Figura 80 Figura 80

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 71
11.2 ELEMENTOS DE FIXAÇÃO

São elementos destinados à união de peças, chapas e outros elementos


de máquinas.

11.2.1 PARAFUSOS

11.2.1.1 TIPOS DE CABEÇAS E FENDAS DE PARAFUSOS


O parafuso é formado por um corpo cilíndrico roscado e por uma cabeça
que pode ser hexagonal, sextavada, quadrada ou redonda.

Em mecânica, ele é empregado para unir e manter juntas as peças de


máquinas, geralmente formando conjuntos com porcas e arruelas, pode ser
montadas e desmontadas facilmente, bastando apertar e desapertar os
parafusos que as mantêm unidas.

Os parafusos se diferenciam pela forma da rosca, da cabeça, da haste e


do tipo de acionamento. Sendo que o tipo de acionamento está relacionado
com o tipo de cabeça do parafuso. Podemos observar essas caracteristicas na
figura 82 na próxima página.

Os parafusos possuem basicamente 3 partes:

Figura 81 – partes de um parafuso

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 72
Figura 82 - tipos de cabeças e fendas de acionamento

11.2.1.2 CORPO DE PARAFUSO


O corpo de um parafuso pode ser cilíndrico ou cônico, totalmente
roscado ou parcialmente roscado, com ou sem cabeça.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 73
11.2.1.3 EXTREMIDADE (PONTA)

Existem diversos tipos de


extremidades em parafusos.

A figura ao lado mostra algumas


das representações: chanfrada, boleada e
triangular.

11.2.1.4 Tipos de montagem


PASSANTES

Esses parafusos atravessam de lado a lado as peças a serem unidas,


passando livremente nos furos.

Dependendo do serviço, esses parafusos, além das porcas, utilizam


arruelas e contraporcas como acessórios.

Os parafusos passantes apresentam-se com cabeça ou sem cabeça.

NÃO-PASSANTES

São parafusos que


não utilizam porcas. O
papel de porca é
desempenhado pelo furo
roscado, feito numa das peças a ser unida.

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Para se obter um furo roscado deve-se furar a peça um uma broca
pouco menor que o diametro do parafuso e utilizar uma ferramenta de
rosqueamento chamado “macho”, conseguindo dessa forma uma montagem.

Figura 83- processo de rosqueamento e montagem mecânica

11.2.1.5 ROSCAS

Rosca é uma saliência de perfil constante, helicoidal, que se desenvolve


de forma uniforme, externa ou internamente, ao redor de uma superfície
cilíndrica ou cônica. Essa saliência é denominada filete.

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Podem ser:

 Internas (interior de porcas);


 Externas (corpo de parafusos).

Permitem a união e desmontagem


de peças.

Permitem movimento de peças.

11.2.1.6 TIPOS DE ROSCAS


De acordo com o filete e suas aplicações:

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11.2.1.7 SENTIDO DE ROTAÇÃO DAS ROSCAS

À esquerda: Quando, ao avançar, gira em sentido contrário ao dos


ponteiros do relógio (sentido de aperto à esquerda).

À direita: Quando, ao avançar, gira no sentido dos ponteiros do relógio


(sentido de aperto à direita).

Esquerda – Sentido anti-horário

Direita – Sentido horário

11.2.1.8 NOMENCLATURA DA ROSCA


Independentemente da sua aplicação, as roscas têm os mesmos
elementos, variando apenas os formatos e dimensões.

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11.2.1.9 PROCEDIMENTO PARA MEDIÇÃO DE ROSCAS
Nem sempre os parafusos usados nas máquinas são padronizados
(normalizados) e, muitas vezes, não se encontra o tipo de parafuso desejado
no comércio.

Nesse caso, é necessário que a própria empresa faça os parafusos.


Para isso é preciso pôr em prática alguns conhecimentos, como saber
identificar o tipo de rosca do parafuso e calcular suas dimensões.

O primeiro procedimento para verificar


os tipos de roscas consiste na medição do
passo da rosca.

Para obter essa medida podemos usar


pente de rosca, escala ou paquímetro.

Esses instrumentos são chamados


verificadores de roscas e fornecem a medida
do passo em milímetro ou em filetes por polegada e, também, a medida do
ângulo dos filetes (pente de roscas).

As roscas de perfil triangular são fabricadas segundo três sistemas


normalizados: o sistema métrico ou internacional (ISO), o sistema inglês ou
whitworth e o sistema americano (UNS).

No sistema métrico, as medidas das roscas são


determinadas em milímetros.

Os filetes têm forma triangular, ângulo de 60º, crista


plana e raiz arredondada.

No sistema whitworth, as medidas são


dadas em polegadas. Nesse sistema, o filete tem a
forma triangular, ângulo de 55º, crista e raiz
arredondadas.

O passo é determinado dividindo-se uma

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polegada pelo número de filetes contidos em uma polegada.

No sistema americano, as medidas são expressas em polegadas. O


filete tem a forma triangular, ângulo de 60º, crista plana e raiz arredondada.

Nos três sistemas, as roscas são fabricadas em dois padrões: normal e


fina.

A rosca normal tem menor número de filetes por polegada que a rosca
fina.

No sistema whitworth, a rosca normal é caracterizada pela sigla BSW


(British standard whitworth - padrão britânico para roscas normais). Nesse
mesmo sistema, a rosca fina é caracterizada pela sigla BSF (British standard
fine - padrão britânico para roscas finas).

No sistema americano, a rosca normal é caracterizada pela sigla NC


(national coarse) e a rosca fina pela sigla NF (national fine).

11.2.1.10 TIPOS DE ROSCA E REPRESENTAÇÃO

Representação Simplificada das Partes Roscadas


Este método independe do tipo de rosca

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11.2.1.11 PARAFUSO CABEÇA SEXTAVADA

Esse tipo de parafuso é utilizado em uniões em que se necessita de um


forte aperto. A chave usada é a chave de boca ou estria.

Em desenho técnico, este parafuso é representado da seguinte forma:

11.2.1.12 PARAFUSO ALLEN

É utilizado em uniões que exigem um bom aperto, em locais onde o


manuseio de ferramentas é difícil devido à falta de espaço.

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Em desenho técnico, este parafuso é representado da seguinte forma:

11.2.1.13 PARAFUSO ALLEM SEM CABEÇA


É utilizado para travar elementos de máquinas, (acoplamentos, polias).

Em desenho técnico, este parafuso é representado da seguinte forma:

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11.2.1.14 PARAFUSOS DE PRESSÃO

Esses parafusos são fixados por meio de pressão. A pressão é exercida


pelas pontas dos parafusos contra a peça a ser fixada.

Os parafusos de pressão podem apresentar cabeça ou não.

11.2.1.15 PARAFUSO PRISIONEIRO

São parafusos sem cabeça com rosca


em ambas as extremidades.

O parafuso prisioneiro é empregado


quando se necessita montar e desmontar a
porca sem o parafuso a intervalos frequentes.
Em tais situações, o uso de outros tipos de
parafusos acaba danificando a rosca. Essas
roscas podem ter sentido oposto.

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Em desenho técnico, o prisioneiro é representado da seguinte forma:

Para usar o parafuso prisioneiro, introduz-se uma das pontas no furo


roscado da peça e, com auxílio de uma ferramenta especial, aperta-se essa
peça. Em seguida aperta-se a segunda peça com uma porca e arruelas presas
à extremidade livre do prisioneiro. Este permanece no lugar quando as peças
são desmontadas.

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11.2.1.16 PARAFUSO CABEÇA ESCAREADA CHATA COM
FENDA

É muito empregado em montagens que não sofrem grandes esforços e


onde a cabeça do parafuso não pode exceder a superfície da peça.

Em desenho técnico, este parafuso é representado da seguinte forma:

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11.2.1.17 PARAFUSO DE CABEÇA ESCAREADA
BOLEADA COM FENDA

É utilizado na união de elementos cujas espessuras sejam finas e


quando é necessário que a cabeça do parafuso fique embutida no elemento.
Permitem um bom acabamento na superfície.

Em desenho técnico, este parafuso é representado da seguinte forma:

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11.2.1.18 PARAFUSO DE CABEÇA REDONDA COM FENDA

É também muito empregado em montagens que não sofrem grandes


esforços, possibilitando melhor acabamento na superfície das montagens.

Em desenho técnico, este parafuso é representado da seguinte forma:

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11.2.1.19 PARAFUSO CABEÇA CILÍNDRICA BOLEADA
COM FENDA

É utilizado na fixação de elementos nos quais existe a possibilidade de


se fazer um encaixe profundo para a cabeça do parafuso, e a necessidade de
um bom acabamento na superfície dos componentes.

Em desenho técnico, este parafuso é representado da seguinte forma:

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11.2.1.20 PARAFUSOS COM ROSCA SOBERBA PARA
MADEIRA

São vários os tipos de parafusos para madeira.

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11.2.2 PORCAS
É uma peça de forma prismática ou
cilíndrica geralmente metálica, com um furo
roscado no qual se encaixa a um parafuso, ou
uma barra roscada. Em conjunto com um
parafuso, a porca é um acessório amplamente
utilizado na união de peças.

11.2.2.1 TIPOS DE PORCA, REPRESENTAÇÃO EM DTA.

Figura 84 - TIPOS DE PORCA

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11.2.2.2 PORCA SEXTAVADA COM RANHURAS PARA
CUPILHAS

Porca sextavada com seis entalhes radiais, coincidentes dois a dois, que
se alinham com um furo no parafuso, de modo que uma cupilha possa ser
passada para travar a porca.
Ilustração

Desenho Técnico

Veja como fica esse tipo de porca com o emprego da cupilha.

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11.2.2.3 PORCAS DE APERTO MANUAL

A porca borboleta tem saliências parecidas com asas para proporcionar


o aperto manual. Geralmente fabricada em aço ou latão, esse tipo de porca é
empregado quando a montagem e a desmontagem das peças são necessárias
e frequentes.

Ilustração Desenho Técnico

Aplicações da porca borboleta e da porca recartilhada.

11.2.2.4 PORCA CEGA

Nesse tipo de porca, uma das extremidades do furo rosqueado é


encoberta, ocultando a ponta do parafuso.

A porca cega pode ser feita de aço ou latão, é geralmente cromada e


possibilita um acabamento de boa aparência.

Ilustração Desenho Técnico

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11.2.2.5 PORCA SEXTAVADA TRAVANTE

A porca sextavada travante Parlock é um fixador utilizado em montagens


onde se exige segurança e confiabilidade, ou seja, em uniões roscadas sujeitas
à interferência com vibrações, oscilações, envelhecimento natural, etc.

11.2.2.6 PORCAS PARA AJUSTE AXIAL

As porcas de fixação KM e KML possuem quatro ou oito rasgos


igualmente espaçados ao redor do diâmetro externo para receber chaves de
gancho ou de impacto.

As porcas KM são presas com uma arruela de segurança do tipo MB, e


as porcas KML com uma presilha.

Porca KM

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Ferramentas e aplicações

Chaves

Aplicação

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 93
11.2.3 ARRUELAS

São peças cilíndricas, de pouca espessura, com um furo no centro, pelo


qual passa o corpo do parafuso.

11.2.3.1 ARRUELA LISA

Além de distribuir igualmente o aperto, a arruela lisa tem, também, a


função de melhorar os aspectos do conjunto. A arruela lisa por não ter trava é
aplicada em órgãos de máquinas que sofrem pequenas vibrações.

Ilustração Desenho Técnico

11.2.3.2 ARRUELA DE PRESSÃO

É utilizada na montagem de conjuntos mecânicos, submetidos a grandes


esforços e grandes vibrações. A arruela de pressão funciona, também, como
elemento de trava, evitando o afrouxamento do parafuso e da porca. É ainda,
muito empregada em equipamentos que sofrem variação de temperatura.

Ilustração Desenho Técnico

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11.2.3.3 ARRUELA DENTADA

Muito empregada em equipamentos sujeitos a grandes vibrações, mas


com pequenos esforços, como eletrodomésticos, painéis automotivos,
equipamentos de refrigeração, etc.. O travamento se dá entre o conjunto
parafuso / porca. Os dentes inclinados das arruelas formam uma mola quando
são pressionadas e se encravam na cabeça do parafuso.

Ilustração Desenho Técnico

11.2.3.4 ARRUELA SERRILHADA

Este tipo de arruela tem basicamente as mesmas funções da arruela


dentada. Apenas suportam esforços um pouco maiores. É usada nos mesmos
tipos de trabalho que a arruela dentada.

Ilustração Desenho Técnico

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11.2.3.5 ARRUELA ONDULADA

A arruela ondulada não tem cantos vivos. É indicada, especialmente,


para superfícies pintadas, evitando danificação do acabamento.

É adequada para equipamentos que possuem acabamento externo


constituído de chapas finas

Ilustração Desenho Técnico

11.2.3.6 ARRUELA DE TRAVAMENTO COM ORELHA

Utiliza-se esta arruela dobrando-se a orelha sobre um canto vivo da


peça. Em seguida, dobra-se uma aba da orelha envolvendo um dos lados
chanfrados do conjunto porca/parafuso.

Ilustração Desenho Técnico

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11.2.3.7 ARRUELA PARA PERFILADOS

É uma arruela muito utilizada em montagens que envolvem cantoneiras


ou perfis em ângulo. Devido ao seu formato de fabricação, este tipo de arruela
compensa os ângulos e deixa perfeitamente paralelas as superfícies a serem
parafusadas.

Ilustração Desenho Técnico

11.2.3.8 OUTROS TIPOS DE ARRUELAS


Arruelas com aplicações específicas.

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11.2.3.9 REBITES

Os rebites são peças fabricadas em


aço, alumínio, cobre ou latão. Unem
rigidamente peças ou chapas, principalmente,
em estruturas metálicas, de reservatórios,
caldeiras, máquinas, navios, aviões, veículos
de transporte e treliças.

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11.2.3.10 ANEL ELASTICO

É um elemento usado em eixos ou


furos, tendo como principais funções:

 Evitar deslocamento axial de


peças ou componentes.
 Posicionar ou limitar o curso de
uma peça ou conjunto deslizante
sobre o eixo.

Esse elemento é conhecido também como anel de retenção, de trava ou


de segurança.

Principais áreas de utilização.

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11.2.3.11 ANEL ELÁSTICO “E”

Aplicação: Trabalha externamente.

Para eixos com diâmetro entre 4 mm e 1000 mm.

11.2.3.12 ANEL ELÁSTICO “I”

Aplicação: Trabalha internamente.

Para furos com diâmetro entre 9,5 mm e 100 mm.

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11.2.3.13 ANEL ELÁSTICO RS

Aplicação: Trabalha externamente.

Para eixos com diâmetro entre 8 mm e 24 mm.

Norma DIN 6799.

11.2.3.14 ANEL ELÁSTICO RS

Aplicação: Para rolamentos.

Para eixos com diâmetro entre 4 mm e 390 mm.

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11.2.4 PINOS

É uma peça geralmente cilíndrica ou cônica, oca ou maciça que serve


para alinhamento, fixação e transmissão de potência.

Os pinos se diferenciam por suas características de utilização, forma,


tolerâncias dimensionais, acabamento superficial, material e tratamento
térmico.

Os
pinos
são
usados
em
junções
resistentes a vibrações. Há vários tipos de pino, segundo sua função.

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11.2.4.1 PINO CILÍNDRICO PARALELO

É feito de aço-prata ou similar e


é temperado, revenido e retificado.
Pode resistir a grandes esforços
transversais e é usado em diversas
montagens, geralmente associado a
parafusos e prisioneiros.

11.2.4.2 PINO CILÍNDRICO PARALELO

Pode ser liso, liso com furo para cupilha, com cabeça e furo para
cupilha, com cabeça provida de ressalto para evitar o giro, com ponta roscada
e cabeça.

Todos os pinos que apresentam furo ou rosca são usados como eixo
para articulações ou para suportar rodas, polias, cabos, etc.

A precisão destes pinos é j6, m6 ou h8.

11.2.4.3 PINO DE SEGURANÇA

É usado principalmente em máquinas-ferramentas como pino de


cisalhamento, isto é, em caso de sobrecarga esse pino se rompe para que não
quebre um componente de maior importância.

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11.2.4.4 PINO DE UNIÃO

Tem funções secundárias como em dobradiças para caixas metálicas e


móveis.

11.2.4.5 PINO CÔNICO

Feito geralmente de aço-prata, é temperado ou não e retificado.

Tem por diâmetro nominal o diâmetro menor, para que se use a broca
com essa medida antes de calibrar com alargador.

Existem pinos cônicos com extremidade


roscada a fim de mantê-los fixos em casos de
vibrações ou sacá-los em furos cegos.

Aplicação: O pino cônico tem largo


emprego na construção de máquinas, pois
permite muitas desmontagens sem prejudicar o
alinhamento dos componentes; além do que é
possível compensar eventual desgaste ou
alargamento do furo.

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11.2.4.6 PINO ESTRIADO OU CAVILHA

É uma peça cilíndrica, fabricada em aço, cuja superfície externa recebe


três entalhes que formam ressaltos. A forma e o comprimento dos entalhes
determinam os tipos de cavilha. Sua fixação é feita diretamente no furo aberto
por broca, dispensando-se o acabamento e a precisão do furo alargado.

11.2.4.7 PINO TUBULAR FENDIDO

Também conhecido como pino elástico, é fabricado de fita de aço para


mola enrolada. Quando introduzido, a fenda permanece aberta e elástica
gerando o aperto.

Este elemento tem grande emprego como pino de fixação, pino de ajuste
e pino de segurança. Seu uso dispensa o furo alargado.

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11.2.4.8 PINO ELÁSTICO CONNEX
Há um pino elástico especial chamado Connex, com fenda ondulada
cujos cantos estão opostos entre si. Isto proporciona uma força de ajuste maior
em relação ao pino elástico comum.

11.2.4.9 CUPILHA OU CONTRAPINO


Cupilha é um arame de secção semicircular, dobrado de modo a formar
um corpo cilíndrico e uma cabeça.

Ilustração Desenho Técnico

Sua função principal é a de travar outros elementos de máquinas como


porcas.
Aplicações

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 106
11.3 ELEMENTOS DE TRANSMISSÃO

11.3.1 EIXO E ARVORES


Eixo é um elemento fixo ou não que suporta rodas dentadas, polias, etc.,
estando sujeito principalmente a esforços de flexão.
Define-se árvore como elemento que gira transmitindo potência e é
submetido principalmente a esforços de torção e flexão.

11.3.1.1 TIPOS DE EIXOS


Quanto ao tipo, os eixos podem ser roscados, ranhurados, estriados,
maciços, vazados, flexíveis, cônicos, cujas características estão descritas a
seguir.

EIXOS MACIÇOS

A maioria dos eixos maciços tem secção transversal circular maciça,


com degraus ou apoios para ajuste das peças montadas sobre eles. A
extremidade do eixo é chanfrada para evitar rebarbas. As arestas são
arredondadas para aliviar a concentração de esforços.

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EIXOS VAZADOS

Normalmente, as máquinas-ferramenta possuem o eixo


árvore vazado para facilitar a fixação de peças mais longas para a
usinagem. Temos ainda os eixos vazados empregados nos
motores de avião, por serem mais leves.

EIXOS CÔNICOS

Os eixos cônicos devem ser ajustados a um componente que possua um


furo de encaixe cônico. A parte que se ajusta tem um formato cônico e é
firmemente presa por uma porca. Uma chaveta é utilizada para evitar a rotação
relativa.

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EIXOS ROSCADOS

Esse tipo de eixo é composto de rebaixos e furos roscados, o que


permite sua utilização como elemento de transmissão e também como eixo
prolongador é utilizado na fixação de rebolos para retificação interna e de
ferramentas para usinagem de furos.

EIXOS ÁRVORE RANHURADOS

Esse tipo de eixo apresenta uma série de ranhuras longitudinais em


torno de sua circunferência. Essas ranhuras engrenam-se com os sulcos
correspondentes de peças que serão montadas no eixo. Os eixos ranhurados
são utilizados para transmitir grande força.

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EIXOS ÁRVORE ESTRIADOS

Assim como os eixos cônicos, como chavetas, caracterizam-se por


garantir uma boa concentricidade com boa fixação, os eixos-árvore estriados
também são utilizados para evitar rotação relativa em barras de direção de
automóveis, alavancas de máquinas etc.

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11.3.1.2 TIPOS E CARACTERÍSTICAS DE ÁRVORES

Conforme sua função, uma árvore pode ser de engrenagens (em que
são montados mancais e rolamentos) ou de manivelas, que transforma
movimentos circulares em movimentos retilíneos.

Figura 86 - ÁRVORE DE ENGRENAGENS Figura 86 - Árvore de Manivela

Um caso particular de árvore é a de manivelas que transforma


movimentos circulares em movimentos retilíneos, conhecida também como
virabrequim.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 111
11.3.2 CHAVETA

Chaveta é um corpo prismático em


geral, retangular ou semicircular, que
pode ter faces paralelas ou inclinadas,
em função da grandeza do esforço e tipo de movimento
que deve transmitir. É construída normalmente de aço.
A união por chaveta é um tipo de união desmontável,
que permite às árvores transmitirem seus movimentos a outros órgãos, tais
como acoplamentos, engrenagens e polias.
A chaveta tem por finalidade ligar dois elementos mecânicos.
Aplicações:

Figura 87 Eixos com chaveta

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 113
11.3.2.1 CLASSIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DAS
CHAVETAS

CHAVETA DE CUNHA (ABNT – PB – 121)


Empregada para unir elementos de máquinas que devem girar. Pode ser
com cabeça ou sem cabeça, para facilitar sua montagem e desmontagem. Sua
inclinação é de 1:100, o que permite um ajuste firme entre as partes. O
princípio da transmissão é pela força de atrito entre as faces da chaveta e o
fundo do rasgo dos
elementos, devendo
haver uma pequena folga
nas laterais. Havendo
folga entre os diâmetros
da árvore e do elemento
Figura 89 - Chaveta de cabeça
movido, a inclinação da
chaveta provocará na montagem uma determinada excentricidade, não sendo,
portanto aconselhado o seu emprego em montagens precisas ou de alta
rotação.

Figura 88 - montagem de chaveta com cabeça

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 114
CHAVETA ENCAIXADA (DIN 141, 490 E 6883).
É a chaveta mais comum e sua forma corresponde ao tipo mais simples
de chaveta de cunha. Para facilitar seu emprego, o rasgo da árvore é sempre
mais comprido que a chaveta.

CHAVETA PLANA (DIN 142 E 491)


É similar à chaveta encaixada, tendo, porém, no lugar de um rasgo na
árvore, um rebaixo plano. Sua inclinação é de 1:100 com ou sem cabeça. Seu
emprego é reduzido, pois serve somente para a transmissão de pequenas
forças.

CHAVETA TRANSVERSAL
Aplicada em uniões de órgãos que
transmitem movimentos não só rotativos como
também retilíneos alternativos. Quando é
empregada em uniões permanentes, sua inclinação
varia entre 1:25 e 1:50. Se a união necessita de
montagens e desmontagens frequentes, a inclinação pode ser de 1:6 a 1:15.
CHAVETA PARALELA (DIN 269)

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É normalmente embutida e suas faces são paralelas, sem qualquer
conicidade. O rasgo para o seu alojamento tem o seu comprimento.

As chavetas embutidas nunca têm cabeça e sua precisão de ajuste é


nas laterais, havendo uma pequena folga entre o ponto mais alto da chaveta e
o fundo do rasgo do elemento
conduzido. A transmissão do
movimento e das forças é feita pelo
ajuste de suas faces laterais com as
do rasgo da chaveta.
A chaveta paralela varia quanto à
forma de seus extremos (retos ou
arredondados) e quanto à quantidade
de elementos de fixação à árvore.
Alguns tipos têm rosca em seu corpo para facilitar a desmontagem.

CHAVETA DE DISCO OU MEIA LUA - TIPO WOODRUFF (DIN 496 E 6888)


É uma variante da chaveta paralela, porém recebe esse nome porque sua
forma corresponde a um segmento circular. É comumente empregada em eixos
cônicos por facilitar a montagem e se adaptar à conicidade do fundo do rasgo
do elemento externo.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 116
11.3.3 ACOPLAMENTOS
Acoplamento é um conjunto
mecânico, constituído de elementos de
máquina, empregado na transmissão
de movimento de rotação entre duas
árvores ou eixo-árvores, ou seja, os
acoplamentos são empregados para
transmitir movimento de rotação de
uma árvore motriz para uma árvore
movida.

Figura 90 =- Acoplamento Rígido

Figura 91 - Acoplamento Luva de compressão

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 117
Figura 93 - Acoplamento Flexível

Figura 92 - Acoplamento Elástico de Garras

Figura 94 - Acoplamento Elástico fita de aço

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 118
11.3.4 ENGRENAGENS

Engrenagens são elementos de máquinas


cuja finalidade é a transmissão de potência entre os
eixos que podem ser paralelos concorrentes ou
reversos. Conforme o acabamento as engrenagens
podem apresentar altos rendimentos nas
transmissões, além de suportar grandes esforços;
são particularmente práticas quando se desejam
variações de velocidades, como no caso dos
câmbios de veículos e caixas de velocidades das
máquinas operatrizes.

Quanto à forma externa (sólido básico) as


engrenagens podem ser:

Cilíndricas, cônicas ou hiperboloidais.

Há também duas formas de dentes que


são:

Dentes retos ou de dentes helicoidais.


Figura 95 - Engrenagens Cônicas

- Helicoidal com fuso

- Cilíndricas

Figura 96 - cremalheira e pinhão

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11.3.4.1 Tipos de engrenagens

Figura 97 - Tipos de engrenagens

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 120
Figura 98 - Tipos de engrenagens

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 121
11.3.4.2 Nomenclatura

Num par de engrenagens engrenadas temos uma motora e outra


movida. A de menor dimensão é chamada pinhão e a outra coroa.

Define-se como relação de transmissão i:

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Figura 99 - Motoredutor SEW

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Figura 100 Engrenagem e pinhão de dentes retos

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A TABELA ABAIXO DEVE CONSTAR NO DESENHO DE FABRICAÇÃO

ISO/R 1340-1971

Obs: Para engrenagens cônicas V. ISO/R 1341.

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11.3.4.3 Método de medição dos dentes de uma
engrenagem
Método rápido e eficaz que simplifica a medição dos dentes de uma
engrenagem com independência absoluta do diâmetro exterior.

Fórmula baseada sobre o método da formação da evolvente.

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11.3.4.4 Exemplo de desenho de engrenagem

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11.3.4.5 Exemplo de cálculo de engrenagem

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11.3.4.6 Exercícios

1) Determinar e desenhar o pinhão do par engrenado que tem módulo =


3; relação de transmissão ~ 2,347 e deve ter uma distância entre centros das
rodas de 150±5. A largura dentada da coroa é 38. O pinhão tem furo para eixo
= 22; largura do cubo = 48 e alma = 7. Fazer alívio com alma vazada, furos
redondos.

2) Numa transmissão por engrenagens (ECR), o pinhão tem 19 dentes;


módulo=2,5; largura 30 (no dentado) e gira a 850 rpm.
Calcular e desenhar a coroa, sabendo-se que esta deve girar aprox. a 310 rpm:
tem eixo ø22; largura do cubo=34; espessura da alma=6. Deverá ter um alívio
de peso com alma vazada, furos redondos. Mat.: fofo DIN GG – 18.

3) Determinar e desenhar o pinhão do par engrenado (ECR) que tem


módulo=4; relação de transmissão ~ 1,877 e deve ter uma distância entre
centros das rodas de 200 ± 6. A largura dentada da coroa é 34. O pinhão tem
furo para eixo=23; largura do cubo=40 e alma=7. Alívio com alma vazada, furos
redondos. Mat.: fofo ABNT FC-15.

4) Numa transmissão por engrenagens (ECR), o pinhão tem 27 dentes;


módulo=3,5; largura 45 (no dentado). Calcular e desenhar a coroa, sabendo-se
que esta tem eixo ø 28; largura do cubo=53; espessura da alma=8. A relação
de transmissão é ~ 3,417. Deverá ter um alívio de peso com alma vazada,
furos redondos. Mat.: fofo DIN GGG-45.

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 134
11.3.5 POLIA E CORREIAS

São usadas como elementos de transmissão de potência e tem como


grande vantagem o custo relativamente baixo de construção, pois não exige
caixa fechada como no caso dos redutores. Basicamente podem ser lisas para
correias planas e com ranhuras para correias trapezoidais (correia V). O uso da
correia trapezoidal é bem mais comum o que se deve ao seu melhor
desempenho mecânico. Além disso, os fabricantes de correias trapezoidais
apresentam grande gama de dimensões que são encontradas com facilidade
no comércio especializado, o que facilita a execução do projeto.

A transmissão por correia oferece vantagens tais como:


• construção relativamente simples
• funcionamento silencioso
• boa capacidade de absorção de choques
Em contraposição temos como desvantagens:
• maiores dimensões com relação às engrenagens
• grandes distâncias entre eixos
• menor vida útil
A transmissão admite um alto rendimento, da ordem de 95
a 98%.
A relação de transmissão pode variar de 1 a 8.

Figura 101 - Polia V, Dentada e Lisa.

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TRANSMISSÃO POR CORREIA PLANA

Segundo norma DIN 111, a superfície de contato da polia plana pode ser
plana ou abaulada.

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TRANSMISSÃO POR CORREIA DENTADA

A correia dentada em união com a roda


dentada correspondente permite uma
transmissão de força sem deslizamento. As
correias têm em seu interior vários cordonéis
helicoidais de aço ou de fibra de vidro que
suportam a carga e impedem o alongamento. A força se transmite através dos
flancos dos dentes e pode chegar a 400N/cm².
O perfil dos dentes pode ser trapezoidal ou semicircular, geralmente, são feitos
com módulos 6 ou 10.

Exemplo de aplicação.

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TRANSMISSÃO POR CORREIA EM V

A correia em V é inteiriça (sem-fim) fabricada com secção transversal


em forma de trapézio. É feita de borracha revestida por lona e é formada no
seu interior por cordonéis vulcanizados para absorver as forças.
A correia não deve ultrapassar a linha do diâmetro externo da polia e
nem tocar no fundo do canal, o que anularia o efeito de cunha.

As polias em V têm suas dimensões normalizadas e são feitas com


ângulos diferentes conforme o tamanho.

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O perfil dos canais das polias em V deve ter as medidas corretas para
que haja um alojamento adequado da correia no canal.

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.

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Exercício resolvido

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Exercícios

1)Numa transmissão com 10 CV e com 3 correias “V”, perfil “B”, a polia


motora (1) gira a 870 rpm e seu diâmetro externo é de 145 mm. Determinar e
desenhar a polia movida (2) sabendo-se que esta gira a 580 e que a largura do
seu cubo é de 73mm.

2) Numa transmissão de 10 c.v. por correias “V”, perfil “B”, 3 correias, a


polia motora (1) gira a 870 rpm e tem diâmetro externo=140. Determinar e
calcular a polia movida (2) sabendo-se que esta deverá girar a 420 RPM e tem
largura do cubo=82. A roda deverá ter um alívio de peso com alma vazada,
furos redondos ou oblongos.

3) Numa transmissão de 2 cv por correias “V”, perfil “A”, 2 canais, a polia


motora (1) gira a 1160 rpm. Determinar e desenhar a polia movida (2) sabendo-
se que esta deverá girar a 440 RPM e tem largura do cubo = 34. Prever um
alívio de peso com alma vazada, furos redondos ou oblongos.

4) Numa Transmissão de 12,5 cv por correias “V”, perfil C, 2 canais, a


polia motora (1) gira a 370 rpm e tem De1=270. Determinar e desenhar a polia
movida (2) sabendo-se que a relação de transmissão i=1,5917, largura do
cubo=82 (com 2 rasgos de chaveta a 180°). Prever um alívio de peso com alma
vazada, furos redondos ou oblongos.

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11.3.6 CARDANS

No século XVI, alguns estudiosos se perguntavam como


fazer para levar a força gerada pelo motor para as rodas traseiras.
Depois de alguns experimentos engenhosos, um italiano chamado
Geronimo Cardano inventou o eixo cardan, dando origem ao nome
conhecido hoje como eixo cardan.

A função básica do eixo cardan é transmitir a energia gerada pelo motor


para o eixo diferencial, e, por sua vez, o eixo diferencial irá transferir esta
energia recebida do eixo cardan para as rodas.

É usado para transmissão de momentos de torção em casos de árvores


que formarão ângulo fixo ou variável durante o movimento.

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11.3.7 CORRENTES

Assim como as polias e correias, as


correntes também transmitem força e
movimento entre eixos distantes. Enquanto as
polias e correias transmitem movimento pelo
atrito, as correntes transmitem movimento por
forma, assim, elas conseguem transmitir
maiores forças, porém com velocidades
reduzidas.

CORRENTES DE ROLO

Estas correntes são fabricadas em aço temperado e


são constituídas de pinos, talas (ou placas) externas e
internas, buchas remanchadas na tala interna e rolos que
ficam sobre as buchas.
São aplicadas em transmissões, em movimentação e
sustentação de contrapeso e em casos em que é necessária
a aplicação de grandes esforços com baixa velocidade.

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CORRENTE COMUM

Conhecida também por cadeia de elos e possuem os elos


formados de vergalhões redondos soldados.
Utilizadas para o transporte de carga, são próprias para
velocidade baixa e grande capacidade de carga.

CORRENTES DE BUCHA

Essa corrente não tem rolo. Por isso, os pinos e as buchas são feitos com
diâmetros maiores, o que confere mais resistência a esse tipo de corrente do
que à corrente de rolo. Entretanto, a corrente de bucha se desgasta mais
rapidamente e provoca mais ruído.

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11.4 ELEMENTOS DE APOIO

11.4.1 BUCHAS
As buchas são elementos de máquinas de
forma cilíndrica ou cônica que servem para apoiar
eixos. Tais elementos foram criados a fim de evitar
o atrito entre peças e consequente desgaste das
mesmas. Sendo constituída de material com baixo
coeficiente de atrito (ligas metálicas como bronze
ou materiais plásticos), causam menos desgaste,
além de serem peças de menor custo quando
comparadas às cargas que suporta. Isto quer dizer que, é mais fácil trocar uma
bucha de material barato que a cada tempo ter de trocar ou retificar um eixo.
Nos casos em que o eixo desliza dentro da bucha, deve haver lubrificação.

São classificadas em radiais (para esforços transversais), axiais (para


esforços normais) ou mistas.
Buchas Radiais
Essas buchas podem ter várias formas. As mais comuns são feitas de
um corpo cilíndrico furado, sendo que o furo possibilita a entrada de
lubrificantes. São usadas em peças para cargas pequenas e em lugares onde a
manutenção seja fácil. Em alguns casos, essas buchas são cilíndricas na parte
interior e cônicas na parte externa. Os extremos são roscados e têm três

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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 147
rasgos longitudinais, o que permite o reajuste das buchas nas peças.

Buchas Axiais:
Essa bucha é usada para suportar o
esforço de um eixo em posição vertical.

Mista (cônica)
Esse tipo de bucha é usado para suportar um eixo do qual se exigem
esforços radiais e axiais. Quase sempre essas buchas requerem um dispositivo
de fixação e, por isso, são pouco empregadas.

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11.4.2 ROLAMENTOS

Os rolamentos são elementos de máquinas que servem como suporte


de eixos que giram e estão sujeitos a cargas; estas atuam sobre os rolamentos
que, por suas características construtivas devem suportar estes esforços
durante um tempo que é definido como a vida útil. Os rolamentos são
fornecidos prontos por grandes fabricantes tais como: FAG, SKF, TIMKEN e
outros; cabe ao projetista à escolha do tipo e das dimensões, o que só pode
ser feito com o conhecimento das características de cada tipo de rolamento.

CARACTERÍSTICAS DE CARGAS SOBRE O ROLAMENTO.

Basicamente podemos classificar as cargas como Radiais (Fr) e Axiais


(Fa). Uma série de rolamentos é feita visando suportar Fr e são chamados
Rolamentos Radiais. Outra série de rolamentos é feita para suportar Fa e são
chamados de Rolamentos Axiais. Alguns rolamentos devem, algumas vezes,
suportar simultaneamente Fa e Fr; as duas séries citadas apresentam alguns
tipos de rolamentos para cargas combinadas (Fa e Fr).

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CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS DOS ROLAMENTOS

Construtivamente podemos considerar a seguinte divisão:


 Rolamentos de Esferas
 Rolamentos de Rolos
 Rolamento de agulhas

Esferas, Rolos e Agulhas constituem os ''corpos rolantes'' que visam


reduzir os atritos do mancal e conferir ao rolamento um alto rendimento
mecânico (cerca de 88% ou n=0,88). Outras características de construção dos
rolamentos são:
 Rolamentos Rígidos;
 Rolamentos Parcialmente Rígidos;
 Rolamentos Desmontáveis;
 Rolamentos Autocompensadores.

DIMENSÕES

As dimensões e características dos rolamentos são indicadas nas


diferentes normas técnicas e nos catálogos de fabricantes.
Ao examinar um catálogo de rolamentos, ou uma norma específica, você
encontrará informações sobre as seguintes características, veja o exemplo na
próxima pagina:

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TIPOS DE ROLAMENTOS

Para cargas axiais: Rol. axial de escora simples de esferas;


Rol. axial de escora dupla de esferas;
Rol. axial auto compensador de rolos.

Para cargas combinados: Rol. rígido de uma carreira de esferas


Rol. de rolos cilíndricos com flanges
Rol. de esferas de contato angular
Rol. auto compensador de esferas
Rol. auto compensador de rolos
Rol. de rolos cônicos.

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ROLAMENTO RÍGIDO DE UMA CARREIRA DE ESFERAS

É o mais comum dos rolamentos. Suporta cargas radiais e permite o


apoio de carga axial em ambos os sentidos e é apropriado para rotações mais
elevadas. Sua capacidade de ajustagem angular é limitada, por conseguinte, é
necessário um perfeito alinhamento entre o eixo e os furos da caixa.

Cotagem e representação para DTA

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ROLAMENTO AUTO COMPENSADOR DE ESFERAS

É um rolamento de duas carreiras de esferas com pista esférica no anel


externo, o que lhe confere a propriedade de ajustagem angular, ou seja,
compensar possíveis desalinhamentos ou flexões do eixo. Dimensões e cota

Cotagem e representação para DTA

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ROLAMENTO DE CONTATO ANGULAR DE UMA CARREIRA DE ESFERAS

Permite apoio de carga radial em um único sentido a carga axial.


Normalmente duas peças são contrapostas e utilizadas com ajustes de folga.

Cotagem e representação para DTA

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ROLAMENTO DE ROLO CILÍNDRICO

Rolamentos de construção simples em que os rolas de forma cilíndrica


estão em contato linear com a pista. Possuem uma grande capacidade de
carga e são adequados para altas rotações.

ROLAMENTO AUTO COMPENSADOR DE UMA CARREIRA DE ROLOS

Seu emprego é particularmente indicado para construções em que se


exige uma grande capacidade de suportar carga radial e a compensação de
falhas de alinhamento.

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Cotagem e representação para DTA

Figura 102 - Rolamento de Rolos cilíndricos

ROLAMENTO AUTO COMPENSADOR COM DUAS CARREIRAS DE ROLOS


Devido ao centro da pista esférica do anel externo ser coincidente ao
centro do rolamento, permite o auto alinhamento em eixos e alojamentos
fazendo que não ocorram cargas anormais ao rolamento. A capacidade da
carga radial é muito grande são adequados para aplicações de cargas pesadas
e de choque.

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ROLAMENTO DE ROLOS CÔNICOS
Além de cargas radiais, os rolamentos de rolos cônicos também
suportam cargas axiais em um sentido. Como só admitem cargas axiais em um
sentido, de modo geral torna-se necessário monta-los em pares, ou um contra
o outro.

ROLAMENTO AXIAL DE ESFERA


Os rolamentos axiais de esferas são constituídos por anéis em
configurações de arruelas com canais e gaiolas embutidas.
O anel a ser instalado no eixo é denominado anel interno, e o canal a ser
instalado no alojamento é denominado anel externo, nos de escora dupla o
anel central é o instalado no eixo.
Ambos os tipo de rolamento axial de esfera (escora simples e escora
dupla) admitem elevadas cargas axiais, porém, não podem ser submetidos a
cargas radiais.

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ROLAMENTO AXIAL AUTO COMPENSADOR DE ROLOS
A capacidade de carga axial é elevadíssima e quando estiver sob carga
axial permite carga radial moderada. A pista esférica do anel da caixa confere
ao rolamento a propriedade de alinhamento angular, compensando possíveis
desalinhamentos ou flexões do eixo.

ROLAMENTO DE AGULHAS
Possui uma secção transversal muito fina, em comparação com outros
rolamentos, é utilizado especialmente quando o espaço radial é limitado.
Existem tipos e classificações como: Com anel interno e sem anel interno, ou
com gaiola ou sem gaiola.

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11.4.3 MANCAIS

Mancal é uma parte da estrutura mecânica destinada a comportar um


eixo móvel ou fixo. Os mancais que seguram eixos móveis são dotados de
partes móveis que ajuda este realizarem sua tarefa, e o objetivo destas partes
móveis é diminuir o atrito entre o mancal e eixo girante.
Os mancais móveis dividem-se em duas categorias: mancais de deslizamento
(com buchas) e mancais de rolamento.

Figura 103 - Mancal de deslizamento e rolamento

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CLASSIFICAÇÃO DOS MANCAIS
Pelo sentido das forças que suportam, os mancais classificam se em:
Axiais, Radiais e mistos.
Axiais:
Impedem o deslocamento na direção do eixo, isto é, absorvem esforços
longitudinais.

Radiais:
Impedem o deslocamento na direção do raio, isto é, absorvem esforços
transversais.

Mistos:
Tem, simultaneamente, os efeitos dos mancais axiais e radiais.

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11.4.4 MOLAS HELICOIDAIS

São as mais usadas em mecânica, feitas em aço duro


(chamada aço mola) que pouco deforma e que tem ação
elástica. Fabricada em forma de hélice cilíndrica ou cônica.
Normalmente enrolado no sentido à direita, mas quando se
forma à esquerda deve-se indicar no DTA o sentido da hélice.

Enquanto as funções são de:

 Compressão. A mola é comprimida;


 Tração. A mola é esticada, possui ganchos nas extremidades (olhais);
 Torção. A mola é torcida, possui dois braços de alavanca.

A mola helicoidal de compressão é formada por espirais. Quando esta


mola é comprimida por alguma força, o espaço entre as espiras diminui,
tornando menor o comprimento da mola.

Características.

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A mola helicoidal de tração possui ganchos nas extremidades, além das
espiras. Os ganchos são também chamados de olhais. Para a mola helicoidal
de tração desempenhar sua função, deve ser esticada, aumentando seu
comprimento. Em estado de repouso, ela volta ao seu comprimento normal.

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A mola helicoidal de torção tem dois braços de alavancas, além das
espiras.
Veja um exemplo de mola de torção na figura à esquerda, e, à direita, a
aplicação da mola num pregador de roupas.

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Você já sabe que a mola helicoidal de compressão pode ter a forma de um
tronco de cone. Então veja as características de dois tipos de molas cônicas: a
primeira tem seção circular e a segunda tem seção retangular.

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12. TOLERÂNCIA DIMENSIONAL

Tolerância dimensional é o valor da variação permitida na dimensão de


uma peça. Em termos práticos é a diferença tolerada entre as dimensões
máxima e mínima de uma dimensão nominal.
A tolerância é aplicada na execução de peças em série e possibilita a
intercambiabilidade delas

Dmáx = diâmetro máximo do furo


Dmín = diâmetro mínimo do furo
dmáx = diâmetro máximo do eixo
dmín = diâmetro mínimo do eixo
Dn = diâmetro nominal do furo
dn = diâmetro nominal do eixo

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13. DESENHOS DE MONTAGEM
É um desenho onde o conjunto mecânico aparece montado como um todo
ou em parte (subconjuntos) dando uma visão geral do equipamento,
identificando cada componente.

Figura 104 – subconjunto

13.1 REPRESENTAÇÃO

Deverá conter as vistas necessárias e suficientes para o entendimento da


montagem das peças entre si. Estas vistas do conjunto montado são
normalmente feitas em CORTE. Para atingir os objetivos deste tipo de desenho
usa-se, na prática, além dos cortes e seções de todos os tipos, a retirada de
algumas peças do conjunto que porventura tapariam as outras, atrapalhando a
interpretação. Por vezes, usam-se também outros recursos técnicos não
catalogados. Portanto, os objetivos deste tipo de desenho não é resolver
(conhecer) completamente cada peça e sim a posição relativa das mesmas.
Por isso, permite-se omitir alguns detalhes construtivos mais miúdos e
trabalhosos das peças, já que isto vai ser resolvido em outra parte do desenho.

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13.2 COTAS E OUTRAS INDICAÇÕES

Normalmente o desenho de conjunto não deve ser cotado. Porém, mesmo


quando se segue esta regra, excetuam-se as chamadas cotas típicas de
conjunto, normalmente estas cotas caracterizam-se pelo seguinte; as duas
linhas auxiliar de cada cota partem de peças diferentes. As mais comumente
encontradas são:
 Cotas de referência para montagem
 Cotas de ajuste após montagem
 Cotas de usinagem após montagem
 Cotas de limite de funcionamento ou de capacidade
 Tolerância de posição

Além disso, todas as indicações e observações que se fizerem necessárias


com as peças montadas deverão ser feitas no desenho de conjunto. Exemplo:
 “furar após montagem” (indicando o furo e cotando-o).
 “usinar após a montagem” (indicando as superfícies e/ou detalhes)
 “apontar furo na montagem”

13.3 IDENTIFICAÇÃO (OU NUMERAÇÃO DOS ITENS)

Outra característica importante do desenho de montagem é a identificação


de todos os elementos constituintes do conjunto (peças). Isto é feito através de
linhas indicadoras (fina contínua) e números (com o dobro do tamanho dos
algarismos das cotas – porém nunca menor que 5 mm). Essas linhas
indicadoras não devem cruzar entre si e devem terminar em um ponto da peça.
Devem ter uma inclinação constante e se possível em ângulos não usados no
desenho (não devem ser: horizontais, verticais, a 45). A numeração deve ser
feita em números sucessivos e no sentido horário em cada vista.

Obs.: Para detalhes contendo áreas estreitas (como chapas, arruelas, anéis,
fios, peças finas) apontar as linhas por meio de setas, independente de
estarem em corte ou não.

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13.4 DESENHOS DE DETALHE

São os desenhos que definem completamente as peças quanto à forma,


dimensões (inclusive tolerâncias), acabamentos superficiais, tratamentos
térmicos e demais informações técnicas especiais. Essas informações serão
feitas de maneira mais simplificada ou mais exaustiva se a peça em questão for
um componente de máquina, ferramenta, etc. ou se pertencer a um produto.
Deverá constar no desenho de cada peça aquele número recebido no
desenho de montagem. No sistema de folhas grandes esse número poderá
estar envolto num círculo no alto à esquerda do quadro; no sistema de folhas
separadas o desenho deverá ter o mesmo número do desenho de montagem e
acrescentado, no final do detalhe, separado por hífen.
Exemplo: desenho de montagem “D-078”, desenho do detalhe nº5 “D-078-5”
ou seu respectivo código dentro do sistema da empresa.
Conforme o sistema de apresentação ele pode ter uma legenda completa ou
uma sublegenda. Importante: não se executam desenhos de detalhes dos
elementos normalizados que compõem o conjunto (parafusos, porcas, arruelas,
cupilhas, pinos, rolamentos, anéis, chavetas, correias, etc.), ou ainda peças e
subconjuntos pré-fabricados (catálogos).

13.5 LISTA DE PEÇAS E/OU MATERIAIS


Conforme a orientação de cada empresa ou a natureza do conjunto
desenhado, essa lista pode ser única ou para peças normalizadas e outra para
não normalizadas (ou materiais em bruto para sua execução). Quando a lista
de peças estiver incluída na parte superior da legenda, deve ser enumerada de
baixo para cima. Quando iniciada junto à margem superior, enumerar de cima
para baixo. Na primeira coluna deve constar, em sequência, a numeração das
peças recebidas no desenho de montagem.
Todas as peças normalizadas, ou não, devem ser relacionadas nesta
lista.
A sua composição varia de acordo com as conveniências e necessidades
de cada empresa, mas as colunas mais utilizadas normalmente são as
seguintes:
4 2 Paraf. Sext. M10x50 DIN 931-8.8
3 4 Flanges ABNT 1020 4’’x55
3 1 Base superior ABNT 1020
ch 2’’x 210 x 360mm
1 2 Colunas ABNT 1050 2’’ x 360 Temp. e
ver. 40RC
Item Qtde. Denominação Mat. Dim. Bruto Obs.
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CARLOS EDUARDO SIMÃO OLIVEIRA Página 179
EXEMPLO.

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Exercício. Identifique quais são as peças numeradas deste conjunto.

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14. DESENHO EM VISTA EXPLODIDA

Desenho técnico mecânico de conjunto que é geralmente realizado em


perspectiva, mostrando todas as peças do conjunto ligadas por linhas de
centro, que por sua vez, mostra a sequência de montagem do mesmo.

14.1 COMPONENTES DE UM CARBURADOR

1_Précarburador.

2_Condutor de ar.

3_Chapa de interligação
dos coletores.

4_trava.

5_Bocal com válvula


reguladora do ar pré-
aquecido.

6_Tampa do filtro.

7_Elemento filtrante.

8_base do filtro de ar.

9_Válvula reguladoras
duplas.

10_Flage / Borracha de
vedação.

11_Carburador.

12_Flage.

13_Coletor de
admissão.

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1_Bomba de aceleração.

2_Válvula eletromagnética.

3_Válvula de máxima.

4_Junta.

5_Dispositivo de vácuo do afogador.

6_ Suporte do cabo do afogador.

7_Válvula pneumática.

8_Acionador do 2º estagio.

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15. 1ª AVALIAÇÃO

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16. DESENHO TÉCNICO APLICADO VOLUME 2
(DESENHO TÉCNICO ASSISTIDO POR COMPUTADOR)
Conteúdo:

 INTRODUÇÃO AO DESENHO TÉCNICO ASSISTIDO POR


COMPUTADOR
 .SOLIDWORKS
 ESBOÇO, PLANOS, REVOLUÇÃO E CORTE.
 Viga “U”
 EIXO COM CHAVETA
 POLIA MACIÇA E COM ALÍVIO
 ROLAMENTO
 MANCAL
 ENGRENAGEM
 MONTAGEM
 GERANDO DESENHO 2D A PARTIR DO 3D
 SIMULAÇÃO
 PROTOTIPAGEM
 ANIMAÇÃO
 PROJETO FINAL

Figura 105 - Atalho


para o SolidWorks.

PROF. ANDRÉ BATISTA DE ALMEIDA


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BIBLIOGRAFIA

Apostilas:

 Elementos de máquina 1 e 2. Oficina escola Schincariol (Prof. Rivaldo);

 DTM I e II – Fatec Sorocaba (Prof. M. Sc. Edson Del Mastro);

 DMAC – Fatec Sorocaba (PROF. FRANCISCO DE ASSIS TOTI);

 Notas de aula USP - Desenho Técnico Mecânico I (SEM 502) –

PORTO, A.J.V; FORTULAN, C.A.; DUDUCH, J.G. ; MONTANARI,

L.(2006);

 ABNT – Normas técnicas brasileiras.

PROF. ANDRÉ BATISTA DE ALMEIDA


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