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PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO
SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DA BAHIA

Processo N° 0002957-83.2017.4.01.3307 - 2ª TR - RELATOR 3 - SALVADOR


Nº de registro e-CVD 00074.2018.00843300.1.00297/00001

ASSISTENCIAL. BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA. LEI 8.472-93, ART. 20. PESSOA IDOSA
OU DEFICIENTE QUE NÃO POSSA PROVER O PRÓPRIO SUSTENTO. LAUDO SOCIOECONÔMICO.
RENDA INFERIOR. PARÂMETRO LEGAL. EXCLUSÃO RENDA DA PRIMA. OUTRO GRUPO FAMILIAR.
RECURSO DO AUTOR PROVIDO.
1. Dispensado o relatório, nos termos dos artigos 38 e 46 da Lei nº 9.099/95, c.c. o art. 1º da Lei nº
10.259/2001.
2. O recorrente se insurge contra sentença que indeferiu pedido de concessão de Benefício de Prestação
Continuada.
2.1. Alega que preenche os requisitos legais, pois se encontra em situação de vulnerabilidade. Relata que
as condições do imóvel são decorrentes da vida pregressa da família e da profissão de pedreiro do esposo
da prima do autor e que a renda auferida pela prima da autora é insuficiente para manter a subsistência da
família.
3. No laudo socioeconômico (fls.78/95) consta que a demandante reside com sua prima ( Rozilda Rocha
Batista), o esposo de sua prima (Osni Gonçalves Viana) e suas duas filhas menores (Joane Rocha Viana e
Maria Eduarda Rocha Viana)
3.1. O autor não possui nenhuma renda.
3.2. A prima do autor trabalha como auxiliar de serviços gerais com renda de um salário mínimo (R$880,00)
e ainda recebe bolsa-família no valor de R$333,00 (Trezentos e trinta e três reais). Já seu esposo está
desempregado, não possuindo renda.
4. Ressalte-se que a prima do autor, seu esposo e filhas compõem outro grupo familiar, consoante o
conceito de família disposto no art. 20, §1º da Lei 8.742/93.
4.1. Nesse sentido, o autor é o único membro de seu núcleo familiar, não possuindo qualquer meio de
sobrevivência.
4.2. Ademais, conforme a assistente social, o autor, embora tenha acesso à residência, dorme em um
quarto sem acabamento no quintal de casa por ter problemas de isolamento e comunicação.
5. O laudo pericial (fls.73/75) concluiu que o autor é portador de esquizofrenia não especificada (CID 10 F
20.9), um transtorno mental que causa alteração do juízo de realidade, além de déficits cognitivo e volitivo
irreversíveis. O perito afirmou que a incapacidade é total e permanente.
5.1. O perito explicou que o autor é incapaz de realizar atividades compatíveis com sua idade e meio social.
6. Ante a situação de miserabilidade e o impedimento de longo prazo a recorrente faz jus ao benefício
assistencial previsto na Lei 8.472/93.
7. Recurso conhecido e provido, para condenar o INSS ao pagamento do benefício desde a data do
requerimento administrativo (13/12/2017), respeitada a prescrição quinquenal.
8. Devem ser excluídas as parcelas vencidas no quinquênio anterior ao ajuizamento da presente ação
(20/04/2017).
9. As parcelas em atraso devem ser devidamente atualizadas. Desde a citação deve incidir a taxa de juros
de poupança e aplica-se o IPCA-e para fins de correção monetária.
10. Sem honorários, por ser o recorrente vencedor.

ACÓRDÃO
VISTOS, relatados e discutidos os autos, por unanimidade, ACORDAM os Juízes da
2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais da Seção Judiciária do Estado da Bahia em
CONHECER e DAR PROVIMENTO AO RECURSO, na conformidade do voto-ementa acima.
Salvador-BA, 27 de fevereiro de 2018.
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Documento assinado digitalmente pelo(a) JUIZ FEDERAL EDUARDO GOMES CARQUEIJA em 01/03/2018, com base na Lei 11.419 de
19/12/2006.
A autenticidade deste poderá ser verificada em http://www.trf1.jus.br/autenticidade, mediante código 48087043300224.

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Processo N° 0002957-83.2017.4.01.3307 - 2ª TR - RELATOR 3 - SALVADOR


Nº de registro e-CVD 00074.2018.00843300.1.00297/00001

Juiz Federal EDUARDO GOMES CARQUEIJA


Relator

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Documento assinado digitalmente pelo(a) JUIZ FEDERAL EDUARDO GOMES CARQUEIJA em 01/03/2018, com base na Lei 11.419 de
19/12/2006.
A autenticidade deste poderá ser verificada em http://www.trf1.jus.br/autenticidade, mediante código 48087043300224.

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