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O trabalho do coordenador escolar se distingue atualmente por trazer diversas

dimensões da escola para a mesa. Atualmente, observa-se uma grande mudança na


própria acepção da profissão docente, dando-se ênfase maior ao papel do professor no
desempenho do aluno e na performance da escola, no que tange sua participação na
sociedade como formadora do cidadão e de mão-de-obra para o mercado de trabalho,
uma vez que hoje se opera numa lógica de desenvolvimento da máquina do estado
cada dia mais voltada para o alcance de resultados estatísticos e mensuráveis.
Nesse cenário, índices internacionais como o PISA, foram amplamente
difundidos nos departamentos responsáveis pela educação através do globo e, mais do
que nunca, a tarefa da escola é global, trazendo novos desafios para os atores
educacionais, como novas relações entre a escola e a sociedade, formação do
docente, apropriação de diversos conceitos da administração nas funções gerenciais
da escola e a aplicação de exames e avaliações com o intuito de subsidiar a análise do
processo educativo.
Assim, utilizando como critério para aferir a qualidade da educação, é possível
citar a avaliação externa, que, conforme Nevo, tem como importante ponto ao seu
favor, uma característica que a primeira vista poderia ser interpretada como um ponto
fraco. Embora a avaliação interna tenha a vantagem de apropriar detalhes locais e ser
mais sensível a diferentes ambientes, a avaliação externa pode, por outro lado, evitar
que se construa uma base mais coesa de dados excluindo singularidades que podem
atrapalhar o julgamento da própria avaliação e das informações contidas nela.
Contudo, corre-se um risco de tornar a avaliação externa, que é de fato um dos
grandes norteadores da educação no Brasil na atualidade, como o grande objetivo da
educação. Secretarias de Educação utilizam-se dessas ferramentas não apenas como
medida, mas também como item de definição para distribuição de bônus para
professores, por exemplo, o que pode tornar um meio eficaz de se conseguir fazer
observações sobre a educação, no mote do ensino.
Uma das grandes reclamações observadas nas conversas com os
coordenadores, diz respeito a forma como as avaliações serão utilizadas pela escola,
no sentido de resultados, conforme uma das coordenadoras da unidade enfatiza:

Não tinha avaliação, agora tem. A prefeitura está fazendo, uma prova online
para a EJA, já é complexo porque nem todo mundo sabe responder bem num
computador. Começa agora também no EJA, o que para mim infelizmente é o
começo de um processo que já é feito há muito tempo na rede. Não tem nada
haver com o que a gente faz, então tentamos fazemos do nosso jeito, de um
jeito mais leve, as pessoas podem conversar, espero que não venham reclamar
do jeito que a gente faz porque o jeito que a gente faz é esse. Imagino que o
nome seja avaliação semestral da EJA. Houveram problemas técnicos da
primeira vez, mas estamos começando agora. ​Com a chegada das avaliações
externas, nossa vida tende a ser mais difícil, isso provavelmente vai determinar
o que as pessoas vão fazer.

É evidente que há um temor por parte dos próprios coordenadores sobre a


autonomia que possuem poder ser colocada em cheque por dar diretrizes importantes
da secretaria de educação através da avaliação escolar.
Há de se assumir uma posição da escola, da educação e do docente, como
responsável pela formação do aluno e não apenas sendo parte de um processo
resumido a resultados em avaliações, mas também como espaço de aplicação de
justiça corretiva, diminuindo os abismos que a própria sociedade impõe a certos
indivíduos, não apenas como engrenagem do sistema político, mas também aplicando
métodos que possam gerar prognósticos sobre o desempenho dos alunos e assim
levá-los a construírem a maior quantidade de conhecimento possível.