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ATIVIDADE DE HISTÓRIA – IMPERIALISMO – 2ª SÉRIE

________Trechos de fontes:_______
Sobre o Imperialismo:
“Essa repartição do mundo entre um pequeno número de Estados foi a expressão mais espetacular da crescente divisão
do planeta em fortes e fracos, em "avançados e atrasados". Entre 1876 e 1915, cerca de um quarto da superfície do
globo foi distribuído ou redistribuído, como colônia, entre meia dúzia de Estados”. (Adaptado de E. Hobsbawm. "A Era
dos Impérios")

“Por mais que retrocedamos na História, acharemos que a África está sempre fechada no contato com o resto do
mundo, é um país criança envolvido na escuridão da noite, aquém da luz da história consciente. O negro representa o
homem natural em toda a sua barbárie e violência; para compreendê-lo, devemos esquecer todas as representações
europeias. Devemos esquecer Deus e as leis morais”.
HEGEL, Georg W. F. Filosofia de la historia universal. Apud HERNANDEZ, Leila M.G. A África na sala de aula: visita à
história contemporânea. São Paulo: Selo Negro, 2005. p. 20-21. [Adaptado] (Friedrich Hegel (1770-1830) foi um filósofo alemão)
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"Assumi o fardo do homem branco, Enviai os melhores dos vossos filhos, Condenai vossos filhos ao exílio para que
sejam os servidores de seus cativos" . Rudyard Kipling (poeta, que recebeu em 1907 o prêmio Nobel de literatura).

Testemunho do período do imperialismo: "Eu estava ontem no East End (bairro operário de Londres) e assisti a uma
reunião de desempregados. Ouvi discursos exaltados. Era um grito só: 'Pão! Pão!'. Revivendo toda a cena ao voltar a
casa, senti-me ainda mais convencido do que antes da importância do imperialismo... A idéia que considero mais
importante é a solução do problema social, a saber: para salvar os quarenta milhões de habitantes do Reino Unido de
uma guerra civil destruidora, nós, os colonizadores, devemos conquistar novas terras a fim de nelas instalarmos o
excedente de nossa população, de nelas encontrarmos novos mercados para os produtos de nossas fábricas e de nossas
minas. O Império, sempre repeti, é uma questão de sobrevivência. Se vós quiserdes evitar a guerra civil, cumpre que
vos torneis imperialistas." Cecil Rhodes, 1895. (Cecil John Rhodes. Colonizador britânico (1853-1902)

"... A natureza distribuiu desigualmente no planeta os depósitos e a abundância de suas matériasprimas; enquanto
localizou o gênero inventivo das raças brancas e a ciência da utilização das riquezas naturais nesta extremidade
continental que é a Europa, concentrou os mais vastos depósitos dessas matérias-primas nas Áfricas, Ásias tropicais,
Oceanias equatoriais, para onde as necessidades de viver e de criar lançariam o elã dos países civilizados. Estas
imensas extensões incultas, deveriam ser deixadas virgens, abandonadas à ignorância ou à incapacidade? ..." Livro:
TAMANHO E SERVIDÃO COLONIAL, Albert Sarraut. PARIS, 1931, p. 18-19. (Foi essencialmente Sarraut quem moldou
a linguagem com a qual os franceses falavam de seu império colonial).

"As raças superiores têm um direito perante as raças inferiores. Há para elas um direito porque há um dever para elas.
As raças superiores têm o dever de civilizar as inferiores (...) Vós podeis negar, qualquer um pode negar que há mais
justiça, mais ordem e moral, mais eqüidade, mais virtudes sociais na África do Norte desde que a França a
conquistou?" Julis Ferry discursando no parlamento francês, em 28 de julho de 1885

"O Rei Peter e os chefes Quachi e Wuaka, considerando que é de seu interesse estabelecer relações comerciais com
um povo rico e bom, e organizar-se sob a soberania de seu poderoso monarca, instituem: Art. 1 - A plena soberania do
país e do Rio Grand Bassam é concedida ao rei dos franceses; (...) Art. 3 - Em troca dessas concessões, será outorgada
ao Rei e a seu povo a proteção dos navios de guerra franceses. Ademais, será pago ao Rei, quando da ratificação do
tratado, o seguinte: 10 peças de tecidos sortidos, 5 barris de pólvora de 25 libras, 10 fuzis de um tiro, 1 saco de tabaco,
1 barril de aguardente, 5 chapéus brancos, 1 guarda-sol, 2 espelhos, 1 realejo. (...) Art. 7 - O presente tratado vigorará
a partir de hoje quanto à soberania estipulada; do contrário os signatários exporiam seu país aos rigores da guerra que
neste caso lhe fariam os navios de guerra franceses. (...)" (Extratos do Tratado entre a França e o Rei Peter, de Grand
Bassam, África, estabelecido em 19/02/1842. In: MARQUES, A. M. e outros. "História Contemporânea através de textos". São
Paulo: Contexto, 1990. p.100-1.)
"Todo inglês nasce com uma espécie de poder miraculoso que o torna mestre do mundo. Quando quer alguma coisa,
nunca confessa que a deseja. Espera, pacientemente, até que adquire não se sabe como, a convicção inflamada de que
é de seu dever moral e religioso conquistar aqueles que possuem o que ele deseja... Nunca lhe falta a atitude moral
necessária. Na qualidade de grande defensor da liberdade e da independência, conquista a metade do mundo e chama a
isso de Colonização. Quando precisa de um novo mercado para suas mercadorias falsificadas de Manchester, envia
um missionário para ensinar o evangelho da paz. Os nativos matam o missionário, e ele corre às armas em defesa da
Cristandade; e se apossa do mercado como uma dádiva do céu." (Bernard Shaw apud J. M. Roberts. "História do Século
XX". Trad. São Paulo: Abril, s/d., v.1, p. 314.) O texto do dramaturgo irlandês Bernard Shaw.

"Foi essa consciência de nossa superioridade inata que nos permitiu conquistar a Índia. Por mais educado e inteligente
que seja um indígena, por mais valente que ele se manifeste e seja qual for a posição que possamos atribuir-lhe, penso
que jamais ele será igual a um oficial britânico." Lord Kitchener, in: PANIKKAR, K. M., "A Dominação Ocidental na Ásia."
Rio de Janeiro: Saga, 1965, p. 160. (Horatio Herbert Kitchener foi um militar graduado do Exército Britânico e administrador
colonial).

No início do século XIX, o naturalista alemão Carl Von Martius esteve no Brasil em missão científica para fazer
observações sobre a flora e a fauna nativas e sobre a sociedade indígena. Referindo-se ao indígena, ele afirmou:
"Permanecendo em grau inferior da humanidade, moralmente, ainda na infância, a civilização não o altera, nenhum
exemplo o excita e nada o impulsiona para um nobre desenvolvimento progressivo (...). Esse estranho e inexplicável
estado do indígena americano, até o presente, tem feito fracassarem todas as tentativas para conciliá-lo inteiramente
com a Europa vencedora e torná-lo um cidadão satisfeito e feliz." Carl Von Martius. "O estado do direito entre os
autóctones do Brasil". Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/EDUSP, 1982.

"Quando os britânicos chegaram pela primeira vez, Bengala era um dos lugares mais ricos do mundo. Os primeiros
mercadores britânicos descreveram-na como um paraíso. [...] Lá havia ricas áreas agrícolas, que produziram um
algodão de rara qualidade, e também uma indústria avançada para os padrões da época. Para se ter uma idéia, uma
firma indiana construiu, durante as guerras napoleônicas, uma das naus para um almirante inglês. [...] Segundo
[Adam] Smith, os ingleses destruíram primeiro a economia agrícola, depois transformaram a carência em fome
coletiva. Uma maneira de fazer isso foi transformar terras agrícolas em áreas para a produção de papoulas (já que o
ópio era a única coisa que a Grã-Bretanha podia vender à China). Houve então fome em massa em Bengala. [...] A
partir do século XVIII, a Grã-Bretanha impôs duras leis tarifárias para impedir que os produtos industrializados
indianos competissem com a produção têxtil dos ingleses. Eles tiveram de enfraquecer e destruir as indústrias têxteis
indianas, pois a Índia tinha uma relativa vantagem - utilizava um algodão de melhor qualidade, e um sistema
industrial, em muitos aspectos, comparável ou superior ao britânico." Fonte: CHOMSKY, N. "A minoria próspera e a
multidão inquieta". Tradução de Mary Grace Figheira Perpétuo. Brasília: UNB, 1999, p. 84-85.

"...Nós conquistamos a África pelas armas... temos direito de nos glorificarmos, pois após ter destruído a pirataria no
Mediterrâneo, cuja existência no século XIX é uma vergonha para a Europa inteira, agora temos outra missão não
menos meritória, de fazer penetrar a civilização num continente que ficou para trás..." ("Da influência civilizadora das
ciências aplicadas às artes e às indústrias". Revue Scientifique, 1889)

"O francês P. Leroy-Beaulieu, professor do College de France, escreveu em 1891: '(...) a fundação de colônias é o
melhor negócio no qual se possa aplicar os capitais de um velho e rico país, disse o filósofo inglês John Stuart Mill.
(...) A colonização é a força expansiva de um povo, é seu poder de reprodução, (...) é a submissão do universo ou de
uma vasta parte (...) a um povo que lança os alicerces de sua grandeza no futuro, e de sua supremacia no futuro. (...)
Não é natural, nem justo, que os países civilizados ocidentais se amontoem indefinidamente e se asfixiem nos espaços
restritos que foram suas primeiras moradas, que neles acumulem as maravilhas das ciências, das artes, da civilização,
que eles vejam, por falta de aplicações remuneradas, os ganhos dos capitais em seus países, e que deixem talvez a
metade do mundo a pequenos grupos de ignorantes, impotentes, verdadeiras crianças débeis, dispersas em superfícies
incomensuráveis'." SCHMIDT, Mário Furley. "Nova história crítica". São Paulo: Nova Geração, 1999.