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MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA EM

CONTABILIDADE E AUDITORIA
3º Ano

Disciplina: CONTABILIDADE INTERNACIONAL


Código: ISCED32-CONTCFE010

Total Horas/2o Semestre: 125


Créditos (SNATCA):5
Número de Temas: 5

INSTITUTO SUPER

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA- ISCED


ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

Direitos de autor (copyright)

Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED),


e contêm reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou
total deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico,
gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto
Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED).

A não observância do acima estipulado, o infractor é passível a aplicação de processos


judiciais em vigor no País.

Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED)


Direcção Académica
Rua Dr. Almeida Lacerda, No212 Ponta - Gêa
Beira - Moçambique
Telefone: +258 23323501
Cel: +258 823055839

Fax:23323501
E-mail: isced@isced.ac.mz
Website: www.isced.ac.m

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

Agradecimentos

O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) agradece a colaboração dos


seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual:

Autor Marisa Iva Abrão Malate Gobeia MSc

Coordenação Direcção Académica do ISCED

Design Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED)

Financiamento e Logística Instituto Africano de Promoção da Educação a Distancia (IAPED)

Revisão Científica Samuel Zacarias Zimurenganhe

Revisão Linguística XXXXX

Ano de Publicação 2016

Local de Publicação ISCED – BEIRA

Edição XXXXX

Tiragem XXXXX

Gráfica

Elaborado Por: Aldo Domingos Paulo Sanveca

Licenciado em Contabilidade e Auditoria

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

Índice

Visão geral 1
Bem-vindo à Disciplina/Módulo de Contabilidade internacional .................................................1
Objectivos do Módulo ....................................................................................................................1
Quem deveria estudar este módulo ..............................................................................................2
Como está estruturado este módulo .............................................................................................2
Ícones de actividade.......................................................................................................................4
Habilidades de estudo ....................................................................................................................5
Precisa de apoio? ...........................................................................................................................7
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ..............................................................................................8
Avaliação ........................................................................................................................................9

TEMA – I: A INTERNACIONALIZACAO DO COMERCIO 11


1.1.Breves noções sobre Contabilidade internacional.......................................................12
1.2. Conceitos de internacionalizacao ................................ Erro! Marcador não definido.
1.3. Modelos de internacionalizacao .................................. Erro! Marcador não definido.
1.4. Motivacoes para internacionalizacao .......................... Erro! Marcador não definido.
1.5. Formas de internacionalizacao de comercio ............... Erro! Marcador não definido.
1.5.1. Factores de decisao .................................................. Erro! Marcador não definido.
1.6. Modos de entrada ....................................................... Erro! Marcador não definido.
1.6.1. Tipologia de modos de entrada ................................ Erro! Marcador não definido.
Sumário ......................................................................................... Erro! Marcador não definido.
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ................................................... Erro! Marcador não definido.

TEMA – II: GLOBALIZACAO DA ECONOMIA E A INTEGRACAO DOS MERCADOS 35


2.1 Historico de globalizacao.............................................. Erro! Marcador não definido.
2.2. Definicoes de globalizacao ........................................... Erro! Marcador não definido.
2.3. Espaco globalizadol ...................................................... Erro! Marcador não definido.
2.4. O estado e as empresas transnacionais ....................... Erro! Marcador não definido.
2.5. Sociedade global ………………………………………………………………………………………. Erro!
Marcador não definido.
2.6. Integracao economica………………………………………………………………………………………..Erro!
Marcador não definido.
2.7. Relacoes entre conceitos de globalizacao e integracao……………………………………….
Erro! Marcador não definido.
Sumário ......................................................................................... Erro! Marcador não definido.
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ................................................... Erro! Marcador não definido.

TEMA - III: RELEVANCIA DA CONTABILIDADE INTERNACIONAL NO ACTUAL ESTAGIO DE


DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA DE MOCAMBIQUE………………………………………………..Erro! Marcador não d
3.1. Conversao de demostracoes contabilisticas a semelhanca do contexto actual
mocambicano…………………………………………………………………..………………………………….. 55

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

3.2. Contabilidade em moeda forte e a diferenca entre demostracoes contabilisticas e


contabilidade em moeda estrangeira………………………………………………………………….... 56
3.3.Conversao e paridade entre moedas……………………………………………………………………. 56
Sumário ......................................................................................... Erro! Marcador não definido.
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ................................................... Erro! Marcador não definido.

TEMA IV: HARMONIZACAO CONTABILISTICA INTERNACIONAL - PRESPECTIVA DO FUTURO


4.1. A diversidade de procedimentos contabilisticos no mundo…………………………………… 60
4.2. Principios contabilisticos geralmente aceites……………………………………………………..….
Erro! Marcador não definido.
4.3 Normas internacionais de contabilidade………………………………………………………………..
Erro! Marcador não definido.
4.4. Prespectivas futuras de harmonizacao
contabilistica………………………………………………Erro! Marcador não definido.
Sumário ......................................................................................... Erro! Marcador não definido.
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ................................................... Erro! Marcador não definido.
Erro! Marcador não definido.

TEMA V: ESTRUTUTA CONCEPTUAL DAS NORMAS CONTABILISTICAS INTERNACIONAL, PLANO


OFICIAL E DE DIRECTRIZES CONTABILISTICAS
5.1. Proposta do sistema de normalizacao contabilistica……………………………………………… 60
5.2. A genese da proposta apresentada…………………………………………………………………..….
Erro! Marcador não definido.
5.3. A estrutura conceptual do SNC…………….………………………………………………………………..
Erro! Marcador não definido.
5.3.1. Os utentes e a informacao
financeira…………………………………………………………………Erro! Marcador não definido.
5.3.2. Os pressupostos subjacentes…………………………………………………………………..…. Erro!
Marcador não definido.
5.3.3. Caracteristicas qualitativas…………….……………………………………………………………….. Erro!
Marcador não definido.
5.3.4. Elementos das demostracoes
financeiras……………………………………………………………Erro! Marcador não definido.
5.4. As normas de contabilidade e relatos
financeiros……………………………………………………Erro! Marcador não definido.
5.5. Principios contabilisticos (POC/77 e POC/89)………………………………………………..…. Erro!
Marcador não definido.
5.6. Directrizes contabilisticas…………….……………………………………………………………….. Erro!
Marcador não definido.

Bibliografia Básica…………………………………………………………………………………………………………
Erro! Marcador não definido.

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

Visão geral

Bem-vindo à Disciplina/Módulo de Contabilidade internacional

Objectivos do Módulo

Ao terminar o estudo deste módulo de Contabilidade internacional


deverá ser capaz de: Descrever e caracterizar as principais normas da
contabilidade internacional, Analisar o processo de globalizacao e a
respectiva integracao nos mercados de forma geral e em particular em
Mocambique.

 Definir Contabilidade Internacional e suas aplicações;

 Fazer um breve percurso histórico da disciplina;

 Compreender e aplicar os procedimentos contabilísticos como


Objectivos Específicos
instrumento de planeamento, execução, controlo, avaliação e
decisão na esfera global;
 Comprovar a amplitude da Contabilidade desde a descoberta das
partidas dobradas até então;
 Destacar a actividade económica como uns dos mais importantes
percursores da Contabilidade.
 Aplicar os conceitos básicos da contabilidade internacional no
registro e apresentação das demonstrações financeiras;

 O estudo das práticas contabilisticas a nível internacional

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Quem deveria estudar este módulo

Este Módulo foi concebido para estudantes do 3º ano do curso de licenciatura


em Contabilidade e Auditoria - ISCED e outros como Gestão de Recursos
Humanos, Administracao Publica, etc. Poderá ocorrer, contudo, que haja
leitores que queiram se actualizar e consolidar seus conhecimentos nessa
disciplina, esses serão bem-vindos, não sendo necessário para tal se inscrever.
Mas poderá adquirir o manual.

Como está estruturado este módulo

Este módulo de Contabilidade internacional, para estudantes do 3º ano do


curso de licenciatura em Contabilidade e Auditoria, à semelhança dos
restantes do ISCED, está estruturado como se segue:

Páginas introdutórias

 Um índice completo.

 Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo,


resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para
melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta
secção com atenção antes de começar o seu estudo, como
componente de habilidades de estudos.

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

Conteúdo desta Disciplina / módulo

Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez
comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente
unidades. Cada unidade temática se caracteriza por conter uma
introdução, objectivos, conteúdos.

No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são


incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só
depois é que aparecem os exercícios de avaliação.

Os exercícios de avaliação têm as seguintes caracteristicas: Puros


exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e
actividades práticas algunas incluido estudo de caso.

Outros recursos

A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si,


num cantinho, recôndito deste nosso vasto Moçambique e cheio
de dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem,
apresenta uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu
módulo para você explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na
biblioteca do seu centro de recursos mais materiais de estudos
relacionado com o seu curso como: Livros e/ou módulos, CD, CD-
ROOM, DVD. Para além deste material físico ou electrónico
disponível na biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital
moodle para alargar mais ainda as possibilidades dos seus
estudos.

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

Auto-avaliação e Tarefas de avaliação

Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final


de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos
exercícios de auto-avaliação apresentam duas características:
primeiro apresentam exercícios resolvidos com detalhes. Segundo,
exercícios que mostram apenas respostas.

Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação


mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de
dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras.
Parte das tarefas de avaliação será objecto dos trabalhos de
campo a serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de
correcção e subsequentemente nota. Também constará do exame
do fim do módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os
exercícios de avaliação é uma grande vantagem.

Comentários e sugestões

Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados


aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza didáctico-
Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas.
Pode ser que graças as suas observações que, em goso de
confiança, classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser
melhorado.

Ícones de actividade

Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das
folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo de
aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma nova
actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

Habilidades de estudo

O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a aprender.


Aprender aprende-se.

Durante a formação e desenvolvimento de competências, para facilitar a


aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará empenho, dedicação
e disciplina no estudo. Isto é, os bons resultados apenas se conseguem com
estratégias eficientes e eficazes. Por isso é importante saber como, onde e
quando estudar. Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos
que caro estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos estudos,
procedendo como se segue:

1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de leitura.

2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida).

3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação crítica


dos conteúdos (ESTUDAR).

4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua aprendizagem


confere ou não com a dos colegas e com o padrão.

5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou as de estudo


de caso se existirem.

IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo,


respectivamente como, onde e quando...estudar, como foi referido no início
deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo reflicta sobre o
ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em
casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de manhã/de
tarde/fins de semana/ao longo da semana? Estudo melhor com música/num
sítio sossegado/num sítio barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30
minutos, em cada hora, etc.

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado durante
um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da matéria com
profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já domina bem o
anterior.

Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler e estudar,
que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é juntar o útil ao
agradável: Saber com profundidade todos conteúdos de cada tema, no
módulo.

Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por tempo


superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora intercalado por 10 (dez)
a 15 (quinze) minutos de descanso (chama-se descanso à mudança de
actividades). Ou seja que durante o intervalo não se continuar a tratar dos
mesmos assuntos das actividades obrigatórias.

Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual obrigatório, pode


conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento da aprendizagem. Por que o
estudante acumula um elevado volume de trabalho, em termos de estudos,
em pouco tempo, criando interferência entre os conhecimento, perde
sequência lógica, por fim ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai
em insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente incapaz!

Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma avaliação.


Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda sistematicamente), não
estudar apenas para responder a questões de alguma avaliação, mas sim
estude para a vida, sobre tudo, estude pensando na sua utilidade como futuro
profissional, na área em que está a se formar.

Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que matérias
deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que resta, deve decidir
como o utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao
estudo e a outras actividades.

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É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma


necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso: A
colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de modo
que seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e Pode escrever
conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes, pode também
utilizar a margem para colocar comentários seus relacionados com o que está
a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir à compreensão
do texto e não depois de uma primeira leitura; Utilizar o dicionário sempre
que surja um conceito cujo significado não conhece ou não lhe é familiar;

Precisa de apoio?

Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o material
de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas como falta de clareza,
alguns erros de concordância, prováveis erros ortográficos, falta de clareza,
fraca visibilidade, páginas trocadas ou invertidas, etc). Nestes casos, contacte
os serviços de atendimento e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos
(CR), via telefone, sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta
participando a preocupação.

Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes (Pedagógico e


Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua aprendizagem com
qualidade e sucesso. Dai a relevância da comunicação no Ensino a Distância
(EAD), onde o recurso as TIC se torna incontornável: entre estudantes,
estudante – Tutor, estudante – CR, etc.

As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem a


oportunidade de interagir fisicamente com staff do seu CR, com tutores ou
com parte da equipa central do ISCED indigitada para acompanhar as sua
sessões presenciais. Neste período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos
de natureza pedagógica e/ou administrativa.

O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% do tempo
de estudos a distância, é muita importância, na medida em que permite lhe

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situar, em termos do grau de aprendizagem com relação aos outros colegas.


Desta maneira ficará a saber se precisa de apoio ou precisa de apoiar aos
colegas. Desenvolver hábito de debater assuntos relacionados com os
conteúdos programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade
temática, no módulo.

Tarefas (avaliação e auto-avaliação)

O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e


autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é importante
que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues duas semanas antes das
sessões presenciais seguintes.

Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não cumprimento


dos prazos de entrega, implica a não classificação do estudante. Tenha sempre
presente que a nota dos trabalhos de campo conta e é decisiva para ser
admitido ao exame final da disciplina/módulo.

Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os mesmos


devem ser dirigidos ao tutor/docente.

Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os


mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do
autor.

O plágio1é uma violação do direito intelectual do(s) autor(es).Uma transcrição


à letra de mais de 8 (oito) palavras do texto de um autor, sem o citar é
considerada plágio. A honestidade, humildade científica e o respeito pelos
direitos autorias devem caracterizar a realização dos trabalhos e seu autor
(estudante do ISCED).

1
Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade intelectual de
outras pessoas, sem prévia autorização.

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Avaliação

Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à distância, estando eles


fisicamente separados e muito distantes do docente/tutor? Nós dissemos: Sim
é muito possível, talvez seja uma avaliação mais fiável e consistente.

Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com um mínimo
de 90% do total de tempo que precisa de estudar os conteúdos do seu módulo.
Quando o tempo de contacto presencial conta com um máximo de 10%) do
total de tempo do módulo. A avaliação do estudante consta detalhada do
regulamento da avaliação.

Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e aprendizagem no


campo, pesam 25% e servem para a nota de frequência para ir aos exames.

Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e decorrem


durante as sessões presenciais. Os exames pesam no mínimo 75%, o que
adicionado aos 25% da média de frequência, determinam a nota final com a
qual o estudante conclui a cadeira.

A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira.

Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois) trabalhos e 1


(um) (exame).

Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados como


ferramentas de avaliação formativa.

Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em consideração


a apresentação, a coerência textual, o grau de cientificidade, a forma de
conclusão dos assuntos, as recomendações, a identificação das referências
bibliográficas utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros.

Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de Avaliação.

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TEMA – I: INTERNACIONALIZACAO DA CONTABILIDADE

Unidade 1: Internacionalizacao de negocios

1.1. Por que a internacionalização da Contabilidade

1.2. Perspectiva Internacional Da Contabilidade


1.3. Instituições responsáveis pela emissão das IAS/ IFRS e pela
Internacionalização da Contabilidade
1.4. Motivacoes para internacionalizacao
1.5. Formas de internacionalizacao de comercio
1.5.1. Factores de decisao
1.6. Modos de entrada
1.6.1. Tipologia de modos de entrada
Sumário ................................................................................................... Erro! Marcador n
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ............................................................. Erro! Marcador n

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Objectivos das unidades: O estudo das práticas contabilisticas a nível


internacional e destacar a actividade económica como uns dos mais
importantes percursores da Contabilidade.

Introdução

O aparecimento e desenvolvimento de empresas que se projectaram


no cenário internacional tornou a contabilidade um ponto focal dos
stakeholder, pois, inicialmente, a preocupação era como enquadrar a
contabilidade dessas empresas com a contabilidade dos países em que
elas instalaram suas fábricas, para Moçambique encontramos o dilema
dos megas projectos que estão a correr no país, dai que surge também
a necessida da internacionalização da Contabilidade.

Com a globalização e o acréscimo da concorrência internacional já


nada é como dantes e as empresas procuram encontrar novas formas
de estar no mercado global. Desta forma, internacionalizar tem sido a
palavra de ordem para as estratégias empresariais, não só das grandes
empresas como das PME. É neste contexto que esta dissertação
pretende abordar o fenómeno internacionalização, analisando as suas
determinantes, as tipologias de modos de entrada no mercado e os
factores que determinam a sua selecção, onde a questão de
harmonização é ponto mais alto na internacionalização.

Por outro lado, e dado que a internacionalização de uma empresa


deve ser enquadrada tendo em atenção as competências e vantagens
competitivas desenvolvidas no seu mercado doméstico (Freire, 1997),
procurar-se-á analisar alguns dos factores que são determinantes para
a competitividade das empresas.

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Tendo em atenção o risco inerente na abordagem de mercados menos


conhecidos, os recursos parcos das organizações, em especial das
PME, a competitividade passa crescentemente pela eficiente gestão
de factores como a marca, o produto e as alianças estratégicas.

Em actividade há mais de 50 anos, iniciou o seu processo de


internacionalização há três décadas, estando actualmente presente
worldwide. Oferecendo soluções inovadoras e integradas, esta PME
compete com os gigantes mundiais do seu sector, apostando em
factores intangíveis como a marca, customização do produto e serviço
ao cliente.

O objectivo desta dissertação é elaborar um estudo de natureza


pedagógica que permita uma abordagem às temáticas
internacionalização e harmonização dos procedimentos.

Para recolher informação, recorreu-se principalmente a entrevistas


com alguns dos responsáveis da empresa. É de salientar que já existia
um conhecimento e contacto regular com esta empresa, por motivos
profissionais, e no que se refere à temática internacionalização, o que
obviamente facilitou o processo de reunião de elementos. Igualmente,
o site da empresa e apresentações produzidas pela Direcção de
Marketing da Adira foram fontes de informação importantes.

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

1.1. Por que a internacionalização da Contabilidade

O aparecimento e desenvolvimento de empresas que se projectaram


no cenário internacional tornou a contabilidade um ponto focal dos
stakeholder, pois, inicialmente, a preocupação era como enquadrar a
contabilidade dessas empresas com a contabilidade dos países em que
elas instalaram suas fábricas.

1.1.2. Causas da Internacionalizaçãoda Contabilidade:

 A moeda dos países;

 O preço de transferência;

 A necessidade da homogeneização das informações


contabilística.

1.1.3. Caracteristicas da contabilidade Internacional

A Contabilidade Internacional tem as seguintes caracteristicas:

Apresenta aos usuários externos e internos informações úteis e de


qualidade para auxiliar na tomada de decisões;

Contribui para a captação de recursos financeiros em algum mercado


de capitais específico;

É considerada como a linguagem universal dos negócios, tendo em


vista a harmonização de suas normas;

Reporte de informações no caso de empresas estrangeiras instaladas


em diferentes países em que são negociadas suas ações

1.2. Perspectiva Internacional Da Contabilidade

As normas internacionais, IFRS buscam obedecer a PRINCÍPIOS e


evitam serem REGRA.

Este facto é notável em expressões como relevante, material,


importante.

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 Diferenças

A Normalização Baseada em Principios (Conceitos) implica a definição


de um quadro conceptual que sirva de orientação aos preparadores e
utilizadores da informação financeira. Pelo que, este deve traçar os
objectivos e elementos essenciais do relato financeiro, fornecendo
orientações amplas a sua implementação.

A Normalização Baseada em Regras pode ser definida como o


estabelecimento de um conjunto de regras precisas e detalhadas
sobre a forma adequada de contabilização de cada transacção.

 Normas Internacionais de Contabilidade (IAS/ IFRS)

IAS – International Accounting Standard

IFRS – International Financial Reporting Standards

As normas Internacionais de contabilidade tem como o seu advento


após a crise de Nova Yorque em 1929.

Pois obrigou a a diversas entidades e persnolidade tomarem e a


implantarem medidaS de reposicionamento relativo à regulação
governamental e à normatização contabilística voltadas para o preparo
e auditoria de demonstrações financeiras, também chamadas de
demonstrações contabilísticas.

 Surgimento dos orgãos ligados as Normas Internacionais de


Contabilidade.

o Instituto Americano de Contabilistas Públicos Certificados (AICPA –


Institute of Certified Public Accountants);

APB – Accounting Principles Board – entidade voltada para o preparo


de “normas contabilísticas”:

(IASC – International Accountanting Standards Committee) – surgium


nos meados de 1970 e esse organismo gerou normas internacionais de
contabilidade (IAS – International Accounting Standards) até 2001.

As normas Internacionais podem ser apilicadas EM SUBSTITUIÇÃO a

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normas contabilísticas nacionais, Ou então EM COMPLEMENTAÇÃO


ao uso de normas contabilísticas nacionais.

As normas internacionais são compostas por um conjunto de 5 tipos


de pronunciamentos técnicos (Framework, IAS, IFRS, SIC e IFRIC):

 Framework: vulgarmente conhecido por framework for the


preparation and presentation of financial statements não é
oficialmente um pronunciamento técnico e, por sua vez é um
documento divulgado em Julho de 1989 pelo International
Accountanting Standard Committee (IASC).

 IAS: Os pronunciamentos IAS (International Accounting


Standard), são os primeiros pronunciamentos emitidos pelo
IASC.

 SIC: As interpretações SIC (Standing Interpretations


Committee), este organismo foi criado em 1997 pelo o IASC, e
constitui um comité técnico dentro da estrutura do IASC
responsável pela publicações de interpretações chamadas SIC
cujo objetivo era responder as duvidas de interpretações dos
usuários.

 IFRS: Os pronunciamentos IFRS (International Financial


Reporting Standard) são emitidos pelo IASB. Eles são, portanto,
os mais recentes.

 IFRIC: As interpretações IFRIC (International Financial Reporting


Interpretations Committee). Elas são portanto as
interpretações mais recentes, e substituiram as SIC desde
2002.

1.3. Instituições responsáveis pela emissão das IAS/ IFRS e pela


Internacionalização da Contabilidade

Vários órgãos estão trabalhando para a harmonização de regras de


Contabilidade e sua constatação no mundo contabilístico.

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 IASC — INTERNATIONAL ACCOUNTING STANDARDS


COMMITTEE (ATUAL IASB)

Comitê das Normas Internacionais de Contabilidade é talvez o


mais importante e que obteve maior sucesso. Foi fundado em
1973, inicialmente composto por apenas nove países (EUA, Japão,
Reino Unido, Alemanha, França, Holanda, Espanha, Portugal e
Bélgica).

 IASC (1973 – 2001) – Emitiu as NIC / IAS

 IASB (2001 – até hoje)– Emitiu as NIRFS/ IFRS

Tem como instrumento de comunicação a NIC (Normas


Internacionais de Contabilidade), e como principal objectivo a
busca de compatibilização com o FASB (EUA).

 FASB — FINANCIAL ACCOUNTING STANDARDS BOARD

Junta de padrões de contabilidade financeira, foi criada em


1973, com vários pronunciamentos técnicos que são chamados
“standards” (padrões). Tem suporte financeiro das principais
companhias americanas.

 IFAC — INTERNATIONAL FEDERATION OF ACCOUNTANTS

Federação Internacional dos Contadores, entrou em vigor em


1977, após o 11º Congresso Internacional dos Contabilistas.

Funções:

Estabelecimento de diretrizes internacionais para examinar ética,


educação e contabilidade de administração;

Envolvimento com educação e pesquisa técnica;

E po fim a organização, de cinco em cinco anos, de um congresso


internacional;

 FEE — FÉDÉRATION DÊS EXPERTS COMPTABLES EUROPÉENS


(Federação dos Peritos Contabilisticos Europeus.)

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Fundado em 1987 e tem sócios por toda a Europa. Estuda diferenças


internacionais e tenta contribuir para a remoção delas.

 ISAR/ONU — INTERNATIONAL STANDARDS ACCOUNTING


REPORTING

Visa harmonizar as práticas contábeis mundiais nas companhias


internacionais; grupo intergovernamental vinculado ao Conselho
Econômico da ONU.

 IOSCO — INTERNATIONAL ORGANIZATION OF SECURITIES


COMISSION

Organização mundial das CVM’S (Comissão de Valores Mobiliários)


que tem o objectivo de regulamentar as práticas mundiais de actuação
no mercado de capitais, notadamente os procedimentos de
transparência das aplicações financeiras.

Os diversos Sistemas Contabilisticos


BLOCO ANGLO- SAXÓNICO BLOCO CONTINENTAL
1 – Antecedentes
Direito inglês; Direito romano;
Profissão antiga, de grande dimensão e Profissão ainda recente, de pequena
forte; dimensão e fraca;
Grandes mercados de Capitais. Pequenos mercados de capitais.
2 – Caracteristicas Contabilísticas Genéricas
Orientada para a imagem verdadeira e
Orientada para forma legal;
apropriada;
Orientada para o investidor; Orientada para o credor;
Muita divulgação Pouca divulgação;
Separação entre as regras A fiscailidade domina as regras
contabilística e fiscais; contabilísticas;
Predominam as disposições
Predominam os standards profissionais
governamentais e a forma sobre a
e as substâncias sobre a forma.
substância;

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

BLOCO ANGLO- SAXÓNICO BLOCO CONTINENTAL


3 – Características Contabilísticas Específicas
Método de percentagem de
Método de contrato acabado;
acabamento;
Cálculo das amortizações de acordo Cálculo das amortizações de
com períodos de vida útil; acordo com regras fiscais;
Não existência de provisões para
Existência de reservas legais;
impostos;
Reconhecimento como custos das Existência de provisões para
despesas do primeiro estabelecimento; impostos;

Capitalização das despesas do


primeiro estabelecimento.
4 – Alguns Exemplos de Países
Austrália; Alemanha;
Canadá; Bélgica;
Dinamarca; França;
Estados Unidos da Américas; Grécia;
Holanda; Itália;
Nova Zelândia; Japão;
Reino Unido. Portugal

1.4. HARMONIZAÇÃO CONTABILÍSTICA

Aspectos Gerais da Harmonização

Com o advento da globalização, a contabilidade passou a ter


importância cada vez mais acentuada como instrumento de
comunicação para o mercado financeiro e de capitais, no sentido de
prover informações para investidores e aplicadores de capital.

O que Harmonização Contabilística?

A harmonização contabilística é um processo que busca


alcançar uma nova postura aplicada à contabilidade, onde se
procurará atingir um “senso comum” no que diz respeito às normas e
procedimentos aplicáveis à elaboração de demonstrações financeiras.

“Os contabilistas habitam uma espécie de torre de babel, em que não


só falam idiomas diferentes, como

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

também interpretam diferentemente os mesmos eventos e


transações” (CARSBERG, 1997).

Aspectos ligados a harmonização:

Linguagem comum;

Moeda Comum;

RAZÕES PARA A HARMONIZAÇÃO

A harmonização se torna necessária, pois, crescentemente, as


informações produzidas por um país são usadas em vários outros,
provocadas pelo crescimento dos empreendimentos multinacionais e
pelos reflexos econômicos que são gerados.

Muitos são os interessados nessa harmonização:

 Os que regulam

 Os que preparam

 E os que usam as demonstrações financeiras internacionais


para fins decisórias

Exemplo:

 Investidores e Analistas

 Empresas que pretendem emitir acções na Bolsas de Valores

Vantagens e Desvantagens da Harmonização

Vantagens:

Comparabilidade na avaliação do desempenho de empresas em nível


mundial;

Maior facilidade para o ensino da contabilidade, maior facilidade para


transferência de pessoal entre as subsidiárias de uma multinacional;

Empresas que precisam de capital externo para crescimento terão


vantagem por apresentar demonstrações financeiras comparáveis

Permite harmonização de pré-requisitos para que as empresas possam

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

ter seus papéis negociados em diferentes bolsas de valores;

Facilitar análises comparativas de resultados financeiros de empresas


nacionais estrangeiras;

Ajudar os usuários externos das demonstrações financeiras a avaliar o


desempenho das empresas a nível mundial;

Redução de tempo e custo relacionado à conversão de demonstrações


financeiras de subsidiárias estrangeiras;

A Harmonização irá facilitar transações internacionais, política de


preços e decisão de alocação de recursos, além de tornar o mercado
de capitais internacional mais eficiente;

Desvantagens:

Não reconhece que diferentes países precisam de normas diferentes,


de acordo às suas especificidades culturais, legais e económicas, isto é,
a harmonização desconsidera diferença de costumes comerciais e
tradições culturais. Ex: cheque pré-datado;

A harmonização implica na redução de opções de práticas


contabilísticas bem fundamentadas;

Ausência de julgamento subjectivo em si, tratando de interpretação e


divulgação de eventos económicos, pois cada entidade possui
características próprias;

Na maioria dos países o Governo, na qualidade de arrecadador de


impostos, é uma das principais fontes de regulação da contabilidade;

Algumas vezes governos locais lançam políticas fiscais provisórias,


visando atender a determinada situação temporária;

OBSTÁCULOS PARA A HARMONIZAÇÃO

O maior obstáculo para o processo de harmonização é a relevância das


diferenças existentes entre as práticas da Contabilidade de diferentes
países.

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

As companhias deveriam produzir dois grupos de demonstrações


financeiras: um nacional doméstico e outro para usuários
internacionais, sendo esse o primeiro obstáculo encontrado.

Outro obstáculo é a falta de órgãos profissionais de força relevante em


alguns países.

Isso significa que qualquer órgão como o IASC (atual IASB) — Comitê
de Normas Internacionais — que procura operar por órgãos de
Contabilidade nacionais não será efectivo em todos os países

1.5. RELATO FINANCEIRO EM CONTEXTO MUNDIAL


Directivas da União Europeia & NIRFs

ANO NORMATIVO OBJECTO


Directiva IV Contas anuais e
1970 - 1990 Directiva VII Conta consolidadas
Directiva VIII
Dificuldade em expandir –se para outros
mercados de Capitais, principalmente para a
Bolsa de Nova Yorque;
Dificuldades
Os Paises de EU era obrigados a elaborar um
conjunto de Demonstrações Financeiras de
acordo com as normas emitidas pelas IASB;

Reflexão sobre o grau


de comparabilidade
1990 - 1995 Período de Estagnação
que atingiu com a
emissão das directivas

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

RELATO FINANCEIRO EM CONTEXTO MUNDIAL


ANO NORMATIVO OBJECTO

Uma nova estratégia rumo à


harmonização internacional;

Trabalhos de compatibilidade entre as


NIC eas Directivas (Normas Comunitárias
e de cada Estado Membro) .
1995 -2000 Comunicações
Plano de acção para melhorar o mercado
único de serviços financeiros;

Estratégia da UE para o futuro em


matéria de informações financeiras a
prestar pelas empresas.

1.6. PRATICAS INTERNACIONAIS DE RELATO FINANCEIRO


REGRAS DA APLICAÇÃO DAS NIRF’S
Posição Financeira – este termo refere –se ao Balanço.
O que é um Activo?
De acordo com o Decreto nº 70/2009 de 22 de Dezembro é um
recurso controlado pela empresa resultante de acontecimentos e do
qual se esperam que fluam para a entidade benefícios económicos
futuros.
E o Passivo?
É uma obrigação presente a entidade resultante de acontecimentos
passados, de cuja liquidação se espera que resultem para a entidade
saidas de recursos incoporando benefícios económicos futuros.
Capital Próprio (Situação liquida) – constitui a diferença entre o Activo
e o Passivo.
Mapa de desempenho é uma expressão usada para designar a
demonstração de resultados.
Reconhecimento - processo de incorporar no balanço e na
demonstração de resultados um elemento que satisfaça a definição
dada para a classe em causa e

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

obedeça aos critérios estabelecidos para esse mesmo reconhecimento


e não confundir com divulgação menção no relatório de gestão ou no
anexo ao balanço e à demonstração dos resultados.
Mensuração é o processo de atribuição aos elementos das
demonstrações financeiras, valores monetários de modo as quantifica
– los em termos da moeda nacional.
Critérios de Mensuração
Custo histórico
Os Activos são registados pela quantia de caixa ou equivalentes de
caixa paga ou pelo justo valor da retribuição dada para os adquirir na
data da sua aquisição.
Os Passivos são registados pela quantia relativa ao que se recebeu por
troca da obrigação e, em algumas circunstâncias (por exemplo,
impostos sobre os lucros), pelas quantias de caixa ou equivalentes de
caixa que se espera pagar para satisfazer a obrigação no decurso
normal dos negócios.
Custo corrente
Os activos são mostrados pela quantia de caixa ou equivalentes de
caixa que teria que ser paga se o mesmo activo ou um activo
equivalente fosse adquirido actualmente.
Os passivos são mostrados pelo valor não descontado de caixa ou
equivalentes de caixa que seria necessário para liquidar a obrigação
actualmente.
Valor realizável (ou de liquidação)
Os activos são mostrados pela quantia de caixa ou equivalentes de
caixa que poderiam ser obtidos actualmente através da venda do
activo.
Os passivos são mostrados pelos seus valores de liquidação, isto é, as
quantias não descontadas de caixa ou equivalentes de caixa que se
esperam pagar para satisfazer a obrigação no decurso normal dos
negócios.
Valor presente

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

Os Activos são mostrados pelo valor presente descontado dos futuros


fluxos de entradas de caixa líquidos que se espera que o item gere no
decurso normal dos negócios.
Os Passivos são mostrados pelo valor presente descontado dos
futuros fluxos de saídas de caixa líquidos que se espera serem
necessários para liquidar os passivos no decurso normal dos negócios.
E com o Decreto nº 70/ 2009 de 22 de Dezembro, os Princípios
Fundamentais de Contabilísticos passaram a ser designados de
Pressupostos Subjacentes reconhecendo com base de elaboração das
demonstrações de resultados a base de acréscimo, doravante
conhecido por especialização de exercícios e a continuidade de
operações.
Tendo deixado de existir os Princípios de Consistência e Custo
Histórico enquanto os restantes foram incluidos nas caracteristicas
qualitativas das demonstrações do quadro conceptual do PGC – NIRF.

1.7. Formas de Internacionalização do comércio


1.7.1. Factores de Decisão

Um modo de entrada no mercado externo pode ser definido como um


acordo institucional facilitador da entrada dos produtos, tecnologias,
skills humanos e de gestão ou outros recursos da empresa num
mercado externo (Gao, 2004). Podem ser identificadas, de uma forma
sintética, três ópticas diferentes na selecção do modo de entrada (e
desenvolvimento) nos mercados externos:

 Óptica económica - Análise racional, que pondera custos e


benefícios decada entrada, de forma a seleccionar a que
maximixa o lucro a longo prazo. Busca equilibrar o grau de
controlo, investimentos de recursos, rendibilidade e risco.
Anderson e Gatignon (1986) desenvolveram um modelo com

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

base na análise dos custos de transacção, que maximiza a


eficiência a longo prazo, sendo esta medida pela taxa de
retorno do investimento ajustada pelo risco.

 Óptica dos estádios de desenvolvimento - Análise racional, que


relaciona a decisão quanto ao modo de entrada com a
evolução do processo de internacionalização. Assim, quanto
maior o aprofundamento da internacionalização, maior o
comprometimento de recursos. Brooke (1986) desenvolveu
um modelo que identifica as opções da empresa à medida que
avança no estádio da sua expansão internacional.

 Óptica da estratégia de negócio - Análise pragmática, que


resulta da incerteza e da necessidade de consensos na tomada
de decisão empresarial. Segundo esta perspectiva, as empresas
optam por processos de decisão satisfatórios e não
maximizadores, dada a grande diversidade de factores que
afectam as suas decisões. Root (1987) enumerou um conjunto
de factores que afectam as decisões da empresa (classificando-
os em internos e externos).

1.8. Modos de Entrada


1.8.1. Tipologias de Modos de Entrada

Quanto aos modos de entrada, há várias propostas de diversos


autores. Desde logo, Cateora e Graham (1996) sugerem a seguinte
classificação: exportação/importação;
 Licenciamento;
 Joint-venture;
 Consórcio;
 Subsidiária detida parcialmente;

26
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 Subsidiária detida a 100%.

Análise de Modos de Entrada


Neste ponto serão analisadas as formas de entrada consideradas maís
típicas em termos de internacionalização.

a) Exportação
A exportação é a fórmula mais utilizada pelas empresas nos seus
processos de expansão internacional (Salomon e Shaver, 2005).
Simões (1997) define a exportação como sendo um modo de operação
em que os produtos são vendidos num país diferente daquele onde
são fabricados.
Apresenta como vantagens um reduzido envolvimento financeiro, um
risco diminuto (face a outras estratégias) e a facilidade (relativa,
também) de procedimentos operacionais. Possibilita a obtenção de
economias de escala quando as actividades de produção estão
concentradas, no limite, num só local.

Utilizando a classificação proposta por Viana e Hortinha (2005), vai-se


apresentar uma classsificação dos tipos de exportação mais “fina”,
com exemplos do tipo de estruturas envolvidas:

a) Exportação Indirecta
No que se refere à exportação indirecta, esta pode ser ocasional (não
é planeada, é reactiva) ou activa (a empresa pretende
internacionalizar-se para determinado (s) mercado (s)). Este modo de
exportação exige menor envolvimento de recursos (logo implica
menores riscos) bem como é mais adequado a empresas que não
possuem experiência de internacionalização nem grandes
conhecimentos acerca dos mercados alvo.

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Quanto aos intermediários envolvidos, destacam-se:


a. Organizações de venda localizadas no mercado doméstico – São
organizações grossistas domésticas dedicadas ao comércio
internacional ou retalhistas com escritórios de compra no país
doméstico da empresa. Incluem as tradings, que oferecem como
vantagens o acesso a mercados difíceis, apoio em termos pesquisa de
mercados, crédito, design de novos produtos e armazenamento.
Estas entidades não são especialistas no produto dada a abrangência
habitual da sua oferta. Há a incapacidade da empresa exercer
qualquer poder sobre este intermediário. As tradings também podem
ser utilizadas em processos de exportação directa.

b. ACE – Agrupamentos Complementares de Empresa – São formas de


cooperação com vantagens inerentes ao controlo e reunião de
diferentes
skills/conhecimentos, possibilitando um maior conhecimento dos
mercados, melhores condições no transporte e no crédito e maior
visibilidade da oferta das empresas. Apresentam como inconvenientes
não possibilitar à empresa knowhow na internacionalização e, quando
aumentam as vendas, ser mais vantajoso para a empresa ter um
departamento de exportação próprio.

c. Organizações Cooperativas – Promovem exportações em benefício


das empresas associadas, pelas quais são administradas. Há três
formas neste tipo de organizações que se distinguem: as associações
webb-pomerene (incluem as associações de produtores e
distribuidores e os cartéis de exportações), as export trading
companies (envolvem maiores recursos que as anteriores mas
permitem maior conhecimento à empresa do mercado-alvo) e o piggy-
back export (possibilita à empresa a utilização da rede internacional de
distribuição de outro fabricante, com vantagens para ambas as partes.
A desvantagem é a duração do acordo, geralmente curta).

28
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A2) A Exportação Directa


Esta modalidade de exportação exige um maior envolvimento da
empresa, quer a nível de recolha de informação dos mercados quer de
estabelecimento da política de distribuição, comunicação e preços. Se
por um lado lhe dá maior controlo e maior experiência internacional,
por outro, fá-la incorrer em custos mais elevados.

Viana e Hortinha (2005) destacam entre as modalidades mais


habituais de exportação directa:
a. Departamento baseado no país de origem – este departamento
pode ser de três tipos: ou um departamento dentro da empresa, com
um responsável de vendas externos que conta a colaboração dos
outros departamentos, ou um departamento de exportação
autónomo, ou uma filial de exportação (versão commaior autonomia
que a anterior).

b. Vendedor residente ou não residente (reside no mercado-alvo) –


esta modalidade possibilita um melhor conhecimento do mercado e
uma maior proximidade do cliente.
c. Distribuidores e agentes no exterior - esta modalidade tem por base
acordos com duração, formas de remuneração, zonas de actuação
perfeitamente delimitadas, sendo que no caso da distribuição existe
um contacto do distribuidor com o produto, que chama a si o risco de
crédito e a sua colocação no cliente; no caso do agente, este apenas
tem contacto com as amostras do produto e material promocional.

d. Sucursal – estrutura física da empresa no mercado, sem autonomia


jurídica, e consequentemente muito dependente da sede. É uma
estrutura muito similar à da distribuição, distinguindo-se desta pelo
facto do responsável ser funcionário da empresa).
e. Capacidade de armazenamento – estrutura que permite melhor

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resposta à procura.

f. Filial comercial – distingue-se da sucursal pela personalidade jurídica


própria. O recurso habitual a pessoal local confere-lhe uma forte
vantagem comercial. A nível de outras vantagens, salientam-se a
proximidade do mercado, as valias fiscais e a sua estabilidade dada a
independência face a terceiros.

g. Franchising de distribuição – é uma hipótese muito usada quando


há dificuldades de acesso a canais de distribuição tradicionais,
constrangimentos financeiros e vontade de promover uma marca.

b) Licenciamento
Simões (1997) define o contrato de licenciamento como um acordo
pelo qual uma empresa cede a outra o direito de utilizar determinados
conhecimentos (know-how) e/ou de explorar direitos de propriedade
industrial (marcas, patentes, modelos ou desenhos) contra um
pagamento, expresso normalmente através de royalties. Cateora e
Graham (1996), consideram que este acordo é de risco reduzido,
propondo uma definição mais sintética: contrato de cedência de
direitos e métodos de produção a uma empresa de um terceiro país
em troca de royalties. Simões (1997) refere que este contrato pode
incluir assistência técnica, serviços de engenharia ou formação de
pessoal. Por estas razões, é normal que recorram a este tipo de
contrato empresas com marcas fortes ou com elevado know-how
tecnológico mas que carecem de recursos necessários à
internacionalização (por exemplo, os financeiros e os humanos).
Igualmente salienta que este tipo de contrato pode incluir cláusulas
condicionadoras do comportamento do licenciado, como restrições à
exportação e limitações ao fabrico de produtos concorrentes.

c) Franchising Para Cateora e Graham (1996) e Viana e Hortinha

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

(2005), o franchising é uma forma específica de licenciamento em que


o franchisador licencia franchisados para comercializarem ou
produzirem um produto/serviço em determinado território, segundo o
modelo de negócio criado pelo franchisador. Já Simões (1997) é de
opinião contrária, salientando que apesar das semelhanças destes
tipos de contratos, o franchising detém uma componente comercial
mais forte e um conceito de negócio mais bem definido.
Neste acordo, o franchisado tem o direito de utilizar o nome, marca
registada, knowhow e serviços (inclui formação, publicidade, apoio na
gestão, estudos de mercado, concepção do espaço) do franchisador.
Em contrapartida tem de pagar ao franchisador um direito de entrada
e royalties (habitualmente são comissões sobre as vendas).
Simões (1997) considera existirem quatro elementos característicos
neste tipo de acordo: a imagem de marca, o conceito de negócio, o
território definido e a relação continuada (que pressupõe apoio
técnico, logístico e promocional do franchisador).

Podem elencar-se três grandes tipos de franchising (Viana e Hortinha,


2005):
i. Franchising de produção – está em questão a cessão de know-how,
licença de produção e direitos de comercialização de produto ou
tecnologia;
ii. Franchising de distribuição – trata-se da comercialização de
produtos sob a marca do franchisador;
iii. Franchising de serviços – refere-se à exploração de uma insígnia,
havendo transferência de know-how e métodos de gestão, podendo
estar associado o fornecimento de produtos. É um conceito muito
utilizado em hoteleria.

d) Subcontratação industrial
Teixeira e Diz (2005) definem esta forma de internacionalização como
um acordo entre uma empresa internacional (ou que visa

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

internacionalizar-se), a contratante, e uma empresa do país de


destino, a subcontratada, sendo que esta última fabrica os produtos
ou componentes destes e a primeira leva a cabo a sua comercialização
(pode incluir integração e montagem, no caso de componentes).
Simões (1997) refere que a contratante tem sob a sua alçada a
responsabilidade económica final, isto é, a comercialização.

e) Alianças Estratégicas
Lorga (2003) sistematiza as alianças estratégicas como incluindo
diversas situações de relações comerciais entre empresas de uma
Economia (geralmente concorrentes) e empresas de países diferentes,
sempre que este relacionamento não se encontra coberto pelas
figuras de licenciamento ou joint-venture. Teixeira e Diz (2005)
complementam esta definição, referindo que estes acordos se
caracterizam pela reciprocidade ou pela conjugação de esforços e
competências entre as empresas.

Simões (1997) realça a grande diversidade de interpretações do


conceito de aliança, que incluem relações contratuais, como o
licenciamento e outras formas que pressupõem participações de
capital, como as joint-ventures, sugerindo a adopção de uma noção de
alianças que se cinja às situações de cooperação inter-empresas que
envolvam participações no capital e se caracterizem pela
reciprocidade e/ou actuação conjunta.
São exemplos deste tipo de alianças os acordos de especialização da
produção (em que as empresas repartem a produção, explorando as
vantagens da sua complementaridade e
especialização), de distribuição recíproca (cada empresa aliada
comercializa os produtos da outra empresa aliada, utilizando a sua
rede de distribuição), de estabelecimento de redes de distribuição ou
de serviços pós-venda em conjunto (as aliadas partilham os custos da
implantação das redes de distribuição ou serviços pós-venda) e os

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contratos de licença cruzada (são uma forma de acesso a


conhecimentos tecnológicos do parceiro).

f) Investimentos Directos
Conciliando algumas das propostas de classificação dos modos de
entrada referidos atrás, Simões (1997) propõe a análise dos
investimentos directos a três níveis:
1º nível: Modo de concretização dos investimentos - investimentos de
raiz versus aquisição;
2º nível: Tipo de propriedade - joint-venture versus sole-venture;
3º nível: Actividades desenvolvidas - filial de captação de
conhecimentos versus filial comercial versus filial produtiva.

Assim, e tendo em atenção o primeiro nível proposto, o investidor


pode efectuar um investimento de raiz, em que dispende todos os
esforços necessários a implantar uma nova empresa, como por
exemplo a construção de unidade fabril, o recrutamento de pessoal e
os contactos institucionais, entre outros. Pode, em alternativa, optar
por tomar parte ou o todo do capital de uma empresa já existente.

As aquisições, apesar de possibilitarem uma entrada mais rápida no


mercado, aproveitando competências já desenvolvidas, podem ter
como desvantagens a má selecção da empresa-alvo, a dificuldade de
conjugar as culturas empresariais bem como a reação adversa da
empresa adquirida (Simões, 1997).

Quanto ao tipo de propriedade, as joint – ventures são definidas por


Simões (1997) como empresas cujo capital é repartido entre duas ou
mais empresas autónomas, enquanto as sole-ventures são empresas
detidas na totalidade por uma única entidade (uma empresa ou grupo
de empresas).

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

Sumario
O conhecimento detalhado do mercado destino possibilita a
focalização na atuação – não atuar onde somos apenas onde somos
competentes mas onde o mercado apresenta necessidades.
Esta abordagem considera que as apostas no mercado externo devem
ser convenientemente planeadas e centradas na capacidade das
empresas criando sinergias nos setores caraterísticos da região ou em
sectores de aposta regional.

A importância de actuar em sectores chave possibilita a criação de


sinergias entre empresas aumentando desta forma a sua capacidade e
atitude crítica e consequentemente as dificuldades de enfrentar os
concorrentes de maior dimensão do mercado (externo) de destino.

Para além disso, devem ser destacadas vantagens competitivas, que


devem ser convenientemente exploradas, como sendo o acesso a
competências complementares, o marketing coletivo da nova rede,
que pode impulsionar um produto ou as empresas da rede,
fortalecendo a posição competitiva dos parceiros na sua globalidade, a
redução de custos é vista como uma grande atratividade pelos
parceiros da rede.

A criação de uma estrutura de rede em formato topdown


(caracterizam-se por modelos onde pequenas e médias empresas se
tornam fornecedoras de uma “empresa mãe”) é uma das formas de se
reduzir custos e tempo no desenvolvimento de produtos.

EXERCICIOS DE AUTO-AVALIACAO
1. Quais são os riscos para as empresas que optam por

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

instalar uma filial em outros pais?


2. Quais as áreas de actividade mais propícias à
internacionalização?
3. Que requisitos devem cumprir um projecto empresarial para
ter potencial de internacionalização?
4. Quais são os primeiros passos a dar quando se pensa
internacionalizar um negócio?
5. Que cuidados é preciso ter?
6. Quais as principais dificuldades e entraves dos
empreendedores no momento da expansão para o
estrangeiro?
7. . Que tipo de problemas podem ocorrer?
8. Que tipo de apoios há para as empresas que queiram
internacionalizar?
9. Onde pode um empreendedor financiar-se com este objectivo?
10. O que é que trava a internacionalização de negócios lusos?

TEMA – II: GLOBALIZACAO DA ECONOMIA E A INTEGRACAO DOS MERCADOS

Unidade 2: Globalizacao da economia e a integracao dos mercados

2.1 Historico de globalizacao ............................................. Erro! Marcador n


2.2. Definicoes de globalizacao .......................................... Erro! Marcador n
2.3. Espaco globalizadol...................................................... Erro! Marcador n
2.4. O estado e as empresas transnacionais ...................... Erro! Marcador n
2.5. Sociedade global ……………………………………………………………...Erro! Marcado
2.6. Integracao economica…………………………………………………..Erro! Marcador n
2.7. Relacoes entre conceitos de globalizacao e integracao…….….
Sumário ......................................................................................... Erro! Marcador n
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ................................................... Erro! Marcador n

Objectivos: Dominar os conceitos básicos inerentes a unidade em causa,


dominar a importância da globalizacao nos mercados economicos, e ser capaz
de distinguir globalizacao de integracao economica .

35
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

INTRODUCAO
A expressão "globalização" tem sido utilizada, mais recentemente,
num sentido especialmente político/ideológico com importantes
conseqüências econômicas e sociais.
Observa-se, na maioria das nações, um processo de integração
económica realizado sob a égide do neoliberalismo, caracterizado pelo
predomínio dos interesses financeiros, pela desregulamentação dos
mercados, pelas privatizações das empresas estatais, e pelo abandono
do Estado de bem-estar social.
Esta é uma das razões dos críticos acusarem a globalização, de ser
responsável pela intensificação da exclusão social (com o aumento do
número de pobres e de desempregados) e de provocar crises
econômicas sucessivas, arruinando milhares de pequenos
empreendimentos.

Objectiva-se:

tratar a globalização sob a perspectiva histórica e abordar o sentido


ideológico do termo, para que se possa melhor compreender o que é e
como ocorre.

Sob a perspectiva econômica, o texto trilha o caminho da atuação das


multinacionais neste processo de globalização e as novas formas de
ajustes das corporações, vinculando o Estado e as implicações do
fenômeno na postulação do mesmo.

Por ser um fenômeno amplo, que afeta diferentes setores e as


relações com que as quais permeiam a humanidade, evidencia-se
neste ensaio, um maior detalhamento do aspecto histórico e
econômico da globalização bem como sua relação com a integração e
formação dos blocos econômicos.

2.1. HISTÓRICO DA GLOBALIZAÇÃO

Alguns autores consideram como início da globalização a era das

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navegações, outros4 por sua vez, só conseguem percebê-la a partir de


meados do século XX. Das diversas potências que existiam em 1914 (o
império britânico, o francês, o alemão, o austro-húngaro, o italiano, o
russo e o turco otomano) só restaram depois da 2ª Guerra, duas
superpotências: os Estados Unidos e a União Soviética.

Com o desabamento das antigas metrópoles, os povos coloniais


obtiveram a sua libertação e formaram novas nações. Mesmo assim,
ainda que algumas independentes e outras neocolonizadas,
continuaram ligadas ao sistema internacional.

No decorrer do século XX três grandes projetos de liderança da


globalização conflitaram-se entre si: o comunista, inaugurado com a
revolução bolchevique5 de 1917 e reforçado pela revolução maoísta6
na China em 1949; o da contra-revolução nazifascista que, em grande
parte, foi uma poderosa reação direitista ao projeto comunista,
surgido nos anos de 1919, na Itália e na Alemanha, estendendo-se ao
Japão, que foi esmagado no final da 2ª Guerra Mundial, em 1945; e,
finalmente, o projeto liberalcapitalista liderado pela Grã-Bretanha e
pelos Estados Unidos. Com o término da Guerra Fria e o fim da
bipolaridade, estabeleceu-se um consenso em esfera planetária que a
literatura definiu ora com os termos de globalização, ora de nova
interdependência, ora de neoliberalismo. O mundo parecia
uniformizar-se nos aspectos tanto ideológico, quanto político,
econômico e estratégico.

O consenso neoliberal global postulava a implementação dos


seguintes parâmetros de conduta por parte dos governos de todo o
mundo: democracia, direitos humanos, liberalismo econômico,
cláusula social, proteção ambiental e responsabilidade estratégica
solidária tendo em vista a promoção de tais valores. Como esse
consenso representava o triunfo do centro capitalista sobre as
experiências socialistas e terceiromundistas, era esperado que o
capitalismo iria prevalecer .

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A China comunista, por sua vez, que desde os anos 70 adoptara as


reformas visando sua modernização, abriu-se em várias zonas
especiais para a implantação de indústrias multinacionais. A política de
conciliar o investimento capitalista com o monopólio do poder do
partido comunista, esvaziou o regime do seu conteúdo ideológico
anterior.

Pode-se dizer que desde então, só restou hegemonia no moderno


sistema mundial, a economia-mundo capitalista, não havendo então
nenhuma outra barreira a antepor-se à globalização . Enquanto que no
passado os instrumentos da integração foram a caravela, o galeão, o
barco à vela, o barco a vapor e o trem, seguidos do telégrafo e do
telefone, a globalização recente se faz pelos satélites e pelos
computadores ligados na Internet.

Se antes ela martirizou africanos e indígenas e explorou a classe


operária fabril, hoje se utiliza do satélite, do robô e da informática,
abandonando a antiga dependência do braço em favor do cérebro,
elevando o padrão de vida para patamares de saúde, educação e
cultura até então desconhecidos pela humanidade.

Pode-se dizer que o domínio da tecnologia por um seleto grupo de


países os separou dos demais. Hoje os países ricos, núcleos da
globalização, distam, em qualquer campo do conhecimento, anos-luz
dos países pobres do Terceiro Mundo. Para se entender as relações
presentes no atual espaço globalizado, o próximo tópico deste ensaio
discute os principais conceitos de globalização.

2.2. DEFINIÇÕES DE GLOBALIZAÇÃO

A expressão globalização é de origem anglo-saxônica, tendo como


sinônimo o termo mundialização, que por sua vez é de origem
francesa. É utilizada como discurso ideológico e também como
instrumento descritivo de uma suposta realidade a ser apreendida.

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A globalização pode ser considerada como um processo histórico do


capitalismo, sobretudo financeiro, cuja fase mais aguda afirmou-se no
final do século XX. Entretanto se a globalização é uma realidade, não
se deve ignorar sua utilização ideológica, a qual é muitas vezes,
instrumento justificador dos Estados.

A partir da idéia que, a globalização está relacionada à existência de


uma demanda a qual não se restringe apenas ao espaço territorial dos
Estados, pode-se propor quatro definições para a expressão:

 A primeira foi proposta por Theodore Levitt em 1983 para


designar a convergência de todos os mercados. Para ele
globalização e tecnologia seriam os dois principais fatores que
moldariam as relações internacionais. A sociedade global
funcionaria com baixos custos em razão da unicidade do
mercado, ela venderia a mesma coisa, da mesma forma e em
todos os lugares. A definição de Levitt aplicava-se à gestão das
empresas transnacionais e às trocas internacionais.

 A segunda foi proposta em 1990 por Kenichi Ohmae, o qual


relacionou a globalização com a existência de uma cadeia de
criação de pesquisa e desenvolvimento. As empresas
exportariam a partir de sua base nacional, depois
estabeleceriam um sistema de venda e posteriormente, de
produção no exterior. Finalmente, elas concederiam uma
autonomia completa da cadeia de valor à sua filial, levando a
uma integração global. A globalização identificaria uma forma
de gestão, totalmente integrada em escala mundial, da grande
firma transnacional. Para o autor, os diversos espaços
nacionais seriam obrigados a sucumbir frente às exigências da
produção mundial.

 A terceira definição decorreu da anterior, ou seja, as empresas


transnacionais passaram a definir, segundo seus interesses, as
regras do jogo definidas

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anteriormente pelos Estados. Os defensores da globalização


enfatizavam seu caráter irreversível e indicavam a impotência
dos governos perante a estratégia das grandes empresas.

 A quarta definição indicou a transformação de uma economia


internacional, já que sua evolução dependia da interação dos
processos entre os Estados, para uma economia globalizada.
Nessa economia globalizada, as economias nacionais seriam
decompostas e depois rearticuladas em um sistema de
transações operando no plano internacional. Essa definição é
sistêmica e pretende enfatizar a ruptura ao conjunto de
regimes internacionais que se sucederam desde o surgimento
do capitalismo comercial. Ela indica que os governos perderam
qualquer capacidade para influenciar a evolução da economia
nacional e que os territórios submetidos ao modelo
apresentam grande interdependência, tendendo a ser
homogêneos. Enfim, a suposta atuação governamental, seria a
partir dessa definição, apenas representativa.

2.3. O ESPAÇO GLOBALIZADO

Não se pode pensar que a globalização tende a homogeneizar o


espaço mundial. Ao contrário, ela é seletiva, pois escolhe alguns
lugares, certas atividades, determinados setores e poucos grupos ou
segmentos sociais para serem mundializados e desfrutarem dos
benefícios.

Assim, enquanto muitos lugares e grupos de pessoas se globalizam,


outros, às vezes bem próximos, ficam excluídos do processo.

Para se pensar o espaço de hoje, com as profundas alterações


causadas pela globalização, é preciso ter presente alguns conceitos
essenciais: fábrica global, aldeia global, economia-mundo e
interdependência.

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A expressão fábrica global indica que a produção e o consumo se


mundializaram de tal forma que cada etapa do processo produtivo é
desenvolvida em um país diferente, de acordo com as vantagens e
possibilidades de lucros que oferece.

Na atual etapa do capitalismo, a grande empresa transnacional pode


conceber um produto nos Estados Unidos, desenvolver seu projeto na
França, fabricar os componentes na Coréia do Sul, realizar a
montagem no México e comercializa-lo em todos os continentes .

O conceito de aldeia global refere-se à existência de uma comunidade


mundial integrada pela grande possibilidade de comunicação e
informação que resultou dos avanços da mídia eletrônica, como o
rádio, a televisão e as redes de informática através da internet.

Com a difusão mundial das empresas transnacionais, se rompem as


fronteiras nacionais e se estabelece uma situação de interdependência
econômica, inaugurando assim o que é chamado de economia-mundo.
No espaço globalizado, os conceitos de aldeia global, fábrica global e
economiamundo envolvem interdependência.

Os países são dependentes uns dos outros, pois os governos nacionais


não conseguem resolver individualmente seus principais problemas
econômicos, sociais ou ambientais.

Pode-se dizer que, o “motor” da globalização é a competitividade, que


assume um papel importante na economia e na sociedade, lugar que
no início do séc. XX foi ocupado pelo progresso e, no pós-guerra, pelo
desenvolvimento .

Se a competitividade é o motor da etapa atual do capitalismo, a fluidez


é a condição essencial para que a concorrência possa se exercitar em
qualquer escala, especialmente a internacional. Por isso, aos agentes
da globalização (fundamentalmente as

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grandes corporações internacionais), interessa a remoção de qualquer


entrave à livre circulação do capital .

Daí a tendência, ou pelo menos o desejo de abolir a fronteira nacional,


a qual deixa de ser encarada como a faixa de descontinuidade,
sobretudo de poder, que margeia os limites do território do Estado,
para se tornar uma superfície amplamente permeável à passagem de
produtos e idéias.

2.4. O ESTADO E AS EMPRESAS TRANSNACIONAIS

Considerando o papel do Estado no cenário da globalização, observa-


se a necessidade de sua reformulação sob diversos aspectos. Toda a
ação do Estado, e dos demais agentes, deve estar orientada para
tornar possível o alcance e manutenção de níveis internacionais de
competitividade por parte dos diversos setores da economia.

Pode-se dizer que a globalização exerce pressão crescente sobre os


governos no sentido de incentivo à liberalização de suas políticas em
diferentes setores, mesmo aqueles não diretamente vinculados ao
setor externo.

os países desenvolvidos, as Empresas Transnacionais (ETNs), antes


chamadas de multinacionais , formam-se com o incentivo do Estado
no setor privado.

Quando ocorre a liberação da entrada das mesmas nos países menos


desenvolvidos elas passam com o tempo a ocupar todos os espaços
permitidos ao capital privado e, depois, muitas vezes os estatais.

Pode-se dizer que existem três maneiras principais de considerar o


relacionamento entre o Estado e as multinacionais:

 A teoria liberal, que vê as ETNs dirigindo o progresso e

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racionalizando o mercado mundial, e o estado passando a um


papel marginal;

 O modelo de ‘dependência’, que nega o efeito equilibrador das


ETNs e benefícios em escala mundial, decorrentes de seu
predomínio, e afirma estarem os ativos tecnológicos e
financeiros concentrando-se cada vez mais em poucos centros,
levando à dependência e ao subdesenvolvimento da periferia.

 O modelo mercantil, que destaca o Estado-Nação como


principal ator re-orientador da ordem mundial e contempla
conflitos e entendimentos entre Estados e ETNs, por meio de
blocos regionais.

A inserção de capital estrangeiro no Estado e a aliança entre Estado e


multinacionais, demonstram um processo em que as ETNs ganham
mais poder às custas do país receptor.

Além disso, a fonte de desigualdades que muitas multinacionais se


beneficiam, relaciona-se com as vantagens do país onde se instalam
pelo fato de pertencerem ao espaço nacional

As ETNs e os seus sistemas de poder dominam a vida social do País, de


modo especial os subdesenvolvidos a partir do crescente poder
econômico a elas concedido desde meados dos anos 50.

Esse processo culmina, nos anos 90, com o monopólio econômico e


político das ETNs através de reformas na Constituição de 1988 e de
algumas medidas antinacionais de iniciativa do Executivo.Destacam-
se:

a) supressão de distinção legal entre empresas de capital


nacional e de capital estrangeiro;

b) abertura da cabotagem a armadores estrangeiros;

c) supressão do monopólio da União sobre o petróleo;

Para se fazer uma análise das relações existentes entre a

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globalização e a união entre os estados, é necessário entender


como e por que a sociedade se tornou global ou mesmo
transnacional.

2.6. SOCIEDADE GLOBAL E TRANSNACIONAL

A expansão contínua, periódica e cíclica das relações, processos e


estruturas capitalistas é fato reconhecido por todos. Também é
consenso que o capitalismo é um modo de produção material e
espiritual o qual pode ser visto como forma de organizar a vida e o
trabalho. Da mesma forma é entendido como um processo
civilizatório, que se expande continuamente pelo mundo.

A partir dessas afirmações, pode-se entender que a globalização


apresenta características muito particulares, como citam alguns
autores:

• A energia nuclear tornou-se a mais poderosa técnica de guerra;

• A informática, dominada pelos países desenvolvidos, possui uma


imensa capacidade de difundir e manipular informações;

• Organiza-se um sistema financeiro internacional;

• As relações econômicas mundiais são manipuladas pelos


grandes conglomerados;

• O capital é volátil, movendo-se por todo o mundo;

• O inglês se transforma na língua universal;

• O neoliberalismo adquire predomínio mundial.

O processo de mundialização já vinha ocorrendo em décadas


anteriores, porém nestes últimos anos acentuou-se de forma
muito rápida.

A globalização não é um fato acabado, mas um processo em


marcha. Enfrenta obstáculos, sofre interrupções, mas generaliza-se

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

e aprofunda-se como tendência. Há nações e continentes como


África e América Latina, nos quais pode avançar ainda muito

Observa-se que em poucos anos terminou um ciclo da história e


começou outro. Muitas coisas estão mudando no mundo, sejam elas
sob aspecto social, econômico, político ou cultural.

Ocorreu uma alteração nas relações de forças nas sociedades


nacionais e mundial. Terminou um ciclo importante de lutas de
classes, mas não terminaram as desigualdades, tensões e contradições
que estão na base da vida das nações e continentes.

A globalização das sociedades vem ocorrendo em décadas e séculos


anteriores, deixando de existir as sociedades nacionais e surgindo em
seu lugar a sociedade global. Pode-se distinguir três épocas ou ciclos
de grande envergadura na história do capitalismo as quais distinguem-
se por suas peculiaridades, porém convivem e em muitos casos
coexistem e confundem-se :

 O modo capitalista de produção organiza-se em moldes


nacionais. Formas de vida e trabalho locais, regionais, feudais,
comunitários, entre outros. Institui-se a produção de
mercadorias, de valores de troca, a dissociação entre o
trabalhador e a propriedade dos meios de produção.

 O capitalismo organizado expande-se além fronteiras em busca


de comércio, matérias-primas, expansão do mercado, novas
fontes de lucros, e em geral centralizados em nações
dominantes.

 O capitalismo atinge uma escala propriamente global.

Os processos de concentração e centralização do capital adquirem


maior força, envergadura e alcance. Invadem cidades, nações e
continentes, formas de trabalho e vida, modos de ser e pensar,

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produções culturais e formas de imaginar. É a sociedade global.

O dinamismo das forças que operam no mercado mundial, interferem


nas características da sociedade nacional, tanto de países pobres e
dependentes, como de desenvolvidos.

O Estado-nação perde algumas das suas prerrogativas econômicas,


políticas, culturais e sociais e em diferentes níveis e arranjos, as
organizações multinacionais ou multilaterais desenvolvem seus
próprios desenhos do que podem ou devem ser as nações e os
continentes. São elaborados, e impostos, parâmetros e mecanismos
rigorosos baseados na livre iniciativa e na liberdade econômica para os
países que necessitam beneficiar-se de assistência externa tenham
acesso a ela.

O alcance mundial do capitalismo tem sido tão forte que todos os


projetos nacionais de desenvolvimento, com pretensão de soberania,
têm sido frustrados. Como exemplo, são os projetos do cardenismo no
México, do peronismo na Argentina e do varguismo no Brasil Os
sistemas internacionais são o aspecto interestatal da sociedade à qual
pertencem as populações submetidas a soberanias distintas.

Contudo, os argumentos tradicionais contra a centralização global, ou


a possibilidade de existir um Estado mundial permanecem fortes. O
principal deles é que uma autoridade global dificilmente conseguiria
cumprir com mais eficiência as funções hoje desempenhadas pelo
Estado moderno.

Conforme a literatura salienta, se deveria pensar mais em termos de


governança global ao invés de raciocinar em termos de centralização e
governos globais.

A governança diz respeito à criação e o funcionamento de instituições


sociais capazes de solucionar conflitos, facilitando a cooperação, ou,
mais genericamente aliviando problemas de ação coletiva em um

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mundo constituído por atores interdependentes.

2.6. INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E GLOBALIZAÇÃO

A integração econômica é um processo de eliminação de fronteiras e


barreiras de natureza econômica entre dois ou mais países
(mercados), de forma que o objetivo principal dos processos de
integração é a criação de mercados maiores, adotando como
paradigma, a sugestão clássica segundo a qual os mercados maiores
são mais eficientes do que os mercados menores.

Em primeiro lugar cabe perguntar-se o que há de novo no que se


entende por globalização da economia mundial. Desde o início do
século temos uma mobilidade e uma integração crescentes dos
capitais a nível mundial, com grandes empresas investindo e
construindo instalações produtivas em várias partes do mundo,
inicialmente concentradas nos setores dos serviços públicos, utilizando
muitas vezes o mercado internacional de capitais. Daí disseminou-se o
conceito de imperialismo e o conjunto de teorias e concepções críticas
quanto às perspectivas de concentração/cartelização do capital e
monopolização dos mercados.

Na verdade, a chamada fase imperialista sucedeu e aperfeiçou a etapa


anterior fundamentada exclusivamente na mobilidade de produtos, de
um lado os produtos primários dos países coloniais para os centrais e,
de outro, de produtos industrializados dos últimos para os primeiros.

Esta mobilidade não deixou de constituir a base material das trocas


internacionais na etapa imperialista, ela apenas foi subordinada ao
movimento de capitais altamente concentrados, no geral estruturados
na forma de sociedades anônimas, que foram investidos em setores
altamente rentáveis e com

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rendimentos mais ou menos assegurados por políticas públicas na


periferia do capitalismo mundial: em primeira linha nos serviços
públicos, mas também em grandes plantations voltadas para a
exportação.

Desde tempos coloniais o movimento de mercadorias, comandado


pelas metrópoles, sempre foi acompanhado por e determinou
movimentos migratórios, canalizando excedentes populacionais
existentes em regiões pauperizadas ou não dos países centrais ou
periféricos. Durante a fase imperialista essas migrações continuaram
sendo a contrapartida de movimentos de capitais controlados pelos
centros do capitalismo mundial.

A etapa atual vem sendo caracterizada pela globalização crescente,


embora este termo seja utilizado e entendido de modos muito
variados e até contraditórios. O seu uso corrente subentende
atividades de empresas em geral de maior envergadura, que são
coordenadas e planejadas globalmente, quer dizer, levando em conta
os investimentos realizados em diferentes países.

Alguns agrupamentos de países invocam a estreiteza de seu mercado


consumidor nacional como argumento à integração, como é o caso do
Mercado Comum Centro-Americano (MCCA), do Pacto Andino (PA) e
do acordo que reuniu a Bélgica, a Holanda e Luxemburgo (Benelux).

Outros, ao contrário, objetivam integrar-se economicamente em


função de guerras e de desavenças entre os países no passado, no
sentido de superá-las. Esse é o caso da Comunidade Européia do
Carvão e do Aço (Ceca).

Finalmente, há quem enxergue a integração como uma plataforma


para uma inserção de maior qualidade

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das relações entre os países, pois ela oferece instrumentos de ação


multilateral. A existência do Mercosul pode ser assim explicada.

Através da visão de alguns autores, observam-se profundas


assimetrias relativas ao processo de globalização, sem a devida
capacidade de absorção pelas economias dependentes e frágeis, como
a do Brasil. Porém, pode-se dizer que a abertura comercial nos anos 90
possibilitou ao país um maior grau de competitividade, exigindo
principalmente das grandes indústrias sua reestruturação, pois seu
parque industrial se encontrava obsoleto decorrente da falta de
investimentos nos anos 80.

No entanto, o grande malefício advindo da globalização é a


incapacidade de regulamentar o capital especulativo, deixando as
economias nacionais sujeitas ao mesmo. É relevante destacar, que
esses capitais erráticos aumentam a exclusão social e o desnível entre
as economias do eixo norte e sul.

A globalização é um fenômeno extremamente abrangente, o qual


ultrapassa as fronteiras, afetando os mais diversos setores da
sociedade, como cultural, social, financeiro, econômico e educacional.
Este fenômeno é facilitado pela rapidez das comunicações e
transportes e alimentado pela informática, como conseqüência a
globalização rompe todos os limites imaginados.

Assim pode-se dizer que os arquitetos globais, em grande parte, são as


transnacionais que desafiam e preconizam um novo estágio de
soberania estatal. As empresas transnacionais embora desenvolvam
produtos onde antes eram inexistentes, também podem utilizar-se de
estratégias competitivas altamente acirradas, eliminando as pequenas
indústrias locais, exercendo monopólio da produção. O grande poder
que as transnacionais assumiram tanto econômico como político,
repercute nas discussões sobre soberania dos Estados.

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Todavia, os Estados conduzidos pela política neoliberal, estão


direcionando-se há políticas públicas mínimas, perdendo poder de
atuação no cenário econômico, restringindo-se apenas à condução de
políticas econômicas monetaristas. As privatizações de empresas
estatais no Brasil se elevaram muito na década de 90. Isso ocorreu
devido principalmente às pressões do FMI e às diretrizes do
neoliberalismo. Mas, a má condução destas privatizações, não
resultou em grandes benefícios para o país, parte do pagamento foi
direcionado para cobrir déficits fiscais. Porém se faz necessário um
controle maior, devido à corrupção que envergonha a política e a
condução deste país.

Deve-se prestar atenção para a desnacionalização da economia


brasileira e a vulnerabilidade externa agravada pela entrada de
empresas estrangeiras no país e o avanço do processo de fusões e
aquisições, em que se observa o predomínio do capital estrangeiro.

Essas transformações alimentadas pela globalização resultam em um


choque nas relações trabalhistas. A implementação da produção
enxuta ocasiona a diminuição do emprego formal, devido à
incorporação da microeletrônica e da robótica. O perfil que se exige
do trabalhador é um indivíduo participativo com habilidades cognitivas
e com capacidade de aprender com a flexibilidade da produção.

O novo capital que a economia preconiza é o conhecimento. Porém, o


Brasil ainda enfrenta taxas elevadas de analfabetismo, e agora
também o analfabetismo digital. O sistema educacional ainda não
atende as necessidades dos cidadãos, tanto na formação humana
quanto na formação para a economia globalizada.

Muitos indivíduos partem para a economia informal, que mais cresce

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no país. Porém, a precarização do emprego, a perda dos direitos


conquistados pelos trabalhadores e o enfraquecimento dos sindicatos,
permeiam esta construção de economia globalizada.

2.7. RELAÇÃO ENTRE OS CONCEITOS DE GLOBALIZAÇÃO E DE


INTEGRAÇÃO (REGIONALIZAÇÃO)

Acredita-se que a integração econômica, através da formação de


blocos regionais, aparece como uma estratégia dos países para
proteger-se dos aspectos negativos da globalização.

A ampliação de um espaço econômico integrado parece ser uma


alternativa, não para frear o processo de globalização, mas para que
os países busquem ordenamentos comuns, respeitando a sua própria
pluralidade cultural, econômica e social, elevando assim as chances de
diminuir a exclusão e projetar os setores já bem desenvolvidos.

A formação de blocos vai ocorrer neste contexto, alimentada por


sistemas de forças originalmente antagônicos: eliminar fronteiras, de
um lado; preserva-las, de outro.

Depois da formação do Mercado Comum Europeu, ou União Européia,


em 1993, outros blocos se constituíram, cada qual reunindo um
conjunto de países geralmente vizinhos ou territorialmente próximos
entre si. Afora a União Européia, os mais importantes são o Acordo de
Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), o Mercado Comum do
Sul (Mercosul), a Zona de Livre Comércio do Sudeste Asiático (ASEAN)
e o Fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC).

Alguns acreditam que o bloco é produto, sobretudo do vetor


preservacionista da fronteira e, no fundo, do Estado Nacional.

Buscando uma integração maior ou menor entre seus membros,

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notadamente econômica, o bloco seria a maneira dos países se


fortalecerem em conjunto, evitando enfrentar isoladamente a
concorrência internacional.

Uma vez que, o livre-cambismo aparece apenas no discurso, pois na


prática o protecionismo não desapareceu.

Outros, contudo, vêem a formação de blocos como uma escalada no


sentido da abolição de fronteiras, pelo menos econômicas,
constituindo uma regionalização do espaço que tende a se tornar
integralmente global.

Sumario

Por ser um fenômeno amplo, o qual afeta os diferentes setores da


sociedade e as relações com as quais permeiam a humanidade,
evidencia-se neste ensaio, um detalhamento do aspecto histórico e
econômico da globalização, bem como sua relação com a integração e
a formação dos blocos econômicos.

EXERCICIO DE AUTO-AVALIACAO

Assinale a alternativa correcta.


1. A globalização se consolidou com a abertura comercial e a livre
circulação de capitais e serviços mundiais. As disputas no
âmbito do mercado global favoreceram a formação de blocos
econômicos. Sobre blocos econômicos,
a) O poder econômico mundial se encontra dividido em vários
polos. Os principais são Estados Unidos, Japão e Venezuela.
b) O Mercosul (Mercado Comum do Sul) foi oficialmente
estabelecido em março de 1991. É formado pelos países: Brasil,
Paraguai, Uruguai e Argentina. Futuramente, estuda-se a

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entrada de novos membros, como Chile, Bolívia e Nova Guiné.


c) O objetivo principal do Mercosul é eliminar as barreiras
comerciais entre os países, aumentando o comércio. Outro
objetivo é estabelecer tarifa zero e, num futuro próximo, uma
moeda única.
d) A APEC possui políticas trabalhistas, de defesa, de combate ao
crime e de migração em comum. A moeda comum é o euro. e)
Nasceu em 2002 o NAFTA - North American Free Trade
Agreement reunindo EUA, Canadá e México para consolidar
um comércio regional que era altamente instável.

2. A partir da Revolução Industrial, cada vez mais o processo de


acumulação de capital se internacionaliza. Esse processo,
atualmente, tem - se caracterizado por:
a) Alianças econômicas comerciais bem-sucedidas entre países
ricos e pobres.
b) Programa internacional para o desenvolvimento e a
industrialização dos países pobres.
c) Intervenção da Organização Mundial do Comércio (OMC) no
sentido de democratizar as relações comerciais entre os países.
d) Velocidade do desenvolvimento, no cenário internacional,
dos países emergentes, na produção e no consumo.
e) Aprofundamento da divisão do trabalho entre países e
crescimento da industrialização associada ao endividamento
dos países pobres.

3. Os blocos econômicos regionais, realidade presente em todo o


globo, fortalecem não só a economia como também o
relacionamento político e social das regiões no cenário global.
Sobre blocos econômicos, assinale a opção que contempla

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somente países americanos.


a) Nafta, Mercosul e Apec.
b) Mercosul, Pacto Andino e Nafta.
c) Apec, Eu e Mercosul.
d) Pacto Andino, Mercosul e G7.
e) G7, Eu e Nafta.

4. A Primeira Revolução Industrial provocou uma grande


transformação no espaço geográfico. A esse respeito, leia as
afirmações a seguir.
I. Ocorreu um intenso processo de urbanização, e as cidades
passaram a comandar as atividades econômicas e a
organização do espaço geográfico.
II. Com a ampliação da divisão internacional do trabalho,
alguns países europeus especializaram-se na produção
industrial, controlando o mercado mundial de produtos
industrializados.
III. Ocorreram grandes mudanças no modo de produção, sem
implicações na organização política e territorial da Europa.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas I é verdadeira.
b) Apenas III é verdadeira.
c) Apenas I e II são verdadeiras.
d) Apenas II e III são verdadeiras.
e) Todas são verdadeiras.

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Tema III: A RELEVANCIA DA CONTABILIDADE INTERNACIONAL NO


ACTUAL ESTAGIO DE DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA
MOCAMBICANA

Unidade 3: Relevancia da Contabilidade internacional

3.1. Conversao de demostracoes contabilisticas a semelhanca


do contexto actual mocambicano….…………………………………..
3.2. Contabilidade em moeda forte e a diferenca entre
demostracoes contabilisticas e contabilidade em moeda
estrangeira………………………………………………………………....
3.3.Conversao e paridade entre moedas………………………
Sumário ............................................................................................Erro! Marcador n
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO……………………………………………

Objectivos da Unidade: dominar as mudanças relevantes e os pressupostos


básicos da contabilidade internacional

Introducao
As Normas internacionais de contabilidade, actualmente conhecidas
como Normas IFRS (International finacial reporting standards), são um
conjunto de procedimentos de contabilidade internacional, publicado
e revisado pelo IASB (International accounting standard Board) e
foram adotadas pelos paises da Uniao Europeia, a partir de 31 de
dezembro de 2005, com o objectivo de harmonizar as demostracoes
financeiras consolidadas publicadas pelas empresas abertas Europeias.
A iniciativa foi internacionalmente acolhida pela comunidade
financeira. Actualmente numerosos paises tem projectos oficiais de
convergencia de normas contabis locais para normas IFRS.

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Objectivos
O principal objectivo das demostracoes financeira em IFRS, é dar
informacoes sobre a posicao financeira, os resultados, e as mudancas
na posicao financeira de uma entidade, que sejam uteis a um grande
numero de usuarios (investidores, empregados, clientes,
fornecedores, instituicoes financeiras ou governamentais, agencias de
notacoes, e publico) em sua tomada de decisao.

3.1. Conversão de demonstrações contábeis a semelhança do


contexto actual Moçambicano
Os profissionais contadores, administradores, das entidades de classes e
órgãos reguladores nacionais e internacionais, têm procurado encontrar
soluções e paliativos para eliminar os efeitos que a inflação acarreta para as
demonstrações financeiras.

Do ponto de vista das nações que têm investimentos em países com


problemas de inflação, seja para consolidação das demonstrações ou para
simplesmente avaliar desempenhos, também se tem procurado uma solução
neste sentido.

Há um interesse e necessidade de se tratar contabilmente as demonstrações


financeiras preparadas no exterior.

O problema com que se depara, é o da necessidade de converter essas


demonstrações para outra moeda e segundo critérios contábeis que
guardem uniformidade com aqueles praticados pelo país de origem dos
investimentos Pode-se destacar entre os principais objetivos para conversão
das demonstrações contábeis:

 Obter demonstrações contábeis em moeda forte, não sujeita aos


efeitos da inflação

Durante décadas, conviveu-se com um sistema econômico altamente


inflacionário que, mesmo com o reconhecimento da correção
monetária, acarretava relevantes distorções nas demonstrações
contábeis em moeda nacional, prejudicando qualquer tentativa de

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análise comparativa.

Assim sendo, diversas empresas nacionais mantinham, para fins


gerenciais, sistema de contabilidade em moeda estrangeira
considerada moeda forte. Com o sucesso do Plano real, convive-se
com inflação extraordinariamente baixa para nossos padrões (abaixo
de 10% ªª).

Entretanto, com o término da correção monetária, ao longo do


tempo, essa inflação acabará acumulando-se, provocando relevantes
distorções nas demonstrações contábeis. Por esse motivo, empresas
que mantinham sistema de contabilidade em moeda estrangeira
optaram pela manutenção do sistema e outras que não possuíam
estão empenhadas em implanta-lo.

 Permitir ao investidor estrangeiro melhor acompanhamento de seu


investimento, já que as demonstrações convertidas estarão
expressas na moeda corrente de seu próprio país.

Mais do que nunca verifica-se a entrada de capitais estrangeiros no


país e empresas nacionais preparando-se para parcerias com
investidores estrangeiros , ou tentando a captação de recursos no
exterior através da obtenção de empréstimos ou da colocação de
títulos mobiliários nas bolsas de valores do exterior.

Assim sendo, para que os investidores possam avaliar o desempenho


da empresa e a evolução de seu investimento, é necessário
apresentar demonstrações contábeis elaboradas na moeda de
origem, e de acordo com os critérios contábeis a que esses
investidores estão acostumados.

 Possibilitar a aplicação do método da equivalência patrimonial


sobre investimentos efetuados em diversos países.

As empresas americanas, européias e outras nacionalidades que

57
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

possuem investimentos em outras empresas devem avalia-los de


acordo com o método da equivalência patrimonial. Para tanto, é
necessário apurar o valor do patrimônio líquido contábil dessas
empresas em moeda estrangeira, e de acordo com os critérios
contábeis americanos.

 Possibilitar a consolidação e combinação de demonstrações contábeis


de empresas situadas em diversos países.

3.2. Contabilidade em moeda forte e a diferença entre conversão de


demonstrações contábeis e contabilidade em moeda estrangeira.

A essência da contabilidade em moeda forte é que todos os valores


das demonstrações financeiras devem ser divulgados em moeda de
poder de compra da data de encerramento do último exercício social.

As demonstrações são preparadas a usuários externos por muitas


empresas no mundo inteiro. Embora tais demonstrações contábeis
possam parecer semelhantes de um país para outro, existem
diferenças que foram provavelmente resultante de uma variedade de
circunstâncias sociais, econômicas e legais e de, diferentes países
adotarem normas contábeis que atendam as suas necessidades,
segundo o entendimento de cada um.

Muitas vezes confunde-se os termos convesão de demostrações


financeiras e contabilidade em meoda estrangeira. Apesar dos nomes
parecidos, os termos identificam situações diferentes.

Na contabilidade em moeda estrangeira todas as operações, na


medida em que são feitas, são convertidas e lançadas no sistema
contábil próprio, e ao final do período, as demonstrações contábeis
apresentadas já estão em moeda estrangeira.

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

Na conversão de demonstrações contábeis para moeda estrangeira, a


contabilidade é em moeda local. Somente após apuradas as
demonstrações contábeis é que elas são convertidas.

 Contabilidade em moeda estrangeira pressupõe a existência de um


sistema contábil em moeda estrangeira, onde as operações, á
medida em que são feitas, já estão em moeda estrangeira.

 Conversão de demostrações financeiras pressupõe a existência de


uma contabilidade em moeda nacional, no Brasil o Real, que
servirá de base para a conversão dos demonstrativos financeiros
para outra moeda.

3.3. Definição de conversão e paridade entre moedas


Importa saber que:

 “Conversão é o processo através do qual quantias


determinadas em uma moeda são expressas em termos de
outra moeda”

 “Paridade é o preço de uma unidade de moeda estrangeira


medido em unidades ou frações de outra moeda estrangeira”

A determinação da taxa de câmbio a ser utilizada no processo de


conversão e o tratamento a ser dispensado aos ganhos ou perdas
surgidos do processo destacam-se como problemas principais no
tocante à conversão de demonstrações financeiras.

59
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

TEMA IV: HARMONIZACAO CONTABILISTICA INTERNACIONAL –


PRESPECTIVAS DO FUTURO

Unidade 4: Harmonização contabilística internacional –


perspectivas de futuro

4.1. A diversidade de procedimentos contabilisticos no mundo


4.2. Principios contabilisticos geralmente aceites…………..…………Erro! Marcad
4.3 Normas internacionais de contabilidade………………………………..Erro! Marca
4.4. Prespectivas futuras de harmonizacao contabilistica……
Sumário ......................................................................................... Erro! Marcador n
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO…………………………………………………………..

Objectivos da Unidade: dominar e saber a origem e evolução, e as influências sociais,


políticas e culturais que ela vem sofrendo ao longo dos séculos.

INTRODUCAO

A origem da Contabilidade remonta à própria origem do homem. Por um


longo período de tempo a sua história se confunde com a história da conta,
que nasceu da necessidade de controle da riqueza.

Inicialmente a conta residia no cérebro humano, pois os fatos eram simples


e de fácil memorização. Com o tempo a complexidade desses fatos foi
aumentando, tornando-se necessária a escrituração dos mesmos.

Ao longo do tempo a Contabilidade vem evoluindo de acordo com o avanço


econômico e social da humanidade. Como qualquer área de conhecimento
social, a Contabilidade sofre influências de ordem econômica, política e
cultural, de modo que, cada sociedade vem estabelecendo seus padrões e
normas contábeis conforme suas necessidades locais.

A diversidade de procedimentos contábeis, no


entanto, vem se tornando uma barreira para o
progresso da economia internacional.
A globalização de mercados está estabelecida e as
grandes empresas multinacionais operam em vários
países do mundo, assim como o acesso ao mercado
financeiro internacional já é possível para muitas
empresas graças ao avanço da tecnologia de
comunicações. Diante dessa realidade,
60
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

quaisquer barreiras que sejam obstáculos para a livre


concorrência no mercado internacional surgem
como desafios a serem superados.
Dessa forma, entidades internacionais ligadas à
Contabilidade vêm buscando o estabelecimento de
normas contábeis uniformes e promovendo a sua
aceitação em nível internacional. Com esse objetivo
surgiu o IASC (International Accounting Standards
Committee), formado por especialistas de todo o
mundo, que está sediado em Londres. Desde junho
de 1973 o IASC vem formulando e divulgando
normas contábeis evoluídas e uniformes para a
elaboração das demonstrações financeiras e atuando
junto à comunidade internacional para torná-las
aceitáveis.
No entanto, o esforço despendido pelo IASC não tem
tido resultados imediatos. A harmonização de
procedimentos contábeis não tem evoluído na
proporção exigida pelo volume da globalização dos
negócios. Diferenças culturais, políticas e de ordem
fiscal, assim como as próprias diferenças de moeda e
linguagem têm dificultado essa harmonização.

Importa notar que,”o desenvolvimento social, político e econômico do


mundo foi pequeno nesse período, sofrendo a Contabilidade, como
um ramo do conhecimento estritamente social, o reflexo desse estado
estacionário mundial. Mas isso não justifica a caracterização desse
período como de estagnação no desenvolvimento contábil. O mais
adequado seria denominá-lo de período de consolidação.”

4.1. A Diversidade de Procedimentos Contábilisticos no Mundo

Assim como o Brasil, outros países também foram influenciados pelas


escolas européia e anglo-saxônica. Cada um, no entanto, procurou
criar modelos próprios de procedimentos contábeis, que atendessem
às suas necessidades locais. Dessa forma, podese afirmar que existe
uma grande diversidade de procedimentos contábeis no âmbito
internacional. Como exemplo dessa diversidade, pode ser citado o
caso da empresa alemã Daimler-benz,

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

que para negociar suas ações na Bolsa de Nova Iorque, em 1993,


precisou refazer seus demonstrativos contábeis sob as normas
americanas (US-GAAP7).

O resultado dessa conversão de informações é que a empresa, que


havia apresentado um lucro de 370 milhões de dólares americanos
conforme as normas alemãs, apresentou um prejuízo de um bilhão de
dólares de acordo com as normas americanas.

A partir desse exemplo é possível perceber que a Contabilidade é


praticada de forma diferente de um país para o outro. Tais diferenças
se devem a fatores de ordem social, econômica, cultural, política e
fiscal. As práticas contábeis da Alemanha, por exemplo, cujos
banqueiros são os principais usuários da informação contábil, são
diferentes das práticas americanas, onde a informação contábil é
preparada principalmente para atender às necessidades de
informação dos investidores.

No artigo “Os Grandes Modelos Contabilísticos”, Mota9 observa que


existem diferenças em aspectos relevantes na Contabilidade, da forma
como é praticada de país para país, e que essas diferenças são de tal
modo marcadas que permitem a sistematização de distintas
categorias, que classifica nos seguintes modelos contábeis:

Harmonização & Uniformização (Normalização)

A harmonização é um processo gradual de compatibilização de


práticas contabilísticas e de definição do seu grau de variação

E a normalização um processo que pressupõem a total uniformização


das regras,

A normalização implica a imposição de um conjunto de regras mais


rígido, ou seja, menos flexível do que encontramos no processo de
harmonização.

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

a) Modelo Britânico – usado no Reino Unido, Índia, Hong Kong,


Singapura e África do Sul, baseia-se na doutrina medieval das
obrigações para com o proprietário, influenciado pela
Revolução Industrial e o Império Colonial, tendo como objetivo
a proteção ao credor e ao investidor. Características:

 Normas emitidas por associações profissionais,


rejeitando interferências governamentais;

 Consolidação necessária das demonstrações financeiras


e divulgação das principais políticas contábeis;

 Grande relevo dado à noção de fluxo de caixa;

 Prestígio do Auditor (Chartered Accountant).

b) Modelo dos E.U.A. – além dos E.U.A., é também observado no


México, Venezuela, Japão, Filipinas e Formosa. Inicialmente
influenciado pelo modelo

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

britânico, consolidou-se com a quebra da Bolsa de Valores de


Nova Iorque em 1929, quando surgiu a necessidade de
proteção ao investidor e restauração da credibilidade do
mercado de ações. Características:

 ƒ Princípios contábeis geralmente aceitos (US GAAP)


como referencial;

 ƒ Elaboração de normas de auditoria geralmente aceitas


e liderança na auditoria obrigatória;

 ƒ Máxima divulgação de informações contábeis e


financeiras, sendo a consolidação um dos aspectos;

 ƒ Intensificação das regulamentações governamentais a


partir de 1929, apesar da resistência das entidades
profissionais da Contabilidade.

c) Modelo da Europa Latina – usado na França, Espanha, Itália,


Bélgica, Portugal, Brasil e Equador, teve como influência inicial
o Mercantilismo Francês, o Código Napoleônico e o Direito
Codificado, sendo ainda fortemente influenciado pela
legislação fiscal. Características:

 ƒ Plano contábil imposto ou fortemente influenciado


pelo Estado;

 ƒ Associações profissionais não emitem recomendações


ou o fazem sem caráter vinculativo para a classe;

 ƒ Divulgações reduzidas e consolidações em regra não


obrigatórias e geralmente não realizadas.

d) Modelo da Europa do Norte – modelo da Alemanha, Holanda,


Suíça, Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia, voltado para a
proteção da empresa e apresenta diferenças entre as práticas
dos diversos países, tais como:

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

 ƒ Alemanha – subavaliação de lucros, divulgações


mínimas (exceto divulgações a Bancos), leis fiscais
permissivas e consolidação obrigatória, mas não para
empresas do grupo no exterior;

 ƒ Suécia e Noruega – leis fiscais permitindo a proteção


da empresa, como a aplicação de lucro e reservas
isentas de impostos, se investidos com aprovação e
controle do Estado;

 ƒ Holanda – adota o modelo na Europa mais próximo do


Britânico e do Americano.

e) Modelo da União Soviética – utilizado por países de economia


planificada, como Hungria, Polônia, Bulgária, China, e os que
formavam a União Soviética, objetiva informar sobre a medida
em que a empresa atingiu as metas dos planos traçados, utiliza
normalização contábil estrita e apresenta Demonstrações
Contábeis com muitas contas e notas detalhada.

4.2. Princípios Contábeis Geralmente Aceitos

O Decreto nº 36/ 2006 de 25 de Julho, preconizava a existência dos


seguintes princípios:
 Da Consistência;
 Da Prudência;
 Da Substância sobre a forma;
 Do custo Histórico;
 E da Materialidade
 Da Especialização de exercícios;
 Da Continuidade;

E com o Decreto nº 70/ 2009 de 22 de Dezembro, os Princípios


Fundamentais de Contabilísticos passaram a ser designados de
Pressupostos Subjacentes reconhecendo com base de elaboração das
demonstrações de resultados a base

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

de acréscimo, doravante conhecido por especialização de exercícios e


a continuidade de operações.

Tendo deixado de existir os Princípios de Consistência e Custo


Histórico enquanto os restantes foram incluidos nas caracteristicas
qualitativas das demonstrações do quadro conceptual do PGC – NIRF

O modelo contábil dos E.U.A. foi, a princípio, influenciado pelo


modelo britânico. No entanto, com o grande desenvolvimento do
mercado de capitais, aquele país passou a criar seu próprio modelo,
orientado para a proteção dos investidores.

A crise do mercado de ações em 1929 levou à criação da SEC


(Securities and Exchange Commission) em 1934, com a missão de
supervisionar o processo de divulgação de informações financeiras.

Para exercer essa função, a SEC necessitava de uniformidade de


procedimentos contábeis, o que não existia na época. Assim, a SEC
pressionou o AICPA (American Institute of Certified Public
Accountants) no sentido de fixar padrões de normas contábeis a
serem usados obrigatoriamente pelas empresas

. A partir desse momento é que começa a surgir a preocupação em


fixar normas contábeis, tendo os E.U.A. criado um arcabouço de
normas e padrões contábeis denominados “Princípios Contábeis
Geralmente Aceitos” (Generally Accepted Accounting Principles -
GAAP), também conhecidos como “US GAAP”.

Ao longo do tempo, os órgãos responsáveis pela fixação de normas


contábeis nos Estados Unidos têm sido:

 Securities and Exchange Commission – SEC

 American Institute of Certified Public Accountants – AICPA

 Financial Accounting Standards Board – FASB

 Governmental Accounting Standards Board – GASB

66
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

A SEC é um órgão governamental americano equivalente à Comissão


de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil. É responsável pela fiscalização
do mercado de títulos e valores mobiliários e tem autoridade para
estabelecer a forma, o conteúdo e os requisitos das demonstrações
contábeis de companhias de capital aberto.

Embora também possa estabelecer normas contábeis, a SEC


geralmente não exerce essa autoridade. Suas publicações limitam-se à
interpretação e ao esclarecimento de normas. O Instituto Americano
de Contadores Públicos Registrados (AICPA) é uma entidade formada
por profissionais de contabilidade, sucessora da Associação Americana
de Contadores Públicos (American Association of Public Accountants –
AAPA), criada em 1887.

O AICPA emitiu pronunciamentos sobre contabilidade entre 1938 e


1958, tendo sido uma das entidades que mais se destacaram nos
Estados Unidos no estabelecimento de normas contábeis. Entre 1959
e 1973 os pronunciamentos passaram a ser emitidos pelo Accounting
Principles Board – APB, órgão vinculado ao AICPA. A partir de 1973,
designou o FASB e o GASB como os órgãos oficiais para estabelecer
normas de acordo com o Código de Conduta Profissional do AICPA.
Atualmente emite, com a concordância do FASB, pronunciamentos
sobre princípios de contabilidade em ramos de negócios específicos,
através de seu Comitê Executivo de Normas Contábeis.

O FASB é o principal órgão de normalização contábil nos Estados


Unidos. Criado em 1972, com grande apoio financeiro do Governo
Federal, das entidades de classe da profissão contábil e de grandes
empresas. Sua função é estabelecer e aperfeiçoar normas de
contabilidade financeira, aplicáveis às companhias de capital aberto e
fechado, exceto entidades governamentais estaduais e municipais

67
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

O GASB estabelece normas de contabilidade financeira para as


entidades governamentais estaduais e municipais.

Os Estados Unidos vêm exercendo forte influência no sentido de que


os princípios contábeis geralmente aceitos naquele país (US GAAP)
sejam adotados por empresas estabelecidas em outros países para
“traduzir” suas demonstrações financeiras a fim de torná-las
inteligíveis em nível internacional. Assim, as subsidiárias e coligadas de
empresas americanas localizadas fora dos EUA devem converter suas
demonstrações financeiras a fim de consolidá-las às da matriz
americana, da mesma forma, as empresas estrangeiras que desejam
negociar suas ações em bolsas de valores daquele país estão também
obrigadas a fazer a referida conversão.

Independentemente da obrigatoriedade acima mencionada, os


princípios contábeis norte-americanos (US GAAP) são considerados
normas contábeis evoluídas e têm grande aceitabilidade internacional
como padrão para a conversão de demonstrações financeiras, visto
que, até mesmo alguns investidores estrangeiros não americanos
solicitam o uso dos US GAAP.

Não obstante a influência do mercado norte-americano, os US GAAP


não cumprem o papel de norma internacional, pois refletem a cultura
financeira de um único Pais.

4.3. Normas Internacionais de Contabilidade

Conforme já comentado, a preparação das demonstrações financeiras


envolve princípios e práticas contábeis que podem variar de país para
país, o que vem acarretando os seguintes problemas:

a) Credibilidade – se a empresa apresenta diferentes lucros para


suas operações em diferentes países, suas demonstrações
contábeis podem perder a credibilidade;

68
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

b) Custo – a empresa pode ter que preparar demonstrações


contábeis separadas para as suas operações em países
diferentes, o que, seguramente, aumentaria os seus custos;

c) Uniformidade – as empresas necessitam de um sistema


uniforme para avaliar a performance financeira de suas
operações em outros países e, quando os procedimentos
contábeis variam de um país para o outro, esta avaliação
interna pode ser inconsistente com as demonstrações
financeiras produzidas no outro país.

Com o objetivo de minimizar esses problemas existe um esforço


internacional no sentido de promover a harmonização de
procedimentos contábeis.

A necessidade de normas comuns de contabilidade, no contexto de


uma economia globalizada, fez surgir entidades que trabalham no
estabelecimento de padrões de normas e procedimentos contábeis.
São as seguintes essas entidades:

 ƒ International Accounting Standards Committee – IASC

 ƒ International Federation of Accountants – IFAC

O IASC, que está sediado em Londres, é um órgão que congrega as


entidades profissionais da área de Contabilidade de quase todo o
mundo e que possui membros integrantes do seu Conselho
Consultivo, dentre outros, os seguintes órgãos internacionais:

 ƒ International Organization of Securities Commissions – IOSCO


(organismo internacional que congrega, em nível mundial, as
comissões de valores mobiliários);

 ƒ International Finance Corporation – IFC;

 ƒ Organização das Nações Unidas – ONU;

69
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

 ƒ International Chamber of Commerce – ICC;

 ƒ Banco Mundial.

O IASC é composto por membros de vários países. O Brasil é membro


do IASC desde a sua fundação através do IBRACON, que é o órgão
responsável pela divulgação das normas internacionais editadas, bem
como pela adaptação, sempre que possível, das normas contábeis
brasileiras às normas internacionais.

Desde o encontro inaugural de seus membros, que ocorreu em junho


de 1973, o IASC vem trabalhando na formulação e divulgação de
normas contábeis evoluídas e uniformes para elaboração das
demonstrações financeiras, bem como atuando junto à comunidade
internacional para torná-las aceitáveis.

Os pronunciamentos emitidos pelo IASC, nos quais estabelece padrões


internacionais de procedimentos contábeis, são denominados IAS –
International Accounting Standard (Norma Internacional de
Contabilidade), os quais são numerados seqüencialmente (IAS 1, IAS 2
etc.).

Até o momento o IASC já emitiu 41 normas (IAS) tratando de assuntos


ligados à contabilização e à evidenciação dos diversos itens que
compõem o patrimônio de uma empresa.

A partir de 1997 o IASC passou a publicar também interpretações


sobre os IAS, as quais são desenvolvidas pelo Standing Interpretations
Committee – SIC (Comitê de Interpretação de Normas), que são
igualmente numeradas seqüencialmente (SIC-1, SIC-2 etc.).

A IFAC é uma federação que reúne a cúpula dos profissionais da


contabilidade em nível internacional. Dedica-se ao desenvolvimento e
uniformização da profissão contábil em todas as suas áreas de
atuação, bem como à harmonização de normas e procedimentos de

70
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

auditoria.

4.4. Perspectivas futura de harmonização Contábilistica

A crescente globalização da economia vem proporcionando a queda


das fronteiras comerciais, de modo que grandes empresas têm se
estabelecido em outros países através da aquisição de empresas locais
ou mesmo da abertura de subsidiárias ou coligadas nesses países.

Outra conseqüência da globalização é o fato de que, cada vez mais,


companhias locais têm tido acesso ao mercado financeiro
internacional, seja através da tomada de empréstimos externos ou do
lançamento de ações nas principais bolsas de valores do mundo.

Como resultado dessa nova realidade surge para a Contabilidade a


necessidade de superar as barreiras de linguagem, moeda e,
principalmente, das diferenças existentes entre as práticas contábeis
adotadas em cada país, de modo a possibilitar a compreensão e
interpretação dos demonstrativos contábeis por investidores e pela
matriz estrangeira.

O processo de harmonização contábil internacional, no sentido de


estabelecer alguns padrões que viabilizem a leitura das informações
contábeis em qualquer parte do mundo, independentemente do país
que as produziu, é um longo caminho a ser percorrido e para alcançar
este objetivo é necessário o engajamento dos países que representam
maior peso na economia mundial.

Neste sentido, o apoio dos Estados Unidos é fundamental para se


chegar à harmonização das práticas contábeis. No entanto, o conjunto
de normas internacionais de contabilidade estabelecidas pelo IASC não
obteve ainda a aceitação esperada por parte daquele país.

O Financial Accounting Standards Board – FASB, principal órgão de


normalização contábil dos Estados Unidos, acredita que tais normas
não atendem às exigências dos

71
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

investidores americanos, conforme argumenta Bloomer:

“embora reconheça que o uso das normas do IASC represente


uma melhoria nas demonstrações contábeis de alguns países, o
FASB não está convencido de que o uso dessas normas na
forma atual melhoraria as demonstrações contábeis nos
Estados Unidos em relação ao que os investidores americanos
recebem atualmente” (tradução livre).

Ainda segundo Bloomer, é preciso definir a função que teria um


conjunto de normas internacionais, ou seja, se tais normas seriam
aceitáveis apenas para a preparação de demonstrações financeiras a
serem apresentados pelas empresas no exterior ou se substituiriam as
diversas normas nacionais, resultando em um único conjunto de
normas para todos os países.

Outro ponto importante que considera é o estabelecimento de um


órgão para coordenar e dirigir o processo de harmonização contábil.
Este órgão poderia ser: o IASC, após uma mudança estrutural; uma
organização internacional sucessora do IASC; ou ainda o próprio FASB,
que poderia ser modificado para se tornar aceitável
internacionalmente.

Bloomer apresenta ainda a visão do FASB para o futuro da


Contabilidade Internacional, onde prevê a existência de três tipos de
organizações:

 International Standard Setter (ISS) – Um órgão de decisão,


responsável pelo desenvolvimento e promulgação de normas
internacionais de contabilidade;

 International Interpretations Committee (IIC) – Uma


organização para a qual seriam endereçadas as questões
provenientes da aplicação dessas normas;

72
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

 International Professional Group (IPG) – Uma organização


internacional dos profissionais de contabilidade, que
congregaria as organizações nacionais.

Apesar das divergências, as normas do IASC e as americanas (US


GAAP) estão cada vez mais próximas, os dois sistemas vêm se
aproximando muito nos últimos três anos, de modo que as diferenças
estão se tornando menos significativas. Um exemplo disso é um caso
brasileiro, o do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), que teve suas demonstrações financeiras adaptadas
aos US GAAP e ao IASC desde 1994 e segundo Luiz Carlos Fontes,
diretor da empresa de auditoria e consultoria Trevisan, “os números
finais ficaram muito parecidos e as diferenças foram desprezíveis”.

A International Organization of Securities Commissions – IOSCO,


organismo internacional que reúne as comissões de valores
mobiliários de mais de 140 países, está analisando 12 normas de
preparação de demonstrações financeiras.

Tais normas foram elaboradas pelo IASC e poderão ser aprovadas pela
IOSCO até o final de 2001, quando deverão ser adotadas
obrigatoriamente nos balanços e demais demonstrações financeiras
das empresas que desejarem acesso ao mercado internacional de
capitais em busca de financiamento.

Neste cenário, a necessidade de produzir informações rápidas e


inteligíveis para a tomada de decisão por usuários internos e externos
da empresa é cada vez maior.

A Contabilidade, no entanto, não está suficientemente preparada para


as mudanças que envolvem o processo de globalização, pois as
práticas contábeis ainda variam muito

73
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

de país para país, podendo uma empresa gerar demonstrações


financeiras totalmente diferentes, dependendo do país em que essas
demonstrações tenham sido produzidas.

Dessa forma, tem se tornado uma prática comum as empresas refazer


suas demonstrações contábeis de acordo com as normas de outro
país, para atender às necessidades de informações de usuários
externos ou mesmo para compor as demonstrações consolidadas da
matriz situada no exterior, o que tem consumido tempo e dinheiro
dessas empresas, representando um entrave ao fluxo de negócios
internacionais.

Sumario

Contudo, este tema mostra a diversidade de Modelos Contábilisticos usados


no mundo, mencionando suas características e analisando os problemas
surgidos nas últimas décadas em função dessa diversidade.

Faz uma análise do ambiente sócio-econômico, discutindo o atual


desenvolvimento das negociações comerciais e a rápida e fundamental
mudança na economia global que está unificando mercados e reformando as
relações políticas e sociais entre as nações.

Enfatiza a necessidade de procedimentos contábeis comuns neste cenário,


apontando os esforços de harmonização feitos por entidades internacionais.
Conclui que a padronização de procedimentos contábeis em nível
internacional é improvável, em face da resistência de cada país em mudar
suas práticas, mas que a harmonização desses procedimentos é inevitável no
processo de globalização econômica devido ao alto custo de se manter tal
diversidade.

EXERCICIO DE AUTO-AVALIACAO

1. A expressão “desenvolvimento sustentável” é amplamente


empregada para designar a preservação da natureza, com vistas à
promoção de uma maior conscientização ambiental na sociedade. Esse
termo designa, especificadamente:
a) A interrupção das práticas econômicas para garantir,
primeiramente, a conservação dos elementos naturais.

74
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

b) A manutenção do desenvolvimento econômico de modo a garantir


a preservação da natureza e dos recursos naturais para as gerações
futuras.
c) A adoção de medidas de expansão das áreas naturais sobre as zonas
de ocupação humana, de forma a reconstruir o império dos domínios
da natureza.
d) A ampliação das medidas socioeducativas para o uso consciente da
natureza, de modo a garantir, sobretudo, o desenvolvimento
econômico e urbano.

2. A expressão “desenvolvimento sustentável” é amplamente


empregada para designar a preservação da natureza, com vistas à
promoção de uma maior conscientização ambiental na sociedade.
Esse termo designa, especificadamente:
a) A interrupção das práticas econômicas para garantir,
primeiramente, a conservação dos elementos naturais.
b) A manutenção do desenvolvimento econômico de modo a
garantir a preservação da natureza e dos recursos naturais para as
gerações futuras.
c) A adoção de medidas de expansão das áreas naturais sobre as
zonas de ocupação humana, de forma a reconstruir o império dos
domínios da natureza.
d) A ampliação das medidas socioeducativas para o uso consciente
da natureza, de modo a garantir, sobretudo, o desenvolvimento
econômico e urbano.

3. Qual é o organismo de harmonização internacional mais


influente na contabilidade?

75
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

TEMA V: ESTRUTUTA CONCEPTUAL DAS NORMAS


INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE E O PLANO OFICIAL
DE CONTABILIDADE E DAS DIRECTRIZES CONTABILISTICAS.

Unidade 5: Estrutura conceptual das normas internacional de


contabilidade e plano oficial de contabilidade

5.1. Proposta do sistema de normalizacao contabilistica……….…


5.2. A genese da proposta apresentada……………………………...….Erro! Marcado
5.3. A estrutura conceptual do ………………………………………………..Erro! Marcado
5.3.1. Os utentes e a informacao financeira……………………….……
5.3.2. Os pressupostos subjacentes……………………………………..….Erro! Marcado
5.3.3. Caracteristicas qualitativas…………………………………………….Erro! Marcado
5.3.4. Elementos das demostracoes financeiras……………..…….…
5.4. As normas de contabilidade e relatos financeiros………….…
5.5. Principios contabilisticos (POC/77 e POC/89)……………....….Erro! Marcador
5.6. Directrizes contabilisticas………………………………………………..

_______________________________________________________

 Objectivo: Importa dominar as objetivos das


demonstrações financeiras, Os pressupostos básicos, isto é, as
características qualitativas das demonstrações financeiras, Os
elementos das demonstrações financeiras, Os critérios de
reconhecimento dos ativos, passivos, receitas e despesas e os
princípios de avaliação dos elementos das demonstrações
financeiras.

INTRODUCAO

Os princípios fundamentais da estrutura conceptual da Contabilidade


internacional estão definidos no texto chamado "Framework" em
inglês ("Estrutura conceptual"). Ele é uma descrição dos conceitos
básicos que devem ser respeitados na preparação e apresentação

76
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das demonstrações financeiras internacionais. O texto define o


espírito intrínseco das normas internacionais, a filosofia geral das
normas e tem também como objetivo ajudar a diretoria do IASB no
desenvolvimento e interpretação das normas internacionais de
contabilidade, os usuários na elaboração das demonstrações
financeiras e os auditores na formação de uma opinião de auditoria.
Em caso de conflito entre qualquer norma internacional e o
"framework", as exigências da norma internacional prevalecem sobre
as do "framework".

5.1. A Proposta do Sistema de Normalização Contabilística

O Conselho Geral da Comissão de Normalização Contabilística (CNC), na sua


reunião de 3 de Julho de 2007, procedeu à aprovação da proposta do
Sistema de Normalização Contabilística (SNC) a submeter à apreciação
Governamental.

No Relatório do Orçamento de Estado para 2008, o Governo reconhece que a


transi- ção para o Sistema de Normalização constituirá um processo
complexo e exigente, que implicará um esforço de adaptação das empresas e
profissionais, motivado pelas alterações profundas que impõe na
organização interna e nos procedimentos, devendo por isso ser preparada
com a necessária antecedência. Assim, de modo a proporcionar a
oportunidade de uma ampla divulgação e de participação de todos os
interessados, o Governo colocou o projecto do SNC em consulta pública, de
forma a recolher sugestões e outros contributos para o respectivo
aperfeiçoamento.

O presente artigo visa apresentar a visão do autor sobre esta matéria, sendo
o seu único e exclusivo objectivo contribuir para o processo de discussão
pública proposto.

5.2. A Génese da Proposta Apresentada

Como é reconhecido pelo Conselho Geral da CNC, o modelo proposto teve


como ponto de partida o processo de

77
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aproximação verificada entre a União Europeia e o International Accounting


Standards Board (IASB) que levou à aprovação da aplicação das Normas
Internacionais de Contabilidade no seio da União Europeia, nos termos do
Regulamento (CE) n.º 1606/2002, do Parlamento Europeu e do Conselho, de
19 de Julho. Como consequência da norma comunitária anteriormente
referida, em 15 de Janeiro de 2003, a CNC publicou o documento “Projecto
de Linhas de Orientação para um Novo Modelo de Normalização
Contabilística”.

O projecto em questão apontava para dois níveis dirigidos a dois grupos


diferenciados de entidades económicas, embora submetidos à mesma
estrutura conceptual e ao mesmo código de contas.

O primeiro nível incluiria, obrigatoriamente, as contas individuais e


consolidadas das entidades com valores mobiliários admitidos à negociação
num mercado regulamentado de um Estado Membro e, facultativamente
para quaisquer outras entidades, desde que as suas demonstra- ções
financeiras fossem objecto de certificação legal de contas.

António Gonçalves Contabilidade Revisor Oficial de Contas 33 34 O projecto


apontava, conforme anteriormente referido, para uma estrutura conceptual
comum aos dois níveis, seguindo a mesma a actual Estrutura Conceptual
para a Apresentação e Preparação de Demonstrações Financeiras do IASB.
Seguindo esta linha de raciocínio, verificamos que o projecto em discussão
não se afasta significativamente das linhas de orientação propostas,
exceptuando a existência de um referencial de normas específicas para as
entidades de pequena dimensão.

No ponto seguinte procuramos analisar em maior detalhe os aspectos da


Estrutura Conceptual proposta pelo SNC.

5.3. A Estrutura Conceptual do SNC

A estrutura conceptual visa estabelecer os conceitos que estão subjacentes à


preparação e apresentação das demonstrações financeiras para utentes
externos, visando a mesma:

 Ajudar os preparadores das demonstrações financeiras na aplicação


das Normas Contabilísticas e de

78
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Relato Financeiro (NCRF) e no tratamento de tópicos que ainda


tenham de constituir assunto de uma dessas Normas;

 Ajudar a formar opinião sobre a aderência das demonstrações


financeiras às NCRF;

 Ajudar os utentes na interpretação de informação contida nas


demonstrações financeiras preparadas;

 Proporcionar aos que estejam interessados no trabalho do CNC


informação acerca da sua abordagem à formulação das NCRF.

Adicionalmente, a própria Estrutura Conceptual define que a mesma não


consiste numa Norma e, como tal, não define normas para qualquer
mensuração particular ou tema de divulgação. Deste modo, reconhece que
em alguns casos pode haver um conflito entre a Estrutura Conceptual e uma
qualquer NCRF.

Nos casos em que haja um conflito, os requisitos da NCRF prevalecem em


relação à Estrutura Conceptual.

A Estrutura Conceptual estabelece os conceitos subjacentes à preparação e


apresentação das demonstra- ções financeiras para os utentes externos,
tendo por âmbito:

 A definição do objectivo das demonstrações financeiras; a. b. c.


d. a.

 A definição das características qualitativas que determinam a


utilidade da informação contida nas demonstrações
financeiras;

 A definição, reconhecimento e mensuração dos elementos que


integram as demonstrações financeiras;

 Os conceitos de capital e de manutenção do capital.

5.3.1. Os Utentes e a Informação Financeira

79
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A questão de base consiste em identificar quais os utilizadores da


informação financeira, ou seja, quais os utentes e as suas necessidades
de informação, na medida em que elaboramos demonstrações
financeiras para suprir essas mesmas necessidades de informação.

A Estrutura Conceptual refere que, nos utentes das demonstrações


financeiras, incluem-se investidores actuais e potenciais, empregados,
mutuantes, fornecedores e outros credores comerciais, clientes,
Governo e os seus departamentos e o público. Eles utilizam as
demonstrações financeiras a fim de satisfazerem algumas das suas
diferentes necessidades de informação.

De uma forma genérica, podemos sintetizar as necessidades dos


utentes das demonstrações financeiras do seguinte modo, atendendo
ao documento em análise:

 Investidores – preocupados com o risco inerente do negócio e


com a remuneração dos capitais investidos;

 Mutuantes – interessados na avaliação do risco de


incumprimento dos valores mutuados;

 Fornecedores e outros credores comerciais – interessados em


avaliar o risco de realização dos créditos concedidos e do grau
de realização dos mesmos, assim como a sua recuperação no
tempo;

 Colaboradores e clientes – interessados em avaliar a


continuidade das operações da entidade;

 Governo e seus departamentos – interessados em obter


informação relevante do ponto de vista estatístico, de modo a
avaliar a afectação de recursos da economia, regulação das
políticas tributárias, entre outras matérias;

 Público – interessado ou não, em obter informação específica


sobre a entidade. b. c. d. a. b. c. d. e. f.

80
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Contabilidade Adicionalmente, a Estrutura Conceptual reconhece que


o Órgão de Gestão duma entidade tem a responsabilidade primária
pela preparação e apresentação das suas demonstrações financeiras,
recorrendo a outras informações, que não as previstas na Estrutura
Conceptual, para tomar decisões de gestão.

Deste modo, torna-se claro que o SNC preconiza, com o objectivo das
demonstrações financeiras, prestar informações relevantes às
entidades anteriormente referidas, não se encontrando nos
utilizadores referidos e identificados a Administração Fiscal, na medida
em que a mesma exige regras próprias.

Assim, as entidades devem adoptar as Normas Contabilísticas e de


Relato Financeiro propostas, decorrentes da Estrutura Conceptual em
análise, procedendo posteriormente à necessária reconciliação dos
princípios contabilísticos com as normas fiscais em vigor. Identificados
os utilizadores, a Estrutura Conceptual procede à definição dos
objectivos das demonstrações financeiras.

5.3.2. Os Objectivos das Demonstrações Financeiras

Ainda tendo por base a Estrutura Conceptual, constatamos que o


objectivo das demonstrações financeiras consiste em proporcionar
informação acerca da posição financeira, do desempenho e das
alterações na posição financeira de uma entidade, que seja útil a um
vasto leque de utentes na tomada de decisões económicas.

Refere a Estrutura Conceptual que os utentes das demonstrações


financeiras que desejam avaliar o zelo ou a responsabilidade do Órgão
de Gestão pelos recursos que lhe foram confiados, fazem-no a fim de
que possam tomar decisões económicas; estas decisões podem incluir,
por exemplo, deter ou vender o seu investimento na entidade ou

81
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reconduzir ou substituir o Órgão de Gestão.

Consequentemente, o objectivo das demonstrações financeiras é o de


proporcionar informação sobre:

 A posição financeira;

 O desempenho;

 As alterações na posição financeira.

5.3.3. Pressupostos Subjacentes

Na sequência da Directriz Contabilística nº 18, podemos afirmar que a


CNC privilegiou uma perspectiva conceptual de substância económica
para o relato financeiro, claramente evidenciado nos pressupostos de
base, os quais alicerçam o edifício proposto pelo novo SNC.

Os dois pressupostos de base do SNC consistem no que até aqui foram


considerados princípios contabilísticos ao nível do Plano Oficial de
Contabilidade (POC):

a) Regime do acréscimo: a fim de satisfazerem os seus objectivos,


as demonstrações financeiras são preparadas de acordo com o
regime contabilístico do acréscimo. Através deste regime, os
efeitos das transacções e de outros acontecimentos são
reconhecidos quando eles ocorram (e não quando caixa ou
equivalentes de caixa sejam recebidos ou pagos), sendo
registados contabilisticamente e relatados nas demonstrações
financeiras dos períodos com os quais se relacionem. As
demonstrações financeiras preparadas de acordo com o
regime do acréscimo informam os utentes, não somente das
transacções passadas envolvendo o pagamento e o
recebimento de caixa, mas também das obrigações de
pagamento futuro e de recursos que representem caixa a ser

82
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recebida no futuro. Deste modo, proporciona-se informação


acerca das transacções passadas e outros acontecimentos que
sejam úteis aos utentes na tomada de decisões económicas;

b) Pressuposto da continuidade: as demonstrações financeiras


são normalmente preparadas no pressuposto que uma
entidade é uma entidade em continuidade e de que continuará
a operar no futuro previsível. Daqui que seja assumido que a
entidade não tem nem intenção, nem a necessidade de liquidar
ou de reduzir drasticamente o nível das suas operações; se
existir tal intenção ou necessidade, as demonstrações
financeiras podem ter que ser preparadas segundo um regime
diferente e, se assim for, o regime usado deve ser divulgado.

Na opinião do autor, o facto de estarmos perante pressupostos e não


princípios consiste numa alteração significativa. Enquanto
anteriormente falávamos em princípios, os quais poderiam ser
derrogados em situações específicas, actualmente estamos a falar de
pressupostos de base, os quais não poderão ser derrogados, sendo
necessário os responsáveis pela elaboração das demonstrações
financeiras verificarem a existência de situações que permitam validar
e verificar os pressupostos em questão, assim como, será
responsabilidade das entidades responsáveis por expressar uma
opinião sobre as referidas demonstrações financeiras, proceder à
verificação de tais pressupostos.

5.3.4. Características Qualitativas

83
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Em termos genéricos, podemos afirmar que as características


qualitativas são os atributos que tornam a informação apresentada
nas demonstrações financeiras útil aos utentes. As quatro principais
características qualitativas são a compreensibilidade, a relevância, a
fiabilidade e a comparabilidade.

Imagem Verdadeira e Apropriada

De acordo com a Estrutura Conceptual, a imagem verdadeira e


apropriada não pode ser vista como um conceito absoluto, mas sim
como algo que tendencialmente se atingirá através duma boa, sensata
e ponderada aplicação das características qualitativas e das normas
contabilísticas.

As demonstrações financeiras são frequentemente descritas como


mostrando uma imagem verdadeira e apropriada de, ou como que
apresentando apropriadamente, a posição financeira, o desempenho e
as alterações na posição financeira de uma entidade. Se bem que a
Estrutura Conceptual não trate directamente tais conceitos, a
aplicação das principais características qualitativas e das normas
contabilísticas apropriadas resulta, normalmente, em demonstrações
financeiras que transmitem o que é geralmente entendido como uma
imagem verdadeira e apropriada de, ou como que apresentando
razoavelmente, tal informação.

5.3.5. Elementos das Demonstrações Financeiras

A Estrutura Conceptual define que as demonstrações financeiras


retratam os efeitos financeiros das transacções e de outros
acontecimentos ao agrupá-los em grandes classes de acordo com as
suas características económicas, sendo essas classes constituídas pelos

84
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elementos das demonstrações financeiras.

Os elementos directamente relacionados com a mensuração da


posição financeira no Balanço são os activos, os passivos e os capitais
próprios. Os elementos directamente relacionados com a mensuração
do desempenho, na Demonstração de Resultados, são os rendimentos
e os gastos.

A definição de activos, passivos e capitais próprios, bem como de


rendimentos e gastos apela à realidade económica subjacente.
Vejamos então cada um dos conceitos em questão:

a) Activo é um recurso controlado pela entidade como resultado


de acontecimentos passados e do qual se espera que fluam
para a entidade benefícios económicos futuros;

b) Passivo é uma obrigação presente da entidade, proveniente de


acontecimentos passados, da liquidação da qual se espera que
resulte um exfluxo de recursos da entidade, incorporando
benefícios económicos;

c) Capital próprio é o interesse residual nos activos da entidade,


depois de deduzir todos os seus passivos.

Refira-se que as definições de activo e passivo identificam as suas


características essenciais, mas não tentam especificar os critérios que
necessitam de ser satisfeitos antes de serem reconhecidos no Balanço,
bem como ao facto de ao avaliar se um item satisfaz a definição de
activo, passivo ou capital próprio, ser preciso dar atenção à sua
subjacente realidade económica e não meramente à sua forma legal.

Quanto aos conceitos relevantes ao nível do desempenho, temos que:

 Rendimentos são aumentos nos benefícios econó- micos


durante o período contabilístico na forma de influxos ou
aumentos de activos ou diminuições de passivos que resultem
em aumentos no capital próprio, que não sejam os
relacionados com as

85
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contribuições dos participantes no capital próprio;

 Gastos são diminuições nos benefícios económicos durante o


período contabilístico na forma de exfluxos ou deperecimentos
de activos ou na incorrência de passivos que resultem em
diminuições do capital próprio, que não sejam as relacionadas
com distribuições aos participantes no capital próprio.

De forma idêntica ao anteriormente referido relativamente aos


conceitos de activos, passivos e capitais próprios, as definições de
rendimentos e de gastos identificam as suas características essenciais
mas não tentam especificar os critérios que necessitarão de ser
satisfeitos antes de serem reconhecidos na Demonstração de
Resultados. Assim, a Estrutura Conceptual contempla regras
específicas quanto ao reconhecimento e mensuração dos elementos
das demonstrações financeiras.

Reconhecimento dos Elementos das Demonstrações Financeiras

O reconhecimento consiste no processo de incorporar no Balanço e na


Demonstração de Resultados um item que satisfaça a definição de um
elemento e satisfaça os critérios de reconhecimento estabelecidos na
Estrutura Conceptual.

Tal envolve a descrição do item por palavras e por uma quantia


monetária, e a inclusão dessa quantia nos totais do Balanço ou da
Demonstração de Resultados.

Os itens que satisfaçam os critérios de reconhecimento devem ser


reconhecidos no Balanço ou na Demonstração de Resultados. A falha
do reconhecimento de tais itens não é rectificada pela divulgação das
políticas contabilísticas usadas, nem por notas ou material explicativo.

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Um item que satisfaça a definição de uma classe deve ser reconhecido


se:

a) For provável que qualquer benefício económico futuro


associado com o item flua para, ou da entidade; e

b) O item tiver um custo ou um valor que possa ser mensurado


com fiabilidade.

A aplicação do exposto no parágrafo a), acima, levanta a questão da


probabilidade de benefícios económicos futuros, desenvolvendo a
Estrutura Conceptual este conceito do seguinte modo.

O conceito de probabilidade é usado nos critérios de reconhecimento


para referir o grau de incerteza em que os benefícios económicos
futuros associados ao item fluirão para, ou de, a entidade. O conceito
está em harmonia com a incerteza que caracteriza o ambiente em que
uma entidade opera.

As avaliações do grau de incerteza ligadas ao fluxo de benefícios


económicos futuros são feitas com base nas provas disponíveis,
aquando da preparação das demonstrações financeiras. Por exemplo,
quando for provável que uma dívida a receber devida por uma
entidade venha a ser paga, é justificável então, na ausência de provas
em contrário, reconhecer a dívida a receber como um activo. Para
uma grande população de dívidas a receber, porém, é considerado
provável algum grau de não-pagamento; daqui que seja reconhecido
um gasto que represente a redução esperada de benefícios
económicos.

O segundo critério de reconhecimento é o relativo à fiabilidade. Não


basta que algo seja provável e que tenha valor a aumentar ou a
diminuir, tem de ter um valor sujeito a um apertado critério de
fiabilidade de mensuração. Assim, de acordo com a Estrutura
Conceptual, o segundo critério para o reconhecimento de um item é

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que este possua um custo ou um valor que possa ser mensurado com
fiabilidade. Em muitos casos, o custo ou o valor precisam de ser
estimados; o uso de estimativas razoáveis é uma parte essencial da
preparação das demonstrações financeiras e não destrói a sua
fiabilidade.

Quando, porém, uma estimativa razoável não possa ser feita, o item
não é reconhecido no Balanço ou na Demonstração de Resultados.
Eventualmente, relativamente aos itens que falhem os critérios
relativos ao reconhecimento, poder-se-á colocar a questão quanto à
obrigatoriedade da sua divulgação, nomeadamente, caso estejamos a
falar de passivos contingentes.

Tendo em consideração os princípios gerais anteriormente referidos, a


Estrutura Conceptual define, adicionalmente, os critérios específicos
relativos a cada um dos elementos das demonstrações financeiras.

Mensuração dos Elementos das Demonstraçõe financeiras

A mensuração consiste no processo de determinar as quantias


monetárias pelas quais os elementos das demonstrações financeiras
devam ser reconhecidos e inscritos no Balanço e na Demonstração de
Resultados. Isto envolve a selecção da base particular de mensuração.

A Estrutura Conceptual refere que são utilizadas diferentes bases de


mensuração em graus diferentes e em variadas combinações nas
demonstrações financeiras, incluindo as seguintes:

a) Custo histórico. Os activos são registados pela quantia de caixa,


ou equivalentes de caixa paga ou pelo justo valor da
retribuição dada para os adquirir no momento de aquisição. Os
passivos são registados pela quantia dos proventos recebidos
em troca da obrigação, ou em

88
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algumas circunstâncias (por exemplo, impostos sobre o


rendimento), pelas quantias de caixa, ou de equivalentes de
caixa, que se espera que venham a ser pagas para satisfazer o
passivo no decurso normal dos negócios.

b) Custo corrente. Os activos são registados pela quantia de caixa


ou de equivalentes de caixa que teria de ser paga se o mesmo
ou um activo equivalente fosse correntemente adquirido. Os
passivos são registados pela quantia não descontada de caixa,
ou de equivalentes de caixa, que seria necessária para liquidar
correntemente a obrigação.

c) Valor realizável (ou de liquidação). Os activos são registados


pela quantia de caixa, ou equivalentes de caixa, que possa ser
correntemente obtida ao vender o activo numa alienação
ordenada. Os passivos são escriturados pelos seus valores de
liquidação, isto é, as quantias não descontadas de caixa ou
equivalentes de caixa que se espera que sejam pagas para
satisfazer os passivos no decurso normal dos negócios.

d) Valor presente. Os activos são escriturados pelo valor presente


descontado dos futuros influxos líquidos de caixa que se espera
que o item gere no decurso normal dos negócios. Os passivos
são escriturados pelo valor presente descontado dos futuros
exfluxos líquidos de caixa que se espera que sejam necessários
para liquidar os passivos, no decurso normal dos negócios.

e) Justo Valor. Quantia pela qual um activo pode ser trocado ou


um passivo liquidado, entre partes conhecedoras e dispostas a
isso, numa transacção em que não exista relacionamento entre
elas.

5.4. As Normas de Contabilidade e Relato Financeiro

Partindo da Estrutura Conceptual e, tendo por base os quatro pilares

89
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do sistema de normalização adoptado, o reconhecimento, a


mensuração, a apresentação e a divulgação, o SNC integra vinte e oito
Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro (NCRF), sendo as duas
primeiras específicas ao nível da elaboração e apresentação das
demonstrações financeiras.

Os requisitos ao nível da apresentação e divulgação são mais exigentes


do que o referencial do POC, e vão de encontro às Normas
Internacionais de Contabilidade emanadas do IASB.

De modo a procurar dar resposta aos requisitos das entidades de


Pequena Dimensão, foi elaborado um referencial específico para estas
entidades, ou seja, a Norma Contabilística e de Relato Financeiro para
Pequenas Entidades.

Saliente-se, contudo, que a proposta em análise não define os limites


que separam as entidades denominadas de Pequena Dimensão das
restantes, nem se estaremos a falar de limites quantitativos ou
qualitativos.

O SNC contempla as seguintes NCRF:

a) Estrutura e Conteúdo das Demonstrações Financeiras;

b) Demonstrações de Fluxos de Caixa;

c) Adopção pela primeira vez das NCRF;

d) Políticas Contabilísticas,

e) Alterações nas Estimativas Contabilísticas e Erros;

f) Divulgações de Partes Relacionadas;

g) Activos Intangíveis;

h) Activos Fixos Tangíveis Activos não Correntes Detidos para


Venda e Unidades Operacionais Descontinuadas;

i) Locações;

90
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

j) Custos de Empréstimos Obtidos;

k) Propriedades de Investimento;

l) Imparidade de Activos;

m) Interesses em Empreendimentos Conjuntos e Investimentos


em Associadas; Concentrações de Actividades Empresariais;

n) Investimentos em Subsidiárias e Consolidação;

o) Exploração e Avaliação de Recursos Minerais;

p) Agricultura; Inventários; Contratos de Construção;

q) Rédito;

r) Provisões, Passivos Contingentes e Activos Contingentes;

s) Contabilização dos Subsídios do Governo e Divulgação de


Apoios do Governo;

t) Os Efeitos de Alterações em Taxas de Câmbio;

u) Acontecimentos Após a Data do Balanço;

v) Impostos sobre o Rendimento;

w) Matérias Ambientais; Instrumentos Financeiros;

x) Benefícios de Empregados.

5.5. PRINCÍPIOS CONTABILÍSTICOS (POC/77 E POC/89)

Princípios contabilísticos” designava-os de “princípios contabilísticos fundamentais”,


o que na maioria das situações se considerava como uma expressão equivalente à de

QUADRO N.º 1 PRINCÍPIOS CONTABILÍSTICOS (POC/77 E POC/89)

91
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POC/77 (Valorimetria – item 11 – Princípios


POC/89( Princípios Contabilísticos”)
Contabilísticos Adotados)
Da continuidade Considera-se que a empresa
opera continuadamente, com duração ilimitada.
Da continuidade da empresa O qual significa que a
Desta forma, entende-se que a empresa não tem
empresa opera continuadamente, com duração
intenção nem necessidade de entrar em
ilimitada;
liquidação ou de reduzir significativamente o
volume das suas operações.

Da consistência dos exercícios Da consistência Considera-se que a empresa não


Segundo o qual a empresa não altera os seus altera as suas políticas contabilísticas de um
princípios exercício para o outro. Se o fizer e a alteração
de valorimetria ao longo dos exercícios; tiver efeitos materialmente relevantes

Da especialização (ou do acréscimo) Os proveitos


Da efectivação das operações Pelo qual as e os custos são reconhecidos quando obtidos ou
operações realizadas num exercício afectam os incorridos, independentemente do seu
respectivos resultados, independentemente do seu recebimento ou pagamento, devendo incluir-se
recebimento ou pagamento; nas demonstrações financeiras dos períodos a
que respeitam

Do custo histórico Os registos contabilísticos


Do custo histórico O qual determina que os registos
devem basear-se em custos de aquisição ou de
se efectuem com base numa realidade objectiva
produção, expressos quer em unidades
(como, por exemplo, o preço de factura), em
monetárias nominais, quer em unidades
contraste com valores aleatórios ou subjectivos;
monetárias constantes.

Da prudência Significa que é possível integrar nas


contas um grau de precaução ao fazer as
estimativas exigidas em condições de incerteza
sem, contudo, permitir a criação de reservas
ocultas ou provisões excessivas ou a deliberada
Do conservantismo
quantificação de activos e proveitos por defeito
O qual implica que a Contabilidade deve registar
ou de passivos e custos por excesso. Devem
todas as perdas de valor e não atender aos ganhos
também ser reconhecidas todas as
potenciais.
responsabilidades incorridas no período em causa
ou num período anterior, mesmo que tais
responsabilidades apenas se tornem patentes
entre a data a que se reporta o balanço e a data
em que este é elaborado.

Da recuperação do custo das existências Pelo qual


a empresa não deve inventariar as existências finais
a um valor que não possa ser recuperado através da
venda ou do Consumo;

92
ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

Da substância sobre a forma As operações devem


ser contabilizadas atendendo à sua substância e à
realidade financeira e não apenas à sua forma
legal.

Da materialidade As demonstrações financeiras


devem evidenciar todos os elementos que sejam
relevantes e que possam afectar avaliações ou
decisões pelos utentes interessados.

Da análise comparativa do quadro realçamos o seguinte:

a) A manutenção dos princípios “Do Custo Histórico”, “Da


Continuidade”, “Da Consistência”, “Da Especialização (ou do
Acréscimo)”, este último no POC/77 designado “Da efetivação das
operações”;

b) O princípio “Do custo histórico” no POC/77 era mais objetivo, ao


exemplificar o “preço da fatura”, expressão entretanto eliminada no
POC/89. A referência no POC/89 a “quer a unidades monetárias
nominais quer a unidades monetárias constantes7 ...” deve ser
interpretada como contemplando, nomeadamente, as designadas
“reavaliações legais de âmbito fiscal”, como, aliás, foi posteriormente
clarificado pela Diretriz Contabilística n.º 16 “Reavaliação de ativos
imobilizados tangíveis” (DC 16), cujos itens 1.1 e 1.2 estabelecem:

“1.1. Com o objetivo de obter uma imagem verdadeira e apropriada


do ativo, do passivo e dos resultados das operações da empresa, os
registos devem basear-se em princípios contabilísticos geralmente
aceites, designadamente o do custo histórico, quer a escudos
nominais, quer a escudos constantes. O fenómeno inflacionista e o
crescimento económico provocam e evidenciam, entre outros efeitos,
a subquantificação dos ativos não monetários, levando muitas
empresas a ajustar ocasionalmente algumas rubricas do balanço. Tais
ajustamentos têm expressão no capital próprio das empresas através
das denominadas reservas de reavaliação, que representam, em rigor,

93
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resultados potenciais, isto é resultados não realizados.

1.2. Ao nível fiscal, os efeitos da inflação nas demonstrações


financeiras têm sido parcialmente tratados, como regra, através de
ajustamentos monetários ocasionais do imobilizado corpóreo
efetuados nos termos autorizados pela lei.”.

c) A eliminação do princípio previsto no POC/77 “Da recuperação do


custo das existências”;

d)A inclusão de dois novos princípios contabilísticos: O “Da substância


sobre a forma”, destinado nomeadamente a enquadrar as operações
de locação financeira (vulgo leasing financeiro) e o “Da materialidade”,
este último intimamente ligado à caraterística qualitativa da relevância
(item 3.2.1 do POC/89) .

Relativamente à IVA, o POC/89 (item 3.2) apresentava a seguinte


definição:

“Estas características, juntamente com conceitos, princípios e


normas contabilísticas adequados, fazem que surjam
demonstrações financeiras geralmente descritas como
apresentando uma imagem verdadeira e apropriada da posição
financeira e do resultado das operações da empresa.”.

Desta forma, os princípios contabilísticos são uma componente muito


importante da IVA.

5.6. Diretrizes Contabilísticas

Ao contrário do POC/89, algumas Diretrizes Contabilísticas, como


normas contabilísticas complementares, contemplavam referências

94
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aos PCGA.

A Diretriz Contabilística n.º 18 (DC 18), publicada no D.R. n.º 179, II


Série de 5 de Agosto de 1997, intitulada “Objetivos das
Demonstrações Financeiras e Princípios Contabilísticos Geralmente
Aceites”, visou essencialmente complementar alguns conceitos do
POC/89.

Princípios contabilísticos geralmente aceites

Os profissionais da contabilidade e os membros da comunidade


económica têm vindo a reconhecer a necessidade da existência de
princípios, normas e procedimentos, que sejam de aplicação
generalizada, apesar dos debates e críticas que suscitarem. Se bem
que a CNC atenda ao vasto espectro dos organismos nela
representados, baseia a normalização em pesquisa fundamentada e
numa perspectiva conceptual sustentada na realidade económica. Os
esforços para estabelecer essa estrutura conceptual, que actue como
orientação geral, conduzem à adopção de um corpo comum de
princípios, normas e procedimentos designados por Princípios
Contabilísticos Geralmente Aceites.

A expressão "geralmente aceites" significa que um organismo


contabilístico normalizador, com autoridade e de larga
representatividade, estabeleceu um princípio contabilístico numa
dada área ou aceitou como apropriado determinado procedimento ou
prática, atendendo à sua aplicação universalmente generalizada e ao
seu enquadramento na estrutura conceptual. Os princípios
contabilísticos têm vindo a ser reconhecidos em Portugal pela CNC e
encontram-se vertidos no POC, nas Directrizes Contabilísticas, no caso
de questões ainda não abrangidas, nas normas estabelecidas a nível
internacional, como sejam as emitidas pelo Internacional Accouting
Standards Committee (IASC).

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Por conseguinte, a adopção dos princípios contabilísticos não carece,


necessariamente, que estes estejam definidos de forma expressa em
diploma legal. A CNC, ao privilegiar uma perspectiva conceptual de
substância económica para o relato financeiro, considera que o uso de
Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites se deve subordinar à
seguinte hierarquia:

1) Os constantes do Plano Oficial de Contabilidade;

2) Os constantes das Directrizes Contabilísticas;

3) Os divulgados nas normas internacionais de contabilidade


emitidas pelo IASC.

Embora não possam ser consideradas de aplicação generalizada, as


respostas interpretativas dadas pela CNC são válidas para a entidade e
para a situação concreta.

Princípios contabilísticos geralmente aceites no normativo


contabilístico nacional

 Os profissionais da contabilidade e os membros da comunidade


económica têm vindo a reconhecer a necessidade da existência
de princípios, normas e procedimentos que sejam de aplicação
generalizada, apesar dos debates e críticas que suscitarem.

 Se bem que a CNC atenda ao vasto espectro dos organismos


nela representados, baseia a normalização em pesquisa
fundamentada e numa perspectiva conceptual sustentada na
realidade económica. Os esforços para estabelecer essa
estrutura conceptual, que actue como orientação geral,
conduzem à adopção de um corpo comum de princípios,
normas e procedimentos entendidos como os princípios
contabilísticos geralmente aceites no normativo contabilístico
nacional.

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ISCED CURSO: Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Disciplina/ Módulo: Contabilidade Internacional

 A expressão "geralmente aceites" significa que um organismo


contabilístico normalizador, com autoridade e de larga
representatividade, estabeleceu um princípio contabilístico
numa dada área ou aceitou como apropriado determinado
procedimento ou prática, atendendo à sua aplicação
generalizada e ao seu enquadramento na estrutura conceptual
e num dado ambiente normativo.

 Assim, a CNC, ao privilegiar uma perspectiva conceptual de


substância económica para o relato financeiro, considera que a
adopção dos princípios contabilísticos geralmente aceites no
normativo contabilístico nacional se deve subordinar, em
primeiro lugar, ao POC e às directrizes contabilísticas e
respectivas interpretações técnicas, e, supletivamente, pela
ordem indicada, às:

1.º Normas Internacionais de Contabilidade, adoptadas ao abrigo do


Regulamento n.º 1606/2002, do Parlamento Europeu e do Conselho,
de 19 de Julho;

2.º Normas Internacionais de Contabilidade (IAS) e Normas


Internacionais de Relato Financeiro (IFRS), emitidas pelo IASB, e
respectivas interpretações SICIFRIC.

 Embora não possam ser consideradas de aplicação


generalizada, as respostas interpretativas dadas pela CNC são
válidas para a entidade e para a situação concreta.

De notar que a alteração refere-se apenas ao item 13 (DC 18 – revisão


de 2005), no que tange à hierarquia da aplicação dos PCGA de acordo
com as mencionadas normas contabilísticas nacionais e internacionais.

Realce-se que, já antes da DC 18, a DC 16 estabelecia uma relação


entre a IVA e os PCGA nos seguintes termos (item 1.1):

“1.1. Com o objectivo de obter uma imagem verdadeira e


apropriada do activo, do passivo e dos resultados das

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operações da empresa, os registos devem basear-se em


princípios contabilísticos geralmente aceites, designadamente
o do custo histórico, quer a escudos nominais, quer a escudos
constantes.”.

Esta disposição poderá induzir que a expressão PCGA abrange


exclusivamente os PCGA, exemplificando o “Do custo histórico”, o que,
como de seguida, veremos poderá considerar-se uma análise limitada
do conceito.

Sumario

Nesta unidade temática, apenas pretendemos desenvolver


alguns aspetos concetuais dos dois modelos contabilísticos em
confronto (POC e SNC). O CCI foi o impulsionador dos princípios
contabilísticos, ao prever (art.º 22.º) os denominados “sãos
princípios de contabilidade”.

A expressão “PCGA” abrange, de uma forma geral, os princípios


contabilísticos previstos nos dois POC (POC/77 e POC/89), que,
com o SNC, passaram a ser identificados como “pressupostos
subjacentes” ou como “caraterísticas qualitativas”.

Os princípios contabilísticos (POC/77 e POC/89) e os


pressupostos subjacentes/caraterísticas qualitativas (SNC)
constituem uma componente muito importante da estrutura
concetual e, em particular, da IVA, i.e., a sua correta aplicação
conduz à IVA da entidade.

No entanto, os PCGA podem ser analisados numa perspetiva


mais ampla do que a dos próprios princípios contabilísticos,
nomeadamente quando se pretende fazer alusão a um
referencial contabilístico internacional como nos casos dos US-
GAAP e dos UK-GAAP

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EXERCICIOS DE AUTO-AVALIACAO

1. Quais os limites e/ou critérios que as entidades devem


obedecer para optarem por um determinado nível de relato?

2. Quais são, objectivamente, as necessidades dos utentes das


demonstrações financeiras?

3. Sendo as necessidades distintas, não se justifica um referencial


e, consequentemente, uma estrutura conceptual distinta?

4. Necessitamos do conceito do justo valor para mensurar os


elementos das demonstrações financeiras, ou devemos
limitarmo-nos às situações em que exista um mercado activo?

Bibliografia Recomendada

SANTOS, João José (2006) - Manual de Contabilidade Internacional,


Lex Editora.

SCHMIDT, José Luíz dos Santos (2008) - Contabilidade Internacional


Avançada.

OLIVEIRA, Alexandre Martins (2008) - Governança Corporativa,


Contabilização de Derivativos. Edição Atlas.

IBRACON, Princípios Contábeis, Atlas; Segunda Edição.

ENTHOVEN, Adolf. Accountancy systems in third world economies,


NHPC.

WALLACE at al. Accounting and Development: A Special Case for

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Africa; JAI Press INC.

RIAHI-BELKAOUI, Ahmed, Accounting in the Developing Countries,


Quorum

100