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A METAFORA GRAMATICAL E AS FRONTEIRAS (EXTERNAS E

INTERNAS) DA FRASEOLOGIA – ANTONIO PAMIES

Nem todas as unidades fraseológicas são categorizadas pela


idiomaticidade e/ou pela composicional idade semântica apesar de ambas
serem propriedades graduais. Um dos critérios que pode ser utilizado para
retratar a figuratividade fraseológica é o conceito de metáfora gramatical
definido pela gramática sistêmico-funcional. O autor inicia o texto com a
discussão sobre a saída da fraseologia da marginalidade, antes ligada à
literatura e o folclore a fraseologia passa a ganhar ares de disciplina
acadêmica, a sua emergência levanta questões que afetam outros domínios
linguísticos: morfologia, sintaxe, léxico, entre outros. Sendo assim alguns
critérios são levantados para definir as combinações fraseológicas: a
frequência de coocorrência na fala, a idiomaticidade, polilexicalidade e a
fixação, ambos repartem uma caracterização negativa (aplicável a unidades
distintas: locuções, provérbio, etc.) à fraseologia, pois a fixação seria a
negação da sintaxe, a polilexicalidade a negação da morfologia, a
idiomaticidade a negação da semântica léxica, a frequência de coocorrência a
negação da criatividade discursiva. Com o avanço dos estudos fraseológicos
(qualitativos e quantitativos) questionam-se as fronteiras externas e internas do
domínio fraseológico, não é tão simples definir a fraseologia e nem definir o seu
objeto de estudo, pois essa delimitação pode afetar outros níveis da linguagem.

Retomando o teórico francês Salah Mejri, o qual tem como uma terceira
articulação da linguagem a fixação polilexical. Para Mejri os frasemas
estabeleceriam outra articulação na qual vários monemas léxicos perdem
deixam os seus significados para se juntarem em um significado global não
composicional, isso quer dizer que o significado global não é a fusão dos
significados dos componentes (p. ex. mão de vaca = “pessoa sovina”), estes
por sua vez ao perderem seu significado individual deixam de ser lexema.
Nessa situação os componentes são da primeira articulação (significativos
individualmente) se comportam, segundo o autor, “como se” fossem da
segunda (por carecerem de significado) e não de uma terceira, alterando assim
a hierarquia das articulações, pois um processo analógico recebe o papel de
protagonista, podendo ser considerado uma metáfora analógica. No
fraseologismo ocorrem dois tipos de metaforicidade: a metáfora “semântica”,
onde um significado léxico ocupa o espaço de outro, e, ao mesmo tempo, uma
metáfora “gramatical”, onde uma forma cumpre a função que corresponde à
outra. A partir deste ponto do texto o PAMIES trás vários outros autores para
ilustrar esses dois tipos de metáfora, além de demonstrar como a metáfora vai
permear varias áreas da competência linguística.

PAIMES vai repensar a sua anterior classificação de unidades


fraseológicas a partir das concepções de terceira articulação defendida por
MEJRI, sendo assim, para PAIMES essa variação de hierarquia entre as
articulações demanda a presença de uma espécie particular de metáfora
gramatical entre as diversas articulações, nas quais um nível superior
(sintagma) abrange a função de um componente de um nível mais básico
(monema), e por tanto, constitui só um pseudossintagma. Retomando a ideia
de sintema de Martinet, o autor demonstra a concepção de pseudossintagmas,
que é um tipo de metáfora gramatical, usando como exemplo a expressão
bater as botas: Uma fonte/combinação de sintagmas (limpar SV + as botasSN)
passa por um processo metafórico (metáfora gramatical) se tornando um alvo/
unidade (bater as botas) chamado de pseudossintagma. O pseudossintagma
não abrange a todas as unidades fraseológicas, somente as locuções, os
fraseotermos, os compostos e as construções onímicas. No caso dos
semissintagmas seu processo de formação vai ser parecido com o do
pseudossintagma, só que apenas um dos componentes da fonte/combinação
irá passar pelo processo metafórico, o outro por sua vez irá conservar a sua
categoria e funções originais.

Uma das consequências da metáfora gramatical, é que dos frasemas


podem funcionar como um só, um frasema pode incluir outro, da mesma classe
ou de classe diferente, este tipo de metáfora permite ás formas o intercambio
de funções e níveis morfossintáticos e todos os frasemas (parêmias,
provérbios, máximas e etc.) que encontramos na fraseologia têm esse ponto
em comum. Para concluir o texto o autor faz um aparato de todos os temas
abordados ao longo deste.