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09/09/2018 Anselmo de Cantuária – Wikipédia, a enciclopédia livre

Anselmo de Cantuária
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Anselmo de Cantuária, conhecido também como Anselmo de Aosta por conta de sua
cidade natal e Anselmo de Bec por causa da localização de seu mosteiro, foi um monge Santo Anselmo de Cantuária, OSB
beneditino, filósofo e prelado da Igreja que foi arcebispo de Cantuária entre 1093 e 1109.
Chamado de fundador do escolasticismo, Anselmo exerceu enorme influência sobre a teologia
ocidental e é famoso principalmente por ter criado o argumento ontológico para a existência de
Deus e a visão da satisfação sobre a teoria da expiação.

Entrou para a Ordem de São Bento na Abadia de Bec aos vinte e sete anos e tornou-se abade em
1079. Tornou-se arcebispo de Cantuária durante o reinado de Guilherme II da Inglaterra. Foi
exilado por duas vezes, entre 1097 e 1100 e novamente entre 1105 e 1107 por Henrique I por
causa da controvérsia das investiduras, o mais importante conflito entre a Igreja Católica e os
estados medievais durante a Idade Média. Anselmo foi proclamado Doutor da Igreja numa bula
papal de Clemente XI em 1720. Ele é venerado como santo e comemorado em 21 de abril.

Índice
Biografia
Primeiros anos
Abade de Bec
Arcebispo de Cantuária
Conflitos com Guilherme II
Primeiro exílio
Conflitos com Henrique I Vitral do século XIX
Segundo exílio retratando Santo Anselmo
Motivações Arcebispo de Cantuária; Doutor da Igreja
(Doctor Magnificus)
Obras
Provas teístas Nascimento ca. 1033 em Aosta, Reino da
Borgonha
Outras obras
Cur Deus Homo e a visão da satisfação na teoria da Expiação Morte 21 de abril de 1109 (76 anos) em
Cantuária, Kent, Inglaterra
Influência
Dilecto dilectori Veneração Igreja Católica
por Comunhão Anglicana
Reconhecimento Igreja Luterana
Ver também Canonização 1720 por Papa Clemente XI
Referências Principal Catedral de Cantuária
templo
Bibliografia
Obras de Anselmo Festa 21 de abril
Fontes secundárias
litúrgica
Atribuições Um navio, representando a
Ligações externas independência espiritual da
Igreja
Portal dos Santos
Biografia

Primeiros anos
Anselmo nasceu em Aosta, parte do Reino de Arles, por volta de 1033.[1] Sua família tinha fortes relações com a poderosa Casa de Saboia[2] e era muito
rica. Seu pai, Gundulfo, era lombardo de nascimento. Sua mãe, Ermemberga, que foi descrita como prudente e virtuosa, veio duma antiga família
burgúndia.[3][4]

Aos quinze anos, Anselmo desejava entrar para um mosteiro, mas não conseguiu o consentimento do pai e acabou sendo recusado pelo abade.[1] O
desapontamento aparentemente provocou-lhe uma doença psicossomática. Depois de se recuperar, Anselmo desistiu de estudar e passou a viver
despreocupadamente; neste período, sua mãe morreu. Aos vinte e três, Anselmo saiu de casa, cruzou os Alpes e viajou por toda a Borgonha e a França.[5]

Atraído pela fama de seu conterrâneo Lanfranco (que era o prior da beneditina Abadia de Bec), chegou à Normandia em 1059. No ano seguinte, depois de
algum tempo em Avranches, Anselmo finalmente entrou para a abadia como noviço aos vinte e sete. Ao fazê-lo, submeteu-se à "Regra de São Bento", um
evento que reformularia todo o seu pensamento na década seguinte.[6]

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Abade de Bec
Em 1063, Lanfranco foi nomeado abade de Caen e Anselmo foi eleito prior em Bec,[7] um cargo que
manteve por quinze anos antes de tornar-se abade depois da morte de Herluin, o fundador da abadia,
em 1078. Foi consagrado abade em 22 de fevereiro de 1079 pelo bispo de Évreux,[8] o que foi acelerado
por que, na época, a Arquidiocese de Ruão (a quem se subordinava Bec) estava vaga. Se Anselmo
tivesse que ser consagrado pelo arcebispo de Ruão, teria sido pressionado a jurar obediência, o que
comprometeria a independência de Bec.[carece de fontes?]

Sob o comando de Anselmo, Bec tornou-se o principal centro de ensino na Europa, atraindo estudantes
de toda a França, Itália e outras regiões.[9] Foi durante esta época que escreveu suas primeiras obras
filosóficas, o "Monológio" (1076) e o "Proslógio" (1077–8). A elas se seguiram "Os Diálogos sobre a
Verdade", "Livre Arbítrio" e "A Queda do Diabo". Neste período, Anselmo também lutou para manter a Abadia de Bec, o mosteiro onde Anselmo
independência da abadia tanto dos poderes seculares quanto do arcebispo.[10] Posteriormente, passou a vida antes de assumir o posto de
arcebispo de Cantuária.
Anselmo teve que lutar ainda contra Roberto de Beaumont, conde (earl) de Leicester.[11]

Anselmo ocasionalmente visitava a Inglaterra para supervisionar as propriedades da abadia lá e


também para visitar Lanfranco que, a partir de 1070, havia sido nomeado arcebispo de Cantuária,[12]
de quem era considerado o sucessor natural. Com a morte dele em 1089, porém, Guilherme II da
Inglaterra tomou as propriedades e as rendas da sé e não nomeou um novo arcebispo. Em 1092, a
convite de Hugo de Avranches, 1º conde (earl) de Chester, Anselmo cruzou o Canal da Mancha. Na
Inglaterra, permaneceu envolvido em assuntos da abadia por quase quatro meses e então foi proibido
de voltar a Bec pelo rei. Guilherme ficou seriamente doente de forma súbita em Alveston no ano
seguinte e, movido por um desejo de compensar por seus atos pecaminosos que acreditava serem a
causa de sua doença,[13] permitiu que Anselmo fosse nomeado para a sé de Cantuária em 6 de março
de 1093.[14]

Nos meses seguintes, Anselmo tentou recusar o posto alegando estar velho e doente.[12] Em 24 de
agosto, apresentou a Guilherme as condições nas quais estaria pronto a aceitar o posto. Elas eram parte
de uma agenda de reformas gregorianas: Guilherme deveria devolver as terras da sé que havia tomado;
deveria aceitar a preeminência dos conselhos espirituais de Anselmo e deveria reconhecer Urbano II
como papa (e não Clemente III, o antipapa).[15] As recusas de Anselmo ajudaram a melhorar sua
posição na barganha enquanto os termos eram discutidos com o rei, que estava profundamente Anselmo descrito em seu próprio selo
relutante em aceitar as condições impostas por ele. Guilherme cederia apenas à primeira.[16] Alguns
dias depois, Guilherme tentou voltar atrás até mesmo nisso e suspendeu a investidura de Anselmo, mas, pressionado pela população, foi obrigado a
seguir adiante com a nomeação. No fim, Anselmo e Guilherme concordaram que a devolução das terras de Cantuária seria a única condição aceita.[17]
Finalmente os bispos ingleses colocaram-lhe nas mãos o báculo e o levaram para igreja para ser investido.[18] Anselmo em seguida prestou homenagem a
Guilherme e, em 25 de setembro de 1093, recebeu de volta as terras de sua nova sé.[16] Ele foi entronado no mesmo dia[19] depois de receber a dispensa
de suas obrigações na Normandia. Por fim, foi consagrado arcebispo de Cantuária em 4 de dezembro.[16]

Tem se discutido sobre se a relutância de Anselmo em assumir a sé teria sido ou não sincera. Estudiosos como Southern defendem que sua preferência
teria sido permanecer em Bec.[20] Porém, a relutância em aceitar postos importantes era um costume medieval. Vaughn afirma que Anselmo não poderia
ter expressado um desejo pela posição sem correr o risco de ser visto como um carreirista ambicioso. Ela afirma ainda que Anselmo percebeu a situação
política e os objetivos de Guilherme e agiu no exato momento que lhe daria a melhor condição de negociar pelos interesses de sua futura sé e do
movimento reformista.[carece de fontes?] Por outro lado, a vida de eremita era uma das opções que Anselmo considerou antes de aceitar o conselho do
arcebispo de Ruão e entrar para o mosteiro. William Kent acreditava que não havia razão para suspeitar da sinceridade de sua resistência. Naturalmente
atraído pela vida contemplativa, Anselmo não tinha atração alguma por este tipo de cargo mesmo em períodos de paz e, assim, teria ainda menos em
tempos conturbados. Anselmo sabia bem o que o esperava na função.[21]

Arcebispo de Cantuária

Conflitos com Guilherme II


Anselmo continuou a combater por suas reformas e pelos interesses de Cantuária.[22] Sua visão sobre a Igreja era de uma Igreja universal, com sua
própria autoridade interna, capaz de conter a visão de Guilherme de controle real sobre o estado e sobre a Igreja.[23] Por isso, tem sido descrito ora como
um monge contemplativo ora como um homem politicamente engajado, determinado a defender os privilégios da sé episcopal de Cantuária.[24] Um dos
primeiros conflitos com Guilherme irrompeu já no seu primeiro mês. O rei preparava-se para combater seu irmão mais velho, Roberto II Curthose,
duque da Normandia, e precisava de dinheiro.[25] Anselmo estava entre os nobres de quem se esperava ajuda e ele ofereceu £500, mas Guilherme
recusou exigindo mais.[26] Posteriormente, um grupo de bispos convenceu Guilherme a aceitar a quantia original e foram até Anselmo, que afirmou ter
doado o dinheiro aos pobres. Neste episódio, Anselmo foi cuidadoso e conseguiu evitar tanto acusações de simonia quanto mostrar-se um líder generoso.
[carece de fontes?]

As leis da igreja determinavam que os bispos metropolitanos não poderia ser consagrados sem que antes recebessem o pálio das mãos do papa. Anselmo,
portanto, insistiu em ir à Roma para receber o seu, mas Guilherme não autorizou. O antipapa Clemente III estava lutando contra Urbano II, que havia
sido reconhecido pela França e pela Normandia. Não parece que Guilherme fosse partidário de Clemente, mas claramente desejava fortalecer seus

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próprios interesses colocando-se na posição de decidir entre os dois rivais. Assim, quando Anselmo
pediu permissão para ir ver o papa, o rei afirmou que ninguém na Inglaterra deveria reconhecer
nenhum dos dois papas antes que ele, o rei, se decidisse.[21] Em 25 de fevereiro de 1095, os bispos e
nobres da Inglaterra realizaram um concílio no castelo de Rockingham para discutir o tema no qual os
bispos se alinharam ao rei, com Guilherme de Saint-Calais, o bispo de Durham, chegando ao ponto de
recomendar ao rei que depusesse Anselmo. Os nobres, por outro lado, escolheram a posição de
Anselmo e a conferência terminou num impasse.[carece de fontes?]

Logo depois, Guilherme enviou mensageiros em segredo para Roma.[22] Eles convenceram Urbano a
enviar um legado (Gualtério de Albano) até o rei levando consigo o pálio arcebispal[27] e os dois
imediatamente deram início às negociações secretas. Guilherme concordou em reconhecer Urbano
como papa e assegurou para si o direito de autorizar que membros do clero recebessem cartas papais e
Anselmo sendo feito arcebispo da
as obedecessem; Gualtério, negociando em nome de Urbano, concedeu que Urbano não enviaria
Cantuária. Ilustração do Uma Crônica da
legados à Inglaterra sem que eles fossem antes convidados pelo rei. O maior desejo de Guilherme era
Inglaterra de James Edmund Doyle
que Anselmo fosse deposto e outro recebesse o pálio, ao que Gualtério respondeu que "...há boas
razões para que se espere um bom resultado de acordo com os desejos do rei". Guilherme então
reconheceu publicamente Urbano, mas Gualtério se recusou a depor Anselmo. Enfurecido, Guilherme
tentou extorquir dinheiro de Anselmo em troca do pálio, também sem sucesso. Depois, tentou
entregar-lhe o pálio pessoalmente, o que também não lhe foi permitido. Finalmente, o rei cedeu e
Anselmo recebeu o pálio no altar de Cantuária em 10 de junho de 1095.[carece de fontes?]

No decorrer dos dois anos seguintes, não se conhece nenhuma disputa aberta entre Anselmo e
Guilherme. Porém, o rei bloqueou todos os esforços do arcebispo em suas reformas. A tensão
finalmente explodiu em 1097, depois que Guilherme esmagou uma revolta galesa[28] Ele acusou
Anselmo de ter lhe fornecido um número insuficiente de cavaleiros para a campanha e tentou multá-lo.
Anselmo decidiu seguir para Roma para se aconselhar com o papa, pois Guilherme se recusava a
cumprir sua promessa de ajudar na reforma da igreja,[23] mas o rei não lhe permitiu. As negociações
terminaram com Guilherme declarando que se Anselmo partisse, tomaria de volta a sé de Cantuária e
jamais o receberia de volta como arcebispo. Por outro lado, se Anselmo resolvesse ficar, seria multado
e teria que jurar que jamais apelaria novamente a Roma: "Anselmo recebeu a opções de se exilar ou de
se submeter completamente".[29]
Encontro de Anselmo com o papa Urbano
II e a condessa Matilda, uma das principais
Primeiro exílio
aliadas do papa durante a controvérsia das
investiduras. Exilado, Anselmo partiu para Roma em outubro de 1097. Guilherme imediatamente se apoderou das
1637-42. Por Giovanni Francesco Romanelli. receitas da sé e as manteve até morrer, embora Anselmo tenha permanecido titular da sé.[30] Ele
escolheu o exílio para defender sua visão da Igreja universal, sublinhando os pecados de Guilherme em
relação a ela.[23]. Embora ele tenha de fato prestado homenagem a Guilherme, Anselmo a desqualificou frente ao seu dever para com Deus e o papa. Ele
foi recebido com grandes honras por Urbano durante o cerco de Cápua, durante o qual foi muito elogiado pelas tropas sarracenas de Rogério I da Sicília
(r. 1071–1101). Num grande concílio provincial realizado em Bari em 1098, que contou com a presença de 183 bispos, Anselmo recebeu a incumbência de
defender a cláusula Filioque e o uso do pão ázimo durante a Eucaristia contra representantes da Igreja Ortodoxa. Em 1099, Urbano renovou a proibição
da investidura secular do clero e do clero prestar homenagem a poderes seculares.[23] No mesmo ano Anselmo se mudou para Lyon.[31]

Conflitos com Henrique I


Guilherme foi morto em 2 de agosto de 1100. Seu sucessor, Henrique I, convidou Anselmo de volta, escrevendo que se comprometia a ouvir os conselhos
do arcebispo.[32] Henrique cortejava Anselmo por que precisava de seu apoio para se consolidar no trono, uma vez que o arcebispo poderia a qualquer
momento declarar seu apoio ao irmão mais velho de Henrique. Quando Anselmo retornou, Henrique exigiu que ele lhe prestasse homenagem em relação
às propriedades de Cantuária[33] e recebesse dele sua investidura em seu posto de arcebispo.[34] Como o papado havia recentemente proibido o clero de
fazer as duas coisas, a relação de Anselmo com Henrique já começou em conflito.[33]

O rei se recusou a desistir do privilégio desfrutado por seus predecessores e propôs que o tema fosse levado ao papa. Duas embaixadas foram enviadas ao
papa Pascoal II sobre a legitimidade da investidura de Henrique; ambas receberam a confirmação da ordem papal anterior. Neste ínterim, Anselmo
ajudou Henrique, que estava ameaçado pela invasão de seu irmão, Roberto Curthose, e Anselmo publicamente apoiou-o, convencendo os barões ainda
indecisos e ameaçando Curthose com a excomunhão.[35]

Na festa de São Miguel de 1102, Anselmo realizou um concílio em Londres no qual ele proibiu o casamento e o concubinato aos membros das ordens
sagradas[36] (além de condenar a simonia e reformando os regulamentos de sobriedade e vestuário do clero).[35] Ele estava entre os primeiros a opinar
publicamente contra o tráfico de escravos em 1102, num concílio na igreja de São Pedro em Westminster, e conseguiu aprovar uma resolução contra a
prática de vender homens como gado.[37]

Por outro lado, Henrique concedeu a Anselmo autoridade sobre toda a Igreja na Inglaterra e concordou em obedecer o papa. Porém, como Pascoal havia
reafirmado as regras sobre a investidura e as homenagens seculares, Henrique se voltou novamente contra Anselmo.[35] Em 1103, o próprio arcebispo e
um enviado real, Guilherme Warelwast, partiram novamente para Roma.[38] Furioso, Pascoal excomungou os bispos investidos por Henrique.[carece de
fontes?]

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Segundo exílio
Adversários de Anselmo
Anselmo se refugiou em Lyon depois disso e aguardou os próximos passos de Pascoal. Em 26 de
março de 1105, o papa excomungou o principal conselheiro de Henrique, Roberto de Meulan,
por ter convencido Henrique a continuar com as investiduras seculares, os prelados investidos
por Henrique e outros conselheiros,[39] ameaçando o próprio rei com o mesmo destino.[40] Em
abril, Anselmo ameaçou excomungá-lo pessoalmente, provavelmente para forçar a mão de
Henrique nas negociações.[41] Como resposta, o rei arranjou um encontro com Anselmo e eles
conseguiram chegar numa solução de compromisso em Laigle em 22 de julho de 1105. Parte do
acordo era que as excomunhões de Roberto e de seus associados fossem revogadas (dado que
eles agora aconselharam o rei a obedecer o papa); Anselmo fê-lo por sua própria autoridade, um
ato que depois teve que explicar a Pascoal.[42][43] Outras condições do acordo foram que
Henrique deveria abandonar a investidura secular se Anselmo obtivesse de Pascoal permissão
para que clérigos prestassem homenagem aos seus nobres; que as receitas da sé de Cantuária
fossem devolvidas a Anselmo; e que os sacerdotes fossem proibidos de casar. Anselmo então
insistiu em ter o acordo de Laigle sancionado por Pascoal antes de aceitar voltar para a
Inglaterra. Por carta, Anselmo também pediu ao papa que aceitasse o compromisso de prestar
homenagem ao rei, pois seria um pequeno preço a pagar por uma vitória maior, o fim do
conflito sobre as investiduras seculares.[44] Em 23 de março de 1106, Pascoal escreveu a
Anselmo aceitando a solução, embora ambos vissem o acordo como um compromisso
temporário e pretendiam continuar pressionando pelas reformas gregorianas, incluindo o fim
das homenagens.[45]
Guilherme II, no Dulwich Picture Gallery
Mesmo depois disso, Anselmo continuou se recusando a voltar para a Inglaterra.[46] Henrique
viajou para Bec e encontrou-se com ele em 15 de agosto de 1106. Lá, o rei fez mais algumas
concessões, restaurando a Anselmo todas as igrejas que havia tomado. Ele prometeu ainda que
nada mais seria tomado das igrejas, que prelados que haviam pago seu controverso imposto
(que havia começado como um imposto sobre clérigos casados)[47] seriam isentados de
impostos por três anos e, finalmente, que tudo o que havia sido levado de Cantuária durante o
exílio de Anselmo seria devolvido. Anselmo finalmente aceitou voltar depois de reforçar ainda
mais a posição da igreja frente à do rei.[carece de fontes?]

Já em 1107, a longa disputa sobre as investiduras estava finalmente resolvida. A Concordata de


Londres anunciou os compromissos de Anselmo e Henrique em Bec.[48] Os dois anos finais da
vida de Anselmo foram tranquilos e dedicados às suas funções em Cantuária. Como arcebispo,
viveu à altura de seus ideais monásticos, que incluíam zelo, prudência e instrução adequada ao
seu rebanho, além de oração e contemplação.[49] Anselmo morreu na Quarta-Feira Santa, 21 de
abril de 1109, em Cantuária, e foi enterrado na Catedral de Cantuária.[50]

Motivações
Vaughn interpreta as motivações de Anselmo no
conflito das investiduras como avançando os
Henrique I
interesses da sé de Cantuária em vez dos interesses
A vitória de Anselmo marcou o sucesso da Igreja
da Igreja como um todo.[51] Outros historiadores
Católica contra os monarcas ingleses na Questão
entendem que Anselmo estava alinhado com o das Investiduras.
papado contra os monarcas ingleses, mas Vaughn
afirma que ele teria agido por conta própria, como
um terceiro pólo da controvérsia, com o objetivo final de promover a primazia da Arquidiocese de Cantuária.
A visão de Anselmo sobre esta primazia seria demonstrada em seu capítulo de c. 3 de setembro de 1101, no
Tumba de Anselmo na Catedral da qual se autodenominou "arcebispo de Cantuária e primaz da Grã-Bretanha e Irlanda e vigário do sumo-
Cantuária pontífice Pascoal".[35]

No final de sua vida ele havia assegurado a primazia de Cantuária em relação ao papado e libertado Cantuária
de sua submissão ao rei inglês.[48] Além de assegurar a primazia sobre os bispos ingleses, Anselmo também deu início ao controle permanente sobre os
bispos galeses e conseguiu exercer uma poderosa influência sobre os irlandeses durante sua vida.[52] Anselmo conseguiu forçar Pascoal a enviar-lhe o
pálio para o arcebispo de Iorque para que o novo arcebispo fosse forçado a jurar-lhe obediência antes de recebê-lo.[53] Em seu leito de morte, Anselmo
anatemizou todos os que não reconheceram a primazia de Cantuária sobre Iorque, como Tomás II de Iorque,[52] um ato que forçou Henrique a ordenar
que Tomás o fizesse.[carece de fontes?]

Obras
Anselmo dedicou-se à filosofia, aplicando a razão em vez do apelo à autoridade das Escrituras ou da patrística para estabelecer as doutrinas da fé cristã.
Estilisticamente, os tratados de Anselmo assumem duas formas, diálogos, de cunho pedagógico,[54] e meditações. Seu grande predecessor, João Escoto
Erígena, foi mais especulativo e místico em suas obras.[carece de fontes?]

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O mote de Anselmo era "fides quaerens intellectum" ("fé em busca de entendimento") que, para ele,
significava "um ativo amor de Deus em busca de um conhecimento mais profundo de Deus".[55] Ele escreveu
"Neque enim quaero intelligere ut credam, sed credo ut intelligam. Nam et hoc credo, quia, nisi credidero,
non intelligam." ("Nem busco entender para que possa acreditar, mas acredito que possa entender. Por isso,
também, acredito que, a não ser que eu primeiro acredite, não serei capaz de entender"). Esta frase foi
possivelmente inspirada por Santo Agostinho ("Dez Homilias sobre a I João", tratado XXIX sobre João 7:14-
18, §6): "Portanto, não busque entender para que acredite, mas acredite para possa ser capaz de
entender".[56] Anselmo defendia que a fé precede a razão e que a razão pode expandir a fé.[57]

A obra-prima sobre a teoria do conhecimento de Anselmo é o tratado "De Veritate", no qual afirma a
existência de uma verdade absoluta da qual todas as verdades participam. Esta verdade absoluta, argumenta
ele, é Deus, que é a base ou princípio de tudo e do pensamento.[carece de fontes?] A visão de mundo de Anselmo
Tríptico de Santo Anselmo
era, grosso modo, a do neoplatonismo, que herdou de seu grande influenciador, Santo Agostinho, assim como
de Dionísio Areopagita, possivelmente, de Escoto.[58] Ele também herdou sua forma racionalista de pensar de
Aristóteles e de Boécio.[carece de fontes?]

Provas teístas
O "Monológio", escrito em 1077, inclui uma defesa da existência de Deus, mas também muitas discussões sobre os
atributos divinos e sua economia, além de algumas sobre a mente humana. A obra começa assim:

Se alguém não sabe, seja por que não ouviu ou por que não acredita, que há uma
“ natureza, suprema sobre todas as coisas existentes, que sozinha é auto-
suficiente em sua felicidade eterna, que através de sua bondade onipotente ”
concede e faz com que todas as coisas existam ou tenham algum tipo de bem-
estar, e uma grande quantidade de outras coisas que devemos acreditar sobre
Deus ou sua criação, penso que este devia pelo menos se convencer da maior
parte destas coisas pela simples razão se for moderadamente inteligente
— Anselmo de Cantuária, Monológio[55].
Nos primeiros capítulos, apresenta a defesa da bondade em todas as coisas que só podem existir pela presença da
bondade "em si". A prova do Monológio argumenta a partir da existência de muitas coisas boas em direção a uma
unidade da bondade, um única coisa através da qual todas as outras coisas são boas.[54] Ele continua explicando que
"coisas" são chamadas de "boas" em graus e formas variadas que seriam impossíveis se não houvesse algum padrão
absoluto e alguma bondade "em si", da qual toda bondade relativa é parte. O mesmo vale para adjetivos como
Immanuel Kant comentou e "grande" ou "justo", por meio do qual coisas tem uma certa medida de grandeza e justiça. Anselmo usa este
criticou a obra de Anselmo. raciocínio para afirmar que a própria existência de coisas seria impossível sem algum único Ser através do qual elas
passam a existir. Este Ser absoluto, esta bondade, justiça e grandeza, é Deus. Anselmo não se satisfaz completamente
com este raciocínio, porém, por que começa a partir de bases a posteriori, ou seja, é um raciocínio indutivo e não uma dedução como preferia.[55]

Em seu Proslógio, Anselmo tentou encontrar um único argumento que não precisava de nada além de
si próprio como prova, que seria suficiente em si mesmo para mostrar que Deus realmente existe; que
ele é a bondade suprema dependente de nada mais, mas do qual tudo depende para existir ou para seu
bem-estar. Estudiosos medievais chamaram-no de "ratio Anselmi" ("argumento de Anselmo").
Immanuel Kant posteriormente chamou-o de "argumento ontológico".[55] Anselmo definia sua crença
na existência de Deus utilizando a frase "aquele que não se pode conceber nada que seja maior". Ele
argumentava que, se "aquele que não se pode conceber nada que seja maior" existisse apenas no
intelecto, ele próprio não seria "aquele que não se pode conceber nada que seja maior", uma vez que se
pode conceber que exista na realidade, que é maior que o intelecto apenas. Segue daí, segundo
Anselmo, que "aquele que não se pode conceber nada que seja maior" deve existir na realidade. A
maior parte do "Proslógio" é dedicada à tentativa de Anselmo de estabelecer a identidade "daquele que Iluminura inicial do Monológio de Anselmo
não se pode conceber nada que seja maior" como sendo Deus, estabelecendo assim que Deus existe de
fato.[55]

A prova ontológica de Anselmo tem sido objeto de controvérsia desde que foi publicada pela primeira vez na década de 1070. Ela foi combatida na época
pelo monge Gaunilo em sua "Liber pro Insipiente", onde argumentava que humanos não podiam passar do intelecto para a realidade. A resposta de
Anselmo veio em sua "Responsio". A crítica de Gaunilo foi depois repetida muitas vezes por filósofos posteriores, entre eles Tomás de Aquino e Kant.
Anselmo escreveu diversos outros argumentos para a existência de Deus baseados em argumentos cosmológicos e teleológicos.[59]

Outras obras
Em suas demais obras, Anselmo luta para afirmar a base racional das doutrinas cristãs da criação e da Trindade, que ele discutiu primeiro afirmando que
seres humanos não poderiam conhecer Deus em si, mas apenas através de uma analogia. A que ele utilizou foi a da auto-consciência do homem.[carece de
fontes?]

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A peculiar dupla natureza da consciência - memória e inteligência - representam a relação do
Pai com o Filho. O amor mútuo entre os dois, que procede de uma relação que eles mantém
entre si, é o Espírito Santo. As demais doutrinas teológicas sobre o homem, como o pecado
original e o livre arbítrio, foram desenvolvidas no "Monológio" e em outros tratados.[carece de
fontes?]

Cur Deus Homo e a visão da satisfação na teoria da Expiação


A visão da satisfação na teoria da Expiação foi formulada por Anselmo em seu obra "Cur Deus
Homo" ("Por que Deus foi feito Homem?").[60] Ele tentou ali explicar a necessidade racional do
mistério cristão da expiação. O ponto central do argumento é que o ser humano pode compensar
pelo pecado humano contra Deus, mas sendo a compensação impossível para qualquer ser
humano individual, ela só poderia ser feita por Deus. Um ato assim só seria possível para Jesus
Cristo, o Filho, que é tanto Deus quanto homem. A expiação é alcançada através da morte de
Cristo, que tem valor infinito. Em última instância, na interpretação de Anselmo sobre a
expiação, a justiça e a misericórdia divina em seus sentidos mais amplos se mostram Deus Pai e a Virgem Maria, dois temas
completamente compatíveis.[54] explorados por Anselmo em sua teologia.
1500-01. Por Rafael, atualmente na Galeria Farnésio do
De acordo com esta visão, o pecado seria um débito frente à justiça divina que precisa ser pago Museu de Capodimonte, em Nápoles.
de alguma forma. Assim, nenhum pecado, segundo Anselmo, pode ser perdoado sem uma
devida "satisfação". Porém, o débito incorreto é algo muito maior que um ser humano é capaz de pagar. Todo serviço que uma pessoa pode oferecer a
Deus já está alienado por conta de outros débitos para com Deus.[60] A única forma pela qual se pode dar a satisfação - para que o homem se livre de seus
pecados - seria pela vinda de um "Redentor" que fosse também tanto homem quanto Deus. Ele próprio teria que ser livre de todo pecado e, portanto, não
ter nenhum débito incorrido. Sua morte seria então maior do que todos os pecados incorridos pela humanidade e corresponderia a uma superabundante
"satisfação" à justiça divina.[carece de fontes?]

De forma similar, a visão da satisfação de Anselmo tem sido utilizada por teólogos modernos em suas
críticas genealógicas da teologia cristã. George Foley, por exemplo, um professor de assistência
pastoral, escreveu em 1908 que apesar de a afirmação "tradicional" da doutrina de Anselmo inspirou o
desenvolvimento de muitas vidas devotas e consagradas, seu poder vem do fato que ela é uma
testemunha "emocional" da realidade fundamental do amor e sacrifício encarnado. Assim, Foley alega
que a doutrina não é uma teoria positiva (que afirma, em oposição a uma que nega) e que provocou
"graves prejuízos" nos século seguintes.[61] Embora Foley não cite nenhum exemplo claro do tal "grave
prejuízo", ele relaciona a teoria de Anselmo com a teoria da satisfação da Reforma. Ela foi aceita como
"ortodoxa" por diversas correntes protestantes e continuou a sê-lo até o final do século XIX. Foley
acredita que "A adoção de Anselmo de uma interpretação puramente objetiva da obra de Cristo e sua
assunção de penetrar - e capacidade de fazê-lo - nas relações esotéricas da Trindade, fizeram dele o
principal responsável pela bisbilhotação intrusiva nos mistérios divinos e pela familiaridade
Início do prefácio do Cur Deus Homo confiante com a porção não revelada da verdade que nasceu na tirania dogmática tão comum nas
igrejas protestantes.".[62]

Anselmo negou a crença que no que atualmente chamamos de Imaculada Conceição,[63] embora sua forma de pensar tenha lançado as bases para o
desenvolvimento da doutrina no ocidente. Em "De virginali conceptu et de peccato originali" ("Do Conceito de Virgindade e o Pecado Original"),
Anselmo propôs dois princípios que se tornariam fundamentais na discussão. O primeiro é que seria adequado que Maria fosse tão pura que nenhum
outro ser mais puro pudesse ser imaginado, com exceção de Deus. O segundo, que abriu caminho para o dogma no futuro, foi sua compreensão sobre o
pecado original.[64] Anselmo afirmou que o pecado original seria nada mais do que a natureza humana desprovida da justiça divina e que seria
transmitida (no nascimento) por que os pais não podem conceder a justiça divina por que eles próprios não a têm. O pecado original seria portanto a
transmissão da decadência da natureza humana. Em contraste, os contemporâneos de Anselmo defendiam que a transmissão do pecado original teria
relação com a natureza lasciva do ato sexual. Anselmo foi o primeiro a separar o pecado original do desejo sexual.[carece de fontes?]

Influência
As obras de Anselmo foram copiadas e disseminadas ainda durante a sua vida e exerceram grande
influência sobre os escolásticos posteriores como Boaventura, Tomás de Aquino, João Duns Escoto e
Guilherme de Ockham.[54] Seu tratado sobre a processão do Espírito Santo ajudou a guiar as
especulações escolásticas sobre a Trindade, "Cur Deus Homo" iluminou o caminho para a teoria da
Expiação e sua obra antecipou muito do que seria discutido nas futuras controvérsias sobre o livre
arbítrio e a predestinação.[21]

Dilecto dilectori
Alguns autores já relataram que Anselmo teria escrito muitas cartas para monges, parentes do sexo
masculino e outros contendo apaixonadas expressões de apego e afeição. Estas cartas eram tipicamente Iluminura do século XII das meditações de
endereçadas a "dilecto dilectori", que se pode traduzir como "ao querido amado". Apesar de ser Anselmo da Cantuária
amplamente reconhecido que Anselmo estava completamente comprometido com o ideal monástico do

https://pt.wikipedia.org/wiki/Anselmo_de_Cantu%C3%A1ria 6/8
09/09/2018 Anselmo de Cantuária – Wikipédia, a enciclopédia livre
celibato, alguns estudiosos, incluindo Brian P. McGuire[65] e John Boswell[66] consideraram estes textos como expressão de uma inclinação
homossexual.[67] Outros, como Glenn Olsen[68] e Richard Southern os descrevem como representativos de uma afeição "totalmente espiritual" "nutrida
por um ideal incorpóreo".[69]

Reconhecimento
O aniversário da morte de Anselmo, em 21 de abril, é celebrado pela Igreja Católica, pela maior parte da Comunhão Anglicana e por algumas correntes do
luteranismo.[carece de fontes?] Sua canonização foi solicitada por Tomás Becket em 1163 e é possível que tenha sido formalmente canonizado em algum
momento antes da morte deste em 1170, mas nenhum registro oficial sobreviveu, apesar de, a partir daí, Anselmo ter sido incluído no rol dos santos em
Cantuária e em outros lugares. Alguns estudiosos defendem que a canonização de Anselmo só teria sido executada em 1494 pelo papa Alexandre VI
Bórgia.[70][71] Foi proclamado Doutor da Igreja em 1720 por Clemente XI.[72] Em 21 de abril de 1909, 800 anos depois de sua morte, São Pio X emitiu
uma encíclica, "Communium Rerum", elogiando Anselmo, sua carreira eclesiástica e suas obras. Seu símbolo na hagiografia é um navio que representa a
independência espiritual da Igreja.[carece de fontes?]

Ver também
Anselmo de Cantuária
(1093-1109)

Precedido por: Sucedido por:


Arcebispos de Cantuária
Lanfranco de Raul de Escures
38.º
Cantuária (em 1114)

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Ligações externas
«St. Anselm of Canterbury (1033—1109)» (http://www.iep.utm.edu/ans
Este artigo incorpora texto do artigo «Anselm» (http://www.1911encycl elm/) (em inglês). Internet Encyclopedia of Philosophy
opedia.org/Anselm_(Archbishop)) da Encyclopædia Britannica (11ª
edição), publicação em domínio público. Christoph Zimmer (2005). «Logik der Ratio Anselmi» (http://www.zmm.
cc/RatioAnselmi.pdf) (PDF) (em inglês)
Thomas Williams. «Saint Anselm» (http://plato.stanford.edu/entries/ans
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