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Aprender um instrumento na maturidade


não é impossível quando há orientação e
esforço adequados
Segundo especialistas, as experiências adquiridas ao longo do tempo podem até
dar uma cadência especial ao desafio

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Correio Braziliense
Publicação:01/09/2013 11:00 Atualização:02/09/2013 07:20

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Após a
aposentadoria, 09:00 Do quê você ri?
Assis decidiu
dedicar‑se ao
violão: 'A música 09:00 Sistema permite uso de teclado virtual
ajuda a passar o apenas com a força da mente
tempo com mais
tranquilidade'
(Viola Júnior/Esp. 09:00 De infartos à zika: fique atento às
doenças do calor
CB/D.A Press)
Após a
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saúde mental de idosos
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tempo com
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tranquilidade" antibiótico

09:00 Técnica faz cérebro escutar sua


 “A arte torna a vida menos árida.” Por pensar assim, Assis Coelho, 63 anos, decidiu ter aulas de violão atividade neural para tratar enxaqueca
no ano passado. Ele já arranhava alguns acordes que aprendera sozinho, mas acreditou que era o e hipertensão
momento, depois da aposentadoria, de se dedicar ao violão e dominar, de fato, o instrumento. “Agora,
estou realmente aprendendo a tocar. Sozinho, você não vai muito longe”, afirma.

A música sempre esteve presente na vida do professor, que usava, desde jovem, letras dos Beatles e de
outras bandas para aprender inglês. Depois de se aposentar, ele teve o tempo disponível para se dedicar
a mais atividades. Sedento pela busca de conhecimento, o também escritor encaixou o estudo de violão
na nova rotina. “A música sempre me atraiu. Depois de me aposentar, tive o tempo necessário”, diz.

Para Assis, não existe a intenção de se tornar um


SAIBA MAIS... virtuose. Os benefícios do aprendizado de música são
outros. Diminuir a solidão, facilitar novas amizades,
Estudo decifra o processo de deixar a memória mais atenta estão entre eles. “Existe
envelhecimento também um bem‑estar maior, a música ajuda a passar o
tempo com mais tranquilidade.” A intenção do professor
aposentado é continuar a aprender até quando puder.
Mineiros centenários mostram que é
“A música é uma companheira para a vida toda”,
possível viver bem, mesmo com a idade
acredita, para, logo em seguida, citar Nietzsche: “Sem a
avançada
música, a vida seria um erro”.

Sedentarismo influi no efeito de vacina O senso comum diz que o aprendizado musical só é
em idosos possível quando jovem, mas especialistas e casos como o
de Assis comprovam que nem sempre a afirmação
popular é verdadeira. Apesar de enfrentar dificuldades
naturais, pessoas mais velhas, quando bem orientadas,
são capazes de receber educação musical e de aprender um instrumento. “Depende da vontade, da
atenção e das condições de saúde. Se esses quesitos forem preenchidos, qualquer pessoa pode
aprender”, explica a mestre em música pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Eliane Martinoff.
Presente desde o início na vida, a linguagem musical já está, de certo modo, inserida no cotidiano e no
imaginário mesmo de quem nunca tenha encostado em um instrumento musical. Por isso, aprender
música depois de mais velho pode ser mais fácil do que se pensa. Doutora em ciências da saúde e
graduada em música, Maria Eugênia Albinati tem experiência com o ensino musical na maturidade e
confirma a ideia de que a presença cotidiana de canções ajuda no aprendizado tardio. “De todas as
linguagens artísticas, a música é a mais presente na vida das pessoas. Então, o idoso já tem
familiaridade com ela.”

Renovação
Mestre em música pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Andréa Cirino trabalhou com o
tema em sua dissertação de mestrado. Para ela, o fato de o desempenho musical na maturidade não se
igualar ao processo que se dá quando o aprendizado acontece na juventude ou na infância não pode ser
visto como um impedimento. Essa dificuldade pode, inclusive, ser compensada pela experiência que se
adquire ao longo da vida. “A competência que a pessoa já tem pode ser explorada para a descoberta de
novos significados”, afirma.

 Aos 73 anos, o aposentado Luiz Ribeiro voltou, há três meses, às aulas de violão depois
de 20 anos sem estudar formalmente o instrumento. A intenção de Luiz era aprimorar a Depois de
técnica. Com o passar do tempo, o aposentado notava algumas dificuldades surgidas 20 anos, Luiz
pela falta de prática. “Não tinha mais agilidade e precisava de mais desenvoltura”, voltou às
conta. aulas de
música para
Outro benefício conquistado é a possibilidade de se atualizar nos novos estilos musicais. aprimorar a
Com as aulas, Luiz planeja acompanhar melhor as mudanças e aprender técnicas que técnica e
lhe possibilitem estar mais próximo das diferentes e novas maneiras de tocar o ganhar mais
instrumento. “A música evoluiu bastante. Muita coisa que é feita agora não era agilidade
antigamente”, afirma. O único desafio que diz enfrentar nas aulas é a dificuldade das (Viola
mãos para acompanhar alguns exercícios. Júnior/Esp.
CB/D.A
Manter‑se em atividade com o estudo de violão, para Luiz, também é uma forma de Press)
acompanhar as transformações da sociedade. “Na minha idade, às vezes, é difícil seguir Depois de
as mudanças que acontecem, as aulas ajudam a me atualizar nisso”, diz. O aposentado 20 anos,
se diz satisfeito por voltar a praticar uma atividade que acredita fazer bem para a sua Luiz
vida e, com isso, se manter ativo depois de chegar à maturidade. “Diferentemente de voltou às
uns 15 anos atrás, hoje a terceira idade já não tem mais impedimento para praticar o aulas de
que quer que seja”, afirma. música
para
Se caem os preconceitos, ficam ainda mais evidentes os benefícios. “A música, como aprimorar
linguagem para se expressar, propicia saúde, aumento da autoestima, bem‑estar, a técnica  
sociabilidade, percepção e autonomia na vida social”, enumera Andréa Cirino. Segundo e ganhar
Albinati, o aprendizado na maturidade pode ser fator de mudança em diversas áreas. mais
Por meio da música, é possível manter a memória mais ativa e evitar o isolamento, por agilidade
exemplo. Tocar um instrumento musical torna ainda possíveis os momentos de
socialização, reuniões que acontecem em torno da música. “Por propiciar trabalho em
grupo prazeroso, o instrumento musical estimula a sociabilização na maturidade e
propicia se expressar e se comunicar”, ressalta a especialista em ciência da saúde.

Uso até na reabilitação física

“A manipulação do instrumento musical, embora se assemelhe a alguns exercícios físicos propostos pelos
atendimentos de fisioterapia ou de fonoaudiologia do idoso, adquire para ele um significado maior ao
resultar em música. O prazer de criar sons interessantes o leva a repetir muitas vezes o mesmo
exercício, tornando o instrumento musical um recurso importante à reabilitação física, capaz de motivá‑
lo a fazer movimentos que, sem música, não resultariam em fruição estética.”

Maria Eugênia Albinati, especialista em ciência da saúde

Tags: idoso maturidade envelhecimento música experiência instrumento musical

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