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ESTUDO DE CASO DA CONURBAÇÃO URBANA MARINGÁ-SARANDI-

PAIÇANDU

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Daysa Ione Braga Amadei

Juliana Alves Pereira 2

Rafael Alves de Souza 3

RESUMO

Com o crescimento das cidades e a proximidade de seus limites urbanos o processo de conurbação
se instala e conjuntamente são instalados sérios problemas administrativos, sociais, antropológicos,
ambientais e de locomoção. O trabalho apresentado estudou a cidade pólo Maringá e seus
municípios conurbados, Paiçandu e Sarandi, conforme a metodologia de Condicionantes,
Deficiências e Potencialidades – CDP. Através dos resultados obtidos pela análise constatamos a
forte relação de dependência entre as cidades do aglomerando sendo que Maringá oferece
subempregos e Paiçandu e Sarandi tem oferecido a mão-de-obra. Porém essa relação não tem
causado apenas benefícios para a cidade pólo. Um exemplo significativo é em relação às redes
públicas hospitalares e de ensino, principalmente médio. As infra-estruturas e equipamentos da
cidade têm sido sobrecarregados de maneira geral. Notou-se também o desrespeito à legislação
ambiental e falta de fiscalização. Finalmente colocou-se que as cidades agregadas à pólo tendem à
estagnação econômica enquanto a situação das infra-estruturas e equipamentos de Maringá tendem
a agravar-se, acarretando na diminuição da qualidade de vida hoje existente no município. Constata-
se que para que se tenha um melhor desenvolvimento futuro das cidades é necessária uma política e
ações que reforcem e despertem as potencialidades de cada cidade, para que elas possam ter mais
independência econômica em relação à cidade pólo e, ao mesmo tempo continuarem ligadas entre si
através da prestação de serviços conforme as especialidades de cada lugar.

Palavras-chave: Conurbação urbana; Condicionantes; Deficiências; Potencialidades.

1
Mestranda, Universidade Estadual de Maringá-UEM, Programa de Pós-graduação em Engenharia Urbana-
PEU, daysaamadei@gmail.com
2
Mestranda, Universidade Estadual de Maringá-UEM, Programa de Pós-graduação em Engenharia Urbana-
PEU, arq.jul@hotmail.com
3
Prof. Dr., Universidade Estadual de Maringá-UEM, Departamento de Engenharia Civil-DEC,
rsouza@uem.br
1. INTRODUÇÃO

A partir da década de 1970, quando houve uma grande geada área cultivada com café no
Estado do Paraná, a população rural tem migrado para as cidades. Na região de Maringá não foi
diferente. O êxodo rural ocorrido, com decorrer dos anos, contribuiu para o intenso povoamento das
cidades provocando um inchaço na área urbana.
Atualmente as malhas urbanas das cidades de Maringá e Sarandi já se unem em
determinados trechos. A área industrial de Maringá já se confunde com a área industrial de
Paiçandu.
Em decorrência disto é necessário que se realize uma análise e planejamento que contemple
as cidades em uma esfera de micro-região gerada pela conurbação para que se possam prever ações
e estratégias para o melhor desenvolvimento e crescimento das áreas em questão. O planejamento
urbano de forma geral propiciará o planejamento mais detalhado no que se refere aos sistemas
urbanos que conferem vida e mobilidade na cidade.
Nesse contexto, este trabalho visa compreender o que é conurbação urbana e como ela tem
ocorrido no recorte estipulado para o estudo. Posteriormente será realizada a análise das três cidades
em questão, seguindo a metodologia de Condicionantes, Deficiências e Potencialidades – CDP.
Por fim, confrontaremos as análises e traçaremos o cenário previsível para caso as situações
permaneçam como estão hoje e iremos propor o futuro desejável, em diretrizes gerais, para a
aglomeração urbana em destaque.

2. DESENVOLVIMENTO

A colonização do norte do Paraná se iniciou na década de 40 com a Companhia


Melhoramentos do Norte do Paraná – CMNP. Esta empresa planejou quatro cidades – Londrina,
Maringá, Cianorte e Umuarama – que distavam em aproximadamente 100 quilômetros uma da outra
e deveriam se tornar pólos regionais intercalados por pequenos patrimônios a cada 15 quilômetros.
Maringá, fundada pela Companhia, foi traçada obedecendo ao projeto urbanístico de Jorge de
Macedo Vieira, onde se demarcou as amplas ruas, avenidas e praças, considerando ao máximo as
características topográficas do sítio escolhido e revelando a lúcida preocupação com a preservação
das áreas verdes e vegetação nativa.
A nova cidade, como fruto do urbanismo moderno, estabeleceu as áreas residenciais,
comerciais, industriais, de comércio atacadista, etc., em setores. Previa abrigar uma população total
de 200.000 habitantes em 50 anos, proposta que a muito foi superada.
O povoamento iniciou-se por volta de 1938, na área hoje conhecida como Maringá Velho.
Com o decorrer dos anos da década de 40 começaram a ser erguidas as primeiras e toscas
edificações propriamente urbanas, que se destinavam à compra e venda de terras, algum comércio
varejista e hospedagem dos colonos recém-chegados ou daqueles que se dirigiam ao Rio Ivaí.
Os pioneiros que entre 1947 e 1949 chegavam em caravanas eram, na sua maioria, paulistas,
mineiros e nordestinos, e vinham atraídos principalmente pelo ciclo do café, destaque econômico
daquele período.
O traçado da cidade ficou pronto em 10 de maio de 1947. No mesmo ano foi lançada
oficialmente a venda de terrenos na área urbana, dando origem à fundação da cidade. As ruas
largas, avenidas e praças foram cuidadosamente arborizadas pelo paisagista Dr. Luiz Teixeira
Mendes.
Hoje podemos contemplar a realização do planejamento que contribuiu para que a cidade de
Maringá tivesse grande influência na sua região em relação à oferta de bens de consumo e serviços.
As cidades de Paiçandu e Sarandi têm estreitado a relação de dependência com a cidade pólo. A
divisão territorial de Maringá com Sarandi já não é mais nítida em decorrência da malha urbana que

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nas últimas décadas tem agravado o processo de conurbação urbana existente (PEREIRA, 2008).
Villaça (2001) corrobora que o crescimento das cidades conurbadas, ocorre devido a sua posição
territorial estratégica, que no caso de Maringá se dá desde os primórdios do seu planejamento.
A conurbação urbana caracterizada por Villaça como fusão de áreas urbanas pode ser
observado no decorrer das décadas de 80 até a década de 90, quando se deu o extravasamento da
mancha urbana da cidade sobre dois dos seus municípios limítrofes, Sarandi e Paiçandu
(VILLAÇA, 2001).

Figura 1: Conurbação urbana Paiçandu-Maringá-Sarandi


Fonte: Pereira-2008.

No recorte regional em estudo ressalta-se a forte relação sócio-econômica de Maringá com


os municípios do seu entorno imediato. A oferta de mão-de-obra é cedida pelas cidades vizinhas,
cuja população residente sobrecarga as infra-estruturas da cidade pólo. Em decorrência disto, os
deslocamentos pendulares são rotineiros e acarretam na qualificação de Paiçandu e Sarandi como
cidades dormitório.
Tonella (2002) expõe que a decorrente exclusão espacial em Maringá faz com que as
pessoas que não tem condições de morar na cidade pólo mudem para as cidades próximas onde o
acesso a terra é facilitado. Devido ao vínculo empregatício com a cidade sede da região
metropolitana, os municípios dormitórios, além de perderem sua independência econômica, acabam
por agregar a sua demanda habitacional a demanda que poderia ser do município empregador.
Maringá apresenta hoje um potencial imenso para a produção industrial e prestação de
serviços, por ser a cidade pólo de uma vasta região de influência, por estar locada no entroncamento
de importantes rodovias e ferrovia e ainda por estar no caminho da produção deste e de outros
Estados para o MERCOSUL.
A área territorial de Maringá, segundo o ITCG, 2007 é de 486,433 km² e a população,
conforme a contagem populacional do IBGE em 2007, é de 325.968 habitantes. Conforme os dados
do IBGE de 2000, 98,38% dessa população residem na área urbana. A densidade demográfica gira
em torno de 670,12 hab./km² considerando a área municipal total (IPARDES, 2007).
A área do Município de Paiçandu é de 170.896 km², segundo o ITCG (2007) e possui 34.640
habitantes, conforme a contagem populacional do IBGE (2007). A densidade demográfica,

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conforme IPARDES (2007) é de 202,70 hab./km² e o grau de urbanização, conforme IBGE (2000) é
equivalente a 96,29%.
O Município de Sarandi, adjunto a Maringá, apresenta uma densidade demográfica de
768,55 hab./km², conforme IPARDES (2007). Apresenta a área total de 103,683 km², segundo o
ITCG, (2007). O Município é quase totalmente urbanizado, com a taxa, conforme os dados do
IBGE (2000), de 97,30% de sua população total que em 2007, segundo a contagem populacional
do IBGE, era corresponde a 79.686 habitantes.

2.1. Metodologia: Condicionantes, Deficiências e Potencialidades

Existem diversas ferramentas de auxílio ao Planejamento Urbano e Regional, sendo a


metodologia Condicionantes, Deficiências e Potencialidades – CDP – uma delas.
Tal metodologia foi desenvolvida na Alemanha e, devido à facilidade de aplicação e sucesso
nos resultados, disseminou por diversos países. Hoje, é uma metodologia-base padrão na aferição de
diagnósticos em macro escala.
A sistemática CDP representa um método de ordenação criteriosa e operacional dos
problemas e fatos, resultados de pesquisas e levantamentos, proporcionando uma apresentação
compreensível, facilmente visualizável e compatível com a situação das áreas de interesse para o
planejamento. Tal característica lhe confere largo emprego na formulação de Planos Diretores
(SANTA CATARINA, 1999).
O emprego desse método proporciona um material informativo que vem a subsidiar
estratégias de ação para o desenvolvimento urbano, bem como evitar problemas futuros.
Os dados levantado são classificados em três categorias:
 Condicionantes: São os elementos existentes ou projetados que devem ser mantidos,
podendo ser de caráter espacial, funcional, infra-estrutural, ambiental, sócio-
econômico, administrativo ou legal. As condicionantes geram uma demanda de
manutenção;
 Deficiências: São as situações negativas que devem ser solucionadas, melhorando-as
ou eliminando-as, seja no âmbito qualitativo ou quantitativo. As deficiências geram
uma demanda de recuperação ou melhoria;
 Potencialidades: São os elementos ou recursos em potencial que não foram
adequadamente aproveitados, sendo incorporados positivamente no planejamento
urbano. As potencialidades geram uma demanda de inovação.
Para a aplicação da metodologia na região de Maringá, Sarandi e Paiçandu, foram
necessários levantamentos de dados e mapas, bem como visitas in loco. Foram analisados os
aspectos sócio-econômicos, ambientais, físico-territoriais, de infra-estruturas e equipamentos,
políticos e legislativos.
Para melhor visualização, neste trabalho a metodologia CDP é apresentada em tabelas, de
maneira a facilitar ao máximo a compreensão da situação atual das cidades abordadas.

2.2. Estudo de caso

2.1.1. Maringá

Dentro a região selecionada para estudo, Maringá é a cidade pólo, devido às suas dimensões,
ofertas de emprego, nível de qualidade de vida, disponibilidade de equipamentos e infra-estrutura
urbana, bem como maior diversidade de serviços oferecidos.

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Tabela 1 – Aplicação da metodologia CDP para Maringá
Condicionantes Deficiências Potencialidades
Sócio-econômico - Segregação de classes sociais - IDH (0,841) alto
- Baixo número de matriculados - coeficiente de mortalidade
no ensino médio baixo (9,41/ mil nasc.)
- Crescimento da desigualdade - Setor agroindustrial possui
de 1991 para 2000 intensa atividade
- Crescimento de 198,47% do - Grau de urbanização alto
número de indigentes (98,38%)
- Polarização industrial e de
serviços
- Agricultura Familiar
- Taxa de alfabetização de
adultos alta ( 94,61%)
- 51,68% da população
economicamente ativa
Ambiental e físico- -Descumprimento a legislação - Solos férteis com elevado
territorial ambiental potencial agrícola
- Poluição na Bacia do Rio - Política de recuperação de
Pirapó áreas degradadas
- Erosão e assoreamento (Rio -Instalação de parques nas
Pirapó, Parque do Ingá e Bosque áreas de proteção
2) - Arborização Urbana e áreas
- Ocupação irregular nos fundos de preservação
de vale
Infra-Estrutura e -Inexistência de um programa -Plano de gerenciamento de
Equipamentos regional de transporte coletivo resíduos
- Bairros periféricos não - Estação de Tratamento de
asfaltados Esgoto
- Má adequação dos - Usina de compostagem
equipamentos públicos - Energia elétrica
- 56,3% dos domicílios - Transporte coletivo urbano
apresentam serviço de - Hospital Universitário
esgotamento sanitário(2000) - Universidades e
Faculdades
- Coleta seletiva
Político -Grande número de vazios - Consórcios Intermunicipais
institucional urbanos
Legislativo - Falta de fiscalização - Plano Diretor Participativo
Fonte: Elaborado pelos autores-2009.

Observa-se que é uma cidade onde suas potencialidades preponderam sobre suas
deficiências, elevando o nível de qualidade de vida da população, o que também acarreta a uma
segregação social.

2.1.2. Paiçandu

Localizada a Oeste da cidade de Maringá, Paiçandu se caracteriza principalmente por ser


uma cidade dormitório, em que a maior parte da sua população residente exerce suas atividades na
cidade pólo.

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Tabela 2 – Aplicação da metodologia CDP para Paiçandu
Condicionantes Deficiências Potencialidades
Sócio-econômico - 14% dos domicílios vagos - Intensa atividade agrícola
- Insuficiência do ensino médio e (grãos)
superior; - Maior valor adicionado no
- Esperança de vida ao nascer setor de comércio e serviços,
baixa - Bom atendimento no
- IDH baixo (0,76) ensino fundamental;
- Taxa de crescimento rural - Mortalidade infantil baixa
negativo (8,79/mil nasc.)
- Dependência econômica de - Aumento populacional
Maringá - Grau de urbanização alto
(96,29%)
Ambiental e físico- - Inexistência de matas nativa e - Solo fértil, composto por
territorial ciliar basalto, ideal para atividades
- Ocupação irregular dos fundos agrícolas
de vale - Espaço para locação de
- Poluição dos rios por habitação popular junto aos
agrotóxicos; vazios urbanos
-Vazios urbanos;
- Crescimento municipal
limitado pelos rios Paiçandu e
Bandeirante
Infra-Estrutura e - Apenas 3 agências bancárias; - 98% de abastecimento de
Equipamentos - 83% dos imóveis não possuem energia
esgoto; -100% de abastecimento de
- Lixões a céu aberto água;
- Falta de coleta seletiva
- Falta de pavimentação (20%)
- Sistema de saúde pouco
eficiente;
-Transporte coletivo apenas
intermunicipal;
Político- - Falta de políticas de - Apresenta sistema
institucional desenvolvimento econômico consorciado de saúde
Legislativo - Existência de legislação
municipal que regulamenta
zonas de proteção ambiental
que formam bosques
- Legislação sobre o solo
urbano
- Plano Diretor
Fonte: Elaborado pelos autores-2009.

Apesar de ter potencialidades similares às de Maringá, Paiçandu possui uma carência de


infra-estrutura e equipamentos, o que diminui a qualidade de vida da população.

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2.1.3. Sarandi

Está localizado a Leste da cidade pólo, sendo este um município que sedia a população
social e economicamente segregada devidos às atividades de especulação imobiliária, desde a
gênese maringaense.

Tabela 3 – Aplicação da metodologia CDP para Sarandi


Condicionantes Deficiências Potencialidades
Sócio-econômico -IDH (0,768) baixo - Esperança de vida ao
-Cidade dormitório nascer média
- População de baixa renda - Mortalidade Infantil baixa
-Falta de política de ($12,86/ mil nasc.)
desenvolvimento econômico -Áreas para expansão das
-Baixa arrecadação municipal atividades econômicas
- Crescimento desordenado -Maior despesa municipal é
- Processo acelerado de com a educação
conurbação com Maringá -97,30% de urbanização
-Poucas escolas públicas e -Aumento populacional
nenhuma particular de ensino -Estabelecimento de ensino
médio superior
Ambiental e físico- -Inexistência de matas nativas e - Solos férteis com elevado
territorial ciliares potencial agrícola
-Ocupação irregular dos fundos -Vários rios de pequeno
de vale dentro do perímetro porte
urbano
-Poluição dos rios por
agrotóxicos
Infra-Estrutura e -Lixão a céu aberto - Coleta de lixo três vezes
Equipamentos -Falta de água na área central por semana
devido a grande demanda - Coleta seletiva
- Ausência de asfalto nos bairros -Previsão de ampliação da
periféricos rede de abastecimento de
-Muitos poços artesianos água
-Falta de policiamento -Transporte coletivo
-Captação de água em poço
artesiano
-Energia elétrica (100%)
-Postos de saúde em quase
todos bairros
Político -Não apresenta conselho de -Consórcio intermunicipal de
institucional políticas urbanas saúde
Legislativo - Plano Diretor Participativo
Fonte: Elaborado pelos autores-2009.

Apesar de possuir potencialidades relevantes, suas deficiências estão relacionadas


principalmente aos aspectos sócio-econômicos, intensificando o processo de conurbação devido à
dependência com a cidade pólo.

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2.3. Resultados e Discussão

Confrontando o levantamento de dados das três cidades conurbadas, Maringá, Sarandi e


Paiçandu, resultou numa análise regional, apontando dentro de cada condicionante, as deficiências e
potencialidades comuns entre os municípios.

Tabela 4 – Resumo da metodologia CDP para a conurbação Maringá/Paiçandu/Sarandi


Condicionantes Cidades Deficiências Potencialidades
Sócio- econômicos -Paiçandu - IDH baixo - Proximidade com a
-Sarandi - Poucas escolas de cidade pólo Maringá
ensino médio -Áreas para expansão
- Esperança de vida ao das atividades
nascer baixa econômicas
- Dependência de
Maringá
- Cidade dormitório
- Apropriação de mão-
de-obra barata pela
cidade pólo
- Processo de conurbação
-Ocupações irregulares
-Maringá -Estabelecimento de
-Sarandi ensino superior
-Maringá (grãos) - Solo e clima com alto
-Paiçandu (cana) potencial
Sarandi (grãos) - Agricultura familiar
-Sarandi -Crescimento desordenado - Mortalidade Infantil
- Áreas significativas baixa
ocupadas por população
de baixa renda
-Maringá -Aumento populacional
-Paiçandu - Alto grau de
-Sarandi Urbanização
-Paiçandu -Alto número de
residências vagas
-Maringá - Deslocamentos para -Participam do
-Paiçandu atendimento de saúde consórcio de saúde
-Sarandi (exceto Maringá)
Ambiental e -Maringá -Pouca ou inexistência de - Potencial turístico
Físico-Territorial -Paiçandu matas nativas e ciliares (matas, recursos
-Sarandi -Poluição por agrotóxicos hídricos, pesqueiros,
-Ocupação de fundo de pontos turísticos)
vale
-Maringá - Problemas com erosão e - Áreas de preservação
assoreamento reflorestamento
-Instalação de parques
nas áreas de proteção
-Paiçandu - Vazios urbanos -Espaço para locação
-Sarandi de habitação popular

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Infra-estrutura e -Paiçandu -Tratamento inadequado
equipamentos de esgoto
-Falta coleta seletiva
-Paiçandu - Lixões a céu aberto
-Sarandi
- Maringá -Falta de pavimentação - Rede de energia
- Paiçandu em alguns trechos da elétrica e
- Sarandi cidade abastecimento de água
- Maringá - Aterro Controlado
-Plano de
gerenciamento de
resíduos
-Maringá - Presença de transporte
-Sarandi coletivo urbano
Político- - Maringá -Consórcio
institucional - Paiçandu Intermunicipal de
- Sarandi Saúde
Legislativo - Maringá - Falta de fiscalização - Plano Diretor
- Paiçandu
- Sarandi
Fonte: Elaborado pelos autores-2009.

Após a sistematização dos dados levantados percebemos as nítidas deficiências e


potencialidades regionais, com destaque para a forte relação de dependência de Paiçandu e Sarandi
com Maringá. O deslocamento de parte da população para trabalhar neste município, ocorre
principalmente pela demanda de mão-de-obra para subempregos. Dessa forma, nota-se que Maringá
também depende dessas duas cidades. Entretanto, tal inter-relação carrega consigo vários pontos
negativos, como, por exemplo, o aumento de usuários da rede hospitalar pública, firmando cada vez
mais a sobrecarga das infra-estruturas e equipamentos urbanos da cidade pólo.
Quanto ao aspecto ambiental e físico-territorial, observa-se o desrespeito à legislação
ambiental e a falta de fiscalização por parte dos órgãos competentes. Nas áreas de preservação
permanente e nos fundos de vale, nota-se o desmatamento intensivo, além do constante despejo de
agrotóxicos nos rios. Os impactos já são visíveis: erosões e assoreamentos ao longo dos mananciais.
A tendência é que esses recursos tornem-se cada vez mais escassos, já que as atividades agrícolas
têm se intensificado no decorrer do tempo.
Na esfera da educação, os dados revelam forte relação de dependência do ensino médio e
superior com a cidade pólo. Essa situação tende a se consolidar, seja pela ausência de instituição
privada nos demais municípios ou ainda por preconceito por parte da população, haja vista que esta
que não preenche as vagas dos estabelecimentos municipais e desloca-se para Maringá acreditando
ter ensino de melhor qualidade, inutilizando os investimentos feitos por suas prefeituras.
Sarandi e Paiçandu possuem lixão a céu aberto, o que contribui para a contaminação dos
solos e proliferação de doenças. No entanto, foi implantado recentemente um consórcio do lixo
intermunicipal para a implantação de uma usina de compostagem em fase experimental.
É possível prever que as cidades menores tendem à estagnação econômica, devido ao
processo de dependência por sua proximidade com uma cidade pólo. Para evitar esse cenário
previsível é necessário superar as brutais diferenças de nível de renda, qualidade de vida e
desenvolvimento econômico entre Maringá e os demais municípios.
É fundamental uma atitude que unifique a força dos agentes das cidades e da região pelo
desenvolvimento de um sistema integrado de gestão que priorize soluções amplas relativas aos
aspectos sociais, econômicos e ambientais. Ter como meta reforçar a individualidade de cada

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cidade, tornando-as interdependentes segundo suas características semelhantes, promovendo, assim,
uma possível desvinculação da cidade pólo.

3. CONCLUSÃO

O processo de conurbação se instala, principalmente, quando cidades menores surgem para


abrigar a população segregada devido às atividades imobiliárias especulativas de uma cidade maior.
Tal população exerce suas atividades econômicas na cidade pólo, gerando renda para a mesma.
Ainda usufrui toda infra-estrutura que essa oferece. O que nota-se é uma conseqüente estagnação no
desenvolvimento, em todos os aspectos, das cidades dependentes, que no caso são Paiçandu e
Sarandi.
Uma possível solução seria a iniciativa por parte dos grupos economicamente fortes e
politicamente representativos, desde que estejam imbuídos de concepções e intenções ideológicas
diversas das que os moveram até hoje - que nada mais é do que o capital -, para a independência das
cidades menores. O risco vislumbrado no horizonte é o de que as articulações relacionadas à Região
Metropolitana ocorram em benefício e esplendor de Maringá, em detrimento dos demais municípios
que compõem a região.

REFERÊNCIAS

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VILLAÇA, F. Espaço Intra-Urbano no Brasil. São Paulo: Nobel, 2001.

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