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Prémio Leaders & Achievers-Flecha Diamante 2016 PMR Africa

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Governo e Renamo encalhados

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TEMA DA SEMANA Savana 29-07-2016

Partes de costas voltadas

Mediadores voltam à casa


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-“Os mediadores querem coisas concretas” – Lourenço do Rosário
-“O problema está com Dhlakama”- Padre Filipe Couto

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Por Raul Senda*

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epois da euforia com a partes aceitaram a mediação inter-
chegada dos mediado- nacional, como religiosos, moçam-
res internacionais, o es- bicanos, vimos isso como um sinal
pectro da guerra voltou de esperança para resolver o dife-
a assumir uma posição de relevo. rendo”, disse.
Não é para menos: Mário Rafa- Para Matsolo, o desejo é que os
elli, o negociador-chefe da equipa mediadores continuassem a acom-
dos mediadores, que também teve panhar todo o processo negocial até
as partes se entenderem.

ció
um papel crucial nas negociações
Segundo o reverendo, o povo mo-
de Roma (1990-1992), anunciou, çambicano está bastante martiriza-
esta quarta-feira, a suspensão do do pela guerra pelo que já é tempo
diálogo até 08 de Agosto, depois de de parar com as armas duma vez
não ter conseguido uma trégua nas por todas.
hostilidades militares e as partes “A interrupção do diálogo constitui
terem encalhado na discussão da uma grande decepção para o povo
governação de seis províncias por moçambicano e os políticos deviam
parte da Renamo. Publicamente, reflectir e pensar no povo”, afirma.
Raffaelli disse que os mediadores
deram tempo para que clarifiquem
posições em relação à agenda.

Com dez dias de estadia no país,


cinco encontros com as delegações
so
Com dez dias de estadia no país, o grupo de mediadores internacionais chegou à conclusão de que as duas partes ainda não
estão devidamente preparadas para um diálogo sério
Matsolo condena a relutância da
Renamo em insistir que quer a
todo o custo governar as seis pro-
víncias. Para o reverendo, o espíri-
to de diálogo não se coaduna com
pre-condições.
“O diálogo é mesmo para aproxi-
do Governo e da Renamo na mesa condições em que se encontra com- pelo diplomata italiano Mário Ra- interrupção do diálogo, na última mar as partes. Cada um apresenta a
de diálogo, dois contactos com pletamente cercado. Na conversa ffaelli e o padre Ângelo Romano da quarta-feira, foi presenciado pelos sua sugestão, discute-se e encontra-
o Presidente da República (PR), não foi mencionado no pretendido Comunidade Sant’Egideo. representantes da União Europeia, -se um meio termo. Cada uma das
um
Filipe Nyusi, uma chamada tele- perímetro a posição das FDS (For- A confiança ganhou mais espaço nomeadamente, Mário Raffaelli e o partes tem obrigação de ouvir a
fónica de 90 minutos com Afonso ças de Defesa e Segurança) em re- após o primeiro encontro entre o Padre Ângelo Romero, assim como opinião da outra e em certas situ-
Dhlakama e 48 horas de reflexão lação às cidades de Chimoio, Tete e grupo de mediadores e as delega- do Presidente sul-africano, Mondis ações fazer cedências.
para concertar posições e definir Quelimane. ções do governo e da Renamo, so- Mpalwa. Os condicionalismos só vão atrasar
estratégias para aproximar as par- bretudo, quando o responsável da “Depois de 10 dias, os mediado- o processo e, consequentemente, a
tes, o grupo de mediadores interna- Da chegada dos mediado- delegação governamental, Jacinto res voltam aos seus países para fa- paz”, apelou.
cionais indicados pelo Governo e a res ao impasse Veloso, veio a público frisar que o zer consultas e deixar as partes a
Renamo chegou à conclusão de que Recorde-se que após oito meses, executivo e a Renamo confiavam organizarem-se e harmonizar suas
as duas partes ainda não estão de- o Governo aceitou a exigência da na capacidade dos mediadores para ideias, afim de trazer propostas
vidamente preparadas para um di- Renamo, sobre a necessidade de trazerem soluções para o regresso concretas para o diálogo”, disse Ra-
álogo sério e decidiu deixar o país. envolver a mediação internacional da paz definitiva, em Moç
Moçambique. ffaelli. “O governo e a Renamo de-
Ao que o SAVANA apurou, as no diálogo político, visando pôr fim Depois da primeira reunião, a 20 de vem usar este tempo para reflectir e
de

conversações encalharam no início à tensão político-militar. Julho, uma quarta-feira, os encon- preparar agendas para que no nosso
da discussão do primeiro ponto da No dia 18 de Julho, os mediado- tros da comissão mista sucederam- regresso esteja tudo claro para dis-
agenda: a governação de seis pro- res iniciaram com as diligências -se na quinta, sexta e sábado se- cutirmos”, recomendou.
contactando o PR e outras partes guintes. Os encontros começaram Mário Raffaelli fez notar que, nas
víncias do país por parte da Re-
influentes no xadrez político na- a descarrilar quando a Renamo pôs conversas que os mediadores man-
namo. O movimento de Afonso
cional. na mesa o primeiro ponto. Logo tiveram com os dois líderes, apela-
Dhlakama, tal como referiu em
nessa reunião, os representantes dos ram para a necessidade de se encon-
entrevista ao nosso jornal na última A vinda dos mediadores foi vista
mediadores escolhidos pelo gover- trar formas de acabar com a guerra.
edição, não desarma em relação à com grande expectativa, devido a
no não compareceram ao encontro. Raffaelli sublinhou que, quer o PR,
governação das seis províncias onde divergências profundas entre as
Segundo fontes próximas do en- Dinis Matsolo
io

reivindica vitória. Por outro lado, o partes. quer o líder da Renamo, voltaram a
contro, Kikwete nunca esteve nos reiterar o seu compromisso com a
governo argumentou que a preten- Depois de aceitar mediadores, o A par de pré-condicionalismos, Di-
encontros e Quett Masire, como estabilidade da país e frisaram que,
são é inconstitucional e o processo governo, de forma surpreendente, nis Matsolo refere que a constante
antigo presidente, aparentemente
deveria ser visto no quadro das ini- também propôs os seus mediado- desta vez, querem uma paz efectiva, troca de acusações entre as partes
não se sente confortável com um
ciativas de descentralização já ini- res. O PR enviou convites a Jakaya verdadeira e duradoura. também não ajuda na resolução do
papel subalterno, uma vez que a
ciadas. Perante a intransigência das Kikwete, ex-Presidente tanzaniano O impasse que está a dividir as duas conflito.
ár

mediação é liderada por Raffaelli.


duas partes, Rafaelli, que assume a e líder do Chama Chama Mpindu- partes aumentou o som das armas “Esta guerra é movida pelas duas
Já em situação de derrapagem, a
liderança dos mediadores, sugeriu zi, à Fundação Faith, dirigida por no terreno. Esta semana, a Renamo partes. São elas que se devem en-
partir de domingo, os mediadores
uma primeira interrupção dos con- Tony Blair, antigo primeiro-mi- voltou a ser acusada de ter amplia- tender e acabar com as hostilidades.
contactaram o PR e o líder da Re-
tactos na quinta-feira para consul- nistro inglês e à Fundação Global do o raio dos seus ataques. Houve A vitimização é apenas para enga-
namo, contactos que culminaram
tas com o presidente Filipe Nyusi e Leadership que se fez representar um ataque, semana passada, a um nar a opinião pública. O governo e
com a suspensão do diálogo nesta
esidente da Renamo.
o presidente ex-presidente tswana, Quett
pelo ex-pr centro de saúde em Maúa, na pro- a Renamo devem ser responsáveis e
quarta-feira.
Di

Masire. O convite a Blair foi passa- víncia do Niassa. Nesta segunda- acabar com o conflito porque quem
Segundo as nossas fontes, não hou- Para contornar o embaraço, foi ex-
-feira, em Cheringoma, na zona está a sofrer é o povo”, apelou.
ve abertura para contra-propostas do ao seu antigo chefe de gabinete, plicado que os mediadores foram
de Inhamintanga, foi atacado um
de ambas as partes. Por sugestão Jonathan Nicholas Powell, também obrigados a cancelar agendas nos
comboio da multinacional Vale. A “Os mediadores querem
de Nyusi, Raffaelli também terá dirigente da Inter Mediate. países de origem, custear as des-
Renamo argumenta que aumenta- coisas concretas” –
sugerido uma trégua nas hostilida- A Renamo tinha proposto a África pesas de alojamento, alimentação,
ram os bombardeamentos à serra Lourenço do Rosário
des militares a Dhlakama enquanto do Sul, a Igreja Católica e a União comunicações e outros gastos refe- O reitor da Universidade Politéc-
da Gorongosa onde, aparentemen-
decorrem as conversações. Aparen- Europeia. rentes à sua estadia na capital mo- nica e antigo mediador do conflito
te, se encontra o seu líder, Afonso
temente, o líder da Renamo aceitou O Presidente Jacob Zuma indi- çambicana, entendendo que há ne- Dhlakama. armado entre o Governo e a Re-
a sugestão, mas exigiu que as forças gitou três diplomatas, incluindo cessidade de haver mais seriedade O reverendo Dinis Matsolo é da namo, Lourenço do Rosário, disse
governamentais que se encontram o alto comissário sul-africano em das partes em conflito com vista a opinião de que a presença de me- que, ao contrário dos mediadores
em posição ofensiva junto à serra Maputo, Mondis Mpalwa, a Igreja flexibilizar o processo negocial. Os diadores internacionais é crucial, nacionais que pacientavam as ne-
da Gorongosa se retirem para um Católica indicou o núncio apos- mediadores indicados pelo gover- neste processo, porque está prova- gociações, por longo tempo e, por
raio calculado a partir da cidade da tólico, Edgar Pena e o Secretário no, nomeadamente Quett Masire do, mais do que nunca, que as par- vezes, sem coisas concretas para
Beira. Dhlakama terá dito ao diplo- da Conferência Episcopal de Mo- e Jonathan Powell, deixaram o país tes em conflito nunca se entendem discutir, os internacionais
mata italiano que não faz sentido çambique, João Carlos Nunes, e na segunda-feira. sozinhas. têm suas agendas, pelo que,
aceitar uma trégua nas presentes a União Europeia é representada O encontro, que culminou com a “A partir do momento em que as “querem coisas concretas”.
Savana 29-07-2016
TEMA DA SEMANA 3

Num troço com fortes posições militares

Comboio da Vale atacado em Cheringoma


U
Por André Catueira

o
m comboio da minerado- circulação na via. forçadas posições militares para assegurarem que estão garantidas ações de camiões incendiados, que
ra Vale Moçambique foi Os primeiros ataques às locomoti- assegurar o tráfego. condições de segurança e baixaram vinham acontecendo, eram por
alvo de um novo ataque vas foram justificados pela oposição A vale paralisou a circulação de os ataques às colunas escoltadas exemplo quatro ou cinco camiões,

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segunda-feira na zona como sendo para travar o trans- comboios na linha de Sena a 8 de pelo exército. em cada um dos ataques que eles
de Becanta, distrito de Cheringo- porte de armamento pelo exército Junho, após dois ataques às loco- Na sexta-feira passada, um ataque perpetravam e isso definitivamente
ma, em Sofala, quase três semanas moçambicano, para alimentar as motivas, e retomou a evacuação de fez pelo menos 16 feridos, segundo deixou de existir”, frisou Leonar-
após a multinacional ter retornado ofensivas militares às bases do mo- carvão de Moatize para o porto da contou ao SAVANA um automo- do Colher,
Colher salientando que alguns
o escoamento do carvão na linha vimento na região centro do país. Beira a 27 de Junho. bilista que testemunhou o inciden- focos de ataques têm ocorrido aos
de Sena, depois de duas semanas Entretanto, a multinacional brasi- Este novo ataque é entendido te, mas a Polícia apenas confirmou automobilistas que circulam por
de paralisação, na sequência de leira Vale anunciou nesta quarta- como o corolário de novas perdas idos, todos condutores de
dois feridos, renitência fora das escoltas.
duas emboscadas consecutivas no -feira uma nova suspensão de cir- económicas segundo o director pesados, sendo um nacional e um De 1 a 7 de Junho, pelo menos 12
início de Junho, na mesma zona, culação da sua produção de carvão executivo da empresa estatal CFM malauiano, cujas viaturas eram camiões de transportes de carga,

ció
que tem um reforço de posições na linha de Sena, após o ataque centro, que administra a linha, principais alvos, até que foi mon- incluindo camiões tanques, a maio-
militares para garantir segurança. armado contra um comboio da Cândido Jone, adiantando que há tada a maior escolta que existe ac- ria do Malawi, foram incendiados
empresa na segunda-feira no troço. todo um trabalho a ser feito para tualmente – tem 270 quilómetros ao longo da EN7, por supostos
Segundo apurou o SAVANA, o “A empresa participou a ocorrência garantir segurança no troço. – entre Vanduzi (Manica) a Chan- homens armados da Renamo no
maquinista e um segurança da lo- às entidades competentes e sus-   O director executivo da empresa gara (Tete) junto ao rio Luenha distrito de Báruè (Manica), o que
comotiva ficaram feridos, quando pendeu as actividades na linha do estatal CFM centro, Cândido Jone, que divide as duas províncias. levou Lilongwe a ponderar deixar
cerca das 10:00 horas desta segun- Sena” precisou a Vale em comuni- disse à imprensa na Beira que há Segundo a Polícia de Manica, de usar estradas moçambicanas.
da-feira o comboio, que escoava cado, sem avançar a previsão do re- avolumadas perdas com as restri- em média três colunas, de escolta Em resposta, as autoridades intro-
carvão de Moatize para o porto da torno de circulação naquela linha, ções na circulação na linha Moati- obrigatória do exército no troço da duziram as escoltas obrigatórias a
Beira, foi alvo de disparos, atribu-
ídos aos homens armados da Re-
namo.
O maquinista foi ferido nas costas,
enquanto o segurança no braço e
na perna, apurou o jornal, depois
e aclarou que no comboio atacado
seguiam três trabalhadores, o ma-
quinista e o seu auxiliar e um se-
gurança da empresa privada G4S.

Sabotagem económica
so
ze-Beira, assegurando que um tra-
balho está a ser levado a cabo para
garantir uma circulação segura.
 A empresa estatal CFM, respon-
sável pela linha de transporte e es-
paço de manuseamento de carvão
EN7 Vanduzi-Changara, são alvos
de emboscadas por semana.
Leonardo Colher, chefe das re-
lações públicas no comando da
Polícia de Manica, disse que pelo
menos três colunas, escoltadas pe-
9 de Junho no troço, mas poucos
dias depois outros três camiões
foram incendiados próximo ao rio
Cagole, no sentido Nhampassa-
-cruzamento de Macossa (Báruè).
Ainda segundo a fonte, o aumento
que vários disparos contra a loco- O administrador de Cheringo- mineral, perdeu em duas semanas las Forças de Defesa e Segurança, de duas para seis escoltas diárias,
motiva foram feitos pela mata, per- ma, que confirmou na ocasião o de paralisação 68 comboios de car- são atacadas por semana, uma fre- no troço de 273 quilómetros – é
to de Nhamitanga (Cheringoma), incidente com o comboio da Vale gas da vale Moçambique
Moçambique. quência que considera mínima, se a escolta mais longa que existe -
um
uma zona onde foram reforçadas Moçambique, classificou o novo Como consequência,  a empresa comparada com as emboscadas an- de Vanduzi (Manica) a Changara
três posições militares, o que serviu ataque à locomotiva de “sabotagem estatal perdeu mais de 30 mil mi- teriores, que forçaram a introdução (Tete), permitiu a redução do nú-
de garantias de segurança para os económica”, assegurando que a in- lhões de meticais pela não circula- das escoltas no troço há um mês e mero de viaturas por escoltar e o
comboios da Vale voltarem a cir- vestida tem grave impacto político ção na via desta empresa que é um meio. aumento de segurança dos escol-
cular. e económico. dos grandes clientes dos CFM, ao “Especificamente aos ataques, eles tados.
“Aquilo é uma mata densa, então “Não tivemos muitos danos como longo da linha de Sena. têm ocorrido de forma esporádica. “O número de carros por escoltar
foram montadas posições do exér- tal, tivemos dois feridos ligeiros, Moçambique tem conhecido um Em termos de média por semana, reduziu, mas sob ponto de vista
cito para evitar novos ataques de- com tipo escoriações, um maqui- agravamento dos confrontos entre pode ser duas ou três vezes, naquela de segurança aumentou, porque é
pois da Vale ter suspendido a cir- nista e um segurança da locomo- as Forças de Defesa e Segurança manifestação típica de situações de complicado ter de escoltar 500 ca-
culação de comboios e ter imposto tiva, mas isso é uma sabotagem e o braço armado da Renamo, o guerrilha e imprevisíveis”, precisou miões, de alguma forma se não se
medidas de segurança para voltar a económica e com grave impacto, principal partido da oposição, além Leonardo Colher, adiantando que tomarem todas as medidas pode se
de

usar a linha”, disse um funcionário pois todas as pessoas vão gritar de acusações mútuas de raptos e tem valido a pronta intervenção pôr em causa as questões de segu-
público local. pela situação”, disse ao jornal José assassínios de militantes dos dois das Forças de Defesa e Segurança rança”, aclarou Leonardo Colher.
As locomotivas eram condicio- Domingos. lados. para se evitar cenários piores. Contudo, um transportador de
nadas a circular apenas de dia no O incidente ocorreu quase um mês A introdução das escoltas, pros- passageiros interdistrital assegurou
referido troço e novas negociações, após a mineradora ter retomado a Teatro na EN7 seguiu, melhorou de forma signi- que apenas uma escolta a cada sen-
exactamente na data do ataque, es- circulação de comboios na linha As incursões militares, atribuídas à ficativa a segurança das pessoas e tido tem sido feita por dia e tem
tavam em curso nos Caminhos de Moatize-Beira, depois de uma Renamo, continuam no centro de bens no troço, sobretudo o ataque se verificado um congestionamen-
Ferro de Moçambique (CFM) na paralisação de duas semanas em atenção em Manica, com as preo- de camiões de transporte de com- to nos estacionamentos dos dois
Beira, para alargar o perímetro de Junho, devido à situação de inse- cupações a crescerem entre os uti- bustíveis e alimentos. extremos, além de “super demoras
segurança e o condicionalismo de gurança no troço, onde foram re- lizadores da via e as autoridades a “Acabamos de evitar aquelas situ- nas esperas das escoltas”.
io

Para o académico, esta inter- para explicar a presente interrupção o diálogo, Filipe Couto diz que a teressado em resolver o problema
rupção, para a reorganização e e diz que se os mediadores decidi- Renamo também tem a obrigação da paz. Ele encarnou no seio de si
harmonização da agenda, mos- ram parar o diálogo para o gover- de esclarecer a opinião pública e in- que as armas é que o tornam mais
ár

tra claramente que não estão cá no e a Renamo organizarem suas dicar a entidade que lhe legitimou relevante e forte. Sem armas em
paraa ver as duas partes a dar ditos agendas e trazer pontos concretos como vencedora dessas províncias e punho, perde o seu poder e, neste
por não ditos, trocarem acusações, para a discussão, isso é positivo. que deve governá-las. momento, não se quer ver despido
mas sim trazer coisas concretas que Porém, se pararam porque as partes Sublinha que, entre as partes em desse poder”, sentenciou.
possam ajudar na resolução do con- não têm nada de concreto para dis- conflito, há mágoas escondidas e
flito cutir, é preocupante e negativo. que levam a vaticinar que não será *Com Redacção
Di

Questionado se a interrupção do Filipe Couto, que também foi me- esta geração a acabar, definitiva-
diálogo não poderá pôr em causa
diador do diálogo político entre mente, a confusão, mas sim as ge-
um processo que já dava bons si-
2012 e 2014, defende a tese de que rações vindouras.
nais, o académico referiu que não
se deve criar um ambiente que per- Para Couto, o problema da Rena-
está dentroo do assunto, pelo que,
lhe tornaria difícil fazer suposições. mita encontros informais entre os mo não é a governação das seis pro-
Contudo, disse que a interrupção dois líderes e longe da cobertura víncias, não é a inclusão económica
mostra que o diálogo não está as- Lourenço do Rosário mediática. e muito menos a desmilitarização e
sim tão fácil como aparentava e que Couto avança que defende esta integração dos seus homens na vida
a imagem de que não é o principal
pode levar mais tempo. tese, na medida em que, os seus normal.
responsável pela crise e as acusações representantes no diálogo político Para ele, o problema está encarna-
Quanto às acusações que cada
uma das partes faz, o académico é fazem parte desse jogo de cintura. podem não lhes transmitir, fiel- do na pessoa de Afonso Dhlakama
da opinião de que a vitimização é mente, as questões discutidas e isso que construiu a Renamo no sentido
normal numa situação de conflito O problema está com provocar alguma confusão. de se fazer valer como uma organi-
armado. Dhlakama Sobre a governação das seis provín- zação forte quando tem do seu lado
Segundo Lourenço do Rosário, O antigo reitor da UEM, Filipe cias, exigência feita pelo maior par- homens com armas em punho.
cada uma das partes quer tentar dar Couto, lança duas possibilidades tido da oposição para avançar com “O senhor Dhlakama não está in- Padre Couto
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TEMA DA SEMANA Savana 29-07-2016

Oposição acusa Governo de criar fundo


para pagar dívidas ocultas

o
A
Por Argunaldo Nhampossa

log
s bancadas parlamentares Assim, o orçamento rectificativo pas- Outro ponto que inquietou a oposi-
da Renamo e MDM vo- sa para 243,4 mil milhões de meticais ção foi o agravamento de 3.350 mil
taram contra a revisão do contra os 246,1 mil milhões de meti- meticais na rubrica que autoriza o go-
Plano Económico e Social cais aprovados ano passado. verno a emitir garantias e avales, que
(PES) e o respectivo Orçamento de A rubrica das despesas de funciona- partiu de 22.750 mil meticais para
Estado (OE), alegando que o governo mento regista uma subida, passando 26.100 mil metic
meticais.
montou uma engenharia para susten- dos 136,2 mil milhões aprovados em A Renamo entende que esta é uma
tar o pagamento das dívidas ocultas. 2015 para 143,3 mil milhões. Ma- engenharia montada pelo governo
As duas bancadas fundamentam a sua leiane justifica este incremento como para legalizar as dívidas ocultas emi-
posição com o facto de o executivo ter consequência do efeito combinado do tidas a favor da Proindicus e da Mo-

ció
revisto em alta a rubrica de “garantias ajustamento em baixa nas rubricas de zambique Asset Managent (MAM).
e avales” que passaram dos anteriores despesas com pessoal, bens e serviços No mesmo diapasão, o MDM disse
22.750 mil meticais, para 26.100 mil em linha com os critérios de revisão e que esta seria uma maneira de emitir
meticais. 9RWRPDLRULWiULRGD)UHOLPRYLDELOL]DDDSURYDomRGR3(6H2(UHFWLÀFDWLYRV do incremento dos encargos
encarg da dívida, um cheque em branco para o governo
transferências correntes e outras des- legitimar aquelas dívidas.
No entanto, a bancada da Frelimo, que serviços essenciais de educação, saúde, deverão estar nos USD 1,2 milhões, Incomodado com estes posiciona-
pesas correntes.
com recurso à chamada “ditadura do abastecimento de água, energia e pro- contra 2,3 programados. As expor- mentos, o ministro da Economia e Fi-
No cenário contrário, as despesas de
voto” viabilizou esta quarta-feira os tecção social. tações passarão dos actuais USD 3,6 nanças, Adriano Maleiane, convocou
investimento baixam dos actuais 83,9
dois instrumentos, negou, em defesa Assim, a revisão do PES consistiu no milhões para USD 3,2 milhões. a imprensa após a aprovação do PES
mil milhões de meticais para 76,0 mil
ajustamento de 151 metas, do total de A nova proposta orçamental apresenta
do Governo, essa pretensão, alegando
que o valor aumentou devido à oscila-
ção da taxa de câmbio.
Evocando alteração dos pressupostos
macroeconómicos estabelecidos para
o presente ano, causados essencial-
mente pela desaceleração da economia
mundial, baixa dos preços das com-
433 e no adiamento de 69 acções do
total de 308, que constam do Plano
Económico e Social aprovado em De-
zembro de 2015.
Maleiane fez notar que as novas pre-
visões do OE revisto indicam que a
taxa do crescimento do PIB vai desa-
so
um défice de 77.8 mil milhões de me-
ticais que, de acordo com o ministro
de Economia e Finanças, é referente
às despesas de investimento, mas es-
pera mobilizar recursos para a respec-
tiva cobertura.
“O adiamento das acções abrangeu,
milhões de meticais, como efeito di-
recto da suspensão do apoio financei-
ro, pois no entender do ministro este é
o sector onde se fazia sentir o dinheiro
dos doadores.

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e o OE para reiterar que o incremento
daquele valor tem a ver com a depre-
ciação do metical.
“Se pegarmos nos 22,750 mil milhões
de meticais inscritos inicialmente
nas garantias e avales e dividirmos
por 45.20 meticais o dólar vai dar
USD500 milhões que é o valor das
modities, seca, calamidades naturais, celerar para 4,5%, contra a projecção entree outras, a construção de novos O incremento exponencial de 9,3 mil garantias em moeda norte-americana.
tensão político-militar, depreciação do inicial de 7%. Espera igualmente que a ícios para o funcionamento da
edifícios milhões de meticais para a rubrica das Actualizando, se fizer a mesma coisa
outras despesas correntes, que passa-
um
metical e suspensão do financiamento inflação, que actualmente se situa nos administração pública, redução do com o novo valor de 26.100 mil mi-
ao Orçamento do Estado pelos doa- 19,7%, possa abrandar até ao final do echamento de edifícios já con-
apetrechamento rá para 10.5 mil milhões de meticais lhões de meticais e dividir por 52. 22
dores, o governo moçambicano foi à ano para 16,7% contra os 5,6% antes cluídos, bem como a redução de re- contra 1,2 mil milhões anteriormente meticais o dólar (câmbio oficial do
Assembleia da República solicitar a estabelecidos. É preciso lembrar que cursos destinados a viagens e ajudas atribuídos, preocupou os deputados da Banco de Moçambique) vai dar USD
aprovação dos projectos de revisão do o pico da inflação em Moçambique é de custos, combustíveis, lubrificantes e oposição. 500 milhões”, elucidou.
PES e OE, para viabilizar os seus pro- o mês de Dezembro. A título ilustra- comunicações nas despesas de funcio- Na ocasião, Maleiane justificou que Precisou que não houve aumento ne-
jectos governativos. tivo, a inflação anual de 2015 atingiu namento”, disse. este agravamento visa cobrir o défice nhum e nem fazia sentido incluir nes-
O ministro da Economia e Finanças, 10.55%, devido a um aumento acen- O governante destacou que estas ac- orçamental causado pela falta de de- te momento garantias das dívidas da
Adriano Maleiane, esclareceu que a tuado de 5,6% nos preços, em Dezem- ções permitiram ao governo poupar sembolso do financiamento externo, MAM e Proindicus por já terem sido
revisão do PES tem como objectivo bro, o mês que registou a inflação mais 19,5 mil milhões de meticais, dos em casos de ocorrência de mais ca- emitidas em 2013/14. Para o dirigen-
ajustar a actividade económica e social alta de todo o ano em referência. quais 7 mil milhões nas despesas de lamidades naturais, bem como para te, a única coisa que pode acontecer
ao volume dos recursos disponíveis, Na senda das revisões em baixa, as Re- funcionamento e os restantes 12,2 mil atenuar o custo de vida subsidiando o é inscrever as dívidas na Conta Geral
sem afectar a oferta e prestação dos servas Internacionais líquidas (RIL,s) milhões nos investimentos. pão, transporte, água e energia. do Estado e não no OE.
de

Garante embaixadora turca em Moçambique


bique

Turquia: solução
solução ser
será democrática
N
- Aylin Tashan admite, por outro lado,, ligações
ro lado de golpis
ligações de golpistas turcos com Maputo
io

o calor de um fracassado negociações com a União Europeia, exige a sua extradição para a Turquia. não se tem dúvidas sobre o envol-
golpe de Estado na Tur- Erdogan tem repetido que os golpis- Na narrativa da embaixadora, Gulen, vimento de organizações e empre-
quia, cresce o receio de o tas irão pagar um preço alto pelo que o através da sua organização FETO, sas turcas representadas em Mo-
presidente Recep Tayyip presidente chama por “traição”. tem usado estudantes, recrutas e se- çambique, na fracassada tentativa
Erdogan aproveitar o ambien- Esta semana, entretanto, Aylin guidores empregados, particularmen- de golpe que, até esta quarta-feira,
Tashan, a embaixadora turca, em Ma- te, nos serviços públicos e burocráticos à hora do fecho desta edição, já
ár

te para instalar uma ditadura no


país. Para já, Erdogan, conside- puto, convocou a imprensa para dar o e, ao longo das últimas décadas, o mo- tinha custado cadeia a mais de
rado como homem de mão dura, que, na linguagem diplomática, disse vimento foi capaz de se infiltrar nas três mil pessoas, entre milhares
avança com medidas radicais que tratar-se de uma “visão sobre os recen- instituições do Estado para ganhar o de turcos, desde militares, polícias,
incluem a reintrodução da pena tes desenvolvimentos na fracassada controlo dos mecanismos do Estado, até professores, enfermeiros e jor-
morte, que a consumar-se, pode- tentativa de golpe de Estado”. incluindo militares, policiais e judi- nalistas.
rá afastar cada vez mais o país da Confrontava pelo SAVANA sobre ciais. Informalmente, funcionários da-
Di

aldeia global. os receios da deterioração de direitos Afirmou que o movimento tem tam- quela reapresentação diplomática,
humanos, num país onde o presidente bém uma extensa rede de escolas em diga-se fiel a Erdogan, em Mapu-
Desde o fracassado golpe da fatí- é citado a dizer que é mais caro man- todo o mundo. “Negócios e institui- to, afirmam categoricamente que
dicaa noite de 15 de Julho corrente, ter golpistas nas cadeias, em vez de ções financeiras do grupo foram en- há organizações e empresas turcas,
que apagou a vida de 208 turcos fuzilá-los, Aylin Tashan garantiu que Aylin Tashan, embaixadora da Turquia volvidos no financiamento do grupo, cujos nomes omitimos, que estão
e mais de 1400 feridos, Erdogan, não haverá instalação da ditadura na manos e continua a honrar com os bem como lavagem de dinheiro. Hos- metidas no suposto plano de fun-
que para as celas recolheu milha- Turquia. seus compromissos dentro deste siste- pitais e organizações sem fins lucra- damentalistas que, alegadamente,
res, tem se batido duro pela rein- De acordo com a diplomata, tudo será ma”, disse Tashan, frisando estar con- tivos também servem para criar um pretendiam instalar o seu primeiro
trodução da pena de morte naque- feito no espírito da democracia e das vencida que Erdogan não irá introdu- círculo de simpatizantes” denunciou. Estado na Turquia.
le que é o único país do mundo leis e, nisso, o parlamento turco será zir ditadura. Entretanto, questionada pelo nosso “É preciso estarmos atentos a
que ocupa, simultaneamente, dois decisivo. jornal sobre se haverá ou não ligações essas pessoas porque também
continentes, a Europa e a Ásia. “A Turquia cumpre com os princípios Golpistas turcos em Maputo? do “grupo terrorista” de Fethullah Gu- podem precipitar golpes aqui
Perante um coro internacional do Estado de Direito e faz parte de Na conferência de imprensa, a em- len com Moçambique, Aylin Tashan em Moçambique”, comentou ao
contra a reintrodução da lei abo- um dos maiores e eficientes sistemas baixadora responsabilizou o que de- admitiu a hipótese, mas não entrou SAVANA uma fonte ligada à
lida em 2002, depois de longas de protecção dos direitos humanos, signou por “ataque hediondo” orques- em detalhes. embaixada turca, sem esconder o
conversações no quadro das refor- através do Conselho da Europa e do trado por Fethullah Gulen, que reside O que é certo é que nos corredores seu incondicional apoio ao actual
mas democráticas de abertura das Tribunal Europeu dos Direitos Hu- nos Estados Unidos e que Erdogan daquela representação diplomática presidente turco.
Savana 29-07-2016
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6
SOCIEDADE Savana 29-07-2016

Ecos do último adeus ao mestre do jornalismo e das artes

Ex-colegas de Machado da Graça


rendem-se à sua bravura

o
N

log
Por Elisa Comé
a manhã quente de 21 de sentimos um apoio. Ele deixa um
Julho, os caminhos con- legado”, referiu.
vergiam ao Teatro Ave- Elliot Alex, actor, considera que
nida, na baixa da cidade Machado foi uma figura incon-
de Maputo, onde foi prestada a tornável na área do teatro. “Ele
última homenagem ao homem do foi um exímio cultor das artes, ele
jornalismo e de cultura que se no- amava o saber, tanto mais que a

ció
tabilizou pela sua crítica incisiva nós artistas ensinou-nos a paixão
e, por vezes, satírica, aos diversos pela leitura. Ele sempre partilhou
temas de actualidade moçambi- tudo que tinha na sua vida”, con-
cana. siderou.
Por sua vez, a filha, Sara Machado,
Foi uma cerimónia simples, mas caracterizou o pai como um ho-
simbólica e à dimensão da figura mem ligado a rotinas com espírito
que foi o jornalista, cronista, car- aventureiro, calmo, pacífico, pon-
toonista, actor e dramaturgo, Ma- derado, mas que podia passar para
chado da Graça. Não é por acaso
que diversas personalidades da
arena política, académica, cultural
e da comunicação social cruza-
ram-se na chamada “catedral das
artes” para prestar o último adeus
so o estado vulcânico em segundo se
algo o incomodasse. “Foi um ho-
mem realista e prático, porém as
peças que criava eram surrealistas,
a política e o estado do país faziam
viver e alimentar a sacana”, disse.
a João Ferraz Miguel Machado da “O meu pai, apesar de ser coerente,
Graça, de seu nome completo, que era uma pessoa cheia de contradi-
perdeu a vida no dia 19 de Julho
um
ções que a meu ver enriqueciam a
último, em Maputo, vítima de do- suas qualidades e pela forma como faz, há espaço para contraditório”, tical. As suas crónicas eram mui- sua personalidade multifacetada”,
ença. lidava com os colegas. A sua morte destacou Muchanga, para quem to importantes, pois através delas acrescentou Sara Machado.
Durante o velório, colegas, amigos é uma grande perda para a rádio, a da Graça estava efectivamente do
e familiares foram convidados a imprensa, a família e a sociedade lado da verdade até aos últimos

Álbum Samora Machel por


subir ao palco para homenageá-lo. em Geral. dias da sua vida.
O primeiro a curvar-se perante Já o editor do jornal Correio da Já o ex-colega e amigo pessoal,
aquele que em vida foi colega de Manhã, Refinaldo Chilengue, Salomão Moyana, defendeu que

D
batalhas foi Fernando Lima, Pre-
sidente do Conselho da Adminis-
tração da Mediacoop, proprietária
explicou que o jornalista é incom-
parável à nova geração de profis-
sionais. “Apesar de estar derrotado
ele foi um combatente de sempre,
enérgico e bastante abnegado.
“Machado da Graça destacou-
Kok Nam lançado em Xai-Xai
dos jornais SAVANA, mediaFAX epois da Beira,
-se pela sua verticalidade, inte-
de

pela doença, ele foi persistente até capital provin-


e da rádio SAVANA 100.2. gridade, tendo sido conotado por
ao último minuto,, para nós o jor- cial de Sofala,
Lima caracterizou Machado da vários epítetos feios por ter ele
nalista foi uma figura preponde- o álbum Sa-
Graça como uma pessoa fron- estado firme até aos últimos dias
rante. Jamais terei um colaborador mora Machel por Kok
tal e dedicada. “Um colega meu da sua vida”, apontou, acrescen-
ao nível do Machado”, disse. Nam foi lançado na
alertou-me que na tradição, nos tando: “rendo a minha sentida última quinta-feira, em
Jorge Vaz, em representação do
momentos fúnebres, a crítica passa homenagem a esta figura grande Xai-Xai, província de
grupo teatral Mutumbela Gogo,
ao lado. Parece-me difícil falar de da moçambicanidade. Uma figura Gaza, num evento en-
jornalismo e de jornalistas e pas- afirmou que o malogrado foi um
ilustre, insigne da nossa vida quo- quadrado nas comemo-
sar ao lado da crítica, ela que é um afiado machado que, com toda a tidiana, cultural, jornalística e vida rações dos trinta anos
io

elemento fundamental da profis- graça, cortava os preconceitos com política em geral”. da morte do primeiro
são, sobretudo dos que levam a sé- as suas convicções, que desbravava Manuela Soeiro, amiga e ex-colega presidente de Moçam-
rio a profissão. Talvez aqui passar matas com as suas machadadas. de Machado nos palcos, lamentou bique.
ao lado da tradição. Mas não vou “Foi um lutador incontornável das o desaparecimento físico daquela A cerimónia de lança-
falar do Machado da Graça. Ele desigualdades sociais, defensor da que descreveu como sendo uma mento do álbum decor-
ár

cumpriu a sua missão. Com brio liberdade de expressão e cidada- figura incomensurável. “Ele nun- reu na sede do Conselho
e cidadania. Por isso nos deixa um nia”, realçou Vaz. ca deixou os seus ideais, qualquer Municipal da cidade de
pesado legado”, declamou Lima. António Muchanga, Porta-voz da que fosse a época, ele não mudava Xai-Xai. O livro já está
Seguiu-se a vez de a Rádio Mo- Renamo, referiu que o cartoonista
Renamo de posição. Machado era coerente à venda na Mabuko em
çambique (RM), na voz de Filipe foi uma figura muito incontor- pela justiça, algo incomum hoje Maputo e na Casa do
Mabutana, despedir-se do antigo nável na história do jornalismo em dia, pois muitas pessoas tro- Artista, na capital pro-
Di

colega de rádio. moçambicano. “Trabalhei com


moç
moçambic cam amizade por inveja ou pura vincial de Sofala.
Para Mabutana, da Graça deixa Machado e aprendi que não se cri- ambição desmedida. O Machado (Redacção)
um vazio grande na RM pelas tica o ausente e, quando assim se nunca deixou ser um homem ver-
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2RUoDPHQWRQmRUHFWLÀFDWLYRp
consistente com o cenário “Faz de conta...”
G

o
Por Roberto Tibana
overno optou por mais Moçambique: Consequências possívies das acções do governo (curto e medio prazo: 2016-2020)
défice em vez de menos,

log
Consequências em cada cenário
indo de 10% para 11% Areas de Reforma “Daquí não saio…” “Faz de Conta…” “Agarrar o boi pelos xifres!”)
em relação ao PIB, quan-
do se deveria situar abaixo de 5%! Mais défice/mais dívida (principalmente interna)/mais Mais défice/mais dívida Superavit fiscal primario/-défice/-dívida
pagamentos atrasados (da dívida e de fornecimentos de bens e
Há duas semanas sugeri três cená- serviços ao Estado)
Sem apoio externo directo ao Despesas mais pro-investimento e pro-pobres
orçamento do Estado;
rios para a actual crise económica Sem apoio externo directo ao orçamento do Estado; apoio
Forte apoio sectorial por via de Fundos Comuns e
mais apoio externo por projectos
e financeira em Moçambioque. externo por projectos limitado e estritamente orientado e
projectos/”Fundos
gerido pleos doaores
Todos eles se definem em termos Adjustamento Fiscal e Comuns/Sectoriais
Retoma do apoio directo ao orçamento

da acção do governo em relação Reestruturação da Pressão financeira ao sector privado (pagamentos atrasados
das compras do Estado, elevadas taxas de juros)
Menos reservas internacionais/
Recuperação de reservas internacionais/Estabilização
Dívida do cambio da moeda nacional
ao ajustamento fiscal e reestrutu- mais dpreciação da moeda

ció
Mais incumprimentos das dividas privadas/empresariais; crise nacional Estabilidade no secror financeiro/bancario
ração da dívida pública (incluindo bancária
Crise bancária
a garantida), responsabilização dos Continuada perca de reservas internacionais e da depreciação
autores do endividamenteo secreto da moeda nacional

e ilegal do país, enquadramento


político-militar, e reformas insti- Responsabilização pelo Contração da economia e continuação do declinio do Contração da economia e Recuperação da actividade economica estimulada pela
tucionais. Nessa nota mencionava endividamenteo
secreto do país
investimento (interno e externo) continuação do declinio do
investimento (interno e externo)
procura e retoma do IDE

que os pronunciamentos e acções Hyperinflação


Inflação alta
Inflação moderada

do governo denotavam uma incli-


nação para o cenário “Daquí não
saio...”, com alguns elementos do
“Faz de conta”. Nestes cenários o
ajustamento fiscal ou não se faz,
ou é ligeiro e não balança as contas
fiscais no médio prazo, recusa-se à
auditoria forense independente e
Enquadramento sócio-
politico-militar em protestos violentos;
so
Implosão social e política: pobres e classe media saem às ruas

perturbação substancial e prolongada da ordem política e


social
Protestos temporariamnte
controlados (control facilitado
pelo entendimento FRELIMO-
RENAMO)
Aumento dom sofrimento na sociedade (custos de
ajustamento)
Fim da hegemonia do eixo FRELIMO-RENAMO;
Expansao das liberdades
Instabilidade politica transitoria (realinhamento de
forças)

internacional e à responsabilização Crescimento do papel dos actores independentes

dos culpados pelo endividamento


ilegal e possível corrupção no pro-
dívidas secretas e ilegais. “Daquí não saio” são tão drásticas e ternos (veja-se a Fgura 1). Note-se de uma maneira favorável (o cres-
um
cesso, procura-se marcar pontos
Outros acontecimentos tiveram lu- de um custo político para o Gover- que a discrepância entre o défice cimento interno e externo vai con-
através de um “ganho rápido” na
gar que também podem influir no no da FRELIMO que seria muito realizado e o défice financiável au- tinuar a desacelerar e com isso ar-
frente político-militar, esperando-
desenrolar dos cenários escalpeliza- elevado. Mesmo assim, na frente mentou drasticamente desde 2014. rastar as exportações cada vez mais
-se que isso ajude a reconquistar o
dos. Um deles é o incremento das fiscal
al o governo não teve a coragem Na realidade o governo financia para a baixa, a inflação é revista em
apoio financeiro dos doadores.
negociações entre as multinacionais (para não falar da capacidade técni- este excesso de défice de alguma alta, as exportações vão continuar a
De lá para cá, quatro acontecimen-
de petróleo e gás e o governo, que ca) necessária para preparar e tomar maneira, uma delas sendo o atraso sofrer, os juros são revistos em alta,
tos tiveram lugar relacionadas com
pode resultar em receitas do impos- medidas de consolidação fiscal ne- no pagamento pelos bens e serviços a taxa de câmbio continuará a de-
estas vertentes. Primeiro, a procura-
to das mais-valias que pode ir acima cessárias para contrariar o excesso e a acumulação da dívida interna e teriorar-se), não se entende como é
doria Geral da República anunciou
de um bilião de dolares americanos de défice realizado em relação ao externa para além do previsto. A
que na sua investigação da questão que o governo optou por agravar a
(embora não se saiba exactamente que seria consistente com o com- outra é através do imposto da infla-
das dívidas secretas encontrou in- situação em vez de corrigir os de-
quando, pois muito depende do fe- portamento das outras variáveis ção e a colecta da segnoriage pelo
dícios de violação da Constituição sequilíbrios fiscais que vinham de
de

cho dos negócios entre as empresas macroeconómicas. O governo che- Banco de Moçambioque (leia-me
e da Lei orçamental, e de possível trás mas que se agravaram mais
estrangeiras envolvidas). gou ao fim do primeiro trimestre de na próxima semana).
abuso de cargo. Segundo, o governo desde a contratação das dívidas ile-
Para enquadrar estes desenvolvi- 2016 com um défice financiável da Em lugar de ir para uma verdadei-
apresentou (e o parlamento apro- gais e secretas. Ou trata-se de uma
mentos, hoje partilho a matriz irmã ordem dos 3% do PIB, no entanto, ra consolidação fiscal reduzindo o
vou) um orçamento que vários ana- incompetência ténica em desenhar
na qual escalpelizo as consequên- o défice realizado foi de 10%, o que défice global, o governo optou pelo
listas e activistas consideram que um verdadeiro programa de con-
cias que poderão advir das acções signific
significa um excesso de 7% foi re- contrário, elevando-o de 10% no
não reflecte as expectativas de ges- solidação fiscal (sempre esperaram
do governo em cada um dos cená- alizado que não é consistente com orçamentpo original para 11% no
tão macro fiscal responsável desta pelo FMI!), ou estamos em pre-
rios esboçados na outra matriz (a o crescimento económico interno e orçamento que deveria ser rectifi-
vez. Terceiro, iniciaram-se as con- sença de uma decisão consciente e
matriz das consequências que pu- externo, o comportamtneo da taxas cativo.
versações (ou negociações?) entre a
blico hoje já circula há três sema- de câmbio (nominal e real), as ex- Uma vez que as variáveis que deter- deliberada de “Fazer de conta”. À
io

RENAMO e o governo da FRE- portaçoes, e os juros internos e ex- minam o défice não se comportam
nas nas redes sociais como compa- espera de quê?
LIMO com a assistência de media-
dores estrangeiros e a exclusão de nheiro inseparável dos cenários eles
todos os restantes actores políticos, próprios).
sociais e cívicos do país. Quarto, o
parlamento aprovou a criação de Olhando para a matriz nota-se cla-
ár

uma comissão de inquérito sobre as ramente que as consequências do

Figura 1. Defice Orçamental: Financiavel, Realizado, e Excesso


(Em percentagem do PIB)

12
Di

10

-2

-4
2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Defice global financiavel (=defice consistente com as outras variaveis maceoeconomicas)


Defice global realizado (incluindo o pagamento dos juros da divida)
Excesso do defice verificado em relação ao defice financiável
Savana 29-07-2016
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DIVULGAÇÃO
SOCIEDADE Savana 29-07-2016

$QiOLVHGD3URSRVWDGH/HLDWLQHQWHDR2UoDPHQWR5HFWLÀFDWLYRGH

Uma oportunidade que deveria despoletar a

o
espoletar a
reforma da Gestão das Finançass PPúblicas e

log
úblicas e
garantir a priorização dos sectores sociais
ctores sociai
Recomendações do Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO): II. Principais Constatações
tações
‡$ &RPLVVmR GR 3ODQR H 2UoDPHQWR &32  H D$VVHPEOHLD GD 3. Cortes orçamentais ais feitos
feitos sem
sem diferenciação
diferencia sectorial. A pro-
5HS~EOLFD $5 QmRGHYHPSHUPLWLUFRUWHVRUoDPHQWDLVDRVVHF- posta de revisão ão orçamental
orçamental adopta
adopta uma
um regra de cortes orça-

ció
WRUHVVRFLDLVHHFRQyPLFRVSULRULWiULRVFRPYLVWDDJDUDQWLUVHU- mentais em “Bens
“Bens ee Serviços”
Serviços”HPLQWHUYDORVTXHYDULDPHQWUH
YLoRVPtQLPRVVRFLDLVEiVLFRVHPLQLPL]DURVLPSDFWRVGDFUL- RVHVHPROKDUSDUDRVVHFWRUHVHUHVSHFWLYRVLPSDFWRV
VHHFRQyPLFDMiVHQWLGRVSHORFLGDGmRHSDUWLFXODUPHQWHSHORV QDYLGDGRVFLGDGmRV1RHQWHQGHUGR)02HVVDIRUPDGHID]HU
JUXSRVPDLVYXOQHUiYHLVjSREUH]D FRUWHVpSUHMXGLFLDODRGHVHQYROYLPHQWRVRFLRHFRQyPLFRHSRGH
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HVHUYLoRV H[FRPEXVWtYHO QDiU
QmR GHYHP SDJDU GtYLGDV LQFRQVWLWXFLRQDLV H LOHJDLV WDPEpP
GHFODUDGDVLOHJDLVSHOD3URFXUDGRULD*HUDOGD5HS~EOLFD3*5  4.
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UHYLVmRRUoDPHQWDOQDVXDDFWXDOIRUPXODomRSRLVSRGHUiHV-
FRQGHUDLQWHQomRGHOHJDOL]DUDVGtYLGDVDRVHDXPHQWDUROLPL-
so XPLPSDFWRGLIHUHQWHQDGHIHVDSRUH[HPSOR
4. Aumento
Aumento do
der
do limite
der legalizar
limite de
legalizar dívidas
público.
de Garantias
G e Avales como forma de po-
dívidas ilegais e continuar com endividamento
público.1R2(D$5DXWRUL]RXR*RYHUQRDHPLWLU*DUDQ-
WLDVH$YDOHVQRPRQWDQWHGHPLO0HWLFDLV1DSUH-
WHGHJDUDQWLDVHDYDOHVHDUXEULFDGHRXWUDVGHVSHVDVFRUUHQWHVHV VHQWH3URSRVWDR*RYHUQRVROLFLWDXPDXPHQWRGH
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PLO0HWLFDLVSDUD*DUDQWLDVH$YDOHV YHUDUW
um
LQWHUQD--
HP FRQWD QmR VRPHQWH IDFWRUHV H[WHUQRV FRQMXQWXUD LQWHUQD QD SiJ  GD 3URSRVWD  (VVH DXPHQWR HTXLYDOH D FHUFD GH 
FLRQDO PDVWDPEpPHVREUHWXGRIDFWRUHVLQWHUQRVWDLVFRPRR PLOK}HVGHGyODUHVQRUWHDPHULFDQRV(VWHSHGLGRGHDXPHQWR
FRQÁLWRSROtWLFRPLOLWDU HVWDUiUHODFLRQDGRFRPDSRVVtYHOLQWHQomRGR*RYHUQRGHOHJD-
‡$&32HD$5GHYHPH[LJLUGR*RYHUQRDIXQGDPHQWDomRGRV OL]DUDVGtYLGDVLOHJDLV"7DODFRQWHFHXHPFRPDGtYLGDGD
OL]DUDVGtYLGDVLOHJDLV"7DODFRQWHFHXHPFRPDGtYLGDGD
SUHVVXSRVWRVPDFURHFRQyPLFRVFRQWLGRVQD3URSRVWDGH/HLDWL-
SUHVVXSRVWRVPDFURHFRQyPLFRVFRQWLGRVQD3URSRVWDGH/HLDWL- (0$780FXMROLPLWHGH*DUDQWLDVH$YDOHVIRLSRVWHULRUPHQWH
QHQWHDR25GHVHJXQGRRVTXDLVDWD[DGHFUHVFLPHQWR DOWHUDGR QR 2( FRPR IRUPD GH OHJDOL]DU D JDUDQWLD VREHUDQD
GR3URGXWR,QWHUQR%UXWR 3,% VHUiGHDLQÁDomR0pGLD FRQFHGLGDSHOR(VWDGRPRoDPELFDQRjTXHODHPSUHVD2)02
/tTXL-
$QXDO VLWXDUVHi HP  DV 5HVHUYDV ,QWHUQDFLRQDLV /tTXL- UHLWHUDRVHXDSHORj&32Hj$5SDUDTXHQmRSHUPLWDPHVVD
GDVVHUmRGH0LOK}HVGH'yODUHVHDV([SRUWDo}HVVHUmRGH OHJDOL]DomR
5. Redução geral do Orçamento do Estado como sinal de incum-
de

0LOK}HVGH'yODUHV4XDLVVmRRVIXQGDPHQWRV"
‡$&32HD$5GHYHPH[LJLUGR*RYHUQRXPDH[SOLFDomRGHWD- primento das metas do PES 2016 e comprometimento das me-
OKDGDVREUHRSRUTXrGDSURSRVWDGHUHGXomROtTXLGDRUoDPHQ- tas do PQG 2015-2019.$UHGXomRJHUDOGR2UoDPHQWRGR(VWDGR
WDOQHVWDUHYLVmRVHUGHPLOPLOK}HV 
GHPLOPLOK}HV  GHPLO0HWLFDLVSDUDRVSURSRVWRV
PLOPLOK}HVGR2(SDUDPLOPLOK}HVGR2( PLO0HWLFDLVpHYLGrQFLDGRLQFXPSULPHQWRGDVPHWDVTXHHV-
5HYLVWR 4XDLVVmRRVIXQGDPHQWRVSDUDDUHGXomRRUoDPHQWDO WDYDPSUHYLVWDVQR3ODQR(FRQyPLFRH6RFLDO 3(6 pXP
VHUGHVWDGLPHQVmRHQmRGHRXWUD" VLQDOGHTXHDVPHWDVGR3ODQR4XLQTXHQDOGR*RYHUQR 34* 
ÀFDPFRPSURPHWLGDVVREUHWXGRSRUTXHQmRKiH[-
I. Introdução SHFWDWLYDVGHUHFXSHUDomRHFRQyPLFDVXÀFLHQWHDPpGLRSUD]R
io

(VWDDQiOLVHUHSUHVHQWDRFRQWULEXWRGDVRUJDQL]Do}HVGDVRF -
(VWDDQiOLVHUHSUHVHQWDRFRQWULEXWRGDVRUJDQL]Do}HVGDVRFLH FDSD]GHFRQGX]LUDRDOFDQFHRXVXSHUDomRGDVPHWDVGR34*
GDGHFLYLOFRQJUHJDGDVQR)yUXPGH0RQLWRULDGR2UoDPHQWR 
)02 SDUDRGHEDWHHPWRUQRGD3URSRVWDGH/HL$WLQHQWHDR 6. Redução das despesas, mas com aumento das Despesas de
2UoDPHQWR5HFWLÀFDWLYR$DQiOLVHUHWRPDGXDVGDVYiULDV Funcionamento.$3URSRVWDGHUHYLVmRGR2(SUHYrXPD
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JDLVHRÀQDQFLDPHQWRS~EOLFRGHVHFWRUHV(FRQyPLFRVHVRFLDLV
JDLVHRÀQDQFLDPHQWRS~EOLFRGHVHFWRUHV(FRQyPLFRVHVRFLDLV VROLFLWD XP DXPHQWR GD UXEULFD RUoDPHQWDO GDV 'HVSHVDV GH
SULRULWiULRV HGXFDomR VD~GH SURWHFomR VRFLDO iJXD H VDQHD- )XQFLRQDPHQWR GRV DFWXDLV  PLO 0HWLFDLV SDUD
PHQWRH$JULFXOWXUD PLO0HWLFDLV(VWHDVSHFWROHYDQWDGXDVTXHVW}HV
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XPDSURSRVWDGHUHYLVmRRUoDPHQWDO YHUIXQGDPHQWRVGDUH- )XQFLRQDPHQWRQXPPRPHQWRGHFULVHHQXPFRQWH[WRGHFRU-
YLVmRRUoDPHQWDOSJ pLQFRPSOHWDSRLVVHQGRYHUGDGHTXH WHVRUoDPHQWDLV"6HJXQGDTXHVWmRTXDOpDFRQVLVWrQFLDGHVVH
Ki´GHVDFHOHUDomRGDHFRQRPLDPXQGLDOLQFUHPHQWRGRVHUYLoR DXPHQWRGH'HVSHVDVGH)XQFLRQDPHQWRFRPRVDQ~QFLRVIHL-
GHGLYLGDTXHGDGHSUHoRVGRVSULQFLSDLVSURGXWRVGHH[SRU- WRVSHOR*RYHUQRGHFRUWDUQHVVDVPHVPDVGHVSHVDV"
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HVWUDQJHLURHGRVÁX[RVGHDSRLRGLUHFWRDRRUoDPHQWRµWDP- ciá-lo.$3URSRVWDGHUHYLVmRRUoDPHQWDOSUHYrXPFUHVFLPHQWR
EpPpYHUGDGHTXHRFRQÁLWRSROtWLFRPLOLWDUTXHVHYLYHQRSDtV GR'pÀFHRUoDPHQWDOGHPLO0HWLFDLVTXHHVWDYDP
p GHVIDYRUiYHO DR GHVHQYROYLPHQWR VRFLDO H HFRQyPLFR H WHP SUHYLVWRQR2(SDUDPLO0HWLFDLV(PYiULDV
VLGRXPGRVSULQFLSDLVIDFWRUHVLQWHUQRVGHEORTXHLRGRÁX[R RFDVL}HVR*RYHUQRWHPUHIHULGR´RDXPHQWRGDSURGXomRHGD
GHLQYHVWLPHQWRGLUHFWRHVWUDQJHLURGDHVWDJQDomRHFRQyPLFD SURGXWLYLGDGHLQWHUQDµFRPRVROXomRSDUDDFULVHPRoDPELFD-
HGDFULVHFDPELDO QD0DVHVVHDXPHQWRQmRSRGHDFRQWHFHUFRPRDFWXDOPRGHOR
HFRQyPLFR GH IDYRUHFLPHQWR GR JUDQGH FDSLWDO PXOWLQDFLRQDO
Savana 29-07-2016
DIVULGAÇÃO
SOCIEDADE 11

VHP OLJDomR FRP D HFRQRPLD GRPpVWLFD GH VHFXQGDUL]DomR GD 0LOK}HVGHPHWLFDLVDVXDUXEULFDGHVWLQDGDDDTXLVLomRGH


DJULFXOWXUDHSURGXomRDOLPHQWDUGDSHTXHQDHPpGLDHPSUHVD ´%HQVH6HUYLoRVµSRGHUiGLPLQXLUHPPLO0HWLFDLV
HQRDFWXDOFRQWH[WRVRFLDOSROtWLFRHHFRQyPLFRGHFRQÁLWRDU- UHVXOWDGRGRFRUWHGRVDFWXDLVPLO0HWLFDLVSDUDRV
PDGRDXPHQWRGRGHVHPSUHJRFRUWHGHDSRLRGLUHFWRDRRUoD- SURSRVWRVPLO0HWLFDLV
PHQWRHGtYLGDVLQFRQVWLWXFLRQDLVHLOHJDLV 17. No Ministério da Educação e Desenvolvimentovolv Huma-
 )LQDQFLDPHQWR GR GpÀFH RUoDPHQWDO FRP UHFXUVR DR FUpGLWR no, a rubrica “Despesas com Pessoal” l” poderá
poderá reduzir
r em
interno. 2 *RYHUQR SUHWHQGH ÀQDQFLDU R GpÀFH RUoDPHQWDO GH 2.204,74 mil Meticais, quando o orçamento
çamento forfor revisto
revi em
UHFRUUHQGRDRHQGLYLGDPHQWRLQWHUQR&RPRVHVDEHDFUL- baixa.$SURSRVWDGHRUoDPHQWRJOREDOGD(GXFDomREDL[D

o
VH GD GtYLGD S~EOLFD PRoDPELFDQD QmR p VRPHQWH GHULYDGD GD HP WHUPRV QRPLQDLV GH  0LOK}HV GH 0HWLFDLV SDUD
GtYLGDH[WHUQDPDVWDPEpPGDGtYLGDLQWHUQD1RFDVRGRHQ- 0LOK}HVGHPHWLFDLV$VGHVSHVDVFRPSHVVRDOEDL-
GLYLGDPHQWR LQWHUQR R *RYHUQR GHYH WHU HP FRQWD R IDFWR GH [DUDPGRVDFWXDLVPLO0HWLFDLVSDUDRVSURSRVWRV

log
HVVDRSomRVHUSUHMXGLFLDODRH[HUFtFLRHPSUHVDULDOQDFLRQDOXPD PLO0HWLFDLV1RPHVPRPLQLVWpULRDFRPSRQHQ-
YH] TXH HP PRPHQWRV GH FULVH HFRQyPLFD FRPR D TXH DFWXDO- WH´%HQVH6HUYLoRVµSRGHUiVRIUHUXPDUHGXomRGRVDFWXDLV
PHQWHVHYLYHHP0RoDPELTXHRVDJHQWHVHFRQyPLFRVSUHIHUL-  PLO 0HWLFDLV SDUD  PLO 0HWLFDLV ² XP
UmR VHPSUH FRPSUDU GtYLGD S~EOLFD GHVYLDQGR DVVLP UHFXUVRV FRUWHGHPLO0HWLFDLV
ÀQDQFHLURVTXHID]HPIDOWDDRVVHFWRUHVSURGXWLYRVJHUDGRUHVGH 18. A capacidade do Ministério
inistério da
da Saúde
Saúde (MISAU)
(MIS em adqui-
HPSUHJRVHFRPSRWHQFLDOGHPHOKRULDGDVFRQGLo}HVGHYLGDGRV ULUEHQVHVHUYLoRVSRGHUiÀFDUUHGX]LGDHPPLO
PRoDPELFDQRV Meticais.$SHVDUGDSURSRVWDGHDXPHQWRQRPLQDOGRRUoD-
PHQWRJOREDOGDVD~GHGH0LOK}HVGH0HWLFDLVSDUD

ció
III. Análise dos aumentos e cortes orçamentais 0LOK}HVGH0HWLFDLVR*RYHUQRSURS}HTXHVHFRUWHD
9. A Proposta de revisão orçamental aprovada pelo Governo su- DFWXDOGRWDomRRUoDPHQWDOSDUDDTXLVLomRGHEHQVHVHUYLoRV
gere a adopção de um padrão de priorização de sectores não GHPLO0HWLFDLVSDUDPLO0HWLFDLV$
produtivos e de segurança (por exemplo, Casa Militar, Conse- FRPSRQHQWHGH´'HVSHVDVFRP3HVVRDOµGR0,6$8WDPEpP
lho Constitucional, Ministério do Interior) em detrimento dos SRGHUHGX]LUHPPLO0HWLFDLVVHRFRUWHSURSRVWR
sectores produtivos e de assistência social dos moçambicanos SHOR*RYHUQRIRUDSURYDGRSHOD$5GHPLO0HWL-
mais carenciados (por exemplo, Ministérios da Agricultura FDLVSDUDPLO0HWLFDLV
e Segurança Alimentar; da Saúde; da Educação; do Género,
Criança e Acção Social). (VWH SDGUmR SRGH UHSUHVHQWDU PDLRU
SUHRFXSDomRFRPDGHIHVDGRSRGHUHPSUHSDUDomRSDUDRVWHP-
SRVGLItFHLVTXHVHYLYHPQRSDtVFRPJUDQGHVSRVVLELOLGDGHVGH
FRQWHVWDomRVRFLDOHSROtWLFD2)02HVSHUDYHUFRUWHVRUoDPHQ-
so
19.
9. A

20.
A redução
no
redução no
no sub-sector
no sector
sector de
sub-sector de
de águas
de águas
á e obras públicas terá impacto
água e saneamento?2RUoDPHQWRGRVHF-
WRUGHÉJXDVH2EUDV3~EOLFDVEDL[DGH0LOK}HVGH
0HWLFDLVSDUD0LOK}HVGH0HWLFDLV
20. O
O Ministério
Ministério dodo Género, Criança e Acção Social – a enti-
WDLVGRVVHFWRUHVQmRSURGXWLYRVHTXHQmRDIHFWHPRVFLGDGmRV dade
dade governamental
governam responsável pela protecção social dos
PDLVFDUHQFLDGRV moçambicanos
moçambican mais pobres e vulneráveis – poderá ser ou-
10. Dez mil milhões para “Demais Despesas Correntes”? $SUR $SUR-- tra
tra vítima
vítima dos
d cortes orçamentais propostos pelo Governo,
um
SRVWDGHUHYLVmRRUoDPHQWDODSUHVHQWDXPDLQTXLHWDQWHU~EULFD TXHSUHWHQGHYHUUHGX]LGDDGRWDomRRUoDPHQWDOGHVWLQDGDD
GHFHUFDGHGH]PLOPLOK}HVGHVWLQDGRVD´'HPDLVGHVSHVDVFRU--
GHFHUFDGHGH]PLOPLOK}HVGHVWLQDGRVD´'HPDLVGHVSHVDVFRU EHQVHVHUYLoRVGHPLO0HWLFDLVSDUDPLO
H[SOL--
UHQWHVµ 2 )02 FRQVLGHUD LQGLVSHQViYHO TXH R *RYHUQR H[SOL 0HWLFDLV(VVDUHGXomRGHPLO0HWLFDLVDVHPDWHULD-
TXHHPGHWDOKHDTXHVHGHVWLQDH[DFWDPHQWHDTXHODOLQKDRUoD--
TXHHPGHWDOKHDTXHVHGHVWLQDH[DFWDPHQWHDTXHODOLQKDRUoD OL]DUVLJQLÀFDUiPDLRUIUDJLOL]DomRGDFDSDFLGDGHGR(VWDGR
PHQWDO PRoDPELFDQRHPSURWHJHUDFDPDGDGDSRSXODomRPDLVYXO-
11. Aumentar Orçamento da Casa Militar? 2 *RYHUQR SUHWHQGH QHUiYHO
YHUDXPHQWDGDDGRWDomRRUoDPHQWDOGHVWLQDGDD´'HVSHVDVFRP
FRUUHVSRQ--
3HVVRDOµ GD&DVD0LOLWDU HP PLO 0HWLFDLV FRUUHVSRQ IV. Conclusão
GHQWHVDGHDXPHQWR'RVPLO0HWLFDLVGR2(
GHQWHVDGHDXPHQWR'RVPLO0HWLFDLVGR2( 1RHQWHQGLPHQWRGR)02RVYDORUHVJOREDLVGDSURSRVWD
R*RYHUQRSUHWHQGHTXHVHSDVVHSDUDPLO0HWLFDLV RUoDPHQWDOHVWmRVREUHYDORUL]DGRVWHQGRHPFRQWDRFRQWL-
de

12. Aumentar Orçamento do Conselho Constitucional


Constitucional (CC)?
(CC)? 1D QXRFUHVFLPHQWRGDLQÁDomR
VXD3URSRVWDGHUHYLVmR2UoDPHQWDOR*RYHUQRSUHWHQGHREWHU $SURSRVWDGHUHYLVmRRUoDPHQWDOQmRWHPIXQGDPHQWDomR
GD$5XPDDSURYDomRSDUDDXPHQWDUDGRWDomRRUoDPHQWDOGHV- FODUDVREUHTXHUHIRUPDVR*RYHUQRSUHWHQGHID]HU$VVLP
WLQDGD DR &RQVHOKR &RQVWLWXFLRQDO QD RUGHP GH  PLO VHHODIRUDSURYDGDSHOD$5WDOFRPRHVWiUHSUHVHQWDUiXP
0HWLFDLV FRUUHVSRQGHQWHV D  GH DXPHQWR SDUD ´'HVSHVDV JUDQGHUHWURFHVVRSDUD0RoDPELTXHSRLVUHSUHVHQWDUi
FRP3HVVRDOµ3DUWLQGRGRVPLO0HWLFDLVGR2(R
FRP3HVVRDOµ3DUWLQGRGRVPLO0HWLFDLVGR2(R L8PDRSRUWXQLGDGHSHUGLGDSDUDID]HUUHIRUPDVSURIXQGDV
*RYHUQRTXHUTXHVHSDVVHSDUDPLO0HWLFDLV QDJHVWmRGDVÀQDQoDVS~EOLFDV
13. Aumentar Orçamento doo M Ministério do IInterior
nterior (MINT)? 2 LL&RQWLQXDomRGDSULRUL]DomRGRVVHFWRUHVLPSURGXWLYRVGH
io

inistério do
0,17SRGHUiWDPEpPYHURVHXRUoDPHQWRFUHVFHUQXPDDOWXUD VHJXUDQoD HP GHWULPHQWR GRV VHFWRUHV SURGXWLYRV H GH
HP TXH VH ID]HP FRUWHV RUoDPHQWDLV GHYLGR D FULVH HFRQyPLFD PHOKRULDGDYLGDGRVFLGDGmRV
SROtWLFDHVRFLDO$VVLPR0,17SRGHUiSDVVDUDWHU
SROtWLFDHVRFLDO$VVLPR0,17SRGHUiSDVVDUDWHU LLL0DLVPDUJLQDOL]DomRGDVFDPDGDVPDLVSREUHVGDSRSXOD-
PLO0HWLFDLVFRQWUDRVDQWHULRUHVPLO0HWLFDLV omRPRoDPELFDQDDXPHQWDQGRDSREUH]DHDVGHVLJXDO-
14. Cortar orçamento to do
do Instituto
Instituto Nacional
Nacional de Gestão de Calami-
ár

GDGHVVRFLDLV
dades (INGC)) éé enfraquecer
enfraquecer ainda
ainda mais
ma a capacidade de res- LY3RVVtYHOOHJDOL]DomRGDVGtYLGDVLOHJDLV
posta do Governo
verno aos
aos desastres
desastres naturais.
nat  2 *RYHUQR SURS}H
XPFRUWHRUoDPHQWDOGHPLO0HWLFDLVGDUXEULFD´%HQV
H 6HUYLoRVµ GR ,1*& QRV VHJXLQWHV WHUPRV GRV  PLO
0HWLFDLV DQWHULRUPHQWH RUoDPHQWDGRV QR 2(  SUHWHQGHVH
Di

SDVVDUDWHUDSHQDVPLO0HWLFDLV
15. Cortar
ar orçamento
orçamento da da Agricultura
Agric e Segurança Alimentar, da
Educação ee da da Saúde
Saúde éé promover subdesenvolvimento dos
moçambicanoss maismais carenciados.
care $RFRQWUiULRGRTXHR*RYHU-
QRWHPDÀUPDGRHPGLYHUVDVRFDVL}HVD3URSRVWDGHUHYLVmRRU-
oDPHQWDOYLVDID]HUFRUWHVHPVHFWRUHVVRFLDLVHVVHQFLDLVFRPRD
SURGXomRDOLPHQWDUDHGXFDomRHDVD~GHGRVPRoDPELFDQRV
16. O Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar – um sec-
tor tradicionalmente tratado como o “parente pobre” do Or-
çamento do Estado em Moçambique, não deverá escapar aos
cortes orçamentais propostos pelo Governo.$SHVDUGHDXPHQ-
WRJOREDOQRPLQDOGH0LOK}HVGH0HWLFDLVSDUD
12
SOCIEDADE Savana 29-07-2016

Receita do Banco de Moçambique não atenua a crise

As aspirinas de Gove
O

o
Por Raul Senda
Banco de Moçambique tado.
(BM) está, desde Outubro Se Macuácua é obrigado a andar com

log
de 2015, a actualizar as ta- a calculadora para sobreviver, Maria
xas directoras e encarecen- Alice Magaene, empregada domésti-
do o dinheiro no sistema financeiro. ca e mãe de três filhos, solteira, diz
A medida, segundo Ernesto Gove, que sobrevive por força divina.
governador do BM, visa conter a in- Conta que aufere, mensalmente,
flação e tirar o dinheiro que está fora 3.500 meticais e é com esse valor que
do sistema financeiro e dar pujança compra arroz, farinha, açúcar, pão,
ao metical. Contudo, de Outubro de energia, água, transporte e trata da
2015 a esta parte, a moeda nacional saúde e educação dos filhos.
não pára de depreciar, contradizen- Alice Magaene diz que não está em

ció
do as medidas do Banco central. Por condições de fazer contas porque, na
exemplo, de 50 meticais, em Ou- realidade, não sabe como sobrevive.
tubro do ano passado, o dólar ame- Delega tudo para a força divina.
ricano hoje é cotado a 72 meticais, Macuácua e Magaene são o exemplo
enquanto o rand sul-africano, que de milhares de moçambicanos que
estava a três, e agora é cotado a cinco nos últimos 12 meses viram-se obri-
meticais. O que é certo é que o custo gados a esquematizar um novo estilo
de vida não recua. A título ilustrati- de vida devido à subida de custo de
vo, o saco de 25 quilos de arroz, que vida.
há nove meses custava 650 meticais,
passou para 1200 meticais; o quilo de
açúcar passou de 30 para 50; o óleo
alimentar de 100 para 150 meticais o
litro; a batata de 180 para 350 o saco
de dez quilos; a cebola de 180 para
400 meticais e o pão de cinco para
créditos nos bancos comerciais es-
tão a ser obrigados a refazer as suas
contas porque as prestações mensais
estão a subir fora das suas previsões
so
$SHVDUGDVPHGLGDVGUDPiWLFDVHVDFULÀFDQWHVGR%DQFRGH0RoDPELTXHRPHWLFDOFRQWLQXDDGHSUHFLDUHRFXVWRGHYLGD
$SHVDUGDVPHGLGDVGUDPiWLFDVHVDFULÀFDQWHVGR%DQFRGH0RoDPELTXHRPHWLFDOFRQWLQXDDGHSUHFLDUHRFXVWRGHYLGD

Diz que o pacato consumir é o mais


sacrificado por estas medidas porque
fica sem capacidade de compra devi-
do à alta de preços.
HQFDUHFHFDGDYH]PDLV

reno a 180 meticais, cebola a 180 me-


ticais, coco a oito meticais, dúzia de
tic
ovos a 55 meticais, litro de óleo a 100
meticais, quilo de farinha de milho a
metic
A situação não é para menos e a vida
está mesmo dura. O SAVANA esca-
lou os mercados de Zimpeto, Cen-
tral, Xipamanine, bem como alguns
super-mercados da capital do país e
constatou que a situação é, simples-
mente, dramática.
sete meticais. O aumento de preços e as operações bancárias, nas caixas Para Sengo, em vez do BM se con- meticais, entre outros produtos.
30 metic Os preços estão a subir de forma ace-
verificou-se também noutros pro- automáticas, também estão cada vez centrar
ar nos aumentos das taxas direc- Com o reajuste salarial de Abril de lerada e o bolso do cidadão comum
dutos básicos como farinha, ener- mais caras. toras, devia tomar medidas políticas 2016, o salário base de Jerónimo Ma- está diariamente a ficar cada vez mais
um
gia e água. O Governo, através do O número de pessoas que estão a ser sérias e concretas que ajudem a au- cuácua passou para 7.580 meticais e sufocado.
Ministro da Indústria e Comércio, executadas, pelos bancos, por incum- mentar a produção interna. acrescido a bónus fixou-se em 10.900 O saco de arroz de 25 quilogramas,
Max Tonela, reconhece a situação e primento das suas obrigações credití- Também arrola a questão da tensão meticais, representando um incre- que há um ano era comercializado a
justifica-se referindo que o custo de cias, está a aumentar. político-militar como aquela que está mento de 749 meticais. 650 meticais, hoje custa o dobro, isto
vida deriva da conjuntura económi- Mesmo com as actuais medidas, a a contribuir, grandemente, na retra- Hoje, com um salário mensal de é, 1300 meticais. O mesmo acontece
ca internacional, da tensão político- depreciação da moeda nacional, o ção dos investimentos. 10.900 meticais, o enfermeiro Ma- com o ovo cuja dúzia passou de 55
-militar e das calamidades naturais. metical, não pára. Em Outubro de “As decisões do BM encarecem o cuácua é obrigado a desembolsar dois para 90 meticais, açúcar de 30 para
Tonela apela, assim, à promoção da 2015, quando o BM anunciou a pri- custo do dinheiro
dinheir não permitindo mil meticais para aquisição de 50 50 meticais o quilo, o pão de cinco
produção nacional para diminuir as meira actualização das taxas directo- que as empresas se possam financiar quilogramas de arroz, 400 meticais meticais para sete. A energia e a água
importações. Porém, economistas ras, o dólar americano era cotado a 50 para desenvolver actividades produ- para comprar um saco de cebola, 350 também subiram quase o dobro.
ouvidos pelo SAVANA entendem meticais e o rand sul-africano a três tivas. Hoje, mesmo um empréstimo para um saco de batata, 50 meticais Para o presidente da Associação mo-
que as medidas do Banco Central meticais. a longo prazo já é difícil encontrar para um quilo de farinha de milho, çambicana de Mukweristas, Sudecar
de

estão em contra-mão com o Gover- Hoje,, o dólar americano custa 72 me- abaixo dos 20%, os empréstimos de 90 meticais para uma dúzia de ovos, Novela, a subida de preços de pro-
no porquanto já estão a arruinar o ticais e o rand sul-africano cinco me- consumo já estão próximo dos 30%, 50 meticais para um quilo de açúcar, dutos básicos não deriva apenas da
empresariado nacional e a sacrificar ticais no mercado formal e a inflação portanto,
por isto é muito pesado para 800 meticais para pagar energia, sete tensão política, calamidades naturais
o pacato cidadão. também não pára de aumentar. uma empresa que tem de funcionar”, meticais para comprar pão e o seu ou crise internacional, mas da inca-
Como consequência directa da cons- deplorou.
deplor crédito bancário foi incrementado de pacidade do Governo em controlar a
Com vista a conter a subida da in- tante desvalorização do metical, os 2600 para 2950 meticais. depreciação do Metical, face ao dólar
flação (actualmente está nos 19.7%) preços de produtos básicos, no mer- Cenário da crise na primei- Com estes números, o enfermeiro e o rand.
resultante do agravamento de preços cado nacional, estão a subir de forma ra pessoa Macuácua ainda não contemplou as Sublinha que no mercado sul-afri-
de produtos básicos, bens e serviços, galopante e o custo de vida está a Jerónimo Macuácua, 41 anos de ida- despesas de água, transporte, saúde, cano os preços mantêm-se estáveis.
assim como evitar a utilização da mo- deteriorar-se dia-após-dia, deixando de, quatro filhos, residente no bairro educação e outros serviços essenciais Porém, o metical perdeu valor. Um
io

eda fora do sistema financeiro, o BM o consumidor comum cada vez mais de Guava, distrito de Marracuene, para a sua sobrevivência. produto adquirido na África do Sul,
está a actualizar, em alta, as Taxas de asfixiado. província de Maputo, é enfermeiro No cômputo geral, as despesas do que há nove meses custava 300 me-
Facilidade Permanente de Cedência Trata-se de medidas vistas por alguns médio afecto a uma unidade sani- enfermeiro Macuácua subiram em ticais, hoje custa 600 meticais. Isso
(TFPC) e as Taxas de Facilidade de economistas como aspirina e que tária da cidade de Maputo. Auferia 100% e o seu salário em apenas 7%. não deriva da subida do produto na
Depósito (TFD). vão em contra-mão com o discurso até Abril de 2016 um salário base “Hoje, sou obrigado a mudar a forma origem, mas porque o metical ficou
Assim, a 21 de Julho, o banco regu- governamental que apregoa o cresci- de 7.580 meticais que, acrescido aos de vida, mas há despesas que não é sem valor.
ár

lador agravou, pela sétima vez, em mento da produção através de peque- subsídios de risco e de turno, atingia possível contornar e tenho de fazer Entende que a desvalorização do
menos de nove meses, as TFPC e de nas e médias empresas.
empr 10.151 meticais. Macuácua conta ao magia para sobreviver. Vivo fazendo metical e a consequente subida de
TFD em 17,25% e 10,5%, respecti- Eduardo Sengo, economista e porta- SAVANA que, há um ano, quan- contas. Isto está complicado”, lamen- preços de produtos básicos não pre-
vamente. -voz da Confederação das Associa- do auferia 10.151 meticais, aplicava tou. judica apenas os consumidores, mas
Com estas medidas, o crédito ficou ções Económicas (CTA), entende 1.200 na aquisição de 50 quilogramas O nosso entrevistado reconhece a também os vendedores porque, com
mais caro no sistema financeiro, as que estas medidas, em vez de ala- de arroz que alimentava a sua família situação calamitosa em que o país se os preços em alta, a população perde
pequenas e médias empresas estão a
Di

vancar a produção, estão a contribuir por um mês, 2.600 no pagamento de encontra. Porém, entristece-se pelo o poder de compra e a clientela reduz.
declarar falência por dificuldades de para o encarecimento do crédito e crédito bancário, 500 meticais para facto dos sacrifícios serem para al- Sudecar apela à criação de políticas
acesso ao financiamento, milhares aumento dos custos de produção, re- energia eléctrica e com o remanes- guns, enquanto um certo grupo, por que permitam o fornecimento da
de trabalhadores estão a perder em- sultando no incremento dos preços cente comprava açúcar a 30 meticais sinal a minoria, vive no berço de ouro moeda nacional, o fim do conflito ar-
pregos, os consumidores que detêm para os consumidores e da inflação. o quilo, pão a cinco meticais, batata e a desfrutar das mordomias do Es- mado, promoção de investimentos e
a criação de mecanismos que estimu-
lam a produção interna, sobretudo, na
agriculta.
Por sua vez, Mouzinho Nicols, pre-
sidente da associação dos Consumi-
dores (ADECOM) entende que a
dinâmica do mercado é determinado
por factores internos e externos.
No capítulo interno aponta a instabi-
lidade político-militar que li-
mita a circulação de bens assim
como as calamidades naturais
(GXDUGR6HQJR 6RGHFDU1RYHOD 'DQLHO0RQGODQH 0D[7RQHOD enquanto ao nível internacio-
Savana 29-07-2016
SOCIEDADE
SOCIEDADE 13

nal, o problema resulta da fragilidade Para além do alto custo do dólar, de vida que se verifica no país com cado nacional em produtos de pri- matérias-primas da indústria alimen-
da moeda nacional face ao dólar e ao Mondlane referiu que, por vezes, a as fragilidades do sector produtivo, as meira necessidade como o arroz, mi- tar, bem como de produtos que o país
rand, o que está a perturbar o proces- sua companhia depara-se com situa- calamidades naturais e factores exter- lho, trigo, tomate, cebola entre outros. não produz e, por fim, implementou
so de aquisição de produtos básicos ções em que a sua empresa fica sem nos. Max Tonela falou também da combi-
medidas fiscais e aduaneiras para mi-
para o país. matéria-prima porque os bancos co- Segundo o ministro da Indústria e nação de factores como redução das
Sublinha que não há magia possível Comércio, Max Tonela, a economia receitas de exportação, tendo destaca- tigar o impacto da evolução cambial
merciais não têm divisas para trans- nos preços finais pagos pelos consu-
para contornar a situação, senão o ferir aos fornecedores. Parte conside- moçambicana apresenta níveis de do a queda de preços de commodities
aumento da produção interna para produção incapazes de satisfazer o no mercado internacional, o fim do midores.
rável das matérias-primas provém da
diminuir os níveis das importações. mercado interno, facto que é aliado à ciclo de investimento de mega pro-

o
Na mesma ocasião, Tonela reconhe-
Índia.
Para tal, diz, o Governo deve criar fraca diversificação da oferta de pro- jectos no sector mineiro, a desvalo- ceu as revindicações dos panificado-
Sublinhou que a crise está a contri-
políticas que, de facto, estimulem a dutos industriais. rização do metical face às principais res para o aumento do preço do pão,
produção interna, visto que, com a buir também na queda de volume de Esta situação faz com que o país te- moedas de transação com destaque
negócios da empresa. Nos últimos tendo referido que houve um acordo
actual crise, as classes mais desfavo- nha de importar os bens de consumo para o dólar.

log
recidas é que saem mais prejudicadas. meses as vendas caíram em 6%. essenciais, o que acaba gerando uma Para controlar a situação, o ministro para estabilização do preço daquele
Diz que há necessidade de se conter Economia não satisfaz forte pressão na moeda nacional face diz que o Governo priorizou a alo- produto básico para os moçambica-
a crise sob o risco de criar outras si- mercado interno ao dólar. cação de divisas para importação de nos, até o primeiro trimestre do pró-
tuações sociais como a criminalidade, O Governo justifica o elevado custo Apontou o deficit existente no mer- bens essenciais, com enfoque para as ximo ano.
alcoolismo, consumo excessivo de
drogas, prostituição e desagregações
de famílias.

Crise de divisas para a


importação de produtos

ció
básicos
Entretanto, o aumento de custo de
vida é também relacionado à falta de
divisas no sistema financeiro, o que
encarece a moeda estrangeira e com-
plica o processo de importação de
produtos básicos.
Algumas correntes falam do conflito
armado que está a retrair investimen-
tos e, consequentemente, a não entra-
da de divisas no país. Outras apon-
tam a “greve” dos doadores devido às
dívidas contraídas, fraudulentamente,
pelo Governo de Armando Guebuza,
fora dos esquemas legais e, por fim,
aponta-se a renitência do executivo
so
em relação à questão de raptos, facto
que fez com que muitos investidores,
sobretudo de origem asiática, fechas-
um
sem as suas empresas e recolhessem o
seu capital para fora do país.
Eduardo Sengo é da opinião de que
a falta de divisas nos bancos comer-
ciais dificulta o funcionamento das
empresas na medida em que não
conseguem fazer importações das
quais a economia moçambicana é de-
pendente.
“Neste momento as divisas (dólar e
rand) estão mais caras e as empresas
não têm conseguido obter liquidez
de

para fazer pagamentos ao exterior;


fazem-se grandes filas nos bancos
(comerciais) na busca de moeda ex-
terna”, disse o economista.
Refere ainda que a actual crise só po-
derá ser superada com a garantia de
estabilidade do país, criação de meca-
nismos e incentivos que estimulem o
aumento de produção interna, atrair
mais investimentos para o país e au-
mentar o nível das exportações.
io

Por seu turno, Daniel Mondlane, ad-


ministrador executivo do Grupo Ma-
eva, uma empresa do ramo alimentar,
também alinha no mesmo diapasão,
de que a depreciação do metical e a
ár

escassez de dólar é o grande cancro


no processo das importações.
Sublinha que sua empresa importa
mais de 80% de matéria-prima usa-
da para a produção de óleo alimentar
e sabão e o preço do produto final é
fixado em meticais, logo, há desvan-
Di

tagens.
Assim, para conseguir atenuar a situ-
ação, o grupo Maeva viu-se obrigado
a delinear novas estratégias, mas sem
contornar a actualização do preço.
“A nossa empresa produz óleo ali-
mentar e sabão. São produtos con-
sumidos por famílias de baixa renda.
Com a depreciação do metical, os
nossos custos de produção encarece-
ram em mais de 20% e isso tinha de
ser compensado. Assim, tivemos de
actualizar em alta os preços dos nos-
sos produtos, mas sempre pensando
na vertente social. Logo a nossa mar-
gem de lucro também reduziu, gran-
demente”, frisou.
12 Savana 29-07-2016 Savana 29-07-2016 17
NO CENTRO DO FURACÃO

Boaventura de Sousa Santos em exclusivo ao SAVANA


“A sociedade deve exigir às autoridades que não paguem dívidas ilícitas”
- para o Catedrático português, dívidas odiosas devem ser consideradas pessoais de quem as contraiu e não do Estado
poli
Por Armando Nhantumbo/foto de Ilec Vilanculos
seu percurso académico faz Em 2012, escreveu um artigo inti- condição de ter de ceder a sua sobera- Mas se não paga, significa que o país vem ser pagas. Devem ser consideradas maior bem-estar para a população da tensa, inclusivamente com protestos
dele uma pessoa respeitada tulado “Moçambique: a maldição da nia, de tal maneira que amanhã, se qui- tem de caminhar com seus próprios dívidas pessoais de quem as contraiu e Argentina. Cometeram-se erros, inter- pacíficos, na rua e noutros lugares onde
em todo o mundo. Boaven- abundância?” para se referir aos riscos ser construir uma estrada ou um hotel, pés… não dívidas do Estado. namente, e o Governo perdeu as elei- se entender que deve ser feita a pressão
tura de Sousa Santos, uma que correm os países pobres onde se terá de pedir autorização às empresas O caso do Equador é um dos mais inte- Claro que haverá um período em que o ções do ano passado. E imediatamente sobre o Governo, deve ser no sentido
referência obrigatória em faculda- descobrem os recursos naturais objec- que são titulares dessas concessões. Isto ressantes de uma auditoria que fez para país tem alguma conturbação, mas Mo- a seguir às eleições, quando o novo do não pagamento de dívidas ilícitas e
des de ciências sociais, diz que hoje é to de cobiça internacional. Três anos é um sinal de que as empresas viram que parte da dívida não fosse paga. A çambique tem uma boa contrapartida, Governo veio reconhecer toda a dívida ocultas de Moçambique, um país onde a
O
quase um consenso internacional que depois, que respostas encontra para as que Moçambique está numa situação Grécia também fez uma auditoria à dí- tem os recursos naturais que pode pôr que o país tinha contraído, os níveis de esmagadora maioria da população sofre
as dívidas ilícitas, nas condições de interrogações que levantava no artigo? de debilidade e, como tal, agravam as vida e estamos ainda num processo de na mesa de negociação, isto é, há mui- endividamento aumentaram exponen- de enormes carências. Esse é um traba-
Moçambique, não devem ser pagas São interrogações que incluem cresci- condições e até atrasam os investimen- reestruturação dessa dívida. As dívidas ta vantagem para as grandes empresas cialmente, a pobreza aumentou e os cor- lho que tem de ser complementado com
pelo Estado porque, caso contrário,
podem transformar o país num Estado
falhado, devido ao duro impacto que
mento do PIB em vez de desenvolvi-
mento social; corrupção generalizada
da classe política; aumento em vez
tos até que as condições estejam tão be-
néficas para elas. O que está em curso
é, exactamente, o saque desses recursos
g o ilícitas são dívidas odiosas, frequente-
mente contraídas de modo oculto, por
que vai decorrer dos recursos naturais.
A Argentina esteve entre 2001 e 2015
tes na educação e na saúde começaram.
Portanto, os países por vezes aguentam
um exercício muito exigente do sistema
judicial, da investigação criminal, no
pura especulação ou usando conheci- numa situação de não acesso aos mer- situações de uma certa desobediência, sentido de averiguar responsabilidades
pode causar. Contra o que chama de de redução da pobreza; polarização e, no fim, Moçambique pode estar mais
mento privilegiado de modos que ob- cados internacionais porque não pagou desde que saibam negociar bem todas e a grande dúvida aí é que infelizmente
chantagem do capital financeiro in- crescente entre uma pequena mino- empobrecido até por uma razão que não
jectivamente prejudicam os interesses a dívida toda (não pagou aos fundos as vantagens e todos os activos que têm. a prática recente de Moçambique leva-
ternacional, de Sousa Santos, um dos ria super-rica e uma imensa maioria alertei nesse artigo e hoje tenho muito
mais influentes pensadores dos nossos
tempos, entende que, ao contrário do
de indigentes; destruição ambiental
e sacrifícios incontáveis às popula-
mais consciência dela: é que a explora-
ção de gás e minérios e da agricultura
lo nacionais. Hoje é quase um consenso
internacional que tais dívidas não de-
abutre, uma designação argentina) e,
no entanto, o período até 2015 foi o do
Assim, a pressão da sociedade, que deve
ser organizada, pacífica, mas muito in-
-nos a ver que, normalmente, estas in-
vestigações nunca atingem quem está
que se pode pensar, o capitalismo é fle- ções onde se encontram os recursos industrial, no caso do Prosavana, vai
em nome de um “progresso” que estas exigir destruir muita riqueza, isto é, não
xível, desde que veja que há forças que
o confrontam e, no caso de Moçam-
bique, aponta os recursos naturais e a
nunca conhecerão e, finalmente, cria-
ção de uma cultura consumista que é
praticada apenas por uma pequena
é apenas a riqueza que vai ser extraí-
da e levada para o exterior com muito
i ó
agro-indústria como a contra-partida pouca retenção de benefícios por parte
minoria urbana, mas imposta como
do país perante eventuais sanções in-
ternacionais derivadas do não paga-
mento das dívidas. O sociólogo dá o
ideologia a toda a sociedade.
Eu costumo dizer que os sociólogos
dos moçambicanos, é que vai obrigar a
expulsão dos camponeses que tinham
terra como a grande herança. Moçam-
cAA ppaz passa por partilhar o poderertamente que tem diferenças entre as regiões do país não gentes para os governar, eles vão mesmo -Estado que surge num contexto
são bons a prever o passado, não a pre-
exemplo da Argentina que durante 14
anos esteve vedada aos mercados in-
ternacionais pelo não pagamento de
ver o futuro, mas neste caso, acertei no
meu prognóstico. Muitos dos riscos que
bique corre o risco de perder o que tem
e obter, em troca, águas contaminadas,
empobrecimento das terras, populações
s o
“Ou aqueles que se querem enriquecer à custa da corrupção são travados ou então haverá um empobrecimento irreversível do país” acompanhado o desen-
rolar do conflito polí-
foram tratadas, adequadamente, e hoje
vêm ao de cima.
governar. Até agora algumas regiões do
país têm vindo a votar para que outras
revolucionário de libertação, no
qual havia proibição total de os di-
previ que podiam existir aqui em Mo- condições para defender os seus interes- ria dos moçambicanos empobrece, num podem sair caras ao país que fica com tico-armado em Mo- Se pudesse estar com o presidente da pessoas os governem e isso não tem rigentes públicos se enriquecerem à
dívidas, para sustentar que, por vezes, expulsas das suas terras, aumento das
çambique, se confirmaram. Estamos a ses ou porque está muito endividado e, país em que grandes empresas continu- uma imagem pintada a negro nos mer- çambique. Onde é que acha que República e com o presidente da Re- acontecido. custa do Estado. O que aconteceu
os países aguentam situações de de- doenças nas camadas camponesas que
assistir, por exemplo, ao aumento das portanto, está na mão dos credores que am a ter incentivos fiscais que no meu cados internacionais. Até porque as o país descarrilou do percurso namo, que conselho é que daria aos Como é que a democracia, as liber- é que depois da transição para a
sobediência, desde que saibam nego- desigualdades sociais, os sinais de cor-
vivem junto dos grandes projectos mi-
neiros ou da agricultura industrial (por- podem impor as condições que quise- entender são imorais, neste momento. agências de notação financeira não pa-
C
que, como dissemos no início, era dois, tendo em conta a sua bagagem dades fundamentais, os direitos hu- democracia pró-capitalista, para a
ciar todas as vantagens e activos que rupção no Governo e, portanto, dá-me visto como um exemplo de convi- académica e a experiência que tem manos ou a dignidade humana como democracia burguesa, a partir dos
que no caso da agricultura industrial são rem. Realmente, o único sinal de que A propósito de bilionários, no passado ram de baixar o nosso nível no rating
têm. Sobre a paz, o autor de um vasto a impressão que muitas dessas previsões vência pacífica no pós-guerra? em negociações para a paz, até porque o Professor prefere, enfim, todos os anos 90, manteve-se a lógica do
algo como Estado falhado pode estar alertou a existência de conflitos entre mundial que agora ultrapassa a cate-
acervo bibliográfico é peremptório em
afirmar que, se a Frelimo não estiver
preparada para uma descentralização
que configuram a tal maldição holande-
sa se realizaram e rapidamente.
Sente que há corrupção generalizada
m
usados os chamados agro tóxicos, que
são normalmente aplicados por via aé-
rea). Para além disso, estão a se usar me-
na forja é o caso das dívidas ilícitas e
ocultas porque pelo seu montante e pelo
os interesses do país governado pelo
presidente Guebuza e os interesses
goria de “lixo”.
Essa é a grande chantagem que faz o
Houve muitos erros cometidos e
Moçambique está a pagar por isso.
Em primeiro lugar, quando se faz
neste momento está a negociar a paz
na Colômbia?
Dir-lhes-ia que a vossa situação não é
valores de um Estado de Direito De-
mocrático, que aliás fazem parte do
objecto de estudo do Professor, so-
partido-Estado e desapareceu a ló-
gica revolucionária e essa lógica de
partido-Estado, já desprovida do
impacto que podem ter, se Moçambi- das empresas do empresário Guebu- capital financeiro internacional e, infe-
intensa, é bom que se prepare porque
não há outra alternativa para a paz que
não seja a partilha do poder. Entrevis-
em Moçambique?
Comecei a trabalhar e a fazer estu-
dos em Moçambique nos anos 90 e o
u
canismos como a titulação da terra de
camponeses (através do DUAT) que só
na aparência é para dar segurança ao seu
que decidir pagar essas dívidas, vão pôr
Moçambique numa situação ção de extrema
za. Quando olha para trás, acha que o
presidente Armando Guebuza soube
lizmente, vejo colegas meus que muito
estimo aqui em Moçambique a aceita-
uma transição para a democracia
pluripartidária, essa transição tem
de ser levada a sério e levar a sério
nem de longe comparável a outras que
nós temos vivido no mundo como a da
guerra civil na Colômbia que dura há
brevivem perante a guerra, o controlo
político-ideológico, o cerceamento do
pensar diferente, a subida do custo de
impulso revolucionário, se trans-
formou numa arma de acumulação
primitiva do Estado e de corrup-
támo-lo, em Maputo, semana finda, que se nota é que o fenómeno da cor- título de propriedade: porém esta titu- debilidade, de extrema dificuldade. Mo- gerir esses conflitos? rem essa lógica. O mesmo sucede nos
significa que as eleições têm de ser cinquenta anos. Dir-lhes-ia que façam vida, que marcam o Moçambique de ção.
lação da terra visa, fundamentalmente, çambique ficará à mercê de programas Não tenho suficiente informação para países da Europa do Sul. É evidente que
para onde veio “dar aulas” sobre “a Di-
fícil Democracia: Estado, Cidadania e
Desenvolvimento em Tempos de Ca-
rupção parece ser endémico nesta fase
do capitalismo financeiro. Enquanto o
capitalismo produtivo precisa de traba-
e
transformar o título em algo transacio-
nável para que amanhã os camponeses
de austeridade que vão, obviamente, le-
var à redução das políticas públicas, na
responder a essa pergunta. Se as insti-
tuições democráticas e, nomeadamente,
o capitalismo financeiro vem sempre
com ideia de que qualquer atitude de
livres, justas e não pode haver frau-
de eleitoral.
Em Moçambique essa transição
duas coisas: primeiro, parem os tiros e
deixem de matar gente e, em segundo
lugar, tomem medidas concretas para
hoje?
Não sobrevivem. Não podemos ter di-
reitos humanos e democracia se todos
E a que se referia quando disse
que, mesmo dentro da Frelimo,
a discussão política é vista como
vendam as suas terras a troco de muito educação, na saúde, nos transportes e, as judiciais, funcionarem neste país, e desobediência que defenda os interes-
pitalismo Financeiro” e “Estado So-
cial e Inclusão”, num ciclo de palestras
baptizado por “Noites de Sociologia”.
lhadores, de relações sociais de produ-
ção, tem de reconhecer os direitos dos
trabalhadores, precisa de paz social que
d
pouco a grandes empresas que vão reali-
zar a concentração de terras e a expulsão
obviamente, a privatização de recurso e
da terra que avançará ainda a um ritmo
espero que sim, o combate contra a cor-
rupção poderá esclarecer se essa suspeita
ses que não são os dos credores deve-
rá ser exemplarmente punida. E é essa
não foi levada a sério?
Em primeiro lugar, defendo que os
moçambicanos é que têm de res-
que os camponeses de Lichinga possam
fazer chegar os seus produtos a Mapu-
to. Que ponham fim aos tiros e sigam
esses sintomas se agravarem. Um de-
les causa-me particular preocupação: é
a criminalização do protesto social, a
distração ante os benefícios indis-
cutidos e indiscutíveis do “desen-
volvimento”?
hoje, normalmente, exige um sistema de camponeses. E os camponeses depois muito maior. Portanto, o que digo é que se confirmou ou não. É para isso que há ameaça, essa chantagem, e quanto mais ponder, mas há um debate a esse aquilo que disseram quando o presiden- intimidação da dissidência que limita Quando formulei dessa forma,
Durante muitos anos, Moçambique democrático; por seu turno, o capita- vão ficar apenas como operários dentro há sinais preocupantes de que esta situ- uma investigação criminal que, se for frágil o Estado, mais eficaz é a chanta- respeito. Há os que pensam que te Nyusi foi eleito e chamou “irmão” ao a vitalidade do conhecimento livre e há três anos, estávamos em pleno
foi visto como um exemplo no mundo, lismo financeiro assenta na produção dessas empresas que operam nessas ter- ação possa vir a configurar uma situação bem conduzida, sem poupar as elites gem. Eu não creio nisso. O capitalismo, elas foram livres e justas, há ou- presidente Dhlakama e “vamos resolver crítico, que impede as Universidades de triunfalismo de que Moçambique
em termos de convivência pacífica no de dinheiro e na circulação do capital ras que eram originalmente suas. Esse de Estado falhado. É apenas um risco politicamente protegidas e for uma in- ao contrário do que se pode pensar, é tros que pensam que houve fraude os problemas”. Então resolvam. Não há produzirem, doa a quem doer, conheci- é a grande potência da África, rica
e não precisa da democracia. Quanto processo devia ser parado quanto antes que está aí e ele, normalmente, se de- vestigação ampla e profunda, ela certa- flexível, desde que veja que há forças eleitoral. Em segundo lugar, para assim tanta coisa a resolver. Como digo, mento que contribua para o bem-estar em reservas de gás que vai resolver
pós-conflito, mas também mercê da-
mais rápida for a circulação maior é a
ir o
e a grande tarefa da sociedade civil se- fine por níveis de corrupção demasiado mente vai esclarecer essa situação. que o confrontam e aqui, mesmo não que essa transição tivesse êxito, era é uma descentralização intensa em que, do país, para que os cidadãos possam os seus problemas e a ideia era que
quilo que, hoje, os economistas como
rentabilidade. O capital pode ser obtido ria de um alerta, porque esta é a gran- altos, em situações a que as instituições Teoricamente, esses conflitos de inte- se pagando essas dívidas ocultas, há um muito importante que a lógica do realmente, em certas províncias onde tomar decisões informadas no pla- não vamos fazer as nossas discus-
João Mosca e António Francisco cha-
à custa, por exemplo, da bancarrota de de condição da democracia económica
mam por “delírio financeiro”, ou seja,
um crescimento económico acima da
média, situado aos 7 por cento/ano,
um país ou da corrupção dos decisores
políticos, desde que garanta os níveis de

que ainda existe em Moçambique; é a
democracia da terra, ela está a decair, a
não são capazes de pôr termo.
O professor defende sempre que não
há Estados, naturalmente, falhados,
resse podem ou não serem associados à
actual situação económica do país?
É bem possível. São três empresas que
campo imenso onde o capital interna-
cional pode gerar lucro, nomeadamente,
na exploração de recursos naturais e da
partido-Estado fosse definitiva-
mente eliminada e não foi. Con-
tinua a haver, em Moçambique,
a Renamo tem tido vitórias eleitorais,
isso seja directamente contabilizado
num processo de paz. É preciso parti-
no político e no plano social. Se esses
sintomas persistirem, a democracia de
Moçambique vai sendo encolhida, vai
sões internas, as nossas diferenças
porque o que nós temos de fazer é
aproveitar todas estas riquezas, en-
uma rápida rentabilidade. Este sistema deteriorar-se e com ela está-se a dete- eles são feitos falhados. Reparando estão a ser as protagonistas do endivi- agro-indústria. muitos resquícios da cultura de lhar poder em Moçambique. perdendo vitalidade, vai se esvaziando riquecer o país e melhorar o nível
um crescimento notável do Investi- está a generalizar-se e Moçambique tal- riorar também a democracia política. para o caso moçambicano, esses sinais damento ilícito e há uma ampla rede Está a dizer que Moçambique está em partido único. Aliás, estes resquí- Há quem defenda que uma descentra- e amanhã podemos estar numa situação de vida dos cidadãos. Era um pe-
mento Directo Estrangeiro e a indús- vez não seja excepção.
tria dos Recursos Naturais. Hoje, qual
é a imagem que se tem de Moçambi-
que em Portugal?
No artigo de 2012 criticava ainda o
que denominou por saque das rique-
D
Iminente Estado falhado
Se percebemos bem, disse, em “Noi-
tes de Sociologia”, em Maputo, que as
a que se refere, são exclusivamente li-
gados a forças internacionais, ou iden-
tifica também elementos internos?
de membros da elite política deste país
que está envolvida nesse endividamento
ilícito. São essas as pessoas que têm de
condições para dar volta a essa chanta-
gem internacional?
Moçambique está em condições e os ci-
cios podem atingir o maior partido
da oposição quando tiver poder. Se
tal fosse o caso, em vez de termos
lização nos moldes em que o professor
coloca seria uma espécie de quebra de
hegemonia da Frelimo. Acha que um
em que já não sabemos muito bem se
estamos em democracia ou se estamos
numa outra coisa.
ríodo de “por mais que nós coma-
mos, vai haver muita fartura para
todos”; mas hoje, com a desacele-
zas moçambicanas por grandes mul- uma democracia pluripartidária partido libertador como a Frelimo Não gostaria que Moçambique caís- ração da China, com a alteração
É um pouco a opinião internacional de tinacionais como a australiana Rio dívidas ilícitas de Moçambique confi- Em geral, estas situações são produto ser investigadas por corrupção. Aliás, as dadãos precisam de se mobilizar nesse
de uma conjunção de forças externas e dívidas ilícitas ou odiosas nas condições sentido. Esta é uma das situações em poderíamos ter uma democracia está preparado para uma descentrali- se nessa situação porque amo muito nos mercados internacionais e a
que Moçambique é um país que atra- Tinto e a brasileira Vale. Sente que guram um sinal de um Estado falhado.
internas. actuais, e tenho defendido isso na Euro- que não se pode de maneira alguma de dois partidos únicos. Para car- zação de facto e não cosmética? Moçambique, gosto muito de Moçam- descida dos preços do petróleo, do
vessa dificuldades que têm muito a ver prevalece o risco de, no final do ciclo Ou quer nos corrigir? gos dirigentes, o mérito não é a Se não está, tem de se preparar porque bique, está no meu coração há muitos gás natural e de minérios, estamos
com um endividamento grave, nomea- da orgia dos recursos, o país estar mais Não, Estados falhados são aqueles cuja E quais seriam as forças internas mo- pa e na América Latina, não devem ser deixar que as elites políticas negoceiem
única condição para se ter êxito não há outra alternativa que não seja anos. Há mais de 20 anos que venho numa situação mais problemática.
damente, as chamadas dívidas ilícitas ou pobre do que no seu início? ineficiência é tal que, eles têm, de algu- çambicanas? pagas, apesar de terem sido feitas com sozinhas, porque as consequências são
numa carreira, é preciso lealdade essa. Trata-se de uma descentralização para aqui, então, não queria que isso Se alguns comerem por corrupção,
ocultas. Estas dívidas, inclusivamente, Sim, vejo esse risco, aliás, as notícias que ma maneira, de ser administrados por São aquelas que controlam o Estado e o aval do Estado, porque elas agravam, muito duras para a maioria da popu-
partidária. Ora, essa lógica vai mi- intensa que não obstrua, obviamente, acontecesse, mas estou a ver que isso não vai haver fartura para todos, vai
dão um sinal de problemas graves de tenho indicam que, por exemplo, nas agências externas. Eu não disse, de ma- os recursos e, através desse controlo, po- tremendamente, o endividamento do lação. O Estado amanhã pode não ter
nar todas as possibilidades de uma a unidade de Estado, e que, pelo con- pode vir a acontecer se não forem to- haver é empobrecimento e, de duas,
sustentabilidade e de organização polí- negociações que estão em curso neste neira alguma, que Moçambique é um dem cair naquilo que nós chamamos de Estado sem qualquer objectivo politi- dinheiro para os salários; já se anunciam
paz duradoura porque pessoas trário, aprofunde a unidade do Estado. madas medidas a curtíssimo prazo. uma: ou aqueles que se querem en-
tica, por permitir que coisas tão graves momento, as empresas (como a Anada- Estado falhado, o que eu digo é que sus- uma acumulação primitiva do capital, camente legitimado. Os investimentos, medidas de austeridade, cortes na edu- que vêm dos partidos da oposição Se a Frelimo não está preparada, é bom Há três anos, dizia que a legitimidade riquecer à custa deste processo são
quanto estas dívidas tenham sido fei- rko ou a ENI) têm vindo a exigir condi- peito que há forças internacionais que que é uma acumulação ilegal e violen- nalguns casos, nem sequer foram efecti- cação, na saúde, num país que já estava podem ter mérito, mas não têm que se prepare porque, no futuro, não revolucionária da Frelimo sobrepu- travados judicial, política e crimi-
tas sem o conhecimento dos cidadãos, ções cada vez mais gravosas… estão interessadas em que Moçambique ta e o envolvimento de gente que tem vamente feitos; o que é preciso é, even- a construir essas infra-estruturas muito nunca essa lealdade. Em terceiro acredito que a paz seja possível senão nha-se cada vez mais a sua legitimi- nalmente e os recursos são postos
nem das instituições políticas, o que é Até exigem territórios… venha a ser um Estado falhado porque poder político em Moçambique, nestas tualmente, expropriar os bens daqueles lentamente. A sociedade deve, pacifica- lugar, era preciso uma descentrali- houver um processo de descentraliza- dade democrática, com o agravante de ao serviço do país ou então vamos
um sinal duma corrupção dentro das E, portanto, as concessões já não são Estado falhado é um Estado que está de dívidas ilícitas, configura uma situação que contraíram, ilegalmente, esses em- mente, organizar-se, mas organizar-se zação muito intensa porque o país ção genuíno, intenso e que permita a estar a ser usada para fins bem pouco ter a maldição da abundância com
estruturas políticas do próprio Governo apenas para a extracção, mas são con- joelhos, que está à mercê da voragem, da de acumulação primitiva de capital. Ob- préstimos e devolver o dinheiro a quem com muita força e muita dureza, para é, extremamente, diverso etno- uma parte da população de Moçambi- revolucionários. Pode-se explicar? um empobrecimento irreversível
que também vai afectar a credibilidade cessões de territórios, o que quer dizer exploração e do saque das suas riquezas, viamente criam-se grandes fortunas e o emprestou. exigir às autoridades que não paguem -culturalmente. As rivalidades e que ver que quando vota nalguns diri- É exactamente a lógica do partido- do país.
internacional do país. que Moçambique está a ser posto na um Estado que se rende porque não tem muitos bilionários, mas a grande maio- Há quem diz que se não forem pagas, dívidas ilícitas.
16
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INTERNACIONAL Savana 29-07-2016

Reclamações e Sugestões dos cidadãos sobre a prestação dos serviços distritais de Namaacha, Manhiça e Marracuene
Período: Maio a Julho de 2016
Contextualização previstos no Decreto 30/2001 de 15 de Outubro, que aprova as normas de funcio-

o
No âmbito da implementação das caixas paralelas de reclamações e sugestões, a namento dos serviços da Administração Pública e na Lei 7/2012 12 de Junho que
Sociedade Aberta em coordenação com as Plataforma Distritais de Marracuene, aprova a Lei de Base da organização e funcionamento da Administração Pública.
Manhiça e Namaacha recolheram as reclamações e sugestões nas caixas instaladas FRPRDSDUWLFL-
(VWHVLQVWUXPHQWRVYLVDPDVVHJXUDUDHÀFiFLDGRVVHUYLoRVEHPFRPRDSDUWLFL
(VWHVLQVWUXPHQWRVYLVDPDVVHJXUDUDHÀFiFLDGRVVHUYLoRVEHP

log
nas comunidades para a elaboração do respectivo relatório. O presente relatório pação do cidadão no processo de tomada de decisões por parte da Administração
baseou-se na compilação das petições dos cidadãos e visa facilitar a apresenta- pública. As caixas paralelas de reclamações e sugestões foram instaladas com o
ção das demandas dos cidadãos aos provedores de serviços públicos, bem como objectivo de complementar às caixas de Reclamações e Sugestões existentes nas
avaliar a sua satisfação em relação à qualidade dos serviços. Após a recolha das instituições públicas.
reclamações e sugestões, a Sociedade Aberta faz a sistematização e enquadramen-
to destas petições, tomando em consideração o mandato e as competências das Reclamações e sugestões depositadas de Maio a Julho de 2016
instituições públicas do nível distrital e não se responsabiliza pelo seu conteúdo.
As tabelas abaixo ilustram as reclamações e sugestões apresentadas pelas comu-
nidades nas caixas de reclamações e sugestões paralelas, as quais foram sistemati-
A instalação das caixas de reclamações e sugestões constitui um dos mecanismos zadas e enquadradas por sectores de incidência.

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Savana 29-07-2016
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Sociedade Aberta
A Sociedade Aberta (SA) é uma Organização de Sociedade Civil moçambicana, que se dedica à pesquisa
Parceiros
ande enfoque para as áreas de Governação Local
e promoção de modelos de desenvolvimento local, com grande
um
e renda comunitária.
  
Contactos: Av. Kofi Annan, Bairro da Matola B, Nº50, Matola 700, Cel 826437391, Tel: 21.783.405,
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www.sociedade-aberta.org, s_aberta@yahoo.com.br
de
io
ár
Di
18
OPINIÃO Savana 29-07-2016

EDITORIAL Cartoon
Os sinais de um Estado doentio

D ois acontecimentos esta semana podem ter sido elucidativos


quanto às fragilidades que enfermam o nosso Estado e que
requerem uma intervenção cirúrgica muito séria, profunda e
rápida para o seu saneamento.

o
O primeiro caso está relacionado com um anúncio feito pelo Gabinete
Central de Combate à Corrupção (GCCC), dando conta de que qua-
tro funcionários do Estado conseguiram entre si desviar 32 milhões de
Meticais de fundos públicos através do uso criminoso do sistema de

log
pagamentos do Estado (e-SISTAF).
Dado que este roubo é citado como tendo decorrido entre os meses de
Abril e Dezembro de 2015, podemos extrapolar que o valor roubado
se situa em pouco menos de um milhão de dólares, tomando como
termo de referência a taxa média de câmbio durante aquele período.
Há um ditado popular que diz que o peixe começa a apodrecer a par-
tir da cabeça. Estes eram funcionários de nível médio. Se quisermos
tomar este exemplo como uma pequena amostra, podemos ter uma
ideia mais amplificada da magnitude de roubo de recursos do Estado

ció
aos níveis mais altos da administração pública. Por outro lado, embora
a responsabilidade criminal seja individual e intransmissível, é possível
concluir que se àquele nível os funcionários podiam actuar convenci-
dos da sua impunidade, a prática pode estar de certa forma generali-
zada. Do mesmo modo que também se pode considerar que o facto
de terem sido descobertos demonstra a impermeabilidade do sistema.

Porquê Nyusi é um Presidente


O GCCC foi durante muito tempo visto como uma entidade captu-
rada por interesses políticos que não a deixam exercer em pleno o seu
mandato. Mas nos últimos tempos tem vindo a comunicar, ainda que
de alguma forma timidamente, certas acções que tem estado a levar
para combater a corrupção não só, mas sobretudo ao nível da admi-
nistração do Estado. É preciso encorajá-lo a fazer mais, e que traga ao
público casos relacionados com a grande corrupção que é o principal
flagelo que mina o Estado e a credibilidade das suas instituições.
O segundo caso tem contornos de um narcisismo estonteante. A Polí-
de “Faz de conta”?
Por Lázaro Mabunda
so
O
cia da República de Moçambique (PRM) ao nível da cidade de Mapu-
to promoveu quatro dos seus agentes, numa cerimónia presidida pelo
comandante da corporação nesta cidade, Bernardino Rafael. Professor João Pereira deu que o colocou no poder para “fazer de dades a um condutor que aprendeu a
Na citação que leu durante a cerimónia, Rafael disse que aqueles agen- uma extensa entrevista ao conta” que ele é Presidente. condução com uma carinha de caixa
um
tes da PRM estavam a ser promovidos porque se tinham destacado, semanário SAVANA do Nunca houve vontade da elite dos automática, de quatro lugares.
“durante os primeiros seis meses deste ano, no cumprimento de or- dia 15 de Julho em curso na antigos combatentes em passar o po- Nyusi está num dilema. Não tem
dens, instruções e despachos dos seus superiores hierárquicos, aquilo qual afirmou que Filipe Nyusi era um der a quem não tenha participado na poder, não conhece o Estado nem o
que é a essência das Forças de Defesa e Segurança”. “Presidente de faz de conta”, porque libertação do país. Porém, a falta de partido que ele dirige por dentro. O
Ora bem, se foi mesmo por isso, não parece que os agentes tenham ele é apenas “um Presidente que está consenso e o desentendimento in- resultado é a sua incoerência e contra-
feito algo de extraordinário, que seja por si só motivo de promoção, lá, mas não tem um punho pessoal.” terno em torno de quem seria, entre dição discursiva. Hoje diz uma coisa e
porque de agentes policiais não se espera nada menos que o profissio- Dito de outra forma, é um Presidente eles, o próximo candidato do partido, amanhã diz outra que contradiz o que
nalismo, o respeito pelas hierarquias estabelecidas e zelo no cumpri- controlado e teleguiado pelas forças fez com que optassem por uma apa- disse anteriormente. O seu discurso
mento de ordens superiores. Mas esta é a conclusão a que chega qual- poder do que
internas com mais poderes rente ruptura: indicar uma figura que de tomada de posse é hoje antítese
quer ser humano com alguma massa cinzenta, desde que não conheça ele dentro do partido. Um Presiden- não fosse da tradição militar, da luta do que vem afirmando em comícios
os verdadeiros contornos da questão. te cujos poderes foram sequestrados de libertação nacional, mas também populares e em entrevistas. Os resul-
Na verdade, estes são os agentes que estiveram em serviço no Aero- pela elite interna da geração 25 de uma figura que não iria ameaçar os tados da sua governação são também
Setembro (de luta de libertação na- seus interesses. E essa figura era Fi- antítese das suas promessas eleitorais.
de

porto Internacional de Maputo na noite em que uma cidadã espanhola


foi brutal e ilegalmente expulsa de Moçambique. Nesse incidente, uma cional). lipe Nyusi. Há uma grande diferença entre Joa-
Procuradora que foi intervir paraa que fossem observados os procedi- Na mesma edição do jornal SAVA- O primeiro sinal de que esta elite não quim Chissano, Armando Guebuza
mentos legais foi molestada por estes agentes, que não quiseram saber NA, há um artigo da África Confi- estava disposta a afastar-se do poder e Filipe Nyusi. Enquanto Chissano
dencial no qual se pode ler que “Nyu- é que Nyusi, como candidato, foi tinha conhecimento profundo do
mais nada do que o cumprimento de um despacho ilegal exarado pelo
si ainda não percebeu a gravidade da eleito quando faltam sensivelmente Estado que ele próprio participou
Ministro do Interior, Basílio Monteiro.
situa
situação”, porque “está a ser incapaz sete meses das eleições, tempo insu- activamente na sua construção e con-
Este é o principal motivo da promoção daqueles agentes. Foram pre-
de compreender que o seu país en- ficiente para que ele tentasse perceber solidação, conhecia e detinha influên-
miados por terem conseguido impor a força brutal contra o Estado de
frenta uma grande emergência eco- e reestruturar as máquinas partidária cia considerável no partido, Guebuza
Direito em Moçambique.
nómica e tenta responder à calamida- e do Estado. Ao contrário, Guebuza conhecia perfeitamente o partido,
Este episódio reflecte um conflito antigo e contínuo entre a Procura-
de com medidas cosméticas”. foi eleito em Junho de 2002 como que desde 1965 se encarregou de
io

doria e a PRM. De forma reiterada, a polícia tem manifestado a sua


Concordo com o Professor João Pe- candidato às eleições de Dezembro montá-lo como comissário político.
desilusãoo quando ela detém presumíveis criminosos que depois nem Igualmente conhecia profundamen-
reira, mas já não concordo a África de 2004, ou seja, com o mínimo de
chegam a ser acusados por suposta insuficiência de provas. Trata-se de te o Estado no qual foi ministro dos
Confidencial. Não há dúvidas que dois anos e meio, o que o permitiu
uma tensãoo permanente entre a polícia, por um lado, e a Procuradoria sectores de defesa e segurança, além
Nyusi é um Presidente de “Faz de reestruturar o partido e montar uma
e os tribunais, por outro. Resulta daí em parte o surrealista debate que de ter sido ministro dos Transportes
conta”, que está a “fazer de conta” máquina que fosse ele a conduzir.
tivemos recentemente sobre se o novo Serviço Nacional de Investiga- e Comunicações, Governador pro-
que ainda não está a perceber a di- Igualmente, teve tempo de fazer a re-
ár

ção Criminal (SERNIC) deveria estar na tutela do Ministério Público vincial, etc.. Nyusi não conhece nem
mensão do buraco do barco que está visão da máquina do Estado que ele
ou do Interior. A polícia mantém a firmeza de que possui provas irre- detém influência em nenhum dos
a conduzir no alto mar. Digo que está conhecia muito bem.
futáveis de delito por parte dos presumíveis criminosos que entrega à dois monstros. É por isso que é um
a “fazer de conta” que ainda não per- Ao não dar tempo a Nyusi para, no
justiça.
a. Só que em muitos casos, para os magistrados, essas provas não Presidente de “faz de conta”.
cebeu, porque tenho impressão que mínimo entrar no partido e no Esta-
são suficientes para sustentar o rigor dos princípios fundamentais da Pessoalmente, sinto que ele tem von-
ele, na verdade, sabe e percebe, pro- do, estava claro que esta elite queria
legalidade. tade, mas a sua vontade esbarra-se nos
fundamente, a gravidade da situação que entrasse e conduzisse as máqui-
Moçambique não é o único país onde se verifica esta tensão perma-
Di

do país, mas ele é incapaz de esboçar nas por ela minadas, sem que tivesse interesses desta elite gerontocrática.
nente entre magistrados e polícias. Só que questões complexas como O seu discurso de tomada de posse
qualquer medida séria, dado que me- tempo de as testar. Na verdade, Nyusi
estas não se resolvem com estes braços de ferro, que não têm nenhuma didas sérias afectariam, substancial- entrou nos dois Leviatãs que desco- espelha a vontade que ele tem. Porém,
utilidade
de se não mesmo como sinais de um EstaEstado doentio. mente, os interesses da elite armada nhecia por completo. Foi como dar é medroso, impotente e incapaz de
dos antigos combatentes, a mesma camião-cavalo manual de 16 veloci- avançar para uma ruptura.

KOk NAM Editor Executivo: Ivone Soares, Luis Guevane, João


Mosca, Paulo Mubalo (Desporto).
Distribuição:
Miguel Bila
Director Emérito Franscisco Carmona
(francisco.carmona@mediacoop.co.mz) Colaboradores: (824576190 / 840135281)
Conselho de Administração: André Catueira (Manica) (miguel.bila@mediacoop.co.mz)
Fernando B. de Lima (presidente) Aunício Silva (Nampula) (incluindo via e-mail e PDF)
e Naita Ussene Redacção: Eugénio Arão (Inhambane)
Raúl Senda, Abdul Sulemane, Argunaldo Fax: +258 21302402 (Redacção)
Direcção, Redacção e Administração: António Munaíta (Zambézia) 82 3051790 (Publicidade/Directo)
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Registado sob número 007/RRA/DNI/93 Propriedade da 843171100 e Ilec Vilanculos Gervásio Nhalicale Redacção
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Maputo-República de Moçambique
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Savana 29-07-2016
OPINIÃO 19

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de Moçambique 2004-20141

o
A
Por Thomas Selemane
década  de  2004-2014 çambique assistiu  o crescimen- ticularmente gás natural, areias O último capítulo do li- ções  de poder – na adopção do

log
foi a que mais transfor- to de  movimentos retrógrados pesadas, carvão mineral e  sinais vro (5o  Capítulo,  págs. 134- método de “dividir para reinar” e
mações políticas, sociais de ataque  às vozes críticas  (ver de ocorrência de petróleo. A po- 137) apresenta as “considerações de encontrar sempre culpados “de
e económicas trouxe a págs.  12-15), ao assassinato de lítica económica  promovida na- finais”, apesar de cada um dos dentro e de fora” para justificar os
Moçambique pós-independente carácter com cunho racista.  Os quela década  gerou  um capita- outros capítulos conter um re- pr
seus próprios falhanços. 
e pós-guerra civil. Conhecidas moçambicanos foram estratifica- lismo sem capitalistas (ver pág. sumo  na sua parte final. Chamo Ademais, este livro é uma grande
por toda a gente, porque vividas dos em diferentes camadas, tendo 53), uma réplica, no dizer dos à vossa atenção para o facto de a contribuição para a compreensão
por todos, variando na dimensão existido “os de gema, os originá- autores, do que se viveu no país leitura desse capítulo não poder do processo moçambicano dos
e intensidade consoante a classe rios, os apóstolos da desgraça, os após a independência nacional: substituir a leitura dos demais últimos 10 anos na  configura-

ció
política, social e económica a que tagarelas e os delirantes” e outros “um marxismo-leninismo” sem capítulos, que como referi aqui, ção do Estado, na manutenção
cada pessoa pertence, essas trans- inomináveis. A par da deteriora- ou com poucos marxistas. cada um deles possui um vasto da  estrutura económica nacio-
formações foram detalhadamen- ção da liberdade de expressão e Essa política económica tinha leque de informação detalhada e nal de altos níveis decrescimento
te  analisadas e estão  agora  sis- de imprensa, a partidarização (ou um duplo objectivo (ver pág. 70): análise profunda, revelando o alto do PIB sem redução da pobreza,
tematizadas nestas 144 páginas em rigor, a frelimização) do apa- “primeiro, manter e reproduzir o grau de conhecimento e domínio do reforço do pior do que existe
de João Mosca, Máriam Abbas relho do Estado  foi oficializada controlo do poder de Estado pela das matérias neles tratadas pelos no  modelo de desenvolvimen-
e Natacha Bruna, com o título (ver pág. 28) tendo atingido ní- elite da Frelimo que o instru- três autores. to neoliberal, de capitalismo de
“Governação, 2004-2014: Poder, veis alarmantes. mentalizou para a constituição Para terminar, devo referir que periferia dependente de pou-
panças externas e da delapidação
Estado, Economia e Sociedade.”
O período analisado no livro
2004-2014 coincide com aque-
le em que Armando Guebuza
foi Presidente de Moçambique.
Mesmo assim, os autores de-
Ainda no 1o  capítulo, no ponto
referente ao “Estado, economia e
sociedade” (págs. 33-37), os au-
tores chamam à atenção para as
promiscuidades entre os interes-
ses públicos e privados, que  “se
so
de grupos económicos; e segundo
objectivo, reforçar o poder re-
pressivo e de controlo/clima de
medo social para manter a crise
de baixa intensidade (...).” 
O crescimento económico foi
João Mosca, Máriam Abbas e
Natacha Bruna  adoptam  neste
livro uma metodologia de análise
de economia política e sua rela-
ção com  as políticas económi-
cas e a governação que definiram
de recursos naturais (produtos
mineiros, florestais, faunísticos e
marinhos), de “facilitações e co-
missões” nos negócios, e de uma
sociedade  de medo e de desespe-
ro em que vivemos hoje.
cidiram não incluir o nome do misturam de forma consciente excepcional ao longo da década o leito do caudal do desenvolvi-
ex-Presidente da República no com o objectivo de formar uma visionária, mas também foi para- Os  efeitos  da governação da
mento de Moçambique nos últi-
título do livro, porque como eles classe média endinheirada mas doxal, pois não conseguiu reduzir década passada  estão e estarão
mos dez anos assente no contexto
um
justificam “o dilema da decisão não empresarial”. Ou como diria a pobreza. E a saga das dívidas sempre presentes  no Estado, na
histór
histórico, social  e político. Uma
foi o de saber, até que ponto o o actual vice-ministro da indús- ocultas veio dizer-nos que, no economia e na sociedade mo-
análise feita assim “com os pés no
Presidente foi um elemento de- tria e comércio, “Moçambique fundo, em termos económicos, o çambicana.  Por isso, este é um
chão”  e com consulta a 85 fon-
cisor sem o qual, ou sendo outro, livro que vale a pena ter e ler! Es-
só tem empresários de cartões de que  foi  feito aos moçambicanos tes bibliográficas,  é robusta não
o percurso de Moçambique no pero que os mil exemplares desta
visita.” foi essencialmente uma burla ca- somente porque permite com-
tiragem inicial se esgotem entre
período estudado pudesse ser Como notam os autores, os as- paz de apagar tudo o que podia preender melhor a realidade e os
hoje e amanhã!
diferente” (ver pág. 5). Portanto, pectos apresentados neste capí- ser considerado positivo daquele contornos das principais decisões
Bem hajam os autores!!!
este não é um livro sobre Arman- tulo representam a continuidade período. tomadas pela governação, mas Muito obrigado pela vossa aten-
do Guebuza, mas sim sobre o do regime ideológico de direita O 4o  capítulo do livro, dedica- também porque permite identifi- ção!!!
percurso feito por Moçambique adoptado após as reformas de do  à “Educação e Saúde”  (págs. car as implicações dessas decisões
nos últimos dez anos a nível de
de

1987, e alguns aspectos são expli- 116-131) mostra que houve uma no médio e longo prazos. 
governação, poder, Estado, eco- cados por factores que remontam expansão significativa dos servi- E essa é  a maior contribuição 1
Texto de apresentação do livro
nomia e sociedade. à constituição da FRELIMO ços de educação e saúde, porém deste livro:  a identificação  e ex- “Governação, 2004-2014: Poder,
Nos cinco capítulos que com- (Movimento, em 1962) e do Es- não correspondidas com o de- plicação sem subterfúgios do que Estado, Economia e Sociedade” de
põem  este  livro - Estado e So- tado moçambicano em 1975 (ver sejável padrão de qualidade, ao se passou em Moçambique entre João Mosca, Máriam Abbas e Na-
ciedade, 1o  capítulo; Economia págs. 46-47). mesmo tempo que se acentuaram 2004 e 2014, por outras palavras, tacha Bruna. Título da responsa-
Política da Governação entre É preciso lembrar que foi du- as desigualdades regionais no o decifrar do verdadeiro legado bilidade do apresentador do livro e
2004-2014, 2o  capítulo; Evolu- rante a era visionária de 2004- acesso a esses serviços. da governação a nível das rela- não dos autores.
ção da Economia, 3o  capítulo; 2014 que Moçambique retornou No concernente à educação, no
io

Educação e Saúde, 4o capítulo; e à guerra, conheceu o fenómeno período estudado,  registou-se


Considerações Finais no último dos raptos, reviveu os crimes de uma tendência crescente dos gas-
capítulo – os autores descons- delito de opinião transaccionados tos públicos por escola até ao ano
troem o processo de articulação na moeda de “crimes de atentado de 2010, tendo atingido o seu
entre os recursos do Estado dis- à segurança do Estado”,  e viu o pico naquele ano, com valores de
ár

poníveis, as tensões sócio-políti- seu futuro hipotecado em dívi- “aproximadamente 970 mil meti- Email: carlosserra_maputo@yahoo.com
cas e os conflitos económicos vi- das  ocultas cujas consequências cais por escola no país” (ver pág. Portal: http://oficinadesociologia.blogspot.com
vidos em Moçambique naqueles reais e completas ainda estão por 124).  487
10  anos,  em contraposição com ser vistas. Na  componente de saúde, con-
As cidades da cidade de Maputo

U
as opções tomadas no  processo O 2o  Capítulo (Economia Po- forme ilustra o gráfico 49 (Uni-
do  chamado “combate  à pobre- lítica da Governação 2004- dades sanitárias por região) – ver
Di

ma cidade pode ser um tempo, tocam-se e repulsam-se,


za”, que já tinha sido “absoluta” 2014)  seguido do 3o  Capítulo: pág. 127, aproximadamente 67% compósito de cidades. enxertam-se e agridem-se: as
mas depois deixou de sê-la mes- Evolução da Economia - são os das unidades sanitárias do país As cidades nos chama- cidades dos enclaves protegidos
mo sem ter sido reduzida. que escalpelizam as componen- encontram-se concentradas em dos “países em desen- e fortificados, a cidade dos pré-
No 1o Capítulo do livro, Estado tes económicas da década 2004- somente três províncias: Cidade volvimento” (expressão deplora- dios-caixote, a cidade do adobe
e Sociedade (págs. 11-47), os au- 2014, nomeadamente, “o reforço de Maputo, Sofala e Manica, que velmente ambígua, saliente-se) e da chapa de zinco, as cidades
tores radiografam o percurso das do papel do Estado através do curiosamente não são as mais po- são cidades plurais, mundos dos blocos, as cidades transver-
liberdades e direitos dos cida- investimento em empresas pú- pulosas do país. Aliás, o gráfico múltiplos e complexos, almas em sais do dia e da noite, as cidades
dãos, particularmente as liberda- blicas monopolistas e de sectores seguinte: 50, na mesma pág. 127, movimento cruzando-se sem se policiadas, as cidades deixadas ao
des de expressão e de associação, estratégicos em paralelo com o mostra a gravidade da desigual- cruzar, relações sociais embuti- salve-se-quem-puder, as cidades
das em diferentes concepções de calóricas da vida ao ar livre, as
liberdade de imprensa, o Estado alargamento de um mercado des- dade de acesso aos serviços de
espaço e de habitação, de estéti- cidades informais espreitando
de direito, as eleições e as estabi- regulado e não fiscalizado.” saúde. As duas províncias mais
co e de lúdico.  pelos rostos das cidades formais. 
lidades social e militar. O período analisado neste li- populosas, Nampula e Zambézia, Na cidade de Maputo, por Mas também cidades anfiboló-
No período  em análise (2004- vro coincide com aquele em que apresentam os números mais al- exemplo, várias Maputos aproxi- gicas, sem dúvida, cidades mes-
2014), como notam Mosca, Moçambique se tornou “novo tos de habitantes para cada uni- mam-se e afastam-se ao mesmo tiças.
Abbas  e Natacha  Bruna, Mo- rico” em recursos minerais, par- dade sanitária.
20
OPINIÃO Savana 29-07-2016

Meu ser original


3RU,YRQH6RDUHV

Eu, Sabina 3RYR0RoDPELFDQR/HYDQWD

o
F oi uma flechada, assim do género de compreendo o ser humano, compreendo

A lguns dirão que este artigo incita a


tomada de atitude, outros dirão que
Haverá uma geração mais indecisa que esta
nossa? 

log
inalar uma dose cavalar de tetrahi- até que ponto uma pessoa pode ser in- Uns dizem que o nosso problema é querermos
é um chamamento à consciência dos
drocanabinol às 6 da manhã, em je- feliz, até que ponto uma pessoa pode ser sair bonitos na foto, mesmo quando estamos
moçambicanos e eu digo que se trata
jum. Êxtase puro! Entrei para cima vilipendiada por um defeito biológico. Eu de um sonho meu expresso em texto. Quero esfarrapados, mal-nutridos, doentes, em guer-
das nuvens, perfurei-as e senti-me bem. não tenho culpa de não fazer filhos. Não ver o meu país a desenvolver-se a sério em am- ra, sem tecto, sem direitos ou com direitos
Dei comigo a recitar o poema daquele podem pensar que eu, Sabina Lopes, por biente de paz e de livre concorrência. 
ência.  violados...queremos aparentar que está tudo
poeta brasileiro louco que diz: “Hoje eu não poder fazer filhos sou uma pessoa O que pretendo  dizer às minhas compatriotas bem.  Até quando assim agiremos?
acordei / Com uma vontade danada / De infeliz, sou feiticeira ou não amo a vida. iotas é o seguinte:
e aos meus compatriotas Sabe, o futuro depende do que fizermos hoje. 
mandar flores ao delegado / De bater na Amo. Podemos passar a vida a lamentar por nunca
Temos feito muito pouco para sermos um país
porta do vizinho / E desejar bom dia / De termos tentado algo diferente, ou podemos le-
A minha casa, aqui na Mafalala, está cheia de homens e mulheres livres. Nós quando so-
beijar o português / Da padaria”. Nunca te vantar e trabalhar para que Moçambique seja

ció
de flores, a minha cama está cheia de per- mos mais novos passamos o tempo a sonhar melhor
melhor. Moçambique pode ser melhor em tudo.
deu isso? A mim também dá raramente, fumes. Eu própria deixei de ser costureira, com aquilo que seremos quando adultos. Basta querermos e sermos agentes dessa mu-
mas às vezes acontece. Às vezes apetece- como se dizia antigamente: agora sou es- Quando somos jovens passamos o tempo a danç
dança necessária e termos coragem de conquis-
-me ser feliz e não tenho como evitar isso. tilista. Faço exposições de moda e utilizo a procurar realizar os sonhos de infância, ou a tar a nossa felicidade.
Tenho 37 anos, deixa que me apresente: minha própria beleza, embora eu não seja lamentar nos muros das lamentações que exis- Eu quero parabenizar mulheres de coragem e
chamo-me Sabina Lopes, fiquei sem a mi- muito bela, nem tenha um corpo assim de tem nalguns bairros. acção que mostraram ao mundo quão bravas
nha mãe aos 20 anos de idade, quando se Há ainda aqueles que, depois de tanto tenta- nós mulheres podemos ser quando diante das
mulher.
estavam a completar 15 anos da morte do rem, vêem-se sem esperança de a médio ou oportunidades que muitas vezes nos tentam ti-
Hoje, 19 de Julho de 2016, sinto-me bem
meu pai. longo prazo realizar os seus sonhos. E dizem rar. 
porque acordei, liguei o rádio e o rádio Muquilina Soares, Joana Pereira e Amália Cor-
Não, não desligues a ficha, querido leitor, para si próprios: eu tentei de tudo e parece que
ou querida…Não te estou a utilizar como
muro de lamentações. Não sou uma pessoa
muito de alegrias, mas também não sou
muito de tristezas. Sinto-me feliz hoje e
gostaria de partilhar esta felicidade conti-
go. É uma felicidade muito profunda, uma
me disse que é o Dia Mundial do Nelson
Mandela. Mandela é um homem que ad-
miro muito. Não é qualquer um que aceita
ficar 27 anos na cadeia, solitário, e volta a
viver na alta, como presidente de um país.
Pena, digo eu, porque eu, Sabina Lopes,
37 anos de idade, me sinto bem na minha
so
“esta é a realidade que estamos com ela”, pois
pensam eles: continuaremos a ser o pouco que
somos hoje. 
Eu sou uma mulher de fé. Acredito que po-
demos fazer a diferença. Acredito que homens
e mulheres, rapazes e raparigas possam fazer
coisas grandiosas por este belo país. Belo e rico,
reia são mulheres moçambicanas internacional-
mente respeitadas.
Eu ‘destapo-me’, ou seja tiro o véu para mulhe-
res que se batem por conquistar o seu espaço. 
As nossas karatecas internacionais venceram e
duas delas dedicaram a sua vitória apelando à
Paz no seu país: Moçambique. 
felicidade que vem de uma pessoa que se Quem não quer a paz? 
ama e, através de si, ama os outros. incapacidade de fazer filhos. diga-se, mas com 41 anos de empobrecimento. 
Quem não quer essa Paz que corre o risco de
Mas, repito, “Hoje eu acordei / Com uma Então, se temos um país belo, rico e temos so-
Sou estéril, razão pela qual tive muitos ser apenas um  exercício retórico caso não se-
um
vontade danada / De mandar flores ao de- nhos, o que nos falta? 
namoros, tive muitos homens na vida. A jam criadas as condições políticas para que haja
legado / De bater na porta do vizinho / E Aos moçambicanos batalhadores falta a cora- negociações de Paz baseadas na reconstrução da
minha cama cheira a muitos homens, mas
desejar bom dia / De beijar o português / gem que os jovens de antigamente tiveram.  confiança e no espírito de respeito pelos com-
todos me abandonaram porque todo o No tempo dos meus avós lutou-se contra todo
macho negro, preto, moçambicano ou ni- Da padaria”. Dá para entenderes? Não sei, promissos assumidos? 
talvez dê. Talvez seja loucura. Mas o que o tipo de dominação colonial para que houves- Agora, em tempo de agir, todos nós temos de
geriano, quer filhos e eu não faço filhos. se liberdade democrática, debalde. O que nos
é a loucura, então? Como diz o outro po- fazer tudo o que está ao nosso alcance sem he-
Entreguei-me, tenho-me entregue com apareceu foi uma liberdade aparente, sem li-
eta brasileiro, é seguir a cartilha que o ou- sitar e com o peito cheio lançarmos um repto
muito amor. Abro tudo o que tenho por berdade de expressão, sem livre circulação, sem para que haja PAZ já. 
abrir. Não faço filhos? Pronto! tro desenhou, é comer o pão que o diabo
liberdade religiosa, sem  livre associação, sem Você, querido(a)  (e)leitor(a) que me está a ler:
Tenho 37 anos e não tenho filhos nem ho- amassou. Será? Senta – diz o mesmo poeta diversidade de opinião. Em suma, deram-nos o que fez hoje pelo seu país e o que fará ama-
mem. Ou seja, tenho muitos homens que – Se acomoda, bebe um copo. A tristeza uma liberdade em que TODOS tinham de nhã? 
passam por aqui. Aqui. Continuo a viver vai passar.. Dá um tempo. Dá um tempo… replicar as posições do partido único: Frelimo.  Moçambique é maior que a política e os mo-
nesta mesma casa de madeira e zinco, na caba hoje.
A vida não acaba çambicanos são maiores que os carrascos de
de

No tempo dos meus pais, lutou-se contra essa


Mafalala, que me foi deixada pela minha Quem te diz isso sou eu, Sabina. Sabina ditadura do novo colono, o nacional. ontem e de hoje. 
mãe, quando morreu, tinha eu 20 anos. Lopes. 37 anos, órfã de mãe aos 20 e de No meu tempo,  uns lutam e outros só lamen- Ergamo-nos para fazer a diferença já!
Sinto-me um pouco feliz, porque estou pai aos 5. Não mudes de canal. Continua a tam-se. Dizendo que: nada posso fazer porque *Comunicóloga, Política e Poetisa. 
numa situação em que, assim à distância, ler-me.. Gosto muito de ti. “esta é a realidade que estou com ela.”

SACO AZUL 3RU/XtV*XHYDQH

3DUDFRPHoDU´VHLVSURYtQFLDVµ
io

U m dos pontos tratados pela Co- Cabo Delgado, seria governado pela Rena- gama de recursos minerais diversificados e de Consensualizar, na Comissão do diálogo
ár

missão mista do diálogo político, mo. Colocando nesta aritmética geográfica o grande importância económica, grande po- político, o significado de “inclusão”, é um
composta pelo Governo/Frelimo universo eleitoral moçambicano, percebe-se
univ tencialidade para o desenvolvimento da agri- caminho para o entendimento.
e Renamo, já põe à prova a equi- que, se a Renamo reclama ter vencido nes- cultura, pesca e turismo, um maior número Cá entre nós: como dá para perceber, o
pa de mediadores/facilitadores que anun- sas “suas províncias” que constituem, no seu de escolas, de institutos e até de implantação braço de ferro com relação ao assunto
ciou a sua pretensão em elaborar uma su- conjunto, o maior universo eleitoral do País, de universidades, maior número de unidades “seis províncias”, primeiro ponto do de-
gestão que ilumine as partes. Tudo tem então, algo não ficou muito claro no apu- sanitárias, etc. Neste sentido, colocar-se-iam bate da “Comissão”, precisa de media-
Di

a ver com a “insistência” da Renamo em ramento das últimas eleições. O problema questões, como, por exemplo: aceitar o ponto dores comprometidos com uma solução
governar as províncias de Niassa, Nam- arrastou-se, não houve esclarecimento sobre apresentado pela Renamo seria “entregar o de equilíbrio e de abandono da confron-
pula, Zambézia, Tete, Manica e Sofala. a “problemática dos editais”, não houve co- País”? Para que isso não aconteça qual seria, tação militar. Que sugestão trarão os
Seis províncias governadas pela Renamo ragem para convencer a Renamo de que os então, o melhor caminho: discutir a questão mediadores, nos próximos tempos, para
significariam a sua gestão em mais de resultados eram transparentes e que não dei- da legitimidade e da legalidade e chegar à iluminar as partes? As partes estarão
metade do País. Em termos de área se- xavam margem para dúvidas, como dizia, o conclusão de que o que hoje está a aconte- preparadas para aceitar alguma ajuda?
ria, claramente, a maior parcela do País, diferendo arrastou-se e colocou o País numa cer no País não é mais do que o pesado custo A máxima que diz que “não se entrega
ficando o seu adversário político, a Fre- “guerra escondida” (cuja aprovação não pas- da falta de transparência nos processos elei- o ouro ao bandido” exige uma pergunta:
limo, no Norte, apenas com a Província sou pela AR, se é que alguém ainda pensa torais? Voltando à vaca fria: não seria mais a que bandido? Sem esta resposta o “as-
de Cabo Delgado. No centro a Frelimo que tenha que passar). sensato negociar a governação das seis pro- sunto” tenderá a arrastar-se nos próximos
não teria praticamente nada, acontecen- Considerando a totalidade do País, as seis víncias dentro de uma lógica de promoção meses com a possibilidade de entrarmos
do o contrário com o Sul do Save, total- províncias “reclamadas” pela Renamo são as da paz e do entendimento? Que lógica seria em 2017 sem soluções exequíveis. Espe-
mente sob seu domínio. Dito por outras que apresentam uma série de aspectos po- essa? Seria a de dar um novo sentido ao ter- remos para ver, agora que resmungamos
palavras, todo o território moçambicano tencialmente estratégicos, ou seja, um capi- mo “inclusão”, aquele sentido que o povo teve inconformados com o sufocante “apertar
tal humano maioritário e diversificado, uma crença depois do primeiro discurso do PR. do cinto”. Os mediadores prometem!
situado a Norte do Rio Save, excluindo
Savana 29-07-2016
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22
DESPORTO Savana 29-07-2016

Dr. Cazé leu a tempo o cenário e, sem muitas chances para ganhar, optou por desistir da corrida à presidência da FMP

A maturidade que faltava!


Por Paulo Mubalo

o
ontrariamente a alguns ambiente mudou: os presentes en- dos os requisitos exigidos pela lei
segmentos da sociedade treolhavam-se e foram dando conta ou não. Findo este exercício já ti-
que crucificam o ex-vice- de que não havia nenhuma pessoa nha sido encontrado
enco o presidente

log
-ministro da Juventude e que se assemelhava de longe com o da FMP. A seguir eram abraços e
Desportos, Carlos de Souza (Dr. Dr. Cazé. aplausos porque, fazendo fé às pa-
Cazé), pelo facto de não ter con- E antes de ler a “sentença”, Chachi- lavras de Chachine, a família do
corrido à presidência da Federa- ne desejou, primeiro, boas-vindas a hóquei saiu mais coesa e organizada
ção Moçambicana de Patinagem todos, particularmente aos repre- que nunca.
nunc
(FMP), a posição deste é, no míni- sentantes dos núcleos das associa- O presidente da FMP, Nicolau
mo, reveladora de muita maturida- ções de Zambézia e Nampula, para Manjate, apresentou, à comunica-
de, uma vez que acabou deixando a depois pedir um minuto de silêncio ção social, as principais linhas do
sua imagem impoluta. pela mortete da jovem Sharon dos seu programa que, na prática, estão

ció
Santos, filha de Sandro dos Santos, consubstanciadas no seu manifesto,
E enganam-se os que lhe atribuem treinador e jogador de hóquei em que compreendem a promoção e
epítetos pejorativos por ter optado circunstâncias
cunstâncias tidas como estranhas. desenvolvimento da modalidade em
pela desistência, pois a grandeza de Explicou, apressadamente, como Moçambique, no quadriénio 2016-
um homem mede-se pelas análises todo o processo foi decorrendo 2020; a massificação da modalidade
situacionais e contextuais que faz até àquele dia e, inteligente que é, por algumas províncias do país que
antes de decidir tomar qualquer que Nicolau Manjate reconduzido à presidência da FMP mostrou-se surpreso por apenas ter tenham condições infra-estruturais
seja a posição. recebido uma única candidatura para o efeito.
que não ficaram indiferentes e ame- Finalmente, na semana passada,
E no caso vertente, há que se ter ca- tendo perguntado
pergunta se haveria mais Aliás, o quarto lugar alcançado em
rácter, saber reconhecer e admitir os
seus próprios erros com a consciên-
cia de que eles são necessários para
o crescimento e amadurecimento de
qualquer vivalma.
Começamos por partes: o anúncio
da candidatura do Dr. Cazé desde
açaram boicotar as actividades caso
este fosse eleito.
Este posicionamento surpreendeu
a maioria dos presentes, incluindo
o próprio presidente da Mesa da
Assembleia-Geral, Lucas Cachi-
ne. Foi por esta e mais razões que
so
num ambiente relativamente calmo,
até porque alguns mais próximos
da modalidade já sabiam que o Dr.
Cazé não tinha apresentado a sua
candidatura, um batalhão de jorna-
listas foi aguardando,, impaciente-
mente, a chegada de Lucas Chachi-
um outro concorrente. Em seguida
esclareceu que havia uma única lis-
ta como fruto de uma concertação
havida entre as duas listas, onde se
procurou integrar parte dos ele-
mentos da lista do Dr.
D Cazé.
E nem foi preciso fazer a votação:
Suan Juan, em 2011, no Mundial de
grupo “A”, bem como os dois séti-
mos lugares conseguidos nos Mun-
diais de 2013 em Angola e 2015
em Nantes, França, são o cartão-
-de-visita que motiva a acreditar no
sucesso da criação do departamento
cedo caiu mal no seio da família do a Assembleia-Geral foi sofrendo ne, ao local da assembleia. apenas procurou ver se, de facto, a de marketing, no novo elenco fede-
hóquei, em particular nos atletas adiamentos. Quando este finalmente apareceu, o lista única apresentada reunia to- rativo.
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‡&XUULFXOXPYLWDH
PROTECÇÃO VEGETAL ‡'LVSRQLELOLGDGHÀQDQFHLUD
‡&DUWDGHDXWRUL]DomRSDUDHVWXGDUSDUDHVWXGDQWHVWUDEDOKDGRUHV
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‡5DPRGH*HVWmRGH6RORV H[SHULrQFLDSURÀVVLRQDOGHDQRV
‡1~PHURGHYDJDV SRUFXUVR 
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ÃO DA BIODIVERSIDADE
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ECONOMIA AGRÁRIA
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‡5DPRGH$QiOLVHGH3ROtWLFDVH'HVHQYROYLPHQWR$JUiULR Do procedimento de candidatura deve constar:
‡5DPRGH0HUFDGRV$JUiULRV ‡)LFKDGH&DQGLGDWXUD SRGHVHUREWLGDQDVHFUHWDULDGH0HVWUDGRGD)$()
‡5DPRGH(FRQRPLDGH5HFXUVRV1DWXUDLV ‡&DUWDHQGHUHoDGDDR'LUHFWRUGR&XUVRLQGLFDQGRRUDPRHDPRWLYDomR
‡5DPRGH$JUR1HJRFLRV ‡&HUWLÀFDGRGHKDELOLWDo}HVHGLSORPDGH/LFHQFLDWXUD
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rem entre as 15 e as 19 horas a partir de Fevereiro de 2017. Dependendo das especi- Extensão
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24
CULTURA Savana 29-07-2016

“Pelo Estado Social e Inclusão”


N o círculo das “Noites de Sociologia”,
uma iniciativa organizada pela Fa-
culdade de Ciências Sociais e Filo-
lização da vida colectiva baseada apenas na
ciência moderna e no direito estatal moderno
(Santos, 2000, p. 42).

o
sóficas da Universidade Pedagógica, Colocar em foco o pensamento de Boaventu-
realizou-se recentemente uma palestra em ra de Sousa Santos pressupõe, antes de mais
parceria com a Associação dos Escritores nada, situar este homem/pensador nos circui-
Moçambicanos (AEMO) proferida pelo tos do tempo e do espaço, circunscrevendo o

log
sociólogo Boaventura de Sousa Santos, que lugar de onde pensa e fala, mais precisamente,
dissertou em torno do tema “Pelo Estado o lugar de onde enuncia este pensamento ins-
Social e Inclusão”. tigante que circula pelo mundo e mobiliza a
Academia, os Movimentos Sociais, as Redes
Boaventura de Sousa Santos é um dos mais e Fóruns de Lutas Sociais, para além de áreas,
influentes sociólogos de língua portugue- de campos, de países e continente; Boaventu-
sa da actualidade. Seus trabalhos podem ser ra de Sousa Santos tem reconhecimento pelo
enquadrados em três áreas: Direito e Socie- mundo fora, sendo conhecido internacional-
dade, Filosofia ou Epistemologia das Ciên- mente por sua contribuição teórica e pela sua

ció
cias Sociais e Democracia. Actuando basica- posição militante em favor de um projecto
mente nestas três grandes áreas, ele se tornou pluralista e amplo de emancipação social.
referência obrigatória nas mais diferentes Assim, nos anos 2000, Boaventura de Sou-
disciplinas das Ciências Sociais no mundo sa Santos propunha uma “Epistemologia do
(Direito, Educação, Serviço Social, Ciência Sul”, como um novo paradigma a encarnar
Política, Sociologia etc.). uma outra racionalidade ampla e abrangen-
Sendo a democracia um projecto de inclu- Boaventura de Sousa Santos proferindo palestra na AEMO te, capaz de apreender a riqueza infinita e a
são social e de inovação cultural que se co- e outra societal. A transição epistemológi- regulação e o conhecimento emancipação. diversidade da experiência social em todo
loca como tentativa de instituição de uma ca ocorre entre o paradigma dominante da Os pontos extremos do primeiro são o caos o mundo. O “Sul” em Boaventura de Sousa
nova soberania democrática, Boaventura de
Sousa Santos, na sua obra A crítica da razão
indolente – Contra o desperdício da experi-
ência, (São Paulo: Cortez 2000), sustenta que
estamos vivendo num momento de transi-
ção paradigmática, no qual o paradigma da
ciência moderna e o paradigma emergente
(conhecimento prudente para uma vida de-
cente). A transição societal ocorre do para-
digma dominante (sociedade patriarcal, pro-
dução capitalista, consumismo individualista,
identidades fortaleza, democracia autoritária
so
(ignorância) e a ordem (conhecimento); do
segundo são o colonialismo (ignorância) e a
solidariedade (conhecimento). O pilar da re-
gulação é composto pelo Estado, o mercado
e a comunidade, enquanto no pilar da eman-
cipação encontramos três formas de racio-
Santos não é um conceito geográfico é, sim,
uma categoria sócio-política relativa aos pa-
íses, regiões, segmentos, grupos que sofrem
processos de exclusão, opressão e discrimina-
ção. O “Sul” é uma metáfora do sofrimento
humano, produzido nas hibridações do ca-
modernidade se encontra em declínio, em e desenvolvimento global e excludente) para nalidade: a estético-expressiva, a cognitivo- pitalismo e da colonialidade do poder. Na
função do colapso do pilar da emancipação um conjunto de paradigmas que ainda não -instrumental e, por último, a racionalidade formulação de Boaventura Santos, “a Epis-
no pilar da regulação, fruto da convergência sabemos exactamente o que vem a ser. prático-moral do direito. A absorção do pilar temologia do Sul” assenta-se numa tripla
um
do paradigma da modernidade e do capita- Em sua construção teórica, o autor afirma da emancipação pelo pilar da regulação se orientação: “aprender que existe o Sul; apren-
lismo. Este período transicional possui duas que o projecto da modernidade possui duas deu através da convergência entre moderni- der a ir para o Sul; aprender a partir do Sul e
dimensões principais: uma epistemológica formas de conhecimento: o conhecimento dade e capitalismo e a consequente raciona- com o Sul”. A.S

Mostra de vivências de Macau XIII Fórum de Educação


O Centro Cultural Franco-Moçam- conhecida como Tin Hau, é a deusa do mar,

Popular
de

bicano inaugura na terça-feira, 2 de a partir da qual derivou o nome de Macau.


Agosto às 18h30, a exposição inti- Acredita-se que quando os portugueses per-

O
tulada “Os souvenirs de A MA”, do guntaram aos habitantes locais o nome do
artista João Donato. lugar, a resposta foi ‘A-Ma Gau’ (Baía de
A-Ma). Esta amostra é assim uma espécie de jovem escritor e jornalista, educação no nosso país”, disse Eduardo
Macau”, explica João Donato
homenagem a Macau”, Eduardo Quive, Presidente da Quive.
Esta exposição, que estará patente apenas Associação Movimento Lite- O FREPOP tem como tema principal
uma semana é, tal como descreve o próprio Nascido em Maputo, Moçambique, em 1953,
João Donato iniciou-se na arte da cerâmica rário Kuphaluxa, participou de “Educação Popular: democracia e os de-
artista, “como uma página de um caderno de 19 a 23 de Julho corrente no 13º Fó- safios das lutas sociais na construção da
campo: são as “notas” da minha viagem a Ma- em 2002 em Brasília, com a mestre ceramista
Cecy Sato. Em 2005, foi para Londres onde rum de Educação Popular (FREPOP), sociedade que queremos” e contou com
cau, onde fui participar numa feira de arte e
io

estudou sob tutela da mestre ceramista Da- na cidade brasileira de Recife, no estado vários oradores brasileiros para além de
artesanato no âmbito da semana da Lusofo- de Pernambuco. “É sempre um prazer
phne Carnegy, no City & Islington College, outros oriundos dos países da América
nia que ali se realiza todos os anos. Ali, numa desfrutar de uma oportunidade de de-
tendo depois trabalhado na mesma cidade latina e Moçambique. “O facto de estar
as de souvenirs,
livraria antiga ladeada de lojecas bater assuntos como este que me levou a
como técnico de cerâmica até 2011. Vive ac- com pessoas de vários cantos do mundo
na zona turística do Castelo de São Paulo, viajar até Brasil. A Educação, como sa-
tualmente em Maputo. Realizou exposições a expressarem as suas realidades é uma
encontrei uma referência a um texto do séc. bemos, ainda preocupa na nossa socie-
ár

Moçambique Reino Unido, Portugal,


em Moçambique, mais-valia para mim como Jovem”, afir-
18 de eruditos chineses, descrevendo os oci- dade. Então debater o mesmo tema ser-
Suécia e Brasil. A.S ma.
dentais que então chegavam à China. viu para aumentar o meu conhecimento Eduardo Quive partilhou experiências
“As letras são 23 e juntam-se umas às na participação no melhoramento da sobre os hábitos e costumes moçambi-
outras para se completarem. Os sons das canos que influenciam na forma de ser
palavras de diversas
ersas línguas, bem como e de estar, nas várias performances da
os do vento e da chuva e das aves e dos sociedade, bem como a forma como a
Di

animais podem ser reproduzidos por literatura moçambicana concebe esses


meio dessas letras. Maravilhei! Do barro hábitos e os abarca das suas característi-
e das mãos surgiram depois objectos tão cas. “Tive de fazer a radiografia do nos-
inúteis como os que são oferecidos aos so país, como forma de o fazer conhecer
turistas nas lojinhas dos becos macaen- por quem não o conheça. Foi bastante
ses! Agrupei-os em 23 conjuntos. Ser- eriquecidor para todos os participantes”,
viços de chá, como as 23 letras referidas enaltece.
por Cheong-U-Lam e Ian-Kuong-Iâm, Presidente da Associação Movimento
em Pequim, 1751. O Templo de A-Ma, Literário Kuphaluxa desde 2015, Edu-
localizado numa das “pontas” da penín- ardo Quive, que é também jornalista
sula de Macau, provavelmente já existia cultural, tem publicada a obra de poesia
quando os portugueses lá chegaram, “Lágrimas da Vida Sorriso da Morte”,
embora a estrutura actual possa ser do 2012, é co-autor do livro “Brasil-África:
século 16. Era neste local onde os pes- laços poéticos”, 2013, para além de par-
cadores vinham reabastecer-se e rezar Eduardo Quive ticipação em antologias poéticas. A.S
pedindo bom tempo. A-Ma, também Uma das obras de João Donato
Dobra por aqui
JULHO
SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1177 ‡ DE JULHO'(

Na última semana de vida, Machado da Graça produziu este Suplemento


o
SACANA, com a colaboração da filha, Sara Machado da Graça
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D
2 Savana 29-07-2016 Savana 29-07-2016 3
SUPLEMENTO
Savana 29-07-2016
OPINIÃO 27

Abdul Sulemane (Texto)


Ilec Vilanculo (Fotos)

o
Já estão a cansar

log
A
destes?
forma como os assuntos candentes do país são tratados mostra que
não são levados a sério por parte dos que têm a responsabilidade de
resolvê-los. Dependemos da vontade deles. O nível de impunidade em
que vivemos faz-nos questionar se realmente queremos viver num país

ció
Onde vamos chegar com o elevado custo de vida, tensão político-militar, dívidas
ocultas, só para dar alguns exemplos. Passados 40 anos de independência, gover-
nados pelo mesmo partido, quando fazemos o rescaldo das quatro décadas de
governação, percebemos que muita coisa ainda falta para fazer, e fez-se pouco.
Cada dia que passa a sociedade vai ficando mais ciente de que o país não melho-
rou em muitos aspectos porque um punhado de moçambicanos enriqueceu em
detrimento da maioria. A vida da maioria da população é levada sem esperança
nenhuma do futuro. Parece-nos ser o que está a dizer o Bastonário da Ordem
dos Advogados, Flávio Menete, ao Ministro dos Combatentes, Eusébio Guim-
biwa, num jeito de brincadeira.
Outros confraternizam sempre. Mesmo num ambiente bastante tenso, caóti-
co, encontram momento para mostrar que são confrades. É o que vemos nesta
imagem onde aparece o antigo Primeiro-ministro, Aires Ali, e o Hermenegildo
Infante, antigo Secretário da Frelimo na Cidade de Maputo.
As mulheres sempre mostram compaixão, solidariedade perante a situação em
so
que vivemos actualmente no país. Não lhes agrada de forma nenhuma saber que
estão a perder seus filhos em batalhas cujo inimigo desconhecem. É como se
um
Graça Machel estivesse a dizer para Marina Machinuapa: temos de ser fortes.
Sempre fomos fortes. Sabemos enfrentar as adversidades.
Há quem aproveita para fazer sentir o sabor da sua graça dialogando com uma
camarada, que ocupa um lugar no órgão decisório do glorioso no intervalo entre
as reuniões do Comité Central. Pelo semblante da deputada da Frelimo, Lucília
Hama, vislubramos que não esteja a falar da situação actual do país com o An-
tónio Niquice, secretário da Mobilização e Propaganda da Frelimo.
Falar chega a cansar. Porque quando analisamos muitas coisas que acontecem na
sociedade moçambicana ficamos frustrados. Perdemos a vontade de continuar a
lutar pelos ideais que traçamos para o nosso país. O ar desolado do veterano da
luta de libertação nacional, Mariano Matsinha, aqui sentado, espelha isso. E o
olhar de comoção de Manuel Tomé demonstra alguma sensibilidade. É mesmo
de

para dizer: estes tipos até nos cansam a beleza.


io
ár
Di
À HORA DO FECHO
www.savana.co.mz ho55
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iz-se
IMAGEM DA SEMANA Naíta Ussene Diz -se. .. D

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0á,#)-5 ./&#,)-85 )5 #á&)!)5 *&5 *45 '()/5 5 0)&.5 à5
casa os mediadores porque quer mesmo governar nas seis
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R55 5 !)0,()65 )'5 )/5 -'5 65 (ã)5 -5 ŀ)/5 .,á-5 5 (
mo. Se quiserem governar províncias, esperem por legisla-
éã)5*,)*,#855&á5 )#5)5")''5)-5&)/,)-55)'55
regresso ao calor europeu, à espera que por cá, nas próximas
semanas, saia fumo branco de alguma das trincheiras da dita
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R55 &)5'#(#-.ï,#)5)-5*)&ù#-65- ,!'7-5-5'ã)-5*),+/5)-5

ció
-!/#),-5 5 ",&)%5 )&'-5 )(.#(/'5 ./.&)-5 *&5
casa. E como que a dar resposta aos homens das togas, até
resolveram premiar os cinzentinhos que resistiram a receber
ordens de uma procuradora preocupada com uma feminis-
ta espanhola que reeditou a famosa ordem guebuzista do
hjIhf85-52(ĉ ))-5&)#-5.'ï'5.,'5*&'-888

ENI vai decidir ainda este ano


-
R55 5 '#(#-.,)5 &(é7*, /'5 /-)/5 !,(5 -*(.)5 )5 

sobre projecto de gás


so clarar que os activos das tais empresas ligadas ao aparelho
-/,#.á,#)5-ã)5-/ŀ#(.-5*,5*!,5-5ù0#-85-.5-,5
quem está disposto a pagar o preço astronómico porque apa-
rentemente foram transaccionados os atuneiros que teimam

A
'5(ã)5-#,5)5#-55 */.)85&0455/#.),5+/5á5/'5
'ã)4#("5)5'#(#-.ï,#)5*)--5$/,5(/'-5)(.-5-#'*&-5
de aritmética.
multinacional italia- parceira no projecto de gás da bacia sufoco financeiro que o país atra-
do Rovuma. vessa, devido à crise económica e à
um
na ENI poderá tomar a
chamada decisão final de Por outro lado, as negociações com dívida, agravada pela descoberta de R55 5 )')5 $á5 ,5 -*,)65 *)#-5 5 '5 -"#(!.)(5 .,'5
investimento (DFI) para o Governo moçambicano sobre as- empréstimos
éstimos de mais de 1,4 biliões (/(#)5 +/5 */.)5 (ã)5 -.05 *,*,)5 *,5 #.,5
a produção de Gás Natural Lique- pectos fiscais e financiamento da de dólares contraídos pelo anterior
anter a auditoria internacional, o timoneiro local mandou à fava
feito (LNG) em Moçambique den- *,.##*éã)5 5 '*,-5 #)(&5 Governo. )-5.#-5+/5+/,'5'.,5)5(,#45(-5)(.-5&)#-855.#-
tro de alguns meses, dando corpo à 5#,),)(.)-5BC5()5*,)- “Há definitivamente urgência da
-tac dos relógios e o cinto dos moçambicanos parece contar
transformação do país como uma jecto também conheceram avanços parte do Governo moçambicano
potência energética mundial, escre- nos últimos dois meses. em ver estes negócios a irem para a
pouco...
ve a agência Reuters, citando fontes Um outro desenvolvimento impor- ,(._65 &,)/5 /'5 )(.5 #.5
próximas do projecto. tante tem a ver com o acordo com a pela Reuters. R55 -5()-5)(.#(/'5&!,'(.55 ),,,55ù0#5!)0,-
BP, para a venda de gás. (+/(.)5 5  5 *)-.5 '5 *& *&- namental e a manter alegres os funcionários do Estado de
Segundo a Reuters, a prova de que “Houve progressos significativos nas taformas flutuantes para produzir ,.ã)50,'&")85-5#(#),-5+/5)5 5+/,#5-)5)(-
de

)5 #(.,--5 5  5 ()5 -(0)&0#- últimas semanas, o que deixa os in-  655(,%)5-.á5'*("5 trolo continuam a disparar.
mento do projecto de gás na Bacia vestidores mais optimistas, a Deci- em construir instalações no distrito
do Rovuma é irreversível está no -ã)5 #(&5 5 (0-.#'(.)5 (ã)5 -.á5 de Palma, para gerar o recurso, no
.ã)5 &)(!_65 #--5 /'5 (+/#,)5 (-
(- meio de disputas com comunidades R55 *-,55.,5*(-5)5*)#)5 ,&65)-5")'(-5+/5,ŀ4,'5
facto de a companhia italiana ter
volvido nas negociações do projecto que devem ser reassentadas. )-5 (Ě',)-5 )5 ),é'(.)5 - ,!'5 -5 'ã)-5 5 )(.(.-5
assinado recentemente acordos com
5!á-55 65#.)5*&5/.,-85 5(,%)5*,#-55$/(.,5hj5#-
5(,%)5*,#-55$/(.,5hj5# *),5.,'5)(-!/#)5,&",55)*#(#ã)5*Ě&#555)*)-#-
parceiros e com o Governo moçam-
*-,5)5()0)5ù'*.)5+/5)5*,)--
*-,5)5()0)5ù'*.)5+/5)5*,) liões de dólares para avançar com o éã)85ŀ(&65")/05'-')5),.-5-/-.(##-5()5),é'(.)>5
bicano.
$.)5 5 !á-5 5  5 ,!#-.)/5 (-5 -/5*,)$.)55*,)/éã)55 85
5 65*,)--!/55'.ï,#65.#("- Ě&.#'-5 -'(-65 #(5 (ã)5 ï5 &,)5 !/()5 5 /.,-65 5 )(.,éã)5
-se comprometido com a chamada sobre as fontes dos 11 biliões de dó-
R55 )5 *ù-5 )-5 /(")-65 )5 2/.#0)5 +/#0&(.5 à5 ,'I.0'5
*&5 (,%)5 5 #."5 (!,'5
io

 5 -.5 ()5 '5 ,&éã)5 )5 '- lares necessários para o desenvolvi- para dirigir a área do negócio de
$/(.)-5##/5+/5-5'(# -.éċ-5*)*/&,-5(ã)5-ã)5*,5
po de gás Coral e em 2017 sobre o mento da empreitada. 5!,)/5()-5#(0-.#),-5'#),5 ser mostradas nos media do sector público. Só que, do outro
campo de gás Mamba, os dois que 5  65 5 ),)5 )'5 5 /.,-65 confiança na capacidade de a multi- &)65)-5.#(!#)-65-ã)5'#-5!,--#0)-5)5+/5()5&)55á85
o consórcio detido pela empresa ita- espera mobilizar vários biliões de nacional norte-americana conseguir -5-*.),-5550#,'5)-5*,-(.),-55-.-
liana controla. ĉ&,-5#0##()55-/5)(--ã)55 mobilizar o financiamento de que tal compareceram ao serviço vestidos de preto, em sinal de
ár

5'/&.#(#)(&5$*)(-5'-/(!5 vendendo 20% do seu campo de gás precisa. &/.)65)5'-')5.'*)5+/5)-5.,#/(#-5(.,0'5'5éã)5


Heavy anunciou na semana passada de Mamba, bem como direitos ope- 5 55(,%)5(ã)5ï5-*,5
+/5-.á5'5(!)#éċ-5)'55 5 racionais à norte-americana Exxon )(.,5-5#.,#-5)5^)'#--á,#)5*)&ù.#)_5)55()5)(-
este ano, acrescentou a Reuters.
para o fornecimento de uma pla- Mobil. -5,-,0-55!á-55#5)5)- .,)&55,á#)7.&0#-ã)5-..&85
taforma flutuant5 5 5 *,)/éã)5 5 0/'5 -ã)5 -.#'-5 '5 nk5 .,#&#ċ-5 Em voz baixa
 65)')5*,.55-/5#(.!,éã)5 Bóia de salvação para Nyusi de pés cúbicos, o suficiente para R55 5/ ,#65à5-'&"(é5)5+/5)(.5)'5)-5^",'-
Di

no consórcio Technip e JGC, num '5 .,(-éã)5 (.,5 5  5 5 -.,5 5 &'("65 #()5 (#- ()-55/_65#-/.7-5-5)-5.&.-5+/50ã)5)52.,#),5(ã)5
contrato orçado em 5.4 biliões de Exxon Mobil será vista como uma )65 ,(é5 5 .á&#5 (-5 *,ĉ2#'-5
0'5.,5/'5&!éã)5, ),é5)'5!(.-55),*),-
dólares. ĉ#5 5 -&0éã)5 *&-5 /.),#-65 duas décadas.
Fontes citadas pela Reuters refe- dado que o Estado moçambicano )5 'ù(#')65 5 *,)/éã)5 5  5 éã)85,5$á65!,(.#'5+/5(ã)5"0,#5(#,-55*,.#)-5
rem que a General Electric também terá acesso a mais-valias que lhe demorará cinco anos, após a Deci- 5)*)-#éã)5(-5!!(-5)-5.&.-85
"!)/5 5 ),)5 )'5 5  5 )')5 permitam ganhar oxigénio face ao -ã)5#(&55 (0-.#'(.)8
Savana 29-07-2016 1

0DSXWRGH-XOKRGH‡$12;;,,,‡1o 1177

CDM lança projecto “Devolver”

o
log
ció
so
um

A
de

s Cervejas de Moçam- as necessidades de importação 330 ml, poupando, dessa forma, retornáveis custam 35 MT con- nómica que afecta o país faz-se
bique (CDM) lançaram, o; e melhorar o impacto
do vidro; 268 milhões de meticais por ano tra 45 MT das não retornáveis)”, sentir nas CDM, onde as vendas
esta semana, o Projecto ambiental causado pelo lixo das porque, explica Pedro Cruz, “cada avançou. registaram uma queda “aparato-
“Devolver”, uma inicia- garrafas não retornáveis (atinge garrafa pode ser utilizada 30 ve- “Não sabemos quando é que sa”.
tiva que visa promover o retorno 11500 toneladas por ano). zes”. haverá aumento de preços, mas “Pela primeira vez, em muitos
das garrafas de 330 ml, de todas “Uma garrafa deitada fora é um A iniciativa, que entretanto não garantimos que neste momen- anos, as vendas das CDM estão
as marcas nacionais (2M, Mani- desperdiço porque pode ser reu- é nova no mercado nacional e to os preços não serão alterados. abaixo do ano anterior. A norma
ca, Impala e Laurentinas Preta tilizada. Para tal, é preciso que mundial (já era feita nas garrafas Porém, há produtos cujos preços foi sempre crescer face ao ano an-
io

e Clara), em todos os pontos de as pessoas mudem de compor- médias de 550 ml), visa defender são ainda mais baixos, devido às terior”, afiançou.
venda. tamento, passando a devolver as os interesses dos consumidores, matérias-primas que são nacio- Entretanto, em sentido contrário
O projecto foi apresentado, esta garrafas no estabelecimento onde permitindo que a companhia não nais (Chibuko e Impala)”, co- está a estiagem que não afecta
quarta-feira, em Maputo, pelo compraram”, disse Cruz. agrave o preço dos produtos face mentou o Director-geral daquela aquela unidade fabril, visto que
Director-geral da companhia, Sendo assim, com a implemen- ao aumento dos custos de produ- companhia, questionado sobre o nunca teve limitações no acesso
ár

Pedro Cruz, e tem o objectivo tação do projecto, as CDM pre- ção. possível agravamento de preço à mandioca, matéria-prima prin-
de garantir maior controlo do tendem atingir uma meta de de- “Permite ao consumidor poupar dos seus produtos. cipal para a produção da cerveja
preço ao consumidor; diminuir volução de 80% das garrafas de 10 MT por garrafa (as garrafas Pedro Cruz revela que a crise eco- Impala.Abílio Maolela
Di
2 Savana 29-07-2016

Supervisores de Direitos Humanos juntam


Seguros da lusofonia Sociedade Civil
reunidos em Maputo
O

o
distrito de Boane, ção no aumento da transparência to disse ao 6$9$1$ que a

A
província de Mapu- no sector extractivo em Moçam- conferência irá ainda discutir
to, acolhe de 02 a 05 bique,, o papel da Assembleia da o papel das Organizações da
Associação dos Supervi- pervisão de seguros no actual qua- República enquanto órgão fiscali- Sociedade Civil na monitoria

log
de Agosto de 2016 o
sores de Seguros Lusófo- dro económico de Angola. terceiro Acampamento In- zador do executivo para divulgação da qualidade e abrangência
nos (ASEL) juntou seus Falando na abertura do encontro, ternacional de Direitos Hu- e implementação da Lei do Direito dos serviços públicos (com
membros, na capital mo- a vice-ministra da Economia e Fi- manos, Cidadania e Acesso à à Informação e seu regulamento, destaque para os sectores de
çambicana, Maputo, de 25 a 27 do nanças, Isaltina Lucas, lamentou Informação. bem como o papel do Provedor da educação e saúde bem como
mês corrente, para analisar o am- o facto de Moçambique ter uma Justiça como actor estratégico na as responsabilidades dos ór-
biente de seguros ao nível dos pa- população estimada em cerca de O encontro financiado pela monitoria da implementação da gãos de comunicação social
íses falantes da língua portuguesa. 25 milhões de habitantes, mas que Íbis, no quadro do Programa Lei do Direito à Informação no públicos de radiodifusão (RM
apenas sete por cento é que tem AGIR, contará com a partici- sector público. e TVM) na garantia cons-
No encontro foi analisada a neces- acesso aos serviços financeiros e de pação de activistas nacionais José Abudo, Provedor da Justiça, titucional de independência

ció
sidade da criação de um ambiente seguros. e internacionais de Direitos Tomás Timbane, advogado e antigo editorial como direito à in-
que facilite a expansão dos produ- Isaltina Lucas referiu que os núme- Humanos, pesquisadores, es- bastonário da Ordem dos Advoga- formação e o seu papel na
tos e serviços de seguros para todas ros atingiram a cifra acima citado tudantes, jornalistas, comuni- dos, Lucas Chomera, presidente da implementação da LDI e seu
as camadas populacionais, sobretu- devido ao seguro obrigatório como cadores das rádios comunitá- Quarta Comissão da Assembleia regulamento.
do da classe baixa. é o caso da responsabilidade civil rias e funcionários públicos. da República, Teodato Hunguana, Paralelamente, será organiza-
Na conferência que contou com a do automóvel. Na conferência serão debati- jurista e político, são parte de vários da uma Feira de Direito à in-
participação de pouco mais de uma Para além do discurso da gover- dos vários temas com maior oradores que desfilarão durante o formação, além da exibição de
centena de convidados, nomeada- nante moçambicana, o encontro foi enfoque para a contribuição encontro. filmes e documentários sobre
marcado por um ciclo de palestras e
mente os representantes das insti-
tuições integrantes da ASEL e de
instituições públicas e privadas de
Moçambique, das quais se desta-
cam as Seguradoras e os Corretores
de Seguros a operar no País, fez-se
uma avaliação da adesão dos mem-
debates sobre temas de grande rele-
vância para a indústria seguradora.
A ASEL é uma associação profis-
sional sem fins lucrativos criada em
1994 e recentemente foi admitida
com o estatuto de Observador da
so
de Lei do Direito à Informa- Uma fonte da organização do even- Direito à Informação. (EC)

bros da ASEL aos Princípios Bási- Comunidade dos Países de Língua


cos de Seguros. Portuguesa (CPLP). A organização
Também foi abordado o impacto congrega os supervisores de seguros
um
do surgimento de uma ressegura- e organismos similares dos países
dora nacional e os desafios da su- de língua oficial portuguesa. (EC)
de
io
ár
Di
Savana 29-07-2016 3
11

Sociedade Civil defende revisão da Lei da Família


A s organizações da Sociedade
Civil (SC), que integram a
Coligação para Eliminação
nitárias, Benilde Nhalivilo, destacou
a necessidade de se introduzir “no-
vas formas dos direitos da rapariga”
para que esta tenha o seu papel bem
à idade para o casamento.
Charre sublinhou ainda que foi apro-
vada, em Junho, na Swazilândia, pelo
Parlamento da SADC, a Lei contra

o
de Casamentos Prematuros
(CECAP), defendem a revisão, com definido no seio da família e na so- os casamentos prematuros e protec-
urgência, da Lei da Família, concre- ciedade. ção de menores em casamentos.
tamente os artigos relativos aos direi- “Deve-se mobilizar mais investimen- “Este acontecimento remete-nos a
tos da rapariga, por forma a adequá- tos destinados à educação da rapariga uma reflexão e reverificação do que

log
-los à realidade actual do país. e que a promoção dos direitos deste está em falta na nossa legislação, com
grupo populacional esteja patente vista a dar maior protecção à rapari-
O número 02 do artigo 30 da Lei da nos curricula escolares, bem como a ga”, destacou.
Família, que estabelece a excepciona- criminalização dos casamentos pre- Refira-se que, durante os dois dias,
lidade do casamento de menores de maturosos no país”, apelou. para além de se debater a Lei da
16 anos com a permissão dos pais, é Por fim, Antónia Charre, vice- Família, também foi apresentada a
visto como parte da solução para a re- -presidente da 3ª Comissão na AR, proposta da Lei das Sucessões, com
solução do problema e, segundo estas, mostrou a abertura do seu grupo de enfoque para inclusão do cônjuge so-
a idade núbil para contrair o matri- trabalho em acolher as propostas de brevivo nas primeiras classes de gru-

ció
mónio deve fixar-se nos 18 anos. revisão da lei e acrescentou: “há con- pos sucessíveis, ambas sob orientação
Esta posição foi tomada, esta sema- vergência de ideias entre as duas par- da Procuradora Geral Adjunta, Irene
na, em Bilene, província de Gaza, tes (SC e sua comissão), no que tange Utui. (EC)
cria, desenvolve e se consolida a per-
durante a realização do Seminário de
sonalidade dos seus membros e onde
Advocacia sobre a Revisão do quadro
devem ser cultivados os valores mais
Legal referente aos direitos da rapa-
nobres”, disse.
riga, com foco na Lei da Família e
Para Zeca, a reflexão deve prosseguir
sucessória, estampada no Livro V do
e culminar com a actualização dos ar-
Código Civil.
tigos que se mostrem desajustados ao
O encontro promovido pela CECAP,
que durou dois dias, contou com a
participação de deputados da AR
(da Comissão dos Assuntos Consti-
tucionais, Direitos Humanos e Le-
galidade e a Comissão dos Assuntos
Sociais, do Género e Tecnologias de
Comunicação Social) e tinha como
contexto sócio-cultural e a dinâmica
face à conjuntura e chama a atenção
para a necessidade de se verificar “a
diversidade do contexto moçambica-
no”.
Por sua vez, a directora do Centro de
Formação Jurídica e Judiciária, Vita-
so
objectivo traçar um plano de trabalho lina Papadakis, afirmou que embora
para acompanhar a revisão da Lei da haja esforços desenvolvidos pelo Go-
Família e advogar para que a proposta verno e pela sociedade civil, no sen-
um
da Lei das Sucessões seja submetida à tido de promover a igualdade entre
“Casa do Povo”. pessoas do sexo feminino e mascu-
No seu discurso de abertura, a gover- lino, os mesmos “ainda não são sufi-
nadora de Gaza, Stella Pinto Zeca, cientes” para a eliminação das situa-
destacou a importância da revisão do ções de desigualdade entre homens
quadro político-legal referente aos di- e mulheres, rapazes e raparigas e de
reitos da rapariga, pois, esta camada violação dos direitos das mulheres e
encontra-se numa situação de fragi- raparigas.
lidade, devido ao contexto do patriar- “Há necessidade de revisão, emenda
cado da sociedade moçambicana. ou revogação de normas que discri-
A governante mostrou-se preocupada minem as raparigas e harmonização
com a ausência de Leis que protegem da legislação,
ão, das políticas, estratégias
de

o adolescente, em geral, e a rapariga, e programas nacionais com outros


em particular. instrumentos regionais e internacio-
“Proteger a rapariga é sem dúvidas nais ratificados
ados pelo país”, defende.
contribuir para o empoderamento da No mesmo diapasão, a directora do
família, espaço privilegiado no qual se Fórum Nacional de Rádios Comu-

BCI reafirma apoio aos


io

Médicos Veterinários
D origem animal.
ár

ecorreu nos dias 21 e 22 de


Julho de 2016, no Centro Na sua intervenção, o PCE do BCI,
Internacional de Confe- Paulo Sousa, referiu-se ao Protocolo
rências Joaquim Chissa- recentemente celebrado entre o BCI
no, o 2.º Congresso de Medicina e a OMVM, que assegura a todos
Veterinária de Moçambique, or- os seus Profissionais associados um
ganizado pela Ordem dos Médi- conjunto de condições preferenciais
Di

cos Veterinários de Moçambique e exclusivas no acesso a serviços


(OMVM), com o alto-patrocínio financeiros. Segundo Sousa, “esta
do Banco Comercial e de Investi- vontade de nos constituirmos como
mentos (BCI). Parceiros dos Médicos Veterinários
de Moçambique, oferecendo uma
Sob o lema “O papel da veteriná- vasta gama de soluções de finan-
ria na protecção da saúde global”, ciamento, mostra inequivocamente
o encontro, cuja sessão de abertura que o acesso ao crédito para os Mé-
foi orientada pela Vice-Ministra da dicos Veterinários de Moçambique
Agricultura e Segurança Alimentar, é uma realidade no BCI, que se
Luísa Celma Meque, teve em vis- enquadra numa política de aproxi-
ta impulsionar o desenvolvimento mação do Banco às Instituições que
da actividade veterinária no país com maior relevância promovem o
e produzir recomendações para a desenvolvimento sócio-económico
criação de um impacto positivo na de Moçambique, contribuindo para
produção e segurança alimentar de alavancar o seu potencial. (EC)
4
12 Savana 29-07-2016

Católica Porto promove EUA dão USD 3 milhões para


intercâmbio cultural infância
Q uatro dezenas de alunos e contribuir para a educação jurídica

A Embaixada dos Esta- ciado em partes iguais pelo Plano programa do PEPFAR para

o
recém-licenciados na área e para a compreensão mútua, aju- dos Unidos da Amé- de Emergência do Presidente dos criação de uma geração livre
do Direito participam, até dando também no fomento e pro- rica (EUA) lançou, EUA para o Alívio do SIDA (PE- de HIV e SIDA. Pela primeira
30 de Julho, na Universi- moção da responsabilidade social nesta segunda, em PFAR) e pela Fundação Conrad N. vez em Moçambique, activida-
dos estudantes de Direito e jovens

log
dade de Verão Internacional, num Maputo, o programa de De- Hilton. des do DPI serão sistematica-
evento denominado “Law & Bu- advogados. senvolvimento da Primeira mente integradas nos serviços
siness Oporto International Sum- O projecto pretende, além disso, Infância, inserido no âmbito da Este esforço pioneiroo assinala um de saúde materno-infantil,
mer School”. abrir portas aos participantes para Aliança de Desenvolvimento compromisso entre o governo Mo- de nutrição, de prevenção da
novas perspectivas de emprego, Global (GDA). Este projecto çambicano e os parceiros inter- transmissão do HIV e de apoio
novas experiências, desafios, contri- resulta de uma Parceria Pú- nacionais no sentido de apoiarem a crianças órfãs e vulneráveis.
Os participantes, de 30 nacionali-
buindo, também, para a progressão blico-Privada, com a duração crianças vulneráveis. A aliança tem Moçambique foi seleccionado
dades diferentes, terão a possibili- na carreira.
dade de usufruir de uma experiên- de três anos, entre o Governo em vista a melhoraria do estado de entre 48 candidaturas de 16
Fundada em 1881, em Viena, a dos Estados Unidos da Améri- saúde das populações alvo, de for- países no âmbito da Terceira
cia de aprendizagem internacional, rede ELSA que começou com qua-

ció
de desenvolver competências jurí- ca através da sua Agência para ma a melhorar os resultados do de- Ronda do Fundo de Incenti-
tro estudantes – conta agora com o Desenvolvimento Interna- senvolvimento das crianças vulne- vo PEPFAR para aumentar o
dicas num contexto multicultural e, 38 mil estudantes de Direito e jo-
ainda, de desenvolver uma rede de cional (USAID), a Fundação ráveis afectadas pelo HIV e SIDA. envolvimento do sector priva-
vens advogados e está actualmen-
Conrad N. Hilton e a PATH Ao longo de três anos, a PATH do no reforço e alargamento
contactos a nível global. te representada em mais de 300
- uma organização americana vai usar este financiamento para do princípio da responsabili-
Integrada na ELSA – The Euro- universidades num universo de 42
internacional sem fins lucrati- expandir intervenções de DPI nas dade compartilhada, visando
pean Law Students’ Association, a países, sendo considerada a maior
vos. O mesmo, avaliado em três províncias de Maputo, Sofala e alcançar uma geração livre do
iniciativa “Law & Business Oporto associação independente de estu-
milhões de dólares, foi finan- Zambézia, em alinhamento com o SIDA.
International Summer School” visa dantes no mundo.

EMOSE lança comemorações dos 40 anos so


A Empresa Moçambicana
de Seguros (EMOSE)
lançou, esta semana, as co-
“não se coibiu de dar este contribu-
to em prol do desenvolvimento da
educação na nossa província”, disse.
um
memorações dos 40 anos Diomba destacou a importância da
da sua existência, que se assinalam educação, que segundo ele, é uma
a 1 de Janeiro próximo. Para mar- instituição social de grande valia
car o início das comemorações da para o progresso da nação, daí que
efeméride, a maior e mais antiga valoriza o esforço da segurado-
seguradora do país inaugurou, esta ra pelo seu cometimento com esta
quarta-feira, uma exposição foto- causa.
gráfica, composta por 40 amostras, O Presidente do Município de Bo-
que retrata os momentos marcantes ane, Jacinto Loureiro, também agra-
da sua história, desde a sua naciona- deceu a EMOSE e referiu que este
lização em 1977. momento é marcante, pois, poderá
O evento contou com a participa- elevar o nível de educação para as
de

ção da Governadora da Cidade de crianças.


Maputo, Iolanda Cintura, da vice-
Já o PCA da EMOSE, António
-ministra da Economia e Finanças,
Carrasco, realçou que é tarefa da sua
Isaltina Lucas, antigos gestores da
instituição apoiar as escolas, hos-
EMOSE e trabalhadores daquela
pitais, entre outros sectores sociais
empresa.
com vista a promover o desenvolvi-
Intervindo na ocasião, a vice-minis-
tra da Economia e Finanças congra- mento do país.
tulou a EMOSE pelos 40 anos, con- O mercado segurador em Moçam-
ríodo em que o país tem vindo a são dos 40 anos da empresa, Mário ria de Mabanja, no Município de bique é constituído por 18 empre-
siderando que a trajectória firmada Samboco, revelou que a seguradora
registar um abrandamento do ritmo Boane, com a reinauguração daquela
io

pela seguradora tem mérito por sas, sendo a EMOSE, nos últimos
de crescimento da economia, de- programou uma série de jornadas infra-estrutura, reabilitada este ano, 5 anos, parte do grupo das quatro
apresentar “um crescimento notável,
vido a uma conjuntura económica de reflexão, de modo a conhecer o após ser assolada por um vendaval, com maior domínio do mercado. A
traduzido em melhoria da qualidade
caracterizada por choques internos estágio de vida da empresa, por for- em Fevereiro passado, num investi- facturação, em 2015, foi de cerca de
dos serviços prestados aos segura-
dos, aumento contínuo dos volumes e externos, que levaram o Governo ma a reposiciona-lá e responder aos mento de 1.7 milhões de meticais. 2.14 mil milhões de Meticais, num
a propor uma revisão, em baixa, do desafios do mercado. O Governador da província de Ma- mercado cuja produção global, em
ár

de produção e diversificação da car-


teira de investimentos”. seu Plano Económico e Social e do Ainda no mesmo dia e no âmbito do puto, Raimundo Diomba, agrade- termos de prémios brutos emitidos,
Isaltina Lucas lembrou que as co- Orçamento de Estado para 2016. lançamento dos 40 anos, a EMOSE ceu o gesto da empresa, que apesar é de cerca de 9.4 mil milhões de me-
memorações acontecem num pe- Por sua vez, o Presidente da Comis- brindou os alunos da Escola Primá- da crise financeira que assola o país, ticais. (EC)
Di