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ABIM 005 JV Ano XII - Nº 98 - Jun/18

Salve
Venerável
Mestre!
Esta bela Obra, esculpida em
cedro do líbano, realizada

Editorial
pelo marceneiro londrino, o
Companheiro Maçom Benjamin
Bucktrout (1744 -1813), foi usada
por Peyton Randolph (1721-
75), enquanto era Grão-Mestre
Provincial da Virgínia, na década
de 1770. Durante a Revolução
Americana, a cadeira foi levada
A cada ano ou biênio, dependendo da Potência/
pelo Irmão George Russell,
Obediência a qual a Loja esteja jurisdicionada, temos a para o Unanimity Lodge Nº 7,
oportunidade de participar da Cerimônia de Posse do Edenton, Carolina do Norte. Em
Venerável Mestre. A cada administração, tal cerimônia 1983, foi adquirida pela Colonial
acontece, a fim de que, regularmente, possibilite ao irmão Williamsburg Foundation, onde se
encontra até hoje.
escolhido, a condução dos destinos de nossa Oficina.

Nesta edição, resolvemos apresentar, como


temário, a origem da cerimônia de instalação, no Trono de
Salomão, do Mestre da Loja. Iniciamos com a matéria de
autoria do ilustre escritor e maçonólogo José Castellani,
intitulada “Venerável Mestre”, que apresenta, de forma
bastante lúcida, a origem do termo, sua etimologia e a
história, com a influência da Cavalaria Medieval.

Nosso querido Irmão Edvaldo Cardoso, 33°,


autor da matéria “A Cerimônia de Instalação”, teceu, com
propriedades, elucidativos comentários sobre a cerimônia
reservada àqueles que já tiveram o privilégio de presidir
Conselho da França, a fim de explicar o porquê da
uma Loja maçônica. Com base em estudos do Real Arco,
localização atual, no Oriente, da figura do Mestre Instalado;
explica o porquê de certos pontos daquele cerimonial.
do surgimento das Lojas Capitulares; do surgimento do
Já o nosso Irmão Marcelo Abchaim faz uma Grau de Mestre e da cerimônia de instalação do Mestre da
importante abordagem sobre o surgimento da figura do Loja; por fim, uma analogia da figura do Mestre Instalado
Mestre Instalado no Rito Escocês Antigo e Aceito, quando com relação à sefirah daat, na Árvore da Vida.
do seu aparecimento no Maçonaria Brasileira, através das Já a matéria que, também, temos o prazer de
Grandes Lojas, por Mario Behring, e sua implantação pelo assinar, intitulada “O Avental de Mestre Instalado”, faz uma
Grande Oriente do Brasil, adaptado-se nos demais ritos. analogia esotérica sobre todos os aventais do simbolismo
O ilustre Irmão Pedro Juk, estudioso consultor e a evolução do maçom.
maçônico, membro da Loja Estrela dos Morretes, do GOB- Esperamos que, através desta edição, possamos,
PR, expressa suas considerações, a respeito da indagação mais uma vez, estar contribuindo positivamente para
de um valoroso Irmão do Oriente de Belo Horizonte, a elucidação de um tema. Não temos a ousadia de
membro de uma Loja da GLMMG, se o título de Mestre pensar em esgotar o assunto, pelo contrário, nossa
Instalado seria um grau, respondendo-lhe como extrema sincera intenção é a de estimular nossos leitores a
sabedoria, que lhe é peculiar. se enveredarem no estudo e na pesquisa do tema,
A matéria “O Mestre Instalado”, de nossa lavra, faz produzindo outros textos, a luz de sua verdade, em prol do
uma abordagem ampla, volvendo à fundação do Supremo engrandecimento cultural de nossa Ordem.

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O Mestre Instalado Francisco Feitosa

V
olveremos nossa atenção para a data de 12 de com o poder sobre o conjunto dos Graus 1º ao 18º. Essa
outubro de 1804, quando da fundação do segundo escolha baseou-se na intenção de dirigir o Rito Escocês
Supremo Conselho do Mundo, o da França, oriundo Antigo e Aceito com a mesma abrangência simbólica,
dos EUA, com a finalidade de difundir o REAA na Europa. como já fazia com o Rito Moderno, ou seja, do Grau
Denominado, inicialmente, como Rito para os Altos Graus, de Aprendiz ao de Rosa-Cruz. No Rito Moderno, o de
chegou sem ritual próprio para os três primeiros Graus. Rosa-Cruz é o 7º, e no Escocês Antigo, o 18º. Em 1820,
O conjunto desses Graus, ainda, não era denominado de o Grande Oriente organizou o REAA, voltando-o para o
Simbolismo, sendo, conhecido, na época, por Lojas Azuis funcionamento sequencial do Grau de Aprendiz ao de
ou Blue Lodges. Rosa-Cruz. A esse conjunto de Graus, sob a mesma
direção, foi atribuída a denominação de Loja Capitular,
Dez dias depois, foi realizada uma Assembleia do presidida, preferencialmente, por um Cavaleiro Rosa-Cruz.
Supremo Conselho, também, em Paris, na qual foi fundada
a Grande Loja Geral Escocesa, que teve como primeira Surge uma nova concepção obediencial no Rito
missão a organização do ritual francês das Lojas Azuis do Escocês Antigo e Aceito na França: Lojas Simbólicas,
REAA, que se baseou no ritual da Grande Loja Inglesa Lojas de Perfeição, Capítulos, obedientes ao GOF;
dos Antigos (1751), sendo que o Grande Oriente da Conselhos Kadosh, Consistórios, Supremo Conselho,
França praticava o mesmo Rito Escocês da Grande Loja obedientes ao Supremo Conselho do Grau 33º.
dos Modernos, o que era, na verdade, o Rito Francês ou Posteriormente, a Maçonaria Brasileira seguiria esse
Moderno. Pouco tempo depois, formalizou-se um acordo formato francês, permanecendo assim até o ano da
entre o GOF e o Supremo Conselho para a prática do criação das Grandes Lojas, por Bhering, em 1927, quando
REAA. o Supremo Conselho conseguiu recuperar seu poder nos
Graus 4º ao 33º.
O GOF, que tinha a decoração de seus Templos
baseada no Rito Francês, começou a praticar o REAA sem Com o surgimento das Grandes Lojas no Brasil,
fazer as devidas alterações, misturando aspectos desses essas tiveram a missão de organizar e coordenar a
Ritos, fruto disso, hoje, o REAA é o mais enxertado do prática dos três primeiros Graus, então, já chamados de
mundo, principalmente, aqui no Brasil, com a ajuda do Simbólicos. As modificações produzidas pelo GOF, em
criador das Grandes Lojas, o Irmão Mário Bhering, que 1820, com o Ritual que criou as Lojas Capitulares, não
buscou agradar a GLUI, a fim de conquistar sua simpatia e foram desfeitas, sendo incorporadas aos Graus Simbólicos
reconhecimento. do Rito, definitivamente.

Em 1816, após momentos conturbados com o Surge, com isso, uma modificação que perdura até
Supremo Conselho, o GOF assumiu a jurisdição de parte os dias de hoje, e muitos não têm conhecimento: o piso do
do Rito Escocês Antigo e Aceito, decidindo que ficaria Oriente em desnível com o do Ocidente, próprio das Lojas

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Capitulares, conforme o Ritual de 1820. Pode-se observar
que, no Ritual de 1804, o piso do Templo é todo plano,
apenas, o Trono do Venerável Mestre era mais elevado e
não havia separação com balaustrada. O Oriente elevado
foi criado para simbolizar o Santuário do Grau Rosa-Cruz.
O Venerável Mestre, preferencialmente, deveria ter, no
mínimo, o Grau 18º, assim como os que tinham assento no
Oriente.

O Oriente elevado, jamais, fez parte da


ritualística dos Graus Simbólicos e, portanto, não
deveria ter permanecido na descrição do Templo,
após o desaparecimento das Lojas Capitulares, pois
isso contribuiu para desinformar a respeito do Templo
adequado para as Lojas Simbólicas.

Com o surgimento das Grandes Lojas Brasileiras,


o Templo das Lojas, que se transferiram do Grande
Oriente do Brasil para as Grandes Lojas, antes, ajustado
para os Graus Capitulares, e alguns, ainda, carregados
de influências, em sua ornamentação, do Rito Francês
(Moderno), não foi readaptado para o modelo original do
Rito Escocês Antigo e Aceito, anterior a 1820, ou seja, o
piso plano em toda a extensão.
O Catedrático é mais um doutrinador, um ensinador, um
Após esse intróito, passaremos a falar de mais sábio, que inaugura uma nova era de conhecimento,
um enxerto no REAA, tema principal desta matéria: a que dá nova visão do mundo e que a ninguém presta
figura do Mestre Instalado. A cerimônia de Instalação do obediência doutrinária. Portanto, um Venerável Mestre não
Mestre da Loja é, até, mais antiga do que o próprio Grau pode ser sagrado, e sim, consagrado por uma Comissão
de Mestre Maçom, já que, antigamente, quem dirigia a de Três Mestres Instaladores, devidamente, nomeada pelo
Loja era um eleito entre os Companheiros; não existia o Grão-Mestre.
Grau de Mestre Maçom. Posteriormente, surgiria tal Grau.
E, com a figura do Past Master (Mestre Instalado) pairava A palavra “instalação” é oriunda do latim medieval,
uma dúvida, pois o Grau maior do Simbolismo, sendo o “in” e “stallum”, cadeira. Chamamos de Instalação o
de Mestre Maçom, nçao poderia aceitar a participação de ato que concede o direito de exercer privilégios de um
aludida figura na Cerimônia de Instalação do Mestre da ofício. Um aspecto importante e específico da Instalação
Loja, nem mesmo os que já tivessem ingressado no estudo Maçônica é o que dá direito de sagrar homens e objetos.
dos Graus Superiores. Afinal, o Mestre Instalado é um A Instalação do Venerável se dá no Trono de Salomão, na
Grau ou não? Cadeira do mais Sábio dos Reis, conquistando o mesmo o
poder de ungir Maçom, de fazer Maçom.
A cerimônia de Instalação do Mestre da Loja
remonta ao início do século XVIII, sendo introduzida em No Ritual Emulation, existe o chamado Santo
toda a Maçonaria, somente, a partir de 1810. Tal cerimônia Real Arco, criado por volta de 1751, baseado no retorno
é anterior à criação do Grau de Mestre Maçom, em 1724, do povo judeu da Babilônia e em uma antiga lenda sobre
e, somente, efetivado em 1738. a descoberta de um altar, de uma cripta e da Palavra
Sagrada. Não chega a ser um Grau em si, embora
O título de Venerável Mestre teve origem nos essa não seja a interpretação de boa parte dos maçons
meados do século XVII, com a transição da Maçonaria ingleses, mas, sim, uma extensão do Grau de Mestre,
Operativa para Especulativa. Deriva da palavra inglesa tendo ritualística própria, e parte do ritual reservada,
“Worship”, significando “culto”, “adoração”, “reverência”. apenas, aos “Past Masters”.
Como forma de tratamento, a palavra inglesa “Worshipful”,
significa “adorado”, “reverente”, “venerável”. Portanto, Em meio à tentativa de união das Grandes
“Worshipful Master” significa Venerável Mestre. Lojas Inglesas (Modernos e Antigos), isso chegou a ser
um impasse. Em 1813, concretizou-se a união dessas
Na Alemanha, o Venerável Mestre recebe o nome Potências, sendo que a Maçonaria Inglesa considerou
de “Meister vom Stuhl”, ou seja, Mestre de Cátedra. A que, no Simbolismo, existem, apenas, os três Graus
Cátedra é o significado mais importante do Veneralato. conhecidos, porém o Santo Arco Real, nesses, está

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inserido (vai entender!), embora exista um Supremo origem de Tudo) e Tiphereth (local do Eu Superior),
Grande Capítulo que o administra separadamente. com a figura do Mestre Instalado. Tal Sephira, somente,
surge após a realização das 10 Sephiroth, interligadas
No Brasil, até 1928, nem no Rito Moderno nem através dos 22 caminhos da Sabedoria, relacionados
no REAA, foi realizada qualquer Cerimônia de Instalação. aos 22 Arcanos Maiores do Tarô, que, somando-se às
Com o surgimento das Grandes Lojas, o REAA adotou 10 Sephiroth, aludem ao número 32, os 32 Portais da
essa prática, que, anos mais tarde, também, foi imitada Sabedoria. Em relação ao corpo humano, são os nossos
pelo GOB. A pedido do Grão-Mestre Álvaro Palmeira, 32 dentes, localizados na boca, de onde vem a força
o insigne escritor Nicola Aslan, que, em 1966, havia se do Verbo, da Vibração, o Poder da Criação Espiritual. O
desligado das Grandes Lojas e se filiado ao GOB, foi surgimento da Sephira Daat soma o cabalístico número
incumbido de escrever um Ritual de Instalação, adotado no Mestre, o 33, tão nosso, porém oriundo de Antigas e
ano seguinte. Ocultas Tradições, do qual pouquíssimos Iniciados nos
O Templo com o piso do Oriente elevado, oriundo Verdadeiros Mistérios têm conhecimento, como a Ordem
das Lojas Capitulares, passou a ser reservado aos Mestres dos Traichu-Marutas. Homem, conheça-te a ti mesmo!
Instalados, o que veio a fortalecer essa nova categoria, Dizia Pitágoras. A Iniciação é a eterna busca do nosso
que possui segredos próprios e exclusivos. Eu Superior, ou Verdadeiro. Despertar, ou alcançar a
Sephira Daat, é encontrar o “Caminho de Volta à Casa do
Voltamos a perguntar: Mestre Instalado é um Pai! É encontrar a origem do Todo. Mas esse já é outro
Grau? A resposta é não. Porém, sua superioridade assunto, que poderemos, até, tratar mais amiúde, em outra
hierárquica sobre o Mestre Maçom se caracteriza na oportunidade.
Cerimônia de Instalação, no momento em que todos os
Mestres Maçons Não-Instalados, mesmo os portadores
dos Altos Graus, são obrigados a cobrirem o Templo.

Dada a sua experiência, adquirida por haver


presidido uma Loja, compõe o Colégio de Mestres
Instalados de sua Oficina, justificando sua presença
no Oriente e servindo como consultores, em auxílio ao
Venerável Mestre.

A dignidade do Mestre Instalado é compatível, tão


somente, com Ritos Anglo-Americanos, como o Craft e o
York, que permitem, no Ritual, a supremacia hierárquica
do Mestre Instalado sobre o Mestre Maçom Não-Instalado,
embora, oficialmente, a Grande Loja Unida da Inglaterra
não reconheça essa supremacia.

O termo Past Master tem sua origem na


Maçonaria Inglesa e é próprio do Rito Emulation, servindo
para designar o Ex-Venerável Mestre. De forma errônea,
algumas Grandes Lojas, como a Americana e a Brasileira o
adotaram. Para os americanos, é válido pelo idioma inglês
adotado e por praticarem o Craft no Simbolismo, mas, para
nós brasileiros, usuários da língua portuguesa, esse termo
nada tem a ver, principalmente, por não existir no REAA.
Temos visto muitos Irmãos pronunciarem o Past Venerável,
o que vem a ser pior ainda, já que não define qual idioma
se pretende usar. O certo é tratar o Mestre Instalado, que
recém encerrou seu Veneralato, de Ex-Venerável.

Há cerca de 15 anos, quando proferimos uma


palestra no Rio de Janeiro sobre “Cabala e Maçonaria”,
relacionamos a Árvore da Vida com os cargos em Loja
e tivemos a oportunidade de fazer uma analogia da
invisível e misteriosa Sephira Daat, cujo significado é
“Conhecimento”, posicionada, ocultamente, na coluna
central da Árvore da Vida, entre Kether (Coroa – a

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Venerável Mestre José Castellani

O
título de Venerável Mestre, dado ao presidente se inclui o de sagrar (2) os candidatos à iniciação, à
de uma Loja maçônica, tem a sua origem mais elevação, ou à exaltação. Tão rígido é tal dispositivo,
remota nos meados do século XVII, quando já que, em uma sessão à qual não esteja presente o
começara a lenta, mas progressiva, transformação do Venerável Mestre, sendo, ela, portanto, dirigida pelo
Franco maçonaria de ofício, ou operativa, em Franco 1º Vigilante, que não seja um Mestre Instalado, ele
maçonaria dos aceitos, ou especulativa (1). Nessa deverá, no momento de sagrar o candidato, solicitar, a
época, porém, nem existia o grau de Mestre Maçom, um Mestre Instalado presente, que o faça, sem o que a
que só seria introduzido no século XVIII, a partir de cerimônia não poderá ter validade.
1724, e efetivado em 1738, e o presidente da Loja
A origem mais remota dessa prática está na
era escolhido entre os mais antigos e experientes
Cavalaria Medieval, cujos integrantes, os cavaleiros,
Companheiros --- que era um mestre-de-obras --- ou era
só podiam ser sagrados por um rei, por um príncipe,
o proprietário mesmo, o qual, como dono da obra, era
ou por um alto dignitário eclesiástico. Estes, para a
vitalício na direção dos trabalhos dos obreiros.
sagração, colocavam a lâmina da espada sobre os
Derivado da palavra inglesa worship, que ombros do candidato, alternadamente (e terminavam,
significa culto, adoração, reverência --- como forma em alguns casos, com a acolada, que era uma pancada
de tratamento --- quando usada como substantivo, no pescoço do candidato).
e venerar, adorar, idolatrar, quando usada como
verbo transitivo, tem-se o vocábulo worshipful, que
significa adorador,reverente, venerável, como forma
de tratamento. Dessa maneira, o presidente da Loja
passou a ter o título de Worshipful Master, que significa
Venerável Mestre e que seria adotado por todos os
círculos maçônicos, embora o termo Venerável,
de início, fosse aplicado apenas às organizações de
artesãos.

Adotando-se a cerimônia de Instalação, como


faz a Maçonaria inglesa, é só depois de passar por
ela que o Venerável Mestre eleito pode se considerar
empossado - instalação é sinônimo de posse - e
empossar os membros de sua administração, entrando
na plenitude de seus direitos exclusivos, entre os quais

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Apesar de alguns autores não admitirem ficava encerrado, durante toda a noite, na capela do
influência da Cavalaria, das Ordens Militares e dos castelo, orando e velando as armas; ao romper da
Cruzados sobre a Maçonaria, existe, na realidade, uma aurora, ele fazia a confissão, comungava e participava
similaridade muito grande entre as práticas maçônicas da missa, onde o sermão principal destacava os
da instalação e as práticas dessas instituições, pois é deveres que ele assumiria, como cavaleiro. Passava-se,
claro que, embora não se possa, de maneira alguma, em seguida, à cerimônia, realizada no pátio principal
ligar as origens da Maçonaria aos Cruzados, ou à do castelo, ocasião em que o cavaleiro era sagrado e
Cavalaria, influências desses agrupamentos podem armado, tendo, como padrinho, o senhor com o qual
existir em qualquer ramo do conhecimento humano. aprendera a arte militar.
Na época do apogeu da Cavalaria, no decorrer do
A ação da Igreja nessa cerimônia, na época
século XI, ela possuía hierarquia, graus e brasões. As
de apogeu da Cavalaria (séculos XI e XII), ainda é
Cruzadas acavariam contribuindo para o incremento
mostrada em outras práticas: o sacerdote benzia a
do prestígio dos cavaleiros, dando, à sua atividade, um
espada do cavaleiro e comunicava que ela sempre
forte cunho religioso, que se exteriorizava na promessa
deveria ser usada para servir à Igreja e defender
de defender a Igreja, defender a cristandade e combater
os fracos, os oprimidos, as viúvas, os órfãos e, de
os infiéis, além do compromisso de fidelidade ao
maneira geral, todos os servidores de Deus, contra
senhor feudal, de proteção aos fracos, oprimidos,
“a crueldade dos pagãos”. O cavaleiro era purificado,
mulheres e órfãos, de respeito à hierarquia e à disciplina
através de um banho ritualístico, e recebia uma camisa
e de combate à calúnia, à mentira e aos vícios.
de linho branco, como símbolo da pureza, e uma túnica
A educação do cavaleiro começava na infância vermelha, como símbolo do sangue, que deveria ser
e, depois de cuidadosamente preparado, ele prestava vertido a serviço de Deus.
o serviço militar, entre só 15 e os 21 anos de idade,
Tais costumes mostram certa influência sobre
primeiramente como pajem, atendendo ao senhor
muitos costumes maçônicos - não se pode esquecer
feudal em todos os serviços domésticos do castelo, e,
que a Franco maçonaria floresceu a sombra da Igreja
posteriormente, como escudeiro, acompanhando ao
- como a permanência na Câmara de Reflexão, a sua
seu senhor nas batalhas e lutando ao seu lado. Aos 21
purificação, a cor branca do avental e das luvas, a
anos, então, o escudeiro era armado cavaleiro, numa
espada, a sagração, as preleções, o juramento, o voto
cerimônia à qual a Igreja imprimiu um profundo caráter
de defesa dos fracos e oprimidos.
religioso. Para esta cerimônia, inicialmente, o candidato

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A Cerimônia
de Instalação
Edvaldo Cardoso

M
eus Irmãos, primeiramente, quero enfatizar que o esta forma bastante simplificada de ser feito este primeiro
Ritual da Obediência, NUNCA, deve ser modificado Sinal. Tive acesso ao manual do Ritual de Instalação da
e as cerimônias devem, SEMPRE, serem feitas em Grande Loja de São Paulo, de 1964, em que um Ilustre
sua integralidade como preceitua o Ritual! Caso contrário, Irmão - Jorge Alfredo Félix Butroz, que foi Delegado do
o Venerável Mestre deve ser denunciado pelo Orador Grão-Mestre da GLMMG, e que realizou dezenas de
como tendo cometido um grave delito! Instalações. E, neste Ritual, está anotado à mão, de forma
clara, como deveriam serem feitos os Sinais e eles estão,
Em seu Ritual de Instalação, feito a pedido do
totalmente, conformes com o que explica Nicola Aslan.
Grão-Mestre do GOB, em 1968, Nicola Aslan colocou um
interessante apêndice, hoje, retirado do Ritual do GOB e, A palavra de Mestre Instalado justifica ser o Mestre
ainda, presente nos Rituais da COMAB. Este apêndice nos Instalado, a partir daquele momento, um servo da Loja e
serviu, e muito, de base de grande parte das explicações e de seus Irmãos! Ou seja, ao atingir o ápice é que se deve
discussões que faremos mais à frente. ser mais humilde. Assim, o Venerável Mestre só participa
em votações secretas ou como voto de desempate; não
Tentarei não me ater a um Ritual de uma Potência
faz propostas ou participa das discussões, a não ser como
específica e os comentários que faço, a partir de agora,
moderador! Se mais alto, sê mais humilde!
são de minha inteira responsabilidade, não devendo
nenhum dos Irmãos que me precederam e que usei como Outro Sinal de Mestre Instalado relembra uma
base em minhas pesquisas, responderem pelos erros que passagem bíblica do grau de Companheiro. Lembremo-nos
são meus, e recebendo toda a honra que lhes é devida. de que quando da criação do Ritual de Instalação no Rito de
Emulação e York, ainda, não havia o Grau de Mestre!
Comecemos pela Comissão Instaladora: esta deve
ser composta de, pelo menos, três Mestres Instalados, e Outra discordância que proponho: durante a
nunca menos de três Mestres Instalados podem fazer um Saudação ao novo Mestre Instalado, esta deve ser feita
novo Venerável Mestre! Idealmente, a Comissão Instaladora com o Sinal de Ordem ou com o Sinal especial? Eu
deve ter seis Mestres Instalados. Além do Venerável Mestre entendo que deva ser com o Sinal especial já que ele
Instalador e dos Vigilantes Instaladores, há a necessidade está lá para isto! Mas, também, entendo os que defendem
do Guarda do Templo, do Mestre de Cerimônias e do que seja pelo Sinal de Ordem, haja vista que nos demais
Secretário, para que toda a Ritualística seja preservada. graus a saudação é feita pelo Sinal de Ordem, ressaltando,
E o Venerável Mestre em exercício? Segundo Castellani, porém, que nestes Graus não há um Sinal especial e
ele deve ser, preferencialmente, o Presidente da Comissão específico para Saudação.
Instaladora ou Venerável Mestre Instalador!
Os demais Sinais são todos de uma lógica clara e
É impossível de se entender adequadamente o límpida, quando vistos sob a luz do Real Arco de York. Bem
Ritual de Instalação sem ter colados os Graus do Real como o motivo da marcha especial em que o Venerável
Arco de York! Meus Irmãos Mestres Instalados seria eu Mestre Instalador conduz o Irmão a ser instalado até o
perjuro se lhes revelasse tudo que acredito que deveriam Trono. E prestem atenção meus Irmãos quando os sobrinhos
saber sobre a Instalação, por isto faço um FORTE DeMolay transmitem a palavra do dia. Lembra alguma coisa?
CONVITE: COLEM os Graus do Real Arco do Rito de York!
Nunca foi minha intenção esgotar o assunto, mas
Em seu apêndice, Nicola Aslan faz uma forte trazer mais um pouco de Luz sobre esta cerimônia tão
crítica a uma forma de fazer o primeiro Sinal de Mestre especial. Repito: os erros são todos meus, e as honras são
Instalado, já em voga em 1968! Atualmente, o GOB e a devidas aos que me precederam!
GLMMG mudaram, ou se preferirem retornaram, com

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INVENÇÃO?

O Mestre Instalado
no REAA Marcelo Abchaim

A
pós a Primeira Grande Cisão no Grande de “Mestre Instalado”, visto que, considerando o
Oriente do Brasil, em 1927, culminando com anteriormente exposto, essa condição é estranha,
a criação das Grandes Lojas estaduais, não só ao REAA, mas a todos os demais Ritos, que
uma das consequências mais contundentes foi o não o rito de York.
“azulamento” do Rito Escocês Antigo e Aceito, visto
Entretanto, mesmo no Rito de York essa
que, por motivos que não cabem discutir neste
prática não era unanimidade entre as Lojas inglesas,
trabalho, o REAA praticado nas Grandes Lojas foi,
conforme nos ilustra o irmão Nevile B. Cryer, em seu
em boa parte, desvirtuado e aproximado do Rito
trabalho “A parte do Mestre: uma Reapresentação”,
Inglês – York ou, melhor ainda, Emulation.
traduzido pelo irmão Gilson da Silveira Pinto e
Esse “azulamento” não se restringiu à cor dos publicado no livro “Pérolas Maçônicas” – volume
aventais, e uma das práticas introduzidas no Rito, III, ed. “A Trolha”, quando afirma: “Um segundo
foi a instalação dos mestres eleitos para presidir a fator é aquele, conquanto entre os modernos, da
loja, prática, até então, exclusiva dos trabalhos de assim chamada “Instalação”, não se tornou uma
Emulação. característica regular de Lojas (craft) Operativas
particulares, até a última parte do século XVIII, e
Tanto que o Grande Oriente do Brasil resistiu
é, bastante, esclarecidos pelos antigos como um
a essa prática até 1968, quando “o Grão-Mestre do
passo essencial para o que eles consideravam ser o
Grande Oriente do Brasil, Álvaro Palmeira, mandou
verdadeiro “coração e medula da Franco-Maçonaria”.”
imprimir um Ritual de Instalação, padrão para todos
os Ritos, e decalcado, indisfarçavelmente, nos rituais Então, parece-nos claro, pelo até aqui
utilizados pelas Grandes Lojas Estaduais.” (Castellani analisado, que a “Instalação” não é uma prática
– manual do mestre instalado, pg. 12). inerente e nata da Maçonaria Operativa, tendo
surgido e se consolidado ao longo do primeiro século
Em virtude disso, frequentemente, deparamo-
da Maçonaria Moderna.
nos com questionamentos quanto à condição

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A Cadeira do Mestre da Loja

As ferramentas e os
Assim como o Grau de Mestre, a lenda
detalhes arquitetônicos
hirâmica e outras tantas práticas, foi (a instalação) representam os diversos
introduzida, gradualmente, no seio das lojas inglesas, elementos da construção,
tal qual o foi, posteriormente, introduzida nos demais os níveis crescentes de
ritos praticados no Brasil. habilidade necessários para
se tornar verdadeiramente
Entretanto, o que queremos demonstrar, proficiente e, igualmente
efetivamente, é que a condição de ex-Venerável importante, todos os
ou Mestre Instalado, com ou sem cerimônia de aspectos da conduta correta
que os membros iluminados
Instalação e Posse, sempre existiu, inclusive e,
e virtuosos das sociedades
principalmente, nos primórdios da Maçonaria
cristãs devem observar e
Moderna. praticar.

Podemos comprovar através do mesmo


trabalho de Nevile, onde diz: “...a contribuição mais
importante em nossas transações, para esta parte
da minha tese, é o trabalho feito pelo Irmão Norman
B. Spencer (premiado com o Prize Essay) sobre
“A Cerimônia de Instalação” (aqc 72), no curso do
seu argumento e nos comentários que se seguiram,
diversos fatores significantes são esclarecidos.
O primeiro, é que na ocasião da Constituição de
1723, e, portanto, presumivelmente, em um período
anterior àquela data, existiu, no mínimo, na ocasião
de formação de uma nova Loja, alguma cerimônia
especial, com um sinal ou sinais, palavra e toque,
que era, somente, para ser comunicado para um
Maçom, que era para assumir a posição de “Mestre
encarregado de uma Loja de Companheiros”.

Ainda, a Constituição de Anderson em, pelos estiver presente; pois neste caso a autoridade do
menos, dois artigos reconhece a figura do ex-Mestre Mestre ausente reverte para o último (grifo nosso)
de Loja: no artigo IV e no artigo II, dos Regulamentos Mestre presente...”)
Gerais, quando trata, no primeiro, dos requisitos para Tendo sido o título de Mestre, posteriormente,
assumir o cargo de Grande Vigilante (“... nem Grande transformado em grau – pois até então, em Loja de
Vigilante antes de ter sido Mestre de Loja...”) e no Companheiros, só era Mestre o eleito para o cargo
segundo, quando estabelece a substituição do Mestre – a condição de Mestre Instalado vem resgatar a
de Loja impedido para o cargo (“... não se algum necessária diferenciação daqueles Maçons, que
Irmão que tenha sido Mestre desta loja anteriormente foram em seu momento eleitos para dirigir uma Loja,
tendo, portanto, experiência e autoridade suficientes
para assim serem distinguidos.

Entende-se que ante a deterioração das


relações humanas e o declínio moral da sociedade,
a própria Maçonaria sofre o reflexo e tem preparado
mal seus integrantes, o que faz com que se duvide,
em alguns casos, da autoridade de um determinado
elemento, unicamente pela condição que ostenta, o
que não ocorria nos tempos imemoriais, mas daí a
dizer que a condição de Instalado ou Ex-Venerável foi
inventada, já é outra história.

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O Avental
do Mestre
Instalado
Francisco Feitosa

O
Avental é um legado que a Maçonaria Ao iniciar a ação de juntar essas duas
moderna recebeu da Maçonaria Operativa. partes, ou seja, ao passar pelo processo de
Essa peça, que foi de tanta utilidade para iniciação, o triângulo (espírito) se sobrepõe ao
o Maçom Operativo, já que lhe protegia a roupa, quadrado (matéria), pois ambos estão ligados por
transformou-se para o Maçom Moderno numa um “fio de prata”, tênue, chamado pelos orientais
vestimenta importante e obrigatória nas Lojas de anthakarana. Assim, o Aprendiz tem em seu
Simbólicas, simbolizando o trabalho do Maçom. avental a abeta levantada – o triângulo sobreposto ao
quadrado.
Encontraremos alguns trabalhos tratando dos
aventais maçônicos, mas, sobre o avental do Mestre Terminado o trabalho de aperfeiçoamento
Instalado, poucos ousaram falar. Permitam-me tal moral no Grau de Aprendiz, a abeta é abaixada, ou
ousadia, embora sendo, ainda, portador de parcos o triângulo começa a juntar-se ao quadrado, pois,
conhecimentos, tentaremos contribuir com este nesse grau, o trabalho é mais sutil do que no grau
singelo trabalho, fruto de nossa vivência maçônica e anterior.
de compilações em trabalhos de outros autores, não
menos ousados. Não temos a menor intenção de Nota-se, porém, que a brancura do avental
esgotar o assunto, e nem teríamos capacidade para de Companheiro nos informando que, embora
tanto. o triângulo (espírito) já esteja junto ao quadrado
(matéria), nele, ainda, há ingenuidade, pois, apenas,
Para se perceber o simbolismo do avental foi-lhe desvelada pequena parte dos Mistérios.
do Mestre Instalado, mister se faz entender a
simbologia dos demais aventais, inerentes aos Graus Ao chegar ao Mestrado, ou seja, quando seu
do simbolismo. O avental maçônico é muito rico Mestre Interno despertar dentro de si, seu avental se
em simbolismo. O avental de Aprendiz é a união de apresentará de forma mais definida, com as rosetas,
duas figuras geométricas (o quadrado e o triângulo). como representação da manifestação trina: corpo/
Sabemos que o quadrado está ligado ao quaternário alma/espírito.
da matéria, enquanto o triângulo, ao Espírito, como o
Uno/Trino.

O profano, ou aquele que ainda não passou


pela INICIAÇÃO, é representado, geometricamente,
por estas figuras, porém, as mesmas, não se
encontram sobrepostas. Por não ter, ainda, iniciado
uma ação (inicia + ação) de religar o espírito à
matéria, tem, como representação, o quadrado
(matéria) separado do triângulo (espírito).

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Somente, quando ele se faz Mestre, é e Ex-Venerável, os três “T” invertidos, que podem
que, em seu avental, surgirá, de forma definida, simbolizar a permanente existência do “dual” na vida
a metástase do Espírito/Matéria. Ao longo de de todos.
sua caminhada pelo mestrado, deverá angariar
São três as figuras colocadas em posição
conhecimentos sobre os Mistérios Maiores e, já
triangular, o que lembra a divindade no homem
experiente, a ponto de ser um instrutor dos demais,
(é bom saber que, na linguagem sagrada do
chegará seu momento de ser instalado no Trono
simbolismo, a figura geométrica do triângulo e
do Rei Salomão, o mais sábio Rei que a história já
qualquer numeral ternário evoca Deus, deidades ou a
registrou.
divindade).
Assim, o Mestre, portador dos excelsos
No Avental do Venerável Mestre e no do
ensinamentos da doutrina maçônica e de sabedoria,
Mestre Instalado, cada uma das fitas pendentes
para conduzir seus Irmãos, vencerá os 7 degraus
termina por sete pequenas correntes de metal
do Templo (os 7 estágios da evolução humana) e
branco, sustentando sete esferas. São os sete planos
receberá de dois Querubins a Espada Flamígera,
da vida evolutiva, sustentados pelos sete raios do
como representação do perfeito domínio do Fogo
espectro solar.
Serpentino de Kundalini, e o Chapéu, representando
a coroa do Rei. Assim, o Mestre Instalado retrata em seu
avental sua trajetória maçônica vitoriosa. Ao reunir
O ex-Venerável Mestre usa igual Avental
méritos, para ser revestido com o avental com os três
do Venerável Mestre em exercício, apenas, com os
“T” (como citamos anteriormente, Tau é a 22ª e última
níveis (“T” (taus) invertidos) recobertos por tecido
letra do alfabeto hebraico), demonstra que atingiu o
da mesma cor da orla do Avental. Comumente,
ápice, o cume do simbolismo.
os Mestres Instalados, após passar o Veneralato,
continuam a se utilizar de seus aventais de quando Esperamos, com essas breves linhas, tenham
Venerável Mestre. Muitos, por desconhecerem até contribuído para fazer Luz aos nossos Irmãos, que se
que existe um avental próprio para o Ex- Venerável revestem de tão nobre avental e não tiveram, ainda, a
Mestre. oportunidade de melhor refletir sobre seu simbolismo.
Sabe-se que os “T” invertidos surgiram em Que este breve estudo, a título de
1800, em Londres, oriundos do Real Arco, cujo contribuição, seja como uma Chave de
símbolo apresentamos logo abaixo. Se me permitirem Conhecimentos, a fim de abrir novos portais de
uma breve analogia, diria: “T” = Tau – última letra entendimento sobre esse tema!
do alfabeto hebraico e, sendo a última, sugere
que o Maçom atingiu o ápice de sua caminhada
no simbolismo; “T” = Tao – do chinês, que significa
caminho, que sugere o caminho a ser percorrido
no simbolismo; “T” o Tau (ou, para alguns, o nível),
que se apresenta invertido, sugerindo que, ao final
da caminhada, deveremos retornar ao início, como
eternos Aprendizes que somos.

Aqueles três “T”, que estão separados,


se unidos fossem um aos outros, sendo dois na
horizontal e um na vertical, dentro de um triângulo e
este circunscrito num círculo, estariam recompondo o
símbolo do Real Arco, uma espécie de sétimo grau,
correspondendo, hoje, ao nosso décimo oitavo Rosa-
Cruz.

No lugar, onde ficavam as rosetas no avental


de Mestre, ficam, agora, no do Venerável Mestre

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Mestre
Instalado
é Grau? Pedro Juk

A
Maçonaria mundialmente reconhecida é da Loja (Venerável), cuja ritualística se desenvolve
composta, apenas, pelo franco maçônico por um complexo enredo lendário. Nesse sentido,
básico, isto é: Aprendiz, Companheiro e essa Cerimônia é própria dos Trabalhos Ingleses (na
Mestre. Graus acima dos citados são particularidades Inglaterra não se conhecem “ritos”) e em particular
dos ritos. Existem, também, as conhecidas Ordens ao Trabalho de Emulação. Já na Maçonaria de
de Aperfeiçoamento da Maçonaria Inglesa, também, vertente francesa (latina), originalmente não existe
conhecidas por “side degree”. Nenhum grau acima essa prática, lembrando oportunamente que o Rito
do terceiro ou o avançamento nas Ordens de Escocês Antigo e Aceito é filho espiritual da França.
Aperfeiçoamento fazem qualquer rito, ou maçom,
Infelizmente, nos meios maçônicos latinos
melhor do que o outro, já que a plenitude maçônica
essa prática acabou ganhando guarida, talvez pelo
na Moderna Maçonaria se encerra com a Lenda do
Cerimonial investido de pompa e misticismo. Daí,
Terceiro Grau.
Ritos dessa origem como o Escocês, o Francês
O Mestre Instalado não é Grau, porém um ou Moderno e o Adonhiramita adotaram a prática,
título distintivo daquele que, legalmente eleito, ou adaptando algumas passagens para suprir às suas
conduzido por linha sucessória, ocupa a presidência características ritualísticas. É bem verdade que
de uma Loja, conhecido como Venerável Mestre, ou muitos Ritos de origem não britânica, porém com
o Mestre da Loja, conforme o costume cultural ou base no Trabalho de Emulação, preferiram não aderir
vertente maçônica (inglesa, ou francesa). a essa prática, mantendo a pureza de suas origens.

Instalação, do verbo transitivo direto e No tocante às Obediências brasileiras e


indireto “instalar”, significa dar posse de um cargo particularmente ao Rito Escocês Antigo e Aceito,
ou dignidade; investir. Assim, o ato de instalação severamente o mais praticado no Brasil, esse
significa “posse” e sugere que qualquer pessoa que costume acompanhado do Ritual de Instalação
toma posse de um cargo, estará nele instalada. viria ser introduzido através das Grandes Lojas
brasileiras, nascidas da cisão de 1927, quando
Nos meios maçônicos deveria, também,
as suas lideranças buscaram base nos trabalhos
prevalecer essa definição, sobretudo no tocante ao
perpetrados pelas Grandes Lojas norte-americanas,
Obreiro eleito para o veneralato de uma Loja que,
onde se pratica o Rito de York (americano) que, de
quando é empossado no Cargo torna-se o Venerável
certa forma seguem o modelo Inglês dos Antigos
Mestre Instalado, ou o Mestre Instalado, cujo formato
que, por sua vez aderem o Cerimonial de Instalação.
original não era acompanhado de nenhuma cerimônia
Dessa forma esse Cerimonial viria aportar na
litúrgica particular, bastando para tal a simples
Maçonaria brasileira, consolidando-se como prática,
transferência do Cargo pelo ocupante que cumprira o
imediatamente, após a cisão de 1927.
seu mandato.
A partir de 1968, o Grande Oriente do Brasil,
A Moderna Maçonaria inglesa, entretanto,
também, adotaria esse costume, introduzindo-o
introduziu um cerimonial para a posse do Mestre
através de um Ritual específico, para todos os Ritos

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Free Mason Hall
1º Templo Maçônico
Londres - 1776
nele praticados, salvo o inerente aos Trabalhos de
Emulação (conhecido, equivocadamente, como York),
que já praticava na sua essência por ser nele um
costume original.

Salvo melhor juízo, no Brasil, atualmente,


esse costume está arraigado na Maçonaria Simbólica
em geral, sendo uma prática de todos os ritos
estabelecidos na constelação das Obediências
nacionais.

Dadas essas considerações, adquiriu-se o


costume de se apor ao nome do Obreiro na qualidade
de Venerável, ou ex-Venerável, das letras M∴I∴
como rótulo do Mestre Instalado. Essa maneira
não tardou a ser qualificada de modo equivocado
por alguns como se a qualidade distintiva de um
Mestre Instalado fosse um Grau. Obviamente que
não é, pois como comentamos, o simbolismo possui,
apenas, e tão somente, três Graus. Nesse sentido,
o Venerável é Instalado no Sólio como dirigente
maior do Canteiro (Loja). Ao término do seu mandato
ele é um ex-Venerável. Assim, todos aqueles que
foram instalados, são conhecidos como Mestres Loja é o Venerável, entretanto, para sê-lo ele precisa
Instalados que têm, também, o privilégio de ocupar ser Mestre Maçom. De posse do primeiro malhete
um lugar distintivo no Oriente, porém sem o costume ele continuará sendo um Mestre Maçom que possui
enganado de tomar assento ao lado do Venerável o título distintivo de Venerável Mestre. Deixando
da Loja. Os ex-Veneráveis sentam-se no Oriente, o veneralato, ele é um Ex-Venerável. Todavia, ele
todavia, na forma correta, abaixo do sólio. permanecerá sendo um Mestre Maçom. Daí é
Outro mistifório que se apresenta por preferível: M∴M∴.
alguma vez, é que existe um Conselho de Mestres
Instalados que é formado para a Instalação de um
novo Venerável. Esse Conselho, vez por outra é
confundido com um conselho permanente, o que não
é correto, pois o dito só é legalmente formado para a
finalidade da Instalação e, posteriormente, desfeito.
Salvo se for lei na Obediência, Conselhos prementes,
que muitas vezes mais se intrometem na condução
legal da Loja do que ajudam. São, geometricamente,
errados ao mesmo tempo em que reforçam a tese
equivocada de que Mestre Instalado é um Grau.

Ainda, no sentido de elucidar, porém não


contestar, o termo “Past Master” é concordante com
a Maçonaria inglesa, já que para os ritos de origem
francesa ficaria mais de acordo o termo ex Venerável.

Finalizando, quero aqui deixar os meus


cumprimentos pela forma como vossa pessoa se
apresentou “Mestre Maçom e Ex-Venerável”. No
meu modesto entender, o Obreiro que preside uma

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