You are on page 1of 14

MILHO

Variedades de polinização aberta

O milho é um produto de grande importância no contexto da agropecuária


catarinense, pois está presente na maioria das pequenas propriedades
familiares do estado de Santa Catarina. Sua área cultivada oscila entre 500 mil
e 700 mil hectares, e a produção entre 2,9 milhões e 4 milhões de toneladas,
nos últimos 5 anos, com a produção concentrada, principalmente, na região
Oeste do Estado. Sua importância deve ser considerada nos aspectos social e
econômico, porque é produzido por aproximadamente 150 mil famílias rurais,
em sua grande maioria pequenos e médios produtores, e por ser importante
insumo para a suinocultura, avicultura e bovinocultura de leite, que são setores
fundamentais para a agroindústria catarinense, geradora de empregos na área
urbana.
As variedades tradicionais de milho de polinização aberta foram
substituídas ao longo dos últimos 40 anos pelos híbridos, os quais, hoje,
dominam o mercado e têm maior potencial produtivo, porém são mais
exigentes em tecnologia (adubação, disponibilidade hídrica e defensivos). A
adoção desses híbridos pelos produtores deu-se de forma quase generalizada.
No entanto, a adoção da tecnologia disponível para a cultura, e
requerida pelos híbridos, não foi empregada na mesma intensidade,
especialmente pelo segmento da agricultura familiar. Esse cenário contribui
para a baixa produtividade observada no setor, já que esses produtores não
conseguem explorar todo o potencial produtivo dos híbridos.
O desenvolvimento de novos cultivares de milho do tipo varietal,
“variedades de polinização aberta” ou “variedades melhoradas”, resulta em um
potencial produtivo muito superior ao das tradicionais variedades crioulas ou
locais.
Essa superioridade pode ser atribuída, em parte, ao processo de
melhoramento usado no desenvolvimento desses cultivares, como a seleção
para estresses abióticos (tolerância à seca, ao alumínio, ao baixo uso de
insumos), e, em parte, à própria constituição genética dessas novas
variedades, em sua maioria, desenvolvidas a partir de compostos ou
populações. São, portanto, cultivares com base genética ampla (alta
variabilidade), o que contribui para seu aumento produtivo e sua maior
estabilidade.
Existem, ainda, pelo menos três fatores que colocam os cultivares de
milho do tipo varietal de polinização aberta como uma excelente opção de
cultivo para agricultores de pequena propriedade:
 O baixo custo da semente, até cinco vezes menor que o custo da
semente de um cultivar híbrido;
 A possibilidade de produção de semente própria, pois, ao contrário dos
híbridos, as variedades não perdem o potencial produtivo quando plantadas na
safra seguinte; e
 A maior plasticidade das variedades, em condições de estresse,
quando comparadas aos híbridos.
Além disso, as variedades de polinização aberta são aceitas nos sistemas
de produção em agricultura orgânica.

Melhoramento de populações e desenvolvimento de variedades


de milho de polinização aberta em Santa Catarina

O melhoramento genético é um processo dinâmico, contínuo e


progressivo de seleção e recombinação das melhores plantas. Consiste
basicamente em aumentar as frequências de genes superiores dentro da
população a ser melhorada. A taxa de elevação das frequências gênicas na
seleção, depende dos seguintes fatores:
• variabilidade da população original;
• método de seleção empregado;
• tamanho efetivo da população;
• técnica e precisão da avaliação dos genótipos;
• influência do ambiente (a interação com os ambientes locais e anos);
• correlações fenotípicas e genotípicas.

Dessa forma, levando em conta determinados caracteres fenotípicos pré-


estabelecidos, procede-se à seleção dos indivíduos e estes passam a constituir
os novos progenitores para a próxima geração. Assim, uma nova variedade é
resultado de minucioso trabalho que envolve basicamente três etapas: a
escolha dos progenitores (pais), os cruzamentos entre progenitores, e a
seleção das melhores progênies (filhos resultantes dos cruzamentos).
Devido à abrangência da cultura do milho, a Epagri desenvolve trabalhos
para atender as necessidades dos agricultores familiares, principalmente
daqueles que não têm acesso às tecnologias modernas, as quais se
caracterizam pela alta demanda de insumos, como sementes híbridas e altas
doses de adubos e defensivos. Em praticamente todas as propriedades de
Santa Catarina a cultura do milho está presente, caracterizadas por serem, na
sua maioria, de exploração familiar, em propriedades com menos de 10ha.
Para atender esse grande contingente de produtores, o Centro de
Pesquisas para Agricultura Familiar (Cepaf), da Epagri em Chapecó,
reativou em 1997 o programa de melhoramento genético de milho visando à
criação de variedades de polinização aberta. O objetivo era gerar e introduzir
compostos ou populações para seleção e criação de variedades de milho
adaptadas às condições edafoclimáticas de Santa Catarina.
Por meio da seleção busca-se a obtenção de germoplasma de elite
competitivo tanto para rendimento de grãos como para as características
agronômicas desejáveis, tais como resistência do colmo ao acamamento e ao
quebramento, resistência às principais doenças e pragas, bom empalhamento
das espigas e boa sanidade dos grãos.
Após o desenvolvimento, as VPAs são avaliadas nos ensaios regionais de
avaliação, denominados ensaios de Valor de Cultivo e Uso (VCU), nas
principais regiões produtoras do Estado, com o objetivo de fornecer
informações atualizadas e confiáveis aos agricultores. Os ensaios de VCU são
exigências do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para registro
e proteção de cultivares.
Desse esforço resultou o bem-sucedido lançamento de quatro novas
variedades de milho de polinização aberta, as quais são descritas abaixo.

SCS153 Esperança

Com o objetivo de recuperar a variedade de polinização aberta Empasc


152 Oeste, lançada em 1983, oriunda da população Suwan DMR, deu-se início
a um novo trabalho de melhoramento nessa população. Inicialmente, foi
semeada em forma de pool em lote de isolamento, onde se procedeu a sua
avaliação, recombinação e seleção. Essas etapas foram desenvolvidas em dois
locais: Chapecó e São Miguel d’Oeste.
Com o uso de intercruzamentos, nova seleção e purificação do
germoplasma foram incorporadas importantes características genéticas:
• decumbência da espiga na maturação; e
• tipo de grão duro (flint).
Essas características, aliadas ao bom empalhamento, são fatores
importantes para a pequena propriedade, uma vez que o pequeno produtor, por
falta de estrutura de armazenamento, deixa o milho por período mais
prolongado na lavoura.

Aspectos dos grãos de milho da variedade SCS153 Esperança

Espigas da variedade SCS153 Esperança


Características da variedade:
• Ciclo: semiprecoce
• Florescimento masculino: 80 dias
• Florescimento feminino: 85 dias
• Altura da planta: 260cm
• Altura de inserção da espiga: 150cm
• Empalhamento: alto
• Sanidade de espiga: boa
• Tolerância ao acamamento: alta
• Tolerância ao quebramento: alta
• Tolerância às doenças foliares: boa
• Comprimento médio da espiga: 18cm
• Diâmetro médio da espiga: 4,7cm
• Textura dos grãos: dura
• Coloração dos grãos: amarela a alaranjada
• Densidade recomendada: 50 mil plantas/ha
• Peso médio de mil sementes: 338g
• Número de fileiras de grãos: 14 (12 a 16)
• Potencial de rendimento: alto
• Época de plantio: preferencialmente em setembro
• Região de adaptação: estado de Santa Catarina, especialmente
mesorregiões Oeste e Planalto Norte, com extensão de recomendação para
Rio Grande do Sul e Paraná.

Espiga decumbente da variedade SCS153 Esperança


SCS154 Fortuna

É oriunda de um composto constituído por seis genótipos de ampla


adaptação no estado de Santa Catarina, e após de seis ciclos de seleção foi
registrada como variedade comercial, com o nome SCS 154 (Fortuna).

Aspectos dos grãos de milho da variedade SCS154 Fortuna

Características da variedade:
• Ciclo: precoce
• Florescimento masculino: 76 dias
• Florescimento feminino: 80 dias
• Altura da planta: 230cm
• Altura de inserção da espiga: 120cm
• Empalhamento: alto
• Sanidade de espiga: boa
• Tolerância ao acamamento/quebramento: alta
• Tolerância às doenças foliares: boa
• Comprimento médio da espiga: 18cm
• Diâmetro médio da espiga: 5,2cm
• Textura dos grãos: dura
• Coloração dos grãos: amarela a alaranjada
• Densidade recomendada: 50.000 plantas/ha
• Peso médio de mil sementes: 334g
• Número de fileiras de grãos: 16 (14 a 18)
• Potencial de rendimento: alto
• Época de plantio: preferencialmente em setembro
• Região de adaptação: estado de Santa Catarina, especialmente
mesorregiões Oeste e Planalto Norte, com extensão de recomendação para
Rio Grande do Sul e Paraná.

Espigas da variedade SCS154 Fortuna

Aspecto do empalhamento das espigas da variedade SCS154 Fortuna


SCS155 Catarina

Resultante da seleção de um composto e desenvolvida para atender


prioritariamente os agricultores familiares. Ela apresenta um bom potencial
produtivo e permite aos agricultores a produção própria de sementes para o
plantio das safras subsequentes.

Aspectos dos grãos de milho da variedade SCS155 Catarina

Características da variedade:
• Florescimento masculino: 76 dias
• Florescimento feminino: 80 dias
• Altura média da planta: 230cm
• Altura média da inserção da espiga: 120cm
• Tipo de grão: duro
• Comprimento médio das espigas: 19cm
• Diâmetro médio das espigas: 5,2cm
• Número de fileiras de grãos: 16 (14 a 18)
• Coloração dos grãos: amarela a alaranjada
• Empalhamento: alto (cobre completamente a espiga)
• Peso médio de mil sementes: 421g
• Qualidades nutricionais: 11,66% de PB
• Limitações do cultivar: evitar plantios tardios e densidades superiores a
55 mil plantas/ha.
• Região de adaptação: estado de Santa Catarina, especialmente
mesorregiões Oeste e Planalto Norte, com extensão de recomendação para
Rio Grande do Sul e Paraná.

Espigas da variedade SCS155 Catarina


SCS156 Colorado

Foi constituída a partir de cruzamentos de 31 linhagens e 4 populações


subtropicais recebidas do Centro Internacional de Mejoramiento de Maíz y
Trigo (CIMMYT), no México. Para a formação de um novo composto, procedeu-
se a cruzamentos e seleções de plantas com características
predominantemente de grãos vermelhos e sabugos finos. Cumpridas as etapas
de recombinação, seleção e avaliação em experimentos, realizou-se a
multiplicação da semente genética.

Aspectos dos grãos de milho da variedade SCS156 Colorado

Características da variedade:
• Florescimento masculino: 74 dias
• Florescimento feminino: 78 dias
• Altura média da planta: 245cm
• Altura média da inserção da espiga: 140cm
• Tipo de grão: duro
• Comprimento médio das espigas: 18cm
• Diâmetro médio das espigas: 5,1cm
• Número de fileiras de grãos: 16 (14 a 18)
• Coloração dos grãos: vermelha
• Empalhamento: alto (cobre completamente a espiga)
• Peso de mil sementes: 397g
• Qualidades nutricionais: 10,03% de PB
• Limitações do cultivar: evitar plantios tardios e densidades superiores a
55 mil plantas/ha.
• Região de adaptação: estado de Santa Catarina, especialmente
mesorregiões Oeste e Planalto Norte.

Espigas da variedade SCS156 Colorado

As variedades de polinização aberta de milho, obtidas através de seleção


recorrente, dentro do melhoramento genético, apresentam ótimo potencial
produtivo e respondem também à tecnologia preconizada para a cultura do
cereal.
Como podem ser multiplicadas para a obtenção de sementes próprias,
respeitando-se o isolamento espacial ou por diferença de época de semeadura,
foram desenvolvidas tendo-se em mente o pequeno produtor de milho, que tem
na compra anual da semente um entrave no processo produtivo.
Outra vantagem é que as variedades melhoradas apresentam maior
resistência e tolerância aos diversos estresses ambientais, principalmente à
seca, e resistência a ataques de pragas e doenças, o que pode ser explicado
pela sua maior diversidade na composição genética.

Variedades de polinização aberta da Epagri


PUBLICAÇÕES:

A cultura do milho em Santa Catarina

Capítulos:

- Situação e perspectivas socioeconômicas para o milho


- Ecofisiologia e estádios fenológicos
- Arranjo de plantas e desempenho agronômico do milho
- Calagem e adubação da cultura do milho
- Doenças na cultura do milho
- Manejo de pragas da cultura do milho
- Ecofisiologia e manejo de plantas daninhas na cultura do milho
- Manejo químico de plantas daninhas na cultura do milho
- Melhoramento genético do milho
Manejo fitossanitário da cultura do milho

Capítulos:
- Manejo de doenças na cultura do milho
- Manejo integrado de pragas na cultura do milho
- Manejo de plantas daninhas em milho