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XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica

Geotecnia e Desenvolvimento Urbano

COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil

©ABMS, 2018

Práticas Contratuais – Aplicação da matriz de risco – estudo de


caso dos Túneis das Rodovias Brasileiras.

Silvana Costa Ferreira Senaha


Universidade de Brasília, Brasília, Brasil, silfrds@yahoo.com.br

Thame de Castro Ribeiro Mello


Universidade de Brasília/DNIT, Brasília, Brasil, thamecastro@gmail.com

RESUMO: Este trabalho aborda o tema de Práticas Contratuais do ITA (International Tunnelling
Association – Working Groups). Será executada uma análise das matrizes de risco para obras
subterrâneas realizadas pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre), em contrato
a preço global, em comparativo às mesmas obras a contratos a preço unitário. Os documentos de o
ITA fornecem embasamento para estabelecer diretrizes para procedimentos em contratos de
construção no âmbito das obras subterrâneas e suas boas práticas. Dessa forma, os documentos
estabelecem que, para o ambiente subterrâneo as incertezas inerentes à geologia, geotecnia,
hidrogeologia devem ser inseridos nos contratos; Assim, dentro deste contexto estão envolvidas a
natureza e a extensão das incertezas do meio, que impactam diretamente nos custos geotécnicos.
Partindo-se das recomendações e analisando-se os tipos de contrato previstos pela associação
internacional de túneis fez-se uma análise da implementação desta para os contratos que envolviam
obras de túneis executadas pelo DNIT.

PALAVRAS-CHAVE: Túneis, Contratos, Matriz de Risco, ITA.

1. INTRODUÇÃO procedimentos em contratos de construção no


âmbito das obras subterrâneas e suas boas
práticas. Dessa forma, os documentos
O tema deste presente artigo está contido estabelecem que, para o ambiente subterrâneo
grupo de trabalho de Práticas Contratuais que as incertezas inerentes à geologia, geotecnia,
faz parte dos documentos da ITA (International hidrogeologia devem ser inseridos nos
Tunnelling Association – Working Groups). A contratos; Assim, dentro deste contexto estão
abordagem do tema fará análises de matrizes de envolvidas a natureza e a extensão das
risco em obras subterrâneas realizadas pelo incertezas do meio, que impactam diretamente
DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura nos custos geotécnicos.
Terrestre), em contrato a preço global, onde será
realizado comparativo às mesmas obras no caso
de contratos a preço unitário.
Os documentos de o ITA fornecem
embasamento para estabelecer diretrizes para
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2. DIRETRIZES ESTABELECIDAS PELO injusta, ocasionando em conflitos e disputas


ITA entre as partes envolvidas. Normalmente estas
disputas se desenvolvem em torno de aspectos
As diretrizes apresentadas nos documentos do de subsuperfície desconhecidos ou de logística,
ITA sugerem os seguintes procedimentos para a sendo assim, há a necessidade de se focar nessas
identificação de problemas e possíveis questões durante a elaboração desses contratos.
resoluções entre as partes envolvidas: Cada projeto possui um arranjo específico
• Descrições claras dos requisitos e das que dependerá de suas características geológicas
especificações de qualidade e desempenho e hidrogeológicas, do método construtivo, do
exigidos de todos os elementos do projeto deve- compartilhamento dos riscos e também do
se incluir a forma como as disputas deverão ser cenário político.
resolvidas. Abordagens contratuais mais simplistas
• Tomada de decisões para as conseqüências podem ocasionar em disputas contratuais
de custos de quaisquer circunstâncias devido às conseqüências relacionadas a aspectos
contratualmente imprevistas. Neste caso, inclui- geológicos inesperados, etc..
se a previsão e o gerenciamento das incertezas. A forma contratual para este tipo de obra
O mecanismo para alocar especificamente esses mais adequada é à Preço Unitário, no entanto,
riscos deverá ser tratado no contrato. inflexibilidades quanto ao mecanismo de
• Devem-se estabelecer processos ajustamento de remuneração poderão ocasionar
especializados de resolução de litígios, que no pagamento por riscos que poderão não
neste caso pode incluir a atuação de ocorrer; Neste caso, cabe a necessidade da
especialistas (consultores) acostumados à utilização das ferramentas de gestão de riscos,
resolução de problemas em ambiente de que auxilia na compreensão das particularidades
construção subterrâneo. A construção é do meio subterrâneo.
recomendada como meio de gestão disputas. Os contratos à Preço Unitário fornecem
• Como projetos subsuperficiais são ferramentas para o gerenciamento dos riscos
intensivos em capital e é essencial para todas as que estão relacionados às reais condições do
partes que o capital seja eficiente e eficaz e maciço; estas são utilizadas para gerenciar e
redistribuído no projeto de acordo com o alocar riscos em todo ou parte de um projeto de
trabalho que foi realmente conduzido, além das construção subterrânea. Ao final desse processo,
demandas únicas de trabalho. se bem executado, garante que a obra assegure
Diferentemente dos demais tipos de sua qualidade, segurança, custo e cronograma
contratos de engenharia, os que tangem o proposto.
ambiente subterrâneo necessitam de estruturas
contratuais especializadas. Estes projetos
exigem uma atenção especial e, sendo assim, 3. AS INCERTEZAS NO ÂMBITO DAS
quando há falhas na resolução de problemas em OBRAS SUBTERRÂNEAS
um contrato os efeitos destas incidirão na
entrega efetiva da obra. Para que as ferramentas de previsão e
Para mitigar quais problemas de desvios na gerenciamento dos riscos sejam bem sucedidas
entrega desses projetos devem-se alocar de é necessário garantir que o espaço subterrâneo
forma justa os riscos atribuídos à obra, caso será tratado dentro dos contratos e que deverão
contrário, pode resultar em uma pechincha
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possuir uma atenção especial. Dessa forma, os • Em função dos altos custos de projetos em
documentos da ITA citam as seguintes subsuperfície é essencial para todas as partes
diretrizes: que o capital seja eficiente e eficazmente
• Devem-se garantir as incertezas inerentes à redistribuído no projeto e que esteja de acordo
geologia, à geotécnica, desempenho com o trabalho que realmente foi conduzido e
hidrogeológico e estrutural da subsuperfície – as suas demandas.
portanto o espaço deve ser devidamente tratado
no contrato;
• As ocorrências e a extensão das incertezas 4. RESPONSABILIDADES E
de custos geotécnicos devem ser geridas por um PROCEDIMENTOS E RESOLUÇÃO DE
nível adequado de investigações geotécnicas e DISPUTAS
ensaios de campo e laboratório.
• Necessidade de mobilização e aquisição de
mão de obra especializada, assim com  A responsabilidade deverá ser definida
equipamentos que podem ser necessários para a por meio de uma metodologia na qual
eficiência dos trabalhos de construção. determine a divisão desta de acordo com
• Deve ser respeitada a agenda de atividades determinadas circunstâncias onde
para testes e o comissionamento de qualquer deverão estar inclusos os procedimentos
instalação de sistemas elétricos e mecânicos. para o fornecimento de recursos e para o
Mesmo representando uma pequena parcela dos pagamento das atividades. Caso não
riscos estes representam uma proporção do risco definidos de forma clara haverá,
total do projeto. inevitavelmente, custos excedentes,
• Necessidade de implementação de atrasos e disputas.
procedimentos de identificação dos riscos e a  A resolução de disputas é efetuada
sua resolução efetiva entre as partes envolvidas. através de mecanismos que podem
• Os descritivos de Especificação, Qualidade variar desde arbitragens às mediações.
e Desempenho devem ser claros e exigidos em Independentemente do tipo de
todos os elementos do projeto descritos, mecanismo deve-se identificar
incluindo a forma como serão avaliados e como rapidamente os problemas com a
as disputas serão resolvidas. necessidade de resolução.
• Devem ser tomadas disposições devidas  Há a necessidade de se minimizar ou
para as conseqüências de custos de quaisquer evitar ambigüidades relativas às
circunstâncias contratualmente imprevistas. conseqüências dos comportamentos ou
Estas podem ser substanciais devido à natureza circunstâncias que podem surgir durante
da construção subterrânea. O mecanismo para a construção.
alocar especificamente esses riscos deve estar  Os termos de pagamentos e de disputas
contido no contrato. devem estar contidos e bem definidos
• Devem-se adotar processos especializados nos contratos, para que possam fornecer
para a resolução de litígios, incluindo o uso de mecanismos de resolução que devem
especialistas acostumados a problemas em incluir um direcionamento na tomada de
ambientes subterrâneos. A construção é ações, concessão de danos e rescisões.
recomendada como meio de gestão disputas. Ao serem definidos esses mecanismos
pode-se evitar ou minimizar
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ambigüidades que dizem respeito das Amberg (2016) define os riscos de acordo
conseqüências dos comportamentos ou com duas ocorrências: de superfície e
circunstâncias que podem surgir durante subterrâneos:
a construção. Dentro destes termos, Os riscos na superfície são devidos à
devem ser abrangidos no contrato escavação do túnel e/ou devidos ao método de
questões administrativas como escavação e/ou devido a presença de água.
permissão, instalações, padrões de  Recalque de prédios e infra-estruturas
conduta profissional, obras e existentes;
equipamentos e prever que possam  Recalque das instalações
ocorrer mudanças nas legislações e (eletricidade, gás, água etc.);
regulamentações.  Vibrações excessivas.
 Em última análise, é a atenção a esses Riscos no subterrâneo devidos aos
assuntos que fornece a estrutura para a métodos de escavação e/ou às condições
entrega mais eficiente do projeto e, em existentes no solo ou maciço podem ser devido
ocasiões, a modificação ou mesmo a a:
remoção de partes de um projeto.  Deformações excessivas;
 Os projetos de túnel exigem que as  Instabilidade na seção transversal
decisões sejam tomadas rapidamente, e/ou da face;
capital para fluxo e mobilização e  Desmoronamento;
desmobilização de equipes  Queda de blocos de rocha.
especializadas e Segundo Oliveira (2017), que cita em seu
 equipamento. trabalho que uma das formas mais eficazes de
 se reduzir tantos os custos quanto os riscos é o
monitoramento do maciço durante sua
construção. Portanto, é necessária uma análise
5. A ANÁLISE DE RISCO da instrumentação mais rápida e eficiente,
assim, pode-se prever problemas futuros.
Segundo (Rabensteiner, 2016), o ideal é
5.1 Práticas atuais da análise de risco medir os deslocamentos absolutos em
detrimento aos relativos e geralmente devemos
O monitoramento do comportamento do maciço monitorar:
hoje é visto como parte essencial na análise de  Deformação longitudinal e
risco (resultados como forma de controle do convergência do túnel;
método construtivo), assim pode-se promover a  Deformação de estruturas
verificação do comportamento dos parâmetros, subterrâneas e vias públicas;
deslocamentos, etc.. Estes dados irão fornecer  Deformação de prédios, pontes e
os indicadores de falha e o estabelecimento de demais estruturas na superfície;
valores limites, nos quais deve-se obter a  Movimentos do terreno (horizontal e
probabilidade desses de se excederem e quais vertical);
serão as suas conseqüências.  Movimento relativo em juntas e
falhas;
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 Nível do lençol freático e poro garantir segurança aos trabalhadores e


pressão; equipamentos; garantir segurança e confiança a
 Tensão em membros estruturais terceiros.
temporários ou permanentes do túnel; Todas essas informações irão auxiliar em
 Temperatura; uma retro análise do projeto e no gerenciamento
 Vibração de elementos sensíveis. dos riscos durante as etapas construtivas.
Dessa forma, podem-se identificar dois
Os instrumentos utilizados podem ser: cenários na análise da instrumentação, no caso
instrumentação geodésica, além da geotécnica, e da falha desta: dados que demonstram um
devem ser instalados tanto na superfície como comportamento diferente do esperado (que pode
na frente de escavação. ter sido negligenciado) ou dados que não
A instrumentação de superfície: mostram nenhuma mudança no comportamento
Controle do recalque com medidores de do maciço, resultando em problemas futuros
níveis, taquímetros, teodolitos (com ou sem para a obtenção de medidas remediadoras.
refletores); Os fatos elucidados acima afetam
Controle da inclinação por meio de diretamente a fase de licitação do projeto, pois:
inclinômetros; nas contratações a preço global, no qual os
Controle da poropressão por piezômetros; licitantes tendem a diminuir os preços e a não
Monitoramento das fissuras por fazer muitas alterações de projeto, os dados
fissurômetros; escassos ou errôneos tendem a não representar
Monitoramento do deslocamento vertical por as condições reais do maciço e; quando
meio de medidores de nível e estações totais ignorados esses dados, ou mesmo não sendo
(automáticas e sem uso de refletores); observadas mudanças pode ocorrer a perda da
Monitoramento de deslocamento 3D por estabilidade do maciço, acarretando em
estações totais (manuais e automáticas), GPS ou problemas gravíssimos durante a construção,
escaneamento a laser. atrasos no cronograma, etc..
A instrumentação da estrutura do túnel e do
maciço escavado:
Taquímetros, teodolitos com refletores; 6. ESTUDO DE CASO: OS TÚNEIS DO
Extensômetros, inclinômetros; DNIT
Strain gauges, células de carga, células de
pressão;
Piezômetros. 6.1 Generalidades
Além da utilização desses instrumentos é
necessária uma leitura rápida, correta e eficaz Com o advento da Lei n.12.464/2011, que
destes, assim pode-se gerenciar as ações instituiu o Redime Diferenciado de
previstas durante a construção do túnel, que Contratações Públicas, surgiu a modalidade de
visam: checar se as premissas de projeto estão contratação integrada nas licitações de obras e
corretas; controlar a estabilidade da escavação; serviços de engenharia, que possibilita a
controlar a carga nos elementos de suporte; delegação total de um pacote de serviços ao
fazer análise retroativa dos dados e melhorar a contratado, desde a elaboração do projeto como
solução técnica; controlar a efetividade de a execução da obra em todas as suas etapas.
métodos construtivos como injeções e tirantes;
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Ademais, não são permitidos aditivos, salvo


situações excepcionais.
Justen Filho & Pereira (2012) afirmam que
com essa nova modalidade de contratação,
promove-se o deslocamento de uma parcela
maior de riscos relativos à execução do contrato
ao particular, proporcionalmente as
responsabilidades assumidas em face de
concepção do projeto a ser implementado.
Dada a nova possibilidade de contratação, o
DNIT regulamentou a taxa de risco (reserva de Figura 1 - Estrutura da análise quantitativa de riscos
contingência), instituída nos parágrafos 1 e 2 do
art. 75 da supramencionada legislação. Para A etapa de identificação de riscos define os
tanto, desenvolveu-se uma metodologia de riscos que podem afetar o empreendimento e
gerenciamento de riscos, com o fito de inicia o tratamento desses riscos, para tanto,
identificar, quantificar e remunerar os riscos que elabora-se a Matriz de Riscos que registra as
serão transferidos ao contratado. características dos riscos identificados e
Matriz de Riscos - DNIT determina suas respostas bem como define as
Nas licitações RDCi, a Matriz de risco é o responsabilidades.
instrumento tem o objetivo de definir as O processo de identificação varia e depende
responsabilidades do Contratante e do da natureza do empreendimento. Como
Contratado na execução do contrato.O termo atividade mínima, analisa-se os documentos e
risco foi designado para gerenciar a informações específicas do empreendimento, os
probabilidade de ocorrência de determinado dados históricos de projetos similares e o
evento, seja ele aleatório, futuro ou que conhecimento acumulado a partir de
independa da vontade humana, e o impacto empreendimentos semelhantes. A análise de
resultante caso ele ocorra. Esse conceito pode documentos e a técnica de coleta de
ser ainda mais específico ao se classificar o informações são utilizadas no processo de
risco como uma atividade de ocorrência de um identificação de riscos. Os riscos identificados
determinado evento que gere provável prejuízo são registrados na Matriz de Riscos.
econômico. A Matriz de Riscos expressa, portanto: a) a
Alguns riscos são assumidos pelo próprio descrição do risco; b) as causas do risco, tipo de
poder público, tais como risco, associada à probabilidade de ocorrência e;
desapropriação/realocação e licenças c) o efeito do risco, sua materialização,
ambientais. Os demais são transferidos ao associado ao impacto do risco. O Guia de
empreiteiro, para tanto, faz uma reserva de Gerenciamento de Riscos de Obras
contingência ao orçamento estimado no Rodoviárias- Fundamentos/MT/DNIT elenca
anteprojeto de engenharia. Tal reserva remunera uma Matriz de Riscos que impactam nos
o ente privado pelos riscos que assume. A empreendimentos rodoviários. Frise-se que se
Figura 1 ilustra os elementos da análise de trata de um rol exemplificativo, que deve ser
riscos, adotada pelo DNIT, adaptada na Figura adaptada a peculiaridade de cada
7-2 do Practice Standadrd For Project Risk empreendimento.
Management – PMI (2009):
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A metodologia adotada DNIT se concentra probabilidade de ocorrência de cada cenário


na análise de riscos de custo do possível (diferentes intervalos de
empreendimento, face ao objetivo que é confiabilidade)‖ (Guia de Gerenciamento de
quantificar o valor do contrato que estaria em Riscos de Obras Rodoviárias-
risco em decorrência dos eventos identificados Fundamentos/MT/DNIT).
na Matriz de Riscos.
Os riscos identificados são agrupados nas Os cenários de orçamentos gerados
famílias de serviços, como: pavimentação, subsidiam a tomada de decisão de quantificar a
terraplenagem, obras de arte correntes e reserva de contingência que deverá ser alocada
especiais, drenagem, sinalização, meio no orçamento referencial do empreendimento.
ambiente. A mensuração dos parâmetros é O orçamento com risco será o orçamento
realizada pela captura de opinião de estimado mais a reserva de contingência.
especialistas ou por meio de dados históricos de Execução dos Contratos de Construção de
revisão de projetos em fase de obras- RPFO Túneis
(neste caso, faz-se uma análise estatística dos As obras de construção de túneis no DNIT
dados a fim de eliminar qualquer vício da base estão apresentadas abaixo:
amostral). Isto porque a experiência
organizacional do DNIT é estruturar as obras
rodoviárias por famílias de serviço, assim o
impacto verificado ocorre na representatividade
de cada família do empreendimento.
―A análise quantitativa é baseada numa
avaliação do impacto dos riscos no valor do
empreendimento, por meio da Simulação de
Monte Carlo. Para tanto, utiliza-se como
informação inicial: a matriz de riscos, o
orçamento estimado do empreendimento, dados
históricos de revisão de projeto em fase de
obras(aditivos) ou opinião de especialista e
referências teóricas. Objetiva-se, ao fim da
análise, gerar cenários com a respectiva Figura 2 – Mapa das obras de túneis executadas pelo
DNIT.
probabilidade de ocorrência, de forma que possa
ser definida uma reserva de contingência a ser As obras em epígrafe apresentam
utilizada em cada empreendimento.
comportamentos peculiares, a depender da
(...) modalidade de contratação. Os contratos
O Método de Monte Carlo, utilizado no regidos pela Lei nº 8.666/93, apresentaram os
modelo, gera milhares de interações possíveis seguintes comportamentos:
para cada um dos riscos, que leva em
consideração as atribuições de probabilidades,
gerando uma amostra. Tal amostra serve como
fonte para a elaboração de curvas de densidade
de probabilidade do orçamento do
empreendimento e, portanto, para o cálculo da
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Anexo do Edital e tem por objetivo refletir os


Tabela 1 – Obras executadas pelo DNIT sob contratos eventos mitigáveis incidentes no projeto.
regidos pela Lei nº 8.666/93.
Consta nos anexos do Edital
supramencionado, a Matriz de Risco I que
descreve ser de competência do contratado os
riscos associados à classificação geológico-
geotécnica divergente do projeto, bem como
condições diversas do lençol freático
apresentado no anteprojeto.
Tabela 3 - Matriz de Risco I.
Por meio da Contratação Integrada, os túneis
da Rodovia BR-381/MG apresentaram os dados
a seguir:
Tabela 2 – Empreendimentos em contratação
integrada executados ou em execução pelo DNIT. Em complementação, o Edital para
contratação de empresas para elaboração dos
Projetos Básico e Executivo e Execução das
obras dos Túneis da BR-381/MG apresenta a
Matriz de Riscos II.
Tabela 4 - Matriz de Risco II.

Consoantes Editais RDCi/DNIT é vedado


aditivos aos contratos dela decorrentes, exceto
em situações especiais,quais seja: para
recomposição do equilíbrio econômico-
financeiro, devido a caso fortuito ou força
maior; ou face a necessidade de alteração do
No que pese a previsão Editalícia vista,
projeto ou das especificações para melhor
impende destacar que pode haver fatos
adequação técnica aos objetivos da contratação,
imprevisíveis ou previsíveis, porém de
a pedido da administração pública, desde que
conseqüências incalculáveis, que sejam alheios
não decorrentes de erros ou omissões por parte
à vontade das partes (Teoria da Imprevisão). No
do contratado, observados os limites previstos
caso, não se trata de um fato novo, o problema
no § 1o do art. 65 da Lei no 8.666, de 1993.
é anterior à contratação porém desconhecido e
A respeito da Contratação Integrada para
não era exigível seu conhecimento, e pode
execução dos túneis da BR-381/MG, constantes
impossibilitar a execução contratual como
nos anexos do Edital n. 165-13-00/DNIT, a
originalmente concebida.
análise dos riscos associados ao
Acerca da previsão contratual, professor
empreendimento em comento é realizada por
Marçal Justen Filho (2010, p. 795) elucida que
meio da matriz de riscos que tem por objetivo
―O direito à manutenção do equilíbrio
traçar as diretrizes das cláusulas contratuais. Por
econômico-financeiro da contratação não deriva
isso todos os riscos são indicados na forma de
de cláusula contratual nem de previsão no ato
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convocatório. Tem raiz constitucional. Portanto, CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de
a ausência de previsão ou de autorização é Direito Administrativo. 27ª Edição, 2014.
CARVALHO, M., 2015. Manual de Direito
irrelevante‖. Administrativo. 2ª Edição.
DNIT, DEPARTAMENTO NACIONAL DE
INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES (2007)
6° Relatório de Revisão de Projeto na Fase de
7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Obras, Volume III – BR-101/RS - Divisa SC/RS-
Osório.
DNIT, DEPARTAMENTO NACIONAL DE
Comparando-se as tabelas 1 e 2, referentes as
INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES (2009).
Obras Construção de Túneis nas Rodovias BR- 7° Relatório de Revisão de Projeto na Fase de
101/RS, BR-101/SC e BR-381/MG, conclui-se Obras, Volume II – BR-101/RS - Divisa SC/RS-
a agilidade da execução dos contratos sobre o Osório.
Regime Diferenciado de Contratações, por meio DNIT, DEPARTAMENTO NACIONAL DE
INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES 2009).
da Contratação Integrada-RDCi.
Análise e Parecer sobre o 7° Relatório de Revisão
Nos Contratos regidos pela Lei de Licitações de Projeto na Fase de Obras – BR-101/RS - Divisa
houve Revisões de Projetos em Fase de Obras, SC/RS-Osório.
aditivando, em alguns casos, prazos com DNIT, DEPARTAMENTO NACIONAL DE
períodos superiores a 100% do inicialmente INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES 2008).
Análise e Parecer sobre o 7° Relatório de Revisão
pactuado, bem como grande impacto financeiro de Projeto na Fase de Obras – BR-101/SC – Palhoça
no valor do empreendimento. – Divisa SC/RS.
A nova legislação, para contratar com o DNIT, DEPARTAMENTO NACIONAL DE
Poder Publico, permitiu o desenvolvimento da INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES 2014).
Matriz de Riscos, possibilitando a distribuição Análise e Parecer sobre o 2° Relatório de Revisão
de Projeto na Fase de Obras – BR-101/SC – Divisa
destes proporcionalmente as responsabilidades PR/SC – Divisa SC/RS.
assumidas no contrato, visto que são de DNIT, DEPARTAMENTO NACIONAL DE
identificados, quantificados e remunerados os INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES (2013).
riscos na concepção da obra ser implementada. Ficha Contratual nº 00 00815/2013 – BR-381/MG –
Construção dos Túneis Rio Piracicaba (Pista da
direita e da esquerda) extensão 825 m.
DNIT, DEPARTAMENTO NACIONAL DE
AGRADECIMENTOS INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES (2013).
Ficha Contratual nº 00 00816/2013 – BR-381/MG –
Construção dos Túneis Antônio Dias e Prainha
Os autores agradecem o suporte financeiro extensão 1280 m.
fornecido pelo CNPq (Conselho Nacional de DNIT, DEPARTAMENTO NACIONAL DE
Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES (2008).
Análise e Parecer sobre o 7° Relatório de Revisão
ao DNIT (Departamento Nacional de
de Projeto na Fase de Obras – BR-101/SC – Palhoça
Infraestrutura Terrestre) pela colaboração. – Divisa SC/RS.
DNIT (2013). Guia de Gerenciamento de Riscos de
Obras Rodoviárias – Fundamentos. 1ª Edição.
REFERÊNCIAS DNIT (2017). Edital de Licitação 0392/16-00. Disponível
em:
http://www1.dnit.gov.br/editais/consulta/resumo.asp
ABNT (2009) NBR ISO 31000. Gestão de riscos — ?NUMIDEdital=6190. Acessado em 03/11/2017.
Princípios e diretrizes, Rio de Janeiro, Brasil, 24 p. ITA (1995). Conctractual sharing of risks. Contractual
Practices. International Tunneling and Underground
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Space Association. ITA Working Group No. 4


Volume 10, Suíça, 5 p.
ITA (1996). ITA Position Paper of Types of Contracts.
Contractual Practices. International Tunneling and
Underground Space Association. ITA Working
Group No. 4 Volume 11, Suíça, 19 p.
ITA (2011) . The ITA conctractual framework checklist
for subsurface construction contracts. Contractual
Practices. International Tunneling and Underground
Space Association. ITA Working Group No. 3
Report nº006, Suíça, 11 p.
Justen Filho, M. (2013). Comentários ao RDC: (Lei
12.462/11 e Decreto 7.581/11). São Paulo,
Dialética, 2013. 716 p.
Lei nº 12.464/2011 – Regime Diferenciado de
Contratações Públicas - RDC. 04 de Agosto de
2011.
Oliveira, B. O. de (2017). Inovação em análise de risco e
tomada de decisão em escavações de túneis. 2017.
xviii 96 f., il. Dissertação (Mestrado em Geotecnia)
- Universidade de Brasília, Brasília.