You are on page 1of 10

DOI: 10.1590/1413-81232015216.

07392016 1737

Pesquisa-intervenção em promoção da saúde:

artigo article
desafios metodológicos de pesquisar “com”

Research and intervention in the promotion of health:


methodological challenges of researching “with”

Rosilda Mendes 1
Luciane Maria Pezzato 2
Daniele Pompei Sacardo 3

Abstract This article discusses the broadening Resumo Este ensaio discute a ampliação do sen-
of the meaning of intervention as a pathway for tido de intervenção como um caminho da pes-
research in health promotion and raises theoreti- quisa em promoção da saúde e pretende suscitar
cal-methodological reflections.  Its presupposition indagações e reflexões de cunho teórico-metodo-
is that the set of health promotional practices con- lógico. Parte do pressuposto de que o conjunto das
stitute one of the most intriguing and necessary práticas de promoção da saúde constitui-se em um
methodological challenges in a field which seeks, dos mais instigantes e necessários desafios meto-
in a critical way, to strengthen the autonomy of dológicos de um campo que almeja, desde uma
the subjects, their participation, the institutional- perspectiva crítica, fortalecer a autonomia dos
ized movement’s value, the processes of subjectiv- sujeitos, a participação, a valorização de movi-
ization, and to give meaning to the experiences in- mentos instituintes, os processos de subjetivação e
volved. One important methodological guideline atribuir sentidos às experiências. Um importante
raises the question regarding what type of actions norteador metodológico parte da reflexão sobre
would best address the innumerable challeng- que tipo de ações melhor serviria para enfrentar
es of the pedagogical/professional fields and the os inúmeros desafios dos campos pedagógico e
creation of a collectivity as a catalyst of change. profissionais e a conformação de um coletivo como
Among recent studies on intervention-research um catalizador de mudanças. Entre as recentes
1
Departamento de Políticas
Públicas e Saúde Coletiva,
we focused on the theoretical-methodological ap- formulações acerca da pesquisa-intervenção des-
Universidade Federal de proach of Institutional Analysis and the writing tacamos a abordagem teórico-metodológica da
São Paulo campus Baixada of research diaries. Finally we consider that meth- Análise Institucional e o dispositivo da produção
Santista (Unifesp). R. Silva
Jardim 136, Vila Mathias.
odologies shaped by the principles of inclusion do de diários de pesquisa. Por fim, consideramos que
11015-020 Santos SP the following: abandon vertical, self-contained metodologias informadas por princípios da inclu-
Brasil. rosilda.mendes3@ approaches, bring out elements showing the desire são buscam romper com as abordagens verticais e
gmail.com
2
Departamento de Saúde,
to articulate, show the power of action in favor estanques e evidenciam elementos de que o desejo
Clínicas e Instituições, of dialog, highlight that interaction can produce de se articular, a potência de agir em favor do di-
Unifesp campus Baixada health and that it can activate new forms of con- álogo e interação podem produzir saúde e ativar
Santista. Santos SP Brasil.
3
Departamento de Saúde
structing health promotion practices.   novas formas de construir práticas promotoras de
Coletiva da Faculdade Key words Health promotion, Intervention-re- saúde.
de Ciências Médicas, search, Participative research Palavras-chave Promoção da saúde, Pesquisa
Universidade Estadual de
Campinas. Campinas SP
-intervenção, Pesquisa participativa
Brasil.
1738
Mendes R et al.

A abordagem metodológica distanciamento, a implicação, a confiança. O que


como desafio à promoção da saúde significa dizer que deve haver, tanto quanto pos-
sível, esforço para estabelecimento de relações
O que nos inspira escrever este ensaio sobre a horizontais entre os sujeitos, as quais favoreçam
ampliação do sentido da intervenção como um as possibilidades de diálogo, um permanente re-
caminho da pesquisa em promoção da saúde fazer-se que atinja a todos e, sobretudo, qualifica-
parte, em primeiro lugar, do reconhecimento de ção de espaços de encontros.
que nos últimos anos tem havido um empenho Tomamos aqui a reflexão de Andrade et al.2
deste campo em suscitar indagações e reflexões que recorreram ao dicionário Aurélio para qua-
de cunho teórico-metodológico de suas práticas lificar os sentidos do vocábulo “encontro”, cuja
e pesquisas da perspectiva da inter-relação entre significação remete a um posicionamento face a
teoria e prática, pesquisador e o ato de pesquisar, face com uma pessoa ou coisa, ou a uma colisão
reafirmando o ato político-ético-técnico-relacio- de dois corpos. Se tomado como um embate en-
nal que toda investigação possui. tre duas forças, o encontro equivale ao momento
Como já fizemos em recente artigo, quere- vital para a formação e criação de qualquer coisa
mos destacar que há uma diversidade de expe- ou evento: é do encontro dos átomos que surge
riências, projetos, programas, ações e iniciativas a matéria; do encontro entre gestores, profissio-
de promoção da saúde que vêm sendo levadas a nais e usuários que surge a ação em saúde; do
cabo, muitas delas limitadas a identificar os efei- encontro dos setores sociais que surgem projetos
tos nocivos de determinados comportamentos e intersetoriais; do encontro entre sujeitos com o
hábitos e, assim, atuar e normatizar os estilos de território onde constroem seus processos de ter-
vida. Defendemos ali, ao contrário, a adoção do ritorialidade.
conceito de promoção da saúde como “potência Todo “bom encontro” com outros corpos, pa-
de ação” – baseado em proposições espinosia- rafraseando Deleuze em sua leitura de Espinosa,
nas – o que significa construir ações, iniciativas, provoca a geração de potência. “Quando encon-
programas ou projetos que de fato resultem em tramos um corpo que convém à nossa natureza e
fortalecimento dos sujeitos e coletividades para cuja relação se compõe à nossa, diríamos que sua
“sair da passividade para a atividade, pelo desejo potência se adiciona à nossa: as paixões que nos
de ser livre e de ser feliz”1. afetam são de alegria e nossa potência de agir é
Elucidar o sentido do conjunto das práticas ampliada e favorecida”3.
de promoção da saúde constitui, portanto, um Tal tipo de análise faz, de fato, sentido para
dos mais instigantes e necessários desafios meto- pensar o encontro como uma possibilidade de
dológicos de um campo que almeja, desde uma trocas de afetos, capaz de favorecer e ampliar a
perspectiva crítica, potencializar processos de “potência de agir”. No entanto, para que ele possa
mudança, fortalecer a autonomia dos sujeitos, a existir faz-se necessário acreditar na presença de
participação, a valorização de movimentos ins- potencialidades capazes de gerá-lo. Há barreiras
tituintes, os processos de subjetivação e atribuir que impedem o encontro, como a presença de
significados e sentidos para as experiências. estigmas e preconceitos e experiências anteriores
Diferentemente de paradigmas oriundos da que geraram frustrações e decepções. A tarefa é
ciência moderna cognitivista, aspira-se, nesta estarmos atentos àquilo que – na relação com o
abordagem, a interconexão de estratégias base- outro – nos toca, nos desafia, nos incomoda, nos
adas em paradigmas comprometidos com mo- interroga.
delos de pesquisa que não dissociam pesquisa e Nossa condição humana e, portanto, nosso
intervenção, que envolvem a participação, a téc- desenvolvimento profissional, permanece em
nica, a política, daqueles a serem, de alguma for- constante construção, se fazendo, incompleta, em
ma, atingidos ou envolvidos pelas ações. Trata-se, permanente devir. Assim como Winnicott4 afir-
portanto, de uma ação metodológica que com- ma que “nunca estamos acabados” e que vamos
porta a heterogeneidade em relação aos ritmos, nos fazendo e desfazendo ao longo da vida, ou-
formações, habilidades dos pesquisadores e sujei- tros autores como Freire5 e Lapassade6 também
tos envolvidos em uma ação, e frente aos acon- desenvolvem o conceito do inacabamento como
tecimentos e experiências vividas nos diferentes um processo de criação contínuo. Essa perspecti-
campos e cuja caracterísitca fundante envolve a va reconhece que nosso processo de desenvolvi-
escuta, a abertura, a espreita, a disponibilidade, mento e de socialização depende de “um outro”.
o deslocamento, a atenção, certa sensibilidade, o É nas relações sociais que vamos nos constituin-
tateamento, os movimentos de aproximação e o do, ensinando e aprendendo a viver, a trabalhar,
1739

Ciência & Saúde Coletiva, 21(6):1737-1745, 2016


a cuidar (de si e do outro), a ouvir, a negociar, a Pesquisa-intervenção e conformação
recomeçar, a organizar, a suportar, a lidar. de um coletivo
O encontro, a experiência com o outro, car-
rega a necessidade de abertura ao desconhecido, Um importante norteador metodológico parte
ao novo, ao inesperado, ao incontrolável, o que da reflexão sobre que tipo de ações melhor ser-
leva os sujeitos a correrem o risco de não acer- viria para dar conta dos inúmeros desafios dos
tar e à exigência de uma postura aberta, difícil de campos pedagógico e profissionais, que incluem
sustentar cotidianamente. O respeito mútuo tor- as relações entre os sujeitos (que acompanham e
na-se, assim, um imperativo para que o encontro que são acompanhados), o lugar dos métodos e
funcione como um espaço de experimentação e das técnicas nos processos de pesquisa, e a con-
de elaboração. A partir da construção de vínculos formação de um coletivo como um catalizador
de confiança e abertura para o diálogo, os envol- de mudanças subjetivas. Assim como há uma
vidos tornam-se corresponsáveis e copartícipes dimensão da realidade na qual ela se apresenta
dos processos, podendo fazer escolhas autôno- como “um processo de criação, como poiesis”8,
mas de porquê e como construí-los2. o mesmo pode ser considerado em relação ao
Assim como nas relações sociais, no âmbito coletivo, que produz, num único movimento, os
da promoção à saúde, há um legítimo encontro efeitos de conhecer e de participar de seu proces-
entre sujeitos, no qual estão presentes os interes- so de construção. Isso significa que não há um
ses de compreensão e simultânea construção do “coletivo” em funcionamento a priori na pesqui-
si mesmo e do outro. Para além do caráter tera- sa-intervenção, mas, quiçá, um conjunto de pes-
pêutico e dos dispositivos de cuidado nas relações soas reunidas para as mesmas finalidades, cujas
sanitárias, interessa-nos chamar a atenção para o expectativas, motivações e interesses são hetero-
imperativo do encontro para que em conjunto, gêneos e muitas vezes divergentes, com saberes,
em inter-relação, em cooperação as pessoas pos- experiências e práticas também distintos.
sam construir seus processos de trabalho, ações Se, por um lado, a perspectiva processual dos
de promoção da saúde, projetos de felicidade fenômenos investigados indica a constituição de
(seus e dos outros). um coletivo e de um “plano comum” entre sujei-
Isto posto, um relevante aspecto a ser exami- to e objeto, entre “nós” e “eles”, por outro lado, se
nado quando queremos indagar sobre as refle- coloca o desafio de resistir à captura das diferen-
xões de cunho metodológico no campo da pro- tes lógicas homogeneizantes e totalizantes da di-
moção da saúde são os elementos da processuali- versidade dos sujeitos singulares, mantendo aber-
dade investigativa que toma a pesquisa-interven- tos os fluxos comunicacionais entre eles. Trata-se
ção e métodos participativos como ferramentas de se constituir uma grupalidade para além das
que propiciam um curso de problematização das dicotomias e hierarquias que hegemonicamente
práticas de pesquisa e da produção de conheci- regem as relações institucionais e intersubjetivas
mento. Nesse sentido, as noções de interdiscipli- no âmbito da saúde, sobrepujando as fronteiras
naridade, transdisciplinaridade, bem como da preestabelecidas das disciplinas e dos saberes dos
pesquisa-intervenção, permitem ampliar o deba- participantes da pesquisa para que, coletivamen-
te em torno de quem sejam os sujeitos envolvi- te, seja possível compreender a complexidade da
dos nas práticas de promoção da saúde e como realidade investigada.
são inseridos no processo de pesquisa. O que nos No âmbito da promoção da saúde, cujo ob-
faz apostar que deve haver, tanto quanto possível, jeto complexo é multifacetado e alvo de diversas
um esforço para o estabelecimento de relações miradas que extravasam os recortes disciplinares
horizontais, as quais favoreçam as possibilidades da ciência, um potente recurso metodológico
de encontro, de diálogo e um permanente refa- para uma abordagem da sua complexidade, de
zer-se que atinja a todos. modo especial em processos investigativos, é a
Para as finalidades deste artigo tratamos de constituição de modelos sintéticos resultantes do
transpor a ideia de que intervenção significa in- cruzamento de distintas disciplinas. Nessa pers-
terferência verticalizada, intromissão, como se pectiva, a interdisciplinaridade, ou a transdisci-
naturalizou compreendê-la na área da saúde. plinaridade, como preferem alguns autores9-11,
Nossa proposição, ao contrário, recupera a ideia torna-se um imperativo e apresentar-se como
de um “vir entre”, um “interpor-se”. Dessa forma, uma alternativa para a produção de conhecimen-
ela possui um sentido articulador entre sujei- to, e a intersetorialidade comparece como estra-
to-objeto, teoria-prática, formação-aplicação do tégia de entendimento e intervenção dos proble-
conhecimento7. mas do campo de práticas sociais.
1740
Mendes R et al.

“A intersetorialidade tem no campo do fazer Outro aspecto que nos parece relevante des-
significação semelhante à interdisciplinaridade tacar para que haja um deslocamento de uma
na construção do saber”12. Na prática cotidiana posição de isolamento disciplinar e setorial num
percebemos que grande parte dos projetos e pro- outro sentido em direção ao “inter/entre saberes
gramas de promoção da saúde tem forte cono- e práticas” diz respeito à instauração de novas ló-
tação disciplinar e setorial, refletindo a contínua gicas plasmadas numa “racionalidade aberta”14,
divisão social do trabalho e do conhecimento que buscam distanciar-se do modelo instrumen-
entre entes especializados. Diante da necessidade tal dominante na produção de conhecimento
de superar a fragmentação do conhecimento hu- científico, ao mesmo tempo em que assume a
mano, herança do projeto iluminista/positivista, irredutibilidade do acaso e da desordem, dando
em busca de visão e ação mais globalizadas, a in- lugar, assim, a uma incerteza que não se pode re-
terdisciplinaridade procura estabelecer o sentido solver15. Com isso, há que se aceitar a contradição
da unidade na diversidade, e promover a supera- (entre duas noções que se tornaram complemen-
ção da visão restrita de si mesmo, do outro e do tares, por exemplo), a possibilidade de plura-
mundo13. lidade e cognição múltipla, ou convivência de
Tais esforços de superação corresponderiam explicações diversas para um mesmo fenômeno.
à articulação de um amplo conjunto de saberes Nesse sentido, face à complexidade da promoção
e práticas advindos de diferentes disciplinas que da saúde, caberia não nivelar, mas articular as
se debruçam em torno de um campo teórico e contradições dos sujeitos, das instituições e seus
operacional particular, sobre a base de uma axio- discursos pela inclusão radical de diferentes ní-
mática comum, desenvolvendo um sistema de veis de realidade, comportando e dando lugar às
interação entre disciplinas que se articulam em fusões, sinergias, desvios, reorientações.
diferentes níveis, cuja coordenação se daria pelos As estratégias de conexão disciplinar e se-
enunciados e pelas finalidades também comuns. torial, mais do que a ampliação do diálogo pela
Isso significa considerarmos as ações e os proje- busca de uma maior articulação entre os compo-
tos de cunho interdisciplinar e/ou intersetorial nentes internos da ciência e dos setores, tornam
saúde dependentes da conjugação de uma ampla mais candentes o necessário (re)encontro da ci-
gama de elementos, dentre os quais, primeira- ência com a arte, a ética e a política. Apoiamo-
mente, o de estabelecer um movimento de apro- nos em Varela16 ao considerar que “há imanência
ximação de sujeitos e grupos de interesses em entre viver, conhecer e fazer”, que coloca a ex-
torno de definições de problemas construídos de periência, o conhecimento, o “experimentar-se”
modo processual e compartilhado. que constitui, também, um poder-fazer, ou seja,
Novamente, a convocatória para a constitui- um protagonismo nos movimentos de atuar que
ção de um “comum” se faz presente como força- determina autocriação. Esse tem sido nosso in-
motriz dos processos de pesquisa e de interven- vestimento no desenvolvimento de pesquisa-in-
ção no âmbito da promoção da saúde, de modo tervenção no campo da promoção da saúde. Os
que as energias, os recursos, as capacidades e as resultados se alinham com o processo de consti-
potencialidades de sujeitos e organizações sociais tuição de sujeitos e subjetividades, incluindo os
que se encontram dispersas, desarticuladas e em próprios pesquisadores implicados.
fragmentos sejam capazes de, pouco a pouco,
estabelecer articulações e tecer conjunta e cole-
tivamente um “plano comum”8. Na perspectiva Pesquisa-intervenção e implicação
dos autores, o “comum” interdisciplinar e inter-
setorial convocado na promoção da saúde é um O pensamento interdisciplinar e mais ainda, o
conceito eminentemente político. Não é dado a transdisciplinar, aquele que atravessa o plano da
prioristicamente, mas se enraíza na experiência, política, da pedagogia, da sociologia, da filoso-
se aprofundando e se enriquecendo com ela. fia, dentre outros, foi a linha seguida por Lourau
Devemos construir um comum que não é pau- quando propôs a Análise Institucional, rompen-
tado em relações de semelhança nem tampouco de do com as fronteiras disciplinares. A Análise Ins-
identidade, mas incluir o paradoxo e a instabilida- titucional (AI) emerge na França, nos anos de
de dos limites entre o que comuna e o que difere; 1960, com influência da psicoterapia institucio-
entre o que conecta os diferentes sujeitos e objetos nal, da pedagogia institucional, da psicossociolo-
no processo de pesquisa e intervenção e o que, nessa gia institucional, como também da psicanálise la-
conexão, tensiona, entre o que regula o conheci- caniana, constituindo-se de diferentes movimen-
mento e o que mergulha na experiência8. tos e tendências teóricas que foram compondo o
1741

Ciência & Saúde Coletiva, 21(6):1737-1745, 2016


movimento institucionalista francês17. Surge no Cabe aqui elucidar essa ideia. A intervenção
momento que a perspectiva conscientizadora da socianalítica, em sua forma mais clássica, era de
pesquisa-ação passou a ser contestada, apresen- curta duração e visava um desvelamento rápido
tando a ideia de uma pesquisa-intervenção que da estrutura oculta da instituição25. “No final da
visa interrogar os diversos sentidos cristalizados década de 1980 e nos anos de 1990, as modalida-
nas instituições. des de intervenção diversificaram-se no seio da
Para Rocha e Aguiar18, “trata-se de ampliar as corrente da análise institucional”21. A partir desta
bases teórico-metodológica das pesquisas parti- constatação, Monceau, discípulo de René Lourau
cipativas, propondo uma intervenção de ordem e Antoine Savoye, propõe a continuidade aos tra-
micropolítica na experiência social. De acordo balhos dos socioanalistas com a perspectiva da
com as autoras, os pressupostos da pesquisa-in- socioclínica institucional, mais ampla e diversi-
tervenção vêm viabilizando a construção de es- ficada em relação aos referenciais e às influências
paços de problematização coletiva junto às práti- teóricas.
cas de formação e potencializando a produção de Para as finalidades deste artigo interessa-nos
um novo pensar/fazer educação”. Neste sentido, a destacar, sobretudo, que esta abordagem apoia
pesquisa-intervenção altera a clássica afirmação: a ideia de implicação, ou seja, o pesquisador ao
“conhecer para transformar” da pesquisa-ação investigar uma determinada situação se mantém
por “transformar para conhecer”19, e “ainda co- em contato direto com as pessoas e seu território.
loca o pesquisador enquanto produtor de novos Assim, modifica e é modificado pela experiência
sentidos e novas intercessões”20. produzida pela intervenção. Isso acontece com
Por tudo isto, e tomando como desafio o ca- maior ou menor intensidade, dependendo de
ráter inventivo da ciência que a coloca em “cons- como cada sujeito irá se implicar com e na pes-
tante movimento de transformação, não apenas quisa, pois temos “diversos graus de participação
refazendo seus enunciados, mas criando novos no sentido de comprometimento em uma situ-
problemas que exigem práticas originais de in- ação”26. Porém, implicados todos estamos, uns
vestigação”, serão apontados dois caminhos me- mais e outros menos. O que Lourau propõe é que
todológicos da pesquisa-intervenção que podem façamos uma análise das nossas implicações, que
apoiar as iniciativas de promoção da saúde. Am- é fundamental no projeto sociopolítico do pes-
bos buscam ampliar os sentidos da intervenção, quisador, um processo de análise dos múltiplos
tomando a experiência como “ponto de apoio”, lugares e pertencimentos de cada um. Porém,
como “caminho” metodológico. Aqui, a experi- não se trata de posições delimitadas, paralisadas,
ência é entendia como “um saber-fazer, um saber mas de uma dinâmica de relações que circulam
que vem, que emerge do fazer”, indissociando o no processo de intervenção.
conhecer e o fazer21. Inspirado por H. Lefebvre, Lourau27 apresen-
A pesquisa-intervenção, como a entendemos, ta cinco dimensões da implicação:
vem acontecendo apoiada em dois modus operan- “Implicações primárias: 1) implicação do pes-
tis: a análise institucional e a cartografia. O ponto quisador-praticante com seu objeto de pesquisa/
comum entre elas é a direção da intervenção, sem intervenção; 2) implicação na instituição de pes-
predeterminações, seguindo pistas numa “direção quisa ou em outra de pertencimento e, antes de
ético-política que avalia os efeitos da experiência”21. tudo, na equipe de pesquisa/intervenção; 3) im-
Entre as recentes formulações acerca da pes- plicação na encomenda social e nas demandas
quisa-intervenção destacamos a proposição do sociais. Implicações secundárias: 4) implicações
que vem a ser uma prática de intervenção a par- sociais históricas, dos modelos utilizados (impli-
tir da abordagem teórico-metodológica da AI. cações epistemológicas); 5) implicações na escri-
Apoiando-se nos conceitos da AI, quais sejam, tura ou qualquer meio que sirva à exposição da
análise da encomenda e da demanda, autogestão pesquisa”.
da intervenção, regra do tudo dizer ou da livre Esta definição, no entanto, não esta fecha-
expressão, elucidação da transversalidade, aná- da, pois coloca desafios frente ao conhecimento
lise das implicações do pesquisador-praticante científico instituído. Para Lourau27, a implicação
e construção ou elucidação dos analisadores, traduz-se, pois, como uma “análise coletiva das
Monceau22 reforça que, “essas operações definem condições da pesquisa”.
a maneira como é realizada a análise em uma ins- Nossa experiência no campo da promoção
tituição social”, conforme elaborada por Georges da saúde tem mostrado que inúmeras afetações
Lapassade e René Lourau23,24 denominada inter- e implicações são vividas e relatadas pelos pes-
venção “socioanalítica ou socioanálise”. quisadores que em campo mostram-se tomados
1742
Mendes R et al.

pela experiência. Afetar não tem nada a ver com palavras a fim de evitar o vocabulário tradicional,
empatia, como nos diz Favret-Saad28. Ao relatar mas propor uma mudança conceitual, de modo
sua vivência antropológica a autora nos convoca que se distingam as práticas de pesquisa. Os da-
a pensar o lugar que ocupam as experimentações dos são produzidos pelos diferentes dispositivos
no processo investigativo: e por diferentes estratégias de pesquisa que fazem
“Ora, minha experiência de campo – por- ver, ou que fazem perceber, e que fazem falar.
que ela deu lugar à comunicação não verbal, não Tal tipo de argumentação faz sentido para
intencional e involuntária, ao surgimento e ao pensar que na pesquisa-intervenção, tanto em se
livre jogo de afetos desprovidos de representa- tratando da análise institucional ou da cartogra-
ção – levou-me a explorar mil aspectos de uma fia, são construídos dispositivos de intervenção.
opacidade essencial do sujeito frente a si mesmo. Esse tema se expressa em proposições de dispo-
Essa noção é, aliás, velha como a tragédia, e ela sitivo “grupo’ como um instrumento de análise
sustenta também, há um século, toda a literatura coletiva extraordinário, pois é a partir dele que
terapêutica”. se promove a fala, o encontro entre os inte-
Ao deixar-se afetar pela experiência e o que grantes do grupo32; a ideia de grupo-dispositivo
nos acontece nesta, nos coloca um desafio: pes- como uma “máquina aberta à diferença” que,
quisar sem a priori, deixando espaço para o acon- tomado como um dispositivo, “faz desencadear
tecimento. Foucault entende o acontecimento um processo de entrecruzamento, composição e
como a irrupção de uma singularidade única e decomposição, de redes sempre coletivas (múl-
aguda, a emergência de uma singularidade e, tiplas) e singulares”33; assim como a proposição
ao mesmo tempo, uma ruptura de evidências29. de dispositivo como agenciamento: “uma monta-
O que, dependendo da postura do pesquisador, gem ou artifício produtor de inovações que gera
permite uma abertura para o novo, o acontecer. acontecimentos e devires, atualiza virtualidades e
inventa o novo radical34.
Não pretendemos aqui desconsiderar os inú-
Sobre a produção de dados meros dispositivos de intervenção mediadores
de práticas de investigação comprometidas com
O trabalho de pesquisa é sempre acompanhado situações de interação, próprias de pesquisa de
de registros, o que exige desde o início a impli- caráter participativo, como a pesquisa-ação ou
cação e a atenção do pesquisador. As perguntas a pesquisa participante. Não pretendemos tam-
dos pesquisadores centram-se comumente na co- pouco descuidar de um percurso metodológico
leta de informações, nas formas de registro e no comprometido com a produção do conhecimen-
uso das informações, especialmente no que diz to e do caráter formativo inerente a ela. Que-
respeito à garantia da confidencialidade das pro- remos, no entanto, dar destaque sem desviar a
duzidas ao longo da pesquisa. Como e para quê atenção, do vigor que caracteriza os processos
registrar? O que fazer com os registros? A quem participativos. Uma combinação para a qual não
interessa os registros? Como tornar as análises há receitas ou prescrições, mas espaços para se
mais coletivas? descobrir modos de fazer mais apropriados às
A pesquisa-intervenção requer uma “políti- perguntas realizadas, o que requer certa abertura
ca da narratividade” conforme referem Passos ao risco e à intencionalidade de problematizar as
e Barros21. Kastrup30 enfatiza a atenção do pes- próprias práticas e, coletivamente, produzir algu-
quisador ou a do cartógrafo ao defender a ideia mas respostas críticas, reflexivas, mobilizadoras
de que se você está de fato como uma boa aten- e abrangentes de modo que interfiram nas rela-
ção, se você está de fato com corpo presente em ções, nas mentalidades e nas formas de intervir.
campo e valorizar aquilo que faz sentido então Nesse sentido, inspiradas pela noção de expe-
aquilo torna-se de fato relevante no processo de riência de Bondiá35, entendemos que a produção
pesquisa. Define, nessa direção, quatro gestos de de diários de pesquisa tornam-se potentes dispo-
atenção cartográfica: “o rastreio, o toque, o pouso sitivos que possibilitam o acontecer da experiên-
e o reconhecimento atento”. cia que “nos afeta, nos toca, nos atravessa”.
Desta perspectiva, não há uma “coleta de O diário é, pois, uma ferramenta de interven-
dados”, como tradicionalmente vem sendo no- ção que tem o potencial de produzir um movi-
meada a etapa de recolha de dados em uma pes- mento de reflexão da própria prática, na medida
quisa, mas desde o início apostamos em uma em que o ato da escrita do vivido, no âmbito in-
“produção dos dados”. Para Kastrup30 e Barros e dividual ou no coletivo, é o momento de reflexão
Kastrup31 não se trata de uma mera mudança de sobre e com o vivido, revelando o não dito e pres-
1743

Ciência & Saúde Coletiva, 21(6):1737-1745, 2016


supondo a não neutralidade do pesquisador no al.39, que o processo de “pesquisar com” envolve
processo de pesquisa36. também o “escrever com”, que ativa a todos na
Pois, como afirma Lourau37, o diário de pes- produção do conhecimento. A possibilidade de
quisa, assim como, “escrever com” se faz presente quando trabalha-
“outros dispositivos inventados ou a inventar, mos com a ideia de “pesquisar com”, própria da
pode auxiliar a produzir outro tipo de intelec- pesquisa-intervenção. Ou seja, na medida em que
tual: não mais o orgânico [...], de Gramsci; nem nos propomos a fazer uma análise das implica-
o engajado, de Sartre [...]; mas o IMPLICADO ções durante o processo da pesquisa, trazendo os
(cujo projeto político inclui transformar a si e a múltiplos lugares de pertencimento de cada um,
seu lugar social, a partir de estratégias de coletivi- seja pesquisador, seja sujeito da pesquisa, cria-se
zação das experiências e análises). Talvez, se pu- um território coletivo, um plano comum, um
dermos tornar tais estratégias cada vez mais po- “plano com.” Neste encontro, produz-se novos
pulares, possamos sentir um pouco os resultados sentidos que trazem os desejos, as histórias, os li-
dessa utopia. É uma aposta e, como tal, apresenta mites, saberes e não-saberes. Produz-se também
seus riscos”. uma “política da escrita” em sintonia com a “po-
Tornar-se sujeito do processo de escrita não lítica de pesquisa”31 que deve incluir as contradi-
é tarefa fácil, requer uma disponibilidade de se ções, os enigmas, as tensões e as dúvidas.
rever, de se deixar tocar pela experiência e refle- Permeado por questões éticas, esses processos
tir junto a ela. O diário guarda registros do vi- fazem aflorar problemas e conflitos. No entanto,
vido, daquilo que foi possível registrar naquele longe de fazer dessas dificuldades uma impos-
momento presente, impressões que surgiram do sibilidade, será preciso assegurar que os sujei-
encontro com o campo, porém são impressões tos interajam e criem condições para conhecer,
transversais e fragmentadas, pois o vivido “é pra- aprender, discutir, questionar e inventar. Visto
ticamente impossível ser de redigido, dada a sua que “a produção de dados é processual e a proces-
complexidade”36. sualidade se prolonga no momento da análise”31,
De acordo com Hess38 o diário pode ter uma caberá sempre indagar: de quem é a autoria dos
abordagem temática, multirreferencial, permitin- registros? Como lidar com os diferentes tempos e
do ser lido sob diferentes ângulos: individual, inte- distintos saberes dos envolvidos? É possível cons-
rindividual, grupal, institucional, organizacional. tituir coletivos “comuns” de produção de escrita
Num diário se aceita “a espontaneidade e eventu- ainda que os pesquisadores “falem” de diferentes
almente a força do sentimento, a parcialidade de lugares?
um julgamento, enfim, a falta de distanciamento”.
Seguindo este movimento, a escrita num diá­
rio é uma escrita verdadeira, um documento que Considerações finais
contém o que foi vivido, o que foi percebido do
que foi vivido, com suas contradições, dúvidas, O que quisemos apontar neste ensaio é a existên-
conflitos, alegrias, o que tocou e atravessou da ex- cia de perspectivas mais potentes às novas rea-
periência no campo, na pesquisa. O diário cons- lidades científicas, sociais e políticas que podem
titui-se, assim, em uma ferramenta potente que orientar as práticas e as pesquisas no campo da
possibilita os sujeitos envolvidos refletirem ou promoção da saúde. Estamos constantemente
cria espaços de reflexão destes, com suas práticas reexaminando as referências téorico-metodo-
e os saberes produzidos nelas. lógicas, as práticas, os valores que as sustentam.
Diante de algumas experiências que fazem o Deparamo-nos frequentemente com limites,
uso desta ferramenta, observamos que um diário próprios de paradigmas clássicos, que reforçam o
pode assumir diferentes formatos e, talvez o mais compartilhamento e a especialização, e nos insti-
instigante, seja torná-lo partilhado. O registro gam a percorrer trajetórias que produzam, sobre-
coletivo incorpora as reflexões, indagações, de- tudo, sinergias, desejo de inovação e criatividade.
sejos, sejam eles individuais e/ou comuns. Cons- Metodologias informadas por princípios da
trói-se assim uma relação mais próxima entre os inclusão e da diversidade buscam romper com
sujeitos e a pesquisa, fazendo emergir questões as abordagens verticais e estanques da vida e evi-
que muitas vezes ficam encobertas, ao mesmo denciam elementos concretos de que o desejo de
tempo em que se ampliam as possibilidades de se articular, a potência de agir em favor do diá-
inserção e relação entre todos os envolvidos, con- logo e a interação entre sujeitos se faz presente.
tribuindo para circulação dos saberes. Há de se A fragmentação é uma realidade cotidiana, assim
avançar, contudo, como bem referem Silveira et como a tensão permanente entre movimentos
1744
Mendes R et al.

que tendem à interação e à articulação e, con- ainda não foi, assim como com os efeitos desta
trariamente, ao isolamento e ao distanciamento. experiência, tanto no individual como no coleti-
Esses movimentos também são capturados por vo, no institucional e no organizacional. É, por-
aquilo que já está instituído e é hegemônico, for- tanto, com a análise das implicações primárias e
ças que tendem à repetição e à paralisia e resistem secundárias que poderemos realizar uma coletiva
às pulsões instituintes, a integração e a coopera- das condições da pesquisa, incluindo aqui seus
ção entre sujeitos que produzam transformações sujeitos e as instituições.
no modo de produzir saúde e ativem novas for- Ao trazermos para a reflexão questões que di-
mas de construir práticas promotoras de saúde. zem respeito ao “pesquisar com” nos referimos a
Reforçamos aqui que a ideia de que a pro- um repertório amplo de noções, “participação”,
dução de diários na perspectiva da pesquisa-in- “afetos”, “bons encontros”, “vínculos”, “escolhas”,
tervenção pode potencializar estes movimentos “potências”, “afetações”, “implicações” que foram
instituintes, uma vez que possibilitam outros compreendidos como valores que nos fazem ver
modos de relações presentes na pesquisa, trazen- vigorosos impulsos de juntar, e que portanto, de-
do a ideia da análise das implicações que nos faz vem ser estimulados e facilitados no âmbito das
refletir com o que foi possível produzir e o que investigações no campo da promoção da saúde.

Colaboradores

R Mendes, LM Pezzato e DP Sacardo trabalha-


ram juntas em todas as etapas do manuscrito:
concepção, redação e revisão final do artigo.
1745

Ciência & Saúde Coletiva, 21(6):1737-1745, 2016


Referências

1. Mendes R, Fernandez JCA, Sacardo DP. Promoção da 22. Monceau G. A Socioclínica Institucional para pesqui-
saúde e participação: abordagens e indagações. Rev sas em Educação e em Saúde. In: L’Abbate S, Mourão
Saúde em Debate 2016; 40(108):190-203. LC, Pezzato LM, organizador. Análise Institucional &
2. Andrade EA, Sacardo DP, Fernandez JCA. O “encon- Saúde Coletiva. São Paulo: Hucitec; 2013. p. 91-103.
tro” como espaço de experimentação e elaboração. In: 23. Lapassade G, Lourau R. Chaves da Sociologia. Rio de
Fernandez JCA, Campos M, Cazzuni DH, Fiorilo P, or- Janeiro: Civilização Brasileira; 1972.
ganizadores. Juventude e Segurança: PROTEJO Osasco. 24. Lourau R. A Análise Institucional. Petrópolis: Vozes;
São Paulo: Hucitec, Cepedoc Cidades Saudáveis; 2010. 1975.
v. 1. p. 85-100. 25. Pezzato LM, L’Abbate S, Botazzo C. Produção de mi-
3. Deleuze G. Espinosa: filosofia prática. São Paulo: Escuta; cropolíticas no processo de trabalho em saúde bucal:
2002. uma abordagem socioanalítica. Cien Saude Colet 2013;
4. Winnicott DW. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: 18(7):2095-2104.
Imago; 1975. 26. Lourau R. Uma técnica de análise de implicações: B.
5. Freire P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à Malinowski, Diário de etnógrafo (1914-1918). In: Al-
prática educativa. São Paulo: Paz e Terra; 1996. toé S, organizador. René Lourau. Analista Institucional
6. Lapassade G. Grupos, organizações e instituições. 2ª ed. em tempo integral. São Paulo: Hucitec; 2004. p.259-283.
Rio de Janeiro: Francisco Alves; 1983. 27. Lourau R. “Implicação: um novo paradigma”. In.: Altoé
7. Paulon SMA. Análise de implicação como ferramenta S, organizador. René Lourau. Analista Institucional em
na pesquisa-intervenção. Psicologia & Sociedade 2005; tempo integral. São Paulo: Hucitec; 2004. p. 246-258.
17(3):18-25. 28. Favret-Saad J. Ser afetado. Cadernos de campo 2005;
8. Kastrup V, Passos E. Cartografar é traçar um plano co- (13):155-161.
mum. Fractal, Rev. Psicol. 2013; 25(2):263-280. 29. Foucault M. Microfísica do Poder. 9ª ed. Rio de Janeiro:
9. Almeida Filho N. Intersetorialidade, Transdisciplinari- Graal; 1979.
dade e Saúde Coletiva: atualizando um debate em aber- 30. Kastrup V. O Funcionamento da atenção no trabalho
to. RAP 2000; 34(6):11-34. do cartógrafo. Psicologia & Sociedade 2007; 19(1):15-22.
10. Morin E. Introdução ao pensamento complexo. 3ª ed. 31. Barros LP, Kastrup V. Cartografar é acompanhar pro-
Porto Alegre: Sulina; 2005. cessos. In: Passos E, Kastrup V, Escossia L, organizado-
11. Paul P. Transdisciplinaridade e Antropoformação: sua res. Pistas do método da cartografia: pesquisa e produção
importância nas pesquisas em saúde. Saúde Soc. 2005; de subjetividade. Porto Alegre: Editora Sulina; 2009. p.
14(3):72-92. 52-75.
12. Mendes EV. Uma agenda para a saúde. São Paulo: Hu- 32. Barros RB. Grupo: a afirmação de um simulacro. Porto
citec; 1996. Alegre: SuSol, Editora UFRGS; 2007.
13. Mendes R, Akerman M. Intersetorialidade: reflexões e 33. Barros RB. Grupo: estratégia na formação. In: Brito J,
práticas. In: Fernandez JCA, Mendes R, organizadores. Barros ME, Neves M, Athayde M, organizadores. Tra-
Promoção da saúde e gestão local. São Paulo: Hucitec, balhar na escola? “Só inventando o prazer”. Rio de Janei-
Cepedoc Cidades Saudáveis; 2007. p. 87-111. ro: Edições IPUB/UFRJ; 2001. p. 71-88.
14. Morin E. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Ber- 34. Baremblitt G. Compêndio de Análise Institucional e
trand Brasil; 2002. outras correntes: teoria e prática. 5ª ed. Belo Horizon-
15. Fernandez JCA. Promoção da saúde e dinâmica social: te-MG: Instituto Felix Guattari; 2002. 
o lugar dos sujeitos [tese]. São Paulo: Universidade de 35. Bondiá JL. Notas sobre a experiência e o saber da ex-
São Paulo; 2011. periência. Rev Brasileira de Educação 2002; (19):20-28.
16. Varela F. O círculo criativo: esboço histórico-natural da 36. Pezzato LM, L’Abbate S. O uso de diários como ferra-
reflexividade. In: Watzlawick P. A realidade inventada. menta de intervenção da Análise Institucional: poten-
Campinas: Editorial Psy.1994. p.302-16. cializando reflexões no cotidiano da Saúde Bucal Cole-
17. L’Abbate S. Análise Institucional e Saúde Coletiva: tiva. Physis 2011; 21(4):1297-1314.
uma articulação em processo. In: L’Abbate S, Mourão 37. Lourau R. René Lourau na UERJ- 1993. Análise Insti-
LC, Pezzato LM, organizadores. Análise Institucional & tucional e Práticas de Pesquisa. Rio de Janeiro: Editora
Saúde Coletiva. São Paulo: Hucitec; 2013. p. 31-88. da UERJ; 1993. 
18. Rocha ML, Aguiar KF. Pesquisa-intervenção e a produ- 38. Hess R. Momento do diário e diário dos momentos. In:
ção de novas análises. Psicol. cienc. prof. 2003; 23(4):64- Souza EC, Abrahão MHMB, organizadores. Tempos,
73. narrativas e ficções: a invenção de si. Porto Alegre: EDI-
19. Coimbra CMB. Os Caminhos de Lapassade e da Análi- PUCRS; 2006. p. 89-103.
se Institucional: uma empresa possível. Rev do Depar- 39. Silveira M, Palombini AL, Moraes M. EscreverCOM:
tamento de Psicologia da UFF 1995; 7(1):52-80. uma experiência ético-política de pesquisa. Mnemosine
20. Pezzato LM, L’Abbate S. Uma pesquisa-ação-interven- 2014; 10(1):2-22.
ção em saúde bucal coletiva: contribuindo para a pro-
dução de novas análises. Saude Soc. 2012; 21(2):386-
398.
21. Passos E, Barros RB. A cartografia como método de
pesquisa-intervenção. In: processos In: Passos E, Kas-
trup V, Escossia L, organizadores. Pistas do método da Artigo apresentado em 20/01/2016
cartografia: pesquisa e produção de subjetividade. Porto Aprovado em 21/03/2016
Alegre: Editora Sulina; 2009. p. 17-31. Versão final apresentada em 23/03/2016