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CAIO FÁBIO

O DEUS
QUE NÃO
DESISTE DE
AMAR

2A EDIÇÃO
BRASÍLIA
2018
EDITORA PRÓ-LOGOS
Projeto Gráfico e diagramação: Marcos Braga

© Pró-Logos, 2018
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O DEUS QUE NÃO DESISTE DE AMAR

Em João 21.15-17 Jesus pergunta a Simão Pedro: “Simão,


filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu:
Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os
meus cordeiros.
Tomou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de
João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que
te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas.
Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu
me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira
vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as
coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as
minhas ovelhas.”
O contexto anterior a esta passagem trata do encontro que
Jesus teve com sete dos seus discípulos no mar de Tiberíades,
após Ele haver ressuscitado dentre os mortos. Ele aparece na
praia, ordena que lancem a rede à direita do barco a fim de
acharem peixe, e é isto que acontece.
João o identifica, Pedro nada em sua direção, e depois de
encontrarem-se na praia, Jesus ordena que alguns dos peixes
apanhados sejam adicionados aqueles que Ele mesmo já estava
assando a beira mar.
Sentam para comer, e ao terminarem, Jesus faz as
perguntas. Muito freqüentemente, aqui e ali, ouço pessoas
questionando-se profundamente a respeito da sua segurança e
do seu relacionamento com Deus. Isso porque somos pessoas
extremamente incoerentes, contraditórias, claudicantes,
vacilantes, muito amiúde manifestamos uma serie de fraquezas,
muito freqüentemente chocamo-nos conosco mesmos, ficamos
perplexos ao verificarmos como as nossas promessas caem diante
das expressões da nossa própria vida, como os nossos votos dão
em coisa alguma a medida em que caminhamos. Como o nosso

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zelo, nossa fidelidade se esboroa ante a mais leve tentação. Somos


pessoas que tantas e tantas vezes são esmagadas por aquilo a
que declaramos guerra e contra aquelas coisas em função das
quais queremos viver vitoriosamente. E quando essas realidades
se nos apresentam o que parece que a nós fica claro, e que Deus
deveria, de alguma maneira, desistir da nossa vida. Começamos
a perguntar qual o nível de investimento que Deus esta fazendo
em nós.
Começamos a questionar a nós mesmos a respeito de por
quanto tempo durara essa intenção misericordiosa de Deus para
conosco. Começamos a perguntar se Deus em algum momento
dessa trajetória de contradições não haverá de desistir do fato de
que nós pertencemos a ele. E quando essas perguntas, quando
essas situações começam a povoar nossa mente, o que daí
gera, o que surge, o que desabrocha, o que brota de toda essa
conjuntura interior e conflito, é angústia, é insegurança, é dor,
é sentimento de culpa. Não tenho duvida de que alguns de nós,
moços, moças, senhores, senhoras, homens de negócios, seres
humanos, na sua própria vida, tem tido esse tipo de conflito.
Gente que capitulou, que sucumbiu, que naufragou, que ruiu
em seus propósitos tantas vezes, que já chegou a afirmar: ‘Acho
que desta vez Deus desistiu de mim, de investir na minha
existência, de insistir na minha vida, de fazer de mim o que
pretende que eu seja.”
E quando isso acontece, começamos a nos afrouxar, a
abrir a guarda, a nos relaxar, desistimos de orar, de aprender a
Palavra de Deus, desistimos daqueles compromissos mais sérios,
profundos e radicais do reino de Deus, porque começamos a
chegar a conclusão de que a nossa radicalidade da em nada,
porque foram tantas às vezes que diante das mais verdadeiras
motivações, nós caímos. As nossas fraquezas nos fazem pensar

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O DEUS QUE NÃO DESISTE DE AMAR

freqüentemente que Deus desiste de nós. E a meu ver, poucas


histórias humanas e bíblicas ilustram melhor essa realidade do
que a vida do apóstolo Pedro.
A maneira que existiu diante de Deus, pelos conflitos, suas
crises, suas lutas, sua humanidade frágil e esboroável. Poucas
vidas configuram tão bem esse quadro de desesperança com a
nossa própria realidade quanto a vida de Pedro pode ilustrar.
Em primeiro lugar, o temperamento de Pedro o decepcionava
profundamente, como o temperamento de alguns de nós
decepcionam a outros. Pedro era homem de rompantes
incontroláveis, de expressões de sanguinidade, de uma erupção
irreprimível, capaz de manifestar as situações mais contraditórias,
tinha os nervos a flor da pele. Ele era capaz de na pesca
maravilhosa, depois de verificar que Deus estava engendrado em
Jesus de Nazaré, fazer aquela afirmação tremenda: “Retira-te de
mim, ó Deus, porque sou um pecador.”
Era capaz de, vendo Jesus andar sobre as águas, dizer: “Se és
tu, manda-me ir ter contigo”, e sair na direção dele mas no meio
do caminho naufragar ante a turbulência das ondas que passaram
a amedronta-lo. Tinha fé para ir, e esta sua fé que era de uma
intensidade enorme, era de pouquíssima duração. Era capaz das
confissões e dos rompantes teológicos mais significativos, como:
“Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo.” E em seguida, após ouvir
Jesus falar da sua Paixão ser capaz de dizer: “Que é isso Senhor,
que pensamentos depressivos são esses, que Messias melancólico
tu tens sido, que idéias de autoflagelação são essas, que história
e essa de ir para Jerusalém ser crucificado, morto, cuspido,
escarnecido, não! Tal não te acontecera.” E ouve de Jesus:
“Arreda-te de mim Satanás, porque tu és para mim uma pedra
de tropeço.. E capaz de fidelidade, de dizer: “Ainda que todos
te deixem, eu seguirei contigo para a morte.” E em seguida, na

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mesma noite, fugir na escuridão, acovardadamente, encobrindo


seus rastros, cobrindo-se na noite escura.
O nosso temperamento, muito freqüentemente cria em nós
um sentimento terrível de desistência com relação aos nossos
melhores propósitos e com respeito ao tipo de investimento
que Deus continuara fazendo em nossas vidas. Somos de
temperamentos variados, depressivos ou entusiasmados, cheios
de energia, de colericidade ou de uma melancolia horrorosa, de
uma fleuma quase atingindo as rajas da indiferença ou de uma
sanguinidade cujo afloramento dos nervos acontece ao menor
toque. O fato é que, sejamos nós quem sejamos, e tenhamos os
temperamentos que tenhamos, a nossa própria maneira temos
encontrado lutas conosco mesmos. Cansamos, desistimos, nos
enfadamos das nossas imensas e constantes contradições. Isso
varia da família as nossas expressões na igreja.
Pedro não apenas tinha um problema muito sério com seu
próprio temperamento, mas em segundo lugar, seu caráter o
decepcionava imensamente. E decepção com o caráter é uma
coisa mais profunda e mais latejante do que com o próprio
temperamento. Atinge a essência da sua personalidade. Pedro, por
certo não foi um campeão de caráter. Diante da pressão, quando
Jesus é levado para a casa de Caifás, e esta sendo interrogado, ele
o segue curiosamente a distancia ate o ponto de introduzirse no
pátio da casa do sumo sacerdote, ao ser descoberto como um
possível seguidor de Jesus e sendo questionado por essa mesma
razão, ele o nega três vezes. A principio ele o nega, a seguir ele
jura que não o conhece e indo mais adiante ele pragueja, diz
palavrões e impropérios, abomina, aborrece qualquer tipo de
vinculo que pretendam criar entre ele e aquele atrás de quem
sua curiosidade o fez andar. Eu sei que muitas pessoas tem
tido problemas sérios de caráter. Gente que descobriu que tem

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O DEUS QUE NÃO DESISTE DE AMAR

uma fraqueza horrível para mentira, pessoas que descobriram


que tem um coração terrivelmente invejoso, pessoas que estão
descobrindo que tem uma atração muito grande por dinheiro,
outros descobriram que demolem-se com uma facilidade imensa
ante uma sedução sexual, pessoas que estão descobrindo a sua
própria leviandade e tergiversância interior. Lutas no caráter.
Descobrindo que o homem interior é mais fraco do que
pensavam que era. E em terceiro lugar, Pedro não tinha só
problema com o temperamento e com o caráter, mas contraiu,
absorveu, um problema terrível com o seu mundo psicológico.
Ele quase ficou enfermo, psicologicamente falando. Sua psique
encheu-se de conflitos de tamanha significação que passou a
ficar massacrado. E isso tudo veio se acumulando nele durante
os três anos de caminho com Jesus. Suas contradições, suas crises
de temperamento, sua fraqueza de caráter, ate culminar com a
negação na casa de Caifás. “Eu não sei quem é este homem.”
E Lucas diz, num detalhamento de extremo significado, que
quando Pedro acaba de dizer pela última vez que não conhece
Jesus, Jesus aparece subindo da sala baixa aonde estava sendo
interrogado para o pátio um pouco mais alto ao redor da casa.
Quando Pedro diz “Eu não o conheço”, e o galo canta, Jesus sobe
sendo trazido da sala e o interrogatório, passando forçosamente
pelo pátio, para descer a masmorra da casa do sumo sacerdote
aonde passaria aquela noite. E é nesse trajeto que eles se misturam,
seus olhares se confundem. Jesus e Pedro ficam cara a cara.
Diz Lucas que o Senhor fitando-o, Pedro saiu dali, imiscuiu-
se na escuridão e chorou absinto, chorou amargamente, chorou
o fel da alma. Se o conflito de Pedro não fosse interrompido três
dias depois, e se ele vivesse no século XX, não tenham duvida, o
destino de Pedro seria o manicômio, um analista, um psiquiatra,
ia viver a base de Amplictil o resto da vida.

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Amanhece o dia, Pedro sai do bosque em angustias. Ele


negou a sua vida. Negou mais do que a sua vida negou mais do
que a sua história, ele sabe que negou o sentido da existência,
negou Deus, que estava em Cristo.
E pode-se imaginar como foi a noite de sexta para sábado e a
de sábado para domingo na cabeça deste homem. Ele não tinha
dormido a noite inteira, deve ter ido para casa e foi vencido
pelo sono, tentou dormir, mas ele estava assolado por pesadelos.
Para onde virava, só via chamas crepitantes, a chama do braseiro
da casa de Caifás. Lá esta Pedro com um pesadelo terrível,
com uma nova síndrome psicológica: “complexo de canto de
galo’. Para onde ele se voltava tinha galo cantando. Labaredas
e galos. A auto-imagem desse homem se reduz a nada, a zero,
a começar de que para ele;a partir daquele momento seu nome
era uma mentira terrível. Pedro, Petros, Petra, Cefas, fragmento
de pedra, tudo isso era falso. Pedro não era pedra, era pó, poeira,
nada, zero. Sua auto-imagem se reduz a coisa alguma, e desiste
de si mesmo, de ser pescador de homens. Conclui que tinha sido
uma arrogância, que ele não tinha estirpe, nem natureza, nem
qualidade, nem garra, nem têmpera de homem suficientemente
forte para encarar os desafios que Jesus lhe propusera. Ele não
é nada.Vê-se como um tolo que ousou sonhar com um mundo
diferente, mas na realidade ele tinha que se circunscrever e se
limitar aos 12 quilômetros de largura por 21 de comprimento
do mar da Galiléia, e que toda destinação da sua vida era trazer
peixes da água para a terra. Foi tudo uma tolice. Desiste de si
mesmo. Mas é em meio a essas nossas fraquezas, que Jesus vem
demonstra que não desiste de nós. Aleluia! Amem!
O homem esta lá fragmentado, destruído, cheio de
pesadelos, com a auto-imagem reduzida, desistiu de crer na sua
possibilidade de enfrentar a vida, volta a mediocridade que o

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O DEUS QUE NÃO DESISTE DE AMAR

caracterizara durante todos aqueles anos anteriores, desiste de


ideais, de sonhos, de concepções, de anelos, de imaginações
férteis, reduz-se a mesmice e a rotina da vida dos homens comuns
e, sem ambição, esta de volta aquele lago. Mas Jesus não desiste
do perdão. E faz isso, manifestando essa sua insistência divina
na pessoa humana através de duas maneiras interessantíssimas.
Primeiramente Ele manda um recado a Pedro. Na manhã do
domingo, ao raiar do dia, Maria Madalena e sua amiga vão ao
sepulcro. Os lençóis que envolviam Jesus ficam vazios porque
Ele os atravessa. O selo do status que romano é partido, a
pedra é removida, um anjo ironicamente se assenta sobre ela
e pergunta: “Por que buscais entre os mortos aquele que vive,
ele não esta aqui, já ressuscitou como havia dito. Ide e dizei aos
seus discípulos e a Pedro que se dirijam a Galiléia e lá o verão.”
Pode-se Imaginar como essas mulheres voltam para o cenáculo
a onde eles estavam reunidos, trazendo essa noticia eufórica,
quase alucinante, um delírio, algo que era bom demais para ser
verdade. E quando elas entram dizem: “O Senhor ressuscitou.
Um anjo removeu a pedra e os soldados ficaram espavoridos
como se estivessem mortos. A vida faz sentido, vamos nos
levantar, Ele mandou que todos fossemos para a Galiléia, lá Ele
nos verá.” Mas para Pedro isso não pode ainda significar muita
coisa até que elas dizem: “Ah! Pedro, para você tem um recado
especial. O Senhor disse que você não pode faltar, mandou
dizer que você tem que estar presente na Galiléia.” Pedro não
pode se acovardar diante desse convite a confrontação. Ele não
sabe o que vem, se é indulgência, se é um perdão fácil, mas de
uma ou de outra forma a consciência sempre fica extremamente
esmagada. E ele então, vai. Vai com os outros.
Enquanto espera, pensa em se distrair. Não há prazos para
o encontro, apenas o lugar foi marcado, não a hora. A noite

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CAIO FÁBIO

é longa. Um convite à pesca e à distração. Entram no barco,


enveredam-se na escuridão, tentam apanhar peixes a noite
inteira, mas malogram no intento. Pela manhã estão enfastiados
da rede, cansados daquela expectativa quando o sol nasce e
desenha-se a silhueta de alguém na praia; e esse alguém em brada
desde a areia: “Amigos, vocês tem ai alguma coisa de comer?
E eles dizem:”Não!” E ele então responde: “Lancem a rede à
direita do barco, que vocês vão achar.” Eles fazem isso, e já não
podem puxar a rede, tão grande a quantidade de peixe. João tem
a sua mente superposicionada com outro evento e diz consigo
mesmo: “Eu já vi isso antes.” Então grita: “Pedro, é o Senhor!
Isso e coisa dele.” Pedro se veste e diz: “Tragam o barco!” E pula
na água indo na direção do Senhor. Eles se encontram. O olhar
de Jesus e um enigma para Pedro. Eles se assentam, os outros
vêm, os peixes estão sendo assados, e começam a comer.Na
vida de Pedro Deus manifesta que, em meio as nossas fraquezas
ele não desiste de nós. E sem grandes veemências, mas com
afirmação calcada, estribada, fundamentada inarredavelmente
na Palavra de Deus, eu digo: apesar de você leitor, meu irmão,
apesar de mim e de nós, apesar do meu caráter esboroável, do
meu temperamento contraditório, do meu mundo psicológico
enfermo, Deus não desiste de mim, Deus não desiste de você. E
eu deixo aqui este recado. Esta pode ser a hora de um encontro,
para você acertar as coisas a fim de que o sentimento de culpa
seja varrido e removido, e um novo dia comece em sua vida.
A questão básica é o que Jesus faz para levantar o caído.
Que ele não desiste de nós, sabemos disso, mas o que Ele vai
fazer para levantar você dessa situação de esboroamento e de
destruição. Em primeiro lugar, ele se aproxima e pergunta pelo
seu amor.
– Como é que vai o seu amor? Como vai o seu coração?

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O DEUS QUE NÃO DESISTE DE AMAR

“Simão, filho de João, tu me amas?” Como Jesus e diferente


de mim. Como seu pastoreio é diferente do nosso. É possível
que se eu fosse o pastor da situação eu tivesse manifestado um
pouquinho diferente.
– Simão, que foi que deu em você meu filho? Andando
comigo ha três anos e você da uma dessas rapaz. Afinal de contas
você não sabe quem sou eu? Ficou bobo de repente? Simão,
escute aqui, eu estou disposto a te dar uma nova chance se você
prometer que não vai fazer mais. Ai eu entrego uma célula de
crescimento para você cuidar na igreja local. Você vai pastorear
as ovelhas. Simão, promete que não faz mais isso?
“Simão, tu me amas?” Essa é a única pergunta que importa.
Não importa quantas vezes eu fiz, não importa se eu sabia, se eu
não sabia, o nível de aprendizado que eu tinha, não importam
as afirmações legalistas, nem as imposições da moralidade. Só o
que importa é o amor, porque só o amor responde a altura da
obediência. “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.”
E o amor de Cristo que nos enferma, que nos constrange, que
cria essa obsessão de serviço, de fidelidade em nós. Só o amor
responde à altura do discipulado. O moralismo, o legalismo, a
obediência comportamental, quase esse behaviorismo existencial,
não vai gerar nada em você a não ser um comportamentalismo
de seis meses, um ano ou dois. Os mais claudicantes são os mais
legalistas, são os de um radicalismo mais epidérmico e superficial.
Porque o que não brota do coração não permanece na vida. “Tu
me amas” é o que importa. Quando a paixão, quando a obsessão,
a inflamação do amor dominar tua alma as coisas ficarão mais
fáceis. Porque a única lei que importa obedecer é a da paixão
por Jesus, do amor por ele, no amor a santidade, no amor a
fidelidade, no amor ao compromisso. No amor existe a força
para levar-nos até as ultimas conseqüências de qualquer coisa.

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CAIO FÁBIO

Ha dois ou três anos atrás estava na cidade de Atenas sozinho.


Um grupo de cristãos que estava comigo foi para Roma, e fiquei
em Atenas, pois no fim do dia iria para a cidade de Genebra e
depois para o Brasil. Estava sozinho no hotel quando apareceu uma
jovem enviada pela agencia de turismo encarregada de fazer o meu
traslado do hotel para o aeroporto. Ela se equivocou no horário
chegando por volta do meio dia, sendo que o meu avião sairia mais
ou menos às 16 horas. Após avisa-la de seu equivoco, ela disse que
como já estava ali mesmo, ficaria. E começamos a conversar.
Ela era uma moça de uns vinte poucos anos, atraente, bonita,
inteligente, brasileira, morando lá, e depois de alguns minutos de
conversa comecei a notar que ela estava se insinuando fortemente.
Eu estava só, tinha a chave de um apartamento na mão, a minha
mulher estava do outro lado do Atlântico com todos os meus filhos,
os meus presbíteros não podiam nem sonhar onde eu estava, os
missionários da Vinde não podiam nem imaginar o que eu estava
fazendo, ela começou a se insinuar. E insinuações muito fortes,
dando a entender que se eu quisesse ela podia passar aquelas duas
horas e meia ou três que faltavam, comigo no quarto do hotel.
E quando eu senti que as insinuações dela estavam caminhando
para isso, que não era uma percepção errada da minha própria
mente, eu falei a ela: “Olhe, eu tenho uma paixão na vida. Eu sou
desesperadamente apaixonado por Jesus de Nazaré. Ele entrou no
meu coração e livrou minha vida de todo o chafurdamento no
pecado, e hoje a minha obsessão é viver para agrada-lo e para ser
santo, viver para o louvor da glória de Deus.” E comecei a falar
de Jesus, contei meu testemunho de como foi que Jesus entrou
na minha vida, e depois de alguns minutos, a moça estava com
lágrimas nos olhos.
Coloquei-a num carro, fomos para o aeroporto juntos,
despachamos a bagagem bem antes, sentamos numa varanda, e

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O DEUS QUE NÃO DESISTE DE AMAR

falei de Jesus aquela moça quase até a hora da ultima chamada,


dizendo: “Olhe filha, a vida só faz sentido quando é vivida para
a glória de Deus.”
Depois eu entrei no avião e fiquei pensando: não tenho
nenhum compromisso com ninguém deste lado do mundo a
não ser com Jesus de Nazaré. A hipocrisia podia ter vestido a
minha face com cara de santidade na volta ao Brasil. Ninguém
saberia que, eu tinha um momento secreto na minha vida,
reservado um prazer num recôndito indevassável. Mas quando
o amor impregna a sua alma, não há espaço para sobrevivência
da hipocrisia também. Olhe meu irmão, minha irmã, se você
caiu, se você está pisado, esmagado, vencido, se você desistiu
de si mesmo, do seu caráter, da sua vida, de ser santo, de viver
para a glória de Deus, então eu quero afirmar isto a você: Hoje,
o processo de restauração da sua vida começa na resposta que
você dará a esta pergunta “Tu me amas?” Eu quero saber do teu
amor, porque só o amor responde a altura do discipulado e do
convite à santidade.
Em segundo lugar, essa restauração acontece porque Jesus
vem e nos dá a chance de nos afirmarmos sobre as nossas
fraquezas. Ele vem e monta situações de afirmações psicológicas
para nós. Pedro negou a Jesus três vezes no compasso do canto
do galo. Agora, no mar de Tiberiades Jesus pergunta a ele três
vezes: “Pedro, tu me amas? Pedro diz: “Eu te amo.” Três a um
para a negação.
“Pedro, tu me amas?” “Eu te amo Senhor.” Três a dois para
a negação.
“Pedro, tu me amas?” “Eu te amo Senhor.” Três a três.
“Pedro, segue-me.” Quatro a três. Começa tudo de novo.
Deus não apenas vem e justifica a nossa mente, nossa psique,
nossa alma, mas ele cria situações concretas aonde a realidade,

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CAIO FÁBIO

o estabelecimento da nossa vitória sobre coisas que antes nos


foram um problema, tornam-se realidade. Não apenas Ele vem
e nos absolve de culpas. Ele faz isso, mas a seguir cria situações
onde a nossa vida, agora energizada e potencializada, vai pisar
sobre o que dantes foi um momento de negação e de fraqueza.
Ele reconstrói nossa psique, nossa alma.
Em ultimo lugar, Ele vem e cura nossa memória com as
imagens novas desse novo encontro com Ele. Só há dois lugares
no Novo Testamento Grego, no texto original, onde aparece a
palavra braseiro. A primeira e quando Pedro nega Jesus na casa
de Caifás, a segunda e quando Pedro se reconcilia com Jesus no
mar de Tiberiades, ali havia também um braseiro. As chamas do
pesadelo da negação da casa de Caifás são superposicionadas por
essa chama da devoção do amor do reencontro.
Uma nova imagem apaga, cobre aquela antiga imagem de
fracasso. Deus vem e cura a memória, tira aqueles espinhos
dolorosos da mente, afirma a possibilidade de que a história
recomece para você. Meu irmão, talvez você tenha desistido de
si mesmo. Há muitos moços cansados das suas juras de santidade
nas vigílias de oração, nos apelos da igreja que dão em nada na
segunda feira. A questão básica é essa: “Você me ama?” Enquanto
não surgir paixão você não vai aceitar nem assumir as implicações
dessa caminhada, não vai conseguir levar a cruz, meu irmão. No
fim de tudo, observe o que acontece com este homem, Pedro.
No capitulo 5 de 1 Pedro, versículos 10 e 11, perceba que
diferença, que situação extraordinariamente nova, que homem
completamente refeito. Jesus estruturou essa personalidade.
Pedro aprendeu que Deus é Deus de toda a graça, não de todo
legalismo, mas de toda a graça. Toda, significa toda. Aleluia!
“Ora, o Deus de toda graça, que em Cristo vos chamou a sua
eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo

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O DEUS QUE NÃO DESISTE DE AMAR

vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar. A Ele seja


o domínio, pelos séculos dos séculos. Amem.”
Pedro aprendeu que nessa graça de Deus, após momentos
de dores e de sofrimentos o que vem é aperfeiçoamento. Ele
aperfeiçoa, Ele firma, Ele fortifica, Ele fundamenta. No fim da
vida, Pedro faz jus ao nome. Pedro, Petros, Pedra, Fundamento.
Sim, na graça de Deus.
Meu irmão, minha irmã, se você tem desistido de si mesmo,
se anda cansado de si mesmo, cansado de promessas que tem
feito à Deus e á si mesmo, promessas que tem ruído, que tem
se desmoronado diante da sua pratica de vida, se você cansou
do seu temperamento, descobriu que o seu caráter era pior do
que você imaginava, se você anda psicologicamente afetado,
emocionalmente excitado, prejudicado, enfermo, saiba que a
religião cristã, se praticada na graça de Deus, pode gerar o estilo
de vida mais saudável do planeta. Mas, se praticada sob o peso da
acusação, do legalismo, pode gerar as maiores paranóias do planeta.
Há muita gente por aí, dentro das igrejas, doente, gente enferma,
que nunca conseguiu se apropriar do perdão, da restauração e de
um novo começo, de um novo rumo. Não conseguiu entender
que Jesus sabe dizer a segunda, terceira, quarta vez “segue-me”. O
que importa é a tua resposta. “Tu me amas?”
- Se me amas, eu estou disposto a investir no teu namoro,
para te dar a chance de namorar de modo limpo, estou disposto
a investir na tua vida moral, para que manifestes uma vida limpa,
estou disposto a investir nos teus negócios, para que negocies de
maneira limpa, estou disposto a investir na tua família para que
tu trates as pessoas diferente, estou disposto a investir na tua
existência, tantas vezes quantas sejam necessárias.

Rev. Caio Fabio D’Araújo Filho

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