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IRONIA ROMÂNTICA E MODERNIDADE

EM VIAGENS NA MINHA TERRA


Lélia Parreira Duarte·

REsuMo
ensaio pretende a nalisa r a enunciação de Viage ns na minha ter-
O ra, com o objetivo de discutir a fragmentação do texto, as constan-
tes d ig ressões, as referências ao leitor e às lciwras do narrador, a exibi-
ção dos a rtifícios de construção textu al e de reescrita, bem como o jogo
entre o tem po do discurso e o do tempo da história c a mistura de gêne-
ros, elementos qu e indicam a ironi a ro mân ti ca com que se constrói esse
texto ina ug ural da Modernidade nas literaturas de líng ua po rtug uesa.

ui to se te m fal ado das ro mânticas contradi ções internas das personage ns

M de Viagens na minha terra (Ga rrett, 1965) e da oscilação d essa na rrati va


garrettiana e ntre o C lassicismo e o Roma ntism o. Bon s estudos a fi rma m a
sua fili ação aos dois períodos literá rios, justifica ndo tanto o seu caráter clássico quanto
o romântico.
Procura-se aqui ir além dessa d u plicidad e ga rrettiana. Ou melh or, p re te n-
de-se dem onstra r ser ela um dos indicativos da modernidade desse texto, que se cons-
trói co m a iro nia ro mântica e quer se r reconhecido como a rte, essência fictícia, qu e
não se sa tisfa z com o sério abso luto, mas quer acentu a r o fato de não ser igu al à rea-
lidade; em qu e o autor revela ter consciência da coexistê ncia dos contrá rios, exibindo
o conhecimento d e que a produção literária se faz co m reelaboração de leituras c se
con creti za a partir da recepção.
Em Viagens na minha terra h á um herói romântico que se caracteriza pela
rebeldia e pe la submissão, como já tive oportunid ade de dem on strar em outro mo-
mento (Duarte et a i, 198 1). M as a história de Carlos e Joaninha e outras que se in-
cluem n a narrativa n ão pa recem importar tanto qua nto o aproveitam ento das opor-
tunidades que o texto oferece pa ra digressões, pa ra a exibição da pró pria tessitura e,

· Pontifícia Universidade Católica de l\·!i nas Gerais.

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Lélia HnTc1ra Duarte

especialmente, pa ra desmistificação d e certezas relativas à Histó ria e outras supostas


verdades. Pois Garrett mostra nas Viagens que a verdade é sempre uma constru ção
que depende de retóricas e dialéticas - exercícios de linguagem - para se afirmar.
Parecendo estar de acordo com Nietzsche, para quem as ve rdades são ilu sôes que se
esq ueceu que o são. Por isso mesmo, o que ele va loriza em sua narrativa, muito mais
que o dito, é o dizer de um narrador tagarela qu e interpela constantemente o recep-
tor, interferindo na sua compreensão do que lê e impedindo uma leitura pass iva,
acomodada e sem conflitos. Daí a fragmentação do texto, as inúmeras digressões
com que ele se dista ncia de uma narrativa orga nizada c linear e o com p lexo jogo
existe nte entre o tempo do d iscurso ou do narrador e o tempo da história. Bem como
as lembranças de leituras e de relatos de viage ns (reais ou imaginárias)- como as de
Xavier de Maistrc, de Sterne e a inda de Ulisses -, le mbradas a partir da referência a
Penélope, a propósito do fio da avó de Joaninha. Daí a exib ição dos arti fícios de cons-
trução, a menção a escritas e reescritas e ainda a mistura de gêneros, com a convivên-
cia de recu rsos na rrati vos, descritivos e teatrais. Daí uma construção que se elabora
na melhor tradição da ironia romântica, bu sca ndo fazer uma síntese transcendental
de contrários.
Essa narrativa de Garrett aca ba assim por mostrar-se um a produção em
processo, e m que há consciência da importância do e missor e do receptor e em que
se valoriza prin cipalmente o lúdi co, o a nti-pragm ático, o fingimento, isto é, a a rte
como a rte com que se preocupa a ironia romântica. Uma voz exibe n ela a consciên-
cia de have r a li um a literatura q ue já não se p retende apenas representação mas se
confessa também simulação, resultado do traba lho a rtesa nal de um sujeito que pro-
duz uma a rte de ca ráter sabidam ente fictício, distanciada e diferente da realidade,
embora elaborada co m elementos dela retirados. Ao eq uilibrar-se ludica mente na
construção a mbígua das figuras do combatente libera l e do Carlos barão, ao demons-
trar se r o narrador um grande leitor e ao valorizar a figura de seu receptor e, a inda, ao
exibir-se como construção e ao desmistificar a descrição, essa voz afirm a nas Viagens
a fun ção utópica da linguagem , para desmontar ludicame nte o estabelecime nto d e
qualquer form a de coerção do homem sobre o home m , especia lmente aquela que se
escuda em im pu lsos libe rado res que aparentemente contestam o poder.
O autor reali za assim, efetivamente, através da ironia, a proposta romântica
de valorização do indivíduo. De um indivíduo capaz de usar a linguagem pa ra, atra-
vés dela, defender-se de uma sociedade que procura cercear-lhe os desejos e a liber-
dade. Sua experiên cia não é portanto apenas uma realidade verbal, m as um ato pelo
qual o sujeito afi rma sua liberdade de usar a linguagem , que é encenada ao invés de
simplesmente utilizada e, a lém de se constituir como sabe r, aprese nta-se como refle-
xão dramática sobre esse saber.
Viagens na minha terra segue a lição de Schlegel referendad a por Adorno:
reluta-se nela em resolver o conflito básico da obra literária e m uma síntese fi na l,

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I RONIA RO~IANTI CA E ~IODERNIDADE H1 VI AGENS NA MINHA TERRA

porque se insiste em reconhecer a contradição e a oscil ação como essên cia da vida a
ser reproduzida na arte. Essa valorização da en unciação mostra que o texto ultrapas-
sa a referência da narrativa a algo que a extrapola- isto é, à preocupação com uma
mensagem e com um sign ificado-, para ve r-se como uma construção que valo riza
tanto a consciência do fazer quanto a figura do receptor, considerado elemento fun-
damental para a concretização de uma obra que é "m áscara do nada", como ensina
Mallarmé.
H á nas Viagens a presença d a força nova do simulacro: a obra se debruça
sobre ele mentos do passado, mostrando entretanto o objetivo d e orienta r-se em dire-
ção ao íuturo. Torna-se impossível assim a sua reali zação como cópia de uma essên -
cia supostam ente preexistente e representativa de um absolutis mo recusado, que só
seria eficie ntemente combatido com um discurso capaz de trapacea r o seu próprio
dito, para assim desestabilizar um poder nele cam uflado.
Esse texto inovado r de Garrett define-se portanto com características típi-
cas da modernidade, configu ra ndo-se como um exemplo de reversão do platonism o,
em que a va lorização do simulacro coincide com a dinamização da presença da iro-
nia no texto, que aba ndo na a lição de H egel e deixa de pretender apenas reprod u z ir
mim eticamcnte a realidad e para se confessar produção, simulação, invenção, síntese
de noções a ntitéticas como objetividade e subj etividade, o sério e a brincadeira do jo-
go, o sonho c a rea lidade, o sublime e o patético.
Ao volta r-se para o passa do co m a disposição d e reprodu z i-lo criticam ente
e, sobretudo, ao fazer uma suposta narrativa de viage m recheada com nume rosas di -
gressões - entre as quais se inclui até uma história de a mo r, útil para prender a aten-
ção de g ra nde parte dos leitores-, as Viagens atuam como o simulacro que se afasta
do centro, da Idéia, do mundo da representação e, tornando sensível a distância entre
o mundo limitado e o infinito do idea l, a firm am a ilusão das coisas e, a ntes de tudo,
a ilusão representada pela própria arte. Significativa, nesse se ntido, é a ambigüidade
do texto, que se preocupa com o enunciado, a verossimilha nça e a cred ibilidade, mas
volta-se sempre para sua própria enunciação, desmistificando-se com o "verdade" e
acentu ando-se com o "tessi tura de elem entos".
Essa na rrati va de Garrett registra as experiências políticas, militares, diplo-
máti cas e mundanas de um narrador qu e se apresenta como construtor de um texto
e cham a a ate nção do receptor para a arte com qu e o fa z, a fim de que não se cuide
have r ali "quaisq uer dessas rabiscaduras da m oda qu e, com o título de Impressões de
viagem, ou outro que tal, fatigam as impre n sas da Europa sem nenhum proveito da
ciência e do adiantamento da espécie" (p. 15 1). Na ve rdade, por trás dessa voz enun -
ciado ra parece have r a voz do autor que iro nicamente valoriza ta is "rabiscaduras",
pois se mostra n o traba lho de elaborar a sua narrativa. Isso se confirma, por exemplo,
pela referência à ati vidade de entretecer suas observações e as histórias ouvidas com
um fio que "só co m muita paciência se pode deslinda r e seguir em tão embaraçada

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meada" (p. 292) . E sse fi o corresponderia, no pla no do e nunciado, àquele consta n-


temente traba lh ado pela avó Fra ncisca que, "sen tada na sua a ntiga cad eira, doba ndo,
como Penélope tecia a sua interminável mead a". (p. 342)
No pla no da e nunciação, esse fi o pod eria se r visto como o da ling uagem
que tenta unir o represe ntado e o representa nte, sepa rados pela ja nela da m enina d os
olhos verdes, qu e e m tal estatuto de e nqua drame nto faz lembra r o seu caráter artifi-
cial de fi cção que não pode vale r como rea lidade. Mas pode ria ser visto tam bém co-
m o uma pe rspectiva d a produção literá ri a como ree laboração de leituras, digerid as
dentro d e determinado prism a cultural, porque o autor fala constante m ente dessas
leituras e de seu contexto cultural, numa perspectiva que é m ais que modern a. Indi-
ca, por exemplo, que a escrita literária é la buta consta nte, resultado de plág ios ecos-
tura de fragm entos, entretecid os trabalhosa e artisticame nte por uma consciência e m
ação. S ua refe rência a Sterne e Xavier de M aistre indica suas leituras e seu conheci-
m ento de que é tendên cia de seu te mpo fa la r em viage ns, mu itas vezes com carga
m eta fórica . Ta mbé m o tem a da "menina d os rou xinóis" é retom ado de Le Lai de
Laostic, d e M arie de France, via a reelabo ração d e Bernardim Ribeiro no e pisódio da
menina e do rouxinol, como lem bra um estudo de M aria Theresa Abelha Alves ( 1999,
p. 408) . Como nessas na rra tivas, a histó ria de Ca rlos e Joa ninha tem fin a l infe liz,
pois Ga rrett tem ta mbém o mérito, re ferendado em outras obra s, como Folhas caí-
das, de perceber que o impulso amoroso contém em si um desejo de absoluto impos-
sível de atingir pe lo ser huma no. Ao mostra r o a mor impossível na m edid a que seria
tudo pa ra Joaninh a e por isso não se pode concretiza r, e ao foca lizar o a mor mú lti plo
de Ca rlos, impossível de ser tota l e m su a mu ltiplicidade, Ga rrett antecipa teorias
modernas, co ntinuações e desenvolvimentos d a ironi a ro mâ ntica, pa ra quem o am or,
assim como a fel icidade, é algo m om entâneo. O se u absolu to existe na medida do se r
huma no, que o deseja mas é limitado por su as contingências e limi tações. Ass im
sendo, o amor será algo que som ente se pereniza através da literatura ou d a arte. Se
o olha r é talvez o m ais importante sentido pa ra a existê ncia do amor, será ele fund a-
men ta l ainda porque cada leitura (cada novo olha r) o faz reviver.
Não só das le ituras do autor fa la m as Viagens na minha terra , entreta nto.
Alé m de m ostra r a consciência d e qu e o a m or co ntado pode ser revificado pela le itu-
ra, G arrett m ostra a consciên cia de ser o texto lite rário res ultado da conjugação de
três fatores : autor, leito r e mensagem, pois refere-se consta nte mente a um narratário
ou a um leitor. Interpe lado como "a migo leitor", "le ito r benévolo", "benévolo e paci-
ente leitor", "belas e amáveis leitoras", esse narratário é constantemente avisad o de
qu e a n arrativa que lê é algo construído por uma voz que se ocupa insistentemente
e m des fazer a ilu são do texto com o representação de algo que o extrapola.
O autor lembra ao leitor também qu e a literatura não se faz a penas de lei-
turas ou de le mbranças, ou das histó rias o uvidas por um narrador que é també m
na rratário. Parece have r aí um tributo à imaginação, a demonstrar que não só deve-

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(RO:-.liA RO~I.\Vri C.\ I' ~IOI>FR:--;111.\l>E DI VIAGENS NA MINI-IA TERRA

rossimilhança ou de mimcse se faz uma narrativa. Não só em papéi s confiáveis ela se


apóia, mas também na arte de um narrador que se deixa ver nos bastidores da cria-
ção, muitas vezes aproveitada apenas como pretexto para reflexões sobre arte, cultu-
ra, política e relações humanas.
Úti l para essa nova perspectiva da narrativa de Garrett pode ser a leitura das
reflexões de Foucault sobre o quadro de Velasquez As meninas, retomadas por La-
can no Seminário I.Jobjet de la psychanalyse. Foucau lt vê no quadro do pintor espa-
nhol um exemplo de delimitação entre idade clássica c moderna, considerando esta
última como a época e m que a linguagem se liberta dos limites da representação, ao
colocar em cena o criador no ato de construção de sua obra e ao introduzir nela a fi-
gura do receptor, ao lado dos objetos representados. Marca-se assim uma diferença
essencial entre os dois períodos: no classicismo havia a preocupação com a fidelidade
à imagem, caracte rizando-se o triunfo da representação; na nova época, o criado r -
no caso, o pintor - prevaleceria sobre o objeto represe ntado, apesar da realeza deste
(trata-se, segund o Foucault, do rei Filipe IV e de sua esposa Mariana}. Valoriza-se da
mesma forma a figura do(s) receptor(cs), que é (são) também representado(s) na cena.
Ao retomar a análise fe ita por Foucault, Lacan conclui que o fim da idade
clássica coincide com a libertação da linguagem dos limites da representação. Ao que
se via a nteriormente como função representativa da linguagem, opõe-se, na moder-
nidade, um valor expressivo irredutíve l: a linguagem é ação daq uele que fala e não
uma reduplicação das coisas. Se a inte rpretação do sécu lo XVI ia do mundo à pala-
vra divina, a do século XIX vai dos hom ens, de Deus, dos conhecimentos c das qui-
meras às pa lavras que as tornam possíveis, não para descobrir um discurso primeiro,
mas para testemunhar que somos se res habitados pe la linguage m.
Por fazer isso, a narrativa de Garrett pode ser lida como um texto m oderno,
no qual se torna evidente que o au to r faz simul ação de o utra coisa, para com isso es-
tabelecer comuni cação com o le ito r. Mostrando te r consciência do va lor pa rcia l e
provisório de sua narrativa, parece a firm ar o ca ráter autoparód ico d e suas Viagens,
em que o leitor é visto como co-produtor de algo que não tem um significado estabe-
lecido, mas é resultado de um trabalho de constru ção a ntecedido por leituras e ao
qual deve seguir-se uma recepção atenta, capaz, ao mesmo tempo, de pe rceber o fio
com que se tece a obra, e de participar de sua elaboração.
O estudo do processo de e nunciação leva- nos a ver Viagens na minha ter-
ra, assim, como um exem plo de texto irônico e moderno, espécie de pa ród ia ativada
e impulsionada por sua própria dinâmica, cuja reflexão autônoma é válida em si
mesma, como exp ressão/p roblem atização de uma linguagem que questiona o mun -
do sem oferecer respostas. Esta a náli se focaliza a narrativa a partir de seus materiais,
de sua co nstrução e de su as ca racterísticas comunicacionais, interativas, como elabo-
ração irô nica que afirma sua co nsciê ncia de jogo no próprio conteúdo e na própria
existência e que, independentem ente da capacid ade mimética e/ou rep resentacio na l,

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Lélia Parreira D11arte

faz ressoar uma voz paradoxalmente lúcida e apa ixonada que coloca em crise are-
presentação do eu c se apresenta, juntamente com outras obras ue Garrcu, como um
divisor de águas que separa, em Portuga l, idade cláss ica e id ade moderna.

ABSTAACT

T his papcr intcnds to a na lysc th c levei of cn un ciati o n in Viagens na


minha terra aiming at the discussion of elemems such as: textual
fragmentation, constam digression , rcferences to thc readcr, refcrcnccs
to the narrator's readings, display of artífice both in textual constructi-
o n and in rcwriting, as wcll as th e game in gc nre mi xtu rcs and betwecn
time of discourse and time of history, which are, ali ofth cm, constituem
parts that point o ut thc romantic irony with which this tcxt is built - a
text that laicl the foundation ofModcrnity in Portug uese lang uagc lite-
ratures.

Referência bibliográficas
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LACAN, Jaques. L:objct de la psychana lyse (seminário inédito}. In : ALVARENGA, Maria
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représen tation. (Thcse de Doctorat Nouvea u Régimc}.

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