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Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 ESTE SUPLEMENTO É PARTE INTEGRANTE DO JORNAL PÚBLICO N.º 10.158 E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE

Casas comigo?
Sim, mas só se
for em Portugal
Noivos estrangeiros
dão fôlego ao negócio
dos casamentos
P4 a 9
MIGUEL FERASO CABRAL
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2 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Índice
4 10 12 18
Tema de capa Noam Chomsky, Entrevista Portfólio
“Will you marry a consciência de uma José Graziano da Silva Carnaval é
me... in Portugal?” América que por vezes “Erradicar a fome sátira? Aqui vai
lhe vira as costas é muito barato” a minha

Ficha técnica Director David Dinis Directora de Arte Sónia Matos Editor Sérgio B. Gomes Designers Marco Ferreira e Sandra Silva Email: sgomes@publico.pt

Semana ilustrada Por João Catarino

Elon Musk, dono da SpaceX,


fez estremecer a base no Cabo
Canaveral, na Florida (EUA), com
o lançamento do mais potente
foguetão a operar nos nossos
dias. O gigante Falcon Heavy é o
resultado de três foguetões ligados
entre si, um total de 27 motores.
Mais potente só o Saturno V, que
em 1969 levou os astronautas até
à Lua. Foi uma autêntica bomba
com uma cauda em chamas que
vimos subir ao céu na última
terça-feira, deixando milhares de
pessoas boquiabertas. “Surreal”,
reagiu Musk. A SpaceX passou com
distinção um teste de engenharia
aeroespacial que pode marcar o
futuro do negócio dos veículos de
transporte de carga e pessoas para
longe da Terra. Mas o excêntrico
milionário deu-se ao luxo de se
divertir com este projecto sério
(um investimento de cerca de 500
milhões de euros) e montou um
espectáculo. Para a estreia, carregou
o foguetão com um Tesla Roadster
vermelho e deixou o carro a flutuar
no espaço com Marte como destino.
Mais: colocou um boneco que
baptizou de Starman ao volante do
descapotável, gravou a inscrição
“Feito na Terra por humanos” numa
placa e juntou o som de David Bowie
a cantar Life on Mars? Houve quem
achasse estes adereços ridículos,
insólitos ou, simplesmente,
escusados, mas é evidente que Musk
tornou o momento inesquecível. E,
prometeu, a aventura no espaço vai
continuar. Andrea Cunha Freitas

Palavras, expressões e algumas irritações Por Rita Pimenta

Abstinência “Privação voluntária da satisfação


de uma necessidade ou de um
desejo, por motivos religiosos
então já se pode quebrar o
“jejum” e amar-se à vontade. A
confissão e a comunhão têm
católicas mais sensíveis) o
famoso e divertido poema de
Natália Correia Truca-truca.
menino;// e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,/ temos
na procriação prova de que houve
ou morais”, escreve o dicionário sempre “via verde”. Estava-se em 1982 e discutia-se truca-truca. // Sendo pai só de um
sobre “abstinência”. Mas o Nem todos os bispos pela primeira vez na Assembleia rebento,/ lógica é a conclusão/ de
maior entendido na matéria é o portugueses se pronunciam no da República a interrupção que o viril instrumento só usou —
cardeal-patriarca de Lisboa, D. mesmo sentido, são os casos de voluntária da gravidez. A dada parca ração! — uma vez.// E se a
Manuel Clemente, que defendeu D. Jorge Ortiga, de Braga, e de altura, João Morgado, deputado função faz o órgão — diz o ditado
“o dever de a Igreja propor a D. Ilídio Leandro, de Viseu, que do CDS, afirmou que “o acto —/ consumada essa excepção,/
vida em continência, isto é, sem até fez uma afirmação bonita sexual é para fazer filhos”. ficou capado o Morgado.”
relações sexuais, aos recasados à publicação Vida Cristã: “O Resposta da deputada (a que Faz falta “comedimento”
cujos anteriores matrimónios não casamento é um sacramento e as se seguiu uma interrupção dos (sinónimo de “abstinência”) nas
possam ser declarados nulos”. relações sexuais são um bem. Por trabalhos, por pândega geral): imposições da Igreja. O Papa
Enfim, casados não praticantes. esse princípio não vou.” “Já que o coito — diz Morgado – Francisco sabe.
Se os casamentos anteriores Tudo isto nos fez lembrar tem como fim cristalino, preciso
forem anulados na secretaria, (e que nos perdoem as almas e imaculado/ fazer menina ou rpimenta@publico.pt
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 3

22 24 30 31
Entrevista Beth Singler Televisão O criador de Sete Estar bem Crónica
“Trabalhamos para que Palmos de Terra tem uma série O açúcar é mesmo Pedras
as máquinas não nos sobre o aqui e agora tão viciante como são
venham a fazer mal” Tecnologia Viciante e sem culpa a cocaína? pedras

Instagramar @kiliiiyuyan

A cidade de Utqiagviq (ou Kiliii Yüyan ao P2, em entrevista. que caçam de forma comunitária. nos Estados Unidos, separado
Barrow), no extremo norte Como consequência, “os jovens Não existe, para os baleeiros, da minha terra natal e da sua
do Alasca — apenas a dois deixaram de ter orgulho na qualquer conflito entre o acto de comunidade”, explica. “Graças
quilómetros de distância da ocupação dos seus pais”, o que caça da baleia e o respeito que à minha avó, sempre nutri um
fronteira com o Pólo Norte — é se traduz numa lacuna identitária. se nutre por ela. “Acreditam que interesse especial por estilos de
a casa de cinco mil habitantes, “Felizmente, a tradição baleeira, para se respeitar um animal é vida tradicionais. Posso dizer
na sua maioria pertencentes que é um elemento forte da sua necessário conhecê-lo — e que que passei a minha vida inteira
ao grupo ético inupiat, nativo identidade, mantém-se.” para conhecê-lo é necessário à procura de uma parte de mim
da região, há mais de 1500
anos. Seminómadas, os inupiat
dedicam-se, há vários séculos,
“A ligação espiritual com a
baleia desempenha um papel
fulcral na vida dos inupiat”,
depender dele. Da perspectiva
indígena, os ambientalistas
ocidentais travam uma batalha
que sinto ausente.” O mantra de
Kiliii, “que é o mantra da maior
parte das culturas indígenas”, é
A seguir
à baleação. A legislação de explica. “Os meus amigos perdida porque se consideram um terra é vida. “Para os nativos, tudo
protecção da fauna marítima e a baleeiros dizem que é a baleia que elemento à parte do ecossistema.” tem princípio na terra e quando A “formiguinha”
modernização das ferramentas escolhe a quem se entrega, que a Se, por um lado “as regiões voltamos a ela tornamo-nos ao poder?
de caça trouxeram, no entanto, baleação não se trata de caçar a dominadas por povos indígenas apenas mais saudáveis e fortes.
mudanças consideráveis ao baleia ou de vencê-la, mas sim de se mantêm em equilíbrio durante Ser parte da natureza não é bom Tornou-se presença diária nos
estilo de vida desta população. um sacrifício voluntário do animal. milénios”, áreas de exploração apenas para os indígenas: é bom ecrãs com a campanha para
“No espaço temporal de uma Acreditam que os baleeiros que não nativa “sofrem abuso e para todos os seres humanos.” as autonómicas de Dezembro,
geração, os inupiat passaram de não seguem a tradição ou que destruição”. Kiliii Yüyan é de etnia as eleições convocadas por
caçadores-recolectores auto- não respeitem as baleias não nanai, originária da Sibéria, motivo Ana Marques Maia Mariano Rajoy depois de
suficientes a cidadãos modernos são escolhidos.” A maioria das por que se interessa por temas destituir o governo e dissolver
que têm acesso a televisão e canções dos inupiat é dedicada à relacionados com estilos de vida Ver mais em o parlamento da Catalunha.
Internet”, explicou o fotógrafo baleia-da-gronelândia, a espécie ancestrais. “Cresci sobretudo p3.publico.pt Poucos sabiam quem era,
mas Carles Puigdemont,
em Bruxelas desde o fim
de Outubro, tinha absoluta
confiança em Elsa Artadi. A
economista (doutorada em
Harvard, ex-assessora do
Fórum Económico de Davos e
do Banco Mundial) coordenava
os departamentos (ministérios)
do seu governo, um trabalho
invisível mas duro, numa
coligação entre a direita de
Puigdemont e a Esquerda
Republicana. Na sombra,
como uma “formiguinha”,
assim fazia o que tinha a fazer,
dizem colegas. Em Barcelona,
os líderes soberanistas que
(para azar de Rajoy) renovaram
a maioria, insistem que o
único candidato à liderança é
Puigdemont. Na prática, já se
sabe que é impossível investi-
lo à distância — e ele não está
disponível para regressar se
o preço for a cadeia. Assim
surgiu um plano original,
à altura da actual situação
catalã: investir Artadi president
mantendo o poder nas mãos
do ex-líder. Nada que esta
praticante diária de ioga tenha
planeado, ela que chegou há
política em 2012 um pouco
por acaso. Por Puigdemont
dirigiu uma campanha
vencedora. Aceitará por ele
ser uma marioneta no Palau da
Generalitat? Sofia Lorena
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4 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Os casamentos de luxo de estrangeiros em Portugal estão a aumentar


e a tornar-se uma forte tendência de negócio. Os nubentes são
sobretudo brasileiros, irlandeses e ingleses, que querem dar o nó
em cenários de sonho. As regiões de Lisboa, Algarve e Douro
estão entre as preferidas dos noivos, que muitas vezes compram
casamentos em Portugal sem nunca terem visitado o país
Por Susana Pinheiro
FOTOGRAFIAS: TANIAAFONSOPHOTOGRAPHY.PIXIESET.COM
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 5

“Will you
marry
me... in
Portugal?”
O
s olhos verdes da irlan- do uma tendência de turismo e de negócio. de 36 e 37 anos, respectivamente, fizeram há de casamento levaram consigo à feira de ca-
desa Gillian Marshall não Só no ano passado, o Ministério da Justi- três anos, num hotel em Albufeira, no Algarve. samentos. Paula Grade e Karina Sousa orga-
descolam da entrada da ça registou 1131 casamentos de estrangeiros, Primeiro casaram na Irlanda e depois fizeram nizam este encontro há uma década, numa
sala, à procura do noivo. mais do dobro dos 530 ocorridos em 2008. viajar cerca de uma centena de convidados até sala de hotel, na capital irlandesa, durante
Está a ser maquilhada e Em 2016, houve 890. São precisamente os ir- Portugal para uma cerimónia concebida pelas dois dias. Foi ali que o casal as encontrou, há
os seus cabelos ruivos são landeses que surgem em segundo lugar no top organizadoras de casamentos (wedding plan- alguns anos, no mesmo espaço onde conhece-
penteados como se fosse 10 das nacionalidades de noivos que casaram ners, em inglês) Paula Grade e Karina Sousa ram dezenas de fornecedores que viajam com
casar dentro de poucas em Portugal, em 2017, depois dos brasileiros. e que custou 25 mil euros. as wedding planners — de grupos hoteleiros a
horas. Ainda falta meio ano, no entanto, já Seguem-se os alemães, ucranianos, ingleses, Déborah e David Ryan nem sequer conhe- agência de viagens, passando por profissio-
fez as provas no White Impact Wedding Show, russos, polacos, italianos, cabo-verdianos e ciam o país, só tinham visto fotografias. “Te- nais de fotografia e vídeo, catering, decora-
em Dublin, Irlanda, numa iniciativa das por- franceses — estes dados também incluem es- mos um amigo que casou em Vilamoura e ção, entretenimento, assim como de cabelos
tuguesas Paula Grade e Karina Sousa para trangeiros residentes em Portugal, mas ex- disse maravilhas, de como o país era bonito e maquilhagem. Só em finais de Janeiro deste
acertar todos os pormenores do casamento cluem, por exemplo, os que assinam os papéis e o tempo maravilhoso!”, conta David ao P2, ano, a dupla levou 32 fornecedores e pela pri-
no Algarve. O casal irlandês não é o único nos seus países de origem e chegam a Portugal encostado ao balcão de um bar de Dublin, meira vez o designer de vestidos de noivas Gio
a escolher Portugal para casar. Nos últimos para fazer as chamadas “cerimónias simbóli- enquanto espera pela actuação de duas das Rodrigues. Durante dois dias, a dupla de orga-
nove anos, o número duplicou, confirman- cas” ou bênçãos, como Déborah e David Ryan, bandas portuguesas que as organizadoras nizadoras de casamentos recebeu 180 c
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6 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018


VASCO CÉLIO/STILLS PAULO PADRELA/PAULOPADRELA.PT
O padre e os noivos Tudo incluído
O padre Miguel Neto Paula Grade
(à direita) é director do e Karina Sousa
sector da Pastoral do organizam
Turismo da Diocese um encontro
do Algarve e costuma relacionado com
celebrar casamentos casamentos em
na língua de origem dos Dublin há uma
noivos. Em baixo, o casal década. Com elas
irlandês Gillian e Brian, viajam dezenas de
que escolheu Portugal fornecedores. À
para casar sem nunca direita, um casal
ter estado no país no Palácio de
Monserrate, Sintra

casais de noivos e ofereceu cinco luas-de-mel.


Paula Grade ainda se lembra da organização
do casamento dos Ryan. “Convenci-os a ir co-
[O casamento brasileiros. Segundo Cristiana Simões, coun-
try manager da Zankyou Portugal, a maior
percentagem continua a ser dos noivos bri-
ção qualidade/preço, o clima, a gastronomia,
a localização (fácil acesso aéreo ou terrestre)
e a beleza do país. “Também a facilidade dos
nhecer o Algarve”, conta. “E fomos! Ficámos
rendidos a Albufeira”, recorda Déborah, cabe-
de estrangeiros] tânicos (60%), segue-se o Brasil (13%), Angola
(7%), Alemanha (6%), Holanda (5%), Fran-
processos legais, o ser permitido casamentos
civis em vários espaços e praias, e o facto de
lo loiro e olhar azul-claro. E mais ainda quan-
do viram o hotel. “Foi amor à primeira vista”,
continua a irlandesa, com um enorme sorriso.
é um mercado ça (5%) e outros países (6%). O Algarve, que
continua a ser a opção dos noivos oriundos
do Reino Unido, Lisboa (com destaque para
ser possível o casamento homossexual foram
motivos apontados para a escolha de Portu-
gal”, adianta Cristiana Simões, da Zankyou.
Saíram de lá com o casamento marcado. Me-
ses depois de muitos preparativos, provas e
em expansão e Sintra e Cascais) e a zona do Douro são as
regiões mais escolhidas para casar. O mer-
“Sempre quis casar fora daqui e levar os
convidados todos de férias”, responde a ir-
reuniões, voaram outra vez para Portugal para
celebrar o matrimónio e os cem convidados
ficaram de férias durante 15 dias.
com potencial cado brasileiro preferencialmente opta por
Lisboa ou Douro.
No âmbito do mesmo inquérito, os organi-
landesa Gillian Marshall, enquanto lhe ondula
mais um pouco o cabelo ruivo na feira em
Dublin. O noivo Brian McMahon junta-se à
Não foram os únicos, avança Paula Grade,
que já planeou o casamento de mais de mil
de crescimento zadores de casamentos afirmaram que 69%
dos casais escolheram Portugal através de sites
conversa: “Temos 80 convidados que ficam
depois de férias a aproveitar o bom clima, as
estrangeiros na última década, acrescentan-
do que muitos irlandeses e ingleses fazem o
mesmo, contribuindo para a economia e turis-
elevado especializados como o Zankyou, que existe
desde 2007, está presente em 23 países, tem
mais de 350 mil noivos registados por ano e
maravilhosas praias e paisagens lindíssimas,
o bom vinho e excelente gastronomia.” Se fica
caro? “Sim, fica”, sorri, e pisca o olho à noiva
mo da região. O Turismo de Portugal não tem
números de quantos estrangeiros viajam para
António mais de 50 milhões de visitas anuais de noivos
que procuram um directório de empresas,
com um enorme sorriso, “afinal, só casamos
uma vez. Não é?”. Ela solta uma gargalhada.
Portugal para casar e de quanto gastam no país.
“Apenas contabilizamos as dormidas e hóspe-
des no país”, justifica Jorge Ambrósio, director
Manuel Brito fornecedores, ferramentas e conteúdos para
planear o seu casamento. Muitas vezes, a pla-
taforma serve de ponte entre os organizadores
Esta tendência de crescimento dos casa-
mentos estrangeiros também é realçada pe-
lo padre Miguel Neto, director do sector da
de comunicação do Turismo de Portugal. Exponoivos e os noivos. Aliás, cabe a estes profissionais o Pastoral do Turismo da Diocese do Algarve.
“Consegue-se promover e colocar Portugal mérito de contribuírem para despertar o inte- Só nesta diocese, Neto e outros cinco padres
no mapa”, defende Karina Sousa. Por isso, as resse dos estrangeiros por Portugal, avalia An- testemunharam, em 2017, cerca de duas cen-
sócias mantêm a estratégia de fazer eventos tónio Manuel Brito, fundador da Exponoivos, tenas de casamentos católicos na língua de
não só na Irlanda, mas também em Inglater- criada há 24 anos para divulgar fornecedores origem dos noivos — o casamento é o único
ra, em Londres, onde estarão ainda este mês junto dos noivos em Lisboa e no Porto, no iní- sacramento da Igreja Católica que é celebrado
para conquistar mais noivos e limar todos os cio de cada ano. “É um mercado em expansão pelos noivos e não pelo sacerdote. “Já assisto
pormenores com os que já têm casamentos e com potencial de crescimento elevado.” a casamentos em língua inglesa desde 2009, a
marcados. As sócias da White Impact não são E se muitos organizadores de casamentos maioria dos casais oriundos do Reino Unido
as únicas a promover os casamentos em Portu- descobriram o mercado irlandês e inglês, An- e da Irlanda”, conta Miguel Neto.
gal. Carla Valentim e Noélia Jacinto, da Sonho tónio Manuel Brito quer apostar no brasileiro. Na diocese, cabe àquele sacerdote fazer a
a Dois - Algarve Weddings & Events, em Faro, Para isso, já começou a fazer contactos com ponte com os organizadores e, nesse âmbi-
vão estar até este domingo em Manchester a wedding planners daquele país para promover to, preparou uma formação sobre quais os
conquistar noivoss para a regiã
região.
ião. Portug
rtugal
all como destino
de para casamentos de procedimentos para um casamento religioso,
Nestes eventos,
os, os noi
noivos aproveitam
itam luxo. Pretende mo mostrar-lhes
o palácios, castelos nomeadamente os cursos de preparação pa-
para escolher o oss fornecedores e fazer e quintas, que são o os locais que os brasileiros ra o casamento. “A Irlanda é dos países mais
provas de cabelo lo e maquilhagem, co- mais têm procurado.
procura a católicos. Nesse caso, posso assegurar que
mo Gillian Marshall,
shall, que viajou duas Além disso, ide
identifi
e cam-se com a língua, a o curso de preparação para o matrimónio é
horas de carro desde
esde Cork, onde vive, gastrono ia, a h
gastronomia, hoospitalidade, o profissiona- muito rigoroso nas dioceses da República da
até Dublin, para a ultimar
lti ar os prepara-
p para- lismo e a segurança,
segurann enumera o responsável Irlanda”, justifica. Miguel Neto costuma in-
tivos. O “sim” será
erá dado em Julho, da Exponoivos. Cr Cristiana Simões, da Zankyou, tegrar a equipa que viaja com Paula Grade
numa cerimónia a civil,
l, num hotel confirma que “o m mercado brasileiro destaca a e Karina Sousa até Dublin, para falar com os
em Albufeira, junto
unto ao mar. segurança
egurança do p país e reafirma que os valores noivos. Este ano não pôde ir, mas vai expli-
[para fazerr um casamento] são muito cando que “toda a preparação dos casamentos
Brasileiros mais baixos
baix em Portugal”. António católicos é responsabilidade da paróquia de
Manuel Brito informa que um casa- origem do casal. Mas, sempre que possível, há
à conquista mento o de luxo pode custar menos uma preparação prática com o sacerdote que
Segundo os 250 wedding 30%% a 40% em Portugal compa- irá assistir ao casamento católico na diocese
planners registados ados em rativamente
rati
iv ao Brasil, porque do Algarve, uns dias antes da celebração”.
Portugal, inquiridosridos pe- nãoo requer segurança privada Mas também há quem opte por, entre os
la plataforma interna-
nterna- n m geradores de energia, por
ne convidados, incluir o sacerdote. É o caso da
cional de casamentosmentos exxemplo. inglesa Katherine Edwards, 27 anos, e do ir-
Zankyou, verifi ficou-se
cou-se landês David Tansey, 29. Quando casarem,
um aumento do nú- O sonho de Gillian em Outubro, em Tavira, terão um padre irlan-
mero de casamentos mentos dês a testemunhar. “Acontece muitas vezes o
de estrangeiross no O que procuram os estrangei- casal ter um padre muito amigo da família”,
país, nos últimos ro
os em Portugal? Os 250 orga- justifica Miguel Neto. Katherine e David casa-
dois anos, e a nizadores
n i de casamentos in- rão em Portugal porque é onde passam férias
tendência é de e quiridos pela Zankyou dizem
qu desde pequenos. “A minha família vive em
c re s c i m e n t o que os principais motivos para
qu Inglaterra e a do David na Irlanda; e assim
entre os casais escolher
esc
c Portugal são: a rela- reunimos todos, em Portugal”, revela a noiva,
PAULO PADRELA/PAULOPADRELA.PT
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 7


CATARINA GONÇALVES/IT’S ALL ABOUT

TANIAAFONSOPHOTOGRAPHY.PIXIESET.COM
que conheceu o futuro marido na universida- das noivas inglesas, brasileiras e angolanas.
de há uma década e são ambos médicos num Também Cathy Brady, 32 anos, e Gene Mur-
hospital de Dublin. “Vão ser umas grandes ray, 36, foram ao White Impact Wedding Show
férias para nós e para os 140 convidados”, ultimar os preparativos para o seu casamen-
antecipa o noivo. to, que será em Maio, no Algarve, e nada po-
Se Katherine e David conhecem o Algarve, de falhar. Depois de terem escolhido quase
Gillian e Brian só conhecem o que viram na tudo, ficaram indecisos quanto à banda que
Internet e nas imagens partilhadas por Pau- vai animar a festa. “O irlandês gosta muito
la Grade e a Karina Sousa. Só de pensar que de festas até tarde, muita música e também
o casamento está para breve, Gillian não se de bar aberto”, descreve Paula Grade. Já os
contém de felicidade, enquanto a cabeleireira ingleses são mais formais. “Para um inglês, é
lhe dá mais um jeito nos cabelos. A noiva esco- muito importante a decoração e o ambiente
lheu um penteado mais solto mas, por norma, do casamento. Procuram muito as Pousadas
conta Manuela Gamboa, uma das cabeleireiras de Portugal e quintas em Lisboa e no Algarve,
que voaram do Algarve para Dublin, “pedem enquanto os irlandeses procuram mais hotéis
os cabelos apanhados”. Depois da noiva, Ma- à beira-mar e restaurantes”, acrescenta.
nuela costuma arranjar o cabelo da mãe da O casal deixou a decisão para depois do
noiva e das damas de honor. jantar, quando forem assistir à actuação dos
grupos num pub de Dublin. É no bar que o
Escolher o que vestir e o que ouvir P2 os conhece, num ambiente animado en-
quanto esperam que Mafalda Castro, 27 anos,
Sem saírem da sala do hotel, Gillian e Brian dos Sun Lovers Algarve Band, ou Tiago Ro-
escolheram o fotógrafo, o hotel e o catering. drigues, 25 anos, vocalista do 5EX Band, lhes
O vestido já está tratado, a noiva comprou-o conquistem o ouvido. A eles e a outros noivos
em Boston, EUA, por intermédio do irmão que mais indecisos.
lá vive, mas não resiste a olhar para a dezena As bandas têm o bar cheio, a torcer por elas.
de vestidos que Gio Rodrigues levou e que são Mafalda foi a primeira a agarrar o microfone
“perfeitos para casar à beira-mar”, descreve com um à-vontade de quem já anda nestas
o designer, que levou uma linha “romântica, andanças há muito. Trocou uma carreira na
mais inocente, mas provocante e sensual”. Para área das análises clínicas e saúde pública, em
os noivos, Gio Rodrigues levou fatos em tons que se licenciou, pela animação de casamen-
bege e azul. O designer já tem agendadas pro- tos, sobretudo de irlandeses, além de eventos
vas em Portugal com alguns noivos irlandeses e de empresas. E vale a pena? “Então não vale?
lembra que tem tido alguma procura por parte É muito trabalhoso, mas é tão especial, c
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8 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018


FERNANDO QUINTINO ESTEVÃO
Números a crescer
Segundo os 250
wedding planners
registados em Portugal,
nos últimos dois anos
houve um aumento do
número de casamentos
de estrangeiros no país.
Ao lado, organizadoras
da empresa Sonho
a Dois — Algarve
Weddings & Events

porque estamos a ajudar a tornar maravilhoso


o dia do casal”, responde a cantora, com um
enorme sorriso.
Pouco depois é a vez de Tiago Rodrigues,
dos 5EX Band, pôr o bar a mexer e os casais
a dançar na pista. Ficou conhecido por se
ter destacado num programa televisivo de
talentos na Alemanha. Adora o que faz, ain-
da que ande sempre numa correria entre Lis-
boa, onde se está a licenciar em Desporto, e
o Algarve. Já tem 30 casamentos estrangeiros
em carteira para este ano, maioritariamente
irlandeses, seguidos de ingleses e escoceses.
“E já temos agendados cinco para 2019 e um
para 2020”, acrescenta, entusiasmado. Mas
também se dá o caso de serem contratados
para animar casamentos na Polónia, como
acontece este ano. PAULO PADRELA/PAULOPADRELA.PT
O vocalista Bruno Rochate e o baterista um levantamento dos organizadores de casa-
Marcelo Correia da banda Daddy Jack não mentos em Portugal e já contactou 80.
tocaram desta vez, mas estão em Dublin pe- Por exemplo, a Pousada de Amares, em
lo terceiro ano consecutivo para conversar Santa Maria do Bouro, perto do Gerês, tri-
com casais com casamento marcado e an- plicou o número de casamentos internacio-
gariar novos noivos. Só em 2017 animaram nais de 2016 para 2017. “Está na moda. O
15 casamentos estrangeiros resultantes dos cliente chega lá e apaixona-se logo. O casa-
contactos que fizeram nesta feira, a grande mento é uma emoção, trabalho muito o lado
maioria irlandeses. emocional”, diz. “Quase metade das festas
Outros fornecedores são unânimes em dizer de casamento nas Pousadas de Portugal são
que vale a pena participar nesta feira. Apesar internacionais.” Só em 2017, estas unidades
de fazerem um grande investimento, “traz “tiveram 118 casamentos nacionais e inter-
retorno”, diz o fotógrafo Paulo Padrela, de nacionais, com aumento de 51% em relação
Lisboa. Reuniu-se com clientes e angariou a 2016”, realça. Susana Alvarinho prevê que
mais uns quantos. Só no ano passado fez 18 2018 seja também um bom ano neste ramo
casamentos estrangeiros, sobretudo irlande- de negócio.
ses e ingleses, mas também fotografou um Já Carina Ferreira acrescenta que os hotéis
egípcio. “Este ano vou duplicar o trabalho. São Tivoli e Anantara, situados em Lisboa, são
17h do primeiro dia do evento e já fechei sete mais procurados pelos brasileiros, mas assiste-
casamentos, dos quais três casam este ano se a um crescimento do mercado americano
e os restantes em 2019, no Algarve”, conta. e indiano. Por norma, os casais indianos vi-
Também Catarina Gonçalves, da It’s all about. vem no Reino Unido e trazem família da Índia
photography and cinema, já se tinha reunido
com uma dezena de casais que dão o nó este
ano e em 2019. E que estão dispostos a gastar a
vas como o das organizadoras portuguesas em
Dublin. Há alguns anos que os grupos Tivoli e
Anantara, e as Pousadas de Portugal partici-
O designer que, depois do grande dia, fica de férias. Os
150 a 300 convidados chegam a ocupar toda
uma unidade hoteleira durante o período fes-
partir de 1500 euros para ter fotografias como
recordação do grande dia. Se quiserem vídeo é
pam no White Impact Wedding Show e vêem
o número de noivos interessados a crescer:
de vestidos tivo; e os noivos adoram ter um local só para
eles, como o Palácio de Seteais em Sintra, que
o dobro. A empresa é de Lisboa, mas Catarina
e a sua equipa correm todo o país. “Só em 2017
“90% dos casamentos que temos nos hotéis do
grupo do Algarve são internacionais”, grande de noivas Gio chega a fechar ao resto do público, tendo em
conta que têm 30 quartos. Este grupo hote-
fizemos 30 casamentos estrangeiros, desde maioria deles irlandeses e ingleses que trazem leiro lança o desafio: “Fique com um palácio
americanos, ingleses, irlandeses e indianos.”
Sobre os indianos conta que “são casamen-
entre 150 e 300 convidados, conta Carina Fer-
reira, gestora de vendas e responsável pela
Rodrigues (em para o seu casamento.” E eles dizem “sim”,
sem hesitar.
tos muito divertidos e coloridos, que podem
durar três dias. Os noivos chegam a treinar
promoção de casamentos e de eventos dos
hotéis Tivoli e Anantara. Seguem-se depois cima) foi este ano O negócio é tão rentável que, continua Ca-
rina Ferreira, passou a existir formação es-
coreografias e entram na cerimónia a dan-
çar”. E por serem tão diferentes, Karina Sousa
resolveu estudá-los para conseguir dar uma
os holandeses, alemães e franceses.
Também são os ingleses e os irlandeses que
surgem no topo da lista das festas de casa-
pela primeira pecífica das equipas dos hotéis. Além disso,
o grupo Tivoli resolveu apostar nesta área de
negócio e em breve vai organizar o segundo
melhor resposta aos pedidos. mentos estrangeiros do Pestana Pousadas de
Portugal, nas suas unidades do Algarve, se-
vez a Dublin Wedding Atelier, no Algarve, depois de a pri-
meira edição em Outubro de 2017 “ter sido
Hotéis atentos
O negócio dos casamentos com estrangeiros
guidos dos brasileiros, indianos, australianos
e americanos. “Com esta moda das wedding
planners, há mais casamentos estrangeiros
participar no um sucesso”. “Aliámo-nos a parceiros de luxo
para esse evento”, explica.

em Portugal é de tal maneira frutífero que


as unidades hoteleiras começaram a apostar
nas unidades do Algarve, Palmela e Arraiolos
porque estão a curta distância do aeroporto”,
White Impact Dez mil euros em flores
neste nicho de mercado. Têm departamentos
a tratar só desta área e participam em iniciati-
conta Susana Alvarinho, responsável de even-
tos no Pestana Pousadas de Portugal, que fez Wedding Show E quanto podem gastar os noivos na boda?
“Gastam, em média, dez mil euros com o
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 9

A plataforma internacional de casamentos Zankyou tem registados


250 organizadores deste tipo de cerimónias em Portugal. Os wedding
planners tentam tornar possível o impossível, desde encontrar um
elefante para um noivo indiano chegar à cerimónia até transportar em
barcos pequenos para uma ilha deserta toda a panóplia casamenteira

Wedding planner,
nosso espaço, alojamento e catering”, revela
Susana Alvarinho. “Os irlandeses e os ingle-
ses privilegiam o bar aberto e gostam muito
de festa. Os indianos, por sua vez, têm de ter
um catering próprio.
Há pousadas que chegam a fechar só para
os noivos e convidados. Já os brasileiros dão
extrema importância à decoração com flores
o organizador de sonhos
e investem muito dinheiro, e também querem
na mesa de doces muita decoração. Na Quin-

O
ta da Pacheca, no Douro, por exemplo, há s wedding planners ou orga- gos dos noivos” por altura do casamento. casado em Angola, teríamos gasto o dobro.”
noivos brasileiros que chegam a gastar dez nizadores de casamentos “Nunca há um casamento igual”, defende Cé- “Uma wedding planner facilita muito a orga-
mil euros só em flores, conta Adérito Mar- concretizam os sonhos dos lia Pratas. São todos personalizados e espelham nização do casamento”, defende a irlandesa
ques, director de eventos sociais daquela noivos, tratam de todos os a história do casal com muitos pormenores e Cathy Brady, que escolheu Paula Grade e Kari-
unidade hoteleira. Os brasileiros são preci- pormenores do casamento requinte para que seja um dia inesquecível. “Ar- na Sousa para planear tudo ao pormenor. “Elas
samente os que mais procuram a quinta para sem que aqueles se preo- risco a dizer que os noivos procuram o conto de conhecem a língua, organizam e põem tudo em
casar pelo registo civil ou para cerimónias cupem com quase nada, fadas, os casamentos de princesa, com o cam- ordem”, continua o noivo Gene Murray. Tam-
simbólicas. “Só em 2017 fizemos 14 casa- mesmo estando a quilóme- po com vista fantástica, os castelos, palácios e bém Brian McMahon, que casará com Gillian
mentos de brasileiros”, conta, explicando tros de distância. Tornam possível o impossí- casamentos na areia da praia”, continua. Marshall dentro de meio ano, só vê vantagens
que procuram o clima, as vinhas, a nature- vel, ainda que seja preciso um elefante ou um E a função das organizadoras é apresentar o em contratar as duas organizadoras. “Tratam
za, a gastronomia e o facto de o Douro ser cavalo branco para o noivo indiano chegar à local de sonho para casar. Os noivos só têm de de tudo sem termos de nos preocupar com
património mundial da UNESCO. Em geral, cerimónia; ou terem de levar todos os apetre- decidir o que querem, fazer as provas do ves- quase nada”, conclui, dando as mãos à noiva,
trazem uma centena de convidados e ficam chos do casamento em barcos pequenos para tido, do fato, cabelo, maquilhagem, catering, para se reunirem, noutra sala, no hotel de Du-
dois ou três dias. os noivos selarem o seu casamento numa ilha etc. Por norma, os estrangeiros vêm uma a duas blin, com a dupla portuguesa.
O director de eventos sociais da Quinta da deserta algarvia. vezes a Portugal durante o ano de preparação
Pacheca já testemunhou os mais diversos ti- Foi o que aconteceu às wedding planners Pau- do casamento para reverem todos os detalhes. Casamentos que vão dar um livro
pos de casamentos, como um mais radical la Grade e Karina Sousa que, há uma década, Jussara Serrão e Edilson Coelho conhece-
com “o noivo inglês que alugou um helicóp- criaram a empresa de organização de casa- ram Célia Pratas pela Internet. “Procurávamos A relação entre noivos e os organizadores não
tero e caiu de pára-quedas na cerimónia”, ou mentos White Impact, no Algarve. Os noivos uma wedding planner que nos orientasse na termina depois de dito o “sim”. Sempre que
um casamento civil num barco, no Douro. A pediram uma praia deserta. “Foi uma aventura organização do casamento à distância. Fomos podem, os casais apresentam-lhes os filhos e
quinta é ainda muito procurada por noivos colocar 70 pessoas num barco e os materiais trocando mensagens e através da Célia chegá- vão dando notícias, assim como recomendam
da Austrália, Nova Zelândia, Índia, EUA, Ca- noutros mais pequenos, e, com ondas, atracar- mos ao designer Gio Rodrigues, que foi logo o serviço a amigos. O casal Déborah e David
nadá e Europa ocidental, que preferem ceri- mos na praia deserta e fazer a cerimónia”, con- uma simpatia desde o início e desenhou um Ryan, que há três anos casaram em Albufeira,
mónias ao ar livre, junto à vinha, com mesas ta Karina. “Estamos aqui para realizar sonhos. vestido de propósito para mim com uma cauda foram até ao hotel onde Paula Grade e Karina
de madeira sem toalhas. Só para este ano, a Só se não pudermos é que não o fazemos”, de quatro metros, com um laço na cintura”, Sousa fazem o seu evento para as cumprimen-
quinta já tem agendados 16 casamentos de assegura Paula Grade. conta Jussara ao P2, por telefone, a partir da tar. “A Paula e a Karina fizeram tudo por nós,
noivos vindos do Brasil, a grande maioria, A função do wedding planner é ser criativo. sua casa em Angola. Era mesmo aquele que desde a decoração às flores, toda a organização
do Canadá, EUA, Holanda, Suíça, Austrália Pode ser preciso acalmar as noivas, estar a tinha idealizado. “Também fez o vestido da e entretenimento para as crianças até ao DJ
e Índia. Podem gastar entre 20 mil e 25 mil postos para qualquer eventualidade, resolver minha mãe”, acrescenta, entusiasmada por para animar a festa”, conta David. “Transfor-
euros com a decoração, buffet, cocktails, problemas de última hora. Célia Pratas, de Lis- toda a preparação do casamento ter corrido maram o meu dia de casamento no mais bonito
ceia e alojamento. A quinta tem um roteiro boa, que é uma profissional certificada e tirou tão bem, mesmo a milhares de quilómetros de da minha vida”, garante Déborah.
programado para os noivos e convidados, o curso em Londres, teve de improvisar no ca- distância. Casaram em Julho de 2017, depois de Paula Grade e Karina Sousa são amigas de
desde participar na vindima a fazer provas samento de um casal de Macau, ela macaense um ano a organizar tudo detalhadamente, com longa data que sempre trabalharam na área do
de vinho, showcooking ou passeios de barco e ele dominicano. Começou a chover muito 250 convidados, em que mais de metade via- turismo. Um dia foram desafiadas a organizar
entre a Régua e o Pinhão. por altura da cerimónia que seria na vinha da jou de Angola. Os noivos, com dupla naciona- um casamento estrangeiro e a partir daí nunca
Katherine Edwards e David Tansey tencio- Quinta de Sant’Ana, em Mafra. “Calçaram umas lidade, já conheciam Portugal e escolheram o mais pararam. No primeiro ano, organizaram
nam gastar 40 mil euros no casamento em botas de borracha mesmo com vestido de noi- país porque queriam “algo diferente”, como as 37, grande maioria irlandeses, e viram logo que
Tavira. “A melhor comida, excelentes fotó- va e fato de cerimónia vestidos. Divertiram-se quintas com “paisagens lindíssimas” e também tinham ali um nicho de mercado a explorar.
grafos, banda a tocar, o hotel, etc”, enume- imenso!”, lembra. E se é preciso um elefante, pela relação preço/qualidade. “Se tivéssemos Começaram a organizar um evento em Dublin
ra o noivo, enquanto a noiva está a testar a lá estará no casamento. “Pede-se ao circo”, des- NUNO FERREIRA SANTOS
e outro em Londres.
maquilhagem com Marisa Francisco, que tem venda Paula Grade, que já organizou alguns Célia Pratas (na fotografia), que chegou a
no seu currículo algumas estrelas da música casamentos indianos. ser professora universitária e tirou mestrado e
como Diana Krall e Bryan Adams. “A maqui- “Ser wedding planner é uma profissão que doutoramento em Comunicação e Literatura
lhagem transmite-lhes segurança num dia em exige muito tempo e muito de nós. É preciso Comparada, organiza casamentos desde 2009 e
que estão mais nervosas”, explica. “Temos ter uma grande dedicação e saber lidar com o trabalha com o mercado angolano. Foi nos EUA
um amigo cujo casamento foi organizado por stress”, descreve Carla Valentim, que criou, em que se apercebeu “da moda das wedding plan-
Paula Grade e Karina Sousa e recomendou- 2010, com Noélia Jacinto a empresa Sonho a ners” e decidiu tirar um curso em Londres, onde
as”, continua David. Dois — Algarve Weddings & Events, em Faro, até aprendeu a celebrar uma cerimónia simbó-
E porquê Portugal? Katherine: “Adoramos depois de terem ficado desempregadas. Desde lica. Para este ano, a organizadora já tem o ano
o sol, as paisagens, as praias. As nossas famí- então, já organizaram meia centena de casa- fechado com 14 casamentos do Haiti, Angola,
lias tinham de viajar.” mentos, incluindo o do jogador da selecção Brasil, Suíça, México e alguns portugueses. Por
nacional Éder. Este ano já têm programados 115 estes dias, anda a ultimar a publicação de um li-
O PÚBLICO viajou até Dublin casamentos. Os organizadores de casamentos, vro com as histórias de 13 casais que escolheram
a convite da White Impact continua Carla Valentim, “são os melhores ami- Portugal como cenário para casar. S.P.
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10 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

A “geringonça” portuguesa está a correr “razoavelmente bem”. A Catalunha está num


impasse. A avançar, o “Brexit” acorrentará ainda mais a Grã-Bretanha aos Estados Unidos,
enquanto a Europa poderá assumir uma maior preponderância nos assuntos globais. São
estas as ideias-chave de uma curta entrevista que Noam Chomsky concedeu ao P2, numa
semana em que chegou às livrarias portuguesas um novo livro do intelectual americano
Por Hélder Gomes

PEDRO ELIAS/ARQUIVO

Noam Chomsky
A consciência de uma América
que por vezes lhe vira as costas
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 11

O anarco-sindicalista
socialista libertário
Noam Chomsky é um
dos académicos mais
citados da actualidade.
É considerado o
fundador da linguística
moderna. Tem uma
posição forte sobre
quase tudo e é atacado
à direita e à esquerda.
Define-se como
anarco-sindicalista e
socialista libertário

“D
urante a Grande académico acredita inclusive ser “possível” tos militantes do “movimento ‘Antifa’”: uma apoiam — este é, de resto, um dos dez princí-
Depressão, que te- a realização de outro referendo. “Assumindo amálgama de grupos que combatem o fascismo pios da concentração da riqueza e do poder
nho idade suficien- que [o ‘Brexit’] avança, o Reino Unido tende- através de tácticas de acção directa. A história que o livro/filme atrás citado aborda.
te para recordar, era rá a ficar ainda mais subordinado aos EUA”, do “movimento” remonta à década de 30 do A ocupação indonésia de Timor-Leste, entre
mau... muito pior, enquanto “a Europa poderá ser estimulada a século passado e a participação activa no con- 1975 e 1999, foi um dos primeiros casos em que
subjectivamente, do desempenhar um papel mais independente fronto, tantas vezes corpo a corpo, com supre- denunciou as estreitas relações entre os media
que hoje. Mas havia nos assuntos mundiais”. macistas, nacionalistas e membros de milícias e o poder. Segundo Chomsky, as sucessivas ad-
uma expectativa de Mas essa maior margem de manobra eu- neonazis tem-lhe dado grande notoriedade. ministrações americanas deram apoio militar,
que as coisas iam melhorar. Havia um autên- ropeia só acontecerá se o Velho Continente Cinco dias após os acontecimentos trágicos, financeiro e diplomático ao regime de Suharto,
tico sentimento de esperança. Hoje, não há.” “conseguir ultrapassar problemas internos se- Chomsky dizia à revista Washington Examiner a começar pelo Presidente Gerald Ford, que,
É assim que abre Requiem for the American veros”. E Portugal faz parte desses problemas tratar-se de uma franja minúscula da esquerda com Henry Kissinger como secretário de Esta-
Dream (2015), que reúne as últimas entrevis- que é preciso ultrapassar? Ressalvando não ter e um grande presente para a direita, incluindo do, teria dado luz verde à invasão do Exército
tas de fundo a Noam Chomsky, feitas ao longo um entendimento detalhado da política portu- a direita militante, que estaria exuberante. Na indonésio. Antes da invasão, 90% do arma-
de quatro anos. O filme de Peter Hutchison, guesa, Noam Chomsky afirma que a solução go- opinião do académico, os activistas “Antifa” mento teria sido fornecido pelos EUA. Dois
Kelly Nyks e Jared P. Scott está disponível na vernativa encontrada com a união das esquer- estão mal organizados e o que fazem é muitas anos mais tarde, conta o académico, o Exérci-
plataforma de streaming Netflix e deu origem das, vulgo “geringonça”, “parece estar a correr vezes errado — como quando bloqueiam con- to indonésio já se encontrava numa situação
ao livro Requiem para o Sonho Americano - Os razoavelmente bem, contrastando com muito versações, destroem propriedade ou recorrem de escassez de armas, o que mostra a escala
10 Princípios da Concentração da Riqueza e do do que vai acontecendo no resto da Europa”. à violência física — e genericamente autodestru- dos ataques contra a resistência timorense. O
Poder, que a Editorial Presença lançou em tivo. Quando a confrontação passa à violência, Presidente Jimmy Carter acelerou a circulação
Portugal na última semana. Chomsky, o “antiamericano” continua Chomsky, é sempre o mais duro e o do armamento, processo a que se juntaram
A premissa do documentário-livro é contun- mais brutal a vencer. Grã-Bretanha e França. Outros países lucraram
dente: o sonho americano esfumou-se, já não é Foi na avaliação, quase sempre adversativa, da Apesar de se demarcar das posições de com o assassinato e a tortura dos timorenses,
possível começar do zero e ascender na escala política externa americana que Chomsky mais Donald Trump, que reiteradamente fez equi- acrescenta Chomsky, que, em 1978 e em 1979,
social por via do mérito e do trabalho, e isto se notabilizou. Polemista prolífico, escreveu valer supremacistas brancos a antifascistas, reportou à Assembleia Geral das Nações Unidas
acontece porque nunca antes as desigualdades mais de uma centena de livros. Uma das suas Chomsky passou os dias seguintes à entrevista a situação de Timor-Leste e a falta de cobertura
foram tão profundas. No requiem de Chomsky, teses fundamentais tem mais de meio século: à Examiner debaixo de fogo. Foi comparado ao mediática do genocídio em curso.
a América já não é a terra das oportunidades, o apoio contínuo dos Estados Unidos a regimes Presidente americano e houve quem defendes- Quando, em 1999, a maioria dos timorenses
estando a riqueza e o poder concentrados nas antidemocráticos e a hostilidade perante mo- se que Mitt Romney, empresário e candidato se preparava para votar a favor da independên-
mãos das elites dominantes que representam vimentos populares está em desacordo com republicano às eleições de 2012, era agora mais cia num referendo apoiado pela ONU, Chomsky
1% da população. Resta, pois, aos outros 99% a reivindicação, proclamada pelas sucessivas de esquerda do que Noam Chomsky. “Li muitas voltaria a sacudir a consciência da América.
interpretar este toque de finados como toque administrações americanas, de espalhar a de- críticas delirantes. A algumas delas respondi. A Lembrou que desde a invasão indonésia, em
de despertar das consciências, através de pe- mocracia e a liberdade. Sobre a viragem neoli- essas não vou responder”, confidenciou ao P2. Dezembro de 1975, Timor-Leste tinha sido
quenas acções. beral do capitalismo global, Noam Chomsky diz Depois de ser uma das vozes mais críticas palco de algumas das piores atrocidades da
Chomsky esclarece que as entrevistas reuni- tratar-se de uma guerra de classes, decretada da participação dos EUA na Guerra do Vietna- era moderna e que era tempo de Washington
das no livro e no filme foram as suas últimas a partir do topo, contra as necessidades e os me, de ser preso várias vezes e de constar da retirar o seu apoio a Jacarta. Na sequência da
conversas longas com jornalistas. Quando foi interesses da grande maioria. lista de inimigos do Presidente Richard Nixon, votação pela independência, o Exército indo-
exibido nos EUA, o filme foi muito bem rece- Noam Chomsky é um dos académicos mais mais recentemente Chomsky foi um assumido nésio destruiu grande parte daquela que viria
bido, com salas cheias, críticas favoráveis e citados da actualidade. Professor emérito do apoiante do movimento Occupy Wall Street. a tornar-se a mais jovem nação do mundo e,
ovações públicas. Seguiu-se uma pequena di- MIT — Massachusetts Institute of Technology Em 2012, no mesmo ano em que enaltecia os pela primeira vez, as atrocidades seriam ampla-
gressão em universidades antes da edição em e da Universidade do Arizona, é muitas vezes feitos deste movimento, também apontava o mente divulgadas nos EUA. Mas se as acções de
livro, o que atesta a relevância e o impacto que considerado o fundador da linguística moder- dedo à Presidência Obama, que, para ele, terá consciencialização, levadas a cabo desde muito
este homem de 89 anos continua a ter. na, tendo revolucionado a forma como pensa- atacado liberdades civis numa escala superior cedo por Chomsky, são bem conhecidas, o seu
Feito o diagnóstico do sonho americano, o mos a linguagem, mas também o mundo. Tem à de George W. Bush. Além de Chomsky, os ma- envolvimento financeiro no processo continua
P2 desafiou o académico a olhar para o que se uma posição forte sobre quase tudo e as suas nifestantes que ocuparam o centro financeiro por explicar. Clinton Fernandes, professor aus-
passa do lado de cá do Atlântico, com enfoque perspectivas são atacadas da direita à esquerda. de Nova Iorque tiveram em Gene Sharp outro traliano de estudos políticos e internacionais,
no “Brexit”, na Catalunha e na “geringonça” Chomsky define-se como anarco-sindicalista e intelectual inspirador. com vários livros sobre Timor-Leste e o papel
portuguesa. Numa curta entrevista por email, socialista libertário, é um feroz opositor da po- Nascidos ambos em 1928, um ano antes da Austrália no conflito, lembra que os media
Chomsky sentenciou que é “pouco provável que lítica internacional dos EUA desde a Guerra do do crash bolsista, os pontos de contacto são americanos receberam, na altura, uma ajuda
o referendo na Catalunha conduza a grandes Vietname, o que lhe valeu várias acusações de muitos. Em jeito de elegia — Sharp morreu no inesperada. Chomsky terá pago pessoalmente
mudanças, pelo menos no curto prazo”. De fac- “antiamericanismo”. Muitos dos que sempre se passado dia 28 de Janeiro —, Chomsky contou as passagens de Lisboa para os EUA de vários
to, no início da semana, a viagem de uma delega- reviram nele não lhe perdoam as aparentes (e ao P2 que “Gene Sharp deu contributos funda- refugiados timorenses para que fossem rece-
ção da Esquerda Republicana da Catalunha até mais recentes) guinadas ideológicas. Os enun- mentais e originais para a teoria e a prática da bidos pelos media de grande circulação. Este
Bruxelas, onde se encontra Carles Puigdemont, ciados atrás transcritos poderão encontrar-se não-violência”. O pensamento do antigo profes- envolvimento directo na questão timorense
saldou-se, segundo a imprensa espanhola, em facilmente na cartilha de qualquer movimento sor de ciência política assume “um significado continua envolto em mistério e, quando ques-
tímidos progressos e ainda sem acordo à vista. de esquerda ou de extrema-esquerda. Sendo impressionante e de extrema importância na tionado pelo P2 sobre o assunto, Chomsky vol-
Quanto ao “Brexit”, a situação é ainda muito assim, como se explica a animosidade muitas era perigosa em que vivemos”, acrescenta. tou a não querer desfazê-lo.
nebulosa. O Governo britânico manifestou von- vezes dirigida a Chomsky por alguns dos que Também Gene Sharp, que inspirou a Prima-
tade de abandonar também a União Aduanei- se identificam com aquelas posições? Pouco Os media e o caso de Timor-Leste vera Árabe e os activistas angolanos — que aca-
ra, o que levou o negociador europeu, Michel antes das duas da tarde de 12 de Agosto de 2017, bariam presos por discutirem uma adaptação
Barnier, a avisar que, fora do mercado único em Charlottesville, nos EUA, um supremacista Sobre os meios de comunicação social, Noam de um livro seu sobre transição pacífica para a
europeu, “as barreiras ao comércio, aos bens branco avançou com o carro sobre uma multi- Chomsky tem também um pensamento profun- democracia —, não escapou a suspeitas sobre
e aos serviços são inevitáveis”. Para Chomsky, dão de activistas anti-racismo, matando Hea- damente negativo: são corporações que fabri- as suas verdadeiras motivações e apoio finan-
“ainda está tudo no ar e vai tudo depender ther Heyer, de 32 anos, e provocando dezenas cam consentimento ao serviço dos caprichos ceiro, tendo sido repetidamente acusado de
da forma que o ‘Brexit’ venha a assumir”. O de feridos. Entre os activistas, contavam-se mui- do capitalismo e dos poderes políticos que o pertencer à CIA.
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12 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Entrevista José Graziano da Silva Produzir mais alimentos “não é a prioridade” num
planeta em que a fome “está circunscrita” e a obesidade começa a ser um problema.
O director-geral da FAO e o responsável pelo programa Fome Zero, no Brasil, esteve
em Portugal e deixou uma mensagem: quem alimenta o mundo são as grandes
agro-indústrias e “temos de mudar isso”. A resposta está na agricultura familiar
Por Alexandra Prado Coelho texto e Nuno Ferreira Santos fotografia

“Erradicar
a fome é
muito barato”
O
director-geral da fome está bem circunscrito em três grandes décadas acreditámos que essas respostas
Organização das áreas: os países em conflito, guerra civil, estavam na revolução verde, na agro-
Nações Unidas para etc., como é o caso Iémen e de alguns países indústria, nos avanços tecnológicos.
a Alimentação e a africanos; está localizado em áreas afectadas Neste momento, a FAO alterou a forma
Agricultura (FAO), o pelos impactos do clima, particularmente de olhar para o problema?
brasileiro José Graziano secas prolongadas, como no Leste de África, É verdade. Desde a revolução verde,
da Silva, esteve em muito afectada nos últimos três anos em nos anos 60 e 70 do século passado,
Lisboa para participar regiões como a Somália ou o Quénia; e que o problema da produção tem sido
na reunião de alto nível da Comunidade dos está localizado em bolsões de pobreza, de equacionado de melhor forma que o do
Países de Expressão Portuguesa (CPLP), no miséria extrema, típicos de países não só consumo. Neste momento, a fome não se
final da qual foi assinada a Carta de Lisboa em desenvolvimento, mas também com um explica pela falta de produção de alimentos
pelo Fortalecimento da Agricultura Familiar. desenvolvimento muito desigual. mas sim pela falta de acesso aos alimentos.
É nos agricultores familiares que está a Fora isso, há uma epidemia geral de Não é que não haja produto, não há dinheiro
resposta para os problemas da alimentação obesidade. Por vezes, até na mesma família para comprar o que comer. As pessoas
no mundo, defende José Graziano, que em que há um subnutrido, há um obeso. não têm emprego, têm rendimentos muito
foi o responsável pela implantação do Afecta ricos e pobres e é um problema que baixos, não conseguem ter uma dieta
programa Fome Zero no Brasil. A fome vem da mudança de hábitos alimentares que saudável. Mas sobram alimentos. O mundo
está hoje circunscrita a zonas de conflito tivemos nos últimos 40, 50 anos. Passámos hoje deita fora um terço do que produz,
e de alterações climáticas profundas, pelo da comida feita pela avó ou pela mãe para aproximadamente.
que a obesidade é cada vez mais uma uma comida terceirizada, feita pelos outros, A ideia de que temos de multiplicar a
preocupação. É preciso alimentar uma que não sabemos o que tem. Não sabemos o produção de alimentos não é correcta?
população crescente, sim, mas aumentar a que comemos e isso leva-nos a ingerir muito Não é a prioridade do momento. Sou muito
produção de alimentos “não é a prioridade”, mais sal, açúcares, muito mais gorduras cauteloso ao dizer que não há um problema
afirma o responsável da FAO. O mundo saturadas do que necessitamos. de oferta, porque há. Em lugares muito
alimenta-se mal. “Não sabemos o que Precisamos de recuperar o domínio da localizados, na África subsariana, por
comemos.” alimentação, saber o que comemos, é exemplo, vários países têm um problema
Durante a sua visita referiu-se ao um problema de educação alimentar, de conseguir produzir a quantidade
aumento da obesidade no mundo. É um mas também um esforço por comer de de alimentos de que necessitam para a
problema começa a preocupar a FAO uma maneira mais saudável, mais frutas, sua população, mas não é uma situação
mais que o da fome? verduras, mais produtos frescos e comer generalizada, são problemas localizados em
Eu não diria que preocupa mais. Ele ilustra o mais o que estamos acostumados a comer regiões muito particulares.
problema da má alimentação, que vai desde da nossa cultura, a comida nacional, e não o Temos a tecnologia dominada para
o não comer até ao comer demais. Neste fazer apenas em dias de festa. permitir a produção dos alimentos de que
momento, nos países de renda média e alta A população mundial continua a crescer precisamos, e de alimentos saudáveis. A
preocupa-nos muito mais o problema da e é preciso respostas para alimentar situação hoje é completamente diferente
obesidade do que o da fome. O problema da esse número de pessoas. Nas últimas da dos anos 60 e 70. A revolução c
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 13

Hoje, a fome não se explica


pela falta de produção de
alimentos, mas sim pela
falta de acesso aos alimentos
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14 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

verde cumpriu esse papel de equacionar o Sente que há vontade política para isso?
problema da produção de alimentos. Mas Sendo que ela passa possivelmente
sempre que a gente resolve um problema, por alterações na PAC ou nas políticas
em geral causa outros. e legislações de outros países para
A revolução verde trouxe impactos no meio acomodar esta nova visão?
ambiente, o excessivo uso de químicos, e, Há interesses muito fortes consolidados
sobretudo, essa concentração da produção em torno do actual sistema agro-alimentar.
em alguns alimentos. Hoje temos quatro, Mas também há contradições tão evidentes,
cinco, seis produtos que respondem por como é o caso da obesidade, que se vão
80% do que nós consumimos: o arroz, o impondo a esse poder existente. Já vemos
milho, o trigo, a soja e a batata. Não pode contestações várias, médicos, advogados,
ser. Nós temos 36 mil plantas e animais que agrónomos, economistas que se juntam
fornecem alimentação ao Homem, não para pedir uma alteração desse sistema
podemos estar concentrados em cinco da agro-alimentar existente. Acredito que
maneira que estamos. isso comece a abrir oportunidades de
Hoje a FAO defende o reforço da novas legislações. Portugal está a criar um
agricultura familiar, o que choca com o estatuto da agricultura familiar, um estatuto
poder e os interesses da grande indústria do direito à alimentação, isso tudo são
alimentar. Como é que se consegue progressos que estamos a ver em várias
resolver esse dilema? partes do mundo.
Nós desenvolvemos sistemas alimentares
fortemente concentrados nas cadeias agro-
industriais. Agora quem alimenta o mundo
O caso brasileiro é um exemplo que
tem citado muitas vezes e ao qual está
profundamente ligado. Disse que há
Precisamos Estamos a falar do programa de compras
públicas [com o qual o Estado compra
a produtores locais para abastecer
são as grandes agro-indústrias. Temos de
mudar isso. E é um esforço de recuperação
medidas do programa Fome Zero que
estão a ser revertidas neste momento.
de recuperar cantinas públicas, por exemplo], da
Bolsa Família?
porque a alimentação é parte da nossa
identidade. Eu venho a Portugal e sei duas
coisas fundamentais: primeiro, que vou
Existe o risco de se voltar a situações
anteriores, eventualmente até do
regresso do Brasil do mapa da fome?
o domínio da Todos os programas, a reforma por
tempo de idade e não por tempo de
serviço, um conjunto de medidas que
falar português, segundo, que vou comer
bacalhau, que é parte da cultura e tradição
O Brasil está a passar por uma crise social
muito profunda, uma crise que tem muitas
alimentação, foram implementadas no Brasil e que
levaram à erradicação da fome. É muito
portuguesa mesmo não sendo um peixe
daqui. Alimentação é o que nós somos, o
que a nossa família é, o que a nossa aldeia,
dimensões. Uma delas é a regressão de
uma série de programas sociais que foram
implantados e que garantiram a erradicação
saber o que barato. A comida, de todos os elementos
fundamentais da vida, é a mais barata. Não
é um problema de custo, é um problema de
a nossa região é. Recuperar esse poder de
interiorizar de novo a alimentação, que foi
da fome em menos de uma década. A
persistir essa regressão, sem dúvida cria-
comemos, é prioridade política. Mesmo os mais pobres
dos países podem pôr em funcionamento
externalizada e banalizada, é parte desse
projecto de comer melhor e comer saudável.
Um exemplo bom é a questão das
se uma oportunidade de o Brasil voltar ao
mapa da fome. Mas não acredito que isso
seja uma fatalidade histórica.
um problema programas para erradicar a fome.
Voltando à questão da fome severa,
apesar de se dever sobretudo a conflitos
sementes — as directrizes da FAO
falam da importância das sementes
O Brasil foi o primeiro país nos tempos
modernos a erradicar a fome. Um país de
de educação ou alterações climáticas, ela cresceu nos
últimos dois anos. O que é que levou a
tradicionais, mas a legislação europeia
vai num sentido contrário. Não existe,
entre a Carta de Lisboa que acaba de
mais de 200 milhões de habitantes em
menos de dez anos ter tirado 40, 50 milhões
de pessoas da pobreza extrema, da miséria e
alimentar, mas essa inversão no caminho positivo que
se estava a conseguir fazer nos anos
anteriores?
ser assinada pelos países da CPLP, e as
regras da Política Agrícola Comum (PAC)
da fome. não se reverte isso com facilidade.
O Brasil vai voltar a crescer este ano, o que já
também um Os anos de 2015 e 2016 foram anos atípicos
na série histórica que a FAO trabalha. A
uma contradição?
Hoje já temos implantados em praticamente
todos os países do mundo bancos de
é um sintoma promissor, acredito que esses
direitos conquistados pelo cidadão brasileiro
de comer dignamente serão direitos
esforço por reversão veio sobretudo em África e pelos
conflitos que se multiplicaram, como a
guerra do Sudão do Sul, no Congo, mas
sementes tradicionais, que estão a ser
preservadas, não só localmente mas também
reclamados nas eleições que virão por todos
os movimentos sociais que o Brasil tem hoje comer de uma também na Somália, o impacto das secas na
Etiópia, na Somália, em toda a costa leste
em Svalbard, na Noruega, temos um silo
em que preservamos todas as espécies
do mundo. Há um esforço de recuperar
organizados. Acho difícil o país voltar ao
mapa da fome simplesmente por uma crise
conjuntural.
maneira mais africana em 2015. Em 2016 houve o acentuar
do problema, com o agravar das secas e dos
conflitos.
esse conhecimento ancestral, até porque
dependemos disso no futuro. Com todas
Mas o Brasil conseguiu implementar
todas essas medidas num momento saudável O que eu projecto é que em 2018 exista um
optimismo económico. O mundo deve voltar
as mudanças climáticas, vamos precisar de particularmente positivo da sua a crescer, tanto o mundo desenvolvido como
revisitar todas essas variedades para termos economia. Países mais pobres o mundo em desenvolvimento. Isso gera
sementes mais resistentes à seca, ao calor, conseguirão fazer isso? São medidas que emprego, oportunidades de trabalho, estou
ao excesso de água em algumas regiões. custam dinheiro. optimista que vamos ter um ano melhor
Esse esforço muitas vezes obriga a voltar à Custam muito pouco. Erradicar a fome é do ponto de vista climático, económico, e
origem genética dessas plantas e animais. muito barato. A estimativa no caso do Brasil, se tivermos um ano melhor do ponto de
Isso é parte do desenvolvimento científico que é o programa mais amplo que nós temos vista político, podemos resolver muitos
e a FAO defende que a preservação da hoje no mundo, é que ele custa meio por problemas.
biodiversidade é fundamental. cento do PIB. É muito pouco dinheiro. O que é que o leva a estar optimista
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 15

Porque “alimento não é a pílula do Flash Gordon”, é preciso


envolver outras pessoas no debate sobre a alimentação, a começar
pelos consumidores. Os chefs de cozinha já estão convidados

O que é que os cozinheiros


têm que ver com isto?
preciso fazer uma discri- “tertúlia conspirativa”, como lhe chamaram os aos restaurantes? “Muitas vezes encontramos

“É
minação positiva aos que organizadores, o festival Sangue na Guelra (que mais facilmente um produto em Espanha ou
sofrem uma discrimina- em 2017 lançou o Manifesto para o Futuro da em Itália do que em Portugal porque essa pla-
ção negativa.” Durante Cozinha Portuguesa), a Actuar e a Plataforma de taforma não existe.”
os três dias da sua visita Camponeses da CPLP — no restaurante Prado,
a Portugal, José Graziano em Lisboa, onde estiveram também agriculto- Alguém chamou os consumidores?
da Silva, director-geral da res e chefs de cozinha, que aproveitaram para
Organização das Nações trocar ideias. O tema, provocatório, era “juntar Alexandre Silva, do Loco, também em Lisboa,
Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) a fome com a vontade de comer”. sublinhou a importância da educação nas es-
em relação ao clima? não perdeu uma oportunidade para fazer passar colas e a preocupação com o que as crianças
Temos uma capacidade de projecção até seis a sua mensagem: é preciso ajudar os agricultores Lembrar a Maria Papoila comem. “Quando vivemos num país em que
meses e este ano, por enquanto, os sinais familiares, é preciso alterar a maneira como nos os nutricionistas me dizem que devo comer
do El Niño em África, por exemplo, não são alimentamos. “Flash Gordon tinha uma pílula Cada um pôde falar dos problemas com que fiambre de peru, que é um alimento proces-
tão fortes quanto os do ano passado. Se que o alimentava quando ele viajava. Mas ali- se debate para pôr em prática esta visão da sado, alguma coisa está mal. Eu sei como se
ocorrer, o El Niño não será da magnitude mento não é a pílula de Flash Gordon.” agricultura e da alimentação que é a mesma fabrica fiambre, seja de peru, frango, porco,
e intensidade que tivemos nos dois, três Na quarta-feira de manhã, na Reitoria da Uni- que a FAO defende. Alfredo Cunhal Sendim, fumado ou não, em fornos a lenha como eles
anos anteriores. E também porque os países versidade de Lisboa, no seminário AlimentA- da Herdade do Freixo do Meio, em Montemor, dizem, mas a maior parte das pessoas não sa-
aprenderam. Não é preciso ter uma seca ção, dedicado ao “direito humano a uma ali- lembrou a Maria Papoila. “A Maria Papoila é be.” Quanto ao papel dos restaurantes, frisou
e ter fome. Não se pode evitar a seca, mas mentação adequada através de compras pú- um fenómeno que celebra o abandono deter- a importância de se ser coerente e não se dizer
pode evitar-se que a seca seja transformada blicas e de cadeias curtas agro-alimentares”, minado deste tipo de agricultura. Nós saímos que se tem um restaurante tradicional que faz
em fome se houver políticas sociais falou da sua experiência enquanto ministro da província a cantar ‘não mais voltarei à mi- cozinha portuguesa e depois “fazer carne de
contracíclicas para enfrentar o problema. extraordinário de Segurança Alimentar e Com- nha terra, não mais voltarei àquela miséria’. porco à alentejana em que a carne vem de Es-
Os países aprenderam isso, existe já um bate à Fome no Governo de Lula da Silva, e Havendo muitos elementos de miséria naquela panha e as amêijoas são vietnamitas”.
financiamento do Fundo do Clima que está homem por trás do programa Fome Zero no realidade, a forma como fazíamos agricultura Hugo Brigo, do restaurante Boi Cavalo, le-
acessível a muitos países. Brasil. E deixou algumas pistas. era, no entanto, muito mais assertiva naquele vantou outro problema: “Não estão aqui os
Em Portugal, além dos efeitos das Uma das políticas fundamentais é a das tempo do que a que veio a impor-se depois.” consumidores, não resolve nada estarmos a
alterações climáticas, há a questão da compras públicas, através das quais o Gover- O que o agricultor lamenta é que, com “a sub- falar para um conjunto de pessoas já predis-
desertificação do interior. Acredita que é no passa a abastecer as cantinas escolares, dos jugação da agricultura à indústria”, tenhamos postas a ouvir o que temos a dizer.” O que os
possível reverter esse cenário? hospitais e outras instituições públicas com ali- passado de uma “atitude com 200 mil anos de chefs sentem muitas vezes, disse, é que “falta
Portugal é um bom exemplo, que agora mentos comprados aos agricultores familiares cooperação, de entendimento com a natureza, massa crítica”. E deixou perguntas: “Como é
começa a legislar e a monitorizar. Nós e de proximidade. “Cria-se renda que circula para um domínio, passámos de maestros da que se passa a ideia de que o que temos, em
estamos a furar o planeta em muitos lugares no município e que leva a um circuito virtuoso natureza para carrascos da natureza”. Segundo termos de produção agrícola, paisagem agrí-
para tirar água, mas isso não pode acontecer. de desenvolvimento local.” Cunhal Sendim, foi esta mudança de modelo cola e cultura gastronómica, é estimável e vale
Um dia essa água armazenada no subsolo Contou também como, a certa altura, quis que levou a que hoje “dois terços do nosso país um pequeno aumento de preço? Como é que
acaba, precisamos fazer um melhor uso dela. perceber como se elaborava a informação nu- esteja abandonado, a criar cargas combustíveis se volta a seduzir o público para ideias de sa-
As tecnologias hoje existem, pode-se irrigar tricional que vem nas embalagens e descobriu — e ele arde, e vai arder, não tem outra hipótese zonalidade, dizendo que é melhor comer bons
com muito mais eficiência, existe a técnica algo que o surpreendeu: “A análise nutricional enquanto não mudarmos isso”. Com o abando- morangos em menos ocasiões quando nos ha-
gota a gota, que usa mil vezes menos água do nosso feijão era feita a partir de um feijão no da agro-ecologia, concluiu, deixámos de ter bituámos a ter tudo, todo o ano a toda a hora? E
que a de inundação. É uma tecnologia que do México. Então, fiz um contrato com uma “um jardim à beira-mar plantado” para ter “um como se faz isso sem parecer que moralmente
está disponível e tem de ser implementada, universidade para analisar todos os produtos pinhal meio ardido à beira-mar plantado”. estamos num plano superior, sem hostilizar
tem de se proibir a rega por inundação. do Brasil porque o conteúdo calórico e nutri- Os cozinheiros e chefs de cozinha têm um este público? Porque o que nós vemos é que
Para isso, é preciso financiar os agricultores, cional varia de região para região.” É muito papel importante aqui porque podem comprar ninguém quer que lhe digam como deve viver
principalmente os mais pobres, os importante que exista uma “política da dieta aos produtores de proximidade, podem valo- ou fazer as coisas.”
familiares, para que possam aceder a essas saudável”, sublinhou. “Há refrigerantes em rizar alimentos que eram desvalorizados (por Precisamente porque as perguntas são mui-
tecnologias. É aí que estamos, um passo que 40% da composição é açúcar e que eram exemplo, a bolota que Cunhal Sendim come- tas, os pontos de vista diferentes e os desencon-
pede outro, mas estamos caminhando distribuídos na merenda escolar.” çou a recuperar no Freixo do Meio, dando-lhe tros frequentes, Francisco Sarmento, responsá-
na direcção certa. Portugal é um grande “Juntar a fome com a vontade de comer” diferentes utilizações). vel pelo gabinete de FAO em Portugal, deixou
exemplo, hoje, de como usar as directivas Para que as políticas funcionem, o debate tem O problema, explicou Henrique Sá Pessoa, uma sugestão: que os chefs se sentem à mesa
da PAC para ajudar os menos favorecidos, de ser alargado (no Brasil são muitos os grupos chef do restaurante lisboeta Alma, é a falta de que o Ministério da Agricultura está a organi-
os mais pobres, fazendo uma discriminação da sociedade civil que fazem parte). Por isso, redes de contacto. Como é que se estabelecem zar com representantes de outros ministérios
positiva para superar a diferença que existe. na sua agenda muito apertada, José Graziano essas redes, em que o chef sabe onde procurar e da sociedade civil (através da organização
da Silva ainda encontrou tempo para, segun- o produtor que tem o que ele precisa e o pro- Realimentar) e se juntem ao debate que está
apc@publico.pt da-feira à noite, participar num jantar — uma dutor sabe como fazer chegar os seus produtos agora a começar. A.P.C.
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16 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Infograma

É possível erradicar a fom


A comunidade internacional está empenhada em erradicar a fome e acabar com a malnutrição até 2030.
Depois de, durante anos, os números da fome terem caído, voltaram a subir nos dois últimos anos.
No entanto, o fenómeno está circunscrito a zonas de conflitos militares
ou afectadas por severas alterações climáticas
População subnutrida, por país
Insegurança alimentar grave A subnutrição é um estado patológico causado pelo consumo
insuficiente de alimentos para fornecer a quantidade de energia
Milhões de pessoas A fome só poderá ser erradicada se Prevalência da obesidade necessária para se manter uma vida normal, activa e saudável
os sistemas agrícolas e alimentares nos adultos
forem sustentáveis, defendem as Maiores de 18 anos, em %
33 a 58,6%
2016 688,5 Nações Unidas. Mas este não é o 30
único problema alimentar que o 20 a 32,5%
mundo enfrenta. Em muitos países 25
regista-se um aumento dos 15 a 19,9%
20 a do a
problemas de excesso de peso éric p
Am e Euro íba
s 10 a 14,9%
2015 645 entre as crianças e de obesidade 15
Nor
te
ia e C ara
Mundo
entre os adultos. Há países onde eân tina 5 a 9,9%
10 Oc ca La
várias formas de malnutrição é r i 2,6 a 4,9%
coexistem, sendo possível Am
5
encontrar, em simultâneo, crianças África ≤ 2,5%
2014 0 Ásia
665,9 subnutridas e adultos obesos. Sem dados
1975 2014

Raquitismo
Milhões de pessoas
14,7%
900
154,8 milhões de crianças com menos
de 5 anos sofrem de “crescimento
atrofiado” 14,2%
777 815
22,9% das crianças com mesma idade Prevalência
da subnutrição
41
1 milhões de

11%
crianças com
11,5%
em menos de 5 anos 10,8%
têm excesso
4 de peso

2000 2015 2016 2016 2016 2000 2004 2008 2012 2016

Década da Agricultura Familiar (2019-2028)


As Nações Unidas declararam Países da CPLP Emprego na agricultura (CPLP)
2018-2019 como a Década da
Agricultura Familiar. Este tipo de
+ 70%
Angola 81% dos alimentos são
agricultura produz
produzidos por agricultores
aproximadamente 80% dos Moçambique 81% familiares na CPLP
alimentos do planeta e, sublinha a
ONU, é fundamental para a Guiné-Bissau 66,5%
Segurança Alimentar e Nutricional, Guiné-Bissau São Tomé e Príncipe 63,3%
a luta contra a pobreza, a Cabo Verde
Timor-Leste Guiné Equatorial
atenuação dos efeitos das Guiné Equatorial
alterações climáticas, a Angola
Timor-Leste
conservação da biodiversidade Brasil
e da paisagem. Os Estados- Moçambique
S. Tomé e Brasil
-membros da Comunidade dos Príncipe
Países de Língua Portuguesa (CPLP) C. Verde
acabam de assinar a Carta de
Portugal
Lisboa pelo Fortalecimento da Exploram < 50%
Agricultura Familiar 0% 20% 40% 60% 80%
da área agrícola total

Fonte: The State of FoodSecurity and Nutrition in the World 2017, FAO. Nota: Os números relativos a 2016 são estimativas da FAO
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 17

Infografia é uma representação gráfica que


promove a compreensão mais imediata de um
tema, sem excluir diversos níveis de leitura

me no mundo até 2030?


Por Alexandra Prado Coelho
e Célia Rodrigues

Países afectados por conflitos Países em crise prolongada


armados com mais de 500 mortes
Há três critérios para definir um país com uma crise
entre 2011 e 2015
prolongada: longevidade da crise; fluxo de ajuda humanitária;
e o nível de segurança económica e alimentar do país

Um continente
em guerra
Tipo de conflito:
Milícias comunitárias Conflitos
Insegurança alimentar Forças governamentais reportados
grave Rebeldes
por sub-região
Milícias políticas 800

600
12,2% 400
Norte de África 200
1

12,6%
Ásia Central
29,4% e Sudoeste
Asiático
África
Subsariana

Mão-de-obra na agricultura familiar


Angola
Mão-de-obra Agricultura familiar no mundo Números da agricultura familiar em Portugal
Brasil
Explorações agrícolas Superfície agrícola Trabalho
Cabo Verde familiares utilizada (SAU) total agrícola
Guiné-Bissau 284 mil + 80%
Guiné Equatorial
Com 500 milhões de
Moçambique propriedades agrícolas, a
agricultura familiar produz cerca
Portugal
de 80% dos alimentos 93%
S. Tomé e Príncipe consumidos no mundo e do total das
explorações 49%
contribui directamente para
Timor-Leste 10 dos 17 Objectivos do agrícolas
0 10% 20% 30% 40% 50% 60% Desenvolvimento Sustentável

PÚBLICO
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18 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Carnaval é sátira?
Aqui vai a minha

Brincadeira
Naquele Carnaval,
o tio Manuel fez-se
à estrada com o
sobrinho Adriano
e foi passar o fim-de-
-semana largo a casa
do irmão, na zona
de Aveiro. Acabou
a servir de modelo,
ao projecto pessoal
do fotojornalista do
PÚBLICO

A
driano nunca gostou do ficiente para as birras ainda fazerem parte do desculpa para apontar a máquina. “Andava
Carnaval. “Já temos muitas seu leque de reacções aceitáveis. “Quando me sempre a cravar a família e os amigos para os
máscaras todos os dias”, de- tentaram enfiar aquilo, peguei o touro de caras: fotografar”, conta. Naquele fim-de-semana
sabafa. A antipatia do foto- fiz uma birra tal que não conseguiram pôr- grande de Carnaval, de visita a casa dos pais,
jornalista do PÚBLICO por me dentro do fato. Nunca gostei do Carnaval, comprou uma série de máscaras e lá começou
esta data não é de hoje, nem nunca.” a pedinchice do costume. A mãe, o pai, a avó,
sequer de ontem. Lembra- Mas do que Adriano Miranda gosta (e gos- o amigo Rui, a prima Alexandra deixaram que
se de, lá em casa, na zona de tava já muito em 1994, quando estas imagens ele os guiasse por esta sátira privada em que
Aveiro, a família lhe alugar um fato de toureiro foram feitas) é de fotografar. Há 24 anos, ain- estão e não estão mascarados.
que seria a sua primeira máscara. Não sabe da estudante do Ar.Co — Centro de Arte e Co- É só um ocultar do rosto, que muda tudo.
quantos anos tinha, mas era pequenino o su- municação Visual, em Lisboa, tudo servia de Não sabemos se, por baixo daquelas caranto-
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 19

Portfólio Há 24 anos, Adriano Miranda juntou a família


e amigos e fez o seu álbum privado de Carnaval. É uma
sátira à festa de que nunca gostou. E um álbum de memórias
familiar, bizarro e melancólico

Por Patrícia Carvalho

Verão no Inverno
Mas tu tens a
certezade que as
fotografias foram
tiradas no Carnaval?
A tua mãe está de
fato de banho em
pleno Fevereiro,
devia estar frio... “Fui
eu que lhe pedi”,
ri-se Adriano. E ela
acedeu, como fazia
sempre

nhas de plástico, há sorrisos ou a vontade de uma — desde que Adriano não se esquecesse a ser uma sátira agora. Mas é também um bi-
que aquilo acabe depressa. “Ó mãe, veste lá de rodar o filme, caso contrário, estava sempre zarro e algo melancólico álbum de família,
um fato de banho. Ó pai, põe-te aí em cima a fotografar em cima do mesmo fotograma. E povoado, aqui e ali, pelos que já morreram. É
da Vespa. Rui, pára de trabalhar no carro que há uma sobreposição de três imagens neste um Carnaval sem o ser, sem lantejoulas nem
ambos estamos a desmontar e põe esta más- trabalho de 1994 que é a prova disso mesmo. colorido. A antifesta privada de um estudante
cara. Ó Preto, que bom que decidiste passar Não foi qualquer tentativa de criação artística. de Fotografia com uma máquina perfeita para
mesmo em frente à senhora Conceição quan- “Esqueci-me de rodar o filme”, ri-se Adriano. explorar. É uma parvoíce. É Carnaval. É uma
do disparei.” E as imagens quadradas da Lu- Como tantos outros trabalhos, este esteve recordação. Tal qual como a Lubitel que foi
bitel, uma máquina russa que era vista quase esquecido numa gaveta até ter sido agora to- emprestada a um colega e ainda não voltou
como um objecto de culto entre os estudantes cado pela lembrança (e renovado interesse) a casa. Já agora, importas-te de a devolver? É
de Fotografia de então, iam surgindo. Uma a do autor. Era uma sátira há 24 anos, continua Carnaval, não leves a mal.
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20 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Dois irmãos Mãe modelo


• A tartaruga Ninja, à esquerda, é João, o pai de Adriano. • A mãe de Adriano, Emília, aparece várias vezes neste
Ao lado está o irmão, Manuel. João já morreu, Manuel conjunto de imagens cheias de ironia que ele criou em
não. Era na casa deste, em Rio de Mouro (Sintra), que 1994. Aqui, com uma máscara de uma personagem
Adriano vivia quando estudava no Ar.Co. “Eles tiveram da Disney, segura uma pomba em barro que havia lá
um percurso de vida muito difícil. Foram refugiados da II em casa, junto à porta da marquise. Há outra em que
Guerra Mundial em Timor-Leste, companheiros na Casa aparece envolvida num lençol, semiescondida pelas
Pia e foram sempre muito ligados. Acho piada a esta sombras de um limoeiro. Ela tinha paciência para isto?
cumplicidade, até às máscaras”, diz o fotojornalista. “Tinha, tinha”, ri-se Adriano.

O amigo Rui Preto, o gato


• O Rui era o amigo sempre presente, aquele que andava • “Esta é a minha favorita”. Está dito. À direita está a
sempre por perto, porque vivia por cima da casa dos “avó” Rosa, ao lado, a irmã dela, Conceição. E, à frente,
avós de Adriano. Era só chamar e ele aparecia. Senta-te aparecido do nada, arqueando-se no exacto momento
aí, põe lá esta máscara. E ele punha. Anda daí, vamos em que Adriano disparava, está o gato Preto. “Gosto
desmontar um carro velho comprado no sucateiro para muito desta fotografia. Gosto do gato a fazer aquela
ver o que podemos fazer com as peças. E ele ia. Esta onda com as costas, dos dedos da sr.ª Conceição a
fotografia foi tirada na casa dos avós do fotojornalista. apontar para ele”, diz Adriano. E aquela gargalhada que
“Por trás do tanque de lavar a roupa”, precisa. sai de dentro da máscara da “avó”? Sente-se, não é?
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 21

A Morte que ri
• Praticamente todos os retratados neste conjunto de
imagens participaram em mais do que uma pose ou uma
paródia. Conceição, que também já morreu, aparece
aqui com a máscara que na fotografia favorita de
Adriano está no rosto da irmã, Rosa. Pá na mão, máscara
de uma Morte sorridente, é difícil imaginar a expressão
que terá por trás da máscara. Tivesse o gato Preto
saltado à frente dela e teria feito as delícias do fotógrafo

As primas, como Mickey e palhaço rico


• Há coisas de que Adriano já não se lembra muito bem
sobre a história destas fotografias, mas o que o leva a
ter a certeza de que foram mesmo tiradas no Carnaval
é esta fotografia da prima Xana com a filha Inês ao colo.
“A Inês está mascarada a sério, estava de saída para o
desfile de Carnaval”, diz o fotojornalista, lembrando
que a bebé já se licenciou e trabalha como solicitadora
há cerca de um ano. A fotografia foi tirada junto à casa
dos pais de Adriano, em Aveiro, cenário de muitas das
imagens captadas no que devem ter sido dois dias
distintos de máquina apontada a máscaras. O outro local
escolhido para dar uso à mítica máquina fotográfica
russa Lubitel é a casa dos avós
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22 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Entrevista Beth Singler Como antropóloga digital, tem-se dedicado a interrogar as


implicações do avanço da inteligência sintética, avaliando o impacto desta nos actuais
sistemas de crenças. A possibilidade do desenvolvimento de sentimentos como a dor em
robôs é uma das questões centrais do seu trabalho, bem como a criação de “máquinas
conscientes”, um dos pontos mais debatidos na comunidade científica da especialidade
Por Graça Castanheira

NUNO FERREIRA SANTOS

S
e na frenética corrida da
invenção de mecanismos
dotados de uma cada vez
mais sofisticada inteligência
artificial não se tiver em conta
“a compaixão e a empatia
pelas pessoas”, “a coisa pode
correr muito mal”. O alerta é
de Beth Singler, antropóloga e investigadora
associada do projecto Human Identity in
an Age of Nearly-Human Machines, no
Instituto Faraday para a Ciência e Religião
da Universidade de Cambridge, onde
explora as implicações sociais e religiosas da
inteligência artificial e da robótica.
No processo de conceber inteligência
artificial, aprendemos sobre a nossa
própria inteligência?
Claro que sim. Por vezes instala-se uma
imensa estranheza quando nos deparamos
com um robô, um ser sintético ou um
avatar virtual. Parece humano, não o sendo
exactamente. Nesses momentos, é como
se olhássemos do outro lado do espelho
e conseguíssemos perceber onde estes
modelos falham. Quando nos comparamos
com os fracassos das máquinas que tentam
ser humanas, a nossa dimensão humana
adquire outros significados. Vimos isso com
Sophia, uma robô da Hanson. Este andróide,
uma recriação do ser humano, não foi bem-
sucedido por vários motivos. Mas só o facto
de existir diz-nos muito sobre o que achamos
que significa ser-se humano.
E qual é a sua opinião sobre Sophia?
É um exemplo interessante de uma
manobra publicitária. Muitas vezes a
imprensa trata-a como sendo uma pessoa
— e podemos chegar a um ponto em que

“Trabalhamos para
teremos de pensar nestas identidades como
pessoas e ter de incluir no nosso círculo
social formas de vida sintéticas. Ainda não
chegámos a esse ponto, mas a forma como
Sophia fala faz com que assumamos que
ela é como uma pessoa. Recentemente, foi
considerada cidadã da Arábia Saudita, o

que as máquinas
que é problemático por vários motivos. Em
parte por causa da forma como as mulheres
são tratadas na Arábia Saudita. Sendo ela
um robô de aspecto feminino, está a ter
mais reconhecimento e mais autoridade do
que as mulheres que já lá vivem. Por outro

não nos venham


lado, também é óbvio que se trata de uma
manobra publicitária, porque ela não viaja
como uma cidadã. Sophia esteve ainda
agora em Las Vegas, na CES, uma grande
exposição de tecnologia, e tenho a certeza
de que ela não precisou de um visto para

a fazer mal”
entrar nos EUA. Ela chegou numa caixa.
O pedido de direitos para os robôs surgiu
agora, com gente a perguntar se este robô
devia ter direitos associados à sua cidadania.
E esta questão só se levantou por causa de
uma tecnologia de conversação que permite
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 23

Se seguirmos em 2084 – Imagine é um


ciclo de conversas sobre o
tempo da próxima geração.
direcção a máquinas Numa parceria entre o
Centro Cultural de Belém
hipoteticamente e o PÚBLICO, a realizadora
Graça Castanheira ouve

conscientes, será pessoas que, a partir das


suas áreas de estudo,
pensam e idealizam a
inevitável considerar nossa existência comum,
procurando debater

a questão da dor especificamente o impacto


de tecnologias emergentes
na vida de todos os dias

a Sophia entrar em diálogo com os humanos. muito debatido na comunidade científica. armas autónomas letais, os drones com arqueóloga e ‘ela’ parte em aventuras”
Isso não significa que ela tenha o mesmo Não existe consenso sobre a criação de inteligência artificial independente dos e todos compreendemos. Mas também
nível de identidade, cognição ou inteligência máquinas conscientes, mas há quem queira humanos ou as questões relacionadas com temos a noção de que “ela” é uma coisa,
do que algumas espécies de animais, às quais que a pesquisa em inteligência artificial siga vigilância e privacidade. A quem pertencem um personagem num jogo de computador,
ainda não concedemos quaisquer direitos. nesse sentido. E aí a questão da dor terá de os dados de que a inteligência artificial não possui género, a não ser no contexto
É uma situação complexa, mas, resumindo, ser pensada. necessita? Será que aceitamos cedê-los? da narrativa. Penso que será possível falar
diria que Sophia não passa de uma manobra Qual é a sua posição? Temos aqui um mundo de questões éticas. informalmente sobre Sophia e dizer “ela
publicitária. Sobre desenvolver máquinas conscientes? E, por outro lado, queremos perceber foi a Las Vegas, esteve aqui e falou com um
É autora de uma série de curtas- Creio que o maior problema é parecer que como podemos fazer máquinas “boas”, no repórter”. O que terá mais que ver com o
metragens. A primeira, Pain in the lá chegámos antes de efectivamente termos sentido de máquinas que optam pelo bem. nosso à-vontade com a linguagem ou como se
Machine, pergunta se as máquinas chegado. A ficção científica aborda isto Pensamos em modos de fazer “alinhamento sentíssemos que é indelicado referirmo-nos
podem ou devem sentir dor. Será que de várias formas: o teste da empatia em de valores”, um termo técnico na área da a uma entidade que se apresenta com forma
devem? Blade Runner (1982), por exemplo. Coloca- Inteligência Artificial, para garantir que os humana, como sendo uma coisa, apesar de,
Foi uma questão com que me deparei no se o mesmo problema na série televisiva objectivos de uma qualquer inteligência tecnicamente, ela ser uma “coisa”. Essa foi
início da minha abordagem a estas matérias. Humans (2015). Mas nós nem sabemos ao artificial não entram em linha de conflito a minha posição no debate. Outros foram
Pensei que uma curta-metragem seria uma certo se os humanos têm consciência, ou com os seres humanos. Trabalhamos para muito assertivos: “Tem de se tratá-la por
boa forma de a analisar, porque não só nos o que é a consciência humana. Podemos que as máquinas, num cenário em que se ‘coisa’.” Isto porque assim que começarmos a
permitiria entrevistar especialistas com cair no solipsismo de assumir que só nós tornem agentes independentes, não nos pensar nela como “ela”, estaremos a permitir
um vasto conhecimento sobre a dor e a temos consciência e todos os demais são venham a fazer mal de maneira intencional. que as máquinas nos convençam de que são
tecnologia, como também incluir elementos apenas zombies convincentes que fazem a Quando fala sobre “máquinas aquilo que não são realmente.
da ficção científica, que representa este tema sua vidinha. Se não podemos ter a certeza empáticas” ou “máquinas boas”, Bom, para começar têm uma voz, que é
com frequência. Usámos várias passagens de de que os humanos são conscientes, não sei podemos também falar de “anjos” ou ou masculina ou feminina.
filmes, entre elas, uma de O Exterminador se algum dia viremos a saber se as máquinas “seres” compassivos? É verdade. As que falam connosco têm,
(1984) que refere a dor emocional. (“Dói-te têm ou não consciência. A aparência de Podemos traçar paralelismos interessantes normalmente, uma voz aguda. Mas há uma
quando levas um tiro?”, pergunta o jovem consciência — como foi o caso de Sophia, com a forma como os anjos e os demónios linha ténue entre a voz de mulher e a voz de
John Connor. “Sinto ferimentos, os dados capaz de ter uma conversa e de dizer coisas eram vistos no século XVII. John De era criança. Não é claro o que se pretende, mas
podem ser chamados ‘dor’”, responde espontâneas que soam relevantes — leva- um mago na Inglaterra e pessoas como penso que se aposta mais na voz de criança,
o Terminator.) Este tema é provocador nos a pensar que ela já tem uma identidade ele criaram tecnologias para convocar que é fofa, do que na de mulher. Mas há
e, na altura, as pessoas envolveram-se, que se assemelha a uma consciência. Esta anjos e demónios que cumprissem a sua formas andróides com géneros bem definidos
deram opiniões. Obtivemos não só os questão surge antes de estarmos preparados vontade. Naturalmente, nada aconteceu. e que têm um aspecto muito feminino.
dados demográficos de quem viu o filme, para ela. Mas eles acreditavam que, se o código E frequentemente as representações de
mas também as respostas por escrito a um Se fosse programadora e tivesse não fosse bem escrito, as coisas poderiam inteligência artificial na ficção científica e na
inquérito que o acompanhou, informação ferramentas para implementar uma correr mal. É assim que vemos também um cultura popular têm uma forma feminina.
que tem sido muito útil para perceber o emoção relacional num ser sintético, pouco a inteligência artificial (IA). Se não A assistência por inteligência artificial tem,
que as pessoas comuns, fora do meio da a que daria prioridade: paixão ou escrevermos o código de maneira adequada, regra geral, uma voz feminina.
tecnologia, pensam sobre estes temas. compaixão? se criarmos a IA de modo a que esta aprenda Como a Siri, da Apple, e a Alexa, da
Existe uma diferença entre dor Compaixão. Sem dúvida. Paixão pode as coisas erradas, esta poderá destruir-nos. Amazon.
emocional e dor física. Sentimos dor ser um sinónimo de ambição, o que, sem Existem exemplos históricos e mitológicos ... ou a Cortana, da Microsoft. Há motivos
física e aprendemos a proteger-nos, compaixão, pode ser perigoso. É o que disso: Vulcano ou Hefesto, o deus grego que claros para que assim seja. No fundo, é voltar
mas qual é o papel formativo da dor verificamos nos avanços tecnológicos, criou uma enorme estátua de um homem de ao conceito de que as mulheres são servis
emocional, se existe algum? sobretudo em grandes empresas que ferro que se podia mover, chamada Talos. E e fornecem o tipo de auxílio gentil que os
Um dos entrevistados em Pain in The começaram por se esforçar por ser éticas, existia o conceito dos oráculos e das cabeças clientes desejam. Na realidade, alguns destes
Machine foi Ewan St. John Smith, um mas que se desviaram desse caminho de bronze que respondiam a perguntas, mas assistentes possuem diferentes tipos de voz,
neurofarmacologista especializado em quando o capitalismo entrou em cena. Creio que eram artificiais, tal como o Golem da incluindo vozes de homem, mas por defeito
dor do Departamento de Farmacêutica que o lema original do Google é Do No Harm mitologia judaica. Estas ideias regressaram apresentam a voz feminina ao cliente. E tudo
da Universidade de Cambridge. Uma das (“Não fazer mal”), mas temos visto práticas agora e assumiram formas diferentes, mas isto diz muito sobre os conceitos de género.
questões que surgiram nas nossas conversas bastante questionáveis, sobretudo por parte moldaram a maneira como encaramos a Como define a relação entre ciência e
foi a de que a dor imediata nem sempre das empresas por detrás das redes sociais. tecnologia moderna. O impacto destas ideias religião?
leva à emoção imediata, mas a dor crónica Se não tivermos compaixão e empatia pelas é muito importante no nosso imaginário. A Ambos os campos definem a maneira
está, sem dúvida, ligada a uma experiência pessoas — levarmos adiante ideias que as não analogia com os anjos e os demónios surge como existimos enquanto humanos. Não
emocional. Se criássemos robôs capazes de têm em conta —, a coisa pode correr muito frequentemente na imprensa, como quando tenho a certeza se algum dia viveremos
reagir a estímulos negativos rapidamente — o mal. A seguir, depois de implementada a se refere que Elon Musk investiu imenso num futuro totalmente secular, como hoje
que seria benéfico —, abriríamos caminho a compaixão, passaria à alegria. A prioridade dinheiro para enfrentar o “demónio” da se anuncia. Mas creio que a maneira como
situações de dor crónica. Se qualquer coisa seria não fazer mal e, a seguir, se essa inteligência artificial. historicamente temos visto ciência e religião,
ficar danificada, quanto tempo demora máquina fosse capaz de passar por estados E quanto ao género? Como devemos como compatíveis ou como antagónicas, é
a ser reparada para que essa sensação emocionais, seria fundamental que fosse tratar estes robôs/andróides? Ele, ela, muito significativa. Estamos numa fase em
desapareça? A vivência da dor crónica capaz de sentir alegria e entusiasmo perante “coisa”? que cada vez mais as entendemos como
implicaria forçosamente uma emoção? as maravilhas do mundo. Participei recentemente num debate em forças opostas. Penso que estabelecer um
Há quem argumente que a consciência O seu terceiro filme será sobre o conceito que se discutiram muito as questões de diálogo entre estas duas áreas de interesse e
tem por base tanto a capacidade de sofrer de “bem” nas máquinas... género. A minha posição é a de que existe de relato histórico humano — a ciência tem
como a de estar livre de sofrimento, donde, Perguntamo-nos como podemos usar as uma diferença entre a natureza física da as suas histórias e a religião também — é
se seguirmos em direcção a máquinas máquinas positivamente. Começando máquina e a narrativa à volta da mesma. muito necessário.
hipoteticamente conscientes, será inevitável pelas questões éticas mais óbvias que são Se falarmos sobre o jogo de computador
considerar a questão da dor. Este ponto é suscitadas pela inteligência artificial, as Tomb Raider, diria “Lara Croft é uma Realizadora
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24 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Media&Tecnologia

Televisão Tecnologia
Viciante e sem culpa
O criador de Sete Palmos Da minha janela em Alfama (Lis-

de Terra tem uma série Isabel Coutinho


Um dia destes li um artigo sobre o
boa), ouço em diversas línguas as
explicações dos guias nas visitas ao
bairro de turistas cada vez mais fre-

sobre o aqui e agora novo livro que a neurologista Kaja


Nordengen está a lançar na Noruega
e que nos ensina a treinar e a manter
quentes, o que é sempre fascinante.
Desde há uns meses instalei no meu
telemóvel a aplicação Duolingo (iOS,
o nosso cérebro em forma todos os Android e Windows ) que nos permite
dias. Ela é autora de uma outra obra aprender diversos idiomas de graça.
Também existe, tal como em Fo- do se as crianças não tivessem sido sobre o funcionamento deste órgão As “aulas” da aplicação funcionam
Rodrigo Nogueira ge, de Jordan Peele, uma bem-vinda usadas como “publicidade para o que ultrapassou fronteiras, intitula-se como se fossem um jogo (perdemos
examinação de um certo tipo de li- quão progressistas e evoluídos os Mon cerveau superstar: Le seul organe vidas quando erramos e ganhamos
Depois de Sete Palmos de Terra, uma beral norte-americano ultraprogres- nossos pais eram”. irremplaçable, na tradução francesa pontos quando completamos uma
das séries essenciais e pioneiras da sista com muitos pontos fracos. Nes- Como é uma criação de Ball, que e que sairá em língua inglesa ainda lição) e até para quem como eu não
chamada idade de ouro da televisão se campo, recorrer a Tim Robbins e mesmo quando está desajeitado durante este ano. tem por hábito ter jogos no telemóvel
norte-americana, é natural que uma Holly Hunter, duas caras icónicas de continua a saber escrever, há aqui, Quando aprendemos coisas novas é viciante. Sem culpa, porque estamos
nova criação de Alan Ball desperte Hollywood conhecidas por projec- além do drama familiar, uma com- ou desafiamos a nossa mente, esta- a aprender e a exercitar o cérebro.
muita atenção. Especialmente se, tos que puxam desse tipo de galões, ponente que poderá ou não ser mos a contribuir para a “boa for- Podemos escolher ter os cursos em
depois de True Blood — onde o ar- e à filha de Kevin Bacon e Kyra Se- sobrenatural e vai dando um ar da ma” do cérebro e os seus conselhos português e nesse caso o problema é
gumentista explorou vampiros, e gwick é meio caminho andado, tal sua graça. No primeiro episódio, passam também por mudarmos as que se trata do português do Brasil
Banshee, em que era só produtor como o filme de Peele usava Bradley que lida com a festa de 60 anos de nossas rotinas. Por exemplo, sair do ou optar por ter como língua base do
executivo, onde olhou para o mun- Whitford e Catherine Keener. Duc Greg, em que este explica aos con- autocarro uma estação antes do des- curso o inglês ou o francês e nesse ca-
do do crime de uma pequena cida- até diz, em dada altura no primeiro vidados que mudou do optimismo tino final e caminhar dez mil passos so as possibilidades de aprendizagem
de —, Ball regresse àquilo que lhe episódio, que crescer numa casa tão para o desespero, Ramon arranja por dia, experimentar lavar os dentes de línguas longínquas aumentam.
deu fama: a exploração de uma fa- multicultural até teria sido engraça- um novo namorado e começa a ver pegando na escova com a mão que Estou a aprender japonês, alemão e
mília, algo que já fazia antes sequer os números “11 11” em vários sítios. menos utilizamos no dia-a-dia ou línguas escandinavas respondendo
de criar séries de televisão, tendo Isso leva a família a achar que este aprender cinco novas palavras por em inglês e a melhorar o meu inglês
um Óscar pelo guião de Beleza Ame-
ricana. É isso que acontece em Here Alan Ball poderá sofrer de problemas men-
tais. Começa assim a frequentar um
dia numa língua estrangeira. tendo por língua base o português.
É fascinante perceber que ao fim
and Now.
A série estreia-se em Portugal
via TVSéries na mesma noite em
volta à psiquiatra (interpretado por Peter
Macdissi, que é parceiro do criador
na vida real) ao qual a sua família
de algumas semanas, fazendo o es-
forço de todos os dias dedicar cinco
minutos à aulas, que começam como
que arranca na HBO, ou seja, hoje
às duas da manhã, com repetição mesma está ligada de formas inesperadas.
É uma ligação mais profunda do
vocabulário muito simples, incluem
questões de conversação, compre-
às segundas-feiras no horário das
22h45. Passada numa Portland,
Oregon, que é diferente daquela
HBO para que o facto de o psiquiatra, que é
de origem muçulmana — apesar de
a mulher ser mais religiosa do que
ensão tradução e desafios de escolha
múltipla, conseguimos olhar para um
parágrafo escrito nessa língua nova
que vemos tanto no programa de
sketches Portlandia quanto nos fil- a qual criou ele —, ter em casa uma criança cujo
género é fluido e é colega de liceu
para nós e perceber algumas frases
que até aí seriam incompreensíveis.
mes de Gus van Sant, centra-se na
família Bishop. Os pais são Audrey
(Holly Hunter), que tem uma ONG
a mítica de Kristen.
A família do psiquiatra ajuda a
tratar temas actuais sobre género
À medida que se vai respondendo
às questões que nos colocam, repe-
tindo alto as novas palavras e frases,
cujo objectivo é fomentar a empa-
tia, e Greg (Tim Robbins), um filó-
série do e islamofobia a partir de uma pers-
pectiva que não é só a de Ball, um
fazendo traduções e percebendo os
erros que cometemos, temos a sen-
sofo deprimido, e adoptaram três
filhos multiculturais. Ashley ( Jer-
rika Hinton) — que tem um site de
início dos homem branco, já que a série tem
uma equipa diversa de argumentis-
tas. Há discussões sobre o uso de hi-
sação de estar realmente a aprender
alguma coisa.
A plataforma Duolingo foi criada
venda de roupa — veio da Libéria,
Duc (Raymond Lee) — um life coach
anos 2000 jab — que tanto a sua esposa quanto
a sua criança adolescente gostam
pelo guatemalteco Luis von Ahn, pro-
fessor da Carnegie Mellon University
— veio do Vietname e Ramon (Da-
niel Zovatto) — que está a aprender
a criar videojogos — é da Colômbia.
e True Blood de envergar — que são mais multidi-
mensionais do que o habitual.
e um dos responsáveis pela invenção
do Captcha, que prova que somos hu-
manos quando preenchemos formu-
Além deles, também tiveram uma lários na Net e não máquinas, e pelo
filha biológica, a ainda estudante de suíço Severin Hacker, especialista em
liceu Kristen (Sosie Bacon, cujo ros- ciências da computação. A versão da
to e apelido não enganam: é filha de aplicação que tenho usado é a gratui-
Kyra Sedgwick e Kevin Bacon). ta, por isso sou obrigada a de tempos
Tudo nesta série, e não só o no- a tempos ver anúncios que dão pontos
me, remete para uma história pas- Here and Now que permitem avançar com as lições.
sada aqui e agora. O mundo pós- envolve uma família, Mas há uma versão sem anúncios para
Trump - sem este ser mencionado melancolia e uma quem quiser pagar cerca de 11 euros
pelo menos nos primeiros quatro possível corrente por mês.
episódios que foram mostrados à sobrenatural, com Para complementar, criaram a apli-
imprensa -, questões identitárias Holly Hunter e Tim cação Tinycards (iOS), com cartões
e discriminação estão em cada es- Robbins como pais que nos ajudam a praticar a língua e
quina, por vezes de uma forma um com três filhos a memorizar as palavras novas.
pouco atabalhoada e até forçada, adoptivos e uma Duolingo https://www.duolingo.com/
mesmo que as boas intenções es- filha biológica em
tejam sempre à vista. Portland, no Oregon isabel.coutinho@publico.pt
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 25

Semana de lazer

Música
Linda num ringue só seu
Acabados de sair do ringue de concertos-duelos que foi a digressão Rumble in LISBOA Lux Frágil
the Jungle, partilhada com The Legendary Tigerman, os Linda Martini fazem-se Dias 15 e 16 de Fevereiro, às 23h.
à estrada sozinhos para exibir o recém-lançado álbum homónimo. Servido pelo Bilhetes a 12€
single Gravidade, contrasta pela crueza com a relativa polidez do antecessor,
Sirumba. Estão esgotados os bilhetes para a data dupla de arranque, em Lisboa,a,
mas ainda os há para as próximas paragens: Arcos de Valdevez (17), Porto (23),
Lousada (24), Ílhavo (3 de Março), Loulé (9) e Castro Verde (10).
lazer@publico.pt

De Zeus a Varoufakis, a peça tem Duas horas depois, é projectado


por base a adaptação feita por o oito vezes oscarizado Há Lodo
Miguel Castro Caldas, também no Cais (1954), de Elia Kasan,
responsável pela dramaturgia. É acompanhado da banda sonora
interpretada por Cláudia Gaiolas, de Leonard Bernstein, executada
Francisco Camacho, Isabel Abreu, pela Orquestra Sinfónica do
Miguel Borges, Vera Mantero Porto Casa da Música. No
e o próprio Tónan Quito. Os dia seguinte, às 12h, a Banda
Teatro outros dois rostos da fotografia Música e cinema Sinfónica Portuguesa visita as 14.ª edição do festival Terras sem
A tragédia pertencem aos Dead Combo, que Pautas, câmara, acção partituras de John Barry para Sombra. À excepção dos Barbara
tratam da música. Os figurinos África Minha (de Sydney Pollack) Fortuna, quarteto vocal corso
de Quito vêm assinados por José António A Casa da Música volta a ser e de John Williams para a saga que vem a Beja homenagear
Tónan Quito envereda pela Tenente. também uma casa de cinema. Guerra das Estrelas, com arranjos Michel Giacometti, toda a música
tragédia grega através da obra LISBOA Centro Cultural de Belém Entra em exibição mais uma do holandês Johan de Meij, que está de alguma forma ligada à
maior de Ésquilo: a trilogia De 17 a 19 e de 21 a 24 de edição do ciclo Invicta.Música. dirige o concerto e é autor das Hungria. É de lá que vem, para
Oresteia, que conta as histórias Fevereiro, às 21h Filmes. Abre dia 17, às 16h, com o duas outras obras interpretadas: a abertura, em Vila de Frades, o
de Agamémnon, das Coéforas e (excepto dia 18, às 16h). projecto Factory 365 a sonorizar Via Claudia e Fellini. A fechar o Vaszy Viktor Kamarakórus. No
das Euménides. Integrada no ciclo Bilhetes de 12,50€ a 15€ filmes de animação com gamelão. ciclo (dia 20, às 19h30), o Remix último concerto, em Santiago do
Ensemble estreia uma banda Cacém, ouvir-se-á um programa
sonora original de Wolfgang em torno do compositor György
Mitterer para o clássico do cinema Kurtág. Entre eles, um ponto alto
Teatro de terror e do expressionismo será a estreia absoluta, em Serpa,
alemão O Gabinete do Dr. das Canções Populares Húngaras

A melancolia do hard-rock Caligari (1920), de Robert Wiene.


PORTO Casa da Música
Dias 17, 18 e 20 de Fevereiro.
de Fernando Lopes-Graça.
O alinhamento completo do
festival — incluindo os programas
Bilhetes de 7,50€ a 25€ paralelos de visitas ao património
Comem batatas fritas, sorvem cerveja, fazem headbanging, ouvem AC/DC. Ficaram edificado e actividades ligadas à
com o carro e o atrelado parados pela neve numa floresta silenciosa. Decidem que é Música biodiversidade — está em https://
o momento ideal para criarem um parque de diversões ao seu gosto. Estão tentados a É sagrado festivalterrassemsombra.org.
chamar-lhe Parque da Melancolia. Ou dos Dragões. Fazem planos mas, como sublinha ALENTEJO Barrancos, Beja,
No Alentejo, é com o património Elvas, Ferreira do Alentejo,
o The New York Times, “este é um trabalho em que nada acontece. Mas esse nada
e a paisagem que as pautas se Mértola, Odemira, Santiago do
é maravilhoso”. Falamos de La Melancolie des Dragons, a peça que traz de volta a harmonizam — pautas de música Cacém, Serpa, Sines e Vidigueira
Portugal o encenador francês Philippe Quesne, mentor do Vivarium Studio e autor de sacra. Dez concelhos recebem De 17 de Fevereiro a 8 de Julho.
espectáculos como Swamp Club, que passou pelo Rivoli em 2015. nas suas igrejas e noutros locais a Grátis

PORTO Teatro Rivoli


Dia 16 de Fevereiro, às 21h30 (conversa pós-espectáculo com Inês Nadais,
editora e jornalista do PÚBLICO). Bilhetes a 10€
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26 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Dia de ficar

de Cal e que o transforma num


CINEMA Os mais vistos da TV RTP1 11,7 autêntico íman de sedução. Da
Sexta-feira, 9 dupla Glenn Ficarra e John Requa,
Fúria
Fox, 21h20 A Herdeira
% Aud. Share
TVI 12,6 27,3
RTP2 2,1 responsável por Eu Amo-te Phillip
Morris.
Abril de 1945. Tudo aponta para a
vitória dos Aliados, que culminará
Paixão SIC 11,9 25,8 SIC 17,3
no tão ansiado fim da II Guerra.
Televisão
Jornal das 8
Jornal da Noite
TVI 10,6
SIC 9,8
23,1
21,5 TVI 20,3 MÚSICA
Atrás das linhas do inimigo, em
Cabo
lazer@publico.pt Espelho d'água SIC 8,3 23,1
pleno território alemão, o sargento
FONTE: CAEM
36,2 Voz e Guitarra — Ao Vivo
norte-americano Don “Wardaddy” RTP2, 0h07
Collier tem a seu cargo um Segundo dia do concerto que
pequeno grupo de homens RTP 1 TVC1 22.00 World Trade Center 0.02 O fechou as Festas de Lisboa em
valentes e um único tanque de 6.30 Espaço Zig Zag 8.00 Bom 9.45 Negação 11.40 Cegonhas (V.P.) Violino Vermelho 2.09 Mágoas de 2015 e que, em duas noites,
guerra. O grande objectivo é matar Dia Portugal Fim de Semana 10.30 13.10 O Amigo Gigante (V.P.) 15.10 Grandeza 2.55 Família de Acolhimento reuniu perto de 30 artistas de
o maior número de inimigos e Eucaristia Dominical 11.34 Paraíso Kong: Ilha da Caveira 17.10 Piratas 3.40 World Trade Center diferentes gerações em formato
sair vivo daquele inferno. E o Verde 12.09 Recordistas do Mundo das Caraíbas: Homens Mortos Não acústico. Nascido de um projecto
único consolo é o espírito de Animal 13.00 Jornal da Tarde 14.18 Contam Histórias 19.25 Inferno (2016) discográfico com direcção artística
camaradagem e a esperança do Sociedade Recreativa 15.15 Flash 15.56 21.30 Ladrões Com Muito Estilo 23.10 FOX de Manuel Paulo Felgueiras e
fim inevitável. Um filme de guerra Miúdos e Graúdos 17.50 Engana-me The Accountant - Acerto de Contas 13.00 Hawai Força Especial 15.34 António Miguel Guimarães e
que reflecte o valor da amizade, Que Eu Gosto 19.59 Telejornal 21.05 1.20 Como Seduzir uma Amiga 3.00 X-Men: O Confronto Final 17.25 Ninja direcção musical de Tim (dos
escrito e realizado por David Ayer, Os Extraordinários 22.40 Isto é o Homenzinhos 4.30 Depois de Valquíria 19.07 60 Segundos 21.20 Fúria 23.55 Xutos e Pontapés), foram incluídas
com Brad Pitt, Shia LaBeouf, Fim! 0.37 Semente - A História por Undisputed 3 - A Redenção 1.41 A canções que ainda não tinham
Logan Lerman, Jon Bernthal, Contar 1.37 Sociedade Recreativa 2.27 Outra Face 3.55 Investigação Criminal: sido apresentadas nos álbuns já
Michael Peña, Jason Isaacs e Scott Parlamento 3.14 Sky Jumpers FOX MOVIES Los Angeles 5.19 C.S.I. editados desta colecção. Vinte
Eastwood. 11.25 07 - Operação Relâmpago 13.31 temas cantados por 15 artistas,
07 - Só Se Vive Duas Vezes 15.23 07 nomes maiores da música
Ladrões com Muito Estilo RTP 2 - Ao Serviço de Sua Majestade 17.23 FOX LIFE portuguesa, com versões inéditas e
TVC1, 21h30 7.00 Euronews 7.55 Espaço Zig Zag 07 - Os Diamantes São Eternos 19.18 13.14 9-1-1 14.01 The Resident 14.51 alguns intérpretes estreantes neste
Há já várias décadas que Willie, 12.58 Voz do Cidadão 13.17 Caminhos 07 - Vive e Deixa Morrer 21.15 07 - O Sun, Sand and Romance 16.31 The projecto, como David Fonseca e
Joe e Albert (Morgan Freeman, 13.43 70x7 14.14 Nikolaj e Julie 15.00 Homem da Pistola Dourada 23.15 07 - Perfect Catch 18.16 De Repente, Já Rita Redshoes, ambos com letras
Michael Caine e Alan Arkin, Desporto 2 17.01 Vamos à Descoberta Agente Irresistível 1.15 Os Ambiciosos nos 30! 20.08 Muito Mais Que Amigos em português, e ainda Miguel
respectivamente) são amigos 17.52 A Mentira da Verdade 18.20 Também Morrem 2.38 O Passado Não 22.20 Noivo de Aluguer 0.17 Aqui e Araújo.
inseparáveis. Reformados e com Bob´s Burgers 18.45 A Fuga das Perdoa 4.34 O Comboio do Inferno Agora 2.03 Rookie Blue
pouco que fazer, levam uma Galinhas 20.04 E2 - Escola Superior
vida tranquila e rotineira. Mas de Comunicação Social 20.29 Jogos SÉRIE
quando descobrem que, por Olímpicos de Inverno, Pyeonchang CANAL HOLLYWOOD DISNEY
culpa do banco, perderam todo 2018 - Resumos Diários 21.00 Jóias, 9.20 Amor Ao Acaso 10.55 Cidade das 15.23 Lab Rats 16.10 K.C. Agente Os Beneficiados
o dinheiro que lhes garantia uma Para Que Vos Quero? 21.30 Jornal 2 Sombras 12.35 Lenda dos Guardiões Secreta 16.35 Mickey Mouse - Edição SIC Radical, 23h35
reforma condigna, ficam sem 22.13 A Agência Clandestina 23.11 (V.P.) 14.20 Porcos & Selvagens 16.05 Especial 17.00 Patoaventuras 19.29 Série documental britânica que
saber o que fazer. É então que Curso de Cultura Geral 0.07 Voz Solomon Kane 17.55 Snitch - Infiltrado Lab Rats 20.59 Miraculous - As procura retratar a vida de vários
Joe, ao testemunhar um aparatoso e Guitarra - Ao Vivo 1.37 Cinemax 19.55 Dragão - A Vida de Bruce Lee Aventuras de Ladybug 21.45 K.C. residentes da James Turner St.,
assalto a um banco, encontra aí a 2.47 Uma Montanha do Tamanho do 22.00 Locke 23.35 Assassinos 1.50 Agente Secreta em Birmingham, que vivem de
solução para todos os problemas. Homem 4.23 Nexos 5.16 Euronews Sexta-Feira 13 (2009) 3.30 Los Angeles caridade. Narrado por Tony Hirst,
Se, a princípio, os companheiros a Ferro e Fogo 5.25 Sinais do Futuro um documento que segue durante
acham a ideia estapafúrdia, DISCOVERY um ano a vida dos residentes de
depressa o desespero e a atraente SIC 17.20 Speed Is The New Black 18.15 uma das ruas mais dependentes de
visão de viver uns últimos anos 6.05 Uma Aventura 6.50 Espaço AXN Jóias Sobre Rodas 20.05 A Febre do benefícios sociais da Grã-Bretanha.
sem preocupações financeiras os Infantil 9.15 Lua Vermelha 10.25 Rio 13.09 S.W.A.T.: Força de Intervenção Jade 21.00 A Febre do Ouro 22.00 A
convence a alinhar no plano. De 12.15 Vida Selvagem: Koko, The Gorilla 14.00 Encomenda Armadilhada 15.39 Febre do Ouro: Austrália 23.50 A Febre
Zach Braff. Who Talks to People 13.00 Primeiro Salt 17.30 O Tesouro (2004) 19.44 O do Ouro 0.40 A Febre do Jade 1.30 INFANTIL
Jornal 14.10 Fama Show 14.45 I´m Tesouro: Livro dos Segredos 21.55 A Febre do Ouro: Austrália 3.00 Eles
Amor, Estúpido e Louco Out Of Office 15.00 O Agente da Amor, Estúpido e Louco 23.58 Chicago Andam Aí... 4.30 Guerra de Leilões Cegonhas (V. Port.)
AXN, 21h55 UNCLE 18.35 Da Série Convergente: Fire 0.48 O Enigma da Pirâmide 2.38 Canadá 5.25 Misfit Garage TVC1, 11h40
Cal (Steve Carell) chegou aos Divergente 19.57 Jornal da Noite 21.25 Como Defender Um Assassino 3.24 Desde tempos imemoriais que as
40 anos com tudo aquilo com D´Improviso 23.00 Espelho de Água Como Defender Um Assassino 4.14 cegonhas se dedicam a entregar
que sonhou: uma boa situação 23.55 O Outro Lado do Paraíso 0.55 Quantico 5.02 Amor, Estúpido e Louco HISTÓRIA bebés. Mas parece que o negócio
económica, uma esposa dedicada Rio I Love You 3.00 O Carro do Ano 17.05 Loucos por Carros 18.28 O Preço entrou em declínio e, nos tempos
e dois filhos que não dão 3.05 Os Europeus 3.25 Poderosas 4.10 da História 20.35 Alienígenas, a Prova da Internet, as cegonhas criam
preocupações. Porém, tudo se Televendas AXN BLACK Definitiva 22.45 A Maldição de Oak uma empresa online para entregar
esfuma quando, subitamente, 14.50 O Diário de uma Rapariga Island 2.15 Caçadores de Mistérios todo o tipo de mercadorias. Um
Emily ( Julianne Moore), a mulher, Adolescente 16.33 Por Um Fio 18.30 3.39 Monstros da Genética 5.02 dia, a cegonha Júnior, activa
lhe pede o divórcio. Depois de TVI Centurião 20.04 O Comboio das 3 e 10 Loucos por Carros involuntariamente a Máquina
algum tempo de total apatia e 6.45 Detective Maravilhas 8.26 22.00 Um Método Perigoso 23.40 O de Fazer Bebés e produz uma
autocomiseração, Cal decide que Campeões e Detectives 9.15 O Bando Ar Que Respiramos 1.13 Centurião 2.47 menina, algo que já não acontecia
está na hora de seguir a sua vida dos Quatro 9.57 Querido, Mudei a O Comboio das 3 e 10 ODISSEIA há muito. Desesperado por livrar-
e voltar ao “activo”. Porém, cedo Casa! 11.11 Missa 12.26 Viagens à Minha 17.44 A Viagem Dos Dinossauros 18.30 se do problema antes que alguém
percebe que as suas técnicas de Terra 13.00 Jornal da Uma 14.01 Somos Titãs das Profundezas 19.20 New Life se aperceba do seu engano, Júnior
sedução, eficazes no passado, Portugal - Torres Vedras 19.58 Jornal AXN WHITE 20.11 Impérios do Reino Animal 20.58 tem de descobrir quem são os
se tornaram obsoletas. É então das 8 21.40 A Herdeira 22.50 Jogo 14.16 Karate Kid - A Nova Aventura Planeta Azul Selvagem 21.43 A Viagem pais da menina e fazer a entrega
que dá de caras com Jacob Duplo 23.53 Casos da Vida - A Cor dos 16.06 Os Passageiros do Tempo Dos Dinossauros 22.29 Resgate na rapidamente. Filme animado de
(Ryan Gosling), um solteirão Dias 2.00 Querido, Mudei a Casa! 2.58 16.51 Psych - Agentes Especiais 18.22 Praia 0.00 Arte Erótica 0.45 Guerra de Doug Sweetland. Nuno Markl,
empedernido com muito jeito para Anjo Meu 3.22 Olhos de Água 4.28 TV A Teoria do Big Bang 20.26 Young Sutiãs 1.39 Arte Erótica 2.24 As Chaves Leonor Seixas e Manuel Marques
mulheres que se transforma numa Shop Sheldon 21.13 A Teoria do Big Bang do Desejo 3.23 Resgate na Praia estão entre as vozes da versão
espécie de consultor de imagem portuguesa.
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 27

Dia de sair

Sombras Livre M16. 15h, 17h30, 22h 19h10, 21h30 Maze Runner: A Cura Mortal M12. 18h50 12h40, 15h30, 18h20, 21h, 24h; Verónica

CINEMAS Cineplace - Braga


C. C. Nova Arcada, Av. De Lamas nº 100.
Bad Investigate M14. 21h50; Coco M6.
Gondomar
(V.Port./2D); Patrulha de Gnomos M6.
13h20, 15h20, 17h20, 19h20 (V.Port./2D); The
Post M12. 21h20; As Cinquenta Sombras
M16. 22h, 00h40; Abelha Maia: Os Jogos de
Mel M3. 10h40, 12h55, 15h15, 17h35, 19h55
(V.Port./2D); As Cinquenta Sombras Livre
Porto 14h10 (V.Port./2D); Ferdinando M6. 14h, Cinemas Nos Parque Nascente Livre M16. 14h30, 16h50, 19h10, 21h30; M16. 13h10, 16h, 18h50, 21h40, 00h30
16h20 (V.Port./2D); Jumanji: Bem-Vindos Praceta Parque Nascente, nº 35. T. 16996 Abelha Maia: Os Jogos de Mel M3. 13h50, UCI Arrábida
Cinemas Nos Alameda Shop e Spot à Selva M12. 13h30, 18h50; A Hora Mais Bad Investigate M14. 13h20, 16h, 18h50, 15h40, 17h30, 19h20 (V.Port./2D) Arrábida Shopping.
R. dos Campeões Europeus, 28-198. T. 16996 Negra M12. 18h30; Tad e o Segredo do 21h40, 00h25; Jumanji: Bem-Vindos à Dunkirk 00h20; Bad Investigate M14.
A Hora Mais Negra M12. 12h30, 15h20, Rei Midas M6. 14h40 (V.Port./2D); Três Selva M12. 13h40, 16h40, 19h20, 22h05; 16h45, 19h25, 22h, 00h40; Coco M6.
21h10, 00h05; Três Cartazes à Beira da Cartazes à Beira da Estrada M16. 21h20; The Commuter - O Passageiro M14. 13h30,
Matosinhos 11h, 13h55, 16h20 (V.Port./2D); Wonder -
Estrada M16. 22h10; Chama-me pelo Teu The Commuter - O Passageiro M14. 19h30; 16h20, 19h, 22h, 00h30; Maze Runner: A Cinemas NOS Marshopping Encantador M12. 21h45; Paddington 2 M6.
Nome M14. 18h40; Patrulha de Gnomos Maze Runner: A Cura Mortal M12. 16h, Cura Mortal M12. 14h20, 17h20, 21h, 00h10; IKEA Matosinhos, Av. Óscar Lopes. T. 16996 13h45 (V.Port./2D); Star Wars: Episódio VIII
M6. 10h50, 12h55, 15h10, 17h30, 19h45 21h20; Patrulha de Gnomos M6. 13h30, Patrulha de Gnomos M6. 11h10, 14h, 16h10, A Vida Secreta dos Nossos Bichos M6. - Os Últimos Jedi M12. 13h35; Ferdinando
(V.Port./2D); The Post M12. 12h50, 15h45, 15h30, 17h30 (V.Port./2D); The Post M12. 18h30 (V.Port./2D); The Post M12. 20h40, 10h45 (V.Port./2D); A Estrela de Natal 10h45 M6. 11h, 13h40, 16h25 (V.Port./2D); Jumanji:
18h35, 21h25, 00h20; Todo o Dinheiro do 16h30, 19h10, 21h40; Todo o Dinheiro do 23h30; Todo o Dinheiro do Mundo M14. (V.Port./2D); The Commuter - O Passageiro Bem-Vindos à Selva M12. 13h50, 16h35,
Mundo M14. 13h10, 16h10, 19h15, 22h25; A Mundo M14. 13h30, 16h10, 18h50, 21h30; A 14h30, 17h30, 20h50, 23h50; A Forma da M14. 22h, 00h30; Maze Runner: A Cura 19h10, 21h45, 00h35; O Grande Showman
Forma da Água M16. 12h40, 15h35, 21h35, Forma da Água M16. 16h40, 19h10, 21h40; Água M16. 12h40, 15h30, 18h20, 21h10, 24h; Mortal M12. 13h, 16h20, 19h30, 22h40; M12. 21h40, 00h10; Jogo da Alta Roda M16.
00h35; Linha Fantasma M12. 18h15; As Linha Fantasma M12. 18h40, 21h30; As Linha Fantasma M12. 18h10; As Cinquenta Patrulha de Gnomos M6. 10h30, 12h55, 21h20; Um Desastre de Artista 00h45;
Cinquenta Sombras Livre M16. 13h, 15h40, Cinquenta Sombras Livre M16. 14h20, Sombras Livre M16. 13h10, 13h50, 15h50, 15h, 17h10, 19h20 (V.Port./2D); The Post Mudbound - As Lamas do Mississípi M16.
18h30, 21h20, 24h; As Estrelas Não Morrem 14h50, 16h20, 16h40, 17h10, 18h40, 19h, 16h30, 18h40, 21h30, 21h30, 00h15, 00h35; M12. 12h40, 15h30, 18h20, 21h20; Todo o 00h25; A Hora Mais Negra M12. 13h35,
em Liverpool M12. 13h20, 15h50, 18h50, 19h30, 21h, 21h20, 21h50; Bilal: A Lenda Bilal: A Lenda M12. 13h, 15h40, 21h20, Dinheiro do Mundo M14. 14h, 17h, 20h40, 16h15, 19h, 21h50, 00h40; Tad e o Segredo
21h30, 00h10 M12. 13h50, 16h10; As Estrelas Não Morrem 23h40; Covil de Ladrões M14. 20h30, 23h40; A Forma da Água M16. 12h50, do Rei Midas M6. 11h, 16h30 (V.Port./2D);
Medeia Teatro Municipal Campo Alegre em Liverpool M12. 14h40, 17h, 19h20, 21h40; 23h20; Amor, Amor M14. 14h10, 16h50, 15h40, 18h30, 21h30, 00h20; As Cinquenta Três Cartazes à Beira da Estrada M16.
R. das Estrelas. T. 226063000 Covil de Ladrões M14. 21h10; Abelha Maia: 19h30, 22h10, 00h40; Verónica M16. 00h45 Sombras Livre M16. 12h30, 15h10, 18h10, 13h55, 16h30, 19h05, 21h45, 00h30;
Beuys M12. 15h30, 18h30, 22h Os Jogos de Mel M3. 13h50, 15h40, 17h30, 21h, 23h50; Amor, Amor M14. 13h10, 15h50, Chama-me pelo Teu Nome M14. 18h50,
Trindade 19h20 (V.Port./2D) 18h40, 21h10, 24h; Verónica M16. 00h10; As 21h50; Uma Mulher Não Chora M16. 18h55;
R. Dr. Ricardo Jorge. T. 223162425
Guarda Cinquenta Sombras Livre M16. Sala IMAX ? The Commuter - O Passageiro M14. 14h,
Chama-me pelo Teu Nome M14. 16h40; A Cineplace - Guarda 13h20, 16h10, 19h, 21h50, 00h35 16h30, 18h55, 21h30, 00h05; Maze Runner:
Forma da Água M16. 17h30, 21h40; Linha
Castelo Branco C.C. Vivaci, Av. dos Bombeiros Voluntários Cinemas Nos NorteShopping A Cura Mortal M12. 14h, 17h15, 21h15,
Fantasma M12. 14h20, 19h15; Olhares, Cinemas Cinebox Egitanienses, nº 5. T. 271212140 NorteShopping, R. Sara Afonso. T. 16996 00h20; Patrulha de Gnomos M6. 11h, 14h,
Lugares M12. 14h30; Chelpa Ferro 16h20; CC. Alegro Castelo Branco. Av. General Ferdinando M6. 15h20 (V.Port./2D); The Commuter - O Passageiro M14. 21h50, 16h15, 18h30 (V.Port./2D); The Post M12.
Manifesto 21h45; Pan-Cinema Permanente Humberto Delgado. T. 760789789 Jumanji: Bem-Vindos à Selva M12. 13h10; 00h35; Maze Runner: A Cura Mortal M12. 13h40, 16h15, 19h10, 21h45, 00h30; Todo
20h Ferdinando M6. 11h10 (V.Port./2D); Tad The Commuter - O Passageiro M14. 21h40; 13h50, 17h30, 20h40, 23h40; Patrulha o Dinheiro do Mundo M14. 13h40, 16h25,
e o Segredo do Rei Midas M6. 11h20 Maze Runner: A Cura Mortal M12. 15h40, de Gnomos M6. 11h, 13h20, 15h50, 18h30 19h10, 21h55, 00h40; A Forma da Água
(V.Port./2D); Maze Runner: A Cura Mortal 18h30; Patrulha de Gnomos M6. 13h20, (V.Port./2D); The Post M12. 12h40, 15h20, M16. 13h40, 16h20, 19h05, 21h40, 00h30;
Aveiro M12. 21h20; Patrulha de Gnomos M6. 11h, 17h40, 19h40 (V.Port./2D); The Post M12. 18h10, 20h50, 23h30 ; Todo o Dinheiro Linha Fantasma M12. 13h40, 16h25, 19h10,
Cinemas Nos Fórum Aveiro 14h10, 16h40, 19h10 (V.Port./2D); The Post 21h20; As Cinquenta Sombras Livre M16. do Mundo M14. 13h40, 17h, 21h10, 24h; A 21h55, 00h40; As Cinquenta Sombras
R. Homem Cristo. T. 16996 M12. 13h45, 16h10; Todo o Dinheiro do 14h30, 16h50, 19h10, 21h30, 21h50; Abelha Forma da Água M16. 13h, 15h45, 21h40, Livre M16. 13h50, 15h30, 16h25, 18h30, 19h,
Ferdinando M6. 11h, 13h50 (V.Port./2D); Mundo M14. 18h45, 21h35; As Cinquenta Maia: Os Jogos de Mel M3. 14h20, 16h20, 00h30 ; Linha Fantasma M12. 18h40; As 21h15, 21h35, 24h, 00h15; As Estrelas Não
A Hora Mais Negra M12. 17h50, 21h; Três Sombras Livre M16. 14h, 16h30, 19h, 21h30 18h10, 20h (V.Port./2D) Cinquenta Sombras Livre M16. 12h30, Morrem em Liverpool M12. 14h05, 16h35,
Cartazes à Beira da Estrada M16. 13h, 12h50, 15h10, 15h30, 18h, 18h20, 21h, 21h20, 19h10, 21h35, 00h15; Covil de Ladrões M14.
15h50, 18h40, 21h30; Maze Runner: A Cura 23h50, 00h20; As Estrelas Não Morrem em 15h10, 18h15, 21h25, 00h25; Amor, Amor
Mortal M12. 14h10, 21h15; The Post M12.
Coimbra Guimarães Liverpool M12. 13h10, 15h40, 18h50, 21h30, M14. 13h50, 16h20, 18h45, 21h25, 00h05;
13h05, 16h, 18h50, 21h45; A Forma da Água Cinemas Nos Alma Shopping Coimbra Castello Lopes - Espaço Guimarães 00h10 Verónica M16. 21h55, 00h40; Loveless -
M16. 14h20, 18h10, 21h10; Linha Fantasma C. C. Dolce Vita, R. General Humberto Espaço Guimarães - Loja 154, R. 25 de Abril, Sem Amor M14. 18h40; Abelha Maia: Os
M12. 18h ; As Cinquenta Sombras Livre M16. Delgado, 207. T. 16996 1 - Silvares. T. 253539390 Jogos de Mel M3. 11h, 13h50, 16h10, 18h40
13h, 15h45, 18h30, 21h20; As Estrelas Não Dunkirk 17h50; Ferdinando M6. 10h50, Ferdinando M6. 13h (V.Port./2D); Maze
São João da Madeira (V.Port./2D)
Morrem em Liverpool M12. 13h35, 16h20, 13h20, 16h, 18h35 (V.Port./2D); A Hora Mais Runner: A Cura Mortal M12. 13h, 15h45, Cineplace - São João da Madeira
19h05, 21h50 Negra M12. 14h15, 20h40, 23h40; Três 18h40, 21h20; Patrulha de Gnomos M6. Coco M6. 14h10 (V.Port./2D); Ferdinando
Cinemas Nos Glicínias Cartazes à Beira da Estrada M16. 14h30, 13h20, 15h40 (V.Port./2D); The Post M12. M6. 13h50, 16h10 (V.Port./2D); Jumanji:
Vila Real
C. C. Glicínias - Aradas . T. 16996 17h40, 21h, 24h; Chama-me pelo Teu 21h10; Todo o Dinheiro do Mundo M14. 13h, Bem-Vindos à Selva M12. 21h20; Tad Cinemas Nos Nosso Shopping
Bad Investigate M14. 21h30; Jumanji: Bem- Nome M14. 21h10, 00h25; The Post M12. 16h, 18h50, 21h30; A Forma da Água M16. e o Segredo do Rei Midas M6. 16h30 C. C. Dolce Vita Douro, Lj. 244 - Alameda
Vindos à Selva M12. 13h20, 16h10, 18h55, 13h50, 16h30, 19h10, 21h50, 00h35; Todo 13h, 18h20, 21h45; As Cinquenta Sombras (V.Port./2D); The Commuter - O Passageiro Grasse. T. 16996
21h50; The Commuter - O Passageiro o Dinheiro do Mundo M14. 14h20, 17h30, Livre M16. 13h10, 15h50, 18h30, 21h40; M14. 18h50; Maze Runner: A Cura Mortal A Hora Mais Negra M12. 13h30, 16h15,
M14. 14h, 16h40, 19h20, 22h; Maze Runner: 20h50, 23h50; A Forma da Água M16. Abelha Maia: Os Jogos de Mel M3. 13h10, M12. 18h30, 21h20; Patrulha de Gnomos 19h10, 22h10; The Commuter - O
A Cura Mortal M12. 14h20, 17h40, 21h; 14h, 17h10, 21h20, 00h15; Linha Fantasma 15h10, 17h10, 19h10 (V.Port./2D) M6. 14h20, 16h20 (V.Port./2D); The Post M12. Passageiro M14. 20h40; Maze Runner: A
Patrulha de Gnomos M6. 11h15, 14h30, M12. 14h40, 20h30, 23h30; As Cinquenta Castello Lopes - Guimarães Shopping 19h, 21h40; As Cinquenta Sombras Livre Cura Mortal M12. 14h, 17h10, 21h; Patrulha
16h50, 19h10 (V.Port./2D); Todo o Dinheiro Sombras Livre M16. 13h30, 16h10, 18h50, Lugar das Lameiras - GuimarãesShopping. M16. 14h30, 16h50, 19h10, 21h30, 21h50; de Gnomos M6. 11h, 13h20, 15h35, 18h
do Mundo M14. 14h40, 18h, 21h10; As 21h30, 00h10; As Estrelas Não Morrem em T. 253520170 Abelha Maia: Os Jogos de Mel M3. 12h40, (V.Port./2D); The Post M12. 14h40, 17h20,
Cinquenta Sombras Livre M16. 13h15, 16h, Liverpool M12. 13h40, 16h20, 19h, 21h40, Bad Investigate M14. 13h15, 18h30, 14h20, 16h20, 19h10, 20h (V.Port./2D) 20h30; Todo o Dinheiro do Mundo M14.
18h50, 21h40; Covil de Ladrões M14. 21h20; 00h20; Amor, Amor M14. 14h10, 16h45, 21h25; Paddington 2 M6. 11h (V.Port./2D); 13h05, 15h55, 18h50, 21h50; A Forma da
Abelha Maia: Os Jogos de Mel M3. 11h10, 19h20, 22h, 00h40; Loveless - Sem Amor Ferdinando M6. 11h, 13h (V.Port./2D); Água M16. 13h10, 16h05, 19h, 21h50; As
14h10, 16h30, 19h (V.Port./2D) M14. 17h20 Jumanji: Bem-Vindos à Selva M12. 13h05;
Viana do Castelo Cinquenta Sombras Livre M16. 13h, 15h45,
Cinemas Nos Fórum Coimbra Tad e o Segredo do Rei Midas M6. 11h, 12h55 Cineplace - Viana do Castelo 18h40, 21h40
Fórum Coimbra. T. 16996 (V.Port./2D); Maze Runner: A Cura Mortal Avª General Humberto Delgado, Orient
Braga Bad Investigate M14. 21h20, 00h15; M12. 13h, 15h55, 18h45, 21h35; Patrulha de Cineplace . T. 258100260
Cinemas Nos Braga Parque Jumanji: Bem-Vindos à Selva M12. Gnomos M6. 11h, 13h15, 16h (V.Port./2D); Ferdinando M6. 17h30 (V.Port./2D); The
Viseu
R. dos Congregados, S. Victor. T. 16996 14h30, 17h30, 21h10; The Commuter - O Linha Fantasma M12. 18h35; As Cinquenta Commuter - O Passageiro M14. 21h50; Cinemas Nos Fórum Viseu
Bad Investigate M14. 20h30, 23h40; Passageiro M14. 13h30, 16h20, 19h, 21h30, Sombras Livre M16. 13h20, 15h30, 15h50, Maze Runner: A Cura Mortal M12. 13h20, Fórum Viseu. T. 16996
Ferdinando M6. 10h30, 13h05 (V.Port./2D); 00h25; Maze Runner: A Cura Mortal 18h20, 18h40, 21h20, 21h40; Covil de 16h10; Patrulha de Gnomos M6. 13h30, A Hora Mais Negra M12. 17h30; Três
The Commuter - O Passageiro M14. 20h40, M12. 14h10, 17h40, 20h50, 24h; Patrulha Ladrões M14. 12h55, 15h45, 21h10; Verónica 15h30, 19h50 (V.Port./2D); The Post M12. Cartazes à Beira da Estrada M16. 13h30,
23h30; Maze Runner: A Cura Mortal de Gnomos M6. 13h40, 16h10, 18h30 M16. 21h15; Abelha Maia: Os Jogos de Mel 19h, 21h40; Todo o Dinheiro do Mundo M14. 16h10, 18h50, 21h30; Maze Runner: A Cura
M12. 14h, 17h20, 21h, 00h20; Patrulha (V.Port./2D); As Cinquenta Sombras Livre M3. 11h, 13h10, 15h05, 17h, 19h (V.Port./2D) 18h40, 21h20; As Cinquenta Sombras Livre Mortal M12. 14h20, 21h; The Post M12.
de Gnomos M6. 11h, 13h20, 15h40, 18h M16. 13h50, 16h30, 19h10, 21h50, 00h30; M16. 14h30, 16h50, 19h10, 21h30; Abelha 13h20, 16h, 18h40, 21h20; Linha Fantasma
(V.Port./2D); The Post M12. 12h50, 15h50, Covil de Ladrões M14. 21h, 00h10; Verónica Maia: Os Jogos de Mel M3. 13h, 14h50, M12. 21h10; As Cinquenta Sombras Livre
21h45, 00h40; Todo o Dinheiro do Mundo M16. 00h20; Abelha Maia: Os Jogos de Mel
Maia 16h40 (V.Port./2D) M16. 13h40, 16h20, 19h, 21h40; As Estrelas
M14. 13h50, 17h, 21h10, 00h15; A Forma da M3. 14h20, 16h40, 18h50 (V.Port./2D) Orient Cineplace - Mira Maia Shopping Não Morrem em Liverpool M12. 14h, 16h30,
Água M16. 15h30, 18h25, 21h30, 00h30; Mira Maia Shopping, Estrada Real nº 95 - 19h10, 21h50; Abelha Maia: Os Jogos de Mel
Linha Fantasma M12. 18h40; As Cinquenta Lugar das Guardeiras. T. 229419241
Vila Nova de Gaia M3. 14h10, 16h20, 18h30 (V.Port./2D)
Sombras Livre M16. 13h, 13h30, 15h45,
Covilhã Ferdinando M6. 14h10, 16h30 (V.Port./2D); Cinemas Nos GaiaShopping Cinemas Nos Palácio do Gelo
16h15, 18h30, 19h, 21h20, 21h50, 00h05, Cineplace - Serra Shopping Jumanji: Bem-Vindos à Selva M12. 21h10; Av. Descobrimentos, 549. T. 16996 Palácio do Gelo, Est. Nelas, Qt. Alagoa. T.
00h35; Amor, Amor M14. 13h40, 16h10, Avenida Europa, Lt 7 - Loja A102. The Commuter - O Passageiro M14. 21h40; Bad Investigate M14. 22h15; The Commuter 16996
18h50, 21h40; Verónica M16. 00h25; Abelha Ferdinando M6. 13h40 (V.Port./2D); - O Passageiro M14. 12h45, 15h20, 18h10, Jumanji: Bem-Vindos à Selva M12. 19h;
Maia: Os Jogos de Mel M3. 10h50, 13h10, Jumanji: Bem-Vindos à Selva M12. 20h45, 23h30; Maze Runner: A Cura Mortal The Commuter - O Passageiro M14. 13h40,
15h20, 17h40 (V.Port./2D) 19h20; The Commuter - O Passageiro iro M12. 14h40, 18h, 21h10, 00h20; Maze 16h10, 21h40; Maze Runner: A Cura Mortal
Cinemax - BragaShopping M14. 21h50; Maze Runner: A Cura Runner: A Cura Mortal M12. Sala - 4DX M12. 13h30, 17h30, 20h50; Patrulha de
Av. Central 33. T. 253208010 Mortal M12. 13h20, 16h10; Patrulha 14h10, 17h30, 20h40, 23h50 (2D); Patrulha Gnomos M6. 11h, 14h10, 16h30, 18h50
Bad Investigate M14. 21h40; A Hora Mais de Gnomos M6. 13h10, 15h20, 17h20 0 de Gnomos M6. 10h35, 12h50, 15h05, (V.Port./2D); Todo o Dinheiro do Mundo
Negra M12. 21h50; The Commuter - O (V.Port./2D); The Post M12. 19h, 21h40;
40; 17h25, 19h40 (V.Port./2D); The Post M12. M14. 13h50, 16h50, 21h20; A Forma da
Passageiro M14. 15h, 17h30; Patrulha de Todo o Dinheiro do Mundo M14. 13h20, 16h10, 19h, 21h50, 00h35; A Forma Água M16. 12h50, 15h50, 18h40, 21h30; As
Gnomos M6. 15h, 17h30 (V.Port./2D); The 16h, 18h40, 21h20; As Cinquenta da Água M16. 12h35, 15h25, 18h25, 21h20, Cinquenta Sombras Livre M16. 13h, 15h40,
Post M12. 15h, 17h30, 21h55; As Cinquenta Sombras Livre M16. 14h30, 16h50, Abelha Maia: Os Jogos de Mel 00h15; As Cinquenta Sombras Livre M16. 18h20, 21h; Covil de Ladrões M14. 21h10
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28 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Jogos

POLICIÁRIO1384 LUÍS PESSOA FARMÁCIAS


Porto - Serviço Permanente

Quem terá liquidado o rei dos queijos? Figueiredo, Ldª - R. de Cedofeita, 132 - Tel. 223395330
Dinis - R. de Matias de Albuquerque, 247 - Tel.
225899680
Vila Nova de Gaia - Serviço Permanente
Vamos concluir a primeira prova conseguir acabar o nome, ou o que ele
Desafios desta época, publicando a parte II, um
problema de escolha múltipla:
queria escrever era mesmo aquilo? Ou
seria o caso de estar a dar uma resposta
Avenida - Av. da República, 294 - Tel. 223754761
Ferreira - R. do Barão do Corvo, 270 (Coimbrões) - Tel.
223750271 Paes Moreira (Canelas) - R. da Rechousa,

José Paulo Viana e Cristina Sampaio


623 (Canelas) - Tel. 227110204
CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE ao seu interlocutor, respondendo que Matosinhos - Serviço Permanente
PORTUGAL – 2018 sim a uma qualquer questão a que já Benisa (Perafita) - Rua de Óscar da Silva, 2715 (Perafita)
- Tel. 229963134
PROVA N.º 1 – PARTE II não conseguia responder vocalmente? Coimbra - Serviço Permanente
“A MORTE DO REI DOS QUEIJOS” – Tivera a oportunidade de falar com Machado (Celas) - R. de Bernardo de Albuquerque, 19

Partilha desequilibrada Original de RUI LOPO todos eles e nada de significativo foi B (Celas) - Tel. 239482067 Paiva - Rua Luis A. Duarte
Santos, Lote 9 Loja 3 - Vale das Flores - Tel. 239781044
Assim que o agente da polícia entrou revelado. Todos eles estavam chateados Braga - Serviço Permanente
na sala, viu em cima da mesa uma folha com o empresário, cada qual com os Lima (São João do Souto) - R. dos Chãos, 162/6 - Tel.
Quatro irmãos receberam, de uma de papel virada para uma cadeira vazia, 253262384
seus motivos, mas nenhum parecia ter Outras Localidades - Serviço Permanente
visita que lá foi a casa, um pacote de com uma palavra: SIM. motivos para o matar. Afinal, cada um Águeda - Amaral Aguiar da Beira - Dornelas , Portugal
rebuçados. No outro lado da mesa estreita, estava Albergaria-a-Velha - Oliveira (Ribeira de Fráguas)
deles precisava que a vítima estivesse
– Vou tirar um quarto dos rebuçados o corpo da vítima, um industrial de
Alfandega da Fé - Trigo Alijó - de Favaios (Favaios)
cá para obter aquilo que queria! Até , Espirito Santo Ldª (Sanfins do Douro), das Tílias
mas, como sou a mais velha, fico queijos e manteigas, muito conhecido (Vilar de Maçada) Almeida - Cunha , Moderna (Vilar
o “camone” que veio para sacar um
com mais três – disse a Ana. também por ter grandes rebanhos que Formoso) Amarante - São Gonçalo Amares - Marques
segredo “milagroso” ao seu antigo Rego (Ferreiros) Anadia - Central (Ancas/Paredes do
– Sendo assim – avançou lhe davam as matérias-primas para colega, não adiantava nada com a sua Bairro) Arcos de Valdevez - Torres Arganil - Moderna
logo o Bruno, – como sou o fabricar produtos que todos diziam Armamar - Batista Ramalho , Lúcio Arouca - Santo
morte… António (Stª Eulália - Arouca) Aveiro - Saúde (Glória)
segundo, vou tirar um terço únicos e especiais. Estava sentado na Para si, agente experiente, era nova a Baião - Queirós Cunha (Campelo) , Rocha Barros
dos restantes e mais dois. cadeira oposta à vazia e o seu tronco (Eiriz) Barcelos - Oliveira Boticas - S. Cristovão
situação. Sempre tivera um suspeito
– Ah, bom – disse o estava caído sobre o tampo, com o Bragança - Confiança Cabeceiras de Basto - Moutinho
mais ou menos óbvio, mas agora não Caminha - Beirão Rendeiro , Brito (Vila Praia de Âncora)
Carlos. – Nesse braço estendido na direcção da folha Cantanhede - Marialva Carrazeda de Ansiães - Rainha
tinha nada. Certamente que o seu
caso fico com de papel. Entre os dedos, um pequeno Carregal do Sal - Abreu , Ramos (Cabanas de Viriato)
amigo de longa data e inspector da Castelo de Paiva - Adriano Moreira , Pinho Lopes
metade dos lápis, com o qual (confirmou-se Judiciária, ia deslindar a situação, (Oliveira do Arda), Marques Lopes (Santa Maria de
que sobram e posteriormente) escrevera a estranha Sardoura) Castro Daire - Gastão Fonseca , Matias
rapidamente. Era nestes pormenores Pereira (Mões), Costa (Parada de Ester) Celorico
mais um. anuência. que sentia as suas deficiências de da Beira - Barreiros Celorico de Basto - Alves Dias
A Diana, O agente fez a análise de todos Chaves - Barroso Condeixa-a-Nova - Conimbriga (Ega)
investigação, que sempre impediram a
que é a os elementos que constavam na Espinho - Conceição Esposende - Gomes Estarreja
sua entrada na polícia dos seus sonhos - Campos Fafe - Moura Felgueiras - Sta. Quitéria
mais nova, pequena divisão, não encontrando Figueira da Foz - Saúde (Buarcos) Figueira de Castelo
e o mantiveram onde está…
não teve nada de significativo. Aparentemente Rodrigo - Bordalo Fornos de Algodres - Central
O seu amigo inspector sorriu durante Freixo de Espada à Cinta - Guerra Góis - da Serra
hipóteses o “queijeiro americano”, como era um momento breve e não perdeu (Alvares) , Coroa, Frota Carvalho (Vila Nova do Ceira)
de escolha, conhecido por ter vivido emigrado Gondomar - Sousa Reis (Pedouços) Gouveia - Patrício
tempo em lhe dizer: , Central (Melo - Gouveia), Albuquerque (Moimenta
ficou com durante décadas nos Estados Unidos, - Meu caro, andas à procura de um da Serra), Pedroso (Vila Nova de Tazem) Guarda -
os oito que no Estado que mais produzia manteiga Teixeira Guimarães - Vitória Ílhavo - Branco (Gafanha
bom motivo, mas não o saberás se o
restavam. e queijos, teria morrido de ataque da Nazaré) Lamego - Senhora dos Remédios Lousã -
responsável pela morte to não disser! Torres Padilha (Serpins) Lousada - Ribeiro S.A Macedo
Quantos cardíaco, mas a autópsia veio mostrar de Cavaleiros - Moderna Maia - Agra (Milheirós)
Andas à procura de uma prova, mas
rebuçados tinha que tinha marca de uma picada no Mangualde - Beirão (Chãs de Tavares) , Nogueira
pode não haver nada para descobrires. (Santiago de Cassurrães) Manteigas - Bráulio Monteiro
o pacote? braço direito e que um veneno lhe tinha
Sá tens um morto, envenenado, Marco de Canavezes - Cabanelas (Fornos) Mealhada
sido ministrado, que lhe foi paralisando - Miranda, Suc. Meda - Pereira Melgaço - Gonçalves
uma folha de papel com três letras (Castro Laboreiro) , Durães, Vale do Mouro Mesão Frio -
os movimentos até á sua morte.
apenas e uma decisão para tomar… O Ferreira Mira - Pisco Miranda do Corvo - Lima Natário ,
Interrogou a empregada que fazia Borges (Semide - Miranda do Corvo) Miranda do Douro
responsável pela morte foi:
as tarefas da casa e cozinhava para a - Miranda (Mirando do Douro) Mirandela - Central
A- SIMMER; Mogadouro - Nova Moimenta da Beira - Ferreira ,
O desafio proposto na semana passada foi o seguinte vítima. Ela não se apercebeu de nada César (Leomil) Monção - São Pedro Mondim de Basto
B- SIMAS
de anormal nesse dia e referiu que - Oliveira Montalegre - Canedo Montemor-o-Velho

A todas as distâncias o senhor recebeu a visita de quatro


pessoas ao longo dessa manhã. Não se
C- SIMÕES
D- SIMÃO
- Natário (Verride) Mortágua - Abreu Murça - Saúde
Murtosa - Portugal Nelas - Da Misericórdia (Santar)
Oliveira de Azemeis - Gomes da Costa Oliveira de
recorda por que ordem, mas sabe que Frades - Oliveirense Oliveira do Bairro - Tavares
“Numa roda de 21 casas numeradas e Experimentemos agora pôr a ficha C à E pronto. de Castro Oliveira do Hospital - Gonçalves Ovar -
estiveram com ele o Simão, empregado
dispostas em círculo, como colocar distância 3 de A, na casa 19. Resta aos nossos “detectives” Manuel Joaquim Rodrigues Paços de Ferreira - Antero
da fábrica e que mantinha com ele um Chaves Pampilhosa da Serra - do Zêzere (Dornelas do
cinco fichas de tal modo que sejam Neste momento, as fichas já colocadas concluírem a sua participação na prova Zêzere) , Central Paredes - Do Oural , Ferreira de Vales
litígio sobre a maneira de fazer um
todas diferentes as distâncias entre os definem as distâncias 1, 3 e 4. n.º 1 das competições desta época, (Rebordosa) Paredes de Coura - Da Calçada Penacova
dos queijos; o Simões, um rapaz que - Alves Coimbra Penafiel - Oliveira Penalva do Castelo
possíveis pares de fichas? Podemos agora experimentar a ficha D remetendo a alínea que resolve o
estava à procura de trabalho e a quem - Silveira Penedono - Rua Penela - Penela Peso da
Ou seja, terá de haver duas fichas “oposta” à C, na casa 8 ou na 9. o empresário terá recusado a admissão, problema, impreterivelmente até ao Régua - Loureiro (Loureiro-Peso da Regua) Pinhel -
Nova de Pinhel , Da Misericórdia (Alverca da Beira),
à distância 1 num sentido (e 20 Se escolhermos a 8, a ficha E tem de pelo menos por agora; o Simas, que próximo dia 28 de Fevereiro, usando Moderna (Pínzio) Ponte da Barca - Saúde Ponte de
em sentido contrário), outras estar a 2 de distância das já colocadas. era como um filho para ele, mas que um dos seguintes meios: Lima - De São João Póvoa de Lanhoso - Milénio Póvoa
duas que distem 2 (e 19), e assim Poderia ser numa das casas 6, 10 ou 17 não era “grande rês” ao que todos - Pelos correios para Luís Pessoa, de Varzim - Cardoso Resende - Avenida Ribeira de
Pena - De Cerva (Cerva) , Borges de Figueiredo Sabrosa
sucessivamente até a um último par, mas, em qualquer delas, não haveria referiam, explorando o velho, “a torto Estrada Militar, 23, 2125-109 - Vieira Barata , Fraga (São Martinho de Anta) Sabugal
em que a distância será 10 (e 11 em modo de pôr a ficha E sem repetição e a direito”; o Simmer, um visitante MARINHAIS; - Aldeia Velha (Aldeia Velha) , De S.Miguel (Cerdeira
do Coa), Higiene (Souto) Santa Comba Dão - Carrilho
sentido contrário).” de distâncias. desconhecido de todos, que chegara - Por e-mail para pessoa_luis@hotmail. , Sales Mano (S.João de Areias) Santa Maria da Feira
Vamos pensar apenas em obter as Coloquemos então a D na casa 9. na véspera, um americano que foi seu com; lumagopessoa@gmail.com; - Araújo , Teles (Lourosa) Santa Marta de Penaguião
- Santa Eulália (Cumieira) , Douro (Santa Marta
distâncias de 1 a 10. As restantes, de As distâncias já definidas são 1, 3, 4, 7 antigo colega na América e que, ao eu luispessoa@sapo.pt Penaguião) Santo Tirso - Central São João da Madeira
11 a 20, são as complementares das (DB), 8 (DA) e 10 (DC). Faltam 2, 5, 6 e 9. parecia, vinha atrás de um segredo - Por entrega em mão ao coordenador - Da Praça Sátão - Santo André (Lamas) , Andrade Seia
primeiras. Só duas destas são consecutivas, qualquer que só o velho conhecia para do espaço, onde quer que o encontrem. - Gandarez , Popular (Loriga), Paranhense (Paranhos
da Beira), Neves Rodrigues (Pinhanços), do Alva
Há duas fichas, A e B, à distância 1. logo a ficha E tem de ficar a 5 e 6 dar características únicas a um certo Relembramos que nestes problemas (Sandomil), De São Romão (São Romão) Sernancelhe -
Coloquemos então a ficha A na casa 1 de distância de A e de B (casas 7 tipo de queijo. de escolha múltipla não se torna Confiança , Mota (Vila da Ponte) Sever do Vouga - Terra
(Couto de Esteves) Soure - Soure Tábua - Quaresma
e a B na 2. ou 17). A casa 17 é de eliminar. Na Já depois de retirado o corpo, o agente necessário explicar as deduções (Mouronho) Tabuaço - Nova de Tabuaço Tarouca -
Outras duas terão de ficar quase 7, as distâncias de E a C e a D são ficou mais uns momentos no escritório, efectuadas, mas apenas identificar Augusta (Salzedas) , Moderna Terras de Bouro - Alvim
Barroso (Covas) Tondela - Moura Torre de Moncorvo
opostas, à distância 10. Se quisermos justamente as que faltam: 2 e 9. pensativo. Sabia que alguém atentara a alínea de opção, que tem de ser - Avenida Trancoso - Macedo de Crespo , Pereira
que uma delas seja A ou B, a C teria de Portanto, as fichas vão ocupar as casas contra a vida do empresário dos explicitamente referida. (Vila Franca das Naves) Trofa - Maia , Pereira da Costa,
ficar numas das casas 11, 12, 13 ou 14. 1, 2, 7, 9 e 19. queijos e que mais ninguém para além Boas deduções! Sanches, São Romão (São Romão Coronado) Vagos
- Tavares Vale de Cambra - Oliveira da Silva Valença
Mas nenhuma delas serve: as casas daqueles quatro candidatos pudera ter - Central Valongo - Sampaio Valpaços - Paula Viana
12 e 13 são de rejeitar imediatamente acesso aos meios para lhe terminar a OS 97 ANOS DO NASCIMENTO DE SETE do Castelo - São Bento Vieira do Minho - Freitas Vila
do Conde - Central (Caxinas) Vila Flor - Do Hospital
e as 11 e 14 vemos que falham quando vida. A empregada estava fora do rol de DE ESPADAS Vila Nova de Cerveira - Cerqueira, Suc. , Correia de
quisermos colocar as fichas D e E. suspeitos. No passado dia 1 de Fevereiro Sampaio Vila Nova de Famalicão - Barbosa Vila Nova
de Foz Côa - Moderna Vila Nova de Paiva - Galénica
Logo, as fichas “opostas” serão duas Pausadamente, sentou-se na cadeira completaram-se 97 anos sobre o Vila Nova de Poiares - Martins Pedro (S.Miguel
ainda não colocadas. que permanecera vazia na frente nascimento de SETE DE ESPADAS, o de Poiares) , Santo André Vila Pouca de Aguiar -
Vejamos agora se a ficha C pode ficar da vítima, com a folha de papel ali que motivou homenagens diversas no Figueiredo Vila Real - Almeida Vila Verde - Fátima
Marques Vimioso - Barreira , Ferreira (Argozelo) Vinhais
à distância 2 de A ou de B (casas 4 mesmo, em frente de si, com a palavra nosso Mundo Policiário, em memória - Albuquerque , de Rebordelo (Rebordelo) Viseu - Viso
ou 20, é indiferente). Após algumas misteriosa desenhada com o lápis daquele que foi o seu maior divulgador. Vizela - Ferreira (Caldas de Vizela) Vouzela - da Torre
(Alcofra) , Ana Rodrigues Castro (Campia), Teixeira
experiências, vemos que tal não é retirado de entre os dedos da vítima: A data foi recordada, também, no nosso Cinfães - Nova de Cinfães São Pedro do Sul - Arminda
possível. SIM. blogue Crime Público, em http://blogs. Silva Vagos - Viva Vouzela - Vieira
Estaria já debilitado ao ponto de não publico.pt/policiario.
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 29

Jogos

CRUZADAS 10.158 SUDOKU TEMPO PARA HOJE


HORIZONTAIS: 1. Centro. Inaugura. 2.
Prenúncio. 3. Aulido. Tipo de vegetação
Problema
de transição situada entre as florestas 8090
equatoriais e os desertos secos. 4. Goste Dificuldade: Viana do Bragança
muito. Ornato fino e estreito. 5. Pouco
frequente. Abertura na terra. 6. Porca Fácil Castelo 4º 11º
(regional). Símbolo de miliampere. 7º 13º
Braga
Preposição que indica lugar. 7. Ião. 8.
6º 13º Vila Real
Grande massa de água salgada. Depósito Solução do
de provisões. 9. Farsa satírica. Anda à 12º Porto 4º 11º
problema 8088
roda. 10. Preposição que designa posse. 7º 15º
Peixe comum em Portugal, também
conhecido por sarda. 11. Sinceridade Viseu
(fig.). Agarrar. 3º 11º Guarda
2-3m Aveiro
VERTICAIS: 1. Dar a forma de pua. A 1º 9º
unidade. Decilitro (abrev.). 2. Versejar. 8º 6º Penha
Gostei muito. 3. Segundo mês do ano Douradas
civil. 4. Sufixo (abundância). Vazio. Coimbra 2º 8º
Perverso. 5. Césio (s.q.). Recanto ou 6º 14º
enseada na costa do mar. 6. Espaço Castelo
coberto de vegetação no meio de um Branco
deserto. A ti. Cálcio (s.q.). 7. Galicismo Problema Leiria 3º 16º
(abrev.). Mosquito comum. 8. Peça do 8091 5º 15º
arado que serve para afastar a terra Solução do problema anterior
do rego. Nódoa na fruta que começa HORIZONTAIS: 1. Lucilar. AS. 2. Pala. Inicia. 3. Edema. Imi. 4.
Dificuldade:
Santarém
a apodrecer. 9. Atoarda. Farripas. 10. SOMBRAS. Nau. 5. Área. Aqui. 6. An. Vau. 7. Lucrar. Rei. 8. Ira. Tia. Muito difícil Portalegre
Extrema alvura (fig.). Modalidade de 6º 16º
NBA. 9. Vindo. Deter. 10. Rato. Citara. 11. Elo. Fala. Or. 5º 12º
desporto automobilístico. 11. Época.
Agastamento. Atmosfera. Lisboa
VERTICAIS: 1. Peso. LIVRE. 2. Lado. Curial. 3. Ulemá. Canto. 4.
Solução do 8º 15º
Cambrar. Do. 5. Arenato. 6. Li. Aa. Ri. Ca. 7. Anis. Adil. 8. Rim. Aar.
Depois do problema resolvido Eta. 9. CINQUENTA. 10. Ai. Au. Ibero. 11. Saguim. Arar. problema 8089
encontre o provérbio nele inscrito Setúbal
(7 palavras). 6º 17º Évora
TÍTULO DO FILME: As Cinquenta Sombras Livre.
4º 14º
AMANHÃ

CRUZADAS BRANCAS 14º Sines


Beja
3º 15º
6º 15º
HORIZONTAIS 1. Lugar de delícias,
éden (fig.). A parte amarela do ovo.
2. Observar. Passado. E não. 3. © Alastair Chisholm 2008 and www.indigopuzzles.com 2-3m
Vertigem. Que tem muita erva. 4.
Invólucro de um produto. Proteção Sagres
para o dedo, quando se cose. 5.
Molibdénio (s.q.). Oração, súplica.
6. Época notável. Designa dúvida
DESCUBRA AS 8 DIFERENÇAS 6º 16º
Faro
5º 20º
ou desconfiança (interj.). Curso 15º
de água natural. 7. Voz imitativa 0,5-1m
do sino, do choque de moedas,
etc. A tua pessoa. 8. Árvore Açores
leguminosa cesalpinácea. Pequeno Corvo
barco de recreio, de formas finas Graciosa
e adelgaçadas. 9. Resguardo, Terceira
decência. Nada. 10. Mulher Flores
S. Jorge 12º 16º
que cria criança alheia. Designa 12º 16º
afirmação (interj.). Imensidade
(fig.). 11. Escasso. Desabrido. 17º 17º
Pico
VERTICAIS 1. Célula reprodutora
feminina dos seres pluricelulares. Faial
2m
Trazer à memória. 2. O que lê.
Preceito escrito. 3. Designa repulsa
12º 17º
2-3m S. Miguel
ou raiva (interj.). Acometer. 4. Altar
cristão. O bagaço de que se faz a 13º 17º
água-pé. 5. O p grego. Intervalo. 6. Ponta
Composição poética de assunto 17º Delgada
elevado e destinada ao canto. 2m
Aguardente do melaço. Serve
para chamar ou saudar (interj.). 7.
9. Enodar, Leme, 10. Mesa, Iterar. 11. Amolgou, Oro.
Ara, Lia. 5. Pi, Hiato. 6. Ode, Rum, Olá. 7. Ordem, És. 8. Vez, Voz.
Madeira Sta Maria

Disposição regular e metódica. VERTICAIS: 1. Ovo, Memorar. 2. Leitor, Lema. 3. Irra, Atacar. 4.
Existes. 8. Ocasião. Linguagem. 9. Porto Santo
Atar com nós. Aparelho com que Olaia, Iole, 9. Recato, Zero, 10. Ama, Olé, Mar, 11. Raro, Áspero.
13º 17º
se dirige embarcação ou avião. 10. Ervoso. 4. Tara, Dedal. 5. Mo, Reza. 6. Era, Hum, Rio, 7. Tlim, Tu, 8. 18º
Banca. Repetir. 11. Amachucou. HORIZONTAIS: 1. Olimpo, Gema. 2. Ver, Ido, Nem. 3. Oira,
Discurso. Solução
Funchal
2-3m
1m 18º 13º 19º

XADREZ Sol Lua Nova


Nascente 07h32
G. Anderson Poente 18h09 15 Fev. 21h05
1947
(As brancas ganham)
Marés
Leixões Cascais Faro

Preia-mar 12:35 2,7 12:08 2,7 12:01 2,7


1–0 00:52* 2,9 00:28* 2,9 00:25* 2,8
2.Da5+ Rf4 3.Be3+
[1...Dxg1 2.Da7+] Baixa-mar 06:22 1,3 05:59 1,4 05:52 1,3
[1...Tf2+ 2.Bxf2+ Re5 3.Da5+ Rf6 4.Bh4! Dxh4 5.Dd8+]
[1...Rc4 2.Da4+ Rd5 3.Da5+] 18:38 1,3 18:12 1,4 18:07 1,3
1.Bg1+! Re5 O desenho do quadro; O fio do telefone; O pé da mesa; A gaveta.
Soluções: A almofada; O encosto do sofá; O braço do sofá; O sapato;
Fonte: www.AccuWeather.com
Solução:
*de amanhã
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30 • Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Estar bem

O açúcar é mesmo tão viciante


como a cocaína?
A preferência pelo Claro que não, e todas as pessoas os detractores de determinado entre açúcar e sacarina, o que
constatam essa realidade alimento/ideologia nem leiam quer dizer que simplesmente os
sabor doce é algo diariamente! o artigo, mesmo que ele seja ratos escolheram o sabor doce
inato. Não é um Começando com um ponto completamente imparcial) e e não a cocaína/heroína, porque
vício, chama-se prévio: o açúcar presente em numa revista com elevado factor são ratos, não são humanos
refrigerantes, bolachas, bolos e de impacto, chegou às seguintes e não têm certamente nem o
ser humano e ter afins é sem dúvida algo a limitar conclusões sobre a hipotética mesmo propósito nem a mesma
papilas gustativas na nossa alimentação. Daí a neurobiologia partilhada entre experiência/recompensa social na
funcionantes compará-lo a uma droga ou a o “vício” em açúcar e o vício em utilização de drogas recreativas.
um veneno vai uma distância cocaína: Daí a dizer-se que o açúcar é
gigantesca. Mesmo quem não • A resposta à cocaína e ao açúcar “mais viciante do que a cocaína”
Pedro Carvalho tem bases de bioquímica e é feita por diferentes neurónios no vai uma distância absurda.
metabolismo pode acompanhar núcleo accumbens (estrutura do Que os alimentos açucarados
o seguinte exercício. O ser estriado ventral com papel central sabem bem e que temos sempre
humano só consegue absorver na recompensa cerebral); um ímpeto para procurarmos
três “açúcares”: glicose, frutose • A resposta dopaminérgica este estímulo não é novidade.
e galactose. O açúcar de mesa (“neurotransmissor do prazer”) Por isso, podendo parecer uma
(sacarose) é uma junção de com açúcar (e também gordura ao açúcar rapidamente estagna e recomendação repetitiva (se
dois destes açúcares (glicose + em grande parte dos casos) é atenuada por pistas preditivas bem que a razoabilidade nunca
frutose). A aveia, pão integral, é grande. A teoria seria que a como o cheiro de coisas doces. A é demais reforçar), se se rodear
batata-doce, quinoa e afins habituação e dessensibilização resposta à cocaína não estagna e de coisas doces em casa, estas
(que são reconhecidos pelo que o nosso cérebro pode sofrer é até aumentada com o consumo. vão ser mais apetecíveis do que
senso comum como “bons com a exposição repetida a estes • Os desejos por alimentos tudo o resto que lá tiver. Se tiver
hidratos”) possuem amido, alimentos pode fazer com que a doces são relativamente curtos e em casa cereais açucarados,
que é uma cadeia de “várias quantidade de açúcar tenha de diminuem com a abstinência do cremes de chocolate, compotas
glicoses”. A fruta (dependendo ser cada vez maior para atingir o seu consumo. Já os “cravings” por ou doces, não lhe vai apetecer
da peça em questão) tem prazer e que fiquemos “viciados” droga são muito mais persistentes comer queijo fresco com pão
quantidades variáveis de nos mesmos. O que é que a e não diminuem de intensidade integral ou papas de aveia; se
frutose, glicose e sacarose. Ou ciência diz a este respeito? com a abstinência; tiver sumos e refrigerantes, não
seja, independentemente de Apesar de existirem estudos • Determinados polimorfismos lhe vai apetecer beber água e, se
comermos açúcares simples e/ou interessantes em animais genéticos nos receptores tiver bolos, biscoitos, gelados ou
adicionados a gorduras (hidratos (já lá iremos), foquemo-nos opióides e de dopamina chocolates, não lhe vai apetecer
“maus”), ou estes “bons” hidratos, principalmente nos estudos constituem um factor de comer fruta como sobremesa.
aquilo que entra na nossa em humanos. E desde logo risco para o uso de drogas e A preferência pelo sabor doce é
corrente sanguínea é glicose, parece existir uma dicotomia estão associados ao binge algo inato. Não é um vício, chama-
frutose e galactose (no caso de se interessante na resposta à eating disorder (transtorno da se ser humano e ter papilas
ingerir leite/iogurtes). exposição à frutose e glicose compulsão alimentar periódica). gustativas funcionantes. A culpa
É então fácil perceber que por parte de adolescentes Isto revela (tal como mostramos não é do açúcar nem do prazer
mesmo o açúcar branco não é magros e obesos. Os magros, acima) que o problema pode que a ele está associado (até
um veneno, caso contrário, todos perante esta exposição, têm estar mais nas características porque comer os alimentos atrás
os alimentos acima referidos uma maior irrigação no córtex individuais da pessoa do que falados com moderação não tem
também o seriam e os seres pré-frontal (área do cérebro propriamente no açúcar. impacto no peso), mas sim de
humanos seriam movidos a associada ao controlo e função Este assunto causou um alarido quem não muda os seus hábitos
veneno. Como é lógico, é sem executiva), ao passo que os recente devido a um estudo de de compras alimentares para não
dúvida benéfico usufruir das adolescentes obesos perante revisão 2017 que saltou para estar rodeado dele por todos os
vitaminas e antioxidantes da fruta, o mesmo estímulo tiveram um as capas dos jornais, referindo lados.
da fibra dos cereais integrais e aumento da actividade das áreas que o açúcar pode ter um efeito Por isso, a conclusão é só
que uma entrada mais gradual mais associadas ao prazer e aditivo e que, em alguns estudos uma: o açúcar em excesso é
de hidratos de carbono em recompensa. Resta saber o que em animais, esta recompensa do sem dúvida um inimigo, mas
circulação é mais saudável para vem primeiro. Se é a obesidade açúcar podia mesmo ultrapassar que seja criticado de forma
não estarmos constantemente a a responsável por esta resposta a da cocaína. justa. À semelhança daquilo
“espremer” o nosso pâncreas na devido a diferenças por exemplo O que é que esses estudos que foi e continua a ser feito
sua produção de insulina e não se nos níveis de leptina (hormona em ratos dizem afinal? Que a com o leite, se extrapolarmos
criar uma resistência à sua acção. produzida no nosso tecido subida dos níveis de dopamina numa base diária conclusões
Feito este preâmbulo, vamos adiposo) ou se é esta maior após administração intravenosa erradas acerca do açúcar e se
então falar da verdadeira questão sensação de recompensa que de cocaína foi muitíssimo este se tornar saco para toda
que dá título ao artigo que é induz uma maior procura de superior ao do açúcar e adoçante a pancada, quando realmente
um hipotético vício em açúcar açúcar e que justifique assim o (sacarina, neste caso). Ainda existirem razões para dizer mal
que será igual ou até maior do quadro de obesidade. assim, quando os ratos puderam dele, a opinião pública já não se
que em outras drogas como a Um artigo de revisão de 2016, escolher entre água com açúcar importará com isso. A história O
cocaína ou heroína. Como todos feito por investigadores da ou sacarina ou cocaína, foram Pedro e o Lobo é bonita de contar
sabemos, a recompensa sensorial Universidade de Cambridge, sem para a opção mais doce. E o doce a crianças mentirosas, mas
que é obtida com o açúcar, ou conflito de interesses a declarar aqui é mesmo a palavra-chave, quando aplicada à saúde dos
Nutricionista melhor dizendo alimentos doces, (algo que hoje em dia faz com que pois não existiram diferenças adultos pode tornar-se perigosa.
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Público • Domingo, 11 de Fevereiro de 2018 • 31

Crónica

Pedras são pedras

Para aqueles

C
hamava-se para reencaminhar a conversa. aplicações muito recomendadas
Teresa e nascera “Pois, são umas pedritas depois, estava confirmado que
em Espanha,
portanto ele
empilhadas, são”, concordou
o seu homem. Estavam dois velhos, ela a inaptidão tecnológica não lhe
permitiria cumprir a operação
imaginou-a
Teresa
factualmente correctos. Pedras.
Restos gastos e indefinidos do espanhola já com sucesso. Largou o telemóvel
espertalhão e olhou novamente.
sibilada com que ficou de um há muito, muito Viajou para o tempo em que as
“s” feito “z”. distante. Marcas do tempo que alentejana, ele pedras e curraizitos da Teresa
Rapidamente percebeu o engano. a humanidade deixou antes de com “s” eram casa de pessoas
Por Mário Lopes Como o sotaque era alentejano,
sem mácula e sem qualquer
seguir em frente. Para aqueles
dois velhos, ela espanhola já
português com muito vivas e invejou-as por,
ao contrário de nós, tornados
vestígio de castelhano, ficou
mesmo Teresa (com “s”). Foi
alentejana, ele português com
muita Espanha vivida e galgada,
muita Espanha míopes pelas maravilhas
eléctricas da civilização, terem
ela que lhe disse, apontando
o caminho perdido entre a
nada significavam. Para eles,
o tempo era o tempo e aquele
vivida, nada podido contemplar um céu cheio
e completo, estrela a estrela,
vegetação, que, sim senhor, já
tinha ido ver aquilo. Não fazia
passado não tinha futuro. Afinal,
pedras são pedras e, ali, havia
significavam. noite após noite.
A seu lado, num corpo de
sentido que, de há uns anos para
cá, tanto caminhante turista
delas por todo o lado. Despediu-
se o caminhante e, jovem como
Para eles, o mulher, uma barriga crescia com
vida dentro. Recordou os velhos
vindo sabe-se lá de onde falasse
daquilo e ela não o conhecesse -
os velhos, não subiu para ver
o castro.
tempo era o e as pedras que eram só pedras.
Quando olhou novamente aquele
assim sendo, há uns tempos lá se
metera a caminho.
Muitos anos depois, lembrou-se
dos velhos enquanto contemplava tempo e aquele céu que é o dele, o das estrelas
possíveis neste presente com
Era precisamente “aquilo” o
que ele queria ver. Um castro do
um céu nocturno. De telemóvel
inteligente nas mãos, todo passado não futuro, já não invejava os antigos.
Desde lá longe no tempo, no
tempo dos celtiberos, portal para
os imaginar a eles, para sonhar
armado em modernaço,
apontava-o ao firmamento, tinha futuro. castro, um homem contemplava
o céu completo enquanto, a seu
comerciantes fenícios a subir o
rio para lhes revelar mais mundo,
tentando ler numa aplicação
muito recomendada online os Afinal, pedras lado, uma barriga crescia com
vida dentro. Mais abaixo, não
para imaginar os romanos que planetas, estrelas e constelações muito longe, dois velhos curiosos
chegariam depois com a sua
civilizada globalização. “Aquilo”
agrupados no tecto celeste. Três são pedras vinham subindo o monte.
JON NAZCA/REUTERS
era o que procurava.
“Eu só vi lá umas pedras,
uns curraizitos”, exclamou a
Teresa, amparando a mão na
anca para que o peso do corpo
não caísse sobre o joelho que já
não lhe permitia as caminhadas
de outrora, nem a que fez para
descobrir o que raio andavam os
passeantes a procurar na serra lá
em cima, nem certamente as do
tempo em que o contrabando era
o arriscado sustento da família.
“Mas olha que há quem goste de
ver as pedras”, atalhou o homem
dela, enxada ao ombro, o mesmo
ombro que, quando ele era
novo, aguentava sem dificuldade
carregar 40 quilos até bem para
lá da fronteira, caminho feito
serpenteando entre as árvores,
ele em bando com os irmãos de
Teresa de forma a camuflar dos
olhos da polícia o ilícito legal,
mas moralmente inatacável.
Enquanto o seu homem
contava as peripécias de outrora,
Teresa, agitada, interrompeu-o.
Aquilo afligia-a, não lhe entrava
na cabeça. “Umas pedras, uns
curraizitos”, repetiu então,
mlopes@publico.pt num sussurro forte o suficiente
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