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GIULIANA RODRIGUES DO PRADO

O MÉTODO NÃO DESTRUTIVO NA EXECUÇÃO DE COLETORES-


TRONCO DE ESGOTO

SÃO PAULO
2014
GIULIANA RODRIGUES DO PRADO

O MÉTODO NÃO DESTRUTIVO NA EXECUÇÃO DE COLETORES-


TRONCO DE ESGOTO

Trabalho de Conclusão de Curso,


apresentado à Universidade Mogi das
Cruzes como parte dos requisitos para
obtenção do grau de Bacharel em
Engenharia Civil.

Orientador: Fabio Yugo Fujii

SÃO PAULO
2014
GIULIANA RODRIGUES DO PRADO

O MÉTODO NÃO DESTRUTIVO NA EXECUÇÃO DE COLETORES-


TRONCO DE ESGOTO

Trabalho de Conclusão de Curso,


apresentado à Universidade Mogi das
Cruzes como parte dos requisitos para
obtenção do grau de Bacharel em
Engenharia Civil.

Aprovado em: __/__/____

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________________________
Professora Izabela M. Barbosa
Universidade Mogi das Cruzes - UMC

_____________________________________________________
Professor Alfredo Rocca
Universidade Mogi das Cruzes - UMC

_____________________________________________________
Engº. Fabio Yugo Fujii
JNS Engenharia, Consultoria e Gerenciamento Ltda.
AGRADECIMENTOS
Agradeço inicialmente a Deus pela minha vida e por me fortalecer quando mais
necessito.
Agradeço aos meus pais e irmão, os quais incentivaram os meus estudos e
puderam me proporcionar uma vida acadêmica satisfatória.
Aos Professores e Mestres que nos orientaram durante o período de estudo.
Aos meus amigos por todo apoio, incentivo, carinho e amizade.
Ao meu orientador e companheiros de trabalho que contribuíram diretamente para
a realização desta pesquisa.
RESUMO

Com o crescimento das áreas urbanas e a alta demanda de serviços de infraestrutura


(água potável, esgoto, águas pluviais, telefonia, energia elétrica, gás e outros) nas
grandes cidades se faz necessária a utilização do espaço subterrâneo e de
tecnologias que não produzam impacto no tráfego local. Pretende-se, ao abordar o
tema, além de expandir o conhecimento sobre as tecnologias, identificar quais dados
são necessários para a definição do método construtivo adequado para cada projeto
particularmente. Neste trabalho será apresentada uma revisão bibliográfica dos
métodos construtivos utilizados para instalações de redes subterrâneas novas,
incluindo vala a céu aberto, NATM (New Austrian Tunelling Method), MTBM (Micro
Tunnel Boring Machine), Pipe Jacking, Tunnel Liner e HDD (Horizontal Directional
Drilling), como suporte para definição do método adequado a um projeto em
desenvolvimento, concluindo que o Método Não Destrutivo depende diretamente de
uma gama de fatores e conhecimento técnico para sua aplicação.
Palavras-Chave: Método não destrutivo, NATM, MTBM, HDD, Pipe Jacking, Coletor-
tronco.
ABSTRACT
With the growth of urban areas and the high demand for infrastructure services
(drinking water, sewage, storm water, telephone, electric power, gas and others) in big
cities the use of underground space is required as well as technologies that don’t
produce impacts on local traffic. It is intended when discussing the issue, besides
expanding the knowledge about the technology, identify what set of data are needed
for the definition of the appropriate construction method for project particularly. In this
work it will be presented a literature review of the construction methods used for
installation of new underground networks including open trench, NATM (New Austrian
tunneling Method), MTBM (Micro Tunnel Boring Machine), Pipe Jacking, Tunnel Liner
and HDD (Horizontal Directional Drilling), as support for the definition for the
appropriate method definition to the project in development, concluding that the
Nondestructive Method is directly dependent of a range of factors and technical
knowledge for its application .
Keywords: Non-destructive method, NATM, MTBM, HDD, Pipe Jacking, Trunk Sewer.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABRATT Associação Brasileira de Tecnologia Não Destrutiva


EPB Earth Pressure Balance
ETE Estação de Tratamento de Esgoto
HDD Horizontal Directional Drilling
ISTT The International Society for Trenchless Technology
MND Método Não Destrutivo
MTBM Micro Tunnel Boring Machine
NASTT North American Society for Trenchless Technology
NATM New Austrian Tunelling Method
OMS Organização Mundial de Saúde
ONU Organização das Nações Unidas
PLANSAB Plano Nacional de Saneamento Básico
SABESP Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
SNIS Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento
SPT Standard Penetration Test
SETT Selection and Evaluation of Trenchless Technologies
VCA Vala a Céu Aberto
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Vala a céu aberto executada por escavação mecânica e escoramento


especial metálico. Canalização dos Córregos Ponte Baixa e Jardim Leticia. ........... 20
Figura 2– Vala a céu aberto versus Interferências. ................................................... 20
Figura 3 – Esquemático de enfilagens e cambotas. .................................................. 22
Figura 4 – Enfilagens e cambota do túnel em NATM Roque Petrella do Metrô Linha
Lilás – Lote 3. ............................................................................................................ 23
Figura 5 – Parcialização da frente de escavação. ..................................................... 23
Figura 6 – Execução e parcialização do túnel em NATM Roque Petrella do Metrô Linha
Lilás – Lote 3. ............................................................................................................ 24
Figura 7 – Arco invertido provisório e definitivo. ........................................................ 24
Figura 8 – Execução do NATM e o túnel concluído. ................................................. 26
Figura 9 – Poços de emboque e desemboque do MTBM. Canalização dos Córregos
Ponte Baixa e Jardim Leticia. .................................................................................... 27
Figura 10 – Processo de escavação e instalação de tubulações através de Microtúneis
- MTBM...................................................................................................................... 28
Figura 11 – Cabeça de corte. .................................................................................... 29
Figura 12 – EPB e Slurry Shield consecutivamente. ................................................. 29
Figura 13 - Ilustração de uma típica Compact Auger Boring Machine para instalação
de tubos de diâmetros entre 200 e 400 milímetros. .................................................. 30
Figura 14 – Furo guiado e Pipe Jacking. ................................................................... 31
Figura 15 – Furo guiado com rosca helicoidal dirigível e Pipe Jacking. .................... 32
Figura 16 – Pipe Jacking e Slurry.............................................................................. 33
Figura 17 - Ilustração de uma TBM de dupla couraça e revestimento típico segmentar.
.................................................................................................................................. 34
Figura 18 - Ilustração de uma Cutter Boom Shield.................................................... 34
Figura 19 – Ilustração de uma Backacter Shield. ...................................................... 35
Figura 20 – Seção de uma Slurry Machine. .............................................................. 35
Figura 21 – Ilustração de uma EPBM de revestimento típico segmentar. ................. 36
Figura 22 – Emboque do Tunnel Liner. ..................................................................... 39
Figura 23 – Formas não circulares de Tunnel Liner. ................................................. 39
Figura 24 – Execução do Tunnel Liner. ..................................................................... 40
Figura 25 – Perfuração do furo piloto. ....................................................................... 42
Figura 26 – Alargamento e instalação da tubulação final. ......................................... 42
Figura 27 – Cabeça de perfuração, transmissor e receptor. ..................................... 43
Figura 28 – Unidades e transformador para atender a especificação do equipamento.
Programa de Despoluição do Rio Tietê – SABESP. ................................................. 45
Figura 29 – Poço de emboque. Programa de Despoluição do Rio Tietê – SABESP.45
Figura 30 –Prolongador. Programa de Despoluição do Rio Tietê – SABESP. .......... 46
Figura 31 – Laser, caixa da perfuratriz e tubulação de saída da rocha triturada.
Programa de Despoluição do Rio Tietê – SABESP. ................................................. 46
Figura 32 – Rocha triturada. Programa de Despoluição do Rio Tietê – SABESP. .... 46
Figura 33 - Poço de desemboque ou saída e poço de visita. Programa de Despoluição
do Rio Tietê – SABESP. ............................................................................................ 47
Figura 34 – Broca diamantada para perfuração em rocha. Programa de Despoluição
do Rio Tietê – SABESP. ............................................................................................ 47
Figura 35 – Exemplo de Boletim de Sondagem. ....................................................... 51
Figura 36 – Fluxograma de programação do SETT. ................................................. 53
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Orientação sobre as limitações da escavação manual............................ 36


Tabela 2 – Orientações para projetistas. ................................................................... 37
Tabela 3 - Tabela comparativa dos setores HDD...................................................... 41
Tabela 4 – Classificação do solo quanto a resistência à penetração. ....................... 50
Tabela 5 – Condições do local de instalação da tubulação. ...................................... 54
Tabela 6 – Diâmetro das tubulações. ........................................................................ 54
Tabela 7 – Profundidade máxima e recobrimento mínimo. ....................................... 55
Tabela 8 – Extensão máxima. ................................................................................... 55
Tabela 9 – Aplicabilidade das técnicas de MND em determinados solos. ................ 55
Tabela 10 – Compatibilidade do método com relação ao solo. ................................. 56
Tabela 11 – Principais aplicações dos métodos........................................................ 56
Tabela 12 – Tipos de tubulações aplicados a cada método. ..................................... 57
Tabela 13 – Precisão e espaço requerido para execução de cada método. ............. 57
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Quantidade de municípios com atendimento à coleta de esgoto x faixa de


atendimento (%). ....................................................................................................... 17
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 13

2. OBJETIVOS.......................................................................................................... 14

2.1. Objetivos específicos ............................................................................ 14

3. METODOLOGIA ................................................................................................... 15

4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA................................................................................. 16

4.1. Panorama de Coleta de esgoto no Brasil ............................................ 16

4.2. Métodos construtivos ........................................................................... 18

4.2.1. Método destrutivo ................................................................................ 18

4.2.2. Métodos não destrutivos ...................................................................... 21

4.2.2.1. NATM (New Austrian Tunelling Method) .......................................... 22

4.2.2.2. MTBM (Micro Tunnel Boring Machine) ............................................. 26

4.2.2.3. Pipe Jacking ..................................................................................... 32

4.2.2.4. Tunnel Liner ..................................................................................... 38

4.2.2.5. HDD (Horizontal Directional Drilling) ................................................ 41

4.3. Investigações Geotécnicas e Interferências ....................................... 49

5. RESULTADOS ..................................................................................................... 52

6. CONCLUSÕES ..................................................................................................... 58

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 60


13

1. INTRODUÇÃO
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU, 2010) o saneamento
básico e o acesso à água potável é um direito de todo ser humano. De acordo com a
Organização Mundial de Saúde (OMS) é o controle dos fatores do meio físico do
homem que podem prejudicar seu bem estar físico, social ou mental.
Este conjunto de atividades socioeconômicas cujo objetivo é atingir a
salubridade ambiental estabelecidos pela Lei Nº11.445/07 (BRASIL,2007) inclui:
 Abastecimento de água potável;
 Esgotamento sanitário;
 Limpeza urbana;
 Manejo dos resíduos sólidos;
 Drenagem e manejo das águas pluviais.
O presente estudo sobre o Método Não Destrutivo na execução de
Coletores-Tronco de esgoto se enquadra no item de esgotamento sanitário o qual é
um sistema deficitário no Brasil. Com o crescimento das cidades e consequentemente
da população há um aumento no lançamento ilegal de esgotos. Para que o
lançamento seja realizado de maneira adequada e direcionado a uma Estação de
Tratamento de Esgotos (ETE) se faz necessária a implantação de uma infraestrutura
de coleta.
O Método Não Destrutivo (MND) é uma tecnologia utilizada na execução
de obras de infraestrutura que visam a redução do impacto ambiental, mínimo reparo
no sistema viário, redução do prazo de execução e pouca influência ao redor da obra,
não afetando moradores, comerciantes e transeuntes (DURAZZO, 2007).. Estes
problemas são, em geral, observados no caso de valas a céu aberto as quais são
usualmente executadas em implantações com profundidade menor que 4,0 metros.
Durante o desenvolvimento de projetos de Coletores-tronco se observa a
necessidade de definir o método que será utilizado na execução da obra. Difundir os
métodos existentes, suas aplicações e limitações pode ser um diferencial na entrega
dos documentos gerados pela projetista.
14

2. OBJETIVOS
O objetivo do presente trabalho é levantar os métodos não destrutivos
aplicados à execução de novos Coletores-Tronco de esgoto, conhecendo as
características de cada método apresentado e analisando suas aplicações de acordo
com os aspectos técnicos, tais como: geologia, material da tubulação, diâmetros e
precisão.

2.1. Objetivos específicos


Sistematizar informações, para escolha e aplicação dos métodos
existentes como suporte à tomada de decisão, pelo projetista, sobre o método a ser
utilizado para execução do Coletor-tronco.
15

3. METODOLOGIA
O desenvolvimento do tema será por meio de pesquisa a materiais técnicos
disponibilizados em meio físico e digital assim como sites de Institutos e Associações.
Inicialmente será levantado um panorama da situação do Saneamento
Básico no Brasil para situar e ressaltar a importância do estudo do tema utilizando
como fonte principal o levantamento do SNIS.
Após o panorama serão apresentados os métodos construtivos para
execução de coletores-tronco abordando o método destrutivo e o método não
destrutivo. Ao todo serão apresentados seis métodos (1 destrutivo e 5 não destrutivos)
sendo detalhados apenas os métodos não destrutivos contemplando itens como:
diâmetro, declividade e material.
No Capítulo 5 serão analisados os aspectos geotécnicos para a
determinação dos ensaios, dados e investigações necessárias para verificar qual
tecnologia poderá ser utilizada.
A partir da definição dessas variáveis de interesse e condições de contorno
que influenciam a escolha do método construtivo poderá ser proposto um modelo de
comparação de alternativas e tomada de decisão para utilização no processo de
desenvolvimento de projetos de Coletores-tronco de esgotos.
16

4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

4.1. Panorama de Coleta de esgoto no Brasil

A falta de Saneamento Básico adequado no Brasil gera impactos diretos


na saúde da população. De acordo com a Organização Mundial da Saúde a cada R$
1,00 investido em saneamento básico são economizados R$ 4,00 na área da saúde
(INSTITUTO TRATA BRASIL, 2013).
Um estudo publicado em Setembro de 2013 pelo Instituto Trata Brasil
baseado nos dados contidos no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento
- SNIS de 2011 compõe um ranking do saneamento. Para diferenciar o presente
ranking do anterior publicado em 2007 foram considerados os 100 municípios mais
populosos do Brasil (40% da população = 78 milhões de brasileiros) sendo que até
2011 eram considerados municípios com mais de 300 mil habitantes resultando em
81 munícipios. Para a elaboração do ranking foram analisados dados de fornecimento
de água, coleta e tratamento de esgoto, as relações entre investimentos e
arrecadação, novas ligações de água e ligações faltantes, novas ligações de esgoto
e ligações faltantes, perdas e evolução de perdas (INSTITUTO TRATA BRASIL,
2014).
O ranking para coleta de esgoto mostra que apenas 3 municípios possuem
100% de coleta: Belo Horizonte (MG), Santos (SP) e Franca (SP). A média é 61,44%
e a mediana 64,85% indicando que os municípios considerados na análise superam
a coleta de esgoto publicada no SNIS 2011 onde foi considerada a população total de
192.379.287 habitantes e 55,5% de coleta considerando apenas a população urbana
de 158 milhões de habitantes dos municípios cadastrados no SNIS (MINISTÉRIO DAS
CIDADES, 2011).
De acordo com o gráfico 1 no qual pode ser observado que apenas 36
municípios estão entre 80 e 100% de atendimento o que indica a necessidade da
implantação de sistemas de coleta de esgoto. Dos 100 municípios apresentados
apenas dois não possuem nenhum serviço de coleta de esgotos sendo estes
Ananindeua e Santarém ambos localizados no estado do Pará. De acordo com o
SNIS, a Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA) atende ao Estado do Pará,
e apenas o município de Belém possui coleta de esgoto, sendo esta muito deficitária
17

atendendo apenas 8,1%, fazendo com que o município entre no ranking como um dos
10 piores municípios para coleta.

Gráfico 1 – Quantidade de municípios com atendimento à coleta de esgoto x


faixa de atendimento (%).
Fonte: Instituto Trata Brasil, 2014.

No quesito arrecadação / investimento é considerada a razão entre o total


investido no município e o total arrecadado com os serviços de abastecimento de água
e coleta de esgotos. Os municípios investem em média 36% do arrecadado,
considerando os dados totais analisados, sendo que ao analisar individualmente
resulta em um montante de 53 municípios que investem menos de 20% do que
arrecadam, 38 municípios investem entre 20 e 80% e apenas 9 municípios investem
mais de 80% (INSTITUTO TRATA BRASIL, 2014).
O indicador de novas ligações para coleta de esgoto mostrou que apenas
3 municípios obtiveram sucesso na universalização deste serviço contra 8 municípios
que não avançaram neste quesito. Do total analisado 66 municípios executaram até
20% das ligações, 30 municípios estão entre 20 e 80% e apenas 4 municípios
executaram acima de 80% (INSTITUTO TRATA BRASIL, 2014).
Portanto com base nos dados apresentados pode-se observar que os
serviços de coleta de esgotos no Brasil não avançam o necessário para que haja a
universalização deste serviço como previsto pelo PLANSAB até 2030.
18

4.2. Métodos construtivos

4.2.1. Método destrutivo

A vala a céu aberto (VCA), abertura de trincheira, open-cut ou cover and


cut, é um método destrutivo onde é realizada a escavação manual ou mecânica do
solo da superfície até a cota de implantação de uma determinada seção transversal e
assentada a nova tubulação respeitando a declividade especificada no projeto. É um
método muito utilizado porém em áreas urbanas adensadas acaba por gerar
interferência direta com o tráfego de veículos e pedestres, impactos ambientais e
maior prazo de execução se comparado ao MND (FORTES, 2010).
Este método teve um avanço mínimo nos últimos 50 anos e há dificuldades
de autorização para a abertura de valas pelo departamento de trânsito responsável
pois em sua execução ocorre o corte do pavimento e quando da sua reposição não é
executado de maneira adequada causando patologias no mesmo (ABRATT,2013).
No desenvolvimento do projeto de implantação de novas tubulações
considerando vala a céu aberto é necessário que a projetista utilize como referência
a NBR 12266/92 – Projeto e execução de valas para assentamento de tubulação de
água, esgoto ou drenagem urbana para a execução, dimensionamento do
escoramento e posicionamento das valas. O projeto deve conter o perfil geológico /
freático e relatório geotécnico, tipo e seção do pavimento, descrição da área de projeto
e interferências com outras concessionárias. A profundidade da vala é determinada
através das cotas do projeto hidráulico acrescida do embasamento especificado para
o assentamento da tubulação.
De acordo com a NBR 12266/92 para a execução são necessários os
seguintes itens:
 Projeto executivo: apresenta o detalhamento do projeto hidráulico,
geológico, as interferências devidamente cadastradas e relatório técnico;
 Cadastros de interferências: fornecido pelas concessionárias
responsáveis por cada instalação que interfere na área de projeto;
 Projetos das valas: apresenta o detalhamento de execução das valas;
 Sinalização: normas municipais para isolar a área de intervenção;
19

 Remoção da pavimentação: procedimento manual ou mecânico definido


pelo pavimento a ser removido;
 Escavação: procedimento manual, mecânico ou com utilização de
explosivos na ocorrência de rocha;
 Escoramento: executado de acordo com o projeto da vala sendo os mais
usuais o pontaleteamento, escoramento descontínuo, escoramento
contínuo e escoramento especial;
 Esgotamento: quando necessário o rebaixamento do lençol freático
sendo realizado através de poços filtrantes ou ponteiras filtrantes;
 Preparo do fundo da vala: executado de acordo com o projeto da vala
sendo utilizado segundo a NBR 9814/87- Execução de rede coletora de
esgoto sanitário os tipos de apoio direto, leito de material granular fino,
laje e berço contínuo de concreto, blocos espaçados e lastro drenante
de brita 3 e 4 ou cascalho grosso com uma camada de material granular;
 Reaterro e adensamento: no projeto da vala é especificado o material do
reaterro assim como as condições para compactação e acabamento da
superfície do terreno sendo o reaterro e adensamento obrigatoriamente
manual até 0,50m acima da geratriz superior da tubulação instalada;
 Remoção do escoramento: é retirado conforme o reaterro é executado;
 Reposição da pavimentação: deve obedecer as características do
pavimento removido reconstituindo a forma anterior;
 Limpeza geral: realizada ao término da pavimentação removendo solo e
entulhos;
 Segurança do trabalho: afim de conscientizar e evitar acidentes;
 Fiscalização: realiza a verificação dos serviços executados de acordo
com o projeto executivo em todas as etapas da obra.
Em visita técnica à obra dos Córregos Ponte Baixa e Jardim Leticia –
Canalização e Sistema Viário, localizado na Avenida Guido Caloi em São Paulo, foi
observada a execução do coletor-tronco de esgoto em tubulação de concreto
utilizando o método open-cut por escavação mecânica e escoramento metálico
descontínuo (Figura 1).
20

Figura 1 – Vala a céu aberto executada por escavação mecânica e escoramento


especial metálico. Canalização dos Córregos Ponte Baixa e Jardim Leticia.
Fonte: Do autor, 2014.

Uma análise referente aos dados de acidentes fatais nas escavações


realizadas entre 1973 e 1980 no Reino Unido relata que os 63% das mortes foram por
colapso do solo onde a escavação não suportou e cedeu. Outros 37% se dividem
entre trabalhar com cargas superiores à projetada para o escoramento, escoramento
inadequado e valas instáveis (READ, 2004).
Na Figura 2 ilustra-se um exemplo de vala a céu aberto e os danos que
esta pode causar nas instalações pré existentes no local da obra. Neste caso a
Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA, 2013) causou danos ao
sistema de galerias de águas pluviais gerando atraso na finalização da obra.

Figura 2– Vala a céu aberto versus Interferências.


Fonte: COMPESA, 2013.
21

Considerando o fator segurança da equipe, a interferência que a obra


causa na área de execução, prazo de execução e danos ao pavimento pode-se
concluir que para a maioria dos casos a solução adequada para cidades urbanizadas
é o método não destrutivo.

4.2.2. Métodos não destrutivos

A North American Society for Trenchless Technology (NASTT, 2013), The


International Society for Trenchless Technology (ISTT, 2013b) e a Associação
Brasileira de Tecnologia Não Destrutiva (ABRATT, 2013) definem o MND como uma
tecnologia que envolve a instalação, substituição ou renovação de instalações de
infraestrutura com escavação e interferência mínimas na superfície. É uma tecnologia
que vem sendo utilizada há muitos anos no Brasil e no mundo principalmente na
execução de túneis rodoviários. A utilização de aberturas de vala no MND fica restrita
aos poços de emboque e desemboque dos equipamentos e tubulações para
perfuração/cravação.
Os benefícios dos métodos não destrutivos segundo a ISTT (2013b) são:
 Redução dos danos ambientais;
 Redução da influência no tráfego e comércio local;
 Mínima influência no entorno da obra (comércio local e residências);
 Aumento da produtividade;
 Redução do custo de implantação;
 Redução dos danos causados ao pavimento existente;
 Maior segurança durante a execução respeitando sempre as Normas de
segurança do trabalho;
 Redução do prazo de execução.
Observa-se que os coletores-tronco são executados geralmente em
regiões de fundo de vale onde há uma grande ocupação do solo com avenidas e
edificações irregulares. O esgoto é lançado inicialmente nos córregos e quando da
execução do coletor-tronco é interceptado e encaminhado à ETE. Logo, há
necessidade de instalações profundas para desvio das interferências (córregos, rios
e galerias de águas pluviais) e para interceptação de todos os lançamentos existentes
22

na área analisada. Com base nessa premissa, serão abordados cinco métodos
utilizados na execução / instalação de Coletor-tronco de esgoto (DURAZZO, 2007).

4.2.2.1. NATM (New Austrian Tunelling Method)

Desenvolvido e utilizado por Ladislau Rabcewicz, evoluiu


consideravelmente entre 1950 e 1960 através da execução de túneis para mineração
(SOLOTRAT, 2011). Segundo Sauer (2004) o método foi utilizado em zona urbana a
partir de 1968 na execução de uma seção do metrô de Frankfurt cujo solo era
composto por argila rija.
O Novo Método Austríaco para Abertura de Túneis consiste na escavação
parcial do maciço de forma que o solo autoportante não ceda antes da execução de
uma estrutura de suporte para a mobilização das tensões de resistência interna do
mesmo. Dessa forma o maciço funciona como elemento de escoramento (auto
suporte) onde a aplicação imediata do revestimento de concreto projetado não permite
a formação de vazios e a perda da capacidade de auto suporte do mesmo. Quando
há instabilidades na escavação se faz necessária a utilização de telas, cambotas e
enfilagens garantindo a segurança dos operadores e da área superior à obra dando
continuidade aos trabalhos, como mostram as Figuras 3 e 4 (SOLOTRAT, 2011).

Figura 3 – Esquemático de enfilagens e cambotas.


Fonte: Solotrat,2011.
23

Figura 4 – Enfilagens e cambota do túnel em NATM Roque Petrella do Metrô Linha


Lilás – Lote 3.
Fonte: Do autor, 2014.

A evolução e parcialização da frente de escavação são determinadas pelo


comportamento do maciço devido ao tempo de auto suporte e deformação do material.
São considerados ainda fatores como prazo, custo e equipamentos disponíveis para
definir a parcialização. Segundo Campanhã (1995) a execução em uma única etapa
ou em um número mínimo de parcializações e com um avanço máximo na escavação
é o método construtivo mais adequado para a execução do túnel em NATM. A Figura
5 mostra a parcialização do maciço que será definida através de estudos geotécnicos
e a Figura 6 se trata da execução e parcialização do Túnel em NATM Roque Petrella
do Metrô de São Paulo, Linha Lilás – Lote 3.

Figura 5 – Parcialização da frente de escavação.


Fonte: Solotrat,2011
24

Figura 6 – Execução e parcialização do túnel em NATM Roque Petrella do Metrô


Linha Lilás – Lote 3.
Fonte: do autor ,2014

Além das estruturas de suporte já citadas, tem-se que atentar para o fato
de que o túnel deve ser executado como um tubo fechado. Dessa forma é executado
um arco invertido cujo objetivo é melhorar a distribuição das cargas do anel de suporte.
Deve ser executado em um instante adequado, sendo este o mais rápido possível,
evitando deformações excessivas, colapso da frente e do teto ou perda de
estabilidade do maciço, em módulos de forma a não interferir no avanço das
escavações e na segurança do túnel, podendo ser provisório e retirado no fim da obra
dando lugar ao arco invertido definitivo como visto na Figura 7 (CAMPANHÃ,1995).

ARCO INVERTIDO DEFINITIVO

ARCO INVERTIDO PROVISÓRIO

Figura 7 – Arco invertido provisório e definitivo.


Fonte: Solotrat, 2010.

De acordo com Durazzo (2007) o rebaixamento do nível de água do lençol


freático é um fator condicionante para a execução do NATM, e realizado
temporariamente através de ponteiras filtrantes, poços de drenagem, drenos – vácuo,
paredes de retenção e tratamento do maciço com injeções químicas ou Jet Grouting.
25

As deformações do maciço do suporte e da face escavada segundo


Durazzo (2007), são controladas através de equipamentos de instrumentação
sofisticados para medições, possibilitando a verificação de um possível colapso caso
o revestimento de suporte não esteja atuando como projetado.
Alguns instrumentos como tassômetros (medição de recalques profundos),
inclinômetros (medição de deslocamentos horizontais ao longo de uma vertical),
piezômetros (medição de pressão hidráulica), indicadores de nível d’água, pinos de
recalque (controle de recalques nas edificações vizinhas), pinos de convergência
(controle de deslocamento interno no revestimento) e marcos superficiais (controle de
recalque superficial) compõem o processo de instrumentação (DANTAS, 2010).
O monitoramento tem como objetivos, durante o processo de execução: a
verificação do comportamento do maciço durante a escavação e intervir quando
necessário com soluções adequadas, obter uma avaliação mais precisa do maciço e
adoção de otimização das estruturas de suporte e soluções de estabilização nos
trechos seguintes, e garantir a limitação dos recalques e distorções induzidas evitando
danos às edificações ao redor do túnel (DURAZZO,2007).
Segundo Vieira (2003) o monitoramento do alinhamento do túnel é
realizado a fim de verificar a cada 3 metros de avanço o desvio do traçado projetado.
O desvio deverá ser corrigido e realocado no eixo de projeto.
A segurança na execução do túnel em NATM não está ligada ao método
de execução, mas depende da concepção do projeto e da qualidade de execução.
Logo é obtida pela a adequada aplicação dos conceitos definidos no projeto e
execução do túnel (CAMPANHÃ, 1995). Para os operários os aspectos de segurança
e medicina do trabalho durante a escavação do NATM são de extrema importância
devido ao confinamento, sendo assim necessário a medição de gases e outras
condições de trabalho em espaços confinados (LOTURCO, 2011).
O NATM é utilizado em obras de execução de coletores-tronco de esgoto
com diâmetros superiores à 1,5 metros, onde se torna viável economicamente em
comparação a um “shield”. A escavação é manual devido ao diâmetro reduzido, com
ressalvas aos diâmetros que possibilitem a movimentação de uma escavadeira no
poço de serviço. O avanço em geral varia de 0,6 a 1,2 metros/dia, logo é um método
indicado para trechos pequenos (CORSINI, 2011).
26

Segundo Vieira (2003) as principais vantagens da escavação manual do


NATM são:
 Versatilidade do método mediante a variação do solo;
 Poços de emboque e desemboque com dimensões reduzidas e
esbeltos, facilitando a locação da obra no contexto urbano;
 Remover obstáculos enterrados com facilidade (no caso de obras de
infraestrutura desativadas).
Já a principal desvantagem é a baixa produtividade devido às etapas de
escavação manual, estabilização e revestimento do maciço impactando diretamente
no planejamento e custo da obra.

Figura 8 – Execução do NATM e o túnel concluído.


Fonte: Corsini,2011.

4.2.2.2. MTBM (Micro Tunnel Boring Machine)

A ABRATT (2013) define o MTBM como uma escavação realizada por uma
máquina direcionável não tripulada com controle remoto, a qual instala tubulações de
pequenos diâmetros através de pistões hidráulicos. Utiliza ainda um sistema de
alinhamento e nivelamento da perfuração. Trata-se de um mini-shield com diâmetros
compatíveis para esgoto variando entra 200 e 3200 mm (LUDWIGPFEIFFER, 2014).
O sistema foi desenvolvido no Japão, no início da década de 70 e teve a Alemanha e
o Japão como pioneiros no avanço tecnológico e dos equipamentos.
De acordo com Durazzo (2007), devido à necessidade de implantação de
sistemas coletores de esgoto na cidade de São Paulo a SABESP executou sua
primeira obra de MND em 1974 na qual foi utilizado o Shield Inglês com 1200 mm de
diâmetro em anéis de concreto pré moldado cujo equipamento era composto por uma
27

frente aberta onde a escavação e o transporte do solo se deram manualmente


avançando 4,80 m/dia. Em 1982 foram adquiridas duas TBM’s (Tunnel Boring
Machines) com 4500 mm de diâmetro interno composto por uma frente aberta e
escavação mecanizada. Porém, para escavação em solos não coesivos havia a
necessidade do emprego de ar comprimido na cabeceira da escavação. Nos anos
seguintes houve um aumento nos investimentos no saneamento e um grande avanço
tecnológico. Foi aprimorada a mecanização da escavação utilizando uma cabeça
cortante e a utilização de esteiras para transporte do solo escavado, controle
direcional da perfuração garantindo o alinhamento do equipamento e a segurança dos
operadores. Em 1981 foi criada a MTBM (Microtunnelling Boring Machine) Lomec nos
diâmetros de 1200, 1500 e 2000 mm a qual alavancou o processo de execução
elevando o aumento na produtividade para 18 m/dia em solos brandos. Em 1994
iniciou-se a utilização da MTBM com aplicação de lama (slurry) cuja função é
estabilizar as pressões do maciço para cravação de tubos (pipe jacking).
Em geral as máquinas de micro túnel escavam em linha reta entre os poços
de emboque e desemboque, porém possuem também um sistema para trechos
curvos. Segundo Kochen (2009), os poços de ataque ou emboque são em geral
utilizados como poços de serviço onde são instalados todos os equipamentos para a
escavação sendo projetados para mobilizar os esforços da cravação dos tubos. Já os
poços de chegada ou desemboque são utilizados para a retirada do equipamento de
escavação, o “mini-shield”. Ambos são utilizados como poços de visita posteriormente.
A Figura 9 mostra a execução coletor-tronco de esgoto utilizando MTBM e Pipe
Jacking.

Figura 9 – Poços de emboque e desemboque do MTBM. Canalização dos Córregos


Ponte Baixa e Jardim Leticia.
Fonte: Do autor, 2014.
28

O processo de escavação é preciso nos mais variados tipos de solo


variando de solos instáveis a rocha sã, possibilitando a instalação de tubulações sem
a necessidade de rebaixamento do lençol freático e tratamentos adicionais alterando
as características geotécnicas do solo. A escavação do microtúnel consiste em uma
determinada MTBM, adequada ao perfil geotécnico da área de implantação e ao
diâmetro da tubulação projetada. É usual a utilização da MTBM para perfurar e do
método Pipe Jacking para a cravação dos tubos portanto, é necessário um sistema
hidráulico para cravação de tubos e um sistema fechado para circulação de lama
bentonítica para facilitar o processo de retirada do solo escavado e estabilizar as
tensões na cabeça de corte. São utilizados ainda decantadores para a separação do
material escavado da água / lama, um sistema de orientação para garantir a precisão
na escavação (declividade e traçado) e instalações hidráulicas e elétricas para o
funcionamento dos equipamentos (DURAZZO, 2007).

Figura 10 – Processo de escavação e instalação de tubulações através de


Microtúneis - MTBM.
Fonte: ISTT, 2013a.

A MTBM é inserida em um poço vertical (poço de ataque ou emboque) já


executado na cota de implantação da tubulação definida em projeto. Com o
equipamento devidamente posicionado dá-se início ao processo de escavação cuja
desagregação e trituração do solo é realizada através da pressão exercida pela
cabeça cortante da MTBM no solo. A cabeça de corte (Figura 11) tem a função de
triturar e direcionar o solo para uma câmara em seu interior, a qual é pressurizada
mantendo a estabilidade das pressões na frente de escavação através de suporte
líquido (Slurry Shield – lama bentonítica) ou equilíbrio de pressão (EPB Shield)
(KOSHEN, 2009).
29

Figura 11 – Cabeça de corte.


Fonte: Corsini, 2011.

O EPB é aplicado em solos coesos com granulometria inferior a 0,1 mm


(silte, argila e areia fina) e permeabilidade abaixo de 10 m/s, mantendo o equilíbrio
entre o solo e a pressão, e com uma taxa de remoção do solo igual à taxa de avanço
da escavação, além de aplicar polímeros, lama bentonítica ou espuma para
estabilização do maciço. Já o Slurry Shield é aplicado em solos com granulometria
superior a 0,1 mm (de areia fina a rocha sã) e permeabilidade acima de 10 m/s,
aplicando na câmara no interior da cabeça de corte lama bentonítica, água, ou agente
plastificante mantendo esta sob pressão. O transporte do solo escavado se dá através
de um sistema de dragagem ou por uma rosca helicoidal e destinado ao tanque de
decantação com o objetivo de recuperar e reutilizar a lama (DURAZZO, 2007).

Figura 12 – EPB e Slurry Shield consecutivamente.


Fonte: PJA-Pipe Jacking Association, 2013b.

Portanto, segundo Durazzo (2007), na fase de projeto se faz necessário


uma investigação geotécnica completa identificando os tipos de solo e níveis do lençol
freático ao longo do traçado projetado, possibilitando a escolha correta do
30

equipamento a ser utilizado evitando eventuais custos excessivos gerados por erro de
projeto. Através da análise do maciço pode-se definir a configuração da cabeça de
corte da MTBM.
O alinhamento da máquina é realizado através do sistema de controle
composto por um laser instalado no eixo de avanço, o qual ao projetar o raio na
extremidade do equipamento, verifica o posicionamento do mesmo no eixo de
escavação, permitindo verificar e corrigir quaisquer desvios de traçado ou declividade.
Um equipamento sofisticado de Microtúnel pode exercer uma determinada pressão
na frente de escavação de forma que a pressão do solo e do lençol freático sejam
estabilizadas reduzindo os recalques e perda de solo (DURAZZO, 2007).
Outro equipamento para execução de microtúneis é a Auger Boring
Machine, a qual remove o material e transfere os momentos de torção ao equipamento
de perfuração através do eixo da rosca helicoidal, sendo estes ocos e quando
necessários pressurizados com água, ar comprimido ou polímeros a fim de
condicionar o solo. Há três métodos de Auger System: o furo não guiado, o furo guiado
e o furo guiado com rosca helicoidal dirigível, sendo que a escolha dependerá do
diâmetro, comprimento do trecho e grau de precisão da perfuração (DURAZZO, 2007).

Figura 13 - Ilustração de uma típica Compact Auger Boring Machine para instalação
de tubos de diâmetros entre 200 e 400 milímetros.
Fonte: Herrenknecht, 2014.

O furo não guiado é utilizado para trechos curtos e consiste no


posicionamento exato da máquina no poço de emboque e cravação de uma tubulação
de aço protetora equipada internamente com uma rosca helicoidal, até o poço de
desemboque. O solo escavado pela cabeça de corte é lançado na rosca para ser
transportado ao poço de emboque. A tubulação a ser instalada é cravada na
sequência da tubulação protetora de aço expelindo-a do furo piloto e retiradas no poço
31

de desemboque. O furo não guiado pode ser aplicado na maioria dos solos acima do
lençol freático e rocha fragmentada (DURAZZO, 2007).
O furo guiado (ver Figura 14) é utilizado para trechos longos com maior
precisão de execução. É executado um furo piloto entre os poços de emboque e
desemboque utilizando tubos equipados com um sistema de levantamento óptico,
através do qual pode-se monitorar a direção da cabeça de corte e a inclinação da
broca piloto com precisão (HERRENKNECHT, 2014). Segundo Durazzo (2007), há
duas opções para instalar a tubulação definitiva: a primeira é a cravação direta da
tubulação utilizando um shield após a execução do furo piloto e, a segunda é a
cravação da tubulação de aço de proteção com a rosca helicoidal seguida da cravação
da tubulação definitiva.

Figura 14 – Furo guiado e Pipe Jacking.


Fonte: Bohrtec, 2014.

O furo guiado (ver Figura 15) com Rosca helicoidal é semelhante ao furo
guiado porém ao executar o furo piloto utiliza a tubulação de aço de proteção com
rosca helicoidal contando com o sistema de levantamento óptico a fim de garantir a
precisão na escavação. A instalação da tubulação definitiva é realizada por cravação
como nos métodos apresentados anteriormente.
32

Figura 15 – Furo guiado com rosca helicoidal dirigível e Pipe Jacking.


Fonte: Bohrtec, 2014.

Utilizando um dos equipamentos descritos (Slurry Shield, EPB Shield ou


Auger Boring Machine), é realizada a cravação do tubo através do sistema hidráulico
simultaneamente à escavação e transporte de sedimentos. Segundo a ABRATT
(2013), os tubos utilizados podem ser de concreto (armado ou não), concreto com
polímero, com base fibra de vidro ou resina, cerâmica, aço, ferro dúctil e plástico. Para
a cravação a tubulação deverá suportar uma elevada resistência de compressão e ser
revestida internamente para o ataque do esgoto.

4.2.2.3. Pipe Jacking

Este método foi desenvolvido nos Estados Unidos no final do século XIX,
porém não era utilizado com frequência. Nos anos 50 e 60 novas técnicas foram
adicionadas ao Pipe Jacking por empresas européias e japonesas trazendo melhorias
no processo de escavação assim como: atingir maiores extensões, grau de precisão,
tubos reforçados, juntas para cravação e estabilização da face de escavação
(ABRAHAM et al., 2007 apud KRAMER et al., 1992).
O método consiste na técnica de instalação de tubulação pré fabricada
subterrânea entre um poço de emboque e outro de desemboque (ver Figura 16). A
tubulação é cravada através de macacos hidráulicos instalados no poço de emboque.
A pressão exercida pelos macacos hidráulicos na tubulação acaba por forçar o tubo
contra o solo que está sendo escavado através de uma MTBM. Após a instalação de
um segmento o sistema hidráulico retorna à origem de forma que outro segmento seja
colocado na sequência para reiniciar o processo (OREGON, 2011).
Portanto observa-se que os métodos Microtúnel e Pipe Jacking são
complementares, e a capacidade / velocidade de cravação estará sincronizada com a
taxa de escavação da MTBM (DURAZZO, 2007).
33

O poço de emboque é projetado de acordo com a extensão e diâmetro da


tubulação a ser instalada, do equipamento a ser utilizado, condições do solo podendo
ser circular, oval ou retangular e revestido com estacas prancha ou concreto. É
necessário a execução de uma parede de reação para a ancoragem da estrutura de
fixação dos pistões hidráulicos (ABRATT, 2013).
De acordo com a PJA (2013a), os diâmetros atendidos pelo método variam
de 150 mm à 3000 milímetros e a utilização de estações intermediárias é reduzida se
comparado aos métodos de túneis segmentados.

Figura 16 – Pipe Jacking e Slurry.


Fonte: Peev, 2008.

Segundo Drösemeyer (2004), o método Pipe Jacking pode ainda ser


classificado de acordo com a sua execução e do tipo de escavação. A sua execução
pode ser ou não tripulada e escavada manualmente ou mecanicamente. Os métodos
tripulados incluem a participação de operários na frente de escavação e aplicação do
revestimento interno, contando ainda com escavação manual ou operação do
equipamento internamente ao túnel. Já nos métodos não tripulados os equipamentos
são operados à distância e sem acesso ao interior do túnel, conta ainda com
escavação mecanizada automatizada atendendo diâmetros inferiores a 1000 mm.
Além da divisão anterior pode-se ainda ao analisar o método não tripulado
dividí-lo em dois grupos: dirigíveis e não dirigíveis. Empregados na execução de túneis
em curvas, os dirigíveis são tecnologicamente sofisticados permitindo a conformação
de desvios durante a escavação e aumento na extensão de escavação, ultrapassando
300 metros. Os não dirigíveis executam apenas escavações em traçados retos e
avanço máximo de escavação de 100 metros (DRÖSEMEYER, 2004 apud JUNIOR e
COUTINHO, 1995).
34

Os métodos utilizados segundo a PJA (2013a) são:

 Tunnel Boring Machine (TBM)


O termo TBM é utilizado para diferenciar os equipamento de escavação de
túneis, sendo que as TBM’s operam sem um sistema de equilíbrio de pressão na frente
de escavação e é utilizada para escavação em rocha (figura 17). O equipamento
consiste em uma ou duas proteções tipo couraça onde será instalado o revestimento
de suporte, ou seja segmentos de concreto, uma cabeça de corte e estruturas de apoio
(DURAZZO, 2007).

Figura 17 - Ilustração de uma TBM de dupla couraça e revestimento típico


segmentar.
Fonte: Herrenknecht, 2014.

 Cutter Boom Shield


São inseridas internamente ao Shield de frente aberta, uma escavadeira
hidráulica para escavação do solo, sendo usualmente aplicada à escavação de rochas
(Figura 18). O material escavado é transportado através de correias motorizadas à
uma caçamba para transporte à superfície (DRÖSEMEYER, 2004).

Figura 18 - Ilustração de uma Cutter Boom Shield.


Fonte: Herrenknecht, 2014.
35

 Backacter Shield
São inseridas dentro do Shield dirigível de frente aberta, máquinas
escavadoras sendo equipadas com retroescavadeiras, dentes de corte ou martelo
pneumático (Figura 19). Por ser articulada a pá escavadora permite através do giro a
escavação em qualquer direção (DURAZZO, 2007).

Figura 19 – Ilustração de uma Backacter Shield.


Fonte: Drösemeyer, 2004 apud Herrenkenecht, 2001c.

 Pressurised Slurry Machine – Slurry Sistem


Trata-se de uma TBM com uma cabeça de corte para escavação do solo e
uma câmara de extração, onde o solo é misturado com fluído (água, lama bentonítica)
mantido sob pressão e transportado através de uma bomba de fluxo variável. A
estabilização da frente de escavação se dá pela pressão exercida pela lama
(DURAZZO, 2007).

Figura 20 – Seção de uma Slurry Machine.


Fonte: Drösemeyer, 2004 apud Herrenkenecht, 2001c.

 Earth Pressure Balance Machine (EPBM)


É um método de escavação com equilíbrio de pressões no solo de maneira
que a frente de escavação não entre em colapso. É uma TBM de face fechada em
36

que o solo escavado através da cabeça cortante é direcionado para a câmara de


extração e retirado através da rosca helicoidal até a segunda câmara, onde poderá
ser misturado com água ou bentonita para o transporte por bombas ou esteiras (Figura
21) (DURAZZO, 2007).

Figura 21 – Ilustração de uma EPBM de revestimento típico segmentar.


Fonte: Herrenknecht, 2014.

 Microtunnelling
Abordado no item anterior o Microtunnelling é um método de escavação
realizado por um mini-shield não tripulável, com diâmetros que variam de 200 mm a
3200 mm (LUDWIGPFEIFFER, 2014).

 Open hand Shield


É um Shield equipado com macacos de direcionamento espaçados ao
longo do tubo guia, sendo a escavação manual e diâmetro um pouco maior que os
tubos à instalar. A relação diâmetro/comprimento implica em fator crucial na
capacidade de direcionamento podendo comprometê-la. É aplicado em solos
autoportantes e rochas alteradas (DRÖSEMEYE, 2004). Segundo a PJA (2013a), o
método é utilizado para diâmetros acima de 1200 mm e para comprimentos limitados
favorecendo a segurança dos operadores, como ilustrado na Tabela 1.
Pipe I/D Ground Guide Length
<1200mm Not acceptable N/A
1200mm and greater Soils - Cohesive 25m. Not more than two drive lenghts.
1200mm and greater Soils - Non Cohesive 40m. Not more than two drive lengths.
1200mm and greater Rock Not recommended.
Tabela 1 – Orientação sobre as limitações da escavação manual.
Fonte: PJA, 2006.
37

Reunindo as informações de cada método explicitado acima a PJA (2006)


desenvolveu uma tabela de orientação para projetistas na qual relaciona os diâmetros
x métodos e a distância entre poços x métodos, apresentada na Tabela 2.
Tunneling and Pipejacking: Guidance for Designers
Internal dimensions for popejackings and tunnels below 3.m diameter and indicative drive lengths

Table 1 - Nominal internal diameter of pipeline or tunnel linings


Excavation technique <0,9m 0,9m 1,0m 1,2m 1,35m 1,5m 1,8m >1,8m
Pipejack - machine, remote
Acceptable (See Table 2)
operation from surface
Pipejack - machine, operator
Not Acceptable Acceptable
controlled below ground
Pipejack - hand dig Not Acceptable Avoid
Tunnel - machine operator
Not Acceptable Avoid Acceptable
cotrolled + mechanical erector
Tunnel - hand dig + Mechanical
Not Acceptable Avoid
erector
Timber heading - hand dig Not Acceptable Avoid

Table 2 - Indicative drive lengths (e.g. between shafts) and maximum number of drives
Excavation technique <0,9m 0,9m 1,0m 1,2m 1,35m 1,5m 1,8m >1,8m
Pipejack - machine, remote Drive length limited only by
250 m 400m >500m >500m
operation from surface capacity of jacking system
Pipejack - machine, operator
Man entry not acceptable 125m 200m 300m 500m >500m
controlled below ground
*100m - 1 drive length.
*25m - 2 *50m - 2 *75m - 2
Pipejack - hand dig Not Acceptable Plan to use minidigger if
drive lengths drive lengths drive lengths
over 2.1m dia
Tunnel - machine operator
Not Acceptable *250m *500m >500m
cotrolled + mechanical erector
*100m - 1 drive length.
Tunnel - hand dig + Mechanical *50m - 1
Not Acceptable Plan to use minidigger if
erector drive length
over 2.1m dia
*25m - 2 drive lengths
Timber heading - hand dig Not Acceptable
Minimum cross inside frames 1.2m high x 1.0m wide

Tabela 2 – Orientações para projetistas.


Fonte: PJA, 2006.

Algumas considerações na etapa de projeto de acordo com Durazzo (2007)


são:
 Traçado contínuo e linear para controle de execução mais preciso no
eixo e na declividade;
 Locação adequada dos poços de emboque e desemboque;
 Verificar a distância máxima entre poços, pois esta varia de acordo com
o material da tubulação, diâmetro, comprimento, características do solo
e capacidade do sistema de lubrificação;
 Controle de recalques;
 Projetos estruturais da tubulação e detalhes das juntas;
 Método de instalação e detalhes do sistema de cravação e
38

 Estudo geotécnico.
Estas informações devem ser complementadas com dados referentes ao
equipamento e dos sistemas envolvidos na execução.
Na cravação de tubos no método de Microtúneis, são utilizados tubos de
concreto armado reforçado e fibra de vidro reforçada, devido ao custo e resistência,
podendo ainda utilizar outros materiais assim como: aço, barro vitrificado, PVC, Ferro
dúctil e centrifugados de argamassa de polímero reforçado com fibra de vidro. Os
tubos de concreto armado devem ser fabricados de acordo com a Norma Brasileira
NBR 8890/07 – Tubo de concreto de seção circular para águas pluviais e esgotos
sanitários —Requisitos e métodos de ensaios (DURAZZO, 2007).
Para o funcionamento correto do equipamento deve-se considerar alguns
fatores que determinam as cargas de cravação tais como: diâmetro da tubulação,
extensão do trecho de cravação, rugosidade externa da tubulação, características
geotécnicas do solo, uniformidade do solo no eixo de cravação, nível do lençol freático,
profundidade da cravação, cargas permanentes e acidentais atuantes na superfície,
peso próprio do solo, sobre escavação, tempo transcorrido durante a cravação,
eficácia da lubrificação, desvios do eixo de projeto, resistência à escavação da MTBM
e projeto da cabeça de corte (DURAZZO, 2007).

4.2.2.4. Tunnel Liner

Semelhante ao NATM, o método Tunnel Liner se dá pela escavação


modular do maciço e montagem imediata do revestimento metálico sendo indicado
para execução de obras em solos com capacidade alta de auto suporte ou
condicionados. Os túneis são escorados por chapas de aço corrugado modulares e
flangeadas lateralmente, avançando simultaneamente à escavação (DURAZZO,
2007). Segundo Nakamura (2012), esta tecnologia foi muito utilizada em 1980 / 90
porém com o desenvolvimento de outras tecnologias acaba por competir apenas em
execuções de trechos curtos, pois devido à escavação manual o método compromete
o prazo de execução para redes extensas.
Como todo processo de escavação se faz necessária a investigação do
solo e do lençol freático para determinar a necessidade de rebaixamento do lençol ou
a consolidação do solo. Na execução do poço de ataque (ver Figura 22), deve ser
39

considerado um reservatório para uma bomba submersível cujo nível é inferior à cota
de instalação do túnel, logo toda água de infiltração do túnel será direcionada ao
reservatório (NAKAMURA, 2006).

Figura 22 – Emboque do Tunnel Liner.


Fonte: VIEIRA, 2003.

Em geral o avanço modular é de 0,46 m, o diâmetro varia de 1,20 m a 5,00


m, a espessura é definida no projeto levando em consideração as cargas atuantes no
solo, pode não possuir revestimento, ser galvanizado por imersão a quente
(ambientes normais) ou revestido em epóxi (ambientes agressivos), e a montagem
das chapas se dá por parafusos, porcas e arruelas de pressão. Existem outras formas
geométricas além da circular que podem ser projetadas assim como na Figura 23
(ARMCO STACO, 2014).

Figura 23 – Formas não circulares de Tunnel Liner.


Fonte: ARMCO STACO, 2014.

Antes de iniciar a escavação do maciço é necessária que seja garantida a


segurança dos operadores através da execução de enfilagens ou consolidação do
solo, de forma que o recalque provocado pela escavação do poço de ataque seja
contido. O processo construtivo através de escavação manual é realizado com o
40

mínimo de folga entre a cavidade e a circunferência externa do anel de aço e com


avanço correspondente à largura da chapa evitando escavação exagerada (Figura
24). A sustentação da abobada durante a escavação deve ser assegurada de forma
que a colocação do anel deve ser imediata, prevenindo deformações no maciço
devido a perda da capacidade de auto suporte e recalques excessivos. A solidarização
entre as chapas se dá através da conexão das flanges parafusadas e a estanqueidade
das juntas entre as chapas de aço pode ser garantida através de tiras de feltro
comprimidas pelo parafuso. As juntas longitudinais são solidarizadas da mesma forma
porém devem ser deslocadas umas das outras lateralmente. O túnel pode receber um
revestimento secundário em função da utilização e do projeto como o concreto
impermeável e resistente no caso de coletor-tronco ou, ser utilizado para apoiar uma
tubulação sendo neste caso necessário que seja executado um berço em concreto,
argamassa e areia ou solo cimento para a tubulação assentada (DURAZZO, 2007).

Figura 24 – Execução do Tunnel Liner.


Fonte: Nakamura, 2012.

O alinhamento e a declividade são monitorados através de topografia


convencional e nivelamento trigonométrico a cada 3 anéis de acordo com a
especificação técnica adotada pelo DER – Departamento de Estradas e Rodagem
(NAKAMURA, 2012). Segundo Rocco (2006), o avanço da escavação e instalação do
anel é de 1,50 m/dia, sendo que a escavação deverá ser realizada através de
revezamento entre os operários de forma a manter a produtividade. Para o processo
de fixação das chapas internamente ao túnel é necessária a utilização de iluminação
artificial.
41

4.2.2.5. HDD (Horizontal Directional Drilling)


Segundo a ABRATT (2013) o HDD ou Perfuração Direcional Horizontal é
um método que permite uma flexibilidade no traçado sendo este reto ou suavemente
curvo podendo ajustar a perfuração em qualquer momento devido às interferências.
A tecnologia HDD surgiu a partir dos campos de exploração de petróleo na
década de 1970 mesclando as tecnologias aplicadas à utilidades e indústrias de poços
de água. Foi utilizado pela primeira vez em 1971 para cruzar um rio na Califórnia com
largura de 185 metros, instalando uma tubulação de aço de 100 mm de diâmetro. A
indústria de HDD o divide em três setores: diâmetro grande (maxi-HDD), diâmetro
médio (midi-HDD) e diâmetro pequeno (mini-HDD), sendo estes definidos pela área
de aplicação (ABRAHAM et al., 2002).
Type Diameter Depth Drive Length Torque Thrust/ Pullback Machine Weight Typical Application
River, Highway
Maxi 600-1200mm ≤ 61m ≤ 1800m ≤ 108,5KN-m ≤ 445KN ≤ 30ton
crossings
Under rivers and
Midi 300-600mm ≤ 23m ≤ 270m 1-9,5KN-m 89-445KN ≤ 18ton
roadways
Telecom and
Mini 50-300mm ≤ 4,5m ≤ 180m ≤ 1,3KN-m ≤ 89KN ≤ 9ton Power cables, and
Gas lines

Tabela 3 - Tabela comparativa dos setores HDD.


Fonte: Iseley e Gokhale, 1997.

Considerando que a Tabela 3 corresponde à pesquisas e


desenvolvimentos americanos, de acordo com Durazzo (2007), as práticas no Brasil
são: o mini-HDD variando de 50 a 400 mm e HDD convencional (maxi e midi-HDD)
variam de 400 a 1200 mm. Nota-se que a divergência se dá na mudança de mini para
midi-HDD.
A instalação do HDD se dá em duas etapas (Figuras 25 e 26). Na primeira
etapa executa-se um furo piloto de 25 a 125 mm de diâmetro segundo o traçado
projetado. Este diâmetro corresponde à ponteira da perfuratriz na qual é acoplado um
tubo de diâmetro maior a fim de proporcionar rigidez à broca da perfuratriz e manter o
furo caso seja necessário a retirada da ponteira para mudanças. Após perfurar o solo
até o poço de saída, dá-se início a segunda etapa, a qual consiste na conexão de um
alargador na extremidade do equipamento de perfuração, para que este seja puxado
ampliando o furo para o diâmetro necessário à instalação da tubulação. O alargador
possui um diâmetro 50% maior que o da tubulação (polietileno ou ferro dúctil) a ser
42

instalada na extremidade do alargador, evitando excessiva força de atrito entre a


tubulação e o solo, e um possível colapso do túnel (OREGON, 2011).

Figura 25 – Perfuração do furo piloto.


Fonte: ABRATT, 2013.

Figura 26 – Alargamento e instalação da tubulação final.


Fonte: ABRATT, 2013.

A sonda perfuratriz possui um giro do 180° e inclinação de um ângulo entre


15° e 45° com relação ao solo para o início da perfuração, formando um arco raso até
a saída. É conectada ao sistema uma central propulsora composta por bombas
hidráulicas, compressores e tanque misturador do fluido para perfuração (DURAZZO,
2007).
O furo piloto é executado por uma cabeça de perfuração composta por um
corpo cilíndrico direcional e uma chapa de aço, a qual possui bicos injetores de fluido
de perfuração (lama bentonítica / polímeros) com alta pressão ou ar comprimido. A
execução do furo piloto é realizada pela união dos comandos lineares e rotação das
hastes versus comando de injeção do fluido, propiciando estabilização da perfuração.
A cabeça de perfuração é detectada através de um transmissor instalado em seu
corpo em comunicação com um receptor na superfície (Figura 27). Este receptor
43

informa profundidade, temperatura, inclinação e a posição da chapa possibilitando


qualquer manobra para correção de eventuais desvios. São utilizadas hastes de
perfuração com comprimento de 3,00 metros, fabricadas em aço especial permitindo
a flexibilidade para a execução dos trechos curvos (trecho entre a entrada e saída da
perfuratriz), cujo raio mínimo é de 40 metros (DURAZZO, 2007). Já de acordo com
Miller the Driller (2014), o raio mínimo do arco perfurado corresponde a 100 vezes o
diâmetro do tubo em polegadas caso este seja em aço, e se for plástico o valor é 40
vezes.

Figura 27 – Cabeça de perfuração, transmissor e receptor.


Fonte: ABRATT, 2013.

Segundo a ABRATT (2013) as funções dos fluidos de perfuração são:


 Lubrificação e redução do desgaste da cabeça de corte;
 Amolecer o solo facilitando a perfuração;
 Remoção e condução do material escavado até o poço de lançamento;
 Estabilização do furo piloto;
 Refrigeração e limpeza dos cortadores;
44

 Lubrificar a tubulação final no processo de alargamento e inserção;


 Acionamento dos motores de lama para perfuração em solos duros.
A lama bentonítica é bombeada através do furo piloto e retorna para a
superfície sendo coletada em poços de retorno podendo ser posteriormente
encaminhada para sedimentação, e peneira de agitação para separá-la do material
perfurado e reutilizá-la no processo ou em outro local. Em um solo com condições
adequadas pode ser instalar 152,40 metros em um dia (OREGON, 2011). De acordo
com Durazzo (2007), durante a execução se faz necessária a verificação dos imóveis
e instalações ao redor a fim de evitar acidentes causados pela injeção de lama
bentonítica.
Em Janeiro de 2014, foi executado na Rua Duque de Caxias, Barueri, São
Paulo, o primeiro furo direcional em rocha feito para a SABESP, utilizando um sistema
de perfuração guiada Axis, da Vermeer, como apresentado da Figura 28 a 34. A obra
se trata da execução de uma rede coletora de esgotos da SABESP com diâmetro de
300 mm.
Este sistema é composto por uma unidade de potência à vácuo, tanque de
vácuo e a unidade de potência do rack, uma caixa da perfuratriz, cabeça de
perfuração, unidade de potência independente na qual estão instaladas as bombas
hidráulicas, e console do operador. A unidade de potência a vácuo de anel líquido de
alto desempenho é locada externamente ao poço de emboque e é responsável pela
remoção do material escavado da perfuratriz. O material escavado que chega ao poço
de emboque passa da caixa da perfuratriz para uma mangueira com diâmetro de 6”
que conecta o poço ao tanque de vácuo. As bombas hidráulicas são conectadas ao
rack e alimentam as funções de rotação, avanço e recuo da perfuração (VERMEER,
2011).
45

UNIDADE DE
UNIDADE DE POTÊNCIA
TANQUE BOMBA À VÁCUO
DE VÁCUO

TRANSFORMADOR

Figura 28 – Unidades e transformador para atender a especificação do equipamento.


Programa de Despoluição do Rio Tietê – SABESP.
Fonte: Do autor, 2014.

RACK

Figura 29 – Poço de emboque. Programa de Despoluição do Rio Tietê – SABESP.


Fonte: Do autor, 2014.

O console do operador centraliza o comando de diversos componentes do


processo. Consistindo no monitor de exibição do alvo, exibição de parâmetros,
controle de direção da ponteira, avanço ou recuo, controle de rotação e de vácuo. O
direcionamento inclui uma mira a laser cuja função é determinar a linha a e inclinação
do furo garantindo a precisão da declividade no procedimento de perfuração. Cada
haste de prolongamento possui 2 metros de comprimento e quando há mudança de
46

solo a broca deve ser retirada e trocada para que não aja complicações na perfuração
ou danificação à cabeça cortante (VERMEER, 2011).

CANALETA DE MIRA LASER


COMANDOS E
FLUIDO

EIXO DA
BROCA DE
CORTE

CANAL DE
VÁCUO

Figura 30 –Prolongador. Programa de Despoluição do Rio Tietê – SABESP.


Fonte: Do autor, 2014.

Figura 31 – Laser, caixa da perfuratriz e tubulação de saída da rocha triturada.


Programa de Despoluição do Rio Tietê – SABESP.
Fonte: Do autor, 2014.

Figura 32 – Rocha triturada. Programa de Despoluição do Rio Tietê – SABESP.


Fonte: Do autor, 2014.
47

Figura 33 - Poço de desemboque ou saída e poço de visita. Programa de


Despoluição do Rio Tietê – SABESP.
Fonte: Do autor, 2014.

Figura 34 – Broca diamantada para perfuração em rocha. Programa de Despoluição


do Rio Tietê – SABESP.
Fonte: Do autor, 2014.

Neste caso, houve ainda a combinação de métodos, inicialmente, através


do Pipe Jacking a instalação dos prolongadores e posteriormente, a tubulação final
puxada pelo processo do HDD. Nesta obra em 5 dias foram perfurados 22 metros e
durante a visita perfurou 35 cm em 22 minutos. As perfuratrizes tem capacidade de
trabalho de 250 horas.
O método HDD em comparação à outros métodos necessita de um espaço
pequeno para execução, cujas variáveis são: diâmetro do tubo, comprimento do furo
e geologia podendo interferir diretamente em suas dimensões. O fato de o primeiro
processo não ter um controle total sobre a instalação da tubulação leva este a não ser
indicado para execução de redes condutoras de esgoto com declividade abaixo de
2%. É necessário salientar que a tubulação a ser instalada deve ser flexível o
suficiente para acompanhar o furo piloto. Em alguns casos para pequenos trechos há
48

a possibilidade da instalação de tubos rígidos. Os materiais em geral utilizados são


PEAD (polietileno de alta densidade) ou aço (DURAZZO, 2007).
Assim como os métodos apresentados anteriormente o estudo geotécnico
é de extrema importância pois define o tipo de cabeça de corte a utilizar. São
necessários ainda levantamento de interferências e disponibilidade de espaço para
instalação do equipamento (ABRATT, 2013).
49

4.3. Investigações Geotécnicas e Interferências


Com a finalidade de definir o método a ser utilizado, otimizar os parâmetros
operacionais, projetar com segurança, avaliar a necessidade de tratamento do solo,
levantar interferências e prever de impactos, são realizados estudos de superfície e
do subsolo da área de projeto (CELESTINO, 2008).
Segundo Ariaratnam (2008), a investigação de superfície engloba o
levantamento de redes de serviços existentes, topografia, local de instalação,
edificações no entorno, calçada e entradas de veículos danificadas, levantamento da
vegetação e fachadas das edificações elaborando um relatório fotográfico de ambos,
rios, córregos, poços de visitas ou marcos, sendo que todos os levantamentos devem
ser georeferenciados. Quando da elaboração do projeto será necessária a verificação
de colocação das máquinas e escavação dos poços de emboque e desemboque.
Para efeito de projeto e execução se faz necessário o levantamento de
interferências subterrâneas na área de interesse, informando ao projetista e à
empreiteira a existência de tubulações ou dutos (ativos ou abandonados) bem como
sua localização, dimensão / diâmetro, profundidade e disciplina a que pertence
(elétrica, telefonia, fibra óptica, água potável, esgoto, águas pluviais, gás). Algumas
concessionárias já possuem um cadastro atualizado de suas instalações, porém é
recomendado a contratação de empresas especializadas para que estas sejam
identificadas e georeferenciadas corretamente (ARIARATNAM, 2008).
A investigação geotécnica da área da projeto é fundamental para a
execução de qualquer obra subterrânea, sendo que a utilização de quaisquer método
não destrutivo implicará na alteração da estrutura original do maciço. Tais alterações
dependem diretamente das características geotécnicas do maciço, métodos de
escavação, reforço e revestimento. O detalhamento das informações da área se dá
segundo a dimensão, finalidade da instalação, localização e das condições do solo
existente (DURAZZO, 2007).
O procedimento usual no reconhecimento do subsolo é a Sondagem de
simples reconhecimento de acordo com a NBR 6484 (2001) - Solo - Sondagens de
simples reconhecimento com SPT - Método de ensaio, cujo objetivo é a determinação
dos tipos de solo e as profundidades correspondentes, posição do nível d’água, os
índices de resistência à penetração (N) (Tabela 4) e coleta de amostragem (coletada
a cada metro de perfuração, partindo de 1 metro de profundidade). De acordo com
50

Durazzo (2007), para as obras de saneamento realizadas em MND, são previstas


sondagens a cada 20 metros a fim de antever alterações na homogeneidade do
maciço e conhecer as características do mesmo, podendo este espaçamento ser
reduzido ou aumentado em função das constatações em campo.
Indice de resistência à
Solo penetração Designação¹
N
≤4 Fofa(o)
5a8 Pouco compacta(o)
Areias e siltes
9 a 18 Medianamente Compacta(o)
arenosos
19 a 40 Compacta(o)
>40 Muito compacta(o)
≤2 Muito mole
3a5 Mole
Argilas e siltes
6 a 10 Média(o)
argilosos
11 a 19 Rija(o)
>19 Dura(o)
¹ As expressões empregadas para a classificação da compacidade das areias (fofa, compacta,
etc), referem-se à deformabilidade e resistencia destes solos, sob o ponto de vista de
fundações, e não devem ser confundidas com as mesmas denominações empregadas para a
designação da compacidade relativa das areias ou para a situação perante o índice de vazios
críticos ,definidos na Mecânica dos Solos.

Tabela 4 – Classificação do solo quanto a resistência à penetração.
Fonte: NBR 6484,2001

Existem ainda outros métodos de prospecção cujos índices obtidos são de


qualidade superior ao SPT, sendo estes: o ensaio de penetração com cone (CPT -
Cone Penetration Test), Ensaio de Palheta (Vane Test), ensaio pressiométrico, ensaio
dialómetrico e ensaios sísmicos de carga (DAS, 2007).
Os principais parâmetros do solo a serem levantados segundo Celestino
(2008) e Durazzo (2007) são: granulometria (dimensão das partículas, forma dos
grãos), limites de plasticidade (LP), contração (LC) e liquidez (LL), índice de
plasticidade (IP), presença de vazios no solo, compacidade (areia), consistência
(argila), resistência, coesão, capilaridade, permeabilidade, densidade (úmido e seco),
umidade, porosidade e compressibilidade, sendo os ensaios realizados em
laboratórios especializados.
Ao final da investigação geotécnica é elaborado um relatório de exploração
do solo constando os ensaios de laboratório, mapa de localização, locação dos furos
de sondagem, boletim de sondagem (ver Figura 35), diagnósticos de problemas de
construção e limitação da investigação, permitindo a análise do método executivo a
ser utilizado para a instalação de novas tubulações (DAS, 2007).
51

Figura 35 – Exemplo de Boletim de Sondagem1.

1
Boletim de sondagem cedido pela empresa Dellut Engenharia e Meio Ambiente.
52

5. RESULTADOS

De acordo com a NBR 9649 (1986) – Projeto de redes coletoras de esgoto


sanitário, deve ser elaborado um relatório de apresentação do projeto, que deve
conter os estudos comparativos, dimensionamento hidráulico, materiais e métodos
construtivos, desenhos, especificações, levantamento de custos, manutenção e
operação do sistema. No dimensionamento hidráulico a declividade mínima
,
admissível é obtida por: í = 0,0055 , onde í é a declividade da
tubulação em m/m e é a vazão inicial calculada em l/s.
De acordo com Dequech2, considerando que a coleta e o transporte do
esgoto se dá por gravidade a profundidade será determinada através da topografia e
da declividade da tubulação, sendo que a declividade possui em geral valores baixos
(1% ou 0,5%) e deve ser executada com precisão. Segundo Durazzo3, não existem
tecnologias que sejam descartadas por não atenderem a profundidade de instalação
da tubulação.
A partir do conjunto de informações apresentadas no capítulo anterior, é
possível realizar análises comparativas e estabelecer estruturas de suporte a
decisões.
Segundo Abraham et al. (2002) foi desenvolvido um software na
Universidade de Purdue chamado SETT – Selection and Evaluation of Trenchless
Tecnologies (Seleção e avaliação de métodos não destrutivos). Como apresentado
no fluxograma a seguir (Figura 36), a escolha do método se dá em diversas etapas de
análise.

2
Paulo Dequech é presidente da ABRATT. Entrevista concedida à CORSINI, 2011.
3
Flávio Durazzo é coordenador de empreendimentos da região Sul da SABESP. Entrevista
concedida à CORSINI, 2011.
53

Figura 36 – Fluxograma de programação do SETT.


Fonte: Abraham et al., 2002, tradução nossa.

Após a identificação da área de projeto e de posse do dimensionamento


hidráulico, inicia-se a análise da área de implantação definida por Abraham et al.
(2002) através de uma lista de interferências superficiais versus grau de importância
desta, de forma que, através da somatória de pontos das condições encontradas no
local, se obtém uma diretriz para execução em VCA ou MND. A Tabela 5 determina a
pontuação a ser atribuída para cada condição local.
54

Condições do local Pontos


Existência de cruzamentos
rio, córrego, ferrovia, estrada 3
ruas urbanas 2
estrada rural, rua residencial 1
Ocupação do solo
parque, área histórica, cemitério 2
desenvolvimento de negócios/residencial/industrial 2
área ajardinada, espaço cênico 1
Volume de tráfego
alto 3
médio 2
baixo 1
Interferências com redes existentes de utilidades 1
Dificuldade de acesso ao longo da tubulação 1
Não aplicavel 0

Tabela 5 – Condições do local de instalação da tubulação.


Fonte: Abraham et al., 2002, tradução nossa.

Sendo o resultado ≥3 a possibilidade da utilização de vala a céu aberto é


descartada dando continuidade às análises para definição do Método Não Destrutivo
a ser utilizado. A próxima etapa consiste em selecionar o método com base no
diâmetro da tubulação como apresentado na Tabela 6.
Diâmetro Diâmetro
Método mínimo Máximo Autor
(mm) (mm)
Auger boring 200 1500 Abraham et al. , 2002
Microtúnel 200 3200 Ludwigpfeiffer, 2014
Maxi/Midi HDD 400 1200
Durazzo, 2007
Mini HDD 50 400
Pipe Jacking 150 3000 PJA, 2013a
Natm 1500 * Corsini, 2011
Tunnel Liner 1200 5000 ARMCO STACO, 2014
* O método permite a execução de grandes diâmetros. (NETO e KOCHEN, 2014)
Tabela 6 – Diâmetro das tubulações.

A próxima etapa se trata da avaliação da máxima profundidade atendida


pelo método executivo e o recobrimento mínimo da tubulação, como apresentado na
Tabela 7.
55

Profundidade
Recobrimento mínimo
Método Máxima
recomendado
(m)
Auger boring Varia 3
Microtúnel Varia 3
Maxi/Midi HDD <50 1,5
Mini HDD <15 1,5
Pipe Jacking Varia *
Natm Varia *
Tunnel Liner Varia *
* Sem dados específicos disponiveis.

Tabela 7 – Profundidade máxima e recobrimento mínimo.


Fonte: Abraham et al., 2002, Iseley e Gokhale, 1997, tradução nossa.

O próximo fator limitante é a extensão da tubulação excluindo o método


executivo que não atende a extensão necessária de projeto conforme a Tabela 8.
Extensão
Método
(m)
Auger boring 12-150
Microtúnel 25-1200*
Maxi/Midi HDD 120-1800
Mini HDD 12-180
Pipe Jacking Sem limite teórico - 490
Natm Sem limites teóricos
Tunnel Liner Sem limites teóricos
* Para diâmetros ≥1600mm e geologia favorável.
(LUDWIGPFEIFFER, 2014)

Tabela 8 – Extensão máxima.


Fonte: Iseley e Gokhale, 1997, tradução nossa.

Selecionada a extensão a próxima etapa é a análise das características do


solo conforme as Tabelas 9 e 10.
Cravação de tubos Cravação de tubos
Auger Maxi/Midi- Mini- Tunnel
Tipo de Solo N SPT Microtúnel (Pipe Jacking) - com (Pipe Jacking) - NATM
Boring HDD HDD Liner
TBM/MTBM escavação manual
N<5 (mole) o * o o o X o o
Coesivo
N=5 - 15 (Rija) * * * * * * * *
(Argila)
N>15 (Rija-dura) * * * * * * * *
N<10 (Fofa) o * o o o o o o
Sem coesão N=10-30 (média) * * * * * * * *
(areia/silte) N>30 (Compactada) * * * * * * * *
nível d'água alto X * o o o X o o
Matacões ≤33%D ≤33%D o X o ≤95%D ≤95%D ≤95%D
Seção plena Resist. Compr.
≤82,7 ≤206,8 ≤103,4 X ≤206,8 o * *
em rocha Simples (Mpa)
*:Recomendado o:Possível X: Não indicado
D: Tamanho do maior matacão versus o mínimo diâmetro do revestimento
(Tabela baseada na hipótese de que o trabalho seja realizado por pessoal qualificado usando equipamento adequado)

Tabela 9 – Aplicabilidade das técnicas de MND em determinados solos.


Fonte: Iseley e Gokhale, 1997, tradução nossa.
56

Compatibilidade de solo
Método
(m)
Auger boring Variedade de condições de solo exceto alto nível d'água.
Variedade de condições de solo inclusive rocha sã e alto
Microtúnel
nível d'água.
Argila é ideal. Areia e silte requerem bentonita. Cascalho e
Maxi/Midi HDD
pedras são inadequados.
Solos moles, argila e areia. Inadequado para rochas e
Mini HDD
cascalho.
Pipe Jacking Solos coesivos e granulares são os melhores. Areia
instável é menos favorável. Grandes pedregulhos causam
Natm
paralisação frequente. O método pode ser executado em
Tunnel Liner qualquer tipo de solo com as devidas precauções.

Tabela 10 – Compatibilidade do método com relação ao solo.


Fonte: Iseley e Gokhale, 1997, tradução nossa.

A penúltima etapa consiste na avaliação das aplicações típicas, ou seja,


para funcionalidade é indicada a execução de determinado método como segue na
Tabela 11. Observa-se que não é recomendada a utilização do método HDD para
instalações de esgoto por gravidade indicando o emprego de outros métodos para tal
aplicação. (ABRAHAM et al., 2002)
Método Principais aplicações
Auger boring Cruzamentos (todos os tipos)
Microtúnel Instalações de esgoto
Maxi/Midi HDD Linhas pressurizadas, água, gás, cabo
Mini HDD Linhas pressurizadas, água, gás, cabo
Pipe Jacking Esgoto, linhas pressurizadas, cruzamentos
Natm Esgoto, linhas pressurizadas, cruzamentos
Tunnel Liner Esgoto, linhas pressurizadas, cruzamentos

Tabela 11 – Principais aplicações dos métodos.


Fonte: Iseley e Gokhale, 1997, tradução nossa.

A última etapa segundo Abraham et al. (2002) consiste na definição do tipo


da tubulação a ser utilizada, resumo dos resultados e possíveis preocupações com a
implantação. A Tabela 12 apresenta os materiais aplicados a cada método executivo,
constituindo então o último item a ser analisado através do SETT. Sendo assim é
emitido o resumo dos resultados no qual consta todas as etapas analisadas e seus
respectivos dados de entrada, indicando quais são os métodos indicados e quais as
preocupações na execução e implantação da tubulação na área de projeto.
57

Método Tipo de tubulação


Auger boring Aço
Steel, Concreto reforçado, Fibra de
Microtúnel vidro, Fibra de vidro reforçada,
Ferro Ductil, PVC, Cerâmica,
Maxi/Midi HDD Aço, PEAD
Aço, PEAD, Concreto reforçado,
Mini HDD
PVC, Linhas de cobre, cabos
Concreto reforçado, aço, fibra de
Pipe Jacking
vidro
Natm *
Tunnel Liner **
* Revestimento em concreto com telas ou cambotas.
** Chapas de aço corrugado flangeadas.

Tabela 12 – Tipos de tubulações aplicados a cada método.


Fonte: Iseley e Gokhale, 1997, tradução nossa.

O SETT por si só, não define todos os parâmetros necessários para a


definição do método a ser utilizado. Portanto, de acordo com Iseley e Gokhale (1997),
há outros dados a serem considerados tais como precisão e espaço requerido para
execução conforme a Tabela 13.
Método Precisão Espaço requerido para execução
Entrada e saída dos poços. Comprimento de 8-11m, largura de
Auger boring Média
2,5-3,5m. Espaço para armazenamento das brocas e tubos.
Poço de emboque: 4m de comprimento, 3m de largura, poço
Microtúnel Alta de desemboque menor, espaço para tanques de lama e
armazenamento de tubos.
Não é necessário poço de acesso. Espaço para o
Maxi/Midi HDD Média
equipamento e tanque de fluido de perfuração: 120mx60m.
Mini HDD Média Equipamento portátil e autônomo. Requer área mínima.
O poço de emboque e desemboque se dá em função do
Pipe Jacking Alta
diâmetro da tubulação variando de 3-9m.
Natm Alta Menor área se comparada ao Pipe Jacking devido a
compacidade do método executivo. O poço de acesso varia de
Tunnel Liner Alta 2,7-7,5m.

Tabela 13 – Precisão e espaço requerido para execução de cada método.


Fonte: Iseley e Gokhale, 1997, tradução nossa.

Considerando todas as informações supracitadas, a metodologia de


execução das obras em MND pode ser definida com base em parâmetros particulares
para cada projeto.
58

6. CONCLUSÕES

O trabalho apresentado foca no levantamento e análise do método não


destrutivo mais adequado a um projeto particular para obras de Coletores-tronco de
esgoto. A importância de ampliar esse conceito no ambiente de trabalho não é
mensurável, pois pode-se promover a especialização dos profissionais envolvidos
diretamente no desenvolvimento de projetos.
No desenvolvimento da revisão bibliográfica observou-se grande volume
de materiais técnicos como artigos, manuais e teses disponíveis no mundo. No
entanto, no Brasil constatou-se a escassez de material bibliográfico disponível, sendo
este um indicador do ainda baixo uso da tecnologia.
Com o objetivo de sistematizar as informações de aplicação dos métodos
existentes para que, ao elaborar um projeto que envolva MND, o projetista possa
determinar o método a ser utilizado para execução do Coletor-tronco, foram
apresentados no Capítulo 4 aspectos relativos às metodologias de execução e
geotecnia, os quais se mostraram decisivos para seleção de tecnologias.
No Capítulo 5 foram apresentadas as informações obtidas da literatura e
das demais pesquisas realizadas, associando-as à aplicação da metodologia proposta
pelo modelo SETT, de uma maneira que seja possível a análise integrada dos diversos
aspectos envolvidos na definição de soluções de MND.
Outra constatação importante é a diferença entre os níveis de avanço
tecnológico e cultural observados no Brasil e em países desenvolvidos, de onde se
obteve referências importantes. Há, nesses países, ampla vantagem na utilização de
soluções não destrutivas em comparação com o método de abertura de valas, que é
utilizado em uma minoria de casos particulares. Mesmo para a área de atendimento
da SABESP, caracterizada pelo Estado de São Paulo, incluindo a sua região
metropolitana, localidades de grande concentração de recursos financeiros e de
pioneirismo na aplicação de novas tecnologias, ainda não se observa a mesma
tendência. De algum modo, deficiências técnicas na escolha e especificação de
metodologias não destrutivas na fase de projetos de um empreendimento pode
contribuir para esse cenário.
Segundo a ABRATT, em 2012, o setor de saneamento foi o que mais
utilizou os serviços de MND nas grandes cidades como São Paulo. O fato da SABESP
59

ser a pioneira na adoção do MND no Brasil não significa que a vala a céu aberta será
descartada frequentemente, a exemplo do desenvolvimento do Programa de
despoluição do Rio Tietê, que conta com um investimento da ordem de R$ 2,3 bilhões
e apenas 60% das obras serão executadas em MND, sob a afirmação de que sem
tais métodos não seria possível a realização do programa (INTECH, 2013).
A estimativa da ABRATT em 2012 para as obras subterrâneas em MND
era de R$ 800 milhões, dos quais R$ 400 milhões seriam direcionados para o
saneamento, e com isso surge a necessidade de parcerias com empresas
estrangeiras na aquisição de novos equipamentos e utilização de tecnologias
(INTECH, 2013).
Sendo assim, ressalta-se a importância do domínio do conhecimento das
tecnologias e métodos executivos desde a concepção do projeto até a execução da
obra, projetistas e executoras, através da capacitação técnica de profissionais do setor
de saneamento, viabilizada pela intensificação de parcerias com fornecedores dos
equipamentos e incentivando o aprofundamento no estudo da aplicação dos métodos
no mercado brasileiro, considerando características específicas de ocupação de solo,
geotecnia, impactos e custos.
60

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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system for selection of Trenchless technologies to minimize impact of utility
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trenchless technology. Van Nostrand Renhold, New York, 1992, 223p.

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métodos não destrutivos (MND) para instalação, recuperação, reparo e
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em: 15.08.2013

ARIARATNAM S.T., BENNETT, D., COMO, C.E. HDD Consortium Horizontal


Directional Drilling Good Practices Guidelines. 3ª ed., New York, NASTT, 2008,
279 p.

ARMCO STACO. Manual técnico – TUNNEL LINER. Disponível em:


<http://www.armcostaco.com.br/armco/Portugues/detProduto.php?codproduto=3>
Acesso em: 20.03.2014

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execução de valas para assentamento de tubulação de água, esgoto ou
drenagem urbana. Rio de Janeiro, 1992. 17 p

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Sondagens de simples reconhecimento com SPT - Método de ensaio. Rio de
Janeiro, 2001. 17 p

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redes coletoras de esgoto sanitário. Rio de Janeiro, 1986. 7 p

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1979, 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987, de 13
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