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Crise e catástrofe – Trabalho final

Religião – da manipulação de pensamento a guerra santa

Contextualização histórica:

O que é Guerra Santa:

Guerra santa é um recurso extremista que as grandes religiões


monoteístas têm usado ao longo da história para proteger o que
consideram ameaça aos seus dogmas e a seus lugares sagrados. Na
origem das primeiras "guerras santas" já travadas na história estão o Islamismo
e o Cristianismo.
A guerra santa é uma guerra originada por diferenças entre as religiões, e
também como estratégia para espalhar a sua crença através do expansionismo
fazendo uso da violência.

A guerra santa e o Cristianismo


Durante a Idade Média, as cruzadas foram expedições principalmente militares,
organizadas pela Igreja, com o objetivo de reconquistar o Santo Sepulcro, em
Jerusalém, do domínio muçulmano, e assumiram a forma de verdadeira “guerra
santa”.

A Igreja católica passou a organizar as expedições militares, com o objetivo,


inclusive, de projetar sua influência no território bizantino, dominado pela Igreja
ortodoxa, que era a Igreja bizantina criada com o Cisma do Oriente, em 1054, e
independente do papa de Roma.

Ao longo de quase duzentos anos, oito expedições foram organizadas e


propiciaram muita violência contra os povos não cristãos. A mais bem sucedida
foi a Primeira Cruzada, que cercou e conquistou Jerusalém e chegou a
organizar vários reinos em moldes feudais, porém, no século XII, os turcos
reconquistaram os reinos, inclusive Jerusalém.

A Terceira Cruzada foi organizada por reis e imperadores, com o objetivo de


retomar Jerusalém dos turcos. Não tendo atingido seus objetivos, resultou no
estabelecimento de acordos diplomáticos com os turcos que possibilitaram as
peregrinações.

A influência politica:

As cruzadas foram, em grande parte, influenciadas pelos reinos que nelas


participaram. Os governos locais, obrigavam as populações a estarem
conectadas com a igreja. Esta conexão era uma forma de manipulação de
pensamento para que as populações lutam-se “em nome de Deus” por terras
influentes que interessavam ao Estado. Os estados de Bagdá e Jerusalém
eram ricos numa agricultura avançada para a época, já possuíam grandes
bibliotecas e muita mão de obra especializada, algo que fazia falta a uma
Europa “estagnada no seu desenvolvimento”. Assim, os países viram nas
cruzadas e na manipulação da fé dos homens, uma forma de conquistarem
territórios. Digamos que a religião foi a desculpa perfeita para uma guerra
sangrenta, que de santa, só teria mesmo as motivações da população que
alinhava nelas.

A Influencia dos papas e o domínio do latim:

As figuras papais eram vistas pelas populações como “aqueles que transmitiam
os mandamentos de Deus”, assim sendo, quando o papas os mandavam ir
defender “o nome de Deus” em Jerusalém, os crentes iam na convicção de que
estavam a agradar a Deus.

Quais eram os principais guerreiros da guerra fria? O povo. O povo, morria em


nome de um Deus de que ouvia falar aos domingos na igreja. Nesta época
(seculo IX-XIV) a maior parte da população ainda não dominava o latim, logo,
tudo o que sabiam da religião e da mensagem de Deus, eram o que ouviam
nas igrejas e o que os Reis queriam que ouvissem.

A manipulação de pensamento e a estupidez:

“Classe e casta (seja laica ou eclesiástica) foram as instituições sociais que


permitiram um fluxo constante de pessoas estúpidas a posições de poder na
maior parte das sociedades pré-industriais.” Leis básicas da estupidez humana
– cap. 6

As posições de poder são muitas das vezes ocupadas por pessoas estupidas
(aquelas que prejudicam/ causam danos irreversíveis a pessoas ou mesmo a
sociedades inteiras). É neste ponto que a estupidez mais esta ligada a religião.
O poder da religião na vida politica e social das sociedades é completamente
inegável. Nesta época (IX-XIV) ainda mais, pois o Rei (figura de autoridade
governamental) era escolhido pela Igreja. Nada se decidia sem passar pela
Igreja, todos os assuntos estamos regidos ao domínio laico.

Ninguém contesta as figuras da igreja, com um temido medo de catástrofe na


sua vida, ou na vida dos seus pares. Devido a um sentimento de
condicionamento que foi incontido desde de sempre no que toca aos assuntos
da igreja.

A importância da vida humana:

Nas cruzadas existiu toda uma falta de consideração pela vida humana.
Quando chegados a uma terra do “inimigo” matavam todos os seres vivos que
encontrassem, mulheres eram violadas até a morte, crianças eram mortas com
crueldade, os homens eram esventrados, as cabeças cortadas e existem até
relatos de jogos feitos com os corpos dos guerreiros sequestrados.

As igrejas com os seus discursos de implantação de odio entre as populações,


eram tão ou mais criminosas e violentas quanto os guerreiros. Alimentavam o
terror com expressões “ou matamos ou morremos” para os povos se sentirem
forçados a agir. Tinham diversos discursos apocalípticos com as outras
religiões para aterrorizar toda a população.

Os Reis, treinavam os guerreiros de forma serem autenticas maquinas de


morte. Convenciam-nos que a morte das outras religiões era o que salvaria a
sua família da morte. Não tinham qualquer respeito pela vida dos guerreiros,
mandando-os para o meio do território inimigo, para morrerem e quando o
terreno estivesse mais “desbravado” vinham as classes de elite dominar os
territórios conquistados pelo povo.

A razão de Marx:

Marx pensou e analisou a interligação da religião com o Estado. Confrontava-


se com a ideia de que a religião não é autónoma. Esta só existe porque tem na
sua base algo “supraterrestre” que leva as pessoas a acreditarem nas
mensagens que passa. Reflete sobre o principio invertido das coisas, foi Deus
que criou o homem, mas o homem não pode criar Deus, é o Capital que cria o
trabalhador e não o trabalhador que cria o Capital.

Marx defende que o homem produz a religião, sonha com um mundo


fantasioso, projeta sua essência num ser superior, porque ele não vê, na vida
real da sociedade, as condições para o desenvolvimento de sua humanidade.

Ao defender que é o homem que produz a religião releva que existe um


condicionamento forte do que é transmitido pelos “homens de fé” ao seu
público, transformando a mensagem em algo temporal e subjectivo, que sirva
aos interesses da igreja e do Estado.

“Este Estado e esta sociedade produzem a religião, uma


consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo
invertido”
A visão antropológica:

Para a antropologia, todas as religiões devem ser entendidas, toleradas.


Porém, considero que é necessária a intervenção da antropologia para divulgar
que a religião, enquanto fé, seja cristã, judaica, hindu, islã, entre outras não
esta errada. Uma vez que a religião é uma forma de encontrar um escapo para
os problemas do dia-a-dia. O que deve ser condenado, será a religião
enquanto, forma de exercer politica, a religião não deve ter a intervenção do
estado, e também não deve contribuir para este.
Esta separação definitiva, poderá ajudar a que se acabem com as guerras de
interesse em nome de um qualquer Deus. Pois, não existe na base de qualquer
livro sagrado, uma motivação para o odio e o terror.

A antropologia deve ter maior abrimento em colocar essa separação entre


Igreja e Estado. O Estado deve gerir as populações, a igreja deve ser um lugar
de “descanso” espiritual.