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MP-SP

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Língua Portuguesa
Noções de fonética, ortografia e acentuação gráfica

Livro Eletrônico
BRUNO PILASTRE

Doutor em Linguística (teoria e análise grama-


tical) pela Universidade de Brasília. Atua na
área de Concursos Públicos desde 2009, prin-
cipalmente na elaboração de materiais didáti-
cos. É autor das obras “Guia Prático de Língua
Portuguesa” e “Guia de Redação Discursiva
para Concursos”, ambas editadas pela editora
Gran Cursos.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Noções de Fonética, Ortografia e Acentuação Gráfica
Prof. Bruno Pilastre

SUMÁRIO
Apresentação do Curso.................................................................................4
Metodologia................................................................................................5
1. Noções de Fonética, Ortografia e Acentuação Gráfica....................................8
1.1. Os Sons da Língua (Fonemas).................................................................9
1.2. Ortografia Oficial................................................................................. 17
1.3. Acentuação Gráfica............................................................................. 24
Resumo.................................................................................................... 31
Glossário.................................................................................................. 32
Referências Bibliográficas........................................................................... 36
Questões de Concurso................................................................................ 37
Gabarito................................................................................................... 42
Gabarito Comentado.................................................................................. 43

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Prof. Bruno Pilastre

Apresentação do Curso

Olá, querido(a) candidato(a)! Animado(a) para começar o nosso curso de Lín-

gua Portuguesa – Gramática? Em nossas aulas, farei de tudo para tornar a sua pre-

paração proveitosa e prazerosa. Ao longo da sua leitura, precisarei de sua atenção

e de seu raciocínio. Pensei as nossas aulas com a ideia de que somos parceiros – e

quero estar ao seu lado até o dia de sua prova.

Os conteúdos apresentados nas próximas 12 aulas estarão diretamente relacio-

nados à sua prova. Assim, pretendo ser objetivo e assertivo quanto ao que será

cobrado e como os conteúdos são avaliados. Também serei coerente quanto ao

nível de profundidade exigido pela banca. Estes serão os conteúdos abordados

em nossas aulas:

1. Noções de Fonética, ortografia oficial e acentuação gráfica;

2. Morfologia: estrutura das palavras e processos de formação de palavras;

3. Morfologia: morfossintaxe das classes gramaticais – parte 1;

4. Morfologia: morfossintaxe das classes gramaticais – parte 2;

5. Morfologia: morfossintaxe das classes gramaticais – parte 3;

6. Sintaxe: frase, oração, período e parágrafo;

7. Sintaxe: a sintaxe do período simples – parte 1;

8. Sintaxe: a sintaxe do período simples – parte 2;

9. Sintaxe: a sintaxe do período composto – parte 1;

10. Sintaxe: a sintaxe do período composto – parte 2;

11. Sintaxe: concordância, regência e colocação;

12. Sintaxe: crase e pontuação.

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O título de cada uma das aulas procura ser, na medida do possível, fiel ao que

está registrado no conteúdo programático do edital 2018:

AULA CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DO EDITAL


1 3. Domínio da ortografia oficial.
2, 3, 4 e 5 5.1 Emprego das classes de palavras.
4 4.2 Emprego dos tempos e modos verbais.
6, 7 e 8 5 Domínio da estrutura morfossintática do período.
9 5.2 Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração.
10 5.3 Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração.
11 5.5 Concordância verbal e nominal.
5.6 Regência verbal e nominal.
5.8 Colocação dos pronomes átonos.
12 5.7 Emprego do sinal indicativo de crase.
5.4 Emprego dos sinais de pontuação.

A sequência das aulas procura seguir uma ordem de pré-requisitos. Assim, só

podemos detalhar as características da concordância verbal se tivermos refletido

sobre a noção de sujeito.

Metodologia

Cada aula de nosso curso contará com três partes:

a) explicação objetiva do conteúdo, incluindo análises de como o conteúdo é

avaliado pela banca;

b) resumo e Glossário de termos utilizados na aula;

c) questões de concurso (comentadas).

Como professor, sei que há muitas lacunas em nossa formação no ensino básico,

principalmente em língua portuguesa. Passamos longos anos estudando análise mor-

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fológica e sintática, mas nunca aprendemos realmente o que significa cada um dos

termos utilizados nessas análises. E o pior é que não sabemos raciocinar sobre o fun-

cionamento da língua – o que considero ser o maior problema em nossa formação.

Para resolver essas dificuldades de conteúdo, partirei das noções mais básicas

(simples) para chegar às noções mais complexas (difíceis). Também é importante

você saber que o nosso método levará em conta a correlação entre conhecimentos.

Assim, para compreender concordância, será preciso conhecer com segurança

certas noções de morfologia, como flexão verbal e desinência de número-pes-

soa. NÃO ESQUEÇA: em nosso curso, o conhecimento deve ser visto como cumu-

lativo e inter-relacionado, certo?

Ainda para te ajudar na parte de aprendizagem do conteúdo, resumirei as

ideias principais da aula, para o caso de você precisar reler alguma noção impor-

tante. Eu também esclarecerei o significado de cada termo obscuro ou desconheci-

do, dando especial atenção à terminologia adotada pela banca examinadora. Fare-

mos isso por meio do Glossário1.

Em minha formação acadêmica e profissional, sempre procurei ser fiel à inte-

ligência de meu leitor e aluno. Sabendo que você é capaz de compreender ideias

simples e complexas – e que estou diante de um(a) leitor(a) crítico(a), trarei à aula

informações e análises fundamentadas em vasta bibliografia sobre a gramática de

nossa língua (gramáticas normativas e gramáticas linguísticas). As obras utilizadas

estão indicadas nas Referências Bibliográficas, após o Glossário. Eu também

citarei todo o material externo à minha criação (imagens, textos etc.).

A análise de como o conteúdo é avaliado pela banca é muito importante. É exa-

tamente aqui que você deve direcionar os seus conhecimentos, de modo a solucionar

1
Os glossários têm base no Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa, 2009.

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a questão com segurança. A minha função, nessa parte, é te guiar, mostrando qual é

a lógica da banca, explicando o porquê de ela ter cobrado a questão daquele modo.

Por fim, a cada aula teremos um conjunto de questões de concurso. Faço a

seguinte orientação para você trabalhar essas questões:

I – primeiramente, resolva as questões após ter estudado o conteúdo;

II – na resolução, não consulte os meus comentários sobre as questões da ban-

ca; também não consulte o gabarito;

III – após ter resolvido a questão, compare a sua resposta ao meu comentário

ou ao gabarito;

IV – caso haja alguma diferença entre o que você marcou e o que está regis-

trado no gabarito, volte ao material teórico e procure reler o que não ficou bem

compreendido.

Eu realmente espero que este curso seja relevante para a sua preparação. Aqui

começamos a caminhada rumo à aprovação (e nomeação no DOU, é claro!)! Va-

mos à primeira aula!

Bons estudos!

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1. Noções de Fonética, Ortografia e Acentuação Gráfica

Vamos começar a nossa aula com a leitura da tirinha a seguir:

(O Estado de São Paulo, 21.1.2006)

“Só os cágados têm noção exata de como é importante acentuar as palavras

corretamente.”

Como vemos, o efeito de humor está relacionado à acentuação da palavra cá-

gado, que é uma proparoxítona. Se a sílaba acentuada mudar (isso é, se mudar

de proparoxítona para paroxítona), o sentido da palavra muda – e aí teremos o

adjetivo “cagado”, que é embaraçoso.

Bom, você já percebeu que eu usei alguns nomes técnicos para falar de como

cada palavra é acentuada graficamente: sílaba, proparoxítona, paroxítona. Para

compreender essas noções (e muitas outras), é preciso saber como são os sons de

nossa língua – e esse é o conteúdo pelo qual começamos a nossa aula. Ao final da

explicação, mostrarei como esse assunto sobre os sons da língua (e sua grafia) é

avaliado por bancas examinadoras, como a FCC e o Cespe.

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1.1. Os Sons da Língua (Fonemas)

Os sons de uma língua são chamados de fonemas, os quais são produzidos

pelo nosso aparelho fonador. Nessa parte da aula, falaremos apenas das proprieda-

des sonoras da língua, as quais caracterizam a língua oral (oralidade). A língua

escrita e sua ortografia serão abordadas mais à frente, certo?

Há dois tipos principais de fonemas: os segmentais e os suprassegmentais.

Dentre os fonemas segmentais, temos as vogais e as consoantes; dentre os su-

prassegmentais, temos os acentos, por exemplo.

Por segmental podemos entender o seguinte: na produção de uma palavra, há

diversos sons. Por exemplo:

Na palavra vida, são quatro sons: v – i – d – a. Percebemos que cada um dos sons

pode ser segmentado, separado, isolado.

Por isso, esses sons que compõem a nossa língua (ou seja, os fonemas de uma

língua) são chamados de segmentais. No caso dos sons suprassegmentais, isso

não é possível. O acento da palavra cínico, por exemplo, não pode ser separado do

fonema í (de cínico) – por isso ele está “acima” (supra-) do som.

Vamos ver o esquema dessa classificação:

Vamos observar primeiro os fonemas segmentais. Você já se perguntou qual é

a diferença entre uma consoante e uma vogal? Para entender bem, vou pedir para

você pronunciar (em voz alta e com maior duração) o som representado por essas

duas letras:

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Pronunciou? Na letra a, o ar que sai de seus pulmões chega ao meio externo (sai

da sua boca) sem nenhuma interrupção. Já no caso da letra B, o ar que sai de seu

pulmão é interrompido antes de chegar ao meio externo. Essa interrupção é feita

pelos nossos lábios, certo? Como você já sabe, a letra a representa o som de uma

vogal. A letra b, por sua vez, representa o som de uma consoante. Chegamos,

assim, à seguinte diferença entre vogais e consoantes:

• na produção de um som vocálico (ou seja, uma vogal), o ar que sai de nos-

sos pulmões NÃO é interrompido até chegar ao meio externo (fora de nossa

boca);

• na produção de um som consonantal (ou seja, uma consoante), HÁ algum

tipo de interrupção do som que sai de nossos pulmões até chegar ao meio

externo.

Em português, há sete (7) vogais, representadas a seguir:

7 VOGAIS
i u
ê ô
é ó
a

Cada vogal se diferencia de acordo com a forma que nossa boca adquire: a vo-

gal a é caracterizada por uma cavidade bucal mais aberta; a vogal i, por sua vez,

é caracterizada por uma cavidade bucal mais fechada. É só produzir esses fonemas

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em voz alta e você vai perceber isso. Preste atenção em como a sua boca fica po-

sicionada: será possível comprovar as diferentes formas (de abertura de sua boca)

para cada uma das 7 vogais.

7 VOGAIS Tipo de abertura da vogal

Vogais produzidas com a cavidade bucal mais


i u
fechada (ou alta)
Vogais produzidas com a cavidade bucal
ê ô
semifechada (ou média)
Vogais produzidas com a cavidade bucal
é ó
aberta
Vogais produzidas com a cavidade bucal mais
a
aberta (ou baixa)

Assim, fica mais simples entender que a palavra osso tem o primeiro o com

pronúncia semifechada e na palavra ossos o primeiro o tem a pronúncia mais aber-

ta. Essa distinção é marcada, na acentuação, pelo sinal ^ (circunflexo), que marca

uma vogal semifechada), e pelo sinal ´ (agudo), que marca uma vogal aberta:

AVÔ (semifechado)

AVÓ (aberto)

Nas principais análises linguísticas, as vogais nasais são consideradas, na ver-

dade, nasalizadas. Isso quer dizer que elas sofrem a influência de alguma con-

soante nasal, a qual “transfere” a nasalidade à vogal. Por nasalidade, você deve

entender que o ar que sai de nossos pulmões e produz o som (o fonema) passa

pela cavidade nasal.

Outro som vocal importante é a semivogal. Em português, temos duas semivo-

gais: j e w
(representadas na grafia por i, u). As semivogais se diferenciam das vo-

gais por aquelas (as semivogais) serem produzidas com uma abertura da cavidade

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bucal um pouco menor que a das vogais i e u. Para exemplificar, note a diferença

do som produzido pelas letras i e u a seguir:

subir  aqui, a letra u representa uma vogal.

mau  aqui, a letra u representa uma semivogal (w).

ilha  aqui, a letra i representa uma vogal.

pai  aqui, a letra i representa uma semivogal (j).

Você deve estar se perguntando: professor, por que isso é importante? Eu res-
pondo: a diferença entre vogal e semivogal nos ajuda, por exemplo, na análise de

separação silábica. Uma característica muito importante do português está apre-

sentada a seguir (é importante gravar mentalmente essa regra):

Toda sílaba possui como núcleo uma vogal.

Uma sílaba é caracterizada por uma vogal ou grupo de fonemas (consoantes

e vogais) que se pronunciam numa só emissão de voz. É uma unidade fonética

que está acima do fonema simples. Quando, em nossos primeiros anos de ensino,

tínhamos que separar sílaba, estávamos lidando com essas propriedades. Vamos

separar as sílabas das palavras a seguir:

casa  ca-sa

Uruguai  U-ru-guai

países  pa-í-ses

pais  pais

mau  mau

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O que estamos vendo é justamente a aplicação da regra que acabamos de ver

(de que TODA SÍLABA POSSUI COMO NÚCLEO UMA VOGAL). Você também deve

ter percebido que, nas palavras Uruguai, pais e mau não há separação silábica

das sequências vocálicas uai, ai, e au. Isso porque estamos diante de um grupo de

VOGAL + SEMIVOGAL. No primeiro caso, temos um tritongo, já que há três (tri-)

sons vocálicos formando a sílaba guai (de Uruguai):

TRITONGO
Uruguai (sons vocálicos)
u a i
semivogal vogal semivogal

Nos outros casos (palavras pais e mau), temos ditongos, já que há dois sons

vocálicos formando as sílabas:

DITONGO
a i
a u
vogal semivogal

Outra regra importante é a impossibilidade de separar uma semivogal de

uma vogal. Isso porque a semivogal, que é mais fraca, deve se apoiar em uma

vogal – e, consequentemente, sempre deve estar próxima a ela.

Na separação silábica, pode acontecer de duas vogais contíguas pertencerem a

sílabas diferentes. Nesse caso, temos um hiato, como em saúde: sa-ú-de.

Mas como esses conhecimentos são avaliados pelas bancas? Tipicamente, essas

questões são avaliadas de modo direto e sem contextualização. Há uma série de

palavras e você, o(a) candidato(a) que será aprovado(a), deverá classificar o tipo

de fonema existente.

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1. (CESPE/UEPA/AUXILIAR DE LABORATÓRIO/2008) Assinale a opção em que as

palavras apresentam, em sequência, ditongo / hiato / ditongo.

a) outra / comeu / coisa

b) comeu / chorou / rainha

c) diante / muito / teus

d) meus / piavam / pai

Letra d.

Nas opções a, b e c, a segunda palavra da sequência (respectivamente, “comeu”,

“chorou” e “muito”) apresenta ditongo, e não hiato.

E aí, viu como é simples?

Para encerrar esta parte sobre os fonemas segmentais, vamos tratar brevemen-

te das consoantes.

No português, temos 19 fonemas consonantais, representados no quadro a se-

guir. Fique atento(a): nesta representação, estou utilizando símbolos que carac-

terizam os sons consonantais. Esses símbolos não podem ser confundidos com a

grafia, ok? Eles estão no âmbito da representação fonética (dos sons da oralidade).

19 CONSOANTES
p-b t-d k-g
f-v s-z S-Z
l-r ´-ř
m n ø

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Cada consoante se diferencia de acordo com o tipo de interrupção que o ar sofre

ao sair dos nossos pulmões. Por exemplo:

o p e o b são produzidos com o fechamento dos lábios superiores e inferiores. Mas

qual é a diferença entre eles? Para mostrar como são diferentes, faça um teste sim-

ples: na produção do p e do b, coloque a mão em seu pescoço, na parte da gargan-

ta. O p é produzido sem a vibração das suas pregas vocais (chamadas comumente

de cordas vocais) e o b é produzido com a vibração das pregas vocais. Os pares

t-d, k-g, f-v seguem o mesmo princípio (o primeiro item do par é produzido sem a

vibração das pregas vocais; o segundo, com).

Como eu disse, na tabela que acabamos de ver, há símbolos que representam

os fonemas. Por exemplo:

Para representar o som do dígrafo nh (em banho, por exemplo), utilizamos o sím-

bolo ø. Quando pronunciamos o dígrafo ch da palavra chave, podemos representar

esse fonema com o símbolo S.

Bom, falta falar daquele tal fonema suprassegmental, o acento. Numa sequên-

cia de fonemas, podemos perceber uma diferença de intensidade entre as sílabas.

O acento é, então, o realce que uma sílaba ou uma palavra têm em comparação

com outras na mesma cadeia falada. A intensidade (ou realce) é uma característi-

ca da emissão de fonemas com maior energia do que a dos fonemas ou grupo de

fonemas vizinhos.

A palavra música, por exemplo, tem a sílaba mú como a mais forte (se a compa-

rarmos às demais sílabas si e ca). O mesmo ocorre com a palavra médico, em que

a sílaba mé é pronunciada com mais intensidade (realce).

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O acento de que falamos aqui (que é fonológico) não é a mesma coisa que acen-

to gráfico. O acento gráfico é uma estratégia utilizada pela ortografia oficial para

indicar a posição em que algumas sílabas acentuadas ocorrem. Falaremos disso à

frente, na parte da aula que trata das regras de acentuação gráfica. A sílaba acen-

tuada (acento fonológico) também é chamada de sílaba tônica, ok?

Agora, você sabe como se faz para descobrir a sílaba que possui acento? Vou

usar a mesma técnica adotada por nossos primeiros professores de português: é

só “chamar” a palavra em voz alta, como se ela estivesse longe. Lembra de como

a sua mãe te chamava quando você brincava na rua? “Andréeeee, tá na hora de

entraaaaar!”

Tenta aí:

Exemplo “Chamar” a palavra Posição da sílaba com acento


pedra peeeeedra pedra
zumbi zumbiiiii zumbi
café caféeeee café
bêbado bêeeebado bêbado

A sílaba tônica (com acento) será aquela com a maior duração. Ela terá a maior

duração por ser a mais forte, intensa. Mais uma vez: nem toda sílaba tônica recebe

o acento gráfico. Em língua portuguesa, há regras de acentuação – as quais, como

eu já disse, serão apresentadas daqui a pouco.

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E como esse conteúdo sobre os sons da língua é avaliado? Na questão a seguir,

eu apresento um exemplo de prova de nível superior em que a representação de

fonemas é avaliada:

2. (CESPE/SEE-DF/PROFESSOR DE ED. BÁSICA-PORTUGUÊS/2017) Os grafemas

<r> e <s> que aparecem nas segmentações não convencionais ‘derepente’ (R.15)

e ‘chapeu sinhô’ (R.18) estão sendo usados para representar, respectivamente, os

fonemas /ɾ/ e /S/.

Errado.

O grafema <s> não equivale ao fonema /S/, mas sim ao fonema /s/. O fonema /S/

representa o som de ch em chapéu.

Conseguiu observar que a banca Cespe está solicitando conhecimentos sobre os

tipos de sons produzidos, não fazendo referência à ortografia? A banca pede que

você reconheça os símbolos que representam os fonemas /r/ e /S/ – e isso mostra

como é importante estudar os sons da língua (os fonemas).

1.2. Ortografia Oficial

Até agora vimos que a língua portuguesa faz uso de sons específicos, os cha-

mados fonemas. Esses fonemas, que podem ser segmentais (vogais e consoan-

tes) e suprassegmentais (acento, por exemplo), se realizam na cadeia falada. Isso

quer dizer que tais fonemas ocorrem quando falamos, na chamada língua oral. No

mundo, há diversas línguas (aproximadamente 6.700!), e todas possuem essa ca-

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racterística de serem, primariamente, orais. Isso é claro quando percebemos uma

criança aprendendo uma língua. Primeiro, o bebê ouve os sons de sua língua nas

interações sociais. Depois, ele começa a emitir sons que se assemelham aos fone-

mas. Em determinado momento, vêm as palavras e as pequenas frases. É somente

depois, no período escolar, que há o processo de alfabetização.

Na alfabetização, aprendemos que certos símbolos, as chamadas letras, re-

presentam os sons de nossa língua (os fonemas). Esse processo de registrar grafi-

camente os sons das línguas não é comum às mais de seis mil línguas do mundo.

Muitas línguas são ágrafas – isso é, não têm registro escrito. Como sabemos, esse

não é o caso do português, que é uma língua com (antigo) registro escrito.

Quando uma língua possui registro escrito, faz-se uma convenção, um acordo

para que esse registro se torne uniforme. Se não fosse assim, cada indivíduo es-

creveria a partir de sua percepção da sonoridade de sua fala, o que dificultaria a

intercomunicação (pela escrita). É a partir dessas convenções que se chega a acor-

dos ortográficos.

A ortografia oficial é definida como o conjunto de regras estabelecidas pela gramá-

tica normativa que ensina a grafia adequada das palavras.

No Brasil, quem normatiza o Acordo ortográfico da língua portuguesa

(1990, em vigência desde 1º de janeiro de 2016) é a Academia Brasileira de Letras

(ABL). O documento completo do Acordo Ortográfico pode ser lido no site da ABL.

Também no site da ABL é possível consultar o Vocabulário Ortográfico da Língua

Portuguesa (VOLP). O site tem o seguinte formato:

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No entanto, ainda que se façam muitas pesquisas e discussões sobre as ade-

quações dos registros gráficos, não se tem 100% de correspondência entre o regis-

tro escrito e os sons da oralidade (os fonemas).

É justamente aqui que as bancas testam o conhecimento do candidato. Como o

registro escrito não é 100% fiel aos sons produzidos pela língua oral, há muitas

especificidades no registro de alguns sons, como o do fonema /s/ (de sopa).

Para a nossa aula, eu selecionei alguns dos problemas mais numerosos relacio-

nados à ortografia oficial. Eu, claro, não vou ficar listando um monte de palavras

para você memorizar. Vou apenas indicar o que é mais problemático. É muito, mas

muito importante mesmo, que você saiba disso: para conhecer bem a ortografia

oficial, é preciso LER MUITO! Sim, parece uma orientação besta, mas é somente

pela leitura que podemos dominar como as palavras são registradas graficamente,

ok?

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Para a nossa aula, é importante conhecer quatro padrões:

I – na língua escrita, há combinações de letras que representam um só fonema:

são os chamados dígrafos (como em chave, quilo);

II – há casos de letras diferentes que podem representar o mesmo fonema

(como em exato, rezar e pesar);

III – também há casos em que a mesma letra pode representar fonemas distin-

tos (como em xícara e exame);

IV  – e, por fim, há casos em que uma letra não representa nenhum fonema

(como o h, em hotel, hora).

O padrão (iii) é o mais problemático, pois um único fonema, o \s\ (como em

sopa), pode ser representado de 10 (dez!) maneiras distintas:

s  sela, segredo
c  cela, arvorecer
ss  cessar, desse
ç  caçar, seção
sc  nascer, descer
sç  desço, nasça
x  sintaxe, máximo
xc  exceção, excesso
xs  exsudar, exsolver
z  faz, voz

No padrão (i), que trata dos dígrafos, é bom lembrar que, na separação silábica,

não se separam as formas ch, lh, nh, sc, sç, xc, gu, qu, bem como as sequências

que representam as vogais nasais, como an, em, en, im, in, om, on, um e un.

Apenas as letras dobradas rr e ss são separadas na separação silábica.

Algumas regras apresentadas pelo Acordo de 1990 são importantes para diver-

sos concursos. Apresentarei uma síntese sobre três tópicos:

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a) uso da letra maiúscula inicial e uso da letra minúscula inicial;

b) uso do trema;

c) uso do hífen.

Usa-se letra maiúscula inicial nos seguintes casos:

I – no início de período;

II – nos antropônimos, reais ou fictícios (incluindo seres antropomorfizados ou

mitológicos, como em Pedro Marques, Branca de Neve, Adamastor, Netuno;

III – nos topônimos, reais ou fictícios, como em Lisboa, Atlântida;

IV – nos nomes que designam instituições, como em Agência Brasileira de

Inteligência;

V – nos nomes de festas e festividades, como em Natal, Páscoa;

VI – nos títulos de periódicos, como em Folha de São Paulo;

VII – Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente re-

guladas com maiúsculas, iniciais ou mediais ou finais ou o todo em maiúscula,

como em ONU, Abin, Sr.; Dr.

Vamos ver agora os casos em que se usa letra minúscula inicial:

I – geralmente, em todos os vocábulos da língua nos usos correntes;

II – nos nomes dos dias, meses, estações do ano: segunda-feira; outubro;

primavera;

III – nos bibliônimos (após o primeiro elemento, que é com maiúscula, os de-

mais vocábulos podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes próprios nele

contidos, tudo em grifo): O senhor do Paço de Ninães ou O senhor do paço de

Ninães; Menino de Engenho ou Menino de engenho;

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IV – nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas): norte; sul (mas SW

= sudoeste);

V – nos nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas (opcional-

mente, também com maiúscula): português (ou Português).

O uso do sinal trema

No Acordo de 1990 (que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2016), o sinal

trema (¨) foi totalmente eliminado das palavras portuguesas ou aportuguesadas:

delinquir; cinquenta; tranquilo; linguiça etc.

No entanto, esse sinal ainda é usado em palavras derivadas de nomes próprios

estrangeiros (que tenham trema, é claro): mülleriano, de Müller.

O uso do hífen

O hífen é usado em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares.

O Acordo de 1990 observa que são escritas aglutinadamente palavras em que o

falante contemporâneo perdeu a noção de composição: paraquedas; mandachuva.

Emprega-se o hífen nos seguintes topônimos:

I – iniciados por grão e grão: Grão-Pará;

II – iniciados por verbo: Passa-Quatro;

III – cujos elementos estejam ligados por artigo: Baía de Todos-os-Santos.

Os demais topônimos compostos são escritos separados e sem hífen: Cabo Ver-

de. As exceções são: Guiné-Bissau e Timor-Leste.

Emprega-se o hífen em palavras compostas que designam espécies botânicas

e zoológicas: couve-flor; bem-te-vi etc.

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Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se

combinam, formando encadeamentos vocabulares: ponte Rio-Niterói.

No quadro a seguir (feito com base em AZEREDO, 2008), apresento a síntese

das regras do uso do hífen no caso de prefixos e falsos prefixos:

Usa-se o hífen quando:


Primeiro elemento Segundo elemento
aero infra mono
di
agro intra morfo psico
entre
alfa iso multi retro
extra
ante lacto nefro semi
foto
anti lipo neo sobre a) iniciado por vogal igual à vogal final do 1º
gama
arqui macro neuro supra elemento;
geo
auto maxi paleo lete b) iniciado por h.
giga
beta mega peri tetra
hidro
bi meso pluri tri
hipo
bio micro poli ultra
homo
contra mini proto
ab
ob
iniciado por b, h, r
sob
sub
iniciado por h (a ABL sugere eliminar essa letra,
co (‘com’) passando-se a grafar, assim, coerdar, coerdeiro,
coipônimo etc.).
ciber
inter
super iniciado por h, r
nuper
hiper
ad iniciado por d, h, r
a) iniciado por vogal;
pan
b) iniciado por h, m, n (diante de b e p passa a pam)
a) iniciado por vogal;
circum b) iniciado por h, m, n (aceita formas aglutinadas
como circu e circum).

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além
aquém sem
ex sota
qualquer (sempre)
(“cessamento ou soto
“estado anterior”) vice
recém
pós
pré sempre que conservem autonomia vocabular
pró

O tópico sobre ortografia oficial é também avaliado sem muita contextualização,


não levando em consideração o contexto em que as palavras estão inseridas. No
exemplo a seguir, da banca FCC, pede-se apenas para identificar a grafia incorreta
de determinada palavra. Leia a questão e procure resolvê-la, certo?

3. (CESPE/SEDF/PROFESSOR/2017) Os vocábulos “qualidade”, “perspectiva”, “es-


sas”, “conjunto” e “chamada” contêm grupos de duas letras que representam um
só fonema, constituindo o que se denomina dígrafo ou digrama.

Errado.
Você pode resolver a questão observando logo a primeira palavra: qualidade. Nela,
não há dígrafo ou digrama, já que as duas letras da sequência inicial (qualidade)
são pronunciadas.

1.3. Acentuação Gráfica

Quando a gente fala de acentuação gráfica, logo vêm à mente aquelas regras
difíceis de serem memorizadas. No entanto, eu vou apresentar o menor número de
regras possível, começando por esta:

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Regra geral de acentuação (segundo o professor LUFT, 2002): acentuam-se aque-

les vocábulos que, sem acento, poderiam ser lidos ou interpretados de outra forma.

Com essa regra geral, podemos lidar com os casos de palavras que mudam de clas-

se gramatical (e de sentido), como nos pares a seguir:

SUBSTANTIVO VERBO ADJETIVO


hábito habito
sabiá sabia sábia
médico medico
músico musico

Se não houvesse acentuação gráfica, seria mais difícil identificar a classe grama-

tical (se substantivo, verbo ou adjetivo) de cada um dos pares que acabamos de

ver, não é?

Um caso bem recente da importância da acentuação é a escolha do título do

filme da Disney/Pixar: “Viva – a vida é uma festa”.

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Originalmente, o nome do filme é “Coco (Thanksgiving)”, sendo uma referência

ao nome de uma das personagens. Por que, no título brasileiro, mudaram o nome

de Coco para Viva? A explicação é a proximidade do nome Coco com outro nome,

“cocô” (referente à matéria sólida excretada pelo organismo humano (urgh!!!)). A

diferença entre as duas palavras está na posição da sílaba tônica:

Coco Cocô
Aqui, a sílaba tônica é a penúltima. Aqui, a sílaba tônica é a última.

Qual das duas foi acentuada? A segunda, correto? Isso porque, no português, a

maioria das palavras tem a segunda sílaba (da direita para a esquerda) com maior

força acentual.

Você lembra que, em um momento anterior de nossa aula, eu falei que acento fono-

lógico (isso é, força de emissão do som) nem sempre coincide com acento gráfico,

certo? Não se esqueça disso, ok?

Então podemos dizer que, em português, o acento gráfico tem por função mar-

car aquelas palavras em que a posição do acento está diferente da posição padrão.

Vamos guardar essa ideia para daqui a pouco.

O acento fonológico pode ocorrer em dois grupos de palavras, de acordo com a

quantidade de sílabas.

Uma sílaba (monossílabo) Mais de uma sílaba


Tônico Átono café
pé de cansado
mim me música

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Nos exemplos anteriores, vemos que há monossílabos tônicos (ou seja, que

possuem força de emissão) e monossílabos átonos (ou seja, que possuem pouca

força de emissão). Essa diferença será muito (mas muito mesmo!) importante na

explicação das classes de palavras e na sintaxe (principalmente na colocação pro-

nominal). Portanto, guarde bem essas noções, ok?

No caso de palavras com mais de uma sílaba, a posição da sílaba tônica é muito

relevante. Em português, temos três posições possíveis (sempre contando no sen-

tido da direita para a esquerda: ):



3ª SÍLABA TÔNICA 2ª SÍLABA TÔNICA 1º SÍLABA TÔNICA


oxítona
paroxítona
proparoxítona

Para ilustrar, temos as seguintes palavras:



3ª SÍLABA TÔNICA 2ª SÍLABA TÔNICA 1º SÍLABA TÔNICA


café
susto
cântico

Agora, precisamos avançar e identificar quais palavras devem ser grafica-

mente acentuadas. Agorinha eu disse que a posição padrão em que o acento fo-

nológico reside é a segunda sílaba tônica. Isso significa que o padrão de acentuação

fonológica no português é paroxítono. As outras posições em que o acento fonoló-

gico reside (proparoxítona e oxítona), portanto, são diferentes das apresentadas

pelo padrão (que é paroxítono). Assim, podemos dizer, na primeira regra, que as

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proparoxítonas (o acento fonológico recai sobre a terceira sílaba) são distintas do

padrão: por isso, sempre devem ser marcadas (acentuadas graficamente).

Todas as palavras proparoxítonas (o acento fonológico recai sobre a terceira sílaba)

devem ser acentuadas.

Apresento alguns exemplos de palavras proparoxítonas:

rápido; cênico; místico; médico; cômodo; sólido.

Até aqui, tudo claro? Precisamos seguir, agora trabalhando as oxítonas e as

paroxítonas.

Outro padrão (ou regularidade) nas palavras do português está relacionado à

forma que a parte final das palavras assumem. As terminações mais frequentes são

estas:

-a(s)

-e(s)

-o(s)

-em(ens)

Fácil de lembrar, não é? É só pensar em algumas palavras, como casa(s), pen-

te(s), cachorro(s) e jovem(ns). Com mais esse padrão, temos as seguintes regu-

laridades:

(i) O maior grupo de palavras em português é paroxítono.

(ii) As terminações mais frequentes são a(s), e(s), o(s), em(ns).

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O que diferir disso, deve ser acentuado. É um princípio de economia do registro

escrito: se eu tenho um monte de palavras que representam o padrão (no nosso caso,

(i) e (ii)), eu devo indicar (marcar) apenas aquelas que são diferentes. Simples assim.

Temos, então, as seguintes regras gerais:

a) SÃO acentuadas as oxítonas terminadas em a(s), e(s), o(s), em(ns)

(porque são “diferentes” das paroxítonas quanto à posição do acento fonológico):

cajá, café, amém, além, armazém.

b) NÃO são acentuadas as paroxítonas terminadas em a(s), e(s), o(s),


em(ns) (porque estão enquadradas nos padrões (i) e (ii)):

casa; mesa pente; sapato; quadrado; jovem; item.

Todas as paroxítonas que tiverem terminação distinta (diferente) de a(s),

e(s), o(s), em(ns) devem ser acentuadas:

amável; hífen, caráter, táxi; bônus.

Com essa nossa exposição sobre acentuação gráfica, é possível, por exemplo,

resolver as duas questões a seguir. Vamos tentar?

4. (CESPE/TCU/AUDITOR/2015) As palavras “líquida”, “público”, “órgãos” e “episó-

dicas” obedecem à mesma regra de acentuação gráfica.

Errado.

A palavra órgãos é uma paroxítona. As demais são proparoxítonas. As regras, por-

tanto, são diferentes. Simples assim!

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5. (CESPE/MPE-RR/AUXILIAR DE LIMPEZA E COPA/2008) A palavra “relâmpagos”

recebe acento gráfico por ser paroxítona e terminar em s.

Errado.

A palavra relâmpago é claramente uma proparoxítona.

Bom, acho que conseguimos abordar a temática de acentuação gráfica com

objetividade e simplicidade. Também considero suficiente o tratamento que demos

às características dos sons (fonemas) da língua portuguesa e às especificidades da

nossa ortografia oficial.

Ao longo das demais aulas (são mais 12), retomarei muitas das noções traba-

lhadas nesta primeira aula. Caso não se lembre de alguma noção apresentada, eu

sugiro que você consulte o Glossário dessa primeira aula, que trata dos principais

termos apresentados por mim. Após o Glossário, você DEVE praticar o conteúdo,

aplicando o que você aprendeu na resolução das questões de concurso. Depois de

resolver as questões, confira os meus comentários no gabarito comentado.

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RESUMO
As vogais são sons pro-
Os segmentais podem ser duzidos sem a interrup-

“separados”, “segmenta- ção do ar.
 dos” na cadeia falada. Há
dois tipos: vogais e conso- As consoantes são pro-
Os sons da língua
antes.  duzidas com algum tipo
(chamados fonemas)
de interrupção do ar.
são divididos em seg-
Os suprassegmentais
mentais e suprasseg-
não podem ser segmenta-
mentais.
dos, e ocorrem ao mesmo
 tempo que os segmen-
tais. Em nossa aula, tra-
tamos do suprassegmento
ACENTO.

Toda essa classificação está no âmbito da ORALIDADE.

As vogais são
Os segmentais sons produzidos

sem a interrup- AS VOGAIS E AS
podem ser “separa-
ção do ar. CONSOANTES SÃO
dos”, “segmentados” As consoantes
 REPRESENTADAS
na cadeia falada. Há são produzidas PELA ORTOGRAFIA
Os sons da língua dois tipos: vogais e  com algum tipo OFICIAL
(chamados fone- consoantes. de interrupção
mas) são divididos do ar.
Os suprassegmen-
em segmentais e
tais não podem ser
suprassegmentais.
segmentados, e ocor-
OS SONS SUPRASSEGMENTAIS SÃO
rem ao mesmo tempo
 REPRESENTADOS PELA ACENTUAÇÃO
que os segmentais.
GRÁFICA
Em nossa aula, tra-
tamos do suprasseg-
mento ACENTO.

Ortografia Oficial e Acentuação Gráfica estão


no âmbito da ESCRITA.

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GLOSSÁRIO

Noções de fonética, ortografia e acentuação gráfica (Glossário feito com base no

Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa, 2009)

Acento (fonológico)

Realce que uma sílaba ou uma palavra têm em comparação com outras na mes-

ma cadeia falada.

Acento (gráfico)

Maneira de indicar graficamente a sílaba acentuada; cada um dos sinais diacríti-

cos que indicam fatos prosódicos ou especificam o timbre de vogais. No português,

são três: acento agudo, acento grave e acento circunflexo.

Átono

Diz-se da vogal, da sílaba ou da palavra destituída de acento tônico; atônico.

Consoante

Do ponto de vista articulatório, diz-se de ou som em que a corrente de ar encon-

tra, na cavidade bucal, algum tipo de empecilho, seja total (oclusão), seja parcial

(estreitamento).

Escrita

Representação da linguagem falada por meio de signos gráficos.

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Fonema

Unidade mínima das línguas naturais no nível fonêmico, com valor distintivo

(distingue morfemas ou palavras com significados diferentes, como faca e vaca).

Grafia

Representação escrita de uma palavra; escrita, transcrição.

Hiato

Grupo de duas vogais contíguas que pertencem a sílabas diferentes (aí, frio,

saúde).

Hífen

Sinal em forma de um pequeno traço horizontal (-), usado para unir os ele-

mentos de palavras compostas, separar sílabas em final de linha e marcar ligações

enclíticas e mesoclíticas (por exemplo, em guarda-chuva, aboli-/ção, telefonaram-

-lhe, fá-lo-ei).

Letra

Cada um dos sinais gráficos que representam, na transcrição de uma língua, um

fonema ou grupo de fonemas.

Maiúscula

Letra de tamanho maior e formato próprio, cuja fonética é a mesma de sua cor-

respondente minúscula, sendo geralmente usada em início de períodos e de nomes

próprios e como fator de destaque de certas palavras.

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Minúscula

Letra de tamanho menor em relação a sua correspondente maiúscula e de for-

mato próprio, mais apropriado para os textos em geral.

Nasalização

Ato de pronunciar um som com ressonância nasal.

Oral

Não é ou não está escrito; dito, realizado ou expresso de viva voz; verbal.

Ortografia

Conjunto de regras estabelecidas pela gramática normativa, que ensina a grafia

correta das palavras, o uso de sinais gráficos que destacam vogais tônicas, abertas

ou fechadas, processos fonológicos como a crase, os sinais de pontuação esclare-

cedores de funções sintáticas da língua e motivados por tais funções etc.

Oxítona

Diz-se de ou vocábulo de duas sílabas ou mais cuja sílaba tônica é a última (por

exemplo: café, coração, também, tatu).

Paroxítona

Diz-se de ou vocábulo cuja sílaba tônica é a penúltima.

Prefixo

Afixo que vem antes da raiz.

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Proparoxítona

Diz-se do vocábulo cuja acentuação tônica cai na antepenúltima sílaba (por

exemplo: catadióptrico, ênfase, maiêutica, vendíamos).

Semivogal

Som da fala ou fonema que apresenta um grau de abertura do canal bucal me-

nor do que o das vogais e maior do que o das consoantes; ocorre no início ou fim

da sílaba, nunca no meio (as mais comuns são as semivogais altas fechadas i e u,

em pai, quadro, pau).

Sílaba

Vogal ou grupo de fonemas que se pronunciam numa só emissão de voz, e que,

sós ou reunidos a outros, formam palavras. Unidade fonética fundamental, acima

do som.

Tônico

Num vocábulo, se realiza com maior intensidade sonora; recebe o acento de

intensidade (diz-se da sílaba ou da vogal).

Vogal

Diz-se de ou som da fala em cuja articulação a parte oral do canal de respiração

não fica bloqueada nem constrita o bastante para causar uma fricção audível.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZEREDO, J. Escrevendo pela nova ortografia. São Paulo: Publifolha, 2008.

ERNEST, F.; THAVES, B. Tirinha de humor. O Estado de São Paulo. 21.01.2006.

GEISER, P. A nova ortografia sem mistérios: do ensino fundamental ao uso pro-

fissional. Rio de Janeiro: Lexicon, 2009.

HOUAISS, A. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. São Paulo:

Editora Objetiva. 2009.

LUFT, C. Grande manual de ortografia Globo. São Paulo: Globo, 2002.

PIXAR, Disney. Coco/Viva. Online. Largura 310 pixels; altura 461 pixels. 2018.

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QUESTÕES DE CONCURSO

1. (CESPE/UEPA/AUXILIAR DE LABORATÓRIO/2008) Assinale a opção em que a

divisão silábica da palavra está correta.

a) bo-rra-chos

b) fil-ho-te

c) mo-ns-tren-gos

d) mons-tren-gui-nhos

(CESPE/TERRACAP/ARTÍFICE ESPECIALIZADO/2004) Julgue os trechos a seguir

quanto à grafia das palavras.

2. Mesmo sabendo que podem criar problemas, há pessoas que, por ganância, não

se importam com os impactos ambientais.

3. Agredida pelo homem, a natureza sofre transformações de muitos tipos e de

várias intencidades.

4. As conseqüências das agressões à natureza têm sido muito prejudiciais, atinjin-

do os seres vivos.

5. A natureza reaje quando é desrespeitada e nos dá lições por meio das conse-

qüências dos problemas que causamos.

6. Todos os seres vivos se relacionam entre si e com as matérias da natureza: o ar,

a água, as rochas, o solo.

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7. Por não conseguir ou não tentar prever as conseqüências de seu uso da nature-

za, o ser humano vem cometendo muitos erros.

(CESPE/SAAE/AUXILIAR TÉCNICO I/2003)

Julgue, em cada um dos itens seguintes, se as palavras estão corretamente escritas.

8. Há grande quantidade de água no solo do nosso país.

9. A distribuição dos recursos hídricos no Brasil é totalmente desigual.

10. O rio São Francisco conta com dez grandes uzinas geradoras de energia.

11. O rio São Francisco a cada dia que passa está morrendo por causa da poluição

e da contaminação das suas águas.

12. O açoreamento do leito do “Velho Chico” é provocado por erosões e desmata-

mento desinfreado nas suas margens.

13. (CESPE/MPU/TÉCNICO EM SEGURANÇA E TRANSPORTE/2015) A palavra “cível”

recebe acento gráfico em decorrência da mesma regra que determina o emprego

de acento em amável e útil.

14. (CESPE/PC-GO/ESCRIVÃO/2016)

Texto CB1A1AAA
1 Na Idade Média, durante o período feudal, o príncipe
 era detentor de um poder conhecido como jus politiae —
 direito de polícia —, que designava tudo o que era necessário

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 à boa ordem da sociedade civil sob a autoridade do Estado, em


5 contraposição à boa ordem moral e religiosa, de competência
 exclusiva da autoridade eclesiástica.
 Atualmente, no Brasil, por meio da Constituição
 Federal de 1988, das leis e de outros atos normativos,
 é conferida aos cidadãos uma série de direitos, entre os quais
10 os direitos à liberdade e à propriedade, cujo exercício deve ser
 compatível com o bem-estar social e com as normas de direito
 público. Para tanto, essas normas especificam limitações
 administrativas à liberdade e à propriedade, de modo que, a
 cada restrição de direito individual — expressa ou implícita na
15 norma legal —, corresponde equivalente poder de polícia
 administrativa à administração pública, para torná-la efetiva e
 fazê-la obedecida por todos.
Internet: <www.ambito-juridico.com.br> (com adaptações).

Quanto aos termos empregados no texto CB1A1AAA, às ideias nele contidas e à

ortografia oficial da língua portuguesa, assinale a opção correta.

a) O sentido original do texto seria preservado e as normas da ortografia oficial da

língua portuguesa seriam respeitadas caso se substituísse o trecho “é conferida aos

cidadãos uma série de direitos” (R.9) por aos cidadões confere-se muitos direitos.

b) O emprego do hífen no vocábulo “bem-estar” justifica-se pela mesma regra or-

tográfica que justifica a grafia do antônimo desse vocábulo: mal-estar.

c) As formas verbais “torná-la” e “fazê-la” (R. 16 e 17) recebem acentuação gráfica

porque se devem acentuar todas as formas verbais combinadas a pronome enclítico.

d) A mesma regra de acentuação justifica o emprego de acento em “à” (R.4) e “é” (R.9).

e) O vocábulo “período” é acentuado em razão da regra que determina que se

acentuem palavras paroxítonas com vogal tônica i formadora de hiato.

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15. (CESPE/ANS/ANALISTA/2013) Os acentos gráficos empregados em “Agência” e

em “Saúde” têm a mesma justificativa.

16. (CESPE/PRF/SUPERIOR/2013) O emprego do acento nas palavras “ciência” e

“transitório” justifica-se com base na mesma regra de acentuação.

17. (CESPE/ANTT/ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO/2013) O emprego do acento grá-

fico em “política”, “veículo” e “público” deve-se à mesma regra de acentuação grá-

fica.

18. (CESPE/MC/ATIVIDADE DE COMPLEXIDADE INTELECTUAL/2013) Os vocábulos

“Político”, “hipótese” e “rápido” seguem a mesma regra de acentuação gráfica.

19. (CESPE/BACEN/ANALISTA/2013) O emprego do acento gráfico na palavra “ar-

queológica” e na palavra “áspera” justifica-se com base na mesma regra de acen-

tuação.

20. (CESPE/MPOG/ANALISTA/2013) Pela mesma regra de acentuação gráfica, justi-

fica-se o acento gráfico nos vocábulos “países”, “possível” e “difícil”.

21. (CESPE/TCU/AUDITOR FEDERAL/2013) Os vocábulos “assistência”, “potável”

e “elétrica” são acentuados de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.

22. (CESPE/TJ/ANALISTA/2012) As palavras “negligência”, “reservatórios”, “espé-

cie” e “equilíbrio” apresentam acentuação gráfica em decorrência da mesma regra

gramatical.

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23. (CESPE/TRT-10ª/ANALISTA/2012) As palavras “países”, “famílias” e “níveis”

são acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.

24. (CESPE/INPI/PESQUISADOR/2012) A grafia correta da forma verbal derivada

do nome “individuais” é individualizar.

25. (CESPE/MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL/TI/2010) As palavras “últi-

mas”, “trânsito”, “econômica” e “contribuírem” recebem acento gráfico por serem

proparoxítonas.

26. (CESPE/INCA/ASSISTENTE/2010) As palavras “Único”, “críticas” e “público” re-

cebem acento gráfico porque têm sílaba tônica na antepenúltima sílaba.

27. (CESPE/SEDU/PROFESSOR/2008) Na palavra “prova”, há um dígrafo.

28. (CESPE/SEPLAG/PROFESSOR/2008) São representações gráficas de um único

fonema as letras c, em “ociosidade”, s, em “conseguir”, ç, em “açúcar”, assim como

o dígrafo ss, em “fossa”.

29. (CESPE/FUB/REVISOR/2008) Em relação à morfossintaxe e à semântica do

verso “Contas redondas de ouro no pescoço”, julgue os itens a seguir.

A palavra “no” é resultado da contração da preposição “em” com o artigo definido “o”.

30. (CESPE/PF/AGENTE/2014) Os termos “série” e “história” acentuam-se em con-

formidade com a mesma regra ortográfica.

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GABARITO

1. d 24. C

2. C 25. E

3. E 26. C

4. E 27. E

5. E 28. C

6. C 29. C

7. C 30. C

8. C

9. C

10. E

11. C

12. E

13. C

14. b

15. E

16. C

17. E

18. C

19. C

20. E

21. E

22. C

23. E

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GABARITO COMENTADO

1. (CESPE/UEPA/AUXILIAR DE LABORATÓRIO/2008) Assinale a opção em que a

divisão silábica da palavra está correta.

a) bo-rra-chos

b) fil-ho-te

c) mo-ns-tren-gos

d) mons-tren-gui-nhos

Letra d.

a) Errada. A separação está incorreta, porque é necessário separar as letras do-

bradas rr e ss (a separação correta seria bor-ra-chos).

b) Errada. Não se pode separar o dígrafo lh (a separação correta seria fi-lho-te).

c) Errada. O grupo ns não pode formar sílaba, pois não há vogal (e toda sílaba

possui uma vogal como núcleo).

(CESPE/TERRACAP/ARTÍFICE ESPECIALIZADO/2004) Julgue os trechos a seguir

quanto à grafia das palavras.

2. Mesmo sabendo que podem criar problemas, há pessoas que, por ganância, não

se importam com os impactos ambientais.

Certo.

Todas as palavras estão corretamente grafadas.

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3. Agredida pelo homem, a natureza sofre transformações de muitos tipos e de

várias intencidades.

Errado.

A palavra intencidades deve ser grafada com s: intensidades.

4. As conseqüências das agressões à natureza têm sido muito prejudiciais, atinjin-

do os seres vivos.

Errado.

A palavra atinjindo deve ser registrada com g (pois vem do verbo atingir): atingin-

do. Uma observação importante: a prova em que essa questão foi publicada é de

2004 – antes, então, da vigência do Acordo de 1990 (que entrou em vigor em 1º

de janeiro de 2016). Assim, o uso do sinal trema na palavra “conseqüências” ainda

é válido no período anterior à entrada em vigor do Acordo.

5. A natureza reaje quando é desrespeitada e nos dá lições por meio das conse-

qüências dos problemas que causamos.

Errado.

A palavra reaje deve ser registrada com g: reage (pois vem de reagir (re-agir; agir

novamente)). A prova em que essa questão foi publicada é de 2004 – antes, então,

da vigência do Acordo de 1990 (que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2016).

Assim, o uso do sinal trema na palavra “conseqüências” ainda é válido no período

anterior à entrada em vigor do Acordo.

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6. Todos os seres vivos se relacionam entre si e com as matérias da natureza: o ar,

a água, as rochas, o solo.

Certo.

Todas as palavras estão corretamente grafadas.

7. Por não conseguir ou não tentar prever as conseqüências de seu uso da nature-

za, o ser humano vem cometendo muitos erros.

Certo.

A prova em que essa questão foi publicada é de 2004 – antes, então, da vigência

do Acordo de 1990 (que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2016). Assim, o uso

do sinal trema é ainda válido no período anterior à entrada em vigor do Acordo.

Mas preste atenção: se uma questão semelhante fosse apresentada depois do dia

1º de janeiro de 2016, essa questão deveria ser considerada ERRADA, pois, a partir

dessa data, não se admite mais o uso do trema.

(CESPE/SAAE/AUXILIAR TÉCNICO I/2003) Julgue, em cada um dos itens seguin-

tes, se as palavras estão corretamente escritas.

8. Há grande quantidade de água no solo do nosso país.

Certo.

Todas as palavras estão corretamente grafadas.

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9. A distribuição dos recursos hídricos no Brasil é totalmente desigual.

Certo.

Todas as palavras estão corretamente grafadas.

10. O rio São Francisco conta com dez grandes uzinas geradoras de energia.

Errado.

A palavra uzina deve ser grafada com s: usina.

11. O rio São Francisco a cada dia que passa está morrendo por causa da poluição

e da contaminação das suas águas.

Certo.

Todas as palavras estão corretamente grafadas.

12. O açoreamento do leito do “Velho Chico” é provocado por erosões e desmata-

mento desinfreado nas suas margens.

Errado.

A palavra açoreamento deve ser grafada com ss: assoreamento; a palavra desin-

freado deve ser registrada com e: desenfreado.

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13. (CESPE/MPU/TÉCNICO EM SEGURANÇA E TRANSPORTE/2015) A palavra “cível”

recebe acento gráfico em decorrência da mesma regra que determina o emprego

de acento em amável e útil.

Certo.

As palavras amável e útil são acentuadas por serem paroxítonas NÃO terminadas

em a(s), (e)s, (o)s, em(ns).

14. (CESPE/PC-GO/ESCRIVÃO/2016)

Texto CB1A1AAA
1 Na Idade Média, durante o período feudal, o príncipe
 era detentor de um poder conhecido como jus politiae —
 direito de polícia —, que designava tudo o que era necessário
 à boa ordem da sociedade civil sob a autoridade do Estado, em
5 contraposição à boa ordem moral e religiosa, de competência
 exclusiva da autoridade eclesiástica.
 Atualmente, no Brasil, por meio da Constituição
 Federal de 1988, das leis e de outros atos normativos,
 é conferida aos cidadãos uma série de direitos, entre os quais
10 os direitos à liberdade e à propriedade, cujo exercício deve ser
 compatível com o bem-estar social e com as normas de direito
 público. Para tanto, essas normas especificam limitações
 administrativas à liberdade e à propriedade, de modo que, a
 cada restrição de direito individual — expressa ou implícita na
15 norma legal —, corresponde equivalente poder de polícia
 administrativa à administração pública, para torná-la efetiva e
 fazê-la obedecida por todos.
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Quanto aos termos empregados no texto CB1A1AAA, às ideias nele contidas e à

ortografia oficial da língua portuguesa, assinale a opção correta.

a) O sentido original do texto seria preservado e as normas da ortografia oficial da

língua portuguesa seriam respeitadas caso se substituísse o trecho “é conferida aos

cidadãos uma série de direitos” (R.9) por aos cidadões confere-se muitos direitos.

b) O emprego do hífen no vocábulo “bem-estar” justifica-se pela mesma regra or-

tográfica que justifica a grafia do antônimo desse vocábulo: mal-estar.

c) As formas verbais “torná-la” e “fazê-la” (R. 16 e 17) recebem acentuação gráfica

porque se devem acentuar todas as formas verbais combinadas a pronome enclítico.

d) A mesma regra de acentuação justifica o emprego de acento em “à” (R.4) e “é”

(R.9).

e) O vocábulo “período” é acentuado em razão da regra que determina que se

acentuem palavras paroxítonas com vogal tônica i formadora de hiato.

Letra b.

O uso do hífen se justifica nas formas bem-estar e mal-estar para evitar a pro-

núncia inadequada dessas palavras quando da leitura. Vamos avaliar as outras

opções:

a) Errada. O desvio ortográfico, que nos interessa, está no registro da palavra ci-

dadões (o adequado é cidadãos).

c) Errada. A regra para acentuar as formas torná-la e fazê-la é a mesma das oxí-

tonas. Nem todas as formas verbais combinadas com pronomes enclíticos devem

ser acentuadas, como ponho-o.

d) Errada. o acento indicativo de crase é denominado grave; o acento do verbo

ser, no presente do indicativo (é), é denominado agudo.

e) Errada. a palavra período é uma proparoxítona: pe-rí-o-do.

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15. (CESPE/ANS/ANALISTA/2013) Os acentos gráficos empregados em “Agência” e

em “Saúde” têm a mesma justificativa.

Errado.

A palavra agência é uma paroxítona terminada em ditongo crescente (ia – semivo-

gal e vogal). A palavra saúde é um hiato, já que temos o encontro de duas vogais

plenas (a e ú, acentuado).

16. (CESPE/PRF/SUPERIOR/2013) O emprego do acento nas palavras “ciência” e

“transitório” justifica-se com base na mesma regra de acentuação.

Certo.

Tanto ciência quanto transitório são paroxítonas terminadas em ditongo (crescente).

17. (CESPE/ANTT/ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO/2013) O emprego do acento

gráfico em “política”, “veículo” e “público” deve-se à mesma regra de acentuação

gráfica.

Errado.

Cuidado! Há uma palavra controversa na questão: veículo. Essa palavra pode ser

enquadrada tanto na regra de acentuação das proparoxítonas quanto na regra de

hiato (em que o í é vogal plena). As outras palavras – política e público – são acen-

tuadas apenas pela regra das proparoxítonas. Assim, as três palavras não estão no

mesmo “balaio”.

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18. (CESPE/MC/ATIVIDADE DE COMPLEXIDADE INTELECTUAL/2013) Os vocábulos

“Político”, “hipótese” e “rápido” seguem a mesma regra de acentuação gráfica.

Certo.

Questão simples! Muito bem, esta é para acertar: todos os vocábulos são proparo-

xítonos, daí serem acentuados.

19. (CESPE/BACEN/ANALISTA/2013) O emprego do acento gráfico na palavra “ar-

queológica” e na palavra “áspera” justifica-se com base na mesma regra de acen-

tuação.

Certo.

Outra questão simples! As palavras arqueológica e áspera possuem a sílaba tônica

na terceira posição (arqueológica / áspera) – são, portanto, proparoxítonas.

20. (CESPE/MPOG/ANALISTA/2013) Pela mesma regra de acentuação gráfica, justi-

fica-se o acento gráfico nos vocábulos “países”, “possível” e “difícil”.

Errado.

Mesmo caso da questão 15: os vocábulos não recebem acentuação pela mesma

regra: possível e difícil são paroxítonas terminadas em ‘l’; a palavra países recebe

acento pela regra de formação de hiato.

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21. (CESPE/TCU/AUDITOR FEDERAL/2013) Os vocábulos “assistência”, “potável”

e “elétrica” são acentuados de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.

Errado.

A palavra elétrica é uma proparoxítona. As palavras potável e assistência são pa-

roxítonas. Não são, portanto, acentuadas de acordo com a mesma regra de acen-

tuação.

22. (CESPE/TJ/ANALISTA/2012) As palavras “negligência”, “reservatórios”, “espé-

cie” e “equilíbrio” apresentam acentuação gráfica em decorrência da mesma regra

gramatical.

Certo.

Todas as palavras são paroxítonas terminadas em ditongo.

23. (CESPE/TRT-10ª/ANALISTA/2012) As palavras “países”, “famílias” e “níveis”

são acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.

Errado.

As palavras famílias e níveis são paroxítonas terminadas em ditongo. A palavra

países recebe acentuação pela regra de formação de hiato. As regras são, assim,

diferentes.

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24. (CESPE/INPI/PESQUISADOR/2012) A grafia correta da forma verbal derivada

do nome “individuais” é individualizar.

Certo.

O sufixo -izar, típica forma de terminação de verbos, é grafado com ‘z’.

25. (CESPE/MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL/TI/2010) As palavras “últi-

mas”, “trânsito”, “econômica” e “contribuírem” recebem acento gráfico por serem

proparoxítonas.

Errado.

Muito fácil! As palavras últimas, trânsito e econômica são proparoxítonas. A pala-

vra contribuírem, diferentemente, tem a sílaba tônica na segunda posição (e esta

sílaba é acentuada pela regra de formação do hiato).

26. (CESPE/INCA/ASSISTENTE/2010) As palavras “Único”, “críticas” e “público” re-

cebem acento gráfico porque têm sílaba tônica na antepenúltima sílaba.

Certo.

Traduzindo o que a banca está afirmando: as palavras único, críticas e público re-

cebem acento por serem proparoxítonas.

27. (CESPE/SEDU/PROFESSOR/2008) Na palavra “prova”, há um dígrafo.

Errado.

Não confunda dígrafo (duas letras que representam um som) com encontro conso-

nantal (duas consoantes próximas, cada uma mantendo a autonomia sonora). Em

prova, “pr” forma um encontro consonantal, não um dígrafo.

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28. (CESPE/SEPLAG/PROFESSOR/2008) São representações gráficas de um único

fonema as letras c, em “ociosidade”, s, em “conseguir”, ç, em “açúcar”, assim como

o dígrafo ss, em “fossa”.

Certo.

Para compreender a banca, precisamos separar o que está registrado no texto:

c em ociosidade

s em conseguir

ç em açúcar

ss em fossa

Na hora da prova, sugiro que, diante de uma questão como esta, você pronuncie

baixinho cada uma das palavras. Se você fizer isso, perceberá que as letras c, s,

ç e ss (um dígrafo) representam os mesmos sons NAS PALAVRAS APRESENTADAS

PELA BANCA.

29. (CESPE/FUB/REVISOR/2008) Em relação à morfossintaxe e à semântica do

verso “Contas redondas de ouro no pescoço”, julgue os itens a seguir.

A palavra “no” é resultado da contração da preposição “em” com o artigo definido

“o”.

Certo.

Em contrações, as formas sonoras originais são alteradas, formando um único vo-

cábulo.

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30. (CESPE/PF/AGENTE/2014) Os termos “série” e “história” acentuam-se em con-

formidade com a mesma regra ortográfica.

Certo.

Já vimos muitas questões como esta, não é? Trata-se da regra que acentua paro-

xítonas terminadas em ditongos, como série e história.

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