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Lama Zopa Norbu – 1

Os 28
Benefícios da
Pratica da Meditação

1º edição
São Paulo 2016
Jardim do Dharma

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação
Um guia prático para cada dia

O Buda disse:
“Observa aqueles que pedem o Conhecimento do
Caminho.
Ajudá-los é uma grande felicidade e assim poderão
obter muitos benefícios”.
Um Sramana perguntou:
“Há algum limite para estas bênçãos? ”.
O Buda Falou: “São como o fogo de uma tocha da
qual milhares de pessoas podem ascender a sua.
A luz devora as trevas e aquela tocha é a origem de
tudo”.

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Coloca um peixe na terra e ele lembrará o oceano até sua
morte;
Coloca um pássaro na gaiola e ele lembrará do céu até seu
último dia,
Cada um permanece nostálgico de seu verdadeiro lar, o lugar
onde sua natureza tem decretado que ele deve estar.
O homem nasce no estado da inocência.
Sua natureza original é o amor, a graça e a pureza.
Porem ele vai tão longe, emigra tão longe que se torna
indiferente ao seu próprio velho lar,
não e isso acaso algo mais triste que os pássaros e os peixes?

Mestre Han Shan 1546aD.

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OS CINCO OBJETIVOS DA MEDITACAO

O primeiro objetivo ao praticar a meditação é purificar a


mente; isso irá gerar paz e felicidade.
O segundo objetivo da meditação é superar a tristeza e a
lamentação. Quando o meditador começa a ver a verdade, ele
consegue suportar e derrotar a tristeza e a lamentação causadas
pela impermanência.
O terceiro objetivo é superar o sofrimento e a decepção
causada pela cobiça e pela raiva.
O quarto objetivo da meditação é percorrer o caminho dos sábios,
o caminho correto que conduz à libertação da angústia, tristeza,
desapontamento, dor e lamentação. Esse é o caminho da atenção
plena – o único caminho que nos liberta do sofrimento.
O quinto objetivo da meditação é nos libertarmos completa e
totalmente da dor mental e das impurezas e de libertar a
nossa mente do desejo, raiva e desilusão, os três venenos.

“Querido amigo somos todos


mendigos de amor”

Palavras do meu mestre Bokar Tulku


Rimpoche a quem dedico este pequeno
livro.

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Introdução.
Nós somos meros viajantes, viemos a este mundo sem saber o
porquê, saímos deste mundo - na maioria dos casos – arrependidos
por não ter realizado nossos sonhos.
Porque isto é assim? Porque acontece conosco?
Eu vejo que desde que acordamos até quando vamos descansar,
sejamos ricos ou pobres, velhos ou jovens, estamos sendo
bombardeados por informações e desinformações manipuladas que
servem somente para aumentar a nossas dúvidas, temores e tristezas,
manipulados por esta enorme massa de “fofocas
institucionalizadas“ vamos tornando-nos mais fracos, medrosos e
paranoicos.
O que eu vejo e sei, é que a um grupo que vou chamar de “oito, sim
oito, senhores das sombras” que trabalham constantemente para
que nós míseros mortais não consigamos desenvolver a capacidade
de análise e de reflexão sobre qualquer evento, por mais
insignificante que seja.
Estes senhores, constantemente nos falam como devemos nos
comportar, como devemos pensar, como devemos agir, utilizam
modelos, conceitos, estratégias de publicidade, estruturas de
pensamentos falsos, fantasias sedutoras, induzem sonhos que nunca
poderemos realizar a não ser que renunciemos a nossa própria
dignidade e consciência espiritual.
Esse trabalho bem planejado está sendo feito desde tempos
imemoriais para alterar a nossa energia intrínseca, ou, em outras
palavras para eliminar de nossas vidas toda a energia espiritual que
é nossa desde a nossa concepção.
Nos obrigam a nos esquecer e nunca nos questionar sobre nós
mesmos, quem somos, o que estamos fazendo aqui, e para que serve
a nossa vida que, aliás, é tão curta.
Nos bombardeiam de desinformação para que alimentemos o
consumo frenético sob o pretexto de que “temos que fazer a
economia funcionar”.
O ponto crucial e que os seres humanos não percebem que o objeto
a ser consumido são eles mesmos.
O ser humano é o animal domesticado que está sendo mantido num
curral virtual esperando pelo momento do seu abate.

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Atordoados e constantemente manipulados, a vida deste ser humano
se tornou um eterno sofrer, uma roda de eterna frustração e
desalento.
Como os senhores das sombras sabem, tarde ou cedo esse ser
humano vai se cansar de tanto sofrer, este cansaço a levará a se
questionar a criar métodos para se livrar do sofrimento.
Porem estes senhores não podem permitir que o ser humano acorde
para uma realidade esplendorosa.
Por este motivo é que hoje é o tempo da diversão, dos shoppings, dos
megaeventos, dos carnavais, onde milhares de jovens e não tão
jovens jogam seu pouco dinheiro aos pês das estrelas, aos pés dos
vendedores de drogas sintéticas, esgotando a sua energia vital e se
atordoando a cada dia mais com diversões grotescas e sem sentido.
Os senhores das sombras não querem educar filosoficamente os
povos, então sob o falso pretexto da “educação tecnológica” ou
“educação para o trabalho” eliminam das escolas a educação ética,
moral, ecológica, humanista.
Treinam as crianças para serem “operários padrão” para
manipularem corretamente maquinas.
Como os professores, não se ocupam de “educar” seus alunos, eles
o tornam analfabetos funcionais, sem capacidade de refletir e de se
comunicar corretamente, se animalizando ao extremo.
Como não tem consciência nem de si mesmo nem da sociedade em
que vive, toma o feio, o sujo e o malvado como padrão de
comportamento, é seduzido pelas armas, as roupas dos policiais, dos
soldados de elite, assiste a matança como se estivesse olhando um
vídeo game, polui os rios, destrói as florestas, aceita a morte a
destruição como algo “excitante” somente porque quer se “divertir”
e ao não ter nenhum senso de responsabilidade culpa aos outros
quando as coisas não saem como ele quer.
Esquecendo a linguagem correta e amável, começam a grunhir,
esquecendo a luz, se tornando escuros, praticamente carcaças vazias
moradias dos espíritos famintos.
Porem toda esta parafernália de shows sem sentido, acaba, sempre
há uma “quarta-feira de cinzas” sempre há um momento de silencio
onde a ilusão se desvanece ao igual que a miragem do deserto. Esta
é o maior defeito da ilusão, ela desaparece, e ao desaparecer, o

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sentido de solidão, carência afetiva e desespero aumenta, o mesmo
efeito da síndrome de abstinência das drogas.
Então a diversão agora tem de ser 24hs continua, o álcool sobra, o
sexo e casual, uma rapidinha em qualquer lugar, sem carinho, sem
respeito, sem amor.
Isto nos torna mendigos de afeto, de carinho, de amor, esta carência
nos torna incapazes de nos relacionar saudavelmente com os outros.
Preferimos nos relacionar com um animal, que nunca nos irá
contrariar do que se relacionar com um outro ser humano que
possivelmente discorde de nós e nos mostre as nossas diferenças,
nossos erros e fraquezas.
Nos relacionamos falsamente pela internet demostrando que sempre
estamos “ótimos” criando “personalidades virtuais” completamente
falsas, colocando frases de autoajuda, fingindo que nós somos
mestres de alguma coisa, porém sendo incapazes de nos sentar na
frente de nossos pais e filhos para dialogar com eles já que são eles
os primeiros que necessitam de nossa atenção e carinho.
Então nesse momento nós realmente corremos um enorme perigo,
porque esta carência, nos leva a pensar que a melhor saída para pôr
fim a nossa angustia e vazio interior e pôr fim a nossa vida.
Faz dois dias uma ex aluna, com menos de 30 anos simplesmente se
enforcou.
Porem toda classe de pessoas, desde o mendigo até o mais alto
imperador, teve desde sua terna infância ou um amigo ou um
professor, ou alguém que num momento de sua vida lhe estendeu
uma mão carinhosa, alguém que lhe ofereceu um conselho, ou ao
menos se sentou para escutar suas penas.
Minha ideia a escrever este novo livro, é oferecer a este viajante
cansado umas dicas, uns conselhos, um albergue seguro, um lugar
de descanso, uma mão estendida.
Por isso vou escrever palavras, que possivelmente sirvam como
ponto de partida para que o leitor possa refletir, se ajudar e se
transformar a si mesmo.
Não se esqueça, ninguém poderá fazer este trabalho por você.
Você mesmo tem de mudar desde seu interior, e como comprovar
que essa mudança foi verdadeira? Porque você leitor vai dispor de

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possibilidades reais de ajudar aos seus amigos, parentes e colegas
de trabalho com os quais você passa a maior parte de sua vida.
Penso que se você leitor praticante de meditação ou Tai Chi Chuan,
lê estas palavras de forma sincera com seu coração e mente aberta
poderá encontrar muita ajuda no seu caminhar, porém não se
esqueça:

“Caminhante não há caminho se faz caminho ao andar”

Obrigado e boa leitura.


Lama Karma Zopa Norbu
São Paulo março de 2016

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

1). A meditação recolhida ampara a aquele que


medita.

Quando a meditação e bem realizada elimina da


mente do praticante o sentido de solidão, de
abandono e desamparo.

Reflita sobre isso.


De onde surge este sentimento de solidão, o vazio interior, o me
sentir abandonado por todos?

Resp. De minha incapacidade de me relacionar e de compartilhar


meus momentos com os outros.
Também há um pouco de arrogância de minha parte.
eu quero que o mundo note que eu existo. O eu está sempre na
frente, nunca o outro. Enquanto eu pensar desta forma sempre me
sentirei sozinho e abandonado. Eu quero me relacionar com os
outros, porem eles têm de se comportar como eu quero, eles tem de
reagir da forma como eu pensei, bem, ao fim de contas eu sou um
manipulador, eu penso, se você me quiser tirar de minha zona de
conforto e você pensar como eu penso, então você é meu amigo.
Porém não se esqueça, quando você não me agradar mais, eu
imediatamente trocarei você por um amigo mais novo e diferente.

Abandonemos imediatamente esta forma de pensar! A causa de


minha frustração e sentimento de abandono surge de quere manipular
os resultados.
Então com o pensamento: “possam todos os seres ter a felicidade e
suas causas”, dê nascimento ao amor por todos os seres. Se isto for
muito forte para você, então comece por amar verdadeiramente aos
seus pais, irmãos e filhos.
Recite ou em voz baixa ou mentalmente tantas vezes quanto
puder o mantra: OM MANI PEME HUNG

Nesse momento visualize que luz dourada sai desde seu coração e
abrange milhares de seres humanos e animais também.
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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

2). Alonga sua vida.


Quando a meditação e bem realizada o praticante
já está treinando a ética perfeita, que é a ética
perfeita?

Resp. não malgastar a vitalidade na busca


constante do prazer. A busca constante pela
satisfação torna a pessoa emocionalmente instável como uma folha
sendo arrastada pelo vento, ao ser arrastado pelo vento dos caprichos,
a sua vitalidade se esgota e sua vida se encurta, seja por causa das
inúmeras doenças, seja por causa de acidentes, seja por causa das
companhias erradas que o estimulam a se drogar e se relacionar
sexualmente com qualquer um simplesmente para satisfazer os
desejos mais escuros.
Reflita sobre isso.
De onde surge minha fraqueza, minha baixa vitalidade, o frio
interno, a fraqueza de minha voz, meus pensamentos confusos,
minha incapacidade de realizar meus sonhos por mais pequenos
que eles sejam?
Resp. De minha incapacidade de me conter, de minha dependência
da satisfação a qualquer preço, de minha incapacidade de dizer não.
De minha incapacidade de me manter tranquilo. De minha
incapacidade de me disciplinar nos mínimos detalhes. De dar valor a
coisas que não tem valor algum.
Então com o pensamento: “possam todos os seres ser livres do
sofrimento e suas causas”, dê nascimento à compaixão por todos os
seres.
Recite ou em voz baixa ou mentalmente tantas vezes quanto
puder o mantra:
OM MANI PEME HUNG Nesse momento visualize que luz
branca sai desde seu centro entre as sobrancelhas e abrange
milhares de seres humanos e animais também.

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

3). Lhe outorga forças.

Quando a meditação e bem realizada a mente


torna-se estável, a forma de agir e de fazer as
coisas do dia a dia torna-se serena, suas palavras
mansas, interiormente o praticante começa a
dispor de uma energia que o ajuda a se preservar,
então ele realiza os quatro grandes esforços que são:

• Esforço de Evitar: que é estar atento e engendrar em si mesmo a


vontade de vencer o mal e as coisas impuras que ainda não tem
surgido, e, invocando suas forças luta e se esforça em manter a
mente constantemente em alerta para que os pensamentos,
palavras e atos errados não se materializem.
• Esforço de Vencer: que é estar atento e conceber em si mesmo a
vontade de vencer o mal e as coisas impuras que já tem surgido, e
invocando toda sua força, luta e se esforça, incitando a sua mente
para vencer.
• Esforço de Desenvolver: Constantemente está dirigindo sua
mente para desenvolver pensamentos positivos, de amor e de
concórdia. Desenvolve estado de constante atenção para evitar ou
aniquilar estados mentais que não estejam de acordo com a
compaixão, a cordialidade e o amor ao próximo.
• Esforço de Manter: estando em alerta suprimindo estamos
mentais negativos, e desenvolvendo estados mentais positivos
tenta constantemente manter a mente em harmonia com o seu
meio ambiente e com todos os seres com a finalidade de ajudar ao
desenvolvimento da mente calma.
Reflita sobre isso.
Até hoje, nunca prestei atenção aos meus pensamentos, porem eles
sempre me trataram como um escravo, e foram meus piores
inimigos. Porque isto ocorreu comigo?

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Resp. porque até hoje nunca tive um amigo espiritual que me ajude a
entender a natureza de meu espirito e de minha mente.
Então com o pensamento: “possam todos os seres ter a felicidade e
nunca se separarem dela”, dê nascimento a alegria.

Recite ou em voz baixa ou mentalmente tantas vezes quanto


puder o mantra: OM MANI PEME HUNG

Nesse momento visualize que luz vermelha sai de seu centro


laríngeo (no centro de tua garganta) e abrange milhares de seres
humanos e animais também.

Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

4). Elimina as suas faltas.

Quando a meditação e bem realizada, nossas faltas


diminuem e imediatamente e passamos a
corporificar as seis perfeições. Veja que já não
peço a você refletir sobre um comportamento.
Você já treinou os três passos anteriores então
agora pare para refletir e continuar ajudando a
todos os seres.

A primeira perfeição é a equanimidade que surge da pratica da


concentração, o antidoto da arrogância
A Causa da infelicidade, a causa do sofrimento é o apego a ilusão de
que eu sou melhor que os outros, eu sou mais inteligente, melhor em
tudo. O apego a esta ideia distorcida nos faz detestar aqueles que são
diferentes de nós, então aparece a arrogância que une uns poucos e
nos separa do resto. Para limpar a mente desta ilusão, deste apego,
precisamos possuir uma fortíssima concentração.
Se acendermos uma vela para apreciar um quadro no escuro e a
janela estiver aberta pouco veremos. O vento penetrará pela janela
fazendo oscilar a luz da vela. Assim, não conseguiremos observar o
quadro. Mas se fecharmos a janela o vento cessará e a imagem do
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quadro se tornará clara diante de nós; poderemos então vê-la
nitidamente. Da mesma forma, para termos uma iluminação
precisamos destruir as ilusões que nos rodeiam. Devemos treinar
concentração mental, pois com isso poderemos obter o que
desejamos. Quando estamos desconcentrados podemos fazer mil
preces, meditações com poucos resultados. Sem concentração não há
frutos, não há força, não há poder. Ao nos esforçar em olhar as
qualidades dos outros, então a modéstia e a equanimidade
nascem em nossa mente. Esta é a primeira virtude.

A segunda perfeição, é a paciência, antidoto da competição, dos


ciúmes e da agressão. A paciência é uma das qualidades mais
importantes que vocês podem trazer a sua vida. Façam o
compromisso de sempre manter harmonia em seus lares e que
independente das mudanças externas ou emocionais pelas quais você
esteja passando, você está querendo despertar do sono profundo e
isto não e nada fácil.
Então a paciência é uma ferramenta indispensável e ela surge do não
se fixar no problema, ao invés disso, tente imediatamente – dentro de
suas possibilidades -resolver os mesmos.
Sua prática da paciência trará grande benefício a curto e a longo
prazo. Quando você pratica uma virtude tão poderosa quanto a
paciência, ela infalivelmente resultará na experiência de uma grande
felicidade no futuro. Não se esqueça, o céu e o inferno não são
lugares que existem fora de você. Ao invés disso, eles são os reflexos
da positividade ou da negatividade de sua própria mente.
Paciência é o oposto de raiva. Quando aperfeiçoamos a Perfeição da
Paciência desaparecem da nossa mente qualquer traço de raiva até
mesmo em nossos sonhos.
Independentemente das dificuldades com que nos deparamos, do tipo
de injustiça que possa nos vitimar; injustiça ou humilhação, insultos,
ofensas, etc.; nunca perdemos a paciência, nunca ficamos bravos;
atingimos uma mente que permanece sempre imperturbável.
Perfeitamente serena diante de qualquer dificuldade. É evidente
que precisamos aperfeiçoar essa serenidade mental para ajudar
os outros.

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A terceira perfeição é a disciplina moral, antidoto da
preocupação e da falta de vitalidade. A disciplina moral significa
viver em acordo com as disciplinas superiores, eliminando hábitos
mentais que não estão servindo aos relacionamentos, eliminando o
comportamento egoísta e desarmonioso, e acentuando as qualidades
positivas como a bondade amorosa. Com esta bondade amorosa,
nunca cometeremos ações de causas de sofrimento para nós ou para
outros seres, pois tudo aquilo que fazemos é puro. Obviamente,
precisamos desta perfeição para ajudar outros seres. Precisamos
ter controle sobre nossas ações.

A quarta perfeição é a diligência ou entusiasmo, antidoto da


preguiça e o abandono. Você precisa de um esforço incansável para
permanecer alegre no seu dia a dia. Esforço significa, o oposto de
preguiça, o oposto de desencorajamento. Isso significa que nossa
mente adquire uma motivação tão positiva que apreciamos
integralmente nosso treino espiritual, e qualquer atividade saudável.
No momento atual, se pudéssemos escolher entre ficar na cama até
mais tarde num sábado, ou levantar cedo para rezar, escolheríamos
ficar um pouco mais na cama.
Um bom praticante, sem hesitar, preferiria se levantar para fazer uma
pratica de tai chi, preces, etc. Há nele uma verdadeira alegria, um
prazer de realizar atividades espirituais. Essa alegria, esse gostar da
prática é um preventivo contra a preguiça. Consequentemente nunca
desanimamos, nunca nos sentimos desencorajados. A mente sempre
corajosa, determinada e confiante nunca abandona o caminho.
Precisamos dessas qualidades para ajudar os outros.

A quinta é a perfeição da generosidade, antidoto da avareza que


é a incapacidade de compartilhar ainda que seja um sorriso. A
generosidade é uma forma das mais excelentes de aumentar as
qualidades virtuosas. Através do amor e dos sentimentos positivos
que desenvolvam, naturalmente utilizarão o seu corpo, fala e mente
para ajudar aos outros a tornar sua vida um momento mais feliz.
Dar é o oposto de mesquinhez. Mesquinhez é guardar para si.
Quando aperfeiçoamos o Dar sentimos o impulso de dar aos outros
tudo o que possuímos, num movimento natural e espontâneo; seja

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saúde, riquezas, amor, felicidade, ou qualquer outra posse capaz de
causar felicidade. Desaparece até mesmo a marca mental de querer
reter algo para si. A perfeição do Completo Dar é muito
importante. Através dela adquirimos um especial poder de
ajudar os outros seres viventes com eficácia.

A sexta e a perfeição da Sabedoria o antidoto do egoísmo.


Trata-se da sabedoria de compreender, que nós podemos realizar
nossas atividades diárias tendo como ponto de partida a correta
motivação que coloca o outro em primeiro lugar.
Através dessa perfeição, familiarizando-nos com a verdade suprema
que surge do treino da meditação, pouco a pouco poderemos
purificar, os diversos graus de apego às nossas neuroses que são o
fundamento de nosso sofrimento, físico emocional e mental.
Primeiramente, purificamos as formas intelectuais de apego às
neuroses e medos.
Depois nos aventuramos a penetrar mais e mais nos níveis
instintivos.
Quando purificamos o apego a estas neuroses aumenta o nosso poder
de concentração nas verdades espirituais, por consequência todas as
outras ilusões – ciúmes, raiva, orgulho etc. – também são destruídas.
É evidente que se pudermos purificar nossa mente, ter uma
mente sem ilusões e atingir felicidade total, então obviamente
poderemos ajudar outros a fazer o mesmo. A perfeição da
Sabedoria é essencial.
Em todos os atos de tua vida, sempre que lembrar, recita ou em
voz baixa ou mentalmente o mantra: OM MANI PEME HUNG

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

5). Elimina o medo.

Segundo Buda, esta era degenerada é


caracterizada por fortes formas de desejo e
raiva.
Estes são os principais causadores de todo
tipo de medo.
O Mestre Guru Rinpoche disse que, no futuro, todos os homens
serão influenciados por uma força demoníaca chamada gyal-po,
(raiva) (vejam os estados policiais e a explosão de raiva e
descontentamento das populações) As mulheres serão possuídas
por um demônio chamado sen-mo,(apego e confusão), e as
crianças e jovens serão afetados por um espírito maligno de
raiva e inveja. Ainda que tudo está bem, a mente não se sente
confortável, relaxada ou em paz. Isto é, quando a pratica da Mãe
Libertadora é realmente relevante. Durante a nossa existência
encaramos basicamente dois tipos de medo
O medo de não obter o que desejamos.
O medo de não sermos capazes de eliminar o perigo, o desafio
ou circunstancias dolorosas a nos

Estes dois elementos básicos engendram as oito emoções


aflitivas e seus efeitos percebidos como os oito grandes
medos, que são:
1º a cegueira E os acidentes físicos causados pela
ignorância
2º o orgulho E o seu resultante que são as ações de ódio
3º o ciúme E o seu consequente sofrimento mental que
origina todo tipo de suspeitas.
4º a raiva E sua consequente ação agressiva física e
verbal.
5º o desejo e o E sua consequente ação relacionada com a
apego satisfação de todos os desejos carnais,
drogas, sado masoquismo e outras
perversões
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6º os ladrões Todo tipo de assaltantes, e em nossa mente
as filosofias erradas que nos roubam nosso
tempo e nos levam a profunda frustração e
descrença
7º a ganância E todo os estados mentais e físicos que
motivados pela ganância nos fazem perder
todo até nossa liberdade.
8º todo tipo de Que nos tornam inoperantes e descrentes,
dúvidas levando-nos a ter todo tipo de pensamento
e ação negativa.

Reflita sobre isso.


Até hoje, um ou vários destes sofrimentos sempre estiveram
presentes em minha vida, tornei o meu convívio um inferno, não
confio em ninguém. Ninguém me ajuda, e quando me ajudam eu
tenho de pagar pela ajuda recebida. Porque isto ocorreu comigo?

Resp. porque até hoje nunca prestei atenção aos meus estados
internos e sempre me deixei dominar pelas emoções aflitivas.

Então refletindo sobre os males da vida que eu possa me emancipar


de todos eles e possa ajudar a todos a atingir a bem-aventurança.
Recite ou em voz baixa ou mentalmente tantas vezes quanto
puder o mantra:

OM TARE TUTARE TURE


SOHA
Nesse momento visualize que luz
multicolorida sai de seu centro
cardíaco – na altura de seu
coração - e abrange milhares de
seres humanos e animais
também.

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

6). Elimina o ódio.

No Dhammapada está escrito:


Ele me insultou. Ele me maltratou. Ele me
rebaixou. Ele me roubou. Os que abrigam tais
pensamentos não se libertarão do ódio e do
ressentimento.

Ele me insultou. Ele me maltratou. Ele me rebaixou. Ele me roubou.


Não há ódio nem ressentimento para os que jamais dão guarida a tais
pensamentos. O ódio jamais é vencido pelo ódio. O ódio só se
extingue com o amor: esta é uma lei eterna. Muitos não sabem que
estamos neste mundo para viver em harmonia, esquecendo-se de que
morrerão um dia. Para os que meditam nisso, não há divergências e a
vida se torna mais branda.

Reflita sobre isso.


Até hoje, eu mantive estes pensamentos em minha mente. Sempre
pensando que sou uma vítima das circunstancias.
Apesar de estar sempre com magoa no meu coração, eu continuo
culpando ao mundo de meus problemas. Porem quando me oferecem
um ensinamento para modificar estes estados mentais, sempre falo
que não tenho tempo, ou invento uma desculpa para reafirmar a
minha preguiça e indolência. Passo horas a fio olhando a televisão e
faço de má vontade uns poucos minutos de meditação procurando
estados exaltados de consciência.

Então refletindo sobre como os seres vivem se maltratando uns aos


outros, tornando sua vida um inferno, me comprometo a partir de
hoje a controlar minha mente e erradicar dela este tipo de
pensamentos. Recite ou em voz baixa ou mentalmente tantas vezes
quanto puder o mantra: OM AMIDEWA RHI,
Nesse momento visualize que luz rosada sai de seu centro cardíaco
– na altura de seu coração- e abrange milhares de seres humanos
e animais também
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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

7). Elimina as preocupações

De onde surgem as preocupações?


Do medo de experimentar os fracassos do
passado, do sentimento de limitação, de nos
sentirmos pequenos, de não ter um mínimo de
autoestima.
Então o futuro nos apavora, criamos planos e mais planos porem a
maioria deles já nasce morto, porque nós não temos força interna
para levar a frente uma ideia, menos ainda para superar os obstáculos
que se apresentam.
Então pedimos ajuda, porém não estamos aptos para escutar, nós
queremos que as pessoas pensem como nós pensamos e que
reafirmem aquilo que nós dizemos, não importa se esse pensamento
estiver errado ou não. Na realidade eu sou teimoso no erro.
Também não gosto de estudar, gosto das palavras digeridas, as frases
de efeito, porem estudar não é ler é refletir sobre o que eu leio, é tirar
conclusões e conferir se aquilo que eu penso está ou não correto.
Porem a quem eu teria de pedir um conselho? a aquele que
fracassou, ou aquele que triunfou no seu negocio. Claro que é aquele
que triunfou, porem todos nos irão falar de disciplina, esforço,
sacrifício, de renunciar aos nossos caprichos.

Por isso se diz:


Ainda que possuindo a natureza de Buda somos afetados por todas as
limitações de um ser ordinário. Isto se deve aos "véus".
Quando apareceram esses véus?
De fato, eles não têm origem, porem recobrem a mente desde que ela
existe, ou seja, desde sempre.
E quais são estes véus?

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1º O véu da ignorância
A mente fundamental é ainda chamada "o potencial da partida para a
felicidade". Pertence a todos os seres. Não a reconhecer é a
ignorância e constitui o principal véu que recobre a mente. Nossos
olhos permitem que vejamos, claramente, os objetos exteriores;
entretanto, não podem ver nosso rosto nem ver a si mesmos. Da
mesma maneira, a mente não se vê a si mesma, não se reconhece
pelo que é.
É este fato que chamamos o véu da ignorância.

2º O véu dos condicionamentos latentes


A primeira consequência da ignorância é a dualidade. a mente
concebe falsamente um eu, centro de toda experiência, ela concebe
objetos percebidos como outros.
Dividindo a mente única em dois, vivemos no universo da dualidade
sujeito-objeto, eu e o outro.
Este é o segundo véu, o dos condicionamentos latentes.

3º O véu das emoções conflituosas


Da noção de eu procede necessariamente a esperança de obter o
que é agradável e que conforte o eu em sua existência, assim
como o medo de não obter o que se deseja e viver situações
ameaçadoras.
Aí aparece então a esperança e o medo.
A esperança de realizar os nossos desejos e o medo do fracasso.
Por outro lado, temos a experiência do outro: formas, sons, odores,
sabores, contatos ou objetos mentais. Todo objeto percebido como
agradável cria a alegria e todo objeto percebido como desagradável,
o descontentamento, sentimentos que se transformam em apego e em
aversão, gosto e desgosto.

Quando misturamos estes três véus, então aparece o último, a


mente escura, ou a opacidade mental.
Pronto, já estamos sofrendo!

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Reflita sobre isso.
Até hoje, o véu das emoções conflitivas tomou conta de minha vida.
A causa de elas existirem é não saber como lidar com elas, ou seja,
me falta muita sabedoria.

Então refletindo sobre como os seres vivem atormentando-se uns


aos outros, me comprometo a partir de hoje a prestar atenção aos
meus estados emocionais com a finalidade de eu ser uma pessoa que
somente traga alegria e contentamento aos que se relacionam
comigo.

Recite ou em voz baixa ou mentalmente tantas vezes quanto


puder o mantra: OM ARAPATSANA DHI

Nesse momento visualize que luz laranja sai de seu centro


laríngeo – no centro de sua garganta-
e abrange milhares de seres humanos e animais também

Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

8). Elimina a cobiça.

O ser humano procura constantemente o seu bem-estar físico,


comodidades, segurança de toda espécie, porem o fundamento e se
satisfazer a sim mesmo de forma egoísta, sem lhe importar o
sofrimento que isto causaria às outras pessoas que o acompanham;
Ele segue os enganosos sentidos e toma as sensações, como
reais. À medida em que nos vamos enfronhando num mundo
sensorial a nossa mente torna-se mais complexa e mais difícil de se
satisfazer. Quando éramos crianças, nos satisfazíamos com poucas
coisas, porém à medida em que nossa mente foi descobrindo o que os
sentidos lhe mostraram, ela tornou-se complicada, sofisticada,
procurando incessantemente, embrutecendo-se cada vez mais e mais.
Os desvios e as encruzilhadas são os falsos ideais passageiros que
hoje nos fazem lutar contra aqueles que, no dia de ontem, foram
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nossos amigos. Ontem queríamos atingir o céu com nossas mãos,
hoje estamos perdidos num inferno desastroso da inútil rotina.
Tudo isto sustentado pelo desejo insaciável de cada dia ter “algo
diferente”, ganhamos e ao mesmo tempo somos infelizes porque
sabemos que vamos perder.
Sabemos que não necessitamos de muito para viver, porém
não sabemos viver de forma simples e alegre. Ontem meditávamos
sobre verdades, hoje a descrença é total. Sabemos que erramos, e
hipocritamente nos convencemos de que esse erro é a verdade; ao
anoitecer, esses fantasmas nos perturbam, nos fazem perder o sono,
nos tornam taciturnos, tristes, melancólicos. Perdidos no bosque da
paixão, queremos atordoar-nos a cada dia que passa para não
olharmos de frente o quão medíocre somos. E, dentro deste quadro,
desesperados, vagamos sem rumo fixo. É então que, ao compreender
esta nossa continua futilidade, inicia-se em nosso íntimo uma
pequena revolução, uma energia nova que nos incita a procurar
novamente o caminho, e ele se inicia pelo “compartilhar”. Sim, nada
mais fácil e ao mesmo tempo mais difícil. A avareza é a
incapacidade de compartilhar, ainda que seja um sorriso, queremos
que as pessoas nos aceitem como nós somos, com toda a nossa
sujeira emocional e mental. Porem exigimos que os outros nos
ofereçam o melhor que eles possuem sem nunca sequer pensar se nós
merecemos isso. Nós exigimos o melhor, e
oferecemos o nosso pior.

Então, refletindo que os seres sofrem ao igual


que uma criança abandonada pela sua mãe,
façamos o voto de ajudar a todo aquele que
necessita de melhor forma que pudermos.
Se engaje em associações que colaboram com
o bem-estar alheio, visite hospitais, ajude aos
doentes, participe de campanhas de ajuda aos
desesperados.
E, sempre que puder pensando no sagrado
coração de Jesus repita mentalmente o mantra:
“Nada para mim Senhor, nada para mim. Tudo para a Gloria de
Teu Santo Nome”

23
Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

9). Nossos pensamentos facilmente se


centralizam num só ponto.

Quando começamos a treinar meditação,


observamos o difícil que é manter e mente calma.
Porem isto é verdade até um certo ponto.
O ponto crucial é que nós estamos habituados ao
nosso caos mental.

Um dia perguntei ao mestre Bokar Tulku Rimpoche onde o karma se


origina?
Ele respondeu “na nossa mente”
Voltei a lhe perguntar; como em nossa mente?
Ele me respondeu, “o karma é a tagarelice que constantemente está
povoando nossa mente”
“Karma são impulsos, uma das funções da mente é pensar, porem
nossa reação a esses pensamentos é o karma”
Temos de meditar profundamente sobre este item.
O karma não é o destino cruel imposto por uma divindade, karma
basicamente é a forma com que nos relacionamos com os nossos
pensamentos, diríamos que é a qualidade deles que despertam em
nós emoções e depois atos. Desde tempos imemoriais estamos
convivendo com estes impulsos, olhem as multidões, as pessoas na
rua. Eles simplesmente são manipulados constantemente pelos seus
impulsos. Vem e vão, dirigem seus carros de forma irresponsável,
cometem acidentes porque apesar de estarem de olhos abertos não
enxergam. Tamanha e a densidade de seus impulsos!
Hoje a situação é muito perigosa, porque a educação que ajudaria o
ser humano a controlar os seus impulsos mais básicos é deficiente, e
nalguns países praticamente não existe.

Então é imperioso começar a querer de forma verdadeira ser donos


de nossos pensamentos. Por isso se diz:

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“Assim como um arqueiro endereça sua flecha, assim endereça o
sábio sua mente instável e vacilante, a qual é difícil de dominar,
difícil de vigiar.

Tal como um peixe tirado da água e jogado sobre o solo, assim


treme e se agita a mente quando tem que abandonar o mundo das
paixões.
Difícil de dominar, mutável é a mente, sempre indo em busca dos
prazeres, portanto é bom dominá-la. Uma mente dominada conduz
a felicidade. ”
“Experimentando que o corpo é frágil como um cântaro, e
mantendo sua mente firme como uma fortaleza, o sábio deve atacar
as emoções conflituosas com a arma da sabedoria, e logo guardar
preciosamente o que conquistou.
O inimigo fere ao inimigo, o aborrecedor prejudica ao aborrecedor,
mas pior é o mau causado por uma mente descontrolada.
Nem uma mãe, nem um pai, nem parente algum farão tanto como
uma mente bem controlada”.

Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

10). Suaviza a mente.

Certa vez o mestre Bokar Tulku Rinpoche diz


“Temos certa noção superficial do que é a mente.
Para nós, é o que experimenta o sentimento de
existir, o que pensa "sou eu", "eu existo". É ainda
o que é consciente dos pensamentos e sente os
movimentos emotivos, aquilo que, segundo as circunstâncias, tem o
sentimento de estar feliz ou infeliz. Fora disso, não sabemos o que é
verdadeiramente a mente. Talvez seja mesmo provável que nunca
nos tenhamos feito essa pergunta. ”

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A mente sente não os órgãos
É evidente, em primeiro lugar, que a mente não tem existência
material. Não é um objeto que se possa definir a cor, o tamanho, o
volume ou a forma. Nenhuma dessas características é aplicável à
mente. Não podemos apontar a mente com o dedo, dizendo: "É isso".
Nesse sentido, a mente é vazia. Entretanto, que a mente seja
desprovida de forma, de cor, etc., não é suficiente para concluir sobre
sua não-existência, pois os pensamentos, os sentimentos, as emoções
conflituosas que ela sente e que produz provam que alguma coisa
funciona e existe, que a mente não é, portanto, somente vazia.
Logo, o que é esse sentimento de existir? Onde ele se situa? No
exterior, ou mesmo no interior do corpo? Se ele se situa no interior
do corpo, quem o sente? A carne, o sangue, os ossos, os nervos, as
veias, os pulmões, o coração? Se vocês refletirem atentamente, irão
admitir que nenhum membro, nem nenhum órgão reivindica sua
própria existência, dizendo "eu". Assim, a mente não pode ser
assimilada a uma parte do organismo.
É a mente que tem o sentimento de existir, que percebe, julga, se
apega ou rejeita. O mesmo vale para todos os sentidos, os olhos e o
olhar, ouvido e os sons, o nariz e os odores, a língua e os sabores, a
pele e os contatos, o órgão mental e os fenômenos.
Não são os órgãos que percebem, mas a mente. E a mente que cria o
inferno ou o paraíso, por este motivo devemos vigiar sempre os
nossos pensamentos e decidir por aquilo que queremos pensar.
A melhor forma de realizar isto é meditar todos os dias cinco
minutos, e observar a nossa mente. Somente isso!
Observa-la e muda-la instantaneamente quando aparecerem as
seguintes condições.
A sensualidade, e o apego as recordações de momentos sensuais.
Os pensamentos que incitam a ter má vontade;
Os pensamentos que incitam a ser cruéis."

Recite ou em voz baixa ou mentalmente tantas vezes quanto puder


o mantra:
“ O Bendito a dito: faça o bem,
Não faça o mal, purifique seu coração”

26
Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

11) Causa deleite.

O Buda disse,
"Como é amável a cidade de Vaishali!"
Ele disse: "Ananda, você não acha que os
campos de arroz são amáveis? Vamos à cidade e
compartilhar o Dharma"

Estas afirmações são baseadas sobre a consciência lúcida, a


consciência cheia de entendimento, cuidado e amor.
Temos de regar as sementes de nossa consciência lúcida. Há
ignorância em nós, mas também há sabedoria. A semente do
despertar também está presente em cada elo. No adubo há flores; e
nas flores há adubo. Se soubermos como olhar para as flores, elas
durarão mais.
Não jogue fora a ignorância, as ações, ou a consciência. Transforme-
as em entendimento e em outros atributos maravilhosos.
Quando falamos (por exemplo) nos doze elos de interdependência
psicológica que sempre foi ensinado como algo negativo, poderemos
também observar que também há um lado positivo destes doze elos,
apesar de os mestres budistas desde o tempo do Buda parecerem ter
omitido isto.
Precisamos entender que assim como há uma corrente de
negatividades que forma parte de nossa estrutura mental, também há
uma corrente de positividades que forma parte de nossa mente de
sabedoria, e dos estados positivos da mente e do corpo, e não apenas
dos estados negativos.
O Buda ensinou que quando a ignorância termina, nada há.
O que o entendimento claro condiciona? A claridade, a ausência de
ignorância, dá surgimento ao desejo de agir com amor e compaixão.
Isto é chamado a grande aspiração ou mente do despertar ou
bodhichitta.
Quando você praticar as quatro verdades nobres, verá que pode
liberar a você mesmo e os outros seres, parará de fugir e de destruir
você mesmo.
27
O lado positivo das ações é a energia motivadora chamada a grande
aspiração que nos propele para os reinos belos e sadios ao invés dos
reinos do inferno.
Assim como as ações condicionam a consciência, a grande aspiração
condiciona a sabedoria.
Quando nossa ignorância for transformada, o que temos chamado de
consciência torna-se sabedoria.
Quando as sementes do despertar, do amor e da compaixão de nossa
consciência tiverem sido desenvolvidas e amadurecidas, esta mesma
consciência será transformada e se tornará a sabedoria do grande
espelho que reflete a realidade do cosmos.
Todas as sementes do despertar, do amor e da compaixão de
nossa consciência já estão presentes em nos, somente precisamos
apenas regá-las.
Repita 21 vezes por dia este
mantra,
7 vezes pela manhã,
7 vezes pela tarde e
7 vezes antes de dormir.

Visualize estas letras


Om na sua frente – cor branca
A na sua garganta – cor
vermelha

Hung no seu coração – cor


azul. Depois emane de você
mesmo estas três luzes que
cobrem o globo terrestre

28
Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

12). Suprime o renascer no mundo do devir.

O mestre Bokar Tulku Rimpoche nos falava que a


definição da palavra vida é uma coisa bem
diversa.
Por exemplo: a palavra tibetana sidpa não é
realmente "vida". Sidpa realmente significa
"existência possível" — talvez seja existente, talvez não, mas é
possível que exista.
Também, quando falamos sobre "vida", penso que de algum modo
estamos falando sobre algo que tem a ver com a mente, a
consciência, o estado desperto. Então, primeiro temos uma
pergunta a ser realizada, o que é vida? De acordo com o budismo,
a vida é nada mais é que uma percepção, uma percepção contínua.
Agora, vamos olhar um pouco a imagem:
O porco preto no centro, representa a ignorância.
É muito difícil ensinar sobre isto. Isto tem sido o assunto principal
dos estudos budistas porque vocês têm de definir o que é ignorância.
No budismo, quando julgamos o que é ignorância e o que não é
ignorância, não julgamos algo como ignorante ou mau baseado na
moralidade ou na ética. Isto tem de ser julgado com base na
sabedoria. Então, quando falamos sobre ignorância, estamos falando
sobre uma mente que está no nível da anormalidade.
Quando a mente está no nível da normalidade, então isso é
sabedoria.
Então temos aqui uma pergunta: como vocês definem o que é
normal ou o que não é normal?
A definição do Mestre Nagarjuna do que é normal é quando algo
não é dependente.
Se uma entidade depende de outra entidade, então nunca teremos
certeza da qualidade desta entidade presente. Pensem num bom
vinho, quando temos certeza de que ele é bom? Quando
comprovamos a sua origem que não e adulterada por outras
substancias. Ou seja, aquilo que se coloca dentro de um bom vinho

29
pode corromper o vinho em si. Então, do mesmo modo, uma mente
que é dependente de todos os tipos de educação, pensamentos sobre a
política, moda, eventos sociais, etc., é uma mente anormal.
Então, o que é uma mente normal? É quando vocês renunciam
completamente a influência que todos estes objetos exercem sobre
sua mente, da qual a sua mente é total ou parcialmente dependente.
Por este motivo e que vocês podem dizer que o porco, que representa
a ignorância, é aquele que causa toda esta percepção.
Da ignorância surge a raiva e o medo (galo), e da raiva e o medo,
o ódio (serpente)
Então, encontramos aqui os três tipos de fatores mentais que, quando
presentes em nossa mente se tornam as causas de nosso eterno devir.
Recite ou em voz baixa ou mentalmente tantas vezes quanto
puder o mantra: OM MANI PEME HUNG este mantra é
conhecido como o Rei dos Mantras já que ele fecha a porta para os
renascimentos nos estados de consciencia inferior onde o sofrimento
permeia todas as experiencias mentais dos seres.

Nesse momento visualize que luz das cinco cores sai de seu centro
cardíaco (no centro de seu peito) abraçando milhares de pessoas.
Comece com os seus familiares que convivem constantemente
com você

Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

13). Elimina a preguiça o torpor e a agitação

O Buda descreveu três tipos de preguiça.


Primeiro, há o tipo de preguiça que todos nós
conhecemos: não queremos fazer nada e
preferimos ficar na cama meia hora a mais do que levantar para
meditar.
Segundo, há a preguiça de nos sentirmos incapazes, pensando, “Eu
não sou capaz fazer isso. Outras pessoas podem meditar, outras
pessoas podem ser atentas, outras pessoas podem ser boas e
30
generosas em situações difíceis, mas eu não posso, porque sou
muito estúpido”. Isto é preguiça.

O terceiro tipo de preguiça é estar ocupado de forma neurótica com


as coisas mundanas. Sempre podemos preencher o vazio do nosso
tempo, nos mantendo sempre muito ocupados. Estar ocupado
pode até fazer com que nos sintamos virtuosos. Mas geralmente é
apenas uma maneira de escapar, uma fuga. Este estar
constantemente ocupado, faz com que realizemos inúmeros atos
que aumentam nossa frustração.
Esta frustração fará com que nos sintamos cansados e sem
energia, - já que a gastamos em atos inúteis – então depois
completamente extenuados e atordoados encontramos no sono um
“descanso merecido”.
Esta é a pior das preguiças que nos leva a exclamar que “não
temos tempo para nada” e que nos falta “liberdade e um espaço
para nós”.

Buda nos ensinou sete coisas que conduzem ao abandono da


preguiça o torpor e a agitação:
1º Conhecendo que comer demais é uma das causas.
2º Mudando a postura corporal;
3º Pensando na percepção da luz;
4º Ficar ao ar livre;
5º Amizade Nobre;
6º Conversa Adequada.
7º A lembrança da morte

Outras dicas que Buda nos deixou:


1º agitar as orelhas, e esfregar os seus membros com as palmas das
suas mãos.
2º se estiver meditando, levantar-se do seu assento, e depois de lavar
os olhos com água, você deve olhar ao redor em todas as direções
e olhar para as estrelas no céu.
3º se não puder sair do retiro de meditação, então, estabeleça na
mente firmemente (no interior) a percepção da luz: assim como é
durante o dia, também será durante a noite, assim como é durante

31
a noite, também será durante o dia. Assim, com uma mente clara
e sem obstruções, você deve desenvolver uma consciência que
esteja cheia de brilho.
4º andar para cima e para baixo, porem com sua mente concentrada
no ponto entre as sobrancelhas.

Aqui uma última dica:


Esta letra aqui ao lado simboliza as cinco sabedorias,
quando estiver muito cansado ou deprimido tente
visualizar a mesma no centro de sua cabeça (atrás do
nervo ótico). Visualize a letra branca e radiante
flutuando sobre um disco lunar. Faça o exercício repetindo
mentalmente o som HUNG, faça quantas vezes puder em qualquer
momento do dia. O ideal é repetir 108 vezes.

Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

14 - Elimina a má fama.

Porque a má fama nos persegue? Porque as


pessoas não nos ajudam, quando mais
necessitamos? Porque estamos sempre nos
queixando?
Buda disse: “O homem que busca a fama e a riqueza de forma
neurótica e compulsiva, é como uma criança que lambe mel na
lâmina de uma faca. Ao lamber e provar a doçura do mel, a
criança corre o risco de ter a língua ferida. É como o tolo que
carrega uma tocha contra o vento forte; corre o risco de ter o rosto
e as mãos queimados”

O Mestre Dharmaraksita na sua obra titulada A Roda das Armas


Afiadas nos fala:
“Quando os outros acham falta em tudo que nós estamos fazendo, E
as pessoas parecem ansiosas para só nos culpar, esta é a roda das
32
armas afiadas devolvendo, círculo dentro de nós cheio de
injustiças que fizemos. Até agora nós, sem vergonha disso,
enquanto não nos preocupamos com os outros, nós só pensamos
em nossas ações não nos importando nada, daqui por diante
paremos nosso comportamento ofensivo. ”

“Nós temos expectativas altas de conseguimentos velozes, ainda que


não desejemos trabalhar na prática que os envolvem. Nós temos
muitos bons projetos que planejamos realizar, ainda que nenhum
deles chega ao fim. ”

“Nosso desejo é para estar contente a toda hora, contudo nós não
juntamos méritos para render este resultado. ”

“Nós temos pequena resistência ao sofrimento mas continuamos


sofrendo, ainda rudemente empurrando para as longe as coisas
boas que nós desejamos. ”

“Do mesmo modo, desenvolvemos amizades novas, mas como


somos desumanos, nenhuma delas permanece. ”

“Nós estamos cheios de desejo por comida e roupa boa, como nada
fazemos para ganhá-los de forma honesta, roubamos, e
planejamos inúmeras intrigas e manipulações. ”

“Nós somos peritos em lisonjear os outros para obter favores, porem


quando não os conseguimos, ficamos sempre tristes reclamando
das injustiças da vida”

“Não podemos aguentar viver sem dinheiro, quando o temos o


malgastamos em futilidades, isto nos leva a ser cada dia mais e
mais avaros acumulamos objetos compulsivamente, aumentando
assim o nosso sentido de pobreza. ”

Se você leitor entender estes pensamentos, perceberá que todos eles


são a causa da má fama. A partir de hoje se comprometa a estar

33
presente em seus atos e pensamentos eliminando
assim a motivação egoísta.
Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

15) conduz a uma boa reputação.


Aquele que observa os Cinco Preceitos é sempre
superior até mesmo que o mais rico e poderoso
que os viola.
A fragrância das flores e da doce madeira ao
longe não pode ser sentida, mas a doce fragrância da moralidade
em todas as dez direções será sentida.
Aquele que observa os Cinco Preceitos está sempre alegre e satisfei-
to e sua boa reputação à distância será conhecida; seres celestiais
amor e respeito por ele sentirão e sua vida neste mundo será com
doce êxtase preenchida.

Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria


Assim como a serenidade e a compostura são essenciais à meditação,
a moralidade é essencial ao crescimento do ser humano.
O objetivo dos Cinco Preceitos não é oprimir, eles simplesmente
constituem uma das três instruções básicas proferidas pelo Buda
sobre a evolução rumo a uma consciência mais elevada, que são: a
pratica da moralidade, unida ao treino correto da meditação, que
transforma todos os obscurecimentos mentais em sabedoria.
Porém, o ponto de partida é a pratica da moralidade é o alicerce
necessário para a meditação e para a sabedoria.
De acordo com o Buda, se praticarmos as cinco condutas perfeitas
(paramitas) que são: Equanimidade, Paciência, Ética, Entusiasmo e
Generosidade, a Sabedoria será o resultado da união destas cinco
condutas ou preceitos.
Esta prática se transformará no fundamento de nosso diário viver,
trazendo paz e felicidade para esta vida e ao mesmo tempo estaremos
plantando as sementes de nosso futuro.
Naturalmente, o êxito não é conquistado da noite para o dia. Leva
tempo para a mente iludida se abrir totalmente às grandiosas e
libertadoras expansões de sabedoria que já estão presentes em nós
mesmos.
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No início, pode ser que viver em acordo com a conduta virtuosa seja,
para nós, muito difícil.
Isto se deve a que estamos acostumados a viver em estado de
frustração continua. Esta frustração está tão arraigada em nossa
mente que já não notamos a sua presença, e como aquele quadro
valioso que temos em casa e que devido a estar sempre aí já não
notamos mais a sua presença.
Por isso o Buda recomendou que, no começo, estas virtudes sejam
treinadas separadamente, ou seja um dia me comprometo a ser
paciente, outro a ser generoso, e assim por diante.
O ideal, é que possamos observar a nossa forma de reagir, e os
efeitos que a conduta virtuosa nos oferece, até que de tanto treinar
também nos acostumemos com a sua energia e assim possamos
evitar os sentimentos de tristeza e abatimento.
O grande secreto deste treinamento é o treino de meditação
corretamente realizado, para isso é por demais importante encontrar
um bom professor.
Uma vez encontrado, você tem de esperar um pouco para conhecer o
mesmo até você ter confiança nele. Uma vez que você tenha
confiança no seu professor e o estimes como alguém precioso, então
a metade do caminho já está trilhado.

Agora e só se comprometer a viver um dia cada virtude, em silencio


e com consciência.

Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

16). Elimina o descontento

Diz o Dhammapada:

“A maior doença é a fome das paixões, mas a


maior das tristezas e causada pela desarmonia
dos elementos da vida que constituem a existência dos seres. Quem
conhece isto compreende que o Nirvana é a maior das felicidades”.

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“ Aquele que se dedica ao supérfluo e não se dedica ao que é útil,
esquece o verdadeiro objetivo
da vida. Ele procura os prazeres transitórios, preparando o remorso e
a amargura que aparecerá na velhice, isto acontece por não ter
seguido a melhor via da plena atenção”

“Da afeição egoísta nasce o apego e do apego a tristeza e o temor.


Livres da afeição egoísta que procura a autossatisfação somente,
estaremos livres da tristeza e do temor. ”

“Sendo escravos da satisfação sensual, a tristeza e o temor nascem.


Se nos libertarmos da sensualidade não sentiremos nem tristeza, nem
temor. ”

“Procurando satisfazer unicamente os nossos sentidos, encontramos


sempre a tristeza e o temor. Compreendendo o ilusório desta busca,
nos libertaremos da tristeza e o temor.

Da cobiça, surge a impaciência e da impaciência o descontento e a


insatisfação, da insatisfação surgem todas estas emoções:
perturbação, irritação, depressão, preocupação, desespero, medo,
temor, angústia, ansiedade, vulnerabilidade, ferimento,
inabilidade, inferioridade; enfermidade, envelhecimento,
Decadência do corpo e faculdades, e por último a senilidade.

Do prazer a dor - Da excitação o tédio - Da privação o excesso - Do


desejo a frustração - Da esperança o medo de não realizar - do amor
o medo pela falta de amor e a falta de amigos - Da decisão a
indecisão a vacilação a incerteza.
A partir deste momento, de forma decidida renunciemos a dor, e
ajudemos aos outros!!

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

17). Aumenta o contentamento.


Quando cheguei ao Brasil em 1978, vi na
rua, um caminhão que carregava entulho,
acima do entulho um africano feliz, ele
estava sorridente, e falando alegremente
com os seus companheiros.
Fui falar com ele, e lhe perguntei qual era
a causa de sua felicidade, eu lhe falei: Olha o Senhor é
africano, pobre e está sentado acima de um monte de
entulho, porque está feliz?
Na minha terra já estaríamos queimando o caminhão, e
quebrando tudo.
Ele me respondeu: “Meu filho, eu sou negro e pobre, isto é
coisa do destino, porem eu decidi ser feliz, e isto ninguém
pode me impedir” a partir deste encontro decidi ficar no
Brasil e adotar este povo como o meu.
Se pensarmos um pouco, não é muito difícil entender que
quando chegamos ao mundo o fizemos sozinhos e
completamente nus. Tampouco e difícil entender que
sairemos da mesma forma, completamente sozinhos e nus.
Se pudermos olhar para trás poderemos entender que os
momentos mais felizes, aquelas situações nas quais
chegamos mais próximo da real felicidade, acontecem
quando sentimos contentamento. Quando estamos em casa
num dia de férias e decidimos esquentar o nosso cafezinho e
adoramos olhar a fumaça dele, colocamos um pedaço de pão
na mesa, um pouco de alguma manteiga, e curtimos esse
momento onde tudo parece estar as mil maravilhas. Então
entendemos que na vida podemos ser felizes com muito
pouco.
Entendemos que quanto mais honrarias, objetos, títulos
temos, também temos mais e mais preocupações e
sentimentos contraditórios.
Podemos entender que o contentamento e a felicidade podem
estar atrelados a termos poucas coisas. Por esse motivo o
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Buda nos ensina que o caminho da renúncia e do abandono
supera o do desejo. Esse é o caminho da Terceira Nobre
Verdade – a renúncia conduz à paz.
Pratique esse princípio na sua vida.
Toda vez que houver algum sofrimento, é nesse ponto que
você deve renunciar. Ou seja, renunciar ao sofrimento,
afinal você pode decidir ser feliz, e não depender de coisas
para ser feliz. Este é o segredo, nenhum mantra, nenhuma
coisa muito complicada, simplesmente compreender que não
há nada a que se apegar de forma tão neurótica, já que no
final teremos que abandonar tudo e todos. Assim que
sentimos contentamento, o problema estará resolvido. Não
precisamos pensar a respeito, é só estar em paz com o que
quer que aconteça. Essa é a Terceira Nobre Verdade. Não
pensemos nela, pratiquemo-la, soltemo-nos do desejo. Se
alguma vez houver algum problema na meditação ou na
nossa vida, ao invés de tentarmos outras soluções para
superar o sofrimento, tentemos ‘A solução da Terceira Nobre
Verdade’ – soltemo-nos daquilo, soltemo-nos do desejo.
Novamente, estamos desejando algo e isso está causando
sofrimento, então abandonemos isso. Investiguemos aquilo
que desejamos, aquilo que realmente desejamos, saberemos
o que está fazendo com que soframos.

Abandonemos isso!!!
Não se esqueçam,
chegamos nus,
saímos nus.!!!

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

18) Da confiança.
O caminho budista nos leva direto à fonte.
Adquirimos confiança no poder das três joias.
Em sua natureza original, nosso espírito é puro,
livre e feliz.
Entretanto, nós desconhecemos essa natureza
original. Estamos desde tempos imemoriais
alheios a ela, devido ao modo defeituoso de funcionamento de nosso
espírito, em especial pelo jogo das emoções conflituosas, que torna
nossa relação desequilibrada com o mundo e com a nossa própria
pessoa: o desejo, o apego, a aversão, o ódio, o ciúme, a obscuridade
mental etc.
Essas emoções conflituosas são condicionamentos impressos em
nosso espírito desde tempos sem começo e sobre os quais
praticamente não temos controle algum.
São a raiz de nosso sofrimento, de nossas angústias e frustrações;
levam-nos a agir de forma a gerar nosso próprio sofrimento.
Não somos, pois, livres em nosso destino, somos impotentes para
preservarmo-nos do sofrimento e da ilusão. Por isso que são as Três
Joias: o Buda, o Dharma (seus ensinamentos) e a
Sanga (a comunidade).
Tomar refúgio, entrar na via do Dharma é, assim, situar-se sob uma
dupla proteção.

Proteção temporária: pelo poder das Três Joias, somos protegidos


dos sofrimentos cuja semente semeamos no passado e que
reencontramos agora ao longo de nossa vida;

Proteção definitiva: aprendemos a conhecer de que maneira as


emoções conflituosas são-nos prejudiciais e, depois, a desprender-
nos das mesmas, recobrando nossa pureza original, a felicidade
autêntica, independente das circunstâncias que nos sãos inerentes.
Por que as Três Joias possuem essa capacidade de proteger-nos que
nós mesmos não possuímos?

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O Buda libertou-se das emoções conflituosas e do karma e possui a
onisciência do Despertar.
Nele, todos os defeitos desaparecem e todas as qualidades da pureza
do espírito desabrocharam.
É infinitamente superior a nós e, por essa razão, tomamo-lo como
refúgio.

O Buda mostra o caminho que conduz ao fim do sofrimento;


chamamo-lo, assim, o guia.
Sua maneira de guiar-nos é ensinando-nos o Dharma, cuja prática
nos conduz à liberação.
O Dharma compreende uma grande variedade de aspectos que
correspondem à diversidade das capacidades, temperamentos e
aspirações dos seres.
Por último, a Sanga – os que praticam o Dharma e o transmitem a
outros – nos ajuda em nossa progressão. Eis o motivo pelo qual o
Buda, o Dharma e a Sanga são nossos três refúgios.
Confiamos nas três joias e entendemos que elas vão nos ajudar a
purificar nossos erros. Aqui se começa a praticar o “guru ioga”. Na
verdade, o primeiro passo já inclui os próximos. A prática da
meditação já é um ato de confiança e ao mesmo tempo de
purificação. Diz-se que uma só prática Vajrayana (ou um dia)
equivale a cem anos de prática Hinayana.
Por esse motivo nós dizemos: “me refúgio com respeito”, quer
dizer que eu confio que, como ele está livre de qualquer defeito, eu
estarei livre de todos os defeitos.

Respeito também significa devoção.


Esta é a primeira categoria do poder do suporte espiritual que
está relacionado à confiança.

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

19). Cria vigor ou energia


Diz o Senhor Buda:
“E o que, discípulos, é a faculdade da
energia? Neste caso, o nobre discípulo
permanece com a sua energia desperta
para o abandono de qualidades mentais
prejudiciais e para a obtenção de qualidades mentais
benéficas”.
“Ele é zeloso para que não surjam estados ruins e
prejudiciais que ainda não surgiram e ele se aplica, estimula
a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. ”
“Ele é zeloso para que surjam estados benéficos que ainda
não surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia,
empenha a sua mente e se esforça. Ele é zeloso para que
haja a continuidade, o não desaparecimento, o
fortalecimento, o incremento e a realização através do
desenvolvimento de estados benéficos que já surgiram e ele
se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se
esforça. Essa é chamada a faculdade da energia. ”

A prática da ética budista é baseada nos ensinamentos das quatro


nobres verdades ou os quatro fatos da vida. Basicamente, a vida é
dura, a vida é difícil. Mas há uma causa para isso e, se nos quisermos
livrar das dificuldades da vida, precisamos eliminar esta causa.
Assim, o que Buda ensinou neste contexto foi que há determinados
tipos de comportamento que nos vão causar problemas e infelicidade.
Se quisermos evitar o sofrimento precisaremos refrear-nos desses
tipos de comportamento. Porém, se não nos importarmos com a
quantidade de problemas que criamos para nós próprios, tudo bem.
Vamos avante e continuamos agindo dessa maneira. A escolha é
nossa.
Buda não deu mandamentos morais como na bíblia. Buda nunca
disse, “você deve fazer isto e, se não fizer, você é mau”.

41
Mas ao invés, Buda disse, “se você fizer isto, estará criando
problemas para si mesmo. Se não quiser esses problemas, pare de
fazer isto”.
Se continuarmos a fazer o que nos vai trazer problemas, isso não nos
torna “uma má pessoa”.
Se pararmos de fazê-lo, se nos refrearmos, isso não nos torna “uma
boa pessoa”.
Se continuarmos a agir de uma maneira que cria problemas para nós,
somos estupidos e isto é triste. Se pararmos de agir dessa maneira,
somos sábios. É assim de simples.
A ética budista, então, é uma questão de escolha a respeito do que
fazemos
No treinamento budista, o nosso objetivo é desenvolver atitudes
construtivas, tal como a renúncia. Olhamos para os nossos problemas
e decidimos, “isto não é legal. Não quero mais saber disto”.
Por exemplo, se os nossos problemas vêm da raiva ou do apego
obsessivo, então, como queremos deixar de experienciar estes
problemas, renunciamos a eles e as suas causas. Desenvolvemos a
determinação que pensa, “eu vou tentar mudar; estou disposto a
eliminar o meu mau humor e a minha raiva. Estou disposto a
abandonar o meu apego. Vou tentar fazê-lo”. Sem estarmos dispostos
a abandonar os traços negativos da nossa personalidade, poderemos
realizar inumeras cerimonias, cantar muitos mantras, etc.
Basciamente estaremos simplesmente perdendo o tempo, na
realidade não conseguiremos fazer nenhum progresso na nossa
prática.
É importante evitar sermos hipócritas na prática budista.
Se a maioria das pessoas que entra em contato com o budismo se
examinasse honestamente, o que é que têm como objetivo?
A maioria das pessoas não estão almejando a iluminação, nem sequer
a liberação. A maioria das pessoas quer apenas tornar a sua situação
diária um pouco melhor.
Não há nenhum problema com isso. Buda ensinou métodos para
melhorar nossa vida diaria, ou seja, como obter um renascimento
melhor. Isso faz parte dos ensinamentos budistas. Contudo, a maioria
de nós nem sequer acredita em vidas futuras, muito menos ter
interesse em melhorá-las. Queremos melhorar o nosso dia a dia agora

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mesmo e se depois de duas ou tres sessoes a coisa nao funciona
abandonamos o dharma e nos tornamos espiritas, ou retornamos ao
catolicismo.
Também não há problema algum com isso.
Mas não devemos fingir e ser desonestos, dizendo, “estou
trabalhando para me transformar num Buda para o bem de todos os
seres sencientes” quando esse não é, de modo algum, o nosso
objetivo.
Uma das coisas que temos de encarar é que a maioria de nós chega
ao budismo com uma base Judeo-Cristã.
Assim, tendemos a pensar, “eu deveria trabalhar para a iluminação,
porque assim serei uma boa pessoa, um bom discípulo, um bom
budista. Se não trabalhar para me transformar num Buda para ajudar
a todos e se pensar apenas em melhorar o meu samsara, então sou
mau; um mau discípulo e um mau budista.” Entao a ênfase está no
“dever.” Estamos pensando no que “devemos” fazer.
No budismo não é assim. Não há nenhum sentido de “dever.”
Não há nenhum “se você fizer isto você é bom e se você estiver num
nível mais básico você é mau.” Não podemos dizer, “se você é um
adulto, é bom e se você for uma criança, é mau.
O Budismo nao algo para brincar desta forma, basicamente o dharma
de Buda é para se agir como um adulto espiritual,
Por ultimo, a questão principal ao tentarmos seguir a via budista, é
tentarmos compreender a relação entre a causa e o efeito em nosso
comportamento: e a relação entre o nosso comportamento e o nível
de felicidade ou sofrimento que experienciamos como consequência
em nosso comportamento.

Isso é crucial. Sem convicção nisto, não existe razão alguma para
seguirmos o sistema de ética budista

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

20). Elimina a confusão e o engano

“Nós não precisamos de mais conhecimento,


mas sim de mais sabedoria!
E sabedoria vem de nossa própria atenção”
“Conhecer o caminho e não praticar é como ser
uma concha no caldeirão de sopa e não provar o
sabor. ”
Bokar Tulku Rimpoche
O engano nos torna agressivos, impacientes, raivosos,
competitivos, beligerantes.
Nosso corpo se torna feio, sujo, desagradável de ser olhado,
a pessoas nos evitam, não querem nossa amizade, nos
agridem e dependendo das circunstancias externas tiram a
nossa vida.
Vejam quantos crimes acontecem no transito, por causa de
um insulto, uma agressão verbal, um simples gesto.
Por isso se diz: nenhum mal é tão grande como raiva. Não há
nenhuma prática religiosa mais poderosa que a paciência.
Da mesma maneira que generosidade provoca um estado de
prosperidade, prazeres e riqueza, e a moralidade provoca felicidade,
assim a prática de paciência é a causa do conseguimento de um bem-
estar em nossa vida.
Nosso corpo se torna bonito, brilhante e poderoso, atingimos os
estados divinos de existência, nosso corpo se torna mais atraente,
saudável e poderoso, etc., estas qualidades boas da pessoa são forma
da prática de paciência.
Porém, quando ficamos viciados na raiva, nossa consciência começa
a experimentar um tipo infernal de existência, onde, quando
encontramos pessoas que querem nos assistir, nossa experiência
interna é a de nos sentirmos invadidos e sem ar, nosso ambiente é
quente e nos sentimos sufocados, nesse momento agredimos as
pessoas exclamando que queremos o nosso espaço.

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Porém, quando as pessoas que quiseram nos assistir nos abandonam
a causa de nossa agressão, sofremos do frio interior, a tristeza e o
lamento, por causa da falta de amor.
Por isso se diz, que aquele que sofre de raiva. Mata a aquele que tem
que amar.
Se nós olharmos por exemplo para os animais, nós podemos achar
animais que possuem as características da raiva e do ódio, por
exemplo, as serpentes.
Elas aparentemente podem ser muito bonitas, porem ninguém quer
dormir ao seu lado.
Imediatamente quando as pessoas olham este animal, sentem medo e
tentam matá-la. Isso se dá porque a natureza deste animal é
caracterizada pela raiva; sempre buscando prejudicar os outros seres.
O Santo Milarepa falou: “e por causa do ódio acumulado em outras
vidas que se renasce como serpente” reflitamos sobre isso.
O remédio que o budismo oferece aos problemas e à infelicidade
causada pelo ciúme, inveja, raiva, competitividade e arrogância é
perceber e olhar a todos como iguais.
Todas as pessoas tem as mesmas habilidades básicas, no sentido que
toda a gente tem a natureza búdica. Todas as pessoas tem o mesmo
desejo de ser feliz e ter sucesso, e de não ser infeliz e não fracassar.
E todas as pessoas tem o mesmo direito de ser feliz e atingir sucesso
e o mesmo direito de não ser infeliz e não fracassar.
Neste sentido não há nada de especial em nós ganhar algo ou perder
algo.
Isto é a vida, as vezes se ganha e
as vezes se perde.

Mas, na realidade se olharmos


atentamente, o unico que
fazemos nesta vida é aprender a
perder.
Pensem sobre isto!!

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

21). Elimina o orgulho.

O orgulho: surge da percepção errada criada


pelas distinções e o excessivo
engrandecimento de si mesmo em detrimento
dos menos favorecidos. O orgulho se
manifesta de seis formas diferentes que são:

a) excessivo orgulho: surge da percepção errada de que o nosso


esforço sempre é maior que do esforço alheio. Também surge
por acreditar nos elogios advindos de outras pessoas tidas por
nos como superiores a nos mesmos.
b) orgulho além do orgulho: surge da crença de que somos
superiores até daqueles que realmente são superiores a nós.
c) orgulho que surge do pensamento “eu”: este orgulho surge
da crença de que todas as nossas posses são nossas e nos
pertencem de forma incondicional, o sofrimento surge quando a
vida nos tira estas posses, então a pessoa fala para si mesma, “eu
não sou nada”; o “eu” surge na convicção que depositamos nos
objetos adquiridos ou ganhos. Neste caso os objetos tornam-se
mais importantes que nós mesmos. Quando se chega ao extremo
desta crença, se a pessoa perder suas posses ele pode ate tirar sua
vida.
d) orgulho dos conceitos: surgem especialmente nos
intelectuais ou aqueles que, tendo consciência de sua pobreza
material investem nos estudos até a exaustão. A pobreza material
é compensada pela riqueza de conceitos. Quando esta pessoa
chega a uma posição na sua vida mais favorável torna-se
insuportável no convívio já que ele se sente o “dono da verdade”
passando a querer “convencer” aos menos favorecidos – na
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inteligência – este orgulho está na base de todos os pregadores
religiosos, entre outros.
e) orgulho inverso: (hipócrita) auto degradação
Surge da consciência que a pessoa possui ao se comparar com
aqueles que ele considera superior. Por um lado, superestima a
capacidade das pessoas ao seu redor, e por outro lado, esta
consciência o leva a se auto degradar por acreditar que ele nunca
chegará a ser como as pessoas admiradas por ele.

f) falso orgulho: surge da convicção de que as virtudes e


admiração que a pessoa recebe dos outros a torna muito especial
e diferente do resto. Igual ao orgulho que surge do pensamento
do “eu” sustentado pela aquisição de objetos, neste caso o falso
orgulho surge pela “aquisição de elogios e tapinhas nas costas”.
Então refletindo sobre como os seres vivem se maltratando uns aos
outros, tornando sua vida um inferno, me comprometo a partir de hoje
a controlar minha mente e erradicar dela este tipo de pensamentos.

Quando aparecerem na mente este tipo de pensamentos, reflita


profundamente: “todos os seres mais arrogantes, acabam na prisão e
no esquecimento, perdem suas posses, e são traídos pelos que uma vez
foram seus amigos. Solitários e abandonados, vagam pelo mundo
contando as suas mentiras e fazendo acreditar aos menos informados
de que eles “foram” num dia uma “grande pessoa”

A causa deste sofrimento tem suas raízes na falta de amor, no


abandono dos nossos filhos e o fato de, ao observar os sinais da
velhice e a decadência do corpo físico, saber que a morte está
próxima.

Reflitam sobre isso!

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

22). Produz alegria.

A verdadeira alegria surge dos Fatores


virtuosos e eles são:

1) Fé: é a convicção superior que está


relacionada ao conhecimento sobre a causa e o efeito, ou
seja, o resultado das ações sejam elas boas ou negativas que
permeiam a nossa vida. Em relação a Fé, podemos entender
que temos três tipos de Fé.
a) Fé mecânica, que se assemelha ao fato de acreditarmos
nalgum tipo de pensamento ou doutrina, pelo simples fato de
que alguém nos explicou anteriormente; por exemplo,
acreditamos nos benefícios da meditação por que nossos
amigos e familiares praticam. Ou acreditamos em Deus porque
em nosso pais e em nossa família também acreditam.
b) Fé que duvida, surge da análise e da investigação, porém
que necessita desta dúvida para continuar realizando a
pesquisa, é similar ao método cientifico de estudo estabelecido
pelo pensamento ocidental.
c) Verdadeira Fé que surge da experiência e a comprovação.
2) Modéstia:
3) Vergonha: é o fator mental que obriga a pessoa se abster do
comportamento errado.
4) Constrangimento: é o fator mental que obriga a pessoa a
declinar de seus pontos de vista em favor do melhor
entendimento entre as partes

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5) . Não apego: é o antídoto para o apego e o sofrimento
causado por ele quando somos obrigados a declinar seja de
objetos, pensamentos, ou posições em nossa vida
6) Falta de ódio: é o antídoto que faz surgir em nossa mente o
amor pelos seres, ao mesmo tempo elimina de nossa mente a
tendência a causar o mal aos outros sejam através de
qualquer tipo de agressão física, verbal ou mental. Nos
possibilita observar todos os seres como crianças nos
estimulando a cuidar dos mesmos.
7) Falta de ignorância: é o antídoto da ignorância
fundamental que está atrelada ao desconhecimento de nós
mesmos e nossas
8) Esforço: é o antídoto da preguiça, e prepara nossa mente
para sentir alegria e potencialidades. Prazer em ter uma
conduta virtuosa.
9) Flexibilidade: é o antídoto para a falta de flexibilidade do
corpo e da mente. Quando a falta de flexibilidade afeta o corpo
devido as posições erradas, ela afeta principalmente as juntas
causando muita dor e desconforto. Quando aplicada a mente,
causa muita excitação e seu oposto letargia.
10) Consciência: é o antídoto ao descuido que nos leva a
cometer todo tipo de erros, desde o esquecimento de
pequenas coisas até acidentes fatais
11) Equanimidade: é o antídoto que nos oferece liberdade do
sofrimento causado pela falta de flexibilidade mental.
Também elimina a tendência mental a julgar os atos e
pensamentos dos outros
12) Falta de nocividade: é o antídoto que elimina de nossa
mente a tendência a causar danos aos outros,

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Seja física (matando ou ferindo as pessoas ou animais)
Emocional (criando causas de discórdia entre as pessoas)
Mental, criticando e instigando as pessoas a de agredirem
mutuamente.

Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

23). Torna o praticante venerável.

Diz o Mestre Thich Nhat Hanh

A primeira prática para se atingir a perfeição é a


Generosidade
Dar significa, primeiro, oferecer Alegria, Felicidade e Amor.
Existe uma planta, muito conhecida na Ásia - um membro da família
das cebolas, que fica deliciosa nas sopas, no arroz frito e nas
omeletes - que a cada vez que a cortamos torna a crescer em vinte e
quatro horas. E quanto mais se corta essa planta, maior e mais forte
ela cresce. A planta representa a Generosidade.
Não guardamos nada para nós. Apenas queremos dar.
Talvez a outra pessoa se sinta feliz com isso, mas com certeza os
maiores beneficiados seremos nós mesmos. Quer você dê sua
presença, sua estabilidade, sua paz, sua leveza, sua firmeza, sua
liberdade, ou sua compreensão, sua dádiva fará milagres.
A Generosidade é a prática do Amor.

Reflitamos e tornemos nossa esta prática!!

O amor verdadeiro que não espera ser recompensado, é a causa de


nos tornarmos dignos de veneração.
Que a partir de hoje eu possa oferecer o melhor de mim mesmo
para os outros!!

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

24. Traz uma alegria exuberante.

Dentro da tradição Tibetana o Buda da


Compaixão, Chenresig, tem 4 braços. Chen
significa olhar, Chenresig significa olhar com
compaixão e amor.
Chenresig significa velar por todos os seres.
Chenresig possui 4 braços, não porque ele seja um ser estranho que
vem de outro planeta. Seus braços representam a causa de estarmos
vivendo em paz e alegria.
Ao mesmo tempo, esta alegria aumenta a cada dia, a tal ponto que
nos esquecemos de quando ficávamos tristes.
Para realizar esta alegria exuberante temos de meditar sobre os
quatro incomensuráveis, que são:

1. Amor incomensurável;
2. Compaixão incomensurável;
3. Alegria incomensurável; e
4. Equanimidade incomensurável.

1. O amor incomensurável é retratado pelo princípio da mãe, que


pode dar sua vida para salvar a vida do filho.

2. A compaixão incomensurável tem a ver com a tristeza, ou a


dor, que uma mãe sente quando perde seu bebê. É o início do
sentimento de compaixão. Às vezes, querendo fazer algo certo, a
mãe acaba matando seu próprio filho. Não pode ajudar. Essa dor
é a imagem da compaixão. Sofrimento intenso cuja causa o ser
humano não conhece.

3. A alegria incomensurável resulta da experiência da prática e


está intimamente ligada à experiência do dharma e do
relacionamento com o professor e, assim, de toda a linhagem. A

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alegria é estar em contato com nosso princípio espiritual. Do
contrário, há decepção, que gera o ódio do mundo e de nós
mesmos.

4. A equanimidade incomensurável é a conjugação das três


anteriores. Não há preferência. O tratamento a todos os seres é
igual. A soma das três resulta em ação. Com os quatro juntos,
aparece um conhecimento além do excelente: o prajnaparamita
sutra (paramita = virtude excelente).

Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

25). Mostra ao praticante que todas as coisas são


interdependentes

Nos sutras, esta imagem é dada: "Três


juncos cortados só podem ficar de pé
quando estão encostados um sobre o outro.
Se você tirar um, os outros dois cairão".
Para uma mesa existir, precisamos de madeira, de um
carpinteiro, de tempo, de habilidade e de muitas outras causas.
E cada uma destas causas precisa de outras causas para existir.
A madeira precisa da floresta, do brilho do sol, da chuva e
assim por diante.
O carpinteiro precisa de seus pais, de desjejum, de ar fresco e
assim por diante. E cada uma dessas coisas, por sua vez, tem de
ser trazida por outras condições. Se continuarmos a olhar deste
modo, veremos que nada foi deixado de fora. Tudo no cosmos
veio junto para nos trazer a mesa. Olhando mais
profundamente para o brilho do sol, para as folhas da árvore e
para as nuvens, poderemos ver a mesa.

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O um pode ser visto no todo e o todo pode ser visto no um.
Uma causa nunca é suficiente para trazer um efeito. Uma causa
precisa, ao mesmo tempo, ser um efeito, e cada efeito deve ser
também a causa de alguma outra coisa.
Causa e efeito “inter-são”.

A ignorância condiciona as ações impulsivas.


As ações impulsivas condicionam a consciência.
A consciência condiciona a mente/corpo.
E assim por diante. Assim que a ignorância esteja presente,
todos os outros elos, ações impulsivas, consciência,
mente/corpo e assim por diante — já estarão lá.
Cada elo contém todos os outros elos.
Porque há ignorância, há ações impulsivas.
Porque há ações impulsivas, há consciência.
Porque há consciência, há mente/corpo.
E assim por diante.

Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

26) Causa deleite.

Devido a que todos os Budas desejam


experimentar o deleite fácil e calmo dos logros
oferecidos, praticam constantemente
meditação tendo em vista essa finalidade.
Por este motivo é que o Mestre Osho diz: meditação é um deleite no
seu próprio ser. É muito simples — um estado de consciência
totalmente relaxado onde você não está fazendo nada. Quando
começa a fazer, você torna-se tenso; a ansiedade surge
imediatamente. Como fazer? O que fazer? Como obter
53
sucesso? Como não falhar? Você já se moveu para dentro do
futuro
Meditação é simplesmente ser, sem fazer nada — nenhuma
ação, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você
simplesmente é, e isso é um puro deleite.

De onde vem esse deleite quando você não está fazendo nada?
Ele não vem de lugar nenhum, ou, vem de toda parte.
Ele não tem uma causa, porque a existência é feita de uma
matéria chamada alegria. Ela não precisa de nenhuma causa, de
nenhum motivo.

Quando você está infeliz, há um motivo para estar infeliz;


quando está feliz, você está simplesmente feliz — não há
motivo algum.
Sua mente tenta encontrar um motivo, porque ela não pode
acreditar naquilo que não tem uma causa, pois ela não pode
controlar aquilo que não tem uma causa — com o vazio, a
mente se torna simplesmente impotente.
Dessa forma, a mente continua a descobrir uma razão ou outra.
Mas eu gostaria de lhe dizer que sempre que você está feliz,
você está feliz sem motivo algum, absolutamente.
Sempre que você está infeliz, você tem algum motivo para
estar infeliz — porque a felicidade é exatamente a matéria da
qual você é feito.
Ela é o seu próprio ser, é o seu ser mais recôndito.

Pense ao respeito!!

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Os 28 Benefícios da Pratica da Meditação

27) Invoca a presença do espírito.

28). Nos coloca em contato com os seres


santos

O item 27 e 28 os coloquei juntos, porque o texto a seguir inclui


as duas ações, a invocação dos nosso espirito e a invocação dos
seres santos.
Se o leitor, enquanto lê este texto, puder pensar profundamente
em seu coração, tanto em Jesus, ou Buda, ou o santo com o qual
tem uma conexão especial, estou seguro de que será escutado
assim como todos os Santos e Arcanjos que protegem os
ensinamentos místicos. Realizei algumas mudanças literárias
básicas tirando o contexto cultural tibetano, porém sem mudar
seu conteúdo. Espero que seja de alguma ajuda.

Me prostro diante dos Gurus e Mestres Espirituais


Esta prática de chamar os Mestres à distância é muito conhecida
nas regiões dos Himalaias, e a chave para a invocação de
bênçãos é a devoção, que é despertada pela tristeza ao observar
este mundo com todo o seu sofrimento e pela renúncia aos
comportamentos que fazem sofrer a nós e aos outros. Não se
trata aqui de nada trivial, mas de algo nascido no centro dos
nossos corações. Com convicção decidida de que não há outro
Ser espiritual maior do que o nosso Mestre, recite
cotidianamente cada dia uma estrofe do aqui escrito.

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Que pena! Os seres sencientes, malfeitores com
comportamento negativo, assim como eu, têm vagado pelo
samsara (a roda da eterna frustração) desde o tempo sem início.
Mesmo agora, experimentamos um sofrimento sem fim. E, ainda
assim, não se deu nem um único instante de remorso
Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente, com
compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu possa despertar
a renúncia (a este vale de dor) no fundo do meu ser. Embora
tenha conseguido um nascimento humano livre e bem-
favorecido, desperdicei-o em vão. Sou constantemente distraído
pelas atividades desta vida fútil. Incapaz de alcançar o grande
objetivo da liberação, dominado pela preguiça, volto de mãos
vazias de uma terra repleta de jóias.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu preencha o
propósito do nascimento humano. Não existe ninguém no
mundo que não vá morrer. Mesmo agora, seres estão morrendo,
um após o outro. Eu também morrerei muito em breve. Mas,
como um idiota, preparo-me para viver uma vida longa

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu aborte meus
planos sem valor. Terei que me separar dos meus amigos e dos
meus amores. A riqueza e o alimento que acumulei com avareza
ficarão para os outros. Até mesmo este corpo, que tanto prezo,
será deixado para trás.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu me dê conta da
futilidade da vida. A negra escuridão do medo me acompanha.
O vento vermelho-intenso das emoções aflitivas me persegue.
Os mensageiros assustadores da morte batem em mim e me

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acossam. Assim, experimento o sofrimento insuportável dos
sentimentos inferiores.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu possa libertar-
me dos abismos dos sentimentos inferiores. Meus erros são tão
grandes quanto uma montanha, mas escondo-os dentro de mim.
Os erros dos outros são tão pequenos quanto uma semente de
gergelim, mas eu os proclamo e condeno. Orgulho-me das
minhas virtudes, embora não possua nem mesmo umas poucas.
Chamo a mim mesmo de praticante espiritual e pratico apenas
tudo o que contradiz o caminho espiritual.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu dome meu
egoísmo e orgulho. Escondo o demônio da arrogância dentro de
mim, o qual irá arruinar-me permanentemente. Todos os meus
pensamentos são a causa da perpetuação dos erros. Todas as
minhas ações têm resultados não-virtuosos. Nem sequer me
aproximei do caminho da liberação.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda-me suas bênçãos para que eu desenraize
meu egoísmo. Basta um pequeno elogio ou acusação para me
deixar feliz ou infeliz. Uma mera palavra áspera me faz perder a
armadura da paciência. Mesmo quando vejo seres
desamparados, a compaixão não se manifesta. Quando pessoas
necessitadas procuram por mim, sinto-me preso por um nó de
avareza.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que a minha mente se
misture com o caminho espiritual. Agarro-me desesperadamente
a todo o fútil. Luto por comida e vestimenta, abandono
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completamente objetivos permanentes. Embora tenha tudo que
preciso, desejo constantemente mais e mais. Minha mente está
obliterada por coisas insubstanciais e ilusórias.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu não me apegue
a esta vida. Não consigo suportar nem mesmo a mais leve dor
mental ou física. Mas sou tão teimoso que não sinto medo de
cair nos estados mais inferiores de existência. Embora veja com
clareza a infalível relação de causa e efeito, Ainda assim não ajo
com virtude, mas perpetuo o mal.

Mestre pense em mim; olhe por mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que a convicção na
justiça divina se manifeste em mim. Sinto ódio por meus
inimigos e apego por meus amigos. Vivo cego na escuridão
quanto ao que adotar e o que rejeitar. Ao praticar o caminho
espiritual caio sob a influência do pensamento discursivo, do
desleixo e do sono. Ao agir contrariamente ao caminho
espiritual, sinto-me alerta e meus sentidos ficam aguçados.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu conquiste meus
inimigos, as emoções negativas. Minha aparência é a de um
autêntico praticante do Dharma, Mas em meu interior minha
mente não está misturada ao Dharma. Como uma cobra
peçonhenta, as emoções mais venenosas se escondem dentro de
mim. Quando encontro más circunstâncias, minhas faltas ocultas
de mau praticante são reveladas.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu possa domar
minha própria mente. Não me dou conta das minhas próprias
faltas. Mantenho a aparência de um praticante enquanto me
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envolvo em várias atividades alheias ao Dharma. Devido as
emoções negativas, estou naturalmente acostumado a ações não-
virtuosas. Por várias e várias vezes dou nascimento a uma mente
de virtude, mas pelo mesmo número de vezes ela termina por
desmoronar.

Mestre pense em mim; olhe por mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu possa enxergar
minhas próprias faltas. A cada dia que passa, a morte está cada
vez mais perto.
A cada dia que passa, meu ser está cada vez mais endurecido.
Embora atenda ao meu mestre, minha devoção gradualmente se
obscurece. O amor, a afeição e a perspectiva sagrada em relação
aos meus companheiros espirituais constantemente diminuem
mais e mais.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu dome a minha
natureza teimosa. Me refugiei no caminho espiritual e na ordem
mística, despertei em mim a mente compassiva e fiz súplicas,
Mas a devoção e a compaixão não se encontram no fundo do
meu coração. Reproduzo com palavras as práticas espirituais,
mas elas se tornam rotineiras e não me sinto tocado por elas.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu possa me tornar
uno com o caminho espiritual. Todo sofrimento vem de desejar
a felicidade para si mesmo. Embora seja dito que o estado
espiritual é alcançado pela consideração ao bem-estar dos
outros, desperto a suprema mente compassiva, mas prezo
secretamente o egoísmo. Não apenas não beneficio os outros,
como descuidadamente causo-lhes a dor.

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Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com
compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu possa trocar de
lugar com os outros. O Mestre é o próprio Ser Iluminado em
pessoa, mas o encaro como um homem comum. Esqueço-me da
sua bondade ao dar instruções profundas. Quando ele não faz o
que desejo, perco o ânimo. Suas ações e comportamento são
manchadas por minhas dúvidas e descrença.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que a devoção sem
obscurecimentos possa aumentar. Meu próprio espírito é o
Mestre Espiritual, mas nunca me dou conta disso. Os
pensamentos discursivos têm a natureza da mente do Mestre
Espiritual, mas nunca me dou conta disso. Este é o estado inato,
não-fabricado, mas não consigo manter-me nele. O estado de
naturalidade é como as coisas realmente são, mas não mantenho
essa convicção.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que minha mente seja
espontaneamente liberada. A vinda da morte é certa, mas sou
incapaz de convencer-me disso. O Ensinamento sagrado traz
verdadeiros benefícios, mas sou incapaz de praticá-lo
corretamente. Os frutos do mau comportamento são, sem
dúvida, verdadeiros. Mas não discrimino corretamente o que
adotar ou rejeitar. A atenção plena e o estado desperto são
certamente necessários, mas, por não os estabilizar, sou
arrastado pelas distrações.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu mantenha a
atenção plena, sem distrações. Devido às minhas ações negativas
pregressas, nasci no final desta era da escuridão. Tudo o que fiz
anteriormente me trouxe sofrimento. Por causa de maus amigos,
60
estou coberto pela sombra de ações negativas. Minha prática
espiritual foi posta de lado, em favor da minha fala sem sentido.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para tornar-me capaz de
perseverar na prática. No começo, não tinha nenhum outro
pensamento que não fosse o ensinamento espiritual. Mas no
final, o que alcancei será a causa de renascer nos estados mais
inferiores da existência. A colheita da liberdade é destruída por
uma geada não-virtuosa. Pessoas teimosas como eu só
conseguem más consequências.

Mestre pense em mim; olhe para mim velozmente com


compaixão. Conceda suas bênçãos para que eu realize
completamente o Espírito sagrado.
Conceda suas bênçãos para que eu dê nascimento à profunda
tristeza.
Conceda suas bênçãos para que meus planos sem valor sejam
abortados.
Conceda suas bênçãos para que eu me convença da certeza da
morte.
Conceda suas bênçãos para que a convicção da justiça divina
desperte em mim.
Conceda suas bênçãos para que o caminho seja livre de
obstáculos.
Conceda suas bênçãos para que eu me torne capaz de praticar
até a exaustão.
Conceda suas bênçãos para que as circunstâncias não-
auspiciosas sejam trazidas para o caminho.
Conceda suas bênçãos para que eu aplique meus antídotos
continuamente.
Conceda suas bênçãos para que a devoção genuína nasça em
mim.

61
Conceda suas bênçãos para que eu possa vislumbrar o estado
natural do espírito.
Conceda suas bênçãos para que a visão interior desperte em meu
coração.
Conceda suas bênçãos para que eu arranque a confusão pela raiz.
Conceda suas bênçãos para que eu alcance o estado Iluminado
numa só vida.

Divino Mestre suplico a você. Bondoso senhor do Dharma,


grito por você com anelo. Sou uma pessoa sem valor, sem
ninguém com quem contar, a não ser você. Conceda suas
bênçãos para que minha mente se misture de forma inseparável
com a sua.

Buda diz:
“A vitória engendra o ódio, porque o vencido sofre.
Aquele que vive em paz é feliz, pois não sonha com vitória nem
derrota.
É pela benevolência que se deve vencer a cólera;
É pelo bem que se deve vencer o mal.
Deve-se vencer o avarento pela liberalidade, e o mentiroso pela
verdade”.

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Lama Karma Zopa Norbu Prof.Roque Enrique
Severino
Diretor Fundador da Sociedade Brasileira de Tai Chi
Chuan e Cultura Oriental.
Diretor Fundador da Kagyu Dag Shang Choling
- Jardim do Dharma,

Nasce em Buenos Aires na Rep.Argentina,


Com a idade de 6 anos iniciou seus estudos sobre o
Budismo com sua professora primária, incentivado
pelo seus próprios pais.
Aos 13 anos junto aos seus estudos primários
comuns iniciou estudos de Tai Chi Chuan da linhagem da Família Yang e I
Ching com o professor Ma Tsun Kuen, adido comercial da embaixada
chinesa em Bs.As. . Continuou seus estudos de filosofia oriental antiga, na
Faculdade de ensino Livre "San Francisco de Assis" especializando-se na
cultura chinesa antiga, o Budismo Chinês e o I Ching.
Em 1978 Aos 24 anos mudou-se para São Paulo Brasil fundando a
Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan e Cultura Oriental.
Em 1978 Inicia seu treinamento Budista na escola japonesa Soto Senshu
em SP sob a direção do Mestre Tokuda.
Em 1978 - conheceu o Mestre Liu Pai Lin e seu filho o Mestre Liu Chi Ming
com quem continuou seus estudos do I Ching o livro das mutações e do
treinamento interior do Tai Chi Chuan

Em 1980 adquire as terras que serão utilizadas para construir as


instalações da Kagyu Dag Shang Choling – Jardim do Dharma – Estas terras
foram consagradas pelo Monge Tendai Dokan Yanashigawa em 1990
novamente pelo Geshe Gelupa Lobsang Jamiang em 1990 e
posteriormente pelo V.Lama Trinle Drubpa – 1993 Bokar Tulku Rimpoche
1996 e Mingyur Rimpoche 2007

Viagens de Estudo e Meditação


1988, República Ocidental da China - onde realizou seu primeiro retiro de
meditação com duração de 45 dias no mosteiro da tradição Chan – Tem
Tão Tão Yuan
1988, China Continental - estudo do tai chi chuan tradiconal
1990, Estados Unidos de América - encontro com o Grão mestres Yang
Zendhuo bisneto do criador do estilo de tai chi chuan Yang Yang Lu Chan
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1998, 2000, Espanha - centro de retiros Dag Shang Choling - huesca –
Lama Drubgyu Tempa
1988, 1990 Mosteiro de Será Me em Maysore – Karnataka India,
1993, 1995, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2004, 2005, 2006 Bodhigaya
e Mosteiros de Salugara, Sonada Mirik W.B. Índia – Seminários sobre o
Maha Mudra oferecidos pelo M.V.Bokar Tulku Rimpoche e cerimônias
relacionadas a passagem do M.V.Bokar Tulku
2002, 2005,2007, 2012 China Realizando peregrinações as montanhas Wu
tai Shan .

Patrocinou a vinda ao Brasil de Mestres Budistas como:


Ryotan Tokuda (Japão) Zen soto senshu
Dokan Yanashigawa (Japão) Tendai Shu
Seung Sahn (Coréia) Zen Rinzai
Yukio Ponce (Japão) Shingon Shua
Lobsang Jamiang (Tibete) Mosteiro Será Me
Trinle Drubpa (Tibete) Dag Shang Kagyu
Bokar Tulku Rimpoche (Tibete) Dag Shang Kagyu
Kempo Jampa Donnyo (Tibete) Dag Shang Kagyu
Yang Zhenduo (China)
Yang Jun (China)
Lama Yonten (França) Dag Shang Kagyu
Kempo Osel Gyurme ( nepal) Nigma Tradicion
M.V.Mingyur Rimpoche (Tibete)
Lama Norbu Repa (França)
Lama Nagwang Thenpel (Nepal)

Desde 1999 até 2011, organiza junto com sua esposa a Profa. Maria Angela
V.S.Soci, os Seminários Internacionais de Tai Chi Chuan no Brasil com a
prescença do Grao Mestre Yang Zhenduo e o Mestre Yang Jun, no ano
2013 completa o XIV Seminario.

Monografias Premiadas pela Sociedade de Cultura Japonesa:


1981 Bushido: "O código de honra do Samurai"
1982 Haiku: "Poema Japonês"
Livros e artigos de sua autoria:
1983 Revista Planeta Especial de Artes Marciais - Editora Três
1984 Revista Planeta Especial de Zen Budismo - Editora Três
1985 Tai Chi Chuan para uma vida longa e saudáve l- Editora Ícone
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1987 O Espírito das Artes Marciais - Editora Ícone
1994 O I Ching: uma abordagem psicológica e espiritual - Editora Ícone
2008 DVD “chuva de Bênçãos”
2009 I Ching o Livro da Sabedoria –uma abordagem budista
2009 O Espírito das Artes Marciais – filosofia e mística (edição revisada e
amplida)
2009 Manual Tibetano Portugues (Ed. Da SBTCC)
2010 O Coração da Bondade (Ed. Da SBTCC)

Desde o ano 1995, na procura pelo entendimento claro e profundo dos


ensinamerntos sobre o Mahamudra, acompanhou ao seu Mestre M.V.
Bokar T.Rimpoche realizando varias vezes os retiros de Mahamudra nivel I
II e III.
Realizou sob a orientação do Ven Lama Trinle Drubpa no ano de 1996 em
regime de retiro fechado durante um ano e meio retiro Karma Kamsang ,
onde realizou o Nongdro". Aprendendo as pujas e treino das Sadanas da
Linhagem . Isto foi registrada pelos Próprios Lamas Trinle, Bokar Rimpoche
e Kempo Donnyo na sua visita realizada ao nosso Centro em 1996, por
ocasião da consagração da Primeira Grande Estupa Dharmakaya da
América Latina, construída por ele, em nosso centro.
Sua casa de retiro foi consagrada pelo Venerável Bokar Tulku Rimpoche,
Kempo Donnyo Rimpoche e outros Lamas presentes.
Em 1996 em Bodhygaya –Índia - Recebeu de mãos do M.V.Bokar
Rimpoche a Iniciação e o treinamento da Sadana de Milarepa, realizando
retiro fechado de 6 meses, e instruções sobre o treino das Tara Verde onde
também realizou retiro fechado de 6 meses.
No ano de 2002 viaja ao Mosteiro de Bokar Tulku Rimpoche na india para
receber o ciclo completo de iniciações Shangpa Kagyu oferecido por Bokar
Tulku Rimpoche e todos seus lamas.
Em 2003/ 2004 2 2004 recebe do Lama Yontem em sua
residência ensinamentos sobre o treino do Drub Tab de Mahakala
Chagdrugpa Yidam que vem treinando desde 1993
No ano de 2004 recebe das mãos do Mui Venerável Khenpo Lodro Donyod
Rinpoche no mosteiro em Mirik o manto (Zen) de Naljorpa assim como as
relíquias do seu Guru Raiz Bokar tulku (falecido no mesmo ano) que foram
inseridas nas 8 estupas consagradas em 2007.
Em 2005 viaja junto com sua esposa Profa. Maria Angela Soci a Questa
New México U.S.A para realizar o seminário de Mahamudra nível I e II
junto ao M.V. Myngyur Rimpoche.
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Em 2005 inicia a construção de 8 estupas de 7 metros de altura em
memória do M.V.Bokar Tulku Rinpoche, inserindo suas relíquias dentro
delas.
Em 2006 e 2007 Recebe em São Paulo novamente os ensinamentos do
seminário de Mahamudra nível I e II junto ao M.V. Myngyur Rimpoche.
No Centro de Retiros do Jardim do Dharma, realiza Junto com o Ven.Lopon
Osel Gyurme, discípulo do M.V. Dilgo Kyentse Rimpoche, 1 retiro fechado
de acumulação de mantras nas Cinco Divindades de 30 dias concluindo o
mesmo com o recebimento dos Votos do Bodhisatwa que também tinha
recebido em 2002 de seu Mestre Bokar Tulku Rrimpoche.
Em junho de 2007 participa das cerimonias - no Jardim do Dharma em São
Paulo - de consagração das 8 Estupas construídas por ele em memoria de
seu Guru Bokar Tulku, as cerimonias de consagração foram realizadas pelo
M.V. Mingyur Rimpoche
Em 4 de Agosto de 2008, foi recebido, junto aos os seus alunos, em
Dharamsala (Índia) por S.S. XVII Karmapa Orgyen Trinle Dorje. Nesta
ocasião, entrega a Sua Santidade, um álbum com fotos além de
DVDs contendo o histórico do Jardim do Dharma e a construção das 8
Stupas.
Participa depois com seus alunos das cerimônias de saída do tradicional
retiro de 3 anos do M.V.Yangsi Kalu Rimpoche.
Após as cerimônias e de ter realizado suas entrevistas com Kempo Donyo
Rimpoche e Kalu Rimpoche, visita o Mosteiro de Dudjom Rimpoche em
Kalingpon (Índia), onde recebe instruções sobre as cinco Divindades do
Lopom Yamiang.

Em Agosto de 2009, por indicação de S.S.Karmapa, encontra-se,


juntamente com sua esposa, Profa. Maria Angela, com o M.V. Kyabje
Tenga Rimpoche, momento em que recebe as iniciações de Dorje Phurpa,
os ensinamentos sobre "A União do Mahamudra e do Dzogchen",
composto pelo Grão Mestre Karma Chagme.
Recebe também a Iniciação das cinco Divindades (Demchok Lha nga)
do Oitavo Karmapa Mikyö Dorje, assim como as instruções particulares
sobre o desenvolvimento da meditação referente a esta iniciação. Neste
momento, recebe também a Ordenação Nagpa, na presença dos
diretores do Centro Benchen Puntsog Ling entre outros. A partir deste
ano, Lama Zopa (como passa a ser reconhecido) Viaja anualmente a
katmandhu – Nepal para receber instruções diretas de Kyabje Tenga
Rimpoche e S.S.Sangye Nhyengpa Rimpoche.
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Em 2013 recebe o ciclo completos de iniciações Karma Kagyu tituladas
“Kagyu Nag Dzod
E em 2014 recebe no centro Kagyu Dak Shang Choling na Espanha o ciclo
completo das iniciações
Los 45 Yidams – pacificas e iradas Del ciclo de iniciaciones denominadas o
Chigshe Kundrol – conociendo uno se realizan todos – recopilados pelo 9º
Karmapa Wanchug Dorje (1556-1603) estes dois ciclos de iniciações e
ensinamentos foram oferecidos por S.S.Sangye Nhyengpa Rimpoche
Desde 2009 recebe contínuos ensinamentos da tradição Shangpa Kagyu
do Ven. Lama Sherab Drime
Desde 2010 recebe anualmente em sua residência o Ven. Lama Nawang
Tsultrin, para lhe oferecer ensinamentos capitais de tradição Karma Kagyu

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