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Índice

LISTA DE ABREVIATURAS.................................................................................................. iv

LISTA DE TABELAS ............................................................................................................... v

EPIGRAFE ................................................................................................................................ vi

DECLARAÇÃO ....................................................................................................................... vii

DEDICATÓRIA ...................................................................................................................... viii

AGRADECIMENTOS .............................................................................................................. ix

RESUMO ................................................................................................................................... x

Introdução ................................................................................................................................. 12

CAPITULO I: ENQUADRAMENTO TEÓRICO ................................................................... 17

1.1. PercepçãoSocial ................................................................................................................. 17

1.2. Papel do Idoso na Família ................................................................................................. 19

1.3. Abordagem Teórica ........................................................................................................... 22

1.3.1.Teoria Fenomenológica ................................................................................................... 22

1.3.2. Teoria Funcionalista ....................................................................................................... 23

CAPITULO II: METODOLOGIA ........................................................................................... 25

2.1. Procedimentos Metodológicos .......................................................................................... 25

2.2. Local do Estudo ................................................................................................................. 27

2.2.1. Localização Geográfica e Limites .................................................................................. 27

2.2.2. Divisão Administrativa da Cidade de Nampula ............................................................. 27

2.2.3. Historial do Nome do Bairro .......................................................................................... 28

2.2.4. Dinâmica Populacional ................................................................................................... 29

2.3. Dificuldades e Limitações da Pesquisa ............................................................................. 30

CAPITULO III: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS


RESULTADOS. ....................................................................................................................... 31

3.1. Percepçãodos Residentes do Bairro de Napipine sobre o Papel da Pessoa Idosa ............. 31

3.2 Diferentes Concepções em relação ao Papel do Idoso na Família. .................................... 33


iii

3.3. Importância da Convivência com Idoso na Família .......................................................... 34

Conclusão ................................................................................................................................. 37

Sugestões .................................................................................................................................. 39

Bibliografia ............................................................................................................................... 40

Apêndices ................................................................................................................................. 44
iv

LISTA DE ABREVIATURAS

INAS – Instituto Nacional de Acção Social

PSSB – Programa Social de Subsidio Básico

UPN – Universidade Pedagógica – Nampula


v

LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Divisão Administrativa da Cidade de Nampula ..................................................... 30
Tabela 2 – Distribuição da População da Cidade de Nampula.............................................31
vi

EPIGRAFE

“Desejo que você, sendo jovem, não amadureça de


pressa demais e, sendo maduro, não insista em
rejuvenescer, e que sendo velho, não se dedique ao
desespero. Porque cada idade tem o seu prazer, sua dor e
é preciso que eles escorram entre nós.”

Victor Hugo (1802-1885)


vii

DECLARAÇÃO

Eu, Sérgio Alfredo Macore, declaro que esta Monografia Cientifica é fruto da minha
pesquisa desenvolvida pessoalmente e das indicações concebidas pelo meu supervisor, o seu
conteúdo é original e todas as fontes utilizadas estão devidamente citadas no discorrer do
trabalho, nas notas e na referência bibliográfica do trabalho.

Declaro que este trabalho não foi divulgado em nenhuma instituição para obtenção de
qualquer grau académico.

________________________________________

(Sérgio Alfredo Macore,)


viii

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho de culminação do curso à memória


da minha Mãe, Jacinta João Baptista..
ix

AGRADECIMENTOS

É chegado o momento de endereçar os meus agradecimentos. No decorrer deste longo


período, contei com o apoio e estímulo de algumas pessoas, que de certa forma marcaram a
minha carreira estudantil. Sem as quais este trabalho não seria com toda certeza o mesmo.
Destacar nomes é sempre uma tarefa, algo complicado, pelo risco que apresenta, na medida
em que alguns poderão ficar injustamente esquecidos. Nessa ordem de ideias, deixo desde já a
todos o meu “bem-haja”.

E para chegar a licenciatura e conseguir a realização deste trabalho, agradeço:

A Deus, pela vida.

Ao tempo, nada melhor do que ele para trazer o que necessitamos (e nos é bom) e
deixar para trás o que nos é maléfico (e, às vezes, pesado).

Aos meus tios, que pelo incentivo ou pela discordância aos meus planos souberam ser
mola propulsora para que eu corresse atrás do que eu quis.

Endereçar o meu profundo agradecimento ao meu Supervisor pela sua paciência e seu
tempo disponibilizado no ensino e na orientação deste trabalho em todos os passos, tornando
assim possível a realização da presente monografia.

O reconheço e gratidão vai a minha namorada Neusa da Fidelia Assane e Emília


Maria das neves gaveta pela paciência, persistência e confiança que depositou na minha
pessoa mesmo sabendo da dificuldade de tempo que tínhamos.

Obrigado
x

RESUMO
O presente estudo foi realizado no Bairro de Napipine, subordinado ao tema: Percepção Social sobre o Papel do
Idoso nas Famílias. O mesmo procura analisar O Impacto das percepções sociais do papel do Idoso no seio
familiar. A realização deste trabalho tomou como base de partida a seguinte questão: Que percepção social as
Famílias tem sobre o papel do Idoso no Bairro de Napipine? Para responder a esta questão, levantamos três
objectivos específicos auxiliares ao objectivo principal que são: a) Identificar as percepções sociais sobre o papel
do idoso no seio familiar; b) Descrever as razões que determinam as diferentes concepções em relação ao papel
do idoso na família e c) Explicar a importância da existência do idoso na família. O trabalho obedeceu a uma
abordagem sociológica com duas vertentes. Uma teórica e a outra, trabalho de campo. Na vertente teórica
baseamo-nos na teoria funcionalista sob pensamento dos proeminentes pensadores dessa teoria Talcott Parsons e
Robert Merton como também a teoria Fenomenológica. Em relaxação ao trabalho de campo realizamos uma
entrevistas semi-estruturada como instrumento de recolha dos dados. Foi uma pesquisa de carácter qualitativa
quanto a sua abordagem, exploratória quanto aos seus objectivos. Tendo como amostra 20 pessoas, dos quais 5
idosos, 10 jovens e 5 pessoas maior de 40 anos. Os resultados obtidos revelam que, a percepção social sobre o
papel do idoso no seio familiar assim como as diferentes concepções em torno do mesmo é influenciada pelo
factor interacção que os mesmos têm com a pessoa idosa e pela “internet”, visto que esta faz com que alguns
indivíduos abdiquem dos ensinamentos dado pelos idosos. Assim sendo, sugerimos o seguinte: Promoção de
campanhas de educação reflectindo sobre a importância da convivência da pessoa idosa, com vista a mudança de
mentalidade sobre a concepção que se tem do idoso (visão de um feiticeiro, causadores de todos os males e
infortúnios da família); As famílias deveriam promover mais encontros entres membros das mesmas, para que
haja o contacto entre a nova geração e os idosos, dando assim a conhecer desde pequeno quão é importante a
interacção com a pessoa idosa.

Palavras – chave: Percepção Social e Papel do Idoso


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Introdução

A presente monografia tem como tema, percepção social sobre o papel do idoso nas
famílias do bairro de Napipine – 2017. E cuja pretensão da mesma é a obtenção do grau de
licenciatura em Sociologia com habilitações em Antropologia.

Desse modo, segundo VELOZ; SCHULZE & CAMARGO (1999:32), fundamentam


que, o envelhecimento populacional constitui uma das maiores conquistas do presente século.
Poder chegar a uma idade avançada, já não é mais privilégio de poucas pessoas. Em
contraposição, muitas sociedades não são consequentes com essas mudanças demográficas,
pois as mesmas atribuem valores relacionados à competitividade para seus grupos, valorizam
a capacidade para o trabalho, para a independência e para a autonomia funcional.

Porém, na perspectiva social actual, o idoso é considerado muitas vezes como um incómodo,
por não actuar na velocidade e na maneira que os jovens julgam mais correctas ou mais
adequadas. (BEAUVOIR, 1990:265)

Como fundamenta GIDDENS (2008:181), os idosos nas sociedades modernas tendem


a ter um estatuto inferior e menos poder do que era costume nas culturas pré-modernas.
Nestas, tal como nas sociedades não ocidentais da actualidade (como a índia ou a China),
acreditava-se que a velhice trazia sabedoria, e em qualquer comunidade os mais idosos eram
aqueles que tomavam a maior parte das decisões principais. Hoje em dia, o avançar da idade
implica normalmente o oposto.

Numa sociedade como a nossa, em processo constante de mudança, o saber acumulado


das pessoas mais velhas deixou em grande medida de ser considerado pelos mais novos como
uma reserva valiosa de sabedoria, passando apenas a ser visto como algo desactualizado.

Nesse sentido, os idosos configuravam-se como guardiões da memória e tudo que por eles é
contado deveriam ser avidamente ouvido e preservado com muito zelo pelos mais jovens.
Assim, o ancião era símbolo de autoridade e ocupava um lugar bem definido dentro de sua
categoria social: repassar a sabedoria dos antepassados e perpetuar a cultura. (SUGAHARA &
FRANCISCO, 2012)

Esse lugar de representatividade, conferido ao idoso, vai sendo aos poucos abalado
pelos projectos de modernização implantados na África, especificamente em Moçambique,
com o processo de pós-independência.
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No entanto, conforme o JORNAL NOTICIA (2014), salienta que, em Moçambique


aumenta o número de idosos desamparados ao nível nacional.
Dados divulgados no lançamento da semana do idoso, indicam que é cada vez mais difícil ser-
se idoso em Moçambique. Pelo menos cinco mil moçambicanos da terceira idade vivem uma
situação de abandono, encontrando nas ruas, o seu refúgio e pontos de sustento.

Ainda considerando a mesma fonte, entre as causas do desamparo estão acusações de


feitiçaria que muitas vezes levam a que filhos matem os pais ou avós.

Lido o JORNAL no dia 2 de Outubro de 2015, constatou que, a Direcção provincial do


Género, Criança, Mulher e Acção Social na província de Nampula, norte de Moçambique,
manifesta-se preocupada face ao abandono e desamparo de idosos, sobretudo a sua rejeição
por parte dos familiares.

De acordo com a fonte anteriormente citada, dados avançados pela responsável


daquele sector em Nampula, Maria da Gloria Siaca, referem que o governo provincial, no
âmbito do acolhimento a pessoa idosa desamparada, assistiu, no primeiro trimestre do
corrente ano, um total de 776 pessoas de terceira idade.

Falando no âmbito do dia internacional da sensibilização contra violência da pessoa


idosa, Maria Siaca disse que naquela região persistem casos de abandono, descriminação e
violência contra a pessoa idosa, facto que faz com que o governo intensifique o acolhimento
em centros abertos e de atendimento a pessoa idosa.

A nossa inquietação surge na medida em que, sendo o idoso a pessoa que deve ser tida
como fonte de inspiração, onde podem recorrer e procurar aconselhamentos, é o mesmo que é
acusado de feitiçaria e abandonada a sua sorte pelos familiares que um dia o mesmo tomou
conta, sendo assim levantamos a seguinte questão: “Até que ponto a percepção social
influência a valorização do idoso no Bairro de Napipine?”.

Sendo assim, objectivo principal neste trabalho é de a partir da perspectiva


sociológica, analisar o impacto da percepção social sobre o papel do idoso no seio das
famílias do bairro de Napipine. Para a materialização do mesmo, contamos com os seguintes
objectivos específicos:

 Identificar as percepções sociais sobre o papel do idoso no seio familiar;


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 Descrever as razões que determinam as diferentes concepções em relação ao papel do


idoso na família;
 Explicar a importância da existência do idoso na família;

Assim, a partir das premissas que contextualizam um pouco a realidade moçambicana,


o estudo focaliza a percepção social do papel do idoso na Família, no Bairro de Napipine
Cidade de Nampula.

E o assunto estudado é subsidiado por algumas disciplinas curriculares que a


Universidade Pedagógica de Moçambique proporciona através do curso de Licenciatura em
Sociologia com Habilitações em Antropologia e se evidenciam:

Sociologia da Família - onde priorizou-se como contributo as análises centradas na


descoberta de como as famílias eram constituídas, as suas representatividades e de como as
mesmas eram consideradas como um sistema coeso. E que essa coesão era mantida através do
conhecimento do idoso.

Na sociologia da Educação – onde a educação é vista na perspectiva Durkheimiana


como sendo a transmissão de valores ou conhecimento da geração mais velha a aquela
geração que não é considerada preparada para a vida.

O interesse pelo tema surge, na medida em que, vários casos são arrolados pela mídia
de abandono, violência e de acusação de feitiçaria contra a pessoa idosa. Como também a não
valorização dos feitos da pessoa idoso durante a vida, considerando que o idoso é o ser com
muita experiencia de vida e que têm uma vasta gama de conhecimento.

O tema julga-se ser de maior relevância para as diversas sensibilidades, principalmente


para as famílias que nos últimos tempos vem-se com dificuldades de assegurar uma educação
dos seus membros baseada em valores socioculturais.

É de salientar que os anos de vida de um idoso conferem-lhe um estatuto de "sábio", pois


estes têm um legado de conhecimentos e experiências que não deve ser desperdiçado,
podendo ser aproveitado pelas gerações futuras.

Sendo assim, o ano de 2017, foi o ano na qual suscitou-nos o interesse pelo estudo
visto que, segundo dados facultados pela INAS, constata-se que a situação de abandono dos
idosos no Bairro de Napipine e a cidade Nampula no geral tende a agravar-se.
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Nessa ordem de ideias, verifica-se um número considerável de idosos preambulando


pelas artérias da cidade de Nampula, desamparados e mendigando em frente às lojas,
supermercados e nas mesquitas.

Não obstante o dizer trazido acima, se verifica também um elevado índice de idosos em
abrigo, levando o governo Moçambicano a criar política e programas de maneira a fazer face
a essa problemática de abandono de idosos como também que os mesmos vivam dignamente.

A titulo de exemplo, existe programa denominado de, (PSSB) “Programa Social de


Subsídio Básico”, cujo mesmo, têm a finalidade de alocar valores para idosos, na quantia de
310 meticais por cada idoso mensalmente. Tentando assim, fazer com que essa camada
populacional tenha minimamente uma vida condigna.

Assim sendo, a situação descrita acima, dão mais ênfase ao investigador em querer
entender a percepção sobre o papel do idoso na família. Ao passo que, também o ano de 2017,
coincidiu a frequência do último ano do curso, vendo a necessidade de elaborar um trabalho
analisando o fenómeno reportado com vista a culminar com o curso.

Deste modo, temos como local de estudo a cidade de Nampula, com especial enfoque
o Bairro de Napipine. A razão da escolha deste bairro, primeiramente é devido que, o mesmo
encontra-se na lista dos bairros com maior índice de idosos, estando atrás somente do Bairro
de Mutauanha e Carrupeia.

Segundo porque, a escolha do mesmo deve-se ao facto de que o pesquisador, tendo


frequentado a Universidade Pedagógica por acerca de quatros (4) anos, que por sinal localiza-
se no mesmo bairro, criando assim uma familiaridade com bairro e com alguns colegas
residentes no mesmo.

Também, espera-se que o estudo reúna ferramentas de intervenção por parte dos
especialistas dos serviços de Acção Social, assim como o próprio Estado numa melhor
intervenção nas políticas da população idosa. Uma vez que, este segmento populacional é
minoritária e merece uma especial atenção por parte de todos, visto que, a mesma já foi
activa.

No que diz respeito as hipóteses do trabalho, é de referir que, face ao problema da


investigação, foi elaborada uma série de hipóteses que depois da realização da pesquisa
poderão ser validadas ou não no desfecho do trabalho em curso. Assim sendo, formulamos as
seguintes hipóteses:
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 O papel do idoso é a da manutenção da família, manter a mesma coesa e a cultura


viva;
 A convivência com o idoso e a falta da mesma ditam as diferentes concepções em
relação ao papel do idoso na família;
 O idoso é tido como intermediário na resolução de conflitos familiares

O trabalho encontra-se organizado em três capítulos, a saber:

Capitulo I: Enquadramento Teórico: neste primeiro capítulo, faz-se descrição de


diferentes abordagens narradas sobre o assunto em estudos resultantes da pesquisa
bibliográfica, discutem-se as questões relacionadas directa ou indirectamente com a percepção
social e papel do idoso na família.

Capitulo II: Metodologia, neste segundo capítulo, faz-se menção dos procedimentos
metodológicos utilizados para se posicionar aos resultados alcançados, visto que, são descritos
os processos para a realização da monografia e bem como todas as complicações encaradas no
campo de pesquisa e por último apresenta-se as particularidades e o posicionamento
geográfico do local do estudo.

Capitulo III: Apresentação, Analise e Interpretação dos resultados: neste terceiro e


último capitulo, é feita apresentação, analisa e interpretação dos dados colectados no campo,
não só, faz-se a revisão das hipóteses com objectivo da sua validação ou não, que foram
avançadas consoante o problema da pesquisa.
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CAPITULO I: ENQUADRAMENTO TEÓRICO


No presente capítulo iremos fazer menção das principais palavras, que ao longo do
presente trabalho iremos usar com maior frequência, assim sendo, eis as seguintes palavras
que estão em alusão: percepção social e papel do idoso.

1.1. Percepção Social


De acordo com a etimologia da palavra percepção é uma palavra que deriva do latim
“perceptio”, definida como um fenómeno complexo, através do qual o mundo exterior é
apreendido e interpretado com sendo ordenado em totalidades. O conhecimento não depende
tão inteiramente das sensações como a primeira vista pode parecer. (MAGALHÃES,
1977:137)

O termo percepção possui várias formas de definição que varia entre desde como
enxergamos até ao modo como as coisas ficam representadas.

Na visão de GRÁCIO (2002:78), a percepção pode definir-se como o conjunto de


processos e actividades relacionados com o estímulo dos sentidos, mediante os quais obtemos
informação respeitante ao nosso habitat, às acções que efectuamos nele e aos nossos próprios
estados internos.

Segundo FERRAROTI (1985:49), fundamenta que, o termo “percepção” é usado em


psicologia e em ciências cognitivas. É entendida como a função cerebral que atribui
significados e estímulos sensoriais, a partir de histórias e convivências passadas. É a partir
da percepção que um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais para
atribuir significados ao seu meio.

Segundo SERRANO (2008:19), a percepção nada mais é do que um processo que nos permite
descodificar os estímulos e mensagens externas que recebemos a cada segundo.

ATKINSON (1995:137) advoga que a "percepção é o estudo de como integramos


sensações em conceitos sobre os objectos, e como depois usamos esses conceitos para
lidarmos com o mundo", que nos é apresentado por meio dos sentidos, apontados pelo autor
como: visão, audição, olfacto, paladar, tacto e os sentidos do corpo.

GAZZANIGA (2005:76) segue dizendo que, a percepção é um processamento,


organização e interpretação dos sinais sensoriais que resultam em uma representação interna
do estímulo.
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O autor acrescenta dizendo que, a percepção é definida como o processo pelo qual o
indivíduo selecciona, organiza e interpreta estímulos em uma imagem significativa e coerente
do mundo, podendo ser descrita como a maneira como vemos o mundo a nossa volta.

Segundo a Revista Vencer (2003), “percepção é o processo de seleccionar, organizar


e interpretar o estímulo oferecido pelo meio ambiente”. Esses estímulos são recebidos pelos
órgãos do sentido, principalmente a visão por ser o elemento mais usual para se chegar a
outros sentidos, tais como tacto e o paladar. Não que podemos sentir por meio da visão, mas
através da memória a visão pode proporcionar uma experiência anterior, onde a lembrança
táctil ou gustativa é provocada visualmente.

Mediante o exposto acima, falar em percepção significa falar de respostas operantes


controladas por estímulos antecedentes. Como outra relação operante, a relação envolvida no
que chamamos de percepção sofre a influência da história vivida pelo indivíduo que se
comporta e de circunstâncias presentes no momento em que o indivíduo se comporta.

Nessa ordem de ideias, STERNBERG (2000:125), apresenta duas teorias principais da


percepção: a percepção construtiva e a percepção directa. Na primeira o indivíduo que
percebe, cria uma percepção de um estímulo, usando as informações sensoriais para
fundamentar a estrutura e acresce outras fontes de informação. Trata-se de uma percepção
racional, também denominada inteligente. É a teoria que alia o que se sabe, com o que se
sente e com as inferências, que são as deduções com base no conhecimento.

Já a percepção directa se restringe às informações dos receptores sensoriais, incluindo o


ambiente. As duas teorias são antagónicas e foram definidas como teorias gestálticas.

Para BERGER &LUCKMANN citados por LOPES (2010: 37) percepção social é
“uma actividade psicológica e que não deve ser analisada numa única vertente, mas associá-
la ao contexto que o indivíduo se encontra. Sendo assim, a percepção do indivíduo vai
depender também das condições socioculturais do contexto que o rodeiam”.

Diante do exposto acima, percebe-se que ao olharmos a percepção social não podemos
desassocia-la do meio social no qual o indivíduo se encontra inserido, visto que, é por este
meio que os mesmos a partir da conjuntura social assim como cultural percepcionam cada
indivíduo.
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Na visão de RODRIGUES (2009:224), quando se apresenta o conceito de percepção


social, deve-se ter em conta alguns factores que influenciam a percepção social dentre eles a
selectividade perceptiva, condicionamento, experiência prévia, factores contemporâneas aos
factores perceptivos.

Os factores contemporâneos podem se traduzir em fenómenos de defesa perceptiva ou


de acentuação perceptiva. No primeiro caso, o indivíduo tende a bloquear na consciência os
estímulos emocionalmente perturbadores e a acentuação perceptiva, por outro lado, resgata os
estímulos positivos e simbólicos já associados.

O autor explica que “a percepção das pessoas ou a cognição social ocorre em dois
estágios: pré-psicológico e psicológico”. O primeiro estágio inclui as condições do ambiente
físico, as expressões faciais e verbais do emissor, a estimulação sensorial e a clareza do
estímulo. No estágio psicológico, o receptor filtra o estímulo considerando seus valores,
atitudes, necessidades, interesses, estereótipos e preconceitos, possíveis alterações mentais
(IDEM).

Fundamentando o exposto acima, considerando estas informações sobre a natureza da


percepção humana é fácil entender que uma mesma mensagem possa ter impactos
completamente distintos, por vezes, antagónicos, em um grupo de pessoas.

1.2. Papel do Idoso na Família

Os comportamentos humanos são comportamentos com significado. Porque o


indivíduo é um ser sociocultural, as suas atitudes adequam-se e reflectem os padrões de
cultura do grupo. Assim os nossos comportamentos são, de certo modo, previsíveis.

Segundo LOPES (2010:78), fundamenta que, quando comparamos os comportamentos


de indivíduos pertencentes a grupos diferentes face ao mesmo estímulo, é natural que
registemos fortes diferenças. Porém, no quadro de uma mesma colectividade, constatamos
que os indivíduos se comportam de forma semelhante, em presença dos mesmos estímulos.
Isso não impede que deparemos com diversos tipos de comportamento que se prendem com a
diversidade de funções sociais desempenhadas.

A multiplicidade de tarefas a desempenhar numa colectividade conduz a que cada um


dos seus membros desempenhe funções específicas, de que resultam comportamentos
diversos, mas típicos.
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Às expectativas da sociedade, relativamente ao nosso comportamento em cada circunstância


particular, os sociólogos designaram de papel social. (IDEM).

Na visão de GONÇALVES (2011:68), “papel é a unidade de condutas inter-


relacionais observáveis, resultante de elementos constitutivos da singularidade do agente e
de sua inserção na vida social.”

Assim sendo, papel Social é o conjunto dos comportamentos que se espera de um indivíduo
no desempenho das suas actividades sociais (SERRANO, 2008)

Apesar de cada um de nós poder incutir uma marca pessoal no cumprimento de certo papel,
em termos gerais, espera-se de todos os indivíduos, no desempenho de papéis idênticos,
comportamentos semelhantes.

Diante do pensamento acima referenciado, o papel social representa um esquema de


comportamento que temos direito de esperar de uma pessoa, numa dada situação social, ou
seja, o facto de os comportamentos dos indivíduos se adequarem e reflectirem os padrões de
cultura do grupo, torna – os de certo modo previsíveis, pois, face a uma determinada situação,
os indivíduos de um mesmo grupo provavelmente reagirão da mesma maneira.

Mas isto não faz com que nos deparamos sempre com o mesmo tipo de
comportamentos, pois a multiplicidade de funções específicas exercidas pelos membros de
um grupo leva à existência de comportamentos diversos, mas típicos.

Segundo SALLES (1997:54), advoga que, “em função da própria dinâmica dos grupos
e da plasticidade do ser humano as coisas nunca permanecem iguais, e a família precisa ser
instrumentalizada para conviver da melhor forma com os novos elementos que chegam, com
suas necessidades e diferenças”.

A respeito das mudanças sofridas nas instituições familiares, esses idosos,


provenientes de uma época em que a família era ampla, ainda preservam valores básicos de
reprodução, socialização, cuidado, protecção e ajuda económica. Valores esses que nada mais
são do que as valorizações afectiva, efectiva e social da família e que eles tentam resgatar para
a actual família em que estão hoje inseridos.

Para o idoso, a família ainda representa a principal fonte de ajuda e apoio para seus
membros, portanto quanto mais integrado ele estiver no seio familiar, maior será sua
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satisfação e melhor a sua qualidade de vida. A família é potencialmente o mais afectivo


sistema de apoio ao idoso, portanto, é de suma importância seu papel na valorização desses
indivíduos (IDEM).

No entender de CAMARANO (2002:35), “a presença do idoso na família pode ter


muito a contribuir para o grupo, uma vez que ele, além de ter uma história pessoal a oferecer
ao ambiente, representa ainda a história da estrutura familiar em si. São eles, os transmissores
de crenças, valores que contribuem para a formação de indivíduos conscientes de suas raízes
ajudando a construir seus referenciais sociais”.
O autor acrescenta dizendo que, os idosos representam na verdade, a memória da
família, do grupo, da instituição e da sociedade.
Diante do referenciado pelo autor acima, a presença de um idoso na família é de extrema
importância, visto que, os mesmos são responsáveis pela transmissão de valores sócio-
culturais para a geração mais nova. Como também, os idosos configuram-se como guardiões
da memória e tudo que por eles é contado.

Assim sendo na óptica de SALLES e FARIA (1997:144) lembram que:


A presença de um ser diferente pode alterar a dinâmica familiar, tornando-a
instável e as reacções dos membros também sofrerão mudanças de acordo
com cada individualidade. Entretanto, essa presença também pode fortalecer
as relações e ressignificar os valores familiares. A importância do
relacionamento familiar reside na sua contribuição para cada membro,
tornando possível a interacção e as realizações individuais e grupais.

A necessidade das famílias contarem com a colaboração dos avós nos cuidados diários
dos netos possibilita relações intergeracionais e um aprender recíproco através do convívio e
do diálogo. Mesmo com suas possíveis limitações físicas e financeiras, o idoso, muitas vezes
é o responsável pela manutenção dos filhos e pela criação e educação dos netos.

Face às dificuldades relativas ao mercado de trabalho enfrentado pelos mais jovens, o idoso,
em algumas situações, encontra-se expressivamente em melhores condições de vida financeira
do que aqueles. Ele é, geralmente, o proprietário da moradia que abriga os filhos, netos,
genros ou noras, e quem tem um rendimento fixo, mesmo que insuficiente (IDEM).

Na visão de CAMARANO (2004:69) ao abordar a participação do idoso na economia


familiar enfatiza que essa contribuição tem crescido ao longo do tempo: “Em 1980, a
contribuição do rendimento do idoso na renda da família foi de 46,6% e passou para 58,5%
em 2000”.
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1.3. Abordagem Teórica


Tratando-se de um estudo que aborda sobre a percepção social, remete-nos
naturalmente à ideia de interacção em diferentes níveis entre os actores sociais. Nesta ordem
de ideias, optamos em usar duas teorias, a Fenomenológica e a Funcionalista.

1.3.1.TeoriaFenomenológica

Ao propor investigar o quotidiano do homem, tomando como referencial a abordagem


fenomenológica, o pesquisador espera ir além do mundo das aparências e dos conhecimentos
teóricos e se aproximar da experiência humana sob novas perspectivas para apreendê-la a
partir de sua dimensão existencial. (DAS GRAÇAS, 2000)

Na óptica de Martins & Bicudo (1989:110), sustentam que o termo fenomenologia


deriva das palavras gregas: "phai-nomenon", que pode ser traduzida como aquilo que se
mostra por si mesmo, ou se mostrante, o manifesto; e "logos", significando, aqui, o discurso
esclarecedor que se estabelece pela comunicação. Portanto, a palavra "fenomenologia" pode
ser entendida como "o discurso esclarecedor a respeito daquilo que se mostra por si mesmo".

A Fenomenologia, dá importância às actividades desencadeada das pelos indivíduos


no seu quotidiano, que, na verdade não passa de uma pesquisa empírica dos métodos que os
indivíduos utilizam para realizar, e ao mesmo tempo dar sentido as suas acções diárias, das
quais fazem parte: conversar, comercializar, etc. Esta Teoria opera constantemente num
vaivém entre a observação no terreno e a leitura compreensiva dos dados disponíveis, e faz
uma descrição efectiva da essência do fenómeno. (Cfr FERREIRA, 1995)

Schutz na sua obra de 1979, afirma que em presença da Teoria fenomenológica, as


acções dos actores sociais devem ser considerados como produzidos pelas actividades
interactivas dos agentes, orientadas na base dos símbolos culturais, económicos ou politicas
de um determinado contexto social, resultando daí uma compreensão dos significados e das
acções por qualquer um dos agentes envolvidos na interacção, dando assim sentido as suas
práticas. (SCHUTZ, 1979: 27)

O mesmo autor, faz menção de dois aspectos bastante fundamentais no estudo ou


compreensão de um determinado fenómeno: a Atitude natural, e a Redução fenomenológica.
Assim, a Atitude natural reflecte as crenças, ideias, e conhecimentos do mundo exterior que
um indivíduo detém, que derivam essencialmente dos bodes expiatórios e do senso comum.
Enquanto, a Redução fenomenológica, significa um exercício reflexivo no sentido de procurar
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alterar tais conhecimentos, crenças do senso comum, problematizando e suspendendo-as ou


simplesmente: analisando-as (cientificamente).

Reforça o mesmo autor dizendo que, o mais importante na Redução fenomenológica,


não é necessariamente transformar o conhecimento do senso comum, mas apenas suspendê-lo,
ou colocá-lo entre parênteses, isto é, reflectir e duvidar dos factos sociais, questionando-os
impulsivamente, e não percebê-los como se de algo natural se tratasse. Segundo Schutz, o
mundo da vida quotidiana significa o mundo intersubjectivo que existia muito antes do nosso
nascimento, vivenciado e interpretado por outros, nossos predecessores, como um mundo
organizado.

Referir que, toda a experiência desse mundo, se baseia num “stock” de experiências
anteriores, e aquelas que nos são transmitidas por nossos pais e professores, as quais na forma
de conhecimento à mão, funcionam como experiências de vida (do presente e do passado), e
como códigos de referência e de interpretação das situações presentes, e a antecipação das
coisas que virão. Para o mesmo autor, o “stock” de conhecimento de um indivíduo, é o
conjunto de conhecimentos que o indivíduo aprende e através do qual, procura orientar as
suas acções diariamente.

Com base na Teoria, inferimos que, os actores sociais nas suas interacções possuem e
desenvolvem capacidades interpretativas que utilizam para fazer e dar sentido ao mundo para
qual contribuem activamente. Ora, a Teoria da Fenomenologia usada neste estudo,
(igualmente), permitiu-nos interpretar que, está presente no imaginário de alguns grupos
sociais do bairro de Napipine, aliás, em muitos Homens a quilo que Schutz chamou de
“atitude natural”, isto é, determinadas crenças, especulações, e convicções, segundo as quais,
o idoso é uma biblioteca.

1.3.2. Teoria Funcionalista

Giddens ressalta que, durante um longo período, o pensamento funcionalista foi


provavelmente a principal corrente teórica da Sociologia, em particular nos Estados Unidos da
América. Tanto Talcott Parsons como Robert Merton, considerados dois dos seus aderentes
mais proeminentes, inspiraram-se muito na obra de Durkheim. (GIDDENS, 2008)

Nessa ordem de ideias, é importante frisar que, o funcionalismo interpreta a sociedade


como se ela fosse um organismo; cada parte do sistema desempenha uma determinada função.
(BATALHA, 2004)
24

Segundo DICIONÁRIO DE SOCIOLOGIA (p:211) advoga que, Funcionalismo,


hipótese inicialmente inspirada no organicismo do séc. XIX, que postula, na sua forma
radical, que os elementos de uma sociedade constituem um todo indissociável, desempenha
um papel vital na manutenção do equilíbrio de conjunto e são, portanto, indispensáveis.

Consoante o referenciado acima, pode-se salientar que, a abordagem funcionalista têm


o princípio da valorização de cada parte que compõe a sociedade, no sentido de que, cada ser
possui uma função dentro de um organismo e que, caso um individuo deixa de exercer a sua
função como deve ser, isto pode comprometer o funcionamento de todo o sistema. E para o
bom funcionamento do mesmo (sistema ou do organismo), os seus elementos devem-se
manter unidos, e que só assim que a sociedade se manterá unida.

Para os funcionalistas, os indivíduos, os grupos e as instituições, têm por finalidade um


objectivo em comum que os unem, mas há um antagonismo nos papéis e nas funções que cada
um exerce. (BATALHA: 2004)
25

CAPITULO II: METODOLOGIA

2.1. Procedimentos Metodológicos

No que tange aos procedimentos científicos, é de salientar que, o estudo teve sua base
inicial na revisão da literatura. Onde por sinal teve-se contacto com várias obras literárias,
incluindo Jornal. E o respectivo material foi devidamente referenciado no desenrolar do
trabalho, assim como na página da bibliografia.

Neste sentido, com vista ao alcance dos objectivos orientadores da pesquisa, dedicou-se ao
método indutivo, visto que, o método indutivo parte do particular para chegar a uma
conclusão geral.

Nesta perspectiva, o método indutivo tem origem de pensadores empiristas como


BACON, HOBBES, LOCKE, HUME, pressupõe que o conhecimento é fundamentado
exclusivamente na experiência, sem levar em consideração princípios preestabelecidos.
(PRODANOV e FREITAS, 2013:25).

Na perspectiva do GIL (2008, 9), “o método indutivo parte do particular e coloca a


generalização como um produto posterior do trabalho de colecta de dados particulares. De
acordo com o raciocínio indutivo, a generalização não deve ser buscada aprioristicamente,
mas constatada a partir da observação de casos concretos suficientemente confirmadores
dessa realidade”.

Sendo assim, a partir dos sujeitos pesquisados definimos como amostra 20 pessoas
residentes no bairro de Napipine conduziram na abrangência de toda população delineada na
pesquisa. Quanto ao tipo de pesquisa, a presente pesquisa, é de carácter aplicada.

A pesquisa de natureza aplicada é aquela em que o investigador é movido pela


necessidade de contribuir para fins práticos, maior ou menos imediatos, buscando soluções
para problemas concretos. (SILVEIRA, s.d)

E concernente a objectividade é exploratória visto que, o pesquisador tem por


objectivo colectar informações profundas em relação as percepções sociais sobre o papel do
idoso na família no bairro de Napipine.
26

Assim sendo, Segundo PADRONOVE & FREITAS (2013: 51), fomenta que
“pesquisa exploratória é uma fase preliminar da pesquisa, com finalidade de obter mais
informações (delimitação do tema) sobre um assunto (com pouco ou nenhum conhecimento) e
orientar os objectivos, métodos e a formulação das hipóteses ou mesmo dar um novo
enfoque”.

De acordo com os argumentos acima expostos, compreende-se que a pesquisa


exploratória parte com o princípio de cultivar mais esclarecimento a partir de um tema bem
restrito em relação um conteúdo com pouco ou nenhum conhecimento sobre ele e nortear os
objectivos, mecanismos e a enunciação das hipóteses ou levantar um novo olhar, também.

E quanto a abordagem a presente pesquisa pauta por um enfoque qualitativo. A


abordagem qualitativa consiste em contacto directo para obtenção de dado, interpretação de
fenómenos sociais e atribuição de significados pela parte do pesquisador. Mas argumenta se
que, abordagem qualitativa, o seu ambiente natural é a fonte directa para colecta de dados,
interpretação de fenómenos e atribuição de significados. (VIANNA, 2013: 1)

Porém, os dados foram colhidos por meio de entrevista. E segundo HAGUETTE


(1999:86), “ a entrevista é um processo de interacção social, no qual o entrevistador tem a
finalidade de obter informações do entrevistado, através de um roteiro contendo tópicos em
torno de um problema central”.

E para tal, teve-se como prioridade quanto ao tipo, a Entrevista Semi-Estruturada.


Pois, em torno desta, afirma GONÇALVES (2004:182) que, “entrevista semi-estruturada
intercala perguntas do roteiro e outras que surgem com o desenvolver da entrevista”.

A opção pela entrevista semi-estruturada teve seu propósito de permitir o informante


ou entrevistado a possibilidade de expressar as suas experiências a partir dos pontos principais
elaborados para a entrevista, e permitindo de igual modo respostas livres e espontâneas do
informante e ao entrevistador colocar perguntas ao longo da conversação que não estavam
previstas no roteiro.

Portanto, as perguntas de base do roteiro para a entrevista foram elaboradas com base nos
objectivos específicos da pesquisa.
27

2.2. Local do Estudo


A cidade de Nampula, é a cidade mais populacional da província com o mesmo nome
e fundamental corredor de desenvolvimento da região nortenha de Moçambique, região em
que, esta cidade vem edificando relações de trocas comercias, sociais e culturais. Encontra-se
na terceira posição como uma das cidades mais grande do país seguindo cidade da Beira e
Maputo, mas também é conhecida como capital da zona norte.

A Cidade de Nampula encontra-se ao longo do principal corredor que concebe acesso


ao Oceano Indico, a partir do porto de Nacala, da província setentrional do Niassa e das áreas
sul e norte da província de Cabo Delgado e Zambézia concretamente. (CHEREWA, 1996: 7)

2.2.1. Localização Geográfica e Limites

A cidade de Nampula localiza-se aproximadamente no Centro do espaço geográfico


do distrito que respondo por Nampula, também, um pouco afastado para o norte e ocupa uma
área de 404 km2. Do este para oeste tem uma extensão de 24,5 km entre os meridianos 390
23’ 28” e 390 10’ 00” Este; no sentido norte. Sul estende-se por 20,25 km a partir da barragem
do rio Monapo a um altitude de 150 01’33” S ate ao riacho Muepelume no paralelo 150
13’15”S”. (ARAÚJO, 2005: 210)

De acordo com Lopes (1995: 5), fundamenta que “a cidade de Nampula encontra-se
rodeado taxativamente pelo distrito de Nampula, pelo qual ocupa uma posição sensivelmente
central”.

Norte, o Rio Monapo, que separa do Posto Administrativo de Rapale;

Oeste, os Postos Administrativos de Rapale, Namaita e Anchilo,

Sul e Este, ainda pelo Posto Administrativo de Anchilo.

2.2.2. Divisão Administrativa da Cidade de Nampula

A cidade está organizada em 6 posto administrativos urbanos que estes por sua vez são
compostos por 18 bairros, consoante a exposição da tabela abaixo. O posto administrativo
central constitui a cidade de cimento, com 6 bairros pequenos, alem disso, a distribuição
administrativa é de maneira radical e em cada bairro estende-se o limite do posto
administrativo central que faz limite com o distrito de Nampula.
28

Portanto, qualquer um destes bairros tem uma parte com características suburbanas e a outra
parte com características rurais. (LOPES, 1995: 6)

Tabela 1 - Divisão administrativa da cidade de Nampula


POSTO BAIRROS
No
01 Central Bombeiros, 25 de Setembro, 1o de Maio,
Limoeiro, Liberdade e Militar
02 Muhala Muhala, Namutequeliua e Muahivire
03 Muatala Muata e Mutuanha
04 Natikire Marrere, Natikere e Murrapaniua
05 Napipine Napipine e Carrupeia
06 Namicopo Namicopo e Mutave Rex
Fonte: Araújo (2013: 205)

Localiza-se geograficamente no posto administrativo urbano de Napipine, localizado a


norte da cidade de Nampula, e é neste que se encontra o bairro de Napipine (o campo do
estudo da pesquisa).

O bairro de Napipine tem como limite a parte norte o rio Monapo e na zona sul tem
como limite a avenida de trabalho, a parte este limita-se com o bairro de Carrupeia e por fim a
parte oeste faz fronteira com o bairro de Murapaniuia.

2.2.3. Historial do Nome do Bairro

Napipine nasce na sequência da existência de curso de agua (actualmente designado de


Rio Napipine) que era preferido por uma espécie de aves designada em língua Emakhuwa de
Naphiphire, com isto, os primeiros habitantes que fixaram no bairro, vendo a influencia deste
tipo de aves apelidaram-no de Naphiphire que com tempo se vulgarizou pelas zonas
circunvizinhas. Entretanto, com a chegada dos portugueses que ocuparam o regulado Mpula,
ouvindo este nome de Naphiphire, aliado com dificuldades de expressa-lo acabaram por
baptizar o bairro por Napipine, nome conhecido actualmente. (AGE, 2011)
29

2.2.4. Dinâmica Populacional

A história de evolução da população da cidade de Nampula, tem uma estreita ligação


com as fases da evolução da própria cidade, evidenciando-se o fluxo de pessoas atraídas pelas
infra-estruturas e serviços que foram sendo criados.

Segundo os dados do último Recenseamento Geral da População e Habitação realizada


em 2007, a cidade de Nampula tem cerca de 477.990 habitantes, distribuídos pelos bairros
conforme a tabela 2 a baixo.

Tabela 2 - Distribuição da População da cidade de Nampula

ORDEM BAIRRO POPULAÇA


Bairro Central 25.568
01
02 Bairro de Muhala 38.338
03 Bairro de Muatala 47.365
04 Bairro de Napipine 45.752
05 Bairro de Namutequeliua 49.735
06 Bairro de Natikire 21.185
07 Bairro de Carrupeia 62.023
08 Bairro de Namicopo 41.889
09 Bairro de Mutava-rex 10.978
10 Bairro de Murrapaniua 22.582
11 Bairro de Marrere 7.779
12 Bairro de Mahivire 37.921
13 Bairro de Mutuanha 66.755
Fonte: INE com base nos dados do CENSO (2007)

De acordo com os dados acima referenciados, pode se observar que o bairro de


Napipine esta colocado na 5a posição com 45.752 mil habitantes, no que diz respeito a
questões populacionais a nível da cidade de Nampula. (SABONETE e AGE, 2012).
30

2.3. Dificuldades e Limitações da Pesquisa

Tratando se de um trabalho de pesquisa, deparei-me com certas dificuldades ao longo da sua


realização. E essas foram marcadas de princípio, no acesso a informação documentada de
Localização.

Uma das maiores dificuldades na realização da pesquisa foi a falta de computador.


Visto que, no processo da realização da mesma, o computador danificou-se, tornando assim a
realização da pesquisa mais demorada do que já estava previsto. Tendo que submeter ao
pesquisador a emprestar aos colegas e demais amigos computador para dar prosseguimento a
pesquisa.

De igual forma, a falta de um gravador nas entrevistas constituiu mais uma outra
dificuldade, o meio usado foi de anotar os depoimentos das entrevistadas e esse processo fez
com que as entrevistas durassem mais tempo na sua execução, levando uma duração de 20 a
30 Minutos.

Como também o tempo, foi um dos grandes entraves, isto porque, quando chegávamos
nas residências das famílias muitas das vezes não encontrávamos nenhum membro, levando
com que as entrevistas ocorressem nos sábados e domingos.

Para terminar, enfrentamos dificuldades da língua, visto que o pesquisador tem


dificuldade na fala como também na percepção da língua emakuwa, levando assim a pedir
auxilio aos colegas do curso para que pudessem facilitar na intermediação.
31

CAPITULO III: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS


RESULTADOS.

No presente capítulo, faz-se a apresentação dos resultados que sustentam os objectivos


que concernem com a pertinência do estudo. E interagiu-se com vinte (20) pessoas residentes
no Bairro de Napipine.

3.1. Percepçãodos Residentes do Bairro de Napipine sobre o Papel da Pessoa


Idosa

Durante a pesquisa tínhamos como objectivo perceber as diferentes formas como o


idoso é visto. Assim sendo, várias foram as respostas dadas concernente a pessoa idosa, as
respostas tenderam a ser uniformes, mostrando que, o idoso é o pilar da família, como afirma
o depoimento do nosso inquerido a seguir:

“Para mim o idoso é uma biblioteca viva, pois ele possui uma vasta
experiência de vida e é o responsável da família (…)”. [MALAQUIAS de 36
anos de idade, Funcionário do HCN]

“O idoso na família é multi-funcional, porque o mesmo é responsável pela


transmissão de conhecimento como também de aconselhar, tudo o que um
idoso fala deve ser acatado e posto em pratica, isto porque, ele tem uma vasta
experiência de vida e sabe das coisas (…)”. [Aires de 24 anos de idade,
estudante de direito UCM].

A ideia acima é partilhada com muitos dos nossos inqueridos, conforme


antecipadamente dissemos. Mas também há depoimentos que desassociam do parecer dado
pelo nosso entrevistado quando afirma que, a pessoa idosa é uma biblioteca viva e que o
mesmo é o pilar da família. Vejamos o parecer dado pelo um dos nossos entrevistados que
advoga que o idoso é uma pessoa má promotora de feitiçaria.

“Um velho é um uma pessoa má, porque ela não quer ver os mais jovens bem
na vida, promovem feitiçaria para que os jovens fiquem sem sorte de emprego
(…) muitos velhos são abandonados por isso, porque ninguém quer ficar com
um/a feiticeiro/a em sua casa (…)”. [José, desempregado e sem nenhum nível
escolar]
32

Esta ideia é reforçada com o depoimento do “avô Manuel” quando o mesmo afirma o
seguinte:

“Nós os idosos actualmente já não somos considerados como éramos


considerados antigamente, hoje em dia chamam-nos de feiticeiros, pessoa que
não tem utilidade, peso (…) são as mesmas pessoas que nós cuidamos, demos
carinho, mimos e sacrificamos para que os mesmo se formassem e agora nos
tratam mal. Queira Deus que eles cheguem a velhice e que os filhos e netos
deles tratem de igual modo a eles como eles a nós (…)”. [Avô Manuel, de 76
anos de idade]

Questionamos ainda sobre a percepção dos moradores sobre o papel do idoso na família, os
depoimentos diferem dos anteriores. Vejamos o seguinte depoimento.

“O papel do idoso é de educar os mais novos através das experiencias por ele
vivida, ele é o responsável pela perpetuação das nossas tradições no sentido
de que, ao transmitir esse conhecimento para os mais novos e que com o andar
do tempo esses mais novos vão crescendo e vão transmitindo os mesmo
conhecimentos adquiridos através do idoso (…)”. Como por exemplo nos ritos
de iniciação, quem fica por frente dos ensinamentos não são jovens mais sim
um idoso, isso devido as experiências que o mesmo têm em torno daquela
prática. [Mussa de 40 anos de idade, funcionário do aparelho do Estado]

Nem todos os inqueridos estão de acordo com o posicionamento de que o papel do


idoso é de educar ou responsável pela transmissão de conhecimento. Há quem afirma que o
papel do idoso é a de destruidora de famílias como comprova o depoimento abaixo:

“Para mim o idoso é uma pessoa que faz florescer maldade, destruído
casamento dos seus filhos e netos. Porque muitos reclamam da pessoa idosa
porque ela está sempre a se queixar de que jovens de hoje em dia não sabem
viver, não sabem se comportar e que nos tempos deles as pessoas não se
vestiam de uma forma inadequada como nos vestimos, eles esquecem de que os
tempos são outros e que não podemos viver consoante o passado (…) porque
quando chega a hora de apresentar as nossas noivas ou namoradas a eles,
reclamam por ela não ser do agrado deles e por vezes são os mesmo que
querem opinar ou escolher nossas parceiras de acordo com os seus gostos,
33

esquecendo-se de que quem irá viver com a tal mulher sou eu”. [Amílcar de 30
anos de idade e funcionário].

Facto intrigante foi, durante a conversa com o nosso inquerido José, o mesmo fez
menção de nunca ter tido a oportunidade de estar numa sala de aula como também nunca teve
contacto com seus avós, isto porque, quando bebé a mãe decidiu se mudar do distrito de
Barúe na província de Manica para a cidade de Nampula alegando que o seu avó tinha jogado
praga para sua vida, por isso seus relacionamentos dão certo.

A partir deste dado, nota-se que o factor educação escolar como também a não
convivência com um idoso influência bastante no quesito entendimento do ser idoso. Como
podemos notar nos depoimentos anteriores, como do José, que menospreza a pessoa idosa
reduzido-a como pessoa má e feiticeira.

3.2 Diferentes Concepções em relação ao Papel do Idoso na Família.

No nosso trabalho tínhamos como missão perceber as razões que determinam as


diferentes concepções em relação ao papel do idoso na família, deste modo, as respostas
dadas são diversificadas, mas a maioria afirma que é pelo facto da interacção que os mesmos
têm com a pessoa idosa, ora vejamos os depoimentos dos nossos inqueridos concernentes a
essa questão:

“A minha maneira de pensar desse jeito acerca do papel do idoso deve-se ao


contacto constante com o próprio idoso e por estar a vivenciar os seus
ensinamentos dia pós dia, isso me leva a pensar de quão é importante o papel
do idoso para nós os mais novos, acho que sem os ensinamentos deles
estaríamos sem norte (…)”. [Dona ROSA, de 40 anos de idade, professora de
Historia na Escola Secundaria de Nampula]

Não obstante ao depoimento acima, que certifica de que o factor contacto com a
pessoa idosa é que dita as diferentes concepções do papel do idoso na família, essa ideia é
também fundamentada com o depoimento a seguir:

“Tenho essa concepção a respeito do papel do idoso porque desde criança vivi
com os meus avós e eles ensinaram-me tudo o que sei hoje e o homem que mim
tornei isso é devido aos meus avós. Não tenho motivos de reclamação em
34

termos de ensinamento pós tornei-me integro graças a eles (…)”. [João de 28


anos de idade, estudante universitário do curso de gestão de empresas]

Há quem diverge dos posicionamentos tomados pelos dois sujeitos acima, mostrando
que, a percepção que o mesmo tem advém do que já ouviu e do que já leu sobre a pessoa
idoso nos mídias, como ilustra o depoimento:

“A pouca informação que eu tenho em torno do papel da pessoa idosa, obtive


através dos programas televisivos e internet, visto que não tive a sorte de ter
uma pessoa idosa na família desde que os meus avos faleceram. E não tenho
muito tempo de conversa com a minha mãe por causa do trabalho que ela tem,
não permite que a gente converse bastante acerca dos meus avos assim como
os ensinamentos que ela teve com eles(…)”. [Rafique, estudante de 21 anos de
idade]

3.3. Importância da Convivência com Idoso na Família


Apesar da situação descrita no título anterior, as famílias residentes no Bairro de
Napipine, reconhecem que a convivência com um idoso é de extrema importância. Pois, o
mesmo é responsável na transmissão de valores/tradição dos nossos antepassados.

“No meu entender é importante a convivência com um idoso, porque ele é um


espelho a se seguir (…) é o mesmo que ensina como devemos nos comportar
perante a sociedade, responsável pela transmissão de valores á nos mais novos
e assim teremos oportunidade de dar continuidade do que aprendemos
directamente com ele transmitindo a geração vindoura (…)”. [Hélder]

Com o intuito de percebermos mais alem em torno da importância da convivência com


um idoso, podemos notar que segundo a nossa inquerida Estefânia que partilha do mesmo
pensamento em torno da importância da convivência com um idoso, a mesma salienta o
seguinte:

“Para mim, é importante o contacto com a pessoa idosa porque é uma pessoa
com muita experiencia de vida e tem um conhecimento antigo e valiosos cujo
os mais novos não possuem esses conhecimentos (…) para o tempo em que nos
encontramos é bom ter um idoso na família porque consegue explicar aos mais
novos o que deve fazer e o que não deve fazer nos momentos difíceis e
35

importante da nossa via (…)”[Estefânia de 32 anos de idade, estudante de


AGE no IGCS]

Diferentemente dos depoimentos anteriores concernentes à importância da


convivência do idoso, valorizando o contacto entre as gerações, notamos também indivíduos
que descartam esse contacto, valorizando as redes sociais como meio de aprendizagem, como
podemos notar, nos dizeres do jovem Hélio que se segue:
“Não acho tão relevante a convivência com o idoso, parece que a ideia do
idoso ser aquela pessoa responsável pela transmissão de conhecimento ficou
para o passado, com esse processo de globalização, onde temos tudo que
quisemos a hora que quisemos (…) Onde podemos aprender tudo sem o
sermão desses velhos, porque hoje em dia até a tradição encontra-se na
internet por esse e outros motivos que acho pouco relevante a convivência com
um idoso na família (…)”. [Hélio de 20 anos, estudante do Ensino secundário]

“No meu entender o idoso é de grande valia, pois centraliza ou cria uma união
entre as gerações (…) ele busca aquela que é a essência, trazendo a
importância da união familiar, porque não existindo um idoso na família a
vida seria feitos de conflitos atrás de conflitos mal resolvidos (…)”. [Hélder]

Não obstante ao depoimento acima, verificamos que o pensamento do Sr. António


difere com o do Hélio ao afirma que a pessoa idosa é importante para união e harmonia no
seio familiar, ao fundamentar que:

“A importância que o idoso trás é de que com os seus ensinamentos eles


moldam o ser da nova geração, a forma de lidar com a sociedade, respeito (…)
já que a educação começa em casa, esse idoso com a sua experiencia ajuda
aos mais novos a se integrar duma forma educada em outros círculos para
além da família”. [Sr. António de 58 anos de idade]

Apesar dos depoimentos anteriores ilustrarem a importância que o idoso proporcionam para a
família, nem todos estão de acordo com tal pensamento. Como defende um dos nossos
inqueridos quando indagado acerca da importância do idoso trás para a família, o mesmo
respondeu-nos surpreendentemente que não vê a importância do idoso para a família.
“Não vejo importância algum que a pessoa idosa trás, além de gastos que ele
trás para a família (…)”. Porque é doença para cá, doença para lá (“…) as
36

pessoas gastam muito por um velho sabendo que o mesmo está prestes do seu
fim “. [Mirian de 29 anos de idade]
37

Conclusão

Durante a concepção deste trabalho fiquei a me perguntar como fecharia e concluiria


esta monografia. Inicialmente deixo claro que algo foi atingido (antes dos objectivos
propostos neste trabalho): uma reflexão mais profunda sobre toda uma problemática social,
principalmente, que envolve o idoso em nossa sociedade.

As discussões em relação à temática “Percepção social sobre o papel do idoso nas


famílias”, fez-se análise sob ponto de vista do Bairro de Napipine, Cidade de Nampula. O que
está bem claro que a sua generalização carece de estudos mais abrangentes a nível da
Província.
Nessa ordem de ideias, uma das maiores preocupações do presente trabalho é de
analisar o impacto da percepção social sobre o papel do idoso no seio das famílias no Bairro
de Napipine. E para a materialização daquilo que é o nosso principal intento, contamos com
os seguintes passos subsequentes, primeiro procuramos colher dados para identificar as
percepções sociais sobre o papel do idoso no seio da família.

Em segundo lugar procuramos informações relativamente às razões que determinam as


diferentes concepções em relação ao papel do idoso na família e por fim, colher informações a
respeito da importância da existência do idoso na família.

Os dados colhidos já em nossas mãos, notamos que as percepções em torno do papel


do idoso na família variam, a quem advogam que o papel do idoso é de salvaguarda e
perpetuar a cultura, transmitir ensinamentos a nova geração como também exerce o papel de
conselheiro na família. Mas também a quem se distancia desse posicionamento, defendendo
que o idoso é uma pessoa má, destruidora de famílias e feiticeira.

Além disso, constatamos que, as diferentes percepções no que tange o papel do idoso
está relacionado com o contacto ou a falta do mesmo com a pessoa idosa. Uma má
experiencia com um idoso também é o que dita as diferentes concepções sobre o papel do
idoso nas famílias.

Das informações colhidas no campo, notamos que a existência de um idoso na família


é extremamente importante, pós o mesmo centraliza a família criando união da mesma, ele é
responsável pela transmissão de valores sócio-culturais a geração mais nova, por mais que
uma percentagem não significante tenha uma opinião contrária de que o contacto com um
38

idoso não seja relevante porque o que ele pode transmitir os mesmos podem apreender na
internet pós tudo se encontra exposto lá.

Portanto, a partir dos resultados obtidos, analisados e interpretados constatamos que a


pouca valorização concernente a percepção do papel do idoso, visto que muito já tem o que a
Teoria da Fenomenologia defende, de que, está presente no imaginário de alguns grupos
sociais do bairro de Napipine, aliás, em muitos Homens a quilo que Schutz chamou de
“atitude natural”, isto é, determinadas crenças, especulações, e convicções, segundo as quais,
o idoso é uma pessoa má e feiticeira.

Sendo assim, a teoria funcionalista ajudou-nos a compreender a funcionalidade que o


idoso tem no seio familiar como também a abordagem fenomenológica, ao elucidar-nos que
as acções dos actores sociais devem ser consideradas como produzidos pelas actividades
interactivas dos agentes, orientadas na base dos símbolos culturais, económicos ou politicas
de um determinado contexto social, resultando daí uma compreensão dos significados e das
acções por qualquer um dos agentes envolvidos na interacção, dando assim sentido as suas
práticas.
39

Sugestões

Tendo como base o resultado da nossa pesquisa, produzimos algumas sugestões que
apresentamos de seguida:

 Promoção de campanhas de educação reflectindo sobre a importância da convivência


da pessoa idosa, com vista a mudança de mentalidade sobre a concepção que se tem do
idoso (visão de um feiticeiro, causadores de todos os males e infortúnios da família);
 As famílias deveriam promover mais encontros entres membros das mesmas, para que
haja o contacto entre a nova geração e os idosos, dando assim a conhecer desde
pequeno quão é importante a interacção com a pessoa idosa;
 Promoção de palestra em que o/a palestraste seja um/a idoso, de forma a promover
mais contacto com os mesmo;
 Introdução de disciplina curriculares nas escolas que retratam especificamente da
pessoas idosa no geral, de modo a dar a perceber os mais novos a importância dos
mesmos para a sociedade.
40

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AUTOR DO TRABALHO
Nome. Sérgio Alfredo Macore
Nickname. Helldriver Rapper
Facebook. Sérgio Alfredo Macore ou Helldriver Rapper Rapper
Morada. Pemba – Cabo Delgado
Telefone. +258 846458829
E-mail. Sergio.macore@gmail.com

NB. Depois de baixar esse trabalho, não esqueça de ligar para mim e agradecer.
Também, faço trabalhos por encomenda.

BOA SORTE
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Apêndices