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Cálculo Numérico

1ª edição

Cálculo Numérico

Deiwison Sousa Machado

Herivelto Nunes Paiva

Raquel Costa da Silva Nascimento

Tiago Moreira Cunha


Cálculo Numérico
DIREÇÃO SUPERIOR
Chanceler Joaquim de Oliveira
Reitora Marlene Salgado de Oliveira
Presidente da Mantenedora Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira
Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira
Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira
Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves

DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA


Gerência Nacional do EAD Bruno Mello Ferreira
Gestor Acadêmico Diogo Pereira da Silva

FICHA TÉCNICA
Texto: Deiwison S. Machado, Raquel Costa S. Nasciemnto, Tiago M. Cunha e Herivelto N. Paiva
Revisão Ortográfica: Rafael Dias de Carvalho Moraes
Projeto Gráfico e Editoração: Antonia Machado, Eduardo Bordoni, Fabrício Ramos e Victor Narciso
Supervisão de Materiais Instrucionais: Antonia Machado
Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos
Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos

COORDENAÇÃO GERAL:
Departamento de Ensino a Distância
Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo – Campus Niterói

C144c Cálculo numérico / Deiwison Sousa Machado, Raquel Costa da


Silva Nascimento, Tiago Moreira Cunha e Herivelto Nunes Paiva ;
revisão de Rafael Dias de Carvalho Moraes. – 1. ed. – Niterói, RJ:
UNIVERSO: Departamento de Ensino a Distância:, 2016.
109 p. : il.

1. Cálculos numéricos. 2. Sistemas lineares. 3. Funções


(Matemática). 4. Interpolação. 5. Ensino à distância. I. Machado,
Deiwison Sousa. II. Nascimento, Raquel Costa da Silva. III. Cunha,
Tiago Moreira. IV. Paiva, Herivelto Nunes. V. Moraes, Rafael Dias de
Carvalho.

CDD 518

Bibliotecária: Elizabeth Franco Martins – CRB 7/4990

Informamos que é de única e exclusiva responsabilidade do autor a originalidade desta obra, não se responsabilizando a ASOEC
pelo conteúdo do texto formulado.
© Departamento de Ensi no a Dist ância - Universidade Salgado de Oliveira
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhuma forma
ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora
da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO).
Cálculo Numérico

Palavra da Reitora

Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo,


exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de
Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSOEAD, que reúne os diferentes
segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi
desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero
bem-sucedidas mundialmente.

São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio


dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço
presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio
tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se
responsável pela própria aprendizagem.

O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que


permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo o
momento, ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de
nossa plataforma.

Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores


especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são
fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos.

A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a


distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-
sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo
de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização,
graduação ou pós-graduação.

Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando


as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o
programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona.
Seja bem-vindo à UNIVERSOEAD!
Professora Marlene Salgado de Oliveira

Reitora.
Cálculo Numérico

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Cálculo Numérico

Sumário

Apresentação da disciplina ............................................................................................. 7

Plano da disciplina ............................................................................................................ 9

Unidade 1 – Erros............................................................................................................... 11

Unidade 2 – Sistemas Lineares ....................................................................................... 29

Unidade 3 – Zero Reais de Funções Reais.................................................................... 61

Unidade 4 – Interpolação ................................................................................................ 79

Unidade 5 – Resolução Numérica de Equações Diferenciais Ordinárias .............. 95

Unidade 6 –Revisão........................................................................................................... 123

Considerações finais ......................................................................................................... 133

Conhecendo os autores ................................................................................................... 135

Referências .......................................................................................................................... 137

Anexos.................................................................................................................................. 139

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Cálculo Numérico

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Cálculo Numérico

Apresentação da Disciplina

Caro aluno,

Seja bem-vindo à disciplina de Cálculo Numérico da Universidade Salgado de


Oliveira – UNIVERSOEAD.

Esse material foi desenvolvido de modo cuidadoso para que os principais


conceitos relativos à disciplina fossem exibidos com uma linguagem simples e
clara. Além disso, o conteúdo traz inúmeros exemplos e exercícios de fixação para
facilitar ainda mais o aprendizado.

A disciplina contempla os conteúdos fundamentais para a disciplina de


Cálculo Numérico: estudo e análise de Erros, resolução de Sistemas Lineares,
resolução de Equações Algébricas e Transcendentes, método da Interpolação,
métodos numéricos para resolução de Integrais e Equações Diferenciais Ordinárias.

Estamos certos de que a leitura dos conteúdos será uma atividade dinâmica,
prática e prazerosa, além de contribuir de forma considerável para seu
desenvolvimento intelectual, acadêmico e profissional.

Bons estudos!

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Cálculo Numérico

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Cálculo Numérico

Plano da Disciplina

Unidade 1 – Erros

Nesta unidade trabalharemos os erros, sendo eles absolutos e relativos para


obter precisões nos cálculos futuros, onde permearemos as conversões em
diferentes bases trabalhando os erros mais comuns: erros de arredondamento e
truncamento.

Objetivos da unidade:

Este assunto tem como objetivo alertar o aluno sobre os erros numéricos
obtidos em um processo computacional. No entanto, a principio para
compreender esses erros, iremos estudar como os computadores operam com os
números.

Unidade 2 – Sistemas Lineares

Nesta unidade, vamos estudar como resolver Equações diferenciais ordinárias


utilizando métodos interativos, ou seja, métodos similares aos que aprendemos
para resolver sistemas lineares.

Objetivo da unidade:

Revisar os conceitos de equações diferenciais

Unidade 3 – Zero Reais de Funções Reais

Iniciaremos as atividades dessa unidade permeando os conceitos de zero de


funções reais, utilizando meios gráficos, para posteriormente solucionar as funções
f(x), através de um refinamento.

Objetivo da Unidade

Determinar e compreender os meios para solucionar diversas funções


polinomiais através de métodos distintos.

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Cálculo Numérico

Unidade 4 – Interpolação

Iniciaremos esta unidade trabalhando o conceito de interpolação e suas as


aplicações nas diversas ciências, para prosseguirmos nas interpolações polinomiais
e de Lagrange.

Objetivo da Unidade:

Verificar e compreender os meios e mecanismos de aproximação de funções.

Unidade 5 – Resolução Numérica de Equações Diferenciais Ordinárias

Nesta unidade, vamos estudar como resolver Equações diferenciais ordinárias


utilizando métodos interativos, ou seja, métodos similares aos que aprendemos
para resolver sistemas lineares.

Objetivo da unidade:

Revisar os conceitos de equações diferenciais

Unidade 6 –Revisão

Nesta unidade, nosso trabalho será dedicado a revisarmos todo o conteúdo


disponibilizado nas unidades anteriores, pois desta forma será possível praticarmos
um pouco mais os conhecimentos adquiridos ao longo do curso de cálculo
numérico dada a sua complexidade.

Objetivos da unidade:

Esta unidade tem por objetivo aprimorar o conhecimento do cursistas


adquirido ao longo do curso através da execução de exercícios de revisão.

Bons estudos!

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Cálculo Numérico

1 Erros

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Cálculo Numérico

Nesta unidade trabalharemos os erros, sendo eles absolutos e relativos para


obter precisões nos cálculos futuros, onde permearemos as conversões em
diferentes bases trabalhando os erros mais comuns: erros de arredondamento e
truncamento.

Objetivos da unidade:

Este assunto tem como objetivo alertar o aluno sobre os erros numéricos
obtidos em um processo computacional. No entanto, a principio para
compreender esses erros, iremos estudar como os computadores operam com os
números.

Plano da unidade:

1.1 Erros na fase de modelagem.

1.2 Erros na fase de resolução.

1.2.1 Conversão de bases.

1.2.2 Erros Absolutos e Relativos

1.2.3 Erros de arredondamento e truncamento.

Bons estudos!

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Cálculo Numérico

1.1 Erros

Para iniciar os estudos desta unidade, vamos pensar no seguinte problema:

− Calcular o comprimento de uma circunferência de raio 100m.

Como já sabemos, para calcular o comprimento de uma circunferência utiliza-


se a fórmula C = 2r. No entanto, é de conhecimento de todos que  é um número
irracional, ou seja, possui uma representação numérica infinita. Desse modo,
utilizando diferentes aproximações para valores de , encontraremos soluções
distintas para o problema.

Observe:
 Se  = 3,14 então C = 2 x 3,14 x 100, ou seja, C = 628m
 Se  = 3,1416 então C = 2 x 3,1416 x 100, ou seja, C = 628,32m
 Se  = 3,141593 então C = 2 x 3,141593 x 100 , ou seja, C = 628,3186m

Está claro que não é possível encontrar um valor exato para este comprimento.

Esta situação apresente um dos erros que iremos abordar nesta unidade: os
erros de arredondamento. Nesse caso, os erros surgem em virtude da escolha do
valor de . Vale ressaltar que erros como este irão surgir sempre que trabalharmos
com números irracionais.

Outro problema bastante comum é o caso do sistema de numeração utilizado


pelos computadores. Estas máquinas operam normalmente no sistema binário, ou
seja, o sistema de base 2. Ao inserir dados numéricos em um computador,
digitamos os valores na base decimal. O computador o converte para a base
binária, e efetua todas as operações neste sistema e, em seguida, o converte
novamente para o sistema decimal.

E, como iremos estudar mais adiante, alguns números no sistema binário


apresentam representação infinita, consequentemente, essa representação irá
causar alguns erros de forma similar ao exemplo anterior.

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Cálculo Numérico

Assim como diferentes calculadoras apresentam números limitados de dígitos,


o mesmo ocorre com os computadores, por isso se faz necessário estudar os erros
obtidos através desses processos numéricos. Esses erros irão ocorrer de formas
distintas dependendo do computador. No caso de representações numéricas
infinitas, quanto maior o número de dígitos utilizados, maior será a precisão.

As principais fontes de erros são as seguintes:


 Erros nos dados de entrada;
 Erros no estabelecimento do modelo matemático;
 Erros no arredondamento durante a computação;
 Erros de truncamento;
 Erros humanos e de máquinas.

Nesta unidade vamos estudar apenas erros decorridos da representação dos


números em um sistema computacional. Estes erros decorrem da representação
dos números na máquina utilizada. No entanto, vale lembrar que os erros podem
aparecer em dois momentos no processo de resolução de um problema: na fase de
modelagem e na fase de resolução.

Erros na fase de modelagem.

Dizemos que ocorreu um erro na fase de modelagem quando o modelo


existente não nos permite que se tenha uma precisão de várias casas decimais, por
exemplo, se desejamos calcular a força de um objeto em queda livre, não basta
apenas calcular F = m . a , pois existem outros fatores que irão influenciar nos
cálculos, como variação na gravidade em função da altitude em relação ao nível do
mar, a resistência do ar, entre outros.

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Cálculo Numérico

1.2 Erros na fase de resolução.

Erros relativos à fase de resolução podem ocorrer em virtude do fato de um


número não ter representação finita no sistema binário, ou através de
arredondamentos ou truncamentos como estudaremos nas seções a seguir.

1.2.1Conversão de bases.

Para compreender como ocorrem os erros relacionados ao sistema binário,


vamos a principio entender como o computador opera as informações numéricas
que recebe. Para isso, é necessário conhecer o sistema de numeração binário, ou
seja, o sistema de base 2.

Utilizamos o sistema de numeração decimal, e este é formado pelos seguintes


algarismos: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. Todos os números que conhecemos são
formados a partir da combinação desses algarismos. No sistema de numeração
binário, os únicos algarismos que dispomos para escrever todos os números deste
sistema são: 0, 1. No sistema de base 3, utilizamos os algarismos 0, 1 e 2, e assim por
diante. De forma geral, podemos dizer que no sistema de base n, os algarismos
utilizados são: o, 1, 2, ... (n-1).

Se quisermos comparar os sistemas decimais e binários teríamos as seguintes


equivalências:

Base 10:
0 1 2 3 4 5 6 ...
↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓
Base 2:
0 1 10 11 100 101 110 ...

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Cálculo Numérico

Perceba que podemos representar todos os números do nosso sistema de


numeração decimal no sistema binário. É exatamente nesta linguagem que os
computadores operam, no sistema de numeração binário.

− Como converter um número do sistema decimal para uma base


qualquer:

Para converter um número escrito no sistema de numeração decimal para a


base n deve-se dividir o número na base decimal por n, e em seguida, continuar
dividindo os quocientes até que este seja menor que a base. Observe o processo de
conversão:

Exemplo 01: Converter 56 para a base 5:

56 = ( 211 )5

Exemplo 2: Converter 25 para a base 2:

25 = ( 11001 )2

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Cálculo Numérico

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES:
I – Observe que os números são formados através da junção do último
quociente seguido dos demais restos.
II − Para bases maiores que 10, utilizaremos letras para representar algarismos
maiores que 9, por exemplo:
a = 10 c = 12 e = 14
b = 11 d = 13 f = 15

III – Na base dez, alguns números fracionários ao serem convertidos para a base 2
apresentam uma representação infinita, observe como é realizado nos exemplos a
seguir.

Exemplo 03: Converter 202 para a base 12:

202 = ( 14a )12

Exemplo 04: Converter 4,6875 para a base binária.

Considere 4,6875 = 4 + 0,6875. Vamos converter a principio a parte inteira, e


como já aprendemos anteriormente, 4 pode ser escrito por (100)2.
Para converter a parte fracionária utilizaremos o seguinte processo:

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Cálculo Numérico

Dado o número 0.6875, vamos multiplicar o número após a vírgula sucessivas


vezes, observe:
0,6875 x 2 = 1,375
0,375 x 2 = 0,75
0,75 x 2 = 1,5
0,5 x 2 = 1

O resultado será o número formado por todas as partes inteiras dos resultados
obtidos. Logo podemos dizer que o número 0,6875 equivale a (0.1011)2. Desse
modo, o número 4,6875 na base 2 é ( 100, 1011 )2.

− Como converter um número do sistema binário para o sistema decimal:

O processo de conversão inverso é bastante simples! Vamos considerar como


exemplos os números convertidos anteriormente:

Exemplo 05: Converter ( 211 )5 para a base 10.


( 211 )5 = 2 . 52 + 1 . 51 + 1 . 50 = 56
( 211 )5 = 2 . 25 + 1 . 5 + 1 . 1
( 211 )5 = 50 + 5 + 1
( 211 )5 = 56

Exemplo 06: Converter ( 11001 )2 para a base 10.


( 11001 )2 = 1 . 24 + 1 . 23 + 0 . 22 + 0. 21 + 1 . 20
( 11001 )2 = 1 . 16 + 1 . 8 + 0 . 4 + 0. 2 + 1 . 1
( 11001 )2 = 16 + 8 + 0 + 0 + 1
( 11001 )2 = 25

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Cálculo Numérico

Exemplo 07: Converter ( 14a )12 para a base 10.

( 14a )12 = 1 . 122 + 4 . 121 + a . 120


( 14a )12 = 1 . 122 + 4 . 121 + 10 . 120
( 14a )12 = 1 . 144 + 4 . 12 + 10 . 1
( 14a )12 = 144 + 48 + 10
( 14a )12 = 202

Exemplo 08: Converter ( 100, 1011 )2 para a base 10.

(100, 1011)2 = 1 . 22 + 0 . 21 + 0 . 20 + 1 . 2−1 + 0 . 2−2 + 1 . 2−3 + 1 . 2−4


(100, 1011)2 = 1 . 4 + 0 . 2 + 0 . 1 + 1 . ½ + 0 . ¼ + 1 . 1/8 + 1 . 1/16
(100, 1011)2 = 4 + 0 + 0 + ½ + 1/8 + 1/16
(100, 1011)2 = 4 + 0,5 + 0,125 + 0,0625
(100, 1011)2 = 4,6875

− Ponto fixo e ponto flutuante:

Agora que já aprendemos a converter os números para diferentes bases,


vamos nos aprofundar no sistema de aritmética do ponto flutuante, pois é através
desta representação que os computadores representam e operam os dados
numéricos que enviamos.

Considere o número 73,025. Este número pode ser escrito de forma


equivalente:

73,025 = 73 + 0,025

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Cálculo Numérico

Vamos escrever este número no sistema binário. Como já fizemos em cálculos


anteriores, a principio convertemos a parte inteira, ou seja,73 = (1001001)2. Em
seguida, convertemos a parte fracionária:

0,025 x 2 = 0,05  0
0,05 x 3 = 0,1  0
0,1 x 2 = 0,2  0 Observe que após a multiplicação de 0,8

0,2 x 2 = 0,4  0 x 2 , teremos uma sequência repetida de

0,6 x 2 = 1,2  1 partes inteiras.

0,2 x 2 = 0,4  0
0,4 x 2 = 0,8  0 Então podemos afirmar que:
0,025 = ( 0,00001001001001)
0,8 x 2 = 1,6  1
0,6 x 2 = 1,2

Logo, 0,025 = ( 0,00000110)2. E, sendo assim teremos que:

73,025 = (1001001,00001001 001001)2

Para escrever este número na notação de Ponto Flutuante é preciso ter apenas
um algarismo na parte inteira. Para isso, irá ser preciso deslocar a vírgula 6 casas a
frente, então:

1,00100100001001001001 x 26

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Cálculo Numérico

OBSERVAÇÃO:

Se tivéssemos que deslocar a vírgula para a direita, o expoente da base


seria negativo.

No entanto, ainda precisamos escrever o expoente da base na forma binária,


logo teremos:

1,00100100001001001001 x 2110

Um número escrito na notação de Ponto Flutuante, terá a seguinte forma:


± (.d1d2 ... dt)B x Be
Onde:
 B  base em que a máquina opera.
 .d1d2 ... dt  Mantissa
 t  número de dígitos na mantissa ( parte após a vírgula)
 e  expoente no intervalo [ m, M ]

ATENÇÃO: O intervalo de e depende da máquina utilizada. Teremos


alguns erros decorrentes da impossibilidade de ser representar um número
dado se:

e > M  Overflow ou e < m  Underflow

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Cálculo Numérico

Exemplo 09:

Considere os números abaixo e vamos escrevê-lo na notação de ponto


flutuante de 3 dígitos para a base 10, com e  [−4, 4 ]:

− 135,94 − 0,13594 x 103 Sem erros


−5
0,ooooo8 0,8 x 10 Underflow
5
876346, 27 8,7634627 x 10 Overflow

Se estivéssemos operando em uma máquina que utilize um sistema de


aritmética de ponto flutuante de 4 dígitos, no primeiro caso, as operações
ocorreriam sem problemas, o sistema apenas irá realizar o arredondamento (−
0,136 x 103 ) ou o truncamento (− 0,135 x 103). No segundo e terceiro casos, o
número não pode ser representado por esta máquina, em 0,8 x 10−5 acusaria a
ocorrência de underflow, ou seja, o expoente é menor que −4, e em 8,7634627 x
105, temos a ocorrência de um overflow, ou em outras palavras, expoente maior
que 4.

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES:

I − O arredondamento altera ou não o último algarismo do número


dependendo do algarismo seguinte, já o truncamento, considera apenas a
quantidade de dígitos considerados, não importando qual será o próximo
algarismo.

II – Precisão dupla: é o mesmo sistema estudado acima, no entanto, neste


caso utiliza-se o dobro de dígitos para a mantissa.

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Cálculo Numérico

1.2.2 Erros Absolutos e Relativos.

Quando realizamos alguma aproximação é muito importante se estimar o erro


obtido nesta operação. Esta estimativa pode ser obtida através de dois conceitos: o
erro absoluto ou o erro relativo.

I − ERRO ABSOLUTO: É a diferença entre o valor exato de um número x e seu


valor aproximado ̅ .

O erro absoluto só poderá ser determinado se x for conhecido com exatidão. É


comum trabalhar com um valor limite superior para o erro, ao invés do próprio
erro, ou seja, consideramos |E | < ε, onde ε é o limitante.

Exemplo 10:

Sabemos que  = 3,141516.. ,ou de outra forma podemos dizer que  

( 3,14, 3,15 ).

3,15 3,14

0,01−2

II − ERRO RELATIVO: É a razão entre o erro absoluto pelo valor aproximado.

̅
̅ ̅

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Cálculo Numérico

1.2.3Erros de arredondamento e Truncamento no sistema de ponto


flutuante.

A seguir você encontrará todas as fórmulas para calcular os erros em algumas


operações, sem considerar os erros de arredondamento ou truncamento no final
do resultado.

Adição Subtração

Multiplicação Divisão

̅ . . . .

Vamos denominar OP, o resultado exato da operação. Em todo operação, o


resultado é normalizado e em seguida truncado ou arredondado para t dígitos,
obtendo o resultado aproximado. O erro relativo ao resultado de uma operação
será:
 | ER OP| < 10 –t + 1  no Truncamento
 | ER OP| < ½ . 10 –t + 1  no Arredondamento

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Cálculo Numérico

Observe os exemplos a seguir:

Exemplo 11:
Dados x = 0,8732 . 105 e y = 0,8669 . 103, vamos obter:

a) x + y:

Para somarmos dois valores em aritmética de ponto flutuante, devemos fazer


com q mantissa do menor expoente se torne igual a mantissa do número de maior
expoente. Para isso, vamos considerar o número y = 0,8669 . 103 e deslocar a
virgular para a esquerda, e vamos obter: y = 0,008669 . 105.

Realizando a operação, teremos:

x + y = 0,8732 . 105 + y = 0,008669 . 105


x + y = (0,8732 + 0,008669 ) . 105
x + y = 0,881869 . 105

Desse modo, teremos x + y = 0,88187 . 105 no arredondamento e, x + y =


0,88186 . 105 , no truncamento.

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Cálculo Numérico

b) x . y:

Para calcular o produto, basta recordar de uma importante propriedade das


potências: potências de mesma base, repete-se a base soma os expoentes. Então,
teremos:

x . y = 0,8732 . 105 . 0,8669 . 103


x . y = 0,8732 . 0,8669 . 105 . 103
x . y = 0,75697708 . 108

Neste caso, teremos que o resultado da operação será: x.y = 0,9770 . 108
para o arredondamento, e x.y = 0,7569 . 108

É HORA DE SE AVALIAR

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

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Cálculo Numérico

Exercícios - Unidade 1

1. Converta os números escritos no sistema decimal abaixo para a base solicitada:

a) 54 para a base 4
b) 192 para a base 5
c) 29 para a base 3
d) 301 para a base 13
e) 6608 para a base 11

2. Converta os números na forma binária para a forma decimal:

a) (10111)2 =
b) (10111,101)2 =
c) ( 0,10011001...)2 =
d) (100100101001)2 =
e) (0,1101)2 =

3. Converta os números da forma decimal para a forma binária.

a) 45 =
b) 2,5=
c) 0,1=
d) 12 =
e) 10,05 =

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Cálculo Numérico

4. Escreva os números abaixo na notação de ponto flutuante de 3 dígitos para a


base 10, com e  [−4, 4 ]: ( ATENÇÃO: Dizemos que um número está normatizado
quando em ± (.d1d2 ... dt)B x Be d1 ≠ 0.)

a) – 278,13 =
b) 1,34 =
c) 0,00000227013 =
d) 1/32 =
e) 10872 =

5. Considere um sistema de aritmética de ponto flutuante de 4 dígitos, base


decimal e com acumulador de precisão dupla. Dados os números:

x = 0,8123 x 104 y = 0,3154 x 10−3 e z = 0, 2457 x 10

Efetue as operações e obtenha o erro relativo no resultado, supondo que x, y e


z estão exatamente representados:

a) x+y+z
b) x–y–z
c) x/y
d) (x. y)/z
e) x ( y/z)

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Cálculo Numérico

2 Sistemas Lineares

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Cálculo Numérico

Iremos iniciar as atividades dessa unidade definindo os sistemas lineares e


verificando as terminologias de suas variáveis, para posteriormente trabalharmos
os diferentes métodos de solução.

Objetivos da unidade:

Trabalhar e compreender as diversas possibilidades e métodos para


resoluções de sistemas lineares.

Plano da unidade:

2.1 Introdução.
2.1.1 Classificação quanto ao número de soluções.
2.1.2 Sistemas triangulares.
2.1.3 Transformações elementares.
2.1.4 Substituição retroativa.
2.2 Métodos diretos.
2.2.1 Regra de Cramer
2.2.2 Método de Gauss.
2.2.3 Método de Gauss-Jordan.
2.2.4 Cálculo de determinantes.
2.3- Métodos iterativos.
2.3.1 Método de Jacobi.
2.3.2 Método de Gauss-Seidel.

Bons estudos!

30
Cálculo Numérico

Sistemas Lineares:

Para dar continuidade aos nossos estudos do Cálculo Numérico, iremos


estudar nessa unidade os sistemas lineares e alguns importantes conceitos
relacionados a este assunto.

2.1. Introdução.

A palavra sistema vem do grego systema (sy significa ‘junto’ e sta significa
‘permanecer’). Na Matemática, sistema é conjunto de equações que apresentam
resultados que devem satisfazer simultaneamente todas as equações.

Para compreender o que significa um Sistema de Equações Lineares, é


necessário entender o que é uma equação linear.

Uma equação linear é toda equação que pode ser escrita na forma geral:
⋯ =b

De modo que:

 x1, x2, ..., xn são as incógnitas;


 a1, a2, ..., an são os coeficientes reais;
 b é o termo independente.

Denomina-se Sistema Linear S, de ordem m x n, o conjunto de m equações


lineares com n incógnitas, que pode ser representado de forma geral:



S=
… …… … …… …… …… …… …… ….

31
Cálculo Numérico

Também podemos representar S sob a forma de somatório:

∑ com i = 1, 2, 3, ..., n.

Ou então, S pode ser escrito sob a forma matricial de duas diferentes maneiras:



…. …. …. …. .  Ax=b
… …

Onde:

A = Matriz dos coeficientes,

x = Vetor das variáveis,

b = Vetor constante.

Note que se você resolver a multiplicação de matrizes e em seguida igualar os


resultados obterá o sistema apresentado inicialmente.

Ainda, na forma matricial, podemos representar o sistema na forma de uma


única matriz, dita Matriz Completa:



S=
…. …. …. …. ….

32
Cálculo Numérico

IMPORTANTE:

OBSERVAÇÃO: Na maioria das vezes, as incógnitas x1, x2, ..., xn aparecem


como x, y, z, w, t, ....

Exemplo 01:

Observe alguns exemplos de equações lineares:

x + y = 12;
x – y + 2z = 10;
3x + y = –z + 10w.

ATENÇÃO: Não são equações lineares: + y=4 e + xy + = 6w.

− Solução de um Sistema linear:

Considere a equação linear:

⋯ = b.

Denominamos solução da equação, o vetor de números reais ( ,


, , ... , ) que satisfaz a equação, ou seja, que torna a igualdade verdadeira.

33
Cálculo Numérico

Exemplo 02:

Dada a equação x + y = 2, temos que:

a) O vetor (1, 1) é solução da equação, pois, 1 + 1 = 2. Outras possíveis


soluções seriam os vetores (0, 2) e (2, 0).
b) O vetor (2, 1) não é solução da equação porque 2 + 1 2. Também não
são soluções os vetores (1, 3), (4, 0) e (0, 0), por exemplo.

Exemplo 03:

Considere a equação 2x – 6y = 8. Temos que o vetor (4 + 3 , ), sendo um


número real qualquer, é solução da equação. Isto quer dizer, que a equação possui
infinitas soluções.
Neste caso, para cada valor de , temos uma solução diferente, observe:

a) = 0, o vetor (4, 0) é solução da equação, pois, 2.4 – 6.0 = 8 – 0 = 8.


b) = 1, o vetor (7, 1) é solução da equação, pois, 2.7 – 6.1 = 14 – 6 = 8.
c) = -1, o vetor (1,-1) é solução da equação, pois, 2.1 – 6.(-1) = 2 + 6 = 8.

Denominamos solução de um sistema linear o vetor de números reais ( ,


, , ... , ) que satisfaz todas as equações do sistema.

2.1.1. Classificação dos sistemas lineares:

Um sistema linear pode ser classificado em: possível e determinado, possível e


indeterminado ou impossível. Esta classificação dependerá do número de soluções
que o sistema apresenta como veremos a seguir:

34
Cálculo Numérico

I - Sistema possível e determinado: é o sistema que possui uma única


solução. Observe o exemplo abaixo:

3 10
.
2 5 1

Note que o vetor (3, -1) é a única solução do sistema. Verifique!

II – Sistema possível e indeterminado: este segundo caso, ocorre


quando um sistema apresenta infinitas soluções.
Considere o sistema:
3 4
3 9 12

Tem-se que o vetor (7, 1) é solução do sistema assim como os vetores (4, 0) e
(10, 2). Confiram! Na verdade, o vetor (4 + 3 , ), com um número real qualquer,
constitui uma solução geral para o sistema.

III – Sistema impossível: É o sistema que não admite solução. O sistema


abaixo, por exemplo, é impossível porque não existe nenhuma solução que o
satisfaça as duas equações ao mesmo tempo.

2 5
2 4 2

2.1.2. Sistema triangulares

Para compreender o que é um sistema triangular, é importante recordar o


conceito de matrizes triangulares, observe as matrizes abaixo:

35
Cálculo Numérico

2 1 7
0 1 8  Exemplo de Matriz Triangular Superior
0 0 4

2 0 0
1 1 0  Exemplo de Matriz Triangular Inferior
3 4 4

De modo similar, dizemos que um sistema linear é dito triangular superior


quando todos os elementos abaixo da diagonal principal são nulos.

2.1.3. Transformações elementares

Existem determinadas operações que podem ser aplicadas a um sistema linear


que não afetam a solução. A essas transformações damos o nome de
transformações elementares. São as seguintes operações:

I. Trocar a ordem de duas equações do sistema;


II. Multiplicar uma equação por um número real qualquer não nulo;
III. Adicionar duas equações do sistema, obtendo uma nova equação.

Os sistemas lineares são ditos equivalentes quando admitem a mesma


solução. Vale ressaltar que dado dois sistemas lineares S1 e S 2, e ambos equivalentes
podem obter S 2 a partir de uma sequência finita de operações elementares em S1.

2.1.4. Substituição retroativa

Quando o sistema está associado a uma matriz triangular, podemos resolvê-lo


através do procedimento conhecido como substituição retroativa.

36
Cálculo Numérico

Seja o sistema linear A x = b, representado abaixo, onde A é triangular superior


n x n, com elementos da diagonal diferentes de zero, B é o vetor de coeficientes do
sistema e X é o vetor das incógnitas.



…… … … … … … …
…… …

Da última equação desse sistema, podemos calcular o valor da incógnita :

Substituindo o valor de na penúltima equação do sistema, calculamos o


valor de :

,
=
,

Sucessivamente, fazendo as substituições retroativas, podemos encontrar os


valores de , ... , e, finalmente, .
O método da substituição retroativa será melhor compreendido através
do exemplo a seguir:

37
Cálculo Numérico

Exemplo 04:
Vamos resolver o sistema dado por meio de substituições retroativas.

8
2 2
2 5
2 6

Representando este sistema na forma matricial, podemos perceber


facilmente que ele está associado a uma matriz triangular superior:

1 1 1 1 8
0 2 1 1 2
.  A. x = b
0 0 2 1 5
0 0 0 2 6

Para obter a solução deste sistema, vamos retornar ao sistema inicial, na última
equação temos: 2t = 2 , e obtemos t = 3.

Substituindo t = 3 na equação acima, 2z + t = 5, temos que z = 1.

Em seguida, substituindo t = 3 e z = 1 na segunda equação, 2y + z + t = 2,


encontramos que y = -1.

Finalmente, fazendo t = 3, z = 1 e y = -1 na primeira equação encontramos que


x = 5.
Logo, a solução do sistema será (5, -1, 1, 3). Verifique!

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES:

Os métodos de resolução de sistemas lineares podem ser classificados


em dois grandes grupos: métodos diretos (alguns autores também chamam de
exatos) e métodos iterativos.

Nos próximos tópicos vamos discutir alguns desses métodos.

38
Cálculo Numérico

2.2. Métodos diretos

Os chamados métodos diretos ou exatos para resolução de sistemas lineares


são aqueles que forneceriam a solução exata do sistema, através de um processo
com um número finito de operações aritméticas, se não fossem os erros de
arredondamento. Desprezando os erros de arredondamento, os métodos exatos
produzem uma solução, se houver, utilizando uma sequência finita de passos.

Os métodos diretos mais utilizados na prática são o método de Gauss e o


método de Gauss-Jordan, também chamado apenas de método de Jordan.

2.2.1. Regra de Cramer

O primeiro método que vamos estudar é a regra de Cramer. Este método já


estudado anteriormente, nos apresenta a solução exata do sistema.

Se Ax = b, é um sistema de “n” equações lineares em “n” incógnitas tal


que a det(A) ≠ 0 (determinante de A diferente de zero), então o sistema tem uma
solução. E esta solução é dada por:

; …

Onde Ax é a matriz obtida substituindo as coluna com os coeficientes de x pela


coluna dos termos independentes, e assim por diante.

Observe o exemplo a seguir:

39
Cálculo Numérico

Exemplo 05:
2 3 1
Considere o seguinte sistema linear: 2 0
2 2 4

Devemos encontrar os valores das incógnitas (x, y, z) que representem uma


solução comum para cada equação do sistema. Sendo assim, para iniciarmos a
solução devemos obter a matriz A.

2 1 3
1 2 1
2 1 2

Agora que definimos a matriz A, devemos encontrar a determinante dessa


matriz, onde por ser uma matriz de ordem 3, vamos repetir a duas primeiras linha
abaixo da matriz e multiplicar os termos na diagonal e depois subtrair a diagonal
principal pela secundária.

Det( A ) = [(2 x 2 x 2) + (1 x 1 x 3) + (2 x -1 x -1)] – [(3 x 2 x 2) + (-1 x 1 x 2) + (2 x -1 x 1)]


Det(A) = [ (8) + (3) + (2) ] – [(12) + (-2) + (-2)]
Det(A) = [ 8 + 3 + 2 ] – [ 12 – 2 – 2 ]
Det(A) = [ 13 ] – [ 8 ]
Det(A) = 5

40
Cálculo Numérico

Agora que encontramos a determinante de A, devemos obter a matriz Ax e


calcular o seu determinante, para isso, substituímos a coluna (x) pelos termos
independentes do sistema de equações lineares e depois fazemos a regra exposta
acima.

Sendo assim temos:

Fazendo o processo anterior para Ax teremos: Det(Ax) = -15

Agora encontraremos Ay:

41
Cálculo Numérico

Fazendo o processo anterior para Ay teremos: Det(Ay) = 16

Agora encontraremos Az:

Fazendo o processo anterior para Ax teremos: Det(Ay) = 17

Pela fórmula de Cramer teremos:

15
→ →
5

16
→ → ,
5

17
→ → ,
5

2.2.2. Método de Gauss


O método da eliminação de Gauss, ou simplesmente método de Gauss,
consiste em transformar, através da aplicação das operações elementares, o
sistema linear original em outro sistema linear equivalente cuja matriz dos
coeficientes é triangular superior. Assim, basta fazer substituições retroativas a fim
de encontrar os valores das incógnitas.

42
Cálculo Numérico

O método pode ser implementado em três etapas:

1) Escreva a matriz completa associada ao sistema;


2) Triangularize a matriz através das operações elementares;
3) Resolva o sistema por meio da substituição retroativa.

Exemplo 06:
Resolva os sistemas abaixo, utilizando o método de Gauss.

2 3
a) 2 0
3 2

1°Passo: Primeiramente escrevemos a matriz completa associada ao sistema:

1 2 1 3
2 1 1 0
3 1 1 2

2°Passo: Iniciamos o processo para tornar a matriz triangular superior. Tomamos o


elemento a11 = 1 como pivô e fazemos as seguintes substituições elementares:

L2← L2 – 2L1 e L3← L3 – 3L1.

Realizando os cálculos e substituindo as respectivas linhas, chegamos à seguinte


matriz:

1 2 1 3
0 3 3 6
0 7 4 11

43
Cálculo Numérico

Agora, tomando o elemento a22 = -3 como pivô, e fazendo a substituição


L2← L2, tem-se:
1 2 1 3
0 1 1 2
0 7 4 11

Por fim, fazemos a substituição L3← L3 + 7L2 e encontramos a matriz


triangular superior associada ao sistema:
1 2 1 3
0 1 1 2
0 0 3 3

Portanto, chegamos ao seguinte sistema equivalente:

2 3
2
3 3

3° Passo: No último passo, basta fazer as substituições retroativas.

Da última equação 3z = 3, encontramos que z = 1. Substituindo z = 1 na


equação y + z = 2, obtemos y = 1. Substituindo z = 1 e y = 1 na primeira equação x
+ 2y + z = 3, chegamos que x = 0. Portanto, o sistema é possível e determinado,
com solução 0, 1, 1 T.

2 4 10 6
b)
3 6 15 11

44
Cálculo Numérico

1° Passo: Escrevemos a matriz completa associada ao sistema:

2 4 10 6
3 6 15 11

2° Passo: Aplicamos o processo de triangularização. Inicialmente vamos fazer a


substituição L1←0,5L1.
Realizando os cálculos, chegamos à seguinte matriz:

1 2 5 3
3 6 15 11

1 2 5 3
Agora, fazemos L2←3L1 – L2 e obtemos:
0 0 0 2

2 5 3
3° Passo: Logo, o sistema equivalente é:
0 0 0 2

Da última equação, concluímos que o sistema é impossível. Portanto, a solução é


vazia, S = ∅.

3 9 6
c) 5 15 10
2 6 4

1°Passo: Escrevemos a matriz completa associada ao sistema:

3 9 6
5 15 10
2 6 4

45
Cálculo Numérico

2° Passo: Vamos realizar as operações elementares:

1 3 2
L1 ← 1/3L1  5 15 10
2 6 4

1 3 2
L2 ← L2 – 5L1  0 0 0
2 6 4

1 3 2
L3 ← L3 + 2L1  0 0 0
0 0 0

3° Passo: Logo, o sistema equivalente é:

3 2
3 2
0 0 0 
0 0 0
0 0 0

Na última equação, considerando y uma incógnita livre, temos: x = 2 + 3y.


Logo, o sistema é possível e indeterminado, pois fazendo y = , com um número
real qualquer, encontramos infinitas soluções para o sistema, observe: S = (2 + 3 ,
),   R.

2.2.3. Método de Jordan

O método de Jordan, ou método de Gauss-Jordan, é bem semelhante ao


método anterior. Consiste em transformar o sistema linear original em outro
sistema linear equivalente cuja matriz dos coeficientes é diagonal, através da
aplicação das operações elementares. Como a matriz obtida é diagonal, têm-se
diretamente os valores das incógnitas sem precisar fazer substituições retroativas.

46
Cálculo Numérico

Exemplo 07:
Resolva os sistemas abaixo, utilizando o método de Jordan.

2 4
2 0
1

Inicialmente, vamos escrever a matriz completa do sistema:

1 1 2 4
2 1 1 0
1 1 1 1

Em seguida, vamos efetuar as seguintes operações elementares:

1 1 2 4
L2 ← L2 – 2L1  0 3 5 8
1 1 1 1

1 1 2 4
L3 ← L3 – L1  0 3 5 8
0 2 3 5

1 0 1/3 4/3
L3 ← – 2/3L2 + L3  0 3 5 8
0 0 1/3 1/3

1 0 0 1
L1 ← L1 – L3  0 3 5 8
0 0 1/3 1/3

1 0 0 1
L2 ← L2 + 15L3  0 3 0 3
0 0 1/3 1/3

47
Cálculo Numérico

Terminamos o processo de diagonalização, obtemos o seguinte sistema


equivalente:

0 0 1 1
0 3 0 3  3 3
0 0 1/3 1/3 1/3 1/3

Imediatamente temos que x = 1, y = 1 e z = 1. Logo, a solução do sistema é (1, 1, 1)T.

IMPORTANTE

OBSERVAÇÃO: A diferença entre os dois últimos métodos


apresentados é que neste último, ao final das operações elementares a matriz dos
coeficientes se torna uma matriz diagonal e não uma matriz diagonal superior.

2.2.4. Cálculo de determinantes

Uma aplicação imediata dos métodos de Gauss e de Jordan é o cálculo de


determinantes. Conforme a ordem da matriz aumenta, o procedimento para
computar o seu determinante torna-se extenso e mais complicado.

É necessário frisar que somente matrizes quadradas possuem determinantes.


E, para se calcular as determinantes das matrizes triangulares superior, triangulares
inferiores e diagonais basta multiplicar os elementos da diagonal principal.

Desse modo, faremos uso de duas importantes propriedades para calcular


determinantes:

48
Cálculo Numérico

 Propriedade 1: Se A e B são matrizes equivalentes, então det (A) =


det (B).

 Propriedade 2: Se A é uma matriz triangular (superior ou inferior),


então o determinante de A é igual ao produto dos elementos de sua
diagonal principal.

Para calcular o determinante de uma matriz qualquer, basta aplicar o


método de Gauss ou Jordan para transformá-la em triangular e, depois, aplicar a
Propriedade 2. Vamos analisar alguns exemplos.

Exemplo 08:
Vamos calcular os determinantes das seguintes matrizes:

2 3 1
a) A = 4 4 3
2 3 1

2 3 1
L2 ← L2 – 2L1  0 2 1
2 3 1

2 3 1
L3 ← L3 – L1  0 2 1
0 6 2

2 3 1
L3 ← L3 – 3L2  0 2 1
0 0 5

49
Cálculo Numérico

Agora que já encontramos através das operações elementares uma matriz


triangular superior equivalente à matriz dada, vamos calcular o determinando de A.
Logo, det (A) = 2. (–2). 5 = –20.

5 7 2 2
0 3 0 4
b) B =
5 8 0 3
0 5 0 6

5 7 2 2
0 3 0 4
L3 ← L3 + L1 
0 15 2 5
0 5 0 6

5 7 2 2
0 3 0 4
L3 ← L3 + 5L2 
0 0 2 15
0 5 0 6

5 7 2 2
0 3 0 4
L4 ← L4 –5/3L2 
0 0 2 15
0 0 0 2/3

Logo, o det (B) será: det (B) = 5 . 3. 2. 2/3 = 20.

2.3. Métodos iterativos

Os ditos métodos iterativos para resolução de sistemas lineares são métodos


que fornecem uma sequência de soluções aproximadas para solução do sistema
com uma dada precisão, através de um processo infinito convergente.
Geralmente, são melhores do que os métodos diretos quando a matriz de
coeficientes é esparsa, tendo muitos elementos iguais à zero.

50
Cálculo Numérico

2.3.1 Método de Jacobi.

A ideia principal desse método é converter o sistema linear A.x = b, em um


sistema equivalente:

x= C. x+g

Partindo-se de uma aproximação inicial x(0) e construindo a sequência x(k +1) =


C . x(K) + g, sendo C(n x n) e g(n x 1), podemos chegar a soluções através de sucessivas
iterações.

Considere C é uma matriz de ordem (n) e g é um vetor de coluna (n x 1).


Genericamente, escreveremos o sistema da seguinte forma:

a11 x1 + a12 x2 + a13 x3 = b1


a21 x1 + a22 x2 + a23 x3 = b2
a31 x1 + a32 x3 + a33 x3 = b3

Para determinarmos os valores de x1, x2 e x3, vamos isolar os termos que se


encontram na diagonal principal.

a11 x1 = - a12 x2 - a13 x3 + b1


a22 x2 = - a21 x1 - a23 x3 + b2
a33 x3 = - a31 x1 - a32 x3 + b3

Sendo assim, obtemos:

51
Cálculo Numérico

Representando esse sistema em notação matricial, teremos:

0 .

Ou seja: X=C. x+g

Exemplo 09:
Vamos resolver o sistema através do método de Jacobi:

10 2 7 0,5
5 8 , onde 1,5 e 10
2 3 10 6 0,5

Onde: , .

52
Cálculo Numérico

Vamos iniciar a aplicação deste método, escrevendo o sistema dado na


notação matricial, ou seja:
10 2 1 7
1 5 1 e 8
2 3 10 6

O objetivo agora é anular a diagonal principal, através da divisão dos demais


coeficientes pelo valor correspondente ao coeficiente da sua diagonal, além de
inverter o sinal da matriz principal, onde seguimos a fórmula explicitada
anteriormente.
0 0,2 0,1 0,7
0,2 0 0,2 . 1,6
0,2 0,3 0 0,6

Através da anulação da diagonal principal conseguimos extrair as equações


para obter o valor de x, y, z, observe:
x = –0,2y – 0,1z + 0,7
y = –0,2x – 0,2z – 1,6
z = –0,2x – 0,3y + 0,6

Agora que determinamos as equações, vamos utilizar os valores da


hipótese inicial, para determina x(1), x(2), x(3).... x(n).

0,5
1,5
0,5

53
Cálculo Numérico

Substituído nas equações teremos:

1° Iteração:
x = –0,2 (-1,5) – 0,1(0,5) + 0,7 = 0,95
y = –0,2(0,5) – 0,2(0,5) – 1,6 = -1,8
z = –0,2(0,5) – 0,3(-1,5) + 0,6 = 0,95

Vamos fazer o mesmo processo, só que agora com os novos valores de x, y, z.

0,95
1,8
0,95
2° Iteração:
x = –0,2 (-1,8) – 0,1(0,95) + 0,7 = 0,965
y = –0,2(0,95) – 0,2(0,95) – 1,6 = -1,98
z = –0,2(0,95) – 0,3(-1,8) + 0,6 = 0,95

Esse processo irá se repetir 7 vezes, pois na 7ª iteração encontraremos o erro


de 10-3.

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES:

O erro é obtido através da diferença dos valores atribuídos a x, y, z,, entre a


iteração posterior e a anterior, ou seja, x(1) – x(0); x(2) – x(1); x(3) – x(2) ...

54
Cálculo Numérico

Para auxiliar os cálculos podemos formar a seguinte tabela:

x(0) x(1) x(2) x(3) x(4) x(5) x(6) x(7)


x 0,5 0,95 0,965 1,001 0,9965 1,00061 0,999566 1,000122
y -1,5 -1,8 -1,98 -1,983 -2,0004 -1,99824 -2,00029 -1,99978
z 0,5 0,95 0,95 1,001 0,9947 1,00082 0,99935 1,000173

Para calcular o Erro, podemos também fazer o uso de tabelas, observe:

x(1) – x(0) x(2) – x(1) x(3) – x(2) x(4) – x(3) x(5) – x(4) x(6) – x(5) x(7) – x(6)
0,45 0,015 0,036 -0,0045 0,00411 -0,00104 0,000556
-0,3 -0,18 -0,003 -0,0174 0,00216 -0,00205 0,000503
0,45 0 0,051 -0,0063 0,00612 -0,00147 0,000823

Erro encontrado para os três valores (Ɛ = 10-3).


Sendo assim temos como solução:

x = 1,000122 y = -1,99978 z = 1,000173

2.3.2 Método de Gauss-Seidel.


Para finalizar esta unidade, vamos aprender o último método de
resolução, para isso, observe o sistema abaixo:

a11 x1  a12 x2  a13 x3  ......  a1n xn  b1


a 21 x1  a 22 x 2  a 23 x3  ......  a 2 n x n  b2
.........................................................
a n1 x1  a n 2 x 2  a n 3 x3  ......  a nn xn  bn

55
Cálculo Numérico

Se aii ≠ 0 podemos isolar x = Cx + g, por separação da diagonal, igual ao


método anterior, podendo escrever o seguinte sistema:

x1
( k 1)

1
a11
 (k ) (k )
b1  a12 x2  a13 x3  ......  a1n xn
(k )

x2
( k 1)

1
a22

b2  a21 x1
( k 1) (k )
 a23 x3  ......  a2 n xn
(k )

.........................................................

xn
( k 1)

1
a nn

bn  an1 x1
( k 1)
 a n 2 x2
( k 1)
 ......  an ,n 1 xn 1
( k 1)

Logo podemos concluir que o método de Para relembrá-lo, vamos
apresentar a resolução do exemplo a seguir:
É uma variação do método de Gauss-Jacobi, sendo similar na
transformação do sistema em um sistema equivalente do tipo x=Cx + g. A
diferença consiste em que no método de calcular, a variável xj (k+1), usaremos
todos os valores x1 (k+1), x2(k+1), ..., xj – 1(k+1), já calculados.

Muito bem, chegamos ao fim desta unidade, agora é hora de refletir um


pouco sobre os conhecimentos adquiridos, e exercitar sobre os diversos métodos
de soluções de sistemas lineares que você estudou.

É HORA DE SE AVALIAR

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

56
Cálculo Numérico

Exercícios - Unidade 2

1. Resolva o sistema abaixo usando o método da eliminação de Gauss.

100
20
40
80

2. Três amigas, Ana, Beatriz e Carla, foram a uma lanchonete. Ana comeu um
sanduíche, tomou um suco e um café e pagou R$12,00; Beatriz consumiu dois
sanduíches, um suco e um café, pagando R$17,50; e Carla comeu um sanduíche,
tomou dois sucos e dois cafés, totalizando R$18,50.

a) Escreva o sistema linear que representa a situação descrita.

b) Determine o preço unitário do sanduíche, do suco e do café.

3. (Unicamp-SP) Resolva o seguinte sistema de equações lineares:

2 1
2 2
2 3
2 4

4. Utilizando a Regra de Cramer, solucione o sistema linear abaixo:

2 1
3 2 5 2
4 3 7 3

57
Cálculo Numérico

5. Utilizando o método de Cramer, solucionar o seguinte sistema linear.

2 3
6
2 3

6. Resolva o sistema linear abaixo utilizando o método de Gauss-Jacobi.


Considere  = 10 -3.

4 2 3
6 2 8, X (0) =
3 5 2

Atenção: No desenvolvimento desse exercício, você verá que o erro está


aumentando, logo, não conseguirá uma convergência as linhas da matriz nessa
ordem. Sendo assim, troque a primeira linha com a segunda. Dessa forma, os
maiores valores (em módulo) ficarão na diagonal principal, permitindo assim a
convergência.

58
Cálculo Numérico

7.Através da Regra de Cramer, solucionar o sistema linear abaixo.

3x + 2y + 4z = 1
x + y + 2z = 2
4x + 3y – 2z = 3

8.Determine “m” para que o sistema seja possível e determinado.

mx + 2y – 2z = 1
x – 3y + z = 0

x + 2z = 0

Atenção: Na 3ª linha não há y, logo, deve-se admitir zero, na sua posição


correspondente.

59
Cálculo Numérico

9. Através do Método de Eliminação de Gauss, solucione o sistema linear


abaixo:

x + 5y + 2z = 10
2x + y – 3z = –3
3x + 6y + 5z = 19

10. Resolva através do método de Cramer e do Método de Eliminação de


Gauss, o sistema linear abaixo, em seguida faça uma comparação dos métodos.

10x + 2y + z = 7
x + 5y + z = –8
2x + 3y + 10z = 6

60
Cálculo Numérico

3 Zero Reais De Funções


Reais

61
Cálculo Numérico

Iniciaremos as atividades dessa unidade permeando os conceitos de zero de


funções reais, utilizando meios gráficos, para posteriormente solucionar as funções
f(x), através de um refinamento.

Objetivo da Unidade

Determinar e compreender os meios para solucionar diversas funções


polinomiais através de métodos distintos.

Plano da Unidade

3.1 - Zeros de Funções Reais

3.2 - Isolamento das Raízes

3.3 - Refinamento das Raízes

3.3.1 Método da Bisseção

3.3.2 Método da Posição Falsa

3.3.3 Método de Newton-Raphson

Bons estudos!

62
Cálculo Numérico

Equações polinomiais, algébricas e transcendentes

Nosso foco nesta Unidade é abordar algumas técnicas de como obter os


zeros de uma função, ou também chamados os zeros reais. Os zeros da função
são os valores reais de “x” que tornam a função f(x) igual a zero − f(x) = 0.
No entanto, observe que se temos uma função do tipo F(x) = 3x4 + 2x3 – x2
+ 1, calcular os zeros desta função é equivalente a encontrar as raízes de uma
equação, ou seja, calcular os valores de x que satisfazem a equação:

3x4 + 2x3 – x2 + 1 = 0

Desse modo, em outras palavras iremos apresentar alguns métodos para


encontrar as raízes dessas equações, que podem ser polinomiais, algébricas ou
transcendentes. Observe a diferença entre cada uma delas:
 Equação Polinomial
Exemplo: 3x4 + 2x3 – x2 + 1 = 0
 Equação Transcendente
É a equação que envolve funções transcendentes, tais como: sen x, ex ,
ln x, ...x
Exemplo: cos (x) – 1 = 0
 Equação Algébrica:
Exemplo: √ 1 3 0

3.1 Zeros Reais de Funções Reais

Obter os zeros das raízes equivale a encontrar os valores reais de “x” que
tornem a função f(x) igual a zero. Os métodos numéricos para resolver este
problema, consistem em partir de uma aproximação inicial para a raiz e em
seguida, através de processos iterativos, aproximar este valor da raiz real dentro de
uma precisão desejada.

63
Cálculo Numérico

Esses métodos dividem-se em duas partes:


 Isolamento das Raízes → processo no qual iremos determinar os
intervalos onde existem raízes.
 Refinamento das Raízes → processo no qual iremos determinar
valores aproximados para as raízes dentro do intervalo calculado.

3.2- Isolamento das Raízes

Neste método, nosso objetivo é determinar um intervalo onde existem raízes.


Para isolar as raízes em um intervalo, vamos analisar o comportamento dos
gráficos obtidos a partir de equações polinomiais:

Para este gráfico podemos afirmar que a


função f(x) possui dois zeros reais, pois o
gráfico passou do eixo y positivo para o
negativo duas vezes, ou seja, interceptou o
eixo “x” em dois momentos (a e b)

Seguindo a mesma analogia anterior,


podemos afirmar que para esta função
teremos três zeros reais: a, b e c.

64
Cálculo Numérico

Para este exemplo, verifica-se que a


função f(x) não possui zeros reais, ou
seja, o gráfico da função não intercepta
o eixo x.

Logo podemos afirmar que em uma função real f(x) com intervalos (a, b),
existe sempre um x ∈ (a, b) tal que f(x) = 0, se f(a) . f(b) < 0.

Exemplo 01:

Determine os intervalos reais da função f(x) = x³ - 9x + 3, onde estão


localizados os zeros da função:

Para resolver este exemplo, vamos considerar um intervalo para x de −5 a 5.


(Este intervalo foi uma hipótese inicial, poderia ser escolhido qualquer outro
intervalo). Em seguida, substituímos os valores de x dentro deste intervalo e
determinarmos os respectivos valores correspondentes a y no gráfico e encontrar
desta forma os zeros reais.

65
Cálculo Numérico

Sendo assim, teremos:


x = −5 f(-5) = (-5)³ - 9(-5) + 3 → f(-5) = −77
x = −4 f(-4) = (-4)³ - 9(-4) + 3 → f(-4) = − 25
x = −3 f(-3) = (-3)³ - 9(-3) + 3 → f(-4) = − 3
x = −2 f(-2) = (-2)³ - 9(-2) + 3 → f(-2) = 13
x = −1 f(-1) = (-1)³ - 9(-1) + 3 → f(-1) = 11
x=0 f(0) = (0)³ - 9(0) + 3 → f(0) = 3
x=1 f(1) = (1)³ - 9(1) + 3 → f(1) = - 5
x=2 f(2) = (2)³ - 9(2) + 3 → f(2) = - 7
x=3 f(3) = (3)³ - 9(3) + 3 → f(3) = 3
x=4 f(4) = (4)³ - 9(4) + 3 → f(4) = 31
x=5 f(5) = (5)³ - 9(5) + 3 → f(5) = 81

Agora, vamos analisar os resultados obtidos. Observe que para x = −4, temos
y = − 25 e para x = −3 temos y = 3, logo f(−4) . f (−3) < 0. Como ocorreu uma
variação nos sinais, podemos concluir que o gráfico da função interceptará o eixo x
neste intervalo. Então, podemos afirmar que existe uma raiz x1, no intervalo entre
−4 e −3. De forma análoga, identificamos o intervalo das demais raízes, x2 e x3.
Observe:

66
Cálculo Numérico

x y
-5 -77
-4 -25
X1  ( -4; -3 )
-3 3
Observe que para todas as mudanças
-2 13 de sinais de “y”, temos um zero real
-1 11 da função localizado neste intervalo
0 3 da variação no qual ocorre a variação
X2  ( 0; 1 ) do sinal de f(x).
1 -5
2 -7
X3  ( 2; 3 )
3 3
4 31
5 83

Para facilitar a interpretação desses cálculos, vamos apresentar o esboço


do gráfico da função polinomial citada no exemplo:

67
Cálculo Numérico

3.3 Refinamento das Raízes

Após o processo de isolamento apresentado acima, devemos descobrir através


de um processo iterativo no intervalo de x ∈ (a , b), que seja uma aproximação para
a raiz. O critério de “parada”, ponto onde a solução é satisfatória, ocorre quando o
|f(x)| < Ɛ, onde Ɛ é o erro aproximado.

3.3.1 Método da Bisseção

Para encontrar as raízes da equação através deste método devemos reduzir o


intervalo onde cada iteração é calculada pela média aritmética dos extremos do
intervalo. Vamos entender melhor como este método procede através do exemplo
a seguir. Considerando Xk igual à raiz aproximada no intervalo (ak, bk),
adotaremos a seguinte fórmula:

Exemplo 02:
Utilizando a mesma função do exemplo anterior, vamos encontrar os
zeros reais aplicando o método da bisseção, dado Ɛ = 10-3 .

Considere a função: f(x) = x³ - 9x + 3

Vamos considerar o intervalo para uma das raízes: x2 ∈ (0 ; 1). É importante


ressaltar que este intervalo foi escolhido aleatoriamente.

Note que fazendo x = 0 e x = 1, vamos obter respectivamente: + 3 e -5.

Já realizamos este cálculo anteriormente, você se recorda?

68
Cálculo Numérico

x=0 f(0) = (0)³ - 9(0) + 3 → f(0) = 3


x=1 f(1) = (1)³ - 9(1) + 3 → f(1) = - 5

Agora, vamos calcular a média aritmética entre os valores extremos do


intervalo, ou seja, 0 e 1.

0 1
0,5
2

Para descobrir o sinal da função quando x = 0,5, vamos substituir este valor na
função dada:

f(0,5) = (0,5)³ - 9(0,5) + 3 → f(0,5) = − 1,375

Perceba que encontramos um valor negativo, o que faz com que tenhamos
um intervalo menor para localizar a raiz aproximada. Observe a representação a
seguir:

69
Cálculo Numérico

Note que para x = 0,5 o sinal da função é negativo, ou seja o valor de y é


negativo. Desse modo, a regra da bisseção exige que devamos sempre encontrar
um valor positivo com um negativo, logo traçado ficará:

Agora vamos substituir 0,25 na função:

f(0,25) = (0,25)³ - 9(0,25) + 3 → f(0,25) = 0,765625

Observe que para x = 0,25, encontramos um valor positivo, o nosso novo


intervalo estará localizado entre: 0,25 e 0,5. Seguindo o mesmo procedimento
anterior, vamos obter a média aritmética entre a e b.

Note que:

M = (0,25 + 0,5 ) / 2
M = 0,375

70
Cálculo Numérico

Deve-se repetir esse processo até obter o resultado com Ɛ = 10-3.

Para facilitar o desenvolvimento do método, sugere-se a seguinte planilha,


onde:

k = número de amostra
a = valores de x
b = valores de x
x = média aritmética
f(x) = resultado da equação

K a b x f(x)
1 0 1 0,5 -1,375
2 0 0,5 0,25 0,765625
3 0,25 0,5 0,375 -0,32226
4 0,25 0,375 0,3125 0,2180
5 0,3125 0,375 0,34375 -0,05313
6 0,3125 0,34375 0,328125 0,0822
7 0,328125 0,34375 0,335937 0,01447
8 0,335937 0,34375 0,339843 -0,019337
9 0,335937 0,339843 0,337890 -0,002433
10 0,335937 0,337890 0,336914 0,006017
11 0,336914 0,337890 0,337402 0,001792
12 0,337402 0,337890 0,337646 -0,000321

Erro encontrado

Sendo assim teremos como resposta para esse intervalo:

X = 0,337646

71
Cálculo Numérico

3.3.2 Método da Posição Falsa

Neste método a redução do intervalo ocorre por meio da média ponderada


entre “a” e “b”, com pesos |f(b)| e |f(a)|, respectivamente. Dessa forma a raiz
aproximada fica:

. .

Exemplo 03:

Continuando com a mesma função do exemplo 1 e 2, aplicaremos agora o


método da posição falsa para a função f(x) = x³ - 9x + 3, com Ɛ = 10-3.

Vamos continuar fazendo para x2 ∈ (0 ; 1)


Para solução desse método vamos desenvolver a seguinte tabela, ressalto que a
regra dos sinais deve ser respeitada igual ao método anterior.

K a b f(a) f(b) x f(x)


1 0 1 3 -5 0,375 - 0,322266
2 0 0,375 3 - 0,322266 0,338624 - 0,008790
2 0 0,338624 3 - 0,008790 0,337635 - 0,000226

Erro encontrado

Exemplo de aplicação da fórmula:

0 . 5 1 . 3

5 3

72
Cálculo Numérico

Exemplo da reta a ser traçada:

Solução:

x = 0,337635

3.3.3 – Método de Newton-Raphson

O método consiste em criar uma função de iteração para tornar a


convergência mais rápida, a partir de uma aproximação inicial x0  [a , b], obtemos
a raiz aproximada através da aplicação do algoritmo:

)
′ )

Exemplo 5:

Determinar através do Método de Newton-Raphson a solução para a função:

f(x) = x³ - 9x + 3 , com Ɛ = 10-3.

73
Cálculo Numérico

Vamos manter o x2 ∈ (0 ; 1), para melhores comparações dos métodos.

1° Passo: Derivar da função

Como f(x) = x³ - 9x + 3 , então a derivada será: f ´(x) = 3x² - 9

2° Passo: Determinar os valores de f(x) e f ‘(x) para x = 0,5

f(x) = x³ - 9x + 3
f(0,5) = (0,5)³ - 9(0,5) + 3 → -1,375

f ´(x) = 3x² -9
f ´(0,5) = 3(0,5)² -9 → - 8,25

3°Passo: O novo valor de x pela fórmula será:

,
0,5 → 0,3333333
,

Em seguida, deve-se repetir o processo com o novo valor de x, até encontrar o


erro de 10-3.

74
Cálculo Numérico

Observe a tabela a seguir:


Hipótese inicial, recomenda-se sempre a
média dos intervalos das raízes

K x f(x) f’(x)
0 0,5 - 1,375 -8,25
1 0,3333333 0,037037037 -8,666666667
2 0,3376068 0,0000183409

Erro encontrado

Muito bem, chegamos ao fim desta unidade, agora é hora de refletir um pouco
sobre os conhecimentos adquiridos, pois conseguimos determinar soluções para
diversas equações polinomiais.

É HORA DE SE AVALIAR

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

75
Cálculo Numérico

Exercícios – Unidade 3

1.Determine os intervalos reais da função: f(x) = √ 5

2. Determine os intervalos reais da função: f(x) = x³ - 2x² - 20x + 30

3.Determine os intervalos reais da função: f(x) = x log (x) – 1


( Atenção: Não existe logaritmo de número negativo de e zero.)

4.Através do método da bisseção, faça o refinamento da raiz da função: f(x) =


x³ - 9x + 3; para x1 ∈ (-4 ; -3) e x3 ∈ (2 ; 3); considere Ɛ = 10-3.

Observação: Já fizemos o x2 ∈ (0 ; 1)

76
Cálculo Numérico

5.Utilizando o método da bisseção, faça o refinamento da raiz, definida pela


função f(x) = x³ - 2x² - 20x + 30, com x∈(-5 ; -4); Ɛ = 10-3.

6.Pelo método da posição falsa determine todas as raízes reis definidas pela
função f(x) = x³ - 9x + 3; com Ɛ = 10-3.

7.Determine a raiz da função f(x) = x log (x) -1, com Ɛ = 10-3, através do método
da bisseção e da posição falsa, e em seguida faça uma comparação entre os
métodos.

77
Cálculo Numérico

8.Utilizando o método de Newton-Raphson, determine a raiz da função f(x) =


√ 5 , Ɛ = 10-3.

9.Refaça o exercício nº 7, utilizando o método de Newton-Raphson, e compare


os três métodos.

10.Pelo método de Newton-Raphson determine todas as raízes reis definidas


pela função f(x) = x³ - 2x² - 20x + 30; com Ɛ = 10-3.

78
Cálculo Numérico

4 Interpolação

79
Cálculo Numérico

Iniciaremos esta unidade trabalhando o conceito de interpolação e suas as


aplicações nas diversas ciências, para prosseguirmos nas interpolações polinomiais
e de Lagrange.

Objetivo da Unidade:

Verificar e compreender os meios e mecanismos de aproximação de funções.

Plano da Unidade:

4.1 Conceito de interpolação.

4.2 Interpolação Polinomial.

4.3 Interpolação de Lagrange.

Bons estudos!

80
Cálculo Numérico

Interpolação:

Interpolar significa determinar valores intermediários entre valores dados de


uma função, onde se admite a construção de novos conjuntos numéricos, a partir
de dados ponderados de valores conhecidos.

Logo, nas ciências exatas, como a engenharia, a física, a economia, a


estatística, a química e outras, temos arranjos (hipóteses ou valores fixos) que
através de dados de amostragens ou experimentos, pode-se construir uma função
que se aproxime dos dados desejados (dados pontuais), permitindo a continuidade
dos cálculos.

4. 1 Interpolação Polinomial

Interpolar uma função f(x) consiste em aproximar esta função por outra G(x),
que satisfaça algumas propriedades. Sendo assim, podemos interpolar por meio
de polinômio de grau menor ou igual. Observe abaixo uma interposição de uma
função linear (reta), com uma função do segundo grau (parábola), como exemplo.

y P2(x’) é a Parábola → interpola 3 pontos

P1(x’) é a Reta → Interpola 2 pontos


P2(x`)

P1(x`)

x` x

81
Cálculo Numérico

Representaremos o polinômio Pn(x) por:

Pn(x) = a0 + a1x + a2x² + a3x³ + ... + anxn

Sendo assim, podemos montar o seguinte sistema linear:

a0 + a1 x0 + a2x0² + a3x0³ + ... + a nx0n = f(x0)


a0 + a1 x1 + a2x1 ² + a3x1 ³ + ... + anx1 n = f(x1 )
a0 + a1 x2 + a2x2² + a3x2³ + ... + anx2n = f(x2)

a0 + a1 xn + a2xn² + a3xn³ + ... + a nxnn = f(xn)

Por notação matricial temos:

V•a=f

V a f

1 x0 x0² x0n a0 f(x0)


1 x1 x1² x1n a1 f(x1)
x =

an f(xn)
1 xn xn² xnn

82
Cálculo Numérico

A matriz “V” é uma matriz de Vandermonde e, portanto desde que x0, x1, x2, ... ,
xn sejam pontos distintos, temos det(v) ≠ 0. Portanto, o sistema acima admite
solução única. A matriz coluna “a” é a matriz incógnitas e a matriz “f” é a das
constantes f(xi) = yi.

Existe um único polinômio Pn(x), de grau ≤ n, tal que:

Pn(xk) = f(xk) ; k = 0, 1, 2, ... , n

Exemplo 01: Sistema linear – Polinômio Interpolador

Encontre um polinômio de grau menor que interpole os pontos:

x -1 0 2
f(x) 4 1 -1

Representando, temos:

x0 x1 x2
x -1 0 2
f(x) 4 1 -1

P2(x) = a0 + a1x + a2x²

V•a=f

V a f
a0 f(x0)
1 x0 x0²
a1 = f(x1)
1 x1 x1² •
a2 f(x2)
1 x2 x2²

83
Cálculo Numérico

V a f
a0 4
1 -1 -1²
a1 = 1
1 0 0² •
a2 -1
1 2 2²

Fazendo a multiplicação de “V” por “a” (lembrando, linha por coluna – regra de
multiplicação de matrizes), teremos:

a0 – a1 + a2 = 4
a0 = 1
a0 + 2a1 + 4a2 = -1

Resolvendo esse sistema linear, iremos obter:

a0 = 1
a1 = -2,3333
a2 = 0,6667

Desse modo, o Polinômio encontrado será:

P2(x) = a0 + a1x + a2x²


P2 (x) = 1 – 2,3333x + 0,6667x²

Exemplo 02:

Dada a função f(x) = x4 + 2x +1, encontre um polinômio interpolador do 2º


grau com x0 = -1, x1 = 0 e x2 = 1. Depois verifique se f(1,5) = P2(1,5).

84
Cálculo Numérico

O primeiro passo para resolução desse exemplo é encontrar os valores de x


para a função f(x).

f(x) = x4 + 2x +1

x0 = -1 → f(-1) = (-1)4 + 2.(-1) + 1 = 0


x1 = 0 → f(0) = (0)4 + 2.(0) + 1 = 1
x0 = 1 → f(1) = (1)4 + 2.(1) + 1 = 4

Após, determinado os valores de x para f(x), deve-se esboçar a planilha para


melhor aplicar a fórmula: V.a = f.

x0 x1 x2

x -1 0 1
f(x) 0 1 4

P2(x) = a0 + a1x + a2x²


V•a=f

V a f
a0 f(x0)
1 x0 x0²
a1 = f(x1)
1 x1 x1² •
a2 f(x2)
1 x2 x2²

V a f
a0 0
1 -1 -1²
• a1 = 1
1 0 0²
a2 4
1 1 1²

85
Cálculo Numérico

Fazendo a multiplicação de “V” por “a” (mesmo processo do exemplo1),


teremos:

a0 – a1 + a2 = 0
a0 = 1
a0 + a1 + a2 = 4

Resolvendo esse sistema linear, você irá obter:

a0 = 1
a1 = 2
a2 = 1

1ª Solução:

P2(x) = a0 + a1x + a2x²


P2 (x) = 1 – 2x + x²

2ª Solução: Verificar se f(1,5) = P2(1,5)

f(x) = x4 + 2x +1
x = 1,5 → f(1,5) = (1,5)4 + 2.(1,5) + 1 = 9,0625

P2(x) = 1 + 2x + x²
x = 1,5 → P2(1,5) = 1 + 2.(1,5) + (1,5)² = 6,25

Logo, conclui-se que f(x) ≠ P2(x).

86
Cálculo Numérico

Suponha agora que deseja o valor de f(x) para a ̅ ∈ [xi ; xi +1]

y
F (xi +1) B

F ( ̅) E

F (xi)
A C D

xi ̅ xi +1 x

A Interpolação consiste em determinar um polinômio de 1º grau que


contenha os pontos A[xi ; G(xi)] e B[xi + a ; f(xi + 1)].

Os triângulos ABD e AEC são semelhantes, logo:

̅ ̅

1

Sendo assim, temos:

̅
̅

87
Cálculo Numérico

Exemplo 03:

Considere sen0 0° = 0 e o sen 10°= 0,17365, através da interpolação determine o


sen 6,5º.

Podemos obter os seguintes dados a para resolução:

̅ = 6,5º

xi = 0º → f(xi) = 0
xi+1 = 10º → f(xi+1) = 0,17365

Utilizando a fórmula abaixo, iremos obter o valor interpolado do sen6,5º.

̅
̅

Substituindo pelos valores obtidos, teremos:

6,5 0
6,5 0 0,17365 0
10 0

6,5 0,11287

Exemplo 04:
Considere sen 6º = 0,10453 e o sen 7° = 0,12187, através da interpolação
determine o sen 6,5º.

88
Cálculo Numérico

̅ = 6,5º

xi = 6º → f(xi) = 0,10453
xi+1 = 7º → f(xi+1) = 0,12187

Utilizando a fórmula:

̅
̅

Substituindo pelos valores obtidos, teremos:

6,5 6
6,5 0,10453 0,12187 0,10453
7 6

6,5 0,1132

4.2 Interpolação de Lagrange

Determinado e conhecido as funções Ln,k, um polinômio interpolado pode ser


facilmente determinado, sendo chamado de n-ésimo polinômio interpolador de
Lagrange.

Logo temos o seguinte polinômio de grau (n):

89
Cálculo Numérico

Observe que no numerador, temos os produtos (x-xi), com i≠k, e no


denominador os produtos (xk-xi), com i≠k.

Sendo assim, a fórmula de Lagrange do Polinômio de Interpolação pode ser


descrita da seguinte forma:

Exemplo 05:

Dada a função f(x) = x3 - 9x +3, encontre um polinômio interpolador do 2º grau


com x0 = 0, x1 = 2 e x2 = 3, utilizando o método de Lagrange. Depois verifique se f(1)
= P2(1).

O primeiro passo para resolução desse exemplo é encontrar os valores de x


para a função f(x).

f(x) = x3 - 9x +3

x0 = 0 → f(0) = (0)3 – 9 .(0) + 3 = 3


x1 = 2 → f(2) = (2)3 – 9 .(2) + 3 = -7
x0 = 3 → f(3) = (3)3 – 9 .(3) + 3 = 3

Após determinado os valores de x para f(x), deve-se esboçar a planilha para


melhor aplicar V.a = f.

x0 x1 x2

x -1 0 1

f(x) 0 1 4

*Note que iniciamos igual ao exemplo 2.

90
Cálculo Numérico

Como possuímos três pontos, precisaremos de um polinômio de grau 2, dada


pela seguinte função:

. 2 . 3 ² 5 6

. 0 2 . 0 3 6

. 0. 3 ² 3

. 2 0. 2 3 2

. 0 . 2 ² 2

. 3 0 . 3 2 3

Logo o polinômio interpolador seguirá a seguinte expressão:

. . .

² 5 6 ² 3 ² 2
3 . 7. 3 .
6 2 3

Resolvendo a expressão, teremos o seguinte polinômio interpolador:

5 ² 15 3

91
Cálculo Numérico

A segunda etapa do exemplo 5 é verificar se f(x) é igual a P2(x), para x igual a 1,


para isso iremos utilizar as duas funções.

f(x) = x³ - 9x + 3 → f(1) = (1)³ - 9.(1) + 3 = -5


P2(x) = 5x² - 15x + 3 → P2(x) = 5.(1)² - 15.(1) + 3 = -7

Pode-se contatar que f(x) é diferente de P2(x), entretanto os pontos são


próximos.

É HORA DE SE AVALIAR

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

92
Cálculo Numérico

Exercícios – Unidade 4

1. Considere o sen 45° = 0,7071 e o sen 60º 0,866.

Através do método de interpolação, determine o sen0 de 51°.

2. Considere o sen 75° = 0,9659256 e o sen 90º 1.

Através do método de interpolação, determine o sen0 de 84°.

3. Dada a função f(x) = x4 + x + 1, encontre um polinômio interpolador do 2º


grau com x0 = 1; x1= 0, x2 = -1. Verifique se f(3) = p2(3).

4.Dada a função f(x) = x3 - 2x² - 20x + 30, encontre um polinômio interpolador


do 2º grau com x0 = -4, x1 = -2 e x2 = 0, utilizando o método de Lagrange. Depois
verifique se f(1) = P2(1).

5.Dada a função f(x) = x3 – 9x + 3, encontre um polinômio interpolador do 2º


grau com x0 = –3, x1 = –2 e x2 = 0, utilizando o método de Lagrange. Depois
verifique se f(1) = P2(1).

6.A tabela abaixo relaciona o calor específico da água em função da


temperatura. Calcule o calor específico da água a uma temperatura de 33ºC.

Temperatura (ºC) Calor Específico


20 0,99907
30 0,99826
45 0,99849
55 0,99919

93
Cálculo Numérico

7.Observem a seguinte tabela de capacidade de corrente para condutores de


cobre “nu” limitados a índice da variação da temperatura.

Através da interpolação polinomial, determine:

a) Para uma seção transversal de 10mm², qual será a capacidade


operacional para uma temperatura de 15ºC.

b) Para uma seção transversal de 25mm², qual será a capacidade


operacional para uma temperatura de 42ºC.

c) Para uma seção transversal de 70mm², qual será a capacidade


operacional para uma temperatura de 34ºC.

d) Considerando a temperatura de 30ºC, qual seria a capacidade


operacional de uma seção transversal de 30mm².

e) Considerando a temperatura de 45ºC, qual seria a capacidade


operacional de uma seção transversal de 60mm².

8.Dada a função f(x) = 2x² – 3x, encontre um polinômio interpolador do 2º grau


com x0 = –10; x1= –1, x2 = 0. Verifique se f(0) = P2(0).

94
Cálculo Numérico

5 Resolução Numérica de
Equações Diferenciais
Ordinárias

95
Cálculo Numérico

Nesta unidade, vamos estudar como resolver Equações diferenciais ordinárias


utilizando métodos interativos, ou seja, métodos similares aos que aprendemos
para resolver sistemas lineares.

No entanto, inicialmente, vamos definir e exemplificar as equações diferenciais


ordinárias e apresentar como podemos resolvê-las através dos métodos
tradicionais. Após compreender algumas destas resoluções, iremos finalizar a
Unidade apresentando os métodos interativos de resolução. Vale ressaltar que não
iremos nos aprofundar no conceito de equações diferenciais, apenas nos
restringiremos aos conceitos que são importantes para a compreensão do Método
Runge – Kutta.

A ideia de revisar os conceitos de equações diferenciais é que vocês


compreendam a importância do método.

Objetivo da unidade:

 Revisar os conceitos de equações diferenciais

Plano da unidade:

 Equações diferenciais ordinárias

 Métodos Runge-Kutta

Bons estudos!

96
Cálculo Numérico

Equações Diferenciais ordinárias:

Equações diferenciais são equações que apresentam derivadas ou diferenciais


de uma função desconhecida em seus termos. As derivadas ou diferenciais serão
as incógnitas desta equação.

Para entender melhor este conceito considere y uma função de x, e n um


inteiro positivo, então uma relação de igualdade que envolva x, y, y', y'', ...,y(n) é
chamada uma equação diferencial de ordem n. Logo, podemos perceber que a
ordem de uma equação diferencial é dada pela ordem da derivada de mais alta
ordem da função incógnita que aparece na equação. E, o grau de uma equação
depende do maior expoente da variável.

Observe:
Equação Ordem Grau
(1)
y’ = 5x ou y =5x 1 1
2 3 (2) 2 3
y’’ + x (y’) – 40y = 0 ou y + x (y’) – 40y = 0 2 3
(y’")³+2y'+5y = cos(x) 3 3

Tipos de equações:

As equações diferenciais são divididas em dois tipos:

a) Equação diferencial ordinária (EDO): São equações que envolvem


apenas funções de uma variável e derivadas daquela mesma variável.

b) Equação diferencial parcial (EDP): São as equações que contém


funções com mais do que uma variável e suas derivadas parciais.

Exemplo 01:

97
Cálculo Numérico

Resolução de uma equação diferencial:

A solução de uma equação diferencial é uma função que contém derivadas e


diferenciais e que satisfaz a equação dada. Em outras palavras podemos dizer que,
é a função que, substituída na equação dada, transforma-a em uma identidade.

As soluções de uma equação diferencial se classificam em:

 Solução geral  apresenta n constantes independentes entre si (n =


ordem da EDO). Essas constantes, de acordo com a conveniência, podem
ser escritas C, 2C, C2, lnC,

 Solução Particular  é solução obtida a partir da solução geral,


mediante condições dadas (chamadas condições iniciais ou condições de
contorno).

Importante:

É importante ressaltar que podemos escrever y’ de diferentes formas.


dy
Considere a função y = f (x), chamaremos a sua derivada  f ' ( x) .
dx

Exemplo 02:

− Vamos resolver a equação diferencial ordinária: = 5x2 − 3x + 8.

Solução:

Vamos começar organizando a variável y no primeiro membro e as variáveis x


no segundo membro.
dy = (5x2 - 3x + 8) dx

98
Cálculo Numérico

Em seguida, vamos integrar cada um dos termos da equação dada, observe:

= 5 3x 8 dx

dy 5 3 8

Ao resolver as integrais, vamos encontrar a solução geral da equação


diferencial.

y= + 8x + C  Solução geral.

Podemos obter uma solução particular para esta equação. Neste caso, vamos
considerar y(1) = 4, como condição inicial, e substituir esses valores na equação
geral para encontrar a constante C, observe:

y(x) = + 8x + C
. .
y(1) = +8.1+C
. .
4= +8+C

4= +8+C

24 = 10 9 + 48 + C

C = 24 – 49
C = − 25

99
Cálculo Numérico

Sendo assim, temos que uma solução particular seria: y =

Importante

Se derivarmos a solução geral ou a solução particular, encontraremos a


equação diferencial dada inicialmente. Conhecendo uma solução particular
podemos verificar se esta função é solução de uma equação diferencial dada,
observe:
Y’’ + 5y’ – 14 y = 0.

Note que: y1(x) = e −7x e y2(x) = e2x são soluções da equação. Observe que
calculando as derivadas de 1º e 2º ordem teremos:

y1 ‘ = −7 e −7x e y2’= 2 e2x


y1 ´’ = 49 e −7x e y2’’ = 4 e2x

Substituindo as derivadas na equação diferencial ordinária podemos verificar


que são de fato soluções da equação:

( 49e −7x ) + 5 (−7e −7x ) – 14 ( e −7x ) = 0 ( 4e 2x ) + 5 ( 2e 2x ) – 14 ( e 2x ) = 0


49e −7x − 35e −7x – 14e −7x = 0 4e 2x + 10 e 2x – 14e 2x = 0
e −7x – 14e −7x = 0 14e 2x – 14e 2x = 0

100
Cálculo Numérico

Classificação De Uma Equação Diferencial Ordinária:

Agora que já revisamos o conceito de equações diferenciais, vamos recordar


como podemos resolver analiticamente as equações diferenciais, e como
encontramos uma solução para um problema de valor inicial.

a)Equações Diferenciais de 1º Ordem:

As resoluções envolvendo equações diferenciais de 1ºordem podem se


apresentar de quatro diferentes formas. Vamos explicar cada uma delas através dos
exemplos a seguir, observe:

1º CASO: Equações do tipo M dx + N dy = 0, onde M e N são funções de x e y,


e são separáveis.

Comece verificando se é possível escrever a equação na forma f(x)dx + g(y)dy


= 0, onde f(x) é uma função somente de x, e g(y) é uma função somente de y. Em
caso positivo, dizemos que as variáveis são separáveis. Neste caso, basta integrar
cada um dos termos, ou seja, calcular ∫ f(x) dx + ∫g(y) dy = C, onde c é uma
constante arbitrária.

Exemplo 03:

− Encontre uma solução para a equação diferencial: 4

Solução:

Vamos reescrever a equação da seguinte forma: 4 .

Em seguida, vamos separar as variáveis:

101
Cálculo Numérico

Considere: 4

Então, teremos: M(y) dy = N(x) dx .

Aplicando a integral em ambos os membros, temos:


1
4
1
4
4

1 2
2  Multiplicando ambos os membros por (−1)
1
2

Desse modo, vamos obter a seguinte solução: .

2º CASO: Equações do tipo M (x,y) dx + N (x,y) dy = 0, onde M e N são funções


de x e y e são homogêneas.

Se as variáveis não podem ser separadas, devemos inicialmente verificar se a


equação diferencial é homogênea. Para verificar se uma equação diferencial é
homogênea temos que testar se, ao calcular x = λx e y = λy, obtemos a função
original multiplicada por alguma potência de λ, onde a potência de λ é chamada de
grau da função original.

Para resolver equações deste tipo, iremos proceder da seguinte maneira,


primeiro vamos começar fazendo a substituição: y = u x, onde u = f(x,y).

Observe que aplicando a regra da cadeia teremos que y’ equivale a:


y=ux  . .

Em seguida, vamos fazer as devidas substituições na equação inicial:


M (x,y) dx + N (x,y) dy = 0

102
Cálculo Numérico

Após a substituição será possível separar as variáveis x e v. Neste caso, a partir


daí resolvemos a equação de forma similar ao 1º caso e, por fim, retornamos à
substituição original. Observe o exemplo a seguir.

Exemplo 04:

− Encontre uma solução para a equação diferencial: 0.

Solução:

Primeiramente, vamos testar se a equação é homogênea, para isso considere 


real, tal que y e x x temos:
   x  y dy 0
  0
 . 0

Note que podemos concluir que a equação é homogênea e de grau 2, logo


podemos resolvê-la por meio de uma substituição algébrica conforme explicado
passo a passo na explicação acima.
Considere: .
Derivando y, teremos: .
Em seguida, vamos substituir os valores obtidos:
0
0
. 0
0
2 0

103
Cálculo Numérico

Considere 0 , vamos dividir ambos os membros por :

2 0
1 2 0

Perceba que a nossa equação inicial se transformou em uma equação


diferencial separável com as variáveis u e x. Agora bastam integrar ambos os
membros:

1 2


1 2


1 2

Vamos resolver a integral separadamente. Vamos resolvê-la

utilizando o método da substituição, observe:

Considere 1 2 , teremos então que 4 . Escrevendo de


outra forma: .

Substituindo os valores acima, temos:

1 1 1
ln
1 2 4 4 4

Retornando as substituições, vamos obter:

ln 1 2
1 2

104
Cálculo Numérico

Agora, vamos retomar a equação diferencial do problema inicial, e resolver a


integral do ponto de onde paramos. Observe:

1 2
1
ln 1 2
4

De acordo com a substituição inicial, se . ã . Desse modo,

temos:
1 2
ln 1
4

3º CASO: São as equações que as variáveis não podem ser separáveis e a


equação pode ser expressas na forma: , onde P e Q são
funções somente de x, ou constantes.

Para resolver equações deste tipo, vamos seguir as seguintes etapas:

1. Escreva a equação na forma: .

2. Identifique P(x) e encontre o fator de integração que será dado pela



seguinte fórmula: .

3. Multiplique a equação obtida na 1º etapa pelo fator de integração, e


vamos obter:


.

.

105
Cálculo Numérico

Neste caso, sempre teremos que o primeiro membro da equação será a


derivada do produto entre y e o fator integrante:


.
= Q(x).

1.Por fim, integrando ambos os membros, vamos obter:


.
= Q x .


y . Q x .

Exemplo 05:
− Encontre uma solução para a equação diferencial: 3

Solução:
Observe a equação 3 , podemos compará-la com

.
Desse modo, teremos que:
3 e

Agora vamos seguir os passos citados neste processo de resolução:

1. Vamos calcular o fator integrante:


2. Multiplicam-se ambos os membros pelo fator integrante:

3 .

. 3 .

106
Cálculo Numérico

3.Em seguida, observe que no primeiro membro, temos a derivada do produto


de y pelo fator integrante:
.

4.Por fim, vamos integrar ambos os membros, e obter a solução geral da


equação:

1
.
3
1
3

4º CASO: Resolvendo a Equação de Bernoulli: . .

Para resolver essas equações, devemos inicialmente escrevê-la no formato


acima. Após identificar o n, vamos fazer a seguinte substituição: u = y 1 – n .

Sendo u = y 1 – n , teremos que:

. .

Isolando o y ao invés do u, temos que:

 .

107
Cálculo Numérico

Substituindo na Equação de Bernoulli, e multiplicando por , vamos

obter uma equação diferencial linear:


+ (1 – n ) . P(x) u = ( 1 – n ) Q(x)

O objetivo deste processo é obter uma equação linear de primeira ordem na


nova variável u, e resolvê-la de forma equivalente ao caso anterior.

Exemplo 06:

− Resolva a equação 5xy :

Solução:

De forma similar ao exemplo anterior, ao comparar a equação 5 ,


com . . , temos que :
2
5 2

Primeiro vamos fazer .


.
Então, temos que: 

Ou de forma equivalente podemos escrever , pois .

Derivando y, vamos obter:


1
.

Substituindo na equação inicial:


2
5
.
5

108
Cálculo Numérico

Multiplicando a equação acima por , temos:

2
5

Observe que resolver esta integral agora se resume a aplicar o método


apresentado no 3º caso. Então, devemos encontrar o fator integrante e multiplicar
toda a equação por esta função:

Multiplicando ambos os membros pelo fator integrante, e em seguida


integrando-os vamos obter:
2.
5

2. .
. 5 .

. 5 .

Observe que a integral de 5 . deve ser resolvida aplicando o método


da substituição! Para que a compreensão se torne mais simples, vamos resolvê-la
separadamente:

5 . ,
Onde:

  5

109
Cálculo Numérico

Retornado ao problema inicial, tínhamos de resolver a equação que se resumiu


em resolver as seguintes integrais:

. 5 .

A) Equações Diferenciais de 2º ordem com coeficientes constantes:

Vamos dividir as equações diferenciais de 2º ordem em homogêneas e não


homogêneas. Vamos considerar um caso de cada vez, a princípio estudaremos as
equações homogêneas, ou seja, as equações do tipo:

, ou de forma equivalente y'' + a1 y' + a0 y = 0, onde

a0, a1 são constantes.

Primeiro, vamos fazer as seguintes substituições: y´´ = 2 e y’ = . Desse


modo, vamos obter a chamada Equação Característica:
 2 + a1  + a0 = 0

Você deve estar se perguntando para onde foi o y, para que entenda a origem

desta equação característica, vamos considerar a seguinte substituição: y = .

Então se y' = , derivando y’ teremos: y'' = .

Substituindo na equação dada inicialmente, vamos obter:


y'' + a1 y' + a0 y = 0

(2 + a1  + a0) = 0 , 0 para todo x.

110
Cálculo Numérico

Observe que para que a equação acima seja nula é necessário que ( 2 + a1 
+ a0 ) = 0. Note que esta é uma equação do segundo grau na variável , esta
equação é chamada equação característica.

Equação característica.

Teremos 3 diferentes soluções, que irão variar de acordo com as raízes desta
equação do 2º grau, observe:

A) Raízes reais e distintas: 1 e 2


 

B) Raízes reais e iguais: 1 = 2 = 
 

C) Raízes complexas:  = a  bi , a e b são reais.

cos sen

Exemplo 07:
− Resolva a equação " 2 ′ 15 0 .

Solução:

Vamos começar escrevendo a equação característica:  2 15 0.

Através da Fórmula de Bhaskara vamos obter as raízes da equação


característica:
√∆
a=1 ∆ 4 

b=2 ∆ 2 4.1. 15 

c = −15 ∆ 4 60 

∆ 64  =3

 5

111
Cálculo Numérico

Observe que neste exemplo, teremos duas raízes reais e distintas, logo a
solução da equação se dará através da seguinte fórmula:

Agora, vamos aprender como resolver as equações diferenciais de 2º ordem


não homogêneas. As equações diferenciais de 2º ordem não homogêneas se
apresentaram da seguinte forma:

A solução deste tipo de equação irá depender de F(x), pois para cada caso
teremos uma solução particular diferente. A solução geral será dada através da
seguinte fórmula:

Solução Geral = Solução Homogênea + Solução Particular


YG = YH + YP

É importante ressaltar que a solução particular poderá se apresentar de quatro


diferentes formas, observe os casos a seguir:

A) F(x) é um polinômio do 1º grau: YP = Ax + B


B) F(x) é um polinômio do 2º grau: YP = Ax2 + Bx + C
C) F(x) é uma equação exponencial: YP = A e5x
D) F(x) é uma equação que envolve seno ou cosseno de x:
YP = A sen(x) + B cos(x)

Todos os casos citados acima, se resolvem de forma similar ao exemplo


apresentado.

112
Cálculo Numérico

Exemplo 8:
"
− Resolva a equação 2 .

Solução:

Para que a equação se torne similar ao formato desejado, vamos multiplica-la


por 4.
" 4 ′ 4 4 8

Observe que nesta equação temos 4 8 , ou seja um polinômio


do 2°grau.

A princípio vamos obter a solução da equação homogênea:


 4 4 0
 2 0
Neste caso, teremos que: 1 2 2.
Logo a solução homogênea será: c e e .
Agora, vamos obter a solução particular, que neste caso será: .

Derivando a solução particular, vamos obter:


2
" 2 0

Substituindo as derivadas obtidas na equação: " 4 ′ 4 4 8

Teremos:
2 42 4 4 8

113
Cálculo Numérico

Aplicando a igualdade de polinômios, vamos encontrar os valores de A, B e C.


Observe:
2 8 4 4 4 4 4 8
4 8 4 2 4 4 4 8 0

Igualando os termos, vamos obter:

4 4 8 4 8 2 4 4 0
4 8.1 4 8 2.1 4. 4 4 0
1 8 4 8 2 16 4 0
4 8 8 14 4 0
4 16 4 14

Logo, a solução particular será: 4

Desse modo, teremos a seguinte solução geral:


7
4
2

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:

I − Um problema de valor inicial para uma equação diferencial de


segunda ordem tem que ter duas condições iniciais: y(x0) = y0 e y’(x0) = y’0.

II − Note que até o momento só estudamos as equações diferenciais de 2º


ordem na qual os coeficientes são constantes! Para calcular as soluções nos casos
que os coeficientes não são constantes, iremos recorrer a alguns métodos que
iremos apresentar mais adiante.

114
Cálculo Numérico

Vamos nos restringir às equações diferenciais de 1º e 2º ordens, pois nosso


objetivo nesta unidade é a aplicação do Método de Runge-Kutta.

Como algumas equações diferenciais apresentam o desenvolvimento da


solução muito complexo ou não são possíveis resolvê-las de forma algébrica,
desenvolveram-se alguns métodos numéricos para resolver alguns problemas
relacionados a soluções de equações diferenciais. A partir de agora, abordaremos o
Método de Runge-Kutta; ele nos permitirá encontrar uma solução aproximada
através de métodos numéricos. Vale ressaltar que esse não o único método
existente, no entanto, é o mais popular e preciso.

Método de Runge – Kutta:

É um método utilizado para encontrar soluções aproximadas para equações


diferenciais do tipo:

O método consiste em determinar constantes apropriadas tais que uma


fórmula como a citada abaixo, concorde com o desenvolvimento de Taylor até o
quinto termo, ou seja, n=4.

115
Cálculo Numérico

Para isso vamos recordar o que diz o Desenvolvimento de Taylor. O


desenvolvimento nos diz que:

F(x) = f (a) (x - a)0 + f´(a) (x - a)1 + f´´(a) (x - a)2 + ... + f(n) (a) (x – a)n
1! 2! n!

Como a demonstração do Método de Runge-Kutta é bastante trabalhosa,


iremos apenas enunciar os resultados:

Onde:
,

Para que você compreenda melhor o enunciado citado acima, iremos


apresentar um exemplo a seguir, observe:

Exemplo 9:

− Dados os problemas de valor inicial, aplique o método de Runge-Kutta em


3 , considerando h=0,1 e 1 2 para obter uma aproximação para
y(1,5) .

116
Cálculo Numérico

Solução:

Nosso objetivo é calcular um valor aproximado para y(0,5) na equação


diferencial dada no ponto em questão. As aproximações serão obtidas a partir da
fórmula:
h
y y k 2k 2k k
6

Desse modo, vamos calcular a princípio os valores de k. Para isso vamos


considerar os dados obtidos através do enunciado: h= 0.1, 2 e 1. Em
seguida, vamos aplica-los nas fórmulas abaixo:

 , 3
1, 2 3. 1 . 2 3 . 1 . 2 6.

 , .
.
1 , 2 . 0.1 1.05 , 2.3 = 3. 1.05 . 2.3 7.607.

 ,
. .
= 1 , 2 . 7.607 1.05 , 2.38 = 3. 1.05 . 2.38 7.872.

 ,

= 1 0,1 , 2 0,1 7.872 = 1.10 , 2.782 = 3. 1.10 . 2.787 10.117

Agora que já conhecemos os valores de k, podemos obter as aproximações


desejadas a partir das iterações obtidas a partir das seguintes fórmulas:

117
Cálculo Numérico

Vamos fazer n variando de 0 a 5, e encontrar as aproximações para cada


iteração.
n=0
.
2 2
.
2 2 1 0.1
.
2 6 2 . 7.607 2 . 7.872 10.117 . 1,10
2.785

n=1
2 2
.
2.785 6 2 . 7.607 2 . 7.872 10.117 0.1
.
2.785 47.075 1,1 0.1
2.785 0,784 1.2
3.569

n=2
2 2
.
3.569 6 2 . 7.607 2 . 7.872 10.117 0.1
.
3.569 47.075 1,2 0.1
3.569 0,784 1.3
4.353

n=3
.
2 2
.
4.353 47.075 1.3 0.1
4.353 0,784 1.4
= 5.137

n=4
2 2
.
5.137 47.075 1.3 0.1
5.137 0,784 1.4
5.921

118
Cálculo Numérico

n=5
2 2
.
5.921 47.075 1.4 0.1

5.921 0,784 1.5


6.705

Agora, observe a tabela a seguir que apresenta os dados obtidos nos cálculos
acima. Esta tabela nos apresenta os valores aproximados de y(1,5)  6.705.

1,00 2.000

1,10 2.785

1,2 3.569

1,3 4.353

1,4 5.921

1,5 6.705

Estamos encerrando a unidade. Sempre que tiver uma dúvida entre em


contato com seu tutor virtual através do ambiente virtual de aprendizagem e
consulte sempre a biblioteca do seu polo.

É HORA DE SE AVALIAR

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

119
Cálculo Numérico

Exercícios - Unidade 5

1.Resolva as equações diferenciais de primeira ordem:

a) ( 2 + x ) dy – y dx = 0
b) y’ – y = e2x
c) y ‘ – 2xy – x = 0
d) 9 0
e) x2y + xy = 1

2.Encontre uma solução particular para cada uma das equações diferenciais de
primeira ordem:

a) y’ = 3x2y , y(0) = 3

b) 2 0 3

c) , 5 2

d) , y( 2) = 0

3.Resolva as equações diferenciais de segunda ordem:

a) y’’ – 3y’ – 4y = 5x

b) y’’ – 3y’ + 4y = −16x2 + 24x – 8

c) y’’ – y’ = ex

d) y’’ + 4y = cos (x)

120
Cálculo Numérico

Leia a proposta abaixo e responda as questões 4, 5, 6 e 7:

Dados os problemas de valor inicial, aplique o método de Runge-Kutta com


h=0,1 para obter uma aproximação do valor indicado, com quatro casas decimais:

Questão 4. y’ = 2x – 3y + 1, y(1)=5 , y(1,5)

Questão 5. y´ = 1 + y2, y(0) = 0, y(0,5)

Questão 6. y’ = e−y , y(0)=0, y(0,5)

Questão 7. y’ = ( x – y )2, y(0)=0,5 y(0,5)

**[Alguns dos Exercícios desta Unidade foram retirados do livro Equações diferenciais, Dennis G. Zill e
Michael R. Cullen – Volume 1 e 2]

121
Cálculo Numérico

122
Cálculo Numérico

6 Exercícios
complementares

123
Cálculo Numérico

Nesta unidade, nosso trabalho será dedicado a revisarmos todo o conteúdo


disponibilizado nas unidades anteriores, pois desta forma será possível praticarmos
um pouco mais os conhecimentos adquiridos ao longo do curso de cálculo
numérico dada a sua complexidade.

Objetivos da unidade:

Esta unidade tem por objetivo aprimorar o conhecimento do cursistas


adquirido ao longo do curso através da execução de exercícios de revisão.

Plano da unidade:

 Exercícios de revisão da unidade 1

 Exercícios de revisão da unidade 2

 Exercícios de revisão da unidade 3

 Exercícios de revisão da unidade 4

Bons estudos!

124
Cálculo Numérico

Exercícios - Unidade 1

Questão 1: Transformando 10 0,1875 para a base 2, obtemos:


a) 0,00112
b) 0,10102
c) 0,01102
d) 0,10012
e) 0,11102

Questão 2: Os números a seguir estão na base 2, escreva-os na base 10.


a) 110112
b) 1111002
c) 1001112
d) 11,0112
e) 10,112

Questão 3: Os números a seguir estão na base 10, escreva-os na base 2.


a) 1510
b) 1210
c) 3610
d) 15,6210
e) 10,2510

125
Cálculo Numérico

Questão 4: Escrever os números reais x1 = 0.35 , x2 = −5.172 , x3 = 0.0123 , x4 =


0.0003 , e x5 = 5391.3 onde estão todos na base β = 10 em notação de um sistema
de aritmética de ponto flutuante.

Questão 5: Suponha que tenhamos um valor aproximado de 0.00004 para um valor


exato de 0.00005. Calcular os erros absoluto, relativo e percentual para este caso.
Questão 6: Suponha que tenhamos um valor aproximado de 100000 para um valor
exato de 101000. Calcular os erros absoluto, relativo e percentual para este caso.

126
Cálculo Numérico

Exercícios - Unidade 2

2 4 1
Questão 6: (UEMG) O valor de z no sistema 2 5 7 2 é:
3 7 9 3
a) 0
b) 1
c) 2
d) 3
e) 4

Questão 7: Considere o seguinte sistema de equações de incógnitas x e y:

6x + 2y = 4
3x + 5y = 6
Kx + 2y = 5

Esse sistema tem uma única solução para certo número real k que é um:
a) quadrado perfeito
b) número primo
c) número racional não inteiro
d) número negativo
e) múltiplo de 5

Questão 8: Na França, três destes turistas trocaram por euros (€), no mesmo dia, as
quantias que lhes restavam em dólares, libras e reais, da seguinte forma:
⇒ 1º turista: 50 dólares, 20 libras e 100 reais por 108,5 €.
⇒ 2º turista: 40 dólares, 30 libras e 200 reais por 152,2 €.
⇒ 3º turista: 30 dólares, 20 libras e 300 reais por 165,9 €.

127
Cálculo Numérico

Calcule o valor de uma libra, em euros, no dia em que os turistas efetuaram a


transação.

Questão 9: Uma pessoa vendeu três tipos de doces, num total de 80, e arrecadou
R$ 115, 00. Sabe-se que um brigadeiro custa R$ 1, 00, um bombom R$ 2,00 e um
olho-de-sogra R$ 1,50 e que a quantidade de brigadeiros vendidos é igual à soma
doutros dois doces vendidos. O número de bombons que essa pessoa vendeu é
igual a:
a) 10
b) 20
c) 40
d) 15
e) 30

Questão 10: Através do Método da Eliminação de Gauss, solucione o sistema linear


5 10
S: 2 3 3 3
3 6 5 19

128
Cálculo Numérico

Exercícios - Unidade 3

Questão 11: Calcule a raiz de f(x) = x2 + x-6, usando o método de Newton -


Raphson, x0 = 3 como estimativa inicial e como critério de parada | f (xn) | 0,020

Questão 12: Utilizando o Método da Posição Falsa, determine com um erro


absoluto inferior a 5 x 10-3, o único zero da função f(x) = 1 + x + ex.

129
Cálculo Numérico

Questão 13: Utilizando o Método de Bissecção, resolva a equação x – sem (x)


=0 , com E = 0,001.

Questão 14: Utilizando o Método de Newton-Raphson, determine a raiz


aproximada de F(x) = x3 – 4x + 2. ∈ (3; 4), < 10-2.

Questão 15: Calcular a raiz positivas da equação f(x) = 2x – sen(x) – 4 = 0, com


< 10-3, usando o método de Newton-Raphson sabendo que existe no intervalo [2;
3]

130
Cálculo Numérico

Exercícios - Unidade 4

Questão 16: Determinar o polinômio de grau menor ou igual a 2 que interpole


o dados da tabela abaixo:
x 0,5 0,6 0,7
f(x) 0,4794 0,5646 0,6442

Questão 17: Determinar o polinômio de grau menor ou igual a 2 que interpole


os dados da tabela abaixo:
x -1 0 2
f(x) 4 1 -1

Questão 18: Seja y = f (x) uma função definida através da tabela a seguir. Para
esta função pede-se, utilizando a forma de Lagrange, com interpolação quadrática:
(a) O valor aproximado para f 05.1( );
(b) O polinômio de interpolação na forma
x 1 1,1 1,2
f(x) 2,718 3,004 3,32

131
Cálculo Numérico

Questão 19: Dada a tabela de valores funcionais, obtenha a polinomial


interpoladora de Lagrange que passa pelos pontos-base disponíveis:
x -1 1 2 3
f(x) 1 3 -1 -4

Questão 20: Considere a tabela:


x 1 3 4 5
f(x) 0 6 24 60

Determine o polinômio de interpolação na forma de Lagrange sobre todos os


pontos:

132
Cálculo Numérico

Considerações Finais

Chegamos ao final dos estudos de Cálculo Numérico.

A UNIVERSOEAD o parabeniza por ter concluído seus estudos, aumentando


sua bagagem com conhecimentos e habilidades que irão beneficiá-lo por toda a
vida.

Mas a aprendizagem não para por aqui. Mantenha o hábito de ler, atualize-se
sempre e não se esqueça de praticar o que foi aprendido.

Sucesso!

133
Cálculo Numérico

134
Cálculo Numérico

Conhecendo os autores

DEIWISON SOUSA MACHADO

Graduado em Matemática pela Universidade Federal Fluminense e mestre em


Engenharia de Sistemas e Computação pela COPPE/ Universidade Federal do Rio
de Janeiro. É professor da rede pública de ensino da Secretaria de Educação do
Estado do Rio de Janeiro, onde leciona Matemática para o ensino fundamental e
médio, e professor da Universidade Salgado de Oliveira, onde leciona matérias
propedêuticas de Matemática e Física para os cursos de Engenharia de Produção e
Engenharia Ambiental. Atualmente, é bacharelando em Direito e cursa a pós-
graduação em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância,
ambos na Universidade Federal Fluminense e exerce a função de conciliador no III
Juizado Especial Cível da Comarca de Niterói – RJ. Atuou quatro anos como tutor
de Matemática no CEDERJ e foi coordenador de polo da Olimpíada Brasileira de
Matemática das Escolas Públicas durante três anos.

RAQUEL COSTA DA SILVA NASCIMENTO

Graduada em Licenciatura Plena em Matemática pela Universidade Estadual


do Rio de Janeiro, na Faculdade de Formação de Professores – FFP em 2002.
Especialista em Ensino de Matemática pela Uff em 2004 e Mestre em Ensino de
Ciências e Matemática pelo CEFET em 2011. Atou como professora substituta do
Colégio Pedro II. Professora concursada da Prefeitura Municipal de Macaé e do
Estado do Rio de Janeiro. Durante os anos de 2011 a 2013, atuou como Assistente
Técnico responsável pela área de Matemática da Secretaria Estadual de Educação
do Rio de Janeiro, se tornando responsável por gerenciar projetos relacionados à
matemática: produzir materiais de apoio pedagógico; acompanhar ações
relacionadas à área tais como Saerjinho, Reforço Escolar e projetos de parceria
privada e realizar formações de professores. Atuou como orientadora de Trabalho
Final de Curso na Pós-Graduação em Gestão de Cursos a Distância - PIGEAD, na
UFF, instituição na qual já exerceu em anos anteriores outras funções tais como:
tutoria de algumas disciplinas e coordenação de tutoria. Atualmente, leciona no
Colégio Estadual Conselheiro Macedo Soares e no Colégio Municipal Professora

135
Cálculo Numérico

Elza Ibrahim, na Prefeitura de Macaé. E, além dessas unidades escolares, atua desde
2012, como Coordenadora de Tutoria do Curso de Formação Continuada para
professores de Matemática da Seeduc-RJ. Em 2014, começou a atuar no Curso de
EAD de Engenharia de Produção, lecionando as disciplinas de: Matemática Básica,
Cálculo II, Cálculo III, Geometria Analítica, Álgebra Linear e Cálculo Numérico.

TIAGO MOREIRA CUNHA

Graduado em Engenharia de Produção pela Universidade Salgado de Oliveira,


mestrado em Gestão e Auditoria Ambiental, pela Universidad de Leon, pós-
graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade Federal do
Rio de Janeiro, pós-graduado em Engenharia Ambiental e Sanitária pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro e Matemático. Professor da Universidade
Salgado de Oliveira, professor convidado do curso de pós-graduação do Instituto
de Pesquisa Clinica Evandro Chagas, professor da Faculdade Fluminense de
Engenharia, professor do Colégio e Curso Orion, professor da Escola Técnica
Dinastia, professor convidado do curso de pós-graduação da Escola Politécnica de
Saúde Joaquim Venâncio e professor convidado do curso de pós-graduação da
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atualmente diretor de Projetos
Especiais do Instituto de Ciências Ambientais - ICA.

HERIVELTO NUNES PAIVA

Possui graduação em Estatística pela Universidade Salgado de Oliveira (1990),


graduação em Matemática (FORMAÇÃO DE DOCENTE) pela Universidade Salgado
de Oliveira (2001), especialização em Matemática e Estatística pela UFLA (2001) ,
mestrado em Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente pelo Centro Universitário
Plínio Leite (2006). Atualmente, cursa doutorado em Gestão e Políticas Públicas
para o MERCOSUL (EDUCAÇÃO), na Universidad Nacional de Lomas de Zamora, na
Argentina. Além disso, é membro da equipe de colaboradores dos Projetos MAIS
EDUCAÇÃO, AUTORREGULAÇÃO e FORMAÇÃO CONTÍNUADA, da SEEDUC-RJ,
professor-bolsista do curso de especialização em Matemática – Convênio
CECIERJ/SEEDUC RJ/UFF. Professor-bolsista do curso PIGEAD/LANTE – Convênio
UFF/UAB. Professor da FACERB (Faculdade Cenecista de Rio Bonito). Professor do
Programa de Pós-graduação da UNIVERSO em Psicopedagogia. Professor da
UNIVERSO, nas modalidades de ensino a distância e presencial.

136
Cálculo Numérico

Referências

BARROSO, Leonidas Conceição (Et al). Cálculo numérico (com aplicações). 2.ed.
São Paulo: Harbra, 1987.

BOYCE & Di Prima. Equações diferenciais elementares e problemas de valores


de contorno. Rio de Janeiro: LTC, 2002.

BURIAN Lima. Cálculo Numérico. Rio de Janeiro: LTC, 2008.

CAMPOS FILHO, F. F.; BARROSO M. M. A.; BARROSO L. Cálculo Numérico com


Aplicações. São Paulo, Ed. Harbra, ?

DÉCIO Sperandio, João Teixeira Mendes e Luiz Henry Monken. Cálculo Numérico,
Makron Books, 2003.

FRANCO N. M. B. Cálculo Numérico. São Paulo: Pearson, 2008.

MICHAEL T. Heath. Scientific Computing an Introductory Survey. New York:


McGraw-Hill, 2002.

MILNE, E. Cálculo Numérico. São Paulo: Polígono, 1968.

ROQUE, Waldir L. Introdução ao Cálculo Numérico. São Paulo: Atlas,?

RUGGIERO, M.A.G, Lopes, V.L.R. Cálculo Numérico. 2. ed., São Paulo: Makron
Books, 1998.

Zill, Dennis G. Equações diferenciais com aplicações em modelagem. São Paulo:


Editora Thomson, 2003.

137
Cálculo Numérico

138
Cálculo Numérico

AA
nexos
OS

139
Cálculo Numérico

Gabaritos

Exercícios – Unidade 1

Questão1.
a) ( 312)4
b) ( 1232)5
c) ( 1002 )3
d) ( 1a2 )13
e) ( 4a68 )11

Questão 2.
a) 23
b) 23,625
c) 0,6
d) 2345
e) 0,8125

Questão 3.
a) (101101)2
b) (10,1)2
c) (0,000110011001100...)2
d) (1100)2
e) (1010,0000110011001100...)2

Questão 4.
a) – 0,278 . 103 ( sem erros)
b) 0,134 . 101 ( Sem erros )
c) 0, 00000227012 . 10-5 ( underflow )
d) 0, 312 . 10 −2 ( sem erros )
e) 0,10872 . 105 ( Overflow )

140
Cálculo Numérico

Questão 5.
a) x + y + z = 0,8125 . 104
b) x – y – z = 0,8120 . 104
c) x/y = 0,2574 . 108
d) (x. y)/z = 0,1043 . 10
e) x ( y/z) = 0,1043 . 10

Exercícios - Unidade 2

Questão 1.
x = 10/ y = 20/ z = 30/ w = 40.

Questão 2.
A). x = sanduíche/ y = suco/ z = café
12,00
2 17,50
2 2 18,50

B) sanduíche = R$5,50/ suco = R$4,00/ R$2,50

Questão 3.
S = {(-1, 0, 1, 2)}

Questão 4. Sistema possível indefinido, pois det (A) = 0.

Questão 5. x = 1,8/ y = 2,4/ z = 1,8

Questão 6.
x = 1,00003
y = 0,999789
z = 0,00025

Questão 7. x = -3 , y = 5 , z = 0
Questão 8. Para o sistema ser possível m deve ser diferente de 0,833 (m≠0,833).

Questão 9. x = 1, y = 1, z = 2
Questão 10. x = 1, y = –2, z = 2

141
Cálculo Numérico

Exercícios - Unidade 3

Questão 1
x1 ∈ (1 ; 2)

Questão 2
x1 ∈ (-5 ; -4)
x2 ∈ (1 ; 2)
x3 ∈ (4 ; 5)

Questão3
x1 ∈ (2 ; 3)

Questão 4
Para x1 temos → x = -3,154541 e Para x3 temos → x = 2,816894

Questão 5
x = -4,290711

Questão 6
Para x1 temos → x = -3,154491395
para x2 temos → x = 0,337635 e para x3 temos → x = 2,816903

Questão 7
x será aproximadamente 2,506128

Questão 8
x = 1,43044337

Questão 9
x = 2,506188 (com apenas 2 iterações)

142
Cálculo Numérico

Questão 10
Para x1 ∈ (-5 ; -4) temos → x = - 4,290729453 ( com 3 iterações)
Para x2 ∈ (1 ; 2) temos → x = 1,44198538 ( com 2 iterações)
Para x3 ∈ (4 ; 5) temos → x = 4,848745022 ( com 3 iterações)

Exercícios - Unidade 4

Questão 1

R= 0,77066

Questão 2

R= 0,98637024

Questão 3

1ª Solução
P2(x) = 1 + x + x²

2ª Solução
f(3) = 85
P2(3) = 13

f(x) ≠ P2(x)

Questão4

R=
1ª Solução

143
Cálculo Numérico

P2(x) = -17x² - 382x + 240


2ª Solução
f(1) = 9
P2(1) = -159
f(x) ≠ P2(x)

Questão 5

1ª Solução
P2(x) = – 5x² – 28x + 6

2ª Solução
f(1) = - 5
P2(1) = - 30
f(x) ≠ P2(x)

Questão 6

R = 0,998306

Questão 7

a) R = 85

b) R= 218,4

c) R = 327,8

d) R = 205,5

e) R = 339,75

Questão 8
1ª Solução
P2(x) = – 17x – 22x²

144
Cálculo Numérico

2ª Solução
f(0) = 0
P2(0) = 0
f(x) = P2(x)

Exercícios - Unidade 5

Questão 1

a) y =  2
b) y = ex [ ex + C ]
c) y = − ½ + C
d)

e) y = x – 1 ln x + cx – 1

Questão 2

a) y = 3
b) y =

c) x =

d) x = y2 – 2y – 2

Questão 3
a)

b) 4 4

c)

d) cos 2 2 cos

145
Cálculo Numérico

Questão 4

1,00 5,0000
1,10 3,9724
1,20 3,2284
1,30 2,6945
1,40 2,3263
1,50 2,0533

Questão 5

0,00 0,0000
0,10 0,1003
0,20 0,2027
0,30 0,3093
0,40 0,4228
0,50 0,5463

Questão 6

0,00 0,0000
0,10 0,0953
0,20 0,1823
0,30 0,2624
0,40 0,3365
0,50 0,4055

146
Cálculo Numérico

Questão 7

0,00 0,5000
0,10 0,5213
0,20 0,5358
0,30 0,5443
0,40 0,5482
0,50 0,5493

Exercícios - Unidade 6

Questão 1: A

Questão 2:
a) 27
b) 60
c) 39
d) 3,87
e) 2.73

Questão 3:
a) (1111) 2
b ) (1100) 2
c) (100100) 2
d) (1111,10) 2
e) (1010,01) 2

147
Cálculo Numérico

Questão 4:
x1=0,35x100
x2=-0,5712x101
x3=0,123x10-1
x4=0,53913x104
x5=0,3x10-3

Questão 5:
a)Erro absoluto – 0,00001
b) Erro relativo – 0,2
c) Erros percentuais – o,01% e 20%

Questão 6:
a)Erro absoluto – 1000
b) Erro relativo – 99999,0099
c) Erros percentuais – 1000000% e 9999900,99%

Questão 7: A
Questão 8: 1 libra = 1,6 euros
Questão 9: E

Questão 10: A solução geral é X =

Questão 11: ≅ 2,0039


Questão 12: 1,279, á 4,0 10

Questão 13: ≅ 0,9287


Questão 14: x ≅ 0,9047

148
Cálculo Numérico

Questão 15: Solução: x = 3,866.

Questão 16: x = 2,3542.

Questão 17: P2(x) = -0,0306 + 1,16x - 0,28x2

Questão 18: P2(x)= 1- -

Questão 19: a) 2 85725 b) P2(x) = 15x2 – 0,29x + 1,508

Questão 20: P3(x) =

Questão 21: P2(x) = 15x2 – 0,29x + 1,508

149