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PROCESSO DE COMUNICAÇÃO –
UFCD COMPORTAMENTOS
3253 COMUNICACIONAIS E COMUNICAÇÃO
PEDAGÓGICA DA CRIANÇA
Centro de Emprego e Formação Profissional de Vila Nova de Gaia

Processo de comunicação: comportamentos comunicacionais e comunicação pedagógica da


criança

Índice

Introdução .................................................................................................................. 3

Âmbito do manual..................................................................................................... 3

Objetivos ................................................................................................................. 3

Conteúdos programáticos .......................................................................................... 3

Carga horária ........................................................................................................... 5

1.Processo de comunicação .......................................................................................... 6

1.1.Conceito ............................................................................................................. 7

1.2.Elementos do processo de comunicação ................................................................ 8

1.3.Feedback /Empatia ............................................................................................ 11

1.4.Barreiras à comunicação .................................................................................... 13

1.5.Como superar as barreiras ................................................................................. 15

2.Processo psicológico da comunicação ........................................................................ 17

2.1.Componentes psicológicos ................................................................................. 18

2.1.1.Caracterizar as relações interpessoais e o espírito desenvolvido no grupo ........ 18

2.1.2.Identificar comportamentos positivos de um bom participante no grupo .......... 20

2.1.3.Avaliar a importância da comunicação no grupo ............................................. 21

2.1.4.Caracterizar o produto produtivo e maturo .................................................... 25

2.2.Barreiras à comunicação .................................................................................... 26

2.2.1.Identificar as barreiras que impedem a comunicação no grupo........................ 26

2.2.2.Identificar e caracterizar os vários comportamentos negativos do indivíduo,


quando inserido no grupo..................................................................................... 27

2.3.Recursos aplicáveis pelo emissor ........................................................................ 31

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Processo de comunicação: comportamentos comunicacionais e comunicação pedagógica da


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2.4.Recursos aplicáveis pelo recetor ......................................................................... 33

3.Comportamentos comunicacionais ............................................................................ 35

3.1.Analisar a importância do comportamento na relação interpessoal ......................... 36

3.2.Interpretar princípios gerais de comportamento ................................................... 39

3.3.Conflito e as principais orientações no relacionamento interpessoal ....................... 42

3.4.Importância das primeiras impressões no relacionamento interpessoal .................. 44

3.5. Estilos de comunicação ..................................................................................... 46

3.6.Atitudes ineficazes ............................................................................................. 48

3.7.Comunicação assertiva ...................................................................................... 49

4.Comunicação pedagógica ......................................................................................... 51

4.1.Formas de comunicação com a criança ............................................................... 53

4.2.Da família à acompanhante de crianças ............................................................... 55

4.3.Papel estruturante da acompanhante de crianças ................................................. 57

4.3.1.Acompanhante de crianças como elemento facilitador do relacionamento


interpessoal ........................................................................................................ 57

4.4.Auto-estima ...................................................................................................... 59

4.5.Como encorajar a autoestima ............................................................................. 61

4.6.Como equilibrar os elogios e as críticas ............................................................... 63

4.7.Reforço da autoestima ....................................................................................... 65

4.8.Principais correntes pedagógicas no período contemporâneo ................................ 66

4.9.Estabelecimento de um clima “árido” / “hostil” ..................................................... 70

4.10.Orientar a criança ............................................................................................ 72

4.11. Ensinar a criança ............................................................................................ 73

4.12.Relacionar a criança com outras crianças da sua idade ....................................... 74

Bibliografia ................................................................................................................ 76

Termos e condições de utilização................................................................................. 77

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Processo de comunicação: comportamentos comunicacionais e comunicação pedagógica da


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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de


curta duração nº3253 – Processo de comunicação – comportamentos
comunicacionais e comunicação pedagógica da criançada criança, de acordo com
o Catálogo Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Enunciar os principais conceitos inerentes ao processo de comunicação.


 Caracterizar o processo psicológico da comunicação.
 Interpretar e analisar os comportamentos comunicacionais da criança.
 Caracterizar as diferentes formas de comunicação pedagógica.

Conteúdos programáticos

 Processo de comunicação
o Conceito
o Elementos do processo de comunicação
o Feedback /Empatia
o Barreiras à comunicação
o Como superar as barreiras
 Processo psicológico da comunicação
o Componentes psicológicos

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criança

 - Caracterizar as relações interpessoais e o espírito desenvolvido no


grupo
 - Identificar comportamentos positivos de um bom participante no
grupo
 - Avaliar a importância da comunicação no grupo
 - Caracterizar o produto produtivo e maturo
o Barreiras a comunicação
 - Identificar as barreiras que impedem a comunicação no grupo
 - Identificar e caracterizar os vários comportamentos negativos do
indivíduo, quando inserido no grupo
o Recursos aplicáveis pelo emissor
o Recursos aplicáveis pelo recetor
 Comportamentos comunicacionais
o Analisar a importância do comportamento na relação interpessoal
o Interpretar princípios gerais de comportamento
o Conflito e as principais orientações no relacionamento interpessoal
o Importância das primeiras impressões no relacionamento interpessoal
o Estilos de comunicação
o Atitudes ineficazes
o Comunicação assertiva
 Comunicação pedagógica
o Formas de comunicação com a criança
o Da família à acompanhante de crianças
o Papel estruturante da acompanhante de crianças
 - Acompanhante de crianças como elemento facilitador do
relacionamento interpessoal
o Autoestima
o Como encorajar a autoestima
o Como equilibrar os elogios e as críticas
o Reforço da autoestima
o Principais correntes pedagógicas no período contemporâneo
o Estabelecimento de um clima “árido” / “hostil”

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o Orientar a criança
o Ensinar a criança
o Relacionar a criança com outras crianças da sua idade

Carga horária

 50 horas

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1.Processo de comunicação

1.1.Conceito
1.2.Elementos do processo de comunicação
1.3.Feedback /Empatia
1.4.Barreiras à comunicação
1.5.Como superar as barreiras

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1.1.Conceito

A palavra “comunicação” deriva do latim “communicare”, que significa pôr em comum,


associar, entrar em relação, estabelecer laços, tornar comum, partilhar. Troca de ideias,
opiniões e mensagens, sendo que contempla o intercâmbio de informação entre sujeitos ou
objetos.

É um fenómeno espontâneo e natural, que usamos sem darmos conta que esconde um
processo muito complexo, que envolve a troca de informações, e utiliza os sistemas
simbólicos como suporte para este fim. Estão envolvidos neste processo uma infinidade de
maneiras de se comunicar.

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1.2.Elementos do processo de comunicação

Atendendo à definição mais usual de comunicação que refere ser o “processo pelo qual os
seres humanos trocam entre si informações”, surgem implicitamente os elementos
nucleares do ato comunicativo: o emissor, o recetor ("seres humanos") e a mensagem
("informações"), o código, o canal e o contexto.

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O emissor e o recetor representam as partes envolvidas na comunicação (quem emite e


quem recebe a mensagem). A mensagem e o meio - representam as principais
ferramentas de comunicação. A Codificação, descodificação, reposta e feedback são os
elementos que dizem respeito ao processo de comunicação em si. O último elemento –
ruído – corresponde a todos os fatores que possam interferir na mensagem que se
pretende transmitir.

Para haver comunicação é necessária a intervenção de pelo menos dois indivíduos, um que
emita, outro que receba; algo tem que ser transmitido pelo emissor ao recetor; para que o
emissor e o recetor comuniquem é necessário que esteja disponível um canal de
comunicação; a informação a transmitir tem que estar "traduzida" num código conhecido,
quer pelo emissor, quer pelo recetor; finalmente todo o ato comunicativo se realiza num
determinado contexto e é determinado por esse contexto.

Resumidamente, podemos apresentar as seguintes etapas do processo de comunicação:

Emissor (ou fonte da mensagem da comunicação): representa quem pensa, codifica e


envia a mensagem, ou seja, quem inicia o processo de comunicação. A mensagem pode
ser transmitida sob a forma de palavras, símbolos, gestos, ou qualquer outra forma, desde
que compreensível para os intervenientes no processo.

Mensagem: informação, ideia ou pensamento que se pretende transmitir. Corresponde ao


que vamos dizer.

Código: Corresponde à forma como a mensagem é transmitida, sendo um sistema de


significados comuns aos membros que efetuam (ou pretendem Efetuar) a comunicação. A
codificação da mensagem pode ser feita transformando o pensamento que se pretende
transmitir em palavras, gestos ou símbolos que sejam compreensíveis por quem a recebe.

Canalde transmissão da mensagem: Trata-se do meio físico pelo qual a mensagem é


transmitida, ou seja, é o elemento que faz a ligação entre o emissor e o recetor.

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Existe uma grande variedade de canais de transmissão, cada um deles com vantagens e
inconvenientes, destacam-se os seguintes:
 Ar (no caso do emissor e recetor estarem frente a frente)
 Sonoro: telefone, rádio
 Escrita: jornais, diários e revistas
 Audiovisual:televisão, cinema
 Multimédia: diversos meios simultaneamente
 Hipermédia:NTICs, CD-ROM, TV digital e internet

Contexto:situação específica onde se processa a transmissão da mensagem. O contexto


varia consoante o tipo de canal de transmissão utilizado e consoante as características do
emissor e do(s) recetor(es), consoante o local onde se processa a situação, da escolha do
canal de transmissão e do tipo de codificação.

Recetor: é quem recebe e descodifica a mensagem transmitida. Este pode ser uma
pessoa individual, ou um grupo de pessoas, pois podem existir numerosos recetores para a
mesma mensagem. Depois do recetor receber e interpretar a mensagem transmitida, emite
uma informação de retorno à mensagem recebida, sendo esta ação designada por
feedback.

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1.3.Feedback /Empatia

Formas de melhorar a comunicação interpessoal

A) HABILIDADES DE TRANSMISSÃO
1. Usar linguagem apropriada e direta (evitando o uso de jargão e termos eruditos
quando palavras simples forem suficientes).
2. Fornecer informações tão claras e completas quanto for possível.
3. Usar canais múltiplos para estimular vários sentidos do recetor (audição, visão
etc.).
4. Usar comunicação face a face sempre que for possível.

B) HABILIDADES AUDITIVAS
1. Escuta ativa. A chave para essa escuta ativa ou eficaz é a vontade e a
capacidade de escutar a mensagem inteira (verbal, simbólica e não-verbal), e
responder apropriadamente ao conteúdo e à intenção (sentimentos, emoções etc.)
da mensagem. Como administrador, é importante criar situações que ajudem as
pessoas a falarem o que realmente querem dizer.

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2. Empatia. A escuta ativa exige uma certa sensibilidade às pessoas com quem
estamos tentando nos comunicar. Em sua essência, empatia significa colocar-se na
posição ou situação da outra pessoa, num esforço para entendê-la.
3. Reflexão. Uma das formas de se aplicar a escuta ativa é reformular sempre a
mensagem que tenha recebido. A chave é refletir sobre o que foi dito sem incluir
um julgamento, apenas para testar o seu entendimento da mensagem.
4. Feedback. Como a comunicação eficaz é um processo de troca bidirecional, o
uso de feedback é mais uma maneira de se reduzir falhas de comunicação e
distorções.

C) HABILIDADES DE FEEDBACK
1. Assegurar-se de que quer ajudar (e não se mostrar superior).
2. No caso de feedback negativo, vá direto ao assunto; começar uma discussão com
questões periféricas e rodeios geralmente cria ansiedades ao invés de minimizá-las.
3. Descreva a situação de modo claro, evitando juízos de valor.
4. Concentre-se no problema (evite sobrecarregar o recetor com excesso de
informações ou críticas).
5. Esteja preparado para receber feedback, visto que o seu comportamento pode
contribuir para o comportamento do recetor.
6. Ao encerrar o feedback, faça um resumo e reflita sobre a sessão, para que tanto
você como o recetor tenham mesmo entendimento sobre o que foi decidido.

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1.4.Barreiras à comunicação

As principais barreiras à comunicação situam-se a 3 níveis:

 Ao nível pessoal;
 Ao nível físico;
 Ao nível semântico.

1. BARREIRAS PESSOAIS
Pode acontecer durante os processos de codificação e descodificação da mensagem,
podendo assim situar-se:

Ao nível do emissor
 Quando não assimilou os conteúdos que deve transmitir, devido à má
perceção das motivações do recetor.
 Pelo seu egocentrismo, associado a uma incapacidade para se colocar no
lugar do seu recetor.

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 Pela utilização de um código inadequado, em que os fatores conotativos da


mesma língua podem revelar-se significativos.
 Deficiente elaboração mental da mensagem.
 Deficiente escolha dos meios e/ou do local onde se estabelece a
comunicação.

Ao nível do recetor
 Falta de interesse para captar a mensagem.
 Antecipação da resposta, por não saber escutar ativamente.
 Competição entre interlocutores, que em casos extremos gera monólogos
coletivos.
 Preconceitos em relação ao emissor, com hipóteses de valorização ou
desvalorização da imagem do emissor e da mensagem recebida.
 Posição que ocupa na rede de comunicação.
 Estado psicológico - emoções, situação atual, etc..

2. BARREIRAS FÍSICAS
Interferem ao nível do canal onde se desenvolve a comunicação.
 Ruídos ou barulhos - no exterior, conversas de terceiros, etc.
 Desproporção do volume de informação em relação aos meios de
comunicação.
 Avarias ou deficiências nos meios escolhidos para enviar a mensagem.

3. BARREIRAS SEMÂNTICAS
São constituídas pelas limitações presentes nos símbolos com que comunicamos, já que
estes podem possuir significados diferentes.
 Não adequação da linguagem aos papéis sociais.
 Conotações não entendidas à luz do grupo social de que o indivíduo faz
parte (ex: meio rural/meio citadino).
 Não correspondência da linguagem verbal à linguagem não-verbal.

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1.5.Como superar as barreiras

A escuta ativa é uma atitude de disponibilidade para receber as mensagens dos outros e
tentar compreendê-las.

A escuta ativa encoraja o recetor a explicitar as suas necessidades, ao mesmo tempo que
dá a quem atende a certeza de estar a compreender o que ele está a dizer. De facto,
temos a tendência para ouvir o que queremos ouvir e ver o que queremos ver.

Quando usamos a escuta ativa, estamos a enviar um sinal ao recetor de que confiamos
nele, de que damos importância às suas palavras e de que o estamos a ouvir. Isto faz com
que em troca, o cliente se sinta mais confiante e tenha prazer em estar com quem o
atende.
Página 43 Comunicação Interpessoal
Regras para uma escuta ativa
 Saber deixar falar;
 Colocar-se em empatia com o outro;

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 Centrar-se no que é dito;


 Manter os canais abertos;
 Eliminar qualquer juízo imediato;
 Não interromper o outro;
 Reformular;
 Utilizar as capacidades cerebrais.

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2.Processo psicológico da comunicação

2.1.Componentes psicológicos
2.2.Barreiras à comunicação
2.3.Recursos aplicáveis pelo emissor
2.4.Recursos aplicáveis pelo recetor

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2.1.Componentes psicológicos

2.1.1.Caracterizar as relações interpessoais e o espírito desenvolvido no


grupo

Podemos definir relacionamento interpessoal com a Relação estabelecida entre dois ou


mais intervenientes num processo de comunicação.

Neste âmbito podemos distinguir duas formas de relação:

Relações convencionais
São mais ou menos prescritas por normas sociais hierárquicas. É o caso das relações
profissionais, onde a relação não é escolhida livremente.

Relações não convencionais


Têm uma dimensão mais pessoal. A relação traduz-se por uma escolha livre e uma grande
implicação pessoal.

O homem relaciona-se com os outras através de:

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• Relações formais (a de um cidadão com uma repartição administrativa)


• Relações informais (grupo de amigos)
• Íntimas (relações familiares)
• Públicas (participação num concerto)
• Ocasionais (pedido de informação a um transeunte desconhecido)
• Sistemáticas (relações de trabalho e de vizinhança)

Fatores que influenciam as relações interpessoais:


• Os contextos
• Os papéis
• O conteúdo da relação
• Os intervenientes

Os contextos
• Relações com os pais e familiares
• Relações com amigos, colegas de trabalho e vizinhos, comunidade
• Relações amorosas

O contexto em que vivemos influencia os nossos comportamentos, a nossa qualidade de


vida e o modo como nos relacionamos com os outros

Papel desempenhado
Ao se relacionarem com os outros, as pessoas adquirem novos comportamentos, dividem
tarefas e adotam diferentes papéis.

O mesmo indivíduo pode desempenhar o papel de pai em relação ao filho, de filho em


relação aos pais, de chefe em relação aos subordinados, etc.

As relações interpessoais envolvem interações, perceções partilhadas, laços afetivos e


interdependência de papéis. Os papéis podem ir evoluindo em função da interação.

Conteúdo da relação

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Processo de comunicação: comportamentos comunicacionais e comunicação pedagógica da


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A relação pode ter como conteúdo um assunto estritamente pessoal, uma matéria de
estudo ou um problema profissional.

As trocas entre os indivíduos variam de acordo com o conteúdo ou a matéria da relação.


Com a família e os amigos, os conteúdos serão, sem dúvida, mais informais.

Os interlocutores
Os outros nunca são neutros para nós, eles transportam consigo significados e é em função
desses significados que nos comportamos.

Não só contribuímos para as relações em que estamos envolvidos como somos mudados
por elas.

2.1.2.Identificar comportamentos positivos de um bom participante no


grupo

A palavra assertividade vem de “assero”, afirmar. Diferente de acertar, afirmar não tem
relação com o certo ou errado e sim com a exposição positiva do que se deseja transmitir.
Uma pessoa assertiva é capaz de expressar o mais diretamente possível o que pensa, o
que deseja, escolhendo um conjunto de atitudes adequadas para cada situação, de acordo
com o local e o momento.

A assertividade permite uma comunicação direta por meio de um comportamento que


habilita o indivíduo a agir no seu interesse, defender-se sem ansiedade excessiva,
expressar os seus sentimentos de forma honesta e adequada, fazendo valer os seus
direitos sem negar os dos outros.

Portanto, a assertividade pode ser entendida como uma forma comportamental de


comunicar que significa afirmar o que eu quero, sinto e penso, dando simultaneamente
espaço de afirmação ao outro.

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Processo de comunicação: comportamentos comunicacionais e comunicação pedagógica da


criança

A assertividade é um treino sistemático, em que o indivíduo tem de reaprender a


autenticidade através de uma prática gradual e regular. Ser verdadeiro não consiste em
"dizer tudo o que me vem à cabeça", mas sim em exprimir-me eficazmente, tendo como
objetivo a evolução satisfatória e realista da situação.

É necessário, então, saber que tipo de comportamento provoca esta reação; evitar a
mímica e a entoação contrária às palavras; tentar descrever as próprias reações, em vez de
avaliar as ações dos outros; exprimir-me de forma positiva em vez de desvalorizar, julgar,
criticar, ridicularizar ou fazer interpretações, facilitando a expressão dos sentimentos dos
outros.

O comportamento assertivo resulta na fusão de quatro fatores:


• Bom contacto visual
• Tom de voz neutro
• Atenção à linguagem e
• Postura aberta

2.1.3.Avaliar a importância da comunicação no grupo

Para que a interação pessoal seja realmente eficaz no ambiente organizacional, será
necessário que cada colaborador que integra a organização consiga ter o controlo sobre as
suas emoções e atitudes, conhecendo-se a si próprio, nomeadamente no que diz respeito
ao seu comportamento, atitudes e postura e como estes poderão afetar o ambiente de
trabalho, a imagem da organização e do próprio profissional.

Desta forma, cada colaborador deverá fazer uma autoanálise relativamente à sua forma de
ser e estar, através de algumas perguntas, as quais devem ser respondidas com
sinceridade, pois só assim poderá melhor aperceber-se de quais serão os seus aspectos
positivos e negativos.

Exemplos de questões a colocar

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 Sou pontual e assíduo?


 Tenho autoconfiança?
 Cumpro as regras e normas da organização?
 Tenho interesse pelo trabalho e sinto-me motivado?
 Sei organizar o meu trabalho?
 Desempenho a minha atividade de forma empenada e consciente?
 Sei interagir e tenho uma boa comunicação interpessoal?
 Sei trabalhar em equipa?
 Trato os outros com consideração?
 Não provoco situações conflituosas?
 Desenvolvo o meu trabalho com autonomia?
 Aplico uma sequência lógica na resolução de problemas?
 Falo com calma e pausadamente?
 Falo muito, ou muito pouco?
 Sei expressar-me de forma clara?
 Sei escutar os outros e não os interrompo?
 Respeito a opinião dos outros?
 Tenho empatia para com os outros?
 Sou simpático com os outros?
 Sou prestável?
 Sei superar as dificuldades, ou perco rapidamente o controlo da situação?
 Perco rapidamente a paciência?
 Sei identificar as situações de forma clara?
 Sei aplicar os meus conhecimentos para o desenvolvimento de tarefas?
 Sei aceitar as mudanças?
 Procuro soluções para os problemas existentes?
 Tenho coragem para expressar a minha opinião?
 Não quero ter sempre razão?
 Sei quais os meus pontos fracos e fortes?

Exemplo de questionário: Autoavaliação de comunicação

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Preencha o seguinte questionário com o máximo de honestidade e rigor. Note a sua


resposta de acordo com a escala seguinte:
1= Nunca
2 = Algumas vezes
3= Habitualmente
4=Muitas vezes
5= Sempre

1. Considero as diferenças das outras pessoas ao 1 – 2 – 3 – 4 – 5


escolher as minhas palavras

2. Compreendo que as emoções do meu interlocutor 1 – 2 – 3 – 4 – 5


afetam o modo como recebem as minhas palavras

3. Recebo feedback bom e amigável de todas as 1 – 2 – 3 – 4 – 5


minhas comunicações

4. Utilizo comunicação verbal para conseguir 1 – 2 – 3 – 4 – 5


feedback amigável

5. Utilizo comunicação escrita para conseguir 1 – 2 – 3 – 4 – 5


clareza e referência futura na comunicação

6. Utilizo quer comunicação verbal quer 1 – 2 – 3 – 4 – 5


comunicação escrita quando necessário

7. Evito fazer pressupostos ao comunicar 1–2–3–4–5

8. Evito culpabilizar os outros pelos erros que 1 – 2 – 3 – 4 – 5


cometem

9. Evito frases e palavras longas ao comunicar 1–2–3–4–5

10. Faço comunicações escritas tão calorosas e 1 – 2 – 3 – 4 – 5

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Processo de comunicação: comportamentos comunicacionais e comunicação pedagógica da


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cordiais como as orais

11. Na comunicação centro-me na clareza e na 1 – 2 – 3 – 4 – 5


compreensão dos outros

12. Quando as comunicações apresentam deficiências 1 – 2 – 3 – 4 – 5


procuro ver o que poderia ter feito melhor

13. Procuro estar consciente das reações e da 1–2–3–4–5


linguagem corporal de outra pessoa

14. Mantenho toda a gente bem informada e nunca 1 – 2 – 3 – 4 – 5


deixo ninguém no escuro

15. Quando sou crítico termino a comunicação com 1 – 2 – 3 – 4 – 5


nota positiva

16. Muitas vezes explico algo de modos diferentes 1 – 2 – 3 – 4 – 5


para contribuir para a clareza da comunicação

17. Ao dar feedback não faço com que outra pessoa 1 – 2 – 3 – 4 – 5


se sinta estúpida

18. Ao falar tomo em consideração as diferenças 1 – 2 – 3 – 4 – 5


educacionais e sociais dos outros

19. Tento alimentar a cadeia da boa informação 1–2–3–4–5

20. Quando estou perturbado ou zangado, adio, 1 – 2 – 3 – 4 – 5


quando possível, a comunicação

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2.1.4.Caracterizar o produto produtivo e maturo

Uma das exigências fundamentais para que a comunicação e as relações interpessoais se


tornem progressivamente mais ricas, produtivas e maduras, é a necessidade de
compreensão de si próprio e dos outros.

Associamo-nos aos outros para alcançarmos certos objetivos e satisfazer necessidades que,
sozinhos, não conseguiríamos realizar. Os outros alimentam a nossa autoestima, fazem-nos
sentir bem, importantes, responsáveis pelo bem-estar deles, fazem-nos companhia,
divertem-nos.

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2.2.Barreiras à comunicação

2.2.1.Identificar as barreiras que impedem a comunicação no grupo

Uma das melhores maneiras de entender a natureza do processo de comunicação consiste


em prestar atenção a alguns princípios ou tendências - que podemos designar por leis da
comunicação;

 A comunicação é um processo de dois sentidos (biunívoca);


 A mensagem recebida pelo recetor nunca é igual à que enviamos.
 O significado que as pessoas atribuem às palavras depende das suas próprias
experiências e perceções;
 Existem situações em que corremos o risco de fornecer excessiva informação às
pessoas, criando-lhes dificuldades;
 Comunicamos sem estarmos conscientes disso, porque comunicamos também (e
sobretudo?) através de linguagem gestual e corporal;
 O emissor deve ser congruente com a mensagem a transmitir;
 A comunicação é tão mais difícil quanto maior for o número de recetores e a sua
heterogeneidade (muitos e diferentes recetores);

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 Quanto mais simples for uma mensagem, mais fácil será a sua compreensão e
memorização;
 O conteúdo de uma mensagem altera-se à medida que é transmitida de uma
pessoa para outra.

Se os colaboradores de uma organização querem desenvolver o seu desempenho


comunicacional, devem compreender os modos através dos quais a comunicação se
processa, assim como os obstáculos que podem ocorrer.

2.2.2.Identificar e caracterizar os vários comportamentos negativos do


indivíduo, quando inserido no grupo

Estilo passivo

A pessoa que adota este comportamento manifesta as seguintes características:

 Sente-se bloqueado e paralisado quando lhe apresentam um problema para


resolver;
 Tem medo de avançar e de decidir porque receia a deceção. Parece que espera
alguma catástrofe;
 Tem medo de importunar os outros;
 Deixa que os outros abusem dele;
 A sua “cor” é a cor do ambiente onde está inserido. Ele tende a fundir-se com o
grupo, por medo. Ele chama a isto realismo e deceção;
 Tende a ignorar os seus direitos e os seus sentimentos, assim como a evitar os
conflitos a todo o custo;
 Dificilmente diz não, quando lhe pedem alguma coisa, porque pretende agradar
todos.

Consequências nefastas do estilo passivo:


 Perda do respeito por si próprio, porque frequentemente faz coisas que não gosta
muito e que não consegue recusar;

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 Estabelece uma má comunicação com os outros porque não se afirma e raramente


se manifesta;
 Os outros não conhecem os seus desejos, interesses e necessidades;
 Desenvolve ressentimentos e rancores porque ao longo da sua existência vai
sentindo que está a ser explorado e diminuído;
 Utilização errada da sua energia vital. A sua inteligência e afetividade são
frequentemente utilizadas para se defender e fugir às situações. Seria muito mais
produtivo se investisse essas energias em ações e soluções construtivas para si e
para os outros;
 Sofrimento pessoal.

Argumentos ou expressões utilizadas pelo sujeito com estilo passivo:


 “Não quero dramatizar”;
 “É preciso deixar as pessoas à vontade”;
 “Não sou o único a lamentar-me”;
 “É preciso saber fazer concessões”;
 “Não gosto de atacar moinhos”;
 “Admito que os outros sejam diretos comigo, mas eu tenho receio de os ferir”;
 “Não gosto de prolongar a discussão com intervenções não construtivas”.

Estilo Agressivo

A pessoa que adota este estilo, ignora e desvaloriza sistematicamente o que os outros
fazem e dizem, assim como domina e valoriza-se à custa dos outros.

Indicadores de estilo de comunicação agressivo:


 Fala alto e interrompe;
 Faz barulho com os seus afazeres enquanto os outros se exprimem;
 Não controla o tempo enquanto está a falar;
 Olha de revés o seu interlocutor;
 Exibe um sorriso irónico;
 Manifesta por mímica o seu desprezo ou a sua desaprovação;
 Recorre a imagens chocantes ou brutais.

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Argumentos ou expressões utilizadas pelo agressivo:


 Neste mundo é preciso um homem saber impor-se
 Prefiro ser lobo a ser cordeiro
 As pessoas gostam de ser guiadas por alguém com um temperamento forte
 Se eu não tivesse aprendido a defender-me já há muito tinha sido devorado
 Os outros são todos uns imbecis
 Os outros são todos uns patifes
 Só os fracos e os hipersensíveis é que podem sentir-se agredidos

Estilo manipulador

O indivíduo manipulado considera-se hábil nas relações interpessoais, apresentando


discursos diferentes consoante os interlocutores a quem se dirige. Apresenta um
comportamento calculista em que não são dadas a conhecer as verdadeiras intenções

Indicadores de estilo de comunicação manipulador:


 Apresenta uma relação tática com os outros;
 Tende a valorizar o outro através de frases que pretende que sejam humorísticas e
que denotem inteligência e cultura;
 Exagera a caricatura algumas partes da informação emitida pelos outros;
 Repete a informação desfigurada e manipula-a;
 Utiliza a simulação como instrumento. Nega factos e inventa histórias para mostrar
que as coisas não são da sua responsabilidade;
 Fala por meias palavras; é especialista em rumores e «diz que disse»;
 É mais hábil em criar conflitos no momento oportuno do que reduzir as tensões
existentes;
 Tira partido do sistema (das leis e das regras), adapta-o aos seus interesses e
considera que, quem não o faz é estúpido;
 Oferece os seus talentos em presença de públicos difíceis;
 A sua arma preferida é a culpabilidade. Ele explora as tradições, convicções e os
escrúpulos de cada um; faz chantagem moral;

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 Emprega frequentemente o “nós” e não o “eu”; “falemos francamente”; “confiemos


um no outro”;
 Apresenta-se sempre cheio de boas intenções.

Consequências nefastas do estilo manipulador:


 O manipulador perde a sua credibilidade à medida que os seus “truques” forem
descobertos;
 Uma vez descoberto, o manipulador tende a vingar-se dos outros e, se tem poder,
utiliza-o para isso;
 Dificilmente recupera a confiança dos outros.

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2.3.Recursos aplicáveis pelo emissor

Atitudes Comunicacionais a adotar pelo emissor:

ATITUDES EFEITOS
Exploração  Aumenta a capacidade de análise
 Perguntas  Aprofunda a relação
 Convites  Inspira confiança
 Frases por acabar  Envolve o interlocutor
Informação  Introduz objetividade e neutralidade
 Factos  Encurta as discussões
 Dados objectivos
 Neutra
Orientação  Gera sensação de autoridade
 Ordens  Aumenta a tensão no recetor
 Sugestões/ conselhos  Recetor tende a perceber a resposta como não
 Opiniões fundamentada
 “Controle do futuro”  Tendência a rebater e prolongar a conversa ou
discussão

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 Induz o comportamento contrário


Avaliação  Choque
 Crítica negativa  Aumento da tensão entre os comunicadores
 Juízos de valor  Aumento da agressividade
reprovativos  Ativa os mecanismos defensivos do recetor
 Endurece posições
 Reduz a capacidade de comunicar
Interpretação  Choque
 Cataloga  Aumento da resistência à mensagem
 Rótulo (negativo/ insulto)  Aumenta agressividade do recetor
 Induz estratégias de ataque no outro
Apoio  Mantém ou aumenta o estado afetivo
 Frases curtas  Aumento da tendência para a conformidade
 Concordantes no  Dificulta a análise
emocional  Gera dependência
 Mesmo tom afectivo
Empatia  Sensação de conforto no recetor
 Reformulações  Aumenta a capacidade de análise
 Função espelho  Aprofunda a comunicação
 Neutra  Aprofunda a racionalidade

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Processo de comunicação: comportamentos comunicacionais e comunicação pedagógica da


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2.4.Recursos aplicáveis pelo recetor

Para que a comunicação seja eficaz, necessitamos que o recetor esteja “connosco”, a fim
de evitar a indiferença e a contestação.

Em qualquer situação, é importante que quem o vai ouvir, não só esteja atento, como
também sinta que valeu a pena estar ouvir. Para que tal aconteça, deve mostrar ao recetor
que ele é importante. Podemos demonstrá-lo através de:

 Evitar contradizer o outro abertamente - Quando surgirem opiniões diferentes


das suas, procure explorar a razões do outro (“Porque pensa assim?”) e justifique o
seu ponto de vista de forma objetiva e sem juízos de valor.

 Dar espaço a outras ideias - Dê a oportunidade para os outros exprimirem as


suas e ideias e necessidades, demonstrará preocupação e consideração por eles. Ao
procurar conhecer as opiniões dos outros, poderá estabelecer pontos em comum e
demonstrar envolvimento (“Sei que tem alguma opinião sobre...”).

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Processo de comunicação: comportamentos comunicacionais e comunicação pedagógica da


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 Não falar ao mesmo tempo, nem interromper - É importante esperar pelo


momento apropriado para dar a sua opinião. Se cortar a palavra do seu interlocutor,
dará a impressão de que não considera válido o que ele tem para dizer.

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Processo de comunicação: comportamentos comunicacionais e comunicação pedagógica da


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3.Comportamentos comunicacionais

3.1.Analisar a importância do comportamento na relação interpessoal


3.2.Interpretar princípios gerais de comportamento
3.3.Conflito e as principais orientações no relacionamento interpessoal
3.4.Importância das primeiras impressões no relacionamento interpessoal
3.5. Estilos de comunicação
3.6.Atitudes ineficazes

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3.1.Analisar a importância do comportamento na relação


interpessoal

A comunicação interpessoal é um método de comunicação que promove a troca de


informações entre duas ou mais pessoas. Cada pessoa, que passamos a considerar
interlocutor, troca informações baseadas no seu repertório cultural, na sua formação
educacional, vivências, emoções, toda a "bagagem" que traz consigo.

O processo de comunicação prevê, obrigatoriamente, a existência mínima de um emissor e


de um recetor. Cada qual tem o seu repertório cultural exclusivo e, portanto, transmitirá a
informação segundo o seu conjunto de particularidades e o recetor agirá da mesma
maneira, segundo o seu próprio filtro cultural.

A fim de minimizar estes choques culturais, convencionaram-se ferramentas e meios de


múltiplas utilizações que passam a ser usados pelas pessoas na comunicação interpessoal.

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Como exemplo de ferramenta podemos considerar a fala, a mímica, os computadores, a


escrita, a língua, os telefones e a rádio. A escolha dos meios de comunicação e a utilização
das ferramentas disponíveis deve ser observada de modo a facilitar todo o processo com o
menor índice de ruídos possível.

Os recursos usados para anular ruídos são:


a) Redundância: é todo o elemento da mensagem que não traz nenhuma
informação nova. É um recurso utilizado para chamar à atenção e eliminar possíveis
ruídos. Nesse sentido, deve-se repetir frases e informações julgadas essenciais à
compreensão do recetor;
b) Feedback: conjunto de sinais percetíveis que permitem conhecer o resultado da
mensagem; é o processo de se dizer a uma pessoa como você se sente em função
do que ela fez ou disse. Para isso, fazer perguntas e obter as respostas, a fim de
verificar se a mensagem foi recebida ou não.

Uma vez transmitida a informação, o recetor processa-a e, segundo os seus objetivos


transforma-a em conhecimento.

O importante na comunicação interpessoal é o cuidado e a preocupação dos interlocutores


na transmissão dos dados ou das informações em questão para que se obtenha o sucesso
no processo desejado.

Como o simples ato de receber a mensagem não garante que o recetor vá interpretá-la
corretamente (ou seja, como se pretendia), convém considerar:
1. Quem comunica a quem, em termos de papéis que essas pessoas desempenham
(por exemplo, administração e funcionários, gerente e subordinado).
2. A linguagem ou o(s) símbolo(s) usados para a comunicação, e a respetiva
capacidade de levar a informação e esta ser entendida por ambas as partes.
3. O canal de comunicação, ou o meio empregado e como as informações são
recebidas através dos diversos canais (tais como comunicação falada ou escrita).
4. O conteúdo da comunicação (boas ou más notícias, relevantes ou irrelevantes,
familiares ou estranhas)

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5. As características interpessoais do transmissor e as relações interpessoais entre


transmissor e o recetor (em termos de confiança, influência etc.).
6. O contexto no qual a comunicação ocorre, em termos de estrutura organizacional
(por exemplo, dentre de ou entre departamentos, níveis e assim por diante).

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3.2.Interpretar princípios gerais de comportamento

 Auto Estima
Tendo em conta que a assertividade pressupõe a nossa autoafirmação, é
importante aprender a aceitar as nossas características, deforma a
desenvolver a nossa autoestima, sem pessimismos, condescendências ou
suposições.
 Determinação
Surge como o resultado da energia associada à nossa força de vontade para
prosseguir com os nossos objetivos até ao fim.
 Empatia
Consiste na capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, procurando
compreendê-lo, escutá-lo não fazendo juízos de valor.
 Adaptabilidade
É a capacidade de nos adaptarmos ao tipo de comunicação do outro. Ex: se
estamos a falar com adultos falamos de uma forma diferente de quando

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estamos a falar com crianças; falar com um familiar é diferente de falar com
desconhecido.
 Autocontrolo
É a nossa capacidade de controlar os nossos sentimentos e emoções
negativas de modo a não interferirem na relação com o outro.
 Tolerância à frustração
Tem a ver com a nossa resistência aos aspetos mais negativos da nossa
vida. Caracteriza-se pela capacidade de gerir as tensões e conflitos nas
nossas relações com os outros.
 Sociabilidade
Um comunicador assertivo deve ter prazer em comunicar e relacionar-se
com os outros.
 Possuir e expressar sentimentos
Cada pessoa tem a sua sensibilidade e reage de forma diferente sem por
isso, ser considerado melhor ou pior que os outros.
 Possuir e expressar opiniões
Cada pessoa tem uma visão particular da realidade, o que proporciona uma
infinidade de opiniões diferentes.
 Dizer “Não sei”
O direito de dizer “não sei” quando realmente não sabemos, revela
capacidade para aceitarmos as nossas limitações.
 Ser escutado
O direito à livre expressão de ideias e sentimentos só faz sentido quando
alguém escuta. A capacidade de escuta vai para além da nossa capacidade
de ouvir.
 Cometer erros
Este direito, parte da ideia de que “errar é humano”.
 Não ser perfeito
Este direito tem a ver com o referido anteriormente. É importante sabermos
lidar com as nossas limitações que são próprias da condição humana.
 Ser responsável pelas minhas atitudes

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Pressupõe que junto com a nossa liberdade de escolha, existe também a


responsabilidade de assumirmos as consequências das nossas ações.
 Fazer e solicitar pedidos
Somos dependentes uns dos outros e precisamos de todos. É importante
aceitar que os outros têm um contributo importante a dar e vice-versa.
 Dizer Não
Poderá ser tão assertivo dizer não, como dizer sim, depende do contexto.

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3.3.Conflito e as principais orientações no relacionamento


interpessoal

As estratégias de negociação interpessoal são muito importantes para as crianças, elas são
o mecanismo que mais influência tem no progresso do desenvolvimento interpessoal.

É importante que os adultos que lidam com crianças conheçam os diversos níveis de
estratégias de negociação interpessoal, que saibam identificar em que nível ou níveis se
situam as crianças do seu grupo de trabalho, para poderem intervir no sentido de promover
o seu desenvolvimento a este nível.

Nível 0 – impulsiva
A criança utiliza estratégias físicas para atingir os seus objetivos, age impulsivamente. Tem
dificuldade em diferenciar a sua perspetiva da do outro, bem como em distinguir entre
ações e sentimentos. Não colabora com os outros, em vez disso foge ou usa a força.

Nível 1 – unilateral

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A criança utiliza estratégias unilaterais para obter controlo ou satisfazer a sua pessoa. Não
considera as perspetivas em separado. Verificam-se ordens e alegações de sentido único
ou simples acomodação passiva às necessidades do outro. A sua perspetiva é relevante, é
a que prevalece.

Nível 2 – recíproca
As estratégias deste nível envolvem esforços no sentido de satisfazer ambos os
participantes, de forma recíproca. Envolve formas de negociação, trocas e contratos,
estratégias de persuasão (tentar convencer o outro). Não há compromissos. A criança
diferencia as perspetivas subjetivas considerando-as em simultâneo. Ela resolve,
geralmente com autonomia problemas com outras crianças (como esperar pela sua vez,
partilhar materiais, etc.).

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3.4.Importância das primeiras impressões no relacionamento


interpessoal

Todo o adulto conhece e sente aquela ponta de ansiedade inicial de quem começa um
trabalho com pessoas com as quais ainda não teve contacto.

Podemos causar ou boa ou má imagem de nós próprios nos outros. Os nossos atos,
atitudes e comportamentos vão ficar gravados na memória daqueles com quem nos
relacionamos pela primeira vez.

Devemos criar um espaço de à-vontade e entendimento para se vencerem aqueles


momentos de incomunicação, para se “partir o gelo” do desconhecido e ultrapassar a
ansiedade do começo. Por isso, vá com um sorriso nos lábios, seja simpática, acessível e
calorosa.

Apresente-se com simplicidade dizendo quem é, o que faz. Introduza uma ou outra
brincadeira, um poema, uma cantilena, uma música, uma conversa, de modo a “partir o
gelo” e a incentivar resposta por parte dos seus interlocutores – as crianças e/ou adultos.

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Promova, também, o grupo e ao fazê-lo vá-se inserindo nele e ganhando a sua própria
naturalização como membro desse grupo. Quando se ganha esta aposta inicial, as pessoas
predispõem-se a ouvi-la, a comunicar, o grupo começa a ser uma realidade e o adulto é
aceite como seu animador.

Para que cause uma primeira impressão positiva apoie-se nos comportamentos assertivos,
nas atitudes, estratégias e gestos corporais positivos a ter com a criança, falados
anteriormente. Para evitar uma má impressão evite todos os maus comportamentos,
atitudes e estratégias desadequados à promoção de um bom relacionamento interpessoal.

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3.5. Estilos de comunicação

O modo como o adulto se comporta perante a criança e impõe ordem e respeito, advém da
sua experiência anterior e pode ser definido em três estilos:
• Autoritário e Rígido: o adulto impõe regras sem considerar as circunstâncias e o
ponto de vista da criança. A vontade do adulto tem de ser cumprida.
• Democrático ou Flexível: é um estilo que permite às crianças construir regras.
Estas não são impostas arbitrariamente pelo adulto. As regras são estabelecidas
pelos participantes de comum acordo.
• Livre ou Inconsistente: Não há regras claras e estabelecidas. As regras são
confusas e as crianças podem interpretá-las à sua maneira.

Uma boa regra é bem definida, razoável, forte e necessária. Deve ser usada de forma
consistente, deve ser revista e verificada por todas as crianças, deve também ignorar
condutas irrelevantes e dever ser modelada aos comportamentos estabelecidos.

O adulto reage de maneira diferente aos comportamentos e atitudes adotadas pela criança:

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• Não preocupado: as necessidades a atividades das crianças são ignoradas pelo


adulto. O adulto não se vê responsável pelas crianças.
• Culpado: o adulto sente-se responsável pelas atitudes e conduta da criança.
• Preconceito: o adulto tem preconceitos acerca das atitudes da criança.
• Superprotector: o adulto preocupa-se demasiado com as crianças, resolve tudo
pela criança. O adulto limita as experiências das crianças e não lhe permite correr
qualquer risco.
• Excesso de explicações: para parecer menos autoritário o adulto tenta convencer
a criança falando demais e dando explicações em excesso.
• Rígido: o adulto apresenta um modelo que não permite qualquer mudança. Não
há alternativas, as regras são impostas e não se tem em conta o ponto de vista da
criança. Não há flexibilidade, o adulto é uma pessoa rígida.
• Hipercrítico: o adulto procura a perfeição, apenas se concentra nos erros e nos
aspetos negativos.
• Arbitrário: o adulto não sabe como expressar os seus sentimentos. Não estabelece
regras e não atua de acordo com as regras já existentes.

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3.6.Atitudes ineficazes

Vejamos alguns comportamentos menos assertivos:


• Dificuldade em olhar os outros de frente (desviar ou baixar os olhos);
• Dificuldade em iniciar ou estabelecer uma comunicação com outrem (tom de voz
menos audível ou tom imperativo);
• Incapacidade para ver ou escutar alguém (fazer que não vê ou não ouve);
• Posicionamento duro, intransigente, altivo, rígido;
• Utilização de gestos agressivos (gritos, encenações);
• Incapacidade prática de comunicação gestual (rigidez muscular);
• Indisponibilidade para tomar a palavra em público…

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3.7.Comunicação assertiva

Poderemos nós relacionar-nos com alguém de forma positiva? É disso que se trata quando
falamos de assertividade.

Em cada dia deparamos com sinais de insegurança, que conduzem a expressões


desajustadas dos sentimentos. Aí surge a assertividade: um processo de autoafirmação
construtiva que se vai aprendendo e mantendo progressivamente com os outros, no nosso
agir diário.

À medida que a assertividade se vai desenvolvendo, aumenta na pessoa a capacidade de


se afirmar como ser único e original: expõe mais os seus desejos íntimos, revela mais
claramente as suas intenções e preocupações, aumenta a sua perceção do real e de
análise/resolução dos preconceitos próprios.

É importante que o educador conduza os trabalhos no sentido da descoberta de formas


assertivas de relacionamento, estabelecendo com os participantes um clima de
autoafirmação, que permita desenvolver:

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• O sentido do humor, da simpatia e do acolhimento;


• A capacidade de observação das situações;
• Um relacionamento aberto e franco fundado na segurança da personalidade;
• A qualidade da informação/comunicação, ou de dar/receber feedback;
• A capacidade de escutar e apreciar os outros.

Há certas estratégias, comportamentos e atitudes que sendo levadas a cabo pelos adultos,
usadas com paciência e de forma persistente permite às crianças desenvolver uma
capacidade de controlo interno e aprender a resolver os seus conflitos com os outros,
utilizando formas de interação adequadas.

Ao nível das estratégias são:


• Organização do ambiente físico, do espaço e materiais;
• Estruturação de uma rotina diária consistente;
• Adoção por parte do adulto de um papel de apoio (nem permissivo, nem
autoritário.

Ao nível dos comportamentos e atitudes são:


• Intervir imediatamente para parar um comportamento que seja destrutivo ou que
ponha em perigo a segurança da criança;
• Usar a linguagem verbal para identificar os sentimentos e as preocupações das
crianças;
• Pedir às crianças que exprimam por palavras os seus desejos e sentimentos;
• Levar as crianças a apresentar as suas próprias soluções para a resolução de
problemas;
• Dar às crianças escolha para a resolução de um problema, apenas quando elas se
apresentem como opções possíveis de concretizar;
• Evitar o uso de linguagem punitiva ou que expresse julgamento;
• Quando se depara um comportamento que é inaceitável, deve-se explicar as
razões às crianças;
• Antes de aparecer uma situação de conflito, verificar se as crianças conseguem
resolvê-la sem o apoio do adulto.

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4.Comunicação pedagógica

4.1.Formas de comunicação com a criança


4.2.Da família à acompanhante de crianças
4.3.Papel estruturante da acompanhante de crianças
4.4.Auto-estima
4.5.Como encorajar a autoestima
4.6.Como equilibrar os elogios e as críticas
4.7.Reforço da autoestima
4.8.Principais correntes pedagógicas no período contemporâneo
4.9.Estabelecimento de um clima “árido” / “hostil”
4.10.Orientar a criança
4.11. Ensinar a criança

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4.12.Relacionar a criança com outras crianças da sua idade

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4.1.Formas de comunicação com a criança

Comunicação significa entrada e saída: o que chega vindo de ti para mim, o que vai de
mim para ti, e o que vai de mim para ti. Significa entrar em contacto usando todo o teu
ser: o teu pensamento mágico, o teu corpo e o seu movimento, os teus efeitos de som, os
sentidos – algumas vezes separadamente, outras em conjunto.

Comunicação pode acontecer de um para um, de muitos para muitos. Ela tem lugar entre
pessoas, algumas vezes entre não-pessoas (animais, coisas com vida).

Eu posso enviar comunicação movendo-me, falando, olhando, tocando. Eu posso entrar em


comunicação ouvindo, olhando, sentindo, provando, cheirando.

Os seres humanos não têm de falar para comunicar, mas não há dúvida de que as palavras
clarificam muito melhor a transmissão de informações e pensamentos. Nos primeiros anos
de vida, a linguagem corporal desempenha um papel mais importante.

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Não é só o rosto que revela emoções, são também os gestos. Podemos abrir os braços por
nos sentirmos alegres ou tristes. Mas toda a gente sabe ler os sinais mais deliberados,
como as expressões faciais, o apontar, o tocar, o encolher os ombros, os abraços e os
beijos.

As crianças começam a fazer estes sinais nas primeiras semanas de vida, embora não se
apercebam disso. Começam a usar sinais para comunicar intenções cerca dos 7 ou 8
meses.
Um bebé que chora e deixa de o fazer quando um adulto chega está a mostrar que tem
presente um sinal comunicativo com que chama a atenção de outra pessoa e a que esta
responde.

Nós os adultos atribuímos intenções de comunicação às expressões dos bebés, mesmo que
estes sejam muito pequenos. A importância deste facto é que facilita as interações entre
crianças e adultos. A ação constante de interpretação que os adultos fazem das expressões
das crianças permite que a interação continue e que a criança tenha acesso aos
significados.

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4.2.Da família à acompanhante de crianças

A crescente capacidade da criança para utilizar a linguagem, um sistema de comunicação


baseado em palavras e gramática, é um elemento crucial no desenvolvimento cognitivo. A
partir do momento em que conhece as palavras, ela pode utilizá-las para representar
objetos e ações. Ela pode refletir acerca das pessoas, locais e objetos; pode comunicar as
suas necessidades, sentimentos e ideias para exercer controlo sobre a sua própria vida.

O crescimento da linguagem ilustra a interação entre todos os aspetos do


desenvolvimento: físico, cognitivo, emocional e social. À medida que as estruturas físicas,
necessárias à produção de sons, sofrem maturação, e que as conexões neuronais,
necessárias à associação de sons e de significados se tornam ativadas, a interação social
com os adultos inicia os bebés na natureza comunicativa do discurso.

O educador e auxiliar educativo, no jardim-de-infância, têm um papel único a desempenhar


na descoberta da utilização que a criança faz da linguagem (para que a utiliza e como o
faz). Devem observá-la primeiro na relação com os outros, adultos e crianças, e só depois
na situação escolar.

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Deverão estar atentos a quaisquer sinais de dificuldade da linguagem e fala da criança, que
podem confundir-se com atrasos de desenvolvimento ou virem a criar-lhe problemas nas
suas relações com os outros e na aprendizagem.

Alguns destes comportamentos são naturais numa determinada fase do desenvolvimento


da criança, ou em determinadas situações, e só são consideradas dificuldades se
permanecerem durante muito tempo, fora da fase correspondente ou da situação em que
surgem. Mesmo assim, é necessário ter em conta que o desenvolvimento da linguagem e
da fala, fazem parte de um processo altamente individual e influenciado pelo meio.

Se o educador ou o professor identificarem as dificuldades da criança, poderão facilitar a


comunicação com ela e entre ela e as outras crianças, o que influenciará positivamente a
aprendizagem e desenvolvimento social de todas.

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4.3.Papel estruturante da acompanhante de crianças

4.3.1.Acompanhante de crianças como elemento facilitador do


relacionamento interpessoal

Em instituições de cuidado às crianças o adulto desempenha sempre o papel de vigilante. É


ele o responsável pela segurança e ótimo desenvolvimento da criança.

O vigilante/adulto desempenha assim, diferentes papéis. O papel de animador do grupo,


facilitador do processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança e de coordenador
dos comportamentos da criança.

Ao assumir-se como animador das crianças nas diferentes situações que ocorrem, o
vigilante tem por finalidade chegar à personalidade de cada criança e ao mesmo tempo do
grupo. Este desempenho por parte do adulto requer que se dê importância ao registo
afetivo e relacional adotado pela criança.

Ser facilitador, é situar-se para além do “instrutor”, do “mestre todo-poderoso” ou do


“deixar andar” e “eles que venham ter comigo”. Ao contrário, o vigilante é um educador

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que observa pessoas/grupos/situações, um catalisador da mudança no caminho que a


criança tem a percorrer.

Neste processo posiciona-se como gerador de situações diferentes e moderador de


conflitos que há-de saber usar como instrumento de transformações pessoais e grupais.

Face à emergência cada vez mais clara da responsabilização, por parte de todos os adultos
que trabalham em instituições educativas, toma vulto a dimensão de coordenador dos
comportamentos da criança.

Estando no papel de quem garante a transmissão de uma mensagem, o vigilante incentiva


as crianças a apropriaram-se dos diferentes desempenhos que pode adquirir.

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4.4.Auto-estima

A independência dá confiança e autoestima às crianças. “Eu posso” soa melhor do que “eu
não posso”, sobretudo quando mais alguém pode.

Há momentos em que todas as crianças procuram a dependência que é apanágio dos


bebés, em geral quando a pessoa que cuida delas está ocupada, ou quando elas estão
aborrecidas e infelizes, mas as crianças quase sempre agarram a independência quando
esta lhes é oferecida.

Para ser independente, uma criança tem de saber cuidar de si própria nos aspetos básicos:
comer, vestir-se, servir-se da casa de banho e lavar-se.

Mais importante ainda, tem de conseguir motivar-se para a ação, seja qual for a tarefa.
Uma criança que sabe vestir as calças, mas só o faz quando lho dizem, continua a

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depender de si. Se você permitir que este tipo de dependência impregne todos os atos da
criança, a vida dela longe de si será difícil. Nem os professores nem as outras crianças têm
tempo para organizar todos os atos dela.

Entrar na escola significa que uma criança tem de passar a maior parte do dia sem as
interações a dois a que está habituada em casa. Se ela tem de se repartir alegremente
entre a casa e a escola, tem de conseguir inserir-se num grupo maior e ser capaz de
continuar uma atividade quando não é o centro das atenções. Deve ter a competência
necessária apara pedir o que precisa, confiança pessoal para tentar qualquer coisa mesmo
que seja difícil e ego para enfrentar as críticas.

A nível prático, tem de conseguir trabalhar sozinha, concentrar-se escutar, compreender e


manter-se sentada durante longos períodos. Uma criança comporta-se melhor em todas
estas frentes, sobretudo se foi encorajada a ser independente.

A independência assenta na segurança. Uma criança emocionalmente segura sabe que os


pais e os educadores estão sempre prontos a ajudá-la, mas também que voltarão se se
ausentarem. A segurança consiste essencialmente em saber que, faça a criança o que fizer,
o afeto não está em questão. Os pais amam-na por aquilo que ela é.

Faz parte da independência de uma criança que se sabe vestir, ir à casa de banho sozinha
e vestir o casaco e calçar os sapatos na escola. Se não o fizer, os amigos olharão para ela
como se fosse um bebé. O facto de ela saber vestir-se reduz o trabalho da mãe, da
educadora e do pessoal auxiliar.

As crianças não percebem a diferença que existe entre trabalho e brincadeira; o que lhes
interessa é saber se uma tarefa é divertida. Tal como os trabalhos escolares, as atividades
de ajuda devem ter uma estrutura e um objetivo. Estimulam a criança a fazer planos.
“Ajudar” envolve uma sequência de atividades que começam pelo princípio e se
encaminham para um determinado fim.

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4.5.Como encorajar a autoestima

A autoestima que a criança desenvolve é, em grande parte, interiorização da estima que se


tem por ela e da confiança da qual é alvo. Disso resulta a necessidade do adulto confiar e
acreditar na capacidade de todas as crianças com as quais trabalha.

A postura corporal, somada à linguagem gestual, verbal etc., do adulto transmite


informações às crianças, possibilitando formas particulares e significativas de estabelecer
vínculos com elas.

É importante criar situações educativas para que, dentro dos limites impostos pela vivência
em coletividade, cada criança possa ter respeitados os seus hábitos, ritmos e preferências
individuais.

Da mesma forma, ouvir as falas das crianças, compreender o que elas querem comunicar,
fortalece a sua autoconfiança.

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O processo de construção da autoconfiança envolve avanços e retrocessos. As crianças


podem fazer birra diante de frustrações, demonstrar sentimentos como vergonha e medo
ou ter pesadelos, necessitando de apoio e compreensão dos pais e professores.

O adulto deve ter em relação a elas uma atitude continente, apoiando-as e controlando-as
de forma flexível, porém segura. A colaboração entre pais e professores é fundamental no
acompanhamento conjunto dos progressos que a criança realiza na construção de sua
identidade e progressiva autonomia pessoal.

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4.6.Como equilibrar os elogios e as críticas

Algumas manifestações exprimidas pelas crianças podem sinalizar desconforto, e devem


ser compreendidas e considerados pelo professor no planeamento das suas ações.

O choro infantil é uma delas. Na relação com cada criança, o professor vai percebendo o
significado do choro em cada situação, atendendo a criança quando ela sinalizar alguma
necessidade que, para ser suprida, requer a mediação do adulto.

Dependendo da sua intensidade, o choro pode, mais do que mobilizar, irritar o adulto,
deixando-o num estado de tensão que acaba por dificultar o encaminhamento da situação.
O esforço para compreender as necessidades expressas pelas crianças, bem como suas
reações, auxilia o professor a manter a calma necessária para encontrar formas de resolver
a situação.

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Destacam-se, ainda, duas situações relacionadas ao processo de construção da identidade


que merecem atenção especial do professor e de outros profissionais da instituição, por
estarem relacionadas diretamente com a autoestima.

Uma delas refere-se a algumas crianças que podem manifestar falta de confiança em si
próprias ou exibir atitudes de Auto desvalorização. Para o planeamento das ações a serem
realizadas, será necessária uma observação cuidadosa das crianças em questão, de modo a
compreender as situações que contribuem para esse sentimento.

A valorização das suas competências e características positivas é uma orientação que pode
ser útil para que se reverta esse quadro.

A outra diz respeito a manifestações de preconceitos e discriminações dirigidas a algumas


crianças. Essas situações devem ser alvo de reflexão dos educadores para que avaliem sua
prática e a da instituição. Além do diálogo, pode-se planear a realização de projetos
específicos, em que a questão-alvo de preconceito seja trabalhada com as crianças.

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4.7.Reforço da autoestima

A preocupação em demarcar o espaço individual no coletivo é imprescindível para que as


crianças tenham noção de que sua inserção no grupo não anula sua individualidade.

Isso pode se fazer presente, por exemplo, na identificação dos pertences pessoais. O local
escolhido e organizado para guardar os pertences de cada um pode ser identificado por
uma fotografia ou a escrita do seu nome de forma que, pelo reconhecimento dessa marca,
as crianças possam saber que ali estão suas coisas.

Em contrapartida, trabalhar o reconhecimento da marca de outros é também um objetivo


importante, pois favorece a formação do sentimento de grupo.

É importante que os adultos refiram-se a cada criança pelo nome, bem como assegurem
que conheçam os nomes de todos. Para isso, várias atividades podem ser planeadas, com
destaque para brincadeiras e cantigas em que se podem inserir os nomes dos elementos
do grupo, propiciando que sejam ditos e repetidos num contexto lúdico e afetivo.

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4.8.Principais correntes pedagógicas no período contemporâneo

Sigmund Freud: teoria psicossexual


Freud acreditava que a personalidade forma-se nos primeiros anos de vida, quando as
crianças lidam com os conflitos entre os seus impulsos biológicos inatos, ligados às pulsões
e às exigências da sociedade. Considerou que estes conflitos ocorrem numa sequência
invariante de fases baseadas na maturação (amadurecimento) do desenvolvimento
psicossexual, no qual a gratificação se desloca de uma zona do corpo para outra – da zona
oral para zona anal e depois para a zona genital.

Em cada fase o comportamento, que é a fonte principal de gratificação, muda – da


alimentação para a eliminação e, eventualmente, para a atividade sexual.

A teoria de Freud constituiu uma contribuição histórica. Freud fez-nos tomar consciência
dos pensamentos e emoções inconscientes, da ambivalência das relações precoces pai-filho
e da presença, a partir do nascimento, de pulsões sexuais. O seu método psicanalítico
influenciou muito a psicoterapia atual. Contudo, a teoria de Freud inscreve-se na história e
na sociedade da época.

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ErikErikson: teoria psicossocial


Erikson, um psicanalista alemão, fez parte do círculo restrito de Freud em Viena. A sua
larga experiência pessoal e profissional levou-o a modificar e alargar a teoria freudiana,
dando importância às influências da sociedade no desenvolvimento da personalidade.

Enquanto Freud sustentava (apoiava) que as experiências da infância precoce formavam de


um modo permanente a personalidade, Erikson defendia que o desenvolvimento do ego
ocorre ao longo da vida e, é influenciado social e culturalmente.

Na teoria de Erikson o processo de desenvolvimento ocorre em 8 estádios ao longo do ciclo


de vida, cada um dos quais desenvolve-se em torno de uma crise específica ou ponto de
viragem e em que o indivíduo é confrontado com o desafio de alcançar um equilíbrio
saudável entre características alternativas positivas e negativas.

Jean Baker Miller: teoria relacional


A psiquiatra criticou, inicialmente, as teorias psicanalíticas clássicas pela sua orientação
masculina, falhando, assim, na explicação do desenvolvimento das mulheres. Ela e as suas
colegas, acreditavam que tais teorias nem sequer descreviam com rigor o que ocorria nos
homens.

Um problema-chave para Miller, e outros psicanalistas atuais, é o de saber se o


desenvolvimento saudável assenta mais no desenvolvimento do self (do “eu”) ou nas
relações com outras pessoas. De acordo com a teoria relacional de Miller o crescimento da
personalidade ocorre no seio das relações, ocorre dentro de ligações emocionais e não
separado delas.

O conceito de self começa na interação dinâmica com o outro. O bebé identifica-se com a
primeira pessoa que cuida dela, não por aquilo que ela é mas por aquilo que essa pessoa
faz. O bebé responde às emoções das outras pessoas, fica confortável quando os outros
estão confortáveis e atua para construir relações íntimas.

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Durante os primeiros anos de vida e na pré-escola, tanto rapazes como raparigas, em vez
de se esforçarem ao máximo pela autonomia e desenvolvimento do self, continuam a
atribuir uma importância máxima às ligações íntimas.

Contudo, durante o período escolar, ocorre uma divisão entre o desenvolvimento do sexo
masculino e feminino quando, nas raparigas, é encorajado o interesse pelas relações, pela
família e pelos aspectos emocionais, ao passo que os rapazes são orientados para a
competição e para a realização pessoal. Esta oposição acentua-se durante a adolescência e
ávida adulta, em prejuízo quer dos homens quer das mulheres.

A teoria da aprendizagem social


A teoria da aprendizagem social sustenta que as crianças aprendem comportamentos
sociais pela observação e imitação de modelos (normalmente os pais). Contrariamente ao
comportamentalismo, a teoria da aprendizagem social considera o indivíduo ativo.

Na teoria da aprendizagem social, a observação e a imitação de modelos são de particular


importância. As crianças adquirem novas capacidades através da aprendizagem por
observação – olhando os outros. Demonstram a sua aprendizagem mesmo quando o
modelo não está presente. Para estes teóricos a imitação é o elemento mais importante mo
modo como a criança aprende a língua, lida com a agressão, desenvolve um sentido moral
e aprende comportamentos adequados ao género.

A criança avança na sua própria aprendizagem social escolhendo os modelos a imitar. Os


pais nem sempre são a sua escolha. A criança pode escolher outro adulto (professor, uma
personalidade da televisão, uma figura do desporto ou um traficante de drogas). As
crianças tendem a imitar as pessoas de estatutos elevados e cujas personalidades são
parecidas com as suas.

A teoria cognitiva dos estádios de Piaget


Piaget via a criança como um ser ativo, em crescimento, com os seus próprios impulsos
internos e padrões de desenvolvimento. Acreditava que a base do comportamento

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inteligente é uma capacidade inata para se adaptar ao ambiente. Via toda a criança normal
como sendo construtor do seu próprio mundo.

O desenvolvimento para Piaget acontecia numa série de estádios qualitativamente


diferentes. Em cada estádio a criança aprende uma nova forma de operar – de pensar de
responder ao ambiente.

Piaget mostrou-nos que a mente da criança não é uma miniatura da mente do adulto.
Compreendendo como as crianças pensam, torna-se mais fácil, para os pais e
educadores/responsáveis, ensiná-las.

Contudo, Piaget falou principalmente da criança “média” e deu pouca importância às


diferenças individuais. Disse pouco acerca do desenvolvimento emocional ou do modo
como a educação e a motivação afetavam a realização.

Abordagem do processamento da informação


A mais recente abordagem do processamento da informação procura explicar o
desenvolvimento cognitivo através da manipulação de símbolos. Os investigadores estudam
o modo como as pessoas adquirem, recordam e usam a informação.

Os teóricos do processamento da informação comparam a mente a um computador. As


impressões sensoriais (tudo o que vemos, ouvimos, tocámos, gostámos e cheirámos)
entram; o comportamento (incluindo a fala, a escrita e outras respostas) sai.

Esta teoria mantém hoje uma grande influência. Fornece um caminho válido para reunir
informação acerca do desenvolvimento da memória. Contudo, presta pouca atenção à
criatividade, à motivação, à interação social.

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4.9.Estabelecimento de um clima “árido” / “hostil”

Há no nosso dia-a-dia muito abuso de autoridade e a isso chama-se autoritarismo/


despotismo, tendo normalmente características impositivas e coercivas. É importante
compreender que esse abuso normalmente esconde fraqueza, baixa auto estima ou
soberba, medos, ignorância, cansaço, depressões e ofensas recalcadas.

O exercício da autoridade nunca dá o devido resultado quando é mascarado. Não tem a ver
com voz grossa, com ameaças, castigos, rigidez de gestos e distanciamento. Pode
funcionar aparentemente, mas reproduz-se o modelo e gera agressividade.

Portanto a autoridade em si é um Bem, a questão está no modo como se exerce. Tanto a


liberdade como a autoridade levantam a questão da obediência.

É indiscutível que as crianças (todas as pessoas) têm de aprender a obedecer. Mas é


condição igualmente importante perceber o porquê dessa necessidade.

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A obediência tem de ser apreendida pelas crianças como sendo um bem que as vai
proteger a elas, aos irmãos, aos pais. Também vai consolidar hábitos importantes para os
fazer crescer. Sem obediência não era possível viver com ordem e com segurança, as
pessoas não se entendiam.

O importante é que ela, criança, perceba, na experiência de obedecer, que o poder de tirar
e dar dos pais ou dos mais velhos, não é feito ao sabor da onda ou do desejo de quem tem
o poder e o usa a seu belo prazer. Quando isso acontece as crianças sentem-no como
injustiça — o que as afeta muito, transformando-se em sentimentos de revolta.

Às vezes é preciso ser impositivo, mesmo a contragosto, sobretudo quando se trata do


cuidado com a vida e com a saúde.

A questão da obediência prende-se com a disciplina, que tem a ver com a ordem das
coisas, com as regras, com os hábitos, com os métodos. A disciplina é apenas o fio
condutor do relacionamento (pai e filho, mãe e filho, professor/educador/animador/aluno),
que é estruturante do carácter, tecido desde o nascimento, até ser jovem adulto. A
disciplina “respira-se” no ambiente em que a criança vive.

Portanto, há cuidados a ter desde o início, como por exemplo: o clima que se cria no
quarto, na casa, no banho a horas, no mudar as fraldas, no tempo de repouso e de brincar,
no vestir, no dar as explicações necessárias e no tom com que se dá.

Portanto, a disciplina prende-se com o ritmo, com um tempo e um lugar para cada coisa.
Logo, o importante para a educação na base da verdadeira disciplina, é criar um ambiente
saudável e tranquilo.

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4.10.Orientar a criança

As crianças aprendem auto controlo quando os adultos as tratam com dignidade e usam
técnicas de disciplina, tais como:
• Orientar as crianças através de limites claros, consistentes e justos em relação ao
comportamento na sala, ou no caso de crianças mais velhas, ajudando-as a
estabelecer os seus próprios limites;
• Valorizar os erros como oportunidades da aprendizagem;
• Reorientaras crianças para comportamentos ou atividades mais aceitáveis;
• Escutar as crianças quando falam sobre os seus sentimentos e frustrações;
• Guiar as crianças para que elas resolvam conflitos, modelando competências que
ajudem as crianças a resolver os seus próprios problemas;
• Lembrar pacientemente às crianças, quando tal seja necessário, as regras e as
razões para essas mesmas regras.

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4.11. Ensinar a criança

Na instituição de educação infantil, pode-se oferecer às crianças condições para as


aprendizagens que ocorrem nas brincadeiras e aquelas advindas de situações pedagógicas
intencionais ou aprendizagens orientadas pelos adultos. É importante ressaltar, porém, que
essas aprendizagens, de natureza diversa, ocorrem de maneira integrada no processo de
desenvolvimento infantil.

Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens


orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das
capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros numa atitude
básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos
mais amplos da realidade social e cultural.

Neste processo, a educação poderá auxiliar o desenvolvimento das capacidades de


apropriação e conhecimento das potencialidades corporais, afetivas, emocionais, estéticas e
éticas, na perspetiva de contribuir para a formação de crianças felizes e saudáveis.

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4.12.Relacionar a criança com outras crianças da sua idade

As crianças fazem amigos tal como os adultos. Se são eficientes, aproximam-se dos
estranhos com toda a abertura; as que são menos hábeis rondam a brincadeira até que
alguém vá ao seu encontro. Na fase em que se formam grupos de crianças em torno de
uma atividade, a entrada num grupo é relativamente simples. Se as crianças estão a
construir torres, aquela que está à espera pega nos seus próprios blocos e começa a
construir também.

Pode haver uma troca verbal para comunicar ou comentar qualquer coisa e oferecer ajuda.
Mesmo quando as crianças entre os 2 e os 3 anos participam em brincadeiras imaginativas,
é relativamente fácil para a outra criança juntar-se ao grupo e fazer o mesmo que as
outras estão a fazer.

Mais tarde, isto torna-se muito mais fácil. Quando todos estão envolvidos em determinadas
atividades, um corpo estranho perturba.

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Quando as crianças desempenham vários papéis, qualquer outra que entre no jogo tem de
conseguir um papel que seja aceitável para as outras.

Estudos realizados neste domínio permitem concluir que as crianças populares são:
• Amigáveis. As crianças gostam daquelas que as arrastam para uma brincadeira.
• Extrovertidas. As crianças sociáveis são mais populares do que as tímidas; as
crianças que falam sempre e que nunca ouvem não são populares.
• Brilhantes. A inteligência ajuda a criança a compreender rapidamente qualquer
coisa e explicar os pormenores às outras.
• Hábeis. Os talentos específicos são sempre admirados.
• Atraentes. Quanto mais imponente é o físico de uma criança, mais ela é admirada
pelos seus pares.

Outros fatores que importam são:


• A situação familiar. As crianças mais novas são mais populares do que as que
nasceram primeiro.
• O tamanho. Ser das mais altas é popular; ser muito alto não é. As crianças gordas
são menos populares.
• O nome. Um nome apreciado é importante, sobretudo para os rapazes.

Características que intimidam os amigos:


• O autoritarismo. As crianças agressivas, fanfarronas, más e dominadoras são
impopulares, tal como as rancorosas.
• A imprevisibilidade. Mau humor e manipulação ao são apreciados; as crianças
gostam se saber o que as espera.

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Bibliografia

AA VV., Enciclopédia da psicologia infantil e juvenil, Ed. Lusodidata, 1995

AA VV., Orientações curriculares para a educação pré-escolar, Ministério de Educação:


Departamento de Educação Básica, 1997

AA VV., Pensar formação – Formação de pessoal não-docente (animadores e auxiliares/


assistentes de ação educativa), Ministério de Educação: Departamento de Educação Básica,
2003

Dias, J.M., A Comunicação Pedagógica, 3ª ed., Coleção Formar Pedagogicamente, Lisboa,


I.E.F.P, 1993

Fachada, Maria Odete, Psicologia das relações interpessoais, Edições Sílabo, 2010

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Termos e condições de utilização

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