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Escola Superior de Educação de Santarém

Instituto Politécnico de Santarém

Curso: Educação e Comunicação Multimédia Pós -Laboral

Expressões Artísticas e Contemporâneas

Amadeo de Souza Cardoso

Docente: Prof. Célia Barroca

Discente: Ricardo Caseiro

Nº: 090236006

Santarém,13 de Janeiro de 2010


Amadeo de Souza Cardoso

Diz-se que Amadeo passou como um cometa pela pintura moderna: de forma breve mas
intensa.

Amadeo Ferreira de Souza-Cardoso nasceu a 14 de Novembro de 1887, em Manhufe,


freguesia de Mancelos, concelho de Amarante. Filho de José Emídio de Souza-Cardoso,
grande proprietário rural e de Emília Cândida Ferreira Cardoso. O seu tio materno,
Francisco José Lopes Ferreira Cardoso, carinhosamente apelidado de “Tio Chico”,
apoia-o desde muito novo na sua vocação artística.

Em 1905, Amadeo parte para Lisboa com a intenção de seguir o curso de Arquitectura
na Academia de Belas-Artes. É na Capital que desenvolve a actividade de desenhador e
sobretudo de caricaturista, desde logo apoiada e apreciada pelo seu amigo Manuel
Laranjeira.

Nos meses de Junho e Julho do ano seguinte conclui com sucesso três disciplinas de
desenho: Desenho linear geométrico – 11 valores; Desenho de ornato por estampa – 13
valores; Desenho de figura por estampa – 18 valores.

No dia em que completa 19 anos parte para Paris na companhia de Francisco Smith e
vai viver no Boulevard de Montparnasse. Frequenta ateliês de preparação para o
concurso à Escola de Belas Artes com o objectivo de cursar Arquitectura.

A 6 de Janeiro de 1907, realiza-se um jantar no restaurante Daumesmil, no Quartier


Latin, Amadeo desenha a ementa e nela coloca a caricatura de todos os comensais, no
dia 13 de Janeiro este desenho é publicado no jornal portuense “O Primeiro de Janeiro”.
Desiste da Arquitectura para se dedicar inteiramente à pintura e reinstala-se no número
33 da Rua Denfert-Rochereau. Em Outubro realiza uma viagem à Bretanha
acompanhado pelo pintor português Eduardo Viana.

Em 1908 aluga o estúdio nº 21, no 14 Cité Falguiére onde reúne artistas portugueses –
Manuel Bentes, Emmérico Nunes, Eduardo Viana, Domingos Rebelo, Francisco Smith
entre outros. Um excerto de uma entrevista de Domingos Rebelo ao jornal “O Século”,
a 20 de Outubro de 1970, deixa vislumbrar um pouco das tertúlias que por lá se faziam.
“ [...] o atelier de Amadeo de Sousa Cardoso, no 14 Cité Falguière, que era de todos
nós o que vivia com maior abastança, pois era filho de uma rica família de Amarante
[...] tornou-se um centro de reunião. Iam lá todas as noites o Manuel Bentes, o Ferraz,
o arquitecto Collin, o Emmérico Nunes e eu. [...] ”.

Ainda nesse ano conhece Lúcia Pecetto com quem viria a casar em Portugal no ano de
1914.
Em 1909 volta a mudar de estúdio, desta feita para o nº 27, Rue des Fleures. É um ano
importante este na medida em que passa a frequentar a Academia Viti dirigida pelo
pintor espanhol Anglada Camarasa
e que conhece o pintor italiano
Amadeo Modigliani.

Dois anos depois volta a mudar-se,


agora para o nº 3 da Rue du
Colonel Lombes onde expõe
juntamente com Modigliani.
Relaciona-se com o crítico Walter
Pach e com os artistas Archipenko,
Brancusi, Picabia, Juan Gris, Diego
Rivera, Sónia e Robert Delaunay.
Expõe seis trabalhos no XXVIII
Ciganos / Espanha Salon des Indépendants em Paris.
Óleo s/ madeira
34x52,3 cm
c.1909-1910 Em 1912 Amadeo de Souza-Cardoso publica o álbum “XX
Dessins” com prefácio de Jerôme Doucet. Desenha e ilustra o
manuscrito de “La Légende de Saint Julien L’Hospitalier” de Flambert. Expõe no XVIII
Salon des Indépendants (Paris) e no Salon d’Automme (Paris). Conhece Boccioni e
Severini.

No ano seguinte participa no Armory Show, em Nova Iorque, com oito trabalhos,
exposição essa repetida em Chicago e Boston. Três destes trabalhos são adquiridos pelo
crítico de arte Arthur Jerome Eddy. Expõe colectivamente no I Salão de Outubro de
Berlim, conhece o pintor alemão Otto Freundlich.

A preocupação pelo bem-estar dos seus familiares está sempre bem patente nas missivas
que o vão mantendo em contacto com a família, exemplo disso é este excerto da última
carta que manda de paris para Portugal: “ [...] vou mandar-lhe por este correio o livro
de Maurras. Queira dizer à Avozinha que muitas vezes penso n’ela e dar-lhe saudades.

Dê-me sempre notícias suas na certeza de serem particularmente estimadas, e aceite


um bom abraço do seu de todo o coração.

Amadeo

Paris, 28 de Abril de 1914.”

Algumas das suas obras são reproduzidas no livro de Arthur Jerome Eddy “Cubist and
Post-Impressionist”. Em Abril de 1914 envia três trabalhos para o London Salon,
exposição que entretanto não se realiza devido ao início da I Grande Guerra Mundial.
No Verão desse ano encontra-se em
Barcelona com o arquitecto Antoni Gaudi e
visita o seu amigo escultor Sola.
Surpreendido pela eclosão da Guerra, em
Madrid, regressa a Manhufe dividindo o
tempo entre a casa materna (já casado com
Lúcia) e a casa de Espinho.

Em Manhufe, Amadeo de Souza-Cardoso


trabalha na Casa do Ribeiro, casa pertencente
ao tio Francisco. No ano de 1915 o casal
Sónia e Robert Delaunay chega a Portugal e
instala-se em Vila do Conde onde Eduardo

Pintura - c.1914 Viana é visita frequente.


Óleo sobre tela
46 x 33 cm
Em 1916 Amadeo publica uma selecção de “12
Col. José Ernesto de Souza-Cardoso
Museu Municipal Souza-Cardoso Reproductions” (Porto, Tipografia Santos). Em Lisboa,
Amarante, Portugal
o pintor encontra-se com José de Almada Negreiros e o
Grupo da Revista Orpheu, revista que tencionava publicar um terceiro número no qual
reproduziria obras de Amadeo. É neste ano que o artista realiza duas exposições em
Portugal. A primeira, em Novembro, no Porto, mais concretamente no Jardim Passos
Manuel, tem como título: “Abstraccionismo”. Composta por 84 pinturas a óleo e a cera,
19 aguarelas e 11 desenhos, esta exposição é recebida com hostilidade por parte do
público. Em Lisboa, a mesma, realiza-se na Liga Naval, não tem título e é acompanhada
por um texto/manifesto de Almada Negreiros.

Em 1917 o mesmo Almada dedica-lhe o livro “K 4 o Quadrado Azul”. Sónia e Robert


Delaunay partem para Madrid mas continuam a manter uma profícua correspondência
com os seus amigos portugueses.

Em Abril realiza-se uma sessão futurista no Teatro da República, da qual surge a ideia
de publicar a revista “Portugal Futurista” que foi apreendida. Nela constavam três
obras de Amadeo.

No ano de 1918 uma doença de pele impede Amadeo de pintar. A 25 de Outubro morre
bruscamente em Espinho, vítima da epidemia “pneumónica” que assolou a Europa no
final da Guerra.
A sua obra fica praticamente desconhecida até 1952 quando se dá o descobrimento que
culmina no S. N. I. Em 1959.

Pôde, então, verificar-se o extraordinário mérito deste artista desde os primeiros


desenhos e pinturas, de carácter decorativo e orientalizante , à época cubista, que em
breve ultrapassaria entrando numa fase de intenso experimentalismo abstralizante , em
que o seu vivo temperamento de colorista e o seu deslumbrado apego às formas do
"torrão natal" se combinam em sínteses de espantosa força e admirável originalidade,
em que se revela um poder inventivo que precedeu, em muitos aspectos outros artistas
bem mais famosos, como Delaunay ou Léger.

Iniciou o seu trabalho com pequenas "pochades" de impressão.

Depois, com Modigliani expõe no XXVII Salon des Indépendents de Paris que o
classifica de um estilo precioso e mundano
com algo decorativo no seu grafismo
estilizado, cujo colorido é espectacular de
influência oriental luxuosa.

A sua obra é caracterizada por:


- paisagens exóticas com estilizações
prodigiosas;
- aspectos decorativos e surpreendentes
com desenhos cubistas que transmitem:
elegância; mistério; imaginação; emoção;
poesia e simbolismo.

Na sua pintura revela um sentimento


romântico com o fascínio da sua cor; com
o sentido feérico, Amadeu acumula
Canção Popular a Russa e o Fígaro - c. 1916 elementos geométricos caligráficos, com
Óleo sobre tela
80 x 60 cm linhas encurvadas azuis, verdes, rosas,
Centro de Arte Moderna / Fund. Gulbenkian laranjas e amarelas que conduzem a uma
Lisboa, Portugal
acção extremamente dinâmica. Este
dinamismo implica movimento e velocidade, sinais de uma vida futurística.

A obra de Amadeu é a passagem do figurativo ao abstracto, cujas funções são espaço e


luz conduzindo à forma do cubismo.

Este é um dos estilos das artes plásticas mais salientes no primeiro quartel do século
XX, oposto ao impressionismo, pelo facto de substituir a análise da cor pela das formas
dos objectos, com tendência para a geometrização dessas formas.

Detentor de uma vasta obra, num curto tempo de vida, apresenta dezenas de óleos,
aguarelas e desenhos que se encontram integrados no " Parto da Viola" que é um
conjunto de obras de difícil classificação histórica lembrando Cubismo e Futurismo,
mas já reagindo contra estes. Tudo joga e se contradiz num "non sens".

A sua obra apresenta um mundo progressivo de tensão dramática com um crescimento


de raiva. Este futurismo é implícito ao dinamismo sintáctico da intelectualização
futurista dos seus amigos lisboetas.

A Obra de Amadeo é a realidade da chegada inédita ao abstraccionismo de linha cubista


com a proposta de um purismo " avant-la-lettre" sem o apoio do grupo baseado na sua
revolta pessoal contra o destino.

O cubismo em expansão por toda a Europa foram influências marcantes no seu cubismo analítico.

Amadeo de Souza-Cardoso explora o expressionismo e nos seus últimos trabalhos experimenta novas formas e
técnicas, como as colagens e outras formas de expressão plástica.

Prémio Souza-Cardoso

Em 1925, a França realizou uma retrospectiva do pintor, com 150 trabalhos, bem aceites pelo público e pela
crítica. Dez anos depois, em Portugal, foi criado um prémio para distinguir pintores modernistas, que recebeu o
nome de "Prémio Souza-Cardoso".

Amadeo de Souza-Cardoso era um visionário, vivia fora de seu tempo, tal como outros tantos, pagou um alto
preço por isso.

Crítica feita por Almada Negreiros a Souza Cardoso

Algumas das obras do seu vasto espólio


Algumas das obras do vasto espólio

Saut du Lapin - 1911


Óleo sobre tela
50 x 61,3 cm
The Art Institut of Chicago – EUA

Retrato de Francisco Cardoso - c. 1912


Óleo sobre cartão
35 x 27 cm

Museu Municipal Souza-Cardoso


Amarante, Portugal
Menina dos Cravos -1913
Óleo sobre madeira
40 x 29 cm
Museu do Caramulo - Caramulo, Portugal

Cabeça - c. 1913
Óleo sobre tela
61 x 50 cm
Centro de Arte Moderna - Fundação Calouste Gulbenkian
Lisboa, Portugal

Paisagem Basca
Óleo s/ cartão
39,7x31,7 cm
c.1914

Luto Cabeça Boquilha


Óleo s/ tela
50x50 cm
c. 1914-1915